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TERÇA-FEIRA, 4 DE JANEIRO, 2011 | ANO 3 | Nº 341 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA
O importador Gilberto Tarantino
seduz o paladar do mercado de alto
padrão com cervejas que chegam
a custar R$ 700 a garrafa. ➥ P30
Murillo Constantino
Governo divulga lista de 220
empresas autuadas por manter
trabalhadores em regime
análogo à escravidão. ➥ P16
R$ 3,00
Exportações atingem recorde de
US$ 200 bilhões, apesar do câmbio
Alta no valor das commodities impulsionou vendas externas, enquanto valorização do real incentivou as importações
As vendas de produtos do Brasil ao exterior atingiram o patamar recorde de
US$ 200 bilhões em 2010, segundo números divulgados ontem pelo governo.
Para analistas, o principal fator que levou ao resultado foi a forte demanda
por commodities no mercado internacional. Assim, pela primeira vez desde
1978, a participação dos produtos básicos na pauta de exportações superou a
de manufaturados. No entanto, a valorização do câmbio atuou na outra mão e
fez as importações dispararem. Como
resultado, a balança comercial ficou em
US$ 20,3 bilhões, o pior resultado da
gestão do ex-presidente Lula. ➥ P12
Marcello Casal JR/ABr
Empresas
de aviação
ampliam frota
para crescer
15% em 2011
➥ P22
First Data
próxima de
fechar dois
acordos em
cartões
➥ P32
Twitter torna-se
pregão moderno
Miriam Belchior defende gastos
públicos, mas confirma cortes
Ao assumir Planejamento, ministra diz que não vai permitir “satanização” de gastos de custeio.
Alexandre Tombini, do Banco Central, defendeu meta menor de inflação no futuro, em torno de 3%. ➥ P4
A rede social não move
mercados, mas reflete o que
balança as bolsas — questões
dificilmente observadas
pelo investidor comum. ➥ P36
INDICADORES
▼
▼
▼
▲
▼
MAN investe R$ 150
milhões para iniciar
produção de caminhões
extrapesados no Rio
➥ P40
Eurobike usa pequenas
lojas como estratégia
para aumentar a venda
de carros de luxo
➥ P24
■
▲
▲
▲
▲
▲
TAXAS DE CÂMBIO
Dólar Ptax (R$/US$)
Dólar comercial (R$/US$)
Euro (R$/€)
Euro (US$/€)
Peso argentino (R$/$)
JUROS
Selic (a.a.)
BOLSAS
Bovespa - São Paulo
Dow Jones - Nova York
Nasdaq - Nova York
S&P 500 - Nova York
FTSE 100 - Londres
Hang Seng - Hong Kong
3.1.2011
COMPRA VENDA
1,6510
1,6502
1,6510
1,6490
2,2099
2,2086
1,3385
1,3384
0,4159
0,4152
META EFETIVA
10,67%
10,75%
VAR. % ÍNDICES
0,95 69.962,32
0,80 11.670,37
1,46 2.691,52
1.271,84
1,13
feriado
1,74 23.436,05
2 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
NESTA EDIÇÃO
Murillo Constantino
Em alta
Mais medicamentos para o Nordeste
Pesquisa da IMS Health, divulgada para Abafarma, mostra
que do total de unidades vendidas para farmácias em 2010,
17,36% foram para o mercado nordestino, acima do Sul,
que recebeu 16,89%. O Sudeste ficou com 54,14%. ➥ P20
Carlos Eduardo Cardoso Rodrigues
Uno & Due além dos pães e sanduíches
Plano prevê o lançamento de sobremesas geladas,
incluindo o frozen yogurt Yogouno, que será vendido
em lojas independentes e em quiosques adaptados
dentro de algumas unidades Uno & Due. ➥ P29
Otimismo decola nos planos
da Tam para os próximos anos
As projeções são de que a demanda
continuará aquecida, com crescimento
médio anual de 9% nas próximas duas
décadas. Em 2010, os dois principais
marcos para a companhia foram a entrada
na Star Alliance, em maio, um indicador
de maturidade no mercado internacional,
e o memoramento de entendimento com
a chilena Lan para a criação da Latam,
em agosto. A Tam vem operando com
taxas de ocupação acima das estimativas,
atingindo em novembro 66,6% no
mercado doméstico, e de 77,3% nas
rotas internacionais. Também foram
criadas 169 etapas de voo no ano. ➥ P22
Calçados voltam a acertar
o passo rumo ao exterior
Depois de uma acentuada retração,
provocada, principalmente, pela
concorrência chinesa e pela recuo do
consumo nos países europeus, a indústria
brasileira desse segmento voltou a crescer
em 2010, registrando no período de janeiro
a novembro volume de vendas ao exterior
da ordem de US$ 1,4 bilhão, com aumento
de 9,8% em relação a 2009, quando houve
queda de 27,7% sobre 2008. A Associação
Brasileira da Indústria de Calçados
(Abicalçados) vê o caminho da retomada
das exportações na oferta de produtos
que consigam manter qualidade superior
à dos chineses, mas que não sejam caros
como os italianos. ➥ P13
Mr. Beer planeja expansão com franquias
São 11 quiosques que comercializam cervejas artesanais
importadas em dez shoppings e no Aeroporto de
Congonhas. Meta é chegar a 25 e se expandir para o interior
paulista, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Paraná. ➥ P31
Marcela Beltrão
Cervejas especiais ganham espaço
Marcas, como a escocesa Sink the Bismarck, cuja garrafa de
355 ml custa R$ 700 e tem teor alcoólico igual ao do uísque,
crescem na preferência do consumidor brasileiro. Gilberto
Tarantino, dono da Tarantino Importadora, trabalha com
80 rótulos, fora das alemãs e belgas mais conhecidas. ➥ P30
PCdoB tenta manter controle da APO
Renato Rabelo, presidente do partido, quer a Autoridade
Pública Olímpica, que cuidará da organização dos Jogos
Olímpicos de 2016, sob controle do Ministério do Esporte.
“É preciso brevidade. Os prazos estão correndo”, alerta. ➥ P11
Aneel na mira governamental
Analistas são da opinião que a interferência oficial nas
diretrizes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),
uma das marcas dos oito anos do governo Lula, será
mantida a aprofundada durante o governo Dilma. ➥ P14
Alfredo Saletti
Baked Potato vai ao Norte e Nordeste
Expansão acontecerá com a adesão ao sistema de
franquias. A expectativa de Hércules Cagnin, diretor da
empresa, especializada em batata recheada, é receber
os primeiros parceiros no decorrer deste ano. ➥ P28
First Data chega ao país com dois acordos
Henrique Manreza
Uma das parcerias seria com o banco Fator, e outra com
uma rede de distribuição de combustíveis. A maior
processadora e credenciadora de cartões dos Estados
Unidos tem operações em 36 países, 20 dos quais em
credenciamento. ➥ P32
Eurobike mantém-se fiel ao
mercado de carros de luxo
Rede de concessionárias, formada por 16
lojas, especializada em marcas como
Porsche, Volvo, BMW, Audi e Land Rover,
entre outras, prefere continuar mantendo
distância dos modelos populares, incluindo
os das montadoras chinesas e coreanas.
Com expectativa de faturamento de
R$ 600 milhões em 2010, 25% a mais que
em 2009, a estratégia a partir deste ano
é colocar em prática um plano de expansão
baseado na abertura de lojas pequenas,
entre 200 e 500 metros quadrados, fora
das grandes capitais. Henry Visconde,
presidente, cita como exemplo dessas lojas,
consideradas satélite, as de Marília (SP)
e a de Caxias do Sul (RS). ➥ P24
Braile investe na valorização da vida
A influência do Twitter no pregão
Empresa de São José do Rio Preto (SP), fundada em 1977
pelo médico Domingos Braile, destina 15% da receita anual
— R$ 50 milhões em 2010 — a pesquisa. No momento,
trabalha em uma bomba circulatória extracorpórea. ➥ P18
Pesquisa da Universidade Técnica de Munique constata
que cada aumento de 1% no volume de mensagens sobre
determinada ação publicadas nessa rede social representa alta
de 10% no volume do mesmo título negociado em bolsa. ➥ P36
Jonathan Alcorn/Bloomberg
A FRASE
“É preciso ter paixão”
Arnold Schwarzenegger, ator e ex-governador da Califórnia,
sobre os sete anos de mandato, encerrado ontem, com o estado
americano afundado em graves problemas financeiros. A Califórnia
já foi considerada a oitava economia do mundo, caso fosse um país.
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 3
EDITORIAL
Jonathan Alcorn/Bloomberg
TONY HSIEH, FUNDADOR DA ZAPPOS, LOJA DE VENDAS ON-LINE DE CALÇADOS
Os cortes no
Orçamento
e alta dos juros
Uma das interrogações que ficam, a partir
dos primeiros pronunciamentos dos novos ocupantes dos principais ministérios
da área econômica, é de quanto será o
corte orçamentário neste primeiro ano de
mandato da presidente Dilma Rousseff.
“Vamos discutir o tamanho do contingenciamento, que tem todo ano e que este
ano também vai ter”, anunciou a ministra
Miriam Belchior, ao tomar posse, ontem,
na pasta do Planejamento, revelando que
fará uma discussão interna no ministério e
depois se sentará com o ministro Guido
Mantega, da Fazenda, para “discutir uma
proposta única”. Uma boa referência são
os R$ 21,8 bilhões de 2010, maior valor
dos oito anos de governo Lula.
A ministra também foi enfática na
promessa de não promover cortes profundos em programas assistenciais,
como o Bolsa Família, e, mesmo ressaltando que “os gastos de custeio não podem ser satanizados”, deixou em aberto
a possibilidade de ajustes nessa área.
Os cortes orçamentários
e a alta dos juros vão adiar
a revelação do estilo do novo
governo na área econômica
A expectativa é de que o presidente do
Senado, José Sarney, encaminhe o projeto de lei orçamentária esta semana à presidente, para ser sancionado até fevereiro. Há previsões de que o contingenciamento pode chegar a R$ 30 bilhões.
As discussões sobre o Orçamento
coincidirão com a primeira reunião do
ano do Comitê de Política Monetária do
Banco Central (Copom), prevista para
os dias 18 e 19 próximos. Será um teste
para a gestão de Alexandre Tombini, à
frente do BC, e vai sinalizar até que ponto deve ser mantida a política conservadora de tentar controlar a inflação via
elevação dos juros.
No mercado financeiro, predomina o
consenso de que, neste primeiro mês do
governo Dilma, a taxa básica de juros subirá entre 0,25 e 0,50 ponto percentual,
para 11% ou 11,25%. Caso se confirme essa
alta, seguida de cortes no Orçamento,
ainda que em percentuais e valores abaixo
do que está sendo previsto pelos analistas,
não será agora que o novo governo revelará aos brasileiros um estilo próprio na
condução da política econômica. ■
Com nove anos de atividade, a Zappos.com, de vendas on-line de calçados, atingiu receita
anual de US$ 1 bilhão e foi vendida à Amazon.com por US$ 1,2 bilhão. Seu fundador, Tony Hsieh,
conta como foi o negócio no livro Satisfação Garantida, lançado neste fim de ano no Brasil. ➥ P26
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4 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
DESTAQUE NOVO GOVERNO
Meta de inflação
pode ser menor,
admite Tombini
ECONOMIA DOMINA PRIMEIRO DIA ÚTIL DE MANDATO
Para novo presidente do Banco Central, melhoria em marcos legais
pode aproximar o Brasil da média de países emergentes, de 3%
Maeli Prado, de Brasília
Ricardo Moraes/Reuters
[email protected]
O Brasil tem que começar a buscar uma meta de inflação mais
parecida com a média dos países
emergentes, que é de 3% ao ano
— o objetivo nacional hoje é de
uma variação anual de 4,5%,
pelo índice de preços oficial. A
possibilidade de um aperto no
alvo da política monetária no
futuro, que já havia sido mencionada pelo ex-presidente do
Banco Central Henrique Meirelles, foi ressaltada ontem por
seu sucessor, Alexandre Tombini, durante a cerimônia de posse. “Creio que esse é um processo que devemos perseguir”,
afirmou, destacando que uma
eventual redução na meta ocorreria como consequência de
processos graduais, como o
aperfeiçoamento de marcos legais e regulatórios no país.
Momento antes, o próprio
Meirelles, ao se despedir do cargo que ocupou por oito anos,
havia alertado que reduções nos
juros daqui para a frente não devem provocar alarde na sociedade. “O BC diagnosticou riscos
não aceitáveis na expansão do
crédito, conjugados com pressões na formação de preços,
com risco inflacionário. Em resumo, elevações na Selic não
devem ser motivo de alarido,
pois essa é a tarefa permanente e
nunca encerrada do Banco Central”, disse o ex-presidente do
BC, que falou longamente sobre
as conquistas da estabilidade
trazida pela política econômica
encampada pelo governo Lula:
aumento da renda, crescimento
do mercado de capitais, elevação do país ao patamar de grau
de investimento e o pagamento
da dívida com o Fundo Monetário Internacional, entre outras.
“Digo-lhes, de coração aberto,
que valeu a pena. Minha missão
como autoridade monetária está
cumprida”, afirmou.
Logo depois, Tombini mandou um recado elaborado na
medida para apaziguar os ânimos de quem se preocupou com
os rumores de que a presidente
Dilma Rousseff teria cogitado
reduzir a autonomia do Banco
Alexandre Tombini
Presidente do
Banco Central
“Crescimento sustentável,
só com inflação baixa, estável
e previsível. Julgo importante
ressaltar o compromisso
pedido por Dilma para que
esta instituição busque
de forma incansável e
intransigente a estabilidade
do poder de compra da moeda”
Central na condução da política
monetária. “Crescimento sustentável só com inflação baixa,
estável e previsível. É isso que
permite a realização de investimentos e o planejamento pelas
empresas e governo. Julgo importante ressaltar o compromisso pedido por Dilma que
esta instituição busque de forma incansável e intransigente a
estabilidade do poder de compra da moeda”.
Técnico de carreira do BC, o
novo presidente da instituição
elogiou o sistema de metas de
inflação, que ajudou a criar há
mais de 11 anos. “O regime tem
cumprido as expectativas da sociedade, absorvendo choques
econômicos diversos pela sua
simplicidade, fácil aferição e
transparência na comunicação
com a sociedade. É complementado pelo regime de câmbio
flutuante e a meta de superávit
fiscal, e é nesse tripé que a economia brasileira tem tido resultados extremamente positivos”.
Ele destacou a necessidade de
ampliar a concessão de crédito,
até como forma de aumentar a
eficácia da política monetária,
mas fez a ressalva de que esse
crescimento precisa ser sustentável para não se transformar em
uma bolha de crédito. “As crises,
às vezes, são percebidas somente em estágio avançado. Precisamos estar alertas”.
Apesar da austeridade típica
de um ambiente em que o tema
é a política monetária, houve
pelo menos um momento de
descontração durante a posse.
No meio do seu discurso, Meirelles ficou com a garganta seca
e pediu água a um funcionário.
Tombini se levantou e levou o
copo que estava sobre a mesa
até o seu antecessor, arrancando aplausos da plateia.
Meirelles expressou satisfação com a escolha do novo presidente do BC. “Como considerei finda a minha missão e resolvi encerrar em 2010 o meu
trabalho no Banco Central, a
minha recomendação ao Lula
foi o Tombini. Depois de quatro
anos de trabalho conjunto, considero que ele está preparado e
disposto a isso”. ■
Mercado aposta
O maior desafio do novo
comandante do BC será
o controle inflacionário
Priscila Dadona
[email protected]
A gestão de Alexandre Tombini à
frente do Banco Central (BC) será
de continuidade na visão do
mercado financeiro. O próprio
ex-presidente da instituição,
Henrique Meirelles, em seu discurso de despedida, ontem, deu
a entender que a indicação de
seu sucessor foi pensada com
este objetivo. “Depois de quatro
anos de trabalho conjunto, con-
sidero que ele [Tombini] está
preparado e disposto a isso”,
afirmou Meirelles, o mais longevo presidente da história do BC,
com oito anos de mandato.
Segundo André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, a escolha do novo
presidente do banco foi bem calculada. “Ele segue o perfil esperado, e não foi uma grande surpresa”. Leonardo dos Santos,
economista da Austing Rating,
também é partidário de uma
sequência na administração.
Para Santos, o que pode ocorrer
é uma maior participação de
outros diretores nas decisões.
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 5
LEIA MAIS
Caciques do PMDB
boicotam ministros do PT
e comparecem em peso à posse
de Edison Lobão (Minas e
Energia), que promete primeiro
leilão do pré-sal para este ano.
Miriam Belchior chorou
ao assumir Planejamento.
Primeiro ao lembrar do ex-marido,
Celso Daniel, morto em 2002,
e depois ao citar Lula, que ela
afirma “continuar nos guiando”.
Fernando Pimentel
recebeu o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria
e Comércio, com a promessa
de criar o BNDES Exim, fundo
para incentivar exportações.
Roberto Stuckert Filho/PR
O primeiro compromisso
da presidente Dilma
Rousseff ontem foi uma
reunião a portas fechadas
com os ministros da Casa
Civil, Antonio Palocci,
e da Fazenda, Guido
Mantega. A pauta do
encontro não foi
divulgada, mas a reforma
tributária e cortes de
gasto no valor de R$ 30
bilhões no Orçamento de
2011 devem ter conduzido
a conversa. No final da
tarde, a presidente esteve
com o vice-presidente,
Michel Temer, e os seis
ministros que integram
a coordenação política:
Palocci, Mantega,
Gilberto Carvalho
(Secretaria-Geral),
Helena Chagas (Secretaria
de Comunicação),
Luiz Sérgio (Secretaria de
Relações Institucionais),
Miriam Belchior
(Planejamento),
e José Eduardo Cardozo
(Justiça), além do
chefe-de-gabinete de
Dilma, Gilles Carriconde
Azevedo, para definir
as primeiras ações do
governo.
em administração de continuidade
“
Mudanças bruscas
não devem ser
a tônica da nova
gestão, mas a
participação de
outros membros
da diretoria deve
ganhar peso
Leonardo dos Santos,
economista da Austin Rating
“Mudanças bruscas não devem
ser a tônica, mas a participação de outros membros deve
ganhar peso”, diz. Daives Ribeiro, gerente da Fair Corretora de Câmbio, acredita que
Tombini tem a bagagem técnica necessária para administrar
o BC. “É mais técnico que Meirelles”, afirma.
Principal desafio
O controle inflacionário é apontado como o maior desafio para
Tombini. “A inflação deve estar
sempre à frente do BC”, brinca
Santos. Perfeito é ainda mais
enfático e garante que o discur-
so de posse de Dilma Rousseff
foi um recado ao setor mais ortodoxo do mercado. “Ela deixou
claro que vai prestar atenção na
inflação e quem pensa o contrário está enganado”.
Na próxima sexta-feira será
divulgado o Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) de
dezembro, cujas projeções sinalizam alta de 0,59% ao mês e
de 5,89% no ano. “Vão observar os índices. Não vão fazer
outra coisa. Política monetária
é apenas um elemento deste arranjo”, diz Perfeito.
Na avaliação de Sidnei Nehme,
diretor da NGO Corretora, o que
muda no novo comando é a matriz do controle de inflação. Ou
seja, com as medidas para reduzir a disponibilidade de crédito e o encurtamento dos prazos de pagamento, o BC não
precisa se valer somente da
alta dos juros.“Vai resistir em
elevar o juro, cortando gastos e
sendo mais rigoroso em monitorar o crédito”, diz. Como os
efeitos não são imediatos, ele
aposta que o governo vá apreciar o real, por meio de leilões
de compras de dólar no mercado à vista, e aguardar. “Não vai
descuidar. Vai agir mais sobre
as causas”. ■
MUDANÇAS E DESAFIOS
● O controle inflacionário
deve ser perseguido pelo
novo governo e isso deve ser
o grande desafio da nova
presidência do Banco Central.
● Medidas de redução da
disponibilidade de crédito
e de encurtamento de
prazos podem ser coadjuvantes
no combate à inflação.
6 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
DESTAQUE NOVO GOVERNO
“Não vamos permitir que
satanizem os gastos”
Miriam Belchior, ministra do Planejamento, porém, confirma corte no Orçamento
Pedro Venceslau, de Brasília
[email protected]
Com a chegada de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto, a engenheira Miriam Belchior, de 54
anos, assumiu oficialmente ontem o posto de nova mãe do
Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC). O programa
de maior visibilidade do Governo Federal deixou a Casa Civil e
foi com Miriam para o Planejamento. A sucessora de Paulo
Bernardo aproveitou a solenidade de posse para anunciar que a
coordenação-geral do PAC não
será diluída no organograma do
ministério, mas administrada
por uma secretaria específica. O
titular será Maurício Muniz, que
trabalhava na área de coordenação do PAC na Casa Civil. O Minha Casa, Minha Vida, programa que tem como objetivo facilitar a compra de imóveis para
famílias de baixa renda e é gerido pelo Ministério das Cidades,
contará com acompanhamento
específico do Planejamento.
Durante seu discurso, Miriam não conteve a emoção e
chorou várias vezes, especialmente ao prestar homenagem
ao ex-marido Celso Daniel, exprefeito de Santo André, assassinado em 2002. “O cargo que
ocuparei a partir de hoje talvez
tivesse sido ocupado por ele no
PERFIL
✽
Miriam Belchior
A nova ministra do Planejamento
tem 54 anos e está há oito
no governo. Ela participou,
em 2002, da equipe de transição
do governo de Fernando Henrique
Cardoso para o de Luiz Inácio
Lula da Silva e de lá foi para
a Casa Civil. Foi coordenadora
do PAC. Engenheira alimentar
e mestre em Administração,
ela é começou a militância
no PT em Santo André (SP)
nos anos 80. Foi casada com o
ex-prefeito da cidade, Celso Daniel,
e comandou diversas secretarias
na administração municipal.
governo Lula. O legado administrativo dele impregnou cada
passo que dei no governo e continuará me influenciando”. A
nova titular do Planejamento
também foi às lágrimas ao agradecer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele vai continuar nos guiando”.
Miriam aproveitou sua fala
para criticar a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. “O ministro Paulo Bernardo e sua equipe consolidaram
iniciativas que se iniciaram com
os ministros Guido Mantega e
Nélson Machado. Eles interromperam a política de desmonte do
Estado brasileiro, garantindo
que órgãos que estavam impedidos de cumprir sua missão pela
exiguidade de quadros técnicos
qualificados recuperassem sua
capacidade de formular políticas
públicas de êxito”. Outro ponto
forte da posse foi a promessa de
não promover cortes profundos
nos programas assistenciais. “Os
gastos de custeio não podem ser
simplesmente satanizados. É
possível fazer mais com menos”.
Mais tarde, no ministério, a ministra explicou melhor sua afirmação. “A satanização (do custeio) é comum. Bolsa Família é
custeio, Saúde é custeio, manutenção de rodovia é custeio. Não
podemos confundir custeio com
investimento, nem colocar tudo
no mesmo saco como se fossem
gastos perniciosos”.
Contingenciamento
Apesar da promessa, a ministra
afirmou que haverá redução de
recursos em algumas áreas, mas
não quis adiantar os valores.
Afirmou apenas que o contingenciamento será definido ainda
janeiro e que o congelamento de
alguns gastos será necessário. A
praxe do governo é anunciar os
cortes em fevereiro. Ano passado, por exemplo, houve retenção
de R$ 21,8 bilhões — o maior valor dos dois mandatos de Lula.
“Vamos discutir o tamanho do
contingenciamento, que tem todo
ano. Esse ano também vai ter. A
receita está superior ao que acreditamos que vai acontecer. Não há
diferença. Devo fazer uma discussão interna e depois sentar com o
Guido Mantega para a gente discutir uma proposta única”. A ministra reafirmou que o salário mínimo subirá de R$ 510 para R$ 540
em janeiro, conforme o orçamento de 2011 aprovado pelo Congresso. “O governo fez um acordo
com as centrais sindicais há alguns anos. E lá tem uma regra clara [PIB nominal mais inflação].
Acredito que ela deve permanecer”. Miriam afirmou que não falará sobre resoluções da equipe
econômica para “evitar cizânias
que geram divergências”. ■
Caciques do PMDB boicotam posses do
Ministro de Minas e Energia diz
que primeiro leilão do pré-sal
ocorrerá no segundo semestre
Maeli Prado, de Brasília
[email protected]
Se o PMDB esteve ausente de
posses de ministérios assumidos
pelo PT como forma de protestar
contra a distribuição de cargos
no governo de Dilma Rousseff,
em especial no segundo escalão,
os principais caciques do partido
compareceram em peso à troca
de comando no Ministério de
Minas e Energia, reassumido na
manhã de ontem pelo peemedebista Edison Lobão, do Maranhão. Estavam presentes o vicepresidente da República, Michel
Temer, o presidente do Senado,
José Sarney, padrinho político
do ministro, e a governadora
Roseana Sarney, além do líder
da legenda na Câmara, Henrique
Eduardo Alves (RN).
