INFLUÊNCIA NA QUALIDADE DO MEL DE Apis mellifera AFRICANIZADA, ALOJADAS EM CAIXAS LANGSTROTH, MADEIRA DE PINHO E OU EUCALIPTO, COBERTAS COM TELHAS PET ECOLÓGICA E DE FIBROAMIANTO Lívia Matsumoto da Silva (PIBITI/CNPq-UEM), Lucimar P. M. Pontara (Orientador), e-mail: [email protected]. Universidade Estadual de Maringá/Departamento de Zootecnia/Maringá, PR. Ciências Agrárias – Zootecnia. Palavras-chave: Apis mellifera, coberturas, análise de mel Resumo: O objetivo deste trabalho foi o analizar as características químicas dos méis de enxames com coberturas convencionais de fibroamianto e telhas confeccionadas a partir de embalagens PET. O experimento foi realizado no setor de Apicultura, na Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI), município de Mandaguaçu, do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá. O período para a coleta de dados foi de 01/09/2009 a 31/06/2010. Foram utilizadas 16 caixas padrão, modelo Langstroth sendo: oito caixas com cobertura de telha fibroamianto, e oito caixas com cobertura pet ecológica, dispostas em paralelo e zigue-zague com alternância entre as telhas. Foram realizadas análises físico-químicas, microscópicas e microbiológicas dos produtos armazenados nos favos de abelhas Apis mellifera africanizadas. As amostras de méis dos dois sistemas de cobertura analisadas encontram-se dentro das especificações brasileiras para as características analisadas. Valores observados com diferencial positivo foram os de Winkler (0,768 mg/kg e 0,96 mg/kg), umidade (15,6% e 16,6%) e acidez (28,28 meq/Kg e 29,29 meq/Kg) para a cobertura PET e de fibroamianto respectivamente. Para as análises microbiológicas apenas os valores obtidos para os teores de bolores (UFC/g) 1,5x10² (PET) e 2x10² (fibroamianto) foram superiores aos valores padrão (1,0x10²). Os resultados indicaram que as características avaliadas dos dois méis estão de acordo com as legislações vigentes neste país e que os méis provenientes das melgueiras cobertas com telhas PET apresentaram os melhores resultados. Introdução Visando maior produtividade na apicultura nacional, se faz necessário procurar práticas que dêem às abelhas melhores condições internas e externas nas colméias. Dessa forma, a cobertura cumpre funções básicas, entre as quais a de proteção contra sol e chuva. (SALLES et al, 2003). Uma nova tecnologia que pode ser estudada para se buscar resultados é a utilização da telha pet ecológica desenvolvida por LUSTOSA (2007). É de suma importância garantir a qualidade do mel de abelhas e, para isso, após a colheita e durante o seu armazenamento, se faz necessário realizar avaliações físico-químicas, microscópicas e microbiológicas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com o Regulamento de Identidade e Qualidade do Mel. O objetivo deste trabalho foi o analizar as características químicas dos méis de enxames com coberturas convencionais de fibroamianto e telhas confeccionadas a partir de embalagens PET. Materiais e métodos O experimento foi realizado no setor de Apicultura, na Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI), município de Mandaguaçu, do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá. O período para a coleta de dados foi de 01/09/2009 a 31/07/2010. Foram utilizadas 16 caixas padrão, modelo Langstroth, sendo: oito caixas com cobertura pet ecológicas e oito caixas com cobertura de telha fibroamianto, dispostas em paralelo e zigue-zague com alternância entre as telhas, alojadas na sombra e dispostas diretamente ao intemperismo do clima. A telha pet ecológica utilizada neste experimento foi construída por um esquadro de madeira medindo 70 x 85 cm coberto primeiramente com caixas de leite tetra pak abertas com a parte de alumínio voltada para o sol e acima dessa cobertura, as garrafas pet cortada. Segundo Lustosa (2007), para a fixação da telha na tampa da caixa, o ideal foi utilizar a parte cortada superior da garrafa com 13 cm que vai da tampa ao início do corte da garrafa. As colméias foram homogeneizadas, padronizadas e alimentadas três vezes por semana com o xarope de água e açúcar na proporção 1:1 (Embrapa, 2003), sendo suspenso em momento que antecedia o pico que floradas. A coleta de mel se fez no período do verão e início de outono, de acordo com as normas de boas práticas de manejo. Foram efetuadas as análises físico-químicas, microscópicas e microbiológicas sendo efetuadas nos laboratórios de Bioquímica de Alimentos, Farmacognosia e de Microbiologia da Universidade Estadual de Maringá, seguindo as recomendações contidas na Instrução Normativa