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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
INSTITUTO IAVM
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
A RECICLAGEM E O LÚDICO: EDUCANDO E
DO
CU
M
CONSCIENTIZANDO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DE
ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL.
Prof. Orientador:
Msc. Mariana de Castro Moreira
Vitória
2010
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
INSTITUTO IAVM
Liliane Gabeira Brandão
A RECICLAGEM E O LÚDICO: EDUCANDO E
CONSCIENTIZANDO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DE
ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL.
Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do
Mestre – Universidade Candido Mendes como
requisito parcial para obtenção do grau de
especialista em Educação Ambiental
Orientadora: Professora Mariana de Castro Moreira
Por: Liliane Gabeira Brandão
Vitória
2010
AGRADECIMENTOS
A Deus por me dar força e saúde para chegar onde cheguei; à
minha família, que tem sido a base de tudo em minha vida; aos
amigos que não nos abandonam nos momentos difíceis e aos
Mestres que utilizam de seus conhecimentos para nos guiar
nessas jornadas que só nos engrandecem.
DEDICATÓRIA
À minha mãe Dina como retribuição pelo esforço,
dedicação e compreensão, em todos os momentos desta
e de todas as minhas caminhadas até aqui.
Em especial, ao meu marido Ronaldo, por sua confiança
e amizade concedendo a oportunidade de me realizar
ainda mais.
Aos meus filhos Leandro e Luciano e meu neto Júlio
César por serem pessoas admiráveis em sua essência,
além de terem aceitado se privar de minha companhia
em detrimento dos estudos.
Aos meus irmãos Luiz, Luciane e Nando e suas famílias
que sempre me impulsionaram a buscar vida nova a
cada dia!!!
Gratidão eterna!
RESUMO
Com a crise ambiental em que estamos e com o aumento substancial do
volume de lixo produzido pela população, a discussão sobre reciclagem tem
estado em destaque no Brasil e também em diversos países do mundo. Para
que se fortaleça a cultura da necessidade e importância da reciclagem, é
necessário trabalhar esse conceito desde a infância. A utilização de material
reciclável na prática pedagógica de Artes na Educação Infantil é, nada mais
que utilizar meios que mostrem a transformação desses materiais recicláveis
em objetos úteis, principalmente porque muitas delas nos mostram que é
possível a produção de objetos com caráter lúdico, além de serem úteis.
Este trabalho tem como objetivo geral a observação da utilização de materiais
recicláveis na prática pedagógica das aulas de Artes em turmas de Grupo 1 a
Grupo 6, que envolvem crianças de um a seis anos, no ano de 2009, no Centro
Municipal de Educação Infantil – CMEI - “Odila Simões”, situado no Bairro Do
Quadro, no município de Vitória. Foi constatada, por meio da observação das
dinâmicas em sala de aula utilizando lixo reciclável, que esta é uma maneira
que se apresentou muito eficiente, atingindo o objetivo principal que era
mostrar para as crianças a possibilidade de transformar materiais que
normalmente seriam descartados e jogados fora, em brinquedos e materiais
lúdicos. Para esta pesquisa, foi utilizada a pesquisa bibliográfica dos diversos
temas que abordam as questões ambientais; de reciclagem; e de práticas
pedagógicas, além de pesquisa na Internet em sites de instituições envolvidas
neste assunto, sejam elas governamentais ou não.
METODOLOGIA
Para o desenvolvimento deste trabalho, será utilizada pesquisa bibliográfica de
obras com temas que abordam as questões ambientais, de reciclagem e de
práticas pedagógicas; de documentos publicados pelo Governo nas suas
diversas esferas, além de propostas e projetos desenvolvidos pelas escolas no
município de Vitória. Além disso, será realizada pesquisa nos sites
institucionais, ou não governamentais, os quais abordem o tema em questão.
Para complementação de exposição, será realizado um breve estudo de caso
dos trabalhos de utilização de materiais recicláveis em aulas de artes no Centro
Municipal de Educação Infantil – CMEI “Odila Simões”, do município de Vitória,
com alunos de 1 a 6 anos durante o ano de 2009.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ...........................................................................................
07
CAPÍTULO 1 - A EDUCAÇÃO AMBIENTAL ..............................................
09
1. 1 Breves Noções de Educação Ambiental .......................................
12
1.2 Princípios da Educação Ambiental ...............................................
13
CAPÍTULO 2 - RECICLAGEM DE LIXO ....................................................
16
CAPÍTULO 3 - A UTILIZAÇÃO DE MATERIAL RECICLÁVEL NA
PRÁTICA PEDAGÓGICA DE ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL: A
EXPERIÊNCIA NO CMEI ODILA SIMÕES ................................................
21
3.1 Uma breve descrição da instituição ................................................
22
3.2 Os trabalhos realizados em 2009 ...................................................
22
CONCLUSÃO .............................................................................................
