Capítulo 12 – Meio Ambiente e Planejamento 1. TRADO MECANIZADO: FERRAMENTA DE PESQUISA MINERAL DE BAIXO IMPACTO NO AMBIENTE NATURAL . 918 2. CARTAS DE SENSIBILIDADE AMBIENTAL À DERRAME DE ÓLEO PARA A ILHA DE CARATATEUA ....................... 921 3. MINERAÇÃO E O ESTIGMA DE GRAN-VILÃ AMBIENTAL: MITOS E VERDADES ........................................................... 925 4. AÇÃO EMERGENCIAL PARA DELIMITAÇÃO DE ÁREAS DE ALTO E MUITO ALTO RISCO A ENCHENTES E MOVIMENTOS DE MASSA NO MUNICÍPIO DE MANACAPURU (AM) ................................................................................. 929 5. THE IMPACT OF THE SMALL – SCALE GOLD MINING NEAR THE BROWNSWEG VILLAGE, DISTRICT OF BROKOPONDO – SURINAME ...................................................................................................................................................... 932 6. IDENTIFICACÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS PELA PRODUÇÃO DE CERÂMICA VERMELHA, UM ESTUDO DE CASO BRAGANÇA-PA ........................................................................................................................................................... 936 7. DEGRADAÇÃO E PERCEPÇÃO AMBIENTAL NA APA DE ALGODOAL – MAIANDEUA .................................................. 939 8. ESTUDO AMBIENTAL DO LIXÃO URBANO DA CIDADE DE BRAGANÇA (PARÁ) APLICANDO O RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) .................................................................................................................................................. 942 9. CRESCIMENTO DESORDENADO E ÁREAS DE RISCO EM IRANDUBA-AM ....................................................................... 945 10. MAPEAMENTO DA INTRUSÃO SALINA E INTERFACE DE INTERAÇÃO ÁGUA DOCE/SALGADA A PARTIR DE MÉTODOS GEOFISICOS, REGIÃO COSTEIRA BRAGANTINA (BRAGANÇA-PA) ............................................................... 949 11. A ENCHENTE DO RIO NEGRO NA CIDADE DE MANAUS NO ANO DE 2012 – UMA AVALIAÇÃO PRELIMINAR ........ 952 12. SUBSÍDIO PARA ELABORAÇÃO DE EIA/RIMA PARA ÁREA DE EXTRAÇÃO DE ARGILA A PARTIR DA CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA NA PLANÍCIE DE INUNDAÇÃO DO RIO ITACAIÚNAS EM MARABÁ-PA............... 956 13. CONSIDERAÇÕES VOLTADAS AO CONTROLE DOS PROCESSOS EROSIVOS NA BACIA DO ALTO CURSO DO RIO CABAÇAL EM MATO GROSSO ................................................................................................................................................... 960 14. A PROBLEMÁTICA DAS ÁREAS DE RISCO EM BOA VISTA-RR: ALAGAMENTO DO BAIRRO CAÇARI ...................... 963 15. MAPA DE INUNDAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO URBANO – ESTUDO DE CASO NA SEDE URBANA DE SANTARÉM.............................................................................................................................................................................. 967 16. SENSIBILIDADE AMBIENTAL DAS PRAIAS DE VILA DO CONDE, ITUPANEMA E CARIPI (BARCARENA/PARÁ) ..... 971 17. MAPEAMENTO DAS ÁREAS DE RISCO DOS RECURSOS HÍDRICOS URBANOS DE BOA VISTA-RR- ESTUDO DE CASO: BAIRRO PARAVIANA .................................................................................................................................................................. 975 18. ANÁLISE DA PERMEABILIDADE DO SOLO PARA OBTENÇÃO DE LICENÇA PRÉVIA PARA UM LOTEAMENTO EM MARABÁ-PA .................................................................................................................................................................................. 978 19. EXPANSÃO TERRITORIAL E EXTRAÇÃO DE ARGILA PARA USO NA CONSTRUÇÃO CIVIL NO BAIRRO SÃO FELIX, REGIÃO METROPOLITANA DE MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ........................................................................................... 982 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 TRADO MECANIZADO: FERRAMENTA DE PESQUISA MINERAL DE BAIXO IMPACTO NO AMBIENTE NATURAL Ana Paula Everdosa dos Santos¹, Aldo Antonietto Júnior². Mineração Paragominas S.A¹, Norsk Hydro Brasil². INTRODUÇÃO A pesquisa mineral é a etapa de trabalhos que, se lograr resultados positivos, poderá resultar na implantação de uma mina. Compreende atividades de mapeamento geológico, coleta e seleção de amostras, análises químicas e físicas para caracterização do minério. A análise integrada das informações obtidas permite quantificar recursos e avaliar a viabilidade econômica de implantar uma mina. Adotar estes procedimentos antes de realizar a extração de minérios evita alterar a paisagem e causar impactos ambientais significativos em áreas sem potencial mineral e se seleciona áreas propícias à extração. Existem inúmeras técnicas para realizar a coleta de amostras minerais. No caso da pesquisa de bauxita, verifica-se que o uso de trado mecanizado permite a obtenção de dados confiáveis (margem de erro aceitável) e baixa intervenção no ambiente natural, uma vez que o acesso às áreas de interesse requer picadas de não mais que um metro de largura para o deslocamento das equipes, sem necessidade de intervir na vegetação com DAP (diâmetro a altura do peito) maior que 10 cm. Praças de 4x4m são suficientes para a execução da sondagem. A Lei Estadual Nº7389 de 2010 delibera o porte, o potencial poluidor e a magnitude dos impactos ambientais como critérios para definição das atividades de impacto no Estado do Pará e lista as mesmas. Por suas características e implicações, a sondagem a trado se enquadra como atividade de impacto ambiental local. METODOLOGIA Este item objetiva apresentar a metodologia e os critérios utilizados para identificar e avaliar impactos ambientais associados à atividade de pesquisa mineral, os quais permitem determinar a significância ao meio ambiente e definir ações para prevenção e controle dos impactos e treinamentos para a equipe envolvida na operação. A pesquisa mineral inclui etapas de seleção de alvos e detalhamento destes através de sondagem, trabalhos estes que envolvem serviços de topografia, abertura de picadas e abertura de praças. Por definição, impacto ambiental é qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte alteração, no todo ou em parte, dos aspectos ambientais da Atividade/ Organização. Já aspecto ambiental é elemento das atividades ou produtos ou serviços de uma Organização que pode interagir com o meio ambiente (ABNT NBR ISO 14001:2004). A avaliação da importância dos impactos ambientais é determinada pela multiplicação da magnitude (M) do impacto pela frequência (F) do aspecto. A magnitude (M) apresenta a severidade do impacto sobre o meio ambiente, considerando ainda sua reversibilidade e seus potenciais impactos sobre os negócios do empresa. A Tabela 1 explicita os critérios para definição das faixas de magnitude. Tabela 1 – Critérios para a definição das faixas de magnitude. Magnitude Baixa Média Alta Critério Impacto irrelevante ou reversível com ações imediatas, restrito à área da atividade/serviço, sem conseqüências ambientais e/ou prejuízo aos negócios da empresa. Impacto relevante ou reversível em médio prazo, restrito à área da atividade/serviço, que não altere significativamente os recursos naturais, cujas ações mitigadoras sejam suportáveis pela unidade/ou sem comprometimento da imagem da empresa. Impacto irreversível alcançando a região onde a atividade está inserida, com graves conseqüências ambientais e para os negócios da empresa, mesmo com ações de mitigação e remediação, e/ou com comprometimento da imagem da empresa. Pontuação 1 2 3 918 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Os critérios para a definição da frequência associada aos aspectos ambientais estão apresentados na tabela 2. Tabela 2 – Critérios para a definição da frequência. Frequência Baixa Média Alta Critério F 1 ocorrência por mês 1 < F 15 ocorrências por mês F > 15 ocorrências por mês Pontuação 1 2 3 A tabela 3 apresenta a matriz de importância dos impactos ambientais resultado da multiplicação a magnitude (M) do impacto pela frequência (F) do aspecto. Tabela 3 – Matriz de Importância F R E Q U Ê N C I A ALTA (3) N (3) S (6) S (9) MÉDIA (2) N (2) S (4) S (6) BAIXA (1) N (1) N (2) S (3) BAIXA (1) MÉDIA (2) MAGNITUDE ALTA (3) Dessa forma são considerados significativos todos os aspectos/impactos ambientais cuja importância seja maior ou igual a 4, ou que tenham magnitude igual a 3. Logicamente, os aspectos e impactos ambientais identificados devem ser controlados, de forma a evitar a ocorrência de desvios em relação à Gestão Ambiental do Empreendimento. RESULTADOS Em relação à Magnitude, os impactos ambientais identificados nas etapas e tarefas da atividade de pesquisa mineral com sondagem a trado são considerados irrelevantes ou reversíveis com ações imediatas, restritos à área da atividade/serviço, sem consequências ambientais significativas. A frequência dos aspectos ambientais é média, visto que, está relacionada à natureza da atividade. Os aspectos ambientais identificados estão relacionados à geração de resíduos e intervenção em área de vegetação que poderiam provocar alteração da paisagem e da qualidade do solo. No entanto, para desenvolvimento das atividades de pesquisa com utilização de trado, a Mineração Paragominas S.A. adota medidas de controle ambiental que incluem seleção e acondicionamento de resíduos, abertura de acessos não necessariamente retilíneos mas com apenas um metro de largura e praças de sondagem de 4x4 metros, sem intervenção em vegetação com DAP maior que 10cm. As praças de sondagem são abertas utilizando-se o mínimo de espaço requerido para a operação e cuidados especiais são adotados no manuseio e estocagem dos derivados de petróleo e após o término, os furos de 15cm de diâmetro são tamponados. A Figura 1 apresenta a sequência das atividades para execução de pesquisa mineral a trado mecanizado. Atribui-se a responsabilidade das ações ambientais aos encarregados da pesquisa geológica, ou seja, aos geólogos e técnicos em atividade, objetivando, durante todo o período de exploração, a prevenção e minimização dos impactos. Os colaboradores são orientados nos diálogos diários a realizar as atividades atendendo aos critérios de Segurança e Meio Ambiente. 919 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figura 1 - Sequência da operação: (1) abertura de acesso; (2) preparação da praça de sondagem; (3) e (4) sondagem a trado; (5) amostras coletadas; e (6) furo tamponado. DISCUSSÃO A utilização do trado mecanizado como ferramenta para execução de atividades de pesquisa mineral de bauxita que vêm sendo desenvolvidas pelas equipes da Mineração Paragominas S.A. resultam em baixa intervenção no ambiente natural. Esse efeito decorre do fato que a atividade está sendo desenvolvida com adoção de medidas de prevenção, mitigação e controle ambiental, simultaneamente aos procedimentos operacionais, de forma a atender os princípios do desenvolvimento sustentável e em harmonia com os demais usos de outros recursos naturais. REFERÊNCIAS ABNT, NBR ISO 14001:2004 - Associação brasileira de Normas Técnicas. Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental (ABNT/CB-38). Disponível em: <http://www.abnt.org.br/ >. Acesso em: 18 jun. 2013. Pará, Lei Estadual Nº7389 de 2010. Define as atividades de impacto ambiental local no Estado do Para, e dá outras providências. 920 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 CARTAS DE SENSIBILIDADE AMBIENTAL À DERRAME DE ÓLEO PARA A ILHA DE CARATATEUA – BELÉM/PARÁ André Matsumura Silva, Universidade do Estado do Pará ([email protected]) Amilcar Carvalho Mendes, Museu Paraense Emílio Goeldi ([email protected]) Nívia Cristina Vieira Rocha, Centro Universitário do Pará ([email protected]) INTRODUÇÃO O Índice de Sensibilidade Ambiental (ISA) representa uma hierarquização da sensibilidade dos vários ambientes costeiros, estuarinos e fluviais, considerando-se a interação do óleo com as comunidades biológicas, as características geomorfológicas e sedimentares dos referidos ambientes, bem como seus aspectos socioeconômicos. (Jensen et al., 1993). As Cartas de Sensibilidade Ambiental a Derrames de Óleo – Cartas SÃO - constituem-se em ferramentas de uso internacional, essenciais e de fonte primária de informações para o planejamento de contingência e implementação de ações de resposta a acidentes com derrame de óleo. Essas cartas permitem identificar ambientes prioritários à proteção e eventuais áreas de sacrifício, possibilitando dirigir corretamente os recursos disponíveis e as equipes de contenção e limpeza (Brasil, 2012). Nesse contexto, destaca-se a Carta SAO elaborada por Gonçalves (2005), referente à margem direita da Baía de Guajará, incluindo, também, a Ilha de Caratatetua e o setor sul da Ilha de Mosqueiro. Entretanto, a escala de mapeamento adotada (1:100.000), não permitiu maior detalhamento dos setores, notadamente aqueles sob forte influência de atividades portuárias. A Ilha de Caratateua constitui um dos oito (08) Distritos Administrativos do Município de Belém, no caso o Distrito de Outeiro – DAOUT. A ilha compõe a margem direita da Baia do Guajará (porção norte da cidade de Belém), abrigando expressivo contingente populacional, sobretudo de baixa renda e exercendo grande apelo turístico e recreacional tanto para a população da ilha, quanto para a população flutuante. Apesar do terminal localizado na ilha (Terminal de Outeiro) ser utilizado predominantemente para o escoamento de granéis sólidos (soja, trigo, cimento e cavacos de madeira), também é utilizado, em menor parcela, para o transporte de derivados de petróleo (granéis líquidos). Somado a isso, a curta distância para o Porto de Belém (38 km) e o Terminal Petroquímico de Miramar (33 km), insere a Ilha de Outeiro na zona de influência de qualquer possível derrame de óleo que venha a ocorrer nas águas da Baía do Guajará. Com o intuito de trazer valiosa contribuição aos planos de contingenciamento a derrames de óleo, o presente estudo apresenta as Cartas SAO em escala de detalhe (1:10.000) para a Ilha de Caratateua (Outeiro), região sob forte influência dos terminais portuários de Belém, do Terminal Petroquímico Nicolau Bentes Gomes (Miramar) e, sobretudo, do Porto de Outeiro. Essa área apresenta expressivo contingente populacional, que utiliza os recursos naturais e as potencialidades turísticas e de lazer, com atividades socioeconômicas potencialmente prejudicadas, caso venha a ocorrer acidentes com derramamento de óleo nas águas que as bordejam. METODOLOGIA A metodologia está baseada na combinação de levantamento de dados bibliográficos e cartográficos pretéritos, aquisição e processamento de imagens multiespectrais GeoEye (obtidas mediante download no Google Earth Professional 7.0.2), trabalhos de campo (abril de 2013), análises laboratoriais (separação e análise granulométrica ), interpretação visual e integração dos dados obtidos em campo utilizando a metodologia de Souza Filho et al. (2004) para classificação dos ambientes e seus respectivos ISA’s e elaboração do layout cartográfico em escalas 1:50.000 e 1:10.000 mediante utilização do software ArcGis, versão 10.1. RESULTADOS E DISCUSSÕES Na margem da Ilha de Caratateua foram identificados 32 segmentos, o que perfaz um total de 30.638 metros. Neste mapeamento os ambientes registrados foram: afloramentos rochosos (1A), estruturas artificiais expostas (1B), falésias (1C), praias de granulometria fina à média (3A), estruturas artificiais abrigadas (8B), planícies de maré lamosa (9B) e várzea (10B). Cabe ressaltar que em alguns setores foram 921 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 registradas pequenas plataformas de abrasão, que não apresentam representação cartográfica na escala de mapeamento adotada neste trabalho. Na tabela 1 encontra-se a caracterização dos ambientes costeiros identificados na ilha, seus respectivos ISA’s e a distribuição espacial. Tabela 1: Caracterização dos ambientes costeiros amazônicos ISA Distribuiçã o Espacial (%) 1A * 1B 0,89 Falésias 1C 8,06 Praias de Granulometr ia Fina à Média 3A 11,58 Estruturas Artificiais Abrigadas 8B 1,68 Ambiente Costeiro Afloramento s Rochosos Estruturas Artificiais Expostas Planícies de Maré Lamosa 9B * Várzea 10 B 77,79 Característica Foram encontrando dois afloramentos rochosos localizados na zona intertidal da porção noroeste (NW) da ilha. Foram identificadas três estruturas artificiais expostas. Uma delas é o próprio Porto de Outeiro (SW), enquanto que as outras são muros de arrimo/contenção, localizados na Praia do Barro Branco. Localizam-se na porção noroeste (NW) da ilha, correspondem a falésias ativas, submetidas à ação erosiva de correntes de maré, ondas e ventos. Duas áreas designadas oficialmente como praias (Praia dos Artistas e Prainha) no mapa turístico de Belém foram classificadas com ISA de falésias (1C), tendo em vista a metodologia empregada, que considera o alcance máximo das marés (preamar). Correspondem às praias localizadas no noroeste (NW) da ilha: do Barro Branco, do Amor, Grande e da Brasília. No que concerne ao parâmetro declividade da face praial, somente a Praia do Barro Branco apresentou valor inferior a 5º, sendo, portanto, a praia que o óleo permaneceria por mais tempo, apesar de todas possuírem um mesmo índice. Correspondem aos treze (13) trapiches de pequeno porte construídos em madeira, que se localizam no Furo do Maguari (NE/SW). Ambiente localizado no extremo nordeste da ilha (NE), perfazendo uma área de abrangência de 7693 m2. Ocorrem associados aos ambientes de várzea, em áreas onde a hidrodinâmica é baixa, propiciando a deposição dos sedimentos finos (lamosos), que não somente dificultam a limpeza em caso de acidente com óleo, como também aumentam o tempo de permanência do óleo no ambiente pela adsorção do mesmo pelas partículas argilosas. É tido como o de maior índice, tendo em vista a dificuldade de limpeza e o tempo de permanência prolongado do óleo, em decorrência da morfologia eminentemente plana, substrato lamoso e baixa hidrodinâmica. Localiza-se desde a faixa sudoeste (SW) até a nordeste (NE). * Não se aplica, uma vez que se encontra fora da faixa litorânea. Para fins de visualização panorâmica dos diferentes ambientes mapeados e seus respectivos ISA´s foi gerada a carta em escala 1:50.000 (Figura 1- A) e, para fins de detalhamento do mapeamento foram elaboradas sete cartas em escala 1:10.000 (Figura 1- B). 922 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figura 1: Carta SAO da Ilha de Caratateua. (A) Visão panorâmica da ilha, em escala de 1:50.000. (B) Setor 2, em escala 1:10.000. A fotointerpretação da imagem possibilitou a identificação de duas faixas de praia localizadas no setor nordeste (NE) da ilha. Contudo, por serem isoladas não possuem atividades recreativas. A granulometria e declividade destas praias não puderam ser caracterizadas, dada à dificuldade de acesso terrestre. 923 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 CONCLUSÕES Os setores identificados como os de maior sensibilidade ambiental a um possível derrame de óleo foram o nordeste (NE) e sudoeste (SW) da ilha, que se apresentam constituídos por ambientes de elevados índices, tais como planícies de maré lamosa (9B) e várzea (10B), sendo este ambiente o de maior representatividade espacial na ilha. Mesmo possuindo elevado índice de sensibilidade ambiental (ISA 10B), um ocasional derramamento de óleo que atingisse o ambiente de várzea causaria basicamente dano ecológico, uma vez que há pouquíssima atividade humana direta nesse ambiente. Por outro lado, em se tratando de dano socioeconômico, apesar do ISA baixo (3A), as praias seriam os ambientes mais afetados, sobretudo a Praia da Brasília (localizada imediatamente à jusante do Terminal de Outeiro) e, portanto, em sua área diretamente afetada. Além disso, as praias da ilha exercem forte atração turística, sendo bastante utilizadas pela população local e flutuante, notadamente de classes sociais mais baixas, desarticulando, caso seja atingida por derrame de óleo, a entrada de um significativo capital a um dos principais segmentos da economia local. A maior escala de representação cartográfica adotada (1:10.000) advinda do uso de imagens de alta resolução (GeoEye), propiciou a redefinição dos ambientes, com a inserção de ISA’s até então não cartografados em estudos anteriores desenvolvidos na área, em decorrência da limitada resolução espacial dos produtos de sensores remotos até então utilizados. AGRADECIMENTOS Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ao Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) pela concessão das bolsas de iniciação científica e ao Projeto “Mapeamento e Elaboração de Cartas de Sensibilidade Ambiental à Derrame de Óleo (Cartas SAO) Para a Bacia da Foz do Amazonas” pela cessão dos dados. REFERÊNCIAS Brasil, Ministério do Meio Ambiente. Mapeamento de Sensibilidade Ambiental ao Óleo da Zona Costeira e Marinha. Disponível em: <http://homolog-w.mma.gov.br>. Acesso em 05 de junho de 2012. Gonçalves, F.D. 2005. Utilização de Dados de Sensores Remotos para o Mapeamento dos Índices de Sensibilidade Ambiental a Derramamento de Óleo na Baía de Guajará, Belém-PA. Faculdade de Geologia, Universidade Federal do Pará, Belém, 161p. Jensen, J.R., Halls, N.J., Michel, J. 1998. A system approach to environmental sensitivity index (ESI) mapping for oil spill contingency planning and response. Photogrammetric Engineering & Remote Sensing. v.64, n.10,p. 1003-1014. Petrobrás, Cenpes, Ama. 2004. Mapa de sensibilidade a derrames de óleo de áreas de influência do terminal de Belém da Transpetro, escala 1:49.752. Souza Filho, P.W.M., Miranda, F.P., Beisl, C.H., Almeida, E.F., Gonçalves, F.D. 2004. Environmental sensitivity mapping for oil spill in the Amazon coast using remote sensing and GIS technology. In: International Geoscience and Remote Sensing Symposium. Ancorage, Alaska, p. 1-6. 924 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 MINERAÇÃO E O ESTIGMA DE GRAN-VILÃ AMBIENTAL: MITOS E VERDADES Antonio Fernando da Silva Rodrigues DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, [email protected] INTRODUÇÃO Com a elaboração deste trabalho propõe-se reeditar o dilema entre correntes <desenvolvimentista> versus <preservasionista>, retomando-se a discussão sobre a complexidade concernente a conflitos socioambientais explícitos ou latentes, concernentes à crise civilizatória, sem desmerecer o âmbito das incertezas e provocar o enfrentamento entre a dualidade de escolhas atuais ou remetidas ao futuro. Nessa perspectiva, ante o agravamento da crise socioambiental, as façanhas urdidas pelas disparidades do movimento ambientalista e a institucionalização das questões ambientais, o estabelecimento da interlocução entre os agentes sociais para uma gestão integrada parece urgente, ratificando um diálogo sobre as divergências epistemológicas em face das catástrofes ambientais mais frequentes e os rumos para o uso de bens naturais escassos e exauríveis. A bibliografia estudada para discutir a sustentabilidade da produção mineral aponta para duas correntes que debatem o tema, caracterizadas de acordo com o ponto central das teses: a dos <recursos fixos> e de <custos oportunidades>. 