O RESSIGNIFICAR DA PRÁTICA DOCENTE: O PIBID E A
CULTURA AFRO-BRASILEIRA (QUILOMBO E DANÇA)
Énelim Tathiany Zarpellon 1
Pibid - Capes - UNICENTRO
Juliane Kelly Wendrechoski 2
Pibid - Capes - UNICENTRO
Orientador: Claércio Ivan Schneider
[email protected]
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Resumo:
O Pibid é um Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, que oferece aos seus
participantes a oportunidade de vivenciar o ambiente escolar, possibilitando a formação docente
inicial. Atualmente, o ambiente escolar da educação básica brasileira, precisa de profissionais
capacitados e que possam fornecer aos seus alunos novas perspectivas e novas práticas para a
formação de uma sociedade que tornem os discentes cidadãos ativos, e que tenham consciência
de seus atos. Mas, para que isso ocorra, é preciso ressignificar. Como destaca Schneider (2013,
p.1): "Ressignificar na tentativa de responder aos desafios que se apresentam à docência em
história na atualidade em especial atenção à formação docente e a constituição de uma
identidade do professor de história". Este trabalho tem por objetivo apresentar a atividade de um
quilombo e uma dança africana, intitulada como "Akekho Ofana no Jesu" a ser realizada com os
alunos do 6, 9 e 3 anos no dia 20 de Novembro - Dia da Consciência Negra, no Colégio
Estadual São Vicente de Paulo; como forma de interação e de formação dos discentes, levando
em conta o trabalho lúdico desenvolvido em conjunto. Espera-se com o resultado, enriquecer
ainda mais a cultura afro-brasileira, atentando a importância das atividades culturais para o
ensino de História.
Palavras-chave: PIBID; quilombo; dança afro-brasileira
1 A cultura afro-brasileira destacada através do PIBID
Um dos temas que se tornaram mais importantes nos últimos anos nas escolas de
Ensino Fundamental e Médio, sejam elas públicas ou particulares, é sobre a história e
cultura afro-brasileira. Um tema que a muito tempo foi simplesmente deixado de lado,
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ou visto de uma forma preconceituosa, ou seja, pelo olhar eurocêntrico como um
continente que não existia história. Mas com o tempo, viram o quanto os africanos
contribuiriam muito com sua diversidade e cultura para o Brasil; justamente por isso foi
sancionada a lei: 10.639 de 9 de janeiro de 2003, que torna obrigatório o ensino da
história e cultura afro-brasileira em todas as escolas.
A partir de então, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência
(PIBID) e o Colégio Estadual São Vicente de Paulo de Irati-PR, acompanhado da
professora de história, vem sendo trabalhado o conteúdo afro-brasileiro na sala de aula,
com o objetivo de tentar tirar dos alunos algumas questões preconceituosas e
eurocêntricas referentes aos africanos.
Com isso o PIBID acompanhados da professora, vem desenvolvendo algo que
fique marcado com os alunos de Ensino Fundamental e Médio, como por exemplo: para
o Dia da Consciência Negra, será elaborado um quilombo em uma sala, apresentando
algumas formas de culturas africanas, como: a culinária, dança e música, ou seja,
mostrando que os africanos contribuíram e muito com a cultura aqui para o Brasil.
Primeiramente iremos explicar como surgiu o Dia 20 de Novembro, o que eram os
quilombos e quem era Zumbi dos Palmares.
Assim, faz-se necessário entender o que eram quilombos. Segundo Sousa
Campos Sento Sé (2009):
O termo “quilombo” vem das palavras “kilombo” da língua
Quimbundo e “ochilombo” da língua Umbundo. [...] Em alguns
lugares do nosso país, os quilombos também recebiam o nome de
“mocambos”. Em seu significado original, “quilombo” se referia a um
lugar de repouso utilizado por populações nômades. No Brasil, a
palavra tomou uma nova dimensão: chamava-se quilombo uma
comunidade de escravos fugitivos. Nessas comunidades vivia-se de
acordo com a cultura originalmente africana – seja em âmbito cultural,
religioso ou social. [...] Escondidos no meio das matas, aqueles que
prosperaram se transformaram em aldeias. Há muitos registros de
quilombos por todo o país, principalmente nos seguintes
estados: Alagoas, Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas
Gerais, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo. [...] O Quilombo de
Palmares (tendo como principal líder - Zumbi dos Palmares) também
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é conhecido como “Esparta Negra”. Até hoje a história de Palmares é
lembrada por muitos como uma luta pela igualdade.
2 O ressignificar na sua própria prática
Uma das principais atividades a ser realizada é a dança, onde os alunos vão ter
um contato mais próximo com a cultura africana, indo além de aulas expositivas em
sala. Já vem sendo ensaiada uma coreografia de uma música de origem africana
intitulada como "Akekho Ofana no Jesu", no dialeto Zulu, uma das muitas entre outras
linguagens africanas. Através dessa canção, será mostrado o colorido dos trajes típicos
e adereços nos cabelos. Contudo, a dança foi pensada como uma forma de ressignificar o dia
20 de Novembro - Dia da Consciência Negra.
Segundo Strazzacappa (2001):
A dança no espaço escolar busca o desenvolvimento não apenas das
capacidades motoras das crianças e adolescentes, como de suas
capacidades imaginativas e criativas. Ao contrário, o corpo expressa
suas emoções e estas podem ser compartilhadas com outras crianças
que participam de uma coreografia de grupo.
