0 UNINGÁ – UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ FACULDADE INGÁ CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM DENTISTICA MARCOS ANTÔNIO DARIVA CARACTERÍSTICAS ÓPTICAS DAS RESINAS COMPOSTAS PASSO FUNDO 2011 1 MARCOS ANTÔNIO DARIVA CARACTERÍSTICAS ÓPTICAS DAS RESINAS COMPOSTAS Monografia apresentada à unidade de Pósgraduação da Faculdade Ingá – UNINGÁ – Passo Fundo-RS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Dentística Orientador: Prof. Dra. Simone Beatriz Alberton da Silva PASSO FUNDO 2011 2 MARCOS ANTÔNIO DARIVA Características Ópticas Das Resinas Compostas Monografia apresentada à comissão julgadora da Unidade de Pós-graduação da Faculdade Ingá – UNINGÁ – Passo Fundo-RS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Dentistica. Aprovada em ___/___/______. BANCA EXAMINADORA: ________________________________________________ Prof. Dr. Simone Beatriz Alberton da Silva - Orientadora ________________________________________________ Prof. Ms. Cristiano Magagnin ________________________________________________ Prof. Ms. Paula Ghiggi 3 DEDICATÓRIA Aos meus amados pais, Nélio e Nair Dariva, pelo amor, carinho, apoio, compreensão e dedicação dispensada em todos instantes da minha vida. Aos meus irmãos, Cladir, Luís Carlos, Cleonice, Nélio Jr., e cunhados. parceiros e incentivadores de meus sonhos. A minha noiva Cristine pelo apoio, amor e carinho. Aos professores, pela competência e sensibilidade dedicada aos seus alunos. Aos amigos, pelo companheirismo nos momentos de angústia. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus, a quem devemos nossa existência e consciência da vida. A meus amigos e colegas, pelo apoio incondicional. À minha Orientadora, Prof. Dra. Simone Alberton da Silva , pela paciência, pelo incentivo, tempo dispensado e conhecimentos dedicados a mim durante esse período. Aos meus colegas de especialização em Dentística, Roberto, Giovani, Cíntia, Rosane, Rose, Elga, Evany, Jaísa, Andressa, Angela, Gracielle, Rosemeire, Rutinéia e Simone pelos bons momentos que passamos juntos. A todo corpo docente da especialização de Dentística, pelos ensinamentos transmitidos, sem os quais não alcançaria mais uma etapa de minha vida acadêmica e profissional. 5 EPÍGRAFE Somos diferença (...), nossa razão é a diferença dos discursos nossa história, a diferença dos tempos, nosso eu, a diferença das máscaras... a diferença – a dispersão que somos e que fazemos. Michael Foucault 6 RESUMO O dente humano apresenta características ópticas quando irradiado por um feixe de luz. Com isso, para a obtenção de estética, nas restaurações diretas com resinas compostas é necessário que este material se assemelhe ao dente em diferentes situações, inclusive quando submetido à incidência de diversos tipos de luz. Esta revisão de literatura teve como objetivo pesquisar as características ópticas das resinas compostas, possibilitando perceber que toda e qualquer modificação de composição em relação ao tipo e ao volume de carga (material inorgânico) tem interferência na resistência do material e também irá modificar as propriedades ópticas do material no que diz respeito à reflexão e à transmissão de luz. Conclui-se que as resinas compostas com características ópticas mais apuradas, associadas a uma boa técnica de restauração direta, tem melhores resultados estéticos. Assim como, todo profissional, que conhece tais características ópticas das resinas, tende a escolhê-las de maneira a atender a necessidade estética da restauração em questão. Palavras – Chave: Resina composta e Fluorescência. 7 ABSTRACT The human tooth presents optic characteristics when radiated by a light beam. With this, for the attainment of aesthetic, in the direct restorations with composed resins it is necessary that this material looks like to the tooth in different situations, also when it is submitted to the incidence of different kinds of light. This literature revision, had as objective to search, to analyze and to identify the optic characteristics of composed resins. Where, all modification of composition in relation to the type and volume of load (inorganic material ) have interference in the resistance of the material and also will go to modify the optic properties of the material in what it says respect to the reflection and transmission of light. One concludes that the composed resins with more refined optic characteristics, associates to a good technique of direct restoration, have better aesthetics results. As well as, the professional who knows such optic characteristics of resins, tends to choose resins that take care of the aesthetic necessity of the restoration in question. Key-words: Composed resin and Fluorescence. 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO............................................................................................. 09 2 REVISÃO DE LITERARURA....................................................................... 12 2.1 COR.............................................................................................................. 14 2.2 TRANSLUCIDEZ E OPACIDADE................................................................ 18 2.3 FLUORESCÊNCIA E OPALESCÊNCIA....................................................... 21 3 CONCLUSÃO.............................................................................................. 