AU TO RA L EN TO PR OT EG ID O PE LA LE I DE DI R EI TO UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO IAVM PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU A RECICLAGEM E O LÚDICO: EDUCANDO E DO CU M CONSCIENTIZANDO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DE ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Prof. Orientador: Msc. Mariana de Castro Moreira Vitória 2010 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO IAVM Liliane Gabeira Brandão A RECICLAGEM E O LÚDICO: EDUCANDO E CONSCIENTIZANDO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DE ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Educação Ambiental Orientadora: Professora Mariana de Castro Moreira Por: Liliane Gabeira Brandão Vitória 2010 AGRADECIMENTOS A Deus por me dar força e saúde para chegar onde cheguei; à minha família, que tem sido a base de tudo em minha vida; aos amigos que não nos abandonam nos momentos difíceis e aos Mestres que utilizam de seus conhecimentos para nos guiar nessas jornadas que só nos engrandecem. DEDICATÓRIA À minha mãe Dina como retribuição pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos desta e de todas as minhas caminhadas até aqui. Em especial, ao meu marido Ronaldo, por sua confiança e amizade concedendo a oportunidade de me realizar ainda mais. Aos meus filhos Leandro e Luciano e meu neto Júlio César por serem pessoas admiráveis em sua essência, além de terem aceitado se privar de minha companhia em detrimento dos estudos. Aos meus irmãos Luiz, Luciane e Nando e suas famílias que sempre me impulsionaram a buscar vida nova a cada dia!!! Gratidão eterna! RESUMO Com a crise ambiental em que estamos e com o aumento substancial do volume de lixo produzido pela população, a discussão sobre reciclagem tem estado em destaque no Brasil e também em diversos países do mundo. Para que se fortaleça a cultura da necessidade e importância da reciclagem, é necessário trabalhar esse conceito desde a infância. A utilização de material reciclável na prática pedagógica de Artes na Educação Infantil é, nada mais que utilizar meios que mostrem a transformação desses materiais recicláveis em objetos úteis, principalmente porque muitas delas nos mostram que é possível a produção de objetos com caráter lúdico, além de serem úteis. Este trabalho tem como objetivo geral a observação da utilização de materiais recicláveis na prática pedagógica das aulas de Artes em turmas de Grupo 1 a Grupo 6, que envolvem crianças de um a seis anos, no ano de 2009, no Centro Municipal de Educação Infantil – CMEI - “Odila Simões”, situado no Bairro Do Quadro, no município de Vitória. Foi constatada, por meio da observação das dinâmicas em sala de aula utilizando lixo reciclável, que esta é uma maneira que se apresentou muito eficiente, atingindo o objetivo principal que era mostrar para as crianças a possibilidade de transformar materiais que normalmente seriam descartados e jogados fora, em brinquedos e materiais lúdicos. Para esta pesquisa, foi utilizada a pesquisa bibliográfica dos diversos temas que abordam as questões ambientais; de reciclagem; e de práticas pedagógicas, além de pesquisa na Internet em sites de instituições envolvidas neste assunto, sejam elas governamentais ou não. METODOLOGIA Para o desenvolvimento deste trabalho, será utilizada pesquisa bibliográfica de obras com temas que abordam as questões ambientais, de reciclagem e de práticas pedagógicas; de documentos publicados pelo Governo nas suas diversas esferas, além de propostas e projetos desenvolvidos pelas escolas no município de Vitória. Além disso, será realizada pesquisa nos sites institucionais, ou não governamentais, os quais abordem o tema em questão. Para complementação de exposição, será realizado um breve estudo de caso dos trabalhos de utilização de materiais recicláveis em aulas de artes no Centro Municipal de Educação Infantil – CMEI “Odila Simões”, do município de Vitória, com alunos de 1 a 6 anos durante o ano de 2009. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................... 07 CAPÍTULO 1 - A EDUCAÇÃO AMBIENTAL .............................................. 09 1. 1 Breves Noções de Educação Ambiental ....................................... 12 1.2 Princípios da Educação Ambiental ............................................... 13 CAPÍTULO 2 - RECICLAGEM DE LIXO .................................................... 16 CAPÍTULO 3 - A UTILIZAÇÃO DE MATERIAL RECICLÁVEL NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DE ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL: A EXPERIÊNCIA NO CMEI ODILA SIMÕES ................................................ 21 3.1 Uma breve descrição da instituição ................................................ 