III Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação Recife - PE, 27-30 de Julho de 2010 p. 001 - 007 SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS DO RESIDENCIAL FREI DAMIÃO – PROJETO PILOTO SUZANA DANIELA ROCHA SANTOS VALDIRA DE CALDAS BRITO VIEIRA Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí[email protected] [email protected] RESUMO – O processo de expansão urbana de Teresina tem produzido ao longo do tempo a ampliação de demandas por bens e serviços públicos, especialmente junto aos setores populacionais de baixa renda. O surgimento das vilas e favelas expressa a alternativa encontrada por estes setores na busca de solução para suas principais demandas. Diante dos problemas expostos, o objetivo deste trabalho foi a elaboração de um “Projeto Piloto” para a implementação de um SIG, responsável pelo armazenamento de todas as informações necessárias à prefeitura para organização das suas doações de terrenos. Neste trabalho, para a criação do sistema de informações geográficas – SIG utilizou-se o Software Geomedia Professional e o banco de dados Microsoft Acess 2.0, sistemas que são adotados pela Superintendência de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente – SDU Sudeste. Os resultados obtidos mostram que a utilização de SIG’s é satisfatória como uma técnica alternativa e importante na organização cadastral de terrenos doados pela Prefeitura de Teresina, por serem instrumentos fundamentados e delimitados a partir de amostras da realidade. Conclui-se que é importante o desenvolvimento de técnicas que acompanhem as permanentes transformações e os SIG´s nos permitem isso de maneira ágil, clara e segura para os Administradores Municipais. ABSTRACT - The process of urbane expansion of Teresina has been producing along the time the enlargement of demands for goods and public utilities, specially near the population sectors of low income. The appearance of the towns and slums expresses the alternative found by these sectors in the search of solution for his principal demands. The objective of this work was to develop a proposal for the implementation of a SIG, for the storage of all the necessary informations to the Municipal Town Hall for organization of his donations of lands. In this work, for the creation of the system of geographical informations – SIG, was used the Software Geomedia Professional and the database Microsoftware package Acess 2.0, systems that are adopted by the Bureau of Urbane Development and Environment – South-East SDU. The obtained results showed that in this case, the use of SIG's was satisfactory as an alternative and important technique for the cadastral organization of lands donated by the Town Hall of Teresina, once they are instruments substantiated and delimited from samples of the reality. Finally, considering the obtained results it was concluded that the development of techniques that accompany the constant transformations, like the SIG's, is realy important because it means a safe and agile way for Municipal Administration uses. 1 INTRODUÇÃO Para se organizar uma cidade não basta apenas contar com a vontade e o interesse do poder público é necessário, de uma maneira geral, o conhecimento dos problemas e suas possíveis soluções pelo gestor do órgão responsável pelo o bem estar e bom funcionamento da cidade. Com a abertura de grandes avenidas, implantação do distrito industrial, construção de conjuntos habitacionais, construção de equipamentos urbanos como escolas, universidades e hospitais; implantação de infraestrutura como rede de energia elétrica, abastecimento de S. D. R. Santos; V de C. B. Vieira água e esgoto sanitário, a cidade se constitui num importante pólo de atração, não só para aqueles que queriam de beneficiar desse progresso para construir novos negócios, ou aqueles que procuravam preencher os novos postos de trabalho aberto pela administração publica estatal, mas também por todos aqueles que viam a cidade como a ultima esperança de sobrevivência. A possibilidade de acesso à moradia na cidade grande está subordinada ao nível salarial, já que a terra é uma mercadoria cara. Seu valor se leva pelo alto nível de concentração populacional e de atividades. II Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação Recife - PE, 8-11 de setembro de 2008 p. 002 - 007 Teresina ao longo dos anos vem enfrentando um grande problema que é o seu crescimento populacional. Em função desse crescimento, procurou como alternativa a criação de vilas, favelas, loteamentos, residenciais e parques. A saída encontrada pela