CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA Faculdade de Tecnologia de São Sebastião Cursos Superiores de Tecnologia em Gestão Empresarial A SAÍDA DA INFORMALIDADE: Adesão ao MEI dos artesãos sebastianenses situados na Rua da Praia. Michelle Salaro Rodrigues Prof.ª Maria Inês Soeltl Kitahara São Sebastião 2014 MICHELLE SALARO RODRIGUES A SAÍDA DA INFORMALIDADE: Adesão ao MEI dos artesãos sebastianenses situados na Rua da Praia. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Tecnologia de São Sebastião, como exigência parcial para obtenção do título de Tecnólogo em Gestão Empresarial. Orientadora: Profª Ma. Maria Inês Soeltl Kitahara São Sebastião 2014 MICHELLE SALARO RODRIGUES A SAÍDA DA INFORMALIDADE: Adesão ao MEI dos artesãos sebastianenses situados na Rua da Praia. Apresentação de Trabalho de Graduação à Faculdade de Tecnologia de São Sebastião, como condição parcial para a conclusão do curso de Tecnologia em Gestão Empresarial. São Sebastião, 11 de dezembro de 2014. BANCA EXAMINADORA _________________________________________________________ PROFª. MS. MARIA INÊS SOELTL KITAHARA _________________________________________________________ PROF. MS. RICARDO DE LIMA RIBEIRO _________________________________________________________ PROF. MS. DANIEL ROBERTO JUNG MÉDIA FINAL: ___________________ AGRADECIMENTOS Agradeço, em primeiro lugar, ao autor da vida pela minha existência e por ter me permitido viver essa experiência tão valiosa. Ao meu marido, que insistiu pra que eu prestasse o vestibular, mesmo quando eu não acreditava que seria capaz. Agradeço pela compreensão, paciência, cumplicidade e por ter me motivado a prosseguir e explorar cada fase da vida acadêmica. Aos meus pais pelo amor, educação e princípios preciosos. Aos meus sogros pelo incentivo e apoio incondicional. Ao Prof. Ricardo Ribeiro pela colaboração na fase inicial e final deste trabalho. À minha orientadora, prof.ª Maria Inês S. Kitahara, por sua dedicação e amparo no desenvolvimento dessa pesquisa e pela complacência e serenidade com que me conduziu até a conclusão. À Prof.ª Soraya Reis pela atenção e suporte na finalização deste estudo. Ao meu querido amigo, Daniel Simões, pelo auxílio na revisão do trabalho. RESUMO O presente projeto explica a Lei nº. 128/2008 que sancionou o MEI e passou a vigorar em 2009. Desde então, houve um aumento de mais de 1.188% de inscritos em São Sebastião, que atualmente, conta com 2081 Microempreendedores Individuais. Nesta pesquisa, são apresentados os índices de crescimento anual do MEI no município. A prefeitura da cidade, junto do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE apresentou em 2012 o Projeto MEI- Artesanato com o intuito de contribuir com o desenvolvimento e estímulo à formalização como Microempreendedor Individual dos artesãos sebastianenses. Além da apresentação dos índices de crescimento, esta monografia é o resultado de um estudo sobre os artesãos situados na Rua da Praia, região central do município, que aderiram, ou pretendem aderir ao MEI, e tem por objetivo investigar se esses artesãos são formalizados. O estudo foi fundamentado em pesquisa bibliográfica, seguido de um estudo de caso aplicado nos quiosques de artesanato da Rua da Praia, no qual os artesãos responderam ao formulário, a fim de traçar seus perfis e verificar as dificuldades encontradas na formalização e as melhorias que o MEI proporcionou ao negócio. Por fim, os resultados mostraram que a primeira hipótese foi negada, pois apenas 10% dos 29 artesãos entrevistados são formalizados, 31% pretendem se formalizar e 59% preferem se manter na informalidade. E a segunda hipótese foi confirmada, que os benefícios proporcionados pelo MEI, como possibilidade de adquirir máquina de cartão de crédito e débito, acesso a crédito, aposentadoria, auxílio doença ou maternidade e possibilidade de emitir notas fiscais são as principais razões para formalização. Palavras-chave: Informalidade. Empreendedorismo, Microempreendedor Individual. ABSTRACT This monograph explains the law nº. 128/2008 that sanctioned the MEI, and went into effect in 2009. Since then, there has been an increase of over 1,188 percent enrolled in San Sebastian. Currently, contains 2081 Single Microenterprise in the city. In this research are presented the annual growth rates of the MEI in the municipality, as well as the characteristics of entrepreneurs registered. The City Hall along with supporting service for Micro and small enterprises- SEBRAE presented in 2012 the project MEICrafts, in order to contribute to the development and formalization stimulus as Single Microenterprise artisans from São Sebastião. This monograph is the result of a study about the artisans located in Rua da Praia, in downtown, who joined or plan to join the MEI, and aims to investigate the investigated whether these artisans are formalized. The study was based on bibliographical research, followed by a case study applied in kiosks of handicrafts of Rua da Praia, in which craftsmen replied to the questionnaire, in order to trace their profiles and check the difficulties encountered in the formalization and the improvements that the MEI has given business. Finally, the results showed that the first hypothesis was denied because, only 10% of 29 artisans interviewed are formalized, 31% plan to formalize and 59% prefer to keep the informality. And the second hypothesis was confirmed, that the benefits provided by MEI, as a possibility to acquire credit card machine and debit cards, access to credit, retirement, sickness or maternity aid and possibility of issuing invoices, are the main reasons for formalization. Keywords: Entrepreneurship. Single microenterprise. Informality. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Acumulado Inscritos Município de São Sebastião .................... 13 Gráfico 2 – Condição dos quioesques no período da pesquisa .................. 36 Gráfico 3 – Gênero dos artesãos .................................................................... 37 Gráfico 4 – Faixa etária dos artesãos ............................................................. 38 Gráfico 5 – Condição dos artesãos ................................................................ 38 Gráfico 6 – Razões para não se formalizar .................................................... 39 Gráfico 7 – Principais motivos para formalização ........................................ 40 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Comparação Anual de crescimento do MEI ................................ 14 Tabela 2 – Sete perspectivas para a natureza do empreendedorismo ........ 21 Tabela 3 – Escolaridade................................................................................... 41 Tabela 4 – Ocupação antes de empreender................................................... 42 Tabela 5 – Motivo para empreender ............................................................... 42 Tabela 6 – Principais motivos para formalização .......................................... 43 Tabela 7– Impactos da formalização .............................................................. 43 Tabela 8 – Apoio na formalização ................................................................... 44 Tabela 9 – Dificuldade para contratação de empregado .............................. 44 Tabela 10 – Principais dificuldades enfrentadas ........................................... 45 Tabela 11 – Dificuldades com o Pagamento do DAS .................................... 45 Tabela 12 – Grau de satisfação com a formalização ..................................... 46 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACSP Associação Comercial de São Paulo Apud Citado por CGSIM Comitê Gestor para Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios CNPJ Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido DAS Documento de Arrecadação Simplificada DAS-SIMEI Declaração Anual do Simples Nacional FENACON Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis, de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas FGTS Fundo de Garantia do Tempo de Serviço GEM Global Entrepreneurship Monitor GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBQP Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade ICMS Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação INSS Instituto Nacional do Seguro Social ISS Imposto sobre serviços LC Lei Complementar nº Número p. Página IPI Imposto sobre Produtos Industrializados MEI Microempreendedor Individual PAE Posto de Atendimento ao Empreendedor PIS Programa de Integração Social Selic Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SIMEI Simples Nacional SUTACO Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades RFB Receita Federal do Brasil SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 13 1.1JUSTIFICATIVA ................................................................................................... 14 1.2 PROBLEMA ....................................................................................................... 15 1.3 HIPÓTESE .......................................................................................................... 15 1.4 OBJETIVOS ....................................................................................................... 16 1.4.1 Objetivo geral ................................................................................................. 16 1.4.2 Objetivos específicos..................................................................................... 16 1.5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ........................................................... 16 1.6 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ...................................................................... 16 2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 18 2.1 HISTÓRIA DO EMPREENDEDORISMO ............................................................ 19 2.2 CONCEITOS DO EMPREENDEDORISMO ....................................................... 20 2.3 EMPREENDEDOR ............................................................................................ 22 2.4 MOTIVAÇÃO EMPREENDORA ......................................................................... 25 2.5 EMPREENDEDORISMO INFORMAL ................................................................ 