UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E CONTABILIDADE CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS SANDRA PUHL DOS SANTOS APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL PARA FINS NÃO POTÁVEIS EM INSTITUIÇÃO DE ENSINO: Estudo de Caso em Escola da Rede Pública no Município de Ajuricaba-RS. IJUÍ 2010 2 SANDRA PUHL DOS SANTOS APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL PARA FINS NÃO POTÁVEIS EM INSTITUIÇÃO DE ENSINO: Estudo de Caso em Escola da Rede Pública no Município de Ajuricaba-RS. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Ciências Contábeis, da UNIJUI – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientadora: Profª Ms. Eusélia Paveglio Vieira Ijuí-RS, agosto/2010 2 3 “ De tudo, ficaram três coisas: A certeza de que estamos sempre começando... A certeza de que precisamos continuar... A certeza de que seremos interrompidas antes de terminar... Portanto, devemos: Fazer da interrupção um caminho novo... Da queda um passo de dança... Do medo, uma escada... Do sonho, uma ponte... Da procura, um encontro...” Fernando Pessoa 3 DEDICATÓRIA DEDICATÓRIA À Deus ...pela permissão de realizar um sonho e pela presença constante em todos os momentos da minha vida, porque nada nos é possível se não for de Sua vontade. Ao meu inesquecível avô Salvador ( in memorium), figura de grande importância em minha formação e de quem sinto muitas saudades... Ao meu Pai Luiz (in memorium) Pai ...gostaria que estivesses aqui para poder compartilhar contigo esta conquista...saudades... À minha mãe Edi, pela vida, dedicação, confiança e superação diante das adversidades...minha eterna gratidão. 2 AGRADECIMENTOS À DEUS, pela Força Divina e iluminação em todos os momentos e por tudo aquilo de bom que tem proporcionado em minha vida. Aos meus avós... meu pai Luiz, pelo amor, educação, exemplos de caráter e valores que moldaram meu caminho....eterna saudades... À minha mãe...mesmo distante, pelo carinho e confiança que sempre depositou em minhas decisões. Às minhas irmãs e irmão...pelas palavras de apoio e incentivo, apesar da distância. Às minhas sobrinhas...sobrinhos...afilhados...pela alegria e descontração proporcionada... Ao Elso, pelo amor, cumplicidade, pela compreensão nos momentos de ausência, por fazer parte da minha vida...Muito Obrigado. À minha sobrinha Anelise, companheira inseparável nesta jornada... Aos meus cunhados, em especial, Enio e Janice ... pelo carinho, incentivo, pelo apoio incondicional... Aos meus colegas, amigos, conhecidos ... presentes nos momentos da minha vida ...pela compreensão, pelo abraço, amizade, palavras de apoio e incentivo...valeu pela torcida! 2 3 À professora Eusélia, pela confiança, aceitando o convite para a orientação deste trabalho, pela atenção, pelo incentivo e carinho... A todos os professores do Curso de Ciências Contábeis, dedicados à arte de ensinar, pela contribuição para a minha formação acadêmica. Aos que forneceram informações necessárias para a elaboração deste trabalho, em especial aos alunos, professores e funcionários do Colégio Estadual Comendador Soares de Barros. À todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram na conclusão desse trabalho. Muito Obrigada! 3 4 SUMÁRIO GLOSSÁRIO................................................................................................................................09 LISTA DE FIGURAS: .................................................................................................................11 LISTA DE TABELAS: ................................................................................................................13 LISTA DE ANEXOS: ..................................................................................................................15 INTRODUÇÃO............................................................................................................................16 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO...............................................................................18 1.1 Área de conhecimento contemplada.............................................................................20 1.2 Caracterização da Entidade...........................................................................................20 1.3 Problematização do Tema............................................................................................21 1.4 Objetivos.......................................................................................................................23 1.4.1 Objetivo geral.................................................................................................24 1.4.2 Objetivos específicos.....................................................................................24 1.5 Justificativa...................................................................................................................24 1.6 Metodologia do Trabalho..............................................................................................26 1.6.1 Classificação da Pesquisa...............................................................................26 1.6.1.1 Quanto à natureza............................................................................27 1.6.1.2 Quanto à forma de abordagem do problema...................................27 1.6.1.3 Quanto aos objetivos da pesquisa....................................................27 4 5 1.6.1.4 Quanto aos procedimentos técnicos................................................28 1.6.2 Plano de Coleta de Dados..............................................................................29 1.6.3 Plano de Análise e Interpretação dos Dados..................................................29 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.............................................................................................30 2.1 Desenvolvimento Sustentável.......................................................................................30 2.2 Responsabilidade Social..............................................................................................33 2.3. A Água Doce no Mundo......................................................................................... ....36 2.3.1 A Água e o Desenvolvimento Sustentável.....................................................37 2.3.2 A Ameaça da Escassez Hídrica......................................................................38 2.3.3. O Uso Racional e a Conservação da Água...................................................39 2.3.4 Reuso das Águas............................................................................................40 2.3.5 Aproveitamento de Águas Pluviais...............................................................42 2.3.6 A Legislação Brasileira e os Recursos Hídricos............................................45 2.4 Elementos Necessários para a Implantação de um sistema de Captação de Água da Chuva..................................................................................................................................47 2.4.1 Área de Captação...........................................................................................49 2.4.2 Calhas e Tubulações.......................................................................................49 2.4.3 Dispositivos para Descartes da Primeira Chuva............................................50 2.4.4 Filtros ou Grades............................................................................................51 2.4.5 Tanques ou Reservatórios de Armazenamento..............................................51 2.4.6 Bombas...........................................................................................................52 2.5 Tipos de sistemas de coleta de água da chuva.............................................................52 2.5.1 Sistema simples de coleta de água do telhado...............................................53 2.5.2 Sistemas de captação da água da chuva para usos internos e externos..........53 2.6 Gestão Ambiental..........................................................................................................54 2.6.1 Estudo de Impacto Ambiental (EIA).............................................................57 2.6.2 Avaliação do Impacto Ambiental (AIA)........................................................57 2.6.3 Auditoria Ambiental......................................................................................57 2.6.4 Capital Natural .............................................................................................58 2.7 Contabilidade Ambiental......................................................................................................59 5 6 2.7.1 Evidenciação de Fatos Contábeis Ambientais...............................................60 2.7.1.1 Balanço Social....................................................................................61 2.7.2 O Plano de Contas Ambientais......................................................................63 2.7.3 Ativos Ambientais..........................................................................................63 2.7.4 Passivo Ambiental..........................................................................................65 2.7.4.1 Levantamento de Passivos Ambientais..............................................67 2.7.5 Contingências Ambientais.............................................................................68 2.7.6 Despesas Ambientais.....................................................................................69 2.7.7 Receitas Ambientais.......................................................................................70 2.7.8 Gastos Ambientais.........................................................................................71 2.8 Estudo de Projetos.................................................................................................................72 2.8.1 Avaliação Financeira e Econômica de Projetos.............................................72 2.8.1.1 A Rentabilidade Financeira ( rentabilidade privada).....................73 2.8.1.2 A Rentabilidade Econômica............................................................73 2.8.1.3 A Rentabilidade Social....................................................................74 2.8.2 A Determinação da Rentabilidade do Projeto................................................74 2.8.2.1 Critérios em Termos Corrente.........................................................75 2.8.2.1.1 A Rentabilidade Simples........................................................75 2.8.2.1.2 O Período de Retorno de Capital............................................75 2.8.2.1.3 Total dos Lucros Líquidos comparado com o total de investimentos..................................................................................................................................76 2.8.2.2 Critérios em Termos Atuais............................................................76 2.8.2.2.1 Valor Atual Líquido (VAL)..................................................76 2.8.2.2.2 Taxa Interna de Retorno (TIR)..............................................77 2.8.2.2.3 Taxa Interna Financeira de Retorno (TIRF)..........................77 2.8.2.2.3 Taxa Interna Econômica de Retorno (TIRE)........................78 3. ESTUDO DE CASO APLICADO: A INSTITUIÇÃO OBJETO DE ESTUDO........................................................................................................................................79 3.1 Levantamento de Dados................................................................................................79 3.1.1 Área de Cobertura..........................................................................................79 6 7 3.1.2 Dados Pluviométricos..................................................................................80 3.1.3 Dados de Consumo de Água........................................................................80 3.1.4 Leituras no Hidrômetro................................................................................80 3.2 Usos Finais de Água....................................................................................................81 3.2.1 Aparelhos Sanitários Existentes....................................................................81 3.2.2 Vazões............................................................................................................81 3.2.3 Entrevistas com os Usuários..........................................................................82 3.2.4 Estimativa do Consumo de Água...................................................................83 3.2.4.1 Estimativa do Consumo de Água em Aparelhos de Uso Individual........................................................................................................................................83 3.2.4.2 Estimativa do Consumo de Água em atividades de Uso Coletivo..........................................................................................................................................85 3.2.4.3 Estimativa do Consumo Total Diário e Mensal de Água...............86 3.2.5 Usos Finais Corrigidos...................................................................................87 3.3 Avaliação do Potencial de Economia de Água Potável................................................87 3.3.1 Percentual de Água Potável que poderia ser Substituído por Água Pluvial.............................................................................................................................................88 3.3.2 Reservatório de Água Pluvial........................................................................88 3.4 Análise Econômica.......................................................................................................89 3.5 Resultados.....................................................................................................................92 3.5.1 Levantamento de Dados.................................................................................93 3.5.1.1 Consumo de Água Potável..............................................................93 