C apitulo I V
0 F ET I CH IS MO DA EN FER M AGEM
D e acordo com o q u c j;i deixei explícito em v tirios trechos anteriores dcstc estudo, sua discussão central sobre a enfermagem bra-
I i(eira principia, formalmente. pela análise do discurso ai predominante, considerado a expres» o de um abvr eminentemente i<leológico.
Interessa-me sobretudo a face oculta desse discurso hegem<xnico, as
contradições não perccbi<las (ou negadas) entre os níveis discursivo e
c xtradiscursivo. P ara elaborar este capítulo, inspirei-mc na o hrn 0
('<<pilai de ãfnrx (1975), sobretudo na parte que trata da análise da
mercadoria (Capítulo I). Esta obra — uma investigação extensa e
pr<>fundn do processo de constit!tição do capitalismo — sc in!Cia pela
ltllálisc da nl crcadoria, vista pelo scu autor como a c ategoria mais
simp(cs do referido modo d» produção. 1)iz <slarx: ' A r i queza das
soei«dndcs onde rege a produção capitalista configura-sc cm 'imensa
ncumulação de mercadorias c ú m ercadoria, isoladamente considerada,á a forma elementar dessa riqueza. I'orisso. nossa investigação
« Il<tc<;U coai a a n á lise da m e rcadoria" ( ã l a rx, 1 9 7 5: 4 1 ).
Aná lise
rstn quc busca apreender as contradições de scu ohjcto Io capitalisIll<l), dcsvclldlll' o f c ttcllc qu< o c l lvolv t ' .
0 fctichismo da mercadoria oculta o trabalho quc n produziu c
ns relaçõcs cntrc os trabalhos individuais dos seus produtorcs,
"A mercadoria 6 misteriosa stmplesmenlc por encobrir ar características
snmeis do próprio trahntho dos homen<. apresentando.n< como cnrnctct I•<ices n)alerinis c p ropricdedcs sociais inerentes nos prodt<to< do trnhnlho I...) U m s r e)e<ao <o<int definida. estat'elecida entre os hornens,
e«n<ne e fo rce ( nntasmagdricn de n ma re)n<ao entre coisa<" I Xtsrs,
lo7<t III ).
9ã
In pirada, portanto, no método n>arxista dc análise c tendo por
objetivo d i scutir o f c t i chismo contidu no discurso hcgem<>nico da
enfermagem, extraído principalmcntc de sus produráo scadén.ica
(manuais, anais dos Congressos Brasileiros dc E!nfcrmagcm e artigos
dc revista cspccializada), principio esta tarefa pelo corncntario das
definirõcs dessa prática social,' apricentadas po r a l guns d c s eus
agentcs. Dcfiniçccs estas aqui consicicradas como s categoria mais
elementar do referido universo discursivo, o scu concreto aparente
a scr desvendado pe!a análi>c. Esta buscará< descobrir o quc sc esconde por ir;is das dcfirições, o mist iri o q u c a s envolve. P ara(rascando õlarx, penso que as definiçõcs dc enícrmagem existentes são
fetiches que encobrem as csracteristicas sociais históricas do trabalho
na área, as ccntradiçocs cngcndradas no p rocesso dc sua institucio-
nalizarão no capitalismo. Nessas dcfiniçõcs, as relações sociai> que
os vários agentes dc enferrnsgcm estabelecem cntrc si, com os demais
integrantes do processo dc trabalho no sctor saúde c com o paciernc
assumem a forma fantasmag6rica de relações ideais, abstratas, desurticuladas da sociedade inclusiva.
Dissecada a mercadoria em valor-de-uso c valor-de-troca, discutidas suas inter-reluçõcs intrinsccas e extrínsecas, fica evidenciada,
ao longo da análise, s >verdadeira origem do valor nula acresci<k>
(mais-valia).' Aqui. o dissecamcnto da chamada enferntagém moderna em enfermagem pr o fiss.'onaí c en f ermagem ocupacionaí pr o cura
demonstrar as origens da transformaçao sofrida pelo scu objeto dc
trabalho soh o capitalismo e a importancia da introdução daquele
duplo conceito em substituirão ao conceito unívoco dc cnfermugcm.'
1.
2
3.
P ode.se definir prdriru roriní como " o modo de n<ao socialdc um
grupo <le agente soc(aic. ter.dente de f orm" variávcl c sun integração
no conjunto de práticus cstruturnduc, o qce quer d zcr tembém sun p>nrticipxfão ne constituição de ume dctcrminedx forma dc orgcnirucão de
«ociedsde" (Cion<alvcs, 1979: 91).
Prática cocial, é pois, ntividede humana. trabalho humano imbri mio
cm umn dude estrutura encicl< etividxdc ne<ride do relec'.oncmcnto entre
os homenc c voltndu pura o alcndirnento dc rcrtnv ncccssidudcs de)cs.
K hl u r x denomina de mais-valia oacréscimo ou u c <cedente produzido
sot rc um valor primitivo (1975: 170>, c<cedente este oriundo de tra.
bulha texcedentc, grntuitu), "destinado a prod<rzir o> meios de subcisténcis para o pr oprietário dos meios de producio" (1 97<: 265). segundo umu da> te<cs merxistn< há>ices <le ci<cdu obr>. e m ais-valia
oririn«-n nn esfera dn producão das merceclorius c >c rechze nn esfera
de circo)es(io, ta n c e sfera dc producao quc ocorre o evréscinu> de
velar ã mcrcxdonn pek> t<e(olho ecccdcnte do essaluriedo.)
I n spirei.mc aqui nn introducão feita por hterx dos conceitos <lerupirui
ron>tenra e rcpiraí rari<í>cí como um meio de aclarar formeimcnte, in.
clucivc, esse questão 0 e x pirai variãvei (forca dc rabslho')
t
denominado porque ccrecccnta um valor novo co prcxluto através dc
A consulta a vários autores nacionais e estrangeiros sobre o que
i'cnfcrmagcm apresenta-a unanimcmcmc como sendo uma arte: " A
' ttfermagem é u m a a r te: c p a r a r ealizá-la como a r te, r equer u m u
Jcvoção tão exclusiva.um priparo tão rigoroso como a obra de
qualquer pintor ou escultor; pois o quc 6 <> tratar da tc(a morta ou
do írio m;írmore comparado ao tratar do corpo vivo — o t cn>pio do
t:sp(r>la d<.' Deus. E u t>ta das at'tis; c c t t q<tese diria, s m ai s bela
s'>r >
" (
*<> <: r> :'. s»> ' »'."' ''>: > • ' l~
Jc Sc)>nor, s.dc 106) . P o r sus v cz, I ' rice ( 1966) a fim»a: " A s cgu-
ranra e a destreza com que se realizam os diicrintcs Initodos clcstina<los ao cuidado dos cnfi r mos põ>e manifesta a a rte d a c n fcrma-
gctn (p . V l I).
Observe-sc qnc as duas citaçõcs transcritas acin>a abrangem
nunnças difcrcntcs (c imp<>rtantcs) do sentido do termo arte (Ilolan<ln Ferreira, )975). A primeira enfatiza o aspecto estético, evocando
a capacidade humana c r iadora d v s ensações e estados d c e spírito
"tocado~" pelo belo, pelo sul>lirnc. Enfoca, portanto, «obretudo, os
efeitos (ctircos) cia atividade em exame. A
s egunda enfatiza os as-
pectos estritamente técnicos (artcsanais) do "ofício" de enfermagem
(urte manual), rc t r ingindo.se ao processo em si.
Paralelamente ã caracterí tics discutida (enferma«cm como sendo
urnn arte), as dcfinic ões englobam, com frequincia, outra: a dc ciência. 'I
' A compreensão dos princípio> cicntificos r laciorsdos com n>élodos ~í
uu tarefas <lcstinadas ao cuidado dos enfermo: i u ciincis de cnfcr- jc-
nutgcm" (Price, 1966: Vll) . Ou, segundo a mesma autora: "A cnfcrn»>sem é uma ciincia na qual os princípios fun<lamintais do cuidado
<lr cnícrmngcm dcpendcm do conhccim nto de ciencias bio16girac.
lnls como anatomia, fisiologia, microbiologia c quimica"." Embor:t
rel<te citações não explicitcm o conceito dc ciência quc as lundumcntu,
.<>gerem, nao obstan:c, que a observnncia dc dctcrminados princípios.
trabalho excedente (nau pnsu). Con>cq<icntcmcntc. co co!ocnr s origem
<xperente) dn m:<i>-valia ns esfera du circulaçco, dbcimu)u-sc e exp)o>es)lu dn fores clc trnbcihu nsselnnndc. du mesma forma quc sc a dicsinn>le eo apresentar o su!ário como n r e muneração cquitntive dcc lornadas de trabalho F m a mbos os casos. tratc.se de rovos fetichec desvcndndoc pela unrílisc marxista.
"Por forCa dc trabalho ou capccidude de trabalho comprccn<lcmos o
c<m)unto des feculdede> fisicns e mentsi>, c<i<tentes no corpo e nn per<ens)id• <Ic viva de um ver humcro, nc quais elc põc em nsão toda u
vcl que produz velo>< cdc.uso dc qualquer e pécie" t Xturs, 19 5 : 1><71.
btu < epitulo l) de<sc livro, intituludo "Principioc científicos ds cnfcrma>I nl", á p . >H, u autora fez n)u<ao Iumhcm ã r s icologie e s ociologir>
ur>u «man importa<>tec para cs lsrcccr es enfcrnlcirs> sot>rc 0 porq<lé
da <omlute humana.
' oriundos das ciencias que emprestam contribuirões valiosas a cnícrmagem, é suficiente para definir esta prátic« social como constituind o uma ciência en> ói. A e ste i cópcito. penso quc uma distinção importante se impõe: un>a coisa í r e alizar i n vcótigaçôes base«d«s em
canones científicos consagrados, outra 6 constituir-óc como um campo
científico. relativamente auti lnomo. E m v i sta disto. inclino.mc a vxn
a enfermagem sob o mesmo prisma com que Canguilhcm vê a mcdicina; " um a t í c nica ou a rte situada ns ncruzilhads de m uitas ciên
cias, lnais do que uma ciência propriamente dita" (Canguilhcnl. 1978:
16). Este modo dc entender a medicina vm nada diminui 8 óua importãncia ou cmbaça 8 sua contribuição para o dkócnvolvin>cnto daó
ciências em que se baseia o saber médico. I 'or exemplo, quando
I.erichc (citado por C anguilhcm) af irma quc " a f i siologia 6 8 c o lc,ãnca <Ias soluções dos problemas lcvantado ó pelas doenças dos doen-
mente. t<m uma forte vinculacão con> a origem proletária da referida categoria, imp Icm seus membros a serenl n>crus cxccU:ores dc
ordens (dos mídicos, <las enfermeiras). Por outro lado, as cnfcnneir as. que f r cqiicmcmente possuem a l n esma o rigem d c classe <los
mcdicos e um nível de escolaridade semclhantc, encontram sc, não
obstante, UUma posirão subordinada cm relação ãquclcs. 5 ' a q ui
a questão da <lifcrcnça de classes não se coloca, a existência de uma
assimetria no relacionalncnto mídico-enf«rn!eira se explica, penso,
pelo mencionado rctlirdamento d o p r ocesso de p r ofissionalizaçãio e
<lo processo de cieniifizarão desta última categoria, bcm como pelo
íato dc cia ser dominantemente feminina. aspectos quc sc r c íorçam
I>NII Il 8m CnI c .
tes" (I.crichc, citado em Canguilhcm, 1978: 75), está visualizando o
fh» suma, na área da saúde, pelas razõ>cs histórico-estruturais
nvcntadas, . medicina apresenta-se como scu pólo hegemônico c os
inédicos con>o seus lideres inconlc tcs, 0 que dificulta quando n«o
d esenvolvimento d a f i siologia a p a r ti r d a e x periência clínica c t c -
Ch>>rui por comph:to a t roca profícua de iníorm<«;õcó cntrc médicos
rapêwica, ou seja. da experiência médica com o est>aio patológico;
'm sum«, cst;I reconhecendo a i nq>ortância da atuação médica para
o aperfeiçoamento daquela ciência. Esta í tamb<m a visão dc Canguilhcm ao escrever que: " E m m atéri« d e p atologia, a p r iineira pa.
lavra, historicamente falando, c a í i l tima palavra, logicamente falan.
do, cabem «clínica" (Canguilhem, 1978: 18ã),
Por óua vez, ele se refere a esta nos seguintes termos: "a clínica
não í u m a c ii)ncia e i amais o será, n>esmo que ut i l ize me ios cujo
c jic<íciu seja cadu vez i rl«is guruntidn cientificamente. 1% clinica í.
inseparável da terapêutica, c a terapêutica é uma técnica de instauração ou de restaurai;ão do normal, cujo fim escapa ã jurisdição do
saber objetivo pois 6 a satisfação subjetiva de saber que uma norma
cslá insmnr«da" (Canguilhcin, 1978: 185.
G r i fos nlcUó).
Ora. a c n f ermagcm óc l i ga, f u ndaincntslmenti.', ã l c t apeullca,
prestando sos docntcs, em í i l t ima i n stância, oó cuidados prescritos
I j pelo módico. Nesta ;ires. cia tem em p rincípio um« i m portante
contribuição a d a r i i m e dicina, i n formando aos médicos serras <Ió
evolurão do t r atamento, possibilitando a eles manter, c,>mplcnlcntar
o u alterar ss prcscriçoes feitas. Possibilidade esta, no entanto, dif i .
!
cultada e obscurecida pela composiç«o hctcrogênes da enfermagem,
já t»ntas vezes aqui lembrada. por sus profissionalização rclativamentc tardia e por scu ingresso rcccmc no numdo da ciênci«.
