JULIANA ROSA CORRÊA
A EVOLUÇÃO DA FOTOGRAFIA E UMA
ANÁLISE DA TECNOLOGIA DIGITAL
Viçosa - MG
Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFV
2013
JULIANA ROSA CORRÊA
A EVOLUÇÃO DA FOTOGRAFIA E UMA
ANÁLISE DA TECNOLOGIA DIGITAL
Monografia apresentada ao Curso de Comunicação
Social/ Jornalismo da universidade Federal de
Viçosa, como requisito parcial para obtenção do
título de Bacharel em Jornalismo.
Orientadora:Mariana Lopes Bretas
Viçosa – MG
Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFV
2009
Aos amigos que conheci em Viçosa.
Que marcaram e que vão fazer parte para sempre da minha história.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por sempre me dar forças e me auxiliar em minhas
dificuldades. Pelo amor demonstrado em cada instante da minha vida.
Aos meus pais e familiares pelo apoio incondicional e pelo exemplo de vida.
Aos amigos por todos os momentos compartilhados, orações e palavras
encorajadoras.
Aos professores pela sabedoria e ensinamentos transmitidos.
À professora Mariana Bretas pela orientação neste trabalho, por toda a paciência e
conhecimento compartilhado.
Enfim, agradeço a todos que, de alguma forma, contribuíram para a construção deste
trabalho e que marcaram minha passagem pela UFV.
Universidade Federal de Viçosa
Departamento de Artes e Humanidades
Curso de Comunicação Social/Jornalismo
Monografia intitulada A evolução da fotografia e uma análise da tecnologia digital, de
autoria da estudante Juliana Rosa Corrêa, aprovada pela banca examinadora
constituída pelos seguintes professores:
___________________________________________________
Prof. Dr. Mariana Lopes Bretas
Curso de Comunicação Social/Jornalismo
___________________________________________________
Prof. Ma. Laene Mucci Daniel
Curso de Comunicação Social/Jornalismo
___________________________________________________
Prof. Dr. Francisco Xavier Ribeiro do Vale
Curso de Agronomia/Fitopatologia
Viçosa, 11 de maio de 2013
RESUMO
A fotografia passou por vários estágios desde que foi criada, no início do século XIX, até
chegar à tecnologia digital, bastante utilizada nos dias de hoje. Durante muito tempo
enfrentou o dilema se poderia ou não ser considerada arte, e hoje é uma das mais expressivas
formas de manifestações artísticas. A presente monografia analisa a fotografia como uma
forma de arte e as consequências que a popularização e a tecnologia digital trouxeram para
esta atividade, como a possível banalização do exercício da fotografia.
PALAVRAS – CHAVE
Fotografia; tecnologia digital; arte; banalização.
ABSTRACT
The photograph went through several stages since it was created, in the early nineteenth
century, until it reaches the digital technology, widely used today. Long faced the dilemma if
it could or not to be considered art, and today is one of the most importantways of artistic
expressions. This monograph examines photography as an art form and the consequences that
the popularization and digital technology have brought to this activity, as a possible
trivialization of exercise photography.
KEY-WORDS
Photograph; digital technology; art; trivialization.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 01 ..................................................................................................................... Página 13
Figura 02 ..................................................................................................................... Página 15
Figura 03 ..................................................................................................................... Página 17
Figura 04 ..................................................................................................................... Página 19
Figura 05 ..................................................................................................................... Página 21
Figura 06 ..................................................................................................................... Página 22
Figura 07 ..................................................................................................................... Página 25
Figura 08 ..................................................................................................................... Página 26
Figura 09 ..................................................................................................................... Página 32
Figura 10 ..................................................................................................................... Página 33
Figura 11 ..................................................................................................................... Página 34
Figura 12 ..................................................................................................................... Página 35
Figura 13 ..................................................................................................................... Página 35
Figura 14 ..................................................................................................................... Página 37
Figura 15 ..................................................................................................................... Página 38
Figura 16 ..................................................................................................................... Página 39
Figura 17 ..................................................................................................................... Página 40
Figura 18 ..................................................................................................................... Página 40
Figura 19 ..................................................................................................................... Página 41
Figura 20 ..................................................................................................................... Página 42
Figura 21 ..................................................................................................................... Página 44
Figura 22 ..................................................................................................................... Página 45
Figura 23 ..................................................................................................................... Página 47
Figura 24 ..................................................................................................................... Página 48
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.......................................................................................................................10
CAPÍTULO 1 – SURGIMENTO E EVOLUÇÃO DA FOTOGRAFIA............................12
1.1 – A câmara escura e o surgimento do daguerreótipo..........................................................13
1.2 – Kodak e a fotografia analógica........................................................................................16
1.3 – A fotografia instantânea...................................................................................................18
1.4 – Fotografia e tecnologia digital.........................................................................................20
CAPÍTULO 2 – TECNOLOGIA DIGITAL E BANALIZAÇÃO DA FOTOGRAFIA...24
2.1 – Popularização da fotografia e facilidades da câmera digital............................................24
2.2 – Banalização da fotografia.................................................................................................27
CAPÍTULO
3
–
FOTOGRAFIA COMO
UMA FORMA DE EXPRESSÃO
ARTÍSTICA............................................................................................................................31
3.1 – Pintura e cinema: Antecessor e sucessor da fotografia....................................................31
3.2 – Os primeiros a enxergar a fotografia como arte...............................................................36
3.3 – Fotografia dentro da arte contemporânea.........................................................................39
3.4 – Lomografia.......................................................................................................................43
CAPÍTULO 4 – BANALIZAÇÃO E ARTE DO PONTO DE VISTA DE
FOTÓGRAFOS AMADORES USUÁRIOS DE REDES SOCIAIS..................................46
4.1 – As redes sociais Flickr e Instagram..................................................................................46
4.2 – Pesquisa e perfil dos usuários..........................................................................................48
4.3 – Pesquisa e resultados qualitatvos.....................................................................................50
CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................55
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................58
ANEXOS..................................................................................................................................64
INTRODUÇÃO
Desde o século XVI a humanidade tem conhecimento de alguns conceitos
relacionados à fotografia, como a câmara escura e o escurecimento da prata pela luz; era
possível gravar imagens em uma superfície revestida por sais de prata, quando esta era
colocada no interior de uma câmara escura, mas tais imagens desapareciam rapidamente,
quando entravam em contato com a luz ambiente. Esta técnica de congelar as imagens não
surgiu de uma hora para outra; ela foi se desenvolvendo com o tempo, até que em 1826,
Joseph Nicéphore Niépce registra a primeira fotografia reconhecida da história.
Nos 187 anos que separam a criação de Niépce até os dias de hoje muita coisa mudou.
A fotografia passou por diferentes estágios: com o daguerreótipo, invenção de Daguerre, teve
a técnica reconhecida cientificamente em 1839 e possibilitou a grvação de imagens sem
possibilidade de reprodução. A partir da câmera de filme, em 1888 por George Eastman, a
fotografia passou a ser acessível, por esta ser mais rápida, barata e prática. Este momento foi
de tal importância que predominou na fotografia por cerca de um século. A fotografia
instantânea, lançada em 1948 por Edwin Lnad, possibilitou visualisar as imagens assim que
estas eram tiradas, sem a necessidade de enviar o filme para o laboratório para revelação. Por
fim a tecnologia digital, que fez suas primeiras imagens em 1965, mas só passou a ser
comercializada em 1981, é altamente difundida na sociedade dos dias atuais, com
equipamentos na maioria das vezes automáticos, gravando as imagens em formato digital.
A tecnologia digital acarretou em grandes mudanças para a fotografia; a popularização
desta tecnologia democratizou a atividade, permitindo a um grande número de pessoas o
acesso à produção fotográfica e possibilitando a estas o registro de momentos, pessoas e o
que mais queiram fotografar. No entanto, equipamentos automáticos, registrando fotografias
pixelizadas em formato digital trouxeram como consequência a perda da qualidade para as
imagens. E o fato de a fotografia digital não agregar valor com a compra e revelação de
filmes, não possuir um “original” e não exigir que as imagens sejam impressas fazem com
que seja produzidas um número muito grande de fotografias, muitas das quais não possuiem
qualidade ou técnica, o que pode por vezes banalizar a atividade fotográfica.
Quando a fotografia surgiu, os pintores da época se sentiram ameaçados pela nova
atividade. Como a pintura era o único meio de retratar pessoas e registrar cenas, esta teve que
encontrar novos meios para se destacar diante da nova atividade que surgia. Durante certo
10
tempo, houve uma discussão se a fotografia poderia ou não ser considerada uma manifestação
de arte e hoje, após o esforço de alguns artistas-fotógrafos e de movimentos que pretendiam
elevar a fotografia à categoria das artes, como o pictorialismo, ela é considerada uma das mais
importantes formas de expressões artísticas. A prova disto é que hoje se encontram
exposições de fotografias em museus e galerias de arte.
Para o fotógrafo nem sempre é fácil encontrar espaço para expor suas obras,
especialmente se este for amador ou estiver no início da carreira. Uma opção encontrada para
solucionar este problema seria expor suas imagens na internet. Algumas redes sociais
permitem aos usuários publicar gratuitamente fotografias e outras imagens e visualizar o
conteúdo de outros usuários.
Duas das redes sociais que permitem aos fotógrafos expor suas imagens na internet
são o Flickr e o Instagram. Neste projeto, a fim de analisar as opiniões e preferências dos
usuários das redes sociais citadas acima, aplicou-se um questionário, que será analisado
juntamente com o material coletado através da pesquisa bibliográfica, a qual tem por base
livros dos autores Roland Barthes, Susan Sontag e Walter Benjamin.
11
CAPÍTULO 1
Surgimento e evolução da fotografia
No ano de 1839, em Paris, o inventor Louis Jacques Mandé Daguerre apresenta ao
mundo sua mais recente invenção, que mudaria para sempre o modo de se registrar
acontecimentos, momentos históricos e cenas cotidianas: o daguerreótipo, método para se
gravar imagens sobra uma superfície (PATRÍCIO, 2011).
Um longo caminho foi percorrido pela humanidade até se chegar na invenção de
Daguerre, passando pela criação e desenvolvimento da câmara escura, que é o princípio
básico da fotografia, até o uso de produtos químicos, principalmente sais de prata, para se
fixar a imagem em determinada superfície.
A grande revolução causada pela invenção da fotografia foi na verdade, não o
mecanismo/aparato de captação, que já era conhecido, mas sim a criação de um
suporte químico sobre o qual a imagem projetada pudesse ser fixada sem precisar
que o artista realizasse um desenho manual sobre o suporte. (ANJOS, 2012, p. 2)
De mecanismos demorados, complicados e obsoletos, como eram o daguerreótipo e
outros processos similares de captura de imagem, a fotografia deu um salto, em 1888, com a
criação da primeira câmera fotográfica comercial, criada por George Eastman, a Kodak Nº1.
Este segundo momento da fotografia, utilizando filmes fotográficos, permitiu a pessoas
comuns o acesso ao registro de imagens e dominou a história da fotografia por mais de um
século.
Com a Kodak, a fotografia se tornou “instantânea” e qualquer amador poderia tirar
boas fotos. Com o slogan "You press the button, we do the rest", Eastman tentou
fazer da fotografia algo popular, fácil, que não necessitava muita técnica. Seu
argumento persuasivo era a possibilidade de uma história do dia-a-dia contada por
imagens feitas pelos próprios protagonistas. (BRUNET, 2001, p. 2)
O terceiro momento de grande importância na história da fotografia surgiu da
necessidade de se ver na hora as imagens que eram fotografadas. Surge a fotografia
instantânea, através da câmera Polaroid, idealizada em 1948 pelo inventor e físico Edwin
Land.
Estes três momentos da fotografia (daguerreótipo, fotografia de filme e fotografia
instantânea) têm como base a câmara escura e a fotoquímica acontecendo devido à presença
de sais de prata. Durante muitos anos gravar imagens teve estas características, até o
lançamento da fotografia digital.
12
Alguns autores defendem que o ato de congelar imagens utilizando tecnologia digital
não pode ser chamado de fotografia, pois fotografia significa “escrita com a luz”, e as câmeras
digitais apenas captam sinais luminosos através de um sensor. “O <digital> - sistema de
codificação discreto – acaba por se opor ao <fotográfico> - sistema analógico de registro
numa emulsão sensível, à base de sais de prata, das variações contínuas da luz refletida pelos
objetos” (MENDES, 2002, p. 51). No entanto, os equívocos da linguagem são aceitos na
linguagem popular e comercial.
Somente os filmes podem ser “revelados”. Utilizar esse termo para o digital, é um
erro aceito somente no comércio, para melhor entendimento da pessoa leiga no
assunto. Fotografia capturada com a tecnologia digital se “imprime” e não se revela.
(PATRÍCIO, 2011, p. 70)
O atual momento da fotografia, que utiliza a tecnologia digital, teve seu início na
década de 1980 e vem cada vez mais ganhando espaço com equipamentos compactos e
automáticos. Embora tenha se popularizado, ainda divide opiniões, principalmente, entre os
fotógrafos profissionais e aqueles mais antigos que não abandonaram os filmes analógicos.
1.1 – A câmara escura e o surgimento do daguerreótipo
A história da fotografia está intimamente ligada ao conceito da câmara escura. A
câmara escura é um ambiente (que pode ser tanto uma sala quanto uma caixa) isento de luz
em seu interior, exceto por um orifício muito pequeno no centro de um de seus lados. A luz,
ao ultrapassar este orifício, forma uma imagem invertida e pouco nítida na parede oposta
dentro da câmara escura.
Figura 1: Representação do funcionamento de uma câmara escura
13
A câmara escura é usada na fotografia tanto analógica quanto digital. A imagem é
formada no interior da mesma, quando a luz que atravessa o orifício atinge o material
fotossensível. O tempo de exposição e a nitidez da imagem dependem do tamanho do orifício:
se este é grande, a imagem fica menos nítida, e o tempo de exposição é menor. Da mesma
forma, quanto menor o orifício, mais nítida é a imagem, e maior o tempo de exposição.
A primeira descrição de uma câmara escura vem do século IV a.C, pelo filósofo
Aristóteles, quando este observa um eclipse solar. Ele utiliza um aparelho que contém um
pequeno orifício, por onde a luz atravessa e se expande antes de chegar ao chão. A evolução
da câmara escura se deu principalmente por físicos e astrônomos que observavam eclipses
solares através dela, como o astrônomo árabe Al Hazen no século XI e o filósofo e
matemático Roger Bacon no século XIII. (CALAÇA, 2012)
Durante a Renascença, alguns pintores utilizavam a câmara escura como um aparelho
auxiliar em seus desenhos, já que esta poderia refletir uma imagem real a uma tela mantendo
as mesmas proporções, contudo, com uma nitidez muito baixa. No início do século XVI,
pintor e inventor italiano Leonardo Da Vinci resolveu esta questão, colocando uma lente de
vidro no lugar do orifício.
Nos séculos XVII e XVIII, vários pesquisadores utilizavam a câmara escura a fim de
gerar imagens em um material fotossensibilizado. Utilizando sais de prata (pois já se sabia na
época que a prata escurecia em contato com a luz), estes pesquisadores obtinham sucesso no
ato de gravar as imagens, mas não sabiam como interromper o processo de gravação. Assim,
elas desapareciam rapidamente, pouco depois de serem retiradas da câmara escura, mesmo se
permanecessem em um ambiente com pouca luz.
Encontrar um material que servisse como fixador de imagens foi um grande desafio
para estes pesquisadores até o século XVIII. No ano de 1826, um francês chamado Joseph
Nicéphore Niépce, fazendo testes com um material coberto com betume da Judéia e sais de
prata, consegue gravar e fixar uma imagem (CALAÇA, 2012). Esta, que retrata a vista de uma
janela, é considerada a primeira fotografia da história, e a técnica foi batizada pelo próprio
Niépce de heliografia.
Contudo, Niépce não quis revelar ao mundo sua descoberta. Ele guarda para si os
segredos da heliografia até que conhece o também francês Louis Jacques Mandé Daguerre.
Este já utilizava a câmara escura na produção de desenhos e dioramas quando se interessa
pelo que viria a ser um dia a fotografia. Ao conhecer Niépce e a heliografia, ambos decidem
14
assinar um contrato de sociedade, em 1829, para dar continuidade às pesquisas (TURAZZI,
2008).