3.5.1.2 Consumo de Água Medido pela CORSAN.....................................93 3.5.1.3 Leituras no Hidrômetro...................................................................94 3.5.2 Usos Finais de Água......................................................................................95 3.5.2.1 Aparelhos Sanitários Existentes......................................................95 3.5.2.2 Vazões.............................................................................................97 3.5.2.3 Entrevistas com Usuários...............................................................98 3.5.2.3.1 Amostras de Entrevistados..............................................99 3.5.3 Estimativa do Consumo de Água.................................................................100 3.5.3.1 Médias de Consumo de Água por Categorias...............................100 7 8 3.5.3.2 Estimativa do Consumo de Água em Aparelhos de Uso Individual......................................................................................................................................102 3.5.3.3 Estimativa do Consumo de Água em Atividades de Uso Coletivo........................................................................................................................................103 3.5.3.4 Estimativa do Consumo Total Diário...........................................105 3.5.4 Avaliação do potencial de Economia de Água Potável...............................107 3.5.4.1 Área de Cobertura.........................................................................107 3.5.4.2 Dados Pluviométricos...................................................................108 3.5.4.3 Dimensionamento de Reservatório de Água Pluvial.....................110 3.5.5 Análise Econômica......................................................................................112 CONCLUSÕES GERAIS..........................................................................................................117 BIBLIOGRAFIA........................................................................................................................120 ANEXOS......................................................................................................................................126 8 9 GLOSSÁRIO Águas cinzas: é o esgoto gerado pelo uso de banheiras, chuveiros, lavatórios, máquinas de lavar roupas e pias de cozinha em residências, escritórios comerciais, escolas etc. Água de reúso: água residuária que se encontra dentro dos padrões exigidos para sua utilização. Água pluvial na edificação: água que provém diretamente da chuva, captada após o escoamento por áreas de cobertura, telhados ou grandes superfícies impermeáveis. Água potável: água que atende ao padrão de potabilidade determinado pela Portaria do Ministério da Saúde MS 518/04. Água recuperada: esgoto ou água de qualidade inferior que após tratamento é adequada para usos benéficos. Altura de sucção: é distância do nível mais baixo do líquido no reservatório até a linha de centro da bomba. Altura de recalque: é a distância entre a linha de centro da bomba e o nível mais alto no reservatório de recalque. Altura Pluviométrica: volume de água precipitada (em mm) por unidade de área. Anasazi: antigo povo indígena norte americano que viveu onde hoje fica o Four Corners, nos Estados Unidos, cerca de 1.200 a.C. Aproveitamento de água pluvial: uso da água de chuva para finalidades específicas, como lavagem de áreas externas, alimentação de bacias sanitárias, lavagem de veículos, etc. Área de Contribuição: comprimento X largura das área de superfícies que interceptando chuva, conduzem para determinado ponto de instalação. Astecas: Povo guerreiro, os astecas habitaram a região do atual México entre os séculos XIV e XVI. 9 10 Calha: canal que recolhe a água de coberturas, terraços e similares e a conduz a um ponto de destino. Condutor Horizontal: canal ou tubulação horizontal destinada a recolher e conduzir águas pluviais até determinado ponto. Condutor Vertical: tubulação vertical destinada a recolher águas de calhas, coberturas, terraços e similares e conduzí-las até a parte inferior de determinado lugar. Esgoto doméstico: despejo líquido resultante do uso da água para preparação de alimentos, operações de lavagem e para satisfação de necessidades higiênicas e fisiológicas. Esgoto ou efluente industrial: despejo líquido resultante da atividade industrial. Esgoto sanitário: despejo líquido constituído de esgoto doméstico e industrial, água de infiltração e parcela de contribuição pluvial. Intensidade Pluviométrica: é a altura pluviométrica por unidade de tempo (mm/h). Maia: O povo Maia habitou a região das florestas tropicais das atuais Guatemala, Honduras e Península de Yucatán (região sul do atual México). Rei Mescha: Rei de Moab (atual Jordânia), no século 9 a. C. Reúso: uso de água residuária ou água de qualidade inferior tratada ou não. Reúso direto de água: uso planejado de água de reúso, conduzido ao local de utilização, sem lançamento ou diluição prévia em corpos hídricos superficiais ou subterrâneos. Reúso doméstico: aproveitamento das águas residuárias residenciais provenientes dos usos domésticos que apresentem pouca matéria orgânica, como banho e higiene pessoal, para atividades de lavanderia, descargas em bacias sanitárias, rega de jardim e outras atividades menos nobres. Reúso indireto de água: uso de água residuária ou água de qualidade inferior, em sua forma diluída, após lançamento. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki http://www.abcmac.org.br FIESP & SINCUSCON-SP (2009) GHISI &GUGEL (2005) 10 11 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Fortaleza de Masada/Israel............................................................................................18 Figura 2: As cinco dimensões da sustentabilidade.......................................................................32 Figura 3: Classificação das águas doces – Resolução CONAMA n.º 357 de 17/03/2005............47 Figura 4 - Esquema de funcionamento de sistema aproveitamento de água de chuva..................48 Figura 5: Modelo de Calha horizontal cilíndrica...........................................................................49 Figura 6: Desviador das águas das primeiras chuvas com válvula de desvio horizontal.............50 Figura 7: Reservatório cilíndrico usado para armazenamento de águas pluviais..........................51 Figura 8: Bombas de sucção usada para bombear água dos reservatórios....................................52 Figura 9: Esquema de Coleta de água da chuva com reservatório de auto-limpeza.....................53 Figura 10: Sistema de coleta da água de chuva para uso externo.................................................54 Figura 11: Modelo de Decisão e Gestão Ambiental.....................................................................56 Figura 12: Lavatórios dos banheiros..............................................................................................96 Figura 13: Gramados/Jardim..........................................................................................................96 Figura 14: Vaso sanitário com caixa d’água alta............................................................................96 Figura 15: Vista Parcial do pomar..................................................................................................96 Figura 16: Refeitório......................................................................................................................97 Figura 17: Pátio Interno/Campo.....................................................................................................97 Figura 18: Vista Parcial dos Prédios/pátio interno.........................................................................97 Figura 19: Vista Parcial dos prédios/gramado................................................................................97 Figura 20: Frente parcial do Ginásio de Esportes.........................................................................108 Figura 21: Vista Parcial Frente do Ginásio da Escola..................................................................108 11 12 Figura 22: Vista Parcial Lateral do Ginásio.................................................................................108 Figura 23: Gráfico da Precipitação Pluviométrica Média Mensal no Município de Ajuricaba......................................................................................................................................109 12 13 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Consumos e custos médios de água para os meses do ano de 2008 à 2010...................93 Tabela 2: Valores lidos no hidrômetro e consumos médios diários calculados.............................94 Tabela 3: Vazão dos aparelhos sanitários existentes......................................................................98 Tabela 4: Número total dos usuários por categorias, por sexo e amostras de entrevistas obtidas.............................................................................................................................................99 Tabela 5: Médias diárias de freqüência, de tempo de uso e de consumo de água per capita por aparelhos por alunos (as)..............................................................................................................100 Tabela 6: Médias diárias de freqüência, de tempo de uso e de consumo de água per capita por aparelhos por funcionários (as) ....................................................................................................101 Tabela 7: Médias diárias de freqüência, de tempo de uso e de consumo de água per capita por aparelhos por professores (as) .....................................................................................................101 Tabela 8: Freqüência de tempo e consumo médio de água per capita por aparelhos de uso individual......................................................................................................................................102 Tabela 9: Valores estimados de consumo diário total de água por aparelho de uso individual...102 Tabela 10: Consumo médio diário de água para limpeza, irrigação e lavação.............................104 Tabela 11: Consumo diário total de água nas atividades da cozinha do refeitório (torneiras das pias)..............................................................................................................................................104 Tabela 12: Consumo total diário de água por aparelhos e atividades..........................................105 Tabela 13: Consumo per capita específico por natureza.............................................................106 Tabela 14: Dados de entrada utilizados nos cálculos dos reservatórios de água pluvial..............111 Tabela 15: Volumes totais adotados para os reservatórios (inferior e superior) e potencial de economia de água potável.............................................................................................................112 Tabela 16: Resumo dos custos de implantação e operação do sistema........................................114 13 14 Tabela 17: Dados utilizados, resultados obtidos e período de retorno do investimento..............115 14 15 LISTA DE ANEXOS ANEXO A: Planta Baixa e de Localização do Ginásio de Esportes do Colégio.........................128 ANEXO B: Índices Pluviométricos do Município de Ajuricaba – Defesa Civil/RS...................129 ANEXO C: Relatório Resumo das Faturas e Medições do Colégio – CORSAN........................131 ANEXO D: Questionários utilizados nas entrevistas...................................................................134 ANEXO E: Dados de freqüência, de tempo de uso e de consumo de água por aparelhos para cada categoria de usuário......................................................................................................................137 15 16 INTRODUÇÃO A água é um recurso natural fundamental à sobrevivência de todas as espécies que habitam a terra. Apesar da sua reconhecida importância, a água doce está cada vez mais ameaçada, tanto em sua quantidade quanto em sua qualidade e o problema da escassez já é uma realidade. Em algumas regiões do mundo, suprir a demanda de água já está se tornando um problema em função do acelerado crescimento populacional, principalmente urbano. De acordo com relatórios da Organização das Nações Unidas, a atual população mundial é estimada em aproximadamente 6,5 bilhões de pessoas, tendendo a alcançar a marca de 9 bilhões em 2050 (ONU, 2006), sobrecarregando ainda mais os sistemas de abastecimento de água. Devido a este acentuado aumento da população mundial e, consequentemente, ao aumento do consumo de água potável; da má distribuição populacional em função das reservas hídricas; do desperdício de água potável resultante do mau uso, bem como, dos vazamentos nas instalações e da precariedade das redes de distribuição e abastecimento de água, tem contribuído para o maior consumo deste recurso. Diante deste contexto é preciso conscientizar as pessoas que o uso sustentável da água e a preservação dos recursos hídricos, é de suma importância hoje e também para as futuras gerações. A utilização dos recursos naturais, atualmente, atingiram um nível que impõe novas maneiras de pensar o futuro. Alegretti (2001, p.73) assinala: Em todo o mundo, os ecossistemas reguladores das águas e dos recursos hídricos estão sendo contaminados, drenados, canalizados, represados, desviados esgotados pelo mau 16 17 uso desses recurso essenciais à vida, gerando graves conseqüências sociais e ambientais. A exclusão hídrica atinge hoje metade da população mundial, afetando principalmente os países mais pobres. No Brasil, a situação se repete. Embora sejamos o país mais rico do mundo em reservas hídricas, com 17% da água doce disponível no planeta, cerca de 9 milhões de famílias brasileiras não tem acesso à água potável em suas casas, nem mesmo saneamento adequado. Desta forma, percebe-se a necessidade da utilização de novas técnicas de aproveitamento da água. Uma alternativa