Como foi visto. o cuidado Jireto est«principalmente em mãos
dos aicndentes (estimados como assumindo 2/3 da assisiincia geral
dc enfermagcm), cujo nívci dc c ócolaridadc 6 b aixo ( q uando m u ito
a 4.'" óíric do 1." grau). Esse fator c seus corolários quc, ínegtlvcl-
e pessoal paramédico, no sentido acima mencionado. Rctoman<lo a
discussão anterior e baseada nos argumentos citados dv Csnguilhcm,
creio poder afirmar que a cnfcrmageln profissional nao constitui uma
ciência vm si, embora as atividadcs quc lh c são pertinentes tenham
li«óc ci<nuífica. E não é, portanto. este fato quc explica o ócu relativo
ilcsprestígio face « m e dicina c a o u t raó profissõeó do mesmo nível.
mas toda a sua história pregressa, revivida. em certo sentido, na sua
hlst6ria dc hoje. Ora, as profissoes ão categorias hist6ricss come
i«mhém o prestigio de qnc e r evestem. 5en> dílvida. « c o nquista do
picótígio buscado pelas enfermeiras passa pela via ds ciência, o que
'n> Unis c l i:fli:Ia
«Ill) álgnlflc8, Icplto, qUc 8 cnleimagcm sc co>l>tl<<la <,
óingulur. Está ai um dos seus grandes equívocos, ou seja, para quc
ii rnfcrmagcm profissional óc con olide do pomo de vista científico,
c nrccsslirio quc, 8 par d a f amiliari<ladc com os aspectos 8 ela pertlilentcs das ciências biológicas, lióico-quimicas c h<>mana<u CProfundr i l s estudos metodológicos c e l eja t en>as rclcvanlcs s área para
óvtrin pesquisados, contribuindo, q uiçá, para o d esenvolvimento dc
l<li>ill> ciências e, fund«mcntalmentc, pura o «vanço do conhccimcn(o
I rlativo il assistência dr v n f cnnagem. N ãio óc trata, port«mo, como
vil«(voe«d«mente pensam as cnfcnncirss, <lc erigir u ci<nciu du cnjer«iiig«iu c, para isto, elaborar teorias dc e iijcruiugem. I '.quivoco este,
<' fir<cssário lembrar, quc não se restringe ao Brasil. A l i ás, t rata-sc
il« ii m equívoco i inportado dos Estados Cnidos n a ú l t im a d écada,
«ni>i>u>ando a tendência dc importar modelos para o ensino dc enírinu>gcm (não <6 de enfermagcm e não só de ensino), presente em
nidn n hist6ria brasileira moderna dcóta prilica social.
I'enso que a e x austiva análise feita po r F l orence s'íghtíng(llc
< f A.(cfpf< AC to
(194õ}, sobre a importãncia das condieões ambientais (dc luminosidade, temperatura, v entila(;ão, l i mpeza. <onoridadc. <licta) p l»11 d
assistência de enfermagem, não configura em si uma teoria dc enfermagcm, mas uma teoria das condicõcs ambi<'.BtaiS ótinlus, in:pOrtante
pura a cnlcrrnagcm. A nalogamente, quando Pop)au drscrcic as íuici
<io processo de rclacionanl<nto i ntcrpcssoal enfermeira-pucicnte, dis-
Seceiiidddei piicobiológicas
kcccssida.lcs piico<iociais
Oxigena<go
Seg»I'dn<:I
H«tratarão
A<nor
I.ibcrdailc
< om«n(c,<ião
9 I II I
i<f<o
I:limina<ão
<hmo e repouso
cutindo métodos para o cstu<lo <la cnkrmagem como um processo
intcrpessoal (Souza, 1984). não desenvolve urna teoria dc cnk r magcrn,
mas uma teoria dc rclaeõcs humanas, íítil il c nfcrmagcm.
sio que i c r e k r c a o l l r ai il , H o rta i c o n i i dcrada a p r imeira enfermeira a elaborar uma teoria de cnfcrnmgcm: a teoria úds ncceisidadcs b;ísica , cuias fonte e x p licitas são hlohana (19õ4) c h l asloii'
Aprenúiragem leducacto ã . «d<ile)
< regáfl'I
.'<Io( Ind:«lc
I ipase
Cuida<Io corporal
lntegridaúe cutaneo-mu o<a
Integridade fiiica
kcauta<ío: lérmica. hormonah
neurológica, hi<lroisalina, c l ctrolítica, i m nnolúgica, c rescimento celular. vascular
I.ocomocao
I'crccpcão: olfativa, i i <ual. anditiva, l á t il , g u i l atii a , d o l orosa
Ambiente
íerapéutica
(1970). Devido ã expressiva inf luincia de seu pensamento na producão-reprodurno do saber acadimico mais recente da ;ires, foi escolhida para análise a sua principal obra, como um paradigma ilustrativo do modo dc pensar das intelectuais da enfermagcm.
Diz aquela autora: "Todos os conheci!»untos e tícnicas acumu-
'3/ I ladas sobre a enfermagem dizem respeito ao cuidado do ser humano,
isto i , como atcnd<-lo cm suas neccssidadcs básicas" ( H o rta, I '379;
29). E stas são r l a cionadas, pri!ncirumcnte. cum base cm h l asloiv,
que as hierarquiza nos seguintes nivcis: I ) n ecessidades fisiológicas;
Cria(iiidade
l<icrcicio e a<ivida<lc< ff<ice
'Ia«n«h<h«le
Abrigo
hlccdnica corporal
Rc c I'c«<" I0
I a(cl
A 'e<la<«O
Orlar»«ião no tempo e especo
A :Ito.realiza<io
Auto-estima
participa(to
Auto-imagem
Ate»cão
Se<es<ida<Ir. r<i<o <pirituai<: religiosa ou t eul<íai 1<. ética o»
de filo<of::a dc i id:i.
2) dc scguranca: 3) de amor: 4) de estima; 3) de auto-realizaqão.
Horta esclarece que, pB!d i<ldslow, uln i ndividuo só passa a procurar
satisfazer as nccesiidades do nivcl . (ibscqiiintc " a pós um minirno dc
satisfaeão das anteriores", sendo que o -min!mo referido ainda não
foi determinado, mas o próprio autor reconhece que tal sistenmtica
não i rígida, variando tambím cm alguns indivíduos' (Horta, 1979:
39) .
Continua H orta: "I'refere.sc utilirar n a c n fcl111agcnl a denomi-
na(;ão de João hlohana: neccssidadcs dc nível psicobiológico, psicossocial e psicoespiritual; ns <Inis pmmeiros níi eis ião comnns a tudos
os seres vivos nos diversos aspectos de s»tl conlplcxidade orgãnica,
»ias o tcrcciro nível, por enquanto c dentro dos conhccilnen(os atuais,
é característica l í nicn d o h o m em" . A c o mpunhu c<la a f i r maSão o
quadro classificatório a seguir.
s ão há, no livro citado, nenhuma iustificativa sobre o porqui
da aludida preferencia.em enfermagem. por hlohana, e nenhuma
conlpalô('do entre d
entocada.
100
p c l p c cl l i d s dt!quelcs Bulorei sobre u q uestão
Ouunto a o
c o n f ronto da s s i nteses apresentadas sobre a m bos
íicu evidenciado que, enl 31ohana, há uma referência explícita a
necessidades espirituais (sempre tao prcsentcs no discurso dn cnfcrInngctn). 0 me smo nao ocorre quanto a h l d i l oiv, cujo q u adro d(!s
ncicssida<lcs hísicai r es!r!nge-sc as fisiológicas e psicológicas.
Horta também não faz nenhum comentário sobre a síntese que
np(i'.<cala do pensamento d c h l aslow, n i n h unl q ucstiollanlen(o, po('
oacmplo, sobre a l u í c rida f a lt a d c s i multaneidade cn!IY. B s v í l l d s
ncccisi<l
adcs mencionadas. Sobre as bnses cm quc sc sustenta tal pren llist(, l i ssa onlissão leia-mc a cntcn<lcr quc cl a aceita il1 loluln ns
«Iluclu;õCS maalowianas quc sintetiza. Surprccndcntcmcntc. a " t eoria
i lni n ecessidades bdsicas' e l abora<la por e sta a utora c onstitui, n a
realidade, u par d a i n corporaeão acrítica daquela parcela d a t eoria
0• motivação humana dc hlaslo<v c do petlsantento dc õ lo hana, U»la
simples enumeraeão de algumas lci. cxtrimumente genéricas" quv
a.
A < lei< englobadas por Horta cm sua "teoria" iáo a do equilgirio (ho.
mcostaic ou homeodinf<mica). a úa ad.<pt«elo c a do h oli<mo, qnc rr.
101
rcgtnu os (enómcros universais (físicos, biológicos, psíquicos), transpostas dc forma tnecânica para o ser humano,' enquanto objeto da
en(ermagem e pm.a a cnfermagcm enquanto parte integrante da equi-
pe de saúde (Horta, 1979). A respeito das ponderações feitas, surge
a necessidade de aclarar qual o conceito de teoria aceito por l -lorta.
Reportando.mc, mais uma vez, a o bra em a nálise, encontra-se ã
p. 5 as afirmaçoes seguintes: "Teoria í o aparelho conceptual, Rc
presente um mundo ou a realidade possívcl ou, segundo I.ahr, um
conjunto dc leis particulares mais ou menos certas, ligadas por uma
e xplicação comum (. . . ) " .
mttora p rossegue transcrevendo o u tras dcfiniçõcs d o t c r tno
(cujas autorias não especifica), que apresentam diferenças de sentido
igualmetue inexploradas, Como não se trata aqui de fazer um aprofumlamento das questões metodológicas, vou me restringir a coment ários pertinentes a c i tação acima. E m p r i lllciro l u gar, c tr b ora a
existência dc aparelhos conceituais determinados seja importante no
processo de desenvolvimento das várias ciências, constituindo parte
intcgrantc de suas teorias, não sc confundcm com catas. I'.m segundo
l ugar. cabe introduzir dútídas quanto ao texto referido: qual a
explicação comum que une as leis particulares (já mencionada.) quc
emha am a t eoria d e H o r ta ? 0 ho l i smo supõe a h o nteostase quc
supõe a adaptação, simplesmente? Pode-sc, entretamo, raciocinar
de forma menos linear sugerindo, nor exemplo, que homeostase r
adaptaçao, sendo processos e não estados (ou estados oue se pro
ccs am continuamente), tím incorporados ent antbos desequilíbrios c
desadaptações.
Por sua vez, penso quc falta importante complcmentarão ao
axioma citado referente ã teoria holistica. ¹ o ba sta afirmar qur
perceber,nas cn!relinhas, a tendência dominante, na enfermagem.
da análise sctorializada, que se fixa no objeto da investigação isolando-o do seu contexto inclusivo ou tratando de forma mccãnica as
articulações cntrc diferentes instãncias.
A teoria das ncccssidadcs básicas em enfcrmagcm, consubstanciada no chamado "processo dc cnfcrtnagem", tem exercido uma
influênciamarcante na produçao acadimica mais recente da área,
estimulando a formulação de outras teorias. Considerei inevitável
ensaiar aqui algumas ref lcxões a seu respeito, primeiramente, para
tl»r um exemplo do processo de elaboração tle uma teoria dc enfermagem, segundo o que a ;írea considera como tal. Em segundo lugar, porque existe hoje, no Brasil, cntrc as enfermeiras-docentcs uma
for(c adesão a esta tendência, <lcscurando dc uma discussão quc neccssat
'iamcnte a antcccdc: a propriedade ou impropriedade de sc
(alar cm teorias de enfermagem.
Reportando.mc a argumentarão anterior, penso que não se pode
proclamar que a teoria das necessidades bíísicas aprcscntada seja uma
teoriadr cniermagem. mas sím qt:ca área incorporou determinados
aspectos de teorias existentes na psicologia, visando enriquecer-se
teórica e praticamente.
Um último aspecto, bastantc usual nas definicões de enfermagem,
reporta-sc ao "cspirito dc servir" a ela inerente, a "devoção desintcressada a uma causa fundamentalmente dedicada a ajudar aqueles
q uc cstao dotnttcs física, mental ou espiritualrncnte" ( p r icc, 1966: I ) .
"I'az parte do cuidado básico de enfermagem respeitar os anscios
cspirituais do paciente e mesmo ajudá-lo a satisfazê-los en: qualquer
situação" (Hcndcrson, 1962: 52). Sua finalidade precípua é "servir
h humanidadh segundo as necess!dadas do individuo c da socicda.
o todo (universo, ser humano, célula) não í a m e r a soma d r a tlas
partes constituintes. R esta esclarecer como s«r;i estudado u m ( c nolncno específico: i soladanlente e m seus elementos collstituintes ou
tlc" ( Forjaz, 1955: 127).
buscando analisaresses clemcntos tambím em suas relações com os
todos quc os englobam c sob qur prismas intcrpretativos. Incxistem,
du pacicntc evidenciam a enorme influência do cristianismo na enfrrmagcm ocidental (Forjaz, 1955 e 1959). I nf luincia quc, tendo
nascido com aquela religião, perdurou através dos sículos, apresen(antlo-sc ainda hoje com destaque no scu discurso dominante.
no texto comentado, explicitaçôes a esrse respeito. C o ntudo, pode-sc
suma nos portela<tus seguintes: 1) "iodo o vniscrso se mvntém por processos de equilíbrio dinãmico entre os seus serro 2 ) t odos oi veres do
universo interagem com ~eu meio externo buscando sempre (armas de
aíus:amento para se manterem em equitibrio: 31 o universo é um lodo,
o ser humano é um todo. a célula c um todo, case todo néo é mera
soma das parles constituintes dc cada scr" <Horta, 10?çx 28).
7. A expressão teraamuav designa,dc acordo com esctarcimeato da su.
tora, á p. 2S da obra aguda dv. indivíduo. (amiga c romunidsde.
