O Impacto da Prática da Governança Corporativa na Eficácia Organizacional:
O Caso do Banco Bradesco S/A
Autoria: Marcia Bianchi, Carla Wachholz, Lucila José Moreira
RESUMO
A transparência das informações que refletem a integridade dos atos administrativos é
o principal objetivo da governança corporativa, além de seus mecanismos proporcionarem a
minimização de conflitos de interesse entre investidores e gestores. A governança contribui
com o fortalecimento das empresas aumentando a confiança dos investidores e fortalecendo o
mercado de capitais. Por estes motivos, esta pesquisa buscou diagnosticar os impactos
econômico-financeiros da implantação das práticas de Governança Corporativa do Banco
Bradesco S/A. Essa verificação ocorreu através da análise comparativa das demonstrações
contábeis do Banco, referentes aos períodos de 1998 a 2000 e 2003 a 2005, compreendendo
três exercícios imediatamente anteriores à inclusão do banco no nível 1 de governança
corporativa e os três exercícios mais recentemente encerrados. Para análise dos resultados foi
considerado como “período 1” os anos de 1998 a 2000 e como “período 2” os anos de 2003 a
2005 e, em cada período foi realizada a média aritmética simples. Tal análise possibilitou a
conclusão de que o desempenho econômico e financeiro do Bradesco S.A. após a adesão ao
nível 1 de governança corporativa evoluiu em relação ao período anterior. Acredita-se que tal
fato possa ser atribuído a criação de valor ampliada pelas boas práticas de governança.
INTRODUÇÃO
Desde a revolução industrial, o progresso social dela resultante vem estimulando
mudanças na forma de gestão das organizações. O surgimento de condições tecnológicas e de
mercado favoráveis a produtores de bens e serviços, bem como outras variáveis estimuladoras
do empreendedorismo individual, proporcionaram, e ainda proporcionam, condições
favoráveis para a fundação e o crescimento de organizações.
Devido ao crescimento das organizações, essas tendem a não ser mais administradas
tão-somente pelos seus proprietários ou membros de sua família e sim por profissionais
remunerados pela realização de suas atividades. Desta forma, ocorre a separação da
propriedade e o controle (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999).
Entretanto, os interesses desses profissionais remunerados podem não convergir para
os dos proprietários ou investidores em função de ter seus próprios objetivos, tendendo, por
isso, a favorecer estratégias na empresa que aumentem suas chances de carreira e
remuneração, em vez de maximizar o valor da empresa (MERRET et al. apud CIA,
GUARITA e CIA, 2002).
O sentimento de insegurança e desconfiança existente entre o principal e o agente gera
a necessidade de se criar mecanismos que revistam as operações da organização com a
segurança necessária para que a integridade de seus resultados seja preservada e seja mantida
ou alcançada a transparência administrativa. Foi por esse motivo que foram criados os
mecanismos de governança corporativa.
O proprietário ou investidor com o intuito de se assegurar de que seu empreendimento
seja administrado de acordo com suas expectativas, principalmente quando não participa
diretamente de sua administração, encontra na governança corporativa, mecanismos que
asseguram a transparência administrativa da organização e, como conseqüência, propicia a
redução de conflitos entre o principal e o agente, podendo provocar melhores resultados
organizacionais.
Corrobora com tal reflexão Padoveze (2003, p. 90) quando menciona que as empresas
“que adotam o conceito de governança corporativa tendem a dar maior transparência de seus
negócios e padrões contábeis e financeiros para o mercado, tornando-se empresas com maior
aceitação geral e, conseqüentemente, atrativas para investimentos”.
Diante do exposto, o objetivo geral deste estudo é analisar o desempenho econômicofinanceiros comparando o período pré e pós implantação das práticas de Governança
Corporativa do Banco Bradesco S/A.
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1 Governança Corporativa e a Contabilidade
Com o objetivo de procurar resolver o problema de agência (conflito de interesse entre
principal e agente), surge em 1993 um sistema de governança corporativa, sendo o principal
responsável pelo aparecimento deste sistema o alto grau de dispersão do capital das empresas
nos EUA e da independência obtida pelos administradores destas companhias, que geraram
discussão sobre a necessidade de determinar limites à atuação dos administradores
empregados das empresas. Corrobora com tal afirmativa, Carvalho (2002, p. 19) quando
afirma que governança corporativa “é um conjunto de regras que visam minimizar os
problemas de agência.”
O termo Governança Corporativa foi definido em 1999 pelo IBGC (Instituto Brasileiro
de Governança Corporativa), como sendo:
o sistema que assegura aos sócios –proprietários o governo
estratégico da empresa e a efetiva monitoração da diretoria executiva.
A relação entre propriedade e gestão se dá através do conselho de
administração, a auditoria independente e o conselho fiscal,
instrumentos fundamentais para o exercício do controle. A boa
Governança assegura aos sócios eqüidade, transparência,
responsabilidade pelos resultados (accountability) e obediência às leis
do país (compliance).
No passado recente, nas empresas privadas e familiares, os acionistas eram gestores,
confundindo em sua pessoa propriedade e gestão. Com a profissionalização, a privatização, a
globalização e o afastamento das famílias, a Governança Corporativa colocou o Conselho
entre a Propriedade e a Gestão.
Praticar Governança Corporativa é mais do que trabalhar a imagem externa. Assim as
organizações atraem acionistas, consumidores e fornecedores e conseguem reter um quadro
de pessoal de maior qualidade.