29 REFERÊNCIAS............................................................................................ 30 9 1 INTRODUÇÃO A odontologia estética participa do cotidiano do Cirurgião-Dentista, influenciada pela constante preocupação da população na busca pela saúde e beleza. A procura crescente por tratamentos estéticos e não somente restauradores, assim como, as mudanças ocorridas pelo uso de produtos fluoretados, revolucionaram a prática da odontologia restauradora nas últimas duas décadas (PERDIGÃO, RITTER, 2001). A busca por materiais restauradores da estrutura dental aumentou e as técnicas operadoras e inovadoras, aceleraram a demanda de paciente para odontologia "cosmética" (TERRY, 2002). Entender o significado da palavra estética é uma tarefa exigente. Para atingir um senso estético apurado é necessário observar, deter-se a formas, tamanhos e cores de objetos, de pessoas e da natureza (BUSATO et al, 2002). A formação do senso estético e crítico passa pela observação diária do mundo que nos cerca. Toda vez que se vê um objeto, uma pessoa, um animal se faz alguma consideração: quanto à beleza, à graça, à imponência e etc. Quando se conseguir entender porque algo chamou a atenção, está-se entendendo a estética (BUSATO, 2002). Através do condicionamento ácido proposto por Buonocore (1955) e a introdução da resina composta por Bowen (1963), a preservação de estrutura dental sadia, tornou-se cada vez mais evidente, sendo possível a reconstrução da anatomia dentária perdida, com o uso de sistemas adesivos e resinas compostas, sem desgaste significativo de tecido dental sadio. Resina composta pode ser definida como uma combinação de materiais, geralmente formada por dois constituintes que são insolúveis entre si. Esta combinação de materiais acaba por prover um material de propriedades superiores àquelas dos seus constituintes originais. As resinas compostas vêm sendo utilizadas na odontologia restauradora por mais de 40 anos, sendo que seu desenvolvimento como material restaurador iniciou-se no final dos anos 50, quando 10 Bowen iniciou seus experimentos reforçando resinas epóxicas com partículas de carga (BARATIERI, 1998). A melhoria nas propriedades físicas e mecânicas é reflexo da busca incessante por parte dos profissionais e seus pacientes pela estética e longevidade das restaurações. Atualmente, a gama de resinas compostas disponíveis com as mais diferentes características e cores torna possível a confecção de restaurações esteticamente imperceptíveis, no entanto, a técnica de confecção destas restaurações exige treinamento para suplantar dificuldades. Dente as dificuldades encontradas pelos dentistas na hora de confeccionar suas restaurações, a seleção da cor é uma das mais citadas, assim como a forma e a textura, pois a cor é parte integrante de uma restauração estética. Em verdade, está-se lidando com um problema multifatorial, que envolve a idade do paciente, a área a ser restaurada, a translucidez ou opacidade do material, e precária fidelidade das escalas de cor (BUSATO, 2002). Considerando-se que a estrutura dental apresenta características policromáticas, faz-se necessário o uso de mais de uma cor de resina composta para restaurar esteticamente a estrutura dental perdida. Mais do que isso, a estrutura dental apresenta translucidez diferente em suas diversas regiões. Para que isso seja reproduzido, tem papel importante não só a cor da resina selecionada, mas também a espessura de material a ser utilizado, bem como a característica óptica de cada tipo de resina composta. Douglas Terry, no congresso Internacional de Dentística estética 2003, afirmou que uma restauração estética com uma resina composta não é apenas a colagem da resina ao dente. De fato, é necessário perceber a interrelação entre as propriedades ópticas da luz e os diferentes materiais de restaurações, de modo a poder criar a ilusão da estética natural. Como o comportamento da resina composta, frente aos fenômenos ópticos como translucidez e fluorescência, tem mostrado muita variabilidade entre as marcas comerciais disponíveis no mercado em função das diferentes composições orgânicas e inorgânicas e há uma crescente exigência de uma perfeita interação entre a estrutura dental e o material restaurador para 11 reprodução dos fenômenos ópticos que resulta na adequação estética do sorriso, fazem-se necessário estudar, para poder avaliar, as características ópticas das resinas compostas. O objetivo deste trabalho foi identificar as principais características ópticas das resinas compostas, através de uma revisão literária apresentada na literatura atual. 