Prefeitura Municipal de Teresina não foi uma das melhores soluções, pois a cidade está cercada de vilas e favelas sem um planejamento adequado e a população de baixa renda acostumou-se com as doações do órgão municipal iniciando assim um forte comercio de terrenos. Diante dos problemas expostos o objetivo deste trabalho foi a elaboração de um “Projeto Piloto” para a implementação de um SIG, responsável pelo armazenamento de todas as informações necessárias à prefeitura para organização das suas doações de terrenos. Com a utilização desse SIG a prefeitura poderá organizar os cadastros de lotes doados, através de um código de cadastro único para cada lote e família, através do CPF do chefe de família, podendo assim haver uma comunicação entre todos os órgãos da prefeitura que fazem o mesmo trabalho (SDU´S), trazendo uma maior confiabilidade e segurança nas doações. Com um cadastro único poderá armazenar a composição familiar de cada beneficiado, identificar a localização geográfica de cada terreno, mapear zona, bairro, quadra e lote de beneficiados, implementar o banco de dados de informações gráficas e alfanuméricas. 2 O USO DO GEOPROCESSAMENTO PLANEJAMENTO URBANO NO 2.1 O surgimento de vilas e favelas em Teresina A possibilidade de acesso à moradia na cidade grande está subordinada ao nível salarial, já que a terra é uma mercadoria cara. Seu valor se leva pelo alto nível de concentração populacional e de atividades. O rápido crescimento das cidades, em muitos casos de forma desordenada, deu origem a vários desafios a serem enfrentados pelo planejamento e desenho urbano, não apenas no âmbito físico das cidades, mas também em seus aspectos de regulamentação social, político, econômico e ambiental. Assim, o planejamento urbano pode ser definido como algo abrangente e integrado, não se restringindo à simples ordenação do espaço, mas envolvendo aspectos econômicos, sociais, físico-territoriais, ecológicos e administrativos, objetivando não somente a conservação dos recursos ambientais, mas, sobretudo, a adequada qualidade de vida (MOTA, 1999). Seu entendimento como um processo lhe garante a imprescindível continuidade, em cujo contexto ocorra constantes retro alimentações, o que lhe confere o necessário dinamismo, sendo baseado na multidisciplinaridade, base para a S. D. R. Santos; V de C. B. Vieira devida integração das áreas envolvidas (HARDT e HARDT, 2004). O aumento da população e ampliação das cidades deveria ser sempre acompanhado do crescimento da toda a infra-estrutura urbana, de modo a proporcionar aos habitantes uma mínima condição de vida. Teresina experimenta forte expansão urbana a partir dos anos 70. Seja por importantes investimentos realizados em urbanização, infra-estrutura, educação, saúde e habitação, seja pelos fortes fluxos migratórios que trouxeram levas de deserdados do interior do Piauí e de estados fronteiriços à cidade (LIMA, 1990). Já em meados dos anos 80 a cidade de Teresina se encontrava hipertencionada pela falta de habitação e pelo processo de exclusão social de uma massa considerável imigrantes do interior do Estado que se somou aos pobres que aqui já residem. Dentre outras tragédias de sobrevivência, passaram a organizar ocupações de terras publicas e privadas para construir suas moradias. Foi uma das formas encontradas para ficar na cidade. Estas ocupações construíram as chamadas (por eles) vilas, formadas por habitações precárias, em áreas sem urbanização, sem arruamento bem definido, sem saneamento básico, carentes de equipamentos urbanos e de serviços públicos de uso coletivo., formando cidades informais caracterizadas em geral, pelo desrespeito ao meio ambiente, à topografia e relevo do terreno, pela ausência de áreas para construção de equipamentos urbanos e de arruamento. Em 1991, estudo feito pela Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação Geral, cadastrou 56 áreas de vilas e favelas em Teresina. No ano de 1993 a Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social realizou o Primeiro Censo de Vilas e Favelas, registrando um crescimento de 151,79% em relação às áreas já ocupadas. 