IV SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL Título do trabalho: MEU QUARTO, MEU MUNDO: ESPAÇO DOMÉSTICO NA ALVORADA DO TERCEIRO MILÊNIO Sub-tema da proposta: Uma forma moderna de uso dos espaços Autores: Franciney Carreiro de França Frederico de Holanda Instituição de origem: Mestrado em Arquitetura e Urbanismo Universidade de Brasília Endereços para contato: Franciney Carreiro de França SQN 406 Bloco H apto. 305 Asa Norte 70847-080 Brasília DF Telefone: (0xx61) 347 45 69 e-mail: [email protected] Frederico de Holanda Cond. Vivendas Colorado 1, Mod. J, Casa 1 Grande Colorado 73070 – 015 Brasília DF Telefone: (0xx61) 485 9824 Fax: (0xx61) 485 9641 e-mail: [email protected] Introdução _________________________________________________________________ No final do século XX, a dimensão do espaço ganhou importância nas discussões sobre a modernidade e a pós-modernidade. Nessas discussões a arquitetura aparece como um ótimo campo de estudo para análises filosóficas e sociológicas. O filósofo Fredric Jameson1, por exemplo, lança mão de análises sobre a estética arquitetônica para materializar as discussões sobre as concepções pós-modernas. Para ele, as construções recentes tornam explícitas as mudanças nas formas e usos do espaço na contemporaneidade. Na arquitetura, pesquisas recentes contribuíram para ampliar o conceito de espaço arquitetônico dando a este uma nova abordagem. Nessa concepção, ele é entendido como uma situação relacional2, com um enfoque mais voltado para o usuário, suas expectativas e experiências. Diferente de Jameson, o espaço não é entendido apenas como reflexo das mudanças sociais, mas também como produtor de relações sociais. Hillier, por exemplo, defende que o espaço possui características intrínsecas que propiciam essas relações sociais. Segundo ele, “o espaço não é simplesmente função dos princípios da reprodução social, mas é um aspecto intrínseco dela, uma parte necessária da morfologia social”3. Essa nova proposta relaciona "atributos morfológicos do espaço arquitetônico e as expectativas humanas às quais eles podem satisfazer"4. Se, por um lado, têm-se os atributos morfológicos do espaço, ou seja, características de sua configuração, por outro lado, têm-se as expectativas humanas a serem satisfeitas. Então, entender como se dá a relação entre uma instância imaterial ou subjetiva - as expectativas humanas - e outra material - o espaço físico arquitetônico - é o pano de fundo desse estudo. A partir desse enfoque surge a preocupação em entender um tipo específico de espaço arquitetônico: o espaço doméstico. Diante das transformações ocorridas na sociedade nos últimos séculos, o estudo da casa é o estudo de um espaço, considerado pelo antropólogo Marc Augé, como o “lugar” em contraposição ao “não-lugar”. Os não-lugares, segundo ele, são espaços que não podem ser definidos "como identitário, relacional e histórico”5. O espaço doméstico é precisamente a antítese do “não-lugar”, portanto, seu estudo é a afirmação da importância do “lugar”. Para Augé, o “lugar” como espaço circunscrito ou o “lugar antropológico”, é “aquela construção 1 JAMESON, F. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. Ática, São Paulo, 1996. HOLANDA, F. & KOHLSDORF, G. Arquitetura como situação relacional. Brasília, 1995, pág. 7. (mimeo). 3 HILLIER, B. A lógica social do espaço hoje (mimeo), 1982. Tradução e Notas: Frederico de Holanda, pág. 50. 4 HOLANDA e KOHLSDORF, 1995, pág. 7. (mimeo). 5 Para Marc Augé um lugar é identitário no sentido de que um certo número de indivíduos pode se reconhecer nele e definir-se através dele. É relacional no sentido de que esses indivíduos estabelecem relações sociais nos mesmos. É histórico no sentido de que os ocupantes do lugar podem encontrar nele rastros diversos de uma implantação antiga, o sinal de uma filiação. Para ele, Isso significa dizer que o espaço é triplamente simbólico e estabelece uma relação de complementariedade entre as realidades 2 2 concreta e simbólica do espaço que é simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem observa, como lar, a residência, o espaço personalizado”6. A residência, esse lugar identitário e relacional, é o campo de maior produção arquitetônica. Ela é normalmente estudada a partir de suas características estéticas, semânticas e funcionais. Mas, além desses aspectos, esta deve ser estudada como uma estrutura configuracionalmente definida que está relacionada ao modo como vivem nele e interagem as pessoas. De acordo com Hanson, “toda casa configura um modo de vida, por meio da construção de interfaces sociais entre homens e mulheres, mais jovens e mais velhos, anfitriões e convidados, proprietários e empregados”7. A configuração desse espaço constitui, então, uma concepção de relações e modos de vida. O espaço doméstico, apesar de aparentemente simples, pode revelar muito sobre as possibilidades