1
FACULDADE CATÓLICA DOM ORIONE – FACDO
FACDO/NUPEX/ GT-CDH-0001/2011
Pesquisa:
Diagnóstico do Trabalho Infantil na cidade de
Araguaína
Araguaína/TO 2011
2
FACULDADE CATÓLICA DOM ORIONE – FACDO
FACDO/NUPEX/ GT-CDH-0001/2011
Helena Mendes da Silva
Coordenadora Geral da Pesquisa
Helena Mendes da Silva
Coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Extensão – NUPEX
Pe. Francisco de Assis Silva Alfenas
Diretor Geral – FACDO
3
FACULDADE CATÓLICA DOM ORIONE – FACDO
FACDO/NUPEX/ GT-CDH-0001/2011
EQUIPE DE COORDENAÇÃO
Helena Mendes da Silva
Coordenadora Geral da Pesquisa
Ana Lúcia Brunetta Cardoso
Coordenadora de Tabulação
Evilane Leão Cordeiro
Coordenadora Técnica
Ricardo Nieheus Buss
Capacitação dos pesquisadores
4
Sumário
1.APRESENTAÇÃO.......................................................................................................13
2.FICHA TÉCNICA........................................................................................................16
3.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................... 17
3.1 Conceituação ......................................................................................................... 17
3.2 Aspectos Jurídicos................................................................................................. 18
3.3 O Trabalho Infantil e as Implicações Sociais ........................................................ 21
3.3.1 A Evolução no conceito de trabalho infantil ...................................................... 21
3.3.2 Trabalho Infantil: Problema Social e Político ..................................................... 23
3.3.3Aspirações e Desafios..............................................................................................23
4.PESQUISA DIAGNOSTICO DO TRABALHO INFANTILNA CIDADE DE
ARAGUAINA .......................................................................................................... 24
4.1 Dados do Entrevistado...............................................................................................25
4.2 Dados da Criança ou Adolescente.............................................................................28
5. CONCLUSAO.............................................................................................................32
6. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA............................................................................33
7. ANEXOS.....................................................................................................................34
5
FACULDADE CATÓLICA DOM ORIONE – FACDO
FACDO/NUPEX/GT-CDH-0001/2011
EQUIPE DE PESQUISA DE CAMPO/Agentes de Saúde do
Município de Araguaina
Jucilene Moreira de Sousa
Teresinha Barbosa de Oliveira
Maria de Nazaré Ferreira
Robstania da Silva Soares
Genivaldo Pereira da Silva
Valdeniza Ribeiro de Sousa
Zelandia Silva Santos Costa
Irismar dos Reis Martins
Marielle Gomes de Araujo
Eva Batista de Jesus
Carmelita Pereira da Silva
Liliane Americo da Silva
Luzilene da Cruz Araujo Silva
Valciria Bezerra Leandro
Deuzuita Dias Cardoso
Domingas Bezerra Matos Martins
Elicer Pereira Silva
Cristiane Rodrigues da Silva
Valdison de Sousa das Neves
Maria Marcilene Brito da Silva
Dinalva Neves Costa Aguiar
Weliton de Camargos Ferreira
Jean Paulo de Sousa Pires
Denis Araujo da Silva
Luduvina Maria Matos da Silva
Antonio Oliveira Gomes de Alme
Ceila Maria Pereira de Assunca
Eliane Maria Moura de Araujo
Norma Lemer dos Santos Silva
Luciene Moreira de Sousa
Cirlene de Sousa Ribeiro
Rita Dias
Maria da Luz Gomes Fernandes
Vanderleia Jose do Nascimento
Raimundo Neto de Almeida Silve
6
Virginia Germana de Sousa
Claudiana Ferreira da Silva
Maria Diran Sousa Matos
Janeide Dias da Silva
Maria Lucia Soares Gomes
Raimunda Goncalves s Almeida
Keila Farias de Almeida
Marcia Marli Ferreira
Cristiane Miranda Ferreira Sou
Max Antonio Ferreira
Eliete Pereira de Souza
Cristovao Cirino Goncalves
Sonia Maria Arcebispo de Oliveira
Iraciene Sousa de Morais Brito
Wagner Alves Lima
Maria de Jesus Goncalves Silva
Edleuza Freire Moreira
Aurilene Borba Cardoso Santos
Mariza Ribeiro do Nascimento F
Alba Lilia de Sousa Alves Pire
Ana Cristina Garcia Peixoto
Andreia Santos Bandeira
Sandson Ramom Goncalves
Valdiana G Rodrigues
Ricardo Pereira da Silva
Abadia das Dores Pereira de Ab
Josilene Pereira Santos