No final da cerimônia, Lobão
afirmou que a primeira rodada do
leilão do pré-sal, que inaugurará o
regime de partilha no país, acontecerá ainda em 2011, provavelmente no segundo semestre. A 11ª
rodada da licitação dentro do regime de concessão ocorrerá no
primeiro semestre.
A diferença entre os dois regimes é que, na partilha, vence
quem oferecer a maior quantidade de petróleo ao governo. Na
concessão, ganha quem oferecer
o maior valor pelo bloco. “Estou
convencido de que os dois serão
feitos em 2011. A 11ª rodada deve
acontecer já no primeiro semestre; quanto à partilha, deve ficar
para o segundo semestre”.
A realização da rodada pelo regime de partilha depende da
aprovação, pelo Congresso, de
um projeto de lei que estabeleça
um novo modelo de distribuição
dos royalties entre os estados e
municípios que seja mais igualitário. “Acredito que o Congresso
deve ajudar, é do interesse de
todo o país. O Ministério da Fazenda também está sendo contatado, já que essa é uma questão
também de tributos”, afirmou
“
Estou convencido
de que dois leilões
serão feitos em 2011.
A 11ª rodada deve
acontecer já no
primeiro semestre;
quanto à partilha,
deve ficar para o
segundo semestre
Edison Lobão,
ministro de Minas e Energia
Lobão, que havia deixado a pasta
no início do ano passado para
concorrer ao Senado e que ontem
recebeu o cargo das mãos de Márcio Zimmermann.
De acordo com o ministro, as
obras da hidrelétrica de Belo
Monte devem começar em abril
se sair a licença ambiental.
Concessões
Lobão defendeu ainda que o governo comece a se preparar para
a renovação das concessões de
energia, que começam a vencer
em 2015. “Estudamos essa questão na minha gestão e na do
Márcio Zimmermann, e teremos
uma definição com a presidente.
O governo terá que madrugar
para resolver esse problema”.
Em 2015, os contratos de 20%
do parque gerador de energia do
Brasil serão encerrados. Essas
concessões teriam que voltar para
a União, que abriria novas licitações, mas as empresas defendem
que a lei seja modificada e que os
contratos possam ser simplesmente renovados. ■
Lobão (ao centro) assume
ministério com apoio de líderes
do partido, como José Sarney e
o vice-presidente Michel Temer
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 7
Sérgio Lima/Folhapress
Ministra se emociona ao falar
de Lula e do ex-marido, Celso
Daniel, assassinado em 2002
Ministros
assumem com
polêmicas
Um dia marcado pelas
posses em Brasília
Vinte ministros receberam ontem o cargo de seus antecessores, entre eles Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia),
Paulo Bernardo (Comunicações), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), Ideli Salvatti (Pesca e Aquicultura) e
Luiz Sérgio (Relações Institucionais), que assumiu a pasta
afirmando que irá dialogar com
o PMDB sobre distribuição de
cargos no governo. “A palavra
chave é diálogo. O PMDB é parte importante do governo de
coalizão e as questões se resolvem com o diálogo”.
Ele diz ainda que vai trabalhar pela aprovação da reforma
política e de medidas tributárias, além de consolidar o diálogo com o Congresso Nacional e
com governadores e prefeitos.
“A secretaria vai dialogar com
todos. Vamos discutir mecanismos de simplificação e busca de
eficiência tributária”, disse. “E
a questão da reforma política, a
meu ver, é uma necessidade. A
sociedade precisa entender que
essa é uma pauta dela, fundamental para a democracia brasileira”, confirmando discurso de
vários líderes políticos (leia
mais na página 9).
Banda larga
PT e prestigiam Lobão
Marcello Casal Jr/ABr
O novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou ontem que pretende
“inundar o país com redes de
comunicações” para os eventos
esportivos dos próximos anos e
para atender à demanda da
nova classe média. Bernardo
também reiterou o compromisso de tocar o Plano Nacional de
Banda Larga (PNBL), para internet, e o Plano Geral de Metas
de Universalização, para a telefonia fixa. Nesse ponto, chamou
a atenção para a necessidade de
contar com a colaboração das
empresas de telecomunicações.
“É preciso preservar o equilíbrio econômico e financeiro
dos contratos”, afirmou.
Ditadura
A nova ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos
(SDH), Maria do Rosário Nunes
(PT-RS), causou sensação no
primeiro dia útil de mandato
Dilma ao afirmar que “é mais do
que chegada a hora” de o país
prestar esclarecimentos sobre a
violação de direitos humanos
ocorrida durante a ditadura militar (1964-1985). Maria do Rosário tentou dar um tom de entendimento às declarações ao
dizer que “não há mais contra-
“
A palavra-chave é
diálogo. O PMDB
é parte importante
do governo de
coalizão e as
questões se resolvem
com o diálogo
Luiz Sérgio,
ministro das Relações
Institucionais
dições entre os setores militares
e a democracia”. “Nós estamos
conciliando a nação brasileira”,
afirmou a ministra, enalteceu a
presença de Nelson Jobim, que
continuará à frente do Ministério da Defesa, em sua posse. “É
um sinal de entendimento pleno. É um governo, um projeto,
uma democracia sendo consolidada. O Ministério da Defesa e a
pasta de Direitos Humanos estão integrados”.
No último mês do governo
Lula, o Brasil foi condenado pela
Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos
(OEA), pela violação de direitos
fundamentais de 62 pessoas desaparecidas na Guerrilha do
Araguaia (ocorrida no início dos
anos 1970) e por não prestar esclarecimentos aos parentes sobre o paradeiro dos corpos dessas pessoas. Também durante o
governo Lula, o Executivo mandou ao Congresso Nacional um
projeto de lei (PL 7.376/2010)
para criar a Comissão Nacional
da Verdade a fim de apurar, sem
poderes de julgamento civil ou
penal, a ocorrência de crimes
como sequestro, tortura, estupro e assassinato, cometidos por
militares e policiais na repressão
à luta armada. ■ Redação com
informações da Agência Brasil
8 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
DESTAQUE NOVO GOVERNO
Exportar é prioridade para Pimentel
Novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio diz que desafios podem ser superados com inovação e
Paulo Justus, de Brasília
[email protected]
A carga tributária elevada, as altas taxas de juros e a guerra cambial são os principais desafios ao
crescimento do país na opinião
do novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Ontem, durante seu discurso na
transmissão do cargo, que contou
com a participação de parlamentares e presidentes de entidades
como a Confederação Nacional
da Indústria (CNI) e a Associação
Brasileira de Desenvolvimento
Industrial (ABDI), Pimentel afirmou que essas dificuldades podem ser superadas com inovação,
internacionalização, investimentos e parcerias.
Para o antecessor de Pimentel, Miguel Jorge, a pasta tam-
bém precisa restituir os créditos
tributários para os exportadores
ainda retidos na União e estados,
ampliar a qualificação profissional e incentivar a internacionalização das empresas brasileiras.
“As medidas e ações do Ministério representaram avanços importantes, mas é preciso muito
mais para ampliar a competitividade da nossa indústria”, disse, em sua despedida. O presidente da CNI, Robson Braga, que
participou da cerimônia de posse, elogiou a inclusão da inovação entre as prioridades do ministério. “Temos um aliado
maior para dar impulso no desenvolvimento da inovação e da
tecnologia no Brasil”.
Pimentel disse ainda que vai
priorizar a defesa comercial e o
incentivo às exportações em sua
gestão. Entre as ações estão a
Entre as primeiras
medidas está a
criação do BNDES
Exim, fundo com
incentivos para
exportadores
criação do BNDES Exim, fundo
com incentivos para exportadores, que segundo o ministro
deve ser lançado ainda no primeiro semestre. “O projeto ficou congelado por causa das
eleições, mas deve estar a pleno
vapor ainda no primeiro semestre”. De acordo com ele, as políticas de incentivo às exportações devem ser tomadas em
conjunto com o Banco Central e
outros ministérios, em especial
Planejamento, Fazenda e Ciência e Tecnologia, de forma a integrar medidas tributárias, políticas econômicas e incentivo à
inovação. “A ideia é que trabalhemos todos os ministérios de
forma afinada”, afirmou.
Em relação à guerra cambial,
Pimentel afirma não ter dúvidas
que essa será uma das principais
pautas nas primeiras visitas in-
ternacionais da presidente Dilma Rousseff, especialmente nas
viagens aos Estados Unidos e
China. “A presidente está sinceramente preocupada com o
efeito da taxa de câmbio sobre
as nossas exportações e a cadeia
produtiva como um todo”.
Além do esforço da presidente, o ministro prevê a adoção de
desonerações tributárias para os
segmentos mais afetados pelo
real valorizado. Essa seria uma
maneira de compensar o setor
produtivo com a manutenção do
câmbio flutuante. A política
conjunta da área econômica
também será direcionada para o
aumento da participação do setor privado no investimento.
Segundo Pimentel, a Câmara
de Comércio Exterior (Camex),
que reúne os ministérios do
Desenvolvimento, Casa Civil,
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 9
Ag. Câmara
Deputados querem
mais participação
popular nas discussões
internacionalização
Ascom/MDIC
Líderes defendem votação de
reformas política e tributária
Pendências da Casa também
incluem a regulamentação
dos meios de comunicação
e temas ambientais, como as
mudanças no Código Florestal
Pimentel, de gravata
vermelha, recebeu ministério
de Miguel Jorge (à dir. dele).
Alessandro Teixeira (à esq.)
é nomeado secretário
executivo do MDIC
Agricultura, Relações Exteriores, Fazenda e Planejamento,
deve se reunir ainda no decorrer
de janeiro para alinhar as propostas de defesa comercial e
promoção das exportações.
Micro e pequenas empresas
Segundo o ministro do Desenvolvimento, a criação do Ministério das Micro e Pequenas empresas está planejada e deve
ocorrer dentro dos próximos
quatro meses. “A presidente tem
essa intenção desde que era ministra, mas ainda não está definida ainda o projeto de lei que
será encaminhado para o Congresso”. Alessandro Teixeira,
ex-presidente da Apex e que
ontem assumiu o cargo de secretário executivo do ministério
do Desenvolvimento, é o nome
mais cotado para a nova pasta. ■
As reformas política e tributária
são as principais pendências
para o governo de Dilma Rousseff, dizem os líderes partidários. “Ainda não houve consenso
para esses assuntos. Eles devem
ser a pauta número um e número dois deste ano”, afirma o líder
do PMDB, deputado Henrique
Eduardo Alves (RN).
De acordo com o líder do Psol,
deputado Ivan Valente (SP), o
atual financiamento privado de
campanhas é a raiz da corrupção. O líder do PV, deputado Edson Duarte (BA), também defende a revisão do sistema eleitoral.
Na opinião dos líderes, no entanto, o caminho para a reforma política já foi pavimentado com a
aprovação da Lei da Ficha Limpa
em maio. “A Ficha Limpa teve a
participação do povo brasileiro,
de todos os setores. Foi uma colaboração da sociedade via Congresso”, diz Alves. “Vamos trabalhar por uma reforma que melhore as instituições eleitorais e
políticas da sociedade, para permitir que o cidadão comum participe da política”, afirma o novo
líder do PT na Câmara, deputado
Paulo Teixeira (SP).
Na oposição, o vice-líder do
DEM, deputado José Carlos Ale-
“
Ainda não houve
consenso para esses
assuntos. Eles devem
ser a pauta número 1
e número 2 deste ano
Henrique Eduardo Alves,
deputado federal (PMDB-RN)
luia (BA) e o líder do PSDB, deputado João Almeida (BA) defendem a execução democrática
das reformas política e tributária, sem privilégios à partidos
sem representatividade.
Reforma tributária
Sobre a reforma tributária, a
Câmara analisa relatório do deputado Sandro Mabel (PR-GO),
ainda sem votação. “A incidência de tributos deveria ser sobre
a propriedade e a riqueza, e não
sobre o consumo e a renda. O
sujeito mais rico paga o mesmo
imposto que o cidadão médio
por uma dúzia de ovos”, diz Valente, contrário ao texto atual.
As pendências da Câmara
também incluem temas como a
regulamentação do funciona-
mento dos meios de comunicação e assuntos ambientais. Para
o líder do PT, deputado Fernando Ferro (PE), na área da comunicação “o debate fica interditado por interesses empresariais
e isso só vai mudar se a sociedade se envolver como fez com a
Ficha Limpa.”
Segundo o deputado Edson
Duarte, as propostas em pauta
sobre meio ambiente, em geral,
flexibilizam a legislação, como o
projeto de mudanças no Código
Florestal (PL 1876/99). “A Câmara é bastante conservadora e
o poder econômico é uma influência forte. No Brasil, há uma
visão de que o meio ambiente é
adversário do desenvolvimento”, diz ele. ■ Redação com informações da Agência Câmara
AGENDA
Senado manda lei orçamentária para Dilma esta semana
O presidente do Senado, José
Sarney, encaminha ainda esta
semana à presidente Dilma
Rousseff o texto final da lei
orçamentária para 2011, que
deverá ser sancionado por ela. Há
expectativa de que o governo
anuncie, até fevereiro, uma
redução de até R$ 30 bilhões nas
despesas do Orçamento para o
próximo ano, mas o salário
mínimo, hoje em R$ 540, não
deve ser afetado.
Aprovado na noite de 22 de
dezembro do ano passado, o
Orçamento contempla um cenário
econômico de austeridade no
gasto público. Ali está estabelecido
que o limite para remanejamento
das verbas do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC)
terá o teto de 30%, mas o governo
deverá informar à Comissão Mista
de Planos, Orçamentos Públicos e
Fiscalização (CMO) quando
superar os 25%.
Na proposta original enviada em
agosto pelo Executivo ao Congresso,
a equipe econômica do governo
de Luiz Inácio Lula da Silva previa
um salário mínimo de R$ 538,15.
No Legislativo, o número foi
arredondado para R$ 540,00, valor
que recompõe a inflação que atingiu
o piso salarial em 2010. O texto da
lei orçamentária seguirá ao Palácio
do Planalto, para Dilma Rousseff
e para o ministro da Casa Civil,
Antonio Palocci. Agência Senado
10 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
OPINIÃO
Murillo de Aragão
Marcos Troyjo
Saumíneo da Silva Nascimento
Cientista político e presidente
da Arko Advice Pesquisas
Presidente da Wisekey-Brasil
e doutor em sociologia das
relações internacionais pela USP
Presidente do Banco do
Estado do Sergipe (Banese)
e doutor em geografia
Bem-vindo, 2011!
Mandarins do comércio
Desafios do governo
Tanto o final da era Lula quanto o início da gestão Dilma Rousseff padecem de avaliações que oscilam entre
o pessimismo, a má-vontade e o otimismo. Os pessimistas acreditam que 2011 poderá ser um ano muito
difícil. Os que têm má-vontade têm certeza de que
tudo vai dar errado. E os otimistas vêem os desdobramentos futuros como absolutamente positivos.
Alguns já lembram que determinados indicadores
econômicos estariam se deteriorando. A preocupação
estaria centrada na inflação, no câmbio e no superávit
primário. Em 2010, até novembro, o IPCA (índice oficial de preços) subiu para 5,25%. Ele deve fechar 2010
perto do teto da meta do Banco Central (6,5%). Por
isso, o BC pode ter que aumentar os juros já em janeiro.
O dólar continua derretendo e o Real super valorizado.
A combinação desses indicadores apontaria para
um ano difícil e de grande complexidade para a gestão
econômica. Não é bem assim. O quadro que se apresenta para Dilma é o melhor que um presidente da República encontra desde o primeiro mandato de FHC.
Evidente que em 2011 não iremos repetir o crescimento
de 2010. O governo tenderá a ser mais parcimonioso no
campo fiscal para curar as ressacas das medidas anticíclicas do pós-crise de 2008 e do estrago tradicional nas
contas públicas em anos eleitorais.
Além da consciência do cenário, a favor de Dilma,
temos vários aspectos. A equipe econômica que se
apresenta para gerir a economia em 2011 é experiente e
tem ainda a presença de Antonio Palocci como uma espécie de “advisor” para questões macroeconômicas.
No mercado, não existem resistências ao financiamento da dívida interna. No campo externo, o buraco nas
contas é um problema sério. Mas, felizmente, pode ser
adequadamente gerenciado ao longo dos próximos
anos. Quanto à inflação, Dilma mostrou-se disposta a
pagar o preço que for para mantê-la sob controle.
Assim, por mais que existam desafios complexos a
serem vencidos, não devemos adotar uma postura
pessimista nem nos iludirmos com um cenário céu de
brigadeiro. 2011 será um ano de ganhos econômicos e
sociais e de crescimento significativo do PIB. Ainda
que menor do que em 2010. No campo social, a dinâmica econômica e o mercado interno continuarão a
provocar ganhos e, sobretudo, consolidar os avanços
ocorridos nos últimos anos.
A China vem se consolidando como principal parceiro
comercial do Brasil. Durante décadas, esse papel coube
aos EUA. Para além dos contratos em commodities,
qual o mais importante negócio que os brasileiros levam da China? Talvez a resposta seja uma lição. Há 30
anos, se alguém tivesse de colocar fichas no país que,
ao limiar do terceiro milênio, teria um dos três maiores
PIBs do mundo, a aposta seria: Brasil. Crescíamos em
torno de 10% ao ano — o “milagre brasileiro”.
A China vivia o terceiro ano sem Mao-Tsetung e o
rescaldo da Revolução Cultural. Era um ator desimportante do comércio internacional. Brasil e China apresentavam, no entanto, uma semelhança fundamental: ausência de mecanismos internos de geração de poupança.
O Brasil enfrentara esta situação com empréstimos
internacionais. Foi apenas natural a poupança importada mediante contratos a juros flutuantes.
Em 2011 teremos um novo governo federal administrando o Brasil e claro que desafios sempre existiram e
existirão para quem assume um governo. Repassarei
adiante algumas observações de desafios que foram
apresentadas pelo ministro da Fazenda do governo
brasileiro, Guido Mantega. Julgo que referidas opiniões
estão sintonizadas com a evolução das teorias econômicas, refletindo as preocupações e problemas concretos enfrentados pela nossa sociedade.
O primeiro desafio é a manutenção do crescimento
sustentável, pois temos um cenário mundial incerto e
adverso, porém o Brasil reúne condições de continuar e
melhorar a sua trajetória de crescimento. Um novo ciclo
de desenvolvimento irá acontecer e, a expectativa é de o
PIB brasileiro ter crescimento médio anual de 6,1%, registre-se que o crescimento entre 1998 a 2002 foi de
1,7% e de 4,1% entre 2003 e 2010.
Outro desafio é a consolidação de uma eficiente política fiscal, o que irá requerer tratamento rigoroso no
controle do custeio, verifique-se que no pós-crise
(2009-2010), o Estado aumentou os gastos com subsídios, desonerações e investimentos. Agora que a economia está recuperada, a tendência é o Estado diminuir os
gastos de custeio e impedir a efetivação de novos gastos,
algo diferente do que ficou conhecido no passado como
ajuste fiscal. A consequência do trabalho será a geração
de poupança pública, o que poderá propiciar a redução
de juros. Nesta lógica é possível que ocorra diminuição
de estímulos fiscais, mas com provável aumento de estímulos monetários, assim teremos a substituição de demanda do setor público por demanda do setor privado.
Por parte de quem chega ao governo
existe o completo entendimento
dos desafios e das oportunidades.
O discurso de Dilma mostrou isso
Talvez a grande interrogação de 2011 seja o ambiente externo. Uma grave crise econômica ronda a
Europa. Os Estados Unidos ainda não se recuperaram
de 2008. E se cogita, seriamente, a morte do euro nos
próximos dez anos.
Portanto, sem querer se filiar ao pessimismo obtuso
ou ao otimismo lunático e, sobretudo, repudiando a mávontade que não é boa conselheira em se tratando de cenários, vemos o Brasil de 2011 com boas perspectivas
mesmo que existam desafios complexos e importantes.
A raiz da minha confiança está no fato de que existe o
completo entendimento de quem chega ao governo dos
desafios e das oportunidades que se apresentam. Tal aspecto ficou bem claro nos discursos de Dilma. ■
O Brasil precisa evitar a tentação
financeira de curto prazo, e
perseverar na estratégia preferencial
de ações de promoção comercial
Em 1979, há o segundo choque de petróleo; a China
restabelece suas relações com os EUA. No ano seguinte, recebe status de nação mais favorecida em seu comércio com os EUA. O Brasil, a partir de 1981, passou a
sofrer com as astronômicas taxas de juros internas
americanas. Mesmo assim, em 1984 o Brasil exportou
para os EUA US$ 7 bilhões; a China, US$ 3,8 bilhões.
Em 2010, o Brasil exportou para os EUA algo em torno
de US$ 20 bilhões, enquanto a China ultrapassa US$ 350
bilhões em exportações para o mercado americano.
Tradicionalmente, há duas maneiras de remediar a
falta de poupança interna: endividamento ou acumulação de saldos comerciais.
O Brasil tem aproveitado ciclos de liquidez da economia mundial para endividar-se. A China opta por
câmbio depreciado, baixa remuneração da mão de
obra e acesso privilegiado ao mercado dos EUA.
O medicamento dos anos 1990 tinha no rótulo o nome
“Consenso de Washington” – liberalização da conta-capital, acesso a ativos financeiros em busca de estabilidade cambial com moeda nacional forte e combinada com
elevadas taxas internas de juros. Os que optaram por esta
posologia cresceram em patamares insuficientes.
Câmbio competitivo, economia voltada às exportações e atração de IEDs interessados em terceiros mercados levaram a China a crescimento anual de 10%. Implementado a fórceps, este é o “Consenso de Pequim”.
O Consenso de Washington foi feito às abertas – seduziu países que conheceram seus cânones. Já o Consenso de Pequim deu-se de forma reservada, decidida
pelo PC chinês. Obedeceu a três tempos: (1) entendimento político, (2) exportações como motor da economia e (3) modelo concentrador de renda e poder
nas mãos do Estado.
O Brasil precisa evitar a tentação financeira de curto
prazo, e perseverar na estratégia preferencial de ações
de promoção comercial e multiplicar iniciativas de diplomacia empresarial.
O modelo chinês não é plenamente aplicável a uma
sociedade aberta e democrática como a brasileira. Mais
há muito que podemos aprender com as lições dos
mandarins do comércio. ■
Julgo que o país vencerá as
dificuldades e teremos uma das
economias mais dinâmicas do
mundo, dentro de um ambiente
de prosperidade e bem-estar
Mais um desafio será a manutenção do equilíbrio das
contas externas, o que pode ser efetivado através do
controle dos déficits em transações correntes, reforçando-se também as políticas comerciais, a exemplo da
política antidumping, maior crescimento dos desembolsos dos financiamentos às exportações (EximBNDES e Proex-Banco do Brasil), alavancando as exportações, além disso, é preciso impedir que a guerra
cambial induza a valorização do real.
A continuidade da modernização do sistema financeiro brasileiro é imperativa, pois os tomadores sempre
estão a requerer agilidade nos processos decisórios, permitindo ganhos de oportunidade, por isso que o aumento dos volumes de créditos de longo prazo é possível, via
intensidade da atuação do setor bancário público, mas
também com uma melhor participação do setor bancário privado. Em complemento, temos um mercado de
capitais que se dinamiza, com maior conhecimento e
entendimento da população da sua funcionalidade, popularizando-se alguns instrumentos como debêntures,
letras financeiras, crédito imobiliário – CRI, etc.
Outros desafios também terão de ser enfrentados, a
exemplo de manter o estímulo ao investimento público
e privado; consolidação do mercado interno; ampliação
da competitividade brasileira; acompanhamento do
câmbio; reforma que seja capaz de reduzir tributos sem
descontrole fiscal; reduzir juros e aumentar crédito. ■
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 11
Divulgação
Logo da Olimpíada tem suspeita de plágio
Semelhanças entre a marca olímpica do Rio 2016 e o logo da Telluride
Foundation, uma instituição filantrópica dos EUA, cuja marca foi inspirada
no quadro de Henri Matisse, “A Dança”, levaram a suspeitas de plágio
que circularam na internet desde sábado. A marca da Rio-2016 foi
concebida pela agência Tátil. O idealizador, Fred Gelli, afirmou no
entanto que o Comitê Organizador do Rio-2016 e o Comitê Olímpico
Internacional haviam tomado todos os cuidados para evitar tal ocorrência.
Yoshikazu Tsuno/AFP
LEÃO-MARINHO ANUNCIA O ANO DO COELHO, A PARTIR DO MÊS QUE VEM
O leão-marinho Leo, de 8 anos de idade, escreve a palavra coelho em caracteres chineses como parte da atração de Ano Novo
no aquário Hakkeijima Paraíso do Mar, em Yokohama, Kanagawa, subúrbio de Tóquio. Fevereiro de 2011 marcará o início
do Ano do Coelho, conforme o calendário lunar, um ciclo de 12 anos, seguido pela China e por outras regiões da Ásia.
