PERIGO SOBRE DUAS RODAS: Integrando Conhecimentos sobre Acidentes de Trânsito por Motocicletas1 Maria Angélica da Silva Santos2 Davydson Gouveia Santos3 Jank Landy Simôa de Almeida4 Jessiane Marques Rocha5 Rejane Maria Paiva De Menezes6 RESUMO Os acidentes de trânsito têm causado grandes impactos econômicos e sociais, as ocorrências no trânsito tem se revelado uma ameaça permanente para todos os usuários das vias públicas. Trata-se de uma revisão integrativa, com o objetivo de identificar na literatura nacional os principais temas relacionados a acidente de trânsito com motociclistas. Nesta pesquisa foram encontrados 53 artigos na base de dados LILACS, sendo que 35 (65,7%) estão disponibilizados na íntegra e 18(34,3%) não estão. Houve maior número de publicações no ano de 2011 com 17(31,8%). Os 53 artigos foram distribuídos em 27 periódicos, com 6 (11,3%) disponíveis na íntegra na Revista de Enfermagem da UFRJ. Com relação aos artigos não disponibilizados, verificou-se que 3 (5,7%) estão na Revista Nacional de Enfermagem (RENE). Os estudos apontaram excesso de velocidade, falta de atenção, transgressão da lei como principais causas do acidente. Deste modo considera-se ser imprescindível a continuidade das pesquisas sobre o tema, trata-se de uma realidade freqüente e torna-se preocupante pelos custos relacionados às vítimas de acidente de trânsito e o alto grau de mortalidade. Descritores: Acidentes de trânsito; motocicleta; prevenção de acidentes. 1. INTRODUÇÃO O Ministério da Saúde (MS) criou em 1998 um comitê técnico com o objetivo de diagnosticar e propor ações específicas para o setor de segurança pública, tendo em vista que o perfil de mortalidade e de morbidade da população brasileira é marcado bem mais pelas condições, situações e estilos de vida do que pelas enfermidades tradicionais, sendo que a violência e os acidentes merecem tanta atenção como a AIDS, o câncer e as enfermidades cardiovasculares (MINAYO, 2007). 1 Revisão integrativa Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal de Campina Grande. E-mail: [email protected] 3 Enfermeiro. Professor da União de Ensino Superior de Campina Grande – UNESC. 4 Enfermeiro. Mestre. Professor da Universidade Federal de Campina Grande. E-mail: [email protected] 5 Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal de Campina Grande. E-mail: [email protected] 6 Enfermeira. Doutora. Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 2 De acordo com Reichenheim et al. (2011) a mortalidade por acidentes de motocicleta é um problema de saúde pública consequente, não só da forma e amplitude do seu uso, mas também, pela vulnerabilidade tanto do condutor como do seu passageiro. Entre as ocorrências de trânsito, observa-se, nas últimas décadas, um aumento crescente no número de vítimas envolvidas em acidentes de motocicleta, veículo que vem ganhando, cada vez mais, a aceitação e a aprovação da população por ser ágil, econômico e de custo reduzido (SANTOS et al., 2008). A morbimortalidade por acidente de trânsito é extremamente elevada em todo o mundo, porém, é particularmente alta a proporção de mortos e feridos por acidentes de motocicleta (LAW; NOLAND; EVANS, 2009). É importante destacar que a motocicleta em nosso meio tem adquirido um uso bastante peculiar como forma de entrega rápida de objetos, documentos e alimentos (OLIVEIRA; SOUSA, 2011). A Associação Brasileira dos fabricantes de motocicletas, ciclomotores, motonetas, bicicletas e similares informaram em 2010 que a venda desses imóveis cresceram em 10%, isso por que está sendo cada vez mais utilizadas no país, independentemente da região ou do tamanho do município. Suas vendas têm batido recordes seguidos (ABRASICLO, 2011), ensejando preocupações e reflexão. Segundo Silva, Soares e Andrade (2008) a motocicleta além de ser um transporte rápido e de baixo custo, tanto de aquisição quanto de manutenção, e que oferece maior facilidade de deslocamento nos congestionamentos, tem sido utilizado também como instrumento de trabalho (motociclistas profissionais envolvidos no transporte de mercadorias e pessoas). De acordo com Golias e Caetano (2013) as causas externas têm se configurado como importante elemento contribuinte na morbimortalidade