Chama-se Governança Corporativa, segundo Lodi (2000), o papel que os Conselheiros
de Administração passaram a exercer para melhorar o ganho dos acionistas e arbitrar os
conflitos existentes entre os acionistas, administradores, auditores externos, minoritários,
conselhos fiscais e os stakeholders: empregados, credores e clientes.
O papel da contabilidade no processo de governança é fundamental, pois segundo a
teoria econômica tradicional, a governança corporativa surge para procurar superar o
chamado “conflito de agência”, presente a partir do fenômeno da separação entre a
propriedade e a gestão empresarial. O “principal”, titular da propriedade, delega ao “agente” o
poder de decisão sobre essa propriedade. A partir daí surgem os chamados conflitos de
agência, pois os interesses daquele que administra a propriedade nem sempre estão alinhados
com os de seu titular (IUDÍCIBUS; LOPES, 2004).
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Os autores ressaltam ainda que, sob a perspectiva da teoria da agência, a preocupação
maior é criar mecanismos eficientes (sistemas de monitoramento e incentivos) para garantir
que o comportamento dos executivos esteja alinhado com o interesse dos acionistas. E a
contabilidade reduz a assimetria informacional entre investidores e agentes envoltos no
conflito de agência. Os investidores se cercam de inúmeros mecanismos para se proteger
contra as ações dos administradores.
Conforme Lopes e Martins (2005) é nesta linha de proteção e mecanismos que entra a
governança corporativa, que vai reduzir poderes dos administradores e dar transparência às
informações contábeis. Os investidores precisam proteger-se da ação dos administradores, no
entanto, o nível de proteção adicional que os investidores terão que adotar pode variar de
acordo com o sistema legal no qual a empresa está inserida. Isso ocorre porque as leis são
diferentes entre os países e são executadas de forma diversa também.
Os administradores possuem informações mais completas sobre o desempenho da
empresa do que os investidores. Esse conteúdo informativo superior pode gerar prejuízos para
os investidores à medida que eles demoram mais para saber da real situação da empresa. Os
administradores podem utilizar os recursos da empresa em benefício próprio, causando perdas
para os acionistas durante períodos consideravelmente grandes. Um bom sistema de
governança alia os incentivos dos administradores com os interesses dos acionistas, deixando
transparente as informações contábeis e com credibilidade.
1.2 A Governança Corporativa e a Criação de Valor
Na realidade a Governança Corporativa agrega valor, apesar de isoladamente, não ser
capaz de criá-lo. Isto somente ocorre porque os direitos concedidos aos acionistas e a
qualidade das informações prestadas reduzem as incertezas no processo de avaliação e,
conseqüentemente, o risco. Sabemos que as maiores vantagens obtidas com a abertura de
capital decorrem da liquidez das ações, ou seja, da facilidade encontrada pelos investidores
em negociarem volumes expressivos de ações sem que isso altere o preço destas. Na bolsa as
ações das empresas que respeitam os investidores apresentam maior valorização e atraem um
número maior de investidores.
Segundo Rodrigues e Mendes (2004) uma empresa com efetiva Governança
Corporativa, atuando em um mercado consumidor em expansão, que procura efetivas
performances, investindo em oportunidades complementares, com positivas sinergias em
relação à sua infra-estrutura operacional, tem o valor das ações ou valor de seus negócios em
crescimento. O fato se concretiza pela maior procura de investidores para comprar ou
participar no negócio em relação à oferta para venda das ações ou quotas de participação.
Os autores ressaltam ainda que, o valor econômico e o valor de mercado da empresa
são os tradutores do interesse dos investidores em aplicar seus recursos financeiros no capital
da empresa. Certamente esses dois valores terão fundamentos na existência de consumidores
satisfeitos com seus produtos e nas práticas de boa governança corporativa que resultem em
agregação de valor nas operações, gerando resultados e fluxos de caixa crescentes e
impulsionados por investimentos saudáveis.
Os acionistas percebem efetivamente o valor da empresa de que participam pelos
ganhos auferidos com os dividendos correspondentes às distribuições de lucros e com
valorização das ações proporcionadas nos pregões das bolsas de valores.
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1.3 Considerações Econômico-Financeiras das Demonstrações Contábeis
A análise econômico-financeira das demonstrações contábeis de empresas, também
conhecida como análise de balanços, é imprescindível ao processo de tomada de decisão, pois
propicia informações quanto ao desempenho organizacional.
O surgimento e o desenvolvimento da análise de balanços ocorreram no sistema
bancário e se intensificou nas empresas em geral quando os bancos passaram a exigir
balanços das empresas que tomavam empréstimos (MATARAZZO, 2003). Atualmente, a
técnica de análise de balanços é utilizada não apenas pelo setor bancário, mas pela
administração das organizações em geral.
O objetivo da análise de balanços, segundo Matarazzo (2003, p. 15) é “extrair
informações das Demonstrações Financeiras para a tomada de decisões”. Iudícibus (1994, p.
100) ressalta que “a finalidade da análise é, retratar o que aconteceu no passado, fornecer
algumas bases para inferir o que poderá acontecer no futuro”.
Para realizar a análise de balanços é necessário que se conheça com detalhe os
elementos que compõem as demonstrações contábeis e estas são elaboradas a partir dos dados
extraídos da escrituração contábil da organização.
O instrumento básico da análise de balanços são os índices. Os índices são definidos
por Matarazzo (2003, p. 147) como “a relação entre contas ou grupo de contas das
Demonstrações Financeiras, que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica
ou financeira de uma empresa”. Complementando o raciocínio do autor, Iudícibus (1994, p.