27 3 MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL ........................................................... 30 3.1 BENEFÍCIOS DO MEI ........................................................................................ 31 3.2 CONDIÇÕES PARA TORNAR-SE MEI............................................................... 32 3.3 OBRIGAÇÕES DO MEI .................................................................................... 33 3.4 DESENQUADRAMENTO DE SIMEI ................................................................... 34 4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .......................................................... 35 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES ....................................................................... 37 5.1 PERFIL DOS ARTESÃOS QUE ADERIRAM AO MEI ....................................... 41 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 47 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 49 APÊNDICE A – Modelo do formulário aplicado aos Microempreendedores Individuais instalados nos quiosques de artesanato na Rua da Praia em São Sebastião -SP............................................................................................................55 APÊNDICE B – Modelo do formulário aplicado aos empreendedores informais instalados nos quiosques de artesanato na Rua da Praia em São Sebastião - SP ............................................................................................................................59 APÊNDICE C – Artesãos entrevistados nos quiosques da Rua da Praia em São Sebastião ................................................................................................................. 61 ANEXO 1 – Relatório Mensal de Receitas Brutas ................................................ 53 ANEXO 2 – Desenquadramento de SIMEI ............................................................ 54 13 1 INTRODUÇÃO No Portal do Empreendedor, é possível acompanhar os relatórios estatísticos do MEI, os quais revelam que, atualmente, a população de Microempreendedores Individuais na cidade de São Sebastião totaliza 2081 inscritos (BRASIL, 2014). A seguir, no Gráfico 1, é possível observar o número total de Microempreendedores Individuais em São Sebastião, desde a sanção em julho de 2009. Gráfico 1– Acumulado Inscritos Município em São Sebastião Crescimento do MEI em São Sebastião 2500 2081 2000 1632 1500 1177 1000 709 500 347 33 0 Acumulado Ano- Inscritos Total 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Fonte: Relatórios Estatísticos do MEI (BRASIL, 2014). Apesar de ser uma nova modalidade de empresa, o Gráfico 1 mostra o considerável aumento do número de microempreendedores individuais, realidade que torna relevante um estudo sobre o grupo. A Tabela 1 contém a comparação de crescimento anual do MEI em São Sebastião, desde julho de 2009 até outubro de 2014. 14 Tabela 1 – Comparação crescimento anual do MEI Ano 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Total acumulado 33 347 709 1177 1632 2081 Crescimento % 951,52 104,32 66,01 38,66 27,51 Fonte: Relatórios Estatísticos do MEI (BRASIL, 2014). Nota-se, na Tabela 1, que no primeiro ano apenas 33 profissionais aderiram ao MEI, mas no ano seguinte houve um crescimento de 951,52%, 2011 (104,32%), 2012 (66,01%), 2013 (38,66%) e até outubro de 2014 (27,51%), comparado ao ano anterior respectivamente. A taxa de adesão diminuiu a cada ano, porém nesses últimos 5 anos houve um aumento de mais de 1.188% de inscritos. 1.1 JUSTIFICATIVA De acordo com Silva e Silveira (2012), a justificativa do tema refere-se aos argumentos que justificam a realização da pesquisa, a relevância em se apurar o tema e a colaboração do projeto ao âmbito de estudos onde está localizado. O interesse por estudar a população composta pelos artesãos de São Sebastião surgiu após o Projeto MEI-Artesanato, proposto pela Prefeitura Municipal de São Sebastião em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas- SEBRAE. O objetivo do projeto piloto era instruir os artesãos sobre as vantagens da formalização por meio do MEI, assessorar na compreensão e organização dos processos gerenciais de seus negócios, bem como subsidiar a integração e o desenvolvimento do artesanato na cidade (SÃO SEBASTIÃO, 2012). A representante do Posto de Atendimento ao Empreendedor-PAE, Silva (SÃO SEBATIÃO, 2012), afirma que a cidade de São Sebastião precisa de artesãos formalizados para que o SEBRAE possa demandar as capacitações necessárias para o sucesso de seus empreendimentos. Por essa razão, o início do projeto MEIArtesanato promove a união dos artesãos e orientação a respeito da formalização. Como presidente da Associação dos Artesãos e Artistas Plásticos de São Sebastião, Leite (SÃO SEBASTIÃO, 2012) afirma que 15 Muitos destes profissionais têm cadastro na Sutaco (Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades), mas não são formalizados. Com a formalização teremos mais benefícios e poderemos até mesmo alavancar nosso negócio, pois com a firma aberta teremos muitos benefícios, como a autonomia para requerer máquinas de cartões, o que oportuniza mais vendas. Isso sem falar no grande conhecimento que iremos adquirir. Em decorrência desse fato, a relevância desta pesquisa consiste em levantar dados sobre os artesãos que pretendem ou aderiram ao Microempreendedor Individual em São Sebastião, a fim de relatar seu perfil e identificar quais motivações os levaram à formalização, e como essa iniciativa influenciou para o desenvolvimento do empreendimento. Dessa forma, visa-se constatar se o projeto MEI-Artesanato foi bem sucedido e, de igual modo, testificar se a legalização foi benéfica para os inscritos no MEI. 1.2 PROBLEMA Creswell (2010, p.128) considera que “um problema de pesquisa conduz à necessidade de um estudo”, o qual pode proceder de diversas fontes potenciais como conhecimento pessoal ou profissional do pesquisador e pode derivar de argumentações literárias, assim como de discussões políticas, governamentais ou entre altos executivos. Assim, essa pesquisa visa responder às seguintes perguntas: Os artesãos sebastianenses situados na Rua da Praia estão formalizados? Os que não estão, pretendem se formalizar? Os que se formalizaram, o que os motivou? 1.3 HIPÓTESE De acordo com Gil (2010), por hipótese compreende-se uma suspeita ou explanação temporária do problema. A primeira hipótese considerada nessa pesquisa é que todos os artesãos da Rua da Praia são formalizados ou pretendem se formalizar como MEI. A segunda hipótese é que o principal estímulo para os artesãos aderirem ao MEI ou sua principal atração são os benefícios proporcionados como possibilidade de aquisição de máquina de cartão de crédito e débito, acesso a crédito, aposentadoria, auxílio doença ou maternidade e possibilidade de emitir notas fiscais. 16 1.4 OBJETIVOS Para Silva e Silveira (2012, p. 176), “o objetivo geral é o fio condutor da pesquisa, enquanto o específico é o desdobramento do geral”. 1.4.1 Objetivo geral Este estudo tem como objetivo principal investigar se os artesãos situados na Rua da Praia de São Sebastião são formalizados. 1.4.2 Objetivos específicos Apresentar as características dos artesãos formalizados situados na Rua da Praia em São Sebastião. Reconhecer os fatores que influenciaram os artesãos da Rua da Praia a se formalizarem. Descrever quais os benefícios e obrigações da formalização. Investigar se, após a adesão ao MEI, houve alteração na condição econômica da empresa. 1.5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Neste trabalho foi utilizada a pesquisa exploratória, onde os dados serão levantados através dos métodos de pesquisas bibliográficas e documentais. Por meio do estudo de caso serão coletadas informações através da aplicação de formulário. 17 1.6 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO O capítulo 1 apresenta a introdução do trabalho. O capítulo 2 descreve a história e conceitos do empreendedorismo, as características do empreendedor, a motivação empreendedora e o concebeu o empreendedorismo informal. O capítulo 3 expõe as perspectivas da Lei que Microempreendedor Individual, bem como seus benefícios, condições parar tornarse MEI e suas obrigações e o desenquadramento de SIMEI. O capítulo 4 explana a metodologia utilizada neste trabalho. O capítulo 5 explica os resultados e discussões, com base na teoria utilizada e escreve as perspectivas dos artesãos estabelecidos na Rua da Praia quanto a formalização, as características dos artesãos inscritos no MEI e os impactos da formalização. O capítulo 6 se refere às considerações finais do trabalho e recomendações. 18 2 REFERENCIAL TEÓRICO Farah, Cavalcanti e Marcondes (2008) afirmam que o interesse pelo tema empreendedorismo tem crescido não só no Brasil, mas também no exterior, já que o desenvolvimento das nações é decorrente de processos empreendedores que passam a gerar riquezas. Esse progresso é alcançado por pessoas que dispõem de capital, tempo, comprometimento e que estão dispostas a assumir riscos. Essas pessoas são denominadas empreendedores. Dornelas (2008), afirma que certamente a atuação de empreendedores é imprescindível na sociedade, tanto os que atuam em empresas constituídas, como os que iniciam um novo empreendimento. Para melhor compreensão do tema, esse trabalho abordará a origem do empreendedorismo e as características recorrentes aos empreendedores. De igual modo, explanará como o empreendedorismo tem sido a alternativa escolhida por indivíduos que encontram uma oportunidade interessante de negócio, mas também por aqueles que se encontram necessitados de renda por estarem fora do mercado de trabalho. Bessant e Tidd (2009) afirmam que são inúmeras as justificativas que levam empreendedores a iniciarem o próprio negócio e é indispensável compreender essas razões e práticas do empreendedorismo. Com objetivo de ampliar o conhecimento sobre o assunto, foi criado um projeto de pesquisa internacional, denominado GEM - Global Entrepreneurship Monitor, que a cada ano realiza estudos nos quais descreve o nível de crescimento econômico nacional, aspectos do empreendedorismo e descreve atividades empreendedoras em determinados países. O programa tem o apoio da Babson College, London Business School e da Kauffman Foundation. No Brasil, o projeto é coordenado pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade - IBQP e apoiado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE (GEM, 2003). O Sebrae é uma instituição brasileira, privada, sem fins lucrativos, que atua como agente de capacitação e promoção do desenvolvimento. Empenha-se em estimular o empreendedorismo e viabilizar a competitividade e a sustentabilidade dos pequenos negócios (SEBRAE, 2014). 