1. A primeira encara os recursos explorados pela mineração como não-renováveis e passíveis de exaustão; 2. A segunda indica que novas tecnologias suprirão as demandas futuras à medida que os recursos poderão ser extraídos de fontes com menor concentração de minérios; Ambas pressupõem que o Estado poderia interferir incisivamente na questão da internalização dos custos da produção e da recuperação dos impactos ambientais. Legalmente, o Estado instituiu o principio <poluidor-pagador>, que parece não atender efetivamente a demanda degradante. A despeito do tradeoff, admite-se que no discurso sobre <paradigma da sustentabilidade> existe o risco de algumas abordagens acadêmicas apresentarem uma tendência para localizar um lugar ideal de equilíbrio entre sociedade e natureza. FUNDAMENTOS TEÓRICOS Os pensadores sobre as Geociências — estreitamente associados aos mundos acadêmico, político e míneroempresarial — têm os Congressos e Simpósios de Geologia como importantes canais de debate epistemológico, verdadeira arena de convergências e divergências nos processos de construção, falseamento e afirmação de teorias, características das fases pré-paradgmática, paradigmática e pósparadgmática de <Disciplinas Científicas>. A despeito de se reconhecer que o problema central da filosofia da ciência reduz-se em grande parte àquilo que Kals Popper, 1973 (cf. Marques, A., s/d) designa do problema da demarcação, isto é, a tentativa de estabelecer um critério que permita distinguir as teorias científicas da metafísica e/ou da pseudo-ciência — impõe-se com condição sine qua non a uma dada hipótese ascender ao estatuto de teoria científica, que essa hipótese tem de ser falsificável, dado o pressuposto de que o método científico processa-se verificando a verdade do enunciado e até que ponto ela resiste a hipóteses contrárias. Nessa perspectiva da neutralidade da verdade científica — permissa venia àqueles mais identificados com a corrente ambientalista, na medida em que não se ambiciona subestimar, marginalizar ou excluir quaisquer domínios de conhecimento científico ou saber, mas consciente de que não haver <neutralidade de opinião> (técnica , política ou ideológica), haja vista que a escolha do discurso compreende o caráter filosófico do sujeito e que de cada ato psicológico de conhecimento dê origem a perturbações ou inércias, obstáculos epistemológicos, preconceitos ou vícios intelectuais — advoga-se que o que antecede o planejamento do desenvolvimento (sustentável) é o conhecimento de um fato científico, condição fundamental à formatação de um modelo de desenvolvimentos, numa estrutura prévia que lhe dê sentido (o paradigma). 925 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 DEGRADAÇÃO AMBIENTAL PROVOCADA PELA MINERAÇÃO Sob uma perspectiva ambiental — cuja lente gran-angular de análise capta fatores condicionantes da Geodiversidade, Biodiversidade e Sociodiversidade — os métodos de lavra adotados, sob uma perspectiva do conhecimento geocientífico e da excelência técnica da engenharia de minas, apresentamse como elementos fundamentais à análise, à antevisão e à definição de uma série de impactos potenciais sócio-econômicos e ambientais específicos, relacionados à cada método: a – <Lavra a céu aberto>, com prevalência da <lavra seletiva, em tiras> (strip mining) e suas variantes; e b – <Lavra subterrânea> (mina de encosta, mina de plano inclinado e mina o vertical), onde se destaca o método de câmaras e pilares (room and pillar), atualmente com a manutenção dos pilares, por determinação técnica do DNPM. No método <a céu aberto>, o avanço da frente de lavra seletiva do corpo mineralizado, pode implicar no desmonte e movimentação de grandes volumes de estéril/minério, gerando consideráveis áreas de material rochoso descartado, provisórias ou permanentes: a) <bacias de resíduos> (função econômica e/ou tecnológica) ou b) <bacias de rejeito> (descarte). Implicações ambientais de maior ou menor grau: 1. Geomorfologia: supressão vegetal e mudanças no perfil topográfico, causando significativo impacto visual, com alterações nas feições panorâmica e paisagística, e aceleração de processos erosivos; 2. Hidrológica: os recursos hídricos, principalmente os superficiais, podem ser altamente impactados: desvios no sistema de drenagem, aumento da turbidez (sólidos em suspensão) e acidez da água (pH) e assoreamento. Entre os principais agravantes destacam-se eventuais agentes químicos contaminantes e/ou aceleração de processos erosivos nas encostas e material inconsolidado dos rejeitos. Na <lavra subterrânea> os impactos ambientais, ainda que menos visíveis em subsuperfície, não são menos significativos do ponto de vista de eventuais implicações: 1. Geotécnica: subsidência do terreno (afundamento ou colapso da cobertura da câmara); 2. Hidrogeológica: rebaixamento do nível freático (com extinção de fontes naturais e reflexos negativos na rede hidrológica superficial); e 3. Antrópica: ruídos e vibrações (explosões). Ainda que se possa admitir eventual ampliação do leque de impactos ambientais aos meios bióticos e antrópico, pontualmente, estas são as principais implicações que deram origem à locução pejorativa de <gran-vilã ambiental> à atividade de mineração, dissociada de uma perspectiva de sua importância para o desenvolvimento da sociedade moderna, perfeitamente identificada e consagrada pela <História das Civilizações>: 1. Idade da Pedra (Paleolítico e Neolítico); 2. Idade do Bronze (liga Cu-Sn); 3. Idade do Aço (Revolução Industrial); 4. Idade Nuclear (Raio-X); 5. Idade da Computação & Informação (Rede WEB; high-techs: Ta;ETRs) CONSIDERAÇÕES FINAIS De Gran-vilã a aliada ambiental O processo evolutivo do debate epistemológico sobre sustentabilidade impõe, não somente questões relativas à evolução semântica de expressões técnicas, mas verdadeira ruptura do paradigma do conceito, na medida em que a ECO-92 (des)classificou a mineração como atividade insustentável, fundamentada no <Ciclo das Rochas>, fator determinante à formação de jazidas na crosta terrestre, cujo horizonte de tempo converge para milhões/bilhões de anos, renovabilidade ininteligível quando comparada à expectativa de vida do homem (algumas dezenas de anos). Nem todos os preconceitos, dualidades e paradoxos que se instalaram no processo de afirmação do <paradigma da sustentabilidade> nasceram nas disciplinas fronteiriças. Particularmente no pósmoderno, a prevalência do <julgamento midíatico> —com o agravante das assimetrias de conhecimento e informação, alimentando a anemia endêmica do exercício crítico sobre a relação custo/benefício da 926 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 exploração dos recursos ambientais— passa a estigmatizar a mineração como <gran-vilã ambiental>, rótulo bem colado na ECO-92. A despeito da afirmação de que o saber científico é construído por uma contínua superação de teorias ou falseamento de paradigmas, instalou-se na contemporaneidade um certo diacronismo ao discurso crítico, na perspectiva da agregação de sustentabilidade das atividades minerárias. Adverte-se, contudo, para o fato de que a ciência lida com exatidão e inexatidão, com incerteza e riscos de falibilidade e/ou falseabilidade na identificação de causas e efeitos de fenômenos antropogênico (supressão vegetal, chuva ácida), geogênico (terremoto) e cosmogênico (expansão do universo, aquecimento global, elevação dos níveis dos oceanos etc.) Talvez, — guardadas as assimetrias de conhecimento científico e status de saber sistematizado — a grande contribuição para a evolução, não somente semântica mas do conceito de sustentabilidade, seria a investigação articulada sobre diferente correntes de pensamento no que se refere o <estado da arte> da desejável justaposição do verbo agregar-sustentabilidade sócio, econômica e ambiental ao Mineralnegócio (Fig. 01 e 02). 1. Social: IDH-M, melhoria das condições de acesso aos recursos minerais, segurança do trabalho e saúde ocupacional, não ao trabalho infantil e escravo; 2. Econômica: CFEM (royalty), acessibilidade ao crédito, distribuição de renda, preço-justo etc.; 3. Ambiental: custo/benefício, max-explotação pela eficiência tecnológica, descomissionamento de mina e reabilitação de área impactada pela mineração. Mitos e Realidades 1. O processo de construção de indicadores sofre de intensionalidade e direcionalidade; 2. No processo de avaliação não há um único caminho, não existe uma verdade absoluta nas dimensões sócio, econômico e ambiental; 3. Os resultados esperados são aproximações da realidade — existem vários caminhos alternativos (Fig. 03) — muitas das vezes com contornos vagos, por envolver realidades multi-dimensionais, pela complexidade da tarefa; Enfim, não há neutralidade ideológica no discusso, tampouco neutralidade técnica na construção de indicadores e na avaliação das intervenções/impactos, respectivamente. Com efeito, a resposta a um trade-off depende das crenças das pessoas envolvidas na situação, pois estas irão agir em conformidade com os princípios morais e éticos, prevalentes em determinada comunidade, que definem posturas e condutas mais corretas. REFERÊNCIAS Marques, A. A doutrina do falseamento. Disponível em: http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/popper5.htm. Acesso em: 26abril2013. Rodrigues, A.F. S. Indicadores de desenvolvimento sustentável (IDS-Mine): desafios para a mineração na Amazônia. X Simpósio de Geologia da Amazônia. Porto Velho-SBG Núcleo Norte. 2007. Pacerias p/ Sustentabilidade Mudança de Rumo Além da Obrigação Adaptação Resistente Ignorância Total 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Fig. 01 – Gestão ambiental rentável e sustentável do Mineralnegócio. 927 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Fig. 02 – IDM-M: Mineração versus qualidade de vida nos municípios mineradores. Fig. 03 – Impactos teóricos (absoluto e relativo) de áreas mineradas nas macrorregiões brasileiras. 928 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 AÇÃO EMERGENCIAL PARA DELIMITAÇÃO DE ÁREAS DE ALTO E MUITO ALTO RISCO A ENCHENTES E MOVIMENTOS DE MASSA NO MUNICÍPIO DE MANACAPURU (AM) Antonio Gilmar Honorato de Souza & Elton Rodrigo Andretta CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Superintendência Regional de Manaus. INTRODUÇÃO E OBJETIVOS Desastres naturais acontecem em todo o país, como as inundações de Alagoas e Pernambuco em 2010, Santa Catarina em 2011, Acre em 2012 e das chuvas catastróficas ocorridas na região serrana do Rio de Janeiro em janeiro de 2011. Estes eventos acarretaram a perda de milhares de vidas humanas e ultrapassaram todas as expectativas das previsões dos sistemas de alerta existentes. Desta forma o Governo Federal criou um programa de prevenção de desastres naturais, visando minimizar os efeitos desses eventos sobre toda a população. A ocupação de encostas sem nenhum critério técnico ou planejamento bem como a ocupação de fundos de vale são os principais causadores de mortes e de perdas materiais. Visando uma redução das perdas humanas e materiais, o Governo Federal, em ação coordenada pela Casa Civil da Presidência da República e em conjunto com os Ministérios da Integração Nacional, Ministério das Cidades, Ministério de Ciência e Tecnologia, Ministério da Defesa e o Ministério de Minas e Energia firmaram convênios de colaboração mútua para executar em todo o país o diagnóstico e mapeamento das áreas com potencial de risco alto a muito alto. O programa é executado pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM cuja missão é mapear e delimitar os locais de alto e muito alto risco geológico e sugerir ações mitigadoras de desastres naturais. Os mapas resultantes desta ação emergencial serão disponibilizados às defesas civis de cada município e os dados finais irão alimentar o banco de dados do CEMADEN (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), responsável pela emissão de alertas de ocorrência de eventos climáticos de grande magnitude, e do CENAD (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres), ligado ao Ministério da Integração Nacional, que como atribuições, entre outras, o monitoramento, a previsão, prevenção, preparação, mitigação e resposta aos desastres, além de difundir os alertas nos estados e municípios. CONTEXTO GEOLÓGICO-GEOMORFOLÓGICO LOCAL O município de Manacapuru se localiza na porção central do Amazonas, distante 84 quilômetros a sul da capital, cortado pelo rio Solimões, em uma região geologicamente dominada pelos arenitos, siltitos e argilitos amarelo-avermelhados da Formação Álter do Chão, geradas durante o Cretáceo Superior e Paleoceno (entre 55 -100 milhões de anos), coberta por depósitos de terraços fluviais e depósitos recentes. Estas rochas encontram-se intensamente lateritizadas, com crostas lateríticas ferruginosas em transição para lato-solo espesso. O relevo local tem uma configuração fracamente ondulada, caracterizado por morros de vertentes suaves que atingem cota de 100m. A zona urbana do município, localizada na margem esquerda do rio Solimões, que tem uma diferença de cota máxima entre cheia e vazante de 15,73 metros, sendo que em 2012 foi registrado a maior cheia com 20,68 metros, e a maior seca em 1997 chegando a 4,95m. RESULTADOS OBTIDOS As visitas técnicas de campo realizaram-se com membros da Defesa Civil de Manacapuru e identificaram 12 áreas consideradas de risco alto e muito alta associadas principalmente aos movimentos de massas (escorregamentos), sendo 10 áreas na zona urbana. Totalizando 316 moradias e 1348 pessoas em situação de risco. 929 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Na orla da cidade, bairro Centro (MN_SR-01) há um calçadão com muro atirantado, onde parte da obra encontra-se com erosão interna, ficando vazios sobre o calçamento o que gerou o abatimento do mesmo e rachaduras em parte do muro em risco de deslizamento e soterramento de embarcações e pontões fluviais. Nas periferias da sede municipal, principalmente nos bairros União (MN_SR-02), Loteamento Dona Eli (MN_SR-06), Novo Manacá (MN_SR-07 e MN_SR-10), Vila Verde (MN_SR-08) e Centro (MN_SR-09) as casas são construídas próximas a encostas íngremes, com indícios de instabilidade ou históricos de deslizamentos. Geralmente esses locais são caracterizados pela ausência do tratamento de esgoto e água servida lançada diretamente na encosta, bem como despejo de resíduos sólidos, árvores inclinadas, ravinas em evolução, bananeiras, cacimbas e fossas sépticas na encosta. O tipo de moradia no geral é madeira ou mista, embora também existam casas de alvenaria. No bairro Morada do Sol (MN_SR-03), há casas oriundas de ocupação desordenada sobre antigo “lixão” atualmente aterrado, com risco de deslizamento na encosta com 8 metros soterramento das residências situadas na base da encosta. Presença constante de resíduos sólidos exposto na área. Área com nascentes evidenciados por Buritizeiros. Presença de ravinas devido ao precário sistema de drenagem pluvial e lançamento de águas servidas direto na encosta. Predomina casas de madeira com restritas de alvenaria, com rachaduras na fachada. Já houve deslizamento e soterramento no passado em períodos de chuva. O Setor MN_SR-04 na orla do Bairro Terra Preta é o mais afetado pelo fenômeno de “Terras Caídas”, onde o rio Solimões faz a curva e solapa os sedimentos, principalmente durante o período de vazante. Em outubro de 2010, três crianças falecerem devido a um grande deslizamento rotacional, que atingiu algumas casas flutuantes, várias embarcações regionais e canoas. Atualmente na área conhecida como Beco do Boto, há casas na beira de uma encosta íngreme de Terra Firme, com altura de aproximadamente 20m. Na parte baixa é constantemente alagada e apresenta maior potencial de deslizamento por ser constituída de sedimentos inconsolidados argilo-siltoso, com restos de serragem e resíduos sólidos despejados nesses sedimentos. As casas são na maioria de madeira sem sistema de tratamento de esgoto, com água lançada diretamente no igarapé que deságua no rio Solimões ou na encosta. As casas de alvenaria comprometidas apresentam rachaduras. Há também voçoroca instalada. São comuns cortes verticais no talude para instalação das moradias, presença de árvores inclinadas, bananeiras na encosta e fossas sépticas no alto da encosta. A Ilha do Açu (município de Manaquiri), na margem direita do rio Solimões (MN_SR-11) e zona rural, é afetada intensamente pelo fenômeno de “Terras Caídas”, aonde mais de 50 famílias foram atingidas nos últimos anos, devido à queda das casas, rede elétrica e ruas destruídas pelo fenômeno, que segundo relato de moradores causou a erosão de mais de 1000 metros de terras obrigando-os a abandonarem a localidade. Na ilha restam somente duas casas com 7 pessoas, cultivando malva. A ilha é constituída por sedimento argilo-siltoso com areia fina de depósitos recentes associados a meandro abandonado. Na Costa do Laranjal (MN_SR-12) observa-se cicatriz de deslizamento planar e queda de barranco (blocos de solo) que atingiu o solo de alteração e os litotipos da formação Álter do Chão, deixando o talude praticamente na vertical com o coluvião na base. Moradias, rede elétrica e estrada de acesso na parte superior com risco de deslizamento. Algumas casas e flutuantes na parte inferior com risco de soterramento, podendo ser atingidas pelos sedimentos ou pela onda criada por ele. Segundo moradores esses eventos ocorrem normalmente junto com a cheia do rio. SUGESTÕES Maior controle da ocupação das encostas e fundo de vale, promovendo a recuperação da mata local ou estabelecendo projetos para novos usos dessas áreas, de acordo com as características ambientais da região; Campanhas de educação ambiental para a população, promovendo o entendimento dos prejuízos causados pelo descarte irregular e o acúmulo de lixo nas drenagens; Campanhas de sensibilização da população para apoiar a Defesa Civil nos momentos de emergência, entendendo a necessidade de evacuações imediatas ou permanentes. Palestras em igrejas, praças e escolas, bem como distribuição de cartilhas e sessões de vídeos com situações de emergência podem colaborar para o entendimento; 930 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Vistorias efetivas e periódicas por profissionais da área de engenharia e/ou geotecnia, com realização de obras adequadas e dimensionadas para o município; Ressalta-se também a importância da elaboração de Plano Municipal de Redução de Risco, visando o planejamento de ocupação urbana de forma adequada. REFERENCIAS Carvalho, C. S. & Galvão, T. G. 2006. Prevenção de Riscos de Deslizamentos em Encostas: Guia paraElaboração de Políticas Municipais. Brasília: Ministério das Cidades; Cities Alliance, 2006. 931 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 THE IMPACT OF THE SMALL – SCALE GOLD MINING NEAR THE BROWNSWEG VILLAGE, DISTRICT OF BROKOPONDO – SURINAME Binda Amiet1; Jagdew Monique1; Goenopawiro Kenneth2 1 - Geology student of the Anton de Kom University of Suriname, Faculty of Technology- Department of Geology & Mining ([email protected]) ; ([email protected]) 2 - Geologist/ Lecturer of the Anton de Kom University; Faculty of Technology ([email protected]) INTRODUCTION District Brokopondo has 8340 inhabitants of which approximately 5000 lives in the Brownsweg village (Censuss 2010), most of these people are maroons where the life skills depends on the agriculture and fishery. With the “BOOM” of Gold fever these peoples switched over to the Small-Scale Gold Mining. We have done our study in this area to report the impact of the Small-Scale Gold Mining on the village. REGIONAL GEOLOGY OF SURINAME Suriname is a small independent country in South America, situated on the Guiana Shield (Fig.1). Suriname we can classify geologically in the Coastal plain (20%) and Guyana shield (80%). The coastal plain consists mainly of young sediments while the shield consists of hard rocks. The hard rocks of the Guiana Shield consist of metasediments and metavolcanics, a part of this is known as the Greenstone Belt. The Greenstone Belt is geologically characterized by the reserves of gold which is most commonly found in fractures and rocks. (Reference Geological and Mining Services of the Government (GMD)-1972Geological map of Suriname. Uitgave Centraal Bureau Luchtkartering – 6edruk) Coastal plain Study Area Guyana shield Figure 1 -Geological map of Suriname. METHODS AND TECHNIQUES The collection of information consists of: Fieldwork (describing the used mining method); Interview of the miners; collected photo material; literature study. 932 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 SMALL-SCALE GOLD MINING General information The small-scale gold mining is a system to extract gold using simple tools. In the early 20th century of the “gold rush” simple tools were used such as: longtom, sluice box, batea (pan). Nowadays, with the advanced technology and the increasing gold price the miners uses water pump, water pipes, retort, excavators and crushers (Fig. 2). OPERATION OF THE SYSTEM This system of mining is a 'suction and spray system'. The ore material in which gold is present is loosed by water and a water pump so that a "slurry" is created. This slurry with another suction pump is sucked and transported via pipes to the sluice box. The sluice box is prepared under a favorable angle between 30 º - 45º so that the slurry can flow in a downwards slope. The slurry is made up of sediments that also contain parts of gold. Gold has a higher density than the other sediments so that it settles down during the flow and is captured by the vinyl mat, on the bottom of the sluice box. The rest of the material that is not collected in the mats of the sluice box, streams out of the sluice box and is dumped. When the mats get filled up with sediments and gold particles, they get cleaned. The gold particles with heavy sands are then separated from each other by using mercury (gold amalgam). Finally, the gold amalgam is burned to keep only gold while the mercury evaporates. This system has both positive and negative influences on the community of Suriname. Some of the positive influences of small- scale gold mining is that, each year an average of 17,000 kg of gold is produced, that means economic strengthening of the country and employment Sluice box Water pipes Water pump Suction hole Mine pit and slurry Figure 2 - Small scale gold mining. SOME OF THE IMPACTS ARE Irresponsible deforestation widely To start with mining activities the forest must first be cleared. All the trees are cut down and just put on the side and even burned in most cases. Even the humus layer is removed and thrown away. During deforestation the flora and the fauna are disturbed. This implies that they are not thinking of protecting the animals, plants and environment. The trees have an important function because their roots hold the soil in place so that it is not washed away (desertification). If it does, then there is soil erosion. The removal of trees can have the consequence that there is less oxygen. During this process the ecological system is disturbed. (Fig.3). 