Estado da Arte do Plantio Direto em 2012 FLORIANÓPOLIS – SC Maio, 2012 INTEGRANTES DAS EQUIPES E EMPRESAS PARTICIPANTES: COORDENADOR DA PESQUISA: André Souto Maior Pessôa, Eng. Agr., MSc. Agroconsult: André Pessôa, Alan Malinski, André Debastiani, Cleber Vieira, Dayana Laurindo, Débora Simões, Douglas Nakazone, Fábio Meneghin, Fábio Carneiro, Felipe Oliva, Giseli Brüggemann, Heloisa Melo, Ione Correa, Jailton Pereira, Jonas Pizzato, Leila Vieira, Marcos Rubin, Mateus Noriller, Mauricio Pascoali, Nadiesca Casarin, Rodrigo Cruz, Rodrigo Oshima e Valmir Assarice. Impar Agrícola: André De Martini de Nadai, André Fróes, Diego Boareto Moreno, Fatima Cristina de Carvalho, Raphael Gregolin Abe, Solano Colodel e Tiago Lima Ferreira. Banco do Brasil: José Vilmar Vieira Costa, José Henrique da Costa Machado, Frederico de Melo Silva, Eduardo Caldas de Almeida, Fernando Nunes Gallo, Luiz Antonio Gressana, Franciso Olavio, Francisco Erismá Oliveira Albuquerque, Rosangela Poletto. Monsanto: Eder Arakawa, Ricardo Formentini, Ricardo Tobera, Bruno Aoki, Marcos Pandolfo, Elton Pereira. UPL: Orlei Silva, Carlos Balan, Paulo Primo, Henrique Annes Stedile, Marcelo Costa, Ricardo Braz Mendes, Tiago Nogueira. Heringer: Leopoldo Vigano, Paulo Augusto Rezende, Luciano Lopes Silva. Rael Fantin, Everson Moreira Barboza, João Augusto Moleiro, Giovanni de Oliveira Buzachero, Tairo da Silva Ribeiro, Marlon Bittencourt Silva. Vale: Beatriz Melo, Rodrigo Martins, Fabio Loures. Case: Alisson Goulart, Henrique Chuves. Mobil: Rafael Hernandez, Douglas Pellegrina Esalq-Log: Aline Bianca Paulo, Fernando Vinícius da Rocha, Fernando Menegatti Aversa, Felipe Vizzoto, Marcus Vinicius Casadei, Luiz Henrique Zanin Weber, Gabriela Bassetti Lavorente, Marcela Traldi. UFV: Carlos Johnantan Tolentino Vaz, Christina Maria de Freitas Grupioni, Luane Ines Brito Monteiro, Amanda Rodrigues Moreira, Suymara Toledo Miranda, Francisco de Assis de Carvalho Pinto. Aprosoja: Eliandro Zaffari. Jornalistas: Gerson Alves de Freitas Junior (Valor Econômico), Paul Kieran (Dow Jones), Alastair Stewart (Telvent DTN), Fabíola Gomes, Amy Anne Stillman (Financial Times), Venilson Ferreira (Agência Estado), Daniel Augusto Popov (Dinheiro Rural). Fotógrafos: Giovane Rocha e Marcos Campos. ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO: Giseli Brüggemann APOIO REALIZAÇÃO www.agroconsult.com.br www.rallydasafra.com.br ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 7 2. METODOLOGIA ......................................................................................................................... 8 2.1. Avaliações de campo ............................................................................................................. 8 2.1.1. Produtividade ...................................................................................................................... 8 2.1.2. Plantio direto ....................................................................................................................... 8 2.2. Questionários ......................................................................................................................... 9 3. RESULTADOS ......................................................................................................................... 10 3.1. Avaliações de Campo........................................................................................................... 11 3.1.1. Percentual de cobertura do solo ...................................................................................... 12 3.1.2. Tipo de resíduo ................................................................................................................. 15 3.1.3. Topografia e erosão ......................................................................................................... 20 3.2. Questionários ....................................................................................................................... 21 3.2.1. Estatísticas gerais ............................................................................................................ 21 3.2.2. Técnicas de Manejo na Propriedade................................................................................ 