102
Essas citações quc exaltam a responsabilidade da enfermeira no
quc se refere ao atendimento das necessidades espirituais c materiais
ãIalgrado o processo de secularização dos costumes dcscncadca.
slo pela Reforma protestante c que se acclerou com as revoluções
francesa c industrial, fomentando valores laicos na cultura moderna
tio Ocidente, a enfermagem profissional, gerada na era vitoriana,
assimilou-Ihc os rigidos princ.'pios morais, permanecendo estreitamente vinculada a seu passado religioso. Portanto, da mesma forma
103
que o fim da sociedade aristocrática não significou o fim da influência aristocrática (Hobsba<vm, 1977), a sccularizarão crescente da
sociedade burguesa não rcprcscntou a morte das rcligiõcs ou da religiosidade. Assim. o espírito religioso dogtnítico. caractcristico de
eras passadas. foi incorporado mecanicamente ã enfermagem profissional laica. pelo menos ao nivel de uma das faces dc seu discurso.
As transcrições feitas acima constituem. claramente. a apologia
de um humanitarismo e de um idealismo ocos, vazios <k historicidade, pois incxistcm, em scu contexto. referencias ãs condições infra-estruturais reais que possibilita<n ou impedem a sua concretização.
Entretanto, esse-ideário não í u m t raço exclusivo da enkrmagcm,
estando prcscnte, por cxcmplo, na mc<licina, no magistério c no serviço social, atividadcs encaradas como autinticos sacerdócios, exigindo dc acus membros tnuito altruismo, dcsprcndimento e dedicação.
sente nas referências ã arte da enfermagem (cotvo atividade criado.
Utn traço destacado deste idetírio, que sc confunde com as dcfiniçôes d» enfermagem apresentadas neste tópico (análogas ãs inítmeras que foram consultadas),' í o seu carátcr idcol6gico, o a-historicismo, o alheamento ãs determinações concretas da prática a que
sc refcrc, ãs suas transformações no tempo e no esparo. 8 c urioso
observar que, no modelo dc definicão dc enfermagcm apresentado,
o espírito de servir, que se identifica com a necessidade de cuidados
a prestar, constituindo, portanto, o ponto dc partida da existência
dessa prática — o fato hist6rico que Ihe deu origem —, í o 6 (timo
qa ordem lógica textual. T alvez por ter supostamente menor fascínio hoje que os dois outros termos dela imcgramcs: arte e ciincia.
1(sta revista, port;t-voz oficial da Associação 13rasilcira dc Enfcnnagcm, foi criada com a finalidade de "servir de depositária das conccprões quc vão plasmando, moldando e dando existência a enfennag<nn nacional" (editorial, citado por Gcrmano, 1985), constituindo-se,
scm dúvida, no principal instrumento de divulga>ao da produção.
-reprodução do saber na área.
Almeida (1984), ao chamar a atenção para a mudança verificada no conteúdo das defini<„ocs <lc enfcrmagcm, escritas em ípocas
<likrcntes, ilustra-a referindo-se a duas cdiçõcs dc um mc>mo livro,
publicadas cm 1')59 c em 1966. Na edição de 1959, definindo cnfcrtnagcm como a r te, Souza esclarece: "técnica í o c onjunto dos
processos dc uma arte (. . . ) . A a rte de enfcrrnagcm, toda dedicada
ã contribuirão para a melhoria da saúde do indivíduo e <la colctividade, tcm sua tícnica própria" (Souza, 1959: 7). N a edição de
1966, a autora introduz a palavra ciencia, afirmando:
"A enfermagem é oma arte e c iência q<>c visa ao p aciente como um
uxlo: corpo. mente. e>pi<i<o. Técnica <te enfermagem é a aplicação do<
cont<ecimentos de»s Ar:e c Ciência" (Souza, (966).
Como foi visto, o termo arte tem um duplo sel>tido, mns é sobre(u<lu aquele entpregado por Florcncc Nightingale quc catá preII
Ver , or• >r <col><to, I'p>leio. 1977; l f e oder>on. )962; M . < 'toro, ( 9 6 5;
Io<rh
ra e prenhe dc i n spiração, vinculada i ntrinsecamcntc ao sublime
ao belo). Q uanto ao termo ciênciu, é inegávcl o scu ctlorlllc plestígio
na atualidadc c, conseqiientemcntv, o forte empenho de certas áreas
do conhccimcnto em rcceberetn a auréola de cientificas, sendo este
empenho particularmente marcante na cnfcrmagem profissional, por
razõcs já discutidas.
Ao lado das transformações substanciais (auséncia dc um termo
ou outro) e da ênfase (ordem dos termos) assinaladas no processo
de sc dcf!nir enfermagem, considerei itnprescindivel verificar também
as alterações havidas no conteúdo geral do discurso hegemónico da
categoriaestudada, ao longo do período analisado. Tendo cm vista
este fim, foi feito um levantamento da te:nática dos exemplares da
í(cvista I) rnsiíeir<t dc E n fe rrrtagem pu blicados entre 1 9 46 a
19 8 >.
Criada cm 1952, paralisou suas publicações emre 1941 e 1945.
como já n.cncionei, passando a ser reeditada, sem interrupções, desde
1946, embora de forma irregular (Carvalho, 1976; Germano, 1985).
Por isto, escolhi esta data como ponto de partida do rcfcrido levantamento, quc foi subdividido em três fases: de 1946 a 1961; de
1962 a 1972 c dc 1975 a 3985. (IKccordc->c que 1961 foi o último
ano etn <ptc a cnfcrmagem profissional recebeu candidatos cgrcssos
do ginásio c que 1972 marca a criação do primeiro curso de pós-graduação depois da reforma universitária de 1968.)
Para esse levantamento foram examinados todos os índices dos
exemplares publicados naquclc pcriodo, excluindo-sc os <6picos relativos a cditoriais, discursos de abertura de congressos, recomendaroes c resoluções dcstcs, noticias, relat6rios de con:issões da Associação 13ra>ileira dc E n fermagem, portarias, decretos, estatutos e
resenhas bibliográficas. Os demais artigos, totalizando 1.222, foram
classificados por acus titulos, abrangendo os seguintes aspectos (or-
denados em ordem alfabítica): administração e legislação; biologia:
ensino e educarão; especializações em enfermagem; história; outros;
personalidades (homenagcns e curricufurrt vitac); psicologia aplicada
i) enfermagem; questões gerais da enfcrmapcm; saúde pública, técnicas de enfermagem e vida associativa, acrescentando-se o item re106
(ercnte ã
c i é ncia e m e t odologia científica pa.a o s
d ois ú ltimos
períodos.
Em adrnín/s<ra(uv e I eg/>/u(ãv f o ram i n c luídas matérias referentes ã o rganização dc scr<iços ou a a specto> legislativos, como,
por exemplo, "Serviço dc m o lí >tias contagiosas num hospital geral
sob o ponto dc v ista administrativo c d e ensino" (R e<i>tu Brusi/eira
de Enfermagem. n." I, 1 948). "1)ecretada a ex tinçi o d o a t cmlcnte
de cnfcrmagetn. An;ílise cxcgítica do l)rcreto n." 199/67" K/ B I n
n." 6, 1969: "Organizarão dc S«rviro dc Enfermagem" (KEKEn, n.'
1973).
Em ó/o/vg/a incluiram-se matérias que tratavam dc aspectos lig ados ao funcionamcnto orgânico, a d ieta>, ou a d rogas, como p o r
exemplo, as refcrcntes ã "Penicilina" (RI.'/ll n, n.' l 8, 1946); "Dieta
no hipertircoidismo" (Rl BF<r,n." 1. 1948) ; "Sindrontes rcspiratórias c
infecções mais frequentes do recém. nascido" (R EBEn, n." I c 2,
1971); "Ventilação pulmonar — alguns aspectos de cnfcrmagem relacionados a pacientes com aparelho de re>piração arti/icial" (REBE<t,
n.' 4, 1974).
Dc ensino e educaíuv constaranl artigos versando sobre qllcstões
curriculares,supervisão de estágio, organiração d c e scolas. como,
por exemplo. "Organizarão de escolas de enfermagem no Brasil"
(RI IIEn, n.' 18, 1946): "Formação e aperfeiçoamento das enfermeiras
em face das exigéncias modernas" (REBIn, n. 6. 1 964); "0 e nsino
de enfermagem psiquiátrica nos cursos <k auxiliar de enfermagem"
(REB/ n, n. 2, 1966): "Aplicacao do currículo mínimo de graduaçao
em cnfernlagem c obstetricia" (REBEn. n." 4 e 5, 1973).
0 item exper/a/izações em enf<r<nagem englobou mat<rias ligadas as mai d i versas especialida<ks como I'.nfermagcm Psiquiátrica.
Enfertnagcm Hospitalar, Enfermagcrn 31ãdico-Cinirgica. Fnfennagcm
! Interno-Infantil. En/crmagem du Trabalho, excluindo-se a Enfermagem dc Saúde Pública, com classificação ã parte. São exemplos
deste tópico: "Enkrmagem cm centro cinlrgico" (R / B / n, n ." 6 ,
1961); " E n fermagem psiqui i t rica"
(R E BI n, n ." 4 , 1 9 65); " P r eparo
<la gestantc para o parto — A equipe ideal" (I ' EBEn, n." 2, 1974>.
I'.m /<i</dr/a fo ram i n cluídos artigos >obre história da e nfermagem, história d a medicina e. Bc outras instituiçves de saúde, exe<n-
plificados por " 0 p e riodo de declínio da cnfermagcm nos sículos
quc se seguiram ã ldadc <Xlédía" (RI:BEn, n." 3, 1948) : "l)esta>volvimcruo histórico da ntedicina" (RI BEn, n." 'I, 1948); "Resenha hist6
rica da Escola dc Enkrmagcm de Rihcirão Preto" (K EIIEn, n." 2,
1962); "lçlernórías da enkrmagcm brasileira" (REI//n, n." 2, 1977).
106
0 item vu/ros (incluido na classificaçto m )s excluído da análise) engloba uma gama extremamente varia<!a de temas que não sc
enquadram na classificação feita, como por exemplo: "Uma viagem
dc estudos aos E.U.A. (K E BI r<,n.' ih 1949); "0 d i abético na socic.
dade moderna" (RE/I/EV. n." 4, 1963); "l l istórico c aspectos legais da
adcção do Brasil" (REBEn, n.' I, 1 975).
E!li perro>tú/id<<des. itlcluíram.sc tr<até<ias alustvas a ) Itlportall.
tcsfiguras da enfermagem, algumas delas restritas ã aptvsentarão dc
seus currículos. Como cx«tnplo, podem ser citadas: 'Ana x'érí"
(REBEn, n." 2 3, 1 947) : "'Valeska Paixão — C u rriculum V itae"
(KEBEn, n.' I, 1 965); "In mcmoriam" (RI.'BI:n, n." 6, 1973}.
()uanto ao t6pico psicologia aplicada ã e n/ermagem, incluiu
artigos com esta mesma designação ou por ela abrangidos: "Psicolo.
gia aplicada ã enfermagem" (REIIEn, n. 20, 1946); "Aspectos psico.
16gicos da enfermagem" (RFBEn, n." 4, 1967); "Manifestarão de tensão e con>portamcnto de adaptação dc crianças hospitalizadas" (REBI n,
n." 3, 1973).
0 i tem questões gerais </e en/ennage!r< abarca matérias oue en-
volvem refl
exões gerais sobre a profissão de cnfcnnagem a sua imagtnn, as relações enfermagem-sociedade, dados cstatisticos sobre o
pessoalda área ou considerações acerca desta em determinado estado
ou região do país, tendo por exemplos: "Integração da escola de
enfermagem na sociedade" (REBE<t,n.' 4, 1957); "A enfermagem no
Estado do Paraná" (REIIFn, n.' I, 1965)! "I.cvantamento de recursos
e necessidades de enfermagem" (K/ BI n, n." 4, 1965); "I>ludíficaçõcs
d a imagem d a e n fermeira. percebidas pelos estudantes, durantc u
curso de graduação da enfermagem" (KEBEn, n." 2. 1974).
0 tópico sobre sa<í<le ptíbl/cu tantbím íala por >i, como pode
ser visto a travá> dos exemplos scguintcs: "Tuberculose e enferma-
gcm" (RBE, n.' I , 19 48); " R elat6rio da Campanha dc Vacinação
Anti-Variólica realizada cm .'>Icsquita, Estado do Rio d e l aneiro"
(REBEn, n." I, 1963); "Aspectos da enfermagcm na profilaxia e tratatnento da doença dc chagas. da malária e da esquistossomose" (REI)I n,
n." 2, 1980).
0 i t e m t écnicas <Ie enfermagetr, q u e c onstava c x plicitamcnte
dos indiccs da KBE até 1957, abrange qucstocs como: " a plicação dc
soro cndovenoso" (REBEn, n." I, 1948); "catcterismo vesical no homem" (REBEn, n. 3, 1948) ; "cuidados com lábios leporinos" (REúE>t,
n." 3, 1949); "lavagem intestinal' (R EBEn,n." 4, 1950); "lavagem nn
estômago" (REBEn, n." 3, 1951); "curativos" (RI BI >t,n." 2, 1954) uu
estudos de caso como: "Estudos dc caso de enf«rmagem cinirgira"
(REI)Ea, n.' >, 1949); 'E studo de caso de enfcrmagcm obstétrica"
(REBEn, n.' 4, 1950).
Vida associativa, por sua vez, engloba artigos rcfcrcrtes a entidades de classe, 8 realização dc seminários dc estudos, enfim, a questões quc. contribuem para o c rescimc>uo c f o r talecimento profissionais, corno por exemplo: " Scmin<írio l,atino-Americano de Benní star
Rural" (REBEn, n." 2. 195>): "A p ropósito do Congresso l)rasilciro
dc Obstetrizes" (REBI n, n.' >, 1958); "Valor do diretório académico
nas escolas dc cnfennagem" <REI>En, n. I , 1965): "A participação da
ABEn — Seção glinas Gerais — nos cxamcs dc >uplência profi>sio.
nalizantc — l l a bilitação técnica de cnfermagcm" (REBEn. n." 2,
1977); "0 espírito associativo e o enfermeiro no E>tado da Guanabara" (REBEn, n.' I, 1 975).
