ASTRONÁUTICA E CIÊNCIA ESPACIAL NA ESCOLA Fernanda Julietty Santana de Menezes1, José de Arimatheia Oliveira2, Carlos Antonio López Ruiz3 1 2 Aluna bolsista PIBID/Física/UERN/ [email protected] Professor supervisor PIBID/Física/UERN/ E. E. Prof. José de Freitas Nobre/ [email protected] 3 Coordenador PIBID/Física/UERN/ Departamento de Física UERN/ [email protected] Resumo O presente trabalho relata as experiências no planejamento e implementação de um minicurso sobre fundamentos de Astronáutica e Ciência Espacial, na Escola Estadual Prof. José de Freitas Nobre, em Mossoró/RN, no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID/Física. Ele foi concebido, visando motivar um grupo de alunos do Ensino Médio para uma escolha profissional relacionada com a temática em pauta. Na elaboração da proposta levamos em consideração os pressupostos para um novo Ensino Médio, sugeridos nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN+ (BRASIL, 2002) e as experiências por nós adquiridas, através da participação na Escola de Astronomia e Astronáutica, realizada no ano de 2012, no Centro de Lançamento Barreira do Inferno, localizado na cidade de Natal/RN. Fizeram parte dos conteúdos do minicurso, desenvolvido em oito aulas, o diagnóstico do conhecimento prévio dos alunos, conteúdos conceituas, procedimentais e atitudinais diretamente relacionados com o tema, tais como: fundamentos físicos do movimento de satélites (naturais e artificiais); mecanismos de propulsão de satélites; fundamentos do monitoramento remoto da Terra; construção de foguetes e de uma plataforma de lançamento, utilizando materiais de baixo custo; estratégias do Programa Espacial Brasileiro; entre outros. O minicurso propiciou uma reflexão sobre os pressupostos teóricos que o fundamentam, o trabalho em equipe, a participação em feira de ciências e a presente produção textual. Palavras-chave: Astronomia. Astronáutica. Conhecimento prévio. Introdução No presente trabalho relatamos as experiências adquiridas no planejamento e implementação de um minicurso sobre Astronáutica, na Escola Estadual Prof. José de Freitas Nobre, em Mossoró/RN, no período de 12 de abril a 31 de maio de 2013, com alunos do Ensino Médio, no âmbito do subprojeto Física do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – PIBID/Física/UERN. A motivação pela escolha da temática desse minicurso foi suscitada pelos professores do Departamento de Física da UERN, nas aulas da graduação, especificamente na disciplina Mecânica I, cristalizando, depois da participação, em 2 2012, dos dois primeiros autores num curso sobre Astronomia e Astronáutica, promovido pelo Programa Agência Espacial Brasileira/Escola – Programa AEB/Escola, no Centro de Lançamento Barreira do Inferno, em Natal/RN. Contar a história de como a humanidade conseguiu viajar pelo espaço – a Astronáutica – nos pareceu uma maneira interessante de contextualizar, não apenas conteúdos conceituais de Física do Ensino Médio, como a Mecânica Newtoniana, mas também os procedimentais e atitudinais (Pozo, 2009). E, como quem prepara e conta tal história, visando aprendizagens significativas de quem a escuta, vivencia uma rica experiência de formação de competências e habilidades diretamente relacionadas com a profissão docente, o minicurso foi concebido também como uma atividade, visando os objetivos do PIBID. Planejamento do minicurso Perrenoud (2000) considera, como uma das dez novas competências para ensinar: “organizar e dirigir situações de aprendizagem”. Na sua concepção a novidade dessa competência esta intimamente relacionada com a superação de uma tradição educativa formal que privilegia o ensino, não dando a devida atenção à aprendizagem dos alunos. Assim sendo, essa competência deveria contemplar o conhecimento aprofundado dos conteúdos de ensino na sua relação com os objetivos da educação científica escolar, os conhecimentos e representações prévias dos alunos, as dificuldades de aprendizagem, o planejamento de sequencias didáticas e a participação dos alunos em atividades de natureza científico-técnica. Num sentido mais lato Libânio destaca que: O planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. ... É um meio para se programar as ações docentes, mas é também um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação (LIBÂNIO, 2008, P.221) Nesse sentido, o desafio para quem atua na formação inicial de professores consiste em dar significado a esse referencial teórico, traduzi-lo em termos de atividades de natureza teórico-práticas em um determinado domínio de conhecimentos, em nosso caso, Astronáutica. Para tanto, no planejamento do minicurso aproveitamos as experiências e materiais didáticos utilizados no Programa AEB/Escola, acima mencionado, tendo como referência o livro Astronáutica, da Coleção explorando o ensino, de Nogueira; Filho e Souza (2009). Levou-se em consideração que os conteúdos 3 conceituais, nele privilegiados, seriam de dinâmica e gravitação newtonianas que, por serem abordados no primeiro ano, possibilitariam como de fato aconteceu, a participação no minicurso de alunos dos três anos do Ensino Médio da escola. Foram concebidas oito atividades, de duas horas cada, contemplando: o levantamento do conhecimento prévio dos alunos sobre Astronáutica, recapitulação sobre conceitos de mecânica newtoniana, fundamentos físicos do movimento de satélites, velocidades cósmicas, elementos da teoria dos foguetes, o programa espacial brasileiro, oficinas de construção de foguetes de garrafas (PET), montagem de um sistema de propulsão com água e ar comprimido e lançamento de foguetes. A sequência didática de atividades Nos Parâmetros