A Ausência de Comunicação Visual e o aluno Surdo no Centro de
Educação da Universidade Federal Pernambuco
Geiza Maria Cavalcante Brasil.1
Prof° Dr. Francisco J Lima 2
Resumo
Esta pesquisa visa avançar nas discussões sobre a inclusão dentro do Centro
de Educação (CE) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com
enfoque na comunicação com a pessoa surda, visto que há uma necessidade
de sinalizar, de forma clara, os diversos ambientes existentes no CE/UFPE.
Analisando que os alunos que ingressam semestralmente neste Centro,
constantemente se vêem sem a mínima orientação necessária dentro deste
espaço – seu próprio local de estudo, verificamos através de fotos e entrevistas
com os professores do mesmo, as perspectivas destes sobre a informação
visual dentro do CE/UFPE e indicações de pequenas sugestões para a
universalização destas informações, no tocante ao acesso e à permanência
com qualidade e independência de todos que o freqüentam.
Palavra-Chave: Inclusão. Acessibilidade. Educação da pessoa surda.
Introdução
Buscando ampliar as discussões sobre a acessibilidade, a partir das
necessidades de informação visual, destacadamente dentro do Centro de
Educação da Universidade Federal de Pernambuco, instituição que prima pela
formação de educadores que atuarão em todos os níveis da educação, da
básica à superior. Entendemos, pois, ser este um local que deve estar, acima
de tudo, preocupado com a Educação de TODOS, e por ser a Universidade,
um ambiente de grande contribuição para as reflexões sociais. Não
entendemos ser possível que este ambiente deixe de se adequar a todos
indistintamente, pois de acordo com Vygotsky, citado por Braga (1996, p.78):
1
Graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal de Pernambuco. Professora da Rede Municipal do
Jaboatão dos Guararapes. [email protected]
2
Professor da Universidade Federal de Pernambuco – Departamento de Psicologia e Orientação
Educacional, organizador do Centro de Estudos Inclusivos da UFPE . [email protected]
2
“O futuro das crianças com necessidades especiais depende muito
da possibilidade que elas venham a ter de interação com o meio
social.
O
contato
com
o
outro
provoca,
na
criança
um
desenvolvimento intrapsicológico melhor. E, ainda, que as crianças
com
necessidades
especiais,
podem
criar
uma
delimitação
secundária para a sua dificuldade, que devido à ausência de
experiências socioculturais que lhes é imposta, estas podem se
tornar tão fortes que passam a fazer parte das características da
diferença apresentada”.
Podemos compreender, a partir do pensamento de Vygotsky, que diante
da atual demanda heterogênea nos níveis de ensino fundamental e médio da
rede regular, surge a necessidade de um pensar a inclusão de todos dentro do
ambiente universitário, voltado a proporcionar autonomia, no que se refere à
estrutura das informações visuais que existem dentro do CE-UFPE.
Acreditamos que este trabalho venha a colaborar com o avanço nas
discussões sobre a inclusão no Centro de Educação, com um enfoque especial
na inclusão da pessoa surda. Assim, com este trabalho, buscamos verificar
situações e apontar sugestões para a universalização das informações visuais,
no que diz respeito ao acesso e a permanência com qualidade para todos os
que o freqüentam.
Assim sendo, nosso estudo realizou entrevistas com os professores do
Centro de Educação da UFPE, com o objetivo de identificar as perspectivas
dos mesmos em relação à informação visual dentro desse centro, visto que,
por se tratar de uma instituição pública, estes podem vir a ser nomeados
chefes de departamento, e ainda coordenadores ou diretores desta mesma
instituição. Está aí a importância das entrevistas com esses professores sobre
o tema, para que possamos perceber a sensibilidade dos mesmos em relação
aos alunos, que ingressam a cada semestre no Centro de Educação, e que
constantemente se vêem sem acessibilidade comunicacional dentro do próprio
ambiente de estudo.
Portanto, no presente estudo, tratamos não somente da detecção dos
locais onde ocorre a ausência de informação visual, como também
apresentamos sugestões acerca do problema exposto, procurando tornar
3
menos excludentes os ambientes do CE-UFPE, auxiliando na discussão bem
como na ampliação do acesso às informações visuais no Centro de Educação.
