Año 11 • dezembro 2004 - janeiro 2005 n ú m e r o 6 1 Santiago 20 de janeiro de 2005 C E L A R E ASSOCIAÇÃO ALC/UE PRIMEIRA ETAPA PARA A ASSOCIAÇÃO UE/CAN E UE/AMÉRICA CENTRAL AMPLIAÇÃO DOS ACORDOS UE/CHILE E UE/MÉXICO AOS NOVOS PAÍSES EUROPEUS COMPROMISSOS RENOVADOS PARA ACORDO UE/MERCOSUL CONVOCATÓRIAS PARA PROGRAMAS DE COOPERAÇÃO INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA NASCE A COMUNIDADE SUL-AMERICANA DE NAÇÕES AVANÇOS NA INTEGRAÇÃO ANDINA E CENTRO-AMERICANA RESULTADOS POSITIVOS NA AMÉRICA LATINA EM 2004 INTEGRAÇÃO EUROPÉIA CIMEIRA DE BRUXELAS FIXA NOVAS AMPLIAÇÕES BALANÇO DA PRESIDÊNCIA HOLANDESA OBJETIVOS DA PRESIDÊNCIA LUXEMBURGUESA DO CONSELHO NOVA POLÍTICA AGRÍCOLA COMUM EUROPÉIA Nasce a Comunidade Sul-Americana de Nações ARTIGO NASCE A COMUNIDADE SUL-AMERICANA DE NAÇÕES Dia 8 de dezembro de 2004 foi realizada em Cusco, Peru, a III Cimeira Presidencial Sul-Americana. Na ocasião, os mandatários ou representantes dos doze países da América do Sul - Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela - assinaram essa histórica declaração, que institui um novo projeto de integração para a América do Sul. Declaração de Cusco sobre a Comunidade Sul-Americana de Nações CUSCO, 8 DE DEZEMBRO DE 2004 Os presidentes dos países da América do Sul reunidos na cidade de Cusco durante a celebração das lutas libertárias de Junín e Ayacucho e da convocatória do Congresso do Panamá, seguindo e exemplo do libertador Simón Bolívar, do GRAN MARISCAL de Ayacucho, Antonio José de Sucre, do libertador José de San Martín, de nossos povos e heróis independentistas que construíram, sem fronteiras, a grande Pátria Americana e interpretando as aspirações e desejos de seus povos a favor da integração, da unidade e da construção de um futuro comum, decidimos formar a Comuidade Sul-Americana de Nações. 2 I. A Comunidade Sul-Americana de Nações é formada levando em conta: A história compartilhada e e solidária de nossas nações, que desde as lutas pela independência enfrentaram desafios internos e externos comuns, demonstra que nossos países possuem potencialidades ainda não exploradas tanto para utilizar melhor suas aptidões regionais como para fortalecer as capacidades de negociação e projeção internacionais; O pensamento político e filosófico nascido de sua tradição que, reconhecendo a preeminência do ser humano, de sua dignidade e de seus direitos, a pluralidade de povos e culturas, consolidou uma identi- dade sul-americana compartilhada além de valores comuns, tais como: democracia, solidariedade, direitos humanos, liberdade, justiça social, respeito à integridade territorial, diversidade, não-discriminação, e a afirmação de sua autonomia, a igualdade soberana dos Estados e a solução pacífica de controvérsias; A convergência de seus interesses políticos, aconômicos, sociais, culturais e de segurança como um fator potencial de fortalecimento e desenvolvimento de suas capacidades internas para uma melhor inserção internacional; A convicção de que o acesso a melhores níveis de vida de seus povos e a promoção do desenvolvimento econômico não pode ARTIGO Nasce a Comunidade Sul-Americana de Nações reduzir-se somente a políticas de crescimento sustentável, mas também compreender estratégias que, juntamente com uma consciência ambiental responsável e o reconhecimento das assimetrias no desenvolvimento de seus países, assegurem uma distribuição de renda mais justa e equitativa, o acesso à educação, a coesão e a inclusão social, bem como a preservação do meio ambiente e a promoção do desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, o desenvolvimento do interior sul-americano contribuirá para aprofundar o projeto comunitário, assim como melhorar a qualidade de vida de essas áreas que se encontram entra as de menor desenvolvimento relativo. Seu compromisso essencial com a luta contra a pobreza, a eliminação da fome, a geração de emprego decente e o acesso de todos à saúde e à educação como ferramentas fundamentais para o desenvolvimento dos povos; Sua identificação com os valores da paz e segurança internacionais, a partir da afirmação da vigência do direito internacional e de um multilateralismo renovado e democrático que integre decididamente e de forma eficaz o desenvolvimento econômico e social na agenda mundial; A participação comum em sistemas democráticos de governo e uma concepção de governabilidade sustentada na participação cidadã que incremente a transparência na condução dos assuntos públicos e privados, e exerça o poder con apego estrito ao Estado de Direito, conforme as disposições da Carta Democrática Interamericana, num marco de luta contra a corrupção em todos os âmbitos; Sua determinação em desenvolver um espaço sul-americano integrado nos âmbitos político, social, econômico, ambiental e de infra-estrutura, que fortaleça a identidade própria da América do Sul e que contribua, a partir de uma perspectiva subrregional e, em articulação com outras experiências de integração regional, ao fortalecimento da América Latina e o Caribe e lhe outorgue uma maior gravitação e representação nos fóruns internacionais. Nossa convicção no sentido de que a realização dos valores e interesses que nos unem , além de comprometer aos governos, só será viável na medida em que os povos assumam o rol protagônico que lhes corresponde nesse processo. A integração sul-americana é e deve ser uma integração dos povos. II. O espaço sul-americano integrado se desenvolverá e será aperfeiçoado impulsionando os seguintes processos: - A coalizão e coordenação política e diplomática que consolide a região como um fator diferenciado e dinâmico em suas relações externas. - O aprofundamento da convergência entre o Mercosul, a Comunidade Andina e o Chile por meio do aperfeiçoamento da zona de livre comércio, apoiando-se no pertinenete na Resolução 59 do XIII Conselho de Ministros da Aladi em 18 de outubro de 2004 e sua evolução a fases superiores da integração econômica, social e institucional. Os governos de Suriname e Guiana se associarão a esse projeto, sem prejuízo de suas obrigações sob o Tratado revisado de Chaguaramas. - A integração física, energática e de comunicações na América do Sul sobre a base do aprofundamento das experiências bilaterais, regionais e subregionais existentes, considerando mecanismos financeiros inovadores e as propostas setoriais em curso que permitam uma melhor realização de investimentos em infra-estrutura física para a região. - A harmonização de políticas que promovam o desenvolvimento ru- - - ral e agroalimentício. A transferência de tecnologia e de cooperação horizontal em todos os âmbitos da ciência, da educação e da cultura. A crescente interação entre as empresas e a sociedade civil na dinâmica de integração deste espaço sul-americano, levando em conta a responsabilidade social emrpesarial. III. A Ação da Comunidade Sul-Americana de Nações: A Comunidade Sul-Americana de Nações estabelecerá e implementará progressivamente seus níveis e âmbitos de ação conjunta, promovendo a convergência e sobre a base da institucinalidade existente, evitando a duplicação e a superposição de esforços e sem que implique novos gastos financeiros. Os ministros de Relações Exteriores elaborarão uma proposta concreta de caminhos de ação que considere, entre outros aspectos, as reuniões de chefes de Estado como instância máxima de condução política, e de chanceleres como âmbito de decisão executiva do processo. Os ministros contarão com a cooperação do presidente do Comitê de Representantes Permanentes do Mercosul, do diretor da Secretaria do Merocsul, do secretário-geral da Comunidade Andina, do secretáriogeral da Aladi, e da Secretaria Permanente da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, assim como de outros esquemas de cooperação e integração subregional. As reuniões de chefes de Estado e de chanceleres substituirão as denominadas Cimeiras sul-americanas. O governo do Peru exercerá a secretaria temporária até a realização da Primeira Reunião de Chefes de Estado da Comunidade Sul-Americana de Nações, que será realizada no Brasil em 2005. A segunda reunião será na Bolívia. 