UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM BIOMEDICINA DEPARTAMENTO DE ANTIBIÓTICOS “Qualidade de água no ambiente escolar ponto de partida para a educação ambiental .” Bruno José de Lavôr Araújo Lima Recife 2009 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM BIOMEDICINA DEPARTAMENTO DE ANTIBIÓTICOS “Qualidade de água no ambiente escolar ponto de partida para a educação ambiental .” Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em Biomedicina da Universidade Federal de Pernambuco, como parte dos requisitos básicos para obtenção do título de Bacharel. Graduando: Bruno José de Lavôr Araújo Lima Orientadora: Prof.ª Dr.ª Glícia Maria Torres Calazans Co-orientador: MSc. Fernando Antônio Chaves Vital Recife – 2009 Página 2 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... “Qualidade de água no ambiente escolar ponto de partida para a educação ambiental .” Graduando: _____________________________________________________ Graduando: Bruno José de Lavôr Araújo Lima Graduando Biomedicina – UFPE Banca examinadora: ______________________________________________________ 1.º Membro: Prof.º Dr.º Heiko Brunken Hochschule Bremen - Alemanha ______________________________________________________ 2.º Membro: MSc. Carlos Roberto Weber Sobrinho Departamento de Medicina Tropical - UFPE ______________________________________________________ Suplente: Prof.ª Dr.ª Maria de Fátima Vieira de Queiroz Souza Departamento de Antibióticos - UFPE Orientadores: ______________________________________________________ Orientadora: Prof.ª Dr.ª Glícia Maria Torres Calazans Departamento de Antibióticos - UFPE ________________________________________ Co-orientador: MSc. Fernando Antônio Chaves Vital Departamento de Antibióticos – UFPE Página 3 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Quem espera que a vida seja feita de ilusões... Pode até ficar maluco, ou morrer na solidão... É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer... Toda pedra no caminho, você pode retirar... Uma flor que tem espinhos... Você pode se arranhar... Se o bem e o mal existem... Você pode escolher... É preciso saber viver! (É preciso saber viver – Roberto Carlos e Erasmo Carlos) Página 4 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... DEDICATÓRIA Aos meus pais João e Auricélia, O meu norte, o meu sul, leste e oeste... O meu passado, meu presente e meu futuro... Às minhas quatro estações do ano... Os meus dias, horas e segundos.... A minha essência...”o meu eu”... A minha vida! O maior presente que Deus me deu! Aos meus avós Pedro e Auristela, Dois anjos que um dia estiveram na Terra... Mas que de tanto brilhar, foram convidados por Deus a se tornarem estrelas... E de lá do céu.... Iluminar os meus caminhos. “IN MEMORIAM” Página 5 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus por toda sabedoria que Ele me deu durante todos esses anos de vida estudantil. E por reservar a mim as melhores surpresas e as maiores alegrias que um ser humano pode receber e por atender sempre aos meus grandes desejos e sonhos. Aos meus pais João e Auricélia; pelo carinho, dedicação e infinito amor durante toda a minha criação. Obrigado pelo apoio e ajuda fundamental na elaboração desse trabalho. Ao meu irmão Breno pelo apoio e companheirismo. A minha querida Orientadora Glícia Maria Torres Calazans por todo profissionalismo, carinho, respeito e confiança demonstrada comigo durante todo esse tempo. Obrigado por sempre querer o melhor pra mim! Ao meu Co-Orientador Fernando Antônio Chaves Vital pelo importante auxílio na execução desse trabalho. A Professora Maria de Fátima Vieira Queiroz pelos valiosos ensinamentos na disciplina de Análises bacteriológicas da água. A minha amiga Ludhimilla Suellen Gomes Lins. Pessoa com quem tive o prazer de vivenciar grandes momentos de aprendizagem dentro do laboratório. Obrigado pelo apoio e respeito de sempre. Obrigado pelos conselhos, pelos ensinamentos e pelo companheirismo. Valeu acima de tudo pela sua alegria! Terás sempre o meu respeito e minha gratidão. Obrigado por tudo! A Thaís Mota de Mendonça por toda força e valioso incentivo durante as fases mais difíceis da execução desse trabalho. Muitíssimo obrigado! A Carlos Roberto Weber Sobrinho pelas importantes dicas na elaboração desse trabalho. A Janilson José da Silva Júnior pela grande amizade gerada durante os anos de curso. Obrigado pela amizade, pelo companheirismo e por toda ajuda que você me deu! Obrigado por você ser meu grande irmão dentro da UFPE. A Aluízio Roberto da Silva por todo companheirismo, conselhos, respeito e pela grande amizade. Obrigado por tudo! Aos meus colegas de curso: Rafael Jorge (Japinha), Regina Picasso, Paulo Antônio e Carla Amália pelos grandes momentos vividos durante os quatro anos de curso. Obrigado por fazer desse tempo, uma época inesquecível! Aos meu colegas de laboratório: Júlia Celeste, Nayara Perla, Clarissa Sá, Diego Vieira (China), Raquel, Lívia, Petronila, Charles e Salatiel pelos momentos de trabalho e alegria. Página 6 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... As minhas amigas de estágio curricular, Ana Caroline dos Santos Barreto e Sarah Alves pelos seis meses de muita dedicação, aprendizagem e acima de tudo de muito companheirismo! Sentirei muitas saudades! A Secretaria de Educação de Olinda pelo fundamental incentivo para o desenvolvimento desse trabalho. A todos os professores e alunos das Escolas públicas e privadas de Olinda e as Escolas públicas da cidade de Tuparetama participantes desse trabalho. A equipe de professores do Colégio e Curso GGE, Colégio de São Bento de Olinda e Instituto Domingos Sávio por terem colaborado com meu crescimento não apenas como estudante, mas também como ser humano. Obrigado por terem feito de minha história estudantil, um grande sucesso. Obrigado por me terem feito chegar até aqui! A toda turma de Formandos Biomedicina 2009.1 da Universidade Federal de Pernambuco. Pessoas queridas que estarão eternamente guardadas na minha memória e no lugar mais bonito de meu coração. Obrigado por fazerem parte de minha história! Foi muito bom estarmos juntos! Página 7 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... SUMÁRIO 1.0 INTRODUÇÃO....................................................................................................... 16 2.0 FUNDAMENTOS TEÓRICOS E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Informações históricas geográficas................................................................... 20 2.2 Características essenciais de um indicador de contaminação fecal.................. 23 2.2.1 Grupo coliforme...................................................................................... 25 I. Coliformes Totais......................................................................................... 25 II. Coliformes Termotolerantes........................................................................ 25 II.A Escherichia coli......................................................................................... 25 2.2.2 Contagem de bactérias heterotróficas...................................................... 26 2.3 Legislação vigente........................................................................................... 26 2.4 Ensaio presuntivo ............................................................................................ 27 2.5 Ensaio confirmativo ......................................................................................... 28 2.6 Método da fermentação em P/A (Presença/Ausência) .................................... 29 2.7 Trabalhos que visaram pesquisar a qualidade da água no ambiente escolar.... 30 3.0 OBJETIVOS 3.1 Objetivos gerais ................................................................................................ 31 3.2 Objetivos específicos ........................................................................................ 31 4.0 MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Procedimentos de coleta ................................................................................... 32 I. Técnica de Presença-Ausência (P/A) ............................................................ 33 II. Contagem de bactérias heterotróficas .......................................................... 34 4.2 Criação do questionário - Educação Ambiental 01 .......................................... 37 4.2.1 Aplicação do questionário ....................................................................... 37 4.2.2 Categorização das respostas ................................................................... 37 4.3 Criação do questionário - Educação Ambiental 02 .......................................... 38 4.3.1 Aplicação do questionário ....................................................................... 39 4.3.1 Categorização das respostas .................................................................... 39 5.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 Pesquisa em escolas ......................................................................................... 40 5.2 Resultados do questionário aplicado sobre Educação Ambiental 01 e 02 5.2.1 Resultados da pergunta 1 ........................................................................ Página 48 8 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 5.2.2 Resultados da pergunta 2 ........................................................................ 50 5.2.3 Resultados da pergunta 3 ......................................................................... 53 5.2.4 Resultados da pergunta 4 ........................................................................ 56 5.2.5 Resultados da pergunta 1 ........................................................................ 60 5.2.6 Resultados da pergunta 2 ........................................................................ 62 5.2.7 Resultados da pergunta 3 ......................................................................... 64 5.2.8 Resultados da pergunta 4 ......................................................................... 65 5.2.9 Resultados da pergunta 5 ......................................................................... 66 5.3 Dificuldades encontradas ................................................................................. 68 6.0 CONCLUSÃO......................................................................................................... 69 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................... 72 8.0 ANEXOS 8.1 Portaria 518 de 25 de março de 2004 do Ministério da Saúde ......................... 75 8.2 Protocolo de coleta ........................................................................................... 95 8.3 Questionário aplicado de Educação Ambiental 01 ........................................... 96 8.4 Questionário aplicado de Educação Ambiental 02 ........................................... 97 8.5 Questionário aplicado nas escolas .................................................................... 98 Página 9 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... LISTA DE FIGURAS Figura 01: Localização da cidade de Olinda ......................................................... 21 Figura 02: Divisão geográfica do Estado de Pernambuco .................................... 21 Figura 03: Divisão da cidade de Olinda ............................................................... 22 Figura 04: Frasco com caldo P/A ......................................................................... 27 Figura 05: Ensaio presuntivo positivo para coliformes totais .............................. 27 Figura 06: Tubos contendo o meio CLVBB para ensaio confirmativo para coliformes totais ..................................................................................................... 28 Figura 07: Tubos contendo o meio EC para pesquisa de coliformes termotolerantes ....................................................................................................... 29 Figura 08: Frasco de coleta estéril ........................................................................ 33 Figura 09: Pipeta automática ................................................................................ 34 Figura 10: Aparelho contador de colônias ............................................................ 35 Figura 11: Desenho ilustrando a categoria cano ................................................... 46 Figura 12: Desenho ilustrando a categoria depósito ............................................. 47 Figura 13: Desenho ilustrando a categoria origem natural ................................... 47 Figura 14: Desenho ilustrando a categoria poço ................................................... 47 Figura 15: Gráfico de respostas dos alunos do sertão a primeira pergunta do questionário de Educação Ambiental 01 ................................................................ 48 Figura 16: Gráfico de respostas dos alunos de escolas privadas de Olinda a primeira pergunta do questionário de Educação Ambiental 01 ............................. 48 Figura 17: Gráfico de respostas dos alunos de escola pública de Olinda a primeira pergunta do questionário de Educação Ambiental 01 ............................. 49 Figura 18: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda a primeira pergunta do questionário – “De onde vem a água que sai na torneira da sua casa?” .................................................................................................................... 49 Figura 19: Figura ilustrando a categoria tubo ou cano ......................................... 50 Figura 20: Desenho ilustrando a categoria cano ou tubo sem ligação .................. 50 Figura 21: Desenho ilustrando a categoria cano ou tubo com ligação ................. 50 Figura 22: Gráfico de respostas dos alunos do sertão a segunda questão do questionário de Educação Ambiental 01 ................................................................ 51 Figura 23: Gráfico de respostas dos alunos de escolas privadas de Olinda a Página 10 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... segunda questão do questionário de Educação Ambiental 01 ............................... 51 Figura 24: Gráfico de respostas dos alunos de escola pública de Olinda a segunda questão do questionário de Educação Ambiental 01 ............................... 52 Figura 25: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda a segunda questão do questionário – “Como chega a água as torneiras da sua casa/” ........ 52 Figura 26: Desenho ilustrando a categoria higiene pessoal .................................. 53 Figura 27: Desenho ilustrando a categoria higiene doméstica ............................. 53 Figura 28: Desenho ilustrando a categoria alimentação humana ......................... 53 Figura 29: Desenho ilustrando a categoria alimentação animal ........................... 53 Figura 30: Desenho ilustrando a categoria jardinagem ........................................ 54 Figura 31: Desenho ilustrando a categoria lazer ................................................... 54 Figura 32: Gráfico de respostas dos alunos do sertão a terceira pergunta do questionário de Educação ambiental 01. ................................................................ 54 Figura 33: Gráfico de respostas dos alunos de escolas privadas de Olinda a terceira pergunta do questionário de Educação ambiental 01 ................................ 55 Figura 34: Gráfico de respostas dos alunos de escola pública de Olinda a terceira pergunta do questionário de Educação ambiental 01 ................................ 55 Figura 35: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda a terceira pergunta do questionário – “Quais os usos que você dá a água na sua casa?” ... 56 Figura 36: Desenho ilustrando a categoria saneamento básico ............................ 57 Figura 37: Desenho ilustrando a categoria descarga a céu aberto ........................ 57 Figura 38: Desenho ilustrando a categoria fossa .................................................. 57 Figura 39: Gráfico de respostas dos alunos de escolas públicas do sertão à 58 quarta questão do questionário de Educação ambiental 01..................................... Figura 40: Gráfico de respostas dos alunos de escolas privadas de Olinda à quarta questão do questionário de Educação ambiental 01. ................................... 58 Figura 41: Gráfico de respostas dos alunos de escola pública de Olinda à quarta questão do questionário de Educação ambiental 01. .............................................. 59 Figura 42: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à quarta questão do questionário – “Para onde vai a água depois der ser utilizada para você?” .................................................................................................................... 59 Figura 43: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à primeira questão do questionário de Educacão ambiental 02................................................ 60 Figura 44: Gráfico de respostas mais comuns para a primeira questão do Página 11 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... questionário de Educação Ambiental 02, dadas pelos alunos do sertão ................ 61 Figura 45: Gráfico de respostas mais comuns para a primeira questão do questionário de Educação Ambiental 02, dadas pelos alunos de escolas privadas de Olinda ................................................................................................................ 61 Figura 46: Gráfico de respostas mais comuns para a primeira questão do questionário de Educação Ambiental 02, dadas pelos alunos de escola pública de Olinda ................................................................................................................ 61 Figura 47: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à segunda questão do questionário de Educação Ambiental 02.............................................. 