Capítulo 12 – Meio Ambiente e Planejamento
1.
TRADO MECANIZADO: FERRAMENTA DE PESQUISA MINERAL DE BAIXO IMPACTO NO AMBIENTE NATURAL . 918
2.
CARTAS DE SENSIBILIDADE AMBIENTAL À DERRAME DE ÓLEO PARA A ILHA DE CARATATEUA ....................... 921
3.
MINERAÇÃO E O ESTIGMA DE GRAN-VILÃ AMBIENTAL: MITOS E VERDADES ........................................................... 925
4.
AÇÃO EMERGENCIAL PARA DELIMITAÇÃO DE ÁREAS DE ALTO E MUITO ALTO RISCO A ENCHENTES E
MOVIMENTOS DE MASSA NO MUNICÍPIO DE MANACAPURU (AM) ................................................................................. 929
5.
THE IMPACT OF THE SMALL – SCALE GOLD MINING NEAR THE BROWNSWEG VILLAGE, DISTRICT OF
BROKOPONDO – SURINAME ...................................................................................................................................................... 932
6.
IDENTIFICACÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS PELA PRODUÇÃO DE CERÂMICA VERMELHA, UM ESTUDO
DE CASO BRAGANÇA-PA ........................................................................................................................................................... 936
7.
DEGRADAÇÃO E PERCEPÇÃO AMBIENTAL NA APA DE ALGODOAL – MAIANDEUA .................................................. 939
8.
ESTUDO AMBIENTAL DO LIXÃO URBANO DA CIDADE DE BRAGANÇA (PARÁ) APLICANDO O RADAR DE
PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) .................................................................................................................................................. 942
9.
CRESCIMENTO DESORDENADO E ÁREAS DE RISCO EM IRANDUBA-AM ....................................................................... 945
10. MAPEAMENTO DA INTRUSÃO SALINA E INTERFACE DE INTERAÇÃO ÁGUA DOCE/SALGADA A PARTIR DE
MÉTODOS GEOFISICOS, REGIÃO COSTEIRA BRAGANTINA (BRAGANÇA-PA) ............................................................... 949
11. A ENCHENTE DO RIO NEGRO NA CIDADE DE MANAUS NO ANO DE 2012 – UMA AVALIAÇÃO PRELIMINAR ........ 952
12. SUBSÍDIO PARA ELABORAÇÃO DE EIA/RIMA PARA ÁREA DE EXTRAÇÃO DE ARGILA A PARTIR DA
CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA NA PLANÍCIE DE INUNDAÇÃO DO RIO ITACAIÚNAS EM MARABÁ-PA............... 956
13. CONSIDERAÇÕES VOLTADAS AO CONTROLE DOS PROCESSOS EROSIVOS NA BACIA DO ALTO CURSO DO RIO
CABAÇAL EM MATO GROSSO ................................................................................................................................................... 960
14. A PROBLEMÁTICA DAS ÁREAS DE RISCO EM BOA VISTA-RR: ALAGAMENTO DO BAIRRO CAÇARI ...................... 963
15. MAPA DE INUNDAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO URBANO – ESTUDO DE CASO NA SEDE URBANA
DE SANTARÉM.............................................................................................................................................................................. 967
16. SENSIBILIDADE AMBIENTAL DAS PRAIAS DE VILA DO CONDE, ITUPANEMA E CARIPI (BARCARENA/PARÁ) ..... 971
17. MAPEAMENTO DAS ÁREAS DE RISCO DOS RECURSOS HÍDRICOS URBANOS DE BOA VISTA-RR- ESTUDO DE CASO:
BAIRRO PARAVIANA .................................................................................................................................................................. 975
18. ANÁLISE DA PERMEABILIDADE DO SOLO PARA OBTENÇÃO DE LICENÇA PRÉVIA PARA UM LOTEAMENTO EM
MARABÁ-PA .................................................................................................................................................................................. 978
19. EXPANSÃO TERRITORIAL E EXTRAÇÃO DE ARGILA PARA USO NA CONSTRUÇÃO CIVIL NO BAIRRO SÃO FELIX,
REGIÃO METROPOLITANA DE MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ........................................................................................... 982
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22 a 26 de setembro de 2013
TRADO MECANIZADO: FERRAMENTA DE PESQUISA MINERAL DE BAIXO
IMPACTO NO AMBIENTE NATURAL
Ana Paula Everdosa dos Santos¹, Aldo Antonietto Júnior².
Mineração Paragominas S.A¹, Norsk Hydro Brasil².
INTRODUÇÃO
A pesquisa mineral é a etapa de trabalhos que, se lograr resultados positivos, poderá resultar na
implantação de uma mina. Compreende atividades de mapeamento geológico, coleta e seleção de
amostras, análises químicas e físicas para caracterização do minério. A análise integrada das informações
obtidas permite quantificar recursos e avaliar a viabilidade econômica de implantar uma mina.
Adotar estes procedimentos antes de realizar a extração de minérios evita alterar a paisagem e
causar impactos ambientais significativos em áreas sem potencial mineral e se seleciona áreas propícias à
extração.
Existem inúmeras técnicas para realizar a coleta de amostras minerais. No caso da pesquisa de
bauxita, verifica-se que o uso de trado mecanizado permite a obtenção de dados confiáveis (margem de
erro aceitável) e baixa intervenção no ambiente natural, uma vez que o acesso às áreas de interesse requer
picadas de não mais que um metro de largura para o deslocamento das equipes, sem necessidade de intervir
na vegetação com DAP (diâmetro a altura do peito) maior que 10 cm. Praças de 4x4m são suficientes para
a execução da sondagem.
A Lei Estadual Nº7389 de 2010 delibera o porte, o potencial poluidor e a magnitude dos impactos
ambientais como critérios para definição das atividades de impacto no Estado do Pará e lista as mesmas.
Por suas características e implicações, a sondagem a trado se enquadra como atividade de impacto
ambiental local.
METODOLOGIA
Este item objetiva apresentar a metodologia e os critérios utilizados para identificar e avaliar
impactos ambientais associados à atividade de pesquisa mineral, os quais permitem determinar a
significância ao meio ambiente e definir ações para prevenção e controle dos impactos e treinamentos para
a equipe envolvida na operação.
A pesquisa mineral inclui etapas de seleção de alvos e detalhamento destes através de sondagem,
trabalhos estes que envolvem serviços de topografia, abertura de picadas e abertura de praças.
Por definição, impacto ambiental é qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica,
que resulte alteração, no todo ou em parte, dos aspectos ambientais da Atividade/ Organização. Já aspecto
ambiental é elemento das atividades ou produtos ou serviços de uma Organização que pode interagir com
o meio ambiente (ABNT NBR ISO 14001:2004).
A avaliação da importância dos impactos ambientais é determinada pela multiplicação da
magnitude (M) do impacto pela frequência (F) do aspecto. A magnitude (M) apresenta a severidade do
impacto sobre o meio ambiente, considerando ainda sua reversibilidade e seus potenciais impactos sobre
os negócios do empresa. A Tabela 1 explicita os critérios para definição das faixas de magnitude.
Tabela 1 – Critérios para a definição das faixas de magnitude.
Magnitude
Baixa
Média
Alta
Critério
Impacto irrelevante ou reversível com ações imediatas, restrito à área da
atividade/serviço, sem conseqüências ambientais e/ou prejuízo aos negócios da
empresa.
Impacto relevante ou reversível em médio prazo, restrito à área da
atividade/serviço, que não altere significativamente os recursos naturais, cujas
ações mitigadoras sejam suportáveis pela unidade/ou sem comprometimento da
imagem da empresa.
Impacto irreversível alcançando a região onde a atividade está inserida, com
graves conseqüências ambientais e para os negócios da empresa, mesmo com
ações de mitigação e remediação, e/ou com comprometimento da imagem da
empresa.
Pontuação
1
2
3
918
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Os critérios para a definição da frequência associada aos aspectos ambientais estão apresentados
na tabela 2.
Tabela 2 – Critérios para a definição da frequência.
Frequência
Baixa
Média
Alta
Critério
F  1 ocorrência por mês
1 < F  15 ocorrências por mês
F > 15 ocorrências por mês
Pontuação
1
2
3
A tabela 3 apresenta a matriz de importância dos impactos ambientais resultado da multiplicação
a magnitude (M) do impacto pela frequência (F) do aspecto.
Tabela 3 – Matriz de Importância
F
R
E
Q
U
Ê
N
C
I
A
ALTA (3)
N (3)
S (6)
S (9)
MÉDIA (2)
N (2)
S (4)
S (6)
BAIXA (1)
N (1)
N (2)
S (3)
BAIXA (1)
MÉDIA (2)
MAGNITUDE
ALTA (3)
Dessa forma são considerados significativos todos os aspectos/impactos ambientais cuja
importância seja maior ou igual a 4, ou que tenham magnitude igual a 3. Logicamente, os aspectos e
impactos ambientais identificados devem ser controlados, de forma a evitar a ocorrência de desvios em
relação à Gestão Ambiental do Empreendimento.
RESULTADOS
Em relação à Magnitude, os impactos ambientais identificados nas etapas e tarefas da atividade
de pesquisa mineral com sondagem a trado são considerados irrelevantes ou reversíveis com ações
imediatas, restritos à área da atividade/serviço, sem consequências ambientais significativas. A frequência
dos aspectos ambientais é média, visto que, está relacionada à natureza da atividade.
Os aspectos ambientais identificados estão relacionados à geração de resíduos e intervenção em
área de vegetação que poderiam provocar alteração da paisagem e da qualidade do solo. No entanto, para
desenvolvimento das atividades de pesquisa com utilização de trado, a Mineração Paragominas S.A. adota
medidas de controle ambiental que incluem seleção e acondicionamento de resíduos, abertura de acessos
não necessariamente retilíneos mas com apenas um metro de largura e praças de sondagem de 4x4 metros,
sem intervenção em vegetação com DAP maior que 10cm.
As praças de sondagem são abertas utilizando-se o mínimo de espaço requerido para a operação
e cuidados especiais são adotados no manuseio e estocagem dos derivados de petróleo e após o término,
os furos de 15cm de diâmetro são tamponados. A Figura 1 apresenta a sequência das atividades para
execução de pesquisa mineral a trado mecanizado.
Atribui-se a responsabilidade das ações ambientais aos encarregados da pesquisa geológica, ou
seja, aos geólogos e técnicos em atividade, objetivando, durante todo o período de exploração, a prevenção
e minimização dos impactos. Os colaboradores são orientados nos diálogos diários a realizar as atividades
atendendo aos critérios de Segurança e Meio Ambiente.
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Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia
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Figura 1 - Sequência da operação: (1) abertura de acesso; (2) preparação da praça de sondagem; (3) e (4)
sondagem a trado; (5) amostras coletadas; e (6) furo tamponado.
DISCUSSÃO
A utilização do trado mecanizado como ferramenta para execução de atividades de pesquisa
mineral de bauxita que vêm sendo desenvolvidas pelas equipes da Mineração Paragominas S.A. resultam
em baixa intervenção no ambiente natural. Esse efeito decorre do fato que a atividade está sendo
desenvolvida com adoção de medidas de prevenção, mitigação e controle ambiental, simultaneamente aos
procedimentos operacionais, de forma a atender os princípios do desenvolvimento sustentável e em
harmonia com os demais usos de outros recursos naturais.
REFERÊNCIAS
ABNT, NBR ISO 14001:2004 - Associação brasileira de Normas Técnicas. Comitê Brasileiro de Gestão
Ambiental (ABNT/CB-38). Disponível em: <http://www.abnt.org.br/ >. Acesso em: 18 jun. 2013.
Pará, Lei Estadual Nº7389 de 2010. Define as atividades de impacto ambiental local no Estado do Para, e
dá outras providências.
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CARTAS DE SENSIBILIDADE AMBIENTAL À DERRAME DE ÓLEO PARA A ILHA
DE CARATATEUA – BELÉM/PARÁ
André Matsumura Silva, Universidade do Estado do Pará ([email protected])
Amilcar Carvalho Mendes, Museu Paraense Emílio Goeldi ([email protected])
Nívia Cristina Vieira Rocha, Centro Universitário do Pará ([email protected])
INTRODUÇÃO
O Índice de Sensibilidade Ambiental (ISA) representa uma hierarquização da sensibilidade dos
vários ambientes costeiros, estuarinos e fluviais, considerando-se a interação do óleo com as comunidades
biológicas, as características geomorfológicas e sedimentares dos referidos ambientes, bem como seus
aspectos socioeconômicos. (Jensen et al., 1993).
As Cartas de Sensibilidade Ambiental a Derrames de Óleo – Cartas SÃO - constituem-se em
ferramentas de uso internacional, essenciais e de fonte primária de informações para o planejamento de
contingência e implementação de ações de resposta a acidentes com derrame de óleo. Essas cartas
permitem identificar ambientes prioritários à proteção e eventuais áreas de sacrifício, possibilitando dirigir
corretamente os recursos disponíveis e as equipes de contenção e limpeza (Brasil, 2012).
Nesse contexto, destaca-se a Carta SAO elaborada por Gonçalves (2005), referente à margem
direita da Baía de Guajará, incluindo, também, a Ilha de Caratatetua e o setor sul da Ilha de Mosqueiro.
Entretanto, a escala de mapeamento adotada (1:100.000), não permitiu maior detalhamento dos setores,
notadamente aqueles sob forte influência de atividades portuárias.
A Ilha de Caratateua constitui um dos oito (08) Distritos Administrativos do Município de Belém,
no caso o Distrito de Outeiro – DAOUT. A ilha compõe a margem direita da Baia do Guajará (porção
norte da cidade de Belém), abrigando expressivo contingente populacional, sobretudo de baixa renda e
exercendo grande apelo turístico e recreacional tanto para a população da ilha, quanto para a população
flutuante.
Apesar do terminal localizado na ilha (Terminal de Outeiro) ser utilizado predominantemente para
o escoamento de granéis sólidos (soja, trigo, cimento e cavacos de madeira), também é utilizado, em
menor parcela, para o transporte de derivados de petróleo (granéis líquidos). Somado a isso, a curta
distância para o Porto de Belém (38 km) e o Terminal Petroquímico de Miramar (33 km), insere a Ilha de
Outeiro na zona de influência de qualquer possível derrame de óleo que venha a ocorrer nas águas da Baía
do Guajará.
Com o intuito de trazer valiosa contribuição aos planos de contingenciamento a derrames de óleo,
o presente estudo apresenta as Cartas SAO em escala de detalhe (1:10.000) para a Ilha de Caratateua
(Outeiro), região sob forte influência dos terminais portuários de Belém, do Terminal Petroquímico
Nicolau Bentes Gomes (Miramar) e, sobretudo, do Porto de Outeiro. Essa área apresenta expressivo
contingente populacional, que utiliza os recursos naturais e as potencialidades turísticas e de lazer, com
atividades socioeconômicas potencialmente prejudicadas, caso venha a ocorrer acidentes com
derramamento de óleo nas águas que as bordejam.
METODOLOGIA
A metodologia está baseada na combinação de levantamento de dados bibliográficos e
cartográficos pretéritos, aquisição e processamento de imagens multiespectrais GeoEye (obtidas mediante
download no Google Earth Professional 7.0.2), trabalhos de campo (abril de 2013), análises laboratoriais
(separação e análise granulométrica ), interpretação visual e integração dos dados obtidos em campo
utilizando a metodologia de Souza Filho et al. (2004) para classificação dos ambientes e seus respectivos
ISA’s e elaboração do layout cartográfico em escalas 1:50.000 e 1:10.000 mediante utilização do software
ArcGis, versão 10.1.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Na margem da Ilha de Caratateua foram identificados 32 segmentos, o que perfaz um total de
30.638 metros. Neste mapeamento os ambientes registrados foram: afloramentos rochosos (1A), estruturas
artificiais expostas (1B), falésias (1C), praias de granulometria fina à média (3A), estruturas artificiais
abrigadas (8B), planícies de maré lamosa (9B) e várzea (10B). Cabe ressaltar que em alguns setores foram
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Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia
22 a 26 de setembro de 2013
registradas pequenas plataformas de abrasão, que não apresentam representação cartográfica na escala de
mapeamento adotada neste trabalho.
Na tabela 1 encontra-se a caracterização dos ambientes costeiros identificados na ilha, seus
respectivos ISA’s e a distribuição espacial.
Tabela 1: Caracterização dos ambientes costeiros amazônicos
ISA
Distribuiçã
o Espacial
(%)
1A
*
1B
0,89
Falésias
1C
8,06
Praias de
Granulometr
ia Fina à
Média
3A
11,58
Estruturas
Artificiais
Abrigadas
8B
1,68
Ambiente
Costeiro
Afloramento
s Rochosos
Estruturas
Artificiais
Expostas
Planícies de
Maré
Lamosa
9B
*
Várzea
10
B
77,79
Característica
Foram encontrando dois afloramentos rochosos localizados na zona
intertidal da porção noroeste (NW) da ilha.
Foram identificadas três estruturas artificiais expostas. Uma delas é o
próprio Porto de Outeiro (SW), enquanto que as outras são muros de
arrimo/contenção, localizados na Praia do Barro Branco.
Localizam-se na porção noroeste (NW) da ilha, correspondem a falésias
ativas, submetidas à ação erosiva de correntes de maré, ondas e ventos. Duas
áreas designadas oficialmente como praias (Praia dos Artistas e Prainha) no
mapa turístico de Belém foram classificadas com ISA de falésias (1C), tendo
em vista a metodologia empregada, que considera o alcance máximo das
marés (preamar).
Correspondem às praias localizadas no noroeste (NW) da ilha: do Barro
Branco, do Amor, Grande e da Brasília. No que concerne ao parâmetro
declividade da face praial, somente a Praia do Barro Branco apresentou
valor inferior a 5º, sendo, portanto, a praia que o óleo permaneceria por mais
tempo, apesar de todas possuírem um mesmo índice.
Correspondem aos treze (13) trapiches de pequeno porte construídos em
madeira, que se localizam no Furo do Maguari (NE/SW).
Ambiente localizado no extremo nordeste da ilha (NE), perfazendo uma área
de abrangência de 7693 m2. Ocorrem associados aos ambientes de várzea,
em áreas onde a hidrodinâmica é baixa, propiciando a deposição dos
sedimentos finos (lamosos), que não somente dificultam a limpeza em caso
de acidente com óleo, como também aumentam o tempo de permanência do
óleo no ambiente pela adsorção do mesmo pelas partículas argilosas.
É tido como o de maior índice, tendo em vista a dificuldade de limpeza e o
tempo de permanência prolongado do óleo, em decorrência da morfologia
eminentemente plana, substrato lamoso e baixa hidrodinâmica. Localiza-se
desde a faixa sudoeste (SW) até a nordeste (NE).
* Não se aplica, uma vez que se encontra fora da faixa litorânea.
Para fins de visualização panorâmica dos diferentes ambientes mapeados e seus respectivos ISA´s
foi gerada a carta em escala 1:50.000 (Figura 1- A) e, para fins de detalhamento do mapeamento foram
elaboradas sete cartas em escala 1:10.000 (Figura 1- B).
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Figura 1: Carta SAO da Ilha de Caratateua. (A) Visão panorâmica da ilha, em escala de 1:50.000. (B)
Setor 2, em escala 1:10.000.
A fotointerpretação da imagem possibilitou a identificação de duas faixas de praia localizadas no
setor nordeste (NE) da ilha. Contudo, por serem isoladas não possuem atividades recreativas. A
granulometria e declividade destas praias não puderam ser caracterizadas, dada à dificuldade de acesso
terrestre.
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CONCLUSÕES
Os setores identificados como os de maior sensibilidade ambiental a um possível derrame de óleo
foram o nordeste (NE) e sudoeste (SW) da ilha, que se apresentam constituídos por ambientes de elevados
índices, tais como planícies de maré lamosa (9B) e várzea (10B), sendo este ambiente o de maior
representatividade espacial na ilha.
Mesmo possuindo elevado índice de sensibilidade ambiental (ISA 10B), um ocasional
derramamento de óleo que atingisse o ambiente de várzea causaria basicamente dano ecológico, uma vez
que há pouquíssima atividade humana direta nesse ambiente. Por outro lado, em se tratando de dano
socioeconômico, apesar do ISA baixo (3A), as praias seriam os ambientes mais afetados, sobretudo a Praia
da Brasília (localizada imediatamente à jusante do Terminal de Outeiro) e, portanto, em sua área
diretamente afetada. Além disso, as praias da ilha exercem forte atração turística, sendo bastante utilizadas
pela população local e flutuante, notadamente de classes sociais mais baixas, desarticulando, caso seja
atingida por derrame de óleo, a entrada de um significativo capital a um dos principais segmentos da
economia local.
A maior escala de representação cartográfica adotada (1:10.000) advinda do uso de imagens de
alta resolução (GeoEye), propiciou a redefinição dos ambientes, com a inserção de ISA’s até então não
cartografados em estudos anteriores desenvolvidos na área, em decorrência da limitada resolução espacial
dos produtos de sensores remotos até então utilizados.
AGRADECIMENTOS
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ao Museu
Paraense Emílio Goeldi (MPEG) pela concessão das bolsas de iniciação científica e ao Projeto
“Mapeamento e Elaboração de Cartas de Sensibilidade Ambiental à Derrame de Óleo (Cartas SAO) Para
a Bacia da Foz do Amazonas” pela cessão dos dados.
REFERÊNCIAS
Brasil, Ministério do Meio Ambiente. Mapeamento de Sensibilidade Ambiental ao Óleo da Zona Costeira
e Marinha. Disponível em: <http://homolog-w.mma.gov.br>. Acesso em 05 de junho de 2012.
Gonçalves, F.D. 2005. Utilização de Dados de Sensores Remotos para o Mapeamento dos Índices de
Sensibilidade Ambiental a Derramamento de Óleo na Baía de Guajará, Belém-PA. Faculdade de Geologia,
Universidade Federal do Pará, Belém, 161p.
Jensen, J.R., Halls, N.J., Michel, J. 1998. A system approach to environmental sensitivity index (ESI)
mapping for oil spill contingency planning and response. Photogrammetric Engineering & Remote
Sensing. v.64, n.10,p. 1003-1014.
Petrobrás, Cenpes, Ama. 2004. Mapa de sensibilidade a derrames de óleo de áreas de influência do
terminal de Belém da Transpetro, escala 1:49.752.
Souza Filho, P.W.M., Miranda, F.P., Beisl, C.H., Almeida, E.F., Gonçalves, F.D. 2004. Environmental
sensitivity mapping for oil spill in the Amazon coast using remote sensing and GIS technology. In:
International Geoscience and Remote Sensing Symposium. Ancorage, Alaska, p. 1-6.