de convívio. Através do estudo desse sistema - a casa - é possível saber se este facilita ou restringe relações pessoais por meio de suas acessibilidades internas. Por outro lado, permite entender como esse sistema de relações interage com o “exterior”8. Esse trabalho propõe o estudo de residências, considerando a configuração espacial como base da concepção e análise dos lugares arquitetônicos. Esse estudo busca entender a estrutura doméstica a partir da relação entre o modo de vida e a configuração espacial desses espaços contemporâneos. Partindo das premissas da Sintaxe Espacial9, o objetivo é aprofundar o estudo do espaço doméstico, seus significados e relações com o modo de vida das pessoas que nele habitam. Nesse sentido, esse estudo pretende: a) contribuir para a discussão sobre o espaço a partir de um enfoque arquitetônico; b) identificar um “código espacial doméstico” para o conjunto analisado; c) caracterizar um modo de vida contemporâneo em Brasília condizente ou não com sua proposta modernista. Esse estudo do espaço doméstico procura entender a lógica da configuração contemporânea nas casas dessa amostra. Uma hipótese, é de que transformações recentes no modo de vida – especialmente a exacerbação da individualidade – têm relação direta com a sua organização espacial. Essa influência ou inter-relação é aqui estudada utilizando-se a teoria e as ferramentas da Sintaxe Espacial, procurando-se saber em que medida existem, numa realidade “vernacular”10 determinados “códigos” socio-espaciais e quais são suas características em um determinado conjunto de residências em Brasília. sociais” AUGÉ, M. Não-lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Papirus, Campinas, 1992, pág. 73. 6 AUGÉ, 1992, pág. 51. 7 No original: “Every home configures a way of life by constructing social interfaces between men and women, young and old, hosts and guests, owners and servants....” HANSON, J. Decoding Home and House. Cambrige University Press, Cambrige, 1998, pág. 267. (minha tradução). 8 O Exterior é o espaço fora do complexo formado pela casa e o terreno, no caso a rua. 9 Sintaxe Espacial é uma teoria de análise do espaço arquitetônico desenvolvida originalmente por Hillier e colegas da Bartlett School of Graduate Studies – University College London, e posteriormente enriquecida por pesquisadores de várias partes do mundo. 10 Por “vernacular” entende-se uma determinada maneira de organização espacial, que não se encontra respaldada necessariamente pelo “saber profissional”. Também, tal código não se refere, exclusivamente, à população de mais baixo poder aquisitivo. Entretanto, mostra-se como este saber socialmente 3 Objeto______________________________________________________________________ O universo estudado é composto por residências unifamiliares localizadas no Distrito Federal, mais precisamente no Plano Piloto de Brasília e em algumas cidades satélites. As casas, num total de 27, estão assim distribuídas: a) Plano Piloto - 9 casas no Lago Sul, 5 casas no Lago Norte, 1 casa na W3 Sul, Asa Sul; b) Cidades Satélites - 4 casas em Taguatinga; 2 no Guará I; 1 no Guará II; 1 em Sobradinho; 1 em Samambaia; 1 no Parkway e 1 no Condomínio Santa Bárbara, próximo à Escola Fazendária; c) uma entrevistada não informou a localidade. A escolha por residências unifamiliares é resultado da convicção de que casas apresentam maior possibilidade de configuração que expressa a escolha do habitante pela forma de organização do espaço. Isto é, num apartamento a configuração padrão para vários moradores pode, por um lado, impor uma configuração espacial e, por outro, inibir o que poderia ser a vontade dos moradores por uma organização mais idiossincrática do espaço. Em Brasília, essa imposição é ainda mais freqüente uma vez que existem poucas variações de plantas de apartamentos, especialmente no Plano Piloto. Mesmo que estes sejam reformados, o que geralmente acontece, as possibilidades de mudanças na configuração espacial são limitadas. As possíveis mudanças não constituem um perfil que expressa as particularidades encontradas nas casas, embora seja claro que esse universo constitua, igualmente, um ótimo objeto de estudo. Quanto às casas, entretanto, por mais que o projeto sofra interferência dos arquitetos, por sobre as aspirações das famílias, ou de revistas de arquitetura ou de quaisquer outras fontes, a residência unifamiliar ainda permite uma maior escolha do habitante por uma ou por outra configuração, quando não a busca por um projeto exclusivo. Essa busca por (assim como a maior possibilidade de) exclusividade, torna a investigação de um possível genótipo11 (que é uma hipótese do trabalho), mais interessante. Para a coleta de dados foram escolhidos estudantes de cursos de arquitetura e urbanismo do primeiro, segundo e terceiro semestres. A escolha desse público é resultado, unicamente, de questões