Carlene Matos Rocha
Maria Lucilene Alves de Almeida
Apoliana Rodrigues Barbosa
Adriane Paula Martins
Maria Lucivania do Nascimento
Maria Jose Martins da Fonseca
Vania Silva Sousa
Ilsa de Araujo Miranda Reis
Maria da Gloria Bezerra Carval
Maria Suely Alves Araujo
Jaqueline Carreiro Pinto
Cleane Silva de Sousa
Janes Pereira Barros
Maria do Carmo de Sousa Oliveira
Vitoria Regina Fernandes Araujo
Isley Alves Farias
Vilma Machado de Sousa
Edniusa da Cruz Campos
Mirene Barros Santos
Suelene Diniz da Silva
Simone Matos da Silva
Thays LorranesAalves Gomes
7
Eva Alves da Silva
Lucilene Alves da Silva
Leidiane Alves de Carvalho
Maria Jose Costa
Rosangela Rodrigues da Silva
Raimunda Rocha Matos
Edina Xavier dos Santos
Jakson Resplande Costa
Manoel Maciel Cardoso
Antonia dos Passos e Silva
Samara Dias Barroso
Rosangela Silva de Sousa
Eunice Lopes Lima
Luzia Pereira Silva
Luzia Dias Oliveira Sousa
Lusmarina Barbosa da Silva
Maria Eunice Silva
Rivanda Mendes de Sousa
Lucilene Gomes de Sena
Joze do Nascimento Sousa
Antonia Andrade Vieira
Raimunda Eugenia da Costa Silva
Francinete da Cruz Araujo
Aparecida Edilha da Rocha
Elinios da Silva Carvalho
Everaldo Dias Lima
Gleiceleia Bento da Luz
Debora Mendes de Sousa Armeira
Madalena Alves de Freitas
Maria do Carmo da Silva Ferrei
Raquildes de Sousa da Silva
Deuzanir Vieira Gomes
Suely Carvalho de Sá
Carmem Maria Luz
Maria Helena Braga de Oliveira
Alreneci Alves de Almeida
Gercina Dalva Alves da Silva
Raimunda Sanches Parente
Fatima Resplande Martins
Suely Dias Lacerda Santos
Ricartt Barros Chaves
Maria Luisa Ferreira de Oliveira
Maria dos Reis M dos Nascimento
Ana Amélia Alves Soares
Rosiane Maciel de Sousa
Maria de Jesus Ribeiro da Silva
Eudina Rodrigues Alves
Cileia Chaves Pereira Lima
Cleraci Divina Mendes da Costa
8
Silvonete da Silva Tupinamba o
Maria Ofelia Barros Sousa
Eva Ribeiro da Costa
Maria EternaTtavares da Silva
Patricia Santana da Silva
Elizangela de Sousa Almeida
Maria Edinelia Martina de Sousa
Judite de Assis Soares
Adriana Pereira Lima
Erielma Mendes da Silva
Maria Nazare Miranda Carvalho
Marivone Lopes Barros
Ilma Costa de Carvalho
Zelson Carvalho da Silva
Maria Helena Pinto Amorim Silva
Nagila Maria da Silva
Lourdes Gomes dos Santos
Rui Rodrigues Veras
Adeny Pinto Costa
Dgivan Aires Vieira de Sousa
Maria Lucia Gomes de Lima
Emidia Cassimiro de Brito
Telma Pereira Marques
Poliana Dias da Cruz
Maria de Fatima Vergil do Nascimento
Rosilene Soares de Sousa
Clerisvan Silva Araujo
Rosa Maria Goncalves de Oliveira
Adriel Ribeiro Correia
Odilon Benedito dos Santos
Marilene Martins de Sousa
Carlos Eduardo Pimentel da Silva
Katia Pereira Gonzaga
Veronilia Neto Ribeiro dos Santos
Valeria Almeida Silva
Vanuza Tavares da Silva
Josefa Gomes da Silva
Dulcileia de Araujo
Maria Tania Silveira da Costa
Valdirene Martins dos Santos
Albenice Alves Correia Nunes
Denilse RibeiroLlima Pereira
Eusilene Ferreira da Silva
Maria Felix Guedes de Moraes
Vera Lucia Ferreira da Silva
Lindaura Rocha de Carvalho
Patricia Queiroz dos Santos
Weslei Alves de Melo
Delaides Pereira Araujo
9
Maria Vilma Pereira
Valdemir Aires da Silva Santos
Luzinete Rocha de Souza
Emidia Miranda Leite
Maria da Guia Moreira da Silva
Rita Pereira Moura
Maria Alves dos Reis
Leila da Silva Costa e Sousa
Cristielen Milanes Ribeiro
Sandra Guedes Bessa de Oliveira
Gilma Martins Cirqueira
Natam Palmeira da Costa de Sou
Maria de Lourdes Pereira Coelho
Rosangela Lopes de Araujo
Benedita Eliane de Lima e Silva
Maria Lopes Goncalves
Alexandro Marcos F Silva
Lourivan Alves de Sousa
Elza Araujo de Aquino
Keyla Maria Lima Barros Ribeiro
Ana Iris Duarte Noleto
Teresinha de Jesus Jardim da Silva
Deusiran Sousa Oliveira
Luzivania Fontes Sousa
Cirivan Borges da Silva
Maria Ivaltania de Sousa
Raimunda da Silva Carvalho
Marcos Shiley de Morais
Maria do Carmo Rabelo de Sousa
Maria Rosilda da Silva
Antonio Jose Almeida Barros
Ruth Maia de Bessa
Delicia Lopes Lessas
Renivania de Sousa Mira
Domicia Ramos da Silva
Maristela Martins Vieira
Gesivaldo Ribeiro Chaves
Dilza Mendes Tunes
Ijarcelia dos Santos Miranda
Cleide Barbosa de Sousa
Nilcia Numes Campos
Deusimar Alves da Silva
Jacimaria Oliveira de Sousa
Gercione Paz de Brito
Rita de Cássia Ferreira Duarte
Francisca Pinto da Silva
Neusirene Negas da Silva
Cristiane Pereira de Sá
Nivia Maria Ferreira Silva
10
Nelcivania Melo Sousa
Claudiane de Souza Aleluia