Figura 2:Vista da Janela, a primeira fotografia criada por Niépce
Diante dos poucos avanços da sociedade, Daguerre decide dar continuidade às suas
pesquisas sem a ajuda de Niépce, utilizando sais de prata. Niépce morre em 1833, Daguerre
segue seus trabalhos e descobre dois anos depois que o vapor do mercúrio funciona como
revelador nas imagens. Diz-se que esta descoberta foi acidental, aconteceu em um dia quando
Daguerre guardou algumas placas sensibilizadas em um armário e, ao retirá-las no dia
seguinte, percebeu que as imagens estavam muito mais nítidas e não escureciam com a luz
ambiente. Constatou então que um termômetro havia quebrado dentro do armário e passou a
incluir o mercúrio em suas pesquisas. Descobriu que este material, além de servir de
revelador, diminui de horas para alguns minutos o tempo de exposição. Com isto, tornou-se
possível a fotografia não somente de paisagens e objetos inanimados, como acontecia antes,
mas também de pessoas, desde que estas ficassem sentadas e imóveis diante da câmara
escura.
Surge o daguerreótipo. O processo para obtenção de um consiste em sensibilizar uma
placa de cobre revestida de prata polida e sensibilizada com vapor de iodo. Coloca-se o
material, que é sensível à luz, em uma câmara escura por alguns minutos e ao se retirar, o
15
utiliza-se o vapor de mercúrio como revelador. Para se fixar a imagem, era usado o cloreto de
sódio, sendo substituído mais tarde pelo tiossulfato de sódio, que dava maior durabilidade à
imagem (OKA, ROPERTO). O resultado era um positivo único, nítido, sem caráter
reprodutivo, que deveria ser protegido por um vidro a fim de evitar a oxidação.
O novo invento foi revelado ao mundo no dia 19 de agosto de 1839, sendo
reconhecido pela Academia de Ciências de Paris. Além de ter seu nome na invenção,
Daguerre passou a receber uma pensão vitalícia do governo, para que qualquer pessoa
pudesse utilizar o daguerreótipo sem precisar pagar patente, o que fez com que este se
espalhasse com certa rapidez, visto que era de fácil reprodução.
O tempo de hegemonia do daguerreótipo foi curto; durou até por volta da década de
1850, pois nesta época outros processos de gravação de imagem mais baratos, rápidos, e que
proporcionavam a reprodutibilidade foram criados, como o Calótipo, do inglês Willian Fox
Talbot, o que não diminui a importância histórica do daguerreótipo
Diz-se muitas vezes que foram os pintores que inventaram a fotografia
(transmitindo-lhe o enquadramento, a perspectiva albertiniana e a óptica da câmara
obscura. E eu digo: não, foram os químicos. Porque o noema <isto foi> só foi
possível a partir do dia em que uma circunstância científica (a descoberta da
sensibilidade à luz dos sais de prata) permitiu captar e imprimir diretamente os raios
luminosos emitidos por um objecto diretamente iluminado. (BARTHES, 2009, p.
91)
Barthes atribui toda a criação da fotografia aos químicos, no momento em que o
daguerreótipo surge e revoluciona toda uma geração e muda a maneira de registrar a história.
1.2 – Kodak e a fotografia analógica
Durante as décadas que se seguiram desde a invenção do daguerreótipo a fotografia
pouco evoluiu. O ato de registrar imagens ainda era algo trabalhoso e demorado, que exigia
técnica, capital, equipamento e conhecimento de química por parte dos fotógrafos; eram
poucos os que podiam trabalhar neste novo ramo. É neste contexto que ocorre uma revolução,
provocada por George Eastman.
Eastman teve seu primeiro contato com a fotografia em 1878, aos 24 anos de idade,
quando planejava uma viagem e um amigo de trabalho sugeriu que fizesse um registro da
mesma. Eastman adquiriu todo o pesado equipamento, a câmera com tripé, os produtos
químicos e as placas de vidro, além de pagar para aprender a usar. Ele não fez a viagem, mas
16
ficou completamente absorvido pela fotografia e passou a buscar um meio mais simples de
fazê-la.
Eastman começa a trabalhar com placas secas feitas de gelatina, descoberta por
Richard Maddox em 1871. Este material tinha o inconveniente de ser pesado, frágil e levavase muito tempo para substituir a placa na câmera. A solução foi sensibilizar folhas de
celulóide, que eram pequenas e maleáveis. Em 1888, era lançada a Kodak Nº1, câmera
portátil de fácil manuseio (CHIEZA, TELES, 2012; OKA, ROPERTO).
A primeira câmera comercial da história tinha um rolo de filme maleável enrolado em
carretel e fazia 100 fotos em negativo por rolo. A câmera, já carregada, era vendida a
U$$25,00 e para recarregá-la com um novo filme, custava U$$10,00 (OLIVEIRA, 2009).
Eastman investia muito em publicidade e o slogan da Kodak era: “You press the button, we
do the rest” (você aperta o botão, nós fazemos o resto).
Figura 3: Câmera Kodak Nº 1
Uma câmera pequena, simples, acessível, que dava ao fotógrafo apenas o trabalho de
enquadrar a imagem e apertar o botão, como o próprio slogan diz, que a empresa se encarrega
de revelar e recarregar a máquina, deu a muitas pessoas a possibilidade de se tornarem
fotógrafas, especialmente aquelas que tinham interesse apenas na imagem pronta e não no
processo para obtê-las.
Com este sistema de prestação de serviço Eastman dissemina a fotografia para
aqueles que desejavam apenas tirar fotos sem ter que se preocupar com
infraestrutura como lugar escuro, emulsionar vidro ou papel, para muitos só
interessavam a foto e foi isto de Eastman proporcionou. (OLIVEIRA, 2009, p. 665)
17
A fotografia com filme predominou desde sua criação até o final do século XX, com
poucas mudanças ao longo deste tempo. O filme utilizado neste período e usado até hoje por
amantes da fotografia analógica é formado por várias camadas unidas por gelatina. A reação
fotoquímica que vai formar a imagem se dá devido a grãos de sais de prata sensíveis à luz.
Após a revelação o resultado é uma tira de imagens em negativo, que pode ser positivada
quantas vezes forem necessárias. Para se positivar um negativo (ou simplesmente fazer
cópias), utiliza-se um ampliador (projetor com uma lente para focar a imagem e uma fonte de
luz controlada), aonde o negativo é posto e projetado sobre o papel sensibilizado e depois de
ficar certo tempo exposto sob o negativo o papel irá formar um negativo deste, ou seja, um
positivo, que é a fotografia de fato, o que interessa à maioria das pessoas (WOODWORTH).
Enquanto os filmes continuaram utilizando os mesmos produtos base de sua
fabricação, as câmeras fotográficas analógicas evoluíram drasticamente ao longo do tempo;
de câmeras grandes e pesadas do início do século XX, que davam ao fotógrafo apenas a
função de enquadrar e “apertar o botão”, hoje se encontram câmeras compactas, feitas de
diferentes materiais (metal, plástico), com maiores possibilidades ao se fazer a foto, através da
escolha da lente, do controle de velocidade e abertura de diafragma, que dão ao fotógrafo
maior autonomia na hora de fotografar, apesar de dar também maior responsabilidade, pois
qualquer erro da parte dos fotógrafos pode acarretar na perda da fotografia.
Depois de reinar absoluto por mais de um século, o filme fotográfico se viu ameaçado
pelo advento da tecnologia digital. Foi o que aconteceu com a Kodak no dia 19 de janeiro de
2012, 131 anos após sua criação. A empresa fracassou na tentativa de levantar fundos para
financiar
sua reestruturação
financeira
e se viu
obrigada a pedir
concordata.
(NASCIMENTO). Mas a empresa não fechou, e no início de 2013 a Kodak diversificou
parcialmente o ramo da fotografia, trabalhando com comunicação gráfica, scanners, câmeras
digitais, impressoras para fotografias, artigos para cinema, contudo, não abandonou a
produção de filmes e câmeras analógicas.
1.3 – A fotografia instantânea
Os filmes fotográficos haviam se difundido, mas fotografar ainda era algo que levava
tempo, especialmente na hora de revelar. Ao bater a foto, o fotógrafo precisava esperar até
18
que o filme fosse levado ao estúdio de revelação, passasse pelos processos químicos, o
negativo fosse positivado em um papel fotográfico e finalmente devolvido.
O questionamento que viria a solucionar este problema veio de uma criança de cinco
anos; nas férias de verão de 1944, a filha do físico e inventor estado-unidense Edwin Land lhe
pergunta por que tinha de esperar tantos dias para ver as fotos que seu pai fazia dela. Diante
desta pergunta tão simples, Land enxerga uma nova possibilidade para a fotografia. Quatro
anos mais tarde cria e lança no mercado a Polaroid, primeira câmera instantânea da história.
A fotografia instantânea surgiu não como um capricho, mas como uma necessidade da
época. Como não existia a tecnologia digital e muitas vezes era necessário ver na hora o que
se foi fotografado, a invenção de Land veio como uma solução a este dilema.
Figura 4: Câmera Polaroid
A Polaroid produz fotos sem negativos. A luz entra em contato direto com o papel
fotográfico sensibilizado com sais de prata e a câmera expele uma foto preta, que depois de 60
segundos revela a imagem (posteriormente, este tempo foi reduzido para 10 segundos). A
fotografia produzida é uma imagem única, sem possibilidade de reprodução, de baixa
qualidade.
A fotografia instantânea foi muito difundida, visto que as câmeras eram destinadas a
um público amador, pois eram de fácil manuseio e vendidas a preço acessíveis (embora os
19
papéis fotográficos fossem vendidos a um valor elevado, o que garantia o lucro da Polaroid
Corporation).
Assim como a Kodak, a Polaroid não resistiu à concorrência da fotografia digital e em
fevereiro de 2008 anunciou o fim da produção das câmeras instantâneas (FERRAZ, 2012).
Diante disto, duas empresas começaram na produção da fotografia instantânea: a Fujifilm,
com a linha instax que produz câmeras e filmes próprios, e a Impossible, empresa sediada em
uma fábrica fechada da Polaroid, formada por ex-funcionários da mesma, que fabricam filmes
para as antigas câmeras Polaroid. Estes funcionários foram motivados a trabalhar em um
projeto com pouca chance de lucro, em um mercado já bastante prejudicado pela concorrência
das câmeras digitais, apenas pela paixão à fotografia analógica, especialmente a fotografia
instantânea (CORRÊA; FERRAZ, 2012).
O conceito de instantaneidade da Polaroid foi resgatado pela rede social Instagram
algumas décadas mais tarde; o Instagram, aplicativo para celulares e outros aparelhos, além de
aplicar filtros que dão um tom vintage à fotografia, permite adicionar imagens, pelo celular,
ao perfil da rede social, no mesmo instante que foram tiradas, sem a necessidade de
descarregar em um computador, da mesma forma que a Polaroid não tinha a necessidade de
levar a câmera ou negativo em um estúdio para revelação.
1.4 – Fotografia e tecnologia digital
A fotografia analógica, tanto a instantânea quanto a de filme, havia se tornado popular
e ocupava um espaço único na sociedade no final do século XX. Mas os equipamentos
evoluíram, as residências passaram a ser abastecidas por computadores, telefones sem fio.
Meios de transporte e comunicação cada vez mais rápidos, tanta tecnologia que a própria
fotografia começou a se tornar obsoleta.
A sociedade em modernização encontrava muitos problemas para fotografar nas
décadas finais do século XX: os papéis fotográficos instantâneos eram caros, as fotografias
não eram de alta qualidade e não permitiam reprodução. Os filmes em negativo demoravam a
serem revelados, dependiam de investimento tanto para aquisição do filme quanto para
revelação e nestes dois modos de fotografar existia o risco de ocorrer algum erro na hora de
bater a foto, perdendo assim tanto o dinheiro quanto a fotografia.
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É neste contexto que surge a fotografia digital. As primeiras imagens digitais vêm da
Guerra fria, do programa espacial norte americano.
As primeiras imagens sem filme registraram a superfície de Marte e foram
capturadas por uma câmera de televisão a bordo da sonda Mariner 4, em 1965. Eram
22 imagens em preto e branco de apenas 0,04 megapixels, mas que levaram quatro
dias para chegar à Terra. (PATRÍCIO, 2011, p. 60)
Figura 5: Uma da imagens de Marte capturadas pela sonda Mariner
Estas imagens digitais de Marte, embora tivessem sido o embrião de uma grande
inovação tecnológica, não surgem com este propósito, mas devido a uma necessidade
específica daquele momento; seria totalmente inviável a sonda fazer imagens analógicas do
planeta visinho e retornar à Terra para que estas pudessem ser reveladas.
Dez anos depois de ter-se feito as imagens em Marte, a Kodak apresenta o primeiro
protótipo de câmera sem filme. Pesava quatro quilos e gravava imagens em uma fita cassete.
Mas a primeira câmera digital comercial da história foi lançada pela Sony em 1981. Esta
câmera, a Mavica, capturava imagens de 0,3 megapixels e tinha capacidade de armazenar até
50 fotos (AYRES). Era um produto totalmente voltado para as classes mais altas (a Mavica
custava cerca de U$$12.000,00 dólares), com fotografias de qualidade tão baixa que ela
poderia ser considerada um produto de luxo, pouco funcional.
21
Figura 6: Câmera fotográfica Mavica
As imagens geradas pela Mavica e pelas primeiras câmeras digitais eram como
imagens congeladas de TV. Ao longo das décadas de 1990 e 2000, as câmeras digitais
sofreram grandes evoluções; se tornaram compactas, automáticas, passaram a desempenhar
múltiplas funções (filmadora, webcam), receberam cartões de memória capazes de armazenar
centenas de fotos e suas imagens passaram a ser gravadas em resoluções muito altas (algumas
câmeras amadoras superam 14 megapixels).
A câmera digital não utiliza processos químicos na captura de imagens. A luz, ao
passar pela lente, é registrada em um sensor e armazenada em um cartão de memória. As
imagens em formato digital são formadas em pixels, com resolução maior ou menor,
dependendo das configurações e qualidade da câmera. Geralmente, um visor presente na
câmera permite a visualização do enquadramento da imagem e da fotografia depois de pronta.
Depois de tiradas, as fotos podem ser enviadas (através de um cabo ou pelo próprio cartão de
memória) e visualizadas em um computador ou algum outro dispositivo eletrônico, podendo
ou não ser impressas.
Alguns fotógrafos ainda têm resistência à fotografia digital. Estes alegam que, pelo
fato de as câmeras serem na maioria das vezes automáticas, a pessoa que a manuseia não
conseguirá aprender as técnicas para se tirar uma boa foto e nem conhecerá termos essenciais
dentro da fotografia (como diafragma, obturador, ISO). Outro problema das câmeras
automáticas é que o fotógrafo dificilmente vai conseguir uma imagem com os ajustes de foco,
luz, velocidade e profundidade de campo que deseja.
22
Entretanto, as facilidades da fotografia digital possibilitam a um maior número de
pessoas adquirir um equipamento fotográfico, visto que estes são mais fáceis de usar. Embora
a câmera em si possa ser mais cara (se comparada com uma câmera analógica com as mesmas
funções) não há gastos ao longo do tempo com filmes e revelação.
A fotografia digital também contribuiu para o fotojornalismo, pois os equipamentos
atuais transferem as imagens instantaneamente para o computador, de modo que estas podem
atualizar websites e portais jornalísticos em tempo real. A fotografia digital também permite
enviar uma imagem para qualquer lugar do mundo pela internet, sem a demora e os riscos dos
meios de transporte convencionais ao enviarem uma imagem em papel fotográfico ou
negativo.
23
CAPÍTULO 2
Tecnologia digital e banalização da fotografia
A fotografia digital surgiu de forma muito precária, com equipamentos de baixa
qualidade e preço alto, se comparada com as câmeras analógicas. Mas surgiu para atender
necessidades da sua época, e três décadas após o lançamento da primeira câmera digital
comercial surgiram no mercado equipamentos compactos, de alta qualidade, presentes não
apenas na própria câmera, mas em dispositivos eletrônicos móveis, como celulares e tablets.
A câmera digital iniciou sua popularização na década de 1990, e a partir da década de
2000, com a inclusão de câmeras em aparelhos eletrônicos, um número maior de pessoas pôde
ter acesso à fotografia, embora esta tenha, em geral, qualidade pior do que as câmeras digitais
convencionais.
Este grande número de câmeras digitais, muitas com pouca qualidade, acabam por
banalizar o exercício da fotografia. Banalizar significa tornar vulgar, banal, comum, trivial,
sem originalidade (DICIONÁRIO AURÉLIO DE PORTUGUÊS).
Em todo lugar no mundo existe fotografia; na mídia impressa, em outdoors, nas
paredes das casas, em folhetos de propagandas, em álbuns de redes sociais e na internet de
uma forma geral.
