Articulação entre a Psicologia e as demandas do Judiciário: A experiência do Núcleo de Práticas Jurídicas do PAAS/UNISINOS Rosana Cecchini de Castro1 Michele Scheffel Schneider2 Resumo: Um convite realizado pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP/RS), através do Jornal EntreLinhas, foi o dispositivo que desencadeou esta escrita. A proposta era relatar a experiência do PAAS: Projeto de Atenção Ampliada à Saúde, da UNISINOS, no que se refere à articulação da Psicologia com a Justiça, neste espaço. A partir das questões “Como o Projeto, especificamente a área de Psicologia, trabalha com as demandas do Judiciário?” e “Como essa relação é trabalhada na formação dos alunos?”, optamos em escrever um texto que contasse um pouco da nossa história. O PAAS e suas contextualizações O PAAS – PROJETO DE ATENÇÃO AMPLIADA À SAÚDE é o Serviço Escola da UNISINOS e integra um dos projetos da Gerência de Ação Social da Universidade. Atua de forma interdisciplinar nas áreas de Enfermagem, Nutrição e Psicologia, desde 1996, no Centro de Cidadania e Ação Social (CCIAS), atendendo a comunidade de São Leopoldo e região, além de constituir-se como campo de estágio para os acadêmicos destes cursos de graduação. Caracteriza-se como espaço apropriado para a formação profissional e a consolidação das competências propostas pelas Diretrizes Curriculares das respectivas graduações, priorizando sua dimensão ética. No que se refere aos aspectos acadêmicos, estabelece parâmetros que visam garantir a qualificação do supervisor, da supervisão de estágio e condições para a avaliação dos 1 Psicóloga; Coordenadora Executiva do Curso de Psicologia da Unisinos/RS; Coordenadora do Projeto de Atenção Ampliada à Saúde (PAAS), Unisinos/RS. Professora e Supervisora de Estágios do Curso de Psicologia, Unisinos/RS. Doutora em Psicologia da Saúde e da Família, Deusto/Espanha. E-mail: [email protected] 2 Psicóloga; Integrante do corpo docente da Unisinos/RS; Professora no Projeto de Atenção Ampliada à Saúde (PAAS) e no Programa de Práticas Sociojurídicas (PRASJUR), Unisinos/RS; Coordenadora do Curso de Especialização em Psicologia da Criança e do Adolescente, Unisinos/RS; Mestre em Psicologia Clínica, Unisinos/RS; Especialista em Psicoterapia Psicanalítica de Crianças e Adolescentes, Unisinos/RS E-mail: [email protected] estagiários. Ao prestar serviços à comunidade, propicia, além da atenção em saúde, campo de pesquisa nas áreas de atuação dos profissionais em formação, oferecendo assim, ao acadêmico da UNISINOS, uma excelente oportunidade de vivenciar ensinopesquisa e extensão. A busca pelo PAAS pode ser dar de forma espontânea ou ainda através de encaminhamentos realizados por outros serviços/espaços/instituições. Estes podem ser encaminhados da rede interna, no caso outros projetos da UNISINOS, solicitações provenientes da graduação ou pós-graduação da Universidade ou, ainda, da rede externa, configurando os serviços da rede de saúde, assistência social e educação, bem como os encaminhamentos provenientes do Juizado da Infância e Juventude e da Vara de Família. Em geral, os critérios para a entrada no serviço são: renda per capita, limitada em até 3 salários mínimos a fim de priorizar o atendimento à população com maior vulnerabilidade, do ponto de vista socioeconômico, e cidade de origem, sendo o atendimento destinado exclusivamente a moradores de São Leopoldo. A recepção das pessoas e/ou instituições que buscam o PAAS ocorre, basicamente, através de três modalidades: Acolhimento Permanente (acolhendo crianças, adolescentes, adultos e idosos, nas áreas de nutrição, psicologia e enfermagem), Acolhimento das Práticas Institucionais (no caso instituições que demandam ações pontuais, específicas e limitadas, no âmbito de assessorias institucionais) e Acolhimento das Práticas Jurídicas (demandas que envolvem perícias psicológicas, mediação de conflitos, pareceres técnicos e elaboração de documentos no âmbito do judiciário). Após a realização destes acolhimentos, que contêm particularidades conforme as práticas de trabalho envolvidas, os mesmos são discutidos nos seus respectivos núcleos, a contar: Núcleo do Acolhimento Permanente, Núcleo das Práticas Institucionais e Núcleo das Práticas Jurídicas. Ainda, existe no serviço o Núcleo de Práticas Individuais e de Casais que recebe