100) relata que o uso dos índices “tem finalidade principal permitir ao analista extrair
tendências e comparar os quocientes com padrões preestabelecidos”.
1.4 Indicadores de Desempenho Bancário
1.4.1 Solvência e Liquidez
O gerenciamento da liquidez das instituições financeiras é bastante complicada,
devido a característica específica da intermediação financeira. Os bancos captam recursos
através de depósitos, os quais representam obrigação com terceiros e são registrados pela
contabilidade como obrigação. A aplicação desses recursos é considerado ativo, que pode
estar no caixa ou, mais provável, na forma de empréstimos concedidos. Ou seja, o banco troca
uma obrigação (depósito a vista), por exemplo, por um direito (empréstimos a receber).
Sendo assim, a dificuldade está na equalização dos prazos de recebimento e
pagamentos, conforme Assaf Neto (2006, p. 295) “a principal dificuldade centra-se na
estrutura de seus ativos, os quais variam muito em termos de liquidez.”. O indicador de
liquidez revela a capacidade financeira da instituição de gerar caixa para atender a demanda
de saques de correntistas e aplicadores.
Conforme o autor anteriormente citado, determinar um nível adequado de liquidez, no
caso específico das instituições, é um processo complexo que demanda conhecimento
detalhado da composição das origens e aplicação dos recursos. E, as demonstrações
financeiras publicadas não fornecem esse nível de detalhamento. “A liquidez de uma
instituição financeira é um conceito relativo, influenciado principalmente pelo grau de
maturidade, qualidade e negociabilidade de seus elementos patrimoniais” (ASSAF NETO,
2006, p. 314). No estudo foram calculados alguns índices considerados pelo autor como os
mais relevantes para a análise de liquidez de instituições financeiras tais como: encaixe
voluntário, liquidez imediata, índice de empréstimos, capital de giro próprio e participação
dos empréstimos.
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O indicador de encaixe voluntário expressa a capacidade financeira imediata do banco
de cobrir os saques dos correntistas (depósito a vista). A fórmula para cálculo desse indicador
é: Disponibilidades / Depósito a Vista.
O indicador de liquidez imediata também mede a capacidade do banco em cobrir
saques de deposito a vista, porém além das disponibilidades, inclui as aplicações financeiras
negociáveis a qualquer momento. Esse indicador é determinado pela fórmula:
Disponibilidades + Aplicações Interfinanceiras de Liquidez / Depósitos a vista.
O índice de empréstimos mostra quantos dos recursos obtidos através de depósitos
foram aplicados em empréstimos, ou seja, para cada R$ 1,00 que a instituição emprestou,
quanto foi captado sob a forma de depósitos. A fórmula para cálculo desse indicador é:
Operações de Créditos / Depósitos.
O capital de giro próprio indica o financiamento das operações com recursos próprios.
Conforme Assaf Neto (2006, p. 315) “é um parâmetro de segurança do banco, revelando seu
nível de folga financeira financiada com o patrimônio líquido.” O indicador de capital de giro
é calculada pela fórmula: Patrimônio Líquido - Ativo Permanente.
O indicador de participação dos empréstimos revela a quanto as operações de
empréstimos representam do ativo total. Conforme Assaf Neto (2006), as operações de crédito
são ativos de baixa liquidez e, dificilmente podem ser negociadas antes do vencimento. Esse
indicador pode ser determinado através da fórmula: Operações de Crédito / Ativo Total.
1.4.2 Capital e Risco
Conforme Assaf Neto (2006), o capital próprio (patrimônio Líquido) das instituições
financeiras, tradicionalmente, devem ser suficientes para cobrir as aplicações no permanente e
garantir o financeiramente as necessidades mínimas de investimento em giro operacional.
Destaca, também, que as atividades bancárias são muito sensíveis as variáveis externas, tais
como: economia, política monetária e variações de taxas de juros. Essa sensibilidade gera um
risco maior, dessa forma, o volume de capital próprio que uma instituição financeira deve
manter, depende do risco, ou seja, o capital próprio deve ser adequado para a cobertura de
perdas que possam ocorrer, no entanto, “definição do montante adequado de capital de um
banco é de difícil dimensionamento prático” (ASSAF NETO, 2006, p. 316).
Para análise do capital utilizou-se, portanto, os índices de independência financeira,
leverage, relação capital/depositantes e imobilização do capital próprio e, para análise do
risco utilizou-se o indicador de sensibilidade dos juros e a taxa de reinvestimento do lucro. De
acordo com Assaf Neto (2006), os indicadores citados são, normalmente, utilizados pelas
autoridades monetárias para estabelecer normas relativas ao capital mínimo que deve ser
observado pelas instituições financeiras.
O indicador de independência financeira mostra a participação do capital próprio no
ativo total. As instituições financeiras possuem a característica de baixa participação de
capital próprio nos seus ativos. Esse indicador é calculado através da fórmula: Patrimônio
Líquido / Ativo Total.
O indicador de leverage mostra o quanto o ativo é maior que os recursos próprios.
Esse indicador é calculado pela fórmula: Ativo/ Patrimônio Líquido.
A relação capital/depositantes indica quanto à instituição aplicou de recursos próprios
em relação aos recursos captados através de depósitos. Esse indicador é calculado através da
fórmula: Patrimônio Líquido/ Depósitos.
A imobilização do capital próprio tem a finalidade de mostrar qual o percentual de
capitais próprios que foram utilizados para investir em ativos fixos. Para Silva (1995, p. 218)
“o índice de imobilização do patrimônio líquido indica quanto do patrimônio líquido da
empresa está aplicado no ativo permanente.”
