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sua palavra escrita, para nos oferecer uma ami-
zade profunda e doadora de vida. Seu Filho Jesus nos
incorpora à vida de Deus, como filhos seus, nos liberta
do pecado, nos enche de amor, de alegria, de esperança e nos indica o caminho para o Pai. Seu Espírito
nos guia, fortalece e ajuda a compartilhar com outros
a grande dádiva do amor de Deus. Tudo isso acontece
apenas com nossa aceitação livre e consciente.
Pai bondoso, que me criou à sua imagem e semelhança, às
vezes me esqueço disso e minha vida perde o sentido. Permita-me sempre sentir-me como seu filho predileto e gozar de seu
amor, de seu perdão, de sua justiça e de sua paz.
Jesus, eu lhe agradeço porque você me convida a ser seu amigo. Insista em me dar o melhor e me ensine como consegui-lo.
Quero responder ao convite que você me faz, permitindo que
guie a minha vida, me livre do pecado e me ajude a viver o reino
de Deus.
Espírito Santo, abra meu coração ao amor e me impulsione a
compartilhá-lo; dê-me a fortaleza e a sabedoria de que necessito para seguir Jesus. Encha-me de seu fogo motivador e dê-me
a paz e a alegria que vêm de cumprir a vontade de Deus.
Amém.
Que a Sagrada Família
o acompanhe sempre
em sua jornada
de fé, em especial
ao refletir e ao rezar
com a Sagrada Escritura.
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esde os fins do século XX, o Papa João Paulo II insistentemente pediu que
realizemos uma Nova Evangelização no Continente Americano, e que trabalhemos unidos nos países da América.
No ano 2000 publicou-se nos Estados Unidos The Catholic Youth Bible para
a juventude de língua inglesa. Mais tarde o Instituto Fe y Vida publicou uma
versão dessa Bíblia em espanhol. Em espírito de unidade, agora colocamos a
versão em português nas mãos do povo jovem de língua portuguesa, para
ajudá-lo a saciar sua grande sede de Deus e para que lhe sirva como instrumento evangelizador.
Com a leitura da Palavra de Deus você aprofundará o conhecimento a respeito do amor de Deus por você e por toda a humanidade e verificará que Deus
conta com você, para anunciar a Boa-Nova da sua mensagem que se realiza
plenamente em Jesus Cristo.
Jesus o espera com os braços abertos para o acompanhar à medida que se familiariza com
a Palavra de Deus, de modo que ele lhe entregue seu amor e você possa assim dar sentido à sua
vida, enfrentando com esperança os desafios do caminho e transformando suas angústias em paz.
Jesus viveu e morreu para lhe dar vida nova: ele dedicou toda a sua vida a fazer presente o
reino de Deus nos corações das pessoas, em suas relações interpessoais e em suas instituições
sociais, promoveu o amor, a justiça e a paz.
Jesus é a revelação plena de Deus: nele se cumpriram as profecias do Antigo Testamento, estabeleceu-se a Nova Aliança com Deus e toda a criação dará glória a Deus no final dos
tempos.
Jesus formou uma comunidade de discípulos e apóstolos: recomendou-lhes que continuassem
sua missão, fazendo o mesmo que ele fez: proclamando o amor de Deus com o testemunho de
sua vida inteira, seus ensinamentos e suas ações misericordiosas, sobretudo com os mais pobres
e vulneráveis.
Jesus o escolheu para que leve seu amor a outros jovens: Jesus ressuscitado caminha
para outros jovens com seus pés, os ama com seu coração, lhes fala por sua boca, os atende com
suas mãos... Continua sua missão hoje em dia através de jovens que se deixam amar para transmitir seu amor aos outros.
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editorial
Equipe
10
Bíblia do jovem
Seja BEM-VINDA
A BÍBLIA DO JOVEM
É DEDICADA ESPECIALMENTE A VOCÊ
A Bíblia do jovem foi preparada com todo o carinho para que a Palavra de Deus chegue a seu coração e renove, completa e profundamente, sua vida desde o mais
íntimo do seu ser. A Palavra de Deus é para todos:
para os que têm pouca fé, para os que estão cheios de
dúvidas, para os que buscam como seguir fielmente a
Jesus e para aqueles a quem Deus pediu ajuda para
pastorear sua Igreja.
A BÍBLIA DO JOVEM:
• traz o amor salvador de Deus para sua vida;
• abre seu coração ao amor, à justiça e à paz de Deus;
• dirige sua vida com os valores do Evangelho;
• coloca a Palavra de Deus ao seu alcance;
• aplica a Boa-Nova à cultura juvenil.
A BÍBLIA DO JOVEM ajuda você a:
• experimentar a bondade e a misericórdia de Deus ao rezar com a Sagrada Escritura;
• obter uma resposta cristã à sua busca da verdade;
• adquirir os fundamentos para dar um sentido cristão à sua vida;
• escutar o chamado de Deus para colaborar na obra redentora de Jesus;
• fortificar sua identidade católica ao relacionar suas crenças e práticas religiosas
com a Bíblia.
A BÍBLIA DO JOVEM oferece:
• um critério de vida e um caminho para Deus;
• um encontro com Jesus, porque “a ignorância da Sagrada Escritura é ignorância de
Cristo” (São Jerônimo);
• um instrumento para compreender a mensagem da Bíblia e relacioná-la com sua
vida diária;
• um meio excepcional para compartilhar o Evangelho com seus amigos;
• um guia de interpretação bíblica segundo o Magistério da Igreja Católica.
11
Conteúdo
Caderno inicial
Símbolo e acolhida
Comentários para conhecer, rezar
e viver a Palavra de Deus
Comentários para fortalecer a
identidade católica
Apoios didáticos e pastorais
Índices
11
14
16
18
21
Guia para manusear a Bíblia
Livros e abreviaturas bíblicas
Por que uma Bíblia do jovem?
Desenvolvimento e características da
Bíblia do jovem
Perguntas e respostas sobre a Bíblia
Como estudar e compreender a Bíblia
Como rezar com a Palavra de Deus
22
23
25
26
30
35
37
Antigo Testamento
O mundo do Antigo Testamento
45
Pentateuco
Introdução
Gênesis
Êxodo
61
63
121
Levítico
Números
Deuteronômio
171
203
243
283
285
311
339
345
379
407
439
469
2Crônicas
Esdras
Neemias
Tobias
Judite
Ester
1Macabeus
2Macabeus
496
531
544
561
577
595
611
644
Livros históricos
Introdução
Josué
Juízes
Rute
1Samuel
2Samuel
1Reis
2Reis
1Crônicas
Livros proféticos
Livros poéticos e sapienciais
Introdução
Jó
Salmos
Provérbios
12
670
673
711
811
Eclesiastes
845
Cântico dos Cânticos 859
Sabedoria
869
Eclesiástico
895
Livros
proféticos
Livros
poéticos / Sapienciais
Introdução
964
Introdução
Isaías
967
Salmos
Jeremias
1041
Lamentações
1111
Baruc
1123
Livros sapienciais
Ezequiel
1135
Introdução
Daniel
1193
Jó
Oseias
1219
JoelProvérbios
1233
Amós
1239
Novo Testamento
Abdias
1251
Cântico dos Cânticos
Jonas
1255
Lamentações
Miqueias
1261
Naum
1269
Habacuc
1275
Sofonias
1281
Eclesiastes
Ageu
1287
Sabedoria
Zacarias
1291
Malaquias
1305
Eclesiástico
O mundo do Novo Testamento
1313
Evangelhos e Atos dos Apóstolos
Introdução
Mateus
Marcos
1331
1333
1387
Lucas
1425
João
1479
Atos dos Apóstolos 1527
Cartas e Apocalipse
Introdução
Romanos
1Coríntios
2Coríntios
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
1Tessalonicenses
2Tessalonicenses
1Timóteo
2Timóteo
Caderno final
Vocabulário bíblico
1585
1587
1613
1637
1655
1667
1679
1687
1695
1703
1709
1717
Tito
Filêmon
Hebreus
Tiago
1Pedro
2Pedro
1João
2João
3João
Judas
Apocalipse
1721
1725
1729
1747
1755
1763
1769
1776
1777
1779
1783
1811
Índices
Atos e ensinamentos principais
Comentários para a fé e para
a vida
Orações bíblicas
Personagens
1863
Notas bibliográficas
Lecionário
Planos temáticos de leitura
Quadro cronológico
1889
1897
1902
1904
1866
1881
1883
Perspectiva católica
1885
Bases bíblicas dos sacramentos 1886
Símbolos bíblicos
1887
Mapas e esquemas
1888
Minha história pessoal e comunitária
é uma história de salvação
1914
Livros e abreviaturas bíblicas
1920
13
Comentários
Palavra de
rezar
para
conhecer, e viver a
Deus
A
Bíblia do jovem traz vários tipos de apoio que o ajudarão a ler, compreender e compartilhar a Palavra de Deus. Alguns se referem à mensagem da Bíblia e estão reunidos nesta
seção. Outros mostram a tradição bíblica católica (ver p. 16), e vários são de natureza pedagógica. Ver a seção intitulada “Apoios didáticos e pastorais” (p. 18).
Como ler, conhecer e tornar viva a Palavra de Deus
Este capítulo oferece dados que ajudam a aproximar-se da Palavra de Deus de modo que
seja possível compreender sua mensagem, interiorizá-la e aplicá-la à vida. Apresenta três
seções:
Perguntas e respostas sobre a Bíblia. Responde a dez perguntas comuns sobre em que
consiste a Bíblia, como se formou e como devemos interpretá-la (p. 30).
Como estudar e compreender a Bíblia. Oferece sete passagens ou aspectos que se
deve considerar para interpretar de maneira correta um texto bíblico (p. 35).
Como rezar com a Palavra de Deus. Apresenta dois métodos de oração com a Bíblia: o
primeiro centraliza-se na oração individual; o segundo ajuda a rezar e a refletir com a Palavra
em comunidade (p. 37).
INTRODUÇÕES
As introduções desta Bíblia ocupam mais de cem páginas. Por meio delas é possível ter uma
visão geral dos principais resultados da investigação bíblica em uma linguagem acessível aos
jovens. A leitura seguida de todas essas introduções equivale à leitura de um livro de introdução à Bíblia.
O mundo do Antigo e do Novo Testamento. Essas introduções oferecem uma visão
panorâmica de ambos os testamentos do ponto de vista histórico, literário e teológico (p. 45 e
p. 1313).
Introduções às seções da Bíblia. Cada uma das seis seções em que está organizada
esta Bíblia – Pentateuco, Históricos, Sapienciais e Poéticos, Proféticos, Evangelhos e Atos,
Cartas e Apocalipse – tem uma introdução com dados-chave sobre a formação e características de seus livros.
Apresentação dos livros. Cada um dos 73 livros da Bíblia tem uma apresentação que
oferece as chaves históricas, literárias e teológicas para facilitar a compreensão de cada livro
em particular.
Comentários bíblicos
A Bíblia do jovem contém mais de 850 comentários inseridos ao longo do texto bíblico. A localização e o enfoque de cada comentário pretendem oferecer aos jovens a oportunidade de
compreender e viver os aspectos essenciais da mensagem da salvação, contida na Sagrada
Escritura, e de entender a riqueza e as contribuições próprias de cada livro. Os oito tipos de
comentários têm uma finalidade particular.
14
VIVA A PALAVRA
Ajudam a aplicar a mensagem bíblica à vida cotidiana, de
modo que a Palavra de Deus se encarne tanto nas situações vivenciadas no presente como nas que serão enfrentadas no futuro.
ENTRE EM ORAÇÃO
Ensinam a rezar com a Palavra de Deus; servem de guia
para a oração pessoal e comunitária e mostram as bases
bíblicas da oração e da vida sacramental na Igreja Católica.
SABIA QUE...?
Apresentam o marco de referência que os especialistas bíblicos (exegetas) oferecem para compreender a cultura, as
tradições e a linguagem da época bíblica, ou a interpretação
que a Igreja Católica dá a certas passagens.
REFLITA
Provocam reflexões sobre passagens bíblicas que têm
uma mensagem clara e desafiadora para a vida cristã de
todo jovem.
APRESENTAMOS A VOCÊ...
Oferecem uma breve introdução sobre a vida e as contribuições dos personagens bíblicos principais.
TEXTOS EM REALCE
Destacam a mensagem de vida que os diversos livros dão,
assinalando textos importantes que falam por si mesmos.
15
Comentários
a identidade
para
fortalecer
Católica
PERSPECTIVA CATÓLICA
Mostram as raízes bíblicas de muitas crenças e práticas importantes da
Igreja Católica e assinalam o lugar da Sagrada Escritura na liturgia católica.
COMPREENDA OS SÍMBOLOS
Dão a conhecer os principais símbolos bíblicos de uso comum na arte
e nos rituais católicos mediante a combinação da ilustração do símbolo e de uma breve explicação do mesmo.
Tradição católica
PERSPECTIVA
CATÓLICA
A paz de Cristo na missa
Jesus se despede de seus apóstolos
deixando-lhes sua paz. É uma paz profunda e plena, que, ao ser fruto do maior amor
possível, é ativa, enérgica, constante e
sólida; não uma tranquilidade passiva.
Na missa, depois da oração do Pai-Nosso, ao compartilhar a paz de Jesus,
desejamos mutuamente que o amor de
Deus nos encha, para prosseguir na vida
cristã sem nos inquietar nem ter medo.
Com essa paz de Jesus, nós cristãos podemos manter a equanimidade e a felicidade em meio à dor, à perseguição, à
guerra, às doenças e à morte, e somos
capazes de viver com dignidade e esperança, inclusive situações extremamente
difíceis.
Quando na missa chegar o momento
de dar a paz, receba-a com o coração
aberto e entregue-a aos que o rodeiam,
feliz por compartilhar esse dom de Jesus.
Ao sair da missa, recorde que é uma paz
ativa, que se constrói com seu esforço; dê
você a paz e a construa entre sua família,
suas amizades e seus companheiros...,
trate a todos com amor, bondade e de
maneira justa.
Jo 14,27
16
Gn 3 15
Compreenda os
Símbolos
A Imaculada
A imagem da Imaculada é símbolo do
triunfo de Deus sobre o mal. Deus prometeu no
paraíso que uma mulher humilharia a serpente
ao dar à luz seu Filho. Maria é essa mulher, a
nova Eva, livre do pecado original desde antes
de sua concepção, graças à obra redentora de
seu Filho Jesus, que nos liberta do mal e da
morte eterna.
Mt 8 26
Compreenda os
A barca
Símbolos
A barca, com seu mastro como cruz, é símbolo da Igreja que nos une na fé e nos oferece segurança na travessia da vida. Quando ventos fortes a
fazem adernar ou ondas perigosas a açoitam, Jesus a guia e a sustenta. A barca, sem as chaves de
Pedro, simboliza o ecumenismo das Igrejas que
compartilham a fé em Jesus, filho de Deus.
Unidade na diversidade
AFRO-AMERICANO
O princípio de ujima =
colaboração no trabalho
LATINO-AMERICANO
Mulheres anônimas da América Latina
Muitas vezes na história, o Senhor todo-poderoso se serviu de uma mulher (Jt 16,5).
Junto com umas poucas mulheres célebres
por suas ações em favor de sua pátria, milhares de mulheres latino-americanas foram protagonistas anônimas da transformação de
seus povos. A maioria, mais que reclamar
seus direitos individuais e ambicionar o poder,
trabalhou para que todas as pessoas pudessem se desenvolver segundo sua capacidade, suas habilidades e seus interesses.
Nas comunidades de fé, as mulheres
contribuem com seu espírito crítico, sua disposição ao serviço, seu entusiasmo e sua
generosidade. Quando desempenham papel
de líder, favorecem o espírito de grupo, promovem uma liderança compartilhada, consideram todos os aspectos da vida e atendem
aos detalhes da vida familiar e local.
Sem suas contribuições se perderiam
riquezas que só o gênio da mulher pode
oferecer à vida da Igreja e da sociedade.
Não reconhecê-lo seria uma injustiça histórica, especialmente na América, levando-se em consideração a contribuição
das mulheres ao desenvolvimento material e cultural do continente, como também
à transmissão e à conservação da fé.
Jt 16,1-26
Incas, maias e astecas
O sopro da vida
O ser humano, sempre que pensa
sobre suas origens, chega a conclusões
parecidas. O códice chimalpopoca, que
documenta a história asteca ou nauhutl
– uma cultura indígena muito antiga do
México –, expressa que seus antepassados acreditavam que Deus nos fez da
terra e que, para ter vida, era preciso ter
energia própria.
Por isso, quando lhes perguntaram qual
sua origem e de onde vinham, responderam: “Viemos de onde sai o sol. Passamos
por cima da água”. E, diante da pergunta
sobre quem foram seus primeiros pais, declararam: “Nossa mãe primeira se chamou
Ochomoco ‘sobre-a-qual-caminhamos’, e
nosso primeiro pai teve como nome Cipactónal, isto é, ‘energia que-nos-rodeia’”².