que visa suprir a demanda da população em relação ao uso de água para fins não potáveis é o aproveitamento de água da chuva, um recurso natural amplamente disponível na maioria das regiões do Brasil. Através de sistemas de captação da água pluvial é possível reduzir o consumo de água potável, minimizar alagamentos, enchentes, racionamentos de água e preservar o meio ambiente reduzindo a escassez dos recursos hídricos. (MARINOSKI, 2007). Portanto, para a implantação desses sistemas, são necessários estudos de viabilidade e estimativas, verificando o potencial de economia de água potável e determinando a relação entre o custo e o benefício. Deste modo, pretendeu-se neste trabalho, aliar educação ambiental com consciência ambiental no uso dos recursos hídricos, envolvendo alunos, professores, funcionários e comunidade, visto que a escola possui grande parcela de responsabilidade na educação ambiental de seus alunos, aliado ao fato de que, poucos estudos relacionados exclusivamente à implantação de sistemas de aproveitamento de água de chuvas em instituições de ensino, estão disponíveis na literatura nacional. O estudo apresenta, primeiramente, a contextualização, onde são apresentados a área de conhecimento contemplada, a caracterização da entidade, a problematização do Tema, o objetivo geral e específicos e a justificativa. Posteriormente a metodologia utilizada na realização do trabalho, seguida pela fundamentação teórica relativa a revisão bibliográfica dos temas relacionados ao estudo: Desenvolvimento Sustentável; Responsabilidade Social; Recursos Hídricos: conservação e reuso, aproveitamento de águas pluviais, Legislação Brasileira e os recursos hídricos; Gestão Ambiental; Contabilidade Ambiental; Avaliação Econômica de Projetos e Estudo de Caso. Na seqüência, o terceiro capítulo apresenta o estudo de caso, onde foi verificado o potencial de economia de água potável obtido através de um sistema de aproveitamento de água pluvial para fins não potáveis. No capítulo quatro, estão apresentados os resultados obtidos. Posteriormente, o trabalho apresenta a conclusão, a bibliografia utilizada e os anexos. 17 18 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO Atualmente há uma grande preocupação da sociedade em relação à conservação dos recursos naturais. Dentre estes, a água é um dos mais preciosos, uma vez que é um bem essencial à vida de todos os seres vivos. A captação e aproveitamento da água não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há anos. No entanto, a crescente demanda por água tem feito do reuso planejado um tema atual e importante. De acordo com Tomaz (2003) registros históricos indicam que a água da chuva já é utilizada pela humanidade há milhares de anos. Existem inúmeras cisternas escavadas em rochas, utilizadas para aproveitamento de água pluvial, que são anteriores a 3.000 a.C. em Israel, encontra-se um dos exemplos mais conhecidos, a famosa Fortaleza de Massada, com dez reservatórios escavados na rocha, tendo como capacidade total 40 milhões de litros. Durante a era Romana, foram construídos sistemas sofisticados para coleta e armazenagem de água de chuva. Acredita-se que os reservatórios de água de chuva encontrados na região do Parque Nacional Mesa Verde, nos Estados Unidos, foram construídos pelos Anasazis entre 750 a 1100 a.C. A Fortaleza de Massada está representada na figura à seguir: Figura 1: Fortaleza de Masada, Israel. Fonte: Bibleplaces (2009). 18 19 Em uma das inscrições mais antigas do mundo, a Pedra Moabita, encontrada no Oriente Médio, datada de 850 a.C., nela o Rei Mesha sugeria a construção de uma cisterna em cada casa para aproveitamento da água de chuva. No México, as inscrições mais antigas e tradicionais de coleta de água de chuva são datadas na época dos Astecas e dos Mayas. Onde existem cisternas ainda em uso, que datam de antes da chegada de Cristóvão Colombo à América. No Brasil, a instalação mais antiga que se tem notícia, foi construída pelos norte-americanos em 1943, na Ilha de Fernando de Noronha. Países industrializados, como o Japão e a Alemanha, estão seriamente empenhados no uso do sistema de aproveitamento de água de chuva para fins não potáveis. Outros países como Estados Unidos, Austrália e Singapura também estão desenvolvendo pesquisas sobre esse sistema. Em 1992, iniciou-se um sistema de uso de água de chuva no aeroporto de Chagi, em Singapura. A chuva captada nas pistas de decolagem e aterrissagem é coletada e utilizada para descarga dos banheiros, evitando transtornos com enchentes nas pistas. Essa iniciativa abriu caminhos para novas áreas de pesquisa de aproveitamento de águas pluviais nesses países. (GROUP RAINDROPS, 2002). No Brasil, até bem pouco tempo atrás, existiam poucas experiências de aproveitamento de água pluvial. O Nordeste brasileiro foi o pioneiro na arte de captação de águas pluviais. Fatores como a falta de água nos açudes, lagoas e rios, que são temporários naquela região, levam parte da população nordestina a utilizar a água da chuva para suprir as necessidades de uso doméstico e das atividades na agricultura. Atualmente, já existe no País a Associação Brasileira de Manejo e Captação de Água de Chuva, que é responsável por divulgar estudos e pesquisas, reunir equipamentos, instrumentos e serviços sobre o assunto (ABCMAC, 2008). O presente trabalho tem por objetivo comprovar a importância do aproveitamento da água proveniente da chuva para fins não potáveis. Neste primeiro capítulo, são apresentados o tema indicado, a caracterização da organização, a problemática do tema em estudo, os objetivos, a justificativa e a metodologia da pesquisa. 19 20 1.1 Área de conhecimento contemplada A Contabilidade, desde seu surgimento, teve como função primordial o acompanhamento das atividades econômicas, no papel de mensuradora e relatora da situação patrimonial das empresas aos principais usuários das informações contábeis, administrativas, econômicas, sociais e ambientais, acompanhando sua evolução no decorrer do tempo. Com a evolução e diferenciação das necessidades dos usuários, surge uma nova área de atuação da Contabilidade: a Contabilidade Ambiental. A Contabilidade Ambiental pode ser entendida como a atividade de identificação de dados e registro de eventos ambientais, processamento e geração de informações que subsidiem o usuário servindo como parâmetro em suas tomadas de decisão (PAIVA, 2003). Neste contexto, o presente Trabalho de Conclusão de Curso, buscou mostrar a preocupação com assuntos como proteção dos recursos naturais, desenvolvimento sustentável, responsabilidade e educação ambiental, entre outros, que possam estar associado à Contabilidade e ao meio ambiente. 1.2 Caracterização da Entidade A Instituição de Ensino objeto de estudo do presente trabalho é o Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, localizado na Linha 18 Norte, Zona Rural, na cidade de Ajuricaba/RS. A instituição foi criada em 1935 e funcionava em prédio cedido pela Prefeitura Municipal, no centro do município. Atualmente, atua em edificações próprias e oferece diversas modalidades de ensino: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Profissional. Atende atualmente 504 alunos e conta com 61 professores e 14 funcionários, distribuídos nas áreas administrativas, de infra-estrutura e zeladoria. 20 21 A edificação, localizada em um terreno de 14.400 m², possui sete pavimentos, onde estão distribuídas 14 salas de aula, 12 sanitários, laboratórios de Informática e Biologia, biblioteca, auditório, cozinha com refeitório, setor administrativo (Direção, Coordenação, Secretaria, Sala dos Professores e sala de Recursos de Multimídia e Reprografia), Cantina, além de um Ginásio de Esportes, Campo de Futebol, Horta, Pomar, Bosque e floreiras espalhadas pelo pátio da Escola. O acesso aos prédios se dá através de passarelas cobertas e pavimentadas. A cobertura dos prédios são de telhas de amianto. Convém salientar, que a escola é a única no Município que oferece Ensino Médio e Educação Profissional, abrangendo, portanto, alunos das demais escolas urbanas e também do interior. A Filosofia da instituição baseia-se na afirmação que todo sujeito constrói o conhecimento a partir de sua interação com o meio, da sua atividade, dos estímulos que recebe, do levantamento e comprovação de hipóteses e na Educação como processo participativo de construção e apropriação do conhecimento e de tecnologias para a transformação da sociedade; justa, economicamente viável, ambientalmente sustentável, solidária e igualitária. 1.3 Problematização do Tema A superfície do Planeta Terra é coberta quase toda de água, mais precisamente, dois terços da superfície. Apesar dessa aparente abundância líquida, o mundo vive tempos de escassez de água. À despeito de alguns países terem nascido em meio à vastos suprimentos de água, e outros, sobre superfícies áridas, o total hídrico é suficiente para todos, considerando que a água é um recurso natural renovável: rios, lagos e lençóis subterrâneos são capazes de repor seus suprimentos. No entanto, é importante salientar que 97,5% da água do mundo é salina, e dos 2,5% de água doce, 1,75% está retido nas geleiras e calotas polares. A umidade do solo, o vapor e lençóis freáticos profundos retêm mais uma pequena fração, e sobra menos de 1% para a humanidade suprir suas necessidades. Parece pouco, mas esse total seria suficiente, se não houvesse desperdício e poluição, que acabam por alterar o ciclo hidrológico (TOMAZ, 2003). 21 22 O desmatamento de encostas de morros causa deslizamentos, erosão do solo, dificulta a absorção de umidade pelos lençóis subterrâneos e reduz o volume de água dos rios. Os esgotos poluem mananciais que poderiam ser aproveitados, e boa parte da população contrai doenças por beber água contaminada. O percurso da água na natureza não dá conta do consumo humano desenfreado, conseqüência da explosão populacional, o que resulta também, na necessidade de produzir mais alimentos e em maior quantidade. No Brasil, a agricultura é o setor que utiliza cerca da metade da água doce nacional disponível, as plantações são irrigadas e usam em sua maioria, métodos ultrapassados para regar as terras cultivadas e produzir comida. Apesar de as áreas rurais serem as que mais retiram água doce do ambiente, boa parte das cidades brasileiras, são responsáveis pelo desperdício, não apenas os usuários domésticos, mas as indústrias também tem sua parcela de responsabilidade, e setores como os de alimentos ou papel e celulose, que usam grandes quantidades de água, tudo isso, somados ainda, às precárias redes de distribuição e ao mau gerenciamento pelas Companhias de Saneamento Básico. Sendo que, nas grandes cidades, a poluição impede, muitas vezes, o uso da água dos rios locais para abastecimento. Ao longo das últimas décadas, diversas alternativas vem sendo propostas para solucionar o problema da falta de água, como os sistemas de aproveitamento de água da chuva, que após coletada, pode ser utilizada em descarga de vasos sanitários, torneiras de jardins, irrigação de hortas, lavagem de roupas e calçadas e de automóveis. O uso eficiente da água em todos os tipos de edificações está relacionado diretamente com o comportamento dos usuários quanto à utilização deste recurso finito. Em edificações públicas, como a escola em estudo, onde o usuário não é responsável diretamente pelo pagamento da conta de abastecimento de água, ocorre uma tendência de maior desperdício deste recurso. No entanto, as escolas atendem um grande número de pessoas, constituindo –se, assim, em excelente meio de divulgação dos benefícios de técnicas sustentáveis, como o aproveitamento de água pluvial. O Colégio Estadual Comendador Soares de Barros possui uma área total de 14.400m². Com áreas verdes, representadas por um pequeno bosque, horta, campo de futebol gramado, jardins, além do Ginásio de Esporte. 22 23 Para atender tais necessidades, o Colégio Comendador, consome em média 69,00m³ de água por mês, o que representa um gasto mensal médio de R$ 368,00 (CORSAN – janeiro /2008 à junho/2010). Conforme dados da Defesa Civil/RS (2009), o Município de Ajuricaba, possui uma pluviosidade média mensal de 169,00mm (janeiro/06 à junho/10). A região onde se situa a Escola é bem servida de chuvas, sendo que no verão o município tem uma maior concentração pluvial. Meses estes, que coincidem com o período de férias, quando então, a água coletada poderia estar sendo armazenada para a limpeza pesada (lavagens externas e internas de paredes, calçadas, etc) que ocorrem nesta época, em preparação para o início do ano letivo. O sistema proposto para a Escola, consiste praticamente, em aproveitar a área de telhados para a captação de água, que seria conduzida por meio de calhas e armazenada em cisterna, tendo em vista, que a escola possui uma privilegiada área de telhados que podem ser usadas para captação. A instalação de um Sistema de Captação e Aproveitamento de Água de Chuva, tem como objetivos, trabalhar conceitos de sustentabilidade e consequentemente, de economizar gastos com água tratada para fins não potáveis. Desta forma, o presente estudo contribui na conscientização dos usuários da importância da água, do seu uso racional e conseqüentes benefícios econômicos, sociais e ambientais. Considerando este contexto, questiona-se: qual a viabilidade econômica da utilização de um sistema de coleta e aproveitamento da água de chuva em uma escola da rede pública de ensino? 1.4 Objetivos A água tem se tornado um recurso cada vez mais escasso, principalmente em regiões onde a disponibilidade é pequena. O aproveitamento da água da chuva surge como uma alternativa para minimizar esse problema e, portanto, deve ser avaliada. 