ENTREVISTA RENATO RABELO Presidente do PCdoB
Autoridade Olímpica e Esportes unidos
Para o presidente do PCdoB,
Autoridade Pública Olímpica
deve ficar nas mãos do partido,
à frente do Ministério do Esporte
Pedro Venceslau, de Brasília
[email protected]
Durante o processo de transição,
a presidente Dilma Rousseff estava inclinada a delegar ao
PcdoB — que ficou à frente do
Ministério do Esporte — o comando da Autoridade Pública
Olímpica (APO), responsável
pela organização dos Jogos
Olímpicos de 2016. Essa decisão,
porém, foi adiada devido ao protesto de partidos aliados contra o
que seria um suposto excesso de
cargos dados aos comunistas,
que detêm uma pequena bancada na Câmara. Dilma não descarta deixar o posto para um
quadro técnico ou um esportista
conhecido, como acontece na
maioria dos países que sediam
Olimpíadas. O presidente do
PCdoB, Renato Rabelo, revelou
que o partido ainda não desistiu.
Valter Campanato/ABr
“O formato
da APO ainda
está em
discussão.
É preciso
brevidade,
pois os prazos
estão correndo”
A presidente Dilma já deu
sinais de que o PCdoB
não deve assumir o comando
da Autoridade Pública
Olímpica. O partido
ainda reivindica esse espaço?
Sim, até porque não faz sentido separar a Autoridade Olímpica do Ministério dos Esportes. Essa é a nossa opinião. Em
função do tempo que se teve
na transição, a presidente
achou necessário ter uma reflexão maior sobre o formato a
ser adotado, já que não está
claramente definido.
Qual deve ser esse formato?
Isso vai ser discutido com o
próprio Orlando Silva, ministro
dos Esportes, e com o partido.
Até porque estamos acompanhando a discussão há um certo tempo. Mas é preciso brevidade, pois os prazos estão
correndo.
Até quando deve ser
batido o martelo?
Até março. ■
12 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
BRASIL
Exportações batem
recorde, mas saldo
é o pior da era Lula
Commodities empurraram vendas externas para US$ 200 bilhões,
enquanto importações cresceram de carona na taxa de câmbio
Eva Rodrigues e Juliana Rangel
Igo Estrela
[email protected]
Apesar do câmbio estar num
dos patamares mais valorizados
da história, a forte demanda internacional por commodities
levou o Brasil à exportação recorde de US$ 201,9 bilhões em
2010, com aumento de 31,4% na
comparação com o ano anterior.
Dessa forma o saldo comercial ficou em US$ 20,3 bilhões,
contrariando estimativas iniciais do próprio governo e de alguns analistas, que chegaram a
prever déficit no início do ano.
Ao mesmo tempo, no entanto, o
número representa o pior resultado da gestão Lula, devido ao
forte aumento das importações.
A alta foi de 41,6%, para o recorde de US$ 181,6 bilhões.
Para o vice-presidente da
Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, as exportações
foram surpreendentes. “No início de 2010, ninguém poderia
projetar qualquer coisa em torno de US$ 20 bilhões de saldo. O
governo esperava US$ 168 bilhões em vendas. Agora, fechou
a US$ 202 bilhões e isso ocorreu
exclusivamente graças à valorização das commodities”.
Welber Barral
Secretário de
Comércio Exterior
O secretário disse que a
meta das exportações de 2011
é de US$ 238 bilhões, com
aumento de 13% ante 2010
Commodities em alta
Em dezembro, mês em que
tradicionalmente as importações de manufaturados têm
impacto negativo no saldo comercial, o Brasil teve superávit
de US$ 5,3 bilhões. “O que puxou foi especialmente o petróleo, exportado a um valor muito alto”, diz Castro. No consolidado do ano, o valor das exportações de minério de ferro
subiram 117%; as de petróleo
aumentaram 76%.
O economista do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, lembra que o índice CRB de
commodities, que calcula a cotação média de uma cesta de produtos, fechou 2009 em 421,13. Na
segunda metade do ano, cresceu
em média 3,7% ao mês e fechou
dezembro em 518,66.
MANUFATURADOS
Tempo de contratos
torna retomada lenta
O vice-presidente da AEB se
diz preocupado com o fato de
existir uma fidelização maior
nos contratos de compras de
manufaturados, o que impede
uma retomada rápida ainda que
o real se desvalorize. “Algumas
commodities são vendidas no
mercado livre, não há fidelização.
Mas os manufaturados são
negociados em contratos longos.
Por isso, mesmo que amanhã
tenhamos um aumento do câmbio,
não vamos aumentar as vendas de
manufaturados imediatamente”.
Ainda assim, ele acha que a
tendência de saldos menores
deve continuar: “Mais do que o
câmbio valorizado e a crise de
Europa e EUA, foi o vigoroso
crescimento interno o grande
fator responsável pelo menor
saldo comercial. De qualquer
forma, nossas projeções no início de 2010 eram em torno de
US$ 14 bilhões e o saldo veio
bem acima disso”, diz.
Outra novidade é que, pela
primeira vez desde 1978, a
participação de produtos básicos nas exportações ficou em
44,6% e superou a de manufaturados, em 39,4%.
O professor da FGV-RJ Paulo
Ferracioli avalia que o movimento é prejudicial ao Brasil. “É
muito positivo aumentar exportações de produtos básicos, sem a
menor dúvida, mas não aumentar a de manufaturados é muito
ruim porque o setor que mais
gera emprego é o industrial”, diz.
Em seu discurso de posse ontem, o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que é preciso melhorar
a pauta de exportações. “Exportar bens e serviços de alto
valor agregado é parte necessária da equação do desenvolvimento”, disse.
O antecessor de Pimentel,
Miguel Jorge, disse que o recorde das exportações deve elevar a
participação do Brasil nas exportações mundiais, de 1,26%
para 1,30% em 2010.
Para Ferracioli, o governo
precisa agir em relação ao câmbio: “Nenhum país deixa o chamado ‘câmbio livre’, isso não
existe”, disse, citando intervenções cambiais feitas por Japão,
Índia e Coreia no ano passado,
sem contar China e EUA.
Castro, da AEB, avalia que a
moeda chinesa está ao menos
40% desvalorizada, e que o real
está em torno de 20% valorizado. “A tarifa de importação no
Brasil é de no máximo 35%. Ou
seja, para alguns setores, é impossível competir com a China.” ■ Colaborou Paulo Justus
MAIOR
MENOR
US$
46,5 bi
foi o saldo da balança
US$
20,3 bi
foi o saldo em 2010, o menor da
comercial registrado
em 2006, o maior patamar
alcançado durante os oito
anos de governo Lula.
era Lula. O número é resultado
de exportações (US$ 201,9 bi)
e importações (US$ 181,6 bi)
que registraram recorde histórico.
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 13
Antonio Milena
Alckmin faz contingenciamento de R$ 1,5 bilhão
O recém-empossado governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou
ontem um corte de gastos de R$ 1,5 bilhão. Ele afirmou que vai reduzir
em 20% os investimentos estaduais e em 10% as despesas de custeio
por “cautela”. “A situação [das contas do estado] é boa. Mas a economia
depende do cenário internacional, da taxa de juros, do crédito. Enfim,
da macroeconomia, que independe do estado”. Conforme a evolução da
arrecadação, cálculos serão feitos para a retomada do patamar anterior.
Marcela Beltrão
Mesmo sendo o menor em
oito anos, saldo comercial veio
acima do projetado pelo mercado
Vendas externas de
calçados voltam a subir
Henrique Manreza
Após dois anos em queda, setor
aposta no meio termo entre preço
e qualidade para aumentar vendas
MÊS
CORRENTE
US$
5,4 bi
é o saldo da balança comercial
US$
383,5 bi
foi o total da corrente de
no mês de dezembro. Trata-se
do segundo maior saldo
da história e só perde para
julho de 2006 (US$ 5,6 bilhões).
comércio (importações
mais exportações) do Brasil
com o mundo em 2010,
o que equivale a 18,8% do PIB.
Com forte perda de mercado desde 2008 — em função de concorrência chinesa, aumento do custo
Brasil e da crise europeia — a indústria brasileira de calçados está
tentando encontrar um meio termo entre preço baixo e luxo para
reestruturar suas vendas externas. Os resultados já começam a
aparecer: as exportações em
2010 somaram US$ 1,486 bilhão,
com aumento de 9,3% frente ao
ano anterior de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em
2009, as perdas foram de 27,7%,
sobre queda de 1,6% em 2008.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Calçados
(Abicalçados), as exportações
de empresas que têm produtos
não tão inferiores quanto os
chineses e nem tão caros quanto
os italianos podem ser o caminho da retomada. Apesar de pesar de forma tímida na balança
comercial, a recuperação já faz
diferença no desempenho de algumas companhias nacionais.
Com um preço de até € 150
nas prateleiras europeias, a Anatomic Gel, do município paulista
de Franca, exporta 50% de sua
produção anual, de 300 mil pares de calçados. Pelo segundo
ano seguido, a marca foi finalista de uma espécie de Oscar do
setor em Londres, um prêmio
concedido pela publicação especializada Drapers . A marca
está entre as preferidas do Reino
Unido e ganha até mesmo de pesos-pesados como a Timberland
em pesquisas de consumo.
A sócia da empresa Ghetz
Moema Pimentel, responsável
pela distribuição da Anatomic
em Europa e Ásia, não vê outra
saída que não seja o investimento em qualidade. “É a única
opção. O preço do nosso couro
aumentou, a mão de obra também, o dólar está fraco... Nosso
preço sempre vai ser um pouco
mais alto que o de China, Índia e
outros mercados emergentes
como Romênia”, avalia.
A gestora de projetos da Agência de Promoção das Exportações
(Apex Brasil), Deborah Rossoni,
concorda. Ela lembra que o Brasil
“atende uma demanda que pede
diferenciação de produto, com
qualidade e bom preço”, explica.
EUA priorizam preço
Segundo a Abicalçados, os EUA
são o principal destino dos pro-
Fabricação de calçados:
nova estratégia alavanca
vendas externas
EXPORTAÇÃO PARA OS EUA
27,7
milhões
de pares de calçados foram
embarcados para os EUA
em 2010, com faturamento
de US$ 318,2 milhões. Em 2009,
foram 25,1 milhões de pares.
FATIA DE MERCADO
1,2%
É a participação dos calçados
brasileiros na indústria
americana em 2009, segundo
dados da Fiesp. A participação
da China é de 25%.
BALANÇA COMERCIAL
US$
1,4 bi
É o valor das exportações de
calçados do Brasil no acumulado
do ano até novembro, segundo
o Ministério do Desenvolvimento.
dutos brasileiros, ficando com
23,8% das nossas exportações.
No cômputo total, de janeiro a
novembro — número mais recente — o Brasil embarcou 129,5 milhões de pares para os países
compradores, contra 114,9 milhões no mesmo período de 2009,
alta de 12,7%. O preço médio foi
de US$ 11,22 o par, com redução
de 16,6% em dólares em relação a
2009. É o valor mais baixo desde
os US$ 10,51 de 2004.
Já a China vende cada vez mais
para EUA e Europa. Pesquisa da
Federação das Indústrias do Estados de São Paulo (Fiesp) mostra
que a participação chinesa nas
compras de países da UE dobrou
de 2004 a 2009, atingindo 22%. A
fatia brasileira passou de 1% para
1,2%. Nos EUA, a presença chinesa subiu de 11% para 25%, e a
do Brasil caiu de 1,2% para 1%.
O diretor da Abicalçados Cristiano Körbes diz que os EUA são o
principal comprador brasileiro
desde a década de 1960, mas o formato do negócio é desfavorável ao
Brasil. “Eles trazem a ideia do produto e da modelagem e nós fornecemos as peças em separado”, diz.
“Isso limita o custo do calçado.
Para se ter uma ideia da queda
do preço médio para o país, as exportações em pares subiram
10,3% até novembro, mas o faturamento recuou 0,81% em dólares. Para o Reino Unido, que fica
com 12,5% das exportações brasileiras, o valor médio é do calçado é de US$ 24,30, mais que o dobro do valor para os EUA. ■ J.R.
14 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
BRASIL
Antonio Milena
CUSTO DE VIDA
MERCADO INTERNO
Alimentos pesam e IPC-S fecha o ano
com elevação acumulada de 6,24%
Economistas da Serasa preveem
menos procura por crédito
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) atingiu 0,72% no
encerramento de dezembro, o que mostra um pequeno decréscimo de
0,15 ponto percentual sobre a variação anterior. Com esse resultado, no
entanto, a taxa fecha o ano em 6,24%, bem acima do IPC-S registrado em
2009 (3,95%). Um dos principais responsáveis pela elevação da taxa foi
o grupo dos alimentos, que tiveram alta de 9,85% no acumulado do ano.
Os economistas da empresa de consultoria Serasa Experian projetam
para os primeiros cinco meses de 2011 queda no ritmo de procura
por crédito tanto por parte das empresas quanto dos consumidores.
Para eles, a economia vai continuar crescendo, mas em ritmo mais
lento. O indicador de crédito da empresa caiu 1,3% em novembro
de 2010. Foi a oitava queda mensal consecutiva do índice.
Atuação
do governo
preocupa
setor elétrico
Temor é que nova gestão interfira na Aneel
e promova loteamento de cargos na agência
Weruska Goeking
[email protected]
A atuação do governo no setor
de energia e sua tensa relação
com a Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel) geraram
desconforto no segmento nos
últimos oito anos. Agora, o mercado cria expectativa sobre qual
será o grau de autonomia da
agência durante o mandato da
presidente Dilma Rousseff.
Há quem acredite que as ingerências sobre a Aneel tendem
a ser intensificadas, como o especialista em planejamento
energético Adriano Pires, diretor da consultoria Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
“Essa já era uma característica
do presidente Lula: o esvaziamento das agências”, diz.
Ele discorda da “política de
grande participação do Estado” e
acredita que a consequência dessa postura é o enfraquecimento
das agências reguladoras. “A
Aneel é uma piada; agência reguladora é uma coisa anglo-saxã
que foi tropicalizada”, diz Luiz
Pinguelli Rosa, ex-presidente da
Eletrobras entre 2003 e 2004 e
diretor do Instituto Alberto Luiz
Coimbra de Pós-Graduação e
Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).
Apesar da declaração forte,
Pinguelli Rosa concorda com a
atuação mais incisiva do governo federal nas agências de regulação, especialmente na própria
Aneel. “O Estado tem um papel
natural no setor, que é o da garantia do suprimento de energia
elétrica, e a agência pertence ao
estado”, defende.
Pinguelli Rosa defende a ideia
de que não existe agência independente no país e que intervenções federais podem ser es-
“
As agências devem
ser reformuladas
para que cumpram
o papel de mediação
de interesses
para garantir mais
qualidade e mais
acesso, o que não
tem acontecido
Ildo Sauer,
ex-diretor de Gás
e Energiada Petrobras
Linhas de transmissão:
erro na revisão de tarifas
gerou perdas de R$ 7 bilhões
senciais em momentos críticos,
como o ocorrido com a ação do
governo americano para que a
montadora General Motors não
fechasse as portas.
A ideia de inexistência de
agência reguladora neutra é
compartilhada por Ildo Sauer,
ex-diretor de Gás e Energia da
Petrobras, professor e diretor do
Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo
(IEE-USP). Entretanto, ele acre-
dita que o estado tem usado seu
poder para manipular de forma
negativa a Aneel.
Para embasar sua opinião,
Sauer lembra do recente episódio do erro de cálculo na revisão
das tarifas de energia elétrica,
que resultou em um prejuízo de
R$ 7 bilhões aos consumidores.
“O governo foi notificado pelo
Tribunal de Contas da União
(TCU) em 2004 pelos problemas
nos contratos e nada foi feito”,
afirma. “As agências devem ser
reformuladas para que cumpram o papel de mediação de
interesses para garantir mais
qualidade e mais acesso, o que
não tem acontecido”, diz Sauer.
Perfil técnico
Além das interferências pontuais, há também a questão do
loteamento partidário dos cargos da Aneel, em detrimento da
escolha de especialistas. Para
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 15
Antonio Scorza/AFP
BOLETIM FOCUS
JUSTIÇA
Mercado aumenta perspectivas para inflação
em 2011 e projeta crescimento de 4,5%
Defesa de Cesare Battisti entra
com pedido de soltura no Supremo
O mercado manteve a estimativa de inflação do ano passado em 5,9%, mas
aumentou a de 2011 para 5,32% contra os 5,31% anteriores, segundo o boletim
semanal Focus. Os dados do IPCA serão divulgados na sexta-feira. O relatório
mostrou ainda que o mercado manteve a projeção para o juro no fim de
2011 em 12,25%. Atualmente, a Selic está em 10,75%. Para o crescimento
do PIB, se manteve a projeção em 7,6% para 2010 e em 4,5% este ano.
A defesa de Cesare Battisti entrou ontem com um pedido de soltura
do ex-ativista italiano no Supremo Tribunal Federal (STF). Battisti está
preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília, desde março de 2007,
por determinação do próprio STF. O ex-presidente Lula decidiu na semana
passada não extraditar Battisti para a Itália, onde foi julgado culpado de
quatro assassinatos. O ato gerou uma crise diplomática com o país europeu.
André Penner
Segmento tem
velhos dilemas
para a presidente
Peso dos tributos, problemas na
rede e vencimento de contratos
devem ser dores de cabeça
Otávio Santoro, economista e
especialista em engenharia elétrica, há cargos que exigem conhecimento na área. “Temos
que separar a área política da
técnica e, infelizmente, faz parte da postura do PT incluir afiliados”, afirma Santoro.
O especialista afirma reconhecer a qualidade e a capacidade técnica de Nelson Hubner,
atual diretor-geral da Aneel,
mas critica a ocupação de outros
cargos por pessoas aliadas ao
governo, mas sem conhecimento técnico sobre o setor elétrico.
Essa postura já trouxe problemas para o setor. “Tanto Dilma quanto o ministro de Minas
e Energia Edison Lobão bateram
cabeça sem saber o que aconteceu no apagão de novembro do
ano passado e acabaram descobrindo que foi um problema de
manutenção por falta de planejamento”, recorda.
Sobre a escolha de Lobão
para ser novamente ministro,
Santoro afirma que ele é “um
ótimo político”, mas que não
possui o perfil técnico esperado
para a função. “Podemos dizer
que ele já fez um estágio, agora
vamos ver se nos próximos
quatro anos convence como líder do setor”, diz.
A reportagem procurou a
Aneel, que preferiu não se manifestar sobre o assunto. ■
O preço da tarifa da eletricidade
— considerado pelos especialistas
como um dos mais caros do mundo — deve ser o um dos problemas
do governo de Dilma Rousseff no
segmento de energia. Para Adriano Pires, é necessário reduzir o
volume de impostos que incidem
sobre a conta. “O governo deveria
mudar sua concepção e olhar o
setor elétrico como uma área fundamental para o desenvolvimento do país e para gerar emprego”,
diz. “Com as altas tarifas nossa
indústria acaba perdendo em
competitividade”.
Um exemplo do peso dos encargos foi dado há poucos dias.
ontem. A Reserva Global de Reversão (RGR), encargo que deveria ter sido extinto no final de
2010, foi prorrogado através de
uma medida provisória. Pelo texto, a quota anual da RGR ficará
extinta somente ao final do exercício de 2035. O encargo foi criado em 1957 para cobrir custos de
eventuais reversões de concessões do setor elétrico. A alíquota
do encargo corresponde a 1,27%
da tarifa de energia. A Associação
Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de
Consumidores Livres (Abrace)
estima que a cobrança tenha custado R$ 1,9 bilhão aos brasileiros
ao longo de 2010.
Newton Duarte, diretor da
área de Geração, Transmissão e
Distribuição de Energia da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), estima que cerca de 50% do preço da
eletricidade hoje é composta por
impostos.
A possibilidade de um novo
apagão também está entre as
preocupações do segmento. O
temor é uma repetição do blecaute ocorrido em 10 de novembro de 2009, quando 60 milhões
de pessoas ficaram sem energia
após linhas de transmissão conectadas a Itaipu apresentarem
problemas decorrentes de falta
de manutenção.
O episódio expôs as fragilidades do sistema interligado e mostrou que é possível que estados
inteiros fiquem sem eletricidade
mesmo com água sobrando nas
hidrelétricas. Segundo Ildo Sauer,
Murillo Constantino
Adriano Pires
Diretor do Centro
Brasileiro de
Infraestrutura
“O governo deveria mudar
sua concepção e olhar
o setor elétrico como
área fundamental para
o desenvolvimento e para
gerar emprego. Com as altas
tarifas, nossa indústria
perde em competitividade”
essa condição colabora para o aumento da tarifa, porque que usinas térmicas vêm sendo acionadas por falta de confiabilidade no
sistema ligado à Itaipu. Sauer não
acredita que os problemas já foram solucionados. “Quero ver
prestação de contas do que foi feito em manutenção”, contesta.
Newton Duarte alerta para
uma situação que pode agravar
este problema. Apesar de o consórcio responsável pela construção da usina do rio Madeira ter
adiantado o início da geração de
energia para o final de 2011, a
construção das linhas de transmissão não seguem o mesmo
ritmo. “As linhas não devem ficar
prontas nem por milagre”.
A rede em questão deve ligar
Porto Velho (RO) a Araraquara
(SP) com 2,400 mil quilômetros
de fios e cabos que devem conectar a usina do Madeira sistema nacional.
Outro ponto importante que
deverá ser resolvido no governo
de Dilma é o vencimento de contratos de concessões. “Estão querendo prorrogar as concessões,
algo que já foi feito antes. Depois
de vencidas, a energia pertence
ao povo brasileiro e deveria ser
usada como recurso público”,
afirma Sauer, para quem a a renda dos contratos vencidos deveria
ser usada para o financiamento
de políticas públicas em saúde e
educação. ■ W.G.
16 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
BRASIL
Divulgação
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Diário Oficial confirma nomeações
para chefia da Receita e dos Correios
O Diário Oficial da União publicou ontem os nomes que integrarão
a nova diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
A presidência será ocupada por Wagner Pinheiro de Oliveira, ex-presidente
do fundo de pensão Petros durante o governo Lula. Também foi nomeado
o novo secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Freitas Barreto, que
havia sido secretário adjunto na gestão do ex-secretário Jorge Rachid.
Adriano Machado/Bloomberg
Trabalhador na colheita de cana:
agronegócio concentra a maior
parte dos casos no país
Lista suja do trabalho escravo
tem recorde com 88 inclusões
Entre as novas empresas, uma subsidiária do grupo Bertin e uma prestadora de serviço do grupo Votorantim
Luiz Silveira
[email protected]
A lista suja do trabalho escravo
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atingiu seu maior
tamanho da história, com 220
infratores, após a atualização semestral divulgada ontem pelo
órgão. Foram 88 empresas incluídas e apenas 14 excluídas da
lista, que engloba apenas processos administrativos do ministério por trabalho análogo à
escravidão já concluídos.
Entre as empresas incluídas na
lista estão envolvidas grandes
companhias, como uma subsidiária do Grupo Bertin, uma
construtora autuada por irregularidades em uma obra para o Grupo Votorantim e uma empresa de
biodiesel controlada pelo grupo
espanhol de autopeças e biocombustíveis CIE Automotive.
O recorde deve-se ao aumento do número de autuações
entre 2007 e 2008, já que os pro-
Enquanto estiverem
na lista, companhias
não poderão receber
financiamento
público nem
fornecer para o
governo federal
cessos administrativos têm levado cerca de dois anos e meio,
segundo o assessor da Secretaria
de Inspeção do Trabalho do
MTE, Marcelo Campos.
As companhias ficarão por
pelo menos dois anos na lista,
mesmo que já tenham regularizado a situação ao longo do processo. Enquanto estiverem listadas, as empresas não podem
obter financiamento público e
fornecer para o governo federal.
“Como se trata principalmente
de empresas do agronegócio, a
lista é importante porque o setor depende muito de financiamento estatal”, afirma Campos.
No caso do Bertin, entrou na
lista a Infinity Itaúnas Agrícola
S.A. (Infisa), uma subsidiária da
empresa de açúcar e álcool Infinity Bio-Energy, adquirida no
ano passado. A Infisa é responsável pela produção de canade-açúcar que abastece uma
usina do grupo em Conceição da
Barra (ES), e teve 64 trabalha-
dores em condições análogas à
escravidão resgatados. Procurada, a Infinity alegou que “não
há qualquer irregularidade em
relação a seus colaboradores”.