3 POLÍTICA - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 NOTÍCIAS UE/ Mercosul CONFIRMADO COMPROMISSO DE CONCLUIR O ACORDO DE ASSOCIAÇÃO A Presidência pro tempore do Mercosul, que durante o primeiro semestre de 2005 está a cargo do Paraguai, apresentou entre os principais objetivos de seua gestão a concretização do Acordo de Associação com a União Européia (UE), confirmando o compromisso assumido em dezembro na Cimeira de Outro Preto. Paralelamente, os mandatários europeus também ratificaram, no Conselho Europeu de Bruxelas de dezembro, sua vontade de concluir as negocaições com o bloco sul-americano. Para cumprir tal objetivo, em março será realizada em Bruxelas uma reunião preparatória de caráter técnico entre os ministros de Relações Exteriores dos quatro países membros do Mercosul e os comissários europeus, para estabelecer as pautas de negociação. As conversações ministeriais prosseguirão em abril, em Assunção. A ministra das Relações Exteriores do Paraguai, Leila Rachid, afirmou que parece difícilque os europeus eliminem os subsídios agrícolas, mas que como compensação devem oferecer cotas atraentes para produtos como carne de vaca e outros produtos agrícolas. O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, assegurou que a concretização do Acordo com a Europa está mais próximo que a da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), e se disse confiante de que possa ser firmada em 2005, já que não foi possível cumprir o objetivo de finalizar as negociações antes de 31 de outubro do ano passado. Para o Brasil, entretanto, é fundamental que se discuta o tema agrícola antes de se chegar a um acordo. LANDABURU VISITA A ARGENTINA Em visita a Buenos Aires no dia 13 de dezembro, o diretor-geral de Relações Exteriores da Comissão Européia, Eneko Landaburu, afirmou que a concretização de um acordo “amplo, ambicioso e equilibrado” é de alta prioridade para a Europa, já que constituiria um sinal sobre a capacidade do multilateralismo de encontrar soluções concretas aos problemas. Landaburu participou da VI Comissão Mixta Argentina-UE, cujo objetivo era reativas as relações diretas com a Argentina, que haviam sido interrompidas desde o ano 4 2000, devido à crise atravessada pela nação sul-americana e pelo que se havia dado preferência pela negociação com o Mercosul. Durante o encontro, UE e Argentina concordaram em dar um tratamento construtivo aos principais temas da agenda bilateral, como são o diálogo político, a cooperação, o comércio, a agricultura, os assuntos fitossanitáros e os investimentos. Também definiram iniciar conversações sobre tecnologia e sociedade da informação, além de temas como cooperação em direitos humanos. Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - POLÍTICA NOTÍCIAS UE/América Central LANÇADAS CONVERSAÇÕES PARA ACORDO DE ASSOCIAÇÃO Nos dias 18 e 19 de janeiro reuniram-se em Bruxelas as delegações da comissão mistas de União Européia e América Central - Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá -, com o objetivo de preparar o caminho para um Acordo de Associação que inclui uma área de livre comércio. A agenda de trabalho considerou um exame dos avanços do processo de integração centro-americano, o início da fase de avaliação para negociar um Acordo de Associação, e a revisão dos mecanismo de cooperação. A fase de avaliação seráre alizada de forma conjunta, e estará a cargo de um grupo de tabalho que dará seqüência ao aprofundamento a integração econômica centro-americana. Esse grupo iniciará suas reuniões em março ou abril em Tegucigalpa, e deverá apresentar os primeiros resultados dos trabalhos durante a segunda metade do ano, na próxima reunião da comissão mista, que seria realizada na Nicarágua. Ao concluir a comissão mista, o diretor adjunto de Relações Exteriores da Comissão Européia, Hervé Jouanjean, declarou-se “muito impressionado pelos avanços na integração centro-americana”, assegurando que a região “trabalhou muito” nesse sentido. Da mesma forma que a Comunidade Andina, a América Central mantém Acordos de Diálogo Político e de Cooperação com a União Européia desde dezembro de 2003, os quais constituem dois dos três pilares de um Acordo de Associação, que se completaria com o livre comércio. Dessa forma, depois da etapa de avaliação da integração centro-americana, espera-se que as negociações para o livre comércio possam ser lançadas oficialmente durante a IV Cimeira UE/ALC, em maio de 2006, em Viena. A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, manifestou sua satisfação pelo “novo passo para o estabelecimento de um Acordo de Associação entre UE e Amércia Central”, e acrescentou que “levando em conta a próxima Cimeira em Viena, em 2006, espero com confiança dos resultados desse processo”. UE/CAN INICIADAS ETAPAS DE AVALIAÇÃO PARA A ASSOCIAÇÃO Entre 19 e 21 de janeiro, depois da reunião UE/ América Central, reuniu-se em Bruxelas a comissão mista entre a União Européia e os países andinos Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela -, com vistas à negociação de um acordo de livre comércio, último tema pendente para o Acordo de Associação entre ambas regiões. Depois da assinatua em dezembro de 2003 de um Acordo de Diálogo Político e de Cooperação entre a União Européia e a Comunidade Andina, ambas partes confirmaram na Cimeira de Guadalajara a vontade de negociar um Acordo de Associação que contnha o livre comércio, condicionado a uma preparação prévia para reforçar a integração andina. Dessa forma, na reunião de Bruxelas foram abordados os critérios de avaliação desse processo e institui-se um grupo técnico que deverá analisar o funcionamento do sistema institucional andino, a livre circulação de mercadorias, a possível existência de barreiras não-tarifárias e a adequação da união aduaneira à subregião. Da mesma forma que no caso centro-americano, estima-se que essa etapa deverá estender-se no mais tardar até maio de 2006, data da IV Cimeira UE/ALC de Viena, onde ambas partes esperam anunciar o início das negociações para o livre comércio. Para o secretário-geral da CAN, Allan Wagner, o bloco sul-americano realizou importantes avanços na integração entre seus membros e também com os demais países da região, como demonstra a entrada em vigência do acordo de livre comérciop entre os países andinos e o Mercosul, além do lançamento da Comunidade Sul-Americana de Nações. Outro passo no fortalecimento da integração destacado por Wagnier é o desenvolvimento de 32 projetos de infra-estrutura nos próximos cinco anos, que demandarão recursos superiores a US$ 4 bilhões. A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, destacou depois do encontro em Bruxelas que “foi dado um novo passo para o estabelecimento de um acordo completo de Associação entre UE e CAN”. A comissão mista permitiu além disso negociar a renovação do Sistema Geral de Preferências comerciais com o qual a UE beneficia os países andinos e centro-americanos, assim como abordar temas da cooperação para o desenvolvimento. 5 POLÍTICA - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 NOTÍCIAS UE/ Chile II REUNIÃO DO COMITÊ DE ASSOCIAÇÃO Nos dias 16 e 17 de dezembro foi realizada em Santiago a II Reunião do Comitê de Associação, estabelecido pelo Acordo de Associação entre Chile e União Européia como órgão responsável da aplicação geral do mesmo. A delegação da UE foi presidida por Eneko Landaburu, diretor-geral de Relações Exteriores da Comissão Européia, e a Presidência da União Européia esteve representada por Marion Kappeyne van de Coppello, diretora do Hemisfério Ocidental do Ministério de Relações Exteriores dos Países Baixos. A delegação chilena foi liderada pelo embaixador Demetrio Infante, subsecretário de Relações Exteriores. Na ocasião, os delegados de ambas partes discutiram os âmbitos político, de cooperação e de comércio regulados pelo Acordo. No marco do diálogo político, as partes destacaram o excelente nível das relações bilaterais e trocaram pontos de vista sobre a situação geral na América latina e Europa, além de temas da agenda internacional, como a Corte Penal Internacional. Em cooperação, foram examinadas as possibilidades de aprofundamento desse âmbito. Além disso, avançou-se na organização do primeiro diálogo sobre políticas de educação, que busca novas formas de cooperação na área. Quanto ao comércio, o Comitê de Associação tomou conhecimento das conclusões dos diferentes comitês especiais e avaliou o grau de implementação da parte comercial do acordo, assim como os fluxos de comércio, a quase dois anos de sua entrada em vigor. Nesse período, o intercâmbio comercial do Chile com a Europa teve uma grande expansão, passando de US$ 7,2 bilhôes em 2002 para US$ 8,3 bilhões em 2003. Até setembro de 2004, essa troca chegava a US$ 7,7 bi, projetandose um comércio próximo a US$ 10 bilhões para esse ano. Por outro lado, destacou-se a recente assinatura do acordo em matéria de transporte aéreo entre Comissão Européia