Finalmcme, o item ciência e mctodoíogiu engloba questões de
método científico bem como relatos de c>tudos e expcri<ncias r<.'alizadas neste campo, como por exemplo: "Fnfcrmagcm c pesquisa:
importância c significado" (Rí BEn, n." 5, 1964) ; "Estudo das atividadcs de enfermagem em quatro unida<lcs dc um hospital govcrnamcntal" (R EBI n, n.' 4, 1 967); " E studo comparativo da secreção oto-
faríngca em duas populações distintas" (REBl n, n.' 4, 1 974).
A análise da Tabela 4 evidencia alguns ponto> importantes, explicítados e com ntados a seguir.
Inicialmente, é necessário csclarcccr que a queda observávcl dc
13,5 6 no total da produçao analisada da década dc 1961-1972 para a
de 1973-1<383 explica-sc pelo fato <le quc a produção mais significativa
dos Congressos de I:.nfcrmagcm passou, desde 1977, a ser publicada
parte. Penso, entretanto, que este fato não prcjudica a anélise
pretendida na medida em que o intcressc desta foi o d» captar as
tendências n>ais marcantcs de uma determinada produção intelectual
através de um dado período que, suponho, não se altcrariam com
a adiçgo dc novos números ao conjunto. P ortanto, a observação feita
v ah:, sobretudo, para >nostrar que a aludida diminuição no t otal d c
artigos da Rl<IJEn. na última fase, não significa uma diminuição real
da produção acadõn>icada> enfermeiras.
Xo que sc refere ao i tem qa e><õcsgeruis <fc e>rfermage>n, ob-
serva-se quc o número dc seus artigos manteve-se quase inalterado
de uma fase estudada a outra, ocupamlo respectivantcntc o quinto,
terceiro e quarto lugares. A p roximidade destas posiçõcs c a sua
relativa intportância demonstram quc a problemática abarcada por
esse item sempre esteve presente no horizonte da área, embora, em
108
mcu cntcndcr, circunscrita ora a aspectos :neramente descritivos, ora
ao círculo vicioso das considerações in abstracto, a-históricas e, portanto, altamente genéricas e hon>ogencizadoras. Por outro lado, os
artigos sobre vida associativa mantiveram quase o
m esmo n útncro
entre 1940 e 1972, para decair verticalmcntc na última década, qu.ndo sc rcgistrarn apenas três com esse conteúdo. Tal queda explica.se
pelo fato de que hoje a cnfcrmagcm profissional constitui uma érca
rclativantcnte organizada cm t orno de s u ó r gão central, a A ssocia-
çgo Brasileira dc Enfermagem (ABEn), que já conta com uma história dc quase sessenta anos, cinq(ienta dos quais documenta<ia na
importante obra de Anaydc Correa dc Carvalho (1976). A A I )En
é a principal rcspons:lvcl pela criação da Revista Brasileira de Eu)er>n«gen> e pela realização dos congressos anuais da categoria das
enfermeiras, duas iniciativas de inestimávc! valor para a sua organização. F preciso observar, entretanto. a ausincia nos últimos anos,
naquela revia;a, de artigos ligados ã problemática cmergentc do processo dc sindicalização das cnfermciras.
Deve scr registrado também o decréscimo de artigos referentes
saó>dc pótblica, que caiu pela metade da primeira para a segunda
fasc,continuando a decrescer na terceira. sc bcm que em grau ntenor.
A curva decliname descrita por c>ta problenv«tica acorrpanhou o
declínio do modelo sanitarista na política geral de saííde do país, a
partir dos anos 50. conforme o ant riormente discutido. Tal declínio
repercutiu,como era de se esperar, na estrutura curricular das escolas de enfermagem, que passa a privilegiar, de fato, os aspectos curativos em detrimento dos preventivos (Gcnnano, 1983). Desta forma,
cnouanto o currículo do curso de enfermagem de 1949 dava «nfa'c
ao estttdo das doenças de massa, através das disciplinas dc cunho
preventivo, o dc 1962 substitui a obrigatoriedad- da disciplina dc
saóde ptiblica do curriculo minimo anterior peia especialização c o
de 1972 passou-a de especialização para habilitaçgo. Portamo, as
duas últi
mas reformas curriculares na enfermagem abriram a possibili<ladc dc o es udarte "concluir scu curso legalmente sem ter estudado Enfermagem dc Saúde Pííblica" (Germano, 1983>: 41), uma
questão central se se tem em vista o perfil <le mortalidade de expressivo contingente da população brasileira, mas totalmente secundária
sob a ótica das necessidades atuais do mercado de trabalho na área
da saíí<le. F. interessante observar ainda o grande ní m cro de artigos
sobre têcnicvs de enfcr>nugem na primeira fasc, ocupando o segundo
lugar cm importgncia no conjunto de sua produção. Como j í c omentei, havia um tópico específico na REBEn com aquela designação,
até fins dos anos 50, quando começam a surgir artigos relativos.
sobretudo, a assistência de enfermage>n. Altera-se, pois, substancial109
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de enfermagem específi
cas, passando as enfermeiras a enfatizarem
a importância de seu papel no «tendímcntlt âs necessidades psicoiógicas do paciente. São cxcmplos desse tópico. nas últimas fases: "fm.
portí<ncia da assistência de enfermagem no ciclo grávido-puerpcral
cm portadores de diabetes (Rf:.13En, n.' 4, 1967); "Plano de cuidado
integral dc cnfcrmagcm ao paciente hospitalizado" (REI)En, n." 5,
1968); "Orientação para tratamento domiciliar dc enema com corticóidc ít paciente portadora de rctitc actinica pós-radiomoldagem" (Rl 13En.
n.' 1, 1981), sendo visíveis aí alterações de cnfoquc (cu(da<io integral)
c dc linguagem, explicáveis pela passagem da categoria estudada para
0 ensino superior e, conseqúcntemcntc, pela influência tnarcante quc
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mente, o conteúdo deste item da primeira fase para as suhseqiicntes.
0 t ipo <íc técnicas atrás enumerado 6 suhstituido por assuntos referentes a assistência dc cnfcrmagcm, geralmente de cunho n!ais ahran
o modelo da pesquisa científica passa a exercer sobre cia, impondo.
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ascensão na carreira. h)esmo quando se trata de té nicas especificas,
a difcrenca da linguagem é grande, comparada ã da primeira fasc,
corno nocxcmplo que se segue: "Avaliacão da dcgcrmaçao das mãos
com hexaclorofeno contposto quartenário de amõnio e sabão comum"
(Rfíflgn. n.' 2, 1978), quc possivelmente receberia no passado a de-
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- se como u m r e quisito i m portante para a c o ntratação <loccnte e a
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Por outro lado, a inclusão das denominadas técnicas de enfer<r:agem na primeira fase da revista parccc emergir d i retamentc das ncPl
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cersidadcs do serviço enquanto a chamada assistência úe
g<an í, sobretudo, de origem académica e destinada a satisfazer tais
exigências.Um outro fato quc chama a atenção é o decréscimo do
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nó<mero de artigos sobre administração e l egisíu<ão dc um a f ase 0
outra, embora ocupem posições de relativa importancia nas três fases
enfocadas, como a quarta, a q uinta e a sexta respectivamente.
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preciso recordar, de um lado, quc as fases dc i<nplantarão
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c co<<solidarão <la enfermagem ntoderna na sociedade brasileira foram
acompanhadas dc uma verdadeira batalha no ambito legislativo q uc
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cuhninou com as regulamentaçõcs da I.ci do 1:.nsino dc 1949, da [.ci
do Exercício Profissional dc 1955 c com a quc instituiu na ;ires,
cm 1973. órgãos fiscalizadores próprios (Ministério da Smídc, 1974).
Era dc sc esperar, consequcntcmcntc, que esre processo sc ref lctisse
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dc alguma forma na p rodução da r evista. A t u altnente as enfcrmci-
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ras estão lutando por uma nova Ici dc cxcrcício profissional que substitua a de 1955, sendo que as considerações ent torno desta qucstao
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'pico ensino c er fucutuo, que contém o m a ior
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eira e segunda fases, sendo superado,
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e acie>r(ijicu.
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íiltimo i t em, i n existente n a p r i meir, f ,
a asc., <esponta
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na scgun<la e
cresce cx(raordinariamente
na terceira, q uan lo
o rnando-se o mais importante numcricarn nt . A :
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são sobcjamente conhecidas e jã fora I c c . s r az.ocs doestc
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' u c '(ladas. v;irIJs vezes
correr
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deste trabalho, o que mc exim
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c d e r e peti-I as. Q u anto i t õ nase < a a ã educa
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i;ão pela RFBLO, ela estã prcsen!
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a > ssociação Brasileira de Enkrmagcm
i z; " t r abalhar i ncessantemente pelo p r o »uc, a
'ito d c enfermeiras e pelo estabelecimento dc progre<so
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da eaucad
c csco
s Ia, de
quc ten»am os mesmos requisitos da I'.scola
Oficia!
doenfcrmagcm
(Carvalho. 1976: 480).
Ciermano, em scu recente estudo sobre a REHLn, faz.
constatação e rref o rça-a ao mostrar que, "das recomc d
C(l54e
açoCS uuoS' C
I On.
g os
os de Enfermagcm, reali
z..ados entre 1947-82.
v
ém ã educaçao e ao ensino" (Gcrmano.
1981:
. 14).
k ref erem-se
'
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-
. nectos í pl enamente iustificévcl pela his
tória da enf
i de ruptura sc encontra na passagem
da cnfermagcm tradicional para a moderna. quand
o se
s esta,e
; b I cce o ensino formal, seguido de extensos
e i ntensos
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esforços
para
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qua idade.
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iho que se refere ãs consideraçõcs finais acer
io, observo que as alterações de cont''d
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ri as, e r ivadas principalmente du mudança no' O' I'
'Jo ud as
ls enfermeiras,
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não r epcrcutiram n o n i v cl glra
au dc' I". seu<al'Iz(i
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ca cgoria: o i a s su us represenfapócs sobre u e njermug'
f
' eram inalteradas. cm seu
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conjunto. ref lct' d
ç
ciza o e quc ignora as mudanças
no ohjeto de traa lo dd ã tca, fest(l(a(I(c d
d seu processo dc p
s de
o capitalismo.
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rofissiunaliza"
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Para demonstrar a af i rmarãio acinm, fora I
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analisada, apresentados a seguir:
Primeira fase:
A f!nulidade .recí un dn
ss reles<id<des do indi>íduo e de sociedade" (Forluz, 1955).
112
Segunda fase:
"gcr>ír é a r i sco <le >cr da entcrnmgem. F o n u» o o bietiio í c o ntribuir par» quc o povo tenha >ni)de De>cmo> ter umn mente inqní>íiívn
para conslnntemciite investigar os n (cio< de prc>lnr 0 > no«os >er>íçoi,
v»bem(o avaliar unis c o utra maneira dc mel(.or desempenhar n m :>ião
que s sociedudc nov confiou. enm autonomia, perícia e c<>rn elevado
senso de responsabilidade" IO()re!re. 1963).
Terceira fase:
"Nn prc.ente, e cnfcrrreiro c, tã coo<c(rn<e do< problemas dr ssáde do
puí<, psrtícipa ao lodo dc ou<ro< prof(<nona)< n» elabore<)o dc pleno<
para n solução desse< problcmu<. é capar <le stuur produtívumcnte num
s(<teme séc)o-econ(>mico quc e<<é m<u<ando rupíd»inen<e c dc
<lclcgsr
cer'.u< tarefas uo pc<soa( iu«ítínr dc cn(crmugcm. a (nn dc emp)isr
cficsrmentc <uss utivídndes no cnm>po dn <súde" (Adnmi. 1973).
re<in lembrar qur u cnfermeii s por f orça dc sua funrãn conio
profi<síonu! deve <cr índi<cutivelmentc. cm <»<lu minuto do sei< trabalho.
unm cdu udorn cm saúde < . .) com suficiente preparo para que pose»
atingir seu obictívo máximo inerente n <un c»n<lição dc enfcrmcíra:
contribuir para u sei)de. para o coir plcto be(n-Cst r d o i n divíduo, <lu
família c da coletivíds<lc" (Rodrigues. 1973).
Nestas citações, fica claro. a p a ni r das ref lexões anteriormente
ki tas, que elas se atí m a a parõncia dos fenômenos, visualizando-os
<Ic forma idealistica c, consequentemente, submetendo-os a uin p r o-
cesso dc homogeneização de suas diferenças c contradições concretas,
escomli<las sob o manto espesso de generalizações de amplissimo alcance — a sociedade, u enfermagem, a familia — c 110 contexto de
um discurso fosfórico, matizado de sentimentos mcssiãnicos c ufa.
nis(as, cuja tonica tem se mantido a o l o ngo d o t e mpo. T a l c o nstatarão tarnbím p ode ser r p c tida a r espeito da conteúdo das defi.
tllçÕcs de enf<'.rn)agem como ar!c, ci<acta e v o cação", p ois, con.
forme vimos, malgrado as nn:danças quc nele se processararn, ntantcve inultcrado o seu substrato: a r epresentação dc uma cnf«rmagem
u bstrata, idenlizada e i r r eal. i ndepcnderuc de
um tempo c espaço
concretos.
