EVOLUÇÃO DA FLEXIBILIDADE EM CRIANÇAS DE 7 A 14 ANOS DE IDADE DE UMA
ESCOLA PARTICULAR DO MUNICÍPIO DE TIMÓTEO-MG
Eluana Alexandra Rassilan
Graduada Educação Física pelo Unileste-MG.
Tasso Coimbra Guerra
Mestre em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília
Docente do Unileste-MG
[email protected]
RESUMO
A flexibilidade é considerada como um componente da aptidão física relacionada à saúde
e também ao desempenho. É especifica das articulações podendo ser melhorada com a
prática. O presente estudo tem como objetivo verificar a evolução da flexibilidade em
crianças de 7 a 14 anos, segundo a idade e o gênero. O estudo foi realizado em uma
escola particular situada no município de Timóteo-MG, cujos alunos em sua maioria são
de classe média. Foram selecionados 208 alunos, de 7 a 14 anos de idade, de ambos os
gêneros. Para tratamento de dados foram utilizadas medidas de tendência central (média)
e dispersão (desvio padrão) por gênero e idade. Para verificação da diferença entre os
grupos foi utilizada a Análise de Variância (One Way ANOVA). Para verificar a associação
entre as variáveis idade e flexibilidade foi realizado o teste de correlação de Pearson. O
grau de flexibilidade foi determinado através do teste de sentar e alcançar que avalia a
flexibilidade do tronco e dos músculos posteriores da coxa. A flexibilidade aponta
tendência de declínio dos resultados obtidos e permitiram concluir que as meninas foram
mais flexíveis que os meninos, com exceção a idade de 10 anos, apresentando a curva
da evolução da flexibilidade dos 7 aos 14 anos relativamente normal em relação a outros
estudos, sendo encontrada uma correlação negativa entre a flexibilidade e a idade para o
gênero masculino. Finalmente, a fim de verificar o atendimento aos critérios de saúde
segundo o padrão estabelecido pelo Projeto Esporte Brasil, do grupo pesquisado cerca de
73% das meninas atenderam aos critérios de saúde e do grupo masculino apenas 44%
atenderam aos critérios.
Palavras-chaves: Flexibilidade, criança.
ABSTRACT
The flexibility is considered as a component of the physical fitness related to the health
and also to the acting it is specifies of the articulations could be improved with the practice.
The present study has as objective verifies the evolution of the flexibility in children from 7
to 14 years, according to the age and the gender. The study was accomplished at a
private school placed in the municipal district of Timóteo-MG, whose students in his/her
majority are of middle class. 208 students were selected, from 7 to 14 years of age, of both
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goods. For treatment of data measures of central tendency were used (average) and
dispersion (I divert pattern) for gender and age. For verification of the difference among
the groups the Analysis of Variance was used (One Way ANOVA). Para to verify the
association between the variables age and flexibility the test of correlation of Pearson it
was accomplished. The degree of flexibility was determined through the test of to sit down
and to reach that it evaluates the flexibility of the trunk and of the thigh's subsequent
muscles. The flexibility points tendency of decline of the obtained results and they allowed
to conclude that the girls were more flexible than the boys, with exception the 10 year-old
age, presenting the curve of the evolution of the flexibility relatively of the 7 to the 14 years
normal in relation to other studies, being found a negative correlation between the
flexibility and the age for the masculine gender. Finally, in order to verify the service to the
criteria of health according to the established pattern for the Projector Sport Brazil, of the
group researched about 73% of the girls assisted to the criteria of health and of the
masculine group 44% only assisted to the criteria.
Key Word: Flexibility, child.
INTRODUÇÃO
Para um desenvolvimento psicofísico harmonioso, as crianças e os adolescentes
têm necessidade de uma dose suficiente de movimento que é guiada espontaneamente
pelas crianças (WEINECK, 1999). Por seu papel preponderante na capacidade motora do
homem, a flexibilidade contribui decisivamente em diversos aspectos da motricidade
humana, desde seus gestos cotidianos e até mesmo na busca do aperfeiçoamento da
execução de movimentos desportivos. A literatura existente suporta o conceito de que a
participação em certas atividades físicas resulta no desenvolvimento específico da
flexibilidade em algumas articulações (BARBANTI, 1996). A flexibilidade tende a ser parte
da herança genética, alguns indivíduos parecem ter nascido “soltos”, enquanto outros são
“presos”, isto é, exibe menor amplitude de movimentos. Barbanti (1996) apresenta a
flexibilidade como um pré-requisito básico para a execução tecnicamente correta dos
movimentos. Níveis de flexibilidade inadequados podem resultar no aumento da
probabilidade de ocorrerem lesões músculo-esqueléticas, ou ainda tornar impossível a
realização de determinados movimentos.
