0 PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ DÊNIS DE LIMA GREBOGGY RELAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS DE DESENVOLVIMENTO MOTOR E INTELIGÊNCIA TÁTICA DE CRIANÇAS PRATICANTES DE FUTSAL CURITIBA 2007 1 DÊNIS DE LIMA GREBOGGY RELAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS DE DESENVOLVIMENTO MOTOR E INTELIGÊNCIA TÁTICA DE CRIANÇAS PRATICANTES DE FUTSAL Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em Educação Física da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, como requisito à obtenção ao título de Graduado em Educação Física. Orientador: Prof. Ms. Claudio Marcelo Tkac CURITIBA 2007 2 DÊNIS DE LIMA GREBOGGY RELAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS DE DESENVOLVIMENTO MOTOR E INTELIGÊNCIA TÁTICA DE CRIANÇAS PRATICANTES DE FUTSAL PUCPR – CAMPUS CURITIBA Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em Educação Física da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, como requisito à obtenção do titulo de Graduado em Educação Física. COMISSÃO EXAMINADORA __________________________________________ Prof. Ms. Claudio Marcelo Tkac Pontifícia Universidade Católica do Paraná. (Orientador) __________________________________________ Prof. Mestrando Fernando Richardi da Fonseca Universidade Estadual do Estado de Santa Catarina. (Co-orientador) __________________________________________ Prof. Dr. Rodrigo Siqueira Reis Pontifícia Universidade Católica do Paraná. (Examinador) Curitiba, _______de___________________de 2007. 3 Dedico este trabalho a todos aqueles que acreditam no seu potencial e nos seus ideais, sejam eles utópicos ou não. Que dedicam sua vida na busca por um mundo mais digno de se viver, mais humano, e que não medem esforços para alcançar seus objetivos e ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo. 4 AGRADECIMENTOS Em primeiro, à Deus, por me colocar no mundo através de meus pais, avós, bisavós, e assim sucessivamente. Obrigado meu Pai. Aos meus pais Reinaldo Greboggy e Selma Maria de Lima Greboggy que tanto eu amo, parentes que estão presentes em minha vida, e os que já partiram para melhor, e que souberam me dar toda a educação que esteve ao alcance deles. Ao meu irmão Deiver, que tantas vezes brigamos quando crianças, e que agora nos compreendemos como pessoas adultas, jovens, e também como eternas crianças. Ao meu grande amigo, pai, professor, orientador, “mestres dos mestres” Claudio Marcelo Tkac, pelas horas dedicadas a mim. Obrigado por tudo. Me espelho e ti. Ao meu segundo irmão, professor e co-orientador Fernando Richardi, pelo conhecimento que possui e que me transmitiu, pela experiência de vida, pela garra, sem dúvida outro espelho para mim. Obrigado irmão. Ao meus colegas de laboratório, Elton, Luciano, Hugo, Kanitz, Carla, Luciana, pela motivação oportunidades e apoio que sempre me deram. A minha avó Inês que sempre acreditou no meu potencial, desde pequenino até os dias de hoje. Te amo vó. A Doutora Fátima Schultz e ao Doutor Élcio Piovesan, por sempre estarem me apoiando, me tratando, me motivando, entusiasmando, e acima de tudo, estando em momentos felizes e infelizes, alegres e tristes de minha vida. Esta é sem dúvida minha maior conquista. Obrigado à vocês. Ao amigo Odacir, por tantos galhos quebrados, pela confiança e credibilidade, pela compreensão e parceria, pelas risadas e tudo mais. Valeu amigão. 5 Noemia, Gisele e Marilda, obrigado por me aturar pedindo mais de 10 vezes por dia a chave da sala 6 e 2, agradeço muito a compreensão de vocês e admiro por trabalhar com uma pessoa que se preocupa muito com os alunos e tudo dentro da Educação Física. Rodrigo, Sidnei, Márcio, aos colegas de turma, as tias da limpeza, e a todos do Curso de Educação Física da PUC, obrigado pelo grande apoio, credibilidade e confiança que me deram, amo todos vocês. Ao Diretor do SESC Portão Adalberto Carneiro, obrigado pela oportunidade de me deixar colocar meus conhecimentos em prática, e claro, sempre aprendendo mais. Ao coordenador, professor, amigo Julio Cesar Alves, pelos momentos agradáveis que me proporcionou, à bertura dos meus pensamentos sobre a Educação Física e sobre minha própria vida. Valeu parceiro. Ao professor Hélio Vendramini, que me deu a oportunidade da minha primeira vivência prática como professor, me ensinando muito. Meus humildes agradecimentos. Ao professor João Eloir, pelo primeiro incentivo e apoio que me deu já na primeira semana de aula quando calouro. Jamais esquecerei nossa conversa. Obrigado. Ao professor que se dedica de corpo e alma à Educação Física da PUCPR, e que muito me incentivou e me incentiva a estudar sempre. Carlos Alberto Afonso, meus eternos agradecimentos. Ao amigo e agora companheiro de profissão Juliano Xavier Nagornni, que sempre me motivou para a Educação Física. Valeu amigo. À esta vida maravilhosa. Obrigado. 6 “Não interessa, repito, o que os outros possam pensar, dizer ou fazer. Nós precisamos buscar nossos limites máximos, não apenas boiar à deriva, ao sabor da correnteza, ou de má vontade apanhar uma onda e deixar-nos levar à praia. Não. Devemos voar.” Charles R. Swindoll 7 RESUMO Este estudo teve como objetivo verificar o nível de desenvolvimento motor e inteligência tática, de crianças praticantes de futsal, da entidade SESC Paraná, (bairro portão) da cidade de Curitiba, assim como verificar se existe correlação entre eles. Este estudo está baseado nas proposições de Rosa Neto (2002), Gallahue e Ozmun (2005), Palalia e Olds (2000), Haywood e Getchell (2004) e Bee (2003), que abordam o tema desenvolvimento cognitivo, psicomotor e motor. Com relação à inteligência tática, esse estudo foi baseado nas proposições de Tkac (2004) que toma como referência o modelo de inteligência motora de Krebs, em Garganta (2002) e Bayer (1994), que abordam estudos dos princípios operacionais de defesa e de ataque para o futebol e futsal. O presente estudo foi de cunho descritivo correlacional, que teve como objetivo, apresentar dados quantitativos sobre os participantes, e correlacionar variáveis. Participaram do estudo 18 crianças do sexo masculino, com idade de 8 a 11 anos, praticantes de futsal na entidade SESC Paraná, da cidade de Curitiba do bairro Portão. Esses participantes foram escolhidos de maneira intencional, sendo convidados os que apenas procuraram os serviços prestados pela entidade, no período de Janeiro a Junho de 2006, das 8:00 às 12:00 horas. Para a coleta de dados foi utilizada a E.D.M. de Rosa Neto (2002), e para a avaliação da inteligência tática no futsal, foi utilizado o Instrumento de Avaliação de Competência Percepto Cognitiva em Ações Táticas do Futebol de Tkac (2004). Adotou-se a estatística não-paramétrica descritiva, com o teste de correlação de Spearman, freqüência, percentual, mediana, moda, média e desvio padrão. Foram utilizados os softwares Excel 2003 e SPSS 11.0. Os resultados demostraram que para o desenvolvimento motor, as crianças apresentaram as medianas das variáveis acima da mediana da idade cronológica que foi de 118 meses. Para a competência percepto-cognitiva, os resultados apontaram para dificuldades dos sujeitos em discernir as ações mais eficientes para as situações problema, sempre que aumentada a organização da tarefa. Na correlação, foi verificado que a idade cronológica e a componente de desenvolvimento esquema corporal/rapidez se corralacionaram negativamente com valores de r= -0,495 e (p= 0,037), e r= -0,540 (p= 0,021) respetivamente. Esses dados podem ter relação com a capacidade de processamento de informções em situações simples (teste de esquema corpora/rapidez) e situações com progressão nos graus de dificuldade (situações de ataque e defesa). Pode-se concluir que as crianças deste estudo estão com um desenvolvimento motor elevado. No entanto, para a competência percepto cognitiva, os sujeitos não têm graus de eficiência altos quando o grau de dificuldade dessa competência se eleva. Palavras-chave: Desenvolvimento motor; Inteligência tática; criança. 8 ABSTRACT This study had as objective verifies the level of motor development and tactical intelligence, of practicing children of futsal, of the entity SESC Paraná, (neighborhood Portão) of the city of Curitiba, as well as verifying if correlation exists among them. This study is based on Rosa Neto's propositions (2002), Gallahue and Ozmun (2005), Palalia and Olds (2000), Haywood and Getchell (2004) and Bee (2003), that approach the theme cognitive development, psicomotor and motor. With relationship to the tactical intelligence, that study was based on the propositions of Tkac (2004) that takes as reference the model of motive intelligence of Krebs, in Throat (2002) and Bayer (1994), that approach studies of the operational beginnings of defense and of attack for the soccer and futsal. The present study was of stamp descriptive correlacional, that had as objective, to present quantitative data on the participants, and to correlate variables. They participated in the study 18 children of the masculine sex, with age from 8 to 11 years, futsal apprentices in the entity SESC Paraná, of the city of Curitiba of the neighborhood Portão. Those participants were chosen in an intentional way, being invited the ones that they just sought the services rendered by the entity, in the period of January to June of 2006, of the 8:00 to the 12:00 hours. For the collection of data E.D.M was used. of Rosa Neto (2002), and for the evaluation of the tactical intelligence in the futsal, the Instrument of Evaluation of Competence was used Cognitive Percepto in Tactical Actions of the Soccer of Tkac (2004). The descriptive no-parametric statistics was Adopted, with the test of correlation of Spearman, frequency, percentile, medium, fashion, average and standard deviation. The softwares were used Excel 2003 and SPSS 11.0. The results demostraram that for the motor development, the children presented the medium of the variables above the medium of the chronological age that was of 118 months. For the percepto-cognitive competence, the results appeared for difficulties of the subjects in discerning the most efficient actions for the situations problem, whenever increased the organization of the task. In the correlation, it was verified that the chronological age and to component of development outline corporal/rapidez if corralacionaram negatively with values of r = -0,495 and (p = 0,037), and r = -0,540 (p = 0,021) respetivamente. Those data can have relationship with the capacity of informções processing in simple situations (test of outline corpora/rapidez) and situations with progression in the degrees of difficulty (attack situations and defense). it can be concluded that the children of this study are with a high motor development. However, for the competence cognitive percepto, the subjects don't have high efficiency degrees when the degree of difficulty of that competence rises. Key-words: Motor development; Tactical intelligence; child. 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Análise transacional da causa do desenvolvimento motor.........................26 Figura 2 - Ampulheta do desenvolvimento motor .......................................................27 Figura 3 - Esquema do Paradigma da Inteligência Motora ........................................47 Figura 4 - Esquema das demandas de antecipação nas MEC...................................52 Figura 5 - Modelação das fases da ação tática .........................................................52 Figura 6 - Classificação dos objetivos percebidos nas MEC ......................................53 Figura 7 - Esquema dos conteúdos do conhecimento em desportos coletivos ..........59 Figura 8 - Cadeia acontecimental do comportamento táctico-técnico do jogador no jogo ............................................................................................................................62 Figura 9 - A dimensão estratégico-táctica enquanto território de sentido das tarefas dos jogadores no decurso do jogo .............................................................................62 Figura 10 - Software Escala de Desenvolvimento Motor - E.D.M...............................68 Figura 11 - Paradigma de Inteligência Motora em Contexto: resultado da associação entre as competências físico-cinestésica, percepto-cognitiva e sócio-emocional ......89 10 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Abordagens conceituais ao estudo do desenvolvimento humano. ...........20 Quadro 2 - Fios do desenvolvimento durante a meninice intermediária. ....................22 Quadro 3 - Aspectos selecionados do desenvolvimento da percepção visual infantil 36 Quadro 4 - Regras de ação para melhorar a ação ofensiva .......................................63 Quadro 5 - Regras de ação para melhorar a ação defensiva .....................................64 Quadro 6 - Distribuição dos graus de eficiência em todas as situações ....................70 Quadro 7 - Escala Likert para opções de ação tática .................................................70 Quadro 8 - Exemplo de marcação dos resultados na folha de testes da E.D.M. .......72 11 LISTA DE ANEXOS ANEXO A - Matriz analítica para a construção do instrumento para a identificação da competência percepto-cognitiva em ações táticas do futebol .............................104 ANEXO B - Instrumento para avaliação de competência percepto-cognitiva em ações táticas do futebol ......................................................................................................105 ANEXO C - Atribuição de graus de eficiência pelos especialistas para a situação de defesa 1. ..................................................................................................................112 ANEXO D - Atribuição de graus de eficiência pelos especialistas para a situação de defesa 2. ..................................................................................................................113 ANEXO E - Atribuição de graus de eficiência pelos especialistas para a situação de ataque 1. ..................................................................................................................114 ANEXO F - Atribuição de graus de eficiência pelos especialistas para a situação de ataque 2. ..................................................................................................................115 ANEXO G - Atribuição de graus de eficiência por especialistas para as opções do instrumento de avaliação de competência percepto-cognitiva em ações táticas do futebol . ....................................................................................................................116 12 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................14 1.1 Introdução ............................................................................................................14 1.2 Justificativa ...........................................................................................................15 1.3 Problema ..............................................................................................................15 1.4 Objetivo geral .......................................................................................................16 1.5 Objetivos específicos ...........................................................................................16 1.6 Definição de termos .............................................................................................16 2. REFERENCIAL TEÓRICO .....................................................................................18 2.1 Desenvolvimento humano ....................................................................................18 2.2 Competência humana ..........................................................................................22 2.2.1 Competência Motriz ..........................................................................................24 2.3 Desenvolvimento motor........................................................................................24 2.4 Desenvolvimento psicomotor ...............................................................................29 2.4.1 Desenvolvimento perceptivo na Infância ...........................................................35 2.5 As variáveis de desenvolvimento motor propostas por Rosa Neto (2002) ...........37 2.5.1 Motricidade fina .................................................................................................37 2.5.2 Motricidade global .............................................................................................37 2.5.3 Equilíbrio ...........................................................................................................37 2.5.4 Esquema corporal .............................................................................................38 2.5.5 Organização espacial ........................................................................................38 2.5.6 Organização temporal .......................................................................................38 2.5.7 Lateralidade.......................................................................................................38 2.6 Desenvolvimento cognitivo ...................................................................................39 2.6.1 Estágio pré-operatório .......................................................................................41 2.6.2 Estágio das operações concretas .....................................................................41 2.7 Inteligência ...........................................................................................................43 2.7.1 Inteligência motora ............................................................................................45 2.7.2 Teorias do processamento de informação sobre a natureza da inteligência humana ......................................................................................................................47 2.7.3 Enfoques à imagem mental ...............................................................................50 2.8 Os jogos desportivos coletivos .............................................................................51 13 2.9 Inteligência tática, futebol de campo e futebol de salão .......................................54 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ................................................................66 3.1 Tipo de pesquisa ..................................................................................................66 3.2 Participantes.........................................................................................................66 3.3 Instrumentos.........................................................................................................66 3.3.1 Escala de desenvolvimento motor .....................................................................66 3.3.2 Instrumento de avaliação de competência percepto cognitiva em ações táticas do futebol....................................................................................................................68 3.4 Procedimento para coleta de dados .....................................................................71 3.5 Tratamento estatístico ..........................................................................................72 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ...............................................................................74 4.1 Resultados referentes à idade cronológica ..........................................................74 4.2 Resultados referentes à motricidade fina .............................................................74 4.3 Resultados referentes à motricidade global .........................................................75 4.4 Resultados referentes à equilíbrio ........................................................................76 4.5 Resultados referentes à esquema corporal ..........................................................78 4.6 Resultados referentes à organização espacial .....................................................79 4.7 Resultados referentes à organização temporal ....................................................80 4.8 Resultados referentes à situação de defesa 1 .....................................................81 4.9 Resultados referentes à situação de defesa 2 .....................................................82 4.10 Resultados referentes à situação de ataque 1 ...................................................83 4.11 Resultados referentes à situação de ataque 2 ...................................................85 4.12 Resultados referentes à correlação entre as varáveis motoras e táticas ...........87 5 CONCLUSÃO..........................................................................................................90 5.1 Conclusão ............................................................................................................90 5.2 Considerações .....................................................................................................91 5.3 Recomendações ..................................................................................................92 REFERÊNCIAS ..........................................................................................................93 APÊNDICES...............................................................................................................99 ANEXOS ..................................................................................................................103 14 1. INTRODUÇÃO 1.1 Introdução O homem com sua curiosidade de descobrir os mistérios da própria existência, a cada dia fica mais ousado em suas pesquisas. Neste sentido, o desenvolvimento humano nos últimos anos evoluiu em suas pesquisas, tanto no âmbito quantitativo como no qualitativo, sendo feitas inúmeras descobertas na área. O desenvolvimento humano, tem como conceito, as modificações físicas e mentais que acontecem desde o nascimento até o final da vida (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Tem também gerado grandes estudos nas áreas do desenvolvimento motor e cognitivo, aprendizagem motora, comportamento motor, controle motor, crescimento físico, maturação e envelhecimento, sendo que todos estes tem grandes ligações entre si, e são importantíssimos no ensino e aprendizado de esportes coletivos e individuais, e para o presente estudo, referenciando a modalidade esportiva futebol de salão. Neste sentido, Flavell, Miller e Miller (1999), afirmam que a imagem tradicional da cognição tem tendência de limitá-la, aos processos mais chamativos e inequivocamente “inteligentes” da mente humana, e incluem entidades psicológicas do tipo definido como processos mentais superiores tais como o conhecimento, a consciência, a inteligência, o pensamento, a imaginação, a criatividade, a geração de planos e estratégias, o raciocínio, as inferências, a solução de problemas, a conceitualização, a classificação e a formação de relações, a simbolização e, talvez a fantasia e sonhos. Todavia para a prática esportiva em si, é importante saber-se das “qualidades” e “deficiências” de seus atletas e assim poder gerar possíveis métodos de ensino e treinamento para se aperfeiçoar a qualidade destes para a criança. Sendo assim, para esta pesquisa será investigada se há alguma relação das variáveis de desenvolvimento motor e inteligência tática de crianças que praticam futsal, e assim poder gerar hipóteses, dúvidas, sugestões, para técnicos, professores, treinadores, diretores esportivos, pais, e outros, no que se refere à qualidade de aulas e treinamento que as crianças de modo geral participam. 