IV SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL
Título do trabalho:
MEU QUARTO, MEU MUNDO: ESPAÇO DOMÉSTICO NA ALVORADA DO TERCEIRO
MILÊNIO
Sub-tema da proposta:
Uma forma moderna de uso dos espaços
Autores:
Franciney Carreiro de França
Frederico de Holanda
Instituição de origem:
Mestrado em Arquitetura e Urbanismo
Universidade de Brasília
Endereços para contato:
Franciney Carreiro de França
SQN 406 Bloco H apto. 305
Asa Norte
70847-080 Brasília DF
Telefone: (0xx61) 347 45 69
e-mail: [email protected]
Frederico de Holanda
Cond. Vivendas Colorado 1, Mod. J, Casa 1
Grande Colorado
73070 – 015 Brasília DF
Telefone: (0xx61) 485 9824
Fax: (0xx61) 485 9641
e-mail: [email protected]
Introdução _________________________________________________________________
No final do século XX, a dimensão do espaço ganhou importância nas discussões
sobre a modernidade e a pós-modernidade. Nessas discussões a arquitetura aparece como um
ótimo campo de estudo para análises filosóficas e sociológicas. O filósofo Fredric Jameson1,
por exemplo, lança mão de análises sobre a estética arquitetônica para materializar as
discussões sobre as concepções pós-modernas. Para ele, as construções recentes tornam
explícitas as mudanças nas formas e usos do espaço na contemporaneidade.
Na arquitetura, pesquisas recentes contribuíram para ampliar o conceito de espaço
arquitetônico dando a este uma nova abordagem. Nessa concepção, ele é entendido como
uma situação relacional2, com um enfoque mais voltado para o usuário, suas expectativas e
experiências. Diferente de Jameson, o espaço não é entendido apenas como reflexo das
mudanças sociais, mas também como produtor de relações sociais. Hillier, por exemplo,
defende que o espaço possui características intrínsecas que propiciam essas relações sociais.
Segundo ele, “o espaço não é simplesmente função dos princípios da reprodução social, mas é
um aspecto intrínseco dela, uma parte necessária da morfologia social”3. Essa nova proposta
relaciona "atributos morfológicos do espaço arquitetônico e as expectativas humanas às quais
eles podem satisfazer"4.
Se, por um lado, têm-se os atributos morfológicos do espaço, ou seja, características
de sua configuração, por outro lado, têm-se as expectativas humanas a serem satisfeitas.
Então, entender como se dá a relação entre uma instância imaterial ou subjetiva - as
expectativas humanas - e outra material - o espaço físico arquitetônico - é o pano de fundo
desse estudo. A partir desse enfoque surge a preocupação em entender um tipo específico de
espaço arquitetônico: o espaço doméstico.
Diante das transformações ocorridas na sociedade nos últimos séculos, o estudo da
casa é o estudo de um espaço, considerado pelo antropólogo Marc Augé, como o “lugar” em
contraposição ao “não-lugar”. Os não-lugares, segundo ele, são espaços que não podem ser
definidos "como identitário, relacional e histórico”5. O espaço doméstico é precisamente a
antítese do “não-lugar”, portanto, seu estudo é a afirmação da importância do “lugar”. Para
Augé, o “lugar” como espaço circunscrito ou o “lugar antropológico”, é “aquela construção
1
JAMESON, F. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. Ática, São Paulo, 1996.
HOLANDA, F. & KOHLSDORF, G. Arquitetura como situação relacional. Brasília, 1995, pág. 7. (mimeo).
3
HILLIER, B. A lógica social do espaço hoje (mimeo), 1982. Tradução e Notas: Frederico de Holanda,
pág. 50.
4
HOLANDA e KOHLSDORF, 1995, pág. 7. (mimeo).
5
Para Marc Augé um lugar é identitário no sentido de que um certo número de indivíduos pode se
reconhecer nele e definir-se através dele. É relacional no sentido de que esses indivíduos estabelecem
relações sociais nos mesmos. É histórico no sentido de que os ocupantes do lugar podem encontrar nele
rastros diversos de uma implantação antiga, o sinal de uma filiação. Para ele, Isso significa dizer que o
espaço é triplamente simbólico e estabelece uma relação de complementariedade entre as realidades
2
2
concreta e simbólica do espaço que é simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o
habitam e princípio de inteligibilidade para quem observa, como lar, a residência, o espaço
personalizado”6.
A residência, esse lugar identitário e relacional, é o campo de maior produção
arquitetônica. Ela é normalmente estudada a partir de suas características estéticas,
semânticas e funcionais. Mas, além desses aspectos, esta deve ser estudada como uma
estrutura configuracionalmente definida que está relacionada ao modo como vivem nele e
interagem as pessoas. De acordo com Hanson, “toda casa configura um modo de vida, por
meio da construção de interfaces sociais entre homens e mulheres, mais jovens e mais velhos,
anfitriões e convidados, proprietários e empregados”7. A configuração desse espaço constitui,
então, uma concepção de relações e modos de vida.
