www.brasileconomico.com.br mobile.brasileconomico.com.br TERÇA-FEIRA, 4 DE JANEIRO, 2011 | ANO 3 | Nº 341 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA O importador Gilberto Tarantino seduz o paladar do mercado de alto padrão com cervejas que chegam a custar R$ 700 a garrafa. ➥ P30 Murillo Constantino Governo divulga lista de 220 empresas autuadas por manter trabalhadores em regime análogo à escravidão. ➥ P16 R$ 3,00 Exportações atingem recorde de US$ 200 bilhões, apesar do câmbio Alta no valor das commodities impulsionou vendas externas, enquanto valorização do real incentivou as importações As vendas de produtos do Brasil ao exterior atingiram o patamar recorde de US$ 200 bilhões em 2010, segundo números divulgados ontem pelo governo. Para analistas, o principal fator que levou ao resultado foi a forte demanda por commodities no mercado internacional. Assim, pela primeira vez desde 1978, a participação dos produtos básicos na pauta de exportações superou a de manufaturados. No entanto, a valorização do câmbio atuou na outra mão e fez as importações dispararem. Como resultado, a balança comercial ficou em US$ 20,3 bilhões, o pior resultado da gestão do ex-presidente Lula. ➥ P12 Marcello Casal JR/ABr Empresas de aviação ampliam frota para crescer 15% em 2011 ➥ P22 First Data próxima de fechar dois acordos em cartões ➥ P32 Twitter torna-se pregão moderno Miriam Belchior defende gastos públicos, mas confirma cortes Ao assumir Planejamento, ministra diz que não vai permitir “satanização” de gastos de custeio. Alexandre Tombini, do Banco Central, defendeu meta menor de inflação no futuro, em torno de 3%. ➥ P4 A rede social não move mercados, mas reflete o que balança as bolsas — questões dificilmente observadas pelo investidor comum. ➥ P36 INDICADORES ▼ ▼ ▼ ▲ ▼ MAN investe R$ 150 milhões para iniciar produção de caminhões extrapesados no Rio ➥ P40 Eurobike usa pequenas lojas como estratégia para aumentar a venda de carros de luxo ➥ P24 ■ ▲ ▲ ▲ ▲ ▲ TAXAS DE CÂMBIO Dólar Ptax (R$/US$) Dólar comercial (R$/US$) Euro (R$/€) Euro (US$/€) Peso argentino (R$/$) JUROS Selic (a.a.) BOLSAS Bovespa - São Paulo Dow Jones - Nova York Nasdaq - Nova York S&P 500 - Nova York FTSE 100 - Londres Hang Seng - Hong Kong 3.1.2011 COMPRA VENDA 1,6510 1,6502 1,6510 1,6490 2,2099 2,2086 1,3385 1,3384 0,4159 0,4152 META EFETIVA 10,67% 10,75% VAR. % ÍNDICES 0,95 69.962,32 0,80 11.670,37 1,46 2.691,52 1.271,84 1,13 feriado 1,74 23.436,05 2 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 NESTA EDIÇÃO Murillo Constantino Em alta Mais medicamentos para o Nordeste Pesquisa da IMS Health, divulgada para Abafarma, mostra que do total de unidades vendidas para farmácias em 2010, 17,36% foram para o mercado nordestino, acima do Sul, que recebeu 16,89%. O Sudeste ficou com 54,14%. ➥ P20 Carlos Eduardo Cardoso Rodrigues Uno & Due além dos pães e sanduíches Plano prevê o lançamento de sobremesas geladas, incluindo o frozen yogurt Yogouno, que será vendido em lojas independentes e em quiosques adaptados dentro de algumas unidades Uno & Due. ➥ P29 Otimismo decola nos planos da Tam para os próximos anos As projeções são de que a demanda continuará aquecida, com crescimento médio anual de 9% nas próximas duas décadas. Em 2010, os dois principais marcos para a companhia foram a entrada na Star Alliance, em maio, um indicador de maturidade no mercado internacional, e o memoramento de entendimento com a chilena Lan para a criação da Latam, em agosto. A Tam vem operando com taxas de ocupação acima das estimativas, atingindo em novembro 66,6% no mercado doméstico, e de 77,3% nas rotas internacionais. Também foram criadas 169 etapas de voo no ano. ➥ P22 Calçados voltam a acertar o passo rumo ao exterior Depois de uma acentuada retração, provocada, principalmente, pela concorrência chinesa e pela recuo do consumo nos países europeus, a indústria brasileira desse segmento voltou a crescer em 2010, registrando no período de janeiro a novembro volume de vendas ao exterior da ordem de US$ 1,4 bilhão, com aumento de 9,8% em relação a 2009, quando houve queda de 27,7% sobre 2008. A Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) vê o caminho da retomada das exportações na oferta de produtos que consigam manter qualidade superior à dos chineses, mas que não sejam caros como os italianos. ➥ P13 Mr. Beer planeja expansão com franquias São 11 quiosques que comercializam cervejas artesanais importadas em dez shoppings e no Aeroporto de Congonhas. Meta é chegar a 25 e se expandir para o interior paulista, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Paraná. ➥ P31 Marcela Beltrão Cervejas especiais ganham espaço Marcas, como a escocesa Sink the Bismarck, cuja garrafa de 355 ml custa R$ 700 e tem teor alcoólico igual ao do uísque, crescem na preferência do consumidor brasileiro. Gilberto Tarantino, dono da Tarantino Importadora, trabalha com 80 rótulos, fora das alemãs e belgas mais conhecidas. ➥ P30 PCdoB tenta manter controle da APO Renato Rabelo, presidente do partido, quer a Autoridade Pública Olímpica, que cuidará da organização dos Jogos Olímpicos de 2016, sob controle do Ministério do Esporte. “É preciso brevidade. Os prazos estão correndo”, alerta. ➥ P11 Aneel na mira governamental Analistas são da opinião que a interferência oficial nas diretrizes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), uma das marcas dos oito anos do governo Lula, será mantida a aprofundada durante o governo Dilma. ➥ P14 Alfredo Saletti Baked Potato vai ao Norte e Nordeste Expansão acontecerá com a adesão ao sistema de franquias. A expectativa de Hércules Cagnin, diretor da empresa, especializada em batata recheada, é receber os primeiros parceiros no decorrer deste ano. ➥ P28 First Data chega ao país com dois acordos Henrique Manreza Uma das parcerias seria com o banco Fator, e outra com uma rede de distribuição de combustíveis. A maior processadora e credenciadora de cartões dos Estados Unidos tem operações em 36 países, 20 dos quais em credenciamento. ➥ P32 Eurobike mantém-se fiel ao mercado de carros de luxo Rede de concessionárias, formada por 16 lojas, especializada em marcas como Porsche, Volvo, BMW, Audi e Land Rover, entre outras, prefere continuar mantendo distância dos modelos populares, incluindo os das montadoras chinesas e coreanas. Com expectativa de faturamento de R$ 600 milhões em 2010, 25% a mais que em 2009, a estratégia a partir deste ano é colocar em prática um plano de expansão baseado na abertura de lojas pequenas, entre 200 e 500 metros quadrados, fora das grandes capitais. Henry Visconde, presidente, cita como exemplo dessas lojas, consideradas satélite, as de Marília (SP) e a de Caxias do Sul (RS). ➥ P24 Braile investe na valorização da vida A influência do Twitter no pregão Empresa de São José do Rio Preto (SP), fundada em 1977 pelo médico Domingos Braile, destina 15% da receita anual — R$ 50 milhões em 2010 — a pesquisa. No momento, trabalha em uma bomba circulatória extracorpórea. ➥ P18 Pesquisa da Universidade Técnica de Munique constata que cada aumento de 1% no volume de mensagens sobre determinada ação publicadas nessa rede social representa alta de 10% no volume do mesmo título negociado em bolsa. ➥ P36 Jonathan Alcorn/Bloomberg A FRASE “É preciso ter paixão” Arnold Schwarzenegger, ator e ex-governador da Califórnia, sobre os sete anos de mandato, encerrado ontem, com o estado americano afundado em graves problemas financeiros. A Califórnia já foi considerada a oitava economia do mundo, caso fosse um país. Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 3 EDITORIAL Jonathan Alcorn/Bloomberg TONY HSIEH, FUNDADOR DA ZAPPOS, LOJA DE VENDAS ON-LINE DE CALÇADOS Os cortes no Orçamento e alta dos juros Uma das interrogações que ficam, a partir dos primeiros pronunciamentos dos novos ocupantes dos principais ministérios da área econômica, é de quanto será o corte orçamentário neste primeiro ano de mandato da presidente Dilma Rousseff. “Vamos discutir o tamanho do contingenciamento, que tem todo ano e que este ano também vai ter”, anunciou a ministra Miriam Belchior, ao tomar posse, ontem, na pasta do Planejamento, revelando que fará uma discussão interna no ministério e depois se sentará com o ministro Guido Mantega, da Fazenda, para “discutir uma proposta única”. Uma boa referência são os R$ 21,8 bilhões de 2010, maior valor dos oito anos de governo Lula. A ministra também foi enfática na promessa de não promover cortes profundos em programas assistenciais, como o Bolsa Família, e, mesmo ressaltando que “os gastos de custeio não podem ser satanizados”, deixou em aberto a possibilidade de ajustes nessa área. Os cortes orçamentários e a alta dos juros vão adiar a revelação do estilo do novo governo na área econômica A expectativa é de que o presidente do Senado, José Sarney, encaminhe o projeto de lei orçamentária esta semana à presidente, para ser sancionado até fevereiro. Há previsões de que o contingenciamento pode chegar a R$ 30 bilhões. As discussões sobre o Orçamento coincidirão com a primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), prevista para os dias 18 e 19 próximos. Será um teste para a gestão de Alexandre Tombini, à frente do BC, e vai sinalizar até que ponto deve ser mantida a política conservadora de tentar controlar a inflação via elevação dos juros. No mercado financeiro, predomina o consenso de que, neste primeiro mês do governo Dilma, a taxa básica de juros subirá entre 0,25 e 0,50 ponto percentual, para 11% ou 11,25%. Caso se confirme essa alta, seguida de cortes no Orçamento, ainda que em percentuais e valores abaixo do que está sendo previsto pelos analistas, não será agora que o novo governo revelará aos brasileiros um estilo próprio na condução da política econômica. ■ Com nove anos de atividade, a Zappos.com, de vendas on-line de calçados, atingiu receita anual de US$ 1 bilhão e foi vendida à Amazon.com por US$ 1,2 bilhão. Seu fundador, Tony Hsieh, conta como foi o negócio no livro Satisfação Garantida, lançado neste fim de ano no Brasil. ➥ P26 Diretor de Redação Ricardo Galuppo Diretor Adjunto Costábile Nicoletta Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos Diretor-Presidente José Mascarenhas Diretor-Vice-Presidente Ronaldo Carneiro Diretores Executivos Alexandre Freeland e Ricardo Galuppo [email protected] BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A. Redação, Administração e Publicidade Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP), Tel. (11) 3320-2000. Fax (11) 3320-2158 Editores Executivos Arnaldo Comin, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa, Produção Editorial Clara Ywata Editores Carla Jimenez (Brasil), Conrado Mazzoni (On-line), Fabiana Parajara (Destaque), Márcia Pinheiro (Finanças), Rita Karam (Empresas) Subeditores Estela Silva, Isabelle Moreira Lima (Empresas), Luciano Feltrin (Finanças), Marcelo Cabral (Brasil), Micheli Rueda (On-line) Repórteres Amanda Vidigal, Ana Paula Machado, Ana Paula Ribeiro, Bárbara Ladeia, Carlos Eduardo Valim, Carolina Alves, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Claudia Bredarioli, Daniela Paiva, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Elaine Cotta, Eva Rodrigues, Fabiana Monte, Fábio Suzuki, Felipe Peroni, Françoise Terzian, João Paulo Freitas, Juliana Rangel, Karen Busic, Luiz Silveira, Lurdete Ertel, Maria Luiza Filgueiras, Mariana Celle, Mariana Segala, Martha S. J. França, Michele Loureiro, Natália Flach, Nivaldo Souza, Paulo Justus, Pedro Venceslau, Priscila Dadona, Priscila Machado, Regiane de Oliveira, Ruy Barata Neto, Thais Folego, Vanessa Correia, Weruska Goeking Brasília Maeli Prado, Simone Cavalcanti Rio de Janeiro Daniel Haidar, Ricardo Rego Monteiro Arte Pena Placeres (Diretor), Betto Vaz (Editor), Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Roberto Argento, Renata Rodrigues, Renato B. Gaspar, Tania Aquino (Paginadores), Infografia Alex Silva (Chefe), Anderson Cattai, Monica Sobral Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão (Subeditora), Evandro Monteiro, Henrique Manreza, Murillo Constantino, Rafael Neddermeyer (Fotógrafos), Angélica Breseghello Bueno, Carlos Henrique, Fabiana Nogueira, Thais Moreira (Pesquisa) Webdesigner Rodrigo Alves Tratamento de imagem Henrique Peixoto, Luiz Carlos Costa Secretaria/Produção Shizuka Matsuno Publicidade Legal Marco Panza (Diretor de Publicidade Legal e Financeira), Marco Aleixo (Gerente Executivo), Adriana Araújo, Ana Alves, Carlos Flores (Executivos de Negócios), Solange Santos (Assistente Comercial) Departamento de Marketing Anysio Espindola, Evanise Santos (Diretores), Rodrigo Louro (Gerente de Marketing), Giselle Leme, Roberta Baraúna (Coordenadores de Marketing). Operações Cristiane Perin (Diretora) Departamento Comercial Paulo Fraga (Diretor Executivo Comercial), Mauricio Toni (Diretor Comercial), Júlio César Ferreira (Diretor de Publicidade), Ana Carolina Corrêa, Sofia Khabbaz, Valquiria Rezende, Wilson Haddad (Gerentes Executivos), Paulo Fonseca (Gerente Comercial), Celeste Viveiros, Mariana Sayeg (Executivos de Negócios), Jeferson Fullen (Gerente de Mercados), Andréia Luiz (Assistente Comercial) Projetos Especiais Márcia Abreu (Gerente), João Felippe Macerou Barbosa, Samara Ramos (Coordenadores), Daiana Silva Faganelli (Analista), Solange Santos (Assistente Executiva) Departamento de Mercado Leitor Nido Meireles (Diretor), Nancy Socegan Geraldi (Assistente Diretoria), Denes Miranda (Coordenador de Planejamento) Central de Assinantes e Venda de Assinaturas Marcello Miniguini (Gerente de Assinaturas), Vanessa Rezende (Supervisão de Atendimento), Conceição Alves (Supervisão) São Paulo e demais localidades 0800 021 0118 Rio de Janeiro (Capital) (21) 3878-9100 De segunda a sexta-feira - das 6h30 às 18h30. Sábados, domingos e feriados - das 7h às 14h. [email protected] Central de Atendimento ao Jornaleiro (11) 3320-2112 Jornalista Responsável Ricardo Galuppo TABELA DE PREÇOS Assinatura Nacional Semestral Anual Trimestral R$ 197,00 R$ 328,80 R$ 548,00 Condições especiais para pacotes e projetos corporativos (circulação de segunda a sexta, exceto nos feriados nacionais) Auditado pela BDO Auditores Independentes Impressão: Editora O Dia S.A. (RJ) Nova Forma (SP) FCâmara Gráfica e Editora Ltda. (DF/GO) 4 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 DESTAQUE NOVO GOVERNO Meta de inflação pode ser menor, admite Tombini ECONOMIA DOMINA PRIMEIRO DIA ÚTIL DE MANDATO Para novo presidente do Banco Central, melhoria em marcos legais pode aproximar o Brasil da média de países emergentes, de 3% Maeli Prado, de Brasília Ricardo Moraes/Reuters [email protected] O Brasil tem que começar a buscar uma meta de inflação mais parecida com a média dos países emergentes, que é de 3% ao ano — o objetivo nacional hoje é de uma variação anual de 4,5%, pelo índice de preços oficial. A possibilidade de um aperto no alvo da política monetária no futuro, que já havia sido mencionada pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, foi ressaltada ontem por seu sucessor, Alexandre Tombini, durante a cerimônia de posse. “Creio que esse é um processo que devemos perseguir”, afirmou, destacando que uma eventual redução na meta ocorreria como consequência de processos graduais, como o aperfeiçoamento de marcos legais e regulatórios no país. Momento antes, o próprio Meirelles, ao se despedir do cargo que ocupou por oito anos, havia alertado que reduções nos juros daqui para a frente não devem provocar alarde na sociedade. “O BC diagnosticou riscos não aceitáveis na expansão do crédito, conjugados com pressões na formação de preços, com risco inflacionário. Em resumo, elevações na Selic não devem ser motivo de alarido, pois essa é a tarefa permanente e nunca encerrada do Banco Central”, disse o ex-presidente do BC, que falou longamente sobre as conquistas da estabilidade trazida pela política econômica encampada pelo governo Lula: aumento da renda, crescimento do mercado de capitais, elevação do país ao patamar de grau de investimento e o pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional, entre outras. “Digo-lhes, de coração aberto, que valeu a pena. Minha missão como autoridade monetária está cumprida”, afirmou. Logo depois, Tombini mandou um recado elaborado na medida para apaziguar os ânimos de quem se preocupou com os rumores de que a presidente Dilma Rousseff teria cogitado reduzir a autonomia do Banco Alexandre Tombini Presidente do Banco Central “Crescimento sustentável, só com inflação baixa, estável e previsível. Julgo importante ressaltar o compromisso pedido por Dilma para que esta instituição busque de forma incansável e intransigente a estabilidade do poder de compra da moeda” Central na condução da política monetária. “Crescimento sustentável só com inflação baixa, estável e previsível. É isso que permite a realização de investimentos e o planejamento pelas empresas e governo. Julgo importante ressaltar o compromisso pedido por Dilma que esta instituição busque de forma incansável e intransigente a estabilidade do poder de compra da moeda”. Técnico de carreira do BC, o novo presidente da instituição elogiou o sistema de metas de inflação, que ajudou a criar há mais de 11 anos. “O regime tem cumprido as expectativas da sociedade, absorvendo choques econômicos diversos pela sua simplicidade, fácil aferição e transparência na comunicação com a sociedade. É complementado pelo regime de câmbio flutuante e a meta de superávit fiscal, e é nesse tripé que a economia brasileira tem tido resultados extremamente positivos”. Ele destacou a necessidade de ampliar a concessão de crédito, até como forma de aumentar a eficácia da política monetária, mas fez a ressalva de que esse crescimento precisa ser sustentável para não se transformar em uma bolha de crédito. “As crises, às vezes, são percebidas somente em estágio avançado. Precisamos estar alertas”. Apesar da austeridade típica de um ambiente em que o tema é a política monetária, houve pelo menos um momento de descontração durante a posse. No meio do seu discurso, Meirelles ficou com a garganta seca e pediu água a um funcionário. Tombini se levantou e levou o copo que estava sobre a mesa até o seu antecessor, arrancando aplausos da plateia. Meirelles expressou satisfação com a escolha do novo presidente do BC. “Como considerei finda a minha missão e resolvi encerrar em 2010 o meu trabalho no Banco Central, a minha recomendação ao Lula foi o Tombini. Depois de quatro anos de trabalho conjunto, considero que ele está preparado e disposto a isso”. ■ Mercado aposta O maior desafio do novo comandante do BC será o controle inflacionário Priscila Dadona [email protected] A gestão de Alexandre Tombini à frente do Banco Central (BC) será de continuidade na visão do mercado financeiro. O próprio ex-presidente da instituição, Henrique Meirelles, em seu discurso de despedida, ontem, deu a entender que a indicação de seu sucessor foi pensada com este objetivo. “Depois de quatro anos de trabalho conjunto, con- sidero que ele [Tombini] está preparado e disposto a isso”, afirmou Meirelles, o mais longevo presidente da história do BC, com oito anos de mandato. Segundo André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, a escolha do novo presidente do banco foi bem calculada. “Ele segue o perfil esperado, e não foi uma grande surpresa”. Leonardo dos Santos, economista da Austing Rating, também é partidário de uma sequência na administração. Para Santos, o que pode ocorrer é uma maior participação de outros diretores nas decisões. Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 5 LEIA MAIS Caciques do PMDB boicotam ministros do PT e comparecem em peso à posse de Edison Lobão (Minas e Energia), que promete primeiro leilão do pré-sal para este ano. Miriam Belchior chorou ao assumir Planejamento. Primeiro ao lembrar do ex-marido, Celso Daniel, morto em 2002, e depois ao citar Lula, que ela afirma “continuar nos guiando”. Fernando Pimentel recebeu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, com a promessa de criar o BNDES Exim, fundo para incentivar exportações. Roberto Stuckert Filho/PR O primeiro compromisso da presidente Dilma Rousseff ontem foi uma reunião a portas fechadas com os ministros da Casa Civil, Antonio Palocci, e da Fazenda, Guido Mantega. A pauta do encontro não foi divulgada, mas a reforma tributária e cortes de gasto no valor de R$ 30 bilhões no Orçamento de 2011 devem ter conduzido a conversa. No final da tarde, a presidente esteve com o vice-presidente, Michel Temer, e os seis ministros que integram a coordenação política: Palocci, Mantega, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Helena Chagas (Secretaria de Comunicação), Luiz Sérgio (Secretaria de Relações Institucionais), Miriam Belchior (Planejamento), e José Eduardo Cardozo (Justiça), além do chefe-de-gabinete de Dilma, Gilles Carriconde Azevedo, para definir as primeiras ações do governo. em administração de continuidade “ Mudanças bruscas não devem ser a tônica da nova gestão, mas a participação de outros membros da diretoria deve ganhar peso Leonardo dos Santos, economista da Austin Rating “Mudanças bruscas não devem ser a tônica, mas a participação de outros membros deve ganhar peso”, diz. Daives Ribeiro, gerente da Fair Corretora de Câmbio, acredita que Tombini tem a bagagem técnica necessária para administrar o BC. “É mais técnico que Meirelles”, afirma. Principal desafio O controle inflacionário é apontado como o maior desafio para Tombini. “A inflação deve estar sempre à frente do BC”, brinca Santos. Perfeito é ainda mais enfático e garante que o discur- so de posse de Dilma Rousseff foi um recado ao setor mais ortodoxo do mercado. “Ela deixou claro que vai prestar atenção na inflação e quem pensa o contrário está enganado”. Na próxima sexta-feira será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, cujas projeções sinalizam alta de 0,59% ao mês e de 5,89% no ano. “Vão observar os índices. Não vão fazer outra coisa. Política monetária é apenas um elemento deste arranjo”, diz Perfeito. Na avaliação de Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora, o que muda no novo comando é a matriz do controle de inflação. Ou seja, com as medidas para reduzir a disponibilidade de crédito e o encurtamento dos prazos de pagamento, o BC não precisa se valer somente da alta dos juros.“Vai resistir em elevar o juro, cortando gastos e sendo mais rigoroso em monitorar o crédito”, diz. Como os efeitos não são imediatos, ele aposta que o governo vá apreciar o real, por meio de leilões de compras de dólar no mercado à vista, e aguardar. “Não vai descuidar. Vai agir mais sobre as causas”. ■ MUDANÇAS E DESAFIOS ● O controle inflacionário deve ser perseguido pelo novo governo e isso deve ser o grande desafio da nova presidência do Banco Central. ● Medidas de redução da disponibilidade de crédito e de encurtamento de prazos podem ser coadjuvantes no combate à inflação. 