62 Figura 48: Gráfico de respostas mais comuns para a segunda questão do questionário de Educação Ambiental 02, dadas pelos alunos do sertão ................ 63 Figura 49: Gráfico de respostas mais comuns para a segunda questão do questionário de Educação Ambiental 02, dadas pelos alunos de escolas privadas de Olinda ................................................................................................................ 63 Figura 50: Gráfico de respostas mais comuns para a segunda questão do questionário de Educação Ambiental 02, dadas pelos alunos de escola pública de Olinda ................................................................................................................ 63 Figura 51: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à terceira questão do questionário de Educacão Ambiental 02.............................................. 64 Figura 52: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à quarta questão do questionário de Educacão ambiental 02................................................ 65 Figura 53: Gráfico de doenças mais citadas pelos alunos do sertão .................... 66 Figura 54: Gráfico de denças mais citadas pelos alunos de escolas privadas de Olinda .................................................................................................................... 67 Figura 55: Gráfico de doenças mais citadas pelos alunos de escola pública de Olinda ..................................................................................................................... 67 Página 12 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... LISTA DE QUADROS QUADRO 01: Evolução da população olindense (1970-2007)............................. 22 QUADRO 02: Composição do caldo P/A (Composição tripla) ........................... 36 QUADRO 03: Composição do meio caldo lactosado verde brilhante bile............ 36 QUADRO 04: Composição do meio EC............................................................... 36 QUADRO 05: Composição do meio PCA ............................................................ 36 QUADRO 06: Resultados das análises bacteriológicas das águas colhidas nas escolas participantes do estudo .............................................................................. 41 QUADRO 07: Respostas das três primeiras perguntas do questionário ............... 42 QUADRO 08: Respostas das perguntas 4,5 e 6 do questionário .......................... 43 Página 13 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... LISTA DE ABREVIATURAS CLVBB – Caldo Lactosado Verde Brilhante Bile COMPESA – Companhia Pernambucana de Saneamento CONDEPE – Conselho Estadual dos Direitos de Pessoa Humana EC – Meio para Escherichia coli EMB – Eosina Metileno Blue FUNASA – Fundação Nacional da Saúde IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística M.M.A. – Ministério do Meio Ambiente M.S. – Ministério da Saúde OMS – Organização Mundial da Saúde ONU – Organização das Nações Unidas PCA – Plaint Counter Agar pH – Potencial Hidrogeniônico UFC – Unidade Formadora de Colônias UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância Página 14 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... RESUMO A água é um recurso natural de valor inestimável. É vital para a manutenção dos ciclos biológicos, geológicos e químicos que mantêm o equilíbrio dos ecossistemas. A água abrange quase quatro quintos da superfície terrestre, mas apenas 0,3% do volume total pode ser aproveitado para consumo humano. A água, não estando pura, se tornar um veículo na transmissão de doenças. Em países pobres, as doenças diarréicas de veiculação ou transmissão hídrica têm sido responsáveis por elevadas taxas de mortalidade infantil. Na cidade de Olinda, como conseqüência de seu desenvolvimento urbano, foi provocado um impacto significativo na infra-estrutura dos recursos hídricos. A precariedade do esgotamento sanitário dificulta a remoção do lixo e aumenta os problemas de erosão do solo e de poluição da água, contribuindo para o baixo padrão de qualidade de vida da população local. O atual estudo foi desenvolvido na cidade de Olinda, região metropolitana do Recife. E no município de Tuparetama, localizado no sertão de Pernambuco. O objetivo foi verificar, de acordo com a Portaria N.º 518/04 do Ministério da Saúde, a qualidade bacteriológica das águas consumidas em escolas públicas de Olinda usando a técnica P/A (Presença/Ausência). Objetivou-se também realizar uma pesquisa sobre a educação ambiental englobando as doenças que podem ser transmitidas através da água, seu reuso e tratamento de acordo com a concepção dos alunos no ambiente escolar. Um questionário foi aplicado aos alunos de escolas públicas e privadas de Olinda e para efeito comparativo, o questionário também foi aplicado aos alunos de escolas públicas de Tuparetama. Foram feitas coletas de água em dezesseis escolas de diferentes bairros de Olinda. Do total de escolas, 31,25% delas apresentou contaminação por coliformes totais. Cerca de 18,75% das escolas também apresentou contaminação por coliformes termotolerantes. Foi possível constatar que as crianças já possuem um elevado senso crítico sobre a educação ambiental. Elas demonstraram conhecimento sobre questões relativas à potabilidade da água, reuso, tratamento e principalmente sobre doenças de veiculação hídrica. Palavras chave: água, coliformes, educação ambiental. Página 15 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 1.0 INTRODUÇÃO A água é um recurso natural de valor inestimável. Além de indispensável à produção, é um recurso natural estratégico para o desenvolvimento econômico. É vital para a manutenção dos ciclos biológicos, geológicos e químicos que mantêm em equilíbrio os ecossistemas. É também uma referência cultural e um bem social indispensável à adequada qualidade de vida da população (CAPOBIANCO, 2007). A água abrange quase quatro quintos da superfície terrestre. Desse total, 97,0% refere-se à água salina presente nos mares e 3,0% à água doce. Entre as águas doces; 2,7% são formadas por geleiras, vapor de água e lençóis existentes em grandes profundidades, não sendo viável à utilização para o consumo humano. Apenas 0,3% do volume total da água do planeta pode ser aproveitado para o consumo, sendo 0,01% encontradas em fontes de superfície (rios e lagos) e o restante, o equivalente a 0,29%, em fontes subterrâneas (poços e nascentes) (REIS, 2005; FUNASA, 2006). É preocupante a questão da potabilidade de água no mundo, uma vez que 97% da água de todo planeta é salgada. Consequentemente não é utilizável para o consumo humano (FUNASA, 2006). A demanda de água potável vem aumentando exponencialmente com o crescimento populacional. De 1950 a 2001,a população mundial passou de 2,3 bilhões para 5,3 bilhões de habitantes, com o consumo de água do planeta aumentando de 1.000km3 para 40.000km3 anuais. O crescimento demográfico e econômico acelerado do Brasil nos últimos anos fez com que os recursos hídricos fossem demandados, em algumas regiões, além das disponibilidades. Além da escassez das reservas hídricas, verifica-se o crescimento da contaminação dos recursos d’água potável existentes, afetando assim gravemente a saúde humana (MMA, 2002). Quase três bilhões de pessoas vivem sem acesso a sistemas de serviço de saúde público adequados o que é fundamental para a redução de doenças relacionadas à água. Em 1997, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), estimava-se que 14 a 30 mil pessoas, principalmente crianças e idosos, morriam diariamente de doenças de veiculação hídrica. Aproximadamente metade das pessoas nos países em Página 16 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... desenvolvimento sofre de doença causada pela ingestão de água ou comida contaminada (ZANCUL, 2006). Estima-se que mais de 250 milhões de casos de doenças de veiculação hídrica são registrados anualmente em nosso planeta. Aproximadamente 10 milhões destes casos deverão resultar em mortes, especialmente de crianças, que são vítimas em 50% dos casos (NEBEL & WRIGHT, 2000). No ano de 2003, três milhões de crianças morriam anualmente por infecções e diarréias transmitidas por água contaminada (PNUMA, 2003). A água, não estando pura, pode se tornar um veículo na transmissão de doenças. A Organização Mundial de Saúde (OMS) divide as doenças de veiculação hídrica em dois grupos: doenças de transmissão hídrica; que são caracterizadas pela presença de microrganismos patógenos veiculados pela água, como fungos, vírus, protozoários e bactérias; e doenças de origem hídrica que são caracterizadas pela presença de substâncias químicas na água, acima das concentrações permitidas (CETESP, 1991 apud SANTOS NETO, 2003). Nos países em desenvolvimento, em virtude das precárias condições de saneamento e da má qualidade das águas de consumo, as doenças diarréicas de veiculação ou transmissão hídrica têm sido responsáveis por vários surtos epidêmicos e pelas elevadas taxas de mortalidade infantil. Principalmente as crianças menores de três meses de idade, e pessoas idosas são bastante susceptíveis ao desenvolvimento destas doenças (OLIVEIRA et al., apud FREITAS, BRILHANTE, ALMEIDA, 2001). Segundo Lee Jong-Wook, diretor geral da Oraganização Mundial de Saúde, a água e o saneamento básico estão entre os fatores mais importantes para determinação da saúde pública. No ano de 2004, conforme o relatório da OMS e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF); mais de 2,6 bilhões de pessoas (cerca de 40% da população mundial) ainda não tem acesso a saneamento básico e mais de 1 bilhão de pessoas ainda bebem água não tratada (OMS, 2004). Os problemas ambientais estão assumindo centralidade na vida cotidiana. Mesmo com notícias preocupantes sobre o meio ambiente sendo veiculadas na imprensa, muitas pessoas habituaram-se a escutá-las mais incrédulas que preocupadas, Página 17 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... deixando a aplicação de medidas para um futuro indefinido e cuja solução básica passará pela Educação Ambiental (MACHADO, 2006). A Convenção sobre a Diversidade Biológica, no artigo 13 refere-se à educação e a consciência pública. Estabelece a necessidade de promover a compreensão da importância biológica e a sua conservação através de programas de educação e sensibilização do público (ICN, 1997). O problema da escassez de água no nordeste do Brasil está atrelado às condições climáticas dominantes em grande parte de seu território. O predomínio de uma clima semi-árido com estação chuvosa curta e com má distribuição de chuvas ao longo do ano é um dos principais fatores que intensificam esse problema. Percebe-se que, seja em áreas de ocorrência das secas ou fora delas, um problema sério que se intensifica a cada dia, e que nem sempre é devidamente valorizado, é a escassez qualitativa da água (MEDEIROS, 2007). De características geológicas semelhantes ao do estado da Paraíba (cerca de 80% do estado possui geologia cristalina), Pernambuco encontra-se em uma situação mais complicada, por não possuir represamentos significativos de água em seu território. Os volumes de água acumulados superficialmente no estado somam cerca de apenas 3,4 bilhões de m3, ou seja, toda a água de superfície do estado de Pernambuco representa uma vez e meia o volume acumulável da represa de Orós, o segundo maior açude do Ceará (SUASSUNA, 2004). Na cidade de Olinda, como consequência de seu desenvolvimento urbano, foi provocado um impacto significativo na infra-estrutura dos recursos hídricos. Um dos principais efeitos negativos deste processo de desenvolvimento tem ocorrido na drenagem urbana (TUCCI, 2002). Aliados a esses aspectos, a ausência de esgotamento sanitário e a precariedade da rede viária dificultam a remoção do lixo e aumentam os problemas de erosão do solo e de poluição hídrica, contribuindo para o baixo padrão de qualidade de vida da população local. O quadro alimenta os níveis negativos da saúde pública, agravados com a baixa condição de infra-estrutura e da renda e com a incidência de doença infecto-contagiosas e parasitárias (MELO et al., 2003). Página 18 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... * Justificativa O presente trabalho visou avaliar a qualidade bacteriológica das águas utilizadas em escolas públicas da cidade de Olinda. Com base nos dados coletados e nos resultados obtidos, tentou-se elaborar um plano de medidas para correção de possíveis falhas. Buscou-se também elaborar um programa de conscientização das comunidades escolares pesquisadas e orientá-las sobre os cuidados que as mesmas devem ter com a qualidade da água e as doenças que podem ser transmitidas por ela. Acreditando-se que no ambiente escolar há uma maior difusão do conhecimento, espera-se com esse trabalho, que os alunos sejam multiplicadores dos conhecimentos adquiridos e que eles possam ter uma nova visão sobre a educação ambiental e os cuidados com a água. Fazer com que eles compreendam a importância da reutilização, do tratamento e da valorização do meio ambiente de maneira geral. Página 19 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 2.0 FUNDAMENTOS TEÓRICOS E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. Informações históricas e geográficas O regime de Capitanias Hereditárias foi instituído por D. João III em 1534. O fidalgo Duarte Coelho Pereira, donatário da capitania de Pernambuco, tomou posse das suas terras em 9 de março de 1535 quando desambarcou no porto de Itamaracá com sua família e parentes próximos. Pouco tempo depois ele seguiu para o sul em busca de um lugar para se instalar. Encontrou um local em situação estratégica, no alto das colinas, onde existia pequena aldeia indígena denominada Marim, onde instalou o povoado que deu origem à Olinda. O local era tão aprazível que segundo a tradição, o nome foi dado a partir de uma frase que teria sido dita por Duarte Coelho: “Ó linda, situação para se construir uma vila.” O povoado cresceu tanto que foi elevado à categoria de vila em 12 de março de 1537, quando Duarte Coelho enviou a D. João III o Foral de Olinda, carta de doação que descrevia todos os indígenas e benfeitorias existentes na vila. A Câmara foi instalada na mesma data e, ainda no mesmo ano, Duarte Coelho ordenou a construção de um edifício destinado ao funcionamento do Senado da Câmara de Olinda. A criação da vila foi confirmada por Provisão Régia de 14 de julho de 1678 (CONDEPE/FIDEM). Em 1630, Olinda foi tomada pelos holandeses que incendiaram em 24 de novembro de 1631, após retirar nobres das edificações para construir suas casas no recife, que começa a prosperar sob a administração holandesa. Por decisão do conde João Maurício de Nassau e do Alto Conselho, em 14 de novembro de 1639 foi transferida a Câmara de Escabinos de Olinda para a Ilha de Antônio Vaz (atual bairro de Santo Antônio, no Recife), deixando Olinda de ser a capital de Pernambuco. Em 1654 novamente sob o domínio português, voltou a ser sede do governo, embora os governadores residissem no Recife. Em 10 de novembro de 1710, em Olinda, o sargento-mor Bernardo Vieira de Melo deu o primeiro grito de República no Brasil, em prol da independência nacional. O distrito, com a denominação de Olinda, foi criado por alvará de 29 de janeiro de 1787. Por todo o seu acervo histórico, arquitetônico e cultural, a UNESCO reconheceu Olinda como Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade, em 14 de dezembro de 1982 (CONDEPE/FIDEM). Página 20 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... A figura 01 mostra a localização de Olinda no Estado de Pernambuco. É o mais antigo entre os municípios da Região Metropolitana do Recife (Fig. 02), situada no litoral norte do Estado. Tem as seguintes coordenadas geográficas: latitude: 8º1’48’’ – sul; longitude: 34º 51’ 42’’; altitude média:16m (TEIXEIRA, 2004). Fonte: IBGE Figura 01: Localização da cidade de Olinda Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Pernambuco Figura 02: Divisão geográfica do Estado de Pernambuco A cidade (Fig. 03) possui uma área total de 40,83 km2, dos quais 34,54km2 urbana (o Sítio Histórico compreende uma área de 10,4 km2) e 6,29km2 são de zona rural;. A população olindense (Quadro 01) cresceu desproporcionalmente ao seu limitado território. (TEIXEIRA, 2005). Hoje, possui uma população de 391.433 habitantes (IBGE, 2007). Página 21 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Fonte: Teixeira, 2004 Figura 03: Divisão da cidade de Olinda Quadro 01: Evolução da população da cidade de Olinda (1970-2007). Ano Habitantes 1940 36.000 1950 62.000 1960 119.000 1970 196.342 1980 282.203 1990 349.380 2000 367.902 2007 391.433 Fonte: Teixeira, 2004; IBGE, 2007. Página 22 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... A bacia hidrográfica é formada pelo Rio Beberibe, servindo de limites, em sua maior parte, com o município do Recife, tendo pequenos afluentes como o do Passarinho, o das Moças, o das Águas Compridas e o do Lava-tripa. Fora de sua bacia, existem outros pequenos rios como o do Fragoso, mais ao norte e os riachos de Água Fria e Ouro Preto. Estes unem suas águas formando o Rio Doce que desemboca no Oceano Atlântico, no extremo norte do Município (TEIXEIRA, 2004). O município apresenta 98% de taxa de urbanização. Cerca de 2,4% do total de domicílios não possui abastecimento de água nem pela rede geral (COMPESA), poço ou nascente. E 3,4% dos domicílios não possui banheiro ou sanitário (IBGE, 2000). O que obriga os moradores a, muitas vezes, fazer suas necessidades fisiológicas em locais inadequados. Consequentemente, lançam seus dejetos em rios próximos. Nos bairros mais pobres, é comum se ver o despejo do esgoto não apenas em rios próximos como também no solo. Isso é um fator preocupante, visto que uma vez contaminada, a água dos rios e subterrâneas podem se tornar veículo na transmissão de doenças. 