Juarez Santos Dias
Maria Lucia Teixeira
Rutheleia Queiroz de Oliveira
Lili Pereira de Sousa
Maria Nubia Tavares Vieira
Vamaria Dias de Sousa
Rosangela Ferreira Rocha
Valdelina Rodrigues da Costa
Cileima Ribeiro Fragoso
Edilea Ribeiro Câmara
Cirio da Conceicao de Oliveira
Vanderlucia Ferreira de Sousa
Leire Laura Arruda Campos Feitosa
Julia Freitas de Castro
Patricia Moreira da Cunha
Valquiria Borges Gama
Sonia Mara Soares de Paula
Maria Felix Ferreira de Sousa
Maria Nilsa de Oliveira
Flavio Orione de Carvalho Lima
Helena Oliveira de Sousa
Alcione de Sousa Silva
Maria de Nazare Pereira Rocha
Rafael Gomes de Brito
Antonia Alves de Sousa
Marcos Miranda de Sousa
Maria do Socorro Martins Reis
Divina Aparecida de Miranda
Maria Valdoceu Lustosa Leite
Fabia Ribeiro Machado
Patricia Sousa Santos
Celia Silva Costa
Maria Nilzete Gomes dos Santos
Maria Aparecida da Silva Pereira
Claudia Regina Aires Ferreira
Maria Lucilene Moura Rodrigues
Marlene Oliveira Albuquerque
Aldirene Araujo de Sousa
Magda Leuma Sirqueira da Luz
Diego Pereira da Silva
Joanny Fernandes Saraiva
Ivete Ferreira Sobral
Rodrigo dos Santos Oliveira
Eva Sousa Lima
Maria Elenira de Oliveira Chaves
Maria Cristina Bezerra
Maria Nilva Pereira de Brito
11
Izabel Jose Reis
Katia Reijane da Silva
Domingos Oliveira da Silva
Vania Maria dos Santos
Cleonice Pereira de Brito
Cicero Rodrigues da Silva
Maria da Costa Sousa Abreu
Maria da Graca Custodio da Silva
Elaine Pereira da Silva
Elizangela Silveira da Costa
Lucirene Sousa de Castro Costa
Erciliane Morais da Silva
Jeruza Gomes Alves
Lindalva Carvalho Silva
Maria do Socorro Silva
Claudivan Pereira Gomes
Luciene Nogueira dos Santos
Lucileia Silva de Sousa
Jerli Nogueira dos Santos
Elizabete Goncalves Diniz
Maria Aparecida Souza Correia
Marlene Dino da Silva
Genescleia Ricardo Feitosa
Elenice da Conceição Araujo
Gildasia Ferreira Alves
Maria Aparecida da Silva Pereira
Maria Lélia Gomes Brito
Maria Cleide da Conceição Oliveira
EQUIPE DE DIGITAÇÃO E TABULAÇÃO DE DADO-Acadêmicos
dos cursos Administração e Direito - FACDO
Alane Michele F. Passos
Alany de Almeida Brandão
Alessandra Machado Ataíde
Aline Ferreira Silva
Aline Rodrigues Borges
Andréia A. Silvério Santos
Ângela Maria P. Gimenez
Aparecida P. Basílio
Érica dos S. Rocha
Francione R, Pinheiro
Fredson Moreira Freitas
Geciane N. de Sousa
Géssica Mara Moreira de Oliveira
Helcivânia Dias Santos
Hiasmym de C. Castro
Hudson Faria Tavares
12
Isla Joanne Farias de Moraes
Jordeane Rosa da Silva
Julieide Campelo de Sousa Ribeiro
Kelly dos Reis Silva
Leonardo Silva Lima
Letícia de Carvalho Castro
Ligya Sousa Carneiro
Litzza de Jesus Aguiar
Lucas Alexandre P. Pacheco
Luzia Alves Brito
Maria Jacirene de Sousa
Maryane Rodrigues Araújo
Matheus Matos Nogueira
Max Douglas Soares Dias
Natália Rose Dias Mendes
Nayara Guedes Santos
Paulo Roberto A. de Souza
Raul Cícero M. Lopes
Ricardo Alves da C. Queiroz
Semaias da Silva Moraes
Silvana Borges de Oliveira
Tainah Flávia R. de Deus
Walyson Vieira Saraiva
Weyder Tallyson Oliveira L. de Melo
Yonara Ferreira Pinto
13
1. Apresentação
A Pesquisa intitulada, DIAGNÓSTICO DO TRABALHO INFANTIL
desenvolveu-se na parceria entre NUPEX/FACDO e Prefeitura do Município de
Araguaina.
A motivação inicial para realização da pesquisa da parte do município se deu
fundamentado no Termo de Ajustamento de Conduta por parte do Ministério Público do
Trabalho à prefeitura de Araguaina como ação de número 08001-2008-812-10-00-9.
Deste modo, o objetivo da pesquisa consistiu em mensurar os índices de trabalho
infantil, uma preocupação de toda a sociedade, e também dos órgãos públicos, a quem
incumbe a criação de políticas públicas, afim de erradicar o trabalho infantil, garantindo
as crianças e adolescentes, um crescimento voltado para a formação acadêmica e a plena
realização sócio-cultural.
A Pesquisa ocorreu no período de abril a Junho de 2011 e teve como universo
pesquisado todo o público Infanto-Juvenil residentes neste município totalizando um
público de 33.632 mil questionários aplicados.
No estabelecimento da parceria definiu-se como responsabilidade do
NUPEX/FACDO elaboração do questionário, capacitação e monitoramento dos
pesquisadores, digitação e tabulação dos dados. Incumbiu-se à prefeitura: disponibilizar
os pesquisadores, providenciar a reprografia dos questionários e relatório final da
pesquisa.