12 2 REVISÃO DE LITERATURA As resinas compostas introduzidas na odontologia por Bowen, em 1963, têm sido utilizadas devido às suas propriedades ópticas e estéticas, porem apesar do desenvolvimento tecnológico, ainda existe a necessidade de mais estudos, com objetivo de melhorar estas propriedades. (BARATIERI, 1998) Com a evolução das fórmulas e o avanço de propriedades e o desenvolvimento de novas técnicas para a adaptação de resinas compostas justificam o enorme interesse que elas suscitam nos profissionais. Contudo, o resultado obtido com uma restauração direta de resina composta fica muitas vezes aquém do desejado, pela dificuldade que o profissional enfrenta na estratificação das diferentes camadas de resina. Como refere Dietschi, em 2001, “se o produto é importante, o protocolo operatório é primordial”. A grande variedade de resinas compostas existentes no mercado vem sendo extensamente descritos na literatura. Baratieri et al, 1998; descreve e classifica os principais tipos de resinas compostas existentes no mercado, e enfatiza a dificuldade existente em se conseguir organizar de maneira lógica os diversos tipos de compósitos disponíveis, visto que a variedade de materiais e a maneira veloz com que são lançados no mercado dificulta sobremaneira o entendimento e a execução de tal classificação. Variadas composições de resinas compostas são criadas com o intuito de melhorar as propriedades físicas e mecânicas destes materiais. Toda modificação de composição em relação ao tipo e volume de carga (material inorgânico) tem interferência nas propriedades mecânicas e também irá modificar as propriedades ópticas do material no que diz respeito a reflexão e transmissão de luz. Desta forma, a seleção de cor para reproduzir a estrutura dentária pode variar completamente de um material para o outro. Dietschi (1995) e Terry (2000) relataram que para conseguir uma excelente restauração, do ponto de vista estético, devem-se compreender as dimensões da cor, a dinâmica natural, uma vez que os dentes sofrem alterações relacionadas com a maturação, função e idade dos tecidos 13 dentários, a morfologia e anatomia dos tecidos dentários e, também, as propriedades das resinas compostas que se utilizam. Propriedades ópticas do esmalte natural humano podem ser mimetizadas com as resinas compostas: translucidez, opalescência, halo opaco, contra-opalescência, textura e fluorescência. Translucidez é definida como um gradiente entre transparência e opacidade, dependente da espessura, principalmente em regiões cristalinas mineralizadas. Opalescência é a propriedade pela qual o esmalte aparenta diferentes colorações sob orientações diversas dos raios de luz. Halo opaco é uma linha opaca presente no limite incisal, geralmente de coloração alaranjada, como consequência de um fenômeno óptico de total reflexão da luz pelo seu ângulo de incidência ser maior que o ângulo limite do esmalte. A contra-opalescência é o causador do “alaranjado” na ponta dos mamelos dos elementos anteriores, explicado pelos diferentes graus de refração e reflexão de ondas luminosas na estrutura adamantina. A textura dá a “topografia microscópica ou macroscópica” da superfície do dente com suas sombras, depressões e elevações características. A fluorescência torna os dentes mais brancos e brilhantes na luz do dia; é definida como a iluminação produzida por fonte de luz ultravioleta (baixo comprimento de onda), geralmente luz negra, imperceptível a olho nu, sendo três vezes mais proeminente na dentina do que no esmalte, promovida pela excitação de moléculas orgânicas, tais como: piridinolina, a timina e o triptofano (BARATIERI et al.,2008; VANINI et al., 1996). Segundo Craig e Powers (2004) os materiais restauradores são desenvolvidos pelo fabricante e selecionados pelo dentista, baseando-se nas características físicas, químicas, mecânicas e biológicas de cada material. As propriedades físicas são embasadas nas leis da mecânica, acústica, óptica, termodinâmica, eletricidade, magnetismo, radiação, estrutura atômica ou fenômenos nucleares (ANUSAVICE, 2005). Com isso, Craig e Powers (2004), incluem como características ópticas a cor e sua mensuração, pigmentação, metamerismo, fluorescência, opacidade, índice de refração e constante óptica. Assim, Melo, Kano e Araújo em 2005, dizem que o conhecimento dos fenômenos envolvidos na formação e percepção das cores é um pré-requisito 14 fundamental a todo clínico que se dedica à prática da odontologia estética. Além de minimizar a ocorrência de erros e problemas comuns, a compreensão da interação entre luz e os materiais é essencial para melhor aproveitamento dos modernos sistemas de resina composta e porcelana. 2.1 COR A percepção do olho humano, com relação aos aspectos físicos da cor, somada a componentes psicológicos contribuem para a formação do conceito de cor. Chu, Devigus e Mieleszko em 2004, relatam que a luz que os olhos alcançam é chamada luz visível. Ela compreende a faixa de 400 a 700nm, e todas as cores que se conhece estão dentro deste intervalo. No objeto, a cor que se percebe é uma mistura de vários comprimentos de onda e, portanto, ela pode ser demonstrada a partir de um desenho gráfico conhecido como curva espectral ou espectro da cor. Figura 1. Espectro de luz visível visto pela curva de refletância Fonte: Hirata, 2008. 