brasileira desde a década de 1980. Em 2007, óbitos relacionados a acidentes de trânsito (AT) representaram cerca de 30% de todos os causados por causas externas no país, com uma taxa de mortalidade relacionada ao trânsito de 23,5 por 100.0001. Vivemos uma epidemia silenciosa que ceifa vidas diariamente, produz sequelas físicas e psicológicas e gera importantes impactos para a atenção e os custos em saúde (BRASIL, 2009). A proporção das mortes de motociclistas tem tido tendência ascendente, se elevando de 4,1%, em 1996, para 28,4% das mortes relacionadas ao trânsito em 2007 (REICHENHEIM et al., 2011). Com o crescimento da frota de motocicletas, no Brasil, os ocupantes desses veículos vêm assumindo o primeiro lugar entre as vítimas de acidentes de trânsito com veículos a motor (SANTOS et al., 2008). A Organização Mundial de Saúde (OMS) a partir de estimativas, informa que cerca de 1,2 milhões de pessoas perdem a vida em todo o globo anualmente devido a essas causas; há um número maior ainda de internações, atendimentos em serviços de emergência e sequelas físicas e psicológicas (BRASIL, 2009). Neste contexto a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou, em março de 2010, o período 2011 a 2020 como a Década de Ação pela Segurança no Trânsito e solicitou insistentemente que os países atingissem a meta de estabilizar e de reduzir as mortes causadas pelo trânsito por meio da implementação de um plano de ação voltado para cinco pilares de intervenção: fortalecimento da gestão, investimento em infraestrutura viária, segurança veicular, comportamento e segurança dos usuários do trânsito e atendimento pré-hospitalar e hospitalar ao trauma (ONU, 2013). O esforço das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde (OMS) justifica-se pelo elevado número de vítimas de trânsito. São 1,3 milhões de mortes, por ano, e entre 20 e 50 milhões de pessoas lesionadas, concentrados nos países de média e baixa renda. Esses países possuem 84,5% da população mundial, 47,9% da frota de veículos e 91,5% das mortes causadas pelo trânsito. Já os de alta renda têm 52,1% da frota de veículos e respondem por apenas 8,5% das mortes (ONU, 2009). Estimativas de países desenvolvidos sugerem que 80% do total de custos relacionados às colisões de veículos podem ser atribuídos aos eventos não fatais (SANTOS et al, 2008). Neste cenário, o acidente envolvendo motociclista se reveste de grande importância. No Brasil, a região que apresentou maior índice de acidentes de moto foi a região Sudeste, seguida pela região Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Norte; gastos apor meio do SUS, por internação, no período de 2001 a 2005, foram de aproximadamente R$ 58 milhões (SE), R$ 22 milhões (NE), R$ 10 milhões (CO) e R$ 12 milhões (S), R$ 2 milhões (N). Em particular, no ano de 2005 foram gastos R$ 31 milhões no Brasil e no Estado de São Paulo mais de R$ 10 milhões com internações decorrentes de acidentes de moto (BRASIL, 2009). Diante desses dados e ciente de que o AT é um problema sério de saúde pública, o presente estudo propôs-se a identificar através da literatura nacional, a produção científica dos profissionais de saúde sobre os acidentes de trânsitos causados por motocicleta . A escolha do tema justifica-se observação empírica do número de pessoas vítimas de AT por motocicleta. Tendo em vista que a pesquisa é sempre um acréscimo que se faz ao nosso conhecimento por nós manter atualizados, espera-se que o mesmo possa contribuir para a comunidade acadêmica e subsidiar tomada de decisões drásticas que diminuam a morte no trânsito. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 ACIDENTE DE TRÂNSITO Os acidentes de trânsito (AT), apesar de não ser uma questão biomédica entra na agenda da saúde pública com as morbi-mortalidades por causas externas, constam da CID 10 como acidentes de transporte, estruturados em 12 subgrupos que na classificação anterior eram denominados acidentes de trânsito. Na CID 10 os acidentes de transporte incluem os terrestres, aéreos e aquáticos (SILVA et al, 2012). O tipo de AT caracteristicamente mais frequente é aquele em que uma motocicleta e um automóvel estão envolvidos, o que pode decorrer destes serem os dois tipos de veículos