15 1.2 Justificativa O desenvolvimento humano, sendo compreendido como processos de constantes modificações e estabilizações, rápido e em várias dimensões, se apresenta como motivo para vários pesquisadores ficarem interessados em estudá lo. Neste sentido, estudos feitos neste ramo devem visar as possíveis avaliações das transformações que ocorrem com os seres humanos (TKAC, 2004). A ênfase dos pesquisadores nos últimos anos tem sido em avaliar as interações entre os processos cognitivos e motores e a sua influência para o desenvolvimento de “especialistas” nos esportes. Neste contexto, o desenvolvimento da cognição (percepção, base do conhecimento, tomada de decisão, etc.) e desenvolvimento de habilidades motoras básicas estão intimamente interligados e ambos são necessários tanto para a criança se desenvolver, como também para atingir altos níveis de performance motora (CAMPOS; BRUM, 2004). Nesta perspectiva, o presente estudo tenta gerar novas hipóteses para a criação de aulas, treinamentos, que possam desenvolver de maneira adequada a criança, sendo no aspecto motor como no aspecto cognitivo (tomada de decisão, inteligência tática, etc.) e que também possam fornecer informações e levantamentos de uma determinada comunidade assim como aproximação da pesquisa, contribuindo para a melhoria e fortalecer relações com a universidade. 1.3 Problema Dentro do desenvolvimento humano o desenvolvimento motor é um componente que está inserido de forma fundamental para qualquer ser vivo, e é definido como qualquer alteração no comportamento motor durante o ciclo vital, e que para Gallahue e Ozmun (2005), Papalia e Olds (2000), Rosa Neto (2002) é um processo de mudanças no movimento humano como resultado de interações entre variáveis genéticas e também ambientais. Neste sentido, vale ressaltar que o desenvolvimento refere-se também às mudanças motoras progressivas, ocorrendo uma melhoria linear na performance motora, que acaba se desfragmentando quando chega à velhice. 16 Relacionando o desenvolvimento motor com determinados esportes, e no presente estudo especificamente o futsal, para Júlio e Araújo (2005), o futebol é um jogo, em que há julgamentos e tomadas de decisões, em uma dinâmica de relação coletiva. Então nesse contexto, as decisões e ações tomadas são funcionais, e estão inerentes a resolução de tarefas, que são significativas, pois informam quem quer que seja, em vista ao cumprimento de objetivos de uma equipe. Tendo como base os conceitos resumidos acima, o presente estudo apresenta o seguinte problema: Existe relação entre as variáveis do desenvolvimento motor, e a inteligência tática, de crianças entre 8 e 11 anos do sexo masculino, praticantes de futsal da cidade Curitiba, da entidade SESC Paraná – bairro Portão? 1.4 Objetivo geral Identificar as relações entre variáveis do desenvolvimento motor e inteligência tática, de crianças entre 8 e 11 anos do sexo masculino, praticantes de futsal da cidade de Curitiba, da entidade SESC Paraná – bairro Portão. 1.5 Objetivos específicos - Verificar o nível de desenvolvimento motor de crianças praticantes de futsal entre 8 e 11 anos, da entidade SESC Paraná, (bairro portão) da cidade de Curitiba. - Verificar o nível de inteligência tática de crianças praticantes de futsal entre 8 e 11 anos, da entidade SESC Paraná, (bairro portão) da cidade de Curitiba. - Correlacionar os níveis de desenvolvimento motor e inteligência tática, de crianças praticantes de futsal entre 8 e 11, da entidade SESC Paraná, (bairro portão) da cidade de Curitiba. 1.6 Definição de termos Desenvolvimento Humano: Modificações físicas e mentais que acontecem desde o nascimento até o final da vida (GALLAHUE; OZMUN, 2005). 17 Desenvolvimento Motor: Qualquer alteração no comportamento motor durante o ciclo vital, um processo de mudanças no movimento humano como resultado de interações entre variáveis genéticas e também ambientais (PAPALIA; OLDS, 2000). Inteligência: Potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura (GARDNER, 2001). Tática: Ação do jogador em campo ou quadra com o objetivo de cumprir os deveres estratégicos eleitos pelo treinador (GARGANTA, 1997, 2002). 18 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Desenvolvimento humano Dando início aos assuntos a serem abordados nesse referencial teórico, ressalta-se em primeiro plano o tópico desenvolvimento humano. “O campo do desenvolvimento humano focaliza o estudo científico de como as pessoas mudam, e também de como ficam iguais, desde a concepção até a morte” (PAPALIA; OLDS, 2000 p.25). Existem dois tipos de mudanças de desenvolvimento: a mudança quantitativa e a mudança qualitativa. A primeira é uma mudança no número ou quantidade como afirma Papalia e Olds (2000). A segunda é uma mudança no tipo de estrutura ou organização como o crescimento de um bebê, que a tempos atrás não falava e não andava e que agora fala uma língua e compreendea, e também se locomove, corre, salta, etc. Quando o campo do desenvolvimento humano tornou-se uma disciplina científica, seus objetivos passaram a incluir a descrição, explicação, previsão e modificação do comportamento. Neste sentido o presente estudo está caracterizado em descrever e explicar fenômenos que estão acontecendo na terceira infância (6 aos 12 anos) o qual o crescimento físico diminui, a força e as habilidades físicas se desenvolvem com mais facilidade, o egocentrismo diminui, as crianças passam a pensar com lógica embora predominantemente concreta, memória e habilidades da linguagem aumentam, ganhos cognitivos melhoram a capacidade de tirar proveito da educação formal, a auto imagem se desenvolve e acaba afetando a auto estima, e os amigos assumem uma importância fundamental (PAPALIA; OLDS, 2000). Uma maneira importante de classificar as influencias é pela proximidade que os impactos causados na criança as afetam. A abordagem ecológica do desenvolvimento humano de Urie Bronfenbrenner identifica cinco variáveis (microssistema, mesossistema, exossistema, macrossistema e cronossistema) de influência ambiental, desde as mais intimas até as mais amplas. Bronfenbrenner descreve um conjunto de estruturas que são “aninhadas” uma dentro da outra. Para o autor, para se compreender o desenvolvimento humano é 19 necessário estudar cada pessoa no contexto dentro de cada uma das estruturas (BEE, 2003). A teoria ecológica ou teoria contextual, como é as vezes chamada, é tanto descritiva como explicativa. Primordialmente é levado em consideração o desenvolvimento através do contexto que o indivíduo está inserido. O estudo dos contextos aliados ao desenvolvimento humano é relacionado às relações dos indivíduos com o sei meio ambiente e uns com os outros. Para o presente estudo que visa o desenvolvimento motor e cognitivo, duas teorias ou abordagens ecológicas populares têm que ser priorizadas, a teoria dos sistemas dinâmicos e a teoria do ambiente comportamental (GALLAHUE; OZMUN, 2005). A teoria dos sistemas dinâmicos (do fisiologista Russo Nicholas Bernstein (1967)) é estudada nos dias de hoje por Alexander et al 1993, Caldwell e Clark 1990 entre outros. A palavra sistema transmite o conceito de que o organismo humano é auto organizado e é composto por vários subsistemas. A palavra dinâmico significa que a alteração do ser humano é não linear e descontínua. As alterações ao longo do tempo não são lineares. De acordo com os autores, os indivíduos possuem padrões que somente eles têm, e que na linguagem popular, ninguém é igual a ninguém. Não existe um padrão a ser definido quando criança, quando adolescente, quando adulto e quando velho. Cada pessoa possui sua particularidade de acordo com inúmeros fatores críticos. Esses fatores são denominados recursos e limitadores de desempenho. Os recursos tendem a promover ou a encorajar a alteração desenvolvimentista. Os limitadores de desempenho são obstáculos que impedem ou retardam o desenvolvimento. Para as crianças com paralisia cerebral, por exemplo, esses obstáculos são de natureza neurológica e biomecânica. É pela “auto-organização” que os seres humanos por sua própria natureza tendem a lutar pelo controle motor e pela competência motora (GALLAHUE; OZMUN, 2005). O estudo sobre o ser humano tem também como alicerce teorias embasadas tanto da filosofia, biológica, quanto da psicologia, para definir o corpo teórico e assumir responsabilidades nas pesquisas do desenvolvimento (TKAC, 2004). Sendo assim, é uma área de estudos, enquanto disciplina acadêmica, relativamente nova, mais os estudos que estão sendo desenvolvidos nessa área que envolve a natureza e existência do ser humano, possui uma dimensão historicamente que remete-nos aos primórdios da antiguidade (KREBS, 2006). O estudo do desenvolvimento humano, seja relacionado aos aspectos motores, cognitivos, lingüísticos, afetivos, emocionais ou sociais, é 20 considerado um fenômeno complexo e globalizado. Com relação aos primeiros níveis de desenvolvimento, Rosa Neto (2002) atribui a complexidade de estudos relacionados ao desenvolvimento humano, principalmente no que se refere à fundamentação científica, à existência de múltiplos pontos de vista teóricos; à multiplicidade de abordagens e linhas de investigação; à dificuldade no estabelecimento de relações lógicas entre áreas do desenvolvimento humano (compreensão do fenômeno da maturação biológica e psicológica e do efeito da experiência); à compreensão das modificações e transformações ocorridas ao longo da idade, considerando a estrutura e significado, juntamente com alterações nos contextos cultural e social que servem como referência. Vários teóricos têm estudado os fenômenos do desenvolvimento humano; dentre os mais influentes encontram-se Sigmund Freud, Erik Erikson, Arnold Gesell, Urie Bronfenbrenner, Robert Havighurst, Jean Piaget entre outros (quadro 1). Abordagem Teóricos Conceitual Representantes Sigmund Freud Teoria Fase – Estágio Erik Erikson Arnold Gesell Foco da pesquisa Estudo do desenvolvimento psicossexual a partir do nascimento e ao longo da infância. Estudo do desenvolvimento psicossocial ao longo da vida. Estudo dos processos maturacionais no desenvolvimento do sistema nervoso central a partir do nascimento a ao longo da infância (a ontogenia recapitula a filogenia). Estudo da interação da biologia e da sociedade sobre a maturação desenvolvimentista a partir da 1ª infância até a velhice. Estudo do desenvolvimento cognitivo como um processo interativo entre a biologia e o meio ambiente a partir do período neonatal até a infância. Teoria da Tarefa Desenvolvimentista Robert Havighurst Teoria do Marco Desenvolvimentista Jean Piaget Teoria Ecológica (Ramos dos Sistemas Dinâmicos) Nicholas Bernstein, Kigler, Kelso e Turvey Estudo do desenvolvimento como um processo descontinuado, auto-organizado e transacional entre a tarefa, o indivíduo e o meio ambiente ao longo da vida. Teoria Ecológica (Ramo do ambiente comportamental) Roger Barker e Urie Bronfenbrenner Estudo do desenvolvimento como uma função da interpretação do indivíduo de cenários ambientais específicos em transação com o meio sociocultural e histórico. Quadro 1 - Abordagens conceituais ao estudo do desenvolvimento humano. Fonte: Gallahue e Ozmun (2005, p.32). 21 Cada modelo de desenvolvimento proposto por estes teóricos, reflete suas inclinações filosóficas e interesses particulares no estudo do desenvolvimento, o que faz com que nenhuma teoria esteja totalmente completa ou precisa ao descrever ou explicar o desenvolvimento humano e, como resultado, todas falham em algum ponto (GALLAHUE; OZMUN, 2005). O ser humano desenvolve-se em um processo contínuo, ao longo da vida, relacionando-se de maneira dinâmica com o meio no qual está inserido. O desenvolvimento, embora nos dê a idéia de um todo, pode ser dividido em alguns episódios para dar um sentido temporal ao desenvolvimento dos indivíduos. Esses episódios temporais simbolizam as diferentes épocas de desenvolvimento, e são comuns a todo ser humano. Dentre esses episódios do desenvolvimento, a infância tem sido compreendida como um período em que as mudanças físicas, cognitivas, afetivas e sociais manifestam-se com grande intensidade. As vivências experienciadas pela criança nesse período, principalmente aquelas relacionadas ao ato de brincar e jogar e outras consolidam as características físicas, os traços de personalidade e temperamento, a potencialidade para aptidões e certas condutas sociais e afetivas (quadro 2), características estas que irão repercutir durante todo o ciclo de vida. Devido a toda essa complexidade e importância, o período que compreende a infância tem sido objeto de investigação em todas as dimensões que integram a área do desenvolvimento humano (BELTRAME 2000). Os aspectos do desenvolvimento humano durante os anos da meninice intermediária (6 a 12 anos) são identificados por Bee (2003) através de um conjunto formado pelo desenvolvimento físico, cognitivo e da personalidade (quadro 2). O desenvolvimento humano aborda as mudanças ocorridas com o ser humano desde o nascimento até a morte, possuindo inter-relação direta com os domínios do comportamento, dentre os quais, são enfatizados no presente estudo o desenvolvimento motor e o desenvolvimento cognitivo, caracterizando, enquanto processo, uma relação temporal que inclui o passado, o presente, e o futuro do ser em desenvolvimento. O desenvolver da cognição infantil assim como o desenvolver psicomotor e motor neste sentido, constitui a dimensão do presente, entendido como uma resposta, um produto, ou uma ação que esteja ocorrendo em um determinado momento, 22 influenciado pelas experiências vivenciadas também no passado do indivíduo (FONSECA, 2005). Aspectos do desenvolvi mento Idade em anos 6 Pula corda; Desenvolvi pode andar mento físico de bicicleta. 7 8 Anda de bicicleta Anda bem de bicicleta de duas rodas 9 10 Puberdade começa para algumas garotas 11 12 Puberdade começa para alguns garotos Constância de gênero; várias habilidades para Lógica indutiva; cada operações concretas; vez melhor uso de Desenvolvi inclusive alguma Conservação de habilidades para mento conservação, inclusão de volume operações concretas; cognitivo classe, várias estratégias conservação de peso mnemônicas, processos executivos (metacognição) Conceito de self cada vez mais abstrato, menos ligado à aparência; Descrições dos outros focalizando cada vez mais qualidades internas e duradouras Senso global de Desenvolvi autovalia mento da Amizade personalida baseada na de confiança recíproca Segregação de gênero no brinquedo e nas amizades é quase total. Aparecem as amizades mais duradouras, continuam ao longo desses anos. Quadro 2 - Fios do desenvolvimento durante a meninice intermediária. Fonte: Bee (2003). O tópico a seguir abordará as competências humanas que estão inseridas dentro do desenvolvimento humano. 2.2 Competência humana Tão complexo como definir a inteligência é definir a competência. A inteligência, assim como a competência, pode ser vista sob diferentes enfoques. A importância da distinção entre o conhecimento e as habilidades, muitas vezes chamadas de competências, e a demonstração de conhecimento e habilidade em situação real observável de resolução de problemas, muitas vezes denominado de desempenho, é ressaltada por Newcombe (1999). Ao conceituar competência, para Peralta (2002), somos confrontados com a poissemia da palavra, onde de acordo com diferentes escolas e autores, são atribuídos diversos significados ao termo 23 competência, que se apresentam desde uma visão atomística, behaviorista, do conceito, tomado em sentido restrito com a especificação precisa das capacidades necessárias para desempenhar determinada função ou tarefa, traduzidas pela identificação de um grupo de comportamentos observáveis, capazes de evidenciar uma ação competente. Não existe um acordo na hora de definir o conceito de competência, provavelmente porque não é um conceito unitário, assim podem-se encontrar expressões como competência ambiental referida na forma eficaz de tratar com ambientes imediatos. Outro conceito, o de competência relacional, definido por Hanson et al (1978 apud TKAC, 2004) como a habilidade para construir, ascender e manter relações de apoio importantes. Uma das definições mais antigas do construto de competência foi a emitida por Whiteen (1959 apud TKAC, 2004), que fazia referência para a capacidade de um organismo para interatuar com o seu meio de maneira eficaz, ressaltando que nos seres humanos se manifesta uma constante incitação para ser competentes no seu meio. Ser competente em um âmbito supõe possuir um repertório de resposta pertinentes para situações que em uma elevada freqüência são novas, possuem, em definitivo um conjunto de conhecimentos, procedimentos e atitudes que lhe permitam uma prática autônoma (RUIZ, 1895, apud TKAC, 2004). Autores como Perrenoud (1999), expõe que não há uma definição clara e partilhada das competências, podendo haver muitos significados. O autor apresenta três versões da noção de competência que podem ser aceitáveis, mas que, no entanto, para ele, não acrescentam muita coisa. A primeira noção é que competência por vezes é mencionada apenas para insistir na necessidade de expressar objetivos de um ensino em termos de condutas ou práticas observáveis. Sob essa ótica, a assimilação de uma competência a um objetivo de aprendizado pode sugerir, erroneamente, que cada aquisição verificável seja uma competência. A segunda noção é a de competência e desempenho, onde o desempenho observado seria um indicador aproximado de uma competência. A terceira concepção considera a competência como uma faculdade genérica, uma potencialidade de qualquer mente humana. Perrenoud (1999) rebate essa idéia de competência, pois acredita que os seres humanos possuem uma faculdade de construir competências ancorada em seu patrimônio genético. No entanto, as potencialidades do sujeito só se transformam em competências efetivas por meio de aprendizados que não intervêm 24 espontaneamente junto com a maturação do sistema nervoso e também não se realizam igualmente em cada indivíduo. Os praticantes de esportes aprendem a ser competentes porque aprendem a interpretar melhor as situações que pedem uma atuação eficaz e porque desenvolvem os recursos necessários para responder, de forma ajustada, às demandas da situação, isto vai supor o desenvolvimento de um sentimento de capacidade para atuar, de sentir confiança para poder sair facilmente das situações-problema apresentadas e manifestar a alegria de ser causa de transformações no seu meio (RUIZ, 1895, apud TKAC, 2004). 2.2.1 Competência motriz Nos últimos vinte anos os estudos sobre competência motriz tem tomado uma orientação cognitiva, centrada em decifrar o papel dos mecanismos de organização e controle das habilidades motoras desde uma perspectiva evolutiva (RUIZ, 1895, apud TKAC, 2004). São numerosos os investigadores, de acordo com Perez (1995), que destacam o papel dos diferentes mecanismos de processamento de informações assim como das operações e processos cognitivos implicados na aquisição e realização de habilidades motoras, dos quais destaca-se Hauert (1987 apud TKAC, 2004), e que para esse autor, as operações de planificação, execução e controle da totalidade das atividades percepto-motoras implicam na intervenção sistemática, consciente ou não, de mecanismos cognitivos. O interesse por estes mecanismos e processos obteve como resultado que numerosos estudiosos da aprendizagem motora tenham se preocupado por questões evolutivas, como no caso de (LAZSLO E BAIRSTOW, 1985) apud TKAC, 2004). O tópico a seguir aborda o tema desenvolvimento motor como base da competência motriz. 2.3 Desenvolvimento motor O desenvolvimento motor na atualidade dirige ou gerencia a maioria das pesquisas com seres humanos, assim como pesquisas do contexto esportivo, seja este de alto rendimento ou de ensino-aprendizado. O mesmo está relacionado 25 com aspecto físicos como desenvolvimento das capacidades motoras (força, velocidade, agilidade e etc.) No caso do presente estudo, tem-se a necessidade de abordar-se o desenvolvimento motor com mais detalhes. O estudo do desenvolvimento motor no passado foi ofuscado pelo interesse nos processos cognitivos e afetivos do desenvolvimento. Visto que o impulso primário do desenvolvimento motor veio da psicologia, é natural que tenha sido frequentemente visto em termos de suas influências potenciais sobre outras áreas do comportamento como meio conveniente e prontamente observável de estudo do comportamento, em vez de um fenômeno digno de estudo por sua própria causa. É um campo de estudo legitimo que disseca áreas de fisiologia do exercício, biomecânica, aprendizado motor e controle motor, e também áreas da psicologia. A busca pela compreensão do desenvolvimento motor progrediu a passos lentos, mas firmes, nos anos 60, e então começou a progredir velozmente nos anos 70, quando cinesiologistas e psicólogos desenvolvimentistas mudaram seu foco da abordagem normativo-descritiva para o estudo dos processos desenvolvimentistas subjacentes. Nos anos 80, um corpo de pesquisa em expansão, composto por uma nova geração de estudiosos, intensificou o interesse pelo estudo do desenvolvimento motor. Uma quantidade precedentes de pesquisas, baseadas em teorias, foi realizada desde a década de 1980 até a de 1990, com desenvolvimentistas de varias áreas confrontando-se com os estudiosos do desenvolvimento motor. O estudo o desenvolvimento motor ocupou seu lugar como área legitima de pesquisa científica nos campos da cinesiologia e da psicologia desenvolvimentista. Atualmente, os especialistas estão estudando tanto os processos subjacentes de desenvolvimento quanto seus muitos e variados produtos e estes, reconhecem que as exigências de uma tarefa motora integram com o indivíduo (fatores biológicos) e o ambiente (fatores de experiência ou aprendizagem) (figura 1). Estudos concluem que os fatores relativos à tarefa, ao indivíduo e ao ambiente não são apenas influenciados (interação), mas também podem ser modificados, (transformação) um pelo outro (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Rosa Neto (2002) advoga que desde o momento da concepção, o organismo tem uma lógica biológica, uma organização, um calendário maturativo e evolutivo, uma porta em que a interação e a estimulação se abrem. As possibilidades que essas portas 26 abertas promovem à criança são enormes, dando oportunidade para o crescimento das mesmas, sendo estes em amplos contextos. AMBIENTE INDIDUAL Experiência, Aprendizado, Encorajamento e Fatores intrínsecos Hereditariedade, Biologia, Natureza e Fatores intrísecos TAREFA Fatores físicos e macânicos Figura 1 - Análise transacional da causa do desenvolvimento motor. Fonte: Gallahue e Ozmun (2005, p. 4). Durante a gravidez, o feto começa a dar sinais de vida ao mundo em que estará por vir, por meio fundamentalmente de uma atividade motora. Desde o nascimento, é observável o amadurecimento, as mudanças maturativas da criança, a qual a cada instante surpreende-nos. A integração sucessiva da mortricidade implica a constante e permanente maturação orgânica (ROSA NETO, 2002). O movimento contém em si mesmo sua verdade, tem sempre uma orientação significativa em função da satisfação das necessidades que o meio suscita. O movimento e o seu fim são uma unidade e, desde a motricidade fetal até a maturidade plena, passando pelo momento do parto e pelas sucessivas evoluções, o movimento se projeta sempre frente à satisfação de uma necessidade relacional. A relação entre o movimento e o seu fim se aperfeiçoa cada vez mais como resultado de uma diferenciaçãoprogressiva das estruturas integradas do ser humano (ROSA NETO, 2002, p.11). Gallahue e Ozmun (2005) ainda apresentam a ampulheta, que define o desenvolvimento motor e seus aspectos de influência e determinação, assim como suas fases (figura 2). 