UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ GRAZIELA APARECIDA GARCIA MARKETING SOCIAL: PLANO DE MARKETING PARA A MUDANÇA DO COMPORTAMENTO SOCIAL QUANTO A COLETA DE LIXO SELETIVA DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ Balneário Camboriú 2010 2 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ GRAZIELA APARECIDA GARCIA MARKETING SOCIAL: PLANO DE MARKETING PARA A MUDANÇA DO COMPORTAMENTO SOCIAL QUANTO A COLETA DE LIXO SELETIVA DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração – ênfase Marketing, na Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Educação Balneário Camboriú. Orientador: Prof. Manuel Carlos Pinheiro da Gama, MSc. Balneário Camboriú 2010 3 GRAZIELA APARECIDA GARCIA MARKETING SOCIAL: PLANO DE MARKETING PARA A MUDANÇA DO COMPORTAMENTO SOCIAL QUANTO A COLETA DE LIXO SELETIVA DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ Esta Monografia foi julgada adequada para a obtenção do título de Bacharel em Administração e aprovada pelo Curso de Administração – ênfase em Marketing da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Educação de Balneário Camboriú. Área de Concentração: marketing social Balneário Camboriú, 25 de junho de 2010. _________________________________ Prof. MSc. Manuel Carlos Pinheiro da Gama, Orientador ___________________________________ Prof. MSc. Márcio Daniel Kiesel Avaliador ___________________________________ Prof. MSc. Ricardo Titericz Avaliador 4 EQUIPE TÉCNICA Estagiária: Graziela Aparecida Garcia Área de Estágio: Administração e Marketing Professor Responsável pelos Estágios: Lorena Schröder Supervisor da Empresa: Rogério Kunzler Professor orientador: Prof. Manuel Carlos Pinheiro da Gama 5 DADOS DA EMPRESA Razão Social: Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú; Secretaria Municipal do Meio Ambiente Endereço: Rua: Parque Natural Municipal Raimundo Gonçalves Malta, CEP: 88.337- 470, Cidade: Balneário Camboriú - SC Setor de Desenvolvimento do Estágio: Marketing Duração do Estágio: 240 horas Nome e Cargo do Supervisor da Empresa: Rogério Kunzler Carimbo do CNPJ da Empresa: CNPJ: 83102285/0001-07 6 AUTORIZAÇÃO DA EMPRESA Balneário Camboriú, 25 de julho de 2010. A Empresa Secretaria Municipal do Meio Ambiente, pelo presente instrumento, autoriza a Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, a divulgar os dados do Relatório de Conclusão de Estágio executado durante o Estágio Curricular Obrigatório, pela acadêmica Graziela Aparecida Garcia. ___________________________________ Rogério Kunzler 7 AGRADECIMENTOS Ao Professor Prof. Manuel Carlos Pinheiro da Gama pela sua orientação e apoio para a elaboração desta Monografia, Aos Professores, Marcelo Ardigó, Alexandre Sá, Roberto Hering, Cristina, Ricardo Boeing, pelas excelentes contribuições dadas ao longo do curso, À Coordenação do curso, Professor Márcio, Lorena, À minha mãe Terezinha M. Garcia, Ao meu pai Adroaldo Garcia, Ao meu Tio José Santos pereira, pelo apoio oferecido, Aos meus colegas de curso, Aos síndicos que, com muita noção de responsabilidade social, contribuíram gentilmente para o desenvolvimento da pesquisa, A Diretora Regional da empresa Coneville, Sr. Rosicléia Maestri, Ao supervisor do estágio, Rogério Kunzler, A coordenadora do Projeto Terra, Sra. Mara Zuleica Becker Lins, As instituições participantes da pesquisa, SEMAM. 8 RESUMO Este estudo descreve a problemática do tratamento dos resíduos sólidos através da coleta seletiva no município de Balneário Camboriú, destacando o papel e a responsabilidade socioambiental de cada um dos atores no processo e as perspectivas para o futuro, com o propósito de elaborar um planejamento de marketing social para o processo de coleta de lixo seletiva de Balneário Camboriú, a partir da atitude consciente e individual de cada morador da cidade em separar seu lixo. Considerando as características dos diferentes atores envolvidos nesse processo, foi realizada uma revisão conceitual dos setores atuantes, na responsabilidade social e sustentabilidade, uma análise atual da reciclagem de resíduos sólidos no Brasil. São ainda conceituados: marketing, marketing social, das causas sociais e modelos de planejamento de marketing. A metodologia da pesquisa baseia-se em pesquisa documental produzidos por relatórios internos da Secretaria e da avaliação da empresa concessionária que terceiriza o processo de coleta e destinação final. Complementada por entrevista de grupo (Focus Group), com síndicos de condomínios da cidade e gestores das áreas de planejamento da Secretaria do Meio Ambiente. Através dos resultados obtidos, foi elaborado um plano de marketing social para aumentar, através da mudança de comportamento da população, o volume. Desta forma o objetivo é de uma ação conjunta de todos os atores envolvidos no processo bem como busca parcerias com empresas privadas, gerando ganhos qualitativos e de eficácia para toda a sociedade. Palavras chaves: coleta seletiva, sustentabilidade e marketing social 9 ABSTRACT This study describes the problem of solid waste treatment through selective collection in the city of Balneario Camboriu, highlighting the role the environmental responsibility of each of the actors in the process and prospects for the future, with the purpose of developing a social marketing plan to the process of selective waste collection of Balneario Camboriu, from the conscious attitude and each individual city dweller to separate their trash. Considering the characteristics of the different actors involved in this process, we performed a conceptual review of active sectors, social responsibility and sustainability, and an analysis of current solid waste recycling in Brazil. Are still highly regarded marketing, social marketing, marketing of causes and models of marketing planning. The research methodology is based on documents produced by internal reports of the Secretariat and the evaluation of the operating company that outsources the process of collection and disposal, Coneville. Supplemented by interview group (Focus Group) with liquidators of condominiums, and interview with the manager of the Coneville. Through the results, we designed a social marketing plan to change the behavior of the population for to separate their trash in selective form. The objective is a joint action by all actors involved in the process and seeks for partnerships with private businesses, generating earnings quality and efficiency throughout the company. Keywords: selective collection, sustainability and social marketing 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................... 12 1.1 Problema de pesquisa ......................................................................... 14 1.2 Objetivo Geral ..................................................................................... 14 1.2.1 Objetivos Específicos .......................................................................... 15 1.3 Justificativa da pesquisa....................................................................... 15 1.4. Contexto do Ambiente de Estágio ........................................................ 16 1.4.1. Políticas Públicas nas Ações da Secretaria do Meio Ambiente .............. 16 1.4.1.1 Educação Ambiental: Projeto Terra Limpa............................................. 16 1.4.1.2 Recebimento de Resíduos Urbanos Tóxicos e Destinação Final ........... 18 1.4.1.3 Fiscalização .......................................................................................... 18 1.4.1.4 Auxilio a inclusão social ........................................................................ 19 1.4.2 Empresa Ambiental Saneamento e Concessões Ltda, Coneville ........... 19 1.4.3 Dados da Coleta de Resíduos ................................................................. 21 1.4.4 Associação dos Catadores ACATELI ...................................................... 23 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................ 25 2.1 O terceiro setor .................................................................................... 25 2.1.1 Ética e Responsabilidade Social ........................................................... 32 2.2 Responsabilidade Social do Governo .................................................... 38 2.3 Sustentabilidade ................................................................................... 44 2.4. O Contexto dos Resíduos Recicláveis ................................................... 48 2.4.1 O Comportamento Social quanto aos Resíduos Recicláveis ................... 50 2.5 Conceitos de Marketing ......................................................................... 56 2.6 Marketing das Causas Sociais Societal e Social .................................... 60 2.6.1 Plano de Marketing Social ..................................................................... 67 2.5.3 Os quatro P`s do Marketing Social ........................................................ 71 2.5.4 Posicionamento do Produto Social ........................................................ 73 3 METODOLOGIA CIENTÍFICA ............................................................... 75 11 3.1 Tipologia de pesquisa ............................................................................ 76 3.2 Sujeito do estudo ................................................................................... 76 3.3 Instrumentos de pesquisa ...................................................................... 78 3.4 Limitações da Pesquisa ......................................................................... 78 4 ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS DADOS ....................................... 79 4.1 Pesquisa juntos aos síndicos ................................................................. 79 4.3 Entrevista com a Gerente Regional Rosicléia Maestri, da Empresa Ambiental Saneamento e Concessões Ltda, Coneville ............ 85 4.4 Análise dos dados levantados nas pesquisas ........................................ 90 5 PROPOSIÇÃO DO PLANO DE MARKETING ....................................... 90 5.1 Análise Ambiental ................................................................................. 90 5.2 Oportunidades e ameaças dos atuantes do processo ............................ 91 5.3 Objetivos do plano de marketing ........................................................... 92 5.4 Estratégias ........................................................................................... 92 5.5 Ações para implantação ........................................................................ 93 5.6 Parcerias com entidades sociais ............................................................ 95 5.7 Montante de investimento ...................................................................... 96 5.8 Controle ................................................................................................. 96 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................. 98 6.1 Sugestões ............................................................................................. 99 REFERÊNCIAS ..................................................................................... 101 ANEXOS ................................................................................................ 107 12 1 INTRODUÇÃO A partir da década de 1970, ficaram cada vez mais evidentes as sérias modificações ambientais, impostas pelo homem ao planeta Terra, muitas das quais têm aparecido, de forma cada vez mais intensa no panorama social. O consumismo irracional é apontado (RANDOW et al, 2008) como fator agravador da degradação do ponto de vista ambiental, econômico e social. No momento da perda de valor material, os produtos são descartados, transformados em resíduos e podem provocar efeitos maléficos através de agentes físicos, químicos e biológicos. As dificuldades de gestão desses resíduos aparecem em diversos momentos, desde a geração da matéria-prima até o descarte final, surgindo à necessidade de um sistema de gestão de resíduos socialmente integrados. Esse consumo descontrolado e a produção de resíduos em larga escala, caracteriza a sociedade de consumo desde o século passado e que avança neste inicio do terceiro milênio, vêm interferindo no que diz respeito ao horizonte de tempo relativo à vida humana no planeta. Segundo Zaneti (2003) esse perfil de sociedade não gera somente resíduos sólidos (sobras, lixo) gera também resíduo no sentido social (sombra: miséria, fome e exclusão). O autor ainda descreve que a situação extrema de inclusão/exclusão, traduzida pela questão de como lidar com os resíduos, por um lado, representa um problema que tende a agravar-se gerando a sobra de um consumo exacerbado da modernidade e, por outro lado, significa profunda desigualdade simbolizada pela sombra social. O desenvolvimento sustentável é definido pela Comissão Mundial sobre meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), no Relatório Brundtland, (ONU,1998), como aquele que atende às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidades de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades; pode também, ser empregado com o significado de melhorar a qualidade de vida humana dentro dos limites da capacidade de suporte dos ecossistemas. 13 Vargas (2002, p.11) destaca que o “desenvolvimento sustentável pressupõe participação, diálogo, respeito às diferenças, reconhecimento das capacidades e uma visão integrada de suas várias dimensões econômicas, políticas cultural, tecnológica e ambiental”. Dessa forma a importância da educação ambiental, enquanto instrumento de cidadania e transformação da sociedade, vem sendo cada vez mais utilizada para levar o cidadão a refletir sobre seus valores e atitudes, e a uma mudança de atitude perante a sociedade (KOHLE, 2003). Corroborando com o conceito acima (PHILIPPI e PELICIONI, 2000), a educação ambiental é um processo de educação política que possibilita a aquisição de conhecimentos e habilidades, bem como a formação de atitudes que se transformam necessariamente em práticas de cidadania, que garantam uma sociedade sustentável. De acordo com a Pesquisa Nacional sobre Saneamento Básico - PNSB 2000, em torno de 70% das 159.000 toneladas diárias de resíduos sólidos coletadas no Brasil destinam-se a lixões. Ou seja, 30% são reciclados. Grande parte desse percentual de matérias que são reaproveitados, segundo Zaneti (2003) só acontece em decorrência participação da atividade de recolhimento de materiais recicláveis por parte dos chamados catadores, ou sucateiros. Ainda o autor, essa é uma prática que possibilita transformá-los no aspecto econômico, sendo o meio de subsistência dessa parcela da população de baixa renda, bem como, impulsionando os índices de reciclagem de determinados materiais. Segundo dados da pesquisa do Cempre (2009) o setor de reciclagem como um todo movimenta hoje no país cerca de 10 bilhões de reais por ano, podendo crescer em curto espaço de tempo alega a instituição, caso alguns gargalos sejam eliminados, entre estes gargalos destaca-se a capacitação técnica como a política 14 fiscal/tributária coerente, o incremento da participação popular: “A reciclagem é como uma mola propulsora econômica nos processos, pois o conceito abrange também diversos aspectos técnicos, e sociais da relação Homem e Meio Ambiente. Entender a Importância da reciclagem é o primeiro passo, mas saber praticá-la é o desafio maior” (CEMPRE, 2010). A presente pesquisa discute uma questão de risco da modernidade: os resíduos sólidos urbanos. Trata-se de uma investigação do comportamento da sociedade civil de Balneário Camboriú no que diz respeito à percepção e participação da reciclagem do lixo residencial. Uma pesquisa de marketing sócio-ambiental em busca de identificar melhores práticas de informação e conscientização da população, gerando embasamento teórico que podem vir a auxiliar nas decisões operacionais e legais e possibilitam aos dirigentes e funcionários públicos obterem maiores chances de alcançar a sustentabilidade. 1.1 Problema Balneário Camboriú Caracteriza-se como uma cidade com uma extensão territorial pequena e altamente povoada. Assim presume-se que a mesma ofereça grande favorabilidade para a coleta seletiva dos resíduos residenciais. Uma vez que o crescimento da população urbana bem como o modelo de desenvolvimento atual de consumo e a cultura do desperdício, geram um problema ambiental e social. Assim sendo o crescimento ecologicamente-sustentável das cidades, partindo da coleta seletiva dos resíduos residenciais passa a ser um desafio para a administração publica, portanto o problema de pesquisa a ser respondido pelo presente projeto é: como conscientizar a população para a mudança do hábito de descartar os resíduos para a forma seletiva? 1.2 Objetivo Geral 15 Desenvolver um planejamento de marketing de forma a influenciar a consciência ambiental dos cidadãos de Balneário Camboriú para que descartem os resíduos residenciais de forma seletiva 1.2.1 Objetivos Específicos Levantar o volume de resíduos que são descartados de forma seletiva; Identificar os fatores motivadores na população que já utilizam o descarte seletivo; Identificar pontos fortes e fracos como indicadores do planejamento de marketing. 1.3 Justificativa: Na perspectiva da administração publica a importância da pesquisa se deve ao fato de discutir um problema atual e bastante relevante quanto aos seus impactos sociais econômicos e ambientais, relativos ao comportamento da população de Balneário Camboriú quanto à separar os resíduos de forma seletiva. Acredita-se ainda que o trabalho se justifique pela contribuição com a Secretaria do Meio Ambiente de Balneário Camboriú para melhorar seu desempenho de gestão de resíduos sólidos, em face às pressões no âmbito mundial e local com relação às questões sócio-ambientais. Em recente estudo realizado pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) foi constatado que a falta de saneamento ambiental (coleta de lixo, rede de esgotos, tratamento de efluentes) é a maior preocupação dos brasileiros que moram em cidades, com 18% das menções espontâneas na pesquisa divulgada pelo Cempre (2007). Para a acadêmica a presente pesquisa tem sua importância marcada na possibilidade de vivenciar as questões amplamente discutidas na sua formação superior em administração. Dessa forma correlacionará a teoria com a prática. Finalmente, para a academia, o presente estudo torna-se importante por trazer uma contribuição no conjunto de informações do entorno econômico e social onde a 16 mesma esta inserida, bem como aborda um tema de alta relevância para o meio acadêmico em geral. 1.4 Contexto do Ambiente de Estágio: O presente estudo foi desenvolvido como prática de estágio tendo sido elaborado na Secretaria do Meio Ambiente do Município de Balneário Camboriú (SC), que é secretaria responsável pela fiscalização da coleta e destinação final dos resíduos sólidos no município, tema foco deste trabalho 1.4.1 Políticas Públicas nas Ações da Secretaria do Meio Ambiente A Secretaria do Meio Ambiente foi criada pela Lei Municipal nº 863/1989 e A Secretaria do Meio Ambiente, localiza-se no Parque Ecológico Raimundo Malta, na Rua Angelina s/n, na Cidade de Balneário Camboriú, e tem como representante o Secretário Sr. Eng°. Andre Ritzmann. A secretaria conta, atualmente, com vinte e oito colaboradores que respondem pela execução dos serviços, como: planejamento, organização, execução e controle das atividades empreendidas pelo Município na área do desenvolvimento ambiental, promovendo medidas que proporcione boa qualidade de vida e do meio ambiente, por meio de programas como: Plantas que curam, Terra Limpa e administração do Parque Ecológico; Fiscalização preventiva e proibitiva de ações que infringem a legislação de proteção ambiental em nível federal, estadual e municipal; Implantação da coleta seletiva de lixo no Município, contando com os pontos estratégicos de coleta distribuídos na cidade, assim como, a participação de hotéis, bares, restaurantes e condomínios. 1.4.1.1 Educação Ambiental: Projeto Terra Limpa O Projeto Terra Limpa, de 1997, criado através de uma parceria entre a Secretaria da Educação e a do Meio Ambiente, com o propósito de desenvolver ações focadas em sensibilizar crianças, jovens e a comunidade para uma nova estética para a 17 cidade turística e ao mesmo tempo promover a conservação e preservação do meio ambiente, mudança de atitudes e retomada de valores, para proporcionar melhoria de qualidade de vida à população. A Rede Municipal de Ensino iniciou um processo de sensibilização para desenvolver atitudes para a coleta do "lixo seletivo" através de palestras, slides e vídeos. Gincana Ambiental na Rede Municipal de Ensino - com o objetivo de valorizar o reaproveitamento do lixo reciclado, através de pontuação sobre a quantidade de material recolhido e confecções de fantasias nas escolas. Campanhas de lixo reciclável nas escolas, onde os materiais recolhidos pela campanha foram vendidos e parte desse dinheiro, utilizado na compra de materiais escolares. Estimulo à reutilização dos materiais que os alunos conviviam no meio escolar. Distribuição de 80 latões de 200 litros para coleta de material reciclável nas escolas e creches municipais. No ano de 1998, para o Projeto Coleta Seletiva e Tratamento de Resíduos Sólidos foi aprovado em convênio com a Caixa Econômica Federal (Relatório da SEMAM) através do qual, foram adquiridos dois caminhões para coleta, um bobycat (trator), uma caminhonete S-10,162 containeres de 240 litros e 21containeres de 360 litros para lixo comum, e foram confeccionadas camisetas e folders. Em 1998 coleta foi estendida aos postos de gasolina, camelódromos e avenidas, além da Rede Municipal de Ensino de Balneário Camboriú. No ano de 1999, o Projeto Terra Limpa passou a ser desenvolvido em quinze escolas e creches municipais e estaduais com a participação de monitores cuja função era a de executar e divulgar a Coleta Seletiva entre os alunos e a comunidade. As equipes realizaram visitas às diretoras das escolas e creches participantes para entrega do Projeto e materiais informativos, como cartazes, folders e textos e atividades relacionadas aos conceitos de lixo, lixão, aterro sanitário, usina de triagem, lixo misturado, reciclagem, mutirões de limpeza do Rio Camboriú, pedágios, visitas domiciliares com entrega de folders informativos, divulgando informações sobre lixo orgânico e inorgânico, periodicidade na coleta seletiva do lixo reciclável, focalizando as atividades nas comunidades dos bairros das Nações - Iate Clube e Vila Real, através do caminhão da SEMAM , Secretaria do Meio Ambiente. No ano de 2001, a Coleta Seletiva de Lixo foi ampliada pela Secretaria do Meio Ambiente junto com a Secretaria da Educação, 18 para todo o Município, enfatizou-se o objetivo de conscientizar para a necessidade da preservação ambiental. O Projeto Terra Limpa passou a ser denominado “Terra Limpa, na onda da Coleta Seletiva”. No ano de 2004, além de Campanhas Ambientais, o Projeto Terra Limpa lançou o CD “Tom Natural”, que aborda, em suas músicas, questões ambientais, destacandose, entre elas, a preservação do manguezal, a Mata Atlântica e o Hino dos Monitores do Projeto Terra Limpa entre outras. Esse CD foi distribuído a todas as escolas municipais e serviu desde então de recurso pedagógico para os educadores de educação ambiental. Nos anos seguintes as ações das secretarias deram continuidade às práticas desenvolvidas nos anos anteriores, com o Projeto Terra Limpa. Incentivo a redução, a reutilização e a reciclagem do lixo, a construção de uma sociedade sustentável, socialmente mais justa e ecologicamente equilibrada são alguns valores e atitudes dos fundamentos de educação ambiental que o Projeto Terra Limpa está trabalhando na formação da consciência ambiental. 1.4.1.2 Recebimento de Resíduos Urbanos Tóxicos e Destinação Final A secretaria se responsabiliza por receber e dar destino final adequado aos materiais tóxicos que causam danos ainda maiores quando destinados aos aterros sanitários, entre eles lâmpadas fluorescentes, óleos de cozinhas pilhas e baterias. Uma parceria em com uma empresa que recebe o óleo de cozinha esta por ser fechada, onde a empresa, em troca do recebimento do óleo recolhido em campanha municipal e escolar, deve reverter em material escolar para o município. 1.4.1.3 Fiscalização Entre as várias formas de fiscalização ambiental que a secretaria deve exercer, conforme estudo teórico cabe a secretaria a responsabilidade da fiscalização da do serviço prestado pela concessionária responsável pela coleta de resíduos urbanos. 19 Uma das formas utilizadas para a fiscalização é um relatório entregue pela Ambiental Saneamento e Concessões Ltda, Coneville, mensalmente à secretaria. Nele está descrito todos os dados dos serviços prestados, demonstrativo financeiro, e também a opinião pública a respeito da empresa, obtido através de telemarketing ativo e receptivo. 1.4.1.4 Auxilio a inclusão social Segundo um cadastramento realizado pela secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social (2007), calcula-se que haja aproximadamente seiscentas (600) pessoas que sobrevivem pela prática de coleta de resíduos recicláveis nas ruas de Balneário Camboriú. Esse fato representa um grande número de resíduos que devem ser destinados à reciclagem na cidade, porém não se tem dados concretos do número que essas pessoas, os catadores recolhem. A gestora Rosicléia, Coneville, estima que esses números devem ultrapassar os números de resíduos que a empresa recolhe com os dois carros da coleta seletiva, demonstrados no quadro acima. A Secretaria do Meio Ambiente e a Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social, com ACIBALC – Associação Comercial e Industrial de Balneário Camboriú e Camboriú, através do CONDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico, junto com algumas pessoas que sobrevivem do lixo, estão se reunindo com o objetivo de criar uma cooperativa de catadores de resíduos recicláveis com o nome de COOPEMAR BC Ambiental . A diretoria já esta definida e o presidente é o Sr. Dárcio Aurélio Caldeira assim com também já esta em andamento os papéis para constituir a cooperativa, relatado por Rogério. 