os encaminhamentos dos demais núcleos. Assim, designamos Núcleo o espaço coletivo de estudo, discussão, formação acadêmica, alguns também de atendimentos coletivos (através da sala de Gesell), que comportam estudantes, professores e técnicos. Existem os Núcleos de caráter interdisciplinar (Núcleo do Acolhimento Permanente e Núcleo das Práticas Institucionais), que são compostos por representantes das áreas da enfermagem, nutrição e psicologia, priorizando a produção de conhecimento que se dá entre as áreas e aqueles Núcleos específicos (Núcleo das Práticas Jurídicas e Núcleo de Práticas Individuais e de Casais), que tem como característica o aprofundamento numa determinada área de conhecimento. Cada Núcleo tem a sua caracterização específica e os encontros acontecem de maneira sistemática todas as segundas feiras das 14h30 às 17h30, com exceção do Núcleo de Práticas Individuais e de Casais que organiza seus encontros conforme a disponibilidade do professor supervisor do estágio. Vale considerar que o ingresso no serviço está diretamente relacionado à sua forma de funcionamento, sendo respeitados os períodos de inscrições, anualmente organizado pelo serviço e, também, a disponibilidade de vagas em cada área e/ou em cada núcleo de trabalho. A seguir, descreveremos as particularidades do Núcleo de Práticas Jurídicas, que é o responsável pela articulação entre a Psicologia e as demandas do Judiciário. O Núcleo de Práticas Jurídicas do PAAS Atualmente o Núcleo de Práticas Jurídicas é coordenado pelas professoras Michele Scheffel Schneider (psicóloga) e Rosana Cecchini de Castro (psicóloga e Coordenadora do PAAS). Possui em média 06 estagiários de psicologia que permanecem no núcleo ao longo de um semestre, podendo renovar sua permanência por mais um semestre. A principal atividade do núcleo é realizar perícias psicológicas, cuja solicitação advém exclusivamente do Juizado da Infância e Adolescência e da Vara de Família. Além disso, os estagiários deste núcleo tem a oportunidade de realizar interface com outro projeto da Gerência de Ação Social da Universidade, o PRASJUR: Programa de Práticas Sociojurídicas, através da Mediação de Conflitos. Ainda, recentemente foi estabelecida uma nova parceria, também com o PRASJUR, através da AJG: Assistência Judiciária Gratuita, para atuarmos como assistentes técnicos, auxiliando-os na elaboração de quesitos e, também, fornecendo pareces técnicos, quando necessário. Perícias Psicológicas Através de um ofício e anexado o resumo do processo, as referidas instâncias solicitam ao PAAS a avaliação psicológica das partes envolvidas. Prioritariamente recebemos pedidos relacionados à Regulamentação de Visitas, Ação de Alimentos, Disputa de Guarda com ou sem suspeita de alienação parental e Destituição de Pátrio Poder. Para a recepção dos ofícios (que chegam via correio) e respectivo encaminhamento dos processos e organizações burocráticas, bem como o envio de ofícios e documentos finais (que igualmente são enviados via correio), contamos com o suporte de uma secretária que controla toda a movimentação e arquivamento desses documentos. É necessário um controle rigoroso destes documentos, uma vez que muitos processos retornam ao serviço, seja para uma nova avaliação de alguma das pessoas envolvidas (algum tempo depois), seja para a realização de psicoterapia com algum integrante do processo ou para fazermo-nos presentes ao Fórum para depoimento. Neste último caso, a coordenadora do serviço é a pessoa chamada, levando consigo, sempre que possível o estagiário que realizou a avaliação. Após recepção e protocolo do ofício, o mesmo é encaminhado ao Núcleo de Práticas Jurídicas, juntamente com o respectivo resumo do processo. No núcleo é realizada a distribuição dos processos entre os estagiários, que são organizados em duplas, sendo que cada dupla é responsável por um processo no semestre, do início ao fim da avaliação. Entendemos que um processo por dupla no semestre seja o ideal, considerando o envolvimento que o mesmo exige tanto no que diz respeito aos aspectos burocráticos (leitura do processo, relato detalhado dos atendimentos, evolução no prontuário, escrita dos documentos), como no que tange aos aspectos emocionais (complexidade das histórias narradas no processo, que envolvem situações de violência, vulnerabilidade