27 Os sujeitos estudados nesta pesquisa estariam classificados entre a fase motora fundamental e a fase motora especializada, onde os movimentos, as habilidades motoras de base, começam a ser aplicados em ambientes de prática desportiva e recreacional. Estas habilidades apesar de serem fundamentais, são na idade de 7 a 11 anos, aplicadas com maior controle, maior precisão e demais componentes. Nesta idade os padrões motores são aplicados, manipulando as habilidades motorss básicas desenvolvidas no estágio rudimentar e fundamental (correr, saltar, lançar, rolar, etc.) (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Figura 2 - Ampulheta do desenvolvimento motor. Fonte: Gallahue e Ozmun (2005 p. 65) Dentro da ampulheta, foi colocado o “recheio da vida”, ou seja, a areia. A areia que entra na ampulheta vem de dois recipientes diferentes. Um é o recipiente hereditário e outro é o recipiente ambiental. O recipiente hereditário tem uma tampa. No momento da concepção a estrutura genética é determinada e a quantidade de areia no recipiente é fixa. Entretanto o recipiente ambiental não tem tampa. A areia pode ser acrescentada ao recipiente e à sua ampulheta. Os dois 28 baldes de areia significam que tanto a hereditariedade quanto o ambiente influenciam o processo de desenvolvimento. As contribuições relativas de cada um têm sido alvo de debate há anos. Na análise final, não importa realmente se a ampulheta das pessoas está preenchida com areia hereditária ou ambiental. O que importa é que, de alguma forma, esta areia entra na ampulheta e esse recheio da vida é produto, tanto da hereditariedade como do ambiente (GALLAHUE; OZMUN, 2005). O indivíduo está sempre passando por mudanças relacionadas à idade e que frequentemente se alteram através da interação com o ambiente e com a tarefa. Como já dito, o movimento se apresenta e se aproxima nessa interação. Ocorrem mudanças de ordem qualitativa, como aumento da estatura, do peso corporal, que costumam ser denominadas de crescimento físico, e ainda, ocorrem mudanças de ordem qualitativa como a aquisição e melhoria de funções denominadas de desenvolvimento (HAYWOOD; GETCHELL, 2004). O desenvolvimento motor é um processo de mudanças nos processos internos do indivíduo que o deixa capaz de controlar movimentos, e é adquirido com o passar do tempo. No decorrer da vida é necessário ajustar, compensar ou mudar, afim de obter, melhorar ou manter determinadas habilidades que o indivíduo aprende ou já possui em seu acervo motor. Esses fenômenos são observados no período da infância, onde essa maior capacidade de controlar movimentos, traz como conseqüência, várias mudanças comportamentais (BEE, 2003; GALLAHUE; OZMUN, 2005). A idade que se tem um pico de desenvolvimento significativo, é a idade pré-escolar, onde se caracteriza por ser uma fase de aquisição e aperfeiçoamento das habilidades motoras, formas de movimento e primeiras combinações de movimentos, que possibilitam a criança dominar seu corpo em diferentes posturas (estáticas e dinâmicas) e locomover-se pelo meio ambiente de várias formas (andar, correr, saltar, etc.) A base para habilidades motoras globais e finas é estabelecida nesse período, sendo que as crianças aumentam consideravelmente seu repertorio motor e adquirem os modelos de coordenação do movimento essenciais para posteriores performances habilidosas (PAPALIA; OLDS, 2000; GALLAHEU; OZMUN, 2005). Um estudo realizado por Caetano et al (2005), cujo objetivo foi verificar diferenças no desenvolvimento motor de crianças pré-escolares de 4 a 7 29 anos, com o instrumento E.D.M. proposto para a avaliação motora do presente estudo, demonstrou que por volta dos 5 anos de idade, a criança passa por instabilidades no desempenho de tarefas motoras finas. De acordo com o mesmo estudo, dos 4 aos 7 anos, segundo os autores, as crianças estão sendo preparadas para a alfabetização, com intensas atividades relacionadas à motricidade fina. Estes períodos de instabilidade do comportamento são característicos do processo de desenvolvimento, sendo essencial os momentos de desorganização para posterior melhora no desempenho (GALLAHUE; OZMUN, 2005). O estudo citado, também trouxe a informação de que nos anos da infância (entre 3 e 7 anos) das crianças avaliadas, houve um desenvolvimento não homogêneo, que não ocorreu igualmente para todos os componentes da motricidade, num período de tempo de 13 meses. O que houve foi um diferente ritmo de desenvolvimento dos componentes da motricidade (CAETANO et al, 2005). Neste sentido as autoras advogaram que é necessário que a ocorra, novamente a validação das tarefas que avaliam cada componente da motricidade, propostas pela E.D.M., porque segundo elas, poderá assim ser verificada, se há ou não, a não linearidade do desenvolvimento, que ocorreu com os sujeitos avaliados no estudo. Elas ainda afirmaram que novos estudos sejam feitos, verificando ainda a qualidade das atividades motoras realizadas por crianças de diferentes contextos, idades, sexo, região geográfica, etc. O próximo tópico abordara o desenvolvimento psicomotor, o qual serve de base para o desenvolvimento motor. 2.4 Desenvolvimento psicomotor Tempos atrás, os temas sobre psicomotricidade eram abordados principalmente em pesquisas cientificas teóricas e, com ênfase apenas no desenvolvimento motor da criança. Ao longo to tempo o intelecto da criança passou a ganhar mais espaços, surgindo então estudos relacionados ao desenvolvimento de habilidades manuais e de aptidão física em função da idade do indivíduo. Atualmente os estudos que estão sendo feitos, ultrapassam o âmbito dos problemas motores. Pesquisam-se as ligações de como se estrutura a relação espaço-tempo, lateralidade, dificuldades de aprender em crianças consideradas com inteligência dita “normal”, etc (MOLINARI; SENS, 2003). 30 A psicomotricidade segundo Molinari e Sens (2003), contribui para a formação da estruturação do esquema corporal expressivamente (conhecimento do corpo), o que facilitará para a criança ter uma boa orientação no espaço. Neste sentido então se questiona: O que é Psicomotricidade? Na realidade a psicomotricidade é poder, um ser se relacionar através de uma ação, com um meio de tomada de consciência que une o ser corpo, o ser mente, o ser espírito, o ser natureza e o ser sociedade (MOLINARI; SENS, 2003). Fonseca (1998 apud MOLINARI; SENS, 2003), defende que a psicomotricidade é nos dias de hoje, concebida com uma integridade superior da motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio. É um instrumento que possui privilégios e que com isso, a consciência humana se materializa. Outros autores defendem a tese de que a psicomotricidade é a educação pelos movimentos corporais, levando em consideração aspectos cognitivos, ambientais e motrizes, poupando energia. Fonseca (1998 apud MOLINARI; SENS, 2003) refere que o movimento humano é construído em função de um objeto. A partir de uma intenção como expressividade intima, o movimento se transforma em comportamento significante. O cérebro e a medula espinhal enviam aos músculos pelos seus mecanismos cerebrais ordens para o controle da contínua atividade de movimento com específica finalidade e dentro das condições ambientais. Essas desordens sofrem as influencias do meio e do estado emocional do ser humano (BARROS; NEDIALCOVA, 1999, apud MOLINARI; SENS, 2003, p.87). Para Barros (1972 apud MOLINARI; SENS, 2003), a unidade básica do movimento humano, que abrange a capacidade de equilíbrio e assegura posições estáticas, são as estruturas psicomotoras. Essas estruturas são básicas e definidas como: locomoções, manipulações, e tônus do corpo, que interagem com a organização espaço-temporal, a motricidade fina e global, a coordenação óculosegmentar, o equilíbrio, a lateralidade, o ritmo e o relaxamento. Elas são decodificadas pelos esquemas de postura e de movimentos, como: andar, correr, saltar, arremessar, rolar, abaixar, levantar, flexionar, suspender, inclinar, e demais movimentos que estão relacionados com os movimentos da cabeça, pescoço, mãos e pés. 31 Movimentos de ordem involuntária estão na maioria das vezes presentes em determinadas ações sem que a criança ou o executante perceba, e são desencadeados pelo executante, quando o mesmo, realizada atos voluntários. Os automatismos adquiridos são os reflexos condicionados, que ocorrem devido à aprendizagem e que formam os hábitos, os quais, quando bons, poupam o tempo e o esforço, porém, se exagerados, eliminam a criatividade. Para a execução do ato voluntário, exige-se certo nível de consciência e de reflexão sobre finalidades, porém, a maior parte dos atos executados na vida cotidiana são relativamente automáticos (MOLINARI; SENS, 2003). Para Molinari e Sens (2003, p.88): Associada à psicomotricidade, está a afetividade. A criança utiliza seu corpo para demonstrar o que ela sente. Desde o nascimento, a criança passa por diferentes fases nas quais adquire conhecimentos e passa por diversas experiências até então chegar a sua vida adulta. As primeiras reações afetivas da criança envolvem a satisfação de suas necessidade e o equilíbrio fisiológico. Segundo Lapierre e Aucouturier (1984), durante o seu desenvolvimento, aparecem os fantasmas corporais que limitam suas expressões devido à falta de contato corporal dos pais com os filhos. A afetividade é indispensável para o desenvolvimento da criança e ao equilíbrio psicossomático. Como esse contato tende a diminuir com o passar do tempo, cria-se um grande problema para o desenvolvimento da criança. É então recomendado que os pais mantenham sempre o contato corporal com os filhos através do toque durante roda a vida da criança (CHICON, 1999). Pois isso certamente levará a uma evolução psicomotora e cognitiva da criança. É necessário que toda a criança passe por todas as etapas em seu desenvolvimento. Assunto de grande importância dentro da psicomotricidade é a questão da educação psicomotora. A educação psicomotora com crianças deve prever uma formação de base que seja indispensável para o desenvolvimento motor, psicológico e etc. Assim, devem-se dar oportunidades para que, por meio de jogos, de atividades lúdicas, se conscientize sobre seu corpo. É com a educação física que a criança desenvolve suas aptidões perceptivas com o meio e o ajustamento do comportamento psicomotor (MOLINARI; SENS, 2003). Para Barreto (2000 apud MOLINARI; SENS, 2003, p.91): O desenvolvimento psicomotor é de suma importância na prevenção de problemas de aprendizagem e na reeducação do tônus, da postura, da direcional idade, da lateralidade e do ritmo. A educação da criança deve evidenciar a relação através do movimento de seu corpo, levando em consideração sua idade, a cultura corporal e os interesses. Essa abordagem constitui o interesse da educação psicomotora. A educação psicomotora para ser trabalhada necessita que sejam utilizadas funções motoras, cognitivas, perceptivas, afetivas e sociomotoras. 32 O desenvolvimento global da criança se dá através de movimentos, ações, da criatividade e experiência que a própria criança adquiriu, levando ela a conseguir conhecimento e consciência de si própria: da sua realidade corporal que sente, pensa, se movimenta nos espaços, encontra-se com os objetos e gradativamente difere suas formas, e que se conscientiza das relações de si mesma com o espaço e tempo, chegando na realidade própria (MOLINARI; SENS, 2003). Uma criança cujo esquema corporal é mal formado não coordena bem os movimentos. Suas habilidades manuais tornam-se limitadas, o ato de vestirse e de despir-se se torna difícil, a leitura perde a harmonia, o gesto vem após a palavra e o ritmo de leitura não é mantido ou, então, é paralisado no meio de uma palavra. As noções de esquema corporal – tempo, espaço, ritmo – devem partir de situações concretas, nas quais a criança possa formar um esquema mental que anteceda a aprendizagem de leitura, do ritmo, dos cálculos. Se sua lateralidade não esta bem definida ela encontra problemas de ordem espacial, não percebe diferença entre seu lado dominante e o outro lado, não é capaz de seguir uma direção gráfica, ou seja, iniciar a leitura pela esquerda. Muitos fracassos em matemática, por exemplo, são produzidos pela má organização espacial ou temporal. Para efetuar cálculos, a criança necessita ter pontos de referencia, colocar números corretamente, possuir no caso de coluna e fileira, combinar formas para fazer construções geométricas (MOLINARI; SENS, 2003, p.90). A criança é vista na sua totalidade e nas possibilidades que se apresenta em relação com ambiente em que a mesma está inserida. Através da educação psicomotora, ela explora o ambiente, passa por experiências concretas, indispensáveis ao seu desenvolvimento intelectual, e é capaz de tomar consciência de si mesma e do mundo que a cerca. O desenvolvimento psicomotor caracteriza-se por uma maturação que integra o movimento, o ritmo, a construção espacial, e, também, o reconhecimento dos objetos, das posições, da imagem e do esquema corporal. A educação física neste sentido, possui um positivo impacto no pensamento, no conhecimento e ação, nos domínios cognitivos, na vida de crianças e jovens e crianças e jovens fisicamente educados vão para uma vida ativa, saudável e produtiva, criando uma integração segura e adequado desenvolvimento de corpo, mente e espírito. Assim a educação física por suas possibilidades, deve desenvolver a dimensão psicomotora das pessoas, principalmente nas crianças e adolescentes, conjuntamente com os domínios cognitivos (MOLINARI; SENS, 2003). Em um estudo realizado por Souza Neto et al (2003), com a aplicação de um programa de educação física visando a trabalhar as variáveis tratadas por Rosa Neto (2002), em uma escola de primeira até a quarta série, observou-se que houve tanto uma melhora da maioria quanto perdas na idade 33 motora das crianças, revelando que as aulas de Educação Física ministradas, são importantes e necessárias. Mas também foi sublinhado que este programa necessita da contribuição de estudiosos da área para que o mesmo seja mais eficaz e alcance plenamente os resultados pretendidos pelo autor. No caso, o teste utilizado por Souza Neto et al (2003) permitiu encontrar algumas lacunas em certas habilidades que são facilmente associadas à escrita, e que demonstram que possivelmente este conteúdo não foi muito abordado na instituição avaliada. A função da avaliação ,segundo Souza Neto et al (2003), foi dar subsídio para se verificar se o que está se ensinando na escola possibilita o desenvolvimento pleno dessas crianças. Portanto, não há dúvidas de que a falta de avaliações pode camuflar algumas perspectivas, no que diz respeito aos fracassos e vitórias na alfabetização e na educação corporal. Estudo descrito mostrou ser de fundamental importância trabalhar com o corpo na escola. Que a Educação Física, ao trabalhar com o movimento humano, ou com a cultura de movimento, tem uma grande contribuição a dar em projetos integrados com outras disciplinas, interdisciplinares, mas que também se torna necessário que este trabalho leve em consideração a necessidade de avaliação motora para a elaboração do programa de ensino, visando à efetiva promoção (integração) destes escolares. Outros estudos científicos mostram que o cérebro humano está continuamente fortificando ou enfraquecendo suas conexões conforme a experiência, graças a uma propriedade que está permanentemente ativa em cada neurônio. É a plasticidade neural, que confere ao cérebro a habilidade para assumir funções específicas como resultado da experiência, ou seja, os neurônios podem modificar suas conexões conforme o uso ou o desuso de determinados circuitos neurais (PACHER; FISCHER, 2006). Para esses autores existem determinados problemas de aprendizagem sérios que afetem a crianã: a dislexia, disortografia e discalculia. A dislexia caracteriza-se por dificuldades de aprendizagem relacionadas à identificação, compreensão, interpretação dos símbolos gráficos e por leitura defeituosa, lenta e silabada. A dislexia consiste na dificuldade de aquisição da leitura na idade habitual, executando toda debilidade ou deficiência sensorial; a ela se associam dificuldades de ortografia e, em alguns casos, distúrbios psicomotores e de linguagem (PACHER; FISCHER, 2006). A avaliação motora e as aulas de Educação Física, mais que um espaço em que se trabalha a motricidade humana, revela a necessidade de uma 34 pedagogia do movimento humano que traga contribuições para os problemas não solucionáveis, no âmbito da instituição, relacionados ao processo de alfabetização. Segundo Pellegrini e Barela (1998 apud SOUZA NETO et al, 2003, p.23-27): Nos primeiros anos de escolarização, principalmente na educação infantil e nas primeiras séries do ensino fundamental, a atividade é muito importante no estabelecimento de relações entre o ser humano em desenvolvimento e o ambiente que o rodeia. É muito importante a aquisição de habilidades e também a tomada de consciência do corpo e de suas relações com o meio. Há um velho provérbio hindu que diz: o corpo é como uma cidade que tem cinco portas, referindo-se aos órgãos do sentido: olfato, tato, audição, visão e paladar. De modo que, por esses órgãos se desenvolve a inteligência prática (sensório-motora), a cognitiva, a afetiva, a social. Com relação às diferenças de desempenho em habilidades psicomotoras, em estudos recentemente realizados, ficou comprovado que existem diferenças de desempenho entre crianças nascidas pré-termo e a termo, nos testes de inteligência e função verbal, e as diferenças foram significativas, nas áreas de coordenação motora, controle motor fino das mãos, percepção viso-espacial e sensação tátil/cinestésica. As autoras deram atenção nesses resultados para possíveis distúrbios sutis no planejamento motor, podendo estarem relacionados à pobre precisão das percepções táteis e cinestésicas (MAGALHÃES et al, 2003). Além de aspectos sensório-motores, a prematuridade parece também influenciar o comportamento motor da criança. De acordo com pesquisas recentes, déficits de atenção são mais freqüentes em crianças prematuras, o que pode resultar em pobre desempenho percepto-motor e dificuldades escolares (MAGALHÃES et al, 2003). Há evidências de que, especialmente os meninos, podem apresentar um comportamento mais agressivo, hiperativo, ansioso e às vezes delinqüente. Apesar de grande número de estudos apontarem para déficits perceptuais e motores, associados com distúrbios de atenção e comportamento, na criança pré termo, alguns autores reafirmam, principalmente com relação ao desenvolvimento cognitivo, que os fatores ambientais, em especial o baixo nível sócio-econômico, seriam decisivos, sugerindo que à medida que a criança pré-termo cresce, fatores ambientais teriam mais importância que os sinais neonatais de risco biológico. Independentes da perspectiva adotada, sendo esta mais biológica ou social, são muitas as evidências de que crianças pré-termo estão sob maior risco para apresentaram atraso perceptual motor e cognitivo, associados ou não a problemas de comportamento e déficit de atenção (MAGALHÃES et al, 2003). 35 O próximo tópico abordará um componente fundamental da psicomotricidade. O desenvolvimento da percepção infantil. 2.4.1 Desenvolvimento perceptivo na infância Quando crianças atingem aproximadamente 2 anos de idade, o aparato visual por exemplo, está maduro. O globo ocular está próximo de seus peso e tamanho adultos. Todos os aspectos anatômicos e fisiológicos do olho estão completos, porem as habilidade perceptivas de crianças pequenas ainda estão incompletas. Embora seja capazes de fixar os olhos em objetos, acompanha-los com o olhar e fazer avaliações precisas de tamanho e forma, numerosos refinamentos ainda precisam ser feitos. A criança pequena é capaz de interceptar uma bola arremessada, com qualquer grau de controle. A percepção da criança, por exemplo, de objetos em movimento, é deficientemente desenvolvida, assim como as habilidades perceptivas em nível plano, percepção de distância e o cálculo de tempo antecipação. As habilidades motoras e perceptivas de crianças influenciam-se reciprocamente, ainda que se desenvolvam em ritmos diferentes (GALLAHUE; OZMUN, 2005). A relação entre atividade motora, no presente estudo o futsal, e desenvolvimento perceptivo, foi indiretamente apoiada pelo declínio do desempenho em experiências de privação motora e perceptiva por Hebb et al (1949 apud GALLAHEU; OZMUN, 2005) e em experiências de testes de ajustes perceptivo visuais modificados. O ponto principal dessas pesquisas levou ao que Payne e Isaacs (2002 apud Gallahue e Ozmun, 2005) denominaram “hipótese motora”, cujo o argumento é este: para desenvolver um repertório normal de habilidades visualespaciais, deve-se prestar atenção a objetos que se movimentam. O movimento para Gallahue e Ozmun (2005), tem mostrado ser condição suficiente, mas não necessária, para desenvolvimento de habilidades perceptivo-visuais selecionadas. Permanece o fato, entretanto, de que os resultados de cada uma dessas experiências são especulativos e duvidosos, ainda mais tratando-se de habilidades desenvolvidas por crianças. Para Gallahue e Ozmun (2005), é importante se familiarizar com as habilidades perceptivas em desenvolvimento da criança e compreender o impacto da 36 percepção sobre o aprendizado de habilidades motoras e seu refinamento. A acuidade visual, a percepção de imagens em nível plano, a percepção de profundidade e a coordenação vusual-motora são importantes qualidades desenvolvimentistas que influenciam o desempenho motor. A seguir estão descritos resumidamente os estágios desenvolvimento da percepção visual infantil (quadro 3). ASPECTOS SELECIONADOS DO DESENVOLVIMENTO DA PERCEPÇÃO VISUAL INFANTIL Qualidade visual Acuidade visual Habilidade de distinguir detalhes em situações estáticas e dinâmicas. Percepção figura-fundo Habilidade de separar um objeto do que está a sua volta Percepção de profundidade Habilidade de julgar a distancia relativa a si mesmo Coordenação visualmotora Habilidade de integrar o uso dos olhos e das mãos para acompanhar e interromper a observação de um objeto Habilidades selecionadas Idade aproximada Rápido desenvolvimento Estabilidade Rápido desenvolvimento Maturidade (estática) Estabilidade (dinâmica) Maturidade (dinâmica) 5–7 7–8 9 – 10 10 – 11 10 – 11 11 – 12 Desenvolvimento lento Desenvolvimento rápido Pequena explosão Maturidade 3–4 4–6 7–8 8 – 12 Erros de julgamento freqüentes Poucos erros de julgamento Desenvolvimento rápido Maturidade 3–4 Desenvolvimento rápido Desenvolvimento lento e leve Maturidade 5–6 7 – 11 Por volta dos 12 3–7 7–9 10 – 12 Quadro 3 - Aspectos selecionados do desenvolvimento da percepção visual infantil Fonte: Gallahue e Ozmun (2005, p.308) do 37 2.5 As variáveis de desenvolvimento motor propostas por Rosa Neto (2002) 2.5.1 Motricidade fina É a coordenação visiomanual (atividade mais freqüente e mais comum no homem), ela inclui a fase de transporte da mão, seguida de uma fase de agarre e manipulação, o que dá um conjunto de objeto/mão/olho. Este processo exige a participação de diferentes centros nervosos, motores e sensoriais, para que na ação exista a coincidência entre o ato motor e uma estimulação visual percebida. Em indivíduos não videntes transfere-se a percepção visual para outro tipo de informação. Essa inclui uma fase de transporte da mão, seguida de uma fase de agarre e manipulação, resultado em conjunto com três componentes objeto-mão olho (ROSA NETO, 2002). 2.5.2 Motricidade global É a capacidade do indivíduo de, com seu ritmo, deslocamento, compreender-se melhor e buscar novas informações. A perfeição progressiva do ato motor implica num funcionamento global de seus mecanismos reguladores. O movimento global é sempre sinestésico, tátil, labiríntico, etc. A criança passa grande parte de sua vida na escola, e por isso, sua conduta está representada pela atividade motora. As crianças correm imitando os caminhões, os carros, os animais; põem-se a correr e rapidamente a saltar de diferentes formas, como o galopar, subir em arvores, etc. Isso tudo é o relaxamento corporal, o bem estar da liberação física (ROSA NETO, 2002). 2.5.3 Equilíbrio Está vinculado à idéia do tônus postural, ou seja, postura corporal que sejam corretas e economizem energia, para que não ocorra a fadiga corporal, entre outros. O equilíbrio é o estado de um corpo quando forças distintas atuam 38 sobre ele e se compensam e anulam mutuamente. Em tudo deve ter o equilíbrio, para andar, para sentar, para ficar em pé, isto feito com dinâmica ou estática (ROSA NETO, 2002). 