23 3.2.2.1. Adoção do sistema de plantio direto (SPD) ................................................................. 23 3.2.2.2. Motivos para adoção de Sistema de Plantio Direto ..................................................... 24 3.2.2.3. Tempo de adoção do SPD ........................................................................................... 25 3.2.2.4. Principais culturas para formação de palhada ............................................................. 26 3.2.2.5. Redução de adubação fosfatada ................................................................................. 26 3.2.2.6. Compactação do solo ................................................................................................... 27 3.2.2.7. Formação de pastagem................................................................................................ 27 4. CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 28 5. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA .............................................................................................. 29 ANEXOS .............................................................................................. Erro! Indicador não definido. ÍNDICE DE FIGURAS E TABELAS Figura 1 - Esquema ilustrativo para determinação do percentual de cobertura morta no solo ......... 9 Tabela 1 - Municípios e datas de realização dos eventos do Rally da Safra 2012. .......................... 9 Figura 2 - Representação esquemática das regiões climáticas. ..................................................... 10 Tabela 2 - Representatividade dos municípios das coletas de campo em cada região climática. .. 11 Tabela 3 - Estatísticas Gerais da Amostragem de Campo. ............................................................. 11 Tabela 4 - Percentual de cobertura do solo por região climática em lavouras de soja. .................. 13 Tabela 5 - Percentual de cobertura do solo por região climática em lavouras de milho. ................ 14 Foto 1 – Solo com cobertura e solo sem cobertura, ambos em lavoura de soja. ............................ 15 Tabela 6 - Tipos de resíduos mais frequentes nas amostras de lavouras de soja. ......................... 15 Tabela 7 - Tipos de resíduos mais freqüentes nas amostras de lavouras de milho. ....................... 18 Foto 2 - Coberturas de solo em lavouras de milho e soja................................................................ 19 Tabela 8 - Declividade do terreno em lavouras de soja e milho. ..................................................... 20 Tabela 9 – Presença de sinais de erosão em lavouras de soja e milho. ......................................... 20 Tabela 10 - Número de questionários respondidos por região climática. ........................................ 21 Tabela 11 - Distribuição dos produtores por classe de área total cultivada (%) .............................. 22 Tabela 12 - Distribuição dos produtores segundo a adoção das técnicas de plantio direto............ 23 Tabela 13 - Principais motivos para a adoção do SPD.................................................................... 24 Tabela 14 - Distribuição dos produtores segundo o tempo de adoção do SPD. ............................. 25 Tabela 15 - Frequência das principais culturas para formação de palhada, por região climática. .. 26 Tabela 16 - Redução de adubação fosfatada. ................................................................................. 26 Tabela 17 – Problemas com compactação do solo ......................................................................... 27 Tabela 18 - Formação de pastagem após cultivo de cereais. ......................................................... 