Já a irregularidade ligada ao
caso do Grupo Votorantim foi
cometida pela construtora Lima
e Cerávolo. Em 2009, uma fiscalização do MTE identificou e
libertou 95 empregados da
construtora que trabalhavam
nas obras da usina hidrelétrica
Salto do Rio Verdinho, do Grupo
Votorantim, no sul de Goiás. A
Rio Verdinho alega que rescindiu imediatamente o contrato
com a Lima e Cerávolo.
Outro empregador que entrou na lista foi a Bioauto MT, fabricante de biodiesel que tem
50% do capital nas mãos do
grupo espanhol CIE Automotive. A companhia alegou que assumiu a responsabilidade sobre
as irregularidades cometidas
por um empreiteiro e já regularizou sua situação.
Maiores casos
O maior resgate que entrou para
a lista suja nesta atualização, no
entanto, foi da Usina Fortaleza
de Açúcar e Álcool, atual Usina
São Paulo Energia e Etanol. Em
2008, 244 trabalhadores foram
libertados na empresa de Porteirão (GO). O segundo maior
caso a entrar na lista foi da Rotavi Industrial, fabricante de ligas leves que teve 174 empregados libertados em uma carvoaria em Jaborandi (BA).
Outras empresas de cana-deaçúcar figuram em terceiro e
quarto lugares: a Agrovale - Companhia Industrial Vale do Curu, de
Paracuru (CE), teve 141 empregados resgatado. Outra usina de
cana figura em quarto: 126 trabalhadores empregados por Nelson
Donadel, sócio da Destilaria Centro-Oeste Iguatemi, foram libertados pelos fiscais do trabalho.
Procuradas, as empresas não
atenderam ou não retornaram as
ligações do BRASIL ECONÔMICO. ■
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 17
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18 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
INOVAÇÃO & EMPREENDEDORISMO
QUARTA-FEIRA
QUINTA-FEIRA
GESTÃO
SUSTENTABILIDADE
Pesquisa e desenvolvimento são
Médico, Domingos Braile
criou sua empresa
em 1977. Hoje, 15% do
faturamento do negócio
é investido em inovação
João Paulo Freitas
[email protected]
Aos 71 anos, o médico Domingos Braile
não quer saber de descanso. Além de próreitor da Pós-graduação da Faculdade de
Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), no interior paulista, o cirurgião
preside o conselho da Braile Biomédica,
empresa fundada por ele em 1977 no mesmo município. Trata-se de uma fábrica de
produtos — muitos deles inovadores —
para a área médica e hospitalar. Braile é
responsável pelo desenvolvimento da
primeira prótese cardíaca de pericárdio
bovino nacional, disponível no mercado
desde o fim da década de 1970. Para manter elevado o potencial de inovação, sua
empresa investe 15% do faturamento
anual — hoje na casa dos R$ 50 milhões —
em pesquisa e desenvolvimento.
No momento, a Braile Biomédica trabalha em uma bomba centrífuga de circulação extracorpórea, um aparelho de
propulsão sanguínea usado como auxílio
circulatório em pessoas com deficiência
cardíaca grave ou durante cirurgias. “É
um produto que já existe no mercado,
mas importado. O nosso será o primeiro
modelo nacional”, afirma Braile.
Atento às tendências da sua área, Braile vê a medicina minimamente invasiva
(por meio da qual é possível reduzir os
cortes e traumas de grandes cirurgias)
como um campo repleto de oportunidades para se inovar. É nesse segmento que
se situa outro desenvolvimento de Braile
Biomédica: uma válvula aórtica que pode
ser compactada e implantada no coração
com o auxílio de um cateter, um tubo
usado em procedimentos médicos. Segundo o empreendedor, o produto já foi
implantado em 54 pacientes. “Estamos
apenas esperando a licença da Anvisa, a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, diz, acrescentando que foram gastos
R$ 2 milhões no desenvolvimento da
inovação, que contou com parceria com
pesquisadores da Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp).
Dificuldades
Apesar da trajetória de sucesso, Braile
observa que empreender não é fácil. Entre os alvos de suas insatisfações estão o
excesso de exigências legais e a falta de
entidades que permitam que novos equipamentos sejam testados e certificados.
“Nossa bomba centrífuga viajou o país
todo. Foi para dois institutos em São Paulo, a Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte. Nem sei onde ela possa estar no
momento”, diz.
O médico ressalta ainda que se por um
lado o apoio governamental à inovação
tem aumentado, por outro é preciso que
ele seja realizado de modo mais racional e
eficaz. Braile cita o caso de algumas linhas de financiamento existente, cujos
recursos são liberados de modo excessivamente lento e burocrático.
Um dos desenvolvimentos
recentes da Braile
Biomédica é uma prótese
que pode ser implantada
no coração por meio
de um pequeno tubo.
Foram investidos R$ 2
milhões no processo que
desembocou no produto
Atitude
Braile conta que inicialmente não cogitava
se tornar empresário. A verdade é que ele
se tornou empreendedor por uma mistura
de atitude e senso de oportunidade. Na graduação, na Universidade de São Paulo
(USP), Braile teve como um de seus mentores Euryclides Zerbini, o responsável pelo
primeiro transplante de coração da América Latina. Ele era um dos que incentivava os
alunos a construírem aparelhos para cirurgias cardíacas. Na época, havia uma pequena oficina no porão Hospital das Clínicas.
“Lá foram desenvolvidas coisas como
bombas extracorpóreas”, conta Braile.
Anos depois, em 1967, o empreendedor e alguns sócios criaram o Instituto de
Moléstias Cardiovasculares (IMC), em
São José do Rio Preto. Foi lá que teve início o desenvolvimento das válvulas cardíacas que a Braile Biomédica começou a
comercializar em 1977. Hoje, a empresa
conta com 22 patentes. ■
MÚLTIPLAS HABILIDADES
Atualmente, a Braile Biomédica
conta com uma equipe de
500 profissionais. Porém,
50 anos atrás Domingos Braile
tinha poucos recursos para
desenvolver equipamentos.
Tudo era artesanal. “Sempre
trabalhei com engenheiros.
Fiz um curso de engenharia por
proximidade”, diz, ao explicar
a origem de seus conhecimentos
sobre mecânica e eletrônica.
“Na USP, o professor
Euryclides Zerbini contratou
um engenheiro para trabalhar
conosco. Foi muito bom.”
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 19
SEXTA-FEIRA
SEGUNDA-FEIRA
TECNOLOGIA
EDUCAÇÃO
apostas da Braile
MARCELO
NAKAGAWA
Consultor e professor de
empreendedorismo e inovação
Fotos: Alfredo Saletti
BOM NEGÓCIO
R$
50 mi
É o faturamento anual da
Braile Biomédica. Criada no
final dos anos 1970, a empresa
foi a primeira fabricante
nacional de prótese cardíaca
de pericárdio bovino.
EQUIPE
500
É o total de pessoas que a
empresa emprega atualmente.
Segundo Domingos Braile,
o tempo médio de estudo de
seus funcionários é de 14 anos.
OFERTA
450
É o total de produtos que a
Braile Biomédica possui em seu
portfólio. Os itens vão desde
próteses biológicas até máquinas
de circulação extracorpórea.
Braile: produtos
para cirurgia cardíaca
totalmente brasileiros
Se não agora, quando?
Você teria coragem de se olhar no espelho e dizer “Eu,
graças a Deus, nunca precisei trabalhar”? Pode tirar
Deus da parada, mas poderia afirma isso? Na verdade,
esse trecho é só a parte final de uma frase dita pelo comandante Rolim Amaro, empreendedor da Tam. A frase
completa é: “Só trabalha, no sentido duro da palavra,
quem não gosta do que faz, por isso, eu, graças a Deus,
nunca precisei trabalhar”.
Mesmo assim, muitos ainda não estariam convictos
em se apropriar dessa frase porque, simplesmente, trabalham. Neste contexto, faz sentido a relação afirmada
por alguns etimologistas que trabalho tem origem no
termo latino tripalium, um instrumento de tortura.
Como fugir deste tal tripalium e “não trabalhar”,
como fazia o comandante Rolim? A resposta está na trajetória de vida do empreendedor da Tam e de tantos outros empreendedores que nunca sonharam com a aposentadoria, o almejado momento da vida em que paramos de trabalhar para fazermos só o que gostamos...
Empreendedores que “nunca trabalharam” descobriram a verdadeira intersecção entre suas paixões pessoais,
áreas de interesse de contínuo aprendizado e um mercado ávido por soluções constantemente melhoradas pela
curiosidade inquieta dessas pessoas.
Alguns descobriram isso muito cedo, ainda crianças.
Henry Ford se apaixonou pela mecânica consertando relógios aos 13 anos. Mais ou menos com esta idade, Alair
Martins conheceu a magia do comércio ao visitar seus tios
comerciantes que viviam em Uberlândia
(MG). Depois disso,
nunca mais “trabalhaEles descobriram
ram”. Fabricar automóa verdadeira
veis foi uma evolução de
intersecção entre
interesse de Ford pela
mecânica. Criar o Grupo
suas paixões
Martins, maior atacapessoais e um
dista da América Latina,
mercado ávido
foi o resultado da evolução do conhecimento e
por soluções
do interesse de Alair
constantemente
pelo comércio.
melhoradas
Outros descobriram
esta intersecção um
pouco mais tarde. Luis
Seabra até gostava de
filosofia quando adolescente, mas só percebeu que isso
poderia ser aplicado à pele e cosméticos aos 21 anos,
quando assumiu a superintendência da divisão de barbeadores elétricos da Remington no Brasil. Depois disso, fundou a Natura e nunca mais “trabalhou”. Apenas
se dedicou a ampliar seu conhecimento sobre a importância do bem-estar e do estar bem na vida das pessoas. Também com 21 anos, Steve Jobs descobriu que
sua paixão quase obsessiva por design poderia ser aplicada em uma traquitana que passou a ser conhecida
como microcomputador. Depois disso, maçã deixou de
ser fruto da macieira.
De todos estes exemplos, o que deu a mensagem
mais contundente sobre não trabalhar tem, coincidente, algo relacionado a trabalho no sobrenome: “Quando
tinha 17 anos, li uma mensagem que dizia mais ou menos o seguinte: se você viver cada dia como se fosse o
último, algum dia desses você acertará. Isto me impressionou e desde então, nos últimos 33 anos, eu me
olho no espelho todas as manhãs e me pergunto: Se
hoje fosse o meu último dia de vida, eu gostaria de ter
feito as coisas que farei hoje? Se a resposta fosse não por
muitos dias seguidos, eu sabia que era necessário mudar alguma coisa”, disse Steve Jobs, no discurso de formatura na Universidade Stanford em 2005.
E você? Quando vai se olhar no espelho? Se não
agora, quando? ■
20 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
ENCONTRO DE CONTAS
LURDETE ERTEL
Julien Crosner/AFP
Match point
Foi um saque publicitário de mestre: para promover o ATP
250 de Doha, que está agitando as raquetes nesta semana
em Qatar, os organizadores armaram um bate-bola
amistoso entre os tenistas Rafael Nadal e Roger Federer em
cenário insólito. O jogo foi feito em um quadra flutuante
no Golfo Pérsico, diante dos arranha-céus de Doha.
O evento árabe da série 250 distribuirá mais
de US$ 1 milhão em prêmios e garantirá ao
campeão um cheque de mais de US$ 170 mil.
AFP
Vide bula
Wagner Rossi, ao assumir
o segundo mandato
como ministro da Agricultura.
No céu
▲
O Nordeste avançou
mais um sinal na rota
de distribuição de
medicamentos no Brasil.
Em 2010, a região se
consolidou como a
segunda que mais
recebeu remédios
distribuídos pelo atacado,
atrás apenas do Sudeste.
Segundo pesquisa da IMS
Health divulgada pela
Abafarma, do total de
unidades vendidas para
as farmácias em 2010,
17,36% foram o Nordeste
— o que equivale a um
giro de R$ 5,2 bilhões.
Mais de 54,14% dos
medicamentos tiveram
as farmácias do Sudeste
como destino. O Sul ficou
em terceiro, com 16,89%.
“Temos de
acabar com
alguns pontos
que são um
Triângulo das
Bermudas no
ministério”
LANCE IMPROVÁVEL
O governo do Irã vai leiloar em fevereiro um
Peugeot 504, de 1977, que pertenceu ao
controverso presidente Mahmoud Ahmadinejad.
O valor arrecadado será usado para construção
de casas para deficientes e mulheres pobres.
Os lances podem ser feitos pela internet até o
final de janeiro. Segundo o governo
iraniano, um interessado árabe já teria
oferecido US$ 1 milhão pelo carro,
que vale US$ 2 mil no mercado local.
Em fevereiro, os responsáveis pelos maiores
lances serão convidados para o leilão final.
A Digicon, de Gravataí (RS),
acertou com a Aeroeletrônica
contrato para o fornecimento
de peças para aviões militares
e satélites.
Serão produzidas peças
mecânicas para o sistema
aviônico (parte eletrônica do
controle do avião) e para módulos
de suprimento de energia para
satélites. Com sede em Porto
Alegre, a Aeroeletrônica é uma
das líderes mundiais no ramo.
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 21
Divulgação
MARCADO
Mais ao Sul
A região conhecida como Costa Esmeralda, ao norte
de Florianópolis (SC), é a nova parada da marca imobiliária Txai.
O BHG (Brazil Hospitality Group), dono da bandeira, está lançando em
Governador Celso Ramos (SC) o empreendimento hoteleiro seis estrelas
Txai Ganchos. Dobradinha com a Lindencorp e a Cipasa, o complexo terá
132 unidades espalhadas em um terreno de 530 mil metros quadrados
com vista para o mar. Metade das unidades já foi vendida.
● Entre os dias 10 e 13 de janeiro,
a indústria brasileira da moda
participa da 17º edição do
Rio-À-Porter — o salão de negócios
oficial do Fashion Rio. Os cariocas
dominam entre as grifes
expositoras (71%), seguidos por
mineiros (13%) e paulistas (6%).
[email protected]
Pierre-Philippe Marcou/AFP
Só o começo
Bola
dividida
Depois de reabrir às vésperas
do Réveillon o antigo hotel Le
Méridien — um dos ícones da
hotelaria do Rio —, a cadeia
Windsor prepara o checkin
em outros pontos da capital
fluminense a partir de 2011.
Além de inaugurar outro hotel
em Copacabana de categoria
três estrelas, a rede deflagra
obras de duas unidades na
Barra da Tijuca, que devem
estar prontas até a Copa de 2014.
Enquanto isso, prospecta outros
endereços no Rio para fincar
sua bandeira. Particulamente,
em Ipanema e Leblon.
O ano começou
com uma bola nas
costas para o
craque português
Cristiano Ronaldo.
Segundo o tabloide
inglês Sunday Mirror,
a mãe do filho do
jogador estaria
obstinada a se
reaproximar de
Cristiano Ronaldo Jr,
de 6 meses.
No ano passado,
o jogador anunciou
que seria pai de um
garoto gestado por
uma barriga de
aluguel e que teria
a guarda da criança.
Mas a mídia inglesa
afirma que a mãe é
uma jovem inglesa
de 20 anos, que teria
concebido o bebê em
um encontro de uma
noite com o craque
do Real Madrid.
A britânica teria
firmado um acordo
em que abdicava dos
direitos sobre o bebê
e garantia manter o
anomimato, em troca
de € 11 milhões.
Mas agora a jovem
estaria deprimida e
arrependida, disposta
a devolver o dinheiro,
para poder ter acesso
à criança. O bebê foi
visto pela primeira
vez em público em
dezembro, no colo
da avó, durante uma
partida do Real Madrid.
Mais tempo
O Grupo Pão de Açúcar,
maior varejista do Brasil,
esticou em dois meses o
período da licença-maternidade
de suas funcionárias.
A medida passa a valer
para as colaboradoras da
empresa que tiverem filhos
a partir deste mês.
Segundo Enéas Pestana,
presidente do grupo,
as mulheres representam
cerca de 50% da força de
trabalho de Pão de Açúcar.
Tilt caro
O Tribunal de Justiça do Rio
manteve, por unanimidade,
a decisão que condenou a Apple
do Brasil a pagar indenização
por dano moral o um advogado
que, por um problema técnico,
perdeu todos os arquivos
armazenados no seu MacBook.
Para os desembargadores do
TJ-RJ, o bug significou a perda
de horas e horas de trabalho
do profissional.
Mark Ralston/AFP
Mudança de cena
As telas de cinema de
Hollywood podem voltar
a exibir as feições
inconfundíveis de Arnold
Schwarzenegger, que deixou
ontem o cargo de governador
da Califórnia (EUA).
O ex-astro governou o estado
mais rico dos EUA por sete
anos. Com a popularidade
no fundo do poço, o ator não
concorreu às últimas eleições.
Depois de entregar o cargo,
já admite retomar a carreira
de ator, que colocou de lado
em 2003. Desde então, fez
apenas pequenas aparições
nos filmes Exterminador
do Futuro: Salvação e Os
mercenários. Além do retorno
à telona, o astro estuda
propostas para escrever
seu livro de memórias.
GIRO RÁPIDO
AFP
Best-seller a caminho
O recém-lançado romance
Cemitério de Praga, de
Umberto Eco, está entre
os principais lançamentos
que a Editora Record
programou para o mercado
brasileiro em 2011.
O livro, que vendeu meio
milhão de cópias em poucos
dias na Europa, deve chegar
às livrarias do país
no segundo semestre.
Na calçada
A rede Lojas Americanas
prepara a abertura de sua
primeira filial de rua em
Cuiabá (MT). Vai se instalar
em um imóvel nos fundos
da igreja matriz da cidade.
Ano peludo
O Projeto Pêlo Próximo
e a empresa de produtos
veterinários Ceva estão
lançando um calendário que
exibe cães e pássaros nos
principais pontos turísticos
do Rio de Janeiro. As fotos
levaram dois meses para
serem feitas. A receita das
vendas vai para o Abrigo
João Rosa. que cuida
de 200 animais abandonados
no Rio de Janeiro.
22 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
EMPRESAS
Companhias
aéreas investem
para crescer 15%
Aquisição de novas aeronaves para
ampliação de frota foi o principal
investimento das empresas em 2010
Empresas brasileiras fazem aportes pesados em aquisições
de aviões e contratações para suprir movimento inesperado
Cláudia Bredarioli
Murillo Constantino
A Tam,
presidida
por Líbano
Barroso,
teve na fusão
com a Lan
seu ponto
forte em 2010
[email protected]
Diante da necessidade de atender uma demanda acima da esperada ao longo de 2010 e enquanto ainda não viam solução
para os problemas de infraestrurura aeroportuária, as companhias aéreas apostaram em
expansão forte neste ano. Há
unanimidade entre elas sobre
2010, um ano excelente para a
aviação brasileira, com alta de
25% na movimentação de passageiros, frente uma expectativa de até 18%. Para 2011, a previsão é de que mantenham a
trajetória de crescimento, com
uma expansão de 15% no fluxo
de pessoas pelos aeroportos.
Todas investiram em aquisição de aeronaves (muitas da
Embraer), houve aumento de
localidades atendidas (com destaque para a aviação regional),
ampliação dos serviços de despacho e contratação de pessoal.
Na Tam, a maior companhia
aérea brasileira, os dois principais marcos no ano passado foram a entrada na Star Alliance,
em maio, e o memorando de
entendimento com a Lan para
criação da Latam, em agosto. A
companhia fechou 2010 operando com taxas de ocupação
acima das estimativas tanto no
mercado doméstico (66,6% em
novembro) quanto no internacional (77,3%), sendo que foram
criadas 169 novas etapas de voo.
A Tam tem hoje 151 aeronaves e
prevê encerrar 2014 com 168.
Para 2011, há expectativa de
manter investimentos em fontes
complementares de receita,
como a oferta de Dutty Free em
voos longos e o lançamento de
telefonia celular a bordo.
O foco em varejo — com
ações como a venda de passagens pelas Casas Bahia — vai
continuar. Em 2011, serão contratados cerca de 600 novos tripulantes (pilotos e comissários).
Na Gol, 2010 também foi de
fortalecimento e a companhia
conseguiu reduzir riscos no curto
Murillo Constantino
Constantino
Jr., que
comanda a
Gol, conseguiu
avanços em
padronização
e renovação
de frota
prazo, por meio do alongamento
de dívida, com geração de caixa
operacional. A Gol também consolidou seu plano de renovação
da frota, com a devolução de todas aeronaves boeing 737-300 e
substituição por aeronaves
boeing 737-700 e 800. A empresa
espera terminar 2011 com um total de 115 aeronaves operacionais.
“Tivemos um ano muito acima das expectativas e isso mostrou a pujança do país e do setor. Isso permitiu à Azul atender
a uma fatia de mercado que não
existia que é a da classe C e da
demanda do interior de São
Paulo, que não era bem atendida”, diz Miguel Dau, vice presidente técnico-operacional da
companhia. Só para o período
de fim de ano, a Azul contratou
mais de 200 pessoas.
“Este foi um ano muito positivo para o setor e, em especial,
para a Webjet. Chegamos à marca importante de 9 milhões”,
comemora Fábio Godinho, presidente da companhia. Criada
em 2005, a companhia tem hoje
23 Boeings 737-300, responsáveis por cerca de 150 voos diários. Em 2011, a previsão é ter
mais três aviões.
“Em 2011 a meta é crescer
novamente acima da média do
mercado”, diz Godinho. Em relação aos preços de passagens, o
objetivo da companhia é reduzir
cada vez mais os valores. Hoje,
já é possível voar com tarifas a
partir de R$ 9. “Quanto mais
eficientes formos, menores serão nossos custos e menor será a
tarifa aos passageiros”, diz.
“Ainda tem muita gente fora
do mercado. Para cada pessoa
que voa há outras cinco que andam de ônibus”, afirma Evaristo
Mascarenhas de Paula, diretor
de vendas e marketing da Trip. A
perspectiva para este ano é ampliar o atendimento regional, e
voar para outros países da América do Sul. A companhia já trabalha para conseguir as autorizações necessárias. A Trip fechou 2010 com 41 aeronaves e
terá 57 até o fim deste ano. ■
Mercado se divide
Presidente vem sinalizando
possíveis mudanças estruturais no
sistema aeroportuário brasileiro
As empresas aéreas se dividem
em relação às medidas que a
presidente Dilma Rousseff tem
sinalizado para os aeroportos. A
presidente poderá assinar ainda
neste mês a possibilidade de
abertura de capital da Infraero
— uma demanda já antiga manifestada com frequência pelos
executivos das companhias.
Mas, na reorganização do setor,
entraria ainda a privatização
dos novos terminais (como os
de Guarulhos e Viracopos) e
concessão privada por aeroportos. Outra ideia em estudo é a
criação da Secretaria de Aviação Civil para retirar do Ministério da Defesa a responsabilidade pelo controle da área.
“Antes de qualquer decisão, é
preciso rever o modelo de governança do setor. Ainda há
muita especulação sobre isso,
mas a ideia de criação de uma
secretaria subordinada à Presi-
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 23
Agencia Petrobras
Petrobras terá primeiro terminal oceânico
Sua função será facilitar o transporte do óleo do pré-sal para as futuras
refinarias do Nordeste e para o exterior. A estrutura custará cerca de
US$ 500 milhões. Segundo a estatal, a Unidade Offshore de Transferência
e Exportação (UOTE) entrará em operação em 2012, com capacidade
para armazenar dois milhões de barris de petróleo. Ficará estacionada
a 80 quilômetros de Macaé, no Norte Fluminense, e poderá ser
abastecida simultaneamente por dois navios vindos da Bacia de Santos.
Rafael Neddermeyer
SATURAÇÃO DO SISTEMA
Atrasos e
cancelamentos
continuam em alta
Livres de um caos deflagrado e
de uma greve que seria realizada
pelos aeronautas e aeroviários às
vésperas do Natal, os passageiros
não passaram pelos aeroportos
brasileiros imunes aos
transtornos. Os atrasos e
cancelamentos foram constantes.
Em 23 de dezembro, data em que
estava previsto o início da greve,
a TAM, por exemplo, chegou a
registrar 48% de voos nacionais
atrasados e a Gol, 28%. Logo
após o Natal, foi a vez de a Webjet
liderar os cancelamentos e
atrasos por quatro dias seguidos.
A estimativa da Agência Nacional
de Aviação Civil (Anac) é que o
setor aéreo tenha encerrado 2010
com crescimento de 25% ante
o exercício anterior, totalizando
160 milhões de passageiros.
Deste total, 15 milhões
referem-se a voos internacionais.
Isso se refletiu no desempenho
das companhias. Ainda segundo
a Anac, de janeiro a novembro
deste ano, as empresas aéreas
de menor porte registraram
crescimento mais acelerado que
as líderes de mercado. Entre as
seis principais operadoras de
voos regulares no Brasil, a Azul
acumula 106,19% de aumento
na demanda de passageiros
de janeiro a novembro de 2010,
seguida pela Trip (83,98%) e
Webjet (73,81%). No mesmo
período, a Gol/Varig cresceu
19,23% e o Grupo Tam (formado
por Tam e Pantanal), 15,46%.
sobre medidas do novo governo
Marie Hippenmeyer
Miguel Dau
Vice-presidente
operacional da Azul
“Ainda há muita especulação
sobre isso, mas a ideia
de criação de uma
secretaria subordinada
à Presidência é boa”
dência é boa ”, diz Miguel Dau,
vice-presidente operacional da
Azul Linhas Aéreas.