1.4.2 Empresa Ambiental Saneamento e Concessões Ltda, Coneville O contrato de concessão da empresa Ambiental Saneamento e Concessões Ltda, com nome fantasia de Coneville, com a Cidade de Balneário Camboriú foi assinado no dia 29 de dezembro de 1997, com prazo de 20 anos. Em resumo das atividades previstas, no período do contrato, são realizados os serviços de coleta de resíduos 20 domésticos, recicláveis e de saúde, implantação e operação do aterro sanitário e serviços gerais de limpeza. A estrutura da empresa está composta por 270 funcionários, dez caminhões com equipamento compactador, dois caminhões baú, dois caminhões caçamba, um caminhão póli guindaste, dois tratores com pá carregadeira e uma capinadeira mecânica. Mais uma Fiorino furgão, veículo de apoio (Courier), quatro motocicletas e três escritórios: a sede está situada a Rua Canelinha, no bairro dos Municípios, tem um escritório de relação com o usuário, à rua 1440 e um escritório operacional, localizado à rua 1926, e tem com Gerente Regional a Sr. Rosicléia Maestri. A Coneville é responsável pela coleta de lixo seletiva, coleta essa, feita em horários e dias pré-determinados e no período diurno, com caminhões identificados, além do um jingle personalizado que ecoa durante a passagem do carro, diferentemente dos dias e horários da coleta orgânica. Figura n.º1: caminhão da coleta seletiva. Fonte : Kunzler (2009). Os serviços de limpeza são realizados diariamente no centro da cidade e três vezes por semana nos bairros sendo coletados em lixo doméstico, na baixa temporada, meses de março a novembro, 3.262 toneladas/mês e 109 toneladas/dia e, na alta temporada, de dezembro a fevereiro, a quantidade de 4.920 toneladas/mês e 164 toneladas/dia. Quanto aos resíduos recicláveis, coletados semanalmente, na baixa temporada, são retiradas 61 toneladas/mês com um aumento para 76 toneladas/mês na alta temporada. O material recolhido é encaminhado à Usina de Triagem na localidade da Várzea do Ranchinho onde a associação dos catadores de material 21 reciclável (ACATELI) faz a seleção e vende aos intermediários da região, ou até mesmo, diretamente às usinas que reaproveitam do material. Em hospitais e postos de saúde, para os resíduos hospitalares, a coleta é diária, e, em até três vezes por semana nos demais estabelecimentos de saúde como clínicas odontológicas, médicas, veterinárias, estéticas, farmácias, laboratórios de análises clínicas, estúdios de tatuagem e outros. Desde março de 2006, estes resíduos são depositados no aterro sanitário da Canhanduba. 1.4.3 Dados da Coleta de Resíduos Conforme senso IBGE 2009, a cidade de Balneário Camboriú, apresenta uma estimativa de 102.081 habitantes, com uma área territorial de 46mil km², com uma densidade demográfica de aproximadamente 4,5 hab/km². Porém, esse número não representa a real concentração do município, porque uma grande região territorial, que abrange as praias ao sul que são pouco habitadas, concentrando a grande maioria de habitantes na região e praia central, com grande concentração de altos edifícios, e nos bairros periféricos, estes caracterizados por maior número casas. Contudo torna-se importante a pesquisa e apresentação de dados demográficos para a coleta dos resíduos urbanos. O volume total de resíduos urbanos coletados pela CONEVILLE no período de temporada é em média de 6.150 toneladas/mês. Deste, 150 toneladas é destinada a coleta seletiva, o restante é encaminhado ao aterro sanitário. Já nos meses fora de temporada, o número de resíduos urbanos não triado diminui para 3.300 toneladas/mês, e destinados a coleta seletiva são, em média, 110 toneladas/ mês. Conforme demonstra o quadro n.1: Mês Coleta de resíduos(t) Coleta seletiva1(t) Coleta seletiva2(t) Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. 5849 4504 4206 3583 3283 3178 3336 3338 3527 3326 3527 6176 57.64 45.55 56.02 60.26 57.64 60.26 60.26 57.64 6026 60.81 64.19 85.81 55.61 36.45 3776 41.31 53.46 51.0 51.0 51.0 51.0 38.88 38.68 56.895 22 Quadro nº. 1: Relatório de Operações Referente a Coleta de Resíduos Urbanos. Fonte: Adaptado de Ambiental Saneamento e Concessões LTDA, (2009). Observa-se, no quadro nº. 1, o aumento de resíduos coletados nos meses de temporada, que é explicado pelo grande número de turistas que a cidade recebe nos meses de verão (dez./jan./fev.). Outros dados relevantes como a quantidade de lixo produzida por pessoa e suas condição econômica também deve ser levado em consideração. O instituto Cempre calcula que uma cidade produz em média de 1kg de resíduos sólidos urbanos por habitante por dia, e este número pode aumentar em relação ao aumento da renda. Por exemplo, a região metropolitana de Curitiba, apresenta uma média de 1,2 kg./hab/dia. Em Balneário Camboriú essa média por habitante é calculada em 1,125kg/hab/dia, em meses regulares e o município que tem como maior fonte econômica a prestação de serviços, caracterizando aproximadamente 82% (IBGE 2009) de sua renda. Além de ser voltada em grande parte para o turismo, por isso a grande diferença dos resíduos coletados nos meses da temporada de verão conforme dados apresentados no desenvolvimento. Entretanto, a cidade de Balneário Camboriú por suas características geográficas e de desenvolvimento urbano, não possui terreno que comporte um aterro sanitário, por esse motivo os resíduos gerados pela cidade são depositados na cidade vizinha de Itajaí. Definido por um acordo político e comercial, entre as duas cidades. O aterro sanitário pertence à cidade vizinha, de Itajaí, e por isso pode estar volátil às mudanças políticas, como já ocorreu em tempo passado, com a ocorrência de ameaças causadas por desacordos políticos. No entanto, pode-se afirmar que atualmente essa possibilidade é amenizada, pelo fato de a Coneville ser a empresa que presta serviço para as duas Cidades, de Itajaí, onde se localiza o aterro sanitário da Canhanduba, e Balneário Camboriú. E assim como é também a empresa responsável pelo implemento e administração do aterro sanitário utilizado por ambas as cidades. 23 1.4.4 Associação dos Catadores ACATELI A ACATELI Ambiental trata-se de uma associação fundada no ano de 2003, é responsável pela separação dos resíduos advindos do serviço de coleta. A associação é constituída por cidadãos dos municípios de Balneário Camboriú e Camboriú com o apoio da prefeitura por meio da Secretaria do Meio Ambiente, sendo uma conquista do programa Terra Limpa, desenvolvido pelo Órgão. Atualmente, a ACATELI é presidida pela Sra. Maria Isabel Pereira, eleita em assembléia geral pelos agentes ambientais, em 2008. A maioria dos sócios vem do centro de apoio para dependentes químicos e não completaram o ensino fundamental. A idade dos associados varia entre 18 e 55 anos e a média de renda mensal é de 400 reais. Já a média de dependentes de cada associado é de três pessoas, conforme dados coletados pelo acadêmico na própria organização. O lixo coletado pelo serviço de coleta seletiva é encaminhado e prensado na Usina de triagem de materiais recicláveis, ACATELI Ambiental. O material chega da coleta seletiva, passa pela triagem que é realizada na esteira elétrica, escoa em bags levado até a prensa, e então é enfardado para posterior comercialização com os depósitos de sucatas. O espaço e os equipamentos que a ACATELI utiliza para processar a triagem são cedidos pela da Prefeitura Municipal, condicionado a um termo de Cessão e Uso com prazo estipulado de cinco anos, sob a aprovação da Câmara de vereadores. Os associados recebem parte dos diferentes materiais recolhidos na cidade pelo serviço de coleta seletiva executado pela empresa Ambiental, entre eles: Vidro picado nas diversas cores, de conserva, de litros e de vidraçarias; Metais, que incluem em ferrosos, alumínio e outros; Papéis que incluem jornais, papelão, revistas, papel branco, papel misto, embalagens Tetra Pack; Plásticos PET (polietileno tereftalato), PEAD (polietileno de alta densidade), PEBD (polietileno de baixa densidade), PP (polipropileno); bem como EPS (isopor), 24 Pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes (esses, encaminhados para o posto de coleta de seu respectivo fabricante). Conforme Rogério Kunzler (Coordenador de Projetos Especiais do município de Balneário Camboriú), a ACATELI Ambiental começou a operar com 35 associados, mas com o passar do tempo e as dificuldades encontradas pelos associados na gestão e no relacionamento interpessoal, houve uma diminuição no seu quadro e, hoje, apenas oito membros trabalham na unidade de triagem. Sendo que no ano de 2009 a associação operava com 16 pessoas. A associação divide os resíduos recicláveis que recebe com outra associação de triagem existente no município de Camboriú. Essa destinação ocorre somente quando essa esta com sua capacidade de triagem esgotada, tendo sempre a preferência no recebimento. Nessa perspectiva, o aumento da coleta de resíduos da coleta seletiva pode enfrentar um possível gargalo na sua fase final, de triagem. Rogério, responsável pela área na SEMAM, tem uma visão diferente nesse aspecto, diz que “se o lixo for reciclável, não haverá falta de quem o queira, pois a associação de Camboriú tem capacidade ociosa, assim como as cooperativas de catadores de resíduos de cidades vizinhas como Itajaí e Itapema”. Contudo, o presente trabalho visa dimensionar a percepção e disposição da sociedade civil com relação à coleta de lixo para reciclagem. Identificar o nível de conhecimento da população a respeito do tema, sua conscientização, dificuldades e desafios, no que dizem respeito ao aumento da prática da separação dos resíduos em sua origem, pela população. A identificação dos perfis dos atuantes no processo de destinação resíduos sólidos para a reciclagem é importante para o desenvolvimento das técnicas de marketing, definições de metas e objetivos, a serem alcançados, pelas ações da Secretaria do Meio Ambiente. 25 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo é apresentado o contexto dos conceitos e fundamentos que dão sustentação ao presente projeto de pesquisa, além de contribuírem para o melhor entendimento do tema desta pesquisa. 2.1 O Terceiro Setor Tem crescido a importância do estudo das organizações do terceiro Setor paralelamente crescente à relevância que as mesmas vêm ocupando como agente sócio econômico em muitos países. Para Farah (2003, p.20), “ainda que os papéis sejam polêmicos, as parcerias entre os diversos atores, Estado, empresas e organizações do Terceiro Setor, têm aumentado e se constituem em uma possibilidade inovadora de atuação sobre questões sociais”. No Brasil o Terceiro Setor, descrito por Fischer e Falconer (1998), começa a partir dos movimentos sociais que atuavam na resistência ao governo totalitário e, da sociedade civil, a partir da iniciativa de reivindicar seus direitos. O papel do Estado passa a ser substituído ou complementado, pelo terceiro setor no esforço de estabelecer algum grau de equidade social. Com múltiplas tendências ideológicas, de acordo com os autores, o movimento já nasceu com um componente de politização que, praticamente, substitui o componente filantrópico, que deu origem ao Setor nos Estados Unidos na década de 70. Nos estudos para conceituação da sociedade por setores, segundo Hudson (1999), convencionou-se dividir o conjunto das organizações em: Primeiro Setor: Estado ou setor público; Segundo Setor: Iniciativa Privada; e Terceiro setor: Sociedade Civil Organizada. Segundo Kiel e Silveira (2007), o terceiro setor é caracterizado de forma articuladora entre os outros dois setores; o meio termo entre o setor público, estado, e o setor privado, mercado, devido ao caráter público de suas ações e o caráter privado de seus agentes. A figura nº 2 apresenta as correlações existentes entre os três 26 setores da sociedade, descrevendo todas as correlações que podem ocorrer, e simboliza a dificuldade de se definir fronteiras: Figura nº 2: Fronteiras entre os três setores Fonte: Adaptada de Hudson,1999,p.9. As inter-relações observadas na figura representam a possibilidade do segundo setor assumir compromissos voltados a demandas sociais, decorrente do raciocínio da aplicação do conceito de responsabilidade social, o qual “impõe ao empresariado uma nova maneira de realizar suas transações” (Ashley, 2003, p. 3). A precisa definição do conceito terceiro setor, as características de perfil e fronteiras para o grupo, ainda não foi alcançada, nem mesmo pelos próprios atores. O autor ainda descreve pontualmente que o terceiro setor é formado por organizações cujo objetivo principal é social, e ao contrário das organizações do primeiro setor, uma vez que não distribuem lucros, e diferente das organizações do setor publico não são sujeitas a controle político direto. Alguns autores definem o terceiro setor pelo que elas não são: organizações não governamentais, daí a nomenclatura ONG. 27 Farah (2003) revela que no Brasil, o estatuto legal reconhece as organizações sem fins lucrativos, em quatro formatos distintos: fundações públicas ou privadas; associações ou sociedades civis; cooperativas e cooperativas sociais. A diversidade de modelos dificulta a definição do terceiro setor, no entanto, Hudson (2005), algumas características são comuns: Não têm fins lucrativos; São formadas, total ou parcialmente, por cidadãos que se organizam de maneira voluntária; O corpo técnico, normalmente, resulta de profissionais que, em geral, se ligam à organização por razões filosóficas e têm um forte compromisso com o desenvolvimento social; São organizações orientadas para a ação; São flexíveis, inovadoras, rápidas e próximas às comunidades locais e geralmente fazem um papel intermediário: ligam o cidadão comum com entidades e organizações que podem participar da solução de problemas identificados. Dependem de fundos, doações do publico em geral, governo, para financiar as ações que prestam à comunidade. Diante de uma grande variedade de formas de organizações do terceiro setor, cabe delimitar o universo de estudo proposto para esse tópico inicial, com o objetivo de compreender as organizações que tem a finalidade de melhorar ou fortalecer a própria sociedade civil, objetivando superar discriminações, desigualdades econômicas, de participação política e cultural ou para melhorar a qualidade de vida da sociedade (FARAH, 2003). No contexto operacional do sistema, acredita-se que as ONGs buscam reverter o cenário de caos social, com vista a atender as necessidades da população de forma satisfatória, abrangendo o envolvendo de indivíduos no esforço de voluntários. Alguns pesquisadores chegam até a defender uma maior eficiência do Terceiro Setor, em relação ao Estado, como argumenta Coelho (2000, apud FARAH, 2003, p.21): A produção do serviço ou bem público por essas organizações tem, geralmente, um custo mais baixo do que aqueles produzidos pelo 28 mercado ou pelo setor público, o que torna positiva a relação custo/benefício (...) ”Portanto, seja pela escala de produção dos serviços, pela proximidade da comunidade, pelo baixo custo de produção ou ainda pela lógica privada dominante na sua criação e gestão, as organizações do Terceiro Setor aparentam deter condições de prestar serviços sociais relevantes apresentando uma positiva relação de efetividade. Salamon (1998 Apud KIEL e SILVEIRA 2007) defendem que devido à convergência das quatro crises: “Moderno, a crise do desenvolvimento nos países do terceiro mundo, a crise do meio ambiente global; a crise do socialismo, e duas revoluções, a revolução das comunicações e o crescimento mundial dos anos 60”; que resultou na redução do papel do Estado nas áreas de bem-estar da sociedade mundial, assim como contribuíram para a ascensão das atividades voluntárias. A fase inicial de uma organização idealizada pela sociedade privada, normalmente apresenta um elevado nível de idealismo, altruísmo, informalidade e improvisação por parte dos seus gestores e fundadores. Porém “para que cresçam as ONGs necessitam superar dificuldades que são próprias do crescimento como a necessidade crescente de recursos, papéis confusos, dificuldade de diferenciar entre a boa administração e a burocracia desnecessária” (HUDSON, 1999, p. 234). Kiel e Silveira, (2007) as maiores dificuldades administrativas que o setor enfrenta faz da administração uma tarefa desafiadora, corroborando com Salamon (1996 apud KIEL; SILVEIRA, 2007) que aponta a existência de quatro desafios críticos ao terceiro setor, a serem superados: Desafio da legitimidade: na busca pela definição do terceiro setor; Desafio da eficiência: refere-se à necessidade do setor em demonstrar capacidade e competência; Desafio da Sustentabilidade: trata-se da dificuldade de subsistência tanto financeiro quanto em relação aos voluntários pelas causas sociais; Desafio da Colaboração: diz respeito à necessidade de participação do Estado, do setor privado e das demais entidades do terceiro setor, que, ao contrário de trabalharem em conjunto , devido à falta de recursos tornaram-se competitivas entre si. 29 Na mesma concepção, Hudson (1999, p.18) sustenta que é necessária uma visão estratégica para enfrentar com sucesso o desafio de administrar sem receita e que é hoje em dia, parte central das administrações do terceiro Setor. O autor relata também outras características da administração do terceiro setor, ainda que nem sempre exclusivas desse segmento: Uma demanda de serviços ilimitada ou contida apenas pela minimização de marketing e promoções do serviço; Não ser diretamente responsáveis pela qualidade do serviço oferecido. Estar atentas as diferentes expectativas dos financiadores e usuários. Objetivos vagos: dificuldade de definição de meta diante de tantos gargalos, no entanto, deve- se objetivar metas para serem cumpridas com prazo médio de três anos. Difícil monitoramento do desempenho: geralmente por serem voltados a índices que dizem respeito à melhoria da qualidade de vida, ou preservação do meio ambiente, por exemplo, monitorar a qualidade do serviço é muito difícil porque os sujeitos sofrem várias influências, porém pode-se medir a abrangência ou amplitude. Além de ser de difícil mensuração, é comum o esquecimento de celebrar o sucesso. As organizações do terceiro setor são igualmente responsáveis perante muitos patrocinadores: muitas vezes alguns doadores individuais, ou entidades financiadoras ou até mesmo os voluntários, podem ter interesses diferentes na organização, porém esses não podem desviar o estilo e a cultura da entidade. As estruturas administrativas são complexas: apesar de algumas estruturas conseguirem se modernizar, as estruturas geralmente têm processos mais burocráticos que as de mesmo tamanho no setor privado. Os valores precisam ser cultivados: as pessoas que partilham dos mesmos valores e idéias sobre os propósitos e estilos de operação na organização produzem mais, e refletem em eficiência da organização. Falta de resultado financeiro para determinar prioridades: dificuldade de orientação para o que é prioridade e o que é investimento futuro, resultante da dificuldade de projeção de fluxo de caixa. 30 “As exigências dos financiadores acabam caracterizar as dimensões recursos e marketing como de extrema importância na gestão organizacional, pois a gestão de uma ONG requer quatro coisas: um plano, marketing, pessoas e dinheiro”. (DRUCKER, 2001b, apud FARAH, p.22, 2003). Em resposta a posição anterior que discute as dificuldades constitui naquilo que Tenório (2001, apud FARAH, 2003) denominou o desafio da gestão, onde se estabelecem ou se interpretam objetivos e se alocam recursos para atingir uma finalidade previamente determinada. Dentro deste contexto, o autor reafirma a importância da utilização, pelo gestor (ou gerente), das quatro funções gerenciais: planejamento, organização, direção e controle. A função de planejamento talvez seja a mais importante, justamente pela “forma de pensar o futuro da organização, definindo o que fazer, como, quando e com que recursos” (TENÓRIO, 2001 apud FARAH, 2003, p.23). O mesmo autor ressalta que se torna necessária a profissionalização dos gestores dessas organizações do terceiro setor na atual complexidade de sua atuação, e responsabilidade frente à sociedade, porque a importância social e econômica que as ONGs ocupam, faz destas organizações atores sociais fundamentais para a operacionalização de política e ação social nas sociedades contemporâneas e a sua gestão requer níveis de profissionalização. Hudson (1999, p. 275), ressalta a importância da gestão profissional argumentando que “a maior parte dos financiamentos vem de instituições como governos centrais e locais, autoridades da saúde, fundações e empresas”, o que modifica a relação dos financiadores com a organização e a obriga a dispor de instrumentos de gestão para não só gerir eficazmente estes recursos e aperfeiçoar-los, mas também para prestar contas dos resultados de suas atividades. Muitas vezes pela falta de gestão transparente, alguns autores, expõem interesses que questionam a índole das organizações de sociedade privada, como Gomes e Moretti (2007) que indagam o real motivo do papel assistencialista das ONGs na sociedade e os benefícios da categoria que podem ter impulsionado crescimento acelerado que teve o setor. Ainda os autores questionam a existência um conjunto 31 de interesses, já que esse setor dispõe de grande quantidade de verbas advindas do Estado e também da sociedade privada, esses que, podem ter interesse de vincular sua marca/nome com as ações das ONGs, o interesse público em trazer a sociedade civil para perto dos governos e inclui também o interesse da sociedade organizada, no entanto, motivada por perder seu status de segurança e comodidade frente aos problemas sociais crescentes. Kiel e Silveira (2007) defendem que o verdadeiro motivador é a responsabilidade social, e esta possui várias vertentes, mas a que deu origem ao movimento e também aquela que mantém ativo o setor é a gestora de qualidade de vida, com a preocupação com o social e econômico da população. Hudson (1999, p.1) defende que “a filosofia que permeia quase todos os aspectos do terceiro setor é o desejo humano de ajudar outras pessoas sem a exigência de benefícios pessoais”. A respeito do tema das sociedades privada organizadas, muitos autores, Serva (1997), e Tenório (1997), Teodósio (2002), e Oliveira (2004 apud KIEL; SILVEIRA, 2007), quando, que se referem às maiores dificuldades encontradas pelo setor é a obtenção de recursos, isso acontece devido principalmente ao caráter substantivo de suas ações (promoção social), distantes do modelo econômico-financeiro desejado pelos organismos financiadores. Dessa forma, Farah (2003), as organizações do terceiro setor acabam por ter que disputar recursos com outras instituições do mesmo gênero, seja com instituições do próprio estado, responsáveis pelos mais diferentes objetivos de interesse da sociedade, ou ainda com meios de comunicação quando se tratar de financiamento de empresas da iniciativa privada que pretendem utilizar a ação social patrocinada na estratégia de marketing de seus produtos e marcas. Oliveira (2004 apud KIEL e SILVEIRA) conclui que o baixo impacto causado pelas ações sociais, também dificulta a aparição das organizações na mídia, apesar de estar presente há anos no cenário assistencial, ainda, pouco espaço têm. Os mesmos autores complementam defendendo que: para dar maior transparência na realização das ações sociais desenvolvidas e dos recursos aplicados, o terceiro setor precisa divulgar o que faz para a opinião pública e o mercado. Ashley (2003) 32 defende a divulgação do Balanço Social sendo um importante instrumento de avaliação da responsabilidade social corporativa, assim como econômica e financeira, porque a empresa “transparente” e eficiente adquire credibilidade e atrai mais incentivo e investimentos. A autora enfatiza que as organizações que contribuem para o desenvolvimento sustentável dos povos, como as organizações do terceiro Setor que tentam contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade, “assumem obrigações de caráter moral, além das estabelecidas em lei, mesmo que indiretamente vinculadas a suas atividades”, e relacionando aspectos éticos, coletivos, direcionados aos ambientes interno e externo à organização. Nesse sentido, o próximo tópico a ser abordado refere-se à ética e responsabilidade social (Ashley, 2003, p. 6). 2.1.1 Ética e Responsabilidade Social Na perspectiva de Melo Neto & Froes (2001) para se falar de responsabilidade social é necessário falar de ética, pois a prática da responsabilidade social se constrói a partir de atitudes e comportamentos éticos. Sendo a ética, ou também chamada, estudo e filosofia da conduta humana, a parte da filosofia que estuda a moralidade dos atos humanos, com ênfase na determinação do que é certo e do que é errado, Karkotli (2002). De acordo com o Levy (2004) a ética empresarial é a junção da ação e do discurso, assim como a base da Responsabilidade social, porque o a empresa que anuncia essa prática deve decidir seu planejamento e desenvolvimento econômico, seguindo uma coerência entre esses princípios e valores adotados pela empresa, ou seja, valores nos quais a empresa sustenta acima de qualquer outro interesse em seu plano estratégico. Para Arruda, (2001 apud GADIOLI et al, p.5, 2005) discute a ética que a empresarial como um conjunto de valores a serem estimulados dentro e fora da empresa.O autor menciona que esses valores podem estar implícitos, ou não, para que todos ajam seguindo dessa vertente, chamados também de código de ética. 