operacionais. A perspectiva era alcançar um público que oferecesse pouca resistência à abordagem e capaz de fornecer, com maior facilidade, dados como, por exemplo, a planta baixa das residências. Também a opção por estes semestres iniciais respondeu à preocupação em atingir um público mais “desinteressado”, ou seja, sem vícios de interpretação do contexto ora estudado, garantindo assim uma maior idoneidade das informações. A preocupação em diversificar a amostra, para que esta não fosse reduzida aos alunos da UnB – Universidade de Brasília - levou à coleta de dados igualmente em outras duas faculdades: na IESPLAN – Instituto de Estudos Superiores Planalto e UniCeub – Centro Universitário de Brasília. disseminado incorpora, em alguma medida, elementos do saber profissional “erudito”, enquanto, por outro lado, se contrapõe a ele. 11 Genótipo é um conceito, emprestado da biologia e usado pela Sintaxe Espacial, para identificar um grupo com característica recorrentes, um código para identificar os objetos estudados. 4 Análise______________________________________________________________________ O estudo do espaço doméstico, sob a ótica do presente trabalho, ou seja, considerando sua sintaxe, assim como o modo de vida que nele se desenvolve, requer dois níveis de análise. O primeiro nível é constituído pela análise da casa a partir de dados referentes à maneira como a família vive nesse espaço, seus costumes, seu dia-a-dia. O segundo é constituído pela análise da configuração desse espaço. O primeiro nível têm como objetivo fazer uma aproximação do modo de vida; entender como as pessoas utilizam os espaços, quando, para quê e por quem são ocupados, e o grau de satisfação em relação ao espaço habitado. A partir daí, a investigação é uma tentativa de mapear como se dão as interfaces sociais no complexo estudado. Para isso, os dados foram coletados em duas etapas: a) aplicação de questionários; b) entrevistas com público selecionado a partir dos questionários. No segundo nível, o espaço será analisado a partir da sua sintaxe. Essa análise possibilitará conhecer a casa numa outra dimensão. Não a dimensão social lato sensu, como no primeiro momento, mas determinadas características físicas, ou seja, um estudo de sua configuração em termos de barreiras e permeabilidades que conformam tipos de acesso diferenciados – mais ou menos diretos – entre os cômodos. Essa etapa é feita a partir da análise das plantas baixas das residências e de sua implantação. Esses dados foram coletados com a aplicação dos questionários, quando foi solicitado aos entrevistados que desenhassem as plantas de suas casas. Dessa forma será possível ver como a lógica destes sistemas está relacionada com as interações sociais descritas no primeiro momento. a) Utilização e Ocupação dos espaços No espaço doméstico, são muitas as variáveis envolvidas para caracterização de um modo de vida e, ciente da complexidade do objeto, o que se pretende explorar nesse estudo é a maneira como as pessoas vivem e utilizam esse espaço, buscando identificar um determinado estilo de vida através das relações sociais ocorridas em seu interior. Essas relações serão analisadas sob três aspectos: a) relação entre os habitantes; b) relação desses habitantes com os visitantes; c) relação dos habitantes com empregados. Segundo Hanson, “casas são sensíveis a relações sociais somente quando constróem e contêm interfaces entre diferentes tipos de habitantes e diferentes categorias de visitantes”12. O visitante é todo aquele que não faz parte do grupo que mora na residência. 12 No original: “Houses are sensitive to social relations only insofar as they construct and constrain interfaces between different kinds of inhabitant, and different categories of visitor.” HANSON, 1998, pág. 77. (tradução Franciney França). 5 Para entender essas relações sociais, a aplicação de questionários e as entrevistas procuraram identificar quais espaços são mais usados e quais são menos usados pelos habitantes. Identificar também quais são os espaços mais usados para receber visitantes e quais são, normalmente, os espaços inacessíveis a eles, com o objetivo de mapear as atividades e preferências dos habitantes. Com o propósito de caracterizar melhor a utilização desses espaços, foram elaboradas questões referentes às atividades que nele são realizadas. As atividades foram agrupadas em cinco categorias13: 1) tarefas domésticas (cozinhar, lavar louça, lavar roupa e passar); 2) lazer passivo (ver TV, ler, ouvir música, jogos de computador, fazer ginástica)14; 3) lazer interativo (encontrar amigos, beber, namorar); 4) necessidades comuns (tomar café, almoçar, jantar), e 5) necessidades privadas (escovar dentes, tomar banho, dormir, repousar, fazer amor). Outra maneira utilizada para caracterizar o uso do espaço foi mapear a localização dos equipamentos que fazem parte do cotidiano das