Uma definição que dcssc catita das referidas dctcrminaçÕcs
teria estribada no pressuposto dc que os conceitos não são estéticos,
atemporais, absolutos, Tõm a sua historicidade própria como as
atividadcs, os k t os, as coisas que designam. Conseqúentemcntc,
não hJ resposta simp(i~ta para a questão da "natureza da cnfcrmu.
gcm", pois o simplismo í evasivo. E imprcscindivc(, portanto, sitiuir
historicatnente essa questão, vinculando-a, como
p r ocurci mi » ili»i
cm capitulos anteriores. ãs características da enfermagem (c da medicina) em modos de produção específicos e cm momcmos hist6ricos
determinados. Portanto, ao procurar definir a
enfermagem
brasileira atual (em um dado tempo e em dada formação
social) preciso
mostrá-la enquanto um a p r útica sacia( h i storicamente rfcferwinada,
retcrogénea, contraditória, voltada p
cuidado do p aciente (cuidado
almene,
te,
de fato,para o
úi reforimor
e i n ddii
refof
s ecundariarnenfe.
para a prevenpão da saúde.
Hisfoncanrenfe determinada e nquanto parte i ntegrante dc u m a
sociedade concreta a cujas transformações sociais gerais ou especificas (ao campo da saúde) se articula. Ifeferogenea sobretudo porque
composta por categorias socialmente diferenciadas, de todos os níveis
de escolarid ad e, portanto, marcada internamente por assimetrias,
discriminações e conflitos. He ferogc
!rca ainda,
no casoprofissional
das enfermeiras, por implicar tipos diversificados
de exercicio
como docência e serviço. Heterogcrrea também por sc apresentar
vinculada a instituições de saúde distintas. públicas e privadas (hospitais, centros dc saúde, clínicas). Contraditória porque entrecortada
pela divisão entre trabalho intelectual e trabalho manual, sendo que
as enfermeiras (as intelectuais da enfermagem) s6 existem enquanto
existircm os ocupacionais da
atendentesde
c
auxihares). Contraditória aindaenfermagem
porque seu(sobretudo
discurso dominante,
cunho ideol6gico. c negado na prática cotidiana de seus agentes.
Este discurso dominante é o discurso da categoria dominante (das
cn ermeiras), que procurarei ilustrar a seguir através de algumas trans-
crições referentes av que é enfermagem, sua finalidade e se
d e trabalho bem corno ãr articulação enfermagem-sociedade. tr ob'/ef 0
"Enfermagem. cm sen!u furo. pode mr definida como uma arte c uma
ciencia, quc visa o indivíduo como um todo. corpo.
rpo. mente e espirito,
promove sua saúde mental c e
!piritual pelo ensino e pelo exemplo, dando
tanta importãncia a ed!!ração sanitária c :t preservação da saíÍde quanto
ao cuidado do doente. incluindo o cuidado do ambiente social e espiritual do paciente tanto quanto do ambiente físico, e a a s!istíncia sani.
tária ã familia e ã comunidade tanto quanto ao individuo" (REBEn, ne
11, 1958).'
"híovvo serviço é um dos mais elevados: servimos ã vida. a saí!de, procurando para todos sua plenitude" (Paixão, 1961).
A f inalidade prccípua da cnfcrmagcm 6 "mrvir a h umanitladc segundo
as ncces!idades do indivíduo e da sociedade" (Forjaz. 1955).
d
Oi'A' '
ermagem da Universidade Cat6lica
da
m(r!ca — VVashíngton, D.C.,
LSA.
114
"0 dever primeiro do profissional de enfermagem consi te em. através
dc sua contri
d
ntribuição
uição pessoal, melhorar o bem-estar da coletividade e d c
com
seus mem bros.
. conjugan
n jugandoa a fun ão de edu ador sanitário
com aa dc
agente de cura" (Carvalho, 1980).
" tratemos, porr todos
os os meios. quc os valores espirituais de servir
com surtido cristão na cnfcr!negam. neúa época e t an o m
h v ivos pelo bcm da humanidade. relembrando sempre que
!c deixa de ser humano quando se deixa dc ser c ristão" t. o ina,
b'. d nf r magem "é a pessoa humana. a famíha ou outros grupos socia!c ou ainda a comunidade que necessita de ajuda para ma
ou alcançar a saúde" (Oliveira. 1981).
As citaçõcs apresentadas sao extremamente vagas; aI udcm, como
já disse, a uma enfermagem abstrata, voltada para um objeto abstrato: o indivíduo, a familia, a comunidade, a humanidade. Tratam,
conscquentcmentc, da idéia dc enfermagem e náo da realidade hist6rico. social da enfermagem, bcm como das idéias dc indivíduo, famillu, comunidade, humanidade, e nao das respectivas realidades is', tratam
de universais abstratos (Chauí, (980).
l óriCO-SOCiaiS; is(O é,
ra
Ao se referir a este a~pacto da ideologia, Chauí exemplifica dizen o:
"na ideologia burguesa, a familia náo é entendida como uma relação
socia quue
SOCial
e aSSume
ass e turmas.. func(CS
ãí
C sentídus diferenteS tantO Cm de Oro ndições históricas quanto em decorrincia a
réncia da ss co
. da c 1asse socia
soc ial n a m u edade. Pelo contrário. a ffamilia
ami ia éc rre presenca
tada como sendo sempre a mesma lno tempo c para t a s a s
e. portanto,
r t a nto,cocomo uma realidade natural (biológica). !agrada (dcscjada
e aben ada por Deus), eterna (sempre existiu e sempre
ta vida boa, pura. normal. respeitada) e pedagógica (nela se aprendcut
as regras da vcrdadcim convivcncia entre ov homen, com o a mor dos
pais pelos filhos. com o respeito e tcmur dos filhos pelos pais, com o
.!mor fraterno)" ( Chauí. 19RO: RR).
Analogamente. os individuos (doentes ou sadios) sao reprcsen.
lados pelas enfermeiras como unidades biopsicossociais indiferenciadas, sem vinculaçõcs de classe ou étnicas, enquanto que o cristia' totttâ
tomado
ttlsttto c:
0 como a v erdadeira religião, atri u t o p r i mordial d a
! 'essta
a m e sma linha dc pensamento, os pr o e m as
! 4
essência h u m a na.
t lctcctados são percebidos predominantemente como sendo e o r em
moral, legal, «dministrativa ou cuhural, e a socicdadc c' vista como
um todo harmônico. dominada pelo consenso. por interesses uniformes, como se pode dcpreendcrdas citações abaixo de uma as ideres atuais das~enfermeiras do Brasil.
"A cnfermagcm brasileira (...) se tornou unta pro(!ssão a dulta .... pe rd eu o
egocentrismo das profissí!c! ado(av entes porque tem bus ado mr!i r mais
llõ
smtoni>ada com os arseios da so icdad
c a qilc ca fac>n>o i
ada sis>em> < óc(o-pot(t(co-e onómico
a
n>cg>J (, I,
'c d ef 'inc o seu pnge>o
<ocial em
termo< c r educgu das de<igualdades de ren
ila, de mobilidad v
<. < c -' cndiinentn h< neccssida<!es há<ices dos in:lividuos,
de
e pcrmanentc elevaeáo du< nivcis
' d
c i i< a o s g r upos n>ais pi>brc< da
ropulasão. de re<peito (u l i he<d»<le. i i I. d
d f v (Olivciia, 1979: 9) .
i o> < ireitos somai», inclu<ive o dirmto áe <midc"
'
'
'
-
'
'
'
.
.
-
'
,
tempo em suas origens e em seus resultados. Assim, í regra geral,
nessa produção acadêmica, a visáo de que a cnf rmagcm deve adequar-se perfeitamente ãs p oliticas d c s aúde governatncntais, visun.
liza<ias como estando a serviço do conjunto da população c não dc
grupos minoritários desta. onde sc omitem as discrepãncias existen-
tes entre os conteíidos dessas políticas c as respectivas práticas.
Fstes fenômcnos de idealização vincula. -<
fenômcno da absoluti
zação do papel I, c I a:n.sc, pot' sua vcz, ao
pe < as cn fermciras, sobre cu'os
ombros se coloca a responsabilidad
c e "" m c >orar o bcm-c>ter da
colcti
vidadc", de procurar para todos "d I' II
' d do
d paciente"
e", e "cuida." do ambiente social e espiritual
como se tais objetivos depcndcssem a
penas. de suas boas
intençõcs,
dcd icaçao
'
b
e altruísmo.
I
,
0 caráter indefinido desta série d' dcf' '
c
ini
í
c
a rari< ade de textos criticos cm sua produç,
o ç<>es
, : de enícrmagetn
çao
aca<icmica denuncia>n
o cunho idcol6gico de scu discurso hegemônico,
nico, que
ap;esenta
uosseniveis
impregnado de viscos invertidas do real, confun;lindo
ideal
e tca ; ignorando as condiçõcs materiais qu' g
s u c geraram a reícrida
í . d . rática <ocial
s ', e oue
a i n f luencia
o
' m; que coloca interesses
neculiarcs das
.
c as
enfermeiras como sendo interesses ge
g reis ( Ia cnfermagcm e que nega
o s conflitos intrínsecos e extrinseco ' . '
g
e s ' . área (M
(. arx e Engels,
Iqg0).
•
Exemplos contundentes dos aspectos mencionado
s,
'
Por sua vcz, os conflitos en(rc cnfcrmeiras e atcndcntes, rara-
mente referidos, são explicados de for>na simplificada pelo 'dcsprcparo dos ídtimos". Oru, trata-se aí, na verdade, da contraposição de
sabcrcs específicos d ifercnciaín>e>ife i o lorizn<fos pela i d eologia d o -
minante c não da nusência dc saber dentre aqueles ocupacionais.
Ali(is, fun<ões tidas corno especificas de cnfermagcm — a s l i gadas
uu cuidado direto d o p aciente — s ã o comumente executadas pelos
ocupacionais, o que os torna mais habilitado~ a cxercê-ias. Portanto,
este Fato contradiz o postulado dc quc as enfermeiras, por terem um
maior preparo formal, estão mais apta~, conseqiientemcntc, a d ar
cuidado dircto ao paciente. Pelo menos no quc sc refere h parcclu
Inais usual destes cuida<lus (trocas dc roupa, banhos de leito, administração d» medicamentos, medição de sinai< vitai<. curativos) aque-
'
'
'
;
Ia outra sí rie d e c itacõcs:
a os cncontrunl-sc ncs
"0 ma i< maravilho<o sobre
a enferm:
definida" (Carvalho, 1980: 2ó). e . agem í q u c cla não
r c cisa s
"A enferma
. gem é parte intcgrantc dc
p'ública,
" 8I ob a1 d c sa ú de
' a, logo suas ativida<lei dcvcin e<terum
emprograma
h.
geral dc iaiide no pais" <Sobral. 19.8). em a>monia ccm a p olitica
"'
,
" (. . ) o t r abalho cm cq u'p
i e '
c ita s.e. tornando carla ver mais apertei<os o c imlispcnsóvel para
. q u c um po sa assumir, ao m<no<, parle da>
funçi>cs do outro quando e<>c e<tiver impedido. P
S>c
fa
cquirc e s aí<i e ocdc tanto técnico< como
pc<>oal
<OI <ln> sc complemenia< mutuamenic" ( T rhgcr, 1979). a au>i iar p>o.
"0< conf
lito< e ens(c> entre enfermeiros e atcndcnte<
' d
' ' I os
Sso
cv<<
ao
de<
.p reparo
p aro dos
o s ate
atendentc para <uas <csponsabiliilade." (Doura<to,
1980).
Na raiz dcstc discurso ideol6gico hegemi>nico está u falta dc
espirito c r í tico, a des politiza
' ' ção das cnfcrmeirns,
assim
como os
equívocos de suas representações sobre a enfermagem,
a saciedade
p ' t i cas de saííd», aspectos estes quc se
re orçan> nesse processo de ideologizaçao, ou se'
seja,, est ãc ao mes>no
s
I pg
la afirmação é falsa, uma vez que o preparo formal por si s6 í insuficiente para desenvolver as habilidades mencionadas. x)este ponto
c imprescindível retomar o debate referente ao objeto da enfermagem
discutir a s f u nções atribuidas aos seus agentes, quc m c p a rece
scr o aspecto central da problemática aqui analisada.
Como procurei mostrar, aquele objetu transformou-s histori.
cumente: dc um lado, tornou-sc mais complexo c se fragmentou; de
outro, transfigurou-se, pois sc o que contavn para o fcudalismo europeu era a salvarão <ias almas (dos doentes c dc quem os tratava),
pnra o capitalismo o quc conta é a salvação dos corpos necessários
no sistetna produtivo. Sendo a cnfcrmagen>. como as demais práticas
sociais, parte integrante dc f o rmaçõcs sociais concretas, presta-se
sobretudo ã sua preservação; assim, a enfcrmagcm tradicional serviu
ao fcudalismo e a cnfcrmagcm moderna serve ao capitalismo, contribuindo para garantir a sua continuidade atravís de seu papel no
processo de manutenção da força de trabalho necessária ã produção
,'social; dc scu papel na realizarão da mais-valia, sobretudo a gcrad;i
(no complexo mídico-industrial c ainda de seu papel na produção.
.reprodução da ideologiadominartc.