ALGUNS ASPECTOS TEÓRICOS
O mundo contemporâneo faz com que todos nós estejamos imersos em
imagens. A competição comercial própria do capitalismo, associada às
facilidades da imprensa, da fotografia, do cinema, da televisão e dos
computadores, faz com que estejamos mergulhados em um universo de apelos
através de imagens, no qual o aspecto visual é preponderante. (Garcez, 2001).
Visto isso, compreendemos que o conhecimento que vem a ser construído pelo
indivíduo é produto da compreensão das informações recebidas. Quando nos
referimos à informação visual, devemos nos reportar não apenas as pessoas
com deficiência, mas a todos, visto que a interpretação dessas informações
será, indistintamente, útil a todos.
Diante das observações constantes da realidade do CE-UFPE, no
tocante a informação visual fez-se necessária à observação inicial do que
afirma:
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), nº 9.394/96, apresentase como um marco de grande relevância para a educação brasileira, pois foi a
primeira que tratou com distinção o segmento da educação especial na
perspectiva da educação inclusiva: ela prevê a ampliação do atendimento
educacional em rede pública para os educandos com necessidades
educacionais especiais nos níveis da educação infantil ao nível superior.
Esta lei vem abrir de forma definitiva e concretamente uma perspectiva
para esses educandos. Partindo daí, concordamos com o pensamento de
STAINBACK (2004), que afirma terem sido grandes os progressos nas áreas
de diversidade e eqüidade com melhores oportunidades educacionais e maior
disponibilidade de informações necessárias a educadores que ensinam grupos
de estudantes diversos. Entretanto, a promoção de ambientes educacionais
flexíveis e sensíveis às necessidades singulares de todo aluno não é uma
tarefa fácil no âmbito da educação tradicional. Ainda que diante de um avanço
4
significativo no campo do direito à educação, percebemos que ainda não há,
por parte dos professores, uma preocupação com certos grupos vulneráveis,
por exemplo, os das pessoas com deficiência.
Afirma STAINBACK (2004:15), sobre a transformação dos processos
educativos:
“As mudanças na educação ao longo dos anos assumiram muitas
formas e progressos graduais foram feitos. Os desenvolvimentos têm
sido cada vez mais progressistas rumo a critérios educacionais e
sociais mais inclusivos. (...) na educação o movimento tem se
manifestado em mudanças como: da educação dos privilegiados
para a educação popular; do desenvolvimento das escolas especiais
para o enfoque nos direitos de todas as crianças de receber
educação; para o reconhecimento da necessidade de proximidade e
interação
entre
alunos
de
diferentes
características,
sem
discriminação, em ambientes escolares naturais”.
Portanto, ao percebermos este avanço, é necessário que os ambientes
também se adeqüem a esse novo modelo de sociedade que surge diante nós:
a escola inclusiva, aqui também compreendida a universidade, a qual deve
adequar-se para oferecer a todos os seus alunos, professores, funcionários,
igualdade de oportunidade e de acessibilidade de maneira a permitir a
independência e o empoderamento.
Para o professor de Harvard, Robert Barth (1990, p.514-515):
“As diferenças representam grandes oportunidades de aprendizado.
As diferenças oferecem um recurso grátis, abundante e renovável...
o que é importante nas pessoas – e nas escolas – é o que é
diferente, não o que é igual”.
Podemos chamar de imprescindível para a nossa atual sociedade
compreender esse fato, uma vez que, estamos constantemente aprendendo
uns com os outros, nas diversas relações que estabelecemos no nosso dia a
dia. E, é essa convivência que faz com que as trocas se tornem valiosas dentro
do processo de aprendizagem. É através da alteridade que construímos novas
posturas e novas perspectivas dentro do campo/área que estamos nos
aprofundando.
5
Ao respeitar e as necessidades de alunos, professores, funcionários de
universidade, e ao reconhecer de que todos somos diferentes, a universidade
promove entre outros aspectos o que a Declaração de Washington, Principio
de Vida Independente, defende: a Vida Independente. Esse documento, de
fato, diz que:
“Devem ser feitas parcerias com universidades e instituições
acadêmicas
para
Independente,
que
criem
se
maior
incorporem
os
acessibilidade
Princípios
para
de
Vida
estudantes
e
professores com deficiência e ofertem cursos sobre estudos referentes
a deficiências”.
