XXX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Maturidade e desafios da Engenharia de Produção: competitividade das empresas, condições de trabalho, meio ambiente. São Carlos, SP, Brasil, 12 a15 de outubro de 2010. DESIGN, PARTICIPAÇÃO, ASSOCIATIVISMO E VALORIZAÇÃO EM BASE TERRITORIAL NO ARTESANATO POTIGUAR Juliana Donato de Almeida (UFRN) [email protected] Leiliam Cruz Dantas (UFCG) [email protected] O artesanato no Brasil tem se apresentado como uma importante fonte de geração de renda para significativa parcela da população. O caso do estado do Rio Grande do Norte insere-se nesta realidade. O objetivo deste paper é compreender as formmas organizacionais da produção e do trabalho nas diversas tipologias do artesanato local de nove municípios do referido Estado, os problemas detectados e as possibilidades de intervenção participativa do design com vistas à melhoria dos produtos. A pesquisa foi realizada no âmbito de doze associações de produção de artesanato. Tomou-se como base referencial literatura sobre artesanato, intervenção participativa do design, organização da produção e do trabalho em base artesanal, sobretudo no que concerne às formas que primam pela maior participação dos atores, a exemplo da economia solidária. Buscou-se também o apoio da abordagem dos sítios simbólicos de pertencimento para explicar o processo de valorização dos produtos artesanais com base no território. Além disso, os métodos de pesquisa utilizados foram entrevistas e visitas in loco, com ênfase para a observação participante, uma vez que estes procedimentos são essenciais no caso das futuras intervenções participativas nas associações pesquisadas. A pesquisa constatou que há um grande potencial produtivo por parte destas associações, que pode ser fortalecido com a intervenção participativa do design como método de desenvolvimento de seus produtos. Palavras-chaves: Artesanato, design participativo, associativismo, valorização territorial 1. Introdução Em nível de Brasil, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o artesanato envolve 8,5 milhões de trabalhadores, movimenta cerca de R$ 28 bilhões por ano e exporta US$ 1,5 bilhão para todo o mundo (SEBRAE, 2008). A significância destes dados estende-se também às unidades da federação, apesar de sua relação com a informalidade do trabalho realizado e seu caráter artístico. No estado do Rio Grande do Norte, o artesanato apresenta-se como fonte de geração de renda de expressiva parcela da população, cuja importância é ressaltada pela difusão dos aspectos culturais das localidades produtoras. Em muitos casos, a exemplo do estado potiguar, a produção de artesanato se organiza sob a forma de cooperação e associativismo e, em seu contexto, suscita a intervenção de profissionais com vistas à melhoria da gestão, da participação, do projeto e da qualidade dos seus produtos. Este trabalho insere-se nesta perspectiva, ao investigar as características da produção de artesanato de doze associações situadas em nove municípios do sertão do Rio Grande do Norte, quais sejam: Acari, Açu, Caicó, Currais Novos, Cerro Corá, Jardim do Seridó, São Gonçalo do Amarante, São Rafael e Vera Cruz. O objetivo do mesmo é compreender as formas organizacionais da produção e do trabalho na produção das diversas tipologias do artesanato local, os problemas detectados e as possibilidades de intervenção participativa do design com vistas à melhoria dos produtos. Para tal, tomou-se como base referencial literatura sobre artesanato, intervenção participativa do design, organização da produção e do trabalho em base artesanal, sobretudo no que concerne às formas que primam pela maior participação dos atores, a exemplo da economia solidária. Ainda em termos de referencial, buscou-se também o apoio da abordagem dos sítios simbólicos de pertencimento para explicar o processo de valorização dos produtos artesanais com base no território. Além da breve revisão de literatura sobre as temáticas acima relacionadas, realizada de acordo com os limites de um artigo, os métodos de pesquisa utilizados foram entrevistas e visitas in loco, com ênfase para a observação participante. Estes procedimentos foram essenciais, pois atuarão como ponto de partida para as futuras intervenções, também participativas, que as associações pesquisadas demandaram. Acrescente-se ainda que foram utilizados instrumentos como gravações, filmagens e fotografias com vistas ao registro mais fiel da realidade pesquisada. O trabalho encontra-se dividido em duas partes principais, em que a primeira ocupa-se do referencial teórico-metodológico utilizado para a compreensão da situação das associações produtoras de artesanato do sertão potiguar e a segunda trata especificamente dos casos