mais comuns nas vias urbanas (OLIVEIRA, SOUSA, 2012). O automóvel apresenta uma maior extensão em lataria do que a motocicleta, além de serem aqueles que disputam espaço no trânsito caótico de várias cidades. Para Golias, Caetano (2012) uma moto colidir com um carro passou a ser fato comum na vida diária, usualmente com maior risco para o motociclista, em função da maior vulnerabilidade por exposição direta ao impacto e, portanto, sujeito a traumas múltiplos de maior gravidade (GOLIAS; CAETANO, 2013) 2.2 CONSEQUÊNCIAS DOS ACIDENTES DE TRÂNSITO Com grandes impactos econômicos e sociais, as ocorrências de trânsito tem se revelado uma constante ameaça para todos os usuários das vias públicas, contribuindo de forma significativa com uma mortalidade e morbidade alta na população de adultos jovens (SANTOS et al., 2008). Para as vítimas, as consequências são as mortes, sequelas, lesões, necessidade de assistência pré-hospitalar e intra-hospitalar especializada, longos períodos de recuperação, impacto emocional e financeiro (SILVA et al., 2008). Os prejuízos sociais desses eventos estão relacionados aos anos potenciais de vida perdidos, incapacidade para o trabalho e menor produtividade em virtude de limitações físicas e psicológicas, custos relativos ao diagnóstico, tratamento e reabilitação ( GOLIAS; CAETANO, 2013). 2.3 CAUSAS DOS ACIDENTES De acordo com Silva et al (2008) os riscos do acidente com motocicleta são peculiares ao cotidiano do trabalho desses indivíduos e produzidos por interesses pessoais, sociais e econômicos, no sentido de demandas, ou seja quanto maior a velocidade e urgência na entrega mais dinheiro se ganha. Para Anjos et al (2008) as condições precárias de trabalho, alta exposição a situações de risco no trânsito e elevada taxa de acidentes entre esses motociclistas profissionais, além do ganho por produtividade, longas jornadas de trabalho, dirigir cansado, alternância de turnos de trabalho e adoção de altas velocidades nas ruas foram causas dos AT com motocicleta relatadas por vítimas. Law, Noland e Evans (2009) prelecionam que a proporção de mortos e feridos por acidentes de motocicleta, resultam muitas vezes da maior exposição de seus usuários, inobservância das leis de trânsito e adoção de comportamentos de risco, falta de habilidade e capacidade em perceber o perigo e resolver os problemas além da atração dos motociclistas pelo risco e seu excesso de confiança. Conforme relata Magalhães et al., (2011) o consumo de bebidas alcoólicas também é um fator causal e está associado positivamente à maior ocorrência de AT. Estudos epidemiológicos nos Estados Unidos indicam que o álcool é o fator principal na ocorrência de AT e que quando envolvem motoristas com alcoolemia acima de 0,8 g/l têm maior chance de resultar em morte e lesões. Algumas hipóteses explicativas, elaboradas a partir das Teorias do Comportamento humano, alertam para o fato de os jovens serem mais acometidos por acidentes devido a inexperiência, falta de habilidade e capacidade, dificuldade em perceber o perigo e resolver os problemas. A teoria revela que existe forte tendência comportamental dos jovens motociclistas de julgarem com otimismo o risco de conduzir o veículo, o que está relacionado com algumas características individuais como idade, sexo e suas experiências de vida (GOLIAS; CAETANO, 2013). Santos et al (2008) ressalvam que estão incluídas outras causas como: tendência em dirigir com excessiva velocidade, pressão dos amigos, busca de desafios e emoções, falta de familiaridade com as leis do trânsito e de habilidade no dirigir, ingestão de álcool e/ou drogas antes da condução, impulsividade e abuso. Anjos et al (2008) explicam que a educação no trânsito e o conhecimento da legislação e aplicação das leis de trânsito, são fatores que também estão associados aos AT, e que para a população jovem, principalmente aquela recém-licenciada, a educação no trânsito é um indicador favorável à diminuição da ocorrência de colisões. Segundo Fey et al. (2012), os AT não são uma fatalidade. Os autores lembram que existem fatores pré-existentes como deficiência na conservação das estradas e veículos e negligência dos pedestres e condutores. 