2.2 Características essenciais de um indicador de contaminação fecal Segundo definição da Portaria 518 do Ministério da Saúde/2004, água potável é aquela que para consumo humano; possui parâmetros microbiológicos, físicos, químicos e radioativos que atendam ao padrão de potabilidade e que não ofereça riscos à saúde. Grabow (1996) diz que as condições de higiene da água estão diretamente relacionadas a análise quantitativas de bactérias totais presentes na água e não apenas à análise qualitativa para pesquisa de determinado tipo bacteriano. Portanto, uma quantidade elevada de bactérias heterotróficas na água já considera a mesma não higiênica, mesmo que a mesma amostra de água não possua bactérias indicadoras de contaminação fecal. A determinação da potabilidade da água não é, e nem deve ser baseada apenas no isolamento e identificação de microrganismos patogênicos, pelas seguintes razões: (PELCZAR, 1996) 1. Os agentes patogênicos tem acesso esporádico ao ambiente hídrico e não demonstram sobrevivência durante um longo período de tempo. Página 23 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 2. Em procedimentos laboratoriais, os microrganismos patogênicos podem não ser detectados, caso esteja em pequeno número. 3. É necessário um período de pelo menos 24 horas para a obtenção de resultados laboratoriais para microrganismos patogênicos. Assim, muitas pessoas já estariam expostas a contaminação por esses microrganismos, até o momento de confirmação da presença deles numa amostra de água, e antes mesmo de uma correção desse problema. O termo microrganismo indicador refere-se a um tipo cuja presença na água é evidência de que ela está poluída com matéria fecal de origem humana ou de outros animais de sangue quente. Esse tipo de poluição indica que qualquer microrganismo patogênico que ocorre no trato intestinal, poderão estar igualmente presentes.(PELCZAR, 1996). Foram desenvolvidos métodos para análise de água baseados em microrganismos indicadores de contaminação (fáceis de isolamento e identificação), cuja presença de microrganismos, revelasse a possibilidade da presença de microrganismos patogênicos (PELCZAR, 1996). Algumas das características importantes de um microrganismo indicador são: (PELCZAR, 1996) 1. Estar presente em águas poluídas e ausentes em águas não-poluídas; 2. Estar presente na água quando os organismos patogênicos estão presentes; 3. O número de microrganismos indicadores deve estar relacionado com o índice de poluição; 4. Sobreviver melhor e por mais tempo na água do que os microrganismos patogênicos; 5. Apresentar propriedades uniformes e estáveis; 6. Geralmente ser inofensivo ao homem e a outros animais; 7. Estar presente em maior número do que os patogênicos; 8. Ser facilmente evidenciado por técnicas laboratoriais padronizadas. Página 24 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 2.2.1 Grupo coliforme A Portaria 518 do Ministério da Saúde de 25 de março de 2004 define grupo coliforme como bacilos gram-negativos, aeróbios ou anaeróbios facultativos, não formadores de esporos, em forma de bastonetes, oxidase-negativos, capazes de fermentar a lactose com produção de ácido, gás e aldeído a 35,0 ± 0,5ºC em 24-48 horas, e que podem apresentar atividade da enzima ß-galactosidase. A maioria das bactérias do grupo coliforme pertence aos gêneros Escherichia, Citrobacter, Klebsiella e Enterobacter, embora vários outros gêneros e espécies pertençam ao grupo. Todos esses gêneros pertencem a família Enterobacteriaceae. O principal gênero dessa família é a Escherichia. Ela se destaca por ser o gênero do grupo coliforme de origem exclusivamente fecal. Os demais podem ser encontrados também no solo e na vegetação (PELCZAR, 2006). Segundo Sanches (1996) o grupo coliforme pode ser dividido em dois subgrupos: totais e termotolerantes. A diferença básica entre esses dois grupos é observada através dos meios de cultura distintos e de temperaturas. I . Coliformes totais Esse grupo inclui gêneros que não são de origem exclusivamente fecal. No laboratório, a confirmação da presença de coliformes totais é realizada através de meios de cultura diferenciais, encubados sob determinadas temperaturas (PELCZAR, 1996). II. Coliformes termotolerantes É um subgrupo das bactérias do grupo coliforme que fermentam lactose a 44,5 ± 0,2°C, em 24 horas, tendo como principal representante a Escherichia coli, de origem exclusivamente fecal (MS, PORTARIA N° 518/2004). II.A Escherichia coli Escherichia coli é uma bactéria do grupo coliforme que fermenta lactose e manitol, com produção de ácido e gás a 44,5 ± 0,2ºC em 24-48 horas, produz indol a partir do triptofano, é oxidase negativa, não hidrolisa a uréia e apresenta atividade das enzimas ß-galactosidase e ß-glucoronidase, sendo considerada o mais específico Página 25 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... indicador de contaminação fecal recente e de eventual presença de organismos patogênicos (MS, PORTARIA N.°518/2004). Diversas linhagens são comprovadamente patogênicas para o homem e para animais. A presença de E.coli na água indica contaminação microbiana de origem fecal, já que essa bactéria é a espécie predominante na microbiota intestinal de animais de sangue quente (HOBBS, ROBERTS 1992; FRANCO, 1996). 2.2.2 Contagem de bactérias heterotróficas Reveste-se de importância, muitas vezes, a determinação do número de colônias em placa, também chamada contagem padrão em placa (n° de colônias com crescimento em placa de Petri contendo meio agar-nutritivo-glicosado), incubados em aerobiose a 35º, durante 48hs. (CALAZANS et al., 2004) De acordo com o inciso IX da Portaria 518 do Ministério da Saúde, a contagem de bactérias heterotróficas é a determinação da densidade de bactérias que são capazes de produzir unidades de formadores de colônias (UFC), na presença de compostos orgânicos contidos em meio de cultura apropriado, sob condições pré-existentes de incubação. Sua finalidade é diagnosticar a higienização da amostra de água. 2.3 Legislação vigente O capítulo IV, Art. 11 da Portaria 518 do Ministério da Saúde de 25 de março de 2004 (ANEXO 01) estabelece os parâmetros microbiológicos para que uma amostra de água seja considerada potável: 1. Água para consumo humano – ausência de Escherichia coli ou coliformes termotolerantes em 100 mL. 2. Água na saída do tratamento – ausência de coliformes totais em 100 mL. 3. Água tratada no sistema de distribuição (reservatórios e rede) – ausência de Echerichia coli ou coliformes termotolerantes em 100mL. Página 26 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 2.4 Ensaio presuntivo É uma primeira etapa do processo de pesquisa de bactérias em algumas técnicas. O meio de cultura utilizado na técnica P/A (Fig. 04) é o caldo lactosado, podendo ou não conter um indicador, como o caldo lauril triptose, que contém o indicador de Andrade ou púrpura de bromocresol. O princípio desse ensaio é a fermentação da lactose pelo grupo coliforme (CALAZANS et al., 2004). Figura 04: Frasco com caldo P/A. O uso do meio caldo lactosado no ensaio presuntivo da técnica P/A serve para constatar a presença de bactérias fermentadoras de lactose através de turvação e acidificação do meio (Fig. 05), e produção de gás ficando retido pelo Tubo de Durham. Excluindo da pesquisa todas as bactérias que não fermentam lactose. Figura 05: Ensaio presuntivo positivo para coliformes totais. Página 27 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 2.5 Ensaio confirmativo O ensaio presuntivo, não indica necessariamente a presença de coliformes. Alguns germes da flora normal do solo, principalmente bacilos esporulados Grampositivos anaeróbios do gênero Clostridium são capazes de fermentar a lactose com produção de gases. Também a ação sinérgica de duas espécies diferentes pode resultar no aparecimento de gases. Nesta hipótese, uma das espécies seria capaz de hidrolisar a lactose, liberando glicose e galactose; e a glicose, por ser um açúcar facilmente fermentescível, acabaria sendo atacada pela segunda espécie (CALAZANS et al., 2004). Assim, o ensaio confirmativo tem a finalidade de afastar essas duas possibilidades. Baseia-se no emprego de meios nos quais apenas as bactérias Grampositivas são inibidas. Podem ser usados meio líquidos (caldo lactosado adicionado ou de verde brilhante – Fig. 06, ou de fucsina ou de cristal violeta, com ou sem sais biliares) ou meios sólidos como EMB, Endo, MacConkey, entre outros (CALAZANS et al., 2004). Figura 06: Tubos contendo o meio CLVBB para ensaio confirmativo de coliformes totais. Para confirmação de coliformes termotolerantes, utiliza-se o meio EC (Fig. 07) a uma temperatura de incubação de 44,5°C + 0,2. O meio utiliza a lactose como substrato da fermentação. Os sais biliares inibem o crescimento de bactérias Gram-positivas ou outros não adaptados ao ambiente intestinal e favorece o crescimento de E. coli Outros coliformes não fecais também podem crescer no meio, mas a maioria não produz gás (MICROBIOLOGY MANUAL, 1996). Página 28 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Figura 07: Tubos contendo o meio EC para pesquisa de coliformes termotolerantes. 2.6 Método da fermentação em P/A (Presença e Ausência) É uma modificação simplificada do ensaio presuntivo da técnica dos tubos múltiplos TTM onde se utiliza um maior volume da amostra (100mL) e 50mL de meio P-A com concentração tripla, para obter informações sobre a presença de coliformes. (CALAZANS et al., 2004) O teste P/A não é um método quantitativo, é apenas qualitativo. O princípio do método baseia-se no mesmo principio da técnica dos tubos múltiplos, a diferença entre eles é a presença do indicador de pH púrpura de bromocresol, para visualização da acidificação do meio, no caldo P/A. Página 29 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 2.7 Trabalhos que visaram pesquisar a qualidade da água no ambiente escolar Trabalho realizado entre outubro de 2001 e setembro de 2002 na UFPE teve a finalidade de analisar a qualidade bacteriológica da água de poços e redes de abastecimento de diferentes escolas públicas selecionadas aleatoriamente na periferia da UFPE. Foram analisadas um total de 20 escolas, do qual 35% apresentaram contaminação de sua amostra de água por coliformes totais e/ou termotolerantes. Das sete escolas que apresentaram água não potável, três demonstraram contaminação da sua amostra de água por bactérias do grupo coliforme fecal (MOURA et al., 2002). Pereira et al., (2007) avaliaram a qualidade bacteriológica do Centro de Formação Patativa do Assaré que funciona na antiga Escola Agrícola de Ceará-Mirim. A partir dos resultados, observaram que 100% das amostras de água doce e salobra apresentaram contaminação por coliformes totais. Na água doce observaram presença de coliformes totais em 33,4% dos casos e na salobra não foi encontrada nenhuma bactéria de origem exclusivamente fecal. Zeferino & Santana (2007) realizou um estudo sobre a qualidade das águas subterrâneas envolvendo 40 escolas da rede estadual de ensino na capital do Amazonas. Os resultados físico-químicos demonstraram que a água consumida em todas as 40 escolas está de acordo com o padrão do Ministério da Saúde, exceto ao teor de Fe cujo nível é praticamente alterado em todas as seis zonas geográficas de Manaus. Coliformes totais foram encontradas em 25 a 60% indicando contaminação bacteriológica. Em quase todas as zonas foram encontrados coliformes termotolerantes de 25% a 40%, exceto na zona Oeste. Cardoso et al. (2007) avaliou a qualidade da água utilizada em escolas públicas atendidas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolas (PNAE), em Salvador-BA. Oitenta e três unidades escolares foram investigadas quanto à qualidade microbiológica da água, incluindo 49 municipais e 34 estaduais. Apesar de todas as escolas receberem água do sistema de abastecimento público, em 32% e 22% das amostras colhidas, respectivamente, nas escolas estaduais e municipais, observou-se não conformidade com a legislação vigente. Página 30 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 3.0 OBJETIVOS 3.1 Objetivos gerais O objetivo desse trabalho foi avaliar parâmetros bacteriológicos, de acordo com a Portaria 518 de 25 de março de 2004 do Ministério da Saúde, a qualidade de água consumida em escolas públicas da cidade de Olinda-PE. Realizar uma pesquisa sobre a educação ambiental englobando as doenças que podem ser transmitidas através da água, seu reuso e tratamento de acordo com a concepção dos alunos no ambiente escolar. 3.2 Objetivos específicos 3.2.1 Pesquisar a presença de coliformes totais e termotolerantes nas águas de consumo de escolas públicas de Olinda, utilizando a técnica da Presença-Ausência (P/A). 3.2.2 Realizar estudos sobre os cuidados que as escolas possuem com a qualidade da água através da aplicação de questionário. 3.2.3 Realizar uma pesquisa, junto aos alunos, sobre a reutilização da água e conscientização sobre o risco de escassez futura - através da aplicação de questionário. Para efeito de comparação com as escolas de Olinda (públicas e privadas), localizada na região litorânea e próxima a capital do estado, foi realizada a mesma pesquisa envolvendo duas escolas públicas no sertão de Pernambuco – no município de Tuparetama, situado a 377 Km do Recife. 3.2.4 Conscientização das comunidades escolares sobre os cuidados com a qualidade da água bem como os perigos que a mesma, estando contaminada pode oferecer, através de palestras e cartilhas. Devido ao valor histórico, cultural e ambiental que Olinda possui diante do país é importante realizar trabalhos que visem avaliar a qualidade da potabilidade da água bem como estudar a concepção e compreensão das pessoas, principalmente as crianças, sobre a educação ambiental. Página 31 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 4.0 MATERIAL E MÉTODOS Dezesseis escolas da cidade de Olinda tiveram suas águas avaliadas sob o ponto de vista bacteriológico. Para confirmar que esse trabalho pudesse obter uma maior abrangência, as escolas públicas participantes foram selecionadas de dezesseis bairros diferentes do município. O questionário de Educação Ambiental foi aplicado em uma escola pública e duas privadas da mesma cidade. Este foi aplicado também, para efeito de comparação, em duas escolas públicas pertencentes à cidade de Tuparetama – Sertão de Pernambuco. 4.1 Procedimentos de coleta Um procedimento adequado para coletas de água é fundamental para que se possa ter confiabilidade e segurança nos resultados obtidos. Por isso, é importante adotar-se um protocolo seguro com a finalidade de impedir qualquer contaminação bacteriológica externa e evitar erros por troca de amostras. O protocolo utilizado (CALAZANS et al., 2004 – ANEXO 02) possui diversos dados importantes sobre a amostra, sendo eles: nome da escola, endereço, ponto de coleta, pH, temperatura, data e hora da coleta. As amostras foram coletadas em frascos de plástico estéreis (Figura 08), de tampa rosqueada e com capacidade de aproximadamente 250mL. Antes da coleta, os frascos eram devidamente lavados e secados. Em seguida, eram adicionados a eles 0,1ml de uma solução a 10% de tiossulfato de sódio, que neste teor não tem qualquer ação nociva aos germes porventura existentes. A adição de tiossulfato a essa concentração, tem como finalidade impedir a ação do cloro residual que possa existir na amostra, evitando assim resultados errôneos. Os frascos eram devidamente etiquetados da seguinte forma: as dezesseis escolas foram nomeadas com a letra E, seguida de uma numeração de acordo com a ordem da coleta. Página 32 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Figura 08: Frasco de coleta de água Após obtida autorização escrita dos responsáveis pela escola, foi feita a coleta de água, em geral, em bebedouros. Em algumas escolas onde não havia bebedouros, a água coletada foi da torneira da cozinhas onde se prepara a merenda. A desinfecção da torneira ou bebedouro nos locais de coleta foi realizado com solução de álcool etílico a 70%. Em nenhum caso foi usada a flambagem, pois alguns funcionários se assustaram com esse ato. Após a abertura da torneira, deixava-se a água correr por aproximadamente 3 minutos. Após isso era feita a desinfecção do local com o álcool. Deixava-se a água escorrer por mais 2 minutos e só após todas essas etapas, era realizada a coleta. As amostras de águas foram analisadas quanto à presença de bactérias dos grupos coliformes totais e fecais e quanto à quantidade de bactérias heterotróficas (UFC/mL). As amostras foram levadas para o Laboratório de Processos Fermentativos, do Departamento de Antibióticos da Universidade Federal de Pernambuco, dentro de um prazo limite de 2 horas e logo foram incubadas nos respectivos meios. I . Técnica de Presença – Ausência (P/A) No recipiente de vidro de Schott Duran contendo 50 ml de meio P-A (Quadro 02) com concentração tripla e com um tubo de Durhan invertido, foram adicionados 100 ml da amostra. Incubou-se a 35° por 24-48h para realização da leitura final do teste. Página 33 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Após este período, se positivo, havia produção de gás com modificação da cor e turvação do meio. Se positivo, realizar-se-ia o teste de diferenciação de totais e de termotolerantes utilizando os meios caldo lactosado verde brilhante bile - incubação a 35°C (Quadro 03) e este, se positivo, fazia-se o teste de termotolerante em meio EC - incubação a 44,5°C ± 0,2 (Quadro 04). O primeiro era incubado entre 24 – 48 horas e o segundo era incubado com 24 horas. A presença de gás em cada um destes meios indica positividade para coliformes totais e termotolerantes (fecais), respectivamente. II. Contagem de Bactérias Heterotróficas Para a preparação desta etapa do trabalho, as placas de Petri que seriam usadas durante os procedimentos foram esterilizadas numa estufa a 180ºC por aproximadamente 1 hora e 50 minutos. Com o uso de uma pipeta automática (Fig. 09) e ponteiras estéreis foram inoculadas alíquotas de 1,0ml e 0,1ml; ambas em triplicata (para cada amostra) em placas de Petri também estéreis. Em seguida, foram adicionados 