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MINERAÇÃO E O ESTIGMA DE GRAN-VILÃ AMBIENTAL: MITOS E VERDADES
Antonio Fernando da Silva Rodrigues
DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, [email protected]
INTRODUÇÃO
Com a elaboração deste trabalho propõe-se reeditar o dilema entre correntes
<desenvolvimentista> versus <preservasionista>, retomando-se a discussão sobre a complexidade
concernente a conflitos socioambientais explícitos ou latentes, concernentes à crise civilizatória, sem
desmerecer o âmbito das incertezas e provocar o enfrentamento entre a dualidade de escolhas atuais ou
remetidas ao futuro.
Nessa perspectiva, ante o agravamento da crise socioambiental, as façanhas urdidas pelas disparidades do
movimento ambientalista e a institucionalização das questões ambientais, o estabelecimento da
interlocução entre os agentes sociais para uma gestão integrada parece urgente, ratificando um diálogo
sobre as divergências epistemológicas em face das catástrofes ambientais mais frequentes e os rumos para
o uso de bens naturais escassos e exauríveis.
A bibliografia estudada para discutir a sustentabilidade da produção mineral aponta para duas correntes
que debatem o tema, caracterizadas de acordo com o ponto central das teses: a dos <recursos fixos> e de
<custos oportunidades>.
1. A primeira encara os recursos explorados pela mineração como não-renováveis e passíveis
de exaustão;
2. A segunda indica que novas tecnologias suprirão as demandas futuras à medida que os
recursos poderão ser extraídos de fontes com menor concentração de minérios;
Ambas pressupõem que o Estado poderia interferir incisivamente na questão da internalização dos
custos da produção e da recuperação dos impactos ambientais. Legalmente, o Estado instituiu o principio
<poluidor-pagador>, que parece não atender efetivamente a demanda degradante. A despeito do tradeoff, admite-se que no discurso sobre <paradigma da sustentabilidade> existe o risco de algumas
abordagens acadêmicas apresentarem uma tendência para localizar um lugar ideal de equilíbrio entre
sociedade e natureza.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS
Os pensadores sobre as Geociências — estreitamente associados aos mundos acadêmico, político
e míneroempresarial — têm os Congressos e Simpósios de Geologia como importantes canais de debate
epistemológico, verdadeira arena de convergências e divergências nos processos de construção,
falseamento e afirmação de teorias, características das fases pré-paradgmática, paradigmática e pósparadgmática de <Disciplinas Científicas>.
A despeito de se reconhecer que o problema central da filosofia da ciência reduz-se em grande
parte àquilo que Kals Popper, 1973 (cf. Marques, A., s/d) designa do problema da demarcação, isto é, a
tentativa de estabelecer um critério que permita distinguir as teorias científicas da metafísica e/ou da
pseudo-ciência — impõe-se com condição sine qua non a uma dada hipótese ascender ao estatuto de teoria
científica, que essa hipótese tem de ser falsificável, dado o pressuposto de que o método científico
processa-se verificando a verdade do enunciado e até que ponto ela resiste a hipóteses contrárias.
Nessa perspectiva da neutralidade da verdade científica — permissa venia àqueles mais
identificados com a corrente ambientalista, na medida em que não se ambiciona subestimar, marginalizar
ou excluir quaisquer domínios de conhecimento científico ou saber, mas consciente de que não haver
<neutralidade de opinião> (técnica , política ou ideológica), haja vista que a escolha do discurso
compreende o caráter filosófico do sujeito e que de cada ato psicológico de conhecimento dê origem a
perturbações ou inércias, obstáculos epistemológicos, preconceitos ou vícios intelectuais — advoga-se
que o que antecede o planejamento do desenvolvimento (sustentável) é o conhecimento de um fato
científico, condição fundamental à formatação de um modelo de desenvolvimentos, numa estrutura prévia
que lhe dê sentido (o paradigma).
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Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia
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DEGRADAÇÃO AMBIENTAL PROVOCADA PELA MINERAÇÃO
Sob uma perspectiva ambiental — cuja lente gran-angular de análise capta fatores condicionantes
da Geodiversidade, Biodiversidade e Sociodiversidade — os métodos de lavra adotados, sob uma
perspectiva do conhecimento geocientífico e da excelência técnica da engenharia de minas, apresentamse como elementos fundamentais à análise, à antevisão e à definição de uma série de impactos potenciais
sócio-econômicos e ambientais específicos, relacionados à cada método:
a – <Lavra a céu aberto>, com prevalência da <lavra seletiva, em tiras> (strip mining) e
suas variantes; e
b – <Lavra subterrânea> (mina de encosta, mina de plano inclinado e mina o vertical),
onde se destaca o método de câmaras e pilares (room and pillar), atualmente com a
manutenção dos pilares, por determinação técnica do DNPM.
No método <a céu aberto>, o avanço da frente de lavra seletiva do corpo mineralizado, pode
implicar no desmonte e movimentação de grandes volumes de estéril/minério, gerando consideráveis áreas
de material rochoso descartado, provisórias ou permanentes: a) <bacias de resíduos> (função econômica
e/ou tecnológica) ou b) <bacias de rejeito> (descarte).
Implicações ambientais de maior ou menor grau:
1. Geomorfologia: supressão vegetal e mudanças no perfil topográfico, causando
significativo impacto visual, com alterações nas feições panorâmica e paisagística, e
aceleração de processos erosivos;
2. Hidrológica: os recursos hídricos, principalmente os superficiais, podem ser
altamente impactados: desvios no sistema de drenagem, aumento da turbidez (sólidos
em suspensão) e acidez da água (pH) e assoreamento. Entre os principais agravantes
destacam-se eventuais agentes químicos contaminantes e/ou aceleração de processos
erosivos nas encostas e material inconsolidado dos rejeitos.
Na <lavra subterrânea> os impactos ambientais, ainda que menos visíveis em subsuperfície, não
são menos significativos do ponto de vista de eventuais implicações:
1. Geotécnica: subsidência do terreno (afundamento ou colapso da cobertura da
câmara);
2. Hidrogeológica: rebaixamento do nível freático (com extinção de fontes naturais e
reflexos negativos na rede hidrológica superficial); e
3. Antrópica: ruídos e vibrações (explosões).
Ainda que se possa admitir eventual ampliação do leque de impactos ambientais aos meios
bióticos e antrópico, pontualmente, estas são as principais implicações que deram origem à locução
pejorativa de <gran-vilã ambiental> à atividade de mineração, dissociada de uma perspectiva de sua
importância para o desenvolvimento da sociedade moderna, perfeitamente identificada e consagrada pela
<História das Civilizações>:
1. Idade da Pedra (Paleolítico e Neolítico);
2. Idade do Bronze (liga Cu-Sn);
3. Idade do Aço (Revolução Industrial);
4. Idade Nuclear (Raio-X);
5. Idade da Computação & Informação (Rede WEB; high-techs: Ta;ETRs)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De Gran-vilã a aliada ambiental
O processo evolutivo do debate epistemológico sobre sustentabilidade impõe, não somente
questões relativas à evolução semântica de expressões técnicas, mas verdadeira ruptura do paradigma do
conceito, na medida em que a ECO-92 (des)classificou a mineração como atividade insustentável,
fundamentada no <Ciclo das Rochas>, fator determinante à formação de jazidas na crosta terrestre, cujo
horizonte de tempo converge para milhões/bilhões de anos, renovabilidade ininteligível quando
comparada à expectativa de vida do homem (algumas dezenas de anos).
Nem todos os preconceitos, dualidades e paradoxos que se instalaram no processo de afirmação
do <paradigma da sustentabilidade> nasceram nas disciplinas fronteiriças. Particularmente no pósmoderno, a prevalência do <julgamento midíatico> —com o agravante das assimetrias de conhecimento
e informação, alimentando a anemia endêmica do exercício crítico sobre a relação custo/benefício da
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exploração dos recursos ambientais— passa a estigmatizar a mineração como <gran-vilã ambiental>,
rótulo bem colado na ECO-92.
A despeito da afirmação de que o saber científico é construído por uma contínua superação de
teorias ou falseamento de paradigmas, instalou-se na contemporaneidade um certo diacronismo ao
discurso crítico, na perspectiva da agregação de sustentabilidade das atividades minerárias. Adverte-se,
contudo, para o fato de que a ciência lida com exatidão e inexatidão, com incerteza e riscos de falibilidade
e/ou falseabilidade na identificação de causas e efeitos de fenômenos antropogênico (supressão vegetal,
chuva ácida), geogênico (terremoto) e cosmogênico (expansão do universo, aquecimento global, elevação
dos níveis dos oceanos etc.)
Talvez, — guardadas as assimetrias de conhecimento científico e status de saber sistematizado —
a grande contribuição para a evolução, não somente semântica mas do conceito de sustentabilidade, seria
a investigação articulada sobre diferente correntes de pensamento no que se refere o <estado da arte> da
desejável justaposição do verbo agregar-sustentabilidade sócio, econômica e ambiental ao Mineralnegócio
(Fig. 01 e 02).
1. Social: IDH-M, melhoria das condições de acesso aos recursos minerais, segurança do
trabalho e saúde ocupacional, não ao trabalho infantil e escravo;
2. Econômica: CFEM (royalty), acessibilidade ao crédito, distribuição de renda, preço-justo
etc.;
3. Ambiental:
custo/benefício, max-explotação pela eficiência tecnológica,
descomissionamento de mina e reabilitação de área impactada pela mineração.
Mitos e Realidades
1. O processo de construção de indicadores sofre de intensionalidade e direcionalidade;
2. No processo de avaliação não há um único caminho, não existe uma verdade absoluta nas
dimensões sócio, econômico e ambiental;
3. Os resultados esperados são aproximações da realidade — existem vários caminhos
alternativos (Fig. 03) — muitas das vezes com contornos vagos, por envolver realidades
multi-dimensionais, pela complexidade da tarefa;
Enfim, não há neutralidade ideológica no discusso, tampouco neutralidade técnica na construção
de indicadores e na avaliação das intervenções/impactos, respectivamente. Com efeito, a resposta a um
trade-off depende das crenças das pessoas envolvidas na situação, pois estas irão agir em conformidade
com os princípios morais e éticos, prevalentes em determinada comunidade, que definem posturas e
condutas mais corretas.
REFERÊNCIAS
Marques, A. A doutrina do falseamento. Disponível em: http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/popper5.htm.
Acesso em: 26abril2013.
Rodrigues, A.F. S. Indicadores de desenvolvimento sustentável (IDS-Mine): desafios para a mineração na
Amazônia. X Simpósio de Geologia da Amazônia. Porto Velho-SBG Núcleo Norte. 2007.
Pacerias p/ Sustentabilidade
Mudança de Rumo
Além da Obrigação
Adaptação Resistente
Ignorância Total
1960
1970
1980
1990
2000
2010
Fig. 01 – Gestão ambiental rentável e sustentável do Mineralnegócio.
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Fig. 02 – IDM-M: Mineração versus qualidade de vida nos municípios mineradores.
Fig. 03 – Impactos teóricos (absoluto e relativo) de áreas mineradas nas macrorregiões brasileiras.
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AÇÃO EMERGENCIAL PARA DELIMITAÇÃO DE ÁREAS DE ALTO E MUITO
ALTO RISCO A ENCHENTES E MOVIMENTOS DE MASSA NO MUNICÍPIO DE
MANACAPURU (AM)
Antonio Gilmar Honorato de Souza & Elton Rodrigo Andretta
CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Superintendência Regional de Manaus.
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
Desastres naturais acontecem em todo o país, como as inundações de Alagoas e Pernambuco em
2010, Santa Catarina em 2011, Acre em 2012 e das chuvas catastróficas ocorridas na região serrana do
Rio de Janeiro em janeiro de 2011. Estes eventos acarretaram a perda de milhares de vidas humanas e
ultrapassaram todas as expectativas das previsões dos sistemas de alerta existentes. Desta forma o Governo
Federal criou um programa de prevenção de desastres naturais, visando minimizar os efeitos desses
eventos sobre toda a população.
A ocupação de encostas sem nenhum critério técnico ou planejamento bem como a ocupação de
fundos de vale são os principais causadores de mortes e de perdas materiais.
Visando uma redução das perdas humanas e materiais, o Governo Federal, em ação coordenada
pela Casa Civil da Presidência da República e em conjunto com os Ministérios da Integração Nacional,
Ministério das Cidades, Ministério de Ciência e Tecnologia, Ministério da Defesa e o Ministério de Minas
e Energia firmaram convênios de colaboração mútua para executar em todo o país o diagnóstico e
mapeamento das áreas com potencial de risco alto a muito alto.
O programa é executado pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM cuja missão é mapear e
delimitar os locais de alto e muito alto risco geológico e sugerir ações mitigadoras de desastres naturais.
Os mapas resultantes desta ação emergencial serão disponibilizados às defesas civis de cada
município e os dados finais irão alimentar o banco de dados do CEMADEN (Centro de Monitoramento
e Alertas de Desastres Naturais), responsável pela emissão de alertas de ocorrência de eventos climáticos
de grande magnitude, e do CENAD (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres), ligado
ao Ministério da Integração Nacional, que como atribuições, entre outras, o monitoramento, a previsão,
prevenção, preparação, mitigação e resposta aos desastres, além de difundir os alertas nos estados e
municípios.
CONTEXTO GEOLÓGICO-GEOMORFOLÓGICO LOCAL
O município de Manacapuru se localiza na porção central do Amazonas, distante 84 quilômetros
a sul da capital, cortado pelo rio Solimões, em uma região geologicamente dominada pelos arenitos, siltitos
e argilitos amarelo-avermelhados da Formação Álter do Chão, geradas durante o Cretáceo Superior e
Paleoceno (entre 55 -100 milhões de anos), coberta por depósitos de terraços fluviais e depósitos recentes.
Estas rochas encontram-se intensamente lateritizadas, com crostas lateríticas ferruginosas em transição
para lato-solo espesso. O relevo local tem uma configuração fracamente ondulada, caracterizado por
morros de vertentes suaves que atingem cota de 100m.
A zona urbana do município, localizada na margem esquerda do rio Solimões, que tem uma
diferença de cota máxima entre cheia e vazante de 15,73 metros, sendo que em 2012 foi registrado a maior
cheia com 20,68 metros, e a maior seca em 1997 chegando a 4,95m.
RESULTADOS OBTIDOS
As visitas técnicas de campo realizaram-se com membros da Defesa Civil de Manacapuru e
identificaram 12 áreas consideradas de risco alto e muito alta associadas principalmente aos movimentos
de massas (escorregamentos), sendo 10 áreas na zona urbana. Totalizando 316 moradias e 1348 pessoas
em situação de risco.
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Na orla da cidade, bairro Centro (MN_SR-01) há um calçadão com muro atirantado, onde parte
da obra encontra-se com erosão interna, ficando vazios sobre o calçamento o que gerou o abatimento do
mesmo e rachaduras em parte do muro em risco de deslizamento e soterramento de embarcações e pontões
fluviais.
Nas periferias da sede municipal, principalmente nos bairros União (MN_SR-02), Loteamento
Dona Eli (MN_SR-06), Novo Manacá (MN_SR-07 e MN_SR-10), Vila Verde (MN_SR-08) e Centro
(MN_SR-09) as casas são construídas próximas a encostas íngremes, com indícios de instabilidade ou
históricos de deslizamentos. Geralmente esses locais são caracterizados pela ausência do tratamento de
esgoto e água servida lançada diretamente na encosta, bem como despejo de resíduos sólidos, árvores
inclinadas, ravinas em evolução, bananeiras, cacimbas e fossas sépticas na encosta. O tipo de moradia no
geral é madeira ou mista, embora também existam casas de alvenaria.
No bairro Morada do Sol (MN_SR-03), há casas oriundas de ocupação desordenada sobre antigo
“lixão” atualmente aterrado, com risco de deslizamento na encosta com 8 metros soterramento das
residências situadas na base da encosta. Presença constante de resíduos sólidos exposto na área. Área com
nascentes evidenciados por Buritizeiros. Presença de ravinas devido ao precário sistema de drenagem
pluvial e lançamento de águas servidas direto na encosta. Predomina casas de madeira com restritas de
alvenaria, com rachaduras na fachada. Já houve deslizamento e soterramento no passado em períodos de
chuva.
O Setor MN_SR-04 na orla do Bairro Terra Preta é o mais afetado pelo fenômeno de “Terras
Caídas”, onde o rio Solimões faz a curva e solapa os sedimentos, principalmente durante o período de
vazante. Em outubro de 2010, três crianças falecerem devido a um grande deslizamento rotacional, que
atingiu algumas casas flutuantes, várias embarcações regionais e canoas. Atualmente na área conhecida
como Beco do Boto, há casas na beira de uma encosta íngreme de Terra Firme, com altura de
aproximadamente 20m. Na parte baixa é constantemente alagada e apresenta maior potencial de
deslizamento por ser constituída de sedimentos inconsolidados argilo-siltoso, com restos de serragem e
resíduos sólidos despejados nesses sedimentos. As casas são na maioria de madeira sem sistema de
tratamento de esgoto, com água lançada diretamente no igarapé que deságua no rio Solimões ou na
encosta. As casas de alvenaria comprometidas apresentam rachaduras. Há também voçoroca instalada.
São comuns cortes verticais no talude para instalação das moradias, presença de árvores inclinadas,
bananeiras na encosta e fossas sépticas no alto da encosta.
A Ilha do Açu (município de Manaquiri), na margem direita do rio Solimões (MN_SR-11) e zona
rural, é afetada intensamente pelo fenômeno de “Terras Caídas”, aonde mais de 50 famílias foram
atingidas nos últimos anos, devido à queda das casas, rede elétrica e ruas destruídas pelo fenômeno, que
segundo relato de moradores causou a erosão de mais de 1000 metros de terras obrigando-os a
abandonarem a localidade. Na ilha restam somente duas casas com 7 pessoas, cultivando malva. A ilha é
constituída por sedimento argilo-siltoso com areia fina de depósitos recentes associados a meandro
abandonado.
Na Costa do Laranjal (MN_SR-12) observa-se cicatriz de deslizamento planar e queda de barranco
(blocos de solo) que atingiu o solo de alteração e os litotipos da formação Álter do Chão, deixando o talude
praticamente na vertical com o coluvião na base. Moradias, rede elétrica e estrada de acesso na parte
superior com risco de deslizamento. Algumas casas e flutuantes na parte inferior com risco de
soterramento, podendo ser atingidas pelos sedimentos ou pela onda criada por ele. Segundo moradores
esses eventos ocorrem normalmente junto com a cheia do rio.
SUGESTÕES
 Maior controle da ocupação das encostas e fundo de vale, promovendo a recuperação da mata
local ou estabelecendo projetos para novos usos dessas áreas, de acordo com as características
ambientais da região;
 Campanhas de educação ambiental para a população, promovendo o entendimento dos prejuízos
causados pelo descarte irregular e o acúmulo de lixo nas drenagens;
 Campanhas de sensibilização da população para apoiar a Defesa Civil nos momentos de
emergência, entendendo a necessidade de evacuações imediatas ou permanentes. Palestras em
igrejas, praças e escolas, bem como distribuição de cartilhas e sessões de vídeos com situações de
emergência podem colaborar para o entendimento;
930
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

Vistorias efetivas e periódicas por profissionais da área de engenharia e/ou geotecnia, com
realização de obras adequadas e dimensionadas para o município;
Ressalta-se também a importância da elaboração de Plano Municipal de Redução de Risco,
visando o planejamento de ocupação urbana de forma adequada.
REFERENCIAS
Carvalho, C. S. & Galvão, T. G. 2006. Prevenção de Riscos de Deslizamentos em Encostas: Guia
paraElaboração de Políticas Municipais. Brasília: Ministério das Cidades; Cities Alliance, 2006.
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THE IMPACT OF THE SMALL – SCALE GOLD MINING NEAR THE
BROWNSWEG VILLAGE, DISTRICT OF BROKOPONDO – SURINAME
Binda Amiet1; Jagdew Monique1; Goenopawiro Kenneth2
1 - Geology student of the Anton de Kom University of Suriname, Faculty of Technology- Department of Geology & Mining
([email protected]) ; ([email protected])
2 - Geologist/ Lecturer of the Anton de Kom University; Faculty of Technology ([email protected])
INTRODUCTION
District Brokopondo has 8340 inhabitants of which approximately 5000 lives in the Brownsweg
village (Censuss 2010), most of these people are maroons where the life skills depends on the agriculture
and fishery. With the “BOOM” of Gold fever these peoples switched over to the Small-Scale Gold Mining.
We have done our study in this area to report the impact of the Small-Scale Gold Mining on the
village.
REGIONAL GEOLOGY OF SURINAME
Suriname is a small independent country in South America, situated on the Guiana Shield (Fig.1).
Suriname we can classify geologically in the Coastal plain (20%) and Guyana shield (80%). The coastal
plain consists mainly of young sediments while the shield consists of hard rocks. The hard rocks of the
Guiana Shield consist of metasediments and metavolcanics, a part of this is known as the Greenstone Belt.
The Greenstone Belt is geologically characterized by the reserves of gold which is most commonly found
in fractures and rocks. (Reference Geological and Mining Services of the Government (GMD)-1972Geological map of Suriname. Uitgave Centraal Bureau Luchtkartering – 6edruk)
Coastal plain
Study Area
Guyana shield
Figure 1 -Geological map of Suriname.
METHODS AND TECHNIQUES
The collection of information consists of: Fieldwork (describing the used mining method);
Interview of the miners; collected photo material; literature study.
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SMALL-SCALE GOLD MINING
General information
The small-scale gold mining is a system to extract gold using simple tools. In the early 20th century
of the “gold rush” simple tools were used such as: longtom, sluice box, batea (pan). Nowadays, with the
advanced technology and the increasing gold price the miners uses water pump, water pipes, retort,
excavators and crushers (Fig. 2).
OPERATION OF THE SYSTEM
This system of mining is a 'suction and spray system'. The ore material in which gold is present is
loosed by water and a water pump so that a "slurry" is created. This slurry with another suction pump is
sucked and transported via pipes to the sluice box. The sluice box is prepared under a favorable angle
between 30 º - 45º so that the slurry can flow in a downwards slope. The slurry is made up of sediments
that also contain parts of gold. Gold has a higher density than the other sediments so that it settles down
during the flow and is captured by the vinyl mat, on the bottom of the sluice box.
The rest of the material that is not collected in the mats of the sluice box, streams out of the sluice
box and is dumped. When the mats get filled up with sediments and gold particles, they get cleaned. The
gold particles with heavy sands are then separated from each other by using mercury (gold amalgam).
Finally, the gold amalgam is burned to keep only gold while the mercury evaporates.
This system has both positive and negative influences on the community of Suriname.
Some of the positive influences of small- scale gold mining is that, each year an average of 17,000 kg of
gold is produced, that means economic strengthening of the country and employment
Sluice box
Water pipes
Water pump
Suction hole
Mine pit and slurry
Figure 2 - Small scale gold mining.