Por meio de fotos, cada família constrói uma crônica visual de si mesma – um
conjunto portátil de imagens que dá testemunho da sua coesão. Pouco importam as
atividades fotografadas, contanto que as fotos sejam tiradas e estimadas. (SONTAG,
2004, p. 19)
Além do grande número de câmeras e fotografias que se vê, percebe-se também que
fotografar é hoje uma atividade quase que obrigatória em determinados momentos, como
viagens e festas. A câmera digital facilitou fotografar estes eventos em quantidade, no sentido
de que o fotógrafo pode tirar inúmeras imagens semelhantes, sem se preocupar em trocar o
filme e sem gastos com revelação. Contudo, desta forma é muito fácil obter-se uma fotografia
de qualidade duvidosa, além de ser lançada no mundo uma quantidade imensa de imagens,
muitas das quais não chegará a ser impressa.
2.1 - Popularização da fotografia e facilidades da câmera digital
24
Desde sua criação até décadas mais tarde, a fotografia foi uma atividade para poucas
pessoas. Quem quisesse fotografar, precisava ter conhecimento de química, física, precisaria
adquirir equipamento e despender tempo tanto para o momento do registro, quanto para a
revelação. E o indivíduo que desejasse ser fotografado precisaria abrir mão de uma
quantidade considerável de capital para ter uma imagem sua eternizada, embora essa quantia
fosse menor do que aquela cobrada anteriormente por pintores retratistas (LEITE; SILVA,
2012).
A primeira câmera para as massas foi lançada em 1990. Era a Kodak Brownie, uma
câmera feita de papelão que tirava oito fotografias por filme e podia ser adquirida por um
dólar. Além de pequena e barata, a Brownie era de fácil manuseio, como representa a
propaganda mostrada abaixo, que diz até uma criança poderia fotografar com ela. Alguns
fotógrafos iniciaram a fotografia na infância com uma Brownie, como o renomado
fotojornalista francês Henry Cartier-Bresson (SANTANA).
Figura 7: Cartaz de propaganda da câmera brownie
A Brownie foi considerada pela revista Photography Monthly como a mais importante
câmera de todos os tempos, em uma lista que mostrava o que, para eles, seriam as 50
melhores câmeras. Este título veio devido à revolução que causou no mundo da fotografia, a
25
introdução do conceito de instantâneo e à quantidade de unidades vendidas (127 milhões de
unidades produzidas somente entre 1952 e 1967) (PHOTOGRAPHY MONTHLY).
A partir da Kodak Brownie houve o início da popularização da fotografia. Durante o
século XX, as imagens fotográficas alcançaram um espaço único na sociedade e nas mídias;
fotografias tinham lugar reservado nas mídias impressas, em propagandas e dentro das
residências, de forma que estas imagens passaram a fazer parte do cotidiano. E após quase um
século de hegemonia da fotografia analógica, a fotografia digital surgiu, e começou a se
popularizar nas décadas de 1990 e 2000.
A fotografia é um dos meios de comunicação visual que alcança boa parcela da
sociedade e que possui uma grande credibilidade junto à mesma, devido ao seu
contexto histórico social. Em decorrência do forte desenvolvimento tecnológico
alcançado pelas indústrias, a máquina fotográfica tornou-se um bem de consumo de
relativa acessibilidade à população. Com custos reduzidos e com uma forma cada
vez mais compacta, a câmera fotográfica é um objeto presente no cotidiano da
sociedade, tendo deixado, há tempos, de ser item exclusivo de profissionais da área.
(KAWAKAMI, 2012 p. 169)
Figura 8: Câmera digital da marca Nikon
Apesar de a fotografia digital não produzir uma imagem em material palpável (salvo
se for impressa), apenas podendo ser vista na tela do computador e de outros equipamentos
digitais, esta tecnologia vem alcançando uma maior parcela da população nos últimos anos.
Parte disto se deve à facilidade de manuseio dos aparelhos, embora estes apresentem mais
funções do que uma câmera analógica. As câmeras digitais modernas, em sua maioria,
funcionam também como filmadoras e webcans, permitem ao usuário dar efeitos às fotos,
como tons envelhecidos e preto-e-branco e algumas câmeras ainda registram imagens em 3D.
O foco, abertura do diafragma e velocidade do obturador ainda são automáticos nas câmeras
26
não-profissionais, o que proporciona aos amadores fotos com melhores condições de
iluminação, mesmo que estes saibam pouco ou nada sobre estas técnicas.
Outra vantagem que a fotografia digital encontrou em relação à analógica foi a questão
de custos. As câmeras analógicas, mesmo que custem menos, agregam valor na hora de
adquirir e revelar filmes. As câmeras digitais, por descarregarem as imagens direto em um
computador, possuem um custo de produção mais baixo em relação à analógica
(KAWAKAMI, 2012).
Apesar de todas as facilidades oferecidas pela tecnologia digital, muitos fotógrafos
ainda são relutantes em aderir a ela. Um dos motivos seria a manipulação e o uso de recursos
da computação para alterar as imagens, como explica Oliveira:
A “velha guarda” vê problemas éticos na manipulação e tratamento das imagens,
que aumentam as possibilidades de fraudes e de danos aos fotografados, ferindo o
código de ética da categoria e colocando em risco uma credibilidade conquistada,
principalmente, pelo fotojornalismo. (OLIVEIRA, P. 4)
Sontag diz que “algo de que ouvimos falar mas de que duvidamos parece comprovado
quando nos mostram uma foto” (SONTAG, 2004, p. 16). Sabe-se que a manipulação existe
desde os primórdios da fotografia, com retoques, cenas montadas e imagens sobrepostas. Mas
com a fotografia digital e programas para manipulação de imagens fica cada vez mais difícil
uma imagem transmitir confiança ao observador, sobre a veracidade do fato que ela mostra. E
como esta não possui um negativo, um “original” a que recorrer, fica muito difícil,
especialmente ao fotojornalista, comprovar a (não) manipulação de uma imagem (MENDES,
2002).
As câmeras automáticas também não são bem vistas por estes fotógrafos. “Os
fotógrafos da era digital são acusados de falta de domínio dos métodos e técnicas utilizados na
fotografia, como luz, filtros, velocidade do obturador, entre outros” (OLIVEIRA, p. 5). É
como se estas câmeras quisessem avançar tecnologicamente, mas fazer com que o fotógrafo
regrida na técnica, como se estas câmeras tivessem se apropriado da máxima da Kodak do
final do século XIX, “você aperta o botão, nós fazemos o resto”.
2.2 – Banalização da fotografia
O surgimento das câmeras digitais no final do século XX e a popularização desta
tecnologia trouxeram como conseqüências um maior número de equipamentos fotográficos
27
nas mãos da população e uma maior produção fotográfica, embora muitas destas imagens não
cheguem a ser impressas.
Pode-se dizer que a produção exacerbada de fotografias fez com que a mesma
acabasse por ser banalizada. Pode parecer extremo, no entanto, para muitos, as
fotografias são vistas como veículos visuais que podem ser produzidos por qualquer
um que saiba disparar o botão da máquina fotográfica. (KAWAKAMI, 2012, p. 172)
Este excesso de imagens é resultado das facilidades e acessibilidades de equipamentos
fotográficos, disponíveis hoje não apenas nas câmeras em si, mas também em celulares,
tablets e outros dispositivos eletrônicos móveis. Diversas imagens fotografadas são excluídas
antes de serem impressas por diversas razões, seja por má qualidade da imagem, pelo fato de
se ter tirado outras fotografias semelhantes ou simplesmente por não se gostar do resultado.
Não há qualquer razão para que o fotógrafo guarde as imagens consideradas ruins, mas isto só
prova como a fotografia vem sendo tratada de um modo banal.
Assim como as fotografias digitais são banalizadas por serem excluídas, pode-se dizer
que o mesmo acontece pelo excesso de cópias que se faz destas. Benjamin diz que as obras de
arte originais possuem uma aura, chamada autenticidade (BENJAMIN, p. 212). Com as
imagens analógicas, mesmo que se faça muitas revelações da mesma foto, o negativo
carregará consigo esta aura. Com a fotografia digital isto não acontece; mesmo que se chamar
o arquivo sem modificações dentro do cartão de memória da câmera de original, este deixa de
sê-lo quando é copiado para um computador ou outro aparelho eletrônico.
A fotografia vem se tornando banal não apenas pela quantidade de imagens ou pela
qualidade técnica destas, mas também pelos temas retratados e pelos motivos que levam o
indivíduo a fotografar. No início do século XX, quando a atividade fotográfica ainda estava se
tornando algo para o público, os temas mais comuns de seres fotografados eram retratos de
família e momentos importantes, como casamentos, como explica Sontag: “Nas primeiras
décadas da fotografia, esperava-se que as fotos fossem imagens idealizadas. Ainda é esse o
objetivo da maioria dos fotógrafos amadores, para quem uma bela foto é uma foto de algo
belo, como uma mulher, um pôr-do-sol” (SONTAG, 2004, p. 40).
Em época recente, a fotografia tornou-se um passatempo quase tão difundido quanto
o sexo e a dança – o que significa que, como toda forma de arte de massa, a
fotografia não é praticada pela maioria das pessoas como uma arte. É sobretudo um
rito social, uma proteção contra a ansiedade e um instrumento de poder. (SONTAG,
2004, p. 18)
Por outro lado, apesar da popularização da fotografia ter provocado sua banalização,
ocorre a democratização desta. Por mais que surjam inúmeras imagens, com pouca qualidade
técnica e temas comuns, as pessoas estão tendo maior acesso a equipamentos fotográficos e
28
estão podendo registrar cenas e momentos que desejam. Afinal, esta é a intenção da maioria
destes fotógrafos. E neste maior acesso aos equipamentos, por vezes descobre-se um
fotógrafo com habilidade que se destaca por fazer boas fotos, que provavelmente não teria
chegado à fotografia se não fosse pelas facilidades de acesso.
De algumas décadas para cá, o resultado final da fotografia foi, muitas vezes, cedendo
importância para o ato de fotografar; para muitas pessoas estar em um determinado ambiente
com uma câmera na mão registrando tudo o que ocorre é mais importante do que desfrutar o
momento, como se a fotografia se tornasse um ritual.
Barthes diz sobre a fotografia unária, aquela que, através dela, “uma única série é
produzida pela base; são estas as transformações: passiva, negativa, interrogativa e enfática. A
fotografia é unária quando transforma enfaticamente a <realidade> sem a desdobrar, sem a
fazer vacilar” (BARTHES, 2009, p. 50). O autor enfatiza que a fotografia unária tem de tudo
para ser banal, e exemplifica, dizendo que fotos de reportagens e pornográficas são imagens
unárias, já que elas não possuem o que ele chama de punctum – o que causa o choque
(BARTHES, 2009). Pode-se dizer que autorretratos que ilustram perfis de redes sociais
também são fotografias unárias; grande maioria destes (desses) possuem a função de mostrar
o rosto do indivíduo, talvez fazendo alguma pose ou expressão, mas sem nenhuma intenção,
nada que vá chocar o observador.
“Fotos chocam na proporção em que mostram algo novo” (SONTAG, 2004, p. 30).
Muitas das imagens idealizadas no início da fotografia, e valorizadas até hoje pela beleza que
exprimem podem ser consideradas imagens banalizadas. Por maior perfeição técnica que a
foto de uma flor tenha, não vai chamar a atenção como a fotografia de algo que não se
costuma ver com freqüência, como uma paisagem desconhecida, um planeta ou um animal
raro do fundo do mar. Fotografias de tragédias, crimes e atrocidades chocam, mas a repetida
exposição destas imagens desgasta este choque, torna-as imagens comuns (SONTAG, 2004).
Imagens de atrocidades estampadas todos os dias em jornais e outros veículos de mídia
acabam por se tornar fotografias unárias, banais.
“O fotógrafo, tal como um acrobata, deve desafiar as leis do provável ou até do
possível; a um ponto extremo ele deve desafiar as do interessante. A foto torna-se
<surpreendente> a partir do momento em que não sabe porque é que foi tirada” (BARTHES,
2009, p. 42). Barthes recomenda ao fotógrafo inovar, ir além das capacidades e das
circunstâncias que fazem a foto. Não banalizar a imagem e a atividade fotográfica seria buscar
29
novos meios, novos temas e maneiras de fotografar. Talvez para o fotógrafo amador a única
coisa que interesse seja a fotografia final, de algum tema comum do qual goste, sem importar
o caminho percorrido para se chegar a esta imagem. Com uma câmera digital simples e
seguindo este caminho ele vai obter o que deseja, mas dificilmente conseguirá uma imagem
“surpreendente”, que vá além de suas expectativas.
30
CAPÍTULO 3
Fotografia como uma forma de expressão artística
Quando a fotografia surgiu, houve muita discussão a respeito de considerá-la uma
forma de manifestação artística ou não. O conceito de arte, no final do século XIX, estava
ligado à criatividade, e isto implicava ao artista utilizar de meios mais tradicionais para obter
uma obra de arte, não de meios tecnológicos.
Esta concepção estava tão arraigada que, apesar de alguns fotógrafos já terem feito
imagens artísticas no final do século XIX, o primeiro movimento que visava transformar a
fotografia em arte, o pictorialismo, trabalhava com intervenções feitas sobre as imagens
(OLIVEIRA). Parece contraditório, um movimento visar elevar a fotografia ao nível das artes,
mas apenas pela utilização de meios que a própria fotografia não poderia empregar.
Hoje a fotografia ocupa papel de destaque em museus e galerias de arte. A questão é
ou não arte? já não existe mais, porque a presença de fotografias em meio a exposições de
arte prova que ela esta está mais do que inserida no contexto artístico (lógico, fotografias que
servem apenas como registro, sem nenhuma pretensão estética ou expressiva não podem se
encaixar nesta categoria).
Dois movimentos artísticos estão em alta; o primeiro é o hiperrealismo, no qual pintores
produzem quadros tão fiéis à realidade que chegam a ser confundidos com fotografia. O outro
é a lomografia, movimento em que fotógrafos utilizam câmeras extremamente simples, e se
utilizam das distorções e peculiaridades destas câmeras para criar efeitos nas imagens, como
saturação das cores, perda de foco, e recursos como filtros e dupla exposição, além de ser
comum para os lomógraofos fotografarem ao acaso cenas do cotidiano. Percebe-se então,
nestes movimentos, uma inversão entre o que deveria ser a pintura e a fotografia, já que a
primeira passa a registrar uma cena com extrema fidedignidade, e a segunda, embora grave a
realidade, o faz com distorções, podendo deixar a imagem até mesmo irreconhecível, o que é
comum de se ver em pinturas.
3.1 – Pintura e cinema: Antecessor e sucessor da fotografia
31
A produção de imagens existe desde os primórdios da humanidade. Há milênios os
grupos familiares nômades pintavam cenas nas paredes das cavernas, mais como uma forma
de culto do que por estética (BENJAMIN, 1994). Na sociedade egípcia antiga, as pinturas
estavam associadas à escrita e desempenhava papéis religiosos e fúnebres. Na idade média os
quadros tendiam a serem mais obscuros, com representações somente da Igreja. Durante o
renascimento os pintores buscavam dar movimento e simetria à tela, utilizando elementos
ligados à razão e buscando uma maior valorização do corpo humano. Portanto, é perceptível
que em várias, senão em todas as épocas da história, o ser humano tentou retratar pessoas e
gravar momentos, influenciados pela cultura do local e da época em que viviam.
Figura 9: Quadro renascentista Self Portrait at 26, de Alber Dürer, 1948
Antes do surgimento da fotografia as gravuras só poderiam ser reproduzidas pelas
técnicas de xilogravura e litografia (BENJAMIN, 1994). Mas não havia a garantia de que
determinado objeto ou pessoa realmente posou em frente ao artista, ao contrário do que
acontece com a fotografia, quando (desconsiderando-se os métodos de manipulação de
imagem) considera-se um fato a cena registrada, pode-se dizer que aquele momento realmente
existiu (BARTHES, 2009). Apesar de muitas fotografias serem resultados de cenas montadas,
invenções do ponto de vista histórico, não que pode negar que as pessoas, ou seja o que
estiver na imagem, passou diante da lente da câmera e ficou registrado.
32
Ter sua imagem imortalizada em um quadro era um privilégio da nobreza. O número
de artistas com habilidade para retratar uma pessoa com certa fidedignidade era limitado, o
que elevava o valor comercial do objeto. A invenção de um método que grava imagens de
objetos ou pessoas posicionadas em frente à câmara escura quase que instantaneamente
acabou com esta exclusividade, proporcionando a um número muito maior de pessoas a
oportunidade de serem retratadas (MAUAD, 1996), mas estabeleceu um dilema entre os
artistas da época: a fotografia pode ou não ser considerada uma forma de arte?