Para que se apreendessem os dados lançou-se mão da metodologia estatística
com abordagem quantitativa e o recurso utilizado foi a técnica de entrevista com
aplicação de questionário fechado contendo 14 perguntas que indagavam sobre o perfil
do entrevistado, a realidade sócio-econômica da criança e adolescente bem como as
situações que indicam atividades laborais por parte do publico Infanto-Juvenil.
Diante desse contexto, como parte integrante da composição das atividades
desenvolvidas para o êxito do projeto muitos colaboradores estiveram envolvidos e
mobilizados, envidando esforços com o propósito de que o referido projeto
transcorresse dentro de padrões de imparcialidade e confiabilidade.
14
A Equipe de Docentes que compõe o GT-CDH (Grupo de Trabalho – Cidadania
e Direitos Humanos) responsável pelo desenvolvimento do Projeto é composta pela
Professora Mestre Helena Mendes da Silva, Coordenadora Geral da Pesquisa, que
viabilizou a execução da pesquisa no que se refere ao ato de celebrar a parceria entre a
FACDO e a Prefeitura Municipal de Araguaína, bem como representou a IES em atos
públicos promovidos pelo parceiro na pesquisa, além de
viabilizar
recursos
financeiros, materiais e humanos, e ainda fiscalizou os prazos e colaborou com as
atividades das demais coordenações e elaboração do relatório final.
Professor Mestre Ricardo Nieheus Buss responsável pela capacitação dos
pesquisadores1, que foi realizada dia 11 de abril de 2011 no auditório Pe. Remiggio
Corazza, na oportunidade foram abordados os aspectos metodológicos, referencial
teórico, treinamento e teste do questionário a ser aplicado em campo, dinâmica e
distribuição da pesquisa na cidade de Araguaína.
Professor Mestre Ana Lúcia Brunetta Cardoso, Coordenadora de Tabulação,
viabilizou o instrumento lógico para tabulação dos questionários, supervisionou todas as
etapas da tabulação da Pesquisa de Campo realizada bem como o controle dos
instrumentos de coleta/questionários aplicados e sua respectiva verificação.
Professora Especialista Evilane Leão Cordeiro, Coordenadora Técnica,
responsável pela elaboração da ficha técnica da pesquisa, procedimentos metodológicos,
relatório de inferência da Pesquisa.
A Atividade de Campo foi de responsabilidade da Secretaria de Saúde do
Município, para tanto seguiu a organização com os coordenadores das áreas e microáreas, dinâmica preestabelecida por esta Secretaria.
O projeto contou com a participação significativa de acadêmicos dos cursos de
Administração e Direito, da Faculdade Católica Dom Orione, que após seleção e
treinamento, realizaram a atividade essencial na pesquisa de digitação e tabulação dos
dados coletados.
1
Os pesquisadores aqui mencionados é de responsabilidade da Prefeitura, para tanto a mesma
disponibilizou os 300 agentes de saúde do município, que passaram pelo processo de capacitação para
assumi a função de pesquisador de campo.
15
Os dados que outrora apresentamos são resultados do árduo trabalho dos
pesquisadores que se colocam “por sobre os ombros do nativo” como afirma Geertz em
sua obra: Interpretação das Culturas, para ler perspicazmente os dados coletados que
sem articulação entre si não acrescentaria nada na compreensão do o que significam no
contexto em que se inserem as Crianças e Adolescentes na Cidade de Araguaina.
No entanto leu-se pelos dados representados nos gráficos anexo um contexto de
3,39 % de crianças trabalhadoras em atividades variadas desde oficina mecânica,
borracharia, lavagem de carro, construção civil, etc.
Na perspectiva de fortalecer o espírito Cientifico e de Pesquisador do acadêmico
FACDO assim como do corpo docente, propôs-se à instituição a divulgação dos
resultados da pesquisa na semana pedagógica com os professores da FACDO (esta
atividade já foi realizada), realização de seminários com os acadêmicos que
participaram da digitação e tabulação de dados da pesquisa e debates a se realizarem
com professores e acadêmicos matriculados nas disciplinas que de alguma forma estão
relacionadas com o tema da pesquisa tais como Direito de minoria, Estatística,
Sociologia Geral e Jurídica, Sociologia Aplicada à Administração, Direito do Trabalho
entre outras.
16
2. FICHA TECNICA
Tema: Diagnóstico do Trabalho Infantil
Instrumento de Coleta de Dados: Questionários estruturados e padronizados.
Conforme Apêndice.
Âmbito: Municipal – Araguaína/TO
Período de Campo: 15 de abril a 15 de maio de 2011.
Período de Tabulação: 18 de maio a 01 de junho de 2011.
Público-Alvo: 50 000 crianças e adolescentes residentes no município de Araguaina
(Zona Urbana e Rural)
Unidade Amostral: Crianças e Adolescentes.
Tamanho da Amostra: 33632 unidades amostrais, segmentada por gênero – sendo
8523 unidades do gênero masculino e 8649 do gênero feminino.
17
3. FUNDAMENTAÇÃO TEORICA
3.1-CONCEITUAÇÃO
Em conformidade com o Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho
Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente, o termo “trabalho infantil” será
entendido, no âmbito deste estudo, como sendo aquelas atividades econômicas e/ou
atividades de sobrevivência, com ou sem finalidade de lucro, remuneradas ou não,
realizadas por crianças ou adolescentes em idade inferior a 16 (dezesseis) anos,
ressalvada condição de aprendiz a partir dos 14 (quatorze) anos, independentemente da
sua condição ocupacional. Para efeitos de proteção ao trabalhador adolescente, será
considerado todo trabalho desempenhado por pessoa com idade entre 16 e 18 anos
incompletos e, na condição de aprendiz, de 14 a 18 anos incompletos.
