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UNINGÁ – UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ
FACULDADE INGÁ
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM DENTISTICA
MARCOS ANTÔNIO DARIVA
CARACTERÍSTICAS ÓPTICAS DAS RESINAS COMPOSTAS
PASSO FUNDO
2011
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MARCOS ANTÔNIO DARIVA
CARACTERÍSTICAS ÓPTICAS DAS RESINAS COMPOSTAS
Monografia apresentada à unidade de Pósgraduação da Faculdade Ingá – UNINGÁ – Passo
Fundo-RS como requisito parcial para obtenção do
título de Especialista em Dentística
Orientador: Prof. Dra. Simone Beatriz Alberton da
Silva
PASSO FUNDO
2011
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MARCOS ANTÔNIO DARIVA
Características Ópticas Das Resinas Compostas
Monografia apresentada à comissão julgadora da
Unidade de Pós-graduação da Faculdade Ingá –
UNINGÁ – Passo Fundo-RS como requisito parcial
para obtenção do título de Especialista em
Dentistica.
Aprovada em ___/___/______.
BANCA EXAMINADORA:
________________________________________________
Prof. Dr. Simone Beatriz Alberton da Silva - Orientadora
________________________________________________
Prof. Ms. Cristiano Magagnin
________________________________________________
Prof. Ms. Paula Ghiggi
3
DEDICATÓRIA
Aos meus amados pais,
Nélio e Nair Dariva,
pelo amor, carinho, apoio, compreensão
e dedicação dispensada
em todos instantes da minha vida.
Aos meus irmãos,
Cladir, Luís Carlos, Cleonice, Nélio Jr., e cunhados.
parceiros e incentivadores de meus sonhos.
A minha noiva Cristine pelo apoio,
amor e carinho.
Aos professores,
pela competência e sensibilidade
dedicada aos seus alunos.
Aos amigos,
pelo companheirismo nos momentos de angústia.
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, a Deus, a quem devemos nossa existência e
consciência da vida.
A meus amigos e colegas, pelo apoio incondicional.
À minha Orientadora, Prof. Dra. Simone Alberton da Silva , pela paciência,
pelo incentivo, tempo dispensado e conhecimentos dedicados a mim durante esse
período.
Aos meus colegas de especialização em Dentística, Roberto, Giovani,
Cíntia, Rosane, Rose, Elga, Evany, Jaísa, Andressa, Angela, Gracielle, Rosemeire,
Rutinéia e Simone pelos bons momentos que passamos juntos.
A
todo
corpo
docente
da
especialização
de
Dentística,
pelos
ensinamentos transmitidos, sem os quais não alcançaria mais uma etapa de minha
vida acadêmica e profissional.
5
EPÍGRAFE
Somos diferença (...), nossa razão
é a diferença dos discursos
nossa história, a diferença dos tempos,
nosso eu, a diferença das máscaras...
a diferença – a dispersão que somos e que fazemos.
Michael Foucault
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RESUMO
O dente humano apresenta características ópticas quando irradiado por um
feixe de luz. Com isso, para a obtenção de estética, nas restaurações diretas com
resinas compostas é necessário que este material se assemelhe ao dente em
diferentes situações, inclusive quando submetido à incidência de diversos tipos de
luz. Esta revisão de literatura teve como objetivo pesquisar as características ópticas
das resinas compostas, possibilitando perceber que toda e qualquer modificação de
composição em relação ao tipo e ao volume de carga (material inorgânico) tem
interferência na resistência do material e também irá modificar as propriedades
ópticas do material no que diz respeito à reflexão e à transmissão de luz. Conclui-se
que as resinas compostas com características ópticas mais apuradas, associadas a
uma boa técnica de restauração direta, tem melhores resultados estéticos. Assim
como, todo profissional, que conhece tais características ópticas das resinas, tende
a escolhê-las de maneira a atender a necessidade estética da restauração em
questão.
Palavras – Chave: Resina composta e Fluorescência.
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ABSTRACT
The human tooth presents optic characteristics when radiated by a light beam.
With this, for the attainment of aesthetic, in the direct restorations with composed
resins it is necessary that this material looks like to the tooth in different situations,
also when it is submitted to the incidence of different kinds of light. This literature
revision, had as objective to search, to analyze and to identify the optic
characteristics of composed resins. Where, all modification of composition in relation
to the type and volume of load (inorganic material ) have interference in the
resistance of the material and also will go to modify the optic properties of the
material in what it says respect to the reflection and transmission of light. One
concludes that the composed resins with more refined optic characteristics,
associates to a good technique of direct restoration, have better aesthetics results.
As well as, the professional who knows such optic characteristics of resins, tends to
choose resins that take care of the aesthetic necessity of the restoration in question.
Key-words: Composed resin and Fluorescence.
8
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO.............................................................................................
09
2
REVISÃO DE LITERARURA....................................................................... 12
2.1 COR.............................................................................................................. 14
2.2 TRANSLUCIDEZ E OPACIDADE................................................................
18
2.3 FLUORESCÊNCIA E OPALESCÊNCIA....................................................... 21
3
CONCLUSÃO..............................................................................................