Observe a semelhança com os relatos
do Gênesis: há luz e água; Deus cria a
terra; há um primeiro homem e uma primeira mulher; a vida é energia, é poder. A
diferença está em que a Bíblia revela que
Deus criou tudo e foi ele quem nos deu a
vida e o poder para procriar e trabalhar.
Gn 5,1-2
Como admiramos a arquitetura das
pirâmides do Egito! Foram necessárias
centenas de anos para construí-las e faz
séculos que estão em pé. Algumas pedras pesam duas toneladas, e todas foram lavradas e alinhadas sem cimento.
Os arquitetos, cientistas, matemáticos e
engenheiros ainda não têm ideia de como foram feitas.
As pirâmides são um exemplo do
princípio ujima (ver “O sistema de valores
Kwanzaa”, Es 6,19-22), que significa
“colaboração e responsabilidade no trabalho”. Os que as iniciaram sabiam que
não as veriam terminadas, porém continuaram trabalhando com empenho.
Hoje em dia necessitamos de jovens
que trabalhem unidos para forjar uma nova
sociedade. Talvez se requeira o esforço de
mais de uma geração. Martin Luther King
Jr. nos disse: “Estive no cimo da montanha
e vi a terra prometida, talvez não me toque
entrar, mas saibam que todos, como povo,
entraremos na terra prometida”. Sabia que
não veria sua gente libertada do preconceito e da discriminação; não obstante,
trabalhou toda a sua vida unido a outros
para alcançar este objetivo.
O Deuteronômio recorda aos israelitas
que para dar prosperidade à sua nação
deviam trabalhar unidos e solidariamente.
Se seguirmos esta mensagem, teremos
sucesso como indivíduos e como povo.
Dt 8,11-18
Comentários culturais
A Palavra de Deus é universal; está destinada ao mundo todo e depende de cada povo assumir
os valores do Evangelho para que orientem os princípios, interesses e tradições que dirigem sua
vida. Ao longo do tempo, diferentes culturas em nosso continente americano viveram a mensagem
da Bíblia de diversas maneiras.
Neste século XXI, marcado por migrações numerosas e um processo irreversível de globalização,
é vital abrir-se à maneira particular como diferentes culturas deram vida à Palavra de Deus. Por
isso, a Bíblia do jovem apresenta comentários escritos no âmbito de oito tradições culturais: 1)
Incas, maias e astecas; 2) indígenas; 3) latino-americana; 4) estadunidense; 5) canadense; 6) latinos nos EUA; 7) afro-americana; e 8) asiáticos na América.
As finalidades destes comentários são:
Valorizar diferentes perspectivas culturais sobre a Bíblia e enriquecer, desta forma, nossa espiritualidade católica.
Compreender como um povo encarna o Evangelho em sua cultura (inculturação) por meio
de sua espiritualidade e tradições populares.
Oferecer testemunhos de santos de diferentes países da América como modelos de vida
cristã ao alcance da juventude latino-americana.
17
Apoios
didáticos e pastorais
Passagens paralelas e relacionadas
As passagens paralelas e referências a outros textos bíblicos com mensagens
relacionadas estão indicadas imediatamente depois dos subtítulos temáticos da
Bíblia.
Vocabulário bíblico
O vocabulário bíblico contém mais de 200 termos que ajudam a compreender
a Bíblia e complementam ou sintetizam informações sobre alguns temas comuns ao catolicismo, mas nem sempre de fácil compreensão.
Lecionário
O lecionário é uma seleção de passagens bíblicas ordenada de maneira especial
para nutrir e celebrar nossa fé ao longo do ano litúrgico. A Bíblia do jovem apresenta o lecionário dominical para todo o ano, com seus três ciclos litúrgicos. O
desenho a cores do lecionário ajuda a compreender o ciclo anual com os seus
cinco tempos litúrgicos: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e Tempo Comum.
O calendário litúrgico permite situar os ciclos segundo o ano e identificar os tempos
litúrgicos e as festas móveis. Ver a explicação do lecionário na leitura litúrgica dominical (p. 41), no lecionário (p. 1897) e no calendário litúrgico 2005-2025, (p. 1901).
Planos temáticos de leitura bíblica
Os planos temáticos de leitura bíblica têm por objetivo guiar o estudo ou a reflexão bíblica para que o leitor possa adquirir uma visão geral sobre temas importantes na Sagrada Escritura (p. 1902). Esses planos temáticos podem servir para
a leitura diária pessoal ou ser adotados por um grupo ou comunidade juvenil
como base de suas reuniões semanais.
18
Os sete planos de leitura que se apresentam são:
Um percurso pela Bíblia: trinta leituras para compreender o amor libertador de
Deus e conhecer em grandes traços a história da salvação em ordem cronológica.
Imagens de Deus: quatorze leituras para se relacionar melhor com Deus e saber
como Ele vai se revelando ao longo da história.
O chamado de Deus:
quatorze leituras para escutar o chamado de Deus a dife-
rentes pessoas a fim de que reflitam sobre o próprio chamado a servi-lo e continuar
a missão de Jesus.
Predileção de Deus pelos pobres e vulneráveis: quatorze leituras para ver a
vontade de Deus para a sociedade e revisar nossas atitudes e ações.
O pecado e a justiça salvadora de Deus: quatorze leituras para refletir sobre o
amor misericordioso de Deus que nos salva do pecado e nos dá uma vida nova.
O sentido do sofrimento:
quatorze leituras para ver a crescente consciência de
que Deus nos acompanha em nossos sofrimentos e que, unidos aos de Jesus, eles
têm valor redentor.
As mulheres na Bíblia: quatorze leituras para ver que Deus trata as mulheres com
a mesma dignidade que ao homem, inclusive em uma sociedade patriarcal como a
do povo de Israel.
Apoios didáticos
Além dos apoios diretos à pastoral bíblica, a Bíblia do jovem traz uma série de
apoios didáticos que facilitam o manuseio da Bíblia: quadro cronológico, mapas,
ilustrações, esquemas e índices.
19
Quadro cronológico
O quadro cronológico que se encontra no final da Bíblia foi organizado com a finalidade de ajudar a visualização das principais etapas da história da salvação
através dos séculos. Também indica em quais livros da Bíblia estão narrados os
fatos mencionados e a atividade literária em cada época, dando assim uma visão
completa do desenvolvimento da Bíblia (p. 1904).
Esse quadro cronológico está situado no contexto da formação do universo e do
aparecimento dos avanços mais significativos da civilização humana. Essa referência ajudará a compreender a revelação paulatina de Deus ao povo de Israel e
o processo de reflexão teológica do povo sobre a criação do universo e sobre a
origem e a natureza do ser humano.
Além disso, assinalam-se os acontecimentos sucedidos nos territórios bíblicos
que tiveram um impacto especial na história da salvação. Os dados sobre as
grandes culturas da Ásia e do continente americano situam a história da salvação
no processo evolutivo da humanidade.
A revelação de Deus sempre se mostra no acontecer da história. A história da
salvação continua aqui e agora... e chegará à sua plenitude no final dos tempos.
Mapas
A Bíblia do jovem apresenta mapas e esquemas que ajudam a identificar os
lugares onde aconteceram os fatos mais relevantes relatados na Sagrada Escritura. Os mapas, inseridos nos capítulos sobre o mundo do Antigo e do Novo
Testamento e nas apresentações dos livros, podem se facilmente consultados.
Ver “Índice de mapas” (p. 1888).
Ilustrações e esquemas
As ilustrações de cada livro da Bíblia foram introduzidas para que o leitor possa captar por meio delas a mensagem central do livro em estudo. Por isso, estão todas intituladas e têm a citação bíblica a que se referem. Os esquemas têm como finalidade
ajudar a compreender aspectos da história da salvação difíceis de serem entendidos
devido à sua complexidade (tábua dos reis e profetas), ao vocabulário confuso (tribos
de Israel) ou às tradições e fatos desconhecidos (templo de Jerusalém).
20
índices
A
Bíblia do jovem tem oito índices que ajudam a penetrar na mensagem da
Bíblia e a aproveitar ao máximo os comentários para a pastoral bíblica.
Atos e ensinamentos principais. Apresentação de histórias do Antigo e Novo Testamento, ensinamentos, parábolas e
milagres de Jesus (ver p. 1863).
Comentários para a fé e a vida. Apresentação de aspectos
importantes da fé que iluminam situações significativas da vida
do jovem (ver p. 1866).
Orações bíblicas. Apresentação de orações litúrgicas e
outros para diversas ocasiões; além dos principais salmos
segundo seu gênero literário (ver p. 1881).
Personagens. Aqui são apresentados personagens importantes na história da salvação (ver p. 1883).
Perspectiva católica. Este índice apresenta ensinamentos
do Magistério sobre certos textos bíblicos e tradições próprias
da Igreja Católica (ver p. 1885).
Bases bíblicas dos sacramentos. Apresentação de passagens bíblicas que fundamentam a teologia e os rituais dos
sete sacramentos na Igreja Católica (ver p. 1886).
Símbolos bíblicos. Aqui, surgem os símbolos bíblicos que
nossa Igreja emprega para comunicar a Palavra de Deus de
maneira visual, ilustrados e comentados (ver p. 1887).
Mapas e esquemas. Apresentação de mapas, quadros sinóticos e esquemas incluídos nesta Bíblia (ver p. 1888).
21
Guia
a
para
manusear
Bíblia
A
o citar-se um texto da Bíblia, indica-se de forma abreviada o nome do livro (ver
lista de abreviaturas na página seguinte) e os números dos capítulos e dos versículos (estes, separados por hífen) para indicar onde começa e termina a citação.
Exemplo:
Gn 12,8-12
Quando são citados capítulos inteiros, não aparecem os versículos. Exemplo:
Mt 5–7 = Mateus, capítulos do 5 ao 7.
Quando a citação é do mesmo livro, não se repete seu nome. Exemplo:
Mt 5,43-48; 7,12-18 = Mateus, capítulo 5, versículos 43 ao 48,
e Mateus, capítulo 7, versículos 12 ao 18.
Quando a citação é longa e abrange dois ou mais capítulos de um mesmo
livro, coloca-se um travessão entre o capítulo e versículo iniciais e o capítulo
e versículo finais. Exemplo:
Mt 6,19–7,12 = Mateus, desde o versículo 19 do capítulo 6, até o versículo
12 do capítulo 7.
Quando se citam trechos de um mesmo capítulo, que não são seguidos,
os versículos de ambos os trechos devem ser separados por um ponto. O mesmo acontece com os versículos, que devem ser separados por ponto, caso a leitura seja separada.
Exemplos:
Mt 6,1-4.16-18 = Mateus, capítulo 6, desde o versículo 1 até o 4 e desde o
versículo 16 ao 18.
Mt 6,1-4.16.24 = Mateus, capítulo 6, versículos do 1 ao 4, versículos 16 e 24.
Quando se fazem várias citações de um mesmo livro e capítulo, embora estejam em trechos separados, não é preciso repetir o nome ou a abreviatura do livro.
Exemplo:
A primeira parte do Salmo 18 louva a harmonia da natureza com as leis que Deus
lhe deu. (Sl 18,1-7). Depois menciona como a criação anima a vida das pessoas
(vv. 8-11). Finalmente, assinala nossa atitude diante das obras de Deus (vv. 12-15).
Quando se cita textualmente uma passagem, escreve-se em itálico, seguido de sua
citação. Exemplo: O Senhor fez conhecer a sua salvação (Sl 97,2).
22
Quando a referência a uma passagem é feita de modo indireto, coloca-se
apenas a citação. Exemplo:
Oseias profetiza contra a infidelidade do povo e dos sacerdotes (Os 4–9).
Livros
e
abreviaturas
Bíblicas
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Mensagem dos Bispo
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Mensagem de J
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2000, n. 4.
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uma Bíblia do jovem?
Por que
25
A
mensagem da Sagrada Escritura tem sido vital na
Igreja da América Latina desde a primeira evangelização. A partir do Concílio Vaticano II, os bispos
motivaram com esmero a leitura contínua da Bíblia e
animaram a que todas as pessoas tornem vida a Palavra de Deus em suas circunstâncias e situações
concretas.
Em Medellín, os bispos pediram que se expresse
o Evangelho de modo que todos os grupos na Igreja
o compreendam e o façam vida em sua própria realidade1. Em Puebla, destacaram que a Sagrada Escritura deve ser a alma da evangelização, da catequese
e da liturgia, para responder à ansiedade crescente
da Palavra de Deus2. Em Santo Domingo, salientaram
a urgência da formação bíblica dos catequistas e
agentes de pastoral, e de uma pastoral bíblica que
sustente a Nova Evangelização, ofereça o encontro
com a Bíblia em nossa Igreja e responda às deficiências de uma interpretação fundamentalista3.
Graças a este impulso e ao trabalho de muitos
agentes de pastoral, a Bíblia vem sendo difundida nas
comunidades cristãs, e muitos jovens procuram nela
luz e orientação para sua vida. Também existe uma
grande sede da Palavra de Deus nos jovens e um zelo
apostólico em grupos e movimentos juvenis, que buscam na Sagrada Escritura seus esforços pastorais.
Por estas razões, oferecemos a Bíblia do jovem aos
jovens de todo o continente americano, assim como
aos agentes de pastoral e pais de família que querem
fazer chegar a palavra de Deus à juventude. A existência de uma mesma Bíblia em português, espanhol e
inglês proporciona uma oportunidade única para o encontro da Igreja jovem em toda a América, segundo o
que ficou expresso em Ecclesia in America e na Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a América4. A Bíblia do jovem é um presente que dá vida para
todos os jovens latino-americanos, desde o Canadá até
a Terra do Fogo e todo o Caribe, e um legado para as
gerações jovens no começo do Terceiro Milênio.
Instituto Fé e Vida
Editorial Verbo Divino
25
Desenvolvimento e características da
bíblia do jovem
26
A
Bíblia do jovem foi organizada a partir da Biblia católica para jóvenes, uma edição para jovens de língua espanhola em toda a América. Foi criada pelo Instituto Fe y Vida, cuja missão principal é capacitar
lideranças para a pastoral juvenil entre latinos nos Estados Unidos. Ela
foi inspirada na The Catholic Youth Bible (CYB), Bíblia em inglês para
adolescentes e jovens.
Agora também temos esta edição, para os jovens de língua portuguesa. Atendemos assim as três línguas mais faladas no continente
americano.
MATERIAL DE APOIO PARA CONHECER, REZAR E TORNAR
VIVA A PALAVRA DE DEUS
O material de apoio desta Bíblia foi preparado pelo Instituto Fe y Vida
e por uma equipe adjunta. As seções sobre o mundo do Antigo e do
Novo Testamento são uma versão abreviada de seu original na Bíblia da
América. A elaboração do material de apoio visou:
• Responder às necessidades espirituais e à realidade pastoral da
juventude latino-americana em todo o nosso continente.
• Fomentar uma pastoral bíblica evangelizadora, comunitária e missionária em harmonia com as linhas estabelecidas pelo Conselho
Episcopal Latino-Americano (CELAM) para a pastoral juvenil.
• Oferecer introduções e comentários com uma exegese bíblica sólida, que fundamentem a fé cristã e a formação bíblica do jovem.
• Mostrar os fundamentos bíblicos da tradição católica, tanto em sua
dimensão oficial (Tradição e Magistério) como em aspectos relevantes da religiosidade popular latino-americana (tradição).
O TEXTO BÍBLICO DA BÍBLIA AVE-MARIA
O texto bíblico utilizado na Bíblia do jovem é o mesmo da Bíblia Ave-Maria, conhecida no Brasil há mais de cinquenta anos.
A semente da Bíblia Ave-Maria foi plantada em 1957, poucos anos
antes da realização do Concílio Vaticano II (1962-1965). A decisão da
Editora Ave-Maria de traduzir e publicar no Brasil a Bíblia em português
foi uma iniciativa inovadora. Na época, não havia em nosso país edições
acessíveis dos textos bíblicos. As que existiam eram importadas e caras.
26
27
Um conhecido orientador de cursos sobre Sagradas Escrituras, frei
João José Pedreira de Castro, diretor do Centro Bíblico Católico de São
Paulo e vice-diretor da Liga dos Estudos Bíblicos (LEB), soube da intenção
da Editora Ave-Maria e se juntou ao projeto. A tradução para o português
foi feita a partir do texto francês dos monges de Maredsous – religiosos que
vivem em um mosteiro beneditino fundado no século XIX, na Bélgica –,
tendo sempre como referência os originais hebraico, aramaico e grego.
A Bíblia Ave-Maria primou pela harmonia das frases, em uma linguagem simples e transparente. Os salmos foram preparados por um músico, frei Paulo Avelino de Assis, que teve preocupação esmerada com
a sonoridade dos versos. Tamanho foi o cuidado e o capricho, que os
editores escolheram um artista para transcrever, com as melhores palavras, o lirismo desses textos sagrados.
O pioneirismo de publicar uma Bíblia de grande difusão se alinhava
ao direcionamento da Igreja, que começava a incentivar, cada vez mais,
o estudo das Sagradas Escrituras.
Com o passar dos anos, foram surgindo grupos de estudo bíblico
nas dioceses, nas paróquias e nas comunidades. A Bíblia Ave-Maria foi
conquistando espaço e tem hoje presença forte nas comunidades de
base, nas capelas, nos grupos de oração, nas reuniões domiciliares etc.