34
BIBLIOGRAFIA ........................................................................................... 36
INTRODUÇÃO
Com a crise ambiental em que estamos e com o aumento substancial do
volume de lixo produzido pela população, a discussão sobre reciclagem tem
estado em destaque no Brasil e também em diversos países do mundo. Para
que se fortaleça uma cultura de necessidade e de importância da reciclagem, é
necessário trabalhar esse conceito desde a infância.
Com a necessidade da integração sociedade-natureza, percebe-se como é
importante a Educação Ambiental, pois a escola deve ter o objetivo de
despertar nas crianças o senso de responsabilidade, incentivando-as a
observar ações negativas no meio ambiente.
A utilização de material reciclável na prática pedagógica de Artes na Educação
Infantil é, nada mais nada menos, do que utilizar meios que mostrem a
transformação desses materiais recicláveis em objetos
úteis na prática
pedagógica da Educação Infantil, principalmente porque muitas das produções
nos mostram que é possível a produção de objetos com caráter lúdico, além
de
útil,
com a reciclagem de materiais na prática pedagógica de artes,
contribuindo ainda mais para o aprimoramento das aulas, no projeto
denominado A reciclagem e o lúdico: educando e conscientizando com as
aulas de arte na Educação Infantil.
Analisar a utilização de materiais recicláveis em aulas de artes em turmas de
Grupo 1 a Grupo 6, que envolvem crianças de um a seis anos, no ano de 2009,
no Centro Municipal de Educação Infantil – CMEI - “Odila Simões”, situado no
Bairro Do Quadro, no município de Vitória.
Este trabalho tem como foco a observação da utilização de material reciclável
na prática pedagógica de Artes na Educação Infantil, e como é possível
produzir objetos lúdicos e úteis com a reciclagem de materiais na prática
pedagógica das aulas de artes.
Foi constatado, por meio da observação das dinâmicas em sala de aula
utilizando lixo reciclável, que esta é uma maneira que se apresentou muito
eficiente, atingindo o objetivo principal que era mostrar para as crianças a
possibilidade de transformar materiais que normalmente seriam descartados e
jogados fora, em brinquedos e materiais lúdicos.
O objetivo geral desta pesquisa é analisar a utilização de reciclagem de
materiais nas aulas de artes de turmas do Centro Municipal de Educação
Infantil “Odila Simões” nas turmas de Grupo 1 a Grupo 6, que envolvem
crianças de um a seis anos.
Os objetivos específicos são: analisar os planos das aulas de Artes; pesquisar
sobre reciclagem de materiais e sua importância; e demonstrar os casos
práticos nas turmas de crianças de um a seis anos em 2009, da Instituição
acima referida.
Para esta pesquisa, foi utilizada a pesquisa bibliográfica dos diversos temas
que abordam as questões ambientais; de reciclagem; e de práticas
pedagógicas, além de pesquisa na Internet em sites de instituições envolvidas
neste assunto, sejam elas governamentais ou não.
No Primeiro capítulo será apresentada toda a abordagem teórica que envolve a
educação ambiental, bem como suas noções e princípios.
No Segundo Capítulo foram abordadas questões acerca da reciclagem do lixo.
E, finalmente no Terceiro capítulo será apresentada a experiência com alunos
de um Centro Municipal de Educação Infantil no município de Vitória.
É importante ressaltar a importância do repensar da arte. De acordo com
Barbosa (2000, p. 50), “o repensar da arte enquanto conhecimento, expressão
e linguagem pode resultar em projetos que despertam a curiosidade dos
alunos, levando-os a percorrer os prazerosos caminhos da criação artística”.
CAPÍTULO 1
A EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Mendonça (2006)1 esclarece que a Educação Ambiental surgiu com a
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada em
Estocolmo, na Suécia, em 1972. “A sociedade tomou conhecimento dos
problemas ambientais e os governos definiram que a saída para mudar o
mundo seria a educação”.
Os processos educativos ficaram racionais e a escola descuidou dos
sentimentos, das sensações e das relações em sala de aula, esquecendo o ar,
a água, o corpo, o bairro, a cidade, o planeta. Ora, se a educação ambiental
pretende resolver os problemas ambientais pela formação das pessoas,
é preciso usar ferramentas transformadoras. Uma delas é o aprendizado
seqüencial MENDONÇA(2006)2.
Conforme a Lei n° 9.795, de 27 de abril de 19993:
Art. 1º Entendem-se por educação ambiental os processos por meio
dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a
conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo,
essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.
Art. 2º A educação ambiental é um componente essencial e
permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma
articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo,
em caráter formal e não-formal.
1
2
3
In: NOVA ESCOLA. Março de 2006. Entrevista de Rita Mendonça à Tatiana Achcar.