12ml de meio Agar para a Contagem Padrão (PCA) (Quadro 05). Cada placa era agitada em movimentos circulares nos dois sentidos, através da técnica de “pour plate”. Os meios foram deixados solidificar e foram levados à estufa a 35ºC, durante 48 horas. Figura 09: Pipeta automática Página 34 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Depois desse período de incubação, as placas foram examinadas com o auxílio de aparelho contador de colônias (Fig. 10) e as colônias foram quantificadas. Figura 10: Aparelho contador de colônias É importante mencionar que, após a obtenção do valor da contagem de colônias de cada placa, houve uma correção desse resultado multiplicando o número de colônias em cada placa pela sua diluição correspondente. A unidade expressa nessa análise é unidade formadora de colônia por mL (UFC/mL). Página 35 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Quadro 02: Composição do caldo P.A. (Concentração tripla) Caldo lactosado 39,5g Caldo lauril triptose (meio desidratado) 52,5g Púrpra de bromocresol 0,0255g Água destilada 1000ml pH= 6,8 +/- 0,2 Quadro 03: Composição do meio Caldo lactosado verde brilhante bile - CLVBB Peptona 10g Lactose 10g Bile de boi ou sais biliares 20g Verde brilhante 0,0133g pH= 7,2 Quadro 04: Composição do meio E.C. Triptose, tripticase ou peptona caseína Lactose Mistura de sais biliares (n3) ou Mistura de bile de boi K2HPO4 K2H2PO4 NaCl Água destilada pH= 6,9 Quadro 05: Composição do meio PCA Peptona ou triptona 20g 5g 1,5g 2g 4g 1,5g 5g 1000ml 5,0g Extrato de levedura 2,5g Glicose 1,0g Agar 15g Água destilada 1000ml pH=7,0 Página 36 Lima, B.J.L.A. 4.2 Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Criação do questionário – Educação Ambiental 01 Esta etapa desse trabalho foi baseada no trabalho de Tese de Doutorado de Maria Deolinda da Silva Faria Machado – “Uso sustentável da água: atividades experimentais para a promoção e educação ambiental no ensino médio/Universidade do Minho-Portugal/2006.” A construção do questionário com quatro perguntas teve por objetivo fundamental a abordagem do ciclo do uso da água. Na seleção de perguntas, procurou-se incidir nos pontos mais significativos do ciclo do uso da água: captação, descarga, utilidade e natureza. As perguntas utilizadas para diagnosticar as concepções dos alunos, neste estudo, foram criteriosamente selecionadas quanto aos objetivos pretendidos e à adequação da linguagem usada na sua formulação. Os alunos receberam as questões num papel ofício A4 (ANEXO 03). Havia um espaço, em branco, caso eles preferissem desenhar ao invés de escrever ou não tivessem escolaridade suficiente para se expressar por escrito. Esse questionário foi aplicado aos alunos pertencentes às classes do 1.º ano ao 5.º ano do Ensino Fundamental. 4.2.1 Aplicação do questionário Os questionários foram aplicados a 60 alunos de escolas públicas de Tuparetama - sertão de Pernambuco, 80 alunos de escolas privadas de Olinda e mais 50 alunos de escolas públicas da mesma cidade. Antes da distribuição do questionário era feita uma explanação das questões com palavras simples para que os alunos entendessem o significado de cada pergunta e as alternativas de respostas. 4.2.2 Categorização das respostas Para o tratamento dos resultados obtidos nos questionários recorreu-se à análise dos desenhos expressos nas repostas dos alunos. As respostas dos alunos foram agrupadas nas categorias determinadas para cada uma das questões colocadas: Para a pergunta 1 – “De onde vem a água que sai na torneira da sua casa?” foram estabelecidas quatro categorias: 1) Canos 2) Depósito Página 37 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 3) Origem natural 4) Poço Para a pergunta 2 – “Como chega a água às torneiras da sua casa?” foram estabelecidas três categorias: 1) Tubo ou cano (T/C) 2) Tubo ou cano sem ligação (TCSL) 3) Tubo ou cano com ligação (TCCL) Para a pergunta 3 – “Quais os usos que você dá a água na sua casa?” foram estabelecidas seis categorias: 1) Higiene pessoal (HP) 2) Higiene doméstica (HD) 3) Alimentação humana (AH) 4) Alimentação animal (AA) 5) Jardinagem (J) 6) Lazer e outros (L) Para a pergunta 4 – “Para onde vai a água depois de ser usada por você?” foram estabelecidas três categorias: 1) saneamento básico (SB) 2) descarga a céu aberto (DCA) 3) fossa (F) 4.3 Criação do questionário – Educação Ambiental 02 O questionário constava de uma gravura com mais cinco perguntas (ANEXO 04). Nesta gravura explicitou-se a degradação do meio ambiente, em especial a de um curso de água. As cinco perguntas eram referentes a esta gravura e buscava-se entender a concepção dos alunos sobre o reuso da água, contaminação dos lençóis freáticos, e possíveis doenças de veiculação hídrica. Página 38 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... As perguntas do questionário relacionadas com a gravura buscando entender a compreensão dos alunos sobre o tema, foram as seguintes: 1. Olhe para a paisagem da gravura. Se você estivesse com calor, você poderia beber água deste rio? Por que? 2. Você acredita que pode beber a água do poço representado na gravura? Por que? 3. Você acha que a água deste rio pode ser usada para se fazer alguma coisa com ela? 4. Você acha que pode contrair alguma doença através da água? 5. Você conhece alguma doença que pode ser transmitida através da água? Qual? 4.3.1 Aplicação do questionário Os questionários foram aplicados a 60 alunos de escolas públicas de Tuparetama - sertão de Pernambuco, 80 alunos de escolas privadas de Olinda e mais 50 alunos de escolas públicas da mesma cidade. 4.3.2 Categorização das respostas Para manter a originalidade das respostas dadas pelos alunos, não foram criados previamente grupos de categorias para as possíveis respostas dadas. As respostas mais comuns foram agrupadas e apresentadas em gráficos. Página 39 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 5.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 Análise bacteriológica da água consumida em escolas Os resultados de todas as análises são apresentados no Quadro 06. Das dezesseis escolas analisadas, cinco apresentaram contaminação por coliformes totais. Destas, três escolas apresentaram contaminação por coliformes termotolerantes. Seis escolas apresentaram uma contagem de bactérias heterotróficas muito elevada, acima do recomendável pela Portaria 518 do Ministério da Saúde (500 UFC/ml). A presença de coliformes termotolerantes é indício de que houve contaminação fecal recente e isso é um fator preocupante. Uma vez que no ambiente escolar se encontram muitas crianças com seu sistema imune ainda não completamente desenvolvido, esse tipo de contaminação pode causar sérios danos à saúde de vários alunos. Apesar de em boa parte das escolas o abastecimento de água vir da Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), observou-se a presença de coliformes totais em algumas amostras. Isso pode ser devido à incorreta higienização de caixas d’água, problemas na tubulação ou ambos. A incorreta condição de armazenamento da água em cisternas com posterior utilização também é um sério fator de risco. Paralelamente à análise microbiológica das amostras, foi aplicado um questionário nas escolas estudadas, para se avaliar o controle da qualidade da água usada em cada escola. O questionário aplicado consistia de seis perguntas acerca dos cuidados que as escolas tinham com a água utilizada. As escolas E-04 e E-07 não responderam a terceira questão do questionário por motivos não justificados. As respostas das três primeiras perguntas estão resumidas no Quadro 07. Página 40 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Quadro 06: Resultados das análises bacteriológicas das águas colhidas nas escolas participantes do estudo. RESULTADOS DAS ANÁLISES Escolas Coliformes Coliformes Contagem de públicas de totais termotolerantes heterotróficos Olinda Conclusão (em UFC/ml) E-01 Ausente Negativo 70 Potável E-02 Ausente Negativo 100 Potável E-03 Ausente Negativo 9 Potável E-04 Presente Presente 7850 Não potável E-05 Ausente Negativo 29 Potável E-06 Ausente Negativo 1280 Potável E-07 Ausente Negativo 450 Potável E-08 Ausente Negativo 30 Potável E-09 Ausente Negativo 67 Potável E-10 Ausente Negativo 30 Potável E-11 Presente Negativo 2860 Não potável E-12 Presente Presente 13.393 Não potável E-13 Presente Negativo 59 Potável E-14 Ausente Negativo 89 Potável E-15 Ausente Negativo 12.126 Potável E-16 Presente Positivo 3.663 Não potável Página 41 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Pergunta 1: A escola possui alguma orientação ou campanha para cuidados com a água? Caso sim, quem orienta? Pergunta 2: A escola costuma realizar análise da água consumida? Se positivo, com que freqüência? Pergunta 3: A escola usa algum método ou equipamento para tratar a água antes do uso? Caso positivo, qual método/equipamento? Quadro 07: Respostas das três primeiras perguntas do questionário Escola Pergunta 1 Pergunta 2 Pergunta 3 E-01 Sim, Vigilância Sanitária Sim, semestralmente Não E-02 Sim, Vigilância Sanitária Sim, semestralmente Não E-03 Sim, Vigilância Sanitária Sim, semestralmente Não E-04* Não SEM RESPOSTA Não E-05 Não Sim, anualmente Não E-06 Não Não Não E-07 Não Sem resposta Não E-08 Sim, professores Sim Não E-09 Sim, Secretaria de Saúde Sim Não E-10 Sim, Secretaria de Saúde Não Sim, hipoclorito de sódio E-11* Sim, Secretaria de Saúde Não Não E-12* Não Não Não E-13* Sim, Secretaria de Saúde Sim, anualmente Não E-14 Não Sim Sim E-15 Sim, Secretaria de Saúde Sim Sim, cloro E-16* Sim, Secretaria de Saúde Sim Sim, cloro (*) Escolas com água não potável do ponto de vista bacteriológico. Página 42 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Na resposta ao questionário, as escolas E-01, E-02 e E-03 disseram que quem cuida do controle e qualidade da água é a Vigilância Sanitária. As escolas E-09, E-10, E-11, E-13, E-15 e E-16 informaram que a Secretaria de Saúde é responsável pelos cuidados com a água. A escola E-08 informou que os seus próprios professores realizam campanha para cuidados com a água. As escolas E-01, E-02 e E-03 disseram que realizam análise da água consumida a cada seis meses. Já as escolas E-05 e E-13 informaram que costumam realizar análise bacteriológica anualmente. As escolas E-08, E-09, E-14, E-15 e E-16 não informaram a freqüência com que realizam análise da água. As escolas E-06, E-10, E-11 e E-12 não informaram que não realizam análise da água. As escolas E-04 e E-07 não responderam se realizam esse tipo de acompanhamento, nem com que freqüência. As escolas E-10, E-15 e E-16 afirmaram tratar a água de seus reservatórios com hipoclorito de sódio. A escola E-14 não soube dizer qual método é utilizado. As demais não utilizam nenhum método de tratamento de água. Pergunta 4: Quantos reservatórios a escola possui? Pergunta 5: Com que freqüência os reservatórios são lavados? Quem realiza o procedimento de lavagem? Pergunta 6: Pergunta 7: Qual a(s) fonte(s) de água da escola? As respostas 4,5 e 6 estão resumidas no Quadro 08. Página 43 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Quadro 08: Respostas das perguntas 4,5 e 6 do questionário. Escola Pergunta 4 Pergunta 5 Pergunta 6 E-01 2 Semestral, funcionários COMPESA E-02 2 Anualmente, COMPESA funcionários E-03 2 Anualmente, COMPESA funcionários E-04* SEM RESPOSTA SEM RESPOSTA COMPESA E-05 3 SEM RESPOSTA COMPESA E-06 3 Anualmente, COMPESA funcionários E-07 SEM RESPOSTA SEM RESPOSTA COMPESA E-08 3 SEM RESPOSTA COMPESA E-09 2 Anualmente, COMPESA funcionários E-10 2 Semestralmente, COMPESA funcionários E-11* 2 Anualmente, COMPESA funcionários E-12* 2 SEM RESPOSTA COMPESA E-13* 1 SEM RESPOSTA COMPESA E-14 3 SEM RESPOSTA COMPESA E-15 2 SEM RESPOSTA COMPESA E-16* 1 SEM RESPOSTA COMPESA (*) Escolas com água não potável do ponto de vista bacteriológico. Página 44 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... O número de reservatórios também foi questionado às escolas. As escolas E-04 e E-07 não responderam a essa pergunta no questionário. A grande maioria das escolas afirmou possuir pelo menos dois tipos de reservatório predominantemente caixas d’água. Em seis escolas, é encontrada uma cisterna, onde a água é bombeada da cisterna para a caixa d’água. Da caixa d’água, a água segue pelo encanamento para abastecer a escola. As escolas E-04, E-05, E-07, E-08, E-12, E-13, E-14, E-15 e E -16 não responderam quem realiza o procedimento de limpeza dos reservatórios de água (Quadro 08). As escolas E-02, E-03, E-06, E-09 e E-11 disseram que, anualmente, seus próprios funcionários fazem a limpeza dos reservatórios de água. Por sua vez, também são os funcionários que realizam esse mesmo procedimento nas escolas E-01 e E-10, porém com freqüência semestral. De acordo com a última pergunta do questionário, constata-se em sua totalidade que a fonte das águas consumidas nas dezesseis escolas é a COMPESA. Das 16 escolas estudadas, cinco (E-04, E-11, E-12, E-13 e E-16) apresentaram contaminação por coliformes totais, o que significa dizer que 31,2% das escolas apresentaram suas águas em desacordo com a Portaria 518/04 do Ministério da Saúde. Dessas cinco, três apresentaram também contaminação por coliformes termotolerantes, o que equivale dizer que aproximadamente 18,7% das dezesseis escolas participantes desse estudo apresentam contaminação por coliformes totais e termotolerantes. As seis escolas (E-04, E-05, E-06, E-07, E-12 e E-14), equivalendo a 37,5%, que afirmaram não possuir orientação para cuidados com a água também apresentaram contaminação por coliformes totais, sendo que três delas (18,7%), apresentaram contaminação por coliformes termotolerantes. Dez das quatorze escolas (71,4%) que responderam o questionário (Quadro 07) afirmaram realizar análise de suas águas com certa freqüência. Destas, duas delas (14,2%) apresentaram contaminação por coliformes totais e uma delas (7,1%) por contaminação também de coliformes termotolerantes. Das quatro escolas que afirmaram não realizar análise da água (28,6%) duas delas (14,2%) apresentaram contaminação por coliformes totais, sendo uma delas (7,14%) também apresentou contaminação por coliformes termotolerantes (Quadros 06 e 07). Página 45 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Quatro das dezesseis escolas (25,0%) disseram que utilizam algum tipo de tratamento da água antes de consumi-la e apenas uma (6,2%) apresentou contaminação por coliformes totais e termotolerantes (Quadros 06 e 07). Uma apresentou contaminação apenas por coliformes totais. Das doze que não utilizam algum tipo de tratamento suplementar da água antes do uso (75,0%), quatro escolas (25,0%) apresentaram contaminação por coliformes totais, sendo que duas delas (12,5%), também apresentaram contaminação por coliformes termotolerantes. No Quadro 08, observa-se que das sete escolas que disseram realizar limpeza de seus reservatórios de água com certa freqüência semestral ou anual, uma escola (E-11) apresentou contaminação por coliformes totais, entretanto, não apresentou contaminação por coliformes termotolerantes (Quadro 06). Um elevado número de escolas não responderam a essa pergunta no questionário aplicado, por motivos não justificados. 5.2 Questionário aplicado sobre Educação Ambiental 01 e 02. * Educação Ambiental 01 Os resultados obtidos na pergunta 1, formulada no questionário: “De onde vem a água que sai na torneira da sua casa?”, foram agrupados em quatro categorias: 1) Canos, 2) Depósitos, 3) Origem natural e, 4) Poço. As figuras de 11 a 14 ilustram as respostas dadas pelos alunos. Figura 11: Desenho ilustrando a categoria cano. Autor:Patrícia, 8 anos – Escola pública de Olinda Página 46 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Figura 12: Desenho ilustrando a categoria depósito. Autor: Lívia, 8 anos – Escola pública do sertão Figura 13: Desenho ilustrando a categoria origem natural. Autor: Raimundo, 10 anos – Escola pública de Olinda. Figura 14: Desenho ilustrando a categoria poço. Autor: Juliana, 9 anos – Escola pública de Olinda. Página 47 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 5.2.1 Resultados da pergunta 1 Os resultados obtidos pelos alunos de escolas públicas do sertão de Pernambuco e de escolas privadas e públicas de Olinda à pergunta 1, “De onde vem a água que sai na torneira da sua casa?”, estão distribuídos nas figuras de 15 a 17. Para 51,8% dos alunos das escolas públicas do sertão, o depósito é o ponto de origem da água utilizada para consumo. Cerca de 32,3% dos alunos atribuem a água que usam vir de origem natural e 15,4% apontam o poço como sendo origem da água e apenas 1,1% indicam os canos como sendo o ponto de origem (Fig. 15). Os alunos de escolas privadas de Olinda indicam os canos como sendo o ponto de captação mais freqüente (66,2%), seguido de poço (16,2%), depósito (12,5%) e cerca de 5,0% dos alunos indicaram a origem natural (Fig. 16). P ercentual das respostas (%) Pergunta 1 - "De onde vem a água que sai na torneira da sua casa?" 100 80 60 40 20 0 CANOS DEPÓSITO ORIGEM NATURAL POÇO origem da água Figura 15: Gráfico de respostas dos alunos do sertão à primeira questão do questionário de Educação ambiental 01. Figura 16: Gráfico de respostas dos alunos de escolas privadas de Olinda à primeira questão do questionário de Educação ambiental 01. Os alunos de escolas públicas de Olinda indicaram a origem natural (42,0%) como sendo o ponto de captação mais freqüente, seguido de canos (28,0%), depósito (20,0%) e poço (10,0%) (Fig. 17). Página 48 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Percentual de respostas (%) Pergunta 1 - "De onde vem a água que sai na torneira da sua casa?" 100 80 60 40 20 0 CANOS DEPÓSITO ORIGEM NATURAL POÇO origem da água Figura 17: Gráfico de respostas dos alunos de escolas públicas de Olinda à primeira questão do questionário de Educação ambiental 01. De acordo com as diferentes concepções das crianças (Fig. 18), pode-se observar que as respostas dos alunos do sertão sobre a origem da água ser o “depósito”, pode ser entendida pelo fato de em épocas de pouca chuva, o volume do importante rio da região, o rio Pajeú, diminuir e conseqüentemente a população necessitar armazenar a água em depósitos. Além disso, nessa região o número de residências com água encanada é muito baixo. Pergunta 1 - "De onde vem a água que sai na torneira da sua casa?" Percentual das respostas (%) 100 80 SERTÃO PRIVADAS PÚBLICA 60 40 20 0 CANOS DEPÓSITO ORIGEM NATURAL POÇO origem da água Figura 18: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à primeira questão do questionário – “De onde vem a água que sai na torneira da sua casa?” Página 49 Lima, B.J.L.A. 5.2.2 Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Resultados da pergunta 2 As respostas dadas pelos alunos à pergunta 2, “Como chega a água às torneiras da sua casa?”, foram agrupadas em três categorias: 1) Tubo ou cano, 2) Tubo ou cano sem ligação, 3) Tubo ou cano com ligação. As figuras de 19 a 21 ilustram alguma das respostas dadas pelos alunos. Figura 19: Desenho ilustrando a categoria Cano ou tubo. Autor: Renato, 11 anos – Escola pública do sertão. Figura 20: Desenho ilustrando a categoria Cano ou tubo sem ligação. Autor: Lorena, 7 anos – Escola privada de Olinda. Figura 21: Desenho ilustrando a categoria Tubo ou cano com ligação. Autor: Júlio, 7 anos – Escola privada de Olinda. Página 50 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Os alunos do sertão indicaram o cano (60%) como principal meio pelo qual a água chega às torneiras da casa deles, seguida de cano ou tubo com ligação (18%) e cano ou tubo sem ligação (12%). Cerca de 8% dos alunos do sertão responderam transportes manuais, como por exemplo, baldes (Fig. 22). Os alunos de escolas privadas de Olinda indicaram os canos (60%) como principal meio pelo qual a água chega às torneiras da casa deles, seguido de cano com ligação (35%) e cano sem ligação (5%) (Fig. 23). Os alunos de escolas públicas de Olinda indicam os canos (48%) como principal meio condutor da água até a residência deles, seguido de cano sem ligação (30%) e canos com ligação (22%) (Fig. 24). Figura 22: Gráfico de respostas dos alunos do sertão à segunda questão do questionário de Educação ambiental 01. Figura 23: Gráfico de respostas dos alunos de escolas privadas de Olinda à segunda questão do questionário de Educação ambiental 01. Página 51 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Figura 24: Gráfico de respostas dos alunos de escolas públicas de Olinda à segunda questão do questionário de Educação ambiental 01. De acordo com as concepções das crianças, pode-se observar que tanto os alunos de escolas públicas do sertão, como os alunos das escolas públicas e privadas de Olinda indicaram os canos ou tubos como principal meio de abastecimento de suas casas (Fig. 25). Figura 25: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à segunda questão do questionário – “Como chega a água ás torneiras da sua casa?” Página 52 Lima, B.J.L.A. 5.2.3 Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Resultados da pergunta 3 As respostas dadas pelos alunos à pergunta 3 “Quais os usos que você dá a água na sua casa?”, foram agrupadas em seis categorias: 1) Higiene pessoal (HP), 2) Higiene doméstica (HD), 3) Alimentação humana (AH), 4) Alimentação animal (AA), 5) Jardinagem (J), e 6) Lazer e outros (L). As figuras de 26 a 31 ilustram as respostadas dadas pelos alunos. Figura 26: Desenho ilustrando a categoria Higiene pessoal Autor: Carolina, 7 anos – Escola pública do sertão. Figura 27: Desenho ilustrando a categoria Higiene doméstica. Autor: Maria, 9 anos – Escola pública do Olinda. Figura 28: Desenho ilustrando a categoria Alimentação humana. Autor: Kauã,, 8 anos – Escola privada de Olinda.. Página 53 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Figura 30: Desenho ilustrando a categoria Jardinagem. Autor: Pedro, 8 anos – Escola privada de Olinda. Figura 31: Desenho ilustrando a categoria Lazer. Autor: Vitor, 9 anos – Escola privada de Olinda. Os alunos do sertão indicam a higiene doméstica como principal utilidade da água (40,3%), seguido de higiene pessoal (33,7%). A categoria alimentação animal e lazer não foram citados. A categoria jardinagem, apesar de ser citada, não atingiu sequer 1% do total de respostas (Fig. 32). Os alunos das escolas privadas de Olinda indicaram a higiene pessoal como principal utilidade da água (53,7%), seguido de higiene doméstica (21,2%), alimentação humana (18,7%). A categoria alimentação animal e jardinagem não foram citadas. A categoria lazer atingiu 6,2% (Fig. 33). Figura 32: Gráfico de respostas dos alunos do sertão a terceira pergunta do questionário de Educação ambiental 01. Página 54 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Figura 33: Gráfico de respostas dos alunos de escolas privadas de Olinda a terceira pergunta do questionário de Educação ambiental 01. De acordo com as respostas obtidas dos alunos de escolas públicas de Olinda a categoria alimentação humana representa 52,5%do uso da água na concepção dos alunos, sendo a principal utilidade da água. Seguida de higiene pessoal (15%), higiene doméstica (12,5%), alimentação animal (10,0%), jardinagem (7,5%) e por último a categoria lazer (2,5%) (Fig. 34). Figura 34: Gráfico de respostas dos alunos de escola pública de Olinda a terceira pergunta do questionário de Educação ambiental 01. Página 55 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... De acordo com as concepções das crianças, pode-se observar que enquanto os alunos do sertão indicaram a higiene doméstica como principal utilidade da água, os alunos de escolas privas de Olinda indicaram a higiene pessoal. E os alunos de escolas publicas de Olinda indicaram a categoria alimentação humana (Fig. 35) 100 80 60 40 20 0 SERTÃO PRIVADAS DE OLINDA PÚBLICAS DE OLINDA Hi g ie ne Hi pe gi ss en oa e l d om Al im é st en ic ta a çã Al hu im m en an ta a çã o an im al Ja rd in ag La em ze re ou tr o s Percentual das respostas (%) Pergunta 3 - "Quais os usos que você dá a água na sua casa?" Utilidades Figura 35: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à terceira questão do questionário – “Quais os usos que você dá a água na sua casa?” De acordo com as respostas dos alunos, pode-se observar que são atividades que normalmente se aprende na escola. 5.2.4 Resultados da pergunta 4 As respostas à pergunta 4, “Para onde vai a água depois de ser usada por você?”, foram agrupadas em três categorias de respostas: 1) saneamento básico (SB), 2) descarga a céu aberto (DCA), 3) fossa (F). As figuras de 36 a 38 são uma ilustração das respostas dadas pelos alunos e expressam a categorização citada. Página 56 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Figura 36: Desenho ilustrando a categoria Saneamento básico. Autor: Cecília, 7 anos – Escola pública de Olinda. Figura 37: Desenho ilustrando a categoria Descarga a céu aberto. Autor: Silvana, 9 anos – Escola pública do sertão. Figura 38: Desenho ilustrando a categoria Saneamento básico. Autor: Marina, 8 anos – Escola privada de Olinda. Os alunos do Sertão de Pernambuco indicam o saneamento básico como principal local que água segue após ser utilizada (58,3%), seguido de descarga a céu aberto (23,6%) e por último, a categoria fossa (18,0%) (Fig. 39). Página 57 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Pergunta 4 - "Para onde vai a água depois de ser utilizada por você? P e rc e n tu a l d e re s p o s ta s (% ) 100 80 60 40 20 0 SANEAMENTO DESCARGA A BÁSICO CÉU ABERTO FOSSA Destino da água Figura 39: Gráfico de respostas dos alunos de escolas públicas do Sertão à quarta questão do questionário de Educação ambiental 01. Os alunos de escolas privadas de Olinda indicam o saneamento básico como principal local que água segue após ser utilizada (41,2%), seguido de descarga a céu aberto (27,5%) e por último, a categoria fossa (21,2%). Do total de alunos questionados, 6,2% não souberam responder a pergunta. E 3,7% dos alunos citaram outros locais diferentes das categorias pré-definidas, como por exemplo “ela não vai para lugar nenhum” (Fig. 40). P e rc e n tu a l d e r e s p o s ta s (% ) Pergunta 4 - "Para onde vai a água depois de ser utilizada por você?" 100 80 60 40 20 0 SANEAMENTO DESCARGA A BÁSICO CÉU ABERTO FOSSA OUTROS Destino da água Figura 40: Gráfico de respostas dos alunos de escolas privadas de Olinda à quarta questão do questionário de Educação ambiental 01. Página 58 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Os alunos de escolas públicas de Olinda também indicaram o saneamento básico como principal local que água segue após ser utilizada (42,0%), seguido por fossa (30,0%) e por último, a categoria descarga a céu aberto (26,0%). Do total de alunos, 2,0% citou outras respostas diferentes das categorias pré-definidas, como por exemplo “não sei” (Fig. 41). P e rc e n tu a l d e re s p o s ta s (% ) Pergunta 4 - "Para onde vai a água depois de ser utilizada por você?" 100 80 60 40 20 0 SANEAMENTO DESCARGA A BÁSICO CÉU ABERTO FOSSA OUTROS Destino da água Figura 41: Gráfico de respostas dos alunos de escolas públicas de Olinda à quarta questão do questionário de Educação ambiental 01. Os resultados coletados nas escolas públicas do Sertão de Pernambuco e de escolas privadas e públicas de Olinda à pergunta 4, “Para onde vai a água depois de ser utilizada por você?” estão expressos na Figura 42. Pergunta 4 - "Para onde vai a água depois de ser utilizada por você?" Percentual de respostas (%) 100 80 60 SERTÃO PRIVADAS DE OLINDA 40 PÚBLICAS DE OLINDA 20 0 SANEAMENTO DESCARGA A BÁSICO CÉU ABERTO FOSSA OUTROS Destino da água Figura 42: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à quarta questão do questionário de Educação ambiental 01. Página 59 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Tanto os alunos do sertão quanto os alunos de Olinda citaram em sua maioria a categoria saneamento básico como destino final da água. Apesar da situação relativa à descarga de água utilizadas através de sistema de saneamento básico não ser a realidade da região, observa-se uma percepção correta dos alunos do sertão de qual deveria ser o destino final da água após o uso doméstico. Provavelmente estão informados, apesar de não fazer parte da realidade local. Educação Ambiental 02 5.2.5 Resultados da pergunta 1 Os resultados obtidos na pergunta 1, “Olhe para a gravura. Se você estivesse com calor, você poderia beber água deste rio? Por que?”. As respostas dadas pelos alunos não foram previamente agrupadas em categorias definidas. O objetivo da gravura era fazer com que os alunos percebessem a degradação da natureza, e em especial, dos recursos hídricos, quer pela poluição agro-química quer pelas descargas de origem urbana. De acordo com os resultados, 92,8% dos alunos de escolas do sertão responderam que não beberiam a água do rio e 7,2% responderam que beberiam. Isso significa estes últimos não distinguiram as condições de não potabilidade da água para consumo na gravura. Já 100% dos alunos de Olinda de escolas públicas e privadas souberam distinguir na gravura, condições que poderiam tornar a água não potável (Fig. 43). Percentual de respostas (%) Pergunta 1 - "Olhe para a gravura. Se você estivesse com calor, você poderia beber água desse rio? Por que?" 100 80 60 SIM, BEBERIA A ÁGUA NÃO BEBERIA A ÁGUA 40 20 0 SERTÃO PRIVADAS DE OLINDA PÚBLICAS DE OLINDA Grupo de alunos Figura 43: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à primeira questão do questionário de Educação ambiental 02. Página 60 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... As justificativas mais comuns entre os alunos das escolas públicas do sertão, e das escolas particulares e públicas de Olinda sobre a primeira pergunta do questionário de Educação ambiental 02 - “Olhe para a gravura. Se você estivesse com calor, você poderia beber água deste rio? Por quê?”, estão distribuídas nas figuras de 44 a 46. Figura 44: Gráfico de respostas mais comuns para a primeira questão do questionário do questionário de Educação ambiental 02, dadas pelos alunos do sertão. Figura 45: Gráfico de respostas mais comuns para a primeira questão do questionário do questionário de Educação ambiental 02, dadas pelos alunos de escolas privadas de Olinda. Figura 46: Gráfico de respostas mais comuns para a primeira questão do questionário do questionário de Educação ambiental 02, dadas pelos alunos de escola pública de Olinda. Os alunos do sertão e de Olinda souberam justificar suas respostas em relação a primeira pergunta do questionário de Educação Ambiental 02, demonstrando assim, conhecimento sobre o nível de poluição da água e as conseqüências na saúde, que a água não potável pode trazer. Página 61 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 5.2.6 Resultados da pergunta 2 Os resultados obtidos na pergunta 2, “Você acredita que pode beber a água do poço representado na gravura? Por que?”. As respostas dadas pelos alunos não foram previamente agrupadas em categorias definidas, por se tratar de uma questão aberta. Os resultados obtidos com as respostas dadas pelos alunos do sertão e de Olinda estão apresentados na Figura 47. Figura 47: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à segunda questão do questionário de Educação Ambiental 02. Os resultados demonstram que cerca de 45,9% dos alunos do sertão não percebem observando a figura que a água do poço sofre interferência da poluída água do rio e que a água do poço, possa ser bebida. Por outro lado, 54,1% dos alunos do sertão acreditam que o rio contaminado influencia a água do poço e crendo que ela também pode estar contaminada, pode oferecer perigo de saúde a quem consumi-la. Uma pequena porcentagem (16,2%) dos alunos de escolas públicas de Olinda respondeu que poderia beber a água que se encontra no poço, sem perceber a poluição representada no rio, na figura. Porém, 83,7% dos alunos, acreditam que a água do poço pode ser consumida. Com relação aos alunos das escolas públicas de Olinda, 28,0% deles consumiriam a água do poço e 72,0% dos alunos disse que a água do poço pode ser consumida. Página 62 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... As justificativas mais comuns entre os alunos das escolas públicas do sertão, e das escolas particulares e públicas de Olinda sobre a segunda pergunta do questionário de Educação ambiental 02, estão distribuídas nas figuras de 48 a 50. Figura 48: Gráfico de respostas mais comuns para a segunda questão do questionário do questionário de Educação ambiental 02, dadas pelos alunos do sertão. Figura 49: Gráfico de respostas mais comuns a segunda questão do questionário de Educação ambiental 02, dadas pelos alunos de escolas privadas de Olinda. Figura 50: Gráfico de respostas mais comuns a segunda questão do questionário de Educação ambiental 02, dadas pelos alunos de escola pública de Olinda. Os alunos das escolas públicas do sertão e de escolas públicas e privadas de Olinda tendem a considerar a água do poço não potável por estar próxima ao rio poluído e este pode interferir na qualidade da água do poço. Porém, os alunos do sertão e de Olinda demonstraram ter conhecimentos sobre maneiras de tratar a água antes de consumi-la. Página 63 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 5.2.7 Resultados da pergunta 3 Os resultados obtidos na pergunta 3, “Você acha que a água deste rio pode ser usada para se fazer alguma coisa com ela?”. As respostas dadas pelos alunos não foram previamente agrupadas em categorias definidas. Os resultados obtidos com as respostas dadas pelos alunos dos estão e de Olinda estão apresentados na Figura 51. Pergunta 03 - "Você acha que a água do rio pode ser usada para se fazer alguma coisa com ela?" Percentual das respostas (%) 100 80 60 NÃO 40 SIM 20 0 SERTÃO PRIVADAS DE OLINDA PÚBLICAS DE OLINDA Reutilização da água Figura 51: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à terceira questão do questionário De acordo com os alunos do sertão (38,5%) analisam que a água do rio, mesmo poluída, pode ser usada ainda para algo. E 61,4 % dos alunos não acreditam que a água do rio possa ser reutilizada para alguma coisa. Entre os alunos particulares de Olinda, uma pequena percentagem (13,7%) dos alunos crêem na reutilização dessa água. A maioria (86,2%) não utilizaria essa água para mais nada. Apenas 6,0% dos alunos de escolas públicas de Olinda acreditam na reutilização da água do rio, mesmo poluída. E 94,0% dos alunos não acreditam mais na utilidade dessa água. Há uma forte tendência entre os alunos de escolas públicas do sertão de Pernambuco e de Olinda, em não mais reutilizar a água poluída como a da gravura. Porém, entre os alunos de escolas públicas do sertão essa tendência é menor uma vez que a escassez de água é um problema muito sério na região. Ou seja, o Página 64 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... reaproveitamento da água no sertão além de ser uma necessidade é quase uma obrigatoriedade. 5.2.8 Resultados da pergunta 4 Os resultados obtidos na pergunta 4, “Você acha que pode contrair alguma doença através da água?”. As respostas dadas pelos alunos foram previamente agrupadas em categorias definidas (sim e não). Os resultados obtidos com as respostas dadas pelos alunos dos estão e de Olinda estão apresentados na Figura 52. Figura 52: Gráfico de respostas dos alunos do sertão e de Olinda à quarta questão do questionário de Educação ambiental 02. Todos os alunos (100%) dos alunos do sertão responderam que podem contrair alguma doença através da água contaminada. A maioria dos alunos de escolas privadas de Olinda (98,75%) também respondeu que podem contrair alguma doença através da água contaminada. Entre esses alunos (1,25%) responderam que não contraem doenças através da água. Também foi elevado o número de alunos de Olinda de escolas publicas (98%) que concordam que podem contrair doenças através da água. Apenas 2% dos alunos discordam. Foi elevado o número de crianças do sertão e de Olinda que acreditam na veiculação de doenças através da água contaminada. Assim, se pode observar que as crianças já conseguem associar água poluída a doenças. Página 65 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 5.2.9 Resultados da pergunta 5 Os resultados obtidos na pergunta 5, “Você conhece alguma doença que pode ser transmitida através da água? Qual?”