VIII CIAEC 041 PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS DAS FIRMAS DE AUDITORIA INDEPENDENTE EM CUIABÁ/MT Alex Fabiano Bertollo Santana Centro Universitário de Ji-Paraná - CEULJI/ULBRA (Brasil) Rogerio Narcizo de Souza Universidade Federal do Mato Grosso (Brasil) Clébia Ciupak Universidade Federal do Mato Grosso (Brasil) PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS DAS FIRMAS DE AUDITORIA INDEPENDENTE EM CUIABÁ/MT Esse estudo visa apresentar as perspectivas das firmas de auditoria independente de Cuiabá. Dessa forma, foi possível quantificar as firmas e os profissionais ligados à atividade de auditoria independente, bem como demonstrar a relevância do auditor independente frente ao cumprimento das leis, normas e legislações contábeis apresentando ainda as prerrogativas profissionais do auditor independente. Para tanto se utilizou de questionário e pesquisa de campo a fim de coletar as informações pertinentes aos auditores independentes. Por meio das informações colhidas e organizadas constatou-se que o mercado de auditoria independente em Cuiabá é amplo, pois além de dispor de poucos profissionais, a cidade vive dias de grande expansão na sua economia, elevando a demanda em diversos setores. Assim, são importantes a dedicação, muito estudo e compromisso do profissional que queira se tornar um auditor independente, pois a carreira exige constante estudo e aperfeiçoamento, a iniciar por um exame geral, caminhado para um programa contínuo de formação. Palavras-chave: Auditoria independente. Firmas de auditoria. Perspectivas das firmas de auditoria 1. Introdução Nos últimos anos o papel do auditor independente vem alcançando prestígio e relevância no Brasil, graças ao crescimento econômico e credibilidade internacional obtida. A oportunidade para o profissional responsável ao exame das demonstrações financeiras expandiu-se, pois, aumentou a demanda em fornecer informações fidedignas aos acionistas e demais usuários da contabilidade. É possível afirmar a importância da auditoria nas operações e informações em uma empresa, que pode ser tanto interna quanto externa. A presente pesquisa dedicouse ao estudo da auditoria externa ou independente, porém, em diversos momentos se referiu à auditoria interna devido à sua importância no controle e acompanhamento de uma empresa que servem de norte para o auditor independente. Nesse contexto, questionou-se: quais são as perspectivas profissionais das firmas de auditoria independente em Cuiabá? Sendo assim, elaborou-se algumas hipóteses: (a) quanto maior o nível de atualização e conhecimento do ramo empresarial, maior a implantação de firmas de auditores independentes; (b) face às recentes mudanças na legislação contábil e ao desenvolvimento da região, principalmente pela realização da Copa de 2014, a perspectiva é de crescimento do número de auditores independentes em Cuiabá; (c) as firmas de auditoria não são suficientes para atender a demanda local; (d) apesar dessa insuficiência, os grandes grupos empresariais ao necessitarem de um parecer de auditor independente recorrem às firmas dos grandes centros – detentores de maior prestígio nacional e internacional – causando assim, espécie de concorrência desleal. O objetivo geral deste trabalho foi diagnosticar as perspectivas profissionais das firmas de auditoria independente de Cuiabá/MT e os objetivos específicos foram: quantificar as firmas de auditoria independente em Cuiabá/MT, demonstrar a relevância do auditor independente frente ao cumprimento das leis, normas e legislações contábeis e apresentar os requisitos, modalidades e prerrogativas profissionais do auditor independente. A metodologia aplicada no presente estudo possui uma abordagem qualitativa de forma a alcançar o entendimento, compreensão e a resolução do problema da pesquisa por meio da análise de normas que envolvem o tema pesquisado. Quanto aos objetivos, a pesquisa é descritiva, fez-se uso da observação, do registro e análise, onde buscou-se descrever e conhecer as características das firmas de auditoria independente em Cuiabá/MT. Fez-se uso inclusive da pesquisa de campo contemplado pela coleta e análise de dados das firmas de auditoria independente de Cuiabá, utilizando-se de questionário. Dessa forma, procurou-se alcançar uma análise mais profunda em relação à amostra que foi estudada. 