Op. Cit.
In: Trigueiro, A. (Coord.) Meio ambiente no século 21. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
Art. 3º Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm
direito à educação ambiental [...].
“A EA fomenta sensibilidades afetivas e capacidades cognitivas para
uma leitura do mundo do ponto de vista ambiental. Dessa forma,
estabelece-se como mediação para múltiplas compreensões da
experiência do indivíduo e dos coletivos sociais em suas relações com
o ambiente. Esse processo de aprendizagem, por via dessa
perspectiva de leitura, dá-se particularmente pela ação do educador
como intérprete dos nexos entre sociedade e ambiente e da EA como
mediadora na construção social de novas sensibilidades e posturas
éticas diante do mundo.” (Carvalho, Isabel C. M. Educação Ambiental:
A Formação do Sujeito Ecológico)4
Carvalho (2007, p. 11) descreve a Educação Ambiental como “processo crítico
transformador capaz de promover um questionamento mais profundo sobre a
realidade ambiental na qual o homem se integra”, e assim provoca no ser
humano o surgimento de uma nova mentalidade de respeito com o meio
ambiente.
A educação ambiental se constitui numa forma abrangente de educação, que
se propõe atingir todos os cidadãos, através de um processo pedagógico
participativo permanente que procura incutir no educando uma consciência
crítica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como crítica, a
capacidade de captar a gênese e a evolução de problemas ambientais5.
A Educação Ambiental, portanto, surge com uma ferramenta da
esperança, como uma possibilidad de transcendência do ser humano
de seus conflitos com seu meio ambiente. Problemas estes, de tal
grandeza intensidade, que tem acarretando em sérios danos
qualidade de vida de nossa espécie e das demais que compartilham
conosco nossa convivência neste planeta (SANCHEZ, 2007, p. 4)
Conforme Sanchez (2007, p. 4) pode-se vislumbrar a educação ambiental
como um processo de aprendizagem permanente baseado na ética, no
respeito a todas as formas de vida, visando gerar mudanças na qualidade de
4
5
http://pga.pgr.mpf.gov.br/pga/educacao/que-e-ea/o-que-e-educacao-ambiental. Acesso em 17 mar 2010.
Idem
vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como contribuir para uma
harmonia entre seres humanos e destes com outras formas de vida.
Podemos ainda entendê-la como processo deformação do cidadão a
partir da problematização da realidade, propondo a construção de
novos valores e atitudes durante a aprendizagem. A Educação
Ambiental pode ser vista também como uma educação política,com o
objetivo nem sempre explícito de criar novos hábitos e
comportamentos, para organizar populações e formas de vida. Ou
seja, é como um exercício de uma ecologia da solidariedade, onde
assumimos o compromisso ético com o próximo e coma natureza
(SANCHEZ, 2007).
O relacionamento da humanidade com a natureza, que teve início com um
mínimo de interferência nos ecossistemas, tem hoje culminado numa forte
pressão exercida sobre os recursos naturais. Atualmente, são comuns a
contaminação dos cursos de água, a poluição atmosférica, a devastação das
florestas, a caça indiscriminada e a redução ou mesmo destruição dos habitats
faunísticos, além de muitas outras formas de agressão ao meio ambiente6.
O Programa de Gestão Ambiental da Procuradoria Geral da República7
apresenta duas subdivisões da Educação Ambiental, que são:
Formal é um processo institucionalizado que ocorre nas unidades
de ensino;
Informal se caracteriza por sua realização fora da escola,
envolvendo flexibilidade de métodos e de conteúdos e um público
alvo muito variável em suas características (faixa etária, nível de
escolaridade, nível de conhecimento da problemática ambiental,
etc.).
O Programa traz em si, também, a afirmação de que “um programa de
educação ambiental para ser efetivo deve promover simultaneamente, o
desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias
à preservação e melhoria da qualidade ambiental”.
6
Idem
http://pga.pgr.mpf.gov.br/pga/educacao/principios-da-ea/principios-da-educacao-ambiental. Acesso
em 17 mar 2010.
7
Utiliza-se como laboratório, o metabolismo urbano e seus recursos naturais
e físicos, iniciando pela escola, expandindo-se pela circunvizinhança e
sucessivamente até a cidade, a região, o país, o continente e o planeta. A
aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver adaptada às situações
da vida real da cidade, ou do meio em que vivem aluno e professor(PGA,
2010).
1.1 Breves Noções de Educação Ambiental
Sistemas de vida
A educação ambiental enfatiza as regularidades, e busca manter o respeito
pelos diferentes ecossistemas e culturas humanas da Terra. O dever de
reconhecer as similaridades globais, enquanto se interagem efetivamente
com as especificidades locais, é resumido no seguinte lema: Pensar
globalmente, agir localmente.