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Para Matarazzo (2003, p.156) “indica quanto a empresa aplicou no ativo permanente
para cada $ 100 de patrimônio líquido.” A fórmula para cálculo é: Ativo Permanente /
Patrimônio Líquido.
A análise da sensibilidade de juros (GAP) o nível de estabilidade dos ganhos dos
bancos diante de perspectivas de mudanças na economia. Conforme Assaf Neto (2006, p.
322) “o conceito de GAP refere-se a um descompasso existente entre ativos e passivos
conhecidos como sensíveis, ou seja, aqueles expostos aos efeitos que uma mudança nas taxas
de juros pode exercer sobre a lucratividade da instituição financeira.”
Para efetuar essa análise, primeiramente, foi feita a classificação dos ativos e passivos
sensíveis às variações da taxa de juros. De acordo com Assaf Neto (2006) as principais contas
patrimoniais classificadas como ativos sensíveis são: aplicações interfinanceiras, títulos e
valores mobiliários e operações de créditos; e as principais contas patrimoniais classificadas
como passivos sensíveis são: depósitos remunerados, captação mercado aberto, obrigações
por empréstimo e repasses e aceites e emissões de títulos.
Com base nessa classificação, estabeleceu-se o indicador de sensibilidade dos juros
através da fórmula: Ativos Sensíveis / Passivos Sensíveis.
A taxa de reinvestimento do lucro, conforme Assaf Neto (2006, p. 318) é “revelador
da realização de caixa de um banco.” E, quanto mais alta for essa taxa, maior é a capacidade
do banco de financiar variações em seus ativos por meio de recursos próprios gerados pelas
suas atividades e, conseqüentemente, diminui a necessidade de captação de recurso através do
passivo, dessa forma, o risco do banco é menor. Essa taxa pode ser estabelecida através da
fórmula: Lucro Líquido – Dividendos / Patrimônio Líquido.
1.4.3 Rentabilidade
A finalidade desses índices é avaliar o desempenho da empresa em termos de geração
de resultados financeiros. A rentabilidade proporcionada por uma empresa é resultado das
decisões que são tomadas em termos de políticas de estruturação de capitais, de formas de
comercialização e de administração dos recursos que estão à disposição dos administradores.
Conforme Silva (1995, p. 238) “os índices de retorno, também conhecidos por índices de
lucratividade ou mesmo de rentabilidade, indicam qual o retorno que o empreendimento está
propiciando.”
De acordo com Assaf Neto (2006), a avaliação do desempenho econômico
(rentabilidade) de instituições financeiras pode ser classificada em quatro grupos: índices de
rentabilidade, diagramas de desempenho, índices de rentabilidade e spread e índice de
eficiência.
Os indicadores básicos de rentabilidade calculados foram: retorno sobre investimento
total, retorno sobre patrimônio líquido, margem bruta, margem operacional, margem líquida e
margem financeira.
A rentabilidade do ativo, também conhecida como rentabilidade dos investimentos
(RI) ou taxa de retorno dos investimentos (TRI), ou ainda, como poder de ganho das empresas
(PGE), reflete o quanto a empresa está ganhando pelos valores que investiu no ativo. Sua
finalidade é permitir que administradores financeiros e demais interessados saibam quais os
ganhos que os capitais próprios e de terceiros estão proporcionando.
Para cálculo desse índice Silva (1995, p. 243) apresenta a seguinte fórmula: Lucro
Líquido / Ativo Total.
Quando alguém se dispõe aplicar seus recursos financeiros em uma empresa, uma das
preocupações mais fortes, geralmente a principal, é a informação sobre o retorno que terá.
Atualmente, o mundo dos negócios oferece muitas oportunidades para aplicação de
recursos. Geralmente, as aplicações mais rentáveis possuem um nível de risco mais elevado,
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ou seja, o risco e retorno são diretamente proporcionais, pois, quanto maior o risco, maior é o
retorno e vice-versa.
Para medir o retorno que os capitais próprios estão proporcionando aos investidores,
utiliza-se o índice de retorno sobre o patrimônio líquido. Conforme Silva (1995, p. 246) esse
índice “indica quanto de prêmio que os acionistas ou proprietários da empresa estão obtendo
em relação a seus investimentos no empreendimento. O lucro, portanto, é o prêmio do
investidor pelo risco de seu negócio.”
Matarazzo (2003, p. 255), apresenta a seguinte fórmula para cálculo desse índice:
Lucro Líquido / Patrimônio Líquido Médio.
A margem bruta relaciona o resultado bruto da intermediação financeira com a receita
de intermediação financeira. Esse indicador é estabelecido pela fórmula: Resultado Bruto de
Intermediação Financeira / Receita de Intermediação Financeira.
A margem operacional indica o montante do resultado operacional em relação a
receita operacional, ou o retorno das receitas de intermediação financeira após a apuração do
resultado operacional. Esse indicador é estabelecido pela fórmula: Resultado Operacional /
Receita de Intermediação Financeira.
A margem financeira é uma variação da margem bruta, da qual se exclui a provisão
para crédito de liquidação duvidosa. É calculada através da seguinte fórmula: Resultado
Financeiro / Receita de Intermediação Financeira.
O segundo conjunto de indicadores calculados foram os índices de rentabilidade e
spread, composto por: margem de intermediação financeira, custo médio de captação, retorno
médio das operações de crédito, lucratividade dos ativos e juros passivos.