SOME OF THE IMPACTS ARE
Irresponsible deforestation widely
To start with mining activities the forest must first be cleared. All the trees are cut down and just
put on the side and even burned in most cases. Even the humus layer is removed and thrown away. During
deforestation the flora and the fauna are disturbed. This implies that they are not thinking of protecting
the animals, plants and environment. The trees have an important function because their roots hold the
soil in place so that it is not washed away (desertification). If it does, then there is soil erosion. The removal
of trees can have the consequence that there is less oxygen. During this process the ecological system is
disturbed. (Fig.3).
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Figure 3- Deforestation widely on a riverbed using for the mining.
THE EFFECT OF MERCURY ON THE ENVIRONMENT
 Water pollution - Water pollution include discharge of the remaining slurry (turbit water) in the creeks.
Mercury that is used in the mining pits and sluice box to bind the gold, ends up with the remaining slurry
in the creeks as well. The creek water is used by the villagers for drinking, fishing and to wash. Once in
the environment, mercury can be converted to the highly toxic methyl mercury. (Fig. 4)
 Soil Contamination - By the use of mercury it ends up together with water in the soil. When there is
an abundance of mercury it can pollute the groundwater and is also absorbed by plants and animals. (Fig.
4)
 Air pollution - Air pollution includes burning of mercury in the open air. To extract the gold from the
concentrate, mercury is used to form the gold amalgam. Amalgam is a solution of mercury and gold. To
purify it, the gold amalgam is burned. During this process, the mercury is released in the form of mercury
vapor. Inhaling a certain level can be dangerous for your health.
Figure 4 - Mercury use in the mine.
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Irresponsible dumping the tailing
When the slurry flows from the sluice box it is collected in a tailing pond, and sometimes reused. In most
cases, it will be routed to the creeks. Once in the creeks you get:
- Turbid water that can no longer be used because it is filled with sediments.
- Fish also move away from the area.
Safety and health
During all these activities the health and safety precautions are very important but are neglected. Some
unsafe works are: collapsing of the mine pits; working without gloves when using mercury.
Social
The presence of commercial sex workers in the gold mining areas and sparsely using condoms ensures
that HIV is easily transmitted. Most of the children who live on the mine fields are not in school. And the
mined pits provide accumulation of water in which tropical diseases such as malaria can occur.
CONCLUSIONS AND RECOMMENDATIONS
We have concluded that these mine activities gradually constitute a danger to the environment in
that area and for the people who live in the village. This may even have adverse effects on people and
animals that do not live in that area since the creek water flows into the rivers. And these rivers with the
polluted water are streaming through the village. Also the use of mercury should be completely customized
because it also forms a threat to the environment.To prevent all of these contaminants and to create a
healthier environment a few recommendations are hereby included:
Ad1. Irresponsible deforestation widely
A few solutions to deforestation are: working with a rehabilitation program where the mined-out area is
relocated in original condition as much as possible. This can be done by planting trees (reforestation)
Ad2. Mercury use
The best option is actually not to use mercury in the sluice box and in the mines. During the burning of
the gold amalgam, a retort has to be used. The gold amalgam is placed in the retort, and is burned. The
vapor that is released is guided by a pipe to a bucket with water. This means that mercury vapor does not
enter in the air. After this the mercury vapor is converted back to fluid mercury and reused. The different
mercury-free methods are:
1. Gemini Table (Shaking Table)
This is a shaking table of which the blade is made of fiber glass. The top consists of slots. By the flow
of water and shaking movement gold will be concentrate in the slots
2. Sluice box
The sluice box can be used by the miners but without mercury
Ad3. Irresponsible dumping the tailing
The polluted water which eventually flows to the creeks comes from the tailing. In order to prevent this
polluted must be purified first. This can be done by leaving the water so that the fine sediments settle.
After this, the water can be led to the creeks or it can be reused.
Ad4. Safety and health
With a proper plan before mining a lot of catastrophe can be avoided. A few aspects that are necessary are
the angle of the mine pit, type of material and depth and water dam.
REFERENCES
Bunt, J.; Ruessink, M.-1997 Going for Gold -Enschede,
Ripley, E.; Redmann, R.; Crowder, A. -1996- Environmental effects of mining. Canada,
Geological and Mining Services of the Government (GMD)-1972- Geological map of Suriname. Uitgave
Centraal Bureau Luchtkartering – 6edruk.
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IDENTIFICACÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS PELA PRODUÇÃO DE
CERÂMICA VERMELHA, UM ESTUDO DE CASO BRAGANÇA-PA
Caroline Morales, Nafitalino dos Santos Everton
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará Campus Bragança
INTRODUÇÃO
A interação do homem com o meio ambiente normalmente requer extração e uso de recursos
naturais, o que é necessário para a produção de bens serviços e para suprir as carências do ser humano.
Recursos naturais estão no meio ambiente físico ou biológico, como por exemplo, no solo, nos vegetais,
nos animais, nos minerais; aqueles que de alguma forma podem interessar para serem transformados em
um produto ou serviço (FERREIRA & KELLER, 2009).
Segundo os estudos arqueológicos, no Brasil, especificamente na região amazônica, relataram a
presença de cerâmicas simples com idade superior a 5.000 anos. Um tipo de cerâmica mais elaborada foi
encontrado na Ilha de Marajó, a cerâmica do tipo marajoara (ABC, 2010). O que proporcionou a
instalações de inúmeras cerâmica de produção na região, a atividade de extração, ou mineração da argila,
é altamente impactante e com grande potencial de degradação, sendo assim, faz-se necessário seguir
rigorosamente a legislação ambiental específica para esta atividade, a fim de obter licenciamento e
autorização (FORT, C. T., VALENTIM, K., ALMEIDA R. M., 2010, pag.32). Segundo a Associação
Brasileira de Cerâmica os impactos ambientais podem ser definidos como: “qualquer alteração das
propriedades físico-químicas e/ ou biológicas do meio ambiente, devido a qualquer forma de matéria ou
energia por atividades humanas” (ABC, 2010). Estes impactos são significativos, causam danos ao meio
ambiente e a falta de responsabilidade faz com que a fiscalização se torne pouco frequente, transferindo
as consequências à sociedade (IBAMA, 2001).
Este artigo teve como objetivo apresentar e analisar os impactos ambientais referentes a extração
de argila para produção de cerâmica vermelha que em geral, segundo a referida associação, caracteriza-se
com sendo “materiais de coloração avermelhada usados na construção civil (como tijolos, blocos, telhas
e etc.), que também pode ser usada na confecção de utensílios de uso doméstico e de adorno” (ABC,
2010), que se apresenta em três localidades que realizam essa atividade na cidade de Braganca-PA. Além
de dar subsídios para encontrar mecanismos adequados de gestão ambiental para serem aplicados à região.
METODOLOGIA UTILIZADA.
Na localidade, há duas classes de trabalhadores que dependem da extração de argila: os oleiros,
responsáveis pela fabricação de tijolos e venda de argila e; e os ceramistas, que compram a argila e
produzem arte em cerâmica. Foi analisada a fabricação do inicio ao fim entre os diferentes métodos de
produção e verificaram-se as etapas de extração, moldagem, secagem e queima em todas localidades. Os
maquinários utilizados são do tipo manual, semi-manual (maior abundancia) e industrial.
Foram pesquisadas todas as unidades produtivas, perfazendo o total de 26. Constatou-se que apenas
23 estão em funcionamento, 3 estão inativas por motivos desconhecidos.
Para identificar a categoria das olarias foi necessário um levantamento das etapas de produção
existentes, quantidade produzida por dia ou semanal, tempo de funcionamento e quantidade de
funcionários. Dessa forma obteve-se as categorias de empresa de pequeno, meio e grande porte.
A verificação da situação ambiental levou em consideração o cuidado ambiental, os principais
problemas, o abastecimento d’água, ponto de extração, existência de licenciamento ambiental, matériasprimas utilizadas, destinação dos resíduos gerados e se desenvolvem alguma pratica de gestão ambiental
na produção.
Em Bragança a argila é utilizada para fabricação de tijolos, telhas e para artesanato na região, onde
o predomínio é a produção dos materiais de construção civil tendo em vista atender o mercado interno do
município e também externo como cidades próximas que são Tracuateua, Augusto Corrêa, Capanema,
além de destinar para capital do estado que é Belém. Encontra-se distribuídas nos campos bragantinos, em
área da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, e de várzea nas proximidades ao rio Caeté.
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RESULTADOS OBTIDOS OU ESPERADOS
Foram encontradas 26 olarias distribuídas em três localidades analisadas 10 na comunidade
Taperacu-campo, Arcapara, Tamatateua que estão inseridas na Reserva extrativista marinha CaetéTaperacu onde também visualiza-se a produção de artesanato; 15 encontram-se na comunidade da
Fazendinha localizada na margem do Rio Caeté e uma esta isolada no Bairro do Jiquiri.
Observa-se abundancia de olarias de pequeno porte, uma de médio que produz em media 25.000
tijolos e telhas por dia e apenas uma e considerada de grande porte, sua produção media diária e de 60.000
tijolos e já possui instalações para chegar a 180.00 tijolos por dia. Em sua maioria as olarias que produzem
em pequena escala são gerenciadas por pessoas da mesma família que se unem para um bem comum:
gerar renda, estas produzem em media 6.000 tijolos por semana.
O ponto de extração em que o insumo para produção e retirado na comunidade do Taperacu-campo,
Arcapara, Tamatateua se encontra disperso, cada unidade possui seu próprio ponto e outros adquirem
compram o recurso faz com que o custo da produção se eleve. Na localidade da Fazendinha este sistema
de difere, pois há ocorrência de apenas um ponto de extração para todas as olarias encontradas na área
este encontra-se perto do rio caeté. A olaria no bairro do Jiquiri possui sua própria área de extração.
Os impactos ambientais encontrados são semelhantes nas três áreas analisadas: mudança da
paisagem, desgaste do solo, retirada da vegetação nativa, produção de gases através do processo de queima
da lenha, contaminação do lençol freático (por fossas negras), queima de combustível (diesel) para ligar
o motor e desmatamento através da obtenção de lenha proveniente de outros locais para o processo de
queima.
A olaria de médio porte e a associação dos oleiros realizam atividades de reflorestamento, para
reconstrução de mata ciliar e manejo ecológico respectivamente, além desse cuidado ambiental a olaria
localizada no Jiquiri, mais antiga da região aproximadamente 80 anos, possui atividades como piscicultura
na cavas e descanso para possibilitar a renovação da antiga área de extração de argila.
As matérias-primas identificadas para a produção de tijolos, telhas e artesanato foram a argila,
lenha, serragem, caroço de açaí, fasquio (sobra de madeira das cerrarias), e agua. Além disso e comum
utilizarem diesel para ligar as maquinas semi manuais (tecnologia baixa) que produzem o tijolo. A agua
em todos os locais e retirada de poços artesianos mas principalmente de poços do tipo amazonas
construídos pelos proprietários.
Quanto a questão dos resíduos sólidos produzidos por esse tipo de atividade no local o barro mole
e colocado para amolecer novamente e reutilizado na produção. O tijolo seco pouco danificado e
comercializado a um preço mais baixo como produto de segunda. Os que estão totalmente danificados são
reutilizados para a aterro de estradas pela própria olaria ou/e comercializado.
CONCLUSÕES/ RECOMENDAÇÕES.
A ausência de licenciamento ambiental em grande parte das olarias, apenas duas possuem,
demonstra o descaso com o meio ambiente e falta de fiscalização pelos órgãos ambientais da região. A
falta de energia elétrica na região ocasiona a utilização de maquinas semi-manuais que além de ser mais
barata não necessitam desse recurso, no entanto utiliza-se óleo diesel para o seu funcionamento
aumentando os gases prejudiciais ao meio ambiente.
Apesar destes impactos de grande importância algumas medidas a favor do meio ambiente estão
sendo tomadas como o reflorestamento para reconstrução da mata ciliar e para fins de manejo podendo
ser utilizados como matéria-prima para a produção de materiais de construção civil.
Antigamente muitas olarias utilizavam a vegetação nativa da região acarretando no esgotamento
desse recurso, por esse motivo foi necessário buscar em outras localidades e outras formas de obter esses
insumos. Uma consequência preocupante disso e que não há cuidado ou mesmo conhecimento na maioria
dos casos de sua origem.
A substituição de lenha por serragem e caroço de açaí são técnicas consideradas sustentáveis, pois
se utiliza resíduos gerados por madeireiras que anteriormente eram inutilizados beneficiando o meio
ambiente com a diminuição do desmatamento e redução de custos para os oleiros.
Para obter uma postura correta perante o meio ambiente e necessária a redução dos impactos
ambientais analisados, adequação com as leis ambientais e melhoria na fiscalização. Para isso e importante
a realização de um estudo de perspectiva de vida útil da reserva, renovação da área de extração e métodos
de produção mais eficientes em relação ao meio ambiente e disseminar de forma ampla as ações, técnicas
e benefícios da gestão ambiental já desenvolvida na região.
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22 a 26 de setembro de 2013
REFERÊNCIAS
Associação Brasileirade Cerâmica (ABC). Disponível em: <http://www.abceram.org.br> Acesso em:
21/09/2010.
Associação Brasileirade Cerâmica (ABC). Disponível em: <http://www.abceram.org.br/> Acesso em:
21/09/2010
Associação Brasileirade Cerâmica (ABC). Disponível em: <http://www.abceram.org.br/asp/abc_51.asp>
Acesso em: 21/09/2010
BNDS. Cerâmica para revestimentos. Informe Setorial, Rio de Janeiro. n. 15. agos/2000. Disponível em:
<http// www.bnds.gov.com.br >. Acesso em 22 de maio de 2004.
Correia Filho. F. L. Projeto Avaliação de Depósitos Minerais para a Construção
Civil PI/MA.
Teresina: CPRM, 1997. v.1.
Ferreira, D. D. M. Keller, J. Geração e Descarte de Resíduos do Processo Têxtil: Um Estudo de Caso sob
a Ótica dos Colaboradores. In: XIV Simpósio de Engenharia de Produção, 2009.
Fort, C. T., Valentim, K., Almeida R. M., Proposta de Mitigação De Impactos Ambientais para
Licenciamento de Pátio de Secagem de Cerâmica, Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental da
Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2010.
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)- Manual de Normas
e Procedimentos para Licenciamento Ambiental no Setor de Extração Mineral, 2001.
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DEGRADAÇÃO E PERCEPÇÃO AMBIENTAL NA APA DE ALGODOAL –
MAIANDEUA
Cássio Rogério Graças dos Santos
Universidade Federal do Pará
CONCEITUAÇÃO DE APA
Neste momento tentará conceituar uma APA, a partir de algumas leituras sobre o tema, as Áreas
de Proteção Ambiental, são consideradas como Unidades de Conservação (UC) de uso sustentável, onde
a presença humana é permitida, assim como atividades econômicas de caráter sustentável e que,
teoricamente, não agridam, destruam, modifique, os ecossistemas.
Quem regulamenta as UC é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). A Lei, é o
resultado de muito debate em torno do tema, principalmente relacionada a presença humana dentro das
unidades de conservação, mesmo não agradando as partes, protecionistas e conservacionistas, é
considerado o documento mais completo e democrático relativo ao tema. A Lei que regulamenta o SNUC
é 9.985, de 18 de Julho de 2000. Assim um APA seria:
È uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada
de atributos abióticos e bióticos, estéticos ou culturais especialmente
importantes para a qualidade de vida e o bem estar das populações humanas e
tem como objetivo básicos proteger a diversidade biológicas, disciplinar o
processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos
naturais. É constituídas de terras públicas ou privadas. As condições para a
realização da pesquisa científica e visitação pública nas áreas de domínio
publico serão estabelecidas pelo órgão gestor da unidade e nas áreas sob
propriedade privada, pelo seu proprietário. A área de proteção ambiental deve
ter um conselho presidido pelo órgão responsável por sua administração e
constituído por representantes de órgãos públicos, de organização da sociedade
civil e da população residente. (Lei 9.985/00).
De acordo com o SNUC é permitida a visitação, pesquisa científica, atividades econômica, etc.,
mas a grande dificuldade é conciliar interesse econômico, onde a busca pelo lucro e o desejo pelo consumo
é essencial e o interesse conservacionista, onde procura frear as atividades degradantes ou/e assegurar o
bem estar do ambiente, respeitando os limites naturais. Assim, deve levar em conta os diversos interesses,
que em muitos casos são conflitantes, na constituição de uma unidade de conservação.
Guerra (2009) da um exemplo de uma APA que está sofrendo com o inchaço populacional,
degradação ambiental, tais como: escorregamento de massas, desmatamento, construção irregulares e
poluição hídrica é a APA de Petrópolis que foi criada em 1982. O que resultou da falta de um planejamento
e fiscalização adequada, na implantação de infra – estruturas para a ocupação, gerando nos períodos
chuvosos desastres ambientais e sociais irreversíveis.
ASPECTOS GERAIS DA APA DE ALGODOAL
O litoral do nordeste paraense é classificado por Barbosa; Pinto (1973) como “costa de rias”,
pelo aspecto estuarino, formado pelo afogamento pela transgressão marinha, que ocorreram no
Quaternário. Mendes; et al (2001), afirma que o litoral paraense pode ser dividido em dois domínios
geomorfológicos a Planície Costeira constituída a sedimentos argilosos e arenosos, resultante da dinâmica
das marés, ondas e ventos, que forma um relevo relativamente plano, o outro é o Planalto Costeiro,
corresponde a um relevo de degradação, com formações levemente ondulados, voltados para o mar, com
falésias ativas e com plataforma de abrasão associados. Os ecossistemas encontrados na ilha de Algodoal
são as praias, dunas, restingas, mangue e apicum.
A vegetação é caracterizada por espécies de mangue (Rhyzofora mangle,
Avicennia germinans e Laguncunaria racemosa), campos naturais (gramíneas e
ciperáceas) e restingas (Chrisobalanus icaco, Bulbostylis capibaris, etc.),
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Ribeiro & Sena (1995) ainda definiram várias espécies de várzeas e capoeiras
na ilha de Algodoal. (MENDES, et al, 2001, p. 104)
A APA de Algodoal – Maiandeua é da Lei Estadual nº 5.621/90 que se constitui de duas ilhas
Algodoal e Maiandeua, porém o processo para a criação dessa unidade de conservação se iniciou em 1989.
A gestão da APA é realizada pela Secretária de Estado e Meio Ambiente/Pará (SEMA/PA), já que é uma
unidade de conservação estadual.
Segundo a funcionária da SEMA, a gerencia desenvolve ações de acordo com as demandas da
unidade, como infraestrutura, educação ambiental, desenvolvimento e valorização as comunidades locais,
o plano de manejo ainda está em construção, a criação da APA foi em 1990, portanto há 20 anos e ainda
não tem um plano de manejo. Uma das ações que regula o transporte dentro da ilha é a proibição de
veículos automotores, só quem tem permissão de ter esses tipos de veículos é a companhia elétrica, para
fazer reparos e manutenção da rede de energia elétrica, os únicos meios de transportes são as bicicletas e
as charretes puxadas por cavalos.
PERCEPÇÃO DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL PERCEBIDA PELOS MORADORES DA
ILHA
A visita a APA ocorreu entre os dias 6 e 10 de Junho de 2012, com o principal objetivo de
conhecer essa modalidade de unidade de conservação e também, conhecer as práticas desenvolvidas pela
SEMA/PA referentes à conservação dos ecossistemas e relacionados à Educação Ambiental. No
seminário, o ponto que mais foi tocado, foi à questão relacionada à conservação e preservação dos
ecossistemas, a conceituação de Educação Ambiental, a partir da legislação e através de diversos autores
e concepções. Contou a participação de alguns moradores e donos de pousadas que também se preocupam
com a questão ambiental na ilha, já que é pela beleza natural que atrai turistas das mais diversas partes do
estado e do país, e algumas reivindicações foram feitas e alguns pontos expostos como a questão do lixo
e a falta de coleta seletiva.
Na comunidade de Fortalezinha, que fica na ilha de Maiandeua, observou-se uma parte que está
sofrendo com a erosão, formando uma voçoroca em uma face de uma falésia, que segundo Mendes et al
(2001) pode ser considerada, em seus estudos como, uma área suscetível a degradação ambiental, por ser
uma área ativa, ou seja, sofre constantemente com a dinâmica das marés. A voçoroca está associada à
ocupação por casas e a retirada da vegetação, que com chuvas intensas e com a saturação dos poros, no
solo, provoca o escoamento superficial acelerado, o que leva à erosão laminar, passando por pequenas
ravinas até a formação da voçoroca, na face da falésia
Um morador da comunidade nos explicou sobre os pescadores, o lixo que a correnteza traz, o
que dizendo ele há garrafas até da China e Japão que foram avistadas por moradores e pescadores da
localidade. Leff (2001) diz que é o saber tradicional que é necessário respeitar para a construção de um
saber ambiental que seja capaz de entender os processos de degradação e recuperação ambiental.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Segundo a legislação do Estado do Pará, as ilhas de Algodoal e Maiandeua, são consideradas
como uma área de proteção ambiental, formando a APA de Algodoal – Maiandeua, uma APA que já está
com 20 anos de funcionamento. Segundo a classificação de APA, pelo SNUC, observou-se que falta na
gestão dessa unidade de conservação representantes da sociedade civil e os residentes das ilhas, porém
segundo a fala dos gestores e funcionários da SEMA/PA isso a sociedade não participa por falta de
interesse e jogam a responsabilidade inteiramente para a instituição.
Outro ponto que ficou evidente na visita, foi à questão de proteção, conservação e a disciplina
ao uso dos recursos naturais. Não há uma fiscalização efetiva para assegurar a sustentabilidade das ilhas,
o que revela é a fala dos professores e alguns moradores das ilhas. O problema que chama mais atenção,
e como já foi dito em outras partes desse resumo, é o lixo e o problema se intensifica nos períodos de
férias e nos feriados prolongados. E falta uma política pública que leve em consideração o acumulo de
lixo, onde é observado em vários segmentos das ilhas, no mangue, restingas, nas praias, nas dunas e nos
lagos que se formam entre as dunas.
Então pode se perceber que a APA de Algodoal – Maiandeua está pautada apenas no papel, na
lei. A realidade mostra que ainda falta muito para ser caracterizada como uma APA efetiva. Como ação
para desenvolver a sensibilização ambiental entre os moradores, pescadores e veranistas, seria a
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divulgação de forma simples e didática sobre a APA, sua função, objetivo, etc. e desenvolver atividades
de educação ambiental em todo o ano e não apenas em períodos do ano, e tentar agregar toda a comunidade
na preservação, conservação e recuperação de possíveis áreas degradadas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bensusan, N. Conservação da Biodiversidade em Áreas Protegidas. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2006.