23 24 1.4.1 Objetivo geral Este trabalho teve por objetivo analisar a viabilidade econômica/ambiental da implantação de um sistema de captação e aproveitamento da água da chuva para fins não potáveis no Colégio Comendador Soares de Barros – Ajuricaba/RS. 1.4.2 Objetivos específicos - Revisar a bibliografia; - Analisar a relação custo versus benefício da implantação de um sistema de coleta e aproveitamento de águas pluviais para fins não potáveis; - Estimar o volume de água de chuva que pode ser captada; - Estimar a média de consumo de água da Escola; - Analisar o retorno do investimento; - Contribuir com a conscientização da população da necessidade do reaproveitamento da água; 1.5 Justificativa A água é considerada o principal recurso natural, sendo indispensável para o desenvolvimento dos seres vivos e de inúmeras atividades humanas como: comerciais, industriais, agrícolas e culturais. Entretanto, com os recorrentes problemas de escassez devido às crescentes demandas e problemas de poluição dos mananciais, o desenvolvimento de ações e práticas alternativas destinadas a promover o adequado uso da água, se fazem urgentes. Entre elas, a mudança nos padrões de consumo e a conscientização da população para adoção de novas atitudes e comportamentos que evitam o desperdício e a contaminação da água, o desenvolvimento de tecnologias de produção mais limpas, a prática do reúso ou o reaproveitamento de águas residuárias e a captação da chuva para usos menos nobres. 24 25 Dentre estas práticas, o manejo e o aproveitamento da água de chuva para uso doméstico, industrial e agrícola está ganhando ênfase em várias partes do mundo, sendo considerado um meio simples e eficaz para se atenuar o grave problema ambiental da crescente escassez de água para consumo. A captação e o armazenamento da água da chuva, além de gerar economia hídrica e financeira, apresentam a vantagem de reduzir a probabilidade de enchentes, principalmente nos grandes centros urbanos, que possuem praticamente a totalidade de seus solos impermeabilizados por ruas, calçadas e edificações. A água da chuva também pode ser utilizada de várias formas: durante a lavagem de calçadas, automóveis, irrigação de hortas e jardins, descargas de aparelhos sanitários, etc. Com isso, ela é capaz de compensar deficiências, substituindo com vantagens a água oriunda dos sistemas públicos de abastecimentos (água tratada destinada à fins potáveis). Diante do exposto, surgiu o interesse pelo tema “ Aproveitamento de Água Pluvial”, por entender que um estudo nesta dimensão pode contribuir com a adoção de medidas capazes de levar a conservação dos recursos hídricos, e sobretudo, incentivar ações educativas de conscientização ambiental junto à comunidade escolar, enfatizando a importância do aproveitamento da água da chuva nas edificações escolares; pois além de não causar nenhum impacto ambiental, ainda gera considerável redução do consumo de água potável. As edificações escolares em geral, têm um grande potencial para a implantação de sistemas de aproveitamento de água pluvial, por apresentarem grandes áreas de telhados e outras coberturas (áreas de captação), contribuindo para coleta de maior volume de água da chuva. Além disso, as escolas atendem um grande número de pessoas, constituindo-se desta forma, excelente meio de divulgação dos benefícios de técnicas sustentáveis, proporcionando também que potenciais futuros usuários se familiarizem com tais sistemas. Considerando as afirmações já citadas, a realização do estudo a que se propõe este trabalho, na instituição Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUI), no curso de Ciências Contábeis, na área de Contabilidade Ambiental, trará contribuições para a Universidade, tendo em vista, o relevante papel desta no processo de transformação social, como formadora de conhecimento, além de reafirmar em seus programas, a responsabilidade ambiental, a sustentabilidade e a educação para o desenvolvimento sustentável. 25 26 Para os acadêmicos do curso de Ciências Contábeis e demais usuários, o trabalho servirá de subsídio para fomentar outros trabalhos relacionados à área em questão ou suscitar novos projetos relacionados ao tema proposto, além de levar à reflexão quanto à necessidade da conservação da água e de que é preciso buscar medidas e soluções sustentáveis que venham contribuir com o uso racional da água. 1.6 Metodologia do Trabalho Este tópico aborda a forma como foi o desenvolvimento do trabalho, quanto à classificação da pesquisa, o plano de coleta de dados e o plano de análise e interpretação dos dados. Para este estudo, foi desenvolvida uma metodologia que compreende as seguintes etapas: levantamento de dados referentes ao consumo de água e valor, dados pluviométricos da região, determinação das áreas de cobertura para captação, dimensionamento do reservatório para aproveitamento da água pluvial e a análise econômica da viabilidade de implantação do sistema na instituição de ensino. 1.6.1 Classificação da Pesquisa Dentre as abordagens sugeridas no artigo 8º do Regulamento do Trabalho de Conclusão de Curso, o presente trabalho trata do Estudo de Caso e o Aprofundamento de Temas Específicos. Essa pesquisa consiste num trabalho prático elaborado em uma instituição de ensino e na análise da viabilidade econômica de um projeto. De acordo com Gil (1999) o estudo pode ser classificado quanto a natureza da pesquisa, a abordagem, os objetivos e os procedimentos técnicos. 26 27 1.6.1.1 Quanto à natureza Do ponto de vista de sua natureza, segundo Silva e Menezes (2000), a pesquisa pode ser classificada como Básica ou Aplicada. A pesquisa básica é aquela que objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista e envolve verdades e interesses universais. Já a pesquisa aplicada é aquela que objetiva gerar conhecimentos para a aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos e envolve verdades e interesses locais. Esta pesquisa, caracteriza-se como aplicada, pois está relacionada a assunto específico de um estudo de caso, elaboração de um sistema de captação e aproveitamento de água pluvial, além da análise da viabilidade econômica do projeto. 1.6.1.2 Quanto à forma de abordagem do problema Conforme Silva e Menezes (2000), a pesquisa pode ser classificada como Pesquisa Quantitativa, que considera que tudo pode ser quantificável. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas. E a Pesquisa Qualitativa, que considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e sujeito, que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais da abordagem. 1.6.1.3 Quanto aos objetivos da pesquisa Do ponto de vista de seus objetivos, conforme Gil (2002), esta pesquisa é classificada como Exploratória, pois visa proporcionar maior familiaridade com o problema, torná-lo explícito, além do aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições (hipóteses). Abrange 27 28 levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas envolvidas com o problema pesquisado, análise de exemplos para compreensão e clareamento de conceitos. Vergara (2004) afirma que a pesquisa exploratória é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado. Já Lakatos e Markoni (1996), definem pesquisa exploratória como sendo aquelas investigações que tem por objetivo a formulação de questões ou de um problema com a finalidade de desenvolver hipóteses; aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno para a realização de uma pesquisa futura mais precisa; modificar e clarear conceitos. 1.6.1.4 Quanto aos procedimentos técnicos Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, a pesquisa pode ser classificada como bibliográfica, documental, levantamento e estudo de caso. Conforme Gil (2002), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros, artigos científicos e atualmente com material disponibilizado na Internet. A pesquisa documental baseia-se em materiais que ainda não receberam um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa. Já a pesquisa do tipo levantamento caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Por outro lado, a pesquisa do tipo estudo de caso consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado conhecimento. Este trabalho, quanto aos procedimentos técnicos, enfoca a existência de três grupos de delineamento da pesquisa em relação aos procedimentos adotados para a coleta de dados: a pesquisa bibliográfica , a pesquisa documental e o estudo de caso. O Estudo de Caso é um dos tipos de pesquisa que vem ganhando crescente aceitação na área da educação porque pode confrontar a situação específica de uma instituição ou sistema com outras já conhecidas ou com teorias existentes, além de ajudar a gerar novas questões para futura investigação ou na resolução de problemas propostos. 28 29 1.6.2 Plano de coleta de dados Nesta pesquisa, como plano de coleta para obter os dados necessários em cada etapa ou fase do projeto, foram utilizados como fontes: documentos internos, legislação, documentos e materiais publicados, pesquisas na Internet, levantamento de dados através de aplicação de questionários e entrevistas com funcionários, alunos e professores, coleta de contas de consumo, verificação de áreas de captação, estimativas da quantidade à ser captada, dados pluviométricos, entre outros, que se tornaram adequados aos propósitos deste estudo. A finalização do estudo aconteceu com a interpretação dos dados e a análise da viabilidade econômica da implantação de um sistema de captação e aproveitamento de água pluvial para uma instituição de ensino. Segundo Lakatos e Markoni (1996) o planejamento detalhado, testado e o rigoroso controle de aplicação dos instrumentos de pesquisa, evitará o desperdício de tempo, erros, defeitos que poderão comprometer a pesquisa. Em linhas gerais as técnicas de coleta de dados são: coleta documental; observação; entrevista; questionário; formulário; medidas de opinião e atitude; técnicas mercadológicas; testes; sociometria; análise de conteúdo e história de vida. 1.6.3 Plano de Análise e Interpretação de Dados A análise e a apresentação dos resultados da pesquisa visam analisar através da teoria e da prática, a viabilidade e o esclarecimento ao estudo proposto. O método de descrição e apresentação dos dados foi realizado através de análise das informações coletadas, cálculos, simulações, apresentação de gráficos e planilhas. Somente então, foi realizada uma análise conclusiva do presente trabalho e da viabilidade econômica do sistema de captação e aproveitamento da água da chuva para a instituição de ensino Colégio Comendador, principal objetivo desta pesquisa. 29 30 2.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A elaboração da pesquisa bibliográfica serve para fundamentar a compreensão da área em estudo, evidenciar a forma como o assunto foi abordado e analisado em estudos anteriores e que embasaram a busca das variáveis e da solução do problema proposto. Foram analisados e conceituados temas como: Desenvolvimento Sustentável, Responsabilidade Social, A Água Doce no Mundo, Água e Desenvolvimento Sustentável, Ameaça da Escassez Hídrica, o Uso Racional e a Conservação da Água, o Reuso das Águas, Aproveitamento de Águas Pluviais, a Legislação Brasileira e os Recursos Hídricos, Gestão Ambiental, Contabilidade Ambiental e Analise da Viabilidade Econômico de Projeto, além de propor um sistema de captação e aproveitamento de águas pluvias em instituição de ensino. 2.1 Desenvolvimento Sustentável Houve um tempo em que se acreditava que os recursos naturais como a água e o ar eram infinitos e que a natureza seria capaz de absorver e limpar todo o lixo produzido. A possibilidade de esgotamento dos recursos naturais não preocupava a humanidade, e o crescimento econômico estava totalmente vinculado à setores produtivos altamente poluentes e destrutivos. Nas últimas décadas acumularam-se evidências de que o desenvolvimento econômico alcançado por alguns e perseguido por muitos países está causando efeitos devastadores sobre o meio ambiente e a grandes parcelas da população humana. De acordo com Torres (2003), o modelo de desenvolvimento da nossa sociedade industrial está se esgotando por não conhecer limites, porque ocorreu de forma desordenada, sem planejamento e às custas de níveis crescentes de poluição e degradação ambiental. Estes problemas começaram a causar impactos negativos significantes, num primeiro momento de forma localizada, mas que atualmente adquirem importância global, e cujos sintomas são percebidos na degradação dos recursos naturais, nas disparidades sociais e na onda crescente dos conflitos pelo planeta. 30 31 A humanidade deve reconhecer que agredir o meio ambiente põe em perigo a sobrevivência de sua própria espécie; a existência da humanidade toda. Segundo Tinoco (2004) “podemos conceber um ecossistema sem o homem, não podemos encontrar o homem sem algum ecossistema.” Esse processo de interligação foi descrito no século passado numa carta atribuída a um chefe índio e enviada ao Presidente dos Estados Unidos que, de acordo com Dias (1993) apud Tinoco (2004, p.35), em sua obra. A Carta do Chefe Indígena Seatle, dizia: ... ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a Terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à Terra, acontecerá aos filhos da Terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos...a Terra não pertence ao homem; o homem pertence à Terra...todas as coisa estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. O homem não tece a teia da vida; ele é apenas um fio. Tudo o que faz à teia, ele faz a si mesmo. A gravidade como se apresentam a depredação e a poluição, tem obrigado o desenvolvimento de tecnologias, políticas e regras de conduta específicas para a contenção do processo de degradação ambiental. Nesse contexto, surge o conceito de Desenvolvimento Sustentável, introduzido pelo Relatório “ Nosso Futuro Comum”, preparado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, publicado em 1987. O Desenvolvimento Sustentável é “ quando provê as necessidades da geração atual sem comprometer a habilidade de que as futuras gerações possam prover as suas ” (SALATI e LEMOS, 2006, p. 37). Em resumo, o Desenvolvimento Sustentável é o desenvolvimento economicamente viável, ambientalmente adequado e socialmente justo para toda a humanidade. No entanto, isto não significa interromper o crescimento econômico, mas de eleger um caminho que garanta o desenvolvimento integrado e participativo e que considere a valorização e o uso racional dos recursos naturais. O Desenvolvimento Sustentável sugere a necessidade de mudanças de paradigmas, desafio da mudança dos padrões de consumo atuais e produção, melhoria da qualidade de vida das pessoas, da redução do uso de matéria primas e produtos e do aumento da reutilização e da reciclagem. 