33 Ainda o autor acredita que na possibilidade de obter resultados rápidos, algumas empresas adotam práticas que não respeitam o Código de Ética, como por exemplo, agindo forma ilegal e utilizando artimanhas para vencer o concorrente, ou encantar o cliente, demonstrando atitudes que partem de uma visão imediatista e vertente antiética. O autor afirma que esse tipo de decisão empresarial não é isenta de conseqüências, carregam um enorme poder de irradiação pelos efeitos que provocam, ou seja, todos os envolvidos direta e indiretamente no processo, muitas vezes, acabam por adotar atitudes de mesma índole, para com a empresa. Reafirmando, a existência da irradiação antiética causada por ações de origem antiética das organizações. Levy (2004) compreende a irradiação antiética, lembrando que a empresa atrai para si uma grande quantidade de fatores humanos, e os seres humanos conscientes ao que realizam, e participam , sofrem influência com suas práticas, assim como os acionistas ou proprietários da empresa. Ressalta ainda, que o conceito de ética empresarial não pode ser um valor acrescentado, por que, responsabilidade empresarial é uma forma ética de conduzir os negócios da empresa, tornando à parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social através de valores intrínsecos da atividade econômica e empresarial. A empresa responsável tem a capacidade de ouvir e conseguir incorporar no planejamento de suas atividades buscando atender os interesses de todas as diferentes partes. Ashley (2003) ressalta que a ética é a base para a responsabilidade social, e a ética empresarial é a prática da teoria, então Responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade, expresso por meio de atos e atitudes que a afetem positivamente, de modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo específico, agindo de forma pró-ativa e coerentemente no que tange a seu papel específico na sociedade e a sua prestação de contas para com ela. Para Furlanetto e Vieira (2005) os fatores financeiros e econômicos que eram os principais objetivos das organizações, perdem sua importância para os pensamentos sociais e humanos, que são os que têm importância devido à responsabilidade de cada empresa de ter seu papel social e pessoal fortemente estabelecido, para uma maior garantia de sucesso e sobrevivência. 34 Gadioli et al, (2005) discute que as empresas como agentes em busca de soluções para os problemas sociais, exigem um compromisso firme, não só governamental, mas também individual, institucional e coletivo, para gerar transformações que efetivamente tragam resultados positivos para toda a sociedade. A responsabilidade social empresarial se apresenta como uma ferramenta para as empresas se diferenciarem entre si. O mesmo autor argumenta que hoje, reforçado pelo crescente processo de globalização e privatização, os valores éticos são fatores fundamentais para o sucesso mercadológico, isso é explicável no mercado capitalista, em que as empresas fazem parte, e, onde, a concorrência é constante, é fator determinante de sobrevivência e de destaque perante outras, sendo necessário mais que investir em novas tecnologias, produzir mais e reduzir os custos. Diversos autores entre eles Levy (2004), Melo & Froes (2001) ressaltam a importante da diferença de responsabilidade social e Filantropia. Embora ambas tenham em suas práticas atitudes e comportamentos éticos, a filantropia tem como estimulo de um desejo individual, e sua pratica tem resultados superficiais e emergenciais. A instituição e os autores acordam que a responsabilidade social tem como estimulo o dever cívico, e sua prática busca estimular ao desenvolvimento do cidadão, e fomentar a cidadania individual e coletiva, enquanto a filantropia não passa de doações a responsabilidade social busca solucionar os problemas sociais. Em Ashley (2003), adotar uma postura ética como estratégia de negócios inclui agir de forma honesta com todos aqueles que têm algum tipo de relacionamento com ela, também conhecidos como os stakeholders. A autora complementa que a responsabilidade social corporativa está ligada às estratégias organizacionais, às práticas em projetos sociais, de forma pró-ativa e coerentemente no que tange a seu papel específico na sociedade e a sua prestação de contas para com ela, dentre essas práticas destacam-se: gerar valor para seus agentes internos – proprietários, investidores e colaboradores para que, em primeiro, se justifiquem os recursos financeiros, humanos e materiais utilizados pelo empreendimento; 35 gerar valor para a sociedade, nela identificados: governo, consumidores e o mercado como um todo, disponibilizando bens ou serviços adequados, seguros e de algum significado para melhorar a vida das pessoas; prestar informações confiáveis; promover comunicação, eficaz e transparente para com colaboradores e agentes externos; recolher tributos devidos; racionalizar, ao máximo, a utilização de recursos naturais e adotar medidas de proteção e preservação do meio ambiente; incentivar a participação de dirigentes e colaboradores, enquanto cidadãos, na solução de problemas da comunidade; formar parcerias com outros organismos, de governo e da sociedade civil, para identificar deficiências e promover o desenvolvimento da comunidade onde está instalada; transacionar de forma ética em toda a cadeia de relacionamento e outras partes interessadas como fornecedores, colaboradores, clientes, entidades associativas e representativas, governos entre outros. As empresas que valem de abuso econômico, que constrangem concorrentes que exprimem idéias distintas, que desrespeitam seus funcionários, impondo-lhes condições adversas de trabalho, que agridem o meio ambiente, que não priorizam a qualidade na fabricação de produtos ou na prestação de serviços e usam procedimentos ilícitos para obter vantagens a todo custo (como corrupção, manipulação de balanços, formação de cartéis, etc) se afastam de sua verdadeira função social (MATOS, 2001 apud GADIOLI et al, p.6, 2005). O empresário que obtém um rápido ganho financeiro tirando vantagens de clientes, fornecedores ou funcionários, segundo Karkotli (2002) pode apurar um lucro um pouco mais alto, porém em curto período, mas a confiança que poderá perder no processo, jamais voltará a ser instaurada em suas relações de negócios. Verifica-se, nessa perspectiva, que os interesses desse tipo de empresa entra em conflito com os interesses da coletividade. Vale aqui relembrar que, o relacionamento ético da 36 organização com todas as partes interessadas resulta em reciprocidade no tratamento, Levy (2004). Uma das questões éticas em evidência nos dias de hoje é o controle social sobre a agressão ao meio ambiente. Jonh (1994) acredita que as empresas que estão sensíveis a esta realidade têm sua sobrevivência reforçada, pois existirá uma procura crescente por aquelas não apenas voltadas para a produção e lucro, mas que também estejam preocupadas com a solução de problemas mais amplos como preservação do meio ambiente e bem-estar social. Para Gomes e Moretti (2007) a crescente pressão dos clientes e da comunidade em favor de um ambiente mais limpo e com menor desperdício significa que as organizações precisarão desenvolver estratégias de projeto que levem em consideração os fatores ambientais. Segundo Gadioli et al (2005) o envolvimento de empresas com ações sociais depende de suas disponibilidades em recursos humanos e financeiros. Contudo, pequenas organizações podem aumentar seu envolvimento participando de atividades em cooperação com outras, serviços voluntários, para a construção de uma sociedade mais democrática e menos desigual, mais humana e menos injusta. Scour (1998), os conceitos de Responsabilidade Social devem estar presentes na missão e dessa forma este conceito ser divulgado entre os funcionários. Os líderes da empresa devem enfatizar suas responsabilidades públicas e praticar a cidadania. Os autores, Gadioli et al (2005) destacam que um dos fatores que pode ter contribuído grandemente para a empresa considerar as relações com os stakeholders internos e externos foi a introdução da gestão baseada na qualidade total. Para eles, a qualidade total se apresentaria como um caminho ou um recurso necessário à empresa que deseja acompanhar a trajetória de mudanças que estão ocorrendo, o que significa assumir junto com a produtividade e o lucro, responsabilidades sociais, éticas e ambientais. Gaioto (2001 apud KARKOTLI, 2002) observa que a empresa capitalista só passa a comportar-se de modo socialmente responsável quando sua continuidade está em risco. O autor alega que o desempenho econômico é sua primeira responsabilidade, 37 onde a responsabilidade social corporativa seria uma atividade pós-lucro, porque o lucro é a razão da existência, assim como é necessário para subsistência da corporação. No entanto, não se pode afirmar que uma empresa tenha como responsabilidade apenas a sua sobrevivência, Ashley (2003) defende que as empresas devem agir de forma transparente e adotar uma postura ética perante seus stakeholdes. Levy (2004) e Ashley (2003), entre outros autores, apóiam o ato de publicar o balanço social como forma de demonstrar a postura transparente adotada pela empresa, pois é um instrumento de gestão e de informação econômica, financeira e social, e principalmente, um demonstrativo do desempenho das atividades, onde a empresa torna públicas as ações sociais que empreende com os seus diversos parceiros: empregados, comunidade, meio ambiente, entre outros. São demonstrações das práticas de responsabilidade social. De acordo com o Levy (2004), atualmente no Brasil não há lei que obrigue a empresa ser socialmente responsável, porém resultados positivos para a sociedade trazem para a empresa valorização da imagem institucional e da marca, maior lealdade do consumidor, maior capacidade de recrutar e manter talentos, flexibilidade, capacidade de adaptação e longevidade. Gadioli et al (2005) afirma que a empresa cidadã agrega importante valor à sua marca, além de contribuir para o desenvolvimento das comunidades carentes e da sociedade. De acordo com os autores, o valor que pode ser vinculado à marca nessas atitudes conjuntas justifica o porquê da responsabilidade social empresarial estar relacionada com Marketing. Pode parecer uma estratégia para fortalecer a marca da empresa, no entanto a empresa precisa incorporar a cultura de responsabilidade social, com um comprometimento real e ético, acima de tudo, antes de pensar no retorno que a marca receberá. Karkotli (2002) considerara o termo responsabilidade social como uma forma de atender as necessidades latentes da sociedade como forma de compromisso, modismo ou meramente para a obtenção de lucro, a partir da vinculação da imagem 38 da empresa a causas social. Seja qual for a intenção, é visível o interesse de empresa por projetos sociais ou outro tipo de ação que beneficie o bem-comum. Aqui é necessário fazer a distinção entre o que pretende e pode alcançar uma empresa, e o que é definido como desenvolvimento sustentável. Para Karkotli (2002), é entender as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades. Essa é uma aspiração do conjunto da humanidade e as empresas participam desse processo buscando a sua própria sustentabilidade. 2.2 Responsabilidade Social do Governo Desde a visão liberal de Adam Smith, em que o mercado age como uma “mão invisível” que regula o sistema e onde as empresas são coordenadas pelo mercado, cabendo ao Estado a função de coordenar tal sistema, com leis que regulam o processo de exploração e de acumulação do capital. Na visão de livre concorrência entre as empresas, cabia a o Estado a função de garantir o direito de propriedade, Gomes e Moretti (2007). No Brasil, a política Nacional entre as décadas de 60, 70 e 80, mantinha presença marcante do Estado como responsável pelos constantes processos sociais que realizavam, com o objetivo de zelar pelo bem estar social. Furlanetto e Vieira (2005), o tipo de modelo econômico vivido pelo país naquelas décadas era um modelo paternalista que com a consolidação do capitalismo, deixa de ser satisfatório pelo ponto de vista social, porque o estado formato econômico tem característica mais liberal e menos assistencialista. Nos anos 80 houve um aumento das práticas sociais por todo Brasil, e um crescimento relevante no que diz respeito às questões sociais, referindo-se ao cenário público federal e estadual e das organizações privadas, onde aspectos oriundos das necessidades da sociedade fizerem com que estas organizações ou órgãos refletissem para questões sociais. Para Drucker (1995 apud HIGUCHI; VIEIRA, 2008) essas iniciativas sociais passarem a receber o apoio da iniciativa 39 privada, está pelo fracasso do governo em cumprir suas obrigações sociais com eficiência. O s governos locais estão cada vez mais responsáveis, tanto na vida política como na vida econômica, social, cultural e nos meios de comunicação. De acordo com Santos JR. (2001) as cidades são vistas como atores sociais. Diante de novas responsabilidades, os governos locais, motivados pelo esgotamento da capacidade do poder central em lidar com problemas sociais regionais, buscam soluções na formulação e no implemento de políticas voltadas para a melhoria da qualidade de vida. Anderson (2005) acredita que diferente dos programas de filantropia que não têm sustentabilidade, a introdução de programas de apoio à ONGs e cooperativas, que desenvolvem iniciativas auto-sustentáveis e buscam a introdução na sociedade daqueles que estão às margens dela. Santos Jr. (2001), essa mudança de enfoque teórico que ocorreu com obtenção de poder pelo município, deixou de ser uma problemática política, para outra, técnicoadministrativa de como construir bons governos. Os conceitos de planejamento estratégico e de desenvolvimento local se concentram nos atores e conflitos sociais em nível local, em busca pelos objetivos comuns ao interesse do desenvolvimento econômico e social da cidade. Ainda o autor enfatiza o principal objetivo dos governos locais, na função de agente de desenvolvimento econômico, com educação e saúde e às políticas locais, para garantir a renda e o emprego dos habitantes. O papel do Estado em nível municipal abrange três áreas de mudanças de acordo com Abrucio e Couto (1996 apud SANTOS JR., 2001): A estrutura fiscal administrativa: política de responsabilidade fiscal; As diferenças econômicas entre os municípios: competição movida pela multiplicação do número de municípios; A dinâmica típica do âmbito municipal: que aponta para a necessidade da institucionalização de formas de negociação que incorporem, diretamente à discussão, as áreas a serem atingidos pelas políticas municipais. 40 Pinho e Santana (2002, apud SANTOS JR., 2001 p.101) resumem as áreas de intervenção e as novas atribuições do governo municipal, segundo os analistas: (...) políticas de responsabilidade fiscal, elevando a capacidade de arrecadação própria; reconhecimento da sociedade civil organizada como novo ator social, o que leva a institucionalização de mecanismos de democracia direta como orçamento participativo, conselhos municipais, fóruns de consulta, além de parcerias com o setor privado; práticas gerenciais centradas na qualidade e no exercício da participação; intervenções na área de abastecimento envolvendo produção, circulação, comercialização e consumo; defesa do meio ambiente; políticas de cunho redistributiva ou anticético para garantir a renda e o emprego; reconhecimento que a industrialização não é o único caminho para o desenvolvimento, mas que também a agricultura, o comércio e o turismo podem ser considerados como setores potenciais de geração de emprego e renda; abandono da visão tradicional assistencialista substituída por políticas mais consistentes de combate à exclusão social e à pobreza, e, sobretudo um novo papel de agente de desenvolvimento local. O autor argumenta que são pequenas as possibilidades de respostas das esferas municipais de governo, já que a estrutura de empregos vincula-se à estrutura e à política produtiva de cada país (política industrial, agrícola e comercial) e é diretamente influenciada pela lógica das cadeias globais. Portanto, afirma Santos Jr. (2001, p. 102) seria exigido “um papel ativo dos Estados nacionais na normatização, regulamentação e articulação dos negócios privados, na perspectiva de um novo modelo de desenvolvimento econômico e social”. O novo modelo econômico local, e a nova visão do modelo econômico, que substituiu o tradicional modelo paternalista, com políticas mais conscientes de combate à exclusão social e à pobreza, acrescidos a participação popular, tem colaborado para o papel do município como um agente do desenvolvimento sustentável local. Schenini e Nascimento (2002) quanto à gestão pública sustentável, os seus participantes, sejam eles dirigentes, gerentes ou funcionários, enfrentam o problema gerencial de achar e instalar as tecnologias apropriadas para suas diferentes necessidades. Neste caso, as tecnologias voltadas para a administração pública são um conjunto de conhecimentos que se aplicam as diversas atividades gerenciais 41 visando maximizar benefícios, melhorias ou desempenho. Corroborando para uma afirmação segura de que as tecnologias limpas da gestão pública sustentável são o caminho para se alcançar o desenvolvimento sustentável. Desde a Constituição Federal de 1988, a questão ambiental passou a fazer parte da vida dos municípios brasileiros com maior ênfase. Segundo Teixeira, Netto e Malheiros (2009) a nova legislação passou a responsabilizar os governos municipais pela gestão do meio ambiente local, mensurado pela obrigação do estado e da sociedade na garantia de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. O mesmo autor concorda com a decisão justificada devido ao seu complexo teor de direitos que a questão aborda já que se trata de um bem de uso comum do povo que deve ser preservado e mantido para as atuais e futuras gerações. Souza (2003) defende alegando que a esfera local é a mais apropriada para ação ambiental e de arranjos democráticos, pelo melhor tratamento dos problemas, por meio de um governo mais sensível às demandas locais, maior proximidade e conhecimento dos interesses e necessidades da comunidade, a proteção da sociedade contra a excessiva centralização e concentração de poder, e as maiores chances de participação pública no processo decisório. Outro marco regulatório importante para a gestão ambiental municipal, segundo Schneider (2000 apud TEIXEIRA; NETTO; MALHEIROS, 2009), é a Lei Federal 6.938, de 31 de agosto de 1981, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, criando o Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, composto, dentre outros órgãos, por entidades federais (órgãos setoriais), estaduais (órgãos seccionais) e municipais (órgãos locais), envolvidos com o disciplinamento do uso dos recursos ambientais e preservação da qualidade ambiental. No Artigo 23, a Constituição delega competência comum para proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. Assim, Souza (2003), entende-se que tanto União, Estados e Municípios são dotados de amplas competências ambientais. As Leis Federais nº 9795/99 e nº 10.257/2007, a Lei 5.793/80 e o Decreto 14250-SC normatizam as Políticas Nacionais de Educação Ambiental, estabelecem as regras para entidades governamentais como o IBAMA, no nível federal, a FATMA, no 42 estadual, e a FLORAM, no nível municipal (SCHENINI; NASCIMENTO, 2002). As leis segundo Teixeira, Netto e Malheiros (2009) também definem responsabilidades e hierarquias, estruturas e integração necessária entre os sistemas de educação e ambiental. Lei nº 10.257/2007 que regulamenta o desenvolvimento urbano sustentável, além da resolução 237/97 do CONAMA que estabelece que os municípios devam estruturar-se em termos políticos, técnicos, tecnológicos e operacionais e o dever de implementar os conselhos de meio ambiente para conduzir licenciamento de atividades de impacto local , com caráter deliberativo e participação social. Os mesmos autores esclarecem que os SISMUMA, Sistema Municipal de Meio Ambiente, são instituições de planejamento público a nível municipal que deve incorporar noções e princípios de participação popular, governança ambiental e de desenvolvimento sustentável, no processo de tomada de decisão. Para isso órgão superior do sistema (SISMUMA) e as secretarias subordinadas ao mesmo, são responsáveis por gerir os recursos ambientais, tais quais: Aprovação e acompanhamento de políticas municipais de meio ambiente, com caráter consultivo, deliberativo e normativo; Conservação e preservação, execução, fiscalização ambiental, além da fiscalização dos processos citados anteriormente; Fiscalização de órgãos da administração direta no caso de instituições do governo, e indireta, incluindo os demais organismos não-governamentais que atuam no município e cujas ações podem interferir na apropriação e uso, e também na conservação dos recursos ambientais. Teixeira, Netto e Malheiros, (2009) relatam a pesquisa de Informações Municipais (Munic-IBGE, 2008), que aponta apenas 18,7% dos municípios brasileiros possuirem essa estrutura completa. Apenas 22,6% têm fundo de meio ambiente, 47,6% têm conselho municipal de meio ambiente e 77,8% de municípios no país possuem algum tipo de estrutura na área ambiental. De maneira geral, a pesquisa evidencia que quanto maior o município em termos de população, maior a presença de estrutura ambiental. 43 Ainda os autores enfatizam os municipios e órgãos locais são fundamentais para que ocorra a atuação integrada dos vários elementos que compõem os sistemas nacionais e estaduais de meio ambiente. Assim, Philippi Jr. e Malheiros (2007), se faz necessário que os municípios tenham seu sistema de meio ambiente estruturado, adquirindo a capacidade de atuar sobre as questões que atingem sua esfera local com eficiência como, por exemplo, no desenvolvimento do zoneamento ambiental, estabelecendo padrões de uso e ocupação do solo, bem como na execução do seu papel licenciador e fiscalizador de atividades com potencial impacto ambiental e se adaptando continuamente as mudanças políticas, sem impedir o desenvolvimento econômico, gerando maior sustentabilidade e cidadania. Ao exemplo da elaboração participativa do orçamento municipal e do desenvolvimento de experiências positivas no atual parâmetro econômico pela maior interferência de uma parte da sociedade faz-se crer num desenvolvimento político, necessário à sustentabilidade dessas ações. Essas mudanças devem-se, segundo Teixeira, Netto e Malheiros (2009), ao processo de urbanização, o maior acesso à informações, a expansão no acesso ao ensino formal, a elevação do nível de discernimento e crítica, a existência de instrumentos de limitação do arbítrio dos governantes (por intermédio do Ministério Público), tudo conspira contra o político e o eleitor tradicionais, e de mesma forma projeta um modelo para a reforma da administração pública. Castells (1999 apud TEIXEIRA; NETTO; MALHEIROS, 2009), sugerem oito princípios necessários para a administração pública: Dispor subsídiosariedade: a gestão administrativa deve situar-se, em relação a cada problema ou tarefa, no âmbito o mais descentralizado possível; Flexibilidade: há que se transitar de um estado decretador para um estado negociador, de um estado controlador para um estado interventor. As unidades administrativas de intervenção devem parecer-se cada vez mais com forçastarefas que possam se constituir para um propósito determinado e se reconverter em outro tipo de organização ou de atividade, atendendo a necessidades emergentes. A administração deve ir assumindo uma formação reticular e uma geometria variável conforme a situação; 44 Coordenação: sem ela, a extrema flexibilidade e descentralização dissolveriam o estado. A coordenação deve estabelecer mecanismos de cooperação permanentes; Participação cidadã: que fornece legitimidade à ação do estado; Transparência administrativa: informações ao público e mecanismos de controle externo ao Poder Público, ancorados na sociedade; Modernização tecnológica: uma administração nova, ágil, flexível, descentralizada, participativa, deve fazer uso da tecnologia disponível para garantir sua eficiência; Profissionalização da administração pública; Retroação na gestão: permite assegurar os efeitos da aprendizagem e da correção de erros, de que necessita toda organização para estar em constante adaptação ao ambiente. Rosa, Tureta e Brito (2006) ressaltam as condições de saúde pública como mais um problema social de são fortemente impactadas por condições que fogem ao alcance do sistema de saúde, fazendo dele apenas um sistema de administração de doenças. A saúde de uma localidade envolve de uma estratégia sustentável de desenvolvimento econômico e prevenção de problemas sociais. Segundo Junqueira, (1997) uma cidade saudável é aquela que tem em suas práticas constantes a melhoria de seu meio ambiente físico e social, utilizando os recursos de sua comunidade, com o objetivo de permitir aos seus cidadãos uma aptidão mútua em todas as atividades humanas, que levem em conta a sua plena realização, para que se promova a saúde pública, é necessário desenvolver exercícios de interação com os demais setores da área social e ambiental, influenciar o conjunto das políticas públicas, buscar parcerias com a sociedade civil e a iniciativa privada, para promover o desenvolvimento municipal. 