2560 Trabalho 995 - 1/4 PROJETO DE INTERVENÇÃO NA COMUNIDADE: A ENFERMAGEM NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA EDUCANDO PARA O MANEJO ADEQUADO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Oliveira, Soreny Martins1 Lacerda, Juliana Nunes2 Araújo, Paula Roberta Silva3 Batista, Nancy Nay Leite de Araújo Loiola4 Canuto, Mary Ângela de Oliveira5 Lima, Sandra Cecília de Souza6 INTRODUÇÃO: A Enfermagem é uma das profissões da área da saúde cuja essência e especificidade é o cuidado ao ser humano individualmente, na família ou na comunidade, desenvolvendo atividades de promoção, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação da saúde, atuando em equipes, há muito tempo se preocupa com a questão do meio ambiente, isto pode ser observado desde os tempos de Florence Nightingale, que enfatiza a importância de um ambiente limpo para a não proliferação de doenças e uma melhor qualidade de vida (2) .Com base nisso a enfermagem no Programa Saúde da Família (PSF) executa ações de orientação das comunidades quanto à questão da degradação ambiental, no qual o agente causador é sempre o homem. A idéia central da prática de enfermagem orientada para a comunidade é que a intervenção de enfermagem possa promover o bem-estar, reduzir a disseminação de doenças e melhorar o estado de saúde da comunidade. A educação ambiental é um processo de intervenção nas condições sociais, que tem função transformadora. Nesse sentido, não pode se pautar apenas na transmissão dos recentes conhecimentos da ecologia, e sim colocar-se como uma estratégia de reflexão mais ampla, como exemplo ”não jogar lixo na rua, cuidar das plantas, não desperdiçar água, reciclar o lixo e preservar os recursos naturais”(3). Essa problemática envolve a participação dos cidadãos priorizando as relações Graduanda do 5º período de Enfermagem da FACE. Email: [email protected]. Graduanda do 5º período de Enfermagem da FACE 3 Graduanda do 5º período de Enfermagem da FACE 4 Mestre em Enfermagem. Professora da FACE e FSA. 5 Graduanda do 9º período de Enfermagem da UFPI. 6 Especialista em Enfermagem. Professora da FACE. 1 2 2561 Trabalho 995 - 2/4 políticas, econômicas, sociais e culturais que influenciam decisivamente a relação entre a humanidade e a natureza, vale ressaltar então que esse processo é uma transformação em longo prazo. A criação das cidades e a crescente ampliação das áreas urbanas têm contribuído para o crescimento de impactos ambientais negativos. No ambiente urbano, determinados aspectos culturais como o consumo de produtos industrializados e a necessidade da água como recurso natural vital à vida, influenciam como se apresenta o ambiente. Os costumes e hábitos na produção de resíduos pelo exacerbado consumo de bens materiais são responsáveis por parte das alterações e impactos ambientais. Atualmente, a maior parte das pessoas habita ambientes urbanos. Dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2004) indicam que, no Brasil, mais de 80% das pessoas são moradores urbanos. A acelerada urbanização e crescimento das cidades, especialmente a partir de meados do século XX promoveram mudanças fisionômicas no Planeta, mais do que qualquer outra atividade humana. A população do Brasil apresenta a mesma tendência mundial de ocupação ambiental, ou seja, opta pelo ecossistema urbano como lar. A transformação do Brasil de país rural para urbano ocorreu segundo um processo predatório em essência, com acentuada exclusão social de classes da população menos privilegiada que, por não terem condições de aquisição de terrenos em áreas urbanas estruturadas, ocupam, em sua maioria, terrenos que deveriam ser protegidos para preservação das águas, encostas, fundos de vale entre outros". A cultura de um povo ou comunidade caracteriza a forma de uso do ambiente, no ambiente urbano, os costumes e hábitos implicam na produção exacerbada de lixo e a forma com que esses resíduos são tratados ou dispostos no ambiente, gera intensas agressões aos fragmentos do contexto