15 Segundo Hirata em 2008, a absorção por sua vez define a cor do objeto em questão e o seu processo ocorre em nível molecular. Dessa forma, acontece num átomo, cada molécula caracteriza-se por possuir níveis de energia moleculares quantizados, os quais podem ser ocupados pelos elétrons das moléculas. No outro lado, a radiação carrega energia, sendo o seu valor dependente do comprimento de onda da radiação. A absorção da radiação se dá quando a energia que ela transporta é igual à diferença entre dois níveis de energia da molécula. Nessa situação, a energia da radiação é transferida para a molécula e ocorre a chamada absorção de radiação. Como moléculas de substâncias diferentes têm diferentes níveis moleculares de energia, ocorre que cada substância absorve a radiação de maneira peculiar. Dito de outra forma, os comprimentos de onda que certa substância absorverá são característicos da sua estrutura e outras substâncias absorverão outros comprimentos de onda. Se levantar dados referentes à intensidade de luz absorvida por uma substância em função dos comprimentos de onda da radiação, pode-se obter uma curva chamada espectro de absorção da substância. O importante é que cada substância tem um espectro característico e, desse modo, se quer identificar um material desconhecido, poderá fazê-lo a partir de sua curva de absorção comparada com curvas de substâncias conhecidas. Hirata, ainda em 2008, diz que a teoria dos quanta propõe que cada substância absorva luz em comprimentos de onda específicos. Assim, para cada substância, há uma absorção característica para cada comprimento de onda que representa o seu espectro de absorção. A cor de uma substância é determinada pela luz que não é absorvida. Um sistema de cores baseados em princípios perceptuais foi proposto por, Albert Münsell. As dimesões escolhidas foram três: matiz, croma e valor. Matiz, cor propriamente dita. O feixe de luz no seu determinado comprimento de onda em direção à retina, por exemplo, o verde, o azul, o vermelho, etc. Croma, o grau de saturação da cor ou concentração desta, por exemplo, azul mais forte. Valor, a intensidade de brilho que a cor pode proporcionar. Se é mais claro ou mais escuro. Translucidez, o grau de passagem de luz ou 16 quantidade de refração que esta luz pode realizar sobre determinada superfície. Browning (2003), fez um estudo sobre a verificação de cor em dentes clareados, salientou que, em dentística clínica o grande desafio é conseguir realizar uma restauração em um elemento unitário da maneira que fique igual ao homólogo e imperceptível ao olho humano. Para que isso seja possível, o profissional deve ter conhecimento suficiente sobre matiz, croma e valor. O cirurgião-dentista tem que reproduzir as características do dente vizinho observando translucidez, áreas brancas opacas e ilhas de colorações, tarefa difícil de conseguir usando escalas de cores convencionais. Segundo Browning, as tabelas de cores não representam o total de variedades de cores existentes na população, somando-se a isso as lingüetas das cores mudam de uma escala para a outra do mesmo fabricante. Por fim, o material usado para a fabricação de coroas é diferente das porcelanas usadas para a confecção de coroas e ambos são diferentes do material dentário. A reflexão das cores e a observação das mesmas não ocorrem da mesma maneira pelo dente humano, pelo material usado para a confecção de restauração dentária e pelo material que são feitas as lingüetas das escalas de cores. Segundo Smith et al, 2005; a estrutura dentária natural apresenta diversos graus de opacidade e translucidez, dependendo de sua espessura, vitalidade, formação, hábitos e idade. Já por meio de uma explicação mais cientifica do assunto, as cores diferenciam-se pelos comprimentos de onda que um feixe de luz emite quando reflete sobre uma superfície pigmentada. Cada cor tem um comprimento de onda diferente. Estes comprimentos de onda são percebidos quando possuem a capacidade de atingir a retina e serem codificados pelo córtex cerebral. Com a passagem de um feixe de luz solar através de um prisma, os diversos comprimentos de onda são dissipados. A luz solar possui a maior quantidade de diferentes comprimentos de onda que os nossos olhos podem captar. Por isso, é a melhor fonte para a escolha de cor de um dente. A propriedade fundamental para a percepção da cor é a refração da luz que penetra no interior do dente e, retornado por reflexão, traz a cor interior do dente. A luz penetra com maior facilidade pelo esmalte, que é translúcido, e atinge a dentina que é a principal fonte de dissipação da luz e 17 detecção de seus pigmentos. A dentina tem a capacidade de opacificar a passagem de luz impedindo que esta atinja a polpa e busque sua coloração vermelha e muitas vezes escura em caso de mortificação pulpar. A cor possui componentes básicos que são de grande importância na adequada análise e escolha do material a ser utilizado nos elementos dentários, dividindo por etapas o diagnóstico da cor. Clark no ano de 1931 (apud LOLATO, 2005), foi um dos primeiros a analisar e definir o problema da cor na odontologia. Baseado na observação de dentes humanos avaliados em matiz, croma e valor, de acordo com determinação de Müsell. Clark descreveu que a cor é o nome genérico para todas as sensações oriundas da atividade da retina e de seus mecanismos nervosos, sendo que esta atividade é, em um indivíduo normal, uma resposta específica à energia radiante de certos comprimentos de onda e intensidades. Para Clark, o número total de cores disponíveis para os dentes era 703. O seu guia, porém, dispunha de 60 cores, divididas em três matizes básicos, 19 intervalos de luminosidades e seis de saturação. Uma análise ou medida da cor foi feita para promover uma gravação numérica da cor analisada. Essa análise foi feita por dois métodos distintos: um deles especificou a medição em termos de estímulo da cor, ou seja, em termos de energia radiante ou luz refletida pela superfície de objetos opacos e transmitida por objetos transparentes; o outro