EDITORIAL
03
Todos têm direito ao sigilo médico
A
recente polêmica, envolvendo um possível
É preciso reavaliar o conceito de dopping.
dopping do jogador Dodô, nos remete a
Não é possível continuar considerando
algumas reflexões. Dodô, assim como
dopantes substâncias que em nada melhoram
qualquer cidadão, tem direito ao sigilo
o desempenho atlético de quem as usa. Trata-
médico. Tal sigilo, porém, inexiste quando
se de um equívoco técnico e científico.
estão envolvidos jogadores de futebol.
No caso de Dodô, ouvi dizerem que “não
Carlindo Machado e Silva Filho
Presidente da SOMERJ
Quantas vezes ouvimos que o jogador A
acho que ele tenha culpa, mas tem que ser
sofreu tal e qual lesão e está com a carreira
punido para dar exemplo aos jovens”. Ora,
ameaçada ou que o jogador B tem uma
Dodô é ídolo de milhares de jovens, inclusive
cardiopatia que pode levar à morte súbita,
dos meus filhos, e não é mau exemplo para
se continuar jogando?
ninguém. Mau exemplo para os nossos
jovens é a impunidade de alguns políticos
Acompanhando futebol há mais de quarenta
envolvidos
anos, me lembro da entrevista de um antigo
compromisso com o bem público e com a
médico de clube a um repórter: “descobrimos
população.
em
cor rupção,
sem
que o fulano vem tendo problemas
musculares porque está com gonorréia.”
Ouvi, ainda, a seguinte pérola “tem que ser
punido mesmo que não tenha tido culpa,
Sempre que um exame anti-dopping dá
porque o jogador é responsável por tudo o
positivo, o fato é amplamente divulgado pela
que ingere.” Acho que qualquer pessoa deva
mídia, de maneira sensacionalista, antes do
ser responsável por tudo o que ingira
resultado da contraprova ou que se confirme
conscientemente ou por irresponsabilidade.
a culpa do atleta. Especialistas e “pseudo-
Agora, poderá ser acusada quando ingere
especialistas” comentam o caso, citando a
uma substância que lhe informam permitida
substância que teria sido ingerida,
ou que não sabe que contém substâncias
independente de ser esta proibida apenas a
além das que foram informadas? Será que
atletas ou, mesmo, uma droga ilícita.
um jogador de futebol deverá ser
Considero o atleta, que se submete ao exame,
processado se por acaso for envenenado?
um paciente e como tal, os profissionais
envolvidos no procedimento, são obrigados
Está mais do que na hora de garantirmos o
ao sigilo.
sigilo médico a todos, famosos ou anônimos.
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
OPINIÃO
06
Movimento associativo: momento
atual e perspectivas
O
Fernando da Silva Moreira, Secretário-Geral da
SOMERJ
s médicos sempre procuraram se unir em
tanto para cobri-las, permitiram adquirir um
associações com o propósito de lutar pela
invejável patrimônio. Infelizmente, a partir
classe. Assim, em 14 de fevereiro de 1886,
da sétima década do século passado, a
foi fundada a Sociedade de Medicina e
classe médica passou a padecer de um
Cirurgia do Rio de Janeiro, a mais antiga
terrível mal que a assola até os dias atuais: a
Associação Médica brasileira, com o objetivo
redução dos seus ganhos, tanto no setor
de congregar os médicos, defender a classe
privado como no público, vendo seus
em todos os níveis e lutar pela melhoria da
consultórios tornarem-se inviáveis pelo alto
medicina, das condições de trabalho e do
custo e o desequilíbrio entre receita e
atendimento à população. Naquela época, e
despesas. As associações médicas iniciaram
por mais de cerca de oitenta anos, isto é,
uma luta, da qual outras entidades médicas
até o início da sétima década do século
também participaram, como os conselhos
passado, os médicos eram realmente
regionais, sociedades de especialidades e
profissionais liberais, exercendo plenamente
sindicatos, para a melhoria das condições
a profissão e dela tirando o sustento para a
de trabalho e remuneração. Todavia, apesar
sua família.
de todas estas lutas os médicos passaram a
ter que trabalhar cada vez mais para manter
Seguindo o exemplo da pioneira Sociedade
o seu padrão de vida, ficando cada vez
de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, em
menos junto à família e, diante da pesada
todo o Estado e pelo país a fora, novas
carga de impostos, viram-se obrigados a
associações médicas foram fundadas. Muitas
cortar custos, entre os quais a contribuição
destas deram origem a outras entidades
associativa, já que outras despesas, tais
importantes como a Faculdade de Medicina
como a anuidade dos conselhos regionais,
de Campos e, mais recentemente, a maioria
imposto sindical, impostos e taxas municipais
das Unimeds surgiram de associações
são fundamentais para o funcionamento de
médicas, onde os profissionais cansados
seus consultórios. Sem falar na grande fatia
de serem explorados pelos “convênios”
da remuneração levada pelo imposto de
vislumbraram na cooperativa de trabalho
renda.
médico a alternativa para tentar exercer
dignamente a profissão recebendo
O médico ficou exaurido e começou a
honorários dignos.
questionar o que receberia em troca de sua
contribuição associativa. O médico está
JUL/AGO 2007
Assim fica muito claro, através da história, a
desiludido e sem esperanças. No interior, estas
importância destas associações para os
entidades, além do caráter científico, têm o
médicos brasileiros. Estas tinham suas
cunho social e este funciona muito bem,
despesas custeadas com as contribuições
quando os médicos se encontram em festas,
associativas que, além de serem suficientes
coquetéis, almoços, etc. Quanto à educação
OPINIÃO
“ ... é preciso
conscientização
da importância
do movimento
médico
associativo
através de maior
participação nas
lutas do dia-a-dia
da classe
médica, tanto no
setor privado
como no
público...”
médica continuada, esta é oferecida aos
e assessoria jurídica. Tais serviços poderiam
médicos através dos conselhos regionais,
ser contratados pela filiada, com apoio da
sociedades de especialidades e internet. No
SOMERJ, e outros serem oferecidos através
caso do Rio de Janeiro, o CREMERJ tem
da SOMERJ, com apoio da filiada, como
realizado esta tarefa de forma brilhante,
cartão de fidelidade com descontos em
oferecendo todos os anos, gratuitamente a
congressos médicos e no comércio em
toda classe, atualização médica de altíssimo
geral; seguros e previdência privada; e Guia
nível em várias especialidades e áreas de
Médico do Estado do Rio de Janeiro, que
atuação; as sociedades de especialidades o
seria um catálogo com os médicos
fazem através de cursos e publicações e a
associados de todas as filiadas com as
internet permite que o médico acesse os mais
respectivas especialidades e os planos de
variados sites de informação médica de todo
saúde que atendem.
o mundo.
Buscar auxílio junto a outras entidades médicas
Desta forma, as associações médicas que
é uma alternativa, entretanto resta saber se
antes tinham receita suficiente para manter-
estas têm como colaborar. O CREMERJ já
se e criar patrimônio viram-na minguar de
colabora de forma importante na estrutura
forma importantíssima com a saída de seus
da Central Médica de Convênios, assim como
associados e hoje, em nosso Estado, muito
as sociedades de especialidades, porém é
poucas são capazes de cumprir com suas
muito importante para o movimento que pelos
obrigações junto à SOMERJ e AMB. Será o
menos os componentes de sua diretoria sejam
fim do movimento associativo? Para que
associados da SOMERJ. As Unimeds também
este não seja encerrado, tornam-se
enfrentam dificuldades financeiras devido a
necessárias mudanças urgentes. Hoje, o
problemas que não cabem ser aqui discutidos,
médico exaurido, como já foi dito
mas podem colaborar muito com o
anteriormente, paga a sua sociedade
movimento associativo transformando cada
municipal, à estadual e à nacional e o que ele
cooperado em um associado.
recebe em troca? Encontros sociais. Para
recuperar a receita, é necessário atrair novos
Para que o movimento associativo não
associados, manter os atuais e fazer retornar
pereça, é necessário devolver ao médico a
os que abandonaram o movimento. Para
esperança, encantando-o com as vantagens
isto, é preciso conscientização da
de ser associado. Basta de lamentos,
impor tância do movimento médico
passemos para as ações. O caminho é
associativo através de maior participação
íngreme, contudo não podemos sentar à
nas lutas do dia-a-dia da classe médica, tanto
sua beira e lamentar, a classe tem força mais
no setor privado como no público, e oferecer
que suficiente para percorrê-lo. Não
serviços que o médico necessite tais como:
desanimemos! E ao seu final, teremos a
assessoria contábil e serviço de despachante
sensação do dever cumprido.