19 2.1 HISTÓRIA DO EMPREENDEDORISMO Para melhor compreensão desse tema tão discutido na atualidade, com diversos conceitos e interpretações, essa pesquisa terá seu ponto inicial na origem e fundamento do termo empreendedorismo. Hisrich, Peters e Shepherd (2009) referem-se a Marco Polo como sendo o primeiro exemplo de intermediário denominado empreendedor. Este realizou acordos com pessoas que tinham recursos financeiros, que assumiam os riscos passivamente, disponibilizando-os a Marco Polo para que viajasse e vendesse seus produtos, assumindo então os riscos físicos e emocionais. Os autores afirmam que, na Idade Média, o termo recebeu outra conotação, era utilizado para descrever participantes ou administradores de grandes projetos de produção, nos quais estes não corriam riscos, apenas administravam. No século XVII, a denominação sofreu influência da industrialização, diferenciando o fornecedor de capital do empreendedor. Este financiava projetos, invenções, inovações e administrava os recursos. Aquele desenvolvia novas tecnologias. Todavia, no século seguinte, o capitalista e o empreendedor foram distinguidos, possivelmente por causa do início da industrialização no mundo (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009). Richard Cantillon apud Dornelas (2005) conceituado escritor e economista do século XVII, foi um dos autores do empreendedorismo, e quem distinguiu o empreendedor como o indivíduo que assume riscos e o capitalista como aquele que disponibilizava o recurso financeiro. Entretanto, foi o economista francês J. B. Say apud Drucker (2008), em meados de 1800, quem evidenciou a figura do empreendedor, cujo termo era associado a pessoas que deslocavam o capital de forma produtiva a atingir maior rentabilidade. Desde então, o significado da expressão tem sido ambíguo. Com o passar do tempo, sobre diversos pontos de vista, novos conceitos agregaram-se ao termo empreendedorismo. No final do século XIX e início do século XX, como ainda acontece na atualidade, os termos empreendedores, gerentes e administradores facilmente se misturavam e eram descritos como aqueles que estão a serviço do capitalista para controlar e organizar a empresa (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009). 20 2.2 CONCEITOS DE EMPREENDEDORISMO O termo empreendedorismo está em evidência atualmente. Isso se deve à velocidade em que as mudanças acontecem no universo empresarial, que tem sofrido alterações rápidas e constantes causadas pela globalização. Dornelas (2008, p. 62) considera que “o momento atual pode ser chamado de era do empreendedorismo”, no qual o desenvolvimento tecnológico e a velocidade das mudanças compeliram empresários e organizações a empregar novas práticas para manterem a competitividade. O autor acredita que o empreendedorismo não é um princípio administrativo que surgiu para sanar as dificuldades das empresas, mas sim uma conduta e um conjunto de ações que têm por objetivo inovar e reconhecer ocasiões favoráveis de negócios. O empreendedorismo é um conceito muito amplo, não se limita apenas à concepção de um novo empreendimento, mas também pode englobar uma nova filosofia a negócios já existentes. O processo empreendedor envolve a procura constante por inovação e novas oportunidades para a conquista de um diferencial competitivo e aumento de lucratividade para a empresa (DORNELAS, 2008). O autor salienta que as atividades empreendedoras são o suporte para o desenvolvimento econômico, geração de empregos e recursos. Diante disso, nações têm dado considerável importância e apoio ao empreendedorismo, visando um possível crescimento na economia. Sob o mesmo ponto de vista, o GEM (2003), considera que o aumento consecutivo de crescimento econômico tem relação significativa com o nível de atividade empreendedora. Na concepção de Hisrich e Brush apud Hisrich, Peters e Shepherd (2009), empreendedorismo consiste em inovar, ou seja criar algo novo com valor, investindo tempo e dedicação, responsabilizando-se pelos riscos financeiros, sociais e psíquicos, e recebendo os resultados correspondentes como satisfação e autonomia financeira e pessoal. Morris & Kuratko apud Dornelas (2008, p.36), esclarecem o empreendedorismo através de quatro elementos essenciais: 1. Processos, os quais podem ser gerenciados, subdivididos em partes menores e que podem ser aplicados a qualquer contexto organizacional. 21 2. Criação de valor, já que os empreendedores geralmente criam algo novo onde não havia nada antes. Esse valor é criado dentro das empresas e no mercado. 3. Recursos, ou seja, os empreendedores utilizam os recursos disponíveis de forma singular, única, criativa. Eles combinam muito bem recursos financeiros, pessoas, procedimentos, tecnologia, materiais, estruturas etc. Esses são os meios pelos quais os empreendedores criam valor e diferenciam seus esforços. 4. Oportunidade. Empreendedorismo é dirigido à identificação, avaliação e captura de oportunidades de negócios. É a perseguição de oportunidades sem se preocupar inicialmente com os recursos sob controle (os quais o empreendedor/empresa já possui), ou seja, sem se colocar restrições iniciais que poderiam impedir o empreendedor de buscar tal oportunidade. Para melhor compreensão do tema, Morris apud Dornelas (2008) aborda sete perspectivas para a natureza do empreendedorismo: Tabela 2 – Sete perspectivas para a natureza do empreendedorismo Criação de riqueza Empreendedorismo envolve assumir riscos calculados associados com as facilidades de produzir algo em troca de lucros. Criação de empresa Empreendedorismo está ligado à criação de novos negócios, que não existiam anteriormente. Criação da inovação Empreendedorismo está relacionado à combinação única de recursos que fazem os métodos e produtos atuais ficarem obsoletos. Criação da mudança Empreendedorismo envolve a criação da mudança, através do ajuste, adaptação e modificação na forma de agir das pessoas, abordagens e habilidades, que levarão à identificação de diferentes oportunidades. Criação de emprego Empreendedorismo não prioriza, mas está ligado à criação de empregos, já que as empresas crescem e precisarão de mais funcionários para desenvolver suas atividades. Criação de valor Empreendedorismo é o processo de criar valor para os clientes e consumidores através de oportunidades ainda não exploradas. Criação de crescimento Empreendedorismo pode ter um forte e positivo relacionamento com o crescimento das vendas da empresa, trazendo lucros e resultados positivos. Fonte: Adaptado por Dornelas (2008, p.37). 22 A Tabela 2 expõe sete perspectivas para a natureza do empreendedorismo, de modo a esclarecer como o empreendedorismo pode ser praticado em qualquer organização em que uma ou mais dessas perspectivas sejam identificadas, seja uma organização estabelecida ou em fase de criação, independente do porte, estruturação e mercados em que opera (DORNELAS, 2008). São diversos os conceitos atribuídos ao termo empreendedorismo, mas, em suma, significa gerir as riquezas com criatividade, arriscar-se de forma planejada, buscar renovação, oportunidades e inovação, declara Dornelas (2008). 2.3 EMPREENDEDOR Em conformidade com o assunto, este subponto abordará as características, desempenho e influência do empreendedor na sociedade, sob o ponto de vista de diferentes autores. A palavra empreendedor é proveniente do vocábulo francês entrepreneur, trata-se do indivíduo que assume riscos e começa algo novo, mesmo dentro de uma corporação já existente (DORNELAS, 2008). Ao explanar sobre a importância do empreendedor para a sociedade, Dolabela (2006, p.30), declara que “o empreendedor é o responsável pelo crescimento econômico e pelo desenvolvimento social. Por meio da inovação, dinamiza a economia”. De acordo com Schumpeter apud Drucker (2008), apesar de não ser um elemento econômico, o empreendedor interfere consideravelmente na economia por intermédio da transformação de conceitos e comportamento. Para Dornelas (2008), os empreendedores rompem padrões, extinguem obstáculos comercias e culturais, reformulam e integram conceitos econômicos, desenvolvem novas funções organizacionais e trazem ganho para a sociedade. Schumpeter apud Dornelas (2005, p.39) afirma que “O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais”. Já no entendimento de Kirzner apud Dornelas (2005, p.39), “o empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e positiva em um 23 ambiente de caos e turbulência, ou seja, identifica oportunidades na ordem presente”. Timmons apud Dornelas (2008), considera os empreendedores excelentes identificadores de oportunidades. São aqueles que possuem a capacidade de criar e construir uma visão sem ter uma referência precedente. Eles assumem riscos calculados, empenham-se em compreender seu ambiente e ter máximo controle sobre os fatores possíveis para que seu empreendimento tenha êxito. Para Degen apud Farah, Cavalcanti e Marcondes (2008) declara que o empreendedor bem sucedido examina atentamente os negócios, sempre na procura de circunstâncias favoráveis, em todo tempo. Essa capacidade não é congênita, mas é alcançada por meio do conhecimento adquirido. O empreendedor dedica-se constantemente em tornar o seu negócio um sucesso por meio de novas estratégias, recursos e ideologias, conforme afirmam Farah, Cavalcanti e Marcondes (2008). Dornelas (2005, p. 21) descreve os empreendedores como “pessoas diferenciadas, que possuem motivação singular, apaixonados pelo que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, querem ser reconhecidas e admiradas, referenciadas e imitadas, querem deixar um legado”. Na concepção de Drucker (2008, p.45), o empreendedor vislumbra a mudança como conduta para aproveitar uma oportunidade vantajosa, ou como antecipação a mutações futuras. Não se conformam em modificar ou aperfeiçoar o que já existe. “Eles procuram criar valores novos e diferentes, e satisfações novas e diferentes, convertendo um material em um recurso, ou combinar recursos existentes em uma nova e mais produtiva configuração”. É