A dança sempre foi muito utilizada nas disciplinas de Educação Física, mas
podemos mostrar que podemos utilizar a dança dentro do conteúdo escolar também na
disciplina de História, ou seja, mostrar a cultura afro-brasileira, resgatando
historicamente e destacando a importância que ela teve na formação da cultura
brasileira. E a dança sempre foi vista como algo alegre e divertido, pois as crianças
sempre se expressaram através de ritmos, e conforme a música, por isso foi escolhida a
música "Akekho Ofana no Jesu", no dialeto Zulu, pois é uma música com muitos
ritmos, sendo assim, expressando bem a cultura africana e é algo que vai ficar marcado
com os alunos.
A dança é vista como um fato social segundo Lois Porcher (1982):
[…] a dança é também um fato social; como tal, ela herda tudo
aquilo que é trazido por uma determinada época, e é impregnada
por essa herança; no desfecho da dialética entre aquilo que
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fecunda e aquilo que é fecundado, ela modifica também, por mais
modestamente que seja, aquilo que a modifica. Enquanto fato social,
a dança reflete os desejos, as alegrias, as esperanças, os
receios e as adorações de um grupo dentro de uma determinada
época, de um determinado período dessa época; é o que explica
a variedade dos temas de inspiração da dança, e das suas tramas.
A dança afro-brasileira é uma dança baseada em muitos ritmos, onde os alunos
dançam utilizando todos os componentes do seu corpo como as pernas, braços, tórax,
ombros, os quadris e a cabeça, durante os ensaios eles vão aprendendo sobre a cultura
africana e também sobre a dança que é algo que se faz presente na cultura popular até os
dias de hoje.
Para Chiarani e Fassheber (2008):
A dança afro-brasileira é uma das expressões mais significativas da
cultura negra brasileira, priorizou o desenvolvimento de atividades
que contribuam para o rompimento das barreiras sociais,
possibilitando o conhecimento dos alunos sobre suas raízes, história e
linguagens, para que ele possa reconhecer sua identidade cultural,
promover a integração entre os alunos e aceitação das diferenças
culturais. Nesta perspectiva da diversidade e da multiplicidade de
propostas e ações que caracterizam o mundo contemporâneo é que
devemos lançar um olhar mais crítico sobre a dança na escola, neste
mar de possibilidades característicos da época em que estamos
vivendo talvez seja este o momento mais propicio para refletirmos
sobre a sua função na escola.
No dia 20 de novembro - Dia da Consciência Negra, a apresentação final da dança
com as 3 turmas participantes, vai ser feita com a ideia de um “ Flash Mob” - que são
aglomerações de pessoas para realizar determinada ação inusitada previamente
combinada que chame a atenção de outras pessoas. Ou seja, nesse dia vai ser mudada
totalmente a rotina de todos os envolvidos na escola, além das turmas participantes, das
demais turmas, e outros professores e funcionários para que esse dia fique marcado com
a apresentação da dança africana e mostrando também um pouco da cultura estética.
1.1 - Ensaio da dança "Akekho Ofana no Jesu"
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Figura 1: Ensaio com os pibidianos
Fonte: acervo da Professora Fabiana de Godoy Rocha
Neste sentido, podemos entender qual a importância e o significado da dança
africana para o ensino de História e de como trabalhar com esta metodologia conforme
as palavras de Chiarani e Fassheber (2008):
A dança afro-brasileira pode ser entendida como uma contribuição
para a recuperação da cultura brasileira, como uma forma de despertar
a identidade social do aluno para a construção da cidadania, além de
promover uma maior interação social e fazê-lo participar do processo
de ensino /aprendizagem tendo o papel não de reproduzir, mas de
instrumentalizar e de construir conhecimento através da dança, pois
ela é forma de conhecimento e elemento essencial para a educação do
ser social ofertando uma possibilidade concreta de discutir as relações
raciais na comunidade. A necessidade de valorização da diferença que
buscamos se dá no sentido de reconhecer e afirmar positivamente a
pluralidade e a singularidade de cada diferente cultura e da não
aceitação
das
desigualdades,
muitas
vezes,
justificadas
equivocadamente pela diferença cultural/racial e que resultam na
inferiorização dos seres humanos.
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Portanto, assim como bem disse Schneider (2013, pp. 2-3): "Neste sentido, sendo o
ambiente escolar o espaço principal de atuação do egresso do curso de licenciatura em História,
o subprojeto busca intensificar ações de contato, de estudo e de execução de atividades, visando
uma formação mais adequada ao contexto atual profissional do professor".
Referências
SCHNEIDER, Claércio Ivan. O Ressignificar da Prática Docente no Cotidiano
Escolar: Experiências de Formação a partir do Subprojeto Pibid História/I.
Campus de Irati-Pr, 2013.
SOUSA CAMPOS SENTO SÉ, Carolina de. HistoriaBrasileira.com. Disponível em:
«http://www.historiabrasileira.com/brasil-colonia/quilombo/» Acesso em: 31 de agosto
de 2014.
PORCHER, Louis. Educação artística: luxo ou necessidade?/ tradução de yan
Michalski; direção da coleção Fanny Abramovich. - São Paulo: Summus, 1982. pg161-197.
STRAZZACAPPA, Márcia. A educação e a fábrica de corpos: a Dança na escola.
Cadernos CEDES. vol. 21 n. 53 Campinas. 2001.
CHIARANI e FASSHEBER. Danças afro-brasileiras: uma possibilidade de trabalho
nas
aulas
de
Educação
Física.
Disponível
em:
«http://
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2438-8.pdf» Acesso em: 02
de setembro de 2014.
TRINDADE, Ana Lídia de Oliveira. Multiculturalismo urbano: O Fenômeno Flash
Mob.
Disponível
em:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/textodigital/article/download/18079288.2012v8n1p25/22400. Acesso em 02 de setembro de 2014.
Agradecimentos
A Capes, pela bolsa de iniciação à docência, e aos professores do Colégio Estadual São
Vicente de Paulo de Irati-Pr. que lá nos receberam e nos auxiliam na formação.
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