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
07
ARTIGO CIENTÍFICO
08
Diagnóstico diferencial e condutas
nas demências
1
Paulo Cesar Geraldes, Conselheiro do
CREMERJ, Médico Psiquiatra, Doutor em Saúde
Mental, Mestre em Saúde Pública e Presidente
do CREMERJ (2005-2007)
– Demência
- Demência Senil (DS)
Definição - Demência é considerada uma
- Outras causas (Demência Alcoólica,
síndrome (um grupo de sinais físicos e
Demência Esquizofrênica)
sintomas) que apresenta três características
principais:
4 - Doença de Alzheimer
a – alterações de compor tamento
Alois Alzheimer descreveu a doença, que
(agitação, insônia, choro fácil, atitudes
leva seu nome, em 1907 e é considerado o
inadequadas);
quadro mais freqüente de demência. A
incidência da Doença de Alzheimer aumenta
b – perda das habilidades adquiridas
com o avançar da idade, mas pode atingir
(dirigir, vestir a roupa, gerenciar vida
pessoas mais novas. A Doença de Alzheimer
financeira, cozinhar, andar na rua); e,
(DA) é uma doença progressiva do Sistema
Nervoso Central, sendo sua etiologia
c – esquecimentos ou problemas com a
desconhecida.
memória.
Foram constatados alguns fatores que
2 - Epidemiologia da demência
aumentam o risco do desencadear do mal,
a saber : tr auma craniano, fatores
Ocorre em cerca de 10% da população
genéticos, história familiar, idade,
geral, acima de 65 anos.
aumento da Homocisteína, diminuição da
Vitamina B12/ácido fólico, entre outros.
3 - Tipos mais comuns de demência
Outros fatores diminuem o risco do
surgimento da doença, tais como: nível
- Doença de Alzheimer (DA)
de educação, vida intelectual ativa,
ocupação laborativa.
- Doença de Pick (DP)
O diagnóstico é estabelecido pelo exame
- Demência Vascular (DV)
clínico criterioso do paciente, utilizando-se
recursos complementares para excluir
- Demência Fronto Temporal (DFT)
outros distúrbios. Não existe um teste
laboratorial capaz de identificar a doença.
- Demência Arteriosclerótica
JUL/AGO 2007
Até o momento, a única confirmação da
ARTIGO CIENTÍFICO
doença é feita através de necropsia do
Estágio Inter mediário / Moder
ado
Moderado
tecido cerebral.
- além das dificuldades da vida diária,
como controle das finanças, compras e
“Alois Alzheimer
descreveu a doença,
que leva seu nome,
em 1907 e é
considerado o
quadro mais
freqüente de
demência. A
incidência da Doença
de Alzheimer
aumenta com o
avançar da idade,
mas pode atingir
pessoas mais novas.“
No quadro clínico, identifica-se a perda
transpor te, os pacientes necessitam ser
insidiosa das funções mentais superiores,
lembrados para o cuidado com a higiene
alterações progressivas no humor e
pessoal e escolha da vestimenta
compor tamento, perda de memória,
apropriada. Os sintomas neuro-
desorientação e dificuldade para falar. A
psiquiátricos são mais proeminentes em
evolução é lenta, e, em geral, dura de cinco
alguns casos, com a presença de delírio,
a 15 anos, levando a uma profunda
alucinação e paranóia. Outros sintomas
demência.
como distúrbios do sono, dificuldades
de linguagem e o não reconhecimento da
Do ponto de vista clínico podemos dividir a
própria casa são freqüentes. Nesta fase,
DA em três estágios:
em geral, os indivíduos permanecem em
casa com auxílio de familiares ou
a - Estágio Inicial / Leve (1-3 anos)
cuidadores.
b - Estágio Intermediário / Moderado (2 –
Estágio Avançado / Grave - o
10 anos)
comprometimento substancial da memória
para eventos, dificuldade de linguagem,
c - Estágio Avançado / Grave (8-12 anos)
perda do reconhecimento dos familiares,
como também a perda do controle dos
a
esfíncteres leva à necessidade de supervisão
manifestação clínica inicial é o déficit da
continuada. A menos que haja uma estrutura
memória recente que, ao longo de meses
domiciliar compatível com as necessidades
ou anos, se associa a dificuldades de
do paciente, nesta fase a institucionalização
lembrar o nome de pessoas ou objetos,
se torna necessária.
Estágio
Inicial
/
Leve
-
dificuldade de expressão, e na localização
espacial e temporal. O espectro das
Achados patológicos na Doença de
alterações da personalidade varia de
Alzheimer: atrofia cerebral, alterações
apatia e isolamento social até desinibição
neuronais, emaranhados neuro-fibrilares,
e irritabilidade. A depressão é bastante
placas neuríticas, degeneração grânulo-
comum, sendo que algumas vezes pode
vacuolar, angiopatia amilóide, perda
preceder às manifestações iniciais da
neuronal, acúmulo de lipofuscina neuronal,
doença.
hiperplasia astrocítica.
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
09
10
ARTIGO CIENTÍFICO
5 - Demência Vascular (D
V)
(DV)
O diagnóstico da demência vascular se baseia
doença de Alzheimer, por exemplo,
b - diminuir o nível de glutamato, impedindo
observa-se níveis baixos de acetilcolina e
o influxo de cálcio através de receptores
elevados do glutamato.
NMDA (N-metil-D-aspartato), preservando
a ativação fisiológica, não interferindo nas
em critérios específicos que incluem: história
clínica, avaliação neuropsicológica, exames
a - acetilcolina e demência - na fase inicial da
de neuroimagem (tomografia compu-
doença, ocorre principalmente a perda de
tadorizada e ressonância nuclear magnética).
neurônios que usam como mensageiro a
funções do SNC.
8 - Tr a tamento das demências
acetilcolina, uma substância importante no
Os critérios clínicos para o diagnóstico da
processo de memória e aprendizado.
Atualmente, não existe tratamento eficaz, no
Demência Vascular são: presença de
Depois de utilizada como mensageiro
sentido da cura, para as demências. Existem,
demência; declínio cognitivo associado ao
químico entre os neurônios, a acetilcolina é
entretanto, alguns meios para atenuar os
comprometimento das atividades da vida
degradada pela enzima acetil-colinesterase,
sintomas e melhorar a qualidade de vida dos
diária (AVD); evidência de uma ou mais
transformando-se novamente em colina.
pacientes, familiares e cuidadores. O tratamento
isquemias cerebrais, identificadas pela
das demências pode ser dividido em:
história; sinais neurológicos e/ou estudos
b - glutamato e demência - O glutamato é o
tratamento farmacológico e tratamento não
de neuroimagem; relação temporal clara
neurotransmissor excitatório principal das
farmacológico, que consiste nos tratamentos
entre um único acidente vascular cerebral e
regiões associadas com a cognição e
multiprofissionais e multidisciplinares que
o início da demência.
memória, o córtex cerebral e hipocampo.
envolvem procedimentos e técnicas de
Estruturas corticais e sub-corticais que
enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia,
6 - Demência Frontotemporal
contém os receptores glutamatérgicos
psicologia, nutrição e outros.
(DFT)
estão lesadas estruturalmente durante o
curso da DA. O glutamato age como uma
O tratamento farmacológico pode ser
O início dos sintomas clínicos ocorre a partir
excitotoxina causando mor te neuronal
dividido em:
dos 50 anos. Caracteriza-se por alterações
quando níveis excessivos são cronicamente
do compor tamento, personalidade e
liberados. Os sintomas clínicos da demência
a - Inespecífico: o tratamento das síndromes
afetividade, com preservação relativa da
correlacionam-se com déficits nas fibras
compor tamentais
memória e orientação espacial. As
de associação glutamatérgica.