27 3 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 SUMÁRIO EXECUTIVO O Rally da Safra avalia aspectos relacionados ao Sistema de Plantio Direto nas lavouras de milho e soja desde 2006. Na expedição técnica anual, equipes formadas por profissionais de diversas áreas percorrem os principais pólos de produção agrícola do Brasil, passando por RS, SC, PR, SP, MS, MT, GO, DF, MG, BA, TO, MA e PI. As equipes avaliam as lavouras a partir de levantamento quantitativo obtido com amostragens aleatórias das áreas de soja e de milho, realizadas ao longo do trajeto pré-definido - e qualitativo - feito por meio de questionários aplicados durante eventos para produtores. Em 2012, foram realizadas 1.113 amostras em 313 municípios, sendo 83% do total em lavouras de soja. Para este relatório, os resultados foram agrupados em quatro regiões, de acordo com suas características climáticas: Região 1: inverno frio e úmido (RS, SC e parte do PR). Região 2: inverno ameno e úmido com variação imprevisível de temperatura e de umidade (parte dos Estados do MS, PR e SP). Região 3: inverno quente e semi-úmido (Estado do MT e partes dos Estados do MS, SP, MG e GO). Região 4: inverno quente e seco (Estado do TO e partes dos Estados de MG, BA, MA, PI e GO). Avaliação de Campo De acordo com os resultados obtidos a partir das amostras de campo, em lavouras de soja destacaram-se as regiões 1 e 2 com 66% e 49% das lavouras com muito resíduo (40 – 100% do solo coberto), respectivamente. Em relação ao tipo de resíduo, o milho foi a cultura de palhada encontrada em todas as regiões com grande frequência. Nas regiões 1 e 2 também foi destaque o trigo/triticale, enquanto que, na 3 e 4, o milheto. Em lavouras de milho, a cobertura do solo foi geralmente menor que nas de soja. A região 2 apresentou 49% das lavouras com muito resíduo, seguida das regiões 1 (30%) e 4 (28%). Quanto à cultura de palhada, houve maior distribuição entre os diferentes tipos observados. Nas regiões 1 e 2, destacaram-se aveia e 4 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 trigo/triticale. Na região 4 a braquiária, seguida de milho e milheto, apareceu com mais frequência. Os terrenos mais inclinados foram encontrados nas regiões 1 e 2, como já era esperado, devido ao relevo mais acidentado destas regiões. Já nas regiões 3 e 4 eram terrenos mais planos. Embora mesmo com terrenos inclinados, em todas as regiões avaliadas foi reduzido o número de lavouras com sinais de erosão. Questionários Segundo os dados dos questionários entregues aos produtores durante eventos em 8 municípios durante o Rally da Safra 2012, 74% dos respondentes na região 1 têm propriedades com menos de 1.000 ha. Na região 2, 76% possuem propriedades maiores de 500 ha. Na região 3 esse número é de 70%, sendo que 15% tem mais de 5.000 ha. Já a região 4 possui 58% das propriedades com mais de 2.500 ha. Do total dos respondentes, 99% adotam o SPD e os principais motivos são: conservação do solo, redução de custos e aumento da produtividade, respectivamente. Em relação ao tempo de adoção, há uma diferença bem clara entre as regiões. Nas regiões 1 e 2, onde o Plantio Direto já vendo sendo desenvolvido há mais tempo, mais de 45% responderam adotar a prática há mais de 15 anos. Nas regiões 3 e 4, onde a própria agricultura é mais recente, o tempo de adoção do SPD em sua maioria não ultrapassa 15 anos. Para formação de palhada, a aveia pós-soja foi apontada com grande frequência nas regiões 1 e 2, sendo que, na região 2, os produtores também utilizam a braquiária consorciada ao milho, prática comum nas regiões 3 e 4, que, além da braquiária, cultivam o milheto pré soja para formar palhada. A formação de pastagem após o cultivo de cereais tem se tornado comum entre os produtores, sendo que 58% apontaram essa prática. É comum o plantio após o cultivo de soja e a pastagem consorciada com milho verão e safrinha, principalmente nas regiões 2, 3 e 4. Problemas com compactação foram apontados por 35% do total de respondentes. Ao longo dos anos, tem-se aprimorado a metodologia de avaliação e análise dos resultados para que estes possam se aproximar da realidade 5 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 praticada no campo. Desse modo, com o aumento da utilização do SPD, verificase que a conservação do solo tem ganhado novos adeptos por meio desse sistema, o que confirma o fato da agricultura brasileira ter buscado o aumento da produção também por meio da conservação de seus recursos naturais. 