14.542 famílias, representando uma população de 67.503 habitantes, residiam nessas 141 vilas e favelas. (TERESINA, 1999). O Segundo Censo das Vilas e Favelas foi realizado em 1996 e indicou uma expansão do numero de vilas e favelas de 141 para 149 com um crescimento de 5,67% em relação ao Censo anterior. Nessas áreas moravam 25.775 famílias com uma população de 94.617 habitantes, ocupando 24.895 domicílios. O Terceiro Censo das Vilas e Favelas – 1999 indicou que dos 38.852 chefes de famílias pesquisados 12.029, ou seja, 30,96% nasceram em Teresina e que 36.049, ou seja, 68,4% vieram de outras localidades. Sendo que mais da metade destes – 19.821 (51,02%) – provêm do interior do estado do Piauí. Com relação ao Censo das Vilas e Favelas de 1993, o Censo – 1999 revela que o numero de habitantes residentes nas áreas pesquisadas aumentou em 97,89% de 1993 para 1999. O numero de famílias que habitam, essas áreas cresceu em 167,17%no período, embora o número II Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação Recife - PE, 8-11 de setembro de 2008 p. 003 - 007 de vilas e favelas permaneça o mesmo entre 1993 e 1999. Revela ainda que o número de pessoas por família caiu, em media, de 4,64 para 3,44 membros por família. Para Grostein (2001), o avanço, escala e velocidade da urbanização não constituem problemas em si, não fosse o modo como ocorrem. Deve-se estar atento para esse processo, pois a sustentabilidade do aglomerado urbano, em sua componente física, relacione-se com diversas variáveis, dentre as quais destacam-se: a forma de ocupação do território; a disponibilidade de insumos para seu funcionamento (a exemplo da água); a descarga de resíduos (destino e tratamento de esgoto e lixo); o grau de mobilidade da população no espaço urbano (qualidade do transporte publico de massa); a oferta e o atendimento às necessidades da população por moradia, equipamentos sociais e serviços; e a qualidade dos espaços públicos. Dessa maneira, as políticas que sustentam o parcelamento, uso e ocupação do solo, assim como praticas urbanísticas que viabilizam estas ações, têm papel efetivo na meta de conduzir as cidades no percurso de desenvolvimento sustentado. Segundo Leff (1999), as aglomerações urbanas, junto com seus impactos ambientais negativos, são o resultado de um numero de processos históricos e econômicos, incluindo a super-concentração de indústrias devido aos dependentes modelos de desenvolvimento, combinada com uma inadequada estrutura de posse da terra, técnicas não apropriadas de agricultura e crescimento da população rural. Isso conduz ao aumento do fluxo de imigrantes para as metrópoles, na busca de empregos e serviços, em taxas que as cidades não podem mais suportar. As forças de concentração urbana já ultrapassaram as capacidades física e social de absorção das mega-cidades. Este processo tem exteriorizado custos sociais e ecológicos na forma de saturação dos níveis de poluição do ar, da água e sonora. Ultimamente, tem degradado os mecanismos ecológicos básicos que asseguram a produtividade sustentável dos recursos naturais e das bases sociais para uma gestão democrática do processo produtivo pelas comunidades. O processo de metropolização tem gerado um déficit de crescimento dos serviços públicos. Isso tem conduzido à degradação da qualidade de vida da população, à pressão social, ao aumento do custo ecológico e aos elevados preços dos insumos do desenvolvimento. Em Teresina, as vilas do Avião, Meio Norte, santa Bárbara, Firmino Filho na zona leste; Monte Alegre na zona norte; Alto da ressurreição, Frei Damião na zona sudeste e vila Irmã Dulce na zona sul são casos exemplares das dificuldades impostas por esta segregação que onera sobremaneira o poder local ao suprir as necessidades dessas populações, sem falar que o pavimento dos equipamentos urbanos e de serviços públicos alimentaram a especulação imobiliária a medida que servem também aos vazios urbanos produzidos por estas ocupações. 2.1 SIG Aplicado ao Planejamento Urbano S. D. R. Santos; V de C. B. Vieira Os SIG´s consistem em importantes instrumentos de análise e síntese, pois possibilitam a manipulação de diversas informações, ambientais e sócio-organizacionais, de uma dada realidade. São dinâmicos, pois promovem o processamento seletivo e o cruzamento de informações espacializadas, efetuando diversos tipos de análise sobre os dados. Para planejamento urbano, oferecem mecanismos para planejar e gerenciar o uso e a ocupação do espaço, obtendo resultados para tomada de decisões como, por exemplo, o estudo das correlações das atividades econômicas, infra-estrutura e população. Os SIG’s significam muito mais que a automação e o armazenamento de mapas em formato digital: são sistemas que visam fundamentalmente o projeto e o planejamento, buscando respostas para os problemas espaciais. O uso dos recursos computacionais no planejamento urbano é imprescindível em função da crescente informatização dos setores e serviços. Para Batty e Densham (1995), os recursos computacionais têm sido