UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS, ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS LUCIANA EGGERS AUDITORIA OPERACIONAL NOS CONTRATOS DE EMPRÉSTIMOS RURAIS DE UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA (Trabalho de Conclusão de Curso) IJUI (RS) 2013 LUCIANA EGGERS AUDITORIA OPERACIONAL NOS CONTRATOS DE EMPRÉSTIMOS RURAIS DE UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no Curso de Ciências Contábeis da UNIJUI, como requisito para obtenção do titulo de Bacharel em Ciências Contábeis. Professora Orientadora: MSc. Eusélia Paveglio Vieira Ijuí – RS, Julho/2013 "Só sabemos com exatidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida." Goethe AGRADECIMENTOS Se este momento chegou, é porque mais uma etapa foi vencida... Sem dúvida nenhum caminho foi percorrido sozinho e por isso tenho muito a agradecer a todos que me ajudaram a percorrê-lo... Aos professores, pelos ensinamentos passados e atenção dispensada, em especial a orientadora MSc. Eusélia Paveglio Vieira que teve doses extras de compreensão frente às inúmeras dúvidas que surgiam a cada momento! Aos familiares por compreenderem os momentos de ausência em função dos estudos, Aos amigos e amigas que tiveram paciência, compreensão e acima de tudo palavras de incentivo, em especial as amigas e colegas Aline e Luciane pela amizade durante esta caminhada. A você Vanderlei, que soube entender meu desejo de estudar, de buscar novos caminhos e que compartilhou comigo cada momento, me incentivando a seguir sempre. Que mesmo nos dias de maior angustia soube compreender e encorajar mostrando-me que sou capaz. Aos colegas de trabalho pelo incentivo e ajudas prestadas principalmente na segunda etapa do trabalho. A todos que orientaram, incentivaram e principalmente acreditaram que esse momento chegaria... Deixo os mais sinceros agradecimentos. Muito obrigado! LISTA DE ILUSTRAÇÕES E FIGURAS Figura 1: Passos de Auditoria ................................................................................................... 21 Figura 2: Proposta pré-aprovada- Máquinas e Equipamentos .................................................. 57 Figura 3: Organograma dos setores ligados a auditoria ........................................................... 59 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Diferenças entre Auditoria Externa e Auditoria Interna.......................................... 26 Quadro 2: Comparativo entre as legislações. ........................................................................... 42 Quadro 3: Programa de auditoria da Instituição Financeira Y. ................................................ 62 Quadro 4: Check-list da Instituição .......................................................................................... 62 Quadro 5: Papel de trabalho 1: Check-List da Instituição ........................................................ 67 Quadro 6: Papel de trabalho 2: Contratos................................................................................. 68 Quadro 7: Papel de trabalho 3: Comprovação financeira ......................................................... 68 Quadro 8: Papel de trabalho 4: Contratação do seguro ............................................................ 69 LISTA DE SIGLAS BACEN – Banco Central do Brasil BNDES -Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BT - Balanço de trabalho CCIR- Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CEOS- Chief Executive Officers CFC – Conselho Federal de Contabilidade CFI- Credenciamento de Fabricantes Informatizado CFOs- Chief Financial Officers CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis CVM – Comissão de Valores Mobiliários DAP- Declaração de Aptidão ao Pronaf DEPEL - Documento de Especificação de Projeto de Legislação EMATER- Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural FINAME – Financiamento de Maquinas e Equipamentos IASB - International Accounting Standards Board IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil IFAC - International Federation of Accountants IN- Instrução Normativa INTOSAI - Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores ITR- Imposto Territorial Rural MCR- Manual de Crédito Rural MDA- Ministério do Desenvolvimento Agrário NBC – Norma Brasileira de Contabilidade NBC P – Norma Brasileira de Contabilidade Profissional NBC PA - Norma Brasileira de Contabilidade Profissional do Auditor Independente NBC PG - Norma Brasileira de Contabilidade Profissional em Geral NBC PI - Norma Brasileira de Contabilidade Profissional do Auditor Interno NBC PP - Norma Brasileira de Contabilidade Profissional do Perito NBC T – Norma Brasileira de Contabilidade Técnica NBC TA - Norma Brasileira de Contabilidade Técnica da Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica NBC TAG - Norma Brasileira de Contabilidade Técnica da Auditoria Governamental NBC TG - Norma Brasileira de Contabilidade Técnica em Geral NBC TI – Norma Brasileira de Contabilidade Técnica de Auditoria Interna NBC TO - Norma Brasileira de Contabilidade Técnica da Asseguração de Informação Não Histórica NBC TP - Norma Brasileira de Contabilidade Técnica de Perícia NBC TR - Norma Brasileira de Contabilidade Técnica da Revisão de Informação Contábil Histórica NBC TSC - Norma Brasileira de Contabilidade Técnica do Serviço Correlato NBC TSP - Norma Brasileira de Contabilidade Técnica do Setor Público PCAOB – Public Company Accounting Oversight Board PRONAF- Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PTA – Papel de Trabalho de Auditoria RFB – Receita Federal do Brasil SOX – Lei Sarbanes-Oxley SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES E FIGURAS ............................................................................... 04 LISTA DE QUADROS ............................................................................................................ 05 LISTA DE SIGLAS ................................................................................................................. 06 RESUMO ................................................................................................................................. 11 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 12 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO .............................................................................. 14 1.1Áreas de Conhecimento Contempladas ............................................................... 14 1.2 Caracterizações da Organização ......................................................................... 14 1.3 Problematização do tema .................................................................................... 15 1.4 Objetivos ............................................................................................................. 16 1.4.1Objetivo Geral ................................................................................................... 16 1.4.2 Objetivos Específicos ....................................................................................... 16 1.5 Justificativa ......................................................................................................... 16 2 REVISÃO BIBLIOGRAFICA .............................................................................................. 18 2.1 Contabilidade ...................................................................................................... 18 2.1.1 Finalidades, Objetivos e Campos de Atuação da Contabilidade. .................... 18 2.2 Auditoria ............................................................................................................. 19 2.2.1 Objeto e Finalidade da Auditoria. .................................................................... 21 2.2.2 Divisão da Auditoria ........................................................................................ 22 2.2.2.1 Auditoria Externa .......................................................................................... 23 2.2.2.2 Auditoria Interna ........................................................................................... 24 2.2.2.3 Auditoria Interna x Auditoria Externa .......................................................... 25 2.2.3 Auditoria Operacional ...................................................................................... 26 2.3 Controles Internos ............................................................................................... 27 2.4 Fraudes e Erros.................................................................................................... 29 2.5 Programas de Auditoria ...................................................................................... 29 2.6 Procedimentos de Auditoria ................................................................................ 31 2.7 Papéis de Trabalho .............................................................................................. 32 2.7.1 Qualificação e Conteúdo dos Papéis de Trabalho ............................................ 33 2.7.2 Tipos de Papéis de Trabalho ............................................................................ 35 2.8 Relatórios de Auditoria ....................................................................................... 36 2.9 Parecer de Auditoria............................................................................................ 37 2.10 Legislações Aplicadas à Auditoria .................................................................... 39 2.10.1 NBC– Normas Brasileiras de Contabilidade Gerais e Aquelas Aplicadas a Auditoria ............................................................................................................................... 39 2.10.2 Lei Sarbanes-Oxley ........................................................................................ 41 2.10.3 Governança Corporativa e Auditoria ............................................................. 44 2.10.4 Os Acordos de Basiléia .................................................................................. 45 2.10.5 CVM – Comissão de Valores Mobiliários ..................................................... 49 3 METODOLOGIA DA PESQUISA ...................................................................................... 52 3.1 Classificações da Pesquisa .................................................................................. 52 3.2 Universo e Amostra ............................................................................................ 54 3.3 Coleta de Dados .................................................................................................. 54 3.3.1 Instrumentos de Coletas de dados .................................................................... 54 3.4 Analise e Interpretação de Dados ................................................................... 55 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS ......................................................................................... 56 4.1 Descrição do setor e dos procedimentos para contratação de crédito rural da instituição financeira Y: Controles internos ......................................................................... 56 4.2 Identificações dos pontos de controle ................................................................. 58 4.2.1 Avaliações dos Controles de Verificação ........................................................ 59 4.2.2 Objeto e Procedimentos de verificação ............................................................ 61 4.3 Programa de auditoria ......................................................................................... 62 4.4 Elaboração dos Papéis de trabalho ...................................................................... 66 4.5 Relatório de auditoria .......................................................................................... 69 CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 73 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 75 RESUMO Diante de um cenário cada vez mais competitivo no setor financeiro, as instituições precisam manter-se sempre idôneas, com sua imagem ilibada, principalmente diante de fatos como os ocorridos no passado. Grandes escândalos mancharam a imagem de diversas instituições. Nesse aspecto, ressalta-se a importância da Auditoria, no sentido de evitar perdas ou danos tanto financeiros como de imagem para a instituição. O presente trabalho de auditoria foi realizado nas contratações investimentos no setor de recursos rurais de uma instituição financeira com objetivo de verificar se são seguidas normas externas e internas. A pesquisa classifica-se como aplicada, e de caráter exploratório e descritivo, pois se realizou in loco para o levantamento dos dados relevantes. Teve evidenciado as normas e conceitos de auditoria, bem como e a legislação que regulamenta as referidas instituições. Através do presente estudo foi possível constatar que, apesar de a instituição possuir um setor de auditoria muito bem organizado ainda ocorre pequenas falhas operacionais nas contratações de investimentos. Para sanar as possibilidades de novas ocorrências foi sugerido verificações nos dossiês ao retornarem da Unidade de Negócios Rurais e reposição dos documentos faltantes. PALAVRAS Relatórios. CHAVE: Auditoria, Normas, Instituições, Investimentos, Controles, 12 INTRODUÇÃO A Contabilidade como sendo uma ciência que tem por objeto de estudo o patrimônio e suas variações permite aos usuários extrair informações importantes para o planejamento, controle e tomada de decisões. Desta forma a Auditoria interna vem contribuir para a apuração das informações necessárias, sendo uma importante aliada dos gestores neste processo. A auditoria surgiu com a necessidade de se averiguar a veracidade dos registros contábeis que se avolumaram em conseqüência do crescimento das grandes empresas e do desenvolvimento econômico. Sua função é apresentar conclusões ou opiniões sobre determinadas situações patrimoniais, o que requer que o profissional tenha um vasto conhecimento na área de auditoria. A Auditoria Operacional é derivada da auditoria interna, sendo um dos ramos da contabilidade que tem crescido muito. Isto, em função de sua importância como ferramenta de controle interno, que visa auxiliar as administrações no processo de tomada de decisões, para uma melhor gestão dos negócios, atuando também, de forma preventiva para evitar erros e fraudes. Nesta linha, o presente Trabalho de Conclusão de Curso tem como propósito a elaboração de um estudo teórico e aplicado na área de auditoria operacional de uma instituição financeira, mais especificamente no setor de empréstimos agrícolas, onde foi aplicado o programa de auditoria e os papéis de trabalho, seguido da elaboração do relatório da auditoria realizada. Primeiramente, o trabalho apresenta a contextualização do estudo que relata o tema, as características da empresa e o problema em discussão, seguido dos objetivos e da justificativa. Na seqüência, o segundo capítulo trata da revisão bibliográfica que por meio de pesquisas em obras de diferentes autores expõe temas que envolvem a contabilidade e a Auditoria com conceitos, objetivos, técnicas de auditoria, papéis de trabalho, relatórios e parecer de auditoria operacional. No terceiro capítulo consta a metodologia utilizada na pesquisa, classificando-se como aplicada, exploratória e descritiva, seguida da definição da coleta, instrumentos e analise dos dados. Na seqüência, tem-se o estudo aplicado, onde constam todos os processos da auditoria desde o conhecimento da empresa, a análise dos controles internos, o planejamento, os papéis de trabalhos até o relatório de auditoria. Esta etapa foi realizada no setor de Créditos Rurais de 13 uma instituição financeira, contemplando a linha de investimentos que abrange a contratação de máquinas e equipamentos e também créditos voltados para a compra de animais (gado leiteiro), recuperação de solo ou construção de galpões para aviários ou criação de suínos. O estudo envolve a auditoria operacional nos processos de contratação da linha de credito acima citada, demonstrando se esta em conformidade com as normas ou não. Por fim, o relatório apresenta a conclusão do estudo, seguido da bibliografia consultada como fonte de pesquisa durante a sua realização. 14 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO Neste capitulo consta a contextualização do estudo onde se definiu a área do conhecimento estudado, o problema, os objetivos e a justificativa. 1.1Áreas de Conhecimento Contempladas A temática deste estudo envolve a auditoria interna dos processos utilizados para a contratação de recursos agrícolas em uma instituição financeira. A importância deste estudo esta vinculada á necessidade de saber se estão sendo cumpridos todos os requisitos normatizados pela instituição na contratação de empréstimos rurais. Neste sentido, surge o tema de pesquisa que abrange a Auditoria Operacional nos contratos de empréstimos rurais de uma instituição financeira. 1.2 Caracterizações da Organização O presente estudo foi realizado em uma organização que atua no ramo financeiro, que teve inicio no ano de 1928 com as reivindicações de fazendeiros que precisavam de recursos para subsidiar suas lavouras e para isso davam suas terras em garantia. Hoje, esta instituição financeira é uma das 50 marcas mais valiosa do Brasil, conta com mais de 415 agencias espalhadas por todo país, sua principal área de atuação se concentra na região sul. Caracteriza-se como uma sociedade de economia mista, sob forma de sociedade anônima e atende pessoas de todos os segmentos econômicos e sociais. Suas operações de créditos e financiamentos abrangem os segmentos de pessoas físicas e jurídicas, bem como imobiliários e rurais, também tem forte atuação em projetos sociais. O trabalho foi realizado em uma de suas agências que iniciou suas atividades a mais de cinqüenta anos, e está situada na região noroeste do estado do RS, conta com sede própria no centro da cidade e possui 32 funcionários. Esta instituição atua em diversos segmentos ou carteiras, entre elas a carteira agrícola, atuando no setor de agronegócios e como parceiro na cadeia produtiva, com diversas linhas de crédito tanto no curto quanto no longo prazo. 