A flexibilidade é uma das capacidades físicas de capital importância a ser cultivada,
é considerada como um importante componente da aptidão física relacionada à saúde e
também ao desempenho, é especifica das articulações podendo ser melhorada com a
prática. Achour Júnior (1996), define a flexibilidade pela máxima amplitude de movimento
em uma ou mais articulações sem o risco de lesão. A flexibilidade é bastante específica
para cada articulação, podendo variar de indivíduo para indivíduo e até no mesmo
indivíduo. Basicamente a flexibilidade é resultante da capacidade de elasticidade
demonstrada pelos músculos e os tecidos conectivos, combinados à mobilidade articular
(WEINECK, 1991), com isso, a manutenção de uma boa elasticidade dos tecidos
muscular e conectivo, poderá garantir a manutenção de níveis desejados de flexibilidade.
Embora as exigências de bons níveis de flexibilidade em relação à saúde sejam
largamente descritas, ainda não se conseguiu estabelecer de forma científica, quanto de
flexibilidade seria necessário para o ser humano.
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Segundo Farinatti (1995), o que se sabe é que existe a necessidade de níveis
mínimos de flexibilidade, quer seja como forma de prevenção contra determinadas
patologias, ou para um melhor desempenho atlético. A manutenção de bons níveis de
flexibilidade nas principais articulações tem sido comumente associada a: maior
resistência a lesões; menor propensão quanto à incidência de dores musculares,
principalmente na região dorsal e lombar; prevenção contra problemas posturais
(ACHOUR JÚNIOR, 1996). A flexibilidade é importante para a saúde geral e a aptidão
física, sendo muito utilizada nos programas de reabilitação. Essa maleabilidade é
fundamental nas atividades profissionais e nas tarefas diárias e a sua redução,
acompanhada do envelhecimento, pode acarretar a perda total da independência dos
movimentos.
Alguns fatores como sexo e idade, temperatura corporal e estado de treinamento
apresentam influências direta sobre a estrutura e composição dos tecidos e também por
fatores externos, os quais se encontram no ambiente como a hora do dia (pela manhã a
flexibilidade é menor); a temperatura (no frio a flexibilidade tende a reduzir) e o exercício,
por influenciar diretamente os componentes plásticos e elásticos do músculo irá modificar
o potencial de flexibilidade do indivíduo, levando consequentemente a um comportamento
bastante diversificado dos níveis de flexibilidade articular. O genótipo da pessoa também
interfere: algumas pessoas possuem uma flexibilidade fraca e, por mais que se submetam
a treinamentos, melhoram muito pouco, enquanto outras já nascem flexíveis demais.
Em relação ao sexo, em geral, as mulheres têm demonstrado maiores níveis de
flexibilidade do que os homens, independente da idade (ACHOUR JÚNIOR, 1996) e
essas diferenças se mantêm ao longo de toda a vida. Independentes do sexo, vários
autores têm descrito que a flexibilidade decresce com a idade (WEINECK, 1991;
POLLOCK & WILMORE, 1993) e apontam que um decréscimo mais acentuado só é
verificado a partir dos 30 anos. Esta redução parece estar estreitamente associada a uma
diminuição da capacidade de estiramento dos tendões, ligamentos e músculos, devido a
uma perda de água, fibras elásticas e mucopolissacarídeos. Por outro lado, esta redução
é associada mais a um decréscimo nos níveis de atividade física decorrente do avanço da
idade do que ao processo de envelhecimento, quanto mais velha a pessoa, menor sua
flexibilidade.
Como a movimentação (contida pela educação e pela escola), é uma necessidade
para o desenvolvimento, a promoção da atividade física na infância é fator primordial para
o desenvolvimento de hábitos saudáveis que podem modificar futuros aparecimentos de
doenças crônicas enquanto adulto. Numerosas pesquisas sustentam a idéia de que
importantes características da saúde e performance são melhoradas na infância como
resultado de atividades físicas. A flexibilidade é o único requisito motor que atinge seu
auge na infância, até os 10 anos, piorando em seguida se não for devidamente
trabalhada. Por esta razão, o treinamento de flexibilidade deve começar já na infância,
para que não haja perda e para garantir uma boa elasticidade na vida adulta.