22 3.2 Os trabalhos realizados em 2009 ................................................... 22 CONCLUSÃO ............................................................................................. 34 BIBLIOGRAFIA ........................................................................................... 36 INTRODUÇÃO Com a crise ambiental em que estamos e com o aumento substancial do volume de lixo produzido pela população, a discussão sobre reciclagem tem estado em destaque no Brasil e também em diversos países do mundo. Para que se fortaleça uma cultura de necessidade e de importância da reciclagem, é necessário trabalhar esse conceito desde a infância. Com a necessidade da integração sociedade-natureza, percebe-se como é importante a Educação Ambiental, pois a escola deve ter o objetivo de despertar nas crianças o senso de responsabilidade, incentivando-as a observar ações negativas no meio ambiente. A utilização de material reciclável na prática pedagógica de Artes na Educação Infantil é, nada mais nada menos, do que utilizar meios que mostrem a transformação desses materiais recicláveis em objetos úteis na prática pedagógica da Educação Infantil, principalmente porque muitas das produções nos mostram que é possível a produção de objetos com caráter lúdico, além de útil, com a reciclagem de materiais na prática pedagógica de artes, contribuindo ainda mais para o aprimoramento das aulas, no projeto denominado A reciclagem e o lúdico: educando e conscientizando com as aulas de arte na Educação Infantil. Analisar a utilização de materiais recicláveis em aulas de artes em turmas de Grupo 1 a Grupo 6, que envolvem crianças de um a seis anos, no ano de 2009, no Centro Municipal de Educação Infantil – CMEI - “Odila Simões”, situado no Bairro Do Quadro, no município de Vitória. Este trabalho tem como foco a observação da utilização de material reciclável na prática pedagógica de Artes na Educação Infantil, e como é possível produzir objetos lúdicos e úteis com a reciclagem de materiais na prática pedagógica das aulas de artes. Foi constatado, por meio da observação das dinâmicas em sala de aula utilizando lixo reciclável, que esta é uma maneira que se apresentou muito eficiente, atingindo o objetivo principal que era mostrar para as crianças a possibilidade de transformar materiais que normalmente seriam descartados e jogados fora, em brinquedos e materiais lúdicos. O objetivo geral desta pesquisa é analisar a utilização de reciclagem de materiais nas aulas de artes de turmas do Centro Municipal de Educação Infantil “Odila Simões” nas turmas de Grupo 1 a Grupo 6, que envolvem crianças de um a seis anos. Os objetivos específicos são: analisar os planos das aulas de Artes; pesquisar sobre reciclagem de materiais e sua importância; e demonstrar os casos práticos nas turmas de crianças de um a seis anos em 2009, da Instituição acima referida. Para esta pesquisa, foi utilizada a pesquisa bibliográfica dos diversos temas que abordam as questões ambientais; de reciclagem; e de práticas pedagógicas, além de pesquisa na Internet em sites de instituições envolvidas neste assunto, sejam elas governamentais ou não. No Primeiro capítulo será apresentada toda a abordagem teórica que envolve a educação ambiental, bem como suas noções e princípios. No Segundo Capítulo foram abordadas questões acerca da reciclagem do lixo. E, finalmente no Terceiro capítulo será apresentada a experiência com alunos de um Centro Municipal de Educação Infantil no município de Vitória. É importante ressaltar a importância do repensar da arte. De acordo com Barbosa (2000, p. 50), “o repensar da arte enquanto conhecimento, expressão e linguagem pode resultar em projetos que despertam a curiosidade dos alunos, levando-os a percorrer os prazerosos caminhos da criação artística”. CAPÍTULO 1 A EDUCAÇÃO AMBIENTAL Mendonça (2006)1 esclarece que a Educação Ambiental surgiu com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972. “A sociedade tomou conhecimento dos problemas ambientais e os governos definiram que a saída para mudar o mundo seria a educação”. Os processos educativos ficaram racionais e a escola descuidou dos sentimentos, das sensações e das relações em sala de aula, esquecendo o ar, a água, o corpo, o bairro, a cidade, o planeta. Ora, se a educação ambiental pretende resolver os problemas ambientais pela formação das pessoas, é preciso usar ferramentas transformadoras. Uma delas é o aprendizado seqüencial MENDONÇA(2006)2. Conforme a Lei n° 9.795, de 27 de abril de 19993: Art. 1º Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Art. 2º A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal. 1 2 3 In: NOVA ESCOLA. Março de 2006. Entrevista de Rita Mendonça à Tatiana Achcar. Op. Cit. In: Trigueiro, A. (Coord.) Meio ambiente no século 21. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. Art. 3º Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental [...]. “A EA fomenta sensibilidades afetivas e capacidades cognitivas para uma leitura do mundo do ponto de vista ambiental. Dessa forma, estabelece-se como mediação para múltiplas compreensões da experiência do indivíduo e dos coletivos sociais em suas relações com o ambiente. Esse processo de aprendizagem, por via dessa perspectiva de leitura, dá-se particularmente pela ação do educador como intérprete dos nexos entre sociedade e ambiente e da EA como mediadora na construção social de novas sensibilidades e posturas éticas diante do mundo.” (Carvalho, Isabel C. M. Educação Ambiental: A Formação do Sujeito Ecológico)4 Carvalho (2007, p. 11) descreve a Educação Ambiental como “processo crítico transformador capaz de promover um questionamento mais profundo sobre a realidade ambiental na qual o homem se integra”, e assim provoca no ser humano o surgimento de uma nova mentalidade de respeito com o meio ambiente. A educação ambiental se constitui numa forma abrangente de educação, que se propõe atingir todos os cidadãos, através de um processo pedagógico participativo permanente que procura incutir no educando uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como crítica, a capacidade de captar a gênese e a evolução de problemas ambientais5. A Educação Ambiental, portanto, surge com uma ferramenta da esperança, como uma possibilidad de transcendência do ser humano de seus conflitos com seu meio ambiente. Problemas estes, de tal grandeza intensidade, que tem acarretando em sérios danos qualidade de vida de nossa espécie e das demais que compartilham conosco nossa convivência neste planeta (SANCHEZ, 2007, p. 4) Conforme Sanchez (2007, p. 4) pode-se vislumbrar a educação ambiental como um processo de aprendizagem permanente baseado na ética, no respeito a todas as formas de vida, visando gerar mudanças na qualidade de 4 5 http://pga.pgr.mpf.gov.br/pga/educacao/que-e-ea/o-que-e-educacao-ambiental. Acesso em 17 mar 2010. Idem vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como contribuir para uma harmonia entre seres humanos e destes com outras formas de vida. Podemos ainda entendê-la como processo deformação do cidadão a partir da problematização da realidade, propondo a construção de novos valores e atitudes durante a aprendizagem. A Educação Ambiental pode ser vista também como uma educação política,com o objetivo nem sempre explícito de criar novos hábitos e comportamentos, para organizar populações e formas de vida. Ou seja, é como um exercício de uma ecologia da solidariedade, onde assumimos o compromisso ético com o próximo e coma natureza (SANCHEZ, 2007). O relacionamento da humanidade com a natureza, que teve início com um mínimo de interferência nos ecossistemas, tem hoje culminado numa forte pressão exercida sobre os recursos naturais. Atualmente, são comuns a contaminação dos cursos de água, a poluição atmosférica, a devastação das florestas, a caça indiscriminada e a redução ou mesmo destruição dos habitats faunísticos, além de muitas outras formas de agressão ao meio ambiente6. O Programa de Gestão Ambiental da Procuradoria Geral da República7 apresenta duas subdivisões da Educação Ambiental, que são: Formal é um processo institucionalizado que ocorre nas unidades de ensino; Informal se caracteriza por sua realização fora da escola, envolvendo flexibilidade de métodos e de conteúdos e um público alvo muito variável em suas características (faixa etária, nível de escolaridade, nível de conhecimento da problemática ambiental, etc.). O Programa traz em si, também, a afirmação de que “um programa de educação ambiental para ser efetivo deve promover simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental”. 6 Idem http://pga.pgr.mpf.gov.br/pga/educacao/principios-da-ea/principios-da-educacao-ambiental. Acesso em 17 mar 2010. 7 Utiliza-se como laboratório, o metabolismo urbano e seus recursos naturais e físicos, iniciando pela escola, expandindo-se pela circunvizinhança e sucessivamente até a cidade, a região, o país, o continente e o planeta. A aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver adaptada às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem aluno e professor(PGA, 2010). 