15 1.3 Problematização do tema A auditoria exerce um papel fundamental na verificação de irregularidades tais como erros e fraudes, pois evidencia e principalmente, impede a prática desses delitos com a criação de controles internos, e não apenas identificando os fatos já realizados. Pode-se caracterizar fraude como falsificação ou alteração de informações contábeis e erros como sendo os atos involuntários, por omissão ou desatenção. Neste sentido as organizações necessitam tomar alguns cuidados para prevenir comportamentos inadequados em suas operações. Sendo assim, a Auditoria Operacional tem um papel importante para evitar que a instituição venha a sofrer sanções por descumprimento de dispositivos legais ou indenizações por danos a terceiros decorrentes de suas atividades, ocasionadas por falhas, deficiências ou inadequação dos processos internos, por pessoas ou pelo sistema. Isto se explica, pois, a mesma é regulada por Órgãos Fiscalizadores do Mercado Financeiro e pelo Banco Central. Ou seja, o papel da Auditoria Operacional é manter um controle para que todos sigam os procedimentos evitando erros, fraudes e retrabalhos. Nas instituições financeiras os procedimentos utilizados pela auditoria interna devem ser mais rigorosos, pois visam atender os órgãos reguladores e garantir a integridade das informações, tanto para usuários internos quanto externos, além de promover a melhoria das operações e controles, apurando irregularidades, e atuando em termos preventivos ou corretivos. Diante de um mercado competitivo, onde as instituições financeiras são obrigadas a rever suas taxas de juros e encontrar meios de cativar seus clientes com novos produtos, novas tecnologias e facilidades para que se mantenha no mercado, o que se percebe é que elas precisam também aumentar suas metas. Por conseqüência os encarregados de cumpri-las que são seus colaboradores, algumas vezes não seguem todos os procedimentos necessários e normatizados para a contratação dos empréstimos, deixando assim margem para erros e fraudes que podem acarretar perdas financeiras para a Instituição. Com isso, surge a necessidade da aplicação de uma Auditoria Operacional no sentido de evitar problemas futuros, e auxiliar na detecção de erros e fraudes internas ou externas evitando retrabalho. Neste contexto a questão que norteou o presente estudo pode ser assim descrita: De que modo a aplicação de uma Auditoria Operacional na carteira agrícola pode contribuir na identificação dos pontos de controle buscando minimizar erros, fraudes e a redução da inadimplência na contratação de financiamentos agrícolas? 16 1.4 Objetivos Objetivos são os resultados que se pretende alcançar. A seguir, são apresentados os objetivos deste estudo que estão divididos em geral e específicos. 1.4.1Objetivo Geral Analisar os contratos agrícolas de uma instituição financeira identificando os pontos de controles substanciais para o gerenciamento dos riscos de perdas da carteira agrícola. 1.4.2 Objetivos Específicos Realizar revisão bibliográfica na área de Auditoria e Auditoria Operacional; Identificar os processos adotados pela Instituição Financeira para a elaboração da Auditoria Operacional; Avaliar a aplicação das normas de auditoria na concessão de crédito pela instituição financeira nos contratos de empréstimos rurais; Propor um programa de Auditoria Operacional na concessão de empréstimos rurais, bem como aplicação dos papéis de trabalho; Elaborar o relatório de auditoria. 1.5 Justificativa Atualmente a economia do país encontra-se em expansão com o crescimento do crédito em todos os segmentos. Além disto, observa-se uma grande concorrência entre as instituições financeiras pela captação de novos clientes para ampliação de suas carteiras de crédito, com reflexos nas taxas de juros impostas pelo governo. Esta complexidade eleva a importância de que as instituições financeiras tenham mais controle e maior transparência de suas informações, principalmente na contratação de recursos, para que sejam evitados problemas que venham acarretar perdas financeiras ou degradação da sua imagem perante seus clientes por meio da descoberta de fraudes. Para a sociedade, a auditoria operacional nas instituições financeiras vem trazer maior credibilidade, maior confiança para aplicar suas “economias”, pois todos buscam rendimentos 17 e solidez, uma instituição que tem seu nome manchado por fraudes, tem sua carteira de clientes reduzida significativamente. Da mesma forma não se pode desconhecer que fraudes sistemáticas serão posteriormente incorporadas aos custos e preços dos produtos financeiros, onerando também desta forma todo o mercado. Já para a universidade e para o curso, este estudo pode servir de base para pesquisas futuras, podendo ser adaptado a outras empresas que também precisam ter um controle mais específico de seus processos. Para a acadêmica, este é o momento de aprofundar os conhecimentos em uma área da profissão contábil que esta em grande evidência, podendo esta pesquisa, ser o inicio de uma carreira na área de auditoria. 18 2 REVISÃO BIBLIOGRAFICA Neste capitulo é apresentada a pesquisa bibliográfica que aborda temas como a Contabilidade, auditoria contábil, auditoria interna, normas e procedimentos, controles internos, fraudes e erros, papéis de trabalho e relatórios de auditoria. A pesquisa realizou-se por meio de consulta em obras de diversos autores publicados, e tem por objetivo a revisão teórica, conceitos e definições para aprofundar os conhecimentos para posterior aplicação do programa de auditoria. 2.1 Contabilidade Para Franco (1992, p.19) a contabilidade é considerada “um conjunto sistematizado de preceitos e normas próprias, ela é uma ciência do grupo das ciências econômicas e administrativas”. Da mesma forma Basso (2005, p.22) relata que a contabilidade é: Como conjunto ordenado de conhecimentos, leis, princípios e métodos de evidenciação próprios, é a ciência que estuda,controla e observa o patrimônio das entidades nos seus aspectos quantitativo (monetário) e qualitativo (físico) e que, como conjunto de normas, preceitos e regras gerais, se constitui na técnica de coletar, catalogar e registrar os fatos que nele ocorrem, bem como de acumular, resumir e revelar informações de suas variações e situação, especialmente de natureza econômico-financeira. Ou seja, a contabilidade visa gerar todas as informações de que os administradores necessitam para que possam gerenciar as entidades, evitando problemas de toda ordem e também demonstrando o melhor caminho para o crescimento da mesma. 2.1.1 Finalidades, Objetivos e Campos de Atuação da Contabilidade. Para Basso (2005, p.24) “A finalidade fundamental da Contabilidade é gerar informações de ordem física, econômica e financeira sobre o patrimônio com ênfase para o controle e planejamento.” Ainda de acordo com Basso (2005) os objetivos da contabilidade são referentes ao controle do patrimônio, física e monetariamente, a apuração dos resultados decorrentes de variações patrimoniais, bem como a evidenciação da situação patrimonial, atentando para o 19 cumprimento das normas, leis e demais dispositivos a ela inerentes. E também o fornecimento de informações relativas ao patrimônio, de acordo com a necessidade dos seus usuários. Assim revela-se que a Contabilidade é o centro de controle do patrimônio e possui um vasto campo de aplicação, que Basso (2005, p 27) assim classifica: Segundo os principais campos de aplicação da Contabilidade, podemos classificá-la nos seguintes ramos: - Contabilidade Comercial; - Contabilidade Industrial; - Contabilidade Pública; - Contabilidade Bancária; - Contabilidade Rural (Agrícola ou Agropecuária); - Contabilidade de Cooperativas; - Contabilidade de Seguradoras; - Contabilidade de Construtoras; - Contabilidade Hospitalar e - Contabilidade de Condomínios, entre outros. Sendo, a geração de informações de qualidade para a tomada de decisões, uma das principais características e necessidades da contabilidade e a qualidade das informações geradas, uma importante ferramenta administrativa, tem-se um vasto campo de aplicação a ser explorado pelos profissionais da área. 2.2 Auditoria A auditoria tem sua origem na evolução do mercado e no acirramento da concorrência em busca do crescimento empresarial. Com a necessidade de expandir seus negócios os empresários precisavam captar recursos junto a terceiros, que se utilizavam principalmente de empréstimos bancários e da abertura de seu capital social para acionistas. Estes por sua vez precisavam ter conhecimento sobre a posição patrimonial e financeira e a capacidade de gerar lucros das entidades onde iriam investir, e a melhor forma de fazer esta avaliação era através das demonstrações contábeis destas entidades. Em conseqüência disto as demonstrações contábeis passaram a ter relevada importância para os aplicadores de recursos. Porem, estes aplicadores precisavam ter algumas garantias mínimas ao investir e Almeida (2010, p.4) diz que “como medida de segurança contra a possibilidade de manipulações das informações, os futuros investidores passaram a exigir que essas demonstrações fossem examinadas por um profissional independente da empresa e de reconhecida capacidade técnica.” 20 Dada a importância da auditoria para as entidades e investidores, Franco e Marra (1992, p.22) assim a conceituam: A auditoria compreende o exame de documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas, relacionados com o controle do patrimônio, objetivando mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis deles decorrentes. Os exames são efetuados de acordo com as normas de auditoria usualmente aceitas e incluem os procedimentos que os auditores julgarem necessários, em cada circunstancia, para obter elementos de convicção, com o objetivo de comprovar se os registros contábeis foram executados de acordo com os princípios fundamentais e as normas de contabilidade. No entendimento de Sá (1993) a auditoria tem tal importância nas empresas, que os auditores devem sempre seguir e se orientar por normas técnicas, senão deixa de ser auditoria e passa a pertencer à outra categoria. Pois a verificação de documentos parece simples, porém, requer grande conhecimento e responsabilidade por parte do profissional que a executa. Na concepção de Gil (2000, p.13) “auditoria é a função organizacional de revisão avaliação e emissão de opinião quanto ao ciclo administrativo (planejamento/execução/ controle) em todos os momentos/ambientes das entidades.” Enquanto que Crepaldi (2002, p.29) relata que: A auditoria atualmente é um meio indispensável de confirmação da eficiência do controles e fator de maior tranqüilidade para a administração e de maior garantia para investidores, bem como para o próprio fisco, que tem na auditoria o colaborador eficiente e insuspeito, que contribui indiretamente para melhor aplicação das leis fiscais. Para Hoog (2009, apud Ramos 2011, p.45), Auditoria contábil é a certificação dos elementos da contabilidade com o exercício de sociedade empresária, assegurando a credibilidade das informações das peças contábeis e a integridade do patrimônio, visando à minimização dos riscos operacionais, fiscais, societários, ambientais, trabalhistas, previdenciários, sistemático do mercado e outros, através de técnicas específicas. Por isto, a auditoria não deve ser vista pelas entidades apenas como procedimentos que precisam ser aplicados para detectar erros e fraudes e sim como instrumento de gestão, pois contribui com vários setores da mesma, trazendo qualificação aos processos. A figura a seguir mostra os passos utilizados na auditoria desde o planejamento até a conclusão: 21 AUDITOR PLANEJA O TRABALHO EFETUA A REVISÃO ANALITICA AVALIA O CONTROLE INTERNO EXECUTA OS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA COLHE AS EVIDÊNCIAS AVALIA AS EVIDÊNCIAS EMITE O PARECER Figura 1: Passos de Auditoria Fonte: Almeida (2010, p.25) Portanto, a auditoria operacional inicia pelo mapeamento e planejamento do trabalho, passando pelas fases da elaboração do programa de auditoria, baseado nos controles internos existentes, seguido da analise nos papéis de trabalho, culminando na elaboração do relatório de auditoria. 2.2.1 Objeto e Finalidade da Auditoria. A auditoria, assim como a contabilidade também tem seu objeto como sendo o patrimônio, sendo que Franco e Marra (1992, p.25) o conceituam como sendo: o conjunto de todos os elementos de controle do patrimônio administrado, os quais compreendem registros contábeis, papéis, documentos, fichas, arquivos e anotações que comprovem a veracidade dos registros e a legitimidade dos atos da administração [...] pode ter por objeto, inclusive fatos não registrados 22 documentalmente, mas relatado por aqueles que exercem atividades relacionadas com o patrimônio administrado, cuja informação mereça confiança. Para confirmar este conceito Basso (2005, p.94) escreve que: A auditoria, como uma técnica contábil, é um dos meios de que se utiliza a contabilidade para atingir seus fins, uma vez que o objeto de ambas é o patrimônio; a contabilidade cabe a vigilância sobre o patrimônio e suas variações e a auditoria a fiscalização dos procedimentos e registros e a certificação da confiabilidade das demonstrações e informações contábeis por ela geradas. Sobre a finalidade da auditoria, Franco e Marra (1992) tem o entendimento de que confirmando a veracidade das informações geradas, ela contribui também para dar credibilidade à contabilidade das empresas junto ao mercado e a investidores. Do mesmo modo, Basso (2005, p.93) diz que “a principal função da auditoria é a confirmação da lisura dos procedimentos administrativos, operacionais, dos registros contábeis e das conseqüentes demonstrações contábeis”. Muitos administradores só têm conhecimento da auditoria para a cobertura exclusiva de duas proteções: fiscal e fraude. Mas estes não são os objetivos básicos da auditoria e sim secundários, portanto ela não deve ser vista como um mal necessário e sim como uma ferramenta de grande valor a ser utilizada pelos gestores. A auditoria é uma das técnicas utilizadas pela contabilidade destinada a examinar a escrituração e as demonstrações contábeis, a fim de confirmar sua adequação com os princípios e normas e também servir como instrumento gerencial para gerar a confiança necessária. Auxilia ainda na indicação do melhor caminho para quem precisa expandir seu mercado e investir seu capital de forma segura. 2.2.2 Divisão da Auditoria Existem duas classes fundamentais de auditoria, quanto ao processo investigativo a auditoria geral ou sintética que se direciona as análises das peças de balanços e de suas conexões e a auditoria detalhada ou analítica que abrange o exame de todas as transações, detendo-se em todos os documentos, em todas as contas e em todos os valores fisicamente variáveis.Elas variam principalmente de acordo com o tratamento dado ao objeto da auditoria(CREPALDI, 2002). A auditoria, por ser prerrogativa profissional do bacharel em Ciências Contábeis que tenha seu registro profissional junto ao Conselho regional de Contabilidade, é dividida quanto 23 ao grau de independência e a forma de realização, gerada pela sua condição contratual e ao tipo de trabalho exercido pelo auditor responsável, em: Auditoria externa (independente) e interna (operacional), (BASSO, 2005) 2.2.2.1 Auditoria Externa Auditoria externa é aquela exercida por profissional não vinculado a empresa, ou seja, um profissional independente, contratado apenas pelo período em que será realizada a auditoria. Sobre a auditoria externa, Attie (1985, p.67) a conceitua como sendo “o exame das demonstrações financeiras, feito com o propósito de expressar uma opinião sobre a propriedade com que as mesmas apresentam a situação patrimonial e financeira de uma empresa e o resultado das operações no período em exame”. Quanto à sua realização e independência, Basso (2005, p.108) diz que é “Aquela realizada por profissional liberal autônomo ou por empresa de auditoria independente, sem vinculo de emprego, contratada para prestar um serviço especializado de auditoria permanente ou eventual”. Para Crepaldi (2002, p.46) a auditoria externa Constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão do parecer sobre a adequação com que estes representam a posição patrimonial e financeira, o resultado das operações, às mutações do Patrimônio Líquido e as origens e aplicações de recursos da entidade auditada consoante as normas brasileiras de contabilidade. A auditoria externa é executada por profissional independente sem ligação com o quadro da empresa. Sua intervenção é ajustada em contrato de serviços. Os testes e indagações se espalham por onde haja necessidade de levantar questões elucidativas para conclusão do trabalho ajustado. Desse modo, não existindo vinculo empregatício com a empresa auditada, as opiniões do auditor conseguem maior grau de confiabilidade junto aos acionistas, financiadores, fornecedores e analistas, (CREPALDI, 2002). Por ser independente o profissional realiza o trabalho a sua maneira, sempre seguindo as normas de auditoria, devendo estar preparado e com vasto conhecimento na área que atuará para conseguir juntar provas conclusivas e convincentes para a elaboração de seu parecer. 