2.4 PREVENÇÃO DE ACIDENTES DE TRÂNSITO De acordo com Almeida (2006) não existe uma receita para prevenção do AT, o que deve ser feito é agir com base no conceito de “segurança comportamental”, em que a obediência às normas é suficiente para reduzir os acidentes. Essa concepção é dominante mesmo entre os especialistas do setor e hegemônica para o senso comum. Assim, o ato inseguro e as condições inseguras seriam a causa do acidente Para Santos et al.(2008) a relevância do estabelecimento de orientação e educação no que se refere às práticas a serem observadas na condução segura de veículos nas vias públicas entre esta faixa etária, a par de toda a fiscalização e necessidade de atuação junto a outros fatores relacionados aos eventos envolvendo motocicletas, aí incluídos aqueles que incidem entre dois veículos desse tipo. Estudos recentes mostram limitações desses modelos, que deixam de fora “as causas das causas” dos acidentes e “inibem práticas efetivas de prevenção” (DINIZ; ASSUNÇÃO; LIMA, 2005. 3. METODOLOGIA 3.1 MÉTODOS DE ABORDAGEM E PROCEDIMENTOS O presente estudo classifica-se como revisão literária integrativa, exploratória, descritiva de abordagem quantitativa. Para Cervo e Bervian (2002) a pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos. Pode ser realizada de maneira independente ou como parte da pesquisa descritiva ou experimental. A revisão integrativa inclui a análise de pesquisas relevantes que dão suporte para a tomada de decisão e a melhoria da prática clínica, possibilitando a síntese do estado do conhecimento de um determinado assunto, além de apontar lacunas do conhecimento que precisam ser preenchidas com a realização de novos estudos (MENDES;SILVEIRA; GALVÃO 2008). 3.2 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO Foram inclusos no estudo artigos nacionais indexados na base de Dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), documentos estes que versavam sobre os acidentes de trânsito decorrentes de motocicletas, e que tivessem sido escritos por profissionais de saúde. Foram exclusos artigos internacionais, não disponíveis na íntegra. Para a triagem destes documentos convém citar que os Descritores em Ciências da Saúde utilizados foram acidente no trânsito, motocicleta, lesão traumática. 3.3 ANÁLISE E TRATAMENTO DO MATERIAL EMPÍRICO Inicialmente foi utilizada uma leitura exploratória do resumo e uma leitura analítica de forma que possibilitasse a obtenção de respostas ao tema em estudo e posteriormente uma leitura interpretativa. A análise foi feita a partir da inferência estatística simples com respaldo literário pertinente. 3.4 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS No Brasil, a Resolução 466 de 2012 do Ministério da Saúde refere que toda pesquisa realizada com seres humanos deve ser submetida ao comitê de ética, mas não trata especificamente sobre as pesquisas com dados secundários. Sendo assim, com relação ao uso desses registros, não há impedimento legal para a realização de pesquisas de revisão literária, integrativa, sistemática ou metapesquisa/metanálise (GALVAO, SAWADA, TREVIZAN, 2004). 3.5 ANÁLISE DOS RESULTADOS Nesta pesquisa foram encontrados 53 artigos na base de dados LILACS, sendo que 35 (65,7%) estão disponibilizados na íntegra e 18 (34,3%) não estão. Ao observarmos a Tabela 1 podemos verificar que houve maior números de publicações no ano de 2011 com 17(31,8%), seguido de 2012 com 12(22,5%) e 2010 com 12(22,5%), sendo a menor distribuição em 2013 com 5(9,4%). Este pequeno número de publicações em 2013 pode está relacionado ao fato de que o ano ainda está em termino e as publicações podem ainda estarem em periódicos para a sua aprovação. TABELA 1. Distribuição de artigos de acordo com o ano de publicação e disponibilidade. Ano Integra Não íntegra Nº % Nº % 4 7,5 3 5,7 2009 8 15,0 4 7,5 2010 10 18,9 7 13,0 2011 9 16,9 3 5,7 2012 4 7,5 1 1,9 2013 35 65,8 18 33,8 Total FONTE: Dados da Pesquisa na base LILACS (2009 a 2013). Apreende-se na Tabela 2 que os 53 artigos foram distribuídos em 27 periódicos, sendo que 06 (11,3%) estão disponíveis na íntegra na Revista de Enfermagem da UFRJ , 04 (7,5%) na revista Brasileira de Saúde Pública e com o mesmo percentual de 04 (7,5%) na Revista Escola de Enfermagem Anna Nery. Com relação aos artigos não disponibilizados na íntegra, verificamos que 03 (5,7%) estão na Revista Nacional de Enfermagem (RENE) e 03 (5,7%) na Revista Epidemiologia do Serviço de Saúde. TABELA 2. Distribuição dos artigos de acordo com os periódicos. Íntegra PERIÓDICO Nº % Rev. RENE Epidemiol. serv. saúde Rev. bras. saúde publica 4 7,5 Rev. latinoam. enferm 3 5,7 Rev. Esc. Enferm. USP 3 5,7 REME rev. Min. Enferm. Rev. Bras. Promoção saúde 1 1,9 Rev. Gaúcha enfermagem 2 3,8 Textos contextos Cienc. Trab Online braz. j. nurs. Rev. Eletrônica de Enferm. Rev. Saúde Pública 1 1,9 Rev. Patolo. Tropical Cogitare Enferm. 