pesquisados. A parte do referencial bibliográfico divide-se em três itens: o item 2, a seguir, trata do artesanato e da participação em seu contexto, na direção dos benefícios de uma intervenção participativa do design; o item 3 direciona-se para as formas de organização da produção e do trabalho no âmbito do artesanato, com foco no cooperativismo e na economia solidária; o item 4 discorre sobre os aspectos simbólicos locais explorados na produção dos artefatos, como forma de valorizá-los. A parte do estudo de caso concentra-se no item 5 que, por sua vez, encontra-se subdividido conforme as localidades pesquisadas. Por fim, busca-se sistematizar a situação vivenciada na pesquisa através das constatações concentradas nas considerações finais. 2 2. Artesanato e participação 2.1 Artesanato O artesanato está presente no cotidiano do homem desde os primórdios de sua existência e a fabricação de artefatos partiu das necessidades deste de se alimentar, se proteger e se expressar (RUGIU, 1998). Segundo Lima (2005), o artesanato é produto do fazer humano, em que a utilização de equipamentos e máquinas, quando ocorre, auxilia na concretização da vontade de seu criador, o artesão. Neste processo de elaboração do produto artesanal ele utiliza basicamente as mãos, tendo total liberdade para definir o ritmo de produção, a tecnologia, a matéria-prima utilizada e o artefato a ser produzido, usando sua criatividade na idealização deste. Ainda segundo o autor, o artesanato é uma forma de trabalho cuja realização decorre de alguns fatores, tais como: como uma forma alternativa de geração de renda, por puro prazer, por amor ao oficio, pelo prosseguimento de tradições familiares ou pela falta de oportunidade. Em alguns casos, o trabalho artesanal vem a ser a melhor opção para a garantia do sustento. Sob este último aspecto, cabe acrescentar que o artesanato, diante da sua importância na economia, como antes mencionado, tem se configurado como uma alternativa de peso no que concerne à geração de renda para muitas famílias. Uma outra grande preocupação diz respeito à qualidade do produto artesanal e a arte de fazêlo, além da existência de uma relação interna entre o artesão e os produtos feitos por ele, desde o projeto até sua finalização (MILLS, 1951 apud BARROS, 2009). Este aspecto tornase relevante, suscitando a possibilidade de intervenção externa para a melhoria da qualidade, uma vez que seu produtor deve considerar as exigências do mercado consumidor em relação ao seu produto. Nesta perspectiva insere-se o profissional do Desenho Industrial, na perspectiva do projeto de produto, em que vários aspectos do mesmo são posto em relevo, e não apenas a qualidade do produto. Entretanto, tem-se observado, em pesquisa realizada junto ao setor produtor de artesanato do município de Campina Grande-PB, que os artesãos desta localidade possuem um certo receio acerca da intervenção deste profissional, pois a tendência que se apontava era para uma interferência “de cima para baixo”, no processo produtivo, em que o designer se colocava como o grande detentor do conhecimento, sem considerar o conhecimento tácito do artesão que, por sua vez, apresenta-se como o mais importante (GUIMARÃES et al, 2010). Não obstante, tem-se a modalidade de intervenção participativa do design na produção artesanal, considerando tanto a atuação dos artesãos como a dos pesquisadores ou interventores. Isto porque os conhecimentos destes dois atores no processo interventivo são entrelaçados e considerados igualmente como fatores imprescindíveis à melhoria do processo produtivo e do próprio produto. 2.2 Intervenção participativa do design De acordo com Wisner (1999) “[...] numa transferência de tecnologia é necessário haver um estudo prévio das realidades locais e a participação de ambas as partes [...]”. Neste contexto, podemos observar a importância de se obter um conhecimento preliminar da atividade desenvolvida pelos artesãos para que se possa intervir. A desconsideração dos aspectos culturais e do contexto da atividade, nos casos de intervenção de design, resultam em insucesso e na descontinuidade do trabalho proposto, na maioria das vezes. 