Como vemos, a universidade deve mostrar-se sob a perspectiva da
inclusão, tomando, pois, como referência o ambiente educativo descrito por
MANTOAN (2002, p. 21):
“(...) as escolas de qualidade são espaços educativos de construção
de personalidades humanas autônomas, criticas, nos quais se aprende
a ser pessoas. Nesses ambientes educativos, os alunos são ensinados
a valorizar a diferença, pela convivência com seus pares, pelo
exemplo, (...) pelo clima sócio-afetivo das relações estabelecidas em
toda a comunidade escolar”.
A autora afirma ainda, que é necessário que se supere os males da
contemporaneidade pela ultrapassagem de barreiras físicas, psicológicas,
espaciais, temporais, culturais e principalmente garantir o acesso irrestrito de
todos aos bens e as riquezas de toda sorte, entre eles, o conhecimento.
A Declaração de Salamanca (1994) proclama que toda criança tem
direito fundamental à educação e deve ser dada a oportunidade de atingir e
manter
um
nível
adequado
de
aprendizagem;
toda
criança
possui
características, interesse, habilidades e necessidades da aprendizagem que
são étnicas; sistemas educacionais deveriam ser designados e programas
educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta à
vasta diversidade de tais características e necessidades; aqueles com
necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que
deveria acomodá-los dentro de uma pedagogia centrada na criança, capaz de
6
satisfazer a tais necessidades; escolas regulares que possuam tal orientação
inclusiva
constituem
os
meios
mais
eficazes
de
combater
atitudes
discriminatórias, criando-se comunidades acolhedoras, constituindo uma
sociedade inclusiva e alcançando educação para todos.
Ora, fica patente, pois, que, sendo o Centro de Educação responsável
pela formação daqueles que vão trabalhar direta ou indiretamente com as
crianças, ele deve através de seus professores ensinar, promover e divulgar o
respeito a diversidade humana, isto é, ensinar e praticar os conceitos de
educação
inclusiva,
dentre
os
quais
o
conceito
de
acessibilidade
comunicacional para o respeito, também, da comunicação com pessoas
surdas.
Logo, a inclusão é um valor social que, deve ser considerado desejável,
torna-se um desafio no sentido de determinar modos de conduzir nosso
processo educacional para promovê-la. Não haverá um conjunto de práticas
estáticas, e sim uma interação dinâmica entre educadores, pais, membros da
comunidade e alunos para desenvolver e manter ambientes e oportunidades
educacionais que serão orientadas pelo tipo de sociedade na qual queremos
viver.
As principais dificuldades que impedem a operacionalização da inclusão
em um dado ambiente educacional vão desde a falta de formação e preparo do
professor (este muitas vezes não se sente seguro para receber esses alunos),
a e até a falta de preparo dos próprios alunos da sala em receber o aluno
surdo, bem como, a falta de adaptação na estrutura física do ambiente.
(Schlünzen, 2002).
Baseado em tudo que foi exposto apresenta-se a nossa frente uma
lacuna importante para a adequação do Centro de Educação no recebimento
de alunos surdos. Referimo-nos a existência de barreiras comunicacionais, que
vão da falta de pessoas que falem LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), e que
passam atender esses alunos; na falta de recursos visuais (tecnologias
assistivas) para adequar as aulas as necessidades dos alunos surdos, e a falta
de comunicação visual, por todo o Centro de Educação.
7
De acordo com Sassaki(1997), dentre as barreiras encontradas pelas
pessoas com deficiência, está a barreira comunicacional.
“(...) Hoje, a acessibilidade não mais se restringe ao espaço físico,
à dimensão arquitetônica, mas divide o conceito de acessibilidade
em seis dimensões: arquitetônica, comunicacional, metodológica,
instrumental, programática e atitudinal "Todas essas dimensões
são importantes. Se faltar uma, compromete as outras".
Com vista a refletir a falta de acessibilidade no CE, fizemos como
trabalho de conclusão de curso um estudo a respeito dessa barreira,
considerando a perspectiva dos professores desse Centro a respeito desse
assunto.