24 2.2.2.2 Auditoria Interna A auditoria interna esta vinculada diretamente a entidade, pois o auditor faz parte do quadro de colaboradores da mesma, porém tal condição não deve tirar a independência do profissional. Quanto à auditoria interna Basso (2005, p.109) afirma que é: “aquela exercida geralmente, por funcionários da própria entidade em que atuam em caráter permanente.”, e que mesmo possuindo vinculo empregatício, o auditor deve agir de acordo com as normas de auditoria e de forma imparcial, de modo que esta condição não venha a interferir em suas decisões e nem na lisura das informações elaboradas. Para Crepaldi (2002, p.39) a auditoria interna Constitui o conjunto de procedimentos que tem por objetivo examinar a integridade, adequação e eficácia dos controles internos e das informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais da entidade [...] é executada por profissional ligado à empresa, ou por uma seção própria para tal fim, sempre em linha de dependência da direção empresarial. O objetivo da auditoria interna é auxiliar todos os membros da administração no desempenho efetivo de suas funções e responsabilidades, fornecendo-lhes análises, apreciações, recomendações e comentários pertinentes às atividades examinadas. De acordo com o AUDIBRA - Instituto dos Auditores Internos do Brasil (2012), “a auditoria interna é uma atividade independente e objetiva de avaliação (assurance) e de consultoria, desenhada para adicionar valor e melhorar as operações de uma organização”. Por ter estas características ela funciona como instrumento de gestão e também auxilia uma organização a realizar seus objetivos a partir da aplicação de uma abordagem sistemática e disciplinada para avaliar e melhorar a eficácia dos processos de gerenciamento de riscos, controle e governança. A NBC TI 01(NBC T 12) da auditoria interna nos traz o conceito deque A Auditoria Interna compreende os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente, e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos. Sendo o principal objetivo da auditoria interna, assessorar a administração no desempenho de suas funções de modo eficiente, cabe a ela fornecer as informações 25 confiáveis e também as avaliações e recomendações sobre as atividades auditadas (ATTIE, 1985). O IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (2012) traz um conceito de auditoria interna em conformidade com a governança corporativa, onde explica que: A Auditoria Interna tem a responsabilidade de monitorar e avaliar a adequação do ambiente de controles internos e das normas e procedimentos estabelecidos pela gestão. A gestão da organização e, particularmente, o diretor-presidente são diretamente beneficiados pela melhoria do ambiente de controles decorrente de uma atuação ativa da Auditoria Interna. Este órgão não deve apenas apontar irregularidades, mas perseguir a melhoria de processos e praticas a partir do aperfeiçoamento do ambiente de controles. Seu trabalho deve estar perfeitamente alinhado com a estratégia da organização. Desse modo, é possível identificar a auditoria interna como peça chave em uma organização, pois alem de prestar informações necessárias a administração, tem a função de dar transparência aos processos atuando como ferramenta de controle quanto ao cumprimento das normas estabelecidas. 2.2.2.3 Auditoria Interna x Auditoria Externa Alguns aspectos diferenciam a auditoria interna e a externa, como por exemplo, o grau de independência do profissional que a executa, o conceito, o objetivo a ênfase e a profundidade dos testes, mas mesmo assim Attie (1985, p.53) diz que De forma global, o trabalho executado pela auditoria interna é plenamente idêntico àquele executado pela auditoria externa. Ambas realizam seus trabalhos Utilizandose das mesmas técnicas de auditoria; ambas têm sua atenção voltada para o controle interno como ponto de partida de seu exame e formulam sugestões de melhorias para as deficiências encontradas, e ambas modificam a extensão de seu trabalho de acordo com as suas observações e a eficiência dos sistemas contábeis e dos controles internos existentes. Para distinguir uma da outra Franco e Marra (1992, p.174) relatam que: A auditoria externa é justamente o grau de independência que o auditor pode, e deve manter em relação à entidade auditada. Isto porque a auditoria interna geralmente não objetiva a emissão de parecer sobre as demonstrações contábeis, sendo executada mais para fins administrativos, internos, do que para a prestação de contas a terceiros. 26 A existência da auditoria interna, desde que seja confiável, passa a ser interessante para auxiliar a auditoria externa até mesmo na redução do escopo do trabalho, no sentido de que ela pode funcionar como auxiliar dos controles internos, (ATTIE, 1985) Ficam mais explícitas as diferenças entre auditoria interna e externa no quadro a seguir: Quadro 1: Diferenças entre Auditoria Externa e Auditoria Interna. Elementos Sujeito Auditoria Externa Profissional Independente Ação e objetivo Exame das demonstrações financeiras Opinar sobre as demonstrações financeiras Parecer Finalidade Relatório principal Grau de independência Interessados no trabalho Responsabilidade Numero de áreas cobertas pelo exame durante um período Intensidade dos trabalhos Continuidade dos trabalhos Auditoria Interna Auditor interno (funcionário da empresa) Exame dos controles operacionais Mais amplo A empresa e o publico em geral Profissional, civil e criminal Maior Promover Melhorias nos controles operacionais. Recomendações de controle interno e eficiência administrativa. Menos amplo A empresa Trabalhista Menor Menor Periódico Maior Continuo Fonte: Crepaldi (2002, p.48) Portanto, a importância de ambas para as entidades é inegável e a existência de uma não elimina a necessidade da outra, pois o objetivo maior vem a ser de caráter preventivo. Pois irá auxiliar na tomada de decisões e não como meramente punitiva, sendo que nada impede que sejam mantidas as duas formas de auditoria e que uma complete a outra. 2.2.3 Auditoria Operacional A auditoria operacional pode ser desenvolvida tanto pela auditoria externa quanto pela interna, porém, por ser necessária uma aplicação de caráter permanente, aplica-se mais ao perfil de auditoria interna. Por ser um dos ramos da contabilidade que deriva da auditoria interna, com relevada importância para as entidades, a auditoria operacional foi assim conceituada por Sá (1993, p.458): A auditoria que visa ao exame do “desempenho administrativo” em face ao patrimônio em gestão dá-se o nome de “Auditoria operacional”. Tal ramo dentro da tecnologia amplia o campo de indagação e não se limita a rever documentos, bens e direitos, mas, basicamente, se a vida da empresa tem um curso proveitoso. 27 Para Crepaldi (2002, p.32) a auditoria operacional, consiste em revisões metódicas de programas, organizações, atividades ou segmentos operacionais dos setores público e privado, com a finalidade de avaliar e comunicar se os recursos da administração estão sendo usados eficientemente e se estão sendo alcançados os objetivos operacionais. De modo mais simples, estes autores querem dizer que devem ser revisados e avaliados principalmente os controles internos, para comprovar o aproveitamento real da capacidade da entidade ou para rever e melhorar os processos com o intuito de alcançar os objetivos. Sobre a auditoria operacional Gil (2000, p.22) ensina que “o instinto de sobrevivência organizacional implica a vigência e cumprimento de boas práticas e padrões para o ambiente de hoje, porque é indicativo de possibilidade de existência futura.” O mesmo autor (2000, p.29) traz que a auditoria operacional, pode também “atuar em termos preventivos, consoante o plano anual de auditoria, ou corretivos, quando via denuncia configurada ou indícios identificados, inclusive em trabalho/projetos de auditoria, possam ocorrer situações de dolo”. Por ser realizada por pessoas de dentro da entidade, funciona como controle gerencial mediante análise da eficiência dos controles internos, através do confronto entre o desempenho real e o esperado, levando sempre, a informações para melhorias e aumento do êxito dos propósitos da entidade. 2.3 Controles Internos Antes de dar inicio aos procedimentos de auditoria o auditor deve se inteirar do funcionamento e a qualidade dos controles internos, pois será o resultado desta avaliação que determinara a extensão dos testes necessários. Na definição de Almeida (2010, p.42) controles internos são um “conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contábeis confiáveis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios”. E quanto melhor os controles internos da organização, menor será o volume de testes que o auditor precisara aplicar, caso contrário devera ampliá-los. Neste sentido Attie (1985, p.67) explica que A avaliação do sistema de controle interno servirá de base para o auditor determinar o grau de confiança que nele possa depositar e, a partir daí, fixar a natureza e a 28 extensão dos procedimentos de auditoria a serem aplicados. Especificamente, a avaliação do controle interno permite uma seleção racional de testes. Se, após a avaliação, se decidir que o sistema existente é bom e que se pode confiar nos resultados, tende-se a reduzir a extensão dos testes. A existência de um bom sistema de controle interno aumenta a confiança do auditor quanto à exatidão dos registros contábeis e a veracidade de outros documentos e informações internas. Sobre os controles internos, Attie (1985, p.67) diz ainda que O auditor deve abranger em seu exame o plano de organização e a divisão das responsabilidades, os sistemas de autorizações, procedimentos de registros e elaboração de relatórios, a eficiência com que as normas e procedimentos estabelecidos estão sendo seguidos e os controles essenciais. Como princípios do controle interno Sá (1993, p.112) descreve: a) Existência de um plano de organização com uma adequada distribuição de responsabilidades. b) Regime de autorizações e de registros capazes de assegurar um controle contábil sobre os investimentos, financiamentos e sistema de resultados da empresa (custos e receitas), ou de metas das instituições (orçamentos). c) Zelo do elemento humano no desempenho das funções a ele atribuídas. d) Qualidade e responsabilidade do pessoal, em nível adequado. Após as constatações necessárias quanto aos controles internos, pode-se delimitar a extensão dos testes a serem aplicados para que não sejam prejudicados os objetivos finais da auditoria. Sabendo que os sistemas de controles internos, sofrem com limitações, Almeida (2010) comenta sobre as principais: • Funcionários que se associam para se apropriar de bens da empresa; • Falta de instrução dos funcionários quanto às normas internas; • Negligência na execução das tarefas diárias. Desse modo, nota-se que, é de fundamental importância a empresa implantar um sistema de controle interno e fazer a verificação periódica do mesmo, com a finalidade de apurar se as normas estão sendo seguidas e avaliar a necessidade de criar novas normas ou modificar as existentes. Estes seriam alguns dos motivos da implantação de um setor de auditoria interna, com um auditor capacitado, que possa fazer recomendações importantes para o aprimoramento e eficiência dos controles internos, alem da contratação e capacitação dos colaboradores envolvidos. 29 2.4 Fraudes e Erros Ao iniciar seus trabalhos, os auditores devem estar cientes e atentos para a possibilidade de encontrarem erros e fraudes nos registros e documentos a serem examinados. Para tal precisam estar munidos de conhecimentos quanto aos tipos de erros e fraudes que podem ser possíveis no tipo de entidade que estarão trabalhando e do funcionamento do sistema utilizado. A NBC TI 01 (NBCT 12), no que se refere a fraudes e erros, conceitua como segue: O termo “fraude” aplica-se a ato intencional de omissão e/ou manipulação de transações e operações, adulteração de documentos, registros, relatórios, informações e demonstrações contábeis, tanto em termos físicos quanto monetários. O termo “erro” aplica-se a ato não-intencional de omissão, desatenção, desconhecimento ou má interpretação de fatos na elaboração de registros, informações e demonstrações contábeis, bem como de transações e operações da entidade, tanto em termos físicos quanto monetários. Sobre erros Santi (1988, p.67) escreve que são: Incorreções involuntárias nas demonstrações financeiras e inclui os aritméticos, os de execução nos registros e elementos contábeis dos quais são extraídas as demonstrações financeiras, desvios inconscientes ou por desconhecimento na aplicação dos princípios de contabilidade, e esquecimento ou má interpretação dos fatos conhecidos na época em que as demonstrações financeiras são elaboradas. A prevenção contra erros e fraudes é de responsabilidade da administração, para evitálos devem ser implantados controles internos eficientes e confiáveis e também instruir de maneira correta os colaboradores envolvidos nos processos. A descoberta de fraudes e erros não são os objetivos principais da auditoria, pois poderia torná-la excessivamente onerosa. 2.5 Programas de Auditoria O programa de auditoria vem a ser o roteiro a ser seguido pelo auditor para a elaboração da auditoria, deve conter os objetivos, ser amplo e permitir alterações ao longo da execução dos trabalhos e melhorar a qualidade dos serviços, como é possível verificar nas obras de diversos autores. Para Franco e Marra (1992, p.224) o programa de auditoria consiste no: 30 Plano de trabalho para exame da área especifica. Ele prevê os procedimentos que deverão ser aplicados para que se possa alcançar o resultado desejado. Deve, entretanto ser bastante amplo e flexível, para permitir alterações durante o andamento das verificações, segundo aconselham as circunstancias, isto é, a maior ou menor eficiência dos controles internos do cliente. Para que não faltem dados no final da auditoria é aconselhável que se faça um trabalho o mais abrangente possível, para não correr o risco de omitir informações relevantes. Segundo Crepaldi (2002, p.340) o programa de auditoria É o plano de trabalho a ser executado em campo. Esse planejamento deve ser executado considerando o objetivo da auditoria e as características da empresa auditada. Nele, será definido o objetivo do exame na área específica, a extensão e a profundidade do exame, os pontos de controle interno a serem revisados, os procedimentos a serem adotados, a estimativa de tempo gasto, a equipe de trabalho e outros. No planejamento do programa de auditoria, é necessário levar em considerações três pontos importantes que Basso (2005) descreve como sendo: • Determinar o que se quer: determinar os objetivos específicos que se busca ao examinar determinado objeto levando em conta o objetivo geral; • Determinar os procedimentos necessários para que tanto os objetivos gerais quanto específicos sejam alcançados; • Determinar os elementos mínimos de controle para o setor ou objeto e sua funcionalidade. São estes elementos que irão garantir um planejamento adequado, e que devem ser aliadas a outras técnicas para posterior conclusão do exame de auditoria. As técnicas utilizadas para a confirmação de informações, de acordo com Franco e Marra (1992, p.225-226) podem ser: - Confirmação externa (Circularização). - Inspeção física. - Contagem dos itens físicos. - Exame ou obtenção de comprovantes autênticos. - Revisão profunda dos critérios de avaliação e exame de sua conformidade com os princípios contábeis; -Exame de registros auxiliares e fiscais e sua repercussão nos registros contábeis principais. -Obtenção de informações de varias fontes fidedignas e cruzamento destas informações. - Conferencia de somas e cálculos. -Estudo dos métodos operacionais. -Avaliação dos controles internos. 31 Um programa de auditoria bem elaborado e que contemple todas as áreas a serem auditadas para a coleta de informações valiosas para a preparação do relatório de auditoria, é de fundamental importância para a organização e se constitui como prova da realização dos trabalhos. 2.6 Procedimentos de Auditoria São ferramentas técnicas das quais o auditor se utiliza, para reunir as informações necessárias e fazer as avaliações para a formação de sua opinião imparcial. Sobre os procedimentos Attie (1985, p.162) descreve que “os procedimentos de auditoria que serão utilizados para o auditor atingir os objetivos previamente delineados são vários, dependendo das circunstancias, da efetividade do controle interno e da materialidade envolvida.” Segundo o mesmo autor (1985, p.110) “são as investigações técnicas que, tomadas em conjunto, permitem a formação fundamentada da opinião do auditor sobre as demonstrações financeiras ou sobre o trabalho realizado.” A NBC T 11 – Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis que trata sobre o assunto, traz o conceito de que 11.1.2.1 – Os procedimentos de auditoria são o conjunto de técnicas que permitem ao auditor obter evidências ou provas suficientes e adequadas para fundamentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis auditadas, abrangendo testes de observância e testes substantivos. 11.1.2.2 – Os testes de observância visam à obtenção de razoável segurança de que os procedimentos de controle interno, estabelecidos pela administração, estão em efetivo funcionamento e cumprimento. 11.1.2.3 – Os testes substantivos visam à obtenção de evidência quanto à suficiência, exatidão e validade dos dados produzidos pelo sistema contábil da entidade. De acordo com Basso (2005, p.135-137) as dez técnicas de auditoria consagradas na literatura especializada são: I-Exame e contagem física ou inspeção: Consiste no exame físico do objeto, técnica utilizada para o exame de bens materiais. II- Confirmação ou investigação: Consiste em obter declarações escritas de terceiros dentro ou fora da entidade em exame, contanto que esteja capacitado a confirmar tal fato. III- Exame de documentos originais: Consiste na analise da documentação que deu origem a escrituração com fins de buscar segurança quanto a sua autenticidade. IV- Conferencia de cálculos: Trata-se de refazer os cálculos e somatórios feitos pelos colaboradores da entidade para comprovar sua exatidão, por isso é considerada como a mais simples e completa das técnicas. V- Acompanhamento Retroativo dos Procedimentos de Escrituração: Trata-se de refazer lançamentos de escrituração já contabilizados pela entidade, é semelhante a 32 conferencia dos cálculos e é útil para certificação quanto aos procedimentos adotados pela entidade auditada. VI- Investigação Minuciosa: Significa examinar um objeto profundamente em todas as dimensões, geralmente usada com fatos novos ou atípicos. VII- Inquérito: formulação de questões criteriosamente elaboradas para a obtenção de informações junto a pessoas ligadas a determinados fatos ou situações. VIII- Exame de registros auxiliares: Trata de conciliar os livros de escrituração auxiliar com os registros nos livros obrigatórios a fim de verificar os registros, fatos e elementos contabilizados. IX- Correlação de dados: Confrontação de operações e saldos de contas entre si. X- Observação: Trata da observação propriamente dita, observar tudo que acontece principalmente com as pessoas para testar o funcionamento do sistema, acompanhar os processos e procedimentos quanto a sua execução. Para Attie (1985, p.119) “o auditor deve estar atento para qual a melhor forma de obtenção das provas necessárias ao seu trabalho, captando informações consideradas validas e satisfatórias e avaliando de imediato todas as provas e informações obtidas no transcorrer de seu trabalho”. Por vezes não basta apenas aplicar uma das técnicas de auditoria para encontrar resultados satisfatórios, é preciso também investigar os fatos e unir mais de uma técnica para encontrar as respostas esperadas. 