O principal argumento contrário à privatização de aeroportos é que a aviação — sendo
um serviço público prioritário
— não deve ter como finalidade
o lucro. O argumento é o de que
os países que optaram pela privatização de seus aeroportos
têm um sistema ineficiente e
caótico, como o México. Por
outro lado, pouquíssimos aeroportos são privatizados nos Es-
tados Unidos, que tem a maior
malha aérea do globo.
Há quem veja, porém, necessidade de participar desse processo de reestruturação. “Há diversos modelos de administração de aeroportos hoje no mundo — públicos, privados e mistos
— e todos têm suas vantagens e
desvantagens. Para nós, o importante é que a infraestrutura
aeroportuária funcione adequadamente, sem gargalos, e com a
cobrança de tarifas justas. Mas,
se for necessário investir em ae-
roportos para participar da governança, nós faremos isso. O
importante é não onerar o consumidor”, declarou a Tam. O
BRASIL ECONÔMICO já havia antecipado a possibilidade de privatização dos aeroportos como
uma decisão a ser tomada pela
nova presidente, em edição de 21
de dezembro de 2010.
Destacados por Dilma em seu
primeiro discurso após a posse,
os problemas na infraestrutura
aeroportuária brasileira foram
colocados como questão a ser re-
solvida com urgência pelo novo
governo. A presidente disse que
os “investimentos previstos para
Copa do Mundo e as Olimpíadas
serão concebidos para dar ganhos permanentes à qualidade
de vida” e que as melhoras são
necessárias “para usufruto da
população brasileira”.
Com o anúncio da possibilidade de privatização, as ações
de Tam e Gol tiveram desempenho acima da média do mercado
ontem, com alta, respectivamente de 1,13% e 3,19%. ■ C.B.
24 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
EMPRESAS
Mark Elias/Bloomberg
SIDERURGIA
MONTADORAS 1
Posco anuncia busca de recursos
na África, na Sibéria e em regiões polares
Hyundai e Kia planejam aumento
de 10% nas vendas neste ano
Com a exploração nas novas regiões, a companhia espera alcançar
US$ 177,5 bilhões em vendas totais em 2020. A Posco, um conglomerado
coreano de 58 empresas, quer obter parte da meta com suas operações
siderúrgicas, de energia, produtos químicos, engenharia e construção,
e com novos setores, como negócios ambientais. Os resultados do grupo
em 2010 ainda não estão disponíveis.
A Hyundai Motor e a afiliada Kia Motors querem aumentar as vendas de
veículos em 10% este ano após movimento robusto em dezembro. O setor
tem mostrado uma recuperação gradual, liderada por China e Estados
Unidos. A Hyundai, quinta maior montadora do mundo junto com a Kia,
deve apresentar performance maior que de rivais e ganhar mais mercado,
impulsionada por novos modelos e força no segmento de compactos.
ENTREVISTA HENRY VISCONDE Presidente da Eurobike
Eurobike cresce
com a abertura
de pequenas lojas
Visconde: concessão de novas lojas
é de cerca de três meses hoje,
metade do que levava há quatro anos
Especializada em carros de luxo, rede de concessionárias
escolhe formatos menores para acelerar expansão
Cintia Esteves
[email protected]
Em uma época na qual o varejo só fala nas emergentes classes populares, Henry Visconde, acostumado a vender carros de luxo, não quer saber de
veículos baratos. Dono do
grupo Eurobike, formado por
16 lojas das marcas Porsche,
Volvo, BMW, Audi, Land Rover
e Mini Cooper, o empresário
acredita não ser possível trabalhar com diferentes públicos. Em março último, ele fechou sua única loja Toyota,
após somente três anos de
funcionamento. “Não tinha a
ver com nosso foco”, diz. Com
expectativa de faturar R$ 600
milhões em 2010, 25% a mais
do que no ano passado, o grupo tem como plano estratégico expandir a rede por meio
de lojas pequenas, entre 200
metros quadrados e 500 metros quadrados. Do mesmo
jeito que mantém distância
dos carros populares, Visconde também não quer conversa
com os chineses e coreanos.
O mercado de automóveis
brasileiro está sendo invadido
pelas marcas coreanas
e chinesas. Está nos planos
da Eurobike abrir lojas
com estas bandeiras?
Muitas lojas de marcas coreanas
e chinesas estão sendo abertas.
No momento é uma oportunidade, mas em breve teremos
muitas delas no mercado. Aí vai
ser difícil trabalhar com tamanha concorrência.
Mas, mesmo só trabalhando no
segmento de carros de luxo,
a Eurobike não está livre da
forte concorrência. Como está
a margem de lucro do grupo?
Temos sempre que estar atentos
à margem de lucro. Contratual-
“
A prioridade é
para a abertura de
unidades menores,
as chamadas lojassatélites com área de
venda de 200 a 500
metros quadrados
Não penso em abrir
lojas de marcas
coreanas ou chinesas.
Em breve, teremos
muitas lojas delas
no mercado. Aí vai
ser difícil trabalhar
com tamanha
concorrência
mente ela é de 10%. Este percentual é apertado e ainda temos que colocar aí custos indiretos. Com certeza o comércio
sofre mais com este mercado
competitivo. A indústria para de
produzir e o custo cai.
Como está a concessão
de novas lojas? Em função
do mercado competitivo
as montadoras estão
agilizando as concessões?
Hoje a análise leva cerca de três
meses. Se compararmos com
três ou quatro anos atrás, este
prazo caiu pela metade.
Qual tem sido o foco da
Eurobike quando o assunto
é abertura de lojas?
Estamos dando prioridade
para lojas menores, as chamadas satélites. Elas são
abertas fora das grandes capitais. O município de Marília,
no interior de São Paulo, é um
exemplo. Também vamos
inaugurar uma em Caxias do
Sul (RS). Em uma loja satélite
é possível trabalhar com uma
área de 200 ou 500 metros
quadrados, com oficina e
tudo. Para se ter uma ideia,
tem loja nossa que chegar a
medir 6 mil metros quadrados.
Hoje a Eurobike tem 16 lojas,
a grande maioria na cidade
de São Paulo. Por que vocês
demoraram tanto para
chegar a cidades menores?
Não havia público?
Público sempre teve, mas as
pessoas não gostam de comprar
um carro quando não há serviço de pós-venda por perto. Estas lojas satélites têm a estrutura de uma unidade grande, inclusive oficinas. Agora, sabendo que poderá contar com um
lugar próximo caso tenha um
problema esse consumidor vai
se sentir mais confiante. Ele
não precisa vir até a cidade de
São Paulo para ser atendido.
Onde serão as próximas
unidades?
Este ano abriremos em São
José do Rio Preto uma loja
Mini e uma Land Rover. Em
Ribeirão Preto, vamos inaugurar uma Mini. Temos também uma loja satélite prevista
para Caxias do Sul e estamos
preparando as novas lojas da
Audi que teremos na capital
paulista e em Barueri.
São comuns ações de empresas
de automóveis em shoppings,
mas parece que o varejo de
automóveis ainda não encontrou
uma maneira de crescer
também por meio da abertura
de lojas nestes
empreendimentos. Vocês já
tiveram uma experiência deste
tipo em Minas Gerais. Como foi?
Tivemos uma loja em um shopping de Uberlândia. Era uma
espécie de showroom de várias marcas. Gostamos da ideia
e pensamos em levá-la a diante. Mas não é fácil. Não é possível chegar e expor diversos
carros de marcas misturadas
em um mesmo espaço. As
montadoras não gostam que a
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 25
Rebecca Cook/Reuters
MONTADORAS 2
MONTADORAS 3
Grupo Fiat tem intenção de acelerar
aliança com a americana Chrysler
Não há planos para fundir a marca italiana
com a Chrysler, diz Sergio Marchionne
A Fiat deve focar em uma participação majoritária na Chrysler
depois de completar nesta segunda-feira a divisão de suas
atividades com automóveis das operações com caminhões e tratores.
A separação da empresa é parte fundamental do plano do
presidente-executivo, Sergio Marchionne, para recuperar o maior
grupo industrial italiano com ajuda de alianças.
Segundo o presidente do grupo italiano, a montadora considera
aumentar sua participação na americana para 51% em 2011.
A Fiat já detém 20% da Chrysler — comprou participação na montadora
norte-americana em 2009, quando quase entrou em colapso.
No curto prazo, a Fiat vai se concentrar em aumentar a participação
na Chrysler e competir nos mercados mundiais.
Henrique Manreza
META
R$
700 mi
é a previsão de faturamento
para 2011. Se a meta for alcançada
significará um incremento
de 16,6% na comparação com
a receita de 2010.
TIME
400
funcionários compõem o grupo
Eurobike fundado em 2003.
A família Visconde foi por
21 anos dona de um laboratório
farmacêutico, vendido em 2005.
REDE
16
lojas das marcas Audi, BMW,
Land Rover, Mini, Porsche
e Volvo formam a Eurobike.
A companhia chegou a ter uma
loja Toyota, fechada em 2010.
gente faça esta mistura. Outra
dificuldade é que a loja teria
que ser sempre instalada no
térreo do shopping para facilitar a locomoção dos automóveis. Enfim, é um opção que
continuamos estudando.
Há planos para ampliar
os negócios para o
segmento popular?
Não. Fechei uma unidade Toyota em Ribeirão Preto porque
esta marca já estava indo contra o nosso foco. Hoje conseguimos trabalhar com preços
mais competitivos, tanto que
as classes média e alta já estão
olhando para nossos veículos.
Mas queremos ficar somente
com o mercado de luxo.
Temos visto um movimento
de fusões e aquisições
bastante intenso no varejo.
Este também pode ser o
caminho para a Eurobike?
Em 2008, conversei com alguns grupos estrangeiros em
busca de uma associação ou
algo assim, mas desisti quando veio a crise. Também já
recebi propostas de amigos
i ntere s s ado s em c om pra r
parte do negócio, mas isso
não me interessou. ■
RENTABILIDADE
Concorrência
pressiona margens
A cada ano o segmento
automobilístico bate recorde de
vendas e tanto concessionárias
como montadoras aproveitam para
engordar a receita. Mas o maior
volume de carros comercializados
não tem se refletido em mais
rentabilidade para os varejistas.
Para não perder mercado e cumprir
as metas de vendas, algumas
concessionárias têm optado por
sacrificar as margens. C.E.
26 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
EMPRESAS
Andrew Harrer/Bloomberg
CONSUMO
REDE SOCIAL
Toshiba anuncia lançamento de tablet
para rivalizar com iPad, da Apple
Facebook recebe novo investimento de
US$ 500 milhões, diz The New York Times
A Toshiba está entrando na guerra pelo mercado de computadores
tablet, lançando um aparelho de 10 polegadas comparável ao iPad,
da Apple. O Toshiba Tablet estará disponível ainda no primeiro
semestre deste ano e executará a versão “Honeycomb” do sistema
operacional Android. O preço será competitivo ao cobrado pelo iPad,
que começa a partir de US$ 499.
O Facebook obteve US$ 500 milhões em investimentos do Goldman Sachs
e do grupo russo de Internet Digital Sky Technologies, aporte que leva o
site de rede social a atingir valor de mercado de US$ 50 bilhões, informou
o The New York Times. O Goldman investiu US$ 450 milhões, enquanto
a Digital Sky Technologies, que já destinou cerca de US$ 500 milhões
ao Facebook, desembolsou outros US$ 50 milhões, segundo o jornal.
O empreendedor
que conquistou a
Microsoft e a Amazon
Sucesso de vendas com on-line de sapatos colocou o americano
Tony Hsieh entre os empresários de destaque da internet
Carlos Eduardo Valim
[email protected]
A curta e bem sucedida carreira
do empresário americano da
internet Tony Hsieh, executivo-chefe da loja de vendas online de calçados e acessórios
Zappos.com (vendida para a
Amazon.com no último ano), é
feita de curiosidades, assim
como as suas percepções, conforme atestam suas declarações
para o BRASIL ECONÔMICO.
Com apenas 37 anos recémcomemorados e duas empresas
vendidas em 15 anos, para a
Microsoft e Amazon.com, surpreende que o projeto que
Hsieh considerou o mais difícil
de sua vida aconteceu fora do
mundo corporativo: a escalada
do Monte Kilimanjaro, o mais
alto da África.
Da mesma forma, mesmo
sendo um criativo gestor de
pessoas, chama atenção que ele
considere que os maiores erros
de sua empresa aconteceram
nas contratações. “Se somarmos os custos com todas as más
escolhas de pessoas que fizemos
na Zappos, suas más decisões e
suas más contratações, a empresa perdeu mais de US$ 100
milhões”, diz Hsieh.
A afirmação denota sua obsessão com o assunto. Na Zappos,
Hsieh testou diversas técnicas
para encontrar as pessoas com o
perfil da companhia. A que acabou se tornando a mais conhecida delas é a de oferecer US$ 2 mil
para os candidatos desistirem de
tentar uma vaga de emprego.
O objetivo é buscar pessoas
alinhadas (a ponto de rejeitar
um pagamento inicial considerável) ao projeto da empresa,
focada em prestar um atendimento diferenciado ao cliente.
Esta máxima de priorizar o
cliente se tornou um clichê nas
empresas de serviços de todo o
mundo, mas na Zappos é levada
ao pé de letra. Enquanto na sua
compradora Amazon e na maior
Nove anos depois
de ser fundada,
a Zappos.com
atingiu receita bruta
de US$ 1 bilhão
e foi vendida
por US$ 1,2 bilhão
parte das empresas de internet
buscar preços menores do que o
das lojas físicas é a meta, a
Zappos vai na contramão e cobra um pouco mais para manter
níveis de atendimento superiores. Na empresa, o contato telefônico do cliente é incentivado
e não visto como mais custo
operacional a ser evitado.
Em 2008, nove anos depois
de ser fundada e dois anos antes
da meta, a empresa atingiu o
US$ 1 bilhão de receita bruta.
Os resultados alcançados, creditados à cultura corporativa
peculiar, atraiu a Amazon, que
comprou a Zappos em 2009 por
US$ 1,2 bilhão.
Ela foi transformada em uma
subsidiária, com operações
próprias, mantendo a marca e a
equipe, o que seria natural para
uma empresa que está no mesmo negócio que a organização
que a adquiriu.
Jovem empreendedor
Hsieh começou cedo sua carreira de empreendedor. Aos 6
anos, ele decidiu criar um negócio baseado na criação de
minhocas. “Trinta dias depois
de colocar as minhocas na
dieta das gemas de ovos crus,
decidi checar seu progresso,
então cavei a lama no minhocário para ver se algum filhote
de minhoca já tinha nascido.
Infelizmente, não encontrei nenhum filhote de minhoca”,
conta em seu livro Satisfação
Garantida , lançado no Brasil
neste final de ano.
Foi só depois de passar pela
Universidade de Harvard e
aceitar um emprego na gigante
de software Oracle que o seu
talento despertou. Na empresa
de Larry Ellison, Hsieh permaneceu por poucos meses, insatisfeito com as amarras de uma
grande corporação. A saída
acabou sendo benéfica para os
funcionários e clientes bem
tratados da Zappos, e também
para o seu bolso. ■
TRÊS PERGUNTAS A...
...TONY HSIEH
Executivo-chefe da Zappos.com
A felicidade
corporativa, segundo
um empreendedor
Aos 24 anos, Tony Hsieh, autor
de Satisfação Garantida,
negociou com a Microsoft,
por US$ 265 milhões, seu
primeiro empreendimento, a
LinkExchange, uma cooperativa
de anúncios on-line que criou
logo após deixar um emprego
na Oracle. Com a Zappos, ele foi
mais longe e acabou conhecido
como um dos mais famosos
empreendedores da internet,
dedicado a estudar o que dá
mais felicidade a seus clientes.
Você comenta que a Zappos
trata de entregar felicidade,
expressão que dá nome ao seu
livro em inglês. Como moldou
o seu conceito de felicidade?
A maioria das pessoas quer fazer
dinheiro porque acredita que
pode ser mais feliz, imaginando
que dinheiro dará mais liberdade,
menos estresse, mais tempo
livre e outros benefícios. Se a
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 27
Nana Buxani/Bloomberg
NOVO MERCADO EDITORIAL
TECNOLOGIA
Google estuda criar “banca” digital
para vender versões on-line de revistas
Intel tenta atrair estúdios de Hollywood com
chip que conta com proteção ao conteúdo
O Google abordou diversas editoras de revistas sobre planos de criar
uma banca digital, empreitada que pode abrir uma nova frente na
rivalidade da empresa com a Apple. A banca digital oferecerá às empresas
de mídia uma maneira de vender versões de suas publicações formatadas
para computadores tablet e celulares inteligentes que operem com o
sistema operacional Android, segundo reportagem do Wall Street Journal.
A Warner Bros Digital Distribution, da Time Warner, e outros estúdios
planejam oferecer filmes de alta definição aos consumidores cujos
computadores usam os chips, conhecidos pelo codinome Sandy Bridge,
no mesmo momento em que os títulos sejam lançados em DVD, disse
a vice-presidente da Intel, Mooly Eden. “Estamos fechando os acordos
(com os estúdios e distribuidores) para disponibilizar o recurso”, diz Mooly.
Ronda Churchill/Bloomberg
Tony Hsieh: maiores erros
aconteceram nas contratações
Livro fica
meses na lista
dos best-sellers
Satisfação Garantida foi lançado
no país neste fim de ano
pela Thomas Nelson Brasil
felicidade é o objetivo final,
então parece sensato focar
na felicidade. Além disso,
muitos estudos mostram que
empregados engajados são mais
produtivos, e um dos melhores
índices para perceber o
engajamento de um funcionário
é o número de amigos que
possuem no trabalho ou se
possuem um melhor amigo
nesse ambiente. Isso leva
de volta à importância
da cultura corporativa e a
felicidade de um empregado.
ter passado por dificuldades.
Qual foi a maior delas?
Nos seus anos de
empreendedorismo, você deve
A maior categoria de erros
está em contratações. Se eu
No meu livro, escrevo sobre como
escalar o Monte Kilimanjaro foi
uma das coisas mais difíceis que
tive de fazer, de um ponto de
vista físico, emocional e mental.
for adicionar todos os custos
causados por más escolhas
de empregados que fizemos
na Zappos, suas más decisões
e as más contratações que
eles fizeram, houve prejuízo
para a empresa acima
de US$ 100 milhões.
E qual foi o seu maior fracasso?
Foi quando não tomei
decisões ou agi em relação
a elas mais rapidamente.
Que lições aprendeu
como empreendedor
e do que se arrepende?
Onde você se vê em 10 anos?
Geralmente não planejo com
tanta antecedência, porque
as coisas nunca se movem
da forma como pensamos.
A vida é cheia de surpresas,
e o meu objetivo
é desfrutar o máximo
que for possível. C.V.
Tony Hsieh ascendeu ao Olimpo
dos empreendedores da internet
com um negócio que não queria
fazer. O fundador da loja de vendas on-line de calçados e acessórios Zappos resistiu às ofertas
de compra pela gigante do varejo
na internet Amazon.com, até se
convencer de que a empresa estaria melhor nas mãos de seus
novos donos do que dos investidores que possuía na época. O
negócio, além de ter garantido
um excelente retorno aos seus
investimentos, premiou as suas
heterodoxas ideias sobre gestão.
Ele conta todas as idas e vindas da negociação em Satisfação
Garantida, livro de sua autoria
que tem lançamento no país
pela Thomas Nelson Brasil. Nos
Estados Unidos, permaneceu
por meses entre os mais vendidos, chegando a liderar as listas
do The New York Times e da
própria Amazon.
Segundo Hsieh, na primeira
vez que a Amazon abordou a
Zappos, não precisou pensar
duas vezes antes de rejeitar a
proposta. “Era o verão de 2005,
e a Zappos, a empresa iniciante
em que depositei os últimos cinco anos da minha vida (e quase
todo o meu dinheiro), parecia
finalmente estar nos trilhos certos. Enquanto falava com o fundador e executivo-chefe da
Amazon, Jeff Bezos, que visitou
a nossa matriz em 2005, percebi
que para eles éramos apenas
uma empresa de sapatos líder.
Se fôssemos vendidos, provavelmente acabaríamos agregados às suas operações e nossa
marca e cultura estariam arriscadas de desaparecer.”
Quatro anos depois, Bezos
voltou com uma nova proposta e
as condições eram outras. A empresa tinha levantado dezenas de
milhões de dólares com investidores externos, incluindo US$ 48
milhões do fundo Sequoia Capital, que queriam ter o retorno de
seus investimentos e havia pressão para diminuir os custos com
a cultura de tratamento aos empregados mais dispendiosa adotada por Hsieh, diz ele.
Empresa dependia de
linha de crédito de
US$ 100 milhões para
rodar seus estoques
Ao mesmo tempo, a empresa
dependia de linha de crédito de
US$ 100 milhões para rodar os
estoque, que poderiam ser cortados caso não cumprisse as metas de receita e lucratividade em
apenas um mês, o que se tornou
mais arriscado em 2009, no auge
da crise econômica global.
Resistência
Ainda assim, Hsieh resistiu à
venda. Até que durante uma
apresentação para Bezos, o executivo mostrava um slide sobre a
cultura de felicidade que pretendia passar a seus funcionários e
clientes, quando o fundador da
Amazon disse: “Você sabe que as
pessoas são muito ruins em prever o que os fará felizes?”
“Estas eram as palavras exatas do meu próximo ‘slide’”, escreveu Hsieh. A partir daí, o relacionamento ficou mais fácil e
ele disse ter percebido que,
mesmo com perfis diferentes, as
duas empresas acreditavam em
buscar um bom serviço, mesmo
que os resultados de curto prazo
A empresa ACECO TI LTDA,
CNPJ 43.209.436/0001-06,
situada na Av Ragueb
Chohfi, 2142 Cj 01 Jardim
Colonial São Paulo/SP,
solicita pesquisa à CNI Confederação
Nacional
da Indústria, em âmbito
nacional,
como
única
fabricante/fornecedora do
produto Sala Cofre - Marca
Lampertz/Rittal.
28 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
EMPRESAS
Divulgação
GAMES
TURISMO
Nintendo não recomenda games 3D
de novo portátil para crianças
Locadora de automóveis Hertz fecha
parceria com rede de hotéis Porto Bay
A Nintendo alertou ontem que crianças de 6 anos ou menos não
devem jogar games em modo 3D no novo console portátil que a empresa
deve lançar no início deste ano, mencionando possíveis riscos à saúde.
O Nintendo 3DS, que deve ser lançado em 26 de fevereiro no Japão,
não precisa de óculos especiais para três dimensões e tentará recuperar
consumidores após a companhia perder espaço no mercado para rivais.
O acordo permitirá que a clientes que fazem parte do programa de
relacionamento da rede de hotéis, chamado Prestige Club, tenham
descontos de até 15% em locações de veículos. A parceria dará direito
a descontos em locações diárias feitas no Brasil. No ano passado,
a locadora de veículos já havia fechou parcerias semelhantes
com o Itaú Personnalite, a Trend Operadora e companhia aérea Azul.
Marcela Beltrão
■ RECEITA
Hércules Cagnin,
diretor da Baked
Potato: pressa para
aproveitar novas
áreas em shoppings
O faturamento da empresa deve
crescer 16,6% este ano para
R$
63
milhões
■ CONSUMO
A venda mensal de batatas
em algumas lojas chegam a
10
mil
Baked Potato inicia processo de
franquia para dobrar de tamanho
Hoje a companhia conta com 42 unidades e 550 funcionários; regiões Norte e Nordeste são prioridade
Regiane de Oliveira
[email protected]
Costumava ser comum uma empresa esperar anos para se consolidar no mercado e então aderir
ao processo de franquias. Há
tempos isto não é mais uma regra, mas a Baked Potato preferiu
ser ortodoxa. A empresa inaugurada em 1984 pelas amigas Magali Teixeira, Maria Cristina Pierot
Paes Barreto, Beatriz Miranda de
Carvalho, Elizangela Cappello e
seus respectivos maridos, que se
propôs a introduzir no país uma
antiga receita inglesa — a batata
assada e recheada — deve receber
no próximo ano os primeiros
parceiros da área de franquia.
O novo negócio ainda está em
formatação, conta Hércules Cagnin, diretor da empresa. Mas a
Baked Potato tem pressa. O objetivo é não perder a janela de ex-
Pelos dados da
Associação Brasileira
de Shopping Center
(Abrasce), no
próximo ano devem
ser inaugurados
29 conjuntos de lojas
pansão que se abriu neste ano
para a área de shopping. Segundo
dados da Associação Brasileira de
Shopping Centers (Abrasce), o
país terá 439 shoppings em 2011;
hoje, são 410, sendo que 29 devem ser inaugurados no próximo
ano. “Até 2008, tínhamos um
crescimento vegetativo, e só com
isso temos 42 unidades.” A empresa possui 550 funcionários, são
cerca de dez por ponto de venda.