0 p rimeiro aspecto acima referido relaciona.se sohrctiulu
cuidado direto do enfermo, ã sua reabilitação c a mcdidns i le i i i n l u i
p reventivo, a curgo dos ocupacionais; os í íltimuv, pcctilinica ha r n
fcrmriras. dizenl I eapeitO: 1.") í i n d m i nistraçi)o e ii>gi«>i>iiçflii d<>c
117
serviços de enfermagem, estrcitamcnte vinculados ã econotnia imcrna
as instituiçõcs de saí<de, onde um destaque especial '
d I
a o s tnateriais a consumir e ã determinação <le suas formas de
consumo; 2.") ao conjunto dc idéias e valores transmitidos pelo ensino e pela literatura da área, quc servem ã manutenção daP ordem
social existente. Castro (1982), fundatnentada em trabulho de Galraith, estabelece um paralelo entre o papel dc dona-de-casa (administradora do lar) c o dc enfermeira (administradora dc serviços <lc
saí<de), on<ic o fator consutno adquire especial relevo. Refere-sc ao
'importantissimo papel desempenhado pela enfermeira no cresce!!<c
consumo dos serviços dc saí<de, principalmcntc dos hospitais", oue
considera incômcdo. na medida em quc aquele profissional se constitui um "agentc favorecedor do consumo de tncrcad
c a o r las c sc<
vtços
de intcressc do assim chamado 'complexo mídico-industriul'
(equipamentos, antissépticos e des(n(c<antes, descartáveis,
ctc.)"; cm "zelador dos interesses da administração"; e!nrdicamentos
cm "contro.
lador da execução dos atos prescrito~", alertatulo para a necessidade
c as enfermeiras reconhecerem este scu papel econõmico,
Os elementos ohscurccedores do papel cconômico da dona-dc-casa analisados por Galbraith são:
1. a crença dcquc um consumo crescente dc mercadorias e servicos leva a maior felicidade;
2. a a nulação das tarefas associadas '. administração do consuno
e mercadorias que são, para oualquer fim prático, ignoradas,
e a correspondente marginafi
zação du economia doméstica por
economistas e estudiosos cm geral;
3. u i n existência dc contabili<ladc relativa aos valor do trabalho
< omístico;
4. a d issociação funcional entre as delibcraçõcs c as providências
relacionadas ao consutno, isto é, as decisões relatipvas no con.
sumo se originam dc uma pessoa e o trabalho causado por esse
consumo cabe a outra.
Transnostos para a enfermagem estes clemcntos envolve<n, respectivamente,existência dn "crença de que um maior consumo dc
material r o uso dc tecnologia mais sofisticada aumenta<n a eficiência do serviço dc enfcrmagetn e toma<n suas ações mais eficazes"
(Castro. 1982: 41); a desvalorização. pela equipe de saí<de, da admi
nistração daquele consumo por parte da enfermeira; u não.contabi.
ização em separado, desse trabalho; a dependência consi<lcrável das
ações de enfermagem das prcscri
çõcs médicas. "o
ueed.impõe o
c m gran
cm
r andc
c parte
a r o estilo da assistência de enfermagem
1<8
modo como são gastas s horas/enfcrmagrm" (Castro, 1982: 41). 0
primeiro item l cvuntmlo encontra un! paralelo no campo da medicina, onde parece existirta!nb<m a crença de que un! número maior
dc atos mídicos c o uso de técnicas n:ais sotisticadas redundan! Cm
maior eficácia no tratamcnto c na cura.'" Quanto aos demais itens
acima cnumrrados, estão de alguma forma vinculados a discussão
quc sc seguirá, cujo ponto ccniral continua sendo o objeto de trabalho das cnfcrmciras e dos ocupacionais. Tal discussão implica a
verificação dc como este problema se coloca legalmente, o qur me
leva a cot!s<a<at' quc a divisão de trabalho no interior da cnfcrmngcm
está regulamentada pela I.ci n." 2604/»3 e pelo Decreto n." 30.387/61
(ihfinistério da Saúde, 1974). Estes dispositivos legai~ cstabclecem,
como funçõcs privatirus das enfermeiras, ns administrativas (adtni-
nistração de serviços de cnfcrmagcm e direção dc escolas de enfermagem e dc auxiliar) e as de ensino (nas escolas de et!fermagem c de
nuxiliar). considerando comum a todos os seus agentes as funçõcs
assistenciais.n A legislação do exerc(cio profissional da enfcrmagcm
em vigor reconhece pois, explicitamente, a existência dc f unçõcs
privativas das enfermeiras, quc se constituem. implicitamente, no
ohjeto de trabalho por excelência da categori . E ntretanto, nns definiçces <le enfermagem analisadas, transparece o rcconhccimento de
que o eixo desta prática está centrado nos aspectos assistcn iais quc,
por cxtcnsão, s.o também enfatizmlvs no processo dc formação das
enfermeiras.
Scm dúvida,a assistência de enfermagem é a razão de er da
cnfcrmagcn. em seu conjunto, mas a sua realização necessita dc urna
série de atividadcs que nuo são especificas dc enfennagcm, cn!hora
para ela esteja!n voltadas. 0 d esempenho destas atividadcs, como
ioi dito. está nas maos das enfermeiras, ou seja, ns atividadcs privaIO.
Um outro ungu!o dessa probtemáticc 5 n bordndo por Singcr ct nlii
f )97g), quc chamam u u tcnrfio para n a mbiguidade bíiiicc de ccrtns
serviços como oi de icgurun<s c os de saúde: cinbigiiidndc este "quc se
e xprime ns proporcionsli<tc<tc inversa entre o n i vcl de s tividsdc c o
cfcito colimsdo" ip . 11).
A ussiiténcie d c c n fcrmngem cncunlre-ic d c fmidn p elo D e creto n"
30.3g7/dt quc. cm seu ertigo gc, afirma; f 0 exercicio ds cnfermugcm
c dc suas funçõei uusiiinrci comprccnde " e sc<u<ao de u!os que nos
seus respectivo< ci<mun< profissionais visem u i
u) observcção, cuidado c cduceçõo sunitáriu du doente, de gcs!nnle
ou do acidentado:
b) c d minii<rncio de mediccmentoi e trs<s<rcntos prescritos por médico;
c) e duca<ao sanitária do indivíduo, dc fsmilic e outros grupoi sociuii
para e conserva<go c recupernçáo da saí<de e prevenção dss dora<t<s.
d) c p liceçuo de medidas dcstinedcs 5 preiençgo dc doce<cs",
tivas desta categoria não são ss específicas da
enfermagem. Este
ato í responsável, penso, por uma expressiva produção acadimica
direcionada para a problemática do status-papel da
etn cujas raízes sc encontra o dilema cuidado dircto x enfermeira,"
cuidado in<l'Ctn.
Ora, cs a produção reconhece explicitamente a especificidade
da categoria, visualizando como tarefas próprias das enfermeiras "a
i entificação das necessidades de asxistincia do paciente, a orientação e supervisão do pessoal auxiliar, catre outras" (Matos, 1978:
17) c lamcnta quc as cnferrnciras
fiquem "scbrccarrc ;d d
as que poderiam scr executadas por pessoal d» menor pre
7
i em). O r a l atncnta cxatamcnte o oposto, contradizendo esta ítllirna
constataçio ao a f irmar q uc:
"A< fuuvues <tcsempenhada< pela enfermeira caracterizam, destarte, umu
xupervulonzuvlo dox aspecto< administrativos e de supervuflo do per<ord
auxiliar, em detrrmento do< xxpcctos têcnim>sr<i<leu
': ' c ' ía'
i<c. apesar
; . <1e servi<r
e<te< ux que evideucrsm s perícia e x e,x'
" <Csrvxth
" i<li r.rr 'ia"
srvx. o S< C.astro
921.
A primeira sfirmaçâo í. 'reali
sta" quando reconhece a especiicidadc do trabalho da enfcrmcira, embora peque ao afirmar que
esse profissional está "sobrccsrregado de tarefaqs que poderiam ser
executadas por pessoal de menor preparo". Sc o Brasil se caracteriza corno uma formar;.o social capitalista. sc as metas básicas deste
sistema são a produção e a realização dc mais-valia, fundadas na
I gica da exploraçuo da forca de trabalho, do barstcamento dos
custos da produção dc bens e serviços, o corriqueiro aí não é a ina"o dos recursos h munos disponívris, como sugere
dequada u t il'i'z
a<ã
!vl atou mas, ao contrário. a sus maximização, direcionando o pessoul
c menor qualificaçâo escolar para as tarefas ti<lus como simples.
(:onseqiienterncnte, a segunda parte da afirmação analisada nâo está
fundada no real, tendo cunho ideológico.
.
'a verdade, o conlum n a ussistencia dc cnfermagern das insti-
quc í a lógica do capital, voltada para a prcdução de mais-valia, a
d itninuição do s c ustos c o co n secúcnlc a umento d o s l u cro~. S c
assim não fosse, como cntcndcr a propalada escassez de enfermeiras
face it cxistincia de desemprego na categoria bcm como ã cxist<ncia
de enfermeiras quc sc sujeitam a serem contratadas como auxilia<vs
dc enfermagem7 E preciso, conscqiiemcmcntc, estabelecer a distinção entre ncccssidades reais da população e necessidades de mercado, determinadas urnas e outra~ por imcrcsscs comraditórios, por
racionalidades conf litantes.
A scgultda afirmação transcrita, por sua vcz. admite que as cn-
fcrnlciras estejam dcscmpcnhando funções administrativas e dc supervisão, embora não as reconheça como específicas da categoria
(num dado tempo e numa socic<lad determinada). Il m suas cntrclinhaspode.sc ler que as cnfer:neirss brasileiras optaram "livremente", por aquelas funçõcs, c ao fazerern isto afastaram-sc Jo seu objeto dc t rabalho (identificado com o o b jeto d a enfcrmagcm cm scu
conjunto). I',ste objeto — o cuidado direto — requer o desempenho
dc funçõcs tícnicas, visualizadas como as (únicas) quc "evidenciam s
pcricia e a excelência".
Parece-me que estaóltima perspectiva é a que predomins na
categoria das enfermeiras. Iila í i deológica por não v!nculsr a "supcrvalorizacão dos aspectos administrativos e d e s upervisão", b em
como a "p rícia" a ser demonstrada pelo desempenho de funçocs
técnico-assistcnciais. a contextos específicos, historicamente determinados. Dito de outro modo, essa visao dominante í vazia de historicidade c, por isto, ambígua e geradora de ambigiiidsdcs. I:.atas
se comprovam pela coexistência de afirmaçõcs contraditórias como
as que acabei dc discutir; pelas contradições existentes entre a produção-reprodução das idíias dominantes no discurso das enfcrm iras
c a sua pratica cotidiana; pelas contradirõcs, no conjunto d a á rea,
entre proíissionais c o upacionais; pelas contradiçõcs, enfim, entre
enfermeiras.doccntcs e enfermeiras de servi<o.
tuir„õcs privadas brasileiras é, justamente, a utilizarão de mão-dc-obra
menos qualificada para desempenhar inclusive atividadcs consideradas mais complexas. como a passagem d" sondus, a instalação de
soro cm rec<lm-nascido, etc.
l>c um lado, í discutívcl quc apenas ss funções tícnicas "evidenciam a perícia e a excelência". Entendcndo-se a cxprcssão fungues técnicas como se referindo, naquele contexto, a habilidades <le
csr;íter manual, o quc ocorre i q u e o seu desempenho é visívcl,
A explicação dc quc isto ocorre pela cscasscz dc enfermeiras
esconde a lógica inexorável quc permeia lodo o sistema capitulista
"salta aos <tlhoC', enquanto quc as habilidades ligadas, por cxcmplo,
12.
2. V'cr, entre outros, Pcrreirx-Seu<ur, 1973C <)tiveira, 1972; kudrisues, 1978;
e 'írevixxu, 1978.
120
â supervisão dos serviços de cnfcrmsria não configuram um processo
qu«sc possa visualizar em seu fluxo, embora acus bons ou maus
resultados sejam pcrceptivcis dc imediato. Tais habilidades, no en
tanto, são tamb<m de cunho técnico, enquanto parte dc um a <Ir<cr
alisada especialidade, embora sc caracterizem como i n tr l r clnulx
excelência. Entretanto.de outro lado, parece-mc que o cerne do
problema não está nesta questao mas n
ccpção,pelas enfermeiras, de que as no f,a t o < c quc existe a p cratividadcs peculiares a elas
não são as especificas da ár"
dcriam scr descmpcnhadas nor outros profissionais. I-:m ítltima instância, nestes termos.
x. o quc estaria cm jogo seria a própria prese
,
reservaão da catcgoria. Existe aí uma forte crise dc identidade cvidcnciada
pelas rciteradas rcfer<ncias existentes na literatura ã indcf'
-pape e pe as dúvidas verbalizadas por alguns dc seus
membros acerca da própria razão dc, scr da
f'
. Falters signitos (I 73: 93) r<vela quc no "inter-relacionamento com
ficativos, a cnfermeita frequentemente tcm sid
I 'enfermeira
d
b
taiscomo: 'a enfermeira não faz mais enfermagem':
nâo
gostadc enfermagem'
lificada no desempenho de tícnicas dc nfermagcm tidas como mais
complexas. Tal lógica esta também prcscntc. se btnn que dc forota
a tenuada, cm instituiçõcs públicas, como sc pode i nferir a travís d a
citada pesquisa dc Ferreira-Santos. onde ela verificou quc, no Ilospital.Fscola estudado, onde há condiçõcs muito especiais dc trabalho,
comparadas as das instituições privadas (grande nínnero dc cn(ermciras contratadas c dc ccupacionais dc enfermagem),
'
"
.
Nestes comentários, a enfermagem identifica-se ce<n
' lad isto
d'roto, ott melhor, com a cnfcrmagcm tal como existiu no passado,
í'. Scm a divisão tícnica entre cuidado direto
' dirc
' ' to exerci<ia
c in
'<i por
agcntcs diversificados. Isto mostra ou
.f ormações
, e as
as t r ans
cfetiva,.
f
'
m ente ocorridasna cnfermagcm não for
'd
o r a m ain a assimiladas pelos
seus novos agentes ( enfermeiras nã
diplomadas, au. I'. I
auxi
ncm por médicos c atcndcntcs. Continuando,s,todo
, iares
b ' c t í c n icos)
', sob
a orientação marcante do modelo tradicio
, l .. E os, asicamcnte,
b
'ciona
stc
d
c
scompasso
cnt! e
as transformações ocorridas
na enfermag
c
agemae=a persistência de con.
cepçoes tradicionais sobre cla, cria umagsit
a
sttuação anl bi gua para as enf
fcrtnciras;
situação
- esta q ue é' id
' ent i f icada como sendo
um problema
de indefinição de papíis.