6 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 DESTAQUE NOVO GOVERNO “Não vamos permitir que satanizem os gastos” Miriam Belchior, ministra do Planejamento, porém, confirma corte no Orçamento Pedro Venceslau, de Brasília [email protected] Com a chegada de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto, a engenheira Miriam Belchior, de 54 anos, assumiu oficialmente ontem o posto de nova mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O programa de maior visibilidade do Governo Federal deixou a Casa Civil e foi com Miriam para o Planejamento. A sucessora de Paulo Bernardo aproveitou a solenidade de posse para anunciar que a coordenação-geral do PAC não será diluída no organograma do ministério, mas administrada por uma secretaria específica. O titular será Maurício Muniz, que trabalhava na área de coordenação do PAC na Casa Civil. O Minha Casa, Minha Vida, programa que tem como objetivo facilitar a compra de imóveis para famílias de baixa renda e é gerido pelo Ministério das Cidades, contará com acompanhamento específico do Planejamento. Durante seu discurso, Miriam não conteve a emoção e chorou várias vezes, especialmente ao prestar homenagem ao ex-marido Celso Daniel, exprefeito de Santo André, assassinado em 2002. “O cargo que ocuparei a partir de hoje talvez tivesse sido ocupado por ele no PERFIL ✽ Miriam Belchior A nova ministra do Planejamento tem 54 anos e está há oito no governo. Ela participou, em 2002, da equipe de transição do governo de Fernando Henrique Cardoso para o de Luiz Inácio Lula da Silva e de lá foi para a Casa Civil. Foi coordenadora do PAC. Engenheira alimentar e mestre em Administração, ela é começou a militância no PT em Santo André (SP) nos anos 80. Foi casada com o ex-prefeito da cidade, Celso Daniel, e comandou diversas secretarias na administração municipal. governo Lula. O legado administrativo dele impregnou cada passo que dei no governo e continuará me influenciando”. A nova titular do Planejamento também foi às lágrimas ao agradecer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele vai continuar nos guiando”. Miriam aproveitou sua fala para criticar a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. “O ministro Paulo Bernardo e sua equipe consolidaram iniciativas que se iniciaram com os ministros Guido Mantega e Nélson Machado. Eles interromperam a política de desmonte do Estado brasileiro, garantindo que órgãos que estavam impedidos de cumprir sua missão pela exiguidade de quadros técnicos qualificados recuperassem sua capacidade de formular políticas públicas de êxito”. Outro ponto forte da posse foi a promessa de não promover cortes profundos nos programas assistenciais. “Os gastos de custeio não podem ser simplesmente satanizados. É possível fazer mais com menos”. Mais tarde, no ministério, a ministra explicou melhor sua afirmação. “A satanização (do custeio) é comum. Bolsa Família é custeio, Saúde é custeio, manutenção de rodovia é custeio. Não podemos confundir custeio com investimento, nem colocar tudo no mesmo saco como se fossem gastos perniciosos”. Contingenciamento Apesar da promessa, a ministra afirmou que haverá redução de recursos em algumas áreas, mas não quis adiantar os valores. Afirmou apenas que o contingenciamento será definido ainda janeiro e que o congelamento de alguns gastos será necessário. A praxe do governo é anunciar os cortes em fevereiro. Ano passado, por exemplo, houve retenção de R$ 21,8 bilhões — o maior valor dos dois mandatos de Lula. “Vamos discutir o tamanho do contingenciamento, que tem todo ano. Esse ano também vai ter. A receita está superior ao que acreditamos que vai acontecer. Não há diferença. Devo fazer uma discussão interna e depois sentar com o Guido Mantega para a gente discutir uma proposta única”. A ministra reafirmou que o salário mínimo subirá de R$ 510 para R$ 540 em janeiro, conforme o orçamento de 2011 aprovado pelo Congresso. “O governo fez um acordo com as centrais sindicais há alguns anos. E lá tem uma regra clara [PIB nominal mais inflação]. Acredito que ela deve permanecer”. Miriam afirmou que não falará sobre resoluções da equipe econômica para “evitar cizânias que geram divergências”. ■ Caciques do PMDB boicotam posses do Ministro de Minas e Energia diz que primeiro leilão do pré-sal ocorrerá no segundo semestre Maeli Prado, de Brasília [email protected] Se o PMDB esteve ausente de posses de ministérios assumidos pelo PT como forma de protestar contra a distribuição de cargos no governo de Dilma Rousseff, em especial no segundo escalão, os principais caciques do partido compareceram em peso à troca de comando no Ministério de Minas e Energia, reassumido na manhã de ontem pelo peemedebista Edison Lobão, do Maranhão. Estavam presentes o vicepresidente da República, Michel Temer, o presidente do Senado, José Sarney, padrinho político do ministro, e a governadora Roseana Sarney, além do líder da legenda na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). No final da cerimônia, Lobão afirmou que a primeira rodada do leilão do pré-sal, que inaugurará o regime de partilha no país, acontecerá ainda em 2011, provavelmente no segundo semestre. A 11ª rodada da licitação dentro do regime de concessão ocorrerá no primeiro semestre. A diferença entre os dois regimes é que, na partilha, vence quem oferecer a maior quantidade de petróleo ao governo. Na concessão, ganha quem oferecer o maior valor pelo bloco. “Estou convencido de que os dois serão feitos em 2011. A 11ª rodada deve acontecer já no primeiro semestre; quanto à partilha, deve ficar para o segundo semestre”. A realização da rodada pelo regime de partilha depende da aprovação, pelo Congresso, de um projeto de lei que estabeleça um novo modelo de distribuição dos royalties entre os estados e municípios que seja mais igualitário. “Acredito que o Congresso deve ajudar, é do interesse de todo o país. O Ministério da Fazenda também está sendo contatado, já que essa é uma questão também de tributos”, afirmou “ Estou convencido de que dois leilões serão feitos em 2011. A 11ª rodada deve acontecer já no primeiro semestre; quanto à partilha, deve ficar para o segundo semestre Edison Lobão, ministro de Minas e Energia Lobão, que havia deixado a pasta no início do ano passado para concorrer ao Senado e que ontem recebeu o cargo das mãos de Márcio Zimmermann. De acordo com o ministro, as obras da hidrelétrica de Belo Monte devem começar em abril se sair a licença ambiental. Concessões Lobão defendeu ainda que o governo comece a se preparar para a renovação das concessões de energia, que começam a vencer em 2015. “Estudamos essa questão na minha gestão e na do Márcio Zimmermann, e teremos uma definição com a presidente. O governo terá que madrugar para resolver esse problema”. Em 2015, os contratos de 20% do parque gerador de energia do Brasil serão encerrados. Essas concessões teriam que voltar para a União, que abriria novas licitações, mas as empresas defendem que a lei seja modificada e que os contratos possam ser simplesmente renovados. ■ Lobão (ao centro) assume ministério com apoio de líderes do partido, como José Sarney e o vice-presidente Michel Temer Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 7 Sérgio Lima/Folhapress Ministra se emociona ao falar de Lula e do ex-marido, Celso Daniel, assassinado em 2002 Ministros assumem com polêmicas Um dia marcado pelas posses em Brasília Vinte ministros receberam ontem o cargo de seus antecessores, entre eles Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Paulo Bernardo (Comunicações), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), Ideli Salvatti (Pesca e Aquicultura) e Luiz Sérgio (Relações Institucionais), que assumiu a pasta afirmando que irá dialogar com o PMDB sobre distribuição de cargos no governo. “A palavra chave é diálogo. O PMDB é parte importante do governo de coalizão e as questões se resolvem com o diálogo”. Ele diz ainda que vai trabalhar pela aprovação da reforma política e de medidas tributárias, além de consolidar o diálogo com o Congresso Nacional e com governadores e prefeitos. “A secretaria vai dialogar com todos. Vamos discutir mecanismos de simplificação e busca de eficiência tributária”, disse. “E a questão da reforma política, a meu ver, é uma necessidade. A sociedade precisa entender que essa é uma pauta dela, fundamental para a democracia brasileira”, confirmando discurso de vários líderes políticos (leia mais na página 9). Banda larga PT e prestigiam Lobão Marcello Casal Jr/ABr O novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou ontem que pretende “inundar o país com redes de comunicações” para os eventos esportivos dos próximos anos e para atender à demanda da nova classe média. Bernardo também reiterou o compromisso de tocar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), para internet, e o Plano Geral de Metas de Universalização, para a telefonia fixa. Nesse ponto, chamou a atenção para a necessidade de contar com a colaboração das empresas de telecomunicações. “É preciso preservar o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos”, afirmou. Ditadura A nova ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário Nunes (PT-RS), causou sensação no primeiro dia útil de mandato Dilma ao afirmar que “é mais do que chegada a hora” de o país prestar esclarecimentos sobre a violação de direitos humanos ocorrida durante a ditadura militar (1964-1985). Maria do Rosário tentou dar um tom de entendimento às declarações ao dizer que “não há mais contra- “ A palavra-chave é diálogo. O PMDB é parte importante do governo de coalizão e as questões se resolvem com o diálogo Luiz Sérgio, ministro das Relações Institucionais dições entre os setores militares e a democracia”. “Nós estamos conciliando a nação brasileira”, afirmou a ministra, enalteceu a presença de Nelson Jobim, que continuará à frente do Ministério da Defesa, em sua posse. “É um sinal de entendimento pleno. É um governo, um projeto, uma democracia sendo consolidada. O Ministério da Defesa e a pasta de Direitos Humanos estão integrados”. No último mês do governo Lula, o Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), pela violação de direitos fundamentais de 62 pessoas desaparecidas na Guerrilha do Araguaia (ocorrida no início dos anos 1970) e por não prestar esclarecimentos aos parentes sobre o paradeiro dos corpos dessas pessoas. Também durante o governo Lula, o Executivo mandou ao Congresso Nacional um projeto de lei (PL 7.376/2010) para criar a Comissão Nacional da Verdade a fim de apurar, sem poderes de julgamento civil ou penal, a ocorrência de crimes como sequestro, tortura, estupro e assassinato, cometidos por militares e policiais na repressão à luta armada. ■ Redação com informações da Agência Brasil 8 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 DESTAQUE NOVO GOVERNO Exportar é prioridade para Pimentel Novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio diz que desafios podem ser superados com inovação e Paulo Justus, de Brasília [email protected] A carga tributária elevada, as altas taxas de juros e a guerra cambial são os principais desafios ao crescimento do país na opinião do novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Ontem, durante seu discurso na transmissão do cargo, que contou com a participação de parlamentares e presidentes de entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Pimentel afirmou que essas dificuldades podem ser superadas com inovação, internacionalização, investimentos e parcerias. Para o antecessor de Pimentel, Miguel Jorge, a pasta tam- bém precisa restituir os créditos tributários para os exportadores ainda retidos na União e estados, ampliar a qualificação profissional e incentivar a internacionalização das empresas brasileiras. “As medidas e ações do Ministério representaram avanços importantes, mas é preciso muito mais para ampliar a competitividade da nossa indústria”, disse, em sua despedida. O presidente da CNI, Robson Braga, que participou da cerimônia de posse, elogiou a inclusão da inovação entre as prioridades do ministério. “Temos um aliado maior para dar impulso no desenvolvimento da inovação e da tecnologia no Brasil”. Pimentel disse ainda que vai priorizar a defesa comercial e o incentivo às exportações em sua gestão. Entre as ações estão a Entre as primeiras medidas está a criação do BNDES Exim, fundo com incentivos para exportadores criação do BNDES Exim, fundo com incentivos para exportadores, que segundo o ministro deve ser lançado ainda no primeiro semestre. “O projeto ficou congelado por causa das eleições, mas deve estar a pleno vapor ainda no primeiro semestre”. De acordo com ele, as políticas de incentivo às exportações devem ser tomadas em conjunto com o Banco Central e outros ministérios, em especial Planejamento, Fazenda e Ciência e Tecnologia, de forma a integrar medidas tributárias, políticas econômicas e incentivo à inovação. “A ideia é que trabalhemos todos os ministérios de forma afinada”, afirmou. Em relação à guerra cambial, Pimentel afirma não ter dúvidas que essa será uma das principais pautas nas primeiras visitas in- ternacionais da presidente Dilma Rousseff, especialmente nas viagens aos Estados Unidos e China. “A presidente está sinceramente preocupada com o efeito da taxa de câmbio sobre as nossas exportações e a cadeia produtiva como um todo”. Além do esforço da presidente, o ministro prevê a adoção de desonerações tributárias para os segmentos mais afetados pelo real valorizado. Essa seria uma maneira de compensar o setor produtivo com a manutenção do câmbio flutuante. A política conjunta da área econômica também será direcionada para o aumento da participação do setor privado no investimento. Segundo Pimentel, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que reúne os ministérios do Desenvolvimento, Casa Civil, Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 9 Ag. Câmara Deputados querem mais participação popular nas discussões internacionalização Ascom/MDIC Líderes defendem votação de reformas política e tributária Pendências da Casa também incluem a regulamentação dos meios de comunicação e temas ambientais, como as mudanças no Código Florestal Pimentel, de gravata vermelha, recebeu ministério de Miguel Jorge (à dir. dele). Alessandro Teixeira (à esq.) é nomeado secretário executivo do MDIC Agricultura, Relações Exteriores, Fazenda e Planejamento, deve se reunir ainda no decorrer de janeiro para alinhar as propostas de defesa comercial e promoção das exportações. Micro e pequenas empresas Segundo o ministro do Desenvolvimento, a criação do Ministério das Micro e Pequenas empresas está planejada e deve ocorrer dentro dos próximos quatro meses. “A presidente tem essa intenção desde que era ministra, mas ainda não está definida ainda o projeto de lei que será encaminhado para o Congresso”. Alessandro Teixeira, ex-presidente da Apex e que ontem assumiu o cargo de secretário executivo do ministério do Desenvolvimento, é o nome mais cotado para a nova pasta. ■ As reformas política e tributária são as principais pendências para o governo de Dilma Rousseff, dizem os líderes partidários. “Ainda não houve consenso para esses assuntos. Eles devem ser a pauta número um e número dois deste ano”, afirma o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). De acordo com o líder do Psol, deputado Ivan Valente (SP), o atual financiamento privado de campanhas é a raiz da corrupção. O líder do PV, deputado Edson Duarte (BA), também defende a revisão do sistema eleitoral. Na opinião dos líderes, no entanto, o caminho para a reforma política já foi pavimentado com a aprovação da Lei da Ficha Limpa em maio. “A Ficha Limpa teve a participação do povo brasileiro, de todos os setores. Foi uma colaboração da sociedade via Congresso”, diz Alves. “Vamos trabalhar por uma reforma que melhore as instituições eleitorais e políticas da sociedade, para permitir que o cidadão comum participe da política”, afirma o novo líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP). Na oposição, o vice-líder do DEM, deputado José Carlos Ale- “ Ainda não houve consenso para esses assuntos. Eles devem ser a pauta número 1 e número 2 deste ano Henrique Eduardo Alves, deputado federal (PMDB-RN) luia (BA) e o líder do PSDB, deputado João Almeida (BA) defendem a execução democrática das reformas política e tributária, sem privilégios à partidos sem representatividade. Reforma tributária Sobre a reforma tributária, a Câmara analisa relatório do deputado Sandro Mabel (PR-GO), ainda sem votação. “A incidência de tributos deveria ser sobre a propriedade e a riqueza, e não sobre o consumo e a renda. O sujeito mais rico paga o mesmo imposto que o cidadão médio por uma dúzia de ovos”, diz Valente, contrário ao texto atual. As pendências da Câmara também incluem temas como a regulamentação do funciona- mento dos meios de comunicação e assuntos ambientais. Para o líder do PT, deputado Fernando Ferro (PE), na área da comunicação “o debate fica interditado por interesses empresariais e isso só vai mudar se a sociedade se envolver como fez com a Ficha Limpa.” Segundo o deputado Edson Duarte, as propostas em pauta sobre meio ambiente, em geral, flexibilizam a legislação, como o projeto de mudanças no Código Florestal (PL 1876/99). “A Câmara é bastante conservadora e o poder econômico é uma influência forte. No Brasil, há uma visão de que o meio ambiente é adversário do desenvolvimento”, diz ele. ■ Redação com informações da Agência Câmara AGENDA Senado manda lei orçamentária para Dilma esta semana O presidente do Senado, José Sarney, encaminha ainda esta semana à presidente Dilma Rousseff o texto final da lei orçamentária para 2011, que deverá ser sancionado por ela. Há expectativa de que o governo anuncie, até fevereiro, uma redução de até R$ 30 bilhões nas despesas do Orçamento para o próximo ano, mas o salário mínimo, hoje em R$ 540, não deve ser afetado. Aprovado na noite de 22 de dezembro do ano passado, o Orçamento contempla um cenário econômico de austeridade no gasto público. Ali está estabelecido que o limite para remanejamento das verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) terá o teto de 30%, mas o governo deverá informar à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) quando superar os 25%. Na proposta original enviada em agosto pelo Executivo ao Congresso, a equipe econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva previa um salário mínimo de R$ 538,15. No Legislativo, o número foi arredondado para R$ 540,00, valor que recompõe a inflação que atingiu o piso salarial em 2010. O texto da lei orçamentária seguirá ao Palácio do Planalto, para Dilma Rousseff e para o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Agência Senado 10 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 OPINIÃO Murillo de Aragão Marcos Troyjo Saumíneo da Silva Nascimento Cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas Presidente da Wisekey-Brasil e doutor em sociologia das relações internacionais pela USP Presidente do Banco do Estado do Sergipe (Banese) e doutor em geografia Bem-vindo, 2011! Mandarins do comércio Desafios do governo Tanto o final da era Lula quanto o início da gestão Dilma Rousseff padecem de avaliações que oscilam entre o pessimismo, a má-vontade e o otimismo. Os pessimistas acreditam que 2011 poderá ser um ano muito difícil. Os que têm má-vontade têm certeza de que tudo vai dar errado. E os otimistas vêem os desdobramentos futuros como absolutamente positivos. Alguns já lembram que determinados indicadores econômicos estariam se deteriorando. A preocupação estaria centrada na inflação, no câmbio e no superávit primário. Em 2010, até novembro, o IPCA (índice oficial de preços) subiu para 5,25%. Ele deve fechar 2010 perto do teto da meta do Banco Central (6,5%). Por isso, o BC pode ter que aumentar os juros já em janeiro. O dólar continua derretendo e o Real super valorizado. A combinação desses indicadores apontaria para um ano difícil e de grande complexidade para a gestão econômica. Não é bem assim. O quadro que se apresenta para Dilma é o melhor que um presidente da República encontra desde o primeiro mandato de FHC. Evidente que em 2011 não iremos repetir o crescimento de 2010. O governo tenderá a ser mais parcimonioso no campo fiscal para curar as ressacas das medidas anticíclicas do pós-crise de 2008 e do estrago tradicional nas contas públicas em anos eleitorais. Além da consciência do cenário, a favor de Dilma, temos vários aspectos. A equipe econômica que se apresenta para gerir a economia em 2011 é experiente e tem ainda a presença de Antonio Palocci como uma espécie de “advisor” para questões macroeconômicas. No mercado, não existem resistências ao financiamento da dívida interna. No campo externo, o buraco nas contas é um problema sério. Mas, felizmente, pode ser adequadamente gerenciado ao longo dos próximos anos. Quanto à inflação, Dilma mostrou-se disposta a pagar o preço que for para mantê-la sob controle. Assim, por mais que existam desafios complexos a serem vencidos, não devemos adotar uma postura pessimista nem nos iludirmos com um cenário céu de brigadeiro. 