Cagnin afirma que o processo
de estruturação da franquia não é
fácil, por isso a empresa será cautelosa para receber os novos parceiros. “Nossas lojas já atuam
como se fossem franquias, com
metas de vendas independentes.” Por enquanto, os planos são
crescer com novas unidades apenas no Brasil. As regiões Norte e
Nordeste são uma das prioridades
da empresa para o desenvolvimento do projeto de franquias.
Hoje, a Baked Potato conta com
unidades próprias apenas no Sul,
Sudeste e Centro-Oeste. A meta é
dobrar o número de lojas em três
anos. No ano passado foram
abertas duas lojas próprias e a
previsão é de sete para 2011.
A empresa teve um faturamento de R$ 54 milhões em 2010
e deve chegar a R$ 63 milhões
neste ano. A rede vem obtendo
um crescimento maior que a média de anos anteriores. Só neste
segundo semestre, a alta de vendas, considerando a mesma base
de lojas do ano anterior, foi de
25%. E o principal motivo é a expansão no perfil de clientes, fruto do crescimento econômico do
país. “A classe C agora é consumidora de Baked Botato”, afirma
Cagnin. Como exemplo, ele cita a
loja do Shopping Itaquera, localizado junto ao metrô na zona
Leste de São Paulo, onde são
vendidas 9 mil batatas por mês.
O recorde de vendas da rede, porém, fica com as unidades dos
shoppings Center Norte, Anália
Franco, Morumbi e Iguatemi,
com média de 10 mil batatas
vendidas por mês.
Com o aumento do acesso, a
rede viu potencial para diferenciar o serviço e criou uma bandeira butique, aberta em 2009
no Shopping Cidade Jardim, em
São Paulo. Além dos produtos
tradicionais como as batatas de
requeijão, strogonoff, frango,
camarão e bacon, o formato
oferece produtos diferenciados,
como a batata Piemonte (batata
assada recheada com tartufo
bianco e gema de ovo levemente
gratinada) e a Alaska (cream
cheese e ovas de salmão). A segunda unidade butique será
aberta no shopping Iguatemi JK,
no próximo ano. ■
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 29
Célio Messias
VAREJO
AGRONEGÓCIO
Pão de Açúcar inaugura sua primeira
drogaria com o conceito “botica” no RJ
Cutrale repassa R$ 4 milhões ao Fundo
de Defesa da Citricultura (Fundecitrus)
Com investimentos de cerca de R$ 500 mil, o projeto implantado
em Niterói traz uma releitura das antigas farmácias, com inspiração
nas boticas européias. A nova drogaria Pão de Açúcar Ingá oferece
10 mil itens, entre fármacos isentos de prescrição (MIP), toda linha
de genéricos e tarjados de prescrição médica, perfumaria e também
equipamentos para controle e diagnóstico.
Os recursos serão aplicados no desenvolvimento de soluções eficientes
de combate às doenças que prejudicam o desempenho da citricultura.
Em especial o greening, doença mais que ataca as folhas de laranjeira e pode
destruir pomares. Em 2010, a praga cresceu 56% em relação a 2009,
segundo o Fundecitrus. A parceria também prevê a difusão de técnicas de
manejo e prevenção de doenças junto em São Paulo e o Triângulo Mineiro.
Uno & Due cria rede de frozen
yogurt para elevar faturamento
Murillo Constantino
Expectativa é que
nova operação
aumente em 25% a
receita da companhia
já no próximo ano
SEMELHANÇAS
Fábio Bodra, sócio-diretor
da Uno & Due: abertura
de até 20 lojas ao ano
Montana Grill
comprou a marca
Thathagurt em 2009
Em novembro de 2009, o Grupo
Montana Grill fez operação
semelhante e adquiriu 70%
da Thathagurt, marca de frozen
yogurt criada pelos empresários
Renato Higa e Norimiti Higa,
no início do mesmo ano.
Desta forma, além da franquia
Montana Grill, de refeições
rápidas e grelhados, o grupo
passou a administrar a rede
com dez pontos de venda
abertos, entre lojas e quiosques.
“Tomamos a decisão após
conhecer o produto de perto,
que já era tendência forte
no exterior e fazia parte,
timidamente, de alguns
cardápios de restaurantes em
São Paulo e do Rio de Janeiro”,
diz Clovis Cabrino Junior, sócio
do grupo. Diferente da Uno
& Due, a Thathagurt tem lojas
separadas e independentes da
franquia de restaurantes. M.C.
Mariana Celle
[email protected]
Depois de anos apostando nos
pães e sanduíches como principais fontes de faturamento, a
rede de alimentação Uno & Due
vê agora uma nova oportunidade no mercado de sobremesas
geladas. O grupo lança este ano
o Yogouno, frozen yogurt que
será vendido em lojas independentes que levarão o mesmo
nome com área entre 30 e 60
metros quadrados, ou ainda em
quiosques e espaços adaptados
em algumas das unidades Uno &
Due. “O frozen yogurt chega a
vender 90% a mais que o sorvete comercializado anteriormente no mesmo ponto de venda”,
diz Fábio Bodra, sócio-diretor
da rede Uno & Due.
O grupo espera abrir entre
10 e 20 lojas por ano do frozen
yogurt, o que vai garantir aumento de 25%, em média, no
faturamento de R$ 30 milhões
registrado em 2010. O projeto
piloto está em curso desde junho em uma das franquias no
bairro do Itaim, zona sul de
São Paulo. São vendidas entre
180 e 200 unidades por dia pelo
valor médio de R$ 9.
O empresário quer adaptar
metade das 40 lojas para receber o produto. “Não são todas
que têm o perfil, por isso vamos
estudar os espaços”, afirma Bodra. No primeiro trimestre de
2011, duas lojas ainda na capital
paulista e outra no Rio de Janeiro deverão receber a sobremesa
à base de iogurte. “Nossa intenção não é concorrer com as lojas
exclusivas de frozen yogurt,
mas oferecer aos franqueados
um produto que agregue ao seu
faturamento”, afirma.
Na loja-teste, em menos de
seis meses, o produto passou a
integrar a lista dos cinco mais
vendidos, o que não acontecia
com o sorvete tradicional.
“Sempre tivemos os sanduíches
como carro-chefe, hoje o frozen
é o chamariz para o consumo de
outros produtos.”
“
Sempre tivemos os
sanduíches como
carro-chefe,
hoje o frozen yogurt
é o chamariz para
o consumo de
outros produtos
Fábio Bodra
A primeira loja exclusiva
do iogurte será localizada em
uma região nobre de São Paulo e deverá ser aberta no primeiro semestre de 2011, mas,
antes disso, dois quiosques
próprios, ainda sem local def i n ido , s erão mont ado s no
próximo mês.
A Yogouno vai comprar a
base do produto de um fornecedor do interior do estado
de São Paulo, enquanto algumas marcas importam da Chi-
na e da Itália. O frozen é finalizado nas máquinas das próprias lojas.
A opção por ter mais de uma
marca no mesmo grupo facilita
até certa medida, ao mesmo
tempo que pode criar pontos
desfavoráveis. Uma das vantagens é ter uma base administrativa e financeira já estabelecida. “Com certeza o empresário está mais preparado, pois já
quebrou a cabeça e provavelmente não irá cometer os mes-
mos erros”, afirma André
Friedheim, consultor da Francap, Consultoria em Redes de
Negócio e Franquia.
Entretanto, é preciso estar
atento, uma vez que as marcas
terão necessidades distintas.
“Os administradores correm o
risco de ficar perdidos, uma
vez que cada empresa está, geralmente, em momentos diferentes, têm público, logística,
fornecimento e marketing distintos”, diz Friedheim. ■
30 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
EMPRESAS
Divulgação
BEBIDAS
VAREJO
Carlsberg vende cervejaria Feldschlosschen
para consolidar atuação na Alemanha
BR Malls compra participações em dois
shoppings por R$ 74 milhões
O acordo foi realizado com a companhia Frankfurter Brauhaus e resultará
em uma perda de 130 milhões de coroas dinamarquesas (cerca de
R$ 38,6 milhões) à cervejaria. Segundo a Carlsberg, a estratégia com
o negócio é para concentrar a atuação no norte da Alemanha em
cinco principais marcas: Carlsberg, Holsten, Lübzer, Duckstein e Astra.
A cervejaria Feldschlosschen pertencia à Carlsberg desde 2000.
A empresa pagou R$ 43 milhões para aumentar sua participação no
Shopping Crystal Plaza, em Curitiba. Com isso, a BR Malls passa a ter 70%
do empreendimento, que tem área bruta locável (ABL) de 12 mil metros
quadrados. A empresa também pagou R$ 31 milhões para elevar sua
fatia no Shopping Piracicaba. Com as duas aquisições, o ABL próprio
da BR Malls passou de 593,2 mil para 601,2 mil metros quadrados.
Cervejas especiais
ganham espaço na
mesa do brasileiro
Gilberto Tarantino,
proprietário da Tarantino
Importadora, que
trabalha com cerca de
80 rótulos de cerveja
Importadas, bebidas sofisticadas chegam a custar até R$ 700
a garrafa de 355 ml com teor alcoólico semelhante ao da vodca
Fabio Suzuki
[email protected]
O consumo de cerveja tem aumentado nos últimos anos no
mercado brasileiro com destaque
para o crescimento das artesanais e superpremium. Soma-se a
esse cenário o fortalecimento do
real diante de outras moedas internacionais, o que facilitou a
entrada nos últimos dois anos de
bebidas ainda mais sofisticadas
para serem comercializadas no
país. Se antes a forte indústria
cervejeira ficava restrita a produtos tipo pilsen vendidos em
latas de 350 ml ou garrafas de
600 ml, hoje é possível encontrar
cervejas especiais que mais parecem vinho ou champanhe por
suas incrementadas embalagens
vindas de fora do país.
Por terem uma produção
mais restrita no exterior, utilizar ingredientes especiais e
chegar ao mercado nacional em
volumes bem reduzidos, essas
bebidas podem custar até R$ 700
a garrafa long neck de 355 ml,
como é o caso da escocesa Sink
the Bismarck, da descolada cervejaria Brew Dog, cujo teor alcoólico é de 41%, semelhante ao
de uma vodca ou uísque, e que
está entre as cinco cervejas mais
alcoólicas do mundo.
Outros destaques são as marcas da italiana Baladin (pronuncia-se Baladã), cujas cervejas da
linha Xyauyu, que abrange três
tipos diferentes com teor alcoólico de 14%, custam entre R$ 150
a R$ 200 a garrafa com 500 ml.
Voltadas para o mercado gourmet, as marcas Baladin chamam
atenção também por seu visual,
que mais parece um vinho, e por
seu elaborado sistema de armazenamento, no qual a tampa
conta com um suporte interno
de borracha que mantém o teor
alcoólico da bebida.
Já a tcheca Bernard confunde-se com um champanhe por
manter a qualidade de seu conteúdo por meio de uma rolha.
“
As cervejas alemãs
são as que mais
vendem pela cultura
cervejeira no Brasil,
mas os consumidores
têm aprendido
a apreciar novos
tipos da bebida
Gilberto Tarantino
“Gosto de trabalhar com
produtos menos convencionais
e mais modernos. Procuro também sair das cervejas que os
brasileiros estão acostumados a
tomar, como são os casos das
alemãs e belgas”, diz Gilberto
Tarantino, proprietário da Tarantino Importadora, que trabalha atualmente com cerca de
80 rótulos, quantidade considerada baixa se comparada com
outras empresas que comercializam produtos vindos de fora
do país, e até com importadoras
especializadas em outras bebidas como vinhos.
Segundo ele, as bebidas com
que trabalha entram no país
em volumes pequenos, de
pouco mais de um contêiner
por mês. “Tem marcas alemãs
que chegam de oito a dez contêineres todos os meses”, comenta Tarantino.
Nos cardápios
Além de serem encontradas
pela internet, essas cervejas
especiais estão ganhando espaços nos cardápios de estabelecimentos voltados para o
público de alto padrão aquisitivo, como são os casos do
Empório Santa Maria e do
restaurante Fasano, além de
bares tradicionais na venda
de cervejas importadas, como
o Frangó, ou novos bares especializados, como o Melograno, todos eles na cidade de
São Paulo.
“Há um novo público interessado nesse tipo de produto
e todo mundo da indústria só
tem a ganhar”, afirma Cássio
Piccolo, proprietário do Frangó. “As cervejas alemãs são as
que mais vendem pela cultura
cervejeira no Brasil, mas os
consumidores têm aprendido
a apreciar novos tipos da bebida”, diz ele. Além dos produtos da Brew Dog, Piccolo cita
também a cerveja belga Chimay de três litros que é comercializada por R$ 580. ■
Mr. Beer faz planos
Hoje são 11 pontos de venda em
dez shoppings e no Aeroporto
de Congonhas, em São Paulo
Em apenas um ano e meio de
atuação, a rede de quiosques que
comercializa cervejas artesanais
e importadas Mr. Beer já tem
planos ousados de expansão para
o próximo ano chegando a atuar
em quatro estados brasileiros.
Hoje, tem 13 pontos de venda situados em dez shoppings
(sendo nove na capital paulista
e um em Londrina, Paraná) e
no Aeroporto de Congonhas,
em São Paulo, além de duas lojas em centros comerciais do
Rio de Janeiro.
A expectativa da Mr. Beer é
dobrar de tamanho ao longo deste ano e chegar a 25 quiosques.
Para isso, partirá para o modelo
de franquias, cujo investimento
inicial é de R$ 90 mil. Os novos
pontos serão instalados em cidades ainda pouco exploradas por
este mercado, no interior paulis-
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 31
Divulgação
ENERGIA 1
ENERGIA 2
Conselho da Cemig anuncia
composição da nova diretoria executiva
Copasa, companhia de energia paranaense,
será presidida por Lindolfo Zimmer
Fuad Noman foi nomeada para a diretoria de Gás da Cemig e presidência
da Gasmig. Para a recém-criada diretoria jurídica, foi nomeada
Maria Celeste Morais Guimarães. Na Diretoria de Desenvolvimento de
Negócios e Controle Empresarial das Controladas e Coligadas permanece
Fernando Henrique Schuffner Neto. Ja na diretoria de Finanças, Relações
com Investidores e Controle Financeiro segue Luiz Fernando Rolla.
O executivo já ocupou a presidência do comitê de gestão da Copel
Telecomunicações e da Copel Transmissão. Recentemente, Lindolfo
Zimmer atuava como presidente da Dobreve Energia S.A. (Desa).
O anúncio de seu nome para a presidência, e dos nomes da nova diretoria,
foi feito ontem. As mudanças ocorrem com a troca do governo estadual,
controlador da Copel, por indicação do governador Beto Richa (PSDB).
Murillo Constantino
NO TOPO
Sink the
Bismark
A marca da escocesa
Brew Dog tem
41% de teor alcoólico
e está entre as
cinco cervejas mais
alcoólicas do mundo.
Para atingir essa
impressionante
marca, contém
quatro vezes mais
lúpulo, quatro
vezes mais amargor
e é quatro vezes
congelada para
chegar a esse nível
alcoólico. A garrafa
de 355 ml chega
a custar R$ 700.
SOFISTICAÇÃO
Baladin
A produção da linha Xyauyu
da cervejaria italiana
dura em média dois
anos e meio e conta
com um processo
de fermentação com
levedura exclusiva por
mais de um mês. Além
de contar com uma
tampa sofisticada
para manter o
seu teor alcoólico
de 14%, seu
conteúdo é tão
estável que pode
permanecer
aberta por um
ano sem ter seu
sabor alterado.
O preço da
garrafa de 500 ml
chega a R$ 200.
TECNOLOGIA
Bernard
para dobrar de tamanho
Objetivo é colocar
a marca em 25 pontos
de vendas por
meio de franquias
ta, o Distrito Federal, no estado
do Rio de Janeiro e no Paraná.
Os planos agressivos são justificados pelos bons resultados
desde a inauguração da empresa,
em julho de 2009. Até o primeiro
semestre do ano passado, quando contava com apenas cinco
pontos de venda, a companhia
alcançou o faturamento de R$ 1
milhão. A empresa não revelou
os números consolidados do ano
passado e expectativas para 2011.
“Nosso conceito é mostrar
que o consumo de cerveja vai
muito além daquelas que aparecem nas propagandas das grandes empresas, que fala que a
cerveja tem que ser tomada estupidamente gelada”, afirma
Rodolfo Alves, sócio-diretor da
Mr. Beer Cervejas Especiais.
As lojas da empresa comercializam cerca de cem rótulos
diferentes, sendo 70% de marcas importadas. Por mês, cada
quiosque da Mr. Beer vende em
média 3 mil garrafas. ■
MAIS NEGÓCIOS
● A empresa conta com 11 pontos
de venda atualmente e planeja
chegar a 25 quiosques no próximo
ano com a abertura de franquias
cujo valor inicial é de R$ 90 mil.
● Cada loja comercializa 100
rótulos diferentes, 70% deles
de marcas importadas.
A venda média mensal por
quiosque é de 3 mil garrafas.
O que mais chama
a atenção nessa
cerveja tcheca
é que em vez da
convencional tampa
de garrafa,
ela é fechada por
uma rolha. Do tipo
lager, ela tem 5,1%
de teor alcoólico
e conta com
ingredientes
de alta qualidade
em sua produção,
como o malte
produzido na
própria maltaria
da cervejaria, e
utiliza o processo
de microfiltragem
que substitui
a pasteurização
da bebida.
32 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
FINANÇAS
First Data finaliza acordos
para atuar em cartões
Maior processadora dos Estados Unidos entrará no mercado de credenciamento
Thais Folego
[email protected]
Após as maiores instituições financeiras anunciarem parcerias
para atuarem na atividade de
credenciamento de estabelecimentos para aceitação de cartão
de crédito, o que se espera, agora, são anúncios de empresas
que pretendem atuar em nichos
de negócios ou geográficos.
A First Data, maior processadora e credenciadora dos Estados Unidos, está próxima de fechar dois acordos no Brasil. Maria Fernanda Teixeira, presidente da companhia no país, não
revela os nomes dos parceiros,
mas diz que uma das operações
já estará funcionando até o final
do primeiro trimestre.
Circulam no mercado informações de que uma das parcerias
seria com o banco Fator e a outra
na área de postos de gasolina. No
entanto, o Fator, que atualmente
atua no mercado de cartões como
emissor (por meio da UBR, uma
joint venture com a Unimed),
não confirma a informação.
A First Data tem operações
em 36 países, sendo que em 20
atua em credenciamento. No
Brasil, a processadora desembarcou em 2002, tendo como principal negócio soluções em correspondente bancário e o licenciamento de seu software de processamento, o Vision Plus. “No
ano passado, crescemos mais de
20%”, diz Maria Fernanda. Segundo ela, o principal fator de
crescimento foi o forte investimento de instituições financeiras
em correspondentes bancários.
“
Crescemos mais de
20% no ano passado
e agora investiremos
alguns milhões
de dólares
Maria Fernanda Teixeira,
presidente da First Data no Brasil
foco de investimentos de estrangeiros — assim como de bancos
locais que não atuavam nessa
atividade —após a abertura deste
mercado, no dia primeiro de julho do ano passado, quando terminou a exclusividade entre a
bandeira Visa e a credenciadora
Cielo (VisaNet, na época). Desde
então, qualquer instituição que
tivesse as devidas licenças das
bandeiras passaram a poder
atuar com as duas bandeiras internacionais que possuem o
maior volume de transações:
Visa e Mastercard, que já não tinha exclusividade há anos.
O interesse não é para menos. Segundo levantamento da
consultoria Lafferty, entre os
países que compõem os Bric
(Brasil, Rússia, Índia e China), o
Brasil é que o tem a maior rentabilidade na atividade de credenciamento. No país, cada cartão
rende, para emissores e credenciadores, US$ 20. Na Índia, o
ganho é de US$ 12 e na China,
apesar dos mais de dois bilhões
de plásticos emitidos, há um
prejuízo de US$ 1 por cartão.
O primeiro a estrear no segmento, que tem como líderes
Cielo e Redecard, foi o Santander em parceria com a GetNet.
Ainda neste primeiro semestre,
está prevista a entrada da operação do Citibank com a americana Elavon. A também americana GlobalPayments deve começar a operar no país neste
ano. “Na primeira etapa, os novos concorrentes vão entrar em
mercados que hoje não são cobertos, como saúde e educação”, avalia Maria Fernanda. ■
1
Santander com a
brasileira GetNet
O banco espanhol Santander iniciou
suas operações em credenciamento
em março do ano passado, em
parceria com a GetNet. O plano
é ter, até 2012, participação de
10% do faturamento do mercado
de credenciamento. A meta do
banco é de, dentro de três anos,
aumentar em 35% a sua base
de clientes corporativos,
que totaliza aproximadamente
500 mil empresas.
2
Citibank com a
americana Elavon
Depois de ter se desfeito de sua
participação de 17% na Redecard
em 2009, o Citibank voltou à
atividade de credenciamento em
parceria com a americana Elavon.
A meta é ter 15% do faturamento
desse mercado em cinco anos,
o que significa que até 2015
a nova empresa deve ter receitas
de R$ 200 bilhões, já que neste
ano o mercado deve fechar com
faturamento de R$ 530 bilhões,
e cresce cerca de 20% ao ano.
3
Investimento
Para apoiar o novo serviço de
credenciamento, a operação da
First Data no Brasil terá de triplicar o número de pessoas envolvidas no back office. Entre
elas a equipe de call center para
atender aos lojistas, a equipe de
prevenção a fraudes e chargeback (cancelamento de uma
venda feita com cartão de débito ou crédito). Hoje, a First Data
conta com cerca de 100 funcionários no país. “Serão investidos alguns milhões de dólares”,
diz Maria Fernanda, sem revelar, porém, valores exatos.
A atividade de credenciamento de cartões no Brasil se tornou
QUEM ENTROU PARA
BRIGAR COM CIELO
E REDECARD EM 2010
MARGEM LÍQUIDA
RENTABILIDADE
40%
é, em média, a margem líquida
US$
20
é quanto emissores e
apresentada na atividade
de credenciamento no Brasil.
Com a maior competição, porém,
esse percentual deve cair.
credenciadores ganham por
cartão no Brasil, segundo a
consultoria Lafferty. É a maior
rentabilidade entre os Bric.
TRANSAÇÕES
RESULTADOS
21%
ao ano é o ritmo de crescimento
R$
5,7 bi
foi o faturamento de Cielo
do número de transações
com cartões no Brasil, segundo
a consultoria Dextron. Em sete
anos, o avanço é de 275%.
e Redecard entre janeiro
e setembro de 2010. A receita
dessas empresas tem crescido
a uma taxa média de 20%.
Regional: Banrisul
com a brasileira CSU
O banco gaúcho Banrisul
contratou a CSU para prestar
serviços de processamento
da rede de captura de transações
do Banricompras e do início da
captura de transações da
bandeira Mastercard.
A rede Banricompras possui
atualmente cerca de 100 mil
estabelecimentos comerciais
credenciados, principalmente
na região Sul do país e,
em 2009, capturou mais de
60 milhões de transações.
Maria Fernanda: de
olho nos recursos da
nova classe média
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 33
Natalie Behreing/Bloomberg
China seguirá comprando títulos espanhóis
Autoridades chinesas têm fé no sistema financeiro espanhol e o país
continuará a participar de leilões de dívida da nação europeia, escreveu
o vice-primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, em editorial no jornal El Pais,
ontem. “A China é um investidor responsável e de longo prazo no mercado
financeiro europeu, particularmente na Espanha, e temos confiança
no mercado financeiro espanhol, que tem se traduzido na compra
de sua dívida pública, algo que continuaremos a fazer”, escreveu Li.
AGENDA DO DIA
● Às 7h30, o Reino Unido
divulga o índice de gerente
de compras de dezembro.
● Às 13h, saem as encomendas
da indústria nos Estados Unidos
de novembro.
● Às 17h, sai a ata da última
reunião do Federal Reserve.
Murillo Constantino
Plásticos vão
movimentar
R$ 642 bilhões
Esta é a estimativa para 2011,
que deve contabilizar cerca
de 8 bilhões de transações
Os novos concorrentes do mercado de credenciamento de cartões devem roubar fatias de negócios de Cielo e Redecard, mas
também vão crescer em cima do
crescimento orgânico do mercado, que tem avançado a polpudas taxas de 20% nos últimos
anos. Em 2011, o setor de cartões de crédito, débito e plásticos de lojas deve movimentar
R$ 642 bilhões, com oito bilhões
de transações, segundo estimativas da Associação Brasileira
das Empresas de Cartões de
Crédito e Serviços (Abecs).