(depressão, ansiedade, psicose e agitação
alucinações são incomuns, contrastando
com os sintomas da Doença de Alzheimer.
7 - Neuroquímica das demências
das
demências
psicomotora) deve ser baseado nos sintomas
Portanto, os objetivos farmacológicos se
clínicos de cada paciente. Os antidepressivos
desdobram em dois mecanismos principais,
e antipsicóticos são as drogas mais
que são:
indicadas. Entre os antidepressivos, a
fluoxetina e a sertralina são utilizadas na
Dois neurotransmissores ganharam muita
a - inibir a ação da acetilcolinesterase,
importância no tratamento sintomático das
aumentando assim o nível plasmático-
demências: a acetilcolina e o glutamato. Na
cerebral de acetilcolina; e,
JUL/AGO 2007
agitação e a paroxetina, na ansiedade.
b - Específico: cloridrato de donepezila que é
ARTIGO CIENTÍFICO
inibidor reversível da acetilcolinesterase (IAchE)
sabia de antemão que o cursar da doença
e o cloridrato de memantina que é antagonista
era progressivo, permanente, inexorável,
dos receptores NMDA – fases moderadas e
levando o demenciado à vida vegetativa. O
graves e bloqueia os efeitos de níveis tônicos,
progresso da doença, acompanhava passo
patologicamente elevados de glutamato, que
a passo as alterações de memória, inicialmente
podem levar à disfunção neuronal.
uma hipomnésia de fixação, a seguir a
hipomnésia de evocação e o apagamento
“Atualmente, não
existe tratamento
eficaz, no sentido da
cura, para as
demências. Existem,
entretanto, alguns
meios para atenuar os
sintomas e melhorar a
qualidade de vida dos
pacientes, familiares e
cuidadores.“
Quanto à posologia da donepezila, a dose
irreversível de todos os engramas, através
recomendada é de 5 mg ao dia, podendo
da degenerescência neuronal, principalmente
ser elevada até 10 mg ao dia. Entretanto, o
de suas conexões da rede mnêmica.
aumento para além de 5 mg só deve ser
utilizado após o uso da dose diária de 5
Isto se traduzia pelo apagamento da vida
mg, por no mínimo quatro a seis semanas,
psíquica até a escuridão do mundo, a mudez,
intervalo de tempo necessário e suficiente
a perplexidade, a ausência psíquica, e por
para proporcionar a detecção de eventuais
fim a indiferença, pois quem não tem memória
efeitos colaterais.
não existe. Hoje, já é possível, através da
intervenção farmacológica, lentificar o curso
Por sua vez, a dose recomendada da
da doença, proporcionando aos pacientes
memantina é de 20 mg ao dia, sendo
uma sobrevida como pessoa, cada vez mais
administrado 1 cpr. a cada 12 horas. Para
substancial. Não temos ainda a cura, mas é
reduzir o risco de efeitos colaterais, essa dose
possível aliviar o sofrimento de quem no
é gradualmente alcançada com o seguinte
passado começaria por não se recordar do
esquema terapêutico: 1ª semana:1/2 cpr.
que se alimentou no café da manhã, depois
(manhã), nenhum cpr. (noite); 2ª semana:1/2
não reconheceria os filhos e, por derradeiro,
cpr. (manhã), 1/2 cpr. (noite); 3ª semana: 1
não saberia mais o código alfabético o que
cpr. (manhã), 1/2 cpr. (noite); 4ª semana em
bloqueava definitivamente o contato com as
diante: 1 cpr. (manhã), 1 cpr. (noite).
outras pessoas e com o mundo.
9 – Conclusão
Com certeza, apesar de nossas incertezas
sobre os mistérios do cérebro, em algum
As demências ainda se constituem em quadros
momento da história, seremos capazes de
graves, caracterizados por sintomatologia
restituir a estes pacientes tudo que lhes foi
que provoca a perda notória da qualidade
subtraído de sua existência, devolvendo-
de vida. Até há bem pouco tempo, após
lhes a plenitude da vida passada e presente,
iniciado o processo de demenciação, já se
legando-lhes a esperança do futuro.
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
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SOCIEDADES FILIADAS
12
Programação do Espaço
Cultural AMF/UNIMED
em Setembro
Teatro Eduardo Kraichete
Av. Roberto Silveira, 123, Icaraí, Niterói
Tel.: (21) 2710-1549
PIA
TÃ - TANT
OS ENCONTR
OS E TANT
OS ENCANT
OS
PIATÃ
ANTOS
ENCONTROS
ANTOS
ENCANTOS
8, 9, 15, 16, 22, 23, 29 e 30
Sábados e domingos, às 17h
Ingresso: R$ 16
Classificação etária: livre
Duração: 50 minutos
OS SUBURBANOS
7, 8 ,9, 14, 15, 16, 21, 22, 23, 28, 29 e 30
Sextas e sábados, às 21h; domINGOS às 20h
Ingresso: R$ 30 (sextas) e R$ 40 (sábados e domingos)
Classificação etária: 14 anos
Duração: 1h20min
Piatã precisa demonstrar valentia para tornar-se cacique de sua
A peça exibe com maestria os maneirismos, o palavreado as angustias
tribo e, para isso, sai em busca de um dente de onça pintada e
e anseios deste povo que tanto sofre mas sorri na mesma proporção.
de peixes para sua mãe. Um imprevisto carrega Piatã para um
Calcada no humor, aborda a maneira como os moradores da periferia
lado desconhecido da floresta, onde conhece Débora, Juvenal e
interagem com suas dificuldades. São seis esquetes: No pagode, No
Henriqueta — uma família vinda da cidade. O contato das duas
trem, No ponto, No motel, Na praia e No Hospital. A ambientação fica
culturas nos oferece uma nova visão sobre o Brasil, questionando
costumes do povo dito civilizado, que sofre hoje conseqüências
por conta do acompanhamento, ao vivo, de um conjunto de pagode.
Com o texto e direção assinados por Rodrigo Sant’anna, que também
ambientais de suas próprias ações. Um espetáculo cheio de
atua ao lado de Thalita Carauta e Isabelle Marques, “Os Suburbanos”
indagações a respeito da preservação da natureza e da diferença
surge num momento em que montagens vêm alcançando sucesso ao
dos povos, repensando inclusive a colonização.
trazerem à tona vestígios do carioquíssimo besteirol dos anos 80.
FAME, SUCESSO A Q UI V OU EU!!!
21 e 28
Sextas-feiras, às 18h30min
Ingresso: R$ 30
Classificação etária: 14 anos
Duração: 70 minutos
Inspirado no filme “Fame” (ganhador de cinco Oscars), o texto do diretor Raul Tolledo
marca a estréia nacional da Cia. de Teatro Máscaras, com 16 integrantes. A peça convida
a uma viagem aos bastidores do maravilhoso ‘mundo dos espetáculos’, desde os
estressantes testes de elenco até os exercícios de preparação teatral. Aborda o universo
das artes cênicas, dos preconceitos, assim como a vida dos atores e as dificuldades
inerentes aos desejos de cada um. A narrativa é pontuada pelo romance de um jovem
casal, Jean e Fernanda, e pela descoberta da homossexualidade de Mike.
Descontos
20% Associados e médicos cooperados da Unimed, patrocinadores das cadeiras do teatro,
assinantes TVA e Parceiros da Cultura (informe-se).
50% Estudantes de ensino fundamental, médio e superior, maiores de 60 anos,
menores de 21 anos e portadores de deficiência física.
Os descontos só serão concedidos mediante a apresentação de carteira e/ou documento de identificação na entrada do teatro.