Guerra, A. J. T; Coelho, M. C. N. Unidades de Conservação: abordagens e características geográficas. Rio
de janeiro: Bertrand Brasil, 2009.
Leff, E. Epistemologia Ambiental. São Paulo: Cortez, 2001.
Mendes, A. C. et al. Análise do Meio Físico Para Gestão Ambiental das Ilhas de Algodoal e Atalaia (NE
do Pará). In PROST, M. T.; MENDES, A. C.(Org.) Ecossistemas Costeiros: impactos e gestão ambiental.
Belém: MPEG, 2001.
Muehe, D. O Litoral Brasileiro e Sua Compartimentação. In CUNHA, S. B.; GUERRA, A. J. T. (Org.)
Geomorfologia do Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
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ESTUDO AMBIENTAL DO LIXÃO URBANO DA CIDADE DE BRAGANÇA (PARÁ)
APLICANDO O RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR)
Danyella Barbalho Pires1*, Mirela Santana Silva1, Suziany Araújo Martins1, Pedro Chira Oliva1
1
Instituto de Estudos Costeiros (IECOS), Universidade Federal do Pará, Brasil, *e-mail: [email protected], [email protected]
INTRODUÇÃO
Um dos grandes problemas resultantes do crescimento populacional e do desenvolvimento
tecnológico e industrial é a disposição dos resíduos sólidos. Os resíduos sólidos ou lixo é um dos tipos de
fontes de contaminação de nossos mananciais subterrâneos.
Devido às políticas de ordenamento territorial e gestão ambiental inexistente e/ou ineficientes,
locais técnica e geologicamente inapropriados são utilizados para a disposição final dos resíduos sólidos
gerados nos centros urbanos, resultando em danos, muitas vezes irreversíveis, ao meio natural (Bortolin,
2009).
Sob o aspecto ambiental e de preservação das águas subterrâneas, o aspecto mais importante é a
questão do chorume produzido a partir do lixo. A decomposição anaeróbica da matéria orgânica presente
nos resíduos sólidos produz gases e chorume. Este último produto é um líquido negro formado por
compostos orgânicos e inorgânicos, apresenta altas concentrações de matéria orgânica e metais pesados.
A infiltração do chorume contamina o solo e pode atingir a água subterrânea. Os impactos ocasionados
sobre os aquíferos foram estudados em algumas áreas do país e indicaram elevadas concentrações de
metais e contaminação biológica nas águas (exemplos são os trabalhos de Santos et al. (2004), Costa
(2004), entre outros).
Shiraiwa et al. (2002) aplicaram métodos geofísicos como o Eletromagnético Indutivo (EM-34) e
o GPR para caracterizar a área do estudo correspondente ao lixão de Cuiabá (MT, Brasil), definir a
espessura do pacote de lixo e consequentemente a pluma de contaminação do chorume originado. Eles
verificaram com estes métodos a contaminação existente e comprovaram a disposição inadequada dos
resíduos, em local onde o nível freático é pouco profundo e nas profundidades de um córrego, de forma
que ocorre o transporte do chorume para outros locais onde existem moradias de populações ribeirinhas.
Na cidade de Bragança (Pará) existe um lixão público que se caracteriza pela disposição
desordenada dos resíduos sólidos e queima indiscriminada do lixo que provém de diversas fontes sendo
caracterizado por ser uma fonte contaminadora de grande porte uma vez que se encontra nas proximidades
de vários cursos hídricos de suma importância, como a bacia do rio Caeté (Pará). Este lixão não atende a
nenhuma especificação técnica estabelecida para aterros sanitários.
A primeira avaliação ambiental foi realizada por Gorayeb (2008) quem considerou a
vulnerabilidade do aquífero à contaminação e a qualidade da água superficial e subterrânea da área na sua
pesquisa. Este estudo revelou que o lixão municipal de Bragança influi negativamente sobre a qualidade
da água subterrânea e superficial do baixo Caeté, gerando consequências drásticas para o meio ambiente
e a saúde humana. Os resultados demonstraram a existência de contaminação na água subterrânea e
superficial por vários metais pesados.
Este estudo tem por finalidade utilizar a ferramenta geofísica GPR para complementar os estudos
ambientais no referido lixão na busca de informações sobre a possível presença de plumas de
contaminação na subsuperficie ou próxima da superfície do lixão e a direção do fluxo dessas plumas
contaminantes.
MATERIAIS E MÉTODOS
Área de Estudo
O lixão da cidade de Bragança (Pará) está localizado no bairro Alto Paraíso, mais especificamente
na localidade chamada Marrocos, às margens da rodovia PA-112, em área periférica, a sudoeste do centro
da cidade de Bragança, nas seguintes coordenadas geográficas: 01º04’ 40’’S e 46º46’45’’W (Figura 1).
Encontra-se em local topograficamente elevado em relação às áreas circunvizinhas, servindo como
dispersor de águas, principalmente no período chuvoso.
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Estuário do
rio
Caeté
Bragança
Figura 1 - Imagem de satélite da Região
Bragantina mostrando a localização da área de
estudo correspondente ao Lixão da cidade de
Bragança (Imagem Landsat - Composição
Colorida - RGB, seca - disponibilizada pelo LAIT
- Instituto de Geociências - UFPA).
Lixão
de
Bragança
Métodos aplicados
Os métodos geofísicos são uma alternativa no diagnóstico de áreas contaminadas, devido à rapidez
e baixo custo em estudos ambientais e podem auxiliar na detecção e no monitoramento destas, em conjunto
com métodos diretos e de investigação (Santos et al, 2009). Neste trabalho foi aplicado método geofísico
tipo eletromagnético conhecido como Radar de Penetração no Solo (GPR).
O Radar de Penetração no Solo é um método eletromagnético baseado na propagação de ondas
eletromagnéticas (EM) de alta frequência (10 MHz - 2,5 GHz) adquirindo informações relacionadas à
subsuperfície. Baseia-se na emissão, reflexão e recepção da onda, que responde às propriedades dielétricas
do solo, no qual o sinal – a onda eletromagnética – se propagará. O funcionamento do método GPR se
baseia na seguinte sistemática: um pulso de onda eletromagnética é irradiado para o interior do solo por
uma antena transmissora, sendo a energia transmitida para profundidades maiores e parte dela refletida
para a superfície. Quanto maior a frequência das ondas eletromagnéticas, maior a resolução dos sinais
captados e menor a profundidade atingida (Porsani et al., 1999).
INVESTIGAÇÕES REALIZADAS E RESULTADOS
Foram realizadas duas coletas de dados geofísicos GPR no ano de 2012 (épocas chuvosa e não
chuvosa). Foi utilizada uma antena de 200 MHz com uma janela temporal de 150. A configuração fontereceptor considerado foi a common-offset (CO) ou afastamento comum.
Para o levantamento dos dados GPR foram considerados quatro perfis que foram levantados nas
partes laterais e dentro do lixão com diversos comprimentos compreendidos entre 35 m e 280 m,
respectivamente. A amostragem dos dados GPR no terreno foi feita a cada 10 m para cada perfil (Figura
2).
Figura 2. Localização dos perfis para o
levantamento dos dados GPR no lixão
de Bragança.
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Constatamos nestes resultados a presença das plumas de contaminação próximas da superfície
como podem ser visualizada principalmente nas Figuras 3 e 4.
Figura 3. Perfil P1P2 obtido
durante os períodos chuvoso e
não chuvoso do ano de 2012.
Nos
círculos
tracejados
podemos observar a presença
da
contaminação
na
subsuperfície a partir de uma
profundidade compreendida
entre
1,5
e
2m
aproximadamente.
Figura 4. Perfil P3P2 obtido
durante os períodos chuvoso
e não chuvoso do ano de
2012.
Nos
círculos
tracejados
podemos
observar a presença da
contaminação
na
subsuperfície a partir de
uma
profundidade
compreendida entre 0,5 e 1
m aproximadamente.
CONCLUSÕES
Os resultados mostraram que a ferramenta geofísica GPR apresentasse como uma importante
alternativa para caracterizar a área do lixão da cidade de Bragança devido à identificação de plumas de
contaminação resultantes possivelmente do chorume originado pelo referido lixão. Esta contaminação
acontece muito próxima da superfície. Nos radargramas podemos notar a presença do chorume dentro dos
resíduos sólidos devido à atenuação quase total do sinal eletromagnético.
REFERÊNCIAS
Bortolin J. R. M. 2009. Monitoramento temporal da pluma de contaminação do aterro controlado de Rio
Claro (SP) por meio do método da eletrorresistividade. Dissertação de Mestrado em Geociências e Meio
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Costa, W. D. 2004. Contaminação da água subterrânea por resíduo sólido no município de Belo Horizonte
– MG. In: Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, Cuiabá: ABAS, CD-ROM.
Gorayeb, A. 2008. Análise Integrada da paisagem na Bacia Hidrográfica do Rio Caeté - Amazônia
Oriental. Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 135 p.
Porsani, J. L.. 1999. Ground Penetrating Radar (GPR): proposta metodológica de emprego em estudos
geológico-geotécnicos nas regiões de Rio Claro e Descalvado – SP. Tese de Doutorado, UNESP, Rio
Claro-SP, 145p.
Santos, C. B., Leal, L. R. B., Luz, J. A. G., Mello, J. C. 2004. Caracterização do impacto na qualidade das
águas subterrâneas causado pela disposição dos resíduos sólidos urbanos no aterro municipal da cidade
de Feira de Santana – BA. In: Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, Cuiabá: ABAS, CD-ROM.
Shiraiwa, S., Lisovsky, S. P., Elis, V. R., Porsani, J. L., Borges, W. R. 2002. Estudos geofísicos integrados
no lixão de Cuiabá, MT, Brasil – resultados preliminares. Revista Brasileira de Geofísica, 20(3): 181-186.
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Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia
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CRESCIMENTO DESORDENADO E ÁREAS DE RISCO EM IRANDUBA-AM
Elton Rodrigo Andretta e Antônio Gilmar Honorato de Souza
CPRM – Serviço Geológico do Brasil
INTRODUÇÃO
Com a inauguração da ponte sobre Rio Negro, em outubro de 2011, ligando Manaus a capital do
estado do Amazonas aos municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, esses sofreram um grande
aumento populacional o que gerou crescimento desordenado da zona urbana, ocorrendo construções de
novas moradias em locais impróprios para a habitação como em encostas íngremes, fundos de vales e área
de proteção. O município de Iranduba, situado na região metropolitana de Manaus, possui 41.947
habitantes, segundo IBGE 2010, dentre os três citados anteriormente Iranduba é o mais próximo da capital,
foi escolhido para sediar uma nova unidade da UEA, Universidade Estadual do Amazonas, por esses
motivos e o mais afetado atualmente pelas invasões e consequentemente por áreas de risco, pessoas
visando lucros ou apenas uma oportunidade para melhorar de vida se instalam em locais sem as mínimas
condições de habitação, por vezes enganados por grileiros ou em loteamento irregulares, outras vezes
invadindo áreas de preservação e/ou calhas de igarapés.
Assim a CPRM, com o auxilio da Prefeitura e Defesa Civil do município de Iranduba, mapeou as
áreas de risco alto a muito alto de deslizamentos, erosão, enxurrada e terras caídas. Esse mapeamento faz
parte do projeto do Governo Federal em conjunto com Casa Civil da Presidência da República em
consonância com os Ministérios da Integração Nacional, Ministério das Cidades, Ministério de Ciência e
Tecnologia, Ministério da Defesa e o Ministério de Minas e Energia firmaram convênios de colaboração
mútua para executar em todo o país o diagnóstico e mapeamento dessas áreas.
METODOLOGIA
Com o auxilio dos técnicos da Defesa Civil municipal foram visitados os locais aonde já ocorrem e/ou
pode ocorrer eventos de deslizamentos, erosão, terras caídas e alagação/enxurrada. Esses locais foram
avaliados quanto à declividade, instabilidade, desmatamento, proximidade das moradias, potencial e
recorrência das enxurradas se em vale e analise das feições encontradas (trincas, degraus, rachaduras,
arvores inclinadas, etc.), identificando assim o grau de risco. Quando o risco era qualificado em alto a
muito alto, segundo a descrição elaborada pelo IPT e utilizada pelo Ministério das Cidades (Figura 1), o
local era georreferênciado com auxilio de GPS, descrito detalhadamente em caderneta de campo e feito o
registro fotográfico.
Ao final dos dias de campo, foram elaboradas em escritório cartas (pranchas), uma para cada área
descrita composta por imagem de satélite com delimitação da área de risco, informações e descrições
ilustradas com fotografias para melhor visualização dos problemas, também foi elaborado um relatório
com a descrição sucinta sobre a geologia e meio físico do município e detalhada dos locais mapeados com
recomendações. Esses produtos finais foram entregues a prefeitura do município, juntamente com uma
copia em versão digital.
RESULTADOS
Ao final do estudo foram delimitadas 20 áreas de risco de alto a muito alto grau no município de
Iranduba, com um total de 424 moradias e aproximadamente 1700 moradores em risco, foram mapeados
locais com desastres naturais diversificados contendo erosão, deslizamentos, terras caídas e enxurrada,
esses locais serão descritos a seguir, estão divido por bairro ou localidades. Os polígonos de riscos
delimitados na área urbana do município são visualizados na figura 2.
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Grau de
probabilidade
de risco
Descrição dos Indícios
Não há indícios de desenvolvimento de processos de instabilização em encostas e
margens de drenagens
R1
Mantidas as condições existentes, não se espera a ocorrência de eventos
Baixo
destrutivos no período de um ciclo chuvoso.
Observa-se a presença de alguma(s) evidência(s) de instabilidade, porém
incipiente(s).
R2
Mantidas as condições existentes, é reduzida a possibilidade de ocorrência de
Médio
eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas no período
de um ciclo chuvoso.
Observa-se a presença de significativa(s) evidência(s) de instabilidade (trincas no
solo, degraus de abatimento em taludes etc).
R3
Mantidas as condições existentes, é perfeitamente possível a ocorrência de eventos
Alto
destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas no período de um
ciclo chuvoso.
As evidências de instabilidade (trincas no solo, degraus de abatimento em taludes,
trincas em moradias ou em muros de contenção, árvores ou postes inclinados,
cicatrizes de escorregamento, feições erosivas, proximidade da moradia em
relação à drenagem etc.) são expressivas e estão presentes em grande número e/ou
R4
magnitude.
Muito Alto
Mantidas as condições existentes, é muito provável a ocorrência de eventos
destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas no período de um
ciclo chuvoso.
Figura 1 - Critérios para definição do grau de probabilidades de ocorrências de processos de
instabilização nas áreas mapeadas.
Figura 2 - Delimitação em vermelho das áreas de risco mapeadas na zona urbana de Iranduba – AM
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No Bairro Alto temos erosões em encosta declivosa causadas pelo rompimento de tubulações,
concentração de águas servidas e de chuva em direção perpendicular a encosta, as ligações irregulares de
água com mangueiras também tem diversos vazamentos, em algumas encostas encontra-se lixo e entulho,
fossas, bananeiras, observam-se rachadura em base de casa nas proximidades e degraus de abatimento
mostrando a movimentação do terreno. Alguns pontos de encosta bem vegetados ajudam a reduzir os
deslizamentos e erosões.
No Centro de Iranduba, observa-se uma encosta com alta declividade próxima a casas, com árvores
inclinadas, fossa e bananeiras na beira da encosta. Nas casas foram verificadas rachaduras, causadas pela
movimentação do terreno.
No Bairro São Francisco há uma encosta íngreme com ravina causada pelas águas pluviais. Local
aonde era um antigo lixão, que foi aterrado. Lixo e entulho despejado na encosta. Em chuvas fortes, a
água represa na esquina das ruas, invade residências e aumenta a velocidade de erosão do talude.
No Bairro Novo Amanhecer, é verificado talude com alta declividade parcialmente desmatado,
aterrado, com bananeira, fossa, concentração de água servida, tanque com água, vazamentos e lixo/entulho
despejado no talude. Casas com rachaduras em risco de deslizamento e casas com risco de soterramento
na meia encosta. Outras moradias são construídas em corte e aterro próximas a igarapés, ficando com risco
de alagamento e soterramento, nesse local já houve ocorrência de movimentação do terreno que possui
cicatrizes e rachaduras. Próximo ao Beco Santa Isabel encontra-se uma encosta declivosa, aonde ocorre
despejo de águas servidas do Hospital Hilda Freire, deixando o local perigosamente poluído por dejetos
hospitalares e com forte odor. Em outro local nesse mesmo bairro ocorreu à queda de um muro na beira
da encosta, devido a fortes no local.
No Bairro Cidade Nova, encontra-se uma ravina ocasionada pelas águas lançadas diretamente sobre
a encosta, com degraus de abatimento, desmatamento, acumulo de água no topo da encosta e vazamentos
em canos. Na parte baixa, há um vale sujeito a inundação. Igarapé com esgotos lançado diretamente sem
tratamento em área está sujeita a enxurrada, inundação e solapamento da casa, instabilidades reconhecidas
pelas cicatrizes e degraus de abatimento, lixo, bananeiras e vazamentos nas tubulações.
No Bairro Morada do Sol, formou-se uma voçoroca de 30m de profundidade em encosta declivosa
com aterro lançado, o local é um ponto de concentração da água, ficando susceptível a erosão e
deslizamentos. Entulho e lixo são despejados na dentro da voçoroca, bananeiras, fossa, escorregamento e
degraus de abatimento são indícios vistos no local, indicando possíveis movimentações futuras no solo
local.
Bairro Graça Lopes encosta declivosa com cortes verticais para construção de moradias, fossas na
beira da encosta, rua sem asfaltamento, por onde escoa água sem sistema de drenagem, vazamentos,
bananeiras, lixo, água servida lançada na encosta, risco de deslizamento, soterramento e enxurradas nesse
local.
Comunidade Nossa Senhora de Nazaré e Jandira no Rio Solimões, aonde o fenômeno de terras caídas
causou dano à estrada e postes de energia, presença de cicatrizes de deslizamentos no barranco.
Na Comunidade Divino Espirito Santo situada em planície de inundação próxima ao Lago Iranduba,
casas e estrada ficam inundadas. Deslizamentos nas estradas evidenciam instabilidade do solo local. O
desmatamento e o Lago Iranduba potencializam os efeitos do fenômeno “Terras Caídas”.
Furo do Paracuúba canal que interliga os rios Solimões e Negro, margens afetadas pelo fenômeno de
Terras Caídas. Solo constituído por sedimentos recentes. O desmatamento, assim como as navegações,
aceleram o fenômeno.
Comunidade Costa do Catalão afetada pelo fenômeno de Terras caídas que acelerou nos últimos 10
anos, causando deslizamentos e queda de blocos de solos. O solo é constituído por sedimentos
inconsolidados, área de várzea sujeita a inundação periódica, principalmente nos períodos de grande cheia
do rio.
Ilha da Marchantaria no Rio Solimões, submetida ao fenômeno de “Terras Caídas” que afetam a
população ribeirinha, área constantemente erodida pela correnteza das águas, recentemente houve
deslizamento, gerando uma cicatriz de 80m.
CONCLUSÕES E RECOMENDÇÕES
Devido ao grande crescimento populacional ocorrido nos últimos anos e esperados para os próximos,
conclui a necessidade iminente da elaboração de um plano diretor de qualidade para o município,
organizando da melhor forma possível os novos e melhores frontes para o desenvolvimento do mesmo,
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possibilitando dessa forma uma melhor orientação dos gastos públicos em projetos de desenvolvimento e
habitacionais planejados o que pode economizar até 10 vezes o que é gasto em obra para remediações de
problemas causados por habitações irregulares em locais de risco.
Dessa maneira recomenda-se:
 Maior controle da ocupação das encostas e fundo de vale, promovendo a recuperação da mata local
ou estabelecendo projetos para novos usos dessas áreas, de acordo com as características ambientais
da região;
 Campanhas de educação ambiental para a população, promovendo o entendimento dos prejuízos
causados pelo descarte irregular e o acúmulo de lixo nas drenagens;
 Campanhas de sensibilização da população para apoiar a Defesa Civil nos momentos de emergência,
entendendo a necessidade de evacuações imediatas ou permanentes. Palestras em igrejas, praças e
escolas, bem como distribuição de cartilhas e sessões de vídeos com situações de emergência podem
colaborar para o entendimento;
 Vistorias efetivas e periódicas por profissionais da área de engenharia e/ou geotécnica, com
realização de obras adequadas e dimensionadas para o município.
 Ressalta-se também a importância da elaboração de um plano de ordenamento territorial do
município, visando o planejamento de ocupação urbana e rural de forma adequada e sustentável.
REFERÊNCIAS
Costa, J.B.S., Bemerguy, R.L., Hasui, Y., Borges, M.S., Ferreira Júnior, C.R.P., Bezerra, P.E.L., Costa,
M.L. & Fernandes, J.M.G. Neotectônica da região Amazônica: Aspectos tectônicos, geomorfológicos e
deposicionais. 1996. Genomos, v. 2. p. 23-44.
Guerra, A.J.T. Processos erosivos nas encostas. In: Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos.
Orgs.: A.J.T. Guerra e S.B. da Cunha. 3a ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de População por Município.
Manaus: IBGE, Censo 2010. Disponível em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica
IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo/CPEPD/UFSC. Gerenciamento de
Áreas de Risco. Brasília: Ministério das Cidades. 222p. 2004. Impresso.
Ross, J. L. S. Geomorfologia: ambiente e planejamento. 5ed. São Paulo: Ed. Contexto. . 2000. 85p
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MAPEAMENTO DA INTRUSÃO SALINA E INTERFACE DE INTERAÇÃO ÁGUA
DOCE/SALGADA A PARTIR DE MÉTODOS GEOFISICOS, REGIÃO COSTEIRA
BRAGANTINA (BRAGANÇA-PA)
Evandro de Oliveira Brito¹, Paola Bianca Gomes Tabaranã¹, Alberto Richielly M. C. Branco¹, Suelen Carvalho de
Oliveira¹, Pedro Andrés Chira Oliva¹
Instituto de Estudos Costeiros (IECOS), Universidade Federal do Pará, Bragança – PA, [email protected]
INTRODUÇÃO
Nas áreas costeiras, a intrusão da cunha salina muitas vezes impossibilita a utilização da água
subterrânea para consumo público, daí a necessidade de se determinar com precisão a interface da água
doce/água salgada, com intuito de se preservar a qualidade desse recurso hídrico subterrâneo para um
desenvolvimento equilibrado e duradouro.
