UNIVERSIDADE VALE DO RIO DOCE – UNIVALE FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E ÁREAS SOCIAIS – FHS CURSO DE PSICOLOGIA Ivanete Sara Andrade Coelho Maria Andrade Pereira Patrícia da Silva Rodrigues AS CONTRIBUIÇÕES DAS INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS ATRAVÉS DAS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO COM PACIENTES IDOSAS DEPRESSIVAS DA CASA UNIMED DE GOVERNADOR VALADARES Governador Valadares 2010 IVANETE SARA ANDRADE COELHO MARIA ANDRADE PEREIRA PATRÍCIA DA SILVA RODRIGUES AS CONTRIBUIÇÕES DAS INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS ATRAVÉS DAS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO COM PACIENTES IDOSAS DEPRESSIVAS DA CASA UNIMED DE GOVERNADOR VALADARES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas e Áreas Sócias da Universidade Vale do Rio Doce, como requisito parcial à obtenção do título de Graduadas em Psicologia. Orientadora: Maria Luíza Camargos Torres Governador Valadares 2010 IVANETE SARA ANDRADE COELHO MARIA ANDRADE PEREIRA PATRÍCIA DA SILVA RODRIGUES AS CONTRIBUIÇÕES DAS INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS ATRAVÉS DAS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO COM PACIENTES IDOSAS DEPRESSIVAS DA CASA UNIMED DE GOVERNADOR VALADARES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas e Áreas Sócias da Universidade Vale do Rio Doce, como requisito parcial à obtenção do título de Graduadas em Psicologia. Governador Valadares, ___ de ____________ de _____. Banca Examinadora: _________________________________________ Drª. Maria Luíza Camargos Torres – Orientadora Universidade Vale do Rio Doce _________________________________________ Ms. Tandrécia Cristina de Oliveira – Convidada Universidade Vale do Rio Doce _________________________________________ Ms. Marta Pereira Coelho – Convidada Universidade Federal do Espírito Santo _________________________________________ Andressa Masiero – Convidada Casa Unimed Dedicamos esta pesquisa primeiramente a Deus, por ser nosso Porto Seguro. Aos nossos familiares e amigos pelo amor oferecido a nós. À Casa Unimed pela fundamental contribuição para a confecção deste trabalho e a nós pelo nosso esforço e dedicação na realização desta pesquisa. AGRADECIMENTOS Em todos esses momentos de pesquisa, foram surgindo inúmeras sensações em nós, pesquisadoras: tensão, nervosismo, alegria, entusiasmo, motivação; e Deus esteve ao nosso lado, nos guiando, dando sabedoria, proporcionando palavras corretas quando as dificuldades apareciam. E a ti, Senhor Deus, somos gratas! Nosso obrigado especial aos nossos familiares que caminharam e sonharam conosco na realização desta pesquisa. Amamos vocês! À nossa orientadora, Maria Luíza Camargos Torres, pelo carinho, dedicação e palavras de incentivo que nos ofereceu segurança para prosseguir. À toda equipe da Casa Unimed, pela abertura das portas da Instituição, para que pudéssemos enriquecer nossa pesquisa com o brilhante trabalho que a empresa Unimed oferece aos pacientes que apresentam doenças crônicas. À nossa banca examinadora composta por especialistas por quem temos muito carinho. Á Professora Tandrécia Cristina, que sempre nos auxiliou com muita dedicação, à psicóloga Andressa Masiero, exemplo de profissionalismo no trabalho ético proposto nas oficinas de dinâmica de grupo e à enfermeira Marta Coelho, pela atenção e disposição ao grupo oferecida. À todas vocês, nosso muitíssimo obrigado pela contribuição em nossa pesquisa. E após a confecção da pesquisa, percebemos que valeu a pena todo o esforço que tivemos para que esse trabalho pudesse ser uma concretização de um sonho. “O idoso se renova a cada dia que começa, o velho se acaba em cada dia que termina, pois o idoso tem seus olhos postos para o horizonte e o velho tem seu olhar voltado para as sombras do passado. O idoso faz planos e o velho só tem saudades e assim o idoso tem muita idade e o velho perdeu a jovialidade”. (Autor Desconhecido) RESUMO Muitos idosos sofrem de depressão que, em sua maioria, é desencadeada por fatores emocionais. A questão que norteou a pesquisa foi: compreender quais as contribuições do trabalho do psicólogo através das intervenções psicológicas nas oficinas de dinâmica de grupo com pacientes idosas depressivas, atendidas no Programa de Gerenciamento de Crônicos da Casa Unimed de Governador Valadares. Para respondê-la, formulamos os seguintes objetivos: a) Entender o que é depressão; b) Compreender como se deu a atuação do psicólogo; c) Explicar como funciona o programa de Gerenciamento de Crônicos da Casa Unimed; d) Analisar qualitativamente os resultados dos processos do grupo iniciante e, depois, seu retorno após um ano de ter participado do primeiro momento das oficinas de dinâmica de grupo na Casa Unimed; e) Avaliar se a intervenção psicológica contribuiu para que essas pacientes mantivessem estabilizadas, emocionalmente, após um ano do trabalho realizado no segundo momento das oficinas de dinâmica de grupo. Para alcançar esses objetivos, foram utilizados como métodos os estudos analítico e de caso, além de referências bibliográficas específicas, como os trabalhos propostos por Afonso (2002) que emprega oficinas de grupo como forma do paciente se relacionar com pessoas que possuem problemática em comum e, por esse motivo, se sentem mais abertas para falar de suas angústias. Nosso estudo foi baseado, também, nos conceitos de trabalho de grupo empregado por vários autores, destacando-se: Kurt Lewin, W. R. Bion, Pichon Riviére e J. Moreno. A pesquisa usou os dados coletados da Escala de Depressão Geriátrica (GDS-30) empregados no trabalho da Casa Unimed para fazer uma análise das contribuições das intervenções do psicólogo. O papel do psicólogo, como coordenador das oficinas de dinâmica de grupo, demonstrou-se de fundamental relevância devido às intervenções realizadas com as pacientes idosas nos encontros de cada grupo terapêutico, de modo que respondeu nossa questão inicial, e atingiu os objetivos propostos. Palavras-Chave: Depressão. Idoso. Oficinas de Grupo. Psicólogo. ABSTRACT Many elderly people suffer from depression, which in most cases, is triggered by emotional factors. The question that guided the research was: to understand the contributions of the work of psychologists through psychological interventions in the workshops on group dynamics with depressed elderly patients attending the Program for Management of Chronic House Unimed Governador Valadares. To answer this question, we formulated the following objectives: a) Understanding what depression is, b) Understand how was the psychologist, c) Explain how the program works Management of Chronic House Unimed d) Analyze the results qualitatively processes of the novice group and then his return after a year of having participated in the workshops for the first time the group dynamics in the House Unimed e) Assess whether psychological intervention helped these patients to maintain stabilized, emotionally, after one year work undertaken in the second stage of group dynamics workshops. To achieve these objectives, the methods were used as analytical studies and case, and specific references, like the work proposed by Afonso (2002) that uses workshops as a group of patients to relate to people who have problems in common and for that reason, they feel more open to talk about their troubles. Our study was based also on the concepts of teamwork used by various authors, including: Kurt Lewin, W. R. Bion, Pichon Riviere and J. Moreno. The study used data collected from the Geriatric Depression Scale (GDS-30) employed in the work of the House Unimed to make an analysis of the contributions of the psychologist's interventions. The psychologist's role as coordinator of the workshops of group dynamics, shown to be of fundamental importance because of the interventions with the elderly patients in each therapeutic group meetings, so that answered our initial question, and hit the targets. Keywords: Depression. Elderly. Group workshops. Psychologist. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Gráfico 1 – Representa o Percentual atingido nos níveis de depressão inicial e final do 1º Momento do Grupo .......................................................................................................... 42 Gráfico 2 – Representa o Percentual atingido nos níveis de depressão inicial e final do 2º Momento do Grupo .......................................................................................................... 43 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Distribuição dos Profissionais que atuam no Programa da Casa Unimed ...... 34 Tabela 2 – Distribuição dos Estagiários que atuam no Programa da Casa Unimed ......... 34 Tabela 3 – Amostra dos Resultados da Aplicação do GDS-30 ........................................ 41 Tabela 4 – Distribuição dos Níveis de Depressão ............................................................ 42 SUMÁRIO 1- INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 11 2- O QUE É DEPRESSÃO ............................................................................................ 15 3-AS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO E A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO ................................................................................................................................. 23 3.1- AS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO .......................................................... 23 3.2- PAPEL DO PSICÓLOGO NAS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO ........... 27 4- PROGRAMA DE PROMOÇÃO A SAÚDE DA CASA UNIMED DE GOVERNADOR VALADARES ................................................................................... 31 5- ANÁLISE QUALITATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO NAS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO .................................................................... 39 6- CONCLUSÃO ............................................................................................................ 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 48 ANEXOS ......................................................................................................................... 51 11 1- INTRODUÇÃO O presente trabalho surgiu de um interesse especial sobre “as contribuições das intervenções psicológicas através das oficinas de grupo em pacientes idosas com depressão”. Para uma melhor compreensão deste fenômeno na atualidade, partiu-se do trabalho do psicólogo numa perspectiva biopsicossocial através de oficinas de dinâmica de grupo, visando à melhora das pacientes. O termo “Depressão”, segundo Velasco (2009), vem emergindo como uma das doenças mais presentes no século atual, se destacando como a quarta mais frequente, podendo ser a segunda ou a primeira na próxima década. Milhões de brasileiros são afetados por esse transtorno, tendo comprometida a sua autoestima, sua capacidade de trabalho, social e econômica. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), isso representa um desafio enorme para os órgãos de saúde pública (HOLMES, 2005). Tem-se confundido, na maioria das vezes, “tristeza” com “depressão”, pois há uma confusão de sentimentos em que o sujeito não entende suas distinções e se perde em tais situações conflituosas geradoras de angústia. Segundo Teles, Tristeza é uma emoção natural, normal no ser humano, diante de uma perda qualquer. Ela é, pois uma reação afetiva básica frente a situações de perda. [...] Ela pode durar alguns dias, um mês, dois meses ou, talvez, até mais. Entretanto, passa, sem que o indivíduo necessite de qualquer ajuda profissional. Aos poucos, ele vai se voltando para os amigos, mostra de novo interesse pelo trabalho, passa a fazer planos, traça novos objetivos (1999, p. 7- 8). A tristeza não provoca no sujeito baixa estima de forma intensa, mesmo que esteja vivendo com muita dor. O mundo lhe parece escuro, sem brilho, sem calor, tudo fica vazio e sem sentido, mas essas sensações passam, não perpetuam como na depressão, pois o sujeito em estado depressivo sente também um vazio, mas ele é mais intenso e duradouro do que no quadro de tristeza. O sujeito fica poliqueixoso, apático, com insônia ou excesso de sono, auto- 12 imagem negativa, impulsos suicidas, sentimento de culpa e se sente inútil, com tendência à prostração diante da vida. Segundo Reche (2004), a depressão se constitui numa síndrome que ultrapassa o mauhumor ou tristeza muito grande. Apesar de ser confundida como tal, a depressão não é um tipo de loucura, mas o deprimido chega a ser tão vítima do preconceito quanto o louco. Para Velasco (2009, p. 19), “depressão é uma doença tipicamente traçada por mudanças no comportamento, no ânimo e principalmente nos estados de humor dos indivíduos”. A depressão não é um problema que atinge uma faixa etária apenas, ou uma classe social específica, no entanto, as limitações próprias da idade podem ser mais susceptíveis à síndrome. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2000), a população idosa representa cerca de 9% da população brasileira e é estimado que esse segmento da população representará 24% no ano de 2050. “A depressão não é uma parte do envelhecimento normal. Contudo, é o distúrbio psiquiátrico mais comum nos idosos. Três em cada 100 pessoas que tem 65 anos ou mais sofrem de depressão” (COELHO, 2006, p. 140). Dessa forma, torna-se imprescindível conhecer bem a depressão que afeta o idoso, visto que há um desconhecimento sobre as causas dessa doença e de seus eventuais tratamentos. Há necessidade de maior incremento aos trabalhos psicológicos voltados para o desenvolvimento de pacientes idosos depressivos, com a mediação de um psicólogo. Esse profissional trabalha para que ocorra transformação no desejo de viver desses sujeitos com vistas a uma melhor qualidade de vida. Sabe-se que com a melhora desses pacientes poderá acarretar a diminuição do uso de medicamentos e do tempo de terapia individual intensiva. Mediante tais considerações, viu-se a necessidade de analisar a intervenção do psicólogo em um grupo de idosos com depressão em Governador Valadares, tendo como referência as ações contempladas no Programa Casa Unimed, que é uma empresa privada e tem como meta fundamental alcançar, diante de seus clientes com doenças crônicas e depressivas, a possibilidade de se ter qualidade de vida diante de um quadro patológico, favorecendo ao 13 cliente um trabalho do qual ele se torna agente de sua própria mudança através das oficinas de dinâmica de grupo. A Unimed autorizou a consulta aos seus documentos referentes ao funcionamento da Casa e do trabalho de grupo com as idosas depressivas (Anexo A). Assim, a esta Instituição serão encaminhados os resultados colhidos nessa pesquisa. Problematizamos nossa pesquisa com a seguinte questão: “Que contribuições o trabalho do psicólogo poderá trazer a pacientes idosas em estado depressivo através de oficinas de dinâmica de grupo na Casa Unimed?”. Para responder à questão levantada, partimos de um objetivo geral que é: Compreender quais as contribuições do trabalho do psicólogo, através de oficinas de dinâmica de grupo, a pacientes idosas em estado depressivo, atendidas no Programa de Gerenciamento de crônicos da Casa Unimed de Governador Valadares. E ainda temos os seguintes objetivos específicos: a) Entender o que é depressão; b) Compreender como se deu a atuação do Psicólogo; c) Explicar como funciona o Programa de Gerenciamento de Crônicos da Casa Unimed; d) Analisar qualitativamente os resultados dos processos do grupo iniciante e, depois, seu retorno após um ano de participação nas oficinas de dinâmica de grupo na Casa Unimed; e) Avaliar se a intervenção psicológica contribuiu para que essas pacientes mantivessem estabilizadas emocionalmente após um ano do trabalho realizado através das oficinas de dinâmica de grupo. A pesquisa foi baseada em dois métodos, estudos analítico e de caso, utilizando os escores da Escala de Depressão Geriátrica (Anexo B), pois o GDS-30 é um dos instrumentos mais freqüentemente usados para o rastreamento de depressão em idosos. Segundo Paradela (2005), diversos estudos mostraram que o GDS oferece medidas válidas e confiáveis. A escala original tem 30 itens e foi desenvolvida especialmente para o rastreamento dos transtornos de humor em idosos, com perguntas que evitam a esfera das queixas somáticas. Entre as suas vantagens, destacam-se: é composta por perguntas fáceis de serem entendidas, tem pequena variação nas possibilidades de respostas, podendo ser aplicado por um entrevistador treinado. O grupo foi formado por 14 idosas que frequentaram as oficinas de dinâmica de grupo da Casa Unimed de Governador Valadares, este número é sugerido pelo serviço de psicologia da Instituição, com o intuito de estabelecê-lo como meta limite de público para o desenvolvimento das oficinas, pois com um grupo maior fica inviável a atuação do psicólogo, 14 por ter um olhar perceptível ao que acontece no grupo, se este estiver com maior número de participantes, poderá acarretar na diminuição da produtividade do trabalho. Os encontros ocorrem semanalmente, com duração de duas horas a cada encontro, no período de três meses, com o objetivo de avaliar o nível de depressão inicial e final deste grupo. Pretende-se comparar esses mesmos resultados, após um ano do término deste, quando foi realizado um novo grupo, com o objetivo de re-avaliar as pacientes que foram submetidas ao processo grupal e que vivenciaram uma intervenção psicológica com análise de conflitos emocionais que lhe provocavam angústias. A partir da análise do GDS-30, o psicólogo teve o resultado do nível de depressão em que o sujeito se encontra, e diante deste, foram feitas as intervenções focadas na sintomatologia desse sujeito. Sendo assim, cada encontro foi estruturado de acordo com o objetivo específico, seguindo um cronograma de programação das atividades. A presente pesquisa utilizou os trabalhos da psicóloga Maria Lúcia Miranda Afonso, como principal referência para se basear nas oficinas de dinâmica de grupo, visto que a coordenação do grupo analisado no Programa de Promoção à Saúde da Casa Unimed utiliza a metodologia de intervenção psicossocial, proposto por Afonso (2002), que emprega oficinas de grupo como forma do paciente se relacionar com pessoas que possuem problemática em comum e, por esse motivo, se sentem mais abertos para falar de suas angústias. 15 2- O QUE É DEPRESSÃO Freud não escreve propriamente sobre depressão, e sim sobre melancolia, porém, os diversos aspectos sintomáticos por ele nomeados nos levam às mesmas características do estado depressivo. Em seu trabalho “Luto e Melancolia” (1917), descreve o quadro sintomatológico do sujeito no estado melancólico, que ele também observou presente no sentimento de luto. Tais traços são: “[...] um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de autoestima” (CLARA, 2005). Segundo Dalgalarrondo (2000), a síndrome depressiva é conhecida atualmente como uma preocupação da saúde pública. Segundo o estudo da OMS, a depressão atinge cerca de 50 milhões de pessoas na esfera mundial, sendo considerada a primeira causa de incapacidade entre os problemas de saúde (incapacidade definida como uma variável composta por duração do transtorno de uma série de vinte e dois indicadores de disfunção e sofrimento). De acordo com Dalgalarrondo, Do ponto de vista psicopatológico, os quadros depressivos têm como elemento central o humor triste. Entretanto, elas caracterizam-se por uma multiplicidade de sintomas afetivos, instintivos e neurovegetativos, ideativos e cognitivos, relativos à autovaloração, à volição e à psicomotricidade. Também podem estar presentes sintomas psicóticos e fenômenos biológicos (marcadores biológicos) associados (2000, p. 190). Depressão é para Guariente (2000), um distúrbio mental decorrente de um conflito interno e aliado a uma alteração bioquímica. O conflito interno pode ser desencadeado ou despertado por vários fatores químicos, orgânicos e sociais. A intensidade desse conflito e a sua durabilidade determinarão a gravidade da depressão, assim como o rompimento do sujeito terá com sua realidade interna ou externa. A ruptura com o real vivido pode levar à diminuição da capacidade de produção, de suportar pressão, da clareza de percepção e a carência psíquica e sócio-histórica. 16 De acordo com Gordilho apud Pimentel (2006), “a depressão é uma síndrome muito prevalente, que traz grande sofrimento e prejuízos ao desempenho social e ocupacional a quem é acometida por ela. As pessoas próximas, familiares, amigos e colegas de trabalho também podem sofrer e sobrecarregar-se por isso [...]”. Ou ainda, “a depressão é um distúrbio da área afetiva ou do humor com forte impacto funcional em qualquer faixa etária, reconhecidamente multifatorial, que envolve inúmeros aspectos de ordem biológica, psicológica e social” (p. 138). A depressão interage no metabolismo orgânico, provocando distúrbios diversos, afetando com mais seriedade a região neurocerebral, causando com o tempo, distúrbios psíquicos e doenças psicossomáticas de variados níveis. São comuns as conversões ou dores corporais espalhadas pelo corpo sem comprovação médica através de exames, que o sujeito vai somando ao longo da vida, juntamente com os conflitos que está vivendo (VELASCO, 2009). De acordo com Velasco, A depressão se caracteriza por uma mudança no estado de ânimo de seu portador. Ela consiste no surgimento de um sentimento generalizado de tristeza, que varia de grau, passando por um sentimento de desalinho moderado até o mais intenso desespero. Ela pode durar poucos dias ou estender-se por semanas, meses e até anos (2009, p. 204). A síndrome da depressão se torna muito presente em pacientes crônicos, freqüentemente, usada como reação maléfica. Alguns fatores influenciam nessa reação, tais como: idade da constatação do mal, grau de incapacidade, percepção do paciente sobre sua imagem corporal e alterações que são percebidas pela especificidade de cada doença. (ALMEIDA & MELEIRO, 2006; ROMANO, 2001). Para Reche (2004, p. 37) “a depressão constitui numa síndrome com uma somatória de sintomas. Estes são divididos em: vida vegetativa, cognitivos, comportamentais e físicos ou somáticos”. Já para Teles (1999, p. 29) é “uma doença orgânica [...] é certo que suas conseqüências são maiores na área psíquica ou emocional”. Na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10 (1993), a depressão é classificada como um episódio em que o indivíduo sofre de humor deprimido, perda de interesse e de prazer, apresentando uma energia reduzida levando a uma fadiga aumentada e atividade diminuída. Além disso, é comum cansaço marcante após esforços leves e outros sintomas como: concentração, atenção, 17 autoestima e autoconfiança reduzida; idéia de culpa e inutilidade; visões isoladas e pessimistas do futuro; idéias ou atos autolesivos ou suicídio; sono perturbado; apetite diminuído. Existem vários níveis de manifestação da depressão, e suas apresentações são classificadas por diversos critérios. Os tipos de depressão podem ser divididos quanto à intensidade dos seus sintomas e quanto às características de cada quadro depressivo. Quanto à intensidade, a depressão se classifica em: leve, moderada e grave. Porém, o que vem determinar essa intensidade não é só o número de sintomas presentes no cotidiano do sujeito, mas, principalmente, o quanto esses sintomas debilitam o sujeito. Na depressão leve, o sujeito consegue manter sua capacidade produtiva, manter os relacionamentos com os outros e tomar decisões. No entanto, neste nível, o sujeito percebe lentidão em suas atividades diárias, sente que seu ritmo de vida ou até mesmo a capacidade em lidar com algo imediato no cotidiano não é o mesmo em seu ritmo habitual. Por muitas das vezes, quando não se tem conhecimento ou não se dá importância a esses indícios de depressão, ela poderá progredir, evoluindo para níveis mais graves. O medicamento, neste caso, não é necessário, contudo, o sujeito deve estar em acompanhamento psicoterapêutico para um melhor monitoramento dos sintomas (RECHE, 2004). Segundo o CID-10 (1993), para o episódio depressivo ser classificado como leve, nenhum dos sintomas deve estar presente em um grau intenso, uma vez que, apesar do indivíduo ter alguma dificuldade em continuar o trabalho do dia-a-dia e atividades sociais, provavelmente não irá parar suas funções completamente. No nível de depressão moderada, o sujeito consegue executar seus planos, ter vida social ativa, mesmo que com dificuldades. Os sujeitos percebem uma mudança no modo de agir e de se relacionar. Nesta intensidade de depressão já é considerada a introdução de tratamento medicamentoso (RECHE, 2004). Provavelmente, nesse nível, vários sintomas estão presentes em grau marcante, entretanto de acordo com o CID-10 (1993), o sujeito usualmente terá dificuldades consideráveis em continuar com atividades sociais, laborativas ou domésticas. Na depressão grave, o sujeito não se apresenta em uma condição de normalidade de vida. Raramente sai de casa, não se importa com as consequências de suas atitudes, visto que se enxerga incapacitado de realizar algo, encontra-se com baixa estima, desejo de dormir e não 18 acordar mais, tudo para esse sujeito “tanto faz”. Seu tratamento deve incluir o uso de medicamentos juntamente com a psicoterapia (RECHE, 2004). O CID-10 (1993) divide o episódio depressivo grave em: episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos e episódio depressivo grave com sintomas psicóticos, entretanto no decorrer do trabalho não será evidenciado o episódio depressivo grave com sintomas psicóticos por não se aplicar à população pesquisada. Dessa forma, no episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos, o sujeito, usualmente, apresenta angústia ou agitação considerável e são proeminentes a perda de autoestima ou sentimentos de inutilidade ou culpa e o suicídio é um perigo marcante nos casos graves. Nesse episódio, é