29
REFERÊNCIAS............................................................................................ 30
9
1 INTRODUÇÃO
A odontologia estética participa do cotidiano do Cirurgião-Dentista, influenciada
pela constante preocupação da população na busca pela saúde e beleza. A procura
crescente por tratamentos estéticos e não somente restauradores, assim como, as
mudanças ocorridas pelo uso de produtos fluoretados, revolucionaram a prática da
odontologia restauradora nas últimas duas décadas (PERDIGÃO, RITTER, 2001). A
busca por materiais restauradores da estrutura dental aumentou e as técnicas
operadoras e inovadoras, aceleraram a demanda de paciente para odontologia
"cosmética" (TERRY, 2002).
Entender o significado da palavra estética é uma tarefa exigente. Para atingir
um senso estético apurado é necessário observar, deter-se a formas, tamanhos e
cores de objetos, de pessoas e da natureza (BUSATO et al, 2002). A formação do
senso estético e crítico passa pela observação diária do mundo que nos cerca.
Toda vez que se vê um objeto, uma pessoa, um animal se faz alguma consideração:
quanto à beleza, à graça, à imponência e etc. Quando se conseguir entender porque
algo chamou a atenção, está-se entendendo a estética (BUSATO, 2002).
Através do condicionamento ácido proposto por Buonocore (1955) e a
introdução da resina composta por Bowen (1963), a preservação de estrutura dental
sadia, tornou-se cada vez mais evidente, sendo possível a reconstrução da
anatomia dentária perdida, com o uso de sistemas adesivos e resinas compostas,
sem desgaste significativo de tecido dental sadio.
Resina composta pode ser definida como uma combinação de materiais,
geralmente formada por dois constituintes que são insolúveis entre si.
Esta
combinação de materiais acaba por prover um material de propriedades superiores
àquelas dos seus constituintes originais.
As resinas compostas vêm sendo
utilizadas na odontologia restauradora por mais de 40 anos, sendo que seu
desenvolvimento como material restaurador iniciou-se no final dos anos 50, quando
10
Bowen iniciou seus experimentos reforçando resinas epóxicas com partículas
de carga (BARATIERI, 1998).
A melhoria nas propriedades físicas e mecânicas é reflexo da busca
incessante por parte dos profissionais e seus pacientes pela estética e
longevidade das restaurações.
Atualmente, a gama de resinas compostas
disponíveis com as mais diferentes características e cores torna possível a
confecção de restaurações esteticamente imperceptíveis, no entanto, a técnica
de
confecção
destas
restaurações
exige
treinamento
para
suplantar
dificuldades.
Dente as dificuldades encontradas pelos dentistas na hora de
confeccionar suas restaurações, a seleção da cor é uma das mais citadas,
assim como a forma e a textura, pois a cor é parte integrante de uma
restauração estética.
Em verdade, está-se lidando com um problema
multifatorial, que envolve a idade do paciente, a área a ser restaurada, a
translucidez ou opacidade do material, e precária fidelidade das escalas de cor
(BUSATO, 2002).
Considerando-se que a estrutura dental apresenta
características policromáticas, faz-se necessário o uso de mais de uma cor de
resina composta para restaurar esteticamente a estrutura dental perdida. Mais
do que isso, a estrutura dental apresenta translucidez diferente em suas
diversas regiões. Para que isso seja reproduzido, tem papel importante não só
a cor da resina selecionada, mas também a espessura de material a ser
utilizado, bem como a característica óptica de cada tipo de resina composta.
Douglas Terry, no congresso Internacional de Dentística estética 2003,
afirmou que uma restauração estética com uma resina composta não é apenas
a colagem da resina ao dente. De fato, é necessário perceber a interrelação
entre as propriedades ópticas da luz e os diferentes materiais de restaurações,
de modo a poder criar a ilusão da estética natural.
Como o comportamento da resina composta, frente aos fenômenos
ópticos como translucidez e fluorescência, tem mostrado muita variabilidade
entre as marcas comerciais disponíveis no mercado em função das diferentes
composições orgânicas e inorgânicas e há uma crescente exigência de uma
perfeita interação entre a estrutura dental e o material restaurador para
11
reprodução dos fenômenos ópticos que resulta na adequação estética do
sorriso, fazem-se necessário estudar, para poder avaliar, as características
ópticas das resinas compostas.
O objetivo deste trabalho foi identificar as principais características ópticas
das resinas compostas, através de uma revisão literária apresentada na
literatura atual.
12
2 REVISÃO DE LITERATURA
As resinas compostas introduzidas na odontologia por Bowen, em 1963,
têm sido utilizadas devido às suas propriedades ópticas e estéticas, porem
apesar do desenvolvimento tecnológico, ainda existe a necessidade de mais
estudos, com objetivo de melhorar estas propriedades. (BARATIERI, 1998)
Com a evolução das fórmulas e o avanço de propriedades e o
desenvolvimento de novas técnicas para a adaptação de resinas compostas
justificam o enorme interesse que elas suscitam nos profissionais. Contudo, o
resultado obtido com uma restauração direta de resina composta fica muitas
vezes aquém do desejado, pela dificuldade que o profissional enfrenta na
estratificação das diferentes camadas de resina. Como refere Dietschi, em
2001, “se o produto é importante, o protocolo operatório é primordial”.
