A IMPORTÂNCIA DA AUDITORIA CONTÁBIL NAS EMPRESAS E ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR Elaine da Silva Santos¹ Cleaylton Ribeiro de Medeiros Gonçalves ² Alex Santos Almeida2 RESUMO O trabalho tem como tema A importância da auditoria contábil nas empresas e entidades do terceiro setor, quem vem abranger os conceitos de empresas e entidades do terceiro setor, como também os conceitos de auditoria, demonstrando com clareza a necessidade da auditoria nas entidades do terceiro setor e os benefícios da auditoria nessas empresas. Sendo o auditor quem examina as demonstrações (transações) contábeis, detectando através de exames a posição financeira, a honestidade dos administradores, evitando e descobrindo fraudes com o objetivo de divulgar seus resultados aos seus empresários, proprietários, gerentes, acionistas ou quaisquer outros interessados. Dessa forma, o auditor independente consiste em analisar as demonstrações contábeis com um conjunto de procedimentos técnicos, emitindo um parecer sobre a situação e as adequações que a empresa deve auferir para os melhores resultados em suas operações. O trabalho esclareci através de pesquisa bibliográfica a importância da auditoria nas entidades do terceiro setor, concluindo-se então que a auditoria é peça fundamental para que a sociedade tenha a certeza que os recursos muitas vezes publico estão sendo aplicado de forma correta. PALAVRAS-CHAVE: Contabilidade. Auditoria Interna. Auditoria Externa. Obrigatoriedade. Necessidade. 1- Acadêmica concluinte do curso de ciências contábeis 2- Orientadores: Professores da Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe-Fanese. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 1 INTRODUÇÃO A auditoria corresponde ao estudo de todos os exames, registros, documentos, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas, que se relacionem com o patrimônio da empresa, objetivando ter por medida a precisão desses registros contábeis deles decorrentes. Dessa forma, resume-se em controlar as áreas-chave nas empresas, a fim de evitar situações que propiciem adulteração, desfalques e cumprimento, através de testes regulares nos controles internos específicos de cada organização. A auditoria tem como objetivo investigar a precisão de registros contábeis e das demonstrações financeiras, fazendo com que o auditor emita uma opinião razoavelmente apresentadas de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitas. No tocante à obrigatoriedade da auditoria, destacam-se as novas exigências de regulamentação que vão requerer mais transparências das empresas brasileiras, resultando em maior isonomia para o mercado nacional, além de ter também como ponto positivo a expansão do mercado para as auditorias de pequeno e médio porte. Para enfatizar a realização este trabalho buscou-se responder a seguinte questão de pesquisa: Qual a importância da auditoria contábil nas empresas e Entidades do Terceiro Setor, considerando sua necessidade e obrigatoriedade? A hipótese básica é que a auditoria não é apenas obrigatória, mas absolutamente necessária ao processo de gestão de uma entidade. Como objetivo geral, buscou-se evidenciar a necessidade da utilização da Auditoria Contábil nas empresas e Entidades do Terceiro Setor, demonstrando suas origens, semelhanças e diferenças. Especificamente, procura-se evidenciar a obrigatoriedade legal da realização de auditorias pelas entidades não enquadradas na Lei das S/A. Foram demonstrados os aspectos gerais e a definição da Auditoria Contábil, seus aspectos históricos e conceituais, e a distinção entre a auditoria interna e externa FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 nas entidades. Também será apresentado um breve histórico da evolução da Auditoria Contábil no Brasil bem como os objetivos e o objeto da Auditoria, seguido de uma análise da necessidade e da obrigatoriedade da Auditoria, evidenciando seu papel e importância na gestão de uma instituição. E por fim, em considerações finais, uma visão da análise e hipótese conclusiva, de que a Auditoria Contábil é indispensável dentro da gestão empresarial nesta economia com cenários altamente competitivos. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Entidade do Terceiro Setor As Associações e Entidades sem fins lucrativos formam o Terceiro Setor, tipo ONGs (Organização não Governamental) como também as OSCIPs (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e Associações. Tem como principal Fonte de Recursos doações, Subvenções e serviços realizados por Profissionais Associado ou cadastro. No mesmo sentido Olak e Nascimento (2010, p.6). São Instituições privadas com propósitos específicos de provocar mudanças sociais e cujo patrimônio é constituído, mantido e ampliado a partir de contribuições, doações e subvenções e que, de modo algum, se reverte para os seus membros ou mantenedores. (OLAK e NASCIMENTO, 2010, p.6). Sendo assim, Entidade sem fins lucrativos ou Econômicos em sua definição ela também pode ser rentável, porem o fato de obter lucro não quer dizer que seja sua principal função, mas que é importante para sua manutenção ou permanência. QUADRO 1: CARACTERÍSTICAS 1. Objetivos Institucionais Provocar mudanças Sociais (DRUCKER, 1994:XIV) 2. Principais Fontes Financeiros e Materiais 3. Lucro de Recursos Doações, contribuições, subvenções e prestação de serviços comunitários. Meio para atingir os objetivos FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 institucionais e não um fim. 4. Patrimônio/Resultados Não há participação/distribuição aos provedores. 5. Aspectos Fiscais e tributários Normalmente são imunes ou Isentas. 6. Mensuração do Resultado Social Difícil de ser mensurado monetária e economicamente (SUMMERS e MOSCOVE, SIMKIN). Fonte: OLAK e NASCIMENTO (2010, p.7) 2.2 AUDITORIA: Aspectos Históricos e Conceituais Para compreender a importância da auditoria na sociedade moderna, torna-se indispensável estudar seu surgimento e sua evolução. No entanto, determinar uma época precisa para o início da auditoria é uma tarefa difícil. 2.3.1 Origem Segundo Motta (1998, p. 25), os primeiros indícios de auditoria, no sentido similar ao atualmente empregado, datam da civilização suméria, identificáveis a partir da prática da conferência dos bens oriundos da atividade pastoril. Para Santi (1988, p. 19), a origem é imprecisa e provavelmente surgiu dentre os guarda-livros prestadores de serviços aos comerciantes italianos, para assessorar os demais especialistas na atividade de escrituração das transações. Perez Júnior e Oliveira (1998, p. 30), por sua vez, dizem que teve origem na Itália devendo-se às demandas do clero, detentor de grande fortuna, nos séculos XV e XVI. Araújo (1998) assevera que em Roma, por volta do ano 200 a.C., as contas governamentais eram fiscalizadas pelos magistrados encarregados das finanças, denominados questores. O termo auditor, conforme Sá (1980, p. 5), surgiu na Inglaterra no reinado de Eduardo I, para designar aquele que realizava o exame de contas públicas e cujo testemunho poderia levar à punição de possíveis infratores. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 Como se vê, embora seja difícil obter um consenso entre os estudiosos do assunto acerca da origem desta técnica, está bastante claro que ela esteve presente desde o início da atividade econômica do homem, não obstante, o estágio de maturação ser completamente diferente do que é vivenciado hodiernamente. Conforme defende Attie (1998, p. 12): O surgimento da auditoria está ancorado na necessidade de confirmação por parte dos investidores e proprietários quanto à realidade econômico-financeira espelhada no patrimônio das empresas investidas e, principalmente, em virtude do aparecimento de grandes empresas multigeograficamente distribuídas e simultâneas ao desenvolvimento econômico que propiciou participação acionária na formação do capital de muitas empresas. (ATTIE, 1998, p. 12) Por esse motivo, compreende-se que o processo de formação da auditoria possui um vínculo estreito com o surgimento das empresas e a evolução do Estado. Essa é a característica básica que conduz ao entendimento da formação da auditoria: está fundamentalmente ligada ao surgimento do modelo capitalista. Tal quadro refere-se ao aparecimento da chamada auditoria externa, que como o próprio nome diz, não tem vinculação direta com uma empresa privada ou estatal. Retornando para o desenvolvimento histórico da auditoria estritamente ligada ao Estado, observa-se que a auditoria externa teve seu desenvolvimento aliado ao governo. Dessa forma, constituiu-se como essencial para o controle das movimentações financeiras dos governantes. Com isso, pretende-se afirmar que o processo de evolução da auditoria no mundo e no Brasil tem uma ligação com o progresso da sociedade. Pode-se afirmar que a extraordinária evolução da auditoria está relacionada com as mesmas causas responsáveis pelo seu surgimento, ou seja, a grandeza econômica e comercial da Inglaterra e da Holanda, em fins do século passado, bem como dos Estados Unidos, onde hoje a profissão é mais desenvolvida, determinou a sua evolução, como FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 consequência do crescimento das empresas, do aumento de sua complexidade e do envolvimento do interesse da economia popular nos grandes empreendimentos. 