Há três níveis ou sistemas distintos de existência:
Físico: planeta físico, atmosfera, hidrosfera (águas) e litosfera (rochas e
solos), que seguem as leis da física e da química;
Biológico: a biosfera com todas as espécies da vida, que obedecem as leis
da física, química, biologia e ecologia;
Social: o mundo das máquinas e construções criadas pelo homem,
governos e economias, artes, religiões e culturas, que seguem leis da física,
da química, da biologia, da ecologia e também leis criadas pelo homem.
Ciclos
O material necessário para a vida (água, oxigênio, carbono, nitrogênio, etc.)
passa através de ciclos biogeoquímicos que mantêm a sua pureza e a sua
disponibilidade para os seres vivos. O ser humano está apenas começando
a planejar uma economia industrial complexa, moderna e de alta
produtividade que assegura a necessidade de reciclagem no planeta. Nos
ecossistemas, os organismos e o ambiente interagem promovendo trocas de
materiais
e
energia
através
das
cadeias
alimentares
e
ciclos
biogeoquímicos.
1.2 Princípios da Educação Ambiental
O Programa de Gestão Ambiental da Procuradoria Geral da República
descreve os princípios da Educação ambiental, retirados do Fórum Global,
evento que ocorreu durante à Conferência da ONU sobre Desenvolvimento e
Meio Ambiente, no Rio de Janeiro, em 1992 (Rio-92)8:
1. A educação é um direito de todos; somos todos aprendizes e educadores.
2. A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador,
em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não formal e informal,
promovendo a transformação e a construção da sociedade.
3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar
cidadãos
com
consciência
local
e
planetária,
que
respeitem
a
autodeterminação dos povos e a soberania das nações.
4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político,
baseado em valores para a transformação social.
5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a
relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar.
8
http://pga.pgr.mpf.gov.br/pga/educacao/principios-da-ea/principios-da-educacao-ambiental. Acesso em
17 mar 2010.
6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o
respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e
interação entre as culturas.
7. A educação ambiental deve tratar as questões globais críticas, suas causas
e interrelações em uma perspectiva sistêmica, em seu contexto social e
histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio
ambiente, tais como população, saúde, paz, direitos humanos, democracia,
fome, degradação da flora e fauna, devem ser abordados dessa maneira.
8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e eqüitativa nos
processos de decisão, em todos os níveis e etapas.
9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar
a história indígena e culturas locais, assim como promover a diversidade
cultural, lingüística e ecológica. Isto implica uma revisão da história dos povos
nativos para modificar os enfoques etnocêntricos, até de estimular a educação
bilíngüe.
10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas
populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de base
que estimulem os setores populares da sociedade. Isto implica que as
comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos.
11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas de conhecimento. Este
é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser
patenteado ou monopolizado.
12. A educação ambiental deve ser planejada para capacitar as pessoas a
trabalharem conflitos de maneira justa e humana.
13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre
indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida,
baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções
étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais.
14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação
de massa e seu comprometimento com os interesses de todos os setores da
sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação
de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação,
não somente disseminando informações em bases igualitárias, mas também
promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores.
15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores,
atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências
educativas de sociedades sustentáveis.
16. “A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética
sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta,
respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida
pelos seres humanos.” (fonte: Tratado de Educação Ambiental para
Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global).
Uma das vertentes da utilização da educação ambiental nas salas de aula é a
reciclagem de lixo, que tem se mostrado como uma ferramenta de grande valor
na demonstração prática às crianças da consciência ambiental.
CAPÍTULO 2
RECICLAGEM DE LIXO
De acordo com Lopes (1980), os primeiros fatores básicos da motivação
humana são o hedonismo e o idealismo. O primeiro explica que o homem não
ama a dor e o desconforto, mas o prazer e o conforto. Eis aí a razão dos
conselhos acerca de como tornar agradáveis as condições e o ambiente de
trabalho, a fim de que aquele fator seja satisfeito, resultando no aumento da
motivação.
A palavra lixo é derivada do termo em latim lix que significa "cinzas"
de uma
época em que a maior parte dos resíduos de cozinha era formada por cinzas e
restos de lenha carbonizada dos fornos e fogões9; e também b) lixare (polir,
desbastar) onde lixo seria então a sujeira, os restos, o supérfluo que a lixa
arranca dos materiais. No dicionário, ela é definida como sujeira, imundice,
coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor. Lixo, na linguagem técnica, é
sinônimo de resíduos sólidos e é representado por materiais descartados pelas
atividades humanas. Desde os tempos mais remotos até meados do século
XVIII, quando surgiram as primeiras indústrias na Europa, o lixo era produzido
em pequena quantidade e constituído essencialmente de sobras de alimentos.