A primeira infância, que se caracteriza do nascimento até os três anos de idade, o
trabalho de flexibilidade deve ser o mais natural e menos forçado possível (DANTAS,
1995). Não se deve impor à criança posturas ou movimentos visando aumentar seus
arcos articulares, devido à fragilidade dos componentes envolvidos. Na segunda infância,
que se prolonga dos três até os seis sete anos, já se pode falar em treinamento de
flexibilidade. A forma mais conveniente de realizar o trabalho é inserir exercícios de
flexionamento em pequenos jogos ou sessões de ginástica utilitária com alto componente
3
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lúdico. Já na terceira infância, fase que vai dos seis, sete anos ao início da puberdade,
pode-se iniciar o treinamento de flexibilidade com finalidade esportiva, exigindo elevado
grau de desenvolvimento dessa qualidade física. No final desta fase, ocorrerá
normalmente o início do surto pubertário, acarretando inúmeras alterações a nível
hormonal, fisiológico e morfológico que irão provocar profundas modificações na
biomecânica dos movimentos e na capacidade de estiramento dos músculos.
Em relação à prática de atividades físicas regulares, os indivíduos mais ativos
normalmente têm se mostrado mais flexíveis do que os indivíduos menos ativos
(ACHOUR JÚNIOR, 1996). Isto se deve a um possível encurtamento dos tecidos
colágenos, tornando-os mais rígidos e consequentemente reduzindo sua capacidade de
elasticidade devido a falta de atividade física regular. Entretanto, mesmo aqueles
indivíduos considerados ativos, como no exemplo dos maratonistas, os níveis de
flexibilidade podem ser bastante reduzidos caso não realizem atividades físicas que
envolvam extensão total dos segmentos (POLLOCK & WILMORE, 1993). Para que as
atividades físicas tenham influência positiva sobre os níveis de flexibilidade, as
articulações devem ser solicitadas acima da amplitude de movimento habitual. Os
exercícios contra resistência (musculação) realizados com amplitudes articulares
reduzidas, combinados à ausência de alongamentos, podem provocar reduções na
flexibilidade articular. Quanto a esse assunto, Farinatti (1995), ao analisar os efeitos
agudos de um programa de musculação, verificou efeitos negativos sobre os índices de
flexibilidade, sendo os indivíduos do sexo masculino os mais afetados.
Os métodos para a medida e avaliação da flexibilidade podem ser classificados em
função das unidades de mensuração dos resultados em três tipos principais: angulares,
lineares e adimensionais. Os testes angulares são aqueles que possuem resultados
expressos em ângulos, a medida dos ângulos é denominada goniometria e pode ser
obtida através de diferentes instrumentos, os testes lineares (sentar e alcançar) se
caracterizam por expressar os resultados em uma escala de distância, tipicamente em
centímetros ou polegadas. Eles se realizam através de fitas métricas, réguas ou trenas
para a mensuração dos resultados. Os testes adimensionais (flexiteste) têm como
principal característica a interpretação dos movimentos articulares, comparando-os com
uma folha de gabarito.
O teste de sentar e alcançar vêm sendo um dos mais indicados tanto para
avaliação de crianças e adolescentes (GUEDES, 1994; ACHOUR JÚNIOR, 1996) quanto
na avaliação de adultos. Sua grande aceitação se deve pelos seguintes itens: utilização
de um movimento que se assemelha com algumas ações do cotidiano; grande facilidade
na sua aplicação, principalmente quando envolve um grande número de sujeitos a serem
avaliados; alta reprodutibilidade e porque avalia a flexibilidade ao nível da coluna e dos
músculos isquiotibiais, que está associada a grande parte das queixas dolorosas na
região lombar e aos problemas de ordem postural. No entanto, deve-se levar em
consideração que um elevado índice de flexibilidade na região do quadril não reflete
necessariamente um bom índice em qualquer outra região. Desse modo, quando for
possível a utilização de um único teste de flexibilidade, sugere-se que o teste de “sentar e
alcançar” seja o escolhido, porém quando for necessário obter informações com relação a
cada articulação separadamente, faz-se necessário o envolvimento de goniômetros e
flexômetros.