A margem de intermediação financeira indica a capacidade do ativo na geração de
receita de intermediação financeira, e é calculada através da seguinte fórmula: Resultado da
Intermediação Financeira / Ativo Total.
O custo médio de captação analise os custos financeiros gerados pelos depósitos a
prazo e é calculado através da fórmula: Despesas financeiras de Captação de Mercado /
Depósitos a Prazo.
O retorno médio das operações de crédito analisa as receitas financeiras geradas pelas
operações de crédito e é calculado através da fórmula: Receitas Financeiras de Operações de
Crédito / Operações de Crédito.
A lucratividade dos ativos verifica a capacidade dos ativos de gerar receitas de
intermediação financeira. Esse indicador é calculado através da fórmula: Receitas de
Intermediação Financeira / Ativo Total.
O indicador de juros passivos indica a geração de despesas financeiras dos capitais de
terceiros e próprios. Esse indicador é calculado através da fórmula: Despesas de
Intermediação Financeira / Passivo Total.
O Spread indica o percentual de ganho líquido do banco e é estabelecido pela
diferença entre as taxas de juros pagos pelo capital de terceiros e as taxas de juros recebidas
pelo empréstimo a terceiros. Esse indicador é calculado através da fórmula: Retorno Médio
das Operações de Crédito – Custo Médio de Captação.
1.4.4 Análise das Ações
Além dos indicadores tradicionais apresentados, efetuou-se a análise de indicadores
relacionados diretamente com as ações (parte do capital) da empresa. Essa análise teve como
objetivo verificar a criação de valor para os acionistas. Para este fim, foram utilizados dados
evidenciados na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), número de
ações e valor de mercado das ações.
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O cálculo do valor patrimonial das ações foi estabelecido através da fórmula:
Patrimônio Líquido / Número de Ações.
O lucro líquido por ação foi calculado através da fórmula: Lucro Líquido / Número de
Ações.
A relação entre o preço da ação e o lucro foi estabelecida através da fórmula: Valor de
mercado da ação / Lucro Líquido por ação.
O valor do dividendo por ação foi calculado através da fórmula: Dividendos / Número
de Ações.
1.4.5 Eficiência Operacional
De acordo com Assaf Neto (2006) o índice de eficiência operacional é
tradicionalmente utilizado na análise de bancos. Esse indicador faz uma relação entre as
despesas operacionais e com as receitas de intermediação financeira. Quanto menor for esse
indicador, maior é a produtividade do banco, demonstrando uma necessidade estrutural menor
para manter o nível de suas atividades.
Este indicador é obtido através da fórmula: Despesas Operacionais / Receitas de
Intermediação Financeira.
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa realizada neste estudo é classificada quanto aos seguintes aspectos: (a) pela
forma de abordagem do problema, (b) de acordo com seus objetivos e (c) com base nos
procedimentos técnicos utilizados.
Quanto à forma de abordagem do problema esta pesquisa classifica-se como
quantitativa e qualitativa. Quantitativa por efetuar-se a mensuração específica das
informações coletadas, transformando-as em indicadores econômicos e financeiros.
Qualitativa em função da análise do significado da qualidade de tais indicadores, traduzindoos em referenciais qualitativos a respeito do desempenho da empresa analisada.
Quanto aos objetivos, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, pois foi
analisado e descrito, comparativamente entre os períodos, o desempenho da empresa após a
implantação das práticas de Governança Corporativa em relação à situação anterior a tal
evento.
Quanto aos procedimentos técnicos, esta pesquisa se classifica como documental, pois
se utilizou as demonstrações contábeis consolidadas para a análise econômica e financeira do
Banco Bradesco S/A.
Os dados, necessários para responder o objetivo deste estudo, foram coletados através
do site da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa), dada a facilidade e
disponibilidade para obtenção das demonstrações contábeis consolidadas publicadas. As
demonstrações contábeis que foram coletadas foram: Balanço Patrimonial; Demonstração do
Resultado do Exercício; Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos; e,
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.
O período escolhido para realizar a coleta dos dados foi o intervalo de tempo entre
1998 a 2000 e 2003 a 2005, compreendendo três exercícios imediatamente anteriores à
inclusão do banco no nível 1 de governança corporativa e os três exercícios mais
recentemente encerrados. Os dados foram tratados no programa MS-Excel, com o fim de
realizar as análises quantitativas no que se refere ao cálculo dos indicadores econômicos e
financeiros.
Após o cálculo dos indicadores os mesmos foram interpretados qualitativamente, de
forma a diagnosticar o seu significado, comparativamente entre os períodos. Dessa forma foi
8
possível identificar o posicionamento econômico e financeiro ao longo dos períodos
analisados, base para a conclusão do estudo.
Ainda, foi considerado como “período 1” os anos de 1998 a 2000 e como “período 2”
os anos de 2003 a 2005. Em cada período foi realizada a média aritmética simples, isto é, os
coeficientes calculados foram somados e o valor dividido pelo número de coeficientes
somados.