2.3 Sustentabilidade A sustentabilidade desde seu enunciado original na Conferencia de Estocolmo na Suécia (1972), no contexto do conceito, tem tido sua abrangência cada vez mais ampliada, servindo de meio de articulação das dimensões econômica, ambiental e 45 social, hoje vistas como indissociáveis. O adjetivo sustentável tem se aplicado aos mais diversos substantivos (transporte, consumo, turismo sustentável) no sentido de qualificar qualquer objeto de política pública, prática social ou empreendimento que esteja de acordo com princípios de sustentabilidade (ONU, 1998). Karkotli, (2002) descreve que o desenvolvimento sustentável significa atender as necessidades do presente sem comprometer a habilidade das gerações futuras de atender às suas próprias necessidades. Para o autor, a proteção ambiental, comparada a outros ideais humanos, é imprescindível para atingirmos um crescimento que seja sustentável. Jonh (1994) O segredo para o êxito de projetos de preservação ambiental está na sua sustentabilidade econômica. Os negócios que se concretizam nas diversas etapas envolvidas são a garantia para a perenidade e aperfeiçoamento de tais iniciativas. O autor descreve o relatório de 1987 da comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento, onde expressa o desafio e convoca as empresas para uma visão de desenvolvimento econômico unido à proteção ambiental, adequandose aos princípios seguintes: Medidas de emergência: desenvolver planos prévios de emergência em conjunto com secretarias públicas responsáveis e comunidade local, reconhecendo a possibilidade de ocorrência de impactos além dos limites fixados; Prioridade corporativa: desenvolver o gerenciamento ambiental como uma das maiores prioridades coorporativas e como determinantes para o desenvolvimento sustentável; Gerenciamento integrado: gerenciamentos de todas as funções da empresas de forma integrada, onde, políticas e práticas caminham lado a lado; Processo de desenvolvimento: aprimoramento contínuo das políticas e práticas corporativas, tendo em vista as evoluções tecnológicas e cientificas e adotando regulamentações regionais e internacionais; Educação do empregado: educar, treinar e motivar os empregados para que adquiram atitudes e responsável; realizem suas ações de maneira ambientalmente 46 Avaliação prévia: avaliar os impactos ambientais na base de qualquer projeto para nova atividade, deslocamento ou ampliação...; Produtos e serviços: desenvolver e fornecer produtos e serviços com a menor agressão possível ao meio ambiente, desde sua obtenção na natureza, seu descarte, e sua utilização durante a vida útil do produto; Informação ao consumidor: informar ou educar, distribuidores e o público sobre o produto ou serviço, a respeito do uso seguro , transporte, armazenagem e manejo apropriado do produto; Instalações e operações: gerenciar todos os processos considerando o uso racional de energia e materiais, o uso sustentável de recursos renováveis, a minimização de impactos ambientais evitando desperdícios, e o descarte seguro e responsável do lixo residual; Pesquisa: Conduzir ou apoiar pesquisas sobre impactos ambientais que envolvam todos os processos utilizados pela empresa, a fim de minimizar tais impactos adversos; Abordagem cautelosa: modificar a manufatura, o comércio o uso de produtos ou serviços se, esses virem a causar possíveis danos irreversíveis ao meio ambiente; Contratantes e fornecedores: Promover a adoção destes princípios pelos contratantes, requisitando melhoramentos em suas práticas para torná-las compatíveis com aquelas da empresa; Transferência de tecnologia: compartilhar a transferência de tecnologia e métodos gerenciais ambientais para toda a indústria e setores públicos; Contribuir para um esforço comum: desenvolvimento de políticas públicas, programas empresariais, governamentais e intergovernamentais e nas iniciativas educacionais que visem aumentar a consciência e proteção ambiental; Franqueza nas colocações: diálogo transparente com os empregados e com o público, antecipando e respondendo às suas preocupações sobre riscos potenciais e impactos das operações, produtos e resíduos ou serviços de qualquer âmbito; Compromisso e informação: mensurar o desempenho ambiental através de auditorias regulares, exames de adequação à legislação, princípios corporativos e 47 a estes citados anteriormente, promovendo a informação apropriada ao Conselho de Diretores, acionistas, empregados, autoridades e o público. Sachs (1986, apud SCHENINI; NASCIMENTO, 2002 p.6) “afirma que desenvolvimento sustentado deve socialmente desejável, economicamente viável e ecologicamente prudente”. O conceito de desenvolvimento sustentável para Randow, Campos e Dias (2008), fornece uma estrutura para a integração de políticas ambientais e estratégias de desenvolvimento que integre a produção com a conservação e ampliação dos recursos, possibilitando dar a todos uma base adequada de subsistência e um acesso justos aos recursos. Outro autor, Krans (1996) em mesmo sentido aponta alguns princípios de sustentabilidade e justifica cada um: Prevenção: é mais barato prevenir a degradação, a poluição e o prejuízo social do que mais tarde consertar o estrago. Precaução: cautela na aprovação de projetos quando o surgem dúvidas sob aos possíveis impactos ambientais. Participação: toda a comunidade afetada deve participar das decisões, para isso deve ser comunicada. Pró-atividade: pensar as questões de forma criativa e não reativa, ou seja, ações devem ser orientadas pelas oportunidades e não só pelos problemas. Compensação: as pessoas e o ambiente devem sempre ser beneficiados com o resultado de qualquer ação ou empreendimento, caso contrário, devem ser indenizados. Compromisso com melhorias contínuas: comprometer-se em busca da sustentabilidade (longo prazo) requer monitoramento dos resultados das ações (evolução dos indicadores) e identificação de oportunidades de ampliação dos impactos positivos. Poluidor pagador: sempre que houver poluição ou danos ao meio ambiente, o responsável pela degradação deve arcar com os custos de remediá-los. 48 Nesse mesmo enfoque Almeida (1999 apud KARKOTLI, 2002 p.25) observa: “a miséria é devastadora sob o enfoque ambiental, inaceitável sob o ângulo ético e social e limitante do ponto de vista do mercado potencial para o setor produtivo limitando renda, empregos e geração de impostos. A sustentabilidade requer maciça inserção de milhões de pessoas na economia de mercado a cada ano”. 2.4 O Contexto dos Resíduos Recicláveis A idéia associada ao termo “lixo” sugere descarte, algo sem importância e sem valor. Rosa, Tureta e Brito (2006) descrevem a atualidade, onde lixo ganha status de resíduos sólidos, em decorrência de uma preocupação ambiental e também no seu valor econômico, que o resíduo sólido passa a representar agregado pela sua capacidade de reaproveitamento no processo produtivo. Outro motivo relevante para diferenciado tratamento é o potencial de crescimento da geração de resíduos sólidos, que tem acompanhado o crescimento da população, principalmente nas grandes cidades onde o consumo por habitante é maior. Segundo pesquisa desenvolvida pela Cempre (2009), a geração de lixo urbano no Brasil está em torno de 150.000 ton./dia, o que equivale a uma média de geração per capita em torno de 0,8 kg/hab./dia, sendo que nos grandes centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, este índice ultrapassa a barreira de 1,0 kg/hab./dia. Sendo que a estimativa dos órgãos de fiscalização ambiental competentes aponta para um índice de 55 a 60% ainda sendo destinado a lixões. Não existem sistemas de incineração de lixo urbano com controle ambiental e recuperação de energia. Cerca de 1% apenas é incinerado, incluídos aí os resíduos de serviços de saúde. Dean (1992 apud PALIELLO, 1993) a separação prévia do resíduo deve começar nos locais de geração, porque a implantação de centros de triagem faz com que o custo do material final para reciclagem supere o custo de matéria prima virgem. Esses centros de triagem são instalações que somente separam os resíduos sólidos urbanos e por isso muitas vezes chamado de centros de recuperação, por não realizarem ali a reciclagem. As empresas de recicladoras recebem o material 49 separado anteriormente e realizam a transformação do resíduo e introduzem no ciclo normal de consumo. Porém, Paliello (1993), discute com base em outros autores, em estudos realizados na Europa naquela época, demonstram não é possível cobrir os custos operacionais com a venda dos materiais separados, embora haja sempre empresas indústrias interessadas no produto, ou seja, têm a venda garantida, no entanto, se forem calculados todos os custos desse processo, tornam-se inviáveis economicamente. Na percepção da reciclagem e reaproveitamento de resíduos sólidos, Viveiros (2008), indicam que em media 30% do peso total de resíduo urbano é possível de ser reaproveitado, o que se traduz num elevado percentual de resíduos orgânicos presentes, em média 60% do lixo constituído no Brasil. Esses dados se diferem com os dados apresentado pela Cempre (2009), em que a media nacional para os resíduos sólidos chega ate 55% do total do peso dos resíduos coletados, podendo aumentar proporcionalmente conforme o aumento da renda dos geradores dos resíduos. Conforme descrito no Almanaque Brasil Socioambiental (BENSEN, 2005, p. 323), “mais de 73% do lixo coletado pelas prefeituras no Brasil, é enterrado, 3% é transformado em adubo, e 4% é reciclado”. Para termos uma comparação, as cidades dinamarquesas têm uma concentração de matéria orgânica em torno de 15% apenas. Galbiati et al (2005) relata que esse aspecto influi diretamente na questão da disposição final em aterros no Brasil, pois dificulta bastante o seu gerenciamento, especialmente o tratamento do chorume, presente em grandes quantidades, e de gases oriundos da decomposição da matéria orgânica, os quais contribuem de forma significativa para o efeito estufa, caso não sejam drenados. A cultura de reaproveitamento deve começar a vencer o desperdício, por ser menos poluidora e agressiva ao meio ambiente, segundo dados divulgados pelo estudo do Greenpeace in Kimoto (1992 apud PALIELLO,1993), a reciclagem em geral, proporciona 74% a menos de poluição da ar, 35% menos de poluição da água e economia de energia de cerca de 64%, esta última utilizada em maior proporção na industrialização da matéria prima virgem do que no processo de reutilização do 50 resíduo no ciclo de vida dos produtos. Conforme quadro nº.2, é apresentado a os ganhos obtidos através dos itens ar, água e energia, com a industrialização de materiais recicláveis. PRECENTUAL DE PRECENTUAL DE ECONOMIA DE TIPO DE PRODUTO DIMINUICAO DIMINUICAO ENERGIA RECICLADO POLUIÇAO DO AR POLUIÇAO DA AGUA PELA INDÚSTRIA Alumínio Aço 95% 85% 76% 65% a 70% Papel jornal 50% Vidro 60% a 70% Papel 74% 35% Quadro nº. 2:Economia gerada com o reaproveitamento de matéria prima reciclada. Fonte: Adaptado de Botelho Filho (1991); Monteito e Mansur (1987 apud PALIELLO,1993). 2.4.1 O Comportamento Social quanto à coleta de Resíduos Recicláveis Coleta seletiva ou segregativa, Paliello (1993), tem o objetivo de facilitar o tratamento dos resíduos urbanos, também colabora como parte do processo de reciclagem. Esse processo compreende a separação dos resíduos nas próprias residências ou indústrias, em recipientes distintos em materiais como: papel, papelão, vidro, plásticos, ferrosos entre outros. No entanto a prática de coleta seletiva em muitas cidades compreende apenas a separação do material orgânico, ou resíduo não reciclável, a exemplo de restos de alimentos, daqueles que podem ser reciclado, independente do tipo de matéria que são produzidos. Paliello (1993) afirma que a prática da reciclagem juntamente com a participação popular na triagem dos resíduos sólidos urbanos, tem suas vantagens, sociais econômicas e ambientais. O autor alerta que o processo de reciclagem surge como alternativa para a redução do aumento de aterros sanitários, uma questão gravíssima de saúde pública, e também para a manutenção dos recursos naturais, com o aumento do ciclo de vida dos produtos, e a atitude popular que viabiliza economicamente, de certa forma, reduzindo os custos de parte do processo. 51 Quanto ao hábito da população em relação à triagem dos próprios resíduos gerados, visando à reciclagem, vem apresentando uma evolução de acordo com pesquisa divulgada pela Cempre (2009). Dados apontam a evolução da coleta seletiva no Brasil, tem sido mais intensa nos últimos nove anos, como demonstra a figura nº. 3: Figura nº.3: Evolução dos municípios que aderiram à coleta seletiva no Brasil. Fonte: Adaptado de Cempre, (2009) A pesquisa aponta também um crescimento do envolvimento de prefeituras municipais, participação que deve ter ainda maior crescimento, na medida em que a população passa a cobrar uma postura proativa de seus governantes. Em 1994, 81 municípios faziam a coleta seletiva em escala significativa. Em 2004 este número avançou para 237, em 2006 para 327 e em 2008 alcançou 405 (cerca de 7% do total de municípios no país), Figura nº.4 : Estimativa da população atendida pelo programa de coleta seletiva no Brasil (em milhões de habitantes). Fonte: Adaptada de Cempre, (2009). 52 A instituição ainda afirma que os programas de maior êxito são aqueles em que há uma combinação de metodologias de coleta seletiva, coleta porta-a-porta, entrega voluntária, e cooperativa de catadores. Sendo assim observa-se a evolução da reciclagem no Brasil, nos últimos anos, representado na figura nº.5 : Figura nº5: Evolução da reciclagem de resíduos sólidos urbanos no Brasil (toneladas) Fonte: Adaptada de Cempre, (2009). O setor de reciclagem como um todo movimenta hoje no país cerca de 10 bilhões de reais por ano, podendo crescer em curto espaço de tempo caso alguns gargalos sejam eliminados. Dentre estes gargalos destaca: capacitação técnica; política fiscal/tributária coerente; aumento da participação popular. O instituto CEMPRE (2009) é uma instituição que apóia todas as iniciativas que se desenvolvem em torno do comercio e reutilização do lixo, especialmente na melhoria contínua desse sistema. Sendo a política fiscal e tributária do Brasil um dos gargalos que impedem o crescimento desse mercado, a instituição apóia também Política Nacional de Resíduos Sólidos, projeto de lei que já circula no Congresso Nacional, desenvolvida com o apoio da instituição. Entre as principais mudanças esta a diminuição de impostos sobre produtos produzidos de material reciclável, que hoje sofrem taxação maior do que aqueles que advêm de matéria prima virgem. A regulamentação dessa 53 lei estimulará o comércio de reciclados porque permitirá que os produtos tenham maior aceitação econômica podendo competir por igual no mercado, o que ainda não ocorre nos dias de hoje. Apesar dessa grande dificuldade que o mercado de reciclados enfrenta, no Brasil, a reciclagem de lixo urbano gira em torno de 12%, conforme demonstra a figura nº 6, incluindo os materiais orgânicos: Figura nº 6: Evolução da reciclagem de resíduos urbanos no Brasil (%) Fonte: Adaptada de Cempre, (2009). Os dados da pesquisa apontam papelão e alumínio, como os mais elevados índices de reciclados relativos do país, 79,5 e 76,5% respectivamente. Dentre os plásticos pós-consumidos, o PET é aquele que apresenta o maior valor de mercado, sendo comercializado na forma de fardos prensados ou flakes. Operações de exportação são frequentes, especialmente de flakes, para China, Taiwan, Europa e Estados Unidos. Cerca de, 21% dos plásticos, são reciclados no Brasil, o que equivale a cerca de 330.000 ton./ano. Este trabalho é executado basicamente por pequenas e médias empresas, na forma de cooperativas e principalmente por mão de obra informal, daqueles que vêem no lixo uma forma de sobrevivência. Para os metais ferrosos, incluindo as embalagens, o Brasil possui uma rede consolidada de sucateiros que alimentam algumas siderúrgicas, que em alguns casos, chegam a operar com mais de 85% de matéria-prima oriunda do comércio de sucatas. O vidro, apesar de algumas restrições quanto ao item transporte, também é reciclado em algumas partes do país. A fração mais significativa do que é coletado volta para as grandes vidrarias. 54 As embalagens de longa-vida, depois de descartadas, têm apresentado significativa evolução em seu índice de reciclagem nos últimos anos, impulsionada pelo reaproveitamento das fibras de celulose, essas de alta qualidade, por parte das indústrias de papel e papelão. A tecnologia de plasma, totalmente desenvolvida no Brasil, permite o aproveitamento do alumínio e do plástico, também presentes nas embalagens. Esta tecnologia está sendo exportada para países da Ásia e Europa e colocou o Brasil como líder mundial de reciclagem de embalagens longa-vida pósconsumo (25,5% em 2007) entre países em desenvolvimento. A reciclagem de eletroeletrônicos começa a avançar no Brasil, Cempre (2009). Alguns fabricantes, líderes de mercado, introduziram recentemente sistemas de logística reversa, direcionados aos consumidores de pequeno e grande porte. O tempo médio de utilização de computadores e impressoras por cada consumidor gira em torno de cinco anos. Para a linha branca (geladeiras, fogões, etc.) algumas empresas estão se especializando na coleta, desmontagem e destinação final. Para um avanço mais acelerado recomenda-se a criação de incentivos que impulsionem esse segmento. Uma das sugestões em pauta é a redução do IPI proporcional aos investimentos em projetos de logística reversa, conforme Viveiros (2008). O instituto aponta um crescimento da reciclagem de pneus nos últimos dois anos, graças a idéias criativas para a reutilização da borracha, o pneu tem sido utilizado na indústria automotiva e de construção civil em pavimentação de estradas e projetos de engenharia em aterros sanitários. Outra inovadora utilidade é o uso do pneu para contenção de encostas. Segundo pesquisa desenvolvida pela International Research (2002), descrita por Palhares (2003) demonstra indicativos que o consumidor brasileiro já acordou para a questão ambiental, uma vez que 94,7% dos brasileiros já tinham ouvido falar em reciclagem ou materiais recicláveis. O índice que chegou a 100% na classe A, atingiu 89,6% nas classes D/E. Na mesma pesquisa, Quanto perguntas sobre a posição em relação à reciclagem, 27% das pessoas entrevistadas afirmam já separar materiais para esse fim, 34% disseram ser muito simpáticos à possibilidade de adotar o hábito, 13% declararam- 55 se muito predispostos a seguir essa rotina e 23% admitiram não estar muito preocupados com isso. Cerca de 3%, não souberam informar. As diferenças sócias econômicas, nesse caso, também são relevantes. Enquanto 36,6% das pessoas de classe A disseram já separar o lixo de casa para a reciclagem, o índice nas classes D/E foi apenas 20,5%. Inversamente, aqueles que não se preocupam com a reciclagem são apenas 12,2% na classe A, e 31,4% nas D/E. A pesquisa também indicou que o grau de instrução influencia a posição das pessoas em relação à separação de materiais para a reciclagem. Os números foram maiores entre os entrevistados com nível superior completo do que entre os sem educação formal ou primeiro grau incompleto para os itens “já separo o lixo de casa para reciclagem” (38,5% contra 23,8%), “vejo com simpatia a possibilidade de adotar esse hábito’’(32,3% contra 23,1%) e “ainda não reciclo, mas estou muito predisposto” (21,5% contra 6,9%). Por outro lado, os números inverteram quando o item era “não me preocupo ainda com isso” (9,2% entre pessoas da classe A, e 33,8% entre pessoas das classes D/E). Esses dados sugerem que a informação parece ser de fato, um elemento fundamental no desenvolvimento de comportamentos ambientalmente melhores por parte dos consumidores, confirmando a perspectiva cognitiva seguida nesse trabalho. Por outro lado, indicam que a baixa renda do consumidor pode ser um fator que inibe tais comportamentos. Porém é muito importante que a sociedade em geral, queira um sistema de coleta e por conseqüência a mobilização da sociedade para a reciclagem. Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, de acordo com de acordo com Paliello (1993), ainda são necessários cada vez mais recursos financeiros para as conversões dos lixões em aterros, para a implantação de novos aterros sanitários e de centros de classificação, além de outras iniciativas. Por isso, os esforços devem ser crescentes para a educação das pessoas. Especialistas desse assunto, de acordo com o mesmo autor, defendem a idéia de redução do volume de lixo produzido. Isso exigiria uma grande mudança nos padrões de criação de embalagens promovidas pelo Marketing, consumo e hábitos 56 arraigados de descarte e implantação de programas de coleta seletiva de lixo. Nesse caso, é indispensável à colaboração da comunidade no descarte separado dos diversos materiais recicláveis antes da coleta. Uma comunicação de Marketing mais ativa orientando os consumidores da maneira correta e mais adequada para o descarte das embalagens, seria necessário. Quanto à implantação de um sistema de coleta seletiva, deve obedecer a um planejamento ilustrado por uma corrente de três elos. Se um deles não for planejado a tendência é de que o programa não prospere. “O planejamento deve ser feito do fim para o começo da cadeia”. Ou seja, primeiro pensar em qual será a destinação, depois a logística e por fim o programa de comunicação ou educação ambiental (PALIELLO,1993). 2.5 Conceitos de Marketing O marketing tem como característica uma visão orientada de fora para dentro, diferente da visão das vendas orientada de dentro para fora. Esse posicionamento característico do marketing inicia com o mercado orientado pelas necessidades dos clientes, assegurando assim lucros e satisfação dos mesmos, em outras palavras, busca atender lucrativamente às perspectivas de benefício gerando valor ao cliente. O Marketing nos dias atuais é como uma ferramenta indispensável para de ajudar uma empresa a enfrentar o mercado. Kotler (1999) argumenta que um dos motivos primordiais para se estudar marketing é que ele é responsável por grande parte do crescimento e do desenvolvimento econômico da empresa e sociedade. Ainda o autor, os conceitos de Marketing são bem variados, com alguns voltados para o lado social e outros para o lado gerencial. Mas é fácil de perceber o Marketing, objetivando dentro das organizações o aumento de receitas e também a conquista por segmento de mercado em que atua. O marketing estimula a pesquisa e idéias inovadoras, tendo por resultado a oferta de novos e melhores bens e serviços. Hoje, Richers, (2003), a palavra Marketing se tornou um termo popular no Brasil, o autor explica que o grande motivo foi a industrialização da economia em que não só adotaram-se tecnologias inovadoras, mas também novos métodos administrativos, 57 entre eles o Marketing. Outro ponto a ser mencionado, foi a difusão do Marketing nas escolas de ensino superior e cursos especiais ao divulgar e aplicar novos conceitos. E por último, todo o sistema de comunicação e mídia onde é muito presente o uso da palavra: “Marketing” associado indevidamente a ações, fatos e conceitos incorretos. Kotler (1994, p.20), sustenta: “Marketing é a analise o planejamento e o controle de programas cuidadosamente formulados e projetados para propiciar trocas voluntárias de valores com mercados-alvo, no propósito de atingir os objetivos organizacionais. Depende intensamente do projeto da oferta da organização, em termos das necessidades e desejos dos mercados alvo, e no uso eficaz da determinação de preço, da propaganda e da distribuição, a fim de informar, motivar e servir os mercados”. Westwood (1996, p.7) define o marketing em “descobrir aquilo que o cliente quer e adaptar os produtos de uma empresa para que satisfaçam essas exigências, e produzir lucro para a empresa”. O autor ainda completa afirmando que ”já se foi o tempo em que uma empresa desenvolvia um produto e depois procurava compradores para ele”. Todo o processo de Marketing para Kotler (1999) consiste de a empresa fornecer o produto ou serviço que venha satisfazer às necessidades do consumidor em troca de recursos financeiros que lhes possibilitem, ao menos, cobrir os custos incorridos. Por seu lado, o consumidor estará disposto a realizar a troca de seu dinheiro pelo produto ou serviço caso perceba que as suas necessidades e seus desejos serão satisfeitos. Por isso, conclui o autor, é necessário um efetivo controle e monitoramento constante com as ferramentas de marketing. Segundo Westwood (1996, p.10), estudo do marketing engloba a análise de variáveis internas e variáveis externas que envolvem: “as competências da empresa, a s exigências do cliente e o ambiente de marketing”. Entre as variáveis internas da empresa estão os quatro elementos principais da operação de uma empresa, o mix de marketing, também conhecido como os quatro Ps são variáveis controláveis que permitem que uma empresa traga a tona uma política que seja lucrativa e que satisfaça seus clientes”. Ainda Westwood (1996, p.11), “o controle do marketing mix 58 é a chave para o marketing bem sucedido e é a essência do planejamento de marketing”. A teoria proposta pelo professor Jerone McCarthy na década de 60, (apud KOTLER, 1999) tem sido adaptada e elaborada por vários autores, pelo motivo de cada P abrange várias atividades, como mostra a figura nº.7 : MIX DE MARKETING Produto Variedade de produtos Qualidade Design MERCADO ALVO Características Marca Embalagem Tamanhos Serviços Preço Promoção Garantias Preço nominal Promoção de vendas Devoluções Descontos Propaganda Concessões Força de vendas Prazo para pagamento Relação publica Condições de crédito Marketing direto Praça Canais Cobertura’ Variedade Pontos de venda Estoque Transporte Figura nº 7: A estrutura dos quatro Ps. Fonte: adaptada de Kotler (1999, p.125). Corroborando com o que a figura acima O mesmo autor lembra que as atividades correlatas ao marketing demandam estratégias que necessitam da análise e ao delineamento do mercado e isso envolve segmentação, escolha de mercado alvo e posicionamento de mercado e por fim a operacionalização destas estratégias. Para Westwood (1996) a estratégia pode ser concebida como uma seqüência temporal de decisões, ou, alternativamente, como um processo que envolve um conjunto de ações voltadas para mover uma empresa em direção ao cumprimento de suas metas de curto prazo e seus objetivos de longo prazo. 