2.3.2 Evolução dos Conceitos Bell e Johns (1942, p. 55) definem auditoria como; [...] a verificação geral das contas de uma empresa para determinar sua posição financeira, o resultado de suas operações e a probidade de seus administradores, com o fim de comunicar o resultado do exame aos proprietários, acionistas, gerentes, conselheiros, bolsas e outros órgãos oficiais, síndicos, atuais ou prováveis arrendatários, futuros interventores ou compradores, juntas de credores, agências mercantis, hipotecários ou quaisquer outros interessados. Para verificar se houve prestação justa de contas de um patrimônio e se os negócios foram convenientemente administrados, para satisfação ao público, aos doadores etc. Para verificar custos, lucros ou prejuízos de um negócio. Para descobrir e impedir fraudes. (BEL E JOHNS, 1942, p.55) De acordo com Rivera (1955, p. 41), auditoria é o exame de todas as anotações contábeis, a fim de comprovar sua exatidão, assim como a veracidade dos estados ou situações que as ditas anotações produzem. Já no ponto de vista de Holmes (1956, p. 30), a auditoria é o exame de demonstrações e registros administrativos. O auditor observa a exatidão, integridade e autenticidade de tais demonstrações, registros e documentos. No mesmo sentido, Lopez (1987, p. 37), afirma que: As palavras auditoria ou censura de contas se relacionam com a revisão e verificação de documentos contábeis, registros, livros e listagens de contas, utilizadas no processo de captação, representação e interpretação da realidade econômico-financeira da empresa. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 Para a Enciclopédia Britânica (2008, p. 99), auditoria é o exame das contas feito pelos funcionários financeiros de um Estado, companhias e departamentos públicos, ou pessoas físicas, e a certificação de sua exatidão. O dicionário americano de Funk & Wagnalls, (2008, p. 47), define auditoria como tendo “[...] a função de examinar, ajustar e certificar contas. Exame de um documento contábil e da prova de sua exatidão. Chamada para contas. Ajuste de contas. Um balanço. Uma audiência”. Na definição do Dicionário de Caldas Aulete (1987, p. 76), “auditoria é o emprego do auditor. Tribunal onde o auditor exerce as suas funções”. Por sua vez, na opinião de Franco e Marra (2000, p. 33), a auditoria define-se da seguinte forma: É uma técnica contábil que compreende o exame de documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas, relacionadas com o controle do patrimônio, objetivando mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis deles decorrentes. Para Lopes de Sá (1998, p. 08), a auditoria: É uma tecnologia contábil aplicada ao sistemático exame dos registros, demonstrações e de quaisquer informes ou elementos de consideração contábil, visando a apresentar opiniões, conclusões, críticas e orientações sobre situações ou fenômenos patrimoniais da riqueza aziendal, pública ou privada, quer ocorridos, quer por ocorrer ou prospectados e diagnosticados. De acordo com a NBC T 11 - Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis (CFC, 1997), a auditoria das demonstrações contábeis constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre a sua adequação, consoante os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade e, no que for pertinente, a legislação específica. 2.4 Auditoria Interna Como já dito anteriormente e de acordo com Jund (2004, p. 26), FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 [...] auditoria é uma técnica autônoma entre as técnicas da Ciência Contábil, razão pela qual tem objeto perfeitamente identificado e definido, sendo este não apenas único, mas também múltiplo, conforme o entendimento unanimemente consagrado nos dias de hoje. Para esse mesmo autor (2004, p. 26), a auditoria interna por sua vez, É uma atividade de avaliação independente e de assessoramento da administração, voltada para o exame e avaliação da adequação, eficiência e eficácia dos sistemas de controle, bem como da qualidade do desempenho das áreas, em relação às atribuições e aos planos, às metas, aos objetivos e às políticas definidas para as mesmas. No setor público, segundo a Instrução Normativa N.º 16, do MEFP/DTN/COAUD, adaptada pelo MF/SFC/SEAUD/CONOR, em termos gerais, a auditoria tem como finalidade comprovar a legalidade, a legitimidade e avaliar os resultados, quanto à economicidade, eficiência e eficácia da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nas unidades da administração direta e entidades supervisionadas da administração federal, bem como a aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado; dar suporte ao exercício pleno da supervisão ministerial. Lisboa, em seu Manual de Auditoria Interna (2009, p. 5) expõe que: A auditoria interna é o conjunto de técnicas que visa avaliar, de forma amostral, a gestão da Companhia, pelos processos e resultados gerenciais, mediante a confrontação entre uma situação encontrada com um determinado critério técnico, operacional ou normativo. Trata-se de um importante componente de controle das Corporações na busca da melhor alocação dos recursos do contribuinte, não só atuando para corrigir os desperdícios, as impropriedades/disfunções, a negligência e a omissão, mas, principalmente, antecipando-se a essas ocorrências, buscando garantir os resultados pretendidos, além de destacar os impactos e benefícios sociais advindos, em especial sob a dimensão da eqüidade, intimamente ligada ao imperativo de justiça social. (LISBOA, 2009 p.5) Como se pode ver, a auditoria consiste em uma união de procedimentos que tem como alvo analisar com atenção a íntegra, a identidade e a eficiência dos controles internos e das informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais da entidade. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 A parte da empresa responsável pela revisão das operações, como um serviço prestado à administração é a auditoria interna. Essa atividade é realizada por um profissional ligado à empresa, de extrema confiança dos dirigentes, que pode esta vinculada à empresa por contrato trabalhista continuado e sua intervenção é permanente. A auditoria interna tem como objetivo acompanhar todos os procedimentos ocorridos na empresa, fornecendo aos membros da administração análises, apreciações, recomendações e comentários relativos às atividades analisadas para que obtenha um desempenho efetivo de suas funções e encargos. 2.5 Auditoria Externa Na visão de Crepaldi (2000, p. 07), a auditoria externa é representada da seguinte forma: Constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem como objetivo a emissão do parecer sobre a adequação com que estes representam à posição patrimônial e financeira, o resultado das operações, as mutações do Patrimônio Líquido e as origens e aplicações de recursos da entidade auditada consoante as normas brasileiras de contabilidade. (CREPALDI, 2000 p.7) Compõe em uma formação de uma serie de procedimentos técnicos que tem como propósito a emissão do parecer sobre adequação com que estes representam à posição patrimonial e financeira da empresa auditada. O quadro a seguir demonstra as principais diferenças entre auditoria externa e interna: Quadro 2 : Comparação entre Auditoria Externa e Auditoria Interna FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 Elementos Auditoria Externa Sujeito Profissional independente Ação e objetivo Finalidade Auditoria Interna Auditor interno (Funcionário da empresa) Exame das demonstrações Exame dos controles financeiras operacionais Opinar sobre as Promover melhorias nos demonstrações financeiras controles operacionais Recomendações de controle Relatório principal Parecer interno e eficiência administrativa Grau de independência Interessados no trabalho Mais amplo A empresa e o público em Responsabilidade geral Profissional, civil e criminal Menos amplo A empresa Trabalhista Número de áreas cobertas pelo exame durante o Maior Menor Menor Maior Periódico Contínuo período Intensidade dos trabalhos em cada área Continuidade do trabalho Fonte: CREPALDI (2000, p.8). 2.6 Objetivos da Auditoria FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 No ponto de vista de Crepaldi (2000, p. 36): O objetivo do exame normal das demonstrações financeiras pelo auditor independente é a emissão de um parecer que mostrará a realidade das demonstrações financeiras, o resultado das operações e as modificações necessárias, de acordo com os princípios contábeis e as normas de auditoria geralmente aceitas. Essas normas requerem que o auditor afirme se, em sua opinião, as demonstrações financeiras estão apresentadas de acordo com princípios fundamentais de contabilidade e se esses princípios foram aplicados de forma consistente em relação ao período anterior. (CREPALDI, 2000, p.36) Em outras palavras, o objetivo da auditoria é investigar a precisão dos registros contábeis e das demonstrações contábeis nos fatos que alteram o patrimônio e a representação desse patrimônio. A auditoria é uma técnica contábil, podendo ser entendida como ramo da Contabilidade também. Dessa forma, o objetivo geral de uma auditoria das demonstrações financeiras é fazer com que o auditor emita uma opinião sobre as demonstrações financeiras que estão razoavelmente apresentadas, de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitas. A reunião de todos os elementos de controle do patrimônio administrativo que compreendem registros contábeis, papéis, documentos, fichas, arquivos e anotações que confirme a legalidade dos atos da administração, bem como sua lisura na defesa dos interesses patrimoniais é o objeto da auditoria. De acordo com Dantas (2010, p.02) a auditoria pode ter por objeto fatos não registrados documentalmente, mas que sejam relatados pelos que exercem as atividades relacionadas com o patrimônio administrativo, do qual informações mereçam credibilidade, desde que possam ser admitidas como segurança pela evidência ou por indícios convincentes. É sobre o seu objeto que Franco & Marra (2001, p.31), apud Gelatti, Meneghetti, Freitas