O estudo da forma, localização e variação temporal desta interface é de extrema importância para
exploração das águas subterrânea. Dentre as diversas técnicas aplicadas à investigação de áreas
contaminadas, as técnicas geofísicas (métodos elétricos e eletromagnéticos, por exemplo) apresentam uma
eficiente resposta neste tipo de problemas (SOARES, 2007). Um dos problemas e principal motivação
deste trabalho é verificar ou identificar espacialmente a presença ou não do processo de intrusão salina na
área de estudo devido aos problemas reportados. Para este trabalho será utilizada a ferramenta geofísica
da modelagem 3-D. Desta maneira pretende-se disparar um processo indutor de conscientização ambiental
na região para o planejamento de abastecimento de água e saneamento básico dos moradores nesta região.
A Vila do Bonifácio é uma vila de pescadores localizada próximo da praia de Ajuruteua (NE do
Pará). Esta vila tem um abastecimento doméstico muito precário, pois a água consumida provém de poços
escavados rasos (profundidade inferior aproximadamente a 3m). Ante estes fatos é necessário conhecer e
determinar espacialmente a interface entre a água doce e salgada nesta área de estudo a fim de que os
poços profundos não a alcancem.
MATERIAIS E MÈTODOS
A Vila do Bonifácio está localizada a 34 km da sede do município de Bragança- PA, na direção
NE, na margem esquerda do estuário do Caeté e está dentro dos limites da RESEX Marinha CaetéTaperaçu (Fig. 1). O acesso a esta vila pode ser realizado por via marítima ou terrestre, através da rodovia
PA-458. Neste trabalho o acesso foi pela via terrestre (Figura 1).
Figura 1. Vila dos Pescadores (Bragança, PA). Fonte: google Earth
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METODOLOGIA
Ground Penetrating Radar (GPR)
O GPR é um método eletromagnético baseado na propagação de ondas eletromagnéticas
(EM) de alta frequência (10 MHz - 2,5 GHz). Baseia-se na emissão, reflexão e recepção da onda,
que responde às propriedades dielétricas do solo, no qual o sinal – a onda eletromagnética – se
propagará. O funcionamento do método GPR se baseia na seguinte sistemática: um pulso de onda
eletromagnética é irradiado para o interior do solo por uma antena transmissora, sendo a energia
transmitida para profundidades maiores e parte dela refletida para a superfície.
Modelagem geológica 3-D
Para a construção do modelo geológico 3-D são consideradas as seguintes etapas
(GOCAD, 2008): Importar as imagens de cada seção geológica ou radargrama interpretados;
Digitalizar cada refletor a partir de pontos em todas as seções anteriores; Criar limites (ou curvas
fechadas) a partir do conjunto de pontos digitalizados para cada refletor (etapa 2); Construir uma
superfície correspondente a cada interface das etapas 2 e 3.
Modelagem estratigráfica 3-D
Para a construção do modelo estratigráfico será utilizado o Workflow-based reservoir grid
modeling. Este workflow facilita a construção de modelos estratigráficos, também chamados de
malhas estratigráficas ou malhas de reservatórios 3-D.
RESULTADOS
Foi definida a malha para o levantamento dos dados geofísicos GPR na área de estudo.
Inicialmente foi considerada como primeira área de estudo o campo de futebol da Vila, sendo
considerados os perfis laterais do referido campo em virtude de existir casas dentro do mesmo
como consequência do efeito erosivo na praia. Da mesma maneira consideramos a praia, próxima
da Vila, como a segunda área de estudo. Nesta segunda área o sentido das sondagens foi
perpendicular à linha de costa, com o objetivo de monitorar melhor o possível efeito da água do
mar na água doce (Figuras. 2 e 3); Os dados GPR coletados foram processados usando o software
REFLEXW seguindo o fluxograma da Figura 3.
Na Figura 4 podemos observar visualizações tridimensionalmente do modelo estrutural e
estratigráfico localização das anteriores seções geo-radar utilizando o softwareGOCAD.
Figura 2. Levantamento de dados na praia Figura 3. Levantamento de dados no
da Vila.
campo de futebol da Vila.
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Figura 4. Visualizações do modelo estrutural e estratigráfico, onde podemos observar o topo do
nível freático e a base da intrusão salina.
Figura 5. Diversos pontos de visualização em 3-D da praia próxima da Vila.
CONCLUSÕES
Neste trabalho foram apresentados os modelos estruturais e estratigráficos de duas áreas de estudo
localizadas na Vila do Bonifácio, Praia de Ajuruteua (Bragança-PA). Estas áreas correspondem ao campo
de futebol e a praia próxima da Vila. A visualização do lençol freático neste ambiente ficou clara,
principalmente nos perfis correspondentes a praia. Foi possível verificar a presença de intrusão salina que
devido ao seu alto valor de condutividade elétrica, causou forte atenuação da onda eletromagnética e por
esse motivo pode ser mapeada.
REFERÊNCIAS
Soares, M. J. S. Aplicação de Ferramentas Geofísicas no Diagnóstico Geoambiental. Expanded
Abstracts.10th International Congress of the Brazilian Geophysical Society. Rio de Janeiro. 19-22p. 2007.
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A ENCHENTE DO RIO NEGRO NA CIDADE DE MANAUS NO ANO DE 2012 – UMA
AVALIAÇÃO PRELIMINAR
1
OLIVEIRA, Itaní Sampaio de; 2PINTO, Joylgon do Nascimento; 3SAUNIER, Irapuan César Barroncas.
1
Nilton Lins, 2Seduc, 3Vetec, Manaus, Amazonas, Brasil, [email protected]
INTRODUÇÃO
O estudo dos fenômenos naturais tem se intensificado nas últimas décadas, não só pelo caráter
imprevisível ou pelo efeito destruidor com que muitas vezes age, mas também pela contribuição antrópica
nesse processo e pela freqüência com que tem ocorrido. Nesse contexto, o fenômeno das enchentes tem
sido alvo de discussão no meio científico e causado preocupações, principalmente ao poder público, visto
os inúmeros prejuízos causados à população quando da ocorrência dos mesmos; principalmente no que se
refere às cidades localizadas às margens de rios, como a cidade de Manaus, que anualmente sofre os efeitos
dos fenômenos de seca e cheia das águas do Rio Negro, que é o maior afluente da margem esquerda do
rio Amazonas.
Segundo Armesto (2010) cheias ou enchentes são definidas como elevação temporária do nível d’água
dos rios, devido ao aumento da quantidade de água que passa pelo canal de drenagem, que ocorre na
estação mais chuvosa do ano ou quando há o derretimento de neve das montanhas por onde os rios nascem
ou correm; já inundação, é o transbordamento das águas de um rio para a planície de inundação ou várzea.
Este trabalho analisa os fatores antrópicos e naturais que contribuíram para a enchente e a
inundação do ano de 2012, registrada como a maior cheia do Rio Negro nos últimos 110 anos; e tem como
principal objetivo abordar a participação da sociedade no agravamento desse processo e desta forma, as
conseqüências desse fenômeno para a comunidade em geral.
METODOLOGIA
Este trabalho foi realizado no período de maio de 2012 a junho de 2013, envolvendo a investigação
dos fatores que contribuíram para que a inundação que ocorreu na cidade de Manaus no ano de 2012
ficasse registrada como a maior já ocorrida na história da cidade, nos últimos 110 anos.
A metodologia utilizada está baseada em Gil (2009), que elucida que o estudo de caso é um modelo
proposto para a produção do conhecimento em um campo específico, apontando princípios e regras a
serem observados ao longo do processo de investigação, possibilitando estudar em profundidade o
fenômeno considerando suas múltiplas dimensões; e segundo fonte de informação histórica e de campo
(através da observação e conhecimento empírico).
Esse método se dá em três fases distintas: no referencial teórico com escolha dos casos; na coleta
e análise dos dados; e na interpretação dos resultados da pesquisa.
Dessa forma, inicialmente delimitou-se o universo da amostragem, ou seja, restringiu-se a
investigação sobre a época de maior cheia das águas do Rio Negro que se deu no ano de 2012, para
posterior comparação com os dados obtidos do Porto de Manaus (2013) e observou-se maior incidência
de ocorrências de menor vazante e maior cheia, registrados em intervalos de tempo curtos a partir de 1995,
promovendo uma discussão sobre os principais fatores que contribuíram para a inundação da cidade de
Manaus em 2012. Em seguida realizou-se o levantamento fotográfico das áreas no centro da cidade de
Manaus, atingidas pela inundação (Figuras 1 e 2).
RESULTADOS
Os resultados obtidos podem ser visualizados na Tabela 1, onde a partir de 1996 obtêm-se registros
de máxima cheia em 2012 e mínima vazante em 2010. Vale ressaltar as cotas de cheias representativas
acima de 29 m, ocorridas em 1999 e 2009 e de vazantes abaixo de 15 m em 1997 e 2005.
O recrudescimento da ocorrência de níveis de enchente/vazante, que oscilaram muito em uma década e
meia, refletindo valores representativos acima de 13 m, possivelmente, deve-se à variação de fatores
climáticos, como o aquecimento global.
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Figuras 1 e 2: Inundação no Centro de Manaus em 2012.
Tabela 1 - Cotagramas do Rio Negro no Porto de Manaus
Fonte: Adaptado de Porto de Manaus (2013). Nível do Rio Negro. Disponível em:
http://www.portodemanaus.com.br/. Acessado em 12 jan 2013.
Hirabayashi (2013) analisou 11 modelos climáticos globais e a possibilidade de enchentes em 29
bacias hidrográficas de grandes rios, inclusive o Amazonas; e concluiu que com o aumento da temperatura
global, as inundações estão se tornando muito mais frequentes e um dos fatores que contribui para que
isso ocorra é a emissão de gases do efeito estufa.
Conforme Figura 3, observa-se que no período de 1996 a 2012, as cotas de enchente se
mantiveram em patamares muito próximos em períodos curtos de tempo, corroborando a conclusão do
estudo de que as inundações estão se tornando mais frequentes; e que a cota máxima de vazante nesse
intervalo está aquém da mínima enchente, mostrando a ocorrência de grande variação entre enchentes e
vazantes.
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Figura 3: Cotagramas de enchente/vazantes.
Dentre os fatores antrópicos que mais contribuem para o agravamento dos problemas gerados pela
inundação em áreas urbanas temos: a construção de moradias na planície de inundação (Figuras 4 e 5), a
impermeabilização do solo e a existência de galerias de águas pluviais muito antigas construídas no início
do séc. XX (MORAIS, 2010).
Figuras 4 e 5: Construção de moradias na planície de inundação.
DISCUSSÃO
Os resultados obtidos através da pesquisa realizada sugerem que seria conveniente que todas as
cidades elaborassem um Plano de Gestão de Drenagem Urbana como forma de mitigar os impactos
decorrentes desse fenômeno natural e cíclico, tais como: perdas materiais e humanas, interrupção das
atividades econômicas das áreas inundadas, proliferação de doenças de veiculação hídrica, etc., pois
segundo Martins (2012), este plano compreende um conjunto de técnicas e ações que pode ser resumido
no conceito dos 3P (Procedimento, Planejamento e Preparo) e incluiria um elenco de medidas estruturais
e não-estruturais para implantação da gestão, tais como: bacias de detenção, retenção e amortecimento;
bacias de sedimentação, retenção de detritos e lixo; controle do uso do solo fora da área de inundação,
programa de manutenção e inspeção da rede de drenagem, entre outros.
Conforme Bonoan et al. (2003) devem ser tomadas informações específicas para adotar
procedimentos de controle de inundação, tais como: topográficas, fluvial, hidrológicas, de inundações
anteriores e sócio-econômicas da área afetada. Ou seja, promover um monitoramento constante da região
para tomada de medidas preventivas que amenizem o efeito das inundações ao longo dos anos.
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REFERÊNCIAS
Armesto, R. C. G. 2010. Ação das Águas dos Rios no Planeta Terra. Temas geológicos para educação
ambiental. Canal Escola. Educação Ambiental: Caderno V. Disponível em: www.cprm.gov.br. Acessado
em 23 jul 2012.
Bonoan, M. M. et al. 2003. Manual on Flood Control Planning. Project for the Enhancement of
Capabilities in Flood Control and Sabo Engineering of the DPWH. Department Of Public Works And
Highways Japan International Cooperation Agency. Disponível em: http://www.jica.go.jp. Acessado em
24 mar 2013.
Gil, A. C. 2009. Estudo de Caso. São Paulo: Atlas.
Hirabayashi, Y. 2013. Global flood risk under climate change. Nature Climate Change Journal.
Disponível em: http://www.nature.com/nclimate/index.html. Acessado em 10 jun 2013.
Martins, J. R. S. Gestão da drenagem urbana: só tecnologia será suficiente? Escola Politécnica. USP. 11
p. 2012.
Morais, D. L. 2010. A cheia do Rio Negro em Manaus e seus impactos no Centro e na Ponta Negra em
2009. In: Encontro Nacional dos Geógrafos – ENG, Porto Alegre, Anais XVI.
PORTO
DE
MANAUS.
2013.
Nível
do
Rio
Negro.
Disponível
em:
http://www.portodemanaus.com.br/?pagina=nivel-do-rio-negro-hoje. Acessado em 12 jan 2013.
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SUBSÍDIO PARA ELABORAÇÃO DE EIA/RIMA PARA ÁREA DE EXTRAÇÃO DE
ARGILA A PARTIR DA CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA NA PLANÍCIE DE
INUNDAÇÃO DO RIO ITACAIÚNAS EM MARABÁ-PA
Josué Souza Passos/Ana Valéria dos Reis Pinheiro/Andréa Hentz de Melo
Universidade Federal do Pará - Campus de Marabá
[email protected]; [email protected];[email protected]
INTRODUÇÃO
Na porção oeste do município de Marabá – PA, na margem esquerda do rio Itacaiúnas próximo a
sua desembocadura no rio Tocantins a extração mineral de argila vem ocorrendo há várias décadas. No
entanto, o modo de extração mineral adotado pelos empreendedores no município não levou em
consideração nenhum estudo sobre as condições do meio físico. A consequência dessa omissão com o
meio ambiente foi o abandono de várias cavas, muitas delas alagadas, o que se agravou no decorrer dos
anos. Este descaso por parte dos extratores de argila levou o Ministério Público do estado do Pará a intervir
na extração de argila, através de uma Ação Civil Pública, exigindo do Sindicato dos Ceramistas de Marabá
a recuperação das áreas degradadas. Neste contexto, este trabalho tornou-se pioneiro no estudo
geomorfológico/ geológico da área em questão, através da elaboração de mapas temáticos, que
caracterizam seu meio físico. Estes mapas servirão, por sua vez, como ferramentas fundamentais no
auxílio e elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)
da área degradada, assim como subsídio para a sustentação legal de extração de argila na cidade de Marabá
– PA.
MATERIAIS E MÉTODO
Para a confecção dos mapas temáticos foi necessário, primeiramente, fazer a extração, análise e
interpretação dos elementos geológicos/geomorfológicos dos produtos sensores, imagens de satélite,
utilizando o método de lógica e sistemática de Soares & Fiori (1976), utilizou-se a hierarquia de classes
de drenagem de Strahler (1952) e como apoio a interpretação da drenagem os trabalhos de Howard (1967)
e Lima (2002). Depois da extração, análise e interpretação dos dados foram feitos os mapas digitais com
o uso dos softwares ESRI ArcMap (ArcGis 9.3) e Global Mapper11.0 no Laboratório de Geoestatística
da Universidade Federal do Pará – Campus Marabá-PA.
Para o estudo geomorfológico foi aplicado o conceito de sistemas de relevo de Summerfield
(1993), segundo o autor, para determinar os sistemas de relevo é necessário identificar os elementos, seus
atributos e suas relações. Neste trabalho foram utilizados os sistemas de processos-respostas que resultam
em um ajuste entre processo e forma, os quais são representados por interações entre os sistemas
morfológicos e os elementos de relevo, e os sistemas sequenciais, descritos por movimentos de massa e
fluxo de energia através da paisagem.
Segundo Burbank & Anderson (2001) os melhores marcadores geomórficos conhecidos são as paisagens,
superfícies e alinhamentos principais que mostram a geometria antes da deformação e indicam idade da
deformação pela alta preservação de suas feições. Porém, frequentemente, apenas uma destas
características pode ser determinada como um marcador, dispensando as demais. Assim sendo, foi feita a
interpretação morfológica da área a partir dos alinhamentos de drenagem e de relevo (SOARES; FIORI,
1976).
RESULTADOS
A bacia do rio Itacaiúnas é extensa, ocupa uma área de aproximadamente
41.342 km2(VIANA, 2011), tendo localizada em sua foz a sede municipal de Marabá. É constituída por
14 sub-bacias e a própria sub-bacia do Itacaiúnas, cujas características principais são a assimetria forte e
a grande subordinação tectônica dos rios em sua maioria com orientação preferencial N-S e outros com
direção E-W. O rio Itacaiúnas tem direções gerais N-S em seu alto curso mudando para L-W em seu curso
médio, com mudanças bruscas de direção quando observadas em escalas menores, ao longo de todo o seu
curso. Próximo à foz deste rio há uma vasta planície de inundação que se fundamentou a partir dos
expressivos alagamentos em períodos de chuva e que consequentemente possibilitaram o acúmulo da
argila extraída pelos ceramistas neste local.
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As principais propriedades de drenagem identificadas na bacia hidrográfica do rio Itacaiúnas, e, por sua
vez, na área delimitada para confecção do mapa de drenagem (Fig. 01) mostram: Presença do padrão
subdendríticomeândrico que, segundo Howard (1967), é provocada, provavelmente, por controle
essencialmente estrutural, litológico ou litoestrutural. Alta e baixa densidade de drenagem indicando
terrenos impermeáveis e porosos respectivamente (LIMA, 2002).
Na área em questão é perceptível uma alta densidade da drenagem a E e NE, enquanto uma baixa
a W e NW. A presença da sinuosidade pode mostrar uma anomalia no terreno, retratada por um controle
estrutural ou até mesmo litológico. A alta angularidade comum a E e SE e a tropia bidirecional com
direções preferências a NE-SW e NW-SE, evidenciadas pelos cotovelos, que são feições anômalas, ao
longo do rio Itacaiúnas são fortes indícios de drenagem controlada pela existência de fatores tectonoestrututais. A delimitação e a análise dos alinhamentos identificados no mapa específico de alinhamentos
de drenagem permitiram a separação dos grupos preferenciais de direção e corroboraram o pressuposto de
controle estrutural na área em questão.
Os principais alinhamentos estão direcionados da seguinte maneira: NE-SW e NNE-SSW – o
primeiro ocorre relativamente distribuído por toda a área e representa extensos alinhamentos presentes
nos rios Tocantins e Itacaiúnas. O segundo ocorre em menor quantidade e em menor extensão e
encontram-se distribuídos em alguns pontos da área. NW-SE e NNW-SSE – o primeiro ocorre bem
distribuído por toda a área e representam extensos alinhamentos nos rios Tocantins e Itacaiúnas o segundo,
por sua vez, é limitado a alguns pontos da área tendo maior representatividade na porção central. Essas
direções refletem, em termos gerais, a orientação na qual acontece o escoamento da drenagem na área
estudada.
FIG. 01- Mapa de drenagem da área de estudo.
Depois de finalizados os mapas de drenagem e alinhamentos de drenagem, elaborou-se o mapa de
relevo (Fig. 02) tomando por base os dados SRTM-90m disponíveis no sítio da EMBRAPA. Os tons
verdes no mapa correspondem ao relevo de agradação com cotas de até 95m, representado por planícies
aluvionares. Em amarelo estão as áreas de transição, com os relevos colinosos mais suaves e cotas entre
96 e 120m, e; por fim, em tons vermelhos têm-se a área que indica o relevo de degradação, representado
pelo relevo residual, com as maiores cotas de elevação, 121 a 160m.
O mapa de geomorfologia (Fig.03) que fora confeccionado mostra que as porções SE e NE da
área, são formadas por colinas amplas com vertentes suaves e, por colinas de topos abaulados com
vertentes íngremes a E, sendo que a W foram diferenciados os relevos de colinas de topo aplainados e
vertentes planas e o de colinas de topos aplainados e vertentes íngremes, sustentado, na porção ocidental
por rochas clásticas da Formação Itapecuru constituída de argilitos e lateritas, e na porção oriental por
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rochas da Formação Couto Magalhães com micaxistos, filitos e ardósias (DE PAULA, 2010). Às margens
do rio Itacaiúnas se destacam as planícies aluvionares de natureza sedimentar quaternária.
Fig. 02- Mapa de relevo da área de estudo, realce aos sistemas de relevo.
Fig.03- Mapa geomorfológico da área de estudo.
CONCLUSÃO
As análises e interpretações constantes neste trabalho permitiram traçar as seguintes conclusões:
- A área de estudo é constituída pelo sistema de relevo de degradação e de agradação, o primeiro é
constituído por diversas formas de colinas sustentadas pela Formação Itapecuru a W e pela Formação
Couto Magalhães a E, enquanto o segundo é representado pelo relevo de planície aluvionar. Os setores
íngremes das encostas e as planícies fluviais são susceptíveis, respectivamente à erosão linear e às
inundações periódicas e devem, portanto, integrar as zonas de maior grau de proteção.
- Sobre a área de estudo, detectou-se um forte controle estrutural, definido pelas principais propriedades
de drenagem, pelas anômalas feições em cotovelos e corroborado, ainda, pela interpretação dos
alinhamentos de drenagem.
- As periódicas inundações do rio Itacaiúnas responsáveis pela construção da planície de inundação,
possibilitaram o acúmulo da argila extraída pelos ceramistas que não se preocuparam com os impactos
que seriam causados pela atividade extrativista.
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- É inviável a construção de qualquer empreendimento no referido local, haja vista as periódicas
inundações serem inevitáveis por se tratar de uma área de planície de inundação ativa, contudo, é louvável
que seja feita a reabilitação de solo e flora da área impactada.
REFERÊNCIAS
Burbank, D.W.; Anderson, R.S. Tectonic Geomorphology. Massachusetts: Blackwell Science, 2001. 274
p.
De Paula, R. G. Análise temporal, espacial e ambiental da ocupação urbana nas margens dos rios Tocantins
e Itacaiúnas na cidade de Marabá: subsídios para o plano diretor municipal. Trabalho de Conclusão de
Curso, Universidade Federal do Pará, 2010.
Howard, A.D. Drainage analysis in geologic interpretation: summation. Bulletin American Association of
Petroleum Geologist, Tulsa, v. 5, n. 11, p. 2246-2259, 1967.
Lima M.I.C. Análise de drenagem e seu significado geológico-geomorfológico. Belém: 2002, CD-ROM.
Soares, P.C.; Fiori, A.P. Lógica e sistemática na análise e interpretação de fotografias aéreas em geologia.
Campinas, Notícia Geomorfológica, 1976. 16 (32): 71–104
Strahler, A.N. Hypsometric (area-altitude) analisis of erosional topography.Geological Society of
America, Bulletin, v. 63, p. 1117-1142, 1952.
Summerfield, M.A. Global Geomorphology. New York: British Library Cataloguing in Publication Data,
1993, 537p.