O espaço doméstico, apesar de aparentemente simples, pode revelar muito sobre as
possibilidades de convívio. Através do estudo desse sistema - a casa - é possível saber se este
facilita ou restringe relações pessoais por meio de suas acessibilidades internas. Por outro
lado, permite entender como esse sistema de relações interage com o “exterior”8.
Esse trabalho propõe o estudo de residências, considerando a configuração espacial
como base da concepção e análise dos lugares arquitetônicos. Esse estudo busca entender a
estrutura doméstica a partir da relação entre o modo de vida e a configuração espacial desses
espaços contemporâneos. Partindo das premissas da Sintaxe Espacial9, o objetivo é
aprofundar o estudo do espaço doméstico, seus significados e relações com o modo de vida
das pessoas que nele habitam. Nesse sentido, esse estudo pretende: a) contribuir para a
discussão sobre o espaço a partir de um enfoque arquitetônico; b) identificar um “código
espacial doméstico” para o conjunto analisado; c) caracterizar um modo de vida
contemporâneo em Brasília condizente ou não com sua proposta modernista.
Esse estudo do espaço doméstico procura entender a lógica da configuração
contemporânea nas casas dessa amostra. Uma hipótese, é de que transformações recentes no
modo de vida – especialmente a exacerbação da individualidade – têm relação direta com a
sua organização espacial. Essa influência ou inter-relação é aqui estudada utilizando-se a
teoria e as ferramentas da Sintaxe Espacial, procurando-se saber em que medida existem,
numa realidade “vernacular”10 determinados “códigos” socio-espaciais e quais são suas
características em um determinado conjunto de residências em Brasília.
sociais” AUGÉ, M. Não-lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Papirus,
Campinas, 1992, pág. 73.
6
AUGÉ, 1992, pág. 51.
7
No original: “Every home configures a way of life by constructing social interfaces between men and
women, young and old, hosts and guests, owners and servants....” HANSON, J. Decoding Home and
House. Cambrige University Press, Cambrige, 1998, pág. 267. (minha tradução).
8
O Exterior é o espaço fora do complexo formado pela casa e o terreno, no caso a rua.
9
Sintaxe Espacial é uma teoria de análise do espaço arquitetônico desenvolvida originalmente por Hillier
e colegas da Bartlett School of Graduate Studies – University College London, e posteriormente
enriquecida por pesquisadores de várias partes do mundo.
10
Por “vernacular” entende-se uma determinada maneira de organização espacial, que não se encontra
respaldada necessariamente pelo “saber profissional”. Também, tal código não se refere, exclusivamente,
à população de mais baixo poder aquisitivo. Entretanto, mostra-se como este saber socialmente
3
Objeto______________________________________________________________________
O universo estudado é composto por residências unifamiliares localizadas no Distrito
Federal, mais precisamente no Plano Piloto de Brasília e em algumas cidades satélites. As
casas, num total de 27, estão assim distribuídas: a) Plano Piloto - 9 casas no Lago Sul, 5
casas no Lago Norte, 1 casa na W3 Sul, Asa Sul; b) Cidades Satélites - 4 casas em
Taguatinga; 2 no Guará I; 1 no Guará II; 1 em Sobradinho; 1 em Samambaia; 1 no Parkway e 1
no Condomínio Santa Bárbara, próximo à Escola Fazendária; c) uma entrevistada não informou
a localidade.
A escolha por residências unifamiliares é resultado da convicção de que casas
apresentam maior possibilidade de configuração que expressa a escolha do habitante pela
forma de organização do espaço. Isto é, num apartamento a configuração padrão para vários
moradores pode, por um lado, impor uma configuração espacial e, por outro, inibir o que
poderia ser a vontade dos moradores por uma organização mais idiossincrática do espaço.
Em Brasília, essa imposição é ainda mais freqüente uma vez que existem poucas
variações de plantas de apartamentos, especialmente no Plano Piloto. Mesmo que estes sejam
reformados, o que geralmente acontece, as possibilidades de mudanças na configuração
espacial são limitadas. As possíveis mudanças não constituem um perfil que expressa as
particularidades encontradas nas casas, embora seja claro que esse universo constitua,
igualmente, um ótimo objeto de estudo. Quanto às casas, entretanto, por mais que o projeto
sofra interferência dos arquitetos, por sobre as aspirações das famílias, ou de revistas de
arquitetura ou de quaisquer outras fontes, a residência unifamiliar ainda permite uma maior
escolha do habitante por uma ou por outra configuração, quando não a busca por um projeto
exclusivo. Essa busca por (assim como a maior possibilidade de) exclusividade, torna a
investigação de um possível genótipo11 (que é uma hipótese do trabalho), mais interessante.