interessante ressaltar alguns atributos do empreendedor (DORNELAS, 2005), como o aperfeiçoamento da capacidade de reconhecer e perseguir oportunidades, a tomada de riscos calculados, a abstenção de riscos desnecessários, ótima liderança, facilidade de criar equipes e a facilidade de acumular habilidades, experiências e contatos. Bessant e Tidd (2009) sintetizam o perfil dos empreendedores em três categorias: os empreendedores como modo de vida – é o tipo mais popular, são aqueles que buscam autonomia, anseiam trabalhar embasado em seus valores pessoais. Geralmente não são inovadores e arrojados, significativamente na geração de trabalhos autônomos. mas contribuem 24 Os autores também citam os empreendedores do crescimento – são aqueles que almejam riqueza, prestígio e poder, constituem ou adquirem grandes empresas, a fim de comandar o mercado nacional. E os empreendedores inovadores – representado também por empreendedores tecnológicos e empreendedores sociais, são aqueles que desejam desenvolver ou transformar algo. Nem sempre a inovação está atrelada a descobertas tecnológicas ou científicas. Em geral, os autores definem o empreendedor de forma semelhante. Como o indivíduo determinado a realizar seus desejos, buscar seus ideais e conduzir a própria trajetória. (FARAH, CAVALCANTI e MARCONDES, 2008). Após várias pesquisas, Dornelas (2007) comprova que não existe um modelopadrão, pois qualquer um pode ser empreendedor. Dentro desse universo de empreendedores, o autor sintetiza 8 tipos de empreendedores: 1. O Empreendedor Nato (Mitológico): São indivíduos idealistas, confiantes, revolucionários, e comprometidos totalmente na realização de seus sonhos. São donos de trajetórias admiráveis, geralmente começaram do zero e construíram grandes impérios, assim como diversos imigrantes que vieram de países ocidentais. Eles têm como parâmetro valores familiares e religiosos. 2. O Empreendedor que Aprende (Inesperado): É aquele que foi surpreendido por uma oportunidade de negócio e decidiu mudar o que fazia na vida para dedicarse ao próprio empreendimento. Pode ter sido convidado por um sócio ou ele mesmo foi capaz de identificar uma oportunidade. Até tornar-se empreendedor, acreditava não se agradar de assumir riscos. Mas, ao optar por um negócio próprio, precisou aprender a lidar com as mudanças e novas situações. 3. O Empreendedor Serial (Cria novos negócios): É o tipo fascinado pelas empresas que cria, assim como pela prática de empreender. Ambiciona formar uma grande corporação e não se contenta em apenas criar o negócio ou administrá-lo. Por ser dinâmico, gosta do desafio e da emoção que envolve a criação de algo novo. Está sempre atento às oportunidades, procura informações ao seu redor, participa de eventos e associações, às vezes, se envolve em diversos negócios simultaneamente. Alguns fracassos podem ser recorrentes, mas servem de incentivo para vencer o próximo obstáculo. 4. O Empreendedor Corporativo: Este encontra-se em destaque nos últimos anos por causa da necessidade das grandes corporações se renovarem, inovarem e criarem novos negócios. É um grupo normalmente composto por executivos 25 competentes com habilidade de comunicação e negociação, buscam resultados, pois sua remuneração geralmente está relacionada a estes. Assumem riscos e convivem com a falta de autonomia, pois trabalham para outros. 5. O Empreendedor Social: Este possui características parecidas com às dos outros empreendedores, mas se difere em seu objetivo, pois não cria um negócio próprio, mas assume como missão de vida tornar o mundo melhor para as pessoas. Buscam oportunidades para aqueles que não têm acesso a elas, preferem compartilhar seus recursos e colaborarem com o desenvolvimento das pessoas. 6. O Empreendedor por Necessidade: É aquele que está fora do mercado de trabalho ou foi demitido. Por falta de alternativa, abre o próprio negócio. Normalmente são negócios informais, no qual são desenvolvidas funções simples e pouco inovadoras. 7. O Empreendedor Herdeiro (Sucessão familiar): Refere-se aquele que recebe, logo cedo, a missão de levar o legado de sua família adiante e é desafiado a multiplicar o patrimônio recebido. Tem como referência seus familiares e segue seus passos na arte de empreender. Alguns são independentes e desejam inovar, outros são conservadores e optam por manter o que já tem dado certo. 8. O Empreendedor Normal (Planejado): Este busca reduzir os riscos, planeja os próximos passos, tem uma visão de futuro clara e trabalha em função de metas. Possui tais características que aumentam as chances de um negócio ser bem sucedido. 2.4 MOTIVAÇÃO EMPREENDEDORA Farah, Cavalcante e Marcondes (2008), descrevem algumas razões específicas para que o sujeito se arrisque a empreender: a ambição de lucrar mais do que um emprego possa oferecer, abster-se da rotina e colocar em prática os projetos pessoais, disponibilidade de tempo, insatisfação com o emprego, não ter chefe e não ter de se justificar a ninguém por seus atos, o anseio de se autoafirmar e provar a outrem que é competente para conduzir um negócio, e o anseio por gerar meios de favorecer a si próprio, mas também a sociedade. A respeito desse assunto, Bessant e Tidd (2009) também consideram que a decisão de lançar um empreendimento se dá por meio da vontade de ser independente e não estar sob o domínio de uma grande empresa. Deste modo, o 26 conhecimento, perfil psicológico, técnica e know-how favorecem a iniciativa de empreender. Na economia em crescimento, em que o ambiente econômico é promissor, as demandas concebidas pelo mercado aquecido geram ocasiões favoráveis para aqueles que querem abrir novos negócios. Isso viabiliza a propagação do empreendedorismo, especialmente o empreendedorismo motivado por oportunidades (GEM, 2004). O ambiente pode despertar novos empreendedores e estimular o surgimento de novos empreendimentos. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor – GEM (GEM, 2012), os empreendedores têm razões individuais para empreenderem. Os empreendedores por necessidade são aqueles que iniciam um negócio autônomo por não conseguirem melhores alternativas de trabalho e então iniciam um empreendimento a fim de obter renda para si e suas famílias. Diferentemente dos empreendedores por oportunidade, que decidem por começar um novo negócio, mesmo quando já estão empregados ou possuem opções de renda, ou ainda para manter ou aumentar seu faturamento pela vontade de ser independente financeiramente (GEM, 2012). Para Dornelas (2008), quanto mais o empreendedorismo de oportunidade encontrar-se em um país, maior será o desenvolvimento da economia, o qual possibilitará ao país a geração de práticas estimuladoras do empreendedorismo. Isto é, refere-se a um método recorrente que fomentará ainda mais a inovação. Valendo-se dos estudos do GEM (2010) o empreendedorismo por oportunidade traz mais benefícios para a economia dos países, já que os empreendedores percebem oportunidades no mercado e têm maiores chances de sucesso. Dessa maneira, há maior expectativa no surgimento dos empreendedores de oportunidade por serem mais capacitados e propensos a se arriscar no mundo dos negócios. Na situação do Brasil, a maior parte dos negócios gerados é baseada no empreendedorismo de necessidade, com o intuito de suprir necessidades essenciais de sobrevivência daqueles que empreendem. Em sua totalidade, são negócios informais, sem planejamento, sem perspectiva, sem reconhecimento de oportunidades, sem o compromisso de progredir e se desenvolver economicamente (GEM, 2007). 27 “Na verdade, os empreendedores por necessidade são as vítimas do modelo capitalista atual, pois não tem acesso a recursos, a educação e às mínimas condições para empreender de maneira estruturada” (DORNELAS, 2007, p.14). Para o GEM (2004), a subsistência é um combate frequente para os brasileiros que constituem a base da pirâmide social, e empreender é uma forma de enfrentar esse desafio. Deste modo, há um alto volume de empreendedores por necessidade. Em contrapartida, a desigualdade promove um forte potencial para o mercado, se enfrentada sistematicamente pode suscitar o empreendedorismo por oportunidade no Brasil por meio da introdução das classes mais carentes aos direitos e aos confortos da sociedade atual. 2.5 EMPREENDEDORISMO INFORMAL Para Ramalho e Arrochelas (2004), apesar de a globalização e as novas tecnologias inserirem os países subdesenvolvidos nas economias internacionais e elevarem os níveis de produção, a ampliação de empregos não foi proporcional. Na situação do Brasil, o número da população ativa é crescente e abundante, sendo assim propicia o crescimento das atividades informais e do desemprego, explicam Ramalho e Arrochelas (2004). Os empreendedores que estão na informalidade são aqueles que não têm suas atividades ou empresas regulamentadas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (IBGE, 2008), esses indivíduos são classificados como conta-própria, constituído por pessoas que possuem o próprio empreendimento, desenvolvem suas atividades só ou com sócio, e com ajuda ou não de integrante não remunerado de sua residência. Esse trabalhador executa suas atividades em seu próprio empreendimento, e é desobrigado a submeter-se a uma jornada de trabalho pré-definida. Devido à inconstância de seu trabalho, seu provento pode ser incerto. Outro aspecto é que nesse tipo de atividade não há trabalhador assalariado (IBGE, 2008). Machado (2008) explica que quando se trata de pequenos e micro empreendimentos situados na economia informal, notam-se aspectos e requisitos que condizem com grandes desafios pelo fato de ser uma forma de sobrevivência. 