Este estudo apresenta informações sobre o desenvolvimento da flexibilidade como
uma capacidade física necessária para a execução dos movimentos em geral, sendo a
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esta um importante componente da aptidão física relacionado à saúde. Estudos que
investiguem sua evolução, sua relação com a idade e gênero, são relevantes para a
identificação de possíveis deficiências ou anormalidades no seu desenvolvimento,
permitindo a proposição de correções. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a
evolução da flexibilidade em crianças de 7 a 14 anos, segundo a idade e o gênero.
METODOLOGIA
O estudo foi realizado em uma escola particular do município de Timóteo-MG.
Foram selecionados por sorteio para compor a amostra 208 escolares de 7 a 14 anos de
ambos os sexos, do Ensino Fundamental, sendo 100 crianças do sexo masculino e 108
do sexo feminino, escolares do turno matutino de 5ª a 8ª série e vespertino de 1ª a 4ª
série, todos do Ensino Fundamental do estabelecimento selecionado. Para a coleta de
dados uma balança eletrônica portátil da marca Camry, fita métrica e esquadro de
madeira. Foram utilizadas fichas para anotações dos nomes, idades das crianças, os
níveis alcançados no teste de flexibilidade e um banco de “WELLS”, uma caixa de
madeira especialmente construída apresentando dimensões de 30,5 x 30,5 centímetros,
tendo a parte superior plana com 56,5 centímetros de comprimento, na qual é fixada uma
fita métrica sendo que o valor 23 coincide com a linha onde o avaliado deverá acomodar
seus pés, para realizar o teste "sentar e alcançar" de flexibilidade.
Para os procedimentos, primeiramente foi pedida uma autorização por escrito a
direção da escola e concedido o pedido foi enviada uma carta aos pais dos alunos
informando os objetivos da pesquisa. Foi elaborado um calendário para a realização dos
testes, os quais foram realizados durante as aulas de educação Física nos turnos
matutino e vespertino no ginásio esportivo. Antes da realização destes as crianças
tiveram o seu peso e altura determinados, como caracterização da amostra. Foi aplicado
o teste de sentar e alcançar “SIT – AND – REACH – TEST” de flexibilidade, cujo protocolo
está descrito por Barbanti (1996). As crianças foram avaliadas da seguinte forma:
sentadas no chão, com os pés encostados em baixo da caixa, pernas estendidas, as
mãos permanecendo sobrepostas e deslizando sobre a caixa, o máximo de distância
conseguida por criança avaliada em três tentativas, sendo considerada a melhor nota
tendo as crianças permanecido na posição por pelo menos dois segundos. O registro foi
efetivado por centímetros. Para tratamento de dados foram utilizadas medidas de
tendência central (média) e dispersão (desvio padrão) por gênero e idade. Para
verificação da diferença entre os grupos foi utilizada a Análise de Variância (One Way
ANOVA). Para verificar a associação entre as variáveis idade e flexibilidade foi realizado o
teste de correlação de Pearson.
Foi garantido aos alunos o direito de não participarem ou a possibilidade de
abandono em qualquer momento da pesquisa. O nome das pessoas que participaram da
amostra será mantido em sigilo. Durante a realização dos testes foram tomados todos os
cuidados previamente necessários para não expor as crianças a nenhum tipo de estresse.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Inicialmente é apresentada na Tabela 1 a caracterização do grupo com relação ao
número de crianças da amostra e na Tabela 2 a comparação entre os gêneros com as
médias do peso, estatura e IMC.
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Tabela 1 – Número de crianças por gênero e idade.
Gênero
Idade
7
8
9
10
11
12
13
14
Total
Feminino
19
21
15
12
9
13
8
11
108
Masculino
14
12
15
14
9
14
15
7
100
Total
33
33
30
26
18
27
23
18
208
Pode-se observar que em média para as medidas de estatura, as crianças
apresentaram valores similares dos 7 aos 14 anos de idade para ambos os gêneros e
com relação ao peso corporal, as diferenças não apresentaram-se significativas, por outro
lado os índices de massa corporal (IMC), demonstraram ser menos sensíveis a
modificações em seus valores com a idade, apresentando nas meninas um aumento aos
11 anos e nos meninos aos 9 anos de idade.
