OS 10 MANDAMENTOS DO ESTUDANTE DE PSICOLOGIA Hérica Apolinário1 1 INTRODUÇÃO Ao 1° Ciclo de Psicologia, Através dessa carta queremos informá-los sobre os bastidores da Psicologia, a realidade que descobrimos apenas no final do curso. Neste semestre aprendemos sobre as falhas da formação de Psicologia e o resultado disso no mercado de trabalho. No primeiro ano de Psicologia é normal idealizarmos a profissão, mas é importante que mantenhamos os “pés no chão” sobre ela. Pois, como proferido por Matos (2000 s/p ), a graduação em Psicologia deve pressupor e garantir uma formação científica sólida, que promova a superação da dissociação entre teoria e prática, vinculando a capacidade de conhecimento da realidade social e científica com a possibilidade de sua transformação. Segundo Cruz e Souza (2006 s/p) construir a inserção profissional no mundo do trabalho implica não apenas no saber, mas, também no saber-fazer. Diante das transformações do mundo atual e das diferentes exigências do trabalho e da profissão, é necessário desenvolver competências essenciais para agir de forma eficaz, segura, consequente e antecipatória, visando reduzir riscos para si e para os outros. Em sentido geral, saber cuidar da inserção e do desenvolvimento profissional, no contexto das transformações do mundo do trabalho e no da organização dos espaços vitais de aprendizagem e de interações humanas. Ao longo de 5 anos de faculdade vocês enfrentarão vários desafios e não será diferente depois de formados, por isso, é necessário ter clareza de que fizeram a escolha certa, sendo essencial a motivação para fazer uma boa formação e assim, resultar em bons profissionais. 1 Acadêmica do 8º. período do Curso de Psicologia – Faculdade Dom Bosco. Para ajudá-los, criamos 10 mandamentos indispensáveis para uma boa formação. Leiam e repensem sobre as atitudes que estão tomando perante a profissão que escolheram. Também, serão apresentadas 10 disciplinas propostas para melhorar a formação do psicólogo e melhor preparar os acadêmicos para o mercado de trabalho. 1° MANDAMENTO: TER COMPROMETIMENTO COM A SUA ESCOLHA Segundo Morosini (2007 s/p) entendemos por comprometimento com a aprendizagem, a relevância dada ao como aprender, isto é, a variedade e intensidade de meios utilizados para tal, como também o tempo disponibilizado para esse fim, ou seja, “o comprometimento do estudante com a aprendizagem é o envolvimento individual com atividades relevantes que são instrumentais para sua aprendizagem”. Seu comprometimento vai além de notas altas, deve haver um comprometimento com a escolha que fez, com a profissão que escolheu e na premissa de ser um bom profissional no futuro. 2° MANDAMENTO: PROSTITUA-SE ENTRE AS ABORDAGENS De acordo com Ribeira (2001) existem muitas formas de entender e conceituar os conteúdos psicológicos e, dependendo do enfoque dessa análise, surgem as diferentes teorias que vão compreender e explicar a natureza humana, as chamadas abordagens ou linhas teóricas da Psicologia como a Psicanálise, a Psicologia Existencial-Humanista, o Psicodrama, a Psicologia Comportamental, entre outras. Embora cada uma delas estude o homem de uma forma diferente, todas buscam compreendê-lo de maneira global e todas contribuem na obtenção de uma visão mais precisa e detalhada da condição e das características humanas. No meio dessa diversidade, o estudante de Psicologia fica apreensivo em escolher uma abordagem, ou escolhe uma no início e descarta as demais. Esse é o pior erro, pois, todas as abordagens ensinam muito e só engrandecem o conhecimento. Por isso, é muito importante que o psicólogo conheça todas as abordagens para ser um bom profissional 3° MANDAMENTO: IR ALÉM DA FORMAÇÃO (NÃO SE CONTENTAR) É importante o estudante de Psicologia saber que precisa ir além dos conhecimentos fornecidos pela faculdade, por que não é o suficiente para ser um bom profissional. A faculdade provê uma formação generalista e ela não supre as exigências do mercado de trabalho. Ribeiro (2014) ressalta que precisa extrapolar os ensinamentos da faculdade, pois, mais do que simplesmente fazer um curso superior, para obter sucesso no mercado de trabalho ao se formar, optar por cursos fora do currículo da graduação, pode ser um diferencial. 