Projecto de recuperação CO2 a partir das unidades de Steam Methane Reforming da refinaria de Sines André Filipe Fontes Alexandre Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Química Júri: Presidente: Professor Doutor João Carlos Bordado (Instituto Superior Técnico) Orientadores: Engenheira Ana Cristina Campos (Galp Energia) Professor Doutor Sebastião da Silva Alves (Instituto Superior Técnico) Vogal: Professora Doutora Carla Costa Pinheiro (Instituto Superior Técnico) Outubro 2011 Agradecimentos Em primeiro lugar, gostava de agradecer ao Engenheiro José Roque e à Engenheira Cristina Campos, por me terem concedido a oportunidade de estagiar na Direcção Técnica de Refinação da Galp Energia, a mais reputada e valorizada empresa do sector Oil & Gas em Portugal. A confiança que demonstraram nas minhas capacidades, proporcionando o envolvimento em diversos estudos e projectos fora do âmbito da minha tese, permitiram-me optimizar os meus conhecimentos técnicos na minha área industrial de eleição e obter uma maior experiência do funcionamento prático de uma Refinaria. Em particular gostaria de fazer um agradecimento especial à Eng.ª Cristina Campos com a qual tive o prazer de trabalhar directamente durante estes seis meses, por toda a atenção, orientação e apoio na elaboração deste trabalho para que este decorresse da melhor forma. Ao Professor Sebastião Alves por toda a compreensão e disponibilidade para o esclarecimento de dúvidas sobre a tese, dentro e fora da sua especialidade técnica. À Engenheira Margarida Caeiro pela partilha de valiosos conhecimentos e por toda a simpatia e disponibilidade que me dispensou ao longo do desenvolvimento deste trabalho e, mais ainda, pela revisão do mesmo. Aos meus ex-colegas Gonçalo Caeiro, Andreia Ferreira, Fernando Lúcio, Ana Rita Oliveira, Cândida Felício, Catarina Caiado e Sérgio Marques pelo apoio nesta etapa de adaptação ao mercado de trabalho e pela transmissão de conhecimentos e informações que vão muito além do âmbito desta tese e que serão de extrema relevância para aplicar as minhas capacidades na minha vida futura como Engenheiro Químico. Um obrigado, ainda, aos colaboradores da Refinaria de Sines e do seu Laboratório, nomeadamente à Eng.ª Antónia Guerreiro, ao Eng.º José Góis e ao Eng.º Paulo Santos, pela partilha de informações indispensáveis no desenvolvimento dos trabalhos referidos. Finalmente, gostaria, ainda, de dar uma palavra de apreço a todos os colaboradores da Direcção Técnica de Refinação e ao Eng.º Gaetano de Santis, por todo o apoio e interesse demonstrados ao longo do meu estágio, garantido desde já que não serão esquecidos e esperando, caso o futuro o deseje, poder reencontrá-los ao longo da minha carreira. ii Resumo O presente trabalho foi realizado no estágio curricular, conducente à dissertação de mestrado, que decorreu na Direcção Técnica de Refinação da Galp Energia entre Março e Setembro de 2011 e teve como principal objectivo seleccionar o processo de recuperação de CO2 a aplicar nas unidades de produção de Hidrogénio existentes na Refinaria de Sines. Inicialmente, elaborou-se um estudo geral sobre o mercado de dióxido de carbono líquido na Europa e, particularmente, na Península Ibérica, tendo-se analisado quais os processos de recuperação existentes e respectiva utilização industrial. Seguidamente, as duas unidades de produção de Hidrogénio existentes foram examinadas. Após comparação dos processos de recuperação de CO2 foi seleccionado o processo FlashCO2, como aquele que apresenta maior probabilidade de ser utilizado em Sines. Depois, com base no referido processo, foi estimado o potencial de recuperação de CO2, tendo em atenção as taxas de utilização das unidades de produção de Hidrogénio. Foi, também, efectuada uma análise técnica e logística da possível implementação de uma unidade de CO2 na Refinaria de Sines. Por fim, a análise económica realizada permitiu concluir a unidade de CO2 realizada a jusante da unidade de produção de hidrogénio HR é viável, embora com ponto crítico de funcionamento superior à taxa média de utilização das unidades da União Europeia. Constatouse, ainda, que o preço da “matéria-prima” e o custo de transporte do produto são preponderantes no custo total de produção e que um incremento no preço de venda de CO2 permitirá um incremento assinalável da margem de lucro das unidades. Palavras-chave: captura CO2, produção H2, tail gas, processo flashCO2, Refinaria de Sines iii Abstract This master degree thesis results from an internship done at Technical Refining Staff of Galp Energia between March and September of 2011and had as main objective to select the CO2 recovery process to be applied in hydrogen units located in Sines Refinery. Initially, was elaborated a general study on the market for liquid carbon dioxide in Europe and particularly in Iberia, being also analyzed the different processes of recovery it with matching industrial existence. Subsequently, were examined the existing two Hydrogen units, as they constitute the source of carbon dioxide. The comparison of the recovery processes of CO2, within this academic analysis, made possible to select the process FlashCO2, as the one with highest probability of being used in Sines. Then, based up on this process, were estimated the capacities of CO2 units for extreme conditions, taking into account the utilization rates of hydrogen units concerned. Therefore, it was also completed an analysis of the possible technical and logistical implementation of a CO2 unit at Sines Refinery. Finally, an economic analysis allowed to conclude that the CO2 unit, downstream of the hydrogen production plant HR, is feasible, being the minimum rate of operation below the average of the units in the European Union. Furthermore, it was found that the price of "raw material" and the transport cost of the final product are most important in the total production costs as well as that an increase in product‟s price will allow a noticeable increase in the profit margin of CO2 units. Keywords: CO2 capture, H2 production, tail gas, flashCO2 process, Sines‟s Refinery iv Índice Agradecimentos...................................................................................................................................... ii Resumo .................................................................................................................................................. iii Abstract ..................................................................................................................................................iv Índice ..................................................................................................................................................... v Índice de figuras ................................................................................................................................... vii Índice de Tabelas....................................................................................................................................ix Abreviaturas ...........................................................................................................................................xi 1. Introdução ................................................................................................................................... 1 1.1 Dados históricos .......................................................................................................................... 1 1.2 Enquadramento da Empresa ........................................................................................................ 2 1.3 Fontes de CO2.............................................................................................................................. 4 1.4 Comparação de fontes de CO2..................................................................................................... 7 1.5 Aplicações para CO2 líquido ....................................................................................................... 7 1.6 Especificação do CO2 ................................................................................................................ 13 1.7 Cuidados de segurança .............................................................................................................. 14 2. Análise de Mercado................................................................................................................... 15 2.1 Produção e consumo de CO2 em Portugal................................................................................. 15 2.2 Produção e consumo de CO2 em Espanha................................................................................. 18 2.3 Produção e Consumo de CO2 na Europa ................................................................................... 23 3. Produção de Hidrogénio na Refinaria de Sines ......................................................................... 26 3.1 Unidade HI ................................................................................................................................ 27 3.2 Unidade HR ............................................................................................................................... 31 3.3 Comparação entre unidades HI e HR ........................................................................................ 34 4. Processos de Recuperação de CO2 ............................................................................................ 37 4.1 Processos com absorção química .............................................................................................. 38 4.2 Processos com absorção física .................................................................................................. 42 4.3 Processos com adsorção ............................................................................................................ 47 4.4 Processos com utilização de membranas................................................................................... 49 4.5 Processos criogénicos ................................................................................................................ 51 4.5.1 Flash CO2 .................................................................................................................................. 55 4.6 Processos por licenciador .......................................................................................................... 59 5. Selecção do Processo ................................................................................................................ 60 5.1 Captura antes da PSA (Syngas) ................................................................................................. 60 v 5.2 Captura depois da PSA (Tail gas) ............................................................................................. 61 5.3 Processo e localização escolhidos ............................................................................................. 62 6. Implementação do Processo ...................................................................................................... 64 6.1 Potencial de recuperação de CO2 .............................................................................................. 64 6.2 Limitações Operacionais ........................................................................................................... 65 6.4 Selecção da unidade de hidrogénio ........................................................................................... 65 6.5 Armazenagem e distribuição de CO2 ........................................................................................ 66 7. Consequências da introdução da nova unidade de CO2 ............................................................ 67 7.1 Funcionamento da Fornalha ...................................................................................................... 67 7.2 Mudança de matéria-prima........................................................................................................ 69 7.3 Funcionamento da unidade PSA ............................................................................................... 70 7.4 Redução das emissões ............................................................................................................... 72 8. Análise económica preliminar ................................................................................................... 73 8.1 Custos da Captura...................................................................................................................... 73 8.2 Custos de Transporte ................................................................................................................. 74 8.3 Investimento – Previsão e comparação com outras unidades ................................................... 75 8.4 Custo total de produção do CO2 ................................................................................................ 77 8.5 Análise de Rentabilidade ........................................................................................................... 81 8.6 Análise de Sensibilidade ........................................................................................................... 85 9. Conclusões ................................................................................................................................ 90 Referências Bibliográficas .................................................................................................................... 93 Anexo 1 – Unidades de recuperação de CO2 no Continente Europeu................................................... 97 Anexo 2 – Balanço material à unidade HI (dados de projecto)............................................................. 98 Anexo 3 – Balanço material à unidade HR (dados de projecto) ........................................................... 99 Anexo 4 – Previsão de Investimentos ................................................................................................. 100 Anexo 5 - Evolução do custo Produção .............................................................................................. 101 vi Índice de figuras Figura 1- Produção líquida da Refinaria de Sines, por tipo de produto (Galp Energia, 2010)...... 3 Figura 2- Gráfico das licenças e emissões das Refinarias Galp Energia entre 2008 e 2010 ......... 4 Figura 3- Representação gráfico da produção nacional de refrigerantes, dados do INE ............... 9 Figura 4- Representação gráfico da produção espanhola de refrigerantes, dados do INÊ ............ 9 Figura 5- Esquema de injecção de CO2 em Sleipner (Torp, 2004) ............................................. 13 Figura 6- Diagrama de blocos da nova unidade de SMR em Estarreja ....................................... 16 Figura 7 - Detalhe da balança comercial de CO2 em Portugal .................................................... 17 Figura 8 - Histórico da produção e consumo de CO2 em Portugal ............................................. 17 Figura 9 - Localização geográfica das unidades de produção de CO2 da Carboneco[Carboneco] ..... 20 Figura 10 - Histórico da produção e consumo de CO2 em Espanha............................................ 21 Figura 11 – Diferentes fontes de CO2 na Península Ibérica ........................................................ 21 Figura 12 - Localização das unidades de produção de CO2 na Península Ibérica ....................... 22 Figura 13 - Quotas de mercado de produção de CO2 na Península Ibérica ................................. 22 Figura 14 - Diferentes fontes de CO2 no continente Europeu ..................................................... 24 Figura 15 - Produção e Consumo de CO2 no continente Europeu (dados Eurostat)................... 24 Figura 16 - Quotas de mercado de produção de CO2 na Europa (dados disponíveis) ................. 25 Figura 17 - Diagrama de Blocos genérico de uma unidade SMR-PSA (Crews, 2006) ............... 26 Figura 18 - Unidade HI [Galp Energia] ............................................................................................... 27 Figura 19 - Unidade HI – esquema processual............................................................................ 28 Figura 20 – Isotérmicas de adsorção do carvão activado a 30ºC (Ke, 2010) .............................. 30 Figura 21 – Isotérmicas de adsorção do zeólito 5A a 30ºC (Ke, 2010) ...................................... 30 Figura 22 – Unidade HR ............................................................................................................. 31 Figura 23 - Diagrama de blocos idêntico ao da SMR-PSA da unidade HR ................................ 32 Figura 24 – Relação entre a conversão e a temperatura de saída do Steam Refomer (Ke, 2010) 35 Figura 25 – Vias tecnológicas de captura de CO2 (IPCC, 2005) ................................................. 37 Figura 26 – Processos de separação de CO2 de uma corrente gasosa (Metz, 2005) .................... 37 Figura 27 – Método gráfico para escolha de processo para remoção de CO2 (Kohl, 1997) ....... 38 Figura 28 – Esquema básico de processo de absorção com aminas ............................................ 39 Figura 29 – Reacções envolvidas na absorção de CO2 por aminas primária ou secundárias ...... 39 Figura 30 – Reacções envolvidas na absorção de CO2 por aminas terciárias ............................. 39 Figura 31 – Esquema básico do processo de absorção Selexol [UOP] ........................................... 43 Figura 32 – Tabela das solubilidades dos diferentes gases em relação ao CO2 (Burr, 2008) ..... 46 vii Figura 33 – Esquema da unidade de PSA do processo Gemini (Sircar, 1979) ........................... 48 Figura 34 – Esquema representativo da passagem de um gás pela membrana (Fleming, 2006) 49 Figura 35 – Comparação de disposição espacial entre um sistema ............................................. 50 Figura 36 – Esquema do processo CO2 LDSep da Fluor Enterprises, Inc (Reddy, 2009) .......... 51 Figura 37 – Esquema do processo CO2 CPU da Air Liquide (Chaubey, 2010) .......................... 53 Figura 38 – Esquema do processo CO2 CPU+MEDAL da Air Liquide (Chaubey, 2010).......... 54 Figura 39 – Esquema do processo FlashCO2 da Union Engineering .......................................... 55 Figura 40 – Diagrama de blocos do processo FlashCO2 da Union Engineering ........................ 56 Figura 41 – Unidade de FlashCO2 instalada no Chile (Union Engineering, 2011) .................... 58 Figura 42 – Implicação do conteúdo de CO2 na selecção do processo (Chaubey, 2009)............ 61 Figura 43 – Aproveitamento de hidrogénio da corrente de off-gas ............................................. 70 Figura 44 – Variação da composição de hidrogénio num sistema de membranas ...................... 71 Figura 45 – Ponto-Crítico das unidades de CO2 com novos preços de “matéria-prima” ............ 85 Figura 46 – Ponto-Crítico das unidades de CO2 com novos preços de transporte ...................... 87 Figura 47 – Ponto-Crítico das unidades de CO2 com novo preço de venda do produto final ..... 88 viii Índice de Tabelas Tabela 1 – Comparação das diferentes fontes CO2 ....................................................................... 7 Tabela 2 – Exemplos de capacidades instaladas de Ureia na Europa [ICIS] .................................. 11 Tabela 3 – Limites de impurezas no produto final (EIGA, 2008) ............................................... 14 Tabela 4 - Capacidades instaladas em Estarreja .......................................................................... 15 Tabela 5 - Capacidades instaladas de produção de CO2 em Espanha ......................................... 18 Tabela 6 - Unidades SMR sem recuperação CO2 em Espanha .................................................... 19 Tabela 7 – Actividades de CCS no Espaço Europeu (unidades em actividade).......................... 25 Tabela 8 - Balanço molar relativo à unidade HI (dados projecto) .............................................. 29 Tabela 9 - Balanço molar relativo à unidade HR (dados projecto) ............................................. 33 Tabela 10 - Comparação do funcionamento das unidades HI e HR (dados projecto) ................. 34 Tabela 11 - Comparação do consumo de gás natural entre as unidades HI e HR (dados projecto) ............................................................................................................................................. 35 Tabela 12 - Comparação entre as unidades HI e HR (dados projecto) ....................................... 36 Tabela 13 - Comparação entre as unidades HI e HR (unidades base da Refinaria) com dados de Projecto ............................................................................................................................... 36 Tabela 14 – Comparação das vantagens e desvantagens das aminas utilizadas.......................... 41 Tabela 15 – Composições previstas da unidade de recuperação de CO2 (Gauthier, 2006) ......... 54 Tabela 16 – Composições previstas da corrente de off-gas originada pelo processo FlashCO2 . 57 Tabela 17 – Quadro resumo das tecnologias de captura por licenciador .................................... 59 Tabela 18 – Quadro resumo da selecção de processo mais adequado para recuperação de CO2 63 Tabela 19 – Recuperação de CO2 possível da unidade HI .......................................................... 64 Tabela 20 – Recuperação de CO2 possível da unidade HR ......................................................... 64 Tabela 21 – Composições previstas da corrente de off-gas para o HR ....................................... 67 Tabela 22 – Consumo de combustível da unidade HR com recuperação de CO2 ....................... 68 Tabela 23 – Quantificação da possível recuperação de H2.......................................................... 71 Tabela 24 – Origem das emissões de CO2 nas diferentes unidades de hidrogénio..................... 72 Tabela 25 – Origem das emissões de CO2 nas unidades de hidrogénio com captura de CO2 ..... 72 Tabela 26 – Custos de captura de CO2 ........................................................................................ 73 Tabela 27 – Custos de transporte de CO2 .................................................................................... 74 Tabela 28 – Investimentos da literatura em unidades de recuperação de CO2 ............................ 76 Tabela 29 – Investimento actualizado e respectiva amortização das unidades de CO2............... 76 Tabela 30 – Divisão genérica das diferentes partes do Custo de Fabrico de CO2 ....................... 77 ix Tabela 31 – Divisão genérica das diferentes partes do Custo de Fabrico de CO2 para a unidade de recuperação a funcionar a 100% ..................................................................................... 79 Tabela 32 – Diferentes partes do Custo de Fabrico de CO2 com unidade a funcionar a 100% .. 79 Tabela 33 – Determinação dos encargos financeiros – exemplo da unidade de X kton a jusante do HR .................................................................................................................................. 80 Tabela 34 – Diferentes partes do Custo de Fabrico de CO2 com unidade a funcionar a 100% .. 80 Tabela 35 – Custo de Produção de CO2 com unidades a funcionar a 100% ............................... 81 Tabela 36 – Preço de mercado do CO2 líquido para Portugal [Eurostat] ......................................... 81 Tabela 37 – Ponto crítico das possíveis unidades de CO2 ........................................................... 82 Tabela 38 – Valor Líquido Actual das diferentes unidades possíveis de CO2 ............................ 83 Tabela 39 – Taxa Interna de Rentabilidade das diferentes unidades possíveis de CO2 .............. 83 Tabela 40 – Determinação do Cash-Flow total („mil €) – exemplo da unidade de X kton no HR ............................................................................................................................................. 84 Tabela 41 – Período de Recuperação das diferentes unidades possíveis de CO2 ........................ 84 Tabela 42 – Critérios de rentabilidade com preço da matéria-prima = 15 €/ton CO2 ................. 86 Tabela 43 – Critérios de rentabilidade com preço da matéria-prima = 20 €/ton CO2 ................. 86 Tabela 44 – Critérios de rentabilidade com mudança de preço de transporte – 25 €/ton CO2 .... 87 Tabela 45 – Critérios de rentabilidade com subida de 50% do custo de transporte .................... 87 Tabela 46 – Critérios de rentabilidade com mudança de preço de venda – 150 €/ton CO2 ........ 88 Tabela 47 – Investimentos realizados em diferentes fontes de CO2............................................ 89 Tabela 48 – Comparação de investimentos utilizando diferentes fontes de CO2 („mil €) ........... 89 Tabela 49 – Comparação de investimentos utilizando diferentes processo de captura de CO2 („mil €) ................................................................................................................................ 89 Tabela 50 - Capacidades instaladas de produção de CO2 na Europa (alguns exemplos) ............ 