usados no planejamento publico por 100 anos, desde que Hermann Hollerith inventou o cartão ponto na virada do século para o censo da população dos EUA, e, possivelmente levou a formação da maior companhia de computadores, a IBM. Uma vez que a computação digital foi desenvolvida meio século depois as aplicações no planejamento público e administrativo tornou-se mais abrangente. Mas no meio dos anos 50, dados populacionais e de transporte foram processados por computadores e seguidos de varias tentativas de simulação de modelamentos e nos anos 60, dados de sistemas de administração urbana começaram a ser amplamente implementados por agencias publicas, com grande auxílio em funções estratégicas de planejamento, de forma crescente e em proporções geométricas, tanto que nos últimos 10 anos a aplicação de sistemas computacionais ao planejamento urbano tem evoluído drasticamente (BATTY,1995). Para Vitorino (1995) a decisão política de planejar o desenvolvimento do município deve estar com certeza apoiada na visão global e setorial deste espaço onde pontos críticos e alternativas para conciliação dos interesses da população possam estar disponíveis para analises e pesquisas ao administrador municipal, que é responsável pelo desenvolvimento local e pela qualidade de vida da população. 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Localização da Área de Estudo O estudo foi realizado no Residencial Frei Damião localizado no Bairro Gurupi na Zona Sudeste de Teresina no estado do Piauí. II Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação Recife - PE, 8-11 de setembro de 2008 p. 004 - 007 A delimitação da área de estudo foi feita com a coleta das coordenadas geográficas com um aparelho GPS de navegação, obtendo assim o perímetro da área. A escolha do aparelho de GPS foi feita considerando que o grau de precisão atendia às necessidades do trabalho. As coordenadas coletadas serviram de base para o recorte da imagem que foi processada no Geomedia. A Prefeitura Municipal de Teresina comportou essas famílias na área em que hoje é o Residencial Frei Damião, e ofereceu toda a infra-estrutura básica para a construção das residências e acomodação das famílias ali presentes. Sua fundação foi em 4 de dezembro de 1997, tendo uma grande evolução em quase 10 anos de existência. 3.2 Levantamento de Dados Cadastrais 4.2 Características da população Foi realizado um estudo minucioso sobre as vilas e favelas de Teresina para a definição da área para o estudo, sendo escolhido o Residencial frei Damião localizado na Zona Sudeste de Teresina. A segunda fase do trabalho compreendeu a aplicação de um questionário, já utilizado pela Prefeitura municipal de Teresina para cadastro de famílias, a fim de obter informações necessárias para a elaboração do SIG e escolher de forma mais precisa as informações a ser armazenadas no banco de dados. A fase de aplicação do questionário foi feita com o apoio da equipe da Gerência de Habitação e Urbanismo da SDU – Sudeste, por conhecerem melhor a área e a população que ali reside e já trabalharem na área de estudo com cadastros para a Prefeitura e execução de projetos municipais. Com as informações obtidas com a aplicação do questionário iniciou-se o estudo para elaboração de um banco de dados que atendesse melhor as necessidades do projeto e da Prefeitura Municipal e a escolha do programa para a execução e complementação do SIG. O Residencial Frei Damião conta com uma população de 2.041 pessoas, dessas 2.041 988 são homens que corresponde a 48,4% da população total, desses 988 homens apenas 267 desenvolvem algum tipo de atividade profissional é o equivalente a 13,1% do total da população masculina. Já no sexo feminino o residencial conta com 1.053 mulheres numa parcela de 51,6% da população. Desse total apenas 287 mulheres que desenvolvem algum tipo de atividade profissional, o equivalente a 14,1% da população total feminina. No total da população temos apenas 27.2% desenvolvendo atividades profissionais uma parcela muita baixa para o total da população, o que trás como prejuízo um crescimento lento ou quase nulo para a região, podendo contar assim na maior parte dos casos com os programas de governo. A maior parte da população 63,99% possui apenas formação educacional em nível fundamental, sendo que apenas 6,02% da população possuem ensino médio e 0% possui nível superior. 