Quando a fotografia surgiu, muitos dos pintores da época migraram para o
daguerreótipo ou para algum outro meio de gravar imagens. Os pintores mais relutantes,
pensando que a fotografia iria roubar seu trabalho e função artística, criam um novo estilo de
pintura: o expressionismo. “Os nobres pintores, receando que a pintura pudesse ser
prejudicada frente ao novo experimento bem-sucedido, armavam que a arte era um processo
criativo, enquanto que a fotografia era simples projeção do real” (OLIVEIRA, 2012, p. 112).
E o movimento expressionista retrata quadros (e outros objetos de arte) de forma
extremamente subjetiva, com distorções de formas e cores.
Figura 10:QuadroexpressionistaOld Man In Sorrow, Van Gogh, 1890
33
Figura 11: Quadro expressionista O Grito, Edward Munch, 1893
Pode-se dizer que a pintura realista sofreu certa desvalorização com a fotografia; ser
retratado por pintores era agora uma maneira mais cara, demorada e menos fidedigna de ter
uma imagem sua. Entretanto, a partir da fotografia, percebe-se a libertação do pintor para a
produção de novos estilos, como se vê no final do século XIX e início do século XX, o
surgimento de inúmeros movimentos artísticos.
A fotografia quebrou o antigo padrão da pintura, e também exerceu forte influência
sobre alguns artistas, que compunham o movimento impressionista. É possível encontrar nas
obras dos impressionistas os melhores exemplos da influência da fotografia sobre as novas
concepções artísticas (PAULA, 1999, p. 66). Tendo como principais representantes os
pintores Edouard Manet, Edgar Degas e Claude Monet, o impressionismo trabalhava com
imagens dando a impressão de estarem em movimento, as tintas não eram misturadas, mas
colocadas puras sobre a tela bem próximas umas das outras para serem misturadas na retina
do observador e os quadros, especialmente os de Degas, sofriam cortes abruptos nas bordas,
como se a tela fosse o resultado de uma fotografia mal enquadrada.
34
Figura 12: Quadro impressionista Chasse de Danse, Edgar Degas, 1872
Recentemente teve início o movimento Hiperrealista, que surgiu nos Estados Unidos
na década de 60, com artistas produzindo quadros extremamente fiéis à realidade, que chegam
a ser confundidos com fotografias de alta resolução. Os quadros hiperrealistas não mostram
textura ou pinceladas, e parecem querer realçar o talento dos pintores. Para auxiliar a
produção de um quadro hiperrealista os artistas utilizam uma fotografia, a qual será fielmente
copiada para a tela.
Figura 13: Pintura hiperrealista Smirk, Alissa Monks, 2009
35
Se a pintura exerceu alguma influência sobre a fotografia no seu surgimento, através
do uso da câmara escura, pode-se dizer que muito mais influência sofreu o cinema pela
fotografia. A produção de vídeos só é possível porque um aparelho grava um número superior
a 24 imagens por segundo (velocidade do olho humano) e o reproduz na mesma velocidade.
“Na Foto, qualquer coisa se colocou diante do pequeno orifício e lá ficou para sempre. (é essa
a minha convicção); mas no cinema, qualquer coisa passou diante deste mesmo orifício: a
pose é arrastada e negada pela sucessão contínua de imagens” (BARTHES, 2009, p. 88-89).
Diferente da fotografia, o cinema precisa de um local e de um tempo específico para
ser apreciado. Comparando-se estas duas artes, pode-se dizer que o cinema é mais
democrático para o consumidor, visto que é feito para a reprodução em massa, enquanto que a
fotografia artística é limitada de acordo com o número de cópias que o artista deseja. Por
outro lado, qualquer pessoa com uma câmera é capaz de produzir fotografia, enquanto que
para se trabalhar em cinema é preciso ter uma função específica (diretor, ator, produtor,
roteirista entre outros) e é preciso um investimento muito alto na produção de determinado
filme.
3.2 – Os primeiros a enxergar a fotografia como arte
O início da história da fotografia é marcado por controvérsias e dilemas, e um dos
maiores destes se referia à questão de se a fotografia pode ser considerada uma manifestação
artística ou não.
Até o momento em que a fotografia surgiu, o conceito de arte estava ligado à autoria, à
intelectualidade, à interpretação e à criatividade (OLIVEIRA, 2012), e um meio de gravar
imagens que utilizasse instrumentos químicos e físicos não foi bem aceito no princípio.
Alguns artistas temeram pelo fim da pintura, e os inúmeros debates questionando se a
fotografia era ou não arte desconsideravam o fato de a fotografia ter alterado o próprio
conceito de arte (BENJAMIN, 1994).
Os artistas que criticavam a fotografia artística não compreendiam que as câmeras, os
suportes e as substâncias químicas utilizadas pelos fotógrafos eram semelhantes, na mesma
proporção, aos seus pincéis, telas e tintas, e que o fotógrafo precisa de habilidade e olhar
36
artístico para conseguir um bom enquadramento, escolher o melhor ângulo, proporcionar uma
iluminação adequada, entre outros detalhes essenciais para se obter uma boa imagem.
Entre os pioneiros a enxergar a fotografia como uma expressão artística, muito além
de um mero registro da realidade, estão os franceses Gustave Le Gray e Féliz Nadar, expintores que se aventuraram no novo invento do século XIX. Por terem uma visão artística,
buscavam a qualidade mais do que o lucro, fotografavam em estúdio e em seus retratos
procuravam transmitir traços da personalidade do indivíduo retratado, embora Le Gray tenha
trabalhado também com fotos de paisagens (PUPIM, 2009).
Figura 14: Fotografia de Gustave Le Gray
A fotografia foi, aos poucos, se desassociando da idéia de registro e se caracterizando
como criativa (CALAÇA, 2011). Gray e Nadar contribuíram em tornar a fotografia uma arte a
partir do momento em que viram nela não apenas uma possibilidade de registrar a realidade,
mas de utilizar seus conhecimentos prévios para obter técnica, estética e expressividade.
37
Figura 15: Fotografia de Felix Nadar
Alguns fotógrafos amadores desejavam criar um estilo para a fotografia a partir do que
eles consideravam arte, ou seja, aproximá-la da pintura. Surge então, entre as décadas de 1890
e 1920, uma vanguarda: o pictorialismo, que trabalhava com intervenções sobre as imagens
fotografadas e adicionavam a elas cores, visto que naquela época as fotos eram em preto e
branco.
Os pictorialistas acreditavam que, para a fotografia ser reconhecida como arte,
deveria se utilizar dos princípios já consagrados pela beaux-arts (belas artes).
Mesmo em retratos, à primeira vista, a procura mor pela fidedignidade que somente
a fotografia propiciava, poses forçadas do campo da pintura serão incorporados a
esse novo modo de ver o mundo, além dos próprios cenários. (OLIVEIRA, 2012, p.
117)
38
Figura 16: Fotografia pictórica de Edward Steichen
O pictorialismo, de acordo com Barthes, “não é mais do que um exagero daquilo que a
fotografia pensa de si própria” (BARTHES, 2009, p. 39). Foi um movimento de grande
importância, no que se refere a incluir a fotografia entre as artes, mas dava menor importância
à imagem fotografada em si, transferindo os créditos artísticos para as intervenções e
desenhos feitos sobre elas.
3.3 – Fotografia dentro da arte contemporânea
Durante algum tempo, houve uma discussão entre fotógrafos e demais artistas girando
em torno do tema: seria a fotografia uma forma de expressão artística?
Esta antiga controvérsia parece hoje não fazer sentido algum. Os fatos comprovam que
a fotografia é sim uma forma de arte, já que em vários museus, galerias e exposições é
possível encontrar imagens fotográficas, ocupando lugares destinados a obras de arte.
Na fotografia artística contemporânea a temática, a composição, a mensagem, as
emoções, as influências, as tendências da expressão artística são comuns às da
pintura. Assim, e tendo por base este preceito e a ressalva das técnicas e dos
39
materiais, o que distingue a fotografia artística da pintura é o “clik” da máquina
fotográfica (TAVARES, 2009, p. 124)
As imagens fotográficas podem transmitir as mesmas sensações (admiração, choque,
reflexão, et coetera) que uma pintura ou qualquer outra obra de arte, desde que tenha tenham
sido feitas para esta finalidade (embora muitas vezes uma fotografia artística é obtida sem
estas intenções). “Embora em certo sentido a câmera de fato captura a realidade, e não apenas
a interprete, as fotos são uma interpretação do mundo tanto quanto as pinturas e os desenhos”
(SONTAG, 2004, p. 17).
Figura 17: Fotografia de Gregory Colbert, parte do ensaio Ashes and snow, 1992.
Figura 18: Fotografia de Gregory Colbert, parte do ensaio Ashes and Snow, 1992.
40
Para exemplificar a fotografia dentro da arte contemporânea, foi utilizado o fotógrafo
canadense Gregory Colbert e seu trabalho mais famoso, Ashes and Snow, uma série composta
por fotografias, filmes e um romance em forma de cartas, criada em 1992. As imagens
procuram mostrar a integração do ser humano com os animais de forma natural, e foi
produzida em vários lugares diferentes, como Antártida, Índia, Namíbia, Tailândia, Austrália,
Tonga, entre outros.
“A arte contemporânea será tanto mais eficaz quanto mais se orientar em função da
reprodutibilidade e, portanto, quanto menos se colocar em seu centro a obra original”
(BENJAMIN, 1994, p. 180). A fotografia é uma das artes que permite a reprodução, sendo
assim, uma peça pode estar em exposição em dois ou mais museus simultaneamente. Aos
consumidores que desejam ter uma obra para si, a reprodutibilidade permite que uma
fotografia seja copiada quantas vezes o fotógrafo permitir, reduzindo o preço do produto e
disponibilizando-o a um maior número de pessoas. Estas reproduções, contudo, serão
“reproduções originais”, carregando também um pouco da aura que a peça única carrega, já
que foram feitas pelo próprio artista e possuem um número de reproduções limitado, muito
diferente das reproduções feitas por pessoas que fotografam uma fotografia(ou qualquer outra
obra) e disponibiliza a quem quiser.
A manipulação e o tratamento digital não é um empecilho à fotografia artística
(TAVARES, 2009); alguns artistas a utilizam a fim de dar retoques e pequenas correções a
suas obras. Outros fazem da manipulação/ montagem a peça principal da fotografia, como o
alemão Erick Johansson, mostrado abaixo.
Figura 19: Lazy dog, de Erik Johansson, 2007
41
Figura 20: Go your own road, de Erik Johansson, 2008
Antigamente, para o fotógrafo artista expor sua obra, era necessária a aprovação em
galerias e museus. Os mais ousados, com capacidade e poder aquisitivo, poderiam promover
suas próprias exposições. Em época recente, por meio da internet (blogs, redes sociais, sites
de bancos de imagem), muitos fotógrafos encontraram um meio de expor suas obras,
especialmente os amadores, aqueles que estão no início ou cujo trabalho não possui uma boa
qualidade.
A fotografia pode se apresentar como arte não somente em exposições em galerias ou
na internet, mas também dentro do fotojornalismo, através de ensaios. Um ensaio é uma
coleção de imagem, feita por um ou mais fotógrafos, que trata de um determinado assunto,
podendo conter em sim uma narrativa e não possui um tempo específico para ser feito
(FIÚZA; PARENTE, 2008).
Há divergências sobre qual teria sido o primeiro ensaio fotográfico da história. Há
autores que defendem que o primeiro ensaio foi feito por Nadar, em 1886, ilustrando uma
entrevista com um cientista. Outros afirmam que foi o fotógrafo André Kertesz, em 1928,
fotografando uma ordem de monges franceses. Há ainda aqueles que defendem a ligação do
ensaio com o jornalismo, afirmando que ele nasceu na França, na revista Vu, com editor
Lucien Voegel (FIÚZA; PARENTE, 2008). Por volta da década de 1930 os ensaios passaram
a ser amplamente explorados e alguns de seus precursores foram as revistas Life, O Cruzeiro
e Veja. Em época atual, os ensaios estão presentes principalmente em revistas de moda, de
celebridades e revistas de reportagens.
42
Ao mergulhar em um ensaio o autor se vê inserido em um processo que exige muito
mais que a captura de imagens. Exige uma reflexão sobre a conexão entre estas
imagens, sobre a edição que melhor pode expressar sua intenção no trabalho (tendo
assim mais efeito que a simples exposição de tudo que se pode revelar a respeito do
assunto em questão) e sobre a apresentação que seja mais eficiente para tocar o
outro, seu apreciador (FIÚZA, PARENTE, 2008, p. 167).
Em um ambiente como o jornalismo, onde a imparcialidade é fundamental, o
fotógrafo, através do ensaio, tem mais liberdade para expor seu ponto de vista e pode
expressar sua visão de maneira profunda sobre o tema retratado.
3.4 – Lomografia
Em meio à predominância da tecnologia digital na fotografia, um movimento vem
ganhando força nos últimos anos, levando inúmeras pessoas a utilizarem meios mais
tradicionais para o registro de imagens. Trata-se da lomografia.
A princípio, Lomografia não é um movimento artístico, mas uma marca russa
produtora de câmeras fotográficas analógicas simples e acessíveis. Em 1982, a fábrica LOMO
(Leningradskoye Optiko Mechanichesckoye Obyedinenie, que significa União de Óptica
Mecânica de Leningrado) foi obrigada por um general do Ministério da Indústria e da Defesa
Soviética a produzir câmeras compactas, de baixo custo, a fim de que as famílias pudessem
registrar seus momentos e, dessa forma, o governo poderia fazer propaganda do estilo de vida
soviético. Milhares de câmeras foram produzidas, mas com o fim da União Soviética a fábrica
foi fechada, já que não havia retorno lucrativo (XEREZ, 2010).
Esta situação mudou quando dois estudantes de Viena, à procura de uma câmera
barata que servisse para registrar a viajem que faziam a Praga, encontraram uma Lomo LC-A
e se surpreenderam com o resultado das fotografias: cores saturadas, perda do foco e luz em
movimento. A câmera se espalhou pela cidade e em 1995 surge, em Viena, a primeira
Sociedade Lomográfica e a primeira Embaixada Lomográfica (CALAÇA, 2012), que visava
impedir o desaparecimento das câmeras russas.
As câmeras Lomo voltaram a ser fabricadas, e lomografia, ou fotografia experimental,
passou a ter um significado geral, que é fotografar com câmeras analógicas utilizando as
limitações e características peculiares das câmeras para dar efeitos às fotos. Geralmente não
se pode controlar o que se está sendo fotografado, visto que a maioria das câmeras não
permite controlar entrada de luz pelo diafragma e obturador, e algumas sequer têm visor. É
43
possível fotografar ao estilo Lomo sem necessariamente ter uma câmera desta marca; alguns
lomógrafos utilizam câmeras com características semelhantes às Lomos, as chamadas Toy
camera. Embora a lomografia utilize apenas câmeras analógicas, muitas vezes o negativo é
digitalizado ao invés de ser revelado, diminuindo assim o custo e possibilitando intervenções
nas imagens através de programas de computador.
Figura 21: Câmera Lomo Diana F+
A lomografia busca a experimentação técnica como propulsora de visualidades
inusitadas. Ao mesmo tempo, utiliza câmeras simples, de material plástico e fácil
manuseio, mas que, cada modelo, delimita (ou não) a obtenção fotográfica
subvertendo o resultado de suas obtenções. Ou seja, parece buscar imagens que não
se enquadrem nas regras estéticas embasadas na racionalidade e na eficiência, mas
sim, na experimentação, no acaso, na desordem, características estas que podem
refletir o momento contemporâneo e sua relação com as imagens. Deste modo, lança
um olhar diferente sobre as mesmas coisas, tornando o cotidiano fonte de suas
criações (STODUTO, 2012, p. 13)
Na lomografia fotografa-se ao acaso, de forma espontânea, sem se preocupar com o
resultado. A experimentação é uma das maiores marcas deste movimento, com a junção de
diferentes câmeras, filmes, filtros, lentes e técnicas, como dupla exposição, para se chegar a
resultados não obtidos com câmeras digitais, ou mesmo com câmeras analógicas
comuns.“Inicialmente, a fotografia, para surpreender, fotografa o notável; mas, em breve, por
meio de uma reviravolta conhecida, ela decreta que é notável aquilo que fotografa. O <não
importa o quê> torna-se então o cúmulo sofisticado do valor.” (BARTHES, 2009, p. 43)
44
Figura 22: Fotografia lomográfica feita por uma câmera La Sardina
Diz-se que a lomografia salvou a fotografia analógica de desaparecer. Esta afirmação
pode parecer um exagero, já que muitos fotógrafos profissionais, e os da chamada “velha
guarda” ainda preferem o filme ao digital, devido a qualidade superior daquele. Apesar de
alguns críticos considerarem a lomografia uma estratégia de mercado, com interesse apenas
em aquecer o setor de material químico fotográfico, não se pode negar que ela não
disponibiliza material a amadores e profissionais da fotografia analógica (XEREZ, 2010).