2011 será um ano de ganhos econômicos e sociais e de crescimento significativo do PIB. Ainda que menor do que em 2010. No campo social, a dinâmica econômica e o mercado interno continuarão a provocar ganhos e, sobretudo, consolidar os avanços ocorridos nos últimos anos. A China vem se consolidando como principal parceiro comercial do Brasil. Durante décadas, esse papel coube aos EUA. Para além dos contratos em commodities, qual o mais importante negócio que os brasileiros levam da China? Talvez a resposta seja uma lição. Há 30 anos, se alguém tivesse de colocar fichas no país que, ao limiar do terceiro milênio, teria um dos três maiores PIBs do mundo, a aposta seria: Brasil. Crescíamos em torno de 10% ao ano — o “milagre brasileiro”. A China vivia o terceiro ano sem Mao-Tsetung e o rescaldo da Revolução Cultural. Era um ator desimportante do comércio internacional. Brasil e China apresentavam, no entanto, uma semelhança fundamental: ausência de mecanismos internos de geração de poupança. O Brasil enfrentara esta situação com empréstimos internacionais. Foi apenas natural a poupança importada mediante contratos a juros flutuantes. Em 2011 teremos um novo governo federal administrando o Brasil e claro que desafios sempre existiram e existirão para quem assume um governo. Repassarei adiante algumas observações de desafios que foram apresentadas pelo ministro da Fazenda do governo brasileiro, Guido Mantega. Julgo que referidas opiniões estão sintonizadas com a evolução das teorias econômicas, refletindo as preocupações e problemas concretos enfrentados pela nossa sociedade. O primeiro desafio é a manutenção do crescimento sustentável, pois temos um cenário mundial incerto e adverso, porém o Brasil reúne condições de continuar e melhorar a sua trajetória de crescimento. Um novo ciclo de desenvolvimento irá acontecer e, a expectativa é de o PIB brasileiro ter crescimento médio anual de 6,1%, registre-se que o crescimento entre 1998 a 2002 foi de 1,7% e de 4,1% entre 2003 e 2010. Outro desafio é a consolidação de uma eficiente política fiscal, o que irá requerer tratamento rigoroso no controle do custeio, verifique-se que no pós-crise (2009-2010), o Estado aumentou os gastos com subsídios, desonerações e investimentos. Agora que a economia está recuperada, a tendência é o Estado diminuir os gastos de custeio e impedir a efetivação de novos gastos, algo diferente do que ficou conhecido no passado como ajuste fiscal. A consequência do trabalho será a geração de poupança pública, o que poderá propiciar a redução de juros. Nesta lógica é possível que ocorra diminuição de estímulos fiscais, mas com provável aumento de estímulos monetários, assim teremos a substituição de demanda do setor público por demanda do setor privado. Por parte de quem chega ao governo existe o completo entendimento dos desafios e das oportunidades. O discurso de Dilma mostrou isso Talvez a grande interrogação de 2011 seja o ambiente externo. Uma grave crise econômica ronda a Europa. Os Estados Unidos ainda não se recuperaram de 2008. E se cogita, seriamente, a morte do euro nos próximos dez anos. Portanto, sem querer se filiar ao pessimismo obtuso ou ao otimismo lunático e, sobretudo, repudiando a mávontade que não é boa conselheira em se tratando de cenários, vemos o Brasil de 2011 com boas perspectivas mesmo que existam desafios complexos e importantes. A raiz da minha confiança está no fato de que existe o completo entendimento de quem chega ao governo dos desafios e das oportunidades que se apresentam. Tal aspecto ficou bem claro nos discursos de Dilma. ■ O Brasil precisa evitar a tentação financeira de curto prazo, e perseverar na estratégia preferencial de ações de promoção comercial Em 1979, há o segundo choque de petróleo; a China restabelece suas relações com os EUA. No ano seguinte, recebe status de nação mais favorecida em seu comércio com os EUA. O Brasil, a partir de 1981, passou a sofrer com as astronômicas taxas de juros internas americanas. Mesmo assim, em 1984 o Brasil exportou para os EUA US$ 7 bilhões; a China, US$ 3,8 bilhões. Em 2010, o Brasil exportou para os EUA algo em torno de US$ 20 bilhões, enquanto a China ultrapassa US$ 350 bilhões em exportações para o mercado americano. Tradicionalmente, há duas maneiras de remediar a falta de poupança interna: endividamento ou acumulação de saldos comerciais. O Brasil tem aproveitado ciclos de liquidez da economia mundial para endividar-se. A China opta por câmbio depreciado, baixa remuneração da mão de obra e acesso privilegiado ao mercado dos EUA. O medicamento dos anos 1990 tinha no rótulo o nome “Consenso de Washington” – liberalização da conta-capital, acesso a ativos financeiros em busca de estabilidade cambial com moeda nacional forte e combinada com elevadas taxas internas de juros. Os que optaram por esta posologia cresceram em patamares insuficientes. Câmbio competitivo, economia voltada às exportações e atração de IEDs interessados em terceiros mercados levaram a China a crescimento anual de 10%. Implementado a fórceps, este é o “Consenso de Pequim”. O Consenso de Washington foi feito às abertas – seduziu países que conheceram seus cânones. Já o Consenso de Pequim deu-se de forma reservada, decidida pelo PC chinês. Obedeceu a três tempos: (1) entendimento político, (2) exportações como motor da economia e (3) modelo concentrador de renda e poder nas mãos do Estado. O Brasil precisa evitar a tentação financeira de curto prazo, e perseverar na estratégia preferencial de ações de promoção comercial e multiplicar iniciativas de diplomacia empresarial. O modelo chinês não é plenamente aplicável a uma sociedade aberta e democrática como a brasileira. Mais há muito que podemos aprender com as lições dos mandarins do comércio. ■ Julgo que o país vencerá as dificuldades e teremos uma das economias mais dinâmicas do mundo, dentro de um ambiente de prosperidade e bem-estar Mais um desafio será a manutenção do equilíbrio das contas externas, o que pode ser efetivado através do controle dos déficits em transações correntes, reforçando-se também as políticas comerciais, a exemplo da política antidumping, maior crescimento dos desembolsos dos financiamentos às exportações (EximBNDES e Proex-Banco do Brasil), alavancando as exportações, além disso, é preciso impedir que a guerra cambial induza a valorização do real. A continuidade da modernização do sistema financeiro brasileiro é imperativa, pois os tomadores sempre estão a requerer agilidade nos processos decisórios, permitindo ganhos de oportunidade, por isso que o aumento dos volumes de créditos de longo prazo é possível, via intensidade da atuação do setor bancário público, mas também com uma melhor participação do setor bancário privado. Em complemento, temos um mercado de capitais que se dinamiza, com maior conhecimento e entendimento da população da sua funcionalidade, popularizando-se alguns instrumentos como debêntures, letras financeiras, crédito imobiliário – CRI, etc. Outros desafios também terão de ser enfrentados, a exemplo de manter o estímulo ao investimento público e privado; consolidação do mercado interno; ampliação da competitividade brasileira; acompanhamento do câmbio; reforma que seja capaz de reduzir tributos sem descontrole fiscal; reduzir juros e aumentar crédito. ■ Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 11 Divulgação Logo da Olimpíada tem suspeita de plágio Semelhanças entre a marca olímpica do Rio 2016 e o logo da Telluride Foundation, uma instituição filantrópica dos EUA, cuja marca foi inspirada no quadro de Henri Matisse, “A Dança”, levaram a suspeitas de plágio que circularam na internet desde sábado. A marca da Rio-2016 foi concebida pela agência Tátil. O idealizador, Fred Gelli, afirmou no entanto que o Comitê Organizador do Rio-2016 e o Comitê Olímpico Internacional haviam tomado todos os cuidados para evitar tal ocorrência. Yoshikazu Tsuno/AFP LEÃO-MARINHO ANUNCIA O ANO DO COELHO, A PARTIR DO MÊS QUE VEM O leão-marinho Leo, de 8 anos de idade, escreve a palavra coelho em caracteres chineses como parte da atração de Ano Novo no aquário Hakkeijima Paraíso do Mar, em Yokohama, Kanagawa, subúrbio de Tóquio. Fevereiro de 2011 marcará o início do Ano do Coelho, conforme o calendário lunar, um ciclo de 12 anos, seguido pela China e por outras regiões da Ásia. ENTREVISTA RENATO RABELO Presidente do PCdoB Autoridade Olímpica e Esportes unidos Para o presidente do PCdoB, Autoridade Pública Olímpica deve ficar nas mãos do partido, à frente do Ministério do Esporte Pedro Venceslau, de Brasília [email protected] Durante o processo de transição, a presidente Dilma Rousseff estava inclinada a delegar ao PcdoB — que ficou à frente do Ministério do Esporte — o comando da Autoridade Pública Olímpica (APO), responsável pela organização dos Jogos Olímpicos de 2016. Essa decisão, porém, foi adiada devido ao protesto de partidos aliados contra o que seria um suposto excesso de cargos dados aos comunistas, que detêm uma pequena bancada na Câmara. Dilma não descarta deixar o posto para um quadro técnico ou um esportista conhecido, como acontece na maioria dos países que sediam Olimpíadas. O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, revelou que o partido ainda não desistiu. Valter Campanato/ABr “O formato da APO ainda está em discussão. É preciso brevidade, pois os prazos estão correndo” A presidente Dilma já deu sinais de que o PCdoB não deve assumir o comando da Autoridade Pública Olímpica. O partido ainda reivindica esse espaço? Sim, até porque não faz sentido separar a Autoridade Olímpica do Ministério dos Esportes. Essa é a nossa opinião. Em função do tempo que se teve na transição, a presidente achou necessário ter uma reflexão maior sobre o formato a ser adotado, já que não está claramente definido. Qual deve ser esse formato? Isso vai ser discutido com o próprio Orlando Silva, ministro dos Esportes, e com o partido. Até porque estamos acompanhando a discussão há um certo tempo. Mas é preciso brevidade, pois os prazos estão correndo. Até quando deve ser batido o martelo? Até março. ■ 12 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 BRASIL Exportações batem recorde, mas saldo é o pior da era Lula Commodities empurraram vendas externas para US$ 200 bilhões, enquanto importações cresceram de carona na taxa de câmbio Eva Rodrigues e Juliana Rangel Igo Estrela [email protected] Apesar do câmbio estar num dos patamares mais valorizados da história, a forte demanda internacional por commodities levou o Brasil à exportação recorde de US$ 201,9 bilhões em 2010, com aumento de 31,4% na comparação com o ano anterior. Dessa forma o saldo comercial ficou em US$ 20,3 bilhões, contrariando estimativas iniciais do próprio governo e de alguns analistas, que chegaram a prever déficit no início do ano. Ao mesmo tempo, no entanto, o número representa o pior resultado da gestão Lula, devido ao forte aumento das importações. A alta foi de 41,6%, para o recorde de US$ 181,6 bilhões. Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, as exportações foram surpreendentes. “No início de 2010, ninguém poderia projetar qualquer coisa em torno de US$ 20 bilhões de saldo. O governo esperava US$ 168 bilhões em vendas. Agora, fechou a US$ 202 bilhões e isso ocorreu exclusivamente graças à valorização das commodities”. Welber Barral Secretário de Comércio Exterior O secretário disse que a meta das exportações de 2011 é de US$ 238 bilhões, com aumento de 13% ante 2010 Commodities em alta Em dezembro, mês em que tradicionalmente as importações de manufaturados têm impacto negativo no saldo comercial, o Brasil teve superávit de US$ 5,3 bilhões. “O que puxou foi especialmente o petróleo, exportado a um valor muito alto”, diz Castro. No consolidado do ano, o valor das exportações de minério de ferro subiram 117%; as de petróleo aumentaram 76%. O economista do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, lembra que o índice CRB de commodities, que calcula a cotação média de uma cesta de produtos, fechou 2009 em 421,13. Na segunda metade do ano, cresceu em média 3,7% ao mês e fechou dezembro em 518,66. MANUFATURADOS Tempo de contratos torna retomada lenta O vice-presidente da AEB se diz preocupado com o fato de existir uma fidelização maior nos contratos de compras de manufaturados, o que impede uma retomada rápida ainda que o real se desvalorize. “Algumas commodities são vendidas no mercado livre, não há fidelização. Mas os manufaturados são negociados em contratos longos. Por isso, mesmo que amanhã tenhamos um aumento do câmbio, não vamos aumentar as vendas de manufaturados imediatamente”. Ainda assim, ele acha que a tendência de saldos menores deve continuar: “Mais do que o câmbio valorizado e a crise de Europa e EUA, foi o vigoroso crescimento interno o grande fator responsável pelo menor saldo comercial. De qualquer forma, nossas projeções no início de 2010 eram em torno de US$ 14 bilhões e o saldo veio bem acima disso”, diz. Outra novidade é que, pela primeira vez desde 1978, a participação de produtos básicos nas exportações ficou em 44,6% e superou a de manufaturados, em 39,4%. O professor da FGV-RJ Paulo Ferracioli avalia que o movimento é prejudicial ao Brasil. “É muito positivo aumentar exportações de produtos básicos, sem a menor dúvida, mas não aumentar a de manufaturados é muito ruim porque o setor que mais gera emprego é o industrial”, diz. Em seu discurso de posse ontem, o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que é preciso melhorar a pauta de exportações. “Exportar bens e serviços de alto valor agregado é parte necessária da equação do desenvolvimento”, disse. O antecessor de Pimentel, Miguel Jorge, disse que o recorde das exportações deve elevar a participação do Brasil nas exportações mundiais, de 1,26% para 1,30% em 2010. Para Ferracioli, o governo precisa agir em relação ao câmbio: “Nenhum país deixa o chamado ‘câmbio livre’, isso não existe”, disse, citando intervenções cambiais feitas por Japão, Índia e Coreia no ano passado, sem contar China e EUA. Castro, da AEB, avalia que a moeda chinesa está ao menos 40% desvalorizada, e que o real está em torno de 20% valorizado. “A tarifa de importação no Brasil é de no máximo 35%. Ou seja, para alguns setores, é impossível competir com a China.” ■ Colaborou Paulo Justus MAIOR MENOR US$ 46,5 bi foi o saldo da balança US$ 20,3 bi foi o saldo em 2010, o menor da comercial registrado em 2006, o maior patamar alcançado durante os oito anos de governo Lula. era Lula. O número é resultado de exportações (US$ 201,9 bi) e importações (US$ 181,6 bi) que registraram recorde histórico. Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 13 Antonio Milena Alckmin faz contingenciamento de R$ 1,5 bilhão O recém-empossado governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou ontem um corte de gastos de R$ 1,5 bilhão. Ele afirmou que vai reduzir em 20% os investimentos estaduais e em 10% as despesas de custeio por “cautela”. “A situação [das contas do estado] é boa. Mas a economia depende do cenário internacional, da taxa de juros, do crédito. Enfim, da macroeconomia, que independe do estado”. Conforme a evolução da arrecadação, cálculos serão feitos para a retomada do patamar anterior. Marcela Beltrão Mesmo sendo o menor em oito anos, saldo comercial veio acima do projetado pelo mercado Vendas externas de calçados voltam a subir Henrique Manreza Após dois anos em queda, setor aposta no meio termo entre preço e qualidade para aumentar vendas MÊS CORRENTE US$ 5,4 bi é o saldo da balança comercial US$ 383,5 bi foi o total da corrente de no mês de dezembro. Trata-se do segundo maior saldo da história e só perde para julho de 2006 (US$ 5,6 bilhões). comércio (importações mais exportações) do Brasil com o mundo em 2010, o que equivale a 18,8% do PIB. Com forte perda de mercado desde 2008 — em função de concorrência chinesa, aumento do custo Brasil e da crise europeia — a indústria brasileira de calçados está tentando encontrar um meio termo entre preço baixo e luxo para reestruturar suas vendas externas. Os resultados já começam a aparecer: as exportações em 2010 somaram US$ 1,486 bilhão, com aumento de 9,3% frente ao ano anterior de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em 2009, as perdas foram de 27,7%, sobre queda de 1,6% em 2008. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), as exportações de empresas que têm produtos não tão inferiores quanto os chineses e nem tão caros quanto os italianos podem ser o caminho da retomada. Apesar de pesar de forma tímida na balança comercial, a recuperação já faz diferença no desempenho de algumas companhias nacionais. Com um preço de até € 150 nas prateleiras europeias, a Anatomic Gel, do município paulista de Franca, exporta 50% de sua produção anual, de 300 mil pares de calçados. Pelo segundo ano seguido, a marca foi finalista de uma espécie de Oscar do setor em Londres, um prêmio concedido pela publicação especializada Drapers . A marca está entre as preferidas do Reino Unido e ganha até mesmo de pesos-pesados como a Timberland em pesquisas de consumo. A sócia da empresa Ghetz Moema Pimentel, responsável pela distribuição da Anatomic em Europa e Ásia, não vê outra saída que não seja o investimento em qualidade. “É a única opção. O preço do nosso couro aumentou, a mão de obra também, o dólar está fraco... Nosso preço sempre vai ser um pouco mais alto que o de China, Índia e outros mercados emergentes como Romênia”, avalia. A gestora de projetos da Agência de Promoção das Exportações (Apex Brasil), Deborah Rossoni, concorda. Ela lembra que o Brasil “atende uma demanda que pede diferenciação de produto, com qualidade e bom preço”, explica. EUA priorizam preço Segundo a Abicalçados, os EUA são o principal destino dos pro- Fabricação de calçados: nova estratégia alavanca vendas externas EXPORTAÇÃO PARA OS EUA 27,7 milhões de pares de calçados foram embarcados para os EUA em 2010, com faturamento de US$ 318,2 milhões. Em 2009, foram 25,1 milhões de pares. FATIA DE MERCADO 1,2% É a participação dos calçados brasileiros na indústria americana em 2009, segundo dados da Fiesp. A participação da China é de 25%. BALANÇA COMERCIAL US$ 1,4 bi É o valor das exportações de calçados do Brasil no acumulado do ano até novembro, segundo o Ministério do Desenvolvimento. dutos brasileiros, ficando com 23,8% das nossas exportações. No cômputo total, de janeiro a novembro — número mais recente — o Brasil embarcou 129,5 milhões de pares para os países compradores, contra 114,9 milhões no mesmo período de 2009, alta de 12,7%. O preço médio foi de US$ 11,22 o par, com redução de 16,6% em dólares em relação a 2009. É o valor mais baixo desde os US$ 10,51 de 2004. Já a China vende cada vez mais para EUA e Europa. Pesquisa da Federação das Indústrias do Estados de São Paulo (Fiesp) mostra que a participação chinesa nas compras de países da UE dobrou de 2004 a 2009, atingindo 22%. A fatia brasileira passou de 1% para 1,2%. Nos EUA, a presença chinesa subiu de 11% para 25%, e a do Brasil caiu de 1,2% para 1%. O diretor da Abicalçados Cristiano Körbes diz que os EUA são o principal comprador brasileiro desde a década de 1960, mas o formato do negócio é desfavorável ao Brasil. “Eles trazem a ideia do produto e da modelagem e nós fornecemos as peças em separado”, diz. “Isso limita o custo do calçado. Para se ter uma ideia da queda do preço médio para o país, as exportações em pares subiram 10,3% até novembro, mas o faturamento recuou 0,81% em dólares. Para o Reino Unido, que fica com 12,5% das exportações brasileiras, o valor médio é do calçado é de US$ 24,30, mais que o dobro do valor para os EUA. ■ J.R. 14 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 BRASIL Antonio Milena CUSTO DE VIDA MERCADO INTERNO Alimentos pesam e IPC-S fecha o ano com elevação acumulada de 6,24% Economistas da Serasa preveem menos procura por crédito O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) atingiu 0,72% no encerramento de dezembro, o que mostra um pequeno decréscimo de 0,15 ponto percentual sobre a variação anterior. Com esse resultado, no entanto, a taxa fecha o ano em 6,24%, bem acima do IPC-S registrado em 2009 (3,95%). Um dos principais responsáveis pela elevação da taxa foi o grupo dos alimentos, que tiveram alta de 9,85% no acumulado do ano. Os economistas da empresa de consultoria Serasa Experian projetam para os primeiros cinco meses de 2011 queda no ritmo de procura por crédito tanto por parte das empresas quanto dos consumidores. Para eles, a economia vai continuar crescendo, mas em ritmo mais lento. O indicador de crédito da empresa caiu 1,3% em novembro de 2010. Foi a oitava queda mensal consecutiva do índice. Atuação do governo preocupa setor elétrico Temor é que nova gestão interfira na Aneel e promova loteamento de cargos na agência Weruska Goeking [email protected] A atuação do governo no setor de energia e sua tensa relação com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) geraram desconforto no segmento nos últimos oito anos. Agora, o mercado cria expectativa sobre qual será o grau de autonomia da agência durante o mandato da presidente Dilma Rousseff. Há quem acredite que as ingerências sobre a Aneel tendem a ser intensificadas, como o especialista em planejamento energético Adriano Pires, diretor da consultoria Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “Essa já era uma característica do presidente Lula: o esvaziamento das agências”, diz. Ele discorda da “política de grande participação do Estado” e acredita que a consequência dessa postura é o enfraquecimento das agências reguladoras. “A Aneel é uma piada; agência reguladora é uma coisa anglo-saxã que foi tropicalizada”, diz Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras entre 2003 e 2004 e diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). Apesar da declaração forte, Pinguelli Rosa concorda com a atuação mais incisiva do governo federal nas agências de regulação, especialmente na própria Aneel. “O Estado tem um papel natural no setor, que é o da garantia do suprimento de energia elétrica, e a agência pertence ao estado”, defende. Pinguelli Rosa defende a ideia de que não existe agência independente no país e que intervenções federais podem ser es- “ As agências devem ser reformuladas para que cumpram o papel de mediação de interesses para garantir mais qualidade e mais acesso, o que não tem acontecido Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energiada Petrobras Linhas de transmissão: erro na revisão de tarifas gerou perdas de R$ 7 bilhões senciais em momentos críticos, como o ocorrido com a ação do governo americano para que a montadora General Motors não fechasse as portas. A ideia de inexistência de agência reguladora neutra é compartilhada por Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, professor e diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE-USP). Entretanto, ele acre- dita que o estado tem usado seu poder para manipular de forma negativa a Aneel. Para embasar sua opinião, Sauer lembra do recente episódio do erro de cálculo na revisão das tarifas de energia elétrica, que resultou em um prejuízo de R$ 7 bilhões aos consumidores. “O governo foi notificado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 2004 pelos problemas nos contratos e nada foi feito”, afirma. “As agências devem ser reformuladas para que cumpram o papel de mediação de interesses para garantir mais qualidade e mais acesso, o que não tem acontecido”, diz Sauer. Perfil técnico Além das interferências pontuais, há também a questão do loteamento partidário dos cargos da Aneel, em detrimento da escolha de especialistas. Para Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 15 Antonio Scorza/AFP BOLETIM FOCUS JUSTIÇA Mercado aumenta perspectivas para inflação em 2011 e projeta crescimento de 4,5% Defesa de Cesare Battisti entra com pedido de soltura no Supremo O mercado manteve a estimativa de inflação do ano passado em 5,9%, mas aumentou a de 2011 para 5,32% contra os 5,31% anteriores, segundo o boletim semanal Focus. Os dados do IPCA serão divulgados na sexta-feira. O relatório mostrou ainda que o mercado manteve a projeção para o juro no fim de 2011 em 12,25%. Atualmente, a Selic está em 10,75%. Para o crescimento do PIB, se manteve a projeção em 7,6% para 2010 e em 4,5% este ano. A defesa de Cesare Battisti entrou ontem com um pedido de soltura do ex-ativista italiano no Supremo Tribunal Federal (STF). Battisti está preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília, desde março de 2007, por determinação do próprio STF. O ex-presidente Lula decidiu na semana passada não extraditar Battisti para a Itália, onde foi julgado culpado de quatro assassinatos. O ato gerou uma crise diplomática com o país europeu. André Penner Segmento tem velhos dilemas para a presidente Peso dos tributos, problemas na rede e vencimento de contratos devem ser dores de cabeça Otávio Santoro, economista e especialista em engenharia elétrica, há cargos que exigem conhecimento na área. “Temos que separar a área política da técnica e, infelizmente, faz parte da postura do PT incluir afiliados”, afirma Santoro. O especialista afirma reconhecer a qualidade e a capacidade técnica de Nelson Hubner, atual diretor-geral da Aneel, mas critica a ocupação de outros cargos por pessoas aliadas ao governo, mas sem conhecimento técnico sobre o setor elétrico. Essa postura já trouxe problemas para o setor. “Tanto Dilma quanto o ministro de Minas e Energia Edison Lobão bateram cabeça sem saber o que aconteceu no apagão de novembro do ano passado e acabaram descobrindo que foi um problema de manutenção por falta de planejamento”, recorda. Sobre a escolha de Lobão para ser novamente ministro, Santoro afirma que ele é “um ótimo político”, mas que não possui o perfil técnico esperado para a função. “Podemos dizer que ele já fez um estágio, agora vamos ver se nos próximos quatro anos convence como líder do setor”, diz. A reportagem procurou a Aneel, que preferiu não se manifestar sobre o assunto. ■ O preço da tarifa da eletricidade — considerado pelos especialistas como um dos mais caros do mundo — deve ser o um dos problemas do governo de Dilma Rousseff no segmento de energia. Para Adriano Pires, é necessário reduzir o volume de impostos que incidem sobre a conta. “O governo deveria mudar sua concepção e olhar o setor elétrico como uma área fundamental para o desenvolvimento do país e para gerar emprego”, diz. “Com as altas tarifas nossa indústria acaba perdendo em competitividade”. Um exemplo do peso dos encargos foi dado há poucos dias. ontem. A Reserva Global de Reversão (RGR), encargo que deveria ter sido extinto no final de 2010, foi prorrogado através de uma medida provisória. Pelo texto, a quota anual da RGR ficará extinta somente ao final do exercício de 2035. O encargo foi criado em 1957 para cobrir custos de eventuais reversões de concessões do setor elétrico. A alíquota do encargo corresponde a 1,27% da tarifa de energia. A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) estima que a cobrança tenha custado R$ 1,9 bilhão aos brasileiros ao longo de 2010. Newton Duarte, diretor da área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), estima que cerca de 50% do preço da eletricidade hoje é composta