UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO Polo UAB – Sete Lagoas Curso de Formação Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça/ GPP GER MARIA DE FÁTIMA BONIFÁCIO ARAÚJO SANTOS “O CONGADO” INCENTIVO E APOIO AS TRADIÇOES DO CONGADO EM SANTANA DO PIRAPAMA Mariana 2012 MARIA DE FÁTIMA BONIFÁCIO ARAÚJO SANTOS “O CONGADO” INCENTIVO E APOIO ÀS TRADIÇÕES DO CONGADO EM SANTANA DE PIRAPAMA Monografia apresentada ao Programa de PósGraduação em Educação para a Diversidade de Unidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial à obtenção do grau de Especialista em Gestão de Políticas Públicas. Área de Concentração: Gênero e Raça. Orientadora: Ms. Paula Chaves Teixeira Mariana 2012 MARIA DE FÁTIMA BONIFÁCIO ARAUJO SANTOS “O CONGADO” Incentivo e Apoio às Tradições do Congado em Santana de Pirapama Banca: • Ms. Paula Chaves Teixeira (orientadora) • Ms. Ana Amélia Chaves Teixeira Adachi • Ms. Monalisa Pavonne Oliveira Agradecimentos O agradecimento é uma das virtudes mais sublimes do ser humano. Agradecer é admitir que houve um momento em que se precisou de alguém. Muito obrigada a: • Victória Araújo Santos • Orientadora Paula Chaves Teixeira • Universidade Federal de Ouro Preto • Paulo Pereira dos Santos • Suzana Araújo Santos • Eliane Pereira da Cruz • Maria Conceição Silva Martins RESUMO O presente estudo tem como objetivo levantar algumas informações sobre a história e a situação atual do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Santana de Pirapama - MG, de modo a compreender o seu papel na sociedade local no decorrer do tempo e, principalmente, identificar o significado que o mesmo possui para seus integrantes. A partir daí pode-se levantar algumas hipóteses sobre o seu futuro, como por exemplo, a capacidade de sobreviver às mudanças culturais, marcadas principalmente pela forte influência da televisão e uma maior participação da figura da mulher. Para isso mergulhou-se na análise de documentos e no universo dos integrantes do reinado através da aplicação de questionários, entrevistas e, principalmente da coleta de depoimentos dos atuais Reis Congo, Rainha Conga e do Mestre e Presidente da Viola. Enquanto os questionários tinham como objetivo tratar estatisticamente a população pesquisada, com as entrevistas e depoimentos procurou-se compreender o significado do Reinado para seus participantes, além de descrever os rituais. Apesar da crise pela qual passa o Reinado atualmente, pode-se perceber que é com grande fervor religioso que seus integrantes participam das festividades a Nossa Senhora do Rosário, e que não acreditam que essa manifestação possa vir a se extinguir. Palavras - chave: Reinado - Manifestação Religiosa - Cultura Popular. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 04 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................... 05 3 METODOLOGIA..................................................................................................... 09 3.1 Histórico da Festa de Nossa Senhora do Rosário em Santana de Pirapama.....10 3.2 Os Festeiros ........................................................................................................ 10 3.3 A Festa - Organização......................................................................................... 11 3.4 A religião ............................................................................................................. 15 3.5 Reinados de Nossa Senhora do Rosário ............................................................ 16 4 CONCLUSÃO......................................................................................................... 19 5 NOTAS ................................................................................................................... 20 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................22 04 1 INTRODUÇÃO O reinado é uma manifestação religiosa cuja origem está relacionada às cerimônias de coroação dos chamados “reis congos” durante o período colonial. Fruto do sincretismo religioso que se deu no Brasil, a partir da mistura entre as culturas africanas, europeias e ameríndias, sofreu variações no decorrer do tempo e nos territórios onde se faz presente. Hoje se configura como forma de manifestação de devoção a inúmeros santos, tais como: São Benedito, Santa Helena e Nossa Senhora do Rosário. Em Santana de Pirapama, Minas Gerais, o reinado, presente há mais de cento e vinte anos, resiste às profundas e rápidas mudanças culturais promovidas pela expansão dos meios de comunicação, em especial, a televisão e da globalização. Nessa cidade é chamado de Reinado de Nossa Senhora do Rosário. Os conceitos reinado e reisado apresentam semelhanças. Tratam ambos de rituais compostos de danças e músicas em homenagens a vários santos católicos, dentre eles, Nossa Senhora do Rosário. Entretanto, a palavra reisado é utilizada também para designar folguedos populares, sem caráter religioso, especialmente no Nordeste brasileiro. O Reinado participa da Festa