97 Tabela 51 – Índices de preços de Nelson e CE ......................................................................... 100 Tabela 52 – Valores de investimento previstos com dados da unidade do Chile...................... 100 Tabela 53 – Valores de investimento previstos com dados da unidade de Marl (Ruhr) ........... 100 Tabela 54 – Valores de investimento previstos com dados da unidade de Rotterdam .............. 100 Tabela 55 – Determinação do custo de produção – exemplo da unidade de X kton no HR ..... 101 Tabela 56 – Determinação do custo de produção – exemplo da unidade de Y kton no HR ..... 101 x Abreviaturas CCS – Carbon Capture and Storage (i.e. captura e armazenagem de dióxido de carbono) CH4 – Metano CDM – Clean Development Mechanism CO – Monóxido de Carbono CO2 – Dióxido de Carbono C2+ – Hidrocarbonetos com 2 ou mais átomos de carbono (etano, propano, etc.) C3+ – Hidrocarbonetos com 3 ou mais átomos de carbono (propano, butano, etc.) C5+ – Hidrocarbonetos com 5 ou mais átomos de carbono (pentano, etc.) DEA - Dietanolamina DTR – Direcção Técnica de Refinação EIGA – European Industrial Gases Association H2 – Hidrogénio H2S – Sulfureto de hidrogénio HTS – High Temperature Shift I.N.E. - Instituto Nacional de Estatística (de Portugal) I.N.Ê. - Instituto Nacional de Estatística de Espanha LTS – Low Temperature Shift MEA – Monoetanolamina MDEA - Metildietanolamina MTS – Medium Temperature Shift PR – Período de Recuperação de capital PSA – Pressure Swing Adsorption SCR – Steam Carbon Ratio SMR - Steam Methane Reforming SR – Steam Reforming Syngas – corrente processual de gás de entrada na subunidade PSA Tail gas – corrente processual de gás de purga da subunidade PSA TIR – Taxa Interna de Rentabilidade VLA – Valor Líquido Actual WGS – Water Gas Shift % - percentagem numérica ou fracção molar (%mol) xi 1. Introdução 1.1 Dados históricos O dióxido de carbono existe naturalmente (condições normais atmosféricas de 25 ºC e 1 atm) no estado gasoso, sendo que a sua presença já é totalmente conhecida desde o século XVI quando Van Helmont efectuou experiências que permitiram isolar o gás e a demonstrar que o CO2 preparado de várias fontes era o mesmo gás proveniente das minas e cavernas. As experiências efectuadas que levaram à produção de CO2 foram a fermentação, a acção de ácidos em carbonatos e a queima de carvão. Já no século XVII, Hoffmann, enquanto investigava os gases de escape da efervescência das águas minerais, observou que este gás tinha propriedades ácidas pelos seus efeitos em vegetais. Depois, em 1757, Black descobriu outra propriedade deste gás, visto que durante a respiração, o ar atmosférico era quimicamente alterado por geração de CO2 e, como tal, poderia ocorrer um efeito letal deste gás na vida animal (caso em câmara fechada sem renovação de ar). Apesar destas revelações experimentais, a demonstração química apenas foi realizada pelo francês Lavoisier. Este provou que o aquecimento de hidrocarbonetos com oxigénio gerava um gás de composição: 23,5-28,9 partículas de carbono e 71,1-76,5 partículas de oxigénio. Lavoisier denominou este gás de ácido carbónico, dadas as propriedades anteriormente referidas e identificou assim oficialmente a sua composição – CO2. A exploração comercial do dióxido de carbono principiou com o objectivo de produzir águas minerais artificiais, que se pensariam ter propriedades medicinais, tendo o desenvolvimento industrial deste gás sido iniciado por Faraday e Thilorier, que efectuaram experiências de liquefacção de gases. Thilorier realizou com sucesso ensaios sobre a expansão, pressão de vapor, densidade e modificação da entalpia do CO2 líquido durante a evaporação. O mesmo cientista foi, igualmente, o primeiro a produzir CO2 sólido, cuja aparência era de um flóculo branco (de fácil compressibilidade) que desaparecia por evaporação lenta sem derreter (i.e. fenómeno de sublimação). Em 1845, Faraday produziu grandes quantidades de dióxido de carbono líquido e sólido através de uma bomba hidráulica e, mais tarde, Natterer desenvolveu um mecanismo de compressão para o gás. Seguidamente, Raydt implementou a primeira unidade fabril de produção e liquefacção de CO2 na Alemanha em 1884 e a expansão comercial deste produto continuou a elevado crescimento depois da viragem do século XX, onde foram identificados muitas aplicações diferentes, bem como diferentes processos de fabrico deste composto. 1 1.2 Enquadramento da Empresa A Galp Energia pretende ser, nos mercados em que opera, uma empresa de referência no sector energético. A sua missão é criar valor para os seus clientes, accionistas e colaboradores, actuando nos mercados energéticos com ambição, inovação e competitividade e promovendo o respeito pelos princípios da ética e sustentabilidade. A Galp Energia tem actividades à escala global, desenvolvendo-se estas, essencialmente, em Portugal, Espanha, Brasil, Angola, Venezuela, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Suazilândia, Gambia, Timor-Leste, Uruguai, Estados Unidos da América e Guiné-Equatorial. Actualmente conta com duas refinarias, cerca de 1500 estações de serviço, 40 projectos de exploração e produção de petróleo, tendo como maior local de produção (acima de 90% do total) Angola onde produz cerca de 17 mil barris diários e, ainda, vendas de gás natural em quantidades superiores a 4680 Mm3 por ano, que importa da Argélia e Nigéria. A Galp Energia é, actualmente, o único grupo integrado de exploração e produção, refinação e distribuição de produtos petrolíferos existente em Portugal. Entre outras actividades destacam-se ainda a exploração e produção de gás natural e a geração de energia eléctrica. Em Portugal, a Galp Energia tem uma capacidade de processamento diário de um total de 330 mil barris de petróleo bruto, que adquire a diferentes fornecedores de vários pontos do Mundo, nas refinarias de Matosinhos e de Sines. A Refinaria do Matosinhos tem presentemente uma capacidade de destilação de cerca 110 mil barris por dia. Esta refinaria além da produção de combustíveis (cerca de 3,7 milhões de toneladas anuais) apresenta uma extensa produção de diversos derivados do petróleo e de, particularmente, produtos aromáticos. A Refinaria de Sines apresenta uma capacidade de destilação de cerca 220 mil barris por dia, estando assim colocada entre as maiores refinarias da Península Ibérica, sendo apenas superada pela Refinaria de Gibraltar – San Roque, que é propriedade da companhia petrolífera CEPSA. A configuração processual desta refinaria esteve orientada para a maximização da produção de gasolinas e está situada no maior complexo da indústria química e petroquímica existente em Portugal. No entanto, dado o aumento verificado na procura de gasóleo dentro do mercado português e ibérico, a Galp Energia decidiu avançar com um projecto de conversão e modernização do aparelho refinador de forma a aumentar a produção de gasóleo e de outros destilados médios (por exemplo: combustível de aviação – jet fuel). Esta mudança da focalização para a produção de destilados médios irá permitir um maior aproveitamento de crudes pesados, que estão disponíveis no mercado a preços mais reduzidos. Com este projecto de conversão finalizado, a Refinaria de Sines possuirá uma capacidade acima de 5,8 milhões de toneladas anuais de combustíveis, sendo que a produção de gasóleo superior a metade desse valor 2 Em 2010, a Refinaria de Sines apresentou a seguinte produção líquida: Figura 1- Produção líquida da Refinaria de Sines, por tipo de produto (Galp Energia, 2010) O presente trabalho foi realizado na Direcção Técnica de Refinação (DTR), que pertence à área de Refinação (secção da unidade de negócio Aprovisionamento, Refinação e Logística) da Galp Energia. A DTR tem como missão promover iniciativas para o desenvolvimento e melhoria contínua do sistema refinador de modo a assegurar e melhorar a sua eficácia, a competitividade e reacção às necessidades de mercado, no respeito pelos preceitos de segurança e ambiente envolvente. O principal objectivo deste trabalho consiste no estudo e, consequente, selecção do(s) processo(s) mais adequado(s) à recuperação de dióxido de carbono de correntes processuais de unidades de produção de hidrogénio da Refinaria de Sines. As correntes analisadas foram a corrente de Syngas, corrente de entrada na unidade de purificação de hidrogénio, e a corrente de Tail Gas, corrente de purga da unidade de purificação de hidrogénio. Um dos motivos para a realização deste estudo por parte da Direcção Técnica de Refinação da Galp Energia, advém do facto de esta empresa estar a realizar todos os esforços possíveis que visam uma redução global de emissões CO2 através de várias aplicações: quer de aplicação de técnicas com o intuito de melhorar a eficiência energética nas duas refinarias que possui, quer de outras medidas de redução directa de emissões. Mais concretamente, de acordo com o Protocolo de Quioto e os compromissos assegurados na União Europeia, decorre a necessidade de reduzir as emissões de gases com efeito estufa (sendo o maior contribuidor o CO2) nesta comunidade Europeia em 5% e 8% face às emissões verificadas no ano de 1990. Consequentemente, foi criado o Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão para determinar quais os níveis de emissões em ton CO2equivalente que cada instalação fabril poderia apresentar, estando em vigor o PNALE II entre o período de 2008 e 2012. Assim, especificamente, na área da refinação – onde a Galp Energia é presença única em Portugal – foi determinada uma redução em 6,7 % das emissões face às actuais nesse período. 3 Depois da entrada em funcionamento das novas unidades, decorreu a necessidade de actualizar a licença ambiental concedida à refinaria de Sines (L.A., 2008), sendo que esta licença já tem em atenção as emissões de CO2 (e de outro gases com efeito estufa) originadas pela unidade HR, sem ter em conta a possibilidade de recuperação de CO2. A figura apresenta as emissões verificadas no ano de 2008 nas duas refinarias da Galp Energia e, resultante, comparação com as licenças atribuídas: Emissões CO2 LE atribuidas 4.000 3.500 CO2 (Milhões de toneladas/ano) 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500 0 2008 2009 2010 Período de referência dos dados Figura 2- Gráfico das licenças e emissões das Refinarias Galp Energia entre 2008 e 2010 1.3 Fontes de CO2 A maior parte do dióxido de carbono gerado no mundo é obtido como subproduto em unidades fabris de produção de amoníaco ou hidrogénio. Como tal, não existem processos de produção de CO2, nem as correspondentes matérias-primas, mas sim processos e fontes de onde este é recuperado e, posteriormente, purificado. Outras fontes importantes para produção de CO2 são os gases de escape que são emitidos em centrais termoeléctricas (quer utilizem como matéria-prima carvão ou gás natural), unidades fabris de fermentação de açúcares como fábricas de bioetanol, poços que devido à actividade vulcânica que contêm armazenado CO2 gasoso (podendo o CO2 desta fonte ser considerado como CO2 de origem natural), origem em poços de gás natural (quando este revela um conteúdo elevado de CO2, e sendo assim necessário tratá-lo para remoção do CO2 antes da sua utilização) e fornos de cal (Topham, 2005). 4 Produção de hidrogénio Actualmente, para produção industrial de hidrogénio o processo mais adequado e implementado é o de Steam Methane Reforming. Neste processo, a matéria-prima preferencial é o gás natural, que contém uma elevada fracção de metano na sua composição, sendo este em seguida misturado com vapor de água e, com aquecimento externo, promovida a reacção (1) entre ambos de modo obter hidrogénio como produto em uma unidade de Steam Reforming (Meyers, 2004). Dada a estequiometria da reacção (1), obtém-se como produto secundário desta o monóxido de carbono. Num processo de SMR esta mistura de hidrogénio, monóxido de carbono, vapor, metano (e outros constituintes do gás natural como etano e propano) é encaminhada para outro reactor para que ocorra a reacção shift (2) do monóxido de carbono em dióxido de carbono (i.e. reacção de conversão do CO em CO2 por deslocação), com consequente produção adicional de hidrogénio. CnHm + nH2O CO + H2O (n + m/2) H2 + nCO CO2 + H2 (eq. 1) (eq. 2) A mistura gasosa processual é depois enviada para uma unidade de purificação de hidrogénio de modo a obter este composto com elevada pureza, podendo o dióxido de carbono ser recuperado antes ou depois desta unidade. Caso não seja recuperado, ficará contido na corrente de purga que, na grande maioria dos casos, é utilizada para aquecimento da unidade de Steam Reforming. O hidrogénio tem um vasto campo de aplicações, contudo a parte mais significativa do seu consumo decorre em Refinarias ou em locais próximos destas. Na Refinaria de Sines, o consumo de hidrogénio é maioritariamente realizado por unidades de dessulfuração de gasóleo (HG, HD) onde se promove o tratamento de compostos sulfurados, azotados e oxigenados e na unidade de Isomax (IX) onde através de reacções de hidrocraking, se converte a nafta em propano e butano e, ainda, uma pequena quantidade de gasolina de isomax que vai servir, também, como componente de gasolinas acabadas. Produção de amoníaco A produção de amoníaco utiliza como matéria-prima o gás natural e primeira etapa da sua produção consiste na utilização do processo de SMR com remoção do dióxido de carbono. Depois, na segunda etapa decorre a metanação da corrente para que o monóxido de carbono ainda existente seja convertido em metano e vapor (Martinez, 2009). Por fim, a corrente é comprimida e decorre a síntese de amoníaco segundo a reacção (3): 5 N2 + 3 H2 2 NH3 (eq. 3) As aplicações mais relevantes do amoníaco produzido são a sua utilização na indústria de fertilizantes, de modo a obter nitrato de amónia (AN), ureia, fosfatos de amónia e sulfato de amónia. O amoníaco pode ainda ser utilizado para produzir nylon, acrilonitrilo, hidrazina e explosivos. Gases de Escape de centrais termoeléctricas O dióxido de carbono é um componente de todos os gases de escape (flue gas) produzidos pela combustão de combustíveis com teor em carbono. Estes gases de escape contêm tipicamente 10 a 20 % de dióxido de carbono (Topham, 2005), podendo este ser recuperado da corrente com utilização de processos de absorção (absorção química na maioria dos casos), particularmente em centrais de carvão ou gás natural que emitem largas quantidades (na ordem de milhões de toneladas anuais) deste composto. Fermentação de açúcares – Produção de bioetanol Na fermentação de açúcares decorre a produção de quantidades apreciáveis de dióxido de carbono, podendo este ser recuperado até cerca de 80% do total. Em seguida é necessário enviar o referido dióxido de carbono para uma unidade de purificação (e liquefacção caso se pretenda obter CO2 líquido) de forma a remover as impurezas existentes na corrente e ser possível a aplicação do mesmo. Origem Natural em poços Em alguns locais do mundo como, por exemplo, na Itália e na Hungria é possível a verificar a existência de elevadas concentrações CO2 em poços de gás, que devem ter como origem a actividade vulcânica antecedente. Neste tipo de fonte de CO2, observa-se que as principais impurezas presentes são o metano e o ácido sulfídrico. Assim, o CO2 desta fonte pode ser considerado como CO2 de origem natural, podendo ser extraído e purificado para utilização industrial (normalmente apresenta já uma pureza consideravelmente elevada). Fornos de cal Presentemente, também se verifica a produção de dióxido de carbono em fornos de cal, que tem particular utilização na produção de determinados compostos como o carbonato de sódio. O CO2 gerado neste processo advém da reacção 4: 6 CaCO3 CO2 + CaO (eq. 4) O CO2 gerado está contido nos gases efluentes do processo, sendo que, normalmente, representa cerca de 40% dessa corrente. 1.4 Comparação de fontes de CO2 Analisando todas as fontes de CO2 é possível resumir a informação de cada fonte, tendo em conta a pureza deste composto na corrente de onde é extraído e o respectivo custo de captura, como se verifica na Tabela 1. Tabela 1 – Comparação das diferentes fontes CO2 Amoníaco Pureza na corrente (% mol) 15-20 % ou 40-50 % 97 % Custo Recuperação ++ ou +++ + Gases de Escape 10-20 % Bioetanol > 80 % ++++ ++ Origem Natural > 90 % + Fornos de Cal 40 % +++ Fonte Hidrogénio 1.5 Aplicações para CO2 líquido De forma a analisar correctamente o valor e importância do dióxido de carbono é necessário ter conhecimento sobre as aplicações a nível industrial que este tem. Assim, sabe-se inicialmente que o CO2 é produzido gasoso e pode ser liquefeito ou solidificado, dependendo do destino da sua utilização. O CO2 apenas será conservado no estado gasoso para aproveitamento industrial, caso a sua utilização na produção de outro composto, como, por exemplo, a Ureia, decorra no mesmo complexo industrial e, se possível, na mesma unidade fabril. Em qualquer outro caso este composto será liquefeito ou solidificado para tornar possível o seu transporte de forma económica. Ainda assim, desde já se ressalva que o custo de transporte do CO2 é bastante superior ao custo de recuperação do mesmo (Topham, 2005), pelo que normalmente se opta pela aplicação do mesmo em unidades próximas, o que, no caso em questão, equivale a dizer entre regiões anexas da península Ibérica. 7 O CO2 pode assim ser utilizado por diversas indústrias como as mais variadas aplicações: indústria das bebidas para carbonatação de bebidas não-alcoólicas (bebidas gaseificadas que são também denominadas “Soft drinks”), indústria química na produção de ureia e metanol (tecnologia não totalmente madura ao nível industrial), indústria alimentar para refrigeração dos alimentos em supermercados ou unidades de distribuição, indústria petrolífera para aumento e optimização da extracção de petróleo (enhanced oil recovery), indústria agrícola para promoção do crescimento de plantas, utilização em tratamento de águas residuais, bem como de outros efluentes alcalinos de unidades fabris e, ainda, aplicação em menores volumes como agente extintor de fogo, agente de inertização de silos, tanques e condutas e, finalmente, como parte de misturas gasosas com utilização na fabricação de metais. Das aplicações anteriormente referidas, é possível atestar que as indústrias alimentar e de bebidas são as que representam maiores volumes de consumo de CO2 na forma líquida. Por outro lado, a produção da Ureia apresenta valores extremamente elevados de consumo de CO2, no estado gasoso, tendo este sido formado como produto secundário na produção de Amoníaco, actividades estas que estão normalmente interligadas e que decorrem nas mesmas unidades fabris. Carbonatação de Bebidas A maior aplicação de CO2 decorre na indústria de bebidas (perto de 50% do consumo total de CO2 na Europa), onde é utilizado para provocar a carbonatação em bebidas não alcoólicas, também designadas por “Soft-Drinks” ou Refrigerantes gaseificados. O CO2 pode ainda ser adicionado para carbonatação de alguns vinhos, que acumulam assim esta carbonatação com a carbonatação natural dos mesmos, antes do engarrafamento das unidades. Em Portugal, a produção de bebidas gaseificadas decorre nas unidades fabris da Refrige (produção de diversos produtos com a marca Coca-Cola, produto com maior quota de mercado dos refrigerantes), da Sumol+Compal (produtos com as marcas Sumol, SevenUp, Pepsi, Guaraná), da Unicer (produtos com as marcas Frisumo e Snappy) e da Schweppes (produtos com as marcas Schweppes e Orangina). Com recurso a dados do Instituto Nacional de Estatística, verifica-se que a produção de refrigerantes gaseificados em Portugal (aplicação que representa regularmente cerca de 42-48% do consumo de CO2 líquido) tem tido a seguinte evolução: 8 8,0E+08 7,0E+08 Refrigerantes (l/ano) 6,0E+08 5,0E+08 4,0E+08 3,0E+08 2,0E+08 1,0E+08 0,0E+00 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Período de referência dos dados Figura 3- Representação gráfico da produção nacional de refrigerantes, dados do INE Em Espanha, a produção de bebidas gaseificadas decorre em unidades de marcas semelhantes, sendo que segundo o Instituto Nacional de Estatística de Espanha, a evolução da quantidade produzida é a seguinte: 7,0E+09 6,0E+09 Refrigerantes (l/ano) 5,0E+09 4,0E+09 3,0E+09 2,0E+09 1,0E+09 0,0E+00 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Período de referência dos dados Figura 4- Representação gráfico da produção espanhola de refrigerantes, dados do INÊ Comparando a produção de refrigerantes nos dois mercados, verifica-se que a produção de bebidas gaseificadas em Espanha é acima de sete vezes superior face à produção em Portugal, justificando, assim, um consequente maior consumo de CO2. 9 Tratamento de águas residuais A segunda aplicação mais representativa de CO2 é o tratamento de águas, com particular aplicação na indústria de pasta de papel. O recurso ao CO2 nestes casos prende-se com a facilidade que o mesmo evidencia para regular o pH das águas residuais para o intervalo obrigatório entre 9 e 6,5, de forma a não ter impacto no meio ambiente. Outra aplicação é também a injecção de dióxido de carbono para neutralizar águas residuais alcalinas. Este, quando dissolvido em água, forma o ácido carbónico que apresenta várias vantagens relativamente a outros ácidos, dado que evita a acumulação de sais como cloretos e sulfatos, reduz ou anula os problemas de corrosão e evita a acidificação excessiva das águas, visto que a curva de neutralização do CO2 é quase horizontal. Exemplo desta aplicação é o processo SOLVOCARB, propriedade da Linde Sogás, que neutraliza águas alcalinas em lagoas e tanques de igualização. Indústria Alimentar Uma aplicação com bastante relevo para o CO2 líquido consiste na sua utilização para arrefecimento rápido de alimentos (por exemplo, os vegetais) sem danificar nenhumas das suas propriedades. Este arrefecimento decorre através da exposição dos alimentos a refrigerar, que estão posicionados sobre um tapete rolante, a uma atmosfera de CO2 líquido que em spray reduz a temperatura. Outro tipo de arrefecimento de alimentos que é também realizado com o CO2 líquido, é a sua aplicação no transporte de alimentos a temperatura controlada. O CO2 é ainda utilizado em misturas gasosas com o azoto (e, em casos especiais, também o oxigénio), para embalagem de alimentos. A atmosfera nestas embalagens é um aspecto importante para promover o aumento da durabilidade dos alimentos, dado ser possível minimizar ou até mesmo evitar alterações microbiológicas, químicas e físicas dos produtos. A aplicação de CO2 na indústria alimentar representa cerca de 20% do consumo total deste na Península Ibérica. Ureia O dióxido de carbono pode ser utilizado no estado gasoso para a produção de ureia, sem que normalmente ocorra alguma etapa de purificação. A origem desse é normalmente uma fábrica de produção de amoníaco situada a jusante do processo produtivo que está situada no mesmo complexo fabril, sendo que nesta unidade de amoníaco obtém-se como produto secundário o dióxido de carbono em pureza de 97%. 10 As reacções que decorrem na produção de ureia estão representadas em baixo. 2 NH3 + CO2 ↔ NH2COONH4 ↔ NH2COONH4 CO(NH2)2 + (eq. 5) H2O (eq. 6) Observando o esquema reaccional acima mencionado (Martinez, 2009), verifica-se que as duas reacções se encontram em equilíbrio e decorrem no mesmo reactor. Analisando as propriedades cinéticas verifica-se que a reacção final de obtenção da ureia é o passo limitante, dado que esta é mais lenta e endotérmica, ao contrário da primeira. Por outro lado, na primeira reacção a conversão não é completa, obtendo-se uma conversão máxima de 80% em relação ao dióxido de carbono com aumento da temperatura e da proporção amoníaco/dióxido de carbono. Na Península Ibérica, as unidades fabris de produção de Ureia pertencem à Fertiberia e produzem inicialmente amoníaco, tendo uma capacidade de produção deste de 600 000 toneladas anuais. Depois, este amoníaco e o dióxido de carbono, que é obtido como seu subproduto, são aplicados na produção de Ureia. No mercado Europeu, a produção anual total de ureia é de 12,4 Mton, sendo a Yara a empresa com maior quota de mercado e com capacidade de 2,3 Mton/ano. Tabela 2 – Exemplos de capacidades instaladas de Ureia na Europa [ICIS] Empresa Yara DSM Agro SKW Agrolinz BASF SE Fertiberia Zaklady Azotowe Amonil Chimco País Itália Holanda França Alemanha Holanda Alemanha Itália Aústia Germany Espanha Espanha Polónia Roménia Bulgária Localidade Ferrara Sluiskil Le Havre Brunsbuttel Geleen Wittenberg Castellanza Linz Ludwigshafen Huelva Puertollano Pulawy Slobozia Vratza Capacidade de Ureia (ton/ano) 560.000 840.000 560.000 535.000 390.000 1.070.000 150.000 420.000 540.000 300.000 200.000 960.000 720.000 800.000 Por outro lado, é ainda de referir o crescimento que se verifica no mercado de Ureia sendo de esperar a abertura de novas fábricas (ou de acréscimos da capacidade) pelos principais produtores. 