Além disso, em um mundo tomado por tecnologias digitais, a lomografia trás às gerações
mais jovens o contato com meios tradicionais de fotografar.
45
CAPÍTULO 4
Banalização e arte do ponto de vista de fotógrafos amadores usuários de redes sociais
Mais do que um ambiente virtual voltado para novos relacionamentos e trocas de
informações, as redes sociais ocupam lugar de destaque quando se trata de divulgação de
trabalhos e obras artísticas. Como exemplo, pode-se sugerir as redes Myspace para a
divulgação de músicas, DeviantArt, mais abrangente, para arte digital, flashs, fotografias,
filmes e animações, desenhos, mangas entre outros, Tumblr para textos, imagens, vídeos,
músicas e citações, e as redes Flickr e Instagram para a divulgação de fotografias.
Estas duas últimas redes, por terem como membros um grande número de fotógrafos,
sejam profissionais ou amadores e terem por finalidade a divulgação de imagens e fotografias,
foram escolhidas para estudo, através da aplicação de um questionário a alguns de seus
usuários, a fim de se saber mais sobre as preferências e opiniões destes em relação à
fotografia, abordando os temas tecnologia digital, manipulação, banalização da fotografia,
equipamentos digitais e analógicos e fotografia enquanto expressão artística.
4.1 – As redes sociais Flickr e Instagram
Quando a fotografia surgiu, no século XIX, possuir um retrato seu em casa era algo
para poucas pessoas; o alto valor necessário para a aquisição de uma fotografia e a pouca
praticidade para se obtê-lo transformava uma imagem, tão simples e fácil de ser obtida hoje,
em um artigo valioso para a época(MAUAD, 1996). Com a fotografia analógica e instantânea,
as imagens passaram a ter espaço dentro de um número bem maior de residências, bem como
em mídias impressas, como jornais e revistas, embora apenas as chamadas celebridades e
protagonistas de uma notícia/reportagem pudessem estar registradas nestas.
Com o advento e a popularização da internet e da fotografia digital, as imagens antes
restritas apenas a um acervo pessoal puderam ser reproduzidas e divulgadas virtualmente na
rede de computadores. Blogs, flogs e fotoblogs foram os pioneiros em divulgar fotografias e
demais conteúdos que os usuários desejassem postar. Mais recentemente, as redes sociais têm
ocupado este espaço, visto que estas oferecem não apenas a oportunidade de visualizar
imagens e demais conteúdos, mas também permitem que os usuários possam ter contato entre
46
si, podendo conversar, “curtir” determinada imagem, publicar conteúdo de outros usuários em
sua página, e algumas redes próprias de fotografia permitem a manipulação da imagem, com
retoques, adição de filtros e efeitos antes da publicação. Em se tratando de fotografia, duas
redes sociais ganham destaque: o Flickr e o Instagram.
O Instagram surgiu em 2010 como um aplicativo para dispositivos eletrônicos móveis,
com câmera e internet, da Apple (hoje pode ser usado por aparelhos de outros fabricantes). Ao
se fazer uma fotografia utilizando o referido dispositivo, o aplicativo possibilita a intervenção
na imagem através da aplicação de filtros e molduras.“O resultado visual das imagens no
Instagram adotam um estilo vintage. Isso quer dizer que possuem um apelo visual nostálgico
para as fotos que ora atribuem características de décadas passadas, ora artísticas para a edição
das fotos”(SILVA, 2012, p.5)
Figura 23: Logotipo do Instagram, fazendo referência à Polaroid
As fotografias podem ser publicadas tanto no Instagram quanto em outras redes, como
twitter ou facebook. A logomarca do Instagram faz alusão à Polaroid, tanto pela aparência que
os filtros dão às imagens quanto pela instantaneidade; com o Instagram, fotografa-se e
publica-se a foto pelo mesmo aparelho, sem precisar descarregar as imagens em um
computador.
A segunda rede social, o Flickr, também permite aplicar efeitos às fotografias, porém,
mais simples, como recortes e remoção de olhos vermelhos. Ela permite agrupar as imagens
em álbuns e aos usuários participar de grupos, além de classificar as fotografias em uma lista
de tags, facilitando aos usuários encontrar as imagens que desejam e se relacionar com outros
47
que compartilhem interesses em comum. Também se pode fazer comentários em quaisquer
imagens ou adicioná-las a sua página como suas favoritas.
Figura 24: Logotipo da rede social Flickr
O Flickr permite a fotógrafos, profissionais e amadores, expor suas imagens
gratuitamente em uma galeria virtual com a possibilidade de ser visualizada em qualquer
lugar do mundo, facilitando a divulgação do trabalho de quem não teria chance de divulgá-lo
em galerias ou exposições.
4.2 – Pesquisa e perfil dos usuários
A fim de analisar melhor o comportamento e opinião de usuários das redes sociais
Flickr e Instagram em relação à fotografia, foi aplicado um questionário com perguntas acerca
de temas como tecnologias digital e analógica, fotografia enquanto expressão artística e
banalização.
Foram escolhidos sete usuários de cada rede social para aplicar o questionário,
resultando um total de 14 usuários. Foi criado um perfil nas redes sociais para se chegar até os
usuários selecionados para a pesquisa. Estes foram escolhidos de forma aleatória, procurandose observar apenas se estes possuem interesse em fotografia, independente do estilo ou
equipamento utilizado. Foi enviada uma mensagem pela própria rede a cada usuário,
explicando os métodos e objetivos da pesquisa e perguntando se teriam interesse em
participar. Aos que responderam afirmativamente, foi enviado um questionário composto
pelas seguintes perguntas:

Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar

Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?

O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
48

Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?

O que pensa a respeito da manipulação?

Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?

Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão
artística?

Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
Além destas questões, procurava-se saber idade, profissão e local de moradia de cada
participante da pesquisa. Para se preservar a identidade, os questionados foram enumerados
de 1 a 14, sendo que os números de 1 a 7 se referem a usuários do Flickr, e d números de 8 a
14 são de usuários do Instagram.
Nº do
usuário
Idade
Profissão
Cidade
Sexo
Usuários do Flickr
1
24
Brand designer
Salvador (BA) Nova
Iorque
Masculino
2
31
Psicóloga e graduanda em
cinema
Santana do
Livramento (RS)
Feminino
3
19
Estudante de arquitetura e
urbanismo
Curitiba (PR)
4
39
Profissional de marketing
São Paulo (SP)
Masculino
5
24
Estudante de tecnologia
mecânica
São Paulo (SP)
Masculino
6
17
Estudante de odontologia
Serra Branca (PB)
Masculino
7
28
Pedagoga
Belém (PA)
Feminino
Feminino
Usuários do Instagram
8
25
Jornalista
Teresina (PI)
Masculino
9
15
Estudante do ensino médio
Goiânia (GO)
Masculino
10
20
Estudante de engenharia de
alimentos
Belo Horizonte (MG)
Feminino
49
11
31
Publicitário
Ribeirao Preto (SP)
Masculino
12
22
Estudante de zootecnia
Iturama (MG)
Masculino
13
23
Empresária
Passos (MG)
Feminino
14
22
Estudante de veterinária
Uberaba (MG)
Feminino
A população escolhida para a amostra foi constituída de um público diversificado,
com idades entre 15 e 39 anos, de nove estados diferentes, sendo oito homens e seis mulheres,
como mostra a tabela acima.
A pesquisa mostra que os usuários do Flickr possuem muito mais diversidade em
relação aos equipamentos utilizados na hora de fotografar do que os usuários do Instagram.
Revelou que dos sete, todos os usuários do Instagram fotografam com celular. Três utilizam
câmeras digitais e um disse utilizar câmera digital semi profissional. Nenhum destes faz uso
de câmeras analógicas ou qualquer outro tipo de tecnologia na hora de fotografar.
Os usuários do Flickr mostraram trabalhar com uma variedade muito maior de
câmeras e aparelhos fotográficos. Dos sete questionados, quatro utilizam celular na hora de
fotografar, três utilizam câmera digital profissional ou semi profissional e três fazem uso de
câmeras digitais compactas (câmeras digitais pequenas e automáticas). Três ainda fotografam
com câmeras lomográficas ou toy cameras, um afirmou utilizar câmera instantânea, quatro
fazem uso de câmeras analógicas convencionais e uma utiliza processos analógicos
alternativos na produção de imagens.
4.3 - Pesquisa com os usuários e resultados qualitativos
Continuando a análise da pesquisa feita com os usuários das redes Flickr e Instagram,
procurou-se saber o conteúdo das fotografias postadas pelos usuários nestas duas redes.
Quanto aos usuários do Flickr, quatro disseram gostar de fotografar pessoas, embora o
número 1 tivesse admitido não ser uma tarefa fácil, preferindo registrar arquiteturas, linhas e
detalhes que geralmente passam despercebidos aos olhos. A usuária número 3 afirmou:
“Gosto também de fotografar as pessoas em momentos de distração, onde deixam aflorar seus
sentimentos que muitas vezes tentam manter escondido”. Duas pessoas afirmaram fotografar
lugares, e uma disse registrar saídas e passeios fotográficos. Dois usuários disseram fotografar
50
de tudo, sem ter preferência por um tema específico. O usuário 6 disse: “No mundo tudo é
belo e tudo (ou quase tudo) pode ser fotografado. Não posto tudo, faço uma seleção entre as
que eu acho melhores e coloco algumas, para que o público em geral possa apreciar o meu
trabalho, fazer sugestões e talvez até conhecer melhor o mundo onde vivemos”
Ao se fazer a mesma pergunta a usuários do Instagram, quatro também disseram
fotografar pessoas, mas enquanto os questionados do Flickr dão preferência por fotografar
pessoas desconhecidas, os do Instagram fotografam amigos, familiares ou a si mesmos. Dois
gostam de registras e postar paisagens, um comida, um animais de estimação e um
passeios/festas. Uma questionada também utiliza a rede para divulgar os produtos que estão
sendo vendidos em sua loja, como uma forma de fazer propaganda. Três usuários disseram
registrar imagens do lugar onde estão sendo que um deles, o número 8, enfatizou que gosta de
enquadrar de forma diferente a fim de dar um tom artístico à imagem. A usuária número 13
disse postar tudo o que está fazendo “Gosto muito de interatividade. (...)Na maioria das vezes
posto no mesmo instante em que tirei as fotos”. Diante destas respostas, percebe-se uma
maior necessidade dos usuários do Instagram em expor a vida cotidiana e aquilo que lhes
cerca, filtrando aquilo que é belo ou que parece ser bom, como o usuário 11, que ressaltou
fotografar “situações que envolvam alegria e bem estar”.
Quando questionados acerca da preferência por fotografar utilizando equipamentos
analógicos, digitais ou instantâneos, apenas o usuário do Flickr número 2 disse que prefere
fotografar com equipamento analógico, e o número 5, com digital. O restante divergiu
opinião, dizendo que depende do momento e do por quê da fotografia. Destes, o número 1
afirmou que tem uma preferência maior pelo instantâneo, enquanto o restante relatou utilizar a
imagem digital em necessidades imediatas, em um evento, por exemplo, ou situações que
pedem uma imagem menos elaborada e um maior número de imagens, no qual o analógico
seria mais trabalhoso e sairia bem mais caro. Contudo, para uma imagem mais pensada e para
fotografar por hobby, ou dar efeitos artísticos à imagem, recorrem à fotografia analógica.
Os usuários do Instagram, quando submetidos à mesma pergunta, foram unânimes ao
dizer que têm preferência pela fotografia digital, com exceção do número 8, que prefere a
imagem analógica. Esta diferença pela preferência de equipamentos pode estar relacionada ao
próprio caráter das redes sociais, visto que o Instagram é um aplicativo para celular (e outros
dispositivos eletrônicos moveis) que necessariamente obriga seu usuário a utilizar da
fotografia digital, enquanto o Flickr é uma rede que pode servir como um espaço para
51
divulgação de trabalhos fotográficos de própria autoria, tendo eles sendo feitos utilizando de
quaisquer recursos fotográficos.
A opinião dos usuátios do Flickr foi pouco divergente quando o assunto tratou de
manipulação; dos sete, seis usuários afirmaram utilizar algum recurso de computador para
fazer pequenos reparos nas fotos, como ajuste de cores e saturação, recortes e balanço de
branco. Nenhum deles se posicionou contra a possibilidade de intervir nas fotografias,
embora, ao discutir o assunto com mais minúcia, três afirmaram que é necessário haver um
limite para a manipulação, visto que muitas vezes a essência da foto acaba sendo perdida. A
usuária número 3 explica: “se bem feita (a manipulação) pode tornar uma imagem mágica, ao
mesmo tempo em que pode estragar todo o conteúdo e composição se feita errada. Tudo é
questão de limites e bom gosto”. Dois usuários pensam totalmente diferente, considerando
que não há imagem sem manipulação, pois ao se escolher lentes, filmes e até mesmo
enquadramento, o fotógrafo está fazendo uma interpretação subjetiva da realidade e
transmitindo-a para a imagem fotografada.
Um número considerável de usuários do Instagram afirmou manipular imagens; cinco
dos sete questionados afirmaram aplicar, mesmo que esporadicamente, efeitos às suas fotos,
como filtros e molduras, e o usuário 11 disse aplicar outros efeitos, como ajuste de brilho e
contraste, suavização da pele. Este resultado já era esperado, visto que o próprio Instagram
permite a aplicação de certos efeitos às imagens antes destas serem publicadas. Quando
perguntado sobre o que pensa a respeito da manipulação, o usuário número 9 afirmou que a
manipulação é boa para a estética da foto, pois a deixa mais apresentável. O restante dos
usuários disse que a manipulação é algo bom se usado com moderação. Se exagerar e
distorcer a imagem, esta será prejudicada esteticamente pelos efeitos a ela plicados. Mais uma
vez as respostas não surpreendem. Esta rede social, ao possibilitar ao usuário um efeito
vintage e a publicação imediata da imagem, leva-os instantaneamente a utilizar apenas as
técnicas de manipulação oferecidas pelo próprio Instagram, limitando em alguns casos a
possibilidade de experimentarem outros programas de edição.
A respeito da popularização da tecnologia digital, poucos resultados foram
divergentes. Dos quatorze questionados, onze acreditam que a popularização está ligada à
democratização da fotografia, e isto se revela de forma positiva, visto que possibilita a um
maior número de pessoas o acesso a esta atividade, como ressalta a usuária número 3: “No
mundo da fotografia há espaço para todos: desde os que querem trabalhar profissionalmente
52
com isso, até os que apenas gostam de ter uma câmera na mão pra ficar tirando foto de
encontros familiares ou ficar postando imagens de céu com filtro do Instagram em redes
sociais”. Três usuários consideram a tecnologia digital melhor do que as outras, devido à
simplicidade, facilidade de uso e menores riscos na hora de bater a foto, e dois destacam as
vantagens decorrentes da maior variedade de equipamentos à disposição. Em contrapartida,
alguns usuários enxergam problemas na tecnologia digital; A usuária número 2 questiona a
divulgação das imagens digitais em redes sociais, que costumam acarretar na perda de direitos
autorais da mesma. Um usuário fala da perda da magia e da falta de técnica que a fotografia
digital costuma carregar. Outro diz que a tecnologia digital não significa necessariamente
boas fotos, e assim como Sontag, faz o paralelo entre fotografar versus aproveitar o momento.
Dois usuários ainda ressaltam a perda da qualidade da fotografia digital, e o usuário 6 afirma:
“Perdeu-se a essência de se fotografar,a fotografia como técnica se banalizou. E outra, a
fotografia digital é uma simulação do processo analógico, e dificilmente uma simulação é
melhor que o processo original”.