3.3 Definição dos Softwares de Trabalho De acordo com o Senso das Vilas e Favelas de Teresina o número de domicílios são 671 e de famílias são 656, hoje de acordo com novos estudos e aplicação de um novo cadastro realizado pelas Assistentes sociais da SDU – Sudeste e uma entrevista com o Presidente da Associação dos Moradores a realidade mudou, o Frei Damião conta com 1.100 lotes oficiais e 100 não oficiais totalizando 1200 lotes, tendo aumentado assim a sua população para aproximadamente 5.000 pessoas. No senso realizado em 1999 a população era composta por 2041 pessoas, hoje aproximadamente 5000 pessoas, tendo assim a sua população dobrada em oito anos, representando assim um crescimento exagerado e desordenado da população. Em relação aos lotes todos eles hoje são da Prefeitura Municipal de Teresina, havendo assim um acompanhamento mais rigoroso do órgão. A população conta com a legalização e emissão dos títulos de posse dos lotes em que residem, dando assim total segurança a cada morador que a casa será sua e nada mais o removera. A infra-estrutura e saneamento básico melhoraram quase que 100%, todas as casas podem contar com energia elétrica fornecida pela Cepisa, água encanada pela Agespisa, fossas sépticas e coleta de lixo publica, melhorando assim a vida da população. No que diz respeito às condições de moradia o Frei Damião hoje tem apenas 120 casas de taipa/palha, sendo que essas famílias O programa adotado no trabalho foi o Software GeoMedia uma vez que o programa já está sendo utilizado pela Prefeitura Municipal de Teresina nas Gerências de Habitação e Urbanismo, que são as responsáveis pelos cadastro de terrenos. O banco de dados escolhido foi o Microsoft Access 2.0, aplicando-se o modelo relacional, devido sua estrutura ter a forma de tabelas, mostrando-se o mais indicado para o trabalho. O que facilitou o trabalho de armazenamento e recuperação de dados. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Descrição da Área de Estudo O Residencial Frei Damião localiza-se na Zona Sudeste de Teresina, situado no Bairro Gurupi após a Vila Alto da Ressurreição. O residencial nasceu a partir da junção de 300 famílias da invasão da área do Atlantic City com mais 184 famílias da Vila Coronel Carlos Falcão, e mais algumas famílias que vieram de varias áreas diferentes como: Vila São Raimundo, Moçambique, Ilhotas, Santa Izabel, Piçarreira, satélite, bairro dos Noivos e Joca Vieira. S. D. R. Santos; V de C. B. Vieira 4.3 Situação atual do Residencial Frei Damião II Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação Recife - PE, 8-11 de setembro de 2008 p. 005 - 007 estão inscritas no programa morar melhor que é uma parceria da Caixa Econômica Federal com o Município, dessas 120 casas 52 já estão sendo construídas. A população hoje pode contar com duas escolas de 1º e 2º grau, um Parque ambiental, Centro de produção, mercado publico, igrejas, farmácias, padarias, comercio local, posto policial, quadras de esportes nas escolas e pavimentação nas áreas principais. As crianças que freqüentam a escola estão inscritas no programa do Governo Federal Bolsa Escola e suas mães podem contar com o auxilio alimentação, as mesmas têm apoio nos programas de crianças e jovens da Igreja e no Projeto Fruto Brasil, que serve para conscientização dos jovens contra a violência e criminalidade. O analfabetismo foi reduzido na região depois da implantação de escolas para a população, principalmente entre as crianças e adolescentes que contam com a conscientização e a motivação de programas do governo para freqüentarem a escola. A pesar de toda a infra-estrutura hoje existente a população ainda sofre muito com a necessidade de pavimentação de ruas do Residencial, pois algumas delas são de difícil acesso, principalmente no período chuvoso por serem de piçarra. Em relação à pavimentação, o Residencial teve um grande e notável desenvolvimento nesses oito anos nas condições de moradia, infra-estrutura, saneamento básico, desenvolvimento de atividades locais, comercio, lazer, entretenimento e uma significativa mudança na qualidade de vida da população ali presente. programa geomedia. Para haver essa conexão do Access com o geomedia foi necessário à transformação do banco em uma warehouse, pasta do geomedia que abriga informações comuns a todos os arquivos e o banco de dados, e a criação das feições para cada tabela do banco que há uma representação geográfica. Essas feições garantem uma boa conectividade entre as geometrias das áreas do bairro representadas no programa geomedia com as informações contidas no banco. 