1.1 Breves Noções de Educação Ambiental Sistemas de vida A educação ambiental enfatiza as regularidades, e busca manter o respeito pelos diferentes ecossistemas e culturas humanas da Terra. O dever de reconhecer as similaridades globais, enquanto se interagem efetivamente com as especificidades locais, é resumido no seguinte lema: Pensar globalmente, agir localmente. Há três níveis ou sistemas distintos de existência: Físico: planeta físico, atmosfera, hidrosfera (águas) e litosfera (rochas e solos), que seguem as leis da física e da química; Biológico: a biosfera com todas as espécies da vida, que obedecem as leis da física, química, biologia e ecologia; Social: o mundo das máquinas e construções criadas pelo homem, governos e economias, artes, religiões e culturas, que seguem leis da física, da química, da biologia, da ecologia e também leis criadas pelo homem. Ciclos O material necessário para a vida (água, oxigênio, carbono, nitrogênio, etc.) passa através de ciclos biogeoquímicos que mantêm a sua pureza e a sua disponibilidade para os seres vivos. O ser humano está apenas começando a planejar uma economia industrial complexa, moderna e de alta produtividade que assegura a necessidade de reciclagem no planeta. Nos ecossistemas, os organismos e o ambiente interagem promovendo trocas de materiais e energia através das cadeias alimentares e ciclos biogeoquímicos. 1.2 Princípios da Educação Ambiental O Programa de Gestão Ambiental da Procuradoria Geral da República descreve os princípios da Educação ambiental, retirados do Fórum Global, evento que ocorreu durante à Conferência da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, no Rio de Janeiro, em 1992 (Rio-92)8: 1. A educação é um direito de todos; somos todos aprendizes e educadores. 2. A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não formal e informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade. 3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações. 4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social. 5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar. 8 http://pga.pgr.mpf.gov.br/pga/educacao/principios-da-ea/principios-da-educacao-ambiental. Acesso em 17 mar 2010. 6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas. 7. A educação ambiental deve tratar as questões globais críticas, suas causas e interrelações em uma perspectiva sistêmica, em seu contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio ambiente, tais como população, saúde, paz, direitos humanos, democracia, fome, degradação da flora e fauna, devem ser abordados dessa maneira. 8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e eqüitativa nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas. 9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar a história indígena e culturas locais, assim como promover a diversidade cultural, lingüística e ecológica. Isto implica uma revisão da história dos povos nativos para modificar os enfoques etnocêntricos, até de estimular a educação bilíngüe. 10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de base que estimulem os setores populares da sociedade. Isto implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos. 11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas de conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser patenteado ou monopolizado. 12. A educação ambiental deve ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana. 13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais. 14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com os interesses de todos os setores da sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação, não somente disseminando informações em bases igualitárias, mas também promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores. 15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências educativas de sociedades sustentáveis. 16. “A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.” (fonte: Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global). Uma das vertentes da utilização da educação ambiental nas salas de aula é a reciclagem de lixo, que tem se mostrado como uma ferramenta de grande valor na demonstração prática às crianças da consciência ambiental. CAPÍTULO 2 RECICLAGEM DE LIXO De acordo com Lopes (1980), os primeiros fatores básicos da motivação humana são o hedonismo e o idealismo. O primeiro explica que o homem não ama a dor e o desconforto, mas o prazer e o conforto. Eis aí a razão dos conselhos acerca de como tornar agradáveis as condições e o ambiente de trabalho, a fim de que aquele fator seja satisfeito, resultando no aumento da motivação. A palavra lixo é derivada do termo em latim lix que significa "cinzas" de uma época em que a maior parte dos resíduos de cozinha era formada por cinzas e restos de lenha carbonizada dos fornos e fogões9; e também b) lixare (polir, desbastar) onde lixo seria então a sujeira, os restos, o supérfluo que a lixa arranca dos materiais. No dicionário, ela é definida como sujeira, imundice, coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor. Lixo, na linguagem técnica, é sinônimo de resíduos sólidos e é representado por materiais descartados pelas atividades humanas. Desde os tempos mais remotos até meados do século XVIII, quando surgiram as primeiras indústrias na Europa, o lixo era produzido em pequena quantidade e constituído essencialmente de sobras de alimentos. A partir da Revolução Industrial, as fábricas começaram a produzir objetos de consumo em larga escala e a introduzir novas embalagens no mercado, aumentando consideravelmente o volume e a diversidade de resíduos gerados nas áreas urbanas. O homem passou a viver então a era dos descartáveis em que a maior parte dos produtos — desde guardanapos de papel e latas de refrigerante, até computadores — são inutilizados e jogados fora com enorme rapidez. 