A partir da Revolução Industrial, as fábricas começaram a produzir objetos de
consumo em larga escala e a introduzir novas embalagens no mercado,
aumentando consideravelmente o volume e a diversidade de resíduos gerados
nas áreas urbanas. O homem passou a viver então a era dos descartáveis em
que a maior parte dos produtos — desde guardanapos de papel e latas de
refrigerante, até computadores — são inutilizados e jogados fora com enorme
rapidez.
9
Do livro "Lixo - De onde vem? Para onde vai?" de Francisco Luiz Rodrigues e Vilma Maria Gravinatto
- Ed. Moderna, 2007.
Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado das metrópoles fez com que as
áreas disponíveis para colocar o lixo se tornassem escassas. A sujeira
acumulada no ambiente aumentou a poluição do solo, das águas e piorou as
condições de saúde das populações em todo o mundo, especialmente nas
regiões menos desenvolvidas. Até hoje, no Brasil, a maior parte dos resíduos
recolhidos nos centros urbanos é simplesmente jogada sem qualquer cuidado
em depósitos existentes nas periferias das cidades.
Felizmente, o homem tem a seu favor várias soluções para dispor de
forma correta, sem acarretar prejuízos ao ambiente e à saúde
pública. O ideal, no entanto, seria que todos nós evitássemos o
acúmulo de detritos, diminuindo o desperdício de materiais e o
consumo excessivo de embalagens10.
Em 1999, o Governo Federal, através do Programa Nacional de Educação
Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, reuniu jovens de todo o Brasil para
elaboração de um documento nomeado como “Carta de Princípios de Proteção
à Vida”, contendo quinze princípios, que sob o olhar desses jovens, eram
essenciais para a sobrevivência humana e sua interação com o meio em que
vivemos.
O “Nono Princípio” trata da relação do homem com o lixo produzido, onde o
grupo classifica os diferentes tipos de lixo como: lixo domiciliar; lixo público;
poda ou lixo verde; lixo industrial; lixo de serviços de saúde; lixo agrícola; e
entulho (.BRASIL, 2000).
Os jovens, ao pensar a conservação do meio ambiente, para a preservação da
vida, referenciam a reciclagem como a ação de “aproveitar integralmente algo
ou encontrar uma nova função para algum material já usado”. São citadas as
colchas, tapetes feitos de retalhos, bolsas produzidas com sacos de leite e
10
http://www.lixo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=143&Itemid=250. Acesso em
12 mar 2010.
alguns outros tipos como exemplos de práticas tradicionais que valorizam o
reaproveitamento.
Nos últimos anos, nota-se uma tendência mundial em reaproveitar cada vez
mais os produtos jogados no lixo para fabricação de novos objetos, através dos
processos de reciclagem, o que representa economia de matéria prima e de
energia fornecidas pela natureza. Assim, o conceito de lixo tende a ser
modificado, podendo ser entendido como "coisas que podem ser úteis e
aproveitáveis pelo homem"11.
Como podemos verificar, se o ser humano souber utilizar os recursos que a
natureza oferece, poderemos ter, muito em breve, um ambiente mais limpo
desenvolvido de forma sustentável. E assim, as técnicas de reciclagem
surgiram para solucionar essas questões.
Reciclagem é um conjunto de técnicas que tem por finalidade
aproveitar os detritos e reutiliza-los no ciclo de produção de que
saíram. E o resultado de uma série de atividades, pela qual materiais
que se tornariam lixo, ou estão no lixo, são desviados, coletados,
separados e processados para serem usados como matéria-prima na
manufatura de novos produtos, ou seja, reciclagem é um termo
originalmente utilizado para indicar o reaproveitamento (ou a
reutilização) de um polímero no mesmo processo em que, por alguma
razão foi rejeitado (SANCHEZ, 2007).
O retorno da matéria-prima ao ciclo de produção é denominado reciclagem,
embora o termo já venha sendo utilizado popularmente para designar o
conjunto de operações envolvidas. O vocábulo surgiu na década de 1970,
quando as preocupações ambientais passaram a ser tratadas com maior rigor,
especialmente após o primeiro choque do petróleo, quando reciclar ganhou
importância estratégica. As indústrias recicladoras são também chamadas
secundárias, por processarem matéria-prima de recuperação. Na maior parte
11
http://www.lixo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=143&Itemid=250. Acesso em
12 mar 2010.
dos processos, o produto reciclado é completamente diferente do produto
inicial.
Uma garrafa plástica ou vidro pode levar 1 milhão de anos para decompor-se.
Uma lata de alumínio, de 80 a 100 anos. Porém todo esse material pode ser
reaproveitado, transformando-se em novos produtos ou matéria prima, sem
perder as propriedades.