2.5.4 Esquema corporal É a imagem do corpo, o modelo postural que cada um tem, e a construção desses esquemas, é feita através da organização das sensações relativas a seu próprio corpo, em associação com os do mundo exterior. A elaboração dos esquemas corporal segue as leis da maturidade céfalo-caudal e próximo-distal. Juntamente com o esquema corporal, está a rapidez, onde é a capacidade da criança atingir níveis rápidos de movimentos, seja de coordenação óculo-manual, de motricidade ampla ou de coordenação óculo-pedal (ROSA NETO, 2002). 2.5.5 Organização espacial É compreender as dimensões do corpo com o espaço que é finito e com o infinito, ou seja, a organização espacial depende ao mesmo tempo da estrutura do nosso corpo, como, da natureza do meio que nos rodeia e suas características. A evolução da noção espacial destaca a existência de duas etapas: uma ligada à percepção imediata do ambiente e outra baseada nas operações mentais que saem do espaço representativo e intelectual (ROSA NETO, 2002). 2.5.6 Organização temporal Existem duas vertentes desta definição: a ordem e a duração, quando a primeira define a sucessão que existe entre os acontecimentos, uma sendo continuação da outra em uma ordem física. A segunda permite a variação do intervalo que separa o início e o fim do acontecimento. A organização temporal inclui a dimensão lógica, a dimensão cultural e os aspectos de vivência. 2.5.7 Lateralidade 39 É a preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo (mão, olho, perna e ouvido). A lateralidade acontece em virtude de um predomínio que outorga a um dos hemisférios a iniciativa da organização do ato motor. Tópico seguinte irá abordar outro assunto do desenvolvimento humano, e que é importante para o presente estudo, o desenvolvimento cognitivo. 2.6 Desenvolvimento cognitivo Dentro do desenvolvimento humano, também é imprescindível citarse o conceito de inteligência, que envolve diversas características relacionadas aos domínios: afetivo, motor, cognitivo, social e biológico, bem como de sua utilização nas diversas situações cotidianas. O termo inteligente é definido de maneiras diferentes entre as diversas culturas, ou seja, para alguns povos a inteligência pode estar relacionada com o fato de seus integrantes desenvolverem habilidades com relação à leitura e à escrita, enquanto que a capacidade de lidar sabiamente com os outros é em geral considerada como um sinal de inteligência entre as culturas tradicionais. Este foco faz sentido, porque essas culturas dependem dos esforços cooperativos de muitas pessoas para assegurar suas necessidades básicas. A construção da inteligência é sempre resultante da coordenação de ações realizadas com o sentido de buscar formas e esquemas de adaptação a problemas gerados pelo ambiente (TKAC, 2004). O desenvolvimento cognitivo inicia-se logo no estágio neonatal. De acordo com Papalia e Olds (2000), é dividido em quatro estágios: o estágio pré-natal (da concepção até o nascimento), a primeira infância (do nascimento até os 3 anos), a segunda infância (dos 3 aos 6 anos) e a terceira infância (dos 6 aos 12 anos de idade). Segundo alguns estudiosos, para as crianças na fase da terceira infância, seriam observadas melhoras gradativas em aspectos específicos do seu desenvolvimento cognitivo, principalmente com relação ao conhecimento e perícia, provavelmente devido ao aprendizado escolar. O aumento da capacidade de armazenamento e velocidade do processamento de informações, também seriam observáveis durante esta fase, o que afetaria o desenvolvimento cognitivo da criança. O aumento da capacidade de armazenar e lidar com as informações, assim como um raciocínio mais complexo, fariam com que as crianças melhorassem sua 40 capacidade de compreender o que lêem, sua capacidade de se expressarem verbalmente e de realizarem diversas tarefas (PAPALIA; OLDS, 2000). A cognição e seu desenvolver, influencia o pensamento, os sentimentos e o comportamento das crianças. Elas devem aprender pela manipulação física dos materiais e integrar estas experiências àquelas da vida real e, à medida que adquirem a linguagem, desenvolvem suas habilidades de pensamento e raciocínio, permitindo converter as informações que recebem em abstrações para que possam organizá-las em conceitos ou esquemas e armazená las para uso posterior, em uma variedade de situações (TKAC, 2004). De acordo com as dimensões do desenvolvimento, todas as mudanças nos processos intelectuais de pensamento, aprendizagem, memória, julgamento, solução de problemas e comunicação, estariam incluídas no desenvolvimento cognitivo (TKAC, 2004). Para muitos teóricos, o núcleo do desenvolvimento se daria através de alterações qualitativas na cognição. Desta forma, crianças de diferentes idades teriam conceitos diferentes e pensariam de modos qualitativamente diferenciados (ANDERSON, 1992). Entre os 6 aos 12 anos, ocorrem mudanças consideráveis no funcionamento cognitivo das crianças. A capacidade de realizar tarefas complexas, principalmente aquelas relacionadas com a resolução de problemas simples e com o aprendizado da leitura, faz com que no início deste período a criança possua uma capacidade intelectual notável (MADRUGA; LACASA, 1995). Ao internalizar instruções, as crianças podem modificar funções psicológicas como atenção; percepção; memória e capacidade de resolução de problemas. Neste sentido, cabe ao grupo cultural ao qual o indivíduo está inserido e se desenvolve, fornecer formas de percepção e organização do real, que irão constituir os instrumentos psicológicos, que por sua vez fazem a mediação entre o indivíduo e o mundo (RECKZIEGEL, 2000). O desenvolvimento cognitivo influencia o pensamento, os sentimentos e o comportamento das crianças. Elas devem aprender pela manipulação física dos materiais e integrar estas experiências àquelas da vida real e, à medida que adquirem a linguagem, desenvolvem suas habilidades de pensamento e raciocínio, permitindo converter as informações que recebem em abstrações para que possam organizá-las em conceitos ou esquemas e armazená las para uso posterior, em uma variedade de situações (TKAC, 2004). 41 De acordo com as dimensões do desenvolvimento, todas as mudanças nos processos intelectuais de pensamento, aprendizagem, memória, julgamento, solução de problemas e comunicação, estariam incluídas no desenvolvimento cognitivo (TKAC, 2004). Para muitos teóricos, o núcleo do desenvolvimento se daria através de alterações qualitativas na cognição. Desta forma, crianças de diferentes idades teriam conceitos diferentes e pensariam de modos qualitativamente diferenciados (ANDERSON, 1992). O maior determinante psicológico na habilidade para a programação é a cognição. Existem os estágios do desenvolvimento cognitivo, que serão descritos a seguir. 2.6.1 Estágio pré-operatório Aproximadamente entre dois até os seis ou sete anos, inicia-se o estágio pré-operatório, com as simbolizações grosseiras que se apresentam no final do período sensório-motor e finaliza-se com as manifestações do pensamento operatório-concreto durante os primeiros anos da iniciação escolar. Nesse período, o indivíduo procura organizar suas operações com o objetivo de tomar contato com o mundo dos símbolos. Caracteriza este pensamento uma forte dependência dos elementos perceptivos sobre os lógicos na resolução de problemas com objetos concretos, com acentuada presença do pensamento egocêntrico e a impossibilidade de descentralização e reversibilidade cognitiva (GABBARD 1992 apud GONZÁLEZ, 2000). O chamado por alguns autores período de transição, observado por Piaget et al apud González (2000), caracteriza-se por apresentar elementos do estágio precedente, neste caso o pré-operatório, e do estágio ao qual o desenvolvimento se dirige, o operatório. 2.6.2 Estágio das operações concretas Aproximadamente aos 6-7 anos, parte dos indivíduos entra no terceiro estágio de desenvolvimento cognitivo de Piaget apud González (2000), o operatório-concreto. Neste nível de desenvolvimento, as crianças ganham a 42 habilidade para conservar, colocando uma das maiores características deste estágio, a capacidade de descentralizar a atenção de uma única variável numa situação problema. De maneira diferenciada ao estágio pré-operatório, esta habilidade para descentralizar a atenção, própria do estágio operatório, pode ter uma importante implicação para o desenvolvimento motor, particularmente com referência aos jogos de situação (PAYNE; ISAACS, 1991 apud GONZÁLEZ, 2000). Também neste estágio de desenvolvimento, as crianças gradualmente adquirem a habilidade para mentalmente modificar, organizar ou reverter eventos em seus processos de pensamento, o que permitiria o aparecimento da antecipação, com maior nível de intervenção nas ações motoras. Dos sete aos onze ou doze anos, é o período que, na criança, aparecem as operações lógicas, os sentimentos morais e sociais de cooperação. Este estágio, em relação ao anterior, se caracteriza pela obtenção da capacidade de reversibilidade e descentralização, bem como uma marcada diminuição do egocentrismo intelectual, que lhe permite organizar e estabilizar o mundo dos objetos e dos fatores que estão em sua volta (GABBARD, 1992 apud GONZÁLEZ, 2006). Em um estudo desenvolvido por González (2000), ficou comprovado significativamente que crianças com níveis de desenvolvimento cognitivo diferentes, possuem um desempenho na realização de determinadas habilidades motoras usadas em jogos desportivos de situação, de cooperação e de oposição. No estudo, ficou claro que as estruturas operacionais diferenciadas, identificadas para estes estágios, ou ainda, diferentes inteligências, influenciam as possibilidades de análise, reflexão e situação nos jogos de situação de tomada de decisão constante. A incapacidade para considerar os múltiplos aspectos de um problema, inibe o esforço da criança para participar de jogos ou atividades que envolvam complexas estratégias ou múltiplos movimentos. Crianças pequenas que são envolvidas em um jogo de futebol, por exemplo, tem sua atenção somente focalizada em seu objetivo de marcar um gol, e no elemento que perceptivelmente lhe é mais relevante, a bola. Nesse sentido as crianças são insensíveis à possibilidade de dar um passe a um colega de jogo de equipe. No próximo tópico a inteligência será abordada, à qual é outro assunto importante deste estudo. 43 2.7 Inteligência Muitos autores escreveram sobre inteligência e algumas vezes, no cotidiano do dia a dia menciona-se: tal sujeito é inteligente! O importante então é definir: O que é inteligência? A palavra inteligência tem sua origem na junção de duas palavras latinas: inter = entre e eligere = escolher. Em seu sentido mais amplo, significa a capacidade cerebral pela qual conseguimos penetrar na compreensão das coisas escolhendo o melhor caminho. A formação de idéias, o juízo e o raciocínio são freqüentemente apontados como atos essenciais à inteligência (ANTUNES, 2000). Analisando as raízes biológicas da inteligência, descobriu-se que ela é produto de uma operação cerebral e permite à pessoa resolver problemas e até mesmo criar produtos que de alguma forma, venham a ter valor para a cultura da humanidade. Dessa forma a inteligência retira os seres humanos, de problemas, sugerindo opções que, em última forma, levam a escolha da melhor opção para a solução de um problema gerado (ROSA NETO; TREMEA, TKAC, 2003). A inteligência não constitui só os elementos neurológicos sozinhos, independentes. De acordo com alguns estudos, desenvolveu-se a noção de ecologia cognitiva, na qual, se avançou para promover avanços que fogem apenas do conceito, mostrando que fora da coletividade, desprovido do ambiente, o individuo não pensaria. Todas as inteligências humanas são um conjunto formado pelos componentes de uma ecologia cognitiva que engloba o ser humano. O individuo não seria então inteligente, sem sua língua, sua herança cultural, sua ideologia, sua crença, sua escrita, seus métodos intelectuais e outros meios do ambiente (ROSA NETO; TREMEA, TKAC, 2003). A inteligência tem ligação direta com a felicidade, se a mesma for analisada, fazendo-se uma associação das habilidades que compõe a inteligência. A inteligência nas escolas está perdendo o foco, no ponto de vista desenvolvimentista. A criança só reproduz coisas, e não ás cria. Os professores repassam informações que as filtrou em suas mentes, e os alunos absorvem, fazendo assim uma espécie de reprodução de coisas (ROSA NETO; TREMEA, TKAC, 2003). Na verdade o papel do professor, numa visão das descobertas dos comportamentos cerebrais, é de 44 estimular a criança à aprender a aprender. Criar, resolver, identificar, analisar, sugerir, criticar, refletir. Deve haver uma produção de conhecimento e não uma reprodução (ROSA NETO; TREMEA, TKAC, 2003). A capacidade intelectual geral ou inteligência geral é um dos conceitos mais vagos e evasivos. Com certeza poucos tipos de conceito foram conceitualizados de modos tão diferentes. A perspectiva psicológica da psicologia do processamento de informação começou a dominar as teorias e pesquisas contemporâneas sobre capacidades humanas, em especial a intelectual. O estudo mais famoso sobre inteligência foi feito em um simpósio chamado de Intelligence and it’s Measurement (Inteligência e Sua Medição) em 1921. Nesse simpósio vários autores discutiram e definiram inteligência: A capacidade de dar respostas verdadeiras ou factuais (E. L. Thorndike) A capacidade de aprender e adaptar-se ao ambiente (S. S. Colvin) A capacidade de adquirir habilidades (H. Woodrow) Sternberg com outros pesquisadores definiram inteligência como sendo resumida em três fatores: inteligência verbal, solução de problemas e inteligência pratica e foram tomados como caracterizando conceitos de especialistas sobre inteligência. Siegler e Richards (1982 apud STERNBERG, 1992, p.19) pediram a sujeitos que definissem inteligência em crianças de diferentes faixas etárias, e ela foi definida como sendo menos perceptual-motora e como mais cognitiva, com o aumento da idade. Segundo Sternberg (1992, p.20) para especialistas e pessoas leigas, o conceito de inteligência era similar e até possuem correlações estatísticas significativas, mais para os especialistas, a motivação é um fator importante da inteligência “Acadêmica” o que não apareceu nas opiniões das pessoas leigas. Em segundo plano os fatores sócio-culturais parecem ser mais salientados pelas pessoas leigas do que para os especialistas em inteligência (STERNBERG, 1992). Os bebês recém nascidos, têm cerca de 100 bilhões de neurônios, células localizadas em maior parte no cérebro, encarregadas de receber e transmitir impulsos nervosos, prontos para serem requisitados e começar a trabalhar. Essa rede neural deve ser exercitada por toda vida. É ela que está ligada a inteligência e conduz a evolução da capacidade motora, sensitiva e cognitiva dos indivíduos. Até oito meses, segundo Stringuetto et al (1999, apud ROSA NETO et al, 2003), esses 45 neurônios estão no auge das suas atividades e criam cerca de 100 trilhões de conexões (as sinapses) entre si. Por isso, os três primeiros anos de vida são cruciais para estimular as aptidões. Nessa fase, o aprendizado, por causa da facilidade das sinapses acontecem, é aceleradíssimo. Durante o primeiro ano de vida, o cérebro triplica de tamanho chegando à cerca de um quilo (no adulto, pesa 1,35). Por volta dos dois anos, o cérebro da criança contém o dobro de sinapses e consome duas vezes mais energia que o de um adulto. Após os três anos, o desafio é manter a grande rede de sinapses que se formou. Isso porque até chegar aos cinco anos essas ligações, por um processo natural do ser humano, podem ficar reduzidas à metade. Para tentar minimizar essa perda é necessária a estimulação. Estimular é apresentar à criança situações novas com as quais ela possa se relacionar, um ambiente rico e diverso, que estimule os cinco sentidos e o aspecto emocional. Tudo o que a criança vê, ouve, sente, cheira e come, vai esculpir áreas no cérebro que serão úteis para a vida futura (ROSA NETO; TREMEA, TKAC, 2003). Dentro dos assuntos sobre a inteligência, o tópico a seguir descreverá os aspectos motores da mesma: a inteligência motora. 2.7.1 Inteligência motora Terman (apud Gardner, 1998), via como "perturbado" qualquer um que pensasse que uma pessoa capaz de "manejar ferramentas habilmente, ou jogar beisebol", era tão inteligente quanto alguém "capaz de resolver equações matemáticas". Entretanto, se for se pensar, nos significados criados pelos coreógrafos e transmitidos pelos dançarinos, ou na tremenda habilidade dos alpinistas suspensos em um penhasco, já não parece tão estranho defender essa inteligência. Como esses exemplos indicam, a Inteligência Corporal-Cinestésica envolve o uso de todo o corpo ou de parte do corpo para resolver problemas ou criar produtos. Operações centrais associadas a essa inteligência são o controle sobre as ações motoras amplas e finas, e a capacidade de manipular objetos externos. Os fundamentos biológicos desta inteligência são complexos. Eles incluem coordenação entre sistemas neurais, musculares e perceptuais. A existência 46 de uma inteligência corporal-cinestésica é apoiada pelas apraxias (síndromes neurológicas tipicamente relacionadas a lesão do hemisfério esquerdo). Pessoas com apraxias são incapazes de realizar seqüências de movimentos apesar da capacidade de compreender um pedido de que realizem uma seqüência de movimentos e da capacidade física de executar cada movimento desta seqüência. Gardner, especula que o desenvolvimento da inteligência corporal-cinestésica avança de reflexos iniciais, como sugar, para atividades cada vez mais intencionais, para a capacidade de imitar e criar, usando o movimento. Além de dançarinos e alpinistas, malabaristas, ginastas e outros atletas exemplificam esta inteligência (KREBS, apud TKAC, 2004). É possível, segundo Krebs (2000, apud TKAC, 2004), delinear um modelo conceitual que explique uma modalidade de inteligência, a inteligência motora, como uma relação de interdependência entre três competências: (a) físico cinestésica, (b) percepto-cognitiva e (c) sócio-emocional. A proposição desta modalidade de inteligência está inspirada nas idéias Sternberg (1992) e Gardner (2001), que propõem modelos de inteligências múltiplas. Apoiado em premissas de que o estímulo interno cria um relacionamento da criança consigo mesma, caracterizando o que se entende que seja a consciência corporal, e que o estímulo externo cria o relacionamento da criança com os outros e demais elementos do mundo externo, caracterizando sua consciência espaço-temporal, o paradigma Inteligência Motora em Contexto de Krebs (apud TKAC, 2004), (figura 3), busca mostrar a indissociabilidade entre esses dois níveis de consciência, enfatizando a suposição holística de que o todo não é somente a soma das partes, mas que cada parte reflete também, além de suas características exclusivas, as característica dominantes no todo. 47 INTELIGÊNCIA MOTORA CONSCIÊNCIA CORPORAL COMPETÊNCIA FÍSICO CINESTÉSICA ESPACIO TEMPORAL COMPETÊNCIA PERCEPTO COGNITIVA COMPETÊNCIA SÓCIO-AFETIVA Figura 3 - Esquema do Paradigma da Inteligência Motora Fonte: Krebs (2000, p.21) apud Tkac (2004, p.100) Enquanto as crianças se envolvem na importante e excitante tarefa de aprenderem a motivar-se mais efetiva e eficientemente através de seus contextos, elas estão desenvolvendo segundo Gallahue e Ozmun (2005), uma variedade de destrezas motoras fundamentais e melhorando seus níveis de aptidão física. Em outras palavras, elas estão aprendendo a movimentar-se com alegria, eficiência e controle. As crianças também aprendem através do movimento. Para elas, o movimento é um veículo para a exploração de tudo o que esteja a seu redor (exploração do seu mundo). Isso promove suas aprendizagens perceptivo-motoras e de conceitos, além de promover um autoconceito positivo e uma socialização, também positiva. A natureza indissociável dos aspectos físicos, cognitivos e afetivos do desenvolvimento das crianças é o fio condutor de uma Educação Física Desenvolvimentista (GALLAHUE; OZMUN, 2005). 2.7.2 Teorias do processamento de informação sobre a natureza da inteligência humana As teorias de processamento de informação ou teorias cognitivas da inteligência tentam compreender a inteligência humana em termos de processos mentais que contribuem para o desempenho de tarefas cognitivas. Uma diferença fundamental entre elas é o nível enfatizado do funcionamento cognitivo ao tentarem 48 explicar a inteligência. Alguns pesquisadores tentaram compreender a inteligência em termos de velocidade absoluta de processamento de informações, e usaram as tarefas mais simples que podiam imaginar a fim de medirem a velocidade pura, não contaminada por outras variáveis. Em outro extremo, investigadores estudaram formas muito complexa de soluções de problemas, onde não era enfatizada a velocidade do funcionamento no processamento mental. Em geral a velocidade do processamento de informação foi salientada pelos pesquisadores que estudaram as formas mais complexas de processamento (STERNBERG, 1992). O autor ainda cita que, os resultados das pesquisas correlacionando inteligência e velocidade de processamento de informação, possuem uma correlação enfraquecida e se existe qualquer relacionamento entre as medições de velocidade absoluta e de inteligência psicometricamente medida, o relacionamento, como citado acima, é fraco. Existem três mecanismos envolvidos no tratamento das informações: fase perceptiva, responsável pela síntese aferente das condições externas e internas, a fase de tomada de decisão, encarregada de analisar a situação e programar o movimento em relação ao objetivo respectivo da ação, e por ultimo, a fase efetora responsável pela execução do movimento planejado (MARTENUIK, 1976 et al apud GONZÁLEZ, 2000). Hunt (1980 apud STERNBERG, 1992), propôs que as diferenças individuais na inteligência verbal podiam ser compreendidas amplamente em termos de diferenças entre a velocidade individual de acesso a informação léxica na memória de longa duração. Sternberg (1992) propôs que a inteligência está baseada em três faces: a primeira abrange metacomponentes, ou processos executivos, tais como decidir sobre a natureza do problema e selecionar uma estratégia para a solução. A segunda são os componentes de desempenho, ou processos nãoexecutivos, usados na execução real de uma estratégia de solução de problemas, e por fim, os componentes de aquisição de conhecimentos, ou processos utilizados para adquirirem-se novas informações. Foi proposta assim um conjunto de cada tipo de processo que deveria explicar adequadamente o funcionamento na maioria das tarefas intelectuais usadas em testes de laboratório e testes de QI. Sternberg (1992) levanta uma questão interessante: em que ponto da prática os três mecanismos envolvem mais o desempenho inteligente? O próprio autor ressalta a suspeita que as tarefas e as situações medem mais apropriadamente o desempenho de inteligente quando e as próprias tarefas são 49 inéditas na experiência de uma pessoa ou então ao contrário, quando são tão habituais que o seu desempenho está se tornando automático e, portanto, essencialmente inconsciente. Então se pode afirmar que os componentes são melhores medidos no início da experiência de um sujeito com uma tarefa, ou muito mais tarde, quando então o processamento está se tornando automatizado (STERNBERG, 1992). Há uma relação entre inteligência e o mundo externo. O comportamento inteligente é, em última análise, o comportamento que envolve a adaptação aos ambientes no mundo real da pessoa, ou sua seleção ou modelagem. A adaptação ocorre quando um sujeito tenta atingir um “bom ajuste” como ambiente no qual se encontra. A Seleção ocorre quando uma pessoa decide encontrar um novo ambiente, em vez de se adaptar ao ambiente no qual já está (esta decisão poderia ser motivada por uma decisão de que o ambiente atual é moralmente repreensível, ou inapropriado, ou inapropriado para talento ou interesses do individuo, e assim por diante) (STERNBERG, 1992). Na década de 60 vários estudiosos da areada inteligência abandonaram a teoria da aprendizagem tradicional e se envolveram com o conceito dos modelos de processamento de informações (STERNBERG, 1992). Em um estudo conduzido com crianças de diferentes faixas etárias, a tarefa era identificar figuras exibidas em uma variedade de contextos. Os resultados encontrados foram de que na colocação de estratégias, as crianças mais velhas diferem das mais novatas, e os indivíduos mais brilhantes diferem de seus companheiros menos inteligentes (STERNEBRG, 1992). Flavell (1970 apud STERNBERG, 1992) ofereceu uma proposta de estudos com crianças e conseguiu demonstrar que as crianças tornam-se mais propensas, à medida que crescem, a produzir espontaneamente estratégias, visando facilitar a recordação subseqüente e também demonstrou que as crianças pequenas podiam usar tais estratégias, embora não as produzissem espontaneamente. Até mesmo estímulos mais simples, possibilitavam que as crianças pequenas ensaiassem por exemplo, itens recordados durante um intervalo de tempo (e como resultado), aumentando significativamente a capacidade de memorizar as coisas. A maioria das crianças acima dos sete anos de idade, começa a usar estratégias sem treiná-las e essas estratégias não são ensinadas 50 explicitamente nas escolas. As crianças tendem a adquiri-las de um modo quase que “sem querer” (STERNBERG, 1992). Rohwer (apud STERNBERG, 1992) afirma que crianças mais capazes possuem dominância de estratégias, e a instrução que é dada pelo professor não tem a necessidade de ser tão detalhada. Rohwer investigou o uso de processos de elaboração para a facilitação da aprendizagem e na sua investigação descobriu que quanto mais jovem ou mais atrasado for um aluno ou aprendiz, será necessário um estímulo de maior quantidade e qualidade que faz surgir um desempenho melhor em suas atividades. Segundo alguns estudiosos, e interessando ao presente estudo, para as crianças na fase da terceira infância, seriam observadas melhoras gradativas em aspectos específicos do seu desenvolvimento cognitivo, principalmente com relação ao conhecimento e perícia, provavelmente devido ao aprendizado escolar. O aumento da capacidade de armazenamento, e velocidade do processamento de informações, também seriam observáveis durante esta fase, o que afetaria o desenvolvimento cognitivo da criança. O aumento da capacidade de armazenar e lidar com as informações, assim como um raciocínio mais complexo, faria com que as crianças melhorassem sua capacidade de compreender o que lêem, sua capacidade de se expressar verbalmente e de realizarem diversas tarefas (PAPALIA; OLDS, 2000). O próximo assunto, abordará a imagem mental como requisito e aumento da inteligência. 