Para a coleta de dados foram escolhidos estudantes de cursos de arquitetura e
urbanismo do primeiro, segundo e terceiro semestres. A escolha desse público é resultado,
unicamente, de questões operacionais. A perspectiva era alcançar um público que oferecesse
pouca resistência à abordagem e capaz de fornecer, com maior facilidade, dados como, por
exemplo, a planta baixa das residências. Também a opção por estes semestres iniciais
respondeu à preocupação em atingir um público mais “desinteressado”, ou seja, sem vícios de
interpretação do contexto ora estudado, garantindo assim uma maior idoneidade das
informações. A preocupação em diversificar a amostra, para que esta não fosse reduzida aos
alunos da UnB – Universidade de Brasília - levou à coleta de dados igualmente em outras duas
faculdades: na IESPLAN – Instituto de Estudos Superiores Planalto e UniCeub – Centro
Universitário de Brasília.
disseminado incorpora, em alguma medida, elementos do saber profissional “erudito”, enquanto, por outro
lado, se contrapõe a ele.
11
Genótipo é um conceito, emprestado da biologia e usado pela Sintaxe Espacial, para identificar um
grupo com característica recorrentes, um código para identificar os objetos estudados.
4
Análise______________________________________________________________________
O estudo do espaço doméstico, sob a ótica do presente trabalho, ou seja, considerando
sua sintaxe, assim como o modo de vida que nele se desenvolve, requer dois níveis de análise.
O primeiro nível é constituído pela análise da casa a partir de dados referentes à maneira como
a família vive nesse espaço, seus costumes, seu dia-a-dia. O segundo é constituído pela
análise da configuração desse espaço.
O primeiro nível têm como objetivo fazer uma aproximação do modo de vida; entender
como as pessoas utilizam os espaços, quando, para quê e por quem são ocupados, e o grau
de satisfação em relação ao espaço habitado. A partir daí, a investigação é uma tentativa de
mapear como se dão as interfaces sociais no complexo estudado. Para isso, os dados foram
coletados em duas etapas: a) aplicação de questionários; b) entrevistas com público
selecionado a partir dos questionários.
No segundo nível, o espaço será analisado a partir da sua sintaxe. Essa análise
possibilitará conhecer a casa numa outra dimensão. Não a dimensão social lato sensu, como
no primeiro momento, mas determinadas características físicas, ou seja, um estudo de sua
configuração em termos de barreiras e permeabilidades que conformam tipos de acesso
diferenciados – mais ou menos diretos – entre os cômodos. Essa etapa é feita a partir da
análise das plantas baixas das residências e de sua implantação. Esses dados foram coletados
com a aplicação dos questionários, quando foi solicitado aos entrevistados que desenhassem
as plantas de suas casas. Dessa forma será possível ver como a lógica destes sistemas está
relacionada com as interações sociais descritas no primeiro momento.
a) Utilização e Ocupação dos espaços
No espaço doméstico, são muitas as variáveis envolvidas para caracterização de um
modo de vida e, ciente da complexidade do objeto, o que se pretende explorar nesse estudo é
a maneira como as pessoas vivem e utilizam esse espaço, buscando identificar um
determinado estilo de vida através das relações sociais ocorridas em seu interior. Essas
relações serão analisadas sob três aspectos: a) relação entre os habitantes; b) relação desses
habitantes com os visitantes; c) relação dos habitantes com empregados. Segundo Hanson,
“casas são sensíveis a relações sociais somente quando constróem e contêm interfaces entre
diferentes tipos de habitantes e diferentes categorias de visitantes”12. O visitante é todo aquele
que não faz parte do grupo que mora na residência.
12
No original: “Houses are sensitive to social relations only insofar as they construct and constrain
interfaces between different kinds of inhabitant, and different categories of visitor.” HANSON, 1998, pág.
77. (tradução Franciney França).
5
Para entender essas relações sociais, a aplicação de questionários e as entrevistas
procuraram identificar quais espaços são mais usados e quais são menos usados pelos
habitantes. Identificar também quais são os espaços mais usados para receber visitantes e
quais são, normalmente, os espaços inacessíveis a eles, com o objetivo de mapear as
atividades e preferências dos habitantes.
Com o propósito de caracterizar melhor a utilização desses espaços, foram elaboradas
questões referentes às atividades que nele são realizadas. As atividades foram agrupadas em
cinco categorias13: 1) tarefas domésticas (cozinhar, lavar louça, lavar roupa e passar); 2) lazer
passivo (ver TV, ler, ouvir música, jogos de computador, fazer ginástica)14; 3) lazer interativo
(encontrar amigos, beber, namorar); 4) necessidades comuns (tomar café, almoçar, jantar), e 5)
necessidades privadas (escovar dentes, tomar banho, dormir, repousar, fazer amor).
Outra maneira utilizada para caracterizar o uso do espaço foi mapear a localização dos
equipamentos que fazem parte do cotidiano das pessoas. Para isso foi incluída uma questão
sobre a localização de tais objetos. Apenas alguns equipamentos foram incluídos como,
televisão, aparelho de som, computador e aparelho de ginástica, porque esses equipamentos
podem, mais diretamente, indicar mudanças de comportamento e de utilização dos diferentes
espaços da casa. Foram incluídas ainda outras questões procurando saber se as pessoas
entrevistadas gostam ou não do bairro e da casa onde moram, tendo por objetivo pesquisar o
grau de satisfação do lugar habitado.