pessoas. Para isso foi incluída uma questão sobre a localização de tais objetos. Apenas alguns equipamentos foram incluídos como, televisão, aparelho de som, computador e aparelho de ginástica, porque esses equipamentos podem, mais diretamente, indicar mudanças de comportamento e de utilização dos diferentes espaços da casa. Foram incluídas ainda outras questões procurando saber se as pessoas entrevistadas gostam ou não do bairro e da casa onde moram, tendo por objetivo pesquisar o grau de satisfação do lugar habitado. Para o estudo sobre uso/ocupação desses espaços, as informações fornecidas pelos entrevistados foram confrontadas com outras obtidas através de um resgate histórico da utilização e ocupação dos principais cômodos das residências, identificando assim as mudanças de uso ocorridas ao longo da história. Ou seja, a importância e status de cada cômodo foi entendido à luz dos trabalhos feitos sobre a história da casa brasileira como, por exemplo, os estudos de Lemos15, Gomes16, Freyre17, DaMatta18 e Tramontano19. 13 Essas categorias foram sugeridas por MONTEIRO, 1997, pág. 20.3. O termo "lazer passivo" refere-se a atividades que, embora possam ser feitas coletivamente, não têm um caráter de interação direta entre as pessoas. 15 LEMOS, C. História da casa brasileira. Editora Contexto, São Paulo, 1989. 16 GOMES, G. Engenho & Arquitetura – tipologia dos edifícios dos Antigos Engenhos de açucar de Pernambuco. Editora Fundação Gilberto Freyre, Recife, 1998. 17 FREYRE, G. Casa-Grande e Senzala: Formação da família sob o regime de economia patriarcal, 1º volume, 7º edição. Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1952. 18 DAMATTA, R. A casa e a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. Editora Brasiliense, São Paulo, 1985. 19 TRAMONTANO, M. Novos modos de vida, novos espaços de morar – uma reflexão sobre a habitação contemporânea. Tese de Doutoramento, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 1998. (mimeo). 14 6 b) Configuração das residências Essa etapa consiste em fazer uma caracterização dos sistemas em termos das suas permeabilidades e impermeabilidades ao movimento das pessoas no interior destes edifícios, e em relação ao seu exterior. Esse estudo foi feito com o auxílio da técnica de convexidade20 da Sintaxe Espacial e de suas variáveis analíticas. Sob essas variáveis analíticas, serão lançadas hipóteses interpretativas das implicações sociais destes padrões espaciais, tendo como parâmetros os recentes estudos envolvendo o espaço doméstico sob esse enfoque como, por exemplo, os trabalhos de Hanson21, Trigueiro22, Monteiro23, Amorim24 e Holanda25. Nessa metodologia a casa é vista como um sistema de relação entre os seus vários espaços, e o objetivo é detectar se este facilita ou restringe relações pessoais por meio de suas acessibilidades internas. O estudo consiste em saber: a) o quanto relacionado está um espaço com todos os outros espaços do sistema, o que constitui sua medida de integração; b) se existem caminhos alternativos de acesso entre os diferentes cômodos, o que constitui a distributividade dos sistemas; c) se os sistemas são constituídos predominantemente por espaços abertos ou fechados, por exemplo, se a sala de estar é aberta para a sala de jantar, ou não; d) se os sistemas investem mais em espaços de circulação ou de atividade, indicando, ou não, proliferação de espaços mediadores. As informações sobre a configuração podem ser quantificadas, constuindo-se em índices analíticos para a análise morfológica. Para melhor visualização da estrutura configuracional dessas casas, elas foram representadas através de grafos justificados26, feitos a partir de um espaço de origem, o exterior. 20 FRANÇA, F. Meu quarto, meu mundo – configuração espacial e modo de vida em casas de Brasília. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de Brasília, (mimeo), 2001, Cap II. 21 HANSON, 1998. 22 TRIGUEIRO, E, MARQUES, S. e CUNHA, V. The mystery of the social sector: Discussing old and emerging spatial structures in Brazilian contemporary homes. In: Anais do 3º International Space Syntax Symposium, Atlanta, 2001, pág. 40.1ss. 23 MONTEIRO, Circe G. Activity Analysis in houses of Recife, Brasil. In. Space Syntax - First Internacional Symposium, Volume II, London, 1997, pág. 20-13. 24 AMORIM, L. The sectors’ paradigm: a study of the spatial and functional nature of modernist housing in Northeast Brasil. Tese de doutorado apresentada na Faculty of the Built Environment The Bartlett School of Graduate Studies, University College London, 1999. 