3 ANÁLISE DE RESULTADOS
3.1 Solvência e Liquidez
Indicadores
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Encaixe Voluntário
0,14
0,12
0,23
0,38
0,21
0,05
0,05
0,06
Liquidez Imediata
1,17
0,49
0,48
0,85
1,62
2,62
1,58
1,75
Índice Empréstimo/Depósito
0,52
0,45
0,65
0,65
0,64
0,62
0,67
0,84
Capital de Giro Próprio
1,34
1,13
1,93
2,25
1,98
2,73
3,08
4,45
Participação dos Empréstimos
0,21
0,19
0,18
0,23
0,19
0,16
0,19
0,22
Quadro 1 – Indicadores de Solvência e Liquidez
O encaixe voluntário no período 1 apresentou uma média de 0,15 e no período 2
diminuiu para 0,06, representando, portanto, uma redução de 62,63%. A redução nesse
indicador representa um aumento do risco, porém, quando a instituição bancária mantém
valores elevados de encaixe voluntário está diminuindo a sua rentabilidade, pois está deixando
de aplicar em ativos mais rentáveis. Dessa forma, a tendência dos bancos é de manter as
disponibilidades em níveis baixos, tendo em vista que estas também apresentam um nível
baixo de rentabilidade. Ou seja, quanto maior o risco maior é a rentabilidade.
A liquidez imediata média do período 1 foi de 0,71 e no período 2 foi de 1,98,
evidenciando, portanto, um aumento de 178,60%. Esse indicador quando maior que 1 melhor.
O indicador de 1,98 significa que o Bradesco consegue cobrir integralmente os depósitos a
vista e parte dos depósitos a prazo.
A relação empréstimos/depósitos indica que para cada R$ 1,00 emprestado pelo
Bradesco, no período 1, R$ 0,54 foi captado através de depósitos e, no período 2, para cada
R$ 1,00 emprestado, R$ 0,71 foram recursos originados por depósitos, evidenciando,
portanto, aumento de 31,45%.
O Bradesco, no período 1 apresentou em média 1,47 de capital de giro próprio e, no
período 2 o indicador subiu para 3,42, evidenciando aumento de 133,01%. Isso revela uma
alta participação de capital próprio nas operações da empresa, ou seja, para cada R$ 1,00 de
capital próprio aplicado no permanente, existem R$ 3,42 aplicados em ativos correntes.
A participação dos empréstimos no período 1 foi em média de 0,21 e no período 2
baixou par a 0,19, reduzindo, portanto, em 8,53%. A redução desse indicador revela aumento
no nível de liquidez da instituição, tendo em vista que as operações de crédito são ativos de
baixa liquidez. Por outro lado, pode indicar uma possível diminuição na rentabilidade.
O conjunto de indicadores analisados revela melhora na liquidez do Bradesco
considerando-se o período 1 em relação ao período 2, apesar da diminuição do encaixe
voluntário. Porém, ressalta-se que a análise de liquidez financeira de instituições financeiras é
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muito relativa, tendo em vista que os valores patrimoniais ativos e passivos apresentam
variados níveis de liquidez e exigibilidade, não captados pelas demonstrações financeiras,
dificultando dessa forma, um parecer categórico sobre a sua situação financeira.
Também, observa-se que, apesar dos indicadores de endividamento, analisados
anteriormente, estarem elevados, não há comprometimento da liquidez, ou seja, os resultados
encontrados sinalizam que o Bradesco tem recursos, mais que suficientes para honrar suas
dívidas.
3.2 Capital e Risco
Indicadores
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Independência financeira
9,22%
8,43%
8,53%
8,87%
7,60%
7,69%
8,23%
9,30%
Relação Capital/Depositantes
23,14%
19,99%
24,40%
25,71%
25,15%
30,02%
28,64%
35,57%
Imobilização Capital Próprio
74,39%
88,74%
51,72%
44,51%
50,56%
36,59%
32,51%
22,45%
Quadro 2 – Indicadores de Capital e Risco 1
O Bradesco, no período 1 apresentou independência financeira média de 8,73% e no
período 2 foi de 8,41%, evidenciando uma redução média de 3,65%. Quanto menor esse
indicador maior é a dependência dos recursos de terceiros.
A relação de capital/depositantes no período 1 foi de 22,51% e no período 2 de
31,41%, evidenciando aumento de 39,53%. Isso evidencia que para cada R$ 1,00 de recursos
de terceiros captados foram aplicados R$ 0,31 de recursos próprios. O aumento observado
nesse indicador é, portanto, favorável.
A imobilização do capital próprio no período 1 foi de 71,62% e no período 2 foi de
30,52%, evidenciando uma redução de 57,39%. Isso significa que o patrimônio líquido supera
os investimentos em ativo permanente e, o excedente está aplicado em ativos correntes.
Quanto menor esse indicador melhor, portanto, a redução nesse indicador é favorável.
Com relação a esse conjunto de indicadores apresentados, Assaf Neto (2006)
considera a elevada dependência financeira de capital de terceiros é uma característica típica
das instituições financeira. Por outro lado, a elevada dependência financeira possibilita uma
alta capacidade de alavancar resultados.
Indicadores
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Leverage
10,85
11,87
11,72
11,27
13,16
13,00
12,15
10,75
Sensibilidade dos Juros
1,07
1,07
1,21
1,29
1,29
1,14
1,01
1,04
Taxa de Reinvestimento do Lucro
0,05
0,04
0,12
0,14
0,10
0,07
0,11
0,19
Quadro 3 - Indicadores de Capital e Risco 2
O leverage médio calculado para o perídio 1 foi de 11,48 e para o período 2 foi de
11,97, representando um aumento de 4,27%. Esse indicador revelou que o Bradesco tem uma
capacidade alta de alavancagem, ou seja, os investidores estão obtendo um retorno maior.
O indicador médio de sensibilidade dos juros no primeiro período foi de 1,12 e no
período foi de 1,06, evidenciando, portanto, uma redução de 4,73%. Conforme Assaf Neto um
indicador de sensibilidade acima de 1 é considerado bom, pois preserva a margem financeira
10
diante de possíveis flutuações dos juros a curto prazo, ou seja, quanto maior melhor. E, dessa
forma a redução nesse indicador no período 2 não é favorável.