Viana, E. T. D. Atualização cartográfica por produtos sensores gratuitos na bacia hidrográfica do rio
Itacaiúnas-Serra dos Carajás. Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal do Pará, 2011.
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CONSIDERAÇÕES VOLTADAS AO CONTROLE DOS PROCESSOS EROSIVOS NA
BACIA DO ALTO CURSO DO RIO CABAÇAL EM MATO GROSSO
Letícia Thommen Lobo Paes de Barros¹; Marcus Vinicius Ducati Cambará²; Fernando Ximenes de Tavares
Salomão³.
¹Consultora independente, Eng° Agrônomo, MSc. Ecologia e Conservação da Biodiversidade.
²Graduando em Geologia-ICET/UFMT
³Prof. Dr. do departamento de Geologia Geral-DGG/UFMT
[email protected]; [email protected] e [email protected]
INTRODUÇÃO
A bacia hidrográfica do córrego Dracena, afluente do Rio Cabaçal, encontra-se instalada na zona
de transição entre o setor de cimeira do Planalto dos Parecis, e a Depressão do Alto Paraguai, onde se
localiza a cidade de Reserva do Cabaçal em Mato Grosso, Figura 1.
Planalto dos Parecis
Alto Curso
Médio Curso
Depressão do Alto Paraguai
Baixo Curso
Reserva do Cabaçal
Figura 1 - Em destaque a bacia do córrego Dracena com a maior parte da área na faixa transicional (seta),
que separa o nível altimétrico de cimeira, em relevo de Planalto, do nível altimétrico da Depressão do Alto
Paraguai (imagem de satélite Cebers II, rota 168-117, banda pancromática, passagem 02/05/2009).
Município de Reserva do Cabaçal/MT.
A área objeto apresenta boa representatividade da problemática erosiva observada na região
compreendida pela bacia do Córrego Dracena afluente do Rio Paraguai, principal curso d´agua do Pantanal
Mato-grossense. O objetivo principal deste trabalho é a caracterização de condicionantes ambientais que
interferem no funcionamento hídrico e nas manifestações dos processos erosivos, de maneira a subsidiar
ações voltadas ao controle preventivo.
O diagnóstico realizado foi embasado na abordagem morfopedológica (Castro & Salomão 2000),
que permitiu em curto espaço de tempo, a partir de interpretação imagens de satélite de alta resolução, e
reconhecimentos em campo, a compreensão da dinâmica do funcionamento hídrico e da suscetibilidade
dos terrenos à ação erosiva.
CONTEXTUALIZAÇÃO DA PROBLEMATIVA EROSIVA
O levantamento de campo foi realizado de maneira a diagnosticar os problemas relacionados à
erosão, assoreamento, morte de vegetação, e redução da capacidade produtiva em propriedades rurais
localizadas em boa parte da bacia do córrego Dracena, em consequência da retirada da vegetação nativa
que recobria ambientes frágeis. Nesses ambientes as relações ecofisiológicas do suporte geoecológico
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(Ab’Saber, 2000), são regidas por características morfopedológicas e funcionamento hídrico favoráveis à
instalação de processos erosivos e movimentos de massa.
a) As principais cabeceiras do alto curso desse córrego situam em superfície rampeada em direção à borda
escarpada do Planalto, cujas escarpas funcionam como soleiras mantenedoras das vertentes das porções
de cimeira deste Planalto, no domínio de Neossolos Quartzarênicos, desenvolvidos sobre arenitos muito
friáveis da Formação Morro Cristalino (Saes & Leite, 1993). A Figura 2 apresenta um recorte de imagem
do principal curso d´agua que forma o córrego Dracena, apontando por meio de setas negras o caimento
geral da superfície rampeada em direção às escarpas do planalto, condicionante principal das direções de
fluxos d´agua superficiais e subsuperfíciais; as setas azuis indicam o caimento geral dos terrenos ao nível
das vertentes.
Figura 2 – Recorte de imagem mostrando a porção superior da bacia do córrego Dracena.
Assim, na porção de cimeira do Planalto, tanto a camada pedogeneizada como o arenito alterado
funcionam como uma esponja, absorvendo as águas das chuvas, e acumulando-as em subsuperfície,
reduzindo drasticamente o escoamento superficial, o que torna a faixa escarpada, que serve de soleira para
a manutenção das formas de relevo e de vertentes extremamente vulneráveis ao desmoronamento, e
desplacamento de blocos de rochas, solos e bancadas lateríticas.
b) O médio curso do córrego Dracena desenvolve-se em ambiente muito dissecado marcado pela presença
de morros coalescentes com solos pouco desenvolvidos, constituídos por Neossolos Regolíticos, Litólicos
e Cambissolos, formados a partir de diversas litologias, como os granitos pertencentes à Suíte Intrusiva
Santa Cruz (Ruiz, 2005), conglomerados, arenitos e siltitos da Formação Fortuna (Saes & Leite, 1993).
Neste setor da bacia observa-se a presença de uma antiga estrada, hoje totalmente desativada, onde se
observa dinâmica erosiva remontante, em processo ativo de erosão e movimentos de massa. Essa estrada
foi implantada transpondo morros coalescentes, marcados pela presença de escarpas esfaceladas na borda
do Planalto em Neossolos Regolíticos, o qual é pouco desenvolvido, medianamente profundo, tendo
seqüência de horizontes A–C–R, contendo na fração areia teores de minerais primários não
intemperizados, com indícios de se originar de materiais soltos e muito friáveis. Entretanto, o córrego
Dracena, antes de chegar ao nível da Depressão, ainda transpõe outra zona de ruptura de relevo, o que
implica para o seu médio curso competência suficiente para transporte de materiais a longas distâncias,
podendo em longo prazo atingir os ambientes de planícies aluvionares do baixo curso.
c) O baixo curso do córrego Dracena desenvolve-se em ambiente moderadamente dissecado em formas
colinosas (colinas médias), com vertentes pouco inclinadas, fundo de vales sinuosos, associados a
ambiente agradacional, com ocorrência de solos hidromórficos, meandros abandonados, níveis de
terraços, planícies aluvionares e bancos de areia assoreando o leito. Essa condição propicia ao baixo curso
do córrego Dracena elevada vulnerabilidade ao assoreamento por ação antrópica. A minimização deste
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processo depende em grande parte do controle dos processos erosivos manifestados no alto e médio curso,
acompanhados pela recuperação vegetal das áreas de entorno dos cursos d´agua.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Interpretações realizadas do funcionamento hídrico da área envolvida da bacia do córrego Dracena
contemplando as tendências de infiltração, escoamento de águas de chuva e do aquífero freático, com base
em análises de imagem de satélite de alta resolução e reconhecimentos em campo voltado à compreensão
das interações entre cobertura pedológica, formas e feições de relevo e substrato geológico, foi possível
distinguir comportamentos diferenciados dos processos erosivos envolvendo as porções do alto, médio e
baixo curso da bacia.
Nas porções do alto e médio curso da bacia, solos muito erodíveis, essencialmente arenosos e
profundos (Neossolos Quartzoarênicos e Neossolos Regolíticos) recobrem superfícies rampeadas
dominadas por pastagens, marcadas por tentativas de controle da ação erosiva por meio de gradeamento
do solo e terraceamentos, resultando em maior exposição do solo, aumento da erosão laminar e linear por
ravinas e boçorocas e o assoreamento de fundo do vale com a consequente morte de vegetação florestada
no mosaico ribeirinho.
As cercas, trilhas de gado e estradas abandonadas e ativas a favor da declividade oferecem
condições para o escoamento concentrado das águas de chuva, dando origem a sulcos e ravinas, que,
interceptando o aquífero freático ativam fenômenos de pipping em boçorocas muito profundas e de difícil
controle.
Para minimizar a ação erosiva e evitar que novas erosões ocorram recomenda-se o isolamento por
cercas das ocorrências existentes, e a implantação de bebedouros fora do ambiente ciliar. Recomenda-se
também a implantação de diques de terra (camalhões) e a melhoria do terraceamento já executado nas
vertentes. Com a perspectiva conservacionista recomenda-se o emprego de técnicas que utilizem cobertura
vegetal combinada à componentes estruturais para estabilização dos taludes e contenção do escoamento
das águas no interior da ocorrência erosiva, executado por equipamentos manuais não mecanizados;
recomenda-se finalmente, a utilização de materiais disponíveis nas áreas, a exemplo de blocos de rochas
e pedras canga, troncos de árvores mortas e outros.
REFERÊNCIAS
Ab'Saber, A.N., 2000. O Suporte Geoecológico das Florestas Beiradeiras (Ciliares). In: Matas Ciliares Conservação e Recuperação. Rodrigues e Leitão Filho (Eds.). EDUSP/FAPESP p:.15-25.
Castro, S. S. & Salomão, F. X. T. 2000. Compartimentação morfopedológica e sua
aplicação: considerações metodológicas. In: GEOUSP. Revista do Departamento de Geografia-FFLCHUSP, Nº 7, São Paulo, Humanitas.
Ruiz, A.S. 2005. Evolução geológica do sudoeste do cráton amazônico, região limítrofe Brasil-Bolívia Mato Grosso. Tese de Doutorado, USP-Rio Claro/SP. 299p.
Saes, G. S. & Leite, J. A. D. 1993. Evolução tectono-sedimentar do Grupo Aguapeí, Proterozóico Médio
na porção meridional do Cráton Amazônico: Mato Grosso e oriente boliviano. Revista Brasileira de
Geociências, v. 23, n. 1, p. 31-37.
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A PROBLEMÁTICA DAS ÁREAS DE RISCO EM BOA VISTA-RR: ALAGAMENTO
DO BAIRRO CAÇARI
Mayk Feitosa Santos1, Olavio Douglas Cavalcante Martins2 ,Filipe Silva Brito da Luz3 Vladimir de Souza4
1
Graduando de geografia da UFRR, bolsista de iniciação cientifica BIPIC/CAPPES ([email protected]);
Graduando de geografia da UFRR, bolsista de iniciação cientifica BIPIC/UFRR, ([email protected]);
3
Graduando de geografia da UFRR, bolsista de iniciação cientifica BIPIC/UFRR
( [email protected])
4
Professor do departamento de Geologia da UFRR, ([email protected]).
2
INTRODUÇÃO
Atualmente um dos principais problemas de maior repercussão entre os estudiosos e pelas
autoridades de órgãos de preservação ambiental, está relacionado com as questões da ocupação urbana
sem planejamento. A ocupação irregular de certas áreas como encostas, planícies de inundação e
cabeceiras de rios, tem ocasionado diversos problemas ao equilíbrio do meio ambiente. No período
chuvoso tais áreas ficam susceptíveis a deslizamentos, assoreamentos de rios e inundações, causando
perda socioeconômica, a exemplo do Rio de Janeiro, que em 2011 ouve vários desastres relacionados à
área de Risco. Boa Vista-RR não foge a regra, pois foi verificada a ocupação urbana de áreas que são
locais improprio, por vários motivos, tais como a especulação imobiliária, estratégia eleitoral estes
contando com a negligência, dos gestores públicos.
O conceito de área de risco está relacionado a lugares que estão susceptíveis a impactos ambientais
tanto de forma natural ou antrópica, e esse tipo de ação pode ocorrer próximo aos canais fluviais ou em
vertentes, sendo assim a possibilidade desse risco ocorrer pode ser representado pela equação R = P x C;
na qual a Risco (R) expresso à possibilidade (P) de ocorrência de um evento causar consequências (C)
sociais e/ou econômicas significativas (CERRI & AMARAL, 1998).
Tais consequências da ocupação das áreas de risco acarretam impactos ambientais, tanto nas matas
ciliar, que tem sua retirada para construção de casa, também a drenagem que por sua vez a ocupação tende
a ocupar sua borda, podendo acarretar assoreamento do canal, tornando vulneral o local. Segundo Sanchez
(2008, p110) “Impacto ambiental é compreendido como toda alteração perceptível no meio, que
comprometa o equilíbrio dos sistemas naturais ou antropizados”. Essas variáveis dão partida ao processo
de delimitação dessas áreas de risco do baixo rio Cauamé.
OBJETIVOS
Realizar um levantamento dos impactos ambientais e das áreas de risco da bacia do Baixo Rio
Cauamé na área urbana de Boa Vista.
MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa foi dividida e executada em três etapas, de inicio realizou-se a busca de dados
secundários por meios de levantamento bibliográfico, que envolveram pesquisa documental, sendo as
fontes referentes ao assunto em livros, em periódicos, artigos, Internet dentre outros, na segunda fase temse a obtenção de dados primários por meios da realizadas atividades de campo que teve como intuito
observar as principais consequências e impactos deixados pelas cheias, além da coleta de dados como
aquisição de coordenadas geográficas (UTM), com o auxilio do GPS e descrição da área de estudo tais
como os aspectos físicos a exemplo hidrografia, topografia, vegetação, etc. Tal etapa foi fundamental para
a criação do banco de dados acerca dos recursos hídricos urbanos de Boa Vista-RR. A terceira etapa foi
executada em laboratório, no qual foram elaborados mapas temáticos e cadastrais com os dados obtidos
nas duas primeiras etapas (levantamento bibliográficos e atividades de campo) através do uso dos
softwares, ARCGIS 9.3, Spring 5.1.8, Google Earth é MapSource.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O bairro Caçari, por estar localizada em borda de drenagem, estabelece maior risco de cheia para
população, uma vez que o mesmo está ocupando a área que mais apresenta níveis topográficos
diferenciados. Esta condição fisiografia do relevo aliado a um período chuvoso bem definido, que vai de
maio ate agosto, pode-se ter um maior controle sobre a variação de cota do rio.
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Em virtude dessas variáveis junto com o período de retorno dos eventos de cheia, que esta em
torno de 40 anos, esse conceito pode ser aplicada na dinâmica ocorrida em 2011 em Boa vista, no entanto
podem acontecer antes ou depois do período de retorno. Tais abordagens terão de ser completadas com o
perfil histórico de cheia do Rio Branco, para levarmos os eventos ocorridos também no baixo Rio Cauamé.
Os dados históricos de levantamento de cheia iniciou-se em 1968, cerca de 43 anos atrás, são dados obtidos
no monitoramento das réguas limnimétrica da sede da companhia de águas e esgotos de Roraima
(CAERR) ( SANDER, et al., 2012).
No histórico de cheia do Rio Branco se obteve em 1976 umas das grandes cheias ocorridas no em
Boa Vista, esta chegando atingir cotas de até 65,95m, sendo a segunda maior cheia registrada, fazendo a
comparação da cheia ocorrida em 2011, onde sua cota foi cerca de ate 66,43m, ou seja, 11m de sua cota
normal do rio. Esses dados podem ser perfeitamente explicados no mapa planialtimétrico de Boa Vista
(figura 01).
Figura – 01: Mapa de curval de nível demostrando a variação de altimetria das bordas da drenagem
especificamente do bairro Caçarí-Boa Vista.
O mapa planialtimetrico só vem a comprovar as cotas obtidas em 2011, tais pontos demostra em
vermelho correspondem a locais mais elevados durante a cheia, são pontos orientados em cotas de 6367m ate 68—73m, tendo alternância de 4m de altura, considerando a margem de erro. Usando o histórico
das cheias para sabermos o tempo de retorno de 30 anos, se traçara o limite da máxima cheia ocorrida no
baixo Rio Cauamé em 2011, e os mapas de planialtimetricas de Boa Vistam, podemos sobrepor essa
informações para se delimitar as áreas de riscos de bairro Caçarí, (Figura 02).
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Figura- 02: Mapa de delimitação das áreas de risco do baixo rio Cauamé.
Tendo em vista que essas áreas são susceptíveis a desastres por dinâmica de cheia, esses locais
não deveriam ser ocupados pela população, já que futuramente deve ocorrer cheia de grandes proporções
iguais e/ou até mais intensas, acarretando perdas socioeconômicas. Nos locais compreendidas do limite
da área de risco do Bairro Caçarí constatou-se alguns tipos de impactos ambientais e socioambientais
ocasionados pela cheia da drenagem. Os impactos ambientais observados são tanto de caráter natural, no
que se refere à dinâmica fluvial, pois no período da cheia a área atingida está susceptível a inundação
devido à máxima cheia, cabe salientar também de caráter antrópico no que se refere à ocupação humana
em áreas inadequadas e o uso incorreto do solo (canalização mal feita), e também a retirada da mata ciliar
das bordas da drenagem, que tem por consequência, e erosão superficial com transporte de sedimentos
acarretando assoreamento do canal, outra problemática são as ocupação de certa forma, regula, pelo fato
desses moradores obterem seu titulo definitivo, mas por outro lado essas moradias foram instaladas
próximas a drenagem, ou seja, ocupando áreas que antes existia mata ciliar, e por traz disso esta as grandes
especulações imobiliárias do local oferece subsídios para essa ocupação na margem, em fim o processo
de ocupação tende a trazer consigo vários problemas como exemplo as más infraestruturas construídas, o
acúmulo de resíduos sólidos, que por sua vez no período chuvoso tende a trazer perdas socioeconômicas
(perdas de matérias, danos a saúde, constrangimento social e além de custar caro para os cofres públicos)
para o Bairro Caçarí.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O crescimento da área urbana próxima à borda do rio Cauamé sem estudos de áreas de risco,
acarretou grandes transtornos devido à enchente de 2011. O fato mostra que estas ocupações urbanas têm
ocorrido sem estudos prévios e levam em conta apenas o interesse imobiliário e também pela negligencia
dos poderes públicos. O Bairro Caçari por estar às margens do Baixo Cauamé é uma área inadequada para
ocupação humana por ser considerada área de risco e esta susceptível a inundação. Por consequência o
bairro Caçarí sofre tanto com impactos ambientais como socioambientais (perdas materiais devido a
catástrofes naturais). Tais abordagens tornam viável a delimitação de áreas de risco na área urbana de Boa
Vista, estudo inédito até o presente momento. Este tem como resultado apontar os níveis de máxima cheia
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do rio Cauamé. Com base neste estudo foi possível apontar a causa dos pontos de alagamento ocorridos
na cheia de 2011.
REFERÊNCIAS
Cerri, L. E. S. & Amaral, C. P. do. Riscos Geológicos. In: OLIVEIRA, A. M. dos S. & BRITO, S. N. A.
de. (org.). Geologia de Engenharia. São Paulo: ABGE CNPq-FAPESP, 1998, p. 131-144.
Sanchez, L. E, Avaliação de impacto ambiental: Conceito e Métodos, São Paulo, Oficina de Texto, 2008,
477p.
Sander, C.; Wankler, F. L.; Evangelista, R. A. O.; Moraga, C. H.; Teixeira, J. F. S.; Cheias do Rio Branco
e Eventos de Inundação na Cidade de Boa Vista, Roraima, Boa Vista, v.6, n.12, 2012, pp.41-57.
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MAPA DE INUNDAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO URBANO –
ESTUDO DE CASO NA SEDE URBANA DE SANTARÉM
Milena Marília Nogueira de Andrade*,**, Claudio Fabian Szlafsztein*
Universidade Federal do Pará*, Universidade Federal do Oeste do Pará**
[email protected], [email protected]
INTRODUÇÃO
O mapa de inundação é um instrumento importante para o planejamento urbano. As inundações
são o tipo de desastre mais frequente no Brasil. Os desastres naturais se referem às consequências dos
impactos, danos e prejuízos provenientes de fenômenos naturais extremos ou intensos sobre um sistema
socioeconômico, que excedem à capacidade do sistema afetado em eliminar ou conviver com o impacto.
Em especial, a classificação das inundações de acordo com a evolução, pode ser lenta ou rápida
(CASTRO, 2007).
No norte do país o estado do Pará contabiliza um elevado número de pessoas afetadas por ambos
os tipos de inundação. O número de pessoas deslocadas, desabrigadas, enfermas e mortas, por inundações
bruscas, no período de 1991-2010, é de: 20.272, 10.634, 11.427 e 43, respectivamente. Para as inundações
lentas o número de danos aumenta consideravelmente para pessoas deslocadas, desabrigadas e enfermas:
117.013, 37.407, 40.098, respectivamente; e diminui para o número de pessoas mortas, 29 (CEPED;
UFSC, 2011).
Situado na mesorregião do Oeste do Pará o município de Santarém possui diversos registros destes tipos
de desastre. A sede urbana está localizada nas coordenadas geográficas 02° 25”30”S e 54° 42”50”W. A
população da sede é de aproximadamente 215.790 habitantes (73% da população total do município)
(IBGE, 2011).
Desde a década de 50 há registro de danos ocasionados pelas inundações na sede urbana do
município. O ano de 2009 registra até o momento a maior inundação lenta com cota fluviométrica de
831cm no mês de Maio (CPRM et al., 2012). Foram afetados ao total 18 bairros por inundação lenta e
rápida: Aeroporto Velho, Aldeia, Área Verde, Caranazal, Centro, Floresta, Interventoria, Jardim
Santarém, Mapiri, Maicá, Maracanã, Matinha, Nova República, Santarenzinho, Santo André, Pérola do
Maicá, Uruará e Urumanduba. Destes os bairros: Aldeia, Área Verde, Caranazal, Centro, Maracanã, Pérola
do Maicá e Uruará são afetados por inundações lentas e compõem a área de estudo. O bairro Maracanã I
apesar de não ter entrado no decreto também foi analisado neste estudo de caso.
METODOLOGIA
O mapa de inundação lenta foi elaborado a partir de procedimentos em campo e escritório. Os
dados secundários utilizados foram dados planimétricos, em especial curvas de nível de 2 em 2 metros; e
uso de imagens de alta resolução espacial. A metodologia utilizada objetiva a construção do mapa
geomorfológico e de um mapa participativo (Figura 1).
Os dados espaciais foram inicialmente georreferenciados. A partir das curvas de nível foi gerado um
Modelo Digital de Elevação e um mapa de declividade. Ambos foram utilizados para separar as unidades
de relevo a partir de uma classificação automática.
As 70 cenas de imagens de alta resolução foram obtidas na Companhia de Saneamento e
Habitação do estado do Pará. Estas fotos aéreas compuseram um mosaico final. Procedimentos de correção
geométrica e atmosférica foram realizados. Por fim foi possível fazer uma classificação visual das
unidades de relevo.
As atividades de campo ocorreram no período de Agosto à Setembro de 2012. Foi feito um
levantamento da rede de drenagem, e a retificação e ratificação das unidades de relevo geradas na
classificação automática. Nas áreas afetadas pelas inundações foi feito um levantamento com o uso do
GPS Garmin 76 CSx determinando os pontos extremos que a água atingiu.