método especificou a medição em termos dos três atributos ou dimensões da cor, e ele descreveu como foi vista pelos olhos. Com uma rápida olhada nestas medidas pode-se determinar se a cor é vermelha, amarela, verde, etc., se é escura ou clara e diluída ou intensa. Em outras palavras, a cor é medida em termos de matiz, brilho e saturação, e aparência da cor do dente pode ser descrita pela referência dos três atributos. O meio ambiente contribui para a cor do dente de duas maneiras, em primeiro, pelo contraste simultâneo com as cores que o circundam, e segundo, pelo que se pode chamar de influência direta do meio ambiente, essa influência direta é causada pela mudança na qualidade de iluminação que chega ao dente pelos dentes vizinhos e tecido gengival, os quais mudam qualidade da luz um grau mais marcante. Van Noort (2004), a escolha de cor de um material restaurador para que ele apresente a mesma cor do dente tende a variar, levemente, de um individuo 18 para outro; porque o olho é um detector de luz que apresenta pouca definição da energia dispersa ou transmitida pelo material. 2.2 TRANSLUCIDEZ E OPACIDADE Terry et al., 2002; descreve as dificuldades de reproduzir a camada de esmalte e a camada de dentina, salientando que é preciso entender as limitações das resinas compostas e as possibilidades de se utilizar corantes e opacificadores para criar ilusões de importantes propriedades ópticas que determinam as cores da estrutura dentárias tais como: translucidez, opacidade, opalescência, iridescência, lisura de superfície, e fluorescência. As características secundárias da cor, em especial a translucidez e a opacidade, têm sido vistas como as mais importantes considerando que são uma indicação da qualidade e quantidade de luz refletida (Terry et al, 2002). O mesmo autor ainda salienta que o grau de translucidez ou opacidade é determinado pela estrutura e espessura do esmalte e dentina, assim como a quantidade de luz que penetra o dente ou o material restaurador. Segundo Terry et al, 2002; ainda que o esmalte e a dentina sejam translúcidos na dentição humana, a camada de esmalte é virtualmente transparente e incolor. Figura 2. Translucidez Fonte: http://heraeus-kulzer.com.br Correa et al., em 2005; definem a translucidez como a transmissão a difusão de luz através de um objeto. E que, recentemente, tem-se verificado 19 uma progressão enorme das resinas compostas no que se refere à translucidez, já que os valores da resina relativos ao esmalte aproximam-se dos valores naturais. De notar que a translucidez, fica algures a meio caminho entre a transparência (como a de um vidro, que deixa passar luz de uma forma linear) e a opacidade (de uma superfície como a madeira que não permite a penetração de luz). Na translucidez há atravessamento disperso da luz, mas também há reflexão dispersa. É o caso típico de um vidro fosco, ou semitransparente. Segundo Smith e Araújo (2005), a estrutura dentária natural apresenta diversos graus de opacidade e translucidez, dependendo de sua espessura, vitalidade, formação, hábitos e idade, em meio a isto, uma explicação mais cientifica do assunto, as cores diferenciam-se pelos comprimentos de onda que um feixe de luz emite quando reflete sobre uma superfície pigmentada, onde cada cor tem um comprimento de onda diferente. Com isso, Smith e Araújo (2005), relataram que estes comprimentos de onda são percebidos quando possuem a capacidade de atingir a retina e serem codificados pelo córtex cerebral, mostrando a passagem de um feixe de luz solar através de um prisma, onde os diversos comprimentos de onda são dissipados e a luz solar demonstra maior quantidade de diferentes comprimentos de onda que os nossos olhos podem captar, por isso, é a melhor fonte para a escolha de cor de um dente. Smith e Araújo (2005), ressaltam também, a propriedade fundamental para a percepção da cor é a refração da luz, que penetra no interior do dente e, retorna por reflexão, que traz a cor interior do dente, assim, a luz penetra com maior facilidade pelo esmalte, que é translúcido, e atinge a dentina que é a principal fonte de dissipação da luz e detecção de seus pigmentos. 20 Luz incidente Luz absorvida Opacidade Figura 3. Fonte: MELO; KANO; ARAUJO JR., 2005 Buscando uma melhor definição para a propriedade de translucidez, ROCHA (1982) verificou diversificação de níveis desta propriedade em função das diferentes marcas comerciais estudadas e enfatizou que a adição de pastas opacificadoras reduz a translucidez do material, a qual não é afetada pela ação do tempo de armazenamento das resinas compostas. Assim e em consonância com os resultados obtidos nestas investigações, mais recentemente, alguns fabricantes de resinas têm fornecidos estojos desse material com diversas cores, com especificidade para restaurar esmalte e as mesmas cores com maior opacidade para substituir o tecido dentinário, que é menos translúcido. Segundo Paravina (2002), os corpos e os materiais translúcidos permitem a passagem de luz incidente em seu interior modificando sua direção de forma a não ser possível observar os objetos que se encontram através do meio observado. Johnston e Reisbick, (1997), citaram que a translucidez dos materiais é determinada não somente por fatores macroscópicos, como composição de matriz e carga e conteúdo de carga, como também pela adição de