2.7.3 Enfoques à imagem mental Pode-se dizer que a imagem mental foi identificada com a percepção da coisas. As imagens visuais são como as representações produzidas nas partes centrais do cérebro, quando ainda não se sabe muito sobre qualquer espécie de representação. A imagem que as pessoas adquirem com a experiência parece compartilhar muita das propriedades das fotografias. Seja o que for que esteja acontecendo no cérebro quando se imagina algo, isso produz uma representação que possui certas propriedades funcionais ou seja, as imagens mentais podem agir como se fossem objetos espaciais rígidos que pudessem ser observados e assim 51 por diante, mais isso não é garantido nem obviamente verdadeiro. O que é provado por Sternberg (1992) é que quando por exemplo, se você se imagina fazendo algo que nunca foi realizado (por exemplo, uma rebatida no beisebol) e pratica essa tarefa, ela será produzida com um melhor desempenho do que se você não tivesse imaginado nada daquilo. Junto com os assuntos relacionados à inteligência e processamento de informações, o próximo conteúdo explicará e fará uma ponde de ligação dos jogos desportivos coletivos. 2.8 Os jogos desportivos coletivos O desporto é um fenômeno que está inserido na sociedade. É uma criação do homem, que apareceu e se desenvolveu conjuntamente com a civilização. O conhecimento e a prática do desporto constituem atos de cultura que, são no Brasil, relevantes. Ao mesmo tempo, o desporto constitui um excelente meio da educação física , componente também importante e inseparável da educação geral e multilateral, característica no mundo contemporâneo (TEODORESCU, 2003). A necessidade de intensificar a atividade de educação física desportiva, segundo Teodorescu (2003), impõe-se tanto mais quanto hoje é unanimemente reconhecido como a vida moderna, a civilização, para além das consideráveis vantagens que criou e continua a criar, trás consigo o período de uma involução das capacidades físicas do homem. Os investimentos no desporto são de sempre compensadores, obtendo-se: reduções nas despesas com medicamentos, lugares em hospitais, diminuição das percentagens de falta ao trabalho e aumento da produtividade (TEODORESCU, 2003). O seu tão apreciado caráter formativo, deve-se ao fato da prática dos jogos desportivos coletivos, acumular as influências e os efeitos positivos do desporto e do exercício físico, com as influencias e efeitos educativos do jogo (TEODORESCU, 2003). Os jogos desportivos coletivos, segundo Teodorescu (2003), podem ser considerados de diversos postos de vista: sendo estes psicológicos, sociais, cognitivos, psicomotores e pedagógicos. Caracterizam-se pela aciclicidade técnica, 52 por solicitações e efeitos acumulativos (globais e não seletivos), tomadas de decisões simples e complexas, processamento de informações, imagem mental para a solução de tarefas, capacidade de antecipação, morfológico-funcionais e motores, intensa participação psíquica, dentre outros (figura 4) (TEODORESCU, 2003, GARGANTA, 2002). Figura 4 - Esquema das demandas de antecipação nas MEC (SCHELLENBERGER, 1990) Fonte: Silva e Rose Junior (2005, p.80) A figura 5 demonstra a relação entre o desporto coletivo e as capacidades táticas que o praticante desenvolve com o passar do temo de prática (SILVA; ROSE JUNIOR, 2005). Figura 5 - Modelação das fases da ação tática (MAHLO, 1970) Fonte: Silva e Rose Junior (2005, p.78) 53 Já a Figura 6 representa um esquema dos objetivos táticos a serem percebidos e processados pelos praticantes (SILVA; ROSE JUNIOR, 2005). Figura 6 - Classificação dos objetivos percebidos nas MEC (SCHELLENBERGER, 1990) Fonte: Silva e Junior (2005, p.79) Teodorescu (2003) afirma que com a prática dos jogos desportivos, se obtém, igualmente, uma evidente e benéfica influência sobre as grandes funções do organismo: circulação, respiração, etc. A prática sistemática dos jogos desportivos asseguram níveis funcionais ótimos, determinados pelos graus de treino, o qual se obtém e depois mantém, se a atividade não for interrompida. Também é muito importante a influencia positiva exercida do âmbito da motricidade, assunto que foi abordado anteriormente. O autor ainda faz referencia a algumas variáveis que os jogos desenvolvem: Destreza Velocidade Potencia Resistência Motricidade fina e Global Espírito coletivo Espírito de organização 54 Habilidades motoras específicas para o desporto Habilidades cognitivas (raciocínio) Habilidade estratégico-táticas A seguir, como o tópico presente assinalou uma abordagem resumida das características do desporto coletivo, o tópico seguinte abordará os dois jogos desportivos coletivos específicos e importantes para este trabalho, o futebol e o futsal. 2.9 Inteligência tática, futebol de campo e futebol de salão Atualmente o futsal é considerado um dos esportes mais praticados no Brasil principalmente no meio escolar. Pode-se facilmente verificar isto pelo grande número de escolinhas e pelo destaque que é dado ao esporte pelos professores na escola, e também pela facilidade com que pode ser jogado e a grande divulgação pelos meios de comunicação, atraindo cada vez mais adeptos (ETCHEPARE et al, 2004). Em todos os esportes, especificamente no futsal, para um processo de formação adequado deve-se buscar o desenvolvimento geral das capacidades técnicas e táticas. Desta forma no aluno de futsal, o desenvolvimento das capacidades estratégico-taticas, cognitivas de percepção, antecipação e tomada e decisões, são imprescindíveis. A educação psicomotora é à base do processo de aprendizagem para que assim a criança aprenda gestos técnicos. Então é necessário que antes ela aprenda movimentos básicos como correr, saltar e rolar., para após ela se especializar. No futsal, as capacidades psicomotoras equilíbrio, ritmo, coordenação e noções de espaço e tempo são fundamentais para o aprendizado da técnica individual, e também de aspectos referentes a tomada de decisão, ações táticas que dão fluência ao desporto (SAAD, 1997 apud ETCHEPARE et al, 2004). Segundo Isaia (1995 apud ETCHEPARE et al, 2004) o ser humano possui distintas capacidades, ou competências intelectuais que operam de acordo com seus próprios procedimentos, possuindo uma história de desenvolvimento própria e um específico sistema de regras de funcionamento. Estas competências incorporam habilidades diversificadas, sendo consideradas, a partir disto, inteligências múltiplas ou estruturas da mente. Neste sentido, o estudo de González 55 (2000) permite novamente estabelecer uma aparente relação entre o pensamento operatório e maior capacidade de elaborar estratégias para operar no jogo de situação e, desta maneira, o caráter de pensamento em transição permitiria apresentar características tanto do nível pré-operatório como do operatório. Meinel e Schnabel (1988 apud GONZÁLEZ, 2000) descreveram que, por volta dos sete anos, as crianças manifestam um aumento em sua capacidade de antecipação, que pode ser percebida, através de uma maior capacidade para combinar, por exemplo padrões motores básicos. Há evidencia de que o desenvolvimento cognitivo seja um fator importante para resolver os problemas do jogo de situação, sendo capaz de influenciar na possibilidade de seleção dos recursos táticos no decorrer do mesmo (MEINEL; SCHNABEL, 1998 apud GONZÁLEZ, 2000). Nos jogos com bola, quanto maior a inteligência da criança, melhor serão tomadas as decisões durante o jogo. Uma das inteligências que mais se destaca é a cinestésico-corporal, porque se trata da habilidade de usar a coordenação motora (grossa ou fina) no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com controle, agilidade. A inteligência cinestésico-corporal é considerada uma das mais importantes para os aprendizes em fase de ensinoaprendizado, pois permite a resolução de problemas, ou a criação de movimentos através do uso de determinadas partes do corpo, ou dele inteiro. Essa inteligência pode ser percebida quando os alunos ou atletas de futsal e futebol, têm total domínio da bola em movimento (COTRIN, 2001 apud ETCHEPARE et al, 2004). Os trabalhos de Gardner apontam como núcleo central o caráter múltiplo que a inteligência apresenta, e a possibilidade de se poder olhar para as suas manifestações, não mais sob a perspectiva de uma grandeza a ser medida, ou como um conjunto de habilidades isoladas, mas como uma teia de relações formada por todas as dimensões estabelecidas. Nepicc/Geaih (apud Piccolo, 2004), compreendem inteligência, como um comportamento observável do indivíduo que se manifesta de formas múltiplas, indicando uma integração dos sistemas internos com os estímulos externos, visando solucionar problemas que tenham relação com o contexto cultural em que esse indivíduo está inserido. A partir desse comportamento podem surgir outros, fundamentados na experiência anterior, buscando outros níveis de integração entre o homem e o ambiente. A partir do conceito de que a inteligência envolve, entre outros aspectos, a capacidade de resolver problemas, admitir essa 56 habilidade no caso da inteligência corporal-cinestésica, pode, a princípio, não ser tão claro e evidente. Entretanto, ao observar-se a sutileza e a criatividade utilizadas na expressão corporal, desempenhada por exemplo numa dança, na habilidade de um jogador em campo, ou ainda na apresentação de uma ginasta, é possível concluir que o corpo em movimento se defronta com desafios que podem ser superados e desenvolvidos de diferentes maneiras. Acredita-se que os professores de Educação Física podem estimular essa potencialidade humana, no espaço e tempo das aulas escolares, ou nas aulas de escolinhas de futsal. Para isto, devem oferecer e propiciar problemas corporais (ETCHEPARE et al, 2004). Um estudo apresentado por Piccolo et al (2004) sobre interferência do professor em decisões tomadas, influenciando crianças durante situações de jogo, ficou claro dois pontos importantes que aparecem no aspecto decisãoprofessor: num aspecto positivo, a mediação de um professor dada no decorrer do jogo, interferiu como uma ação interessante, porque permitiu que jogadores não desviassem da meta principal a ser atingida, que era de recuperar a bola antes dela cair no chão. Mais em um aspecto negativo, nesse estudo ficou possível analisar que, ações de professores, impedem que os alunos obtenham plena possibilidade de tomar decisões para resolver os problemas com autonomia, pois a ação dos participantes ficam centradas nas instruções do professor. Piccolo et al (2004) afirmam que, em momentos de execução de um receber, por exemplo, componentes do desenvolvimento perceptivo-motor entram em ação, como percepção temporal e espacial, além de velocidade de reação e coordenação da própria ação. Neste sentido, concorda-se com Gardner (apud Piccolo et al, 2004), sobre a questão de que, as situações problema, estimulam o potencial intelectual das pessoas e deve-se acreditar na grande possibilidade de alcance dos jogos, em apresentarem essas situações. Segundo Gallardo et al (apud PICCOLO et al, 2004), na aulas de Educação Física Escolar e escolinhas esportivas, as estratégias de ensino no trabalho com jogos devem ser designadas por ações problematizadoras (ou como comumente são chamadas de situações- problema). Afirmam os autores que, desta maneira, é possível ensinar “sem dar tudo pronto”, pois, atitudes imediatistas por parte do professor, impedem que se dê à criança oportunidade de pensar, se autoorganizar para buscar a sua resposta à situação-problema que lhe foi proposta. Sendo assim, entende-se que o princípio da problematização se estabelece quando 57 a ação do professor deixa de ser diretiva e passa a ser investigadora, quando deixa de ser imediatista e passa a ser mediadora, quando proporciona ao aluno a possibilidade de tomar decisões, de pensar e agir reflexivamente, de assumir posições diante de situações de conflitos, enfim, quando deixa de reforçar o exercício da heteronomia e passa a se constituir no caminho para a construção da autonomia. Nos dias de hoje ainda é grande a preocupação com os jogos desportivos coletivos e seus métodos de ensino. Observa-se ainda a estagnação da didática do jogos desportivos coletivos através dos mesmos meios reproduzidos desde a década de 60. Não é raro verificar-se métodos de ensino ainda com maneiras fragmentadas do jogo em seus elementos técnicos (passe, drible, lançamento, arremesso, etc.) esse método de ensino, não o desmerecendo, dificulta muito a tomada de decisão que o desporto exige no seu todo. Ele dá ênfase no aspecto técnico fechado, ou seja, a habilidade sem interferência do meio (opositor e companheiro), o qual, para as modalidades desportivas coletivas, na maioria das vezes, é classificado como sendo aberto, fazendo com que o praticante enfrente situações que exijam componentes técnicos, mais acima de tudo, que esses componentes técnicos seja adaptáveis a quaisquer situações que jogo desportivo exija. O que não ocorre em praticas parciais, fragmentadas (VELEIRINHO, 1999). O que ocorre na maioria das vezes, é a falta de motivação do aluno com a prática fragmentada. Realizar um passe, um chute, uma cortada, uma bandeja, parcialmente, facilitará o desenvolvimento do gesto técnico, mais ocultará o aspecto tático, de como realizar determinada ação em situação de jogo real. Neste sentido, nos últimos anos, se tem dado atenção por alguns pesquisadores pedagogos desportistas, à pratica dos aspectos técnicos em situações de jogo, de maneira adaptada, com campos menores, bolas de acordo como tamanho da criança, regras mínimas, etc. Esse método é chamado de Jogos Reduzido ou Jogos Condicionados, pois os mesmos facilitam e possibilitam o aprendizado dos jogos desportivos coletivos mais significativamente. É uma espécie de jogo formal transformado para as necessidades da criança. Com essa maneira de ensino, podese concretizar vários objetivos, como: o jogo estar sempre presente, os elementos estruturais do jogo estarem sempre presentes, conservados, as ações de ataque e defesa e vice-versa estarem sempre possíveis, e as tarefas dos jogadores não 58 estarem totalmente determinadas, mantendo, em determinadas situações de jogo o praticante escolher diferentes formas de soluções cabíveis (VELEIRINHO, 1999). O futebol assim como também o futsal, pertencem a um grupo de modalidades com características próprias e comuns, habitualmente designadas por jogos desportivos coletivos (JDC). Caracterizam-se por exigirem do participante relações de oposição, por causa do adversário com quem se defronta, e cooperação, devido a relação que existe com os demais companheiros de equipe. Os jogadores devem assim, coordenar suas ações com a finalidade de recuperação, conservação e progressão da bola no terreno do jogo, tendo como objetivo principal, a criação de situações de finalização e assim marcar o gol (GARGANTA, 2002). Descrevendo as características táticas do futsal, o problema que aparece em primeiro escalão é de o praticante saber o que fazer, para poder resolver o problema subseqüente, e o como fazer, selecionando e usando a resposta motora mais adequada. Esse desporto então, exige que os praticantes possuam uma adequada capacidade de decisão, que decorre de uma ajustada leitura de jogo, para poderem materializar a ação, através de recursos de ordem motora específicos, genericamente chamados de técnica (conjunto de atividades humanas, ou habilidades humanas que são usadas em determinados momentos, para a solução de problemas, obtendo um resultado positivo, com um menos gasto energético) (GARGANTA, 2002). Desde a década de 60, o ensino dos jogos desportivos, tem se fixado em grande parte no ensino da técnica em si, com um ambiente que não gera os constrangimentos que o futsal gera realmente. Pouco se ensinava taticamente a anos atrás. É sabido então que a técnica quando ensinada, através de situações que ocorrem à margem dos requisitos táticos, ela adquire um transferência suprema para o jogo (GARGANTA, 2002). Um jogador de futsal ou futebol, cientificamente considerado bom, é antes de mais, aquele que é capaz de selecionar as técnicas mais adequadas para responder as sucessivas exigências do jogo. Por isso o ensino da técnica no futebol e futsal, não deve restringir-se aos aspectos biomecânicos, mais, atender sobretudo às imposições da sua adaptação inteligente às situações de jogo (GARGANTA, 2002). De acordo com as idéias de Garganta (2002), a técnica aprendida da maneira correta, é um dos fatores que levam o executante a resolver os problemas que o jogo coloca. Além disso, também é necessário que os praticantes assimilem 59 um conjunto de princípios que vão do modo como cada um se relaciona com o móbil do jogo (bola), até à forma de comunica com os colegas e contra-comunicar com os adversários, passando pela noção de ocupação racional do espaço de jogo. Existe assim um sistema de conhecimento, nos desportos coletivos (figura 7), que decorre de regras de ação, regras de organização e capacidades motoras, como mostra Gréhaigne et al (1995, apud GARGANTA, 2002). REGRAS DE GESTÃO E ORGANIZAÇÃO REGRAS DE AÇÃO ORGANIZAÇÃO COLETIVA E INDIVIDUAL CAPACIDADES MOTORAS Figura 7 - Esquema dos conteúdos do conhecimento em desportos coletivos (adap. Gréhaigne e Godbout, 1995) Fonte: Garganta (1997, p.91). Na opinião de Garganta (2002), atualmente, existem especialistas que defendem a utilização de uma pedagogia de situações-problema, que representam uma continuidade lógica dos modelos de ação motora inesperados nas ciências cognitivas e nos modelos sistêmicos. Assim, diz-se que se há uma transição dos modelos analíticos para modelos sistêmicos, no qual os pressupostos cognitivos do praticante de futsal e a equipe são elementos fundamentais. Existe assim, uma importância grande na identificação dos traços que constituem indicadores de qualidade nesse grupo de desportos coletivos onde o futsal está inserido (RINK et al, 1996 apud GARGANTA, 2002). Esses traços estão descritos a seguir: Quanto à cognição: a) Conhecimento declarativo e processual organizado e estruturado b) Processo de captação da informação c) Processo de decisão rápido e com precisão d) Rápido e preciso reconhecimento dos padrões de jogo (sinais pertinentes) e) Superior conhecimento tático 60 f) Elevada capacidade de antecipação dos eventos do jogo e das respostas do oponente g) Superior conhecimento das probabilidades situacionais (evolução do jogo) Ao nível da execução motora: a) Elevada taxa de sucesso na execução das técnicas durante o jogo b) Elevada consistência e adaptabilidade nos padrões de movimento c) Movimentos automatizados, executados com superior economia de esforço d) Superior capacidade de detecção dos erros e de correção da execução Garganta (2002) advoga a seguir, alguns aspectos táticos do futebol e do futsal que são interessantes para o presente estudo. Quanto maior for o espaço de jogo mais elevada terá de ser a capacidade para cobrir, mental e fisicamente o tal. Nesse sentido, o desenvolvimento da progressiva extensão do campo perceptivo (da visão centrada na bola, no jogo, no adversário, no companheiro de equipe, etc.), é um dos aspectos mais importantes a que se deve atender na formação desportiva, na medida em que os jogos de futebol e futsal reclamam uma atitude tática permanente. Quando na posse da bola, o praticante então, deverá possuir um grande controle cinestésico corporal sobre a execução do movimento, para poder utilizar a visão nas funções de leitura do jogo (jogar de cabeça levantada) (GARGANTA, 2002). O futebol, fugindo dos demais desportos, é um dos esportes em que acontecem demasiadas ações de ataque, mais acontecendo poucos gols, o que já não é visto no futsal. A média da relação entre finalizações e gols concluídos é de a cada 50 chutes para acontecer 1 gol. Essa média é muito menor em desportos como o handebol, onde se consegue um gol a cada minuto. Já no voleibol e basquetebol consegue-se concretizar pontos a cada minuto, onde a média é de 2 ações de ataque para cada 1 gol ou ponto. Esse argumento permite que, não raramente no futebol, equipes de níveis inferiores consigam bons resultados frente a equipes de elevado nível, o que dificilmente acontece em outras modalidades de desportos coletivos (GARGANTA, 2002). O que influencia as decisões no handebol, como no futebol e futsal, também, é a colocação dos alvos, onde dependendo do posicionamento do praticantes, as ações serão completamente diferentes, devido as possibilidades de visualização do mesmo. O praticante terá que se adaptar a cada situação, a cada 61 movimento que acontece com o próprio corpo e o posicionamento relativo a meta (GARGANTA, 2002). No ensino do futebol, futsal, voleibol, handebol, basquetebol e outros, é importante haver uma definição dos traços das estruturas e funções que traduzem o jogo em si, no sentido de definir os seus conteúdos, melhor orientar a definição dos objetivos e adequar a seleção dos respectivos meios. Existem assim dois fatores que se sobressaem em termos de relevância para o ensinoaprendizagem, o terreno de jogo, e os princípios específicos do jogo (GARGANTA, 2002). Para Garganta (2002) na fase da construção da presença do adversário, deve-se então no plano ofensivo: melhorar o controle da bola, aumentando o campo de percepção do jogador, do espaço próximo ao espaço afastado. No plano de defensivo: adotar atitudes básicas de defesa, aprender a orientar os apoios e a enquadrar-se defensivamente, primeiramente marcando homem a homem, depois para a marcação por setores. Na fase de cooperação deve-se, de acordo com alguns princípios de jogo: No plano de ataque: depois do ensino do jogo solitário, fazer com que o praticante tenha oponentes e colaboradores, onde o mesmo poderá criar situações de coberturas ofensivas (apoios), linhas de passe, equilíbrio, penetrações, mobilidade, passando para um grau maior de complexidade, criando jogos curtos e longos (GARGANTA, 2002). No plano de defesa: passar pelo ensino de atitudes defensivas longas, para atitudes defensivas de curtos espaços, onde o espaço do adversário reduzirá, os defensores poderão compor um sistema de coberturas, dobras de marcação e outros, fazendo com que ocorra uma eficiência maior nessas situações (GARGANTA, 2002). 