e Chile. Uma vez 6 aprovado pelo Conselho da União Européia e pelo Chile, tal acordo permitirá às companhias aéreas européias voar para o Chile a partir de um Estado membro que não seja o de origem, e às aerolíneas chilenas operar na UE a partir do Chile, o que contribuirá por sua vez à integração do mercado latino-americano, ao permitir a aerolíneas da região voar a países europeus a partir do Chile. No encontro ainda fixou-se uma segunda reunião do Conselho de Associação - órgão máximo de supervisão para a aplicação do acordo para maio de 2005 em Luxemburgo. Além disso, a terceira reunião do Comitê de Associação - que assiste ao Conselho de Associação em suas funções - será realizada em novembro dee 2005 em Bruxelas. FIRMADO PROTOCOLO DE ADAPTAÇÃO No marco da reunião do Comitê de Associação do Acordo UE/Chile, as partes firmaram o Protocolo de adaptação que formalizou a incorporação dos dez novos Estados membros da União Européia ao Acordo. O documento foi assinado pelo ministro de Relações Exteriores do Chile, Jorge Rodríguez, por Marion Kappeyne van Coppello, representando o Conselho da UE, e por Eneko Landaburu, por parte da Comissão Européia. O Acordo de Associação UE/Chile está vigente para seus aspectos comerciais desde fevereiro de 2003, e deverá entrar em pleno vigor em fevereiro de 2005, depois de completar, em dezembro passado, o processo de ratificação parlamentária nos Estados membros europeus, com a aprovação legislativa da Alemanha. Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - POLÍTICA NOTÍCIAS UE/ México AMPLIAÇÃO DO ACORDO GLOBAL El Parlamento Europeo aprobó el 14 de dezembro el Protocolo adicional al acuerdo que rige las relaciones entre la Unión Europea y México, el cual incorpora a los 10 nuevos socios del bloque europeo. La ampliación del acuerdo supone el acceso a un nuevo mercado de 75 millones de personas, con el cual se reducirían los aranceles en ambos sentidos para productos tales como el tequila, la cerveza, el tabaco, la miel y la pimienta. La Embajada de México en Bruselas indicó que, desde la perspectiva comercial, el Protocolo significará un aumento en las cuotas de exportación de pectina y plátanos hacia los países comunitarios. Así, la exportación de pectina, cuyos países de destino son Polonia y la República Checa, pasará de 100 a 250 toneladas por año y los plátanos, que tenían un cupo máximo de 1.000 toneladas, podrán incrementar sus exportaciones al doble (2.000 toneladas anuales). UE/Cuba RESTABELECIMENTO DE RELAÇÕES DIPOMÁTICAS O governo cubano anunciou dia 10 de janeiro a total restituição dos contatos oficiais com a Delegação da Comissão Européia em Cuba e com os países membros da União. O ministro das Relações Exteriores cubano, Felipe Pérez Roque, explicou que a decisão de havana foi tomada logo que a presidência luxemburguesa da UE, como os governos de Espanha e Bélgica, haviam solicitado a recuperação das relações bilaterais. As relações entre Cuba e UE foram congeladas em junho de 2003 quando, em protesto pela morte de três sequestradores e pelas penas aplicadas a 75 dissidentes do regime castrista, Bruxelas aprovou várias sanções de caráter político contra a ilha caribenha, que foram respondidas por Havana com a ruptura dos vínculos com as embaixadas euroéias na ilha. Dessa forma, depois de um ano e meio de conflito, Cuba optou por regularizar as relações com a UE, respondendo à medida tomada pelo Comitê da Amperica latina da União Européia (Colat), de “retificar as decisões que que havia adotado sobre Cuba em junho de 2003”, o que motivou a reavaliação das relações por parte do país caribenho. A resolução do Colat é produto de um processo iniciado em outrobro de 2004, a pedido do governo espanhol, destinado a revisar a política européia para Cuba. Paralelamente, o governo cubano libertou vários dissedentes presos, o que provocou uma disposição favorável da UE. Assim, dia 14 de dezembro o Colat recomendou ao bloco europeu substituir as sanções a Cuba por fórmulas para alcançar a um diálogo reforçado entre as partes. As recomendações do Colat serão examinadas dia 31 de janeiro pelos 25 ministros de Relações Exteriores da UE. VISITA DE LUIS MICHEL A CUBA O comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, realizará uma visita oficial a Cuba dia 1 de fevereiro, depois da retomada das relações entre o governo cubano e a UE. O comissário Michel apoiou abertamente a idéia de manter o diálogo entre UE e Cuba como fórmula para beneficiar as reformas de abertura na ilha caribenha. Nesse sentido, manifestou publicamente em dezembro sua adesão à iniciativa do mandatário espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, de revisar as sanções diplomáticas contra Cuba. PRESIDÊNCIA DA UE FELICITA CUBA Dia 10 de janeiro, a presidência luxemburguesa da UE expressou sua satisfação pela decisão cubana de restabelecer os laços diplomáticos com os distintos países do bloco comunitário e com a Comissão Européia. O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores de Luxemburgo destacou que “a Presidência luxemburguesa congratula a decião de Cuba de normalizar suas relações com todos os países da União Européia sem exceção, assum como a representação da Comissão Européia em Havana”, acrescentando que “trata-se de um passo a uma boa direção, que será sem dúvida objeto de consultas no centro da União Européia”. 7 POLÍTICA - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 NOTÍCIAS UE/ Colômbia RESPALDO À POLÍTICA DE GOVERNO COLOMBIANO Os ministros de Assuntos Exteriores da União Européia manifestaram em 13 de dezembro em Bruxelas seu “pleno apoio” ao governo colombiano de Alvaro Uribe em suas pretensões de buscar uma saída ao conflito armado vivido pelo país, defendendo um “intercâmbio humanitário” de guerrilheiros por seqüestrados. A declaração do Conselho de Assutnos Exteriores da UE destaca, entre outros, que os 25 países que conformam a UE entregam seu “pleno apoio ao governo colombiano, em particular em seus esforços para estabelecer o Estado de Direito em todo o país e combater o terrorismo e a produção e distribuição de drogas ilegais”. Tambpem apoiam as decisões desse governo para “reformar a economia e incrementar a coesão social” de seus habitantes. O Conselho ainda reforça sua “total solidariedade” com o povo colombiano e sua “preocupação com a grave situação dos diretios humanos e do direito internacional” e, sobretudo, com a situação dos refugiados internos. Além disso, solicita a todas as partes dos conflito que não rompam com a legalidade e faz um chamamento aos grupos ilegais para cessar com as hostilidades, comprometer-se em um processo de paz negociado e atuar para isso. Nesse cenário, os 25 felicitaram o indulto anunciado dia 2 de dezembro pelo governo de Uribe a 23 membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “Esse ato possivelmente poderia fazer parte de um acordo humanitário que contribuiria com expectativa à implicação de todas as partes no processo de paz”, indica o documento. O 8 apoio europeu aposta em uma “solução negociada” ao conflito, enfatizando a possibilida de negociar “com os grupos que podem estar preparados apra um acordo de paz”. Para isso, pediram às autoridades colombianas a criação de um “marco legal completo para o desarme, a desmobilização e a reintegração” de grupos ilegais, que seja conseqüente “com os compromissos internacionais e leve em conta o direito das vítimas à verdade, à justiça e à reparação”. Nesse sentido, indicaram que se o governo de Uribe estabelecer um marco legal concreto, a UE se envolverá “de forma efetiva e orientada para os resultados” nos possíveis processo de paz, sinalando ainda a possibilidade de outorgar assistência financeira para esse objetivo. Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - ECONOMÍA NOTÍCIAS UE/ América Latina PROPOSTA POLÊMICA PARA TARIFA DE BANANA Nos últimos meses, os países latinoamericanos que exportam banana para o mercado europeu insistiram que a proposta da Comissão Européia de fixar uma tarifa única de 230 euros por tonelada à exportação dessa fruta a partir de 2006 é prejudicial para a região. Por essa razão, os presidentes dos países afetados - Colômbia, Equador, Guatemala, Costa Rica, Honduras e Panamá - anunciaram uma reunião para 26 de janeiro em Quito, Equador, na que buscarão fixar uma posição comum sobre o novo regime de importação para a banana e propor alternativas à UE para substituir o sistema atual, que consiste numa combinação de cotas e licenças com uma tarifa de 75 euros por tonelada para uma determinada cota, sobre a qual a tarifa se eleva a 680 euros. Esse sistema deverá ser modificado depois do acordo no marco da OMC que pôs fim à “guerra da banana”. A Federação Equatoriana de Exportadores (Fedexpor) assegurou que a proposta européia afeta as negociações entre a Comunidade Andina e o bloco europeu. Para a Fedexpor, a banana deve ser incluída no SPG que a UE mantém com os países andinos. A Costa Rica, no entanto, pediu que o sistema atual seja mantido, ainda que as transnacionais bananeiras que operam no país creiam que somente um sistema de tarifa única permitirá um mercado mais aberto e equitativo, mas que tal tarifa deve ser a mais baixa possível, para manter o nível de acesso da fruta à UE. Por sua vezs, o governo do Equador advertiu que a tarifa única de 230 euros deixaria fora do mercado europeu a banana proveniente desse país e dos demais países latino-americanos. O Parlamento Centro-Americano manifestou opinião semelhante, e anunciou que pedirá ao parlamento Europeu que contribua para diminuir a tarifa fixada pela Comissão. Paralelamente, a União Européia está negociando bilateralmente com Panamá, Equador, Costa Rica, Colômbia e Brasil, que podem negociar diretamente com a UE porque são “abastecedores principais” de banana no mercado europeu. O Grupo ACP (África, Caribe Pacífico), que recebe tratamento preferencial da UE, propôs no começo de dezembro que a banana seja considerada “produto sensível” nas negociações, no marco da OMC. Pediu ainda que os demais produtores tenham uma tarifa de, ao menos, 275 euros por tonelada. Na UE, 12 países membros apoiam a fixação de uma tarifa menor, enquanto os produtores de banana - Portugal, França, Espanha e Grécia -, além da Irlanda, temem o impacto da liberalização das importações, e solicitam uma tarifa maior que os 230 euros propostos pela Comissão.-`` 9 ECONOMÍA - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 NOTÍCIAS UE/ América Latina DECISÃO NA OMC FAVORECE A UE, MÉXICO E BRASIL O órgão de solução de controvérsias da OMC autorizou em novembro à União Européia e a mais seis países, entre eles Brasil e México, a adotar sanções contra os Estados Unidos pela existência de uma legislação anticompetitiva e protecionista considerada ilegal por estes países. A chamada “Emenda Byrd”, legislação antidumping aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos há mais de quatro anos, foi negada pela OMC em várias ocasiões. Não obstante, nos Estados Unidos elas ainda não foi derrogada. As sanções autorizadas pela OMC consistem em impor tarifas adicionais às importações norte-americanas, cujo valor não poderá exceder 72% dos danos econômicos sofridos no último ano. Depois da decisão da OMC, a Comissão Européia ameaçou aplicar esse tipo de sanção para uma série de produtos, entre eles artigos têxteis, calçados esportivos e artefatos elétricos. De sua parte, o presidente norte-americano George W. Bush afirmou que seu país cumprirá com suas “obrigações internacionais” no terreno comercial. UE/Chile PREOCUPAÇÃO COM POSSÍVEL SALVAGUARDA PARA SALMÕES O Comitê de Salvaguardas europeu se reunirá no final de janeiro para avaliar a possível imposição de medidas restritivas às importações de salmão à UE, entre elas as provenientes do Chile. Os empresários chilenos manifestaram sua preocupação, mas também sua confiança de que o voto espanhol, o quinto em importância depois de Alemanha, França, Itália e Reino Unido, seja favorável à nação latino-americana. As salvaguardas supõem GRAVAMEN de 17,8% se determinada cota de importações é superada. A possível aplicação dessa medida deve-se a que alguns países da UE exigem que o preço mínimo para entrada do salmão no mercado comunitário seja de 2,85 euros por quilo, 30% mais do que o fixado atualmente, além de uma cota de importação proporcional ao volume de envios. Tal salvaguarda visa a proteger a produção de salmões de países como Escócia e Irlanda, que em janeiro pediram represálias argumen- 10 tando que os envios de Noruega, Chile e Ilhas Faroe estavam prejudicando a produção do bloco. Em agosto, a Comissão tomou medidas provisórias somente para os envios provenientes da Noruega, enquanto o salmão chileno ficou excluído, já que o país latino-americano representava menos de 3% das importações da UE. Entretanto, segundo as últimas medições européias, o percentual de participação chilena nesse mercado cresceu, e ao adotarem-se medidas definitivas, seus envios - que hoje estão quase completamente isentos de tarifas - também se veriam afetados. De qualquer forma, já no início de novembro o diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais do Ministério de Relações Exteriores do Chile, Ricardo Lagos Weber, assegurou que, aplicando-se a salvaguarda, o Chile poderá exigir algum tipo de compensação tarifária à UE graças ao Acordo de Associação existente entre as partes. Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - COOPERAÇÃO NOTÍCIAS UE/Bolívia PROGRAMA DE SUBSTITUIÇÃO DO CULTIVO DE COCA Com a participação das comunidades campesinas e com o objetivo de criar oportunidades de emprego, a União Européia desembolsou 13 milhões de euros para um programa de substituição de cultivos de coca na Bolívia, que será realizado entre 2004 e 2009. A cooperação do bloco europeu foi outorgada em 13 de dezembro em La Paz, com o intercâmbio dos documentos correspondentes entre o chefe da Delegação da Comunidade Européia na Bolívia, Andrew Stanley, e o ministro boliviano de Relações Exteriores, Juan Ignacio Siles. O convênio firmado em 28 de outubro indica que o governo da Bolívia aportará 1,2 milhão de euros, enquanto seis municípios, quase todos pertencentes à região de Yungas, no nordeste do altiplano andino, entregarão 1,8 milhão de euros. O chefe da Delegação da CE lembrou que nos últimos oito anos o aporte da União Européia para essas iniciativas foi de 37 milhões de euros, investidos em quatro planos de desenvolvimento alternativo ao cultivo da coca em diversas regiões do país, como Chapare, a região centralde Cochabamba e Potosí. O embaixador destacou que a ajuda do bloque europeu fundamenta-se no valor da estratégia boliviana, que prioriza o caráter integral, sustentável e participativo das ações dirigidas ao combate à pobreza e ao narcotráfico. O ministro das Relações Exteriores da Bolívia enfatizou a importância da ajuda entregue pelo bloco europeu à América Latina e em particular ao seu país, o que o transforma em “aliado político de primeira linha”. O ministro Siles indicou que a primeira parte do plano beneficiará 60 mil habitantes de seis municípios da região de Yungas e, posteriormente, outras províncias com elevados índices de pobreza. Acrescentou ainda que os projetos serão relacionados com o desenvolvimento social, econômico, com o fortalecimentno de instituições e administração e preservação de recursos naturais. Siles ambém indicou que o governo local estimulará o diálogo para garantir um ambiente de paz social nas regiões produtoras de coca. Participaram do ato vários dirigentes da Associação Produtora de Coca de Yungas e dos municípios de Cajuata, Coroico, Irupana, Yanacachi, Chulumani e Coripata, lugares onde a cooperação será implementada. UE/Argentina APOIO A PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS DO SETOR FLORESTAL A União Européia designou 6 milhões de euros ao desevolvimento florestal na Argentina, por meio de um projeto de assistência às pequenas e médias empresas (pymes, na sigla em espanhol) do setor para eumentar o intercâmbio comercial entre ambas as partes. O ministro argentino da Agricultura, Miguel Campos, e o chefe da Delegação da Comissão Européia na Argentina, Angelos Pagkratis, assinaram em 29 de novembro o convênio de financiamento para o projeto “Apoio à melhoria da competitividade da Pyme do setor da indústria florestal na Argentina”. O total de fundos para esse plano é de 8,5 mi- lhões de euros, doados pelo Estado argentino. A duração do projeto é de quatro anos e as metas do mesmo se referem a melhorar a capacidade tecnológica, de gestão e comercial das Pymes do setor para incrementar os intercâmbios com os países do bloco europeu, assim como fortalecer a proteção dos recursos florestais. A iniciativa é marcada na estratégia de cooperação entre União Européia e Argentina, cuja finalidade é, entre outras, aumentar a competitividade das Pymes e sua integração a mercados internacionais. No primeiro semestre de 2004, o setor florestal argentino exportou US$ 455,8 milhões. 