Ao longo do tempo, ela se mantém como importante instrumento de
aprendizado e de oração entre os fiéis católicos, e agora, se apresenta
de modo particular aos jovens nesta edição.
O ANÚNCIO DA PALAVRA DE DEUS E OS JOVENS
Na XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada
no Vaticano de 5 a 26 de outubro de 2008, foi reservada uma atenção
particular ao anúncio da Palavra divina feita às novas gerações:
Os jovens já são membros ativos da Igreja e representam o seu futuro.
Muitas vezes encontramos neles uma abertura espontânea à escuta da
Palavra de Deus e um desejo sincero de conhecer Jesus. De fato, na idade da juventude, surgem de modo irreprimível e sincero as questões sobre o sentido da própria vida e sobre a direção que se deve dar à própria
existência. A estas questões só Deus sabe dar verdadeira resposta. Esta
solicitude pelo mundo juvenil implica a coragem de um anúncio claro;
devemos ajudar os jovens a ganharem confidência e familiaridade com a
Sagrada Escritura, para que seja como uma bússola que indica a estrada
a seguir. Para isso, precisam de testemunhas e mestres, que caminhem
com eles e os orientem para amarem e por sua vez comunicarem o Evangelho sobretudo aos da sua idade, tornando-se eles mesmos arautos
autênticos e credíveis. (Verbum Domini, 94)
27
Equipe
de
28
colaboradores
da edição em
Espanhol
Direção e edição geral:
Carmen María Cervantes
Coordenação:
Maria Pilar Cervantes Gutiérrez
Escritores:
Javier Algara Cossío
María Elena Cardeña
Carmen María Cervantes
María Pilar Cervantes Gutiérrez
Rudolf Finke
Leticia Medina
Armando Noguez Alcántara
Ángel Manuel Del Río Rubio
Emerenciano Rodríguez Jobrail
Artigos culturais:
Mayela Margarita Campos Castro
Guillermo Campuzano
Adela Rosa Castro Reyes
Antonio Medina Rivera
Nohemy Montaño
Ted Schimdt
Clodomiro L. Siller A.
Vilma Reyna
Steve Roe
Moderador episcopal:
Carlos A. Sevilla
Ilustração dos Símbolos bíblicos e Sagrada Família:
Gabriel Chávez de la Mora
Índices e planos de leitura:
Ken Johnson-Mondragón
Pesquisa, consulta e apoio:
Michäel Boudey, María Victoria César, Manuel Corral Martín, María
Luisa Curiel Monteagudo, Julián Fernández Gaceo, Reynaldo Luna
Velasco, Walter F. Mena, Graciela Ortiz-Matty, família de la Parra (Alfonso, Isabel, Mariluz, María de los Ángeles, Rafael), Patricia Olvera, Rosa María Padilla Lamadrid, Adriana Visoso-Valverde
28
Perguntas
e respostas
30
sobre
a bíblia
A
Bíblia, também conhecida como Sagrada Escritura, nos apresenta o amor de Deus à humanidade, nos ajuda a responder
a seu chamado, nos ensina as verdades importantes de nossa fé
cristã e nos questiona sobre como vivemos e nos relacionamos
com os outros. Para muitas pessoas, o estudo da Bíblia desperta
perguntas cheias de significado. Nesta introdução e nos artigos
“Sabia que...?” e “Perspectiva católica”, você encontrará respostas
para as perguntas mais frequentes.
O que tem a ver com minha vida um texto escrito há tanto tempo?
Na Bíblia, Deus se relaciona amorosamente com cada pessoa; sua mensagem é para todas as culturas e todos os tempos históricos. Deus nos busca em
todas as circunstâncias da vida e, ao nos aproximarmos com fé de sua Palavra,
descobrimos o que nos diz no momento atual.
A Bíblia não se desgasta com o tempo. Será significativa agora se a interpretarmos em seu próprio contexto e buscarmos como aplicar a mensagem de
Deus à nossa vida. Esse processo de ler a Bíblia na perspectiva de nossa vida
se chama atualização.
Em que consiste a inspiração divina na Bíblia?
Deus comunicou à humanidade seu plano de salvação por meio de pessoas concretas, membros de um povo e uma cultura determinados, que viveram e transmitiram sua mensagem para o bem de toda a humanidade. Por
isso, pode-se dizer que a Bíblia contém três tipos de inspiração: “inspiração
para agir” segundo o plano de Deus; “inspiração para falar” em nome de
Deus; e “inspiração para escrever” a mensagem que Deus quis nos comunicar para nossa salvação.
Na composição dos livros sagrados, Deus se serviu de homens escolhidos
que, usando todas as suas faculdades e talentos, agiram movidos por ele, “para
deixar por escrito tudo e só o que Deus queria”1. O Concílio Vaticano II reafirmou
que a Bíblia “é Palavra de Deus” porque está escrita por inspiração do Espírito
Santo. Por isso usamos a expressão “Palavra do Senhor” ao terminar as leituras
dos livros bíblicos na liturgia.
30
31
Falou Deus diretamente aos escritores da Bíblia?
O Espírito Santo inspirou a cada autor para que comunicasse a revelação
de Deus através da história da salvação. Isso não quer dizer que lhes ditou sua
mensagem ao pé da letra, mas que cada um escreveu segundo o contexto
histórico-cultural em que viveu, usou sua criatividade e empregou os gêneros
literários comuns e apropriados para expressar a mensagem em sua época.
Alguns livros contêm relatos orais provenientes de diferentes tradições, motivo por que existem relatos repetidos com variações entre si; também existem
livros escritos por vários autores ao longo de diferentes décadas. Em ambos os
casos, outro escritor sagrado realizou a redação final combinando tradições e
escritos anteriores. Nós cristãos cremos todos que o Espírito Santo guiou todas
as pessoas que participaram desse processo.
A Bíblia nos diz a verdade? Existem “erros” na Bíblia?
A Igreja Católica crê “que os livros sagrados ensinam solidamente, fielmente e sem erros a verdade que Deus fez consignar nesses livros para a nossa
salvação”2. O Magistério de nossa Igreja nos dá orientações que nos ajudam a
interpretar corretamente os diferentes sentidos da Bíblia (ver “Basta a Bíblia
para fundamentar a fé?”, p. 33).
Alguns grupos cristãos creem que a Bíblia é infalível em todos os aspectos, inclusive nos dados científicos e históricos. A Igreja Católica e outras
Igrejas cristãs creem que essas questões não estão incluídas na infalibilidade
da Bíblia.
O que podemos fazer se encontramos um “erro” na Bíblia?
Os “erros” que encontramos na Bíblia podem ser devidos a problemas
de interpretação, de transmissão ou de tradução de um texto. Por isso, é
importante estudar a Sagrada Escritura apoiados por pessoas capacitadas
e livros cuidadosamente escritos. Se encontrarmos “erros”, recomenda-se
fazer o seguinte:
1. Descobrir o que queriam comunicar os autores sagrados e o sentido do
texto.
2. Considerar a cultura, os gêneros literários e as formas de sentir, falar e narrar
do tempo em que se escreveu o texto.
3. Ver se o “erro” se deve a diferenças culturais e científicas entre o autor e nós.
31
32
O que são os gêneros literários?
Os gêneros literários são diversas formas de expressão escrita que têm
suas próprias regras. Correspondem à época e à cultura em que foram
usados.
Quando não se considera o gênero literário de um texto bíblico, é fácil cometer erros. Por exemplo, interpretar textos que dão uma mensagem religiosa
como se fossem reportagens históricas ou científicas; ler as exortações e motivações como se fossem leis; considerar ensinamentos-chave de Jesus como se
não fossem importantes ou ver as parábolas que comunicam um ensinamento
moral como se fossem histórias reais.
O que são os sentidos da Bíblia?
Conhecem-se como “sentidos da Bíblia” os diferentes níveis de interpretação que podem ser dados aos textos bíblicos. Estes são:
1. Sentido literal. O sentido literal é o expresso diretamente pelos autores
humanos inspirados por Deus; é indispensável e base para os outros sentidos.
Pode ser próprio ou metafórico, conforme o sentido que o autor deu às suas
palavras, e pode se referir a uma realidade concreta ou a diferentes níveis de
realidade. Por isso, é muito importante não cair no literalismo (interpretar todos
os textos ao pé da letra) ou no subjetivismo (interpretar um texto segundo o que
o leitor capta ou deseja ler nele)3.
2. Sentido espiritual. O sentido espiritual é o expresso por um texto bíblico
quando lido à luz do Espírito Santo no contexto do mistério pascal de Cristo e
da vida nova que provém dele. Esse sentido sempre se baseia no sentido literal.
O sentido tipológico, que manuseiam muitos escritores sagrados, consiste na
interpretação de um texto antigo à luz de uma nova experiência de fé e é um
exemplo do sentido espiritual4.
3. Sentido pleno. É o sentido profundo do texto, querido por Deus, mas não
claramente expresso pelo autor humano. Descobre-se à luz de outros textos
bíblicos ou em sua relação com o desenvolvimento interno da revelação. Na
realidade, o sentido pleno, se é que o teria, seria já o sentido espiritual do texto
em questão, e só podem dá-lo a Sagrada Escritura, a Tradição ou o Magistério
da Igreja5.
Portanto, pode-se dizer que um texto tem basicamente dois sentidos: o literal e o espiritual ou pleno. Primeiro é preciso buscar o sentido literal para poder
descobrir o espiritual. Depois, deve-se perguntar se além disso existe algum
sentido pleno-espiritual.
32
33
Basta a Bíblia para fundamentar a fé?
Nós católicos fundamentamos nossa fé em três fontes: a Bíblia, a Tradição
e o Magistério da Igreja, os quais se relacionam e se exigem mutuamente.
A Bíblia é a Palavra de Deus porquanto escrita por inspiração do Espírito
Santo6 com a finalidade de se dar a conhecer à humanidade e comunicar-lhe
seu plano de salvação. Cremos que aceitar só a Bíblia como fonte da fé a tornaria incompleta, e correríamos o perigo de cair em algum erro.
A Tradição se origina na Palavra de Deus confiada aos apóstolos e transmitida a seus sucessores para que, guiados pelo Espírito da verdade, seja preservada, exposta e difundida entre todos os membros da Igreja7. Cristãos católicos, conservamos, praticamente, e professamos a fé recebida através da
Sagrada Escritura e da Tradição.
O Magistério da Igreja consiste na responsabilidade de cuidar da integridade dos ensinamentos da Bíblia e é exercido pelos bispos em união com o
Papa. É o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, oral ou escrita... em nome de Jesus Cristo. O Magistério não está acima da Palavra de Deus,
mas sim a seu serviço, para ensinar o transmitido, pois por mandato divino e
com a assistência do Espírito Santo o escuta devotamente, o guarda zelosamente e o explica fielmente8.
Por que tem a Bíblia dois Testamentos?
Deus quis comunicar-se pouco a pouco na história, para que a humanidade
pudesse acolher sua revelação plena em Jesus. A etapa de preparação para a
chegada de Jesus, o Filho de Deus, se reconhece como Antigo Testamento, e
a etapa que vai do nascimento de Jesus à vida das primeiras comunidades
cristãs chama-se Novo Testamento.
“O Antigo Testamento prepara o Novo, enquanto este dá cumprimento ao
Antigo; os dois se esclarecem mutuamente; os dois são verdadeira Palavra de
Deus”9. Nossa fé cristã tem estreita relação com a fé judaica, expressada no
Antigo Testamento, e alguns atos litúrgicos-chave em nossa Igreja, como a Eucaristia, se originam em acontecimentos centrais judaicos como a Páscoa.
No Antigo Testamento, Deus escolhe Abraão e seus descendentes para
formar o povo de Deus, e realiza uma aliança com Moisés, a quem deu a Lei.
O Antigo Testamento apresenta a história religiosa do povo de Deus (chamado
hebreu, israelita ou judeu, segundo a época). Alguns cristãos identificam o Antigo Testamento como “Escrituras Hebraicas”.
No Novo Testamento, Deus se revela em plenitude dando-nos seu Filho: Jesus, o Salvador do mundo. Jesus era judeu e reafirmou as crenças
centrais do Antigo Testamento. Com suas palavras e obras nos comunicou
que Deus é nosso Pai; com seu mistério pascal realizou a aliança nova e
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eterna e nos deu o Espírito Santo para que sejamos seus discípulos e proclamemos seus ensinamentos. Os livros do Novo Testamento conservam
os principais ensinamentos de Jesus e as crenças da comunidade cristã
sobre ele.
Por que a Bíblia católica tem mais livros do que outras Bíblias?
O povo judeu determinou os escritos inspirados por Deus e os considerou
suas Escrituras Sagradas, constituídas por quatro seções: Pentateuco, Históricos, Proféticos e Outros Escritos. Os judeus tradicionais desconfiavam dos
livros que haviam sido escritos em grego, pelos judeus, na diáspora, enquanto estes últimos os consideravam revelados. Tais livros são: Tobias, Judite,
Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, 1 e 2 Macabeus, e parte dos livros de Daniel
e de Ester.
O Novo Testamento cita parte desses livros; os apóstolos e os Padres da
Igreja os reconheciam como revelação divina. A Igreja Católica os aceita e os
emprega na liturgia, e lhes dá o nome de deuterocanônicos, que quer dizer
“aprovados na segunda vez”. No século XVI, Lutero preferiu a opinião dos judeus tradicionais ao traduzir a Bíblia, e por isso outras igrejas cristãs não os
tomam em consideração.
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Como
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Estudar e compreender
a bíblia
A
o estudar a Bíblia, deve-se ter em consideração os seguintes
sete aspectos. De outra maneira, é possível deduzir mensagens
equivocadas e inclusive contrárias ao que Deus quis dizer pela Sagrada Escritura.
1. Lembre-se de que a Bíblia é divina e humana ao mesmo tempo. A Bíblia
é divina porque vem de Deus, e ele se revela através dela. É humana porque foi
escrita por autores humanos que refletem sua personalidade, seus conhecimentos e sua cultura. Com palavras humanas, a Bíblia nos revela a natureza de Deus,
seu plano para a humanidade e sua obra salvadora no mundo, a “história da
salvação”. Tudo chega à sua plenitude em Jesus, salvador de todos.
2. Escute Deus que fala. A Bíblia nos permite um encontro com Deus que
afeta toda a nossa pessoa; quando experimentamos sua presença, nosso discernimento é iluminado por seu Espírito. Quando refletimos iluminados com a
Palavra de Deus, nos conhecemos melhor: quem sou eu? Que faço com minha
liberdade, meus valores e limitações?
A Bíblia nos chama a ser irmãos uns dos outros e a construir comunidade; relaciona-nos com a Igreja local e universal, e nela nos faz ver nossa vocação pessoal.
Também nos une à sociedade e nos compromete a construir a Civilização do Amor.
3. Identifique o tema central do texto. Para compreender o sentido de um
texto é preciso ler a introdução e então todo o livro. Os autores bíblicos escreviam com um tema central. Por exemplo, para saber o que queria Jesus ensinar
na parábola do filho pródigo, ler os dois primeiros versículos do capítulo 15 de
Lucas. Jesus respondia com esta história aos que o criticavam por acolher os
pecadores. Esta parábola nos faz ver Deus como um Pai que espera nossa
conversão para nos perdoar e nos abraçar, e que se alegra ao saber que um
pecador se arrepende (Lc 15,11-32).
4. Situe historicamente o autor e os destinatários do livro. Existem passagens na Bíblia que só têm sentido na situação histórica do autor. A introdução
de cada livro ajudará a conhecê-la. Por exemplo, em Amós 5,21-23, Deus diz a
seu povo: Odeio, desprezo vossas festas, desgostam-me vossas celebrações...
Afastai de mim o ruído de vossos cânticos, não quero mais ouvir a música de
vossas harpas. Por acaso a Deus não apraz que o louvem? Examinar o contexto antes de chegar a conclusões. A introdução a Amós diz que Deus enviou
esse profeta para converter os ricos que exploravam os pobres e ao mesmo
tempo participavam de festas religiosas. Portanto, sua mensagem é que Deus
recusa a hipocrisia e a injustiça.
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5. Considere a mensagem de toda a Bíblia. Um sábio refrão diz: “Use a
Bíblia para interpretar a Bíblia”. A própria Bíblia pode ajudar você a entender as
diferentes passagens. Busque os “lugares paralelos” ou “passagens semelhantes” de outros livros e recorde que a revelação plena é Jesus, visto que nem
todos os textos têm o mesmo peso. Há os que se concentram em uma linha
bíblica, ignoram o resto e chegam a conclusões absurdas. Por exemplo, algumas comunidades proíbem que as mulheres exerçam postos de liderança,
apoiando-se em 1Coríntios 14,34, que diz: As mulheres guardem silêncio nas
assembleias. Ignoram que em outras cartas Paulo louva as mulheres que exerciam o diaconato e eram líderes em sua comunidade (1Tm 3,8-13; Rm 16,1).