3 Pelo exposto, observamos que as soluções provenientes de um método participativo tem maiores chances de serem efetivas (BROWN, 1997; NORO e IMADA, 1991; HANDRICK e KLEINER, 2000 apud CORTEZ, 2004). Segundo a autora, as vantagens deste método estão relacionadas ao aumento da aceitação pelos trabalhadores das mudanças sugeridas por uma pessoa externa (consultor). Ressalta ainda que, através de uma intervenção participativa, o consultor trabalha em conjunto com a comunidade na busca de soluções, permitindo que o conhecimento continue dentro da organização, contribuindo para a qualificação das pessoas. Neste contexto, o centro das atenções está no trabalhador, prevalecendo a participação deste no tocante à liberdade para a concepção e a valorização do saber fazer. De acordo com Moura (2001), o processo participativo inclui a declaração de objetivos, tomada de decisões, solução de problemas, planejamento e condução das mudanças organizacionais. É nesta perspectiva da troca de saberes que ocorre a valorização do conhecimento tácito do artesão que, assim como o conhecimento formalizado do profissional do design, tem tanta importância, ou mais, na realização da atividade. Esta possibilidade de intervenção participativa tem se mostrado frutífera e promissora para os artesãos, uma vez que eles não perdem a sua identidade nem o domínio do processo de produção. Através dos relatos dos artesãos, consubstanciados nesta experiência de pesquisa, poder-se-á perceber que é imperativo considerar os aspectos culturais do local antes de intervir na sua produção de artesanato. Acredita-se que no momento de uma intervenção, quando há uma troca de experiências através da união dos conhecimentos técnicos dos consultores com o conhecimento tácito dos artesãos, estes se sentem também responsáveis pela intervenção, já que tiveram a devida importância nos momentos de tomada de decisão. Este fator facilita a absorção de conhecimentos e a aceitação de “idéias” externas. 3. Organização da produção e do trabalho artesanal, cooperação e economia solidária A produção artesanal pode ocorrer sob diversas formas de organização do trabalho. No contexto capitalista, geralmente ocorre de modo individual, mas também pode se operacionalizar através da cooperação dos artesãos. Em termos clássicos, o trabalho artesanal pode se organizar de maneira simples em que o artesão conhece o processo produtivo como um todo, dominando todas as suas etapas, bem como participando das mesmas e controlando-as. Desta forma, não há parcelamento do trabalho e, por isto, o artesão consegue se identificar com o produto que elabora, o que pode lhe render a satisfação de produzi-lo. A produção ocorre em pequenos locais e é bastante personalizada, gerando, em consequência, uma baixa produtividade. O conhecimento tácito é o responsável, em maior escala, pela realização da atividade, cuja transmissão se dá de maneira empírica. (BRAVERMAN, 1987; FLEURY&VARGAS, 1983; FLEURY&FLEURY, 1997). Uma forma de organização do trabalho artesanal, anterior à Revolução Industrial, diz respeito ao sistema de encomendas domiciliares (putting-out system), em que os artesãos são subcontratados para a realização do trabalho, em seu próprio domicílio, de acordo com as exigências do contratante (SANDRONI, 1999). Esta forma tem se verificado com frequência no capitalismo contemporâneo. Neste processo, o artesão não possui qualquer autonomia no contexto de sua atividade, tampouco exercita sua criatividade no processo de criação. Entretanto, diante das incertezas frente ao mercado de trabalho, os artesãos se submetem a esta modalidade. Outras formas organizacionais merecem destaque, sobretudo porque foge desta maneira 4 capitalista clássica de produção voltada para as pequenas unidades produtivas. Trata-se da tendência ao associativismo. Na organização artesanal cooperativa, apesar de se produzir com base nas características supracitadas, verifica-se o compartilhamento dos artesãos sob vários aspectos: reunião dos trabalhadores para a realização do trabalho em um único local; compra conjunta de matérias-primas; uso comum dos instrumentos de trabalho e, em alguns casos, comercialização conjunta dos produtos. A noção de cooperativismo surgiu com a experiência de Robert Owen, na Inglaterra, no início do século XIX e, depois, foi disseminada com a experiência de Rochdale, um importante centro têxtil localizado também na Inglaterra, ocorrida em 1844 (SINGER, 2002). Foi com esta última que surgiram os princípios universais do cooperativismo que são aplicados até os dias atuais. De acordo com a definição da Aliança Cooperativa Internacional, a cooperativa é uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns a seus integrantes, e constitui-se numa empresa de propriedade coletiva, a ser democraticamente gerida. Conforme Singer (1999), apesar das diferenças entre os vários tipos de cooperativas, os princípios que os regem são os herdados dos Pioneiros de Rochdale, adaptado e enriquecidos por sucessivos congressos da Aliança Cooperativa Internacional. Para o mesmo autor, todas as cooperativas são democráticas e igualitárias, seus dirigentes são eleitos pelos sócios, as diretrizes são discutidas e aprovadas em assembléias gerais e nas de produção o ganho líquido é repartido conforme critérios aprovados pela