25 HOLANDA, Frederico. Sintaxe de uma Casa-Átrio Moderna, In.: Cadernos Eletrônicos da Pós, Brasília, 1999, página da Rede Mundial www.unb.br/fau/pos_graduacao 26 Grafos Justificados – Um grafo é a representação de uma rede de permeabilidades, onde os espaços são representados por círculos e a relação de permeabilidade entre dois ou mais espaços são representados por uma linha. Ele pode ser construído a partir de um determinado espaço do sistema, 7 Resultados__________________________________________________________________ Mesmo desconsiderando o tempo de repouso, o quarto é o espaço de maior tempo de permanência da família. Segundo dados dos questionários, este aparece como o primeiro espaço mais citado, com 29,63% das indicações. É seguido pela cozinha como segundo espaço de maior tempo de permanência, com 18,52% (Tabela 1). Em relação aos espaços menos utilizados pelas famílias, a sala de estar, a varanda, a sala de jantar e o escritório foram, nesta ordem, os eleitos. A sala de estar é o primeiro espaço de menor tempo de permanência da família com 26,92% das respostas, seguido pela varanda com 19,23% das indicações, e a sala de jantar com 15,38% (Tabela 2). Por outro lado, todos esses espaços são, justamente, os mais utilizados para receber visitantes. A sala de estar é indicada com 59,26% das respostas, seguida pela varanda com 14,81% e pela sala de jantar, com 11,11% (Tabela 3). O fato dos principais espaços mais utilizados pela família não fazerem parte da lista dos principais espaços mais usados para receber visitantes e, o fato dos espaços destinados a visitantes serem justamente os menos usados pela família evidencia a dicotomia entre espaços de moradores e espaços de visitantes. A sala de TV chama a atenção pois, por um lado, é o terceiro espaço mais usados pelos habitantes com 14,81% e, por outro lado, é o quinto mais usado para receber visitantes com 3,70%. Esses dados sinalizam que este espaço coletivo apresenta-se como sendo de transição na divisão entre espaços para visitantes e habitantes nesses espaços domésticos. Se aliarmos esses dados aos demais dados sobre atividades e localização de equipamentos fica ainda mais fácil entender a preferência dos habitantes e as características de uso/ocupação desses espaços. Os equipamentos estão distribuídos em: a) aparelhos de ginástica – área de lazer, quartos, sala de TV e varanda; b) aparelhos de som – quartos, sala de estar, escritório e sala de TV; c) computadores – escritório, quartos, sala de estar; d) televisores – quartos, sala de TV e na cozinha (ver Gráfico 1). Gostaríamos de salientar apenas algumas características de uso/ocupação dos principais cômodos. A começar pela sala de estar, a pouca utilização deste espaço pelos habitantes e o fato de ser este o primeiro espaço para receber visitantes evidencia o papel desse cômodo nessas casas, ou seja, segundo depoimentos, ela é usada para recepção de pessoas que não são tão íntimas da família. Dessa forma, a sala de estar funciona como um filtro e mostra-se mais formal. Essa formalidade remete esse espaço ao status dado à chamada sala de visitas do séc. XIX, ou seja, um lugar reservado, preparado apenas para receber visitantes. Isso indica que a proposta de sala única, lugar para receber e também de convívio caso em que este espaço é a “raiz” do grafo, que se chama, assim, “justificado” em relação a este mesmo espaço. 8 da família - que parece ser uma das características das casas modernistas 27 - de fato não se consolidou. Com relação à cozinha, a mais importante constatação é o fato dela ser eleita como o espaço de convívio da família. Ela é o lugar das conversas informais, das refeições em conjunto, de momentos de lazer. Essa característica é importante porque difere, e muito, da proposta modernista da cozinha-laboratório proposta pelo conceito de existenzminimum. Primeiro, porque não é espaço para refeições rápidas e sim lugar de permanência. Segundo, e por isto mesmo, seu tamanho, em média, é de 18,5 m2, chegando até a 36m2. Isto é, são mais próximas das cozinhas das casas coloniais, típicas no Centro-Oeste, do que da cozinha de dimensões mínimas. Ou seja, essas características constituem uma volta a padrões prémodernistas, ou simplesmente a não-aceitação dessa proposta. Outra importante característica das cozinhas da amostra é a presença de vários equipamentos. Além dos eletro-eletrônicos mais comuns das últimas décadas, como microondas, lava-louça, geladeira, outro equipamento muito presente é a televisão. A cozinha aparece como o terceiro espaço que apresenta maior ocorrência de televisores nas casas, superando inclusive os índices da sala de estar. Sua presença na cozinha é um dos fatores que ilustram o fato desse espaço ser de permanência da família, o que contesta a visão de Lemos para as casas de classe média, quando observou que “é na casa modesta que a televisão e o fogão coabitam o mesmo compartimento”28. G rá fic o 1 - Lo c alizaç ão dos equ ipam e nto s 25 20 15 10 5 0 L a zer C opa C o z inh a Q to em p . E s c./B ib lio . M ez a n ino Q ua rtos S a la de es ta r S a la de ja n ta r S a la de TV S a la ín tim a V a ra n da T ip o d e e s pa ç o fu nc io n a l Ap arelho s de