pigmentos e, potencialmente, por outros componentes químicos, como silanos de união e componentes de iniciação. Os monômeros influenciam a passagem de luz através da resina composta por demonstrarem diferentes índices de refração. Para Lee (2007) o que influencia a translucidez das resinas compostas é, principalmente, a 21 dispersão de luz pelas partículas de carga; porém a matriz orgânica e a porcentagem de pigmentos e agentes opacificadores devem ser bastante consideradas. Studervan et al., em 1995, afirmam que as partículas de carga presentes nos compósitos restauradores são responsáveis por produzir a transmissão e dispersão de luz, resultando em translucidez semelhante ou não ao esmalte dental. Mesmo quando estas partículas possuem transparência própria, a opacidade pode ser produzida por luz dispersa, que alcança valores máximos quando o tamanho das partículas tem a mesma dimensão que o comprimento de onda da luz visível, que é de aproximadamente de 0,4nm a 0,7nm. Luz incidente Luz transmitida Transparência Figura 4. Fonte: MELO; KANO; ARAUJO JR., 2005 2.3 FLUORESCÊNCIA E OPALESCÊNCIA Correia, Oliveira e Silva, em 2005, explicam que em termos físicos, a fluorescência é uma forma de fotoluminescência, na qual a energia radiante ultravioleta (UV) é absorvida por um objeto que, posteriormente, emite energia luminosa dentro do espectro visível. E a opalescência, é o efeito luminoso que se produz quando a luz se dispersa e refracta nos microcristais e nas substâncias coloidais da superfície do dente. Manifesta-se principalmente na reflexão de luz azul do bordo incisal e no registro de um tom alaranjado no colo dos dentes. Ferraz et al., em 2008; A fluorescência é a capacidade que o dente tem em absorver a radiação ultravioleta (luz negra) e emitir essa radiação na faixa 22 do visível dando um aspecto azulado ao dente. Resinas sem fluorescência podem causar sérios constrangimentos em pacientes detentores de restaurações estéticas com esses materiais. Figura 5. Fluorescência Fonte: http://heraeus-kulzer.com.br A fluorescência é uma propriedade que faz parte da luminescência, fenômeno relacionado à capacidade que algumas substâncias apresentam em converter certos tipos de energia em emissão de radiação eletromagnética, com um excesso de radiação térmica. A luminescência é observada em todos os estados dá matéria (gasoso, líquido ou sólido) e para compostos orgânicos e inorgânicos. A radiação eletromagnética emitida por um material luminescente ocorre usualmente na região visível do espectro eletromagnético, mas esta pode ocorrer também em outras regiões do espectro, tais como ultravioleta e infravermelho. Entre os tipos de luminescência pode-se citar a triboluminescência, a termoluminescência, a fosforescência e a fluorescência (LENZ, 2000 apud VILLARROEL et al., 2004). A fluorescência é um fenômeno que começa e acaba instantaneamente junto com a excitação dos elétrons e cessa imediatamente com a remoção do agente de iluminação, diferente da fosforescência em que a fotoirradiação persiste durante um lapso de tempo, mesmo após a cessação da excitação (O’BRIEN; RYGE, 1981; KINA; BRUGUERA, 2007). 23 Hirata (2008), diz que o grande desafio para os fabricantes é reproduzir em seus materiais a fluorescência emitida pelos dentes humanos naturais (esmalte = 450nm, dentina = 430nm), e mantê-la idêntica e consistente em toda a escala de cores. Uma análise criteriosa de resinas compostas foi realizada por Sensi et al., (2006) com base em aspectos visuais comparativamente a dentes naturais sob incidência de luz negra. Foram listadas as resinas exageradamente fluorescentes: Exthet X (Dentsply), Herculite XRV (Kerr), Matrix Hybrid (Discus), Miris (Colténe), Tetric Ceram (Ivoclar Vivadent) e TPH (Dentsply). As resinas com ótima fluorescência foram: 4 Seasons (Ivoclar Vivadent), Amelogen (Ultradent), Enamel Plus (Micerium), Renamel Microhybrid (Cosmedent) e Vitalescence (Ultradent). As resinas com ausência deste comportamento foram: Charisma (Kulzer), Durafill (Kulzer), Glacier (SDI), Filtek Z-250 (3M ESPE), Filtek Supreme (3M ESPE), Matrixx Microfill (Discus), Micronew (BISCO), Palfique Estelite (Tokuyama) e Vênus (Kulzer). Liu (2006) avaliou a fluorescência de 6 resinas compostas gerada durante a exposição a uma fonte de luz ultravioleta. Os materiais avaliados foram: Grupo I – 4 Seasons (Ivoclar Vivadent), Grupo II – Esthet-X (Dentsply), Grupo III – Point 4 (Kerr), Grupo IV - Filtek Supreme (3M Espe), Grupo V - Venus (Heraeus-Kulzer), Grupo VI – Vital-escence (Ultradent). Foi utilizado um espectrofluorímetro (Fluorescence Spectrophotometer F 4500 Hitachi) para a leitura dos espécimes, calibrado para que o raio incidente fosse emitido com um comprimento de onda de 390nm e para que todo o fenômeno de fluorescência fosse registrado em uma faixa compreendida entre 400nm e 700nm. A fluorescência gerada durante o teste foi registrada em um gráfico de intensidade de fluorescência Versus comprimento de onda. Isso permitiu que fossem identificados os picos máximos de intensidade de fluorescência que ocorreram para cada resina. O valor médio para a variável intensidade de fluorescência foi: Grupo I: 1.738,08; Grupo II: 1.179,242; Grupo III: 2.615,188; Grupo IV: 31,4; Grupo V: 447,16 e Grupo VI: 446,00. Com estes resultados conclui-se que houve diferenças estatísticas