muito improvável que o paciente seja capaz de continuar com suas atividades sociais, laborativas ou domésticas. A depressão apresenta-se de maneiras diferentes em cada quadro em que ela se manifesta. Segundo Reche (2004), eis algumas características: Depressão Maior - o sujeito com esse tipo de depressão pode apresentar sintomas visíveis na cognição, no seu comportamento, no físico e psiquicamente na maior parte do dia. Estes sintomas são considerados se forem citados pelo paciente ou por pessoas de seu convívio; Depressão Atípica - sua principal característica encontra-se no sono e apetite. O paciente apresenta em um estado hipersônico, isto é, o sujeito tem uma grande facilidade para dormir exageradamente, tendo dificuldade para acordar e enfrentar a realidade. A alteração do apetite que manifesta nesse tipo de depressão é o descontrole em comer, com sensação de fome constantemente e como conseqüência tem-se o aumento de peso; Depressão Ansiosa - descrita, também, como Transtorno Misto de Ansiedade e Depressão, os sintomas de ansiedade e sintomas depressivos mantêm-se presentes; Depressão Psicótica - o sujeito pode ter surtos psicóticos, podendo apresentar alterações psíquicas denominadas de delírios. Porém, o delírio não é comum na depressão, ele aparece coerente com o humor deprimido do paciente. Os conteúdos de delírio, na depressão, são de ruínas ou perdas; Distimia - é constituída como uma forma mais branda e contínua e mais permanente da depressão. Parece que o sujeito sempre foi deprimido porque, geralmente, já tem estes traços desde a adolescência. Seus sintomas mais comuns são: desânimo constante, 19 fácil irritabilidade, baixa estima. Para o quadro de depressão ser caracterizado como distimia, esses sintomas devem estar presentes na maioria do tempo da vida do sujeito há pelo menos dois anos; Transtorno Bipolar de Humor - sujeitos depressivos também podem ter períodos de alterações de humor opostos, com episódios de mania (euforia exagerada, projetos otimistas, motivações) e mudança do humor com pensamentos negativos, desanimados e tristeza profunda; Depressão em Idosos - o principal sintoma que diferencia a depressão do idoso das depressões em outras faixas etárias é a hipocondria (doenças imaginárias). O sujeito não tem queixas de depressão, mas de males somáticos. O idoso pressente-se gravemente adoecido, com perspectivas de morte aparente. Isso é comum ser observado, quando o idoso sente uma dor forte no peito, e a associa à idéia de algum problema no coração e, automaticamente, acelera o processo depressivo, ocasionando estagnação ou piora da sua enfermidade. Segundo Velasco (2009), existem certas subdivisões a respeito das características clínicas da depressão nos idosos. Para melhor entendimento quanto à abrangência dos fatores biológicos, psicológicos e sociais, o autor dividiu o estudo da depressão dos idosos em três estágios: Depressão Reativa - refere-se a diversas circunstâncias existenciais traumáticas. Decorre de uma experiência vivencial capaz de desestruturar, temporariamente, o campo emocional do sujeito; relaciona-se a um sentimento de perda, como, por exemplo, à morte de um ente querido, conflito conjugal, etc; Depressão Secundária - refere-se à determinada condição orgânica. O idoso habituase a gerar estados degenerativos e patológicos que promovem o início da depressão, como a qualidade de vida que o idoso leva, a deficiência da atenção, falhas de memória, sentimentos de inutilidade, com a presença de idéias de morte recorrentes e maior presença de sintomas físicos. Além disso, o uso de determinados medicamentos para combater outras doenças pode provocar, através de seus efeitos colaterais, o desencadeamento de sintomas depressivos; Depressão Endógena – sua manifestação ocorre sem motivo aparente e com menor incidência na prática. A sua evolução é mais comprometedora devido à gravidade dos 20 sintomas. São os casos considerados complexos, por apresentar extrema debilidade orgânica e comprometimento acentuado dos sintomas psíquicos, destacando-se, inclusive, a persistência de ideais suicidas. Segundo o IBGE (2000), apesar da depressão não ser parte de um envelhecimento normal, a população idosa representa cerca de 9% da população brasileira e é estimado que esse segmento da população representará 24% no ano de 2050. Segundo Coelho, Muitos idosos não se projetam para envelhecer, há baixa auto-estima, dos ritmos das atividades e dos interesses pelo cotidiano, além da solidão, institucionalização da pobreza, mudança no papel social devido à aposentadoria, especialmente a morte do cônjuge, de filhos ou amigos próximos; e essa série de modificações desencadeia sintomas e transtornos depressivos (2006, p.141). De acordo com Stella, et al. (2002), as causas de depressão no idoso podem se configurar dentro de um conjunto amplo de componentes onde atuam fatores genéticos, eventos vitais, como luto e abandono, e doenças incapacitantes. Além disso, pode surgir em um contexto que há perda da qualidade de vida associada ao isolamento social e ao surgimento de doenças clínicas graves. Os fatores que comprometem a qualidade de vida do idoso são vários, entre eles: sentimentos de frustração diante dos anseios de vida não realizados, história do sujeito marcada por perdas progressivas, abandono, isolamento social, incapacidade de reengajamento na atividade produtiva, ausência de retorno social do investimento escolar, etc. (PACHECO, 2002 apud STELLA, et al., 2002). Apesar da probabilidade de desenvolver doenças aumentar com a idade, envelhecer não é sinônimo de adoecer, principalmente quando as pessoas desenvolvem hábitos de vida saudáveis (NERI, 2002; COSTA, 2002 apud STELLA et al., 2002). Entretanto, segundo Coelho (2006), a depressão no idoso pode ocorrer por resultados de doenças como derrame cerebral, diabetes, mal de Parkinson, etc. que podem agravar ou provocar uma crise depressiva, e, também, como efeito colateral de medicamentos uma vez que muitas das medicações usadas pelos idosos, como anti-hipertensivos, corticosteróides, analgésicos, antiparkinsonianos, benzodiazepínicos, podem ter um efeito depressivo. Triche, et al. (2003) ressaltam que o 21 diagnóstico de depressão em idosos é difícil quando o idoso sofre de várias doenças que apresentam sintomas parecidos ou idênticos da depressão, podendo assim aumentar o risco de desenvolvimento da depressão uma vez que o diagnóstico pode ser tardio. De acordo com Stella, et al. (2002), O diagnóstico da depressão passa por várias etapas: anamnese detalhada, com o paciente e com familiares ou cuidadores, exame psiquiátrico minucioso, exame clínico geral, avaliação neurológica, identificação de efeitos adversos de medicamentos, exames laboratoriais e de neuroimagem. Estes são procedimentos preciosos para o diagnóstico da depressão, intervenção psicofarmacológica e prognóstico, especialmente em função da maior prevalência de comorbidades e do maior risco de morte (p. 2). A depressão constitui-se numa síndrome com vários sintomas que podem ser divididos em: sintomas de vida vegetativa, sintomas cognitivos, sintomas comportamentais e sintomas físicos ou somáticos (RECHE, 2004). Os sintomas de vida vegetativa são: apetite, peso corporal, sono, atividade sexual; os sintomas cognitivos: atenção, memória, aprendizado e pensamento; os sintomas comportamentais: interesse e prazer, controle de impulsos (suicídio, álcool e drogas) e autoestima; os sintomas físicos: dores, digestão, tensão muscular e fadiga. Segundo Stella, et al. (2002), a depressão tem sido caracterizada como uma síndrome que envolve aspectos clínicos, etiopatogênicos e de tratamento. Além dos sintomas comuns, a depressão em pacientes idosos pode ser acompanhada por queixas somáticas, hipocondria, baixa estima, sentimentos de inutilidade, humor disfórico, tendência autodepreciativa, alteração do sono e do apetite, ideação paranóide e pensamento recorrente de suicídio. De acordo com Triche, et al. (2003), Um dos principais problemas dos idosos com depressão é ter pensamentos constantes e cada vez maiores sobre morte. Aqueles com depressão severa podem passar a desejar a morte e considerar o suicídio seriamente, sendo os homens aqueles que apresentam um dos maiores riscos de suicídio (p. 134-135). A depressão, então, é uma síndrome com uma somatória de sintomas (RECHE, 2004) que traz sofrimento e prejuízos ao desempenho social e ocupacional a quem é acometida por ela (PIMENTEL, 2006). Dessa forma, por existir vários níveis de se manifestar, a depressão é classificada por diversos critérios sendo seus tipos divididos quanto à intensidade dos sintomas 22 e quanto às características de cada quadro depressivo. A depressão atinge aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo sendo que a população idosa representa cerca de 9% da população brasileira e as causas da depressão nessa população específica podem se configurar dentro de um conjunto amplo de componentes onde atuam fatores genéticos, eventos vitais, e doenças incapacitantes (STELLA et al., 2002). 23 3- AS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO E A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO 3.1- AS OFICINAS DE DINÂMICAS DE GRUPO Os grupos terapêuticos desenvolveram-se na primeira metade do século XX, junto com outros grupos, tais como o religioso, e que nos dias atuais esses grupos foram se tornando modelo de base para outras organizações similares, como, por exemplo, os grupos de “Alcoólicos Anônimos”, iniciado em 1935 e que ainda se mantém com grande popularidade, auxiliando a quem tanto necessita dessa ajuda (FILHO, 2000). Vários autores tem se destacado nesse campo. Através de Afonso (2006), vamos citar Kurt Lewin (09/11/1890 a 12/02/1947) que é reconhecido na psicologia social como o fundador da teoria dos pequenos grupos e pesquisa-ação como forma de mudança cultural. Ele considera o grupo como um campo de forças, linguagem, valores e práticas, no qual a dinâmica é o resultado das interações dos componentes de um campo psicossocial. Portanto, o grupo não é somente a junção de sujeitos com intuito individual, e sim um grupo de relações em constate movimentação. Outro autor que merece destaque é W. R. Bion, que de acordo com Zimerman e Osório (1997), iniciou seu trabalho com militares diante da formação de grupos e elaborou três distinções fundamentais para a terapia de grupo: 1°) Dependência (exige um líder carismático que inspire a promessa de prover as necessidades existentes básicas); 2°) Luta e Fuga (de natureza paranóide, requer uma liderança de natureza tirânica para enfrentar o suposto inimigo ameaçador); e 3°) formação de pares, também conhecido como acasalamento, referente à formação de pares no grupo que podem se unir e gerar um salvador, porém é um suposto inconsciente, ou seja, para se manter, exige um líder que tenha algumas características místicas. J. Moreno é outro expoente no trabalho com grupo e criou a expressão “terapia de Grupo”, além de introduzir a técnica grupal do psicodrama e estudo dos processos sociais como: 1°) Psicodrama (técnica grupal de tratamento de conflitos individuais); 2°) Sociodrama (envolve os estudos dos grupos sociais) e 3°) Role-playing (utilizado para aperfeiçoamento de 24 formação de profissionais). Para ele, as oficinas terapêuticas de grupo é uma maneira de lidar com os problemas interpessoais e psíquicos dos sujeitos inseridos no grupo. A norma fundamental é a articulação livre e espontânea para que todos os sujeitos sintam confiança no grupo, sendo hoje o psicodrama uma das técnicas grupais mais utilizadas em todo o mundo (FILHO, 2000). Pichon-Riviére, psiquiatra e psicanalista, começou a desenvolver a teoria do “grupo operativo” na década de 40. De acordo com Afonso (2006), no grupo operativo, instrumentaliza um processo que passa fundamentalmente pela diminuição dos medos básicos com fortalecimento do Eu e uma adaptação ativa à realidade. Hierarquiza-se, como tarefa grupal, a construção de um ECRO - esquema conceitual, referencial e operativo- comum condição necessária a comunicação e realização da tarefa. A tarefa depende, portanto, do campo operativo do grupo: sua percepção, interação e linguagem (PICHON-RIVIÉRE, 2005). Vários profissionais devem estar integrados nos programas de promoção e prevenção das doenças crônicas, compondo a formação de uma equipe multiprofissional. Busca-se na formação de grupos uma modalidade de atendimento integral para análise de diversos fatores ligados ao adoecimento, assim como recursos disponíveis a serem desenvolvidos para o enfrentamento (CARVALHO, 2004). Podendo ser aplicadas a comunidades, instituições, escolas, e programas de saúde, a oficina de dinâmica de grupo é um método de intervenção psicossocial aplicado aos pacientes na rede do processo grupal, com componente terapêutico resultando em uma melhor qualidade de vida no que se refere aos aspectos biopsicossocial. São estruturadas com grupos, focalizada em torno da demanda que este se propõe a elaborar em um contexto social. Podem