Tabela 2 – Média e desvio padrão das variáveis peso, estatura e IMC , por gênero e idade
Variáveis
Feminino
7
25,5
±5,1
8
28,8
±5,6
9
30,4
±6,1
10
35,7
±7,8
Idade
11
46,7
±9,9
12
44,9
±9,0
13
45,7
±5,2
14
49,7
±6,9
Masculino
26,0
±6,1
31,1
±4,0
35,6
±8,3
37,0
±6,3
41,9
±6,9
41,1
±9,4
51,8
±14,7
54,0
±6,3
Feminino
1,3
±0,1
1,3
±0,1
1,3
±0,0
1,4
±0,1
1,5
±0,1
1,6
±0,1
1,6
±0,1
1,6
±0,1
Masculino
1,2
±0,1
1,3
±0,0
1,4
±0,1
1,4
±0,1
1,5
±0,1
1,5
±0,1
1,6
±0,1
1,7
±0,1
Feminino
16,0
±2,2
16,6
±2,2
16,8
±2,8
17,4
±2,9
21,7
±4,2
18,5
±2,4
18,5
±1,2
18,9
±1,7
Masculino
16,7
±2,8
17,6
±1,4
19,0
±2,8
18,6
±2,5
18,6
±2,4
18,2
±3,2
19,6
±4,8
19,4
±1,6
Gênero
Peso (kg)
Estatura
(m)
IMC
(kg/m²)
A Tabela 3 e Figura 1 apresentam os resultados médios e desvio padrão do teste
de sentar e alcançar, por gênero e idade. Verifica-se que na maioria das idades, as
meninas apresentaram valores médios superiores em relação aos meninos, no entanto,
apenas aos 11-12 anos foi encontrado a diferença significativa. Curiosamente aos 10
anos de idade, os meninos apresentaram valores superiores aos das meninas, apesar de
não haver estatisticamente significância.
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Tabela 3 – Comparação das médias de flexibilidade entre os gêneros e por idade
Variável
Gênero
Feminino
Flexibilidade
(cm)
Masculino
7
27,6
±5,7
8
28,5
±5,0
9
25,9
±3,4
10
22,7
±6,9
23,9
±7,0
26,7
±5,2
25,9
±6,4
25,9
±5,2
Idade
11
27,6*
±6,0
20,2
±8,0
12
25,2*
±7,5
13
28,1
±11,3
14
25,6
±5,0
19,3
±6,9
20,3
±8,1
25,6
±6,1
* (p≤ 0,05)
Flexibilidade (cm)
36
*
*
11 anos
12 anos
27
18
9
0
7 anos
8 anos
9 anos
10 anos
13 anos
14 anos
Idade
Masculino
Feminino
Figura 1 – Comparação das médias de flexibilidade entre os gêneros e por idade
Quanto às curvas envolvendo os resultados observados do teste “sentar-ealcançar’ (Figura 2), verifica-se que as meninas demonstraram tendência a apresentar
valores relativamente menores de 9 a 10 anos de idade e, na seqüência, aumenta
variavelmente até aos 14 anos de idade. Os meninos, contudo, mostraram declínio dos 9
aos 13 anos, seguido por uma ascensão aos 14 anos de idade.
Flexibilidade (cm)
36
27
18
9
0
7 anos
8 anos
9 anos
10 anos
11 anos
12 anos
13 anos
14 anos
Idade
Masculino
Fem inino
Figura 2 – Curva de evolução da flexibilidade dos gêneros masculino e feminino
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Na Tabela 4 com o objetivo de comparar os níveis médios de flexibilidade entre as
idades de 7 a 14 anos, foi realizada uma analise de variância (One-Way ANOVA), em que
se pode afirmar que nenhum grupo teve um nível de flexibilidade superior aos demais, no
nível de significância de 1% (α = 0,01).