Para o estudo sobre uso/ocupação desses espaços, as informações fornecidas pelos
entrevistados foram confrontadas com outras obtidas através de um resgate histórico da
utilização e ocupação dos principais cômodos das residências, identificando assim as
mudanças de uso ocorridas ao longo da história. Ou seja, a importância e status de cada
cômodo foi entendido à luz dos trabalhos feitos sobre a história da casa brasileira como, por
exemplo, os estudos de Lemos15, Gomes16, Freyre17, DaMatta18 e Tramontano19.
13
Essas categorias foram sugeridas por MONTEIRO, 1997, pág. 20.3.
O termo "lazer passivo" refere-se a atividades que, embora possam ser feitas coletivamente, não têm
um caráter de interação direta entre as pessoas.
15
LEMOS, C. História da casa brasileira. Editora Contexto, São Paulo, 1989.
16
GOMES, G. Engenho & Arquitetura – tipologia dos edifícios dos Antigos Engenhos de açucar de
Pernambuco. Editora Fundação Gilberto Freyre, Recife, 1998.
17
FREYRE, G. Casa-Grande e Senzala: Formação da família sob o regime de economia patriarcal, 1º
volume, 7º edição. Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1952.
18
DAMATTA, R. A casa e a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. Editora Brasiliense, São
Paulo, 1985.
19
TRAMONTANO, M. Novos modos de vida, novos espaços de morar – uma reflexão sobre a habitação
contemporânea. Tese de Doutoramento, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São
Paulo, 1998. (mimeo).
14
6
b) Configuração das residências
Essa etapa consiste em fazer uma caracterização dos sistemas em termos das suas
permeabilidades e impermeabilidades ao movimento das pessoas no interior destes edifícios, e
em relação ao seu exterior. Esse estudo foi feito com o auxílio da técnica de convexidade20 da
Sintaxe Espacial e de suas variáveis analíticas. Sob essas variáveis analíticas, serão lançadas
hipóteses interpretativas das implicações sociais destes padrões espaciais, tendo como
parâmetros os recentes estudos envolvendo o espaço doméstico sob esse enfoque como, por
exemplo, os trabalhos de Hanson21, Trigueiro22, Monteiro23, Amorim24 e Holanda25.
Nessa metodologia a casa é vista como um sistema de relação entre os seus vários
espaços, e o objetivo é detectar se este facilita ou restringe relações pessoais por meio de suas
acessibilidades internas. O estudo consiste em saber: a) o quanto relacionado está um espaço
com todos os outros espaços do sistema, o que constitui sua medida de integração; b) se
existem caminhos alternativos de acesso entre os diferentes cômodos, o que constitui a
distributividade dos sistemas; c) se os sistemas são constituídos predominantemente por
espaços abertos ou fechados, por exemplo, se a sala de estar é aberta para a sala de jantar,
ou não; d) se os sistemas investem mais em espaços de circulação ou de atividade, indicando,
ou não, proliferação de espaços mediadores.
As informações sobre a configuração podem ser quantificadas, constuindo-se em
índices analíticos para a análise morfológica. Para melhor visualização da estrutura
configuracional dessas casas, elas foram representadas através de grafos justificados26, feitos
a partir de um espaço de origem, o exterior.
20
FRANÇA, F. Meu quarto, meu mundo – configuração espacial e modo de vida em casas de Brasília.
Dissertação de Mestrado, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de Brasília, (mimeo),
2001, Cap II.
21
HANSON, 1998.
22
TRIGUEIRO, E, MARQUES, S. e CUNHA, V. The mystery of the social sector: Discussing old and
emerging spatial structures in Brazilian contemporary homes. In: Anais do 3º International Space Syntax
Symposium, Atlanta, 2001, pág. 40.1ss.
23
MONTEIRO, Circe G. Activity Analysis in houses of Recife, Brasil. In. Space Syntax - First Internacional
Symposium, Volume II, London, 1997, pág. 20-13.
24
AMORIM, L. The sectors’ paradigm: a study of the spatial and functional nature of modernist housing in
Northeast Brasil. Tese de doutorado apresentada na Faculty of the Built Environment The Bartlett School
of Graduate Studies, University College London, 1999.
25
HOLANDA, Frederico. Sintaxe de uma Casa-Átrio Moderna, In.: Cadernos Eletrônicos da Pós, Brasília,
1999, página da Rede Mundial www.unb.br/fau/pos_graduacao
26
Grafos Justificados – Um grafo é a representação de uma rede de permeabilidades, onde os espaços
são representados por círculos e a relação de permeabilidade entre dois ou mais espaços são
representados por uma linha. Ele pode ser construído a partir de um determinado espaço do sistema,
7
Resultados__________________________________________________________________
Mesmo desconsiderando o tempo de repouso, o quarto é o espaço de maior tempo de
permanência da família. Segundo dados dos questionários, este aparece como o primeiro
espaço mais citado, com 29,63% das indicações. É seguido pela cozinha como segundo
espaço de maior tempo de permanência, com 18,52% (Tabela 1).