28 O autor explana algumas características que são comuns na economia informal: muitas vezes, a mão de obra utilizada é familiar, o negócio ocorre na própria casa, a ocupação e os lucros são indeterminados, emprega-se uma infraestrutura mínima, dispõe-se de pouco ou nenhum capital de giro para manter a atividade e o empreendimento fica à mercê do tempo disponível dos envolvidos e das oscilações do mercado, declara Machado (2008). Segundo o relatório do Banco Mundial apud GEM (2007, p. 67) 87% das microempresas brasileiras não têm trabalhadores pagos (são empresas individuais ou contam com o trabalho de familiares), dispõem de um número reduzido de clientes, mantêm-se na informalidade principalmente pelo alto preço e pelo longo tempo necessários para a legalização e principalmente pelos elevados encargos sociais e fiscais de operação como firma registrada. Essa é uma realidade pela qual passam não só os empreendedores por necessidade, mas também o por oportunidade e até mesmo o grande empresário. Os trabalhadores que não possuem registro em carteira, os desempregados e as donas de casa são classes típicas do empreendedorismo por necessidade. São essas classes que procuram, no trabalho informal, uma maneira de sobreviver ou complementar a renda familiar. Geralmente os empreendedores informais são donos de microempresas e/ou são prestadores de serviços, cuja clientela é formada por pessoas físicas, são vendedores ambulantes, domésticas, cabelereiros, pedreiros, encanadores etc. (GEM, 2007). No relatório brasileiro do GEM (2007) é possível observar a condição trabalhista do empreendedor brasileiro. De modo geral as microempresas brasileiras permanecem na informalidade, basicamente pelo alto custo e prolongado tempo necessários para a legalização, elevados encargos sociais e fiscais de cálculos exigidos junto às empresas registradas. Tem estado em crescimento o trabalho da dona de casa com filhos que procura na informalidade exercer o trabalho doméstico com atividades que aumentem os ganhos familiares. Do mesmo modo, os jovens têm adotado novas posturas no mercado de trabalho, como empreendedor em uma microempresa, como terceirizado ou como autônomo (GEM, 2007). Para Dornelas (2007), o empreendedorismo informal tem auxiliado o cidadão desempregado a prover recursos para sua sobrevivência, em contrapartida tem causado sérios danos à sociedade. Apesar de os empreendedores informais terem determinação, trabalharem arduamente e buscarem a sua subsistência e de sua 29 família, a informalidade não favorece o desenvolvimento econômico e se torna um problema social grande para países em desenvolvimento. Normalmente não contribuem com impostos e taxas, e estufam as estatísticas empreendedoras desses países, mascarando a real situação do país, como no Brasil por exemplo. E a solução desse problema ainda é remota (DORNELAS, 2007). Neste mesmo sentido, escreve Lima (2008, p.31) Na visão neoliberal, o desemprego e a informalidade seriam oportunidades para o desenvolvimento e consolidação do empreendedorismo, por intermédio do desenvolvimento da mentalidade e do comportamento do indivíduo empreendedor, que permitiria uma expansão da atividade econômica e a redução do desemprego, com a criação de novas empresas apoiadas em um segmento empresarial de pequeno porte. Em contrapartida, Abdenur (2013) declara que a informalidade desenvolve ambiente de descumprimento, incentiva a conduta econômica oportunista, gera prejuízos diretamente para a sociedade, depreciação da qualidade do investimento e do potencial de progresso da economia brasileira. Além de restringir os recursos governamentais designados à infraestrutura e programas sociais. Barbosa apud Hertz (2013) diverge do termo informal e critica a forma como os novos empreendedores iniciam o negócio, não registrando a empresa, com a justificativa dos obstáculos burocráticos enfrentados no Brasil. O autor afirma que não pagar impostos e não registrar funcionários são ações ilegais e complementa que, dessa forma, esses profissionais que iniciam essa jornada só, cada vez mais inexperiente, podem deixar o país mais vulnerável à insegurança do crescente empreendedorismo fora da lei. 30 3 MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL No mercado informal, os contratos não são registrados junto a seguridade social, há contratação ilegal de trabalhadores assalariados ou temporários, não se tem um controle das horas trabalhadas, remuneração, férias entre outros. A evasão e sonegação fiscais são costumeiras nesse setor da economia, afirma Cacciamali apud Oliveira (2004). Alguns fatores responsáveis pelo crescimento da informalidade são provenientes do governo, como por exemplo, a crescente carga tributária que afeta as decisões entre trabalho e lazer, a burocracia, o alto custo regulatório de se tornar formal, as políticas de transferência de renda, jornada de trabalho em meio período e a aposentadoria precoce também estimulam o setor informal, afirma Pinheiro apud Oliveira (2004). Souza (2010) declara que, diante desse panorama, surgiu no ano de 2004, em São Paulo, o projeto de se elaborar uma nova categoria de empresa, denominada Microempreendedor Individual – MEI, através da Associação Comercial de São Paulo – ACSP, que levou o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ideia da criação do Empreendedor Urbano Pessoa Física, que privilegiaria os trabalhadores que atuavam na informalidade. A LC nº. 123/2006 (BRASIL, 2008) criou o Simples Nacional, que teve como objetivo unificar a arrecadação dos tributos e contribuições no âmbito dos governos federal, estadual e municipal para as Microempresas – ME e Empresas de Pequeno Porte – EPP. Porém, muitos trabalhadores permaneceram na informalidade por causa da complexidade, das constantes mudanças da legislação e da dificuldade no cálculo dos tributos, não correspondendo à expectativa de formalizações que a Lei referenciada almejava (SOUZA, 2010). Foi então que a Lei Complementar nº128 (BRASIL, 2008), passou a vigorar com condições especiais para o trabalhador informal se tornar um MEI legalizado. Esta nova modalidade de formalização viabiliza a inserção dos trabalhadores por conta própria ao setor formal que, por meio do recolhimento de tributos de forma mais acessível, passam a usufruir de benefícios que anteriormente estavam disponíveis apenas aos trabalhadores que já estavam incluídos no mercado formal (SOUZA, 2010). 31 De acordo com a FENACON - Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (FENACON, 2014), o Microempreendedor Individual pode ser apontado como um projeto extraordinário de inclusão social concebido no Brasil. O plano consiste em formalizar os profissionais autônomos com receita bruta de até R$ 60.000,00 que desejam usufruir de benefícios previdenciários, porém não têm condições de responsabilizar-se pela carga tributária. Entre eles estão sapateiros, manicures, marceneiros, ambulantes, mecânicos, barbeiros, encanadores, pintores de parede e assim por diante. A figura do empreendedor individual configura uma grande oportunidade para que estes profissionais exerçam sua cidadania. 3.1 BENEFÍCIOS DO MEI No ato da formalização, os microempreendedores individuais passam a adquirir o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que possibilita a abertura de conta bancária, o pedido de empréstimos e a emissão de notas fiscais (SEBRAE, 2009). Com a redução da carga tributária, esses profissionais conquistam de forma simplificada a legalização de seus negócios. Pagam taxas fixas e mensais reduzidas. Além disso, o MEI será enquadrado no Simples Nacional e ficará isento dos tributos federais como Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL (BRASIL, 2008). Em relação aos fatores previdenciários, de acordo com a FENACON (2014), os microempreendedores passam a ter alguns direitos como auxílio-doença e auxílio-acidente, aposentadoria por invalidez, aposentadoria por idade, aposentadoria especial e aposentadoria por tempo de contribuição, salário-família e salário-maternidade e os dependentes do MEI terão direito a pensão morte e auxilio reclusão. O SEBRAE (2009) aponta como privilégios para a formalização o suporte técnico do Sebrae, a atuação no mercado de forma legal, sem o risco de punições governamentais, formalização sem burocracias, simplificação no procedimento de baixa, isenção de pagamento de taxas e perspectiva de crescimento. 32 De acordo com BRASIL (2014) o MEI pode ter um empregado registrado que receba um salário mínimo, fixado no ano de 2014 no valor de R$ 724,00 (Setecentos e vinte e quatro reais) ou o piso salarial da profissão. O custo dessa contratação é de 11% do respectivo salário, ou R$ 79,64 (setenta e nove reais e sessenta e quatro centavos), no caso de o empregado ganhar o salário mínimo. O cálculo é feito pelo valor do salário multiplicado por 3% (parte do empregador) e por 8% (parte do empregado). A Guia do FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP) deve ser devidamente preenchida e entregue até o dia 7 de cada mês, por meio de um sistema chamado Conectividade Social da Caixa Econômica Federal. Ao entregar a GFIP, o Microempreendedor Individual deve depositar o FGTS, calculado à base de 8% sobre o salário do empregado. Além disso, deverá recolher 3% desse salário para a Previdência Social. Dessa maneira, o microempreendedor protege-se contra reclamações trabalhistas e o seu empregado tem direito a todos os benefícios previdenciários como aposentadoria, seguro-desemprego, auxílio por acidente de trabalho, doença ou licença maternidade (BRASIL, 2014). 3.2 CONDIÇÕES PARA TORNAR-SE MEI Antes de inscrever-se, é importante que o interessado consulte a Prefeitura para conferir se há permissão para exercer a atividade no município atuante, de igual modo à forma de atuação e local (endereço fixo, comércio ambulante etc). Dessa forma, é possível evitar infortúnios que resultem na suspenção do alvará provisório e até mesmo da inscrição (MACHADO, 2012). A seguir serão descritas as exigências prescritas na Lei para que o trabalhador informal possa se enquadrar nas regras exigidas para tornar-se um Micro Empreendedor Individual. Conforme a Resolução CGSIM nº 16, de 17 de dezembro de 2009 (BRASIL, 2009), prevê no Art.2º os seguintes requisitos para se tornar MEI Art. 2 º Considera-se Microempreendedor Individual o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n º 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que atenda cumulativamente às seguintes condições: I - tenha auferido receita bruta conforme estabelecido nos §§ 1 º ou 2 º do art. 18-A da Lei Complementar n º 123, de 2006; II - seja optante pelo Simples Nacional; 33 III - exerça tão somente atividades permitidas para o Microempreendedor Individual conforme Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional; IV - não possua mais de um estabelecimento; V - não participe de outra empresa como titular, sócio ou administrador; VI - possua até um empregado que receba exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional. A LC nº. 128/2008 (BRASIL, 2008) prevê no § 2º do art. 18 um limite de receita de até R$ 3.000,00 (três mil reais) multiplicados pelo número de meses compreendidos entre o início da atividade e o final do respectivo ano-calendário, consideradas as frações de meses como um mês inteiro. A faixa receita bruta anual é de R$ 36.000,00. Porém, em 2011 esse limite foi alterado. De acordo com a Lei Complementar 139/2011 (BRASIL, 2011) prevista no § 1º do art.18 o limite da receita mensal passou para R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e a receita bruta anual para R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). No Portal do Empreendedor, é possível baixar a listagem de todas as atividades que podem ser enquadradas no MEI (BRASIL, 2014). 