Mas se as opiniões sobre manipulação e popularização são pouco divergentes, a
questão sobre a banalização da fotografia enquanto expressão artística traz respostas bastante
diferenciadas. Três usuários afirmaram que a tecnologia digital não banalizou a fotografia
enquanto expressão artística, pelo contrário, contribuiu para o desenvolvimento desta. Em
contrapartida, três disseram que há banalização, pois muitas das imagens hoje não são
pensadas, não transmitem nenhuma mensagem. Dois questionados discordaram do próprio
conceito de fotografia como expressão artística; segundo estes, a fotografia não pode ser
elitizada, embora um destes considere qualquer imagem uma arte e o outro não faça distinção
entre fotografia como registro ou como arte. Uma usuária afirma que a tecnologia digital
contribuiu com maiores recursos para a construção da expressão artística da imagem, embora
reconheça que nem toda imagem possa ser considerada uma obra de arte. Dois usuários
concordam que o que banaliza a fotografia não é a tecnologia em si, mas o mau uso que se faz
dela, como sugere o usuário número 5: “tecnologia vem para melhor, sofisticar equipamentos
e tal, se há uma banalização, o culpado é o próprio homem que não faz discernimento de seu
uso”. Um questionado defende que o que interessa em termos de banalização não é o
momento de fazer a foto, e sim o assunto que está sendo registrado. Por fim, dois usuários
afirmam que o que se banalizou na fotografia foi a técnica, como explica o número 6: “O que
se banalizou foi a Fotografia como técnica: vemos constantemente nas redes sociais, uma
tempestade de fotografias mal tiradas, sem foco e nenhuma composição. (...) A tecnologia
53
veio para auxiliar e facilitar o nosso trabalho, mas acabou por mudar a forma de como a
Fotografia é vista como Arte. Seus excessos fizeram isso, partindo sempre dos efeitos
padronizantes, sempre à mão e descartáveis”.
Assim como a questão anterior, a pergunta sobre quando a fotografia deixa de ser um
mero registro da realidade e passa a ser considerada uma expressão artística também obteve
respostas diversas. Dois usuários defendem que a arte na fotografia ocorre quando o fotógrafo
tem determinada intenção por trás da imagem, como explica a usuária número 7: “Quando há,
por parte do fotógrafo, a intenção deliberada de comunicar algo de si mesmo por meio da
fotografia, mesmo que nem ele consiga definir com palavras o que quer expressar. Talvez ele
apenas sinta algo e expresse esse sentimento sem nome por meio da fotografia. Pra mim isso é
arte”. Três usuários afirmam que a arte na fotografia está diretamente ligada à técnica,
conhecimentos e equipamentos específicos que podem transformar uma imagem em algo
digno se ser chamado artístico. Dois dos questionados responderam que a fotografia é artística
quando conta uma história, como o usuário número 9 especifica: “Passa a ser arte quando
retrata uma vida (sofrimento, felicidade, etc), uma época, que gera uma reflexão, entre outras
coisas. Por isso a foto pessoal não é considera arte, por ser apenas um registro, não mandando
nada que acrescente na vida de quem vê”. Uma usuária diz que a fotografia é artística quando
esta apresenta qualidade, uma mensagem e um sentido. Outro afirma que a arte existe quando
o motivo da fotografia não é em caráter de benefício próprio, mas admite que a arte pode
acontecer em qualquer registro. Um usuário respondeu a pergunta com um exemplo, citando
que as imagens de fotojornalismo e as fotografias de evidência (imagens que funcionam como
documentos históricos) são apenas registros da realidade, e que as fotografias de publicidade e
marketing são mais voltadas para o lado artístico. A usuária número 10 afirmou que a
fotografia se torna arte “a partir do momento que a fotografia, imagem retratada, detém
olhares e faz emergir desejos e questionamentos”. Dois dos usuários não acreditam na
separação entre registro e arte da fotografia; para eles, qualquer fotografia pode ser
considerada uma expressão artística, como explica a usuária número 3: “Cada um tem sua
própria visão de arte, acredito que a fotografia em si já é uma representação artística
independente do momento, da sabedoria ou do estudo de quem a pratica”. Um usuário vai um
pouco mais além e afirmou não acreditar na existência da diferenciação entre arte e registro
dentro da fotografia. Mais uma vez a divergência do resultado foi esperada, visto que o
conceito de arte é extremamente subjetivo, mudando de pessoa para pessoa.
54
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quando foi criada, a fotografia de forma alguma passou despercebida aos olhos da
sociedade da época; para alguns cientistas e inventores representou um novo ramo para
estudo, trabalho e aperfeiçoamento. Para os pintores significou uma ameaça, fazendo com que
estes se forçassem a decidir se gostariam de unir à nova atividade ou criar um novo estivo de
pintura. Para a população em geral representou a possibilidade de ser retratado, com
fidedignidade e certa acessibilidade, privilegio que antes, com a pintura, estava restrito apenas
à nobreza. Para a imprensa (o jornalismo), a fotografia significou a possibilidade de mostrar, e
mais que isto, possibilitou comprovar as notícias por ela transmitidas.
Após passar por diferentes estágios, a fotografia se tornou digital, passando a ser
gravada não mais em um suporte sensibilizado por sais de prata, nem tendo a necessidade de
revelação para que a mesma pudesse ser vista. Sem revelação, consequentemente, com
menores custos para a produção, a tecnologia digital de difundiu, chegando a se popularizar.
O estudo feito na presente monografia, especialmente no que se refere à pesquisa aplicada em
redes sociais, mostra que esta popularização foi positiva. O fácil acesso a equipamentos
fotográficos, mesmo que de baixa qualidade, proporciona a um número maior de pessoas o
registro de momentos importantes, bem como o contato com uma atividade artística. Isto
contribui para a democratização da fotografia, ou seja, tornar a atividade acessível à
população de uma forma geral.
Um assunto abordado que causa divergência no mundo da fotografia é a manipulação
de imagens. Barthes afirma que a fotografia é a prova concreta de que algo aconteceu, que
determinada cena de fato se passou diante da lente de uma câmera. “Até este dia, nenhuma
representação podia garantir-me o passado da coisa, a não ser através de circuitos. Mas, com a
fotografia, a minha certeza é imediata: ninguém no mundo me pode desmentir” (BARTHES,
2009, p. 126). Mas as fotografias, por mais simples e sem intenções que possam ser, já são
uma interpretação subjetiva da realidade (SONTAG, 2004). Não se pode generalizar ao
afirmar se as manipulações fotográficas, sejam por retoques no negativo ou por programas de
computador, são boas ou ruins; no mundo da publicidade e até mesmo das artes a
manipulação vem sendo altamente explorada, gerando resultados extremamente positivos.
55
Entre fotógrafos amadores ela pode tanto melhorar uma foto esteticamente quanto estragá-la,
quando se exagera nos efeitos ou não se tem domínio sobre as ferramentas disponíveis. Mas
em muitos casos a manipulação fere princípios éticos, principalmente dentro do jornalismo,
quando distorce a realidade que a fotografia tem obrigação mostrar.
Foi visto que, no princípio, a fotografia não foi encaixada dentro do que se chama de
artes, sendo que, ainda hoje, pode haver algumas divergências sobre quando uma fotografia
deixa de ser o mero registro da realidade e passa a ser considerada uma obra de arte. Afinal, a
fotografia é produzida a partir de uma tecnologia e permite a reprodução, o que segundo
Benjamin, afeta a aura e a autenticidade da obra de arte. A conclusão a qual se chegou é que
uma fotografia é considerada uma obra de arte a partir do momento que é feita com a intenção
e técnica necessárias, e transmite ao público as mesmas sensações que as obras de arte
tradicionais costumam transmitir, como admiração, reflexão, estranheza, choque (este cheque
não se refere ao punctum do qual Barthes se refere. É um choque causado às pessoas de um
modo geral, não a ferida que a fotografia pode provocar a cada um).
Voltado a falar sobre a tecnologia digital, foi debatido se esta acabou por banalizar o
exercício da fotografia. Novamente, não se pode dar uma resposta generalizada à pergunta,
visto que ela envolve outros pontos, muitos dos quais subjetivos. A fotografia digital, por ter
sido bastante difundida e ser uma atividade barata, permite às pessoas produzirem uma
quantidade colossal de imagens, dos mais diferentes temas, muitas das quais não são pensadas
e inúmeras são excluídas pouco depois de tiradas. Barthes já falava acerca dos temas
presentes nas fotografias. “A essência prevista na foto não podia, no meu espírito, separar-se
do <patético> de que ela é feita, desde o seu primeiro olhar. Eu assemelhava-me a esse amigo
que só virara para a Foto porque ela lhe permitia fotografar o filho” (BARTHES, 2009, p. 30).
Ainda hoje, muita gente se aproxima da fotografia por motivos comuns, sem nenhuma
intenção que não seja registrar momentos e pessoas. Embora a produção exacerbada de
fotografias possa indicar banalização, os temas retratados nelas não o fazem, pois decidir o
que fotografar é algo pessoal está totalmente ligado à democratização da fotografia.
Outro tema em relação à banalização da tecnologia digital que demanda atenção é o
fato de a maior parte dos equipamentos serem automáticos. Como as câmeras não exigem dos
fotógrafos amadores conhecimento técnico, estes, embora possivelmente consigam imagens
com boa iluminação e foco, dificilmente vão obter uma fotografia surpreendente. Este é o
objetivo de muitos, apenas registrar o momento sem nenhuma preocupação técnica, mas mais
56
uma vez encontra-se um indício da banalização da fotografia. Mas apesar de nem sempre
gerar imagens com uma técnica admirável, este tipo de câmera expande as possibilidades de
escolha do fotógrafo, contribuindo mais uma vez para a democratização da fotografia.
Embora a pesquisa indique indícios da banalização da fotografia através da tecnologia
digital, não se pode dizer que isto de fato aconteceu. Percebe-se que em inúmeras situações a
fotografia vem sendo tratada de um modo banal, tira-se muitas fotografias sem conhecimento
ou técnica, e se o resultado não agrada, basta excluí-las. Apesar disso, a tecnologia digital
aumentou as possibilidades dentro do mundo da fotografia, com diferentes formatos de
equipamentos e permitiu a uma parcela maior da população praticar esta atividade.
57
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Figura 12: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Edgar_Degas_-_Chasse_de_danse.jpg
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Figura 14: http://chaudron.blogspot.com.br/2010/10/seascapes-photos-by-gustave-legray.html
62
Figura 15: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:F%C3%A9lix_Nadar_18201910_portraits_Sarah_Bernhardt.jpg
Figura 16: http://www.1fmediaproject.net/2012/04/26/the-birth-of-art-photography-frompictorialism-to-modern-photography-1889-1929-museum-of-fine-arts-budapest/
Figura 17: https://gregorycolbert.com/
Figura 18: https://gregorycolbert.com/
Figura 19: http://erikjohanssonphoto.com/work/lazy-dog/
Figura 20: http://erikjohanssonphoto.com/work/go-road/
Figura 22: http://shop.lomography.com/en/cameras/diana-f-family/diana-f-cmyk
Figura 22: http://shop.lomography.com/en/cameras/la-sardina-family/la-sardina-metaledition-czar
Figura 23: http://glamurama.uol.com.br/o-app-instagram-pode-ficar-ainda-maior-e-popularem-breve/
Figura 24: http://s786.photobucket.com/user/vanebaselli/media/logos/flickr-logo1752338.jpg.html
63
USUÁRIO 01 (FLICKR)
Data de nascimento: 25 de abril de 1988
Cidade: NewYork
Profissão: Brand Designer
Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Utilizo de tudo mas depende do lugar e o que tenho em mãos. Celular, Camera profissional,
Camera lomografica ou instantaneas
Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Isso depende do resultado que eu busco, mas eu gosto mesmo das instantaneas pela
dificuldade, processo e pelo cuidado que voce tem com a fotografia. A sensação da foto se
materializando nas mãos em alguns segundos é muito legal.
O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Eu sou gosto de extremo minimalismo, linhas, arquitetura, objetos sempre estou buscando.
Street Photography tambem me encanta, Coisas comuns pessoas comuns fazendo coisas
comuns mas nem sempre é facil. É outro nivel!
Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Não trabalho, mas sempre passo a foto no Photoshop para encontrar uma cor ou uma luz que
faltou em algum lugar.
O que pensa a respeito da manipulação?
Acho essa intriga com a manipulação pura bobagem, avançamos e que bom que todas as
pessoas podem ter em casa tecnologia como essa. O mundo anda pra frente! E manipulação
hoje já é encarada como arte, como tantas outras! Tudo bem que é um tanto assustador o que
se pode fazer hoje haha! com photoshop, as revistas estão ai pra provar... não acredite muito
em fotos. haha
Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Eu acho legal, todo tem direito de brincar um pouco. E acaba entendendo um pouco mais...
Afinal a fotografia serve pra registrar momentos se isso é digital ótimo, simples fácil e
acessível.
Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
64
Não, Penso justamente o contrario...
Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
Na intenção.
65
USUÁRIO 02 (FLICKR)
-Data de nascimento: 21.08.1981
-Cidade: Santana do Livramento/RS
-Profissão: Psicóloga e graduanda em cinema
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Câmeras Analógicas, Toy câmeras, Sony digital compacta e Canon 60D.
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Analógicos prefiro em formato 35mm pela possibilidade de encontrar mais filmes nesse
formato. Digitais não tenho muita preferência, mas quando comprei a Canon 60D tive como
requisito para compra o fato de filmar em Full Hd e ter entrada para microfone já que
trabalho com vídeo.
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Sim, sempre que fotografo procuro postar nas redes sociais. No Flickr costumo postar
algumas analógicas e digitais. No site da Lomography onde tenho perfil posto todas as
minhas analógicas/toy câmera.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Raramente e quando uso manipulação utilizo somente em fotos digitais, mais para correção
de contraste, foco e algum recurso visual desses prontos – como vintage ou lomografico, por
exemplo.
-O que pensa a respeito da manipulação?
Acho válido para quem trabalha com fotografia profissional no caso em material
publicitário, por exemplo. Eu particularmente não uso muito, pois não sei mexer muito nesses
recursos. No meu caso, na fotografia analógica, eu prefiro ela mais pura sem manipulação.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
66
Eu penso que vivemos em uma sociedade da imagem então a popularização é algo inevitável.
As câmeras digitais, celulares e outros dispositivos juntamente com a internet possibilitam
hoje a diversificação de imagens e a facilidade também de compartilhamento. O único
problema que vejo nisso é em questão ao direito autoral, acho que ficou muito banalizado.
Como requerer o direito de uma imagem sua se você distribui em todas as redes sociais de
forma aberta, por exemplo?
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
A tecnologia digital ajudou a fotografia como expressão artística no sentido de diferentes
recursos e possibilidades, mas penso que nem toda fotografia é artística.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
Quando ela é pensada em sentido de composição, luz, etc... Só pegar e clicar não faz de você
um artista fotográfico. Eu, por exemplo, não me considero uma fotografa artística ou
profissional, assumo minha capacidade de amadora e que gosta de experimentar na
fotografia.
67
USUÁRIO 03 (FLICKR)
-Data de nascimento: 29/09/93
-Cidade: Curitiba-PR
-Profissão: Estudante de Arquitetura e Urbanismo (PUC-PR), primeiro período.
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar? Canon Rebel t3 com objetiva
EF 18-55mm, Samsung Galaxy Ace, Juice Camera Strawberry Au Lait e Canon Sure Shot BF
(as duas últimas são analógicas)
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Sobre analógicas admito que gosto de tudo um pouco, tenho uma pequena coleção de
analógicas, 4 no total, onde duas necessitam de reparos para serem usadas e ainda tenho
planos e adquirir varias outras.
Sobre as digitais acredito que a preferência vai de cada um, acho desnecessária a eterna
competição entre usuários da Canon e da Nikon, ambas são excelentes e tem equipamentos
incríveis que se adequariam a cada indivíduo. Eu sou adepta da Canon e o que me levou e
optar por ela foi por a mesma ter motor de foco no corpo da câmera, coisa que nas da Nikon
de entrada não existe, o que ajuda e permite poder adquirir objetivas que futuramente
também poderiam ser usadas em outras câmeras da marca.
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Geralmente eu fotografo os lugares onde vivo, os detalhes que me chamam a atenção, é mais
uma forma de tentar mostrar as coisas que a meu ver são deixadas de lado e passam
despercebidas e que se vistas do modo certo se tornam mais belas do que se poderiam
imaginar. Gosto também de fotografar as pessoas em momentos de distração, onde deixam
aflorar seus sentimentos que muitas vezes tentam manter escondidos.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Geralmente dou um retoque no balanço de branco e luminosidade da foto, as vezes arrisco
usar algum action e tento corrigir algum problema de nitidez e contraste.
-O que pensa a respeito da manipulação?
Acredito que hoje em dia todos usam alguma ferramenta de manipulação, acho normal, se
bem feita pode tornar uma imagem mágica, ao mesmo tempo em que pode estragar todo o
conteúdo e composição se feita errada. Tudo é questão de limites e bom gosto.