JUL/AGO 2007
SOCIEDADES FILIADAS
13
A importância da SOMERJ
e suas filiadas
E
Hildoberto Carneiro de Oliveira, Presidente da
Associação Médica de Nova Iguaçu
m outubro, vou completar dois anos à frente
O Congresso Médico da Baixada Fluminense
da Associação Médica de Nova Iguaçu
já faz parte do calendário de eventos de
(AMNI). Toda a diretoria está empenhada na
educação médica continuada da SOMERJ e
valorização dos associados, procurando
vem sendo organizado pelas sociedades
sempre mostrar a importância da união da
filiadas de Nova Iguaçu, Duque de Caxias e
classe médica. Conseguimos resgatar vários
São João de Meriti.
associados que deixaram de fazer parte da
AMNI, uma das principais metas de nossa
Os primeiros congressos aconteceram em
campanha de eleição. Estamos mostrando
Nova Iguaçu, em 2002; em Duque de Caxias,
aos novos médicos e estudantes de medicina
em 2004; e em São João de Meriti, em 2006.
a importância de se associarem à AMNI e à
Todos foram um sucesso e contamos com a
SOMERJ. O investimento é de apenas uma
classe médica da região para a realização
consulta de convênio por mês.
de um evento de alto nível em 2008.
A SOMERJ tem sido impor tante nas
Nos dias 30 de novembro e 1º de
reivindicações de melhorias com os
dezembro, vamos realizar a Jornada Médica
convênios e tem atuado de forma exemplar
de Nova Iguaçu. Na ocasião, ainda
junto ao CREMERJ na defesa do médico, tanto
acontecerá o Espaço Cultural do CREMERJ,
na remuneração que continua muito ruim,
um evento de grande importância.
quanto na defesa dos processos contra
médicos.
Estamos acompanhando a proposta da
senadora Patrícia Saboya (PSB/CE) sobre a
Já começamos a trabalhar para a realização
ampliação da licença-maternidade de quatro
do próximo Congresso Médico da Baixada
para seis meses em todo o país.A proposta
Fluminense, que será realizado em Nova
inclusive conta com o apoio do Ministro da
Iguaçu de 20 a 23 de agosto de 2008.
Saúde, José Gomes Temporão e de toda a
Durante o evento, serão abordados os mais
classe médica. A votação no Congresso está
variados temas, conferências e mesas-
prevista para acontecer até o final do ano.
redondas. Além disso, estamos pleiteando a
realização do Congresso Estadual da
Prestigie a nossa associação, tornando-se
SOMERJ para Nova Iguaçu em 2009.
sócio e prestigiando nossos eventos.
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
SOCIEDADES DE ESPECIALIDADES
14
SMERJ: a caminho do seu
jubileu de diamente
D
ados interessantes sobre a medicina
atuante do país e dela partiu a idéia da criação
do espor te
da Câmara Técnica de Medicina Desportiva
do CREMERJ, a primeira do país ligada à
A Federação Internacional de Medicina do
especialidade.
Espor te foi a primeira associação
internacional de médicos fundada no mundo,
Um pouco sobre a história da Sociedade
em 1928, por ocasião dos II Jogos Olímpicos
de Medicina do Espor
te do RJ
Esporte
de Inverno de Saint-Moritz, na Suíça.
Atualmente, conta com 120 países afiliados
1 – Generalidades
e mais de 250.000 médicos especialistas.
*Marcos Aurélio Brazão de Oliveira
No Brasil, a medicina do espor te é
Fundada em 28 de setembro de 1948, a
especialidade médica reconhecida pelo
Sociedade de Medicina do Esporte do Rio
Conselho Federal de Medicina (CFM),
de Janeiro (SMERJ) é uma entidade
Associação Médica Brasileira (AMB) e
eminentemente científica, sem fins lucrativos,
Comissão Nacional de Residência Médica.
filiada à Sociedade Brasileira de Medicina do
Sua legítima representante é a Sociedade
Espor te e legítima representante dos
Brasileira de Medicina do Esporte (SBME),
especialistas em medicina do esporte do
que realiza o congresso brasileiro da
Rio de Janeiro. A entidade tem como principais
especialidade anualmente e elabora seus
objetivos: congregar os médicos do Estado
posicionamentos oficiais e diretrizes, que
do Rio de Janeiro especialistas em medicina
estão disponibilizados gratuitamente no site
do espor te ou de médicos de outras
www.rbme.org.br. Sua mais recente
especialidades com interesse em medicina
realização foi o Congresso Médico do Pan-
do esporte; contribuir para a elaboração da
2007, realizado de 2 a 5 de maio que se
política de saúde e aperfeiçoamento do
constituiu em grande sucesso.
sistema médico-assistencial do Estado do
Rio de Janeiro, estimulando a prática da
JUL/AGO 2007
O título de especialista em medicina do
atividade física regular como instrumento
esporte é concedido pela SBME e AMB
de promoção à saúde; elaborar programas
mediante prova escrita anual, sob normas
de educação médica continuada através de
elaboradas pelas duas entidades. Seu órgão
congressos, simpósios, jornadas, reuniões
oficial é a Revista Brasileira de Medicina do
científicas, com o objetivo de manter seus
Esporte, classificada como nível “A” pela
afiliados em constante processo de
Capes e indexada na base de dados Bireme,
atualização e reciclagem; colaborar, no que
Lilacs e Scielo – estando em processo de
for possível, com a Câmara Técnica de
admissão no Medline. A Sociedade de
Medicina Despor tiva do CREMERJ, na
Medicina do Esporte do Rio de Janeiro,
apreciação de questões éticas e técnicas
fundada em 1948, é considerada a mais
ligadas à especialidade.
SOCIEDADES DE ESPECIALIDADES
até o ano de 2000, com mais de 1200
alunos. No ano seguinte, por iniciativa do Dr.
José Kawazoe Lazzoli, então presidente da
entidade, o curso se transformou em
“Jornada de Atualização” nos anos ímpares
“A Sociedade de
Medicina do Esporte
do Rio de Janeiro,
fundada em 1948, é
considerada a mais
atuante do país e
dela partiu a idéia
da criação da
Câmara Técnica de
Medicina Desportiva
do CREMERJ, a
primeira do país
ligada à
especialidade.”
2 – Principais atividades
e congresso nos anos pares.
A SMERJ tem tido atuação destacada dentre
J or nal de Medicina do Ex
er
cício
Exer
ercício
as regionais da Sociedade Brasileira de
Medicina do Esporte em vários aspectos.
Criado e lançado por mim, em 1992, o Jornal
Entre eles poderíamos citar:
de Medicina do Exercício (JMEx), órgão
oficial da SMERJ, veio a substituir o antigo
- A assessoria ao CREMERJ na criação da
“Boletim da SMDRJ” que se ocupava mais
primeira Câmara Técnica de Medicina
especificamente da divulgação de notícias
Desportiva do Brasil;
ligadas à especialidade e à entidade. O JMEx
se transformou num órgão científico,
- É a única sociedade regional da
abordando assuntos relacionados com os
especialidade que mantém um jornal científico,
diversos segmentos da medicina do esporte,
que circula desde 1992 sem interrupção, o
com uma concepção editorial dinâmica e
“Jornal de Medicina do Exercício”;
contando com a colaboração dos maiores
especialistas do Brasil. O JMEx tem se
- É a única sociedade regional da especialidade
mantido como um periódico com 14 anos
que realizou um curso de atualização durante
de publicação regular e ininterrupta e fonte
nove anos em que já passaram mais de 1500
obrigatória de referência na área.
alunos. Posteriormente, esse curso se
transformou em jornada (anos ímpares) e
Como se observa, indubitavelmente, a
congresso (anos pares).
Sociedade de Medicina do Esporte do Rio
de Janeiro que, em 2008, estará completando
- Realiza, desde 1992, reuniões científicas
60 anos de existência, desponta como a
mensais com o intuito de se discutir assuntos
regional mais atuante da Sociedade Brasileira
ligados aos diversos segmentos da medicina
de Medicina do Esporte, dignificando a
do esporte.
medicina de nosso Estado.