6 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 1. INTRODUÇÃO Este relatório é elaborado anualmente com o objetivo de divulgar os resultados dos levantamentos do Rally da Safra relacionados ao Sistema de Plantio Direto. As avaliações são solicitadas e financiadas desde 2006 pela Fundação Agrisus. Há nove anos o Rally da Safra realiza expedições com o intuito de avaliar as condições de colheita das safras de soja e milho nas principais regiões produtoras de grãos do Brasil. Por meio desta avaliação procura estimar a produtividade a ser alcançada nestas lavouras, que também está relacionada ao uso de tecnologia, comportamento do clima, ocorrências de pragas e doenças, características estas que são observadas em campo durante a expedição. Também são avaliadas as condições de transporte/escoamento, armazenagem e transgenia. Em 2012, a edição do Rally da Safra reuniu 7 (sete) equipes – formadas por agrônomos, técnicos e convidados, sob coordenação da Agroconsult – para percorrer os principais pólos de produção de grãos do País, passando por RS, SC, PR, SP, MS, MT, GO, DF, MG, BA, TO, MA e PI. As equipes realizaram levantamentos qualitativos e quantitativos. O levantamento quantitativo foi obtido a partir de amostragens aleatórias das lavouras de soja e de milho realizadas ao longo do trajeto pré-definido. Já o qualitativo, foi executado por meio de questionários aplicados durante os eventos para os produtores realizados em 8 (oito) municípios. 7 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 2. METODOLOGIA As informações sobre o plantio direto foram coletadas a partir das avaliações de campo e da aplicação dos questionários. 2.1. Avaliações de campo As lavouras são selecionadas aleatoriamente ao longo do trajeto. Com a utilização de um aparelho de GPS (Sistema de Posicionamento Global) é realizado o geo-referenciamento de cada lavoura avaliada. Foram registradas as coordenadas (altitude, latitude e longitude) e o nome do município. Medições foram realizadas com intuito de estimar a produtividade de cada lavoura. Além disto, identificou-se o resíduo da cultura anterior e estimou-se o percentual de solo coberto pela mesma. Também foi verificada a declividade do terreno, presença de sinais de erosão e de compactação. 2.1.1. Produtividade Seguindo a metodologia, caminhou-se para dentro da lavoura para evitar o efeito de bordadura. Mediu-se o espaçamento entre linhas e contou-se o número de plantas em 3 metros de 5 (cinco) fileiras (no caso do milho, número de plantas e de espigas em 10 metros de 3 (três) fileiras). Em seguida, foram selecionadas cinco plantas de soja ou cinco espigas de milho. Para soja, foram contados o número de vagens e o número de grãos por planta; e para milho foram contados o número de fileiras de grãos na espiga e o número de grãos numa fileira. Além disso, foram anotadas observações gerais sobre as condições da lavoura tais como: umidade do solo, estádio de desenvolvimento, existência de irrigação e outras observações relevantes como incidência de pragas, doenças e plantas daninhas, aspecto visual das lavouras, transgenia etc. 2.1.2. Plantio direto A cada parada para avaliação de campo foram coletadas também informações sobre o plantio direto: cultura e percentual de resíduo no solo (ver modelo da planilha de campo utilizada no anexo 1). 8 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 Para a determinação do percentual de resíduo, aplicou-se uma metodologia sugerida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e adaptada pelo Rally da Safra. No quadrante marcado para avaliação da produtividade das lavouras, foi estendida uma trena formando-se um ângulo de aproximadamente 45°, atravessando duas fileiras de plantas (ver Figura 1). Foram contados, ao longo de um metro de trena, os números de marcações (de 10 cm) que coincidem com o resíduo de solo. A porcentagem de cobertura morta é o número de marcas contadas multiplicado por 10. Para cada parada, o procedimento foi repetido por duas vezes e anotada a média da leitura. Figura 1 - Esquema ilustrativo para determinação do percentual de cobertura morta no solo 2.2. Questionários Os questionários foram distribuídos aos produtores rurais durante os eventos do Rally da Safra 2012, realizados em 8 (oito) municípios (Tabela 1). Os questionários foram aplicados sem o auxílio de entrevistador, com perguntas fechadas. As perguntas eram referentes a Plantio Direto, Insumos, Comercialização e Logística (ver modelo do questionário utilizado no anexo 2). Tabela 1 - Municípios e datas de realização dos eventos do Rally da Safra 2012. 