3.3 OBRIGAÇÕES DO MEI O Microempreendedor está dispensado de utilizar a contabilidade formal ou de fazer uso de Livro Caixa. Entretanto deve manter o controle do que compra, o que vende e quanto ganha, e é fundamental obedecer o limite R$ 60.000,00 anuais (BRASIL, 2014). O empreendedor deverá pagar mensalmente o DAS – Documento de Arrecadação Simplificada, que deve ser recolhido até o dia 20 de cada mês, na rede bancária ou nas lotéricas. No valor fixo de R$ 37,20 (comércio ou indústria), R$ 41,20 (prestação de serviços) ou R$ 42,20 (comércio e serviços), que será destinado à Previdência Social e ao ICMS ou ISS. Essas quantias serão atualizadas anualmente, de acordo com o salário mínimo. Em caso de atraso no pagamento, serão cobrados juros e multa. A multa será de 0,33% por dia de atraso e está limitada a 20%; os juros serão calculados com base na taxa Selic, sendo que para o primeiro mês de atraso os juros serão de 1% (BRASIL, 2014). Apesar de estar dispensado de contabilidade formal, o empreendedor individual deve preencher o Relatório Mensal das Receitas Brutas, no qual devem 34 constar separadamente o valor total de receitas brutas referentes a comércio, indústria e serviços. O modelo desse relatório é fornecido gratuitamente no Portal do Empreendedor (BRASIL, 2014). (VER O MODELO EM ANEXO 2). Este relatório será utilizado para fazer a Declaração Anual do Simples Nacional para o Microempreendedor Individual - DASN-SIMEI. O MEI optante pelo SIMEI no ano calendário anterior deverá apresentar até o último dia de maio de cada ano a DASN-SIMEI, conforme BRASIL (2014) devem conter na declaração a receita bruta no ano anterior, a receita bruta no ano anterior sujeita ao ICMS e a utilização ou não da faculdade de contratar o empregado único admitido. 3.4 DESENQUADRAMENTO DE SIMEI O desenquadramento de SIMEI se dá quando o faturamento excede os R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). Segundo BRASIL (2014) o faturamento maior que R$ 60.000,00, mas igual ou inferior a R$ 72.000,00: A empresa passa a ser considerada uma Microempresa. Os impostos passam a ser de um percentual do faturamento por mês, que varia de 4% a 17,42%, dependendo do tipo de negócio e do montante do faturamento. O valor do excesso deve ser acrescentado ao faturamento do mês de janeiro e os tributos serão pagos juntamente com o DAS referente àquele mês. No caso de o faturamento ter sido superior a R$ 72.000,00, o enquadramento no Simples Nacional é retroativo e o recolhimento sobre o faturamento, conforme explicado na primeira situação, passa a ser feito no mesmo ano em que ocorreu o excesso no faturamento, com acréscimos de juros e multa (BRASIL, 2014). A respeito desse assunto, os pormenores previstos no § 7º do art. 18-A encontram-se no ANEXO 2. 35 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Neste capítulo, serão apresentados os procedimentos metodológicos que contribuíram com o desenvolvimento da pesquisa. No princípio deste trabalho foi elaborada uma pesquisa exploratória, na qual foi feito um levantamento de informações para obter conhecimento a respeito do tema a ser tratado (ANDRADE, 2009). Rampazzo (2005) afirma que todo tipo de pesquisa requer uma pesquisa bibliográfica, seja para contribuições da própria pesquisa ou para fundamentação teórica para explicar um problema. Portanto, esse método de pesquisa foi utilizado, em que foram investigados livros sobre os assuntos abordados e trabalhos já realizados sobre o MEI. Também foi aplicado o método de pesquisa documental, no qual foram utilizadas as legislações LC nº. 123/2006, LC nº. 128/2008, Resolução CGSIM nº 16 e LC 139/201, bem como registros estatísticos sobre o MEI. Gil (2010) declara que essa pesquisa é uma das mais importantes, pois é capaz de comprovar algum fato ou evento (GIL, 2010). Por meio do estudo de caso, também foram empregados nessa pesquisa dados fornecidos por pessoas. De acordo com Severino (2008), um estudo de caso deve ser realizado em um ambiente em particular em que se estuda um grupo com o intuito de levantar informações significativas e analisá-las. O estudo de caso foi realizado pela pesquisadora nos 52 quiosques de artesanato localizados na Rua da Praia. Com o propósito de apurar da melhor maneira as informações, o formulário foi selecionado como instrumento de pesquisa para coleta de dados. De acordo com Andrade (2009) o formulário é aplicado pelo entrevistador, dessa forma é possível explicar ao entrevistado os objetivos da pesquisa e esclarecer possíveis dúvidas em relação às questões. Em virtude de os quiosques abrirem nos fins de semana, mais precisamente aos sábados, os formulários foram aplicados pela entrevistadora nos sábados dias 18 e 25 de outubro de 2014, das 17h às 22h. Na Rua da Praia em São Sebastião foram disponibilizados para os artesãos 52 quiosques, mas 47 estão ocupados e apenas 5 estão vagos. Foi possível entrevistar 29 dos 47 artesãos, o equivalente a 62% do total de artesãos. 36 Para melhor compreensão da situação, foram elaborados dois diferentes formulários, um destinado aos artesãos formalizados e outro aos artesãos informais. Os formulários foram baseados na pesquisa desenvolvida pelo SEBRAE para estudar o Perfil do Microempreendedor Individual 2013 (FILHO, 2013). Os modelos dos formulários encontram-se anexados aos Apêndices A e B. Inicialmente houve dificuldade na aplicação da pesquisa, pois o questionário foi desenvolvido com a finalidade de descobrir o perfil dos microempreendedores individuais. Apesar desse cenário, isso não foi suficiente para a desistência da pesquisa. No Gráfico 2, é possível observar que do total de 52 quiosques, 5 estão vagos, 12 abrem apenas na temporada (dezembro a fevereiro), 6 não abriram nos dias em que as entrevistas foram realizadas e 29 foi o total de artesãos entrevistados. Gráfico 2– Condição dos quiosques no período da pesquisa [] Vagos [] Fechados [] Abertos 23% [] Fonte: Dados do questionário aplicado 37 5 RESULTADOS E DISCUSSÕES A seguir serão apresentados os dados obtidos por meio dos formulários aplicados aos artesãos situados na Rua da Praia. O Gráfico 3 mostra que dos 29 artesãos entrevistados, 83% são mulheres e 17% homens. Gráfico 3– Gênero dos artesãos GÊNERO 0% Masculino 17% Feminino 83% Fonte: Dados do questionário aplicado Segundo o GEM (2012), uma das razões para um indivíduo lançar-se ao empreendedorismo é o desejo por independência financeira. De acordo com o Gráfico 3 os dados da pesquisa revelam que as mulheres artesãs têm encontrado, no artesanato, uma forma de independência financeira. Os dados da pesquisa estão de acordo o GEM (2007), o qual afirma que a participação das mulheres no universo do empreendedorismo, especialmente as donas de casa com filhos, tem crescido consideravelmente. Pelo fato de os quiosques abrirem apenas aos fins de semana, essas mulheres podem conciliar o trabalho com a dedicação aos filhos e/ou ao lar. No Gráfico 4 é possível observar que o maior percentual desses empreendedores está na faixa dos 50 e 64 anos de idade (41%). E o menor percentual está nos artesãos mais jovens, com idade entre 25 e 29 anos (4%). 38 Gráfico 4– Faixa etária dos artesãos 65 ou mais 14% 25 a 29 4% 30 a 39 10% 40 a 49 31% 50 a 64 41% Fonte: Dados do questionário aplicado Os dados da pesquisa se revelam diferentes do que o GEM (2007) diz a respeito dos jovens buscarem no empreendedorismo maior autonomia financeira. Os resultados mostram que os indivíduos na terceira idade também têm buscado no empreendedorismo uma forma de obter renda ou de complementar a que já tem. O Gráfico 5 descreve a condição dos artesãos em relação à formalização. Gráfico 5– Condição dos artesãos Formalizados (MEI) 10% Informais que pretendem se formalizar como MEI 31% Informais que não querem se formalizar 59% Fonte: Dados do questionário aplicado A minoria é formalizada, apenas 10% dos 29 artesãos, 31% demostraram interesse em se formalizar como MEI e 59% não pretendem se formalizar. O Gráfico 6 demonstra por quais razões 59% dos artesãos não pretendem se formalizar. 39 Gráfico 6– Razões para não se formalizar Renda complementar 18% Paga INSS 23% Aposentado 18% Desnecessário 29% Não pode pagar 12% Fonte: Dados do questionário aplicado Os dados demonstram que a maioria, formada por 59% dos artesãos, não pretendem se formalizar. Esse panorama revela que ou os benefícios proporcionados pelo MEI (BRASIL, 2014), como possibilidade de adquirir máquina de cartão de crédito e débito, acesso a crédito, aposentadoria, auxílio doença ou maternidade e possibilidade de emitir notas fiscais não têm atraído os artesãos a se formalizarem ou eles não têm conhecimento dessas informações. No que diz respeito a esse quadro de empreendedores informais, Dornelas (2007) declara que, apesar de trabalharem com determinação e esforço para proverem recursos pra si e seus familiares, a condição da informalidade não favorece o desenvolvimento da empresa tampouco do país. O fato de não contribuírem com impostos e taxas resulta em problemas sociais difíceis de serem solucionados. A maior parte, 29%, pretende continuar na informalidade, pois pensa ser mais vantajoso evitar as burocracias e impostos determinados pelo governo. 