Cur
so de aatualização
tualização em medicina
Curso
do espor te
Em 1992, foi criado por mim, o “Curso de
Atualização em Medicina Desportiva da
SMERJ”, que teve nove edições consecutivas
*Especialista em Medicina do Esporte pela
Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte/
AMB, Secretário Executivo do Congresso
Médico dos Jogos Panamericanos de 2007,
Diretor Científico da Sociedade de Medicina do
Esporte do Rio de Janeiro, Ex-Presidente da
Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e
da Sociedade de Medicina do Esporte do RJ e
Criador e Coordenador do Curso de PósGraduação em Medicina do Esporte da
Universidade Veiga de Almeida.
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
15
ATUAÇÃO PROFISSIONAL
16
Avaliador: novo mercado
para o médico
A
gestão dos serviços de saúde, o aumento
de Siqueira Cavalcanti) e o INTO (Instituto
crescente dos custos dos cuidados médicos,
Nacional de Traumatologia e Ortopedia) –
a necessidade de atender aos direitos do
afirmou Heleno Costa Júnior, Coordenador
consumidor dos serviços de saúde, as
de Educação do Consórcio Brasileiro de
expectativas crescentes quanto às “boas
Acreditação (CBA).
práticas” médicas e hospitalares são alguns
Heleno Costa Júnior, Coordenador de
Educação do CBA
dos fatores que estão levando, instituições
A procura por avaliadores e técnicos em
públicas e privadas, a se preocuparem mais
acreditação, acrescentou Heleno Costa, tem
com a melhoria da qualidade do atendimento
sido cada vez maior. O CBA, composto pelo
prestado. Na busca de maior eficiência e
Colégio Brasileiro de Cirurgiões, pela
efetividade do atendimento, cada vez mais
FIOCRUZ, pela UNIRIO e pela Fundação
são implementados processos de
Cesgranrio, é a única instituição no Brasil
acreditação internacional nestas instituições.
autorizada a acreditar instituições de saúde,
E, neste sentido, o mercado de trabalho
de acordo com os padrões internacionais
para avaliador e técnico especializado em
da Joint Commission International . A
acreditação internacional está em franca
demanda por este tipo profissional é tanta
expansão no país.
que o CBA criou um Curso de Introdução
em Acreditação Internacional, que tem como
- No Brasil, a proposta de acreditação é
objetivo introduzir a metodologia de
completamente inovadora, constituindo-se
acreditação internacional para a seleção e
em uma alternativa moderna de avaliação
formação inicial de técnicos em educação
do desempenho de serviços de saúde e de
para acreditação e avaliadores de
aplicação dos preceitos da qualidade. Além
acreditação.
de estarmos vivendo a expansão do
JUL/AGO 2007
processo de acreditação, o país ainda está
- Avaliadores e técnicos do Programa de
vivendo um momento econômico melhor e,
Acreditação Internacional têm ganhos
com isso, as instituições têm conseguido
proporcionais as horas dedicadas às
investir mais na área de acreditação.
avaliações, projetos ou atividades que
Instituições essas que não são apenas
desenvolvem. Com duração média de quatro
privadas. No Rio de Janeiro, temos dois
dias de trabalho, a remuneração média de
hospitais públicos certificados: o HEMORIO
um avaliador chega R$ 4 mil reais, por
(Instituto Estadual de Hematologia Arthur
atividade, em hospital de médio porte.
ATUAÇÃO PROFISSIONAL
“No Brasil, a
proposta de
acreditação é
completamente
inovadora,
constituindo-se em
uma alternativa
moderna de
avaliação do
desempenho de
serviços de saúde e
de aplicação dos
preceitos da
qualidade. “
Embora o salário seja promissor, há carência
o mapa de avaliação até o mês de
de profissionais para atuar nesta área face à
dezembro. Com mais de um mês de
especificidade que requer a atividade. Além
antecedência, o avaliador sabe onde estará
da formação em medicina, o candidato tem
trabalhando e por quanto tempo. Atualmente,
que ter formação mínima comprovada de
temos 33 profissionais atuando em avaliação
10 anos e ter atuado por cinco anos em
e apenas um deles é aposentado. Todos os
instituições de saúde, em atividades clínicas,
outros têm atividades profissionais próprias
técnicas ou gerenciais. Além disso, é preciso
e se organizam para atuar em acreditação.
ter fluência em inglês e domínio de informática
No final do curso, até mesmo o profissional
- explicou.
nos diz qual a disponibilidade de tempo que
ele tem para desenvolver o trabalho. Depois
Cur
so seleciona o perf
tuação
Curso
perfilil de aatuação
da entrevista, fazemos uma análise do
do profissional
currículo e o profissional entra na fase de
formação – relatou.
Segundo Heleno Costa, no Curso de
Introdução em Acreditação Internacional,
Nessa fase, continuou Heleno Costa, ele
é feita a seleção dos profissionais e é
participa de atividades teóricas específicas
apresentado todo o histórico, a
e, depois, começa a acompanhar as
metodologia, os conceitos, os
atividades dos nossos profissionais,
princípios, os ciclos de acreditação, o
primeiramente como obser vador e
manual e o perfil de trabalho. O
posteriormente como trainee. Essa fase
profissional conhece todo esse processo
acontece até o momento em que
e, ao final do curso, numa entrevista, a
identificamos que o profissional esteja
coordenação do curso decide qual é o
satisfatoriamente atendendo aos nossos
perfil de atuação daquele profissional,
requisitos. Ele não passa menos de seis a
se de técnico ou de avaliador.
oito meses nessa fase de formação. E, a
vinculação do profissional ao CBA não é
- Do técnico em educação, nós precisamos
direta, é de natureza jurídica.
de uma disponibilidade de tempo maior, pois
em geral ele precisa ir semanalmente à
Informações sobre o Curso de Introdução
instituição e realizar de duas a quatro horas
em Acreditação Internacional podem ser
de atividades. Para o avaliador, a atuação é
obtidas pelo telefone (21) 2223-0761 ou
mais pontual. Hoje, por exemplo, eu já tenho
no site www.cbacred.org.br
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
17
CONGRESSO DA SOMERJ
19
Congresso aborda temas
das quatro áreas básicas
C
om uma programação científica voltada
sucesso. Para este congresso, esperamos
tanto para médicos experientes quanto para
contar com a presença de 1.000 a 1.300
recém-formados e acadêmicos de Medicina,
inscritos. A programação científica vai
a SOMERJ vai realizar o seu VIII Congresso
de 3 a 6 de outubro, em Teresópolis, no
abordar temas das quatro áreas básicas:
clínica médica, cirurgia geral, pediatria e
campus da Faculdade de Medicina da
ginecologia e obstetrícia, com a participação
UNIFESO – Centro Universitário Serra dos
de renomados professores dando aulas –
Órgãos. A conferência de abertura do
ressaltou.
congresso, a ser realizada no dia 3, às 20h,
abordará o tema células-tronco.
Entre os assuntos que serão apresentados
durante o VIII Congresso da SOMERJ, estão
Carlindo Machado e Silva Filho, Presidente da
SOMERJ
De acordo com Carlindo Machado e Silva
Filho, Presidente da SOMERJ, uma das
imunizações, aleitamento materno, o
adolescente e o esporte, pneumonias na
obrigações da Associação é levar educação
Infância, reanimação neonatal, hipertensão
médica continuada aos seus sócios e aos
arterial sistêmica, gastrite, úlcera péptica,
médicos do interior do Estado.
acidente vascular encefálico, asma, sinusite,
enxaqueca, trauma abdominal, apendicite,
- A cada dois anos, a SOMERJ realiza o seu
trombose venosa profunda, hipertensão
congresso e as outras edições foram um
intracraniana, fraturas no idoso,
antibioticoterapia profilática em cirurgia,
vacina anti-HPV, câncer de mama, mioma
uterino, hiper tensão e gravidez,
endometriose lesões de baixo e alto grau
do colo uterino, entre outros. Na ocasião
ainda acontecerão os cursos pré-congresso
sobre suporte avançado de vida em trauma,
educação médica e internet na saúde.