11 COOPERAÇÃO - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 NOTÍCIAS UE/República Dominicana REATIVAÇÃO DO SETOR MINEIRO É IMPULSIONADA Em um ato celebrado dia 15 de dezembro no Banco Central de Santo Domingo, representantes da Delegação da Comissão Européia nesse país informaram que a UE entregará 30 milhões de euros para o programa Sysmin 2, continuação de Sysmin 1, que havia contado com 23 milhões de euros para o financiamento de 18 projetos destinados a reativar o setor mineiro dominicano entre 1994 e 2004. De acordo com o Escritório Nacional para os Fundos Europeus (Onfed), contraparte dominicana da UE, “Sysmin permitiu uma gama de projetos em diferentes campos que levam ao desenovlvimento intgral do setor mineiro”, facilitando a elaboração de importantes estudos na área. Dessa forma, entidades preivadas trabalham atualmente em diferentes projetos a partir dos estudos so Sysmin, programa que outorgou mapas de processos geológicos e pesquisas hidrogeológicas, mais uma linha de trabalho para a elaboração de projetos ambientais. Além disso, esses projetos permitiram detectar a necessidade de fortalecer alguns aspectos institucionais, como a atualização da administração mineira, a criação de um serviço geológico especializado e a modificação da lei mineira com base nos critérios atuais e e no entorno competitivo da República Dominicana. No início de 2005 começará a segunda etapa do programa, qualificada como “mais contundente” que a primeira, com a qual a UE “dota a República Dominicana de um instrumento valiosíssimo para um verdadeiro desenvolvimento sustentável do setor”, informou a Onfed. UE/ América Central PREVENÇÃO DE DESASTRES NATURAIS Dia 23 de dezembro, a Comissão Européia entregou 6 milhões de euros a quatro países centro-americanos para prevenção de desastres naturais e resguardo das comunidades mais vulneráveis. O aporte será distribuído pela Oficina de Ajuda Humanitária da CE, Echo, e será utilizado na promoção de sistemas de alertas precoces e respos- ta, em colaboração com as autoridades regionais e nacionais, bem como na preparação dos habitantes para enfrentar situações naturais adversas. O comunicado de imprensa emitido pela CE indica que o plano ajudará a 150 mil habitantes de Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua, e que seu objetivo é reduzir os problemas nas populações que podem ser mais afetadas. UE/Guatemala LUTA CONTRA A EXCLUSÃO DA MULHER Dia 14 de dezembro foi divulgado na Guatemala que a União Européia investirá junto ao governo do país centro-americano 7,5 milhões de euros para a luta contra a exclusão das mulheres. Em comunicado emitido pela UE, explicou-se que a Comissão Européia aprovou um projeto de assistência financeira e técnica de 6 milhões de euros, enquanto o governo guatemalteco investirá 1,5 milhão de euros. A “Defensoría de la Mujer”, órgão pertencente à Comissão Presidencial de Direitos Humanos (Cepredeh), será a encarregada de executar o pro- 12 jeto “Luta contra as exclusões na Guatemala”. A UE explicou que este plano terá duração de quatro anos e tem como objetivo ajudar na inclusão social, política e econômica das mulheres rurais e pobres, além das indígenas. O projeto ainda busca apoiar o fortalecimento das capacidades das instituições mais importantes do Governo, Congresso e sociedade civil para garantir a inserção das mulheres na construção e institucionalização de políticas públicas, que signifiquem uma melhora de seus níveis de vida. Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - CONVOCATÓRIAS NOTÍCIAS CONVOCATÓRIAS PROGRAMA GALILEU O comitê gestor do programa Galileu iniciou dia 6 de dezembro os processos de licitação abertos a organizações européias e latino-americanas. O programa Galileu consiste em um sistema mundial de localização e navegação por satélite, desenvolvido por meio de uma iniciativa conjunta da Comissão Européia e a Agência Espacial Européia. Sua aplicação vai desde o âmbito do transporte marítimo, rodoviário, ferroviário e aeronáutico até as áreas relacionadas com agricultura, indústria, mineração, pesca e extração de gás e petróleo. O Galileu contempla 30 satélites em órbita a uma altitude de 24 mil quilômetros, e é compatível com os sistemas GPS e Glonass, respectivamente norte-americano e russo. As propostas estão voltadas a estabelecer um Centro de Informação do Galileu na América Latina e implementar outros projetos de cooperação com a região no marco desse programa. O prazo de apresentação é dia 18 de fevereiro, e as informações sobre o Galileu e as convocatórias encontram-se nos seguintes sites: http://www.galileoju.com http://europa.eu.int/comm/dgs/energy_transporte/galileo http://www.esa.int/export/esaSA/navigation.html PROGRAMA EUROSOCIAL Dia 2 de dezembro a Comissão Européia anunciou a abertura das inscrições para o programa EUROsocial, projeto regional para incrementar a coesão social na América Latina. A iniciativa, que conta com investimento de 30 milhões de euros aportados pela Comissão Européia e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), foi lançada na III Cimeira UE/ALC, em maio de 2004, em Guadalajara. O EUROsocial pretende melhorar um conjunto de políticas que impactam na coesão social: educação, emprego, justiça, fiscal e saúde. Para o caso do emprego, o projeto será executado por meio da Organização Internacional do Trabalho. A convocatórioa refere-se ainda a outros quatro âmbitos, que deverão ser administrados por consórcios de entidades públicas européias e latino-americanas. O przo para apresentar as inscrições vencem em 15 de março, e o texto da convocatória e o guia para os participantes encontram-se disponíveis em dois enderços de internet: http://europa.eu.int/comm/europeaid/cgi/frame12.pl http://europa.eu.int/comm/europeaid/projects/amlat/eurosocial_fr.htm 13 NOTÍCIAS ACONTECER LATINO-AMERICANO - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 CEPAL RESULTADOS POSITIVOS NA AMÉRICA LATINA EM 2004 A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), divulgou seu “Balanço Preliminar das Economias da América Latina e o Caribe 2004”, onde indica que a região superou os prognósticos econômicos mais otimistas, conuistando um crescimento de 5,5% em 2004. O PIB per capita da região subiu cerca de 4%, mesma cifra projetada para 2005. Todos os países, com exceção do Haiti, tiveram taxas de crescimento positivas, destacando o caso de Argentina, Brasil, Chile Colômbia, México e Venezuela, as seis maiores economias da região, que depois de sete anos conseguiram um crescimento superior a 3%. Nesse grupo destacam-se os casos de Venezuela e Argentina - que conseguiram se recuperar depois de sofrer uma profunda crise -, com cifras de crescimento de 18% e 8,2%, respectivamente. Quanto à balança comercial, em 2004 as exportações cresceram 22,4% (10,8% em volumes e 10,5% nos preços), e as imoprtações, 19,8% (14,4% em volume e 4,7% em preço). Assim, pelo segundo ano a região apresentou superávit na conta corrente da banaça de pagamentos equivalente a 1,1% do PIB. Outro fator relevante a ser considerado é o aporte de remessas, que este ano cresceram 16,8%. A estes números é somado o aumento, pela primeira vez em cinco anos, do fluxo de investimentos estrangeiros diretos na América Latina e no Caribe. De acordo com cifras preliminares da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), a região atraiu US$ 60 milhões, 37% mais que no ano anterior. Já a taxa de inflação diminuiu 0,8 pontos, chegfando a 7,7%. Esse desempenho positivo da América Latina se deve em parte à recuperação da atividade econômica mundial, cujo crescimento do PIB é estimado próximo a 4%. Estados Unidos e China foram os motores dessa expansão. Entretanto, para 2005 a estimativa é de que o cenário internacional seja menos favorável, pelo prognósticos de desaceleração da economia norte-americana e os efeitos recessivos e inflacionários do alto preço do petróleo. BID COMPARTILHA DIAGNÓSTICO FAVORÁVEL O presidente do banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, felicitou pelo desempenho positivo da economia latino-americana, ainda que tenha advertido a necessidade do aumento de investimentos para assegurar o crescimento e a estabilidade nos próximos anos. Em seu balanço de 2005, Iglesias destacou que a região apresenta uma redução de sua dívida, baixa inflação e divisas competitivas. Enfatizou, porém, que a América Latina e o Caribe necessitam continuar suas reformas, promover maior investi- 14 mento e reduzir o desemprego. Sobre exportações, o informe do BID acrescenta que as exportações inter-regionais latinoamericanas cresceram 42% em compração a 2003, enquanto as exportações extra-regionais aumentaram em 20%. De acordo com o balanço, o BID foi a principal fonte de financiamento multilateral para América Latina e Caribe por onze anos consecutivos, principalmente nos países menores e mais vulneráveis. Os compromissos em empréstimos e garantias do BID à região em 2004 chegaram aos US$ 6 bilhões. Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - ACONTECER LATINO-AMERICANO NOTÍCIAS ALADI RECORDE NO INTERCÂMBIO COMERCIAL REGIONAL A Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), divulgou um balanço anual sobre a evolução do processo de integração regional, destacando entre seus principais aspectos que o intercâmbio comercial entre seus 12 membros - os países do Mercosul, da Comunidade Andina, Chile, México e Cuba - chegou a US$ 61 bilhões em 2004. O secretário-geral da Aladi, Juan Francisco Rojas, disse que essa cifra revela um crescimento de 40% em comparação a 2003, superando em cerca de US$ 15 milhões o máximo histórico registrado em 1997. Rojas explicou que o crescimento se deve, principalmente, “à significativa expansão da economia regional, que alcançou 5,6% este ano”, acrescentando que “durante 2004 todos os países, sem exceção, expandiram de forma importante suas compras inter-regionais”. Sobre as exportações, disse que, “com exceção do Equador, todos os demais países da Aladi aumentaram significativamente suas vendas à região”. Além disso, o diplomata venezuelano disse que durante 2004 arpofundou-se a tendência “já característica” do comércio regional, formado em pouco mais de 70% por produtos manufaturados. NOVAS AUTORIDADES A Aladi é o maior grupo latino-americano de integração. Congrega 430 milhões de habitantes, e empreendeu um processo de aprofundamento da integração regional para o qual conta com um mandato econômico e político. A partir de março de 2005, esse processo será liderado pelo ex-ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Didier Opertti, que assumirá como secretário-geral, e pelo ex-embaixador do Chile para Aladi e Mercosu, Héctor Casanueva, que será o novo diretor-geral da associação. CAN VENEZUELA ELIMINA VISTO PARA ANDINOS Dia 1 de janeiro deu-se início em Caracas ao plano que elimina o requisito de visto para todos aqueles habitantes da Comunidade Andina de Nações que ingresem à Venezuela por via aérea. A Secretaria Geral da CAN informou que em 8 de dezembro, no marco da XVI Reunião do Conselho Andino de Ministros de Relações Exteriores, a Venezuela adotou a decisão 503 para eliminar parcialmente a exigência de visto aos andinos. Arté 31 de dezembro de 2004, a Venezuela era o único país da CAN que exigia visto aos cidadãos dessa subregião. A meida permite o trânsito livre de turistas entre os cinco países membros da CAN, que devem apresentar somente o respectivo documento nacional de identificação, além de cumprir outros requisitos consulares e de permissão de estadia. Por enquanto, ficam livres da necessidade de visto aqueles turistas que cheguem por um aeroporto internacional. Depois essa medida será ampliada também àqueles que ingrerssem à Venezuela por via terrestre. De acordo com o govenro venezuelano, a restrição para ingresso por terra será mantida “em consideração às circunstâncias especiais da zona fronteiriça com a Colômbia”, lugar onde operam grupos guerrilheiros de esquerda e paramilitares de estrema direita e cuja fronteira compartilhada é de 2.219 quilômetros. 15 NOTÍCIAS ACONTECER LATINO-AMERICANO - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 SICA AVANÇOS NA UNIÃO ADUANEIRA CENTRO-AMERICANA Avanços substantivos foram registrados durante 2004 no processo de união aduaneira centro-americana, concretamente na harmonização arancelária e na progressiva eliminação de trâmites fronteiriços. Dois dos temas pendentes para 2005 são o fortalecimento dos sistemas de segurança nas estradas, investimento em infra-estrutura e o estabelecimento de um passaporte centro-americano único. Em meados de novembro, Guatemala e El Salvador foram os primeiros em eliminar os trâmites aduaneiros para o comércio e o trânsito de pessoas, assim como os níveis de inspeção. Os próximos a entrar no sistema serão Nicarágua e Honduras. Nesse sentido, durante a última reunião ordinária de chefes de Estado e de Governo dos países membros do Sistema de Integração Centro-Americana (Sica), dia 15 de dezembro, os mandatários manifestaram seu compromisso com a estratégia de segurança regional: o plano “América Central Segura”, além de acordar a negociação de comissões para o combate ao tráfico de armas e continuar com as ações para a rápida aprovação do tratado de livre comércio com os Estados Unidos. Costa Rica pediu um prazo mais longo para sua incorporação plena à união. Sobre as tarifas, a região harmonizou 93,37% das tarifas externas comuns, ficando somente 421 frações tarifárias pendentes para 2005. Também houve avanços na uniformização de regras de origem, medidas sanitárias, fitossanitárias e eliminação de obstáculos técnicos ao comércio intrarregional. Além disso, foi aprovada a entrada da Espanha como observadora extra-regional do Sica. NOVO SECRETÁRIO GERAL Na Cimeira presidencial centro-americana de dezembro foi juramentado o novo secretário-geral do Sica para o período 2005-2008, o ex-vice-ministro de Honduras, Aníbal Quiñónez Abarca. Na ocasião, homenageou-se Oscar Alfredo Santamaría, que deixava o cargo, por sua valiosa gestão no organismo regional. A próxima Cimeira de presidentes centro-americanos, que será dedicada à segurança e à integração, ser[a realizada no final de janeiro em Honduras, país que possui a Presidência pro tempore do Sica durante este semestre. 16 Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - ACONTECER LATINO-AMERICANO NOTÍCIAS ALBA PROPOSTA ALTERNATIVA À ALCA Os mandatários da Venezuela, Hugo Chávez, e de Cuba, Fidel Castro, assinaram em 14 de dezembro, em Havana, uma declaração conjunta e um acordo para concretizar a Alternativa Boliviana para as Américas (Alba). Entre os pontos mais importantes do documento fica estabelecido que “a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) é a expressão mais acabada do apetite de dominação sobre a região e que, ao entrar em vigor, constituirá um aprofundamento do neoliberalismo e criará níveis de dependência e de subordinação sem precedentes”. A declaração destaca a importância da integração para América Latina e o Caribe e confirma a proposta do presidente Chávez de contar com uma alternativa à Alca. Como princípio inspirador da Alba destaca-se “a solidariedade mais ampla entre os povos da América Latina e do Caribe, que se sustenta no pensamento de Bolívar, Martí, Sucre, O´Higgins, San Martín, Hidalgo, Petion, Morazán, Sandino e tantos outros homens dignos, sem nacionalismos egoístas nem políticas nacionais restritivas que neguem o objetivo de construir uma Grande Pátria na América Latina”. A Alba ainda tem como objetivo “a transformação das sociedades latino-americanas, tornando-as mais justas, cultas, participativas e solidárias e que, por isso, seja concebida como um processo integral que assegure a eliminação das desigualdades sociais e fomente a qualidade de vida e uma participação efetiva dos povos na formação de seu próprio destino.no”. Plano Puebla-Panamá NOVA SEDE SALVADOREÑA Dia 23 de dezembro El Salvador foi designada sede da Direção Executiva do Plano Puebla-Panamá (PPP). Além disso, o Banco CentroAmericano de Integração Econômica (BCIE), sob a supervisão da Comissão Executiva do PPP, designou como responsável da entidade para os próximos quatro anos a diretora da zona franca El Pedregal, a salvadorenha Maria Teresa de Rendón. No âmbito institucional, a Direção Executiva do PPP apóia a Comissão Executiva do grupo, que executa e dá seguimento à linhas e ações estabelecidas. O subsecretário de Relações Exteriores de El Salvador, Eduardo Cálix, destacou a importância da Direção Executiva na execução de projetos como desenvolvimento humano, infra-estrutura, telecomunicações e difusão. Nesse sentido, de Rendón indicou que a prioridade durante seu período será dar curso a essas iniciativas no prazo mais curto possível. 