Em relação aos espaços menos utilizados pelas famílias, a sala de estar, a varanda, a
sala de jantar e o escritório foram, nesta ordem, os eleitos. A sala de estar é o primeiro espaço
de menor tempo de permanência da família com 26,92% das respostas, seguido pela varanda
com 19,23% das indicações, e a sala de jantar com 15,38% (Tabela 2). Por outro lado, todos
esses espaços são, justamente, os mais utilizados para receber visitantes. A sala de estar é
indicada com 59,26% das respostas, seguida pela varanda com 14,81% e pela sala de jantar,
com 11,11% (Tabela 3).
O fato dos principais espaços mais utilizados pela família não fazerem parte da lista
dos principais espaços mais usados para receber visitantes e, o fato dos espaços destinados a
visitantes serem justamente os menos usados pela família evidencia
a dicotomia entre
espaços de moradores e espaços de visitantes.
A sala de TV chama a atenção pois, por um lado, é o terceiro espaço mais usados
pelos habitantes com 14,81% e, por outro lado, é o quinto mais usado para receber visitantes
com 3,70%. Esses dados sinalizam que este espaço coletivo apresenta-se como sendo de
transição na divisão entre espaços para visitantes e habitantes nesses espaços domésticos.
Se aliarmos esses dados aos demais dados sobre atividades e localização de
equipamentos fica ainda mais fácil entender a preferência dos habitantes e as características
de uso/ocupação desses espaços. Os equipamentos estão distribuídos em: a) aparelhos de
ginástica – área de lazer, quartos, sala de TV e varanda; b) aparelhos de som – quartos, sala
de estar, escritório e sala de TV; c) computadores – escritório, quartos, sala de estar; d)
televisores – quartos, sala de TV e na cozinha (ver Gráfico 1).
Gostaríamos de salientar apenas algumas características de uso/ocupação dos
principais cômodos. A começar pela sala de estar, a pouca utilização deste espaço pelos
habitantes e o fato de ser este o primeiro espaço para receber visitantes evidencia o papel
desse cômodo nessas casas, ou seja, segundo depoimentos, ela é usada para recepção de
pessoas que não são tão íntimas da família. Dessa forma, a sala de estar funciona como um
filtro e mostra-se mais formal. Essa formalidade remete esse espaço ao status dado à chamada
sala de visitas do séc. XIX, ou seja, um lugar reservado, preparado apenas para receber
visitantes. Isso indica que a proposta de sala única, lugar para receber e também de convívio
caso em que este espaço é a “raiz” do grafo, que se chama, assim, “justificado” em relação a este
mesmo espaço.
8
da família - que parece ser uma das características das casas modernistas
27
- de fato não se
consolidou.
Com relação à cozinha, a mais importante constatação é o fato dela ser eleita como o
espaço de convívio da família. Ela é o lugar das conversas informais, das refeições em
conjunto, de momentos de lazer. Essa característica é importante porque difere, e muito, da
proposta modernista da cozinha-laboratório proposta pelo conceito de existenzminimum.
Primeiro, porque não é espaço para refeições rápidas e sim lugar de permanência. Segundo, e
por isto mesmo, seu tamanho, em média, é de 18,5 m2, chegando até a 36m2. Isto é, são mais
próximas das cozinhas das casas coloniais, típicas no Centro-Oeste, do que da cozinha de
dimensões mínimas. Ou seja, essas características constituem uma volta a padrões prémodernistas, ou simplesmente a não-aceitação dessa proposta.
Outra importante característica das cozinhas da amostra é a presença de vários
equipamentos. Além dos eletro-eletrônicos mais comuns das últimas décadas, como
microondas, lava-louça, geladeira, outro equipamento muito presente é a televisão. A cozinha
aparece como o terceiro espaço que apresenta maior ocorrência de televisores nas casas,
superando inclusive os índices da sala de estar. Sua presença na cozinha é um dos fatores
que ilustram o fato desse espaço ser de permanência da família, o que contesta a visão de
Lemos para as casas de classe média, quando observou que “é na casa modesta que a
televisão e o fogão coabitam o mesmo compartimento”28.
G rá fic o 1 - Lo c alizaç ão dos equ ipam e nto s
25
20
15
10
5
0
L a zer
C opa
C o z inh a
Q to em p .
E s c./B ib lio .