2.7 Papéis de Trabalho Para atender as normas de auditoria, os profissionais elaboram os papéis de trabalho, que podem ser elaborados manualmente ou mecanicamente com a utilização de recursos de informática, porém, o mais importante é o conteúdo dos mesmos, que devem conter o registro de todas as evidências encontradas ao longo do trabalho. São os papéis de trabalho que servirão de base para a formação do relatório de auditoria. Por isto eles devem conter os apontamentos feitos pelo auditor referentes aos documentos analisados e a descrição das provas que fundamentarão sua opinião e mesmo sendo baseados em documentos originais da entidade, eles são de propriedade do auditor (CREPALDI, 2002). De forma semelhante Sá (1993, p.167) fala da função dos papéis de trabalho dizendo que “situam-se como instrumentos de trabalho de natureza particular do auditor, como fonte de informação e como fundamento de conclusões”. A NBC TI 01 que trata dos papéis de trabalho traz o conceito de que: Constituem documentos e registros dos fatos, informações e provas, obtidos no curso da auditoria, a fim de evidenciar os exames realizados e dar suporte à sua opinião, críticas, sugestões e recomendações. 33 Os papéis de trabalho devem ter abrangência e grau de detalhes suficientes para propiciarem a compreensão do planejamento, da natureza, da oportunidade e da extensão dos procedimentos de Auditoria Interna aplicados, bem como do julgamento exercido e do suporte das conclusões alcançadas. Análises, demonstrações ou quaisquer outros documentos devem ter sua integridade verificada sempre que forem anexados aos papéis de trabalho. Os objetivos dos papéis de trabalho em auditoria, de acordo com Almeida (2010, p.67) são os seguintes: Atenderas normas de auditoria geralmente aceitas; Acumular as provas necessárias para suportar o parecer do auditor; Auxiliar o auditor durante a execução de seu trabalho; Facilitar a revisão por parte do auditor responsável, para que ele se assegure de que o serviço foi efetuado de forma correta; Ajudar no trabalho da próxima auditoria ( um conjunto de papéis de trabalho bem preparados serve de guia na auditoria do outro exercício social, concorrendo para que ela seja conduzida de forma mais eficiente); Representar na justiça (no caso de ser movida uma ação contra o auditor ou a firma de auditoria) as evidencia do trabalho executado. Alem de conter as informações indispensáveis para dar suporte à elaboração do relatório de auditoria, os papéis de trabalho precisam ser organizados seguindo critérios que facilitarão a identificação das mesmas, pois eles também refletem o perfil do profissional que os elabora no sentido de conhecimentos e organização. 2.7.1 Qualificação e Conteúdo dos Papéis de Trabalho Para que seja possível o perfeito aproveitamento das informações contidas nos papéis de trabalho, o profissional que os elabora deve preocupar-se em seguir alguns passos que podem garantir a qualidade dos mesmos. De acordo com Crepaldi (2002, p.261) o auditor deve levar em consideração para a elaboração dos papéis de trabalho os seguintes pontos: • Concisão: os papeis de trabalho devem ser concisos, de forma que todos entendam sem a necessidade de explicação da pessoa que os elaborou. • Objetividade: os papeis de trabalho devem ser objetivos, de forma que se entenda aonde o auditor quer chegar. • Limpeza: os papeis de trabalho devem estar limpos, de forma a não prejudicar o entendimento destes. • Lógica: os papéis de trabalho devem ser elaborados de forma lógica de raciocínio, na seqüência natural do objetivo a ser atingido. • Completos: os papéis de trabalho devem ser completos por si só. 34 Quando da elaboração dos papéis de trabalho, alguns itens devem ser anotados e observados, de acordo com Basso (2005, p.146-147) são eles: a) Alusão a revisão do sistema de controle interno: trata-se de anotar referencias e observações quanto aos testes de revisão dos itens do sistema de controles internos, relativos ao objeto da auditoria, ao qual se refere aquele papel de trabalho (PTA). b) Referencia à relevância e relatividade do objeto de exame: determinação precisa da materialidade do objeto de exame, sua importância relativa e os riscos que se pode incorrer na determinação das amostras a serem examinadas: c) Escopo do trabalho: abrangência e delimitação do objeto de exame e determinação dos procedimentos específicos de investigação e analise, em consonância com a revisão dos controles internos e a materialidade do objeto de exame; d) Determinação do objeto de o exame: determinação do que se esta propondo a determinar, provar ou conseguir com o exame em referencia; e) Planejamento do trabalho: Conhecimento prévio das operações e extensão dos detalhes a serem evidenciados sobre o objeto de exame; f) Informações e fatos materiais: Colocação adequada das informações e dos fatos materiais obtidos sobre o objeto de exame, no decorrer dos trabalhos de auditoria; g) Fontes das informações obtidas: indicação da fonte de obtenção das informações transcritas para o papel de trabalho; h) Julgamento profissional: conclusões, esclarecimentos e/ou recomendações quanto ao objeto de exame e sua adequacidade diante dos objetivos inicialmente expostos. Quanto às informações, deve-se observar para que os papéis de trabalho contenham algumas consideradas essências para a sua devida identificação. Como exemplo, pode-se citar a assinatura do responsável pela execução do trabalho, a fim de que se possa limitar a responsabilidade e também a assinatura do contador, do supervisor, dos assistentes e dos conferentes. Deve ainda, individualizar sempre o cliente, o objeto, o período e o numero de controle e outros dados práticos que possam ser necessários para uma fácil identificação. (SÁ, 1993) E quanto à forma de distribuir estas informações nos papéis de trabalho, Basso (2005, p.150) a estrutura da maneira que segue: a) Cabeçalho- na parte superior do papel de trabalho, aparece um campo destinado a sua identificação, contendo: - denominação da empresa auditada; - codificação do papel de trabalho; - objeto do exame; - objetivo do exame; b) Corpo- espaço destinado às anotações das informações coletadas nos exames realizados e as conclusões e recomendações do auditor, dividido em dois momentos: - discriminação das informações; - conclusões e recomendações do auditor. c) Fecho- na parte inferior do papel de trabalhos, fechando-o é anotado: - o nome do auditor que preparou o papel de trabalho, a data da elaboração e sua rubrica; 35 - o nome do auditor que revisou o papel de trabalho, a data da revisão e sua rubrica. A elaboração dos papéis de trabalho seguindo os padrões recomendados torna mais fácil e dinâmica as leituras dos mesmos para a elaboração dos relatórios finais, alem, de servir como comprovação da elaboração dos trabalhos, ou ainda para fazer prova para anos posteriores, onde outros auditores possam contestar os relatórios. E para isso devem sempre ser objeto de revisão que será efetuada em três etapas, sendo que a primeira e a segunda devem ser mais detalhistas, ou seja, revisar um a um todos os papéis de trabalho e a terceira poderá ser de forma mais ampla. 2.7.2 Tipos de Papéis de Trabalho Os papéis de trabalho são divididos em: correntes e permanentes. A diferença entre eles é que os papéis de trabalho correntes são os utilizados na auditoria em curso e os de caráter permanente são os utilizados em mais de uma auditoria, ou seja, serão utilizados em outros exercícios sociais. Alguns tipos de papéis de trabalho se tornam comuns, não pela sua forma e sim pelo seu conteúdo, e os mais comuns citados por Basso (2005) são: Programa de auditoria- Inicialmente deve-se elaborar um plano de trabalho que se constituirá no primeiro papel de trabalho e que deve conter as orientações necessárias para a busca das provas de auditoria; Balancete de trabalho- é conhecido como balancete do razão geral, é base fundamental nos papéis de trabalho de auditoria contábil, servira de base também para o relatório final. Deve possuir alguns elementos básicos: - relação das contas apresentadas pela entidade, ano anterior e atual; - coluna para anotação de referencias; - coluna de débito e crédito para anotação de valores de ajustes de saldos; - coluna de débito e crédito para anotações de saldos ajustados para elaboração das demonstrações contábeis ajustadas pela auditoria. Análise de contas- Adequado para anotar informações extraídas do exame das contas do razão. 36 Lançamentos de ajustes ou reclassificações- papel de trabalho destinado a reunir todos os lançamentos de ajustes ou reclassificações recomendados pelo auditor para a elaboração de demonstrações contábeis de modo a estarem de acordo com a realidade da organização e em conformidade com as normas. Conciliação- destinado a registrar informações de conciliação entre as contas contábeis internas da entidade com contas externas, a fim de confirmar a legitimidade dos registros internos da entidade. Memorando- em geral tem o formato de um simples relatório descritivo, pois tem por finalidade relatar acontecimentos acompanhados pelo auditor e também procedimentos descritivos de contratos. Pontos de recomendação- pouco complexo, destinado a anotação de falhas e irregularidades e que mereçam comunicação formal à entidade auditada. O auditor pode se utilizar ainda de outros tipos de papéis de trabalho que possam ter relevada importância para a elaboração de seu parecer ou que possam servir de comprovação tanto da elaboração do trabalho quanto das constatações do auditor. 2.8 Relatórios de Auditoria O relatório de auditoria vem a ser as conclusões do auditor em relação ao trabalho realizado. Quanto aos relatórios de auditoria, Sá (1993, p.451) diz que “é a peça técnica que tem por objetivo informar o resultado dos trabalhos executados de acordo com o programa planejado [... e] que deve abranger a todos os itens da programação”. A NBC T 01 trata do relatório de auditoria interna como sendo o documento pelo qual a Auditoria Interna apresenta o resultado dos seus trabalhos, devendo ser redigido com objetividade e imparcialidade, de forma a expressar, claramente, suas conclusões, recomendações e providências a serem tomadas pela administração da entidade. Por não possuírem um padrão específico, os auditores elaboram os relatórios de acordo com seus próprios critérios, recomenda-se, portanto que sejam sempre com informações relevantes e que sigam alguns requisitos citados por Sá (1993, p.453) como importantes: a) clareza; b) abrangência (sem nada excluir); 37 c) precisão (ser inequívoco); d) conclusão; e) técnica; f) descrição; g) objetividade. O relatório deve conter ainda, avaliações precisas dos fatos verificados, com a recomendação das mudanças necessárias para as irregularidades apuradas, estabelecendo controles para saná-las. Deve ainda, ser objetivo e oportuno para que a administração possa tomá-lo por base para as decisões administrativas (Silva et al, 1995). Por não haver modelos padronizados de relatório, é importante que o mesmo, seguindo os critérios expostos, responda as questões pretendidas pelos usuários das informações. Pois o mesmo vem a ser o produto final do trabalho do auditor e deve ser entendido não só pelo auditor, mas também pelos usuários das informações nele contidas. 2.9 Parecer de Auditoria O parecer de auditoria tem sua origem no relatório de auditoria, que dispõe de todas as informações sobre a realização do trabalho e que serve de base para que o profissional avalie a real situação da entidade. No entendimento de Almeida (2010) é recomendação do IBRACOM a utilização do termo parecer e devem ser evitadas expressões como: certificado ou atestado. O parecer deve ser direcionado apenas a diretoria, ao conselho de administração ou aos acionistas, devendo constar a mesma data do encerramento da auditoria e ser assinado pelo profissional responsável que no caso de companhias abertas deve ter registro profissional na CVM. Através do parecer de auditoria que o auditor expressa sua opinião, ele é normalmente dividido em dois parágrafos, um onde determina os exames realizados e a forma como foi conduzido o trabalho e outro com a opinião do auditor (ATTIE, 1985). Para melhor explicar cada um deles Almeida (2010, p.418) assim os descreve: - parágrafo referente à identificação das demonstrações contábeis e a definição das responsabilidades da administração e dos auditores; - parágrafo referente à extensão dos trabalhos; - parágrafo referente à opinião sobre as demonstrações contábeis. São quatro os tipos de parecer que podem ser emitidos pelo auditor, quais sejam: 38 • Parecer sem ressalva: Conforme Attie (1985, p.45) O parecer sem ressalva é emitido quando as demonstrações financeiras da empresa examinadas pelo auditor representam adequadamente a posição patrimonial e financeira e o resultado das operações de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos aplicados em bases uniformes. • Parecer com ressalva: o autor citado anteriormente diz que É emitido quando um ou mais de um valor nas demonstrações financeiras não refletem adequadamente a posição correta, de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, ou quando o auditor não consegue obter evidências adequadas que permitam a comprovação destes valores. Se o auditor pretende emitir o parecer com ressalva, o parágrafo de opinião precisa ser modificado de maneira a deixar clara a natureza da ressalva. • Parecer Adverso: de acordo com a resolução 820/97 que aprova a NBC T 11 11.3.5.1 – No parecer adverso, o auditor emite opinião de que as demonstrações contábeis não estão adequadamente representadas, nas datas e períodos indicados, de acordo com as disposições contidas no item 11.1.1.1. 11.3.5.2 – O auditor deve emitir parecer adverso quando verificar que as demonstrações contábeis estão incorretas ou incompletas, em tal magnitude que impossibilite a emissão do parecer com ressalva. • Parecer com abstenção de opinião: conforme a NBC T 11 11.3.6.1 – O parecer com a abstenção de opinião é aquele em que o auditor deixa de emitir opinião sobre as demonstrações contábeis, por não ter obtido comprovação suficiente para fundamentá-la. 11.3.6.2 – A abstenção de opinião em relação às demonstrações contábeis tomadas em conjunto não elimina a responsabilidade do auditor de mencionar, no parecer, qualquer desvio relevante que possa influenciar a decisão do usuário dessas demonstrações. Na emissão do parecer de auditoria, o profissional expressa a sua opinião quanto ao cumprimento das normas e práticas contábeis adequadas por parte da entidade auditada, e deve expressar de forma clara e objetiva se concorda com os critérios estabelecidos para sua elaboração após avaliá-los. O profissional deve observar ainda, o padrão exigido pela NBC-T-11 que dispõe sobre a forma e critérios para a elaboração do parecer e quanto ao conteúdo de seus parágrafos. 39 2.10 Legislações Aplicadas à Auditoria As Normas brasileiras de auditoria são regras ditadas pelos órgãos reguladores da profissão contábil do Brasil e tem por objetivo a regulação da profissão e atividades bem como, estabelecer diretrizes a serem seguidas pelos profissionais no desenvolver de seus trabalhos. As normas atualmente em vigor no Brasil são emitidas em conjunto pelo CFC, IBRACON, Banco Central do Brasil, a CVM e a Superintendência de Seguros Privados. No âmbito internacional, a Federação Internacional de Contadores (IFAC) também emite pronunciamentos através da Comissão de Normas Internacionais de Auditoria, as quais contêm orientações aos países-membros daquele órgão. 2.10.1 NBC– Normas Brasileiras de Contabilidade Gerais e Aquelas Aplicadas a Auditoria A Resolução do CFC nº 1.328 de 2011 dispõe sobre a estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade, sendo que estas devem seguir os mesmos padrões de elaboração e estilo utilizados nas normas internacionais. Podem ser profissionais ou técnicas, sendo que as Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais se estruturam conforme segue: I – Geral – NBC PG – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas indistintamente a todos os profissionais de Contabilidade; II – do Auditor Independente – NBC PA – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas, especificamente, aos contadores que atuam como auditores independentes; III – do Auditor Interno – NBC PI – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como auditores internos; IV – do Perito – NBC PP – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como peritos contábeis. Já as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas se estruturam da seguinte forma: I – Geral – NBC TG – são as Normas Brasileiras de Contabilidade convergentes com as normas internacionais emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB); e as Normas Brasileiras de Contabilidade editadas por necessidades locais, sem equivalentes internacionais; II – do Setor Público – NBC TSP – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público, convergentes com as Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público, emitidas pela International Federation of 40 Accountants (IFAC); e as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público editado por necessidades locais, sem equivalentes internacionais; III – de Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica – NBC TA – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Auditoria convergentes com as Normas Internacionais de Auditoria Independente emitidas pela IFAC; IV – de Revisão de Informação Contábil Histórica – NBC TR – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Revisão convergentes com as Normas Internacionais de Revisão emitidas pela IFAC; V – de Asseguração de Informação Não Histórica – NBC TO – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Asseguração convergentes com as Normas Internacionais de Asseguração emitidas pela IFAC; VI – de Serviço Correlato – NBC TSC – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas aos Serviços Correlatos convergentes com as Normas Internacionais para Serviços Correlatos emitidas pela IFAC; VII – de Auditoria Interna – NBC TI – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Auditoria Interna; VIII – de Perícia – NBC TP – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Perícia; IX – de Auditoria Governamental – NBC TAG – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Auditoria Governamental convergentes com as Normas Internacionais de Auditoria Governamental emitidas pela Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores (INTOSAI). Parágrafo único. As normas de que trata o inciso I do caput são segregadas sem: a) Normas completas que compreendem as normas editadas pelo CFC a partir dos documentos emitidos pelo CPC que estão convergentes com as normas do IASB, numeradas de 00 a 999; b) Normas simplificadas para PMEs que compreendem a norma de PME editada pelo CFC a partir do documento emitido pelo IASB, bem como asITs e os CTs editados pelo CFC sobre o assunto, numerados de 1000 a1999; c) Normas específicas que compreendem as ITs e os CTs editados pelo CFC sobre entidades, atividades e assuntos específicos, numerados de2000 a 2999. A inobservância às Normas Brasileiras de Contabilidade constitui infração disciplinar sujeita às penalidades previstas nas alíneas de “c” a “g” do art. 27do Decreto-Lei n.