A legislação brasileira, de maneira distinta das convenções internacionais que definem
criança como todo aquele com idade inferior a 18, considera criança a pessoa com idade
até 12 anos e adolescente a que tem idade entre 12 e 18 anos incompletos. Optou-se pela
utilização do termo “trabalho infantil” para facilitar a distinção do trabalho dos
adolescentes com a idade na qual o trabalho é permitido, desde que não comprometa seu
processo de formação e desenvolvimento físico, psíquico, moral e social, nem
prejudique sua frequência à escola.
3.2- ASPECTOS JURIDICOS
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) dedica alguns dos seus artigos ao
tema do trabalho.
Aqui se pontuará e comentará alguns dos artigos que considero chave no tema
do trabalho infantil e da profissionalização do adolescente.
A começar pelo artigo 4º (Das disposições preliminares), um artigo que resume
o espírito do Estatuto e que traz o leque dos direitos das crianças e dos adolescentes a
ser assegurado: "É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder
público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à
18
saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária."
Este artigo traz várias questões fundamentais. A primeira é determinar que a
responsabilidade na garantia dos direitos da criança e do adolescente é não apenas da
família, nem apenas do Estado, da comunidade ou da sociedade, mas sim de TODOS
em conjunto. A criança não pode, em hipótese alguma, ser negligenciada e todas as
instâncias devem trabalhar concomitantemente nesse sentido. Cabe a cada um fazer sua
parte, de forma a serem esferas complementares na formação e na atenção integral.
Outro aspecto importante diz respeito à prioridade absoluta. A criança e o
adolescente devem ser prioridade na garantia de seus direitos básicos. Prioridade nas
políticas públicas para que seus direitos sejam de fato assegurados.
E aí entram os direitos básicos. Em primeiro lugar, direito à vida, à saúde e à
alimentação, ou seja, desde a sua concepção, nascimento e desenvolvimento. Essa
ordem tem razão de ser. É preciso, antes de tudo, ter vida, saúde e alimentação para
então receber educação, esporte, lazer e assim por diante.
Mas entre os direitos fundamentais está também o direito à profissionalização.
Significa que o adolescente tem direito a aprender uma profissão. E aqui abre reflexão
para o universo do trabalho em relação à criança e ao adolescente.
Como o próprio Estatuto indica, em seu Capítulo V (Do direito à
profissionalização e à proteção no trabalho), isso se dá a partir de 16 anos, quando o
trabalho é permitido, com todos os seus direitos trabalhistas e previdenciários
assegurados. Na prática, isso significa carteira assinada, jornada de trabalho prédeterminada (não excedendo a prevista em lei), direito a férias, a descanso semanal
remunerado e recolhimento da previdência social, para mencionar os itens mais
conhecidos.
O Estatuto é claro com relação ao trabalho infantil. Em seu artigo 60: É
proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de
aprendiz, a partir de quatorze anos.
Ou seja, o pressuposto é de que não pode haver trabalho infantil. A criança tem
direito a não ser explorada no trabalho. Ponto.
A condição de aprendiz, a partir de 14 anos, é peculiar, porque ela pressupõe
que o adolescente esteja freqüentando regularmente a escola e que tenha bom aproveita-
19
mento escolar (ou seja, o trabalho não pode impedir o sucesso escolar), que tenha
carteira assinada com contrato de aprendiz (remunerado como tal, com direitos
trabalhistas e previdenciários assegurados) e que, na sua vida de profissional, o
aprendizado, o desenvolvimento pessoal e social são mais importantes que o aspecto
produtivo.
Não é qualquer profissão que se enquadra para oferecer um contrato de
aprendiz. No artigo 62, o Estatuto traz o conceito: "Considera-se aprendizagem a
formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de
educação em vigor." E essa formação obedece a princípios estabelecidos no artigo 63,
como a garantia de acesso e frequência obrigatória ao ensino regular; atividade
compatível com o desenvolvimento do adolescente; e horário especial para o exercício
das atividades.
O artigo 67 destaca condições em que o trabalho não pode ser realizado pelo
aprendiz. É vetado o trabalho noturno (entre 22h e 5h), o trabalho perigoso, insalubre ou
penoso; o trabalho realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu
desenvolvimento físico, psíquico, moral e social; e aquele realizado em horários e locais
que não permitam a freqüência à escola.
Tais itens estão em sintonia com a Convenção 182 (sobre a proibição das piores
formas de trabalho infantil) da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em vigor
no Brasil desde 12 de setembro de 2000, com a publicação do Decreto 3.597).
Ou seja, são proibidos trabalhos e atividades que tão comumente vemos
executados por crianças: vendedores ambulantes ou nas feiras, flanelinhas e
malabaristas (nas ruas, que expõe crianças a vários riscos, inclusive de acidente e
morte), o trabalho doméstico (que expõe a criança a agentes químicos e a carregar maior
peso que a capacidade muscular, por exemplo), o trabalho nas colheitas (exposição a
agrotóxicos). Mas também nas olarias, carvoarias, nos lixões, todos ambientes que
apresentam riscos para a saúde física, psíquica, moral e social.