59 A formulação de estratégia, ou, o processo de planejamento estratégico, pode ser desdobrado em três níveis (Kotler, 1999): corporativo, empresarial ou da unidade estratégica de negócio e funcional. No nível corporativo, a formulação da estratégia (planejamento estratégico) refere-se à definição, avaliação e seleção de áreas de negócio nas quais a organização irá concorrer e a ênfase que cada área deverá receber. Assim, a estratégia da organização diz respeito à maneira como uma organização irá concorrer nos mercados escolhidos. Outra questão fundamental é a alocação de recursos entre as áreas de negócio da organização, segundo os critérios de atratividade e posição competitiva de cada uma dessas áreas voltada para o crescimento e a permanência (sobrevivência) da empresa. Corroborando com os conceitos anteriormente expostos, de mix de marketing e estratégias de marketing, Rocha e Christensen, (1999), abordam o marketing como um conjunto de princípios e técnicas que tem por objetivo ajustar a oferta da organização às demandas do mercado, através de maior satisfação do cliente. Os autores apontam três variáveis do mercado ao que as empresas devem estar atentas para satisfazer os clientes: Mudanças ambientais relacionadas à economia, à tecnologia, à política e a legislação entre outros; Mudanças comportamentais dos consumidores relacionados a atitudes, crenças, comportamentos, adaptações a mudanças ambientais; Mudanças relacionadas à concorrência. Uma empresa orientada com uma estratégia de marketing lida com enfoque nas necessidades do consumidor, e sua satisfação. A satisfação do cliente está relacionada com o conceito de valor percebido. O valor percebido relatado por Kotler (1999) indica que uma oferta de marketing para o mercado tem um valor agregado entregue ao consumidor, resultado da diferença entre valor esperado (conjunto de benefícios) e o custo total (financeiro, psicológico, social, de tempo, funcional) para o consumidor, e que pode ser chamado de lucro do consumidor na aquisição do produto ou serviço. Ainda na definição de valor percebido pelo consumidor, seria a relação de benefícios que uma aquisição trará e os custos percebidos para a aquisição, comparados à concorrência. 60 Estudos e pesquisas, de autores e instituições da área de administração, marketing, ambiental e social como Levy (2004), Cempre (2009), Jonh (1994) Palhares (2003), Ashley (2003) entre outros, como também a crescente participação da sociedade organizada como agente social, demonstram um consumidor mais responsável socialmente e por sua vez exigirá das organizações o mesmo comprometimento. Silva e Minciotti (2005, p.17), também abordam o tema como “um valor que tende a ser cada vez mais desejado pela sociedade, assim sendo, um desafio de praticar um conceito de marketing revisto e ampliado, conforme padrão ético definido deve colocar o bem estar da sociedade acima do bem estar individual do consumidor”. 2.6 Marketing das Causas Sociais, Societal e Social A responsabilidade social é um tema que vem ganhando espaço nas discussões empresariais devido aos novos desafios impostos às organizações para a competição e diferenciação no mercado. Tais desafios estão relacionados a uma mudança de postura nos consumidores, que estão mais atentos às obrigações sociais das empresas. A opinião de Pringle e Thompson (2000), esta de acordo com a opinião de outros executivos e estudiosos do assunto que alegam que é preciso usar a mídia com discrição ao comunicar as ações sociais das empresas, de forma a valorizar ainda mais a marca e não criar no consumidor um sentimento de descrédito e ironia. E que as empresas devem começar sua ação social por aquilo que sabem fazer, garantindo a coerência entre o projeto social e a sua atividade. Ainda a autora, completa sua linha de pensamento a respeito da comunicação das ações de cunho social que a empresa pratica, quando usada de forma adequada e coerente, é uma variável muito importante para a empresa que deseja obter vantagens competitivas e fortalecer sua imagem no mercado por meio de campanhas voltadas para a divulgação de sua ação social. Segundo Pringle e Thompson (2000, p.112), há um número crescente de pesquisas de mercado quantitativas e qualitativas que sustentam que as campanhas de marketing para causas sociais têm um maior potencial para influenciar o comportamento do comprador que as formas tradicionais de comunicação. Oliveira e Ikeda, (2007) 61 confirmam as empresas estão utilizando instrumentos de comunicação para divulgar o seu projeto social e assim, estão obtendo a simpatia e o respeito do consumidor. O marketing Social, marketing Societal e Marketing para as causas Sociais, são modelos estratégicos que apesar de proporcionarem benefícios sociais ou aumento na qualidade de vida, e terem suas origens na responsabilidade social, possuem diferentes conceitos, em que a diferença está nos métodos ou meios em que é desenvolvido, no estímulo que origina a ação e também nas formas de benefícios que proporcionam à sociedade. Um modelo de marketing que vise o bem social deve ser incorporado na estratégia da empresa. Karkotli (2002) justifica essa afirmação com o atual ambiente mercadológico, no qual o processo de globalização impõe às corporações uma busca pela produtividade, o que torna essencial ter em mente a reputação. Para Levy (2004) e Ashley (2003), a sociedade está mais ativa, e isto exige que as companhias interajam mais com as comunidades nas quais estão presentes. É fundamental para o processo de gerenciamento de uma marca abrir canais de comunicação com a sociedade em virtude da nova postura adotada por pela, que vigia de forma mais constante as ações de empresa que associam suas marcas às questões sociais. Kotler (1994), o setor empresarial, percebendo a benevolência da sociedade em relação a causas sociais, passou a divulgar as ações assistencialistas que realizavam em seus programas de marketing, o que fez surgir um novo campo dentro da disciplina, denominado marketing para causas sociais. Pringle e Thompson (2000, p.3) definem marketing para causas sociais como “uma ferramenta estratégica de marketing e de posicionamento que associa uma empresa ou uma marca a uma questão ou causa social relevante, em benefício mútuo”. De acordo com Institito Ethos (2010) pôde-se perceber que as pessoas apóiam as atitudes das empresas envolvidas com uma causa social, ou uma instituição ou algum projeto que a empresa tenha interesse em desenvolver. Ashey (2003) ressalta que muitas pessoas estão inclusive dispostas a pagar um preço mais elevado por 62 um determinado produto vinculado a uma razão social, sendo estes produtos mais convincentes dentre os concorrentes que não apóiam uma causa social. O marketing para causas sociais é a uma aliança estratégica entre uma empresa e uma causa social, que começou a ser utilizado nos anos 80 do século passado, justamente quando a sociedade passou a se organizar em torno de movimentos e causas populares. Um exemplo desse tipo de estratégia é a desenvolvida pela rede de Fasfood MCDonald`s, na campanha MC Dia Feliz, onde uma percentagem do sanduíche Big MAC vendido no dia, definido em função do dia mundial de prevenção ao câncer é, destinado a essa causa, para instituições de referência na região de cada loja da rede. Essa estratégia de marketing para causa social do MCDonald`s teve inicio nos Estados Unidos e foi expandida para todos os países onde a rede atua devido a grande mobilização dos consumidores com a campanha. A adoção de uma causa social, de acordo com Pringle e Thompson (2000, p.3), pode dar a uma marca identidade, ou sistema de crenças e resultar em uma percepção e intenção de compra significativamente melhor, por parte do consumidor. Os programas sociais também podem estabelecer um relacionamento mais duradouro entre a empresa, os funcionários, fornecedores e órgãos do Governo. No entanto, Higuchi e Vieira (2007) no marketing para causas sociais, os objetivos econômicos são mais enfatizados. Apesar de objetivar o levantamento de fundos para as causas e a melhora da imagem, o que vai determinar se o programa está obtendo resultados ou não, é somente o aumento das vendas. Por isso, justifica Higuchi e Vieira, (2007, p.8) “pode-se dizer que o marketing para causas sociais está ligado muito mais às vendas do que à filantropia”. Cita ainda que, o bem estar, a inclusão social e as ações nas áreas da cultura, esporte, educação, saúde, emprego e segurança, assim como a promoção da qualidade e da ética nas relações com o funcionário, com o consumidor e com o meio ambiente, também são objetivados, porém delegados a um nível de prioridade inferior ao dos objetivos financeiros. O marketing para causas sociais é denominado por alguns autores, Mendonça (1998) e Mohr et al (1998 apud Romeiro, 2006) de marketing de idéias, ou marketing de causa relaciona por Silva e Minciotti (2005), entre outros autores. Apesar de o 63 conceito ser apresentado com diferentes nomes, os autores citados os descrevem com as mesmas características das quais foram conceituadas para formar descrever o marketing para causas sociais neste estudo teórico, no entanto a variedade de nomes pode gerar confusões a respeito da real definição do conceito do marketing para causas sociais. Marketing Societal, definido por Silva e Minciotti (2005), visa atender as necessidades do consumidor, vinculando as ações como um diferencial para a marca ou organização. No entanto, não visa aumentar as vendas de forma direta como o marketing para causas sociais. O aumento das vendas ou lucratividade das empresas é ocasionado de acordo com a percepção positiva do consumidor em relação ao produto ou serviço, porque os esforços do marketing societal são desenvolvidos e implementados visando o aumento da aceitabilidade dos produtos. A definição que Kotler e Armstrong (1998, p.62) apresentam para marketing Societal é: “(..) uma orientação para as necessidades dos consumidores, apoiados pelo marketing integrado, objetivando gerar a satisfação dos consumidores e o bem-estar dos consumidores a longo prazo, como o meio para se atingir os objetivos organizacionais”. O marketing societal, definido por Kotler e Armstrong (1998) é a estratégia em que o marketing considera o bem estar dos consumidores ao longo prazo, através da busca de: A criação de clientes satisfeitos e a contribuição para a qualidade de vida; Produtos combinando elevado atrativo e alto beneficio ao consumidor; Os consumidores conscientes que irão adquirir produtos de empresas preocupadas com a satisfação e o bem estar ao longo prazo. A abordagem de recém proposta pelo autor é representada na figura nº8: 64 Sociedade (bem estar da humanidade) Orientação de marketing societal Consumidores (satisfação dos desejos) Empresas (lucros) Figura nº8: os três fatores que fundamentam a figura do marketing societal Fonte: Kotler e Armstrong (1998, p.15) Corroborando com o que expressa na figura, Kotler e Armstrong (1998) entendem que para a empresa praticar o de marketing societal, é necessário que a organização equilibre três fatores ao definir uma política de mercado: os lucros da empresa, os desejos dos consumidores e os interesses da sociedade. O autor, também, enfatiza que esse conceito vem ganhando força tanto no setor de bens de consumo quanto no setor de serviços. E por último o conceito de Marketing social, que significa uma tecnologia de administração da mudança social, associada ao projeto, à implantação e ao controle de programas voltados para o aumento da disposição de aceitação de uma idéia ou prática social em um ou mais grupos de adotantes, escolhidos como alvo, segundo Kotler e Roberto (1992). Os autores colocam que o termo marketing social a pareceu pela primeira vez em 1971, para descrever o uso de princípios e técnicas de marketing para a promoção de uma causa, idéia ou comportamento social. Há autores, como Pringle e Thompson (2000) que defendem conceitos conflitantes que acabam gerando confusão quanto a real definição do Marketing Social. Os autores como Mauro Silveira (apud Moreira 2005), vislumbram nesse tipo de marketing uma forma variada de vender um produto. Outros autores, Moreira (2005); 65 Schiavo e Fontes (1997 apud KIEL; SILVEIRA) discordam radicalmente. Kiel e Silveira relatam que para eles o marketing social se preocupa com a pertinência e qualidade do retorno dado à sociedade pelas empresas, ou seja, dos recursos que se destinam às ações no campo social, a partir de estratégias bem sucedidas do marketing convencional. O Marketing social é definido por Kotler (1994, p.287) como: (...) o projeto, a implementação e o controle de programas que procuram aumentar a aceitação de uma idéia social num grupoalvo. Utiliza conceitos de segmentação de mercado, de pesquisa de consumidores, de configuração de idéias, de comunicações, de facilitação de incentivos e a teoria da troca, a fim de maximizar a reação do grupo-alvo. Romeiro (2005) descreve o marketing social como a aplicação de tecnologias comerciais do marketing à análise, ao planejamento, à execução e à avaliação de programas que pretendem influenciar o comportamento voluntário de um públicoalvo a fim de melhorar o bem-estar pessoal e social de um determinado grupo, ainda o autor o marketing social é conceituado como um intercâmbio de valores não necessariamente físicos nem econômicos, mas que podem ser sociais, morais ou políticos, sendo utilizado para vender idéias ou propósitos que proporcionem bemestar à comunidade. Romeiro (2005, p.58) elaborou um quadro que representa muito bem as diferentes perspectivas teóricas de marketing abordadas. Cabe aqui, também relembrar que o marketing para causas sociais é citado pela autora como marketing de idéias, como o citado anteriormente neste estudo teórico, o que justifica a adaptação da nomenclatura utilizada no quadro nº 3: 66 Marketing societal Marketing social Dimensão Marketing para causa social Aplicação Filosófica Aplicação Objeto de troca Mudança social Bens e serviços Mudança social Objetivo Disseminação de uma idéia não exclusivamente com interesse social ou filantrópico (pode visar o lucro) Conciliar a satisfação dos clientes com o interesse do publico no longo prazo e com o resultado da empresa Ferramental Composto de marketing (ênfase em comunicação social) Instituição pública, entidade social ou empresa Disseminação da idéia de limpeza das cidades patrocinadas por fabricante de cesto de lixo Composto de marketing Disseminação de uma idéia de interesse social ou filantrópica, sempre vinculada à melhoria da qualidade de vida em sociedade (não visa ao lucro) Composto de marketing Empresa Instituições públicas e sociais Produção do produto cesto de lixo fabricante de material reciclado com patrocínio pelo seu fabricante O consumidor apresenta resistência à mudança social quando reconhece interesse de lucratividade do patrocinador O consumidor apresenta resistência à mudança social quando reconhece interesse de lucratividade do patrocinador Disseminação da idéia de compra de produto elaborado com material reciclado patrocinada por ministério do meio ambiente Sem restrição (o patrocinador não objetiva lucro) Patrocinador Situação ilustrativa Restrição para o presente Quadro nº3: Fatores de diferenciação entre o marketing para causas sociais, societal e social. Fonte: adaptada de Romeiro (2005, p.58) De acordo com o quadro 02 se pode perceber que as finalidades de dois desses segmentos do marketing se contrapõem. Muito embora, os três, invistam na sociedade, os intuitos dessas ações são visivelmente opostos, enquanto o marketing social trabalha para o bem-estar social, o marketing societal e de causas sociais trabalham com o social ao associar a sua imagem a ele. Os autores Kotler e Roberto (1992) enfatizam que marketing social envolve a tecnologia de administrar as mudanças sociais, atrelada à elaboração, implantação e controle de programas que visem à adoção de uma idéia ou práticas sociais daqueles escolhidos como público alvo. 67 Visando o objetivo da pesquisa, no próximo tópico busca embasamento teórico para o desenvolvimento do plano de marketing social, porque conforme a teoria demonstra, é a perspectiva de marketing que melhor corresponde aos objetivos da pesquisa. 2.6.1 Plano de Marketing Social O conceito de planejamento sofreu, ao longo do tempo, notáveis contribuições de diferentes autores e recebeu denominações bastante diferenciadas. Muitos se referem a planejamento estratégico, outros a planejamento empresarial, alguns a planejamento corporativo, sem que se percebam diferenças significativas entre os respectivos conceitos. De toda forma, as empresas se utilizam desta ferramenta da administração como sendo sua bússola para a consecução de seus diversos objetivos. Por ter se desenvolvido mais no âmbito empresarial, o planejamento deve ser tratado como uma ferramenta de toda a organização, compreendendo as abordagens específicas das suas áreas integrantes. Assim, o Plano Estratégico acaba por se constituir no somatório de todos os outros planos. O plano de marketing para Westwood (1996, p.5) “é uma ferramenta de comunicação que combina todos os elementos do comporto mercadológico em um plano de ação coordenado, ele estabelece quem fará o quê, quando, onde e como”, para alcançar os objetivos. O Plano de marketing deve conter a identificação das oportunidades de negócios mais promissoras para a empresa e especificar como penetrar, conquistar e manter posições em mercados identificados. Segundo Kotler e Roberto (1992) o marketing social deve ser incorporado na estratégia da empresa, no atual ambiente mercadológico, por meio da busca de produtividade, é essencial ter em mente a reputação. A sociedade está mais ativa, e isto exige que as companhias interajam mais com as comunidades nas quais estão presentes e são fundamentais para seu pleno sucesso da organização algumas mudanças nas perspectivas corporativas, a fim de incluir mais participação de Marketing e resultado ao longo prazo, segundo Kotler e Roberto (1992). A 68 responsabilidade do Marketing social exige a inclusão de quatro considerações na tomada de decisão: Desejo dos consumidores; Interesses dos consumidores; Exigências das empresas; Bem-estar social; De acordo com Kotler e Roberto (1992) o quadro a seguir aponta três diferenças principais, características entre os especialistas de marketing social e do marketing de negócios, representado no quadro nº4: Marketing de negócios Marketing social Procuram preencher as necessidades e os desejos identificados dos mercadosalvos Sentem que seu alvo principal é obter lucro, servindo aos interesses do mercado-alvo ou da sociedade Levam ao mercado os produtos e serviços, por intermédio de veículos de idéias Tentam modificar as atitudes ou o comportamento dos mercados-alvos Procuram servir aos interesses do mercado-alvo ou da sociedade, sem lucro pessoal Levam as idéias ao mercado, em lugar dos produtos e serviços Quadro nº 4: diferenças entre conceito de marketing de negócios e marketing social. Fonte: Elaboração própria, Kotler e Roberto (1992). Ainda o autor, o marketing social visa produzir um ótimo plano para proporcionar uma mudança social desejada, no entanto, a qualidade do plano não garantira que a mudança alvo seja atingida. O que determinará o sucesso ou não do plano será o grau de facilidade ou não seja a mudança social almejada. Algumas mudanças sociais acabam acontecendo até mesmo sem a ajuda do marketing social, no entanto, outras que contam com essa ajuda, são extremamente difíceis de acontecer. O plano de marketing social, definido por Kotler e Roberto (1992) “é o desenho, implementação e controle de programas calculados para influenciar a aceitabilidade das idéias sociais, envolvendo considerações de planejamento do produto, preço, comunicação, distribuição e pesquisa de marketing”. 69 O plano de marketing social tem várias etapas que serão abordadas. A seguir são apresentadas em um resumo executivo e posteriormente descriminadas por etapa a ser seguida: A avaliação da situação atual do marketing social; A identificação de oportunidades e ameaças; Objetivos para o produto social; Estratégias propostas de marketing social; Programas de ação; Orçamentos e controles. Avaliação da situação atual do marketing social: descreve a população de adotantes escolhidos como alvo nesses segmentos, apontando as informações. Identificação de oportunidades e ameaças: plano tem uma avaliação de oportunidades e ameaças para os quais é preciso estabelecer prioridades. As oportunidades e ameaças constituem as prioridades mais altas definem os pontos críticos do marketing e a elaboração de planos de contingência. Objetivos do Produto Social: quando os objetivos buscam uma mudança de comportamento, essa mudança só pode resultar de uma reação anterior, ou seja, como a mudança de só ocorrera com a plena conscientização dos adotantes alvos, como explica o quadro nº5: Tipo de mudança Descrição Mudança Cognitiva Tem o objetivo limitado de criar uma mudança cognitiva na audiênciaalvo, através de campanha de informações públicas ou de educação pública. Considerada relativamente fácil por não procurar modificar atitudes e comportamento humano Mudanças Ação Procura induzir um número de pessoas a realizar uma ação específica num determinado período de tempo Relativamente mais difícil que cognitiva por necessidades do aprendizado e da ação do mercado-alvo Mudanças de Procura induzir a mudança de comportamento, buscando no bem estar Comportamento individual. Considerada mais difícil que a anterior pelo devido à necessidade de ação continua 70 Mudanças de Valor Tem por objetivo mudar a crença de alguém acerca de alguma coisa. E mudança mais difícil dado o grau de envolvimento com os valores sociais básicos do indivíduo Quadro nº5: Tipos de mudanças sociais. Fonte: Adapatada de Kotler (1994, p. 293/299). No quatro observa-se o grau de dificuldade de mudanças sociais defendidas pelo autor, obedecendo a uma escala de cima para baixo, onde a mudança cognitiva representa o nível mais suscetível intervenções social. Posicionados por último na escala, ao mais difícil de sofrer alterações sociais, são as mudanças de valores geralmente pragmáticos, e ideológicos, o que se tornam ainda mais difíceis de serem mudados. De acordo com o autor se os adotantes alvos não estiverem plenamente informados e conscientes da importância do novo comportamento, a ação deve ter com o objetivo, no momento promover a conscientização, o conhecimento, a crença, a atitude, a intenção, ou a adoção, por tentativa dos adotantes escolhidos alvo. Outro método, segundo o mesmo autor, é adotar uma perspectiva de modificação do comportamento em subdivisões do grupo alvo e a seguir a campanha poderia estabelecer com alvo os comportamentos mais fáceis de modificar e ir prosseguindo com os mais difíceis. Torna-se necessário, portanto ter compreensão dos mecanismos através dos quais novas idéias e práticas se difunde pelo grupo alvo, ou seja, se muitos, alguns ou poucos membros da população de adotantes e o potencial de persuasão. As campanhas de mudanças sociais almejam uma adoção por compromisso e não simplesmente uma adoção por tentativa, como também, sem desistências, porém, de acordo com Rogers apud Kotler e Roberto (1992) promove-se a continuidade da adoção pela integração da inovação às práticas e aos estilos da vida diários ou regulares dos adotantes. Programas de ação: especifica cada etapa de ação do plano: O que será feito para esta estratégia? 71 Quando será feito? Quem o fará? Quanto custara? Orçamentos: Orçamento com estabelecimento de alvos e orçamento por análise. Controles: avaliação de resultados, e metas alcançadas. 2.6.3 Os quatro P`s do Marketing Social Os produtos têm uma abordagem específica no plano de marketing social se acordo com Kotler e Roberto (1992). Quando o produto é adoção de uma mudança social em que os planos procuram comercializar um produto intangível a tendência é ressaltar as características de um produto; o que pode ser visto, sentido, tocado, cheirado, ouvido ou provado. A teoria do mix de marketing ou, quatro P´s do marketing tradicional, no marketing social , sofrem algumas modificações em sua conceituação, conforme Kotler e Roberto (1992): 1º O produto social é uma idéia ou prática a ser vendida. Entretanto, pode-se encontrar com facilidade no mercado, projetos sociais que não especificam exatamente o produto social oferecido. Na maioria dos casos, o produto do marketing social não é físico. Embora em alguns casos possa ser como no exemplo da distribuição de preservativos, na maioria das vezes é intangível, podendo variar de um atendimento psicológico gratuito a campanhas de vacinação gratuitas, ou a campanha de preservação ambiental. O Marketing Social, então, procura a melhor solução para conscientizar a população e/ou o governo do problema identificado. Pode também se estender, e tentar dar solução ao problema, arregimentando pessoas e captando recursos. 2º O preço estabelece relação direta entre o comportamento e as vantagens e custos da adoção de determinado programa. O preço pode ser monetário, se a campanha requer algum tipo de contribuição em dinheiro, porém, na maioria dos 72 casos, o preço é não monetário, requerendo o engajamento da população ou de algumas pessoas em um programa ou projeto sendo o preço as horas e esforços dedicados. A adesão a uma campanha é tanto maior quanto maior a percepção do valor agregado à oferta. Cabe salientar que se o programa é de conscientização de longo prazo, o preço deste tende a ser maior do que os projetos de curto prazo. Na opinião de Fontes (2001) o preço é um dos P´s mais importantes para a área social. 3º O lugar ou ponto de distribuição, para área social, é definido pelas estratégias de aproximação da oferta à demanda, ou seja, descreve a maneira que o produto chega ao consumidor. Se intangível, se refere ao local onde o serviço é prestado, normalmente hospitais públicos. No caso do Marketing de causa envolvendo uma empresa, a distribuição pode utilizar o mesmo canal utilizado pela empresa em sua operação normal. 