. As respostas dadas pelos alunos não foram previamente agrupadas em categorias definidas, por se tratar de uma questão aberta. Foi pedido para que os alunos citassem as doenças que eles acreditam que a água contaminada pode transmitir: As doenças mais citadas pelos alunos do sertão foram (Fig. 53). Observação: 10% dos alunos de escolas públicas do sertão não citaram doença alguma. Figura 53: Gráfico de doenças mais citadas pelos alunos do sertão. As doenças mais citadas pelos alunos de escolas privadas de Olinda foram (Fig. 54). Página 66 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Figura 54: Gráfico de doenças mais citadas pelos alunos de escolas privadas de Olinda. As doenças mais citadas entre os alunos de escolas públicas de Olinda foram (Fig. 55): Figura 55: Gráfico de doenças mais citadas pelos alunos de escola pública de Olinda. Os alunos do sertão e de Olinda demonstraram um bom conhecimento sobre as doenças de veiculação hídrica. A Dengue foi a doença mais citada entre os alunos do sertão e de escolas privadas de Olinda. A Leptospirose foi a doença mais citada entre os alunos de escolas públicas de Olinda. Hepatite e “Febre” foram as doenças menos citadas pelos alunos de escolas públicas do sertão. A Hepatite e a Esquistossomose foram as doenças menos citadas pelos alunos de escolas privadas e públicas de Olinda, respectivamente. Página 67 Lima, B.J.L.A. 5.3 Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Dificuldades encontradas Cada escola participante do estudo foi previamente esclarecida sobre os objetivos do trabalho. Enfatizou-se que o presente estudo tinha caráter de pesquisa e não um caráter-fiscalizador, logo, os nomes das escolas não seriam revelados. Em cada uma delas foi entregue uma carta de encaminhamento da Universidade Federal de Pernambuco, onde havia todas as explicações necessárias. Também foi obtida uma outra carta de encaminhamento da Secretaria de Educação da cidade de Olinda permitindo a realização desse estudo. Apenas após a autorização do responsável imediato pela instituição ou um representante do mesmo, a coleta de água era realizada. Após a análise, era fornecido um laudo oficial do Departamento de Antibióticos da UFPE. Apesar de nenhuma escola ter se negado participar do estudo, o principal entrave foi achar alguém que assumisse a responsabilidade de responder o questionário. Muitas perguntas ficaram sem respostas, exatamente por esta causa. Por algumas vezes, o questionário foi deixado na instituição e mesmo assim não foi possível obterse todas as respostas do questionário. Sobre o questionário de Educação Ambiental, algumas escolas públicas de Olinda se negaram a receber o questionário. Depois de uma pequena insistência, a escola resolveu receber o questionário. As duas escolas privadas receberam de forma cordial e com bastante interesse nos resultados desse trabalho. Página 68 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 6.0 CONCLUSÃO Os resultados obtidos nesse trabalho permitiram observar mais uma vez, a existência de escolas funcionando com a qualidade de água em desacordo com a legislação vigente. Não é razoável, que, principalmente no ambiente escolar seja consumida água não potável. Cinco das dezesseis escolas estudadas (correspondendo a 31,2% do total de escolas) apresentaram coliformes totais em suas amostras, indicando que a água está em desacordo com a Portaria N.º 518/04 do Ministério da Saúde. Três das dezesseis escolas (correspondendo a 18,7% do total de escolas) apresentaram contaminação de suas amostras por coliformes termotolerantes. Seis escolas (correspondendo a 37,5% do total de escolas) apresentaram contagem de bactérias heterotróficas acima de 500UFC/ml, demonstrando falta de higiene sanitária nos reservatórios de água. Sabendo-se que o ambiente escolar possui muitas crianças, das mais diversas idades, a contaminação nesses locais torna-se ainda mais perigosa. O alto índice de contaminação da água em escolas que não costumam realizar análise da água consumida mostra que as mesmas deveriam realizar tal procedimento a fim de não comprometer a saúde das crianças. Duas escolas declararam que realizam análise bacteriológica da água, entretanto, estas apresentaram contaminação. É necessário investigar as possíveis causas desse problema. A análise da água deveria ser habitual e realizadas em intervalos de pelo menos 6 meses, no ambiente escolar. Por outro lado, muitas escolas que declararam não realizar nenhum tipo de tratamento apresentaram também contaminação, necessitando maiores cuidados com a água nesses locais. Em outra escola, a qual mencionou o tratamento da água antes do consumo, também ocorreram a presença de coliformes. Mostrando a necessidade de se averiguar onde está o foco de contaminação, uma vez que o tratamento não está sendo eficaz. Em outros casos, entre as escolas que afirmaram realizar limpeza e desinfecção habitual dos seus reservatórios, uma escola apresentou contaminação de suas águas, demonstrando que a limpeza dos reservatórios também não era eficaz. Página 69 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... O número de escolas que apresentou contaminação por coliformes em suas águas, mostra-se elevado, especialmente quando se observa a legislação, onde se diz que, para uma água ser considerada potável, não poderia haver contaminação por coliformes. Portanto, é fundamental que os responsáveis pelas escolas procurem sempre estar atentos à qualidade da água consumida. Cabe também à Vigilância Sanitária e as demais autoridades competentes o constante e rigoroso acompanhamento da potabilidade da água a fim de que a água não se torne um veículo de transmissão de doenças, prejudicando assim a saúde, não só das crianças, como de toda comunidade escolar. As informações colhidas na região do sertão sobre o destino final da água após utilização, demonstraram que a categoria “descarga a céu aberto” após o uso da água é descartada. A categoria “saneamento básico” como principal local de descarga é a predominante, ficando claro que os alunos entendem que o correto destino da água após o uso é o saneamento básico, mesmo não dispondo dessa facilidade na região. Os alunos do sertão e de Olinda já possuem um elevado nível de exigência sobre a qualidade da água para beber. O fato de “poder ficar doente” através da ingestão da água do rio, muitas vezes citado pelos alunos, já revela uma preocupação que eles possuem com a sua saúde e já conseguem entender que a água contaminada é um veiculo na transmissão de doenças. A maioria dos alunos de Olinda e do sertão disse que não beberia a água do poço que se encontrava às margens do rio, na gravura. Eles já são capazes de identificar questões relativas à potabilidade da água subterrânea, considerando que a mesma pode sofrer contaminação. Os dados coletados nos questionários são indicativos de uma elevada consciência dos cuidados com a água e as exigências mínimas para seu uso, por parte das crianças nas escolas. Todos os alunos das escolas públicas do sertão reconhecem que podem contrair doenças através do contato com a água contaminada do rio. A maioria dos alunos de Olinda também acredita no contágio através da água. Apenas uma pequena Página 70 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... porcentagem dos alunos de escolas privadas e públicas de Olinda não acredita nessa forma de contágio. Isso significa um avanço na consciência sobre contaminação hídrica quando se compara com o que pensam sobre o assunto, muitos adultos. Os alunos do sertão e de Olinda citaram muitas doenças de veiculação hídrica, demonstrando conhecimento nessa questão. A doença Leptospirose foi a mais citada pelos alunos do sertão e a doença Dengue foi a mais citada pelos alunos de escolas públicas e privadas de Olinda. Deixando clara a experiência do cotidiano de cada comunidade. Os alunos de Olinda são influenciados principalmente pela mídia e pelas diversas campanhas que existem na capital para impedir o crescimento dessa doença. Conclui-se, finalmente, que é fundamental o controle bacteriológico das águas consumidas em escolas públicas, visto que ainda é elevado o número de escolas que apresentaram contaminação por coliformes. A escola é um lugar de aprendizado e bem-estar para qualquer criança. Portanto, não deve oferecer riscos à saúde para quem a freqüenta. Manter a qualidade da água no ambiente escolar é uma questão de respeito às crianças. Foi possível constatar que as crianças já possuem um elevado senso crítico sobre a Educação Ambiental. Isso é um fator positivo e animador, pois futuramente, serão as crianças as formadoras de opinião no país. Educando-se dignamente os jovens no presente, pode-se esperar um futuro mais justo, não apenas para os seres humanos, mas também para o meio ambiente em geral. A Educação Ambiental é um fator decisivo nessa questão. Página 71 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CALAZANS, G. M. T.; DE MORAIS, J. O. F.; SOUZA, M. F. V. Q. Análise bacteriológica da água. Departamento de Antibióticos, Recife, 2004. 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Universidade do Minho, Instituto de Estudos da Criança, Portugal, 2006. Página 72 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... MEDEIROS, W. “A água no nordeste.” Site Gosto de Ler (http://gostodeler.com.br/materia/942/_gua_no_nordeste_quantidade_x_qualidade.html) 2007.Acessado em 20/06/2009. MELO,M.J.V.;CABRAL,J.S.P;MONTENEGRO,S.M.G.L.(2003) – “Problemática da Questão da Drenagem Urbana em Olinda” In Anais do 22.º CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA AMBIENTAL E RECURSOS HÍDRICOS, Joinville,SC. MICROBIOLOGY MANUAL DARMSTADT: MERK, 1996. p 65,108,128. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE DO BRASIL (MMA). Avaliação das águas do Brasil, Brasília,2002. MOURA, G.J.B.; ALMEIDA, F.R.; ARAUJO. M. C.; SILVA. J.L. “Análise bacteriológica da água em escolas públicas.” Artigo, Universidade Federal de Pernambuco, 2002. NEBEL, B J. & WRIGHT, R.T. Environmental Science. 7.ª edição, New Jersey – Prentice Hall,2000. OLIVEIRA, W.E. 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O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, INTERINO, no uso de suas atribuições e considerando o disposto no Art. 2º do Decreto nº 79.367, de 9 de março de 1977, resolve: Art. 1º Aprovar a Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano, na forma do Anexo desta Portaria, de uso obrigatório em todo território nacional. Art. 2º Fica estabelecido o prazo máximo de 12 meses, contados a partir da publicação desta Portaria, para que as instituições ou órgãos aos quais esta Norma se aplica, promovam as adequações necessárias a seu cumprimento, no que se refere ao tratamento por filtração de água para consumo humano suprida por manancial superficial e distribuída por meio de canalização e da obrigação do monitoramento de cianobactérias e cianotoxinas. Art. 3º É de responsabilidade da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal a adoção das medidas necessárias para o fiel cumprimento desta Portaria. Art. 4º O Ministério da Saúde promoverá, por intermédio da Secretaria de Vigilância em Saúde SVS, a revisão da Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano estabelecida nesta Portaria, no prazo de 5 anos ou a qualquer tempo, mediante solicitação devidamente justificada de órgãos governamentais ou não governamentais de reconhecida capacidade técnica nos setores objeto desta regulamentação. Art. 5º Fica delegada competência ao Secretário de Vigilância em Saúde para editar, quando necessário, normas regulamentadoras desta Portaria. Art. 6º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 7º Fica revogada a Portaria nº 1469, de 29 de dezembro de 2000, publicada no DOU nº 1-E de 2 de janeiro de 2001 , Seção 1, página nº 19. GASTÃO WAGNER DE SOUSA CAMPOS ANEXO NORMA DE QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO Capítulo I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Página 75 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Art. 1º Esta Norma dispõe sobre procedimentos e responsabilidades inerentes ao controle e à vigilância da qualidade da água para consumo humano, estabelece seu padrão de potabilidade e dá outras providências. Art. 2º Toda a água destinada ao consumo humano deve obedecer ao padrão de potabilidade e está sujeita à vigilância da qualidade da água. Art. 3º Esta Norma não se aplica às águas envasadas e a outras, cujos usos e padrões de qualidade são estabelecidos em legislação específica. Capítulo II DAS DEFINIÇÕES Art. 4º Para os fins a que se destina esta Norma, são adotadas as seguintes definições: I - água potável - água para consumo humano cujos parâmetros microbiológicos, físicos, químicos e radioativos atendam ao padrão de potabilidade e que não ofereça riscos à saúde; II - sistema de abastecimento de água para consumo humano - instalação composta por conjunto de obras civis, materiais e equipamentos, destinada à produção e à distribuição canalizada de água potável para populações, sob a responsabilidade do poder público, mesmo que administrada em regime de concessão ou permissão; III - solução alternativa de abastecimento de água para consumo humano - toda modalidade de abastecimento coletivo de água distinta do sistema de abastecimento de água, incluindo, entre outras, fonte, poço comunitário, distribuição por veículo transportador, instalações condominiais horizontal e vertical; IV - controle da qualidade da água para consumo humano - conjunto de atividades exercidas de forma contínua pelos responsáveis pela operação de sistema ou solução alternativa de abastecimento de água, destinadas a verificar se a água fornecida à população é potável, assegurando a manutenção desta condição; V - vigilância da qualidade da água para consumo humano - conjunto de ações adotadas continuamente pela autoridade de saúde pública, para verificar se a água consumida pela população atende à esta Norma e para avaliar os riscos que os sistemas e as soluções alternativas de abastecimento de água representam para a saúde humana; VI - coliformes totais (bactérias do grupo coliforme) - bacilos gram-negativos, aeróbios ou anaeróbios facultativos, não formadores de esporos, oxidase-negativos, capazes de desenvolver na presença de sais biliares ou agentes tensoativos que fermentam a lactose com produção de ácido, gás e aldeído a 35,0 ± 0,5ºC em 24-48 horas, e que podem apresentar atividade da enzima ß -galactosidase. A maioria das bactérias do grupo coliforme pertence aos gêneros Escherichia, Citrobacter, Klebsiella e Enterobacter, embora vários outros gêneros e espécies pertençam ao grupo; Página 76 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... VII - coliformes termotolerantes - subgrupo das bactérias do grupo coliforme que fermentam a lactose a 44,5 ± 0,2ºC em 24 horas; tendo como principal representante a Escherichia coli, de origem exclusivamente fecal; VIII - Escherichia Coli - bactéria do grupo coliforme que fermenta a lactose e manitol, com produção de ácido e gás a 44,5 ± 0,2ºC em 24 horas, produz indol a partir do triptofano, oxidase negativa, não hidroliza a uréia e apresenta atividade das enzimas ß galactosidase e ß glucoronidase, sendo considerada o mais específico indicador de contaminação fecal recente e de eventual presença de organismos patogênicos; IX - contagem de bactérias heterotróficas - determinação da densidade de bactérias que são capazes de produzir unidades formadoras de colônias (UFC), na presença de compostos orgânicos contidos em meio de cultura apropriada, sob condições pré-estabelecidas de incubação: 35,0, ± 0,5ºC por 48 horas; X - cianobactérias - microorganismos procarióticos autotróficos, também denominados como cianofíceas (algas azuis), capazes de ocorrer em qualquer manancial superficial especialmente naqueles com elevados níveis de nutrientes (nitrogênio e fósforo), podendo produzir toxinas com efeitos adversos à saúde; e XI - cianotoxinas - toxinas produzidas por cianobactérias que apresentam efeitos adversos à saúde por ingestão oral, incluindo: a) microcistinas - hepatotoxinas heptapeptídicas cíclicas produzidas por cianobactérias, com efeito potente de inibição de proteínas fosfatases dos tipos 1 e 2A e promotoras de tumores; b) cilindrospermopsina - alcalóide guanidínico cíclico produzido por cianobactérias, inibidor de síntese protéica, predominantemente hepatotóxico, apresentando também efeitos citotóxicos nos rins, baço, coração e outros órgãos; e c) saxitoxinas - grupo de alcalóides carbamatos neurotóxicos produzido por cianobactérias, não sulfatados (saxitoxinas) ou sulfatados (goniautoxinas e C-toxinas) e derivados decarbamil, apresentando efeitos de inibição da condução nervosa por bloqueio dos canais de sódio. Capítulo III DOS DEVERES E DAS RESPONSABILIDADES Seção I Do Nível Federal Art. 5º São deveres e obrigações do Ministério da Saúde, por intermédio da Secretaria de Vigilância em Saúde - SVS: I. - promover e acompanhar a vigilância da qualidade da água, em articulação com as Secretarias Página 77 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... de Saúde dos Estados e do Distrito Federal e com os responsáveis pelo controle de qualidade da água, nos termos da legislação que regulamenta o SUS; II - estabelecer as referências laboratoriais nacionais e regionais, para dar suporte às ações de maior complexidade na vigilância da qualidade da água para consumo humano; III - aprovar e registrar as metodologias não contempladas nas referências citadas no artigo 17 desta Norma; IV - definir diretrizes específicas para o estabelecimento de um plano de amostragem a ser