METODOLOGIA
Para a realização do estudo, definimos como campo de atuação o
Centro de Educação (CE) da Universidade Federal de Pernambuco, verificando
como está a atual situação do Centro de Educação (CE) em relação à
informação visual. a respeito da acessibilidade dos ambientes.
Sujeitos e Procedimentos:
A pesquisa foi feita analisando fotos do CE (com base nas regras da
ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, para ambientes), e
realizando
entrevistas semi-estruturadas com 10 professores do Centro de
Educação (quando se investigou destes, seu olhar a respeito da acessibilidade
comunicacional).
A pesquisa foi dividida em dois momentos de análise de dados: análise
das entrevistas e análise das fotos.
8
ANÁLISE DOS DADOS
As entrevistas:
Diante das 10(dez) entrevistas realizadas com os professores do CEUFPE foi necessário criar as seguintes categorias, para organizarmos os
grupos de entrevistados de acordo com as opiniões dos professores:
GRUPO 1: Formado por professores que demonstraram interesse no
desenvolvimento de atividades que visam a implementação/ampliação da
comunicação visual.
GRUPO 2: Formado por professores que apresentaram interesse no tema após
serem abordados.
GRUPO 3: Professores que apresentaram pouco ou nenhum interesse a
respeito do tema.
Análise do Grupo 1:
Percebemos que no Grupo1 (professores que apresentaram interesse
na comunicação visual no CE/ UFPE), formado por 5 professores, diante dos
diálogos que antecederam as entrevistas, em conjunto com as entrevistas os
professores que se enquadraram nessa categoria, têm em seu perfil um grau
de envolvimento com as preocupações diretas em relação ao aluno do CEUFPE, reflexo disso, foram as declarações dos professores entrevistados dos
diversos departamentos, como, por exemplo:
Entrevistado A: “A comunicação é uma das coisas
mais fracas aqui (...) particularmente a comunicação
visual, (...) O Centro é acolhedor, mas ele muito mal
sinalizado, as pessoas que já o conhecem vão direto pra
9
onde tem que ir enquanto as que não conhecem não tem
como saber para onde vão. Visto que o grande motivo é
que nunca se pensou a questão da comunicação aqui”.
Confirmando-se assim, que há uma ausência desse tipo de informação,
mas, que há meios, pelos quais essa dificuldade pode vir a ser superada.
Durante as entrevistas foram citadas pelos professores situações a
respeito da comunicação e o a convivência com alunos:
Entrevistado B: “Eu acho que nem é suficiente e nem
está adequada. Eu sinto, por exemplo, pelas perguntas
que me fazem: ‘onde é que fica o departamento tal?’,
‘onde fica a sala do professor tal’? e isso significa o que?
Que se essas pessoas não encontrarem alguém para
poder perguntar elas não irão saber onde devem chegar.
Analisando a fala do entrevistado B, percebemos ainda outro
questionamento, o fato de que se conseguir encontrar alguém a quem
perguntar será que este alguém vai saber responder-lhe?
Isso reforça, dentro do nosso estudo, a importância da comunicação
visual.
Entrevistado F: “Eu vejo que essa informação visual
vem acontecendo de forma muito precária... porque
alguns alunos meus já no 7º período ainda sentem
dificuldades em se localizar nesse espaço, então, além
da questão visual implica também como a de espaço
social do próprio aluno dentro do Centro”.
Diante da entrevista acima percebemos que o contato dos professores
com a realidade dos alunos, e a sua própria quando se afirma a respeito do
10
espaço social, o que confirma como já apresentamos no pensamento de
MANTOAN.3
Entrevistado D: “... não se pensou a necessidade de
comunicação, (...) é importante destacar as modificações
que ocorreram no Centro, que de certa forma mexeu com
a organização da rotina de quem já estava aqui e é
necessário que se crie uma estrutura de comunicação
visual permanente. E de quem está chegando também,
(...) e uma coisa que atrapalha bastante a comunicação
visual no Centro são os murais que são desorganizados,
então ao mesmo temo em que você tem uma noticia
importante para a comunidade em termos da questão
educacional, ao lado de outro que oferece um aluguel de
moradia em alguma coisa.. deve-se fazer com que essa
comunicação seja sempre renovada...”.