2. Referencial Teórico 2.1 Auditoria A Ciência Contábil possui quatro técnicas que norteiam toda e qualquer produção técnica e/ou científica que dela pode vir, são elas: escrituração, demonstrações contábeis, análise das demonstrações contábeis e auditoria. Esta última é a técnica que o presente estudo se dedica, e objetiva buscar na literatura os conceitos e definições mais utilizados no meio acadêmico. A auditoria exige constante exame das informações resultantes das outras técnicas da contabilidade. Ao levantar, estudar e avaliar operações e procedimentos, a auditoria permeia pelos dados que já foram escriturados, demonstrados e analisados, conferindo-lhes credibilidade. A definição de auditoria tem uma relação bastante estreita com a investigação dos resultados e objetivos pretendidos por uma entidade, Attie (1998, p. 24) observa essa característica. A auditoria é uma técnica contábil voltada a testar a eficiência e eficácia do controle patrimonial implantado com o objetivo de expressar uma opinião sobre determinado dado. Na visão de Sá (2000), a auditoria é uma técnica contábil que se aplica ao exame de registros, demonstrações e a qualquer outro elemento susceptível a consideração contábil, que visa apresentar opinião, conclusão, crítica e orientação sobre a situação e posição patrimonial, pública ou privada, que tenha ocorrido ou que venha a ocorrer. 2.2 Auditoria Interna Versus Auditoria Externa A necessidade em conhecer os procedimentos e manter um acompanhamento mais estreito com o processo de organização, fez da auditoria interna uma ferramenta essencial ao controle. A figura do auditor interno não se subordina ao departamento responsável pela elaboração dos lançamentos contábeis, pelo contrário, se mantém distante a fim de evitar qualquer interferência. Conforme a definição de auditoria interna do Instituto de Auditoria Interna do Brasil – IIABRASIL: A Auditoria Interna é uma atividade independente e objetiva de avaliação (assurance) e de consultoria, desenhada para adicionar valor e melhorar as operações de uma organização. Ela auxilia uma organização a realizar seus objetivos a partir da aplicação de uma abordagem sistemática e disciplinada para avaliar e melhorar a eficácia dos processos de gerenciamento de riscos, controle e governança. A auditoria externa desponta como consequência da necessidade em obter maior grau de confiança nas demonstrações contábeis da entidade. O objetivo é emitir um parecer a respeito das demonstrações financeiras. No entanto, Crepaldi (2010, p. 35) vai mais além ao afirmar que a auditoria externa: Constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão do parecer sobre a adequação com que estes representam a posição patrimonial e financeira, o resultado das operações, as mutações do Patrimônio Líquido, a Demonstração dos Fluxos de Caixa e a Demonstração do Valor Adicionado da entidade auditada consoante as normas brasileiras de contabilidade. Para Almeida (2010), o desenvolvimento da auditoria externa possui uma relação muito estreita com a instalação de diversas empresas com associações internacionais de auditoria externa, fruto de exigências dos Estados Unidos da América e de países da Europa, para que os investimentos no exterior fossem auditados. 2.3 Firmas de Auditoria O auditor independente no exercício de suas atividades deverá observar as normas emanadas do CFC e os pronunciamentos técnicos emitidos pelo IBRACON, no que diz respeito à ética, aos procedimentos e à emissão dos relatórios e pareceres. Outro detalhe de suma importância no que tange ao registro junto à CVM é a comprovação do exercício da atividade por cinco anos, sendo consecutivo ou não, como contador. O auditor deve tornar como fundamental na execução do seu trabalho a ética profissional. Ao tratar sobre a ética contábil é interessante citar Franco e Marra (1992), onde os autores mencionam os requisitos morais relativos à profissão: integridade, idoneidade, respeitabilidade, caráter ilibado, padrão moral elevado, vida privada irrepreensível, justiça e imparcialidade. Além desses atributos o auditor deve se atentar para o ambiente de constantes mudanças ao qual ele está inserido. Atualmente empresas buscam profissionais que fortaleçam suas capacidades competitivas, que as auxiliem no processo de gestão e controle. 