23% afirmam que já contribuem com o INSS, motivo pelo qual se sentem mais seguros se ocasionalmente necessitarem de auxílio doença, maternidade ou aposentadoria, 18% são aposentados e não consideram a formalização necessária nesse contexto 40 e 18%, por terem emprego fixo ou serem funcionários públicos, têm o negócio como renda complementar. Os dados da pesquisa revelam que esses artesãos não têm conhecimento dos privilégios da formalização sem burocracias que o MEI proporciona, como apoio do Sebrae, exercício da atividade de forma legalizada, livre dos riscos de punições governamentais, simplificação nos processos de baixa, isenção de pagamento de taxas e possibilidade de crescimento (SEBRAE, 2009). Diante desse panorama, Abdenur (2013) critica a informalidade, pois incentiva o ambiente de descumprimento da lei, reduz as possibilidades de investimentos e crescimento da economia, o que gera prejuízos para a sociedade. O Gráfico 7 apresenta os principais motivos que atraem os artesãos a se formalizarem. Dos 31% que se interessam pela formalização, 61% alegam que querem se formalizar pelos benefícios que o INSS proporciona, como aposentaria, licença maternidade e auxílio doença. A aquisição de máquina de cartão de crédito e débito, emissão de nota fiscal e melhores condições de compra obtiveram a mesma equivalência de interesse, 11% cada. Gráfico 7– Principais motivos para formalização Fonte: Dados do questionário aplicado Desses 31%, 67% tem como principal motivo para formalização os benefícios previdenciários como direito a auxílio-doença e auxílio-acidente, aposentadoria por 41 invalidez, aposentadoria por idade, aposentadoria especial e aposentadoria por tempo de contribuição, salário-família e salário-maternidade e os dependentes do MEI terão direito a pensão morte e auxilio reclusão (FENACON, 2014). Diante desse resultado, é possível confirmar o que Souza (2010) afirma a respeito do MEI, que esses artesãos encontram nessa nova modalidade de formalização a possibilidade de usufruir de benefícios que antes estavam disponíveis apenas aos trabalhadores inclusos no setor formal. 5.1 PERFIL DOS ARTESÃOS QUE ADERIRAM AO MEI A seguir, serão apresentados os dados obtidos por meio dos formulários aplicados aos artesãos situados na Rua da Praia inscritos no MEI. Dos 29 artesãos entrevistados, apenas 10% são formalizados. Para melhor compreensão dos resultados, esses 10% foram denominados como artesão A, B e C. A Tabela 3 apresenta o grau de escolaridade dos artesãos microempreendedores individuais. Tabela 3 – Escolaridade A B C Fundamental completo Ensino médio completo Superior completo Fonte: Dados do questionário aplicado Nota-se através da Tabela 3 que os resultados estão equilibrados entre Fundamental completo, Ensino Médio Completo e Superior completo. Apenas o artesão C tem nível superior, o artesão A, ensino fundamental e o artesão B, ensino médio. Esses dados confirmam o que diz FENACON (2014) a respeito das profissões beneficiadas pelo MEI, entre estas estão sapateiros, manicures, marceneiros, pintores de parede, barbeiros, encanadores e ambulantes. Ou seja, as profissões enquadradas no MEI não exigem nível superior para serem exercidas. A Tabela 4 apresenta a ocupação dos empreendedores antes de abrirem o próprio negócio. 42 Tabela 4 – Ocupação antes de empreender A B C Empregado sem carteira assinada Empregado sem carteira assinada Empregado com carteira assinada Fonte: Dados do questionário aplicado De acordo com a Tabela 4 apenas o artesão C era empregado com carteira assinada, a ocupação predominante foi empregado sem carteira assinada. De acordo com o GEM (2007) os trabalhadores sem registro em carteira são denominados empreendedores por necessidade. São trabalhadores que buscam, no setor informal, um meio de sobrevivência ou de complementar a renda familiar. A Tabela 5 apresenta os motivos que levaram os artesãos a empreenderem. Tabela 5 – Motivo para empreender A B C Não conseguiu melhor alternativa de trabalho Não conseguiu melhor alternativa de trabalho Obter renda extra Fonte: Dados do questionário aplicado Através da Tabela 5, é possível confirmar os resultados apresentados na Tabela 4 em relação ao tipo de empreendedorismo. Os artesãos A e B decidiram empreender por não terem melhores opções de trabalho. O GEM (2012) descreve esse tipo de empreendedorismo como por necessidade, que é quando o indivíduo opta por empreender por não ter melhores alternativas de trabalho. Já o artesão C era empregado com carteira assinada e passou a empreender para obter renda extra, e, por obter bons resultados, deixou o emprego e optou por dedicar-se ao empreendimento. Nesse caso, esse artesão é um empreendedor de oportunidade. O GEM (2012) descreve que no empreendedorismo por oportunidade os indivíduos decidem empreender mesmo quando já estão empregados para obter renda extra. A Tabela 6 trata dos principais motivos que levaram os artesãos a se formalizarem como MEI. 43 Tabela 6 – Principais motivos para formalização A B C Possibilidade de vender com cartão de crédito e débito Melhores preços e condições de compras Possibilidade de vender para empresas Fonte: Dados do questionário aplicado A Tabela 6 revela que o artesão A optou por formalizar-se pela possibilidade de vender com cartão de crédito, o artesão B pelos melhores preços e condições de compras e o artesão C pela possibilidade de vender para outras empresas. Estes dados confirmam o que o SEBRAE (2009) afirma a respeito do benefício do MEI em ter CNPJ. Com CNPJ, é possível adquirir máquina de cartão de crédito e débito, emitir notas fiscais e comprar com desconto em diversos fornecedores. Esses benefícios foram relevantes para esses artesãos se formalizarem. A Tabela 7 apresenta os impactos da formalização em relação ao aumento geral das vendas, melhores condições de compras, vendas para outras empresas e vendas para o Governo. Tabela 7 – Impactos da formalização Aumento geral das vendas A B C Não Sim Sim Melhores Vendas Vendas condições para para o de outras Governo compras empresas Não Não Não Sim Não Sim Sim Sim Sim Fonte: Dados do questionário aplicado É possível observar na Tabela 7 que apenas o artesão A não notou mudanças em nenhum desses aspectos apresentados. Os artesãos B e C afirmaram que, após a formalização, houve aumento nas vendas e melhores condições de compras. Apenas o artesão C passou a vender para outras empresas. Em relação a vender para o Governo os artesãos B e C declararam que sim. SEBRAE (2009) declara que a formalização favorece o crescimento dos negócios. Os dados da pesquisa confirmam que houve impactos positivos no crescimento da empresa. 44 A Tabela 8 apresenta se os artesãos tiveram apoio na formalização. Tabela 8 – Apoio na formalização A B Sim, de amigo ou parente Sim, de um contador C Não Fonte: Dados do questionário aplicado A Tabela 8 revela que o artesão A recebeu ajuda de um amigo ou parente para se cadastrar no Portal do Empreendedor, o artesão B procurou ajuda de um contador e o artesão C não precisou de ajuda e se cadastrou sozinho no Portal do Empreendedor. SEBRAE (2009) afirma que o MEI não tem burocracias e os processos são simplificados. Esses resultados confirmam tal parecer, pois apenas 1 artesão precisou da ajuda formal de um contador. A Tabela 9 apresenta se os artesãos que precisam de empregado tiveram dificuldades na contratação. Tabela 9 – Dificuldade para contratação de empregado A B C Tem empregado e não teve dificuldade na contratação Não precisa de empregado Não precisa de empregado Fonte: Dados do questionário aplicado Através da Tabela 9, nota-se que apenas o artesão A tem empregado, e não apresentou dificuldade na contratação. Porém, declarou ter aumentado os custos, pois precisou contratar os serviços de contabilidade para fazer a folha de pagamento. A LC nº 128 permite ao MEI contratar até um empregado com remuneração de um salário mínimo ou piso da categoria. O MEI deve registrar o empregado e cumprir as exigências impostas pela Lei (BRASIL, 2014). Os artesãos B e C não precisam de empregado, mas contam com ajuda de familiares não remunerados. 45 A Tabela 10 trata das principais dificuldades enfrentadas na condução do negócio. Tabela 10 – Principais dificuldades enfrentadas A B C Não encontrou dificuldade Com ponto comercial Não encontrou dificuldade Fonte: Dados do questionário aplicado Nota-se ter a Tabela 10 mostrado que apenas o artesão B apresentou ter dificuldade com o ponto comercial, e afirmou que, na Rua da Praia, as vendas são boas aos fins de semana e na temporada. Alugar outro ponto comercial em São Sebastião aumentaria consideravelmente os custos da empresa. Os artesãos A e B afirmaram não ter dificuldades. Esse resultado revelou que os artesãos A e C se sentem seguros e aptos a conduzir o próprio negócio. Timmons apud Dornelas (2008) considera que os empreendedores assumem riscos calculados, que se empenham em entender seu ambiente e controlar ao máximo os fatores possíveis para que seu empreendimento tenha sucesso. A Tabela 11 demonstra se os artesãos tiveram dificuldades no pagamento do Documento de Arrecadação Simplificada-DAS. Tabela 11 – Dificuldade com o pagamento do DAS A B C Não Não Não Fonte: Dados do questionário aplicado De acordo com a Tabela 11, o artesão A, B e C não tiveram dificuldades para pagar o DAS. Declararam ser simples a solicitação do carnê e o pagamento. Esses dados confirmam que os pagamentos das taxas são feitos de forma simplificada (BRASIL, 2008). A Tabela 12 demonstra o grau de satisfação com o MEI. 46 Tabela 12 – Grau de satisfação com a formalização A B C 7a8 0a6 9 a 10 Fonte: Dados do questionário aplicado A Tabela 12 revela que o artesão A avaliou a formalização com notas de 7 a 8, e se mostrou satisfeito com o MEI. O artesão B deu notas de 0 a 6, pois gostaria de gastar menos na contratação de empregado. E o artesão C avaliou com as notas de 9 a 10, e se mostrou muito satisfeito com o MEI. Esse resultado mostrou que o MEI tem atendido às expectativas dos artesãos formalizados, por intermédio da formalização sem burocracias, da simplificação nos procedimentos, nos benefícios e na expectativa de crescimento propostos pelo LC nº128 (SEBRAE, 2009). 