implementado pelos Estados, Distrito Federal ou Municípios, no exercício das atividades de vigilância da qualidade da água, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS; e V - executar ações de vigilância da qualidade da água, de forma complementar, em caráter excepcional, quando constatada, tecnicamente, insuficiência da ação estadual, nos termos da regulamentação do SUS. Seção II Do Nível Estadual e Distrito Federal Art. 6º São deveres e obrigações das Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal: I - promover e acompanhar a vigilância da qualidade da água em sua área de competência, em articulação com o nível municipal e os responsáveis pelo controle de qualidade da água, nos termos da legislação que regulamenta o SUS; II - garantir, nas atividades de vigilância da qualidade da água, a implementação de um plano de amostragem pelos municípios, observadas as diretrizes específicas a serem elaboradas pela SVS/MS; III - estabelecer as referências laboratoriais estaduais e do Distrito Federal para dar suporte às ações de vigilância da qualidade da água para consumo humano; e IV - executar ações de vigilância da qualidade da água, de forma complementar, em caráter excepcional, quando constatada, tecnicamente, insuficiência da ação municipal, nos termos da regulamentação do SUS. Seção III Do Nível Municipal Art. 7º São deveres e obrigações das Secretarias Municipais de Saúde: I - exercer a vigilância da qualidade da água em sua área de competência, em articulação com os responsáveis pelo controle de qualidade da água, de acordo com as diretrizes do SUS; Página 78 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... II - sistematizar e interpretar os dados gerados pelo responsável pela operação do sistema ou solução alternativa de abastecimento de água, assim como, pelos órgãos ambientais e gestores de recursos hídricos, em relação às características da água nos mananciais, sob a perspectiva da vulnerabilidade do abastecimento de água quanto aos riscos à saúde da população; III - estabelecer as referências laboratoriais municipais para dar suporte às ações de vigilância da qualidade da água para consumo humano; IV - efetuar, sistemática e permanentemente, avaliação de risco à saúde humana de cada sistema de abastecimento ou solução alternativa, por meio de informações sobre: a) a ocupação da bacia contribuinte ao manancial e o histórico das características de suas águas; b) as características físicas dos sistemas, práticas operacionais e de controle da qualidade da água; c) o histórico da qualidade da água produzida e distribuída; e d) a associação entre agravos à saúde e situações de vulnerabilidade do sistema. V - auditar o controle da qualidade da água produzida e distribuída e as práticas operacionais adotadas; VI - garantir à população informações sobre a qualidade da água e riscos à saúde associados, nos termos do inciso VI do artigo 9 desta Norma; VII - manter registros atualizados sobre as características da água distribuída, sistematizados de forma compreensível à população e disponibilizados para pronto acesso e consulta pública; VIII - manter mecanismos para recebimento de queixas referentes às características da água e para a adoção das providências pertinentes; IX - informar ao responsável pelo fornecimento de água para consumo humano sobre anomalias e não conformidades detectadas, exigindo as providências para as correções que se fizerem necessárias; X - aprovar o plano de amostragem apresentado pelos responsáveis pelo controle da qualidade da água de sistema ou solução alternativa de abastecimento de água, que deve respeitar os planos mínimos de amostragem expressos nas Tabelas 6, 7, 8 e 9; XI - implementar um plano próprio de amostragem de vigilância da qualidade da água, consoante diretrizes específicas elaboradas pela SVS; e XII - definir o responsável pelo controle da qualidade da água de solução alternativa. Seção IV Página 79 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Do Responsável pela Operação de Sistema e/ou Solução Alternativa Art. 8º Cabe aos responsáveis pela operação de sistema ou solução alternativa de abastecimento de água, exercer o controle da qualidade da água. Parágrafo único. Em caso de administração, em regime de concessão ou permissão do sistema de abastecimento de água, é a concessionária ou a permissionária a responsável pelo controle da qualidade da água. Art. 9º Aos responsáveis pela operação de sistema de abastecimento de água incumbe: I - operar e manter sistema de abastecimento de água potável para a população consumidora, em conformidade com as normas técnicas aplicáveis publicadas pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas e com outras normas e legislações pertinentes; II - manter e controlar a qualidade da água produzida e distribuída, por meio de: a) controle operacional das unidades de captação, adução, tratamento, reservação e distribuição; b) exigência do controle de qualidade, por parte dos fabricantes de produtos químicos utilizados no tratamento da água e de materiais empregados na produção e distribuição que tenham contato com a água; c) capacitação e atualização técnica dos profissionais encarregados da operação do sistema e do controle da qualidade da água; e d) análises laboratoriais da água, em amostras provenientes das diversas partes que compõem o sistema de abastecimento. III - manter avaliação sistemática do sistema de abastecimento de água, sob a perspectiva dos riscos à saúde, com base na ocupação da bacia contribuinte ao manancial, no histórico das características de suas águas, nas características físicas do sistema, nas práticas operacionais e na qualidade da água distribuída; IV - encaminhar à autoridade de saúde pública, para fins de comprovação do atendimento a esta Norma, relatórios mensais com informações sobre o controle da qualidade da água, segundo modelo estabelecido pela referida autoridade; V - promover, em conjunto com os órgãos ambientais e gestores de recursos hídricos, as ações cabíveis para a proteção do manancial de abastecimento e de sua bacia contribuinte, assim como efetuar controle das características das suas águas, nos termos do artigo 19 desta Norma, notificando imediatamente a autoridade de saúde pública sempre que houver indícios de risco à saúde ou sempre que amostras coletadas apresentarem resultados em desacordo com os limites ou condições da respectiva classe de enquadramento, conforme definido na legislação específica vigente; Página 80 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... VI - fornecer a todos os consumidores, nos termos do Código de Defesa do Consumidor, informações sobre a qualidade da água distribuída, mediante envio de relatório, dentre outros mecanismos, com periodicidade mínima anual e contendo, no mínimo, as seguintes informações: a) descrição dos mananciais de abastecimento, incluindo informações sobre sua proteção, disponibilidade e qualidade da água; b) estatística descritiva dos valores de parâmetros de qualidade detectados na água, seu significado, origem e efeitos sobre a saúde; e c) ocorrência de não conformidades com o padrão de potabilidade e as medidas corretivas providenciadas. VII - manter registros atualizados sobre as características da água distribuída, sistematizados de forma compreensível aos consumidores e disponibilizados para pronto acesso e consulta pública; VIII - comunicar, imediatamente, à autoridade de saúde pública e informar, adequadamente, à população a detecção de qualquer anomalia operacional no sistema ou não conformidade na qualidade da água tratada, identificada como de risco à saúde, adotando-se as medidas previstas no artigo 29 desta Norma; e IX - manter mecanismos para recebimento de queixas referentes às características da água e para a adoção das providências pertinentes. Art. 10. Ao responsável por solução alternativa de abastecimento de água, nos termos do inciso XII do artigo 7 desta Norma, incumbe: I - requerer, junto à autoridade de saúde pública, autorização para o fornecimento de água apresentando laudo sobre a análise da água a ser fornecida, incluindo os parâmetros de qualidade previstos nesta Portaria, definidos por critério da referida autoridade; II - operar e manter solução alternativa que forneça água potável em conformidade com as normas técnicas aplicáveis, publicadas pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, e com outras normas e legislações pertinentes; III - manter e controlar a qualidade da água produzida e distribuída, por meio de análises laboratoriais, nos termos desta Portaria e, a critério da autoridade de saúde pública, de outras medidas conforme inciso II do artigo anterior; IV - encaminhar à autoridade de saúde pública, para fins de comprovação, relatórios com informações sobre o controle da qualidade da água, segundo modelo e periodicidade estabelecidos pela referida autoridade, sendo no mínimo trimestral; V - efetuar controle das características da água da fonte de abastecimento, nos termos do artigo 19 desta Norma, notificando, imediatamente, à autoridade de saúde pública sempre que houver indícios de risco à saúde ou sempre que amostras coletadas apresentarem resultados em desacordo com os limites ou condições da respectiva classe de enquadramento, conforme definido Página 81 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... na legislação específica vigente; VI - manter registros atualizados sobre as características da água distribuída, sistematizados de forma compreensível aos consumidores e disponibilizados para pronto acesso e consulta pública; VII - comunicar, imediatamente, à autoridade de saúde pública competente e informar, adequadamente, à população a detecção de qualquer anomalia identificada como de risco à saúde, adotando-se as medidas previstas no artigo 29; e VIII - manter mecanismos para recebimento de queixas referentes às características da água e para a adoção das providências pertinentes. Capítulo IV DO PADRÃO DE POTABILIDADE Art.11. A água potável deve estar em conformidade com o padrão microbiológico conforme Tabela 1, a seguir: Tabela 1 Padrão microbiológico de potabilidade da água para consumo humano PARÂMETRO VMP(1) Água para consumo humano(2) Escherichia coli ou coliformes termotolerantes(3) Ausência em 100ml Água na saída do tratamento Coliformes totais Ausência em 100ml Água tratada no sistema de distribuição (reservatórios e rede) Escherichia coli ou coliformes termotolerantes(3) Ausência em 100ml Coliformes totais Sistemas que analisam 40 ou mais amostras por mês: Ausência em 100ml em 95% das amostras examinadas no mês; Sistemas que analisam menos de 40 amostras por mês: Apenas uma amostra poderá apresentar mensalmente resultado positivo em 100ml NOTAS: (1) Valor Máximo Permitido. (2) água para consumo humano em toda e qualquer situação, incluindo fontes individuais como poços, minas, nascentes, dentre outras. Página 82 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... (3) a detecção de Escherichia coli deve ser preferencialmente adotada. § 1º No controle da qualidade da água, quando forem detectadas amostras com resultado positivo para coliformes totais, mesmo em ensaios presuntivos, novas amostras devem ser coletadas em dias imediatamente sucessivos até que as novas amostras revelem resultado satisfatório. § 2º Nos sistemas de distribuição, a recoleta deve incluir, no mínimo, três amostras simultâneas, sendo uma no mesmo ponto e duas outras localizadas a montante e a jusante. § 3º Amostras com resultados positivos para coliformes totais devem ser analisadas para Escherichia coli e, ou, coliformes termotolerantes, devendo, neste caso, ser efetuada a verificação e confirmação dos resultados positivos. § 4º O percentual de amostras com resultado positivo de coliformes totais em relação ao total de amostras coletadas nos sistemas de distribuição deve ser calculado mensalmente, excluindo as amostras extras (recoleta). § 5º O resultado negativo para coliformes totais das amostras extras (recoletas) não anula o resultado originalmente positivo no cálculo dos percentuais de amostras com resultado positivo. § 6º Na proporção de amostras com resultado positivo admitidas mensalmente para coliformes totais no sistema de distribuição, expressa na Tabela 1, não são tolerados resultados positivos que ocorram em recoleta, nos termos do § 1º deste artigo. § 7º Em 20% das amostras mensais para análise de coliformes totais nos sistemas de distribuição, deve ser efetuada a contagem de bactérias heterotróficas e, uma vez excedidas 500 unidades formadoras de colônia (UFC) por ml, devem ser providenciadas imediata recoleta, inspeção local e, se constatada irregularidade, outras providências cabíveis. § 8º Em complementação, recomenda-se a inclusão de pesquisa de organismos patogênicos, com o objetivo de atingir, como meta, um padrão de ausência, dentre outros, de enterovírus, cistos de Giardia spp e oocistos de Cryptosporidium sp. § 9º Em amostras individuais procedentes de poços, fontes, nascentes e outras formas de abastecimento sem distribuição canalizada, tolera-se a presença de coliformes totais, na ausência de Escherichia coli e, ou, coliformes termotolerantes, nesta situação devendo ser investigada a origem da ocorrência, tomadas providências imediatas de caráter corretivo e preventivo e realizada nova análise de coliformes. Art. 12. Para a garantia da qualidade microbiológica da água, em complementação às exigências relativas aos indicadores microbiológicos, deve ser observado o padrão de turbidez expresso na Tabela 2, abaixo: Tabela 2 Padrão de turbidez para água pós-filtração ou pré-desinfecção Página 83 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... TRATAMENTO DA ÁGUA VMP(1) Desinfecção (água subterrânea) 1,0 UT(2) em 95% das amostras Filtração rápida (tratamento completo ou filtração 1,0 UT(2) direta) Filtração lenta 2,0 UT(2) em 95% das amostras NOTAS: (1) Valor máximo permitido. (2) Unidade de turbidez. § 1º Entre os 5% dos valores permitidos de turbidez superiores aos VMP estabelecidos na Tabela 2, o limite máximo para qualquer amostra pontual deve ser de 5,0 UT, assegurado, simultaneamente, o atendimento ao VMP de 5,0 UT em qualquer ponto da rede no sistema de distribuição. § 2º Com vistas a assegurar a adequada eficiência de remoção de enterovírus, cistos de Giardia spp e oocistos de Cryptosporidium sp., recomenda-se, enfaticamente, que, para a filtração rápida, se estabeleça como meta a obtenção de efluente filtrado com valores de turbidez inferiores a 0,5 UT em 95% dos dados mensais e nunca superiores a 5,0 UT. § 3º O atendimento ao percentual de aceitação do limite de turbidez, expresso na Tabela 2, deve ser verificado, mensalmente, com base em amostras no mínimo diárias para desinfecção ou filtração lenta e a cada quatro horas para filtração rápida, preferivelmente, em qualquer caso, no efluente individual de cada unidade de filtração. Art. 13. Após a desinfecção, a água deve conter um teor mínimo de cloro residual livre de 0,5 mg/L, sendo obrigatória a manutenção de, no mínimo, 0,2 mg/L em qualquer ponto da rede de distribuição, recomendando-se que a cloração seja realizada em pH inferior a 8,0 e tempo de contato mínimo de 30 minutos. Parágrafo único. Admite-se a utilização de outro agente desinfetante ou outra condição de operação do processo de desinfecção, desde que fique demonstrado pelo responsável pelo sistema de tratamento uma eficiência de inativação microbiológica equivalente à obtida com a condição definida neste artigo. Art. 14. A água potável deve estar em conformidade com o padrão de substâncias químicas que representam risco para a saúde expresso na Tabela 3, a seguir: Tabela 3 Padrão de potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde PARÂMETRO Unidade VMP(1) INORGÂNICAS Página 84 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Antimônio mg/L 0,005 Arsênio mg/L 0,01 Bário mg/L 0,7 Cádmio mg/L 0,005 Cianeto mg/L 0,07 Chumbo mg/L 0,01 Cobre mg/L 2 Cromo mg/L 0,05 Fluoreto(2) mg/L 1,5 Mercúrio mg/L 0,001 Nitrato (como N) mg/L 10 Nitrito (como N) mg/L 1 Selênio mg/L 0,01 Acrilamida µg/L 0,5 Benzeno µg/L 5 Benzo[a]pireno µg/L 0,7 Cloreto de Vinila µg/L 5 1,2 Dicloroetano µg/L 10 1,1 Dicloroeteno µg/L 30 Diclorometano µg/L 20 Estireno µg/L 20 Tetracloreto de Carbono µg/L 2 Tetracloroeteno µg/L 40 Triclorobenzenos µg/L 20 Tricloroeteno µg/L 70 Alaclor µg/L 20,0 Aldrin e Dieldrin µg/L 0,03 Atrazina µg/L 2 Bentazona µg/L 300 Clordano (isômeros) µg/L 0,2 2,4 D µg/L 30 DDT (isômeros) µg/L 2 Endossulfan µg/L 20 Endrin µg/L 0,6 Glifosato µg/L 500 Heptacloro e Heptacloro epóxido µg/L 0,03 Hexaclorobenzeno µg/L 1 Lindano (g-BHC) µg/L 2 Metolacloro µg/L 10 ORGÂNICAS AGROTÓXICOS Página 85 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Metoxicloro µg/L 20 Molinato µg/L 6 Pendimetalina µg/L 20 Pentaclorofenol µg/L 9 Permetrina µg/L 20 Propanil µg/L 20 Simazina µg/L 2 Trifluralina µg/L 20 µg/L 1,0 CIANOTOXINAS Microcistinas(3) DESINFETANTES E PRODUTOS SECUNDÁRIOS DA DESINFECÇÃO Bromato mg/L 0,025 Clorito mg/L 0,2 Cloro livre (4) mg/L 5 Monocloramina mg/L 3 2,4,6 Triclorofenol mg/L 0,2 Trihalometanos Total mg/L 0,1 NOTAS: (1) Valor Máximo Permitido. (2) Os valores recomendados para a concentração de íon fluoreto devem observar à legislação específica vigente relativa à fluoretação da água, em qualquer caso devendo ser respeitado o VMP desta Tabela. (3) É aceitável a concentração de até 10 µg/L de microcistinas em até 3 (três) amostras, consecutivas ou não, nas análises realizadas nos últimos 12 (doze) meses. (4) Análise exigida de acordo com o desinfetante utilizado. § 1º Recomenda-se que as análises para cianotoxinas incluam a determinação de cilindrospermopsina e saxitoxinas (STX), observando, respectivamente, os valores limites de 15,0 µg/L e 3,0 µg/L de equivalentes STX/L. § 2º Para avaliar a presença dos inseticidas organofosforados e carbamatos na água, recomendase a determinação da atividade da enzima acetilcolinesterase, observando