significantes em relação a intensidade da fluorescência entre todos os grupos de resinas compostas, sendo que o grupo IV (Filtek Supreme) apresentou a menor média de 24 intensidade de fluorescência seguida, na ordem, pelo Grupo VI (Vit-l-escence), Grupo II (Esthet – X), Grupo V (Venus), Grupo I (4 Seasons). A maior média de intensidade de fluorescência foi apresentada pelo Grupo III (Point 4); os grupos de resina composta que apresentaram espectro de emissão de fluorescência mais próximos aos dentes naturais foram o Grupo I (4 Seasons) e o Grupo II (Esthet – X) quando comparados com dados da literatura científica; houve diferenças estatisticamente significantes quanto ao comprimento de onda entre os diferentes grupos de resinas compostas, com exceção do Grupo I (4 Seasons) e Grupo II (Esthet – X). Figura 6. Fluorescência Fonte: http://heraeus-kulzer.com.br Conceição (2005) descreve que o responsável pelo fenômeno de fluorescência é mais a dentina do que o esmalte, devido à presença de maior quantidade de matéria orgânica fotossensível aos raios ultravioletas, e confere vitalidade aos dentes naturais. Na natureza, esse fenômeno é criado pelos raios UV do sol, que são ondas invisíveis ao olho humano e após penetrar no esmalte e alcançar a dentina, excitam a fotossensibilidade da dentina. Quando a única fonte de luz é a ultravioleta, é possível avaliar o grau de fluorescência e observar a estrutura do corpo dentário interno e a extensão do esmalte livre entre os mamelões e a margem incisal. Após a excitação com luz UV, a dentição natural retorna ao estado fundamental com emissão subseqüente de 25 luz, denominada fluorescência. Esta emissão não está limitada à camada superficial, mas emana desde o aspecto interno do material (VANINI, 1996). Hirata et al., em 2004; relatam que como a dentina é aproximadamente três vezes mais fluorescente do que o esmalte dental, o dente parece possuir luminosidade interna. Apesar de ser um desafio conseguir uma reprodução fiel do espectro de luminescência do dente (cor e intensidade), metais terra-raras como urópio, térbio, itérbio e cério têm sido utilizados como luminóforos em alguns materiais restauradores e conseguem reproduzir satisfatoriamente a fluorescência dos dentes naturais. Porém, nenhum destes, isoladamente, consegue fornecer cor e fluorescência próxima à do dente, sendo necessária a mistura e união dos mesmos. Villarroel et al.(2004) pesquisaram a presença de fluorescência em resinas compostas de última geração, sendo avaliadas treze marcas comerciais disponíveis no mercado: Glacier (SDI), Exthet-X (Dentsply), Vit-lescence (Ultradent), Miris (Colténe), Synergy (Colténe), Filtek Supreme (3M ESPE), Tretic Ceram (vivadent), Concept (Vigodent), Amelogem (Ultradent), Filtek A110 (3M ESPE), Charisma (Heraeus-Kulzer), TPH spectrum (Dentsply) e In Tem-S (Ivoclar-Vivadent). Foram confeccionados discos de resina composta de 10mm de diâmetro e 1mm de espessura, na cor A2 e polimerizados por sessenta segundos. Os corpos de prova foram expostos a uma lâmpada de luz UV de 365nm de comprimento de onda em um ambiente escuro. Os sistemas restauradores se comportaram de maneira diferente. Assim, algumas resinas compostas apresentam ausência ou um baixo grau de fluorescência, tanto na resina opaca, como na de dentina e esmalte, resultando em uma restauração totalmente evidente perante luz UV. Em resinas para dentina que apresentam fluorescência, não importando o grau desta, e resinas para esmalte, que, por sua vez, não apresentam esta propriedade, obtem-se restaurações com ausência de fluorescência, já que a camada de esmalte cobriu a camada de dentina. Em outra situação, em que as resinas de dentina não possuem fluorescência ou em que esta presente em baixo grau e as resinas de esmalte apresentam esta propriedade, observou-se um resultado final com a presença de fluorescência, em virtude da última camada apresentar esta propriedade. Em alguns sistemas resinosos, a fluorescência esta presente 26 em diferentes graus, tanto em dentina como em esmalte. Neste caso tem-se duas situações: uma na qual a fluorescência é dada pela última camada, independentemente da dentina apresentar um grau maior de fluorescência; a outra situação é a mistura de ambas as fluorescências, para fornecer uma fluorescência intermediária, em que a resina de dentina apresenta um grau maior que a de esmalte. Nesse caso, a resina de esmalte atua como um modificador da fluorescência dada pela resina de dentina, isto se deve principalmente ao alto grau de translucidez que apresenta a resina de esmalte, deixando passar maior quantidade de raios UV. Porém, em sistemas convencionais, em que as resinas para esmalte não apresenta uma alta translucidez, a fluorescência é determinada pela última camada. Além dos diferentes comportamentos dos sistemas resinosos, podê-se observar que cada um deles apresentou distintos graus de intensidade de fluorescência, sendo avaliados qualitativamente como alta, média e baixa. As resinas avaliadas com alta fluorescência na dentina foram: Vit-l escence, Miris, concept, amelogem e In tem-S. As resinas de esmalte com alta fluorescência foram: Esthet-X, Vi-l-escence, Miris, Concept e Amelogem. As resinas Filtek Supreme e Glacier apresentaram baixa fluorescência tanto para dentina como para esmalte. As demais marcas apresentaram