68
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Acho que se você gosta então vai lá e fotografe muito. Fotografia foi criada para registrar
algo, tornar um momento eterno, e todos podem fazer isso como bem entenderem. No mundo
da fotografia há espaço para todos: desde os que querem trabalhar profissionalmente com
isso, até os que apenas gostam de ter uma câmera na mão pra ficar tirando foto de encontros
familiares ou ficar postando imagens de céu com filtro do Instagram em redes sociais.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
Não, se formos parar pra pensar muitas das fotografias mais famosas não existiriam sem o
avanço da tecnologia. O que banaliza a fotografia é o mau uso dessa tecnologia.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
Cada um tem sua própria visão de arte, acredito que a fotografia em si já é uma
representação artística independente do momento, da sabedoria ou do estudo de quem a
pratica. Se você faz algo porque gosta, porque se sente bem e porque quer que o mundo veja
e goste disso, você já esta sendo um artista. Em minha opinião arte é quando as pessoas
expressam seus sentimentos, e fotografia nada mais é do que um meio de expressar isso
através da visão que você tem do mundo e querer eternizar numa imagem.
69
USUÁRIO 04 (FLICKR)
-Data de nascimento:17/01/1974
-Cidade: Nascido no Rio de Janeiro, morando em São Paulo
-Profissão: Profissional de Marketing
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Câmeras Analógicas (mais de 15 modelos) SLR, TLR e compactas, e celular (iPhone 4)
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Digitais para necessidades imediatas de registro de situação/cena/objeto, analógico
(negativo e instanteneo) para momentos de fotografar por prazer/hobby
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Não tenho assuntos preferidos. Fotografo de tudo.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Toda imagem é manipulada. Dessa forma, sim. Mas se estamos falando de manipulação ao
ponto
de
simular
uma
imagem
diferente
da
que
foi
fotografada,
não.
(http://www.queimandofilme.com/2012/06/05/esquece-nao-existe-fotografia-semmanipulacao-relaxa-e-aproveita/)
-O que pensa a respeito da manipulação?
(http://www.queimandofilme.com/2012/06/05/esquece-nao-existe-fotografia-semmanipulacao-relaxa-e-aproveita/)
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Vejo como democratização. O que é sempre algo bom. O aumento de opções faz com que
mais pessoas possam e comunicar através de imagens.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
Não. Não acredito em elitismo da fotografia, ou em banalização algo negativo. Além disso,
arte é algo extremamente discutível, e varia de pessoa pra pessoa.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
70
Discordo do próprio conceito dessa pergunta. Uma imagem pode não ser nenhum dos dois,
ou os dois, ou mais do que os dois, ou duas (situações apontadas). É reducionista pensar que
a fotografia é, ou um, ou outro.
71
USUÁRIO 05 (FLICKR)
-Data de nascimento:15/09/1988
-Cidade:São Paulo
-Profissão: Técnico Mecânico (Cursando Tecnologia Mecânica – 4° semestre)
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Câmera, tripé, filtro
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Só tenho experiência com equipamento digital.
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Sim, geralmente posto no flickr
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Algumas imagens uso o photoscape, de forma a melhorar a saturação de certas imagens
-O que pensa a respeito da manipulação?
Essencial, porém me obrigo a tirar a foto mais próximo do ideal, sem a manipulação.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Acredito que esse é o caminho, pois somente assim é possível vc ter acesso a novos
equipamentos e etc.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
Não, a tecnologia vem para melhor, sofisticar equipamentos e tal, se há uma banalização, o
culpado é o próprio homem que não faz discernimento de seu uso.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
Creio q a fotografia trabalhe num linha tênue entre esses dois mundos, ora sendo um
registro, ora sendo arte.
Para mim por exemplo, fotojornalismo, fotografia de evidencia sempre serão registro da
realidade, enquanto fotografia de marketing/propaganda e evento tenta puxar para o lado
artístico.
72
USUÁRIO 06 (FLICKR)
-Data de nascimento:24 de Fevereiro de 1996
-Cidade:Serra Branca - Paraíba
-Profissão:Estudante de Odontologia, Ano I, UEPB
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Câmera Analógica SLRmodelo Olympus OM 10, Câmera Analógica modelo Kodak Brownie
de 1939 e uma Câmera Compacta Digital Fuji.
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Para mim não se trata de preferência, tem um algo mais. Existem certos fatores que observo
ao fotografar e muitas vezes eles são em relação ao momento.Se quando for fotografar eu
pretendo fazer muitas fotos, como por exemplo, em um evento, recorro às digitais, pois elas
suprem a necessidade de realmente se “tirar fotos”, desperdiçando cliques ou não. Levo em
conta também que não é fácil encontrar filmes de boa qualidade, e sair clicando tudo por aí
acaba ficando um pouco caro. (Mas não quer dizer que eu não faça isso... A fotografia te
ensina por si só, basta você querer aprender; Com o tempo você acaba por perceber que
você aprendeu mais e fez as melhores fotos com os filmes em que você saiu fotografando o
inesperado do que quando esperou demais.) Já quando vou fotografar onde que terei de
escolher calmamente o que quero capturare se preciso for esperar até o momento correto,
sem desperdício de cliques e com aquele efeito “vintage” eu particularmente prefiro meus
equipamentos analógicos. Você realmente faz a fotografia, sem saber se vai dar certo, você
calcula tudo direitinho, pra ficar perfeito, sem contar com a sensação de esperar
ansiosamente suas fotos chegarem do laboratório pra ver o resultado. E esse “feeling”, essa
história sua com a foto, você só encontra com os analógicos.
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Normalmente fotografo todos os tipos de situações, desde pessoas e plantas na cidade ou em
meio à natureza ao minúsculo ser inerte que “apareça” em frente às minhas lentes. No
mundo tudo é belo e tudo (ou quase tudo) pode ser fotografado. Não posto tudo, faço uma
seleção entre as que eu acho melhores e coloco algumas, para que o público em geral possa
apreciar o meu trabalho, fazer sugestões e talvez até conhecer melhor o mundo onde vivemos,
já que nesse cotidiano corrido do mundo atual muitos pontos passam despercebidos, mas não
resistem à lente de um fotógrafo pelas quais muitos sentimentos podem ser passados; busco
73
passar outra visão das coisas: não há outra maneira de ver o novo no velho senão através de
outro olhar.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Sim, dizem alguns colegas que não há fotografia sem manipulação. Sem ela, uma imagem
registrada em um negativo jamais chegaria a ser vista impressa. Quando se escolhe um filme,
os químicos e tempos de revelação, quando se define o ISO, a abertura do diafragma e outras
diversas opções, está se manipulando a imagem, está se tomando uma decisão que
influenciará no resultado final. Existem diversas técnicas de manipulação antes de
chegarmos ao nosso querido Photoshop. Porém, no meu caso, há um limite para o que pode
ser editado em um filme digitalizado, nem sempre se pode corrigir uma imagem sem graça no
Photoshop.
-O que pensa a respeito da manipulação?
É normal. Dizem por aí que “cada imagem é única” e que “toda imagem é uma
interpretação da realidade”. Pois é, com a manipulação a gente cria a nossa própria
realidade.Todos usam (muitos até sem saber), até mesmos os fotógrafos mais conceituados.
Disse o fotógrafo André Corrêa:“É parte do processo criativo. Mas é claro que você pode
optar também por não fazer nada, absolutamente nada, esse é o seu processo criativo”.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Sem dúvida, com a popularização da fotografia digital, cada vez mais pessoas mostram sua
visão de mundo, porém isso acaba por comprometer todo o processo fotográfico e quem sabe
até a memória que ficará para o futuro. As máquinas digitais vieram com força e pra ficar, e
isso acarretou uma perda na qualidade de nossas imagens, já que fazer uma foto hoje é só
chegar e apertar um botão.
Antigamente fotografar exigia que o fotógrafo pensasse, seja nas definições ou na
composição. Fotografia é você colocar emoção naquilo que você está vendo, tirar foto do
inesperado. Perdeu-se a essência de se fotografar,a fotografia como técnica se banalizou. E
outra, a fotografia digital é uma simulação do processo analógico, e dificilmente uma
simulação é melhor que o processo original. Sem contar que na quase totalidade as fotos não
são reveladas, ficam apenas como arquivos para mídias atuais, e não se tem o devido
cuidado para evitar que esses arquivos se percam quando, por exemplo, um tipo de mídia é
74
“aposentado”. O que aconteceria se por acaso no futuro não se conseguisse resgatar os
arquivos digitais que nossa geração produz hoje?
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
A fotografia como expressão de arte não se banalizou, o que houve foi que os meios de
produção mudaram, apareceram novas relações de produção, novas formas de se trabalhar.
O que vemos hoje acontecendo com a Fotografia é apenas um reflexo desses meios digitais e
programas que temos a disposição no momento; ela alcançou, nos dias atuais, um patamar
muito alto de expressão onde todo mundo, mesmo sem técnica alguma virou “fotógrafo”. O
que se banalizou foi a Fotografia como técnica: vemos constantemente nas redes sociais, uma
tempestade de fotografias mal tiradas, sem foco e nenhuma composição. Mas essa
banalização não caracteriza somente a Fotografia... Há quem diga ainda que é a sociedade
que está banalizada, e que a Fotografia apenas foi vítima daquilo que a cerca. A tecnologia
veio para auxiliar e facilitar o nosso trabalho, mas acabou por mudar a forma de como a
Fotografia é vista como Arte. Seus excessos fizeram isso, partindo sempre dos efeitos
padronizantes, sempre à mão e descartáveis.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
A partir do momento em que se há todo um processo de produção, raciocínio e montagem,
quando se abrange muito mais técnica e controle do resultado final de uma única imagem.
Isso, quando se tem alguém que sabe fazer isso: abertura focal, diafragmas, profundidade de
campo, bokeh, granulação são coisas paranormais em um equipamento na mão de quem não
tem ideia de como essa mecânica toda funciona. Segundo conceitos modernos, o objeto
artístico é o que parte de uma observação prévia de algo. E Fotografia é o olhar
materializado de um observador que deseja representar seu sentimento, onde cada olhar tem
seus valores, quaisquer que sejam. Portanto, se a fotografia é uma consequência desse olhar,
que emite intensidade, também tem as mesmas características dele.
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USUÁRIO 07 (FLICKR)
-Data de nascimento: 12.07.1984
-Cidade: Belém-Pa
-Profissão: Pedagoga
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Nikon D80 (lentes 50 e 24 mm – fixas)
Meu celular - 5 megapixels (com flash de led que eu quase nunca uso)
Minhas pinholes
Minha pinlux
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Bem, não sou fotógrafa profissional, ou seja, não uso a fotografia para ganhar a vida, então
depende do momento e do motivo pelo qual estou fotografando. Se estiver registrando um
evento, por exemplo, (mesmo que seja uma festa familiar) prefiro os equipamentos digitais.
Se não há essa exigência, posso usar tanto digital quanto analógico. Quando saio pra
fotografar apenas por hobby, prefiro levar câmeras dos dois tipos: analógico e digital.
Nunca usei câmera instantânea. Acho que não tenho necessidade (e nem desejo) de usar uma
no momento. Estou tentando comprar uma Olympus trip 35 (analógica), mas é difícil
encontrar uma que ainda funcione bem...
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Atualmente estou no Facebook, Flickr, 500px e no Instagram (por ordem de uso). No Flickr e
no 500px geralmente posto fotos das minhas saídas e passeios fotográficos. Gosto de
fotografar arquitetura e pessoas. Pessoas trabalhando, pessoas pensando, pessoas chorando,
pessoas dançando, pessoas olhando.... Pessoas. Nem sempre são pessoas conhecidas.
No Facebook, posto as mesmas fotos que coloco no Flickr e no 500px, mas além delas tbm
coloco fotos relacionadas ao meu dia -a- dia, coisas mais pessoais como aniversários,
passeios, shows, viagens, meu marido, meus sobrinhos, curiosidades que registro com o
celular (no ônibus, na rua, etc.).
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No Facebook tenho a oportunidade de controlar melhor a privacidade das fotos (por meio de
listas e grupos), então acaba sendo a rede social que eu mais uso pra postar fotos. No flickr e
no 500px todas as minhas fotos estão públicas.
No Instagram acho que só postei duas fotos até agora, duas fotos que fiz dentro de casa
mesmo. Não dou conta de tanta rede social trabalhando 10 horas por dia. Confesso tbm que,
de início, tive um certo preconceito com o Instagram, pois eu olhava as fotos que os meus
amigos publicavam e pareciam todas iguais! Acho que deve ter algum filtro de bokeh por lá
pq eu tenho uma amiga que colocou isso em TODAS as fotos dela. Fica tudo mto parecido.
Sem graça. Por isso eu não entrei logo no Instagram, na verdade entrei há 2 meses. Hoje
acho que é uma ferramenta legal pra compartilhar momentos com os amigos e até pra
brincar de inventar alguns efeitos nas fotos... mas, não consigo usar mesmo... respeito quem
usa, mas... sei lá... pra mim não deu. Sinto que o Instagram fez uma espécie de “produção em
série” nas fotos das pessoas. No lugar de ampliar possibilidades ele acaba limitando a
criatividade já que as fotos ficam todas iguais ou muito parecidas.
Gosto de usar o Flickr, mas a maioria dos meus amigos não tem conta no Flickr, logo, na
prática são só os amigos fotógrafos que olham as fotos do Flickr e do 500px.
Ressalto que, ultimamente, não tenho atualizado - com a freqüência que eu gostarianenhuma dessas redes sociais. Continuo fotografando, mas nem tudo eu tenho tempo de
postar. Depois dessa pesquisa vou tentar atualizar minhas redes (rsrsrs).
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Não considero que eu trabalhe com manipulação de imagens. Geralmente faço tratamento
em algumas imagens, ajustando contraste, saturação, balanço de brancos, etc. Às vezes
coloco alguma vinheta, faço alguns cortes, faço um preto e branco... mas é só. Pra fazer esse
tratamento todo, eu uso apenas o Lightroom. Às vezes deixo a foto como ela foi feita mesmo,
sem nenhum retoque.
-O que pensa a respeito da manipulação?
Acho que é um processo criativo válido, com possibilidades ilimitadas, mas que vem sendo
utilizado com pouca prudência pela grande mídia e pelas grandes empresas da área de
informação e imagem.
A veiculação de imagens exageradamente manipuladas nos meios midiáticos, para fins
comerciais, vulgarizou um recurso que poderia ser melhor explorado, para fins artísticos.
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Vejamos um exemplo. Uma vez, eu mostrei estas fotos (http://kelliconnell.com/) para uma
amiga. Ela disse: “Ah, mas isso é montagem. É tudo Photoshop”. Bem, é ÓBVIO que são
fotos manipuladas, mas são belíssimas. Foram manipuladas propositalmente para fins
artísticos e o resultado é maravilhoso. Dá pra fazer mil interpretações sobre essas fotos ou
não fazer interpretação alguma... simplesmente ficar olhando e sentindo... Mas minha amiga
não vai ter essa oportunidade porque olhou para as fotos, decidiu que “isso é tudo
Photoshop” e não quis mais saber. Perdeu a oportunidade de ter contato com a arte, com a
poesia porque prejulgou um recurso que, de fato, vem sendo exageradamente utilizado pela
mídia comercial, mas que tem inúmeras possibilidades de ser usado de outras formas, mais
criativas.
Essa artista, por exemplo, (Kelli Connell) manipulou dois ou mais negativos no Photoshop
pra obter esse resultado. Ela criou, imaginou, pensou formas de fazer e fez. Usou a
criatividade e, na minha opinião, o resultado ficou muito legal.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Acho muito bom que mais pessoas tenham acesso à fotografia, de maneira geral. Hoje em dia
é possível encontrar um celular barato que já vem com câmera. Até mesmo as compactas
estão mais baratas. Isso tudo aproxima a fotografia das pessoas.
Gosto muito de pensar na história da fotografia relacionada à história das pessoas. Na
primeira metade do século passado, ainda com a fotografia analógica, era mto mais difícil
tirar fotos, registrar momentos... As pessoas procuravam um fotógrafo e se arrumavam pra
“tirar retrato”. Era um momento especial, entretanto, menos frequente na vida das pessoas.
Já nos anos 90, final do século, a fotografia analógica estava bastante popularizada e uma
boa parte das famílias conseguia comprar uma câmera analógica (talvez não conseguisse
revelar todos os filmes, mas a câmera estava lá!). Quase todos podiam fotografar. Lembro
que eu mesma, no início da adolescência, tive minha própria câmera analógica mesmo nossa
família não tendo grandes posses...