3. Metodologia A metodologia aplicada no presente estudo possui uma abordagem qualitativa de forma a alcançar o entendimento, compreensão e a resolução do problema da pesquisa por meio da análise de normas que envolvem o tema pesquisado. Quanto aos objetivos, a pesquisa é descritiva, fez-se uso da observação, do registro e análise, onde buscou-se descrever e conhecer as características das firmas de auditoria independente em Cuiabá/MT. No que diz respeito aos procedimentos predominou a pesquisa bibliográfica por meio de livros, artigos científicos, legislações e periódicos. É interessante destacar nos estudos da área contábil, a marcante presença da pesquisa bibliográfica tanto como parte integrante de outra pesquisa quanto fator de delineamento. Fez-se uso inclusive da pesquisa de campo contemplado pela coleta e análise de dados das firmas de auditoria independente de Cuiabá, utilizando-se de questionário. 4. Descrição e Análise dos Resultados Até o mês de junho de 2011 o Conselho Federal de Contabilidade mantinha em seus registros 15 auditores independentes cadastrados na Unidade Federativa de Mato Grosso. Paralelamente, ao pesquisar sobre a população de Cuiabá levantada pelo Censo de 2010 é possível encontrar no site do IBGE o número de 551.350 mil habitantes. De pronto, verifica-se a proporção de auditores independentes à disposição da sociedade cuiabana que pode ser visualizada pela figura 3 a seguir: Figura 3: Relação de habitantes e auditores independentes de Cuiabá/MT Fonte: IBGE/CFC Isso significa que existe 1 auditor independente para cada grupo de 36.756 mil pessoas. Do ponto de vista quantitativo está acima da média nacional, pois segundo Niyama (2005), o Brasil possui 1 auditor para cada 100.000 mil habitantes, em contrapartida Cuiabá fica com o equivalente a 2,7 auditores. No entanto, ainda de acordo com o autor, se comparado com a Nova Zelândia que possui 550 auditores para cada 100.000 mil habitantes verifica-se o longo caminho a percorrer. Figura 4: Tempo de exercício na profissão Fonte: O Autor – (questionário respondido pelos auditores) A figura 4 revela que acima de 60% dos auditores possuem mais de 15 anos de atividade no ramo da auditoria independente. Vale ressaltar que este é um aspecto muito positivo já que compete ao auditor conhecer com minudência as técnicas aplicadas no exame das demonstrações contábeis. 4.1 Aspectos Profissionais Esta seção irá apresentar informações que objetivam conhecer o perfil dos questionados por um ângulo mais técnico a fim de alocar o profissional em torno das rotinas e discussões que envolvem a profissão contábil, especificamente a auditoria. Figura 5: Categoria profissional dos questionados Fonte: O Autor – (questionário respondido pelos auditores) Por meio da questão que abordou a respeito da categoria profissional que os auditores exercem, demonstrado pela figura 5, foi possível concluir que 50% deles são sócios das firmas onde atuam. Quanto às categorias de auditor assistente e sênior não foi obtido nenhuma ocorrência. Figura 6: Registro de Auditor Independente Fonte: O Autor – (questionário respondido pelos auditores) Apesar da maioria dos auditores declararem como sócios das firmas de auditoria, 75% deles estão registrados como Auditor Independente Pessoa Física (AIPF), é o que mostra a figura 6. 4.1.1 Auditoria independente e a legislação Questionado sobre as mudanças das leis, em especial a Lei 11.638/07, e o impacto assim causado na execução dos trabalhos de auditoria independente em Cuiabá. Foram obtidas várias respostas, descritas a seguir: - “Ainda em implantação”; - “Não dá pra ser mensurado, mas serão muitas mudanças das quais as empresas não estão preparadas”; - principalmente nos itens ética, transparência e responsabilidade”; “No Brasil total, - “Sim. É um novo tratamento para as empresas de grande porte”; - “Obrigou o contador/auditor a ler novamente e a interpretar fatos contábeis, ao invés de apenas reproduzir instruções da legislação fiscal. A convergência para o IFRS exige do contador um novo posicionamento, assim como para o exercício da auditoria, pois este teve que se antecipar para poder desempenhar o seu papel orientativo”. Nota-se a preocupação da classe contábil em recorrer às mudanças legais para continuar no cumprimento de suas funções. Com tom imperativo um dos entrevistados utiliza do verbo “obrigar” para expressar a quebra de paradigmas ocasionada. Três dos questionados deixou de responder essa questão. 