A grande variedade de resinas compostas existentes no mercado vem
sendo extensamente descritos na literatura. Baratieri et al, 1998; descreve e
classifica os principais tipos de resinas compostas existentes no mercado, e
enfatiza a dificuldade existente em se conseguir organizar de maneira lógica os
diversos tipos de compósitos disponíveis, visto que a variedade de materiais e
a maneira veloz com que são lançados no mercado dificulta sobremaneira o
entendimento e a execução de tal classificação. Variadas composições de
resinas compostas são criadas com o intuito de melhorar as propriedades
físicas e mecânicas destes materiais. Toda modificação de composição em
relação ao tipo e volume de carga (material inorgânico) tem interferência nas
propriedades mecânicas e também irá modificar as propriedades ópticas do
material no que diz respeito a reflexão e transmissão de luz. Desta forma, a
seleção de cor para reproduzir a estrutura dentária pode variar completamente
de um material para o outro.
Dietschi (1995) e Terry (2000) relataram que para conseguir uma
excelente restauração, do ponto de vista estético, devem-se compreender as
dimensões da cor, a dinâmica natural, uma vez que os dentes sofrem
alterações relacionadas com a maturação, função e idade dos tecidos
13
dentários, a morfologia e anatomia dos tecidos dentários e, também, as
propriedades das resinas compostas que se utilizam.
Propriedades
ópticas
do
esmalte
natural
humano
podem
ser
mimetizadas com as resinas compostas: translucidez, opalescência, halo
opaco, contra-opalescência, textura e fluorescência. Translucidez é definida
como um gradiente entre transparência e opacidade, dependente da
espessura, principalmente em regiões cristalinas mineralizadas. Opalescência
é a propriedade pela qual o esmalte aparenta diferentes colorações sob
orientações diversas dos raios de luz. Halo opaco é uma linha opaca presente
no limite incisal, geralmente de coloração alaranjada, como consequência de
um fenômeno óptico de total reflexão da luz pelo seu ângulo de incidência ser
maior que o ângulo limite do esmalte. A contra-opalescência é o causador do
“alaranjado” na ponta dos mamelos dos elementos anteriores, explicado pelos
diferentes graus de refração e reflexão de ondas luminosas na estrutura
adamantina. A textura dá a “topografia microscópica ou macroscópica” da
superfície
do
dente
com
suas
sombras,
depressões
e
elevações
características. A fluorescência torna os dentes mais brancos e brilhantes na
luz do dia; é definida como a iluminação produzida por fonte de luz ultravioleta
(baixo comprimento de onda), geralmente luz negra, imperceptível a olho nu,
sendo três vezes mais proeminente na dentina do que no esmalte, promovida
pela excitação de moléculas orgânicas, tais como: piridinolina, a timina e o
triptofano (BARATIERI et al.,2008; VANINI et al., 1996).
Segundo Craig e Powers (2004) os materiais restauradores são
desenvolvidos pelo fabricante e selecionados pelo dentista, baseando-se nas
características físicas, químicas, mecânicas e biológicas de cada material. As
propriedades físicas são embasadas nas leis da mecânica, acústica, óptica,
termodinâmica, eletricidade, magnetismo, radiação, estrutura atômica ou
fenômenos nucleares (ANUSAVICE, 2005). Com isso, Craig e Powers (2004),
incluem como características ópticas a cor e sua mensuração, pigmentação,
metamerismo, fluorescência, opacidade, índice de refração e constante óptica.
Assim, Melo, Kano e Araújo em 2005, dizem que o conhecimento dos
fenômenos envolvidos na formação e percepção das cores é um pré-requisito
14
fundamental a todo clínico que se dedica à prática da odontologia estética.
Além de minimizar a ocorrência de erros e problemas comuns, a compreensão
da interação entre luz e os materiais é essencial para melhor aproveitamento
dos modernos sistemas de resina composta e porcelana.
2.1 COR
A percepção do olho humano, com relação aos aspectos físicos da cor,
somada a componentes psicológicos contribuem para a formação do conceito
de cor.
Chu, Devigus e Mieleszko em 2004, relatam que a luz que os olhos
alcançam é chamada luz visível. Ela compreende a faixa de 400 a 700nm, e
todas as cores que se conhece estão dentro deste intervalo. No objeto, a cor
que se percebe é uma mistura de vários comprimentos de onda e, portanto, ela
pode ser demonstrada a partir de um desenho gráfico conhecido como curva
espectral ou espectro da cor.
Figura 1. Espectro de luz visível visto pela curva de refletância
Fonte: Hirata, 2008.
15
Segundo Hirata em 2008, a absorção por sua vez define a cor do objeto
em questão e o seu processo ocorre em nível molecular. Dessa forma,
acontece num átomo, cada molécula caracteriza-se por possuir níveis de
energia moleculares quantizados, os quais podem ser ocupados pelos elétrons
das moléculas. No outro lado, a radiação carrega energia, sendo o seu valor
dependente do comprimento de onda da radiação. A absorção da radiação se
dá quando a energia que ela transporta é igual à diferença entre dois níveis de
energia da molécula. Nessa situação, a energia da radiação é transferida para
a molécula e ocorre a chamada absorção de radiação. Como moléculas de
substâncias diferentes têm diferentes níveis moleculares de energia, ocorre
que cada substância absorve a radiação de maneira peculiar. Dito de outra
forma, os comprimentos de onda que certa substância absorverá são
característicos da sua estrutura e outras substâncias absorverão outros
comprimentos de onda. Se levantar dados referentes à intensidade de luz
absorvida por uma substância em função dos comprimentos de onda da
radiação, pode-se obter uma curva chamada espectro de absorção da
substância. O importante é que cada substância tem um espectro característico
e, desse modo, se quer identificar um material desconhecido, poderá fazê-lo a
partir de sua curva de absorção comparada com curvas de substâncias
conhecidas.