4.5 Relacionamento das Tabelas do Banco de Dados O processo de transposição das entidades do mundo real e suas inter-relações para os SIGs deve ser criterioso, pois os resultados obtidos estão em função da entrada dos dados. Foram criadas doze tabelas, contendo informações referentes aos lotes doados pela Prefeitura Municipal de Teresina e as famílias que ali residem. As tabelas de atributos foram ligadas de maneira lógica, sendo os relacionamentos baseados na existência de campos comuns entre elas. Como exemplo, na tabela de quadras existe o campo código_quadras e para se relacionar com a tabela lote, nessa deve existir também o campo código_quadras. As tabelas referentes aos dados da família são relacionadas com o campo ID_familia e a tabela família esta relacionada com a tabela terreno através do campo ID_terreno existente nas duas tabelas. Na figura 1 podemos observar Representação das feições criadas e relacionadas ao banco. 4.4 Digitalização de Dados Os resultados referentes à atualização dos dados cadastrais, foram obtidos através do levantamento das coordenadas geográficas em campo e a transferência das informações alfanuméricas para a forma digital. Considerando o objetivo do trabalho foi detectada a necessidade do levantamento dos perímetros, códigos e limites da zona e bairro da área de estudo. Com o perímetro, código e limite da Zona Sudeste e do Bairro Gurupi pôde-se fazer a localização espacial do Residencial, viabilizando o desenvolvimento de aplicações de interesse estratégico para a administração. Para ter incorporado nesse trabalho as informações necessárias para a localização geográfica do Residencial, foram utilizados dados de, perímetro, código e limite necessários, fornecidos pela Empresa Teresinense de Processamento de Dados – PRODATER. Após a geração das feições cartográficas da Zona Sudeste e Bairro Gurupi, iniciou-se a digitalização das coordenadas coletadas em campo para a delimitação da área do Residencial Frei Damião. Essas coordenadas foram lançadas no geomedia através do processo de digitação via teclado, obtendo-se assim a feição cartográfica do Residencial. A criação do banco foi realizada em duas etapas: a primeira consistiu na criação do banco no Access 2.0; a segunda etapa a conexão do banco de dados com o S. D. R. Santos; V de C. B. Vieira Figura 1 Representação das feições criadas e relacionadas ao banco 4.6 Aplicando o SIG – Sistema de Informação Geográfica O universo de aplicação de SIG é bastante extenso. Com a criação deste ambiente na Prefeitura Municipal o que se pretende é alcançar a gama mais ampla possível destas aplicações: da arrecadação de impostos ao planejamento urbano, do transporte e trânsito à área social. Com base na modelagem apresentada nos itens acima, as seções seguintes descrevem brevemente e como prioritárias as aplicações pretendidas. II Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação Recife - PE, 8-11 de setembro de 2008 p. 006 - 007 4.6.1 Área cadastral Localização de ruas, lotes e loteamentos e obtenção de informações como o nome do proprietário do imóvel, situação do imóvel, determinar se o imóvel é residencial ou comercial, qual é o tipo de atividade desenvolvida nele, seu zoneamento e outras análises espaciais, são possibilidades que fazem esta aplicação ser uma das prioridades do SIG municipal, pois estão ligadas diretamente com a doação de terrenos. Tendo a representação espacial dos elementos cadastrais mais comuns, como lotes, quadras, logradouros e imóveis, a base geográfica ira fundamentar este tipo de aplicação, apontando para a administração municipal a oportunidade de incremento de doações de terrenos. Como descreveu Davis (1996) a conseqüência direta da aplicação é o aumento da produtividade dos cadastradores, com aumento de qualidade das informações e seus produtos derivados. 4.6.2 Área de planejamento urbano Estas aplicações são tão prioritárias quanto as informações da área cadastral. O geoprocessamento, além de produzir mapas da lei de parcelamento, uso e ocupação do solo, apóia os processos de licenciamento de atividades, aprovação de projetos de construção, parcelamento territorial e a construção do plano diretor. Ligado diretamente ao planejamento urbano, o plano diretor é sem duvida a gradativa estruturação do espaço municipal. Como cita Vitorino (1995) a decisão política de planejar o desenvolvimento do município deve estar com certeza apoiada na visão global e setorial deste espaço onde pontos críticos e alternativas para conciliação dos interesses da população possam estar disponíveis para analises e pesquisas ao administrador municipal, que é responsável pelo desenvolvimento local e pela qualidade de vida da população. 