4º A promoção é, geralmente, confundida com o próprio marketing social, assim como o marketing tradicional é visto, muitas vezes, como propaganda. Ela é caracterizada por aproximar o público de um produto por meio de anúncios, relações públicas, promoções, entre outros; com a intenção de venda do produto social. Porém, devido ao seu caráter, procura e normalmente consegue espaços gratuitos, ou descontos importantes no preço dos veículos. Em muitos casos, a comunicação boca a boca, ou a distribuição de folhetos em locais adequados já são suficientes para a divulgação do projeto. Além destes quatro P´s já conhecidos do marketing tradicional, o marketing social, conforme relata Fontes (2001) agrega mais dois P´s: o público-adotante e o pessoal e Weinreich (1999 apud ROMEIRO, 2005) acresce outros P´s ao marketing social: 5º O público adotante, definido pelo grupo de pessoas que compra e faz uso do produto social e; 6º O pessoal que é caracterizado pelas pessoas que estão capacitadas para participar de um determinado programa social. 7º A parceria é importante para e efetivação dos projetos sociais, e; 73 8º A política é a forma de atuação destes projetos no que diz respeito a fomento, diretrizes de gestão, cumprindo as leis estabelecidas para que o projeto social possa ser desenvolvido. 2.6.4 Posicionamento do Produto Social Parte da idéia de ajustar o produto ao mercado. Neste caso a segmentação da população alvo de adotantes em segmentos homogêneos com o objetivo de proporcionar melhor atendimento, satisfação, manutenção, e adaptação das comunicações e distribuição de forma mais eficaz, segundo Kotler e Roberto (1992) é o próximo passo a ser dado. Em seguida, o posicionamento do produto vem de encontro com as teorias estudadas até então, determinando um posicionamento apropriado para cada segmento de adotantes escolhidos como alvo: a identificação das necessidades do segmento de adotantes escolhidos como alvo e a criação de uma vantagem do produto que satisfaça essas necessidades. Ambos devem ser determinados de forma que o produto fique diferenciado e atrativo, motivando os adotantes alvo. Segundo o enunciado proposto neste capítulo, presume-se que, as abordagens dão sustentação aos propósitos da presente pesquisa. E para o seu desenvolvimento irá ser utilizado como padrão para a elaboração do plano de marketing social o modelo proposto por Kotler e Roberto (1992). 74 3 METODOLOGIA Este capítulo tem como finalidade apresentar as definições metodológicas utilizadas no desenvolvimento do trabalho. Dessa forma, a presente pesquisa parte da necessidade de investigar a opinião dos moradores do ponto de vista dos representantes de opinião, dos síndicos, para se obter uma análise mais detalhada da situação para dar base na proposição de estratégias e ações para o plano de marketing social. Para compreender melhor a forma de coleta de dados que será adotado de acordo com o objetivo da pesquisa, é importante à visão metodológica que usualmente norteia este processo por se tratar de uma pesquisa exploratória qualitativa. Assim sendo, Godoy (1995, p.20) descreve a pesquisa qualitativa como: “um fenômeno pode ser melhor compreendido no contexto em que ocorre e do qual é parte, devendo ser analisado dentro de um perspectiva integra. Para tanto o pesquisador vai a campo buscando “captar” o fenômeno em estudo a partir das perspectivas das pessoas nele envolvidas, considerando todos os pontos de vista relevantes”. O método quantitativo pode levar á respostas contraditórias devido ao seu caráter limitado de alternativas para as respostas. Já, o método qualitativo de coleta de dados propõe uma diminuição nos desvios naturais da objetividade excessiva dos métodos convencionais. “a sociedade humana ou a vida humana em grupo é vista como consistindo de pessoas que interagem, ou seja, pessoas em ação que desenvolvem atividades diferenciadas que as colocam em diferentes situações”. “O princípio fundamental é que os grupos humanos, assim como a sociedade, existem em ação” e devem ser vistos em termos de ação. (...)“o sentido dos objetos para uma pessoa surge fundamentalmente da maneira como eles são definidos por outras pessoas que com ela interagem, consistindo o meio circundante de qualquer pessoa”. (GAMBOA,1995 apud PIROLO et al,1999), A aceitação dos processos cognitivos como defende Gamboa (1995 apud Pirolo et al,1999), leva a vislumbrar a admissão de “diferentes modalidades de trabalho e a tolerar a coexistência de modelos e a conveniência de trabalhar com formas 75 quantitativas e qualitativas como um modo de completar e ampliar informações com base em pontos de vista diferentes”. “A validade de uma pesquisa não depende das técnicas utilizadas, mas da construção da lógica empregada (...) cada enfoque tem uma lógica própria que se identifica com uma visão do mundo e com os interesses que comandam o processo cognitivo”. (GAMBOA,1995, apud PIROLO et al,1999). Ainda os autores, indicam que a evolução da atividade de pesquisas cognitivas, a crescente percepção e melhor definição dos públicos de interesse, as técnicas de aplicação qualitativas convergem para; pesquisa-ação, entrevista semi-estruturada e grupos de discussão, passam a ser mais utilizadas. O grupo de discussão definido como método a ser aplicado para o desenvolvimento dessa pesquisa é muito valorizado no marketing, Sendo também usado com freqüência na psicologia, é também aplicado área de relações públicas como forma de esclarecer pontos conflituosos junto a públicos específicos (PIROLO et al,1999). Para além da definição do método de elaboração da pesquisa, tornou-se necessário o estudo das condições que facilitam a adoção de mudanças sociais. Segundo Kotler e Roberto (1992) na perspectiva da teoria das mudanças sociais, a difusão se da como um acúmulo de aceitações seletivas por parte dos adotantes individuais, de uma nova idéia ou prática. As aceitações seletivas de cada adotante sofrem cinco perspectivas de influências: Das atitudes e valores diante de uma nova idéia ou prática; A compatibilidade de um novo produto social com a cultura existente; Reconhecimento por parte do adotante de vantagens em relação à adoção, Reconhecimento do desejo e valor; Custo relativo sentido na mudança social ou adoção de um novo produto social 3.1 Tipologia de pesquisa: O estudo em questão teve característica qualitativa, com a aplicação de grupos de discussão, também denominado como Focus Group, que, segundo Giovinazzo, 76 (2001), tem por objetivo obter o entendimento dos participantes sobre o tópico de interesse da pesquisa, não importando se é utilizado sozinho ou em conjunto com outros métodos, nem mesmo se busca questões ou respostas. Assim sendo o Focus Group pode ser considerado como um método de pesquisa com conteúdo próprio, bem como, uma técnica de coleta de dados que pode ser usada em conjunto com outros métodos. No decorrer da pesquisa foram realizados dois Focus Groups com dois grupos de síndicos e uma entrevista semi estruturada, que teve por objetivo descrever as opiniões do grupo, da o conhecimento e conscientização que os resíduos urbanos representam nos processo de reciclar o lixo, a atitude social, o conhecimento do trabalho já existente de coleta seletiva e adeptos, e a disposição que estes observam a respeito da prática em seu condomínio, como também o grau de disposição dos mesmos quanto ao inicio da prática. Os dados de fonte secundária foram extraídos do referencial bibliográfico já apresentado e dos documentos existentes no anexo que foram julgados pertinentes para o estudo em questão. Os dados obtidos por meio da entrevista foram analisados separadamente e em conjunto a fim de se encontrar a melhor alternativa para as partes envolvidas no processo de mudança social a partir da e análise do debate. 3.2 Sujeito de estudo: Esse grupo de moradores, os síndicos, foi definido com objeto de estudo, por entender que são formadores de opinião, por representarem papel de líderes sociais no grupo que ocupam e, portanto, exerce influência sobre a mudança de comportamento social proposta. De mesma forma, o síndico é responsável por administrar conflitos, tomar decisões e sugerir mudanças, diante do poder de líder que ocupam no grupo. 3.3 Instrumentos de pesquisa: 77 Com relação ao grupo de discussão, método onde a chave para o seu sucesso está nas livres intervenções e opiniões dos participantes, o que, no entanto, demanda habilidade do moderador para fazer com que todos participem da discussão, sem que se crie nenhum tipo de dependência entre os participantes. O moderador, portanto, deverá ser um profissional experiente nesse tipo de atividade, normalmente um profissional da psicologia com experiência em dinâmica de grupo. Será indispensável ainda que o moderador esteja devidamente inteirado do tema tratado pela pesquisa e que tenha muito claros os objetivos do trabalho. Destacam-se como principais vantagens do grupo de discussão: A interação entre os membros do grupo conduz à geração de idéias e/ou descobertas que podem não emergir na presença de uma única pessoa; A própria experiência que emerge do grupo pode levar a novos pontos de vista dos participantes, que não teriam ensejo em respostas individuais, sem a exposição aos demais membros do grupo; Os resultados da pesquisa são disponibilizados mais rapidamente; muitos deles podem até ser abstraídos durante a discussão entre os membros do grupo. Independentemente da técnica ou dos recursos empregados para analisar os dados da pesquisa qualitativa, é indispensável que o pesquisador não perca de vista o seu propósito central. 3.4 Limitações da pesquisa: A pesquisa apresenta apenas 21 participantes, o que pode denotar um viés, em virtude de essa amostra representar pouco o universo contido na cidade de Balneário Camboriú. A Outro limitador é que esses pesquisados foram escolhidos de forma aleatória, uma vez que é muito difícil a adesão das pessoas à participação em pesquisa, quer seja por disponibilidade, quer seja por boa vontade. 78 4 ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS A análise dos dados, requer procedimentos relacionados a análise de conteúdo, em casos de entrevistas em profundidade, ou a interpretação de opiniões e atitudes, no caso de grupo de discussão. Na fase de análise e interpretação de resultados, fase exploratória da pesquisa, o pesquisador depara-se com algumas dificuldades básicas devidas o tipo de investigação, as quais, para serem removidas, demandam persistência e bom senso. Entre as dificuldades o autor destaca, em grande parte, a opinião dos participantes, que envolvem uma linguagem própria, não técnica de expressão e as condições do participante no momento em que ele expressa sua opinião acerca do tema, e de suas relações com os sujeitos do estudo. É importante que o pesquisador, no momento em que analisa as respostas dos clientes, possa neutralizar tais situações. 4.1 Pesquisa juntos aos síndicos Apara se alcançar os objetivos foi desenvolvido dois grupos de discussão com os síndicos de condomínios de Balneário Camboriú. Sendo o primeiro deles realizado em 27 de maio de 2010, às 18 horas, nas dependências da UNIVALI, no Campos de Balneário Camboriú, sala 405 do bloco 6 B. 4.1 Primeiro grupo de discussão Na primeira discussão consegui-se a presença de oito síndicos, os Srs.: Érico Mantoam, Heitor, Claudio Dalsenter, Osmar, Nelson, Adalberto, Manuel P. da Gama e a Sra. Gisela Antonia Lech de Souza, com a mediação da pesquisadora. Após a apresentação dos presentes, a mediadora lembrou a problemática que envolve o lixo nos dias atuais, ressaltou os objetivos da entrevista em grupo, dando início as discussões. Na figura nº9 é apresentado o início da pesquisa do primeiro grupo de discussão. 79 Figura nº9: primeira reunião, grupo de discussão nº1. Fonte: pesquisa aplicada (2010). Um dos participantes chamou a atenção para a consciência ambiental ecológica, que vem sendo trabalhada, mas ainda é uma situação problemática principalmente em cidades verticais como Balneário Camboriú. Entre as dificuldades encontradas para a adesão a separação dos resíduos o fato de não haver lixeiras nos andares dificulta a ação, os participantes que relataram a participação, mantinham as lixeiras nos andares, porém estas permaneciam nas saídas de emergências ou até mesmo nas portas corta-fogo, de forma contrária às proposições do Corpo de Bombeiros. Dentre os participantes, somente um sindico não relatou que os moradores aderiram à coleta. Outro síndico argumenta que as lixeiras dispostas em cada corredor dos andares para facilitar aos moradores de terem a inconveniência de descer todos os dias para depositar o lixo nas lixeiras adequadas, não é uma boa solução devido aos insetos que vêm com o cheiro também não é permitido pela vigilância sanitária. Porém essa idéia questionada por um participante, como somente a opção para o lixo que pode ser reciclado, e este, na maioria dos casos, possui pouquíssimo resíduos orgânicos. Assim como foi descrito por um dos participantes quando relatou o processo de descarte dos reciclados, em seu condomínio, no entanto observou a falta de 80 planejamento dos edifícios na fase de construção, onde pouca atenção é dada ao planejamento ideal de modo que venha a facilitar a prática da separação dos resíduos. Outro problema relatado que tem origem na fase de planejamento do edifício, é regulamento do edifício, que também não prevê normas em relação à separação dos resíduos, e se esta prática fosse obrigatória por lei, ao menos nos condomínios, faria com que os moradores que respeitassem o descarte de forma correta, poderiam ser notificados, e se reincidentes, serem autuados. A convenção dos condomínios, mesmo que de interesse dos condôminos, só pode ser modificada pela maioria absoluta dos moradores em assembléia, o que se torna muito difícil a mudança, pois poucos moradores comparecem as assembléias, e muito se quer moram no edifício. Os síndicos que tem a coleta seletiva uma pratica do condomínio, relatam que parte da cidade a coleta feita uma vez por semana não é suficiente. O grande número de resíduos recicláveis, observado por aqueles que aderem à prática, relatam que a coleta do lixo no município possui um ponto contraditório entre os números da coleta diária de lixo orgânico, sendo que o lixo reciclável é de maior volume, o que não estimula a prática, de forma que geram-se muitos resíduos, e este não tem lugar ideal para serem armazenados até o dia da coleta da Coneville, o que leva os moradores a descartarem precocemente. A falta de conscientização e também de conhecimento ainda é relatada pelos síndicos como alta. Poucos moradores têm conhecimento da ação de coleta seletiva que a Coneville faz, e tampouco o dia e horário da coleta. Descartando seus resíduos de forma correta, porém dispondo nas lixeiras externas conforme esses resíduos são gerados, e esses ou são recolhidos pelos catadores ou pela coleta orgânica que é diária. Um dos participantes comentou sobre a nova legislação que estava por ser votada no senado, e esta, foi muito veiculada na mídia de massa, questionando as mudanças que estavam por ocorrer. A medidora esclareceu que a principal mudança proposta, sendo de responsabilidade dos geradores de resíduos a respectiva coleta, 81 também chamado de Logística reversa, no entanto, esta só funciona com toda a participação das pessoas consumidoras. Outra problemática relatada por uma participante, na qual é proprietária de uma papelaria, são os altos custos dos produtos de origem reciclada, que não estimulam o mercado, pois esses produtos têm impostos maiores (IPI), daqueles de origem tradicional. Os participantes se posicionam contrários ao governo, e afirmam que os impostos deveriam incentivar a reciclagem reduzindo ou isentando o imposto desses produtos de origem renovável. A criação e estimulo à cooperativa de catadores também é uma saída para a problemática do lixo, e estímulo para a prática da separação dos resíduos pelos moradores, sugerido por um participante, pelo motivo de saber que outras pessoas dependem do mesmo para seu sustento. A falta de campanhas veiculadas para os moradores da cidade aparece como uma questão a ser revertida. Muitos participantes dão sugestões de maneira de conscientizar a população, uma delas, seria expor em vias públicas “imagens fortes de conseqüências que o crescimento constante do lixo mal administrado pode causar” influenciando a mudança de comportamento dos populares. Outra proposta de campanha foi a transparência do processo de reciclagem do lixo, onde a campanha mostra que a ação consciente do morador ,de separar o lixo e dispor nos dias corretos pode gerar benefícios para uma parte da população desfavorecida, alem de evitar danos ao meio ambiente. A problemática do lixo, que a cidade enfrenta multiplica-se nos meses da temporada, aparece como grande preocupação por um participante, mas ele acredita que na medida em que a cidade absorve essa prática como natural por todos os moradores, que respeitam e cuidam da cidade onde moram, os turistas vão respeitar mais a cidade, pois afirma que: “As pessoas influenciam-se umas com as outras se uma vê outra jogando o lixo no lugar correto em seguida vai fazer o mesmo até mesmo por vergonha de alguém está olhando, se for o contrário, alguém jogar o lixo no chão ou em depositar em qualquer outra lixeira as pessoas ao redor não se importaram de 82 fazer o mesmo, um exemplo é o metro de São Paulo que tem um grande fluxo de pessoas diariamente eu falo isto porque sou de lá e sempre observei muito isto”. 4.2 Segundo Grupo de Discussão O segundo grupo de discussão reuniu 13 síndicos, no dia14 de junho de 2010, no Edifício Shopping Atlântico, às 19.30 horas no salão de festas do condomínio. Na segunda discussão consegui-se a presença de treze síndicos, as Sras.: Vera Lucia de Souza Lima, Marli de Souza, Sandra, Nilva Faerber, Tânia B. Lins, e os Srs. Alcides Pereira da Silva, Nelson P. dos Santos, Anésio Demarco, Moacir L. Bogo, Arnaldo Souza Martins, Mario Amaral de Andrade, Juraci Lopes da Silva, Newton pereira Vaz, com a mediação da pesquisadora. Após a apresentação da problemática, pela mediadora e a definição dos objetivos da discussão, deu-se início a reunião. Já de início, uma participante relatou seu caso de sucesso durante certo tempo: “Contatei uma empresa que fazia a coleta dos resíduos no edifício, estava tudo redondinho ninguém colocou lixo orgânico ali, foi separado um espaço específico para armazenar o lixo, os vigias ajudavam a coletar, funcionou muito bem, e o dinheiro do lixo era revertido em beneficio do condomínio. Este ano foi o último ano que ela estimulou a prática, por que: “o pessoal que comprava, não quer mais comprar porque diz que pagam muito pouco e não vale à pena nem vir buscar, depois eles não queriam trazer balança pra pesar daí eu mesma pesava falava, pode me dar qualquer coisa, mas leve o lixo”. Ainda no mesmo depoimento a participante continuou: “resultado, ninguém mais quer comprar o lixo eu ficava ligando para vários, correndo atrás, daí comecei a entregar pra Coneville mesmo, só que ele só vem buscar uma vez por semana e no prédio junta muito lixo, muito eu comecei a juntar num quartinho lá em cima mas começou a juntar rato, barata as mulheres começaram a reclamar por mais que a gente limpasse é lixo daí eu desanimei e este janeiro eu falei não voou mais fazer isto porque tenho que manter uma funcionária a mais, que era um rapaz, só para fazer isto“. 83 Outros síndicos também relataram suas experiências com a prática: “Quando eu assumi de síndica uma das primeiras coisas que eu fiz foi isto porque eu sempre fui muito preocupada com esta parte então eu conversei com todos os condôminos ai eu comprei latões verdes para lixo que não era lixo, e os outros para por lixo orgânico e tudo mundo separou direitinho“. “Há muitos anos no edifício nós fazemos a separação, inclusive quando eu assumi colocamos sistema de captação de óleos comestíveis queimados que não é mais utilizado na cozinha. E todos os andares eu mandei verificar estão fazendo a separação do lixo direitinho, todos os andares tem recipientes para separação do lixo“. Quando questionado aos síndicos que aderem à prática, verificou-se que os praticantes dispõem recipientes por andarem, ainda que em lugares impróprios, assim como, foi observado no primeiro grupo de discussão, em que muitos prédios não são planejados para essa ação. Um participante relata a dificuldade que a prática da separação dos resíduos enfrenta, porém ele encontrou uma alternativa inteligente conforme relata: “a dificuldade é que nem todos têm espaço para guardar isto, e como a coleta só passa uma vez por semana ainda assim você tem que deixar lá embaixo às seis da manhã, sendo que, as dez ainda estão lá e todo revirado porque já cataram só o que interessa, o meu é lá na Atlântica, então o que fizemos lá: passamos a não entregar mais recolhemos achamos uma família esta família vai todo dia as sete da manhã recolhe e leva embora“. 84 Figuras nº 10 e 11: foto da segunda reunião de síndicos, grupo nº2. Fonte: pesquisa aplicada (2010). Um dos síndicos questionou o real destino dos lixos que são separados e coletados, se eles realmente teriam destino diferente do aterro sanitário, e diz: “se você for correr em todos os prédios de Balneário todo mundo vai querer fazer, mas o problema é o destino disto tudo“. Figura nº12: foto da segunda reunião de síndicos, grupo n º2. Fonte: pesquisa aplicada (2010). 4.3 Entrevista com a Gerente Regional Rosicléia Maestri, da Empresa Ambiental Saneamento e Concessões Ltda, Coneville A entrevista aconteceu na data de 16 de junho de 2010 às 08h30min, no escritório localizado na Rua Canelinha nos Bairros dos Municípios na cidade de Balneário Camboriú. Antes do início da entrevista, foi explicado pela pesquisadora o objetivo da pesquisa e também relatado que algumas questões foram geradas de acordo com os grupos de discussão, nos quais foram ouvidos os síndicos e a visão que eles tinham do processo que envolve a coleta de lixo reciclável. E como primeira questão, foi solicitada a Sr. Rosicléia a visão da empresa sobre a coleta seletiva, relatando que essa e uma causa que a empresa busca estimular, por entender que essa ação beneficia o meio ambiente, e a gestora observa: “houve uma pequena melhora pelo que a gente nota. E eu vejo, pelos números da 85 quantidade de resíduos que a gente recolhe, mas é muito pouco se formos comparar com o número de resíduos que é depositado no aterro sanitário que vai pra lá como lixo orgânico o que a gente tem recolhido pela coleta seletiva é muito pouco”. A gestora ainda relembra a ação dos catadores: “Há de se considerar também que a gente tem uma contribuição muito grande dos catadores não é só o que a Coneville recolhe que é o que Balneário separa, tem todo o material dos catadores, o que eles recolhem que com certeza é o dobro do que é recolhido pela Coneville”. Figura nº. 13: adesivo que marca a participação das residências e condomínios, ao programa de coleta seletiva. Fonte: SEMAM (2010). A gerente da empresa relata que para ter a coleta seletiva os representantes dos condomínios e casas, devem ligar para solicitar a coleta e assim a empresa faz o registro da solicitação e providencia os adesivos nas lixeiras, e passa todas as informações necessárias para a coleta. O caminhão da coleta seletiva,assim como a equipe, quando passam na rua, não ficam abrindo as lixeiras para verificar o que é lixo orgânico ou não, ou seja, e não tiver identificação não é coletado. O lixo também pode ser colocado na rua, na hora da coleta seletiva, relata a gerente, e também será coletado, como acontece muito. Segundo a gestora é feito duas a três vezes descarga dos dois caminhões por dia, da coleta seletiva, na ACATELI ou na associação de Camboriú e nunca aconteceu de um caminhão da coleta seletiva ir parar no aterro, mas já aconteceu da secretária de obras ir fazer limpeza na associação dos catadores, ACATELI, porque eles não deram conta do trabalho ficando o lixo a exposição do tempo, e acabaram estragando e a prefeitura teve de levar este lixo para o aterro sanitário. 