Separando todo o lixo produzido em residências, estaremos evitando a
poluição e impedindo que a sucata se misture aos restos de alimentos,
facilitando assim seu reaproveitamento pelas indústrias. Além disso, estaremos
poupando a meio ambiente e contribuindo para o nosso bem estar no futuro, ou
você quer ter sua água racionada, seus filhos com sede, com problemas
respiratórios.
Algumas Vantagens:
•
Cada 50 quilos de papel usado, transformado em papel novo, evita que
uma árvore seja cortada. Pense na quantidade de papel que você já
jogou fora até hoje e imagine quantas árvores você poderia ter ajudado
a preservar.
•
Cada 50 quilos de alumínio usado e reciclado, evita que sejam extraídos
do solo cerca de 5.000 quilos de minério, a bauxita.
•
Quantas latinhas de refrigerantes você já jogou até hoje?
•
Com um quilo de vidro quebrado, faz-se exatamente um quilo de vidro
novo. E a grande vantagem do vidro é que ele pode ser reciclado
infinitas vezes.
Curiosidade: Você sabia que muitos produtos levam muitos anos para serem
absorvidos pelo meio-ambiente? Veja abaixo uma relação das substâncias e o
tempo que elas levam para serem absorvidas no solo12.
· Papel comum: de 2 a 4 semanas
· Cascas de bananas: 2 anos
· Latas: 10 anos
· Vidros: 4.000 anos
· Tecidos: de 100 a 400 anos
· Pontas de cigarros: de 10 a 20 anos
· Couro: 30 anos
· Embalagens de plástico: de 30 a 40 anos
· Cordas de náilon: de 30 a 40 anos
· Chicletes: 5 anos
· Latas de alumínio: de 80 a 100 anos
Enfim, conforme demonstra o Guia “Bem vindo ao Mundo da Criança”, muitas
ações podem ser incentivadas13:
Você Pode Ajudar?
Todos nós que vivemos neste planeta temos um papel a
desempenhar para salvar a natureza. Há uma porção de
maneiras de colaborar. O que é que você, por exemplo, pode
fazer?
Primeiro, procure não desperdiçar nada. Quase tudo que
achamos que é refugo, pode ser útil de algum modo. Os jornais
velhos podem ser usados de novo para fazer mais papel. Os
pedaços de metal e latas podem ser fundidos. As garrafas
podem ser reaproveitadas.
12
13
http://www.todabiologia.com/ecologia/reciclagem.htm. Acesso em 15 mar 2010.
Bem-vindo ao MUNDO DA CRIANÇA. Sao Paulo : Work Book International, 1995.
CAPÍTULO 3
A UTILIZAÇÃO DE MATERIAL RECICLÁVEL NA PRÁTICA
PEDAGÓGICA DE ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL: A
EXPERIÊNCIA NO CMEI ODILA SIMÕES
De acordo com Stefani (2000, p. 14), dentre os principais objetivos do ensino
na educação infantil, está o estímulo ao desenvolvimento das capacidades das
crianças em:
•
*desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de
forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações;
•
*descobrir e conhecer progressivamente seu próprio
corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e
valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bemestar;
•
Estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e
crianças fortalecendo sua auto-estima e ampliando
gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social;
•
Estabelecer e ampliar cada vez mais as relações sociais
aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos
de vista com os demais, respeitando a diversidade e
desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração.
Além disso, a autora destaca, também, a necessidade do fomento de ações
que demonstrem às crianças a importância de sua interação e reconhecimento
do meio em que vive. Stefani afirma que é importante que a criança desenvolva
hábitos e habilidades de “observar e explorar o ambiente com atitude de
curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e
agente transformados do meio ambiente e valorizando atitudes que contribuam
para sua conservação”.
Pelo referencial desta pesquisa, também é importante citar a observação da
autora, em que mostra essencial o estímulo às brincadeiras, de forma que
possibilite
aos
alunos
a
demonstração
pensamentos, desejos e necessidades.
de
emoções,
sentimentos,
Com base nisso, é vista a importância de agregar o ensino da arte aos
programas de educação infantil, e transforma-lo em ferramenta de transmissão,
numa forma compreensível às diversas faixas da educação infantil e a
interdisciplinaridade que essas relações requerem.
3.1 – Uma breve descrição da instituição
O Centro Municipal de Educação Infantil Odila Simões atende cerca de
600(seiscentas) crianças na faixa etária de 1(um) a 6(seis) anos. A Prefeitura
Municipal de Vitória inseriu o Dinamizador de Artes na Educação Infantil.
Com a observação da aplicação de reciclagem de lixo em sala de aula,
buscamos estabelecer uma relação mais próxima entre nossa disciplina, cujo
trabalho realizado no ano de 2009 apresentou ótimos resultados, não só no
grupo de crianças pequenas atendidas, mas também como parte de uma
cultura, ou seja, como ser social inserindo a comunidade escolar, pois este
reforça a função da escola na vida da criança, e a influência exercida nas
famílias.