4.6.3 Área social Utilizando a base de endereços, os eixos de vias e, principalmente, os dados censitários, áreas como educação, saúde e ação social se beneficiarão deste ambiente geográfico nas análises para dimensionamento da demanda especifica de cada aplicação e distribuição racional dos recursos públicos. Na rede de ensino, os dados resultantes desta demanda poderão ser utilizados, juntamente com dados do patrimônio, para priorizar a construção de novas escolas e a expansão de escolas existentes. Escola mais adequada para cada aluno, sua localização, área de atendimento e melhor percurso para o aluno, são informações que o SIG tem plenas condições técnicas de viabilizar. Na saúde, alem das analises sobre surtos epidêmicos obtidas com o rastreamento das áreas de ocorrências, localização de unidades de saúde, leitura de dados sócios econômicos para combate a mortalidade infantil, o SIG é também uma ferramenta para o S. D. R. Santos; V de C. B. Vieira planejamento de projetos como o atendimento médico da família. As técnicas do SIG também podem ser utilizadas em áreas como serviços urbanos, obras, meio ambiente, indústria e comércio, cultura, turismo, esporte e lazer, recursos humanos e patrimônio público. 4.6.4 Área de transporte e trânsito O conjunto de informações geográficas para o desenvolvimento das ações relativas ao sistema de transporte possibilita georreferenciar os pontos de parada dos coletivos, itinerários de ônibus, a localização de cada placa de trânsito e cada semáforo, a malha de circulação viária com os sentidos obrigatórios e as conversões permitidas. Simulação de trajetos, manutenção de sinalização e monitoramento de acidentes são também aplicações previstas neste sistema. Como foi visto acima, os Sistemas de Informação Geográfico podem ser utilizados em diversas áreas como ferramentas alternativas e eficazes para a organização do espaço em que vivemos por serem instrumentos fundamentados e delimitados a partir de amostras da realidade. 5 CONCLUSÕES De acordo com os resultados apresentados, conclui-se que a implantação de um SIG na Prefeitura Municipal de Teresina representa a criação de uma nova mentalidade de Gestão Municipal, onde os sistemas tradicionais de organização dão lugar para as Geotecnologias. Com a utilização de um SIG no cadastro de terrenos municipais, ficará mais fácil para o Administrador Público planejar suas ações de forma mais precisa e eficaz, permitindo a organização e manipulação das informações de maneira mais clara, podendo sempre atualizar seus dados de forma segura acompanhando assim as transformações permanentes do espaço em que vivemos. No caso deste trabalho o maior benefício está relacionado à facilidade de acessar e manipular as informações cadastrais dos terrenos doados pela prefeitura Municipal de Teresina, além do acesso rápido e seguro o administrador público poderá alterar as informações do banco havendo assim uma atualização de informações de forma ágil e segura a partir de casos reais – o cadastro de terrenos doados pela mesma, acabando assim o comercio de terrenos. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à Gerência de Habitação e Urbanismo da SDU – Sudeste da Prefeitura Municipal de Teresina e à Empresa Teresinense de Processamento de Dados – PRODATER. II Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação Recife - PE, 8-11 de setembro de 2008 p. 007 - 007 REFERÊNCIAS BATTY, M.; XIE, Y. Research article: Modelling inside GIS: Part 1 model structures, exploratory spatial data analysis and aggregation. International Journal of Geographical information Sistems, London, V. 8, n. 03, p. 291-307, 1994. DAVIS, Jr., C. A. O GIS do futuro. fator GIS 3 (12):32, Editora Sagres, Curitiba-PR, 1996 GROSTEIN, M. D. Metrópole e expansão urbana: a persistência de processos "insustentáveis". São Paulo em Perspectiva, Jan/mar. 2001, vol. 15, n° 01, p. 13-19 HARDT, C. Gestão metropolitana: consequências dos paradigmas das políticas públicas na qualidade ambiental do compartimento leste regional da Região m etropolitana de Curitiba. Curitiba: 2004. Tese. (Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento) Universidade Federal do Paraná. LIMA, A. J. de. Pobreza urbana em Teresina - Piauí: experiências e significados. Tese Doutorado. São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1990. MOTA, S. Urbanização e Meio Ambiente: Rio de Janeiro: ABES, 1999. SOUSA, V. D. Introdução a Sistemas de Banco de Dados: tradução. 7. ed. Rio de Janeiro: Campos, 2000. TERESINA. Prefeitura Municipal de Teresina. Censo das Vilas e Favelas de Teresina, 1999. S. D. R. Santos; V de C. B. Vieira