e a necessidade constante da equipe ir “decifrando” a veracidade dos fatos). Este aspecto diz dos limites de atendimento do serviço, uma vez que existe uma preocupação em equilibrar as demandas do judiciário com a formação dos alunos, levando em consideração o tempo para a aprendizagem destes conteúdos complexos, bem como a maturação das escritas necessárias (laudos e outros documentos) com qualidade e apropriação. Após a tomada de conhecimento da situação por parte dos estagiários e supervisores, através da leitura do processo e apropriação do conteúdo, é realizada a escolha de quem será chamado para as primeiras entrevistas. Como, na grande maioria das vezes os processos envolvem crianças, a escolha é chamar os pais ou responsáveis. A conduta que em geral adotamos é chamar os genitores em horários e/ou dias diferentes, tendo-se em conta o litígio, resguardando-os assim de situações embaraçosas que poderiam ocorrer em possíveis encontros indesejados. Temos observado que cada vez mais a avaliação é solicitada para um maior número de integrantes envolvidos no processo. Há alguns anos, recebíamos o pedido para avaliar somente as crianças. Hoje, a solicitação envolve, em geral, todas as pessoas implicadas com a situação que gerou e/ou mantém o litígio. Eventualmente recebemos diretamente um pedido para psicoterapia. No entanto, mesmo nestas situações é necessária uma avaliação da situação para identificar o que realmente enseja tal demanda. É importante considerar que da chegada do processo ao PAAS até a primeira entrevista há um considerável espaço de tempo, em geral 30 dias. Depois de identificarmos a quantidade de processos que trabalharemos no semestre, considerando o número de estagiários, o procedimento é enviarmos um ofício ao Fórum, com a data da primeira entrevista com os envolvidos, conforme a nossa disponibilidade. Com o ofício em mãos, o Oficial de Justiça fará uma intimação, convocando o(s) sujeito(s) para comparecerem ao PAAS. Em média “avaliamos três processos” ao longo do semestre. Cada processo equivale, aproximadamente, a dois encontros com cada genitor e dois encontros com cada criança, somando ainda um encontro de fechamento e finalização do processo. Assim, se o pedido for para avaliar uma criança, realizamos no mínimo 7 encontros, quando não existe ainda a necessidade de chamar avós ou realizar contato com a escola, práticas que tem se tornado cada vez mais comuns, considerando a vulnerabilidade da relação pais-crianças que tem nos chegado. Entendemos que a partir do primeiro atendimento desencadeia-se o processo de Avaliação Psicológica Propriamente dita, que neste caso em particular, se reveste de peculiaridades para as quais devemos estar atentos. Vale considerar que a Avaliação Psicológica, no âmbito jurídico, é chamada de Perícia Psicológica. Conforme Ramires (2006), a perícia psicológica se constitui como um processo de avaliação psicológica, uma vez que utiliza métodos e técnicas oferecidos pela psicologia, com o intuito de avaliar o indivíduo em relação aos seus aspectos emocionais e intelectuais. No PAAS utilizamos entrevistas clínicas individuais com os sujeitos adultos, solicitando eventualmente avaliação psiquiátrica. Para avaliar as crianças lançamos mão da hora lúdica, desenhos livres e jogos (dependendo da faixa etária). Tanto com os adultos como com as crianças utilizamos testes psicológicos, quando sentimos a necessidade de confirmar ou reforçar alguma hipótese identificada nas entrevistas clínicas. Em geral utilizamos testes projetivos que avaliam a personalidade, a conduta, o nível de sofrimento, o nível cognitivo, a etapa do desenvolvimento que se encontram, enfim, instrumentos psicológicos que possam nos auxiliar conforme a necessidade da situação. Semanalmente este núcleo se reúne para discutir os casos atendidos. Conforme já apontado, desde que o semestre de trabalho inicia com os estagiários até o início da avaliação com os sujeitos, transcorrem aproximadamente 30 dias. Neste período inicial, nos ocupamos em ler o processo, discuti-lo no grupo e, também realizar a discussão e articulação teórica, conforme os textos previamente acordados para leitura. Vale considerar que, no primeiro encontro do semestre, lemos em conjunto com os alunos a caracterização do núcleo do juizado (Anexo 1) e o cronograma do