11 Enhanced Oil Recovery Uma aplicação que está em grande crescimento decorre na indústria petrolífera, onde o CO2 é utilizado para aumento e optimização da extracção de petróleo (enhanced oil recovery). Actualmente, para trazer o petróleo até à superfície, recorre-se muitas vezes a vapor de água como força motriz desta ascensão. No entanto a utilização de dióxido de carbono tem bastante interesse dado permitir a redução das emissões deste composto para a atmosfera e a utilização do mesmo na extracção da principal fonte de energia primária para o mundo, o petróleo. Convêm ainda referir que a origem do CO2 correntemente empregue nesta aplicação são poços de gás natural que apresentam elevados níveis de CO2 na sua constituição ou mesmo as já referidas fontes naturais de CO2. Esta aplicação tem tido particular utilidade nos Estados Unidos da América, onde é aplicada em diversos estados. Outras utilizações Entre as aplicações que representam um menor volume de consumo de CO2 estão a indústria de fabricação de metais, a utilização com agente extintor de fogo e, ainda, a utilização gomo gás inerte para inertização de silos, tanques ou condutas. Na primeira aplicação anteriormente referida (fabricação de metais), o dióxido de carbono é utilizado em misturas gasosas para promoção de uma atmosfera oxidante/redutora para tratamento de metais. Na segunda, este composto é aplicado no combate de incêndios, particularmente do tipo eléctrico, onde a água não pode ser utilizada. Não se deve ainda deixar de referir o efeito do dióxido de carbono na promoção do crescimento de plantas, que tem tido particular desenvolvimento e aplicação na Holanda (por exemplo a recuperação de CO2 na Refinaria de Pernis que ajuda no crescimento de plantações de tomate) e também no Reino Unido. A aplicação de CO2 pode aumentar o rendimento do crescimento das plantas até cerca de 15%. A outra aplicação anteriormente referida diz respeito à produção de metanol em que a aplicação do CO2 decorre com este no estado gasoso, que ao reagir com o hidrogénio permite a obtenção de metanol. Por outro lado, actualmente, apesar de não poder ser, na opinião do autor desta tese, considerada com uma verdadeira aplicação de CO2, a armazenagem por longos períodos de tempo deste composto no subsolo, em caves subterrâneas ou em aquíferos salinos, tem constituído uma particular utilização do dióxido de carbono, permitindo a sua redução em emissões para a atmosfera. 12 Esta actividade de captura e armazenagem de carbono (CCS) é praticada na Europa, pela empresa norueguesa Statoil que armazena o CO2 em aquíferos salinos no Mar do Norte. A Statoil iniciou esta armazenagem de CO2 em 1996 no campo de gás natural de Sleipner e tem injectado uma média anual de 1 milhão de toneladas de CO2 por ano que são retirados do próprio gás natural que é extraído desse campo, onde o CO2 representa cerca de 9% da composição do gás natural e, como tal, é imperativo a remoção do CO2 para que este possa ser comercializado. Posteriormente, em 2006 a mesma empresa deu inicio a uma operação idêntica em outro campo de produção de gás natural, em Snøhvit, sendo que, actualmente, a injecção e armazenagem de CO2 consome, neste campo, cerca de 700 mil toneladas por ano (Torp, 2004). Figura 5- Esquema de injecção de CO2 em Sleipner (Torp, 2004) Dado o incentivo existente para a redução das emissões de dióxido de carbono, a empresa de capital espanhol, Repsol, está a investigar possibilidade idêntica de armazenagem de CO2, através da recuperação do mesmo da Refinaria de Tarragona e envio para a Plataforma de extracção de petróleo off-shore Casablanca situada a 45 km de distância, onde o gás seria injectado para armazenagem (Pérez, 2010). 1.6 Especificação do CO2 O dióxido de carbono a ser recuperado tem como especificação o grau de pureza para aplicação a nível alimentar, i.e. acima de 99,7% (%vol). Consequentemente, apresenta os limites para concentração de impurezas (em ppm/v) que constam da Tabela 3. 13 Tabela 3 – Limites de impurezas no produto final (EIGA, 2008) CO < 10 Metanol < 10 NH3 < 2,5 Stotal < 0,1 H2O < 20 NO+NO2 < 2,5 Acetaldeído < 0,2 Benzeno < 0,02 Fosfinas < 0,3 Resíduos não-voláteis < 10 Resíduos orgânicos não-voláteis < 5 HCV < 50 (como CH4) O2 < 30 HCV (sem CH4) < 20 (como CH4) 1.7 Cuidados de segurança O dióxido de carbono é um gás incolor, inodoro e insípido, razão pela qual não é facilmente detectável. Dado que é um gás com maior densidade do que o ar, forma-se e acumula-se ao nível do solo. Assim, e visto ser um gás de efeito estufa, as suas emissões devem ser controladas e minimizadas, de forma a reduzir o seu efeito prejudicial no ambiente. Por outro lado como já foi visto nas suas aplicações é extremamente estável, muito pouco reactivo e não inflamável. Apesar de não ser um gás tóxico em pequenas doses, quando a sua concentração é elevada pode ser extremamente perigoso para a saúde humana, podendo mesmo ser letal. Como tal, as principais precauções a ter, caso ocorra alguma fuga acidental, estão dividas em: precauções pessoais e precauções ambientais. Na primeira situação deve-se evacuar a área e assegurar uma adequada ventilação de ar, sendo que em caso de necessidade de permanecer no local é aconselhável a utilização de equipamento de respiração autónoma de pressão positiva. Como precauções ambientais, deve-se tentar eliminar ou estancar rapidamente o derrame de produto e impedir a entrada deste em locais onde a sua acumulação pode constituir um perigo (por exemplo, esgotos). 14 2. Análise de Mercado Neste capítulo da tese, pretendeu-se analisar, em detalhe, à evolução do mercado de dióxido de carbono de Portugal, de Espanha e da União Europeia. Consequentemente, foram analisadas as capacidades produtivas instaladas de cada país e da cada Empresa (restringindo-se a análise aos dados disponíveis/públicos que cada empresa proporciona). Foi ainda analisado o comércio externo dos países em estudo a fim de determinar o consumo do produto em cada mercado. 2.1 Produção e consumo de CO2 em Portugal Presentemente, a produção nacional de dióxido de carbono na forma líquida, com posterior aplicação comercial, está confinada à unidade de produção de Gás de Síntese localizada no Complexo Químico de Estarreja. A referida unidade é controlada pela Sociedade Portuguesa do Ar Líquido, que é uma filial da multinacional francesa Air Liquide. A unidade fabril de Estarreja finalizou recentemente, em 2009 (Sociedade Portuguesa do Ar Líquido, 2010) uma reconfiguração processual, através da instalação de uma nova unidade de Reformação a Vapor de gás natural e, consequentemente, do encerramento das duas anteriores unidades de Reformação a Vapor de nafta, sendo que a primeira destas entrou em produção no ano de 1989 (S. P. Ar Líquido, 2010). A substituição efectuada permitiu a quase duplicação da capacidade instalada de produção, sendo que a nova unidade beneficia da incorporação de tecnologia mais recente de forma a maximizar a eficiência do processo e a minimizar o seu impacto ambiental. Na Tabela 4 apresenta-se o resumo das capacidades instaladas relativamente aos diversos produtos fabricados em Estarreja pela Air Liquide. Tabela 4 - Capacidades instaladas em Estarreja Localidade Antigas Unidades Capacidade de CO2 (ton/ano) 16 000 Capacidade de CO (ton/ano) 20 400 Capacidade de H2 (Nm3/h) 8 200 Nova Unidade 29 000 38 200 15 000 15 O funcionamento da nova unidade da Air Liquide no C.Q.E. pode ser sintetizado através da Figura 6 (Sociedade Portuguesa do Ar Líquido, 2007): Figura 6- Diagrama de blocos da nova unidade de SMR em Estarreja De acordo com o estudo de impacto ambiental apresentado pela Air Liquide referente à nova unidade (Sociedade Portuguesa do Ar Líquido, 2007), o dióxido de carbono é removido do gás de síntese recorrendo a um processo de absorção química com aminas, mais concretamente utilizando uma solução aquosa de metildietnolamina (MDEA) activada. Em seguida, o CO2 é enviado para outra unidade, onde é purificado e liquefeito. Anteriormente, existiram outras unidades de produção de dióxido de carbono líquido em Portugal com localização no Lavradio. Neste complexo, o dióxido de carbono era obtido como produto secundário da unidade de produção de amoníaco da empresa AP - Amoníaco de Portugal SA e aplicado, em seguida, na produção de Ureia na mesma unidade fabril da empresa, recorrendo assim a uma estratégia de integração vertical a montante, dado que incorpora no seu conjunto de actividades as de produção de matérias-primas do processo. No Lavradio, estavam localizadas duas unidades de recuperação e purificação de dióxido de carbono líquido com capacidade de 30 000 ton/ano cada uma, sendo propriedade da Linde Sogás e da Air Liquide, respectivamente. A produção referente a estas unidades teve interregnos a partir do ano de 2007 e, acabou, por encerrar definitivamente no ano de 2009, devido a problemas de impacto ambiental. Analisando a Figura 7, verifica-se que a produção em Portugal decresceu significativamente a partir do ano 2007 – ano em que tiveram início as primeiras paragens das unidades do Lavradio - enquanto o consumo nacional de CO2 líquido se conservou constante no período de dados. Por outro lado, observou-se também que tem decorrido um incremento gradual nas importações com repercussões directas no consumo nacional que estará situado entre 25 e 35 mil toneladas anuais. 16 exportação 45.000 importação Produção Consumo 40.000 CO2 (toneladas) 35.000 30.000 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Período de referência dos dados Figura 7 - Detalhe da balança comercial de CO2 em Portugal Em suma, a produção e o consumo nacional podem ser representados graficamente através da Figura 8, segundo os dados publicados pelo Eurostat. Produção 40.000 Consumo 35.000 CO2 (toneladas) 30.000 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Período de referência dos dados Figura 8 - Histórico da produção e consumo de CO2 em Portugal 17 2.2 Produção e consumo de CO2 em Espanha Actualmente, a produção espanhola de CO2 é realizada maioritariamente a partir de recuperação de unidades de reformação a vapor, pelas filiais espanholas de empresas multinacionais do sector de produção de gases como a Praxair, a Air Products (sob a denominação de Cárburos Metálicos em Espanha) e a Air Liquide. A capacidade instalada de produção de CO2 líquido em Espanha pode ser resumida na Tabela 5. Tabela 5 - Capacidades instaladas de produção de CO2 em Espanha Empresa Air Products Praxair Air Liquide Neoelectra Linde Localidade Capacidade de CO2 (ton/ano) Capacidade de H2 (Nm3/h) Refinaria de Tarragona 66.000 70.000 Vitoria 10.000 16.000 Refinaria de Castellón 70.000 35.000 Huelva (Fertiberia) 65.000 --- Refinaria Petronor (Bilbao) 25.000 13.500 Cartagena 80.000 --- Refinaria de Puertollano 100.000 48.000 Refinaria La Coruña 45.000 31.400 Santander 2.500 1.200 Huelva (Fertiberia) 25.000 --- Les (Lleida) 21.000 --- El Grado (Aragon) 21.000 --- Tenerife 2.900 --- Aliaga (Teruel) 30.000 --- Refinaria de Puertollano 35.000 1.400 Refinaria La Coruña 25.000 16.000 Huelva (Fertiberia) 70.000 --- Analisando a Tabela 5, constata-se que a produção decorre em grande parte nas refinarias (ou em localização próxima), dado o elevado consumo de Hidrogénio que estas apresentam, sendo este o principal produto obtido numa unidade de SMR. Assim, conclui-se desde já que existe uma relação directa entre as Refinarias e as unidades de produção de dióxido de carbono, estando as maiores unidades de recuperação de CO2 localizadas nas Refinarias de Puertollano (Repsol), Castellón (BP) e Tarragona (Repsol), respectivamente. As outras Refinarias onde está implementada são a La Coruña (Repsol) e Petronor (Repsol - 86%). 18 Por outro lado, estudando a Tabela 6 é perceptível que a recuperação de CO2 ainda não está implementada nas unidades de reformação de vapor de todas as refinarias de Espanha, apresentando, assim, este país um potencial de produção de CO2 significativamente maior que Portugal (que tem apenas duas unidades de SMR onde não está implementada a recuperação de CO2). Tabela 6 - Unidades SMR sem recuperação CO2 em Espanha Empresa Repsol CEPSA BP Localidade Refinaria Petronor Refinaria de Cartagena (Repsol, 2006) Refinaria de Cartagena (Repsol, 2006) Refinaria de Tarragona (Martinez, 2002) Refinaria de La Rabida (CEPSA, 2006) Refinaria de Gibraltar-San Roque (CEPSA, 2007) Refinaria de Castellón (Martinez, 2002) Capacidade de H2 (Nm3/h) 39.000 120.000 66.000 11.000 68.700 10.000 11.000 É ainda de acrescentar que a Refinaria de Tenerife não apresenta nenhuma unidade de produção de hidrogénio (Martinez, 2002), tal como se verifica na Refinaria de Matosinhos em Portugal, dado que a produção deste nas unidades de Reforming catalítico é suficiente para o consumo das unidades de hidrodessulfuração existentes. A unidade de hidrogénio mais recente da refinaria de Tarragona (Thernesz, 2008) foi construída pela Air Products e pela Technip fazendo assim parte de uma lista de unidades fabris de produção de hidrogénio que constam de um acordo realizado entre estas empresas e que na sua maioria utilizam o processo de absorção de aminas (MDEA, no caso) para remoção do CO2 da corrente que entra unidade de PSA, com posterior purificação e liquefacção do mesmo produto. Deve-se referir que a unidade de produção de gás de síntese da Air Liquide de Santander fornece hidrogénio à fábrica de borracha sintética da DYNASOL Elastómeros (grupo Repsol) e utiliza tecnologia semelhante à unidade de Estarreja (i.e., remoção do CO2 através de absorção química com aMDEA). A mesma tecnologia é também aplicada nos complexos de Puertollano e La Coruña, onde existem unidades de produção de hidrogénio instaladas para fornecimento às Refinarias da Repsol com localização adjacente. No que diz respeito às unidades de recuperação e produção de CO2 da companhia espanhola Carboneco (pertencente ao grupo Neoelectra), estas não estão ligadas a unidades de reformação a vapor, mas sim a Centrais Termoeléctricas que consomem gás natural. Nestas unidades o CO2 é recuperado dos gases de escape, podendo, assim, ser conseguida uma drástica 19 redução (ou mesmo anulação) das emissões de CO2 para a atmosfera, diminuindo o impacto ambiental. As instalações da Carboneco que se encontram em funcionamento estão graficamente localizadas na Figura 9, sendo que aí são também visíveis dois projectos para novas unidades fabris de recuperação de CO2, localizados em Madrid e Jaén [Carboneco]. Figura 9 - Localização geográfica das unidades de produção de CO2 da Carboneco [Carboneco] A unidade da Praxair em Cartagena está situada a montante da fábrica da sociedade Ecocarburantes Españoles, empresa controlada maioritariamente (95%) pela Abengoa, tem como principal produto o bioetanol, apresentando uma capacidade de cerca de 100 mil metros cúbicos anuais deste. A Abengoa possui ainda outras duas unidades de produção de bioetanol em Espanha: em Salamanca e em La Coruña com capacidade produtiva de 200 000 e 126 mil metros cúbicos de etanol. Estas unidades também produzem dióxido de carbono no processo de fermentação com valores de capacidade de 160 000 e 102 000 toneladas anuais, mas nenhuma destas unidades apresenta, actualmente, aproveitamento comercial deste CO2. Outras fontes de CO2 em Espanha são também as unidades fabris de produção de Amoníaco, sendo de notar que existem duas unidades neste país. Estas unidades localizam-se em Puertollano e em Palos de la Frontera (Huelva) e pertencem à Fertiberia[Fertiberia] , tendo uma capacidade estimada de produção de cerca 250 000 e 500 000 toneladas anuais, respectivamente. O CO2 produzido na sua forma gasosa será empregue, na sua maioria, no mesmo complexo fabril para a obtenção de Ureia. No entanto, tal como se verifica na Tabela 5, várias companhias aproveitam, em Palos de La Frontera-Huelva, o CO2 produzido no seu estado gasoso, purificando e liquefazendo-o. A capacidade instalada de produção de CO2 líquido no complexo fabril de Huelva é próxima de 160 mil toneladas anuais. Posteriormente, analisando a evolução temporal da produção de CO2 em Espanha, podese concluir que esta subiu progressivamente entre 2003 e 2006, sendo aqui de mencionar a 20 entrada em funcionamento de novas unidades como a de La Coruña em 2004 (Chalier, 2009) e a de Castellón em 2005 (Martinez, 2008). Presentemente, conclui-se que a taxa de utilização global das unidades de produção de CO2 é próxima de 63%. Através dos dados publicados pelo Eurostat, é possível atestar-se que o valor que resulta das trocas comerciais (resultado negativo – exportação - de perto 20 mil toneladas anuais) não é muito significativo quando comparado com a produção e, assim, pode-se concluir que esta se destina na maior parte ao consumo próprio e que se tem mantido num patamar desde 2007 de cerca 400 000 toneladas por ano. produção consumo 500.000 450.000 CO2 (toneladas) 400.000 350.000 300.000 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Período de referência dos dados Figura 10 - Histórico da produção e consumo de CO2 em Espanha Conclui-se que o consumo total de CO2 líquido na península ibérica é de perto 450 mil toneladas por ano e que a capacidade de produção de dióxido de carbono é superior a 700 mil toneladas por ano (mais precisamente 722 mil ton/ano), sendo o país espanhol responsável por 96% da produção actual. Sistematizando a informação obtida, é possível reconhecer que a produção de CO2 líquido na península ibérica tem diversas fontes, como pode ser observado na Figura 11. Unidades de SMR 22% 57% 11% 10% Gases de Escape Unidades de Bioetanol Unidades de Amoníaco Figura 11 – Diferentes fontes de CO2 na Península Ibérica 21 Em suma, as possíveis fontes e respectivas unidades de produção de dióxido de carbono podem ser localizadas graficamente na Figura 12. Figura 12 - Localização das unidades de produção de CO2 na Península Ibérica No que diz respeito às quotas de mercado de cada empresa produtora de CO2, é possível identificar as empresas mais relevantes neste mercado ibérico através da Figura 13. 10% 28% 18% 11% 33% Air Liquide Praxair Air Products Linde Neoelectra Figura 13 - Quotas de mercado de produção de CO2 na Península Ibérica 22 2.3 Produção e Consumo de CO2 na Europa No contexto europeu, verifica-se que a maioria da produção de CO2 líquido decorre a partir das mesmas fontes já identificadas na análise realizada à península ibérica, i.e. a partir de produção de hidrogénio e de amoníaco. No entanto, não são de excluir diferentes origens de CO2 como a recuperação em unidades de fermentação de álcoois como fábricas de bioetanol, de extracção de poços naturais como são exemplos as várias unidades existentes em Itália e, também, a recuperação de efluentes gasosos de unidades fabris de produção de óxido de etileno com é realizado na Bélgica pela empresa Messer Group. Como se havia verificado na produção ibérica, as principais empresas envolvidas na recuperação, purificação e liquefacção de CO2 estão no sector de produção de gases industriais como a Air Liquide e a Linde, não sendo de excluir outras companhias como a Yara que está posicionada no sector dos fertilizantes. As três empresas acima referidas constituem os maiores produtores de CO2 líquido no espaço europeu, representado em conjunto cerca de 60% da capacidade total de produção. A capacidade instalada de produção de CO2 líquido no continente Europeu é próxima de 5,6 milhões de toneladas por ano, sendo que cinco novas unidades estão em fase final de construção que irão permitir chegar a cerca de 6,5 milhões de toneladas por ano. Estas unidades estão localizadas em Rotterdam (Linde e Air Liquide), Pischelsdorf (Air Liquide), Rostock (Abengoa) e Wissington (Air Liquide). Como tal, as capacidades podem ser divididas como se observa na Tabela 50 (Anexo 1). Estudando os dados apresentados pela Tabela 50 (Anexo 1) verifica-se que ao nível europeu a recuperação de CO2 se encontra implementada maioritariamente em unidades de produção de amoníaco, como são os casos das unidades da Yara, ACP, BASF, Azelis, Linde (Gendorf e Rouen) e Air Liquide (Ince e Geleen – esta é operada em conjunto com ACP com divisão equitativa da capacidade). De entre as unidades de reformação a vapor que contém sistema de recuperação de CO2 integrado devem realçar-se as unidades presentes nas Refinarias de Porvoo e Pernis da Air Liquide e na de Lávera do Messer Group e não devem ser esquecidas as unidades existentes nas Refinarias de Wilton (Petroplus), Mantova (Grupo MOL) e Falconara Marittima (Grupo API). No entanto, é possível concluir através dos dados obtidos que a recuperação de CO2 a partir de unidades de bioetanol apresenta um maior incremento com abertura de quatro novas fábricas para 2011 ou 2012 – apenas a unidade de recuperação de CO2 da Air Liquide da na refinaria de Roterdão da Holanda constitui excepção. 23 5% 14% 30% Unidades de SMR Unidades de Amoníaco Unidades de Bioetanol 51% Outros Figura 14 - Diferentes fontes de CO2 no continente Europeu Mais ainda, é de esclarecer que na categoria “Outros” se encontram tão variadas origens de CO2 como o aproveitamento de efluentes industriais de uma unidade de produção de óxido de etileno (Ruhr e Antwerp) e a extracção natural de poços na Hungria (Linde) e em Itália (Air Liquide, Messer Group, Praxair e SOL Group). Relativamente à localização da produção de dióxido de carbono, é possível concluir por análise da Tabela 5 e da Tabela 50 que a Holanda se assume como principal produtor europeu (e em expansão da sua capacidade com a abertura de 2 das 5 novas unidades previstas), seguida de Alemanha, Reino Unido e Espanha. Os referidos países representam juntos cerca de 65% da capacidade produtiva de CO2 existente na Europa (22 %, 16%, 14% e 12 %, respectivamente), indicando, também, que Portugal representa apenas cerca de 0,5% desta capacidade. 7,0E+06 Produção Consumo 6,0E+06 CO2 (ton/ano) 5,0E+06 4,0E+06 3,0E+06 2,0E+06 1,0E+06 0,0E+00 2006 2007 2008 Período de referência dos dados 2009 Figura 15 - Produção e Consumo de CO2 no continente Europeu (dados Eurostat) A nível do mercado europeu o consumo médio de CO2 líquido é de 3,6 milhões de toneladas anuais, embora a sua produção global seja de perto 5,3 Mton/ano, onde estão incluídas cerca de 1,7 Mton/ano que tem como destino a armazenagem subterrânea (incentivadas pelos 24 governos e instituições locais para cumprimentos de quotas do protocolo Quioto). Na Tabela 7 indicam-se as principais unidades onde decorrem actividades de Captura e Armazenagem de Carbono (i.e. CCS). Tabela 7 – Actividades de CCS no Espaço Europeu (unidades em actividade) Empresa Statoil Statoil Linde Total CO2Sink partners Gaz de France Statoil / Shell País Noruega Noruega Alemanha França Alemanha Alemanha Noruega Localidade Sleipner Snøhvit Schwarze Pumpe Lacq Ketzin Maxdorf Mongstad Refinery Data de Inicio 1996 2006 2008 2008 2008 2009 2010 CO2 armazenado (ton/ano) 1.000.000 700.000 88.000 35.000 30.000 12.000 100.000 Assim, a capacidade instalada de produção de CO2 líquido - parte da produção global de CO2 que não se destina a armazenagem subterrânea - é próxima de 5,6 milhões de ton/ano, encontrando-se a produção perto de 3,6 milhões de ton/ano como já foi referido. Em resumo, cruzando a informação obtida da Figura 15 com Tabela 50 (Anexo 1), é possível estimar as quotas de mercado das principais empresas, como se visualiza na Figura 16. 18,3% 41,3% 22,5% 17,7% Air Liquide Linde Yara Outros Figura 16 - Quotas de mercado de produção de CO2 na Europa (dados disponíveis) 25 3. Produção de Hidrogénio na Refinaria de Sines Anteriormente, as fábricas de hidrogénio eram do tipo SMR-Wet Scrubbing e continham as seguintes subunidades: subunidade de dessulfuração do gás natural com alimentação à subunidade de Steam Reforming, onde decorre a produção de maior quantidade de hidrogénio, seguida de conversão em duas etapas do monóxido de carbono em dióxido de carbono e adicional hidrogénio (reacção shift), remoção de dióxido de carbono com utilização de absorvedores (particularmente utilização da amina MEA) e metanação para conversão de monóxido de carbono existente em metano (Meyers, 2004). No entanto, a partir de 1980 começaram a ser construídas unidades de produção de Hidrogénio com configuração diferente e que podem ser representadas pela seguinte figura: Figura 17 - Diagrama de Blocos genérico de uma unidade SMR-PSA (Crews, 2006) Estas unidades representam, presentemente, acima de 85% (Meyers, 2004) da produção de H2, sendo denominadas do tipo Modern Hydrogen Plant, e têm como principal diferença face às unidades de hidrogénio mais antigas, a utilização da tecnologia Pressure Swing Adsorption para purificação de hidrogénio. As novas unidades com o sistema PSA apresentam como principais vantagens a maior facilidade no controlo da operação, a possibilidade de obtenção de hidrogénio com elevado nível de pureza, acima de 99% face a 97% e, ainda, a redução das emissões de dióxido de carbono em cerca de 14% (Bonaquist, 2010). Também se devem mencionar como benefícios das unidades de PSA a operação a temperaturas próximas da temperatura ambiente e, consequente, redução nos custos energéticos da operação de purificação do hidrogénio (Ratan, 2003). 