Mas com a fotografia analógica a possibilidade de errar era mais perigosa... se o fotógrafo,
por falta de perícia com o equipamento, perdesse, por exemplo, o momento do beijo dos
noivos? Ou o momento em que os capelos são lançados ao ar?Se o filme fosse exposto de
maneira inadequada, esses momentos estariam perdidos para sempre.
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A fotografia digital diminui os estragos que a imperícia ao fotografar pode produzir. Já que é
possível ver o resultado do registro instantaneamente, o fotógrafo pode fazer quantas fotos
quiser até se sentir satisfeito com o resultado. Depois é só apagar o que ele não gostou.
Na minha opinião, essa possibilidade de “testar” a fotografia é o que torna o digital tão
atraente. Quero dizer: diferentemente do analógico, o digital permite, com custos reduzidos
para a maioria das pessoas, “testar” as fronteiras da criatividade fotográfica de cada um.
O que antes poderia ser só um registro, pode se tornar, por exemplo, uma fotografia de
viagem com um ângulo inovador, com uma luz diferente, com uma composição melhor
porque as pessoas têm a real possibilidade de repensar suas práticas fotográficas no
momento em que estão fotografando. Isso eu acho bom.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
Como eu disse acima, a tecnologia digital aproximou sim a fotografia das pessoas.
Fotografar ficou mais barato, mais acessível e mais interessante para a maioria das pessoas
que agora podem ter o resultado imediato de seus registros no visor da câmera ou celular.
Mas não acho que se possa dizer que a tecnologia digital necessariamente banaliza a
expressão artística.
Acho que é o contrário, ela possibilita que mais pessoas despertem em si a arte e a poesia.
O problema é que estamos por demais acostumados apenas com um determinado tipo de
expressão artística (eu me incluo). É claro que a maioria das pessoas provavelmente não vai
chegar a fazer fotos como as do Bresson, não vai ter um olhar semelhante ao dele (até pq
ninguém é igual a ninguém), mas pode ter um olhar único, pode escolher a fotografia pra
falar de angústias, de dores, de alegrias, enfim, pode escolher a fotografia para expressar
com imagens aquilo que não consegue (ou consegue) expressar de outras formas... então, aí
também teremos arte! Aí tbm teremos um fotógrafo! Aí tbm teremos um artista! Não um
Bresson, mas um artista único que provavelmente será muito pouco notado como artista em
meio a todos os outros papéis que tem de desempenhar na vida: pai ou mãe, trabalhador,
estudante...
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
Quando há, por parte do fotógrafo, a intenção deliberada de comunicar algo de si mesmo por
meio da fotografia, mesmo que nem ele consiga definir com palavras o que quer expressar.
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Talvez ele apenas sinta algo e expresse esse sentimento sem nome por meio da fotografia. Pra
mim isso é arte.
Quando o fotógrafo escolhe, por exemplo, um determinado tipo de luz, um elemento a mais
ou a menos na composição, um contraste mais forte ou não... quando ele escolhe esses
elementos pensando e planejando “dizer algo” com sua fotografia, isso pra mim deixa de ser
um simples registro e passa a ser arte. Mesmo que nem ele mesmo saiba exatamente o que é
esse “algo” que ele quer dizer.
Às vezes é assim mesmo, a gente não sabe o que quer dizer até dizer... talvez seja assim
também com a fotografia – arte: o que dizer nem sempre importa, todavia eu quero dizê-lo.
Quero escolher elementos que falem por mim. Mesmo que nem eu os entenda. Isso, pra mim,
faz da fotografia uma arte.
Uma pessoa que aperta „sem querer‟ um botão e acaba registrando „sem querer‟ um belo
momento, com um bela luz e uma bela paisagem, na minha opinião, não produziu arte,
produziu um registro fotográfico apenas, porque pra aquela pessoa aquela fotografia não
quer dizer nada, ele não tem nada do fotógrafo, não diz nada sobre ele.
Aí vc pode dizer, mas tem fotógrafos que são considerados artistas que já fizeram exposições
inteiras apenas com fotos de cliques aleatórios. Mas, mesmo assim, eles tiveram a intenção.
Talvez não soubessem qual seria o resultado do trabalho, mas tiveram a intenção de produzir
um trabalho com cliques aleatórios. Eles têm algo a dizer sobre isso. Mesmo que não saibam
definir o que é. Mesmo que o que queiram seja apenas que as pessoas pensem e tirem suas
próprias conclusões ou que não tirem conclusão nenhuma. Mas que olhem, vejam e
processem de alguma forma. Ou que olhem, vejam e sintam somente.
Assim, definir o que é arte é algo muito subjetivo porque de acordo com o que eu escrevi
acima, até mesmo uma fotografia manipulada no Instagram pode ser arte (talvez não uma
arte de que eu goste, mas ainda assim uma forma de expressão artística).
Até uma fotografia de moda, manipulada, e com fins comerciais, pode ser arte. Tudo vai
depender da intenção do fotógrafo.
Lembrei agora de um exemplo não diretamente ligado à fotografia. Houve uma instalação
numa feira (a mais famosa) da minha cidade de uma artista plástica que fez vestidos de peças
de carne bovina. A Lady Gaga também vestiu um vestido de peças de carne bovina. Pelo que
eu escrevi, as duas formas de expressão seriam arte. A segunda, talvez seja uma arte com
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apelo comercial, marketing... mas é arte. Particularmente, eu gostei mais da ideia da artista
plástica que a da Lady Gaga.
Enfim, esse limite de “quando deixa de ser registro” e “passa a ser arte” é muito tênue e
subjetivo. E acho ainda que ele é extremamente móvel e fluído. Talvez apenas olhando para
uma fotografia eu seja incapaz de dizer se é arte ou não. Mas poderei dizer se agrada os meu
olhos e o meu coração.
De qualquer forma, esse é um assunto sobre o qual não tenho uma opinião fechada, aliás
nenhuma opinião deveria ser fechada já que mudamos de opinião o tempo todo... O que eu
quero dizer é que eu penso muito sobre essas fronteiras, e se de fato elas existem de maneira
tão definida e palpável. Talvez amanhã lendo outras coisas e sabendo de outras experiências
eu mude de opinião sobre os limites entre o mero registro e a arte.
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USUÁRIO 08 (INSTAGRAM)
-Data de nascimento: 04/07/87
-Cidade: Teresina
-Profissão: Jornalista
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Celular – Samsung Galaxy Ace
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Analógicos
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Normalmente algo do local de onde estou, tentando enquadrar de forma diferente, para dar
um ar mais artístico.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Sim. Aplicativo no celular, usando filtros, molduras e recortando.
-O que pensa a respeito da manipulação?
Já existe há bastante tempo, porém utilizado em maior escala profissionais. Levar esse tipo
de ferramenta aos leigos, a grande massa tem seus fatores positivos como levar algo mais
bonito e artístico as redes sociais, porém a utilização de forma exacerbada e aleatória
começa a estragar, tornar feio o que não era para ser.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Ocorreu logicamente uma perda da magia da fotografia, por todo mundo achar que é capaz
de registrar bem o momento, sem utilização de técnicas, perdendo assim a idéia de contar
uma história no registro. Por outro lado a troca de informações, transformar o que seria
apenas uma mensagem, escrita ou até mesmo de voz em imagem, registrar cada momento,
apagar, editar e escolher apenas qual fotografia deseja se torna divertido. Em suma, acho
positiva a popularização, já que assim os fotógrafos tem que se reinventar para buscar o
diferencial.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
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Sim. A fotografia na rede social, em sua grande maioria não conta nenhuma história. Não há
movimento!
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
Como colocado nas questões anteriores, a fotografia para ser considerada arte deve contar
uma história, o fotografo deve buscar no seu registro o máximo de realidade possível. O
receptor deve sentir a emoção do momento registrado, como se estivesse lá. Onde todos os
elementos das fotos se completam e falam por si. No enquadramento, cores e movimento.
Lembrando que a utilização de manipulação da imagem deve ajudar em pequenos detalhes a
busca da arte na fotografia e não tornar o registro de tanta manipulação um fato irreal.
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USUÁRIO 09 (INSTAGRAM)
-Data de nascimento: 29/12/1997.
-Cidade: Goiania- GO.
-Profissão: 1° ano do ensino médio.
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Costumo utilizar o celular e, em alguns casos, quando preciso de uma qualidade maior, uso
câmera digital.
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Minha preferência é em equipamentos digitais por serem mais práticos e por produzir uma
foto de melhor qualidade em comparação com os analógicos e instantâneos.
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Costumo postar fotos pessoais e paisagem bonitas que me deparo.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Apenas aplico efeitos nas fotos, através de programas no celular.
-O que pensa a respeito da manipulação?
Acho bom pois ajuda na estética da foto, deixando-a mais apresentável.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Acho um meio mais pratico, mais fácil de ser usado, de qualidade, por isso deve ser
popularizado.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
Acho que até ajudou na fotografia artística por ter melhor qualidade, praticidade, etc.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
Passa a ser arte quando retrata uma vida (sofrimento, felicidade, etc), uma época, que gera
uma reflexão, entre outras coisas. Por isso a foto pessoal não é considera arte, por ser
apenas um registro, não mandando nada que acrescente na vida de quem vê.
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USUÁRIO 10 (INSTAGRAM)
-Data de nascimento:03/07/1992
-Cidade:Belo Horizonte- MG
-Profissão:Engenharia de Alimentos – 3º período.
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Celular e máquina fotográfica digital
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Digitais
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Fotos de passeios, encontro com os amigos, festas e comidas feitas por mim.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Às vezes, gosto de incrementar as fotos com molduras e efeitos de filtro.
-O que pensa a respeito da manipulação?
Acho bem interessante desde que a manipulação não seja exagerada distorcendo todo o
sentido real da fotografia.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Foi um impacto muito grande a popularização fotográfica, a meu ver, um impacto que trouxe
benefícios, por exemplo, a diminuição do custo da tecnologia, permitindo que mais pessoas
pudessem mostrar o seu olhar sobre o mundo.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
De certa forma sim, as pessoas já não pensam tanto no que vão fotografar.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
A partir do momento que a fotografia, imagem retratada, detém olhares e faz emergir desejos
e questionamentos.
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USUÁRIO 11 (INSTAGRAM)
-Data de nascimento: 01 de fevereiro de 1982
-Cidade: Nascido em Uberaba-MG – Resido em Ribeirão Preto-SP
-Profissão: Publicitário
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Utilizo Smartphone e câmera fotográfica digital semi-profissional
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Preferência por equipamentos digitais – Praticidade e flexibilidade.
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Imagens do cotidiano: pessoas, lugares e situações que envolvam alegria e bem estar.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Sim. Como trabalho com publicidade, e a máxima de que “uma imagem vale mais do que mil
palavras” (com todo respeito por todos jornalistas), ajustes são necessário em todas as fotos.
Desde um acerto em brilho e constraste, como também uma suavização na pele, ou ajuste em
roupas (que geralmente ficam amassadas em sessões de fotografia). Mas nada exagerado,
como deixar a pele parecendo um boneco de cera. A manipulação existe para pequenos
ajustes e não descaracterizar uma pessoa/casting.
-O que pensa a respeito da manipulação?
Necessário. Desde que não comprometa ou descaracterize lugares, ou pessoas.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Em se tratando de inclusão digital, acho válido. Nada como uma câmera na mão e uma ideia
na cabeça. Os preços desses equipamentos se tornaram atrativos e por esse motivo vemos a
popularização dos produtos.
O que diferencia é como se utiliza esses equipamentos. Ter uma câmera, não significa fazer
belas fotos. Acho que em muitos momentos, uma câmera mal utilizada atrapalha. Por
exemplo em um show... o que você prefere? Curtir o show, a música, o público e o artista?
Ou prefere fotos destorcidas, sem foco, sem essência, para ser o primeiro a postar “aquela
foto” numa rede social?
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-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
Existe espaço para todo tipo de arte. Qual o intuito dessas fotos? As pessoas precisam se
preocupar com o assunto a ser fotografado, e não simplesmente valorizar o clique. Uma foto
bem trabalhada para alcançar seu conceito, é bem trabalhada. Pergunte para qualquer
fotógrafo profissional.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
A partir do momento que o motivo da foto não seja em caráter de benefício próprio. Arte na
verdade pode acontecer em qualquer registro, a partir de um momento único, de olhar
amplo. Até mesmo redes sociais focadas em fotografia como o instagram tem muita arte.
Registros únicos e de vários entendimentos. Essa amplitude é que faz algo virar arte.
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USUÁRIO 12 (INSTAGRAM)
-Data de nascimento: 23/10/1990
-Cidade: Iturama-MG
-Profissão: Estudante, Zootecnia, Nono periodo
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Celular e/ou Câmera digital
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Digitais.
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Costumo fotografar meu animais, algum local diferente que eu fui q possua uma paisagem
bonita e fotos de mim e minha família
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Não trabalho, bem quando tem algum efeito é pelo celular mesmo que já possui o app de
efeitos.
-O que pensa a respeito da manipulação?
É uma faca de 2 gumes, pois pode trazer vantagens como esconder rugas enfim coisas boas e,
o lado ruim que pode acusar uma pessoa tipo modificar a realidade. Então dependendo pra q
for usado eu sou a favor
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital
Inclusão social, pois todos de qualquer nível social pode estar utilizando a fotografia digital,
e eu acho isso interessante, pois através da fotografia podemos crias programas sociais para
a inclusão.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
Não, pois fotografar já é uma arte, e isso não tornou menos importante a expressão, pois
temos poetas das imagens anônimos, que mostram realidades e cotidianos de diferentes
formas.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
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Eu já acho que a fotografia é uma arte, pois você pode expressar varias formas através das
imagens, mesmo sendo uma foto tirada ao acaso.
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USUÁRIO 13 (INSTAGRAM)
-Data de nascimento: 16/08/1989
-Cidade: Passos
-Profissão: Empresária
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
iPhone
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Apple
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Gosto muito de interatividade, por isso, posto tudo aquilo que estou fazendo, onde eu estou,
com quem estou, também posto muito a roupa com que estou vestida por ser um tipo de
propaganda da minha loja. Na maioria das vezes posto no mesmo instante em que tirei as
fotos.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Não, somente com o editor do Instagram mesmo, o mais simples possível, ele só altera cores
da foto.
-O que pensa a respeito da manipulação?
Acho muito bom, desde que não tente mentir a real forma da pessoa, por exemplo: diminuir
medidas etc... mas quanto a cores, desenhos, molduras eu gosto bastante.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Olha, gosto muito de fotos, e de ver as fotos das pessoas que sigo nessas redes, mas não gosto
muito de fotos sem porquê, sem contexto e que invadem e mostram muito a privacidade das
pessoas, daqui a pouco as pessoas estão tirando fotos do vaso sanitário.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
Acho que a arte sempre se destacará, e nenhum smartphone poderá substituir um bom
equipamento de fotografia e um bom fotográfo. A fotografia profissional e artística sempre
terá seu lugar.
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-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
Quando há qualidade na foto e no que ela capta, quando há uma mensagem, um sentido.
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USUÁRIO 14 (INSTAGRAM)
-Data de nascimento: 02/07/90
-Cidade: Uberaba
-Profissão: Estudante/Medicina Veterinária/4 ano, 7 periodo.
-Qual (quais) equipamento (s) utiliza na hora de fotografar?
Celular
-Qual a preferência, em relação a equipamentos analógicos, digitais, instantâneos?
Digitais
-O que você costuma fotografar e postar na rede social da qual faz parte?
Fotos com amigos e família.
-Você trabalha com manipulação de imagens? De que forma?
Não
-O que pensa a respeito da manipulação?
Acho que quando usada para fins artísticos é uma boa idéia, porem há manipulações que
mudam totalmente o estilo da imagem, banalizando a fotografia.
-Qual sua opinião a respeito da popularização da fotografia digital?
Na minha opinião essa popularização foi boa, pois com ela as pessoas têm a oportunidade
de registrar momentos que as vezes podem ser únicos.
-Você acha que a tecnologia digital banalizou a fotografia enquanto expressão artística?
Por um lado sim. Atualmente as pessoas tiram foto de tudo o que vêem. Um exemplo é o
instagram, no qual as pessoas postam fotos de coisas banais, como por exemplo, de comida.
Porém, por outro lado, apesar de ser leiga no assunto, acho que a tecnologia pode auxiliar a
expressão artística de alguma forma.
-Segundo a sua opinião, a partir de qual momento a fotografia deixa de ser um mero
registro da realidade e passa a ser considerada arte?
A partir do momento em que se usa de uma tecnologia excessiva na fotografia. Para mim arte
se trata de uma expressão original. Mesmo que seja uma fotografia de uma câmera digital, é
possível manter a arte numa fotografia.
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A evolução da fotografia e uma análise da tecnologia digital