86 Quando relatado a entrevistada, que a grande dificuldade relatada pelos síndicos foi o número de resíduos que a prática da coleta seletiva pode juntar em um edifício durante uma semana, e que a coleta única durante esse período é a maior dificuldade encontrada. A partir dessa dificuldade foi questionada a inserção de um dia a mais desse tipo de coleta, ao menos na região onde se encontram os maiores números de condomínios, e a resposta obtida pela gerente foi, que há a possibilidade de incluir um dia a mais na coleta seletiva, porém essa ação necessita de uma autorização da prefeitura, porque não esta prevista em contrato e porque isto tem um custo, e a empresa não pode arcar com isso, sendo necessária uma mudança contratual. E supondo uma diminuição dos resíduos que tem destino ao aterro em virtude do aumento da reciclagem, foi questionada uma possível substituição entre as coletas, e a gestora respondeu que: “Não é possível tirar um dia de coleta diária para por como coleta seletiva: “hoje a gente só vê acréscimo de resíduo não uma diminuição”. E ainda conclui que no futuro, “à medida que essa prática se fortaleça isso pode se tornar realidade, mas não pode ser feito hoje”. Segundo Rogério kunzler, funcionário da secretaria do meio ambiente, encarregado da área, é cobrado uma taxa referente ao volume de resíduos que a cidade deposita no aterro, o que significa que, os custos aumentam de acordo com o aumento dos resíduos que tem como destino final o aterro sanitário. Quando questionado em entrevista a Sr. Rosicléia, responsável da Coneville, empresa concessionária dos serviços de coleta de lixo na cidade, ela confirma a existência dessa variável que atua sobre o volume de lixo depositado no aterro, porém tais dados envolvem uma serie de cálculos, custos fixos da empresa, operacional e também de investimento e manutenção do aterro, justificando o não conhecimento exato do percentual correspondente ao valor cobrado. Ainda a gestora afirma com certeza que, a queda do volume de resíduos urbanos destinados ao aterro sanitário, podem sim influenciar para a diminuição da taxa de lixo cobrada aos moradores no futuro, assim como aumentar a previsão de utilização do aterro sanitário, que desde seu implemento, era de aproximadamente 20 anos. 87 Ainda esclarecendo a respeito da taxa de lixo e a variável que reflete sobre a mesma, cobrada de acordo com o volume depositado no aterro, reverte na taxa de lixo cobrada da população no ano seguinte ao que houver a redução do lixo, pois o valor da taxa de lixo é calculado baseado nos custos que a empresa teve no ano anterior. Na visão da empresa, eles observam que a maior dificuldade vem da falta de conscientização e mobilização pelos moradores e concorda em parte com o problema apontado pelos síndicos, quando afirma : “alguns até são conscientes, mas aderir a coleta seletiva deve ultrapassar a essa dificuldade” que realmente acontece com o acúmulo de resíduos recicláveis em uma semana para um prédio, que tem inúmeros apartamentos, e ainda justifica a afirmativa alegando que: “a própria comunidade local não respeita a coleta, ninguém quer liberar dois metros de espaço para fazer lixeira, todo mundo gera lixo e todos tem que ter lixeira, cada um é responsável pelo lixo que gera” , ainda a Sr. Rosicléia que os moradores devem organizá-los de forma a facilitar as coletas, mas ainda observa-se muita falta de educação e lamenta dizendo, que a Coneville não tem autonomia para notificar, mas a empresa fiscaliza e denuncia à vigilância sanitária. Para os grandes geradores, a empresa tem uma segunda coleta durante a semana, com o segundo caminhão que atende especialmente a coleta de vidros, que acaba atendendo os condomínios que geram mais lixos como alguns edifícios quando há tempo disponível, e pontos como bares e boates que são locais atendidos às vezes de segunda a sábado. A gestora aponta a falta informação, a falta conscientização, de interesse da população e a dificuldade da população tem de saber a data da coleta seletiva, são as falhas mais observadas quando se vai a um colégio, quando se participa de uma reunião,e também expresso nos relatórios gerados pelo tele marketing, são as principais dificuldades encontradas em todo o processo de reciclagem. Nos relatórios analisados dos meses de dezembro (2009), janeiro e fevereiro (2010), entre 186 entrevistados nos três meses, 111 não tinham conhecimento da coleta 88 seletiva desenvolvida pela empresa, o que representa um percentual de 60% dos entrevistados. A respeito da informação e conscientização, a gerente relatou a ação que propôs ao presidente do sindicato dos condomínios, na ocasião com pouco apoio deste. No entanto, junto com a secretária do meio ambiente fizeram um trabalho de divulgação e esclarecimento, com um funcionário contratado pela empresa, indo a todos os condomínios da Brasil, Atlântica e transversais: “Não podemos dizer que não tivemos resultado, mas é um trabalho de formiguinha, o processo é lento”. A empresa, segundo a gerente, fez no fim do ano passado um trabalho de divulgação com folders explicativos, e educativos sobre a coleta seletiva, mas que esse trabalho de conscientização fica a cargo do município, mesmo assim a Coneville tem feio. Segundo a gerente, essa ação não tem verba planejada, ela acontece na medida em que a empresa pensa que deve investir. A grande insatisfação dos síndicos, especialmente do segundo grupo, em relação ao trabalho da empresa, foi o ultimo assunto abordado. A Sr. Rosicléia, respondeu que a empresa esta aberta a reclamações, sugestões, e que essa ação é importante para a empresa saber se o trabalho está sendo bem feito, e grande numero de insatisfação não é do conhecimento dela, e se há insatisfação as pessoas devem dirigir as reclamações para a empresa. Isso também não é o que a pesquisa da empresa, feita pelo telemarketing ativo, indica. E finaliza dizendo que os relatórios são entregues para os órgãos responsáveis e fiscalizadores, alem da câmara de vereadores, estão à disposição para quem estiver interessado. 4.4 Análise dos dados levantados nas pesquisas. Concluindo os pontos apresentados na primeira reunião de grupo de discussão, podem-se observar as seguintes informações: Que é grande a participação de condomínios no sistema de coleta seletiva. Que o grande volume de lixo nos condomínios dificulta a coleta seletiva por não terem sido projetados espaços para armazenamento. 89 Que a coleta semanal é muito pouco, considerando o grande volume que o lixo reciclável produz. Falta de campanhas na mídia para conscientização da importância da coleta seletiva na cidade. Concluindo os pontos apresentados na segunda reunião de grupo de discussão, podem-se observar as seguintes informações: Os síndicos em geral, não tinham conhecimento do canal que a empresa dispõe para ouvir a opinião pública a respeito de reclamações e sugestões, e que esses relatórios são entregues para a secretaria do Meio ambiente, em relatórios mensais, junto com outros dados do serviço que a empresa presta. Mesmo com essa explicação da mediadora, um participante expõe sua insatisfação: “Eles têm conhecimento de tudo que é preciso fazer, não tenho, dúvida quanto a isto basta que o poder público tenha peito de exigir deles eficiência porque nós estamos pagando. Nós não estamos pedindo favor pra ninguém“. Em conclusão comum, aos dois grupos de discussão apontam sugestões de melhoramento das mídias de informação e conscientização do tema, em âmbito local, e o aumento do número de coleta seletiva semanal, como sendo melhorias facilitadoras da adesão da coleta seletiva pela população. 90 5. PROPOSIÇÃO DO PLANO DE MARKETING 5.1 Análise Ambiental Na administração pública muitas vezes é preciso priorizar o cumprimento de ordens de escalões superiores, ao mesmo tempo em que é preciso respeitar padrões formais de poder, controle e desempenho de atividades entrelaçados a burocracia que engessa as tomadas de decisões. A Secretaria do Meio Ambiente, em relação à gestão dos resíduos sólidos, têm um relevante papel a cumprir, que é articular entre os atores desse processo. No entanto, são muitos os agentes que estão envolvidos nesse processo, além de pertencerem gêneros bastante distintos. Outro fator bastante relevante a administração dos resíduos sólidos urbanos, e o fator terceirização do processo, que em muitas das bibliografias estudadas, e estudos de caso de progresso nessa área estavam sempre ligados à prestação dos serviços públicos, e a projetos de apoio às cooperativas de catadores de lixo. 5.2 Oportunidades e ameaças dos atuantes do processo Ameaças Cultural, pela falta de consenso da população que devem desenvolver a separação dos próprios resíduos gerados; Cultural, premência no descarte do lixo; Dificuldade de armazenamento para coleta semanal; O aumento do lixo reciclado destinado às cooperativas da região pode parar na fase final do processo, pela ma estruturação das associações e cooperativas; A característica das políticas públicas que engessam a empresa concessionária de novos métodos e programas; Falta de planejamento e estratégica na adoção das políticas públicas. Oportunidades 91 A oportunidade de uma associação ou cooperativas também prestar o serviços de coleta seletiva, em troca dos resíduos coletados; A ação dos catadores ainda que de maneira informal, e como meio de sobrevivência, tem forte representação no processo de reciclagem, podendo ter um crescimento considerável a medida que a classe se organiza e recebe maior apoio; Oportunidades de desenvolvimentos das associações já existentes na região e, até mesmo a criação de cooperativas de trabalhadores, à medida que a reciclagem ganha adeptos. A queda do volume de resíduos urbanos destinados ao aterro sanitário pode influenciar para a diminuição da taxa de lixo cobrada aos moradores no futuro, assim como aumentar a previsão de utilização do aterro sanitário; A nova legislação normatiza a logística reversa, pode fazer com que os grandes geradores de lixo, se apresentem como parceiros para campanhas que visam à reciclagem dos resíduos sólidos urbanos. Empresas privadas produtoras de produtos de consumo bastante interessadas em participação de projetos de reciclagem. 5.3 Objetivos do plano de marketing De acordo com os dados obtidos sobre a coleta de lixo no Brasil cerca 40 ou 45 % do total do lixo recolhido é cabível de ser reciclado. Tendo isso em consideração, a média do total de lixo recolhido na cidade de Balneário Camboriú, nos meses fora de temporada, é de 3.262 t./média/mês, e da pela coleta seletiva de 65,5 t./média/mês. Levando em conta, também o trabalho informal dos catadores de lixo, estimado em duas vezes o número, que é coletado pela coleta seletiva. No quadro n. 6, têm-se: Dados da coleta de resíduos em Percentagem Média /mês do lixo Balneário Camboriú fora de temporada Total de lixo coletado 100 % 3.262 t Média nacional de lixo inorgânico na coleta tradicional Coleta seletiva Trabalho dos catadores 60 % 1.957 t 2% 65,5 t 4% 130 t 92 Lixo que ainda pode ser reciclado Media nacional de reciclagem 32% 1109,5 t 12,5% 407.75 t Quadro n.6: dados da coleta seletiva de Balneário Camboriú (2009) Fonte: pesquisa. Os dados apontam 32% do lixo total é ainda cabível de ser reciclado, no entanto estes ainda têm como destino o aterro sanitário. Este percentual, comparado ao que se tem, em relação à coleta seletiva na cidade é extremamente alto. Dados da coleta de resíduos Percentagem Média/mês lixo fora de recicláveis em Balneário Camboriú temporada Lixo com potencial de reciclagem (40% 100% 1.305 t do total do lixo) Média da coleta seletiva hoje 2% 5% 65,5 t Trabalho dos catadores 4% 10% 130 t Objetivo do plano de marketing 12% 30% 391,5 t Lixo cabível de reciclagem 22% 55% 718 t Quadro n.7: panorama do reaproveitamento do lixo na cidade de Balneário Camboriú. Fonte: pesquisa. Portanto, pelos motivos acima expostos o plano de marketing proposto tem por objetivo: Aumentar para 12% a coleta seletiva de lixo na cidade de Balneário Camboriu. Conscientizar a população que habita em condomínios a importância da reciclagem de lixo para o bem estar de toda a comunidade. 5.4 Estratégias Para estimular a consciência ambiental da população de Balneário Camboriú e mobilizá-los para o descarte segregado dos resíduos sólidos urbanos Registrar e divulgar os resultados obtidos com os programas de coleta seletiva, tanto quantitativos, quanto qualitativos, avaliando continuamente seu desempenho, 93 possibilitando a correção de falhas e motivando a população a alcançar metas maiores e com uma melhor qualidade; A realização de campanhas de Educação Ambiental nos diferentes segmentos da sociedade como: Nas instituições de ensino (escolas de ensino fundamental e médio, universidades); nas repartições públicas, Nos condomínios, Nos estabelecimentos comerciais, Nas igrejas e nas associações de bairros. 5.5 Ações para implantação Composto dos planos de comunicação, distribuição e parcerias e será executado nas campanhas ambientais do município pela Secretaria do Meio Ambiente e inclui atividades como: Educação Ambiental: visando a coleta seletiva dos materiais recicláveis, podem ser desenvolvidas as seguintes etapas: a) Designação de profissional: buscar na área de comunicação da prefeitura de um colaborador com formação em Administração para assumir a responsabilidade do gerenciamento da área de marketing. b) Projeto terra limpa: continuidade nos programas que de coleta seletiva do município, que envolvem as escolas municipais na sensibilização os alunos e, através deles, suas famílias, ampliando e dando continuidade a educação ambiental através do projeto Terra Limpa, desenvolvido pela SEMAM. c) Estímulo aos produtos de origem reciclável: desenvolver um catálogo de produtos de origem reciclável, após pesquisa de mercado, incentivando a prática do reaproveitamento de materiais e de alimentos, bem como o consumo sustentável. O 94 custo desse material deve ser rateado pelas empresas que tem seus produtos e nomes divulgados no catálogo. d) Conscientização dos condomínios: Promover programas de Educação Ambiental e esclarecendo à população todos os fatores envolvidos na cadeia produtiva da reciclagem e, principalmente, possibilitando o desenvolvimento de uma consciência ambiental ampla, incluindo uma postura de responsabilidade perante o meio ambiente como um todo. Para tanto serão realizadas visitas por uma equipe de educadores, e onde se pretende desenvolver programas de coleta seletiva, e tem como objetivo a adesão da população local no programa. Durante as visitas devem ser entregues aos moradores panfletos explicativos com informações sobre: objetivo do programa; materiais que devem ser separados; materiais que não devem ser separados; quadro do tempo de decomposição dos materiais recicláveis que aparecem com mais freqüentes no lixo doméstico; procedimentos de orientação sobre a forma de acondicionamento dos resíduos; e informações relacionadas à coleta e ao destino dos materiais recicláveis separados pelos moradores. e) Sacos de nylon coloridos e reutilizáveis: é importante também que, no momento da visita, a equipe de educadores, entregue sacos de nylon com capacidade para 30 ou 60 litros para o armazenamento de todos os resíduos recicláveis, nos condomínios que aderirem a participarão do programa de coleta seletiva. Na ocasião também é explicado os métodos corretos para a utilização dos sacos, reutilizáveis, e, portanto, os materiais depositados nos sacos devem estar devidamente limpos. A distribuição desses sacos é mais um incentivo, para que os moradores possam separar os lixos e participar do programa. Serão recolhidos os sacos cheios, e entregues outros vazios, uma vez por semana. Em data de aproximadamente três dias depois do dia da coleta seletiva feita pela Coneville, no Bairro, devidamente para que a população possa contar com duas coletas seletivas, no período de uma semana, diminuindo o acúmulo excessivo dos resíduos nos edifícios. f) Criação de informativos da responsabilidade social: publicado mensalmente, tem o objetivo de informar os resultados alcançados no programa, bem como comparativos da evolução da cidade com o desenvolvimento sustentável da região. TV Mocinha; TV Panorâmica; TVA canal de TV a cabo; Jornal Página 3; Jornal o 95 Diarinho; Rádio menina, Jovem Pan, e revistas locais... A busca por essas parcerias será através da persuasão, ressaltando aos possíveis parceiros, a importância que as mídias de televisão, ocupam com o meio de comunicação, e a responsabilidade pela formação de opinião da população. g) Criação de cartazes e faixas: para a divulgação da campanha, fase inicial, expostos os canais de disseminação, como: hospitais, postos e centros de saúde, órgãos municipais, locais de grande circulação: shopping, hipermercados, parques, colégios, faculdades, e principalmente nos condomínios; h) Busca de apoio de empresas privadas: O apoio financeiro de empresas privadas deve ser alcançado com explanação do projeto, para que seja possível de realização. 5.6 Parcerias com entidades sociais i) Igrejas, Pastores e padres: buscar apoio de padre e pastores, para que divulguem a campanha nos sermões da igreja. Esse é um tipo de ação gratuita, que pode ter grande retorno devido ao poder de persuasão dos líderes religiosos. j) Blog e mídias eletrônicas sociais: através da criação de um perfil, personagem, extremamente engajada com ações de responsabilidade social e sustentabilidade. O Blog e comunidades sociais eletrônicas serão fontes de notícias e canais de comunicação da sociedade, ou seja, espaço de comunicação informal e canal para a adesão de apoio voluntário. 5.7 Montante de investimento Os investimentos para a execução do plano de marketing estão estimados conforme quadro n. 8: 96 Ações Período Valor Total à ser investido* Desenvolvimento de material e busca por Agosto e empresas parceiras Setembro Inicio da campanha, desenvolvimento do material necessário. Inicio das Outubro, novembro e dezembro visitas aos condomínios e R$ 2.000,00 R$ 15.000,00 Outubro, novembro desenvolvimento do material de apoio R$ 8.000,00 Inicio da segunda coleta semanal, nos condomínios cadastrados Janeiro Fevereiro e A ser apurado Março devido aos aspectos legais. Primeiro controle e desenvolvimento e Permanente Sem custo previsto entrega da primeira edição do Jornal Social. Retorno das visitas aos condomínios e Março abril e Maio adaptação, se necessária ao plano e metas. R$ 8.000,00 Total R$ 33.000,00 Quadro n.8: orçamento e tarefas do plano de marketing. Fonte: pesquisa aplicada (2010). 5.8 Controle Um mês após o início do projeto de coleta seletiva, a equipe deverá fazer um levantamento do número de condomínios visitados, e avaliar o tempo necessário para que seja feita a visita em todos os condomínios da cidade, estipulando o prazo limite para término do mesmo. Assim como o uso dos matérias, para planejamento da necessidade de reposição dos sacos de nylon, etc. É de grande importância que os moradores, através dos condomínios e seus representantes, obtenham um retorno do andamento e conquistas, por meio de carta ou jornal social destinado ao condomínio, para que o programa se consolide. Depois, de consolidada a campanha as visitas podem ser realizadas por um intervalo de tempo de quatro anos, retornando aos domicílios para aplicação de questionário, objetivando avaliar o programa, corrigir as possíveis falhas neste 97 programa e principalmente aperfeiçoar os futuros programas, quando se pretende expandir a coleta seletiva. Utilizar o controle e relatórios da Coneville para melhorar o projeto/campanha de acordo coma evolução dos números da coleta seletiva. Os relatórios da empresa também é uma forma de avaliar o trabalho da empresa e a opinião pública sobre a mesma. 98 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante de toda a complexidade do processo de limpeza urbana, na cidade de Balneário Camboriú, pode-se dizer que o projeto de coleta seletiva tem apresentado resultados satisfatórios à administração pública. Porém, sabe-se que existe muito a ser feito neste aspecto, mas para isso é necessário ampliar a aceitação ao projeto pela sociedade em geral, e intermediar esse processo cabe às políticas públicas. Em resposta ao objetivo geral conclui-se que o plano de marketing busca soluções para possibilitar um maior número do reaproveitamento dos resíduos urbanos cabíveis de reciclagem, adequado às condições ambientais na atualidade. Para que ele tenha continuidade é necessário que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente avalie-o, e utilize, se este for de interesse comum aos planos do município. Portando, a fim de contribuir para o serviço de administração pública, com o objetivo de tentar resolver problemas atuais dentro deste processo, afirma-se a necessidade de uma ampliação na forma de divulgação da coleta seletiva, com uma estratégia focada na informação do serviço prestado e da importância que a população tem neste projeto, e que os índices da participação podem ser responsáveis pela continuidade e ampliação do mesmo. É consenso que programas amplos não são concretizados em curto prazo, mas a mudança de enfoque em relação ao gerenciamento dos resíduos torna-se uma necessidade, no contexto da busca da sustentabilidade, que tem sido uma das principais metas dos governos populares e democráticos. Mesmo com resultados crescentes e números cada vez maiores do índice de coleta seletiva no município, o plano de marketing tende a continuidade deste processo, investindo cada vez mais a estrutura da coleta seletiva e educação ambiental em toda a sociedade, explorando cada vez mais a potencialidade em se desenvolver uma adesão do programa de cada vez maior, alcançando uma evolução sem limite assim como é o da geração de lixo. 99 A importância da limpeza urbana e da destinação correta dos resíduos sólidos deve ser entendida e praticada por toda a sociedade, considerando as responsabilidades do governo em gerar sustentabilidade. A Coneville na coleta dos resíduos e destinação ideais para as cooperativas e associações que, devem estar bem administradas de modo a gerar emprego e vida digna com o lucro do processo de triagem dos resíduos para os cooperados ou associados. E sem menos importância, as empresas privadas e suas responsabilidades sociais, e a participação das pessoas de separar seus próprios resíduos, cientes da sua contribuição para o aumento do volume de resíduos e que para um bom trabalho de coleta a população deve estar comprometida com a dispensa em locais adequados tendo como recompensa a qualidade de vida. 6.1 Sugestões A seguir, são apresentadas sugestões de ações que podem ser implantadas pelo poder público, para desenvolver as políticas e programas de coleta seletiva dos resíduos sólidos. Oferecer infra-estrutura e apoio técnico para as cooperativas de coleta seletiva, Integrar os programas de coleta seletiva a projetos abrangentes de resgate da cidadania e distribuição de renda, como é o caso das redes de Economia Solidária; Implantar ou apoiar programas de treinamento em gestão ambiental de empresas e empreendimentos privados; Orientar corretamente a população para a reciclagem do lixo orgânico nos quintais, através da compostagem, melhorando a qualidade da alimentação de famílias carentes, pela prática da agricultura urbana, de forma individual ou comunitária. 100 Criação de consórcios intermunicipais para a comercialização em conjunto desses matérias coletados, alcançando maiores quantidades e melhores preços quando negociados diretamente às usinas de reciclagem, eliminando os atravessadores. Apoio e preferência da administração municipal para produtos de origem renovável, gerando demanda para produtos reciclados como: papéis para impressora, cadernos para escolas municipais, formulários públicos, plásticos para coleta de lixo público, matérias para escritório, entre outros produtos e serviços socialmente sustentáveis. Essa pratica além de influenciar positivamente para a consolidação desse mercado, devido o tamanho de sua demanda, beneficia grande parte de uma população que sobrevive com esse mercado, e pode influenciar positivamente a preferência por esse tipo de produto. 101 7 REFERÊNCIAS ANDERSSON, Fabiano. As ações do poder público municipal para o setor reciclagem de resíduos sólidos em Porto Alegre: um estudo Exploratório, Porto Alegre RS. mar, 2006. ASHLEY, Patricia Almeida. Ética e Responsabilidade Social nos Negócios. 1 ed. São Paulo: Editora Saraiva.2003. BALNEÁRIO CAMBORIÚ/SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE. Projeto Terra Limpa: na onda da coleta seletiva. 