M ez a n ino
Q ua rtos
S a la de
es ta r
S a la de
ja n ta r
S a la de TV
S a la ín tim a
V a ra n da
T ip o d e e s pa ç o fu nc io n a l
Ap arelho s de so m
C o m pu tado res
E qu ip. de gi nástica
TV
Os quartos, por sua vez, revelam-se como sendo o expoente da contemporaneidade
nesses espaços domésticos. Estes espaços estão entre os poucos em que se pode encontrar
todos os equipamentos listados acima. A presença de tantos equipamentos revela que o quarto
passa a ser um espaço de múltiplas atividades. É lugar para descanso, sala de estudo, local de
trabalho, diversão e lazer. Pressupunha-se que a multifuncionalidade dos cômodos com a
sobreposição de atividades, dar-se-ia por questões de espaço físico. Em outras palavras,
apenas a falta de recurso iria justificar o uso de cômodos para várias atividades como, por
exemplo, lazer e descanso. Essa era a perspectiva de Lemos quando escreveu que
27
Para alguns autores, na segunda metade do séc. XX “com a influência americana e a racionalização do
espaço, surge a sala única, mantendo parte do ‘ritual ancestral de receber’” (VERÍSSIMO e BITTAR,
1999, pág.58). Mas essa parece ser parte da proposta modernista, já na primeira metade do século. Nas
casas modernistas estudadas por Amorim, a maioria possui somente uma sala de estar, geralmente
aberta para sala de jantar. (AMORIM, 1999, Cap. II).
9
a moradia do homem rico de haveres e de poder não apresenta em seus cômodos a hipótese de
superposição de funções ou de atividades da habitação. Ali sempre houve uma dependência
para cada mister. A casa do rico sempre foi muito grande e a do pobre muito pequena, de
29
reduzido número de cômodos, muitas vezes resumida a uma só dependência .
Talvez a observação se justificasse para determinada época, pois na amostra
estudada, que é um universo de casas de classe média, onde os edifícios são espaçosos (em
média com 350 m2), os quartos são, na maioria, complexos multifuncionais. Possuem banheiro
privativo, televisores, som, computadores e aparelhos de ginástica, oferecendo os atrativos que
os fazem espaço de maior tempo de permanência da família. Se isto antes resultava de
restrições impostas por pequena área construída, transformou-se numa opção que constitui o
modo de vida dos habitantes dessas residências.
As informações de uso/ocupação, conforme vimos, ilustram as preferências dos
habitantes em relação aos diferentes espaços da casa e evidenciam a divisão desta em
espaços para visitantes e habitantes. Esses dados aliados ao estudo da configuração dessas
residências revelam que estas são, morfologicamente, coerentes com tal divisão. Além disso, a
análise desses sistemas revela outras características importantes sobre a estratégia de
organização espacial, em função das relações sociais que nele acontecem.
Uma característica que chama a atenção na organização espacial dessas casas é que,
de maneira geral, elas podem ser classificadas em dois tipos: a) sistemas compostos por uma
estrutura bem anelar30 que integra os setores social, de serviço e de lazer em contraste com
uma forte estrutura em árvore31 do setor íntimo; b) sistemas com estrutura tipicamente em
árvore em todos os setores, ou que possuem, no máximo, dois anéis. Nos dois grupos, existe
uma constante: o isolamento espacial dos espaços destinados aos aposentos dos moradores
das residências analisadas (Figura 1).
Figura 1
1º Grupo
2º Grupo
28
LEMOS, 1978, pág. 201.
LEMOS, 1989, pág. 70.
30
Uma estrutura é anelar quando possui rotas alternativas formadas por espaços que se comunicam
entre si. Um anel é formado quando pode-se partir de um determinado espaço por uma direção e voltar-se
a ele por outra.
31
Um sistema é em árvore quando não possui anéis. Isso significa que os espaços desse sistema têm o
acesso mais controlado, uma vez que há uma única rota possível entre cada espaço e todos os outros do
sistema.
29
10
A grande maioria das residências, mais de 77% dos casos da amostra, faz parte do
primeiro grupo. Nestas casas, o número de anéis formado pelo setor social, de serviço e de
lazer dá a estas uma permeabilidade muito grande. Se por um lado, esses setores são muito
permeáveis, dando uma característica anelar ao sistema, por outro, contrastam com a estrutura
em árvore formada pelo setor íntimo (casa 6 – Figura 1).
O controle do acesso ao setor íntimo é muito evidente. Geralmente só se tem um único
acesso, o qual é feito através dos espaços de circulação. Às vezes, este acesso se dá por mais
de um espaço de circulação, o que aumenta a segregação desse setor em relação ao setor
social, por exemplo, na casa 1. Em outros casos, o acesso é feito só através das salas de TV
ou íntima, por exemplo, na casa 4. Nestes casos, estas salas fazem o papel de circulação em
direção aos quartos. Há situações que usam os dois recursos, ou seja, circulação e sala íntima
ou de TV, como é o caso da casa 8 . O baixo índice de espaços de circulação, detectado
quando da análise configuracional, sinalizava para a utilização de espaços de atividade como
espaços mediadores, como é o caso dessas salas.
Figura 2
As salas de TV e íntima - localizadas próximas aos quartos – funcionam como espaços
de transição entre uma estrutura anelar e outra em árvore. Esses espaços, juntamente com as
circulações, fazem o papel de controladores do fluxo de pessoas para as áreas mais isoladas
do sistema. Segundo Amorim, “o acesso controlado determina uma clara identificação da
fronteira do setor, cruzar essa fronteira sem permissão pode ser entendido como uma
transgressão do código de comportamento social”32.