6. Interprete a mensagem em perspectiva cristã. Encontrar Deus em sua
Palavra nos faz dirigir o olhar a nossos irmãos. Conhecer a Boa-Nova de Jesus nos leva a transmiti-la com amor aos que nos rodeiam. O Espírito Santo,
que transformou e enviou os apóstolos em Pentecostes, nos enche de fé,
amor e vida para proclamar a Palavra. Como diz Paulo: Ai de mim se não
anunciar o Evangelho (1Cor 9,16). É ao viver nossa missão que aumenta
nossa comunhão com Deus e se prolonga nosso encontro com Deus ao projetá-lo nos outros.
7. Atenda aos ensinamentos da Igreja. Consideramos, nós católicos, que
para interpretar a Bíblia é preciso seguir os ensinamentos do Magistério da Igreja. Os bispos têm a responsabilidade de interpretar e ensinar adequadamente a
revelação da Bíblia. Eles contam com a colaboração de especialistas bíblicos,
sacerdotes e leigos capacitados. Os artigos intitulados “Perspectiva católica”
salientam os principais ensinamentos da Igreja sobre passagens importantes.
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Como
rezar com a palavra de deus
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Rezar é dialogar com Deus, mas para conversar com ele precisamos escutá-lo.
Deus nos fala de maneira especial através de sua Palavra. É escutando-o que
recebemos seu amor misericordioso, seu chamado a viver próximos dele e seu convite a colaborar na missão de Jesus. Sua Palavra nos deixa conhecer seus desígnios
maravilhosos para nós e nos ajuda a descobrir o sentido de nossas vidas.
A outra parte da oração é nossa resposta a Deus, a qual não acontece só
nos momentos em que oramos, mas se estende à nossa vida inteira. Dessa
maneira, nossas atividades diárias se transformam também em oração.
Para viver em união com Deus, precisamos rezar tanto individualmente
quanto em comunidade. A oração pessoal nos permite dialogar intimamente
com nosso Criador, estreitar nossa relação com Jesus e gozar com a ação do
Espírito Santo em nós. A oração comunitária reforça nossa fé, nos ajuda a deixar-nos guiar pela Palavra de Deus, exige de nós autenticidade diante de nossos irmãos, une-nos com a comunidade eclesial em todo o mundo e com a
Igreja triunfante que já goza a eternidade de Deus.
PREPARAÇÃO PARA REZAR COM A PALAVRA DE DEUS
Ler a Bíblia não é como ler outro livro qualquer. Aqui, a disposição que você
tiver e a atitude que assumir são fundamentais. Ao rezar com a Bíblia, você compartilhará a experiência de muitos homens e mulheres através dos tempos. Entrará
neste grande quadro em que muitos traçaram sua própria obra de arte ao terem se
encontrado com Deus, um Deus vivo que ama, que opta por cada um de nós e que
nos chama a ser construtores de seu Reino, profetas da esperança. Por isso,
cumpre-nos pensar seriamente em nossa atitude no momento de embarcarmos na
grande aventura do diálogo com Deus por meio da Sagrada Escritura.
As recomendações a seguir irão ajudá-lo em sua peregrinação pelas páginas da Bíblia. Convidamos você a descobrir novas maneiras de se preparar
para ler e rezar com o texto, e que as compartilhe com seus companheiros.
AME DEUS
Ó Deus, tu és meu Deus, desde o amanhecer te desejo; estou sedento de
ti, por ti anseio como terra sedenta, ressequida, sem água. Teu amor vale mais
que a vida, louvar-te-ão meus lábios (Sl 62,2-4).
Tenha um espírito aberto, desejoso, faminto de uma palavra de esperança
e vida. Conserve uma posição externa e uma atitude interna que sejam coerentes com o que você está fazendo. Afaste-se um pouco da agitação cotidiana da
vida; busque uma área tranquila da casa, um lugar quieto onde você se sinta
bem e no qual ninguém o incomode. Dedique tempo suficiente para ficar em
companhia de Deus e sua Palavra, sem pressa nem distrações, sem pensar em
outros compromissos ou tarefas que você tenha de fazer.
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ABRA SEU CORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO
Este é meu servo a quem escolhi, meu amado em quem me comprazo;
derramarei meu espírito sobre ele, e anunciará o direito às nações (Mt 12,18).
Comece com uma oração ao Espírito Santo, para que derrame paz e
sossego sobre você durante os minutos que dedicar à oração com as leituras bíblicas, e peça-lhe que abra seu espírito e seu coração à mensagem
que Deus lhe comunicará. Dê graças a Deus pela amizade e por esse momento tão especial. Se alguém ama a Deus, é porque foi conhecido amorosamente por Deus (1Cor 8,3).
CELEBRE A GRANDEZA DE SEU SER
O Senhor teu Deus está no meio de ti, ele é um guerreiro que salva. Dará
pulos de alegria por ti, seu amor te renovará, por tua causa dançará e se
alegrará, como nos dias de festas (Sf 3,17).
Quando surge uma luz na meditação de alguma passagem bíblica, detenha-se nela para que a luz não se desvaneça e não se extinga; medite com
calma as palavras, escreva-as ou, inclusive, memorize-as. Assim, essas palavras poderão acompanhá-lo ao longo da sua vida.
FAÇA DA SUA VIDA UMA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu. Enviou-me a dar a boa-nova aos pobres, a curar os de coração despedaçado, a
proclamar a libertação aos cativos e aos prisioneiros a liberdade (Is 61,1).
Faça viva a libertadora história de Deus com a humanidade. Quem descobre o agir de Deus entre os homens e mulheres na história, a libertação
incessante de situações sem saída, experimenta também a ação libertadora
e orientadora de Deus.
ENTRE NO DESERTO
O anjo do Senhor disse a Filipe: – Põe-te a caminho para o sul pela estrada que desce de Jerusalém para Gaza através do deserto (At 8,26).
Caminhe pelo deserto. Haverá trechos de caminho em que você sentirá sede, momentos de secura espiritual, de aridez emocional e palavras
vazias. Então você tem de aguentar firme, mesmo que pareça que não
tem nada. Você se admirará ao descobrir em sua vida que, tal qual em
muitos relatos bíblicos, o deserto é precisamente o lugar onde você terá
um encontro com Deus.
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DEIXE-SE TRANSFORMAR POR SEU AMOR!
Quem nos separará do amor de Cristo? O sofrimento, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (Rm 8,35).
Escute o chamado à conversão. A Palavra de Deus nos compromete sempre. Deus, quando nos fala, exige que nossa vida mude, que renunciemos às
coisas que nos amarram, que lancemos longe de nós as cargas excessivas,
a fim de que possa chegar a libertação. Desta maneira você poderá fazer o
que a Palavra lhe exigir. Deus não quer gente que se limite a ouvir, mas sim
que ponha em prática sua Palavra (Tg 1,22). Pelo amor que tiverdes uns aos
outros reconhecerão todos que sois meus discípulos (Jo 13,35).
FINALMENTE...
Recorde que estes são só lembretes para ajudá-lo a ter um bom diálogo
com Deus. O mais importante é que você continue sua aventura do encontro
com o Senhor, cada vez com mais alegria e entusiasmo.
ORAÇÃO INDIVIDUAL
Leia diariamente a Bíblia com a finalidade de crescer em sua relação com Deus
e em sua vida cristã. Existem muitas maneiras de rezar com a Palavra de Deus.
Uma delas é a Lectio Divina (Leitura Divina), que levou muitas pessoas à santidade.
A seguir, um roteiro meditativo que o ajudará a rezar com a Sagrada Escritura:
Propicie um ambiente de recolhimento. Peça ao Espírito Santo que prepare seu coração para escutar a Deus.
Examine o texto. Observe a situação histórica, o autor e os gêneros literários para
compreender sua mensagem e não fazer uma interpretação apressada do texto.
Que a Palavra una você a Deus. Rezar com a Bíblia é estabelecer uma
relação com Deus, não é estudar uma matéria a mais.
Vibre com a mensagem. Imagine-se nessa situação, participe dos sentimentos e pensamentos dos personagens, veja a ação amorosa de Deus neles.
Identifique o que Deus quer lhe dizer. A atualização da Palavra leva à
identificação entre você e a mensagem de Deus.
Dialogue com Deus ao responder à sua Palavra. Descreva-lhe suas reações, seus temores e suas esperanças; ofereça-lhe respostas concretas.
Aplique a oração à sua vida. A Palavra de Deus frutificará ao ajudar você
em seu processo de conversão e crescimento espiritual, e ao conduzi-lo no
compromisso de continuar com a missão de Jesus.
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REFLEXÃO E ORAÇÃO EM COMUNIDADE
Ler e crer em comunidade com a Bíblia é responder a Deus que fala a seu
povo. Isso se pode fazer em reuniões de grupos juvenis, em retiros, em pequenas comunidades e em grupos de oração. Para que a reflexão e a oração
em comunidade deem fruto, é conveniente seguir um plano determinado, ter
uma mínima organização comunitária e preparar-se bem.
O animador deve estudar e rezar com o texto selecionado previamente,
para assegurar sua sadia interpretação. Na reunião, guiará o processo e cuidará que todos participem. Periodicamente, é preciso avaliar o processo de
reflexão e oração para melhorá-lo.
Recomenda-se seguir os seguintes passos para a reflexão e a oração em
comunidade:
1. Proclamar o texto. Uma pessoa lê em voz alta a passagem. As outras a
escutam ou seguem em silêncio a leitura do texto em sua própria Bíblia.
2. Analisar o texto. Aos pares, ou de dois em dois, identificar o contexto
histórico da leitura, os destinatários, a intenção do autor e o gênero literário.
Situar o texto no livro bíblico, o capítulo em que se encontra e sua relação
com as passagens anteriores e posteriores.
3. Refletir pessoalmente. Dá-se um tempo de silêncio, para que todos aprofundem a Palavra e identifiquem as ideias mais importantes. Podem voltar a
ler individualmente o texto em sua Bíblia.
4. Descobrir o coração da mensagem. Todos oram em silêncio, buscam o
que Deus quer comunicar à comunidade e compartilham o que Deus lhes
inspirou. Em espírito de consenso, descobre-se a mensagem para a comunidade. Se há uma mensagem importante para si mesmo, conserva-se para
a oração pessoal.
5. Rezar com o texto e saboreá-lo. Faz-se um momento de oração para que
todos levem a seu coração a mensagem de Deus. Esta oração permite que
a Palavra penetre no interior de cada um, os encha de alegria e de paz, os
console e os desafie à conversão.
6. Iluminar com a mensagem a vida da comunidade. Todos refletem para
ver sua realidade pela perspectiva de Deus: que acontece em nosso ambiente? Como Deus o vê?
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7. Identificar as ações solicitadas por Deus. A comunidade dialoga
sobre o chamado de Deus nesse texto: que atitudes Deus nos pede que
mudemos ou que adquiramos? Que ações devemos realizar? Sugere-se
encontrar um símbolo ou escrever um lema para recordar e viver o compromisso dessa reunião.
8. Celebrar a palavra de vida. A celebração é o ponto culminante da reflexão comunitária. Deus se comunicou com a comunidade mediante sua
Palavra para nos fazer fiéis seguidores de Jesus. Em cada reunião se escolhe o mais apropriado, de forma espontânea: expressar ação de graças,
pedir perdão, oferecer a vida... e se entoa algum cântico apropriado. Além
disso, convém oferecer de forma simbólica o compromisso assumido: pedir
a Deus a graça de viver sua Palavra e convidar Maria para que nos ajude
a ser fiéis seguidores de seu Filho.
Leitura litúrgica dominical
A Igreja Católica segue um plano de leitura e oração com a Bíblia na Liturgia Eucarística e na Liturgia das Horas, chamado “lecionário”. A Bíblia do jovem apresenta o “lecionário dominical” e das festas importantes (ver p. 1897):
O lecionário contém passagens do Antigo e do Novo Testamento, sendo
o Evangelho o que orienta todas as leituras. A primeira leitura depende da
mensagem que se enfatiza no Evangelho; o salmo responde em oração à
primeira leitura e prepara para receber a mensagem do Evangelho. A segunda leitura se toma geralmente das cartas e às vezes do Apocalipse, salientando o mais importante de cada livro.
O lecionário conduz a comunidade eclesial por um percurso através da
Sagrada Escritura, para que a Palavra de Deus nos acompanhe na jornada
da vida. Os evangelhos leem-se ao longo de três ciclos – conhecidos como
“A”, “B” e “C” – que correspondem a Mateus, Marcos e Lucas. O evangelho
de João se lê nos “tempos litúrgicos fortes”, que são Advento, Natal, Quaresma e Páscoa. Os Atos dos Apóstolos suprem o Antigo Testamento, como
primeira leitura, durante o tempo pascal, devido à grande importância das
primeiras comunidades cristãs.
A Igreja recomenda aos fiéis que nos preparemos para celebrar a missa
dominical refletindo previamente sobre suas leituras. Esse costume é bastante usado na pastoral do catecumenato e dos grupos juvenis de oração.
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Planos de leitura bíblica
A Bíblia do jovem apresenta sete planos temáticos para penetrar na
leitura da Sagrada Escritura (p. 1902). Convém começar pelo primeiro,
“Um percurso pela Bíblia”, pois oferece uma vista panorâmica da Bíblia na
perspectiva da história da salvação. Depois é recomendável ler um dos
três evangelhos sinóticos: Mateus, Marcos ou Lucas, para aprofundar seu
conhecimento sobre Jesus. O evangelho mais curto e mais fácil de ler é o
de Marcos. Você pode ler as introduções aos três evangelhos e escolher
o que mais lhe chamar a atenção.
Na sequência, poderá ler os outros evangelhos ou seguir lendo qualquer
dos planos temáticos apresentados em sua Bíblia. Preferindo, crie seu próprio plano de leitura utilizando os índices que se apresentam no final (p.
1863-1888). Por exemplo, leia tudo sobre os sacramentos, ou sobre o que
você tiver dúvidas, ou sobre os símbolos, ou sobre a riqueza das diferentes
vivências culturais da Palavra de Deus.
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ANTIGO
TESTAMENTO
O mundo
do antigo testamento
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Muitas vezes e de muitos modos
falou Deus antigamente a nossos
antepassados por meio dos profetas. Agora, neste momento final, nos
falou por meio do Filho.
Hb 1 1-5
O texto anterior expressa de um
modo conciso e claro a fé cristã na
revelação divina contida na Bíblia. O
Antigo Testamento tem muitas e variadas “palavras antigas” que Deus dirigiu a “nossos antepassados”, ou “nossos pais”, por meio das pessoas às
quais se foi revelando, os profetas e
os autores bíblicos entre eles. Essas
palavras de Deus foram expressadas
em distintos momentos e circunstâncias históricas, e em linguagens humanas variadas e diversas.
Embora seja certo que Deus se revelou plenamente em Jesus, que nos
transmitiu as palavras definitivas de
Deus, isso não invalida nem suprime
as palavras com que Deus se revelou
ao povo de Israel no Antigo Testamento
(Mt 5,17). Ao contrário, a leitura e a
compreensão do Antigo Testamento
nos ajudam a conhecer e valorizar melhor Jesus e sua mensagem.
Esta introdução, com suas três partes – o marco histórico, os livros e os
temas teológicos do Antigo Testamento
– tem como finalidade ajudar a que
essas “palavras antigas” se convertam
em vivas e atuais, que a geografia distante seja um terreno familiar, que a
história daquela época faça parte de
nossa própria história e que as linguagens diferentes e variadas possam
traduzir-se sem traição ao nosso idioma. Assim poderemos receber a riqueza da mensagem que Deus nos dá
através desses textos e participar ativamente do sublime diálogo de amor
que Deus estabelece com as pessoas.
MARCO HISTÓRICO
DO ANTIGO TESTAMENTO
Povos e pessoas, somos todos filhos de
nosso tempo e nosso espaço. Para compreender os escritos nos quais o antigo povo de
Israel compartilha sua história e suas vivências religiosas, é preciso situá-los no marco
geográfico, no acontecer histórico e no
contexto sociocultural nos quais surgiram.
A terra do Antigo Testamento
A maior parte da história bíblica se
desenvolve em um território estreito e longo, com menos de cem quilômetros de
largura, entre o mar Mediterrâneo e os
grandes desertos da Síria e da Arábia.
Essa franja de terra foi berço de várias civilizações e é ponto de encontro de três
continentes: Ásia, África e Europa. A parte
Sul foi chamada país de Canaã por seus
antigos moradores, Palestina, por um de
seus povos ocupantes, os filisteus ou “pelistin”, e Israel, devido ao cognome do
patriarca Jacó.
Essa região é parte de um conjunto
geográfico mais amplo chamado Crescente Fértil, devido à sua forma de meia
lua e à fertilidade de suas terras. Em
seus extremos estão o delta do rio Nilo
e a desembocadura dos rios Tigre e
Eufrates, e seu centro se situa na altura
dos desertos da Síria e da Arábia, zonas intransponíveis na Antiguidade. A
região está irrigada também por outros
rios menores, como o Orontes, o Litani e
o Jordão.