Hirata, ainda em 2008, diz que a teoria dos quanta propõe que cada
substância absorva luz em comprimentos de onda específicos. Assim, para
cada substância, há uma absorção característica para cada comprimento de
onda que representa o seu espectro de absorção. A cor de uma substância é
determinada pela luz que não é absorvida.
Um sistema de cores baseados em princípios perceptuais foi proposto
por, Albert Münsell. As dimesões escolhidas foram três: matiz, croma e valor.
Matiz, cor propriamente dita. O feixe de luz no seu determinado comprimento
de onda em direção à retina, por exemplo, o verde, o azul, o vermelho, etc.
Croma, o grau de saturação da cor ou concentração desta, por exemplo, azul
mais forte. Valor, a intensidade de brilho que a cor pode proporcionar. Se é
mais claro ou mais escuro. Translucidez, o grau de passagem de luz ou
16
quantidade de refração que esta luz pode realizar sobre determinada
superfície.
Browning (2003), fez um estudo sobre a verificação de cor em dentes
clareados, salientou que, em dentística clínica o grande desafio é conseguir
realizar uma restauração em um elemento unitário da maneira que fique igual
ao homólogo e imperceptível ao olho humano. Para que isso seja possível, o
profissional deve ter conhecimento suficiente sobre matiz, croma e valor. O
cirurgião-dentista tem que reproduzir as características do dente vizinho
observando translucidez, áreas brancas opacas e ilhas de colorações, tarefa
difícil de conseguir usando escalas de cores convencionais. Segundo
Browning, as tabelas de cores não representam o total de variedades de cores
existentes na população, somando-se a isso as lingüetas das cores mudam de
uma escala para a outra do mesmo fabricante. Por fim, o material usado para a
fabricação de coroas é diferente das porcelanas usadas para a confecção de
coroas e ambos são diferentes do material dentário. A reflexão das cores e a
observação das mesmas não ocorrem da mesma maneira pelo dente humano,
pelo material usado para a confecção de restauração dentária e pelo material
que são feitas as lingüetas das escalas de cores.
Segundo Smith et al, 2005; a estrutura dentária natural apresenta
diversos graus de opacidade e translucidez, dependendo de sua espessura,
vitalidade, formação, hábitos e idade. Já por meio de uma explicação mais
cientifica do assunto, as cores diferenciam-se pelos comprimentos de onda que
um feixe de luz emite quando reflete sobre uma superfície pigmentada. Cada
cor tem um comprimento de onda diferente. Estes comprimentos de onda são
percebidos quando possuem a capacidade de atingir a retina e serem
codificados pelo córtex cerebral. Com a passagem de um feixe de luz solar
através de um prisma, os diversos comprimentos de onda são dissipados. A luz
solar possui a maior quantidade de diferentes comprimentos de onda que os
nossos olhos podem captar. Por isso, é a melhor fonte para a escolha de cor
de um dente. A propriedade fundamental para a percepção da cor é a refração
da luz que penetra no interior do dente e, retornado por reflexão, traz a cor
interior do dente. A luz penetra com maior facilidade pelo esmalte, que é
translúcido, e atinge a dentina que é a principal fonte de dissipação da luz e
17
detecção de seus pigmentos. A dentina tem a capacidade de opacificar a
passagem de luz impedindo que esta atinja a polpa e busque sua coloração
vermelha e muitas vezes escura em caso de mortificação pulpar. A cor possui
componentes básicos que são de grande importância na adequada análise e
escolha do material a ser utilizado nos elementos dentários, dividindo por
etapas o diagnóstico da cor.
Clark no ano de 1931 (apud LOLATO, 2005), foi um dos primeiros a
analisar e definir o problema da cor na odontologia. Baseado na observação de
dentes humanos avaliados em matiz, croma e valor, de acordo com
determinação de Müsell. Clark descreveu que a cor é o nome genérico para
todas as sensações oriundas da atividade da retina e de seus mecanismos
nervosos, sendo que esta atividade é, em um indivíduo normal, uma resposta
específica à energia radiante de certos comprimentos de onda e intensidades.
Para Clark, o número total de cores disponíveis para os dentes era 703. O seu
guia, porém, dispunha de 60 cores, divididas em três matizes básicos, 19
intervalos de luminosidades e seis de saturação. Uma análise ou medida da cor
foi feita para promover uma gravação numérica da cor analisada. Essa análise
foi feita por dois métodos distintos: um deles especificou a medição em termos
de estímulo da cor, ou seja, em termos de energia radiante ou luz refletida pela
superfície de objetos opacos e transmitida por objetos transparentes; o outro
método especificou a medição em termos dos três atributos ou dimensões da
cor, e ele descreveu como foi vista pelos olhos. Com uma rápida olhada nestas
medidas pode-se determinar se a cor é vermelha, amarela, verde, etc., se é
escura ou clara e diluída ou intensa. Em outras palavras, a cor é medida em
termos de matiz, brilho e saturação, e aparência da cor do dente pode ser
descrita pela referência dos três atributos. O meio ambiente contribui para a cor
do dente de duas maneiras, em primeiro, pelo contraste simultâneo com as
cores que o circundam, e segundo, pelo que se pode chamar de influência
direta do meio ambiente, essa influência direta é causada pela mudança na
qualidade de iluminação que chega ao dente pelos dentes vizinhos e tecido
gengival, os quais mudam qualidade da luz um grau mais marcante.