47 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os problemas apresentados nessa pesquisa eram [1] se os artesãos sebastianenses situados na Rua da Praia eram formalizados; [2] se os que não estavam, pretendiam se formalizar e [3] o que motivo os que se formalizaram. Esses problemas foram respondidos por meio do estudo de caso. A primeira hipótese considerada nessa pesquisa era que todos os artesãos da Rua da Praia eram formalizados ou pretendiam se formalizar como MEI. Inesperadamente essa hipótese foi negada, pois a maioria dos artesãos não era formalizado tampouco pretendia se formalizar. Apesar da realização do Projeto MEI Artesanato, os artesãos se mostraram desinformados a respeito do MEI. Em alguns casos, houve dificuldade na aplicação dos formulários por causa do movimento de clientes nos quiosques. Mas, durante a pesquisa, foi possível apresentar o MEI a alguns artesãos, e, como resultado desse esclarecimento, houve um aumento considerável no número de interessados na formalização. A segunda hipótese foi confirmada, em que a principal razão que estimulou os artesãos a aderirem ao MEI ou que atrai os artesãos informais a se formalizarem são os benefícios proporcionados como possibilidade de adquirir máquina de cartão de crédito e débito, acesso a crédito, aposentadoria, auxílio doença ou maternidade e possibilidade de emitir notas fiscais. Este estudo teve como objetivo principal investigar se os artesãos situados na Rua da Praia de São Sebastião eram formalizados e, como objetivos específicos, [1] apresentar as características dos artesãos formalizados situados na Rua da Praia em São Sebastião, [2] reconhecer os fatores que influenciaram os artesãos da Rua da Praia a se formalizarem ou almejarem a formalização, [3] descrever quais os benefícios e obrigações da formalização e [4] investigar se, após a adesão ao MEI, houve alteração na condição econômica da empresa. A investigação atingiu os objetivos apresentados. Durante a pesquisa, foi possível observar que um dos artesãos, portador de uma grave doença, estava trabalhando, pois não tem direito a auxílio doença ou aposentadoria por não contribuir com o INSS. Alguns artesãos compartilham a máquina de cartão por não terem condições de adquirir uma. Uma artesã declarou ter perdido diversas oportunidades de vendas por não emitir nota fiscal, afinal só quem possui CNPJ o pode. 48 Mediante o exposto, a necessidade de formalização é evidente, não apenas pela legalidade, mas pelos benefícios proporcionados. Diante dessa realidade encontrada, alguns desafios permanecem como o desenvolvimento de ações que promovam a capacitação e o conhecimento, como o Projeto MEI - Artesanato que não seguiu adiante. É essencial a disseminação das informações a respeito da formalização e dos processos gerenciais do negócio para que esse cenário mude. Por fim, recomenda-se que sejam desenvolvidas novas pesquisas sobre o assunto, pois o MEI é um tema novo e relevante, desconhecido por muitos e com poucos trabalhos a respeito. 49 REFERÊNCIAS ABDENUR, R. Índice de Economia Subterrânea permanece em queda, apontam ETCO e IBRE/FGV. ETCO Informa 26/11/2013. Disponível em:< http://www.etco.org.br/noticias/etco-informa/indice-de-economia-subterraneapermanece-em-queda-apontam-etco-e-ibrefgv/> Acesso 23 de fev 2014. ANDRADE, M. M. Introdução à metodologia do trabalho científico. 9 ed. São Paulo : Atlas, 2009. BESSANT, J.; TIDD, J. Inovação e empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman, 2009. BRASIL. Lei Complementar nº. 128 de 19 de dezembro de 2008. Altera a LeiComplementar nº. 123, de 14 de dezembro de 2006. Disponível em:<http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/leiscomplementares/2008/leicp128. htm> Acesso em 28 de jan 2014. _______.Resolução CGSIM nº 16, de 17 de dezembro de 2009. 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Apresentação de trabalhos acadêmicos: normas e técnicas. 7. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. SOUZA, D. M. Os principais benefícios proporcionados ao trabalhador informal para formalização através do Microempreendedor Individual. 95 p. Monografias (Curso de Ciências Contábeis) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010. 53 ANEXO 1 - Relatório Mensal de Receitas Brutas (BRASIL, 2014). 1 RELATÓRIO MENSAL DAS RECEITAS BRUTAS CNPJ: Empreendedor individual: Período de apuração: 1.1.1.1.1.1.1.1 RECEITA BRUTA MENSAL – REVENDA DE MERCADORIAS (COMÉRCIO) I – Revenda de mercadorias com dispensa de emissão de documento fiscal R$ II – Revenda de mercadorias com documento fiscal emitido R$ III – Total das receitas com revenda de mercadorias (I + II) R$ 1.1.1.1.1.1.1.2 RECEITA BRUTA MENSAL – VENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (INDÚSTRIA) IV – Venda de produtos industrializados com dispensa de emissão de documento fiscal R$ V – Venda de produtos industrializados com documento fiscal emitido R$ VI – Total das receitas com venda de produtos industrializados (IV + V) R$ 1.1.1.1.1.1.1.3 RECEITA BRUTA MENSAL – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS VII – Receita com prestação de serviços com dispensa de emissão de documento fiscal R$ VIII – Receita com prestação de serviços com documento fiscal emitido R$ IX – Total das receitas com prestação de serviços (VII + VIII) R$ X - Total geral das receitas brutas no mês (III + VI + IX) LOCAL E DATA: 1.1.1.1.1.1.1.3.1 ASSINATURA DO EMPRESÁRIO: R$ 54 ANEXO 2- Desenquadramento de SIMEI previsto no § 7º do art. 18-A a LC nº. 128/2008 (BRASIL, 2008). § 7º O desenquadramento mediante comunicação do MEI à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB dar-se-á: I – por opção, que deverá ser efetuada no início do ano-calendário, na forma disciplinada pelo Comitê Gestor, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro do ano-calendário da comunicação; II – obrigatoriamente, quando o MEI incorrer em alguma das situações previstas no § 4º deste artigo, devendo a comunicação ser efetuada até o último dia útil do mês subsequente àquele em que ocorrida a situação de vedação, produzindo efeitos a partir do mês subsequente ao da ocorrência da situação impeditiva; III – obrigatoriamente, quando o MEI exceder, no ano-calendário, o limite de receita bruta previsto no § 1º deste artigo, devendo a comunicação ser efetuada até o último dia útil do mês subsequente àquele em que ocorrido o excesso, produzindo efeitos: a) a partir de 1º de janeiro do ano-calendário subsequente ao da ocorrência do excesso, na hipótese de não ter ultrapassado o referido limite em mais de 20% (vinte por cento); b) retroativamente a 1º de janeiro do ano-calendário da ocorrência do excesso, na hipótese de ter ultrapassado o referido limite em mais de 20% (vinte por cento); IV – obrigatoriamente, quando o MEI exceder o limite de receita bruta previsto no § 2º deste artigo, devendo a comunicação ser efetuada até o último dia útil do mês subsequente àquele em que ocorrido o excesso, produzindo efeitos: a) a partir de 1º de janeiro do ano-calendário subsequente ao da ocorrência do excesso, na hipótese de não ter ultrapassado o referido limite em mais de 20% (vinte por cento); b) retroativamente ao início de atividade, na hipótese de ter ultrapassado o referido limite em mais de 20% (vinte por cento). 55 APÊNDICE A- Roteiro para a entrevista realizada com o Microempreendedores Individuais instalados nos quiosques de artesanato na Rua da Praia em São Sebastião-SP. Quiosque: Sexo: □Feminino □Masculino Idade: □18 a 24 anos □25 a 29 anos □30 a 39 anos □40 a 49 anos □50 a 64 anos □65 anos ou mais Escolaridade: □Sem instrução formal □Fundamental incompleto □Fundamental completo □Médio ou Técnico Incompleto □Médio ou Técnico Completo □Superior incompleto □Superior completo □Pós-graduação Qual a principal razão que o (a) levou a iniciar o seu negócio? □Não consegui melhor alternativa de trabalho □Desejo de ser independente □Obter renda extra Ocupação antes de se formalizar como MEI: 56 □Aposentado(a) □Empreendedor formal (com CNPJ) □Desempregado(a) □Estudante □Servidor público □Dona(o) de casa □Empregado(a) sem carteira □Empreendedor informal (sem CNPJ) □Empregado(a) com carteira assinada Qual o principal motivo para formalização (registrar a empresa como MEI? □Possibilidade de vender para o governo □Possibilidade de vender para outras empresas □Custo de formalizar é muito barato/de graça □Possibilidade de aceitar cartão de crédito/débito □Conseguir empréstimo como empresa □Evitar problemas com a fiscalização/prefeitura □Fazer compras mais baratas/melhores □Facilidade de abrir a empresa □Possibilidade de crescer mais como empresa □Possibilidade de emitir nota fiscal □Benefícios do INSS □Ter uma empresa formal Após a formalização houve mudança em algum desses aspectos ligados ao seu negócio? Houve aumento das vendas? □Sim □Não Melhoraram as condições de compra? □Sim □Não Passou a vender para governo? 57 □Sim □Não Passou a vender mais para outras empresas? □Sim □Não Buscou ajuda para cadastrar-se como MEI? □Sim, de uma empresa □Sim, da prefeitura/associação/outras instituições □Sim, de um contador □Sim, de um amigo ou familiar □Sim, do Sebrae □Não □Outros Encontrou dificuldade na contratação de empregado? □Não □Sim □Não preciso de empregado Encontrou dificuldades na realização do pagamento do carnê do microempreendedor individual? □Meu contador/outra pessoa que faz isso pra mim. □Ainda não recebi □Sim □Não □Não sei avaliar Qual a principal dificuldade enfrentada no seu negócio? □Dificuldades com o ponto comercial □Controlar o dinheiro da empresa □Entender/cumprir as obrigações legais □Concorrência 58 □Administrar meu negócio □Conquistar clientes/vender □Conseguir crédito/dinheiro emprestado □Planejar □Inovar □Empreender □Comprar bem/barato □Encontrar apoio □Não senti dificuldade □Outros Qual o seu grau de satisfação com o MEI? □0 a 6 □7 e 8 □9 e 10 □Não sei avaliar 59 APÊNDICE B- Roteiro para a entrevista realizada com os empreendedores informais instalados nos quiosques de artesanato na Rua da Praia em São Sebastião-SP. Quiosque: Sexo: □Feminino □Masculino Idade: □18 a 24 anos □25 a 29 anos □30 a 39 anos □40 a 49 anos □50 a 64 anos □65 anos ou mais Pretende se formalizar e aderir ao MEI? □ Sim □ Não Se sim, qual a principal razão? □Possibilidade de vender para o governo □Possibilidade de vender para outras empresas □Custo de formalizar é muito barato/de graça □Possibilidade de aceitar cartão de crédito/débito □Conseguir empréstimo como empresa □Evitar problemas com a fiscalização/prefeitura □Fazer compras mais baratas/melhores □Facilidade de abrir a empresa □Possibilidade de crescer mais como empresa □Possibilidade de emitir nota fiscal □Benefícios do INSS □Ter uma empresa formal 60 Se não, por qual razão? □Contribui com INSS □É aposentado □O negócio é uma Renda Complementar □Não tem condições de pagar as taxas ou contribuições □Acha desnecessário formalizar-se 61 APÊNDICE C- Artesãos entrevistados nos quiosques da Rua da Praia em São Sebastião. 62