Análise do Grupo 2:
No grupo composto por professores que diante da intervenção se
mostraram sensíveis ao problema, encontramos 3 professores, dentre os quais
mesmo já trabalhando no CE – UFPE há bastante tempo, declararam não ter
se dado conta da necessidade de ampliação das informações visuais dentro do
Centro de Educação:
Entrevistado G:”...no que diz respeito a comunicação há
uma identificação com a comunicação visual, pra mim
comunicação visual no Centro de Educação são vários
cartazes pendurados.”
E também:
3
MANTOAN (2002, p.21) onde ela entende que o espaço da escola (entendida aqui como a
universidade) é também um espaço de construção do sujeito e sua socialização, sendo
necessária a condição
11
Entrevistado H: “Não havia pensado nessa perspectiva
até então,(...) mas, acho que deveríamos Ter murais
organizados, e placas de indicação dos ambientes.
Porque quem vem de fora não conhece as coisas por
aqui”.
Análise do Grupo 3
No GRUPO, classificamos os professores que se mostraram de maneira
desinteressada em relação ao problema, formado por 2 professores, que
afirmava, que não existe interesse em desenvolver uma política de
comunicação dentro do CE-UFPE.
Das falas analisadas verificamos que alguns professores demonstraram
apatia , de sentimento de desistência, diante da criação de oportunidades de
melhoria da comunicação visual dentro do Centro de Educação:
Entrevistado I:
“(...)parte
desse
desânimo,
desse
abandono tem a ver com outras questões... eu não
consigo mais...não faz sentido se ficar tentando,
tentando, tentando...”.
E ainda dentro desse grupo de entrevistado percebemos em comum
com os grupos anteriores a percepção tácita de que a ausência de informação
visual é uma barreira que precisa ser rompida:
Entrevistado J: “Você pode botar mil cartazes que nada
vai mudar aqui dentro.(...)Eu não vejo... objetivos claros
sabe? Antes tínhamos mais disposição para se criar, hoje
com o apadrinhamento, conchavos, fica mais complicado
para se embandeirar alguma luta não há mais luta, só
concordância de idéias...eu desisti.”
Ainda analisando através da ótica da inclusão, podemos apresentar que,
mais de 50% dos entrevistados demonstraram interesse e sugestões sobre o
12
tema, e que foi nítida a existência do problema de comunicação do Centro.
Ficando frisado isso dentro das falas dos entrevistados:
Entrevistado B: “(...) como a gente não tem
necessidades tão grandes quanto as pessoas que tem,
né... essas...que não dispõem da fala para questionar.
Por isso então a gente não perceba. quando a gente
precisa de uma informação e não tem a quem perguntar
então a gente sente dificuldade de encontrar essas
informações, nem de forma bem distribuída nem
adequada.”
Entrevistado J: “... O que eu percebo, pode ser até
pobreza da minha visão, mas o que eu percebo aqui
como comunicação visual é apenas você ver cartazes
como esse aqui, tão pequenas as letras para alguém ler
é necessário chegar bem perto. Essa é a forma que eu
vejo aqui no Centro até hoje...”. 4
E ainda que este grupo não demonstrasse algum interesse, ainda
assim percebemos nas falas, que concordam com os outros dois grupos no
que diz respeito à ausência de informação:
Entrevistado I: “É difícil conseguirmos entender o que
tem, como funcionam os murais pois é sempre muito
complicado...misturado...não
existe
isso
aqui.
Uma
organização.”.
o entrevistado olha (apontando para um cartaz na porta da sala de aula com letra no tamanho 14
aproximadamente) o qual está especificado nas fotos coletadas.
4
13
Resultados das Entrevistas com Professores
Grupo
Critérios
Entrevistados
Nº
A, B,D, E,F
5
C, G, H.
3
I,J
2
TOTAL
10
Demonstram interesse no desenvolvimento de atividades
1
que visam a implementação/ ampliação da comunicação
visual.
2
3
Apresentaram pouca atenção em relação a esse aspecto
do CE-UFPE até serem indagados sobre ele.
Revelaram pouco ou nenhum interesse a respeito do
tema.