A construção do mapa participativo foi uma atividade desenvolvida durante oficinas de grupo
focal durante os meses de Agosto e Setembro de 2012. Através deste mapa foi possível registrar e
visualizar de forma esquemática os locais aonde ocorreu os problemas relacionados com as inundações
(ICMBIO, 2009). Os limites foram demarcados de acordo com a experiência e memória vivenciada pela
comunidade do bairro trabalhado. Foi utilizado um mapa base impresso da área urbana de Santarém
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contendo a delimitação dos bairros e ruas principais. Os dados obtidos por cada uma das etapas foram
sobrepostos. Ao final foi feito o mapa final com a síntese das informações obtidas para posterior análise
(Figura 1).
Figura 1: Etapas para geração do mapa de inundações
RESULTADOS
O mapa de inundação mostra as áreas susceptíveis de serem afetadas por inundação lenta (Figura
2). Foram separadas as classes de susceptibilidade alta, moderada e baixa à ameaça de inundação com
base na maior inundação lenta até o momento. Os bairros afetados estão localizados a leste, norte, e nortenoroeste da área de estudo.
As áreas de alta susceptibilidade totalizam em aproximadamente 713ha, porém apenas 250ha
estão distribuídas em áreas menores dentro da área de planície dos bairros: Aldeia (0,34ha), Centro
(0,18ha), Caranazal (18ha), Maracanã I (12ha), Maracanã (11ha), Uruará (57ha), Área Verde (107), Pérola
do Maicá (39ha) e Uruará (57ha).
As áreas de moderada susceptibilidade totalizam em 240ha e estão situadas nas interface entre o relevo de
colina e planície. São áreas de baixa declividade e altitude dos mesmos bairros supracitados que ocupam
as respectivas áreas: Aldeia (1ha), Centro (3ha), Caranazal (3ha), Maracanã I (5ha), Maracanã (2ha),
Uruará (8ha), Área Verde (25), Pérola do Maicá (100ha) e Uruará (8ha).
A área com susceptibilidade baixa corresponde a 223ha, representa maior parte no estudo de caso.
São áreas topograficamente mais elevadas de colinas e não são atingidas mesmo nas enchentes
excepcionais.
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Figura 2: Mapa de ameaça à inundação lenta na sede urbana do município de Santarém.
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
As áreas que apresentam alta susceptibilidade à inundação afetam locais específicos dos bairros
de acordo com a distribuição espacial no mapa. Correspondem a áreas de planície de inundação e
desembocadura dos igarapés Irurá e Urumari. A área de desembocadura dos citados igarapés está inserida
na área do leito maior dos rios Amazonas e Tapajós e, portanto, sazonalmente alagados no período de
cheia. São afetadas residências em forma de palafita que se encontram nestes locais, e em menor
quantidade residências em foram de “marombas”. Os danos são relacionados às enfermidades relativas ao
uso da água e devido ao aparecimento de animais peçonhentos. Danos estruturais também podem ser
verificados após o período de inverno nas residências.
Os locais com susceptibilidade moderada totalizam a menor área. São áreas afetadas apenas por
eventos de inundação excepcionais, tal como o ano de 2009, o qual foi utilizado como referência na
atividade do mapa participativo. As áreas afetadas variam de residencial e comercial. Com exceção do
bairro Centro o qual as áreas afetadas são predominantemente comerciais. Os danos são a acessibilidade
reduzida, a perda de móveis, eletrodomésticos e mercadorias. Enfermidades também são constantes
relacionadas à água contaminada principalmente em crianças.
Os locais com susceptibilidade baixa representam a maior área uma vez que a área de estudo situase em maior parte sobre a unidade de relevo morfoestrutural do Planalto Rebaixado da Amazônia. Dessa
forma, o relevo de colinas com topos suaves, a declividade de baixa a relativa, e o afastamento da rede de
drenagem não propicia o estabelecimento de desastres relacionados com inundação lenta. Sendo apenas
possível estabelecimento de desastres relacionados com inundações rápidas.
Entender a ameaça faz parte da gestão de riscos e desastres. Os locais em que a susceptibilidade
de ocorrência é alta ou moderada deve ser alvo de maior atenção do poder público para políticas urbanas.
É necessário também analisar a ameaça a partir da percepção de risco espacial e temporal da população
diretamente afetada, ou indiretamente afetada (relativa às lideranças que possuem capital político).
Conclui-se que a delimitação das áreas que são passíveis de ocorrência de desastres de inundação
deve ser conhecida pela população e pelo poder público. Para que desse modo, ações e medidas de
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prevenção possam ser realizadas nestas áreas. Portanto o mapa de ameaça cumpre um papel fundamental
para o planejamento urbano sendo elemento essencial da delimitação e análise de áreas risco à inundação.
REFERÊNCIAS
Castro, A. 2007. Manual de Desastres - Desastres Naturais. Brasília: Ministério da Integração Nacional,
Secretaria de Defesa Civil.
CEPED; UFSC. Atlas Brasileiro de Desastres Naturais. Florianópolis: CEPED/UFSC, 2011.
CPRM; ANA; SIPAM. 2012.. Monitoramento Hidrológico de 2012 - Boletim Abril / 2012. Manaus:
SIPAM.
IBGE. 2011. Sinopse do Censo Demográfico. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística.
ICMBIO Instituto Chico Mendes de Conservação e da Biodiversidade 2009. Conselho deliberativos em
Resex/RDS da Amazônia: uma experiência de capacitação participativa em processo. nahyda franca Von
der weid (org) – brasilia: ICMBIO, 148p. isbn: 978-85-61842.
Smith, K.; Petley, D. Environmental Hazards Assessing Risk and Reducing Disaster. 5ed, Routledge:
Londres. 2008.
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SENSIBILIDADE AMBIENTAL DAS PRAIAS DE VILA DO CONDE, ITUPANEMA E
CARIPI (BARCARENA/PARÁ)
Nívia Cristina Vieira Rocha1 ; Amilcar Carvalho Mendes2; André Matsumura da Silva 3
Graduanda do Curso de Ciências Ambientais – CESUPA / [email protected]
2
Pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi / [email protected]
3
Graduando do Curso de Engenharia Ambiental – UEPA / [email protected]
1
INTRODUÇÃO
Situado na meso região metropolitana de Belém, o município de Barcarena se limita ao norte pela
Baía de Guajará e município de Belém, ao sul pelos municípios de Mojú e Abaetetuba, a leste pelo
município de Acará e, a oeste, pela Baía do Marajó. Neste município estão localizadas as praias de Caripi,
Itupanema e Vila do Conde, todas sob influência direta dos complexos portuário e industrial ali existentes
e, por essa razão, as atividades socioeconômicas ali desenvolvidas podem ser potencialmente
prejudicadas, caso ocorra derramamento de óleo nas águas que as bordejam.
O Ministério do Meio Ambiente lançou em 2011 um edital em conjunto com o CNPq, para o
mapeamento e elaboração de cartas de sensibilidade ambiental a derramamentos de óleo, para as bacias
sedimentares da Foz do Amazonas e Pará-Maranhão/Barreirinhas, tomando como unidade cartográfica as
Bacias Marítimas e o Plano Cartográfico para Mapeamento de Sensibilidade Ambiental, criado em 2002,
que delimita três níveis de mapeamento: a) Estratégico (escala de 1:500.000); b) Tático (escala de
1:150.000); c) Operacional (escalas de 1:10.000 a 1:50.000).
O objetivo do estudo foi avaliar a sensibilidade ambiental das referidas praias, com relação a
derrame de óleo, à erosão e à urbanização e elaborar as Cartas de Sensibilidade Ambiental a Derrame de
óleo (Cartas SAO) em escala operacional (1:10.000).
METODOLOGIA
A metodologia constou de levantamento de dados pretéritos, aquisição de imagem multiespectral
GeoEye, datada de 31 de julho de 2010, através do Google Earth Professional e processamento da mesma
utilizando o software Global Mapper 8.0. No georeferenciamento desta foi utilizada a técnica de
ortorretificação através de pontos de controle-imagem.
Nos trabalhos de campo foram efetuados o registro e descrição dos componentes geoambientais,
verificação de processos erosivos e de urbanização, bem como coleta de sedimentos e determinação da
inclinação da face praial.
Na etapa pós-campo foram realizadas as análises dos dados pretéritos referentes aos aspectos
biológicos e socioeconômicos relativos à sensibilidade ambiental à derrame de óleo para as áreas
estudadas (Petrobras, 2004) e elaboração das respectivas cartas SAO, bem como dos mapas de
sensibilidade à erosão e do nível de urbanização, apoiada nas propostas de Souza Filho et al. (2004);
Esteves et al. (2003) e Silva et al. (2009).
RESULTADOS
Sensibilidade ambiental a derrame de óleo
A linha de costa mapeada perfaz um total de 9,55 km, referentes à extensão total das praias do
Caripi (2,32 km), Itupanema (2,50 km) e Vila do Conde (4,73 km).
No mapeamento os ambientes naturais registrados foram: praias fluviais com granulometria de fina
a média (maior representatividade na área de estudo); escarpas expostas com declives íngremes em areia
(menor representatividade na área estudada); planícies de maré vegetadas (várzeas) margeando canais
fluviais que desembocam no rio Pará e, barrancos fluviais equivalentes à classe “falésias rochosas expostas
com talus na base” segundo Souza Filho et al. (2004). Adicionalmente foram registrados trechos com
estruturas sólidas expostas construídas pelo homem com o objetivo de contenção de processos erosivos.
A partir desses dados cada praia estudada foi contemplada com uma carta SAO em escala 1:10.000
(Figura 01), onde foram priorizadas a sensibilidade dos ambientes com relação ao derrame de óleo e
principais aspectos biológicos e socioeconômicos descritos em (Petrobras, 2004).
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Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia
22 a 26 de setembro de 2013
Figura 01: Mapas de sensibilidade ambiental a derrame de óleo para as praias do Caripi (A), Itupanema
(B) e Vila do Conde (C), em escala 1:10.000.
Na tabela 01 é apresentada a síntese referente aos ambientes mapeados, principais características,
comportamento do óleo e tipos de resposta do ambiente, e os respectivos índices de sensibilidade
ambiental a derrame de óleo.
Sensibilidade ambiental à erosão
Estabelecida a partir da tendência atual de comportamento da linha de costa. Em todas as praias
estudadas foram registradas evidências de ataque erosivo, com maior destaque para as praias do Caripi e
Vila do Conde.
Na praia de Caripi, aproximadamente 25% de sua extensão está submetida a este processo,
exercendo influencia sobre as atividades de uso e ocupação. Portanto, a classificação à sensibilidade a
erosão varia de alta a muito alta.
A Praia de Itupanema apresenta cerca de 60% de sua extensão submetida ao ataque erosivo. Uma
evidência marcante deste processo é a presença de estruturas de contenção em madeira que apresentam
trechos deteriorados em decorrência da ação das marés. Em função do processo erosivo apresenta face
praial bastante limitada, que restringe as atividades recreacionais. Em decorrência, foi classificada como
praia com muito alta sensibilidade à erosão.
A Praia de Vila do Conte apresenta 35% da faixa de praia com evidências marcantes de processos
erosivos, sobretudo no setor leste, onde é visível o efeito das marés nas unidades ocupacionais ali
972
Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia
22 a 26 de setembro de 2013
estabelecidas e, também, sobre os barrancos que margeiam a praia. Em decorrência do uso e ocupação em
menor escala, foi classificada como de sensibilidade moderada à erosão.
Tabela 01: Principais características dos ambientes mapeados, comportamento do óleo, tipo de resposta e
índice de sensibilidade ambiental.
Comportamento do
Tipo de
Ambiente
ISA
Características
óleo
Resposta
Declividade alta
A remoção do
Não há penetração
Superfície Lisa
óleo tende a ser
Estruturas Sólidas 1B
Não há permanência do
Constituída em madeira ou
naturalmente e
óleo
concreto
rápida
Declividade alta
Penetração do óleo <
Reflexão média de ondas e
É necessária a
10cm
marés
limpeza
Barrancos fluviais 1C
Mínima possibilidade
Edificados em rochas da
mecânica do
de
Formação Barreiras;
óleo
soterramento do óleo
geralmente compactos
Declividade moderada
Penetração do óleo <
É necessária a
Areia média
10cm Possibilidade de
limpeza
Praia Fluvial
3A
Reflexão baixa de ondas
soterramento do óleo
mecânica do
Presença de atividade
após processo erosivo
óleo
socioeconômica
Substrato semipermeável
Penetração do óleo <
Escarpas expostas
Reflexão média de ondas e
10cm
É necessária a
com declives
3B
marés
Mínima possibilidade
limpeza do óleo
íngremes em areia
Sedimentos bem
de
selecionados
soterramento do óleo
Penetração de óleo
Declividade baixa
A remoção
limitada
Sucessão de argilas ricas
natural ocorre
Possibilidade de
em matéria orgânica
de forma lenta,
Várzeas
9B
cobertura direta da
Rica comunidade biológica
devido aos
vegetação pelo óleo na
Área passível a inundações
baixos níveis de
zona intermarés,
devido às marés
energia
Impacto na biota
Níveis de urbanização
A ocupação nas praias do município de Barcarena ocorre de forma concentrada, principalmente nas
praias de Caripi e Vila do Conde. Em Itupanema a ocupação da face praial é baixa, uma vez que a faixa
destinada à praia recrecional é ínfima em relação às demais.
Com base nos critérios estabelecidos por Silva et al. (2009), que levam em consideração o
percentual de extensão de face praial submetida a uso e ocupação, as praias do Caripi, Itupanema e Vila
do Conde, foram classificadas como de alta, baixa e moderada urbanização respectivamente.
A partir das análises relativas à sensibilidade das praias estudadas ao derrame de óleo, à erosão e à
urbanização foi gerada uma figura de síntese, apresentando a correlação destes três critérios (Figura 02):
973
Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia
22 a 26 de setembro de 2013
Figura 02: Classificação da linha de costa em relação sensibilidade ao derrame de óleo, sensibilidade à
erosão e à urbanização.
CONCLUSÃO
As imagens GeoEye possibilitaram o mapeamento de detalhe e de baixo custo das áreas de estudo
foram possibilitando a definição de cinco índices de sensibilidade a derrame de óleo, sendo estes, 1B, 1C,
3A, 3B e 9B, correspondendo, respectivamente, às estruturas sólidas expostas construídas pelo homem,
barrancos fluviais (equivalentes à classe “falésias rochosas expostas com talus na base”), praias com
granulometria fina a média, escarpas expostas com declives íngremes em areia e planícies de maré
vegetadas (várzeas).
As praias de Caripi e Vila do Conde apresentaram nível de urbanização alto e moderado,
respectivamente, enquanto que a praia de Itupanema apresentou nível baixo.
No que concerne à erosão todas as praias estudadas apresentam trechos com sensibilidade alta a
muito alta ao processo erosivo.
REFERÊNCIAS
Esteves, L. S., Silva, A. R. P., Arejano, T. B., Pivel, M. A. G., Vranjac, M. P., 2003. Coastal Development
and Human Impacts Along the Rio Grande do Sul Beaches, Brazil. Journal of Coastal Research. 548-556.
Petrobrás, Cenpes, Ama. 2004. Mapa de sensibilidade a derrame de óleo de áreas de influência do terminal
de Belém da Transpetro, escala 1:49.752.
Silva, I. R.; Nascimento, H. M. & Rebouças, R. C. 2009. Avaliação da Sensibilidade Ambiental das Praias
Localizadas no Arquipélogo Tinharé/Boipeba, Litoral Sul do Estado da Bahia. Geociências, 28(2)193201.
Souza Filho, P.W.M., Miranda, F.P., Beisel, C.H., Almeida, E.F., Gonçalves, F.D., 2004. Environmental
sensitivity mapping for oil spill in the Amazon coast using remote sensing and GIS technology. In:
International Geoscience and Remote Sensing Symposium – IGARSS, Ancorage, Alaska. Proceedings…:
IEEE Geocience and Remote Sensing.
974
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MAPEAMENTO DAS ÁREAS DE RISCO DOS RECURSOS HÍDRICOS URBANOS DE
BOA VISTA-RR- ESTUDO DE CASO: BAIRRO PARAVIANA
Olavio Douglas Cavalcante Martins, Acadêmico do Curso de Graduação em Geografia da Universidade Federal
de Roraima, Bolsista PIBIC-CNPq, E-mail: [email protected]; Mayk Feitosa Santos, Acadêmico do
Curso de Graduação em Geografia da Universidade Federal de Roraima, Bolsista PIBIC-CNPq, E-mail:
[email protected]; Filipe Silva Brito da Luz, Acadêmico do Curso de Graduação em Geografia da
Universidade Federal de Roraima, Bolsista PIBIC-CNPq, E-mail: [email protected]; Vladimir de Souza, Prof.
Dr. do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Roraima, Orientador, E-mail:
[email protected].
Universidade Federal de Roraima
INTRODUÇÃO
O bairro Paraviana localizado na zona norte de Boa Vista – RR situado ao longo do baixo rio
Cauamé vem sofrendo um rápido processo de ocupação que avança rapidamente em direção à margem do
rio Cauame. Essas áreas são mais susceptíveis a alagamento e estão protegidas pela lei de parcelamento
do solo urbano (Lei Federal nº 6.766/79). No entanto estas áreas vem sendo ocupadas inescrupulosamente
causando vários impactos ambientais como a canalização dos igarapés, impermeabilização do solo,
resíduos produzidos pela população e a ocupação de áreas de APP. No bairro Paraviana em particular a
ocupação em sua grande parte esta ligada à especulação imobiliária, localização e por ser considerado um
bairro onde residem pessoas de alto poder aquisitivo. Ao observamos o estado de elevada degradação dos
nossos recursos hídricos nos períodos chuvosos devido à ação antrópica constatamos então que é
fundamental a realização de um estudo com o objetivo de delimitar e mapear essas áreas de risco. Deste
modo pode – se gerar dados satisfatórios que poderão ser usados como base em outras pesquisas e
principalmente pelos órgãos responsáveis que no presente momento se omitem e observam com olhares
despretensiosos a situação.
OBJETIVO
Mapear as áreas de risco da bacia do baixo rio Cauamé e realizar um levantamento dos impactos
ambientais na área correspondente ao bairro Paraviana no perímetro urbano de Boa Vista – RR.
MATERIAIS E MÉTODOS
O bairro Paraviana esta localizado na zona norte de Boa Vista – RR, Coordenadas:
2°51'38"N 60°39'40"W possui uma área extensa onde residem cerca de cinco mil quatrocentos e quarenta
e três (5.443) pessoas distribuídas em um total de mil seiscentos e dez (1.610) domicílios particulares,
conforme dados divulgados pelo IBGE correspondente ao ano de 2010. O mapeamento das áreas de risco
foi realizado a partir dos seguintes procedimentos: Coleta de dados Primários onde foram realizadas
pesquisas de campo na área definida pelo projeto fazendo-se necessário o uso de algumas ferramentas,
tais como câmera fotográfica camera samsung 16mp para coleta de imagens da área, e GPS modelo etrex
garmin para a obtenção das coordenadas dos pontos necessários para pesquisa; Coleta de dados
secundários que abrange consultas em periódicos, livros, artigos, teses, sites a cerca do tema, mapas ligado
à temática aqui abordada, e publicações oficiais de cunho Estadual, Federal e divulgadas por institutos de
pesquisa referentes á esta área de estudo; Sistematização dos dados coletados nas etapas anteriores através
do software Arc.Gis 9.3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com o avanço da mancha urbana no bairro, os terrenos marginais ao curso d’água do baixo rio
Cauamé começaram a ser ocupados e loteados avançando cada dia mais sobre o leito do rio atingindo
assim as áreas de APP, a mata ciliar e removendo a cobertura vegetal dessas areas, quando isso acontece
o rio perde sua proteção natural ficando sujeito a assoreamento, desbarrancamento de suas margens além
dos resíduos despejados pela água da chuva nos seus leitos reduzindo o volume de água e aumentando o
risco de alagamentos, problema que só é sentido com a chegada do período chuvoso, essas áreas com seus
elementos de risco possuem um alto grau de vulnerabilidade, caracterizando assim as áreas de risco
(Figura 01).
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Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia
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Figura 01 – Delimitação de área de risco.
Diferente da maioria dos locais que sofrem com esse tipo de problema o bairro Paraviana foge um
pouco dessa realidade por ser ocupado por pessoas de alto poder aquisitivo e pelo fato da caracterização
de sua área de risco ser constituída por residências de alto padrão e loteamentos super valorizados.
Observando o mapa de curvas de nível de Boa Vista (figura 02) podemos constatar a
predominância de baixas altitudes no bairro Paraviana próximo ao rio Cauamé, tornando essas áreas mais
susceptíveis a alagamentos; local onde estão dispostos os pontos no mapa.
Figura 02 – Mapa de curvas de nível de Boa Vista.
Unindo esses dados topográficos ao evento da máxima cheia histórica do Rio Branco que tem 43
anos de monitoramento, onde são registradas as duas maiores cheias. De 1976 com previsão de retorno
estimada em 21 anos, atingindo uma área de 5,85 km2 e 65,95 m de altitude e a maior cheia registrada, em
2011 com 6,16 km2 de área atingida e 66,43 m de altitude, a relação entre esses dados servem de base para
a delimitação de áreas de risco.
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CONCLUSÕES
Considerando alguns fatores como os biológicos, físicos, sociais e acima de tudo políticos, que
contam com ações nocivas que favorecem o processo de degradação do meio ambiente, esta mesma esta
coligada a omissão e até a conivência dos órgãos responsáveis e pela política de uso e ocupação do solo.
A especulação imobiliária prospera nesta área com o planejamento de novos projetos municipais de
ampliar a cidade no sentido do setor norte destruindo assim as últimas áreas preservadas remanescentes.
Como resultado estar havendo uma alteração na qualidade ambiental e na dinâmica dos recursos hídricos.
É esse processo de urbanização desordenada que vem causando grandes problemas ambientais nesse
trecho do baixo rio Cauamé, no bairro Paraviana. A pesquisa além de necessária é fundamental para
mostrar a degradação e o estado em que estão nossos recursos hídricos urbanos. Esta deve apontar soluções
emergenciais que visem principalmente frear o avanço desse processo de ocupação como também a
recuperação dessas áreas já afetadas, e consequentemente das bacias do perímetro urbano de Boa Vista –
RR. A mesma deve também subsidiar informações e compor uma base de dados para serem utilizadas em
futuros projetos ambientais e urbanos para o nosso município. Cabe salientar que a escassez de
informações nessa área é o principal obstáculo dos pesquisadores, mas para que isso se concretize temos
que mudar a política que favorece certos grupos econômicos em detrimento do meio ambiente.
REFERÊNCIAS
Beserra Neta, L. C.; Souza, V. Mapeamento e diagnostico socioambiental de áreas de risco geológico e
ambiental em Boa vista-RR. In 45º Congresso Brasileiro de Geologia. Belém do Pará. In Press, 2010.
Brasil, Ministério das Cidades / Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT. Mapeamento de Riscos em
Encostas e Margem de Rios. Brasília: Ministério das Cidades; Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT,
2007.