º 9.295/46, alterado pela Lei n.º 12.249/10, e ao Código de Ética Profissional do Contador. A importância de seguir as normas, principalmente em relação à auditoria, de acordo com Crepaldi (2002, p.44) esta no fato de que elas Juntamente com os procedimentos para sua implementação estabelecem a ordem e a disciplina na realização do trabalho. E o que é mais importante, a observância destas normas leva a realização de auditorias completas e objetivas, com resultados e recomendações palpáveis fundamentados e passiveis de serem justificados. Vale ressaltar que a não observância das normas traz implicações para a entidade e também para o profissional responsável pela auditoria, pois é condição fundamental para o exercício profissional. 41 2.10.2 Lei Sarbanes-Oxley A promulgação da Lei Sarbanes-Oxley em 2002 foi uma reação das autoridades reguladoras e fiscalizadoras norte-americanas para proteger o mercado de capitais que vinha sofrendo com a quebra de várias empresas em função de distorções relevantes na contabilidade e que não eram devidamente apuradas pela auditoria. Esta lei se aplica às grandes corporações norte-americanas e às estrangeiras com acesso ao mercado de capitais norte-americano. A lei surge com o principal objetivo de restaurar a credibilidade das informações e como conseqüência a confiança nas empresas, assegurando a responsabilidade da alta administração na veracidade das informações fornecidas (RAMOS, 2011, p.21). Para Machado (2003 Apud Ramos 2011), A Lei Sarbanes-Oxley é um pacote de reformas dedicado a ampliar a responsabilidade dos executivos, aumentar a transparência, assegurar mais independência ao trabalho dos auditores, introduzir novas regras aos trabalhos desses profissionais e reduzir os conflitos de interesses que envolvem analistas de investimentos. Essa Lei amplia também substancialmente as penalidades associadas às fraudes e crimes de colarinho branco. Um dos aspectos mais importantes é que a Lei Sarbanes-Oxley não isenta empresas não americanas de seu alcance. Ela exige que todas as companhias de capital aberto, com ações listadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque, possuam um comitê de auditoria, com o principal objetivo de supervisionar os controles internos, o aspecto contábil da companhia e seu relacionamento com os auditores independentes. Dividida em onze títulos ou capítulos, com um número variável de seções cada um, totalizando 69 seções ou artigos. Esta lei obriga as empresas a reestruturarem processos para aumentar os controles, a segurança e a transparência na condução dos negócios, na administração financeira, nas escriturações contábeis e na gestão e divulgação das informações. Na prática define por lei como obrigatórias uma série de medidas que já eram consideradas, no mundo todo, como práticas de boa governança corporativa. Silva e Junior (2008, p.113) citam como sendo as principais medidas relacionadas pela Sox: (i) (ii) A criação do Public Company Accounting Oversight Board (PCAOB) conselho não governamental e independente, encarregado de inspecionar as empresas de auditoria a fim de proteger os interesses dos investidores e promover a confiança pública nos relatórios dos auditores. A exigência de um novo patamar de governança corporativa, de estruturação de controles internos e de gestão de riscos corporativos. Nesse 42 sentido, as empresas deverão implementar controles internos eficazes para todos os processos de negócio e realizar e a efetividade desses controles, de modo a assegurar que os dados financeiros relativos a tais processos estão corretamente apresentados e mensurados as demonstrações financeiras. Relatórios sobre a efetividade dos controles internos da companhia deverão ser divulgados em conjunto com as demonstrações financeiras anuais. Também é exigida a criação de um Comitê de Auditoria composto por membros independentes. (iii) A adoção de procedimentos de prevenção e de detecção de fraudes por parte das companhias. (iv) O estabelecimento de punições criminais e pecuniárias para os Chief Executive Officers (CEOs) e Chief Financial Officers (CFOs). Esses executivos são responsáveis pela integridade e fidedignidade das demonstrações financeiras e, caso falhem em sua certificação anual, podem estar sujeitos a multas que podem chegar a US$ 5 milhões e à prisão por até 20 anos. (v) A alteração nas formas de se auditar as companhias. A Sox, em seu segundo capítulo, dedica-se, exclusivamente, à regulamentação dos auditores independentes e discorre, principalmente, sobre: • Proibição de prestação de determinados serviços pelos auditores a seus clientes; • Pré-aprovação da contratação do auditor pelo Comitê de Auditoria do cliente; • Relacionamento do auditor independente com o Comitê de Auditoria; • Conflitos de interesse na contratação de pessoal proveniente de empresas de auditoria. De acordo com Ramos (2011) no Brasil não houve mudanças significativas com esta lei, pois já existiam normas que se assemelhavam com as impostas pela Sox. A seguir o quadro comparativo entre a Lei Sarbanes-Oxley e a legislação brasileira: Quadro 2: Comparativo entre as legislações. Lei Sarbanes-Oxley O auditor independente não pode prestar serviços de consultoria à empresa que ele está auditando (Seção 101). Proíbe, direta ou indiretamente, inclusive, por intermédio de subsidiaria, a oferta, manutenção, ampliação ou renovação de empréstimo entre a empresa e quaisquer conselheiros ou diretores (Seção 402). Padrões de conduta e maior responsabilidade dos advogados. Qualquer irregularidade legal cometida pelos clientes deverá ser comunicada ao Comitê de Auditoria pelos advogados (Seção 307) Os diretores executivos e os diretores financeiros devem emitir relatórios trimestrais contendo a certificação de que eles executaram a avaliação da eficácia dos controles (Seção 302). Caso a empresa apresente erros nas demonstrações contábeis e tenham que republicá-las gerando prejuízos para a empresa, o diretor financeiro e o presidente terão que devolver qualquer bônus e até mesmo participações nos lucros que eles tenham Legislação Contábil Brasileira As empresas de auditoria não podem prestar serviços de consultoria ou outros serviços que possam caracterizar a perda de sua objetividade e independência (Instrução da CVM 308/99). Não existe proibição de empréstimo. Não existe obrigatoriedade deste relato. Trimestralmente, em conjunto com as demonstrações contábeis, a companhia deve divulgar relatório preparado pela administração com a discussão e a análise dos fatores que influenciaram preponderadamente, o resultado, indicando os principais fatores de risco interno e externo a que está sujeita a companhia (Cartilha Governança Corporativa - CVM, 2002). Não existe obrigatoriedade deste fato. 43 recebido (Seção 304). O presidente e o diretor financeiro da companhia devem divulgar um relatório sobre a efetividade dos controles internos e a elaboração das demonstrações contábeis, juntamente com os relatórios anuais (Seção 404). A pena para o presidente e diretor financeiro que omitirem informações ou apresentarem informações falsas pode variar de 10 a 20 anos de prisão e/ou altas multas (Seção 802). Exige que papéis e e-mail dos principais documentos relacionados à auditoria sejam mantidos por 5 anos e determina pena de 10 anos por destruir tais documentos (Seção 802). Deterrmina a criação do Comitê de Auditoria composto por membros independentes, que deverão supervisionar os processos de elaboração, divulgação e auditoria das demonstrações contábeis (Seção 301). Na composição do Comitê de Auditoria é exigido que pelo menos um dos membros seja um especialista em finanças (Seção 407). O controle interno é um dos itens exigidos com bastante rigor pela Lei Sarbanes-Oxley. Esta determina que o presidente e o diretor financeiro devam estabelecer e manter o controle interno da empresa (Seção 302). Obriga o rodízio periódico dos sócios da empresa de auditoria (Seção 203) Proíbe o auditor de prestar serviços considerados fora do âmbito da prática do auditor, como, por exemplo, serviços atuariais, funções de administração ou de recursos humanos, serviços relativos aos registros contábeis ou às demonstrações contábeis (Seção201). Deverá adotar um código de ética para administradores financeiros seniores (Seção 406). Não existe obrigatoriedade deste fato. Os administradores respondem civilmente pelos prejuízos que causarem à companhia, quando ultrapassarem os atos reguladores de gestão ou quando procederem, dentro de suas atribuições e poderes, com culpa ou dolo. O auditor, para fins de fiscalização do exercício profissional, deve conservar em boa guarda toda a correspondência, relatórios, pareceres e demais documentos relacionados com a auditoria pelo prazo de 5 anos, a contar da data de emissão do parecer (NBC P1 - Resolução 821/97 do CFC). Não é obrigatória a criação do Comitê de Auditoria, a SEC permite que as empresas brasileiras o substituam pelo Conselho Fiscal ou Conselho de Administração O Conselho de Administração (que substitui o Comitê de Auditoria) deve ter pelo menos dois membros com experiência com finanças (Cartilha Governança - CVM, 2002). O sistema contábil e de controles internos é de responsabilidade da administração da entidade: porém o auditor deve efetuar sugestões objetivas para o seu aprimoramento, decorrentes de constatação feitas no decorrer do seu trabalho (NBC T 11 - Resolução 820/97 do CFC). As empresas devem fazer rodízio das empresas de auditoria a cada 5 anos. Não existe obrigatoriedade deste fato. Não existe obrigatoriedade deste fato. Fonte: Santos e Lemes (2004 apud Ramos 2011). Percebe-se que esta Lei traz mudanças significativas principalmente relacionadas à auditoria e aos seus profissionais. Lei esta que precisou ser criada em virtude de escândalos relacionados às contabilidades e demonstrações contábeis maquiadas ocorridos com empresas americanas. Por outro lado nota-se que as normas brasileiras já estão em conformidade com estas exigências. 44 2.10.3 Governança Corporativa e Auditoria Governança Corporativa vem a ser o modo de gerir as entidades de modo mais transparente, uma gestão voltada principalmente a prestar informações ao mercado e a investidores, acionistas, controladores e administradores baseada em regramento emitido pelo IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. De acordo com o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, publicado pelo IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (2012), os princípios e práticas da Governança Corporativa aplicam-se a qualquer tipo de organização, independente do porte, natureza jurídica ou tipo de controle. Segundo o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa (2010, p19), Governança Corporativa É o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua longevidade. O Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa (2010, p19), cita como sendo princípios básicos de Governança Corporativa: Transparência Mais do que a obrigação de informar e o desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. A adequada transparência resulta em um clima de confiança, tanto internamente quanto nas relações da empresa com terceiros. Não deve restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que conduzem a criação de valor. Equidade Caracteriza-se pelo tratamento justo de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders). Atitudes ou políticas discriminatórias, sob qualquer pretexto, são totalmente inaceitáveis. Prestação de Contas (accountability) Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação, assumindo integralmente as conseqüências de seus atos e omissões. Responsabilidade Corporativa Os agentes de governança devem zelar pela sustentabilidade das organizações, visando a sua longevidade, incorporando considerações de ordem social e ambiental na definição dos negócios e operações. 45 No que se refere à auditoria, o código de governança corporativa recomenda a instituição do Comitê de Auditoria para analisar as demonstrações financeiras, promover a supervisão e a responsabilização da área Financeira, garantir que a Diretoria desenvolva controles internos confiáveis (que o comitê deve entender e monitorar adequadamente), que a Auditoria Interna desempenhe a contento o seu papel e que os auditores independentes avaliem, por meio de sua própria revisão, as praticas da Diretoria e da Auditoria Interna. O comitê deve ainda zelar pelo cumprimento do Código de Conduta da organização (vide 6.1), quando não houver Comitê de Conduta (ou de Ética) designado pelo Conselho de Administração para essa finalidade. No caso do Comitê de Auditoria, pelo menos um integrante devera ter experiência comprovada na área Contábil ou de Auditoria. As boas práticas de governança corporativa visam à integração entre os diversos setores da organização, para melhorar a circulação de informações interna e externamente. O objetivo principal é tornar mais transparentes as demonstrações contábeis que servem para a tomada de decisões por parte da administração e também para dar segurança aos investidores e acionistas, ou seja, terceiros que de alguma forma estão ligados a organização. 2.10.4 Os Acordos de Basiléia O Acordo de Basiléia I foi criado em 1988, em Basiléia na Suíça pelo comitê formado pelos países do chamado G20 (grupo das 20 maiores economias mundiais). Tem por objetivo a internacionalização dos padrões de gerenciamento de riscos nas instituições bancárias com o estabelecimento de mecanismos para a mensuração dos riscos e exigências de capital mínimo para suporte destes riscos nas instituições, com o intuito de buscar a solidez e estabilidade para o sistema bancário internacional. De acordo com Carvalho et al (2008,p.1) o acordo inicial tinha por objetivo Fortalecer a solidez e a estabilidade do sistema bancário, evitar o chamado “efeito dominó”, por meio da recomendação para os bancos constituírem um capital mínimo, de forma a minimizar os riscos de insolvência das instituições bancárias, e que fosse suficiente para fazer frente a boa parte das ocorrências com materialização de perdas. O Comitê da Basiléia para Supervisão Bancária publicou os Princípios Fundamentais para uma Supervisão Bancária Efetiva (2006, p.5-8) onde os descreve como sendo: Princípio 1 – Objetivos, independência, poderes, transparência e cooperação: Um sistema efetivo de supervisão bancária terá as responsabilidades e os objetivos de cada autoridade envolvida na supervisão de organizações bancárias claramente definidas. Cada uma dessas autoridades deve possuir independência operacional, processos transparentes, governança sólida e recursos adequados, e deve ser 46 responsabilizada pelo desempenho de suas atribuições. Uma estrutura legal apropriada à supervisão bancária também é necessária, incluindo dispositivos relacionados às autorizações para o estabelecimento das organizações bancárias e à sua supervisão contínua; poderes voltados para a verificação de conformidade com as leis e com as preocupações de segurança e solidez; e proteção legal para os supervisores. Devem existir mecanismos para a troca de informações entre supervisores e proteção da confidencialidade de tais informações. Princípio 2 – Atividades permitidas: As atividades que serão permitidas às instituições que são autorizadas a funcionar como bancos e estão sujeitas à supervisão precisam ser claramente definidas e o uso da palavra “banco” em nomes deve ser controlado da melhor forma possível. Princípio 3 – Critério para Autorização de Funcionamento: A autoridade que concede permissão de funcionamento deve ter o poder de determinar critérios e rejeitar requerimentos de estabelecimentos que não atinjam o padrão determinado. O processo de autorização deve consistir, no mínimo, de uma avaliação da estrutura de propriedade e da governança do banco e do grupo ao qual pertence, incluindo a adequação e as propriedades dos membros do Conselho e da alta administração, seus planos estratégicos e operacionais, controles internos e gerenciamento de riscos, e sua condição financeira projetada, incluindo a sua estrutura de capital. Se o proprietário ou a organização controladora proponente for um banco estrangeiro, deve ser obtido o consentimento prévio do supervisor do país de origem antes que a autorização de funcionamento seja concedida. Princípio 4 – Transferência Significativa de Propriedade: O supervisor tem o poder de revisar e rejeitar qualquer proposta de transferência significativa de propriedade ou controle de interesses mantidos direta ou indiretamente pelos bancos para terceiros. Princípio 5 – Grandes Aquisições: O supervisor tem o poder de revisar, usando critérios pré-estabelecidos, grandes aquisições ou investimentos que um banco pretenda fazer, incluindo o estabelecimento de operações no exterior, assegurando que filiais ou estruturas corporativas não exponham o banco a riscos indevidos ou dificultem uma supervisão efetiva. Princípio 6 – Adequação de Capital: Os supervisores devem estabelecer requerimentos mínimos prudentes e apropriados de adequação de capital aos bancos, que reflitam os riscos aos quais o banco está submetido, e devem definir os componentes de capital, tendo em mente sua habilidade de absorver perdas. Ao menos para bancos internacionalmente ativos, esses requerimentos não devem ser inferiores aos estabelecidos no requerimento aplicável do Acordo da Basiléia. Princípio 7 – Processo de gerenciamento de riscos: Os supervisores precisam se assegurar de que os bancos e grupos bancários adotam um processo abrangente de gerenciamento de riscos (incluindo participação do Conselho e da alta administração) para identificar, avaliar, monitorar e controlar ou mitigar todos os riscos materiais e para verificar a adequação de seu capital frente ao seu perfil de risco. Esses processos devem ser proporcionais ao porte e à complexidade da instituição. Princípio 8 – Risco de Crédito: Os supervisores precisam se assegurar de que os bancos possuem processos de gerenciamento de risco de crédito que levam em consideração o perfil de risco da instituição, com políticas prudentes e procedimentos para identificar, medir, monitorar e controlar o risco de crédito (incluindo o risco de contraparte). Isso inclui a concessão de empréstimos e a realização de investimentos, a avaliação da qualidade de tais empréstimos e investimentos, e o gerenciamento contínuo das carteiras de empréstimos e de investimentos. Princípio 9 – Ativos problemáticos, provisões e reservas: Os supervisores devem se assegurar de que os bancos estabelecem e seguem políticas e processos adequados para gerenciar ativos problemáticos e para avaliar a adequação de provisões e reservas. Princípio 10 – Limites para grandes exposições: Os supervisores devem se assegurar de que os bancos adotam políticas e processos que permitam aos gestores a identificação e o gerenciamento de concentrações dentro da carteira, e os 47 supervisores devem estabelecer limites prudentes para restringir exposições bancárias a contrapartes isoladas ou a grupos de contrapartes conectadas. Princípio 11 – Exposições a partes relacionadas: Com o objetivo de prevenir abusos originados das exposições (tanto nas contas patrimoniais como nas de compensação) a partes relacionadas e para tratar o conflito de interesses, os supervisores devem impor o requerimento de que as exposições a companhias e indivíduos relacionados sejam limitadas; que essas exposições sejam efetivamente monitoradas; que medidas apropriadas sejam tomadas para controlar ou mitigar os riscos; e que a baixa contábil dessas exposições seja feita de acordo com políticas e processos padronizados. Princípio 12- Riscos país e de transferência: Os supervisores precisam se assegurar de que os bancos possuem políticas e processos adequados para identificar, medir, monitorar e controlar o risco país e o risco de transferência em seus empréstimos internacionais e atividades de investimento, e para manter provisões e reservas adequadas para se resguardarem desses riscos. Princípio 13 – Riscos de Mercado: Os supervisores precisam se assegurar de que os bancos possuem políticas e processos adequados para identificar, medir, monitorar e controlar de forma precisa os riscos de mercado; os supervisores devem possuir poderes para impor limites específicos e/ou impor um requerimento de capital específico sobre exposições a risco de mercado, se for necessário. Princípio 14 – Risco de Liquidez: Os supervisores devem se assegurar de que os bancos adotam uma estratégia de gerenciamento de liquidez que leva em conta o perfil de risco da instituição, com políticas e processos prudentes para identificar, medir, monitorar e controlar o risco de liquidez, e para gerenciar a liquidez diariamente. Os supervisores devem exigir que os bancos possuam planos de contingência para resolver problemas de liquidez. Princípio 15 – Risco operacional: Os supervisores devem se assegurar de que os bancos adotam políticas e processos de gerenciamento para identificar, avaliar, monitorar e controlar/mitigar o risco operacional. Essas políticas e processos devem ser compatíveis com o porte e a complexidade do banco. Princípio 16 – Risco de taxa de juros no banking book: Os supervisores devem se assegurar de que os bancos adotam sistemas efetivos para identificar, medir, monitorar e controlar o risco de taxa de juros no banking book, incluindo uma estratégia bem definida que tenha sido aprovada pelo Conselho e implementada pela alta administração; esses controles devem estar de acordo com o tamanho e a complexidade de tal risco. Princípio 17 – Controles internos e auditoria: Os supervisores devem se assegurar de que os bancos adotam controles internos adequados ao porte e complexidade de seus negócios. Isso deve incluir regras claras para delegação de autoridade e responsabilidade; separação das funções que envolvem decisões para a assunção de compromissos pelo banco, que dispõem de seus fundos, e que contabilizam seus ativos e passivos; reconciliação desses processos; proteção dos ativos do banco; e funções de auditoria interna independente e de verificação de conformidade apropriadas para testar a aderência a esses controles bem como as leis e regulamentos aplicáveis. Princípio 18 –Integridade do setor bancário: Os supervisores devem se assegurar de que os bancos adotam políticas e processos adequados, incluindo regras rígidas do tipo “conheça seu cliente”, que promovem altos padrões éticos e profissionais no setor financeiro e evitam que o banco seja usado, intencionalmente ou não, para atividades criminosas. Princípio 19 – Abordagem do supervisor: Um sistema de supervisão bancária efetivo requer que os supervisores desenvolvam e mantenham uma compreensão completa das operações dos bancos individuais e das organizações bancárias, e também do sistema bancário como um todo, concentrando-se em segurança e solidez, e na estabilidade do sistema bancário. Princípio 20 – Técnicas de Supervisão: Um sistema de supervisão bancária efetivo deve consistir de supervisão direta e indireta, além de contatos regulares com a administração do banco. Princípio 21 – Relatórios para a supervisão: Os supervisores devem possuir meios de coletar, rever e analisar relatórios prudenciais e informações estatísticas 48 dos bancos tanto em bases individuais como consolidadas, e meios de realizar uma verificação independente desses relatórios, através de seus exames diretos (na instituição) ou do uso de especialistas externos. Princípio 22 – Contabilidade e divulgação: Os supervisores devem se assegurar de que cada banco mantém registros adequados realizados de acordo com políticas e práticas contábeis amplamente aceitas internacionalmente, e publique regularmente informações que reflitam fielmente sua condição financeira e sua rentabilidade. Princípio 23 – Ações corretivas e os poderes dos supervisores: Os supervisores devem ter ao seu dispor uma gama adequada de ferramentas de supervisão para demandar ações corretivas em tempo hábil. Isto inclui o poder de, quando apropriado, caçar a licença de funcionamento do banco, ou recomendar a sua revogação. Princípio 24 – Supervisão consolidada: Um elemento essencial em supervisão bancária é a supervisão consolidada do grupo bancário, monitorando adequadamente e, quando apropriado, aplicando normas prudenciais a todos os tipos de negócios conduzidos mundialmente pelo grupo. Princípio 25 – Relações entre supervisores domésticos e do exterior – A supervisão consolidada além das fronteiras do país exige cooperação e troca de informações entre os supervisores domésticos e os vários outros supervisores envolvidos, principalmente os supervisores bancários do país receptor. Os supervisores bancários devem requerer que as operações locais de bancos estrangeiros sejam conduzidas nos mesmos padrões requeridos para as instituições domésticas. A criação dos princípios por parte do Comitê tem por objetivo regular o sistema financeiro e definir as instituições que irão operar como bancos, com regramento e normas específicas. O Comitê da Basiléia para Supervisão Bancária (2006, p.11), no que diz respeito aos Princípios declara que “são concebidos como uma estrutura voluntária de padrões mínimos para práticas sólidas de supervisão; as autoridades nacionais são livres para colocar em prática medidas suplementares que considerem necessárias para atingir uma supervisão efetiva em suas jurisdições.” São princípios essenciais a serem seguidos pelos órgãos supervisores para que haja uma supervisão bancária eficaz, capaz de mitigar os riscos a que estão expostos os bancos e seus usuários. A partir da implantação do acordo surgiram mudanças significativas no setor, porém não suficientes, pois o primeiro Acordo na abrangia todos os riscos que as instituições financeiras podiam sofrer. Então, surge à revisão do primeiro acordo através do Basiléia II que tem por objetivo fortalecer a estabilidade do sistema financeiro mundial por meio do aprimoramento das praticas de gestão e governança dos riscos nas instituições financeiras. Para Carvalho et al (2012, p.2) o processo de revisão do acordo de Basiléia I visou desenvolver uma nova estrutura para fortalecer a solidez e a estabilidade do sistema bancário internacional, considerando que o Novo Acordo recomendava a adoção de práticas de administração de riscos mais sólidas pelo setor bancário, não sustentadas simplesmente na determinação de capital. 49 Enquanto Basiléia I enfatizava o nivelamento das condições de concorrência entre bancos internacionalmente ativos, Basiléia II trata de riscos bancários, o que implica uma análise mais aprofundada, observando o conjunto de riscos a que cada instituição está sujeita, buscando cobrir o maior numero de riscos possíveis. O novo Acordo de Capital está amparado em três Pilares, que Carvalho et al (2008, p.45) aponta como sendo: Primeiro Pilar – Exigência de Capital Mínimo: a partir de medidores de risco de mercado, risco de crédito e risco operacional; Segundo Pilar – Processo de Revisão e Supervisão: os Supervisores são responsáveis por avaliar a adequação do capital econômico aos riscos incorridos pelos bancos; sob a ótica das instituições financeiras, significa a adoção de práticas de gerenciamento com ampla aceitação e utilização pelos participantes do mercado. Terceiro Pilar – Disciplina de Mercado: preconiza a divulgação de informações sobre os riscos e gestão por parte dos participantes do sistema bancário. Estes pilares buscam disciplinar a forma como as instituições financeiras irão atuar no mercado, buscando sempre manter a solvência das mesmas. Por ainda não ser considerado como ideal o acordo de Basiléia II foi novamente revisado. E em novembro de 2010, em Seul, os países do G20chegaram a um acordo sobre a reforma do sistema bancário e das suas maiores instituições de crédito, apontadas como as responsáveis pela crise financeira de 2008, surge então, o Acordo de Basiléia III. Sobre este Acordo, Leite et al(2011, p.11) destaca que Com base nas novas exigências, as instituições serão obrigadas a deter um volume maior de capital e ativos de alta qualidade para limitar os riscos que estão relacionados à concessão de crédito, bem como à negociação de ativos. Ainda, terão que aprimorar seus processos de gerenciamento de risco, disponibilizar ativos de alta qualidade (“colchões” de segurança), aumentar a liquidez para prover a cobertura de desencaixes em períodos de estresse e ampliar a transparência e disponibilidade de informações. Percebe-se que as alterações ocorridas nos Acordos de Basiléia, visam sempre à melhoria do sistema financeiro no sentido de evitar novas crises que possam por em risco à credibilidade das instituições financeiras e a estabilidade financeira do país. As novas exigências introduzidas por Basiléia III revelam, essencialmente, duas preocupações: a necessidade de gestão do risco sistêmico que a atividade bancária representa, bem como a importância de uma gestão mais prudente das instituições financeiras. 2.10.5 CVM – Comissão de Valores Mobiliários 50 Criada pela lei Nº 6.385, de sete de dezembro de 1976, a CVM tem poderes para disciplinar, normatizar e fiscalizar a atuação dos diversos integrantes do mercado de capitais. Complementa Almeida (2010, p. 7) sobre a CVM: ... Funciona como um órgão fiscalizador do mercado de capitais no Brasil. O auditor externo ou independente, para exercer atividades no mercado de valores mobiliários (companhias abertas e instituições, sociedades ou empresas que integram o sistema de distribuição e intermediação de valores mobiliários), está sujeito ao prévio registro na CVM. È de competência da CVM disciplinar sobre: Registro de companhias abertas; Registro de distribuições de valores mobiliários; Credenciamento de auditores independentes e administradores de carteiras de valores mobiliários; Organização, funcionamento e operações das bolsas de valores; Negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários; Administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários; Suspensão ou cancelamento de registros, credenciamentos ou autorizações; Suspensão de emissão, distribuição ou negociação de determinado valor mobiliário ou decretar recesso de bolsa de valores; Especificamente sobre a auditoria a CVM fez as seguintes publicações: Auditores independentes: -Deliberação CVM nº 294/99 - Dispõe sobre o tratamento contábil dos ajustes de Ativos e passivos em moeda estrangeira. - Deliberação CVM nº 466/03– Dispõe sobre a prestação do Exame de Qualificação Técnica para fins de registro como Auditor Independente na Comissão de Valores Mobiliários. Instrução CVM nº 308/99: Dispõe sobre o registro e o exercício da atividade de auditoria Independente no âmbito do mercado de valores mobiliários. Auditoria sobre fundos de investimento: - Instrução CVM nº 386/03 - Dispõe sobre a auditoria independente nos fundos de investimento financeiro, fundos de aplicação em quotas de fundos de investimento financeiro e fundos de investimento no exterior. 51 Divulgação de Informações: - Instrução CVM nº 381/03 - Dispõe sobre a divulgação, pelas Entidades Auditadas, de informações sobre a prestação, pelo auditor independente, de outros serviços que não sejam de auditoria externa. -Instrução CVM nº 308/99- Dispõe sobre o registro e o exercício da atividade de auditoria independente no âmbito do mercado de valores mobiliários, define os deveres e as responsabilidades dos administradores das entidades auditadas no relacionamento com os auditores independentes, e revoga as Instruções CVM nos. 216, de 29 de junho de 1994, e 275, de 12 de março de 1998. A Comissão de Valores Mobiliários é o maior órgão de normatização quando se trata de valores mobiliários e, portanto, não pode haver a emissão pública de valores mobiliários (ações, debêntures...) sem previa autorização da CVM. Cabe a ela ainda a regulação dos registros dos profissionais e a divulgação de informações e normativos relacionados auditoria. Possui grande poder no controle, fiscalização e normatização destes setores. 52 3 METODOLOGIA DA PESQUISA Neste item, foi definiu-se a classificação da pesquisa seguida dos métodos para a sua realização. 3.1 Classificações da Pesquisa De acordo com Gil (2010, p. 25) “A tendência a classificação é uma característica da racionalidade humana. Ela possibilita melhor organização dos fatos e conseqüentemente seu entendimento.” A seguir, apresenta-se a classificação da pesquisa em termos de sua natureza, de seus objetivos, da forma de abordagem do problema e dos procedimentos técnicos. a) Do ponto de vista de sua natureza A presente pesquisa classifica-se como pesquisa aplicada, pois, conforme Gil (2010, p.27), são “pesquisas voltadas à aquisição de conhecimentos com vistas à aplicação numa situação específica”, sendo utilizado para reunir conhecimentos para posterior aplicação. Desta forma, este estudo se classifica como pesquisa Aplicada, pois se utilizou da teoria existente sobre Auditoria Operacional para elaborar o programa de auditoria a ser testado em uma Instituição Financeira nos contratos de financiamentos agrícolas. b) Do ponto de vista de seus objetivos Quanto aos objetivos, esta pesquisa classifica-se como uma pesquisa Descritiva e Exploratória. Primeiramente o estudo é descritivo porque descreve os processos utilizados pela Instituição Financeira na operacionalização e controle de financiamentos agrícolas. De acordo com Vergara (2004, p. 47): A pesquisa descritiva expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno. Pode também estabelecer correlações entre variáveis e definir sua natureza. Não tem compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação. O estudo também tem caráter exploratório que conforme Gil (2010, p.27) são “as pesquisas [... que] tem como propósito, proporcionar maior familiaridade com o problema, 53 com vistas a torná-lo mais explicito ou a construir hipóteses.”. Então, pode-se dizer que a presente pesquisa classifica-se como exploratória, pois tem como objetivo ampliar e aprofundar os conhecimentos na área de auditoria interna. c) Quanto à forma de abordagem do problema Quanto à forma de abordagem do problema o estudo é considerado qualitativo, pois “é mais subjetivo e envolve examinar e refletir as percepções para obter um entendimento das atividades sociais e humanas.” (COLLIS e HUSSEY, 2005, p. 26), ou seja, permite interpretações e estimula o pensamento sobre determinado tema ou objeto. No caso da auditoria, esta não pode se limitar a um tratamento processualístico, pois, desconheceria o comportamento das pessoas que muitas vezes são motivadas a cometer ilícitos. d) Do ponto de vista dos procedimentos técnicos O presente estudo utiliza-se de quatro procedimentos técnicos: Pesquisa bibliográfica: é considerada por Andrade (2010, p.128) como sendo: Uma etapa fundamental da pesquisa de campo. Além de proporcionar uma revisão sobre a literatura referente ao assunto, a pesquisa bibliográfica vai possibilitar a determinação dos objetivos, a construção das hipóteses e oferecer elementos para fundamentar a justificativa da escolha do tema. Neste sentido, os conceitos teóricos são fundamentais para que se incorporem experiências anteriores vinculados a auditoria e aos demais procedimentos vinculados ao estudo. Pesquisa documental: este tipo de pesquisa é considerado como sendo de fonte primaria, pois, “englobam todos os materiais, ainda não elaborado, escritos ou não, que podem servir como fonte de informação” (LAKATOS e MARCONI, 2011, p.43). Neste caso especifico, os documentos que suportaram as operações de financiamentos agrícolas foram efetivamente as fontes primarias que viabilizaram o restante do estudo. Levantamento: estas pesquisas solicitam informações a um grupo de pessoas sobre o problema estudado com o objetivo de obter conclusões referentes aos dados coletados (GIL, 2010). A etapa de levantamento do processo envolveu entrevistas de modo a gerar familiaridade sobre os métodos praticados pela instituição financeira. Estudo de caso: de acordo com Gil (2010, p. 37) “consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento”. Esta 54 pesquisa é também caracterizada como estudo de caso, pois, foram investigados processos específicos de uma única instituição financeira sem objetivar comparações. 