26 Assim, as impurezas da corrente de hidrogénio são extraídas para a corrente de Tail Gas, à saída da unidade de PSA. Esta corrente é depois enviada para ser utilizada como combustível de aquecimento da unidade de Steam Reforming conjuntamente com uma pequena quantidade de gás natural. O dióxido de carbono contido nessa corrente de Tail Gas representa perto de 58% do total de dióxido de carbono, sendo que o restante é decorrente da queima de gás natural e de metano e monóxido de carbono não convertidos, originários também da corrente de Tail Gas. Actualmente, na Refinaria de Sines existem dois locais de produção de hidrogénio, sendo este produzido nas unidade HI e HR. 3.1 Unidade HI Esta unidade entrou em produção em 2003 e foi projectada para operação com gás natural ou mistura de nafta/refinado, estando desde 2007 a operar com carga a gás natural. A capacidade máxima de produção de H2 é de 30 000 Nm3/h, sendo obtido também vapor de média pressão (25,5 bar) em quantidade próxima de 19,5 ton/h. O consumo total máximo de gás natural é de cerca de 9,2 ton/h, sendo que 7,3 ton/h se referem à carga da unidade enquanto que 1,9 ton/h são utilizados como combustível na unidade de SMR-PSA. As principais utilidades requeridas para o funcionamento da unidade são: electricidade para o funcionamento da unidade e, em especial, para os compressores, vapor de baixa pressão, água desmineralizada e água de arrefecimento. Indirectamente decorre ainda o consumo de amoníaco para doseamento da água de forma a ajustar o valor de pH desta água de alimentação da caldeira, que será bombeada para o gerador de vapor do reformador. Figura 18 - Unidade HI [Galp Energia] 27 Descrição Processual A subunidade SMR-PSA pertencente à unidade HI apresenta o seguinte diagrama de blocos (Figura 19). Figura 19 - Unidade HI – esquema processual A carga á unidade é realizada com gás natural, sendo este é enviado para o reactor de hidrogenação onde se pretende transformar o possível enxofre presente em sulfureto de enxofre. Neste reactor verifica-se, ainda, a hidrogenação de hidrocarbonetos insaturados que possam estar presentes. Depois é enviado para os reactores de dessulfuração onde decorre a remoção simultânea de sulfureto de enxofre e cloro (na forma de HCl), dado que estes constituem veneno para o catalisador utilizado na reformação a vapor. As reacções decorrentes da utilização dos referidos catalisadores são as seguintes: Na2O + 2 HCl 2NaCl + H2O (eq. 7) ZnO + H2S ZnS + H2O (eq. 8) Após ter concluído a etapa de pré-tratamento, a corrente processual de gás natural é então encaminhada para a unidade de reformação a vapor. Antes de entrar nesta unidade, esta corrente é misturada com uma quantidade de vapor de processo (em excesso) de forma a atingir a relação de vapor/carbono ideal para maximizar a produção controlada de hidrogénio. As principais reacções que ocorrem originam como principais produtos o dióxido de carbono e hidrogénio e podem ser representadas da seguinte forma. CnHm + nH2O (n + m/2) H2 + nCO (eq. 1) ∆Hmetano= 205,9 kJ/mol CO + H2O CO2 + H2 (eq. 2) ∆H= -41,16 kJ/mol 28 É ainda de referir o excesso de vapor referido é de forma a melhorar o rácio de produção de hidrogénio/monóxido de carbono e evitar a deposição de carbono sobre o catalisador. Por outro lado, como já havia sido referido, a corrente de Tail Gas da unidade de PSA é utilizada como combustível de aquecimento da unidade de Steam Reforming conjuntamente com gás natural dado que o balanço térmico às duas reacções referidas (1) e (2) é endotérmico. O gás de processo que sai do reformador exibe já uma elevada fracção de hidrogénio, sendo de seguida arrefecida, antes de entrada no reactor de conversão a alta temperatura (HT Shift) de monóxido de carbono que por deslocação a altas temperaturas é convertido em dióxido de carbono e hidrogénio (4). Esta reacção é exotérmica e utilizando um catalisador de ferro/óxido de crómio (shift catalyst), desloca-se o equilíbrio de CO para uma situação de temperatura muito mais baixa (à qual corresponde um conteúdo inferior de CO no equilíbrio) permitindo assim converter grande parte do CO em CO2 (reduzindo o conteúdo em CO até 24% (Ke, 2010) em base seca) e aumentar a concentração de hidrogénio. Em seguida, a corrente gasosa de processo que sai do reactor é arrefecida permitindo a recuperação e distribuição com os seguintes objectivos: pré-aquecimento da alimentação pré-aquecimento da BFW (água de alimentação da caldeira) aquecimento de água desmineralizada Depois a corrente de processo é enviada para o separador gás-líquido onde ocorre a remoção do condensado quente e, em seguida, para o aeroarrefecedor. Deste aeroarrefecedor sai para o separador gás-líquido, para remoção do condensado frio, saindo deste a corrente gasosa processual, que se dirige para a unidade de PSA com composição perto da referida na Tabela 8. Tabela 8 - Balanço molar relativo à unidade HI (dados projecto) Identificação da corrente Descrição da corrente Vapor de água Hidrogénio Monóxido de carbono Dióxido de carbono Metano %mol %mol %mol %mol %mol 18-7 18-5 Corrente processo Hidrogénio para PSA Produto 0% 0% 76,2% 99,5% 3,4% 0% 17,0% 0% 3,1% 0,5% 18-6 Gás de Purga 1% 26,3% 10,6% 53,3% 8,7% A subunidade PSA recebe a corrente processual e permite a produção de hidrogénio de elevada pureza, uma vez que todas as impurezas, tais como óxidos de carbono, azoto, metano e vapor de água, são adsorvidas nas várias colunas da PSA por uma mistura de adsorventes como por exemplo carvão activado, alumina e zeólito 5A (Ke, 2010). Na Figura 20 e Figura 21 na estão representadas as suas isotérmicas de adsorção. 29 No funcionamento do sistema PSA, aplica-se um ciclo de variação de pressão no qual as impurezas são adsorvidas à pressão do hidrogénio produzido, enquanto a dessorção é efectuada à menor pressão tecnicamente possível de modo a utilizar este gás de purga (tail gas) como combustível de reformação. Nas diferentes colunas ou vasos, cada um dos adsorventes é submetido, repetida e periodicamente, a um ciclo de adsorção-regeneração, sendo que em qualquer altura do ciclo, dois adsorvedores encontram-se no passo de adsorção, enquanto os outros se encontram nos diferentes estágios da regeneração (Ke, 2010). Visto que os ciclos de adsorção são espaçados no tempo, apenas um adsorvedor entra no passo seguinte de adsorção de cada vez e, portanto, apenas parte da corrente de alimentação é reencaminhada de um adsorvedor gasto para outro recém regenerado. Figura 20 – Isotérmicas de adsorção do carvão activado a 30ºC (Ke, 2010) Figura 21 – Isotérmicas de adsorção do zeólito 5A a 30ºC (Ke, 2010) As impurezas dessorvidas, i.e. libertadas durante os passos de regeneração, são recolhidas no balão-tampão de gás de purga, que foi construído para manter uma certa quantidade de produto retido de modo a minimizar flutuações de valores de concentração e calor. 30 Finalmente, convém referir que o hidrogénio produzido pelo SMR-PSA será encaminhado para diferentes unidades da Refinaria de Sines que possuem altas necessidades deste composto (Galp Energia, 2002). 3.2 Unidade HR Em 2007 com a aprovação do projecto de conversão das refinarias constituintes do aparelho refinador da Galp Energia, ficou exposta a necessidade de construir uma nova unidade de hidrogénio que terá como principal propósito satisfazer as elevadas necessidades de hidrogénio para a também nova unidade de Hydrocracking (HC) de Sines. Figura 22 – Unidade HR Importa referir que com esta reconfiguração processual vai ser possível reforçar a complementaridade operacional das duas refinarias e criar um aparelho refinador totalmente integrado, com constantes permutas de produtos entre as duas refinarias. Assim, será possível aumentar a flexibilidade das unidades do aparelho refinador, o que trará benefícios dado permitir modificações do perfil de produção em resposta a variações da procura de produtos refinados. A unidade HR irá entrar em operação num futuro próximo, tendo sido igualmente projectada para funcionamento a gás natural com possível funcionamento alternativo (operação com nafta leve) (Galp Energia, 2007). As principais utilidades requeridas para o funcionamento da unidade são as mesmas que são utilizadas na unidade de HI. A capacidade máxima de produção de H2 é de 90 000 Nm3/h, sendo obtido também vapor de média pressão (25,5 bar) em quantidade próxima de 49,3 ton/h. O consumo total 31 máximo de gás natural é de cerca de 27,1 ton/h, sendo que 24,5 ton/h se referem à carga da unidade enquanto 2,6 ton/h são utilizados como combustível na unidade de SMR-PSA. Descrição Processual A subunidade da SMR-PSA pertencente à unidade HR apresenta um diagrama típico de acordo com o representado na Figura 23: Figura 23 - Diagrama de blocos idêntico ao da SMR-PSA da unidade HR A unidade HR terá um funcionamento semelhante à unidade HI, apenas com a ressalva de possuir uma subunidade de Pré-Reforming. Esta unidade funciona em regime adiabático (entre 400 e 550ºC) (Ratan, 2003) e têm como principal objectivo a conversão de hidrocarbonetos maiores para possibilitar uma temperatura de entrada mais alta (até valor máximo de 650ºC) e um maior fluxo entálpico no Steam Reformer. Comparando teoricamente a opção desta unidade HR possuir ou não uma subunidade de Pré-Reforming, verifica-se que a presença deste permitiria as seguintes vantagens (em relação ao caso sem Pré-Reforming) (Ratan, 2003) (Uhde, 2011) [Linde]. redução do tamanho e do enchimento do Reformer (entre 5 e 15%); menor consumo de Gás Natural (quer em carga, quer em combustível); produção inferior de vapor de alta pressão para exportar; redução nas emissões (menor volume da corrente de flue gas); menor razão molar de vapor/carbono; maior flexibilidade na carga a utilizar. Analisando as vantagens acima referidas é fácil concluir que a configuração que inclui a subunidade de Pré-Reforming terá menores custos de operação, razão que é determinante para a escolha desta alternativa processual. 32 A subunidade de Pré-Reforming tem funcionamento semelhante ao Steam Reformer com a diferença de operar em regime adiabático. Assim, a carga de gás natural dessulfurado (i.e. depois de passar no pré-tratamento onde se remove os compostos que contem enxofre e cloro) é misturada com uma primeira corrente de vapor de processo e alimentada ao Pré-Reformer. Neste irão decorrer as reacções (1), (2) e (9) - que é a reacção inversa de (1) para o metano - que permitirão a produção de hidrogénio e óxidos de carbono, promovidas por um catalisador de Níquel. CO + 3H2 CH4 + H2O (eq. 9) ∆H= -206 kJ/mol Em seguida, a corrente gasosa efluente do Pré-Reformer é misturada com uma segunda corrente de vapor de processo de forma a atingir a relação molar de vapor/carbono pretendida no funcionamento do Steam Reformer. O funcionamento desta subunidade é idêntico ao da correspondente na unidade HI, com a diferença de os valores da temperatura e pressão de operação serem consideravelmente mais elevados. O gás de processo que sai do reformador já conta com uma elevada fracção de hidrogénio, sendo de seguida arrefecida em permutadores, antes da entrada na subunidade de conversão do monóxido de carbono em dióxido de carbono. Para a unidade de conversão Shift existem várias alternativas processuais, entre as quais está a configuração utilizada nas unidades HI e HR, a conversão apenas a altas temperaturas (HT Shift - funcionamento entre 320 e 420ºC) (Ratan, 2003), (Uhde, 2011). Posteriormente, a corrente gasosa de processo que sai do reactor é arrefecida, permitindo a recuperação e distribuição do calor em diversos equipamentos de forma análoga à unidade HI. A corrente arrefecida é enviada para remoção de condensado (água) nos dois separadores gás-líquido onde ocorre a remoção do condensado quente e do condensado frio, respectivamente. Entre os separadores gás-líquido existe um aeroarrefecedor para variar a temperatura. Posteriormente, esta corrente gasosa processual, é encaminhada para a unidade de PSA e tem a composição da Tabela 9. Tabela 9 - Balanço molar relativo à unidade HR (dados projecto) Identificação da corrente Descrição da corrente Vapor de água Hidrogénio Monóxido de carbono Dióxido de carbono Metano %mol %mol %mol %mol %mol 19 20 Corrente processo Hidrogénio para PSA Produto 0,2% 0% 74,8% 99,9% 4,2% 0% 16% 0% 4,8% 0,1% 301 Gás de Purga 0,6% 24,6% 12,7% 47,9% 14% 33 A subunidade PSA recebe a corrente processual e permite a produção de hidrogénio de elevada pureza, com funcionamento análogo ao sistema da unidade HI. O H2 produzido pela unidade HR será encaminhado para diferentes unidades da Refinaria de Sines (particularmente a unidade de Hydrocracking HC) que possuem necessidades deste composto e o gás de purga da PSA é utilizado para aquecimento no Reformador. 3.3 Comparação entre unidades HI e HR A nível teórico é possível efectuar uma comparação entre as unidades HI e HR, mesmo tendo em consideração o facto de possuírem tão diferentes capacidades de produção (o H2 produzido pela unidade HR é três vezes superior ao produzido pela unidade HI). Assim, é possível realizar uma analogia entre as subunidades de cada unidade de produção de H 2, como se verifica na Tabela 10. Tabela 10 - Comparação do funcionamento das unidades HI e HR (dados projecto) Dados de Projecto Pre-Reformer Temperatura entrada Pressão entrada Steam Reformer Razão Vapor/Carbono (SCR) Temperatura entrada Pressão entrada Conversão global HTS Temperatura entrada Pressão entrada Conversão PSA Temperatura entrada Pressão entrada H2 Recuperado Unidade ºC barg molar ºC barg % ºC barg % ºC barg % HI X 3,3 520 29,4 83,9 X 330 25,9 73,5 X 34,9 23,6 89,0 HR X 520 35,5 X 2,8 650 33,1 76.6 X 340 29,9 68,3 X 35 28,1 88,9 Analisando a Tabela 10, é possível verificar que a adição da subunidade de PréReformer é benéfica para o funcionamento do Reformer dado que permite a diminuição da razão molar vapor/carbono mínima para prevenção de formação e deposição de carbono (coking). Por outro lado, observa-se que a conversão global é menor (em relação ao metano), pois esta depende da razão mencionada, que no caso da unidade HR é menor, podendo este efeito ser teoricamente compensado com uma maior temperatura de funcionamento do Reformer, como é 34 vísivel no caso referido na Figura 24. Assim, no HR é utilizada essa medida para tornar mínima a perda de conversão. Figura 24 – Relação entre a conversão e a temperatura de saída do Steam Refomer (Ke, 2010) No caso da conversão de CO por deslocação a tecnologia é a mesma nas duas unidades (HT Shift), mas verifica-se um menor rendimento no HR dado que a fracção de água é menor na corrente de gás que entra no reactor (face à corrente que entra no HI) e dado que a temperatura de funcionamento do reactor da unidade HR é mais elevada. Por fim, comparando os sistemas de PSA de ambas as unidades, apenas se pode concluir que na unidade HR é possível obter o H2 a uma pressão mais elevada, facto que é inerente à realização de todo este processo a uma pressão superior. Examinando o funcionamento de cada uma das unidades de produção de H2 é possível verificar é conseguida uma redução na produção de vapor de alta pressão que é exportado. Por outro lado, constata-se que o aumento de gás natural utilizado como carga é superior à razão atrás referida, todavia, depois, no consumo de gás natural como combustível verifica-se que a variação é menor. Logo, a nível global verifica-se que o incremento está um pouco abaixo do expectável (vantagem da utilização do Pré-Reforming). A confirmação desta diminuição pode ser dada pela Tabela 11: Tabela 11 - Comparação do consumo de gás natural entre as unidades HI e HR (dados projecto) Dados de Projecto Razão ton G.N.(carga+fuel)/ ton H2 HI 3,34 HR 3,31 No consumo de utilidades, a Tabela 12 ilustra a variação entre as unidades usando como referencial o consumo de gás natural (carga) de cada unidade. Como tal, verificam-se pequenas diferenças entre os consumos de água desmineralizada e vapor baixa pressão de cada unidade, mas o mesmo não pode ser dito para o consumo de gás natural para aquecimento do forno, de 35 água de arrefecimento e electricidade do processo, onde se constata uma redução assinalável na nova unidade (HR). Tabela 12 - Comparação entre as unidades HI e HR (dados projecto) Produtos Consumos Dados de Projecto Hidrogénio Produzido Dióxido de carbono Produzido Vapor Alta Pressão Produzido Gas natural (combustível) Vapor Baixa Pressão Água Desmineralizada Água Arrefecimento unidade ton/ton GN ton/ton GN ton/ton GN ton/ton GN ton/ton GN ton/ton GN m3/ton GN HI 0,38 1,99 2,65 0,26 0,10 4,56 39,51 HR 0,33 1,77 2,01 0,11 0,20 3,64 11,05 Particularmente, no consumo de utilidades para o aquecimento da unidade de Steam Reforming, a Tabela 13 ilustra as vantagens da nova unidade (HR) que permite uma redução assinalável deste consumo. Esta redução está patente no consumo específico da unidade HR em quilogramas de fuel óleo equivalente por tonelada de carga à unidade (que nestas unidades é o gás natural) e, é justificada pela utilização do Pré-Reforming, que, como já foi referido, permite que a temperatura de entrada da unidade SR seja bastante superior (face à unidade HI). Tabela 13 - Comparação entre as unidades HI e HR (unidades base da Refinaria) com dados de Projecto Valor Calorífico do combustível (GN +TG) Valor Calorífico do combustível (GN +TG) Consumo específico Consumo específico unidade HI HR Mcal/h 41.331 91.686 ton FOE/ano 36.795 81.623 kg FOE/ton carga (GN) 572 380 kg FOE/ton produto (H2) 1.508 1.136 36 4. Processos de Recuperação de CO2 Os processos de captura de CO2 podem ser reunidos em três categorias principais: captura pós-combustão, captura pré-combustão e oxyfuelling. Figura 25 – Vias tecnológicas de captura de CO2 (IPCC, 2005) A produção de hidrogénio através do processo de Steam Methane Reforming encontrase assim na categoria de captura pré-combustão, onde se pretende a separação entre dióxido de carbono e hidrogénio. A captura ou recuperação de dióxido de carbono de correntes processuais de unidades de produção de hidrogénio, pode ser realizada na corrente de Syngas, corrente de entrada na PSA, ou na corrente de Tail Gas, corrente de purga da PSA, sendo que os processos existentes podem dividir-se segundo os mecanismos que utilizam para a separação do CO2 dos restantes componentes. Figura 26 – Processos de separação de CO2 de uma corrente gasosa (Metz, 2005) 37 4.1 Processos com absorção química Nos processos de absorção química, o gás (CO2) é removido da corrente a tratar através da ocorrência de reacções químicas entre este e o solvente, que decorrem no absorvedor. Este tipo de processo é preferencialmente utilizado quando o conteúdo de CO2 no gás não é muito elevado, o que equivale a dizer que a fracção molar deste terá de ser menor de 15%, e quando a pressão parcial do CO2 na corrente gasosa é também baixa (Metz, 2005). Figura 27 – Método gráfico para escolha de processo para remoção de CO2 (Kohl, 1997) Caso seja necessário optar entre processos de absorção química e de absorção física, é possível recorrer ao método gráfico apresentado na Figura 27, sabendo que as regiões denominadas de “a” a “g “tem como correspondência as seguintes opções: a – solvente físico e amina; b – solvente físico ou solvente físico e amina ou carbonato de potássio; c – solvente físico; d – solvente físico ou carbonato de potássio; e – carbonato de potássio ou amina concentrada; f – carbonato de potássio ou amina; g – amina. 38 O esquema processual genérico de processos com absorção química é o apresentado na Figura 28. Figura 28 – Esquema básico de processo de absorção com aminas Os solventes utilizados na maioria dos processos de tratamento de gases ácidos (H2S e CO2) são aminas como a MEA, DEA, MDEA, DGA e DIPA. Estas aminas apresentam diferentes propriedades relativamente à afinidade para CO2, o calor necessário para regeneração do solvente, a corrosão verificada nos equipamentos (varia em função do CO2 dissolvido) e a estabilidade de regeneração. Assim, os solventes indicados para remoção de apenas CO2 são as aminas MEA, DEA e MDEA dado serem dos solventes mencionados aqueles que representam menor degradação própria dado que reagem irreversivelmente com o CO2, sendo de notar que a última não sofre mesmo qualquer degradação. No que diz respeito à reacção entre o solvente e o CO2, a absorção de CO2 varia caso a amina seja primária/secundária (MEA, DGA, DEA, DIPA) ou terciária (MDEA ou aMDEA), como é possível verificar na Figura 29 e na Figura 30, respectivamente. Figura 29 – Reacções envolvidas na absorção de CO2 por aminas primária ou secundárias Figura 30 – Reacções envolvidas na absorção de CO2 por aminas terciárias 39 A grande diferença na absorção de CO2 está no facto de as aminas terciárias não conseguirem reagir directamente com o CO2, tendo que existir primeiro a dissolução deste (ver Figura 30). No entanto, as aminas primárias apresentam limitação na capacidade de absorção da solução de cerca 0,5 mol de CO2 por mol de amina, mesmo quando a pressão parcial do CO2 no gás a ser tratado é elevada. No que se refere às aminas terciárias, apesar da reacção ser lenta um rácio de absorção de 1 mol de CO2 por mol de amina pode ser atingido. No entanto, no caso da amina MDEA a velocidade de reacção pode ser incrementada com a adição de um activador que determine um aumento da velocidade de hidratação do CO2 dissolvido (aMDEA). Por outro lado, deve-se mencionar que a utilização preferencial de aminas face a solventes físicos pode ser sustentada não apenas na baixa concentração do CO2 na corrente a tratar, mas também caso existam hidrocarbonetos pesados nessa corrente (i.e. conteúdo apreciável de C3+). Descrição processual para absorção com aminas A corrente gasosa contendo o CO2 entra perto da base da coluna de absorção que pode ser de dois tipos: pratos ou enchimento. Dentro desta coluna decorre o contacto entre a solução aquosa que contém a amina (livre de CO2) que entra pelo topo da coluna e o gás a ser tratado (Kohl, 1997). Assim, depois de ocorrer o equilíbrio, a solução absorve o CO2 à medida que desce a coluna em fluxo de contra-corrente com o gás. Logo, a solução da amina, agora rica em CO2 sai da coluna de absorção pela base, enquanto que o gás, livre de CO2, sai pelo topo. As características operacionais do absorvedor são as seguintes: Temperatura: entre 35 e 50ºC Pressão: mínimo de 3,5 bar A temperatura de entrada da solução de amina livre deve ser superior à temperatura do gás a ser tratado de forma a prevenir qualquer formação de hidrocarbonetos e a minimizar os problemas de foaming (formação de espuma). A amina que sai pela base do absorvedor dirige-se para uma tanque flash onde é possível a recuperação de quaisquer hidrocarbonetos que se tenham formado e mantido na solução da amina rica. O dimensionamento e funcionamento deste tanque é de grande importância, dado que o seu tempo de retenção deve permitir que a amina seja separada dos hidrocarbonetos, para, em seguida, ser encaminhada para a coluna de regeneração. A amina rica em CO2 entra na coluna de regeneração (que terá normalmente 20 pratos ou um enchimento equivalente), sendo que a remoção das impurezas (o produto CO2) ocorre no ebulidor que está acoplado na base da coluna. Daí a amina livre de CO2 é recirculada para o 40 topo da coluna de absorção, passando em dois permutadores de calor, sendo que no primeiro realiza troca de calor com a amina rica em CO2, promovendo a integração energética da unidade, enquanto que no segundo ocorre arrefecimento até à temperatura de operação do absorvedor. O CO2 é extraído no topo da coluna de absorção, podendo em seguida ser liquefeito (e comprimido) para posterior expedição. As características operacionais da coluna de regeneração são as seguintes: Temperatura: entre 115 e 125ºC Pressão: entre 1,4 e 1,7 bar (base da coluna) Comparação entre aminas Entre as aminas anteriormente referidas como possíveis solventes para tratamento de gases contendo apenas CO2 (MEA, DEA e MDEA), apresenta-se a Tabela 14 que resume as principais vantagens e desvantagens de cada (Kohl, 1997). Tabela 14 – Comparação das vantagens e desvantagens das aminas utilizadas Amina Vantagens Desvantagens Produtos de degradação são bastantes corrosivos Preço baixo (<1000 €/ton) MEA Amina degradada possui menor capacidade de remover CO2 Produtos de degradação podem ser removidos Requerimento energético muito alto para a regeneração CO2, COS e CS2 podem degradar de forma irreversível a amina DEA Preço moderado (>1000 €/ton) Menor energia requerida para capacidade de remover CO2 regeneração Amina degradada possui menor COS e CS2 podem degradar de Menor degradação com CO2 e COS forma irreversível a amina Alta capacidade de remoção de gases ácidos Não sofre degradação com CO2 e COS Preço alto (>1500 €/ton) Não provoca corrosão Mais solúvel em hidrocarbonetos Requerimento energético mínimo líquidos do que a DEA MDEA para regeneração 41 A utilização de um processo com amina MDEA permite a recuperação acima de 90% do CO2 existente na corrente de Syngas, i.e. a corrente que entra na unidade de PSA, com um nível pureza de 99,9% que corresponde à especificação das aplicações na indústria alimentar e de bebidas. Deve-se ainda mencionar que este processo com utilização da amina MDEA, ou da correspondente activada (aMDEA), é utilizado em muitas unidades em todo o Mundo como são exemplo metade das unidades existentes (56) da Air Liquide do tipo HyCO (Chaubey, 2010) para produção combinada de H2 e CO e, ainda, mais de 200 unidades instaladas em todo o mundo, segunda da tecnologia idêntica da BASF (H. P., 2004). 