por impostos. A possibilidade de um novo apagão também está entre as preocupações do segmento. O temor é uma repetição do blecaute ocorrido em 10 de novembro de 2009, quando 60 milhões de pessoas ficaram sem energia após linhas de transmissão conectadas a Itaipu apresentarem problemas decorrentes de falta de manutenção. O episódio expôs as fragilidades do sistema interligado e mostrou que é possível que estados inteiros fiquem sem eletricidade mesmo com água sobrando nas hidrelétricas. Segundo Ildo Sauer, Murillo Constantino Adriano Pires Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura “O governo deveria mudar sua concepção e olhar o setor elétrico como área fundamental para o desenvolvimento e para gerar emprego. Com as altas tarifas, nossa indústria perde em competitividade” essa condição colabora para o aumento da tarifa, porque que usinas térmicas vêm sendo acionadas por falta de confiabilidade no sistema ligado à Itaipu. Sauer não acredita que os problemas já foram solucionados. “Quero ver prestação de contas do que foi feito em manutenção”, contesta. Newton Duarte alerta para uma situação que pode agravar este problema. Apesar de o consórcio responsável pela construção da usina do rio Madeira ter adiantado o início da geração de energia para o final de 2011, a construção das linhas de transmissão não seguem o mesmo ritmo. “As linhas não devem ficar prontas nem por milagre”. A rede em questão deve ligar Porto Velho (RO) a Araraquara (SP) com 2,400 mil quilômetros de fios e cabos que devem conectar a usina do Madeira sistema nacional. Outro ponto importante que deverá ser resolvido no governo de Dilma é o vencimento de contratos de concessões. “Estão querendo prorrogar as concessões, algo que já foi feito antes. Depois de vencidas, a energia pertence ao povo brasileiro e deveria ser usada como recurso público”, afirma Sauer, para quem a a renda dos contratos vencidos deveria ser usada para o financiamento de políticas públicas em saúde e educação. ■ W.G. 16 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 BRASIL Divulgação ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Diário Oficial confirma nomeações para chefia da Receita e dos Correios O Diário Oficial da União publicou ontem os nomes que integrarão a nova diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A presidência será ocupada por Wagner Pinheiro de Oliveira, ex-presidente do fundo de pensão Petros durante o governo Lula. Também foi nomeado o novo secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Freitas Barreto, que havia sido secretário adjunto na gestão do ex-secretário Jorge Rachid. Adriano Machado/Bloomberg Trabalhador na colheita de cana: agronegócio concentra a maior parte dos casos no país Lista suja do trabalho escravo tem recorde com 88 inclusões Entre as novas empresas, uma subsidiária do grupo Bertin e uma prestadora de serviço do grupo Votorantim Luiz Silveira [email protected] A lista suja do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atingiu seu maior tamanho da história, com 220 infratores, após a atualização semestral divulgada ontem pelo órgão. Foram 88 empresas incluídas e apenas 14 excluídas da lista, que engloba apenas processos administrativos do ministério por trabalho análogo à escravidão já concluídos. Entre as empresas incluídas na lista estão envolvidas grandes companhias, como uma subsidiária do Grupo Bertin, uma construtora autuada por irregularidades em uma obra para o Grupo Votorantim e uma empresa de biodiesel controlada pelo grupo espanhol de autopeças e biocombustíveis CIE Automotive. O recorde deve-se ao aumento do número de autuações entre 2007 e 2008, já que os pro- Enquanto estiverem na lista, companhias não poderão receber financiamento público nem fornecer para o governo federal cessos administrativos têm levado cerca de dois anos e meio, segundo o assessor da Secretaria de Inspeção do Trabalho do MTE, Marcelo Campos. As companhias ficarão por pelo menos dois anos na lista, mesmo que já tenham regularizado a situação ao longo do processo. Enquanto estiverem listadas, as empresas não podem obter financiamento público e fornecer para o governo federal. “Como se trata principalmente de empresas do agronegócio, a lista é importante porque o setor depende muito de financiamento estatal”, afirma Campos. No caso do Bertin, entrou na lista a Infinity Itaúnas Agrícola S.A. (Infisa), uma subsidiária da empresa de açúcar e álcool Infinity Bio-Energy, adquirida no ano passado. A Infisa é responsável pela produção de canade-açúcar que abastece uma usina do grupo em Conceição da Barra (ES), e teve 64 trabalha- dores em condições análogas à escravidão resgatados. Procurada, a Infinity alegou que “não há qualquer irregularidade em relação a seus colaboradores”. Já a irregularidade ligada ao caso do Grupo Votorantim foi cometida pela construtora Lima e Cerávolo. Em 2009, uma fiscalização do MTE identificou e libertou 95 empregados da construtora que trabalhavam nas obras da usina hidrelétrica Salto do Rio Verdinho, do Grupo Votorantim, no sul de Goiás. A Rio Verdinho alega que rescindiu imediatamente o contrato com a Lima e Cerávolo. Outro empregador que entrou na lista foi a Bioauto MT, fabricante de biodiesel que tem 50% do capital nas mãos do grupo espanhol CIE Automotive. A companhia alegou que assumiu a responsabilidade sobre as irregularidades cometidas por um empreiteiro e já regularizou sua situação. Maiores casos O maior resgate que entrou para a lista suja nesta atualização, no entanto, foi da Usina Fortaleza de Açúcar e Álcool, atual Usina São Paulo Energia e Etanol. Em 2008, 244 trabalhadores foram libertados na empresa de Porteirão (GO). O segundo maior caso a entrar na lista foi da Rotavi Industrial, fabricante de ligas leves que teve 174 empregados libertados em uma carvoaria em Jaborandi (BA). Outras empresas de cana-deaçúcar figuram em terceiro e quarto lugares: a Agrovale - Companhia Industrial Vale do Curu, de Paracuru (CE), teve 141 empregados resgatado. Outra usina de cana figura em quarto: 126 trabalhadores empregados por Nelson Donadel, sócio da Destilaria Centro-Oeste Iguatemi, foram libertados pelos fiscais do trabalho. Procuradas, as empresas não atenderam ou não retornaram as ligações do BRASIL ECONÔMICO. ■ Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 17 SE SUA EMPRESA GOSTA DE CRESCER, AUMENTE O ALCANCE DE SUA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA. PUBLIQUE SEU BALANÇO NO BRASIL ECONÔMICO. PUBLIQUE SEU BALANÇO NO MAIS NOVO JORNAL DE ECONOMIA DO PAÍS. Contato: Solange Santos (11) 3320-2107 s [email protected] www.brasileconomico.com.br CREDIBILIDADE DE QUEM FAZ. CREDIBILIDADE PARA QUEM LÊ . 18 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 INOVAÇÃO & EMPREENDEDORISMO QUARTA-FEIRA QUINTA-FEIRA GESTÃO SUSTENTABILIDADE Pesquisa e desenvolvimento são Médico, Domingos Braile criou sua empresa em 1977. Hoje, 15% do faturamento do negócio é investido em inovação João Paulo Freitas [email protected] Aos 71 anos, o médico Domingos Braile não quer saber de descanso. Além de próreitor da Pós-graduação da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), no interior paulista, o cirurgião preside o conselho da Braile Biomédica, empresa fundada por ele em 1977 no mesmo município. Trata-se de uma fábrica de produtos — muitos deles inovadores — para a área médica e hospitalar. Braile é responsável pelo desenvolvimento da primeira prótese cardíaca de pericárdio bovino nacional, disponível no mercado desde o fim da década de 1970. Para manter elevado o potencial de inovação, sua empresa investe 15% do faturamento anual — hoje na casa dos R$ 50 milhões — em pesquisa e desenvolvimento. No momento, a Braile Biomédica trabalha em uma bomba centrífuga de circulação extracorpórea, um aparelho de propulsão sanguínea usado como auxílio circulatório em pessoas com deficiência cardíaca grave ou durante cirurgias. “É um produto que já existe no mercado, mas importado. O nosso será o primeiro modelo nacional”, afirma Braile. Atento às tendências da sua área, Braile vê a medicina minimamente invasiva (por meio da qual é possível reduzir os cortes e traumas de grandes cirurgias) como um campo repleto de oportunidades para se inovar. É nesse segmento que se situa outro desenvolvimento de Braile Biomédica: uma válvula aórtica que pode ser compactada e implantada no coração com o auxílio de um cateter, um tubo usado em procedimentos médicos. Segundo o empreendedor, o produto já foi implantado em 54 pacientes. “Estamos apenas esperando a licença da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, diz, acrescentando que foram gastos R$ 2 milhões no desenvolvimento da inovação, que contou com parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Dificuldades Apesar da trajetória de sucesso, Braile observa que empreender não é fácil. Entre os alvos de suas insatisfações estão o excesso de exigências legais e a falta de entidades que permitam que novos equipamentos sejam testados e certificados. “Nossa bomba centrífuga viajou o país todo. Foi para dois institutos em São Paulo, a Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte. Nem sei onde ela possa estar no momento”, diz. O médico ressalta ainda que se por um lado o apoio governamental à inovação tem aumentado, por outro é preciso que ele seja realizado de modo mais racional e eficaz. Braile cita o caso de algumas linhas de financiamento existente, cujos recursos são liberados de modo excessivamente lento e burocrático. Um dos desenvolvimentos recentes da Braile Biomédica é uma prótese que pode ser implantada no coração por meio de um pequeno tubo. Foram investidos R$ 2 milhões no processo que desembocou no produto Atitude Braile conta que inicialmente não cogitava se tornar empresário. A verdade é que ele se tornou empreendedor por uma mistura de atitude e senso de oportunidade. Na graduação, na Universidade de São Paulo (USP), Braile teve como um de seus mentores Euryclides Zerbini, o responsável pelo primeiro transplante de coração da América Latina. Ele era um dos que incentivava os alunos a construírem aparelhos para cirurgias cardíacas. Na época, havia uma pequena oficina no porão Hospital das Clínicas. “Lá foram desenvolvidas coisas como bombas extracorpóreas”, conta Braile. Anos depois, em 1967, o empreendedor e alguns sócios criaram o Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC), em São José do Rio Preto. Foi lá que teve início o desenvolvimento das válvulas cardíacas que a Braile Biomédica começou a comercializar em 1977. Hoje, a empresa conta com 22 patentes. ■ MÚLTIPLAS HABILIDADES Atualmente, a Braile Biomédica conta com uma equipe de 500 profissionais. Porém, 50 anos atrás Domingos Braile tinha poucos recursos para desenvolver equipamentos. Tudo era artesanal. “Sempre trabalhei com engenheiros. Fiz um curso de engenharia por proximidade”, diz, ao explicar a origem de seus conhecimentos sobre mecânica e eletrônica. “Na USP, o professor Euryclides Zerbini contratou um engenheiro para trabalhar conosco. Foi muito bom.” Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 19 SEXTA-FEIRA SEGUNDA-FEIRA TECNOLOGIA EDUCAÇÃO apostas da Braile MARCELO NAKAGAWA Consultor e professor de empreendedorismo e inovação Fotos: Alfredo Saletti BOM NEGÓCIO R$ 50 mi É o faturamento anual da Braile Biomédica. Criada no final dos anos 1970, a empresa foi a primeira fabricante nacional de prótese cardíaca de pericárdio bovino. EQUIPE 500 É o total de pessoas que a empresa emprega atualmente. Segundo Domingos Braile, o tempo médio de estudo de seus funcionários é de 14 anos. OFERTA 450 É o total de produtos que a Braile Biomédica possui em seu portfólio. Os itens vão desde próteses biológicas até máquinas de circulação extracorpórea. Braile: produtos para cirurgia cardíaca totalmente brasileiros Se não agora, quando? Você teria coragem de se olhar no espelho e dizer “Eu, graças a Deus, nunca precisei trabalhar”? Pode tirar Deus da parada, mas poderia afirma isso? Na verdade, esse trecho é só a parte final de uma frase dita pelo comandante Rolim Amaro, empreendedor da Tam. A frase completa é: “Só trabalha, no sentido duro da palavra, quem não gosta do que faz, por isso, eu, graças a Deus, nunca precisei trabalhar”. Mesmo assim, muitos ainda não estariam convictos em se apropriar dessa frase porque, simplesmente, trabalham. Neste contexto, faz sentido a relação afirmada por alguns etimologistas que trabalho tem origem no termo latino tripalium, um instrumento de tortura. Como fugir deste tal tripalium e “não trabalhar”, como fazia o comandante Rolim? A resposta está na trajetória de vida do empreendedor da Tam e de tantos outros empreendedores que nunca sonharam com a aposentadoria, o almejado momento da vida em que paramos de trabalhar para fazermos só o que gostamos... Empreendedores que “nunca trabalharam” descobriram a verdadeira intersecção entre suas paixões pessoais, áreas de interesse de contínuo aprendizado e um mercado ávido por soluções constantemente melhoradas pela curiosidade inquieta dessas pessoas. Alguns descobriram isso muito cedo, ainda crianças. Henry Ford se apaixonou pela mecânica consertando relógios aos 13 anos. Mais ou menos com esta idade, Alair Martins conheceu a magia do comércio ao visitar seus tios comerciantes que viviam em Uberlândia (MG). Depois disso, nunca mais “trabalhaEles descobriram ram”. Fabricar automóa verdadeira veis foi uma evolução de intersecção entre interesse de Ford pela mecânica. Criar o Grupo suas paixões Martins, maior atacapessoais e um dista da América Latina, mercado ávido foi o resultado da evolução do conhecimento e por soluções do interesse de Alair constantemente pelo comércio. melhoradas Outros descobriram esta intersecção um pouco mais tarde. Luis Seabra até gostava de filosofia quando adolescente, mas só percebeu que isso poderia ser aplicado à pele e cosméticos aos 21 anos, quando assumiu a superintendência da divisão de barbeadores elétricos da Remington no Brasil. Depois disso, fundou a Natura e nunca mais “trabalhou”. Apenas se dedicou a ampliar seu conhecimento sobre a importância do bem-estar e do estar bem na vida das pessoas. Também com 21 anos, Steve Jobs descobriu que sua paixão quase obsessiva por design poderia ser aplicada em uma traquitana que passou a ser conhecida como microcomputador. Depois disso, maçã deixou de ser fruto da macieira. De todos estes exemplos, o que deu a mensagem mais contundente sobre não trabalhar tem, coincidente, algo relacionado a trabalho no sobrenome: “Quando tinha 17 anos, li uma mensagem que dizia mais ou menos o seguinte: se você viver cada dia como se fosse o último, algum dia desses você acertará. Isto me impressionou e desde então, nos últimos 33 anos, eu me olho no espelho todas as manhãs e me pergunto: Se hoje fosse o meu último dia de vida, eu gostaria de ter feito as coisas que farei hoje? Se a resposta fosse não por muitos dias seguidos, eu sabia que era necessário mudar alguma coisa”, disse Steve Jobs, no discurso de formatura na Universidade Stanford em 2005. E você? Quando vai se olhar no espelho? Se não agora, quando? ■ 20 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 ENCONTRO DE CONTAS LURDETE ERTEL Julien Crosner/AFP Match point Foi um saque publicitário de mestre: para promover o ATP 250 de Doha, que está agitando as raquetes nesta semana em Qatar, os organizadores armaram um bate-bola amistoso entre os tenistas Rafael Nadal e Roger Federer em cenário insólito. O jogo foi feito em um quadra flutuante no Golfo Pérsico, diante dos arranha-céus de Doha. O evento árabe da série 250 distribuirá mais de US$ 1 milhão em prêmios e garantirá ao campeão um cheque de mais de US$ 170 mil. AFP Vide bula Wagner Rossi, ao assumir o segundo mandato como ministro da Agricultura. No céu ▲ O Nordeste avançou mais um sinal na rota de distribuição de medicamentos no Brasil. Em 2010, a região se consolidou como a segunda que mais recebeu remédios distribuídos pelo atacado, atrás apenas do Sudeste. Segundo pesquisa da IMS Health divulgada pela Abafarma, do total de unidades vendidas para as farmácias em 2010, 17,36% foram o Nordeste — o que equivale a um giro de R$ 5,2 bilhões. Mais de 54,14% dos medicamentos tiveram as farmácias do Sudeste como destino. O Sul ficou em terceiro, com 16,89%. “Temos de acabar com alguns pontos que são um Triângulo das Bermudas no ministério” LANCE IMPROVÁVEL O governo do Irã vai leiloar em fevereiro um Peugeot 504, de 1977, que pertenceu ao controverso presidente Mahmoud Ahmadinejad. O valor arrecadado será usado para construção de casas para deficientes e mulheres pobres. Os lances podem ser feitos pela internet até o final de janeiro. Segundo o governo iraniano, um interessado árabe já teria oferecido US$ 1 milhão pelo carro, que vale US$ 2 mil no mercado local. Em fevereiro, os responsáveis pelos maiores lances serão convidados para o leilão final. A Digicon, de Gravataí (RS), acertou com a Aeroeletrônica contrato para o fornecimento de peças para aviões militares e satélites. Serão produzidas peças mecânicas para o sistema aviônico (parte eletrônica do controle do avião) e para módulos de suprimento de energia para satélites. Com sede em Porto Alegre, a Aeroeletrônica é uma das líderes mundiais no ramo. Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 21 Divulgação MARCADO Mais ao Sul A região conhecida como Costa Esmeralda, ao norte de Florianópolis (SC), é a nova parada da marca imobiliária Txai. O BHG (Brazil Hospitality Group), dono da bandeira, está lançando em Governador Celso Ramos (SC) o empreendimento hoteleiro seis estrelas Txai Ganchos. Dobradinha com a Lindencorp e a Cipasa, o complexo terá 132 unidades espalhadas em um terreno de 530 mil metros quadrados com vista para o mar. Metade das unidades já foi vendida. ● Entre os dias 10 e 13 de janeiro, a indústria brasileira da moda participa da 17º edição do Rio-À-Porter — o salão de negócios oficial do Fashion Rio. Os cariocas dominam entre as grifes expositoras (71%), seguidos por mineiros (13%) e paulistas (6%). [email protected] Pierre-Philippe Marcou/AFP Só o começo Bola dividida Depois de reabrir às vésperas do Réveillon o antigo hotel Le Méridien — um dos ícones da hotelaria do Rio —, a cadeia Windsor prepara o checkin em outros pontos da capital fluminense a partir de 2011. Além de inaugurar outro hotel em Copacabana de categoria três estrelas, a rede deflagra obras de duas unidades na Barra da Tijuca, que devem estar prontas até a Copa de 2014. Enquanto isso, prospecta outros endereços no Rio para fincar sua bandeira. Particulamente, em Ipanema e Leblon. O ano começou com uma bola nas costas para o craque português Cristiano Ronaldo. Segundo o tabloide inglês Sunday Mirror, a mãe do filho do jogador estaria obstinada a se reaproximar de Cristiano Ronaldo Jr, de 6 meses. No ano passado, o jogador anunciou que seria pai de um garoto gestado por uma barriga de aluguel e que teria a guarda da criança. Mas a mídia inglesa afirma que a mãe é uma jovem inglesa de 20 anos, que teria concebido o bebê em um encontro de uma noite com o craque do Real Madrid. A britânica teria firmado um acordo em que abdicava dos direitos sobre o bebê e garantia manter o anomimato, em troca de € 11 milhões. Mas agora a jovem estaria deprimida e arrependida, disposta a devolver o dinheiro, para poder ter acesso à criança. O bebê foi visto pela primeira vez em público em dezembro, no colo da avó, durante uma partida do Real Madrid. Mais tempo O Grupo Pão de Açúcar, maior varejista do Brasil, esticou em dois meses o período da licença-maternidade de suas funcionárias. A medida passa a valer para as colaboradoras da empresa que tiverem filhos a partir deste mês. Segundo Enéas Pestana, presidente do grupo, as mulheres representam cerca de 50% da força de trabalho de Pão de Açúcar. Tilt caro O Tribunal de Justiça do Rio manteve, por unanimidade, a decisão que condenou a Apple do Brasil a pagar indenização por dano moral o um advogado que, por um problema técnico, perdeu todos os arquivos armazenados no seu MacBook. Para os desembargadores do TJ-RJ, o bug significou a perda de horas e horas de trabalho do profissional. Mark Ralston/AFP Mudança de cena As telas de cinema de Hollywood podem voltar a exibir as feições inconfundíveis de Arnold Schwarzenegger, que deixou ontem o cargo de governador da Califórnia (EUA). O ex-astro governou o estado mais rico dos EUA por sete anos. Com a popularidade no fundo do poço, o ator não concorreu às últimas eleições. Depois de entregar o cargo, já admite retomar a carreira de ator, que colocou de lado em 2003. Desde então, fez apenas pequenas aparições nos filmes Exterminador do Futuro: Salvação e Os mercenários. Além do retorno à telona, o astro estuda propostas para escrever seu livro de memórias. GIRO RÁPIDO AFP Best-seller a caminho O recém-lançado romance Cemitério de Praga, de Umberto Eco, está entre os principais lançamentos que a Editora Record programou para o mercado brasileiro em 2011. O livro, que vendeu meio milhão de cópias em poucos dias na Europa, deve chegar às livrarias do país no segundo semestre. Na calçada A rede Lojas Americanas prepara a abertura de sua primeira filial de rua em Cuiabá (MT). Vai se instalar em um imóvel nos fundos da igreja matriz da cidade. Ano peludo O Projeto Pêlo Próximo e a empresa de produtos veterinários Ceva estão lançando um calendário que exibe cães e pássaros nos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro. As fotos levaram dois meses para serem feitas. A receita das vendas vai para o Abrigo João Rosa. que cuida de 200 animais abandonados no Rio de Janeiro. 