3.2 Universo e Amostra Para Vergara (2004) é a definição de toda a população e da população amostral, sendo que população é o conjunto de elementos utilizados ou definidos como objetos do estudo. E população amostral é escolhida por algum critério de representatividade. No presente trabalho o universo compôs-se por todos os contratos de investimentos agrícolas operacionalizados pela instituição em estudo no ano de 2012, que são um total de 98 contratos. A amostra oriunda deste universo foi obtida pela segregação de 15 destes contratos independente do mês da contratação, que serviram como objeto de estudo. 3.3 Coleta de Dados Vergara (2004) explica que, na coleta de dados deve-se correlacionar os objetivos aos meios para alcançá-los e se optar pela formulação de questões, a correlação deve ser feita entre questões e meios para respondê-las, dos quais se incluem a observação, o questionário, o formulário e a entrevista. Nesta pesquisa realizou-se a aplicação de entrevistas não padronizadas junto ao funcionário que possui conhecimentos sobre o processo em analise. Com relação aos contratos, os mesmos foram consultados e analisados in loco. 3.3.1 Instrumentos de Coletas de dados Os instrumentos de coleta de dados informam quais os meios utilizados para a obtenção dos dados que irão responder ao problema. Nesta pesquisa utilizou-se o método da entrevista, que na concepção de Collis e Hussey (2005, p. 160) “trata-se de um método de coleta de dados, no qual perguntas são feitas a participantes selecionados para descobrir o que fazem, pensam ou sentem.” Mais especificamente foi utilizado o método da entrevista não padronizada ou não estruturada que para Andrade (2010, p.132) “consiste em uma conversação informal, que pode ser alimentada por perguntas abertas, proporcionando maior liberdade para o informante.” Sendo que para isso utilizou-se apenas um roteiro para a entrevista com o funcionário do setor de empréstimos agrícolas. 55 3.4 Analise e Interpretação de Dados Segundo Collis e Hussey (2005) a parte principal do trabalho é a analise e interpretação dos dados produzidos, a maneira de fazê-la dependerá do tipo de dados coletados e o valor desta analise dependerá da qualidade da interpretação que se faz dela. O presente trabalho teve como base para a coleta de dados, a aplicação dos papéis de trabalho de auditoria e para análise e interpretação dos dados coletados, a aplicação do programa de auditoria juntamente com a realização de entrevistas com o responsável pelo setor de recursos rurais. 56 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste capítulo consta o estudo de caso. No qual foi desenvolvida uma auditoria operacional nos contratos de crédito rural de uma instituição financeira, onde levam-se em conta todos os dados analisados. Seguido da elaboração do programa de auditoria, analisando e conferindo os documentos os quais constam nos papéis de trabalho e no relatório final de auditoria. 4.1 Descrição do setor e dos procedimentos para contratação de crédito rural da instituição financeira Y: Controles internos A Instituição Financeira Y atua no setor de crédito rural em diversas linhas de financiamento e investimento de curto e longo prazo. Os recursos utilizados para repasse do longo prazo (investimentos) são todos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal, que é hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia. O setor de crédito rural na agência estudada é controlado por apenas um funcionário. O mesmo tem como função acolher os pedidos de crédito feitos pelos clientes, solicitar as documentações necessárias a contratação e formalizar as propostas no sistema, para que elas passem por análise do comitê de crédito que irá deferir ou indeferir a proposta. Alem disso, deve solicitar toda a documentação do Check-list para que o cliente providencie, para a formação do dossiê. Toda a documentação necessária para a contratação fica arquivada em uma pasta dossiê montada para cada cliente. Pois esta documentação precisa seguir da agência para o comitê de crédito que fica em Porto Alegre através de malote, para avaliação e auditoria e posteriormente retorna a agência para arquivo. Caso haja alguma irregularidade ela será devolvida a agência que providenciará a regularização e enviará novamente para o comitê para nova análise. Na seqüência é apresentado por meio de um fluxograma todo o processo para a contratação de máquinas e equipamentos na linha de investimentos: 57 Cliente solicita crédito rural Apresentação de documentos. Proposta Comitê de Crédito Montagem da pasta dossiê. Documentação OK. Análise na Unidade de Negócios Rurais. Emissão do Instrumento de crédito (contrato). Faltam documentos ou tem irregularidades. Regularização da documentação. Envio para a Agência Contratação Retorno a UNR para solicitação recursos BNDS Juntada das notas fiscais de compra. Envio para UNR. Liberação dos valores na C/C cliente (bloqueado) Contratação do seguro obrigatório BNDS. Devolução para arquivo Figura 2: Proposta pré-aprovada- Máquinas e Equipamentos Fonte: Dados conforme pesquisa Comprovação financeira. FIM 58 O processo de contratação tem seu inicio com a solicitação do cliente à agência, onde o funcionário providencia e encaminha toda a documentação necessária ao comitê de crédito responsável. Após aprovada a operação e emitido o contrato, o BNDS libera o recurso bloqueado na conta corrente no cliente, sendo necessária a apresentação das notas para liberação dos recursos. No momento da liberação o cliente deve realizar a contratação do seguro do empreendimento pelo mesmo prazo que vai durar o financiamento, conforme norma estabelecida pelo BNDES. Após isso deve ser preenchida a planilha de comprovação financeira anexando à mesma todos os orçamentos, notas e suas quitações, alem da comprovação da contratação do seguro, encaminhando para a UNR (Unidade de Negócios Rurais) que finaliza o processo e devolve o dossiê para arquivo na agência. 4.2 Identificações dos pontos de controle O objetivo dessa auditoria é a verificação dos procedimentos operativos referentes à área de auditoria operacional da instituição financeira Y. Realizando a verificação dos procedimentos para a contratação de recursos no setor de créditos rurais, mais especificamente na linha de Investimentos, que de acordo com o Manual de Credito Rural (MCR) 03-03 Classifica-se como crédito de investimento rural o financiamento com predominância de verbas para inversões fixas e semifixas em bens e serviços relacionados com a atividade agropecuária, ainda que o orçamento consigne recursos para custeio. Ou seja, pode ser contratado e aplicado de diversas formas no setor agrícola podendo até ser feito em grupos (coletivo) no caso de financiamento de máquinas e equipamentos de grande porte. Ou ainda, com um único proponente no caso de recuperação de lavouras, mas tem como característica ser financiado no longo prazo, com recursos do BNDES. Outro objetivo é verificar se as contratações estão de acordo com as leis emitidas pelos órgãos regulamentadores e com as normas contábeis, bem como apontar as falhas, para que a instituição não venha sofrer alguma sanção fiscal ou perdas. Verificar quais são os métodos de controle utilizado no setor. 59 4.2.1 Avaliações dos Controles de Verificação É fundamental para as instituições financeiras a utilização de controles internos. Na instituição auditada verificou-se que, por ser de grande porte, existem setores responsáveis para cada tipo de auditoria. Pode-se verificar que na instituição estão bem definidas as áreas onde os grupos de auditoria vão atuar, sendo que o setor de auditoria operacional tem como uma de suas responsabilidades a gestão dos serviços de auditoria na rede de agências. O objetivo principal é a adoção de medidas preventivas necessárias a proteção e a manutenção dos ativos da Instituição, sempre observando a legislação vigente, as normas e diretrizes traçadas internamente e pelos órgãos oficiais. A seguir pode-se verificar o organograma que envolve os setores ligados a auditoria na instituição financeira: ASSEMBLÉIA GERAL DOS ACIONISTAS CONSELHO FISCAL COMITÊ DE CONSELHO DE AUDITORIA ADMINISTRAÇÃO AUDITORIA INTERNA DIRETORIA PRESIDÊNCIA ORGÃOS CONSULTIVOS COMITÊ DE GESTÃO BANCÁRIA DIRETORIA DE CRÉDITO DIRETORIA DE CONTROLE E RISCO NEGÓCIOS RURAIS CONTROLADORIA GESTÃO DE RISCOS CORPORATIVOS Figura 3: Organograma dos setores ligados a auditoria Fonte: Dados conforme pesquisa POLITICAS DE CRÉDITO E ANÁLISE DE RISCO 60 Na Instituição em estudo, o Sistema de Controles Internos contempla o controle das atividades em todos os níveis da organização. A atividade de controle compete a todos os colaboradores, os quais devem estar conscientes de suas obrigações, responsabilidades e possuir total conhecimento das normas aplicáveis. Os controles internos são periodicamente revisados e atualizados de forma que sejam a eles incorporadas, medidas relacionadas a riscos novos ou anteriormente não abordados. O acompanhamento sistemático das atividades relacionadas com o sistema de controles internos é objeto de relatórios, no mínimo, semestrais, contendo: a) as conclusões dos exames efetuados; b) as recomendações a respeito de eventuais deficiências, com o estabelecimento de cronograma de saneamento das mesmas, quando for o caso; c) a manifestação dos responsáveis pelas correspondentes áreas a respeito das deficiências encontradas em verificações anteriores e das medidas efetivamente adotadas para saná-las. As conclusões, recomendações e manifestações referidas nos itens acima são submetidas ao Conselho de Administração ou, na falta desse, à Diretoria, bem como à Auditoria Externa, e permanecem à disposição do Bacen pelo prazo de cinco anos. Com o novo Modelo de Gestão criado em 2010, foram definidas pela Diretoria as diretrizes que objetivam assegurar a conformidade das normas, procedimentos e sistemas da instituição com a legislação e regulamentação externa. De forma a viabilizar condições adequadas ao planejamento e execução dessas medidas, foi definido que a Instituição deve emitir parecer sobre o entendimento dos efeitos da alteração em um prazo não superior a quinze dias. Com o propósito de analisar as alterações na legislação, discutir o entendimento e acompanhar as ações dos Órgãos da Direção-Geral para o cumprimento das normas foi criado o Grupo Legislação, composto por quatro membros permanentes: representante da Assessoria Jurídica, da Unidade de Gestão Corporativa, da Unidade de Contabilidade e da Controladoria, sendo a coordenação responsabilidade da Controladoria. Foi criada, então, na Gerência de Controles Internos, a Controladoria Legislação (área que assessora o grupo operacionalmente). Os gestores dos Órgãos da Direção-Geral acompanham as alterações de normas externas pertinentes às suas áreas, providenciam as adequações necessárias e respondem à Controladoria Legislação pela conformidade, sendo que o Agente de Controles Internos de cada órgão deve acompanhar os processos de implementação que se fizerem necessários. 61 Nos casos em que o processo de adequação envolve a alteração ou a criação de sistemas, o órgão gestor elabora um DEPEL (Documento de Especificação de Projeto de Legislação) e o projeto é priorizado na Unidade de Desenvolvimento de Sistemas. O DEPEL objetiva atender estrita e exclusivamente as alterações em sistemas, decorrentes de alteração de legislação e o gestor acompanha sua execução até a sua conclusão, de forma que a norma seja efetivamente atendida. Tem como responsabilidade da Auditoria Interna, a fiscalização e orientação para o cumprimento da legislação contábil e as diretrizes econômico-financeiras, administrativas, operacionais e comerciais, com vistas a garantir a integridade das informações. Ela tem ainda como atribuições auditar os controles internos aplicados na instituição, principalmente, quanto à adequação das normas vigentes e pontos de controles previamente identificados nos fluxos de produtos e serviços. No que se refere ao setor de créditos rurais, a rede de agências é auditada por auditor interno da Unidade de Negócios Rurais a cada dois meses aproximadamente. O auditor vai até a agência, seleciona alguns dossiês e faz a auditoria na propriedade rural, fazendo a comprovação de que o recurso foi devidamente aplicado. 4.2.2 Objeto e Procedimentos de verificação Foram determinados, em seqüência, os vários objetos do exame e os procedimentos de verificação a serem levados em consideração na auditoria realizada no setor de créditos rurais. A forma adotada para verificar se todos os procedimentos estão sendo cumpridos, se o Check-list da documentação esta sendo observado e exigido e alem disso, se todos os procedimentos estão de acordo com o que a instituição tem como norma no referido setor, foi o de verificação in loco onde os contratos serão analisados um a um. Pois qualquer irregularidade pode levar a instituição a sofrer sanções e até mesmo não receber mais repasses do BNDES. Alem disso, verificar o desempenho das funções e responsabilidades, de acordo com o planejamento, com o programa de trabalho, avaliando se a organização, o departamento, as atividades, os sistemas, os controles, as funções ou as operações estão alcançando os objetivos da instituição na busca da economicidade, eficácia, eficiência e produtividade. 62 4.3 Programa de auditoria O programa de auditoria consiste em verificar nos dossiês se todas as fases da contratação estão de acordo com as normativas e com os controles internos. O quadro abaixo aponta os objetos do exame e os procedimentos a serem adotados: Quadro 3: Programa de auditoria da Instituição Financeira Y. Objetos Check-list Procedimentos Verificar se esta sendo aplicado o check-list em todas as contratações. Contratos ou Instrumentos Verificar se estão devidamente assinados e registrados de Crédito. Verificar se todos os dossiês apresentam a planilha da Comprovação Financeira comprovação financeira e as notas fiscais Verificar se todos os dossiês apresentam a contratação do Contratação do seguro. seguro. Fonte: Dados conforme pesquisa. A seguir é apresentado o check-list que serve de base para a formação do dossiê da contratação dos créditos rurais na linha de investimentos. O Objetivo é verificar se o checklist esta sendo seguido de acordo com as determinações para a contratação de investimentos. Quadro 4: Check-list da Instituição Mod 1.10000.88: Para proposta "Sem" Pré-Aprovação no BLU; (modelo Mod 1.10000.88 para propostas de aquisição de animais, construção de 1 2 3 4 5 6 aviários, sistemas de irrigação.) Parecer da Sureg no Modelo 10.000, se a proposta acima de R$ 50.000,00; (parecer do comitê de credito da sureg para propostas acima de R$ 50.000,00.) Cópia do Parecer do BLU,para a proposta "Com" Pré-Aprovação; (para propostas de aquisição de maquinas e equipamentos.) Cópia Tela de Aprovação no BLU, para a proposta com Pré-Aprovação; (copia do parecer de aprovação do comitê de credito.) Carta de Alocação de recursos para a proposta com Pré-Aprovação (Emite comprovante); (carta de aprovação emitida pelo sistema, para proposta de maquinas e equipamentos.) Cópia da matrícula atualizada da imóvel a ser hipotecado (quando for o caso). (Garantias vedadas: IlN 3. item 10.3.5. alínea "c" ou dentro de área maior:IN3 item 10.3.4 alínea "m"; (quando a operação envolver garantia real de hipoteca, tem que conter no dossiê cópia 63 atualizada da matricula oferecida como garantia.) Mapa georeferenciado da área quando for oferecida hipoteca parcial de uma matricula; (No mapa deve estar indicado às confrontações, dimensões das áreas e declaração de concordância da hipoteca oferecida dos participantes da matricula); (mapa georeferenciado elaborado pelo técnico responsável pelo projeto, quando for oferecido em garantia parte de uma matricula, neste mapa ira apresentar a coordenada de latitude e longitude identificando a parte da matricula que será hipotecada a favor 7 da instituição financeira.) Laudo de Avaliação do imóvel oferecido em garantia hipotecária (pode ser do Técnico que elaborou o Projeto); (técnico responsável pelo projeto técnico ira apresentar um laudo de avaliação da 8 matricula oferecida em garantia.) CCIR do imóvel oferecido em garantia hipotecária, se o imóvel for rural; (CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural ) e ITR(Imposto Territorial Rural) da 9 matricula oferecida em garantia.) Mod. 1. 08730. 77-Dados Complementares ao BNDES - PRONAF; (modelo que apresenta dados complementares do produtor e do investimento proposto, como número da carta de aptidão ao pronaf, numero da licença ambiental ou dispensa ambiental quando for o caso, numero de pessoas que trabalham na propriedade, numero de pessoas da família envolvidas nas atividades.) 