4.2 Processos com absorção física Os processos que recorrem à absorção física para remoção do CO2 da corrente, possuem como principal diferença face aos processos de absorção química, o facto de utilizarem solventes orgânicos nos quais o CO2 é absorvido, sem o estabelecimento de equilíbrio químico. Como tal, o esquema básico apresentado na Figura 28 é representativo da unidade de recuperação de CO2 com utilização de absorção química, quer com absorção física, obtendo-se taxas de recuperação entre 80 e 95%, com correspondente pureza de CO2 acima de 99%. A utilização da absorção física ao invés de processos com aminas, é verificada quando o conteúdo de CO2 na corrente de syngas está entre 15 e 40% (razão molar) e quando a pressão parcial do CO2 na corrente gasosa é elevada (Metz, 2005) (IEA, 2008). Outra vantagem para a utilização de solventes físicos está no facto de estes não provocarem a corrosão, permitindo assim a redução do custo do equipamento a utilizar. Selexol O processo Selexol utiliza o éter dimetílico de polietileno glicol (DMPEG) como solvente. Este processo é bastante atractivo para valores elevados de pressão parcial de CO2 na mistura gasosa que entra no processo. As vantagens da utilização do processo Selexol são: custos de investimento e custos de operação bastante baixos, regeneração do solvente sem requerimentos energéticos no ebulidor (utilização de air stripping) e possível operação a baixa pressão. Contudo, apresenta como desvantagens: melhor eficiência operacional obtida a pressões mais elevadas (20-30 bar) e absorção de hidrocarbonetos pesados. Outra vantagem está no facto de as perdas do solvente serem muito reduzidas dado que este apresenta uma baixa pressão de vapor. 42 Figura 31 – Esquema básico do processo de absorção Selexol [UOP] Neste processo deve-se também mencionar que é necessária a desidratação da alimentação antes de entrar na unidade de Selexol, dado que o solvente apresenta alta afinidade para com a água. Para minimizar a absorção de hidrogénio e metano pelo solvente, é ainda possível efectuar um flash a temperaturas intermédias e a metade da pressão de funcionamento do absorvedor, sendo que o gás que sai pelo topo pode ser recirculado para a entrada do absorvedor, como se observa na Figura 31. A temperatura de funcionamento do absorvedor está normalmente situada entre e -10ºC e 30ºC, com taxas de recuperação de CO2 de cerca de 90%. No regenerador (Selexol Stripper), a temperatura de saída do CO2 do topo é de cerca de 35ºC, enquanto que o fundo está perto de 120ºC. Entre os principais licenciadores do processo estão a DOW e a UOP, sendo que mais de 55 unidades estão em funcionamento para remoção de CO2 e/ou de H2S (H. P., 2004). Purisol O solvente utilizado no processo Purisol é o n-metil-2-pyrrolidone (NMP ou M-Pyrrol) e pode ser operado a temperaturas ambientes ou com refrigeração para cerca de -15ºC, sendo que a pressão de operação é superior a 20 bar. Este solvente apresenta uma elevada pressão de vapor quando comparado com o DMPEG, sendo recomendável uma lavagem com água quer do gás tratado, quer da corrente com gás ácido encaminhada para a regeneração/recuperação do solvente. O NMP é particularmente ideal para remoção de gases ácidos, onde exista predominância do H2S, dado que apresenta alta selectividade para a remoção deste em relação à 43 remoção de CO2. O principal licenciador do processo é a Lurgi AG que, presentemente, possui 7 unidades em funcionamento para remoção de CO2 e/ou de H2S (H. P., 2004). Rectisol O processo Rectisol, da Lurgi AG e Air Liquide, aplica metanol a baixas temperaturas como solvente. Este processo é o mais antigo e tem ampla utilização para aplicações no gás de síntese (syngas). No entanto, o metanol apresenta uma pressão de vapor elevada e, consequentemente, a operação a temperaturas normais (ambiente, 25ºC) iria originar elevadas perdas de solvente, pelo que é necessária a refrigeração e que o processo decorra a baixas temperaturas. Assim, a temperatura de operação do absorvedor varia entre -70 e -10ºC, mais especificamente entre -40ºC e -62ºC, e a pressão é superior a 20 bar. Logicamente, o equipamento da unidade terá um custo maior que o utilizado pelos outros processos com solventes físicos e, poderá implicar maiores custos operacionais, dado que existe o custo associado à necessidade de refrigeração do solvente. Como a generalidade dos processos que utilizam solventes físicos, o processo Rectisol não é indicado caso existam hidrocarbonetos pesados na corrente a tratar (i.e. conteúdo apreciável de C2+). No entanto, as desvantagens acima mencionadas são superadas com a vantagem de a operação com metanol implicar apenas uma quantidade muito reduzida de solvente em circulação dada a sua elevada capacidade de absorção de CO2 e diminuta das impurezas referidas (H2, CH4 e CO). Entre outras vantagens estão o facto de não ser corrosivo e recorrer a um solvente extremamente estável quer química quer termicamente, que não causa problemas de foaming e que é completamente miscível com a água e, que é facilmente regenerado a baixa pressão, evitando assim elevados consumos energéticos por parte do ebulidor. É de realçar que o Rectisol possibilita uma elevada variabilidade relativa à configuração processual a utilizar, consoante os objectivos a atingir, i.e. a especificação do produto pretendida. Outra característica deste solvente é a possibilidade de remoção de outros compostos além dos gases ácidos como HCN, NH3, CS2, COS, mercaptanos e aromáticos. O principal licenciador do processo é a Lurgi AG (em associação com a Air Liquide) que, presentemente, possui acima de 100 unidades em operação dedicadas à remoção de CO2 (H. P., 2004). 44 Fluor Solvent O último processo com particular importância na remoção de CO2 de correntes, a alta pressão, envolvendo mecanismos de absorção física é o que utiliza carbonato de propileno (PC) como solvente e é licenciado pela Fluor Daniel, Inc. Este processo é de superior relevo dado que possui coeficientes de absorção de metano e etano (C1 e C2) relativamente baixos face ao CO2, possibilitando assim um mínimo de perdas daqueles componentes para o gás ácido. As condições operatórias do processo Fluor Solvent são: temperatura ambiente (25ºC) e pressão elevada, com intervalo entre 30 e 60 bar. A presente tecnologia esteve restrita, até recentemente, a correntes que não possuíssem elevado teor de C5+, tendo sido melhorada a configuração processual com divisão em duas aplicações consoante o teor de CO2 (médio ou elevado). As vantagens da utilização deste processo são a elevada capacidade do solvente de absorver o CO2 e rejeitar fortemente os compostos de metano, monóxido de carbono e hidrogénio (apresentando assim clara vantagem face aos processos Purisol e Selexol) como é comprovado por (Bucklin, 1984) e não ser necessária energia para regeneração do solvente e facilidade na operação do processo. Por outro lado, o caudal do solvente em circulação é elevado e este é bastante caro. 45 Comparação de Solventes Físicos A comparação entre os diversos solventes físicos anteriormente referidos, pode inicialmente ser efectuada, tendo em atenção as diferentes de capacidades de absorção destes relativamente às impurezas da corrente (pretende-se absorção apenas do CO2). Aqui é de referir que a solubilidade destas impurezas (H2, CH4, CO, etc) varia pouco com a temperatura, ao contrário da absorção de gases ácidos como o CO2, onde a capacidade de absorção dos solventes físicos aumenta para um decréscimo da temperatura. Analisando as diferentes solubilidades relativas ao CO2 (a 1 atm) presentes na Figura 32, é perceptível que os melhores solventes para as condições do caso em análise (recuperação de CO2 de uma unidade de produção de H2) são o metanol (processo Rectisol) e o carbonato de propileno (processo Fluor Solvent). No entanto, o processo Rectisol acaba por sobressair dado o baixo caudal de solvente necessário e o menor consumo de electricidade adjacente, tendo como principal desvantagem requerer a maior quantidade de equipamento (Burr, 2008). Figura 32 – Tabela das solubilidades dos diferentes gases em relação ao CO2 (Burr, 2008) 46 4.3 Processos com adsorção Os processos com adsorção podem ser divididos em processos físicos ou processos químicos. A grande diferença reside na interacção que existe entre o sorbente e o gás a tratar, sendo que na adsorção física esta interacção é mais fraca. Contudo, verifica-se que o calor de adsorção também será menor relativamente à adsorção física. A avaliação sobre a utilização de sorbentes físicos ou químicos deve ser efectuada posteriormente na análise específica de cada caso, sendo que entre os sorbentes com maior aplicação na indústria estão: carvão activado, zeólito 5A (e outros peneiros moleculares) e alumina. Assim entre os processos existentes de adsorção estão: Temperature Swing Adsorption (TSA), Pressure Swing Adsorption (PSA) e Electric Swing Adsorption (ESA). Comparando as diferentes tecnologias é possível referir que a nível teórico a ESA apresenta as seguintes vantagens: o rácio de aquecimento pode ser muito rápido e não é limitado pela capacidade de aquecimento do meio; o caudal de gás e o aquecimento podem ser controlados independentemente e, como tal, optimizados; o aquecimento interno da ESA pode promover uma melhor cinética devido ao fluxo de calor e massa terem a mesma direcção. Aqui, é ainda relevante mencionar que no futuro a tecnologia de Electric Swing Adsorption apresenta grande potencial para captura de dióxido de carbono (Grande, 2009), particularmente da corrente de flue gas, sendo embora ainda necessária muita pesquisa e desenvolvimento de projectos à escala piloto, para possível implementação na indústria. Actualmente, no sistema PSA de uma unidade de produção de hidrogénio, aplica-se um ciclo de variação de pressão no qual as impurezas são adsorvidas à pressão do hidrogénio produzido, enquanto a dessorção é efectuada à menor pressão tecnicamente possível de modo, a obter uma corrente de gás de purga (tail gas). Na década de 1980 foram desenvolvidos vários processos que podiam ter aplicação na separação de CO2 de uma corrente gasosa. Entre estes é de destacar o processo Gemini de S. Sircar que será abordado resumidamente em seguida. Processo Gemini O presente processo tem como principal característica a utilização de um sistema de PSA para obtenção simultânea de dois produtos com elevado nível de pureza: o hidrogénio e o dióxido de carbono. 47 Figura 33 – Esquema da unidade de PSA do processo Gemini (Sircar, 1979) O referido processo, descrito por (Sircar,1979), é propriedade da empresa Air Products. Em resumo, baseia-se na aplicação de um sistema de duas etapas (subunidades) de PSA, onde seria possível recuperar o hidrogénio de elevada pureza na segunda unidade (99,9%), enquanto que o dióxido de carbono, também quase puro (superior a 97%), seria recuperado da primeira unidade PSA durante a regeneração a vácuo. O gás de purga da segunda unidade, onde é obtido o hidrogénio, poderia ser reencaminhado para o forno do Steam Reforming para queima como combustível. No entanto, este processo apresenta algumas desvantagens e limitações como a possível contaminação de algum oxigénio durante o passo de adsorção, onde pode existir a entrada de algum ar (Krishnamurthy, 1990). O oxigénio não seria adsorvido pelo sorbente e permaneceria na corrente de hidrogénio, diminuindo assim a pureza do produto primário e de maior relevância na unidade. Outra limitação estaria no facto do sistema PSA com duas etapas ser de difícil operação. 48 4.4 Processos com utilização de membranas Os sistemas de membranas têm tido particular aplicação no tratamento de gás natural que apresenta elevado conteúdo de gases ácidos. As membranas mais utilizadas são membranas poliméricas que são particularmente aplicáveis para remoção de CO2 de gases a alta pressão. O gás a tratar entra a alta pressão na membrana não-porosa, dissolve-se no lado desta a alta pressão, difunde-se na parede da mesma e, em seguida, evapora pelo lado de baixa pressão. O princípio da separação dos componentes de um dado gás reside, então, na permeabilidade da membrana face a cada componente, o que equivale a dizer que depende individualmente (mas não separadamente) da solubilidade e difusibilidade de cada componente do gás na membrana. A solubilidade de cada componente depende da interacção molecular entre essa fracção de gás e a membrana, enquanto que a difusibilidade depende de dois factores: o tamanho e a forma das moléculas de cada componente gasoso em questão. A selectividade global de um processo com membranas depende da resistência da camada de fronteira, do filme superficial e da substrutura porosa desta. Logo, um gás que passa rapidamente a membrana apresenta pouca resistência ao transporte pela membrana, enquanto que num gás “lento” se verifica o contrário. É também importante sublinhar que o processo de permeação da membrana tem como força motriz a pressão. Como tal, deve existir um diferencial de pressão entre a entrada (lado da alimentação) e a saída (lado do permeado), sendo que quanto maior for a esta diferença, maior será o caudal de permeado (maior a separação). Por outro lado, esta diferença irá influenciar a área de membrana necessária para serem atingir determinadas especificação do produto. Figura 34 – Esquema representativo da passagem de um gás pela membrana (Fleming, 2006) No que se refere à temperatura, constata-se que o controlo da mesma é efectuado de forma a que o gás seja conservado à temperatura de operação desejada para as fibras da membrana. Em suma, é possível afirmar que o gás de alimentação (aquecido e a alta pressão) entra em contacto com a membrana, permitindo a obtenção de duas correntes de características 49 diferentes: a corrente de não-permeado/resíduo que possui elevado teor de dióxido de carbono (a baixa pressão) e a corrente de permeado que apresenta diminuta concentração de CO2 (com pressão elevada). Como vantagens, os processos com membranas apresentam as seguintes: possuem alta capacidade de adaptação para alguma variação do conteúdo de CO2 no gás de alimentação; implicam um reduzido espaço para implementação; apresentam menos riscos de operação que os restantes Figura 35 – Comparação de disposição espacial entre um sistema de absorção com aminas e outro com membranas (Fleming, 2006) Por outro lado, apresentam alguns aspectos não tão benéficos como a obtenção do produto dióxido de carbono a baixa pressão (sendo provável que este necessite de alguma compressão para atingir a especificação pretendida para armazenagem) e é necessária a compressão da alimentação de forma a que o gás desta corrente tenha a pressão necessária para provocar o avanço do processo (agindo como força motriz do mesmo). Estas necessidades de compressão vão implicar um agravamento os custos de equipamento e operação do processo. 50 4.5 Processos criogénicos Um último tipo de processo de obtenção de dióxido de carbono de elevada pureza é a separação desta por refrigeração. Esta separação é efectuada com séries das seguintes operações unitárias: compressão, arrefecimento e expansão. Adicionalmente, pode ainda ser utilizada uma coluna de destilação, para que, operando a baixas temperaturas, seja possível obter um produto CO2 com as especificações de qualidade alimentar (i.e. uma pureza superior a 99,9%). CO2LDSEP O diagrama de blocos do processo de obtenção de dióxido de carbono líquido que é propriedade intelectual da empresa Fluor Enterprises (Reddy, 2001) está representado na Figura 36. Figura 36 – Esquema do processo CO2 LDSep da Fluor Enterprises, Inc (Reddy, 2009) No processo acima representado, a alimentação é realizada com o Tail Gas da Unidade de PSA, que tem uma pressão de cerca de 1,1 bar, a uma série de compressores (do tipo centrifugo). Nestes o gás é comprimido até cerca de 20 bar (bloco 1) e depois até ao valor máximo de entre 30 a 90 bar (bloco 3). Consequentemente, a temperatura do gás deve subir entre 30 a 150ºC em cada etapa de compressão, sendo em seguida reduzida para o intervalo de 30ºC a 45ºC. De referir que caso exista vapor de água na corrente gasosa da alimentação, esta deve passar no secador (bloco 2) para remoção da água, de forma a impedir a formação de gelo nas etapas de compressão consequentes (bloco 3). Depois, a corrente processual entra num permutador de calor para arrefecimento até temperaturas negativas, sendo que a temperatura de saída será de cerca de -25 a -35º C. O 51 arrefecimento antes da expansão (bloco 4) traz vantagens dado que permite a condensação de uma maior quantidade de CO2 para a mesma pressão de saída da etapa de expansão, embora tenha de ser realizado de forma cuidada para que não ocorra a condensação antes da referida etapa de expansão. Após a expansão, obtém-se uma mistura de gás-líquido com pressão de saída no intervalo de 7 a 25 bar, que é encaminhada para um separador gás-líquido, onde se separa o líquido rico em CO2 do gás que é constituído pelos restantes compostos da corrente de tail gas (H2, CH4 e CO). Aqui, a taxa de recuperação de CO2 varia entre 60 e 90%. A corrente líquida de CO2 apresenta pureza entre 98 e 99%, sendo que no caso de se pretender produzir CO2 com qualidade alimentar é anexada uma coluna de stripping e um ebulidor. A purificação do dióxido de carbono decorre, então, no ebulidor, obtendo-se um produto com pressão entre 18 e 22 bar. Entre as vantagens deste processo estão a obtenção de dióxido de carbono com elevada pureza, a não utilização de solvente e possibilidade de recuperação de hidrogénio (recuperação de perto de 70% face ao que está na corrente de tail gas), caso a corrente de impurezas separada seja direccionada para uma unidade de PSA, o que permite um incremento na produção de hidrogénio que pode ir até cerca de 7%. No entanto, esta tecnologia apresenta desvantagens, principalmente no que se refere aos custos de operação e de equipamento, que graças à utilização de várias unidades de compressão e expansão serão bastante elevados. Deve-se ainda expor que de acordo com a literatura o consumo de electricidade é de perto 420 kWh por tonelada de CO2 recuperado (Reddy, 2009). CO2-CPU Outro processo de separação criogénica foi proposto pela Air Liquide e é denominado de CO2 Compression and Purification Unit (i.e. CO2 CPU), tendo particular aplicação também na corrente das impurezas que sai da unidade PSA (i.e. corrente tail gas). O processo referido permite a recuperação de perto 80% de dióxido de carbono, com consequente liquefacção, de acordo com as especificação para aplicação alimentar (i.e. pureza superior a 99,9%) (Gauthier, 2006). Em baixo apresenta-se um resumo do diagrama de blocos da unidade de produção e purificação de CO2: 52 PSA Off-gas 450 – 1500 psi Non Condensable Gases to Fuel Captured CO2 for Sequestration -55ºC Cold Box Figura 37 – Esquema do processo CO2 CPU da Air Liquide (Chaubey, 2010) O processo desenrola-se da seguinte forma: introdução da corrente gasosa num compressor de forma a obter uma corrente com pressão parcial de CO2 no intervalo de 15 a 40 bar (no exemplo apresentado e, de acordo com as composições previstas, esta pressão será de 27 bar). A pressão total da corrente estará assim contida entre 40 e 80 bar (no caso é 60 bar); secagem da corrente obtida por forma a eliminar a água existente; refrigeração para condensação da corrente e consequente separação para obtenção do produto CO2; separação de gases não condensáveis em separador gás-líquido; coluna de destilação para purificação do CO2. No decorrer da condensação/separação verifica-se um decréscimo de temperatura, que numa primeira fase estará entre a temperatura ambiente e -10ºC e, depois, entre -10ºC e temperaturas próximas do ponto triplo do CO2, que é de -56ºC. Em seguida, ocorre a separação entre o condensado rico em CO2 e os gases não condensáveis que podem ter vários destinos: utilização como combustível no forno da unidade de Steam Reforming (utilização anterior da corrente de tail gas), utilização como carga na unidade de Steam Reforming, passagem por uma unidade de membranas para recuperação de uma corrente rica em hidrogénio e outra corrente residual (esta poderá ser queimada no forno ou enviada para a rede de fuel gás da refinaria onde está localizada a produção de H2). O condensado rico em CO2 é alimentado a uma coluna de destilação onde é purificado no ebulidor até atingir a especificação pretendida. A pressão final do CO2 liquefeito é um pouco inferior à da alimentação à coluna, com valor de 23 bar (Gauthier, 2006). 53 Additional H2 production Recycle to H2 PSA PSA CO2, H2 Membrane CO, CH4 CO2 recirculation 450 – 1500 psi PSA Off-Gas -55C Cold Box Captured CO2 for Sequestration Figura 38 – Esquema do processo CO2 CPU+MEDAL da Air Liquide (Chaubey, 2010) A incorporação da tecnologia de membranas possibilita além da obtenção de dióxido de carbono líquido, a recuperação de hidrogénio para ser alimentado à unidade de PSA e, também, a produção de outra corrente residual que contem o H2 e o CO2 que não foram recuperados, bem como o metano e monóxido que não reagiram no processo de Steam Reforming e que transitaram para a corrente de tail gas (proveniente da unidade PSA). Com esta alimentação suplementar de hidrogénio recuperado, a eficiência da recuperação de H2 puro na unidade PSA vai aumentar para cerca de 95% (representando um incremento na produção de hidrogénio de 6%). As composições das correntes previstas no exemplo da patente WO 2006/054008 e as respectivas condições operatórias encontram-se expostas na Tabela 15. Aqui, é ainda de relatar que quanto maior for a fracção de CO2 na corrente de alimentação (tail gas), maior será a recuperação do mesmo que, igualmente, possibilitará a recuperação de maior quantidade de hidrogénio (com a pureza da Tabela 15) ou de hidrogénio com maior nível de pureza (para a mesma taxa de recuperação). Tabela 15 – Composições previstas da unidade de recuperação de CO2 (Gauthier, 2006) Descrição da corrente H2O H2 CO CO2 CH4 N2 Pressão Temperatura %mol %mol %mol %mol %mol %mol barg ºC Tail Gas 0,6% 23,4% 12,0% 44,9% 17,6% 1,5% 1,3 35 Entrada na Alimentação Produto Coluna de da unidade de CO2 CO2 membranas 1,0% 36,0% 2,0% 18,0% 92,0% >99,9% 21,0% 5,0% 24,0% 1,0% 23 22,5 57 -37 -16 -47 Corrente Corrente de H2 residual 62,0% 7,0% 26,0% 5,0% 26 32 23,0% 24,0% 18,0% 33,0% 2% 56 80 54 Esta sequência processual apresenta desvantagens idênticas às mencionadas no processo CO2LDSep da Fluor Enterprises, sendo que o consumo de electricidade previsto deverá, no entanto, ser superior a esse processo, dada a necessidade de atingir pressões mais elevadas nas etapas de compressão. Logo, o consumo de electricidade será superior a 420 kWh por tonelada de CO2 recuperado. 