9 Do livro "Lixo - De onde vem? Para onde vai?" de Francisco Luiz Rodrigues e Vilma Maria Gravinatto - Ed. Moderna, 2007. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado das metrópoles fez com que as áreas disponíveis para colocar o lixo se tornassem escassas. A sujeira acumulada no ambiente aumentou a poluição do solo, das águas e piorou as condições de saúde das populações em todo o mundo, especialmente nas regiões menos desenvolvidas. Até hoje, no Brasil, a maior parte dos resíduos recolhidos nos centros urbanos é simplesmente jogada sem qualquer cuidado em depósitos existentes nas periferias das cidades. Felizmente, o homem tem a seu favor várias soluções para dispor de forma correta, sem acarretar prejuízos ao ambiente e à saúde pública. O ideal, no entanto, seria que todos nós evitássemos o acúmulo de detritos, diminuindo o desperdício de materiais e o consumo excessivo de embalagens10. Em 1999, o Governo Federal, através do Programa Nacional de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, reuniu jovens de todo o Brasil para elaboração de um documento nomeado como “Carta de Princípios de Proteção à Vida”, contendo quinze princípios, que sob o olhar desses jovens, eram essenciais para a sobrevivência humana e sua interação com o meio em que vivemos. O “Nono Princípio” trata da relação do homem com o lixo produzido, onde o grupo classifica os diferentes tipos de lixo como: lixo domiciliar; lixo público; poda ou lixo verde; lixo industrial; lixo de serviços de saúde; lixo agrícola; e entulho (.BRASIL, 2000). Os jovens, ao pensar a conservação do meio ambiente, para a preservação da vida, referenciam a reciclagem como a ação de “aproveitar integralmente algo ou encontrar uma nova função para algum material já usado”. São citadas as colchas, tapetes feitos de retalhos, bolsas produzidas com sacos de leite e 10 http://www.lixo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=143&Itemid=250. Acesso em 12 mar 2010. alguns outros tipos como exemplos de práticas tradicionais que valorizam o reaproveitamento. Nos últimos anos, nota-se uma tendência mundial em reaproveitar cada vez mais os produtos jogados no lixo para fabricação de novos objetos, através dos processos de reciclagem, o que representa economia de matéria prima e de energia fornecidas pela natureza. Assim, o conceito de lixo tende a ser modificado, podendo ser entendido como "coisas que podem ser úteis e aproveitáveis pelo homem"11. Como podemos verificar, se o ser humano souber utilizar os recursos que a natureza oferece, poderemos ter, muito em breve, um ambiente mais limpo desenvolvido de forma sustentável. E assim, as técnicas de reciclagem surgiram para solucionar essas questões. Reciclagem é um conjunto de técnicas que tem por finalidade aproveitar os detritos e reutiliza-los no ciclo de produção de que saíram. E o resultado de uma série de atividades, pela qual materiais que se tornariam lixo, ou estão no lixo, são desviados, coletados, separados e processados para serem usados como matéria-prima na manufatura de novos produtos, ou seja, reciclagem é um termo originalmente utilizado para indicar o reaproveitamento (ou a reutilização) de um polímero no mesmo processo em que, por alguma razão foi rejeitado (SANCHEZ, 2007). O retorno da matéria-prima ao ciclo de produção é denominado reciclagem, embora o termo já venha sendo utilizado popularmente para designar o conjunto de operações envolvidas. O vocábulo surgiu na década de 1970, quando as preocupações ambientais passaram a ser tratadas com maior rigor, especialmente após o primeiro choque do petróleo, quando reciclar ganhou importância estratégica. As indústrias recicladoras são também chamadas secundárias, por processarem matéria-prima de recuperação. Na maior parte 11 http://www.lixo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=143&Itemid=250. Acesso em 12 mar 2010. dos processos, o produto reciclado é completamente diferente do produto inicial. Uma garrafa plástica ou vidro pode levar 1 milhão de anos para decompor-se. Uma lata de alumínio, de 80 a 100 anos. Porém todo esse material pode ser reaproveitado, transformando-se em novos produtos ou matéria prima, sem perder as propriedades. Separando todo o