de Nossa Senhora do Rosário, que ocorre no mês de outubro e de inúmeras outras, em homenagem a vários santos, no próprio município e em municípios vizinhos. Seus membros são chamados dançantes do Rosário e sua função é acompanhar o Rei Congo e a Rainha Conga durante os festejos, ocasião em que entoam marchas e dançam. Durante o levantamento da bandeira, dançam ao redor do mastro e cantam embaixadas. Têm também um papel especial no cumprimento das promessas feitas a Nossa Senhora do Rosário. Nos últimos tempos o grupo tem encontrado dificuldade de manter a sua formação original tendo em vista que não há interesse dos jovens em participarem do Reinado. No entanto, seus integrantes são unânimes em afirmar que não acreditam que essa manifestação religiosa possa vir a se extinguir. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 05 O reinado é uma manifestação cultural de múltiplos significados cuja origem remonta ao inicio do século XVII. Segundo Rios (2006), “a documentação mais antiga de coroação de reis congos no âmbito das irmandades de Nossa Senhora do Rosário que se tem notícia no Brasil data de 1674, no Recife”. Em Minas Gerais, a origem do reinado está relacionada à figura de Chico Rei, rei africano trazido como escravo para o Brasil. Chico Rei não se submeteu passivamente à escravidão, conseguiu estrategicamente comprar a sua carta de alforria, arregimentou outros exescravos, criando o seu próprio reinado em terras brasileiras. Aclamado rei, formou a sua “família real”, que em todos os anos, no dia 06 de janeiro, vestindo trajes opulentos, conduziam-se à Igreja do Rosário, onde assistiam à Missa Cantada. Depois percorriam as ruas de Vila Rica executando danças características ao som de instrumentos africanos com grande acompanhamento do povo (MACHADO, 1973). Outra hipótese é que o Reinado se origine de danças africanas apropriadas pelos jesuítas para o ensino da catequese. Antes, aproveitando-se de velhas práticas africanas, os jesuítas catequistas, no século XVIII, fizeram com que os negros as aproveitassem e as organizassem para prestar louvor aos santos e santas, especialmente São Benedito dos Homens de Cor e Nossa Senhora do Rosário. (NERY; ELIACINO; FIRMINO, 2003). Nas várias regiões do país o Reinado aparece como uma forma de manifestação da devoção a inúmeros santos: Nossa Senhora do Rosário (principalmente em Minas Gerais, Piauí e em Goiás), São Benedito e Santa Helena dentre outros. O Reinado de Nossa Senhora do Rosário apresenta algumas particularidades. A primeira é ser o reinado uma expressão religiosa do catolicismo negro. Predominantemente de origem banto, com alguma pitada de elementos de outras culturas negras e das indígenas locais, o catolicismo negro no Brasil, cuja origem remonta às peculiaridades da formação do cristianismo africano que se segue à conversão do reino do Congo, ainda no final do século XV, caracteriza-se pelas trocas e reinterpretações entre crenças distintas e pela existência de sentidos paralelos para alguns ritos e símbolos comuns, a cruz e o rosário por exemplo. A segunda é ser uma manifestação religiosa desenvolvida em um sistema escravista. Sem considerar a imposição cultural presente na catequese indígena e mesmo na desconfiança que a Igreja tinha das crenças do catolicismo popular ibérico, não se pode olvidar a força dessa imposição com relação ao escravo africano. (RIOS, 2006) 06 Manifestação puramente religiosa, estratégia de resistência dos negros escravizados, expressão do sincretismo religioso que se estabeleceu no Brasil, o reinado perdurou por mais de três séculos como festividade importante. As festividades e rituais praticadas nas comunidades de negros e mestiços tiveram papel importante no processo de preservação de sua cultura e seus valores, funcionando assim como estratégia de resistência à dominação dos senhores. Nos últimos tempos, no entanto, vem se restringindo a algumas comunidades tradicionais. Seus integrantes têm uma média de idade cada vez maior. Em Santana de Pirapama, por exemplo, a média de idade dos integrantes do Reinado de Nossa Senhora do Rosário é de cinquenta anos. No texto, que compõe a introdução do livro acima mencionado a autora apresenta a estrutura da obra. Apresenta os rituais de Nossa Senhora do Rosário como sendo “uma das mais importantes expressões da religiosidade e da cultura afro-brasileira presentes em Minas Gerais.” (LUCAS, 2002). Destaca o papel e o poder da música como meio de comunicação não verbal como importante ferramenta de autoexpressão e autoafirmação da humanidade (Déhague, apud Lucas, 2002). Dessa forma, a autora empreendeu uma pesquisa etnomusicológica com o objetivo de: “Perceber a música que preenche e conduz os rituais do Reinado de Nossa Senhora do Rosário como um dos códigos que traduzem simbolicamente aspectos da visão de mundo daqueles que a vivenciam, e como um meio no qual significados são gerados e transformados.” (LUCAS, 2002, pg.18) A pesquisa concentrou-se em duas Irmandades situadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG): Comunidade negra de Arturos, de Contagem (MG) e de Jatobá. Ambas estão situadas geograficamente próximas e tem história marcada pela grande amizade entre seus fundadores. Além disso, assemelham-se em seus rituais, em seus tipos de guardas (Congo, Moçambique e Candomblé), em seu repertório de cantos e ritmos. A autora explica que, ao longo da história, os rituais se difundiram pelo país e assumiram diferentes formas de manifestação. Alguns se mostraram mais resistentes a transformações e outros se reconfigurando e se ajustando às 07 exigências do tempo e das circunstâncias. Sendo assim, as particularidades regionais e transformações ao longo do tempo levaram a diferenças de uso e sentido envolvendo os termos Congos, Congados e Reinados. Ela apresenta os conceitos elaborados por Mario de Andrade e Gomes e Pereira para esses outros termos correlatos. E apresenta o conceito elaborado por Leda Martins para o termo Reinado. Esse conceito nos parece bastante apropriado, pois traduz de modo objetivo, a visão mais recorrente e ampla entre acadêmicos e praticantes. Leda assim define o reinado: “São definidos por uma estrutura simbólica completa e por ritos que incluem não apenas a presença das guardas, mas a instauração de um império, cuja concepção inclui vários elementos, atos litúrgicos e cerimoniais e narrativas que, na performance mito poética, reinterpretam as travessias dos negros a África às Américas.” (MARTINS, apud LUCAS, 2002 pg. 20). Cada grupo, Candomblé, Congo e Moçambique, possui características e funções próprias nos rituais, os quais são descritos pela autora. No livro, a autora aborda os caminhos que a levam a se aproximar do universo dos congadeiros e das irmandades, os quais foram construídos através do trabalho de campo com o apoio da literatura especializada. Faz, ainda, “um panorama do universo cultural do Congado e uma descrição dos processos que os originaram, a natureza de sua especificidade religiosa e, ainda, um breve histórico das irmandades enfocadas” (LUCAS, 2002). Em seguida, é feito um estudo das estruturas musicais, com o objetivo de compreender a natureza móvel e flexível das tradições culturais de transmissão oral. Há também uma descrição dos instrumentos musicais e do universo rítmico do Congado. Finalmente, os padrões rítmicos pertencentes a cada guarda são abordados no quarto e último capítulo do livro, tanto em seus aspectos musicais quanto em relação às funções rituais que cumprem. Para isso, são apresentados cada um dos padrões rítmicos básicos do Congo, do Moçambique e do Candomblé. A formação de um (a) capitão (ã) no Congado é resultado de um longo processo de aprendizado, que se revela pelo saber e pelo conhecimento adquirido em anos de vivência e intimidade com ritos e fundamentos da manifestação. Não basta ao capitão saber cantar ou dançar. Ele deve saber rezar, 08 comandar, conhecer os cantares adequados para cada situação, ao conduzir as coroas, puxar uma promessa, guiar uma guarda, entrar na igreja, atravessar porteiras e encruzilhadas, cumprimentar as majestades, receber visitantes e muito mais. Cabe ao capitão gerenciar seus comandos, dentro e fora das guardas, passar os preceitos, per formar os ritos, resolver as contendas, abrir os caminhos ou fecha-los, zelar pelos pensamentos, observar o cumprimento adequado dos rituais, ordenar, reger, ensinar, punir, vivenciar com beleza e harmonia o Rosário de Maria e a herança dos mais velhos. Para a Capitã Pedrina, a capitania se equivale a um sacerdócio: Eu tenho que rezar por eles [componentes do grupo] o ano todo, não só no período da festa. Eu tenho que me preocupar como uma mãe, uma regente espiritual, vamos dizer assim. E, além disso, nós fazemos uma reeducação. Tem menino que não tem, hoje em dia principalmente, não tem pai e uma mãe que orienta sobre disciplina, sobre comportamento. Muitas vezes, eles nos procuram, às vezes eles chegam e pedem se a gente não pode ser mãe deles. Não só porque eles não têm, às vezes, a mãe, mas é porque não têm, às vezes, um carinho, uma atenção. Ainda acontecem muitos meninos maltratados fisicamente. Então a gente orienta sobre a vida, dá pra eles um estimulo de vida. [...] é uma alegria muito grande, às vezes, eu encontrar um menino, que hoje é um homem, pai de família e que veio, igual eu ouvi: “eu agradeço muito porque se hoje eu sou assim, foi por causa de que eu aprendi lá no terreiro com vocês”. Nos cortejos, é o (a) capitão (ã) com sua esposa quem vai à frente, abrindo os caminhos. A espada é um instrumento que só o capitão ou capitã pode usar. É um símbolo polissêmico, com vários significados para diferentes culturas, mas, de maneira geral, é símbolo de poder e força masculina e, por isso, um símbolo fálico (LEXIKON, 1997; CHEVALIER e CHEERBRANT, 1982). Apesar do desenvolvimento da pesquisa ser efetuado em âmbito regionalizado e com a realidade local, as obras lidas e a serem lidas focam temas semelhantes que servirão para balizar os trabalhos, a serem desenvolvidos. 