31 32 Figura 2: As cinco dimensões da Sustentabilidade Fonte: Sachs apud Tinoco e Kraemer ( 2004, p.136) Conforme Tinoco e Kraemer (2004, p. 137), a sustentabilidade apresenta as seguintes dimensões: - A Sustentabilidade Social – que se entende como a criação de um processo de desenvolvimento sustentado por uma civilização com maior eqüidade na distribuição de renda e de bens, de modo a reduzir o abismo entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres. - A Sustentabilidade Econômica – que deve ser alcançada através do gerenciamento e alocação mais eficientes dos recursos e de um fluxo constante de investimentos públicos e privados. - A Sustentabilidade Ecológica – que pode ser alcançada através do aumento da capacidade de utilização dos recursos, limitação do consumo de combustíveis fósseis e de outros recursos que são facilmente esgotáveis, redução da geração de resíduos e de poluição, através da conservação de energia, de recursos e da reciclagem. - A Sustentabilidade Espacial – que deve ser dirigida para a obtenção de uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas. - A Sustentabilidade Cultural – incluindo a procura por raízes endógenas de processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, que facilitem a geração de soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e área. De acordo com Cavalcanti (1995), o Desenvolvimento Sustentável tem seis aspectos prioritários que devem ser entendidas como metas: 32 33 a) A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer, etc); b) A solidariedade para com as gerações futuras ( preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver); c) A participação da população envolvida ( todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal); d) A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc); e) A elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como por exemplo os índios); f) A efetivação dos programas educativos. A partir do momento em que o centro das atenções torna-se a pessoa e não, o lucro, acredita-se que os primeiros passos estão sendo dados rumo à sustentabilidade ( CARVALHO, 2008). Portanto, para que uma transformação efetiva aconteça, é urgente a mudança do comportamento individual e a reformulação de nossa concepção de valores ambientais, neste contexto, a educação ganha destaque e se torna o meio modelador do comportamento sustentável perante a sociedade, além de ser a maneira mais direta e funcional de se atingir a participação da população. 2.2 Responsabilidade Social O grande desafio do Desenvolvimento Sustentado e da Responsabilidade Social é equilibrar as variáveis econômicas, sociais, éticas e ambientais em torno de um grande objetivo: a permanência da humanidade no planeta. 33 34 Uma representação desse conceito é a definição apresentada por Barbosa e Rabaça (2001, p. 25): A Responsabilidade Social nasce de um compromisso da organização com a sociedade, em que sua participação vai mais além do que apenas gerar empregos, impostos e lucros. O equilíbrio da empresa dentro do ecossistema social depende basicamente de uma atuação responsável ética em todas as frentes, em harmonia com o equilíbrio ecológico, com o crescimento econômico e com o desenvolvimento social. Em um aspecto mais amplo, pode-se dizer que o conceito de Responsabilidade Social veio sendo aprimorado através do tempo, como conseqüência das mudanças nas estruturas organizacionais. À medida que a empresa foi se vendo obrigada a repensar alguns de seus valores, no sentido de constituir mais que uma realidade econômica, foi sendo incorporada a sua filosofia um contexto social, dentro do qual se estabeleceram responsabilidades. Para Howard Bowen (apud VIEIRA, 2007, p. 28), considerado um dos pioneiros no debate acerca deste conceito, entende Responsabilidade Social, como: “ a obrigação da empresa adotar práticas, tomar decisões e acompanhar linhas de ações desejáveis segundo os objetivos e valores da sociedade.” Portanto, a empresa, ao passar por modificações no contexto social, e sendo ela cada vez mais chamada para participar como cidadã, da vida da comunidade em que está inserida, se vê obrigada a rever sua posição diante apenas da obtenção do lucro. Com relação aos públicos junto aos qual a empresa tem responsabilidade social, são considerados prioritários: os empregados, os acionistas, os fornecedores e distribuidores, os consumidores e a comunidade. Conforme Vieira (2007), a importância desse público para a empresa reside no fato de que a comunidade, ao congregar indivíduos que são também consumidores, fornecedores e empregados, detêm um grande poder de influência sobre a atividade empresarial. Se a organização for bem vista pela comunidade, poderá garantir, entre outras coisas, uma maior aceitação de seus produtos, bem como a obtenção de apoio para a implantação de suas políticas. Nesse contexto, o Instituto Ethos (2008), conceitua a Responsabilidade Social Empresarial como: 34 35 Responsabilidade Social Empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. O comportamento da sociedade e a forma de as entidades lidarem com a natureza tem sofrido alterações ao longo das últimas décadas, principalmente em decorrência da mudança de valores e de conhecimentos sobre o assunto. A busca da responsabilidade social tem as seguintes características: • É plural: Empresas não devem satisfações apenas aos seus acionistas. Muito pelo contrário. O mercado deve agora prestar contas aos funcionários, à mídia, ao governo, ao setor não governamental e ambiental e, por fim, às comunidades com que opera. Empresas só tem a ganhar na inclusão de novos parceiros sociais em seus processos decisórios. Um diálogo mais participativo não apenas representa uma mudança de comportamento da empresa, mas também significa maior legitimidade social. • É distributiva. A responsabilidades social nos negócios é um conceito que se aplica a toda a cadeia produtiva. Não somente o produto final deve ser avaliado por fatores ambientais ou sociais, mas o conceito é de interesse comum e, portanto, deve ser difundido ao longo de todo e qualquer processo produtivo. Assim como consumidores, empresas também, são responsáveis por seus fornecedores e devem fazer valer seus códigos de ética aos produtos e serviços usados ao longo de seus processos produtivos. • É Sustentável. Responsabilidade social anda de mãos dadas com o conceito de desenvolvimento sustentável. Uma atitude responsável em relação ao meio ambiente e à sociedade, não só garantem a não escassez de recursos, mas também amplia o conceito a uma escala mais ampla. O desenvolvimento sustentável não só se refere ao ambiente, mas por via do fortalecimento de parcerias duráveis, promove a imagem da empresa como um todo e por fim leva ao crescimento orientado. Uma postura sustentável é por natureza preventiva e possibilita a prevenção de riscos futuros, como impactos ambientais ou processos judiciais. • É transparente. A globalização traz consigo demandas por transparências. Não mais nos bastam mais os livros contábeis. Empresas são gradualmente obrigadas a divulgar sua performance social e ambiental, os impactos de suas atividades e as medidas tomadas para a prevenção ou compensação de acidentes. Nesse sentido, empresas serão obrigadas a publicar relatórios anuais, onde sua performance é mais aferida nas mais diferentes modalidades possíveis. Muitas empresas já o fazem em caráter voluntário, mas muitos prevêem que relatórios sócio-ambientais serão compulsórios num futuro próximo, (PORTAL RESPONSABILIDADE SOCIAL, 2008). A sociedade atual está reconhecendo a responsabilidade ambiental e social como importância permanente, consideradas fatores de avaliação e indicadores de preferência para 35 36 investidores e consumidores. No entanto, as enormes carências e desigualdades sociais existentes em nosso país dão á responsabilidades social empresarial relevância ainda maior. A sociedade brasileira espera que as empresas cumpram um novo papel no processo de desenvolvimento: sejam agentes de uma nova cultura, sejam atores de mudança social e sejam construtores de uma sociedade melhor. Segundo Lopes de Sá (1999), pouco adianta, para fins humanos, que estejamos a apenas demonstrar que se investiu tanto ou quanto na solução de problemas ecológicos ou em interesses sociais, se não conhecemos, pela reflexão, as bases lógicas de uma interação entre célula social e os seus entornos, entre a empresa e o meio em que vive, entre a instituição e a sociedade. 2.3 A Água Doce no Mundo A água é um recurso finito e praticamente constante durante os últimos 500 milhões de anos. Do volume total de 1.386 milhões de Km³ de água na Terra, 97,5% é de água salgada e os 2,5% restantes são de água doce. (TOMAZ, 2001). Existe uma distribuição mundial em todos os países do potencial do volume de água doce anual disponível relativo ao número de habitantes fornecido em m³/hab./ano. A disponibilidade de água por país compreende todos os recursos de água doce, tanto superficiais como de água subterrânea e são chamadas também de disponibilidade social de água. De acordo com Tomaz (2001), convencionou-se que os países “muito pobres” com “escassez de água” seriam aqueles que teriam índices menores que 500m³/hab./ano. Estão classificados a Líbia, Arábia Saudita, Israel, Jordânia, Singapura entre outros. Os “pobres em águas” são aqueles que possuem índice de 500m³/hab/ano até 1.000m³/hab./ano, tais como o Egito, Quênia e Cabo Verde. As Nações Unidas definiram que os países com índices menores de 1.000m³/hab./ano estão com “estresse de água”. Os países com “abastecimento regular” possuem índice de 1.000m³/hab./ano à 2.000m³/hab./ano, entre eles estão o Paquistão, Ucrânia, Bélgica e Polônia. Os países seriam considerados “suficientes” quando o índice é de 2.000m³/hab./ano a 10.000m³/hab./ano e são Alemanha, França, México, Reino Unido, Japão, Itália e outros. Os países “rico em água” são aqueles que tem índice de 10.000m³/hab./ano a 36 37 100.000m³/hab./ano e são o Brasil, Austrália, Colômbia, Venezuela, Suécia, Argentina, Canadá e Albânia, entre outros. Os países “muito ricos em água” são a Guiana Francesa, a Islândia, o Gabão, o Suriname e a Sibéria (Rússia). Ainda de acordo com Tomaz (2001), o Brasil é considerado um país “rico em água” possuindo uma disponibilidade hídrica de 35.732m³/hab./ano. A maior disponibilidade hídrica do Brasil está em Roraima com 1.506.488m³/hab./ano e o estado de Pernambuco possui a menor disponibilidade hídrica: 1.270m³/hab./ano. No mundo, atualmente a disponibilidade hídrica está entre 6.000 à 7.000m³/hab./ano. A utilização dos recursos hídricos deve ser sustentável e administrada globalmente, com o objetivo de atender a sociedade agora e no futuro, mantendo a integridade ecológica, ambiental e hidrológica. Portanto, o desenvolvimento sustentável da água necessita de um compromisso no presente, para atender as nossas necessidades sem comprometer as futuras gerações. 2.3.1 A Água e o Desenvolvimento Sustentável O conceito do desenvolvimento sustentável, já discutido, prevê que os recursos naturais renováveis sejam utilizados de forma a não limitarem sua disponibilidade para as futuras gerações. Portanto, um dos maiores desafios a enfrentar no futuro, para alcançar o desenvolvimento sustentável será minimizar os efeitos da escassez de água e da poluição, bem como, controlar os excessos, evitando inundações. Entre os fatores que limitam o desenvolvimento sustentável, está a substância fundamental para os processos vitais: a água. A evidência está no próprio desenvolvimento da história, sendo que as principais civilizações que tiveram maior desenvolvimento prosperaram nos vales onde a disponibilidade de água era abundante e com características especiais. Assim, segundo Salati e Lemos (2006), o desenvolvimento da agricultura e da urbanização com conseqüências na estrutura social ao longo da história da humanidade está estreitamente ligado à oferta de recursos hídricos. Na Mesopotâmia, a disponibilidade de água dos Rios Tigre e Eufrates possibilitou o desenvolvimento de uma das mais antigas civilizações no ano de 4100 a. C. Ao longo do Rio 37 38 Nilo, a civilização egípcia também prosperou pela oferta de água, assim, no período de 4.100 a.C. para 100 d. C, a população aumentou de 350 mil para 5.200 mil habitantes. Na Bacia do México, a uma altitude de 2.240m acima do nível do mar, a população aumentou de 1.150 a. C. a 100 d. C. de 5 mil para 145 mil habitantes. Nas áreas mais baixas da atual Península de Yucatán, a civilização Maia prosperou, sendo que a população cresceu no período entre 1.000 a. C. a 300 d. C. de 161 mil a 1.020 mil habitantes. ( SALATI e LEMOS, 2006). No Brasil, também houve o estabelecimento das povoações que vieram a se transformar em grande cidades, em locais onde a oferta de água era abundante em qualidade e quantidade, inclusive como meio de transporte, como, a colonização pelas Bandeiras e colonização Amazônica. Hoje, a disponibilidade de água é ainda mais um recurso limitante, não apenas pela sua quantidade, mas especialmente pela sua qualidade. Onde, pela poluição hídrica, diminuiu-se a oferta de água para fins de uso urbano e industrial. 2.3.2 A Ameaça da Escassez Hídrica O viver em sociedade é que explica a nossa crise ambiental e, por decorrência, a das águas, um dos temas mais evidentes e dramáticos da atualidade. Vivemos hoje sob a perspectiva de uma crise mundial de abastecimento de água. O risco da redução da disponibilidade e da qualidade das águas para o consumo humano e para as atividades econômicas, já é uma realidade em muitos países. Segundo Martinez (2006), a elevação do uso doméstico, industrial e agrícola, a poluição e o aumento da população do planeta ( até a metade do século estima-se entre 2 bilhões e 3 bilhões a mais de pessoas no mundo) representam maior pressão sobre os recursos hídricos existentes. A Conferência Mundial sobre desenvolvimento sustentável, ocorrida em 2002, na cidade de Johannesburgo, na África do Sul, destacou a urgência de reverter o quadro de degradação dos recurso hídricos em todo o mundo. Várias campanhas elucidativas do problema hídrico foram estimuladas e iniciadas em todo o mundo. 