do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (Brasil, 2000). No exame microscópico do mel, foram analisadas a presença ou ausência de grãos de pólen, grãos de amido, cristais de glicose, partículas de cera e sujidades. As reações físico-químicas realizadas foram: Lugol, Lund, Winkler, prova dos fermentos diastásicos, pH da amostra e da água, umidade e acidez livre. Nas análises microbiológicas, realizadas em triplicata, foi determinada a presença/ausência de bactérias do grupo coliformes à 35ºC e 45ºC, Salmonella spp, bolores e leveduras, segundo Siqueira (1995). Resultados e Discussão Os resultados obtidos para as análises microscópicas e físicoquímicas dos méis provenientes pelos dois sistemas de cobertura podem ser observados na Tabela 01, e os resultados para as análises microbiológicas dos méis na Tabela 2. Tabela 1 – Resultado das análises microscópicas e físico-químicas de mel de cobertura PET, fibroamianto e os limites estabelecidos pelo MAPA MICROSCÓPICAS Grão pólen Grão amido Cristal glicose Partículas cera Sujidade PET presente ausência ausência ausência fibras FIBROAMIANTO presente ausência ausência raro raro (fibra e abelhas) MAPA presença ausência predominante pode ter Cor FÍSICO-QUÍMICAS Lugol Lund (mL) Winkler Fermentos diastásicos pH amostra pH água Umidade (%) Acidez (meq/Kg) âmbar PET negativo 1,25 0,768 presente 4,62 6,33 15,6 28,28 âmbar FIBROAMIANTO negativo 1,1 0,96 presente 4,72 6,33 16,6 29,29 incolor - pardo MAPA negativo 0,6 a 3 Máximo 60 mg/kg ausência 3,42 - 6,10 máximo 20% Máximo 50 meq/Kg Tabela 2 – Resultado das análises microbiológicas de amostra de mel de cobertura PET, fibroamianto e os limites estabelecidos pelo MAPA Microbiológico PET Fibroamianto MAPA Bolores (UFC/g) 1,5x10² 2x10² 1,0x10² Leveduras (UFC/g) <1,0x10² <1,0x10² 1,0x10² Coliformes 35ºC (NMP/g) <3,0 <3,0 <3,0 Coliformes 45º C (NMP/g) <3,0 <3,0 <3,0 Salmonela (em 25g) Ausente Ausente 0 Clostrídio Sulfito Redutor (UFC/g) <10 <10 0 Os resultados mostraram que segundo os requisitos microscópicos, tanto a amostra de mel das melgueiras cobertas por telha PET quanto as cobertas com telhas de fibroamianto, se encontram dentro dos padrões exigidos pelo MAPA, salvo a ausência de cristais de glicose em ambos os méis, que divergem do que é exigido pelo Ministério. Os valores das análises físico-químicas mostraram que, segundo a reação de Winkler, o hidroximetilfurfural é presente em ambos os méis, em teores acima do permitido pelo MAPA. Porém, o mel proveniente de melgueiras cobertas pela telha analisada apresenta menor valor de HMF em relação ao mel de melgueiras cobertas por telhas convencionais (telha PET: 0,768 mg/kg; telha fibroamianto: 0,960 mg/kg). Além disso, houve presença de fermentos diastásicos, o que diverge do padrão estabelecido. Segundo os resultados das análises microbiológicas, observa-se que os valores encontrados para bolores estão acima do limite estabelecido pelo MAPA. Porém, o mel proveniente das melgueiras cobertas por telhas PET, apresenta um valor de unidade formadora de colônias de bolores menor que o mel de melgueiras cobertas por telhas convencionais. Conclusões De acordo com a realização destes testes, pode-se afirmar que os dois méis estão de acordo com as legislações vigentes neste país. Os méis provenientes das melgueiras cobertas com telhas PET apresentaram menor teor de hidroximetilfurfural, determinado pela reação de Winkler, melhor resultado de acidez livre e melhor teor de umidade. Além disso, a presença de bolores foi menor no mel proveniente das melgueiras com telha PET, indicando maior eficiência desse tipo de telha em relação ao convencional (fibroamianto). Agradecimentos: Ao Cnpq pela concessão da bolsa PIBITI Referências BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa 11, de 20 de outubro de 2000, Regulamento técnico de identidade e qualidade do mel. Brasília, 2000. EMBRAPA. Produção de mel, 2003. Disponível em: <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Mel/SPMel/alim entacao.htm> Acesso em: 19 de Maio de 2008. LUSTOSA, R. Projeto telha pet da Emater recebe premiação nacional. 2007 Disponível em: <http://www.governodopara.pa.gov.br/noticias/materia.asp? id_ver= 18992> . Acesso em: 14 de Maio de 2008. SALLES, A.S.; CURVELLO, F.A.; CORRÊA, G.S.S.; CORRÊA, A.B. Avaliação da cor da caixa, tipo e altura de cobertura e temperatura sobre a produção de mel em abelhas (Apis mellifera). Revista Universidade Rural, Série Ciências da Vida. 2003, 22, 2. SIQUEIRA, R. S. Manual de microbiologia de alimentos. Serviço de Produção de Informação. Brasília: Embrapa, 1995.