maioria, entre outros aspectos. São estes princípios que permitem distinguir as falsas cooperativas das verdadeiras. As cooperativas podem se configurar como sendo de vários tipos: de consumo, de produção, de comercialização, de serviços. Estas últimas se dividem em vários tipos, a exemplo das cooperativas de crédito, de seguros, de habitação, de saúde, entre outras. A organização da produção de artesanato de forma cooperativa tem se mostrado frequente e sua adoção resulta em benefícios para as pequenas unidades produtivas. Esta forma organizacional reporta-se à economia solidária que, tem como base, os princípios cooperativos. A economia solidária é tida como um modo de produzir e distribuir mercadorias alternativo ao capitalismo, que se cria e recria pelos que se encontram, ou temem ser, excluídos do mercado de trabalho formal (SINGER, 2003). A economia solidária encontra-se inserida no contexto capitalista, porém se baseia em princípios diversos deste sistema. Conforme Singer (2003), dentre estes princípios se destaca: a posse coletiva dos meios de produção; a gestão democrática do empreendimento; a repartição da receita líquida entre os cooperados através de critérios previamente determinados pelo coletivo; o destino do excedente produzido coletivamente, também aprovados por todos os participantes do processo produtivo. Com investimentos relativamente baixos, o artesanato vem a ser, em alguns casos, a solução para a geração de emprego e renda estimulando a prática da cooperação e possibilitando que o artesão permaneça em seu local de origem (SEBRAE, 2008). Dessa forma, a economia solidária é apresentada como um instrumento de combate à exclusão social, apresentando alternativas viáveis para a geração de trabalho e renda. Além dos princípios acima mencionados, outras características da economia solidária são apontadas por Razeto (1993), tais como: cooperação no trabalho, o que gera maior eficiência; compartilhamento de informações e conhecimentos, o qual estimula a criatividade; adoção de 5 decisões coletivas; necessidades de convivência e de participação atendidas de forma satisfatória; desenvolvimento pessoal dos trabalhadores. Tais aspectos podem ser enfatizados na percepção do designer sobre o contexto do trabalho artesanal. Outro fator que merece atenção, no contexto deste trabalho, refere-se aos aspectos culturais relativos à atividade de produção de artesanato que, por sua vez, pode permitir sua valorização, considerando que mantém completa relação com o território onde se processa a produção. 4. Os aspectos simbólicos e a valorização de produtos artesanais em base territorial Independente da forma organizacional que se adote em um processo produtivo artesanal, a valorização dos aspectos culturais locais pode resultar em uma valorização dos produtos baseada no território ao qual pertence. No caso da produção de artesanato, os aspectos culturais ligados à produção tornam-se mais evidentes, pois os símbolos locais são evocados nos artefatos produzidos. Este procedimento permite que os produtos do artesanato local sejam valorizados por seu pertencimento a este determinado lugar. A abordagem dos sites symboliques d’appartenance (sítios simbólicos de pertencimento) defende que os símbolos locais destacados nos produtos carregam não só os aspectos materiais quanto os aspectos imateriais relativos ao lugar. Assim, são enfatizadas características territoriais, tais como: a cultura, a história, a tradição, os costumes locais, a vivência dos seus habitantes, bem como suas práticas, seus saberes, sua maneira de resolver seus próprios problemas, entre outras coisas. Esta abordagem tem sido aplicada aos países do hemisfério sul, principalmente aos países africanos, que possui tradições mais fortes. Ela surgiu no seio do GREL (Groupe de Recherche sur les Economies Locales) da Université du Littoral Côte d’Opale na França. Um sítio simbólico de pertencimento é considerado um local tanto em sentido geográfico quanto em sentido simbólico. Em seu contexto alguns aspectos relevantes são considerados. Não se trata apenas de ressaltar aspectos materiais do local e seus atores mas, ao mesmo tempo e principalmente, os aspectos imateriais, sua essência. Esta última, por sua vez, encontra-se implícita, por natureza, na história, na cultura, nas crenças, nas tradições, nas práticas, nas experiências vivenciadas no território que, invariavelmente, é feito por seus atores e suas interações. (DANTAS, 2003, p.40) Nas palavras do seu principal autor, a abordagem dos sítios pode ser explicitada a seguir. Resumido sob forma de imagens, o sítio é feito de uma “caixa preta” que contém mitos fundadores, valores, revelações, revoluções, sofrimentos e experiências do grupo humano em