uma fluorescência classificada visualmente como média. Panzeri et al., (1977) pesquisaram a fluorescência de materiais restauradores diretos como cimento de silicato, resina acrílica, compósitos e glazes comparados a um dente humano extraído. Também foi medida a fluorescência após descoloração dos corpos-de-prova de resina acrílica e resina composta. O espectro de luz foi determinado utilizando-se uma fonte de luz UV de 365nm e um espectrofotômetro com encaixe fluorescente. Este sistema permite tanto a visualização de corpos opacos quanto de substâncias transparentes e translúcidas. Foram feitas observações adicionais sobre os corpos-de-prova de resina acrílica e resina composta que foram descolorados pelas 12 especificações da ADA. O dente humano avaliado emitiu luz fluorescente quando excitado por luz UV e apresentou fluorescência policromática com maior intensidade no comprimento de onda próximo a 450nm. Foram encontradas diferenças entre todos os materiais avaliados. A 27 descoloração das resinas compostas e glazes resultaram numa redução da fluorescência, enquanto o mesmo não foi encontrado para as resinas acrílicas, evidenciando sua influência. Dietschi (2001) relata opalescência como um efeito luminoso que é produzido quando a luz dispersa e refracta nos microcristais e nas substâncias coloidais da superfície do dente. Manifesta-se na reflexão de luz azul do bordo incisal e no registro de um tom alaranjado no colo dos dentes. Esta propriedade permite ao esmalte refletir a luz azul e transmitir a tonalidade laranja da dentina. Como o esmalte é um tecido translúcido, as resinas compostas atuais podem produzir efeitos “pseudo-opalescentes”, essenciais para recriar os efeitos azulados dos bordos incisais, típicos em pacientes jovens. Ferraz et al., em 2008, diz que a opalescência é a propriedade óptica do esmalte de transmitir ondas longas do comprimento de luz naturais e refletir as ondas curtas. O fenômeno é percebido no esmalte dental quando apresenta diferentes colorações em resposta aos diferentes tipos de iluminação. Quando iluminado frontalmente, ou seja, por luz refletida, apresenta coloração azul claro – acinzentada e quando iluminado por luz transmitida, ou seja, com a fonte luminosa na face oposta a que se está vendo, apresenta-se com coloração laranja – avermelhado. Essa propriedade é bem percebida no esmalte dental, principalmente nas bordas incisais dos dentes anteriores. Resinas com tais propriedades ópticas proporcionam maiores possibilidades de oferecer resultados estéticos de maior naturalidade, semelhantes às estruturas dentais. Dessa maneira, o autor diz que é de suma importância conhecer as propriedades ópticas das resinas compostas, a fim de indicar, de maneira correta, sua utilização. Figura 7. Opalescência Fonte: http://heraeus-kulzer.com.br 28 Lee, Lu e Powers, (2006) avaliaram as mudanças nas propriedades de opalescência e fluorescência de resinas compostas após o envelhecimento acelerado, pesquisaram sete marcas comerciais de resinas compostas com a confecção de amostras em forma de disco de 38mm de diâmetro e 1mm de espessura, todas na cor A2. As marcas de resinas compostas incluíam: Esthet X improved (Dentsplay), Filtek Supreme (3M ESPE), ICE (SDI Inc), Palfique Estelit (tokuyama), Tetric Ceram (Ivoclar Vivadent), TPH Spectrum (Dentsply) e o adesivo Scotchbond Multipurpose (3M ESPE). Os resultados mostraram que os valores de opalescência não diferiram significativamente (P=0,23), enquanto os valores de fluorescência, translucidez, e mascaramento apresentam mudanças significativas após o envelhecimento (p<0.05). Dessa forma constatou-se que a opalescência se manteve igual, mas por outro lado a fluorescência não foi detectada após o envelhecimento. Por isso o autor recomenda que técnicas para manter a emissão de fluorescência de resina composta devem ser desenvolvidas. Segundo Baratieri et al. 2010, todas essas características ópticas puderam ser aperfeiçoadas pela natureza das partículas nanométricas esféricas, homogêneas e minúsculas, que favorecem os fenômenos de reflexão, dispersão, refração; enfim efeitos “camaleônicos” de mimetização da restauração artificial com o natural. Diante dos requisitos ópticos ideais de uma resina composta, Bispo em 2010, relata: translucidez, transparência, opacidade, opalescência e estabilidade de cor, como primordiais para a confecção de restaurações estéticas. 29 3 CONCLUSÃO Através do estudo realizado sobre as características ópticas das resinas compostas, podem-se chegar às seguintes considerações: - as resinas compostas com boas características ópticas, associadas a uma boa técnica de restauração direta, tem resultados estéticos apurados; - a cor, a translucidez, a fluorescência e a opalescência são características que devem ser estudadas e dominadas pelo cirurgião dentista, a fim de selecionar corretamente a resina que deve ser empregada em determinada reconstrução dental; - a luz interfere diretamente nas propriedades ópticas dos dentes naturais e nas resinas compostas na reconstrução dental. - os avanços técnicos e tecnológicos das resinas compostas diretas proporcionam resultados estéticos desejados, mimetizando os tecidos dentais, desafiando sua detecção, tornando-as imperceptíveis. 30 REFERÊNCIAS ANUSAVICE, K.N.. 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