62 Figura 8 - Cadeia acontecimental do comportamento táctico-técnico do jogador no jogo (adap. Bunker e Thorpe, 1982) Fonte: Garganta (1997). Face à cadeia acontecimental experimentada por um jogador nas situações de jogo (figura 8), Garganta (2002) justifica a definição dos modelos tácticos que funcionam como complexos de referência, que orientam a construção de situações e exercícios nos processos de ensino e treino. A figura 9 representa um complemento da cadeica acontecimental tático técnico do jogador de futebol e futsal. Ambas as figuras, se referem que tipo de pensamento que o jogador ou praticante deve ter, quando se pratica um desporto coletivo complexo, como são classificados por Garganta (1997, 2002) o futebol de campo e o futebol de salão. Figura 9 - A dimensão estratégico-táctica enquanto território de sentido das tarefas dos jogadores no decurso do jogo Fonte: Garganta (1997). Nos Quadros 4 e 5 adaptados de Gréhaigne (1992, apud Garganta, 2002), exemplificam-se algumas regras de ação que se afiguram importantes para que os jogadores e as equipas assegurem o cumprimento das finalidades e dos objetivos do jogo, nas suas diferentes fases. Essas fases para Bayer (1994), são conhecidas como princípios operacionais, de defesa e ataque. 63 NÍVEL EQUIPE Dispor o número máximo de recebedores potenciais Canalizar o ataque pelos espaços mais vulneráveis do adversário Alternar jogo direto/indireto e jogo curto/jogo longo Variar o ritmo de jogo NÍVEL JOGADOR Criar linhas de passe ao portador da bola Movimentar-se afastando-se dos adversários Mascarar a direção do passe Quadro 4 - Regras de ação para melhorar a ação ofensiva Fonte: Garganta (2002) Em síntese, Garganta (2002) afirma que é necessário um conjunto de orientações para o ensino do futsal e futebol. A componente tática ocupa uma posição nuclear no quadro das exigências do futsal e futebol. Os demais fatores (técnicos, físicos ou psíquicos), devem ser abordados de forma a poderem cooperar para facultarem o acesso a níveis táticos cada vez mais elevados. Deve assim, ser cultivado no praticante de tanto de futsal como de futebol, desde os primeiros momentos, uma atitude tática permanente. Quando na posse da bola, o jogador deverá utilizar as funcões duperiores para ter uma boa leitura de jogo. O desenvolvimento da capacidade de controle da bola, exige a criação de condições de exercitação que passam pela necessidade do praticante efetuar contatos freqüentes e diversificados com a mesma, para que se verifique uma melhoria do nível de execução (GARGANTA, 1997). 64 NÍVEL EQUIPE Possuir o número ideal de jogadores entre a bola e a baliza a defender Cobrir e reforçar permanentemente o eixo central do terreno (baliza-baliza) Enviar o ataque para a periferia (corredores laterais) Recuperar a bola nas zonas que nos garantam um ataque eficaz NÍVEL JOGADOR Defender atrás da linha da bola Pressionar o portador da bola Fechar a linha de progressão do portador da bola para a baliza Demorar o ataque do adversário, particularmente quando se é o último defensor Obrigar o adversário a cometer erros, reduzindo-lhe o espaço e o tempo para jogar Anular as linhas de passe mais importantes Quadro 5 - Regras de ação para melhorar a ação defensiva Fonte: Garganta (2002) O desenvolvimento da extensão do campo perceptivo é um dos aspectos mais importantes na formação do jogador. Este deve saber jogar nos espaços próprios, próximo e afastado. Se o número de jogadores a referenciar num jogo, for elevado, e se a isso adicionar-se um terreno de jogo com grandes dimensões, a percepção das linhas de força do jogo tornam-se mais complexas, dificultando o acesso a níveis de jogo superiores. Ao nível do processo ofensivo, no caso dos principiantes, se as situações de ensino e treino do futsal não propiciarem a criação de várias ocasiões de finalização, o jogador perde de vista o objetivo central do jogo (o gol), e fixa a sua atuação quase exclusivamente ao nível do jogo de transição, o que conduz a um uso e abuso do jogo indireto (jogo com toque de bola) em detrimento do jogo direto (jogo sem objetivo, com ênfase na velocidade de condução da bola e arremate ao gol) (GARGANTA, 2002). Ao nível do processo 65 defensivo, Garganta (2002) sugere-se que nas fases iniciais da prática do futsal, se utilize a defesa individual nominal. Nesta situação, cada jogador tem única e exclusivamente a responsabilidade de marcar o seu adversário direto. Quando o jogador já domina os princípios da marcação individual, o autor defende que a criança passaráa aprender a marcar, do tipo individual não nominal ou de transição (individual-zonal). Esta situação é já mais complexa e requer que o defensor saiba regular a sua marcação tendo como referência não apenas o seu oponente direto mas também a posição da bola, dos colegas e dos adversários. Dentro deste tipo de defesa surgem às situações e noções de cobertura, dobra e compensação, tão importantes para o desenvolvimento do pensamento e atitude tática do praticante (GARGANTA, 1997). Garganta (2002) afirma que a situação de jogo 3x3, revela-se como a estrutura mínima que garante a essência do jogo, na medida em que reúne o portador da bola e dois recebedores potenciais, permitindo passar de uma escolha binária, para uma escolha múltipla, preservando assim a noção importante de jogo sem bola. Do ponto de vista defensivo, reúne um defensor direto ao portador da bola para realizar a contenção, e dois defensores, relativamente mais afastados do portador da bola, para concretizarem eventuais coberturas, dobras e compensações, respeitando os restantes princípios defensivos, equilíbrio, compactação e concentração (GARGANTA, 1997, 2002). No ensino do futsal, o praticante que inicia deve ter acesso, à um jogo fácil, isto é, com regras ajustadas, com número de jogadores e espaços adequados, de modo a permitir a continuidade das ações, o domínio perceptivo do espaço, uma freqüente participação e variadas possibilidades de chutar ao gol (GARGANTA, 2002). 66 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3.1 Tipo de pesquisa O tipo de pesquisa utilizado para este estudo foi descritiva correlacional, que segundo Thomas e Nelson (2002), tem como objetivo apresentar dados quantitativos e qualitativos sobre as pessoas ou situações. Esse tipo de pesquisa também determina e analisa relações entre variáveis. Neste sentido, para o presente estudo, foi pretendido descrever as característica de crianças praticantes de futsal, da cidade de Curitiba, com idade entre 8 e 11 anos, do sexo masculinio, pertencentes à entidade SESC Paraná (bairro Portão), e tembém analisar as relações que essas características têm entre si (THOMAS; NELSON, 2002). 3.2 Participantes Participaram do estudo 18 crianças do sexo masculino, com idade de 8 a 11 anos, praticantes de futsal na entidade SESC Paraná, da cidade de Curitiba do bairro Portão. Esses participantes foram escolhidos de maneira intencional, sendo convidados os que apenas procuraram os serviços prestados pela entidade, no período de Janeiro a Junho de 2006, das 8:00 às 12:00 horas. 3.3 Instrumentos 3.3.1 Escala de desenvolvimento motor O primeiro instrumento utilizado no presente estudo foi a E.D.M. que será descrita a seguir. Para a coleta de dados foi utilizada, a Escala de Desenvolvimento Motor – E.D.M. (ROSA NETO, 2002). Esta, é um conjunto de provas muito diversificadas e de dificuldade graduada, conduzindo a uma exploração minuciosa de diferentes aspectos do desenvolvimento motor da criança. A aplicação em um 67 sujeito, permite avaliar seu nível de desenvolvimento motor, considerando êxitos e fracassos, levando em conta as normas estabelecidas pelo autor. O instrumento identifica o desenvolvimento motor de crianças de 2 a 11 anos e tem como variáveis: Idade Cronológica (IC): é a idade ordenada de acordo com a idade do nascimento. Motricidade Fina (IM1): é a habilidade na qual são utilizados pequenos grupos musculares, envolvendo movimentos precisos, temos como exemplo: costurar, escrever, digitar, etc. Motricidade Global (IM2): é a habilidade na qual são utilizados grandes grupos musculares, envolvendo movimentos naturais, temos como exemplo: saltar, correr, nadar, etc. Equilíbrio (IM3): qualidade física conseguida através de uma combinação de ações musculares a fim de manter o corpo sobre uma base, contra a lei da gravidade, sendo de maneira estática ou dinâmica. Esquema Corporal (IM4): é a organização das sensações relativas ao seu próprio corpo em associação com os dados do mundo exterior. Organização Espacial (IM5): é percepção que temos do espaço que nos rodeia e das relações entre os elementos que o compõem evolui e modificase com a idade e a experiência. Organização Temporal (IM6): é a ordem e a duração que o ritmo reúne. A ordem define a sucessão que existe entre os acontecimentos que se produzem, uns sendo a continuação de outros, em uma ordem física e reversível. O instrumento avalia a idade motora geral em relação a idade cronológica, (índice de desenvolvimento motor geral) que é o resultado da soma dos valores em meses das variáveis, gerados pelo software EDM (figura 10), divididos pelo número 6. 68 Figura 10 - Software Escala de Desenvolvimento Motor - E.D.M O segundo instrumento utilizado neste estudo foi o material para avaliação de competências percepto cognitivas em ações táticas do futebol, descrito a seguir. 3.3.2 Instrumento de avaliação de competência percepto cognitiva em ações táticas do futebol Para a avaliação da inteligência tática no futsal foi utilizado o instrumento de avaliação de competência percepto cognitiva em ações táticas do futebol. Este instrumento tem como objetivo identificar o nível de percepção de praticantes de futebol no âmbito do Esporte Escolar, sobre ações táticas de ataque e defesa. A identificação desta competência foi realizada a partir de um instrumento construído por Tkac (2004), com a finalidade de verificar o nível de conhecimento declarativo, compreensão, aplicação, análise e síntese, de praticantes de futebol, com relação à ações táticas utilizadas no futebol em determinadas situações de jogo. Este instrumento foi elaborado por Tkac (2004) baseando-se nas estratégias 69 propostas por Metzler apud Graça e Oliveira, para o ensino de jogos desportivos coletivos e, nas fases do processamento de informações de uma ação tática complexa de Mahlo citado por Graça e Oliveira. A estratégia utilizada pelo autor foi a de chalk-talk que, vem a ser a representação gráfica da colocação e movimentação dos jogadores e da bola. As fases de “Mahlo” do processamento de informação utilizadas por TKAC (2004) para o construto foram: (1) identificar o problema que é apresentado (percepção e análise da situação); (2) elaborar a solução que se pensa ser a mais adequada para resolver o problema (solução mental do problema); (3) Executar eficazmente, do ponto de vista motor, essa solução (solução motora do problema) (TKAC, 2004). Este instrumento foi dividido por Tkac (2004) em duas partes: a) organização, representação gráfica, descrição, apresentação da situação problema e opções de resposta de duas ações táticas de ataque, b) organização, representação gráfica, descrição, apresentação da situação problema e opções de resposta de duas ações táticas de defesa. Tkac (2004) construiu o instrumento seguindo as seguintes etapas: 1) Construção da matriz analítica – Foi construída uma matriz analítica, com a finalidade de determinar os objetivos, identificar as variáveis, dimensões, fatores, indicadores, questões geradoras e opções para a construção do instrumento; 2) Criação da organização das ações táticas – Nesta etapa, juntamente com um especialista em futebol, foram criadas duas situações de jogo, uma para cada tipo de sistema (ataque e defesa). As posições dos jogadores, da bola e as movimentações dos mesmos foram apresentadas graficamente, em vista superior direita do campo e filmadas com a finalidade de verificar a movimentação dos jogadores. Cores diferentes foram atribuídas entre os jogadores de ataque e de defesa, que também foram numerados. As ações táticas também são descritas detalhadamente logo abaixo da representação gráfica. 3) Filmagem das ações táticas – Após a criação da organização das ações táticas foi realizada a filmagem das situações propostas, para constituir o instrumento. 4) Determinação da situação problema – Baseando-se nas situações de ação tática foi determinada uma situação problema a ser analisada pelo avaliado, uma para cada situação, a partir dos quais foram determinadas as opções, como apresentadas na etapa seguinte. 70 5) Determinação das opções para ações táticas – para cada situação de sistema tático foram criadas, juntamente com um especialista em futebol, 5 opções de ação para serem analisadas pelo avaliado. 6) Graduação das opções de ação tática – Todas as opções de ação tática determinadas para cada um dos sistemas, são viáveis, ou seja, não existe a opção certa ou errada, mas sim a mais eficiente. Para isso as opções foram analisadas e escalonadas em ordem, da mais eficiente para a menos eficiente, por 15 especialistas em futebol, sendo estes: 5 técnicos de futebol de equipes profissionais, 3 técnicos de equipes amadoras, 2 técnicos de equipes universitárias, 3 professores de escolinhas de futebol, 1 professor da disciplina de futebol no curso de Educação Física e 1 ex-árbitro da liga profissional. Abaixo, na tabela 2 estão demonstrados os resultados finais da atribuição de graus de eficiência por especialistas. OPÇÕES Situação de defesa 1 Situação de defesa 2 Situação de ataque 1 Situação de ataque 2 Graus de eficiência SITUAÇÕES Opção A Opção B Opção C Opção D Opção E 2 3 1 4 5 2 3 1 5 4 3 5 1 2 4 4 1 2 5 3 Quadro 6 - Distribuição dos graus de eficiência em todas as situações Fonte: Tkac (2004, p.106) 7) Atribuição de escores para as opções de ação tática – Após a graduação de opções de ação tática, foi construída uma escala do tipo Likert (quadro 7) onde foram atribuídos valores, de 11 a 3, com intervalos iguais, para cada grau. GRAU DE EFICIÊNCIA VALOR 1 – Muito eficiente 11 2 – Bem eficiente 9 3 – Eficiente 7 4– Razoavelmente eficiente 5 5 – Pouco eficiente 3 Quadro 7 - Escala Likert para opções de ação tática Fonte: Tkac (2004, p.106) 71 8) Determinação do grau de eficiência das opções: Após a avaliação dos especialistas o grau de eficiência, bem como os valores correspondentes estão demonstrados nos anexos C, D, E, F. 9) Sistema de pontuação - Os escores obtidos com a aplicação do instrumento, serão determinados pela escolha dos avaliados em relação à tática. Tem-se como exemplo um avaliado que assinale uma opção tática de grau 4, que corresponde a um valor de 9, na primeira situação de defesa e uma opção de grau 2, que corresponde a um valor 5, na segunda situação de defesa. Neste caso o avaliado obterá um escore final 14 para a competência percepto-cognitiva, em relação à ação tática de defesa. O mesmo procedimento será adotado para a obtenção dos escores de ação de ataque. Após a realização de todas as etapas para construção do instrumento, Tkac (2004) submeteu-o aos processos de validação de construto (I=1), conteúdo (I=0,996), e clareza (I=0,827), de acordo com os critérios de Melo (2002). Para a determinação do índice de fidedignidade e consistência interna, Tkac (2004 utilizou o teste de Alpha-Grombach, obtendo α =0,173. 3.4 Procedimento para coleta de dados Após a apreciação e aprovação do Comitê de Ética local para esta pesquisa (CEP: 1090) e a devolução do termo de consentimento livre e esclarecido preenchido corretamente pelos pais dos participantes, esta pôde acontecer. Os procedimentos estão descritos a seguir. Para a aplicação da Escala de Desenvolvimento Motor, que foi feita por primeiro, foi utilizada a própria entidade SESC-Paraná-Curitiba, localizada no bairro do Portão. Foi usada uma sala bem arejada, aonde os testes foram separados por estações, e cada estação conteve uma das variáveis do desenvolvimento motor. Cada criança passou por todas elas uma a uma, onde estavam 5 avaliadores, sendo que 4 se dividiram nas estações avaliando apenas 1 variável, e um deles avaliou 2 variáveis. O teste de lateralidade foi realizado. Para a avaliação foram tomados alguns cuidados para que os resultados pudessem ser de maior confiabilidade possível: Os testes foram aplicados de acordo com a idade cronológica da criança; 72 As crianças foram testadas a partir de sua idade cronológica ou inferior; O exame motor foi iniciado pela seqüência de provas motoras: motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e organização temporal; Se a criança obteve êxito em uma prova, o resultado foi positivo e foi registrado com o símbolo 1; Se a prova exigiu habilidade com o lado direito e esquerdo do corpo, foi registrado 1, quando houve êxito com os dois membros; Se a prova teve resultado positivo apenas com um dos membros (direito ou esquerdo), o resultado foi registrado ½; Se a prova teve resultado negativo, foi registrado 0; Quadro 8 - Exemplo de marcação dos resultados na folha de testes da E.D.M. Fonte: Rosa Neto (2002, p.41). Após a primeira avaliação (aplicação da E.D.M), os sujeitos tiveram um tempo de pausa para descançar. Em torno de aproximadamente 30 minutos. Após isso os sujeitos receberam uma explicação sobre o objetivo e preenchimento do instrumento de competência percepto cognitiva do futebol. A seguir cada um recebeu um formulário com a representação gráfica, descrição da jogada, situação problema e opções de resposta. Em seguida foi apresentado o vídeo com a primeira situação, seguido da avaliação das respostas onde cada sujeito deveria assinalar apenas uma opção, aquela que julgasse a mais eficiente. O mesmo procedimento foi adotado para as outras situações. A descrição das jogadas, situação problema e opções de resposta, foram explicadas pelo próprio pesquisador, em linguagem simples e coloquial, para facilitar a compreensão. 3.5 Tratamento estatístico Foi utilizada a análise estatística não paramétrica para descrever a distribuição das freqüências nas ações táticas de defesa e ataque, com os valores 73 brutos (n=) e percentagens (%), e, devido os dados das variáveis de desenvolvimento motor não apresentarem normalidade após passarem pelo teste de Kolmogorov-Smirnov, sendo então usadas como apresentação principal destes resultados a mediana, moda, média e desvio padrão. Foi feita uma correlação de Spearman, que teve como objetivo verificar se houve alguma relação entre as medidas de desenvolvimento motor e as medidas das ações táticas. Essa correlação se justificou pelo fato das variáveis serem de escalas de razão (desenvolvimento motor= meses) e ordinais (ações táticas= pouco eficiente= 3, razoavelmente eficiente= 5, eficiente= 7, bem eficiente= 9, muito eficiente= 11) (BARROS; REIS; 2003). Para a tabulação dos dados foi usado o software da Microsoft Office Excel 2003 e para as análises dos dados o SPSS 11.0. 74 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A apresentação e discussão dos resultados serão realizadas, buscando contemplar os objetivos específicos propostos para este estudo, sendo então elaborados gráficos e tabelas. Neste sentido os objetivos do trabalho foram de Identificar as relações entre variáveis do desenvolvimento motor e inteligência tática de crianças entre 8 e 11 anos do sexo masculino, que praticam o desporto futsal na entidade SESC-Paraná-Curitiba, verificando juntamente o nível de desenvolvimento motor e o nível de inteligência tática. Cumprindo o primeiro objetivo, que foi de verificar o nível de desenvolvimento motor de crianças entre 8 e 11 anos do sexo masculino, praticantes de futsal da entidade SESC Paraná da cidade de Curitiba, do bairro Portão, a seguir serão apresentados os resultados. 4.1 Resultados referentes à idade cronológica A idade cronológica apresentou um valor mediano de 118 meses, moda 132 meses e média X 118 meses (±11,7) (tabela 1). Esses dados, apesar de apresentarem uma normalidade de acordo com o valor de K-S e p (tabela 1), servem apenas de parâmentros para comparação com os valores das demais variáveis descritas a seguir, não necessitando de discussão. 4.2 Resultados referentes à motricidade fina A motricidade fina teve valor da mediana de 126 meses, moda 132 meses, média X 119 meses (±13,1) (tabela 1). A coordenação óculo manual que envolve diretamente a motricidade fina representa a atividade que o homem possui de mais comum em sua vida, o qual atua para pegar um objeto e lança-lo, para escrever, pintar, recortar, etc. Essa fase do desenvolvimento da praxologia motora fina, inclui o transporte da mão, seguida de uma fase de agarre e manipulação, resultando em um conjunto com três componentes: objeto/mão/olho. Neste sentido o resultado obtido par a variável deste 75 tópico pode estar relacionado devido os praticantes estarem no seu ciclo estudantil, e nas atividades de classe, assim como também nas atividades realizadas nas aulas da modalidade praticada, estarem desenvolvendo atividades manipulativas como pintar, desenhar, escrever, etc., o que é de fundamental importância para o desenvolvimento motor e óculo-manual da criança (ROSA NETO, 2002). Essa variável não converge com os valores de Rosa Neto (2002) que em avaliação de crianças com a mesma idade, apresentou uma mediana de 108 meses. Apesar da diferença numérica, não é possível afirmar que as crianças avaliadas no presente estudo estão em um nível de desenvolvimento motor acima das crianças avaliadas pelo autor, mesmo porque ele não descreve as atividades que essas crianças fazem nem o ambiente em que elas estão inseridas, o que pode ter influência. Ainda é importante ressaltar que para acontecer um desenvolvimento normal da motricidade fina a criança tem de ter uma fixação visual. Esta necessita sucessivamente da visão periférica e em seguida das sacudidas oculares que restabelecem o olho em uma visão central que os movimentos de perseguição tendem a manter quando o alvo se movimenta (ROSA NETO, 2002). O córtex pré-central, de acordo com as perspectivas do mesmo autor, tem um papel fundamental no controle dos movimentos isolados dos mesmos. A importância das áreas córtico-sensomotoras das mãos e dos dedos faz priorizar a fineza extrema dos controles táteis e motores, o que pode explicar tais resultados. 