4° MANDAMENTO: TERAPIA (ENTENDA-SE) Ao longo da formação, vocês irão conhecer pessoas que não estão interessadas em fazer da Psicologia uma profissão, mas, usam a Psicologia como se fosse uma terapia para se entender (se conhecer), e não é esse objetivo do curso de Psicologia. Para o estudante de Psicologia é importante fazer terapia, por que para ser Psicólogo é indicado que administre suas questões para ajudar o outro. E, para isso, precisa se ajudar primeiro. Assim, de acordo com Froes (2006) o processo terapêutico é mais do que um processo de autoconhecimento e de autodesenvolvimento é acima de tudo, uma das atitudes mais sábias, pois temos que cuidar da saúde mental, não só do físico. 5° MANDAMENTO: NÃO JULGUE A MATÉRIA PELO PROFESSOR Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o!. (NIETZSCHE,1990 p. 57) Podemos assim, pensar no rio da vida como o rio “formação”, não se atendo ao professor como um guia, mas sim, buscando estabelecer sua própria formação de forma autônoma, construindo suas próprias pontes para uma formação eficiente. Assim sendo, mesmo que haja antipatia por algum professor, vocês poderão buscar por conta própria os conhecimentos abordados nas matérias. 6° MANDAMENTO: VOLUNTARIE-SE. IMPORTÂNCIA DO ESTÁGIO NÃO OBRIGATÓRIO Devido ao crescimento das exigências do mercado de trabalho quanto à qualificação profissional do psicólogo, a graduação já não é mais requisito suficiente para assegurar ao recém-formado, um bom emprego. Por esse motivo, surge a necessidade de recorrer a formas complementares de formação, através de especializações e estágios. Ao longo da faculdade, o estudante tem pouco contato com experiência prática ofertada pela grade curricular, o que o leva à procura de prática fora da instituição, atividade não obrigatória. Segundo Astin (1993), os estudantes que participam de atividades não obrigatórias têm menor probabilidade de evadir e têm maiores chances de satisfação com suas experiências na universidade. Bride e colaboradores (2000), também afirmam que a prática de atividades complementares favorecem o comprometimento com o curso, variável de grande importância na permanência no ensino superior. 7° MANDAMENTO: PRÓ-ATIVIDADE Apesar das divergências sobre a definição de pró-atividade, existe um consenso entre as duas definições mais adotadas nos estudos atuais, a de Bateman e Crant (1993) e a de Frese, Kring, Soose e Zempel (1996). Bateman e Crant (1993) definem a pró-atividade como um protótipo de pessoa que altera o ambiente, não se deixando limitar pelas forças situacionais. São indivíduos que buscam oportunidades de mudanças visando melhorias, mostram iniciativa, antecipam e solucionam problemas, são ativas, perseveram até alcançar seus objetivos, são mais ativamente envolvidas e desenvolvem atividades profissionais que ressaltam redes interpessoais de trabalho que potencializam suas carreiras. (BATEMAN, CRANT, 1996). Em 1996, Frese et al. apresentaram o conceito de iniciativa pessoal como uma síndrome comportamental que resulta em uma tomada de ação individual e de iniciativa, voltada para o trabalho, e que vai além do que é formalmente requerido em um dado trabalho. Mais especificamente, a iniciativa pessoal é caracterizada pelos seguintes aspectos: 1) é condicionada à missão da organização; 2) tem foco de longo prazo; 3) possui metas direcionadas e ação orientada; 4) é persistente em face às barreiras e contratempos; e 5) tem iniciativa e pró-atividade. 8° MANDAMENTO: PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA Amarás a ciência acima das outras crenças. Esse é um mandamento fundamental, para quem deseja ter a Psicologia como profissão. Estudando a história da Psicologia, vemos que ela nasceu na Filosofia e percorreu um longo caminho para ser reconhecida como ciência. A Psicologia buscou na teoria Positivista respaldo para afirmar sua cientificidade. Wundt foi o fundador do primeiro laboratório de Psicologia, em 1879. Assim, a Psicologia tornou-se ciência, pois fazia experiências que respeitavam os critérios comtianos. O experimento de Wundt com o metrônomo, tendo como método científico a introspecção analítica, trouxe a possibilidade de descrever as impressões psicológicas relacionadas aos estímulos externos. Assim, ele demonstrou que as sensações cotidianas podiam ser recriadas em laboratório seguindo os critérios da ciência positivista. É importante ter em mente sempre, desde o início da caminhada acadêmica que a Psicologia é uma ciência e devemos separá-la das crenças particulares, também do conhecimento do senso comum. Cada vez que a Psicologia, como ciência, é misturada com outras crenças, retrocedemos à Psicologia na história, diminuindo seu valor e desmerecendo os estudiosos que nos antecederam. 