Análise das fotos:
Foram coletadas 20 fotos de diversos ambientes do Centro de Educação
Figura 1-Balcão de informação do CE/UFPE: “onde não há informações claras para quem não se
comunica pela fala”.(entrevistado)
Este balcão que deveria ser destinado a oferecer informações para
visitantes do prédio não desempenha a sua função ideal, servindo como uma
guarita para os seguranças da UFPE, onde estes apenas observam o
patrimônio da universidade, e se localizam, e como estes não tem um posto
fixo dentro da Universidade, trabalhando em vários ambientes e conhecendoos precariamente, muitas vezes, não circulam pelo prédio, o que os leva a não
disporem de informações suficientes acerca do que funciona em todos os
14
diversos setores do prédio (como indicar departamentos, salas de professores,
setor de mestrado, CEEL, CEI, etc).
Figura 2-Biblioteca do CE/UFPE:a única informação visual é um tapete ( parte em destaque na foto)
colocado como única referência.
Figura 3- Diretoria do Centro de Educação.
15
Da mesma forma que a biblioteca, a referência que se pode observar
resume-se a um tapete, mas, aqui se torna ainda mais visível a ausência de
informações claras quando percebemos que ao lado da porta se encontra um
mini-cartaz intitulado “escolaridade” apontando para o corredor ao lado mas
não afirma claramente que ali é a Direção do Centro.
Figura 4-sala de informática do CE/UFPE:
Este local onde se pressupõe ser de grande importância para o acesso a
informação da Rede, não encontra-se sinalizada, como podemos perceber
deixando portanto uma lacuna na comunicação de forma que só os alunos que
já freqüentam o CE/UFPE, conseguem circular e usufruir desse ambiente. Que
em se tratando da pessoa surda, o acesso às informações visuais sendo
precário, contribuem para o que já destacamos a respeito do pensamento do
Centro estar voltado para um determinado grupo, onde se faz necessário um
repensar esta prática de modo que ela possa atender a todos, sem exclusões.
16
.
Figuras 5 e 6 :As portas das salas de aula do Centro
Estas não estão sinalizadas de forma visível observando a figura da
esquerda (fig.5) podemos observar que a adequação das cores das plaquetas
não auxiliam a identificação imediata do que se encontra escrito. E a direita
temos um outro tipo de identificação comum no CE/UFPE a indicação de
numero da sala em letras tipo Arial tamanho 14 ou 16, o que é visivelmente
inadequado e visualmente identificável como sendo uma barreira arquitetônica
onde podemos perceber que não houve uma preocupação com esse aspecto,
nem com essas minorias dentro desse ambiente.
Figura 7:pós-graduação
A dificuldades de comunicação não se resume as salas de aula mas
como foi citado por alguns entrevistados, isso também se alastra pela Cantina
17
Figura 8:Cantina do CE/UFPE.
e setores de pós-graduação. Onde também é perceptível a ausência de
informações a respeito do que funciona ali. Ou outras informações anteriores
de como se chegar até ali.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Foram coletadas fotos que apresentam áreas do CE-UFPE de grande
circulação e relevância, mas que de acordo com que se ouviu dos professores
da instituição, onde não há sinalização ou se há, são mal sinalizadas, ou não
são corretamente sinalizadas.
Desde a proposição de nosso trabalho sentimos uma resistência a este
(muitos alunos e professores do CE), consideravam a pesquisa como não
sendo importante para as discussões acerca da influência que a acessibilidade
a informação exerce sobre educação da pessoa surda.
Desde os questionamentos sobre os motivos das fotos, também
percebemos que há uma preocupação por parte dos professores em modificar
a realidade da comunicação visual dentro do CE-UFPE, e que ao estudarmos
percebemos que há possibilidades que já trariam novos significados para a
efetiva modificação do perfil de comunicação visual existente no CE-UFPE.
18
Percebemos que há professores que se sensibilizaram com a
importância do processo de inclusão dentro da universidade.