questão. É o aspecto simbólico, freqüentemente oculto, das práticas locais. O sítio tem também uma “caixa conceitual” que abrange seus conhecimentos comuns empíricos e/ou teóricos e, enfim, sua “caixa de ferramentas” contendo seus modos de organização, seus modelos de comportamento e de ação, seu saber-fazer, suas técnicas etc. O senso comum que o sítio dá a seu mundo percorre o conjunto dessas “caixas”, nenhuma delas estando isolada do restante. (ZAOUAL, 2006, p.33). A abordagem dos sítios permite a percepção das atividades locais como oriunda das vocações desenvolvidas no próprio lugar, tendo como fonte primordial seus conhecimentos localizados, tanto tácitos quanto formalizados. Os aspectos simbólicos do território, que ressaltam a cultura e a tradição, sobressaem-se de várias maneiras, sobretudo nos produtos produzidos, o que pode resultar na valorização dos mesmos, bem como na do próprio território onde são produzidos. 6 Na pesquisa realizada, verificou-se que os artesãos dos diversos artefatos artesanais produzidos nas distintas localidades tiveram a preocupação de lhes imprimir a marca do local, segundo a perspectiva da abordagem referendada. Os produtos artesanais enfatizam a simbologia de cada localidade, o que reforça o seu sentimento de pertencimento em relação ao seu lugar, bem como a difusão de sua cultura e tradição. Neste sentido, acredita-se que este procedimento mostra o caminho para o desenvolvimento das atividades de produção de artesanato nos locais em tela. Entretanto, como poderá ser observado a partir das experiências vivenciadas em cada localidade, a seguir, vários aspectos relacionados à produção merecem atenção especial, sobretudo no sentido de uma intervenção mais participativa na resolução de alguns problemas que não conseguiram ser sanados por meio de soluções localizadas. 5. Experiências das associações produtoras de artesanato do Rio Grande do Norte sob os moldes cooperativos Neste item, são relacionadas experiências ocorridas em associações de produção de artesanato de nove municípios potiguares (Acari, Açu, Caicó, Currais Novos, Cerro Corá, Jardim do Seridó, São Gonçalo do Amarante, São Rafael e Vera Cruz), situados no sertão do Estado. Nestas, são destacados aspectos como: a produção de forma cooperativa; os problemas enfrentados e as soluções buscadas pelos grupos, de acordo com suas possibilidades e a realidade local; os aspectos da cultura das localidades destacados nos artefatos produzidos como uma forma de valorização dos mesmos e da promoção do próprio território. Também será enfatizada a perspectiva da intervenção participativa com vistas a contribuir na busca de soluções, construídas conjuntamente, para as adversidades surgidas ao longo da produção em foco. As localidades pesquisadas são municípios de pequeno porte, com populações que variam de 8.357 a 12.384 habitantes, exceto o município de Currais Novos, Açu, Caicó e São Gonçalo do Amarante que registram, no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, populações de 43.536, 53.282, 63.006 e 80.737, respectivamente (IBGE, 2009). A partir da mesma fonte, tem-se que as áreas dos referidos municípios variam de 92 a 1.269 km2 (IBGE, 2009). 5.1 Acari O município de Acari possui duas associações de artesanato: a Associação dos Produtores em Artesanato de Acari – ASPROA e a Associação dos Artesãos de Acari. A primeira produz artefatos em couro e peças de tecido bordadas à mão. A segunda produz imagens sacras de madeira, porém seu processo não é totalmente artesanal, pois utiliza maquinário para dar forma às peças. Junto ao primeiro grupo verificou-se a dificuldade de trabalharem em conjunto, sobretudo reunidos em seu local de trabalho específico, a sede da associação. A atividade que conseguem fazer conjuntamente é a compra de matérias-primas e insumos, uma vez que a maioria dos artesãos prefere realizar o trabalho em sua própria residência. A segunda associação acima referida consegue desenvolver suas atividades na oficina, realizando o trabalho conjunto, uma vez que dependem de maquinário para sua realização. Outro aspecto relevante diz respeito à aprendizagem do ofício, oriunda do conhecimento tácito de alguns artesãos mais experientes que, por sua vez, se dispõem a repassar o mesmo para os mais novos. Verifica-se, assim, a manutenção de tradições familiares de produção e a sua difusão para os membros da comunidade. 7 De modo geral, os dois grupos pesquisados mostraram dificuldades em termos de gestão econômica do empreendimento, sobretudo no que diz respeito à formação dos preços. Outra necessidade verificada foi a da existência de uma identidade visual para os produtos das associações, como uma forma de valorizar os mesmos. 