Curriculares Nacionais a sequencia didática é concebida como um conjunto de atividades coerentemente concatenadas, visando um determinado propósito educativo. Alinhados com essa concepção, aqui, apresentamos a sequência didática como uma série de 8 encontros, cujo planejamento leva em consideração o referencial teórico de Perrenoud sobre a organização e condução de situações de aprendizagem, visando as finalidades do Ensino Médio, como discutidos nesses próprios PCN. No primeiro encontro, como o número de participantes não era grande – 12 alunos em total – tivemos a oportunidade de conversar com cada um deles. Interessamos- nos pelas suas motivações e expectativas em relação ao minicurso e os questionamos sobre conceitos relacionados com a Astronáutica. Assim, conseguimos levantar o conhecimento prévio dos alunos, importante subsidio para conseguir aprendizagens significativas dos alunos (Ausubel, Novak Hanesian, 1978) e, informarnos sobre o interesse deles em conhecer sobre a construção de foguetes, a colocação em órbita de um satélite, a vida dos astronautas nas naves espaciais, a função dos satélites, entre outras coisas. Esse encontro, como todos os outros que lhe seguiram, propiciou o desenvolvimento de competências dialógicas por parte dos alunos bolsistas, condição necessária para o exercício da docência. No segundo encontro, mostramos e discutimos o vídeo “Astros da Física”, no qual se faz um esboço histórico do desenvolvimento da Astronomia e de suas implicações para a Astronáutica. 4 Seguidamente nos aprofundamos nos fundamentos físicos do movimento dos satélites. Mostramos que, para se tornar satélite artificial da Terra, um objeto precisa ter uma velocidade de 28.000 km/h ou mais. Salientamos que isso representa um tremendo desafio tecnológico, atualmente superado por um reduzido grupo de países, no qual o Brasil pretende entrar, através de seu Programa Espacial. Com ajuda de um dinamômetro e de um corpo, dele pendurado, ambos em queda livre, discutimos o conceito de microgravidade ou de aparente falta de gravidade presente nas estações espaciais, destacando a influência de tal condição na fisiologia do corpo humano e em determinados fenômenos físicos como a convecção. O terceiro encontro foi dedicado aos foguetes. Começamos falando sobre sua história. Seguidamente apresentamos uma figura com suas principais componentes. Distinguimos os foguetes de sondagem dos veículos lançadores de satélites – VLS. A montagem deste ultimo foi mostrada, através de um vídeo. Explicamos as fases do voo de um VLS. Informamos sobre os centros brasileiros de lançamentos de foguetes. Falamos da importância dos satélites nas telecomunicações e no sensoriamento remoto da Terra. Durante a explicação dos diferentes tipos de propulsão – sólida, líquida e híbrida – enfatizamos no fundamento teórico do funcionamento dos foguetes, o principio de conservação da quantidade de movimento linear. Finalizamos esse encontro solicitando uma lista de materiais de baixo custo para a realização das oficinas. As oficinas, realizadas no quarto, quinto e sexto encontros, foram dedicadas a elaboração de materiais didáticos, relacionados com os conteúdos conceituais de Física abordados no minicurso (AEB, 2012), a construção de um foguete com garrafas (PET) e da plataforma de lançamento. Nos últimos dos encontros, efetuamos o lançamento dos foguetes e fizemos, junto com os alunos, a avaliação do trabalho realizado no minicurso. Considerações finais A falta de motivação é uma das causas fundamentais de insucesso escolar no Ensino Médio e, consequentemente, dos altos índices de evasão nesse nível de ensino. Portanto, ela não pode ser um problema alheio ao professor, devendo receber atenção na sua formação inicial. Assim pensando, a experiência que acabamos de relatar sobre o minicurso de Astronáutica pode ser entendida como um exemplo de uma estratégia de motivação, consistente em diversificar a oferta de aprendizagens, através das más 5 variadas atividades de potencial interesse dos alunos. Afinal, motivar é oferecer novas expectativas. Na perspectiva acima indicada, consideramos que o minicurso atendeu as expectativas dos estudantes. Eles participaram ativamente da programação dos encontros, em horário alterno ao de suas aulas, realizando, com entusiasmo, todas as atividades propostas. E, para nós, autores deste trabalho, foi uma gratificante experiência de formação inicial, no caso dos alunos bolsistas, e continuada dos professores. REFERÊNCIAS AUSUBEL, D.P.; NOVAK, J.D. Y HANESIAN, H. (1978) Psicología Educativa. México, Trillas, 1983. BRASIL; Ministério da Educação. PCN+ Ensino Médio: Orientações Educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias/Secretaria de Educação Média e Tecnológica – Brasília: MEC; SEMTEC, 2002. LIBÂNIO. José Carlos. DIDÁTICA. São Paulo: Cortez (coleção magistério. Série formação de professores), 2008. NOGUEIRA, S.; FILHO, J.B.P.; SOUZA, P.N. Astronáutica: ensino fundamental e médio. Brasília: MEC, SEB; MCT; AEB, 2009 (coleção Explorando o ensino; v. 12) Mão na Massa. Vol. 2. AGENCIA ESPACIAL BRASILEIRA. Programa AEB na Escola. POZO, Juan Ignacio. A aprendizagem e o ensino de ciências: do conhecimento cotidiano ao conhecimento cientifico. Tradução Naila Freitas. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Tradução Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artmed, 2000. 6 CULMINÂNCIA 1º ENCONTRO: LEVANTAMENTO DO CONHECIMENTO PRÉVIO DOS ALUNOS 7 3º ENCONTRO: CONSTRUINDO FOGUETES 8 4º E 5º ENCONTRO: ELABORAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS 9 ENFIM, O PROTÓTIPO FICOU PRONTO. Lançamento do foguete de garrafa PET.