1 1,9 ROBRAC Esc. Anna Nery Rev. Enferm. 4 7,5 Ciênc. Saúde coletiva 2 3,8 Estud. Psicol. (Natal); 1 1,9 Ciênc. Cuid. Saúde; RBS 1 1,9 Rev. Bras. Educ. méd. 1 1,9 Rev da Assoc Bras de Med 1 1,9 Rev. Bras. Promoç. Saúde Arquivo Catarinense de Medicina 1 1,9 Rev. Fac. Odontol. Porto Alegre Pesqui. Prát. Psicossociais Rev. Enferm. UERJ 6 11,3 Rev. Bras. Enferm 2 3,8 35 65,8 Total Não íntegra Nº % 3 5,7 3 5,7 2 3,8 1 1 1 1,9 1,9 1,9 1 2 1,9 3,8 1 1,9 1 2 1,9 3,8 18 33,8 FONTE: Dados da Pesquisa na base LILACS (2009 a 2013). Dos 53 artigos encontrados na base de dados LILACS, selecionou-se sete que atenderam aos critérios de inclusão, conforme observamos no quadro 01. Desses, 2 foram realizados no nordeste (Fortaleza e Pernambuco), e no centro-oeste (Taubaté), 1 no sul (Santa Catarina) , dois no norte (Paraná) e 1 em diversos municípios brasileiro e no Distrito Federal. A partir deste levantamento descrevem-se os objetivos, resultados considerados importantes e que contribuíram para os acidentes com motocicletas, tendo em vista que a seleção se deu a partir dos descritores referidos neste estudo. Quadro 1. Publicações conforme título, Periódico, local da pesquisa e ano de publicação. Nº Título Períodico Local Ano Rev. Assoc. Taubaté 2010 01 Internações hospitalares por acidentes de moto no Vale do Paraíba Brasil. Med. Fatores associados à ocorrência do RBPS Fortaleza 2010 02 acidente de motocicleta na percepção do motociclista hospitalizado Estudo espacial da mortalidade por Rev. Bras. Saúde Pernambuco 2011 03 acidentes de motocicleta em pública Pernambuco Perfil epidemiológico dos óbitos em Arquivos Santa Catarina 2011 04 acidentes de trânsito na região do Alto Catarinenses de Vale do Itajaí, Santa Catarina, Brasil Medicina Fatores associados ao óbito de Rev Esc Enferm Paraná 2012 05 motociclistas nas ocorrências de trânsito USP Mortalidade por Acidentes de Ciência & Saúde Vários unicípios 2012 06 Transporte Terrestre no Brasil na última Coletiva brasileiro e DF década: tendência e aglomerados de risco Acidentes entre motocicletas: análise Ciência & Saúde Paraná 2013 07 dos casos ocorridos no estado do Paraná Coletiva entre julho de 2010 e junho de 2011 FONTE: Dados da Pesquisa na base LILACS (2009 a 2013). O artigo escrito por Nunes e Nascimento (2010), teve como objetivo identificar aglomerados de municípios com elevadas taxas de internações por acidentes de moto no Vale do Paraíba, utilizou-se um estudo do tipo ecológico e exploratório com dados de internação obtidos do Sistema Único de Saúde, relativos ao período compreendido entre janeiro de 2001 e dezembro de 2005. Os resultados desse estudo demonstraram que foram internadas 1268 pessoas, variando entre uma e 608 internações e que a concentração de acidentes de moto deus nas regiões de São Bento do Sapucaí, Santo Antônio do Pinhal, Campos do Jordão, Pindamonhangaba, Tremembé, Taubaté, Natividade da Serra e Redenção da Serra. Podeus et al (2010) ao investigar, através de um estudo epidemiológico transversal envolvendo acidentados por motocicleta, os fatores associados à ocorrência do acidente de motocicleta na percepção do motociclista hospitalizado, procurou descrever as características sociodemográficas de motociclistas acidentados e internados em um hospital de emergência e a percepção destes sobre a ocorrência do acidente. Nesta pesquisa os resultados encontraram motociclistas jovens, do sexo masculino, solteiros. Mais da metade dos entrevistados não fazia uso de capacete nem era habilitado legalmente para conduzir motocicleta. O excesso de velocidade, a falta de atenção e a