4.5.1 Flash CO2 O processo FlashCO2 permite a obtenção de dióxido de carbono líquido a partir de correntes ricas neste composto e é propriedade intelectual da empresa Union Engineering. Na Figura 39 é possível observar um esquema do processo, sendo que a sua tecnologia está patenteada (Find, 2006). A taxa de recuperação de CO2 está situada entre 90 e 95% (C.D.M., 2009). Figura 39 – Esquema do processo FlashCO2 da Union Engineering O processo é constituído pelas seguintes etapas: introdução da corrente gasosa de tail gas (com temperatura de 30ºC e pressão de 1,3 bar) em um compressor de forma a obter uma corrente com a pressão total entre 2 e 3,5 bar; desidratação da corrente para que a água não seja transportada para futuros compressores do processo onde existiria a hipótese de formação de gelo; compressão secundária e terciária (com etapas de refrigeração intercalares) até se atingir uma pressão total entre 22 e 23 bar; 55 nova etapa de desidratação da corrente a uma pressão entre 23 e 30 bar e temperatura entre 10 e 15º C; etapa adicional remoção de componentes C2+ , i.e. etano, propano e outros hidrocarbonetos ainda existentes; refrigeração até o intervalo de -49ºC a -52ºC (i.e. valor próximo da temperatura correspondente ao triplo do CO2) e consequente destilação flash em separador gás-líquido (pressão mantém-se no intervalo de 22 a 23 bar); obtenção de corrente líquida rica em CO2 (fracção molar acima de 95%) que é enviada para coluna de destilação para purificação do CO2; corrente de gasosa originária da destilação flash é enviada para absorvedor de metanol, possibilitando a obtenção de duas novas correntes: uma que tem como nova designação off-gas e é constituída pelos restantes compostos que faziam parte da corrente de tail gas (i.e. hidrogénio, metano, monóxido de carbono e algum CO2); e outra corrente líquida onde está absorvido o restante CO2; a corrente líquida de metanol e CO2 é encaminhada para dois separadores flash para separação do CO2; à saída do separador flash encontra-se uma corrente gasosa com elevado teor em CO2 (93%) que é recirculada para o inicio do processo); obtenção no fundo da coluna do produto CO2 líquido (com nível de pureza de 99,5%) a pressão igual ou superior a 16 bar. O diagrama de blocos típico do processo FlashCO2, está representado na Figura 40: Figura 40 – Diagrama de blocos do processo FlashCO2 da Union Engineering 56 Primeiramente, analisando o diagrama de blocos e outra documentação da literatura (Find, 2006), não se deve deixar de referir que as unidades de desidratação são preferencialmente de adsorção do tipo TSA que tem como sorbente a alumina activada ou algum outro peneiro molecular. Por outro lado, verifica-se que a destilação flash que ocorre no separador gás-líquido (unidade C) permite obter uma corrente líquida rica em CO2 (corrente L1), que possui cerca de 50 a 70% do CO2 total contido na alimentação. A corrente de gás que sai deste separador (corrente G1) irá então entrar numa coluna de absorção (tipicamente de enchimento – unidade D), onde se utiliza como solvente químico o metanol. A vantagem da utilização do metanol, ainda que a temperaturas negativas, está no facto de este solvente ser aquele que entre os solventes físicos requer menor caudal de circulação para absorção de CO2 e, visto que, este permite um menor consumo de energia na sua, posterior, separação do CO2 que decorre nos separadores flash (unidades E e E‟), prevalecendo assim a sua utilização face a solventes químicos (Find, 2006), vantagens estas que já eram conhecidas depois da análise do processo Rectisol. A absorção realizada com metanol decorre a cerca de -48ºC, sendo que a corrente líquida de metanol com o CO2 absorvido (corrente L2) está entre -28 e -31ºC. Particularmente, constata-se, ainda, que esta corrente contém acima de 90% do CO2 que estava contido na corrente gasosa (corrente G1), i.e. cerca de 25 a 45 % do contido na alimentação. Como existe a recirculação deste CO2 que é separado do metanol, este processo pode alcançar uma taxa de recuperação global acima de 90% do CO2. A coluna de destilação (G‟) recebe a corrente líquida rica em CO2 (corrente L1), que está a cerca de -52ºC, do separador gás-líquido (unidade C) e permite a obtenção de CO2 líquido de elevada pureza. Finalmente, é de notar que pode decorrer o aproveitamento da corrente residual rica em H2 que é obtida na saída de gás da coluna de absorção (corrente G2). Assim, esta pode ser aplicada em uma unidade PSA ou de purificação de membranas, de forma a representar um acréscimo máximo na produção global de H2 de 9 a 10% (Union Engineering, 2011), ou pode ser directamente utilizada para aquecimento na subunidade de Steam Reforming. A referida corrente de off-gas tem a seguinte composição e condições operatórias: Tabela 16 – Composições previstas da corrente de off-gas originada pelo processo FlashCO2 Descrição da corrente H 2O H2 CO CO2 CH4 %mol %mol %mol %mol %mol Corrente off-gas > 42,0% > 20,0% < 10,0% > 24,0% 57 A presente tecnologia apresenta desvantagens, principalmente no que se refere aos custos de operação e de equipamento, tal como os processos anteriormente referidos. No entanto, apresenta o menor consumo de energia dos processos criogénicos existentes, com um consumo de electricidade de 320 a 350 kWh por tonelada de CO2 recuperado (C.D.M., 2009). Outra vantagem está no facto de o consumo de metanol ser muito reduzido, com valor base de 0,3 kg deste composto por tonelada de CO2. As principais utilidades deste processo são o amoníaco e dióxido de carbono puro, com aplicação na refrigeração da corrente processual que entra na destilação flash: arrefecimento até perto de -29ºC com o amoníaco e, depois, daqui até à temperatura de entrada da coluna (i.e. 49ºC a -52ºC) com o CO2. A outra utilidade empregue no processo é a água, que tem utilização no arrefecimento da corrente gasosa de alimentação (entre as etapas de compressão da mesma). Por fim, deve-se realçar que a primeira e única unidade construída pela Union Engineering para aproveitamento de CO2 seguindo este processo está localizada Concepción (no Chile) com ligação por gasoduto a duas unidades de hidrogénio da Refinaria local da empresa ENAP (C.D.M., 2009) e tem capacidade de recuperação de 43 800 toneladas anuais de CO2. Figura 41 – Unidade de FlashCO2 instalada no Chile (Union Engineering, 2011) 58 4.6 Processos por licenciador Do ponto de vista industrial interessa resumir todos os processos anteriormente apresentados segundo o seu licenciador, como se observa na Tabela 17, de forma a ter a noção de quais os licenciadores com mais experiência e alternativas nesta área. Tabela 17 – Quadro resumo das tecnologias de captura por licenciador Empresa Processo Aminas (ex: aMDEA) Air Liquide MEDAL CO2-CPU CO2-CPU+MEDAL Aminas (MEA) Linde Rectisol Purisol Fluor Air Products Fluor Solvent CO2LDSep Aminas (ex:MEA) Gemini Union FlashCO2 BASF Aminas (MEA) DOW Selexol UOP Selexol 59 5. Selecção do Processo Primeiramente, é importante executar uma separação entres as tecnologias disponíveis para recuperação de CO2, tendo em atenção a localização da captura na unidades de produção de hidrogénio. Assim, a recuperação de CO2, pode ser realizada na corrente de Syngas onde este composto representa 17 e 16%, ou na corrente de Tail Gas onde este tem uma pureza de 54 e 46% para as unidades HI e HR, respectivamente (ver Tabela 8 e Tabela 9). 5.1 Captura antes da PSA (Syngas) No que diz respeito à recuperação de CO2 na corrente de Syngas, verifica-se que os processos que permitem obter o produto CO2 líquido, com a pureza requerida para aplicação na indústria alimentar, que apresentam a taxa de recuperação mais elevada e que não comprometem a viabilidade económica ou técnica da recuperação são: o processo de absorção com aminas terciárias (MDEA ou aMDEA) e o processo de absorção com solvente físico metanol (Rectisol) tendo em atenção as vantagens que estes apresentam face aos seus equivalentes de absorção química ou física (para maior detalhe ver 4.1 e 4.2), respectivamente. A absorção química com aminas possibilita uma taxa de recuperação acima de 90% (muitas vezes entre 95 e 98%) e tem como principais utilidades o vapor de baixa pressão para utilização na regeneração da amina e a electricidade destinada em grande parte para compressão do CO2 destinado a armazenagem. Geralmente o consumo de vapor está entre 0,5 e 1 tonelada deste por tonelada de CO2 recuperada, enquanto que o consumo de electricidade é de 0,15 a 0,18 kWh por tonelada de CO2 recuperada. Logo, este processo é o preferido quando a fracção molar deste na corrente é inferior a 15% e/ou quando existem hidrocarbonetos pesados nessa corrente (i.e. conteúdo apreciável de C3+ - propanos, butanos, etc). Nos processos com absorção física destaca-se o processo Rectisol dado este ser o que apresenta o menor caudal de solvente necessário para absorver o CO2 e, também, o menor consumo de electricidade adjacente. No entanto, o facto de este solvente actuar a temperaturas abaixo de 0ºC (e a consequente necessidade de refrigeração da alimentação e mesmo do solvente) pode anular a sua vantagem económica face ao processo de absorção com aminas (onde a solução da amina apresenta uma fracção mássica entre 20 e 40% de aMDEA) quando a corrente processual apresenta um teor de CO2 no limite da escolha ideal para cada caso (i.e. 15 a 17%). Nessas situações teria se realizar uma análise mais detalhada recorrendo a simulações ou experiências em unidades piloto. Em suma, pode-se afirmar que para remover o dióxido de carbono da corrente de Syngas, o processo mais adequado e com maior rentabilidade económica seria o processo de absorção com aMDEA (amina terciária). 60 5.2 Captura depois da PSA (Tail gas) A outra localização analisada para a recuperação de CO2 é a corrente de tail gas. Esta corrente possui um teor elevado de CO2 (i.e. entre 40 e 55%) que não permite a aplicação de aminas (razão molar até 15%) e não favorece a aplicação de solventes físicos (para uma razão molar entre 15 e 40%). Figura 42 – Implicação do conteúdo de CO2 na selecção do processo (Chaubey, 2009) Como tal, os processos utilizados no tratamento desta corrente são os processos criogénicos anteriormente referidos: CO2LDSep, CO2CPU e FlashCO2, que separam o CO2 com recurso a operações de pressurização (compressão e expansão), refrigeração e destilação extractiva. Analisando estes processos verifica-se que o processo FlashCO2 é aquele que apresenta o menor consumo de electricidade (com valor entre 320 a 350 kWh por tonelada de CO2 recuperado), a maior taxa de recuperação (superior a 90%) e que tem condições de funcionamento mais moderadas (a pressão não ultrapassa os 30 bar), sendo por todas estas razões que deve ser entendido como melhor opção existente no mercado. Por outro lado, a opção de recuperação de CO2 da corrente de tail gas apresenta um característica bastante relevante, dado possibilitar um acréscimo indirecto na produção global de H2 através da reciclagem da corrente pobre em CO2. 61 5.3 Processo e localização escolhidos Após a analise exaustiva de vantagens e desvantagens de cada processo e da localização onde cada um deve ser aplicado, conclui-se que a captura na corrente de Tail gas teria maiores custos de investimento, dado ser necessária maior quantidade de equipamento (e que este seja de material mais resistente, dado o seu funcionamento a altas pressões e baixas temperaturas) e, ainda, custos de operação mais elevados (consumo de electricidade subjacente por parte dos compressores existentes será bastante superior, pois a pressão do Tail gas é 1 a 2 bar comparando com 22 a 28 na corrente de Syngas). Assim, economicamente, a captura de CO2 deveria ser realizada na corrente de Syngas. No entanto, a opção da captura na corrente de Syngas é tecnicamente mais difícil de implementar para unidades que não tiveram em consideração esta opção aquando da sua construção, havendo muitas vezes limitações espaciais ou de utilidades que não são transponíveis para o investimento em análise. A maior limitação está patente na alteração da configuração processual da unidade: a corrente de Syngas que entra na subunidade PSA teria então uma composição bastante diferente, apresentando um nível muito mais reduzido de dióxido de carbono (de 16% para um pouco acima de 1%). Esta modificação da composição teria, ainda, como consequência a entrada na PSA de uma corrente com teor bastante elevado de hidrogénio, perto de 90% (comparando com cerca de 76% sem captura) e, levaria a modificações de quantidades de adsorventes na PSA (possível redução de carvão activado e aumento de zeólito 5A). Não seriam ainda de esquecer outras limitações de teor operacional dado que esta unidade seria operada por uma entidade externa no interior da refinaria, que poderia levar a situações delicadas (entre as diferentes equipas de operação destas unidades). No caso concreto da unidade de hidrogénio HR a opção da localização da captura antes da sistema PSA, poderia, nesta altura, impulsionar certas modificações no funcionamento da unidade de SMR que não seriam correctamente detectadas, dado esta unidade não apresentar um histórico de funcionamento. Assim, não seria possível dissociar as modificações introduzidas pela captura, das modificações usualmente verificadas entre o funcionamento prático das unidades e os dados de projecto existentes. Concluindo, depois de ponderar todos os factores de decisão, a escolha efectuada (e preferência da D.T.R. e da Refinaria de Sines) seria que a localização da captura se realizasse depois da subunidade de PSA, dado ser a opção que menos perturbaria o funcionamento normal e corrente de qualquer uma das unidades de hidrogénio em análise (HI ou HR). 62 Tabela 18 – Quadro resumo da selecção de processo mais adequado para recuperação de CO 2 Factores de decisão Aspecto Processo de absorção com aMDEA Custo de captura – 19,9 €/ton CO2 Económico Investimento nas unidades é Processo FlashCO2 Custo de captura – 22,9 €/ton CO2 Investimento nas unidades é superior comparativamente menor Alteração da configuração processual da Não terá impacto no funcionamento do unidade: sistema PSA com actualização sistema PSA e na globalidade da unidade ou modificação dos elementos de SMR constituintes do mesmo Consumo de Vapor – 0,5 a 1 t/t CO2 Aspecto Técnico Consumo de Electricidade – 150 a 180 Consumo de Electricidade – 320 a 350 kWh/ t CO2 kWh/ t CO2 Aplicação em corrente de processo de unidade sem historial de funcionamento é insensata (difícil dissociar as modificações introduzidas pela captura Consumo de água - 21 t/t CO2 Consumo de amoníaco – 0,6 t/t CO2 Aplicação em corrente de utilidade de das modificações normais de entrada em unidade sem historial de funcionamento é operação da unidade) hipótese mais favorável Quantidade de equipamento inferior Quantidade de equipamento superior e mais dispendioso Aspecto Logístico Consumo de Vapor – 0 t/t CO2 Operação por entidade externa de unidade localizada no interior da Refinaria Operação por entidade externa de unidade localizada no interior da Refinaria Várias dezenas de unidades com aplicação Uma unidade a aplicar este processo. Aplicação Industrial desta tecnologia. Ex: Refinaria de Tarragona (Repsol) Refinaria de Castellón (BP) Ambas localizadas em Espanha Ex: Refinaria de Concepción no Chile (ENAP Refinerías S.A.) 63 6. Implementação do Processo A implementação do processo de recuperação de CO2 apenas deve ser estudada, após uma análise pormenorizada do funcionamento das unidades com as quais esta terá ligação directa ou indirecta, existentes na Refinaria de Sines. 6.1 Potencial de recuperação de CO2 Depois de analisadas as alternativas industriais existentes para a recuperação de CO2 na Refinaria de Sines, foi aconselhado que a localização da captura deste se realizasse depois da subunidade de PSA, dado ser a opção que menos perturbaria o funcionamento normal e corrente das unidades de hidrogénio em análise, HI e HR. O processo escolhido, flashCO2, possibilita taxas de recuperação entre 90 e 95% e a obtenção de CO2 com a pureza e especificações necessárias para aplicação na indústria alimentar. Como tal, foram considerados as duas referidas taxas de recuperação e dois cenários diferentes para a recuperação de dióxido de carbono da corrente de Tail Gas de cada uma das unidades de produção de hidrogénio da Refinaria de Sines consoante a utilização de cada uma destas unidades. Relativamente à unidade HI, adoptou-se para um cenário mais realista uma taxa de utilização de 60%, próxima da média de utilização da unidade e, um cenário optimista, onde a taxa de utilização seria de 80%. Os resultados obtidos encontram-se na Tabela 19. Tabela 19 – Recuperação de CO2 possível da unidade HI HI - Utilização 60,0% 80,0% Taxa de CO2 CO2 CO2 CO2 CO2 CO2 Recuperação de CO2 (ton/h) (ton/dia) (ton/ano) (ton/h) (ton/dia) (ton/ano) 7,32 176 9,76 234 90% 64.092 85.456 95% 7,72 185 10,30 247 67.653 90.203 No que diz respeito à unidade HR, foi tida em consideração a taxa mínima de utilização referida acima como cenário mais conservador e realista, i.e. uma taxa de utilização de 80%, e foi admitida, para um cenário optimista, uma taxa de utilização de 95%, que corresponderia ao funcionamento pleno da unidade. Na Tabela 20, expõem-se os resultados obtidos. Tabela 20 – Recuperação de CO2 possível da unidade HR HR - Utilização 80,0% Taxa de Recuperação CO2 CO2 CO2 de CO2 (ton/h) (ton/dia) (ton/ano) 31,17 748 90% 273.008 32,90 790 95% 288.175 CO2 (ton/h) 37,01 39,06 95,0% CO2 CO2 (ton/dia) (ton/ano) 888 324.197 938 342.208 64 Analisando os resultados obtidos, é admissível que para a unidade HI o intervalo de funcionamento da unidade de recuperação de dióxido de carbono esteja situado entre 60 e 90mil toneladas anuais, enquanto que para a unidade HR esta recuperação esteja colocada entre 270 e 340 mil toneladas por ano. 6.2 Limitações Operacionais A implementação da unidade de recuperação de CO2 na Refinaria de Sines, além de analisada tecnicamente, terá também de o ser logística e economicamente. Assim, a localização da unidade de recuperação deve ser realizada em função da área disponível próxima de cada uma das unidades de produção de hidrogénio, HI e HR, que estão localizadas em diferentes fábricas da Refinaria, Fábrica I e Fábrica III, respectivamente. Na Fábrica I, a área disponível está localizada na retaguarda da unidade de hidrogénio (entre esta e a sala de controlo), mas não se afigura como sendo a mais adequada para a incorporação da unidade de recuperação de CO2, dado que representa um espaço de movimentação de materiais e pessoas na Fábrica I. Por outro lado, a electricidade necessária para abastecer esta unidade, cerca de 320 a 350 kWh por tonelada de CO2 recuperado, i.e. entre 2,2 e 3,3 MWh, não se encontra disponível na subestação mais próxima (sendo necessário efectuar investimento avultado em mais ligações para esta subestação). Na Fábrica III, dado ainda estarem apenas implementadas duas unidades – a unidade de produção de hidrogénio HR e a unidade de hydrocracking HC – facilmente se verifica a existência de área desocupada para implementação de uma nova unidade de recuperação de dióxido de carbono. Particularmente, na proximidade da unidade HR existe espaço superior ao disponível na unidade HI. È ainda de referir que, aqui, a electricidade necessária para abastecer esta unidade corresponde a perto 9,4 e 12,5 MWh. A Erro! A origem da referência não foi ncontrada. representa a vista aérea da Fábrica III. 6.4 Selecção da unidade de hidrogénio A escolha da unidade de produção de hidrogénio para implementação de uma unidade de recuperação de CO2 na Refinaria de Sines, teve por base uma análise técnica e logística que revelou limitações espaciais (área insuficiente para a unidade) e falta de acesso directo a utilidades (electricidade disponível na subestação mais próxima é insuficiente) na unidade HI. 65 Logo, constatou-se que a integração desta unidade deve ser realizada a jusante da unidade de produção de hidrogénio HR, que está localizada na Fábrica III. 6.5 Armazenagem e distribuição de CO2 O dióxido de carbono líquido é usualmente armazenado a cerca de -18 ºC e 2,1 MPa (Topham, 2005) em vasos totalmente isolados que tem complementarmente medidores de pressão, sistema de auto-refrigeração e válvulas de escape. A sua distribuição pode ser executada por quatro vias: via marítima, via rodoviária e via-férrea e via pipeline. Actualmente, o transporte por via rodoviária é o mais empregue devido à sua flexibilidade em alcançar os pequenos clientes que, respectivamente, consomem pequenas quantidades de CO2. No entanto, para executar o transporte CO2 por esta via é indispensável que a empresa produtora possua uma frota de camiões cisterna que normalmente aplicam como condições operatórias as condições de armazenagem (embora, na maior parte das situações os contentores não são refrigerados), sendo que cada veículo pode transportar entre 2 e 30 toneladas de produto. Outra forma de transporte do CO2 pode ser efectuado por linhas ferroviárias, com condições operatórias semelhantes às condições de armazenagem e com capacidades de transporte de CO2 superiores às quantidades referidas para o transporte via rodoviária. O principal entrave à utilização deste meio de distribuição está na capacidade e fiabilidade do sistema ferroviário existente no mercado (i.e. no país de consumo do CO2) e a localização dos clientes (empresas consumidoras de CO2). Quanto ao transporte de CO2 por via marítima, este tem sido particularmente utilizado por um dos fabricantes mais importantes a nível europeu, a Yara, que detém 4 barcos para o transporte de CO2 com capacidades entre 870 e 1250 toneladas e que servem 10 portos europeus com a média de 1 navio por dia (Gustafsson, 2008). Os tanques destes navios estão isolados e tem como condições operatórias: 14 a 16 bar e -20 a -30ºC. A última via tem sido utilizada para transporte de CO2 que tem como destino a armazenagem no subsolo (CCS) e beneficia largamente de economias de escala (Bradford, 2008), afigurando-se como meio de transporte mais económico para transporte de quantidades de dióxido de carbono superiores a uma milhão de toneladas por ano (Metz, 2005). 66 7. Consequências da introdução da nova unidade de CO2 No capítulo anterior foi analisada logística e tecnicamente a implementação da unidade de recuperação de CO2 na Refinaria de Sines, usando como matéria-prima a corrente de Tail Gas das unidades produção de hidrogénio HI ou HR. Assim, constatou-se que a integração de uma unidade de recuperação de CO2 deve ser realizada, preferencialmente, na unidade de produção de hidrogénio HR, que está localizada na Fábrica III. Como tal, é agora fundamental verificar quais as possíveis consequências da integração desta unidade no funcionamento normal da unidade de produção de hidrogénio HR. 7.1 Funcionamento da Fornalha Os primeiros aspectos a ter em ponderação serão as possíveis consequências da recuperação de CO2 no funcionamento da fornalha, onde decorria a queima da corrente de tail gas para aquecimento da subunidade de Steam Methane Reforming. Esta corrente de tail gas constitui a alimentação à unidade de recuperação de CO2, onde é originada uma corrente residual que pode (ou não) ser reenviada para a unidade HR, onde poderá ter a utilização actual da corrente tail gas, ou seja, para aquecimento da fornalha HR-F1. Aquecimento da fornalha com recirculação de corrente Primeiramente, pode-se analisar a utilização da corrente residual da unidade de recuperação de CO2 (com composição idêntica à da Tabela 16) no aquecimento da fornalha da subunidade de SMR do HR. A composição desta corrente, denominada de off-gas, pode ser, mais concretamente, prevista para as unidades da refinaria de Sines, tendo em atenção as taxas de recuperação apresentadas em (Find, 2006) e no exemplo do Chile (C.D.M., 2009). Tabela 21 – Composições previstas da corrente de off-gas para o HR Fonte Patente Union Unid. Chile H2 %mol CO %mol CO2 %mol CH4 %mol Peso Molecular kg/kmol Caudal Molar kmol/h Poder Calorífico kJ/kg 43,7% 22,6% 7,0% 24,2% 14,17 1149,8 13.681 43,6% 22,5% 7,2% 24,3% 14,26 1152,3 13.655 Como tal, verifica-se que segundo os dados acima apresentados (ordem da esquerda para a direita) a recuperação prevista de CO2 da corrente de tail gas seria de 91,8% ou 91,5%, 67 respectivamente. Expectavelmente, o poder calorífico da corrente aumenta de forma considerável devido à remoção do CO2 da corrente. Deve-se aqui mencionar que ainda que improvável, pode ocorrer a perda efectiva de algum solvente para esta corrente, o que não se deverá verificar na dessorção do CO2 e, mesmo que tal aconteça, essa corrente seria encaminhada para a etapa de desidratação, sendo assim praticamente impossível que o metanol contamine o produto final (depois da desidratação existiam ainda etapas de destilação flash e destilação final a pressão elevada). No entanto caso, se verifique a perda de solvente para a corrente de off-gas, a concentração desta nessa corrente será da ordem de grandeza de ppm, não provocando alterações na queima dessa corrente e, decorrendo mesmo a combustão do metanol. 2 CH3OH + 3 O2 2 CO2 + 4 H2O (eq. 10) O aumento do poder calorífico da corrente de off-gas face à corrente de tail gas (acima de 18,7 MJ/kg face a 4,4 MJ/kg) tem como base a redução do caudal mássico da corrente (até 4,2 de 17,8 ton/h). Verifica-se, assim, que o valor calorífico da corrente se mantém e não seria necessário proceder à adição de novo conteúdo de gás natural. Aquecimento da fornalha sem recirculação de corrente Por outro lado, considera-se, agora, que a corrente residual da unidade de recuperação de CO2 (com composição idêntica à da Tabela 16) não seria utilizada no aquecimento da fornalha da subunidade de SMR do HR. Assim, com a entrada em funcionamento da unidade de recuperação de CO2, é imprescindível a utilização de nova quantidade de gás natural para aquecimento da subunidade de SMR. Na Tabela 22, apresentam-se os consumos de projecto para o HR com a configuração actual e sem a queima da corrente de tail gas: Tabela 22 – Consumo de combustível da unidade HR com recuperação de CO 2 Consumo máximo Tail Gas (ton/ano) 494.791 Consumo máximo GN (ton/ano) 23.013 Compensação com GN (ton/ano) 44.844 Consumo máximo GN futuro (ton/ano) 67.856 Examinando os consumos apresentados na Tabela 22, conclui-se que existe um aumento substancial do consumo de gás natural, com um incremento de 194,9%. Não é de esquecer que, neste caso, a compensação de valor calorífico da corrente com gás natural, irá acarretar novos custos para o funcionamento da unidade que terão de ser compensados com a venda de CO2 sobre a forma bruta – corrente de tail gas – ou sobre a forma de produto final. 