3.2 Os trabalhos realizados em 2009
Acreditamos que a criança na Educação Infantil deva ser cuidada, deva ser
estimulada no brincar, mas ao mesmo tempo, deva construir conhecimentos.
No CMEI Odila Simões foram utilizados diversos materiais recicláveis de forma
a mostrar na prática às crianças como podem ser reutilizados os objetos que
em suas casas são jogados no lixo. O objetivo dessa prática era construir
objetos que contribuíssem para uma prática lúdica nas aulas de arte.
Muitos exemplos podem ser citados, considerando o sucesso do projeto e a
forma como a construção dos brinquedos afetou positivamente o grupo de
alunos no decorrer do ano letivo.
A seguir, serão demonstrados alguns casos componentes do projeto.
Antecipadamente, foi solicitado às crianças que trouxessem materiais de casa,
por meio de um bilhete individual. Foi disposto nas dependências do CMEI um
recipiente onde as crianças poderiam depositar todos os materiais recolhidos.
Após, em sala de aula, foram mostrados os tipos de materiais e iniciou-se a
construção.
Para a construção de brinquedos para crianças de 1 ano de idade foram
utilizados materiais para produção de objetos que estimulem a percepção de
som e cores. Foram construídos chocalhos com alças de recipientes plásticos e
garrafas pets (Figura 1).
Figura 1 – Foto dos brinquedos construídos com materiais reciclados para crianças de 1 ano.
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Com tampas e garrafas plásticas foram montados bonecos; com alças de
galões e lacres de latas de alumínio foram produzidos chocalhos; e partes de
garrafas pet, se transformaram em animais de brinquedos, todos utilizados com
crianças de 1 e 2 anos, os quais atraem a atenção das crianças e auxilia o
professor na sala de aula, com o trabalho das cores, das formas e do som
(Figura 2).
Figura 2 – Foto dos brinquedos construídos com materiais reciclados para crianças de 1 e 2
anos
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Brinquedos para crianças de 3 e 4 anos foram construídos com a participação
dos alunos, utilizando garrafas pet, tampas e embalagens plásticas
reutilizáveis, embalagens de ovos, retalhos de EVA, tinta, barbante e fitas
coloridas (Figura 3).
Figura 3 – Foto dos brinquedos construídos com materiais reciclados para crianças de 3 e 4
anos
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Também para esta idade, foi interessante a construção de bonecos (Figuras 4
e 5), com retalhos de EVA coloridos, garrafa pet, tampas, cola, arame e
barbante, utilizados para demonstrar cores, formas geométricas e noções das
partes do corpo humano. Este brinquedo pode ser utilizado para as idades de 3
e 4 anos.
Figura 4 – Foto do boneco para aprendizado de cor, forma e corpo humano, utilizado com
crianças de 3 e 4 anos
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Figura 5 – Foto de boneco para aprendizado de cor, forma e corpo humano, utilizado com
crianças de 3 e 4 anos
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Para crianças de 5 e 6 anos, os objetos podem substituir brinquedos
industrializados, como o caso do carrinho (Figura 6), o qual pode ser construído
com garrafa pet, tampas, fitas coloridas, barbante e demais materiais que se
tiver à disposição.
Figura 6 – Foto do carrinho utilizado com crianças de 5 e 6 anos.
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Foi solicitado aos pais que enviassem à escola, bandejas reaproveitáveis de
isopor, estimulando, assim, o diálogo das crianças com suas famílias e o
envolvimento dos pais e responsáveis nas atividades escolares. Diante disso,
as bandejas, que antes crianças só conheciam o lixo como destino, foram
utilizadas como telas para trabalhos de pinturas individuais (Figura 7).
Figura 7 – Foto das telas pintadas pelos alunos utilizando bandejas de isopor.
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Com as crianças de diversas idades, foram confeccionadas as tartarugas
(Figura 8), que são utilizadas para o estímulo à conservação ambiental da
fauna brasileira, e ao mesmo tempo demonstrando a utilização de materiais
recicláveis na produção dos brinquedos. Foram utilizados retalhos de EVA
cortados pelas próprias crianças, cada qual no seu nível de dificuldade. Se
mostrou como um dos mais atrativos brinquedos produzidos, pois estimula as
capacidades visuais das crianças de até 2 anos, com o reconhecimento das
formas bi e tridimensionais. Para o grupo de alunos acima de 2 anos, não só
estimula o desenvolvimento das percepções motoras, como também subsidia a
discussão acerca da vida e do meio ambiente.
Figura 8 – Foto com detalhes da tartaruga confeccionada com retalhos de EVA.