4.1.2 Empresas de grande porte e a auditoria independente Nessa pergunta a ideia foi conhecer o ponto de vista dos entrevistados quanto aos trabalhos de auditoria a ser realizado nas empresas de grande porte situadas em Mato Grosso. Se porventura este trabalho é realizado por firmas de auditoria de Cuiabá, e em caso negativo o porquê da procura por firmas de auditoria de outros estados. Figura 7: O trabalho de auditoria nas empresas de grande porte Fonte: O Autor – (questionário respondido pelos auditores) Essa questão foi respondida por todos os entrevistados e por unanimidade acreditam que o trabalho de auditoria nas denominadas empresas de grande porte, em sua maioria, não são realizados por firmas de Cuiabá. Em seguida foram citados os motivos que levam a esse comportamento. Aproximadamente 50% dos entrevistados acreditam que a maior credibilidade das grandes firmas de auditoria faz com que os grandes grupos empresariais as procurem em vez das firmas de Cuiabá. Pouco mais de 20% dos questionados atribui a esse fato a localização das matrizes, pois normalmente se situam fora de Mato Grosso. Por fim, cerca de 30% dos auditores de Cuiabá interpretam essa situação como decorrente da escassez de mão de obra local capaz de atender a demanda de trabalho, fazendo com que parte significativa das empresas de grande porte busque em outras capitais do país o profissional contábil disposto e capacitado a atendê-los. 4.1.3 Ponto de vista dos auditores diante da concorrência externa Continuando o enfoque da pergunta anterior, essa questão visou conhecer o posicionamento dos entrevistados frente à concorrência externa, advinda de outras regiões do país. Os entrevistados poderiam escolher mais de uma alternativa, como verificado pela figura acima. Assim, é possível apurar que dentre as opções, a mais buscada pelos auditores é a atividade em se aperfeiçoarem constantemente. Figura 8: Posicionamento frente à concorrência externa Fonte: O Autor – (questionário respondido pelos auditores) Verifica-se ainda que 50% dos auditores apostam na formação de uma equipe técnica qualificada para poder concorrer à altura dos demais. Outro fator marcante na questão é que apenas 25% dos questionados afirmam não se preocuparem com a concorrência externa. Nessa questão um questionado se absteve em responder. 4.1.4 Efeitos da Copa de 2014 em Cuiabá para a auditoria externa Figura 9: Reflexos da Copa de 2014 na auditoria externa em Cuiabá Fonte: O Autor – (questionário respondido pelos auditores) O objetivo dessa pergunta era conhecer as perspectivas dos auditores independentes em relação à Copa do Mundo de Futebol de 2014, que terá Cuiabá como uma das sub-sedes. Foi questionado sobre as influências e reflexos que esse evento esportivo poderá causar no ramo da auditoria. A análise que se faz a partir da figura 9 é de um cenário muito otimista e promissor por parte dos auditores, já que predominaram os pontos de vista de que tendo Cuiabá como palco de um evento futebolístico tão influente, a oportunidade será excelente para a instalação de grandes empresas e o fortalecimento da classe contábil na região. No entanto, um dos questionados acredita que esse episódio não afetará de forma positiva a área de auditoria independente. Como também acreditam, em unanimidade, que o chamado Terceiro Setor, representado em maior parte pelas ONGs e OSCIPs, não será atingindo no sentido de crescimento. 4.1.5 Os auditores e o Programa de Educação Continuada A fim de atender o que dispõe a Resolução do CFC nº 1.146/08 sobre o Programa de Educação Continuada, foi perguntado aos entrevistados quais as atividades desenvolvidas por eles com intuito de se adequarem à norma. Figura 10: Atividades desenvolvidas para atender o Programa Educação Continuada Fonte: O Autor – (questionário respondido pelos auditores) Por meio da figura 10, nota-se que todos os questionados utilizam-se de seminários, simpósios e palestras. Verifica-se ainda que 50% dos auditores lecionam, e automaticamente faz dessa atividade um meio para alcançar os pontos exigidos pelo Programa. Outra parte significativa, que ultrapassa 37% dos questionados, utilizam-se de outras atividades não especificadas oportunamente. 