38 39 O Brasil é considerado um país privilegiado, não apenas em recursos hídricos, mas também em diversidade biológica, regional e cultural, paisagens e ecossistemas, além de extenso litoral. Essa vantagem comparativa, em relação a outros países, está ameaçada pela degradação e pela má gestão nas políticas para o meio ambiente. Isso poderá resultar, entre outros prejuízos irreversíveis, em futura escassez no abastecimento de água, além de graves prejuízos na agricultura e a redução na produção de alimentos, migrações de populações afetadas pela falta de água, proliferações de doenças devido ao consumo de água imprópria, disputas pelo controle de mananciais, que poderão no futuro provocar conflitos, isto são, algumas das conseqüências apontadas pela maioria das previsões feitas acerca da escassez da água e a diminuição da sua disponibilidade, (MARTINEZ,2006). 2.3.3 O Uso Racional e a Conservação da Água Atualmente o uso racional da água está cada vez mais presente nos meios de comunicação buscando incentivar e conscientizar as pessoas da importância de não desperdiçar, mas, preservar este recurso vital á humanidade. Tomaz (2001), define o uso racional da água como um conjunto de atividades, medidas e incentivos que têm como principais objetivos: • Reduzir a demanda de água; • Melhorar os uso de água e reduzir as perdas e desperdícios da mesma; • Implantar práticas e tecnologias para economizar água; • Informar e conscientizar os usuários. Diversas ações são necessárias para a redução de água, como detecção e reparos de vazamentos, campanhas educativas, troca de equipamentos convencionais por equipamentos economizadores de água e estudos para aproveitamento de água pluvial e reúso de águas cinzas. As medidas para conservação da água para uso urbano (categorias: residenciais, comercias e industriais), de acordo com Tomaz (2001), podem ser convencionais ou não convencionais. As medidas convencionais para conservação da água incluem: correção de 39 40 vazamentos nos sistemas de distribuição de água e em residências mudanças nas tarifas, redução de pressão nas redes, reciclagem e reúso de água, leis sobre aparelhos sanitários e educação pública. Já as medidas não convencionais para conservação da água são: o uso de águas cinzas, uso da água de chuvas, vasos sanitários com câmara para compostagem (mais conhecidos nos EUA), dessalinização e aproveitamento de água de drenagem do subsolo em prédios de apartamentos, (TOMAZ, 2001). A conscientização juntamente com a e sensibilização dos usuários visando à conservação de água adoção de tecnologias economizadoras podem se constituir em ações impactantes de consumo final de água. Além disso, a questão do uso racional da água envolve também melhorias nos projetos de arquitetura, bem como, nos sistemas prediais. Os benefícios obtidos com o uso racional da água são amplos, econômicos e ambientais, tais como, economia nas contas de fornecimento de água, redução de esgotos sanitários, preservação do meio ambiente e conservação dos recursos hídricos. 2.3.4 Reuso das Águas De acordo com Hespanhol (2002), a água é um recurso renovável que, quando reciclada através de sistemas naturais, torna-se um recurso limpo e seguro, podendo ter sua qualidade deteriorada devido à ação antrópica. Uma vez poluída, a água pode ser recuperada e reusada para fins diversos. A qualidade da água utilizada e o objetivo do Reuso estabelecem os níveis de tratamento recomendados, os critérios de segurança a serem adotados e os custos associados. As possibilidades e formas potenciais de Reuso dependem de características, condições e fatores locais. Já Mancuso (2007, p.403), afirma que o reuso de água é o aproveitamento de águas previamente utilizadas, uma ou mais vezes, em alguma atividade humana, para suprir as necessidades de outros usos benéficos, inclusive o original. Pode ser direto ou indireto, bem como, decorrer de ações planejadas ou não planejadas. 40 41 Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, a mesma está sujeita as ações naturais do ciclo hidrológico (diluição e autodepuração). Reuso indireto planejado da água: ocorre quando os efluentes depois de tratados são descarregados de forma planejada nos corpos de água superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico. O reuso indireto planejado da água pressupões que exista também um controle sobre eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outro efluente que também atendam ao requisito de qualidade de reuso objetivado. ( MANCUSO, 2007, p. 403). Para Hespanhol (2007, p. 430), o reuso de água é classificado em duas grandes categorias: potável e não potável: Reuso Potável • Reuso potável direto: quando o esgoto recuperado, por meio de tratamento avançado, é diretamente reutilizado no sistema de água potável. • Reuso potável indireto: caso em que o esgoto, após tratamento, é disposto na coleção de águas superficiais ou subterrâneas para diluição, purificação natural e subseqüente captação, tratamento e finalmente utilizado como água potável. Reuso Não Potável • Reuso não potável para fins agrícolas: é feita a irrigação de plantas alimentícias, tais como árvores frutíferas, cereais etc., e plantas não alimentícias, tais como pastagens e forrações, além de ser aplicável para dessedentação de animais. • Reuso não potável para fins industriais: abrange os usos industriais de refrigeração, águas de processos, para utilização em caldeiras etc. • Reuso não potável para fins recreacionais: classificação reservada à irrigação de plantas ornamentais, campos de esportes, parques e também para enchimento de lagoas ornamentais, recreacionais etc. • Reuso não potável para fins domésticos: são considerados aqui os casos de reuso de água para regra de jardins residenciais, para descargas sanitárias e utilização desse tipo de água em grandes edifícios. • Reuso para manutenção de vazões: a manutenção de vazões de cursos de água promove a utilização planejada de efluentes tratados, visando a uma adequada diluição de eventuais cargas poluidoras a eles carreadas, incluindo-se fontes difusas, além de propiciar uma vazão mínima na estiagem. • Aqüicultura: consiste na produção de peixes e plantas aquáticas visando à obtenção de alimentos e/ou energia, utilizando-se os nutrientes presentes nos efluentes tratados. • Recarga de Aquíferos subterrâneos: é a recarga dos aquíferos subterrâneos com efluentes tratados, podendo se dar de forma direta, pela injeção sob pressão, ou de forma indireta, utilizando-se águas superficiais que tenham recebido descargas de efluentes tratados a montante. 41 42 Alguns fatores devem ser considerados em um programa de reuso da água: - Identificação de oportunidades em reusar a água; - A determinação da qualidade mínima de água necessária para o uso em questão; - Avaliação da degradação da qualidade de água resultante do primeiro uso; - Identificação das fontes de água que satisfazem às exigências da qualidade da água; - Determinação de como a água pode ser transportada ao novo uso. A reciclagem e o reuso da água podem ser feitos na própria indústria, em bairros ou cidades. A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) em 1992 através de estudos, realizou a primeira pesquisa sobre reuso da água no Brasil. Já no Japão, segundo Tomaz (2001), o reuso da água vem sendo feito desde 1964. Onde os esgotos sanitários são submetidos a tratamento primário, secundário e terciário e após desinfecção são usados principalmente para descarga de vasos sanitários. O México possui o maior e mais antigo projeto de reuso da água, usando esgoto sanitário para uso na agricultura e irrigação. O estado da Califórnia no Estados Unidos tem um regulamento para o reuso da água de esgoto sanitário após tratamento. No Brasil, muitas indústrias começaram a reciclar a sua água dentro da própria propriedade. Os esgotos sanitários ou industriais são tratados e reutilizados. O Reuso Planejado da Água faz parte da Estratégia Global para a Administração da Qualidade da Água, proposta pelo Programa das Nações Unidas para o meio Ambiente e pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2005). Ela prevê o alcance simultâneo de três importantes elementos que são a proteção da saúde pública, a manutenção da integridade dos ecossistemas e o uso sustentado da água. 2.3.5 Aproveitamento de Águas Pluviais A captação e o aproveitamento da água pluvial para uso doméstico, industrial e agrícola, está ganhando ênfase em várias partes do mundo, sendo considerado um meio simples e eficaz 42 43 para se atenuar o grave problema ambiental da crescente escassez de água para consumo, além de contribuir para a redução das enchentes urbanas, que tem causado graves problemas de ordem social e econômica, devido à crescente urbanização e impermeabilização do solo. May (2004), relata que existem vários aspectos positivos no uso de sistemas de aproveitamento de água pluvial, pois estes possibilitam reduzir o consumo de água potável diminuindo os custos de água fornecida pela companhias de abastecimento, minimizar riscos de enchentes e preservar o meio ambiente. Simioni (2004), também cita outras vantagens do aproveitamento de água de chuva: • Utilização de estruturas existentes na edificação ( telhados, lajes e rampas); • Baixo impacto ambiental; • Água com qualidade aceitável para vários fins com pouco ou nenhum tratamento; • Complementa o sistema convencional; • Reserva de água para situações de emergência ou interrupção do abastecimento público; • Conveniência ( o suprimento ocorre no ponto de consumo); • Fácil manutenção, • Baixos custos de operação e manutenção; • Qualidade relativamente boa (principalmente quando a captação é feita em telhados); • As tecnologias disponíveis são flexíveis. A captação e o aproveitamento de água da chuva já é utilizado em vários países da Europa, entre outros, como Estados Unidos, Austrália e Japão. No Brasil, é usada principalmente em algumas regiões semi-áridas do Nordeste. Na Holanda, por exemplo, á água é coletada para evitar o transbordamento dos canais que rodeiam o país, situado abaixo do nível do mar. A água armazenada é utilizada na irrigação de lavouras e abastecimentos de fontes ornamentais. Em Hamburgo na Alemanha a água de chuva é usada para as descargas nas bacias sanitárias e serve para aliviar o pico das vazões de enchentes. Em Berlim, também na Alemanha, desde 2000 uma taxa é cobrada pela introdução de água de chuva no sistema público de esgoto. O governo Alemão está participando também com apoio 43 44 financeiro, oferecendo financiamentos para a construção de sistemas de captação da água pluvial. (TOMAZ, 2003). De acordo com Tomaz (2003), também no Japão o aproveitamento da água de chuva é feito em casas, prédios, estádios de basebol, etc; por meio de dois tipos de sistema de coletas: o sistema de reservatório de água de chuva e o sistema de valas de infiltração de água de chuva. É um dos países que mais utiliza sistemas de aproveitamento de água pluvial, além de promover estudos e pesquisas nessa área, como exemplo, tem-se o caso de Tóquio, onde regulamentos do governo metropolitano obrigam que todos os prédios com área construída maior que 30.000 m² e utilizem mais de 100m³ por dia de água para fins potáveis, façam reciclagem da água de chuva e de água servida (água de lavatórios, chuveiros e máquinas de lavar). Nos Estados Unidos o aproveitamento de água da chuva destina-se à lavagem de vasos sanitários, de veículos, irrigação de jardins e hortas. No Brasil, o sistema de coleta e aproveitamento de água de chuva é considerada uma técnica popular, especialmente em regiões semi-áridas, onde existem várias experiências de tecnologias de sucesso de captação e manejo de água de chuva para uso humano, para criação de animais e produção de alimentos, desenvolvidas na sua maioria, por agricultores familiares. Na cidade de Guarulhos-SP, segundo Tomaz (1998), algumas indústrias utilizam água da chuva para suprimentos de alguns pontos na sua produção. Como por exemplo, é realizado aproveitamento de água da chuva em uma indústria de tingimento de tecidos, captada através do telhado e armazenada em reservatório subterrâneo. Já em Blumenau – SC, foi instalado um sistema de aproveitamento de água da chuva em um hotel. Na região do semi-árido, nos últimos anos, foram construídas mais de 100 mil cisternas, capazes de armazenar cerca de 1,5 bilhões de litros de água, (MONTOIA,2008). A viabilidade da implantação de sistema de aproveitamento de água pluvial depende essencialmente dos seguintes fatores: precipitação, área de captação e demanda de água. Além disso, para projetar tal sistema devem-se levar em conta as condições ambientais locais, clima, fatores econômicos, finalidades e usos da água, buscando não uniformizar as soluções técnicas. Segundo May (2004) os sistemas de coleta e aproveitamento de água da chuva em edificações são formados por quatro componentes básicos: áreas de coleta, condutores, armazenamento e tratamento. 44 45 Quanto ao funcionamento de um sistema de coleta e aproveitamento de água pluvial, consiste de maneira geral, na captação da água da chuva que cai sobre os telhados da edificação. A água é conduzida até o local de armazenamento através de calhas, condutores horizontais e verticais, passando por equipamentos de filtragem e descarte de impurezas. Em alguns sistemas é utilizado dispositivo desviador das primeiras águas de chuva. Após passar pelo filtro, a água é armazenada geralmente em reservatório enterrado (cisterna), e bombeada a um segundo reservatório (elevado), do qual as tubulações específicas de água pluvial irão distribuí-la para o consumo não potável, (MARINOSKI,2007). 