Tabela 4 – Análise de variância (One-Way ANOVA) da variável flexibilidade, no gênero
masculino
Graus de Soma dos Quadrado
Gênero
Fonte de Variação
F
p-value
Liberdade Quadrados Médio
Entre grupos
7
808,7
115,5
2,6
0,018
Masculino
Dentro dos grupos
92
4125,3
44,8
Feminino
Entre grupos
Dentro dos grupos
7
353,4
50,5
100
3863,6
38,6
1,3
0,255
Com o objetivo de comparar os resultados do presente estudo com outros estudos,
são apresentadas nos gráficos 3 e 4 as curvas de evolução do estudo de Guedes e
Guedes (1997), com crianças de Londrina-PR. Sobrepostas às curvas obtidas neste
trabalho. Pode ser observado na Fig. 3 e 4 que, apesar das oscilações das curvas de
evolução do presente estudo, os resultados seguem uma tendência semelhante aos
achados de Guedes e Guedes (1997), ou seja, os níveis de flexibilidade não sofrem
grandes alterações para cima ou para baixo, ao longo da idade. Pode-se atribuir ao
pequeno número da amostra a maior variação nas curvas apresentadas em relação ao
estudo de Guedes e Guedes (1997), que envolveu quantidade significativamente maior de
crianças.
50,00
Fl 40,00
ex
ibi
lid 30,00
ad
e
20,00
(c
m)
10,00
P 95
P 50
P5
0,00
7 anos
8 anos
9 anos
10 anos
11 anos
12 anos
13 anos
14 anos
Idade
Estudo
Londrina
Figura 3 – Distribuição dos percentis (P5, P50 e P95) das medidas de flexibilidade de crianças e
adolescentes desse estudo e do estudo de Londrina, para o gênero masculino.
8
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50,00
Fle
xib
ilid 40,00
ad
e
30,00
(c
m)
P 95
P 50
20,00
P5
10,00
0,00
7 anos
8 anos
9 anos
10 anos
Estudo
11 anos
Idade
12 anos
13 anos
14 anos
Londrina
Figura 4 – Distribuição dos percentis (P5, P50 e P95) das medidas de flexibilidade de crianças e
adolescentes desse estudo e do estudo de Londrina, para o gênero feminino.
A fim de verificar a relação da idade com a flexibilidade foi utilizado o teste de
correlação de Pearson (Tabelas 5 e 6). No grupo masculino verificou-se uma correlação
significativa ao nível de 5% de significância. Neste grupo eliminando a flexibilidade
referente à idade de 14 anos, verificou-se um aumento no nível de significância. No grupo
feminino verificou-se que não existe correlação entre a idade e flexibilidade.
Tabela 5 – Correlação entre faixa etária e flexibilidade para o gênero masculino
Faixa etária
Flexibilidade
r
p-value
-0,228
0,022*
* p< 0,05
Tabela 6 – Correlação entre faixa etária e flexibilidade para o gênero masculino, exceto a idade
de 14 anos
Faixa etária
Flexibilidade
r
p-value
-0,309
0,003**
** p< 0,01
Estes resultados apontam para uma tendência de declínio dos índices de
flexibilidade com a idade, indo de encontro aos achados na literatura, segundo Gallahue &
Ozmun (2003).
9
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40
Flexibilidade
34
28
22
16
10
4
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
Idade
Figura 5 – Correlação entre a flexibilidade e idade, para o gênero masculino.
Tabela 7 – Correlação entre faixa etária e flexibilidade para o gênero feminino
Flexibilidade
r
p-value
-0,107
0,273
Faixa etária
42
Flexibilidade
36
30
24
18
12
6
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
Idade
Figura 6 – Correlação entre a flexibilidade e idade, para o gênero feminino.
Finalmente, a fim de verificar o atendimento aos critérios de saúde segundo o
padrão estabelecido pelo Projeto Esporte Brasil, a Tabela 8 compara as crianças
participantes do presente estudo com a faixa recomendável para a zona de boa saúde em
relação à faixa etária de 7 a 14 anos, sendo que para o sexo feminino os indicativos são
de 23 a 28 cm e para o sexo masculino de 20 a 25 cm, objetivando verificar se alcançam
os padrões estabelecidos. A filosofia que norteia as avaliações referenciadas por critérios
de saúde é a tentativa de proposição de padrões desejáveis, em relação ao desempenho
motor que possam assegurar algum grau de proteção contra o aparecimento de doenças
hipocinéticas e a capacidade para desenvolver as tarefas do cotidiano (BLAIR 1989,
citado por GUEDES; GUEDES, 1997). Assim, o importante não é comparar um jovem
10
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com os outros, mas sim verificar se eles alcançam ou não os padrões estabelecidos em
relação à saúde.