so m C o m pu tado res E qu ip. de gi nástica TV Os quartos, por sua vez, revelam-se como sendo o expoente da contemporaneidade nesses espaços domésticos. Estes espaços estão entre os poucos em que se pode encontrar todos os equipamentos listados acima. A presença de tantos equipamentos revela que o quarto passa a ser um espaço de múltiplas atividades. É lugar para descanso, sala de estudo, local de trabalho, diversão e lazer. Pressupunha-se que a multifuncionalidade dos cômodos com a sobreposição de atividades, dar-se-ia por questões de espaço físico. Em outras palavras, apenas a falta de recurso iria justificar o uso de cômodos para várias atividades como, por exemplo, lazer e descanso. Essa era a perspectiva de Lemos quando escreveu que 27 Para alguns autores, na segunda metade do séc. XX “com a influência americana e a racionalização do espaço, surge a sala única, mantendo parte do ‘ritual ancestral de receber’” (VERÍSSIMO e BITTAR, 1999, pág.58). Mas essa parece ser parte da proposta modernista, já na primeira metade do século. Nas casas modernistas estudadas por Amorim, a maioria possui somente uma sala de estar, geralmente aberta para sala de jantar. (AMORIM, 1999, Cap. II). 9 a moradia do homem rico de haveres e de poder não apresenta em seus cômodos a hipótese de superposição de funções ou de atividades da habitação. Ali sempre houve uma dependência para cada mister. A casa do rico sempre foi muito grande e a do pobre muito pequena, de 29 reduzido número de cômodos, muitas vezes resumida a uma só dependência . Talvez a observação se justificasse para determinada época, pois na amostra estudada, que é um universo de casas de classe média, onde os edifícios são espaçosos (em média com 350 m2), os quartos são, na maioria, complexos multifuncionais. Possuem banheiro privativo, televisores, som, computadores e aparelhos de ginástica, oferecendo os atrativos que os fazem espaço de maior tempo de permanência da família. Se isto antes resultava de restrições impostas por pequena área construída, transformou-se numa opção que constitui o modo de vida dos habitantes dessas residências. As informações de uso/ocupação, conforme vimos, ilustram as preferências dos habitantes em relação aos diferentes espaços da casa e evidenciam a divisão desta em espaços para visitantes e habitantes. Esses dados aliados ao estudo da configuração dessas residências revelam que estas são, morfologicamente, coerentes com tal divisão. Além disso, a análise desses sistemas revela outras características importantes sobre a estratégia de organização espacial, em função das relações sociais que nele acontecem. Uma característica que chama a atenção na organização espacial dessas casas é que, de maneira geral, elas podem ser classificadas em dois tipos: a) sistemas compostos por uma estrutura bem anelar30 que integra os setores social, de serviço e de lazer em contraste com uma forte estrutura em árvore31 do setor íntimo; b) sistemas com estrutura tipicamente em árvore em todos os setores, ou que possuem, no máximo, dois anéis. Nos dois grupos, existe uma constante: o isolamento espacial dos espaços destinados aos aposentos dos moradores das residências analisadas (Figura 1). Figura 1 1º Grupo 2º Grupo 28 LEMOS, 1978, pág. 201. LEMOS, 1989, pág. 70. 30 Uma estrutura é anelar quando possui rotas alternativas formadas por espaços que se comunicam entre si. Um anel é formado quando pode-se partir de um determinado espaço por uma direção e voltar-se a ele por outra. 31 Um sistema é em árvore quando não possui anéis. Isso significa que os espaços desse sistema têm o acesso mais controlado, uma vez que há uma única rota possível entre cada espaço e todos os outros do sistema. 29 10 A grande maioria das residências, mais de 77% dos casos da amostra, faz parte do primeiro grupo. Nestas casas, o número de anéis formado pelo setor social, de serviço e de lazer dá a estas uma permeabilidade muito grande. Se por um lado, esses setores são muito permeáveis, dando uma característica anelar ao sistema, por outro, contrastam com a estrutura em árvore formada pelo setor íntimo (casa 6 – Figura 1). O controle do acesso ao setor íntimo é muito evidente. Geralmente só se tem um único acesso, o qual é feito através dos espaços de circulação. Às vezes, este acesso se dá por mais de um espaço de circulação, o que aumenta a segregação desse setor em relação ao setor social, por exemplo, na casa 1. Em outros casos, o acesso é feito só através das salas de TV ou íntima, por exemplo, na casa 4. Nestes casos, estas salas fazem o papel de circulação em direção aos quartos. Há situações que usam os dois recursos, ou seja, circulação e sala íntima ou de TV, como é o caso da casa 8 . O baixo índice de espaços de circulação, detectado quando da análise configuracional, sinalizava para a utilização de espaços de atividade como espaços mediadores, como é