semestre, com as indicações de leitura. Este momento inicial é de extrema importância, pois os alunos/estagiários refletem sobre os casos relatados nos artigos, preparando-se para a vivência, ou seja, a sua própria prática que virá logo em seguida. Assim que a avaliação propriamente dita inicia, o estagiário relata no núcleo o que foi realizado e discutimos coletivamente. Nessa discussão levamos em conta o acolhimento do estagiário, no sentido de auxiliá-lo a compreender as diferenças entre uma avaliação no contexto clínico e uma avaliação no contexto jurídico, bem como identificar os limites entre a perícia e o tratamento psicológico. Entendemos que a perícia é um momento de avaliação psicológica e como tal, já se configura como um processo de intervenção (Ancona-Lopez, 2002), no entanto mantemos o foco no pedido judicial. Assim, quando o grupo de trabalho entende que já temos elementos suficientes para a escrita do laudo, considerando aquilo que foi solicitado judicialmente, vamos encaminhando para a finalização da avaliação. Outro aspecto trabalhado no núcleo é a interpretação dos relatos dos sujeitos envolvidos que são, na sua maioria, muito contraditórios. Nesse sentido, o formato grupal do núcleo é de extrema importância, pois oferece respaldo e suporte para o entendimento dos sentimentos contratransferenciais que emergem. As histórias que chegam são marcadas pela violência intrafamiliar, negligência, abuso dos mais variados níveis, disputas que refletem a fragilidade humana e impedem que adultos cuidem efetivamente das crianças, não se mostrando em condições mínimas de oferecer cuidado e proteção. São situações que mobilizam a todos e, neste sentido, a escuta conjunta dos aspectos que envolvem a perícia, no nosso entendimento, fortalece a equipe que passa a contar com um maior discernimento e segurança para a escrita dos documentos necessários. Cada avaliação é finalizada com a elaboração de um laudo psicológico, confeccionado pela dupla de estagiários. Este documento, antes de ser enviado ao órgão solicitante é lido e revisado pelas supervisoras. Quando finalizado, o laudo recebe a assinatura de todos os envolvidos na avaliação, no caso os estagiários que realizaram o atendimento e os supervisores. É uma prática que responsabiliza o estagiário do início ao fim do processo. Com os sujeitos avaliados, como finalização do processo, realizamos uma entrevista de fechamento (devolução), na qual conversamos e informamos sobre o que será colocado no laudo, bem como realizamos os encaminhamentos que consideramos necessário. Em algumas situações, os sujeitos compreendem, ao longo da avaliação, os benefícios do tratamento e já desejam segui-lo em seguida ao término da avaliação. Nesse caso, colocamos esta informação no laudo e oferecemos o PAAS como espaço para a realização do tratamento psicológico. Ainda, vale considerar que diante das questões burocráticas, técnicas e éticas envolvidas nestas avaliações, fazem-se necessários alguns esclarecimentos com os próprios sujeitos, logo no início do processo. Identificamos que, em geral, as pessoas encaminhadas do Judiciário chegam receosas, assustadas e sem informações sobre o que significa sua inserção no PAAS. Assim, buscamos esclarecer que, embora nossas ações derivem de uma solicitação judicial, não somos juízes. Portanto, o PAAS não é o Juizado e não ditaremos a sentença sobre a desavença em questão. Ainda, apontamos que não estamos do lado de nenhuma das partes e o nosso interesse é com o bem estar, saúde e qualidade de vida dos envolvidos, sendo este o objetivo primordial da avaliação psicológica. Diante destas circunstâncias, sabemos de antemão que esta avaliação, pelo menos inicialmente, não é realizada pelos envolvidos de forma livre e espontânea e sim, eles estão ali, pois foram “intimados” judicialmente. Mesmo diante de uma demanda “forçada”, buscamos trabalhar com os envolvidos que esta avaliação pode produzir movimentos importantes e ser aproveitada, inclusive, como um espaço terapêutico. Mediação de Conflitos Os casos recebidos para Mediação de Conflitos são encaminhamentos feitos pela Assistência Judiciária Gratuita (AJG) e, também, pelos serviços da UNISINOS ou do município de São Leopoldo. Os casos atendidos são aqueles em que se vislumbra uma perspectiva de diálogo, sem que as