ser utilizadas na área da saúde, educação e ações comunitárias (AFONSO, 2002). As oficinas de dinâmica de grupo embarcam diversas características que fazem parte de seu funcionamento como grupo terapêutico. Sendo assim, Zimerman e Osório (1997), descrevem algumas condições básicas para a caracterização de um grupo: a) um grupo não é o mero somatório de indivíduos, pelo contrário, ele se constitui com leis e mecanismos próprios e específicos; b) todos os participantes partilham de um objetivo comum; c) o tamanho do grupo não pode exceder o limite proposto pelo coordenador da oficina, para a preservação da 25 comunicação, tanto a visual, auditiva e a conceitual; d) é necessário que os objetivos sejam claros e definidos, através do estabelecimento do contrato de trabalho, levando em conta a preservação de espaço (os dias e o local das reuniões), de tempo (horário, duração das reuniões) e combinação de regras; e) na formação do grupo, é inevitável o surgimento de fantasias, ansiedades, mecanismos defensivos, funções, fenômenos resistências e transferências; f) o estabelecimento da ética integra o contrato verbal, em que ocorre o compromisso do terapeuta com cada sujeito e, destes, uns com os outros. O contrato precisa estar claro e conciso, visto que cada membro se responsabiliza pelas suas ações e sigilo, diante do que for falado e expressado nas oficinas. Diante dos aspectos explanados anteriormente sobre o grupo terapêutico, é de fundamental relevância a compreensão dos atributos dados às oficinas de dinâmica de grupo. Segundo Moreira (2007), essas oficinas estimulam a expressividade, espontaneidade, comunicação e, principalmente, o trabalho com potencial humano de criatividade. Tem a finalidade de promover a estabilização emocional dos participantes, pois o principal objetivo da oficina de dinâmica de grupo é o autoconhecimento, através da compreensão profunda de si somada a uma abordagem criativa da vida. Por meio da combinação de várias atividades, as oficinas promovem mudanças internas e possibilitam a superação de problemas, podendo levar, ainda, a um estado de equilíbrio, em que o sujeito passará a olhar para si e para o mundo, construindo símbolos que libertam emoções e idéias. As oficinas de dinâmica de grupo se apresentam como uma possibilidade de organização emocional e intelectual da personalidade do sujeito. Sendo um recurso poderoso, capaz de mobilizar a totalidade do ser de um sujeito, envolvem os níveis emocional, cognitivo e intuitivo do funcionamento psíquico. Nas oficinas, ocorre uma mobilização de energia e emoção que ocorrem na ação, em que a consciência se forma no próprio processo desta ação (MOREIRA, 2007, p. 4). A oficina se distingue do projeto pedagógico, porque trabalha com os significados afetivos e as vivências relacionadas com o tema a ser discutido. E, embora deslanche um processo de elaboração da experiência que envolve emoções e revivências, a oficina também se diferencia de um grupo de terapia, uma vez que se limita a um foco e não pretende a análise psíquica profunda de seus participantes. As relações subjetivas no grupo estão vinculadas tanto 26 a regras conscientemente estabelecidas quanto a motivações inconscientes. O processo de reflexão será ou não expandido para um processo de elaboração, dependendo da produção pelo grupo de insight sobre a própria experiência a partir de sua reflexão, e da articulação de sua reflexão aos conflitos e realizações vividos na rede grupal (AFONSO, 2006). O foco do trabalho grupal é aquilo que emerge espontaneamente do grupo, em geral está contido em auxiliar a reflexão sobre como o grupo e cada um no grupo administra o prazer na vida. O grupo é o momento potencial de falar o nunca dito, ouvir, pensar e agir, não enquanto final, mas sim, início de um contínuo em abrir novos caminhos. O trabalho de grupo pela sua própria dinâmica, facilita e aumenta, reforçando a capacidade do paciente através de suas atuações e de suas relações, de ser gestor de sua própria vida (FILHO, 2000). Diante disso, o grupo assume uma nova postura, ou seja, torna-se mais consciente de sua responsabilidade, através das técnicas das oficinas de dinâmicas de grupo que constituem uma ferramenta privilegiada para o tratamento de seu estado emocional. A oficina de dinâmica de grupo é um campo de estudo dedicado ao conhecimento sobre a natureza dos grupos e da vida coletiva, as leis dos seus desenvolvimentos, suas inter-relações com os indivíduos que os compõem, com outros grupos e com as instituições mais amplas. Os padrões de funcionamento, de mudanças, de resistências a essas mudanças, de pressão social, de influência, de coerção, de exercício de poder, de coesão, de atração, de rejeição, de interdependência, de equilíbrio e de instabilidade, que tem relação com atuação de forças psicológicas e sociais no funcionamento dos grupos (BUSNELLO apud FILHO, 2000, p. 3536). Para Afonso (2002), as oficinas de dinâmica de grupo é um método de intervenção psicossocial aplicadas aos pacientes na rede do processo grupal, com componente terapêutico podendo resultar em uma melhor qualidade de vida. São estruturadas com grupos, focalizando em torno de uma função central (demanda) que o grupo se propõe a elaborar em um contexto social. O processo de reflexão, a que se propõem as oficinas, depende da produção de insigths, relacionadas às experiências articuladas com conflitos e experiências vividas no grupo, além de aspectos que envolvem a questão do poder, liderança, motivações inconscientes, que 27 possibilitam ao sujeito a elaboração no seu modo de agir, pensar e sentir diante do seu envolvimento de forma integral. As oficinas de dinâmica de grupo tendem a realizar uma atuação sobre a elaboração da interrelação entre cultura e subjetividade. De acordo com Afonso (2006), a oficina de grupo como intervenção psicossocial tem uma dimensão ou potencialidade terapêutica, na medida em que facilita a elaboração e reflexão sobre questões subjetivas, interpessoais e sociais. Também tem uma dimensão pedagógica, de forma que abrange um processo de aprendizagem a partir da compreensão sobre a experiência. Permite conhecimento de transformação sobre o mundo e do sujeito no mundo, portanto sobre si mesmo. A manutenção das oficinas através de atitudes de acolhimento das necessidades, interesses e sentimentos que os participantes apresentam, pode ser desenvolvida através de recursos simples sendo de grande proveito para a própria equipe de saúde. São espaços que possibilitam organização dos indivíduos, na busca por mais autonomia no cuidado e tratamento destas enfermidades; desrespeito a instrumentalização dos indivíduos para melhorar a sua qualidade de vida, como também a ações voltadas para o exercício de cidadania (CARVALHO, 2004). 3.2- PAPEL DO PSICÓLOGO NAS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO O coordenador das oficinas de dinâmica de grupo é representado pela figura do psicólogo, visto que é um profissional que intervém no grupo sobre os padrões interacionais dos pacientes e cria oportunidades para eles tentarem novas estratégias, com possibilidades de aumentar a melhoria na qualidade de vida. Sendo assim, o profissional deve ser um bom líder, estar disposto a lidar com as diversas demandas surgidas no grupo, ser habilidoso no manejo do trabalho e ser firme nas intervenções. No entanto, precisa manter a autonomia no grupo, não permitindo que os pacientes se desanimem uns com os outros. Embora tenha um papel de direção, o psicólogo possibilita aos membros do grupo a sentir que é autor do mesmo, pois o psicólogo não está no grupo com o papel de educador e, sim, de dar condições para que cada sujeito possa refletir e elaborar a partir da sua subjetividade e singularidade (TOLMAN, 2009). 28 Ao assumir a função de coordenador das oficinas de dinâmica de grupo, é de fundamental importância que o psicólogo tenha consciência do lugar que ele ocupa no setting terapêutico grupal. Ele não poderá assumir o posicionamento de quem detém a verdade absoluta da vida do outro ou de quem decide pelo grupo. Para Afonso (2006), o psicólogo busca facilitar para o grupo a realização de sua tarefa interna, para que o grupo possa realizar os seus objetivos, tarefa externa. Para isso, o psicólogo precisa estar atento a todo o momento às dimensões conscientes e inconscientes do grupo, tendo um papel ativo, mas não intrusivo. Pode propor, mas não impor uma condição, procurando abranger os diferentes níveis e processos do grupo abrangendo suas interrelações. Segundo Zimerman e Osório (1997), é necessário que o psicólogo conheça a fundo todas as vicissitudes que esta doença vasta e multifacetada, como a depressão, apresenta tanto do ponto de vista biológico (psicofarmacológico) como psicológico e social, mas, sobretudo, que se sinta à vontade em sua relação com o deprimido e possa manter um interesse constante por ele. Isso é extremamente indispensável, porque ao longo do tratamento, que muitas vezes tem a durabilidade de anos, o terapeuta será questionado consciente e inconscientemente se aguenta as desesperanças, as ambivalências, ou seja, se ele, o terapeuta, também não é frágil e deprimido diante do grupo. Em outras palavras, ele deve exercer uma função continente ou de holding firme e constante. Por outro lado, atender ao grupo não significa só ser simpático com ele, usar palavras de estímulos ou agradar seus participantes, significa principalmente entendê-los, possibilitando diante do discurso a elaboração da angústia, pois qualquer pessoa que sofre deseja ser entendido, escutado, e o deprimido necessita ainda mais desse olhar do profissional. De acordo com Rattner (1977), alguns aspectos essenciais que o terapeuta não deve perder de vista, diante do trabalho em oficinas de dinâmica de grupo por serem essenciais: a) Catarse - momento em que o sujeito através da verbalização fica livre de vivências e sofrimentos passados; b) a experiência de ser aceito - quando o sujeito percebe que foi acolhido pelo grupo, diante de todas as suas falhas e deficiências; c) compreensão - consegue-se no grupo a conquista da compreensão pelo esforço comum de interpretação, da parte de todos, a defesa do eu, carregada de afeto, é amenizada, enquanto a vergonha é substituída pela abertura, a angústia por confiança e o auto-engano pelo bom senso; d) fortalecimento do eu - o grupo 29 tem, sobre o desenvolvimento do eu do sujeito, uma eficácia maior do que o tratamento individual, pois perpassa pela interação social; e) eliminação de rígidas exigências do superego - funciona como um peso que emperra a flexibilidade e a capacidade de adaptação, visto que a atitude, alheia à vida, não pode ser vivida de modo satisfatório; f) esclarecimento - é a orientação dada aos integrantes do grupo sobre os aspectos emocionais e intelectuais que lhe constitui; g) diminuição da angústia (encorajamento) - através do grupo, o sujeito sente menos isolado do mundo, criando ações de enfrentamento da doença, a partir do momento que ele percebe que não é só ele que tem problema ou doença; h) experiência do “nós”- devido o “eu”de cada um, com sua própria experiência nasce o “nós”que são as experiências partilhadas e construídas em grupo; i) correção na percepção (realismo) - o grupo pode oferecer acolhimento no sentido de ajudar o sujeito a reconhecer a realidade do jeito que ela se mostra na vida de cada um; j) conhecimento dos outros - no grupo é oferecida a oportunidade dos sujeitos terem reações, pensamentos e sentimentos que antes eram vivenciados de forma embutida e que, a partir das oficinas, passam a serem conhecedores e compreendedores de si e dos outros; l) correção da auto-imagem (conhecimento de si próprio) - com a evolução dos encontros nas oficinas, ocorre a transformação do sujeito no que se refere no modo de percepção de sua imagem; m) criatividade no pensar e no sentir, maturidade e responsabilidade - são os objetivos fundamentais alcançados nas oficinas de dinâmica de grupo, quando o participante se propõe a dedicar ao tratamento. A partir do trabalho desenvolvido nas oficinas de dinâmica de grupo, o psicólogo tornase significativo na arte do cuidar, servir e mediar a relação entre os homens e seus eventuais conflitos inter ou intrapessoais. De acordo com Moreira (2007), ao psicólogo, cabe o papel de escutar, procurando não fazer julgamentos, e sempre estimular o sujeito a entrar em contato consigo mesmo, pois a evolução do processo terapêutico fundamenta-se na representação de seus conteúdos internos. O psicólogo, juntamente com o grupo, passa a contextualizar o significado do símbolo, ou seja, distinguir o elemento ideal do real, considerando os aspectos dinâmicos pertinentes a singularidade de cada ser. O setting terapêutico deve funcionar como um ambiente seguro, onde a pessoa, através de técnicas das oficinas de dinâmica de grupo, configura imagens internas. Em relação ao tratamento, é preciso que o psicólogo possa ter capacidade para tolerar um certo grau de ambigüidade (nos aspectos etiológicos da depressão) e