Isso explica porque as salas de TV e íntima são pouco usadas para receber visitantes,
como já foi mencionado. Somente as pessoas mais íntimas chegam a esses cômodos. Estas
salas são, portanto, elementos muito importantes na estrutura das casas estudadas. São
localizadas de maneira que estabelecem fronteira entre os setores, resguardando assim a
privacidade da família. Ou seja, a configuração das residências predominante no conjunto
revela características, ao mesmo tempo, informais devido à permeabilidade dos setores
sociais, de serviço e lazer e formais devido à restrição aos espaços dos setor íntimo.
11
Do ponto de vista da relação entre membros do núcleo familiar e pessoas extra-grupo,
essa fronteira indica que alguns espaços têm seu uso limitado para estes últimos. Os espaços
como sala de estar, jantar, varandas e área de lazer são espaços reservados aos visitantes,
uma vez que são pouco usados pelos habitantes, enquanto as salas de TV/Íntima, como misto
de espaços para visitantes e habitantes, são mais segregadas.
A estratégia configuracional detectada na localização da sala de TV e íntima, como
espaços mediadores (além das circulações) pode sinalizar mais uma divisão da estrutura
doméstica que corresponde ao modo de vida nessas casas. Além da separação entre espaços
para visitantes e habitantes, há uma divisão entre os cômodos destinados aos habitantes.
Basicamente, as dependências mais usadas coletivamente por estes são a cozinha e
salaTV/íntima. A cozinha é, entre estes, o espaço com acesso menos controlado e o espaço
eleito para interação familiar (o que é condizente com sua alta medida de integração). Essa
preferência é explicitada pelo proprietário da casa 19 quando afirmou que: “momento em
família é na cozinha; na cozinha tem uma mesa feita só para nós (com 5 lugares). (...) quando
tem uma visita é na sala de jantar onde tem uma mesa maior”.
Os quartos, por outro lado, são os lugares que marcam o processo de individualização
nas relações intra-grupo. Esse processo é caracterizado pelo isolamento espacial,
caracterizado pela sua profundidade em relação ao exterior e por seus baixos índices de
integração,
e
pela
infraestrutura
encontrada
nesses
cômodos,
como
vimos.
Essa
individualização é reafirmada pelo proprietário de uma das casas quando declarou: “O quarto é
grande, tem TV, vídeo, tem a sacada, tem o banheiro. Onde envolve lazer (TV, vídeo) é no
quarto. Na sala tem tudo, mas é mais formal. (...) o quarto é muito agradável, eu tenho uma
liberdade, eu não fico preso.”
Na relação habitantes e empregados, os sistemas apresentam características
interessantes. O setor de serviço, composto por área de serviço e, em muitas casas, também
pela dependência de empregada (quarto e banheiro), são espaços muito isolados
espacialmente. Segundo Trigueiro, nos sobrados coloniais estudados em Recife, os espaços
destinados aos serviçais eram, também, segregados espacialmente. Assim como nos
sobrados, as dependências de empregadas também são segregadas na amostra estudada.
Por outro lado, as dependências de empregada estão, em alguns casos, tão próximas do
exterior quanto os espaços para receber visitantes, e em outros casos, tão profundas quanto as
salas de TV/íntima, ou os quartos dos habitantes. Os dois casos, entretanto, evidenciam a
distância socio-morfológica dos empregados do convívio familiar mais íntimo.
32
No original: “controlled access determines a clear identification of the sectors’ boundaries. Crossing the
‘clear boundaries‘ without permission could be understood as a transgression of social codes of
behaviour”. AMORIM, 2001, pág. 19.4. (minha tradução)
12
Conclusão___________________________________________________________________
O estudo da configuração das residências e o levantamento sobre a utilização dos
cômodos das 27 casas do Distrito Federal permitiu entender como a configuração do espaço
está relacionada com o modo de vida das pessoas que as habitam. Casas podem ser
aparentemente muito diferentes, mas muito parecidas quando estudadas sob o ângulo das
suas estratégias espaciais, as quais estão imbuídas de características sociais que constituem
estilos e jeitos de viver. Essa perspectiva faz do estudo da configuração dos espaços
arquitetônicos uma área importantíssima para a arquitetura como atividade profissional e
acadêmica que concebe e constrói espaços residenciais.
O estudo da configuração e de uso das casas revelou características muito peculiares
da amostra selecionada. A cozinha e os quartos, por exemplo, são os primeiros indicativos
dessa sua peculiaridade. A cozinha, apresenta-se, quanto ao uso, mais próxima das casas
coloniais do que das casas modernistas, pois é lugar de permanência. Configuracionalmente,
ela está mais próxima das casas modernistas do que das coloniais, pois não são mais espaços
isolados espacialmente, mostrando o novo status desse ambiente. Os quartos, por sua vez,
são o símbolo do isolamento social confirmado pela sua segregação espacial, revelando o
caráter estritamente privativo do espaço doméstico.