Van Noort (2004), a escolha de cor de um material restaurador para que
ele apresente a mesma cor do dente tende a variar, levemente, de um individuo
18
para outro; porque o olho é um detector de luz que apresenta pouca definição
da energia dispersa ou transmitida pelo material.
2.2 TRANSLUCIDEZ E OPACIDADE
Terry et al., 2002; descreve as dificuldades de reproduzir a camada de
esmalte e a camada de dentina, salientando que é preciso entender as
limitações das resinas compostas e as possibilidades de se utilizar corantes e
opacificadores para criar ilusões de importantes propriedades ópticas que
determinam as cores da estrutura dentárias tais como: translucidez, opacidade,
opalescência, iridescência, lisura de superfície, e fluorescência.
As características secundárias da cor, em especial a translucidez e a
opacidade, têm sido vistas como as mais importantes considerando que são
uma indicação da qualidade e quantidade de luz refletida (Terry et al, 2002). O
mesmo autor ainda salienta que o grau de translucidez ou opacidade é
determinado pela estrutura e espessura do esmalte e dentina, assim como a
quantidade de luz que penetra o dente ou o material restaurador. Segundo
Terry et al, 2002; ainda que o esmalte e a dentina sejam translúcidos na
dentição humana, a camada de esmalte é virtualmente transparente e incolor.
Figura 2. Translucidez
Fonte: http://heraeus-kulzer.com.br
Correa et al., em 2005; definem a translucidez como a transmissão a
difusão de luz através de um objeto. E que, recentemente, tem-se verificado
19
uma progressão enorme das resinas compostas no que se refere à
translucidez, já que os valores da resina relativos ao esmalte aproximam-se
dos valores naturais. De notar que a translucidez, fica algures a meio caminho
entre a transparência (como a de um vidro, que deixa passar luz de uma forma
linear) e a opacidade (de uma superfície como a madeira que não permite a
penetração de luz). Na translucidez há atravessamento disperso da luz, mas
também há reflexão dispersa. É o caso típico de um vidro fosco, ou
semitransparente.
Segundo Smith e Araújo (2005), a estrutura dentária natural apresenta
diversos graus de opacidade e translucidez, dependendo de sua espessura,
vitalidade, formação, hábitos e idade, em meio a isto, uma explicação mais
cientifica do assunto, as cores diferenciam-se pelos comprimentos de onda que
um feixe de luz emite quando reflete sobre uma superfície pigmentada, onde
cada cor tem um comprimento de onda diferente. Com isso, Smith e Araújo
(2005), relataram que estes comprimentos de onda são percebidos quando
possuem a capacidade de atingir a retina e serem codificados pelo córtex
cerebral, mostrando a passagem de um feixe de luz solar através de um
prisma, onde os diversos comprimentos de onda são dissipados e a luz solar
demonstra maior quantidade de diferentes comprimentos de onda que os
nossos olhos podem captar, por isso, é a melhor fonte para a escolha de cor de
um dente. Smith e Araújo (2005), ressaltam também, a propriedade
fundamental para a percepção da cor é a refração da luz, que penetra no
interior do dente e, retorna por reflexão, que traz a cor interior do dente, assim,
a luz penetra com maior facilidade pelo esmalte, que é translúcido, e atinge a
dentina que é a principal fonte de dissipação da luz e detecção de seus
pigmentos.
20
Luz incidente
Luz absorvida
Opacidade
Figura 3.
Fonte: MELO; KANO; ARAUJO JR., 2005
Buscando uma melhor definição para a propriedade de translucidez,
ROCHA (1982) verificou diversificação de níveis desta propriedade em função
das diferentes marcas comerciais estudadas e enfatizou que a adição de
pastas opacificadoras reduz a translucidez do material, a qual não é afetada
pela ação do tempo de armazenamento das resinas compostas. Assim e em
consonância
com
os
resultados
obtidos
nestas
investigações,
mais
recentemente, alguns fabricantes de resinas têm fornecidos estojos desse
material com diversas cores, com especificidade para restaurar esmalte e as
mesmas cores com maior opacidade para substituir o tecido dentinário, que é
menos translúcido.
Segundo Paravina (2002), os corpos e os materiais translúcidos permitem
a passagem de luz incidente em seu interior modificando sua direção de forma
a não ser possível observar os objetos que se encontram através do meio
observado.
Johnston e Reisbick, (1997), citaram que a translucidez dos materiais é
determinada não somente por fatores macroscópicos, como composição de
matriz e carga e conteúdo de carga, como também pela adição de pigmentos e,
potencialmente, por outros componentes químicos, como silanos de união e
componentes de iniciação.
Os monômeros influenciam a passagem de luz através da resina
composta por demonstrarem diferentes índices de refração. Para Lee (2007) o
que influencia a translucidez das resinas compostas é, principalmente, a
21
dispersão de luz pelas partículas de carga; porém a matriz orgânica e a
porcentagem de pigmentos e agentes opacificadores devem ser bastante
consideradas.
Studervan et al., em 1995, afirmam que as partículas de carga presentes
nos compósitos restauradores são responsáveis por produzir a transmissão e
dispersão de luz, resultando em translucidez semelhante ou não ao esmalte
dental. Mesmo quando estas partículas possuem transparência própria, a
opacidade pode ser produzida por luz dispersa, que alcança valores máximos
quando o tamanho das partículas tem a mesma dimensão que o comprimento
de onda da luz visível, que é de aproximadamente de 0,4nm a 0,7nm.