e Trindade (2007, p.3), relatam: FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 A auditoria exerce sua ação preventiva, saneadora e moralizadora sobre esse objeto, para confirmar a autenticidade dos registros e a fiabilidade dos comprovantes, com o fim de opinar sobre a adequação das situações e informações contidas nas demonstrações contábeis, na segurança dos direitos dos proprietários, dos financiadores do patrimônio, do próprio fisco e, até, da sociedade em geral. Segundo o IBRACON, o objeto da auditoria se resume no conjunto dos elementos de controle do patrimônio, quais sejam, os registros contábeis, documentos que comprovem esses registros e os atos administrativos. Fatos não registrados documentalmente também são objeto da auditoria, uma vez que tais fatos podem ser relatados por indivíduos que executam atividades relacionadas ao patrimônio auditado. 2.7 Obrigatoriedade da Auditoria Segundo a KPMG, após sete anos de tramitação na câmara dos deputados e modificação no texto original, o Projeto de Lei (PL) número 3741/00 foi finalmente aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no plenário do Senado Federal e sancionado pelo Presidente da Republica em 28 de dezembro de 2007, tornando-se na Lei 11.638 que modifica a Lei 6.404/76. Em vista disso, as empresas em geral devem estar atentas para as alterações nas normas contábeis nacionais e novas obrigatoriedades. A Lei n.º 11.638/2007, também conhecida como a nova Lei das S.A., trouxe inovações e boas noticias para o mercado financeiro, pois com as novas exigências de regulamentação vão solicitar mais limpidez das empresas brasileiras, isso vai ter como conseqüência em maior isonomia para o mercado nacional. Com isso, o mercado para as auditorias de médio e grande porte vai experimentar uma grande expansão. Segundo a nova legislação, as empresas com receita bruta superior a R$ milhões e ativo total superior a R$ 240 milhões serão obrigadas a ter suas demonstrações financeiras auditadas. As empresas consideradas como de grande porte FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 são as sociedades ou conjunto de sociedades sobre controle comum que tiverem, no exercício anterior, ativo total superior a R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300milhões. As S. A. – Sociedades Anônimas de capital aberto que são obrigadas a fazer a auditoria, pois possuem ações em bolsas de valores, a auditoria é essencial para todas as demais empresas que visam à pureza das informações contábeis, para obter uma situação real e financeira da empresa. Várias empresas podem e devem optar por contratar auditores independentes para qualificar sua legítima situação, tais entidades como, de vários sócios, de médio e grande porte, pertencentes a ramos de atividades diversos, tais como cooperativas, faculdades, escolas, entidades beneficentes, clubes, associações e condomínios (em construção ou construindo). A Lei nº n.º 11.638/2007 amplia a abrangência da Lei n.º 6. 404/1976, no que tange à escrituração e elaboração de demonstrações contábeis e a obrigatoriedade de auditoria independente, para as empresas de grande porte, mesmo aquelas que tenham adotado outra forma societária, que não a de Sociedade por Ações. 2.8 Necessidade da Auditoria Nas Empresas e Entidades do Terceiro Setor Na opinião de Crepaldi (2000, p. 47): A auditoria atualmente é um meio indispensável de confirmação da eficiência dos controles e fator de maior tranqüilidade para a administração e de maior garantia para investidores, bem como para o próprio fisco, que tem na auditoria o colaborador eficiente e insuspeito, que contribui indiretamente para melhor aplicação das leis fiscais. A principal vantagem da auditoria externa é sua independência, pois não se envolve com o ambiente de trabalho, evitando embaraços e possíveis constrangimentos. O trabalho de auditoria abrange, além de fatores técnicos, fatores psicológicos: as pessoas, ao saberem que há um controlador, inibem qualquer iniciativa de cometer irregularidades. As principais áreas de atuação do auditor são: saldo das contas do balanço, contabilidade, sistema de informática, folha de pagamento e faturamento da área financeira. É importante calcular o custo – beneficio da FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 operação; às vezes, o risco é tão pequeno que não compensa a contratação de auditores e o custo do controle torna-se mais caro. (CREPALDI, 2000, p. 47) De acordo com Chiaratti e Pinto (2013, p.50), a auditoria contábil aumenta a credibilidade das demonstrações contábeis e notas explicativas, assegurando maior transparência nas informações sobre as entidades perante os diversos públicos. E ainda, contribui para o aperfeiçoamento dos sistemas e controles internos, por meio de novas tecnologias e novas metodologias, evitando fraudes e desvios. Segundo