Tabela 8 – Distribuição dos grupos quanto aos critérios do PROESP-BR referente a flexibilidade
no teste de sentar e alcançar por gênero
Classificação
Abaixo da faixa recomendável
Feminino
Freqüência
Freqüência
Relativa
29
26,8%
Masculino
Freqüência
Freqüência
Relativa
56
56,0%
Dentro da faixa recomendável
38
35,2%
4
4,0%
Acima da faixa recomendável
41
38,0%
40
40,0%
Total
108
100,0%
100
100,0%
56,0%
60,0%
50,0%
Fr 40,0%
eq
uê
nci 30,0%
a
20,0%
38,0%
35,2%
40,0%
26,8%
10,0%
4,0%
0,0%
Abaixo da faixa
recom endável
Dentro da faixa
recom endável
Acim a da faixa
recom endável
Padrão de saúde
Fem inino
M asculino
Figura 7 - Distribuição dos grupos quanto aos critérios do PROESP-BR referente a flexibilidade no
teste de sentar e alcançar por gênero.
Especificamente quanto à comparação dos dados, os valores percentuais mostram
que 26,8% das meninas e 56% dos meninos estão abaixo da faixa recomendável de boa
saúde, sendo que dentro da faixa e acima da faixa as meninas somam 73,2% enquanto
que os meninos somente 44% da amostra. Os resultados como indicadores das
condições de saúde em relação ao desempenho motor, está associado ao fato de que a
flexibilidade é considerada fator importante na prevenção e recuperação de eventuais
lesões lombares e desvios posturais.
Weineck (1991) considera que essas diferenças são provenientes de uma maior
capacidade de estiramento e elasticidade da musculatura e dos tecidos conectivos do
sexo feminino. Neste caso, as meninas mostram uma grande vantagem sobre os
meninos, assim como as mulheres sobre os homens (KOINTERZ, 1978 citado por
WEINECK, 1999). Este fato pode ser explicado por diferenças hormonais, por possuírem
um alto nível de estrógenos que leva a retenção de água e por apresentar menor massa
muscular e menor densidade tecidual, do que a observada em homens (WEINECK,
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MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física - Ipatinga: Unileste-MG - V.1 - Ago./dez. 2006.
1999). Um interessante argumento segundo Alter, citado por Achour Júnior (1996), é que
o sexo feminino é adaptado à gravidez para o suporte da criança, especialmente na
região do quadril. E especificamente o sexo feminino tem os quadris mais largos, o que
assim possibilita maiores índices de flexibilidade nessa região.
Gallahue e Ozmun (2003) relatam, em uma pesquisa realizada com crianças de 6 a
12 anos de idade, que a flexibilidade estática aumentou com a idade para o grupo
estudado, e concluem que a flexibilidade começa a declinar em meninos por volta da
idade de 10 anos e, em meninas, por volta dos 12 anos. Guedes verificou em escolares
da rede estadual da cidade de Londrina (PR), maior alcance de movimento nas meninas
do que nos meninos no teste de sentar e alcançar, concluindo que as meninas, em todas
as idades apresentaram valores médios superiores em relação aos meninos. Segundo
Achour Jr. (1994), as mulheres demonstram maiores níveis de elasticidade do que os
homens, independente da idade, e essas diferenças se mantêm ao longo de toda a vida.
CONCLUSAO
A flexibilidade aponta tendência de declínio dos resultados obtidos e permite-se
concluir que as meninas foram mais flexíveis que os meninos, com exceção a idade de 10
anos, apresentando a curva da evolução da flexibilidade dos 7 aos 14 anos relativamente
normal em relação a outros estudos, sendo encontrada uma correlação negativa entre a
flexibilidade e a idade para o gênero masculino. Finalmente, a fim de verificar o
atendimento aos critérios de saúde segundo o padrão estabelecido pelo Projeto Esporte
Brasil, do grupo pesquisado cerca de 73% das meninas atenderam aos critérios de saúde
e do grupo masculino apenas 44% atenderam aos critérios.
Espera-se que este estudo possa oferecer importantes informações quanto às
características da flexibilidade em crianças de 7 a 14 anos de idade, o que poderá
contribuir de forma significativa para a ampliação de novos conhecimentos na área,
tornando-se uma nova opção no auxílio a futuros estudos sobre o assunto.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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saúde e no desempenho atlético. Londrina, PR: Midiograf, 1996.
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bebês, crianças, adolescentes e adultos. 1ª ed. São Paulo: Phorte, 2003.
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WEINECK, Jürgen. Biologia do Esporte. São Paulo: Manole, 1991.
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