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São diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos: I - proteção da saúde pública e da qualidade do meio ambiente; II - não-geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento de resíduos sólidos, bem como destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos; III - desenvolvimento de processos que busquem a alteração dos padrões de produção e consumo sustentável de produtos e serviços IV - adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias ambientalmente saudáveis como forma de minimizar impactos ambientais; V - incentivo ao uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados; VI - gestão integrada de resíduos sólidos; VII - articulação entre as diferentes esferas do Poder Público, visando a cooperação técnica e financeira para a gestão integrada de resíduos sólidos; VIII - capacitação técnica continuada na área de resíduos sólidos; IX - regularidade, continuidade, funcionalidade e universalização da prestação de serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, com adoção de mecanismos gerenciais e econômicos que assegurem a recuperação dos custos dos serviços prestados, como forma de garantir sua sustentabilidade operacional e financeira; X - preferência, nas aquisições governamentais, de produtos recicláveis e reciclados; XI - transparência e participação social; XII - adoção de práticas e mecanismos que respeitem as diversidades locais e regionais; e 109 XIII - integração dos catadores de materiais recicláveis nas ações que envolvam o fluxo de resíduos sólidos. XIV – educação ambiental. Art. 3º. O Poder Público e a coletividade são responsáveis pela efetividade das ações que envolvam os resíduos sólidos gerados. Art. 4º. Aplicam-se aos resíduos sólidos, além do disposto nesta Lei e na Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007, as normas estabelecidas pelos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, Sistema Nacional de Vigilância Sanitária SNVS e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial INMETRO. Art. 5º. Estão sujeitas à observância desta Lei as pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis direta ou indiretamente pela geração de resíduos sólidos e as que desenvolvam ações no fluxo de resíduos sólidos. Art. 6º. Os resíduos sólidos de pesquisas e atividades que envolvam organismos geneticamente modificados observarão, além do disposto nesta Lei, as normas, padrões e procedimentos disciplinados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio. Art. 7º. Esta Lei não se aplica aos rejeitos radioativos, os quais deverão reger-se por legislação específica. Seção Única Das Definições Art. 8º. Para os efeitos desta Lei, entende-se por: I - análise do ciclo de vida do produto: técnica para levantamento dos aspectos e impactos ambientais potenciais associados ao ciclo de vida do produto; II - avaliação do ciclo de vida do produto: estudo das conseqüências dos impactos ambientais causados à saúde humana e à qualidade ambiental, decorrentes do ciclo de vida do produto; III - ciclo de vida do produto: série de etapas que envolvem a produção, desde sua concepção, obtenção de matérias-primas e insumos, processo produtivo, até seu consumo e disposição final; IV - coleta diferenciada: serviço que compreende a coleta seletiva, entendida como a coleta dos resíduos orgânicos e inorgânicos, e a coleta multi-seletiva, compreendida como a coleta efetuada por diferentes normalmente aplicada nos casos tipologias em que os de resíduos resultados coleta seletiva implementados tenham sido satisfatórios; sólidos, de programas de 110 V - consumo sustentável: consumo de bens e serviços, de forma a atender às necessidades das atuais gerações e permitir comprometer o atendimento melhor qualidade de vida, sem das necessidades e aspirações das gerações futuras; VI - controle social: conjunto de mecanismos e procedimentos que garantam à sociedade informações, representações técnica e participações nos processos de formulação de políticas, de planejamento e de avaliação relacionados aos serviços públicos de manejo de resíduos sólidos; VII - destinação final ambientalmente adequada: técnica de destinação ordenada de rejeitos, segundo normas operacionais específicas, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais adversos; VIII - fluxo de resíduos sólidos: movimentação de resíduos sólidos desde o momento da geração até a disposição final dos rejeitos; IX - geradores de resíduos sólidos: pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, que geram resíduos sólidos por meio de seus produtos e atividades, inclusive consumo, bem como as que desenvolvem ações que envolvam o manejo e o fluxo de resíduos sólidos; 2X - gerenciamento integrado de resíduos sólidos: desenvolvimento, implementação e operação das ações atividades de definidas no Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, a fiscalização e o controle dos serviços de manejo dos resíduos sólidos; XI - gestão integrada de resíduos sólidos: ações voltadas à busca de para os resíduos econômicas, sólidos, de ambientais, forma culturais a considerar soluções as dimensões políticas, e sociais, com a ampla participação da sociedade, tendo como premissa o desenvolvimento sustentável; XII - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracterizada por um conjunto de ações, procedimentos e meios, destinados a facilitar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos aos seus geradores para que sejam tratados ou reaproveitados em novos produtos, na forma de novos insumos, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, visando a não geração de rejeitos; XIII - resíduos sólidos: resíduos no estado sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem urbana, industrial, de serviços de saúde, rural, especial ou diferenciada; 111 XIV - reutilização: processo de reaplicação dos resíduos sólidos sem sua transformação biológica, física ou físico-química; XV - manejo de resíduos sólidos: conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, com vistas à operacionalizar a coleta, o transbordo, o transporte, o tratamento dos resíduos sólidos e a disposição final ambientalmente adequada de rejeitos; XVI - limpeza urbana: o conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, relativa aos serviços de varrição de logradouros públicos; limpeza de dispositivos de drenagem de águas pluviais; limpeza de córregos e outros serviços, tais como poda, capina, raspagem e roçada, bem como o acondicionamento e coleta dos resíduos sólidos provenientes destas atividades; XVII - tecnologias ambientalmente saudáveis: tecnologias de prevenção, redução ou eliminação de resíduos sólidos ou poluentes, propiciando a redução de desperdícios, a conservação de recursos naturais, a redução ou eliminação de substâncias tóxicas presentes em matérias-primas ou produtos auxiliares, a redução da quantidade de resíduos sólidos gerados por processos e produtos e, conseqüentemente, a redução de poluentes lançados para o ar, solo e águas; XVIII - tratamento ou reciclagem: processo de transformação dos resíduos sólidos, dentro de padrões e condições estabelecidas pelo órgão ambiental, que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, tornando-os em novos produtos, na forma insumos, ou em rejeito. CAPÍTULO II DA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS Art. 9º. A Política Nacional de Resíduos Sólidos será desenvolvida em consonância com as Políticas Nacionais de Meio Ambiente, de Educação Ambiental, de Recursos Hídricos, de Saneamento Básico, de Saúde, Urbana, Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior e as que promovam a inclusão social, de acordo com o disposto nesta Lei. Art. 10º. As Políticas de Resíduos Sólidos dos Estados, do Distrito Federal e Municípios deverão estar compatíveis com as diretrizes estabelecidas nesta Lei. 3 Seção Única Dos Instrumentos Art. 11º. São instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos: dos 112 I - Planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos; II - Análise e Avaliação do Ciclo de Vida do Produto; III - Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental, nos termos do art. 9o, inciso VIII, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981; IV - inventários de resíduos sólidos em conformidade com o disposto pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA; V - Avaliação de Impactos Ambientais, nos termos do art. 9o, inciso III, da Lei no 6.938, de 1981; VI - Sistema Nacional de Informações Ambientais - SISNIMA e o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico - SINISA; VII - logística reversa; VIII - licenciamento ambiental; IX - monitoramento e fiscalização ambiental; X - cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado para o desenvolvimento de pesquisas e de novos produtos; XI - pesquisa científica e tecnológica; XII - educação ambiental; XIII - incentivos fiscais, financeiros e creditícios; XIV - Fundo Nacional do Meio Ambiente e Fundo Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico; e XV- Conselhos de Meio Ambiente. CAPÍTULO III DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Seção I Da Classificação dos Resíduos Sólidos Art. 12º. Os resíduos sólidos serão classificados: I - quanto à origem: a) resíduos sólidos urbanos: resíduos sólidos gerados por residências, estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e os domicílios, oriundos dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, que por sua natureza ou composição tenham as mesmas características dos gerados nos domicílios; b) resíduos sólidos industriais: resíduos sólidos oriundos dos processos produtivos e instalações industriais, bem como os gerados nos serviços públicos de 113 saneamento básico, excetuando-se os relacionados na alínea “c” do inciso I do art. 3o da Lei no 11.445, de 2007; 4c) resíduos sólidos de serviços de saúde: resíduos sólidos oriundos dos serviços de saúde, conforme definidos pelo Ministério da Saúde em regulamentações técnicas pertinentes; d) resíduos sólidos rurais: resíduos sólidos oriundos de atividades agropecuárias, bem como os gerados por insumos utilizados nas respectivas atividades; e e) resíduos sólidos especiais ou diferenciados: aqueles que por seu volume, grau de periculosidade, de degradabilidade ou outras especificidades, requeiram procedimentos especiais ou diferenciados para o manejo e a disposição final dos rejeitos, considerando os impactos negativos e os riscos à saúde e ao meio ambiente; e II - quanto à finalidade: a) resíduos sólidos reversos: resíduos sólidos restituíveis, por meio da logística reversa, visando o seu tratamento e reaproveitamento em novos produtos, na forma de insumos, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos; e b) rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos acessíveis e disponíveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada. Seção II Da Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Art. 13º. Incumbe ao Distrito Federal e aos Municípios a gestão dos resíduos sólidos gerados em seus respectivos territórios. Art. 14º. É condição para o Distrito Federal e os Municípios terem acesso a recursos da União destinados a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos a elaboração de Planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, executados em função dos resíduos sólidos gerados ou administrados em seus territórios, contendo, no mínimo: I - caracterização do Município; II - visão global dos resíduos sólidos gerados de forma a estabelecer o cenário atual e futuro no âmbito de sua competência; III - diagnóstico da situação dos resíduos sólidos identificados no âmbito de sua atuação, contendo a origem, o volume, a caracterização dos resíduos sólidos gerados e formas de destinação e disposição final praticadas; IV - identificação de regiões favoráveis para disposição final adequada de rejeitos; 114 V - identificação das possibilidades do estabelecimento de soluções consorciadas ou compartilhadas, considerando, nos proximidade dos critérios de economia de escala, a locais estabelecidos e as formas de prevenção dos riscos ambientais; VI - identificação dos resíduos sólidos especiais ou diferenciados; VII - procedimentos operacionais e especificações mínimas, que deverão ser adotados nos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, inclusive quanto aos resíduos sólidos especiais ou diferenciados identificados e à disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos; VIII - critérios que deverão ser adotados para a operacionalização dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; IX - estabelecimento de indicadores de desempenho operacional e ambiental; 5X - definição das atribuições de todos aqueles que participem de sua implementação e operacionalização; XI - estabelecimento de programas e ações de capacitação técnica, voltadas à implementação do Plano; XII - programa social, contendo as formas de participação dos grupos interessados, inclusive com a indicação de como serão construídas as soluções para os problemas apresentados; XIII - mecanismos para a criação de fontes de negócios, emprego e renda, mediante a valorização dos resíduos sólidos; XIV - programa econômico, contendo o sistema de cálculo dos custos da prestação dos serviços públicos de manejo de resíduos sólidos, a forma de cobrança desses serviços, incluindo os excedentes e a recuperação total dos custos; XV - descrição das formas de sua participação na logística reversa no âmbito local; XVI - meios que serão utilizados para o controle dos geradores de resíduos sólidos sujeitos ao sistema de logística reversa no âmbito local e os instrumentos financeiros que poderão ser aplicados para incentivar ou controlar as atividades dele decorrentes; XVII - procedimentos dos geradores dos resíduos sólidos que requeiram manejo especial ou diferenciado, em função das suas características e do porte de sua geração e ainda a descrição dos resíduos sólidos urbanos considerados quando aplicado o disposto no art. 6o da Lei no 11.445, de 2007; 115 XVIII - ações preventivas e corretivas nos procedimentos adotados, incluindo o respectivo programa de monitoramento; XIX - estrutura de comunicação necessária, para ciência da população quanto à quantidade de resíduos sólidos gerados no âmbito local e aos problemas ambientais e sanitários derivados do manejo inadequado de resíduos sólidos e estabelecimento de canal de comunicação direto com a sociedade local; XX - periodicidade de sua revisão, considerando o período máximo de quatro anos de vigência do Plano; e XXI - identificação e monitoramento dos passivos ambientais. § 1º. Para o caso de resíduos sólidos urbanos gerados pelos órgãos da administração pública deverão ser desenvolvidos procedimentos que contemplem a utilização racional dos recursos e o combate a todas as formas de desperdício. § 2º. Os Planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos deverão ser elaborados em consonância com o disposto na Lei no 11.445, de 2007, bem como atender às particularidades regionais e locais de sua área de abrangência. § 3º. Decreto do Poder Executivo Federal estabelecerá normas específicas sobre o acesso aos recursos da União de que dispõe o caput. Art. 15º. Os geradores dos resíduos sólidos industriais, de serviços de saúde, rurais, especiais ou diferenciados, classificados no art. 12, inciso I, alíneas “b”, “c”, “d” e “e”, desta Lei, deverão elaborar e dar publicidade aos seus Planos de Atuação para os Resíduos Sólidos, com base nos seguintes requisitos mínimos: I - descrição do empreendimento; II - visão global das ações relacionadas aos resíduos sólidos, de forma a estabelecer o cenário atual e futuro de seus resíduos; III - diagnóstico dos resíduos sólidos gerados ou administrados; IV - objetivos e metas que deverão ser observados nas ações definidas para os resíduos sólidos; V - procedimentos operacionais de segregação, acondicionamento, coleta, triagem, armazenamento, transbordo, transporte, tratamento de resíduos sólidos e disposição final adequada dos rejeitos, em conformidade com o estabelecido no Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos do Distrito Federal ou do Município em que a atividade geradora de resíduos sólidos estiver instalada; VI - previsão das modalidades de manejo e tratamento que correspondam às particularidades dos resíduos sólidos e dos materiais que os constituem e 116 a previsão da forma de disposição final ambientalmente adequada dos respectivos rejeitos; VII - considerações sobre a compatibilidade dos resíduos sólidos gerados; VIII - estabelecimento de indicadores de desempenho operacional e ambiental; IX - descrição das formas de sua participação na logística reversa e de seu controle, no âmbito local; X - identificação das possibilidades do estabelecimento de soluções consorciadas ou compartilhadas, considerando, nos critérios proximidade dos de economia de escala, a locais estabelecidos para estas soluções e as formas de prevenção de possíveis riscos ambientais; XI - ações preventivas e corretivas a serem praticadas no caso de situações de manejo incorreto ou acidentes; XII - definição dos instrumentos e meios para possibilitar a recuperação de áreas degradadas por seu processo produtivo; XIII - determinação de cronograma para o desenvolvimento de ações de capacitação técnica, necessárias à implementação do Plano; XIV - mecanismos para a criação de fontes de negócios, emprego e renda mediante a valorização dos resíduos sólidos; XV - programa social, contendo as formas de participação dos grupos interessados, inclusive com a indicação de como serão construídas as soluções para os problemas apresentados; XVI - procedimentos e meios pelos quais divulgará aos consumidores os cuidados que devem ser adotados no manejo dos resíduos sólidos reversos de sua responsabilidade, incluindo os resíduos sólidos especiais ou diferenciados; XVII - periodicidade de sua revisão, considerando o período máximo de quatro anos; e XVIII - adoção de medidas saneadoras dos passivos ambientais. § 1º. O Plano de Atuação para os Resíduos Sólidos deverá atender ao disposto no Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos do Município ou Distrito Federal, sem prejuízo das normas editadas pelo SISNAMA e pelo SNVS. 7§ 2º. O Distrito Federal e os Municípios, com base no respectivo Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, poderão dispensar a elaboração do Plano de Atuação para os Resíduos Sólidos em razão do volume, periculosidade e degradabilidade dos resíduos sólidos gerados. 117 Art. 16º. Para a elaboração, implementação, operacionalização e monitoramento de todas as etapas do Plano de Atuação para os Resíduos Sólidos e ainda, para o controle da disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, deverá ser designado profissional técnico responsável habilitado, com atribuições para tanto. Parágrafo único. Os responsáveis pelo Plano de Atuação para os Resíduos Sólidos devem manter atualizadas e disponíveis para consultas as informações completas sobre a implementação do Plano de sua responsabilidade. Art. 17º. O Plano de Atuação para os Resíduos Sólidos é parte integrante do processo de licenciamento ambiental. Seção III Das Responsabilidades Art. 18º. Compete ao gerador de resíduos sólidos a responsabilidade pelos resíduos sólidos gerados, compreendendo as etapas de acondicionamento, disponibilização para coleta, coleta, tratamento e disposição final ambientalmente adequada de rejeitos. § 1º. A contratação de serviços de coleta, armazenamento, transporte, tratamento e destinação final ambientalmente adequada de rejeitos de resíduos sólidos, não isenta a responsabilidade do gerador pelos danos que vierem a ser provocados. § 2º. Somente cessará a responsabilidade do gerador de resíduos sólidos, quando estes forem reaproveitados em produtos, na forma de novos insumos, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos. Art. 19º. O gerador de resíduos sólidos urbanos terá cessada sua responsabilidade com a disponibilização adequada de seus resíduos sólidos para a coleta. Art. 20º. No caso de dano envolvendo resíduos sólidos, a responsabilidade pela execução de medidas mitigatórias, corretivas e reparatórias será da atividade ou empreendimento causador do dano, solidariamente, com seu gerador. § 1º. A responsabilidade disposta no caput somente se aplica ao gerador de resíduos sólidos urbanos quando o dano decorrer diretamente de seu ato ou omissão. § 2º. O Poder Público deve atuar no sentido de minimizar ou cessar o dano, logo que tome conhecimento do evento lesivo ao meio ambiente ou a saúde pública. § 3º.Caberá aos responsáveis pelo dano ressarcir o Poder Público pelos gastos decorrentes das ações empreendidas para minimizar ou cessar o dano. 118 8 CAPÍTULO IV DO FLUXO DOS RESÍDUOS Seção Única Da Logística Reversa Art. 21º. A instituição da logística reversa tem por objetivo: I - promover ações para garantir que o fluxo dos resíduos sólidos gerados seja direcionado para a sua cadeia produtiva ou para cadeias produtivas de outros geradores; II - reduzir a poluição e o desperdício de materiais associados à geração de resíduos sólidos; III - proporcionar maior incentivo à substituição dos insumos por outros que não degradem o meio ambiente; IV - compatibilizar interesses conflitantes entre os agentes econômicos, ambientais, sociais, culturais e políticos; V - promover o alinhamento entre os processos de gestão empresarial e mercadológica com os de gestão ambiental, com o objetivo de desenvolver estratégias sustentáveis; VI - estimular a produção e o consumo de produtos derivados de materiais reciclados e recicláveis; e VII - propiciar que as atividades produtivas alcancem marco de eficiência e sustentabilidade. Art. 22º. Os resíduos sólidos deverão ser reaproveitados em produtos na forma de novos insumos, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, cabendo: I - ao consumidor: a) acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados, atentando para práticas que possibilitem a redução de sua geração; e b) após a utilização do produto, disponibilizar adequadamente os resíduos sólidos reversos para coleta; II - ao titular dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: a) adotar tecnologia de modo a absorver ou reaproveitar os resíduos sólidos reversos oriundos dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; b) articular com os geradores dos resíduos sólidos a implementação da estrutura necessária para garantir o fluxo de retorno dos resíduos sólidos reversos, oriundos dos serviços de limpeza urbana; e 119 c) disponibilizar postos de coleta para os resíduos sólidos reversos e dar destinação final ambientalmente adequada aos rejeitos; III - ao fabricante e ao importador de produtos: a) recuperar os resíduos sólidos, na forma de novas matérias-primas ou novos produtos em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos; b) desenvolver e implementar tecnologias que absorva ou elimine de sua produção os resíduos sólidos reversos; 9c) disponibilizar postos de coleta para os resíduos sólidos reversos aos revendedores, comerciantes e distribuidores, e dar destinação final ambientalmente adequada aos rejeitos; d) garantir, em articulação com sua rede de comercialização, o fluxo de retorno dos resíduos sólidos reversos; e e) disponibilizar informações sobre a localização dos postos de coleta dos resíduos sólidos reversos e divulgar, por meio de campanhas publicitárias e programas, mensagens educativas de combate ao descarte inadequado; e IV - aos revendedores, comerciantes e distribuidores de produtos: a) receber, acondicionar e armazenar temporariamente, de forma ambientalmente segura, os resíduos sólidos reversos oriundos dos produtos revendidos, comercializados ou distribuídos; b) disponibilizar postos de coleta para os resíduos sólidos reversos aos consumidores; e c) informar o consumidor sobre a coleta dos resíduos sólidos reversos e seu funcionamento. Art. 23º. Os resíduos sólidos reversos coletados pelos serviços de limpeza urbana, em conformidade com o art. 7o da Lei no11.445, de 2007, deverão ser disponibilizados pelo Distrito Federal e Municípios em instalações ambientalmente adequadas e seguras, para que seus geradores providenciem o retorno para seu ciclo ou outro ciclo produtivo. § 1º. O responsável pelos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos poderá cobrar pela coleta, armazenamento e disponibilização dos resíduos sólidos reversos. § 2º,Para o cumprimento do disposto no caput deste artigo, o responsável pelos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos deverá priorizar a 120 contratação de organizações produtivas de catadores de materiais recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda. Art. 24º. A implementação da logística reversa dar-se-á nas cadeias produtivas, conforme estabelecido em regulamento. Parágrafo único. A regulamentação priorizará a implantação da logística reversa nas cadeias produtivas, considerando a natureza do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos resíduos sólidos gerados, bem como os efeitos econômicos e sociais decorrentes de sua adoção. CAPÍTULO V DOS INSTRUMENTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS Art. 25º. O Poder Público atuará no sentido de estruturar programas indutores e linhas de financiamentos para atender, prioritariamente, às iniciativas: I - de prevenção e redução de resíduos sólidos no processo produtivo; II - de desenvolvimento de pesquisas voltadas à prevenção da geração de resíduos sólidos e produtos que atendam à proteção ambiental e à saúde humana; III - de infra-estrutura física e equipamentos para as organizações produtivas de catadores de materiais recicláveis formadas exclusivamente por pessoas físicas de baixa renda, reconhecida como tal pelo Poder Público; IV – de desenvolvimento de tecnologias aplicadas aos resíduos sólidos; e 1V – de desenvolvimento de projetos consorciados de logística reversa. Art. 26º. Quando da aplicação das políticas de fomentos ou incentivos creditícios destinadas a atender diretrizes desta Lei, as instituições oficiais de crédito podem estabelecer critérios diferenciados que possibilitem ao beneficiário acessar crédito do Sistema Financeiro Nacional para seus investimentos produtivos, tais como: I - cobrança da menor taxa de juros do sistema financeiro; e II - concessão de carências e o parcelamento das operações de crédito e financiamento. Parágrafo único. A existência do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos é condição prévia para o recebimento dos incentivos e financiamentos dos órgãos federais de crédito e fomento. Art. 27º. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no âmbito de suas competências, poderão editar normas com o objetivo de conceder incentivos fiscais, financeiros ou creditícios, respeitadas as limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal, para as indústrias e entidades dedicadas à reutilização e 121 ao tratamento de resíduos sólidos produzidos no território nacional, bem como para o desenvolvimento de programas voltados à logística reversa, prioritariamente em parceria com associações ou cooperativas de catadores de materiais recicláveis reconhecidas pelo poder público e formada exclusivamente por pessoas físicas de baixa renda. Art. 28º. Os consórcios públicos, constituídos com o objetivo de viabilizar a descentralização e a prestação de serviços públicos que envolvam resíduos sólidos, terão prioridade na obtenção dos incentivos propostos e de recursos disponibilizados pelo Governo Federal. CAPÍTULO VI DAS PROIBIÇÕES Art. 29º. Ficam proibidas as seguintes formas de disposição final de rejeitos: I - lançamento nos corpos hídricos e no solo, de modo a causar danos ao meio ambiente, à saúde pública e à segurança; II - queima a céu aberto ou em recipientes, instalações e equipamentos não licenciados para esta finalidade; e III - outras formas vedadas pelo Poder Público. Parágrafo único. No caso de decretação de emergência sanitária, a queima de resíduos a céu aberto poderá ser realizada, desde que autorizada e acompanhada pelo órgão ambiental competente. Art. 30º. Ficam proibidas, nas áreas de disposição final de rejeitos, as seguintes atividades: I - utilização dos rejeitos dispostos, como alimentação; II - catação em qualquer hipótese; III - fixação de habitações temporárias e permanentes; e IV - outras atividades vedadas pelo Poder Público. Art. 31º. Fica proibida a importação de resíduos sólidos e rejeito cujas características causem danos ao meio ambiente e à saúde pública, ainda que para tratamento, reforma, reuso, reutilização ou recuperação. 1 Parágrafo único. Os resíduos e rejeitos importados que não causem danos meio ambiente e à saúde pública serão definidos em regulamento. CAPÍTULO VII DAS DISPOSIÇÕES FINAIS ao 122 Art. 32º. A ação ou omissão das pessoas físicas ou jurídicas que importem inobservância aos preceitos desta Lei e a seus regulamentos sujeitam os infratores às sanções previstas em lei, em especial as dispostas na Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e seus decretos regulamentadores. Art. 33º. Esta Lei entrará em vigor cento e oitenta dias após a data da sua publicação. Brasília, PL-RESÍDUOS SÓLIDOS (L4)1