2.3.6 A Legislação Brasileira e os Recursos Hídricos Como conseqüência da pressão sobre os recursos hídricos e seus impactos diretos e indiretos à sociedade e ao meio ambiente, cresce a importância de regulamentar o uso racional da água, bem como, a sua reutilização e a melhoria dos tratamentos dos efluentes gerados a partir dos consumos industrial, residencial e outros. Nesse sentido, no Brasil já existe instrumentos e instituições de defesa dos Recursos Hídricos: a Constituição Federal, o Código de Águas, e como destaque, a Lei de nº 9.433, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. A Lei nº 9.433/1997 conhecida como a Lei das Águas, institui a Política de Recursos Hídricos, cujos fundamentos são: a) A água é um bem de domínio público de uso do povo. O Estado concede o direito de uso da água e não de sua propriedade. A outorga não implica alienação parcial das águas, mas o simples direito de uso; b) Usos prioritários e múltiplos da água. O recurso tem de atender a sua função social e a situações de escassez. A outorga pode ser parcial ou totalmente suspensa, para atender ao consumo humano e animal. A água deve ser utilizada considerando se projetos de usos múltiplos, tais como: consumo humano, dessedentação de animais, diluição de esgotos, transporte, lazer, paisagística, potencial hidrelétrico, etc. As prioridades de uso serão estabelecidas nos planos de recursos hídricos; c) A água como um bem de valor econômico. A água é reconhecida como recurso natural limitado e dotado de valor, sendo a cobrança pelo seu uso um poderoso instrumento de gestão, onde é aplicado o princípio de poluidor-pagador, que possibilitará a conscientização do usuário. A Lei no 9.433/97 no artigo 22 informa que “os valores 45 46 arrecadados com a cobrança pelo uso de seus recursos hídricos serão aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados”. Isso pressupõe que os valores obtidos com a cobrança propiciarão recursos para obras, serviços, programas, estudos, projetos na bacia; d) A gestão descentralizada e participativa. A bacia hidrográfica é a unidade de atuação para implementação dos planos, estando organizada em Comitês de Bacia. Isso permite que diversos agentes da sociedade opinem e deliberem sobre os processos de gestão de água, pois, nos comitês, o número de representantes do poder público, federal, estadual e municipal, está limitado em até 50% do total. Sobre Águas Pluviais, o Decreto nº 24.643/34, em seu Capítulo V, artigo 103, estabelece que: “ As Águas Pluviais pertencem ao dono do prédio onde caírem diretamente, podendo o mesmo dispor delas à vontade, salvo existindo direito em sentido contrário”. Porém, não é permitido desperdiçar essas água em prejuízo dos outros prédios que delas possam se aproveitar, sob pena de indenização aos proprietários dos mesmo, além de desviar essas águas de seu curso natural para lhes dar outro curso, sem consentimento expresso dos donos dos prédios que irão recebê-las. Para o reuso da água é necessário observar a Resolução do CONAMA nº 357/2005, em que o uso é dividido em classes com seus respectivos usos permitidos. Conforme pode ser observado no Quadro 3. 46 47 Quadro 3: Classificação das águas doces segundo seus usos preponderantes – Resolução CONAMA. CLASSE Especial 1 2 3 4 USOS PERMITIDOS • ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção; • à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; • à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral • ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado; • à proteção das comunidades aquáticas; • à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA no 274, de 2000; • à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; • à proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas. • ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional; • à proteção das comunidades aquáticas; • à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA no 274, de 2000; • à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; • à Aqüicultura e à atividade de pesca. • ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional ou avançado; • à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras; • à pesca amadora; • à recreação de contato secundário; • à dessedentação de animais. • à navegação; • à harmonia paisagística. Fonte: Resolução CONAMA nº 357 de 17 de março de 2005. 2.4 Elementos de um Sistema de Captação da Água da Chuva O Manual da ANA/FIESP & SindusCon (2005), apresenta uma metodologia básica para projeto de sistemas de coleta, tratamento e uso de água da chuva que envolve as seguintes etapas: • Determinação da precipitação média local (mm/mês); • Determinação da área de coleta; 47 48 • Determinação do coeficiente de escoamento; • Projeto dos sistemas complementares (grades, filtros, tubulações, etc); • Projeto do reservatório de descarte; • Escolha do sistema de tratamento necessário; • Projeto da cisterna; • Caracterização dos usos da água pluvial; • Identificação dos usos da água. Os elementos do sistema devem ser dimensionados de maneira a garantir a captação, condução e destinação ao local adequado das águas da chuva que se precipitam sobre a área de contribuição. Desta forma, resumidamente, os sistemas básicos para a captação da água da chuva são: área de captação, calhas e tubulações, dispositivos para descartes da primeira chuva, filtros ou grades para remover materiais, reservatórios de acumulação da água da chuva e as bombas, quando necessário. Figura 4: Esquema de funcionamento de sistema aproveitamento de água de chuva. Fonte: BELLA CALHA (2008). 48 49 2.4.1 Área de Captação A área de captação é a superfície onde a chuva que será coletada irá cair. Geralmente são os telhados das edificações, áreas impermeáveis sob a superfície do solo, como, estacionamentos, calçadas e pátios. É mais comum a captação da água dos telhados por apresentar melhor qualidade já que não sofre influência direta do tráfego de pessoas e veículos. Outra vantagem da captação em telhados é que na maioria dos casos a água atinge o reservatório por gravidade, o que torna mais simples e acessível o projeto. 2.4.2 Calhas e tubulações São os componentes que recolhem a chuva da área de captação do telhado e a transportam até o reservatório. Para se ter uma boa eficácia em seu uso deve-se dimensioná-las levando em consideração a quantidade de água que virá do telhado e a sua inclinação até o condutor vertical. No mercado já existem calhas fabricadas e desenvolvidas em diversos modelos e materiais, que adaptam-se perfeitamente ao sistema. Assim como as superfícies de captação, é importante se assegurar de que estes condutores sejam livres de chumbo ou qualquer outro tratamento que possa contaminar a água. Figura 5: Modelo de Calha horizontal cilíndrica. Fonte: CALHA FORTE (2008). 49 50 2.4.3 Dispositivos para Descartes da Primeira Chuva As primeiras chuvas lavam a atmosfera e a superfície de captação carregando consigo os poluentes presentes no ambiente. São arrastadas impurezas que precisam ser separadas e descartadas. Com esse propósito é utilizado o dispositivo que desvia as primeiras águas da chuva, com um volume determinado, para um pequeno reservatório, e que quando está cheio faz com que a água passe para a cisterna. Conforme ANA/FIESP & SindusCon-SP, 2005 apud Gonçalves (2006), existem várias técnicas de descarte da primeira chuva. A figura 6 apresenta um desviador das águas das primeiras chuvas com válvula de desvio horizontal. Já quanto à determinação do volume à ser descartado, as opiniões são diversas. Tomaz (2005) aponta que para a determinação do volume de descarte é utilizada uma regra prática. Segundo o autor, na Flórida (EUA) usa-se descartar os primeiros 40 litros para cada 100m². Já no Brasil tem-se o valor de 1 mm de chuva por metro quadrado, para a região de Guarulhos – SP. Figura 6: Desviador das águas das primeiras chuvas com válvula de desvio horizontal. Fonte: Aquastock (2008). 50 51 2.4.4 Filtros ou Grades As grades ou filtros têm grande importância em sistemas de captação de águas pluviais. Um dos maiores problemas nestes sistemas é o acúmulo de materiais grosseiros nos telhados como folhas e galhos. Quando não retidos estes materiais podem danificar e obstruir o sistema além de comprometer a qualidade da água devido à sua decomposição caso atinjam o reservatório de armazenamento. 2.4.5 Tanques de Armazenamento ou Reservatórios Um dos componentes mais importantes de um sistema de aproveitamento de água pluvial é o reservatório, o qual deve ser dimensionado, tendo principalmente como base, os seguintes critérios: custos totais de implantação, demanda de água, áreas de captação, regime pluviométrico e confiabilidade requerida para o sistema (CASA EFICIENTE, 2008). Os reservatórios podem ser construídos de várias formas e materiais: tanques de fibra de vidro, cilíndricos de eixo vertical com paredes de alvenaria, etc. Independente do modelo de tanque escolhido, inspeções regulares e manutenção apropriada são imperativos para assegurar a confiabilidade, segurança e eficiência do sistema. Figura 7: Reservatório cilíndrico usado para armazenamento de águas pluviais Fonte: Sítio Castaneda (2008). 51 52 2.4.6 Bombas Quando necessário o bombeamento a um reservatório para o abastecimento, o mesmo deve atender a Norma NBR 12214 ( ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007 – Comissão de Estudo Especial de Aproveitamento de Água de Chuva). Devem ser observadas as recomendações de sucção e recalque, velocidades mínimas de sucção e seleção do conjunto motor-bomba. Figura 08: Bombas de sucção usada para bombear água dos reservatórios. Fonte: Hidrovector (2008). 2.5 Tipos de Coleta de Água da Chuva Os sistemas de coleta de água da chuva podem ter muitas configurações conforme o tipo de edificação, tipos de uso, etc. Para o aproveitamento da água da chuva podem ser definidos como aqueles que captam a água da superfície na qual esta escoa, encaminhando-a para um tratamento, quando necessário, para uma reservação e posterior uso. É possível encontrar desde sistemas mais simples até os mais complexos, como nos países desenvolvidos, com diversos cuidados, tanto no dimensionamento correto dos elementos quanto aos dispositivos que garantam uma melhor qualidade à água da chuva. 52 53 2.5.1 Sistema Simples de Coleta de Água do Telhado A configuração básica de um sistema de aproveitamento de água de chuva consta da área de captação (telhado), dos sistemas de condução de água (calhas, condutores verticais e horizontais), da unidade de tratamento (reservatório de auto-limpeza, filtros, desinfecção), quando necessário, e do reservatório de acumulação. A Figura 08 mostra a forma mais simples de uma captação de água da chuva. Figura 09: Esquema de Coleta de água da chuva com reservatório de auto-limpeza.. Fonte: Tomaz (1998, p. 88). 2.5.2 Sistemas de Captação da Água da Chuva para Usos Internos e Externos A empresa Engeplas descreve que há dois tipos de sistemas de coleta de água da Chuva. A Linha Europa compreende sistemas destinados a atender as residências horizontais e verticais com intenção de suprir a demanda de uso interno externo, atendendo também áreas com maior captação. É ideal para obras que ainda se encontram na fase de construção, permitindo uma maior integração entre os sistemas de água potável e pluvial. Principais componentes do sistema: filtro, bomba submersível, filtro flutuante, central de controle interligada com rede pública, multisifão, bóia de nível e alimentação dos pontos de consumo a partir da caixa d’água superior. 53 54 O tamanho dos reservatórios é definido levando-se em conta a previsão de consumo, a superfície de captação e o período máximo de estiagem previsto para a região. Já a Linha Oceânica ajuda à captar a água da chuva para o uso em áreas externas (jardins, limpeza de pisos, etc). A instalação simplificada e o custo menor fazem com que esta linha de produtos seja ideal para obras acabadas, pois implica em interferência mínima nas instalações existentes. Como o consumo externo é menor, o reservatório também pode ser ,menor, podendo ser colocado diretamente sobre o chão. É possível alimentar os pontos de consumo por gravidade diretamente do reservatório, dispensando o uso de bombas e outros equipamentos. A figura 09 mostra a Linha Oceânica da Engeplas. Figura 10: Sistema de coleta da água de chuva para uso externo. Fonte: (ENGEPLAS, 2008). 2.6 Gestão Ambiental As organizações, durante muito tempo, preocuparam-se apenas com a eficiência dos sistemas produtivos. Mas, essa noção revelou-se equivocada, porque ficou evidente que o contexto de atuação das empresas tornava-se cada dia mais complexo, surgindo a necessidade de repensar sua forma de atuação e sua interação com o meio em que se encontra inserido. 54 55 Um dos componentes importantes dessa transformação nas organizações foi o crescimento da consciência ambiental e o surgimento da Gestão Ambiental, tida como uma ferramenta para ajudar os administradores na tomada de decisão nas organizações. Gestão Ambiental é o sistema que inclui a estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental. É o que a empresa faz para minimizar ou eliminar os efeitos negativos provocados no ambiente por suas atividades, (TINOCO, 2004, p.109). A Gestão Ambiental é a forma pela qual a organização se mobiliza interna e externamente, para a conquista da qualidade ambiental. Ela consiste em um conjunto de medidas que visam controlar o impacto ambiental de uma atividade, incluindo o cumprimento da legislação e a alocação correta de recursos humanos e financeiros. Atualmente, diversas organizações estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho mais satisfatório em relação ao meio ambiente. Assim, a gestão ambiental tem se tornado como uma das mais importantes atividades relacionadas em qualquer empreendimento. De acordo com Macedo (1994), a Gestão Ambiental se subdivide em quatro níveis: Gestão de Processos – envolve a avaliação da qualidade ambiental de todas as atividades, máquinas e equipamentos relacionados a todos os tipos de manejo de insumos, matéria-prima, recursos humanos, recursos logísticos, tecnologias e serviços de terceiros. Gestão de Resultados – envolve a avaliação da qualidade ambiental dos processos de produção, através de seus efeitos ou resultados ambientais, ou seja, emissões gasosas, efluentes líquidos ou resultados ambientais, ou seja emissões gasosas, efluentes líquidos, resíduos sólidos, particulados, odores, ruídos, vibrações e iluminação. Gestão de Sustentabilidade (ambiental) – envolve a avaliação da capacidade de resposta do ambiente aos resultados dos processos produtivos que nele são realizados e que o afetam, através da monitoração sistemática da qualidade do ar, da água, do solo, da flora, da fauna e do ser humano. 