"x< cnfermcirax <e valem do t r xbalho úc possosx quc tém atnboiçõcs
xemett'.SS<ex áx úax 'c<vot<fi<xn<xotc prcpsrsúsx', <cm tc.Om <ldo i gual
preparo (teia-xc steodcntex d» enfermagem) 1 . . . ) q u " a c nfcrmogcm
quxlificads se ve ob<igsds z prciudico suz io<u<u<ton«tirxçto Segundo
cânones <ten<it)cos. quando )an<x mão dx 'enfermagem tradicional' pxrx
o dcxcmpcnho dc tarefa< que, õ loz do oricntavão moderna, sõ deve<iam
fazer os cl<mentos 'cientificamente preparados' " (Ferreira-Santos, )973:
73).
Quanto ã supcraçao ideológica da indefinição do sfafus-papel <la
enfermeira brasileira, ela passa, necessariamente, pela identificação
das raízes históricas desta categoria profissional e pela identificação
de suas determinações estruturais no 13rasil d» hoje, separando-se os
níveis ideal c real c traha!hando-sc com os dados da realidade concreta dc tmt momento histórico determinado. Isto significa rcconh"
cer as transformações por quc pas wt a enfermagem do pré-capital ismo a o c a p italismo e de t ectar s u as c aracterísticas b ásica< n a
'
'
;
Penso. entret:nto. que nao sc trata de um ' d f'
a in ec dc
iniçao
papéis, uma vcz que estes estão definidos legalmcntc
fato,demas,
sobretudo, da postura ambivalcntc das e f
b 'i.'
açao a seu objeto de trabalho, em cuja raiz sc encont
' Icbuloso temor ã dcscaractcrizaçâo profissional. Todavia.
í incgávcl quc esta questão constitui um aspecto 'd- I '
o i scurso dominante na área c, por isto mesmo, mcrece uma análise mais profunda.
'
-
.
.
palavras, estas atividades constituem o objeto dc t rabalho. por exce-
lência, das enfermeiras hoje no Brasil c nã<1 í. nega<)do-o que a categoria sc preservará. Como disse, lucidamente. uma cnf rmc!ra cm
uma entrevista:
.
'
A indefini ão de pap",
íis, parece-mc. í' um problema que ocorre
entre os vários níveis dos ocupacionais ond ,
i m bem definido o scu objeto dc trab Ih - e, sc dc u m la<io eles
o cui'd ad o direto —,
dc outro existe urna gama variada dc atia ' od —
d
I' d
o quc caberiam. Cm princípio, a categorias diferentes.
Entretanto,
na prática, todos os ocupacionais, em geral, faze.
de
e indefinição
i<d f'
serve aos interesses empresa ' ' dm.. t u do . Este t i p o
riais as instituiçõcs partii cularcs de saúde, que podem utilizar u
ma mão-- de-o
- bra
, menos qua'
sociedade brasileira atual. Nesta, está reservado um lugar para as
cnf rmciras na divisão social do trabalho, que diz respeito, sobretudo,
ao desempenho de atividadcs administrativas e de ensino. Em outras
"A cnfcrmcirs é colocada para <ooldcoar parte do próccxso dc ;rxbxlho
d o p<x<os) auxiliar, F. isso quc o scr<iço espera da enfermeira ( . . . ) .
)Vão acho quc cxtsr negando x divbã<x tccnicx do trabalho é umz b ox
t . . ) . õu v e;o ox cnfxrmcirax negando a d i vl<áo técnica do t r abalho
A i está um grxnúc cquivo;o!" <Fot<exista n" g) .
Em 1972, "o papel da enfermeira nas unidades de internação
de um h ospital u n iversitário, tendo c m v i ~ta as exigências do p r o-
cesso organizacional" (Oliveira, 1972: 64) foi objeto dc uma tese
de doutoramento que teve por mírito fugir ao tipo <Ic visão aqui
criticado (que consiste cm negar as reais atribuições daquele 1>«>fiz
sional no processo de constituição da enfermagem moderna t@t s<a b
dade capitalista) e antecipar a discussão sobre o papel do rn lrt»<al<<<
122
lu,l
como coordenadora da assistcncia eo peei nt . I ç d
do teme. entretanto, a autora, vaiendo. ' c c.
I ' vtfnctifo
0 e scr<vol
o.se de s o ciomctria l i m i tou-se
e i<tldlisc interna da
struture de tr ate<-pa í i s d c
insti uição iospitalar. Como iesultado, houve um
rncnração e formalização da realidade social ve uma excessiva
; iragI
uer
Quart<o
â I cnica sociométrica. privil
gia tiad d (D
'
Ce' <' p o r esta pesquisa,
Donnangelo observou o scguintc:
.
hospital, como fo i v i sto, as citadas atividadcs envolvem: supervisão dc serviços como os dc l avanderia. cozinha, limpeza c super-
visão da assistência de cnfer:nagcm: previsão, seleçâo e c o n trole
dc mat rialde consumo.
.
"
'
'
;
.
"acaba se tentando analisar o funcíonarnc i
d<i ror
orma pvls qual ele í a preendido xoe 0 de u <ii<! I<i<i<t<i<Cão a p<i< I«'
n ív I L
o< agentes ínstítucíanxís.
E«e ex<e«ívo cee<ramento
e m íi<:. <.os
empírica
I sujeíto< m)o oferece
na c<m<c <nela
garantias d e que
níveis mt<q<<ado«le compre<m<
<e consiga atingir
zn
da
total'
I
I
nxís" (Donnangelo, (979: 92).
I< a< c <
I o< proce«os ínstíiucín.
De Fato, a pesquisa cm foco limitou-se a investigar os vá)rios
tipos dc r elações presentes no p r ocesso dc t r abalho d a i n st>
'
, rc açoes percebidas, rclaçõcs reais, relações <icsc.
jada<, relações rejeitadas), constatando que, entre todos os elcrncntos
que compõem es equipes de trabalho nas unid d
e nfermeira ere quem de fato coordenavasosnt i ba eI Is d e internação, a
ra a io s ""nao navendo
que quer rejeição manifesta ao incumbenre dcst'
i
I " con<iderar
Ol'
). Rcítístrade esta conclusão, deixa a autora dc
e existcncia dc rejeições latentes ao pap-I - f .
r- eri' do , r estringindo sue
aná ise ao âmbito mcramcnte descritivo.
.
'úão
ohs tanteastais
iirnhaçoes,
a tesedc Oliveira é importante porque, ao mostrar
funções
exerí
ci as pe a enfermeira em um hospital universitário, f
.
ta os que sc opõcm â ideologia t
iransmiti<la pelas escolas dc enfermagem, conclamando-as a revvr seus
b '-t i Seu
.d cs ud
va iar seus nrogramas c mítodos de ensino.
v<il<ai'
' '< ades udmínístretipas das de coordene '
u''
'
e '
las eos "trabalhos dc manutenção da
díâo,, reIacionando
d aquee, pruvinierito e controle
de mcdicaçâo c material necessário" ae unir' Iad'.
'c
' nesâs
est as ítíl timas
"de
sincronizaras várias operaçõcs que se processem
li
nexigéncias
has de frcn!c
o trabalho hospitalar, cm virtude da naturez,
' ou" d
rega cent rípet"
organizacional" (Oliveira, 1972: 66). Concordando
nâo
"om
o processo
c a
'
'
!úa enumcraçâo feita. existem a<i<idades que puderiani ser exer:-
cidas por outros profissionais. scm prejuízo da assistência ao enfermo,
como a supervisão dos serviços de lavanderia, limpeza, cozinha e as
que precisam da enfermeira, como aquelas ligadas â supervisão da
a ssistência dc enfermagem e ao trcinamcnto do pcs<oal auxiliar. A s
primeiras, que constituem propriamente a esfera dos serviços donísticos dos hospitais. faziam parte, no pas<ado. das atribuiçõcs da enfermagcm. numa ípoca em que a divisão de trabalho no interior de
ambas as instituições cra pouco diversificada. Com a cnfcrmagcm
moderna, a categoria cmergcntc eles enfermeiras assume aquela tarefa
paralelanrcntc as dc supervisão da assistencia Je cnfcrmagem, mas
p arece.me quc é esta ííltima que configura o n íiclco do seu obieto
<ictrabalho. a razão de scr da profissão. Conscqiientemente, a amea-
ça de descaracterização que envolve a profissão dc cnfenncira advém
do seu papel Jc governanta de hospital ou de outra instituição <IC
se<ide qualquer e não do svcu papel de supervisora da assistência ao
doente. Portan o, o f ato dc a enfermeira nâo dar cuidado direto a:>
enfermo ou ao homem sadio não diminui a importância do seu ;rabalho que se vincula aquele cuidado, visando zelar por sua qualidade,
pelo menos hipoteticamente.
Se a qualidadedd assisríncia dc enfermagem é um aspccio (rcqiientementc colocado em plano secundário nas instituições de saí<de
(malgrado os discursos), isto sc explica pelo dcsconhecimcrto de
popularâo e<it geral acerca dc sue importância no processo terapêutico e pela omisseo das enfermeiras cm mostrarem cata importância
hem como por questucs dc natureza econôniica ( voltadas para o
objetivo <le ditninuir custos). Contudo, s aquele reconhccimcnto
fosse ger<ci'alizado, razões de nat<treze tambím c conômica atuariam
no sentido inverso, no de ofcrcccr uma cfctiva assistincia de quali-
istinção feita, o importante í tc r por premissa a imprescindiliilidade
dade, ubjetivarulo agora não mais a diminuirão de seus custos mas
dc classificar a sírie d
'
'
atividedcs administrativas
íutu sensu
cides p cia enff e r nicira de
em d iferentes in<tituiçõ s, '
• c'çõs,
'vões,
visando d iscriminar
'.
as qucexigem o scu concurso e as quc dele
prescindem.
gammtir uma clientela quc teria cornu uma de suas exigências prévia<
'
'
'
'
.
Enouamo
o
se su
' põe que as p
rime
iraneo
s codesempenhadas
ntcni,efetivarnente,
e sua perticipaçâo. as últimas <erâo
ou
por cssc
com
profissional dependendo das convcníin-ias d '
c 'ê .ias a instituirão.
t't ''
. etn
i u ni
124
uma boa assistência de enfermagem, o quc, cvidentcmcnte, só seria
possívcl no contexto dc nm a sociedade cuja política dc saí<<lr c« í
vcssc realment« v o ltada para es necessidades da maioria da put«<l«
ção. Lma assisténcia dc cnfermagcm de qualidade depcn<lriie, I
sua vez, do processo de qualificação de enfermeiros e ocuparia««i
implicando, a n<ódio ou longo prezo, a di minuição <lo Ir<tur <la<
icgorias dos ocupacionais.
Para a maior parte da população brasileira, excluindo-se a que
tem algum contato mais clireto (stravés do t r abalho, não enquanto
clientela) com instituições dc saúde, a variedade dc níveis dentro
da enfermagem í t otalmente ignorada, ~endo quc todos os tipos
dc ocupacionais são confundidos, indistintamente, com cnfcrmeirpas.
Tal confusão interfere diretantente no prestígio social destas últitnas,
mantendo-o relativamente baixo nss várias fases do capitalismo. Ou
s eja as transformações ocorrida~ na enfcrmagcm do p r
i-capitalismo
ao capitalismo e d u r ante s vigência deste passaram dcspercebidas
para a grande maioria ds população, quc não distirguc a "enfermeira" rcnasccntista da enfermeira e do atendente dc hoje. I-'. corno se
um corte sincrônico na hierarquia existente na enfcrmagctn atual
"fornecesse a reprodução dc seu desenvolvimento diacrônico" (Boltanski, 1969: 63).
Em decorrência dessa indiferenciação, o dcsprcstígio da enfermeira prí-profissional (a atcndentc de nossos dias) foi herdado pela moderna categoria dss cnferrn iiras, constituindo-se. ao lado da (pseudo)
indcfiniçao do scu stafus-papel, em um de seus principais problemas.
Esta falta de prestigio ref letc-se freqúentcmcntc neste grupo profissional gerando ai urna autodepreciação accmuada, que contribui para
reforçar a aludida ambigúidade em relação a scu objeto dc trabalho.
Freqúentemcnte,s via vislumbrada para superar este problema
í a ds ciéncia, isto é, a busca de conhecimento das ciincias sociais
e sobretudo biológicas,que dão suporte h área e a construçãoreconstrução de um saber que Ihe seja próprio. Penso ser impor.
tante acrescentar a estes pontos a reflexão sobr. a e f
o re a en ermagcnt enquanto prática social historicamente determinada, assim como a sção
pr tica das enfermeiras enquanto cst«goria profissional
i na « e n quanto
ci a as. 'este particular, existe a tend incia s negar a ação políti
p í ice,
pelo h neutralidade e ao afastamento destas questocs, paralelaman(c ao apoio incondicional as políticas de saí>de guvcrnatncntais.
.
No que sc refere a via ds cientifização, alguns aspectos precisam
ser retomados. Primeiramente, tnais uma vez chamo
c amo a atenc;ão para
o carátcr tardio do eniino regular ns área da enfermagem,
o
caráter tardio dc sua transformação cm ocupação rc:nuncrada.ara
c, finalmcntc, para o caráter tardio da constituição da (moderna) categoria profissional das enfermeiras. Este tríplice retardamento ref lcte-sc,
por sua vez, no respectivo preces~o de cientifização, que sc apresenta
permeado de equívocos c contradições. Aqueles, como foram comentados amcriorntentc, serão deixados ã margem
a
r cm agora.