9° MANDAMENTO: EMPREENDEDORISMO Segundo Hisrich & Peters (2002), o empreendedorismo se caracteriza como uma capacidade de identificar oportunidades e criar algo inovador sob condições de incerteza, assumindo os riscos aí envolvidos. Persistência e visão de futuro envolvem o processo de empreender que tem como resultado uma nova maneira de realizar um trabalho – um novo produto, serviço ou atividade – ou a criação de um novo empreendimento. Ou seja, o empreendedor é aquele que desenvolve a habilidade de empreender, de mudar e conquistar. A palavra “empreendedor” se refere ao próprio ser, ao próprio ego. Para ser um empreendedor não é necessário abrir um negócio próprio. Empreendedores são pessoas que não ficam estáticas ou imutáveis, que ousam quebrar as regras, que apresentam como características, a criatividade, a capacidade de organização e planejamento, reponsabilidade, capacidade de liderança, habilidade de trabalhar em grupo, amor pela área em que atuam, visão de futuro e coragem para assumir riscos, entre outras. Concluímos que ter uma atitude empreendedora é o que os tornarão profissionais da Psicologia, em destaque. Ter coragem para empreender ideias inovadoras, atender às demandas de forma criativa, fará com que o profissional se estabeleça, conquistando seus clientes nessa profissão onde a concorrência é cada vez maior. 10° MANDAMENTO: FACULDADE PASSA, AMIGOS FICAM. Nos cinco anos de curso, vocês aprenderão diversas teorias, passarão por diversas provas, inúmeros trabalhos e que Deus os ajude, por poucas finais, mas tudo isso terá um fim no tão esperado décimo período. O que ficará serão apenas os vínculos construídos no decorrer desses anos, muitos colegas, profissionais admiráveis e amigos que levarão para toda a vida. Nesse sentido, Paulo Freire (2005, p 216), afirma: O lugar onde se faz amigos não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários conceitos...Escola é, sobretudo, gente. Gente que trabalha, que estuda, Que se alegra, se conhece, se estima. O diretor é gente, o coordenador é gente, o professor é gente, o aluno é gente, E a escola será cada vez melhor Na medida em que cada um Se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados. Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém Nada de ser como tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, É criar ambiente de camaradagem, é conviver, é ser “amarra nela”!. Ora, é lógico... numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se e ser feliz. Concluímos que os 10 mandamentos aqui apresentados compreendem algumas atitudes as quais favorecem a boa formação e proporcionam um ganho pessoal, na interação com os pares, na construção de saberes, no senso crítico, no ganho cognitivo, nas relações interpessoais e conhecimentos práticos. Todos eles irão auxiliar na tão aguardada profissão. Para finalizar propomos 10 disciplinas para integrar a formação do Psicólogo e fomentar o curso: Resiliência, Marketing, Planejamento de Carreira, Educação Física, Transdisciplinar, Pioneirismo, Terapia, Gestão Pessoal, Empreendedorismo e Oratória. No decorrer da vida acadêmica e pesquisa de mercado de trabalho atual, descobrimos que essas disciplinas englobam as maiores lacunas que encontramos na nossa formação. Por fim, acreditamos que a boa formação é possível, porém, demanda uma participação ativa do acadêmico, pois, nenhuma instituição de ensino superior suprirá todas as necessidades e exigências impostas para a futura atuação no mercado de trabalho. Portanto, propomos que criem seus próprios mandamentos, os quais podem ser vinculados a saberes aqui apresentados ou criados a partir de suas experiências, que irão se adequar a seu ritmo e proporcionar ganhos em sua formação. REFERÊNCIAS: CRUZ, R. M.; SOUZA, J. Processo educativo, formação profissional e desenvolvimento de competências. Revista Direcional Escolas, n. 17, p. 2931, 2006. FROES, J.C. Terapia por que fazer? Campinas, v. 19, n. 64, p.13-49, 2006. GIL, Antonio Carlos. O psicólogo e sua ideologia. Psicol. cienc. prof., Brasília , v. 5, n. 1, 1985 Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo>. JONATHAN, Eva G.; SILVA, Taissa M. R. da. Empreendedorismo feminino: tecendo a trama de demandas conflitantes. Psicol. 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