9 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 3. RESULTADOS Para avaliação, os dados de campo e dos questionários foram agrupados em quatro regiões segundo a classificação por regiões climáticas sugerida pelo Engenheiro Agrônomo Fernando P. Cardoso (CARDOSO, 2005) (ver Figura 2). Região 1: caracterizada por inverno frio e úmido, propicia o plantio de trigo e aveia no inverno (RS, SC e parte do PR). Região 2: caracterizada por inverno ameno e úmido com variação imprevisível de temperatura e de umidade. Propicia, no inverno, o plantio de trigo, aveia, milho safrinha e sorgo (parte dos Estados do MS, PR e SP). Região 3: caracterizada pelo inverno quente e semi-úmido. Milho e sorgo são as principais culturas utilizadas como safrinha (Estado do MT e partes dos Estados do MS, SP, MG e GO). Região 4: caracterizada pelo inverno quente e seco. O plantio de culturas no inverno é dificultado pela escassez de chuvas (Estado do TO e partes dos Estados de MG, BA, MA, PI e GO). Figura 2 - Representação esquemática das regiões climáticas. R4 R3 R2 R1 10 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 Sete equipes tiveram o roteiro programado de acordo com o calendário de colheita das regiões produtoras, com o objetivo de avaliar as lavouras nos últimos estágios de desenvolvimento, inclusive as lavouras de ciclo precoce. O período de realização das amostras foi de 16 de janeiro a 22 de março de 2012. Na tabela 2, nota-se que a área amostral é bem significativa em todas as regiões. O roteiro elaborado teve como objetivo abranger as principais regiões produtoras de grãos em todo o Brasil. Tabela 2 - Representatividade dos municípios das coletas de campo em cada região climática. *Área Plantada com Soja + Milho 1ª Safra (1.000 ha) **Participação em relação à área total da Região Climática (Soja + Milho 1ª Safra) Fonte: PAM 2009/IBGE e Rally da Safra 2012. 3.1. Avaliações de Campo Em 313 municípios foram realizadas 1.113 amostras de campo, deste total 83% foram amostras realizadas em lavouras de soja (Tabela 3) Tabela 3 - Estatísticas Gerais da Amostragem de Campo. Fonte: Rally da Safra 2012. 11 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 3.1.1. Percentual de cobertura do solo Considerações sobre as avaliações de campo: 1. O levantamento realizado em 2006 tinha como objetivo testar a metodologia de avaliação, servindo de projeto piloto para a metodologia adotada nos anos seguintes. Os percentuais de cobertura do solo apresentaram valores muito elevados em relação aos anos seguintes, sendo assim, os dados referentes às amostras de campo deste ano não serão apresentados neste relatório. 2. No ano de 2010, foram apresentados apenas os resultados referentes às amostras de soja, pois o número de amostras de milho foi baixo e concentrado em poucas regiões. 3. Em muitas áreas percorridas, as lavouras já se encontravam em estádio avançado de maturação, por conseguinte com a colheita próxima a ser realizada. Conseqüentemente, os resíduos de cobertura já estavam decompostos ou muito misturados com as folhas mortas da cultura atual. 4. O trajeto percorrido, bem como o período de avaliação, sofreram alterações nas edições do Rally da Safra, interferindo nas comparações dos resultados. 5. No campo, avalia-se apenas a presença e o percentual de cobertura de solo e, portanto, não permitem uma interpretação precisa sobre a adoção do Sistema de Plantio Direto. As tabelas a seguir trazem a distribuição das amostras de acordo com três classificações de cobertura de resíduo no solo (Pouco resíduo, Médio resíduo e Muito resíduo). Em relação às amostras realizadas em lavouras de soja, não foram observadas grandes mudanças no padrão encontrado nos anos anteriores.(Tabela 4). 