urbano, além de afetar regiões não urbanas. O consumo cotidiano de produtos industrializados é responsável pela contínua produção de lixo. A produção de lixo nas cidades é de tal intensidade que não é possível conceber uma cidade sem considerar a problemática gerada pelos resíduos sólidos, desde a etapa da geração até a disposição final. Nas cidades brasileiras, geralmente esses resíduos são destinados a céu aberto. Lixo é uma palavra latina (lix) que significa cinza, vinculada às cinzas dos fogões, é "aquilo que se varre da casa, do jardim, da rua e se joga fora; entulho. Tudo o que não presta e se joga fora. Sujidade, sujeira, 2562 Trabalho 995 - 3/4 imundície. “Coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor”.(4) É inevitável a geração de lixo nas cidades devido à cultura do consumo. A problemática ambiental gerada pelo lixo é de difícil solução e a maior parte das cidades brasileiras apresenta um serviço de coleta que não prevê a segregação dos resíduos na fonte. É comum observar-se hábitos de disposição final inadequados de lixo. Materiais sem utilidade se amontoam indiscriminada e desordenadamente, muitas vezes em locais indevidos como lotes baldios, margens de estradas, fundos de vale e margens de lagos e rios. As atividades cotidianas condicionam o morador urbano a observar determinados fragmentos do ambiente e não perceber situações com graves impactos ambientais condenáveis. Casos de agressões ambientais como poluição visual e disposição inadequada de lixo refletem hábitos cotidianos em que o observador é compelido a conceber tais situações como "normais". Andar pela cidade e contemplar os fragmentos habituais – regiões do ambiente urbano que compõem esse ecossistema – permite observar paisagem que retrata hábitos edificados temporal e culturalmente. Muitos são visíveis e se apresentam no mosaico de possibilidades da cena urbana. No entanto, nem sempre tais circunstâncias são percebidas e o morador local, pela vivência cotidiana habitual, não reflete sobre o contexto onde vive. OBJETIVO: Intervir na comunidade educando para o manejo adequado de resíduos sólidos; estimular a comunidade para coleta e destino adequado do lixo. METODOLOGIA: O presente trabalho refere-se a uma experiência de estágio nas comunidades do Poti Velho e Mafrense II - Teresina/PI realizadas pelos docentes e discentes da disciplina Saúde ambiental do curso de enfermagem. Foram realizadas visitas domiciliares com o intuito de averiguar a disposição dos resíduos sólidos das famílias e orientar quanto ao manejo adequado do lixo. A atividade foi realizada no período de fevereiro a março de 2009. RESULTADO: As famílias forma orientadas quanto ao manejo e destino adequado do lixo, havendo a coleta de uma grande quantidade de resíduos, que foi recolhida pelo serviço de saneamento da prefeitura, melhorando o aspecto das referidas comunidades. CONCLUSÕES: É de suma importância o trabalho educativo da enfermeira do PSF em relação ao manejo adequado do lixo pelas comunidades por ele assistida para que haja uma percepção pela população, pois muitas agressões ambientais no espaço urbano são perceptíveis, enquanto outras não são tão evidentes, mesmo que intensas. A 2563 Trabalho 995 - 4/4 percepção, atitudes e valores são fundamentais quando se busca soluções de determinadas agressões ambientais. Descritores: Resíduos Sólidos; Programa de Saúde da Família; Enfermagem; Educação Ambiental. Referências: 1. Del Rio V. Cidade da mente, cidade real: percepção ambiental e evitalização na área portuária do Rio de Janeiro. In: Percepção Ambiental: a experiência brasileira. São Carlos: Studio Nobel: Universidade Federal de São Carlos, 1999, p. 3-22. 2. Lynch K. A imagem da cidade. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 3. Nightingale F. Notas sobre a enfermagem: o que é e o que não é. Trad. de Amália Correa de Carvalho. São Paulo: Cortez; 1989. 4. Costela MS. Educação no instrumento de mudança social. In: Vargas HR. Novos instrumentos de gestão ambiental urbana. 2003.