Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem nos Regimes de Condicionamentos que utilizam a Ciclofosfamida em TCTH 1 2 Rezende, A. C. R. , Torres, R. C. M. , Gualberto, A. M. 3 1 Especialista em Enfermagem Oncológica / INCA – Enfermeira Plantonista da Unidade de Pacientes Internados do CEMO / INCA. 2 Mestre em Gestão Hospitalar pela ENSP / Chefe da Divisão de Enfermagem do CEMO / INCA 3 Especialista em Enfermagem Oncológica / INCA – Coordenadora da Educação Permanente do CEMO / INCA. Ministério da Saúde/Instituto Nacional de Câncer/Centro de Transplante de Medula Óssea. MS/INCA/CEMO - RJ INTRODUÇÃO Por pelo menos 20 anos a Divisão de Enfermagem de uma unidade de transplante vinculada ao Ministério da Saúde vem implementando o modelo assistencial denominado SAE (Sistematização da Assistência de Enfermagem), que integra o Histórico, a Evolução e a Prescrição de Enfermagem. Esse modelo vem sendo desenvolvido pelo enfermeiro como um instrumento norteador da assistência e do ensino, sendo a implementação dos Diagnósticos de Enfermagem imprescindível para a adoção de um sistema de linguagem padronizada em todo o processo assistencial do TCTH, um procedimento complexo que demanda uma equipe de enfermagem qualificada, que utilize linguagem consistente, permitindo a utilização eficiente das informações para garantia da qualidade. A relevância deste estudo baseia-se na observação da ampla utilização do quimioterápico ciclosfofamida em grande parte dos protocolos de condicionamentos para TCTH ( conforme gráfico abaixo ) e pelo fato de constatar que uma gama das reações adversas e toxicidades imediatas e tardias relacionadas aos regimes de condicionamentos estarem relacionadas ao uso desse fármaco em doses supra-letais e mieloablativas e da necessidade do planejamento das condutas de Enfermagem relacionados às essas toxicidades . 2a MUCOSITE POSSÍVEIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM - Mucosa oral prejudicada caracterizada por lesões friáveis em mucosa jugal e assoalho da boca, hipertrofia gengival e desconforto à deglutição relacionado ao uso da ciclofosfamida CONDUTAS DE ENFERMAGEM s Retirar prótese dentária na admissão s Manter higiene oral adequada seguindo o protocolo do CEMO, com uso de escova macia e creme dental fluorado e lubrificação dos lábios com emoliente indicado. s Realizar exame da cavidade bucal diária classificando corretamente o grau de mucosite (grau 01 até 04). s Planejar junto com a nutrição a alimentação mais adequada de acordo com o grau de mucosite e nível de aceitação da dieta. s Avaliar o nível de dor através da escala visual analógica (EVA) comunicando a equipe médica para implementação de conduta analgésica apropriada. s Avaliar diariamente o peso do paciente correlacionando com a aceitação da dieta para a prevenção de quadros de desnutrição e necessidade de início de terapia nutricional de suporte (enteral/parenteral) s Encaminhar parecer para a odontologia quando necessário. TOXICIDADE CARDÍACA E HEPÁTICA 1ª ANORMALIDADES DE PULSO E PRESSÃO ARTERIAL. QUEIXA DE MAL ESTAR, PALPITAÇÃO E FALTA DE AR. ALTERAÇÕES NO ECG. RETENÇÃO HÍDRICA E GANHO PONDERAL. POSSÍVEIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM – s Risco de perfusão tissular cardíaca diminuída devido à exposição à fatores de risco: infusão de droga cardiotóxica e volume de líquidos aumentado. s Volume de líquidos excessivos caracterizado por alteração na pressão arterial, anasarca e ganho de peso em curto período de tempo relacionado ao comprometimento dos mecanismo reguladores. s Trabalho fundamentado em uma revisão de literatura sobre tipos de transplantes, descrição dos protocolos cujo regime de condicionamento utilizam