12 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 Tabela 4 - Percentual de cobertura do solo por região climática em lavouras de soja. Fonte: Rally da Safra 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. Na avaliação dos resultados das amostras de milho observou-se que houve mudanças em relação aos anos anteriores, principalmente na Região 1. Primeiramente, destaca-se que o número de amostras realizadas em lavouras de milho foi inferior aos anos anteriores, exceto 2010. A Região 1 teve seu número de amostras bem reduzido e houve uma concentração de amostras no estado do Paraná. Estas variações refletiram em todos os resultados referentes a esta região (Tabela 5). 13 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 Tabela 5 - Percentual de cobertura do solo por região climática em lavouras de milho. Fonte: Rally da Safra 2007, 2008, 2009, 2011 e 2012. 14 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 Foto 1 – Solo com cobertura e solo sem cobertura, ambos em lavoura de soja. 3.1.2. Tipo de resíduo Como nos anos anteriores, o milho de segunda safra foi a cultura de cobertura encontrada em todas as regiões nas lavouras de soja, destacando as regiões 2 e 3 que tiveram mais de 60% das amostras com esta cobertura. Na região 4, 81% das lavouras de soja avaliadas estavam sob cobertura de milho e/ou milheto. A Região 1, típica por seu inverno frio, apresentou 66% das suas lavouras de soja com cobertura de aveia, trigo e/ou triticale, culturas de inverno muito comuns nesta região. Decorrente do aumento de área plantada com aveia na safra 2010/11, o percentual de amostras com esta palhada passou de 5% para 19%, enquanto, o trigo teve redução de área e, consequentemente, menos amostras apresentaram palhada desta cultura, de 72% para 47%. Na Região 3 os dados demonstram que houve aumento de lavouras de soja com resíduos de algodão, de fato, em estados pertencentes à esta região, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, teve aumento de área plantada com algodão na safra anterior, 2010/11(Tabela 6). Tabela 6 - Tipos de resíduos mais frequentes nas amostras de lavouras de soja. 15 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 16 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 Fonte: Rally da Safra 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. (1) O número total de observações pode ser maior que o número de lavouras amostradas, pois em alguns casos constatou-se a existência de mais de um tipo de resíduo na cobertura do solo. (2) Outros: amendoim, azevém, nabo, cana-de-açúcar, feijão e soja safrinha e amargoso. Resíduos das culturas de aveia e trigo foram observados com maior frequência nas regiões 1 e 2. Por apresentar um baixo número de amostras de milho a avaliação dos resultados fica comprometida (Tabela 7). 17 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 Tabela 7 - Tipos de resíduos mais freqüentes nas amostras de lavouras de milho. 18 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 Fonte: Rally da Safra 2007, 2008, 2009, 2011 e 2012. (1) O número total de observações pode ser maior que o número de lavouras amostradas, pois em alguns casos constatou-se a existência de mais de um tipo de resíduo na cobertura do solo. (2) Outros: amendoim, azevém, nabo, cana-de-açúcar, feijão e soja safrinha, mato e armagoso. Foto 2 - Coberturas de solo em lavouras de milho e soja. 19 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 201 3.1.3. Topografia e erosão As culturas de milho e soja se alternam no sistema de rotação não havendo terreno específico para cada uma. Por outro lado, milho e soja são igualmente sujeitos à erosão por não apresentarem resistência especial ao escorrimento, como ocorre com as culturas de espaçamento cerrado, - trigo, arroz e cana -, que oferecem obstáculos à movimentação da água água excedente ao longo dos declives. Mesmo no plantio direto, com boa cobertura, nas chuvas muito intensas intensa o solo não consegue absorver por infiltração a totalidade da precipitação, mas a água excedente chega limpa no final do terreno declivoso. Em relação à declividade do terreno, os números mantiveram-se mantiveram alinhados com os dos anos anteriores. anteriores A Região 1, com relevo mais acidentado, acidentado apresentou 76% das lavouras em terreno inclinado. Na Região 2 são encontradas lavouras em terrenos planos (42 2%) e um número também considerável em terrenos inclinados (49%).. Nas Regiões 3 e 4, mais de 80% % das amostras amostra foram em terrenos considerados planos (Tabela 8). Tabela 8 - Declividade do terreno em lavouras de soja e milho. Fonte: Rally da Safra 2010, 2011 e 2012. O número de lavouras com sinais de erosão foi baixo em geral. gera Em nenhuma das regiões climáticas o percentual de presença de sinais de erosão ultrapassou 2% (Tabela 9). Tabela 9 – Presença de sinais de erosão em lavouras de soja e milho. Fonte: Rally da Safra 2010, 2011 e 2012. 