Nesta grande região, sobretudo entre o Tigre e o Eufrates e no vale e delta
do Nilo, viveram povos importantes,
unidos por grandes vias de comunicação. Tinham um intercâmbio comercial
intenso e frequentemente compartilhavam ideias, cultura e religião, entrando,
a despeito disso, em contínuos conflitos
armados. Comunicavam-se com a Índia
através do Irã, com a África através do
Egito e da Núbia, e com a Europa por
meio dos fenícios, os quais comercia-
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Mar Morto
Rio
Eufrates
Mar
Mediterrâneo
Lago da
Galileia
Palestina
Mar
Cáspio
Rio Tigre
Mesopotâmia
Rio Jordão
Sinai
EGITO
Golfo
Pérsico
Rio Nilo
O Crescente Fértil
Mar
Vermelho
O CRESCENTE FÉRTIL
vam com as ilhas gregas de Chipre,
Creta e Jônia, e, mais tarde, com a Grécia continental e com a Espanha.
A maior parte da história de Israel
se desenvolveu no centro desta região.
Mas alguns fatos significativos, como a
opressão egípcia e o exílio babilônico,
ocorreram em seus extremos: no delta
do Nilo e na baixa Mesopotâmia.
Os povos do Antigo Testamento
A situação geográfica e os povos
vizinhos de Israel influíram profundamente em sua história. Mesopotâmia e
Egito, as grandes potências, que desde
os dois extremos do Crescente Fértil
procuravam estender sua influência e
seu domínio, desempenharam papéis
definitivos na vida dos israelitas.
Mesopotâmia
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Mesopotâmia – cujo nome significa
“entre rios”, por estar entre o Tigre e o
Eufrates – foi o primeiro grande foco de
civilizações e culturas. Muitos povos e
etnias viveram ali, e vários impérios dominaram a região sucessivamente.
Em 3000 a.C., os sumérios criaram
a primeira grande civilização. A seguir
vieram os acádios, de origem semita
(2370-2230 a.C.). Depois houve um breve renascer sumério, com sua dinastia
de Ur (2060 a.C.), que terminou com a
chegada dos amorreus, os quais deram
origem aos grandes impérios da Assíria
e da Babilônia (séc. XX-XVI a.C.).
Os cuchitas, hurritas, hititas e arameus
dominaram a região (séc. XVI e X a.C.) até
que ressurgiu o império assírio (séc. IX
a.C.), que acabou com os reinos de Damasco e de Israel (735-721 a.C.) e transformou Judá em reino vassalo (701 a.C.). Ao
decair o império assírio, Babilônia toma sua
capital, Nínive (612-605 a.C.). O novo império babilônico, dirigido pelo seu rei Nabucodonosor, conquista o antigo território assírio,
estende seu domínio até o Egito, aniquila
Judá e deporta grande parte de seus habitantes (587 a.C.).
O império persa, sob a liderança
do rei Ciro, vence Babilônia (539-331
a.C.), mas sucumbe diante do avanço de Alexandre Magno, procedente
da Grécia. Mesopotâmia deixa de ser
o centro do poder político-cultural,
que se desloca para o mundo mediterrâneo, primeiro com o império greco-macedônico e, posteriormente,
com o império romano como protagonistas.
secundário na política internacional.
Mesmo assim, a influência egípcia
continuou durante a monarquia unida e
o reino de Judá. Muitos elementos de
sua cultura, sua administração e sua
religião foram integrados à vida e às
instituições do povo israelita.
Egito
Mundo greco-romano
Por sua proximidade, sua história
milenar e seu desenvolvimento, o Egito
foi talvez o povo que mais influenciou a
Palestina, sobretudo ao convertê-la em
uma espécie de protetorado ou província egípcia (1900-1500 a.C.). Durante
um século e meio, os hicsos, semitas
originários da Palestina, governaram o
Egito e estabeleceram laços de sangue,
cultura e religião com seus habitantes.
Quando os hicsos foram expulsos, começou uma etapa de forte pressão sobre a Palestina e uma situação séria de
opressão para os israelitas no Egito
(1304-1184 a.C.).
Com a invasão dos povos do mar
– filisteus procedentes das ilhas do
mar Egeu –, inicia-se a decadência do
Egito, que passa a exercer um papel
As culturas dos povos do mar Egeu,
em especial os filisteus, influíram sobre
Canaã desde 2000 a.C. Esta influência
se acentuou na época persa e chegou a
seu cume durante o grande império
greco-macedônico fundado por Alexandre Magno (333-323 a.C.) e os reinos
helenistas que o sucederam.
O helenismo – fenômeno sociocultural caracterizado pela expansão da
língua e da civilização gregas – causou impacto definitivamente na comunidade israelita da Palestina e da “diáspora” (dispersão pelo mundo). Essa
influência se manteve inclusive sob o
domínio dos romanos, até o fim da nação judaica, no tempo do imperador
Adriano (63 a.C.-135 d.C.).
Mar Morto
Hurritas
Hititas
Mar
Cáspio
Rio Eufrates
Rio Tigre
Assírios
Amorreus
Medos
Povos do Mar
Persas
Arameus
Mar Mediterrâneo
Cananeus
Acádios
Cuchitas
Sumérios
Sinai
Egípcios
Rio Nilo
Árabes
Golfo
Pérsico
Mar
Vermelho
POVOS DO ANTIGO TESTAMENTO
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Povos vizinhos
As grandes etapas da história de Israel
A fé de Israel é essencialmente histórica. Seu único Deus, o Senhor, se
revelou mediante sucessivas intervenções através dos séculos, fazendo da
história o lugar e o meio privilegiado de
sua relação com o povo e o ambiente
vital no qual se desenrolam suas escrituras sagradas.
As origens
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A formação de Israel como povo
abrange oito ou nove séculos, que escapam quase por completo ao historiador, salvo as recordações de acontecimentos e personagens transmitidos por
tradição oral. Essas memórias, cotejadas com fontes históricas do Antigo
Oriente Próximo e com descobertas arqueológicas, oferecem dados importantes sobre suas origens, nos quais se
destacam três grandes etapas:
1. A história dos patriarcas. A frase
Meu pai era um arameu errante (Dt 26,5)
Fenícios
Harã
Basã
Lago
da Galileia
Mar
Mediterrâneo
Rio Jordão
Canaã
Amon
Filisteus
Mar Morto
Os povos vizinhos influenciaram mais
diretamente Israel, porém sem ameaçar
sua existência, como as grandes potências. Os cananeus – conjunto de tribos organizadas em cidades-Estado que tinham
uma mesma língua e certa unidade cultural
e religiosa – habitaram o mesmo território
antes e durante a ocupação israelita.
Havia pequenos reinos com os
quais os israelitas estavam aparentados, mas tinham conflitos contínuos
com eles. Os amonitas e os moabitas
descendiam de Amon e Moab, sobrinhos de Abraão (Gn 19,36-38), e os
idumeus e arameus, de Esaú e de Labão, tio e sogro de Jacó.
Os filisteus, ao sul da costa, foram
os estrangeiros por excelência e os inimigos mais incômodos de Israel até o
reinado de Davi. Os fenícios – marinheiros e comerciantes, com suas grandes
cidades de Biblos, Tiro e Sidon a
noroeste – mantiveram relações amistosas com Israel e tiveram uma influência
religiosa forte no reino do Norte.
Moab
Edom
POVOS VIZINHOS DE ISRAEL
resume as tradições patriarcais registradas
na história das origens de Israel (Gn 12–50).
Os patriarcas ou antepassados de
Israel eram pastores seminômades de
ovelhas e cabras, na franja semidesértica do Crescente Fértil, no segundo milênio a.C. Com o tempo, tornaram-se
sedentários e chegaram a dominar regiões ocupadas por outros grupos.
As tradições bíblicas situam nesse
amplo período Abraão, Isaac, Jacó/Israel e seus filhos, que deram nomes às
doze tribos e que se consideram seus
antepassados mais diretos. Segundo
dados históricos e arqueológicos provinham da Mesopotâmia (Abraão de Ur e
Jacó de Harã) e perambularam pelo
centro e pelo sul da Palestina entre os
séculos XVIII e XVI a.C. Esses grupos
estão vinculados com o “deus do pai”,
que lhes faz importantes promessas
para sua descendência. Parte deles vivem no Egito durante cerca de quatro
séculos, entre a época dos hicsos e o
enfraquecimento do poder egípcio sob
Amenófis IV (1720-1347 a.C.).
2. Permanência no Egito. A permanência no Egito, a opressão e, sobretudo, a libertação, narradas no livro do
Êxodo, constituem o coração do credo
de Israel e o ponto de partida de sua
história como povo. Três fatos ressaltam
no relato: a saída do Egito graças à intervenção de Deus (Ex 7–12); a passagem
pelo Mar Vermelho (14–15); e o encontro
com Deus no Sinai, onde os israelitas
celebram uma aliança com ele (19–24).
O processo que permitiu a libertação
do Egito foi, sem dúvida, complexo, e continua sendo difícil comprová-lo, pois está
escrito como uma grande epopeia com
traços lendários e litúrgicos. Pode ter começado por volta de 1250 a.C., sob Ramsés II,
quando vários grupos semitas, submetidos
a trabalhos forçados, puderam fugir guiados por Moisés. O relato do êxodo funde
duas tradições distintas: a) o êxodo-expulsão, quando os hicsos foram expulsos; e b)
o êxodo-fuga, dirigido por Moisés, o qual
ficou como a tradição predominante.
3. Conquista e assentamento em
Canaã. Estes fatos, como os anteriores,
são vistos como resultado de intervenções divinas. A Bíblia apresenta duas
versões: Josué 1–12 relata a conquista
graças a três rápidas e vitoriosas campanhas de “todo Israel” dirigidas por Josué.
Juízes 1 a narra como um processo lento
e progressivo que não afetou os enclaves
cananeus mais bem fortificados, o que
parece estar mais próximo da realidade.
A época dos juízes está envolvida
entre brumas e recordações épicas e
lendárias, de caráter local. Israel adota
e adapta elementos religiosos e culturais cananeus, e se alia a tribos vizinhas
para enfrentar diversas ameaças.
A monarquia ou reino unido
A monarquia nasceu diante da insuficiência do sistema tribal para resistir aos
saqueadores nômades e às ameaças de
outros povos, sobretudo os filisteus (séc. XI-X a.C.). Com a monarquia, Israel se constitui plenamente como nação, com instituições que lhe permitem começar a escrever
sua história: escribas, anais reais e arquivos.
Seus três primeiros reis estabelecem
e desenvolvem o reino, mas este, na quarta geração, se divide. O quadro da p. 57
apresenta uma visão de conjunto do reino
unido e a divisão deste, com sua sucessão de reis e os profetas que aparecem
em diferentes momentos e lugares.
1. Saul. A primeira experiência monárquica com Saul fracassou, talvez
porque fosse muito semelhante à estrutura tribal, e não tinha capital permanente, exército regular nem o apoio e a legitimação suficientes. O próprio Saul teve
traços de juiz e foi aceito só por algumas tribos (1030-1010 a.C.).
2. Davi. Um membro da tribo de Judá foi quem conseguiu consolidar e institucionalizar em poucos anos o modelo
monárquico (1010-970 a.C.). Eleito rei
pelas tribos do Sul, foi aceito pouco depois pelas tribos do Norte, conseguindo
a unidade nacional pela primeira vez.
Davi fortalece a nova nação ao vencer e dominar os reinos vizinhos até o
norte da Síria e conquistar Jerusalém,
que passa a ser a capital política e religiosa de todas as tribos. Estabelece as
bases de uma organização interna com
um exército de mercenários e um corpo
de funcionários especializados.
3. Salomão. O rei Salomão, filho de
Davi, aperfeiçoa a organização do Estado (970-931 a.C.). Cria um sistema administrativo, impulsiona o comércio e
promove obras de construção, entre as
quais se destaca o templo de Jerusalém, centro religioso de reunião das tribos e sinal da presença permanente de
Deus no meio de seu povo.
Embora já existissem poemas e relatos, com a monarquia, em particular
com Salomão, começa a tomar impulso
a atividade literária em Israel. Também
se consolidam o profetismo e o sacerdócio, instituições muito fortes na história
de Israel. Não obstante, o reinado de
Salomão terminou com graves problemas internos e externos que levaram o
reino à sua divisão.
49
1. O reino do Norte (Israel). Tinha
os territórios mais ricos e populosos,
mas sofreu mais pressões internas e
externas. Conheceu períodos de esplendor sob Amri, que fundou sua capital, Samaria, e com Acab e Jeroboão II,
em cujo reinado surgem Amós e Oseias,
os primeiros “profetas escritores”.
Sua grande instabilidade interna, evidente nas nove dinastias que reinaram
em duzentos anos, fizeram-no fácil presa
do império assírio. Primeiro exigiu tributos, depois tomou Samaria e deportou
seus habitantes e, por fim, converteu Israel
em província assíria (722 a.C.).
Os israelitas conseguiram sobreviver à
grande crise política e religiosa do exílio
graças aos sacerdotes e profetas, entre
eles Ezequiel e o Segundo Isaías, os quais
os sustentaram e impulsionaram a obra da
restauração. Ao refletir sobre o passado,
explicaram a catástrofe em termos de responsabilidade nacional, e encontraram,
em sua tradição, novas perspectivas de
esperança e continuidade. Com isso,
montaram as bases de uma nova identidade mais religiosa que política, na qual tomaram importância a circuncisão, o sábado, a observância da Lei e a inquebrantável
afirmação de Javé como único Deus.
2. O reino do Sul (Judá). Este reino,
menor e com menos recursos, foi mais
estável graças à “teologia da sucessão
davídica” e por ter sofrido menos pressões inimigas. Recebeu uma forte influência da política egípcia, por sua proximidade geográfica.
Teve momentos brilhantes com os
reis Asa, Josafá e Azarias/Ozias, com
Ezequias, que reuniu os restos do reino
do Norte, e com Josias, que realizou
uma reforma religiosa. Também floresceram ali profetas importantes como
Isaías, Miqueias, Sofonias e Jeremias.
Um século depois de se libertar da
ameaça assíria (701 a.C.), Judá sucumbiu diante da invasão babilônica. Em
dez anos o rei Nabucodonosor atacou
duas vezes Jerusalém (598 e 587 a.C.),
destruiu a cidade e levou para Babilônia,
como deportados, seus dirigentes e um
núcleo importante de sua população.
A comunidade judaica pós-exílica
O exílio
50
As quedas sucessivas da Samaria e
de Jerusalém foram um duro golpe para a
fé de Israel, que se sentia seguro devido às
promessas divinas. Com a queda de Jerusalém, os judeus ficaram pobres, desorganizados, sem atenção religiosa, e se misturaram com os colonos estrangeiros. Muitos
fugiram para a Transjordânia ou para o
Egito, onde formaram colônias que deram
origem à diáspora ou dispersão judaica.
As milhares de pessoas, do mais seleto de
Judá, que foram exiladas para a Babilônia
se estabeleceram por famílias em aldeias e
cidades, fazendo parte da diáspora.
Em menos de cinquenta anos a
situação internacional mudou por completo. Em 539 a.C., Ciro, rei dos persas,
conquistou Babilônia e permitiu aos
exilados regressar a sua terra e reconstruir o templo. Mas seu trabalho de reconstrução não foi fácil, pois faltavam
meios econômicos, os habitantes locais
e povos vizinhos eram hostis, e estavam
submetidos ao império persa.
1. Reconstrução e nova esperança.
Zorobabel e Josué, junto com os profetas
Ageu, Zacarias e o Terceiro Isaías, guiaram a comunidade na reconstrução. Esdras e Neemias reorganizaram o povo e
lhe deram uma estrutura teocrática (séc.
V a.C.). A partir de então, a Lei, o templo
e o sacerdócio foram os pilares da identidade do povo, dando origem ao judaísmo, o qual deixou profundas marcas nos
âmbitos religioso e literário, pois a maior
parte do Antigo Testamento recebeu sua
forma definitiva nesse período.
2. Impacto do helenismo. No ano 333
a.C., Alexandre Magno derrotou os persas
e instaurou o império greco-macedônico.
Assim, inicia-se o “helenismo” ao difundir-se a língua e a civilização gregas. Com o
tempo, aprofundam-se as diferenças entre
os judeus helenistas e os que permanecem fiéis às suas tradições. Ao morrer
Alexandre, a comunidade judaica teve de
sofrer as lutas entre seus sucessores, es-
pecialmente os lágidas ou ptolomeus, senhores do Egito, e os selêucidas, dominadores da Síria e da Mesopotâmia.
3. A rebelião dos Macabeus. Quando
o selêucida Antíoco IV proibiu as práticas
religiosas judaicas em Jerusalém e em toda a Palestina (167 a.C.), os irmãos Macabeus, apoiados por grupos de judeus piedosos (assideus), organizaram uma
rebelião armada que conseguiu triunfar.
Simão Macabeu é reconhecido como sumo sacerdote e obtém a independência
política para Judá (141 a.C.). Seus descendentes, os asmoneus, retomam o título de
reis e mantêm a situação por mais de setenta anos, em meio a lutas fratricidas, até
que o exército romano toma Jerusalém, e a
Judeia se transforma em província romana
(63 a.C.). O império romano, insuportável
depois das rebeliões dos anos 70 e 135
d.C., provocou o fim da nação judaica.