68 Funcionamento técnico da fornalha Outro aspecto a analisar serão as possíveis consequências operacionais da recuperação de CO2 no funcionamento da fornalha. Aqui, é utilizada maioritariamente a corrente de tail gas para aquecimento da HR-H1, utilizando-se como combustível de make-up o gás natural. Ao nível técnico verifica-se que a queima da corrente de tail gas apresenta como vantagem o facto de ser uma corrente livre de enxofre e, como tal, as emissões de SO x são consequentemente muito reduzidas, visto que esta corrente representa acima de 95% (%mass) do combustível utilizado (tendo como referência os dados de projecto). Por outro lado a aplicação desta corrente, acarreta alguns inconvenientes como o estimular da instabilidade da chama (Speight, 2002), caso exista um alto conteúdo de monóxido de carbono na corrente, e o possível efeito de subida da formação de NOx, devido ao conteúdo de hidrogénio na corrente (EIGA, 2009). A queima da corrente de gás natural apresenta como desvantagens o facto poder conter vestígios de enxofre que provocam emissões de SOx, mas com a utilização de queimadores de baixo teor de NOx é conseguida a redução de emissões destes compostos e também de SOx EIPPCB: BREF Refinarias, 2003). No caso desta unidade HR, é ainda de referir que a utilização de uma unidade de Pré-Reforming possibilita uma redução extra das emissões de NOx 7.2 Mudança de matéria-prima Outro parâmetro a identificar será uma possível mudança de matéria-prima de alimentação a qualquer uma das unidades de produção de hidrogénio (HR). A unidade de produção de hidrogénio HR que foi projectada para possível operação com alimentação a nafta, apresenta características (ver capítulo 3.3) que permitem admitir que o risco de não conversão destes hidrocarbonetos mais pesados (C3+) seja praticamente nulo. A principal característica que é determinante para esta conclusão (conversão total destes hidrocarbonetos) está no facto de a unidade em questão possuir uma subunidade de Prereforming que assegurará sempre (independentemente da alimentação) a conversão destes compostos. Conclui-se, assim, neste sub capítulo que a mudança de matéria-prima para nafta não irá ter nenhuma incompatibilidade com o processo de recuperação e purificação de CO2, dado que não se prevê a presença de hidrocarbonetos pesados (C3+) na corrente de tail gas. Todavia, caso estejam presentes compostos deste tipo nesta corrente, estes terão de ser removidos no processo de recuperação de CO2, estando prevista a inevitável remoção para etapa anterior à unidade de destilação flash (separador gás-líquido), visto que, o metanol poderia absorver esses compostos (aquando da absorção do CO2 da corrente off-gas) e não os separar do produto final CO2 (o que seria incompatível com a especificação do produto). 69 7.3 Funcionamento da unidade PSA Anteriormente, aquando da descrição do processo FlashCO2 (4.5.1) foi referida a possibilidade de incrementar a produção de hidrogénio, sendo que para tal a corrente de off-gas deverá ser enviada para uma unidade de PSA ou para um sistema de purificação de hidrogénio semelhante. No entanto, aqui convém alertar que caso se pretenda utilizar a PSA de qualquer uma das unidades, HI ou HR, deverá ser considerada a utilização de um sistema de membranas para que seja possível a separação prévia de grande parte do hidrogénio face às outras impurezas (metano, monóxido de carbono e algum dióxido de carbono). Este sistema de membranas é de suma importância para evitar a acumulação de metano e monóxido de carbono à entrada da PSA já existente, o que levaria a uma mudança das composições e, consequentemente, a uma possível diminuição do rendimento desta subunidade. Por outro lado, caso não decorressem problemas de operação na PSA devido a um possível aumento da quantidade e posicionamento dos adsorvedores, poderá existir uma diminuição do rendimento da subunidade de recuperação de CO2, visto que a composição da corrente de tail gas seria alterada (a fracção de CO+CH4 seria muito mais representativa), não estando a unidade de recuperação preparada para realizar o tratamento adequado e possibilitar a obtenção de dióxido de carbono dentro da especificação pretendida. O sistema referido inclui uma unidade de membranas e uma unidade PSA está esquematizado na Figura 43, sendo que o sistema de membranas permitiria a separação da corrente de off-gas em duas novas correntes: uma corrente de hidrogénio (contaminada com CO2 e vestígios de CO e CH4) e outra corrente com impurezas (CO, CH4 e vestígios de H2 e CO2). Figura 43 – Aproveitamento de hidrogénio da corrente de off-gas 70 O funcionamento de um sistema de membranas foi genericamente descrito no capítulo 4.4, sendo que segundo (Fleming, 2006) seria possível a obtenção de hidrogénio com as características da Figura 44: Figura 44 – Variação da composição de hidrogénio num sistema de membranas Esta corrente nova de hidrogénio (contaminada com CO2, CO e CH4) seria depois alimentada a uma PSA e, como tal, a pureza pretendida desta corrente não é um factor decisivo no sistema de membranas, pelo que se pode admitir uma pureza de 80% de forma a atingir uma taxa de recuperação de 85%. Logo, sabendo que o hidrogénio que está contido na corrente off-gas é entre 99,1% e perto de 100% do que entra na unidade de recuperação de CO2, a máxima recuperação prevista de hidrogénio, utilizando um sistema como o da Figura 43, para a unidade HR está patente na Tabela 22. Tabela 23 – Quantificação da possível recuperação de H2 HR Recuperação H2 membranas 85% Recuperação H2 PSA 90% H2 (kg/h) 165 Assim, caso se pretenda maximizar a produção de hidrogénio deve ser considerada a solução anterior ou a utilização de uma nova subunidade PSA com este propósito. Consequentemente, a corrente com elevada fracção de CO+CH4 originada em qualquer uma das soluções poderia ser utilizada para aquecimento da fornalha ou ter como destino a corrente de fuel gas da Refinaria. Em suma, conclui-se que a implementação de uma unidade de recuperação de CO2 não irá, em princípio, estimular qualquer perturbação no funcionamento da subunidade PSA existente no HR, desde que não se verifique a adição da corrente residual (off-gas) à corrente de entrada na PSA (Syngas) ou a outra corrente de processo. 71 7.4 Redução das emissões Primeiramente, analisam-se os dados de projecto do HR de forma a determinar a origem das emissões de CO2, que têm a seguinte divisão: Tabela 24 – Origem das emissões de CO2 nas diferentes unidades de hidrogénio HR Queima CO+CH4 CO2 contido em do tail gas (%) tail gas (%) 32 % 58 % Queima de GN (%) 10 % A possível redução de emissões de CO2 directas na unidade HR pode ser verificada com recirculação da corrente (corrente de off-gas da unidade de CO2) para aquecimento da fornalha da subunidade de SMR do HR. Neste caso, a remoção de CO2 da corrente de tail gas não é total (i.e. taxa de recuperação de 91 a 93%), pelo que o CO2 representa ainda uma fracção assinalável da corrente de off-gas e, como tal, contribui para as emissões da unidade. Logo, irá verifica-se a nova distribuição de emissões de CO2, segundo a sua origem: Tabela 25 – Origem das emissões de CO2 nas unidades de hidrogénio com captura de CO2 HR Queima CO+CH4 do off-gas (%) 70 % CO2 contido em off-gas (%) 9% Queima de GN (%) 21 % Assim, a redução de emissões, que está condicionada ao mercado existente, será de 50 a 70 mil toneladas por ano, ou seja, entre 2,8 e 4% das emissões de CO2 da Refinaria de Sines. No entanto, importa referir que esta redução directa nas emissões de CO2 nas unidades de produção de hidrogénio pode não ser considerada como uma redução efectiva destas emissões. Este facto ainda não está definido na legislação portuguesa, estando neste momento a ser discutida essa possibilidade de redução de emissões de CO2 na União Europeia, segundo o documento da Comissão Europeia “Guidelines for Monitoring and Reporting of Greenhouse Gases”. Contudo, segundo a European Industrial Gases Association (EIGA, 2010) esta redução das emissões de CO2 está apenas restrita à unidade de hidrogénio, dado que as aplicações de CO2 que difiram da armazenagem (no subsolo, em aquíferos, etc) não constituem uma redução efectiva de emissões, pois nessas aplicações o CO2 acaba por ser enviado para a atmosfera (assim apenas decorre uma armazenagem temporária – curta – de CO2). 72 8. Análise económica preliminar Anteriormente, procedeu-se à análise técnica e logística da possível implementação de uma unidade de recuperação de CO2 a jusante da unidade de produção de hidrogénio HR (Fábrica III) na Refinaria de Sines. Assim, é imperativo efectuar uma estimativa do investimento necessário, considerando investimentos realizados em unidades semelhantes, sabendo que o mercado de CO2 líquido existente (Portugal e parte de Espanha) está condicionado entre 50 a 70 mil toneladas por ano. Depois, devem também ser analisados os custos inerentes à captura de CO2 quer ao nível de utilidades e solventes, de manutenção, de utilização de terreno e pessoal (custos fixos) e de transporte. Além das parcelas inicialmente referidas foi também considerada a amortização do investimento (de forma linear) para o cálculo do custo de fabrico. Por outro lado, a fim de verificar qual a margem existente para a definição do preço do CO2 à saída da unidade de produção de H2 (corrente tail gas), que constitui a matéria-prima da unidade, foi determinado historicamente o preço de venda deste produto. 8.1 Custos da Captura Por análise da literatura disponível, foi possível identificar diferentes valores relativos ao custo da captura de CO2 via pré-combustão e, em particular, para a captura de CO2 utilizando o processo flashCO2, propriedade intelectual da empresa Union Engineering. Assim, encontram-se na Tabela 26 os valores actualizados (com índices de preços do Banco Central Europeu [E.C.B.]), encontrados para a captura de CO2, com as datas de referência e respectiva fonte bibliográfica. Tabela 26 – Custos de captura de CO2 (Union (Hydrocarbon Origem do preço (Referência Engineering, Processing, Bibliográfica) 2011) 2008) Custo captura 20,0 € 25,3 € (€ / ton CO2) (ZEP, 2006) (IPCC, 2005) (International Energy Agency, 2003) 23,4 € 19,4 € 28,6 € No entanto, a Tabela 26 apresenta dados que em alguns casos não se adequam à análise em questão, caso do custo de captura da IPCC que tem como referência a utilização de aminas para absorção química do CO2, e outros que podem estar já algo desactualizados, custo de captura divulgado em 2003 pela IEA GHG (hiato temporal de 8 anos já registado). Consequentemente, considerando uma média dos restantes valores obtém-se um custo de captura de 22,9 € por tonelada de CO2 recuperado. 73 8.2 Custos de Transporte No capítulo 6.5, foram analisados as diferentes vias de distribuição de dióxido de carbono líquido. Logo, constatou-se que apesar da sua distribuição poder ser executada por quatro vias: via marítima, via rodoviária e via-férrea e via pipeline, apenas a segunda é frequentemente utilizada para alcançar os pequenos clientes que consomem pequenas quantidades de CO2,, dado que cada veículo pode transportar entre 2 e 30 toneladas de produto. Após pesquisa bibliográfica na literatura disponível foi possível encontrar alguns valores de referência para o custo de transporte de CO2 pelas diferentes vias, tendo como referência uma distância de 200 km. Tabela 27 – Custos de transporte de CO2 Camião Cisterna Barco Comboio Custo (€/ton de CO2) 19,11 Custo (€/ton de CO2) 17,4 2 Custo (€/ton de CO2) 26,0 2,1 12,8 Analisando a Tabela 27, verifica-se que a via com custo de transporte mais reduzido será a via marítima. No entanto, dado o alto investimento que é necessário realizar para adquirir uma frota de navios que possibilite um transporte flexível e preciso de CO2 torna impeditiva esta opção economicamente. Por outro lado, os custos de transporte de CO2 (por tonelada deste produto recuperado) para as outras duas vias são próximos, sendo que a opção por transporte via-férrea pressupõe a existência de um sistema ferroviário fiável, bastante amplo e com ligação directa ou próxima dos clientes deste produto. Como tal, conclui-se que apesar de se apresentar como a via de transporte mais dispendiosa, com valor médio de 20,8 €/ton de CO2, o transporte por via rodoviária através de camiões cisterna é aquele que apresenta um maior índice de praticabilidade, sendo mesmo o mais utilizado para o abastecimento de clientes com necessidades mais reduzidas. Deve-se fazer notar ainda que se a distância do transporte de CO2 estiver bastante acima de 200 km, o custo será significativamente maior. Este pode mesmo duplicar logo para uma distância de 300 km, o que constitui uma razão determinante para que a localização das unidades fabris seja próxima da localização dos clientes (consumidores de CO2). 1 2 Preço retirado de (Wong, 2005) Preço retirado de (Herzog, 2004) 74 8.3 Investimento – Previsão e comparação com outras unidades De forma a determinar de forma precisa o investimento total requerido para a implementação de uma unidade de recuperação, purificação e liquefacção de CO2 seria indispensável o cálculo de cada uma das componentes do respectivo investimento. Por conseguinte, seria necessário determinar o investimento fixo, o capital circulante e os juros intercalares. No entanto, para o cálculo detalhado do investimento fixo, seria necessário ter alguns dados sobre equipamento como, por exemplo, o diagrama quantitativo final (P&I), as folhas de especificação, os desenhos detalhados das diferentes peças de equipamento e respectivos materiais de construção, as dimensões e os desenhos de tubagens; dados sobre a montagem, dados sobre a instalação eléctrica e o isolamento térmico da unidade, entre outros. Todos estes dados só estariam disponíveis em documentos como o Process Desgin Basis Specification, que ao momento desta tese não é possível obter. De acordo com as razões apresentadas não é possível efectuar o cálculo detalhado das diferentes parcelas do investimento fixo e, consequentemente, do investimento total, sendo assim apenas possível efectuar uma estimativa preliminar, que tem uma margem de erro associada de 10 a 25%. Para realizar esta estimativa preliminar, utilizou-se a regra de Williams, que é um método exponencial que permite estimar os custos com base na relação entre diferentes capacidades de instalações e conhecendo o valor do investimento de uma instalação idêntica. Logo, analisou-se a literatura por forma a encontrar valores de investimento que podiam ser utilizados como referência na previsão do investimento total das diferentes unidades de CO2 em hipótese (HI e HR). A relação entre as diferentes instalações utilizada para o cálculo do investimento total está patente na equação 11: (eq. 11) sendo I e Q referentes ao investimento e à capacidade da fábrica em estudo, respectivamente, enquanto I1 Q2 têm o mesmo significado, mas aplicado à unidade usada para comparação, sendo n o coeficiente de elasticidade do investimento em relação à capacidade. Este coeficiente depende do tipo de processo, da ordem de grandeza das capacidades e do aumento de capacidade, embora na indústria química possa geralmente ser arbitrado igual a 0,7. 75 Os valores de investimento obtidos para unidades que utilizem o mesmo processo de recuperação de CO2 ou tipo de tecnologia semelhante (CPU-CO2 da Air Liquide) estão posicionados na Tabela 28: Tabela 28 – Investimentos da literatura em unidades de recuperação de CO2 Ano Investimento Capacidade (ton/ano) 2006 10.000.000 € 60.000 2009 9.671.638 € 43.800 2015 50.000.000 € 500.000 Air Liquide - CPU Marl (Alemanha) Union Engineering FlashCO2 Concepción (Chile) Air Liquide - CPU Rotterdam (Holanda) A aplicação da regra de Williams pressupõe ainda a actualização dos valores de investimentos em instalações antigas e tem ser actualizado através do índice generalista Chemical Engineering Plant Cost Index (CEPCI) ou do índice Nelson Refinery Inflatation Index (dado que a referida unidade será incorporada na Refinaria de Sines). Depois, obtêm-se os valores de investimento actualizados e passíveis de aplicação para previsão do investimento na unidade de recuperação de CO2 em questão, tendo-se escolhido sempre o valor mais elevado das previsões efectuadas. Na Tabela 28 foi ainda necessário realizar uma conversão dado que o investimento efectuado na unidade do Chile (referida anteriormente no subcapítulo 4.5.1) estava em dólares americanos, tendo-se convertido este valor para euros (utilizando as taxas câmbio de referência do ano 2009 do Banco Central Europeu [E.C.B.] ) e actualizado com os índices já referidos. De forma a observar a evolução do investimento e do custo de produção do produto CO2 foi considerado um intervalo de capacidades genérico de X e Y mil ton/ano, contido no mercado do produto existente e sendo Y a unidade de capacidade mais elevada. Analisando os valores de investimento obtidos, verificou-se que os previstos através unidade que utiliza o mesmo processo de recuperação de CO2, constituem os valores mais elevados e estão posicionados na Tabela 29. Este capital será amortização no intervalo temporal de actividade da unidade, que é de 15 anos, o que implica o consequente custo por tonelada de CO2 produzido. Tabela 29 – Investimento actualizado e respectiva amortização das unidades de CO 2 Amortização HR (X) HR (Y) Investimento (€) 11.482.978 € 14.532.628 € Amortização (€/ano) 765.532 € 968.842 € 76 8.4 Custo total de produção do CO2 Depois da previsão preliminar do investimento total a realizar para a construção de uma unidade de recuperação de CO2, importa agora estimar os custos de produção desta unidade. Estes custos de produção envolvem todas as despesas de funcionamento do processo e todos os serviços de apoio à produção e comercialização do produto, podendo ser divididos em duas grandes parcelas: custos de fabrico e despesas gerais. Os custos de fabrico podem ainda ser divididos em custos directos, custos indirectos e custos fixos. O custo da captura do captura de dióxido de carbono, determinado no subcapítulo 8.1, refere-se ao custo das utilidades e, não representa, assim, o custo total do funcionamento do processo, i.e. o custo de fabrico. Tabela 30 – Divisão genérica das diferentes partes do Custo de Fabrico de CO2 Custos Directos Custos Fabrico Matérias-Primas Mão-de-obra de fabrico Mão-de-obra de controlo Utilidades e Serviços Manutenção Patentes e Royalties Catalisadores Fornecimentos diversos Custos Indirectos Custos Fixos Amortização Seguros Impostos Locais Rendas Observando a Tabela 30, verifica-se que, no entanto, dada a dimensão e o propósito da unidade de recuperação de CO2, não fará sentido determinar algumas parcelas que terão valor muito reduzido como os impostos locais (custo absorvido pelo pagamento total a efectuar pela Refinaria) e a mão-de-obra de controlo ou mesmo nulo como os catalisadores. A primeira parcela dos custos directos é o custo da matéria-prima que neste caso não está definida no mercado dado que esta não é um produto propriamente dito, mas sim um efluente processual de outra unidade já existente. Assim, o valor da matéria-prima não está expressamente definido, e depende, por exemplo, das condições operatórias da unidade de onde é recuperado e da facilidade da sua captura, podendo assim tomar-se como intervalo de referência entre 5 e 25 €/ton CO2, tendo-se adoptado um valor inferior a 15 €/ton CO2. 77 A mão-de-obra de fabrico contabilizada envolve o pagamento de despesas com um operador, dos que estão colocados na Refinaria de Sines, sendo a sua taxa de ocupação de 25% relativamente a esta unidade de CO2. Tendo em conta que a produção na Refinaria Sines envolve a operação em contínua de 3 turnos de 8h cada (devendo ainda ser contabilizados mais 2/3 turnos para férias e prevenção), é possível determinar as despesas com a mão-de-obra. O custo das utilidades e serviços é equivalente ao custo da captura já apresentado, tendo no entanto sido considerado um consumo extra de 1% para tratamento de efluentes. A manutenção pode ser estimada em função do investimento fixo que no caso é desconhecido, dado apenas se ter disponível o investimento total. No entanto, considerando que o capital circulante pode ser estimado como sendo apenas 10-15% do investimento fixo (Timmerhaus, 2006) e que os juros intercalares representam entre 2 e 3% do investimento total, obtém-se um valor médio para o investimento fixo de cerca de 85% do investimento total. Aqui é de referir que o valor do capital circulante depende do fundo de maneio e do stock considerados, enquanto que os juros dependem da fracção do investimento que é capital próprio (pois estes apenas são repercutidos no capital alheio). A manutenção pode, consequentemente, ser estimada como cerca de 3 a 10% do investimento fixo, sendo que atendendo à dimensão da unidade foi considerado 3% para os 10 primeiros dez anos e 4% para os últimos cinco anos de operação, dado que a frequência desta tenderá a aumentar com o incremento da idade da unidade. Do mesmo modo, foi estimado o custo associado à utilização do processo que está patenteado pela Union Engineering, tendo-se admitido 2% do investimento fixo, para um intervalo de 2 a 6% (Timmerhaus, 2006), considerando que além do factor da dimensão da unidade, que o processo é recente e que não existe um número elevado de unidades instaladas. A última parcela dos custos directos são os fornecimentos diversos de materiais necessários para a manutenção logística do funcionamento da unidade (lubrificantes para os compressores, empanques e vedações, entre outros). Esta foi determinada como sendo cerca de 5% dos custos de manutenção. Os custos indirectos incluem os custos associados ao funcionamento do laboratório de controlo, de embalagem do produto final e, ainda, despesas de expedição, de serviços de armazenagem geral e segurança. O total destes custos foi determinado considerando 30% do custo de mão-de-obra de fabrico e manutenção. Finalmente, a parcela que sobra corresponde aos custos fixos anuais, sendo que aí existe uma parcela referente à amortização do equipamento (e projecto) da unidade, que de acordo com a razão verificada na unidade semelhante já instalada no Chile, corresponde a 37% do investimento total, tendo-se no caso considerado 40%. As outras parcelas correspondem ao seguro associado à unidade, para a qual foi considerado um valor perto de 1% do investimento fixo de acordo com a literatura (Timmerhaus, 2006) e às rendas de aluguer do terreno (que no 78 caso da exploração da unidade por uma empresa externa terá valor diferente de zero, que aqui é considerado). O valor obtido para o custo de fabrico anual das diferentes unidades (e capacidades) colocadas em hipótese, encontra-se previsto na Tabela 31. Tabela 31 – Divisão genérica das diferentes partes do Custo de Fabrico de CO2 para a unidade de recuperação a funcionar a 100% Matérias-Primas Mão-de-obra de fabrico Utilidades e Serviços Custos Manutenção Directos Patente Solvente Fornecimentos diversos Custos Indirectos Amortização Custos Fixos Seguros HR (X kton) 500.000 € 68.750 € 982.073 € 284.578 € 47.244 € 5.670 € 14.229 € 105.998 € 306.213 € 47.430 € HR (Y kton) 700.000 € 68.750 € 1.374.903 € 360.156 € 63.399 € 8.505 € 18.008 € 128.672 € 387.537 € 60.026 € Total 2.362.185 € 4.671.661 € Unidade Custo de Fabrico Em suma, o custo de fabrico por tonelada de dióxido de carbono puro produzido é apresentado para as diferentes unidades e capacidades, na Tabela 32. Tabela 32 – Diferentes partes do Custo de Fabrico de CO2 com unidade a funcionar a 100% Custos Directos (€/ton de CO2) HR (X kton) 38,8 € HR (Y kton) 37,7 € Custos Indirecto (€/ton de CO2) 2,3 € 2,0 € Custos Fixos (€/ton de CO2) 7,1 € 6,4 € Custo Fabrico (€/ton de CO2) 48,2 € 46,1 € Unidade A estimativa dos custos de produção das diferentes unidades só ficaram completas com a determinação das despesas gerais. Estas despesas envolvem: despesas de administração, serviço de vendas, distribuição e marketing, despesas de Investigação e Desenvolvimento (I&D) e encargos financeiros. No entanto, atendendo à dimensão da unidade em consideração, deste conjunto de despesas apenas devem ser determinados os encargos financeiros, dado que as despesas de administração e investimentos em I&D se podem admitir como inexistentes, enquanto que os serviços de vendas e marketing não seriam necessários dado que a unidade iria 79 estar em funcionar dentro de um regime programado contratualmente e o custo da distribuição é determinado isoladamente. Os custos relativos a encargos financeiros resultam da aplicação de capitais alheios e correspondem ao pagamento da parcela anual deste capital, tal como ao valor de juros que está associado ao capital alheio acumulado ainda em dívida. Para este projecto, optou-se por uma estimativa pessimista e considerou-se que o capital próprio de investimento era de 0€. Assim, todo o investimento a efectuar corresponde a capital alheio. Os encargos financeiros anuais a pagar ao longo da vida útil da unidade de X kton localizada a jusante do HR encontra-se registado na Tabela 33, para exemplo. Tabela 33 – Determinação dos encargos financeiros – exemplo da unidade de X kton a jusante do HR Ano 2012 2013 2014 2015 (….) 