- Os temas escolhidos estão entre os mais
relevantes da prática médica diária. Além da
programação científica, vamos ter durante
o congresso, em cada uma das quatro áreas
básicas, a discussão de assuntos ligados à
ética médica. E, no último dia do evento,
ainda vamos ter uma mesa-redonda política,
que terá a participação de várias entidades
médicas – enfatizou o Presidente da
SOMERJ.
Veja toda a programação científica do
VIII Congresso da SOMERJ nas páginas
20 e 21.
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
20
CONGRESSO DA SOMERJ
JUL/AGO 2007
CONGRESSO DA SOMERJ
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
21
22
DESTAQUES
Decisões da assembléia de convênios
Os médicos estiveram reunidos em assembléia,
no dia 21 de agosto, para discutir as
irregularidades cometidas pelas operadoras de
planos de saúde. O CREMERJ, a SOMERJ, a Central
Médica de Convênios e as sociedades de
especialidades, informam a seguir as decisões
que foram tomadas durante o encontro.
Os médicos decidiram:
· Apontar como possíveis planos-alvo, para
aprovação na próxima assembléia, a
BRADESCO SAÚDE, a CASSI/BANCO DO BRASIL
e a DIX;
· Cobrar R$ 46,00 a consulta, com recibo
para o devido reembolso, dos planos que
não enviarem as guias da TISS em papel
carbonado aos médicos, como CASSI/BANCO
DO BRASIL, GAMA, AGF, FURNAS,
MEDISERVICE, GEAP, entre outras;
· Não aceitar glosas e atrasos de pagamentos
dos honorários, como está acontecendo
com a BRADESCO SAÚDE;
· Exigir o envio dos extratos detalhados e
em papel dos pagamentos aos médicos;
· Exigir o reajuste anual dos honorários
(conforme previsto nos contratos) para o
mês de agosto;
· Exigir a equiparação dos valores dos
honorários tanto para os planos individuais
quanto para os coletivos;
· Denunciar à justiça os planos que exigirem
a colocação da CID (diagnóstico dos
pacientes) nas guias da TISS e nas
autorizações.
Nova assembléia será realizada no dia 4 de
setembro, às 20h, no auditório do CREMERJ
Júlio Sanderson.
SOMEDUC completa 13 anos
A SOMEDUC – Associação Médica de Duque
de Caxias completou 13 anos de fundação.
Fundada em 29 de junho de 1994, atendeu
aos anseios dos médicos caxienses e,
hoje, é uma das mais atuantes do Estado
do Rio de Janeiro.
Para comemorar seu aniversário, a
SOMEDUC promoveu uma conferência,
ministrada por Samuel Kierszenbaum,
Diretor Científico da SOMERJ, que
apresentou um painel sobre as
transformações do exercício da medicina,
desde o passado até os dias de hoje. O
evento, que contou com uma platéia seleta
e interessada no assunto.
SOMERJ e filiadas se reúnem
O Conselho Deliberativo da SOMERJ realizou sua reunião mensal nos dias 13 e 14 de julho, em
Nova Friburgo. Na ocasião, ainda aconteceu um evento do Espaço Cultural do CREMERJ.
No dia 4 de agosto, a SOMERJ e suas filiadas voltaram a se reunir em Volta Redonda.
SAÚDE PÚBLICA
23
A CPMF e a saúde pública
E
m 24 de outubro de 1996, o então presidente
da República, Fernando Henrique Cardoso,
assinou a Lei 9.311, instituindo a Contribuição
Provisória sobre Movimentação ou
Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos
de Natureza Financeira, conhecida como CPMF.
No artigo 18, está escrito que “o produto da
arrecadação da contribuição de que trata esta
Lei será destinado integralmente ao Fundo
Nacional de Saúde, para financiamento das
ações e serviços de saúde (...)”.
Infelizmente, o que se viu nesses onze anos de
prorrogação de uma contribuição como o
próprio nome diz, provisória, não foi isso. Os
recursos deveriam ser destinados
integralmente à área de saúde, mas o governo
tem liberdade de realocar 20% da
arrecadação dessa contribuição.
Marcia Rosa de Araujo. Presidente do
CREMERJ
O cenário que levou à criação da CPMF se
repete dia após dia. Nesses onze anos, a
população continuou sofrendo, sem
atendimento adequado na rede pública. Os
médicos, por sua vez, continuam trabalhando
sem as devidas condições, desde a falta de
estrutura aos baixos salários.
A atual situação salarial dos médicos no setor
público é muito difícil, o que tem desestimulado
a fixação do profissional na rede. Não se pode
aceitar um salário de R$ 1.500,00, depois de
tantos anos de esforços e estudos, incluindo
um curso de graduação de 7.200 horas.
Chegamos ao cúmulo de os médicos do Estado
do Rio receberem reajuste salarial parcelado,
como se fosse um carnê de eletrodoméstico
pago em 24 vezes. Temos cobrado dos
gestores públicos na esfera municipal, estadual
e federal melhorias das condições gerais de
trabalho e a valorização do trabalho médico.
E aí, a CPMF poderia se apresentar como uma
alternativa a mais de financiamento.
É preciso fazer com que a população conheça
o principal objetivo da criação da CPMF, a Saúde.
Porque mesmo pagando os 0,38% sobre toda
sua movimentação financeira, além dos outros
impostos, as pessoas ainda não contam com
os serviços que são deveres do Estado.
Como exemplo, de acordo com a Organização
Mundial de Saúde (OMS), os países devem ter,
no máximo, uma taxa de incidência de
tuberculose de cinco habitantes em cada 100
mil, mas o Brasil tem 57. Onde está sendo
empregada a quantia arrecadada pela CPMF
se nem a tuberculose, que tem tratamento,
nós conseguimos combater? No Brasil, o atual
governo priorizou o controle da tuberculose
e definiu metas de descobrir pelo menos 70%
dos casos – o que já foi atingido – e curar
pelo menos 85% dos casos tratados – meta
nunca alcançada, principalmente devido ao
abandono do tratamento. A CPMF também
deveria ser destinada para informar à
população sobre as doenças, em campanhas
de saúde pública. O Brasil ocupa o 15º lugar
entre os 22 países responsáveis por 80% do
total de casos de tuberculose no mundo.
Também é preciso ressaltar nesse universo de
desvios de recursos a Emenda Constitucional
29, que ainda não foi regulamentada. A medida,
que vincula os recursos federais, estaduais e
municipais à Saúde, seja sobre o PIB Nominal ou
sobre as receitas correntes, já está sendo
desvirtuada. Levantamentos mostram que o
descumprimento da emenda é generalizado. Até
2005, a União deixou de aplicar na Saúde R$ 1,6
bilhão. Este ano, esse valor aumentou em mais
R$ 3,5 bilhões. Já os Estados, no mesmo período,
deixaram de cumprir a lei em R$ 11 bilhões.
É alarmante, também, que as prefeituras estejam
encontrando formas de driblar a lei e usar o
dinheiro, por exemplo, em cheque cidadão
como se fosse em saúde. Isso tudo leva a crer
que só a regulamentação da Emenda 29 vai
definir com clareza o que são ações e serviços
específicos de saúde. Hoje, existem brechas na
lei que permitem que os governos desviem
dinheiro da Saúde e invistam em outras áreas.
Se for regulamentada na forma do Projeto de
Lei 01/03, mudando-se a correção orçamentária feita pelo PIB Nominal - inflação mais o
crescimento da economia – para que seja
baseada nas Receitas Correntes (arrecadação
de tributos e contribuições), o orçamento do
setor teria um acréscimo de R$ 10 bilhões.
Independentemente do que ficar acertado sobre
a CPMF ou a Emenda 29, precisamos de leis
claras, que definam objetivamente o destino
dos recursos e com fiscalização. Isto seria
um bom e necessário começo para termos
uma Saúde realmente de qualidade, como
direito de todos e dever do Estado.
ASSOCIAÇÃO MÉDICA EM REVISTA
MARKETING MÉDICO
24
Um bom começo
sempre é importante
O
Alice Selles. Mestre em Administração,
Diretora da Selles & Henning Comunicação
e Assessora de Marketing da SOMERJ
atendimento ao cliente começa muito antes
Detenhamos-nos aqui aos dois últimos
do momento em que ele está frente a frente
momentos: telefonar e ir até o consultório.
com o médico. Entretanto, muitos
Em ambos, o cliente espera encontrar
profissionais se esquecem do que isso
significa e negligenciam a atenção que deve
atendimento rápido, cortês e profissional.