a Ciclofosfamida, revisão bibliográfica sobre este fármaco e levantamento dos diagnósticos de enfermagem. RESULTADOS Diagnósticos e Intervenções de enfermagem nos regimes de condicionamento com a utilização da Ciclofosfamida em transplante de células tronco hematopoiéticas. Baseados nas toxicidades do sistemas: TOXICIDADE HEMATOLÓGICA 1ª NEUTROPENIA – contagem de neutrófilos < ou = 100 cél/mm3 POSSÍVEIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM. - Risco de infecção devido às alterações na imunidade, período de aplasia e presença de catéter venoso central CONDUTAS DE ENFERMAGEM s Manter o paciente em ambiente de isolamento. s Orientar e supervisionar diariamente a limpeza das superfícies do quarto, mesas de refeição, bombas infusoras e outros maquinários. s Orientar acompanhantes e visitas para uso do vestuário do próprio setor. s Limitar número de visitantes por dia e controlar o número de pessoas no quarto. s Orientar a família sobre quais os utensílios poderão entrar em contato com o paciente e como eles devem ser higienizados. s Proceder a lavagem das mãos antes e após prestar cuidados ao paciente. s Realizar ou supervisionar a higiene corporal diária do paciente. s Supervisionar ou realizar a lavagem das mãos do paciente após as eliminações e após as refeições. s Realizar a troca diária dos utensílios em uso pelo paciente. s Realizar troca diária dos equipos de microgotas conectados a via de infusão. s Realizar troca dos equipos de bomba infusora a cada 24 horas ou s.q.n. s Proceder troca de curativo do catéter venoso central com clorohexidina alcoólica s Observar e registrar o aspecto dos sítios de inserção de cateteres . Coletar swab quando houver presença de secreção. s Proceder exame físico diário atentando para as condições da pele e mucosas, cavidade oral e região perineal . Presença de tosse, dor de garganta e secreções traqueobrônquicas e avaliação do aparelho geniturinário. s Coletar culturas de sangue na vigência de febre (temp. ax.> ou = 38º) .No 1º pico febril coletar sangue periférico e sangue do catéter; iniciar terapia anti – microbiana . s Acompanhar juntamente com a CCIH o resultado das culturas estabelecendo as precauções preconizadas de acordo com o microrganismo identificado. Utilizar os EPI´S de forma correta, afim de evitar infecção cruzada. s Administrar terapia antimicrobiana profilática conforme os protocolos. s Evitar o contato do paciente com familiar e ou acompanhante com doenças infecto-contagiosas e estados gripais. TOXICIDADE GASTRINTESTINAL 1a NÁUSEAS E VÔMITOS POSSÍVEIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM - Náuseas caracterizadas por aversão à comida, salivação aumentada e relato de sensação de vômito relacionado as reações adversas da ciclofosfamida. CONDUTAS DE ENFERMAGEM s Administrar a medicação anti-emética prescrita s Manter o paciente em cabeceira elevada evitando risco de sufocação por vômito e propiciando um melhor esvaziamento gástrico. s Atuar juntamente com a nutrição no planejamento de uma dieta evitando alimentos quentes e gordurosos e com odor forte; registrar e monitorar a aceitação das dietas. Encorajar o consumo de alimentos frios. s Manter registro de todos episódios eméticos no balanço hídrico, observando e registrando na evolução a quantidade e o aspecto do vômito. s Propiciar conforto ao paciente, minimizando o stress do ambiente como som alto, luz acesa e odores fortes dentro do quarto. s Orientar e supervisionar higiene oral freqüente após episódios eméticos. s Fornecer Cuba rim e lenço de papel mantendo ao alcance do paciente. Deixar a campainha próxima ao paciente sem acompanhante. TOXICIDADE GENITURINÁRIA OLIGÚRIA/ ANÚRIA. EDEMA, GANHO DE