09 3 METODOLOGIA O Reinado tem sido tema de inúmeras pesquisas, sendo, portanto, vasta a literatura encontrada sobre o assunto. No entanto, quando se trata das particularidades apresentadas por essa manifestação cultural no município de Santana de Pirapama não se tem conhecimento da existência de um estudo sistemático. Por isso mesmo, o presente trabalho assume a forma de pesquisa exploratória, cujo objetivo é “proporcionar maior familiaridade com o problema com intuito de torná-lo explícito ou de construir hipóteses” (GIL, 2000 apud MATIASPEREIRA, 2007) e qualitativa. Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, além da pesquisa bibliográfica, fizemos a análise de documentos, tais como Livro do Tombo da Paróquia de Santana, em Santana de Pirapama, relativo aos anos de 1938 a 1957 e levantamentos através de questionários e entrevistas, instrumentos escolhidos para a coleta de dados. Foram entrevistados um total de 17 pessoas, entre integrantes do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Santana de Pirapama, os atuais ocupantes do cargo de Rei e Rainha Conga e descendentes da família responsável pela construção da Capela de Nossa Senhora do Rosário em Santana de Pirapama. Optou-se por pesquisar toda a população envolvida, pois se configura como fundamental para a compreensão do problema e, diante de seu número reduzido, tal processo não se mostrou excessivamente dispendioso. Inicialmente, aplicou-se questionário com o objetivo de qualificar a população estudada quanto aos seguintes aspectos: faixa etária, escolaridade, raça e origem. Em razão da baixa escolaridade da maioria do público alvo e consequente dificuldade em compreender o questionário (com exceção da Rainha Conga), a pesquisa foi conduzida da seguinte forma: era realizada a leitura das perguntas e, em seguida, anotava-se as respostas obtidas. A entrevista, por sua vez, buscou responder questões como: os motivos que os levam a participar do Reinado, como se deu início a sua participação, a função desempenhada, o significado do Reinado para o participante e como o mesmo vê o futuro dessa manifestação religiosa e cultural. As entrevistas foram conduzidas no modo de uma conversa informal, guiada 10 por um roteiro previamente estabelecido. No entanto, houve margem para obtenção de informações não previstas anteriormente. Finalmente, obtivemos o relato mais profundo de dois participantes do reinado, a saber: a Rainha Conga, Sra. Maria da Conceição e o mestre, Senhor Narciso. 3.1 Histórico da Festa de Nossa Senhora do Rosário em Santana de Pirapama Não se conhece sobre o povoamento inicial do arraial de Traíras, que deu origem a atual cidade de Santana de Pirapama. Sabe-se que apenas que a povoação se deu há mais de dois séculos, junto a um dos portos do Rio das Velhas, em terras pertencentes ao padre Jorge Martins Curvelo de Ávila, dono de extensas sesmarias na região central das Minas Gerais. Quanto à capela de Nossa Senhora do Rosário, acredita-se que tenha sido construída por membros de uma irmandade dedicada a santa em meados do século XIX. Segundo interlocutores, o Reinado surgiu como manifestação de devoção a nossa Senhora do Rosário há cerca de 120 anos, ou seja, por volta da década de 1880, século XIX. Era uma das atividades da festa que então já ocorria anualmente em louvor Nossa Senhora. O primeiro mestre, também chamado presidente da viola, foi Domingos Cinzas, sendo o senhor Virgilato, o primeiro Rei Gongo. A iniciativa da criação do reinado, ou seja, de organização e preparo do grupo teria partido de uma irmandade de Nossa Senhora, composta essencialmente por afro descendentes e que teria sido responsável também pela construção da capela do rosário. 3.2 Os Festeiros É eleito a cada ano um festeiro, geralmente alguém que esteja cumprindo promessa. Atualmente, o reinado é composto por dezessete integrantes, com idade media de 35 a 50 anos. Com exceção da Rainha Conga, que possui curso superior, os demais, semianalfabetos, em seu dia-a-dia exercem atividades braçais no campo 11 ou oficios como ajudantes de serviços gerais. Todos os integrantes são originários da própria região. Quanto à raça/cor dos dezessete pesquisados, cinco declararam-se afro descendentes, dois brancos e os demais pardos. No Reinado, ocupam as seguintes funções: caixeiro (percussão), mestre (capitão), contramestre, marinheiro, além, é claro, do Rei Gongo e Rainha conga. O marinheiro é o responsável pela organização do grupo. Sua função é zelar pela disciplina. É ele quem carrega a bainha da espada do capitão. Segundo o senhor Narciso, antigamente não era permitido as dançantes entrarem em uma venda para comprar cigarros ou qualquer outra coisa enquanto vestidos com o traje típico. O marinheiro então prestava esse serviço ao grupo. Interessante notar que a hereditariedade existente no Reinado não se trata exatamente de passar o cedro de pai para filho. Quando ocorre o falecimento ou afastamento de um membro por doença ou outro motivo de força maior, outra pessoa com alguma afinidade (ou não) com o grupo de dançantes é convidada a assumir aquele lugar no grupo. Foi assim, por exemplo, com o atual Rei Congo, o Zé Paçoca, que herdou o título ao se casar com a Sra. Maria da Conceição (Dona Anita), a Rainha. 