Se podemos entender o que o cliente
ser dada a esses momentos, quando
espera, devemos ser capazes de buscar
organizam a dinâmica do ser viço de
meios de atender às suas expectativas. A
recepção em seus consultórios ou clínicas.
equação é bastante lógica, mas o que
É possível que um pouco mais de atenção a
vemos no mercado é que ela carece de
essas questões possa ajudar a entender
simplicidade.
absenteísmos e “buracos” na agenda.
Vamos começar entendendo todo o
Hoje, já se percebe em diversos serviços
de saúde a tendência de separar o
processo que envolve a chegada do paciente
atendimento telefônico da recepção. Ela
ao consultório:
segue uma lógica clara: é impossível, em
um mesmo ambiente, dar atenção ao cliente
- Primeiro vem a identificação da
necessidade (que pode advir de um
que busca informação ao telefone e àquele
sintoma, ou de um questionamento do próprio
simultaneamente.
que está à frente do atendente,
paciente ou de alguém próximo a ele);
A telefonia na recepção representa:
- O segundo passo é a busca por
or mações sobre os profissionais
infor
inf
- Expor a quem espera todo o trânsito de
disponíveis (a principal fonte de informações
ligações: muitas? poucas?
ainda é a indicação e o conhecimento de
outros profissionais de saúde ou pessoas
- Recados de pacientes irritados com a
próximas, como parentes e amigos);
demora ao retorno de suas ligações?
- Em seguida, as informações recolhidas
- Telefones que tocam insistentemente, sem
são processadas pelo cliente, em função de
que as ligações sejam atendidas?
diversas questões, sendo a mais importante,
a possibilidade de acesso : o
- Gerar um ambiente de trabalho tenso, pela
credenciamento ao plano de saúde, o valor
dificuldade de gerenciar, a cada momento, a
da consulta, a localização do consultório;
quem atender: o paciente à sua frente ou o
telefone que toca insistentemente?
- Feita a seleção prévia, chega o momento
do contato , telefônico, na maioria das
- Induzir ao erro nas informações oferecidas,
vezes, para buscar mais informações ou
em função da distração?
agendar o atendimento;
Dar ao atendimento telefônico um espaço
- Finalmente, o cliente se dirige até o serviço
para a consulta ou exame .
JUL/AGO 2007
diferente do que é usado para o atendimento
de recepção significa otimizar o processo,
MARKETING MÉDICO
evitar erros de agendamento e de
preenchimento de guias e ainda oferecer um
de profissionais prejudiquem o andamento
do atendimento.
atendimento de melhor qualidade, que se
“Se podemos
entender o que o
cliente espera,
devemos ser capazes
de buscar meios de
atender às suas
expectativas.”
traduz também em maior aproveitamento
Para serviços de menor porte, a otimização
do trabalho da equipe.
é a saída natural: ao invés de duas
atendentes na recepção, uma fica na
Isso nos remete à outra questão: o espaço
telefonia. Outra opção é a montagem de
físico para o atendimento telefônico. Não
um contact center , com utilização de
adianta tirar a telefonia da recepção e
relegá-la a um espaço inadequado (sem
estagiários para o atendimento telefônico
condições para a realização do trabalho),
com uma pessoa da área de comunicação
pois isso gerará um atendimento sem
como supervisora).
(esta opção requer que o serviço conte
qualidade.
Para implantar uma mudança deste porte,
Para serviços de saúde de maior porte,
o fundamental é perceber que ela pode
uma boa alternativa é a terceirização (da
representar ganhos também financeiros, já
mão-de-obra ou de todo o contact center),
pois ela reduz encargos com a contratação
que permite que se consiga um serviço de
de pessoal e garante que eventuais faltas
seguro e confiável.
marcação e confirmação de consultas mais
25
27
EVENTOS
IX JJor
or
nada de Clínica Médica
ornada
II Simpósio de Medicina de Urgência
13 a 15 de setembro - Búzios - RJ
Informações: www.sbcmrj.org.br
II Congresso da Comunidade Médica de Língua
P or tuguesa
27 a 29 de setembro - Costa do Sauípe - BA
Informações: www.reuniao.com.br/amb/hotsite
IX Congresso Brasileiro de Clínica Médica
10 a 13 de outubro - Curitiba - PR
Informações: www.sbcmpr.com.br/brasileiro2007
XXXVI Congresso Brasileiro de Radiologia
11 a 13 de outubro - Salvador – BA
Informações: www.radiologia2007.com.br
14ª Hospital Business
16 a 18 de outubro - Centro de Convenções Rio Cidade Nova - RJ
Informações: (21) 2532-0540 - www.hospitalbusiness.com.br
XIV Congresso Brasileiro de Mastologia
17 a 20 de outubro - Fortaleza - CE
Informações: www.mastologia2007.com.br
XV Congresso Brasileiro de Oncologia
31 de outubro a 3 de novembro - Belo Horizonte - MG
Inscrições: www.sboc.org.br/congresso.site
ENDOP
AN
ENDOPAN
1 a 3 de novembro - Hotel Inter-Continental – Rio deJaneiro
Informações: (21) 2266-9150 - www.jz.com.br/endopan
54º Congresso Brasileiro de Anestesiologia
10 a 14 de novembro - Natal - RN
Informações: (11) 5084-8966/ 3586-9877 - www.astreaventur.com.br
E-mail: [email protected]
44º Cong
asileir
gia Plástica
Congrr esso Br
Brasileir
asileiroo de Cir ur
urgia
14 a 17 de novembro - Curitiba - PR
Informações: (11) 3826-1499 - www.cirurgiaplastica.org.br
E-mail: [email protected]
BIOÉTICA
28
A lagarta, a semente e o Supremo
D
Olinto A. Pegoraro, Professor de Filosofia da
UERJ.
espertou muito interesse o debate público
entre cientistas e juristas promovido pelo
Supremo Tribunal Federal, em abril. Três
eram as questões básicas: que é a vida?
Quando começou em nosso planeta?
Quando começa o embrião humano? Até
hoje, nenhuma delas teve resposta definitiva.
E nisto não há surpresa, pois a realidade
da vida é misteriosa e de infinitas dimensões.
No livro de Metafísica, Aristóteles afirma
que “a vida é o ato essencial de Deus”; em
todas as suas páginas, a Bíblia proclama
que “Deus é a vida eterna”; e na aurora da
filosofia, dizia Heráclito, “a verdadeira das
coisas ama ocultar-se”.
Tudo o que as ciências fazem é tentar
desocultar este mistério. A biologia, a
filosofia, o direito, a teologia e a ética
estudam a vida sabendo, de antemão, que
“nenhuma detém o saber exaustivo dela;
todas dizem apenas alguma coisa a partir
de um ponto de vista. Lamentável seria se
um desses saberes se arrogasse o
conhecimento exaustivo da vida e, pior ainda,
tentasse impô-lo como a verdade. Feita esta
observação geral vejamos como podemos
entrar nos vários modos de debater a vida
humana.
Quando começa a vida no embrião humano
é a principal questão discutida pelos
cientistas perante ministros do Supremo. A
pergunta refere-se diretamente ao “uso de
células-tronco embrionárias em pesquisas
científicas visando o tratamento de graves
enfermidades”. Aqui um problema sério se
coloca pois para fazer pesquisa em células
embrionárias é preciso destruir o embrião.
Em 2005, os pesquisadores receberam o
apoio da Lei de Biossegurança que libera,
para a pesquisa científica, embriões
humanos “fertilizados in vitro, inviáveis para
a reprodução ou congelados há três ou
mais anos”. Trata-se, portanto, de uma
liberação que deve respeitar três condições:
pesquisa em embriões produzidos in vitro,
inviáveis para ser implantados ou que
estejam congelados há três ou mais anos.