Quanto
as
Ci
contradições,elas se centram no fato de que o referido. processo
foi
e continua sendo conduzido. em nosso pais, porr um
um grupo que não
126
estava preparado para ele. I'. preciso relembrar, aqui, que s enfermagem profissional brasileira passou a nível universitário somente
em 1962 (caracterizando-se até entao enquanto profissão tíc:nice de
nível médio) e que a nccessidadc premente de ciemifização surgiu
para ss cnfcrmciras a partir ds reforma universitária dc 1968, quc
as alijou dos cargos rie tiircção dss escolas de enfermagem, e que introduziu a t i tulação mínima obrigatória. >ila í poca, a 'atcgoria estudada compunhs-se predominantemcntc ainda de norntslistas c ginaiianas quc (oram impelidas a doutorar-se hs pressas pers escaparem
das novas cxigincias impostas, pela Lei 5.540. para s titulsção ns
carreiradocenm. Portanto, o pessoal que havia recebido um preparo
técnico dc grau mídio viu-sc ante s d ificil contingincia de fazer
pesquisa e, em seguida, de formar pcsquisadorci. Sem dúvida, o
atendimento dos percalços dessa dupla tarefa contribui para entrever
as dificuldades que a categoria vive em scu novo sfafus, as suas ambigiiidades e sus ânsia dc sfirtnação enquanto profissão universitária.
Contudo, a superação destes obstáculos não í
u m a mera qucstao dc
tempo; dcpcnde tambím de uma reflexão séria, desideologizsda, que
os identifique e equacione — uma reflexão calcada no real e voltads
para a sua transformação.
Na busca dc um lugar ns espiral semi-hcrmitica da ciância, a
enfermagem profissional brasileira, entre 1963-1980, apresentou uma
producão académica caracterizada p la predominância de uma tenmtica ligada aos aspectos assistenciais (44.4 "zo), aos biológicos (20.69ó),
seguida dos aspectos administrativos (19.6oó), e com um níímero
inexpressivo de teses voltadas para a análise da profissao (4,39o),
ensino (7,7 có) c saúde (3,4.ó) (Almeida et alii, 1981).
F m assis(et>cia de e u l en>tagent, A l m eida e c o laboradores i n -
cluiram
"oc trsbs'.bos sobro sistcmctixaiãu dc>c svoec de enfe>msscm: avali
aiao
dos oc>id;>dos biopciooicocisii, p re>todo> h oticntels: p soicmo, (am(tio
e «omuniclact»; avaliação de técnica> dc enformasom: probtemss otinieoi
relacionado> h prático de enfc.moxom; o>tudo> iubro a r etsçéo cn!ermeiro.paciente. enfermeiro-equipo de isúde; e tudos sobre comunicação;
estudai sobre eduoovto on» cuide" (Atmeido et slii. (Vsl : t ãt ).
Conscqiicntcmentc, este item tanto abarca tc>nas ligados ao cuida-
do direfo (problemas clínicos rclacionadcs h prática dc enfermagem:
estudos sobre comunicação; estudos sobre a relação enfermeiro.paciente) como os ligados ã ac(mini. (rnçao desse cuidado (sistematização dss ações de enfermagem; avaliação dos cuidados biopsicossi
ciais; avaliação de tí cnicas de enfermagem). Ta l i n difcrenciação
pela pesquisa, entre assistência de enfermagcm (oo cuidado direto)
127
e administração da assistência de enfermagem (= cuidado indireto),
acaba por p r i v ilegiar a e sfera assistencial s)rio(o sensu ao u t i l i zar
uma expressão homogcncizadora, que csccndc a divcriidade do real.
I:.
'.m vista disto, penso poder afirmar que o privilcgiamcnto da esfera
assistencial. pela investigação na írcéi, corlcspot>dc ao privilcgiamcnto
d casa
s
esfera pela ideologia uí dominante, o que implica o dircciona-
mento ideológico da investigai;ão. E sta se apresenta, pois, cm parte
dcsarticulada da prática dominante na categoria quc, conforme an;ílise anterior, centra-se nos aspectos administrativos c dc ensino. A referida desarticulação teoria-prática, evidentemente, não 6 um m al
apenas da cnferntagcm brasileira, mas ai. ao lado de cxplicaç<>es calcadas no carátcr ideológico das pesquisas ou nas peculiaridades <la
pós-graduação no Brasil, existe o desentrosamento entre docência e
serviço, isto 6, as enfermeiras-docentes, ouc são as que pesquisam.
estão,no geral, afastadas dos serviços dc enfermagem.
p ara finalizar este capítulo, considcáo importuntc colocar, sin.
teticamcnte, algumas das alternativas visualizadas por essa categoria
para as qucstõcs que, em sua pcrspcctiva, constituem acus problemas
principais: a indefinição dc papéis, o desprestígio, a falta de autonomia. Enquanto a ciência surge como o caminho indicado para sc alcançar o tao almejado prestígio, a solução antevista para a falta dc
autonomia parece ser a da transformação das enfermeiras em profissionais liberais sfricto serrsu, dando consultas dc c nfermagcm em
s eus próprios consulturios. P. o q uv sugere o tipo de declaração
seguinte:
'Aas afirmações de Oliveira, dois aspectos me chantant a atenção. Ao se referir a modalidade da prática independente da profissão, a autora reconhece a sua insignificáncia, mas sugere a possibilidade <le quc venha a sê-lo ao dizer que "não i ainda significantc".
Por outro lado, quando faz referência ã enfermagem domiciliar, não
esclarece quc também cia é incxprcssiva c que está principalmente
nas mãos de atcndentcs d«enfermagem.
Embora a discussao sobre a modalidade liberal do exercício da
profissão de enfernteira seja bastantc incipiente e nebulosa, meu objctivo ao mcncioná.la foi o de fornecer um exemplo cabal da perspectiva equivocada de dctcrminadas propostas quc não levam cm
consideração o contexto para o q ual s e destinam. S c o s custos du
assistência ã saí<de são altíssimos, se a grande maioria da população
brasil
eira não tem condiçoes de comprá-la,sc o resultado desse problema tem sido o assalariamento crcsccntc dos médicos, como supor
que a saida para as enfermeiras esteja na sua transformação em pro-
fissionais autónomos?
Além desseaspecto, a questão da autonomia para as enfermeiras
t cm u m o u tr o q u c d i z r espeito ã a u t onomia d elas n o s erviço e ,
particularmente, em relação aos médicos. )1ã inúmeras referências a
este problema na literatura da área, da qual extraímos algumas passagcns:
'A rcslstcncia que se lhe opéem outro< profissionais da equipe de iaiide.
sobretudo o médico, parece originar-se do dei.onhe )mento ou da pouca
importáncia dada hs atribuiçãcs d» cada membro dentro deita mesma
equipe. A ) nsrgurança de muitoi cnfermriros, aliada ã cond)
<go feminina da grande maioria do profiisional dc enfermagem. em consonár.i:ia
tambcm a uma acomodação e até mesmo a um a certa apaiia deste.
consequentes da pouca rcceptivldade da iua impor<áncia na qualificação
da amiiitincia de saúde, demonitrada por membros da cquipc de saúde,
sobretudo o midico, por ier o dc muior cun<ato cum o enfcrmciro, tcm
sido dec)s)vos no retardamento da mudança dc atitude< do enfermeiro
no campo prático ( . . ) . " ) q ão é possível ignorar também que a própria filoiofia úe mui<ai i ni tiiuirisei dc sm)de tcm contribuído para que
o enfermeiro mantenha-ie numa posiçgo subi)dif<ria quase total. pela
limitaçáo ao desenvolvimento criativo du enfermeiro, a uma ir duse dudu
por r r><is i<u<i<i<ir<)rr er r )u<f>n>arr<r ds a i ividudri n< r<f<rui,scm of creccrcm qualquer estímulo ao J c icnvolvimento do e nfermeiro na e quipe
dc iaúd<" (Silva. 1979< 79. gnfos meus).
""E
i u vejo a c nfermcira graduadu trabalhando em
clínicas autónomas"
( . . . ) ( E ntrciista no l l ) ,
xío entanto, este objetivo apresenta-sc distante, pois a m esma
cit<revistada afírlna a seguir:
"Eu conheço uma enfermeira quc tcm um coniul<6rio particular,
mas
é uma m oça excepcional'
. (... )".
Sobre esta questão, Oliveira (1979: 20) escreve:
"A prática dc enfermagem ir<lcpenderic, ou
icja. o e i tahclecimenio dircto com o indivíúuo. dai negocíaçixs de trabalho, se ocorreu ou ocorre,
ngo é ainda significantc. embora se iiiíba quc cada en'.ermclro tenha sua
pr6pria clientela, compoita sobrct:i,lo d e p arente<e amigos a q u em
orienta c prc ta aisisténcia. Reg<i<re-sc. amd:<, a organlzaçgo de ceiitros
dc enfermagcm que atendem as suai p r6priai ínsinlaviics no domicílio
ou mesmo nos ho>pi:aii acomp.inhando chentes qi ie requerem urna atcn<ão dc enfermagem particular".
128
13.
F i s s mudança Je atitude refere-se ã busca dc maior auionomia por
parte das en!crmcirai.
129
P ara comprovar e sta í í l t im a a f i r nmção, S i lv a ( 1 979) c i t a o
Plano de Reclassificarão do Servidor Público, onde;
"foi dado ao enfermeiro u m t r atamcnto difcrentc Jc outros membros
ón equipe de <aúde. pois enquanto vc exigiu do enfermeiro urna jornaúa
úc 40 horas scmanais, conccdcu.se ao< rrédico< e dentista<, unta jor.
nnda de ) 0 h oras <c<cana<. Ao e nfermeiro permitiu-<e uma ax'então
apenas at( o nivel B. enquanto que aos outros membros da equipe <Ic
vaáúe já referidos e a outro< profir<ion<i< úc <liversa< áreas da atividade
social, estendeu.se o ber<eficio úo r<ivcl th E <ta <itua
sgo <em confirmm
o conceito de inferioridade c <lo subsidiari<mo importo h< f<mv<ses do
enfermeiro em re)crê<o ao< outro< componentes da equioc mul'.ip<ofi«ional
de saúde" (S<lva, 1979: go).
Os trechos citados tratam basicamente do carãter subsidiário
das funções da enfcrrneira. onde este carátcr sc confunde com posirão inferior e, conseq<iemcmente, com desprestigio. Convém indagar.
dc início, se subsidiarisrno implica necessariamente subalternidade ou
sc esta decorre de outros fatores independentes daquele. Estou convencida de que a maior parte das enfermeiras ten) resposta afirmativa
a esta indagação, pois parto do corolário dc que o pensantcttlo c.eminente em um determinado grupo profissional é o pcnsamcnto do
grupo ai dominante (hlarx 8: Engels, 1980).
<xías citações referidas, como observ i, o problema da subalternidade é expiicado pelo suhsidiarismo, que se liga ao desprestígio,
ou seja, o raciocinio é que a categoria das enfermeiras ocupa um lugar subalterno na equipe de saúde porque seus componentes desempenharn a:ividadcs complementares no processo terapêutico e, por
scrcm complementares, tênt reduzido prestígio. Como sc pode constatar, Silva ( 1 979) e x plica a r e ais:ência oposta ã s enfermeira~ pela
equipede saótde e sobretudo pelo médico, assim como a acomodação
e a apatia delas ou o r«tardamento de sua mudança de atitude no
campo prático. pela pouca importância dada ã categoria pelas instituir;ões de saúde c pelos profissionais da equip d e saúde, principal.
mente o médico. Ou seja, suas explicarõcs restringem-sc ao nívei do
aparente e do imediato.
Ao lado de mais este equivoco cxistc o falso pressuposto dc quc
as soluções para os problemas citados são dc ordem legal, principalmente, o que pode ser inferido, por exemplo, atrav<s dos dizercs
seguintes alusivos ao projcto de lei n," 60/82, referente ã regulamentação do excrcicio da enfermagem, ora tramitando no Congresso
Nacional.
úência profissional do cnfcrmeiro e ao <eu pu<icionamento na equipe
dc saúde" (Silva, l9 79: 76 ).
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0 anteprojeto, preparado pc(os hfini<ténos do Trabalho e d a saúde,
com a colaboraçgo Jo Concelho I'cúeral dc linfctmagem, quando trans.
formado em mat<(na de le<. c<)rugir i tai d i f < .uklad < (do p l«no exerc(cio profissional dc cnferr nage) , f acultando aos enfermeiro< excrcc<e<n plcnamcntc o <eu <n«te" ( Oliva<ra, l9 79: zl )
O s tlois textos citados sugerem que, aprovada a n ov a L c i d o
lixcrcício Profissional, automaticamente estarão estabelecidas as condições para a maior independência das cnfcrmciras cttt seu (rabalhu
junto aos demais componentes da equipe de saúde, explicando-se as
dificuldades encontradas por elas p:lo obsoletismo da lci atualmcntc
em vigor. Ora, mudanças substanciais na profissao de cnkrmeira c
na átrea da enfermagem passam necessariamente por t r ansformar;oes
no chamado actor saííde quc, por sua vez, são inscparáveis de transforrnações dc âmbito mais geral na estrutura sócio-econômico-política da
sociedade brasileira, onde o d i reito ã saúde, entre outros, seja real-
mente respeitado. Não me refiro aqui, todavia, a um processa unilincar e harmônico, alimentado por mecanismos
simples
de rcarão
cm cadeia,mas a um emaranhado onde as diversas
instâncias
mencionadas sc imbricam contraditoriameme. I'.m vista disto, procurej,
inicialmente, nesta segunda parte do trabalho, apreender, no Capitulo
III, o nascimento da enfermagem profissional no Brasil e as transfornlações por qu e passou, através de suas respectivas articulações
its nnrdanças na área da saúde e ao processo mais amplo da constituição progressiva, entre nós, de uma sociedade de classes de base
industrial, ao mesmo t empo em que buscava efetuar, neste Cupitulo
IV, uma discussão mais interna que lhe dctectassc us especificidades.
Ouiçát as ref lexões formulada~ na trajctória intclect al que redundou na realização deste trubalho possam contribuir, e f etivamente,
pura 0 debate que hoje angustia as enk r m ciras «!este país, propor-
cionando-lhes, assim, alguns elementos teórico-metodológicos impor(untes para um melhor cnfrentamento de acus problemas práticos.
"A «ua aprovarão constitui. <em dúvida. a maio." aspiração do< enferrneiro, por representar. agora. o a<anca máximo em direxáo a indcpen-
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