flexibilidade (nos 30 métodos terapêuticos) para poder oferecer um tratamento que permita a reflexão e elaboração de cada sujeito em sua angústia (ZIMERMAN E OSÓRIO, 1977). Além disso, precisa ter o papel de acolhedor e incentivar as pessoas para que elas se constituam como grupo. Freud apud Afonso (2006), explica a transferência como uma manifestação freqüente e regular, que supõe o comprometimento de duas instâncias temporais: passado e presente. No passado, está implicada a rejeição de um desejo. No presente e na relação com o psicólogo, no aqui-agora, é despertado o mesmo afeto que faz o paciente a exilar o desejo. No grupo, a rede de relações sustenta também fantasias inconscientes propiciando a formação da rede de transferências. Em relação à rede transferencial no grupo, parte do coordenador compreender e manejar as manifestações transferenciais no campo terapêutico, focalizando a transferência como principal ponto de apoio. Essas relações precisam ser compreendidas, para que o psicólogo facilite o processo grupal através de intervenções adequadas. A contratransferência do psicólogo do grupo também existe e pode ser entendida como sentimento do terapeuta a partir das identificações projetivas que o sujeito deposita. O grupo como um todo pode exigir respostas inadequadas, e uma das grandes dificuldades do trabalho em grupo reflete na contratransferência do terapeuta. Cada membro do grupo necessita vê-lo de uma forma diferente, e ele deve ser útil a cada um, de acordo com a necessidade. O psicólogo deve se deixar usar e, ao mesmo tempo, continuar a ser ele mesmo. A única solução, às vezes apontada, é o psicólogo ser autêntico e manter sempre esta autenticidade. Sendo assim, constata-se que entre cada sujeito e o terapeuta cria-se um campo, uma área de experimentação, um espaço potencial, onde vai se desenvolver a interação com o trabalho grupal, ou seja, a transformação da criatividade e a cultura do grupo (OSÓRIO, 1989). Diante disso, o psicólogo assume o compromisso de reorganizar a saúde do grupo, referenciando a perspectiva do ser saudável, como meio do sujeito se perceber capaz de elaborar sua própria percepção da doença, aderindo às práticas assistenciais, preventivas e educativas propostas pelo trabalho das oficinas de dinâmica de grupo. Ele deve permitir a promoção de saúde através de um atendimento contínuo, integral e de qualidade. 31 4- PROGRAMA DE PROMOÇÃO À SAÚDE DA CASA UNIMED DE GOVERNADOR VALADARES O Programa Casa Unimed deu-se início através do trabalho da enfermeira Marta Pereira Coelho que prestava serviço de saúde pública no município de Governador Valadares, acompanhando usuários portadores de diversas patologias crônico-degenerativas. Em sua prática, dedicava aos cuidados da enfermagem na área da saúde coletiva. No final do ano de 1999, recebeu o convite da direção da Cooperativa Médica de Governador Valadares (UNIMED), que contava com um número cada vez maior de associados com patologias crônicas para desenvolver um trabalho junto a essa comunidade. Assim, surgiu a oportunidade de elaborar e apresentar o projeto “Conviver com o Diabetes”, aprovado imediatamente, visto que o número das internações por diabetes representava um custo considerável para a empresa. Contratada como enfermeira do programa, iniciou o trabalho no Serviço de Medicina Preventiva. Recebeu do Setor de Controle, Avaliação e Auditoria o registro das internações onerosas e reincidentes. Por meio do cadastro dos conveniados, portadores de doenças crônicas, iniciou o agendamento das consultas individuais e em grupo semanalmente (dinâmicas, vivências, oficinas terapêuticas). O serviço contava no início de 2000, com cerca de 120 (cento e vinte) conveniados cadastrados em acompanhamento e a maioria destes mantinham os níveis glicêmicos normais, sendo monitorados de acordo com sua patologia. Enquanto enfermeira assistencial, Marta Coelho entendia a importância de considerar os sentimentos dos pacientes, no entanto, percebia que outros profissionais direcionavam seus atendimentos apenas nos aspectos fisiológicos e biológicos. Sendo que, os conflitos emocionais eram na maioria das vezes esquecidos, apenas lembrados somente quando a doença mental ou sofrimento psíquico estavam instalados. Sua compreensão com relação à assistência às pessoas, sempre foi de forma holística, ou seja, considerando e visualizando o sujeito com um ser integral, chegando à compreensão de que as doenças tanto físicas quanto emocionais merecem atenção, pois todas implicam em sofrimento. Com o passar do tempo, o programa foi abrangendo de forma tão significativa, que pôde contar com a redução no número de internações por parte de seus conveniados, melhoria na 32 qualidade de vida e controle em sua determinada patologia. A partir das ações de promoção à saúde e prevenção a outras doenças, observou-se a integralidade e a resolutividade nas demandas emergentes. Sendo assim, possibilitou a inclusão de outros profissionais da área da saúde, articulando o surgimento de uma equipe multidisciplinar. Com o aumento da procura e adesão ao programa, houve a necessidade de ampliação das instalações, visto que, a atual tornou-se insuficiente. Diante disso, no dia 21 de junho de 2005 o Programa Casa Unimed foi implantado, atendendo apenas clientes da UNIMED – Governador Valadares/MG, projeto no qual desenvolve programas voltados à atenção total aos seus pacientes. É um projeto idealizado por uma assistente social e dirigido por um coordenador médico. A proposta do Programa é desenvolver projetos para gerenciamento da assistência à saúde integral aos clientes da Unimed de Governador Valadares norteada no modelo de Cooperativa de Trabalho Médico, que apresentam patologias crônicas. Apresentando como objetivos específicos à promoção de atendimentos humanizado, otimizar recursos-diagnósticos, estimular adesão ao tratamento, criar condições para estabilização do quadro clínico dos clientes (pacientes) e reduzir internações hospitalares com melhoria na qualidade de vida. Dentre as ações realizadas para atender aos objetivos propostos inclui-se o projeto de gerenciamento de crônicos (tais como doenças degenerativas diabetes e hipertensão), no qual incorpora as oficinas de dinâmicas de grupo com intervenção psicossocial. Atualmente, grande importância tem-se dado aos programas de saúde que prestam serviço a pacientes que apresentam patologias crônicas, e principalmente se esses pacientes forem idosos, com o intuito de promover saúde e qualidade de vida aos mesmos. Segundo a Agência Nacional de Saúde (2005), Este programa (Programa de qualificação em saúde suplementar) significa um convite a todos os atores envolvidos com o setor da saúde suplementar para a construção de um setor que seja centrado no usuário, que realize ações de promoção á saúde e prevenção a doenças, que observe os princípios de integralidade e resolutividade, que tenha uma concepção de inclusão de todos os profissionais de saúde, que respeite o controle social, que esteja completamente articulado com o Ministério da Saúde e cujo órgão regulador também se preocupe com a qualificação de seu processo regulatório (p. 8). 33 De acordo com Andrade (2007), as operadoras de saúde privada, mantêm cada vez mais envolvidas em projetos que dão apoio aos pacientes crônicos. Com essa visão, a UNIMED – Governador Valadares, operadora de plano de saúde privada e regulamentada pela Agência Nacional de Saúde (ANS) prevê ações para o desenvolvimento de programas que atendem aos pacientes com patologias crônicas, tendo o olhar de prevenção e a manutenção da saúde de seus conveniados. Até o ano de 2009 a Casa Unimed era composta por 1000 clientes que apresentam doenças crônico-degenerativa, consideradas como questões de saúde pública na modernidade e de preocupação mundial no futuro. Atualmente conta com 1.478 participantes na instituição. O Programa de Promoção à Saúde consiste em oferecer um suporte aos pacientes que apresentam hipertensão, diabetes, insuficiências cardíaca e renal, alzheimer ou déficit de memória, além de osteoporose, artrose, artrite, dentre outras patologias relacionada, promover qualidade de vida aos clientes que apresentam tais patologias, uma vez que serão auxiliados para aprenderem a lidar com os limites que a patologia crônica os impõe e para modificarem seus hábitos alimentares e físicos em busca de uma vida mais saudável. Fazendo isso, os custos com internação, consultas médicas e intercorrências associados à patologia como complicação cardiovascular, renal, retinopatia, neuropatia entre outros diminuem significativamente. A instituição é composta por uma equipe multidisciplinar, composta por coordenador geral (médico), gerente assistencial (assistente social), coordenadora do gerenciamento de doenças crônicas (psicóloga), funcionários de serviços gerais, psicologia, enfermagem, nutrição, fisioterapia, terapia ocupacional, auxiliar operacional, auxiliar administrativo, recepcionista e assistente social, totalizando 18 profissionais (Tabela 1). Além de contar com o apoio de 10 estagiárias para áreas da psicologia, enfermagem, nutrição, enfermagem e fisioterapia (Tabela 2). 34 Tabela 1 - Distribuição dos Profissionais que atuam no Programa da Casa Unimed PROFISSIONAIS QUANTIDADE Psicólogas 2 Enfermeiras 3 Nutricionista 1 Fisioterapeutas 3 Assistente Social 1 Terapeuta Ocupacional 1 Serviços Gerais 3 Auxiliar Operacional 1 Auxiliar Administrativo 1 Recepcionistas 2 TOTAL Fonte: Casa Unimed, setembro de 2010 18 Tabela 2. Distribuição dos Estagiários que atuam no Programa da Casa Unimed ESTAGIÁRIOS QUANTIDADE Psicologia 3 Enfermagem 4 Nutrição 1 Fisioterapia 2 TOTAL 10 Fonte: Casa Unimed, setembro de 2010 A Casa Unimed atualmente desenvolve quatro projetos: Visita Hospitalar, Bebê Feliz, Atendimento Domiciliar e Projeto de Gerenciamento de Crônicos da Casa, sendo este último o objeto de estudo dessa pesquisa. Os critérios de inserção para participar do programa são: clientes da Unimed de Governador Valadares, com patologias crônicas ou casos especiais que demandam risco de elevação de tratamento, como a depressão com intuito de promover qualidade de vida para estes e reduzir custos da operadora, freqüentemente os clientes que apresentam esse perfil são encaminhados por médicos, captados em visita hospitalar pela assistente social ou demanda espontânea. Se ele apresentar um perfil adequado ao programa, é conduzido a responder a uma triagem que contêm questões relevantes como: dados epidemiológicos, tempo de patologia, se houve internações devido a estas e se tiver ocorrido qual a quantidade, médico de referência, 35 histórico de patologias, medicação em uso, dieta nutricional, se é usuário de tabaco, qual o problema que mais aflige sua vida diária e o motivo, qual o grau de participação da família em sua vida, se já teve depressão, tem histórico de algum familiar com doença mental e números de contato. Após o paciente ser informado do funcionamento da Casa Unimed, ele é convidado a participar de um grupo de acolhimento (este será abordado logo em seguida), onde será gerado o agendamento da primeira consulta com a enfermeira e fisioterapeuta para dar início ás atividades físicas. Dependendo da demanda apresentada na primeira consulta, o paciente é encaminhado para psicóloga e/ou nutricionista. Cada profissional desenvolve seu trabalho de acordo com sua área específica de atuação, não deixando de se preocupar como o paciente responde ao tratamento com os outros profissionais. Para isso, é necessária a troca de informações entre os profissionais para que o tratamento do paciente seja de forma global, integrativo, interativo e a realização aconteça de maneira multiprofissional. Sendo assim, a Casa Unimed visa proporcionar ao paciente um suporte através de projetos envolvendo consultas individualizadas, atividade física, grupos de artesanato e culinária, para que o mesmo comprometa de forma responsável com seu tratamento além da tentativa de se alcançar um nível de bem-estar físico e emocional satisfatório, com uma melhor qualidade de vida e de convivência com a patologia a qual ele apresenta, seja ela depressão, hipertensão, diabetes ou outras. Assim, com o aumento na procura dos serviços que a Casa Unimed oferece, houve a necessidade da ampliação estrutural que culminou numa nova sede de Promoção e Prevenção à Saúde da Casa Unimed situada na Rua Cora Coralina, n°549, Bairro Belvedere, Governador Valadares – Minas Gerais. Contando com um espaço de 10.000 m² (metros quadrado) de área arborizada, sendo que, 4.000 m² de área construída, que contêm salas amplas, climatizadas, piscina aquecida, estrutura adaptada para cadeirantes e/ou que apresentam necessidades especiais, salas de exercícios, cozinha experimental e um estacionamento abrangendo toda construção da sede. De acordo com a Gerente Assistencial da Casa Unimed, Luciane Bretas, a nova sede promove o atendimento a novas demandas, com possibilidades terapêuticas ampliadas, alcançando novos grupos, maior número de pacientes e novas patologias sendo acompanhadas com o suporte especializado de seus profissionais. 