22 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 EMPRESAS Companhias aéreas investem para crescer 15% Aquisição de novas aeronaves para ampliação de frota foi o principal investimento das empresas em 2010 Empresas brasileiras fazem aportes pesados em aquisições de aviões e contratações para suprir movimento inesperado Cláudia Bredarioli Murillo Constantino A Tam, presidida por Líbano Barroso, teve na fusão com a Lan seu ponto forte em 2010 [email protected] Diante da necessidade de atender uma demanda acima da esperada ao longo de 2010 e enquanto ainda não viam solução para os problemas de infraestrurura aeroportuária, as companhias aéreas apostaram em expansão forte neste ano. Há unanimidade entre elas sobre 2010, um ano excelente para a aviação brasileira, com alta de 25% na movimentação de passageiros, frente uma expectativa de até 18%. Para 2011, a previsão é de que mantenham a trajetória de crescimento, com uma expansão de 15% no fluxo de pessoas pelos aeroportos. Todas investiram em aquisição de aeronaves (muitas da Embraer), houve aumento de localidades atendidas (com destaque para a aviação regional), ampliação dos serviços de despacho e contratação de pessoal. Na Tam, a maior companhia aérea brasileira, os dois principais marcos no ano passado foram a entrada na Star Alliance, em maio, e o memorando de entendimento com a Lan para criação da Latam, em agosto. A companhia fechou 2010 operando com taxas de ocupação acima das estimativas tanto no mercado doméstico (66,6% em novembro) quanto no internacional (77,3%), sendo que foram criadas 169 novas etapas de voo. A Tam tem hoje 151 aeronaves e prevê encerrar 2014 com 168. Para 2011, há expectativa de manter investimentos em fontes complementares de receita, como a oferta de Dutty Free em voos longos e o lançamento de telefonia celular a bordo. O foco em varejo — com ações como a venda de passagens pelas Casas Bahia — vai continuar. Em 2011, serão contratados cerca de 600 novos tripulantes (pilotos e comissários). Na Gol, 2010 também foi de fortalecimento e a companhia conseguiu reduzir riscos no curto Murillo Constantino Constantino Jr., que comanda a Gol, conseguiu avanços em padronização e renovação de frota prazo, por meio do alongamento de dívida, com geração de caixa operacional. A Gol também consolidou seu plano de renovação da frota, com a devolução de todas aeronaves boeing 737-300 e substituição por aeronaves boeing 737-700 e 800. A empresa espera terminar 2011 com um total de 115 aeronaves operacionais. “Tivemos um ano muito acima das expectativas e isso mostrou a pujança do país e do setor. Isso permitiu à Azul atender a uma fatia de mercado que não existia que é a da classe C e da demanda do interior de São Paulo, que não era bem atendida”, diz Miguel Dau, vice presidente técnico-operacional da companhia. Só para o período de fim de ano, a Azul contratou mais de 200 pessoas. “Este foi um ano muito positivo para o setor e, em especial, para a Webjet. Chegamos à marca importante de 9 milhões”, comemora Fábio Godinho, presidente da companhia. Criada em 2005, a companhia tem hoje 23 Boeings 737-300, responsáveis por cerca de 150 voos diários. Em 2011, a previsão é ter mais três aviões. “Em 2011 a meta é crescer novamente acima da média do mercado”, diz Godinho. Em relação aos preços de passagens, o objetivo da companhia é reduzir cada vez mais os valores. Hoje, já é possível voar com tarifas a partir de R$ 9. “Quanto mais eficientes formos, menores serão nossos custos e menor será a tarifa aos passageiros”, diz. “Ainda tem muita gente fora do mercado. Para cada pessoa que voa há outras cinco que andam de ônibus”, afirma Evaristo Mascarenhas de Paula, diretor de vendas e marketing da Trip. A perspectiva para este ano é ampliar o atendimento regional, e voar para outros países da América do Sul. A companhia já trabalha para conseguir as autorizações necessárias. A Trip fechou 2010 com 41 aeronaves e terá 57 até o fim deste ano. ■ Mercado se divide Presidente vem sinalizando possíveis mudanças estruturais no sistema aeroportuário brasileiro As empresas aéreas se dividem em relação às medidas que a presidente Dilma Rousseff tem sinalizado para os aeroportos. A presidente poderá assinar ainda neste mês a possibilidade de abertura de capital da Infraero — uma demanda já antiga manifestada com frequência pelos executivos das companhias. Mas, na reorganização do setor, entraria ainda a privatização dos novos terminais (como os de Guarulhos e Viracopos) e concessão privada por aeroportos. Outra ideia em estudo é a criação da Secretaria de Aviação Civil para retirar do Ministério da Defesa a responsabilidade pelo controle da área. “Antes de qualquer decisão, é preciso rever o modelo de governança do setor. Ainda há muita especulação sobre isso, mas a ideia de criação de uma secretaria subordinada à Presi- Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 23 Agencia Petrobras Petrobras terá primeiro terminal oceânico Sua função será facilitar o transporte do óleo do pré-sal para as futuras refinarias do Nordeste e para o exterior. A estrutura custará cerca de US$ 500 milhões. Segundo a estatal, a Unidade Offshore de Transferência e Exportação (UOTE) entrará em operação em 2012, com capacidade para armazenar dois milhões de barris de petróleo. Ficará estacionada a 80 quilômetros de Macaé, no Norte Fluminense, e poderá ser abastecida simultaneamente por dois navios vindos da Bacia de Santos. Rafael Neddermeyer SATURAÇÃO DO SISTEMA Atrasos e cancelamentos continuam em alta Livres de um caos deflagrado e de uma greve que seria realizada pelos aeronautas e aeroviários às vésperas do Natal, os passageiros não passaram pelos aeroportos brasileiros imunes aos transtornos. Os atrasos e cancelamentos foram constantes. Em 23 de dezembro, data em que estava previsto o início da greve, a TAM, por exemplo, chegou a registrar 48% de voos nacionais atrasados e a Gol, 28%. Logo após o Natal, foi a vez de a Webjet liderar os cancelamentos e atrasos por quatro dias seguidos. A estimativa da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é que o setor aéreo tenha encerrado 2010 com crescimento de 25% ante o exercício anterior, totalizando 160 milhões de passageiros. Deste total, 15 milhões referem-se a voos internacionais. Isso se refletiu no desempenho das companhias. Ainda segundo a Anac, de janeiro a novembro deste ano, as empresas aéreas de menor porte registraram crescimento mais acelerado que as líderes de mercado. Entre as seis principais operadoras de voos regulares no Brasil, a Azul acumula 106,19% de aumento na demanda de passageiros de janeiro a novembro de 2010, seguida pela Trip (83,98%) e Webjet (73,81%). No mesmo período, a Gol/Varig cresceu 19,23% e o Grupo Tam (formado por Tam e Pantanal), 15,46%. sobre medidas do novo governo Marie Hippenmeyer Miguel Dau Vice-presidente operacional da Azul “Ainda há muita especulação sobre isso, mas a ideia de criação de uma secretaria subordinada à Presidência é boa” dência é boa ”, diz Miguel Dau, vice-presidente operacional da Azul Linhas Aéreas. O principal argumento contrário à privatização de aeroportos é que a aviação — sendo um serviço público prioritário — não deve ter como finalidade o lucro. O argumento é o de que os países que optaram pela privatização de seus aeroportos têm um sistema ineficiente e caótico, como o México. Por outro lado, pouquíssimos aeroportos são privatizados nos Es- tados Unidos, que tem a maior malha aérea do globo. Há quem veja, porém, necessidade de participar desse processo de reestruturação. “Há diversos modelos de administração de aeroportos hoje no mundo — públicos, privados e mistos — e todos têm suas vantagens e desvantagens. Para nós, o importante é que a infraestrutura aeroportuária funcione adequadamente, sem gargalos, e com a cobrança de tarifas justas. Mas, se for necessário investir em ae- roportos para participar da governança, nós faremos isso. O importante é não onerar o consumidor”, declarou a Tam. O BRASIL ECONÔMICO já havia antecipado a possibilidade de privatização dos aeroportos como uma decisão a ser tomada pela nova presidente, em edição de 21 de dezembro de 2010. Destacados por Dilma em seu primeiro discurso após a posse, os problemas na infraestrutura aeroportuária brasileira foram colocados como questão a ser re- solvida com urgência pelo novo governo. A presidente disse que os “investimentos previstos para Copa do Mundo e as Olimpíadas serão concebidos para dar ganhos permanentes à qualidade de vida” e que as melhoras são necessárias “para usufruto da população brasileira”. Com o anúncio da possibilidade de privatização, as ações de Tam e Gol tiveram desempenho acima da média do mercado ontem, com alta, respectivamente de 1,13% e 3,19%. ■ C.B. 24 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 EMPRESAS Mark Elias/Bloomberg SIDERURGIA MONTADORAS 1 Posco anuncia busca de recursos na África, na Sibéria e em regiões polares Hyundai e Kia planejam aumento de 10% nas vendas neste ano Com a exploração nas novas regiões, a companhia espera alcançar US$ 177,5 bilhões em vendas totais em 2020. A Posco, um conglomerado coreano de 58 empresas, quer obter parte da meta com suas operações siderúrgicas, de energia, produtos químicos, engenharia e construção, e com novos setores, como negócios ambientais. Os resultados do grupo em 2010 ainda não estão disponíveis. A Hyundai Motor e a afiliada Kia Motors querem aumentar as vendas de veículos em 10% este ano após movimento robusto em dezembro. O setor tem mostrado uma recuperação gradual, liderada por China e Estados Unidos. A Hyundai, quinta maior montadora do mundo junto com a Kia, deve apresentar performance maior que de rivais e ganhar mais mercado, impulsionada por novos modelos e força no segmento de compactos. ENTREVISTA HENRY VISCONDE Presidente da Eurobike Eurobike cresce com a abertura de pequenas lojas Visconde: concessão de novas lojas é de cerca de três meses hoje, metade do que levava há quatro anos Especializada em carros de luxo, rede de concessionárias escolhe formatos menores para acelerar expansão Cintia Esteves [email protected] Em uma época na qual o varejo só fala nas emergentes classes populares, Henry Visconde, acostumado a vender carros de luxo, não quer saber de veículos baratos. Dono do grupo Eurobike, formado por 16 lojas das marcas Porsche, Volvo, BMW, Audi, Land Rover e Mini Cooper, o empresário acredita não ser possível trabalhar com diferentes públicos. Em março último, ele fechou sua única loja Toyota, após somente três anos de funcionamento. “Não tinha a ver com nosso foco”, diz. Com expectativa de faturar R$ 600 milhões em 2010, 25% a mais do que no ano passado, o grupo tem como plano estratégico expandir a rede por meio de lojas pequenas, entre 200 metros quadrados e 500 metros quadrados. Do mesmo jeito que mantém distância dos carros populares, Visconde também não quer conversa com os chineses e coreanos. O mercado de automóveis brasileiro está sendo invadido pelas marcas coreanas e chinesas. Está nos planos da Eurobike abrir lojas com estas bandeiras? Muitas lojas de marcas coreanas e chinesas estão sendo abertas. No momento é uma oportunidade, mas em breve teremos muitas delas no mercado. Aí vai ser difícil trabalhar com tamanha concorrência. Mas, mesmo só trabalhando no segmento de carros de luxo, a Eurobike não está livre da forte concorrência. Como está a margem de lucro do grupo? Temos sempre que estar atentos à margem de lucro. Contratual- “ A prioridade é para a abertura de unidades menores, as chamadas lojassatélites com área de venda de 200 a 500 metros quadrados Não penso em abrir lojas de marcas coreanas ou chinesas. Em breve, teremos muitas lojas delas no mercado. Aí vai ser difícil trabalhar com tamanha concorrência mente ela é de 10%. Este percentual é apertado e ainda temos que colocar aí custos indiretos. Com certeza o comércio sofre mais com este mercado competitivo. A indústria para de produzir e o custo cai. Como está a concessão de novas lojas? Em função do mercado competitivo as montadoras estão agilizando as concessões? Hoje a análise leva cerca de três meses. Se compararmos com três ou quatro anos atrás, este prazo caiu pela metade. Qual tem sido o foco da Eurobike quando o assunto é abertura de lojas? Estamos dando prioridade para lojas menores, as chamadas satélites. Elas são abertas fora das grandes capitais. O município de Marília, no interior de São Paulo, é um exemplo. Também vamos inaugurar uma em Caxias do Sul (RS). Em uma loja satélite é possível trabalhar com uma área de 200 ou 500 metros quadrados, com oficina e tudo. Para se ter uma ideia, tem loja nossa que chegar a medir 6 mil metros quadrados. Hoje a Eurobike tem 16 lojas, a grande maioria na cidade de São Paulo. Por que vocês demoraram tanto para chegar a cidades menores? Não havia público? Público sempre teve, mas as pessoas não gostam de comprar um carro quando não há serviço de pós-venda por perto. Estas lojas satélites têm a estrutura de uma unidade grande, inclusive oficinas. Agora, sabendo que poderá contar com um lugar próximo caso tenha um problema esse consumidor vai se sentir mais confiante. Ele não precisa vir até a cidade de São Paulo para ser atendido. Onde serão as próximas unidades? Este ano abriremos em São José do Rio Preto uma loja Mini e uma Land Rover. Em Ribeirão Preto, vamos inaugurar uma Mini. Temos também uma loja satélite prevista para Caxias do Sul e estamos preparando as novas lojas da Audi que teremos na capital paulista e em Barueri. São comuns ações de empresas de automóveis em shoppings, mas parece que o varejo de automóveis ainda não encontrou uma maneira de crescer também por meio da abertura de lojas nestes empreendimentos. Vocês já tiveram uma experiência deste tipo em Minas Gerais. Como foi? Tivemos uma loja em um shopping de Uberlândia. Era uma espécie de showroom de várias marcas. Gostamos da ideia e pensamos em levá-la a diante. Mas não é fácil. Não é possível chegar e expor diversos carros de marcas misturadas em um mesmo espaço. As montadoras não gostam que a Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 25 Rebecca Cook/Reuters MONTADORAS 2 MONTADORAS 3 Grupo Fiat tem intenção de acelerar aliança com a americana Chrysler Não há planos para fundir a marca italiana com a Chrysler, diz Sergio Marchionne A Fiat deve focar em uma participação majoritária na Chrysler depois de completar nesta segunda-feira a divisão de suas atividades com automóveis das operações com caminhões e tratores. A separação da empresa é parte fundamental do plano do presidente-executivo, Sergio Marchionne, para recuperar o maior grupo industrial italiano com ajuda de alianças. Segundo o presidente do grupo italiano, a montadora considera aumentar sua participação na americana para 51% em 2011. A Fiat já detém 20% da Chrysler — comprou participação na montadora norte-americana em 2009, quando quase entrou em colapso. No curto prazo, a Fiat vai se concentrar em aumentar a participação na Chrysler e competir nos mercados mundiais. Henrique Manreza META R$ 700 mi é a previsão de faturamento para 2011. Se a meta for alcançada significará um incremento de 16,6% na comparação com a receita de 2010. TIME 400 funcionários compõem o grupo Eurobike fundado em 2003. A família Visconde foi por 21 anos dona de um laboratório farmacêutico, vendido em 2005. REDE 16 lojas das marcas Audi, BMW, Land Rover, Mini, Porsche e Volvo formam a Eurobike. A companhia chegou a ter uma loja Toyota, fechada em 2010. gente faça esta mistura. Outra dificuldade é que a loja teria que ser sempre instalada no térreo do shopping para facilitar a locomoção dos automóveis. Enfim, é um opção que continuamos estudando. Há planos para ampliar os negócios para o segmento popular? Não. Fechei uma unidade Toyota em Ribeirão Preto porque esta marca já estava indo contra o nosso foco. Hoje conseguimos trabalhar com preços mais competitivos, tanto que as classes média e alta já estão olhando para nossos veículos. Mas queremos ficar somente com o mercado de luxo. Temos visto um movimento de fusões e aquisições bastante intenso no varejo. Este também pode ser o caminho para a Eurobike? Em 2008, conversei com alguns grupos estrangeiros em busca de uma associação ou algo assim, mas desisti quando veio a crise. Também já recebi propostas de amigos i ntere s s ado s em c om pra r parte do negócio, mas isso não me interessou. ■ RENTABILIDADE Concorrência pressiona margens A cada ano o segmento automobilístico bate recorde de vendas e tanto concessionárias como montadoras aproveitam para engordar a receita. Mas o maior volume de carros comercializados não tem se refletido em mais rentabilidade para os varejistas. Para não perder mercado e cumprir as metas de vendas, algumas concessionárias têm optado por sacrificar as margens. C.E. 26 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 EMPRESAS Andrew Harrer/Bloomberg CONSUMO REDE SOCIAL Toshiba anuncia lançamento de tablet para rivalizar com iPad, da Apple Facebook recebe novo investimento de US$ 500 milhões, diz The New York Times A Toshiba está entrando na guerra pelo mercado de computadores tablet, lançando um aparelho de 10 polegadas comparável ao iPad, da Apple. O Toshiba Tablet estará disponível ainda no primeiro semestre deste ano e executará a versão “Honeycomb” do sistema operacional Android. O preço será competitivo ao cobrado pelo iPad, que começa a partir de US$ 499. O Facebook obteve US$ 500 milhões em investimentos do Goldman Sachs e do grupo russo de Internet Digital Sky Technologies, aporte que leva o site de rede social a atingir valor de mercado de US$ 50 bilhões, informou o The New York Times. O Goldman investiu US$ 450 milhões, enquanto a Digital Sky Technologies, que já destinou cerca de US$ 500 milhões ao Facebook, desembolsou outros US$ 50 milhões, segundo o jornal. O empreendedor que conquistou a Microsoft e a Amazon Sucesso de vendas com on-line de sapatos colocou o americano Tony Hsieh entre os empresários de destaque da internet Carlos Eduardo Valim [email protected] A curta e bem sucedida carreira do empresário americano da internet Tony Hsieh, executivo-chefe da loja de vendas online de calçados e acessórios Zappos.com (vendida para a Amazon.com no último ano), é feita de curiosidades, assim como as suas percepções, conforme atestam suas declarações para o BRASIL ECONÔMICO. Com apenas 37 anos recémcomemorados e duas empresas vendidas em 15 anos, para a Microsoft e Amazon.com, surpreende que o projeto que Hsieh considerou o mais difícil de sua vida aconteceu fora do mundo corporativo: a escalada do Monte Kilimanjaro, o mais alto da África. Da mesma forma, mesmo sendo um criativo gestor de pessoas, chama atenção que ele considere que os maiores erros de sua empresa aconteceram nas contratações. “Se somarmos os custos com todas as más escolhas de pessoas que fizemos na Zappos, suas más decisões e suas más contratações, a empresa perdeu mais de US$ 100 milhões”, diz Hsieh. A afirmação denota sua obsessão com o assunto. Na Zappos, Hsieh testou diversas técnicas para encontrar as pessoas com o perfil da companhia. A que acabou se tornando a mais conhecida delas é a de oferecer US$ 2 mil para os candidatos desistirem de tentar uma vaga de emprego. O objetivo é buscar pessoas alinhadas (a ponto de rejeitar um pagamento inicial considerável) ao projeto da empresa, focada em prestar um atendimento diferenciado ao cliente. Esta máxima de priorizar o cliente se tornou um clichê nas empresas de serviços de todo o mundo, mas na Zappos é levada ao pé de letra. Enquanto na sua compradora Amazon e na maior Nove anos depois de ser fundada, a Zappos.com atingiu receita bruta de US$ 1 bilhão e foi vendida por US$ 1,2 bilhão parte das empresas de internet buscar preços menores do que o das lojas físicas é a meta, a Zappos vai na contramão e cobra um pouco mais para manter níveis de atendimento superiores. Na empresa, o contato telefônico do cliente é incentivado e não visto como mais custo operacional a ser evitado. Em 2008, nove anos depois de ser fundada e dois anos antes da meta, a empresa atingiu o US$ 1 bilhão de receita bruta. Os resultados alcançados, creditados à cultura corporativa peculiar, atraiu a Amazon, que comprou a Zappos em 2009 por US$ 1,2 bilhão. Ela foi transformada em uma subsidiária, com operações próprias, mantendo a marca e a equipe, o que seria natural para uma empresa que está no mesmo negócio que a organização que a adquiriu. Jovem empreendedor Hsieh começou cedo sua carreira de empreendedor. Aos 6 anos, ele decidiu criar um negócio baseado na criação de minhocas. “Trinta dias depois de colocar as minhocas na dieta das gemas de ovos crus, decidi checar seu progresso, então cavei a lama no minhocário para ver se algum filhote de minhoca já tinha nascido. Infelizmente, não encontrei nenhum filhote de minhoca”, conta em seu livro Satisfação Garantida , lançado no Brasil neste final de ano. Foi só depois de passar pela Universidade de Harvard e aceitar um emprego na gigante de software Oracle que o seu talento despertou. Na empresa de Larry Ellison, Hsieh permaneceu por poucos meses, insatisfeito com as amarras de uma grande corporação. A saída acabou sendo benéfica para os funcionários e clientes bem tratados da Zappos, e também para o seu bolso. ■ TRÊS PERGUNTAS A... ...TONY HSIEH Executivo-chefe da Zappos.com A felicidade corporativa, segundo um empreendedor Aos 24 anos, Tony Hsieh, autor de Satisfação Garantida, negociou com a Microsoft, por US$ 265 milhões, seu primeiro empreendimento, a LinkExchange, uma cooperativa de anúncios on-line que criou logo após deixar um emprego na Oracle. Com a Zappos, ele foi mais longe e acabou conhecido como um dos mais famosos empreendedores da internet, dedicado a estudar o que dá mais felicidade a seus clientes. Você comenta que a Zappos trata de entregar felicidade, expressão que dá nome ao seu livro em inglês. Como moldou o seu conceito de felicidade? A maioria das pessoas quer fazer dinheiro porque acredita que pode ser mais feliz, imaginando que dinheiro dará mais liberdade, menos estresse, mais tempo livre e outros benefícios. Se a Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 27 Nana Buxani/Bloomberg NOVO MERCADO EDITORIAL TECNOLOGIA Google estuda criar “banca” digital para vender versões on-line de revistas Intel tenta atrair estúdios de Hollywood com chip que conta com proteção ao conteúdo O Google abordou diversas editoras de revistas sobre planos de criar uma banca digital, empreitada que pode abrir uma nova frente na rivalidade da empresa com a Apple. A banca digital oferecerá às empresas de mídia uma maneira de vender versões de suas publicações formatadas para computadores tablet e celulares inteligentes que operem com o sistema operacional Android, segundo reportagem do Wall Street Journal. A Warner Bros Digital Distribution, da Time Warner, e outros estúdios planejam oferecer filmes de alta definição aos consumidores cujos computadores usam os chips, conhecidos pelo codinome Sandy Bridge, no mesmo momento em que os títulos sejam lançados em DVD, disse a vice-presidente da Intel, Mooly Eden. “Estamos fechando os acordos (com os estúdios e distribuidores) para disponibilizar o recurso”, diz Mooly. Ronda Churchill/Bloomberg Tony Hsieh: maiores erros aconteceram nas contratações Livro fica meses na lista dos best-sellers Satisfação Garantida foi lançado no país neste fim de ano pela Thomas Nelson Brasil felicidade é o objetivo final, então parece sensato focar na felicidade. Além disso, muitos estudos mostram que empregados engajados são mais produtivos, e um dos melhores índices para perceber o engajamento de um funcionário é o número de amigos que possuem no trabalho ou se possuem um melhor amigo nesse ambiente. Isso leva de volta à importância da cultura corporativa e a felicidade de um empregado. ter passado por dificuldades. Qual foi a maior delas? Nos seus anos de empreendedorismo, você deve A maior categoria de erros está em contratações. Se eu No meu livro, escrevo sobre como escalar o Monte Kilimanjaro foi uma das coisas mais difíceis que tive de fazer, de um ponto de vista físico, emocional e mental. for adicionar todos os custos causados por más escolhas de empregados que fizemos na Zappos, suas más decisões e as más contratações que eles fizeram, houve prejuízo para a empresa acima de US$ 100 milhões. E qual foi o seu maior fracasso? Foi quando não tomei decisões ou agi em relação a elas mais rapidamente. Que lições aprendeu como empreendedor e do que se arrepende? Onde você se vê em 10 anos? Geralmente não planejo com tanta antecedência, porque as coisas nunca se movem da forma como pensamos. A vida é cheia de surpresas, e o meu objetivo é desfrutar o máximo que for possível. C.V. Tony Hsieh ascendeu ao Olimpo dos empreendedores da internet com um negócio que não queria fazer. O fundador da loja de vendas on-line de calçados e acessórios Zappos resistiu às ofertas de compra pela gigante do varejo na internet Amazon.com, até se convencer de que a empresa estaria melhor nas mãos de seus novos donos do que dos investidores que possuía na época. O negócio, além de ter garantido um excelente retorno aos seus investimentos, premiou as suas heterodoxas ideias sobre gestão. Ele conta todas as idas e vindas da negociação em Satisfação Garantida, livro de sua autoria que tem lançamento no país pela Thomas Nelson Brasil. Nos Estados Unidos, permaneceu por meses entre os mais vendidos, chegando a liderar as listas do The New York Times e da própria Amazon. Segundo Hsieh, na primeira vez que a Amazon abordou a Zappos, não precisou pensar duas vezes antes de rejeitar a proposta. “Era o verão de 2005, e a Zappos, a empresa iniciante em que depositei os últimos cinco anos da minha vida (e quase todo o meu dinheiro), parecia finalmente estar nos trilhos certos. Enquanto falava com o fundador e executivo-chefe da Amazon, Jeff Bezos, que visitou a nossa matriz em 2005, percebi que para eles éramos apenas uma empresa de sapatos líder. Se fôssemos vendidos, provavelmente acabaríamos agregados às suas operações e nossa marca e cultura estariam arriscadas de desaparecer.” Quatro anos depois, Bezos voltou com uma nova proposta e as condições eram outras. A empresa tinha levantado dezenas de milhões de dólares com investidores externos, incluindo US$ 48 milhões do fundo Sequoia Capital, que queriam ter o retorno de seus investimentos e havia pressão para diminuir os custos com a cultura de tratamento aos empregados mais dispendiosa adotada por Hsieh, diz ele. Empresa dependia de linha de crédito de US$ 100 milhões para rodar seus estoques Ao mesmo tempo, a empresa dependia de linha de crédito de US$ 100 milhões para rodar os estoque, que poderiam ser cortados caso não cumprisse as metas de receita e lucratividade em apenas um mês, o que se tornou mais arriscado em 2009, no auge da crise econômica global. Resistência Ainda assim, Hsieh resistiu à venda. Até que durante uma apresentação para Bezos, o executivo mostrava um slide sobre a cultura de felicidade que pretendia passar a seus funcionários e clientes, quando o fundador da Amazon disse: “Você sabe que as pessoas são muito ruins em prever o que os fará felizes?” “Estas eram as palavras exatas do meu próximo ‘slide’”, escreveu Hsieh. A partir daí, o relacionamento ficou mais fácil e ele disse ter percebido que, mesmo com perfis diferentes, as duas empresas acreditavam em buscar um bom serviço, mesmo que os resultados de curto prazo A empresa ACECO TI LTDA, CNPJ 43.209.436/0001-06, situada na Av Ragueb Chohfi, 2142 Cj 01 Jardim Colonial São Paulo/SP, solicita pesquisa à CNI Confederação Nacional da Indústria, em âmbito nacional, como única fabricante/fornecedora do produto Sala Cofre - Marca Lampertz/Rittal. 