2025 2026 Capital Alheio (€) 11.482.978 € 10.717.446 € 9.951.914 € 9.186.382 € (………….) € 1.531.064 € 765.532 € Reposição (€/ano) 765.532 € 765.532 € 765.532 € 765.532 € (……..) € 765.532 € 765.532 € Juros (€/ano) 574.149 € 535.872 € 497.596 € 459.319 € (……..) € 76.553 € 38.277 € Total de encargos (€/ano) 1.339.681 € 1.301.404 € 1.263.128 € 1.224.851 € (……….) € 842.085 € 803.808 € O custo de produção de CO2, segundo cada uma das possíveis unidades de recuperação de CO2, é apresentado na Tabela 34. Tabela 34 – Diferentes partes do Custo de Fabrico de CO2 com unidade a funcionar a 100% Unidade Custo Fabrico (€/ton de CO2) HR HR (X kton) (Y kton) 48,2 € 46,1 € Despesas Gerais (€/ton de CO2) 20,7 € 18,7 € Custo de Produção (€/ton de CO2) 68,9 € 64,8 € 80 8.5 Análise de Rentabilidade Posteriormente, pode-se agora utilizar o custo de produção determinado e o custo de transporte (do subcapítulo 8.2), para verificar com o preço de venda do produto (CO2 puro com especificação alimentar) qual a possível margem de lucro da unidade. Deve-se ainda relembrar que o custo de transporte de CO2 revelado na Tabela 35 é referente a um raio de distribuição de produto até 200 km, sendo que caso esta distância seja de 300 km este valor poderá mesmo duplicar. Assim, o custo total de produção e distribuição de CO2 será dado em função da capacidade da unidade de recuperação e por tonelada de produto produzido, como se apresenta na Tabela 35. Tabela 35 – Custo de Produção de CO2 com unidades a funcionar a 100% HR HR (X kton) (Y kton) 68,9 € 64,8 € Custo de Produção (€/ton de CO2) Unidade Custo de Transporte (€/ton CO2) 20,8 € 20,8 € Custo Total (€/ton de CO2) 89,7 € 85,6 € O preço de venda do produto foi calculado com a quantidade de produto (toneladas) e o volume monetário correspondente ao consumo de CO2 em Portugal através de dados disponibilizados pelo Eurostat e, seguidamente, actualizado com recurso aos índices de preços do Banco Central Europeu [E.C.B.] . Os valores para o período de 2006 a 2009 apresentam-se na Tabela 36. Tabela 36 – Preço de mercado do CO2 líquido para Portugal [Eurostat] Preço de venda (€/ton CO2) Preço Actualizado (€/ton CO2) 2006 2007 2008 2009 105,1 € 99,2 € 93,3 € 100,7 € 116,7 € 107,2 € 95,1 € 108,2 € O valor médio de preço de venda do produto é de 106,8 €/ton CO2. Determinação do Ponto Crítico Um dos parâmetros mais relevantes para determinar a viabilidade económica da unidade de recuperação de CO2 será a determinação do ponto crítico de funcionamento desta unidade. O ponto crítico é o nível mínimo de capacidade (ou volume de produção) que permite a cobertura, pelas receitas, dos custos de produção. Ou seja, consiste na determinação da capacidade mínima para que o funcionamento da unidade seja lucrativo. Assim, o ponto crítico pode ser calculado pela equação 12: 81 (eq. 12) em que Q (ton/ano) é a quantidade de produto que é produzido, Pu (€/ton) o preço unitário de venda do produto, CVu (€/ton) o custo unitário variável e, CF (€/ano) os custos fixos. A principal desvantagem deste método de estimativa de rentabilidade da unidade está em admitir que os custos variáveis são todos proporcionais e que, qualquer que seja o nível de produção, não existe alteração do preço unitário de venda. Neste caso, consideram-se como custos fixos, o somatório dos custos de fabrico fixos com a amortização do investimento e os custos de fabrico indirectos. Os valores calculados para o ponto crítico considerando como receita máxima a venda do produto ao preço de venda (descontando o custo de transporte), apresentam-se na Tabela 37. Tabela 37 – Ponto crítico das possíveis unidades de CO2 Ponto Crítico % da capacidade HR (X kton) 74% HR (Y kton) 65% Analisando a Tabela 37, conclui-se que para que a unidade de recuperação de CO2 seja lucrativa é necessário que esta utilize os valores de capacidade referidos e que consiga vender e distribuir o seu produto, num raio de 200 km face à localização da sua produção. Consequentemente, sabendo que a taxa de utilização média das unidades de CO2 na Europa, que é de 63%, constata-se que a unidade com maior rentabilidade é aquela que possui maior capacidade produtiva. Por outro lado, além da determinação do ponto crítico de funcionamento da unidade de recuperação de CO2, é importante determinar alguns critérios de rentabilidade (ainda mais caso o capital alheio seja elevado, que no caso é de 100% do investimento) que tenham em atenção o factor tempo: o valor líquido actual (VLA) a taxa interna de rentabilidade (TIR) e o período de recuperação de capital (PR). Valor Líquido Actual (VLA) O critério de Valor Líquido Actual é particularmente vantajoso para seleccionar entre os vários projectos de níveis de investimento semelhantes e conhecida a taxa de financiamento. O cálculo do VLA traduz-se no somatório dos Cash-Flow anuais actualizados à taxa escolhida, que no caso foi determinada em 2,74% (para uma taxa de juro do banco de 5% e uma taxa de inflação de 2011 de 2,2 %). 82 Deste modo, o VAL é dado pela equação (13), tendo em atenção que ao fim de n anos de vida útil do projecto se prevê que os bens investidos têm um valor residual (Vr). CFk I k Vr k (1 i) n k 0 (1 i ) n VAL (eq. 13) De acordo com os valores obtidos, o VAL de cada uma das unidades de recuperação de CO2 é apresentado na tabela abaixo, sendo que todos apresentam um valor positivo pelo que a decisão de investir será favorável. Tabela 38 – Valor Líquido Actual das diferentes unidades possíveis de CO2 Indicador Rentabilidade VAL (mil €) HR (X kton) 11.749 HR (Y kton) 23.264 Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) Outro critério normalmente aplicado para decidir entre os projectos de investimento alternativos, que apresentem níveis de investimento e vidas úteis diferentes. Aqui, pretende-se determinar a taxa de juro de actualização que permite igualar o somatório dos Cash-Flow de exploração ao somatório dos investimentos, ou seja, o valor de taxa i que torna o VLA nulo. Assim sendo, a TIR é determinada por resolução da equação (14). CFk I k 0 TIR i k k 0 (1 i ) n VAL (eq. 14) A taxa interna de rentabilidade pode ser comparada com a taxa de juro do próprio projecto por forma inferir se este é suficientemente rentável para cobrir os capitais (próprios e alheios) envolvidos no projecto e, respectivas remunerações. Pode-se, ainda, salientar que a TIR e o VLA são critérios complementares: quanto maior o VLA de um projecto, mais baixa a taxa de juro do capital e maior será a sua TIR, tornando assim mais justificável o investimento. Tabela 39 – Taxa Interna de Rentabilidade das diferentes unidades possíveis de CO 2 Indicador Rentabilidade HR HR (X kton) (Y kton) TIR (%) 13,1% 17,5% 83 Período de Recuperação (PR) O último critério de rentabilidade que deve ser analisado será o de período de recuperação, que permite medir o tempo que decorre entre a realização do investimento e, a sua recuperação através do Cash-Flow de exploração acumulado. Neste critério, prevalece o factor tempo e, como tal, o seu cálculo consiste na resolução da equação (15) em ordem ao tempo t. t CFk (1 i) k 0 (eq. 15) k Tabela 40 – Determinação do Cash-Flow total („mil €) – exemplo da unidade de X kton no HR Cash-Flow Total Cash-Flow Acumulado Cash-Flow Actualizado Cash-Flow Actualizado Acumulado Valor Residual Valor Residual Actualizado Período de Recuperação 2011 0 2012 1 2013 2 2014 3 (…) 2019 8 (…) 2025 14 2026 15 -11.483 € 570 € 1.665 € 2.073 € (…) 2.026 € (…) 1.871 € 1.861 € -11.483 € -10.913 € -9.247 € -7.174 € (…) 3.050 € (…) 14.619 € 16.481 € -11.483 € 555 € 1.621 € 1.964 € (…) 1.676 € (…) 1.316 € 1.275 € -11.483 € -10.928 € -9.307 € -7.342 € (…) 1.598 € (…) 10.329 € 11.604 € 0€ 0€ 0€ 0€ (…) 0€ (…) 0€ 190 € 0€ 0€ 0€ 0€ (…) 0€ (…) 0€ 145 € -11.483 € -10.636 € -9.059 € -6.956 € 7.269 € 7.948 € 1.322 € Assim, determinou-se um período de recuperação de para cada uma das possíveis unidades de recuperação de CO2, após o início de laboração da unidade fabril. Tabela 41 – Período de Recuperação das diferentes unidades possíveis de CO 2 Indicador Rentabilidade HR HR (X kton) (Y kton) PR (anos) 8 6 84 8.6 Análise de Sensibilidade No capítulo anterior foi verificada a viabilidade de instalação de uma unidade de recuperação de CO2 a jusante das duas unidades de hidrogénio HI e HR. No entanto, interessa verificar se uma perturbação em factores externos provocaria mudanças substanciais no rendimento e rentabilidade da unidade, tendo-se analisado as principais variáveis: preço da matéria-prima e preço de transporte, bem como investimento na unidade. Variação do preço da “matéria-prima” A primeira variável a analisar é o custo da matéria-prima, dado que este representa normalmente uma fracção considerável dos custos de fabrico da unidade e pode por si só determinar a viabilidade ou inviabilidade da unidade fabril, consoante as características do mercado. Como foi visto no subcapítulo 8.4, o valor da matéria-prima não está explicitamente fixo e têm como intervalo de referência 5 a 25 €/ton CO2, tendo-se, inicialmente, considerado que tinha um valor inferior a 15 €/ton CO2. Logo, para efectuar uma análise de sensibilidade de modo a verificar se a rentabilidade da unidade estaria em risco foram provocadas alterações no preço: 15 ou 20 €/ton CO2. Consequentemente, foram determinados os valores de custo de produção tendo-se este subida de 7 a 8% para um preço de 15€/ ton CO2 e de 15 a 16% para um preço de 20€/ ton CO2. Assim, os valores de custo de ponto crítico correspondentes são também superiores e implicam um mercado de procura estável e dimensão considerável. 100% Caso Base 15 € /ton CO2 20 € /ton CO2 Ponto Crítico - Taxa de Utilização (%) 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% (X kton) (Y kton) HR HR Figura 45 – Ponto-Crítico das unidades de CO2 com novos preços de “matéria-prima” 85 Analisando as alterações dos custos de produção, é perceptível que alterações no preço (15 e 20 €/ton CO2) determinam uma redução de margem de lucro da unidade devido a uma subida considerável no custo de produção de cada unidade. Tabela 42 – Critérios de rentabilidade com preço da matéria-prima = 15 €/ton CO2 Indicador Rentabilidade HR HR (X kton) (Y kton) VLA (mil €) 9.487 19.693 TIR (%) 11,3% 15,5% PR (anos) 8 7 Tabela 43 – Critérios de rentabilidade com preço da matéria-prima = 20 €/ton CO2 HR HR VLA (mil €) (X kton) 7.224 (Y kton) 16.121 TIR (%) 9,4% 13,3% PR (anos) 9 8 Indicador Rentabilidade Finalmente, analisando as perturbações verificadas nos valores dos critérios de rentabilidade – VLA, TIR e PR – conclui-se que a unidade de menor dimensão está muito susceptível a variações, sendo que em qualquer um dos casos de alteração do preço da matériaprima (20€/ton), se verifica uma alteração do período de recuperação do investimento em 1 ano. Quanto ao VLA, constata-se que este sofre uma redução assinalável de 19 e 15% para o preço para 15 €/ton, e de 38 e 31% para o preço para 20 €/ton para as unidades de X e Y kton/ano, respectivamente. Variação do preço de transporte No subcapítulo 8.4, foi mencionado que o custo do transporte de CO2 poderia duplicar caso a distância de distribuição sofresse uma alteração de 200 para 300 km. Este incremento irá ditar alterações ao nível do ponto crítico e dos critérios de rentabilidade – VLA, TIR e PR. Assim, consideraram-se dois novos valores para o custo de transporte: 25 €/ton CO2 (subida de 20%) e 31,2 €/ton CO2 (subida de 50%). 86 100% Caso Base 25 € /ton CO2 31,2 € /ton CO2 Ponto Crítico - Taxa de Utilização (%) 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% (X kton) (Y kton) HR HR Figura 46 – Ponto-Crítico das unidades de CO2 com novos preços de transporte Examinando os valores das tabelas acima, é verificável a relevância que a proximidade (ou não) do cliente face à unidade fabril tem. Uma alteração no custo de transporte provoca drásticas variações no ponto crítico da unidade e nos seus critérios de rentabilidade, determinando, no caso da subida de 50%, um incremento máximo no ponto crítico de 19%. Tabela 44 – Critérios de rentabilidade com mudança de preço de transporte – 25 €/ton CO2 HR HR VLA (mil €) (X kton) 9.907 (Y kton) 20.357 PR (anos) 8 7 Indicador Rentabilidade Tabela 45 – Critérios de rentabilidade com subida de 50% do custo de transporte Indicador Rentabilidade HR HR (X kton) (Y kton) VLA (mil €) 7.127 15.968 PR (anos) 9 8 87 Variação do preço do produto final Por outro lado, tendo em atenção que este mercado não é regulado e que o preço de venda do produto CO2 é frequentemente influenciado pela dimensão da entrega, pode-se adoptar um preço mais realista para o produto final. Assim, foi escolhido o valor de 150 €/ton CO2 que está mais perto do praticado pelas empresas que fornecem este produto à Refinaria de Sines para tratamento de águas. Caso Base 100% 150 € /ton CO2 Ponto Crítico - Taxa de Utilização (%) 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% (X kton) (Y kton) HR HR Figura 47 – Ponto-Crítico das unidades de CO2 com novo preço de venda do produto final Observando a Figura 47, é possível constatar que o aumento do preço de venda do produto final implica um incremento substancial da margem de lucro da unidade e, como tal, a taxa de utilização descerá entre 34 e 29% para as unidades de X e Y kton de capacidade, respectivamente. Esta subida da margem de lucro da unidade também pode ser verificada nos critérios de rentabilidade aplicados, onde se verifica que o período de recuperação decresce de 8 e 6 anos para 5 e 4 anos, respectivamente. Tabela 46 – Critérios de rentabilidade com mudança de preço de venda – 150 €/ton CO2 HR HR VLA (mil €) (X kton) 30.904 (Y kton) 53.506 TIR (%) 25,9% 32,7% PR (anos) 5 4 Indicador Rentabilidade 88 Comparação de Investimentos com outras fontes de CO2 A nível teórico é interessante verificar se o custo de captura relatado no capítulo 1 consoante a fonte do CO2 também se traduz num menor investimento e, se conforme mencionado no capítulo 5, a captura de CO2 antes da unidade de PSA para a mesma fonte se verifica mais lucrativa. Tabela 47 – Investimentos realizados em diferentes fontes de CO2 Unidade, Fonte CO2 e Localização Air Liquide - Amoníaco (Geleen, Holanda) Investimentos Capacidade Ano do („ mil €) (kton/ano) Investimento 12.000 € 120 2008 Messer – Óxido de Etileno (Antwerp, Bélgica) 17.000 € 150 2010 Air Liquide – Bioetanol (Wissington, UK) 10.000 € 70 2010 Tabela 48 – Comparação de investimentos utilizando diferentes fontes de CO 2 („mil €) Air Liquide - Amoníaco HR (X kton) 6.833 € HR (Y kton) 8.077 € Messer – Óxido de Etileno 8.080 € 10.226 € Air Liquide – Bioetanol 9.544 € 12.080 € Comparação de Investimentos com processo de absorção química com aminas Por outro lado, de acordo com o investimento mais recente (Janeiro de 2011) realizado em uma unidade de aminas (aMDEA) para recuperação de CO2 da corrente de Syngas na Argentina, de 7,015 M€ para uma unidade de capacidade de 47,2 kton/ano é possível prever investimento para as unidades em análise. Tabela 49 – Comparação de investimentos utilizando diferentes processo de captura de CO2 („mil €) HR (X kton) HR (Y kton) Unidade de aminas (aMDEA) 7.302 € 9.241 € Unidade FlashCO2 11.483 € 14.533 € Analisando a Tabela 49 verifica-se um investimento menor em unidades de idêntica dimensão, recorrendo ao processo de absorção química com aminas. É ainda de mencionar que considerando pressupostos semelhantes (capital próprio de 0 €), verifica-se que tendo em conta os custos de captura valorizados em 5.1 (i.e. em 19,9 €/ton CO2) e consequentes custos de produção inferiores ao processo de FlashCO2: 57,8 face a 68,9 €/ton CO2 (valores máximos). 89 9. Conclusões O presente trabalho contemplou: um estudo geral sobre o mercado de dióxido de carbono líquido na Europa e, particularmente, na Península Ibérica; verificação das diferentes aplicações deste produto; analise dos distintos processos de recuperação deste composto existentes; selecção do processo ideal para utilizar nas unidades de hidrogénio da Refinaria de Sines e breve análise técnica, logística e económica da implementação de uma unidade de recuperação de CO2 no normal funcionamento da Refinaria. O estudo geral sobre o mercado de CO2 liquida permitiu concluir que, na Península Ibérica, a taxa de utilização das unidades de produção de CO2 é de 63% e que o consumo total é de perto 450 kton/ano (para uma capacidade de 722 kton/ano), sendo o país espanhol responsável por 96% da produção. Os produtores com maior quota deste mercado são a Praxair, a Air Liquide e a Linde (por ordem decrescente de capacidades – 33, 28 e 18%), representando juntos acima de 79% da produção total de CO2 líquido. Por outro lado, analisando os dados disponíveis do continente europeu, constatou-se que o mercado é de 3600 kton/ano (para capacidade total de 5600 kton/ano), que equivale a uma taxa de utilização de 62%. Os três maiores produtores são a Linde, a Air Liquide e a Yara (por ordem decrescente de capacidades) e a produção de CO2 está localizada principalmente na Holanda, seguida de Alemanha, Reino Unido e Espanha (estes representam cerca de 65% da capacidade total). Na análise comparativa das unidades de hidrogénio existentes na refinaria de Sines, verificou-se que o consumo de utilidades da nova unidade de Steam Reforming, sofre uma redução assinalável. Na selecção dos processos foi possível expor as vantagens de cada um e determinar que a aplicação da captura de CO2 antes da subunidade PSA seria realizada com recurso a um processo de absorção química de aminas (especificamente, MDEA) e que a captura após a PSA seria, preferencialmente, efectuada utilizando um processo criogénico, mais concretamente o FlashCO2. A ponderação de todos os factores de decisão, determinou a eleição da localização da captura depois da PSA e a, consequente, aplicação do processo criogénico FlashCO2. Posteriormente, foram estimadas as capacidades máximas e mínimas das unidades de recuperação de CO2, tendo-se obtido para a unidade HI um potencial de recuperação de CO2 entre 60 e 90 kton/ano e para a unidade HR entre 270 e 340 kton/ano. Através de uma análise técnica e logística da implementação de uma unidade de recuperação de CO2 na Refinaria de Sines, constatou-se que a integração desta unidade deve ser realizada a jusante da unidade de produção de hidrogénio HR, que está localizada na Fábrica III. Decompondo as consequências da introdução desta nova unidade, verificou-se que, somente, 90 seria requerido o aumento do consumo de gás natural para combustível de aquecimento na fornalha da subunidade SMR caso a corrente de off-gas não retorne à fornalha. No estudo executado ao processo escolhido, FlashCO2 , efectuou-se a estimativa de todas as parcelas relevantes para determinar o custo de produção de CO2. Assim, depois de determinar esse custo, foi possível compará-lo com o preço de venda do produto, dióxido de carbono puro com especificação alimentar, e verificar qual a margem de lucro da unidade. Assim, considerando o mercado de CO2 líquido existente: Portugal e parte do Sul de Espanha que está contida no raio de distribuição do produto final (i.e. até 200 km), determina-se que este se encontra condicionado entre 50 a 70 mil toneladas por ano A previsão do investimento foi realizada com recurso à Regra de Williams, tendo-se determinado valores aproximados de 11, 5 e 14,5 milhões de euros para as capacidades de X e Y kton/ano, respectivamente. Logo, o custo total de produção e distribuição de CO2 varia entre 68,9 e 64,8 €/ton CO2 (ver Tabela 35), considerando um capital próprio para a unidade de 0€. Na análise económica preliminar (com margem de erro associada de 10 a 25%), concluiu-se que o funcionamento da unidade pode ser rentável, desde que a produção esteja acima do ponto crítico determinado para cada unidade (e que decorra a respectiva venda de praticamente todo o volume de produção). Os valores calculados para o ponto crítico das diferentes unidades variam entre 74 e 65 %, segundo os dados da Tabela 37. Posteriormente foram determinados os critérios de rentabilidade para cada uma das possíveis unidades, tendo-se obtido um Valor Líquido Actual positivo e superior ao investimento (entre 11, 7 e 23,3 milhões de euros, consoante a unidade) e as consequentes taxas internas de rentabilidade também elevadas. Estes valores conjuntamente com os períodos de recuperação de capital determinados (Tabela 41), permitem concluir que a instalação da unidade será viável e rentável embora com um período de recuperação elevado (entre 8 e 6 anos). Por outro lado, foi efectuada uma análise de sensibilidade que permitiu constatar a importância do preço da “matéria-prima” e do transporte do produto no seu custo total. Para analisar os impactos destas variações foram determinados os valores de ponto crítico e dos critérios de rentabilidade. Analisando os desvios obtidos nestes parâmetros verificou-se que a distancia de distribuição do produto é vital para a rentabilidade da unidade, sobrepondo-se o seu efeito ao efeito de aumento do preço da “matéria-prima” (comparação entre a Figura 45 e a Figura 46), dado que o efeito da subida em 50% do custo de transporte, na taxa de utilização, é igual ao efeito de duplicação do custo na matéria-prima. No entanto, ambas as unidades de recuperação de CO2 a jusante da unidade HR justificaram-se rentáveis mesmo nas condições das análises de sensibilidade, embora seja de referir que nos casos mais graves será necessário garantir que a 91 unidade vende toda a sua produção e que esta decorre sem incidentes relevantes, permitindo à unidade ter um regime perto do limite de operação. Por outro lado, ainda dentro da análise de sensibilidade, com a utilização de um preço mais realista e próximo daquele praticado pelos fornecedores deste produto à Galp Energia, verificou-se que a adopção deste preço para as unidades em análise permitiria incrementar a margem de lucro e, consequentemente, obter um ponto crítico de funcionamento da unidade muito inferior (taxa de utilização descerá entre 34 e 29% para as unidades de X e Y kton, respectivamente). Nesta situação os parâmetros de rentabilidade denotam a maximização do lucro da unidade (ver Tabela 46), sendo praticável a obtenção de um período de recuperação inferior a 5 anos em qualquer uma das unidades. Em suma, com este trabalho pode-se concluir que a integração de uma unidade de recuperação de dióxido de carbono deve ser realizada a jusante da unidade HR (na Fábrica III da Refinaria de Sines) sem complicações de maior nível técnico para esta unidade e, desde que, o regime de venda seja contratualizado e a unidade funcione acima do seu ponto crítico. 92 Referências Bibliográficas Aresta, Michele; Carbon Dioxide as Chemical Feedstock, Wiley-VCH Verlag GmbH & Co. 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Molar kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h 0,41 377,83 16,43 8,21 4,11 2,05 410,69 0,41 377,90 16,43 8,21 4,11 2,05 423,46 0,41 377,89 16,43 8,21 4,11 2,05 1941,57 149,01 60,72 0 0 0 0 2740,19 332,38 60,72 0 0 0 0 1958,08 0 6,54 0 0 0 0 1321,7 332,39 54,11 0 0 0 0 623,62 C. Mass. Temp. Pressão kg/h °C barg 7340 20 33 7367 19,93 31,2 34716 520 29,4 34716 330 25,9 20607 34,99 23,6 2758 40,1 23 17823 30,0 1,30 Descrição da Corrente Entrada Entrada Syngas to G. N. saída Reformer HTS PSA Dessulf. 0 1518,11 970,19 4,96 0 1,64 1,64 1,64 12,70 12,71 1307,89 1491,90 0 0 250,70 66,48 98 Anexo 3 – Balanço material à unidade HR (dados de projecto) Identificação da Corrente Descrição da Corrente H2O N2 He H2 CO CO2 CH4 C 2H 6 C 3H 8 n-Butano i-Butano n-Pentano i-Pentano C. Molar C. Mass. Temp. Pressão kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kmol/h kg/h °C barg 001 Gás Natural Carga 0 1,37 1,37 0 0 5,46 1252,53 54,64 27,32 13,66 6,83 0,68 0,68 1364,54 24515 20 39 003 H2 Reciclado 0 0,07 0 68,23 0 0 0,07 0 0 0 0 0 0 68,37 141 81 38,3 007 Entrada PreReformer 2737,28 1,43 1,37 68,23 0 5,46 1252,6 54,64 27,32 13,66 6,83 0,68 0,68 4170,18 73968 520 35,5 010 012 Entrada Reformer Entrada HTS 4057,27 1,43 1,37 362,86 2,79 121,08 1414,20 0 0 0 0 0 0 5961 101964 650 33,1 2637,8 1,43 1,37 4024,88 825,91 419,25 292,92 0 0 0 0 0 0 8203,58 101965 340 29,9 019 020 301 Syngas Produto Tail Gas para H2 da PSA PSA 11,76 0 11,76 1,44 1,41 0 1,37 0 1,37 4596,01 4015,4 505,56 261,6 0,02 261,58 983,55 0,02 983,53 292,92 4,02 288,82 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 6148,65 4020,82 2052,62 64836 8201 56483 35 40 17 28,1 27 0,3 99 Anexo 4 – Previsão de Investimentos Tabela 51 – Índices de preços de Nelson e CE Ano Índices de Preços 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Nelson refinery Inflation Index (Ano base = 1946) 2.008,1 2.106,7 2.251,4 2.217,7 2.337,6 2.396,1 Chemical Engineering (CE) Plant Cost Index (Ano base = 1960) 499,6 525,4 575,4 521,9 550,7 564,8 Tabela 52 – Valores de investimento previstos com dados da unidade do Chile Union Engineering FlashCO2 Chile HR (X) HR (Y) CEPCI index Investimento Actualizado 11.482.978 € 14.532.628 € Nelson index Investimento Actualizado 11.464.346 € 14.509.048 € Tabela 53 – Valores de investimento previstos com dados da unidade de Marl (Ruhr) HR (X) CEPCI index Investimento Actualizado 9.950.511 € Nelson index Investimento Actualizado 10.502.501 € HR (Y) 12.593.168 € 13.291.756 € Air Liquide - CPU Marl Tabela 54 – Valores de investimento previstos com dados da unidade de Rotterdam Air Liquide - CPU Rotterdam HR (X) HR (Y) Investimento 9.976.312 € 12.625.821 € 100 Anexo 5 - Evolução do custo Produção Tabela 55 – Determinação do custo de produção – exemplo da unidade de X kton no HR Período 2012 2013 2014 2015 (…) 2025 2026 Capacidade Fabril 40% 80% 100% 100% 100% 100% 100% 72,7 € 51,5 € 47,2 € 47,2 € (…) 49,84 € 49,84 € Custos Directos (€/ton CO2) 49,8 € 40,0 € 38,1 € 38,1 € (…) 40,00 € 40,00 € Custos Indirectos (€/ton CO2) 5,3 € 2,6 € 2,1 € 2,1 € (…) 2,69 € 2,69 € Custos Fixos (€/ton CO2) 17,7 € 8,8 € 7,1 € 7,1 € (…) 7,15 € 7,15 € Despesas Gerais (€/ton CO2) 67,0 € 32,5 € 25,3 € 24,5 € (…) 16,84 € 16,08 € Custo Produção (€/ton CO2) 139,7 € 84,0 € 72,5 € 71,7 € (…) 66,69 € 65,92 € Custo Fabrico (€/ton CO2) Tabela 56 – Determinação do custo de produção – exemplo da unidade de Y kton no HR Período 2012 2013 2014 2015 (…) 2025 2026 Capacidade Fabril 40% 80% 100% 100% 100% 100% 100% 67,99 € 49,12 € 45,34 € 45,29 € (…) 47,56 € 47,56 € Custos Directos (€/ton CO2) 47,27 € 38,76 € 37,05 € 37,05 € (…) 38,81 € 38,81 € Custos Indirectos (€/ton CO2) 4,60 € 2,30 € 1,84 € 1,84 € (…) 2,35 € 2,35 € Custos Fixos (€/ton CO2) 16,13 € 8,07 € 6,45 € 6,39 € (…) 6,39 € 6,39 € Despesas Gerais (€/ton CO2) 60,55 € 29,41 € 22,84 € 22,14 € (…) 15,22 € 14,53 € Custo Produção (€/ton CO2) 128,55 € 78,53 € 68,18 € 67,43 € (…) 62,78 € 62,09 € Custo Fabrico (€/ton CO2) 101