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Utilizando das mesmas técnicas de aproveitamento de retalhos (EVA e TNT),
foram confeccionados o jacaré e a tartaruga (Figura 9), utilizando jornal e TNT
para enchimento e caixa de ovos para decoração. Esse brinquedos foram
utilizados principalmente para montagem de cenários e estímulo à contação e
recontação de histórias pelas próprias crianças.
Figura 9 – Foto do jacaré e da tartaruga confeccionados com TNT e EVA.
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Também se mostrou interessante à percepção dos alunos, a construção de
objetos decorativos, construído “por diversas mãos”, utilizando materiais
recicláveis, como papel, cartolina, palito de picolé, barbante, tinta, etc. No caso,
é demonstrado o móbile de aranhas (Figura 10).
Figura 10 – Móbile de Aranhas para decoração de festas ou da sala de aula.
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
Também foram construídos objetos e brinquedos utilizados em contações de
histórias, que enriqueceram os trabalhos, tornando-se diversão pelo próprio
processo de montagem das peças pelas crianças, as quais puderam vivenciar
nas suas atividades o resultado de seus trabalhos. Um bom exemplo disso, foi
a confecção do caldeirão da bruxa, utilizado em várias histórias para diversas
idades no CMEI, no qual foi usada a técnica de papel marche, com cola, tinta,
jornal usado, vinagre, etc., além de outros materiais recicláveis (Figura 7).
Figura 7 – Caldeirão da bruxa utilizado no cenário para contação de história.
Fonte: Liliane Gabeira Brandão
CONCLUSÃO
Após esta pesquisa, algumas idéias foram fortalecidas, como a de Stefani
(2000, p. 16), que diz que há um grande prazer para o educador lidar com o
mundo imaginário infantil, de forma a alcançar os objetivos dos programas
pedagógicos utilizando formas interdisciplinares para a integração do
conhecimento e desenvolvimento das capacidades dos alunos.
A autora (STEFANI, 2000, p. 16) destaca que:
O compromisso com a construção da cidadania pede
necessariamente uma prática educacional voltada para a
compreensão da realidade social e dos direitos e
responsabilidades em relação à vida pessoal, coletiva e
ambiental. Nessa perspectiva é que foram incorporadas como
Temas Transversais as questões da Ética, da Pluralidade
Cultura, do Meio Ambiente, da Saúde e da Orientação
Sexual.
A partir daí, observou-se com esta pesquisa, que é enriquecedor para a vida
escolar da criança a inserção do ensino da arte na programação pedagógica,
de forma lúdica, e, principalmente se as atividades envolverem o estímulo à
percepção da criança como indivíduo integrante de um meio ambiente.
Muitas vezes na história da educação infantil, puderam ser vistas experiências
do ensino da arte, ora como atividades mecanizadas e conduzidas “pelas
mãos” do educador, ora com recursos limitados e muitas vezes entediantes
pela visão do educando.
Agregando informações de cunho real nas práticas pedagógicas do ensino da
arte, a criança passa a perceber sua presença no mundo não como um fator
alheio à existência e manutenção do ambiente em que vive, mas sim como
alguém que interage e interfere nas relações entre o espaço físico e os seres
humanos.
Após a observação das atividades no Centro Municipal de Educação Infantil
“Odila Simões”, no ano de 2009, e considerando que a tendência nos dias
atuais é o fomento das discussões acerca das questões ambientais em todo o
planeta, concluímos que as atividades desenvolvidas com as crianças,
conforme referido neste trabalho, atingiu seus principais objetivos, que foram:
- conscientizar o aluno sobre a importância de se observar o que pode ser
reaproveitado do que eles entendem por “lixo”;
- demonstrar que podem ser construídos objetos de forma e uso lúdicos, para
as atividades e brincadeiras na sala de aula e em suas casas;
- mostrar a possibilidade de confecção com materiais recicláveis de forma
eficiente e eficaz no ensino da arte na educação infantil, produzindo objetos
que apresentam aplicação prática e real no cotidiano das crianças;
- mostrar que, conforme pode ser visto nas imagens apresentadas no corpo
desta pesquisa, os trabalhos com material reciclável, na maioria das vezes
entendido pela comunidade como “lixo”, é barato e visualmente atrativo.
Fica aqui a certeza de que nossa prática pedagógica, conforme apresentada
neste trabalho está contribuindo efetivamente para a formação de cidadãos
mais conscientes, e para a consolidação de referenciais ambientais para a
continuação de sua formação ao longo de suas vidas. É perceptível na vivência
da educação infantil que uma ação, mesmo que pareça pequena no momento,
pode gerar efeitos positivos grandiosos no futuro desse cidadão.
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Liliane Gabeira Brandão - AVM Faculdade Integrada