Sanchez, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e práticas. São Paulo: Oficina de textos, 2008.
Sander, C. Cheias do rio Branco e eventos de inundação na cidade de Boa Vista, Roraima. ACTA
Geográfica, Boa Vista, v.6, n.12, mai./ago. de 2012. pp.41-57.
SANTOS, Rozely Ferreira dos. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo: Oficina de textos,
2004.
Silva, J., M., O.; Silva, E. V.; Seabra, G.; Rodriguez, J. M. M. (Org.). Gestão dos recursos hídricos e
planejamento ambiental. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2010.
977
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ANÁLISE DA PERMEABILIDADE DO SOLO PARA OBTENÇÃO DE LICENÇA PRÉVIA
PARA UM LOTEAMENTO EM MARABÁ-PA
Renato Carvalho de Negreiros /Ana Valéria dos Reis Pinheiro
Universidade Federal do Pará - Campus de Marabá. [email protected]; [email protected];
INTRODUÇÃO
O sul e sudeste do Pará apresentam taxas de crescimento bem acima da média nacional. Destacase como pólo regional e administrativo entre as cidades desta região o município de Marabá, que é um dos
poucos municípios do mundo com taxas de crescimento maior que a China, em torno de 19,7 % ao ano
(Fonte: Revista Veja “O Tigre da Amazônia” de 01/09/2010). As principais consequências com aumento
demográfico serão desequilíbrios sociais e ambientais, entre outros. Isso já está acontecendo com a
implantação de novos loteamentos e condomínios no entorno da zona urbana da sede, sem contar com
invasões em áreas litigiosas e sem condições mínimas de infra-estrutura. Para que essa expansão aconteça
de maneira responsável diminuindo ao máximo os impactos ambientais faz-se necessário o uso de
ferramentas legais, entre elas o licenciamento ambiental e o cumprimento de leis relacionadas ao meio
ambiente, utilizando sempre (que possível) a geologia como ferramenta atuante nesse processo. Este
trabalho trata de um novo loteamento localizado às margens da Rodovia BR 230 (Transamazônica), km
10 no sentido Marabá/São Domingos. Possui uma área total de 580,1566 ha (quinhentos e oitenta hectares,
quinze ares e sessenta e seis centiares). Faz limite a oeste com o 52º Batalhão de Infantaria de Selva, a
leste e a norte com o Rio Tauarizinho e a sul com a BR 230.
MATERIAIS E MÉTODO
No início do trabalho foram realizadas pesquisas bibliográficas referentes ao município de
Marabá, assim como pesquisa da legislação pertinente ao assunto, com suas referidas resoluções, leis e
alterações.
Com relação aos trabalhos de campo utilizou-se fielmente NBR’S normalizadas pela ABNT: NBR-9.603
– Sondagem a trado; NBR – 15495 – Poços de monitoramento em aquíferos granulares. Na realização das
sondagens foi utilizado trado mecanizado, equipado com um motor de 260 cc
A caracterização geológico-geotécnica da área objeto de implantação do empreendimento foi
realizada em duas etapas distintas, para atender fielmente a todas as exigências para obtenção da Licença
Prévia. Na primeira etapa foi executada uma caracterização geral da área de estudo, seguida de uma etapa
de estudos específicos, compreendendo a caracterização do material presente na área, bem como o registro
de processos geológicos.
Na primeira etapa foi realizado o levantamento dos aspectos geológico-geotécnicos
correspondentes à localização do empreendimento e à caracterização preliminar da área, com o
desenvolvimento das seguintes atividades:
- localização da área de implantação do loteamento residencial urbano e análise do contexto local;
- levantamento, com base na bibliografia existente, das características gerais da área estudada, coletando
informações relacionadas ao relevo, solo, substrato geológico.
Na segunda etapa foram realizados os estudos geológico-geotécnicos de detalhe na área de
interesse, ou seja, a caracterização do material e dos processos atuantes. Nessa etapa foram realizadas as
seguintes atividades:
- execução de investigações diretas de subsuperfície: sondagem a trado na área em questão, com descrição
dos materiais perfurados e elaboração de perfil de sondagem, segundo descreve a norma ABNT/NBR9603;
- coleta de amostras do solo (deformadas) e da água de subsuperfície;
- análise táctil-visual dos solos em termos de coesão ou consistência do solo, nas diferentes profundidades
(níveis de suporte);
- aferição da permeabilidade do solo em toda área do futuro empreendimento.
Todos os ensaios de permeabilidade foram executados através do método descrito pela ABGE
(1981), onde se obtêm o coeficiente de permeabilidade (k) em cm/s. Consistindo basicamente em se
perfurar um comprimento “L” do solo, abaixo da cota da ponta do tubo de revestimento, e enchê-lo com
água até a boca mantendo-o cheio, pelo menos por 20 minutos, para saturar o solo. O nível de água deve
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ser mantido constante, alimentando-o por uma fonte apropriada, medindo-se o volume de água introduzida
durante certo intervalo de tempo, geralmente 10 minutos.
Para todos os ensaios os solos foram classificados segundo Mello & Teixeira (1967, apud
CELLIGOI & SOUSA, 2009). Conforme os resultados, os solos foram classificados quanto ao grau de
permeabilidade de acordo com Terzaghi & Peck (1967, apud CELLIGOI & SOUSA, 2009).
Após as atividades de campo, que consistiram em atividades in loco para coleta de dados, foi feita
a caracterização geológica do terreno com o objetivo de se elaborar um laudo geotécnico-geológico, assim
como a elaboração de perfis geológicos da área, nível de água e litotipos, que subsidiaram as discussões e
conclusões, como parte integrante do processo de licenciamento ambiental para implantação de um
loteamento urbano multifamiliar.
As atividades de campo assim como as interpretações e o refino de informações foram realizadas
através de estágio realizado na empresa Poços Brasil, responsável por perfurações de poços para
abastecimento, sondagens a trado, a percussão, outorga de água e elaboração de laudos na área ambiental.
RESULTADOS
O Laudo Geológico-Geotécnico é parte integrante dos estudos de impacto ambiental no processo
de licenciamento ambiental e está previsto no Artigo 6º da Resolução n.° 001/86 do CONAMA - O estudo
de impacto ambiental desenvolverá, no mínimo, as seguintes atividades técnicas:
I - Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa descrição e análise dos recursos
ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes
da implantação do projeto, considerando:
a) o meio físico - o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os
tipos e aptidões do solo, os corpos d'água, o regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes
atmosféricas;
b) o meio biológico e os ecossistemas naturais - a fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras da
qualidade ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de
preservação permanente;
c) o meio socioeconômico - o uso e ocupação do solo, os usos da água e a socio-economia, destacando os
sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência entre
a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos.
O Parcelamento do Solo Urbano (loteamento) é uma atividade que tem sido responsável pelo
comprometimento da qualidade ambiental e segurança da qualidade de vida da população (ANDRADE,
2005). Casos de desabamentos de moradias, enchentes, assoreamento e poluição de cursos de água,
destruição de cobertura vegetal nativa, desenvolvimento de processos erosivos, dificuldade de acessos
a serviços, equipamentos e infraestrutura básica, são conhecidos (SILVA, 1981; EROSTEIN, 2000).
Sendo assim, fazem-se necessários estudos que possam embasar melhor os possíveis impactos ao
meio físico. Nesse contexto os fatores hidrogeológicos, geotécnicos, sociais e estruturais devem ser
avaliados com critério, apontando possíveis fragilidades e eventuais processos degradantes.
O licenciamento do Condomínio Cidade Jardim foi dividido em 6 etapas (Fig. 1), com o objetivo
de evitar um processo de licenciamento por parte da SEMA estadual fugindo assim da burocracia e de
custos mais elevados e abrindo precedentes para um licenciamento através da SEMMA municipal.
Em todas as etapas foram realizados furos de sondagem, em um total de 37 furos (Fig. 1), com o
objetivo de caracterizar os litotipos através do perfil de cada poço, os NA’s, o perfil hidrogeológico (Fig. 2)
e as considerações finais da área com o objetivo de subsidiar informações na elaboração de projetos
geotécnicos, como por exemplo, a implantação de modelos de fossas sépticas adequados aos perfis
hidrogeológicos da área.
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Fig. 1 – Loteamento Cidade Jardim com as 6 etapas do licenciamento e a Localização dos furos de
sondagem realizados tendo ao fundo a área da UFPA.
Cota (m)
120
Cota da boca do furo
100
80
Profundidade dos furos
NA
60
40
20
ST 19
ST 2
ST 12
2000 m
ST 5
ST 10
Distância (m)
Fig. 2 – Perfil Hidrogeológico da área do Loteamento Cidade Jardim. Indicando na parte E cotas mais
baixas e níveis de água em profundidade menores.
CONCLUSÃO
Com o resultado das observações de campo, das análises e ensaios realizados na área de estudo, podem
ser apresentadas as seguintes considerações:
 De forma geral, a permeabilidade do terreno é BAIXA.
 A 5ª etapa apresenta um comportamento diferenciado das demais etapas, por isso mereceu
destaque em relação às demais.
 Na 5ª etapa o terreno apresenta uma cobertura de cascalho que varia de 0,40 m até cerca de 2,50 m
em algumas porções, o que lhe confere um ALTO grau de permeabilidade.
 A área referente faz limite direto com o rio Tauarizinho, conferindo-lhe influência direta nesse
corpo de água.
 O ALTO grau de permeabilidade do terreno na 5ª etapa e a distância do rio Tauarizinho, indicam
más condições para elaboração de obras no que diz respeito a fossas sépticas em quantidades não
suportadas pelas características hidrológicas do mesmo.
 O conjunto de investigações realizadas permitiu a reunião de dados de subsuperfície plenamente
suficientes para subsidiar a elaboração de um projeto adequado de obras subsuperficiais (fossas
sépticas).
 De acordo com o que foi executado, 50% dos furos localizados na 5º etapa atingiu o nível de água
entre 4,0 m e 5,0 m, indicando níveis de água baixos.
980
Anais do 13º Simpósio de Geologia da Amazônia
22 a 26 de setembro de 2013
 Ressalta-se que os furos foram realizados na época de estiagem (Setembro, 2010), sendo assim os
níveis de água dos lençóis estão baixos e devem subir no inverno.
 A área em questão situa-se na região de cotas baixas com algumas variações de 87 m a no máximo
101 m. O gradiente hidráulico definido exibe um fluxo de água subterrânea da parte Sul (S) para
a parte Norte (N) da área, no sentido do corpo de água do rio Tauarizinho. As águas pluviais
obedecem ao mesmo comportamento.
 Recomenda-se que a área referente à 5ª etapa seja preservada ao máximo, podendo entrar em cotas
de áreas reservadas à preservação em loteamentos urbanos, como áreas verdes, chácaras e outras
formas de conservação conforme o especificado em lei.
REFERÊNCIAS
Andrade, R. L. S. Considerações sobre o parcelamento do solo urbano. Fortaleza: Ministério Público do
Estado
do
Ceará.
Procuradoria
Geral
de
Justiça,
[2005].
Disponível
em:
<http://www.pgj.ce.gov.br/servicos/artigos/>. Acesso em: 10 set. 2010.
Celligoi, A; Sousa, R. V. B. Monitoramento hidrogeológico como ferramenta de avaliação à degradação
dos recursos hídricos: estudo realizado no aterro controlado de londrina – PR. Universidade Estadual de
Londrina, Departamento de Geociências – Revista de Geografia - v. 18, n. 1, jan./jun. 2009. Disponível
em: < http://www.uel.br/revistas/uel/> Acesso em: 20 out. 2010.
Conselho Nacional do Meio Ambiente (Brasil). Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986.
Dispões sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Diário Oficial
[da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 fev. 1986. Seção 1, p. 2548-2549.
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Silva, J. A. Parcelamento do solo urbano e as implicações da recente lei reguladora da matéria com os
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22 a 26 de setembro de 2013
EXPANSÃO TERRITORIAL E EXTRAÇÃO DE ARGILA PARA USO NA
CONSTRUÇÃO CIVIL NO BAIRRO SÃO FELIX, REGIÃO METROPOLITANA DE
MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ
Ricardo Lima Figueira1 , Raimundo Nonato do E. S. dos Santos1
1
Faculdade de Geologia, Campus Universitário de Marabá, Universidade Federal do Pará E-mails: [email protected],
[email protected]
INTRODUÇÃO
A cidade de Marabá possui um setor siderúrgico que contribui de forma significativa para a
economia da região. O município de Marabá é o quarto mais populoso do Pará, com crescimento anual de
19,7%. A construção civil é o setor que mais cresce no município. Os minerais de uso na construção civil
são o cascalho, areia e argila, que são extraídos nas proximidades da cidade. O mercado desses minerais
tornou se bastante aquecido devido as especulações da implantação da Aços Laminados do Pará (ALPA),
em Marabá. O contingente populacional atraído pela construção da siderúrgica gerou o caos demográfico,
com chegada de dezenas de famílias em Marabá, oriundas do estado do Maranhão, principalmente. A
demanda por moradia levou as pessoas a buscarem áreas para a construção suas residências, sendo que o
bairro do São Felix proporcionou as condições físicas para abrigar as novas residências. Concomitante a
necessidade por construções populares, como o programa minha casa minha vida do governo federal,
instalou-se no bairro São Felix, vários condomínios horizontais, com padrão de classe média. O bairro
São Felix tem apresentado nos últimos anos altas taxas de crescimento urbano e imobiliário, devido ao
seu potencial de expansão territorial. Nesse sentido, para suprir as necessidades de matéria prima, para a
indústria de cerâmica vermelhas (telhas e tijolos), o setor ceramista da região passou a intensificar a
extração de argila nas áreas de planície de inundação, que corresponde às áreas de preservação permanente
(APPs).
Diante desse contexto, o presente trabalho busca analisar a extração de argila no bairro São Felix
no município de Marabá e seus impactos no meio ambiente, cujo diagnóstico apresentado subsidiará
programas de controle ambiental e o plano de recuperação das áreas degradadas, que já vem sendo adotado
em outras áreas na cidade de Marabá.
OBJETIVO
Levando em consideração o presente crescimento urbano e imobiliário no bairro São Felix,
município de Marabá, nos últimos anos. O trabalho visa identificar os principais métodos de extração de
argila e beneficiamento do bem mineral para a produção de telhas e tijolos e abordar as principais
implicâncias socioambientais naquela localidade.
LOCALIZAÇÃO E ACESSO
O município de Marabá pertence à mesorregião Sudeste Paraense e à microrregião Marabá. A sede
municipal apresenta as seguintes coordenadas geográficas: 05º 21' 54"Latitude Sul e 04º 07' 24"Longitude
WGr. Situa-se cerca de 485 quilômetros de Belém, capital do estado do Pará. É o quarto municipio mais
populoso do estado, com aproximadamente 233.462 mil habitantes. Abragendo uma área territórial de
aproximadamente 15.092.268km². O bairro São Felix faz parte da região metropolitana de Marabá. Em
1950, São Felix tornou-se uma vila de pescadores e agricultores, com significante importância econômica
para o município na época. (Figura 01)
GEOLOGIA
A região de Marabá faz parte de três grandes províncias geotectônicas. Tais províncias foram
denominadas de Cinturão Itacaiúnas (Arqueano ao Proterozóico inferior), Cinturão Araguaia,
(Proterozóico inferior a médio) e por unidades do Cretáceo e ou Terciárias (Almeida 1984). Na área de
estudo foram individualizadas três unidades geologicamente distintas. De acordo com o posicionamento
estratigráfico temos da base para o topo a seguinte ordem: Cinturão Araguaia, (Proterozóico inferior a
médio) representado pela Formação Couto Magalhães, que corresponde o embasamento da área. Essa
unidade aflora em diversos pontos da cidade de Marabá. A litologia principal dessa formação são Filitos
de coloração avermelhados e amarelados, tais tonalidades são produtos do intemperismo que afeta
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diretamente essas rochas. Essa unidade apresenta uma marcante foliação milonitica, por vezes crenulada
e dobrada. A segunda unidade refere-se à Formação Itapecuru (cretáceo). Essa formação é composta por
arenitos avermelhados, cinzas e amarelados, com granulação fina a média e friável. ). Finalizando o
contexto geológico local têm-se as coberturas cenozóicas, Formações superficiais (coluviões, aluviões e
lateritas). Essa última unidade estratigráfica local é representada pela cobertura quaternária composta por
sedimentos inconsolidados do tipo argila, silte, areia e cascalhos nos leitos e nas planícies de inundação
dos rios Tocantins e Itacaiúnas.
Fig. 01 - Mapa de localização do Complexo São Felix e área de estudo.
METODOLOGIA
A metodologia do trabalho teve início com o levantamento e síntese dos trabalhos referentes aos
impactos ambientais pela extração de argilas em diversas regiões do Brasil, de onde foram extraídos os
principais temas de ordem geral que envolve essa atividade, tais como: geologia regional e local, processo
de extração e equipamentos usados na mineração de argila e seus devidos impactos. Para permitir um
trabalho de campo com maior segurança, foi obtida inicialmente uma carta da área de pesquisa, na escala
1: 100.000. As imagens permitiram a identificação das áreas degradadas e de minas ativas localizadas na
margem direita dói rio Tocantins. De posse da cartografia básica, foram realizados trabalhos de campo
nos meses de janeiro e Março do presente ano. Os trabalhos de campo tiveram início nas áreas de extração
às margens (direita) do rio Tocantins, no complexo São Felix, região metropolitana de Marabá. A área
inicial, o objeto da pesquisa (depósito da margem direita do rio Tocantins), bairro São Felix I, (complexo
São Felix), tinha sido escolhida após a fase de levantamento bibliográfico, quando foi constatado que a
mesma é importante para o polo cerâmico de Marabá e com problemas socioambientais, ainda não
estudado.
Durante os trabalhos de campo, foi colocada em prática a fase indutiva da pesquisa, ou seja, aquela
baseada nas observações diretas no local, procurando identificar os processos de extração da argila, os
tipos de depósitos, o número de trabalhadores envolvidos, os equipamentos utilizados, além dos aspectos
sociais, urbanos e ambientais envolvidos com tal atividade extrativa. O estudo do método para a extração
de minério utilizado na lavra de argila em Marabá é realizado pela escavação mecanizada a seco, que
consiste na formação de bancadas simples que são desmontadas pelos tratores. Em seguida foi estudada a
lavra de argila e sua influência na dinâmica geoambiental.
Concluída a fase de levantamento de dados, foi feita ou realizada a integração e análise dos
resultados, em que se procurou montar um quadro histórico da atividade de extração de argila na cidade
de Marabá e seus impactos no Meio Físico local. Isso possibilitou identificação das interfaces sociais e
ambientais que envolvem a extração de argila em meio urbano.
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RESULTADOS E DISCUSSÕES
O polo cerâmico de Marabá é tido como o segundo maior centro de extração de argilas vermelhas
do Estado do Pará, sendo superado somente pelo polo cerâmico de São Miguel do Guamá, na região
nordeste do Pará. Segundo o Sindicato dos Ceramistas de Marabá, o volume de argila extraído anualmente
no município é de 190.000 toneladas.
O método de lavra da argila é denominado de escavação a seco. A argila é extraída por pá
carregadeiras frontais, retroescavadeiras e caçambas O trabalho inicia pela supressão da camada vegetal,
que compõe aas áreas de preservação permanente, decapeamento do terreno e limpeza. Em seguida, as áreas
são delimitadas pelos próprios donos da cerâmica, dando inicio a extração mineral. A argila retirada é então
levada para as áreas de estoque. Em uma segunda etapa de produção, a argila é retirada do setor de
estocagem por escavadeiras frontais, o material é beneficiado e industrializado, de maneira a ser
transformado em tijolos e telhas. Essas áreas ficam submersas durante o período de chuva na região, onde
o nível do rio Tocantins chega a subir mais que 10 metros. Nesse período os trabalhos de lavra são
suspensos.
Quanto aos locais de extração, essas se encontram as margens direita do rio Tocantins, no perímetro
urbano do bairro São Felix pioneiro. Nesse local situa-se a principal área de extração da argila e onde se
observa os impactos ambientais. Os impactos ambientais são evidenciados pelas inúmeras cavas
abandonadas, que estão formando lagos, devido o seu alagamento nos períodos de cheia do rio, sendo que
em alguns casos a relatos de interferência no aquifero. O solo está desgastado, remobilizado e compactado,
devido ao longo período de exposição e o trafego intenso das máquinas pesadas, envolvidas no processo de
extração. Não foi verificado nenhum plano de controle ambiental no que concerne ao limite das margens
do rio Tocantins, onde poderia ser preservada a APP. A extração de matérias primas nas margens dos rios
sem obedecer os limites determinados pela legislação, que proíbe qualquer tipo de supressão da vegetação
e uso e ocupação do solo, põem em perigo a biodiversidade da região, caso não seja vetado o avanço
desenfreado desses empreendimentos.
CONCLUSÕES
A expansão territorial na cidade de Marabá, devido ao crescimento populacional, decorrente dos
grandes projetos minero-metalurgicos, teve como consequência imediata o surgimento de novos núcleos
populacionais, como se verifica no bairro São Felix. Inerente a esse crescimento, há o aumento da demanda
por materiais para a construção civil, como telhas e tijolos, isso acarreta a apropriação de áreas nas margens
dos grandes rios da região, Itacaiunas e Tocantins, em busca de matérias primas para viabilizar essa
atividade. O método de lavra adotado é da escavação a seco, com a formação de pequenas cavas. A
implantação dessas olarias nas margens do rio Tocantins, proporciona a geração de trabalho e renda, para
as comunidades que residem às proximidades desses empreendimentos.
A extração é feita nas Áreas de Preservação Permanente (APPs). Onde são observados
desmatamentos irregulares, mudanças na topografia e mobilizações do solo. Nessas áreas não foram
verificadas nenhuma ação de recuperação da área degradada. Essas cavas em muitos casos encontram-se
alagadas, as quais representam riscos para a população, pois servem de criatório de mosquitos, que são
vetores de graves doenças, como dengue e malaria.
A área objeto da pesquisa será brevemente integrada pelo Sindicato dos ceramistas de Marabá, que
já desenvolve projetos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) em outros sítios de extração de
argila, cujos proprietários são sindicalizados. O projeto de recuperação das áreas degradadas está sendo
executado pelas Faculdades de Agronomia e de Geologia da Ufpa, campus de Marabá, cumprindo as
exigências do Ministério Público Estadual. O controle ambiental da atividade mineral e a recuperação da
áreas degradadas são instrumentos que proporcionarão a sustentabilidade do polo cerâmico de Marabá.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Almeida F.F.M. 1984. Província Tocantins, setor Sudoeste. In: Almeida F.F.M. & Hasui Y (coords). O
Pré-Cambriano do Brasil. São Paulo, Ed. Bluche, p 265-281.
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