lixo produzido em residências, estaremos evitando a poluição e impedindo que a sucata se misture aos restos de alimentos, facilitando assim seu reaproveitamento pelas indústrias. Além disso, estaremos poupando a meio ambiente e contribuindo para o nosso bem estar no futuro, ou você quer ter sua água racionada, seus filhos com sede, com problemas respiratórios. Algumas Vantagens: • Cada 50 quilos de papel usado, transformado em papel novo, evita que uma árvore seja cortada. Pense na quantidade de papel que você já jogou fora até hoje e imagine quantas árvores você poderia ter ajudado a preservar. • Cada 50 quilos de alumínio usado e reciclado, evita que sejam extraídos do solo cerca de 5.000 quilos de minério, a bauxita. • Quantas latinhas de refrigerantes você já jogou até hoje? • Com um quilo de vidro quebrado, faz-se exatamente um quilo de vidro novo. E a grande vantagem do vidro é que ele pode ser reciclado infinitas vezes. Curiosidade: Você sabia que muitos produtos levam muitos anos para serem absorvidos pelo meio-ambiente? Veja abaixo uma relação das substâncias e o tempo que elas levam para serem absorvidas no solo12. · Papel comum: de 2 a 4 semanas · Cascas de bananas: 2 anos · Latas: 10 anos · Vidros: 4.000 anos · Tecidos: de 100 a 400 anos · Pontas de cigarros: de 10 a 20 anos · Couro: 30 anos · Embalagens de plástico: de 30 a 40 anos · Cordas de náilon: de 30 a 40 anos · Chicletes: 5 anos · Latas de alumínio: de 80 a 100 anos Enfim, conforme demonstra o Guia “Bem vindo ao Mundo da Criança”, muitas ações podem ser incentivadas13: Você Pode Ajudar? Todos nós que vivemos neste planeta temos um papel a desempenhar para salvar a natureza. Há uma porção de maneiras de colaborar. O que é que você, por exemplo, pode fazer? Primeiro, procure não desperdiçar nada. Quase tudo que achamos que é refugo, pode ser útil de algum modo. Os jornais velhos podem ser usados de novo para fazer mais papel. Os pedaços de metal e latas podem ser fundidos. As garrafas podem ser reaproveitadas. 12 13 http://www.todabiologia.com/ecologia/reciclagem.htm. Acesso em 15 mar 2010. Bem-vindo ao MUNDO DA CRIANÇA. Sao Paulo : Work Book International, 1995. CAPÍTULO 3 A UTILIZAÇÃO DE MATERIAL RECICLÁVEL NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DE ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL: A EXPERIÊNCIA NO CMEI ODILA SIMÕES De acordo com Stefani (2000, p. 14), dentre os principais objetivos do ensino na educação infantil, está o estímulo ao desenvolvimento das capacidades das crianças em: • *desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas capacidades e percepção de suas limitações; • *descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bemestar; • Estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças fortalecendo sua auto-estima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social; • Estabelecer e ampliar cada vez mais as relações sociais aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração. Além disso, a autora destaca, também, a necessidade do fomento de ações que demonstrem às crianças a importância de sua interação e reconhecimento do meio em que vive. Stefani afirma que é importante que a criança desenvolva hábitos e habilidades de “observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e agente transformados do meio ambiente e valorizando atitudes que contribuam para sua conservação”. Pelo referencial desta pesquisa, também é importante citar a observação da autora, em que mostra essencial o estímulo às brincadeiras, de forma que possibilite aos alunos a demonstração pensamentos, desejos e necessidades. de emoções, sentimentos, Com base nisso, é vista a importância de agregar o ensino da arte aos programas de educação infantil, e transforma-lo em ferramenta de transmissão, numa forma compreensível às diversas faixas da educação infantil e a interdisciplinaridade que essas relações requerem. 3.1 – Uma breve descrição da instituição O Centro Municipal de Educação Infantil Odila Simões atende cerca de 600(seiscentas) crianças na faixa etária de 1(um) a 6(seis) anos. A Prefeitura Municipal de Vitória inseriu o Dinamizador de Artes na Educação Infantil. Com a observação da aplicação de reciclagem de lixo em sala de aula, buscamos estabelecer uma relação mais próxima entre nossa disciplina, cujo trabalho realizado no ano de 2009 apresentou ótimos resultados, não só no grupo de crianças pequenas atendidas, mas também como parte de uma cultura, ou seja, como ser social inserindo a comunidade escolar, pois este reforça a função da escola na vida da criança, e a influência exercida nas famílias. 