A condição de aprendiz é peculiar: pressupõe freqüência na escola, bom
aproveitamento escolar, carteira assinada com contrato de aprendiz e condições para
o desenvolvimento pessoal e social
Mas o Estatuto traz ainda uma outra questão fundamental que é o direito à
proteção no trabalho. O artigo 69 indica que o adolescente tem direito à profissionaliza-
20
ção e à proteção no trabalho, observados os seguintes aspectos: respeito à condição
peculiar de pessoa em desenvolvimento; e capacitação profissional adequada ao
mercado de trabalho.
Fundamental lembrar que o trabalho como aprendiz deve ocorrer em interesse
máximo do(a) adolescente, para que ele(a) tenha oportunidade de aprender um ofício, e
que essa situação não pode ser desvirtuada. Por isso o Estatuto prevê também a proteção
no trabalho que impede que o(a) aprendiz se transforme em mão de obra barata ao
empregador.
Esses foram alguns dos pontos, mas existem ainda outros complementares e/ou
que aprofundam no tema, como o artigo 17 (direito ao respeito e à inviolabilidade da
integridade física), o artigo 66 (trabalho protegido ao adolescente deficiente), e o artigo
68 (trabalho educativo executado por aprendiz).
Ao falar do ECA ressalta-se que se trata-se de uma das leis mais importantes do
país, reconhecida internacionalmente como uma lei avançada no tema da criança e do
adolescente.
Assim, entende-se que os resultados da pesquisa apontam para questões
fundamentais e que precisam do olhar atento por parte do poder publico: a mesma
identificou preocupações relacionadas à presença de crianças trabalhadoras que não são
contempladas nos programas sociais. Percebeu-se que tais crianças inseridas nos
programas estariam em conformidade com suas faixas etárias promovendo o pleno
desenvolvimento das faculdades intelectuais e sociais
Detectou-se ainda que há um auto índice de crianças em atividades laborais que
são responsáveis conjuntamente com adultos pela renda mensal familiar.
E, sobretudo as preocupações da pesquisa conferem ao poder público a urgência
em garantir de imediato que crianças não sejam obrigadas a trabalhar e que adolescentes
tenham acesso à profissionalização .
21
3.3- O TRABALHO INFANTIL E AS IMPLICAÇOES SOCIAIS
3.3.1- A Evolução no conceito de trabalho infantil
Para melhor se perceber do que está a se falar quando se menciona Trabalho
Infantil é necessário classificar este conceito. Por isso passa-se a usar algumas das
definições comumente se usam para designar trabalho infantil. Contudo esta ultima
expressão não tem o mesmo sentindo par todos os autores. Uns abordam na perspectiva
jurídica, outros na perspectiva jurídica, outros ainda na perspectiva sociológica.
Quando se anuncia trabalho infantil faz-se referencia à exploração das crianças
no mundo do trabalho.
De acordo com a UNICEF, (1997) as crianças realizam uma grande diversidade
em condições que diferem enormemente. Os registros dessas atividades se fazem ao
longo dos tempos e das regiões. Na pesquisa in loco sobre o trabalho infantil
diagnosticou-se as maiores incidências na área de oficinas mecânicas, lavajato,
construção civil, comércio ambulante, serviços domésticos.
Numa das extremidades o trabalho é benéfico, promovendo ou contribuindo para
o desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral ou social da criança, sem interferir
com a sua educação escolar, sua recreação, e seu descanso. Na outra extremidade é
sensivelmente destrutivo ou envolve exploração (UNICEF, 1997, p.24).
É na extremidade destrutiva que se situa o trabalho infanto- servil, expressão
muito utilizada quando se refere as piores formas de trabalho infantil, análogo à
escravidão das criança como forma de pagamento de dividas contraídas por seus pais ou
avos.
O trabalho infantil tem causas profundas e complexas. Elas emergem num
conjunto de razoes de ordem econômica, social e cultural e soma-se a perda de
influencias das políticas sociais na agenda política.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT), verdadeiro parlamento mundial
de composição tripartida, tem defendido, desde a sua constituição em 1919, como um
dos seus objetivos fundamentais a eliminação do trabalho efetuado por crianças em
condições que prejudicam o seu desenvolvimento físico, psicológico e mental. A OIT
22
(1998) aponta que “La pobreza ES La gran razón de ser Del trabajo infantil” (p.19). É
que as famílias pobres necessitam do dinheiro que os seus filhos podem ganhar e estes
ganhos representam habitualmente 20 a 25% do orçamento familiar. Como as famílias
pobres gastam o grosso do seu orçamento em alimentação, torna-se evidente que os
ganhos obtidos pelas crianças que trabalham são decisivos para a sua sobrevivência.
Algumas investigações realizadas no âmbito da Organização Internacional do
Trabalho sobre as causas do trabalho infantil mostram-nos que os empregadores
recorrem à mão-de-obra infantil por muitas e diversas razões. A explicação mais
comum encontrada pela OIT (1998), é a de que as crianças constituem um menor custo
e são mais ágeis (argumento de los dedos ágiles). Conta-se com o fato de a criança
desconhecer os seus direitos (por isso, convém não tem grande escolarização), de ser
mais submissa, de acatar melhor as ordens e aceitar executar um trabalho monótono sem
se queixar; é menos provável que se ausente do trabalho e não acarrete custos sociais.