36 Além disso, a Casa Unimed oferece diversos programas direcionados a patologias crônicas específicas cuja responsabilidade fica a serviço da atuação do psicólogo presente na instituição, dentre elas, destacam-se: a) Oficinas de dinâmica de grupo com pacientes idosas em estado depressivo, que conta com a participação de pacientes selecionadas pelas psicólogas no tratamento individual, através do nível de depressão em que estas se encontram diante da aplicação do Questionário de Depressão Geriátrica (GDS-30). Essa oficina é realizada semanalmente, com duração de 2 horas, no período de três meses. Tem como objetivo principal trabalhar com as pacientes suas questões pessoais, a fim de proporcionar uma elaboração dos aspectos emocionais minimizando assim seu sofrimento psíquico e consequentemente a diminuição do índice de depressão que se encontravam no início do grupo. Sendo que, ao passar um ano do término das oficinas de dinâmica de grupo, é proposto um novo grupo, com o intuito de reavaliar o estado emocional das pacientes nesse período que ficaram sem o suporte psicológico grupal; b) Musicoterapia envolve a utilização da música e/ou dos elementos musicais (som, ritmo, melodia e harmonia), realizado em um grupo estruturado, visto que esses pacientes são encaminhados pela equipe multidisciplinar. O grupo é realizado semanalmente, com duração aproximada de 1 ½ hora. Tem como foco facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, à aprendizagem, a mobilização, a expressão e a organização (física, emocional, mental, social e cognitiva) e outros objetivos terapêuticos relevantes para alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A musicoterapia objetiva desenvolver potenciais e/ou restabelecer funções do sujeito para que ele possa alcançar melhor integração interpessoal e/ou intrapessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida pela prevenção, reabilitação ou pelo tratamento; c) Grupo de Acolhimento é um projeto voltado para os recentes pacientes inseridos no Programa de Promoção á Saúde da Casa Unimed, onde é realizado com periodicidade quinzenal. O trabalho é desenvolvido através de palestras com duração aproximadamente de 1 ½ hora. As atividades nesse grupo têm como objetivos apresentar o Programa da Casa Unimed, enfatizando os benefícios que o programa irá oferecer a saúde de cada um para a contribuição de uma melhor qualidade de vida e orientar cada usuário da importância de sua implicação com a nova rotina de vida que irão ter a partir do monitoramento da equipe multidisciplinar da Casa. O psicólogo coloca-se a disposição para esclarecer as dúvidas que emergirem durante a apresentação; d) Grupo de Convivência é um projeto com periodicidade mensal, tendo a duração de 1 ½ hora. O público-alvo é formado por todos os pacientes da Casa, cuja atividade no grupo envolve a apresentação de temas variados, abrangendo qualidade de vida em meio às patologias de casa paciente. Além disso, tem um espaço reservado para a música que melhor ilustra o tema abordado na palestra. O objetivo de 37 tal grupo é possibilitar a socialização e interação entre os pacientes. Promovendo informações, descontração e resgatando a convivência com a doença de forma a tornar o paciente agente de sua própria melhora de vida. A psicologia vem proporcionar aos participantes a possibilidade de falar, manifestar seus sentimentos de angústias e percepção referentes ao momento em que estão vivendo, abrindo espaço de escuta que desponte possíveis elaborações referentes à nova realidade que estão vivendo a partir da doença. Além desse acompanhamento feito aos pacientes através dos grupos mencionados, a psicologia juntamente com a equipe multidisciplinar da Casa Unimed realiza os trabalhos: Projeto Mais Saúde (Empresa), voltado para o atendimento a Empresas credenciadas selecionadas previamente pelo Departamento Comercial de acordo com perfil de risco financeiro. Apresenta os seguintes objetivos: a) avaliar o perfil de risco da carteira de clientes das empresas de maior sinistralidade da UNIMED GV; b) identificar clientes da UNIMED GV portadores de doenças crônicas e fatores de risco para os demais programas desenvolvidos pela Casa Unimed; c) desenvolver ações de controle às doenças crônicas dos funcionários das empresas avaliadas; d) diminuir o risco de adoecimento da carteira; e) fidelização dos clientes ao plano adquirido; f) melhorar a sinistralidade das empresas trabalhadas; g) alertar os colaboradores das empresas parceiras sobre a importância do estilo de vida para a saúde, detectar riscos e promover Qualidade de Vida; h) implantar ações de Qualidade de Vida, complementares ä assistência médica nas empresas avaliadas com foco na referência médica para aqueles pacientes portadores de uma patologia crônica já diagnosticada ou não; i) melhorar a imagem da UNIMED frente ä comunidade; j) encaminhar quando necessário para atendimento especializado (nutrição, psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia), com foco na Promoção da Saúde e na Mudança do estilo de vida. E o Projeto Escola, sendo este uma ação social que a Casa Unimed oferece às escolas das redes públicas e privadas de Governador Valadares, que são selecionadas a partir da disponibilidade de seus horários acadêmicos para desenvolverem trabalhos de recreação e aprendizagem na sede da Instituição. O objetivo desse projeto é levar informação nutricional para crianças que apresentam faixa etária entre 6 a 9 anos, através das avaliações do peso e altura de cada criança, classificando-as como baixo peso, eutrófico, sobrepeso e obesidade, promovendo esclarecimentos com relação a uma dieta saudável. 38 Nota-se, portanto, que a adesão aos variados tipos de tratamento que a Casa Unimed oferece aos seus conveniados, relaciona-se com uma infinidade de aspectos que qualificam o programa, desde profissionais capacitados no serviço de saúde quanto ao comprometimento dos pacientes em aderirem aos tratamentos. 39 5- ANÁLISE QUALITATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO NAS OFICINAS DE DINÂMICA DE GRUPO NA CASA UNIMED O idoso pode sofrer alterações biopsicossociais, que envolvem a falta de atenção, limites corporais, sexuais, dificuldade no exercício da função profissional, alteração na sua capacidade intelectual e de raciocínio, discriminação, declínio do status na família, do papel produtivo, separações e mortes de entes queridos, além de apresentar maior probabilidade a patologias crônicas, tais como, hipertensão arterial, diabetes melittus, problemas cardiovasculares, entre outras. Assim, o idoso tem maior vulnerabilidade a desenvolver depressão se esses aspectos não forem cuidados. Acreditamos que a intervenção psicológica grupal pode proporcionar aos idosos suporte e apoio, sendo um espaço acolhedor para falar sobre suas vidas, trocar experiências, melhorar os relacionamentos interpessoais, a qualidade de vida, a autoestima e autoconfiança, assim como a diminuição de sentimentos de impotência e solidão (KAPLAN & SADOCK, 1997). Para o profissional da psicologia é importante o trabalho com o público idoso, por ser uma classe que está mais propensa a ter doenças crônicas, e a necessidade do mesmo de ter alguém que tenha uma escuta diferenciada voltada para seus conflitos na tentativa de ajudá-lo a viver melhor. Assim, o trabalho em grupo é uma das formas de contribuição do psicólogo que através de atividades dinâmicas despertam o interesse do sujeito em buscar dentro de si novas perspectivas para enfrentar a depressão. E agora que muitos entes próximos a elas faleceram e os filhos estão adultos e independentes, estas perdas geraram um sentimento de inutilidade e falta de sentido para a vida. Algumas pessoas não conseguiram elaborar esse luto e desenvolveram sintomas depressivos. As oficinas de dinâmica de grupo tiveram como objetivo resignificar a história da vida das participantes que gerou conflitos na instabilidade emocional e adoecimento, criando um espaço de reflexão possibilitando a geração de troca de experiências. Além de oportunizar a exploração de recursos internos para resolver conflitos psíquicos, promoveram 40 questionamentos sobre as mudanças necessárias que elas (pacientes) pudessem buscar com vistas a uma melhor qualidade de vida. Todos os encontros analisados nas oficinas de dinâmica de grupo que ao todo foram 14 encontros (Anexo C e D), ou seja, essa quantidade é estipulado pelo serviço de psicologia da Instituição, com o intuito de estabelecer limites de oficinas trabalhadas para que cada participante possa ter um tempo para refletir e elaborar o que foi proposto no grupo, e assim continuar com o trabalho de monitoramento individual, logo após de terminado os encontros, tendo maior capacidade de análise de seus conflitos psíquicos. As oficinas de dinâmica de grupo da Casa Unimed condizem com o que é proposto por Afonso (2002), sendo que cada encontro foi dividido em três momentos: inicialmente uma conversação para descontrair e nortear as participantes sobre a dinâmica do dia, em seguida a atividade e a discussão no grupo e um encontro pós-grupo entre a equipe de psicologia para avaliação do trabalho, com o intuito de analisar a reflexão que cada paciente teve no encontro. O psicólogo acompanha e intervêm no grupo trabalhando a partir do pressuposto de que ele deve trabalhar como facilitador do processo grupal e da análise crítica da sua problemática, viabilizando a mobilização dos próprios integrantes para seu enfrentamento, ao invés de procurar solucionar as questões propostas pelo grupo. A partir das ferramentas teórico-científicas, o psicólogo passa a “ler” as transformações psicológicas do grupo e através do manejo de suas intervenções, pode de forma quantitativa e qualitativa compreender e avaliar a evolução do grupo. Para essa avaliação o psicólogo utiliza a Escala de Depressão Geriátrica (EDG ou GDS – Geriatric Depression Scale), conforme Anexo B, como meio de discriminar os sintomas depressivos das características gerais do envelhecimento. O GDS é usado como instrumento de autoavaliação ou em formato de entrevista, constituído por 30 itens com respostas sim/não que indicam depressão. A seguir, a tabela de análise do Escore da Escala de Depressão Geriátrica do grupo analisado. 41 Tabela 3 – Amostra dos Resultados da Aplicação do GDS-30. ANÁLISE DOS ESCORES DA ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA (EDG-30) 1° Grupo 2° Grupo (após um ano) Participantes GDS (Inicial) GDS (Final) GDS (Inicial) GDS (Final) C.M.L 9 8 4 3 D.V.J 9 3 17 7 E.B.S 12 3 3 3 L.S.E 18 9 21 12 L.M.V.A 24 6 11 2 M.C.L 12 6 3 3 M.T.M 6 0 5 8 M.F.M 24 15 21 13 N.S.M 24 6 10 2 N.S.S 9 3 10 1 O.A 6 6 6 5 O.M.A 9 8 6 5 S.R 24 22 20 15 T.B.S 6 0 9 2 Fonte: Casa Unimed, setembro de 2010 A tabela 3 refere ao número de participantes (14 pacientes) que freqüentaram os 14 encontros das oficinas de dinâmica de grupo, mostrando os escores do GDS no início e no final do grupo. E após um ano, foi feita a mesma aplicação do GDS-30, com o intuito de re-avaliar se nesse período houve estabilização emocional. Conclui-se que no total de participantes presentes no grupo, a maioria se manteve estabilizada emocionalmente. A partir da tabela 4, percebe-se como é a classificação dos níveis de depressão usando a Escala de Depressão Geriátrica. Nota-se que no início do grupo, sete participantes apresentavam depressão leve, e no final das 14 sessões esse número atingiu o valor total de doze participantes, e conseqüentemente houve a redução do número de pessoas com depressão moderada e grave. Após um ano, essas mesmas participantes retornam ao grupo para uma nova avaliação do seu estado emocional, e diante dos dados acima, observa-se que houve estabilização do quadro depressivo, ou seja, sem aumento no nível de depressão, visto que, mesmo com as contribuições das intervenções psicológicas nas oficinas de dinâmica de grupo, essas pacientes mantiveram com o suporte individual em consultório, com o objetivo de não perder a evolução subjetiva que essas tiveram no decorrer do grupo. 