Em 2010, a projeção é de que
o faturamento do setor tenha
atingido R$ 534 bilhões. Para
2015, as projeções são de que o
setor movimente R$ 1,3 trilhão,
em 15 bilhões de transações de
909 milhões de plásticos.
Hoje no Brasil, já são 628
milhões de cartões em circulação, uma razão de três plásticos
para cada brasileiro, que já
transacionam cerca de um
quarto do consumo das famílias. Na última década, o número de cartões cresceu 430%
e o valor das transações 718%,
segundo a Abecs.
Neste ano, o setor deve continuar crescendo com o aumento da renda, o fortalecimento da classe média e a migração para meios eletrônicos
de pagamentos. Projeções mostram que até 2014 mais 36 milhões de brasileiros entrarão
para a classe média.
No Brasil, já são
628 milhões
de cartões em
circulação, uma
razão de três
para cada usuário
■ 2010
Faturamento do mercado
de cartões foi de
Novas áreas
Com a maior competição na atividade de credenciamento, a
tendência é que os novos concorrentes explorem, também,
segmentos e áreas geográficas
que hoje não apresentam grandes volumes transações, mas
que com o crescimento e a
maior formalização da economia têm grande potencial de
desenvolvimento.
“Antes, a decisão de investimento dos credenciadores era
orientada para lugares que giravam grandes volumes, em que o
retorno do investimento era
mais alto. Agora, isso vai mudar”, diz Maria Fernanda Teixeira, presidente da processadora First Data no Brasil. ■
R$
534
■ 2015
Projeção da Abecs
de receitas do setor
R$
1,3
tri
■ CARTÕES
Estimativa de número
de cartões em 2015
909
mi
bi
34 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
INVESTIMENTOS
Vanessa Correia
[email protected]
Mudança na Lei das S/A abre caminho
para simplificar mercado de dívida
No apagar das luzes de 2010, o governo publicou medida provisória com os detalhes do pacote de incentivo ao financiamento de longo
prazo (MP nº 517), anunciado em meados de
dezembro. O documento altera dispositivos da
Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que
pretendem simplificar o processo de emissão
de debêntures pelas companhias e viabilizar a
formação de um mercado secundário mais dinâmico para esses papéis. “Era importante
atualizar alguns pontos da Lei nº 6404, uma
vez que o mercado financeiro se modernizou
nos últimos 35 anos”, ressalta Otavio Yazbek,
presidente em exercício da CVM.
Embora seja atípico submeter à audiência pública o texto já editado por meio de
medida provisória, a autarquia irá consultar o mercado até o dia 03 de fevereiro para
então mandar as propostas ao relator do
processo que transformará a MP em lei.
“Não é garantido que o relator acate as sugestões. Mas discuti-las com o mercado é
importante”, acredita Yazbek.
Discussão
Entre os principais pontos que serão analisados pelo mercado está a flexibilização da recompra de debêntures pelo emissor, permitindo uma melhor administração da exposição deste ao mercado e de seu padrão de endividamento. “Hoje, a lei diz que a recompra
pode ser feita desde que a debênture tenha
valor igual ou inferior ao nominal. A MP estabelece que o processo de recompra será regulamentado pela CVM. Ou seja, a restrição
ao valor do título caiu.”
O documento também prevê a emissão
de debêntures de forma simultânea, facul-
tando um aproveitamento mais eficiente,
pelo emissor, de oportunidade para papéis
com diferentes características. O presidente em exercício da autarquia explica que
pela legislação vigente, a companhia só
pode emitir novos títulos caso tenha negociado todas as séries. “Isso facilita a administração das janelas de oportunidades do
mercado pelas companhias.”
Outro pronto que dará agilidade à emissão é a deliberação, pelo conselho de administração, de qualquer espécie de debênture, desde que dentro dos limites de aumento de capital social, aprovado em assembleia de acionistas.
A MP nº 517 também retira o limite à
emissão de debêntures quirografárias. Com
isso, esses títulos são igualados, neste aspecto, às debêntures subordinadas, que hoje
acabam sendo mais utilizadas pelo mercado.
Sendo assim, a escolha do emissor entre um
instrumento de captação e outro deve passar
a se dar por critérios de conveniência e não
por indução legal. E, por fim, o documento
permite que a companhia contrate um mesmo agente fiduciário para diferentes emissões, nos termos de regulamentação a ser
expedida pela CVM.
Além dessas alterações, uma demanda
da CVM que consta na MP diz respeito à
questão da periodicidade da correção monetária em debêntures e letras financeiras.
Ambos os títulos podem sofrer correção
monetária em periodicidade igual àquela
estipulada para o pagamento periódico de
juros, ainda que em inferior a um ano — estipulado para pagamentos de cupom com
correção monetária. ■
Marcos Arcoverde
Para Yazbec, da CVM, alteração
legal serve para se adequar
à sofisticação do mercado
BR Properties
Cobertura
Itaú BBA vê como positivas
compras no segmento de varejo
BB Investimentos recomenda
manutenção de Paranapanema
O Itaú BBA vê como positiva a
compra feita pela BR Properties
no segmento de varejo e imóveis
comerciais. A empresa adquiriu
quatro edifícios de escritórios
e 29 lojas de varejo — total de
122.146 metros quadrados de
área bruta locável — por R$ 477
milhões, sendo essa a maior
aquisição já realizada. Com a
transação, a companhia totaliza
R$ 1,7 bilhão em aquisições
desde a sua oferta pública inicial
de ações (IPO, na sigla em inglês),
realizada em março. O valor
está 18% acima das estimativas
do Itaú BBA, segundo relatório
assinado pelos analistas David
Lawant e Ricardo Lima. Essa
operação marca a entrada
da empresa no segmento de
varejo no momento em que o
setor tem um forte crescimento
das vendas. A corretora lembra
ainda que há um baixo nível
de desocupação dos imóveis
(vacância) nesse setor. Outro
fator positivo é a expectativa
de elevação do contrato com
a C&A — uma das principais
locatárias dos empreendimentos
adquiridos —, devido ao
aumento das vendas no varejo.
Para os analistas, entre o curto
e o médio prazo, é possível
a elevação do aluguel. A
recomendação dos papéis da
companhia foi mantida em
“outperform” (desempenho
acima da média do mercado)
e a ação se mantém como
uma das favoritas do Itaú BBA
no setor imobiliário. O preço
alvo para BRPR3 é de R$ 19,60.
A BB Investimentos iniciou a
cobertura da Paranapanema,
empresa responsável por 99% da
produção de cobre refinado do
país, com a recomendação de
“manter” para os papéis (PMAM3)
da empresa. De acordo com a
instituição, o preço-alvo das
ações para dezembro de 2011 é de
R$ 6,30, o que representa um
potencial de valorização de
23,5% sobre o preço de R$ 5,10
observado na quarta-feira (29/12).
Segundo relatório elaborado
pelos analistas Antonio Emilio
Bittencourt Ruiz e Mauricio de
Carvalho Azambuja, a empresa
busca focar a rentabilidade e o
crescimento orgânico com
investimentos em ganhos de
escala e competitividade, aliados
à situação financeira bem mais
confortável. Para eles, um ponto
frágil da companhia é a exposição
à volatilidade, uma constante no
seu mercado de atuação, em
razão da forte influência dos
preços do cobre no mercado
internacional e da cotação da
moeda americana, tanto na
aquisição das matérias-primas
como na formação dos preços de
venda. Se por um lado as
perspectivas do mercado externo
ainda se mostram bastante
incertas, no mercado interno
espera-se crescimento sustentado
para os próximos anos, tendo em
vista os eventos esportivos —
Olimpíadas e Copa do Mundo —, as
obras de infraestrutura previstas,
e o crescente nível de consumo
da população com melhoria de
renda das classes C e D.
VALOR DE MERCADO
LOJAS AMERICANAS
Recorde
Proventos
Estudo da Economatica mostra
que em 2010 as empresas de
capital aberto do país alcançaram
o valor de mercado de US$ 1,503
trilhão, o maior já alcançado,
batendo o recorde de outubro
de 2010, quando o montante
chegou a US$ 1,463 trilhão.
Considerando as dez maiores
companhias, o valor é de
US$ 848,2 bilhões, o que
representa 56,4% do total.
A Petrobras continua sendo
a maior empresa brasileira
e latino-americana por valor de
mercado, com US$ 228,2 bilhões.
A Lojas Americanas informou
que pagará R$ 7,5 milhões
em complemento de juros sobre
o capital próprio, o que
corresponde a R$ 0,010302 por
ação e R$ 0,005151 para os papéis
com direito a dividendos parciais
— oriundos do plano de opção
de compra de ações de 2009.
O pagamento será realizado
em 25 de abril e terão direito
aos proventos os detentores
de ações no dia 7 de janeiro. Os
proventos se referem aos lucros
obtidos no exercício de 2010 e
totalizará R$ 7,5 milhões brutos.
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 35
BOLSA
JURO
Giro financeiro
Contrato futuro
R$ 5,6 bilhões 12,02%
foi o volume financeiro registrado ontem no segmento acionário
da BM&FBovespa. O principal índice encerrou a sessão com variação
positiva de 0,95%, aos 69.962 pontos.
foi a taxa de fechamento do contrato futuro de DI, com
vencimento em janeiro de 2012, o mais negociado ontem.
O volume financeiro foi de R$ 15,12 bilhões, em 169.255 contratos.
IBOVESPA
RENDA FIXA
Ação
Código
Mínima
ALL AMER LAT ON
AMBEV PN
B2W VAREJO ON
BMF BOVESPA ON
BRADESCO PN
BRADESPAR PN
BRASIL ON
BRASIL TELEC PN
BRASKEM PNA
BRF FOODS ON
BROOKFIELD ON
CCR RODOVIAS ON
CEMIG PN
CESP PNB
CIELO ON
COPEL PNB
COSAN ON
CPFL ENERGIA ON
CYRELA REALTY ON
DURATEX ON
ECODIESEL ON
ELETROBRAS ON
ELETROBRAS PNB
ELETROPAULO PN
EMBRAER ON
FIBRIA ON
GAFISA ON
GERDAU PN
GERDAU MET PN
GOL PN
HYPERMARCAS ON
ITAUSA PN
ITAUUNIBANCO PN
JBS ON
KLABIN S/A PN
LIGHT S/A ON
LLX LOG ON
LOJAS AMERIC PN
LOJAS RENNER ON
MARFRIG ON
MMX MINER ON
MRV ON
NATURA ON
OGX PETROLEO ON
P.ACUCAR-CBD PNA
PDG REALT ON
PETROBRAS ON
PETROBRAS PN
PORTX ON
REDECARD ON
ROSSI RESID ON
SABESP ON
SANTANDER BR UNT N2
SID NACIONAL ON
SOUZA CRUZ ON
TAM S/A PN
TELEMAR ON
TELEMAR PN
TELEMAR N L PNA
TELESP PN
TIM PART S/A ON
TIM PART S/A PN
TRAN PAULIST PN
ULTRAPAR PN
USIMINAS ON
USIMINAS PNA
VALE ON
VALE PNA
VIVOPN
IBOVESPA
ALLL3
AMBV4
BTOW3
BVMF3
BBDC4
BRAP4
BBAS3
BRTO4
BRKM5
BRFS3
BISA3
CCRO3
CMIG4
CESP6
CIEL3
CPLE6
CSAN3
CPFE3
CYRE3
DTEX3
ECOD3
ELET3
ELET6
ELPL4
EMBR3
FIBR3
GFSA3
GGBR4
GOAU4
GOLL4
HYPE3
ITSA4
ITUB4
JBSS3
KLBN4
LIGT3
LLXL3
LAME4
LREN3
MRFG3
MMXM3
MRVE3
NATU3
OGXP3
PCAR5
PDGR3
PETR3
PETR4
PRTX3
RDCD3
RSID3
SBSP3
SANB11
CSNA3
CRUZ3
TAMM4
TNLP3
TNLP4
TMAR5
TLPP4
TCSL3
TCSL4
TRPL4
UGPA4
USIM3
USIM5
VALE3
VALE5
VIVO4
IBOV
*Ajustada por proventos, inclusive dividendos.
15,01
50,85
31,82
13,19
32,90
42,71
31,38
12,18
20,18
26,80
8,63
46,05
27,02
26,60
13,49
41,31
27,37
41,40
20,89
17,46
0,99
22,41
26,61
32,09
11,85
26,56
12,10
22,86
27,00
25,35
22,20
13,14
39,45
7,05
5,82
25,43
4,69
15,31
56,50
15,20
11,11
15,88
48,31
19,71
69,55
10,22
30,12
26,91
3,69
21,10
14,67
43,00
22,21
27,00
90,70
39,22
32,08
24,31
47,15
40,58
6,80
5,58
55,52
106,52
21,33
19,10
56,03
49,10
53
69.304
Cotação (R$)
Máxima
Fechamento
15,41
51,70
33,09
13,47
33,47
44,91
31,80
12,38
20,60
28,00
8,82
47,20
27,44
27,85
13,74
42,00
28,05
41,96
22,38
17,95
1,02
22,70
27,30
32,59
12,18
26,99
12,25
23,34
27,61
26,30
22,85
13,38
40,08
7,31
5,93
26,15
4,84
15,57
57,89
15,86
11,40
16,19
49,40
20,19
70,39
10,38
30,87
27,58
3,80
21,55
15,07
44,86
22,95
27,55
92,39
40,19
33,29
24,87
48,73
41,80
6,97
5,77
57,30
108,13
21,94
19,53
57,49
50,09
55
70.470
15,25
51,21
32,59
13,40
33,04
44,71
31,40
12,25
20,25
27,14
8,72
46,48
27,44
26,84
13,60
41,65
27,50
41,73
21,60
17,46
1,00
22,68
27,20
32,39
11,90
26,62
12,13
23,13
27,45
25,90
22,20
13,21
39,68
7,14
5,85
25,60
4,75
15,40
57,09
15,45
11,12
16,14
49,40
20,03
70,23
10,24
30,30
27,00
3,74
21,45
14,84
43,91
22,40
27,30
92,20
39,40
32,90
24,85
48,18
40,70
6,87
5,63
56,75
107,79
21,60
19,18
56,97
49,90
55
69.962
(EM PONTOS)
71.000
70.375
Máxima
70.470,97
Mínima
69.304,67
Fechamento 69.962,32
69.125
1,67
1,37
3,46
2,06
1,19
3,21
-0,06
2,08
-0,59
-0,73
0,81
-0,90
2,73
-0,59
1,12
0,36
-0,40
1,29
-1,14
-2,18
0,00
1,98
1,68
0,87
0,85
0,49
0,75
2,03
2,43
3,19
-1,46
0,74
0,30
-0,42
0,00
0,67
0,42
0,59
1,22
0,32
-0,98
3,40
3,59
0,15
1,34
0,79
-0,82
-1,06
0,81
1,90
0,34
3,10
-0,67
2,36
2,00
1,13
1,86
2,31
0,88
-2,21
0,88
2,18
2,99
2,56
1,17
0,10
2,96
2,89
4,91
0,95
1,67
1,37
3,46
2,06
1,19
3,21
-0,06
2,08
-0,59
-0,73
0,81
-0,90
2,73
-0,59
1,12
0,36
-0,40
1,29
-1,14
-2,18
0,00
1,98
1,68
0,87
0,85
0,49
0,75
2,03
2,43
3,19
-1,46
0,74
0,30
-0,42
0,00
0,67
0,42
0,59
1,22
0,32
-0,98
3,40
3,59
0,15
1,34
0,79
-0,82
-1,06
0,81
1,90
0,34
3,10
-0,67
2,36
2,00
1,13
1,86
2,31
0,88
-2,21
0,88
2,18
2,99
2,56
1,17
0,10
2,96
2,89
4,91
0,95
Fonte: Economatica
IBOVESPA
69.750
Rentabilidade* (%)
No dia
No ano
68.500
Fonte: BM&FBovespa
12h
13h
14h
15h
16h
17h
18h
Data
BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI
BB RENDA FIXA LP ESTILO FICFI
CAIXA FIC EXEC RF LONGO PRAZO
CAIXA FIC IDEAL RF LONGO PRAZO
BB RENDA FIXA 5 MIL FIC FI
BRADESCO FIC DE FI RF MERCURIO
BB RENDA FIXA 200 FIC FI
BB RENDA FIXA 50 FIC FI
ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI
BB RENDA FIXA LP 100 FICFI
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
3/JAN
3/JAN
3/JAN
3/JAN
3/JAN
31/DEZ
Rent. (%)
12 meses No ano
9,18
9,17
8,68
8,12
7,94
7,42
6,77
6,28
5,76
5,75
9,18
9,17
8,68
8,12
0,03
0,03
0,03
0,03
0,03
5,75
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
1,00
1,00
1,10
1,50
2,00
2,50
3,00
3,50
4,00
4,00
Fundo
Data
BB REF DI LP ESTILO FIC FI
BB REFERENCIADO DI ESTILO FICFI
ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI
BB REFERENCIADO DI 5 MIL FIC FI
BB NC REF DI LP PRINCIPAL FIC FI
BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI
HSBC FIC REF DI LP POUPMAIS
ITAU PREMIO REF DI FICFI
BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPER
SANTANDER FIC FI CLAS REF DI
31/DEZ
3/JAN
3/JAN
3/JAN
31/DEZ
3/JAN
3/JAN
3/JAN
3/JAN
3/JAN
Rent. (%)
12 meses No ano
9,32
8,92
8,89
7,28
7,02
6,67
6,43
5,62
5,17
4,85
9,32
0,04
0,04
0,03
7,02
0,03
0,03
0,03
0,02
0,02
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
0,70
1,00
1,00
2,50
2,47
3,00
3,00
4,00
4,50
5,00
Fundo
Data
BB ACOES VALE DO RIO DOCE FI
CAIXA FMP FGTS VALE I
BRADESCO FIC DE FIA
BRADESCO FIC DE FIA MAXI
BRADESCO FIC DE FIA IV
UNIBANCO BLUE FI ACOES
SANTANDER FIC FI ONIX ACOES
ITAU ACOES FI
ALFA FIC DE FI EM ACOES
BB ACOES PETROBRAS FIA
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
Rent. (%)
12 meses No ano
12,58
11,64
(1,65)
(1,83)
(1,88)
(4,27)
(4,64)
(5,36)
(9,13)
(25,06)
12,58
11,64
(1,65)
(1,83)
(1,88)
(4,27)
(4,64)
(5,36)
(9,13)
(25,06)
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
2,00
1,90
4,00
4,00
ND
5,00
2,50
4,00
8,50
2,00
200
200
100
1.000
200
MULTIMERCADOS
Fundo
Data
REAL CAP PROT VGOGH 4 FI MULTIM
ITAU EQUITY HEDGE MULTIM FI
CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC
BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI
ITAU PERS K2 MULTIM FICFI
ITAU PERS MULTIE MULT FICFI
SANT INV PERS VGOGH MOD FIC FI
SANTANDER FIC FI ESTRAT MULTIM
ITAU PERS MULT ARROJADO FICFI
ITAU PERS MULT AGRESSIVO FICFI
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
31/DEZ
Rent. (%)
12 meses No ano
13,71
11,50
9,32
9,21
8,98
8,87
7,12
5,74
5,53
4,16
13,71
11,50
9,32
9,21
8,98
8,87
7,12
5,74
5,53
4,16
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
2,30
2,00
1,50
1,50
1,50
1,25
3,00
2,00
2,00
2,00
5.000
5.000
20.000
50.000
5.000
10.000
10.000
5.000
5.000
*Taxa de performance. Ranking por número de cotistas.
Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico
SMALL CAP - SMLL
MIDLARGE CAP - MLCX
1.460
1.000
22.525
1.453
993
22.350
1.446
986
22.175
1.439
979
1.432
18h
10.000
ND
80.000
5.000
100
200
30
1.000
100
100
AÇÕES
22.700
11h
50.000
30.000
5.000
5.000
5.000
200
50
300
100
DI
IBRX-100
22.000
11h
Fundo
972
11h
18h
11h
18h
36 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
HOME BROKER
MARIANA SEGALA
Twitter e ações,
alguma relação real?
60.000
23,55
23
Pesquisa indica que sim. Dá até para lucrar olhando o mercado pela rede social
50.000
22,55
22
comparado com o desempenho
das ações dia por dia. Conclusão?
O Twitter não move os mercados,
mas reflete questões que balançam as bolsas — e que dificilmente são observadas pelo investidor
comum de outra forma. “Pode,
assim, servir como um indicador
do mundo real”, explicou Sprenger ao BRASIL ECONÔMICO.
Os achados da pesquisa são
vários. Exemplo: cada aumento
de 1% no volume de mensagens
sobre ações publicadas no Twitter
está associado a um crescimento
de 10% nos volumes negociados
na bolsa. “O volume de mensagens um e dois dias atrás preveem
o volume negociado do dia corrente”, aponta o estudo.
Quantidade, porém, não significa qualidade. Mais de 50%
das mensagens foram publicadas
por apenas 1,5% dos usuários
Basta dar uma espiada para notar
que redes sociais como o Twitter
se tornaram um celeiro rico para
investidores trocarem dados sobre o mercado — ou, como alguns
já vêm apelidando, a versão moderna dos operadores que uma
vez já gritaram no pregão. Mas dá
para confiar nas informações que
saem dali? Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Técnica
de Munique, na Alemanha, indica
que, aparentemente, sim.
Durante o primeiro semestre
do ano passado, o pesquisador
Timm Sprenger coletou 250 mil
mensagens do sistema de microblog que mencionassem alguma
das empresas listadas do S&P 100,
um dos principais índices de
ações do mercado americano. O
conteúdo de cada uma das mensagens foi analisado e classificado, com o auxílio de softwares, e
Divulgação
A FRASE
“Não digo que o Twitter é
uma máquina de dinheiro,
mas é melhor do que
adivinhação aleatória”
Timm Sprenger,
pesquisador da Universidade
Técnica de Munique
Ibovespa, fechamento do ano em pontos
70.000
24,5
60.000
46.900
40.000
21,55
21
identificados. A qualidade das
mensagens dos “twitteiros” de
plantão, no entanto, não é consistentemente maior que a da média.
Por qualidade, Sprenger entendeu a coincidência do retorno
no dia da ação mencionada com a
recomendação para ela (compra
ou venda) presente nas mensagens. Investidores que dão dicas
de melhor qualidade, segundo o
estudo, possuem mais seguidores
e são mais “retwittados”. Atenção, aliás, ao usuário @stockpick
snow, apontado na pesquisa
como o “twitteiro” com mensagens de nível mais elevado de
qualidade, atingindo taxa de
79,4%. Uma lista com os dez melhores e outras informações estão
disponíveis no site Tweet Trader
(www.tweettrader.net).
Sprenger também concluiu
que os investidores presentes no
Twitter diferem do padrão que
sugere a compra de uma ação
depois de ela já ter ganhado impulso. Eles costumam, sim, recomendar um papel depois que
ele caiu. “Usuários dos microblogs parecem ser menos ingênuos que os usuários de outras
plataformas do tipo”, explica o
pesquisador. “Definitivamente,
não estou dizendo que o Twitter
é uma máquina de fazer dinheiro, mas a estatística mostra que é
levemente melhor do que a adivinhação aleatória.” ■
30.000
20,55
20
20.000
19,55
19
10.000
18,55
18
0
17,5
90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10
Fontes: Alexandre Wolwacz, Economatica, BM&FBovespa e Brasil Econômico
1º objetivo
2º objetivo
Ciclo de dez anos vai pesar sobre Ibovespa
A análise dos ciclos econômico e do mercado financeiro levam o analista
gráfico Alexandre Wolwacz, sócio da consultoria Leandro & Stormer,
a projetar que 2011 seja um ano difícil para o Ibovespa. Grosso modo, os
ciclos representam as oscilações econômicas de um certo período. Na
sua análise, Wolwacz se baseou no modelo do chamado de “ciclo decenal”,
que indica os movimentos repetidos década após década. “Pelo ciclo
decenal, anos terminados em zero marcariam topos do mercado
financeiro, refletindo o fim do ciclo econômico positivo da década
anterior”, explica. É por isso que, para Wolwacz, 2010 provavelmente
representou um topo do Ibovespa. “Nos dois primeiros anos da década
seguinte, teria início um processo de correção na economia real,
calcado na elevação dos juros e na redução do gasto público, produzindo
um desempenho pior do mercado de ações. Seria a preparação para
o crescimento nos anos seguintes.” O ciclo decenal descreve que nos
anos finalizados de três a sete se dá a fase mais vigorosa da economia
(e das bolsas), seguidos por nova correção nos anos oito e nove.
Não por outra razão o analista só vê um cenário mais positivo para
a bolsa a partir de 2013. Neste ano, o alvo do índice se concentra
nos 60 mil pontos, seguido por outro mais abaixo, nos 46.900 pontos.