3.2 Os trabalhos realizados em 2009 Acreditamos que a criança na Educação Infantil deva ser cuidada, deva ser estimulada no brincar, mas ao mesmo tempo, deva construir conhecimentos. No CMEI Odila Simões foram utilizados diversos materiais recicláveis de forma a mostrar na prática às crianças como podem ser reutilizados os objetos que em suas casas são jogados no lixo. O objetivo dessa prática era construir objetos que contribuíssem para uma prática lúdica nas aulas de arte. Muitos exemplos podem ser citados, considerando o sucesso do projeto e a forma como a construção dos brinquedos afetou positivamente o grupo de alunos no decorrer do ano letivo. A seguir, serão demonstrados alguns casos componentes do projeto. Antecipadamente, foi solicitado às crianças que trouxessem materiais de casa, por meio de um bilhete individual. Foi disposto nas dependências do CMEI um recipiente onde as crianças poderiam depositar todos os materiais recolhidos. Após, em sala de aula, foram mostrados os tipos de materiais e iniciou-se a construção. Para a construção de brinquedos para crianças de 1 ano de idade foram utilizados materiais para produção de objetos que estimulem a percepção de som e cores. Foram construídos chocalhos com alças de recipientes plásticos e garrafas pets (Figura 1). Figura 1 – Foto dos brinquedos construídos com materiais reciclados para crianças de 1 ano. Fonte: Liliane Gabeira Brandão Com tampas e garrafas plásticas foram montados bonecos; com alças de galões e lacres de latas de alumínio foram produzidos chocalhos; e partes de garrafas pet, se transformaram em animais de brinquedos, todos utilizados com crianças de 1 e 2 anos, os quais atraem a atenção das crianças e auxilia o professor na sala de aula, com o trabalho das cores, das formas e do som (Figura 2). Figura 2 – Foto dos brinquedos construídos com materiais reciclados para crianças de 1 e 2 anos Fonte: Liliane Gabeira Brandão Brinquedos para crianças de 3 e 4 anos foram construídos com a participação dos alunos, utilizando garrafas pet, tampas e embalagens plásticas reutilizáveis, embalagens de ovos, retalhos de EVA, tinta, barbante e fitas coloridas (Figura 3). Figura 3 – Foto dos brinquedos construídos com materiais reciclados para crianças de 3 e 4 anos Fonte: Liliane Gabeira Brandão Também para esta idade, foi interessante a construção de bonecos (Figuras 4 e 5), com retalhos de EVA coloridos, garrafa pet, tampas, cola, arame e barbante, utilizados para demonstrar cores, formas geométricas e noções das partes do corpo humano. Este brinquedo pode ser utilizado para as idades de 3 e 4 anos. Figura 4 – Foto do boneco para aprendizado de cor, forma e corpo humano, utilizado com crianças de 3 e 4 anos Fonte: Liliane Gabeira Brandão Figura 5 – Foto de boneco para aprendizado de cor, forma e corpo humano, utilizado com crianças de 3 e 4 anos Fonte: Liliane Gabeira Brandão Para crianças de 5 e 6 anos, os objetos podem substituir brinquedos industrializados, como o caso do carrinho (Figura 6), o qual pode ser construído com garrafa pet, tampas, fitas coloridas, barbante e demais materiais que se tiver à disposição. Figura 6 – Foto do carrinho utilizado com crianças de 5 e 6 anos. Fonte: Liliane Gabeira Brandão Foi solicitado aos pais que enviassem à escola, bandejas reaproveitáveis de isopor, estimulando, assim, o diálogo das crianças com suas famílias e o envolvimento dos pais e responsáveis nas atividades escolares. Diante disso, as bandejas, que antes crianças só conheciam o lixo como destino, foram utilizadas como telas para trabalhos de pinturas individuais (Figura 7). Figura 7 – Foto das telas pintadas pelos alunos utilizando bandejas de isopor. Fonte: Liliane Gabeira Brandão Com as crianças de diversas idades, foram confeccionadas as tartarugas (Figura 8), que são utilizadas para o estímulo à conservação ambiental da fauna brasileira, e ao mesmo tempo demonstrando a utilização de materiais recicláveis na produção dos brinquedos. Foram utilizados retalhos de EVA cortados pelas próprias crianças, cada qual no seu nível de dificuldade. Se mostrou como um dos mais atrativos brinquedos produzidos, pois estimula as capacidades visuais das crianças de até 2 anos, com o reconhecimento das formas bi e tridimensionais. Para o grupo de alunos acima de 2 anos, não só estimula o desenvolvimento das percepções motoras, como também subsidia a discussão acerca da vida e do meio ambiente. Figura 8 – Foto com detalhes da tartaruga confeccionada com retalhos de EVA. Fonte: Liliane Gabeira Brandão Utilizando das mesmas técnicas de aproveitamento de retalhos (EVA e TNT), foram confeccionados o jacaré e a tartaruga (Figura 9), utilizando jornal e TNT para enchimento e caixa de ovos para decoração. Esse brinquedos foram utilizados principalmente para montagem de cenários e estímulo à contação e recontação de histórias pelas próprias crianças. Figura 9 – Foto do jacaré e da tartaruga confeccionados com TNT e EVA. Fonte: Liliane