Sem pretendermos esgotar o que significa a expressão trabalho infantil,
apresentaremos de seguida algumas definições de diferentes autores. O trabalho infantil,
definido numa perspectiva mais abrangente que integra uma visão sociológica, jurídica
e também econômica, parece apresentar-se na definição que é fornecida pelo Instituto
de Apoio à criança (IAC) e pela Confederação Nacional de Ação Sobre Trabalho
Infantil 91996): trabalho infantil é todo o trabalho desempenhado por crianças com
idade inferior a 16 anos e/ou sem escolaridade obrigatória concluída ainda que em
situação de trabalho domiciliário ou familiar, ou em atividade fora dos locais
“tradicionais” de trabalho (empresa ou fábrica) e que, de forma regular, contribuem para
a subsistência do agregado familiar, desde que seja de molde a comprometer o normal
desenvolvimento da criança, considerado este no plano da saúde, formação moral e da
educação.(p.25)
Outra definição, apresentada pó Sarmento, Bandeira e Dores (2000), refere que
na linguagem comum, trabalho infantil é qualquer atividade produtiva desenvolvida por
criança fora do sistema educativo. Juridicamente, o trabalho infantil consiste numa
relação laboral ilícita, normalmente assalariada, e na qual o trabalhador tem idade
inferior a 16 anos. Numa perspectiva socióloga, o conceito de trabalho infantil abrange
não só o trabalho realizado pela criança na empresa, mas também o trabalho
domiciliário, as atividades domesticas e todas os tipos de trabalho que seja elaborado
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quer por conta própria, quer por conta de outrem e que envolva mão de obra infantil.
A Inspiração Geral do Trabalho (IGT) considera trabalho infantil toda a
atividade desenvolvida numa relação de trabalho subordinado, por indivíduos com idade
inferior à estabelecida por lei para o acesso ao trabalho e ao emprego, ou seja, por
menores de 16 anos, segundo o quadro jurídico em vigor a partir de 1 de janeiro de
1997.
3.3.2. Trabalho Infantil: Problema Social e Político.
O trabalho infantil é um problema que persiste na sociedade hodierna, pois
calcula-se que (sobre) vivam 250 milhões de crianças trabalhadoras em todo o mundo,
cujos direitos consagrados na Declaração dos Direitos da Criança ainda são ignorados.
Araguaína o meio onde realizamos a nossa investigação, é uma região em
crescimento, empregando milhares de trabalhadores, essencialmente no Setor
Agropecuário, onde a mão-de-obra intensiva caracteriza ainda a atividade econômica da
região. Os baixos salários e altas taxas de desemprego continuam a atingir a população
residente e, consequentemente, as crianças. A par destes problemas econômico-sociais
constatou-se um abandono escolar precoce, por parte de alguns alunos, e um rendimento
escolar, por parte de outros. O trabalho por turnos e o recurso às horas suplementares
por parte dos pais que querem ver aumentado o seu rendimento familiar, continuam a
fazer parte da agenda das famílias, reduzindo, assim, o tempo de acompanhamento da
vida dos filhos, que vem a refletir-se, naturalmente, na vida afetiva e na vida escolar dos
mesmos. Como consequência direta aparece a baixa expectativa em relação à vida
futura apresentada por grande parte destes alunos, circunscrita apenas e, nem sempre, ao
cumprimento da escolaridade obrigatória.
3.3.3 Aspirações e Desafios
Da
investigação
realizada
pode
concluir-se
que urge
reorganizar
e
responsabilizar a sociedade no seu todo e a cada indivíduo em particular. Não é por
prazer que as crianças trabalham quando deviam estar na escola uma vez que as causas
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que subjazem a essa atitude implicam toda uma forma de estar das famílias, dos
empregadores, da escola, das políticas educativas e sociais e das comunidades.
A exploração de mão de obra infantil impede o harmonioso desenvolvimento da
criança nas várias dimensões da vida pessoal, social, cultural e econômica. Impedir o
desenvolvimento é impedir o futuro. Um estudo recente da OIT (2003), referindo-se às
consequências econômicas resultantes da eliminação do trabalho infantil no mundo,
conclui que a erradicação deste trará grandes benefícios econômicos e que cabe à
educação o principal papel nessa erradicação.
Coloca-se, assim, um múltiplo desafio: às políticas sociais que devem continuar
a afirmar a necessidade de maior concretização junto das populações, demonstrando a
justeza da sua existência; à escola que se deve organizar em torno dos alunos que
recebe, sem exclusões de qualquer espécie; às comunidade que, mantendo-se fiéis à sua
identidade, precisam das competências adquiridas pelos jovens, na escola, a fim de se
desenvolverem aos vários níveis: econômico, social e cultural, tendo sempre presente a
dimensão estruturante da vida humana, numa permanente construção da cidadania ativa.
4. PESQUISA DIAGNÓSTICO DO TRABALHO INFANTIL NA
CIDADE DE ARAGUAÍNA
Foram aplicados questionários individuais, de perguntas fechadas, de múltipla escolha,
e espontâneas, em abordagem domiciliar, por pesquisadores treinados em atividade
especifica de capacitação e supervisionados pela equipe da Secretaria de Saúde do
Município.
A representação da amostra se deu em 33.632 entrevistados correspondendo a 67% do
universo.
A critica dos dados tabulados revelou imperfeições2que foram imediatamente
corrigidas, contudo, não houve reexame dos questionários. As imperfeições citadas
tiverem sua origem na coleta de dados e/ou na tabulação, dentre os problemas
mencionados os mais relevantes são: micro áreas sem cobertura de pesquisador/Agente
de saúde o que inviabilizou a aplicação dos questionários, residências fechadas, recusa
em responder a pesquisa o que nos remete ao dado de certo receio em responder aos
2
As imperfeições encontradas estão relacionadas com erros do entrevistador, erros de processamento
e não-resposta parcial.
25
questionamentos referentes ao trabalho infantil, cabe ressaltar, que o presente Relatório
representa os dados das Planilhas de Tabulação.