situações precisem chegar às vias judiciais, ou seja, almeja-se uma forma autocompositiva de resolução de conflitos, no qual os sujeitos cheguem a um entendimento por eles mesmos (com o auxílio da equipe de mediadores), sem necessitar da interdição do juiz. As atividades do Programa de Mediação, como também os estudos teóricos e de preparação para a prática iniciam-se no período letivo de cada semestre. Entretanto, as atividades práticas (atendimentos dos casos de mediação), começam um pouco mais adiante, tendo em vista que os casos indicados, advindos prioritariamente da Assistência Judiciária Gratuita (AJG), do PRASJUR, recebem uma “Carta Convite”, enviada pelo correio. Vale considerar que os atendimentos de mediação são sessões em torno de, aproximadamente, 1h e o número de atendimentos de cada caso pode variar de duas a, no máximo, cinco sessões, até a redação do termo de entendimento. O programa de Mediação de Conflitos é composto pelas áreas do Direito, Psicologia e apoio do Serviço Social. Atualmente o Programa de Mediação de Conflitos é coordenado pela professora Edith Salete Prando Nepomuceno, supervisora na área do direito e, ainda, conta com a professora Michele Scheffel Schneider (psicóloga), que realiza a interface do PRASJUR (através do Programa Mediação de Conflitos), com o PAAS (através do Núcleo de Práticas Jurídicas). Na área do Direito, os alunos se vinculam através de um Curso de Extensão, denominado “Teoria e Prática de Mediação de Conflitos” ou ingressam no programa como atividade que substitui o Estágio Curricular. Na área da psicologia, os alunos também podem fazer a atividade inscrevendo-se no Curso mencionado ou, ainda, como Estágio Curricular da Graduação, no caso, o Estágio Profissional. Neste momento que o Programa de Mediação se relaciona com o PAAS. O aluno ingressa como estagiário no PAAS, cuja carga horária do estágio corresponde à 16hs/semanais no semestre e, caso tenha interesse, poderá realizar atividade teórico-prática de, no mínimo, 4hs semanais no semestre, no Programa Mediação de Conflitos. Destas 4hs, duas estão direcionadas aos estudos teóricos obrigatórios, que se desenvolvem nas terças-feiras, no horário das 11h30min às 13h30min; horário também que é utilizado para a Supervisão dos atendimentos, realizados naquela semana. As outras 2hs são destinadas a prática da mediação, atividade realizada em dupla com um aluno do direito. A atividade prática é realizada numa Sala de Gesell, contando sempre com a observação do professor supervisor e demais colegas que compõe a equipe da mediação. A equipe que observa a mediação divide com os mediadores as suas impressões durante a própria mediação, por meio de um curto intervalo previamente combinado com os mediandos. Todas as mediações são gravadas, conforme autorização prévia dos envolvidos. Em média 10 alunos da Psicologia participam desta atividade a cada ano. Vale considerar que o Programa Mediação de Conflitos foi idealizado no ano 2000 e sua implantação efetiva se deu a partir de 2004, com a seguinte justificativa: “... ressalta-se a necessidade de uma adequação à visão contemporânea, que aponta para uma revisão de paradigmas, considerando a delonga do judiciário em demonstrar eficiência e presteza na função de dirimir conflitos, como também o desafio de desenvolver condições para a convivência com as diferentes formas de tratamento pacífico de conflitos” (NEPOMUCENO; SCHMIDT, 2006). Pareceres Técnicos e Auxílio na Formulação de Quesitos Modalidade nova, inaugurada recentemente, em abril de 2014. Assim, ainda não foi realizado nenhum parecer ou consulta sobre a formulação de quesitos, e sim estamos na fase de implantação da proposta, com reuniões entre os profissionais envolvidos (estagiários, professores e técnicos) para a construção conjunta do fluxograma de trabalho. Referências Bibliográficas: ANCONA-LOPEZ, Marília (org.). Psicodiagnóstico: Processo de Intervenção. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2002. RAMIRES, V.R.R. Elaboração de laudos e outros documentos. In: Ramires, V.R.R. & Caminha, R. Práticas em saúde no âmbito da clínica-escola: a teoria. São Paulo: Casa do Psicólogo. 243-269, 2006. NEPOMUCENO, E.S.P.; SCHMIDT, I.E. Mediação de Conflitos. In: Ramires, V.R.R. & Caminha, R. Práticas em saúde no âmbito da clínica-escola: a teoria. São Paulo: Casa do Psicólogo. 