933 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figure 3- Deforestation widely on a riverbed using for the mining. THE EFFECT OF MERCURY ON THE ENVIRONMENT Water pollution - Water pollution include discharge of the remaining slurry (turbit water) in the creeks. Mercury that is used in the mining pits and sluice box to bind the gold, ends up with the remaining slurry in the creeks as well. The creek water is used by the villagers for drinking, fishing and to wash. Once in the environment, mercury can be converted to the highly toxic methyl mercury. (Fig. 4) Soil Contamination - By the use of mercury it ends up together with water in the soil. When there is an abundance of mercury it can pollute the groundwater and is also absorbed by plants and animals. (Fig. 4) Air pollution - Air pollution includes burning of mercury in the open air. To extract the gold from the concentrate, mercury is used to form the gold amalgam. Amalgam is a solution of mercury and gold. To purify it, the gold amalgam is burned. During this process, the mercury is released in the form of mercury vapor. Inhaling a certain level can be dangerous for your health. Figure 4 - Mercury use in the mine. 934 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Irresponsible dumping the tailing When the slurry flows from the sluice box it is collected in a tailing pond, and sometimes reused. In most cases, it will be routed to the creeks. Once in the creeks you get: - Turbid water that can no longer be used because it is filled with sediments. - Fish also move away from the area. Safety and health During all these activities the health and safety precautions are very important but are neglected. Some unsafe works are: collapsing of the mine pits; working without gloves when using mercury. Social The presence of commercial sex workers in the gold mining areas and sparsely using condoms ensures that HIV is easily transmitted. Most of the children who live on the mine fields are not in school. And the mined pits provide accumulation of water in which tropical diseases such as malaria can occur. CONCLUSIONS AND RECOMMENDATIONS We have concluded that these mine activities gradually constitute a danger to the environment in that area and for the people who live in the village. This may even have adverse effects on people and animals that do not live in that area since the creek water flows into the rivers. And these rivers with the polluted water are streaming through the village. Also the use of mercury should be completely customized because it also forms a threat to the environment.To prevent all of these contaminants and to create a healthier environment a few recommendations are hereby included: Ad1. Irresponsible deforestation widely A few solutions to deforestation are: working with a rehabilitation program where the mined-out area is relocated in original condition as much as possible. This can be done by planting trees (reforestation) Ad2. Mercury use The best option is actually not to use mercury in the sluice box and in the mines. During the burning of the gold amalgam, a retort has to be used. The gold amalgam is placed in the retort, and is burned. The vapor that is released is guided by a pipe to a bucket with water. This means that mercury vapor does not enter in the air. After this the mercury vapor is converted back to fluid mercury and reused. The different mercury-free methods are: 1. Gemini Table (Shaking Table) This is a shaking table of which the blade is made of fiber glass. The top consists of slots. By the flow of water and shaking movement gold will be concentrate in the slots 2. Sluice box The sluice box can be used by the miners but without mercury Ad3. Irresponsible dumping the tailing The polluted water which eventually flows to the creeks comes from the tailing. In order to prevent this polluted must be purified first. This can be done by leaving the water so that the fine sediments settle. After this, the water can be led to the creeks or it can be reused. Ad4. Safety and health With a proper plan before mining a lot of catastrophe can be avoided. A few aspects that are necessary are the angle of the mine pit, type of material and depth and water dam. REFERENCES Bunt, J.; Ruessink, M.-1997 Going for Gold -Enschede, Ripley, E.; Redmann, R.; Crowder, A. -1996- Environmental effects of mining. Canada, Geological and Mining Services of the Government (GMD)-1972- Geological map of Suriname. Uitgave Centraal Bureau Luchtkartering – 6edruk. 935 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 IDENTIFICACÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS PELA PRODUÇÃO DE CERÂMICA VERMELHA, UM ESTUDO DE CASO BRAGANÇA-PA Caroline Morales, Nafitalino dos Santos Everton Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará Campus Bragança INTRODUÇÃO A interação do homem com o meio ambiente normalmente requer extração e uso de recursos naturais, o que é necessário para a produção de bens serviços e para suprir as carências do ser humano. Recursos naturais estão no meio ambiente físico ou biológico, como por exemplo, no solo, nos vegetais, nos animais, nos minerais; aqueles que de alguma forma podem interessar para serem transformados em um produto ou serviço (FERREIRA & KELLER, 2009). Segundo os estudos arqueológicos, no Brasil, especificamente na região amazônica, relataram a presença de cerâmicas simples com idade superior a 5.000 anos. Um tipo de cerâmica mais elaborada foi encontrado na Ilha de Marajó, a cerâmica do tipo marajoara (ABC, 2010). O que proporcionou a instalações de inúmeras cerâmica de produção na região, a atividade de extração, ou mineração da argila, é altamente impactante e com grande potencial de degradação, sendo assim, faz-se necessário seguir rigorosamente a legislação ambiental específica para esta atividade, a fim de obter licenciamento e autorização (FORT, C. T., VALENTIM, K., ALMEIDA R. M., 2010, pag.32). Segundo a Associação Brasileira de Cerâmica os impactos ambientais podem ser definidos como: “qualquer alteração das propriedades físico-químicas e/ ou biológicas do meio ambiente, devido a qualquer forma de matéria ou energia por atividades humanas” (ABC, 2010). Estes impactos são significativos, causam danos ao meio ambiente e a falta de responsabilidade faz com que a fiscalização se torne pouco frequente, transferindo as consequências à sociedade (IBAMA, 2001). Este artigo teve como objetivo apresentar e analisar os impactos ambientais referentes a extração de argila para produção de cerâmica vermelha que em geral, segundo a referida associação, caracteriza-se com sendo “materiais de coloração avermelhada usados na construção civil (como tijolos, blocos, telhas e etc.), que também pode ser usada na confecção de utensílios de uso doméstico e de adorno” (ABC, 2010), que se apresenta em três localidades que realizam essa atividade na cidade de Braganca-PA. Além de dar subsídios para encontrar mecanismos adequados de gestão ambiental para serem aplicados à região. METODOLOGIA UTILIZADA. Na localidade, há duas classes de trabalhadores que dependem da extração de argila: os oleiros, responsáveis pela fabricação de tijolos e venda de argila e; e os ceramistas, que compram a argila e produzem arte em cerâmica. Foi analisada a fabricação do inicio ao fim entre os diferentes métodos de produção e verificaram-se as etapas de extração, moldagem, secagem e queima em todas localidades. Os maquinários utilizados são do tipo manual, semi-manual (maior abundancia) e industrial. Foram pesquisadas todas as unidades produtivas, perfazendo o total de 26. Constatou-se que apenas 23 estão em funcionamento, 3 estão inativas por motivos desconhecidos. Para identificar a categoria das olarias foi necessário um levantamento das etapas de produção existentes, quantidade produzida por dia ou semanal, tempo de funcionamento e quantidade de funcionários. Dessa forma obteve-se as categorias de empresa de pequeno, meio e grande porte. A verificação da situação ambiental levou em consideração o cuidado ambiental, os principais problemas, o abastecimento d’água, ponto de extração, existência de licenciamento ambiental, matériasprimas utilizadas, destinação dos resíduos gerados e se desenvolvem alguma pratica de gestão ambiental na produção. Em Bragança a argila é utilizada para fabricação de tijolos, telhas e para artesanato na região, onde o predomínio é a produção dos materiais de construção civil tendo em vista atender o mercado interno do município e também externo como cidades próximas que são Tracuateua, Augusto Corrêa, Capanema, além de destinar para capital do estado que é Belém. Encontra-se distribuídas nos campos bragantinos, em área da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, e de várzea nas proximidades ao rio Caeté. 936 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 RESULTADOS OBTIDOS OU ESPERADOS Foram encontradas 26 olarias distribuídas em três localidades analisadas 10 na comunidade Taperacu-campo, Arcapara, Tamatateua que estão inseridas na Reserva extrativista marinha CaetéTaperacu onde também visualiza-se a produção de artesanato; 15 encontram-se na comunidade da Fazendinha localizada na margem do Rio Caeté e uma esta isolada no Bairro do Jiquiri. Observa-se abundancia de olarias de pequeno porte, uma de médio que produz em media 25.000 tijolos e telhas por dia e apenas uma e considerada de grande porte, sua produção media diária e de 60.000 tijolos e já possui instalações para chegar a 180.00 tijolos por dia. Em sua maioria as olarias que produzem em pequena escala são gerenciadas por pessoas da mesma família que se unem para um bem comum: gerar renda, estas produzem em media 6.000 tijolos por semana. O ponto de extração em que o insumo para produção e retirado na comunidade do Taperacu-campo, Arcapara, Tamatateua se encontra disperso, cada unidade possui seu próprio ponto e outros adquirem compram o recurso faz com que o custo da produção se eleve. Na localidade da Fazendinha este sistema de difere, pois há ocorrência de apenas um ponto de extração para todas as olarias encontradas na área este encontra-se perto do rio caeté. A olaria no bairro do Jiquiri possui sua própria área de extração. Os impactos ambientais encontrados são semelhantes nas três áreas analisadas: mudança da paisagem, desgaste do solo, retirada da vegetação nativa, produção de gases através do processo de queima da lenha, contaminação do lençol freático (por fossas negras), queima de combustível (diesel) para ligar o motor e desmatamento através da obtenção de lenha proveniente de outros locais para o processo de queima. A olaria de médio porte e a associação dos oleiros realizam atividades de reflorestamento, para reconstrução de mata ciliar e manejo ecológico respectivamente, além desse cuidado ambiental a olaria localizada no Jiquiri, mais antiga da região aproximadamente 80 anos, possui atividades como piscicultura na cavas e descanso para possibilitar a renovação da antiga área de extração de argila. As matérias-primas identificadas para a produção de tijolos, telhas e artesanato foram a argila, lenha, serragem, caroço de açaí, fasquio (sobra de madeira das cerrarias), e agua. Além disso e comum utilizarem diesel para ligar as maquinas semi manuais (tecnologia baixa) que produzem o tijolo. A agua em todos os locais e retirada de poços artesianos mas principalmente de poços do tipo amazonas construídos pelos proprietários. Quanto a questão dos resíduos sólidos produzidos por esse tipo de atividade no local o barro mole e colocado para amolecer novamente e reutilizado na produção. O tijolo seco pouco danificado e comercializado a um preço mais baixo como produto de segunda. Os que estão totalmente danificados são reutilizados para a aterro de estradas pela própria olaria ou/e comercializado. CONCLUSÕES/ RECOMENDAÇÕES. A ausência de licenciamento ambiental em grande parte das olarias, apenas duas possuem, demonstra o descaso com o meio ambiente e falta de fiscalização pelos órgãos ambientais da região. A falta de energia elétrica na região ocasiona a utilização de maquinas semi-manuais que além de ser mais barata não necessitam desse recurso, no entanto utiliza-se óleo diesel para o seu funcionamento aumentando os gases prejudiciais ao meio ambiente. Apesar destes impactos de grande importância algumas medidas a favor do meio ambiente estão sendo tomadas como o reflorestamento para reconstrução da mata ciliar e para fins de manejo podendo ser utilizados como matéria-prima para a produção de materiais de construção civil. Antigamente muitas olarias utilizavam a vegetação nativa da região acarretando no esgotamento desse recurso, por esse motivo foi necessário buscar em outras localidades e outras formas de obter esses insumos. Uma consequência preocupante disso e que não há cuidado ou mesmo conhecimento na maioria dos casos de sua origem. A substituição de lenha por serragem e caroço de açaí são técnicas consideradas sustentáveis, pois se utiliza resíduos gerados por madeireiras que anteriormente eram inutilizados beneficiando o meio ambiente com a diminuição do desmatamento e redução de custos para os oleiros. Para obter uma postura correta perante o meio ambiente e necessária a redução dos impactos ambientais analisados, adequação com as leis ambientais e melhoria na fiscalização. Para isso e importante a realização de um estudo de perspectiva de vida útil da reserva, renovação da área de extração e métodos de produção mais eficientes em relação ao meio ambiente e disseminar de forma ampla as ações, técnicas e benefícios da gestão ambiental já desenvolvida na região. 937 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 REFERÊNCIAS Associação Brasileirade Cerâmica (ABC). Disponível em: <http://www.abceram.org.br> Acesso em: 21/09/2010. Associação Brasileirade Cerâmica (ABC). Disponível em: <http://www.abceram.org.br/> Acesso em: 21/09/2010 Associação Brasileirade Cerâmica (ABC). Disponível em: <http://www.abceram.org.br/asp/abc_51.asp> Acesso em: 21/09/2010 BNDS. Cerâmica para revestimentos. Informe Setorial, Rio de Janeiro. n. 15. agos/2000. Disponível em: <http// www.bnds.gov.com.br >. Acesso em 22 de maio de 2004. Correia Filho. F. L. Projeto Avaliação de Depósitos Minerais para a Construção Civil PI/MA. Teresina: CPRM, 1997. v.1. Ferreira, D. D. M. Keller, J. Geração e Descarte de Resíduos do Processo Têxtil: Um Estudo de Caso sob a Ótica dos Colaboradores. In: XIV Simpósio de Engenharia de Produção, 2009. Fort, C. T., Valentim, K., Almeida R. M., Proposta de Mitigação De Impactos Ambientais para Licenciamento de Pátio de Secagem de Cerâmica, Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental da Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2010. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)- Manual de Normas e Procedimentos para Licenciamento Ambiental no Setor de Extração Mineral, 2001. 938 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 DEGRADAÇÃO E PERCEPÇÃO AMBIENTAL NA APA DE ALGODOAL – MAIANDEUA Cássio Rogério Graças dos Santos Universidade Federal do Pará CONCEITUAÇÃO DE APA Neste momento tentará conceituar uma APA, a partir de algumas leituras sobre o tema, as Áreas de Proteção Ambiental, são consideradas como Unidades de Conservação (UC) de uso sustentável, onde a presença humana é permitida, assim como atividades econômicas de caráter sustentável e que, teoricamente, não agridam, destruam, modifique, os ecossistemas. Quem regulamenta as UC é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). A Lei, é o resultado de muito debate em torno do tema, principalmente relacionada a presença humana dentro das unidades de conservação, mesmo não agradando as partes, protecionistas e conservacionistas, é considerado o documento mais completo e democrático relativo ao tema. A Lei que regulamenta o SNUC é 9.985, de 18 de Julho de 2000. Assim um APA seria: È uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos e bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem estar das populações humanas e tem como objetivo básicos proteger a diversidade biológicas, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. É constituídas de terras públicas ou privadas. As condições para a realização da pesquisa científica e visitação pública nas áreas de domínio publico serão estabelecidas pelo órgão gestor da unidade e nas áreas sob propriedade privada, pelo seu proprietário. A área de proteção ambiental deve ter um conselho presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes de órgãos públicos, de organização da sociedade civil e da população residente. (Lei 9.985/00). De acordo com o SNUC é permitida a visitação, pesquisa científica, atividades econômica, etc., mas a grande dificuldade é conciliar interesse econômico, onde a busca pelo lucro e o desejo pelo consumo é essencial e o interesse conservacionista, onde procura frear as atividades degradantes ou/e assegurar o bem estar do ambiente, respeitando os limites naturais. Assim, deve levar em conta os diversos interesses, que em muitos casos são conflitantes, na constituição de uma unidade de conservação. Guerra (2009) da um exemplo de uma APA que está sofrendo com o inchaço populacional, degradação ambiental, tais como: escorregamento de massas, desmatamento, construção irregulares e poluição hídrica é a APA de Petrópolis que foi criada em 1982. O que resultou da falta de um planejamento e fiscalização adequada, na implantação de infra – estruturas para a ocupação, gerando nos períodos chuvosos desastres ambientais e sociais irreversíveis. ASPECTOS GERAIS DA APA DE ALGODOAL O litoral do nordeste paraense é classificado por Barbosa; Pinto (1973) como “costa de rias”, pelo aspecto estuarino, formado pelo afogamento pela transgressão marinha, que ocorreram no Quaternário. Mendes; et al (2001), afirma que o litoral paraense pode ser dividido em dois domínios geomorfológicos a Planície Costeira constituída a sedimentos argilosos e arenosos, resultante da dinâmica das marés, ondas e ventos, que forma um relevo relativamente plano, o outro é o Planalto Costeiro, corresponde a um relevo de degradação, com formações levemente ondulados, voltados para o mar, com falésias ativas e com plataforma de abrasão associados. Os ecossistemas encontrados na ilha de Algodoal são as praias, dunas, restingas, mangue e apicum. A vegetação é caracterizada por espécies de mangue (Rhyzofora mangle, Avicennia germinans e Laguncunaria racemosa), campos naturais (gramíneas e ciperáceas) e restingas (Chrisobalanus icaco, Bulbostylis capibaris, etc.), 939 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Ribeiro & Sena (1995) ainda definiram várias espécies de várzeas e capoeiras na ilha de Algodoal. (MENDES, et al, 2001, p. 104) A APA de Algodoal – Maiandeua é da Lei Estadual nº 5.621/90 que se constitui de duas ilhas Algodoal e Maiandeua, porém o processo para a criação dessa unidade de conservação se iniciou em 1989. A gestão da APA é realizada pela Secretária de Estado e Meio Ambiente/Pará (SEMA/PA), já que é uma unidade de conservação estadual. Segundo a funcionária da SEMA, a gerencia desenvolve ações de acordo com as demandas da unidade, como infraestrutura, educação ambiental, desenvolvimento e valorização as comunidades locais, o plano de manejo ainda está em construção, a criação da APA foi em 1990, portanto há 20 anos e ainda não tem um plano de manejo. Uma das ações que regula o transporte dentro da ilha é a proibição de veículos automotores, só quem tem permissão de ter esses tipos de veículos é a companhia elétrica, para fazer reparos e manutenção da rede de energia elétrica, os únicos meios de transportes são as bicicletas e as charretes puxadas por cavalos. PERCEPÇÃO DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL PERCEBIDA PELOS MORADORES DA ILHA A visita a APA ocorreu entre os dias 6 e 10 de Junho de 2012, com o principal objetivo de conhecer essa modalidade de unidade de conservação e também, conhecer as práticas desenvolvidas pela SEMA/PA referentes à conservação dos ecossistemas e relacionados à Educação Ambiental. No seminário, o ponto que mais foi tocado, foi à questão relacionada à conservação e preservação dos ecossistemas, a conceituação de Educação Ambiental, a partir da legislação e através de diversos autores e concepções. Contou a participação de alguns moradores e donos de pousadas que também se preocupam com a questão ambiental na ilha, já que é pela beleza natural que atrai turistas das mais diversas partes do estado e do país, e algumas reivindicações foram feitas e alguns pontos expostos como a questão do lixo e a falta de coleta seletiva. Na comunidade de Fortalezinha, que fica na ilha de Maiandeua, observou-se uma parte que está sofrendo com a erosão, formando uma voçoroca em uma face de uma falésia, que segundo Mendes et al (2001) pode ser considerada, em seus estudos como, uma área suscetível a degradação ambiental, por ser uma área ativa, ou seja, sofre constantemente com a dinâmica das marés. A voçoroca está associada à ocupação por casas e a retirada da vegetação, que com chuvas intensas e com a saturação dos poros, no solo, provoca o escoamento superficial acelerado, o que leva à erosão laminar, passando por pequenas ravinas até a formação da voçoroca, na face da falésia Um morador da comunidade nos explicou sobre os pescadores, o lixo que a correnteza traz, o que dizendo ele há garrafas até da China e Japão que foram avistadas por moradores e pescadores da localidade. Leff (2001) diz que é o saber tradicional que é necessário respeitar para a construção de um saber ambiental que seja capaz de entender os processos de degradação e recuperação ambiental. CONSIDERAÇÕES FINAIS Segundo a legislação do Estado do Pará, as ilhas de Algodoal e Maiandeua, são consideradas como uma área de proteção ambiental, formando a APA de Algodoal – Maiandeua, uma APA que já está com 20 anos de funcionamento. Segundo a classificação de APA, pelo SNUC, observou-se que falta na gestão dessa unidade de conservação representantes da sociedade civil e os residentes das ilhas, porém segundo a fala dos gestores e funcionários da SEMA/PA isso a sociedade não participa por falta de interesse e jogam a responsabilidade inteiramente para a instituição. Outro ponto que ficou evidente na visita, foi à questão de proteção, conservação e a disciplina ao uso dos recursos naturais. Não há uma fiscalização efetiva para assegurar a sustentabilidade das ilhas, o que revela é a fala dos professores e alguns moradores das ilhas. O problema que chama mais atenção, e como já foi dito em outras partes desse resumo, é o lixo e o problema se intensifica nos períodos de férias e nos feriados prolongados. E falta uma política pública que leve em consideração o acumulo de lixo, onde é observado em vários segmentos das ilhas, no mangue, restingas, nas praias, nas dunas e nos lagos que se formam entre as dunas. Então pode se perceber que a APA de Algodoal – Maiandeua está pautada apenas no papel, na lei. A realidade mostra que ainda falta muito para ser caracterizada como uma APA efetiva. Como ação para desenvolver a sensibilização ambiental entre os moradores, pescadores e veranistas, seria a 940 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 divulgação de forma simples e didática sobre a APA, sua função, objetivo, etc. e desenvolver atividades de educação ambiental em todo o ano e não apenas em períodos do ano, e tentar agregar toda a comunidade na preservação, conservação e recuperação de possíveis áreas degradadas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bensusan, N. Conservação da Biodiversidade em Áreas Protegidas. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2006. Guerra, A. J. T; Coelho, M. C. N. Unidades de Conservação: abordagens e características geográficas. Rio de janeiro: Bertrand Brasil, 2009. Leff, E. Epistemologia Ambiental. São Paulo: Cortez, 2001. Mendes, A. C. et al. Análise do Meio Físico Para Gestão Ambiental das Ilhas de Algodoal e Atalaia (NE do Pará). In PROST, M. T.; MENDES, A. C.(Org.) Ecossistemas Costeiros: impactos e gestão ambiental. Belém: MPEG, 2001. Muehe, D. O Litoral Brasileiro e Sua Compartimentação. In CUNHA, S. B.; GUERRA, A. J. T. (Org.) Geomorfologia do Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. 941 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 ESTUDO AMBIENTAL DO LIXÃO URBANO DA CIDADE DE BRAGANÇA (PARÁ) APLICANDO O RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) Danyella Barbalho Pires1*, Mirela Santana Silva1, Suziany Araújo Martins1, Pedro Chira Oliva1 1 Instituto de Estudos Costeiros (IECOS), Universidade Federal do Pará, Brasil, *e-mail: [email protected], [email protected] INTRODUÇÃO Um dos grandes problemas resultantes do crescimento populacional e do desenvolvimento tecnológico e industrial é a disposição dos resíduos sólidos. Os resíduos sólidos ou lixo é um dos tipos de fontes de contaminação de nossos mananciais subterrâneos. Devido às políticas de ordenamento territorial e gestão ambiental inexistente e/ou ineficientes, locais técnica e geologicamente inapropriados são utilizados para a disposição final dos resíduos sólidos gerados nos centros urbanos, resultando em danos, muitas vezes irreversíveis, ao meio natural (Bortolin, 2009). Sob o aspecto ambiental e de preservação das águas subterrâneas, o aspecto mais importante é a questão do chorume produzido a partir do lixo. A decomposição anaeróbica da matéria orgânica presente nos resíduos sólidos produz gases e chorume. Este último produto é um líquido negro formado por compostos orgânicos e inorgânicos, apresenta altas concentrações de matéria orgânica e metais pesados. A infiltração do chorume contamina o solo e pode atingir a água subterrânea. Os impactos ocasionados sobre os aquíferos foram estudados em algumas áreas do país e indicaram elevadas concentrações de metais e contaminação biológica nas águas (exemplos são os trabalhos de Santos et al. (2004), Costa (2004), entre outros). Shiraiwa et al. (2002) aplicaram métodos geofísicos como o Eletromagnético Indutivo (EM-34) e o GPR para caracterizar a área do estudo correspondente ao lixão de Cuiabá (MT, Brasil), definir a espessura do pacote de lixo e consequentemente a pluma de contaminação do chorume originado. Eles verificaram com estes métodos a contaminação existente e comprovaram a disposição inadequada dos resíduos, em local onde o nível freático é pouco profundo e nas profundidades de um córrego, de forma que ocorre o transporte do chorume para outros locais onde existem moradias de populações ribeirinhas. Na cidade de Bragança (Pará) existe um lixão público que se caracteriza pela disposição desordenada dos resíduos sólidos e queima indiscriminada do lixo que provém de diversas fontes sendo caracterizado por ser uma fonte contaminadora de grande porte uma vez que se encontra nas proximidades de vários cursos hídricos de suma importância, como a bacia do rio Caeté (Pará). Este lixão não atende a nenhuma especificação técnica estabelecida para aterros sanitários. A primeira avaliação ambiental foi realizada por Gorayeb (2008) quem considerou a vulnerabilidade do aquífero à contaminação e a qualidade da água superficial e subterrânea da área na sua pesquisa. Este estudo revelou que o lixão municipal de Bragança influi negativamente sobre a qualidade da água subterrânea e superficial do baixo Caeté, gerando consequências drásticas para o meio ambiente e a saúde humana. Os resultados demonstraram a existência de contaminação na água subterrânea e superficial por vários metais pesados. Este estudo tem por finalidade utilizar a ferramenta geofísica GPR para complementar os estudos ambientais no referido lixão na busca de informações sobre a possível presença de plumas de contaminação na subsuperficie ou próxima da superfície do lixão e a direção do fluxo dessas plumas contaminantes. MATERIAIS E MÉTODOS Área de Estudo O lixão da cidade de Bragança (Pará) está localizado no bairro Alto Paraíso, mais especificamente na localidade chamada Marrocos, às margens da rodovia PA-112, em área periférica, a sudoeste do centro da cidade de Bragança, nas seguintes coordenadas geográficas: 01º04’ 40’’S e 46º46’45’’W (Figura 1). Encontra-se em local topograficamente elevado em relação às áreas circunvizinhas, servindo como dispersor de águas, principalmente no período chuvoso. 942 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Estuário do rio Caeté Bragança Figura 1 - Imagem de satélite da Região Bragantina mostrando a localização da área de estudo correspondente ao Lixão da cidade de Bragança (Imagem Landsat - Composição Colorida - RGB, seca - disponibilizada pelo LAIT - Instituto de Geociências - UFPA). Lixão de Bragança Métodos aplicados Os métodos geofísicos são uma alternativa no diagnóstico de áreas contaminadas, devido à rapidez e baixo custo em estudos ambientais e podem auxiliar na detecção e no monitoramento destas, em conjunto com métodos diretos e de investigação (Santos et al, 2009). Neste trabalho foi aplicado método geofísico tipo eletromagnético conhecido como Radar de Penetração no Solo (GPR). O Radar de Penetração no Solo é um método eletromagnético baseado na propagação de ondas eletromagnéticas (EM) de alta frequência (10 MHz - 2,5 GHz) adquirindo informações relacionadas à subsuperfície. Baseia-se na emissão, reflexão e recepção da onda, que responde às propriedades dielétricas do solo, no qual o sinal – a onda eletromagnética – se propagará. O funcionamento do método GPR se baseia na seguinte sistemática: um pulso de onda eletromagnética é irradiado para o interior do solo por uma antena transmissora, sendo a energia transmitida para profundidades maiores e parte dela refletida para a superfície. Quanto maior a frequência das ondas eletromagnéticas, maior a resolução dos sinais captados e menor a profundidade atingida (Porsani et al., 1999). INVESTIGAÇÕES REALIZADAS E RESULTADOS Foram realizadas duas coletas de dados geofísicos GPR no ano de 2012 (épocas chuvosa e não chuvosa). Foi utilizada uma antena de 200 MHz com uma janela temporal de 150. A configuração fontereceptor considerado foi a common-offset (CO) ou afastamento comum. Para o levantamento dos dados GPR foram considerados quatro perfis que foram levantados nas partes laterais e dentro do lixão com diversos comprimentos compreendidos entre 35 m e 280 m, respectivamente. A amostragem dos dados GPR no terreno foi feita a cada 10 m para cada perfil (Figura 2). Figura 2. Localização dos perfis para o levantamento dos dados GPR no lixão de Bragança. 943 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Constatamos nestes resultados a presença das plumas de contaminação próximas da superfície como podem ser visualizada principalmente nas Figuras 3 e 4. Figura 3. Perfil P1P2 obtido durante os períodos chuvoso e não chuvoso do ano de 2012. Nos círculos tracejados podemos observar a presença da contaminação na subsuperfície a partir de uma profundidade compreendida entre 1,5 e 2m aproximadamente. Figura 4. Perfil P3P2 obtido durante os períodos chuvoso e não chuvoso do ano de 2012. Nos círculos tracejados podemos observar a presença da contaminação na subsuperfície a partir de uma profundidade compreendida entre 0,5 e 1 m aproximadamente. CONCLUSÕES Os resultados mostraram que a ferramenta geofísica GPR apresentasse como uma importante alternativa para caracterizar a área do lixão da cidade de Bragança devido à identificação de plumas de contaminação resultantes possivelmente do chorume originado pelo referido lixão. Esta contaminação acontece muito próxima da superfície. Nos radargramas podemos notar a presença do chorume dentro dos resíduos sólidos devido à atenuação quase total do sinal eletromagnético. REFERÊNCIAS Bortolin J. R. M. 2009. Monitoramento temporal da pluma de contaminação do aterro controlado de Rio Claro (SP) por meio do método da eletrorresistividade. Dissertação de Mestrado em Geociências e Meio Ambiente, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Rio Claro. Costa, W. D. 2004. Contaminação da água subterrânea por resíduo sólido no município de Belo Horizonte – MG. In: Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, Cuiabá: ABAS, CD-ROM. Gorayeb, A. 2008. Análise Integrada da paisagem na Bacia Hidrográfica do Rio Caeté - Amazônia Oriental. Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 135 p. Porsani, J. L.. 1999. Ground Penetrating Radar (GPR): proposta metodológica de emprego em estudos geológico-geotécnicos nas regiões de Rio Claro e Descalvado – SP. Tese de Doutorado, UNESP, Rio Claro-SP, 145p. Santos, C. B., Leal, L. R. B., Luz, J. A. G., Mello, J. C. 2004. Caracterização do impacto na qualidade das águas subterrâneas causado pela disposição dos resíduos sólidos urbanos no aterro municipal da cidade de Feira de Santana – BA. In: Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, Cuiabá: ABAS, CD-ROM. Shiraiwa, S., Lisovsky, S. P., Elis, V. R., Porsani, J. L., Borges, W. R. 2002. Estudos geofísicos integrados no lixão de Cuiabá, MT, Brasil – resultados preliminares. Revista Brasileira de Geofísica, 20(3): 181-186. 944 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 CRESCIMENTO DESORDENADO E ÁREAS DE RISCO EM IRANDUBA-AM Elton Rodrigo Andretta e Antônio Gilmar Honorato de Souza CPRM – Serviço Geológico do Brasil INTRODUÇÃO Com a inauguração da ponte sobre Rio Negro, em outubro de 2011, ligando Manaus a capital do estado do Amazonas aos municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, esses sofreram um grande aumento populacional o que gerou crescimento desordenado da zona urbana, ocorrendo construções de novas moradias em locais impróprios para a habitação como em encostas íngremes, fundos de vales e área de proteção. O município de Iranduba, situado na região metropolitana de Manaus, possui 41.947 habitantes, segundo IBGE 2010, dentre os três citados anteriormente Iranduba é o mais próximo da capital, foi escolhido para sediar uma nova unidade da UEA, Universidade Estadual do Amazonas, por esses motivos e o mais afetado atualmente pelas invasões e consequentemente por áreas de risco, pessoas visando lucros ou apenas uma oportunidade para melhorar de vida se instalam em locais sem as mínimas condições de habitação, por vezes enganados por grileiros ou em loteamento irregulares, outras vezes invadindo áreas de preservação e/ou calhas de igarapés. Assim a CPRM, com o auxilio da Prefeitura e Defesa Civil do município de Iranduba, mapeou as áreas de risco alto a muito alto de deslizamentos, erosão, enxurrada e terras caídas. Esse mapeamento faz parte do projeto do Governo Federal em conjunto com Casa Civil da Presidência da República em consonância com os Ministérios da Integração Nacional, Ministério das Cidades, Ministério de Ciência e Tecnologia, Ministério da Defesa e o Ministério de Minas e Energia firmaram convênios de colaboração mútua para executar em todo o país o diagnóstico e mapeamento dessas áreas. METODOLOGIA Com o auxilio dos técnicos da Defesa Civil municipal foram visitados os locais aonde já ocorrem e/ou pode ocorrer eventos de deslizamentos, erosão, terras caídas e alagação/enxurrada. Esses locais foram avaliados quanto à declividade, instabilidade, desmatamento, proximidade das moradias, potencial e recorrência das enxurradas se em vale e analise das feições encontradas (trincas, degraus, rachaduras, arvores inclinadas, etc.), identificando assim o grau de risco. Quando o risco era qualificado em alto a muito alto, segundo a descrição elaborada pelo IPT e utilizada pelo Ministério das Cidades (Figura 1), o local era georreferênciado com auxilio de GPS, descrito detalhadamente em caderneta de campo e feito o registro fotográfico. Ao final dos dias de campo, foram elaboradas em escritório cartas (pranchas), uma para cada área descrita composta por imagem de satélite com delimitação da área de risco, informações e descrições ilustradas com fotografias para melhor visualização dos problemas, também foi elaborado um relatório com a descrição sucinta sobre a geologia e meio físico do município e detalhada dos locais mapeados com recomendações. Esses produtos finais foram entregues a prefeitura do município, juntamente com uma copia em versão digital. RESULTADOS Ao final do estudo foram delimitadas 20 áreas de risco de alto a muito alto grau no município de Iranduba, com um total de 424 moradias e aproximadamente 1700 moradores em risco, foram mapeados locais com desastres naturais diversificados contendo erosão, deslizamentos, terras caídas e enxurrada, esses locais serão descritos a seguir, estão divido por bairro ou localidades. Os polígonos de riscos delimitados na área urbana do município são visualizados na figura 2. 945 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Grau de probabilidade de risco Descrição dos Indícios Não há indícios de desenvolvimento de processos de instabilização em encostas e margens de drenagens R1 Mantidas as condições existentes, não se espera a ocorrência de eventos Baixo destrutivos no período de um ciclo chuvoso. Observa-se a presença de alguma(s) evidência(s) de instabilidade, porém incipiente(s). R2 Mantidas as condições existentes, é reduzida a possibilidade de ocorrência de Médio eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas no período de um ciclo chuvoso. Observa-se a presença de significativa(s) evidência(s) de instabilidade (trincas no solo, degraus de abatimento em taludes etc). R3 Mantidas as condições existentes, é perfeitamente possível a ocorrência de eventos Alto destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas no período de um ciclo chuvoso. As evidências de instabilidade (trincas no solo, degraus de abatimento em taludes, trincas em moradias ou em muros de contenção, árvores ou postes inclinados, cicatrizes de escorregamento, feições erosivas, proximidade da moradia em relação à drenagem etc.) são expressivas e estão presentes em grande número e/ou R4 magnitude. Muito Alto Mantidas as condições existentes, é muito provável a ocorrência de eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas no período de um ciclo chuvoso. Figura 1 - Critérios para definição do grau de probabilidades de ocorrências de processos de instabilização nas áreas mapeadas. Figura 2 - Delimitação em vermelho das áreas de risco mapeadas na zona urbana de Iranduba – AM 946 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 No Bairro Alto temos erosões em encosta declivosa causadas pelo rompimento de tubulações, concentração de águas servidas e de chuva em direção perpendicular a encosta, as ligações irregulares de água com mangueiras também tem diversos vazamentos, em algumas encostas encontra-se lixo e entulho, fossas, bananeiras, observam-se rachadura em base de casa nas proximidades e degraus de abatimento mostrando a movimentação do terreno. Alguns pontos de encosta bem vegetados ajudam a reduzir os deslizamentos e erosões. No Centro de Iranduba, observa-se uma encosta com alta declividade próxima a casas, com árvores inclinadas, fossa e bananeiras na beira da encosta. Nas casas foram verificadas rachaduras, causadas pela movimentação do terreno. No Bairro São Francisco há uma encosta íngreme com ravina causada pelas águas pluviais. Local aonde era um antigo lixão, que foi aterrado. Lixo e entulho despejado na encosta. Em chuvas fortes, a água represa na esquina das ruas, invade residências e aumenta a velocidade de erosão do talude. No Bairro Novo Amanhecer, é verificado talude com alta declividade parcialmente desmatado, aterrado, com bananeira, fossa, concentração de água servida, tanque com água, vazamentos e lixo/entulho despejado no talude. Casas com rachaduras em risco de deslizamento e casas com risco de soterramento na meia encosta. Outras moradias são construídas em corte e aterro próximas a igarapés, ficando com risco de alagamento e soterramento, nesse local já houve ocorrência de movimentação do terreno que possui cicatrizes e rachaduras. Próximo ao Beco Santa Isabel encontra-se uma encosta declivosa, aonde ocorre despejo de águas servidas do Hospital Hilda Freire, deixando o local perigosamente poluído por dejetos hospitalares e com forte odor. Em outro local nesse mesmo bairro ocorreu à queda de um muro na beira da encosta, devido a fortes no local. No Bairro Cidade Nova, encontra-se uma ravina ocasionada pelas águas lançadas diretamente sobre a encosta, com degraus de abatimento, desmatamento, acumulo de água no topo da encosta e vazamentos em canos. Na parte baixa, há um vale sujeito a inundação. Igarapé com esgotos lançado diretamente sem tratamento em área está sujeita a enxurrada, inundação e solapamento da casa, instabilidades reconhecidas pelas cicatrizes e degraus de abatimento, lixo, bananeiras e vazamentos nas tubulações. No Bairro Morada do Sol, formou-se uma voçoroca de 30m de profundidade em encosta declivosa com aterro lançado, o local é um ponto de concentração da água, ficando susceptível a erosão e deslizamentos. Entulho e lixo são despejados na dentro da voçoroca, bananeiras, fossa, escorregamento e degraus de abatimento são indícios vistos no local, indicando possíveis movimentações futuras no solo local. Bairro Graça Lopes encosta declivosa com cortes verticais para construção de moradias, fossas na beira da encosta, rua sem asfaltamento, por onde escoa água sem sistema de drenagem, vazamentos, bananeiras, lixo, água servida lançada na encosta, risco de deslizamento, soterramento e enxurradas nesse local. Comunidade Nossa Senhora de Nazaré e Jandira no Rio Solimões, aonde o fenômeno de terras caídas causou dano à estrada e postes de energia, presença de cicatrizes de deslizamentos no barranco. Na Comunidade Divino Espirito Santo situada em planície de inundação próxima ao Lago Iranduba, casas e estrada ficam inundadas. Deslizamentos nas estradas evidenciam instabilidade do solo local. O desmatamento e o Lago Iranduba potencializam os efeitos do fenômeno “Terras Caídas”. Furo do Paracuúba canal que interliga os rios Solimões e Negro, margens afetadas pelo fenômeno de Terras Caídas. Solo constituído por sedimentos recentes. O desmatamento, assim como as navegações, aceleram o fenômeno. Comunidade Costa do Catalão afetada pelo fenômeno de Terras caídas que acelerou nos últimos 10 anos, causando deslizamentos e queda de blocos de solos. O solo é constituído por sedimentos inconsolidados, área de várzea sujeita a inundação periódica, principalmente nos períodos de grande cheia do rio. Ilha da Marchantaria no Rio Solimões, submetida ao fenômeno de “Terras Caídas” que afetam a população ribeirinha, área constantemente erodida pela correnteza das águas, recentemente houve deslizamento, gerando uma cicatriz de 80m. CONCLUSÕES E RECOMENDÇÕES Devido ao grande crescimento populacional ocorrido nos últimos anos e esperados para os próximos, conclui a necessidade iminente da elaboração de um plano diretor de qualidade para o município, organizando da melhor forma possível os novos e melhores frontes para o desenvolvimento do mesmo, 947 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 possibilitando dessa forma uma melhor orientação dos gastos públicos em projetos de desenvolvimento e habitacionais planejados o que pode economizar até 10 vezes o que é gasto em obra para remediações de problemas causados por habitações irregulares em locais de risco. Dessa maneira recomenda-se: Maior controle da ocupação das encostas e fundo de vale, promovendo a recuperação da mata local ou estabelecendo projetos para novos usos dessas áreas, de acordo com as características ambientais da região; Campanhas de educação ambiental para a população, promovendo o entendimento dos prejuízos causados pelo descarte irregular e o acúmulo de lixo nas drenagens; Campanhas de sensibilização da população para apoiar a Defesa Civil nos momentos de emergência, entendendo a necessidade de evacuações imediatas ou permanentes. Palestras em igrejas, praças e escolas, bem como distribuição de cartilhas e sessões de vídeos com situações de emergência podem colaborar para o entendimento; Vistorias efetivas e periódicas por profissionais da área de engenharia e/ou geotécnica, com realização de obras adequadas e dimensionadas para o município. Ressalta-se também a importância da elaboração de um plano de ordenamento territorial do município, visando o planejamento de ocupação urbana e rural de forma adequada e sustentável. REFERÊNCIAS Costa, J.B.S., Bemerguy, R.L., Hasui, Y., Borges, M.S., Ferreira Júnior, C.R.P., Bezerra, P.E.L., Costa, M.L. & Fernandes, J.M.G. Neotectônica da região Amazônica: Aspectos tectônicos, geomorfológicos e deposicionais. 1996. Genomos, v. 2. p. 23-44. Guerra, A.J.T. Processos erosivos nas encostas. In: Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. Orgs.: A.J.T. Guerra e S.B. da Cunha. 3a ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de População por Município. Manaus: IBGE, Censo 2010. Disponível em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo/CPEPD/UFSC. Gerenciamento de Áreas de Risco. Brasília: Ministério das Cidades. 222p. 2004. Impresso. Ross, J. L. S. Geomorfologia: ambiente e planejamento. 5ed. São Paulo: Ed. Contexto. . 2000. 