transgressão da lei (avanço de semáforo) constituíram-se como as principais causas do acidente, sob a percepção desse motociclista internado. Para esses autores a identificação do perfil da pessoa que se envolve em AT é importante para a elaboração de estratégias desenvolvidas pelo poder público, voltadas para este grupo, visando à mudança de atitudes e à aquisição de um comportamento preventivo e solidário no trânsito. Não se pode omitir a inquestionável força da educação permanente e o exercício de uma prática diária balizada por ações preventivas. Na analise do estudo espacial da mortalidade por acidente de motocicleta em Pernambuco, Silva et al (2011), através do estudo ecológico de base populacional, usando os dados de mortalidade por acidentes de motocicletas ocorridos de 01/01/2000 a 31/12/2005, encontrou um coeficiente médio de mortalidade por acidentes de motocicletas em Pernambuco de 3,47/100 mil habitantes. Dos 185 municípios que participaram da análise, 16 faziam parte de cinco conglomerados identificados com coeficientes de mortalidade que variaram de 5,66 a 11,66/100 mil habitantes, considerados áreas críticas. Os autores concluíram que o risco de morrer por acidente de motocicleta é maior nas áreas de conglomerado em regiões fora do eixo metropolitano, sugerindo medidas de intervenção que considerem o contexto de desenvolvimento econômico, social e cultural. Através de um estudo retrospectivo que objetivou traçar um perfil epidemiológico das vítimas fatais de acidentes de trânsito, no período de 2004 a 2006, no Instituto Medico Legal do Rio Grande do Sul, Fey et al (2011) analisou 356 laudos periciais, e identificou 82,9% das vítimas do gênero masculino, com média de idade de 36,3 anos, sendo que a faixa etária prevalente foi de 20 a 29 anos foi a mais prevalente. A maioria dos acidentes ocorreram em rodovias federais, no sábado e no domingo no período noturno entre 18 às 24h. Dos pacientes com alcoolemia dosada, 38% tiveram valores acima do normal. A principal causa dos óbitos fora Traumatismo Crânio Encefálico (TCE) seguido de choque hipovolêmico. Os autores concluíram que o perfil das vítimas de trânsito e os aspectos relacionados aos acidentes, analisados neste estudo são compatíveis com outros trabalhos descritos na literatura e os resultados também sugerem que a região do Alto Vale do Itajaí apresenta índices de mortalidade em acidentes de trânsito relativamente altos quando comparados a outros estudos já realizados em outras regiões. Com relação aos Fatores associados ao óbito de motociclistas nas ocorrências de trânsito, Oliveira e Souza (2012) realizaram estudo retrospectivo incluindo os motociclistas envolvidos em acidentes no ano de 2004, a fim de identificar fatores associados aos óbitos. A pesquisa foi realizada na Policia Militar e os autores identificaram 2.362 motociclistas nos Boletins de Ocorrência de Acidente de Trânsito (BOAT) e, destes, 1.743 tinham registros nos Relatórios de Atendimento do Socorrista (RAS). As vítimas fatais diferiram das demais quanto à faixa etária, ao local de residência, ao tempo de habilitação e as suas condições fisiológicas na cena da ocorrência. A proporção de homens em relação a mulheres foi de 4,2:1. Quanto à idade, a maioria dos motociclistas tinham de 20 a 39 anos, uma média de idade foi de, 27,94 anos. Do total de mulheres ocupantes de motocicleta, mais da metade era condutora do veículo. Dos 2052 condutores, 88,75% apresentavam a informação que se encontravam habilitados para condução do veículo. No modelo final permaneceram as seguintes variáveis: Escala de Coma de Glasgow (ECGl), Revised Trauma Score (RTS), pulso e saturação de O2 no sangue. As condições fisiológicas das vítimas na cena do acidente se destacaram no modelo final e a ECGl superou o RTS na associação com óbito. Ao analisar a tendência dos Acidentes de Trânsito Terrestre entre os anos de 2000 e 2010 nas unidades federadas e nos municípios brasileiros, bem como identificar a existência e localização de aglomerados de alto risco de mortes por essa causa, Morais Neto et al. (2012) utilizou como fonte de dados a Declaração de Óbito, documento base do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Os responsáveis pelo estudo