Quanto à análise das fotos tiradas do ambiente do Centro de educação,
pouco agregam para a contraposição da hipótese de que o Centro de
Educação não tem comunicação visual adequada a informação de todos. De
fato, o que se verifica é uma total falta de comunicação visual que permita o
mínimo de informação para as pessoas surdas, não há sinalização
orientacional e poucas são as orientações visuais em portas que indiquem sua
numeração ou o nome de quem trabalha naquele local. Isso sem contar que,
quando essas informações existem, elas são visual e visivelmente impróprias.
Percebemos ainda que as parcas informações existentes foram
idealizadas para um grupo idealmente predominante e excludente de pessoas
onde não estão há acesso, ou chance àquelas que de alguma forma é diferente
desse modelo ideal.
Em face do que nós verificamos enquanto inacessibilidades no
CE/UFPE se destacam algumas questões que podem ser trabalhadas para a
eliminação imediata a médio ou longo prazo dessas barreiras da comunicação.
Desde a entrada do hall, onde fica o balcão de informações, mas poucas são
as informações que possivelmente dali, e ainda o desprovimento de placas
onde constem informações, sobre o que se localiza no térreo e o que se
localiza no 1º andar. Orientações sobre onde ficam espaços de interesse dos
alunos como os Departamentos, Salas de professores, e até mesmo a
copiadora, a biblioteca e a lanchonete, escolaridade, diretoria, etc.
Também surgiram nas entrevistas a inacessibilidade dos orelhões, que
podemos nos reportar a lei de acessibilidade que afirma ser necessário pelo
menos um por prédio público que seja adaptado. Portanto, não há adaptação
nem espaço para que seja apoiado o TDD (do inglês, Telecommunication
Device for Deaf, telefone para surdos e/ou mudos).
Diante
da
preocupação
de
apresentar
as
sugestões
trazidas,
organizamos as entrevistas segundo a percepção que foi formulada durante a
pesquisa, está a cerca dos murais, que não são organizados, e que muitas
19
vezes, como vimos nas citações das entrevistas permite que ocorra a
desorganização dos temas, o que poderia auxiliar na divulgação das
informações, como é sua função, termina se perdendo, e prejudicando ainda
mais a comunicação dentro do Centro de Educação.
Quanto à relevância do nosso trabalho entendemos que este é deveras
importante posto que a educação é um direito indisponível, e que ao negar
essa comunicação a pessoa surda estaremos negando a ela o direito de se
educar, e que, o direito a educação entendemos ser anterior a qualquer outro
direito.
Quando falamos de inclusão pensamos nela como uma questão
pedagógica, mesmo que sem se deter apenas na educação, é necessário que
haja uma reflexão profunda sobre o para quem, nós educadores, queremos
ensinar e ainda o que, queremos formar enquanto seres humanos, e para que
queremos formá-los. E, é partindo do pressuposto de que TODOS têm o
mesmo direito a educação que buscamos apontar a importância do se pensar
um Centro de Educação da Universidade que atenda a diversidade humana.
Adequando-se as novas perspectivas de uma Educação Inclusiva.
Entende-se, portanto, que se faz necessária à criação de um sistema de
sinalização dentro do CE-UFPE, visto que todos foram os professores
pesquisados entenderam a ausência de comunicação visual e foram unânimes
com relação à ausência desse recurso dentro do CE-UFPE que até então se
encontra falho, devendo consultar as normas dadas pela ABNT 9030, com
relação ao tamanho das letras e altura para serem afixadas.
Ainda foi constante dentro da pesquisa a necessidade de se selecionar e
atualizar as informações contidas nos seis murais existentes no Centro
podendo-se agrupar informações por sessão, e delegando alguém para ser
responsável pela organização desses murais.
Criação de sinalizadores adesivos que indicassem setores como: salas
de aula, biblioteca, lanchonete, diretoria, escolaridade, pós-graduação,
Diretório Acadêmico, salas dos professores, departamentos, etc.
E, que a partir do mapa central localizado no hall do CE-UFPE, já
situaria e se acolheria muito mais o aluno.
20
De maneira mais imediata, sugerimos que fosse elaborada uma planta
de acesso do CE-UFPE – que seria confeccionada de forma universal (para
que pudesse ser percebida por todos, incluindo os deficientes visuais) – que
afixada sobre balcão de informação já poderia trazer para quem chega ao CEUFPE.
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A Ausência de Comunicação Visual e o aluno Surdo no Centro de