De maneira geral, as características configuracionais e de uso das residências dessa
amostra são expressas pela clara divisão entre espaços destinados aos visitantes e aos
habitantes. Essa separação define os quartos e suas dependências (banheiro, roupeiro, etc.)
como espaços de uso mais intenso dos habitantes e, como espaços coletivos para o uso
destes, as salas de TV/íntima e a cozinha. Com exceção da cozinha, os demais espaços de
maior uso dos habitantes têm o acesso altamente controlado. Por outro lado, os espaços
destinados aos visitantes, ou seja, os espaços do setor social (sala de estar, jantar e varandas)
e de lazer, são altamente permeáveis, no sentido que não têm o acesso tão controlado.
Com relação à configuração, esse conjunto revela características próprias que o
distinguem de casas pré-modernistas (coloniais ou ecléticas) e modernistas. Essas casas
diferem das casas modernistas como, por exemplo, quando investem pouco em espaços de
circulação. Por outro lado, têm características muito modernistas como a fluidez espacial,
detectada pelo alto índice de espaços abertos, o isolamento do setor íntimo em relação ao
exterior e a integração da cozinha.
Essas características sinalizam uma tendência na configuração espacial dessas casas
e diante dessa tendência é possível afirmar que existe um genótipo do conjunto estudado, o
qual indica um misto de características pré-modernistas, modernistas e pós-modernistas. Ou
seja, a análise configuracional e de uso/ocupação das residências estudadas permitiu constatar
alguns elementos do jeito de viver em família em Brasília. Esse jeito combina concepções
modernas (conquista da individualidade), heranças históricas (a permanência da sala de
visitas), e novas escolhas (a cozinha como espaço de convívio familiar), que apontam para
uma nova síntese socio-espacial do espaço doméstico contemporâneo.
13
Tabela 1- Espaço de MAIOR tempo de permanência da família33
Cômodos
Primeiro
Segundo
Nº
%
Terceiro
Nº
%
Nº
%
Quartos
8
29,63
5
18,52
10
37,04
Cozinha
5
18,52
12
44,44
1
3,70
Sala de estar
4
14,81
1
3,70
1
3,70
Sala de TV
4
14,81
5
18,52
4
14,81
Escritório/biblioteca
2
7,41
2
7,41
Copa
1
3,70
Sala de estar/TV
1
3,70
Sala de jantar
1
3,70
1
3,70
5
18,52
Varanda
1
3,70
1
3,70
3
11,11
Mezanino
1
3,70
Quintal
1
3,70
Sala de estar/Jantar
1
3,70
27
100
Total
27
% de respostas
100
27
100
100
100
100
Tabela 2- Espaço de menor tempo de permanência da família
Cômodos
Primeiro
Segundo
No
%
Terceiro
No
%
No
%
Sala de estar
7
26,92
2
8,00
6
Varanda
5
19,23
9
36,00
2
8,00
Sala de jantar
4
15,38
4
16,00
3
12,00
Escritório/biblioteca
3
11,54
3
12,00
4
16,00
Cozinha
2
7,69
3
12,00
3
12,00
Sala de TV
2
7,69
2
8,00
1
4,00
Mezanino
1
3,85
1
4,00
1
Sala de estar/jantar
1
3,85
0,00
Sala íntima
1
3,85
0,00
0,00
0,00
Garagem
4,00
0,00
0,00
1
4,00
Quartos
0,00
4,00
3
12,00
Subsolo
0,00
0,00
1
4,00
Área de lazer
0,00
0,00
Copa
Total
% de respostas
1
24,00
0,00
26
96,30
100
0,00
0,00
25
92,59
100
0,00
25
100
92,59
33
As Tabelas 1, 2 e 3, com dados de uso/ocupação, apresentam, além dos dados em relação ao
“PRIMEIRO” espaço mais citado, as colunas com dados dos segundo e terceiro espaços. Foram usados
para esta análise somente os dados da primeira coluna, mas, a título de informação foram expostos os
dados referentes às demais citações.
14
Tabela 3- Espaços mais usados para receber visitantes
Cômodos
Primeiro
Segundo
Nº
Sala de estar
%
16
Nº
59,26
Terceiro
%
6
Nº
22,22
%
2
8,00
Varanda
4
14,81
5
18,52
0
0,00
Sala de jantar
3
11,11
8
29,63
2
8,00
Área de lazer
2
7,41
1
3,70
5
20,00
Cozinha
1
3,70
5
18,52
4
16,00
Sala de TV
1
3,70
1
3,70
6
24,00
Copa
0
0,00
0
0,00
1
4,00
Escritório/biblioteca
0
0,00
1
3,70
1
4,00
Mezanino
0
0,00
0
0,00
1
4,00
Quartos
0
0,00
0
0,00
3
12,00
27
100
27
100
25
100
Total
% de respostas
100,00
100,00
92,59
Notas Bibliográficas__________________________________________________________
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