4.3 Resultados referentes à motricidade global Para a variável motricidade global, foi detectada uma mediana de 132 meses, moda 132 meses e média de X 123 (±12,2) meses (tabela 1). Esse fenômeno pode ser considerado normal, devido o fato dos praticantes realizarem movimentos locomotores variados, onde segundo Gallahue e Ozmun (2005) desenvolvem plenamente a criança. Esse valor foi maior, quando comparado com o de Rosa Neto (2002), que foi de 96 meses. A criança como advoga Rosa Neto (2002), passa uma parcela do seu tempo na escola, onde é estimulada com jogos, brincadeiras e etc. Ela busca imitar os movimentos dos carros, caminhões, animais, aviões e outros, correndo, 76 saltando, rolando, o que ressalta a alegria da criança, a relação positiva com o ambiente em que esta está inserida. Esse fenômeno pode dar e explicação para o resultado encontrado, já que o qual não corroborou com a idade cronológica A criança pequena na visão de Gallahue e Ozmun (2005), está envolvida no processo de desenvolvimento e de refinamento das habilidades motoras fundamentais adquiridas nos primeiros anos de vida. Uma grande variedade de movimentos estabilizadores, locomotores e manipulativos estão sendo realizados pelas mesmas. Isso significa que, elas possivelmente se envolvem em muitas experiências coordenadas e efetivas, em termos de desenvolvimento, projetadas para aumentar o conhecimento do corpo e do seu potencial para o movimento. As crianças possuem um potencial de desenvolvimento para atingir o estágio maduro da maior parte das habilidades motoras fundamentais, ocorrendo aos 6 anos, o que possivelmente explica um resultado tão superior da variável descrita, em relação à idade cronológica. Tabela 1: Perfil das variáveis de desenvolvimento motor dado em meses (n=18) Idade cronológica Motricidade fina Motricidade global Equilíbrio Esquema corporal Organização espacial Organização Temporal Mediana Moda Média DP Mín Máx K-S p 118,0 126,0 132,0 126,0 96,0 126,0 132,0 132 132 132 132 96 132 132 118,1 119,8 123,0 115,3 104,0 117,0 127,3 11,7 13,1 12,2 22,3 20,1 17,4 9,3 99 96 102 60 72 84 108 132 132 132 132 132 132 132 0,168 0,236 0,380 0,239 0,210 0,252 0,469 0,195 0,009 0,000 0,008 0,035 0,004 0,000 4.4 Resultados referentes à equilíbrio Para o resultado da variável equilíbrio, o grupo apresentou uma mediana de 126 meses, moda de 132 meses e média de 115 (±22,3) meses (tabela 1 e gráfico 1). Tal valor pode ter relação com o ambiente que os sujeitos estão interagindo, devido a possível prática de atividades que exigem equilíbrio estático e dinâmico. Outro fator que pode ter relação a tal resultado, é que o equilíbrio se desenvolve na fase dos 2 aos 12 anos de idade, onde as crianças obtém um acervo motor enorme (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Esses resultados estão de acordo com os de Gallahue e Ozmun (2005) que citam um pico do desenvolvimento do equilíbrio por volta dos 8 anos de idade. Os praticantes de acordo com Rosa Neto (2002) 77 devem desenvolver o equilíbrio devido ser a base primordial de toda a ação diferenciada dos segmentos corporais, o que se relaciona diretamente com os valores apresentados pela motricidade global. Para Gallahue e Ozmun (2005) a estabilidade é o aspecto mais fundamental do aprendizado de movimentar-se. Por ela, as crianças obtém e mantém um ponto de partida para as explorações que fazem ao espaço. A estabilidade envolve a capacidade do individuo equilibrar-se em diversos ambientes, sobre objetos e outros. 140 126 132 126 126 132 118 120 96 100 80 60 40 20 0 Idade cronológica Motricidade fina Motricidade global Equilíbrio Esquema corporal Organização espacial Organização temporal Gráfico 1 - Valores de mediana para componentes do desenvolvimento motor As crianças avaliadas podem estar passando por um processo de experiências motoras planejadas em suas aulas de educação física escolar, como em suas aulas de futsal. Essas experiências possibilitam à criança à um maior desenvolvimento de uma flexibilidade nos ajustes da postura enquanto se movimentam (equilíbrio dinâmico). Ainda Gallahue e Ozmun (2005) citam que, a estabilidade é o aspecto que tem maior fundamentação no aprendizado dos movimentos porque todo movimento envolve um elemento e estabilidade. Para um indivíduo ter a capacidade de estabilização eficiente, este deve perceber determinada mudança na relação entre as partes do corpo que altera seu equilíbrio. A habilidade de compensar essas mudanças de modo rápido e preciso, com movimentos apropriados, também é essencial. 78 4.5 Resultados referentes à esquema corporal Para esta variável, à qual apresentou uma mediana de 96 meses, moda 96 meses e média de X 104 (±20,1) meses, (tabela e gráfico 1), comparando com o valor mediano da idade cronológica, apresentou-se abaixo. Esse resultado diz respeito ao nível de conhecimento das partes do corpo como também como controle e velocidade das partes do mesmo. Um argumento de Gallahue e Ozmun (2005) para justificar tal fato, é que o tempo de reação nessa faixa etária ainda é lento, o que causa dificuldades com a coordenação visuo-manual. Tal resultado não era esperado, pois segundo Gallahue e Ozmun (2005) a criança nessa faixa de idade estaria teoricamente mais desenvolvida com relação as habilidade motoras manipulativas. Porém, o mesmo autor coloca que nesse período, está acontecendo a fase de transição, chamada de fase motora transitória. Nesta fase ocorre uma lapidação de tais habilidades motoras. Tal lapidação acontecerá, se o desenvolvimento fundamental estiver bem concretizado, e assim a criança apenas começará a combinar as habilidades motoras que as fundamentaram, com gestos específicos de algum desporto (GALLAHUE E OZMUN, 2005). No caso do presente estudo, o fator especificidade da tarefa tem que ser levado em consideração, pois para a avaliação do esquema corporal, o teste proposto por Rosa Neto (2002) é o de Rapidez (aplicado a partir dos 6 anos), o qual o indivíduo que realiza mais riscos em 1 minuto, dentro de um papel quadriculado, obtém maior pontuação. Neste sentido, tal resultado, se for comparado com a variável motricidade fina, que obteve valores superiores à média idade cronológica, está em níveis bem inferiores, o que mais uma vez justifica-se o argumento da especificidade da tarefa (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Na motricidade fina, o indivíduo realiza testes que não envolvem uma velocidade dos movimentos de punho aguçada. Já para o teste de rapidez a velocidade é essencial. Estudiosos do desenvolvimento motor reconhecem que a as exigências físicas e motoras especificas de uma tarefa motora, interagem com o indivíduo (fatores biológicos) e o ambiente (fatores de experiência). Tal afirmação pode justificar o resultado da variável deste tópico, pois o indivíduo e o ambiente não são apenas influenciados (interação), mais também podem ser modificados 79 (transformação) um pelo outro. Talvez a tarefa do teste nunca tivesse sido vivenciada pelos sujeitos, havendo então um certo tipo de desconforto para a realização da mesma (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Para ser encerrado esse tópico, a anormalidade dos resultados, de acordo com os valors de K-S (tabela1), deve ser levada em consideração, levando a crer que o grupo é muito diferente, diferenciando nos resultados. 4.6 Resultados referentes à organização espacial A componente Organização Espacial apresentou uma mediana com valor de 126 meses, moda 132 meses e média de X 117,0 (±17,4) meses. Esse dado, comparando-se com a mediana da idade cronológica, foi maior. Fato esse, pode ter relação com as atividades realizadas em ambientes distintos como do presente estudo, durante as aulas de futsal (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Todo ato voluntário envolve um lastro de percepção. Neste sentido, a organização espacial assim como a percepção da ordem, só é possível se as estimulações sucessivas forem suscetíveis de se organizarem entre si. O mundo espacial da criança constrói-se paralelamente ao seu desenvolvimento psicomotor, à medida da crescente eficácia de sua gestualidade e da crescente importância dos fatores relacionais, que criam o espaço da comunicação (COSTE, 1992; GALLAHUE; OZMUN, 2005). Aproximadamente aos 6 e 7 anos em diante, parte dos indivíduos entra no terceiro estágio de desenvolvimento cognitivo de Piaget, apud González (2006), o operatório-concreto. Neste nível de desenvolvimento, as crianças ganham a habilidade para conservar, colocando uma das maiores características deste estágio, a capacidade de descentralizar a atenção de uma única variável numa situação problema. De maneira diferenciada ao estágio pré-operatório, esta habilidade para descentralizar a atenção, pode ter uma importante implicação para o desenvolvimento motor, particularmente com referência aos jogos de situação (PAYNE; ISAACS, 1991 apud GONZÁLEZ, 2000). Também neste estágio de desenvolvimento, as crianças gradualmente adquirem a habilidade para mentalmente modificar, organizar ou reverter eventos em seus processos de pensamento, o que permitiria o 80 aparecimento da antecipação, com maior nível de intervenção nas ações motoras e uma maior organização temporal (COSTE, 1992). A partir dos 9 e 10 anos, a criança é finalmente capaz de dar ao espaço uma dimensão homogênea e de projetar no espaço formas (geométricas) que o organizam (COSTE, 1992). Segundo Gallahue e Ozmun (2005), as crianças na faixa etária do presente estudo, estão em desenvolvimento estável da acuidade visual (habilidade de distinguir detalhes em situações estáticas e dinâmicas). A percepção de figurafundo está totalmente madura (habilidade de julgar a distancia relativa a si mesmo) e a coordenação visual-motora (habilidade de integrar o uso dos olhos e mãos para acompanhar e interromper a observação de um objeto) em desenvolvimento lento e leve. Essas afirmações amparam os resultados da variável deste tópico, pois as mesmas como já dito, estão acima dos resultados da idade cronológica, o que indica possivelmente um desenvolvimento da organização espacial alto. 4.7 Resultados referentes à organização temporal Para a Organização Temporal, foi apresentada uma mediana de 132 meses, moda de 132 meses e média de X 127,3 (±9,3) meses. Novamente comparando-se com o valor mediano de idade cronológica, a organização temporal encontrou-se maior.Este dado pode ser justificado devido novamente as diferenças dos sujeitos do estudo. A orientação e organização temporal, vincula-se intimamente com a interação coordenada de vários sistemas musculares e muitas modalidades sensoriais (GALLAHUE; OZMUN, 2005). O ritmo é um fator de destaque para o resultado obtido, devido ao fato de que crianças usam a modalidade auditiva antes que a visual, onde então começam a fazer discriminações temporais, havendo transferência da modalidade auditiva para a visual, mas não o contrario. Possivelmente as atividades que exigem o desempenho de tarefas ritmicas auditivos, foram bem potencializadas nos anos anteriores, e permaneceu-se e permanecerá para o resto da vida, o que pode justificar o resultado do tópico presente. 81 Cumprindo o segundo objetivo do trabalho, que foi de verificar o nível de inteligência tática de crianças praticantes de futsal entre 8 e 11 anos, da entidade SESC Paraná, (bairro portão) da cidade de Curitiba, a seguir será apresentado os resultados da avaliação percepto cognitiva em ações táticas do futebol. 4.8 Resultados referentes à situação de defesa 1 Para esta situação, pode-se observar que houve uma concentração dos sujeitos nos graus de eficiência “pouco eficiente” (n=5) 27,8%, “razoavelmente eficiente” (n=3) 16,7%, “eficiente” (n=7) 38,9%, “bem eficiente” (n=2) 11,1% e “muito eficiente (n=1) 5,6% (tabela 2 e gráfico 2). Tabela 2: Freqüência e percentual das situações de defesa e ataque (n=18) Pouco eficiente Razoavelmente eficiente Eficiente Bem eficiente Muito eficiente Situação de defesa 1 (n) (%) 5** 27,8** 3 16,7 7* 38,9* 2 11,1 1 5,6 Situação de defesa 2 (n) (%) 9* 50* 0 0 8** 44,4** 1 5,6 0 0 Situação de ataque 1 (n) (%) 6* 33,3* 2 11,1 0 0 5** 27,8** 5** 27,8** Situação de ataque 2 (n) (%) 1 5,6 3** 16,7** 11* 61,1* 1 5,6 2 11,1 (*) maior valor - (**) segundo maior valor Esses resultados mostram que a maioria dos sujeitos conhecem os princípios operacionais de defesa, onde essa situação oferece ao marcador a opção de ir de encontro ao jogador 1 para roubar a bola (. Sugere-se que nas fases iniciais da prática do futebol e futsal, se utilize a defesa individual nominal, onde cada jogador tem única e exclusivamente a responsabilidade de marcar o seu adversário direto, fato que pode justificar esse resultado (GARGANTA, 2002). Os sujeitos, possivelmente possuem um conhecimento declarativo e processual maior organizado e estruturado, um processo de captação da informação eficiente, um processo decisional rápido e preciso, superior conhecimento tático, elevada capacidade de antecipação dos eventos e das respostas do oponente e superior conhecimento das probabilidades situacionais (evolução do jogo) (RINK et al, 1996 apud GARGANTA, 2002). 82 Gréhaigne (1992 apud GARGANTA, 2002) cita que, para que um jogador de defesa obtenha sucesso em suas ações, o mesmo deve cobrir e reforçar permanentemente o eixo central do terreno, defender atrás da linha da bola, fechar a linha de progressão do portador da bola para a baliza, demorar o ataque adversário principalmente quando se é o ultimo defensor, obrigar o adversário a cometer erros, reduzindo-lhe espaços e tempo para jogar, justamente os princípos que a opção B desta situação oferece. Como esta situação específica não possui muitos estímulos a serem percebidos e processados, pode-se então facilitar a decisão de ação por meio da percepção externa, que segundo Sonnenschein (apud Greco, 2002) é de grande importância para os jogos desportivos coletivos, e consiste em perceber o espaço, a forma, o tamanho, a distância, a direção do movimento e timing de ação, agrupando também a percepção do movimento de objetos externos (bola, gol, área), bem como do próprio corpo me relação ao espaço, sendo denominado de sentido de movimento. A segunda opção que mais foi marcada foi a “pouco eficiente” que tem como objetivo o retorno do marcador para ajudar o goleiro (n=5) 27,8%. Os sujeitos que marcaram essa opção possivelmente não conhecem os princípios operacionaius de defesa, e também o tempo de prática no futsal pode ser baixo, o que pode justificar esse resultado (GARGANTA, 2002). Dando continuidade a apresentação e discussão dos resultados, a seguir, no próximo tópico, será abordada a situação de defesa 2. 4.9 Resultados referentes à situação de defesa 2 Na situação de defesa 2, foram obtidos para a opção “pouco eficiente” (n=9) 50%, “razoavelmente eficiente” (n=0) 0%, “eficiente (n=8) 44,5%, “bem eficiente” (n=1) 5,6% e muito eficiente (n=0) 0%. Para esta situação de defesa, os resultados apontaram que os avaliados, optaram por respostas de eficiência média, marcando a opção E, que visa esperar o rebote do chute do atacante 2 que recebeu a bola. Já praticamente metade o grupo marcou a opção B, que dá a possibilidade do marcador tentar roubar a bola do atacante 2. 83 Esta situação apresentou maior grau de dificuldade para o discernimento de qual ação seria a opção mais eficiente. Este fato pode estar relacionado com um aumento de estímulos e possibilidades de ação, quando comparada esta situação com a anterior. Para Greco (2002), uma das grandes exigências da percepção nos esportes coletivos, está relacionada com a constante mudança dos conteúdos a serem percebidos que dependem da variabilidade na situação de jogo. Especificamente neste caso, os avaliados foram expostos a uma variabilidade de situação de jogo, onde o passe do atacante 1 para o 2 promoveu um aumento das possibilidades de ação, conseqüentemente aumentando os conteúdos a serem percebidos. Assim sendo, os avaliados tiveram que optar por um sistema de referência mais complexo, podendo ter dificultado a percepção da situação, bem como o processamento das informações, interferindo no resultado. De acordo com Tavares (1995), o processo mental e psíquico de um ato tático, é realizado em três fases, permitindo compreender o encadeamento de várias ações que possibilitam o jogador tratar, sem interrupção, as informações necessárias para: (1) identificar o problema que lhe é apresentado (percepção e análise da situação); (2) elaborar a solução que ele pensa ser a mais adequada para resolver o problema (solução mental do problema); (3) executar eficazmente, do ponto de vista motor, essa solução (solução motora do problema). Esses achados permitem afirmar que possivelmente os sujeitos, ainda não estão respondendo com eficiência à situações de jogo mais complexas, e que o tempo de prática, na modalidade esportiva é de fundamental importância para ganhos de conhecimentos táticos. O próximo tópico abordará os resultados das situações de ataque. 4.10 Resultados referentes à situação de ataque 1 Para esta situação, os resultados (tabela 2 e gráfico2) foram para a opção “pouco eficiente” (n=6) 33,3%, razoavelmente eficiente (n=2) 11,1%, “eficiente (n=0) 0%, “bem eficiente” (n=5) 27,8% e “muito eficiente” (n=5) 27,8%. Tais resultados, de acordo com o nível cognitivo, que Greco et al (1998 apud SILVA; ROSE JUNIOR, 2005) citam, apontam uma corroboração com a idade cronológica dos sujeitos, onde estariam na fase universal de desenvolvimento, 84 (dos 6 aos 12 anos), e que nessa fase, as atividades lúdicas de criação e de descobertas de movimentos, e ações novas, estão sendo priorizadas para o ensino do futsal. 11 12 9 10 Pouco eficiente 8 7 8 Razoavelmente eficiente 6 6 4 5 3 Bem eficiente 3 2 2 Eficiente 5 5 2 1 2 1 0 1 0 Muito eficiente 1 0 0 Situação de defesa Situação de defesa Situação de ataque Situação de ataque 1 2 1 2 Gráfico 2 - Distribuição de freqüência para as situações de defesa e ataque Ainda para Bayer (1986 apud SILVA; ROSE JUNIOR, 2005), as crianças nessa fase, passam por uma aquisição muito grande de informações, o que é de fundamental importância para a prática das modalidades esportivas coletivas. A concentração de indivíduos na opção “C”, “muito eficiente”, e na opção “D” “bem eficiente” demonstra que, de um modo geral, os sujeitos avaliados puderam perceber e processar as informações necessárias para uma decisão ótima. Neste caso, a opção “C” escolhida, refere-se a uma movimentação para a esquerda, passando por trás do atacante com posse de bola, aproveitando assim o espaço livre, escapando da marcação, e possibilitando mais uma opção de avanço para o ataque. Esta opção corrobora com o segundo princípio operacional de ataque nos jogos desportivos coletivos, que de acordo com Bayer (1994), deve privilegiar a progressão dos jogadores e da bola para o gol adversário. O autor cita ainda que, para assegurar a realização da progressão da bola no ataque, o jogador deverá libertar-se de possíveis intervenções dos defensores desmarcando-se, ou seja, colocando-se em relação aos adversários, em relação aos parceiros, e utilizando os espaços livres disponíveis no campo. A percepção de espaços livres como opção de movimentação tática de ataque, fica mais uma vez evidenciada quando observa-se a segunda opção mais escolhida (D), que possui no seu enunciado “correria para a frente entre os jogadores (defensores) 4 e 5. Estas movimentações para busca de espaços vazios 85 podem estar relacionadas diretamente com a percepção visual, que segundo Garganta (1997, 2002) afirma que, quanto maior for, maior será a capacidade de leitura de jogo, e consequentemente maior será a eficiência na tomada de decisão para a resolução dos problemas do jogo. Este grupo de indivíduos que optaram por respostas mais eficientes, podem ter agido desta forma, em virtude de conhecer bem a modalidade que praticam, neste caso o futsal. Comumente se aceita que jovens praticantes de jogos desportivos coletivos, para que possam agir adequadamente, devem conhecer a modalidade que praticam, gerenciando e valorizando as informações mais pertinentes, de modo que as suas decisões sejam as mais ajustadas. Isto significa que, os praticantes têm que saber o que fazer para depois elegerem como fazer, utilizando a resposta motora mais adequada (ALVES; GARGANTA; PINTO apud MANGAS; GARGANTA; FONSECA, 2002). As respostas com graus de eficiência “razoavelmente eficiente” e “pouco eficiente”, “E” e “B”, que possuem opções de deslocamentos diagonais, uma entre os jogadores 1 e 5, e a outra passando por trás do jogador 3, permite afirmar que, possivelmente os sujeitos ainda não possuem um conhecimento de um dos princípios operacionais de ataque que é a movimentação para espaços vazios, onde há uma maior chance de receber a bola para a obtenção do ponto ou gol, devido os defensores não estarem por perto para realizarem uma contenção para a tomada da posse de bola, ou interceptação da mesma Gréhaigne (1992 apud GARGANTA, 2002). A seguir serão apresentados e discutidos os resultados referentes à situação de ataque 2. 4.11 Resultados referentes à situação de ataque 2 Na situacao de ataque 2, os seguintes resultados foram obtidos: “pouco eficiente” (n=1) 5,6%, “razoavelmente eficiente (n=3) 16,7%, “eficiente” (n=11) 61,1%, “bem eficiente” (n=1) e “muito eficiente” (n=2) 11,1%. Isso significa que existe um conhecimento do princípio operacional de ataque mobilidade, “afastar se dos adversários) e criatividade para a ocupação dos espaços vazios (GRÉHAIGNE, 1992 apud GARGANTA, 2002). 86 Fica claro que nesta situação de ataque, onde as respostas que buscam o espaço vazio, qualquer tomada de decisão tem como objetivo principal a desmarcação, e aumentar as possibilidades de progressão dos jogadores e da bola. As opções que estão anunciadas “correria para dentro ou para trás”, segundo Bayer (1994), o praticante, deve situar-se oportunamente no campo para facilitar as circulações de bola, saindo das zonas de possíveis interceptações e de oposição, submetidas a uma vigilância dos adversários. Esta opção, quando escolhida, denota a capacidade de conhecimento declarativo dos sujeitos que, segundo Mesquita (apud GARGANTA, 2002), o jogador apela aos “saberes” que se traduzem no saber o que fazer, (conhecimento declarativo) e como fazer (conhecimento processual). Estes dois tipos de conhecimento estão relacionados entre si, dado que a forma como o jogador analisa as situações de jogo, depende da forma como ele percebe e concebe este mesmo jogo, contribuindo para a qualidade de sua decisão (GARGANTA; MESQUITA apud MANGA; GARGANTA; FONSECA, 2002). Em um estudo realizado por McMorris (1997 apud TAVARES, 1999), o autor realizou testagens simples e complexas com atletas de alto rendimento. O autor chegou a conclusão de que, os jogadores devem analisar o jogo sob duas perspectivas: o do jogador com a bola e do jogador que toma a decisão. Ou seja, para que uma criança realize determinadas tarefas com eficiência, tem de primeiro, identificar quais as opções possíveis para o jogador com bola e só depois decidir. Esse fato explica o porque de encontrar-se resultados discrepantes nesta situação de ataque. Ela possibilita justamente a criança avaliada, raciocinar sobre a possível decisão que será tomada pelo portador da bola, para após tomar a sua decisão. Garganta (2002) está de acordo com o que o futebol exige e permite desenvolver em seus praticantes a inteligência de jogo. Alunos iniciantes na prática da modalidade, tendem a não possuírem uma grande inteligência de jogo para o futebol e também o futsal. É necessário mais tempo de prática para que se desenvolvam níveis de tomada de decisão elevados (GARGANTA, 2002). A seguir será apresentado o resultado da correlação entre as variáveis de desenvolvimento motor e as 4 situações de ações táticas, cumprindo o ultimo objetivo do presente estudo, que era de correlacionar os níveis de desenvolvimento motor e inteligência tática, de crianças praticantes de futsal entre 8 e 11, da entidade SESC Paraná, (bairro portão) da cidade de Curitiba. 