4.1.6 Perspectivas das firmas de auditoria independente em Cuiabá Nesse ponto os profissionais tiveram a oportunidade de avaliar quais as perspectivas das firmas de auditoria independente em Cuiabá, no curto, médio e longo prazo. Dentre os questionados apenas um se absteve em responder, quanto às respostas dos demais, segue abaixo a transcrição das mesmas: - “De grandes mudanças e adaptações que surgirão principalmente em consequência de uma nova classe contábil que cresce a cada dia”; - “Amplitude total, baseado em toda a estrutura, na rural, industrial e agropecuária”; - “As perspectivas são altas em todos os aspectos”; - “Prestar assessoria a empresas de pequeno e médio porte”; - “Como já exposto, a Copa do Mundo, o próprio desenvolvimento do Estado e do Brasil, proporciona o novo mercado a ser atingido. Pois com isto o desenvolvimento cultural acontece naturalmente e somente com uma cultura estaremos sendo valorizados nos trabalhos de auditoria”; - “O mercado de trabalho em Cuiabá-MT é muito promissor para aqueles contadores que investem em qualificação profissional visando atender empresas de grande porte. Diante disto, o cenário que se visualiza é de crescimento das empresas já existentes ao qual está investindo em qualificação e estruturação. Surgimento de novas empresas no mercado”; - “Existe um movimento para aumento no nível de governança das empresas em crescimento, fato que proporciona melhores condições de gestão, possibilidades de associações (fusões, aquisições e parcerias), maiores volumes de captação de recursos e redução em taxas de juros (com a diminuição do risco). Todos estes fatores tendem a manter uma demanda aquecida para o segmento de auditoria. Sempre haverá lugar para auditores, pessoa física e pequenas empresas, trabalhando de forma séria ou não. É claro que a tendência é que cada vez mais isso seja fiscalizado pelos órgãos competentes e, principalmente, pelo mercado (usuário das demonstrações). O mercado de grandes empresas para as Big Four (Deloitte, Ernst & Young Terco, KPMG e PWC) ainda é pequeno na região, de forma que não haverá, em médio prazo, interesse destas em ter estrutura fixa aqui. Isso somente será viável quando existir um volume significativo de empresas auditáveis pelas Big Four, o que hoje não é realidade. Até lá, as auditorias locais vão continuar trabalhando com os grupos médios/pequenos regionais e mesmo com alguns casos da administração pública”. De maneira geral os entrevistados demonstraram otimismo para o cenário que aguarda a auditoria independente em Cuiabá. São perspectivas que primam pela qualificação profissional e pela mudança de comportamento. Um dos entrevistados ainda citou a mudança de cultura que a classe contábil há de enfrentar a fim de valorizar o exercício da auditoria. No entanto, apesar de promissora e em expansão, na visão de um dos auditores, o mercado de auditoria independente em Cuiabá, ainda não é uma fatia que cative interesses nas Big Four do ramo. Ao menos por um tempo. Isso faz com que as firmas já existentes consolidem ainda mais as suas marcas, ganhem mercado e experiência, ao ponto de em um futuro próximo estarem à altura das grandes firmas de auditoria independente. 5. Considerações Finais O presente estudo pretendeu conhecer e descrever as perspectivas profissionais pelos quais as firmas de auditoria independente de Cuiabá se encontram. Diante de um cenário de mudanças que a contabilidade vem sofrendo a fim de tornar-se única, seja na área pública ou privada, nacional ou internacionalmente, procurou-se destacar a capital de Mato Grosso como campo de aplicação com intuito de construir um panorama da auditoria independente na referida região. O trabalho focou o estudo em Cuiabá, por ser a cidade onde se concentra o maior número de escritórios comerciais e onde se localizam a parte administrativa das grandes empresas e indústrias do estado. Outra