5.2 Açu No caso do município de Açu, o grupo pesquisado foi a Associação Sociocultural do Vale do Açu – ASCVA que produz artefatos artesanais de palha de carnaúba. Esta associação consegue se reunir para a realização do trabalho, cujo foco inovativo é o desenvolvimento de novas tramas para a palha. Entretanto, é neste ponto que necessitam de maior atenção, pois só conseguem inovar a partir dos produtos dos concorrentes locais. Verificou-se que os artefatos produzidos demandam bastante criatividade das artesãs, requerendo capacitações em termos de novos desenhos de produtos, bem como novas tramas. Há a necessidade, como no caso acima, da criação de uma identidade visual, relacionada ao local, que permita valorizar o produto a partir do seu território, uma vez que se trata de uma região produtora da matéria-prima utilizada no artesanato. 5.3 Caicó O município de Caicó já adquiriu a tradição na produção de peças de tecido bordadas à mão. Nele, foi pesquisada a Associação das Bordadeiras do Seridó que produz peças com bordados relacionados aos símbolos locais. As artesãs ainda não absorveram a prática de trabalharem reunidas em um só local, preferindo desenvolver seu trabalho individualmente em suas residências. Mas, por outro lado, todas as peças produzidas passam pelo crivo e controle da associação, pois primam por produtos de qualidade. Um aspecto a ser ressaltado é a consciência para a inovação das peças. Atualmente, isto foi feito através da inserção de peças bordadas com elementos da fauna e da flora local, destinados à confecção de quadros com estes bordados em tecido. Apesar disso, ainda há a necessidade da intervenção do design na promoção de oficinas de desenvolvimento de produtos. 5.4 Cerro Corá No município em foco foi pesquisada a atuação da Associação das Artesãs de Cerro Corá que também produz peças de tecido bordadas à mão. As artesãs, como as supracitadas, primam por valorizar seus produtos enfatizando aspectos da fauna e da flora locais, além de inscrições rupestres. Estas artesãs trabalham em grupo, dividindo o mesmo espaço, o que mostra a sua capacidade de valorizar o trabalho em conjunto. Elas alegam que isto permite que se gere um círculo de discussões, desencadeadas ao longo do trabalho, que possibilita a troca de idéias, experiências e conhecimentos, positivas para a melhoria do trabalho de cada uma. Porém, ainda se verifica a necessidade de se reforçar os benefícios do trabalho associativo, bem como a de organização no que tange à compra conjunta de matérias-primas e insumos. Outra dificuldade verificada diz respeito à falta de domínio do desenho, habilidade indispensável no processo de produção. Além disso, o grupo necessita de constante capacitação para as novas bordadeiras, oficinas de design de novos produtos e novos grafismos, como também de oficinas de gestão de custos e formação de preços. 8 Fig. 01- Almofada bordada à mão, enfatizando elementos da flora local Fig. 02- Caminho de mesa, enfatizando elementos da flora local 5.5 Currais Novos O município de Currais Novos possui três associações de artesanato: a Associação das Bordadeiras de Currais Novos – ABCN; a Associação de Artesanato Curraisnovense – AAC; a Associação de Artesãos e Culinaristas de Currais Novos. A primeira e a segunda produzem bordados em tecido feitos à mão e a última produz artefatos artesanais os mais variados, a exemplo de bordados à mão, peças de MDF decoradas, mosaicos decorados, peças em mármore ônix, uma vez que é uma região que se destaca pelo extrativismo mineral. As artesãs bordadeiras da ABCN, como as anteriormente mencionadas, destacam os ícones locais em suas peças, explorando a fauna e a flora, por observarem que isto tem valorizado os seus produtos. Trabalham em conjunto apenas quando recebem grandes encomendas, o que mostra a dificuldade em relação ao associativismo. Junto às artesãs da AAC verificou-se a mesma dificuldade em trabalhar em grupo. Porém, o que torna sua situação mais desfavorável que as anteriores é o fato de não buscarem valorizar os seus produtos através do uso da simbologia local, o que foi observado como positivo nos casos precedentes. Apresentaram ainda dificuldades em termos de gestão de custos e preços dos seus produtos. No caso da associação mais eclética, sua maior dificuldade se direcionou para a identidade de seus produtos, decorrente da grande diversidade de tipologias adotada. Porém, o que mais se evidenciou foi a falta de consciência acerca da valorização dos produtos locais a partir do próprio local. Apesar da grande riqueza cultural de uma região conhecida por sua produção mineral, os artesãos locais não conseguiram ainda trilhar por este caminho, mesmo sendo o seu município um dos principais pontos turísticos do programa “Roteiro do Seridó”. Outra dificuldade verificada diz respeito à falta de capacidade de trabalhar em grupo, relatada como decorrente da inexistência de tipologias específicas da região. Diante da diversidade de tipologias dos produtos artesanais, seus artesãos se isolam na produção de cada uma individualmente, mesmo fazendo parte de uma associação. 