PESO. CISTITE HEMORRÁGICA. POSSÍVEIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM - Risco de perfusão renal ineficaz devido a fator de risco: exposição à quimioterápico nefrotóxico. CONDUTAS DE ENFERMAGEM s Monitorizar rigorosamente o balanço hídrico, avaliando diurese horária e fechando o balanço de 04 em 04 horas. s Estimular o paciente a manter a bexiga vazia, orientando sobre a infusão do quimioterápico e suas toxicidades. s Acordar o paciente para urinar quando o CTX for administrado à noite. s Administrar os diuréticos e uroprotetores (mitexan) prescritos no protocolo afim de prevenir cistite hemorrágica. s Pesar o paciente duas vezes ao dia. s Manter hiperhidratação contínua por meio de acesso venoso profundo, interrompendo a infusão somente se absolutamente necessário. s Acompanhar os resultados de exames/eletrólitos e função renal. Repor eletrólitos quando prescritos. s Promover irrigação vesical contínua quando houver sinais de hematúria franca não responsiva a hiperidratação, através de catéter vesical de demora, com solução de água destilada estéril em infusão gravitacional. CONCLUSÃO A aplicação da metodologia de levantamento de Diagnósticos de Enfermagem com suas respectivas intervenções aguça o olhar clínico do Enfermeiro tornando-o cada vez mais capacitado a prestar assistência de excelência ao cliente de alta demanda e complexidade. A elaboração de ligação entre essas classificações constitui importante etapa na direção da facilitação do uso dessas linguagens na prática, no ensino e na pesquisa. O processo participativo adotado pela equipe de enfermagem nessa trajetória demonstra a preocupação dos enfermeiros em fundamentar com referencial teórico a experiência vivida no cotidiano do TCTH, estratégia utilizada durante todo processo de recepção e capacitação dos profissionais de enfermagem. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. 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O mundo da Saúde São Paulo 2008:abr/jun OKANE, ELIANA SUEMI HUANDA E LUCIANE NOGUEIRA MACHADO, Transplante de Medula Óssea Abordagem Multidisciplinar, 1ª edição, São Paulo: ed. Lemar, 2009. BELTRÃO ACS, TAVARES GF, SOARES JS. Clínica e epidemiologia de pacientes submetidos ao transplante de medula óssea. Revista Paraense de Medicina V.20 (3) julhosetembro 2006. NORTH – AMERICAN DIAGNOSIS ASSOCIATION (NANDA) Diagnósticos de enfermagem da NANDA; definições e classificação, 2009 -2011, Tradução Regina Machado – Porto Alegre: Artmed, 2010. htpp://BR.groups.yahoo.com/group/convivendocomlupus/message/20 23/05/2011. http://www.hc.ufpr.br/hosp/tmo/tmoCaracteristicas.htm PALLOTTA, Ronald. Transplante de medula óssea /Nov.2004, Hospital Português da Bahia – artigo científico retirado do site htpp://www.hportugues.com.br/notícias /outras edições. Projeto Gráfico: Serviço de Edição e Informação Técnico-Científica / CEDC / INCA METODOLOGIA CONDUTAS DE ENFERMAGEM : s Promover restrição hídrica, diminuindo quando possível o volume de diluição das drogas administradas. s Pesar o paciente duas vezes por dia. s Controlar o balanço hídrico a cada 04 horas e controlar a diurese horária. s Mensurar circunferência abdominal diariamente e registrar. s Administrar medicações específicas como diuréticos e cardiotônicos. s Avaliar sinais de retenção de líquido na ausculta pulmonar, presença de cacifo e edemas; edema peripalpebral; aumento de volume abdominal e outros sinais correlacionando com oliguria, elevação de bilirrubinas, creatinina, transaminases, ácido úrico e fosfatase alcalina. s Promover monitorização nos pacientes com alterações hemodinâmicas. s Realizar ECG quando solicitado. s Aferir sinais vitais de 04 em 04 horas e sempre que necessário.