Dois fatos evidenciam-se nesse período: a) a separação progressiva dos samaritanos, que reúnem certas tradições das
antigas tribos do Centro e do Norte e rompem com Jerusalém e o judaísmo oficial; e
b) a consolidação da diáspora, promovida
pela expansão helenista. A população judaica no estrangeiro, mais numerosa que
na Palestina, se agrupa em torno de suas
sinagogas e, apesar da distância, mantém
sua vinculação com Jerusalém e o templo.
A diáspora confere ao judaísmo um caráter
novo e o prepara para superar a grande
provação que implicou seu desaparecimento enquanto nação.
OS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO
O Antigo Testamento é uma grande
coleção de 46 livros escritos em diversas
épocas e por diversos autores, reunidos por
afinidade literária ou temática em quatro
grandes grupos: 1) Pentateuco; 2) livros
históricos; 3) livros proféticos; 4) livros poéticos e sapienciais. Essa divisão coincide em
grandes traços com a tríplice denominação
judaica: Lei, Profetas e Outros Escritos.
Literaturas do antigo Oriente Próximo
Muito tempo antes que as tribos
israelitas transmitissem oralmente suas
tradições, o Egito, a Babilônia antiga, a
Suméria e a Assíria tinham uma literatura
rica sobre diversos temas. A maioria das
formas e dos gêneros literários no Antigo
Testamento – mitos e lendas sobre a
criação do mundo e das pessoas; relatos épicos e sagas de tipo histórico; hinos e orações religiosos; códigos legais
e administrativos; listas e recenseamentos; poemas e cartas; escritos de caráter
sapiencial – parecem-se com os textos
do antigo Oriente Próximo, pois compartilharam com eles uma vasta herança
cultural. Não obstante, tal semelhança
não obscurece a originalidade temática
e formal da literatura bíblica.
Formação dos escritos
do Antigo Testamento
A formação do Antigo Testamento foi
um processo complexo e lento que corre, em certa medida, paralelo à vida e à
história do povo de Israel. Divide-se em
três grandes etapas, que podem se conhecer melhor nas introduções de cada
livro e no quadro cronológico (p. 1905).
1. Das origens até a monarquia. A
literatura nasce como reflexo da vida e
expressão dos sentimentos, anseios,
convicções, temores e expectativas de
pessoas e povos, e se desenrola nos
centros, ambientes e circunstâncias em
que vivem. Nas origens de Israel, como
na maioria dos povos, essas expressões
foram transmitidas oralmente, antes de
serem escritas, e tratam dos grandes
temas da vida: trabalho, culto, festas,
guerras, pleitos, luto.
Em Canaã se fundiram as recordações de diferentes tribos e se incorporaram elementos da língua e da literatura cananeias (séc. XII-XI a.C.). Inicia-se
a configuração das primeiras tradições
orais enquanto povo, mantendo-se a
mesma forma ao serem escritas: sagas
e recordações patriarcais; hinos e relatos épicos em torno do êxodo e da
conquista; cantos de gesta sobre heróis
locais; relatos sobre a origem de lugares, pessoas e costumes; corpos legais
e tradições cúlticas; ditos ou provérbios
de origem familiar e popular.
51
52
2. Da monarquia ao exílio. A monarquia introduz em Israel um modelo
cortesão de influência egípcia e cananeia, que influi decisivamente na formação dos escritos bíblicos. Secretários e
escribas cortesãos começam a escrever uma história oficial a partir de listas,
anais reais e outros dados de arquivo.
Criam-se também escolas para a formação dos funcionários da corte, que
serão importantes focos sapienciais.
Salomão, a quem se atribuem muitos provérbios e poemas, estimulou
fortemente a atividade literária, que foi
impulsionada também pelo comércio e
pelo intercâmbio cultural com outros
povos. Nessa época, aparecem os primeiros escritos históricos reconhecidos
como a história javista: as histórias da
sucessão de Davi e de Salomão e,
possivelmente, o primeiro agrupamento
de tradições patriarcais, do êxodo e da
conquista, com a finalidade de legitimar
a monarquia davídica diante dos israelitas e das outras nações. Também se
iniciam as coleções de salmos e provérbios, e se colocam por escrito alguns
cantos épicos, histórias de heróis libertadores e códigos legais. Ver tábua
“Escritura do Pentateuco”, p. 56
Depois da divisão do reino, desenvolvem-se duas vertentes históricas paralelas: os Anais dos reis de Israel e os
Anais dos reis de Judá. Mas o aparecimento dos “profetas escritores” no século VII a.C é mais significativo que estes,
porque, embora seu ministério tenha sido oral, eles mesmos ou seus discípulos
começaram a escrever alguns de seus
oráculos. No reino do Norte, Amós e
Oseias dão forma literária a tradições
proféticas orais em torno de Elias, Eliseu,
Aías e Miqueias, filho de Jembla, e provavelmente dão origem à versão eloísta
da antiga história patriarcal e mosaica.
No reino de Judá, o movimento profético é mais tardio, seus primeiros expoentes são o Primeiro Isaías e Miqueias.
Com a queda de Samaria, as tradições
do Norte chegam ao reino do Sul e com
o tempo se fundem com as de Judá.
Os reinados de Ezequias e Josias,
relativamente prósperos e pacíficos,
deixaram especial marca de atividade
literária. Ezequias acolheu fugitivos do
Norte e criou algo parecido com uma
escola de escribas, aos quais se atribui
a recopilação de antigas coleções de
provérbios (Pr 25,1–29,27).
Josias impulsionou uma ambiciosa
reforma a partir do descobrimento do
Livro da Lei, identificado com o núcleo
do Deuteronômio, primeiro escrito bíblico de caráter normativo ou canônico
(2Rs 22,8). Esse Livro da Lei inspirou a
escola deuteronomista e iniciou uma
grande obra histórica, que compreende
desde a conquista da terra até a queda
de Jerusalém, e teve a sua última edição durante o exílio. Os escritos proféticos de Sofonias, Naum, Habacuc e Jeremias completam as contribuições
literárias do reino de Judá.
3. No exílio. O tempo do exílio foi
muito fecundo literariamente. Em Jerusalém se escrevem as Lamentações e
se conclui a história deuteronomista.
Em Babilônia, onde os deportados integram alguns elementos da cultura, da
religião e da literatura mesopotâmicas,
nasce a escola cronista ou sacerdotal,
que reescreve a história do povo desde
as origens até Moisés, servindo-se das
versões anteriores, isto é, da história
javista e eloísta. Ao mesmo tempo se
intensifica a atividade profética com
Ezequiel e o Segundo Isaías. Mais importante é o estímulo que deram esses
grupos aos exilados, para enfrentar a
reconstrução nacional, e as bases para
o desenvolvimento religioso da comunidade pós-exílica.
O período pós-exílico
A partir da pouca informação sobre
a comunidade pós-exílica nas épocas
persa e helenista, este período é decisivo na configuração do Antigo Testamento. A reforma de Esdras – animada
pelos profetas Ageu, Zacarias e o Terceiro Isaías – leva a seu cume o Pentateuco ou Torá (Lei), que se converte no
corpo literário normativo da comunidade teocrática (fins do século V).
Nos dois séculos seguintes (IV-III
a.C.) completa-se a coleção dos Profetas (anteriores: Josué, Juízes, 1o e 2o
Samuel, 1o e 2o Reis; e posteriores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e “os Doze”). E
boa parte dos Outros Escritos, Salmos,
Provérbios, Jó e os “cinco rolos” (Rute,
Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Lamentações e Ester). A estes se acrescenta a obra do Cronista (1o e 2o Crônicas, Esdras e Neemias).
A expansão do helenismo obriga o
judaísmo a um novo esforço de abertura
e confronto com a cultura grega tanto na
Palestina como fora dela. Fruto desse
diálogo é a tradução da Torá para o grego, realizada em Alexandria nos tempos
de Ptolomeu II (285-246 a.C.). Segundo
uma tradição judaica, a tradução foi entregue aos cuidados de 72 sábios judeus, daí o nome de Versão dos Setenta.
Nos séculos posteriores se traduziram
os Profetas e os restos dos livros hebraicos do Antigo Testamento (séc. II-I a.C.).
A versão grega acrescenta 1 e 2 Macabeus, Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico e Sabedoria, aparecidos nos dois últimos séculos. A Igreja Católica aceita
esses livros como deuterocanônicos, ao
passo que as igrejas protestantes e o judaísmo os consideram apócrifos. Esta
versão grega é muito importante por duas
razões: a) os primeiros cristãos serviram-se dela, com seus termos e conceitos,
ao articular a nova fé cristã; b) constitui o
verdadeiro ponto de união entre os dois
testamentos.
Nos fins da época veterotestamentária
e inícios da era cristã fica praticamente
constituído o Antigo Testamento judaico,
embora não se tenham aceitado os Outros
Escritos como livros sagrados. De fato, diversos grupos judaicos adotaram posições
diferentes em relação ao cânon dos livros
sagrados. Os samaritanos só aceitavam a
Torá (o Pentateuco); os saduceus davam
importância secundária aos Profetas e aos
Outros Escritos, sem incluir Daniel; os essênios não reconheciam Ester, mas empregavam o Eclesiástico e alguns livros apócrifos; inclusive no final do século I d.C.
havia dúvidas sobre o caráter inspirado do
Cântico dos Cânticos. Disso se conclui
que os limites da terceira coleção do cânon judaico, isto é, dos Outros Escritos,
não estavam totalmente definidos.
Temas teológicos do
Antigo Testamento
Os livros do Antigo Testamento,
além de refletir a vida e a história do
povo eleito, são Palavra de Deus e falam sobre Deus. Assim a receberam e
reconheceram os judeus que leram nela
a privilegiada relação de Deus com Israel. Assim a consideraram Jesus e a
primeira Igreja, que viram essa Palavra
como antecipação e promessa da Palavra definitiva pronunciada em Jesus de
Nazaré, e usaram o Antigo Testamento
como ponto de referência ao anunciar
Jesus Cristo. Esta seção aponta para as
constantes temáticas que dão uma
perspectiva global e unitária do Antigo
Testamento, que, à primeira vista, aparece como heterogêneo e fragmentário.
Pluralidade de teologias
Durante muitos séculos, a religião
de Israel teve pluralidade de enfoques
teológicos porque Deus se revelou pouco a pouco, em momentos históricos e
culturais muito diversos. Na redação final dos escritos e coleções do Antigo
Testamento se percebe uma forte tendência a acentuar os elementos unitários da fé e da religião de Israel.
Só no final da época veterotestamentária existe um corpo de crenças e vivências amplo e consistente, com uma unidade clara. Portanto, não é de estranhar
que o Antigo Testamento reflita uma diversidade teológica. No Pentateuco podem
se identificar as tradições javista, eloísta,
sacerdotal e deuteronomista. Nos livros
históricos coexistem os diferentes enfoques da história deuteronomista e cronista, e suas diversas visões sobre temas-chave como a monarquia, o templo, os
santuários locais e inclusive o próprio
Deus (Gn 1–2). Profetas da mesma época, como o Primeiro Isaías e Oseias, Jeremias, Ezequiel e o Segundo Isaías, também têm enfoques teológicos distintos.
53
Esta diversidade exige que nos acostumemos a contemplar cada livro ou cada enfoque teológico como perspectivas
distintas que nos permitem apreciar a riqueza da revelação. A imagem de diversos instrumentos musicais interpretando
a mesma sinfonia, dando cada um sua
contribuição e entretecendo-se todos para fazer a obra musical, é muito adequada ao enfrentar a leitura dos diversos livros e coleções do Antigo Testamento.
Unidade de fé
A pluralidade de teologias provenientes de diferentes tradições e do
ambiente politeísta do antigo Oriente
Próximo fez ressaltar o valor e a originalidade da convicção monoteísta de Israel
que ressoa em todo o Antigo Testamento. Esta fé em um só Deus se perfilou
progressivamente ao longo da história e
entrou muitas vezes em conflito com as
crenças e o culto politeísta do contexto
cultural em que os israelitas viviam.
A mensagem de Oseias, do Primeiro
Isaías e de Jeremias contribui decisivamente para definir as exigências do monoteísmo. Mas só depois da reforma de
Josias, e sobretudo a partir do exílio, a
unidade da fé fica claramente formulada.
Ao relatar sua história, os israelitas
identificam momentos-chave nos quais
Deus se manifestou como único e fomentou a unidade do povo. Veem a época
patriarcal sob essa luz; descobrem a revelação de um só Deus a partir da aliança
do Sinai e notam como essa crença tem
momentos-chave, como a assembleia de
Siquém (Js 24), a promessa dinástica a
Davi (2Sm 7) e a dedicação do templo
(1Rs 8), que são especialmente unificadores. Todos os escritos do Antigo Testamento coincidem em um sólido teocentrismo e relatam a revelação de um único
Deus através dos acontecimentos (história) e da palavra (lei e profecia).
Uma fé histórica
54
A fé monoteísta e teocêntrica de Israel é uma fé histórica. Os chamados
“credos históricos” de Israel expressam
sua profunda convicção de que Deus
se fez conhecido nos atos concretos e
doadores de vida como a libertação do
Egito, a aliança do Sinai, o dom da terra, a escolha de Davi e a promessa
messiânica. Por isso a história bíblica é,
antes de tudo, história de salvação.
Os credos históricos aparecem em
textos variados. Encontramo-los em
confissões de fé (Dt 26,5-10), resumos
(Js 24,2-13), catequeses (Dt 6,20-23),
salmos (Sl 78; 105; 136), orações (Ne
9,5-37) e discursos (Jt 5,6-19).
Esses credos apresentam distintas
sequências e articulações. À primeira
sequência, “eleição patriarcal – libertação
do Egito – aliança sinaítica – entrada na
terra”, da tradição nortista Moisés – Sinai,
acrescenta-se a segunda sequência,
“eleição de Davi – Jerusalém/templo”, da
tradição sulista Davi – Jerusalém. Depois
do exílio se incorpora o tema da criação
como o primeiro ato de Deus. Finalmente,
a cadeia de intervenções divinas, ao longo dos séculos, se converte no tema articulador das grandes sínteses históricas:
deuteronomista, sacerdotal e cronista.
Dimensão comunitária da fé:
a aliança
A pluralidade de teologias, provenientes de diferentes tradições, e a
unidade da fé e sua natureza histórica
ressaltam a dimensão comunitária da fé
bíblica. Todas as intervenções de Deus
estão dirigidas para o povo de Israel,
prefigurado nos patriarcas, representado em seus líderes institucionais (Moisés, Samuel, Davi...), desafiado e animado pelos profetas e concretizado na
comunidade teocrática pós-exílica. O
objeto privilegiado da escolha de Deus
é sempre o povo a quem fez suas promessas, com quem entrou em diálogo,
contraiu uma aliança e a quem apoia e
guia com bênçãos, desafios e castigos.
Nessa perspectiva comunitária, as
figuras individuais só têm realce na medida em que fazem parte do povo, servem-no ou representam-no. Ao escolher
Abraão, Deus escolhe sua descendência; ao revelar-se a Moisés e aos profetas, se manifesta e guia o povo que re-
presentam; ao fazer a promessa
dinástica a Davi, compromete-se com o
povo através de seus reis e da instituição monárquica.
A melhor expressão da dimensão
comunitária da religião é a fé de Israel
na aliança que marca a natureza das
relações entre Deus e o povo, visto que
esta aliança é um dos principais temas
do Antigo Testamento. Deus firmou com
seu povo um pacto do qual derivam direitos e obrigações mútuas, expressados na Lei, sinal ritual da aliança. O
cumprimento ou o não cumprimento de
suas condições acarretará bênçãos ou
maldições sobre o povo inteiro.
Os diferentes códigos legais e culturais e a mensagem dos profetas
ocorrem no marco da aliança, com
sua dupla exigência indissolúvel: fidelidade a Deus e solidariedade com o
povo. A aliança do Sinai é o centro e
modelo de todas as alianças no Antigo Testamento: as anteriores, com
Noé e Abraão, a prefiguram e antecipam; as posteriores, com Josué, Davi
e Josias, a renovam e enriquecem.
A infidelidade e a incapacidade
contínuas do povo para ser leal a
Deus foram gerando a ideia de uma
“nova aliança”, mais espiritual e definitiva do que a anterior. A partir de
Jeremias e Ezequiel, esta esperança
reforçou e deu novo significado às
suas expectativas messiânicas.
Responsabilidade e destino do indivíduo
A dimensão comunitária da relação
com Deus não anula sua relação com o
indivíduo nem a dissolve no anonimato
do coletivismo. No decorrer da história,
a vida e o destino das pessoas foram
fonte de uma reflexão teológica que
amadureceu com o tempo:
No marco da aliança, o destino do
indivíduo está indissoluvelmente unido
ao de sua comunidade: o indivíduo é
solidário, para o bem e para o mal, com
a sorte do povo.
Com o tempo, profetas como Jeremias e Ezequiel, assim como alguns
textos deuteronomistas, apelam para a
responsabilidade individual.