5.6 Jardim do Seridó No município em tela foi pesquisada a Associação Jardinense de Artesãos – Flor de Mandacaru que, como a maioria, se dedica à produção de bordados em tecido feitos à mão e à máquina de costura manual. O nome da associação já invoca a valorização de sua região, ao destacar uma planta típica, ícone do sertão nordestino. 9 Os artefatos artesanais produzidos, apesar de se submeterem à opinião dos consumidores, necessitam passar por mudanças, conforme as artesãs, mesmo explorando os ícones da fauna e da flora local. Para tal, deixam patente a necessidade de oficinas de design, cor e novos grafismos para suas peças. Por outro lado, ainda possuem dificuldades de trabalhar em grupo, mas isto se deve à não existência de um local de trabalho comum. Por trabalharem individualmente, só compartilham seus conhecimentos quando necessitam de novos moldes e desenhos, pois esta é uma etapa que não dominam completamente. Apesar de possuírem um nome bastante sugestivo, estas artesãs não possuem uma marca que identifique o seu trabalho. Não conseguem inovar por si próprias, mas tem feito isto a partir da imitação dos bordados de Caicó, que são mais tradicionalmente conhecidos. Não possuem articulação para comercializar seus produtos, vendendo-os de porta em porta, como também não tem muita noção acerca de custos e preços. Diante disto, várias intervenções são solicitadas por esta associação, sobretudo no que diz respeito ao planejamento do seu produto desde a produção, o design e a comercialização. Fig. 03 - Pano de prato bordado à maquina, enfatizando elementos da iconografia local Fig. 04 - Peça de tecido sendo bordada 5.7 São Gonçalo do Amarante Neste município foi verificada a atuação da Associação das Artesãs de Massaranduba – ARTMAR que produz artefatos artesanais de palha de carnaúba. Esta associação merece destaque por sua capacidade de organização do trabalho nos moldes cooperativos. As artesãs possuem uma sede onde se encontram para a realização das atividades, em que todas as etapas da produção, desde a compra de matérias-primas e a distribuição são realizadas conjuntamente. Mesmo diante da falta de condições adequadas de trabalho, a exemplo de mobiliário e outras, preferem se reunir para a produção. Entretanto, conflitos acerca da distribuição dos frutos do trabalho existem e isto tem dificultado o fortalecimento do trabalho em grupo. As peças produzidas em palha pela associação (cestos, nécessaires, maletas e outras) mostram-se bem acabadas e de bom gosto. As artesãs possuem canais de comercialização já estabelecidos, inclusive para outros Estados, mas falta-lhes a noção adequada de custos e preços. Relataram que sentem a necessidade de uma orientação técnica neste sentido, sobretudo no que concerne ao planejamento das atividades de maneira geral. Além disso, verificou-se também a necessidade de uma marca que identifique seus produtos que, atualmente, só são produzidos sob encomenda. 10 Fig. 05 - Artesãs em atividade Fig. 06 - Produto feito em palha de carnaúba 5.8 São Rafael No pequeno município de São Rafael, o menor de todos em termos populacionais, foi criada a Associação Comunitárias das Mulheres Produtoras do Desterro que também produz, como a anterior, artefatos de palha de carnaúba. Um aspecto que distingue estas artesãs é capacidade de trabalhar em grupo, inclusive através da divisão do trabalho, ocupando-se das tarefas que cada uma se identifica mais. Verificou-se a necessidade de inovar em termos de novas tramas para os artefatos de palha, bem como o planejamento de novas coleções e novos desenhos para seus produtos, além de uma identidade visual para os mesmos. Outra dificuldade verificada é comum a todas as demais associações pesquisadas: a necessidade de capacitações em gestão de custos e formação de preços, como também em termos de planejamento das atividades de modo mais geral. Fig. 07- Artesã em atividade 5.9 Vera Cruz No caso do município de Vera Cruz foi verificada a atuação das artesãs que fazem parte da Associação de Proteção e Assistência à Maternidade, à Infância e ao Meio Rural – APAMI. Elas produzem artefatos artesanais de fibra de coco e justificam a escolha por esta tipologia, como também a matéria-prima, por motivos relacionados à cultura local que, na própria percepção das artesãs, permite a valorização dos seus produtos e a possibilidade de inovar. Verificou-se que estas artesãs