85p 948 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 MAPEAMENTO DA INTRUSÃO SALINA E INTERFACE DE INTERAÇÃO ÁGUA DOCE/SALGADA A PARTIR DE MÉTODOS GEOFISICOS, REGIÃO COSTEIRA BRAGANTINA (BRAGANÇA-PA) Evandro de Oliveira Brito¹, Paola Bianca Gomes Tabaranã¹, Alberto Richielly M. C. Branco¹, Suelen Carvalho de Oliveira¹, Pedro Andrés Chira Oliva¹ Instituto de Estudos Costeiros (IECOS), Universidade Federal do Pará, Bragança – PA, [email protected] INTRODUÇÃO Nas áreas costeiras, a intrusão da cunha salina muitas vezes impossibilita a utilização da água subterrânea para consumo público, daí a necessidade de se determinar com precisão a interface da água doce/água salgada, com intuito de se preservar a qualidade desse recurso hídrico subterrâneo para um desenvolvimento equilibrado e duradouro. O estudo da forma, localização e variação temporal desta interface é de extrema importância para exploração das águas subterrânea. Dentre as diversas técnicas aplicadas à investigação de áreas contaminadas, as técnicas geofísicas (métodos elétricos e eletromagnéticos, por exemplo) apresentam uma eficiente resposta neste tipo de problemas (SOARES, 2007). Um dos problemas e principal motivação deste trabalho é verificar ou identificar espacialmente a presença ou não do processo de intrusão salina na área de estudo devido aos problemas reportados. Para este trabalho será utilizada a ferramenta geofísica da modelagem 3-D. Desta maneira pretende-se disparar um processo indutor de conscientização ambiental na região para o planejamento de abastecimento de água e saneamento básico dos moradores nesta região. A Vila do Bonifácio é uma vila de pescadores localizada próximo da praia de Ajuruteua (NE do Pará). Esta vila tem um abastecimento doméstico muito precário, pois a água consumida provém de poços escavados rasos (profundidade inferior aproximadamente a 3m). Ante estes fatos é necessário conhecer e determinar espacialmente a interface entre a água doce e salgada nesta área de estudo a fim de que os poços profundos não a alcancem. MATERIAIS E MÈTODOS A Vila do Bonifácio está localizada a 34 km da sede do município de Bragança- PA, na direção NE, na margem esquerda do estuário do Caeté e está dentro dos limites da RESEX Marinha CaetéTaperaçu (Fig. 1). O acesso a esta vila pode ser realizado por via marítima ou terrestre, através da rodovia PA-458. Neste trabalho o acesso foi pela via terrestre (Figura 1). Figura 1. Vila dos Pescadores (Bragança, PA). Fonte: google Earth 949 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 METODOLOGIA Ground Penetrating Radar (GPR) O GPR é um método eletromagnético baseado na propagação de ondas eletromagnéticas (EM) de alta frequência (10 MHz - 2,5 GHz). Baseia-se na emissão, reflexão e recepção da onda, que responde às propriedades dielétricas do solo, no qual o sinal – a onda eletromagnética – se propagará. O funcionamento do método GPR se baseia na seguinte sistemática: um pulso de onda eletromagnética é irradiado para o interior do solo por uma antena transmissora, sendo a energia transmitida para profundidades maiores e parte dela refletida para a superfície. Modelagem geológica 3-D Para a construção do modelo geológico 3-D são consideradas as seguintes etapas (GOCAD, 2008): Importar as imagens de cada seção geológica ou radargrama interpretados; Digitalizar cada refletor a partir de pontos em todas as seções anteriores; Criar limites (ou curvas fechadas) a partir do conjunto de pontos digitalizados para cada refletor (etapa 2); Construir uma superfície correspondente a cada interface das etapas 2 e 3. Modelagem estratigráfica 3-D Para a construção do modelo estratigráfico será utilizado o Workflow-based reservoir grid modeling. Este workflow facilita a construção de modelos estratigráficos, também chamados de malhas estratigráficas ou malhas de reservatórios 3-D. RESULTADOS Foi definida a malha para o levantamento dos dados geofísicos GPR na área de estudo. Inicialmente foi considerada como primeira área de estudo o campo de futebol da Vila, sendo considerados os perfis laterais do referido campo em virtude de existir casas dentro do mesmo como consequência do efeito erosivo na praia. Da mesma maneira consideramos a praia, próxima da Vila, como a segunda área de estudo. Nesta segunda área o sentido das sondagens foi perpendicular à linha de costa, com o objetivo de monitorar melhor o possível efeito da água do mar na água doce (Figuras. 2 e 3); Os dados GPR coletados foram processados usando o software REFLEXW seguindo o fluxograma da Figura 3. Na Figura 4 podemos observar visualizações tridimensionalmente do modelo estrutural e estratigráfico localização das anteriores seções geo-radar utilizando o softwareGOCAD. Figura 2. Levantamento de dados na praia Figura 3. Levantamento de dados no da Vila. campo de futebol da Vila. 950 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figura 4. Visualizações do modelo estrutural e estratigráfico, onde podemos observar o topo do nível freático e a base da intrusão salina. Figura 5. Diversos pontos de visualização em 3-D da praia próxima da Vila. CONCLUSÕES Neste trabalho foram apresentados os modelos estruturais e estratigráficos de duas áreas de estudo localizadas na Vila do Bonifácio, Praia de Ajuruteua (Bragança-PA). Estas áreas correspondem ao campo de futebol e a praia próxima da Vila. A visualização do lençol freático neste ambiente ficou clara, principalmente nos perfis correspondentes a praia. Foi possível verificar a presença de intrusão salina que devido ao seu alto valor de condutividade elétrica, causou forte atenuação da onda eletromagnética e por esse motivo pode ser mapeada. REFERÊNCIAS Soares, M. J. S. Aplicação de Ferramentas Geofísicas no Diagnóstico Geoambiental. Expanded Abstracts.10th International Congress of the Brazilian Geophysical Society. Rio de Janeiro. 19-22p. 2007. 951 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 A ENCHENTE DO RIO NEGRO NA CIDADE DE MANAUS NO ANO DE 2012 – UMA AVALIAÇÃO PRELIMINAR 1 OLIVEIRA, Itaní Sampaio de; 2PINTO, Joylgon do Nascimento; 3SAUNIER, Irapuan César Barroncas. 1 Nilton Lins, 2Seduc, 3Vetec, Manaus, Amazonas, Brasil, [email protected] INTRODUÇÃO O estudo dos fenômenos naturais tem se intensificado nas últimas décadas, não só pelo caráter imprevisível ou pelo efeito destruidor com que muitas vezes age, mas também pela contribuição antrópica nesse processo e pela freqüência com que tem ocorrido. Nesse contexto, o fenômeno das enchentes tem sido alvo de discussão no meio científico e causado preocupações, principalmente ao poder público, visto os inúmeros prejuízos causados à população quando da ocorrência dos mesmos; principalmente no que se refere às cidades localizadas às margens de rios, como a cidade de Manaus, que anualmente sofre os efeitos dos fenômenos de seca e cheia das águas do Rio Negro, que é o maior afluente da margem esquerda do rio Amazonas. Segundo Armesto (2010) cheias ou enchentes são definidas como elevação temporária do nível d’água dos rios, devido ao aumento da quantidade de água que passa pelo canal de drenagem, que ocorre na estação mais chuvosa do ano ou quando há o derretimento de neve das montanhas por onde os rios nascem ou correm; já inundação, é o transbordamento das águas de um rio para a planície de inundação ou várzea. Este trabalho analisa os fatores antrópicos e naturais que contribuíram para a enchente e a inundação do ano de 2012, registrada como a maior cheia do Rio Negro nos últimos 110 anos; e tem como principal objetivo abordar a participação da sociedade no agravamento desse processo e desta forma, as conseqüências desse fenômeno para a comunidade em geral. METODOLOGIA Este trabalho foi realizado no período de maio de 2012 a junho de 2013, envolvendo a investigação dos fatores que contribuíram para que a inundação que ocorreu na cidade de Manaus no ano de 2012 ficasse registrada como a maior já ocorrida na história da cidade, nos últimos 110 anos. A metodologia utilizada está baseada em Gil (2009), que elucida que o estudo de caso é um modelo proposto para a produção do conhecimento em um campo específico, apontando princípios e regras a serem observados ao longo do processo de investigação, possibilitando estudar em profundidade o fenômeno considerando suas múltiplas dimensões; e segundo fonte de informação histórica e de campo (através da observação e conhecimento empírico). Esse método se dá em três fases distintas: no referencial teórico com escolha dos casos; na coleta e análise dos dados; e na interpretação dos resultados da pesquisa. Dessa forma, inicialmente delimitou-se o universo da amostragem, ou seja, restringiu-se a investigação sobre a época de maior cheia das águas do Rio Negro que se deu no ano de 2012, para posterior comparação com os dados obtidos do Porto de Manaus (2013) e observou-se maior incidência de ocorrências de menor vazante e maior cheia, registrados em intervalos de tempo curtos a partir de 1995, promovendo uma discussão sobre os principais fatores que contribuíram para a inundação da cidade de Manaus em 2012. Em seguida realizou-se o levantamento fotográfico das áreas no centro da cidade de Manaus, atingidas pela inundação (Figuras 1 e 2). RESULTADOS Os resultados obtidos podem ser visualizados na Tabela 1, onde a partir de 1996 obtêm-se registros de máxima cheia em 2012 e mínima vazante em 2010. Vale ressaltar as cotas de cheias representativas acima de 29 m, ocorridas em 1999 e 2009 e de vazantes abaixo de 15 m em 1997 e 2005. O recrudescimento da ocorrência de níveis de enchente/vazante, que oscilaram muito em uma década e meia, refletindo valores representativos acima de 13 m, possivelmente, deve-se à variação de fatores climáticos, como o aquecimento global. 952 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figuras 1 e 2: Inundação no Centro de Manaus em 2012. Tabela 1 - Cotagramas do Rio Negro no Porto de Manaus Fonte: Adaptado de Porto de Manaus (2013). Nível do Rio Negro. Disponível em: http://www.portodemanaus.com.br/. Acessado em 12 jan 2013. Hirabayashi (2013) analisou 11 modelos climáticos globais e a possibilidade de enchentes em 29 bacias hidrográficas de grandes rios, inclusive o Amazonas; e concluiu que com o aumento da temperatura global, as inundações estão se tornando muito mais frequentes e um dos fatores que contribui para que isso ocorra é a emissão de gases do efeito estufa. Conforme Figura 3, observa-se que no período de 1996 a 2012, as cotas de enchente se mantiveram em patamares muito próximos em períodos curtos de tempo, corroborando a conclusão do estudo de que as inundações estão se tornando mais frequentes; e que a cota máxima de vazante nesse intervalo está aquém da mínima enchente, mostrando a ocorrência de grande variação entre enchentes e vazantes. 953 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figura 3: Cotagramas de enchente/vazantes. Dentre os fatores antrópicos que mais contribuem para o agravamento dos problemas gerados pela inundação em áreas urbanas temos: a construção de moradias na planície de inundação (Figuras 4 e 5), a impermeabilização do solo e a existência de galerias de águas pluviais muito antigas construídas no início do séc. XX (MORAIS, 2010). Figuras 4 e 5: Construção de moradias na planície de inundação. DISCUSSÃO Os resultados obtidos através da pesquisa realizada sugerem que seria conveniente que todas as cidades elaborassem um Plano de Gestão de Drenagem Urbana como forma de mitigar os impactos decorrentes desse fenômeno natural e cíclico, tais como: perdas materiais e humanas, interrupção das atividades econômicas das áreas inundadas, proliferação de doenças de veiculação hídrica, etc., pois segundo Martins (2012), este plano compreende um conjunto de técnicas e ações que pode ser resumido no conceito dos 3P (Procedimento, Planejamento e Preparo) e incluiria um elenco de medidas estruturais e não-estruturais para implantação da gestão, tais como: bacias de detenção, retenção e amortecimento; bacias de sedimentação, retenção de detritos e lixo; controle do uso do solo fora da área de inundação, programa de manutenção e inspeção da rede de drenagem, entre outros. Conforme Bonoan et al. (2003) devem ser tomadas informações específicas para adotar procedimentos de controle de inundação, tais como: topográficas, fluvial, hidrológicas, de inundações anteriores e sócio-econômicas da área afetada. Ou seja, promover um monitoramento constante da região para tomada de medidas preventivas que amenizem o efeito das inundações ao longo dos anos. 954 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 REFERÊNCIAS Armesto, R. C. G. 2010. Ação das Águas dos Rios no Planeta Terra. Temas geológicos para educação ambiental. Canal Escola. Educação Ambiental: Caderno V. Disponível em: www.cprm.gov.br. Acessado em 23 jul 2012. Bonoan, M. M. et al. 2003. Manual on Flood Control Planning. Project for the Enhancement of Capabilities in Flood Control and Sabo Engineering of the DPWH. Department Of Public Works And Highways Japan International Cooperation Agency. Disponível em: http://www.jica.go.jp. Acessado em 24 mar 2013. Gil, A. C. 2009. Estudo de Caso. São Paulo: Atlas. Hirabayashi, Y. 2013. Global flood risk under climate change. Nature Climate Change Journal. Disponível em: http://www.nature.com/nclimate/index.html. Acessado em 10 jun 2013. Martins, J. R. S. Gestão da drenagem urbana: só tecnologia será suficiente? Escola Politécnica. USP. 11 p. 2012. Morais, D. L. 2010. A cheia do Rio Negro em Manaus e seus impactos no Centro e na Ponta Negra em 2009. In: Encontro Nacional dos Geógrafos – ENG, Porto Alegre, Anais XVI. PORTO DE MANAUS. 2013. Nível do Rio Negro. Disponível em: http://www.portodemanaus.com.br/?pagina=nivel-do-rio-negro-hoje. Acessado em 12 jan 2013. 955 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 SUBSÍDIO PARA ELABORAÇÃO DE EIA/RIMA PARA ÁREA DE EXTRAÇÃO DE ARGILA A PARTIR DA CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA NA PLANÍCIE DE INUNDAÇÃO DO RIO ITACAIÚNAS EM MARABÁ-PA Josué Souza Passos/Ana Valéria dos Reis Pinheiro/Andréa Hentz de Melo Universidade Federal do Pará - Campus de Marabá [email protected]; [email protected];[email protected] INTRODUÇÃO Na porção oeste do município de Marabá – PA, na margem esquerda do rio Itacaiúnas próximo a sua desembocadura no rio Tocantins a extração mineral de argila vem ocorrendo há várias décadas. No entanto, o modo de extração mineral adotado pelos empreendedores no município não levou em consideração nenhum estudo sobre as condições do meio físico. A consequência dessa omissão com o meio ambiente foi o abandono de várias cavas, muitas delas alagadas, o que se agravou no decorrer dos anos. Este descaso por parte dos extratores de argila levou o Ministério Público do estado do Pará a intervir na extração de argila, através de uma Ação Civil Pública, exigindo do Sindicato dos Ceramistas de Marabá a recuperação das áreas degradadas. Neste contexto, este trabalho tornou-se pioneiro no estudo geomorfológico/ geológico da área em questão, através da elaboração de mapas temáticos, que caracterizam seu meio físico. Estes mapas servirão, por sua vez, como ferramentas fundamentais no auxílio e elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da área degradada, assim como subsídio para a sustentação legal de extração de argila na cidade de Marabá – PA. MATERIAIS E MÉTODO Para a confecção dos mapas temáticos foi necessário, primeiramente, fazer a extração, análise e interpretação dos elementos geológicos/geomorfológicos dos produtos sensores, imagens de satélite, utilizando o método de lógica e sistemática de Soares & Fiori (1976), utilizou-se a hierarquia de classes de drenagem de Strahler (1952) e como apoio a interpretação da drenagem os trabalhos de Howard (1967) e Lima (2002). Depois da extração, análise e interpretação dos dados foram feitos os mapas digitais com o uso dos softwares ESRI ArcMap (ArcGis 9.3) e Global Mapper11.0 no Laboratório de Geoestatística da Universidade Federal do Pará – Campus Marabá-PA. Para o estudo geomorfológico foi aplicado o conceito de sistemas de relevo de Summerfield (1993), segundo o autor, para determinar os sistemas de relevo é necessário identificar os elementos, seus atributos e suas relações. Neste trabalho foram utilizados os sistemas de processos-respostas que resultam em um ajuste entre processo e forma, os quais são representados por interações entre os sistemas morfológicos e os elementos de relevo, e os sistemas sequenciais, descritos por movimentos de massa e fluxo de energia através da paisagem. Segundo Burbank & Anderson (2001) os melhores marcadores geomórficos conhecidos são as paisagens, superfícies e alinhamentos principais que mostram a geometria antes da deformação e indicam idade da deformação pela alta preservação de suas feições. Porém, frequentemente, apenas uma destas características pode ser determinada como um marcador, dispensando as demais. Assim sendo, foi feita a interpretação morfológica da área a partir dos alinhamentos de drenagem e de relevo (SOARES; FIORI, 1976). RESULTADOS A bacia do rio Itacaiúnas é extensa, ocupa uma área de aproximadamente 41.342 km2(VIANA, 2011), tendo localizada em sua foz a sede municipal de Marabá. É constituída por 14 sub-bacias e a própria sub-bacia do Itacaiúnas, cujas características principais são a assimetria forte e a grande subordinação tectônica dos rios em sua maioria com orientação preferencial N-S e outros com direção E-W. O rio Itacaiúnas tem direções gerais N-S em seu alto curso mudando para L-W em seu curso médio, com mudanças bruscas de direção quando observadas em escalas menores, ao longo de todo o seu curso. Próximo à foz deste rio há uma vasta planície de inundação que se fundamentou a partir dos expressivos alagamentos em períodos de chuva e que consequentemente possibilitaram o acúmulo da argila extraída pelos ceramistas neste local. 956 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 As principais propriedades de drenagem identificadas na bacia hidrográfica do rio Itacaiúnas, e, por sua vez, na área delimitada para confecção do mapa de drenagem (Fig. 01) mostram: Presença do padrão subdendríticomeândrico que, segundo Howard (1967), é provocada, provavelmente, por controle essencialmente estrutural, litológico ou litoestrutural. Alta e baixa densidade de drenagem indicando terrenos impermeáveis e porosos respectivamente (LIMA, 2002). Na área em questão é perceptível uma alta densidade da drenagem a E e NE, enquanto uma baixa a W e NW. A presença da sinuosidade pode mostrar uma anomalia no terreno, retratada por um controle estrutural ou até mesmo litológico. A alta angularidade comum a E e SE e a tropia bidirecional com direções preferências a NE-SW e NW-SE, evidenciadas pelos cotovelos, que são feições anômalas, ao longo do rio Itacaiúnas são fortes indícios de drenagem controlada pela existência de fatores tectonoestrututais. A delimitação e a análise dos alinhamentos identificados no mapa específico de alinhamentos de drenagem permitiram a separação dos grupos preferenciais de direção e corroboraram o pressuposto de controle estrutural na área em questão. Os principais alinhamentos estão direcionados da seguinte maneira: NE-SW e NNE-SSW – o primeiro ocorre relativamente distribuído por toda a área e representa extensos alinhamentos presentes nos rios Tocantins e Itacaiúnas. O segundo ocorre em menor quantidade e em menor extensão e encontram-se distribuídos em alguns pontos da área. NW-SE e NNW-SSE – o primeiro ocorre bem distribuído por toda a área e representam extensos alinhamentos nos rios Tocantins e Itacaiúnas o segundo, por sua vez, é limitado a alguns pontos da área tendo maior representatividade na porção central. Essas direções refletem, em termos gerais, a orientação na qual acontece o escoamento da drenagem na área estudada. FIG. 01- Mapa de drenagem da área de estudo. Depois de finalizados os mapas de drenagem e alinhamentos de drenagem, elaborou-se o mapa de relevo (Fig. 02) tomando por base os dados SRTM-90m disponíveis no sítio da EMBRAPA. Os tons verdes no mapa correspondem ao relevo de agradação com cotas de até 95m, representado por planícies aluvionares. Em amarelo estão as áreas de transição, com os relevos colinosos mais suaves e cotas entre 96 e 120m, e; por fim, em tons vermelhos têm-se a área que indica o relevo de degradação, representado pelo relevo residual, com as maiores cotas de elevação, 121 a 160m. O mapa de geomorfologia (Fig.03) que fora confeccionado mostra que as porções SE e NE da área, são formadas por colinas amplas com vertentes suaves e, por colinas de topos abaulados com vertentes íngremes a E, sendo que a W foram diferenciados os relevos de colinas de topo aplainados e vertentes planas e o de colinas de topos aplainados e vertentes íngremes, sustentado, na porção ocidental por rochas clásticas da Formação Itapecuru constituída de argilitos e lateritas, e na porção oriental por 957 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 rochas da Formação Couto Magalhães com micaxistos, filitos e ardósias (DE PAULA, 2010). Às margens do rio Itacaiúnas se destacam as planícies aluvionares de natureza sedimentar quaternária. Fig. 02- Mapa de relevo da área de estudo, realce aos sistemas de relevo. Fig.03- Mapa geomorfológico da área de estudo. CONCLUSÃO As análises e interpretações constantes neste trabalho permitiram traçar as seguintes conclusões: - A área de estudo é constituída pelo sistema de relevo de degradação e de agradação, o primeiro é constituído por diversas formas de colinas sustentadas pela Formação Itapecuru a W e pela Formação Couto Magalhães a E, enquanto o segundo é representado pelo relevo de planície aluvionar. Os setores íngremes das encostas e as planícies fluviais são susceptíveis, respectivamente à erosão linear e às inundações periódicas e devem, portanto, integrar as zonas de maior grau de proteção. - Sobre a área de estudo, detectou-se um forte controle estrutural, definido pelas principais propriedades de drenagem, pelas anômalas feições em cotovelos e corroborado, ainda, pela interpretação dos alinhamentos de drenagem. - As periódicas inundações do rio Itacaiúnas responsáveis pela construção da planície de inundação, possibilitaram o acúmulo da argila extraída pelos ceramistas que não se preocuparam com os impactos que seriam causados pela atividade extrativista. 958 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 - É inviável a construção de qualquer empreendimento no referido local, haja vista as periódicas inundações serem inevitáveis por se tratar de uma área de planície de inundação ativa, contudo, é louvável que seja feita a reabilitação de solo e flora da área impactada. REFERÊNCIAS Burbank, D.W.; Anderson, R.S. Tectonic Geomorphology. Massachusetts: Blackwell Science, 2001. 274 p. De Paula, R. G. Análise temporal, espacial e ambiental da ocupação urbana nas margens dos rios Tocantins e Itacaiúnas na cidade de Marabá: subsídios para o plano diretor municipal. Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal do Pará, 2010. Howard, A.D. Drainage analysis in geologic interpretation: summation. Bulletin American Association of Petroleum Geologist, Tulsa, v. 5, n. 11, p. 2246-2259, 1967. Lima M.I.C. Análise de drenagem e seu significado geológico-geomorfológico. Belém: 2002, CD-ROM. Soares, P.C.; Fiori, A.P. Lógica e sistemática na análise e interpretação de fotografias aéreas em geologia. Campinas, Notícia Geomorfológica, 1976. 16 (32): 71–104 Strahler, A.N. Hypsometric (area-altitude) analisis of erosional topography.Geological Society of America, Bulletin, v. 63, p. 1117-1142, 1952. Summerfield, M.A. Global Geomorphology. New York: British Library Cataloguing in Publication Data, 1993, 537p. Viana, E. T. D. Atualização cartográfica por produtos sensores gratuitos na bacia hidrográfica do rio Itacaiúnas-Serra dos Carajás. Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal do Pará, 2011. 959 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 CONSIDERAÇÕES VOLTADAS AO CONTROLE DOS PROCESSOS EROSIVOS NA BACIA DO ALTO CURSO DO RIO CABAÇAL EM MATO GROSSO Letícia Thommen Lobo Paes de Barros¹; Marcus Vinicius Ducati Cambará²; Fernando Ximenes de Tavares Salomão³. ¹Consultora independente, Eng° Agrônomo, MSc. Ecologia e Conservação da Biodiversidade. ²Graduando em Geologia-ICET/UFMT ³Prof. Dr. do departamento de Geologia Geral-DGG/UFMT [email protected]; [email protected] e [email protected] INTRODUÇÃO A bacia hidrográfica do córrego Dracena, afluente do Rio Cabaçal, encontra-se instalada na zona de transição entre o setor de cimeira do Planalto dos Parecis, e a Depressão do Alto Paraguai, onde se localiza a cidade de Reserva do Cabaçal em Mato Grosso, Figura 1. Planalto dos Parecis Alto Curso Médio Curso Depressão do Alto Paraguai Baixo Curso Reserva do Cabaçal Figura 1 - Em destaque a bacia do córrego Dracena com a maior parte da área na faixa transicional (seta), que separa o nível altimétrico de cimeira, em relevo de Planalto, do nível altimétrico da Depressão do Alto Paraguai (imagem de satélite Cebers II, rota 168-117, banda pancromática, passagem 02/05/2009). Município de Reserva do Cabaçal/MT. A área objeto apresenta boa representatividade da problemática erosiva observada na região compreendida pela bacia do Córrego Dracena afluente do Rio Paraguai, principal curso d´agua do Pantanal Mato-grossense. O objetivo principal deste trabalho é a caracterização de condicionantes ambientais que interferem no funcionamento hídrico e nas manifestações dos processos erosivos, de maneira a subsidiar ações voltadas ao controle preventivo. O diagnóstico realizado foi embasado na abordagem morfopedológica (Castro & Salomão 2000), que permitiu em curto espaço de tempo, a partir de interpretação imagens de satélite de alta resolução, e reconhecimentos em campo, a compreensão da dinâmica do funcionamento hídrico e da suscetibilidade dos terrenos à ação erosiva. CONTEXTUALIZAÇÃO DA PROBLEMATIVA EROSIVA O levantamento de campo foi realizado de maneira a diagnosticar os problemas relacionados à erosão, assoreamento, morte de vegetação, e redução da capacidade produtiva em propriedades rurais localizadas em boa parte da bacia do córrego Dracena, em consequência da retirada da vegetação nativa que recobria ambientes frágeis. Nesses ambientes as relações ecofisiológicas do suporte geoecológico 960 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 (Ab’Saber, 2000), são regidas por características morfopedológicas e funcionamento hídrico favoráveis à instalação de processos erosivos e movimentos de massa. a) As principais cabeceiras do alto curso desse córrego situam em superfície rampeada em direção à borda escarpada do Planalto, cujas escarpas funcionam como soleiras mantenedoras das vertentes das porções de cimeira deste Planalto, no domínio de Neossolos Quartzarênicos, desenvolvidos sobre arenitos muito friáveis da Formação Morro Cristalino (Saes & Leite, 1993). A Figura 2 apresenta um recorte de imagem do principal curso d´agua que forma o córrego Dracena, apontando por meio de setas negras o caimento geral da superfície rampeada em direção às escarpas do planalto, condicionante principal das direções de fluxos d´agua superficiais e subsuperfíciais; as setas azuis indicam o caimento geral dos terrenos ao nível das vertentes. Figura 2 – Recorte de imagem mostrando a porção superior da bacia do córrego Dracena. Assim, na porção de cimeira do Planalto, tanto a camada pedogeneizada como o arenito alterado funcionam como uma esponja, absorvendo as águas das chuvas, e acumulando-as em subsuperfície, reduzindo drasticamente o escoamento superficial, o que torna a faixa escarpada, que serve de soleira para a manutenção das formas de relevo e de vertentes extremamente vulneráveis ao desmoronamento, e desplacamento de blocos de rochas, solos e bancadas lateríticas. b) O médio curso do córrego Dracena desenvolve-se em ambiente muito dissecado marcado pela presença de morros coalescentes com solos pouco desenvolvidos, constituídos por Neossolos Regolíticos, Litólicos e Cambissolos, formados a partir de diversas litologias, como os granitos pertencentes à Suíte Intrusiva Santa Cruz (Ruiz, 2005), conglomerados, arenitos e siltitos da Formação Fortuna (Saes & Leite, 1993). Neste setor da bacia observa-se a presença de uma antiga estrada, hoje totalmente desativada, onde se observa dinâmica erosiva remontante, em processo ativo de erosão e movimentos de massa. Essa estrada foi implantada transpondo morros coalescentes, marcados pela presença de escarpas esfaceladas na borda do Planalto em Neossolos Regolíticos, o qual é pouco desenvolvido, medianamente profundo, tendo seqüência de horizontes A–C–R, contendo na fração areia teores de minerais primários não intemperizados, com indícios de se originar de materiais soltos e muito friáveis. Entretanto, o córrego Dracena, antes de chegar ao nível da Depressão, ainda transpõe outra zona de ruptura de relevo, o que implica para o seu médio curso competência suficiente para transporte de materiais a longas distâncias, podendo em longo prazo atingir os ambientes de planícies aluvionares do baixo curso. c) O baixo curso do córrego Dracena desenvolve-se em ambiente moderadamente dissecado em formas colinosas (colinas médias), com vertentes pouco inclinadas, fundo de vales sinuosos, associados a ambiente agradacional, com ocorrência de solos hidromórficos, meandros abandonados, níveis de terraços, planícies aluvionares e bancos de areia assoreando o leito. Essa condição propicia ao baixo curso do córrego Dracena elevada vulnerabilidade ao assoreamento por ação antrópica. A minimização deste 961 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 processo depende em grande parte do controle dos processos erosivos manifestados no alto e médio curso, acompanhados pela recuperação vegetal das áreas de entorno dos cursos d´agua. CONSIDERAÇÕES FINAIS Interpretações realizadas do funcionamento hídrico da área envolvida da bacia do córrego Dracena contemplando as tendências de infiltração, escoamento de águas de chuva e do aquífero freático, com base em análises de imagem de satélite de alta resolução e reconhecimentos em campo voltado à compreensão das interações entre cobertura pedológica, formas e feições de relevo e substrato geológico, foi possível distinguir comportamentos diferenciados dos processos erosivos envolvendo as porções do alto, médio e baixo curso da bacia. Nas porções do alto e médio curso da bacia, solos muito erodíveis, essencialmente arenosos e profundos (Neossolos Quartzoarênicos e Neossolos Regolíticos) recobrem superfícies rampeadas dominadas por pastagens, marcadas por tentativas de controle da ação erosiva por meio de gradeamento do solo e terraceamentos, resultando em maior exposição do solo, aumento da erosão laminar e linear por ravinas e boçorocas e o assoreamento de fundo do vale com a consequente morte de vegetação florestada no mosaico ribeirinho. As cercas, trilhas de gado e estradas abandonadas e ativas a favor da declividade oferecem condições para o escoamento concentrado das águas de chuva, dando origem a sulcos e ravinas, que, interceptando o aquífero freático ativam fenômenos de pipping em boçorocas muito profundas e de difícil controle. Para minimizar a ação erosiva e evitar que novas erosões ocorram recomenda-se o isolamento por cercas das ocorrências existentes, e a implantação de bebedouros fora do ambiente ciliar. Recomenda-se também a implantação de diques de terra (camalhões) e a melhoria do terraceamento já executado nas vertentes. Com a perspectiva conservacionista recomenda-se o emprego de técnicas que utilizem cobertura vegetal combinada à componentes estruturais para estabilização dos taludes e contenção do escoamento das águas no interior da ocorrência erosiva, executado por equipamentos manuais não mecanizados; recomenda-se finalmente, a utilização de materiais disponíveis nas áreas, a exemplo de blocos de rochas e pedras canga, troncos de árvores mortas e outros. REFERÊNCIAS Ab'Saber, A.N., 2000. O Suporte Geoecológico das Florestas Beiradeiras (Ciliares). In: Matas Ciliares Conservação e Recuperação. Rodrigues e Leitão Filho (Eds.). EDUSP/FAPESP p:.15-25. Castro, S. S. & Salomão, F. X. T. 2000. Compartimentação morfopedológica e sua aplicação: considerações metodológicas. In: GEOUSP. Revista do Departamento de Geografia-FFLCHUSP, Nº 7, São Paulo, Humanitas. Ruiz, A.S. 2005. Evolução geológica do sudoeste do cráton amazônico, região limítrofe Brasil-Bolívia Mato Grosso. Tese de Doutorado, USP-Rio Claro/SP. 299p. Saes, G. S. & Leite, J. A. D. 1993. Evolução tectono-sedimentar do Grupo Aguapeí, Proterozóico Médio na porção meridional do Cráton Amazônico: Mato Grosso e oriente boliviano. Revista Brasileira de Geociências, v. 23, n. 1, p. 31-37. 962 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 A PROBLEMÁTICA DAS ÁREAS DE RISCO EM BOA VISTA-RR: ALAGAMENTO DO BAIRRO CAÇARI Mayk Feitosa Santos1, Olavio Douglas Cavalcante Martins2 ,Filipe Silva Brito da Luz3 Vladimir de Souza4 1 Graduando de geografia da UFRR, bolsista de iniciação cientifica BIPIC/CAPPES ([email protected]); Graduando de geografia da UFRR, bolsista de iniciação cientifica BIPIC/UFRR, ([email protected]); 3 Graduando de geografia da UFRR, bolsista de iniciação cientifica BIPIC/UFRR ( [email protected]) 4 Professor do departamento de Geologia da UFRR, ([email protected]). 2 INTRODUÇÃO Atualmente um dos principais problemas de maior repercussão entre os estudiosos e pelas autoridades de órgãos de preservação ambiental, está relacionado com as questões da ocupação urbana sem planejamento. A ocupação irregular de certas áreas como encostas, planícies de inundação e cabeceiras de rios, tem ocasionado diversos problemas ao equilíbrio do meio ambiente. No período chuvoso tais áreas ficam susceptíveis a deslizamentos, assoreamentos de rios e inundações, causando perda socioeconômica, a exemplo do Rio de Janeiro, que em 2011 ouve vários desastres relacionados à área de Risco. Boa Vista-RR não foge a regra, pois foi verificada a ocupação urbana de áreas que são locais improprio, por vários motivos, tais como a especulação imobiliária, estratégia eleitoral estes contando com a negligência, dos gestores públicos. O conceito de área de risco está relacionado a lugares que estão susceptíveis a impactos ambientais tanto de forma natural ou antrópica, e esse tipo de ação pode ocorrer próximo aos canais fluviais ou em vertentes, sendo assim a possibilidade desse risco ocorrer pode ser representado pela equação R = P x C; na qual a Risco (R) expresso à possibilidade (P) de ocorrência de um evento causar consequências (C) sociais e/ou econômicas significativas (CERRI & AMARAL, 1998). Tais consequências da ocupação das áreas de risco acarretam impactos ambientais, tanto nas matas ciliar, que tem sua retirada para construção de casa, também a drenagem que por sua vez a ocupação tende a ocupar sua borda, podendo acarretar assoreamento do canal, tornando vulneral o local. Segundo Sanchez (2008, p110) “Impacto ambiental é compreendido como toda alteração perceptível no meio, que comprometa o equilíbrio dos sistemas naturais ou antropizados”. Essas variáveis dão partida ao processo de delimitação dessas áreas de risco do baixo rio Cauamé. OBJETIVOS Realizar um levantamento dos impactos ambientais e das áreas de risco da bacia do Baixo Rio Cauamé na área urbana de Boa Vista. MATERIAIS E MÉTODOS A pesquisa foi dividida e executada em três etapas, de inicio realizou-se a busca de dados secundários por meios de levantamento bibliográfico, que envolveram pesquisa documental, sendo as fontes referentes ao assunto em livros, em periódicos, artigos, Internet dentre outros, na segunda fase temse a obtenção de dados primários por meios da realizadas atividades de campo que teve como intuito observar as principais consequências e impactos deixados pelas cheias, além da coleta de dados como aquisição de coordenadas geográficas (UTM), com o auxilio do GPS e descrição da área de estudo tais como os aspectos físicos a exemplo hidrografia, topografia, vegetação, etc. Tal etapa foi fundamental para a criação do banco de dados acerca dos recursos hídricos urbanos de Boa Vista-RR. A terceira etapa foi executada em laboratório, no qual foram elaborados mapas temáticos e cadastrais com os dados obtidos nas duas primeiras etapas (levantamento bibliográficos e atividades de campo) através do uso dos softwares, ARCGIS 9.3, Spring 5.1.8, Google Earth é MapSource. RESULTADOS E DISCUSSÃO O bairro Caçari, por estar localizada em borda de drenagem, estabelece maior risco de cheia para população, uma vez que o mesmo está ocupando a área que mais apresenta níveis topográficos diferenciados. Esta condição fisiografia do relevo aliado a um período chuvoso bem definido, que vai de maio ate agosto, pode-se ter um maior controle sobre a variação de cota do rio. 963 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Em virtude dessas variáveis junto com o período de retorno dos eventos de cheia, que esta em torno de 40 anos, esse conceito pode ser aplicada na dinâmica ocorrida em 2011 em Boa vista, no entanto podem acontecer antes ou depois do período de retorno. Tais abordagens terão de ser completadas com o perfil histórico de cheia do Rio Branco, para levarmos os eventos ocorridos também no baixo Rio Cauamé. Os dados históricos de levantamento de cheia iniciou-se em 1968, cerca de 43 anos atrás, são dados obtidos no monitoramento das réguas limnimétrica da sede da companhia de águas e esgotos de Roraima (CAERR) ( SANDER, et al., 2012). No histórico de cheia do Rio Branco se obteve em 1976 umas das grandes cheias ocorridas no em Boa Vista, esta chegando atingir cotas de até 65,95m, sendo a segunda maior cheia registrada, fazendo a comparação da cheia ocorrida em 2011, onde sua cota foi cerca de ate 66,43m, ou seja, 11m de sua cota normal do rio. Esses dados podem ser perfeitamente explicados no mapa planialtimétrico de Boa Vista (figura 01). Figura – 01: Mapa de curval de nível demostrando a variação de altimetria das bordas da drenagem especificamente do bairro Caçarí-Boa Vista. O mapa planialtimetrico só vem a comprovar as cotas obtidas em 2011, tais pontos demostra em vermelho correspondem a locais mais elevados durante a cheia, são pontos orientados em cotas de 6367m ate 68—73m, tendo alternância de 4m de altura, considerando a margem de erro. Usando o histórico das cheias para sabermos o tempo de retorno de 30 anos, se traçara o limite da máxima cheia ocorrida no baixo Rio Cauamé em 2011, e os mapas de planialtimetricas de Boa Vistam, podemos sobrepor essa informações para se delimitar as áreas de riscos de bairro Caçarí, (Figura 02). 964 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figura- 02: Mapa de delimitação das áreas de risco do baixo rio Cauamé. Tendo em vista que essas áreas são susceptíveis a desastres por dinâmica de cheia, esses locais não deveriam ser ocupados pela população, já que futuramente deve ocorrer cheia de grandes proporções iguais e/ou até mais intensas, acarretando perdas socioeconômicas. Nos locais compreendidas do limite da área de risco do Bairro Caçarí constatou-se alguns tipos de impactos ambientais e socioambientais ocasionados pela cheia da drenagem. Os impactos ambientais observados são tanto de caráter natural, no que se refere à dinâmica fluvial, pois no período da cheia a área atingida está susceptível a inundação devido à máxima cheia, cabe salientar também de caráter antrópico no que se refere à ocupação humana em áreas inadequadas e o uso incorreto do solo (canalização mal feita), e também a retirada da mata ciliar das bordas da drenagem, que tem por consequência, e erosão superficial com transporte de sedimentos acarretando assoreamento do canal, outra problemática são as ocupação de certa forma, regula, pelo fato desses moradores obterem seu titulo definitivo, mas por outro lado essas moradias foram instaladas próximas a drenagem, ou seja, ocupando áreas que antes existia mata ciliar, e por traz disso esta as grandes especulações imobiliárias do local oferece subsídios para essa ocupação na margem, em fim o processo de ocupação tende a trazer consigo vários problemas como exemplo as más infraestruturas construídas, o acúmulo de resíduos sólidos, que por sua vez no período chuvoso tende a trazer perdas socioeconômicas (perdas de matérias, danos a saúde, constrangimento social e além de custar caro para os cofres públicos) para o Bairro Caçarí. CONSIDERAÇÕES FINAIS O crescimento da área urbana próxima à borda do rio Cauamé sem estudos de áreas de risco, acarretou grandes transtornos devido à enchente de 2011. O fato mostra que estas ocupações urbanas têm ocorrido sem estudos prévios e levam em conta apenas o interesse imobiliário e também pela negligencia dos poderes públicos. O Bairro Caçari por estar às margens do Baixo Cauamé é uma área inadequada para ocupação humana por ser considerada área de risco e esta susceptível a inundação. Por consequência o bairro Caçarí sofre tanto com impactos ambientais como socioambientais (perdas materiais devido a catástrofes naturais). Tais abordagens tornam viável a delimitação de áreas de risco na área urbana de Boa Vista, estudo inédito até o presente momento. Este tem como resultado apontar os níveis de máxima cheia 965 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 do rio Cauamé. Com base neste estudo foi possível apontar a causa dos pontos de alagamento ocorridos na cheia de 2011. REFERÊNCIAS Cerri, L. E. S. & Amaral, C. P. do. Riscos Geológicos. In: OLIVEIRA, A. M. dos S. & BRITO, S. N. A. de. (org.). Geologia de Engenharia. São Paulo: ABGE CNPq-FAPESP, 1998, p. 131-144. Sanchez, L. E, Avaliação de impacto ambiental: Conceito e Métodos, São Paulo, Oficina de Texto, 2008, 477p. Sander, C.; Wankler, F. L.; Evangelista, R. A. O.; Moraga, C. H.; Teixeira, J. F. S.; Cheias do Rio Branco e Eventos de Inundação na Cidade de Boa Vista, Roraima, Boa Vista, v.6, n.12, 2012, pp.41-57. 966 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 MAPA DE INUNDAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO URBANO – ESTUDO DE CASO NA SEDE URBANA DE SANTARÉM Milena Marília Nogueira de Andrade*,**, Claudio Fabian Szlafsztein* Universidade Federal do Pará*, Universidade Federal do Oeste do Pará** [email protected], [email protected] INTRODUÇÃO O mapa de inundação é um instrumento importante para o planejamento urbano. As inundações são o tipo de desastre mais frequente no Brasil. Os desastres naturais se referem às consequências dos impactos, danos e prejuízos provenientes de fenômenos naturais extremos ou intensos sobre um sistema socioeconômico, que excedem à capacidade do sistema afetado em eliminar ou conviver com o impacto. Em especial, a classificação das inundações de acordo com a evolução, pode ser lenta ou rápida (CASTRO, 2007). No norte do país o estado do Pará contabiliza um elevado número de pessoas afetadas por ambos os tipos de inundação. O número de pessoas deslocadas, desabrigadas, enfermas e mortas, por inundações bruscas, no período de 1991-2010, é de: 20.272, 10.634, 11.427 e 43, respectivamente. Para as inundações lentas o número de danos aumenta consideravelmente para pessoas deslocadas, desabrigadas e enfermas: 117.013, 37.407, 40.098, respectivamente; e diminui para o número de pessoas mortas, 29 (CEPED; UFSC, 2011). Situado na mesorregião do Oeste do Pará o município de Santarém possui diversos registros destes tipos de desastre. A sede urbana está localizada nas coordenadas geográficas 02° 25”30”S e 54° 42”50”W. A população da sede é de aproximadamente 215.790 habitantes (73% da população total do município) (IBGE, 2011). Desde a década de 50 há registro de danos ocasionados pelas inundações na sede urbana do município. O ano de 2009 registra até o momento a maior inundação lenta com cota fluviométrica de 831cm no mês de Maio (CPRM et al., 2012). Foram afetados ao total 18 bairros por inundação lenta e rápida: Aeroporto Velho, Aldeia, Área Verde, Caranazal, Centro, Floresta, Interventoria, Jardim Santarém, Mapiri, Maicá, Maracanã, Matinha, Nova República, Santarenzinho, Santo André, Pérola do Maicá, Uruará e Urumanduba. Destes os bairros: Aldeia, Área Verde, Caranazal, Centro, Maracanã, Pérola do Maicá e Uruará são afetados por inundações lentas e compõem a área de estudo. O bairro Maracanã I apesar de não ter entrado no decreto também foi analisado neste estudo de caso. METODOLOGIA O mapa de inundação lenta foi elaborado a partir de procedimentos em campo e escritório. Os dados secundários utilizados foram dados planimétricos, em especial curvas de nível de 2 em 2 metros; e uso de imagens de alta resolução espacial. A metodologia utilizada objetiva a construção do mapa geomorfológico e de um mapa participativo (Figura 1). Os dados espaciais foram inicialmente georreferenciados. A partir das curvas de nível foi gerado um Modelo Digital de Elevação e um mapa de declividade. Ambos foram utilizados para separar as unidades de relevo a partir de uma classificação automática. As 70 cenas de imagens de alta resolução foram obtidas na Companhia de Saneamento e Habitação do estado do Pará. Estas fotos aéreas compuseram um mosaico final. Procedimentos de correção geométrica e atmosférica foram realizados. Por fim foi possível fazer uma classificação visual das unidades de relevo. As atividades de campo ocorreram no período de Agosto à Setembro de 2012. Foi feito um levantamento da rede de drenagem, e a retificação e ratificação das unidades de relevo geradas na classificação automática. Nas áreas afetadas pelas inundações foi feito um levantamento com o uso do GPS Garmin 76 CSx determinando os pontos extremos que a água atingiu. A construção do mapa participativo foi uma atividade desenvolvida durante oficinas de grupo focal durante os meses de Agosto e Setembro de 2012. Através deste mapa foi possível registrar e visualizar de forma esquemática os locais aonde ocorreu os problemas relacionados com as inundações (ICMBIO, 2009). Os limites foram demarcados de acordo com a experiência e memória vivenciada pela comunidade do bairro trabalhado. Foi utilizado um mapa base impresso da área urbana de Santarém 967 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 contendo a delimitação dos bairros e ruas principais. Os dados obtidos por cada uma das etapas foram sobrepostos. Ao final foi feito o mapa final com a síntese das informações obtidas para posterior análise (Figura 1). Figura 1: Etapas para geração do mapa de inundações RESULTADOS O mapa de inundação mostra as áreas susceptíveis de serem afetadas por inundação lenta (Figura 2). Foram separadas as classes de susceptibilidade alta, moderada e baixa à ameaça de inundação com base na maior inundação lenta até o momento. Os bairros afetados estão localizados a leste, norte, e nortenoroeste da área de estudo. As áreas de alta susceptibilidade totalizam em aproximadamente 713ha, porém apenas 250ha estão distribuídas em áreas menores dentro da área de planície dos bairros: Aldeia (0,34ha), Centro (0,18ha), Caranazal (18ha), Maracanã I (12ha), Maracanã (11ha), Uruará (57ha), Área Verde (107), Pérola do Maicá (39ha) e Uruará (57ha). As áreas de moderada susceptibilidade totalizam em 240ha e estão situadas nas interface entre o relevo de colina e planície. São áreas de baixa declividade e altitude dos mesmos bairros supracitados que ocupam as respectivas áreas: Aldeia (1ha), Centro (3ha), Caranazal (3ha), Maracanã I (5ha), Maracanã (2ha), Uruará (8ha), Área Verde (25), Pérola do Maicá (100ha) e Uruará (8ha). A área com susceptibilidade baixa corresponde a 223ha, representa maior parte no estudo de caso. São áreas topograficamente mais elevadas de colinas e não são atingidas mesmo nas enchentes excepcionais. 