Luz incidente
Luz transmitida
Transparência
Figura 4. Fonte: MELO; KANO; ARAUJO JR., 2005
2.3 FLUORESCÊNCIA E OPALESCÊNCIA
Correia, Oliveira e Silva, em 2005, explicam que em termos físicos, a
fluorescência é uma forma de fotoluminescência, na qual a energia radiante
ultravioleta (UV) é absorvida por um objeto que, posteriormente, emite energia
luminosa dentro do espectro visível. E a opalescência, é o efeito luminoso que
se produz quando a luz se dispersa e refracta nos microcristais e nas
substâncias coloidais da superfície do dente. Manifesta-se principalmente na
reflexão de luz azul do bordo incisal e no registro de um tom alaranjado no colo
dos dentes.
Ferraz et al., em 2008; A fluorescência é a capacidade que o dente tem
em absorver a radiação ultravioleta (luz negra) e emitir essa radiação na faixa
22
do visível dando um aspecto azulado ao dente. Resinas sem fluorescência
podem
causar
sérios
constrangimentos
em
pacientes
detentores
de
restaurações estéticas com esses materiais.
Figura 5. Fluorescência
Fonte: http://heraeus-kulzer.com.br
A fluorescência é uma propriedade que faz parte da luminescência,
fenômeno relacionado à capacidade que algumas substâncias apresentam em
converter certos tipos de energia em emissão de radiação eletromagnética,
com um excesso de radiação térmica. A luminescência é observada em todos
os estados dá matéria (gasoso, líquido ou sólido) e para compostos orgânicos
e
inorgânicos.
A
radiação
eletromagnética
emitida
por
um
material
luminescente ocorre usualmente na região visível do espectro eletromagnético,
mas esta pode ocorrer também em outras regiões do espectro, tais como
ultravioleta e infravermelho. Entre os tipos de luminescência pode-se citar a
triboluminescência, a termoluminescência, a fosforescência e a fluorescência
(LENZ, 2000 apud VILLARROEL et al., 2004).
A fluorescência é um fenômeno que começa e acaba instantaneamente
junto com a excitação dos elétrons e cessa imediatamente com a remoção do
agente de iluminação, diferente da fosforescência em que a fotoirradiação
persiste durante um lapso de tempo, mesmo após a cessação da excitação
(O’BRIEN; RYGE, 1981; KINA; BRUGUERA, 2007).
23
Hirata (2008), diz que o grande desafio para os fabricantes é reproduzir
em seus materiais a fluorescência emitida pelos dentes humanos naturais
(esmalte = 450nm, dentina = 430nm), e mantê-la idêntica e consistente em
toda a escala de cores.
Uma análise criteriosa de resinas compostas foi realizada por Sensi et
al., (2006) com base em aspectos visuais comparativamente a dentes naturais
sob incidência de luz negra. Foram listadas as resinas exageradamente
fluorescentes: Exthet X (Dentsply), Herculite XRV (Kerr), Matrix Hybrid
(Discus), Miris (Colténe), Tetric Ceram (Ivoclar Vivadent) e TPH (Dentsply). As
resinas com ótima fluorescência foram: 4 Seasons (Ivoclar Vivadent),
Amelogen
(Ultradent),
Enamel
Plus
(Micerium),
Renamel
Microhybrid
(Cosmedent) e Vitalescence (Ultradent). As resinas com ausência deste
comportamento foram: Charisma (Kulzer), Durafill (Kulzer), Glacier (SDI), Filtek
Z-250 (3M ESPE), Filtek Supreme (3M ESPE), Matrixx Microfill (Discus),
Micronew (BISCO), Palfique Estelite (Tokuyama) e Vênus (Kulzer).
Liu (2006) avaliou a fluorescência de 6 resinas compostas gerada durante
a exposição a uma fonte de luz ultravioleta. Os materiais avaliados foram:
Grupo I – 4 Seasons (Ivoclar Vivadent), Grupo II – Esthet-X (Dentsply), Grupo
III – Point 4 (Kerr), Grupo IV - Filtek Supreme (3M Espe), Grupo V - Venus
(Heraeus-Kulzer), Grupo VI – Vital-escence (Ultradent). Foi utilizado um
espectrofluorímetro (Fluorescence Spectrophotometer F 4500 Hitachi) para a
leitura dos espécimes, calibrado para que o raio incidente fosse emitido com
um comprimento de onda de 390nm e para que todo o fenômeno de
fluorescência fosse registrado em uma faixa compreendida entre 400nm e
700nm. A fluorescência gerada durante o teste foi registrada em um gráfico de
intensidade de fluorescência Versus comprimento de onda. Isso permitiu que
fossem identificados os picos máximos de intensidade de fluorescência que
ocorreram para cada resina. O valor médio para a variável intensidade de
fluorescência foi: Grupo I: 1.738,08; Grupo II: 1.179,242; Grupo III: 2.615,188;
Grupo IV: 31,4; Grupo V: 447,16 e Grupo VI: 446,00. Com estes resultados
conclui-se que houve diferenças estatísticas significantes em relação a
intensidade da fluorescência entre todos os grupos de resinas compostas,
sendo que o grupo IV (Filtek Supreme) apresentou a menor média de
24
intensidade de fluorescência seguida, na ordem, pelo Grupo VI (Vit-l-escence),
Grupo II (Esthet – X), Grupo V (Venus), Grupo I (4 Seasons). A maior média de
intensidade de fluorescência foi apresentada pelo Grupo III (Point 4); os grupos
de resina composta que apresentaram espectro de emissão de fluorescência
mais próximos aos dentes naturais foram o Grupo I (4 Seasons) e o Grupo II
(Esthet – X) quando comparados com dados da literatura científica; houve
diferenças estatisticamente significantes quanto ao comprimento de onda entre
os diferentes grupos de resinas compostas, com exceção do Grupo I (4
Seasons) e Grupo II (Esthet – X).