3.3 A Festa – Organização São duas filas paralelas: em cada uma se repetem a figura do capitão [2], tenor, segunda voz, terceira voz, requinta e caixeiros. No meio das duas filas fica o marinheiro. Antigamente havia ainda um tocador de banjo e dois tocadores de tamborim, figuras essas que foram supridas tendo em vista que não há, na comunidade, quem saiba tocar esses instrumentos. A fé é, de longe, a grande motivadora de dois terços dos integrantes, como podemos perceber através do relato da Sra. Maria da Conceição: Quando meu pai herdou o título de Rei congo minha mãe não quis assumir o posto de Rainha. Daí coube a mim esta função. Sou Rainha Conga por fé, devoção. Quando visto a capa, ponho coroa e empunho o cedro, incorporo realmente a personagem. Coloco-me a servir inteiramente ao Reinado de Nossa Senhora. 12 Outros componentes também falam de fé e emoção. O Sr. Narciso, que ocupa a função de mestre e presidente da viola diz: “ A sintonia é tão grande entre eu e o Rei e Rainha Conga, de modo que quando eu canto uma embaixada, eles respondem...” [3] Atualmente a festa de Nossa Senhora do Rosário ocorre anualmente no mês de outubro. É eleito um festeiro, geralmente alguém que esteja cumprindo uma promessa. [4] Até o ano de 2001 ocorria juntamente com as festividades do Santo Jubileu de Santana, no mês de Julho [5] ocasião em que um grande número de pessoas cumpria suas promessas. O ritual de promessa começa dentro da capela quando a Rainha Conga colaca sobre a cabeça do fiel, que está ajoelhado, uma coroa, e o asperge com água benta. Então ele passa a acompanhar o grupo de dançantes do Rosário (integrantes do Rosário) em suas voltas em torno da Capela. O dinheiro arrecadado é utilizado na manutenção da Capela do Rosário. Nesse trajeto usam a coroa na cabeça em agradecimento por uma graça alcançada pela intercessão da Senhora do Rosário ou para pedir proteção para o corpo, especialmente para a cabeça. Esse percurso, (voltas e mais voltas em torno da capela) os dançantes o fazem dançando e entoando marchas: Quem fez sua promessa Fez com grande alegria No reino do céu Vê-se com Deus algum dia Quem fez sua promessa Recebe um galho de rosa Recebe uma benção do céu Da mulher mais milagrosa Quem fez promessa Recebe os raios de luz Recebe uma benção divina 13 Da santa mãe de Jesus Essa coroa é santa Mas só para quem merece Quem confiou em Maria E fez sua promessa Quem fez sua promessa A graça foi recebida Viva a Senhora do Rosário E a Senhora Aparecida Da casa do rei congo e da rainha conga e acompanhado estes, os dançantes então se dirigem a casa do festeiro para buscar a bandeira. Importante destacar os trajes usados: o Rei e a Rainha Conga portam o cedro, a coroa e o manto. Faz-se acompanhar de pajens e danças, crianças ricamente vestidas. Os dançantes trajam calça e camisa branca, balona rosa, saiote azul e capacete enfeitado. O capacete é decorado segundo o gosto de cada um. Já o restante do traje é rico em significados: a cor branca simboliza a pureza de nossa senhora. O azul lembra o manto de nossa senhora. Nas violas há fitas coloridas. A cor amarela por lembrar o ouro, remete a ideia de um tesouro, que seria ofertado à Senhora do Rosário. Já o vermelho representa o sangue de Cristo derramado. Cultura popular – Tradição relacionada a eventos culturais A abordagem filosófica da tradição alude e indaga a respeito da existência ou não sobre o conceitual das populações Afro-Brasileiras. Na verdade, o mundo conceitual das culturas tradicionais da África, ficou sendo um equivalente da abordagem feita pelo folclorista ao falar sobre a história natural do pensamento popular tradicional em questões focadas sobre tradição em grupos Afro-Brasileiros, que toma a tradição a partir do arrolamento de eventos culturais. (PEREIRA E GOMES, 2001) Que os estudos sobre religiões Afro-Brasileiras contribuem muito para que a tradição seja interpretada como eventos costurados por valores. Mas, num pensamento que circula, a religião fica sendo distinguida como a fonte desses 14 mesmos valores. (PEREIRA E GOMES, 2001) É de suma importância quando realizada a pesquisa antropológica seriamente, Os ensaios comparativos fazem com que as pessoas permitam compreender mecanismos de reelaboração da vida política, econômica e social da população Afro-Brasileira, sendo como formas de conflitos que desencadeiam a exclusão social dessas mesmas comunidades. Depois percorriam as ruas de Vila Rica executando danças características ao som de instrumentos africanos com grande acompanhamento do povo. (MACHADO, 1973) Outra hipótese é que o Reinado se origine de danças africanas adequadas pelos jesuítas para o ensino de catequese. Antes, aproveitando-se de velhas práticas africanas, os jesuítas catequistas, no século