968 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figura 2: Mapa de ameaça à inundação lenta na sede urbana do município de Santarém. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO As áreas que apresentam alta susceptibilidade à inundação afetam locais específicos dos bairros de acordo com a distribuição espacial no mapa. Correspondem a áreas de planície de inundação e desembocadura dos igarapés Irurá e Urumari. A área de desembocadura dos citados igarapés está inserida na área do leito maior dos rios Amazonas e Tapajós e, portanto, sazonalmente alagados no período de cheia. São afetadas residências em forma de palafita que se encontram nestes locais, e em menor quantidade residências em foram de “marombas”. Os danos são relacionados às enfermidades relativas ao uso da água e devido ao aparecimento de animais peçonhentos. Danos estruturais também podem ser verificados após o período de inverno nas residências. Os locais com susceptibilidade moderada totalizam a menor área. São áreas afetadas apenas por eventos de inundação excepcionais, tal como o ano de 2009, o qual foi utilizado como referência na atividade do mapa participativo. As áreas afetadas variam de residencial e comercial. Com exceção do bairro Centro o qual as áreas afetadas são predominantemente comerciais. Os danos são a acessibilidade reduzida, a perda de móveis, eletrodomésticos e mercadorias. Enfermidades também são constantes relacionadas à água contaminada principalmente em crianças. Os locais com susceptibilidade baixa representam a maior área uma vez que a área de estudo situase em maior parte sobre a unidade de relevo morfoestrutural do Planalto Rebaixado da Amazônia. Dessa forma, o relevo de colinas com topos suaves, a declividade de baixa a relativa, e o afastamento da rede de drenagem não propicia o estabelecimento de desastres relacionados com inundação lenta. Sendo apenas possível estabelecimento de desastres relacionados com inundações rápidas. Entender a ameaça faz parte da gestão de riscos e desastres. Os locais em que a susceptibilidade de ocorrência é alta ou moderada deve ser alvo de maior atenção do poder público para políticas urbanas. É necessário também analisar a ameaça a partir da percepção de risco espacial e temporal da população diretamente afetada, ou indiretamente afetada (relativa às lideranças que possuem capital político). Conclui-se que a delimitação das áreas que são passíveis de ocorrência de desastres de inundação deve ser conhecida pela população e pelo poder público. Para que desse modo, ações e medidas de 969 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 prevenção possam ser realizadas nestas áreas. Portanto o mapa de ameaça cumpre um papel fundamental para o planejamento urbano sendo elemento essencial da delimitação e análise de áreas risco à inundação. REFERÊNCIAS Castro, A. 2007. Manual de Desastres - Desastres Naturais. Brasília: Ministério da Integração Nacional, Secretaria de Defesa Civil. CEPED; UFSC. Atlas Brasileiro de Desastres Naturais. Florianópolis: CEPED/UFSC, 2011. CPRM; ANA; SIPAM. 2012.. Monitoramento Hidrológico de 2012 - Boletim Abril / 2012. Manaus: SIPAM. IBGE. 2011. Sinopse do Censo Demográfico. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. ICMBIO Instituto Chico Mendes de Conservação e da Biodiversidade 2009. Conselho deliberativos em Resex/RDS da Amazônia: uma experiência de capacitação participativa em processo. nahyda franca Von der weid (org) – brasilia: ICMBIO, 148p. isbn: 978-85-61842. Smith, K.; Petley, D. Environmental Hazards Assessing Risk and Reducing Disaster. 5ed, Routledge: Londres. 2008. 970 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 SENSIBILIDADE AMBIENTAL DAS PRAIAS DE VILA DO CONDE, ITUPANEMA E CARIPI (BARCARENA/PARÁ) Nívia Cristina Vieira Rocha1 ; Amilcar Carvalho Mendes2; André Matsumura da Silva 3 Graduanda do Curso de Ciências Ambientais – CESUPA / [email protected] 2 Pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi / [email protected] 3 Graduando do Curso de Engenharia Ambiental – UEPA / [email protected] 1 INTRODUÇÃO Situado na meso região metropolitana de Belém, o município de Barcarena se limita ao norte pela Baía de Guajará e município de Belém, ao sul pelos municípios de Mojú e Abaetetuba, a leste pelo município de Acará e, a oeste, pela Baía do Marajó. Neste município estão localizadas as praias de Caripi, Itupanema e Vila do Conde, todas sob influência direta dos complexos portuário e industrial ali existentes e, por essa razão, as atividades socioeconômicas ali desenvolvidas podem ser potencialmente prejudicadas, caso ocorra derramamento de óleo nas águas que as bordejam. O Ministério do Meio Ambiente lançou em 2011 um edital em conjunto com o CNPq, para o mapeamento e elaboração de cartas de sensibilidade ambiental a derramamentos de óleo, para as bacias sedimentares da Foz do Amazonas e Pará-Maranhão/Barreirinhas, tomando como unidade cartográfica as Bacias Marítimas e o Plano Cartográfico para Mapeamento de Sensibilidade Ambiental, criado em 2002, que delimita três níveis de mapeamento: a) Estratégico (escala de 1:500.000); b) Tático (escala de 1:150.000); c) Operacional (escalas de 1:10.000 a 1:50.000). O objetivo do estudo foi avaliar a sensibilidade ambiental das referidas praias, com relação a derrame de óleo, à erosão e à urbanização e elaborar as Cartas de Sensibilidade Ambiental a Derrame de óleo (Cartas SAO) em escala operacional (1:10.000). METODOLOGIA A metodologia constou de levantamento de dados pretéritos, aquisição de imagem multiespectral GeoEye, datada de 31 de julho de 2010, através do Google Earth Professional e processamento da mesma utilizando o software Global Mapper 8.0. No georeferenciamento desta foi utilizada a técnica de ortorretificação através de pontos de controle-imagem. Nos trabalhos de campo foram efetuados o registro e descrição dos componentes geoambientais, verificação de processos erosivos e de urbanização, bem como coleta de sedimentos e determinação da inclinação da face praial. Na etapa pós-campo foram realizadas as análises dos dados pretéritos referentes aos aspectos biológicos e socioeconômicos relativos à sensibilidade ambiental à derrame de óleo para as áreas estudadas (Petrobras, 2004) e elaboração das respectivas cartas SAO, bem como dos mapas de sensibilidade à erosão e do nível de urbanização, apoiada nas propostas de Souza Filho et al. (2004); Esteves et al. (2003) e Silva et al. (2009). RESULTADOS Sensibilidade ambiental a derrame de óleo A linha de costa mapeada perfaz um total de 9,55 km, referentes à extensão total das praias do Caripi (2,32 km), Itupanema (2,50 km) e Vila do Conde (4,73 km). No mapeamento os ambientes naturais registrados foram: praias fluviais com granulometria de fina a média (maior representatividade na área de estudo); escarpas expostas com declives íngremes em areia (menor representatividade na área estudada); planícies de maré vegetadas (várzeas) margeando canais fluviais que desembocam no rio Pará e, barrancos fluviais equivalentes à classe “falésias rochosas expostas com talus na base” segundo Souza Filho et al. (2004). Adicionalmente foram registrados trechos com estruturas sólidas expostas construídas pelo homem com o objetivo de contenção de processos erosivos. A partir desses dados cada praia estudada foi contemplada com uma carta SAO em escala 1:10.000 (Figura 01), onde foram priorizadas a sensibilidade dos ambientes com relação ao derrame de óleo e principais aspectos biológicos e socioeconômicos descritos em (Petrobras, 2004). 971 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figura 01: Mapas de sensibilidade ambiental a derrame de óleo para as praias do Caripi (A), Itupanema (B) e Vila do Conde (C), em escala 1:10.000. Na tabela 01 é apresentada a síntese referente aos ambientes mapeados, principais características, comportamento do óleo e tipos de resposta do ambiente, e os respectivos índices de sensibilidade ambiental a derrame de óleo. Sensibilidade ambiental à erosão Estabelecida a partir da tendência atual de comportamento da linha de costa. Em todas as praias estudadas foram registradas evidências de ataque erosivo, com maior destaque para as praias do Caripi e Vila do Conde. Na praia de Caripi, aproximadamente 25% de sua extensão está submetida a este processo, exercendo influencia sobre as atividades de uso e ocupação. Portanto, a classificação à sensibilidade a erosão varia de alta a muito alta. A Praia de Itupanema apresenta cerca de 60% de sua extensão submetida ao ataque erosivo. Uma evidência marcante deste processo é a presença de estruturas de contenção em madeira que apresentam trechos deteriorados em decorrência da ação das marés. Em função do processo erosivo apresenta face praial bastante limitada, que restringe as atividades recreacionais. Em decorrência, foi classificada como praia com muito alta sensibilidade à erosão. A Praia de Vila do Conte apresenta 35% da faixa de praia com evidências marcantes de processos erosivos, sobretudo no setor leste, onde é visível o efeito das marés nas unidades ocupacionais ali 972 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 estabelecidas e, também, sobre os barrancos que margeiam a praia. Em decorrência do uso e ocupação em menor escala, foi classificada como de sensibilidade moderada à erosão. Tabela 01: Principais características dos ambientes mapeados, comportamento do óleo, tipo de resposta e índice de sensibilidade ambiental. Comportamento do Tipo de Ambiente ISA Características óleo Resposta Declividade alta A remoção do Não há penetração Superfície Lisa óleo tende a ser Estruturas Sólidas 1B Não há permanência do Constituída em madeira ou naturalmente e óleo concreto rápida Declividade alta Penetração do óleo < Reflexão média de ondas e É necessária a 10cm marés limpeza Barrancos fluviais 1C Mínima possibilidade Edificados em rochas da mecânica do de Formação Barreiras; óleo soterramento do óleo geralmente compactos Declividade moderada Penetração do óleo < É necessária a Areia média 10cm Possibilidade de limpeza Praia Fluvial 3A Reflexão baixa de ondas soterramento do óleo mecânica do Presença de atividade após processo erosivo óleo socioeconômica Substrato semipermeável Penetração do óleo < Escarpas expostas Reflexão média de ondas e 10cm É necessária a com declives 3B marés Mínima possibilidade limpeza do óleo íngremes em areia Sedimentos bem de selecionados soterramento do óleo Penetração de óleo Declividade baixa A remoção limitada Sucessão de argilas ricas natural ocorre Possibilidade de em matéria orgânica de forma lenta, Várzeas 9B cobertura direta da Rica comunidade biológica devido aos vegetação pelo óleo na Área passível a inundações baixos níveis de zona intermarés, devido às marés energia Impacto na biota Níveis de urbanização A ocupação nas praias do município de Barcarena ocorre de forma concentrada, principalmente nas praias de Caripi e Vila do Conde. Em Itupanema a ocupação da face praial é baixa, uma vez que a faixa destinada à praia recrecional é ínfima em relação às demais. Com base nos critérios estabelecidos por Silva et al. (2009), que levam em consideração o percentual de extensão de face praial submetida a uso e ocupação, as praias do Caripi, Itupanema e Vila do Conde, foram classificadas como de alta, baixa e moderada urbanização respectivamente. A partir das análises relativas à sensibilidade das praias estudadas ao derrame de óleo, à erosão e à urbanização foi gerada uma figura de síntese, apresentando a correlação destes três critérios (Figura 02): 973 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figura 02: Classificação da linha de costa em relação sensibilidade ao derrame de óleo, sensibilidade à erosão e à urbanização. CONCLUSÃO As imagens GeoEye possibilitaram o mapeamento de detalhe e de baixo custo das áreas de estudo foram possibilitando a definição de cinco índices de sensibilidade a derrame de óleo, sendo estes, 1B, 1C, 3A, 3B e 9B, correspondendo, respectivamente, às estruturas sólidas expostas construídas pelo homem, barrancos fluviais (equivalentes à classe “falésias rochosas expostas com talus na base”), praias com granulometria fina a média, escarpas expostas com declives íngremes em areia e planícies de maré vegetadas (várzeas). As praias de Caripi e Vila do Conde apresentaram nível de urbanização alto e moderado, respectivamente, enquanto que a praia de Itupanema apresentou nível baixo. No que concerne à erosão todas as praias estudadas apresentam trechos com sensibilidade alta a muito alta ao processo erosivo. REFERÊNCIAS Esteves, L. S., Silva, A. R. P., Arejano, T. B., Pivel, M. A. G., Vranjac, M. P., 2003. Coastal Development and Human Impacts Along the Rio Grande do Sul Beaches, Brazil. Journal of Coastal Research. 548-556. Petrobrás, Cenpes, Ama. 2004. Mapa de sensibilidade a derrame de óleo de áreas de influência do terminal de Belém da Transpetro, escala 1:49.752. Silva, I. R.; Nascimento, H. M. & Rebouças, R. C. 2009. Avaliação da Sensibilidade Ambiental das Praias Localizadas no Arquipélogo Tinharé/Boipeba, Litoral Sul do Estado da Bahia. Geociências, 28(2)193201. Souza Filho, P.W.M., Miranda, F.P., Beisel, C.H., Almeida, E.F., Gonçalves, F.D., 2004. Environmental sensitivity mapping for oil spill in the Amazon coast using remote sensing and GIS technology. In: International Geoscience and Remote Sensing Symposium – IGARSS, Ancorage, Alaska. Proceedings…: IEEE Geocience and Remote Sensing. 974 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 MAPEAMENTO DAS ÁREAS DE RISCO DOS RECURSOS HÍDRICOS URBANOS DE BOA VISTA-RR- ESTUDO DE CASO: BAIRRO PARAVIANA Olavio Douglas Cavalcante Martins, Acadêmico do Curso de Graduação em Geografia da Universidade Federal de Roraima, Bolsista PIBIC-CNPq, E-mail: [email protected]; Mayk Feitosa Santos, Acadêmico do Curso de Graduação em Geografia da Universidade Federal de Roraima, Bolsista PIBIC-CNPq, E-mail: [email protected]; Filipe Silva Brito da Luz, Acadêmico do Curso de Graduação em Geografia da Universidade Federal de Roraima, Bolsista PIBIC-CNPq, E-mail: [email protected]; Vladimir de Souza, Prof. Dr. do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Roraima, Orientador, E-mail: [email protected]. Universidade Federal de Roraima INTRODUÇÃO O bairro Paraviana localizado na zona norte de Boa Vista – RR situado ao longo do baixo rio Cauamé vem sofrendo um rápido processo de ocupação que avança rapidamente em direção à margem do rio Cauame. Essas áreas são mais susceptíveis a alagamento e estão protegidas pela lei de parcelamento do solo urbano (Lei Federal nº 6.766/79). No entanto estas áreas vem sendo ocupadas inescrupulosamente causando vários impactos ambientais como a canalização dos igarapés, impermeabilização do solo, resíduos produzidos pela população e a ocupação de áreas de APP. No bairro Paraviana em particular a ocupação em sua grande parte esta ligada à especulação imobiliária, localização e por ser considerado um bairro onde residem pessoas de alto poder aquisitivo. Ao observamos o estado de elevada degradação dos nossos recursos hídricos nos períodos chuvosos devido à ação antrópica constatamos então que é fundamental a realização de um estudo com o objetivo de delimitar e mapear essas áreas de risco. Deste modo pode – se gerar dados satisfatórios que poderão ser usados como base em outras pesquisas e principalmente pelos órgãos responsáveis que no presente momento se omitem e observam com olhares despretensiosos a situação. OBJETIVO Mapear as áreas de risco da bacia do baixo rio Cauamé e realizar um levantamento dos impactos ambientais na área correspondente ao bairro Paraviana no perímetro urbano de Boa Vista – RR. MATERIAIS E MÉTODOS O bairro Paraviana esta localizado na zona norte de Boa Vista – RR, Coordenadas: 2°51'38"N 60°39'40"W possui uma área extensa onde residem cerca de cinco mil quatrocentos e quarenta e três (5.443) pessoas distribuídas em um total de mil seiscentos e dez (1.610) domicílios particulares, conforme dados divulgados pelo IBGE correspondente ao ano de 2010. O mapeamento das áreas de risco foi realizado a partir dos seguintes procedimentos: Coleta de dados Primários onde foram realizadas pesquisas de campo na área definida pelo projeto fazendo-se necessário o uso de algumas ferramentas, tais como câmera fotográfica camera samsung 16mp para coleta de imagens da área, e GPS modelo etrex garmin para a obtenção das coordenadas dos pontos necessários para pesquisa; Coleta de dados secundários que abrange consultas em periódicos, livros, artigos, teses, sites a cerca do tema, mapas ligado à temática aqui abordada, e publicações oficiais de cunho Estadual, Federal e divulgadas por institutos de pesquisa referentes á esta área de estudo; Sistematização dos dados coletados nas etapas anteriores através do software Arc.Gis 9.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Com o avanço da mancha urbana no bairro, os terrenos marginais ao curso d’água do baixo rio Cauamé começaram a ser ocupados e loteados avançando cada dia mais sobre o leito do rio atingindo assim as áreas de APP, a mata ciliar e removendo a cobertura vegetal dessas areas, quando isso acontece o rio perde sua proteção natural ficando sujeito a assoreamento, desbarrancamento de suas margens além dos resíduos despejados pela água da chuva nos seus leitos reduzindo o volume de água e aumentando o risco de alagamentos, problema que só é sentido com a chegada do período chuvoso, essas áreas com seus elementos de risco possuem um alto grau de vulnerabilidade, caracterizando assim as áreas de risco (Figura 01). 975 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Figura 01 – Delimitação de área de risco. Diferente da maioria dos locais que sofrem com esse tipo de problema o bairro Paraviana foge um pouco dessa realidade por ser ocupado por pessoas de alto poder aquisitivo e pelo fato da caracterização de sua área de risco ser constituída por residências de alto padrão e loteamentos super valorizados. Observando o mapa de curvas de nível de Boa Vista (figura 02) podemos constatar a predominância de baixas altitudes no bairro Paraviana próximo ao rio Cauamé, tornando essas áreas mais susceptíveis a alagamentos; local onde estão dispostos os pontos no mapa. Figura 02 – Mapa de curvas de nível de Boa Vista. Unindo esses dados topográficos ao evento da máxima cheia histórica do Rio Branco que tem 43 anos de monitoramento, onde são registradas as duas maiores cheias. De 1976 com previsão de retorno estimada em 21 anos, atingindo uma área de 5,85 km2 e 65,95 m de altitude e a maior cheia registrada, em 2011 com 6,16 km2 de área atingida e 66,43 m de altitude, a relação entre esses dados servem de base para a delimitação de áreas de risco. 976 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 CONCLUSÕES Considerando alguns fatores como os biológicos, físicos, sociais e acima de tudo políticos, que contam com ações nocivas que favorecem o processo de degradação do meio ambiente, esta mesma esta coligada a omissão e até a conivência dos órgãos responsáveis e pela política de uso e ocupação do solo. A especulação imobiliária prospera nesta área com o planejamento de novos projetos municipais de ampliar a cidade no sentido do setor norte destruindo assim as últimas áreas preservadas remanescentes. Como resultado estar havendo uma alteração na qualidade ambiental e na dinâmica dos recursos hídricos. É esse processo de urbanização desordenada que vem causando grandes problemas ambientais nesse trecho do baixo rio Cauamé, no bairro Paraviana. A pesquisa além de necessária é fundamental para mostrar a degradação e o estado em que estão nossos recursos hídricos urbanos. Esta deve apontar soluções emergenciais que visem principalmente frear o avanço desse processo de ocupação como também a recuperação dessas áreas já afetadas, e consequentemente das bacias do perímetro urbano de Boa Vista – RR. A mesma deve também subsidiar informações e compor uma base de dados para serem utilizadas em futuros projetos ambientais e urbanos para o nosso município. Cabe salientar que a escassez de informações nessa área é o principal obstáculo dos pesquisadores, mas para que isso se concretize temos que mudar a política que favorece certos grupos econômicos em detrimento do meio ambiente. REFERÊNCIAS Beserra Neta, L. C.; Souza, V. Mapeamento e diagnostico socioambiental de áreas de risco geológico e ambiental em Boa vista-RR. In 45º Congresso Brasileiro de Geologia. Belém do Pará. In Press, 2010. Brasil, Ministério das Cidades / Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT. Mapeamento de Riscos em Encostas e Margem de Rios. Brasília: Ministério das Cidades; Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, 2007. Sanchez, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e práticas. São Paulo: Oficina de textos, 2008. Sander, C. Cheias do rio Branco e eventos de inundação na cidade de Boa Vista, Roraima. ACTA Geográfica, Boa Vista, v.6, n.12, mai./ago. de 2012. pp.41-57. SANTOS, Rozely Ferreira dos. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo: Oficina de textos, 2004. Silva, J., M., O.; Silva, E. V.; Seabra, G.; Rodriguez, J. M. M. (Org.). Gestão dos recursos hídricos e planejamento ambiental. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2010. 977 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 ANÁLISE DA PERMEABILIDADE DO SOLO PARA OBTENÇÃO DE LICENÇA PRÉVIA PARA UM LOTEAMENTO EM MARABÁ-PA Renato Carvalho de Negreiros /Ana Valéria dos Reis Pinheiro Universidade Federal do Pará - Campus de Marabá. [email protected]; [email protected]; INTRODUÇÃO O sul e sudeste do Pará apresentam taxas de crescimento bem acima da média nacional. Destacase como pólo regional e administrativo entre as cidades desta região o município de Marabá, que é um dos poucos municípios do mundo com taxas de crescimento maior que a China, em torno de 19,7 % ao ano (Fonte: Revista Veja “O Tigre da Amazônia” de 01/09/2010). As principais consequências com aumento demográfico serão desequilíbrios sociais e ambientais, entre outros. Isso já está acontecendo com a implantação de novos loteamentos e condomínios no entorno da zona urbana da sede, sem contar com invasões em áreas litigiosas e sem condições mínimas de infra-estrutura. Para que essa expansão aconteça de maneira responsável diminuindo ao máximo os impactos ambientais faz-se necessário o uso de ferramentas legais, entre elas o licenciamento ambiental e o cumprimento de leis relacionadas ao meio ambiente, utilizando sempre (que possível) a geologia como ferramenta atuante nesse processo. Este trabalho trata de um novo loteamento localizado às margens da Rodovia BR 230 (Transamazônica), km 10 no sentido Marabá/São Domingos. Possui uma área total de 580,1566 ha (quinhentos e oitenta hectares, quinze ares e sessenta e seis centiares). Faz limite a oeste com o 52º Batalhão de Infantaria de Selva, a leste e a norte com o Rio Tauarizinho e a sul com a BR 230. MATERIAIS E MÉTODO No início do trabalho foram realizadas pesquisas bibliográficas referentes ao município de Marabá, assim como pesquisa da legislação pertinente ao assunto, com suas referidas resoluções, leis e alterações. Com relação aos trabalhos de campo utilizou-se fielmente NBR’S normalizadas pela ABNT: NBR-9.603 – Sondagem a trado; NBR – 15495 – Poços de monitoramento em aquíferos granulares. Na realização das sondagens foi utilizado trado mecanizado, equipado com um motor de 260 cc A caracterização geológico-geotécnica da área objeto de implantação do empreendimento foi realizada em duas etapas distintas, para atender fielmente a todas as exigências para obtenção da Licença Prévia. Na primeira etapa foi executada uma caracterização geral da área de estudo, seguida de uma etapa de estudos específicos, compreendendo a caracterização do material presente na área, bem como o registro de processos geológicos. Na primeira etapa foi realizado o levantamento dos aspectos geológico-geotécnicos correspondentes à localização do empreendimento e à caracterização preliminar da área, com o desenvolvimento das seguintes atividades: - localização da área de implantação do loteamento residencial urbano e análise do contexto local; - levantamento, com base na bibliografia existente, das características gerais da área estudada, coletando informações relacionadas ao relevo, solo, substrato geológico. Na segunda etapa foram realizados os estudos geológico-geotécnicos de detalhe na área de interesse, ou seja, a caracterização do material e dos processos atuantes. Nessa etapa foram realizadas as seguintes atividades: - execução de investigações diretas de subsuperfície: sondagem a trado na área em questão, com descrição dos materiais perfurados e elaboração de perfil de sondagem, segundo descreve a norma ABNT/NBR9603; - coleta de amostras do solo (deformadas) e da água de subsuperfície; - análise táctil-visual dos solos em termos de coesão ou consistência do solo, nas diferentes profundidades (níveis de suporte); - aferição da permeabilidade do solo em toda área do futuro empreendimento. Todos os ensaios de permeabilidade foram executados através do método descrito pela ABGE (1981), onde se obtêm o coeficiente de permeabilidade (k) em cm/s. Consistindo basicamente em se perfurar um comprimento “L” do solo, abaixo da cota da ponta do tubo de revestimento, e enchê-lo com água até a boca mantendo-o cheio, pelo menos por 20 minutos, para saturar o solo. O nível de água deve 978 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 ser mantido constante, alimentando-o por uma fonte apropriada, medindo-se o volume de água introduzida durante certo intervalo de tempo, geralmente 10 minutos. Para todos os ensaios os solos foram classificados segundo Mello & Teixeira (1967, apud CELLIGOI & SOUSA, 2009). Conforme os resultados, os solos foram classificados quanto ao grau de permeabilidade de acordo com Terzaghi & Peck (1967, apud CELLIGOI & SOUSA, 2009). Após as atividades de campo, que consistiram em atividades in loco para coleta de dados, foi feita a caracterização geológica do terreno com o objetivo de se elaborar um laudo geotécnico-geológico, assim como a elaboração de perfis geológicos da área, nível de água e litotipos, que subsidiaram as discussões e conclusões, como parte integrante do processo de licenciamento ambiental para implantação de um loteamento urbano multifamiliar. As atividades de campo assim como as interpretações e o refino de informações foram realizadas através de estágio realizado na empresa Poços Brasil, responsável por perfurações de poços para abastecimento, sondagens a trado, a percussão, outorga de água e elaboração de laudos na área ambiental. RESULTADOS O Laudo Geológico-Geotécnico é parte integrante dos estudos de impacto ambiental no processo de licenciamento ambiental e está previsto no Artigo 6º da Resolução n.° 001/86 do CONAMA - O estudo de impacto ambiental desenvolverá, no mínimo, as seguintes atividades técnicas: I - Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes da implantação do projeto, considerando: a) o meio físico - o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d'água, o regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes atmosféricas; b) o meio biológico e os ecossistemas naturais - a fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação permanente; c) o meio socioeconômico - o uso e ocupação do solo, os usos da água e a socio-economia, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos. O Parcelamento do Solo Urbano (loteamento) é uma atividade que tem sido responsável pelo comprometimento da qualidade ambiental e segurança da qualidade de vida da população (ANDRADE, 2005). Casos de desabamentos de moradias, enchentes, assoreamento e poluição de cursos de água, destruição de cobertura vegetal nativa, desenvolvimento de processos erosivos, dificuldade de acessos a serviços, equipamentos e infraestrutura básica, são conhecidos (SILVA, 1981; EROSTEIN, 2000). Sendo assim, fazem-se necessários estudos que possam embasar melhor os possíveis impactos ao meio físico. Nesse contexto os fatores hidrogeológicos, geotécnicos, sociais e estruturais devem ser avaliados com critério, apontando possíveis fragilidades e eventuais processos degradantes. O licenciamento do Condomínio Cidade Jardim foi dividido em 6 etapas (Fig. 1), com o objetivo de evitar um processo de licenciamento por parte da SEMA estadual fugindo assim da burocracia e de custos mais elevados e abrindo precedentes para um licenciamento através da SEMMA municipal. Em todas as etapas foram realizados furos de sondagem, em um total de 37 furos (Fig. 1), com o objetivo de caracterizar os litotipos através do perfil de cada poço, os NA’s, o perfil hidrogeológico (Fig. 2) e as considerações finais da área com o objetivo de subsidiar informações na elaboração de projetos geotécnicos, como por exemplo, a implantação de modelos de fossas sépticas adequados aos perfis hidrogeológicos da área. 979 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Fig. 1 – Loteamento Cidade Jardim com as 6 etapas do licenciamento e a Localização dos furos de sondagem realizados tendo ao fundo a área da UFPA. Cota (m) 120 Cota da boca do furo 100 80 Profundidade dos furos NA 60 40 20 ST 19 ST 2 ST 12 2000 m ST 5 ST 10 Distância (m) Fig. 2 – Perfil Hidrogeológico da área do Loteamento Cidade Jardim. Indicando na parte E cotas mais baixas e níveis de água em profundidade menores. CONCLUSÃO Com o resultado das observações de campo, das análises e ensaios realizados na área de estudo, podem ser apresentadas as seguintes considerações: De forma geral, a permeabilidade do terreno é BAIXA. A 5ª etapa apresenta um comportamento diferenciado das demais etapas, por isso mereceu destaque em relação às demais. Na 5ª etapa o terreno apresenta uma cobertura de cascalho que varia de 0,40 m até cerca de 2,50 m em algumas porções, o que lhe confere um ALTO grau de permeabilidade. A área referente faz limite direto com o rio Tauarizinho, conferindo-lhe influência direta nesse corpo de água. O ALTO grau de permeabilidade do terreno na 5ª etapa e a distância do rio Tauarizinho, indicam más condições para elaboração de obras no que diz respeito a fossas sépticas em quantidades não suportadas pelas características hidrológicas do mesmo. O conjunto de investigações realizadas permitiu a reunião de dados de subsuperfície plenamente suficientes para subsidiar a elaboração de um projeto adequado de obras subsuperficiais (fossas sépticas). De acordo com o que foi executado, 50% dos furos localizados na 5º etapa atingiu o nível de água entre 4,0 m e 5,0 m, indicando níveis de água baixos. 980 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 Ressalta-se que os furos foram realizados na época de estiagem (Setembro, 2010), sendo assim os níveis de água dos lençóis estão baixos e devem subir no inverno. A área em questão situa-se na região de cotas baixas com algumas variações de 87 m a no máximo 101 m. O gradiente hidráulico definido exibe um fluxo de água subterrânea da parte Sul (S) para a parte Norte (N) da área, no sentido do corpo de água do rio Tauarizinho. As águas pluviais obedecem ao mesmo comportamento. Recomenda-se que a área referente à 5ª etapa seja preservada ao máximo, podendo entrar em cotas de áreas reservadas à preservação em loteamentos urbanos, como áreas verdes, chácaras e outras formas de conservação conforme o especificado em lei. REFERÊNCIAS Andrade, R. L. S. Considerações sobre o parcelamento do solo urbano. Fortaleza: Ministério Público do Estado do Ceará. Procuradoria Geral de Justiça, [2005]. Disponível em: <http://www.pgj.ce.gov.br/servicos/artigos/>. Acesso em: 10 set. 2010. Celligoi, A; Sousa, R. V. B. Monitoramento hidrogeológico como ferramenta de avaliação à degradação dos recursos hídricos: estudo realizado no aterro controlado de londrina – PR. Universidade Estadual de Londrina, Departamento de Geociências – Revista de Geografia - v. 18, n. 1, jan./jun. 2009. Disponível em: < http://www.uel.br/revistas/uel/> Acesso em: 20 out. 2010. Conselho Nacional do Meio Ambiente (Brasil). Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Dispões sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 fev. 1986. Seção 1, p. 2548-2549. Erostein, M. D. Metrópole e Expansão Urbana: A persistência dos processos insustentáveis. Perspectiva, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 13-19, maio 2000. Silva, J. A. Parcelamento do solo urbano e as implicações da recente lei reguladora da matéria com os interesses do município. Revista da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, São Paulo, n. 18, 1981. 981 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 EXPANSÃO TERRITORIAL E EXTRAÇÃO DE ARGILA PARA USO NA CONSTRUÇÃO CIVIL NO BAIRRO SÃO FELIX, REGIÃO METROPOLITANA DE MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ Ricardo Lima Figueira1 , Raimundo Nonato do E. S. dos Santos1 1 Faculdade de Geologia, Campus Universitário de Marabá, Universidade Federal do Pará E-mails: [email protected], [email protected] INTRODUÇÃO A cidade de Marabá possui um setor siderúrgico que contribui de forma significativa para a economia da região. O município de Marabá é o quarto mais populoso do Pará, com crescimento anual de 19,7%. A construção civil é o setor que mais cresce no município. Os minerais de uso na construção civil são o cascalho, areia e argila, que são extraídos nas proximidades da cidade. O mercado desses minerais tornou se bastante aquecido devido as especulações da implantação da Aços Laminados do Pará (ALPA), em Marabá. O contingente populacional atraído pela construção da siderúrgica gerou o caos demográfico, com chegada de dezenas de famílias em Marabá, oriundas do estado do Maranhão, principalmente. A demanda por moradia levou as pessoas a buscarem áreas para a construção suas residências, sendo que o bairro do São Felix proporcionou as condições físicas para abrigar as novas residências. Concomitante a necessidade por construções populares, como o programa minha casa minha vida do governo federal, instalou-se no bairro São Felix, vários condomínios horizontais, com padrão de classe média. O bairro São Felix tem apresentado nos últimos anos altas taxas de crescimento urbano e imobiliário, devido ao seu potencial de expansão territorial. Nesse sentido, para suprir as necessidades de matéria prima, para a indústria de cerâmica vermelhas (telhas e tijolos), o setor ceramista da região passou a intensificar a extração de argila nas áreas de planície de inundação, que corresponde às áreas de preservação permanente (APPs). Diante desse contexto, o presente trabalho busca analisar a extração de argila no bairro São Felix no município de Marabá e seus impactos no meio ambiente, cujo diagnóstico apresentado subsidiará programas de controle ambiental e o plano de recuperação das áreas degradadas, que já vem sendo adotado em outras áreas na cidade de Marabá. OBJETIVO Levando em consideração o presente crescimento urbano e imobiliário no bairro São Felix, município de Marabá, nos últimos anos. O trabalho visa identificar os principais métodos de extração de argila e beneficiamento do bem mineral para a produção de telhas e tijolos e abordar as principais implicâncias socioambientais naquela localidade. LOCALIZAÇÃO E ACESSO O município de Marabá pertence à mesorregião Sudeste Paraense e à microrregião Marabá. A sede municipal apresenta as seguintes coordenadas geográficas: 05º 21' 54"Latitude Sul e 04º 07' 24"Longitude WGr. Situa-se cerca de 485 quilômetros de Belém, capital do estado do Pará. É o quarto municipio mais populoso do estado, com aproximadamente 233.462 mil habitantes. Abragendo uma área territórial de aproximadamente 15.092.268km². O bairro São Felix faz parte da região metropolitana de Marabá. Em 1950, São Felix tornou-se uma vila de pescadores e agricultores, com significante importância econômica para o município na época. (Figura 01) GEOLOGIA A região de Marabá faz parte de três grandes províncias geotectônicas. Tais províncias foram denominadas de Cinturão Itacaiúnas (Arqueano ao Proterozóico inferior), Cinturão Araguaia, (Proterozóico inferior a médio) e por unidades do Cretáceo e ou Terciárias (Almeida 1984). Na área de estudo foram individualizadas três unidades geologicamente distintas. De acordo com o posicionamento estratigráfico temos da base para o topo a seguinte ordem: Cinturão Araguaia, (Proterozóico inferior a médio) representado pela Formação Couto Magalhães, que corresponde o embasamento da área. Essa unidade aflora em diversos pontos da cidade de Marabá. A litologia principal dessa formação são Filitos de coloração avermelhados e amarelados, tais tonalidades são produtos do intemperismo que afeta 982 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 diretamente essas rochas. Essa unidade apresenta uma marcante foliação milonitica, por vezes crenulada e dobrada. A segunda unidade refere-se à Formação Itapecuru (cretáceo). Essa formação é composta por arenitos avermelhados, cinzas e amarelados, com granulação fina a média e friável. ). Finalizando o contexto geológico local têm-se as coberturas cenozóicas, Formações superficiais (coluviões, aluviões e lateritas). Essa última unidade estratigráfica local é representada pela cobertura quaternária composta por sedimentos inconsolidados do tipo argila, silte, areia e cascalhos nos leitos e nas planícies de inundação dos rios Tocantins e Itacaiúnas. Fig. 01 - Mapa de localização do Complexo São Felix e área de estudo. METODOLOGIA A metodologia do trabalho teve início com o levantamento e síntese dos trabalhos referentes aos impactos ambientais pela extração de argilas em diversas regiões do Brasil, de onde foram extraídos os principais temas de ordem geral que envolve essa atividade, tais como: geologia regional e local, processo de extração e equipamentos usados na mineração de argila e seus devidos impactos. Para permitir um trabalho de campo com maior segurança, foi obtida inicialmente uma carta da área de pesquisa, na escala 1: 100.000. As imagens permitiram a identificação das áreas degradadas e de minas ativas localizadas na margem direita dói rio Tocantins. De posse da cartografia básica, foram realizados trabalhos de campo nos meses de janeiro e Março do presente ano. Os trabalhos de campo tiveram início nas áreas de extração às margens (direita) do rio Tocantins, no complexo São Felix, região metropolitana de Marabá. A área inicial, o objeto da pesquisa (depósito da margem direita do rio Tocantins), bairro São Felix I, (complexo São Felix), tinha sido escolhida após a fase de levantamento bibliográfico, quando foi constatado que a mesma é importante para o polo cerâmico de Marabá e com problemas socioambientais, ainda não estudado. Durante os trabalhos de campo, foi colocada em prática a fase indutiva da pesquisa, ou seja, aquela baseada nas observações diretas no local, procurando identificar os processos de extração da argila, os tipos de depósitos, o número de trabalhadores envolvidos, os equipamentos utilizados, além dos aspectos sociais, urbanos e ambientais envolvidos com tal atividade extrativa. O estudo do método para a extração de minério utilizado na lavra de argila em Marabá é realizado pela escavação mecanizada a seco, que consiste na formação de bancadas simples que são desmontadas pelos tratores. Em seguida foi estudada a lavra de argila e sua influência na dinâmica geoambiental. Concluída a fase de levantamento de dados, foi feita ou realizada a integração e análise dos resultados, em que se procurou montar um quadro histórico da atividade de extração de argila na cidade de Marabá e seus impactos no Meio Físico local. Isso possibilitou identificação das interfaces sociais e ambientais que envolvem a extração de argila em meio urbano. 983 Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia 22 a 26 de setembro de 2013 RESULTADOS E DISCUSSÕES O polo cerâmico de Marabá é tido como o segundo maior centro de extração de argilas vermelhas do Estado do Pará, sendo superado somente pelo polo cerâmico de São Miguel do Guamá, na região nordeste do Pará. Segundo o Sindicato dos Ceramistas de Marabá, o volume de argila extraído anualmente no município é de 190.000 toneladas. O método de lavra da argila é denominado de escavação a seco. A argila é extraída por pá carregadeiras frontais, retroescavadeiras e caçambas O trabalho inicia pela supressão da camada vegetal, que compõe aas áreas de preservação permanente, decapeamento do terreno e limpeza. Em seguida, as áreas são delimitadas pelos próprios donos da cerâmica, dando inicio a extração mineral. A argila retirada é então levada para as áreas de estoque. Em uma segunda etapa de produção, a argila é retirada do setor de estocagem por escavadeiras frontais, o material é beneficiado e industrializado, de maneira a ser transformado em tijolos e telhas. Essas áreas ficam submersas durante o período de chuva na região, onde o nível do rio Tocantins chega a subir mais que 10 metros. Nesse período os trabalhos de lavra são suspensos. Quanto aos locais de extração, essas se encontram as margens direita do rio Tocantins, no perímetro urbano do bairro São Felix pioneiro. Nesse local situa-se a principal área de extração da argila e onde se observa os impactos ambientais. Os impactos ambientais são evidenciados pelas inúmeras cavas abandonadas, que estão formando lagos, devido o seu alagamento nos períodos de cheia do rio, sendo que em alguns casos a relatos de interferência no aquifero. O solo está desgastado, remobilizado e compactado, devido ao longo período de exposição e o trafego intenso das máquinas pesadas, envolvidas no processo de extração. Não foi verificado nenhum plano de controle ambiental no que concerne ao limite das margens do rio Tocantins, onde poderia ser preservada a APP. A extração de matérias primas nas margens dos rios sem obedecer os limites determinados pela legislação, que proíbe qualquer tipo de supressão da vegetação e uso e ocupação do solo, põem em perigo a biodiversidade da região, caso não seja vetado o avanço desenfreado desses empreendimentos. CONCLUSÕES A expansão territorial na cidade de Marabá, devido ao crescimento populacional, decorrente dos grandes projetos minero-metalurgicos, teve como consequência imediata o surgimento de novos núcleos populacionais, como se verifica no bairro São Felix. Inerente a esse crescimento, há o aumento da demanda por materiais para a construção civil, como telhas e tijolos, isso acarreta a apropriação de áreas nas margens dos grandes rios da região, Itacaiunas e Tocantins, em busca de matérias primas para viabilizar essa atividade. O método de lavra adotado é da escavação a seco, com a formação de pequenas cavas. A implantação dessas olarias nas margens do rio Tocantins, proporciona a geração de trabalho e renda, para as comunidades que residem às proximidades desses empreendimentos. A extração é feita nas Áreas de Preservação Permanente (APPs). Onde são observados desmatamentos irregulares, mudanças na topografia e mobilizações do solo. Nessas áreas não foram verificadas nenhuma ação de recuperação da área degradada. Essas cavas em muitos casos encontram-se alagadas, as quais representam riscos para a população, pois servem de criatório de mosquitos, que são vetores de graves doenças, como dengue e malaria. A área objeto da pesquisa será brevemente integrada pelo Sindicato dos ceramistas de Marabá, que já desenvolve projetos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) em outros sítios de extração de argila, cujos proprietários são sindicalizados. O projeto de recuperação das áreas degradadas está sendo executado pelas Faculdades de Agronomia e de Geologia da Ufpa, campus de Marabá, cumprindo as exigências do Ministério Público Estadual. O controle ambiental da atividade mineral e a recuperação da áreas degradadas são instrumentos que proporcionarão a sustentabilidade do polo cerâmico de Marabá. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida F.F.M. 1984. Província Tocantins, setor Sudoeste. In: Almeida F.F.M. & Hasui Y (coords). O Pré-Cambriano do Brasil. São Paulo, Ed. Bluche, p 265-281. 984