Figura 6. Fluorescência
Fonte: http://heraeus-kulzer.com.br
Conceição (2005) descreve que o responsável pelo fenômeno de
fluorescência é mais a dentina do que o esmalte, devido à presença de maior
quantidade de matéria orgânica fotossensível aos raios ultravioletas, e confere
vitalidade aos dentes naturais. Na natureza, esse fenômeno é criado pelos
raios UV do sol, que são ondas invisíveis ao olho humano e após penetrar no
esmalte e alcançar a dentina, excitam a fotossensibilidade da dentina. Quando
a única fonte de luz é a ultravioleta, é possível avaliar o grau de fluorescência e
observar a estrutura do corpo dentário interno e a extensão do esmalte livre
entre os mamelões e a margem incisal. Após a excitação com luz UV, a
dentição natural retorna ao estado fundamental com emissão subseqüente de
25
luz, denominada fluorescência. Esta emissão não está limitada à camada
superficial, mas emana desde o aspecto interno do material (VANINI, 1996).
Hirata et al., em 2004; relatam que como a dentina é aproximadamente
três vezes mais fluorescente do que o esmalte dental, o dente parece possuir
luminosidade interna. Apesar de ser um desafio conseguir uma reprodução fiel
do espectro de luminescência do dente (cor e intensidade), metais terra-raras
como urópio, térbio, itérbio e cério têm sido utilizados como luminóforos em
alguns materiais restauradores e conseguem reproduzir satisfatoriamente a
fluorescência dos dentes naturais. Porém, nenhum destes, isoladamente,
consegue fornecer cor e fluorescência próxima à do dente, sendo necessária a
mistura e união dos mesmos.
Villarroel et al.(2004) pesquisaram a presença de fluorescência em
resinas compostas de última geração, sendo avaliadas treze marcas
comerciais disponíveis no mercado: Glacier (SDI), Exthet-X (Dentsply), Vit-lescence (Ultradent), Miris (Colténe), Synergy (Colténe), Filtek Supreme (3M
ESPE), Tretic Ceram (vivadent), Concept (Vigodent), Amelogem (Ultradent),
Filtek A110 (3M ESPE), Charisma (Heraeus-Kulzer), TPH spectrum (Dentsply)
e In Tem-S (Ivoclar-Vivadent). Foram confeccionados discos de resina
composta de 10mm de diâmetro e 1mm de espessura, na cor A2 e
polimerizados por sessenta segundos. Os corpos de prova foram expostos a
uma lâmpada de luz UV de 365nm de comprimento de onda em um ambiente
escuro. Os sistemas restauradores se comportaram de maneira diferente.
Assim, algumas resinas compostas apresentam ausência ou um baixo grau de
fluorescência, tanto na resina opaca, como na de dentina e esmalte, resultando
em uma restauração totalmente evidente perante luz UV. Em resinas para
dentina que apresentam fluorescência, não importando o grau desta, e resinas
para esmalte, que, por sua vez, não apresentam esta propriedade, obtem-se
restaurações com ausência de fluorescência, já que a camada de esmalte
cobriu a camada de dentina. Em outra situação, em que as resinas de dentina
não possuem fluorescência ou em que esta presente em baixo grau e as
resinas de esmalte apresentam esta propriedade, observou-se um resultado
final com a presença de fluorescência, em virtude da última camada apresentar
esta propriedade. Em alguns sistemas resinosos, a fluorescência esta presente
26
em diferentes graus, tanto em dentina como em esmalte. Neste caso tem-se
duas situações: uma na qual a fluorescência é dada pela última camada,
independentemente da dentina apresentar um grau maior de fluorescência; a
outra situação é a mistura de ambas as fluorescências, para fornecer uma
fluorescência intermediária, em que a resina de dentina apresenta um grau
maior que a de esmalte. Nesse caso, a resina de esmalte atua como um
modificador da fluorescência dada pela resina de dentina, isto se deve
principalmente ao alto grau de translucidez que apresenta a resina de esmalte,
deixando passar maior quantidade de raios UV. Porém, em sistemas
convencionais, em que as resinas para esmalte não apresenta uma alta
translucidez, a fluorescência é determinada pela última camada. Além dos
diferentes comportamentos dos sistemas resinosos, podê-se observar que
cada um deles apresentou distintos graus de intensidade de fluorescência,
sendo avaliados qualitativamente como alta, média e baixa. As resinas
avaliadas com alta fluorescência na dentina foram: Vit-l escence, Miris,
concept, amelogem e In tem-S. As resinas de esmalte com alta fluorescência
foram: Esthet-X, Vi-l-escence, Miris, Concept e Amelogem. As resinas Filtek
Supreme e Glacier apresentaram baixa fluorescência tanto para dentina como
para esmalte. As demais marcas apresentaram uma fluorescência classificada
visualmente como média.