os limites máximos de 15% ou 20% de inibição enzimática, quando a enzima utilizada for proveniente de insetos ou mamíferos, respectivamente. Art. 15. A água potável deve estar em conformidade com o padrão de radioatividade expresso na Tabela 4, a seguir: Tabela 4 Página 86 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Padrão de radioatividade para água potável Parâmetro Unidade VMP(1) Radioatividade alfa global Bq/L 0,1(2) Radioatividade beta global Bq/L 1,0(2) NOTAS: (1) Valor máximo permitido. (2) Se os valores encontrados forem superiores aos VMP, deverá ser feita a identificação dos radionuclídeos presentes e a medida das concentrações respectivas. Nesses casos, deverão ser aplicados, para os radionuclídeos encontrados, os valores estabelecidos pela legislação pertinente da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN, para se concluir sobre a potabilidade da água. Art. 16. A água potável deve estar em conformidade com o padrão de aceitação de consumo expresso na Tabela 5, a seguir: Tabela 5 Padrão de aceitação para consumo humano PARÂMETRO Unidade VMP(1) Alumínio mg/L 0,2 Amônia (como NH3) mg/L 1,5 Cloreto mg/L 250 Cor Aparente uH(2) 15 Dureza mg/L 500 Etilbenzeno mg/L 0,2 Ferro mg/L 0,3 Manganês mg/L 0,1 Monoclorobenzeno mg/L 0,12 Odor - Não objetável(3) Gosto - Não objetável(3) Sódio mg/L 200 Sólidos dissolvidos totais mg/L 1.000 Sulfato mg/L 250 Sulfeto de Hidrogênio mg/L 0,05 Surfactantes mg/L 0,5 Tolueno mg/L 0,17 Turbidez UT(4) 5 Zinco mg/L 5 Xileno mg/L 0,3 Página 87 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... § 1º Recomenda-se que, no sistema de distribuição, o pH da água seja mantido na faixa de 6,0 a 9,5. § 2º Recomenda-se que o teor máximo de cloro residual livre, em qualquer ponto do sistema de abastecimento, seja de 2,0 mg/L. § 3º Recomenda-se a realização de testes para detecção de odor e gosto em amostras de água coletadas na saída do tratamento e na rede de distribuição de acordo com o plano mínimo de amostragem estabelecido para cor e turbidez nas Tabelas 6 e 7. Art. 17. As metodologias analíticas para determinação dos parâmetros físicos, químicos, microbiológicos e de radioatividade devem atender às especificações das normas nacionais que disciplinem a matéria, da edição mais recente da publicação Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, de autoria das instituições American Public Health Association (APHA), American Water Works Association (AWWA) e Water Environment Federation (WEF), ou das normas publicadas pela ISO (International Standartization Organization). § 1º Para análise de cianobactérias e cianotoxinas e comprovação de toxicidade por bioensaios em camundongos, até o estabelecimento de especificações em normas nacionais ou internacionais que disciplinem a matéria, devem ser adotadas as metodologias propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em sua publicação Toxic cyanobacteria in water: a guide to their public health consequences, monitoring and management. § 2º Metodologias não contempladas nas referências citadas no § 1º e "caput" deste artigo, aplicáveis aos parâmetros estabelecidos nesta Norma, devem, para ter validade, receber aprovação e registro pelo Ministério da Saúde. § 3º As análises laboratoriais para o controle e a vigilância da qualidade da água podem ser realizadas em laboratório próprio ou não que, em qualquer caso, deve manter programa de controle de qualidade interna ou externa ou ainda ser acreditado ou certificado por órgãos competentes para esse fim. Capítulo V DOS PLANOS DE AMOSTRAGEM Art. 18. Os responsáveis pelo controle da qualidade da água de sistema ou solução alternativa de abastecimento de água devem elaborar e aprovar, junto à autoridade de saúde pública, o plano de amostragem de cada sistema, respeitando os planos mínimos de amostragem expressos nas Tabelas 6, 7, 8 e 9. NOTAS: (1) Valor máximo permitido. (2) Unidade Hazen (mg Pt-Co/L). Página 88 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... (3) critério de referência (4) Unidade de turbidez. Tabela 6 Número mínimo de amostras para o controle da qualidade da água de sistema de abastecimento, para fins de análises físicas, químicas e de radioatividade, em função do ponto de amostragem, da população abastecida e do tipo de manancial PARÂMETRO TIPO DE SAÍDA DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO MANANCIAL TRATAMENTO (RESERVATÓRIOS E REDE) (NÚMERO DE População abastecida AMOSTRAS POR < <50.000 50.000 a > 250.000 UNIDADE DE hab. 250.000 hab. TRATAMENTO) hab. Cor Superficial 1 10 1 para cada 40 + (1 para 5.000 hab. cada 25.000 hab.) Subterrâneo 1 5 1 para cada 20 + (1 para 10.000 hab. cada 50.000 hab.) Superficial 1 (Conforme § 3º do artigo 18). Subterrâneo 1 Fluoreto Superficial Subterrâneo ou 1 5 1 para cada 20 + (1 para 10.000 hab. cada 50.000 hab.) Cianotoxinas Superficial 1 - - - Turbidez pH CRL(1) (Conforme § 5º do artigo 18) Trihalometanos Demais parâmetros(3) Superficial 1 1(2) 4(2) 4(2) Subterrâneo - 1(2) 1(2) 1(2) Superficial Subterrâneo ou 1 1(4) 1(4) 1(4) NOTAS: (1) Cloro residual livre. (2) As amostras devem ser coletadas, preferencialmente, em pontos de maior tempo de detenção da água no sistema de distribuição. (3) Apenas será exigida obrigatoriedade de investigação dos parâmetros radioativos quando da Página 89 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... evidência de causas de radiação natural ou artificial. (4) Dispensada análise na rede de distribuição quando o parâmetro não for detectado na saída do tratamento e, ou, no manancial, à exceção de substâncias que potencialmente possam ser introduzidas no sistema ao longo da distribuição. Tabela 7 Freqüência mínima de amostragem para o controle da qualidade da água de sistema de abastecimento, para fins de análises físicas, químicas e de radioatividade, em função do ponto de amostragem, da população abastecida e do tipo de manancial. PARÂMETRO TIPO DE SAÍDA DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO MANANCIAL TRATAMENTO (RSERVATÓRIOSE REDE) (FREQÜÊNCIA População abastecida POR UNIDADE <50.000 hab. 50.000 a> 250.000 DE 250.000 hab. hab. TRATAMENTO) Cor Superficial A cada 2 horas Subterrâneo Diária Superficial A cada 2 horas Subterrâneo Diária Superficial Semanal Mensal Mensal Mensal Turbidez pH Fluoreto CRL(1) Cianotoxinas (Conforme § 3º do artigo 18). - - - (Conforme § 5º do artigo 18) Trihalometanos Demais parâmetros(2) Superficial Trimestral Trimestral Trimestral Trimestral Subterrâneo - Anual Semestral Semestral Semestral(3) Semestral(3) Semestral(3) Superficial ou Semestral Subterrâneo NOTAS: (1) Cloro residual livre. (2) Apenas será exigida obrigatoriedade de investigação dos parâmetros radioativos quando da evidência de causas de radiação natural ou artificial. (3) Dispensada análise na rede de distribuição quando o parâmetro não for detectado na saída do tratamento e, ou, no manancial, à exceção de substâncias que potencialmente possam ser Página 90 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... introduzidas no sistema ao longo da distribuição. Tabela 8 Número mínimo de amostras mensais para o controle da qualidade da água de sistema de abastecimento, para fins de análises microbiológicas, em função da população abastecida. PARÂMETRO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO (RESERVATÓRIOS E REDE) População abastecida Coliformes totais < 5.000 hab. 5.000 a 20.000 20.000 a 250.000 > 250.000 hab. hab. hab. 10 1 para cada 500 30 + (1 para cada 105 + (1 para hab. 2.000 hab.) cada 5.000 hab.) Máximo de 1.000 NOTA: na saída de cada unidade de tratamento devem ser coletadas, no mínimo, 2 (duas) amostra semanais, recomendando-se a coleta de, pelo menos, 4 (quatro) amostras semanais. Tabela 9 Número mínimo de amostras e freqüência mínima de amostragem para o controle da qualidade da água de solução alternativa, para fins de análises físicas, químicas e microbiológicas, em função do tipo de manancial e do ponto de amostragem. PARÂMETRO TIPO MANANCIAL Cor, turbidez, pH Superficial e coliformes totais(2) CRL(2) (3) DE SAÍDA DO NÚMERO TRATAMENTO AMOSTRAS (para água RETIRADAS canalizada) PONTO CONSUMO(1) (para cada hab.) DE FREQÜÊNCIA AMOSTRAGEM NO DE DE 500 1 1 Semanal Subterrâneo 1 1 Mensal Superficial Subterrâneo ou 1 1 Diário NOTAS: (1) Devem ser retiradas amostras em, no mínimo, 3 pontos de consumo de água. (2) Para veículos transportadores de água para consumo humano, deve ser realizada 1 (uma) análise de CRL em cada carga e 1 (uma) análise, na fonte de fornecimento, de cor, turbidez, PH e coliformes totais com freqüência mensal, ou outra amostragem determinada pela autoridade de Página 91 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... saúde pública. (3) Cloro residual livre. § 1º A amostragem deve obedecer aos seguintes requisitos: I - distribuição uniforme das coletas ao longo do período; e II - representatividade dos pontos de coleta no sistema de distribuição (reservatórios e rede), combinando critérios de abrangência espacial e pontos estratégicos, entendidos como aqueles próximos a grande circulação de pessoas (terminais rodoviários, terminais ferroviários, etc.) ou edifícios que alberguem grupos populacionais de risco (hospitais, creches, asilos, etc.), aqueles localizados em trechos vulneráveis do sistema de distribuição (pontas de rede, pontos de queda de pressão, locais afetados por manobras, sujeitos à intermitência de abastecimento, reservatórios, etc.) e locais com sistemáticas notificações de agravos à saúde tendo como possíveis causas agentes de veiculação hídrica. § 2º No número mínimo de amostras coletadas na rede de distribuição, previsto na Tabela 8, não se incluem as amostras extras (recoletas). § 3º Em todas as amostras coletadas para análises microbiológicas deve ser efetuada, no momento da coleta, medição de cloro residual livre ou de outro composto residual ativo, caso o agente desinfetante utilizado não seja o cloro. § 4º Para uma melhor avaliação da qualidade da água distribuída, recomenda-se que, em todas as amostras referidas no § 3º deste artigo, seja efetuada a determinação de turbidez. § 5º Sempre que o número de cianobactérias na água do manancial, no ponto de captação, exceder 20.000 células/ml (2mm3/L de biovolume), durante o monitoramento que trata o § 1º do artigo 19, será exigida a análise semanal de cianotoxinas na água na saída do tratamento e nas entradas (hidrômetros) das clínicas de hemodiálise e indústrias de injetáveis, sendo que esta análise pode ser dispensada quando não houver comprovação de toxicidade na água bruta por meio da realização semanal de bioensaios em camundongos. Art. 19. Os responsáveis pelo controle da qualidade da água de sistemas e de soluções alternativas de abastecimento supridos por manancial superficial devem coletar amostras semestrais da água bruta, junto do ponto de captação, para análise de acordo com os parâmetros exigidos na legislação vigente de classificação e enquadramento de águas superficiais, avaliando a compatibilidade entre as características da água bruta e o tipo de tratamento existente. § 1º O monitoramento de cianobactérias na água do manancial, no ponto de captação, deve obedecer freqüência mensal, quando o número de cianobactérias não exceder 10.000 células/ml (ou 1mm3/L de biovolume), e semanal, quando o número de cianobactérias exceder este valor. § 2º É vedado o uso de algicidas para o controle do crescimento de cianobactérias ou qualquer intervenção no manancial que provoque a lise das células desses microrganismos, quando a densidade das cianobactérias exceder 20.000 células/ml (ou 2mm3/L de biovolume), sob pena de Página 92 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... comprometimento da avaliação de riscos à saúde associados às cianotoxinas. Art. 20. A autoridade de saúde pública, no exercício das atividades de vigilância da qualidade da água, deve implementar um plano próprio de amostragem, consoante diretrizes específicas elaboradas no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS. Capítulo VI DAS EXIGÊNCIAS APLICÁVEIS AOS SISTEMAS E SOLUÇÕES ALTERNATIVAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA Art. 21. O sistema de abastecimento de água deve contar com responsável técnico, profissionalmente habilitado. Art. 22. Toda água fornecida coletivamente deve ser submetida a processo de desinfecção, concebido e operado de forma a garantir o atendimento ao padrão microbiológico desta Norma. Art. 23. Toda água para consumo humano suprida por manancial superficial e distribuída por meio de canalização deve incluir tratamento por filtração. Art. 24. Em todos os momentos e em toda sua extensão, a rede de distribuição de água deve ser operada com pressão superior à atmosférica. § 1º Caso esta situação não seja observada, fica o responsável pela operação do serviço de abastecimento de água obrigado a notificar a autoridade de saúde pública e informar à população, identificando períodos e locais de ocorrência de pressão inferior à atmosférica. § 2º Excepcionalmente, caso o serviço de abastecimento de água necessite realizar programa de manobras na rede de distribuição, que possa submeter trechos a pressão inferior à atmosférica, o referido programa deve ser previamente comunicado à autoridade de saúde pública. Art. 25. O responsável pelo fornecimento de água por meio de veículos deve: I - garantir o uso exclusivo do veículo para este fim; II - manter registro com dados atualizados sobre o fornecedor e, ou, sobre a fonte de água; e III - manter registro atualizado das análises de controle da qualidade da água. § 1º A água fornecida para consumo humano por meio de veículos deve conter um teor mínimo de cloro residual livre de 0,5 mg/L. § 2º O veículo utilizado para fornecimento de água deve conter, de forma visível, em sua carroceria, a inscrição: "ÁGUA POTÁVEL". Capítulo VII Página 93 Lima, B.J.L.A. Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... DAS PENALIDADES Art. 26. Serão aplicadas as sanções administrativas cabíveis, aos responsáveis pela operação dos sistemas ou soluções alternativas de abastecimento de água, que não observarem as determinações constantes desta Portaria. Art. 27. As Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios estarão sujeitas a suspensão de repasse de recursos do Ministério da Saúde e órgãos ligados, diante da inobservância do contido nesta Portaria. Art. 28. Cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio da SVS/MS, e às autoridades de saúde pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, representadas pelas respectivas Secretarias de Saúde ou órgãos equivalentes, fazer observar o fiel cumprimento desta Norma, nos termos da legislação que regulamenta o Sistema Único de Saúde - SUS. Capítulo VIII DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 29. Sempre que forem identificadas situações de risco à saúde, o responsável pela operação do sistema ou solução alternativa de abastecimento de água e as autoridades de saúde pública devem estabelecer entendimentos para a elaboração de um plano de ação e tomada das medidas cabíveis, incluindo a eficaz comunicação à população, sem prejuízo das providências imediatas para a correção da anormalidade. Art. 30. O responsável pela operação do sistema ou solução alternativa de abastecimento de água pode solicitar à autoridade de saúde pública a alteração na freqüência mínima de amostragem de determinados parâmetros estabelecidos nesta Norma. Parágrafo único. Após avaliação criteriosa, fundamentada em inspeções sanitárias e, ou, em histórico mínimo de dois anos do controle e da vigilância da qualidade da água, a autoridade de saúde pública decidirá quanto ao deferimento da solicitação, mediante emissão de documento específico. Art. 31. Em função de características não conformes com o padrão de potabilidade da água ou de outros fatores de risco, a autoridade de saúde pública competente, com fundamento em relatório técnico, determinará ao responsável pela operação do sistema ou solução alternativa de abastecimento de água que amplie o número mínimo de amostras, aumente a freqüência de amostragem ou realize análises laboratoriais de parâmetros adicionais ao estabelecido na presente Norma. Art. 32. Quando não existir na estrutura administrativa do Estado a unidade da Secretaria de Saúde, os deveres e responsabilidades previstos no artigo 6º desta Norma serão cumpridos pelo órgão equivalente. Página 94 Lima, B.J.L.A. 8.2 Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Protocolo de coleta Página 95 Lima, B.J.L.A. 8.3 Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Questionário de Educação Ambiental 01 (Adaptado de MACHADO, 2006) Página 96 Lima, B.J.L.A. 8.4 Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Questionário de Educação Ambiental 02 (Adaptado de MACHADO, 2006) Página 97 Lima, B.J.L.A. 8.5 Qualidade de água no ambiente escolar – ponto de partida para a... Questionário aplicado nas escolas. (Adaptado de VITAL, 2006) E- Responsável pela entrevista:_________________________ Cargo:_____________________ 01. A ESCOLA POSSUI ALGUMA ORIENTAÇÃO OU CAMPANHA PARA CUIDADOS COM A ÁGUA? CASO SIM, QUEM ORIENTA? _________________________________________________________________________ 02. A ESCOLA COSTUMA REALIZAR ANÁLISE DA CONSUMIDA? SE POSITIVO, COM QUE FREQUENCIA? ÁGUA _________________________________________________________________________ 03. A ESCOLA USA ALGUM MÉTODO OU EQUIPAMENTO PARA TRATAR A ÁGUA ANTES DO USO? CASO POSITIVO, QUAL MÉTODO/EQUIPAMENTO? ________________________________________________________________________ 04. QUANTOS RESERVATÓRIOS A ESCOLA POSSUI? _________________________________________________________________________ 05. COM QUE FREQUENCIA OS RESERVATÓRIOS SÃO LAVADOS? QUEM REALIZA O PROCEDIMENTO DE LAVAGEM? ________________________________________________________________________ 06. QUAL A FONTE DE ÁGUA DA ESCOLA? ________________________________________________________________________ Página 98