20 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 3.2. Questionários Durante a expedição do Rally da Safra 2012 foram realizados 8 (oito) eventos para produtores rurais nos municípios já citados anteriormente. Cada uma das oito empresas patrocinadoras convidou até 70 (setenta) produtores para cada evento. Nestes eventos foram distribuídos os questionários contendo questões relacionadas à área cultivada e às técnicas de manejo na propriedade. Em geral, os produtores convidados pelas empresas são aqueles de maior relacionamento com estas. Portanto, é importante ressaltar que o preenchimento dos questionários é realizado a partir de uma amostra contendo um grupo de grandes produtores que empregam maior nível de tecnologia na produção agropecuária. Desse modo, os dados apresentados a seguir caracterizam o público dos eventos do Rally da Safra. Algumas diferenças entre os anos também se devem aos locais de realização dos eventos, que podem sofrer alteração de um ano para o outro. 3.2.1. Estatísticas gerais Foram respondidos 358 questionários durante os oito eventos, sendo 70% oriundos dos eventos realizados nas Regiões Climáticas 1 e 3 (Tabela 10). Tabela 10 - Número de questionários respondidos por região climática. Fonte: Rally da Safra 2012. A Região 1, que compreende os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, tem a estrutura fundiária caracterizada por propriedades menores. Segundo os dados obtidos, mais de 70% da área cultivada dessa região é de até 1.000 ha. Do outro lado, com áreas cultivadas em maior escala encontra-se a Região 4, região que tem expandido sua fronteira agrícola nos últimos anos. Nesta região, 78% das propriedades possuem área cultivada maior que 1000 ha (Tabela 11). 21 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 Tabela 11 - Distribuição dos produtores por classe de área total cultivada (%) Fonte: Rally da Safra 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. 22 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 3.2.2. Técnicas de Manejo na Propriedade 3.2.2.1. Adoção do sistema de plantio direto (SPD) Em relação às técnicas de manejo da propriedade, iniciou-se com a questão da adoção do SPD. Conforme já citado, o questionário foi realizado sem o auxílio de entrevistador, portanto, a interpretação e o entendimento referentes aos conceitos questionados são unicamente dos respondentes. De todos que responderam apenas 1% declarou não utilizar o Sistema de Plantio Direto. Na região 4 foi onde ocorreu o maior número de respostas negativas à esta questão, que foi de 5%, mesmo assim ainda é um número baixo. É importante salientar que o elevado número de respostas afirmativas à utilização do SPD reforçam a hipótese que esta amostra de produtores é viesada, e inclui produtores que adotam nível de tecnologia mais elevado em suas propriedades (Tabela 12). Tabela 12 - Distribuição dos produtores segundo a adoção das técnicas de plantio direto. Fonte: Rally da Safra 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. 23 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 3.2.2.2. Motivos para adoção de Sistema de Plantio Direto Em todas as regiões a conservação do solo foi o motivo mais apontado para a adoção do SPD, logo em seguida o aumento de produtividade e a redução dos custos” (Tabela 13). Tabela 13 - Principais motivos para a adoção do SPD. *Outros: praticidade, aumento da matéria-orgânica e controle de plantas daninhas. Fonte: Rally da Safra 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. 