• Os salmos e a literatura sapiencial,
depois do exílio, assinalam o indivíduo como o último responsável por
sua conduta e seu destino, como o
proclama a doutrina da retribuição.
• Quando os fatos históricos desmentem a doutrina da retribuição,
começa um profundo debate expressado em Isaías 53, no Salmo
73, no Eclesiástico e em Jó. As
contribuições de Daniel 12,3, 2Macabeus e Sabedoria 1–5, com a
afirmação da ressurreição e a retribuição depois desta vida, abrem
novas perspectivas sobre esse aspecto tão importante.
Messianismo: esperança e utopia
Dois dos temas mais constantes e
presentes em todo o Antigo Testamento
expressam-se nas fórmulas “promessa-realização” e “profecia-cumprimento”.
Pode-se dizer que todo o Pentateuco,
as grandes obras históricas, deuteronomista e cronista, e a maioria dos escritos proféticos foram estruturados a partir desses temas e constituem seus
conteúdos fundamentais.
As promessas feitas a Abraão foram
enriquecendo-se até culminar na posse
da terra. A promessa dinástica feita a Davi
contribuiu para a estabilidade da monarquia e para a confiança na proteção de
Deus sobre Jerusalém e seu ungido.
Os profetas assinalaram os limites e
a caducidade das antigas promessas,
purificaram-nas e ampliaram seu significado. Diante da dura e decepcionante
experiência do exílio, que parecia desmentir as promessas e profecias anteriores, os profetas proclamam a esperança
em uma futura e decisiva intervenção de
Deus, que culminará no triunfo sobre todos os inimigos e na instauração de seu
reino.
Nesse contexto, antigos conceitos
como “dia do Senhor” e “ungido” (messias) adquirem um novo significado es-
55
piritual e se convertem em símbolo e
expressão de novas esperanças. As
escatologias proféticas dão passagem
à apocalíptica, e o messianismo, em
sua tríplice versão (dinástico-régia, profética e sacerdotal), catalisa esperanças e utopias.
A partir de então, as promessas
apontam para uma nova aliança, um
novo Davi, uma nova Jerusalém, um
novo reino, novos céu e terra, uma nova
criação..., cujo cumprimento fica nas
mãos do ungido ou messias esperado.
Jesus e a primeira Igreja relerão toda a
Escritura nesta chave, convertendo o
Antigo Testamento em antecipação,
promessa e profecia da intervenção
decisiva de Deus mediante a vida, a
morte e a ressurreição de Jesus Cristo.
Assim, a nova aliança em Jesus cumpre
plenamente e supera definitivamente a
antiga aliança.
ESCRITURA DO
Datas históricas
aproximadas
PENTATEUCO
ABRAÃO E OS PATRIARCAS
1800 a.C.
Tradições orais pré-mosaicas:
sagas patriarcais, lendas tribais,
legislação primitiva e histórias antigas
da Mesopotâmia
1250 a.C.
Moisés
Tradições
Sul
(javista = J)
“J” escrita
(950 a.C.)
Norte
(eloísta = E)
Deuteronomista
(D)
Sacerdotal
(P)
(Mantiveram-se
as tradições orais)
“E” escrita
(750 a.C.)
722 a.C.
Queda de Samaria
625 a.C.
Reforma sob Josias
Tradições “J” e “E” combinadas
(700 a.C.)
“D” escrita
(700 a.C.)
“P” escrita
(500 a.C.)
As quatro tradições compiladas e escritas
como as conhecemos agora (400 a.C.)
56
Ano a.C.
1050-1000
950-900
Reis
Profetas
SAMUEL (1040-1030) último juiz, profeta e sacerdote
SAUL (1030-1010)
DAVI (1010-971) unificação das tribos em um reino
SALOMÃO (971-931)
931: divisão do reino
Sul: JUDÁ
Norte: ISRAEL
ROBOÃO (931-914)
JEROBOÃO (931-910)
900-850
Abdias (913-911)
Asa (914-870)
Nadab (910-909)
Basa (908-886)
Ela (885-884)
Zamri (884)
Omri (884-874)
Acab (874-853)
Josafá (870-848)
850-800
OCOZIAS (853-852)
Jorão (852-841)
Jorão (848-841)
Ocosias (841)
Atalia (841-835)
Joaz (835-796)
Amasias (796-767)
Azarias / Ozias (781-740)
750-700
Joatão (740-736)
Acaz (734-727)
Joacaz (813-797)
Joaz (797-782)
JEROBOÃO II (782-753)
Zacarias (743)
Salum (743)
Menaem (743-738)
Pecaias (738-737)
Pecá (737-732)
Oseias (732-724)
722-Queda sob
o poder da Assíria
600-538
538-500
500-450
450-400
400-350
350-300
300-250
250-200
200-150
150-100
100-50
50-0
0-50
Novo
Testamento
Semeías
Aías
Aías
Azarias
Jeú
Miqueias, Elias
Jeú, Iasael, Eliezer, Eliseu, Miqueias
Elias
Elias
JEÚ (841-814)
800-750
700-650
Natã
Aías
EZEQUIAS (716-687) reforma
Manassés (687-642)
Amon (642-640)
JOSIAS (640-609) reforma
Joacaz (609)
JOAQUIM (609-598)
Jeconias (598)
Sedecias (598-587)
EXÍLIO NA BABILÔNIA
Regresso do exílio. Institui-se o judaísmo
Restauração de Jerusalém e desenvolvimento do judaísmo
Defesa dos Macabeus diante da invasão helenista
Eliseu
Zacarias
Amós*, 1o Isaías*, Naum*
Oseias*
Obed
Miqueias*
2o Isaías*
Sofonias*
Profetisa Hulda, Jeremias*
Habacuc*
Jeremias*
Abdias*
Ezequiel*
Jonas*, Ageu*, 3o Isaías*
1o Zacarias*, Malaquias*
Joel*
2o Zacarias*
Baruc*
Daniel*
João Batista
CRISTO, REI DOS REIS E PROFETA DO REINO DE DEUS
* Profetas escritores
57
pentateuco
1
2
3
4
5
Gn
Ex
Lv
Nm
Dt
Introdução ao
Pentateuco
V
ocê já se perguntou como é que sabemos tantas coisas a respeito de Deus?
A Bíblia contém tudo o que Deus nos revelou de si mesmo mediante sua relação com o povo de Israel e os primeiros cristãos. Ao ler a Bíblia, vemos como se
comunica Deus com seu povo e a resposta desse povo, como dois protagonistas
de uma história que se conhecem cada vez melhor ao conversar e agir juntos. Nos
primeiros cinco livros bíblicos, ou seja, no Pentateuco, Deus nos mostra seu plano
para a humanidade: quer nos salvar do pecado e unir-se a nós em amizade sincera.
Introdução
Pentateuco significa “cinco rolos”, do grego penta, “cinco”, e teuchos, “rolos”. É formado pelos cinco primeiros livros do Antigo Testamento:
• Gênesis: livro das origens.
• Êxodo: livro da saída do Egito.
• Levítico: livro dos levitas, sacerdotes da tribo de Levi.
• Números: livro dos recenseamentos do povo de Israel.
• Deuteronômio: livro da segunda lei.
O Pentateuco é a chave para entender toda a Bíblia, pois apresenta o início da revelação de Deus ao povo escolhido, e nele encontramos as primeiras vivências e reflexões
sobre o plano de amor de Deus com a humanidade. Só ao conhecer o Pentateuco
pode-se compreender a riqueza da revelação de Deus e o extraordinário da história
da salvação ao longo da Bíblia até chegar à sua plenitude em Jesus, Deus e homem,
salvador único de toda a humanidade.
A relação de Deus com seu povo se conservou na memória das pessoas com respeito
e amor, e foi transmitida de pais a filhos oralmente durante cerca de seiscentos anos, até
que essas experiências foram recolhidas por escrito. Essa história é relatada de muitas
maneiras e com variedade de gêneros literários: reflexões sobre a experiência de Deus e a
natureza humana, leis que regem o povo, orações do povo a Deus, poemas que apresentam o sentimento do povo, recordações de família significativas, ritos que regulam atos
de culto (ver “O que são os gêneros literários?”, p. 32).
A última redação do Pentateuco apoiou-se nas tradições de quatro grupos de
pessoas, que se relacionavam com Deus de diferentes maneiras. Como cada tradição
mostra aspectos muito belos de Deus, os redatores finais decidiram unir as quatro,
pois todas eram consideradas inspiradas por Deus. A cada tradição oral ou fonte do
conhecimento de Deus se deu um nome, como se tivesse um só autor.
• A tradição javista chama Deus de Javé ao longo do manuscrito e é representada
por “J”. Inicia-se nos séculos IX e VIII a.C. Pertence ao sul da Palestina e se con-
centra no reino de Judá. Salienta a proximidade de Deus com a humanidade e o
descreve em termos antropomórficos, do grego anthropos, “homem”, e morphé,
“forma”, isto é, apresenta Deus atuando e reagindo como pessoa humana.
•
A tradição eloísta dá a Deus o nome de Elohim e se representa com um “E”.
Inicia-se ao mesmo tempo que a javista, na qual foi integrada nas proximidades
de 715 a.C. Surge no reino do Norte ou reino de Israel e fala do profetismo, da
força da moral e do perigo da idolatria. Mostra Deus que fala em sonhos e com
símbolos como a sarça.
•
A tradição deuteronomista tem um estilo insistente e se representa com um
“D”. Foi escrita no século VII a.C. Insiste na ação de Deus e na necessidade de
uma resposta pessoal e comunitária. Baseia-se nas tradições anteriores; começa
no final do reino, quando o reino do Norte caiu em poder da Assíria, e o povo
parecia esquecer sua fidelidade à aliança do Sinai.
•
A tradição sacerdotal se representa com um “P” e mostra Deus distante e
majestoso. Escreve-se ao regressar do exílio, no século VI a.C. Israel já não era
uma nação independente e concentrava sua identidade no templo. Dá grande
importância aos ritos do culto e às funções dos sacerdotes.
Pouco depois de surgir a tradição sacerdotal, fez-se a redação definitiva dos cinco
livros. Sabendo isso, você compreenderá por que há temas duplicados, escritos de
diferentes maneiras, e por que alguns eventos estão defasados no tempo. Talvez você
se pergunte: para que juntaram tudo e por que não optaram por uma só fonte? Porque cada tradição nos leva a conhecer diversos aspectos de Deus e todos são valiosos,
fortalecem nossa fé nele e nos revelam seu amor salvador.
Notas complementares
•
•
•
•
Os judeus reconhecem o Pentateuco como a Torá, que significa “ensinamento”
ou “instrução”, e o consideram a Lei.
Antigamente se pensava que Moisés era o autor do Pentateuco, pois foi um
líder legislador e juiz grandioso. Na realidade, os cinco livros foram escritos
centenas de anos depois de sua morte.
O Gênesis e o Êxodo apresentam as histórias e os nomes que melhor conhecemos do Antigo Testamento. O Gênesis relata as histórias de Adão e Eva;
Noé e o dilúvio; Abraão e Sara; José e seus irmãos. O Êxodo fala de Moisés
e da sarça ardente; do faraó do Egito; da passagem do Mar Vermelho e dos
dez mandamentos.
O Pentateuco apresenta narrações e leis: o Gênesis contém histórias; o
Levítico e o Deuteronômio contêm muitas leis; o Êxodo e Números contêm
tanto narrações como leis.
magine o grande poder do cosmos. O universo se inaugura criado
por Deus. Depois..., uma destruição universal. Mais tarde, histórias
ricas em ternura de amor e reuniões familiares, seguidas por traições
e crimes... Pareceria que fosse o último sucesso do cinema. Assim não
é. Estamos diante do Gênesis, o livro das “origens” onde se relata que
Deus cria o mundo com amor e harmonia. O pecado rompe o equilíbrio.
Deus decide não abandonar seu projeto de amor; escolhe caminhos
assombrosos para restaurar tudo; adapta-se a nós, escolhe um povo
e toma a peito sua obra.
Esquema
• 1–11. Origens
1,1–2,4a. História do
céu e da terra
2,4b–5,32. História de
Adão e seus filhos
6,1–11,32. História de
Noé e seus filhos
• 12–50. Patriarcas
12,1–25,18. História de
Abraão e seu filho
25,19–36,43. História de
Isaac e seus filhos
37,1–50,26. História de
Jacó e seus filhos
Dados
Período descrito
Os primeiros 11 capítulos
pertencem à pré-história.
Os capítulos 12 e seguintes
descrevem o tempo dos
patriarcas e das matriarcas de
Israel (1900-1500 a.C.).
Autor
Vários autores.
Data de redação
• Tradições orais
950-700 a.C.
• Recopilação e escrita:
700 a.C.
• Edição final: 400 a.C.
Temas
A criação é boa. O ser
humano é livre e responsável.
O mau uso da liberdade
causa o pecado. Pactos
iniciais de Deus com diversos
personagens.
Apresentação
O Gênesis reúne relatos que revelam a natureza de Deus e os inícios de sua relação com a
humanidade. Seu propósito é demonstrar que
o plano de Deus é mais forte que o pecado e a
fragilidade humana. Não é um livro de história,
mas uma confissão de fé articulada com relatos
das cinco tradições orais. Divide-se em cinco
grandes partes.
A primeira parte, capítulos 1–11, mostra
Deus criador e Senhor de tudo. Contém as tradições mais antigas da humanidade e as mais
memoráveis da Bíblia. Apresenta dois relatos
distintos da criação, que desdobram a beleza da
natureza, a bondade na obra de Deus e a criação
do homem e da mulher à imagem e semelhança
de Deus (caps. 1 e 2).
Adão e Eva vivem em harmonia com Deus,
consigo mesmos e com toda a criação, em um
fascinante jardim. Ao pecarem, tudo muda.
Adão e Eva sentem separação, dor e inclusive a
morte (cap. 3). O pecado destrói a família, representada por Caim e Abel (cap. 4). Aniquilação da
humanidade, representada por Noé e o dilúvio
(cap. 6–9). Geram-se conflitos entre as nações
como na Torre de Babel (cap. 11).
A segunda parte, capítulos 12–50, narra a
origem do povo de Israel. Explica a fé de Abraão,
Sara e Isaac e de Jacó, Rebeca e suas famílias.
O Gênesis conclui-se com a história de José,
neto de Isaac.
Os israelitas descrevem sua experiência de
Deus com imagens e símbolos, pois através destes é que podemos nos aproximar do mistério
de Deus. Por isso é importante descobrir seu
significado profundo, sem desprezar as imagens
simbólicas como se fossem infantilidades, nem
reinterpretá-las ao pé da letra.
GÊNESIS
I
1
64
G
N
Gênesis 1 1
GÊNESIS
64
Gn 1,1-31
As origens
Gn 22,1-19
Sacrifício
de Isaac
Gn 12–36
Abraão, Sara e sua
descendência
A Criação
1 No princípio, Deus criou o céu e a
terra. 2 A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam­o abismo e o Espírito
de Deus pairava sobre as águas.
3 Deus disse: “Faça-se a luz!”. E a luz foi
feita. 4 Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. 5 Deus chamou à luz
dia, e às trevas noite. Sobreveio a tarde e
depois a manhã: foi o primeiro dia.
6 Deus disse: “Faça-se um firmamento
entre as águas, e separe ele umas das ou­
tras”. 7 Deus fez o firmamento e separou
as águas que estavam debaixo do firmamento daquelas que estavam por cima. 8 E
assim se fez. Deus chamou ao firmamento
céu. Sobreveio a tarde e depois a manhã:
foi o segundo dia.
9 Deus disse: “Que as águas que estão
debaixo do céu se juntem num mesmo lugar, e apareça o elemento árido”. E assim
1
se fez. 10 Deus chamou ao elemento árido
terra, e ao ajuntamento das águas mar. E
Deus viu que isso era bom.
11 Deus disse: “Produza a terra plan­­tas,
ervas que contenham semente e á­r­vores
frutíferas que deem fruto segundo a sua
espécie e o fruto contenha a sua semente”.
E assim foi feito. 12 A terra pro­duziu plantas, ervas que contêm semente segundo a
sua espécie, e árvores que produzem fruto
segundo a sua espécie, contendo o fruto a
sua semente. E Deus viu que isso era bom.
13 Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi
o terceiro dia.
14 Deus disse: “Façam-se luzeiros no
firmamento do céu para separar o dia
da noite. Que sirvam eles de sinais e
marquem o tempo, os dias e os anos, 15 e
resplande­çam no firmamento do céu para
iluminar a terra”. E assim se fez. 16 Deus
fez os dois grandes luzeiros: o maior para
65
presidir o dia e o menor para presidir a
noite; e fez também as estrelas. 17 Deus
colocou-os no firmamento do céu para
que iluminassem a terra, 18 presidissem o
dia e a noite, e separassem a luz das trevas.
E Deus viu que isso era bom. 19 Sobreveio
a tarde e depois a manhã: foi o quarto dia.