28 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 EMPRESAS Divulgação GAMES TURISMO Nintendo não recomenda games 3D de novo portátil para crianças Locadora de automóveis Hertz fecha parceria com rede de hotéis Porto Bay A Nintendo alertou ontem que crianças de 6 anos ou menos não devem jogar games em modo 3D no novo console portátil que a empresa deve lançar no início deste ano, mencionando possíveis riscos à saúde. O Nintendo 3DS, que deve ser lançado em 26 de fevereiro no Japão, não precisa de óculos especiais para três dimensões e tentará recuperar consumidores após a companhia perder espaço no mercado para rivais. O acordo permitirá que a clientes que fazem parte do programa de relacionamento da rede de hotéis, chamado Prestige Club, tenham descontos de até 15% em locações de veículos. A parceria dará direito a descontos em locações diárias feitas no Brasil. No ano passado, a locadora de veículos já havia fechou parcerias semelhantes com o Itaú Personnalite, a Trend Operadora e companhia aérea Azul. Marcela Beltrão ■ RECEITA Hércules Cagnin, diretor da Baked Potato: pressa para aproveitar novas áreas em shoppings O faturamento da empresa deve crescer 16,6% este ano para R$ 63 milhões ■ CONSUMO A venda mensal de batatas em algumas lojas chegam a 10 mil Baked Potato inicia processo de franquia para dobrar de tamanho Hoje a companhia conta com 42 unidades e 550 funcionários; regiões Norte e Nordeste são prioridade Regiane de Oliveira [email protected] Costumava ser comum uma empresa esperar anos para se consolidar no mercado e então aderir ao processo de franquias. Há tempos isto não é mais uma regra, mas a Baked Potato preferiu ser ortodoxa. A empresa inaugurada em 1984 pelas amigas Magali Teixeira, Maria Cristina Pierot Paes Barreto, Beatriz Miranda de Carvalho, Elizangela Cappello e seus respectivos maridos, que se propôs a introduzir no país uma antiga receita inglesa — a batata assada e recheada — deve receber no próximo ano os primeiros parceiros da área de franquia. O novo negócio ainda está em formatação, conta Hércules Cagnin, diretor da empresa. Mas a Baked Potato tem pressa. O objetivo é não perder a janela de ex- Pelos dados da Associação Brasileira de Shopping Center (Abrasce), no próximo ano devem ser inaugurados 29 conjuntos de lojas pansão que se abriu neste ano para a área de shopping. Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o país terá 439 shoppings em 2011; hoje, são 410, sendo que 29 devem ser inaugurados no próximo ano. “Até 2008, tínhamos um crescimento vegetativo, e só com isso temos 42 unidades.” A empresa possui 550 funcionários, são cerca de dez por ponto de venda. Cagnin afirma que o processo de estruturação da franquia não é fácil, por isso a empresa será cautelosa para receber os novos parceiros. “Nossas lojas já atuam como se fossem franquias, com metas de vendas independentes.” Por enquanto, os planos são crescer com novas unidades apenas no Brasil. As regiões Norte e Nordeste são uma das prioridades da empresa para o desenvolvimento do projeto de franquias. Hoje, a Baked Potato conta com unidades próprias apenas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A meta é dobrar o número de lojas em três anos. No ano passado foram abertas duas lojas próprias e a previsão é de sete para 2011. A empresa teve um faturamento de R$ 54 milhões em 2010 e deve chegar a R$ 63 milhões neste ano. A rede vem obtendo um crescimento maior que a média de anos anteriores. Só neste segundo semestre, a alta de vendas, considerando a mesma base de lojas do ano anterior, foi de 25%. E o principal motivo é a expansão no perfil de clientes, fruto do crescimento econômico do país. “A classe C agora é consumidora de Baked Botato”, afirma Cagnin. Como exemplo, ele cita a loja do Shopping Itaquera, localizado junto ao metrô na zona Leste de São Paulo, onde são vendidas 9 mil batatas por mês. O recorde de vendas da rede, porém, fica com as unidades dos shoppings Center Norte, Anália Franco, Morumbi e Iguatemi, com média de 10 mil batatas vendidas por mês. Com o aumento do acesso, a rede viu potencial para diferenciar o serviço e criou uma bandeira butique, aberta em 2009 no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Além dos produtos tradicionais como as batatas de requeijão, strogonoff, frango, camarão e bacon, o formato oferece produtos diferenciados, como a batata Piemonte (batata assada recheada com tartufo bianco e gema de ovo levemente gratinada) e a Alaska (cream cheese e ovas de salmão). A segunda unidade butique será aberta no shopping Iguatemi JK, no próximo ano. ■ Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 29 Célio Messias VAREJO AGRONEGÓCIO Pão de Açúcar inaugura sua primeira drogaria com o conceito “botica” no RJ Cutrale repassa R$ 4 milhões ao Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) Com investimentos de cerca de R$ 500 mil, o projeto implantado em Niterói traz uma releitura das antigas farmácias, com inspiração nas boticas européias. A nova drogaria Pão de Açúcar Ingá oferece 10 mil itens, entre fármacos isentos de prescrição (MIP), toda linha de genéricos e tarjados de prescrição médica, perfumaria e também equipamentos para controle e diagnóstico. Os recursos serão aplicados no desenvolvimento de soluções eficientes de combate às doenças que prejudicam o desempenho da citricultura. Em especial o greening, doença mais que ataca as folhas de laranjeira e pode destruir pomares. Em 2010, a praga cresceu 56% em relação a 2009, segundo o Fundecitrus. A parceria também prevê a difusão de técnicas de manejo e prevenção de doenças junto em São Paulo e o Triângulo Mineiro. Uno & Due cria rede de frozen yogurt para elevar faturamento Murillo Constantino Expectativa é que nova operação aumente em 25% a receita da companhia já no próximo ano SEMELHANÇAS Fábio Bodra, sócio-diretor da Uno & Due: abertura de até 20 lojas ao ano Montana Grill comprou a marca Thathagurt em 2009 Em novembro de 2009, o Grupo Montana Grill fez operação semelhante e adquiriu 70% da Thathagurt, marca de frozen yogurt criada pelos empresários Renato Higa e Norimiti Higa, no início do mesmo ano. Desta forma, além da franquia Montana Grill, de refeições rápidas e grelhados, o grupo passou a administrar a rede com dez pontos de venda abertos, entre lojas e quiosques. “Tomamos a decisão após conhecer o produto de perto, que já era tendência forte no exterior e fazia parte, timidamente, de alguns cardápios de restaurantes em São Paulo e do Rio de Janeiro”, diz Clovis Cabrino Junior, sócio do grupo. Diferente da Uno & Due, a Thathagurt tem lojas separadas e independentes da franquia de restaurantes. M.C. Mariana Celle [email protected] Depois de anos apostando nos pães e sanduíches como principais fontes de faturamento, a rede de alimentação Uno & Due vê agora uma nova oportunidade no mercado de sobremesas geladas. O grupo lança este ano o Yogouno, frozen yogurt que será vendido em lojas independentes que levarão o mesmo nome com área entre 30 e 60 metros quadrados, ou ainda em quiosques e espaços adaptados em algumas das unidades Uno & Due. “O frozen yogurt chega a vender 90% a mais que o sorvete comercializado anteriormente no mesmo ponto de venda”, diz Fábio Bodra, sócio-diretor da rede Uno & Due. O grupo espera abrir entre 10 e 20 lojas por ano do frozen yogurt, o que vai garantir aumento de 25%, em média, no faturamento de R$ 30 milhões registrado em 2010. O projeto piloto está em curso desde junho em uma das franquias no bairro do Itaim, zona sul de São Paulo. São vendidas entre 180 e 200 unidades por dia pelo valor médio de R$ 9. O empresário quer adaptar metade das 40 lojas para receber o produto. “Não são todas que têm o perfil, por isso vamos estudar os espaços”, afirma Bodra. No primeiro trimestre de 2011, duas lojas ainda na capital paulista e outra no Rio de Janeiro deverão receber a sobremesa à base de iogurte. “Nossa intenção não é concorrer com as lojas exclusivas de frozen yogurt, mas oferecer aos franqueados um produto que agregue ao seu faturamento”, afirma. Na loja-teste, em menos de seis meses, o produto passou a integrar a lista dos cinco mais vendidos, o que não acontecia com o sorvete tradicional. “Sempre tivemos os sanduíches como carro-chefe, hoje o frozen é o chamariz para o consumo de outros produtos.” “ Sempre tivemos os sanduíches como carro-chefe, hoje o frozen yogurt é o chamariz para o consumo de outros produtos Fábio Bodra A primeira loja exclusiva do iogurte será localizada em uma região nobre de São Paulo e deverá ser aberta no primeiro semestre de 2011, mas, antes disso, dois quiosques próprios, ainda sem local def i n ido , s erão mont ado s no próximo mês. A Yogouno vai comprar a base do produto de um fornecedor do interior do estado de São Paulo, enquanto algumas marcas importam da Chi- na e da Itália. O frozen é finalizado nas máquinas das próprias lojas. A opção por ter mais de uma marca no mesmo grupo facilita até certa medida, ao mesmo tempo que pode criar pontos desfavoráveis. Uma das vantagens é ter uma base administrativa e financeira já estabelecida. “Com certeza o empresário está mais preparado, pois já quebrou a cabeça e provavelmente não irá cometer os mes- mos erros”, afirma André Friedheim, consultor da Francap, Consultoria em Redes de Negócio e Franquia. Entretanto, é preciso estar atento, uma vez que as marcas terão necessidades distintas. “Os administradores correm o risco de ficar perdidos, uma vez que cada empresa está, geralmente, em momentos diferentes, têm público, logística, fornecimento e marketing distintos”, diz Friedheim. ■ 30 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 EMPRESAS Divulgação BEBIDAS VAREJO Carlsberg vende cervejaria Feldschlosschen para consolidar atuação na Alemanha BR Malls compra participações em dois shoppings por R$ 74 milhões O acordo foi realizado com a companhia Frankfurter Brauhaus e resultará em uma perda de 130 milhões de coroas dinamarquesas (cerca de R$ 38,6 milhões) à cervejaria. Segundo a Carlsberg, a estratégia com o negócio é para concentrar a atuação no norte da Alemanha em cinco principais marcas: Carlsberg, Holsten, Lübzer, Duckstein e Astra. A cervejaria Feldschlosschen pertencia à Carlsberg desde 2000. A empresa pagou R$ 43 milhões para aumentar sua participação no Shopping Crystal Plaza, em Curitiba. Com isso, a BR Malls passa a ter 70% do empreendimento, que tem área bruta locável (ABL) de 12 mil metros quadrados. A empresa também pagou R$ 31 milhões para elevar sua fatia no Shopping Piracicaba. Com as duas aquisições, o ABL próprio da BR Malls passou de 593,2 mil para 601,2 mil metros quadrados. Cervejas especiais ganham espaço na mesa do brasileiro Gilberto Tarantino, proprietário da Tarantino Importadora, que trabalha com cerca de 80 rótulos de cerveja Importadas, bebidas sofisticadas chegam a custar até R$ 700 a garrafa de 355 ml com teor alcoólico semelhante ao da vodca Fabio Suzuki [email protected] O consumo de cerveja tem aumentado nos últimos anos no mercado brasileiro com destaque para o crescimento das artesanais e superpremium. Soma-se a esse cenário o fortalecimento do real diante de outras moedas internacionais, o que facilitou a entrada nos últimos dois anos de bebidas ainda mais sofisticadas para serem comercializadas no país. Se antes a forte indústria cervejeira ficava restrita a produtos tipo pilsen vendidos em latas de 350 ml ou garrafas de 600 ml, hoje é possível encontrar cervejas especiais que mais parecem vinho ou champanhe por suas incrementadas embalagens vindas de fora do país. Por terem uma produção mais restrita no exterior, utilizar ingredientes especiais e chegar ao mercado nacional em volumes bem reduzidos, essas bebidas podem custar até R$ 700 a garrafa long neck de 355 ml, como é o caso da escocesa Sink the Bismarck, da descolada cervejaria Brew Dog, cujo teor alcoólico é de 41%, semelhante ao de uma vodca ou uísque, e que está entre as cinco cervejas mais alcoólicas do mundo. Outros destaques são as marcas da italiana Baladin (pronuncia-se Baladã), cujas cervejas da linha Xyauyu, que abrange três tipos diferentes com teor alcoólico de 14%, custam entre R$ 150 a R$ 200 a garrafa com 500 ml. Voltadas para o mercado gourmet, as marcas Baladin chamam atenção também por seu visual, que mais parece um vinho, e por seu elaborado sistema de armazenamento, no qual a tampa conta com um suporte interno de borracha que mantém o teor alcoólico da bebida. Já a tcheca Bernard confunde-se com um champanhe por manter a qualidade de seu conteúdo por meio de uma rolha. “ As cervejas alemãs são as que mais vendem pela cultura cervejeira no Brasil, mas os consumidores têm aprendido a apreciar novos tipos da bebida Gilberto Tarantino “Gosto de trabalhar com produtos menos convencionais e mais modernos. Procuro também sair das cervejas que os brasileiros estão acostumados a tomar, como são os casos das alemãs e belgas”, diz Gilberto Tarantino, proprietário da Tarantino Importadora, que trabalha atualmente com cerca de 80 rótulos, quantidade considerada baixa se comparada com outras empresas que comercializam produtos vindos de fora do país, e até com importadoras especializadas em outras bebidas como vinhos. Segundo ele, as bebidas com que trabalha entram no país em volumes pequenos, de pouco mais de um contêiner por mês. “Tem marcas alemãs que chegam de oito a dez contêineres todos os meses”, comenta Tarantino. Nos cardápios Além de serem encontradas pela internet, essas cervejas especiais estão ganhando espaços nos cardápios de estabelecimentos voltados para o público de alto padrão aquisitivo, como são os casos do Empório Santa Maria e do restaurante Fasano, além de bares tradicionais na venda de cervejas importadas, como o Frangó, ou novos bares especializados, como o Melograno, todos eles na cidade de São Paulo. “Há um novo público interessado nesse tipo de produto e todo mundo da indústria só tem a ganhar”, afirma Cássio Piccolo, proprietário do Frangó. “As cervejas alemãs são as que mais vendem pela cultura cervejeira no Brasil, mas os consumidores têm aprendido a apreciar novos tipos da bebida”, diz ele. Além dos produtos da Brew Dog, Piccolo cita também a cerveja belga Chimay de três litros que é comercializada por R$ 580. ■ Mr. Beer faz planos Hoje são 11 pontos de venda em dez shoppings e no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo Em apenas um ano e meio de atuação, a rede de quiosques que comercializa cervejas artesanais e importadas Mr. Beer já tem planos ousados de expansão para o próximo ano chegando a atuar em quatro estados brasileiros. Hoje, tem 13 pontos de venda situados em dez shoppings (sendo nove na capital paulista e um em Londrina, Paraná) e no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, além de duas lojas em centros comerciais do Rio de Janeiro. A expectativa da Mr. Beer é dobrar de tamanho ao longo deste ano e chegar a 25 quiosques. Para isso, partirá para o modelo de franquias, cujo investimento inicial é de R$ 90 mil. Os novos pontos serão instalados em cidades ainda pouco exploradas por este mercado, no interior paulis- Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 31 Divulgação ENERGIA 1 ENERGIA 2 Conselho da Cemig anuncia composição da nova diretoria executiva Copasa, companhia de energia paranaense, será presidida por Lindolfo Zimmer Fuad Noman foi nomeada para a diretoria de Gás da Cemig e presidência da Gasmig. Para a recém-criada diretoria jurídica, foi nomeada Maria Celeste Morais Guimarães. Na Diretoria de Desenvolvimento de Negócios e Controle Empresarial das Controladas e Coligadas permanece Fernando Henrique Schuffner Neto. Ja na diretoria de Finanças, Relações com Investidores e Controle Financeiro segue Luiz Fernando Rolla. O executivo já ocupou a presidência do comitê de gestão da Copel Telecomunicações e da Copel Transmissão. Recentemente, Lindolfo Zimmer atuava como presidente da Dobreve Energia S.A. (Desa). O anúncio de seu nome para a presidência, e dos nomes da nova diretoria, foi feito ontem. As mudanças ocorrem com a troca do governo estadual, controlador da Copel, por indicação do governador Beto Richa (PSDB). Murillo Constantino NO TOPO Sink the Bismark A marca da escocesa Brew Dog tem 41% de teor alcoólico e está entre as cinco cervejas mais alcoólicas do mundo. Para atingir essa impressionante marca, contém quatro vezes mais lúpulo, quatro vezes mais amargor e é quatro vezes congelada para chegar a esse nível alcoólico. A garrafa de 355 ml chega a custar R$ 700. SOFISTICAÇÃO Baladin A produção da linha Xyauyu da cervejaria italiana dura em média dois anos e meio e conta com um processo de fermentação com levedura exclusiva por mais de um mês. Além de contar com uma tampa sofisticada para manter o seu teor alcoólico de 14%, seu conteúdo é tão estável que pode permanecer aberta por um ano sem ter seu sabor alterado. O preço da garrafa de 500 ml chega a R$ 200. TECNOLOGIA Bernard para dobrar de tamanho Objetivo é colocar a marca em 25 pontos de vendas por meio de franquias ta, o Distrito Federal, no estado do Rio de Janeiro e no Paraná. Os planos agressivos são justificados pelos bons resultados desde a inauguração da empresa, em julho de 2009. Até o primeiro semestre do ano passado, quando contava com apenas cinco pontos de venda, a companhia alcançou o faturamento de R$ 1 milhão. A empresa não revelou os números consolidados do ano passado e expectativas para 2011. “Nosso conceito é mostrar que o consumo de cerveja vai muito além daquelas que aparecem nas propagandas das grandes empresas, que fala que a cerveja tem que ser tomada estupidamente gelada”, afirma Rodolfo Alves, sócio-diretor da Mr. Beer Cervejas Especiais. As lojas da empresa comercializam cerca de cem rótulos diferentes, sendo 70% de marcas importadas. Por mês, cada quiosque da Mr. Beer vende em média 3 mil garrafas. ■ MAIS NEGÓCIOS ● A empresa conta com 11 pontos de venda atualmente e planeja chegar a 25 quiosques no próximo ano com a abertura de franquias cujo valor inicial é de R$ 90 mil. ● Cada loja comercializa 100 rótulos diferentes, 70% deles de marcas importadas. A venda média mensal por quiosque é de 3 mil garrafas. O que mais chama a atenção nessa cerveja tcheca é que em vez da convencional tampa de garrafa, ela é fechada por uma rolha. Do tipo lager, ela tem 5,1% de teor alcoólico e conta com ingredientes de alta qualidade em sua produção, como o malte produzido na própria maltaria da cervejaria, e utiliza o processo de microfiltragem que substitui a pasteurização da bebida. 32 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 FINANÇAS First Data finaliza acordos para atuar em cartões Maior processadora dos Estados Unidos entrará no mercado de credenciamento Thais Folego [email protected] Após as maiores instituições financeiras anunciarem parcerias para atuarem na atividade de credenciamento de estabelecimentos para aceitação de cartão de crédito, o que se espera, agora, são anúncios de empresas que pretendem atuar em nichos de negócios ou geográficos. A First Data, maior processadora e credenciadora dos Estados Unidos, está próxima de fechar dois acordos no Brasil. Maria Fernanda Teixeira, presidente da companhia no país, não revela os nomes dos parceiros, mas diz que uma das operações já estará funcionando até o final do primeiro trimestre. Circulam no mercado informações de que uma das parcerias seria com o banco Fator e a outra na área de postos de gasolina. No entanto, o Fator, que atualmente atua no mercado de cartões como emissor (por meio da UBR, uma joint venture com a Unimed), não confirma a informação. A First Data tem operações em 36 países, sendo que em 20 atua em credenciamento. No Brasil, a processadora desembarcou em 2002, tendo como principal negócio soluções em correspondente bancário e o licenciamento de seu software de processamento, o Vision Plus. “No ano passado, crescemos mais de 20%”, diz Maria Fernanda. Segundo ela, o principal fator de crescimento foi o forte investimento de instituições financeiras em correspondentes bancários. “ Crescemos mais de 20% no ano passado e agora investiremos alguns milhões de dólares Maria Fernanda Teixeira, presidente da First Data no Brasil foco de investimentos de estrangeiros — assim como de bancos locais que não atuavam nessa atividade —após a abertura deste mercado, no dia primeiro de julho do ano passado, quando terminou a exclusividade entre a bandeira Visa e a credenciadora Cielo (VisaNet, na época). Desde então, qualquer instituição que tivesse as devidas licenças das bandeiras passaram a poder atuar com as duas bandeiras internacionais que possuem o maior volume de transações: Visa e Mastercard, que já não tinha exclusividade há anos. O interesse não é para menos. Segundo levantamento da consultoria Lafferty, entre os países que compõem os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é que o tem a maior rentabilidade na atividade de credenciamento. No país, cada cartão rende, para emissores e credenciadores, US$ 20. Na Índia, o ganho é de US$ 12 e na China, apesar dos mais de dois bilhões de plásticos emitidos, há um prejuízo de US$ 1 por cartão. O primeiro a estrear no segmento, que tem como líderes Cielo e Redecard, foi o Santander em parceria com a GetNet. Ainda neste primeiro semestre, está prevista a entrada da operação do Citibank com a americana Elavon. A também americana GlobalPayments deve começar a operar no país neste ano. “Na primeira etapa, os novos concorrentes vão entrar em mercados que hoje não são cobertos, como saúde e educação”, avalia Maria Fernanda. ■ 1 Santander com a brasileira GetNet O banco espanhol Santander iniciou suas operações em credenciamento em março do ano passado, em parceria com a GetNet. O plano é ter, até 2012, participação de 10% do faturamento do mercado de credenciamento. A meta do banco é de, dentro de três anos, aumentar em 35% a sua base de clientes corporativos, que totaliza aproximadamente 500 mil empresas. 