24 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 3.2.2.3. Tempo de adoção do SPD De acordo com as tabelas seguintes, nas Regiões 1 e 2 o SPD é adotado há mais de 10 anos por 87% e 82% dos respondentes, respectivamente. Nas Regiões 3 e 4, observou-se que a adoção do SPD é mais recente, no entanto, observa-se que a técnica tem-se consolidado ano a ano como pode ser observado na Tabela 14. Tabela 14 - Distribuição dos produtores segundo o tempo de adoção do SPD. Fonte: Rally da Safra 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. 25 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 3.2.2.4. Principais culturas para formação de palhada Neste ano reformulou-se a questão e, por isso, os dados a seguir não serão comparados aos dos anos anteriores para que não seja feita uma avaliação equivocada. Nesta questão podia optar por mais de uma alternativa. Os dados apresentados na tabela 15 corroboraram com os dados já apresentados na avaliação de campo. Na Região 1, destacou-se a aveia pós soja, no entanto, também foram citados azevém, centeio, nabo forrageiro, cevada e trigo. Na Região 2 houve citação com maior frequência de milho safrinha, na opção “Outros”. Nas regiões 3 e 4, além das opções apresentadas na tabela, houve destaque para as citações de milho, milheto e sorgo plantados após soja (Tabela 15). Tabela 15 - Frequência das principais culturas para formação de palhada, por região climática. Região 1 Região 2 Região 3 Região 4 96% 56% 1% 2% Aveia pós soja 4% 2% 49% 66% Milheto pré soja 1% 27% 23% 19% Brachiaria pós soja 0% 53% 38% 44% Brachiaria consorciada ao milho 20% 11% 23% 14% Outras 140 45 97 59 Nº de respondentes Outras: azevém, centeio, trigo, milho safrinha, nabo forrageiro, crotalária, cevada, milheto pós soja e sorgo. Fonte: Rally da Safra 2012. 3.2.2.5. Redução de adubação fosfatada Quando questionados se já haviam observado ou ouvido alguma notícia sobre redução de adubação fosfatada com sucesso, em torno de 60% das respostas foram positivas em todas as regiões climáticas (Tabela 16). Tabela 16 - Redução de adubação fosfatada. Região 1 Região 2 Região 3 Região 4 2010 2011 2012 2010 2011 2012 2010 2011 2012 2010 2011 2012 30% 53% 62% 41% 43% 59% 47% 57% 58% 52% 74% 65% Sim 70% 47% 38% 59% 57% 41% 53% 43% 42% 48% 26% 35% Não 74 7 44 62 68 98 46 86 57 Nº de respondentes 107 146 129 Fonte: Rally da Safra 2010, 2011 e 2012. 26 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 201 3.2.2.6. Compactação do solo Com o objetivo de avaliar as características relacionadas ao SPD, este ano foi adicionado uma questão referente à compactação do solo. Perguntou-se Perguntou se o produtor já havia tido problemas com compactação em sua área cultivada. Praticamente em todas as regiões a distribuição das respostas foi a mesma, mesma cerca de 35% do total de respondentes tiveram problemas com compactação (Tabela 17). Tabela 17 – Problemas lemas com compactação c do solo Fonte: Rally da Safra 2012. 3.2.2.7. Formação de pastagem Pelo segundo ano consecutivo questionou-se questionou se sobre a formação de pastagem após o cultivo de cereais. Conforme o ano anterior, a maioria dos respondentes não tem formado pastagem, no entanto, anto, em menor valor percentual. O plantio de pastagem após a colheita de soja teve ve aumento em todas as regiões em relação a 2011 (Tabela 18). Tabela 18 - Formação de pastagem pastage após cultivo de cereais. Fonte: Rally da Safra 2011 e 2012. 2012 27 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 4. CONCLUSÃO Desde 2006 este relatório tem como objetivo a divulgação dos resultados das avaliações relacionadas ao Sistema de Plantio Direto (SPD) realizadas pelo Rally da Safra. Ao longo dos anos, tem-se aprimorado a metodologia de avaliação e análise dos resultados para que estes possam se aproximar da realidade praticada no campo. Desse modo, com o aumento da utilização do SPD, verificase que a conservação do solo tem ganhado novos adeptos por meio deste sistema, o que confirma que a agricultura brasileira tem buscado o aumento da produção também por meio da conservação de seus recursos naturais. 28 ESTADO DA ARTE DO PLANTIO DIRETO EM 2012 5. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 1. CARDOSO, F. P. Direto no Cerrado, Ano 10, n° 44, p. 4, 2005. 29