Porém alguns juristas, liderados pelo então
JUL/AGO 2007
Procurador de Justiça, Cláudio Fontelles,
argüiu esta lei de inconstitucionalidade por
ferir o artigo 5 da Carta Magna que garante
o “direito universal à inviolabilidade da vida”.
Há biólogos que apóiam a tese jurídica de
Fontelles; argumentando que “a vida humana
plena começa no instante da concepção; no
momento da fusão do esperma com o óvulo
está posta toda a carga energética do ser
humano que se desdobrará nas fases
seguintes até a vida adulta”.
A estes juristas e biólogos juntam-se os
defensores da “ética da vida desde a
concepção, ou seja, o valor moral do
embrião é igual ao valor moral da pessoa
adulta”. Por isso, destruir um embrião,
como permite a Lei de Biossegurança, é
“feticídio”, um crime igual ao “homicídio de
um adulto”. Acrescentam que “a vida
embrionária deve ser protegida incondicionalmente mesmo que o preço seja o
não tratamento de graves enfermidades”.
Confirmam estes argumentos com uma
analogia sugerida pela biologia: a pequenina
lagarta que se esconde nas folhas das
árvores, na fase seguinte, será a borboleta
adulta que voa nos jardins e prados. Isto é,
lagar ta e borboleta são uma só individualidade em dois momentos distintos e
sucessivos. Do mesmo modo, o embrião
humano desdobra-se em feto, criança e
adulto. Por isso, eliminar um embrião
humano é o mesmo que eliminar um adulto
porque embrião e adulto são a mesma
individualidade.
A argumentação destes juristas, biólogos e
eticistas cai como uma luva na mão da
teologia católica que, há mais de 15 séculos,
defende esta posição baseada na tese
metafísica do conceito de pessoa, como
veremos adiante.
Um segundo gr upo de biólogos
pronunciou-se a favor do uso científico das
células embrionárias nas condições
estabelecidas pela Lei de Biossegurança
acima citadas. A base científica desta
afirmação está em que “a vida humana não
BIOÉTICA
começa na fusão do esperma com o óvulo
mas no início do sistema nervoso, 14 dias
após a concepção”. Consideram que, até
aquele momento, não há vida humana mas a
“preparação das condições para que ela
aconteça”. Ora, como a Lei da Doação de
Órgãos permite a coleta de par tes do
organismo só após a morte cerebral, assim,
por coerência, também não há vida antes
do início do sistema nervoso no embrião.
Este é só um ser humano em preparação;
ainda não aconteceu.
Segundo estes cientistas, não há nenhuma
razão para preservar embriões inviáveis ou
congelados há três anos visto que a
probabilidade científica de tornar-se um ser
humano é praticamente zero. É o que ocorre
em clínicas de reprodução assistida, onde
os médicos adotam critérios científicos para
estimar o grau de viabilidade de um embrião
produzido in vitro: numa escala A B C D, os
embriões classificados em D são os que
reúnem chances mínimas de gestação; razão
pela qual nunca serão implantados e acabarão
descartados. Ora, a ciência e o bom senso
sugerem que sejam usados em pesquisa que
beneficiará milhares de pessoas que esperam
curar graves enfermidades como Alzheimer
e Parkinson. A ciência é portadora desta
esperança: seria anti-humano frustrá-la. Além
de beneficiar enfermos, a pesquisa com
células-tronco é uma excelente maneira de
honrar, dignificar e conferir sentido ao
embrião inviável: prestar um inestimável
serviço à comunidade humana.
Em apoio a sua tese, também estes cientistas
recorrem a uma analogia, desta vez tirada
da botânica: no embrião produzido in vitro
temos apenas a semente de uma nova vida.
Uma semente de laranja não é um pé de
laranjeira. Para que isso aconteça, é
indispensável que seja plantada na horta;
guardada no celeiro, nunca medrará e ficará
sempre e só uma semente de laranja.
Aplicando esta imagem ao embrião: ele é a
semente de um novo ser; semente formada
pelas células seminais masculina e feminina:
é o embrião da nova existência; nele está
presente toda a carga genética que evoluirá
até o nascimento, infância e vida adulta.
Porém, se esta semente não for implantada
num útero nunca se desdobrará em
existência e permanecerá sempre uma
semente humana.
São duas posições científicas legitimamente
divergentes e que, por isso, não podem
oferecer ao juiz uma solução com exclusão
da outra; mas é da competência dos juízes
do Supremo decidir, num ato de direito
positivo, se os embriões congelados do
tipo D, sem viabilidade de desenvolver-se
num útero, podem ser usados na pesquisa
biomédica. Trata-se portanto de arbitragem,
de escolha jurídica entre duas posições
científicas, uma que protege a vida
embrionária mesmo que inviável e a outra
que visa o bem da saúde da população
usando embriões congelados que nunca
serão implantados.
Como acabamos de ver, os cientistas tentam
responder às perguntas o que é a vida e
quando ela surge, na concepção ou no
aparecimento das células nervosas. A
pergunta filosófica coloca-se assim: que é
a pessoa? Quando começa a pessoa? Duas
são as teorias mais significativas a este
respeito. A primeira foi elaborada na
antiguidade medieval. Severino Boécio criou
a seguinte definição: “pessoa é um indivíduo
subsistente numa natureza racional”. Todos
os termos desta definição têm peso
filosófico que, muito sinteticamente
podemos resumir assim: cada indivíduo
humano é uma realidade singular, única,
irrepetível, dotada de uma característica
absolutamente específica: a natureza
racional, única capaz de entender-se e
entender a ordem e o sentido do mundo.
Por isso, a racionalidade é algo
transcendente, “uma centelha divina”, é alma
espiritual num corpo humano, como já
ensinava Platão.
A teologia católica “batizou” esta teoria
metafísica. A alma espiritual é simples, não
divisível e por isso incorruptível, imortal:
ela é uma criatura de Deus especialmente
“feita à sua imagem e semelhança”. A
conseqüência ética desta doutrina é evidente;
o homem será sempre intocável desde o
momento da concepção quando Deus lhe
infunde a alma espiritual imortal. Qualquer
tentativa de manipulação do embrião é um
ato criminoso, imoral e pecaminoso. Esta
posição milenar, metafísica e teológica,
recebe hoje o apoio de um grupo de
cientistas e juristas, como vimos acima.
A segunda teoria da pessoa é de nossos
dias, inspirada nas teses da fenomenologia
e do existencialismo tendo muito presentes
a teoria da evolução da vida, os enormes
avanços das ciências biológicas e a cultura
laica, pluralista e independente de
concepções religiosas. A par tir desta
realidade histórica, os filósofos
elaboraram o seguinte conceito: “pessoa
é uma existência humana temporal,
relacional e potencial”. Explicitando esta
interpretação: o homem é, em primeiro
lugar, uma existência (e não uma essência
definitivamente dada desde a concepção);
uma existência que vai se desdobrando
como um processo temporal de acontecer
da concepção até a morte. Nós vamos
construindo nossa personalidade através
de relações vivas desde o útero até a
velhice; nunca terminamos de construir
nossa pessoa. Em síntese, o ser humano é
o único ser vivo capaz de
“transcendência”; ele transcende
automaticamente seus estágios biológicos
como qualquer animal; transcende
sobretudo suas etapas históricas por
decisão de sua liberdade. Numa palavra, é
pela liberdade que construímos nossa
personalidade e, na bela proposição de
Sartre, “somos um projeto de existência”.
Esta teoria filosófica coincide com a posição
do segundo grupo de cientistas para os
quais um embrião fertilizado in vitro ainda
não é vida humana mas apenas “a semente”
da futura existência. Por seu turno o filósofo
considera o embrião humano como
“existência potencial, um projeto, uma
possibilidade de vir a ser uma pessoa”. A
conclusão ética desta teoria filosófica é
espontânea: como no embrião ainda não há
personalidade pode, nos termos da Lei da
Biossegurança, ser usado para pesquisa
científica. Nesta conclusão, por tanto,
encontram-se os biólogos do segundo
grupo, os filósofos contemporâneos e a
ética fenomenológica.
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