A taxa de reinvestimento do lucro evoluiu de 0,07 no período 1 para 0,12 no período
2, evidenciando um aumento médio de 79,81%. Quanto maior for essa taxa mais alta é a
capacidade da instituição financiar variações em seus ativos por meio de recursos próprios,
diminuindo, portanto, a necessidade de captação de recursos de terceiros, ou seja, o risco do
banco também é menor. Dessa forma, o aumento ocorrido no período 2 é favorável.
3.3 Rentabilidade
Indicadores
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Retorno - Investimento Total
1,48%
1,38%
1,83%
1,97%
1,42%
1,31%
1,65%
2,64%
Retorno - Patrimônio Líquido
17,02%
16,88%
23,42%
24,30%
19,62%
18,91%
21,28%
31,85%
Margem Bruta
37,65%
29,45%
41,16%
37,82%
34,14%
38,64%
42,70%
43,84%
Margem Operacional
9,98%
6,41%
9,22%
9,21%
4,27%
12,67%
15,72%
23,30%
Margem Líquida
16,02%
16,32%
21,50%
22,22%
18,65%
17,02%
20,11%
28,41%
Margem Financeira
51,00%
40,61%
50,51%
47,21%
42,97%
47,38%
50,49%
51,28%
Quadro 4 – Indicadores de Rentabilidade 1
Na análise das demonstrações financeiras do Bradesco, verificou-se que a margem
bruta média no período 1 foi de 36,09% e no período 2 subiu para 41,73%, evidenciando
aumento de 15,63%. A margem operacional apresentou aumento significativo, passando de
8,54% no período 1 para 17,23% no período 2, evidenciando acréscimo de 101,85%. A
margem líquida no período 1 foi de 17,95% e subiu para 21,85% no período 2, representando
aumento de 21,74%. E, a margem financeira, apresentou aumento médio de 4,95%, pois
passou de 47,37% no período 1 para 49,72% no período 2. Os aumentos observados nas
margens avaliadas são favoráveis, pois significa que o banco está sendo mais eficiente na
geração de resultados.
O retorno sobre o investimento total aumentou em média 19,64%, passando de 1,56%
no período 1 para 1,87% no período 2. Esse indicador é uma medida da eficiência do
gerenciamento da lucratividade dos ativos e juros passivos. Dessa forma, quanto maior o
indicador, maior é a eficiência. O aumento desse indicador demonstra que o Bradesco
melhorou se desempenho em termos de ganhos pertinentes aos capitais investidos.
A rentabilidade média do patrimônio líquido, no período 1 foi de 19,11% e no período
2 subiu para 24,01%, evidenciando um aumento de 25,68%. Do ponto de vista dos acionistas
esse aumento é bastante significativo, pois, significa aumento na taxa de retorno do capital
investido.
11
Indicadores
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Margem Intermediação Fin.
6,56%
6,66%
6,73%
7,35%
7,63%
6,15%
6,05%
7,08%
Custo Médio de Captação
18,06%
16,18%
19,07%
21,16%
25,57%
23,35%
15,91%
18,98%
Retorno Médio Op. Crédito
31,85%
44,06%
25,76%
33,05%
39,61%
29,16%
24,54%
24,45%
Lucratividade dos Ativos
17,41%
22,62%
16,36%
19,44%
22,35%
15,92%
14,17%
16,15%
Juros Passivos
10,85%
10,85%
10,85%
10,85%
10,85%
9,77%
8,63%
9,07%
Spread
13,79%
27,88%
6,69%
11,90%
14,04%
6,15%
8,12%
5,46%
Quadro 5 - Indicadores de Rentabilidade 2
A margem de intermediação financeira reduziu em 3,35% do período 1 para o período
2, passando, respectivamente, de 6,65% para 6,43%, demonstrando, portanto, uma redução na
capacidade dos ativos de gerar receita.
O custo médio de captação passou de 17,77% no período 1 para 19,41% no período 2,
evidenciando aumento de 9,26%. Quanto menor o custo de captação melhor, pois, significa
que os juros pagos estão menores, gerando dessa forma, menor despesa financeira e, nesse
caso o aumento pode gerar uma diminuição na rentabilidade.
O retorno médio das operações de crédito também reduziu, passou de 33,89% no
período 1 para 26,05% no período 2, evidenciando um decréscimo de 23,14%. Isso significa
que a rentabilidade também diminuiu.
A lucratividade dos ativos diminuiu em 18%, passando de 18,8% no período 1 para
15,41% no período 2, reduzindo, portanto, a geração de resultados dos ativos.
Os juros passivos reduziram de 10,85% no período 1 para 8,99% no período 2. Essa
diminuição de 17,22% é favorável.
O Spread reduziu em 58,85%, passando de 16,12% no período 1 para 6,63% no
período 2. Essa redução no Spread foi provocada pelo aumento do custo de captação e pela
diminuição no retorno das operações de crédito. Isso demonstra que a aplicação dos capitais
de terceiros não está sendo muito rentável para o banco.