87 4.12 Resultados referentes à correlação entre as varáveis motoras e táticas Para a variável idade cronológica, verificou-se uma correlação negativa considerada de nível razoável (r= -0,495), com um índice de significância de ≤0,05 (p= 0,037) (tabela 3). Isto significou que quanto mais velhas foram as crianças, se verificou respostas para a situação de ataque 1 baixas. Esse resultado está de acordo com as afirmações de Gardner (2001), o qual advoga que, a inteligência corporal cinestésica e cognitiva, juntamente com o processamento de informações vão aumentando com o decorrer da idade, e que nos jogos desportivos coletivos, quanto maior o número dessas informações, maior será também o tempo para serem processadas, o que levaria o indivíduo a demorar mais para pensar e decidir sobre qual decisão tomar, levando a decidir ineficazmente. Segundo ainda o autor, as crianças, com o passar da idade vão adquirindo um “banco de dados” cada dia maiores, e que, segundo a teoria do processamento de informação, descrita por Schmidt e Wrisberg (2001) e Sternberg (1992), suspeitam que as tarefas e as situações medem mais apropriadamente o desempenho de inteligente quando e as próprias tarefas são inéditas na experiência de uma pessoa ou então ao contrário, quando são tão habituais que o seu desempenho está se tornando automático e, portanto, essencialmente inconsciente. A criança não desaprende com o passar dos anos. Ela aumenta a gama de informações a serem processadas, o que acaba dificultando a tomada de decisão. Garganta (2002) afirma que um principiante no futsal, começa recebendo informações simples e de grau de dificuldade leve, e que com o tempo de prática, essas informações vão aumentando e sendo testadas uma a uma nas sessões de treinamento e jogos. Com o decorrer do tempo, essas informações estão tão automatizadas que são tomadas decisões antecipadas e que nem sempre resolverão os problemas impostos pelo jogo. A seguir será apresentada a segunda correlação encontrada no presente estudo. 88 Tabela 3: Correlação entre as variáveis de desenvolvimento motor e inteligência tática VARIÁVEIS Idade Cronológica * Motricidade Fina Motricidade Global Esquema Corporal * Organização Espacial Equilíbrio Organização Temporal S. de Defesa 1 S. de Defesa 2 S. de Ataque 1 S. de Ataque 2 r= -0,249 p= 0,318 r= -0,129 p= 0,611 r= 0,237 p= 0,343 r= -0,285 p= 0,252 r= -0,336 p= 0,173 r= 0,103 p= 0,684 r= 0,345 p= 0,161 r= 0,183 p= 0,468 r= 0,053 p= 0,834 r= -0,047 p= 0,854 r= 0,090 p= 0,722 r= 0,065 p= 0,797 r= -0,495 * p= 0,037** r= -0,305 p= 0,219 r= -0,375 p= 0,125 r= -0,540 * p= 0,021** r= -0,329 p= 0,182 r= -0,133 p= 0,598 r= 0,169 p= 0,503 r= 0,008 p= 0,975 r= -0,017 p= 0,945 r= 0,048 p= 0,849 r= 0,121 p= 0,634 r= -0,108 p= 0,669 r= 0,060 p= 0,812 r= 0,056 p= 0,825 r= -0,343 p= 0,163 r= 0,435 p= 0,071 * Valor da Correlação / ** Índice de significância da Correlação Prosseguindo a apresentação e discussão dos resultados, o estudo encontrou uma segunda correlação, que envolveu a variável esquema corporal/rapidez novamente se relacionando com a situação de ataque 1. Obteve-se um r= -0,540, com um índice de significância ≤0,05 (p= 0,021). Isto permite afirmar, que os sujeitos do estudo que conheciam mais o seu corpo e que, juntamente com esse conhecimento tinham maior velocidade do mesmo, não obtiveram os maiores graus de eficiência na situação de ataque 1. Deixando mais claro, os indivíduos que foram mais rápidos no teste de rapidez (que para Rosa Neto, deve ser aplicado à crianças de 6 anos para acima) não tomaram as melhores decisões na situação de ataque 1 (tabela 3). Um dado que pode explicar esse resultado é que, na situação de ataque 1, o indivíduo à tomar a decisão está sem a bola. Por conseqüência, deverá perceber o atacante com a bola e a posição deste, e também perceber as possíveis decisões dos seus outros oponentes e de seus companheiros, para após, fazer a aplicação prática dos princípios operacionais de ataque (mobilidade, desmarcação, procura do espaço vazio, indução ao erro do adversário, etc.) (BAYER, 1994). Os resultados encontrados no presente estudo, verificam-se similares aos de Tkac (2004). Em seu estudo intitulado “perfil de Inteligência Motora de participantes do projeto Esporte Escolar no município de São José - SC“, o autor afirma que a competência físico-cinestésica, caracterizou uma limitação dos sujeitos investigados em discernir as possibilidades de tomada de decisão, quando confrontados com situações de maior organização, requerendo uma maior 89 capacidade de perceber os componentes presentes, bem como de processar as informações contingentes a cada ação tática. Tkac (2004) ainda relatou que, por outro lado, mesmo com estas limitações, em muitos casos os participantes do seu estudo apresentaram também um comportamento de tomada de decisões, para a resolução do problema apresentado, dentro dos princípios operacionais de ataque e defesa para os jogos desportivos coletivos, por mais que as vezes essa tomada de decisão não se apresentasse como a mais eficiente. Ainda que não controlado em seu estudo, Tkac (2004) afirma que o tempo de prática e a conseqüente experiência adquirida, podem influenciar no discernimento de que tipo de tomada de decisão pode gerar um resultado mais eficiente. Esse mesmo autor cita que a velocidade de membros inferiores correlacionou-se com as competências percepto-cognitivas (figura 11). PESSOA (PERSONALIDADE) A PESSOA EM RELAÇÃO A SI PRÓPRIA A PESSOA EM RELAÇÃO AOS OUTROS E AO MUNDO INTELIGÊNCIA MOTORA CONSCIÊNCIA CORPORAL COMPETÊNCIA FÍSICO-CINESTÉSICA CONSCIÊNCIA ESPÁCIO TEMPORAL COMPETÊNCIA PERCEPTO-COGNITIVA COMPETÊNCIA SÓCIO EMOCIONAL APTIDÃO FÍSICA Velocidade de membros inferiores Figura 11 - Paradigma de Inteligência Motora em Contexto: resultado da associação entre as competências físico-cinestésica, percepto-cognitiva e sócio-emocional Fonte: Krebs 2000, p.21 apud Tkac 2004, p.216 90 5. CONCLUSÃO 5.1 Conclusão Inicialmente, contemplando o primeiro objetivo específico deste estudo, que foi verificar o nível de desenvolvimento motor de crianças praticantes de futsal entre 8 e 11 anos, da entidade SESC Paraná, (bairro portão) da cidade de Curitiba, pôde-se constatar que o desenvolvimento motor das crianças, encontrou-se bem acima do valor mediano da idade cronológica. Com esse fato, fica explicado de maneira resumida que as crianças deste estudo estão com um desenvolvimento motor alto. Para as variáveis motricidade fina e motricidade global, pôde-se considerar um desenvolvimento também elevado, o que era esperado pelas circunstâncias de vida das crianças, ainda que não verificadas, mas, que podem ser levadas em consideração, acreditando que elas não têm nenhum tipo de necessidade especial, que brincam, fazendo atividades que estimulam o seu desenvolvimento. Para o quesito equilíbrio, as crianças apresentaram um nível elevado de desenvolvimento, o que leva a crer que estão, além de realizando a atividade de desporto coletivo, sendo estimuladas a fazerem outras atividades que aumentaram ainda mais o equilíbrio do corpo em posições estáticas e em movimento. Esses fatores não foram controlados nesta pesquisa, mais podem gerar novas idéias deste ponto em diante. O esquema corporal dos sujeitos ficou muito longe da mediana da idade cronológica. É importante considerar que o esquema corporal na idade das crianças deste estudo, teoricamente estaria formado, e que a partir de determinado tempo, o que é realmente desenvolvido são o controle e a velocidade dos movimentos do corpo. A organização de tempo e de espaço são outros componentes, que para esses sujeitos, estão desenvolvidos, e que vão continuar em uma constante fase de crescimento até o final da vida. Para as situações de defesa, apesar dos valores discrepantes das freqüências, permite considerar que, as crianças conhecem os princípios 91 operacionais de defesa, e sabem pelo menos na teoria, que devem fazer marcações básicas homem a homem, que devem realizar o princípio da contenção, não deixando que os atacantes progridam com a bola em direção ao gol e que se sozinhas no campo de defesa, devem atrapalhar o atacante para que esta possa ser recomposta, o mais rápido possível. Nas situações de ataque, os níveis de inteligência percepto cognitiva, também não foram baixos e nem altos, devido também a marcações de respostas distintas das crianças. Na teoria, também é possível verificar que elas conhecem os princípios operacionais de ataque, que devem se movimentar em espaços vazios, enganar o marcador, desenvolver linhas de passe, se infiltrar no meio de seus oponentes e etc. Atividades de cunho psicomotor e atividades locomotoras, manipulativas e estabilizadoras, como classificam alguns autores da área do desenvolvimento motor, podem estar sendo realizadas com esses sujeitos, o que também pode ter relação direta com o nível de desenvolvimento elevado. Uma curiosidade que o estudo deixou é a questão da correlação negativa do esquema corporal e situação de ataque1, um fato que não era esperado, pois se partiu do princípio de que, as crianças com maiores escores de conhecimento do corpo, poderiam ter níveis de inteligência tática elevados, o que não se confirmou. Para a explicação desse fato, a tarefa que o teste de esquema corporal envolve tem que ser analisada. Seste sentido, as crianças podem não obter grande escores em testes que elas nunca viram, e não ter um desempenho alto em tarefas que estão praticando pela primeira vez. 5.2 Considerações De fato o desenvolvimento motor é um fenômeno que deve ser estudado com mais cuidado. O presente estudo constatou que apenas verificar o desenvolvimento em um determinado ponto não é o suficiente para que se possam verificar correlações, pois parafraseando Gallahue, o desenvolvimento humano ocorre em todos os dias, assim como transformações nos corpos e mentes. A contextualização dos ambientes que a criança vive é também de fundamental importância para que as pesquisas com seres humanos possam ser de maior confiabilidade. 92 5.3 Recomendações O tempo de prática na modalidade, os métodos de ensino, o conhecimento que essas crianças já possuem, desde a primeira infância, recebendo estímulos dos pais, são fatores que despertaram curiosidade do pesquisador, e que não foram estudados nessa pesquisa até pelo fator tempo de realização, no entanto, para futuros estudos, estes aspectos podem ser considerados. Aqui fica a recomendação que novas pesquisas sejam feitas, envolvendo mais variáveis, tanto de desenvolvimento motor como de desempenho motor, em idades menores e maiores que as do estudo. Variáveis de contexto propostas por Krebs, seriam interessantes de serem estudas, pois trabalhos posteriores seriam mais bem interpretados e ficariam mais completos, podendo-se assim tirar maiores conclusões. O número de participantes também é um fator que pode deve ser consuderado, assim como mudança de região avaliada (geograficamente), outras culturas, povos, etnias, etc. Estudar as variáveis citadas com o passar dos anos, seria uma hipótese interessante, podendo vir a gerar estudos de pós-graduação, mestrado e até teses de doutoramento. 93 REFERÊNCIAS ANDERSON, Mike. Intelligence and development: a cognitive theory. Oxford, British Library, 1992. ANTUNES, C. A Teoria das Inteligências Libertadoras. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. 126 p. BARROS, V. G. M; REIS, R. S. Análise de dados em atividade física e saúde: demonstrando a utilização do SPSS. Londrina: Midiograf, 2003. 216 p. BAYER, C. O ensino dos desportos coletivos. Lisboa: Dinalivro, 1994. Tradução de Machado da Costa. BEE, H. A Criança em desenvolvimento. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2003. BELTRAME, T. S. 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Sendo assim, vimos por meio deste verificar a possibilidade de seu filho (a) de participar desta pesquisa que será realizada da seguinte forma: Para a realização deste projeto de pesquisa, seu filho (a) participará de uma coleta de dados, realizando os testes da bateria de testes E.D.M. (Escala de Desenvolvimento Motor). Esta bateria foi desenvolvida para aplicação em crianças entre 02 anos a 11 anos de idade, e consiste em um conjunto de provas muito diversificadas e de dificuldade graduada, conduzindo a uma exploração minuciosa de diferentes setores de desenvolvimento. A aplicação em um sujeito permite avaliar seu nível de desenvolvimento motor, considerando êxitos e fracassos, levando em conta as normas estabelecidas pelo autor Professor Dr. Francisco Rosa Neto. Esta bateria de testes relaciona a idade cronológica com a idade motora, avaliando seu filho em provas como citado já acima, muito simples, como pular sobre um barbante, chutar umas caixa de fósforo, arremessar uma bola em um alvo, olhar com um dos olhos com um canudo, dar batidas em uma mesa com cubos de madeira, saltar do chão para uma cadeira, imitar figuras, entre outros. Não existe qualquer tipo de risco, desconforto ou exposição de seu filho (a), porque os testes serão realizados por professores e alunos, sob a supervisão dos mesmos, do curso de Educação Física da Universidade Católica do 101 Paraná PUCPR. Lembramos também que, mesmo aceitando participar da pesquisa, o seu filho (a) poderá abandonar os procedimentos a qualquer momento. Esta pesquisa é para trabalho de conclusão de curso, junto ao Departamento de Educação Física da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, e têm como objetivo verificar o desenvolvimento motor e o nível de inteligência tática de crianças com idade entre 9 e 11 anos, da SEMEL de São José dos Pinhais e do SESC Portão, Curitiba, e verificar se há relação entre as variáveis do desenvolvimento motor (percepção de tempo/espaço, coordenação grossa e fina, etc.) e a inteligência tática do futsal. Todo o material e informações obtidas relacionadas a seu filho (a) poderão ser publicados em aulas, congressos, palestras ou periódicos científicos. PORÉM, o nome de seu filho e o da Instituição não serão de forma alguma identificados em qualquer uma das vias de publicação ou uso. Os dados ficarão sob a propriedade dos responsáveis da pesquisa e, sob a guarda do mesmo. Os Resultados desta pesquisa serão passados para a instituição, pais e crianças, com fim de que adquiram um melhor conhecimento do desenvolvimento de seu filho. Seu filho (a) não receberá nenhuma remuneração para participar da pesquisa, assim como, nada precisará ser pago para a realização da mesma. Colocamos-nos a inteira disposição do senhor (a) para eventuais dúvidas. Claudio Marcelo Tkac – RG: 3877789-0 [email protected] fone: 9962 – 2183 Dênis de Lima Greboggy – RG: 8525958-0 [email protected] fone: 9633 - 0754 102 TERMO DE CONSENTIMENTO Eu, ___________________________________________________________ portador do RG:____________________________________________ pai/responsável autorizo, meu filho(a)______________________________________________________________ ___ a participar dos procedimentos de coleta de dados para a realização da pesquisa acima relatada e concordo com os termos propostos. Curitiba ____/____/____ Testemunha Testemunha 103 ANEXOS 104 ANEXO A - Matriz analítica para a construção do instrumento para a identificação da competência percepto-cognitiva em ações táticas do futebol (TKAC, 2004, p.240). OBJETIVO VARIÁVEIS Identificar o problema a ser resolvido DIMENSÕES Conhecimento Compreensão Aplicação Identificar o nível de competência percepto cognitiva de crianças e Elaborar a solução jovens em situações mais eficiente de defesa e ataque do futebol Análise Síntese Executar eficazmente a solução Avaliação FATORES INDICADORES Reconhecer os adversários; Reconhecer, recordar, Situações já identificar, definir. vivenciadas; Tipo de jogada; Possibilidades. Traduzir, interpretar, resumir, Posição dos jogadores; ilustrar, representar. Minha posição; Atacar; Utilizar, generalizar, relacionar, Defender; empregar, transferir Ficar parado. Número de atacantes Classificar, identificar ou defensores; elementos, detectar partes, Quem esta com a distinguir, discriminar, separar posse de bola; em partes, extrair relações. Intenção da jogada. Desenhar, integrar, propor, Tipos de defesa; planejar, produzir, originar, Tipos de ataque; desenvolver, combinar, Deslocamento estruturar Julgar, decidir, comparar com um padrão, avaliar, arguir, validar, apreciar Ficar parado; Ir para frente; Retroceder; Interceptar; Dar suporte; Interferir. QUESTÕES GERADORAS Qual o tipo de jogada? OPÇÕES Tentaria retardar a ação ofensiva para esperar que os companheiros de equipe voltem; Qual a intenção dos adversários? Iria de encontro ao atacante para tentar roubar a bola; O que posso fazer? Tentaria dificultar o passe entre os atacantes; Como posso fazer? Tentaria interceptar o passe entre os atacantes; Quais as minhas opções? Ajudaria o goleiro; Iria atrás da Ficaria parado; Qual a minha escolha? bola; Me deslocaria em diagonal/para frente/para trás/direita/esquerda; posicionaria Me estrategicamente. 105 ANEXO B - Instrumento para avaliação de competência percepto-cognitiva em ações táticas do futebol (TKAC, 2004, p.233). AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIA PERCEPTO COGNITIVA EM AÇÕES TÁTICAS DO FUTEBOL Objetivo Este instrumento tem como objetivo avaliar o nível de percepção de praticantes de futebol no âmbito do Esporte Escolar, sobre ações táticas de ataque e defesa. Execução Os avaliados receberão uma explicação sobre o funcionamento do instrumento e os formulários com a, representação gráfica, descrição da jogada, situação problema e opções de resposta. Forma de preenchimento Após a avaliação doas respostas cada avaliado assinalará apenas uma opção, aquela que, para o avaliado, corresponder a mais eficiente. Análise da jogada A jogada deve ser analisada exatamente no momento em que se apresenta, sem levar em consideração possíveis seqüências. NOME:_________________________________________________________ 106 SITUAÇÕES DE DEFESA 107 1 3 2 DESCRIÇÃO DA JOGADA O atacante 1 está com a posse de bola e está se dirigindo para a linha do gol, pela esquerda. SITUAÇÃO PROBLEMA Se você fosse o jogador 3 qual seria, na sua opinião, sua ação defensiva mais eficiente nesta situação: OPÇÕES DE RESPOSTA Opção A Esperaria o jogador 1 e tentaria retardar a sua ação ofensiva para esperar que os companheiros de equipe retornem. Opção B Iria de encontro ao jogador 1 para tentar roubar a bola. Opção C Tentaria dificultar o passe do jogador 1 para o jogador 2. Opção D Tentaria o interceptar o passe do jogador 1 para o 2. Opção E Voltaria e tentaria ajudar o goleiro a defender o chute do jogador 2. 108 1 3 2 DESCRIÇÃO DA JOGADA O atacante 1 passou a bola para o atacante 2, que está com a posse de bola e está se dirigindo para tentar marcar gol. SITUAÇÃO PROBLEMA Se você fosse o jogador 3 qual seria, na sua opinião, sua ação defensiva mais eficiente na situação a seguir: OPÇÕES DE RESPOSTA Opção A Iria atrás da bola que foi passada Opção B Tentaria roubar a bola do atacante 2 Opção C Continuaria marcando o atacante 1. Opção D Correia para a linha do gol para ajudar o goleiro. Opção E Ficaria esperando o rebote do chute do atacante 2. 109 SITUAÇÕES DE ATAQUE 110 1 5 2 4 3 DESCRIÇÃO DA JOGADA O atacante 1 está com a posse de bola e indo para a pequena área. SITUAÇÃO PROBLEMA Se você fosse o jogador 2 qual seria, na sua opinião, sua ação ofensiva eficiente nesta situação: OPÇÕES DE RESPOSTA Opção A Ficaria parado Opção B Correria em uma diagonal entre os jogadores 1 e 5 Opção C Correria para a esquerda por trás do jogador 1 Opção D Correria para a frente entre os jogadores 4 e 5 Opção E Correria para a direita por trás do jogador 3 mais 111 4 1 2 5 3 DESCRIÇÃO DA JOGADA O atacante 3 está com a posse de bola e indo em direção ao gol SITUAÇÃO PROBLEMA Se você fosse o jogador 2 qual seria, na sua opinião, sua ação ofensiva eficiente na nesta situação: OPÇÕES DE RESPOSTA Opção A Correria por trás do atacante 3 Opção B Correria para frente e me posicionaria no espaço vazio ao lado do jogador 4 Opção C Voltaria para tabela com o jogador 3 Opção D Ficaria parado. Opção E Correria para a esquerda, para dentro da área para receber um cruzamento. mais 112 ANEXO C - Atribuição de graus de eficiência pelos especialistas para a situação de defesa 1. Legenda: Técnicos de futebol de campo e salão em equipes profissionais de nível nacional Técnicos de equipes amadoras de futebol de campo Técnicos de equipes universitárias de futebol de campo Professores de escolinhas de futebol de salão e campo Professor da disciplina de futebol no curso de Educação Física Ex-árbitro da liga profissional de futebol de campo AVALIADORES OPÇÕES Opção A Opção B Opção C Opção D Opção E 1 1 3 2 4 5 2 2 3 1 4 5 3 2 4 1 3 5 4 4 3 2 1 5 5 3 2 1 4 5 6 4 3 1 2 5 7 4 2 1 3 5 8 4 2 1 3 5 9 2 4 1 3 5 10 1 5 2 3 3 11 1 3 2 4 5 12 1 3 2 4 5 13 2 1 4 3 5 14 2 3 1 4 5 15 1 5 2 3 4 SOMA 34 46 24 47 72 MÉDIA 2,26 3,06 1,6 3,13 4,8 FREQUÊNCIA GRAU DE EFICIÊNCIA VALOR 1 5 1 1 1 8 1 1 1 0 2 5 2 3 2 6 2 1 2 0 3 1 3 7 3 0 3 6 3 1 4 4 4 2 4 1 4 6 4 1 5 0 5 2 5 0 5 0 5 13 2 3 1 4 5 9 7 11 5 3 113 ANEXO D - Atribuição de graus de eficiência pelos especialistas para a situação de defesa 2. Legenda: Técnicos de futebol de campo e salão em equipes profissionais de nível nacional Técnicos de equipes amadoras de futebol de campo Técnicos de equipes universitárias de futebol de campo Professores de escolinhas de futebol de salão e campo Professor da disciplina de futebol no curso de Educação Física Ex-árbitro da liga profissional de futebol de campo AVALIADORES OPÇÕES Opção A Opção B Opção C Opção D Opção E 1 2 3 1 5 4 2 2 1 3 5 4 3 2 3 1 5 4 4 4 3 2 1 5 5 3 2 1 4 5 6 3 2 1 5 4 7 1 2 5 3 4 8 2 1 5 3 4 9 3 1 2 5 4 10 4 5 2 3 1 11 2 3 1 4 5 12 2 3 4 5 1 13 4 5 3 1 2 14 3 2 1 4 5 15 3 5 2 1 4 SOMA 40 41 34 54 56 MÉDIA 2,66 2,73 2,26 3,6 3,73 FREQUÊNCIA GRAU DE EFICIÊNCIA VALOR 1 1 1 3 1 6 1 3 1 2 2 6 2 4 2 4 2 0 2 1 3 5 3 5 3 2 3 3 3 0 4 3 4 0 4 1 4 3 4 8 5 0 5 3 5 2 5 6 5 4 2 3 1 5 4 9 7 11 3 5 114 ANEXO E - Atribuição de graus de eficiência pelos especialistas para a situação de ataque 1. Legenda: Técnicos de futebol de campo e salão em equipes profissionais de nível nacional Técnicos de equipes amadoras de futebol de campo Técnicos de equipes universitárias de futebol de campo Professores de escolinhas de futebol de salão e campo Professor da disciplina de futebol no curso de Educação Física Ex-árbitro da liga profissional de futebol de campo AVALIADORES OPÇÕES Opção A Opção B Opção C Opção D Opção E 1 3 5 2 1 4 2 3 5 1 2 4 3 3 5 1 2 4 4 4 3 1 2 5 5 3 2 1 5 4 6 3 5 1 2 4 7 5 1 2 4 3 8 1 2 3 5 4 9 4 1 5 3 2 10 4 3 1 2 5 11 3 5 1 2 4 12 3 5 1 2 4 13 5 4 2 1 3 14 4 3 1 2 5 15 4 5 1 2 3 SOMA 52 54 24 37 58 MÉDIA 3,46 3,6 1,6 2,46 3,86 FREQUÊNCIA GRAU DE EFICIÊNCIA VALOR 1 1 1 2 1 10 1 2 1 0 2 0 2 2 2 3 2 9 2 1 3 7 3 3 3 1 3 1 3 3 4 5 4 1 4 0 4 1 4 8 5 2 5 7 5 1 5 2 5 3 3 5 1 2 4 7 3 11 9 5 115 ANEXO F - Atribuição de graus de eficiência pelos especialistas para a situação de ataque 2. Legenda: Técnicos de futebol de campo e salão em equipes profissionais de nível nacional Técnicos de equipes amadoras de futebol de campo Técnicos de equipes universitárias de futebol de campo Professores de escolinhas de futebol de salão e campo Professor da disciplina de futebol no curso de Educação Física Ex-árbitro da liga profissional de futebol de campo AVALIADORES OPÇÕES Opção A Opção B Opção C Opção D Opção E 1 4 2 3 5 1 2 4 1 2 5 3 3 4 1 2 5 3 4 4 1 2 3 5 5 5 2 1 4 3 6 3 1 3 4 2 7 4 1 5 3 2 8 4 1 3 5 2 9 2 1 3 4 5 10 5 1 2 4 3 11 5 1 2 4 3 12 4 3 2 5 1 13 4 1 3 5 2 14 3 1 2 5 3 15 4 1 2 5 3 SOMA 59 19 37 66 41 MÉDIA 3,93 1,26 2,46 4,4 2,73 FREQUÊNCIA GRAU DE EFICIÊNCIA VALOR 1 0 1 12 1 1 1 0 1 2 2 1 2 2 2 8 2 0 2 4 3 2 3 1 3 5 3 2 3 7 4 9 4 0 4 0 4 5 4 0 5 3 5 0 5 1 5 8 5 2 4 1 2 5 3 5 11 9 3 7 116 ANEXO G - Atribuição de graus de eficiência por especialistas para as opções do instrumento de avaliação de competência percepto-cognitiva em ações táticas do futebol (TKAC, 2004, p.241). Após a construção do instrumento de avaliação de competência percepto-cognitiva em ações táticas do futebol, 15 especialistas realizaram um escalonamento das 5 opções de resposta em cada uma das situações propostas pelo instrumento. Depois das respostas dos especialistas, todas as atribuições dos mesmos foram distribuídas em tabelas (2, 3, 4 e 5) com separação dos especialistas de acordo com sua função, conforme tabela abaixo: Localização e função dos especialistas LOCALIZAÇÃO DOS ESPECIALISTAS NAS TABELAS 2, 3, 4 e 5 FUNÇÃO N Técnicos de futebol de campo e salão em equipes profissionais de nível nacional. Técnicos de equipes amadoras de futebol de campo. Técnicos de equipes universitárias de futebol de campo. Professores de escolinhas de futebol de salão e campo. Professor da disciplina de futebol no curso de Educação Física. Ex-árbitro da liga profissional de futebol de campo TOTAL 5 NÚMEROS: De 1 a 5 De 6 a 8 9 e 10 De 11 a 13 14 15 3 2 3 1 1 15