10 11 12 Anexo I desta IN-Declaração de inadimplência com a União; (do Produtor Rural) Anexo 7 desta IN-Declaração inexistência de infrações e sanções administrativas ao meio ambiente; (Declaração do produtor de inexistência de infrações e sanções administrativas ao meio ambiente.) Anexo 8 desta IN- Declaração acerca da inexistência de decisão administrativa em razão de prática de atos discriminatórios; (Declaração do produtor acerca da inexistência de decisão administrativa em razão de 13 prática de atos discriminatórios.) Cópia da DAP válida e assinada pelo Proponente e do órgão quem emitiu; (para operações contratadas via PRONAF agricultor deve apresentar a carta de aptidão 14 15 ao PRONAF para acessar tal programa.) Extrato da DAP, obtido na internet no site: (http://comunidades.mda.gov.br/portal/saf/institucional/aeclaracaoaptidaopronaf) (Intranet, pág. da Unidade de Negócios Rurais; Consulta DAP - PRONAF) com o número idêntico ao da DAP; (extrato disponível na internet onde consta número da Carta de aptidão ao PRONAF 64 para conferir a legitimidade da mesma, bem como a validade da aptidão.) Mod.1.08732.90-Declaração de Financiamentos de PRONAF INVESTIMENTO "EM SER" e Endividamento; (Declaração do produtor, de endividamento, onde ira apresentar todas as dívidas no crédito rural curto prazo ( custeios) e longo prazo ( investimentos). Serve para conferir endividamento que quando for PRONAF não pode ser maior que R$ 160.000,00 em 16 custeios e R$ 200.000,00 em investimentos.) Projeto Técnico completo, com os seus anexos emitidos por Técnico Conveniado; (projeto elaborado por técnico conveniado a instituição ou a Emater, onde apresentará o investimento proposto, garantias, todos os bens do produtor, bem como a capacidade de pagamento do mesmo para todo o período que durar o processo. Justificativas para 17 aprovar o projeto, bem como apresentar a viabilidade econômica do negócio.) Para Máquinas e Equipamentos Novos, Pedido dos Bens a serem financiados com código Finame para valores acima de R$ 5.000,00; (produtos acima de R$ 5000,00 devem apresentar o código MDA e FINAME, disponível no site do ministério da agricultura, que habilitam os equipamentos para financiar via recursos do BNDES. Equipamentos que não possuem esses códigos não 18 podem ser financiados via recursos BNDES.) I - Produzidos no Brasil, que constem da relação da SAF/MDA e da relação de Credenciamento de Fabricantes Informatizado (CFI) do BNDES e atendam aos parâmetros relativos aos índices mínimos de nacionalização, definidos nos normativos do BNDES; aplicáveis ao Produto FINAME AGRICOLA e tenham até 80CV (oitenta cavalos-vapor) de potência, quando se tratar de tratores e moto cultivadores; II - Produzidos no Brasil, inclusive os que não constam da relação da SAF/MDA e da relação de CFI do BNDES até o limite de crédito de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por item financiado; Orçamento do Investimento Proposto, nos demais casos; (orçamento do investimento proposto, para maquinas e equipamentos são os pedidos, no caso de construção orçamentos de material, madeira e mão de obra. Tudo o que for orçado deve ser comprovado com a emissão de nota fiscal para liberação de recursos 19 20 21 22 do financiamento.) Planta da Construção, quando forem Instalações; (planta do investimento proposto, elaborada pelo técnico responsável pelo projeto.) Croqui de Implantação para Culturas Permanentes; (croqui para culturas permanentes, elaborado pelo técnico responsável pelo projeto.) Licença Ambiental ou Isenção; Licença de Instalação; De Operação ou Dispensa de Licença exceto para propostas de Maquinas e equipamentos: (http://www.fepan.rs.gov.br/licenciamento/area1/default.asp); (Licença Ambiental ou Isenção; Licença de Instalação; De Operação ou Dispensa de 65 Licença exceto para propostas de Maquinas e equipamentos: de acordo com cada tipo de financiamento. Maquinas e equipamentos não precisam de licença, construção de aviários e pocilgas, irrigação contempla operações que precisam de licenças ambientais para ser aprovadas. Já pequenas recuperações de solo podem apresentar dispensa de licença ambiental fornecida pelo órgão responsável.) 23 24 25 Cópia do Contrato de Arrendamento e/ou Carta de Anuência, quando tem área arrendada no Projeto; (Cópia do Contrato de Arrendamento e/ou Carta de Anuência, quando tem área arrendada no Projeto.) Fichas Cadastrais do Proponente e Avalista(s) e dos respectivos cônjuges, se casado; (Impresso após atualização no sistema da Instituição.) Extrato Consolidado (do Proponente e dos Avalistas); (Impresso após atualização no sistema da Instituição.) Cópia Central de Risco em todo SFN (documento necessário para todas as propostas para o proponente, para o aval e interveniente, somente quando for encaminhada com o Mod. 10.000 e a alçada for do Comitê de Crédito II, as demais estão dispensadas). (Cópia Central de Risco em todo SFN (documento necessário para todas as propostas para o proponente, para o aval e interveniente, somente quando for encaminhada com o Mod. 10.000 e a alçada for do Comitê de Crédito II, as demais estão dispensadas). 26 27 Contratação de seguro- Obrigatório BNDS Fonte: Dados conforme pesquisa de acordo com check-list da instituição É a partir do check-list que é formado o dossiê da operação, o mesmo é recomendado pelos órgãos regulamentadores e, portanto deve ser seguido pela instituição para que não venha a sofrer medidas restritivas ou punitivas em caso de auditoria destes órgãos. Além do check-list, também será verificado se foi feita a comprovação financeira com as devidas notas fiscais nos valores especificados. Se o contrato ou Instrumento de Crédito esta assinado por todas as partes (proponentes, avalistas e cônjuges se houver) e registrado no Registro de Imóveis no caso de haver bens hipotecados em garantia ou no Registro de Títulos e Documentos. E por ultimo se foi feita a contratação do seguro obrigatório nos contratos de máquinas e equipamentos (no caso de insumos para correção de solo não ha seguro da operação). A auditoria teve seu planejamento embasado no tempo e disponibilidade do auditor e da instituição, sendo assim a mesma foi desde o inicio do mês de maio de 2013 onde se iniciou o planejamento da auditoria, até o dia 31 de maio de 2013, onde foi entregue o relatório. 66 Como a auditoria foi feita por amostragem, dos 98 contratos do ano de 2012 foram selecionados 15 para a realização da auditoria, onde foram retirados os dados necessários a elaboração dos papéis de trabalho e do relatório de auditoria. 4.4 Elaboração dos Papéis de trabalho A seguir, apresentam-se os papéis de trabalho, elaborados a partir da análise realizada nos dossiês de contratação de operações de investimentos no setor de créditos rurais na Instituição financeira Y. 67 Quadro 5: Papel de trabalho 1: Check-List da Instituição Fonte: dados conforme pesquisa 68 Quadro 6: Papel de trabalho 2: Contratos Fonte: dados conforme pesquisa Quadro 7: Papel de trabalho 3: Comprovação financeira Fonte: dados conforme pesquisa 69 Quadro 8: Papel de trabalho 4: Contratação do seguro Fonte: dados conforme pesquisa Os papéis de trabalho acima refletem o que foi proposto no programa de auditoria, ou seja, a verificação de todos os processos da contratação de investimento no setor de créditos rurais da instituição financeira Y, bem como as constatações apuradas e as recomendações feitas pelo contador no sentido de corrigir os dossiês que apresentaram problemas. 4.5 Relatório de auditoria RELATÓRIO E CONCLUSÕES DA AUDITORIA OPERACIONAL REALIZADA NO SETOR DE CRÉDITOS RURAIS DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA Y. Ijuí (RS), 27 de Junho de 2013. Prezados Srs. membros do comitê de auditoria interna. Anexo, encaminhamos o relatório de auditoria, relativo aos trabalhos realizados no período de maio a junho de 2013, quando foram analisados os processos de contratação de 70 créditos rurais na linha de investimentos, verificando-se algumas irregularidades no que se refere à documentação do check-list durante esse processo. Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários ao bom entendimento do que foi exposto. Atenciosamente _______________________ Luciana Eggers Contadora CRC- RS 0000000 RELATÓRIO DA AUDITORIA Examinou-se o setor de Créditos Rurais, com o objetivo de verificar especificamente as contratações de Investimentos no longo prazo. A auditoria foi realizada conforme recomendam as Normas de Auditoria sendo aplicado na extensão que se julgou necessária para satisfazer alguns pontos tidos como de grande relevância. Salienta-se que o exame foi feito por amostragem, dessa forma não abrangeu todas as contratações do período. O objetivo foi à verificação quanto à observância por parte da agência no que se refere à aplicação correta do check-list no momento da contratação dos recursos rurais ligados a linha de investimentos e também quanto à elaboração do dossiê da operação. Com base nos exames realizados nos dossiês das operações constatou-se que, dos 15 dossiês analisados, 5 deles apresentaram alguma irregularidade quanto ao check-list: • Dossiê 01: Faltou assinatura do proponente na copia da Dap, item 14; • Dossiê 06: Operação com dois proponentes, sendo que faltaram documentos dos itens 11 e 12 que são a Declaração de inadimplência com a União e a Declaração de inexistência de infrações e sanções administrativas ao meio ambiente de um deles; • Dossiê 08: Faltou item 10 que se refere aos dados complementares ao BNDES, modelo que apresenta dados complementares do produtor e do investimento proposto; 71 • Dossiê 14: Faltou item 13 que vem a ser a declaração acerca da inexistência de decisão administrativa em razão de prática de atos discriminatórios; • Dossiê 15: Faltou item 26 que é a cópia da consulta a central de risco em todo SFN, documento necessário para todas as propostas para o proponente, para o aval e interveniente. Os demais dossiês apresentavam todos os itens exigidos no check-list para a contratação das operações de investimento. A documentação faltante é de grande relevância para a contratação das operações de credito e a falta desta documentação pode acarretar prejuízos à instituição. Pois elas comprovam a idoneidade do proponente e os dados complementares da contratação como valor, descrição do bem, necessidade ou dispensa de licença ambiental. A explicação dada pelo funcionário responsável do setor, referente à falta dos documentos, é que podem ter sido tiradas dos dossiês no momento que foram enviadas a UNR para avaliação. Pois o procedimento inicial para todas as contratações é colocar todos os itens do check-list na pasta e enviar para avaliação e nesse momento a pessoa responsável por avaliar as operações muda a ordem dos documentos e então pode ter perdido os documentos, porem isso não pode ser confirmado com a equipe da UNR. Para que não ocorram problemas na contratação dos próximos investimentos foi proposto à agência que no momento que o dossiê retorna da UNR seja verificado se todos os documentos continuam na pasta. Caso não estejam, devem entrar em contato com a UNR solicitando a devolução dos mesmos, até para que a Unidade tenha conhecimento de que acontece o extravio de documento e tenham um cuidado maior com os dossiês. No caso de não haver mais a possibilidade de devolução a agência deve refazer a documentação e anexar ao dossiê. Quanto à emissão dos contratos ou instrumentos de crédito das operações, todos estavam devidamente assinados por todas as partes e registrados nos órgãos competentes. Da mesma forma o seguro das operações e a planilha de comprovação financeira estão de acordo com as normativas exigidas. Apesar da falta de alguns documentos nas contratações analisadas, de um modo geral se percebeu na verificação in loco é que a instituição esta organizada de modo a atender as exigências dos órgãos externos que a regulamentam e que as agências procuram seguir estas normas no momento das contratações, talvez a sua maior deficiência seja a falta de pessoal nas agências para ter maior controle sobre a parte operacional devido a crescente demanda por esta linha de crédito. 72 Ijuí, 27 de junho de 2013. LEEV Auditores Associados. __________________ ___________________ Luciana Eggers Eusélia Paveglio Vieira Contadora- CRC 0000 Contadora- CRC 0000 Auditora Auditora (Revisora) 73 CONCLUSÃO A auditoria vem se destacando ao longo dos tempos pela importante ferramenta de gestão e controle que se tornou. Hoje ela não serve apenas para revelar fraudes e erros ocorridos, mas também e principalmente para evitar que eles ocorram ou possam ser cometidos por pessoas que hajam de má fé dentro das organizações. A elaboração deste trabalho possibilitou a acadêmica uma melhor compreensão do processo de auditoria interna, por meio da pesquisa bibliográfica realizada. Assim como o conhecimento referente à utilização do mesmo pela instituição estudada e as normas que são impostas as instituições atuantes no setor financeiro pelos órgãos regulamentadores, como BACEM e CVM. Sobre o trabalho realizado, pode-se dizer que os objetivos foram alcançados. Foi aplicada a auditoria nas operações de crédito rural onde se verificou a aplicação do check-list e a formação do dossiê das contratações. Para que isso ocorresse selecionaram-se algumas contratações de créditos concedidos no período em estudo, foi proposto o programa de auditoria e posteriormente aplicados os papéis de trabalho, por fim elaborou-se o relatório de auditoria analisando os resultados do trabalho. Alem disso, observaram-se os controles internos utilizados pela instituição financeira. Quanto à problemática do trabalho, ela propunha a verificação de como a auditoria operacional poderia contribuir na identificação dos pontos de controle buscando minimizar erros, fraudes e a redução da inadimplência na contratação de financiamentos agrícolas. Neste sentido o que se verificou foi que, apesar da instituição ser de grande porte e possuir um suporte muito grande no setor de auditoria, ainda ocorre pequenas falhas que podem tomar proporções relevantes, caso a agência venha a ser auditada por auditores externos dos órgãos regulamentadores. No que diz respeito a verificar a inadimplência no setor, pode-se afirmar que tendo em mãos todas as documentações dos proponentes e avalistas é possível fazer uma análise do seu endividamento e dessa forma será ou não concedido o crédito, avaliação esta feita pela UNR. Crédito este, que nas linhas de investimento pode chegar a 10 anos nos casos de máquinas e equipamentos, sendo dessa forma de fundamental importância seguir o check-list não deixando nenhum documento de lado. Com a realização deste trabalho pode ser percebido que cada vez mais as organizações em geral precisam manter e dar mais importância a auditoria tanto interna 74 quanto externa, pois sua contribuição é fundamental para a manutenção de todos os setores. O presente trabalho pode servir ainda, para que outros acadêmicos que desejam atuar nesta área tenham uma idéia de como funciona o setor de auditoria em uma instituição financeira e sua aplicabilidade. 75 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: Um Curso Moderno e Completo. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução a metodologia do trabalho cientifico. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. Attie,William. Auditoria: Conceitos e Aplicações. 2ªed. São Paulo: Atlas, 1985 AUDIBRA-INSTITUIÇÃO DOS AUDITORES INTERNOS DO BRASIL. Definição de auditoria interna. Disponível em: http://www.iiabrasil.org.br/new/IPPF_01.html. Acesso em 25/10/2012 BASSO, Irani Paulo. Contabilidade geral básica. 3ª ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2005. . Iniciação à Auditoria. 3ª ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2005. BCB- Banco Central do Brasil. Comitê da Basiléia para Supervisão Bancária. Princípios Fundamentais para uma Supervisão Bancária Efetiva disponível em: http://www.bcb.gov.br/fis/supervisao/docs/CorePrinciplesTraducao2006.pdf Acesso em: 13/11/2012 BCB. BANCO CENTRAL DO BRASIL. COMUNICADO N. 20.615, DE 17 DE FEVEREIRO DE 2011. Divulga orientações preliminares e cronograma relativos à implementação, no Brasil, das recomendações do Comitê de Basiléia para Supervisão Bancária acerca da estrutura de capital e de requerimentos de liquidez (Basiléia III). https://www3.bcb.gov.br/normativo/detalharNormativo.do?method=detalharNormativo&N=1 11011733 acesso em 12/10/2012 BCB. BANCO CENTRAL DO BRASIL. MCR - Manual de Credito Rural. Disponível em: http://www.cosif.com.br/publica.asp?arquivo = mcr-indice consulta em 12/05/2013. BRASIL. Resolução CFC nº 820/97. Aprova a NBC T 11 – Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis com alterações e dá outras providências.Disponívelemhttp://www.ucg.br/site_docente/cont/egon/pdf/NBC-T11saadsa.pdf acesso em 03/11/2012 BRASIL. Resolução CFC n.º 1.328/11. Dispõe sobre a Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade, disponível em <www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/RES_1328.doc>>, acessado em: 01/11/2012. CARVALHO, Demerval Bicalho; SANTOS, Gustavo Martins dos. Os Acordos de Basiléia – Um roteiro para implementação nas instituições financeiras. Disponível em:http://www.febraban.org.br/Arquivo/Servicos/Imprensa/Artigo_Basileia_6.pdf.Acesso em 12/10/2012 76 CFC- CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Manual de auditoria do sistema CFC/CRC. Disponível em: http://www.cfc.org.br/uparq/Manual_auditoria_site.pdf acesso em 25/10/2012 COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em administração: um guia prático para alunos de graduação e pós-graduação. 2ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria contábil: Teoria e Pratica. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. CVM-COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. http://www.cvm.gov.br/ acesso em 31/10/2012 A CVM. Disponível em DANTAS, José Alves; RODRIGUES, Fernanda Fernandes; RODRIGUES, Jomar Miranda; CAPELLETTO, Lucio Rodrigues. Determinantes do grau de evidenciação de risco de crédito pelos bancos brasileiros. Rev. contab. Financ. São Paulo, v. 21, n. 52, 2010. Disponívelem<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519077201000010 0002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 12 out. 2012.http://dx.doi.org/10.1590/S151970772010000100002. FRANCO, Hilário. Estrutura, análise e interpretação de balanços. 15ª ed. São Paulo: Atlas, 1992. FRANCO, Hilário; MARRA, Ernesto. Auditoria Contábil. 2ªed. São Paulo: Atlas, 1992. GIL, Antonio C. Como Elaborar Projetos de pesquisa. 5ªed. São Paulo: Atlas, 2010 GIL, Antonio de L. Auditoria Operacional e de Gestão. 5ªed. São Paulo: Atlas, 2000. Auditoria Operacional e de Gestão: Qualidade da Auditoria. São Paulo: Atlas, 1992. IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. Disponível em: http://www.ibgc.org.br/CodigoMelhoresPraticas.aspx acesso em 02/11/2012. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do Trabalho científico. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2011. LEITE, Karla Vanessa B. S. e Reis, Marcos. O acordo de capitais de Basiléia III: Mais do mesmo? Disponível em: http://anpec.org.br/encontro/2011/inscricao/arquivos/000b6be72dcbdcb16867a00eca68309552d.pdfacesso em: 19/11/2012 RAMOS, Rafael Soares, Governança Corporativa e a Auditoria de Controles Internos Adaptados a Lei Sarbanes-Oxley. 2011. 73 p. Orientador: Marcos Danilo Rosa Viana. Trabalho de Conclusão de Curso de Ciências Contábeis, Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Criciúma – SC. Disponível em: http://repositorio.unesc.net/bitstream/handle/1/601/Rafael%20Soares%20Ramos.pdf?sequence=1 Acesso em: 20/11/2012 SÀ, A. Lopes de. Curso de Auditoria. 7ªed. São Paulo: Atlas, 1993. 77 SANTI, Paulo Adolpho. Introdução a Auditoria. São Paulo: Atlas, 1988. SILVA, Adriano Gomes da; JUNIOR, Antonio Robles. Os Impactos na Atividade de Auditoria Independente com a Introdução da Lei Sarbanes-Oxley. Rev. Cont. Fin. • USP • São Paulo • v. 19 • n. 48 • p. 112 - 127 • setembro/dezembro 2008. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/rcf/v19n48/v19n48a10.pdfhttp://www.scielo.br/pdf/rcf/v19n48/v 19n48a10.pdf acesso em 21/11/2012. SILVA, Jorge Luís Rosa da; ARESI, Jose Carlos Colombo; BREDA, Luís Evânio. O Que Você Precisa Saber Sobre Auditoria Interna. Porto Alegre. CRCRS, 1995. VERGARA , Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2004.