XVIII, fizeram com que os negros as aproveitassem e as organizassem para prestar louvor aos santos e sentas, especialmente a São Benedito dos Homens de Cor e Nossa Senhora do Rosário. (NERY; ELIACINO; FIRMINO, 2003) Nas várias regiões do país o Reinado aparece como uma forma de manifestação de devoção a inúmeros santos: Nossa Senhora do Rosário (principalmente em Minas Gerais, Piauí e em Goiás), São Benedito e Santa Helena dentre outros. O Reinado de Nossa Senhora do Rosário apresenta algumas particularidades. A primeira é ser o reinado uma expressão religiosa do catolicismo negro. Predominante de origem banto, com alguma pitada de elementos de outras culturas negras e das indígenas locais, o catolicismo negro no Brasil, cuja origem remonta as peculiaridades da formação do cristianismo Africano que esse segue à conversão do reino do Congo, ainda no final do século XV, caracteriza-se pelas trocas e reinterpretações entre crenças distintas e pela existência de sentidos paralelos para alguns ritos e símbolos comuns, a cruz e o rosário, por exemplo. A segunda é ser uma manifestação religiosa desenvolvida em um sistema escravista. (RIOS, 2006) Como dito acima o Rei Congo é uma origem que vem dos povos africanos, que fala a língua banta, assim no Brasil qualquer reinado é uma expressão religiosa do catolicismo negro. 15 3.4 A Religião É de muita importância falar sobre a religião Africana neste trabalho, tendo em vista o grau de relevância que esta ocupa na vida dos povos da África e na sua contribuição na resistência e na reconstrução na identidade deles em terras brasileiras. Segundo Cezne (1999), “Religião é uma instituição que possui um caráter normativo; algo de sagrado; rituais ou manifestações cerimoniais rigorosamente estruturais; unidade no ritual e a crença em algo sobrenatural”. Ao abordarmos esse assunto, naturalmente pesquisamos sobre a ideia de Deus nessa religião. A maioria das religiões africanas acredita num Deus único criador universal, porém busca sempre a intermediação dos antepassados. Desse modo, a religião Africana recorre sempre ao passado para buscar sabedoria e respostas para as questões atuais. Agora, compreendemos, por certo, o porquê da preocupação no trato da preservação dos valores, das crenças e das práticas pelas comunidades Africanas, uma vez que tudo isto é passado para as gerações posteriores por meio do processo oral. As práticas dos ritos e cerimônias só adquirem sentido quando se voltam para os antepassados. As bênçãos são dádivas dos antepassados, e a religião é mais um fruto fecundado na cultura dos variados e diferentes grupos étnicos africanos, que tornam veículo transmissor dos saberes gestado pela ancestralidade. Os valores morais e espirituais são intocáveis, sob pena de tudo se desmoronar, uma vez que a religião é grande manancial da vida, de cuja fonte todos devem beber, sendo que em todas as decisões tomadas individualmente ou pela comunidade, deve-se tomar como referência o sistema religioso. A vida humana é profundamente dependente de Deus e também dos que ainda vão nascer. Depois dessa abordagem sobre a cultura e a religião dos povos africanos traficados para o Brasil, inclusive para Goiás, é importante lembrar os nossos leitores que os negros africanos estavam entrando num país cuja organização econômica, política, social e religiosa era pensada e dita pela ideologia branco-europeia. A sociedade assumia um comportamento moral adotado pela Igreja Católica Apostólica Romana. Aliás, a vida social era promovida pela igreja. No seu recinto, aglomeravam-se multidões para celebrações dominicais e dias santos, para as 16 formações doutrinárias catequéticas, para novenas e devoções. Nas ruas, desfilavam numerosas procissões de multicores estandartes, banda de música, foguetórios e aclamações, misturando autoridades civis, militares, eclesiásticas, além de mineiros, fazendeiros ou senhores de escravos, homens alforriados, cativos e “vadios”. Esta era uma realidade brasileira que se produzia na sociedade de Província e na cidade de Goiás, antiga Vila Boa. (PALACIN, 1989). Entendemos que os negros africanos, mesmo tendo ajudado a construir a província de Goiás, a sua economia, a sua cultura, religião e vida social, fizeram-na por de uma imposição de um modelo padrão branco. Por exigência da Igreja católica, os negros eram obrigados a participar das missas, do catecismo e outras atividades religiosas da Igreja. Os senhores proprietários de escravos eram obrigados a promover o batismo de seus escravos bem como sua participação nos outros sacramentos e sua frequência às celebrações dominicais e em dias santos, sob pena de serem multados ou excomungados. (GOIÁS, 1734-1824). 