verificaram que entre os anos de 2000 e 2010, a população brasileira variou de 169.799.170 para 190.755.799 habitantes o que representou um aumento de 11% no período. A variação da frota de veículos foi de 29.722.950 para 64.817.974 veículos, ou seja, um aumento de 54% no período. Os óbitos por ATT elevaramse de 28.995 para 42.844, um aumento de 32,3% na década. A taxa de mortalidade por ATT variou de 18,2 por 100 mil habitantes em 2000 para 22,54 óbitos em 2010, um aumento de 22,54%. Já a razão de óbitos em relação à frota de veículos teve uma redução de 47,6% variando de 9,8 óbitos por 10 mil veículos, em 2000, para 6,6, em 2010. A análise da tendência segundo a condição das vítimas mostra mudanças importantes no período os ocupantes de motocicletas que mostravam as menores taxas no início da série, tiveram forte tendência de aumento e em 2010 ultrapassaram as demais. A mortalidade por ATT nos estados brasileiros e no Distrito Federal no período apresentaram as seguintes características: os estados com menores taxas foram Bahia e Maranhão em 2000 e o Amazonas em 2010. As maiores taxas foram em Roraima em 2000 e Rondônia em 2010. No estado do Paraná, Golias e Caetano (2013) buscou analisar epidemiologicamente os acidentes que ocorrem entre duas motocicletas. Esses acidentes representaram 3,4% do total de acidentes de trânsito registrados e 6,2% dos acidentes envolvendo motocicleta; as vítimas deste tipo de acidente corresponderam, respectivamente, a 4,4% do total de vitimados e a 8,5% daquelas em acidentes com motocicleta. Acidentes ocorridos aos sábado, sexo masculino e idade entre 20 a 29 anos foram mais frequentes neste tipo de eventos. Dentre as dez cidades mais populosas do estado, algumas se destacaram pelo alto índice destes acidentes, que parece guardar relação com o índice de motorização de motos das localidades. Para esses autores torna-se fundamental a constante avaliação e acompanhamento destes índices, desenvolvimento de intervenções específicas, amplas, intersetoriais e multiprofissionais, que contribuam para um trânsito melhor, com mais fluidez e ao mesmo tempo mais seguro, e para a redução desses eventos. Morais Neto et al (2012) complementam que o cenário em que vive-se é de desafio e exige uma ação coordenada de Governo nas três esferas, atuando de forma articulada com a sociedade civil para o enfrentamento do problema. Só assim o Brasil terá condições de cumprir as metas propostas pela ONU, da Década de Ação pela Segurança no Trânsito de 2011 a 2020. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao término desse estudo percebemos que a produção científica nacional dos últimos cinco anos sobre acidente de trânsito seja por motocicleta seja por veículo, teve grande interesse por parte dos pesquisadores, tanto enfermeiros como médicos e outros profissionais. Os resultados evidenciaram que os estudos foram publicados em diversos periódicos e a Revista de Enfermagem da UFRJ foi contemplada com maior número de publicações e o ano de maior percentual foi 2011. Dos artigos que atenderam aos critérios de inclusão verificamos que a pesquisa foi realizada tanto no norte, como nordeste, sul e centro-oeste. Percebe-se no decorrer da leitura dos artigos que os autores investigaram várias assuntos dentro do tema, destacando-se pesquisas que envolveram colisão entre duas motos e as que procuraram identificar as causas dos acidentes sob o ponto de vista dos acidentados. Deste modo considera-se ser imprescindível a continuidade das pesquisas sobre o tema, por que é uma realidade nossa e torna-se preocupante pelo fato de serem muito dispendiosos os custos relacionados às vítimas de acidente de trânsito. Assim, soleva-se a importância deste estudo para a enfermagem no sentindo de colaborar com a divulgação de dados pertinentes para ações de promoção a saúde, além de, logicamente, contribuir para a sensibilização sobre o tema incentivando novas pesquisas e planejamentos estratégicos em relação a problemática. REFERÊNCIAS Almeida IM. Trajetória da análise de acidentes: o paradigma tradicional e os primórdios da ampliação da análise. Interface Comum Saude Educ. v.10, n.19, p.185-202, 2006. 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