Para melhor aproveitamento das informações obtidas com o estudo, os resultados
apresentam a seguinte estrutura:
1. Dados do Entrevistado (a)
2. Dados da Criança ou Adolescente
3. Atividade Econômica
4. Análise Conclusiva
4.1.
DADOS DO ENTREVISTADO
Com relação aos entrevistados buscou-se identificar a faixa etária, profissão,
gênero, escolaridade e renda familiar dos pais ou responsáveis pelas crianças ou
adolescentes. Que revelou no que tange a faixa etária 34% dos pais ou responsáveis tem
entre 30 e 39 anos, mas têm-se o percentual 22% na faixa de 40 a 49 anos e ainda 15%
de pais ou responsáveis com 50 anos ou mais que representam avós responsáveis, que
em muitos casos assumem a criação dos netos tendo apenas a aposentadoria para o seu
sustento e do menor, tais dados podem ser verificados no gráfico 1. No gráfico 2
constata-se que a maioria dos entrevistados são representados pelo sexo feminino, 82%
feminino, 17% masculino e 1% não respondeu.
Gráfico 1. Faixa Etária
26
Gráfico 2. Profissão
Gráfico 3. Gênero
27
Gráfico 4. Escolaridade: O questionamento sobre a escolaridade mostra que mais da
metade dos pais ou responsáveis tem Ensino Médio Completo e Ensino Fundamental
Incompleto totalizam juntos 61%, mas tem-se ainda 2% de não alfabetizados.
Os entrevistados foram questionados sobre a renda mensal familiar, conforme mostra o
gráfico 5. Neste item observa-se que a soma dos percentuais de ½ a 1 salário e 1 a 2
salários totaliza 70% dos entrevistados, logo a maioria das famílias tem rendimento de
no Maximo 2 salários, dado esse que aponta para a existência de trabalho infantil e da
contribuição da renda desse menor para a despensa mensal da família.
28
4.2.
Dados da Criança ou adolescente
Indagou-se o gênero, faixa etária, a freqüência escolar e a participação em
programas governamentais nas instâncias municipal, estadual e federal, das crianças e
adolescentes residentes no domicilio.
O Gráfico 1. mostra que 50% das crianças e adolescentes são do sexo
masculino e 49% feminino, além a 1% que não responderam ao questionamento.
No gráfico 2. Foi questionado sobre a faixa etária das crianças e adolescentes, neste
item observa-se que a maioria tem de 0 a 7 anos ( 38%) e de 7 a 14 anos ( 38%) o
somatório deste percentuais representa 76% do total.
29
Gráfico 3. A pesquisa mostrou que a maioria das crianças ou adolescente estão matriculados na
escola, e o percentual de 16% envolve também aquelas crianças de 0 a 3 anos que normalmente
não estão matriculadas, bem como aqueles adolescentes de 16 a 18 anos que já concluíram o
ensino médio.
Gráfico 4. No questionamento referente a inserção da criança ou adolescente em programas
sociais revelou que a maioria não estão contempladas em nenhum programa, o que de certa
forma explica a existência de trabalho infantil.
30
Gráfico 5. O principal questionamento desta pesquisa foi referente ao fato da criança ou
adolescente exercer atividade remunerada, neste item chegou ao percentual de 3,39%
trabalhadores infantis, que representa 1141 crianças ou adolescente que exercem atividade
remunerada nas mais diversas áreas desde Oficinas mecânicas, Borracharias, lavajato,
Construção Civil, Serviços domésticos, comércio ambulante, etc. Conforme mostra o gráfico 8,
com relação à renda mensal o gráfico 6 mostra que a maioria fica entre Até ½ salário e na faixa
de ½ a 1 salário estas duas modalidades juntas totalizam 86% dos trabalhadores infantis, Outra
informação importante é com relação a contribuição com a renda mensal familiar, das crianças
ou adolescentes trabalhadoras 58% contribuem com a despesa mensal familiar conforme
mostrado no gráfico 7.
Gráfico 5.
Gráfico 6.
31
Gráfico 7.
Gráfico 8.
32
CONCLUSÃO
Acreditamos que a exploração do trabalho Infantil é uma das piores heranças
que a sociedade pode receber que se situa no âmbito dos problemas sociais e
econômicos enfrentados atualmente.
De modo que a erradicação do trabalho infantil deve ser uma meta a ser
alcançada na soma dos esforços sociedade civil e governo.
Em razão disso mais uma vez nos posicionamos sobre a implementação de
programas governamentais e não governamentais fundados na orientação da OIT com
ênfase também no trabalho educativo a ser oferecido às crianças e educativo e
profissionalizantes a ser oferecido aos adolescentes assegurando-lhes direitos e
perspectivas de um futuro melhor.
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ESTATUTO DA CRIANÇA E ADOLESCENTE. 5ª Ed São Paulo 1995
NASCIMENTO, Grasiele Augusta Ferreira. Direito das minorias: Proteção e discriminação no
trabalho. Campinas-SP: Editora Alínea, 2004.
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Anexos
1- Oficio NUPEX Solicita carga horária para
professores;
2-Termo de Conciliação;
3-Release de divulgação no site;
4- Formulários para cadastro de
digitadores;
5- Questionário;
6- Frequência de acadêmicos participantes
da digitação;
7- Fotos do material da pesquisa e
digitadores;
8-Ata da prefeitura: entrega dos
questionários aplicados;
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Download

Pesquisa: Diagnóstico do Trabalho Infantil na cidade de Araguaína