3.5 Reinados de Nossa Senhora do Rosário O reinado é uma dança popular profano-africana cuja sua origem está relacionada às cerimônias de coroação dos chamados “Reis Congos” durante o período colonial. A iniciativa da criação do Reinado teria partido de uma irmandade de Nossa Senhora do Rosário, composto essencialmente por afro descendentes e que teriam sido responsáveis também pela construção da capela do Rosário o primeiro mestre e presidente da viola foi o Senhor Domingos Cinzas e o Senhor Virgílio o primeiro Rei Congo. Seus membros são chamados dançantes do Rosário e sua acompanhante o Rei Congo e a Rainha Conga durante os festejos, ocasiões em que entoam marchas e danças. O povo africano tanto se acredita em dois mundos: um visível, onde habitam os homens e outros seres, e um invisível, onde habita nele os antepassados, que são fundadores do gênero humano, responsáveis pela fundação dos grupos primitivos, recebendo a vida diretamente de Deus, construindo o elo que liga Deus aos homens. Depois, surgem os heróis, espécie de colaboradores. Eles têm por 17 função inaugurar técnicas e influenciar a vida. Na sequencia, vêm os espíritos e gênios que estão encostados nas árvores e objetos materiais e influenciam poderosamente no mundo dos homens. Os últimos da fila são os defuntos, que podem ser benéficos ou maléficos, interferindo necessariamente no mundo dos vivos. São os patriarcas do grupo, e que exercem função de chefia, de caçadores, de pastores, de especialistas em magias e de guerreiros. Conforme as pesquisas, a religião benta possui a noção de um Ser Supremo Criadora, assume a crença em seres intermediários que são homenageados e invocados nos cultos, na harmonização dos mundos visíveis e invisíveis desenvolvem um ritual mágico e regula a vida social pela ética – “os sacrifícios, ritos, simbologia, oferendas, altares, pequenos santuários, lugares sagrados e objetos mágicos...” demonstrando o fervor do fiel e do corpo comunitário celebrante, cuja presidência está sempre a cargo de um mestre de iniciação. O Rei congo ao longo da história do Congo, lutas e batalhas foram travadas pela conquista de terras e domínio de reinos e povos. Holandeses, espanhóis e outros povos também como os portugueses, estão interessados nas terras africanas. E, alem disso, as regras de sucessão ao trono criavam facções opostas e instabilidade política e militar. Ndongo e Matamba, províncias da região dos Congos, composta de ambundos e jagas, que pagavam tributo ao rei do Congo, assumiram uma atitude de independência, criando rivalidade e conflitos entre Ngola, representante dessas regiões e o Mani Congo. Em uma dessas batalhas pelo poder dessas províncias, a rainha Nzinga assumiu Ndongo e Matamba, depois da morte de seu irmão, o Ngola. Seu reinado foi marcado por resistência e lutas contra a dominação portuguesa. As relações políticas e catequéticas encontram grandes dificuldades: as embaixadas portuguesas e estrangeiras não foram bem-sucedidas. (SOUZA, 2006). Na festividade do Congado, como se viu anteriormente, há a representação simbólica da coroação de um rei Congo e uma Rainha. Conhecer a história de um rei Congo e dos principais Reis que marcaram seus reinados e são miticamente evocados em tal celebração, é conhecer a história e a origem do congado. É, também, atribuir significado a elementos e símbolos que compõem essa expressão festiva de identidade, hierarquia e história de um grupo que por meio da memória e da tradição manifesta sua crença, sua cultura. 18 Na cosmologia congolesa contemporânea, o mundo está dividido em duas partes complementares: este mundo, dos eventos perceptíveis e o outro mundo, das causas invisíveis, provocadores dos acontecimentos percebidos. O mundo visível é habitado por gente negra, que nele aparece e dele desaparece através do nascimento e da morte e que experimentam tribulações provocadas em grande parte pela ação de forças ruins, contra as quais as pessoas buscam a proteção dos poderes voltados para o bem. O mundo do além é habitado por ancestrais e espíritos diversos, que afetam a vida das pessoas deste mundo, diretamente ou por intermédio de algum líder religioso. (SOUZA, 2006, P.63) O Reino Congo ficou conhecido além das fronteiras africanas e de suas relações com Portugal, como um reino estruturado, influente e forte, apesar das batalhas e guerras que enfrentou. Seu rei, D. Afonso, representante máximo da soberania do reino, foi imortalizado e é um símbolo de organização, hierarquia, poder e cristianismo encontrado na realização da festa de congado. (SOUZA, 2006) • Os dançantes do Congado em Santana de Pirapama usam vestimentas na cor azul claro e branco, cor essa do manto de Nossa Senhora do Rosário. Na música, a alegria e a tristeza sempre estão lado a lado, dividindo versos, acompanhado por pandeiros, comuns a guarda de congado, e por sanfonas, cavaquinhos, caixas, violões e violas de 12 cordas. Enquanto rendem cânticos de louvor e devoção, as festividades promovem exposições, oficinas, barraquinhas, servindo de comidas típicas do lugar, almoço e doces de diversas espécies. 