2 Citibank com a americana Elavon Depois de ter se desfeito de sua participação de 17% na Redecard em 2009, o Citibank voltou à atividade de credenciamento em parceria com a americana Elavon. A meta é ter 15% do faturamento desse mercado em cinco anos, o que significa que até 2015 a nova empresa deve ter receitas de R$ 200 bilhões, já que neste ano o mercado deve fechar com faturamento de R$ 530 bilhões, e cresce cerca de 20% ao ano. 3 Investimento Para apoiar o novo serviço de credenciamento, a operação da First Data no Brasil terá de triplicar o número de pessoas envolvidas no back office. Entre elas a equipe de call center para atender aos lojistas, a equipe de prevenção a fraudes e chargeback (cancelamento de uma venda feita com cartão de débito ou crédito). Hoje, a First Data conta com cerca de 100 funcionários no país. “Serão investidos alguns milhões de dólares”, diz Maria Fernanda, sem revelar, porém, valores exatos. A atividade de credenciamento de cartões no Brasil se tornou QUEM ENTROU PARA BRIGAR COM CIELO E REDECARD EM 2010 MARGEM LÍQUIDA RENTABILIDADE 40% é, em média, a margem líquida US$ 20 é quanto emissores e apresentada na atividade de credenciamento no Brasil. Com a maior competição, porém, esse percentual deve cair. credenciadores ganham por cartão no Brasil, segundo a consultoria Lafferty. É a maior rentabilidade entre os Bric. TRANSAÇÕES RESULTADOS 21% ao ano é o ritmo de crescimento R$ 5,7 bi foi o faturamento de Cielo do número de transações com cartões no Brasil, segundo a consultoria Dextron. Em sete anos, o avanço é de 275%. e Redecard entre janeiro e setembro de 2010. A receita dessas empresas tem crescido a uma taxa média de 20%. Regional: Banrisul com a brasileira CSU O banco gaúcho Banrisul contratou a CSU para prestar serviços de processamento da rede de captura de transações do Banricompras e do início da captura de transações da bandeira Mastercard. A rede Banricompras possui atualmente cerca de 100 mil estabelecimentos comerciais credenciados, principalmente na região Sul do país e, em 2009, capturou mais de 60 milhões de transações. Maria Fernanda: de olho nos recursos da nova classe média Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 33 Natalie Behreing/Bloomberg China seguirá comprando títulos espanhóis Autoridades chinesas têm fé no sistema financeiro espanhol e o país continuará a participar de leilões de dívida da nação europeia, escreveu o vice-primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, em editorial no jornal El Pais, ontem. “A China é um investidor responsável e de longo prazo no mercado financeiro europeu, particularmente na Espanha, e temos confiança no mercado financeiro espanhol, que tem se traduzido na compra de sua dívida pública, algo que continuaremos a fazer”, escreveu Li. AGENDA DO DIA ● Às 7h30, o Reino Unido divulga o índice de gerente de compras de dezembro. ● Às 13h, saem as encomendas da indústria nos Estados Unidos de novembro. ● Às 17h, sai a ata da última reunião do Federal Reserve. Murillo Constantino Plásticos vão movimentar R$ 642 bilhões Esta é a estimativa para 2011, que deve contabilizar cerca de 8 bilhões de transações Os novos concorrentes do mercado de credenciamento de cartões devem roubar fatias de negócios de Cielo e Redecard, mas também vão crescer em cima do crescimento orgânico do mercado, que tem avançado a polpudas taxas de 20% nos últimos anos. Em 2011, o setor de cartões de crédito, débito e plásticos de lojas deve movimentar R$ 642 bilhões, com oito bilhões de transações, segundo estimativas da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Em 2010, a projeção é de que o faturamento do setor tenha atingido R$ 534 bilhões. Para 2015, as projeções são de que o setor movimente R$ 1,3 trilhão, em 15 bilhões de transações de 909 milhões de plásticos. Hoje no Brasil, já são 628 milhões de cartões em circulação, uma razão de três plásticos para cada brasileiro, que já transacionam cerca de um quarto do consumo das famílias. Na última década, o número de cartões cresceu 430% e o valor das transações 718%, segundo a Abecs. Neste ano, o setor deve continuar crescendo com o aumento da renda, o fortalecimento da classe média e a migração para meios eletrônicos de pagamentos. Projeções mostram que até 2014 mais 36 milhões de brasileiros entrarão para a classe média. No Brasil, já são 628 milhões de cartões em circulação, uma razão de três para cada usuário ■ 2010 Faturamento do mercado de cartões foi de Novas áreas Com a maior competição na atividade de credenciamento, a tendência é que os novos concorrentes explorem, também, segmentos e áreas geográficas que hoje não apresentam grandes volumes transações, mas que com o crescimento e a maior formalização da economia têm grande potencial de desenvolvimento. “Antes, a decisão de investimento dos credenciadores era orientada para lugares que giravam grandes volumes, em que o retorno do investimento era mais alto. Agora, isso vai mudar”, diz Maria Fernanda Teixeira, presidente da processadora First Data no Brasil. ■ R$ 534 ■ 2015 Projeção da Abecs de receitas do setor R$ 1,3 tri ■ CARTÕES Estimativa de número de cartões em 2015 909 mi bi 34 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 INVESTIMENTOS Vanessa Correia [email protected] Mudança na Lei das S/A abre caminho para simplificar mercado de dívida No apagar das luzes de 2010, o governo publicou medida provisória com os detalhes do pacote de incentivo ao financiamento de longo prazo (MP nº 517), anunciado em meados de dezembro. O documento altera dispositivos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que pretendem simplificar o processo de emissão de debêntures pelas companhias e viabilizar a formação de um mercado secundário mais dinâmico para esses papéis. “Era importante atualizar alguns pontos da Lei nº 6404, uma vez que o mercado financeiro se modernizou nos últimos 35 anos”, ressalta Otavio Yazbek, presidente em exercício da CVM. Embora seja atípico submeter à audiência pública o texto já editado por meio de medida provisória, a autarquia irá consultar o mercado até o dia 03 de fevereiro para então mandar as propostas ao relator do processo que transformará a MP em lei. “Não é garantido que o relator acate as sugestões. Mas discuti-las com o mercado é importante”, acredita Yazbek. Discussão Entre os principais pontos que serão analisados pelo mercado está a flexibilização da recompra de debêntures pelo emissor, permitindo uma melhor administração da exposição deste ao mercado e de seu padrão de endividamento. “Hoje, a lei diz que a recompra pode ser feita desde que a debênture tenha valor igual ou inferior ao nominal. A MP estabelece que o processo de recompra será regulamentado pela CVM. Ou seja, a restrição ao valor do título caiu.” O documento também prevê a emissão de debêntures de forma simultânea, facul- tando um aproveitamento mais eficiente, pelo emissor, de oportunidade para papéis com diferentes características. O presidente em exercício da autarquia explica que pela legislação vigente, a companhia só pode emitir novos títulos caso tenha negociado todas as séries. “Isso facilita a administração das janelas de oportunidades do mercado pelas companhias.” Outro pronto que dará agilidade à emissão é a deliberação, pelo conselho de administração, de qualquer espécie de debênture, desde que dentro dos limites de aumento de capital social, aprovado em assembleia de acionistas. A MP nº 517 também retira o limite à emissão de debêntures quirografárias. Com isso, esses títulos são igualados, neste aspecto, às debêntures subordinadas, que hoje acabam sendo mais utilizadas pelo mercado. Sendo assim, a escolha do emissor entre um instrumento de captação e outro deve passar a se dar por critérios de conveniência e não por indução legal. E, por fim, o documento permite que a companhia contrate um mesmo agente fiduciário para diferentes emissões, nos termos de regulamentação a ser expedida pela CVM. Além dessas alterações, uma demanda da CVM que consta na MP diz respeito à questão da periodicidade da correção monetária em debêntures e letras financeiras. Ambos os títulos podem sofrer correção monetária em periodicidade igual àquela estipulada para o pagamento periódico de juros, ainda que em inferior a um ano — estipulado para pagamentos de cupom com correção monetária. ■ Marcos Arcoverde Para Yazbec, da CVM, alteração legal serve para se adequar à sofisticação do mercado BR Properties Cobertura Itaú BBA vê como positivas compras no segmento de varejo BB Investimentos recomenda manutenção de Paranapanema O Itaú BBA vê como positiva a compra feita pela BR Properties no segmento de varejo e imóveis comerciais. A empresa adquiriu quatro edifícios de escritórios e 29 lojas de varejo — total de 122.146 metros quadrados de área bruta locável — por R$ 477 milhões, sendo essa a maior aquisição já realizada. Com a transação, a companhia totaliza R$ 1,7 bilhão em aquisições desde a sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), realizada em março. O valor está 18% acima das estimativas do Itaú BBA, segundo relatório assinado pelos analistas David Lawant e Ricardo Lima. Essa operação marca a entrada da empresa no segmento de varejo no momento em que o setor tem um forte crescimento das vendas. A corretora lembra ainda que há um baixo nível de desocupação dos imóveis (vacância) nesse setor. Outro fator positivo é a expectativa de elevação do contrato com a C&A — uma das principais locatárias dos empreendimentos adquiridos —, devido ao aumento das vendas no varejo. Para os analistas, entre o curto e o médio prazo, é possível a elevação do aluguel. A recomendação dos papéis da companhia foi mantida em “outperform” (desempenho acima da média do mercado) e a ação se mantém como uma das favoritas do Itaú BBA no setor imobiliário. O preço alvo para BRPR3 é de R$ 19,60. A BB Investimentos iniciou a cobertura da Paranapanema, empresa responsável por 99% da produção de cobre refinado do país, com a recomendação de “manter” para os papéis (PMAM3) da empresa. De acordo com a instituição, o preço-alvo das ações para dezembro de 2011 é de R$ 6,30, o que representa um potencial de valorização de 23,5% sobre o preço de R$ 5,10 observado na quarta-feira (29/12). Segundo relatório elaborado pelos analistas Antonio Emilio Bittencourt Ruiz e Mauricio de Carvalho Azambuja, a empresa busca focar a rentabilidade e o crescimento orgânico com investimentos em ganhos de escala e competitividade, aliados à situação financeira bem mais confortável. Para eles, um ponto frágil da companhia é a exposição à volatilidade, uma constante no seu mercado de atuação, em razão da forte influência dos preços do cobre no mercado internacional e da cotação da moeda americana, tanto na aquisição das matérias-primas como na formação dos preços de venda. Se por um lado as perspectivas do mercado externo ainda se mostram bastante incertas, no mercado interno espera-se crescimento sustentado para os próximos anos, tendo em vista os eventos esportivos — Olimpíadas e Copa do Mundo —, as obras de infraestrutura previstas, e o crescente nível de consumo da população com melhoria de renda das classes C e D. VALOR DE MERCADO LOJAS AMERICANAS Recorde Proventos Estudo da Economatica mostra que em 2010 as empresas de capital aberto do país alcançaram o valor de mercado de US$ 1,503 trilhão, o maior já alcançado, batendo o recorde de outubro de 2010, quando o montante chegou a US$ 1,463 trilhão. Considerando as dez maiores companhias, o valor é de US$ 848,2 bilhões, o que representa 56,4% do total. A Petrobras continua sendo a maior empresa brasileira e latino-americana por valor de mercado, com US$ 228,2 bilhões. A Lojas Americanas informou que pagará R$ 7,5 milhões em complemento de juros sobre o capital próprio, o que corresponde a R$ 0,010302 por ação e R$ 0,005151 para os papéis com direito a dividendos parciais — oriundos do plano de opção de compra de ações de 2009. O pagamento será realizado em 25 de abril e terão direito aos proventos os detentores de ações no dia 7 de janeiro. Os proventos se referem aos lucros obtidos no exercício de 2010 e totalizará R$ 7,5 milhões brutos. Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 35 BOLSA JURO Giro financeiro Contrato futuro R$ 5,6 bilhões 12,02% foi o volume financeiro registrado ontem no segmento acionário da BM&FBovespa. O principal índice encerrou a sessão com variação positiva de 0,95%, aos 69.962 pontos. foi a taxa de fechamento do contrato futuro de DI, com vencimento em janeiro de 2012, o mais negociado ontem. O volume financeiro foi de R$ 15,12 bilhões, em 169.255 contratos. IBOVESPA RENDA FIXA Ação Código Mínima ALL AMER LAT ON AMBEV PN B2W VAREJO ON BMF BOVESPA ON BRADESCO PN BRADESPAR PN BRASIL ON BRASIL TELEC PN BRASKEM PNA BRF FOODS ON BROOKFIELD ON CCR RODOVIAS ON CEMIG PN CESP PNB CIELO ON COPEL PNB COSAN ON CPFL ENERGIA ON CYRELA REALTY ON DURATEX ON ECODIESEL ON ELETROBRAS ON ELETROBRAS PNB ELETROPAULO PN EMBRAER ON FIBRIA ON GAFISA ON GERDAU PN GERDAU MET PN GOL PN HYPERMARCAS ON ITAUSA PN ITAUUNIBANCO PN JBS ON KLABIN S/A PN LIGHT S/A ON LLX LOG ON LOJAS AMERIC PN LOJAS RENNER ON MARFRIG ON MMX MINER ON MRV ON NATURA ON OGX PETROLEO ON P.ACUCAR-CBD PNA PDG REALT ON PETROBRAS ON PETROBRAS PN PORTX ON REDECARD ON ROSSI RESID ON SABESP ON SANTANDER BR UNT N2 SID NACIONAL ON SOUZA CRUZ ON TAM S/A PN TELEMAR ON TELEMAR PN TELEMAR N L PNA TELESP PN TIM PART S/A ON TIM PART S/A PN TRAN PAULIST PN ULTRAPAR PN USIMINAS ON USIMINAS PNA VALE ON VALE PNA VIVOPN IBOVESPA ALLL3 AMBV4 BTOW3 BVMF3 BBDC4 BRAP4 BBAS3 BRTO4 BRKM5 BRFS3 BISA3 CCRO3 CMIG4 CESP6 CIEL3 CPLE6 CSAN3 CPFE3 CYRE3 DTEX3 ECOD3 ELET3 ELET6 ELPL4 EMBR3 FIBR3 GFSA3 GGBR4 GOAU4 GOLL4 HYPE3 ITSA4 ITUB4 JBSS3 KLBN4 LIGT3 LLXL3 LAME4 LREN3 MRFG3 MMXM3 MRVE3 NATU3 OGXP3 PCAR5 PDGR3 PETR3 PETR4 PRTX3 RDCD3 RSID3 SBSP3 SANB11 CSNA3 CRUZ3 TAMM4 TNLP3 TNLP4 TMAR5 TLPP4 TCSL3 TCSL4 TRPL4 UGPA4 USIM3 USIM5 VALE3 VALE5 VIVO4 IBOV *Ajustada por proventos, inclusive dividendos. 15,01 50,85 31,82 13,19 32,90 42,71 31,38 12,18 20,18 26,80 8,63 46,05 27,02 26,60 13,49 41,31 27,37 41,40 20,89 17,46 0,99 22,41 26,61 32,09 11,85 26,56 12,10 22,86 27,00 25,35 22,20 13,14 39,45 7,05 5,82 25,43 4,69 15,31 56,50 15,20 11,11 15,88 48,31 19,71 69,55 10,22 30,12 26,91 3,69 21,10 14,67 43,00 22,21 27,00 90,70 39,22 32,08 24,31 47,15 40,58 6,80 5,58 55,52 106,52 21,33 19,10 56,03 49,10 53 69.304 Cotação (R$) Máxima Fechamento 15,41 51,70 33,09 13,47 33,47 44,91 31,80 12,38 20,60 28,00 8,82 47,20 27,44 27,85 13,74 42,00 28,05 41,96 22,38 17,95 1,02 22,70 27,30 32,59 12,18 26,99 12,25 23,34 27,61 26,30 22,85 13,38 40,08 7,31 5,93 26,15 4,84 15,57 57,89 15,86 11,40 16,19 49,40 20,19 70,39 10,38 30,87 27,58 3,80 21,55 15,07 44,86 22,95 27,55 92,39 40,19 33,29 24,87 48,73 41,80 6,97 5,77 57,30 108,13 21,94 19,53 57,49 50,09 55 70.470 15,25 51,21 32,59 13,40 33,04 44,71 31,40 12,25 20,25 27,14 8,72 46,48 27,44 26,84 13,60 41,65 27,50 41,73 21,60 17,46 1,00 22,68 27,20 32,39 11,90 26,62 12,13 23,13 27,45 25,90 22,20 13,21 39,68 7,14 5,85 25,60 4,75 15,40 57,09 15,45 11,12 16,14 49,40 20,03 70,23 10,24 30,30 27,00 3,74 21,45 14,84 43,91 22,40 27,30 92,20 39,40 32,90 24,85 48,18 40,70 6,87 5,63 56,75 107,79 21,60 19,18 56,97 49,90 55 69.962 (EM PONTOS) 71.000 70.375 Máxima 70.470,97 Mínima 69.304,67 Fechamento 69.962,32 69.125 1,67 1,37 3,46 2,06 1,19 3,21 -0,06 2,08 -0,59 -0,73 0,81 -0,90 2,73 -0,59 1,12 0,36 -0,40 1,29 -1,14 -2,18 0,00 1,98 1,68 0,87 0,85 0,49 0,75 2,03 2,43 3,19 -1,46 0,74 0,30 -0,42 0,00 0,67 0,42 0,59 1,22 0,32 -0,98 3,40 3,59 0,15 1,34 0,79 -0,82 -1,06 0,81 1,90 0,34 3,10 -0,67 2,36 2,00 1,13 1,86 2,31 0,88 -2,21 0,88 2,18 2,99 2,56 1,17 0,10 2,96 2,89 4,91 0,95 1,67 1,37 3,46 2,06 1,19 3,21 -0,06 2,08 -0,59 -0,73 0,81 -0,90 2,73 -0,59 1,12 0,36 -0,40 1,29 -1,14 -2,18 0,00 1,98 1,68 0,87 0,85 0,49 0,75 2,03 2,43 3,19 -1,46 0,74 0,30 -0,42 0,00 0,67 0,42 0,59 1,22 0,32 -0,98 3,40 3,59 0,15 1,34 0,79 -0,82 -1,06 0,81 1,90 0,34 3,10 -0,67 2,36 2,00 1,13 1,86 2,31 0,88 -2,21 0,88 2,18 2,99 2,56 1,17 0,10 2,96 2,89 4,91 0,95 Fonte: Economatica IBOVESPA 69.750 Rentabilidade* (%) No dia No ano 68.500 Fonte: BM&FBovespa 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h Data BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI BB RENDA FIXA LP ESTILO FICFI CAIXA FIC EXEC RF LONGO PRAZO CAIXA FIC IDEAL RF LONGO PRAZO BB RENDA FIXA 5 MIL FIC FI BRADESCO FIC DE FI RF MERCURIO BB RENDA FIXA 200 FIC FI BB RENDA FIXA 50 FIC FI ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI BB RENDA FIXA LP 100 FICFI 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 3/JAN 3/JAN 3/JAN 3/JAN 3/JAN 31/DEZ Rent. (%) 12 meses No ano 9,18 9,17 8,68 8,12 7,94 7,42 6,77 6,28 5,76 5,75 9,18 9,17 8,68 8,12 0,03 0,03 0,03 0,03 0,03 5,75 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 1,00 1,00 1,10 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,00 Fundo Data BB REF DI LP ESTILO FIC FI BB REFERENCIADO DI ESTILO FICFI ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI BB REFERENCIADO DI 5 MIL FIC FI BB NC REF DI LP PRINCIPAL FIC FI BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI HSBC FIC REF DI LP POUPMAIS ITAU PREMIO REF DI FICFI BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPER SANTANDER FIC FI CLAS REF DI 31/DEZ 3/JAN 3/JAN 3/JAN 31/DEZ 3/JAN 3/JAN 3/JAN 3/JAN 3/JAN Rent. (%) 12 meses No ano 9,32 8,92 8,89 7,28 7,02 6,67 6,43 5,62 5,17 4,85 9,32 0,04 0,04 0,03 7,02 0,03 0,03 0,03 0,02 0,02 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 0,70 1,00 1,00 2,50 2,47 3,00 3,00 4,00 4,50 5,00 Fundo Data BB ACOES VALE DO RIO DOCE FI CAIXA FMP FGTS VALE I BRADESCO FIC DE FIA BRADESCO FIC DE FIA MAXI BRADESCO FIC DE FIA IV UNIBANCO BLUE FI ACOES SANTANDER FIC FI ONIX ACOES ITAU ACOES FI ALFA FIC DE FI EM ACOES BB ACOES PETROBRAS FIA 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ Rent. (%) 12 meses No ano 12,58 11,64 (1,65) (1,83) (1,88) (4,27) (4,64) (5,36) (9,13) (25,06) 12,58 11,64 (1,65) (1,83) (1,88) (4,27) (4,64) (5,36) (9,13) (25,06) Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 2,00 1,90 4,00 4,00 ND 5,00 2,50 4,00 8,50 2,00 200 200 100 1.000 200 MULTIMERCADOS Fundo Data REAL CAP PROT VGOGH 4 FI MULTIM ITAU EQUITY HEDGE MULTIM FI CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI ITAU PERS K2 MULTIM FICFI ITAU PERS MULTIE MULT FICFI SANT INV PERS VGOGH MOD FIC FI SANTANDER FIC FI ESTRAT MULTIM ITAU PERS MULT ARROJADO FICFI ITAU PERS MULT AGRESSIVO FICFI 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ 31/DEZ Rent. (%) 12 meses No ano 13,71 11,50 9,32 9,21 8,98 8,87 7,12 5,74 5,53 4,16 13,71 11,50 9,32 9,21 8,98 8,87 7,12 5,74 5,53 4,16 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 2,30 2,00 1,50 1,50 1,50 1,25 3,00 2,00 2,00 2,00 5.000 5.000 20.000 50.000 5.000 10.000 10.000 5.000 5.000 *Taxa de performance. Ranking por número de cotistas. Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico SMALL CAP - SMLL MIDLARGE CAP - MLCX 1.460 1.000 22.525 1.453 993 22.350 1.446 986 22.175 1.439 979 1.432 18h 10.000 ND 80.000 5.000 100 200 30 1.000 100 100 AÇÕES 22.700 11h 50.000 30.000 5.000 5.000 5.000 200 50 300 100 DI IBRX-100 22.000 11h Fundo 972 11h 18h 11h 18h 36 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 HOME BROKER MARIANA SEGALA Twitter e ações, alguma relação real? 60.000 23,55 23 Pesquisa indica que sim. Dá até para lucrar olhando o mercado pela rede social 50.000 22,55 22 comparado com o desempenho das ações dia por dia. Conclusão? O Twitter não move os mercados, mas reflete questões que balançam as bolsas — e que dificilmente são observadas pelo investidor comum de outra forma. “Pode, assim, servir como um indicador do mundo real”, explicou Sprenger ao BRASIL ECONÔMICO. Os achados da pesquisa são vários. Exemplo: cada aumento de 1% no volume de mensagens sobre ações publicadas no Twitter está associado a um crescimento de 10% nos volumes negociados na bolsa. “O volume de mensagens um e dois dias atrás preveem o volume negociado do dia corrente”, aponta o estudo. Quantidade, porém, não significa qualidade. Mais de 50% das mensagens foram publicadas por apenas 1,5% dos usuários Basta dar uma espiada para notar que redes sociais como o Twitter se tornaram um celeiro rico para investidores trocarem dados sobre o mercado — ou, como alguns já vêm apelidando, a versão moderna dos operadores que uma vez já gritaram no pregão. Mas dá para confiar nas informações que saem dali? Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, indica que, aparentemente, sim. Durante o primeiro semestre do ano passado, o pesquisador Timm Sprenger coletou 250 mil mensagens do sistema de microblog que mencionassem alguma das empresas listadas do S&P 100, um dos principais índices de ações do mercado americano. O conteúdo de cada uma das mensagens foi analisado e classificado, com o auxílio de softwares, e Divulgação A FRASE “Não digo que o Twitter é uma máquina de dinheiro, mas é melhor do que adivinhação aleatória” Timm Sprenger, pesquisador da Universidade Técnica de Munique Ibovespa, fechamento do ano em pontos 70.000 24,5 60.000 46.900 40.000 21,55 21 identificados. A qualidade das mensagens dos “twitteiros” de plantão, no entanto, não é consistentemente maior que a da média. Por qualidade, Sprenger entendeu a coincidência do retorno no dia da ação mencionada com a recomendação para ela (compra ou venda) presente nas mensagens. Investidores que dão dicas de melhor qualidade, segundo o estudo, possuem mais seguidores e são mais “retwittados”. Atenção, aliás, ao usuário @stockpick snow, apontado na pesquisa como o “twitteiro” com mensagens de nível mais elevado de qualidade, atingindo taxa de 79,4%. Uma lista com os dez melhores e outras informações estão disponíveis no site Tweet Trader (www.tweettrader.net). Sprenger também concluiu que os investidores presentes no Twitter diferem do padrão que sugere a compra de uma ação depois de ela já ter ganhado impulso. Eles costumam, sim, recomendar um papel depois que ele caiu. “Usuários dos microblogs parecem ser menos ingênuos que os usuários de outras plataformas do tipo”, explica o pesquisador. “Definitivamente, não estou dizendo que o Twitter é uma máquina de fazer dinheiro, mas a estatística mostra que é levemente melhor do que a adivinhação aleatória.” ■ 30.000 20,55 20 20.000 19,55 19 10.000 18,55 18 0 17,5 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 Fontes: Alexandre Wolwacz, Economatica, BM&FBovespa e Brasil Econômico 1º objetivo 2º objetivo Ciclo de dez anos vai pesar sobre Ibovespa A análise dos ciclos econômico e do mercado financeiro levam o analista gráfico Alexandre Wolwacz, sócio da consultoria Leandro & Stormer, a projetar que 2011 seja um ano difícil para o Ibovespa. Grosso modo, os ciclos representam as oscilações econômicas de um certo período. Na sua análise, Wolwacz se baseou no modelo do chamado de “ciclo decenal”, que indica os movimentos repetidos década após década. “Pelo ciclo decenal, anos terminados em zero marcariam topos do mercado financeiro, refletindo o fim do ciclo econômico positivo da década anterior”, explica. É por isso que, para Wolwacz, 2010 provavelmente representou um topo do Ibovespa. “Nos dois primeiros anos da década seguinte, teria início um processo de correção na economia real, calcado na elevação dos juros e na redução do gasto público, produzindo um desempenho pior do mercado de ações. Seria a preparação para o crescimento nos anos seguintes.” O ciclo decenal descreve que nos anos finalizados de três a sete se dá a fase mais vigorosa da economia (e das bolsas), seguidos por nova correção nos anos oito e nove. Não por outra razão o analista só vê um cenário mais positivo para a bolsa a partir de 2013. Neste ano, o alvo do índice se concentra nos 60 mil pontos, seguido por outro mais abaixo, nos 46.900 pontos. Fica Mais AÇÕES Desempenho de papéis que compoem o Ibovespa NOME CLASSE CÓDIGO CRUZ3 AMBEV PN AMBV4 LOJAS RENNER ON LREN3 BRASKEM PNA BRKM5 NATURA ON NATU3 36,74 ULTRAPAR PN UGPA4 34,91 SABESP ON SBSP3 EMBRAER ON EMBR3 CCR RODOVIAS ON 2,00 50,84 47,83 -21,74 1,37 TELEMAR N L PNA TMAR5 -21,86 1,22 JBS ON JBSS3 -22,82 PETROBRAS PN PETR4 -22,96 -1,06 PETROBRAS ON PETR3 -24,33 -0,82 BRASIL TELEC PN BRTO4 -24,64 2,08 TELEMAR PN TNLP4 -27,54 2,31 FIBRIA ON FIBR3 -32,23 B2W VAREJO ON BTOW3 -33,92 2,56 3,10 0,85 28,02 1,29 -0,90 23,17 0 10 20 30 40 50 Fontes: Economatica, BM&FBovespa e Brasil Econômico 60 70 Ontem GOAU4 3,59 19,76 25,67 25, RENTABILIDADE (%) PN 30,36 CCRO3 CÓDIGO GERDAU MET -0,59 44,67 CPFE3 CLASSE Em 2010 65,78 ON ON NOME Ontem SOUZA CRUZ Multiplus será parceira da bolsa na gestão de programa de fidelidade 10 MAIORES BAIXAS NO ANO 10 MAIORES ALTAS NO ANO RENTABILIDADE (%) Em 2010 CPFL ENERGIA Ibovespa LLX LOG ON LLXL3 IBOVESPA 0,88 -0,42 0,49 3,46 0,42 -50,60 , -60 -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 2,43 -45 -30 -15 0 -3,00000 -1,83334 -0,66668 0,49998 1,66664 2,83330 3,99996 1,04 0,95 O Multiplus — empresa criada em 2009 a partir do sistema de milhagem da Tam — firmou parceria com a BM&FBovespa para atuar na gestão do seu programa de fidelidade, o Fica Mais. Anunciado em agosto, o programa da bolsa propõe o acúmulo de pontos pelos investidores, que depois podem trocá-los por produtos e serviços. Conforme o BRASIL ECONÔMICO antecipou, a adesão ao Fica Mais renderá 100 pontos e a indicação de possíveis novos investidores, cinco pontos cada. Caso os indicados efetivamente abram uma conta para operar na bolsa, o investidor receberá 50 pontos adicionais. A adesão está disponível desde dezembro. Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 37 Henrique Manreza TRANSPARÊNCIA Novo índice de governança reúne 108 ações O Índice de Governança Corporativa Trade (IGCT) — o 18º criado pela BM&FBovespa, lançado ontem — vai reunir 108 ações. O novo índice reflete o desempenho dos papéis de empresas que voluntariamente adotam padrões de governança corporativa diferenciados. A diferença para o IGC, que existe desde 2001 e hoje engloba 181 papéis, é que o IGCT considera critérios de liquidez para inclusão das ações. O IGCT estreou com alta de 1,2%. [email protected] NA REDE Mais commodities no portfólio BTG Pactual sugere elevar exposição a ações do segmento neste mês, de 50% para 60% “Vou manter em arquivo estas previsões para 2011 do Ibovespa. Entre os 29 mil pontos de alguns e os 200 mil de outros, há um milhão de possibilidades!” @picapautrader, investidor “Uma razão silenciosa, mas evidente, para a nossa crise econômica é a filosofia generalizada das pessoas à espera de ser melhor pagas por menos trabalho” PARA CITI, PESO DAS AÇÕES DE EMPRESAS LIGADAS A MATÉRIAS-PRIMAS DEVE SER DE 45% Diante da enxurrada de dinheiro barato na economia global e da perspectiva de que isso ampliará a inflação, o BTG Pactual sugere aos investidores que elevem, em janeiro, a exposição a ações de empresas ligadas a commodities. “Estamos elevando nossa exposição a commodities de 50% para 60% e reduzindo nossa alocação em Petrobras de 20% para 15%”, ressaltam os analistas Carlos Sequeira, Bernardo Miranda e Antonio Junqueira em relatório. Do segmento, eles destacam, além dos papéis da Petrobras, os da OGX Petróleo e Gás, Vale, Cosan e Usiminas. “A commodity de que mais gostamos é o minério de ferro. A demanda em 2011 deve se manter forte, sem oferta extra no mercado, o que pode dar suporte aos preços. A Vale é a melhor forma de entrar neste cenário, na nossa visão.” O destaque para as commodities é o mesmo dado ao setor pelos analistas do BB Investimentos — o peso das ações de Gerdau, OGX, Petrobras e Vale na carteira recomendada de ações para este mês soma 60%. Já corretoras como a XP Investimentos e a Citi sugerem, respectivamente, destinar 40% e 45% a papéis do tipo. “O crescimento econômico em 2011 deve continuar em níveis próximos aos de 2010. Nossa projeção para o Ibovespa ao final de 2011 continua sendo de 87.500 pontos”, dizem Fernando Siqueira e Hugo Rosa, da Citi Corretora. @theRealKiyosaki, consultor financeiro Robert Kiyosaki “Atenção para a possível correção no Ibovespa no curtíssimo prazo! Principalmente após o sinal de baixa formado na Petrobras hoje (ontem)!” Novas compras da BR Malls Compra de participação adicional em shopping centers traz perspectiva positiva para a ação @EricaPPorfirio, investidora “Não espere por um ano com baixa inflação. Por bem ou por mal, todos os países (China, EUA, Brasil, etc.) sofrerão com isso” Marcos Elias, no blog da consultoria Empiricus “Expectativa de aumento nas vendas de alimentos é positiva para ações das empresas do setor” @ativacorretora, comentário da chefe de análise Luciana Leocadio sobre a projeção de crescimento de 7% nas vendas de alimentos em 2011 Grupo EBX Quatro empresas no Ibovespa; OGX avança para 3º maior peso O Grupo EBX, do empresário Eike Batista, se destaca a cada dia na bolsa. Quatro empresas do grupo — OGX, MMX, LLX e PortX — foram confirmadas na carteira teórica do Ibovespa que vigorará até abril. Além disso, a ação da OGX já é a terceira mais representativa do índice. O peso do papel ficou em 4,8% do Ibovespa, perdendo apenas para Vale (10,8%) e Petrobras (10,5%). São 69 as ações (de 63 empresas) que compõem o índice durante o primeiro quadrimestre. Entraram no Ibovespa os papéis da Hypermarcas. PREÇO-ALVO PARA OS PAPÉIS DA EMPRESA É DE R$ 20 AO FIM DESTE ANO A compra de 30% de participação adicional no Shopping Cristal Plaza e de 15,3% de participação adicional no Shopping Piracicaba promete ter impacto positivo — mas limitado — sobre os papéis da BR Malls, administradora de shopping centers. “As ações da BR Malls apresentaram desempenho bastante positivo em 2010, com alta de 63% nos últimos 12 meses, o que limita o potencial de valorização no curto prazo”, avaliam os analistas Eduardo Silveira e René Brandt, da Fator Corretora. As duas aquisições, que somaram R$ 74 milhões, se seguem a outra muito maior, anunciada no fim do ano passado (de 100% do Shopping Tijuca por R$ 800 milhões). Eles avaliam que a companhia tem possibilidade de usar o mercado de dívida para financiar tais compras, devendo manter a estratégia consolidadora ao longo deste ano. “A previsão da companhia é de R$ 250 milhões em aquisições para 2011 e R$ 250 milhões em 2012”, lembram os analistas. As perspectivas, na visão da corretora, são positivas nos próximos trimestres entre outras razões pelo aumento da disponibilidade de crédito para consumo, pela melhora na confiança do consumidor e pela queda estrutural da taxa de desemprego. A Fator tem recomendação de compra para os papéis ordinários da BR Malls, com preço-alvo de R$ 20 ao fim do ano. 38 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 MUNDO Diálogo com a Coreia do Norte está aberto, diz vizinha do Sul Analistas se dizem céticos em relação a eventual acordo, mas norte-coreanos também se dizem receptivos Dong-a Ilbo/AFP Lee Myung-bak: armas nucleares e aventurismo militar devem ser descartados O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, afirmou ontem que o país está aberto ao diálogo com o Norte se o objetivo for o desmantelamento de instalações nucleares. A Coreia do Norte também demonstrou disposição de dialogar, após um ano de confrontos que incluíram o afundamento de uma embarcação sul-coreana em março, matando 46 marinheiros, uma troca mortífera de tiros de artilharia em novembro e ameaças de guerra que afetaram os mercados financeiros em todo o mundo. Mas um avanço na comunicação pode ser algo ilusório, já que tanto a Coreia do Sul como os Estados Unidos vêm dizendo que antes de retornar à mesa de negociações querem ver provas da seriedade da Coreia do Norte para um posterior desarme — algo que vários analistas não acreditam que algum dia o governo norte-coreano vá fazer. Durante o pronunciamento de Ano Novo, Lee Myung-bak repetiu uma advertência de que o Norte receberá um “forte e firme” golpe se optar por atacar novamente o Sul. Para amenizar tensões, os Estados Unidos já anunciaram o envio de um diplomata à Coreia do Norte . Os comentários de Lee foram feitos dois dias depois que o Norte, que deseja ser reconhecido como potência nuclear, pediu o fim dos confrontos e fez um chamado pelo diálogo — apelo que procede um dos anos mais violentos na península coreana, dividida entre os dois países desde o fim da Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953. “Eu relembro o Norte que o caminho para a paz ainda está aberto. A porta para o diálogo ainda está aberta”, disse Lee. Mas ele acrescentou: “Armas nucleares e aventurismo militar têm de ser descartados. O Norte tem de atuar no sentido da paz e cooperação, não apenas com retórica, mas com ação.” Alguns analistas dizem que, apesar de acharem improvável que haja alguma reunião em breve, o momento atual parece propenso a uma retomada positiva das conversações envolvendo seis partes: as duas Coreias, China, Japão, Rússia e EUA — diálogos necessários, mas que vêm sendo adiados há muito tempo. “ Eu relembro o Norte que o caminho para a paz ainda está aberto. A porta para o diálogo ainda está aberta Lee Myung-bak, presidente da Coreia do Sul “Em profundo contraste com a situação anterior, a Coreia do Sul e o Japão são os mais céticos sobre o processo entre as seis partes”, disse Baek Seung-joo, do Instituto para Análises de Defesa da Coreia. “Mas o governo sul-coreano reconhece que o único canal realista de diálogo com o Norte é o das negociações com as seis partes.” Scott Snyder, da Fundação Ásia, disse que o chamado sulcoreano pelo diálogo pode estar relacionado a uma reunião entre os presidentes da China e dos EUA no mês passado. “Mas a política em si não mudou e também não mudaram as expectativas sobre o que a Coreia do Norte tem de fazer para a retomada das negociações.” ■ Reuters Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 Brasil Econômico 39 Osman Orsal/Ruters Dilma recebe convite para visitar o Irã O governo iraniano, liderado pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, convidou ontem a presidente Dilma Rousseff para visitar o país, informou o embaixador iraniano no Brasil, após reunião com o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Ele disse que foi discutida a cooperação econômica, cultural e técnica, mas negou que as áreas nuclear e de petróleo tenham sido abordadas na reunião. O embaixador afirmou ainda que o caso da iraniana Sakineh Ashtiani não foi discutido. AGENDA DO DIA ● EUA divulgam encomendas da indústria e venda de veículos de dezembro. ● Zona do Euro informa inflação para o consumidor no mês de dezembro. ● Alemanha revela taxa de desemprego de dezembro. Jono Searle/AFP A água já cobriu uma área que equivale à soma dos territórios da Alemanha e da França Gbagbo se recusa a deixar poder na Costa do Marfim Chefes de Estado da África ameaçam destituir o presidente do país à força Chuvas na Austrália afetam exportações As enchentes provocaram a paralisação das minas de carvão de Queensland. Produção de açúcar e de grãos também foi prejudicada Aviões militares levaram ontem suprimentos para uma cidade australiana lentamente tomada pelas águas de rios que transbordaram em razão de fortes chuvas. As enchentes inviabilizaram portos e estradas no nordeste do país, afetaram as exportações de carvão e destruíram plantações. As inundações cobrem uma área do tamanho da Alemanha e da França juntas e deixaram submersa a Rodovia Capricorn, a principal estrada que corta o estado de Queensland. O secretário do Tesouro, Andrew Fraser, qualificou a situação de “desastre de proporções bíblicas”. Minas paralisadas As enchentes provocaram a paralisação da maioria das operações nas minas de Queensland, estado que exporta a maior parte do carvão da Austrália. As lavouras de açúcar e, em menor escala, as de grãos também foram afetadas. O governo do estado disse que a recuperação levará semanas. Rockhampton, cidade de 77 mil habitantes, situada a 600 quilômetros ao norte da capital do estado, Brisbane, é acessível As inundações causaram danos estimados em US$ 980 milhões, forçaram a saída de 200 mil pessoas de suas casas e afetaram as commodities exportadas, que são a base da economia australiana agora apenas de barco pelos serviços de emergência. Equipes de resgate removeram pacientes de hospitais e a polícia ordenou que moradores, alguns relutantes, deixem suas casas. Equipes da operadora de energia local inspecionaram as casas abandonadas para assegurar que a energia havia sido desligada. Além disso, a polícia isolou vastas áreas do território para garantir que a população deixe as áreas alagadas. As inundações causaram danos estimados em mais de 1 bilhão de dólares australianos (US$ 980 milhões), forçaram a saída de 200 mil pessoas de suas casas e afetaram as commodities exportadas, que são a base da economia australiana. As operações de mineração estão praticamente paradas no porto de Gladstone, normalmente abarrotado de carvão para embarque. O tráfego de trens até os portos foi interrompido pelo alagamento. Reg Wilson, morador de Rockhampton, disse que a polícia lhe deu pouca opção, a não ser deixar sua casa. “Um policial chegou com uma arma na cintura e disse: ‘Você tem de sair em até 5 horas”. ■ Reuters O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, disse que vai rejeitar a exigência feita na segunda-feira por chefes de estado africanos de que ceda o poder a seu rival, o líder oposicionista Alassane Ouattara, para não ser destituído à força. Quatro líderes representando o bloco regional do oeste africano Ecowas e a União Africana devem se reunir com Gbagbo para lhe pedir que deixe a presidência, já que os resultados da eleição de 28 de novembro, reconhecidos internacionalmente, mostraram que ele foi derrotado por Ouattara. Mais de 170 pessoas foram mortas desde o início do impasse no país — o maior produtor mundial de cacau —, o que ameaça fazer ressurgir a guerra civil que dividiu a Costa do Marfim em duas partes, de 2002 a 2003. Gbagbo está no poder desde 2000 e tem o apoio do principal tribunal do país e das Forças Armadas. Ele vem fazendo pouco caso da pressão para que deixe o cargo e disse na TV estatal, no fim de semana, que Ouattara “não deveria contar com a chegada de exércitos estrangeiros para torná-lo presidente”. A Corte Constitucional da Costa do Marfim, dirigida por um forte aliado de Gbagbo, reverteu os resultados da comissão eleitoral do país, ratificados pela Organização das Nações Unidas (ONU), que indicavam a vitória de Ouattara. A corte alegou fraude em grande escala. Três dirigentes de países do oeste da África — Boni Yayi, do Benin, Ernest Bai Koroma, de Serra Leoa, e Pedro Pires, de Cabo Verde — vão retornar a Abidjã depois de uma primeira viagem ao país, na semana passada, que não conseguiu convencer Gbagbo a deixar o cargo. O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, também integrará o grupo. “Ele será a voz da União Africana”, segundo um comunicado divulgado pelo gabinete de Odinga. “Ele vai buscar uma solução pacífica para a crise eleitoral... e uma garantia de segurança para o sr. Laurent Gbagbo e seus partidários, se ele concordar em ceder o poder.” Os EUA e a União Europeia impuseram uma proibição de viagens a Gbagbo e seu círculo de assessores enquanto o Banco Mundial e o banco central regional do oeste da África congelou suas finanças, numa tentativa de enfraquecer sua posição no poder. Se a Ecowas enviar tropas para o país, isso pode desencadear um conflito aberto com o Exército, que apoia Gbagbo. Os rebeldes no norte marfinense, que tentaram derrubá-lo em 2002, poderão também se envolver. Mas os líderes do oeste africano não parecem propensos a levar adiante a ameaça do uso de força por causa do risco de mergulharem numa guerra urbana e pela possível falta de recursos operacionais. ■ Reuters Derrotado nas eleições, o presidente atual tem a principal corte e as Forças Armadas a seu favor e agravou a crise internacional ao ignorar o pedido de países vizinhos para que saia do governo Câmara Municipal de São José dos Campos ABERTURA DE PREGÃO PRESENCIAL - Pregão Presencial n° 01/2011 - Objeto: Aquisição de Papel Toalha - Abertura: 14/01/11 - Horário: 09h - Edital e informações: O edital completo poderá ser baixado do site www.camarasjc.sp.gov.br. Em 03/01/11 - Ver. Juvenil Silvério - Presidente. 40 Brasil Econômico Terça-feira, 4 de janeiro, 2011 BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A, com sede à Avenida das Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000 Central de atendimento e venda de assinaturas: São Paulo e demais localidades 0800 021 0118 Rio de Janeiro (Capital) (21) 3878-9100 - [email protected] É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Empresa Jornalística Econômico S.A. ÚLTIMA HORA MAN investe R$ 150 milhões no país Thais Costa [email protected] Editora Executiva Wagner Malagrine A MAN Latin America, fabricante dos caminhões e ônibus Volkswagen, espera incrementar suas vendas em 7% neste ano. Para isso, a companhia ingressa no segmento de caminhões extrapesados e investe R$ 150 milhões para a ampliação da linha de produção de Rezende (RJ) e para o desenvolvimento de produtos. “Vamos produzir e comercializar caminhões com capacidade de 57 a 74 toneladas, categoria que até então não era coberta pela empresa. Atualmente nossos caminhões levam a marca Volkswagen, mas esta nova linha será denominada MAN. Readaptamos modelos europeus para a realidade nacional e vamos fabricar os caminhões na fábrica do Rio de Janeiro”, diz Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America. Segundo o executivo, o objetivo é deter 30% de participação de mercado no segmento de extrapesados em dois anos, meta que exigirá trabalho, uma vez que a principal concorrente, Volvo, detém um terço deste mercado. A linha de caminhões com a marca MAN está sendo preparada desde março de 2009. “A hora é propícia porque esses veículos de alta capacidade são utilizados para obras de infraestrutura, além de mineração e agricultura, segmentos que estão em evidência no país. Nós fizemos um processo de ‘reengenharia’ usando modelos europeus para evitar a importação dos veículos. Nossa meta é usar 60% de peças nacionais para a montagem desses caminhões até 2013”, diz Cortes. Este país é outro PARTICIPAÇÃO 30% de mercado em caminhões extrapesados é a meta da MAN Latin America em dois anos. Principal concorrente da marca é a Volvo, com cerca de 33% do segmento. VENDAS 42% maiores de caminhões foram verificadas em 2010, em relação a 2009. A comercilização de ônibus teve alta de 30% no mesmo período de comparação. Resultados Enquanto os planos para o ano são elaborados, a fabricante de caminhões e ônibus da Volkswagen con- tabiliza os números de 2010. As vendas de caminhões da companhia tiveram alta de 42% e a comercialização de ônibus saltou 30% na comparação com 2009. Foram comercializados 65 mil veículos no total. “Este resultado é fruto de uma recuperação do mercado, que havia sido estremecido pela crise financeira mundial. Além disso, os incentivos fiscais concedidos pelo governo foram fundamentais para a retomada das vendas”, afirma Cortes. No ano passado, a companhia bateu seu recorde de produção, com a fabricação de 68 mil unidades, incluídos os kits enviados para montagem nas unidades do México e da África do Sul. “Este resultado superou em 50% os números de 2009 (45.469 veículos) e permitiu à empresa atingir a liderança brasileira em vendas de caminhões acima de cinco toneladas pelo oitavo ano consecutivo”, diz Cortes. ■ Michele Loureiro Qualcomm abre fábrica de US$ 1 bi em Taiwan Earl Cryer/Bloomberg A americana Qualcomm vai construir uma fábrica de telas em Taiwan no valor de quase US$ 1 bilhão. A iniciativa nasce da demanda por novos dispositivos móveis, como aparelhos para leitura digital. O Ministério da Economia de Taiwan disse que a Qualcomm decidiu instalar a nova fábrica em Hsinchu, região ao norte do país. O governo disse que o investimento da Qual- comm ajudará a ampliar a tecnologia de telas e criará oportunidades de empregos em Taiwan, que já é casa das empresas Chimei Innolux e AU Optronics, terceira e quarta maiores fabricantes de LCD do mundo, respectivamente. Em Taiwan, empresas como Acer, Asustek e Delta Electronics lançaram aparelhos de leitura digital (ereaders). ■ Reuters A garantia estendida foi a estrela dos seguros de pessoa física em 2010, porque a classe C é responsável pela compra de metade de todos os eletrodomésticos vendidos e costuma aderir com facilidade à oferta de uma apólice por um ano adicional de garantia na compra de um liquidificador, aspirador ou laptop. Em geral, o primeiro ano é concedido automaticamente pelo fabricante. A informação está no suplemento de seguros massificados editado pelo BRASIL ECONÔMICO na quinta-feira passada. Li o texto e fiquei com esse dado na cabeça. Avessa a penduricalhos financeiros dessa natureza, me surpreendeu que tanta gente pudesse gostar a ponto de a tal garantia estendida representar o centro das atenções das companhias seguradoras, que vivenciaram o boom dos prêmios de baixo valor ao longo de 2010 e para tal montaram novas seções corporativas, comprando-se umas às outras, estruturando call centers e criando novas divisões de marketing. Só em massificados, os seguros movimentaram R$ 6 bi em 2010, diz a Susep. É só 10% do mercado total, mas é consistente e promissor A sorte é que eu não trabalho para uma empresa de seguros, pois poderia estar levando a empregadora a perder negócios de relevância. Livre desse risco e com a consciência aquietada, ainda assim não consegui deixar de pensar no contexto econômico que estava por trás dessa informação. Se a classe C está comprando eletrodomésticos adoidadamente, este país precisa ser repensado. Só em massificados, os seguros movimentaram R$ 6 bilhões em 2010, conforme estimativa da Susep. É só 10% do mercado de seguros, que movimenta R$ 60 bilhões, mas é consistente e promissor. Seguro massificado inclui seguros de vida, inadimplência, desemprego, residência, proteção financeira, perda e roubo de cartão de crédito e de telefone celular. Agora até óculos e tênis estão sendo segurados! São bens dos quais todo mundo depende, mas que nunca haviam merecido a atenção de seguradoras, talvez por enfrentarem desgaste contínuo e progressivo, tornando a logística de seu processamento inexequível. A novidade neste caso é a tecnologia, que entrou facilitando a distribuição do produto, o atendimento ao segurado e, importante, o pagamento da indenização. Não há dúvida, este país é outro, e tudo o mais precisa ser repensado. ■ www.brasileconomico.com.br DESTAQUE MAIS LIDAS ONTEM Só pressão na Espanha piora Europa, dizem analistas ● Empresas batem recorde em valor de mercado Para a divisão de macroeconomia do BB Investimentos, a crise europeia ainda não foi solucionada, contendo riscos de calote, mesmo após os auxílios concedidos à Irlanda. No entanto, os analistas acreditam que somente uma forte pressão sobre a dívida espanhola pode comprometer o crescimento previsto para 2011. ● Lula vai continuar nos guiando, diz Miriam Belchior ● BB Investimentos inicia cobertura da Paranapanema ● Produção industrial avança, com alta nos pedidos ● BRMalls eleva fatia em dois shoppings por R$ 74 mi Acompanhe em tempo real www.brasileconomico.com.br Leia versão completa em www.brasileconomico.com.br ENQUETE Você está confiante em um bom desempenho da economia brasileira em 2011? Não 23% Sim 77% Fonte: BrasilEconomico.com.br Vote em www.brasileconomico.com.br