o caso dessas salas. Figura 2 As salas de TV e íntima - localizadas próximas aos quartos – funcionam como espaços de transição entre uma estrutura anelar e outra em árvore. Esses espaços, juntamente com as circulações, fazem o papel de controladores do fluxo de pessoas para as áreas mais isoladas do sistema. Segundo Amorim, “o acesso controlado determina uma clara identificação da fronteira do setor, cruzar essa fronteira sem permissão pode ser entendido como uma transgressão do código de comportamento social”32. Isso explica porque as salas de TV e íntima são pouco usadas para receber visitantes, como já foi mencionado. Somente as pessoas mais íntimas chegam a esses cômodos. Estas salas são, portanto, elementos muito importantes na estrutura das casas estudadas. São localizadas de maneira que estabelecem fronteira entre os setores, resguardando assim a privacidade da família. Ou seja, a configuração das residências predominante no conjunto revela características, ao mesmo tempo, informais devido à permeabilidade dos setores sociais, de serviço e lazer e formais devido à restrição aos espaços dos setor íntimo. 11 Do ponto de vista da relação entre membros do núcleo familiar e pessoas extra-grupo, essa fronteira indica que alguns espaços têm seu uso limitado para estes últimos. Os espaços como sala de estar, jantar, varandas e área de lazer são espaços reservados aos visitantes, uma vez que são pouco usados pelos habitantes, enquanto as salas de TV/Íntima, como misto de espaços para visitantes e habitantes, são mais segregadas. A estratégia configuracional detectada na localização da sala de TV e íntima, como espaços mediadores (além das circulações) pode sinalizar mais uma divisão da estrutura doméstica que corresponde ao modo de vida nessas casas. Além da separação entre espaços para visitantes e habitantes, há uma divisão entre os cômodos destinados aos habitantes. Basicamente, as dependências mais usadas coletivamente por estes são a cozinha e salaTV/íntima. A cozinha é, entre estes, o espaço com acesso menos controlado e o espaço eleito para interação familiar (o que é condizente com sua alta medida de integração). Essa preferência é explicitada pelo proprietário da casa 19 quando afirmou que: “momento em família é na cozinha; na cozinha tem uma mesa feita só para nós (com 5 lugares). (...) quando tem uma visita é na sala de jantar onde tem uma mesa maior”. Os quartos, por outro lado, são os lugares que marcam o processo de individualização nas relações intra-grupo. Esse processo é caracterizado pelo isolamento espacial, caracterizado pela sua profundidade em relação ao exterior e por seus baixos índices de integração, e pela infraestrutura encontrada nesses cômodos, como vimos. Essa individualização é reafirmada pelo proprietário de uma das casas quando declarou: “O quarto é grande, tem TV, vídeo, tem a sacada, tem o banheiro. Onde envolve lazer (TV, vídeo) é no quarto. Na sala tem tudo, mas é mais formal. (...) o quarto é muito agradável, eu tenho uma liberdade, eu não fico preso.” Na relação habitantes e empregados, os sistemas apresentam características interessantes. O setor de serviço, composto por área de serviço e, em muitas casas, também pela dependência de empregada (quarto e banheiro), são espaços muito isolados espacialmente. Segundo Trigueiro, nos sobrados coloniais estudados em Recife, os espaços destinados aos serviçais eram, também, segregados espacialmente. Assim como nos sobrados, as dependências de empregadas também são segregadas na amostra estudada. Por outro lado, as dependências de empregada estão, em alguns casos, tão próximas do exterior quanto os espaços para receber visitantes, e em outros casos, tão profundas quanto as salas de TV/íntima, ou os quartos dos habitantes. Os dois casos, entretanto, evidenciam a distância socio-morfológica dos empregados do convívio familiar mais íntimo. 32 No original: “controlled access determines a clear identification of the sectors’ boundaries. Crossing the ‘clear boundaries‘ without permission could be understood as a transgression of social codes of behaviour”. AMORIM, 2001, pág. 19.4. (minha tradução) 12 Conclusão___________________________________________________________________ O estudo da configuração das residências e o levantamento sobre a utilização dos cômodos das 27 casas do Distrito Federal permitiu entender como a configuração do espaço está relacionada com o modo de vida das pessoas que as habitam. Casas podem ser aparentemente muito diferentes, mas muito parecidas quando estudadas sob o ângulo das suas estratégias espaciais, as quais estão imbuídas de características sociais que constituem estilos e jeitos de viver. Essa perspectiva faz do estudo da configuração dos espaços arquitetônicos uma área importantíssima para a arquitetura como atividade profissional e acadêmica que concebe e constrói espaços residenciais. O