20 Deus disse: “Pululem as águas de
uma multidão de seres vivos, e voem aves
sobre a terra, debaixo do firmamento do
céu”. 21 Deus criou os monstros marinhos e toda a multidão de seres vivos que
enchem as águas, segundo a sua espécie,
e todas as aves segundo a sua espécie.
E Deus viu que isso era bom. 22 E Deus
os abençoou: “Frutificai – disse ele – e
multiplicai-vos, e enchei as águas do mar,
e que as aves se multipliquem sobre a terra”. 23 Sobreveio a tarde e depois a manhã:
foi o quinto dia.
24 Deus disse: “Produza a terra seres
vivos segundo a sua espécie: animais
domésticos, répteis e animais selvagens,
segundo a sua espécie”. E assim se fez. 25
Deus fez os animais selvagens segundo
a sua espécie, os animais domésticos
igualmente, e da mesma forma todos os
animais, que se arrastam sobre a terra. E
Deus viu que isso era bom.
26 Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que
ele reine sobre os peixes do mar, sobre as
aves do céu, sobre os animais domésticos
e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra”.
27 Deus criou o homem à sua imagem;
criou-o à imagem de Deus, criou o homem
e a mulher. 28 Deus os abençoou: “FrutifiE criou Deus os seres
humanos à sua imagem... homem
e mulher os criou.
cai – disse ele – e multiplicai-vos, enchei
a terra e submetei-a. Dominai sobre os
peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre
todos os animais que se arrastam sobre a
terra”. 29 Deus disse: “Eis que eu vos dou
toda a erva que dá semente sobre a terra,
e todas as árvores frutíferas que contêm
Gênesis 2
2
em si mesmas a sua semente, para que
vos sirvam de alimento. 30 E a todos os
animais da terra, a todas as aves do céu,
a tudo o que se arrasta sobre a terra, e em
que haja sopro de vida, eu dou toda a erva
verde por alimento”.
E assim se fez. 31 Deus contemplou toda
a sua obra, e viu que tudo era muito bom.
Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o
sexto dia.
SABIA QUE...?
Deus não criou o mundo
em sete dias
Você acredita que esse relato pode ser lido ao pé da letra, como se
junto a Deus houvesse um repórter?
O objetivo do relato não é narrar
cientificamente a história da criação
do mundo, história que se desconhece, mas afirmar que Deus é a origem
de tudo, inclusive do tempo que foi
preciso na criação. O autor emprega
uma linguagem simbólica e poética
para exprimir estas crenças provenientes da tradição sacerdotal.
A sabedoria, o amor e o poder absoluto de Deus foram a origem de tudo.
A fé não pode se opor à razão humana,
pois Deus é a origem tanto da razão
quanto da fé. Os investigadores que
estudam com sinceridade as ciências,
mesmo sem o propor, chegam à conclusão de que Deus criou todas as coisas.
A Bíblia não proporciona dados
arqueológicos nem científicos, mas fala
da origem e do sentido da vida. Deus
coroou sua obra tão variada e bela
criando os seres humanos e entregando-lhes a criação para seu domínio e
seu controle. Estas narrações respondem a perguntas comuns da humanidade: de onde venho? Para onde vou?
Quando você ler a Bíblia, pense que
Deus fez você por amor, acompanha
você na viagem de sua vida e espera
você no final dela com os braços abertos. Muito obrigado, Senhor!
Gn 1,1–2,4
G
N
Gênesis 1
VIVA
G
N
66
27
A PALAVRA
Somos o ponto culminante da criação
Deus faz tudo benfeito, e nos fez pessoas à sua imagem e semelhança, com a finalidade de que possamos viver e nos relacionar com ele. A todos nós criou com a mesma dignidade, homens e mulheres, de cores negra, amarela, branca e vermelha... e também os
mestiços e mulatos. Todos refletimos a beleza e a grandeza de Deus; ninguém possui o
modelo exclusivo de beleza nem a máxima inteligência, nem o amor por excelência, pois
nenhum grupo humano pode monopolizar a semelhança com Deus.
Tal semelhança com Deus, e o fato de que só conosco compartilhou seus atributos, nos
faz o ponto culminante da criação. Deu-nos liberdade para escolher o caminho da vida,
capacidade de amar, conhecer, analisar, procriar e transformar. Desde o princípio estabeleceu um diálogo conosco, coisa que não fez com o resto da criação.
Reveja os parágrafos anteriores e:
• Identifique duas verdades que mais afirmam sua autoestima, a verdade que mais
desafia você a mudar de atitudes e de condutas, e a verdade que o faz agradecer
mais a Deus a maravilha que você é.
• Faça uma oração de louvor e agradecimento por você ser quem é; e uma pedindo
para usar bem sua liberdade e desenvolver suas capacidades ao colocá-las em
ação, procurando cada vez ser mais semelhante a Deus.
Gn 1,26-28
2
1 Assim foram concluídos o céu, a terra
e todo o seu exército. 2 Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito,
descansou do seu trabalho. 3 Ele abençoou
o sétimo dia e o consagrou, porque nesse
dia descansou de toda a obra da Criação.
4 Tal é a história da criação do céu e da terra.
O paraíso
No tempo em que o Senhor Deus fez a
terra e o céu, 5 não existia ainda sobre a terra
nenhum arbusto nos campos, e nenhuma
erva havia ainda brotado nos campos, porque o Senhor Deus não tinha feito chover
sobre a terra, nem havia homem que a
cultivasse; 6 mas subia da terra um vapor
que regava toda a sua superfície. 7 O Senhor
Deus formou, pois, o homem do barro da
terra, e inspirou-lhe nas narinas o sopro da
vida e o homem se tornou um ser vivente.
8 Ora, o Senhor Deus tinha plantado um
jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou
nele o homem que havia criado. 9 O Senhor
Deus fez brotar da terra toda a sorte de árvores de aspecto agradável, e de frutos bons
para comer; e a árvore da vida no meio do
jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.
10 Um rio saía do Éden para regar o jardim,
e dividia-se em seguida em quatro braços. 11
O nome do primeiro é Fison, e é aquele que
contorna toda a região de Hévila, onde se en-
REFLITA
r amor
Criados po
a
r
a
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e para a cípio Deus criou o céu eícurs
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terra [...] (Gn tal em nossa fé. O univer os
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terra, a água sim vivamos em harmon
as
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com ele e co vem do Amor e pede am s
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ia
s
cr
A
e Deu
nte o amor d
as
Como você se ção? Quanto você ama
ia
cr
a
a
d
to
de
Deus?
Gn 2,4
criaturas de
Gênesis 2
67
PERSPECTIVA
CATÓLICA
Um dia para o Senhor
O Gênesis apresenta a criação em
sete etapas, que chama dias. O sétimo
dia Deus descansou, abençoou o dia e o
consagrou com seu descanso. Os judeus consagravam o sábado a Deus. Os
cristãos lhe consagramos o domingo, “o
primeiro dia da semana” (Mt 28,1), porque Jesus ressuscitou nesse dia. Domingo provém do latim dominica dies, que
quer dizer “dia do Senhor”. O trabalho e
o descanso são nossa vida e ambos nos
unem a Deus. Ao trabalhar colaboramos
com Deus em sua criação. Ao descansar
podemos dedicar-lhe tempo e recordarnos de que somos livres e não devemos
ser escravos do trabalho.
Nós católicos celebramos em família
a eucaristia dominical. Nela proclamamos a alegria da criação e o descanso
de Deus quando viu que tudo era muito
bom (Gn 1,31). A Igreja nos pede que
dediquemos o domingo a honrar a Deus
em um ato de confiança nele. Quando
por razões de força maior necessitamos
trabalhar no domingo, é importante dedicar o dia do trabalho a Deus de maneira
especial e, se for possível, consagrar-lhe
um dia durante a semana.
Como você honra o domingo?
Gn 2,1-3
contra o ouro. 12 (O ouro dessa região é puro;
encontra-se ali também o bdélio e a pedra de
ônix.) 13 O nome do segundo rio é Geon, e é
aquele que contorna toda a região de Cuch.
14 O nome do terceiro rio é Tigre, que corre ao
oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates.
15 O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden, para cultivar o solo
e o guardar. 16 Deu-lhe este preceito: “Podes
comer do fruto de todas as árvores do jardim;
17 mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que
dele comeres, morrerás indubitavelmente”.
18 O Senhor Deus disse: “Não é bom que
o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar
21
que lhe seja adequada”. 19 Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais
dos campos, e todas as aves do céu, levou-os
ao homem, para ver como ele os havia de
chamar; e todo o nome que o homem pôs aos
animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome.
20 O homem pôs nomes a todos os animais,
a todas as aves do céu e a todos os animais
do campo; mas não se achava para ele uma
auxiliar que lhe fosse adequada.
21 Então, o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele
dormia, tomou-lhe uma costela e fechou
SABIA QUE...?
Deus é meu criador:
sou obra sua
Leia Gênesis 2, o qual apresenta um
segundo relato da criação do universo.
Deixe-se levar pela beleza e pela profundidade das imagens desse relato javista.
O pó da terra e o sopro divino indicam que o ser humano é matéria e espírito; um corpo animado por uma alma
imortal, com desejos de voltar para
Deus. Fizeste-nos para ti, e nosso coração não encontra repouso até chegar a
ti,¹ diz Santo Agostinho.
• A criação da mulher da costela do
homem simboliza que ambos temos igual dignidade, sem distinção de sexo, idade, raça ou grau
de educação. Mostra que a unidade do casal é a comunhão mais
íntima entre as pessoas.
• Deus faz desfilar os animais diante
do ser humano para que lhes dê
nome, pois dar nome era sinal de
poder e de autoridade. Todas as
coisas foram criadas para o ser
humano, que é responsável por
elas, pelo que devemos usá-las
com respeito e amor. Nessa verdade se apoia a ecologia, ou ciência
que cuida do equilíbrio da criação.
Busque o Salmo 8, medite-o em seu
coração e ore com suas ideias e palavras.
Gn 2,4-5
G
N
Gênesis 2
G
N
22
com carne o seu lugar. 22 E da costela que
tinha tomado do homem, o Senhor Deus
fez uma mulher, e levou-a para junto
do homem. 23 “Eis agora aqui – disse o
homem – o osso de meus ossos e a carne
de minha carne; ela se chamará mulher,
porque foi tomada do homem.” 24 Por isso,
o homem deixa o seu pai e a sua mãe para
se unir à sua mulher; e já não são mais que
uma só carne.
25 O homem e a mulher estavam nus, e
não se envergonhavam.
A culpa original
1 A serpente era o mais astuto de todos
os animais do campo que o Senhor
Deus tinha formado. Ela disse à mulher:
“É verdade que Deus vos proibiu comer
do fruto de toda árvore do jardim?”. 2 A
mulher respondeu-lhe: ‘‘Podemos comer
do fruto das árvores do jardim. 3 Mas do
fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Vós não comereis dele,
nem o tocareis, para que não morrais’.”
4 “Oh, não! – tornou a serpente – vós não
morrereis! 5 Mas Deus bem sabe que, no
dia em que dele comerdes, vossos olhos
se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.”
6 A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável
aspecto e mui apropriado para abrir a
inteligência, tomou dele, comeu, e o
apresentou também ao seu marido, que
comeu igualmente. 7 Então os seus olhos
abriram-se; e, vendo que estavam nus,
tomaram folhas de figueira, ligaram-nas
e fizeram tangas para si. 8 E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor
Deus que passeava no jardim, à hora
da brisa da tarde. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor
Deus, no meio das árvores do jardim. 9
Mas o Senhor Deus chamou o homem
e perguntou-lhe: “Onde estás?”. 10 E ele
respondeu: “Ouvi o barulho dos vossos
passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me”. 11 O Senhor Deus
disse: “Quem te revelou que estavas nu?
Terias tu porventura comido do fruto da
3
68
PERSPECTIVA
CATÓLICA
O pecado original rompeu
a relação com Deus
Com imagens vivas, próprias de um
relato popular, o Gênesis narra como o pecado introduz o sofrimento e a morte na
criação, onde tudo era muito bom (Gn 1,31).
Ao criar o ser humano à sua imagem e semelhança, Deus estabeleceu uma aliança
de amor com a humanidade. O amor nasce
livremente do coração e não pode ser forçado; por isso, quando Adão e Eva desobedecem a Deus, rompem sua relação de amor
com ele, cometendo o pecado original, o
primeiro pecado da história.
Dessa primeira separação de Deus
deriva nossa tendência a usar mal a liberdade e a não responder positivamente a
seu amor. O pecado nos afasta de Deus
quando, em detrimento dele, preferimos a
nós mesmos, o que traz consequências de
sofrimento e morte. Mas o bem e o amor de
Deus triunfam sobre o mal, ideia representada na derrota sofrida pela serpente, símbolo do mal, por meio de uma mulher (Gn
3,15). Ver símbolo: “A Imaculada”.
Não se deixe abater pelo mal que existe ao seu redor, porque Deus enviou Jesus
justamente para nos livrar do pecado e darnos a vida eterna. Ao contrário, empregue
bem sua liberdade; volte sua mente e seu
coração para Deus, e sinta-se acolhido
pelos braços amorosos do Criador.
Gn 3,1-24
árvore que eu te havia proibido de comer?”. 12 O homem respondeu: “A mulher
que pusestes ao meu lado apresentou-me
deste fruto, e eu comi”. 13 O Senhor Deus
disse à mulher: ‘‘Por que fizeste isso?”.
“A serpente enganou-me – respondeu
ela – e eu comi.”
14 Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita
entre todos os animais domésticos e feras
do campo; andarás de rastos sobre o teu
ventre e comerás o pó todos os dias de tua
Gênesis 4
69
vida. 15 Porei ódio entre ti e a mulher, entre
a tua descendência e a dela. Esta te ferirá
a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. 16
Disse também à mulher: ‘‘Multiplicarei os
sofrimentos de teu parto; darás à luz com
dores, teus desejos te impelirão para o teu
marido e tu estarás sob o seu domínio”. 17
E disse em seguida ao homem: “Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto
da árvore que eu te havia proibido comer,
maldita seja a terra por tua causa. Tirarás
dela com trabalhos penosos o teu sustento
todos os dias de tua vida. 18 Ela te produzirá
espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da
terra. 19 Comerás o teu pão com o suor do
teu rosto, até que voltes à terra de que foste
tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar”.
20 Adão pôs à sua mulher o nome de
Eva, porque ela era a mãe de todos os
viventes.
21 O Senhor Deus fez para Adão e sua
mulher umas vestes de peles, e os vestiu. 22
E o Senhor Deus disse: “Eis que o homem
se tornou como um de nós, conhecedor do
COMPREENDA OS
A Imaculada
SÍMBOLOS
A imagem da Imaculada é símbolo do
triunfo de Deus sobre o mal. Deus prometeu
no paraíso que uma mulher humilharia a
serpente ao dar à luz seu Filho. Maria é essa
mulher, a nova Eva, livre do pecado original
desde antes de sua concepção, graças à
obra redentora de seu Filho Jesus, que nos
liberta do mal e da morte eterna.
14
bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que
ele não estenda a sua mão e tome também
do fruto da árvore da vida, e o coma, e viva
eternamente”.
23 O Senhor Deus expulsou-o do jardim
do Éden, para que ele cultivasse a terra
“de onde havia tirado”. 24 E expulsou-o; e
colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante,
para guardar o caminho da árvore da vida.
Caim e Abel
1 Adão conheceu Eva, sua mu lher,
e ela concebeu e deu à luz Caim, e
disse: “gerei um homem com a ajuda do
Senhor”. 2 E deu em seguida à luz Abel,
irmão de Caim. Abel tornou-se pastor de
ovelhas e Caim, lavrador.
3 Passado algum tempo, ofereceu Caim
frutos da terra em oblação ao Senhor. 4
Abel, de seu lado, ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele; e o
Senhor olhou com agrado para Abel e para
sua oblação, 5 mas não olhou para Caim,
nem para os seus dons. Caim ficou extremamente irritado com isso, e o seu semblante
tornou-se abatido. 6 O Senhor disse-lhe:
“Por que estás irado? E por que está abatido
o teu semblante? 7 Se praticares o bem, sem
dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se
procederes mal, o pecado estará à tua porta,
espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo”.
8 Caim disse então a Abel, seu irmão: “Vamos
ao campo”. Logo que chegaram ao campo,
Caim atirou-se sobre seu irmão e o matou.
9 O Senhor disse a Caim: “Onde está teu
irmão Abel?”. Caim respondeu: “Não sei! Sou
porventura eu o guarda de meu irmão?”. 10
O Senhor disse-lhe: “Que fizeste! Eis que a
voz do sangue do teu irmão clama por mim
desde a terra. 11 De ora em diante, serás
maldito e expulso da terra, que abriu sua
boca para beber de tua mão o sangue do teu
irmão. 12 Quando a cultivares, ela te negará
os seus frutos. E tu serás peregrino e errante
sobre a terra”. 13 Caim disse ao Senhor: “Meu
castigo é grande demais para que eu o possa
suportar. 14 Eis que me expulsais agora deste
lugar, e eu devo ocultar-me longe de vossa
face, tornando-me um peregrino errante
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De: Em: Com todo carinho para: - Editora Ave