17 ACONTECER EUROPEU - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 NOTÍCIAS Consejo Europeo CIMEIRA DE BRUXELAS FIXA NOVAS AMPLIAÇÕES Dias 16 e 17 de dezembro foi realizada em Bruxelas a Cimeira do Conselho Europeu, que deu luz verde à possiblidade de negociar o ingresso da Turquia à UE, fixou as datas para o ingresso de Bulgária e Romênia e decidiu a abertura de negociações com a Croácia, sob certas condições. Além dos mandatários europeus, assistiram à Cimeira o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, com quem foram abordadas as novas estratégias contra o terrorismo. Os “Vinte e Cinco” comprometeram-se a estabelecer, para o final de 2005, uma estratágia contra a captura de terroristas, bem como um plano para proteger algumas infra-estruturas. A Comissão ainda se encarregará de desenvolver um programa de proteção às vítimas e fomentará diversas iniciativas para a prevenção de desvios de fundos para o terrorismo. Em junho de 2005, o bloco europeu avaliará suas capacidades para proteger os cidadãos frente a possíveis atentados. Em matéria de política exterior, os líderes europeus referiram-se principalmente a Ucrânia e Palestina, e, quanto à América Latina, expressaram sua vontade de terminar as negociações comerciais para conquistar um acordo com o Mercosul. No âmbito econômico, os líderes europeus decidiram abordar em junho as perspectivas do marco orçamentário 2007-2013, enquanto na área de liberdade, segurança e justiça, decidiu-se pela estratégia contra o uso de drogas para o período 2005-2012. Sobre isso, a CE comprometeu-se a elaborar um plano de ação para os próximos três anos. APROVADA NEGOCIAÇÃO COM TURQUIA Os líderes da UE reunidos no Conselho de Bruxelas dicidiram abrir as negociações com a Turquia em 3 de outubro de 2005. Um dia antes, o parlamento Europeu, por maioria de 58%, havia aprovado a abertura das negociações, antecipando a disposição européia favorável ao ingresso desse país muçulmano de 70 milhões de habitantes. O Conselho de Bruxelas recebeu uma declaração do governo turco na qual este se compromete a negociar com a CE e a assinaro protocolo de adaptação do Acordo Aduaneiro de Ankara, de 1963, antes de começar as negociações formais. Tal protocolo estende o Acordo Aduaneiro firma- 18 do pela então Comunidade Européia e Turquia, aos dez países que se incorporaram à UE em 1 de maio de 2004. Além disso, o protocolo implica que a Turquia reconheceria “de fato” à República do Chipre, país que foi integrado à UE em sua última ampliação e que mantém seu território dividido depois da ocupação turca do norte da ilha em 1983. Prevê-se que o processo de negociações com a Turquia seja longo e complexo, e que em princípio não deverá ser finalizado antes de 2014, podendo inclusive ser interrompido por decisão do Conselho. Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - ACONTECER EUROPEU NOTÍCIAS ACORDO PARA INGRESSO DE ROMÊNIA E BULGÁRIA Os líderes da União Européia proporam no Conselho de Bruxelas que Bulgária e Romênia ingressem no bloco a partir de janeiro de 2007, para o qual definiram assinar os tratados de adesão em abril de 2005. No caso da Romênia, o texto indica que “cláusulas de salvaguarda estabelecerão medidas para enfrentar problemas importantes que pudessem surgir antes da adesão ou nos três anos seguintes à mesma, em particular nos âmbitos da justiça e assuntos internos e de concorrência”. O Parlamento europeu havia emitido informes prévios sobre Bulgária e Romênia, nos que recomendava o ingresso de ambos países em 2007, reconhecendo entretanto que no caso da Romênia tal ingresso poderia ser prorrogada até 2009, considerando os aspectos pendentes no âmbito da luta contra a corrupção, a proteção das minorias e da infância e a reforma de seus sistemas administrativos e judiciais. Sobre a Bulgária, o PE reconhece um processo de reforma administrativa e judicial bemsucedido, assim como a preocupação pelo povo romeno. Nesse sentido, os mandatários dos 25 países europeus confirmaram que “as negociações com a Bulgária foram concluídas com sucesso”, e com a Romênia foram concluídos “formalmente todos os capítulos pendentes”, o que os deixariam em condições de ingressar na UE. NEGOCIAÇÕES COM A CROÁCIA Os mandatários europeus fixaram no Conselho de Bruxelas a data para o início das negociações de adesão da Croácia à UE. Dia 17 de março de 2005 começará o processo para a incorporação desse país, sob a condição que demonstre sua colaboração com o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Ioguslávia. O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durao Barroso, expressou em janeiro sua expectativa de que “se começarmos as ne- gociações a tempo e tudo correr bem, a Croácia poderá unir-se à União Européia antes do final do mandato desta Comissão, ou seja, antes do fim de 2009”. Dia 2 de fevereiro a CE definirá o marco negociador, que aumentará de 31 para 36 o número de capítulos sujeitos a negociação, dividindo alguns setores como agricultura, com o objetivo de facilitar o avanço das negociações. 19 ACONTECER EUROPEU - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 NOTÍCIAS CONSELHO DA UE ENCERRA PRESIDÊNCIA HOLANDESA Dia 31 de dezembro encerrou-se a presidência semestral da UE a cargo dos Países Baixos, com importantes conquistas no processo de ampliação do bloco europeu e no avanço das reformas de segurança e econômicas. Em reunião realizada no castelo de Senningen, Luxemburgo, o primeiro-ministro holandês, Jan Meter Balkenende, passou o cargo ao luxemburguês JeanClaude Juncker. Ao dar início à presidência holandesa, em 1 de julho de 2004, Balkenende havia destacado que “se há algo que a Europa não necessita é que a presidência carregue um fardo de novos temas”. Seguindo essa declaração, a presidência centrou-se em temas como o incremento da segurança européia, o restabelecimento da saúde de sua economia e a preparação das adesões de Romênia, Bulgária, Croácia e Turquia. Provavelmente, o feito mais importante do segundo semestre de 2004 foi o início das negociações para a adesão da Turquia à União Européia. A isso soma-se o acordo para o ingresso de Romênia e Bulgária em 2007 e o início das negociações com a Croácia em março de 2005. No âmbito econômico, a presidência holandesa preparou, entre outras coisas, a revisão política da agenda de Lisboa, prevista para a primavera de 2005, e continuou o debate sobre as perspectivas financeiras da UE para o período 2007-2013, no qual os Países Baixos defenderam a redução do orçamento comunitário. Nos temas relacionados com segurança, melhorou-se o intercâmbio de informação e foi criado um “mercado comum de decisões judiciais” para lutar contra o terrorismo. INÍCIO DA PRESIDÊNCIA LUXEMBURGUESA No dia 1 de janeiro, Luxemburgo assumiu a presidência semestral da União Européia como a meta de dar ao bloco comunitário um maior peso internacional, continuar com o processo de ampliação e fortalecer a economia dos 25. As prioridades para a presidência luxemburguesa durante o primeiro semestre de 2005 vão desde o orçamento comunitário para o período 2007-2013, a política ambiental, a criação de emprego, a eficácia energética até o fomento da pesquisa. Umas das primeiras tarefas para a nova presidência depois do acordo alcançado pelos líderes da UE em 17 de dezembro no Conselho Europeu de Bruxelas é a elaboração de um calendário para a negociação com Turquia e seu possível ingresso ao bloco comunitário. Da mesma forma, deve culminar com a redação dos tratados de adesão com Bulgária e Romênia, cuja assinatura será feita no mês de abril. Além dis- 20 so, as negociações com Croácia deverão começar em 17 de março, com critérios apresentados pela nova Presidência do Conselho. O âmbito econômico será prioritário na agenda de Luxemburgo, pois será discutida a Estratégia de Lisboa e serão examinados o pacto de Estabilidade e Crescimento e o Orçamento da UE 2007-2013. Nos aspectos ambientais, Luxemburgo enfrentará durante o semestre a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto. Não menos importante será a participação de Luxemburgo nos processos de ratificação da Constituição Européia, cuja primeira reunião será dia 20 de fevereiro na Espanha. Na área de Relações Exteriores, a atenção estará voltada para Bálcãs, Rússia, Ucrânia, Oriente Médio, América Latina, África, Ásia e Estados Unidos, este último, com maior relevância, posto que a presidência luxemburguesa defende uma política transatlântica, que foi prejudicada pela invasão do Iraque. Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - ACONTECER EUROPEU NOTÍCIAS Agricultura ENTRA EM VIGOR A NOVA PAC Dia 1 de janeiro entrou em vigor a nova Política Agrícola Comum (PAC), a princípio, para dez países membros da União Européia: Áustria, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Itália, Irlanda, Reino Unido, Portugal, Luxemburgo e Suécia. A reforma introduz o pagamento de subsídios agrícolas sem considerar o volume da produção. Por meio de um “sistema único de pagamento por superfície”, se outorga a todos os agricultores de uma região direitos por hectares uniformes, financiados por um pacote regional. A reforma da PAC também determina o pagamento sem considerar a colheita, ou seja, a ajuda que o agricultor receberáé independente de haver ou não colheitam, o que é chamado de “pagamento único por exploração”. Os setores agrícolas que serão beneficiados com o novo sistema de pagamento único por explporação (SPU) serão o de cereais, leitee carne. As azeitonas, o azeite, o algodão e o tabaco serão integrados ao sistema em 2006. Os financiamentos serão dados tomando em conta a situação ambiental, a segurança alimentar e o respeito ao bem-estar animal, âmbitos que serão apoiados por programas específicos, de forma que os agricultores possam cumprir com os critérios de produção. Além disso, será exigida a conservação dos terrenos que estejam em boas condições agrícolas e ambientais. O objetivo dessas medidas, de acordo com a CE, é fazer com que os campesinos tenham liberdade de produzir o que o mercado requer e dessa forma ser “mais competitivos e mais orientados ao mercado”, o que levará à estabilidade econômica. A nova PAC ainda conta com um mecanismo de “disciplina financeira” cuja finalidade é prevenir que se sobrepasse um determinado teto em gastos. A partir de janeiro de 2006, cinco novos países vão aderir à nova PAC: Espanha, Holanda, França, Finlândia e Grécia, e em 2007 será a vez de Eslovênia e Malta, enquanto nos oito países restantes a PAC será aplicada, no mais tardar, em 2009. 21 ACONTECER EUROPEU - Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 NOTÍCIAS BCE NORMA DO PACTO DE ESTABILIDADE É QUEBRADA Dia 9 de dezembro, o Banco Central Europeu (BCE) indicou em Roma que, de acordo com suas projeções, Alemanha, Grécia e Finlândia terão em 2005 um déficit fiscal maior do que 3% do PIB, cifra que constitui o limite autorizado pela União Européia. Além disso, o BCE indicou que pelo quarto ano consecutivo a relação déficit-PIB “continua piorando”, com uma média que passou de 2,7% para 2,9% em 2004. Desde 2002, Alemanha e França ultrapassaram o limite de 3%, medida estabelecida no Pacto de Estabilidade para fixar os parâmetros de integração ao euro. Além disso, Itália (2,9%), Holanda e Portugal (3%) fecharam 2004 no limite de ultrapassar o percentual máximo autorizado. No informe divulgado pelo BC ainda destacouse que se estima “uma expansão gradual na área do euro nos próximos dois anos, com taxas de cresci- mento mais moderadas em relação às antecipações de alguns meses atrás, devido ao impacto dos preços do petróleo”. O BCE alertou os países para manterem-se vigilantes dianta do risco à estabilidade dos preços no médio prazo e recomendou aos governos conter os gastos primários como principal medida para melhorar as finanças públicas. Seguindo a mesma linha, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durao Barroso, declarou que “fazer mais Europa com menos dinheiro não é impossível”. Durão Barroso acrescentou que, em último caso, deveriam ser elaboradas “pautas mais justas e realistas” para que, no futuro, os países da UE cumpram e transformem a Europa “na economia mais competitiva do mundo” para 2010. Por agora, a CE apóia o projeto que busca reduzir os gastos financeiros do bloco comunitário de 1,22% a 1,14%. Segurança UE ASSUME FORÇAS DE PAZ NA BÓSNIA Dia 2 de dezembro a UE assumiu o controle das forças de paz na Bosnia Herzegovina, constituindo-se na maior missão militar da história do bloco europeu. Depois da assinatura do Acorto de Dayton, pacto que terminou com a guerra da Bósnia (1992-1995), o Conselho de Segurança das Nações Unidas tomou a decisão de enviar tropas ao país afetado com o objetivo de restabelecer a paz, responsabilidade assumida pela OTAN durante um período de nove anos. Essas tropas foram reveladas pela missão européia “Althea”, que conta com o apoio geral da população civil e dos líderes políticos muçulmanos, sérvios e croatas. 22 A missão será integrada por 7 mil efetivos de 22 países membros da UE e de 11 nações externas ao bloco comunitário. O objetivo da missão será manter a estabilidade e a paz, e as tarefas serão centralizadas na detenção de acusados de crimes de guerra e a luta contra o crime organizado. Em Bruxelas, espera-se que a missão na Bósnia sirva como início ao desenvolvimento de um força militar e diplomática contundente e coesa, que demonstrará a capacidade militar do bloco europeu e permitirá avaliar a factibilidade da criação de uma política comum de defesa no âmbito comunitário. Eurolat Dezembro 2004 - Janeiro 2005 - NOTÍCIAS CELARE NOTÍCIAS Publicações CELARE EM NOVOS IDIOMAS Atendendo ao objetivo de difundir o processo de relações entre União Européia e América Latina e o Caribe, e as comunidades latino-americanas e européias, da forma mais ampla possível, o CELARE investiu na reprodução de suas publicações nos idiomas inglês e português. EUROLAT EM PORTUGUÊS A Carta Informativa Eurolat, com informações sobre as vinculações latino-americanas para a construção de uma Associação estratégica birregional, assim como sobre os avanços da integração européia e latino-americana, teve suas seis edições de 2004 editadas em português. Com isso pretende-se facilitar a compreensão desses processos, abrindo-los à língua nativa de países como Brasil e Portugal, principais atores da relação ibero-americana. LIVRO ASSOCIAÇÃO ESTRATÉGICA CHILE-UE EM INGLÊS E PORTUGUÊS Dado o grande interesse suscitado pela publicação “A Associação Estratégica Chile-Unição Européia”, o CELARE editou, num primeiro momento, uma versão do livreo em inglês, com o interesse de apresentar seus conteúdos principalmente a leitores europeus. Soma-se agora uma nova edição, em portugês, para atender à demanda de países como o Brasil, membro do Mercosul, bloco que negocia um Acordo de Associação com a UE similar ao firmado com Chile. A Carta Informativa Eurolat 2004, em versão espanhol e português, e os livros da Associação UE-Chile nos idiomas espanhol, inglês e português podem ser consultados no site institucional do CELARE: www.celare.org 23 PUBLICACIONES CELARE • Aportes a la III Cumbre Unión Europea - América Latina y el Caribe. Guadalajara 2004 (2004) • XVI Conferencia Interparlamentaria Unión Europea AméricaLatina - Bruselas 2003 (2003) É uma publicação bimestral do CELARE, distribuída com a ajuda financeira da Comissão da União Européia. Colaboração: Claudia Hormazábal G. Edição: Cristina Silva P. Arte e diagramação: Mertín Concha e Associados Impressão: Authievre imp. As opiniões expresadas são as do editor e dos autores e não representam pontos de vista oficiais da Comunidade Européia. • La Asociación Estratégica Chile - Unión Europea (2003) • II Cumbre Unión Europea - América Latina y el Caribe: Reflexiones y Proyecciones Tras Madrid 2002 (2002) • II Cumbre América Latina y el Caribe - Unión Europea en un mundo global. Aportes para una carta de navegación común (2002) • Unión Europea y América Latina Frente a los Desafíos de la Globalización (2001) • La Sociedad Civil del Mercosur y Chile en la Asociación con la Unión Europea (2000) • América Latina y el Caribe: Una Asociación Estratégica para el Siglo XXI (1999) • Primera Cumbre América Latina y el Caribe – Unión Europea: Una Reflexión Política Estratégica (1998) • América Latina y la Unión Europea Más Allá del 2000 (1997) • Educación para la Democracia: Un Desafío para América Latina (1997) CELARE Centro Latino-Americano para as Relações com a Europa Calle Europa 2086, Providencia, Santiago, Chile Telefone: 562 - 234.3976 Fax: 562 - 234.3977 Correio electrônico: [email protected] Página web: www.celare.org • La Presidencia Española del Consejo de la Unión Europea.Un Nuevo Impulso a las Relaciones con América Latina (1996) • Los Desafíos de la Integración para el Socialismo Democrático (1996) • La Gobernabilidad Democrática en Iberoamérica. Aportes a la VI Cumbre Ibero-americana (1996) • América Latina y la Unión Europea Construyendo el Siglo XXI (1996) • El Parlamento Europeo y América Latina. El Rol del Parlamento Europeo en el Fortalecimiento de las Relaciones Birregionales (1996) • Relaciones entre las Sociedades Civiles de Chile y Argentina (1995) • Relaciones con la Unión Europea: Una Visión Latinoamericana (1995) • SERIE BIBLIOGRAFICA: América Latina – Unión Europea: Documentación de Base (1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003) • A CARTA INFORMATIVA EUROLAT 24