os mesmos autores, esses processos utilizados pela auditoria têm suas exigências, como bases estratégicas nas causas e efeitos que devem ser vistas com atenção pelas pessoas que convivem com o ambiente auditado. Na opinião de Chiaratti e Pinto (2013, p. 49), a auditoria contábil funciona como uma ferramenta para auxiliar no processo de aperfeiçoamento das entidades, direcionando e demonstrando como se enquadrar aos Princípios Fundamentais, às Normas Brasileiras de Contabilidade e à legislação vigente. As Entidades do Terceiro Setor estão assumindo uma Responsabilidade Social cada vez maior, por este motivo, essas organizações têm a necessidade de elaborar e publicar demonstrações que evidenciem as atividades relacionadas a essa responsabilidade. Como exemplo, pode-se citar: Balanço Social e o Demonstrativo do Valor Adicionado (D.V.A.). A Auditoria dentro das Entidades do Terceiro Setor não busca validar apenas os números contábeis, mas também avalia a destinação dos recursos de terceiros que são empregados nas atividades sociais ou nos projetos das entidades. Tentando acabar com o pensamento de “pilantropia”, o auditor defende a transparência das contas sem fins lucrativos, o que é possível com o trabalho isento e neutro. A Auditoria se torna uma ferramenta necessária das Entidades do Terceiro Setor para a tomada de decisões em relação à gestão de suas ações sociais, medindo o impacto da entidade na sociedade. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS A Auditoria teve uma grande evolução desde seu surgimento até os dias atuais, devido à necessidade de confirmação de registros contábeis nas empresas. Além disso, ela é um instrumento gerencial aplicada para avaliar, confirmar ou investigar as atividades exercidas pela empresa, emitindo opiniões sobre adequações das mesmas. As profundas mudanças no cenário econômico têm levado tanto instituições com fins lucrativos, como instituições sem fins lucrativos a se preocuparem com a continuidade das operações e com a forma de atendimento aos clientes. A percepção é de que não será possível sustentar a continuidade das empresas, sem a oferta de um serviço de qualidade, e sem a satisfação dos diversos usuários. A Lei nº 6.404/76 não estabelece a obrigatoriedade de auditoria independente para as companhias fechadas. Esse fato tem causado algumas dificuldades com relação à qualidade das informações contábeis divulgadas por determinadas companhias abertas, que possuem investimentos relevantes em controladas ou coligadas fechadas. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 Por não serem as demonstrações contábeis dessas empresas, em muitos casos, objeto de exame por auditores independentes, parte importante do ativo e do patrimônio da investidora ou controladora - companhia aberta - deixa também de ser auditada. Os serviços prestados pela Auditoria promovem o ambiente ideal para o contexto da tomada de decisões pelos gestores, bem como asseguram aos demais interessados, a confiança necessária nas informações geradas pela Instituição. Para os empresários, os proprietários, gerentes, acionistas ou quaisquer outros interessados na entidade, a auditoria transmite mais segurança e confiança. Por outro lado, a Auditoria é pouco procurada e utilizada, uma vez que a maioria das entidades auditadas é de grande porte, para o cumprimento de obrigações legais ou mero centro de custo, deixando de reunir resultados mais positivos às entidades como um instrumento de validação da gestão dos recursos recebidos de terceiros como um meio de prevenir erros e fraudes, podendo ajudar a administração a tomar determinadas decisões ou mesmo mudar de comportamento devido às conclusões obtidas nos relatórios e estudos apresentados pelos auditores. Contudo a auditora nas entidades do terceiro setor, é um instrumento de controle, para que possa dar a segurança, no sentido que os recursos financeiros estão sendo aplicados de forma correta. Assim sendo, este estudo procurou reunir informações bibliográficas, podendo-se concluir que a auditoria, em função dos seus benefícios e de ser um instrumento comprovador imprescindível, contém informações necessárias para atender às exigências do mundo globalizado vivido atualmente. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2003. ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos. Introdução à auditoria. Salvador: 1998. ATTIE, William. Auditoria: conceitos e aplicações. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1998. AULETE, Francisco Júlio de Caldas. Dicionário contemporâneo de língua portuguesa. Lisboa: Editora Delta, 1987. FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE - FANESE – ARACAJU – SERGIPE REVISTA ELETRÔNICA DA FANESE – VOL 3 – Nº 1 – SETEMBRO 2014 CFC – Conselho Federal de Contabilidade. 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