justificativa faz jus à cidade ter sido escolhida como uma das sub-sedes da Copa do Mundo de Futebol de 2014, evento este que promete revolucionar a economia e a cultura da região através dos investimentos e da modernização advindas. Por meio de levantamento bibliográfico discorreu-se sobre os vários conceitos da auditoria, bem como a sua origem. Apresentou-se também a diferença entre auditoria interna e externa, dando ênfase à última por ser o objeto da pesquisa. Na seqüência são expostas as modalidades de constituição de uma firma de auditoria independente e os requisitos técnicos e legais a fim de obtê-la. Preocupando com o fator qualificação, o trabalho encarregou-se de apresentar as exigências defendidas pelo Programa de Educação Continuada, ao qual o auditor independente deverá se submeter caso queira manter o seu registro e a sua credencial aptas ao exercício da profissão. Com isso demonstrou-se a relevância do auditor independente frente ao cumprimento das leis, normas e legislações contábeis, além de apresentar as suas prerrogativas profissionais. De uso dos questionários aplicados foi possível quantificar e detalhar as características que constroem o perfil das firmas de auditoria independente de Cuiabá. Proporcionalmente à população da capital observou-se que o número de profissionais é ainda muito pequeno, apesar de estar acima da média nacional. No que tange à presença feminina dentre os auditores independentes, constatou-se que ela é ainda muito tímida, mas que acaba por tornar um excelente desafio às mulheres. O trabalho desenvolvido teve a sua importância principalmente pela preocupação em conhecer o perfil profissional dos auditores independentes registrados em Mato Grosso. Além de proporcionar uma avaliação crítica a respeito das expectativas que giram em torno da categoria. Neste momento as perspectivas profissionais para a maioria dos entrevistados são excelentes. A maioria está no ápice da profissão, assim, encaram o cenário de mudanças como uma alavanca para a área contábil. Nesse ponto a versatilidade se faz presente entre os profissionais, principalmente pela experiência acumulada em mais de 15 anos que boa parte dos entrevistados já adquiriu. Vale ressaltar o amadurecimento diante das regras impostas ao exercício da auditoria. A visão profissional é que permaneçam as exigências, pois apesar dos custos e responsabilidades, como consequência, tem-se maior visibilidade e reconhecimento por parte da sociedade. Dessa forma, espera-se gradativamente uma elevação pela demanda de serviços de auditoria. A inovação trazida pela Lei 11.638/07 no que tange às empresas de grande porte trata-se de um leque expressivo de oportunidade para o mercado de auditoria independente. Para tanto, conclui-se que as firmas de auditoria de Cuiabá precisam acompanhar o crescimento econômico que a cidade presencia e não conformar com o fato de que as empresas de outros estados são dotadas de maior credibilidade. Para isso, é preciso que a auditoria independente em Cuiabá busque incessantemente o investimento, a superação e mostre a qualidade que possui, a fim de eliminar a cultura em buscar profissionais de outras regiões do país. Acredita-se que em função da amplitude do tema pesquisado, torna-se salutar e recomendável a continuação da pesquisa por meio de trabalhos futuros, com objetivo de acompanhar a evolução das firmas de auditoria independente de Cuiabá e de todo o Estado. Dessa forma, poder despertar nas gerações vindouras o interesse em investir no ramo da auditoria local. 6. Referencias Bibliográficas ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: Um Curso Moderno e Completo. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. ATTIE, William. Auditoria: Conceitos e Aplicações. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1998. BRASIL. Conselho Federal de Contabilidade. Cadastro Nacional de Auditores Independentes. Disponível em <http://www.cfc.org.br/sisweb/siscnai/externaConsultaCadastro.aspx>. Acesso em: 04 abr. 2011. ______. Lei n. 11.638/07 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 dez. 2007. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm>. Acesso em 05 abr. 2011. ______. 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