271-287, 2006. Anexo 1: Caracterização do Núcleo de Práticas Jurídicas Competências: Compreender o papel do psicólogo avaliador, suas possibilidades e limitações quanto à atuação em situação de perícia psicológica; Habilitar a escuta objetiva com vistas a desenvolver e concluir processo de avaliação psicológica, considerando os aspectos técnicos, teóricos e éticos; Avaliar e encaminhar os casos oriundos do poder judiciário a fim de promover saúde em diferentes espaços; Realizar análise das solicitações de atendimento psicológico dos casos provenientes do juizado, a fim de confirmar sua necessidade e realizar sua inserção no projeto; Elaborar documentos psicológicos para subsidiar decisões do poder judiciário; Realizar intervenções em Mediação de Conflitos decorrentes da interface com o Programa de Práticas Sociojurídicas, a partir do interesse do aluno. Desenvolver a prática de acolhimento, avaliação psicológica e encaminhamento dos casos oriundos do poder judiciário, através de documentação pertinente. Acompanhar os casos oriundos do poder judiciário que seguem em atendimento psicológico no PAAS. Realizar intervenções em Mediação de Conflitos decorrentes da interface com o Programa de Práticas Sociojurídicas as quais implicam em ações interdisciplinares entre a Psicologia e o Direito. Capacidade de engajamento, implicação e cooperação com o núcleo de trabalho e com a equipe. Conhecimentos: Processo de avaliação psicológica no contexto jurídico; Papel do psicólogo avaliador, suas possibilidades e limitações quanto à atuação em situação de perícia psicológica; Elaboração de documentos psicológicos para subsidiar decisões do poder judiciário. Metodologias, técnicas e recursos de aprendizagem: Supervisão e acompanhamento dos casos em avaliação psicológica considerando aspectos técnicos, teóricos e éticos; Discussão dos casos em grupo; Revisão do processo de elaboração dos documentos; Participação de processo judicial conforme demanda; Supervisão de atendimento de casos de mediação em sala de espelhos Seminários teóricos. Entrevistas clínicas de avaliação psicológica Metodologias, técnicas e recursos de avaliação: Considerando as características da atividade, a avaliação necessariamente é processual. A vivência do estagiário é fundamental para o desenvolvimento das competências, o que será feito por meio de: participação efetiva nas discussões; observação da atitude de engajamento, implicação e cooperação com o núcleo de trabalho e com a equipe; comprometimento com os registros dos prontuários e elaboração dos demais documentos: qualidade dos materiais apresentados; observação das habilidades, atitudes e conhecimentos na realização das atividades; leitura e participação efetiva nos seminários teóricos; cumprimento das atividades propostas e a capacidade de reflexão acerca de si mesmo, suas práticas e atitudes. Bibliografia básica AMAZARRAY, M. R. & KOLLER, S.H. Alguns aspectos observados no desenvolvimento de crianças vítimas de abuso sexual. Psicologia: Reflexão e Crítica, v.11 (3),1998. não disponível em pdf). HTTP: // dx.doi.org/ 10.1590/S010279721998000300014 BROCKAUSEN, T.; MARTINS, A. Alienação Parental. In: Psicologia: Ciência e profissão.9, n.8, out. 2012. BRUNO, D.D. Abrindo os olhos para verdadeiros relatos e falsas memórias. Em: Dias, M.B(coord.) Incesto e alienação parental: realidade que a justiça insiste em não ver. 2 Ed. São Paulo: Editora dos Tribunais, 2010. + Apostila: “Psicologia do Testemunho e Falsas Memórias” CUNHA, J.A. Passos do processo psicodiagnóstico. In: Cunha, J.A. (2000). Psicodiagnóstico V. p. 105-138. Porto Alegre: Artmed, 2000. FREIRE, K.S. Sobre a violência e o estado de abandono. In: Falando Nisso. Informativo da Clínica de Psicologia da UNIJUÍ., 2008 GOMIDE, P.I.C. Inventário de Estilos parentais (IEP). 2ª Ed. Petrópolis. Editora Vozes, 2006. HABIGZANG, L.F.; KOLLER, S.; AZEVEDO, G.A. & MACHADO, P.X. Abuso sexual infantil e dinâmica familiar: aspectos observados em processos jurídicos. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 21(3), 341-348, 2005. HABIGZANG, L.F.; KOLLER, S.; STROEHER, F.H.; HATZENBERGER, R.; CUNHA, R.C. & RAMOS, M.S. Entrevista clínica com crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual. 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