42 Tabela 4 – Distribuição dos Níveis de Depressão CLASSIFICAÇÃO DE NÍVEIS DE DEPRESSÃO Níveis de depressão 1° Grupo GDS Inicial Depressão Leve: 1 a 7 participantes 10 pontos Depressão Moderada: 3 participantes 11 a 10 pontos Depressão Grave: 21 a 4 participantes 30 pontos Fonte: Casa Unimed, setembro de 2010 2° Grupo (após um ano) GDS Final GDS Inicial GDS Final 12 participantes 9 participantes 11 participantes 1 participante 3 participantes 3 participantes 1 participante 2 participantes 0 O escore esperado da Escala de Depressão Geriátrica ao final de cada grupo é que seja zero ou que ocorra um percentual abaixo do que o participante iniciou no encontro. Os valores de referências são: 1 a 10 (Depressão Leve), 11 a 20 (Depressão Moderada) e 21 a 30 (Depressão Grave). De acordo com a tabela 1 e 2, percebe-se que no primeiro momento do grupo representado no gráfico abaixo, 50% das participantes iniciaram com depressão leve, 21,4% com depressão moderada e 28,6% com depressão grave. E no decorrer dos 14 encontros da dinâmica de grupo esse percentual foi atingindo um valor desejável diante do quadro de sofrimento que essas participantes iniciaram, pois houve queda nos escores do GDS-30. No final do trabalho com o grupo, era 86% dos participantes com depressão leve, 7% depressão moderada e 7% com depressão grave. Gráfico 1 – Representa o Percentual atingido nos níveis de depressão inicial e final do 1º Momento do Grupo Fonte: Casa Unimed, setembro de 2010 Nas oficinas de dinâmica de grupo, o diagnóstico se dá através da observação, por meio de escalas de atitudes e reflexivas para avaliar o comportamento do grupo. Assim, o psicólogo 43 atua na sistematização de conteúdos e processos emergentes para refleti-los com o grupo. Cada encontro é voltado para a dinamização das técnicas, em que o coordenador poderá fazer perguntas e intervenções baseado no que o grupo dar conta de ouvir e entender o sentido das mesmas. Caso contrário, ela não servirá para nada, pois o desejo sozinho do psicólogo, não produz a elaboração do grupo, é preciso construir com o grupo, ou seja, a coordenação é participativa de acordo com os membros dele. As técnicas trabalhadas pelo psicólogo envolvem um fortalecimento da identidade e do vínculo grupal, bem como a participação ativa dos membros, com a finalidade a aumentar o sentimento de pertencimento ao grupo e melhorar a comunicação entre as participantes. Percebe-se ao término do grupo uma maior confiança entre elas, que se abrem mais nos encontros e com o profissional, expondo fatos, emoções, vivências subjetivas, trocando experiências e fazendo perguntas que visam esclarecimento maior. A seguir, a representação dos dados no gráfico nos mostra claramente a evolução do quadro emocional das participantes no segundo momento do grupo nas oficinas de dinâmica. Gráfico 2 – Representa o Percentual atingido nos níveis de depressão inicial e final do 2º Momento do Grupo Fonte: Casa Unimed, setembro de 2010 No período de um ano, este mesmo grupo retornou às oficinas e foi feito uma nova avaliação usando o GDS para re-analisar o quadro emocional das pacientes. Diante disso, no 2° momento do grupo mostrado no gráfico acima, 64,3% das participantes iniciaram os encontros com depressão leve, 21,4% com depressão moderada e 14,3 % com depressão grave. Com a 44 evolução dos encontros, percebe-se positivamente o aumento dos sintomas depressivos leves atingindo um percentual de 78,6%, a depressão moderada atingiu o percentual de 21,4% e a depressão grave 0%, evidenciando o alcance dos objetivos propostos através das oficinas de dinâmica de grupo. Nota-se que no período de um ano, quando as pacientes retornam para o segundo momento, observa-se um aumento de 14,3% de depressão leve, portanto, a depressão moderada manteve o mesmo valor e não houve depressão grave, daí justifica o aumento do número de participantes com sintomas depressivos leves. A análise das atividades propostas em cada oficina retrata que houve a aceitação e avaliação positiva da intervenção psicoterápica por parte dos pacientes, visto que esse escore deu-se através da interação entre os pacientes/terapeuta/atividades grupais. De acordo com Guedes (2007), o sucesso terapêutico está intimamente relacionado à avaliação clínica e ao diagnóstico, em que deve incluir não apenas a síndrome depressiva propriamente dita, mas, também os estados de saúde física, cognitiva, condições socioeconômicas e situação familiar, é o olhar no sujeito em seu aspecto biopsicossocial, compreendendo-o como ser integral. A contribuição do psicólogo é mostrada na construção de uma melhora na qualidade de vida emocional para as pacientes que participaram das oficinas de dinâmica de grupo, e isso é percebido através dos resultados positivos na queda do nível de depressão dessas pacientes. É fundamental enfatizar que a diminuição dos sintomas depressivos se deu através da participação ativa de cada sujeito no grupo, além da confiança depositada no psicólogo, permitindo que esse os ajude a superar o sofrimento psíquico. A atuação do psicólogo diante do grupo possibilitou o incentivo do convívio social, estimulou as habilidades cognitivas e proporcionou através de suas intervenções, o despertar do presente e do futuro com perspectiva de bem-estar. Dentre as ações terapêuticas, vale destacar a capacidade que cada sujeito desenvolve ao verbalizar suas situações angustiantes, evitando o surgimento das somatizações, bloqueios, etc., e isso é possível, mediante as atividades propostas em cada encontro do grupo. Nesse contexto, podemos considerar a eficiência do trabalho do psicólogo nas oficinas de dinâmica de grupo, 45 um profissional que com manejo da teoria e da prática, desenvolve um trabalho subjetivo com o intuito de amenizar ou eliminar os sintomas da depressão na vida de cada um do grupo. Para desenvolver seu trabalho de maneira eficaz, o psicólogo precisa gostar e acreditar no processo das oficinas de dinâmica de grupo, pois é a partir de seu entusiasmo em lidar com as atividades e conhecimento do que está desenvolvendo, é que irá transmitir segurança para os participantes. Percebemos que a capacidade que o coordenador do grupo tem de escutar e olhar para cada sujeito e vê-lo como ser único, possibilita que o processo de grupo evolua de forma significativa e prazerosa tanto para o psicólogo quanto para o participante. O resultado positivo do trabalho do psicólogo se dá também, através da paciência que este apresenta ao lidar com o grupo, mas essa paciência deve ser entendida como uma atitude ativa, isto é, um espaço de tempo necessário para que cada um reflita e elabore o que foi discutido no encontro. Diante desses atributos, o psicólogo consegue perceber suas contribuições de intervenções no grupo mediante a queda do nível do estado depressivo de cada participante. No aspecto psicológico, a adaptação individual ao processo de envelhecimento pode tornar a pessoa idosa mais vulnerável à depressão, devido a fatores já citados na pesquisa, e infelizmente, um dos sintomas depressivos no idoso é o escasso conhecimento que se tem de sua realidade psicológica, de sua subjetividade e da percepção que ele tem de si mesmo e do mundo em que vive. Diante disso, a intervenção psicológica em pacientes idosas depressivas torna-se de fundamental importância pelo acompanhamento delas para com o autocuidado, adaptação às novas condições de vida e pela escuta diferenciada desse profissional no grupo, que cria condições para que cada sujeito assuma o lugar de ser desejante, possibilitando a expressão de suas idéias e conseqüente diminuição do seu sofrimento psíquico que refletem nas suas relações sociais causando adoecimento. 46 6- CONCLUSÃO A presente pesquisa buscou entender o que é depressão e como esta pode resultar do próprio medo de envelhecer e de morrer, na perda da função social, das mudanças do estado familiar e relações sociais, culturais, dos sonhos que não se realizaram e da pouca possibilidade de que venham a se realizar daí por diante. O indivíduo sofre de solidão, tem sentimento de inutilidade e vê a falta de sentido na vida (TELES, 1999). Pode-se concluir que a depressão na terceira idade poderia facilmente ser controlada por meio de ações de inclusão social da classe idosa e da preparação psicológica do ser humano para as dificuldades do envelhecer. O cuidado ao idoso depressivo deveria incluir a intervenção ampla, não apenas no idoso, mas na família, na sociedade. A assistência não deve ser apenas curativa, com a finalidade de promover a erradicação da doença, mas, a manutenção de uma vida sadia inóspita de maus momentos de solidão, angústia e tristeza. O papel do psicólogo como coordenador das oficinas de dinâmica de grupo demonstrouse de fundamental relevância devido às intervenções realizadas com as pacientes idosas nos encontros de cada grupo terapêutico, no qual atingiu os objetivos propostos de promover a cada sujeito a capacidade de ser autônomo, no sentido dele mesmo ter condições de gerenciar sua própria vida, alcançando estabilidade emocional. Através do programa de promoção à saúde da Casa Unimed percebeu-se que esse modelo integrativo ofereceu suporte emocional as pacientes idosas depressivas promovendo uma melhor qualidade de vida, diminuindo nos custos com internação, consultas médicas e queda no índice dos sintomas depressivos. O trabalho na Casa nos permitiu aprendizagem, elaboração de conhecimento a respeito da depressão e reflexão sobre a prática nas oficinas de dinâmica de grupo no âmbito ético profissional. Portanto, a assistência e o cuidado não se resumiriam apenas na extensão de conhecimento, mas na sua aplicação afetiva. Constatamos através da análise quantitativa e qualitativa dos resultados, uma redução significativa no quadro depressivo das participantes que frequentaram o primeiro grupo das oficinas. Notou-se que a reavaliação proposta após um ano, demonstrou a importância das oficinas no contexto terapêutico, contribuindo para que as pacientes conseguissem lidar com 47 seus limites, frustrações, medos, anseios, perdas e angústias, sendo assim, houve um aumento dos sintomas depressivos leves, e aniquilamento do estado depressivo grave. As atividades propostas em cada oficina retrataram que houve a aceitação das intervenções psicológicas por parte das idosas. Mediante as intervenções psicológicas, percebeu-se que a escuta diferenciada da dor psíquica contribuiu para a resolução de problemas e de relacionamentos geradores de ansiedade e angústia, assim como, as próprias pacientes terem segurança em si para manterem estabilizadas no quadro depressivo, se responsabilizando com sua saúde biopsicossocial. Os nossos objetivos foram cumpridos, pois percebemos que os profissionais envolvidos com a promoção da saúde do idoso, como os psicólogos inseridos numa equipe multidisciplinar devem buscar em outras áreas do conhecimento opções novas de como trabalhar a educação do idoso, criando oportunidades deles tentarem novas estratégias, com possibilidades de aumentar a melhoria na qualidade de vida. É importante o exercício do diálogo entre eles, cuja essência da ação é o cuidado para que se possa construir uma nova mentalidade sobre a gerontologia, para que a promoção da saúde não se resuma a um conjunto de regras e imposições. Vimos que podem existir doenças incuráveis, mas não existem pacientes intratáveis, há sempre algo a ser feito para amenizar suas perdas ou impedir que a evolução de seus conflitos seja tão dolorosa. E é diante desse pensamento fascinante que a psicologia acredita que a velhice pode ser vista como um projeto de vida e não como uma fase final. 48 REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE. Programa de qualificação da saúde suplementar: Nova perspectiva no processo de regulação. Rio de Janeiro, 2005, p. 8. AFONSO, Maria Lucia M. Oficinas em Dinâmicas de Grupos: um método de intervenção de psicossocial. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006. ______. Oficinas de Dinâmica de Grupo: um método de intervenção psicossocial. São Paulo: Edições do Campo Social, 2002. ALMEIDA, A. M.; MELEIRO, A.M.A.S. Depressão e Insuficiência Renal Crônica: uma revisão. Jornal Brasileiro de Nefrologia. V. 22, p. 21-29, 2006. ANDRADE, Camila de Souza. Avaliação de serviço e adesão ao tratamento no programa de atenção ao paciente de uma instituição privada de medicina e promoção à saúde. 2007. 86 f. (Graduação) – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Vale do Rio Doce, Governador Valadares, 2007. CARVALHO, M. H. C. de. I Diretriz brasileira de diagnóstico e tratamento da síndrome metabólica. Revista Brasileira de Hipertensão. São Paulo, vol. 7, n. 4, 2004. CLARA, Carlos José da Silva Santa. Estado Depressivo: vertente de um mal-estar na Sociedade Contemporânea. 2005.56 f. (Graduação) – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Vale do Rio Doce, Gov. Valadares, 2005. COELHO, Marta Pereira. Depressão na pessoa idosa: conhecer para cuidar. In: PIMENTEL, Kathia Mara Murito. Envelhecer: reflexões e práticas. Governador Valadares: Editora Univale, 2006, p. 131-148. ______. Depressão na Pessoa Diabética: Desvelando o inimigo oculto. 2005. 164 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de minas Gerais, Belo Horizonte, 2005. DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. FILHO, Julio de Mello, et.al. Grupo e corpo. Psicoterapia de Grupo com Pacientes Somáticos. Porto Alegre. Artes Médicas Sul, 2000. 49 FREUD, Sigmund. Luto e Melancolia. (1917 [1915]). Edição Standart brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda, 1974. GUARIENTE, Júlio C. Arroyo. Depressão: dos Sintomas ao tratamento. São Paulo: Casa do Psicólogo. 2000. GUEDES, Núbia Cristina Ferreira. Depressão na Terceira Idade: características e intervenções. 2007.56f. (Graduação) – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Vale do Rio Doce, Gov. Valadares, 2007. HOLMES, Jeremy. Conceitos da psicanálise: depressão. Revista Viver Mente e Cérebro. São Paulo: Diretto, v. 14, 2005. IBGE. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico. 2000. KAPLAN, H. I. & SADOCK, B. J. Compêndio de psiquiatria. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. MOREIRA, Patrícia Rose Teixeira. Arte-terapia: comece onde você está construindo sua própria imagem. Maceió, 2007. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Cid-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993, p. 117-128. OSÓRIO, Luis Carlos et al. Grupoterapia Hoje. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989. PICHON-RIVIÉRE, Enrique. O processo Grupal. Revisão da tradução Maria Stela Gonçalves. 7ª ed. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 2005. PIMENTEL, Kathia Mara Murito. Envelhecer: reflexões e práticas. Governador Valadares: Editora Univale, 2006, 131-148 p. RATTNER, Josef. Terapia de Grupo: a psicologia do futuro; tradução do prof. Frederico Stein. Rio de Janeiro: Vozes, 1977. RECHE, Carlos. Essa tal de depressão: doença ou resposta? Campinas: Átomo, 2004. 50 ROMANO, B. W. Psicologia e cardiologia: encontros possíveis. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001. STELLA, F., et al. Depressão no idoso: diagnóstico, tratamento e benefícios da atividade física. Motriz. Vol. 8, set/dez 2002, p. 51-58. TELES, Maria Luiza Silveira. O que é depressão. São Paulo: Brasiliense, 1999. TOLMAN, Anton. Depressão em Adultos: as mais recentes estratégias de avaliação e tratamento. 3. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. TRICHE, Maga Jackson et al. Vencendo a depressão: a jornada de esperança. São Paulo: M. Books, 2003. PARADELA, Emylucy Paiva et al. Validade da escala de depressão geriátrica em um ambulatório geral. Revista Saúde Pública. São Paulo, v. 39, n. 6, dez. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102005000600008&Ing=pt&nrm=iso> Acesso em: 4 jun. 2010 VELASCO, Paulo Miguel. Depressão e Transtornos Mentais: tudo o que você deve e precisa saber. Rio de Janeiro: Wak, 2009. ZIMERNAN, David E; OSÓRIO, Luiz Carlos. Como trabalhamos com grupos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. 51 ANEXO(S) 52 53 ANEXO B - QUESTIONÁRIO DA ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA (GDS-30) NOME: ______________________________________________DATA: ______________________IDADE: _______________ RESPOSTAS 1. Você está satisfeito com sua vida? 2. Abandonou muitos de seus interesses e atividades? 3. Sente que a sua vida está Vazia? 4. Sente-se freqüentemente Aborrecido? 5. Você tem fé no futuro? 6. Tem pensamentos negativos? 7. Na maioria do tempo está de bom humor? 8. Tem medo de que algo de mal vá lhe acontecer? 9. Sente-se feliz na maioria do tempo? 10. Sente-se freqüentemente adoentado, só? 11. Sente-se freqüentemente intraquilo? 12. Prefere ficar em casa a sair? 13. Preocupa-se muito com o futuro? 14. Tem mais problema de memória que os outros? 15. Acha bom estar vivo? 16. Fica freqüentemente triste? 17. Sente-se inútil? 18. Preocupa-se muito com o passado? 19. Acha a vida interessante? 20. Para você é difícil começar novos projetos? 21. Sente-se cheio de energia? 22. Sente-se sem esperança? 23. Acha que os outros têm mais sorte que você? 24. Preocupa-se com coisas sem importância? 25. Sente freqüentemente vontade de chorar? 26. É difícil para você concentrar-se? 27. Sente-se bem ao despertar? 28. Prefere evitar as reuniões sociais? 29. É fácil para você tomar decisões? 30. O seu raciocínio está claro como antigamente? Total sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não sim não 54 ANEXO C – ATIVIDADES DO PRIMEIRO GRUPO DAS OFICINAS DE DINÂMICA ATIVIDADE-TEMA 1- Contrato verbal 1.1- Aplicação GDS 30 1.2- Apresentação dos componentes do grupo (Técnica do Barbante) 2- Confecção de crachás OBJETIVO (S) - Estabelecer regras de funcionamento e sigilo das questões tratadas nos encontros; - Conhecer as expectativas acerca da proposta de participação de uma oficina; - Propiciar momento de identificação (nome, idade, um pouco da história), com a finalidade de interação; - Cooperação, paciência, descontração; - O comportamento nas relações sociais. - Identificação e projeção por meio de um símbolo/imagem construída por cada membro do grupo que as representassem. 3- Confecção de máscaras -Propiciar um olhar mais profundo de si mesmo; - Analisar as sensações sentidas enquanto o colega confecciona a máscara em si (vínculo de cumplicidade ou não). 4- Pintura de máscaras - Projeção e identificação de sentimentos. 5- Exposição das máscaras - Identificar máscaras que utilizaram; - Aspectos positivos e negativos; - Avaliar e retirar das máscaras camadas que representem aspectos negativos; - Propiciar momentos de descontração, entrosamento e reconhecimento do próprio corpo. - Identificar perdas e ganhos significativos ao longo da vida (momento da introspecção); - Registrar os fatos e sentimentos que marcaram e marcam o mundo de cada componente. 6- Confecção de cartaz individual: perdas e ganhos (confecção de painéis) 7- Painel perdas e ganhos (exposição/avaliação) 8- Dinâmica do Espelho 9- Construção da família - Expor, avaliar, relatar e compartilhar as perdas e os ganhos; - Projeção e tomada de consciência dos ganhos advindos das perdas (vice-versa) e ainda ganhos secundários. - - Trabalhar a identificação que tem com a imagem que estão vendo de si mesmas. Trabalhar as relações de escolhas, a dificuldade de sustentar desejos, e o medo de falar aquilo que sentem quando solicitada. Identificar as emoções da pessoa em relação à sua auto-imagem; - Reflexão sobre resistência à mudanças. - Vivenciar conflitos e valores experimentados na família de cada um e possibilitar assim, melhor adequação desses e os conflitos e valores da sociedade em que vive; RECURSOS MATERIAIS - Teste GDS 30; - Lápis e borracha; - Cadeiras; - Mesas. - Cartões (tamanho crachá); - Plástico para crachás; - Lápis de cor; - Cola colorida; - Giz de cera; - Canetinhas; - Borrachas. - Atadura gessada; - Água; - Tesouras; - Algodão; - Papel toalha. - Tinta Guache; - Pincéis; - Água; - Máscaras confeccionadas no encontro anterior; - Papel toalha. - Máscaras confeccionadas e pintadas. - Cartolina; - Revista; - Tesoura; - Cola; - Lápis / canetinhas; - Borracha. - Cartazes confeccionados no encontro anterior; - Barbante; - Prendedor de roupas. - Caixa de presente; - Espelho. - Massa de modelar. 55 - Estabelecer um paralelo entre os conflitos e valores de cada um com a sociedade em que vive; - Favorecer a troca de experiência em grupo no tocante a conflitos e valores familiares que são naturais e inevitáveis na dinâmica familiar; - Possibilitar espaço para solução de conflitos. 10- Móveis falantes 11- Máquina e fotógrafo 12- Relaxamento: escutando o corpo e o tempo 13- Amigo Oculto (Rouba Monte) 14- Certificado 14.1- Encerramento - Favorecer a diminuição do nível de inibição no que tange à afetividade e a sexualidade; - Oportunizar reflexão sobre papéis e funções desempenhadas cotidianamente. - Trabalhar nível de confiança; - Propiciar reflexão sobre as formas de tomada de decisão; - Levar os participantes a vivenciarem os papéis de dominador e dominado (controle). - Acalmar, relaxar e tranqüilizar o corpo; - Atenção ao ritmo próprio e sua correlação com o tempo; - Crescimento e evolução no processo pessoal e grupal. - Fortalecer integração do grupo; - Sinalizar a importância de sustentar o desejo em meio às relações interpessoais; - Tomada de consciência do término dos encontros. - Avaliar o processo grupal e pessoal; - Verbalizar agradecimentos e despedida; - Estabelecer os pontos positivos e comprometer-se a tentar sustentá-los (persistência); - Estimular continuidade de vínculos (socialização). - Papel impresso (móveis falantes); - Lápis; - Borracha. - Espaço físico (a ser fotografado); - Componentes do grupo; - Máquina fotográfica. - Aparelho de som; - Cd (canções de relaxamento); - Colchonetes; - Flores (rosas). - Lembrança de até 3,00 (lojas de 1,99); - Cd música de relaxamento; - Aparelho de som. - Impresso de certificado; - Lápis e borracha; - Cd Lulu Santos (Como uma onda no mar); - Aparelho de som; - Lista de nomes, endereços e telefones. 56 ANEXO D – ATIVIDADES DO SEGUNDO GRUPO DE OFICINAS DE DINÂMICA ATIVIDADE-TEMA 1- Contrato verbal 1.1- Aplicação GDS 30 1.2- Aplicação de um questionário contendo as expectativas para o novo grupo. 1.3- Dinâmica da Bola OBJETIVO (S) - Estabelecer regras de funcionamento e sigilo das questões tratadas nos encontros; - Conhecer as expectativas acerca da proposta de participação das pacientes em um novo grupo de oficinas; - Propiciar momento de reintegração do grupo com a finalidade de descontração e interação; RECURSOS MATERIAIS - Teste GDS 30; -Questionário de expectativas; - Lápis e borracha; - Cadeiras; - Mesas; -Bola. 2- Dinâmica da Sensibilização - Viagem à Lua - Identificar através da linguagem e do comportamento das participantes aspectos que estavam contribuindo para seu adoecimento psíquico bem como todos os movimentos que fizeram para tentar deixa-los. Através de uma mala simbólica identificaram o que continuam carregando em suas vidas e porque acham que ainda as carregam. -Construir características de personalidade e observar como estas se dispõe Avaliar quais características consideram ser positivas e quais negativas. Trabalhar os comportamentos que trazem ônus/bônus em sua vida - Cinco cartões (tamanho crachá); - Lápis; - Borracha. -Fazer um balanço do que tinham ganhado ou perdido em sua vida, através de imagens de revistas que projetavam suas perdas e ganhos acontecidos durante o último ano e como se posicionaram diante dessas perdas depois de terem se submetido a um processo de grupo. - Expor, avaliar, relatar e compartilhar as perdas e os ganhos; - Projeção e tomada de consciência dos ganhos advindos das perdas (vice-versa) e ainda ganhos secundários. - Moldar pessoas que consideram do seu convívio familiar. -Identificar as pessoas que consideram significativas em sua família. - Projetar imagem corporal em um cartaz. E perceber o impacto diante da realidade de um corpo moldado por um outro. - Cartolina; -Revista; - Cola/ Tesoura; -Lápis / canetinhas; - Borracha. - Colocar as participantes diante de uma imagem construída de si e a partir disso propiciar uma leitura do corpo atual Vislumbrar possíveis mudanças Trabalhar auto-estima - Trabalhar a identificação que tem com a imagem que estão vendo de si mesmas. Trabalhar as relações de escolhas, a dificuldade de sustentar desejos, e o medo de falar aquilo que sentem quando solicitada. - Apresentação de um filme com história de uma mulher que vivia em um processo de anulação muito grande com intuito de estimular à processos de - Confecção da folha no encontro anterior. 3- Dinâmica de Identificação/PersonalizaçãoConstrução da Flor 4- Colagem de Perdas e Ganhos 5- Apresentação do cartaz de Perdas e Ganhos 6- Trabalho com Argila 7- Identificação da imagem Corporal 8- Apresentação do cartaz contendo a imagem corporal 9- Dinâmica do Espelho 10- Filme “Shirley Vanlentine” -Desenho impresso de uma flor; - Lápis e borracha. - Cartazes confeccionados no encontro anterior. - Argila; - Água. - Lápis/canetinhas; - Folha de lençol descartável. - Caixa Pequena; -Espelho. - Televisão; - Aparelho de DVD; -DVD “Shirley Vanlentine”. 57 11- Dinâmica da História Pessoal 12- Dinâmica do Presente Surpresa 12.1- Música “È Preciso Saber Viver” do Titãns. 13- Aplicação de uma ficha de saída; 13.1- Aplicação GDS 30 13.2- Certificado 13.3- Encerramento mudanças em suas vidas. - Fazer uma linha do tempo. Retomada da vida pessoal, percebendo fatos marcantes, os acontecimentos que foram significativos em sua vida. - Criar um momento de reforço de atitudes e valores positivos no grupo, e dos conceitos AUTO (autoestima, autoconfiança...) - Avaliar o processo grupal e pessoal; - Verbalizar sentimentos de gratidão e despedida; - Estabelecer os pontos positivos e comprometer-se a tentar sustentá-los (persistência); - Estimular continuidade de vínculos (socialização). - Papel A4; -Lápis; -Borracha. - Caixa de presentes; -Envelopes numerados; -Presente a escolha do facilitador. - Impresso de certificado -Ficha de saída; -Lápis e borracha; -Teste GDS 30; - Cadeiras; - Mesas. 58 ANEXO E - MENSAGEM FINAL Como Uma Onda Composição: Lulu Santos / Nelson Motta Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa Tudo sempre passará A vida vem em ondas Como um mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente Viu há um segundo Tudo muda o tempo todo No mundo Não adianta fugir Nem mentir Pra si mesmo agora Há tanta vida lá fora Aqui dentro sempre Como uma onda no mar (3x). Nada do que foi será De novo do jeito Que já foi um dia Tudo passa Tudo sempre passará A vida vem em ondas Como um mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente Viu há um segundo Tudo muda o tempo todo No mundo Não adianta fugir Nem mentir pra si mesmo agora Há tanta vida lá fora Aqui dentro sempre. Como uma onda no mar (5x)