Gabeira Brandão Também se mostrou interessante à percepção dos alunos, a construção de objetos decorativos, construído “por diversas mãos”, utilizando materiais recicláveis, como papel, cartolina, palito de picolé, barbante, tinta, etc. No caso, é demonstrado o móbile de aranhas (Figura 10). Figura 10 – Móbile de Aranhas para decoração de festas ou da sala de aula. Fonte: Liliane Gabeira Brandão Também foram construídos objetos e brinquedos utilizados em contações de histórias, que enriqueceram os trabalhos, tornando-se diversão pelo próprio processo de montagem das peças pelas crianças, as quais puderam vivenciar nas suas atividades o resultado de seus trabalhos. Um bom exemplo disso, foi a confecção do caldeirão da bruxa, utilizado em várias histórias para diversas idades no CMEI, no qual foi usada a técnica de papel marche, com cola, tinta, jornal usado, vinagre, etc., além de outros materiais recicláveis (Figura 7). Figura 7 – Caldeirão da bruxa utilizado no cenário para contação de história. Fonte: Liliane Gabeira Brandão CONCLUSÃO Após esta pesquisa, algumas idéias foram fortalecidas, como a de Stefani (2000, p. 16), que diz que há um grande prazer para o educador lidar com o mundo imaginário infantil, de forma a alcançar os objetivos dos programas pedagógicos utilizando formas interdisciplinares para a integração do conhecimento e desenvolvimento das capacidades dos alunos. A autora (STEFANI, 2000, p. 16) destaca que: O compromisso com a construção da cidadania pede necessariamente uma prática educacional voltada para a compreensão da realidade social e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal, coletiva e ambiental. Nessa perspectiva é que foram incorporadas como Temas Transversais as questões da Ética, da Pluralidade Cultura, do Meio Ambiente, da Saúde e da Orientação Sexual. A partir daí, observou-se com esta pesquisa, que é enriquecedor para a vida escolar da criança a inserção do ensino da arte na programação pedagógica, de forma lúdica, e, principalmente se as atividades envolverem o estímulo à percepção da criança como indivíduo integrante de um meio ambiente. Muitas vezes na história da educação infantil, puderam ser vistas experiências do ensino da arte, ora como atividades mecanizadas e conduzidas “pelas mãos” do educador, ora com recursos limitados e muitas vezes entediantes pela visão do educando. Agregando informações de cunho real nas práticas pedagógicas do ensino da arte, a criança passa a perceber sua presença no mundo não como um fator alheio à existência e manutenção do ambiente em que vive, mas sim como alguém que interage e interfere nas relações entre o espaço físico e os seres humanos. Após a observação das atividades no Centro Municipal de Educação Infantil “Odila Simões”, no ano de 2009, e considerando que a tendência nos dias atuais é o fomento das discussões acerca das questões ambientais em todo o planeta, concluímos que as atividades desenvolvidas com as crianças, conforme referido neste trabalho, atingiu seus principais objetivos, que foram: - conscientizar o aluno sobre a importância de se observar o que pode ser reaproveitado do que eles entendem por “lixo”; - demonstrar que podem ser construídos objetos de forma e uso lúdicos, para as atividades e brincadeiras na sala de aula e em suas casas; - mostrar a possibilidade de confecção com materiais recicláveis de forma eficiente e eficaz no ensino da arte na educação infantil, produzindo objetos que apresentam aplicação prática e real no cotidiano das crianças; - mostrar que, conforme pode ser visto nas imagens apresentadas no corpo desta pesquisa, os trabalhos com material reciclável, na maioria das vezes entendido pela comunidade como “lixo”, é barato e visualmente atrativo. Fica aqui a certeza de que nossa prática pedagógica, conforme apresentada neste trabalho está contribuindo efetivamente para a formação de cidadãos mais conscientes, e para a consolidação de referenciais ambientais para a continuação de sua formação ao longo de suas vidas. É perceptível na vivência da educação infantil que uma ação, mesmo que pareça pequena no momento, pode gerar efeitos positivos grandiosos no futuro desse cidadão. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Caderno de Princípios de proteção à vida. Brasília : MMA, 2000. CADERNO AMAE. Temas Transversais. Ago. Belo Horizonte : Fundação AMAE para Educação e Cultura, 2000. CADERNO AMAE. Pedagogia de Projetos. Out. Belo Horizonte : Fundação AMAE para Educação e Cultura, 2000. CADERNO AMAE. Meio Ambiente. Nov. Belo Horizonte : Fundação AMAE para Educação e Cultura, 2001. CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 7.ed. Rio de Janeiro : Ed. Civilização Brasileira, 2005. CARVALHO, Vilson Sérgio de. 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