19 5 CONCLUSÃO O Reinado de Nossa Senhora do Rosário é uma manifestação religiosa e cultural com cerca de cento e vinte anos de fundação. Sua origem é incerta, dada a inexistência de registros, mas, acredita-se que tenha sido fundada pela mesma Irmandade de Nossa Senhora do Rosário responsável pela construção da Capela do Rosário, na segunda metade do século XIX. O Reinado alcançou grande prestígio durante o período em que a festa do Rosário ocorreu durante o Jubileu de Santana. Era grande o fluxo de pessoas para o cumprimento das promessas. Nos últimos anos, no entanto, o Reinado vive um paradoxo: se, por um lado tem crescido número de fiéis cumpridores de promessas, por outro lado, o próprio grupo vê reduzir-se o número de integrantes. Consequentemente algumas funções deixaram de ser exercidas. Se antes, o Reinado contava com vários instrumentos musicais, hoje se vê apenas as violas e as caixas. Os jovens têm vergonha de participar do Reinado, usar as roupas típicas. Até mesmo alguns dos atuais integrantes têm se recusado a vestir o saiote, conforme constatado nas entrevistas. O grupo ainda recebe inúmeros convites para participar de festas religiosas em toda a região, inclusive em homenagem a outros santos. A festa do Rosário, que atualmente ocorre em outubro, no entanto, já não é mais concorrida como antes. No entanto, entre a maioria dos participantes existe um entusiasmo muito grande e, apesar das dificuldades enfrentadas, não acreditam que o Reinado possa acabar. Para eles essa é muito mais uma manifestação de devoção à Nossa Senhora do Rosário do que expressão cultural e o seu futuro estaria garantido através da proteção da santa. 20 6 NOTAS 1 – Inicialmente, o grupo era composto em sua totalidade por afro descendente, ao contrário da situação atual. Dos 17 entrevistados apenas 5 se declararam afros descendentes. 2 – Também chamado de Mestre. O capitão da segunda fila é conhecido como contramestre. 3 – O entrevistado refere-se à emoção sentida pelo Rei e Rainha Conga ao ouvirem a música e que se traduz nos gestos e expressões. Ele termina o seu comentário em gesto de abrir amplamente os braços, numa tentativa de expressar essa emoção. 4 – No encerramento da festa, o padre pergunta se alguém deseja ser o festeiro do ano seguinte. Geralmente alguém se manifesta. Caso ninguém se candidate ao cargo, o Rei Congo passa a ser o encarregado de organizar a festa. 5 – O Jubileu de Santana é uma festa religiosa em homenagem à Santana, Padroeira da cidade, que acontece no mês de julho. Começa com a novena e termina no dia 26 de julho, dia dedicado à Santa, com alvorada, levantamento do mastro, procissão. Na ocasião é grande o número de pirapamenhos ausentes que retornam à cidade para as festividades e rever parentes e conhecidos. Nos últimos tempos a festa tem atraído também grande número de turistas. Até o ano de 2001, os três últimos dias de festa eram assim distribuídos: antepenúltimo dia dedicado à ao Divino Espírito Santo, o penúltimo à Nossa Senhora do Rosário e o último a Santana. Atualmente a festa do Divino ocorre em maio e a de Nossa Senhora do Rosário em outubro. 6 – No tempo em que o Monsenhor Roque era o responsável pela Capela e pela festa, não era permitido que os dançantes trajassem o saiote antes de se confessarem. Sendo assim, quando chegavam à capela para a missa, no sábado, confessavam e só então passavam a usar o traje completo. 7 – Em muitas comunidades acontece o levantamento do mastro. Nessa ocasião um mastro de madeira com tamanho variado, em geral, quatro metros de comprimento e decorado com papel de seda é fincado ao chão, na frente da igreja. Na ponta a bandeira com a estampa do santo homenageado. Em Santana de Pirapama testemunhamos o levantamento da bandeira. Nesse modelo, o mastro já está fincado ao chão e a bandeira é hasteada. 21 8 – Embaixada: conta a história de Chico Rei. 9 – “Reinado vai sempre reinar... Não acaba”, diz o senhor Narciso, atribuindo a esse fato uma explicação religiosa. Para os integrantes do reinado, Nossa Senhora do Rosário não permitirá o seu fim. 22 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS MACHADO, Maria N. O Negro na civilização Brasileira. Cia editora Nacional. Rio de Janeiro, 1973. RIOS, Sebastião. Os Cantos da Festa do Reinado de Nossa Senhora do Rosário e da Falia de Reis In: Sociedade e Cultura, v.9,n.1, Jan/Jun 2006. P. 65-76 SILVA, Cristina dos Santos. Irmãos de Fé, Irmãos no poder: a Irmandade de Nossa Sernhora dos Pretos na Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá (1751-1819) Dissertação de Mestrado em historia. Departamento de Historia / UFMT, 2001., disponível em http:WWW.dominiopublico.gov.br/download/textocp00023o.pdf, SOUZA, Jordânia de Araújo; LIMA. Elizabeth Cristina de Ttnicidade e Religiosidade: O caso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. SOUZA, Marina de Melo. Reis negros no Brasil: historia da festa de coroação de Rei Congo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002-01-01 SOARES, Dalva M; LOPES, Maria de Fátima. De capitão a capitã: a inserção das mulheres em espaços tradicionalmente masculinos no congado mineiro Universidade Federal de Viçosa. Fazendo Gênero 8 – Corpo, Violência e Poder. Florianópolis, de 25 a 28 de agosto de 2005