estudo da configuração e de uso das casas revelou características muito peculiares da amostra selecionada. A cozinha e os quartos, por exemplo, são os primeiros indicativos dessa sua peculiaridade. A cozinha, apresenta-se, quanto ao uso, mais próxima das casas coloniais do que das casas modernistas, pois é lugar de permanência. Configuracionalmente, ela está mais próxima das casas modernistas do que das coloniais, pois não são mais espaços isolados espacialmente, mostrando o novo status desse ambiente. Os quartos, por sua vez, são o símbolo do isolamento social confirmado pela sua segregação espacial, revelando o caráter estritamente privativo do espaço doméstico. De maneira geral, as características configuracionais e de uso das residências dessa amostra são expressas pela clara divisão entre espaços destinados aos visitantes e aos habitantes. Essa separação define os quartos e suas dependências (banheiro, roupeiro, etc.) como espaços de uso mais intenso dos habitantes e, como espaços coletivos para o uso destes, as salas de TV/íntima e a cozinha. Com exceção da cozinha, os demais espaços de maior uso dos habitantes têm o acesso altamente controlado. Por outro lado, os espaços destinados aos visitantes, ou seja, os espaços do setor social (sala de estar, jantar e varandas) e de lazer, são altamente permeáveis, no sentido que não têm o acesso tão controlado. Com relação à configuração, esse conjunto revela características próprias que o distinguem de casas pré-modernistas (coloniais ou ecléticas) e modernistas. Essas casas diferem das casas modernistas como, por exemplo, quando investem pouco em espaços de circulação. Por outro lado, têm características muito modernistas como a fluidez espacial, detectada pelo alto índice de espaços abertos, o isolamento do setor íntimo em relação ao exterior e a integração da cozinha. Essas características sinalizam uma tendência na configuração espacial dessas casas e diante dessa tendência é possível afirmar que existe um genótipo do conjunto estudado, o qual indica um misto de características pré-modernistas, modernistas e pós-modernistas. Ou seja, a análise configuracional e de uso/ocupação das residências estudadas permitiu constatar alguns elementos do jeito de viver em família em Brasília. Esse jeito combina concepções modernas (conquista da individualidade), heranças históricas (a permanência da sala de visitas), e novas escolhas (a cozinha como espaço de convívio familiar), que apontam para uma nova síntese socio-espacial do espaço doméstico contemporâneo. 13 Tabela 1- Espaço de MAIOR tempo de permanência da família33 Cômodos Primeiro Segundo Nº % Terceiro Nº % Nº % Quartos 8 29,63 5 18,52 10 37,04 Cozinha 5 18,52 12 44,44 1 3,70 Sala de estar 4 14,81 1 3,70 1 3,70 Sala de TV 4 14,81 5 18,52 4 14,81 Escritório/biblioteca 2 7,41 2 7,41 Copa 1 3,70 Sala de estar/TV 1 3,70 Sala de jantar 1 3,70 1 3,70 5 18,52 Varanda 1 3,70 1 3,70 3 11,11 Mezanino 1 3,70 Quintal 1 3,70 Sala de estar/Jantar 1 3,70 27 100 Total 27 % de respostas 100 27 100 100 100 100 Tabela 2- Espaço de menor tempo de permanência da família Cômodos Primeiro Segundo No % Terceiro No % No % Sala de estar 7 26,92 2 8,00 6 Varanda 5 19,23 9 36,00 2 8,00 Sala de jantar 4 15,38 4 16,00 3 12,00 Escritório/biblioteca 3 11,54 3 12,00 4 16,00 Cozinha 2 7,69 3 12,00 3 12,00 Sala de TV 2 7,69 2 8,00 1 4,00 Mezanino 1 3,85 1 4,00 1 Sala de estar/jantar 1 3,85 0,00 Sala íntima 1 3,85 0,00 0,00 0,00 Garagem 4,00 0,00 0,00 1 4,00 Quartos 0,00 4,00 3 12,00 Subsolo 0,00 0,00 1 4,00 Área de lazer 0,00 0,00 Copa Total % de respostas 1 24,00 0,00 26 96,30 100 0,00 0,00 25 92,59 100 0,00 25 100 92,59 33 As Tabelas 1, 2 e 3, com dados de uso/ocupação, apresentam, além dos dados em relação ao “PRIMEIRO” espaço mais citado, as colunas com dados dos segundo e terceiro espaços. Foram usados para esta análise somente os dados da primeira coluna, mas, a título de informação foram expostos os dados referentes às demais citações. 14 Tabela 3- Espaços mais usados para receber visitantes Cômodos Primeiro Segundo Nº Sala de estar % 16 Nº 59,26 Terceiro % 6 Nº 22,22 % 2 8,00 Varanda 4 14,81 5 18,52 0 0,00 Sala de jantar 3 11,11 8 29,63 2 8,00 Área de lazer 2 7,41 1 3,70 5 20,00 Cozinha 1 3,70 5 18,52 4 16,00 Sala de TV 1 3,70 1 3,70 6 24,00 Copa 0 0,00 0 0,00 1 4,00 Escritório/biblioteca 0 0,00 1 3,70 1 4,00 Mezanino 0 0,00 0 0,00 1 4,00 Quartos 0 0,00 0 0,00 3 12,00 27 100 27 100 25 100 Total % de respostas 100,00 100,00 92,59 Notas Bibliográficas__________________________________________________________ AMORIM, L. The sectors’ paradigm: a study of the spatial and functional nature of modernist housing in Northeast Brasil. Tese de doutorado apresentada na Faculty of the Built Environment The Bartlett School of Graduate Studies, University College London, 1999. 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