Panzeri et al., (1977)
pesquisaram a fluorescência de materiais
restauradores diretos como cimento de silicato, resina acrílica, compósitos e
glazes comparados a um dente humano extraído. Também foi medida a
fluorescência após descoloração dos corpos-de-prova de resina acrílica e
resina composta. O espectro de luz foi determinado utilizando-se uma fonte de
luz UV de 365nm e um espectrofotômetro com encaixe fluorescente. Este
sistema permite tanto a visualização de corpos opacos quanto de substâncias
transparentes e translúcidas. Foram feitas observações adicionais sobre os
corpos-de-prova de resina acrílica e resina composta que foram descolorados
pelas 12 especificações da ADA. O dente humano avaliado emitiu luz
fluorescente quando excitado por luz UV e apresentou fluorescência
policromática com maior intensidade no comprimento de onda próximo a
450nm. Foram encontradas diferenças entre todos os materiais avaliados. A
27
descoloração das resinas compostas e glazes resultaram numa redução da
fluorescência, enquanto o mesmo não foi encontrado para as resinas acrílicas,
evidenciando sua influência.
Dietschi (2001) relata opalescência como um efeito luminoso que é
produzido quando a luz dispersa e refracta nos microcristais e nas substâncias
coloidais da superfície do dente. Manifesta-se na reflexão de luz azul do bordo
incisal e no registro de um tom alaranjado no colo dos dentes. Esta propriedade
permite ao esmalte refletir a luz azul e transmitir a tonalidade laranja da
dentina. Como o esmalte é um tecido translúcido, as resinas compostas atuais
podem produzir efeitos “pseudo-opalescentes”, essenciais para recriar os
efeitos azulados dos bordos incisais, típicos em pacientes jovens.
Ferraz et al., em 2008, diz que a opalescência é a propriedade óptica do
esmalte de transmitir ondas longas do comprimento de luz naturais e refletir as
ondas curtas. O fenômeno é percebido no esmalte dental quando apresenta
diferentes colorações em resposta aos diferentes tipos de iluminação. Quando
iluminado frontalmente, ou seja, por luz refletida, apresenta coloração azul
claro – acinzentada e quando iluminado por luz transmitida, ou seja, com a
fonte luminosa na face oposta a que se está vendo, apresenta-se com
coloração laranja – avermelhado. Essa propriedade é bem percebida no
esmalte dental, principalmente nas bordas incisais dos dentes anteriores.
Resinas com tais propriedades ópticas proporcionam maiores possibilidades de
oferecer resultados estéticos de maior naturalidade, semelhantes às estruturas
dentais. Dessa maneira, o autor diz que é de suma importância conhecer as
propriedades ópticas das resinas compostas, a fim de indicar, de maneira
correta, sua utilização.
Figura 7. Opalescência
Fonte: http://heraeus-kulzer.com.br
28
Lee, Lu e Powers, (2006) avaliaram as mudanças nas propriedades de
opalescência e fluorescência de resinas compostas após o envelhecimento
acelerado, pesquisaram sete marcas comerciais de resinas compostas com a
confecção de amostras em forma de disco de 38mm de diâmetro e 1mm de
espessura, todas na cor A2. As marcas de resinas compostas incluíam: Esthet
X improved (Dentsplay), Filtek Supreme (3M ESPE), ICE (SDI Inc), Palfique
Estelit (tokuyama), Tetric Ceram (Ivoclar Vivadent), TPH Spectrum (Dentsply) e
o adesivo Scotchbond Multipurpose (3M ESPE). Os resultados mostraram que
os valores de opalescência não diferiram significativamente (P=0,23), enquanto
os valores de fluorescência, translucidez, e mascaramento apresentam
mudanças significativas após o envelhecimento (p<0.05). Dessa forma
constatou-se que a opalescência se manteve igual, mas por outro lado a
fluorescência não foi detectada após o envelhecimento. Por isso o autor
recomenda que técnicas para manter a emissão de fluorescência de resina
composta devem ser desenvolvidas.
Segundo Baratieri et al. 2010, todas essas características ópticas
puderam ser aperfeiçoadas pela natureza das partículas nanométricas
esféricas, homogêneas e minúsculas, que favorecem os fenômenos
de
reflexão, dispersão, refração; enfim efeitos “camaleônicos” de mimetização da
restauração artificial com o natural.
Diante dos requisitos ópticos ideais de uma resina composta, Bispo em
2010,
relata:
translucidez,
transparência,
opacidade,
opalescência
e
estabilidade de cor, como primordiais para a confecção de restaurações
estéticas.
29
3 CONCLUSÃO
Através do estudo realizado sobre as características ópticas das resinas
compostas, podem-se chegar às seguintes considerações:
- as resinas compostas com boas características ópticas, associadas a uma
boa técnica de restauração direta, tem resultados estéticos apurados;
- a cor, a translucidez, a fluorescência e a opalescência são características que
devem ser estudadas e dominadas pelo cirurgião dentista, a fim de selecionar
corretamente a resina que deve ser empregada em determinada reconstrução
dental;
- a luz interfere diretamente nas propriedades ópticas dos dentes naturais e nas
resinas compostas na reconstrução dental.
- os avanços técnicos e tecnológicos das resinas compostas diretas
proporcionam resultados estéticos desejados, mimetizando os tecidos dentais,
desafiando sua detecção, tornando-as imperceptíveis.
30
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Características Ópticas das Resinas Compostas