Fica Mais
AÇÕES
Desempenho de papéis que compoem o Ibovespa
NOME
CLASSE
CÓDIGO
CRUZ3
AMBEV
PN
AMBV4
LOJAS RENNER
ON
LREN3
BRASKEM
PNA
BRKM5
NATURA
ON
NATU3
36,74
ULTRAPAR
PN
UGPA4
34,91
SABESP
ON
SBSP3
EMBRAER
ON
EMBR3
CCR RODOVIAS
ON
2,00
50,84
47,83
-21,74
1,37
TELEMAR N L
PNA
TMAR5
-21,86
1,22
JBS
ON
JBSS3
-22,82
PETROBRAS
PN
PETR4
-22,96
-1,06
PETROBRAS
ON
PETR3
-24,33
-0,82
BRASIL TELEC
PN
BRTO4
-24,64
2,08
TELEMAR
PN
TNLP4
-27,54
2,31
FIBRIA
ON
FIBR3
-32,23
B2W VAREJO
ON
BTOW3
-33,92
2,56
3,10
0,85
28,02
1,29
-0,90
23,17
0
10
20
30
40
50
Fontes: Economatica, BM&FBovespa e Brasil Econômico
60
70
Ontem
GOAU4
3,59
19,76
25,67
25,
RENTABILIDADE (%)
PN
30,36
CCRO3
CÓDIGO
GERDAU MET
-0,59
44,67
CPFE3
CLASSE
Em 2010
65,78
ON
ON
NOME
Ontem
SOUZA CRUZ
Multiplus será parceira da bolsa na
gestão de programa de fidelidade
10 MAIORES
BAIXAS NO ANO
10 MAIORES
ALTAS NO ANO
RENTABILIDADE (%)
Em 2010
CPFL ENERGIA
Ibovespa
LLX LOG
ON
LLXL3
IBOVESPA
0,88
-0,42
0,49
3,46
0,42
-50,60
,
-60
-1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0
2,43
-45
-30
-15
0
-3,00000 -1,83334 -0,66668 0,49998 1,66664 2,83330 3,99996
1,04
0,95
O Multiplus — empresa criada em
2009 a partir do sistema de
milhagem da Tam — firmou parceria
com a BM&FBovespa para atuar
na gestão do seu programa de
fidelidade, o Fica Mais. Anunciado
em agosto, o programa da bolsa
propõe o acúmulo de pontos
pelos investidores, que depois
podem trocá-los por produtos
e serviços. Conforme o BRASIL
ECONÔMICO antecipou, a adesão
ao Fica Mais renderá 100 pontos
e a indicação de possíveis novos
investidores, cinco pontos cada.
Caso os indicados efetivamente
abram uma conta para operar
na bolsa, o investidor receberá
50 pontos adicionais. A adesão
está disponível desde dezembro.
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 37
Henrique Manreza
TRANSPARÊNCIA
Novo índice de governança reúne 108 ações
O Índice de Governança Corporativa Trade (IGCT) — o 18º criado pela
BM&FBovespa, lançado ontem — vai reunir 108 ações. O novo índice reflete o
desempenho dos papéis de empresas que voluntariamente adotam padrões
de governança corporativa diferenciados. A diferença para o IGC, que existe
desde 2001 e hoje engloba 181 papéis, é que o IGCT considera critérios
de liquidez para inclusão das ações. O IGCT estreou com alta de 1,2%.
[email protected]
NA REDE
Mais commodities no portfólio
BTG Pactual sugere elevar exposição a ações do segmento neste mês, de 50% para 60%
“Vou manter em arquivo estas
previsões para 2011 do Ibovespa.
Entre os 29 mil pontos de alguns
e os 200 mil de outros, há
um milhão de possibilidades!”
@picapautrader, investidor
“Uma razão silenciosa, mas evidente,
para a nossa crise econômica é a
filosofia generalizada das pessoas
à espera de ser melhor pagas por
menos trabalho”
PARA CITI, PESO
DAS AÇÕES DE
EMPRESAS
LIGADAS A
MATÉRIAS-PRIMAS
DEVE SER DE 45%
Diante da enxurrada de dinheiro barato na economia global e
da perspectiva de que isso ampliará a inflação, o BTG Pactual
sugere aos investidores que elevem, em janeiro, a exposição
a ações de empresas ligadas a commodities. “Estamos
elevando nossa exposição a commodities de 50% para 60%
e reduzindo nossa alocação em Petrobras de 20% para
15%”, ressaltam os analistas Carlos Sequeira, Bernardo
Miranda e Antonio Junqueira em relatório. Do segmento,
eles destacam, além dos papéis da Petrobras, os da OGX
Petróleo e Gás, Vale, Cosan e Usiminas. “A commodity de
que mais gostamos é o minério de ferro. A demanda em 2011
deve se manter forte, sem oferta extra no mercado, o que
pode dar suporte aos preços. A Vale é a melhor forma de
entrar neste cenário, na nossa visão.” O destaque para as
commodities é o mesmo dado ao setor pelos analistas do BB
Investimentos — o peso das ações de Gerdau, OGX, Petrobras
e Vale na carteira recomendada de ações para este mês
soma 60%. Já corretoras como a XP Investimentos e a Citi
sugerem, respectivamente, destinar 40% e 45% a papéis
do tipo. “O crescimento econômico em 2011 deve continuar
em níveis próximos aos de 2010. Nossa projeção para o
Ibovespa ao final de 2011 continua sendo de 87.500 pontos”,
dizem Fernando Siqueira e Hugo Rosa, da Citi Corretora.
@theRealKiyosaki, consultor financeiro Robert Kiyosaki
“Atenção para a possível correção
no Ibovespa no curtíssimo prazo!
Principalmente após o sinal de baixa
formado na Petrobras hoje (ontem)!”
Novas compras da BR Malls
Compra de participação adicional em shopping centers traz perspectiva positiva para a ação
@EricaPPorfirio, investidora
“Não espere por um ano com baixa
inflação. Por bem ou por mal, todos
os países (China, EUA, Brasil, etc.)
sofrerão com isso”
Marcos Elias, no blog da consultoria Empiricus
“Expectativa de aumento nas
vendas de alimentos é positiva para
ações das empresas do setor”
@ativacorretora, comentário da chefe de análise Luciana Leocadio
sobre a projeção de crescimento de 7% nas vendas de alimentos em 2011
Grupo EBX
Quatro empresas no Ibovespa;
OGX avança para 3º maior peso
O Grupo EBX, do empresário Eike
Batista, se destaca a cada dia na
bolsa. Quatro empresas do grupo
— OGX, MMX, LLX e PortX — foram
confirmadas na carteira teórica
do Ibovespa que vigorará até abril.
Além disso, a ação da OGX já
é a terceira mais representativa
do índice. O peso do papel ficou
em 4,8% do Ibovespa, perdendo
apenas para Vale (10,8%) e
Petrobras (10,5%). São 69 as ações
(de 63 empresas) que compõem
o índice durante o primeiro
quadrimestre. Entraram no Ibovespa
os papéis da Hypermarcas.
PREÇO-ALVO
PARA OS PAPÉIS
DA EMPRESA É
DE R$ 20 AO
FIM DESTE ANO
A compra de 30% de participação adicional no Shopping
Cristal Plaza e de 15,3% de participação adicional no
Shopping Piracicaba promete ter impacto positivo — mas
limitado — sobre os papéis da BR Malls, administradora de
shopping centers. “As ações da BR Malls apresentaram
desempenho bastante positivo em 2010, com alta de 63%
nos últimos 12 meses, o que limita o potencial de valorização
no curto prazo”, avaliam os analistas Eduardo Silveira
e René Brandt, da Fator Corretora. As duas aquisições, que
somaram R$ 74 milhões, se seguem a outra muito maior,
anunciada no fim do ano passado (de 100% do Shopping
Tijuca por R$ 800 milhões). Eles avaliam que a companhia
tem possibilidade de usar o mercado de dívida para financiar
tais compras, devendo manter a estratégia consolidadora
ao longo deste ano. “A previsão da companhia é de R$ 250
milhões em aquisições para 2011 e R$ 250 milhões em 2012”,
lembram os analistas. As perspectivas, na visão da corretora,
são positivas nos próximos trimestres entre outras razões
pelo aumento da disponibilidade de crédito para consumo,
pela melhora na confiança do consumidor e pela
queda estrutural da taxa de desemprego. A Fator
tem recomendação de compra para os papéis ordinários
da BR Malls, com preço-alvo de R$ 20 ao fim do ano.
38 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
MUNDO
Diálogo com a Coreia do Norte
está aberto, diz vizinha do Sul
Analistas se dizem céticos em relação a eventual acordo, mas norte-coreanos também se dizem receptivos
Dong-a Ilbo/AFP
Lee Myung-bak: armas
nucleares e aventurismo
militar devem ser descartados
O presidente sul-coreano, Lee
Myung-bak, afirmou ontem
que o país está aberto ao diálogo com o Norte se o objetivo
for o desmantelamento de instalações nucleares.
A Coreia do Norte também
demonstrou disposição de dialogar, após um ano de confrontos que incluíram o afundamento de uma embarcação sul-coreana em março, matando 46
marinheiros, uma troca mortífera de tiros de artilharia em
novembro e ameaças de guerra
que afetaram os mercados financeiros em todo o mundo.
Mas um avanço na comunicação pode ser algo ilusório, já
que tanto a Coreia do Sul como
os Estados Unidos vêm dizendo
que antes de retornar à mesa de
negociações querem ver provas
da seriedade da Coreia do Norte
para um posterior desarme —
algo que vários analistas não
acreditam que algum dia o governo norte-coreano vá fazer.
Durante o pronunciamento
de Ano Novo, Lee Myung-bak
repetiu uma advertência de que
o Norte receberá um “forte e firme” golpe se optar por atacar
novamente o Sul. Para amenizar
tensões, os Estados Unidos já
anunciaram o envio de um diplomata à Coreia do Norte .
Os comentários de Lee foram
feitos dois dias depois que o
Norte, que deseja ser reconhecido como potência nuclear,
pediu o fim dos confrontos e fez
um chamado pelo diálogo —
apelo que procede um dos anos
mais violentos na península coreana, dividida entre os dois
países desde o fim da Guerra da
Coreia, entre 1950 e 1953.
“Eu relembro o Norte que o
caminho para a paz ainda está
aberto. A porta para o diálogo
ainda está aberta”, disse Lee.
Mas ele acrescentou: “Armas
nucleares e aventurismo militar
têm de ser descartados. O Norte
tem de atuar no sentido da paz e
cooperação, não apenas com retórica, mas com ação.”
Alguns analistas dizem que,
apesar de acharem improvável
que haja alguma reunião em
breve, o momento atual parece
propenso a uma retomada positiva das conversações envolvendo seis partes: as duas Coreias, China, Japão, Rússia e
EUA — diálogos necessários,
mas que vêm sendo adiados há
muito tempo.
“
Eu relembro o Norte
que o caminho para a
paz ainda está aberto.
A porta para o diálogo
ainda está aberta
Lee Myung-bak,
presidente da Coreia do Sul
“Em profundo contraste com
a situação anterior, a Coreia do
Sul e o Japão são os mais céticos
sobre o processo entre as seis
partes”, disse Baek Seung-joo,
do Instituto para Análises de
Defesa da Coreia. “Mas o governo sul-coreano reconhece que o
único canal realista de diálogo
com o Norte é o das negociações
com as seis partes.”
Scott Snyder, da Fundação
Ásia, disse que o chamado sulcoreano pelo diálogo pode estar
relacionado a uma reunião entre
os presidentes da China e dos
EUA no mês passado.
“Mas a política em si não
mudou e também não mudaram
as expectativas sobre o que a
Coreia do Norte tem de fazer
para a retomada das negociações.” ■ Reuters
Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 39
Osman Orsal/Ruters
Dilma recebe convite para visitar o Irã
O governo iraniano, liderado pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad,
convidou ontem a presidente Dilma Rousseff para visitar o país, informou
o embaixador iraniano no Brasil, após reunião com o assessor internacional
da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Ele disse que foi discutida a
cooperação econômica, cultural e técnica, mas negou que as áreas
nuclear e de petróleo tenham sido abordadas na reunião. O embaixador
afirmou ainda que o caso da iraniana Sakineh Ashtiani não foi discutido.
AGENDA DO DIA
● EUA divulgam encomendas
da indústria e venda de
veículos de dezembro.
● Zona do Euro informa
inflação para o consumidor
no mês de dezembro.
● Alemanha revela taxa de
desemprego de dezembro.
Jono Searle/AFP
A água já cobriu uma área que
equivale à soma dos territórios
da Alemanha e da França
Gbagbo se recusa
a deixar poder na
Costa do Marfim
Chefes de Estado da África
ameaçam destituir
o presidente do país à força
Chuvas na Austrália
afetam exportações
As enchentes provocaram a paralisação das minas de carvão de
Queensland. Produção de açúcar e de grãos também foi prejudicada
Aviões militares levaram ontem
suprimentos para uma cidade
australiana lentamente tomada
pelas águas de rios que transbordaram em razão de fortes
chuvas. As enchentes inviabilizaram portos e estradas no
nordeste do país, afetaram as
exportações de carvão e destruíram plantações.
As inundações cobrem uma
área do tamanho da Alemanha e
da França juntas e deixaram
submersa a Rodovia Capricorn,
a principal estrada que corta o
estado de Queensland.
O secretário do Tesouro,
Andrew Fraser, qualificou a situação de “desastre de proporções bíblicas”.
Minas paralisadas
As enchentes provocaram a paralisação da maioria das operações nas minas de Queensland,
estado que exporta a maior parte do carvão da Austrália. As lavouras de açúcar e, em menor
escala, as de grãos também foram afetadas.
O governo do estado disse
que a recuperação levará semanas. Rockhampton, cidade de 77
mil habitantes, situada a 600
quilômetros ao norte da capital
do estado, Brisbane, é acessível
As inundações
causaram danos
estimados em
US$ 980 milhões,
forçaram a saída
de 200 mil pessoas
de suas casas
e afetaram as
commodities
exportadas, que são
a base da economia
australiana
agora apenas de barco pelos
serviços de emergência.
Equipes de resgate removeram pacientes de hospitais e a
polícia ordenou que moradores,
alguns relutantes, deixem suas
casas. Equipes da operadora de
energia local inspecionaram as
casas abandonadas para assegurar que a energia havia sido
desligada. Além disso, a polícia
isolou vastas áreas do território
para garantir que a população
deixe as áreas alagadas.
As inundações causaram danos estimados em mais de 1 bilhão de dólares australianos
(US$ 980 milhões), forçaram a
saída de 200 mil pessoas de suas
casas e afetaram as commodities exportadas, que são a base
da economia australiana.
As operações de mineração
estão praticamente paradas no
porto de Gladstone, normalmente abarrotado de carvão
para embarque. O tráfego de
trens até os portos foi interrompido pelo alagamento.
Reg Wilson, morador de
Rockhampton, disse que a polícia lhe deu pouca opção, a não
ser deixar sua casa. “Um policial chegou com uma arma na
cintura e disse: ‘Você tem de
sair em até 5 horas”. ■ Reuters
O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, disse que
vai rejeitar a exigência feita na
segunda-feira por chefes de estado africanos de que ceda o poder a seu rival, o líder oposicionista Alassane Ouattara, para
não ser destituído à força.
Quatro líderes representando
o bloco regional do oeste africano Ecowas e a União Africana
devem se reunir com Gbagbo
para lhe pedir que deixe a presidência, já que os resultados da
eleição de 28 de novembro, reconhecidos internacionalmente, mostraram que ele foi derrotado por Ouattara.
Mais de 170 pessoas foram
mortas desde o início do impasse no país — o maior produtor mundial de cacau —, o
que ameaça fazer ressurgir a
guerra civil que dividiu a Costa
do Marfim em duas partes, de
2002 a 2003.
Gbagbo está no poder desde
2000 e tem o apoio do principal
tribunal do país e das Forças Armadas. Ele vem fazendo pouco
caso da pressão para que deixe o
cargo e disse na TV estatal, no
fim de semana, que Ouattara
“não deveria contar com a chegada de exércitos estrangeiros
para torná-lo presidente”.
A Corte Constitucional da
Costa do Marfim, dirigida por
um forte aliado de Gbagbo, reverteu os resultados da comissão eleitoral do país, ratificados
pela Organização das Nações
Unidas (ONU), que indicavam a
vitória de Ouattara. A corte alegou fraude em grande escala.
Três dirigentes de países do
oeste da África — Boni Yayi, do
Benin, Ernest Bai Koroma, de
Serra Leoa, e Pedro Pires, de
Cabo Verde — vão retornar a
Abidjã depois de uma primeira
viagem ao país, na semana passada, que não conseguiu convencer Gbagbo a deixar o cargo.
O primeiro-ministro do
Quênia, Raila Odinga, também
integrará o grupo. “Ele será a
voz da União Africana”, segundo um comunicado divulgado pelo gabinete de Odinga.
“Ele vai buscar uma solução
pacífica para a crise eleitoral...
e uma garantia de segurança
para o sr. Laurent Gbagbo e
seus partidários, se ele concordar em ceder o poder.”
Os EUA e a União Europeia
impuseram uma proibição de
viagens a Gbagbo e seu círculo
de assessores enquanto o Banco
Mundial e o banco central regional do oeste da África congelou suas finanças, numa tentativa de enfraquecer sua posição no poder.
Se a Ecowas enviar tropas
para o país, isso pode desencadear um conflito aberto com o
Exército, que apoia Gbagbo. Os
rebeldes no norte marfinense,
que tentaram derrubá-lo em
2002, poderão também se envolver. Mas os líderes do oeste
africano não parecem propensos
a levar adiante a ameaça do uso
de força por causa do risco de
mergulharem numa guerra urbana e pela possível falta de recursos operacionais. ■ Reuters
Derrotado nas
eleições, o presidente
atual tem a principal
corte e as Forças
Armadas a seu favor
e agravou a crise
internacional ao
ignorar o pedido de
países vizinhos para
que saia do governo
Câmara Municipal de São José dos Campos
ABERTURA DE PREGÃO PRESENCIAL - Pregão Presencial n° 01/2011 - Objeto: Aquisição de
Papel Toalha - Abertura: 14/01/11 - Horário: 09h
- Edital e informações: O edital completo poderá
ser baixado do site www.camarasjc.sp.gov.br. Em 03/01/11 - Ver. Juvenil Silvério - Presidente.
40 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011
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Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000
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ÚLTIMA HORA
MAN investe R$ 150 milhões no país
Thais Costa
[email protected]
Editora Executiva
Wagner Malagrine
A MAN Latin America, fabricante
dos caminhões e ônibus Volkswagen, espera incrementar suas vendas
em 7% neste ano. Para isso, a companhia ingressa no segmento de caminhões extrapesados e investe R$
150 milhões para a ampliação da linha de produção de Rezende (RJ) e
para o desenvolvimento de produtos. “Vamos produzir e comercializar caminhões com capacidade de
57 a 74 toneladas, categoria que até
então não era coberta pela empresa.
Atualmente nossos caminhões levam a marca Volkswagen, mas esta
nova linha será denominada MAN.
Readaptamos modelos europeus
para a realidade nacional e vamos
fabricar os caminhões na fábrica do
Rio de Janeiro”, diz Roberto Cortes,
presidente da MAN Latin America.
Segundo o executivo, o objetivo é
deter 30% de participação de mercado
no segmento de extrapesados em dois
anos, meta que exigirá trabalho, uma
vez que a principal concorrente, Volvo, detém um terço deste mercado.
A linha de caminhões com a marca MAN está sendo preparada desde
março de 2009. “A hora é propícia
porque esses veículos de alta capacidade são utilizados para obras de infraestrutura, além de mineração e
agricultura, segmentos que estão em
evidência no país. Nós fizemos um
processo de ‘reengenharia’ usando
modelos europeus para evitar a importação dos veículos. Nossa meta é
usar 60% de peças nacionais para a
montagem desses caminhões até
2013”, diz Cortes.
Este país é outro
PARTICIPAÇÃO
30%
de mercado em caminhões
extrapesados é a meta da MAN Latin
America em dois anos. Principal
concorrente da marca é a Volvo,
com cerca de 33% do segmento.
VENDAS
42%
maiores de caminhões foram
verificadas em 2010, em relação
a 2009. A comercilização de
ônibus teve alta de 30% no mesmo
período de comparação.
Resultados
Enquanto os planos para o ano são
elaborados, a fabricante de caminhões e ônibus da Volkswagen con-
tabiliza os números de 2010. As vendas de caminhões da companhia tiveram alta de 42% e a comercialização de ônibus saltou 30% na comparação com 2009. Foram comercializados 65 mil veículos no total. “Este
resultado é fruto de uma recuperação do mercado, que havia sido estremecido pela crise financeira
mundial. Além disso, os incentivos
fiscais concedidos pelo governo foram fundamentais para a retomada
das vendas”, afirma Cortes.
No ano passado, a companhia bateu seu recorde de produção, com a
fabricação de 68 mil unidades, incluídos os kits enviados para montagem nas unidades do México e da
África do Sul. “Este resultado superou
em 50% os números de 2009 (45.469
veículos) e permitiu à empresa atingir
a liderança brasileira em vendas de
caminhões acima de cinco toneladas
pelo oitavo ano consecutivo”, diz
Cortes. ■ Michele Loureiro
Qualcomm abre fábrica de US$ 1 bi em Taiwan
Earl Cryer/Bloomberg
A americana Qualcomm vai construir
uma fábrica de telas em Taiwan no valor de quase US$ 1 bilhão. A iniciativa
nasce da demanda por novos dispositivos móveis, como aparelhos para leitura digital. O Ministério da Economia
de Taiwan disse que a Qualcomm decidiu instalar a nova fábrica em Hsinchu, região ao norte do país. O governo disse que o investimento da Qual-
comm ajudará a ampliar a tecnologia
de telas e criará oportunidades de empregos em Taiwan, que já é casa das
empresas Chimei Innolux e AU Optronics, terceira e quarta maiores fabricantes de LCD do mundo, respectivamente. Em Taiwan, empresas como
Acer, Asustek e Delta Electronics lançaram aparelhos de leitura digital (ereaders). ■ Reuters
A garantia estendida foi a estrela dos seguros de pessoa física em 2010, porque a classe C é responsável
pela compra de metade de todos os eletrodomésticos
vendidos e costuma aderir com facilidade à oferta de
uma apólice por um ano adicional de garantia na
compra de um liquidificador, aspirador ou laptop.
Em geral, o primeiro ano é concedido automaticamente pelo fabricante. A informação está no suplemento de seguros massificados editado pelo BRASIL
ECONÔMICO na quinta-feira passada. Li o texto e fiquei
com esse dado na cabeça. Avessa a penduricalhos financeiros dessa natureza, me surpreendeu que tanta
gente pudesse gostar a ponto de a tal garantia estendida representar o centro das atenções das companhias seguradoras, que vivenciaram o boom dos prêmios de baixo valor ao longo de 2010 e para tal montaram novas seções corporativas, comprando-se
umas às outras, estruturando call centers e criando
novas divisões de marketing.
Só em massificados, os seguros
movimentaram R$ 6 bi em 2010,
diz a Susep. É só 10% do mercado
total, mas é consistente e promissor
A sorte é que eu não trabalho para uma empresa de
seguros, pois poderia estar levando a empregadora a
perder negócios de relevância. Livre desse risco e com
a consciência aquietada, ainda assim não consegui
deixar de pensar no contexto econômico que estava
por trás dessa informação. Se a classe C está comprando eletrodomésticos adoidadamente, este país precisa
ser repensado. Só em massificados, os seguros movimentaram R$ 6 bilhões em 2010, conforme estimativa
da Susep. É só 10% do mercado de seguros, que movimenta R$ 60 bilhões, mas é consistente e promissor.
Seguro massificado inclui seguros de vida, inadimplência, desemprego, residência, proteção financeira, perda e roubo de cartão de crédito e de telefone celular. Agora até óculos e tênis estão sendo
segurados! São bens dos quais todo mundo depende,
mas que nunca haviam merecido a atenção de seguradoras, talvez por enfrentarem desgaste contínuo e
progressivo, tornando a logística de seu processamento inexequível. A novidade neste caso é a tecnologia, que entrou facilitando a distribuição do produto, o atendimento ao segurado e, importante, o
pagamento da indenização. Não há dúvida, este país
é outro, e tudo o mais precisa ser repensado. ■
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Para a divisão de macroeconomia do BB Investimentos,
a crise europeia ainda não foi solucionada, contendo
riscos de calote, mesmo após os auxílios concedidos
à Irlanda. No entanto, os analistas acreditam que
somente uma forte pressão sobre a dívida espanhola
pode comprometer o crescimento previsto para 2011.
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ENQUETE
Você está
confiante
em um bom
desempenho
da economia
brasileira
em 2011?
Não
23%
Sim
77%
Fonte: BrasilEconomico.com.br
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