já têm um saber-fazer consolidado a ponto de já repassar seus conhecimentos em forma de cursos de capacitação no manejo da fibra de coco. Um aspecto relevante diz respeito à inovação no processo de produção por elas adotada, de acordo com os 11 conhecimentos localizados, em que desenvolveram uma ferramenta para o trabalho de realização das tramas com a fibra, utilizando tampinhas de garrafas. Por outro lado, registraram ainda a necessidade de fortalecer a capacidade associativa do grupo, além de oficinas de custos e formação de preços. Fig. 07 - Produto feito em palha de coco com aplicações em tecido Fig. 08 - Ferramenta de trabalho desenvolvida pelas artesãs 6. Considerações finais Diante do acima exposto, pode-se perceber avanços e problemas que permeiam a produção de artesanato nos nove municípios pesquisados no sertão potiguar. Inicialmente, há que se destacar a potencialidade associativa dos artesãos que fizeram parte da pesquisa. Entretanto, ainda há dificuldades na operacionalização desta forma de organização da produção e do trabalho. Neste caso, como os artesãos acham positivo o trabalho cooperativo, reconheceram a necessidade de intensificá-lo e, para tal, se propõem a fazê-lo através de uma intervenção externa que, por sua vez, pode assumir um caráter participativo. Verifica-se que é uma demanda “de baixo para cima”, oriunda do seio dos principais atores da situação, que mostra o nível de conscientização existente nas comunidades. Os artesãos também demostraram a percepção de que o trabalho cooperativo, em que elas se reúnem em um mesmo lugar, mostra-se mais produtivo sob vários aspectos. Na opinião deles, esta forma organizacional permite a troca de idéias e experiências, complementando o aprendizado, o que possibilita a melhoria da qualidade dos produtos e o aumento da diversidade destes, de maneira a proporcionar o atendimento de um maior número de encomendas e a venda de uma maior variedade de peças. Esta necessidade detectada fortalece ainda mais a idéia de participação e de intervenções participativas de atores externos. No que tange às intervenções de design nas comunidades artesanais, verificou-se a necessidade de uma maior participação dos artesãos no processo de criação do produto. Outro fator identificado foi a importância de reforçar, no desenho dos produtos, elementos do contexto de cada local, associado aos seus sítios simbólicos de pertencimento, de forma que os artesãos se identifiquem com os artefatos produzidos por eles próprias, dando continuidade à produção destes, de acordo com a aceitação do mercado. Uma característica verificada na pesquisa realizada se refere à matéria-prima utilizada para a produção do artesanato. Em quatro dos nove municípios investigados são usadas como matéria-prima fibras naturais tradicionalmente produzidas no Nordeste, sobretudo no estado do Rio Grande do Norte, a exemplo da palha de carnaúba e da fibra de coco. Isto corrobora a perspectiva dos sítios simbólicos de pertencimento no que concerne à valorização da sua própria cultura, como também na consciência ecológica do uso de plantas nativas. 12 Há que se ressaltar ainda que os artesãos apresentaram, dentro de suas possibilidades, uma capacidade inovativa própria, decorrente da sua vivência na atividade produtiva. Esta pode ser considerada em termos de novos produtos, como também no que concerne a novos métodos de produzir. Sob este último aspecto tem-se o exemplo de uma ferramenta de trançar fibra de coco produzida com a utilização de tampinhas de garrafa. Um aspecto que chama a atenção em todos os casos estudados relaciona-se à dificuldade dos artesãos em lidar com a gestão dos custos de produção e com a formação dos preços dos produtos. Este obstáculo suscita também uma intervenção externa de um profissional da área de economia ou administração para a capacitação dos artesãos neste sentido, o que também pode ser feito de forma participativa no contexto da própria realidade vivenciada por estes atores. A despeito dos problemas detectados, pode-se constatar o significativo potencial produtivo de artefatos artesanais das localidades pesquisadas no sertão potiguar e suas perspectivas de desenvolvimento, que vem se dando através da valorização dos aspectos simbólicos locais no seu artesanato. Isto pode se fortalecer com a intervenção dos profissionais do design no sentido de reforçar o caminho da participação e da cooperação no seio das relações de produção e de trabalho que se estabeleceram ao longo da sua existência. Referências BARROS, K. S. Análise Antropotecnológica do desenvolvimento de novos produtos na produção artesanal: Caso das rendeiras da Vila de Ponta Negra em Natal-RN. 2009. 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