3.4 Análise das Ações
Indicadores
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Valor Patrimonial da Ação
7,79
7,93
9,27
11,29
12,74
14,23
15,45
19,82
Lucro Líquido por Ação
1,25
1,29
1,99
2,51
2,38
2,42
3,11
5,63
Índice Preço/Lucro
6,82
13,92
11,70
8,30
7,43
10,46
10,33
12,02
Dividendos por Ação
0,85
1,00
0,89
0,98
1,11
1,42
1,35
1,92
Valor de Mercado das Ações
8,51
18,00
23,33
20,83
17,65
25,33
32,11
67,70
Quadro 6 – Análise das Ações
O valor patrimonial da ação no período 1 foi em média de R$ 8,33 e no período 2
subiu para R$ 16,50 evidenciando um aumento de 98,07%. A diferença entre o valor
patrimonial e o valor de mercado evidencia que no período 1 o valor de mercado é $ 8,29
superior ao valor patrimonial e, no segundo período é R$ 25,21superior ao valor patrimonial.
12
O lucro líquido por ação indica que cada ação rendeu em média, no período 1 R$ 1,51
e no período 2 R$ 3,72 acusando, portanto aumento de rentabilidade de 146,06%.
A relação entre o valor de mercado da ação e o lucro por ação aumentou 1,15%, no
período 1 o investidor leva em média 10,81 exercícios para recuperar o valor investido e, no
período 2 o período de retorno é de 10,94.
Os dividendos por ação aumentaram em 70,69%, no período 1, cada ação estava
pagando em média R$ 0,91 de dividendos e no período 2, cada ação pagou R$ 1,56 de
dividendos.
A análise do comportamento das ações do Bradesco demonstra que houve criação de
valor para os acionistas, pois estas apresentaram uma significativa valorização em relação ao
valor patrimonial. Essa valorização pode ser explicada pela elevação da rentabilidade das
ações (aumento dos dividendos por ação) e aumento do lucro líquido.
3.5 Eficiência Operacional
Indicadores
Eficiência Operacional
1998
59,2
1999
57,3
2000
61,4
2001
54,3
2002
56,6
2003
56,6
2004
55,5
2005
44,8
Quadro 7 – Indicador de Eficiência Operacional
O Índice de Eficiência Operacional reflete o êxito do empenho para a elevação das
receitas líquidas e a redução de custos. As metodologias utilizadas no controle de custos pelo
Bradesco é o ABC (Activity-Based Costing) e ABM (Activity-Based Management).
59,2% foi o índice alcançado em 1998, em 1999 57,3% e no ano de 2000, 61,4%,
assim, o período 1 apresentou uma média de 59,3%, Já no período 2 apresentou uma média de
52,3% devido aos índices de 56,6% em 2003, contra 55,5% em 2004 e 44,8% no ano de 2005.
Essa redução representa melhor controle dos processos e ganhos de eficiência operacional.
Isto é, quanto menor, melhor.
A expressiva melhoria de 10,7 pontos percentuais do ano de 2004 para 2005 se deve,
basicamente, ao efetivo controle nas contas de despesas, principalmente, despesas de pessoal
e administrativa, que permaneceram abaixo da inflação média dos últimos 12 meses
conjugado com os esforços na elevação da receita.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com relação ao conjunto de indicadores de solvência e liquidez observa-se que
apresentou uma redução do encaixe voluntário e um aumento na liquidez imediata.
Considerando-se que o encaixe voluntário é inversamente proporcional a rentabilidade, desta
forma um aumento dos recursos disponíveis significa uma redução da rentabilidade e o
desafio da gestão financeira é buscar equalizar os recursos disponíveis sem o
comprometimento da rentabilidade.
No que tange a análise realizada no conjunto de indicadores Capital e Risco houve
uma diminuição do risco, o que é positivo pois as instituições financeiras são muito sensíveis
a este fator. Em relação ao capital observou-se uma melhora nas suas aplicações, tendo em
vista uma considerável redução em investimentos no imobilizado, indicando que os recursos
foram redirecionados para a atividade fim da instituição. Tais investimentos aplicados na
atividade retornarão em forma de lucro.
O conjunto de indicadores de rentabilidade composto pelos retornos e pelas margens
bruta, operacional, líquida e financeira apresentaram aumento demonstrando uma eficiência
na aplicação de recursos, possivelmente influenciada pela qualidade do gerenciamento, dos
13
ativos e juros passivos. Por outro lado, houve uma redução na margem de intermediação
financeira e aumento de custo de captação comprometendo o retorno médio das operações de
crédito.
Identificou-se através do conjunto de indicadores relacionado às ações que houve
aumento do valor patrimonial, aumento dos dividendos por ação, redução do tempo de retorno
e aumento no lucro líquido por ação. Tais fatores indicam a criação dos valores para os
acionistas, bem como torna as ações do Bradesco um investimento atrativo aos investidores.
O índice de eficiência operacional melhorou, evidenciando comprometimento e
empenho da gestão quanto à redução de despesas com vistas a melhoria nos processos e
consequentemente obtendo, desta forma, melhores resultados organizacionais.
A análise dos indicadores justificou a importância dos elementos contábeis para o
acionista e investidor, pois evidencia a criação de valor para estes. Desta forma, o contador
possui papel relevante quando relacionado, também, a governança corporativa, por ser este
quem elabora as demonstrações contábeis com fidedignidade e, também, transparência. Tal
transparência das informações contábeis, por sua vez, reflete a integridade dos atos
administrativos.
Resumidamente, conclui-se, que o desempenho econômico e financeiro do Bradesco
S.A. após a adesão ao nível 1 de governança corporativa evoluiu em relação ao período
anterior. Acredita-se que tal fato possa ser atribuído a criação de valor ampliada pelas boas
práticas de governança. Porém, ressalta-se que pode haver outras variáveis que influenciou tal
resultado, não sendo objeto de estudo.
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Contabilidade. São Paulo, Atlas, 2004.
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15
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