55 56 Gestão do plano Ambiental – envolve a avaliação sistemática e permanente de todos os elementos constituintes do plano de gestão ambiental elaborado e implementado, auferindo-o e adequando-o em função do desempenho ambiental alcançado pela organização. Os instrumentos de gestão ambiental objetivam melhorar a qualidade ambiental e o processo decisório e tornar as organizações competitivas com possibilidade de ampliar a rentabilidade de seus negócios e contribuir para a redução de impactos negativos que certos elementos possam causar ao meio ambiente. Na figura 11 observa-se um exemplo de como deve ser a tomada de decisão pelo gestores. Figura 11: Decisão e Gestão Ambiental. Fonte: Ferreira (2003, p. 34). De acordo com Fernandes (2000), os principais instrumentos de gestão ambiental são: • Estudo de Impacto Ambiental (EIA); • Avaliação de Impacto Ambiental (AIA); • Auditoria ambiental • Capital natural 56 57 2.6.1 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Segundo Tinoco (2004), os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) “identificam e caracterizam os impactos ambientais, benéficos e adversos, ocorrentes e passíveis de ocorrer na região que receberá o empreendimento.” É um instrumento de caráter técnico exigido pelas autoridades governamentais para a autorização de instalação e o funcionamento de algumas atividades econômicas. O EIA tem como objetivo principal subsidiar o órgão licenciador na tomada de decisão sobre o licenciamento ambiental. O EIA constituirá o Relatório de Impacto Ambiental ( RIMA), que explicita todas as conclusões apresentadas no EIA. O Rima tem como objetivo comunicar à sociedade os resultados alcançados no EIA para que se possa verificar se o empreendimento traz vantagens ou não á comunidade, assim como as conseqüências ambientais de sua implementação. Com esse documento, podemse identificar os efeitos ambientais e, a partir disso, mensurar seus custos inerentes, (TINOCO, 2004, p. 115). 2.6.2 Avaliação do Impacto Ambiental (AIA) É considerada uma técnica de identificação de riscos e um instrumento de prevenção de danos ambientais. Seu objetivo é determinar os efeitos potenciais sobre o meio ambiente, sobre a sociedade e sobre a saúde, do desenvolvimento proposto. A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), de acordo com Tinoco (2004), aplica-se a todo e qualquer tipo de ação que possa causar alterações significativas no meio ambiente. Tal avaliação caracteriza-se como um instrumento de grande relevância, tanto para a execução da política ambiental, quanto ao gerenciamento ambiental. 2.6.3 Auditoria Ambiental A auditoria ambiental constitui ferramenta essencial para avaliar a eficácia de todas as ações de controle, avaliando a qualidade final do processo de controle ambiental integrado ao 57 58 processo industrial, não se limitando à verificação dos itens relacionados ao meio ambiente nas demonstrações contábeis. Tinoco (2004), afirma que: As auditorias ambientais permitem: determinar a conformidade dos elementos do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) com os requisitos do referencial utilizado; determinar a eficácia do SGA implementado para cumprir com os objetivos especificados; identificar oportunidades de melhoria; verificar a conformidade legal, reconhecer o SGA por entidades externas (certificação). Os princípios gerais da auditoria ambiental são apontados pelas seguintes normas: - ISO 14010: estabelece os princípios gerais para as auditorias ambientais (aplica-se a todos os tipos de auditorias ambientais). - ISO 14011: diretrizes para a auditoria ambiental – procedimentos de auditoria –auditoria de sistemas de gestão ambiental. - ISO 14012: fornece informações sobre os critérios de qualificação para os auditores ambientais ( é aplicável a auditorias internas e externas). 2.6.4 Capital natural O capital natural é composto por todos os ativos naturais originados pela natureza e que são patrimônio de toda a sociedade. De acordo com Tinoco (2004), o Capital natural consiste em três componentes principais: (1) recursos não renováveis, tais como o óleo e os minerais que são extraídos dos ecossistemas; (2) recursos renováveis, tais como os peixes, a madeira e a água, que são produzidos e mantidos pelos processo e pelas funções dos ecossistemas; (3) serviços ambientais, tais como a manutenção da qualidade atmosférica, climática, dos controles da inundação e da fonte de água, da reciclagem dos nutrientes, da geração dos solos, da provisão do alimento do mar, etc. 58 59 2.7. Contabilidade Ambiental A Contabilidade, desde seu surgimento, teve como função primordial o acompanhamento das atividades econômicas, no papel de mensuradora e relatora da situação patrimonial das empresas aos principais usuários das informações contábeis, administrativas, econômicas, sociais e ambientais, acompanhando sua evolução no decorrer do tempo. Com a evolução das organizações e das ciências a ela associadas, surgiram novas técnicas e processos de produção e controle empresariais. Nesse contexto, os aspectos ambientais no gerenciamento dos negócios tornaram-se importantes em todas as etapas das operações das empresas. Desta evolução e diferenciação das necessidades dos usuários, surgiu a Contabilidade Ambiental. Lopes de Sá (2002) afirma que “ muito além de ser uma simples sofisticação, na atualidade a denominada Contabilidade Ambiental é uma evolução necessária que dignifica nossos estudos perante a história do conhecimento.” Para Paiva (2003) a Contabilidade Ambiental pode ser entendida como a atividade de identificação de dados e registro de eventos ambientais, processamento e geração de informações que subsidiem o usuário servindo como parâmetro em suas tomadas de decisões. A EPA – Environmental Protection Agency (2002) classifica os tipos de Contabilidade Ambiental em: Contabilidade Nacional: Serve como parâmetro de referência para o contexto econômico de um País, exemplificando o acompanhamento do consumo dos recursos naturais renováveis ou não renováveis. Contabilidade Financeira: Possibilita à empresa a formulação de relatórios para usuários externos que demonstrem interesse nas informações, tais como, instituições financeiras, investidores e outros. Contabilidade Gerencial: A EPA ( Environmental Protection Agency), entende que se “ refere ao uso de dados sobre custos ambientais e desempenho nas decisões e operações de negócios”. È utilizada no gerenciamento das atividades empresariais, podendo ter seus registros da maneira que melhor satisfazer aos gestores na consecução de seus objetivos. 59 60 Uma contabilidade ambiental eficiente é desenvolvida para atingir finalidades específicas, que podem estar relacionada com o fornecimento de dados e abranger, dentro outros, os seguintes aspectos: • A medição de danos ambientais; • A estimação do impacto da adoção de ações para a sustenbilidade ambiental do negócio sobre a rentabilidade; • A observância da legislação relativa ao meio ambiente e reduzir multas e encargos; • A identificação de métodos e procedimentos para o controle das operações que diminuam a emissão de resíduos. • Tinoco A geração de informações para a tomada de decisões e de planejamento. e Kraemer (2004) destacam que a contabilidade ambiental tem fornecido contribuições inovadoras no que se refere às informações contábeis em três linhas principais à seguir: - Definição de custos, despesas operacionais e passivos ambientais; - Formas de mensuração do passivo ambiental; - uso intensivo de notas explicativas e divulgação de relatórios ambientais. Ainda, de acordo com os autores, um Sistema de Contabilidade Ambiental, pretende incorporar à contabilidade financeira tradicional os efeitos ambientais, identificando de forma separa aqueles custos e ingressos relacionados com o meio ambiente, ou seja, busca incorporar o conceito de sustentabilidade do meio ambiente aos negócios, acolhendo todos os subsistemas de uma empresa. 2.7.1 Evidenciação de Fatos Contábeis Ambientais A evidenciação de Fatos Contábeis tem ocorrido de forma mais efetiva em alguns setores da atividade econômica, em decorrência de fatores como: a forma de organização dos empreendimentos, do ramo de atividades (alta capacidade de poluição), a negociação dos 60 61 produtos no mercado mundial, atualmente mais exigente, tanto em termos de qualidade, quanto como proteção e preservação ambiental. Segundo Carvalho ( 2008), alguns fatores tem levado as entidades a divulgarem suas ações ambientais, como: a certificação de qualidade ambiental exigida para a entrada de alguns produtos em países importadores; fornecedores que já assumiram postura ambientalmente correta e clientes conscientes, resultado, de uma maior divulgação do assunto nos meios de comunicação e como resultado da educação ambiental que vêm acontecendo, assim como, a legislação ambiental existente, que tem levado as empresas a avaliarem os riscos decorrentes de multas e indenizações pelo descumprimento dessas normas. Ribeiro (2005) apud Carvalho (2008, p.116) destaca que, mesmo existindo outras opções para o registro de fatos contábeis ambientais “ As demonstrações contábeis representam o principal canal de comunicação entre a sociedade e a empresa que presta contas à comunidade, sobre sua conduta e estado patrimonial”. Os demonstrativos contábeis como: Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), Demonstração do Valor Adicionado (DVA), Balanço Social (BS), além dos relatórios da administração da empresa e das Notas Explicativas, todos são instrumentos que devem viabilizar as informações dos fatos ambientais e devem também ser evidenciados através dos instrumentos normais de que já dispõe a Contabilidade. 2.7.1.1 Balanço Social Atualmente, as formas de evidenciação de fatos ambientais são as tradicionalmente utilizadas, já citadas anteriormente, e as novas formas alternativas encontradas. O Balanço Social é um exemplo de relatório adicional divulgado pela empresa. O Balanço Social segundo Tinoco (2001), é um instrumento de gestão e de informação que visa evidenciar, de forma mais transparente possível, informações contábeis, econômicas, ambientais e sociais, do desempenho das entidades, aos mais diferenciados usuários. 61 62 Três departamentos destacam-se na elaboração e na divulgação do Balanço Social: o departamento de recursos humanos, o de contabilidade e o de sistema de informações. O departamento do recursos humanos envolve-se com os funcionários desde sua seleção até o desligamento; o departamento de contabilidade processa os atos e fatos administrativos, suscetíveis de mensuração e avaliação contábil, econômica, financeira e social; o de sistema de informações agiliza a informação, armazena-a e permite sua divulgação de forma rápida para a empresa e para os usuários externos. Ao referir-se aos objetivos do Balanço Social e à especificação de informações de caráter social, ambiental e econômicas, que atendam aos usuários, Kroetz (2000, p. 79), menciona: a) revelar, conjuntamente com as demais demonstrações contábeis, a solidez da estratégia de sobrevivência e crescimento da entidade; b) evidenciar com indicadores, as contribuições da empresa à qualidade de vida da população; c) abranger o universo das interações sociais entre: clientes, fornecedores, associações, governo, acionistas, investidores, universidade e outros; d) apresentar os investimentos no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias; e) formar um banco de dados confiável para análise e tomada de decisão dos mais diversos usuários; f) ampliar o grau de confiança da sociedade na entidade; g) Contribuir para a implementação e manutenção de processos de qualidade, sendo a própria demonstração do Balanço Social um parâmetro para tal; h) medir os impactos das informações apresentadas no Balanço Social perante a comunidade dos negócios; no amanhã da entidade; na marca/goodwill, na imagem do negócio; i) verificar a participação do quadro funcional no processo de gestão (fase de gestão participativa); j) servir de instrumento para negociações laborais entre a direção da entidade e sindicatos ou representantes dos funcionários; k) melhorar os sistema de controle interno, permitindo qualificar o ambiente organizacional, numa perspectiva de confirmar a regularidade da gestão identificada com o gerenciamento social e ecologicamente correto; l) clarificar os objetivos e as políticas administrativas, julgando a administração não apenas em função do resultado econômico, mas também dos resultados sociais. O Balanço Social procura utilizar ao máximo as informações disponíveis nos diversos departamentos funcionais das organizações. 62 63 2.7.2 O Plano de Contas Ambientais As inúmeras mutações que ocorrem na composição do patrimônio de uma empresa, tanto de natureza quantitativa quanto qualitativa, devem ser identificadas e os fatos lançados contabilmente. Todos os lançamentos relacionados a estas modificações ocorridas no patrimônio devem ser efetuados de acordo com critérios padronizados e procedimentos previamente definidos. Ferreira (2003) destaca que um Plano de Contas de uma empresa que tenha o meio ambiente como variável estratégica de seu negócio deve ser elaborando considerando as particularidades atuais e potenciais, de modo a permitir a elaboração de relatórios gerenciais ambientais e evitando que seja constantemente alterado. Tinoco e Kraemer (2004), conceituam o Plano de Contas, como sendo um conjunto estruturado de contas, numeradas ou codificadas racionalmente, que deve ser utilizado pela empresa na contabilização de todos os fatos contábeis mensuráveis monetariamente. Contempla Contas Sintéticas, por exemplo: Ativo, Ativo Circulante, Passivo e Patrimônio Líquido, Despesas, Receitas e Contas Analíticas, por exemplo: Caixa, Clientes, Clientes Ambientais, Insumos Ambientais, Equipamentos Ambientais, Provisões para Contingências Ambientais, Multas por Danos Ambientais, etc... A contabilidade Ambiental busca apresentar um maior destaque às contas que contemplem fatos contábeis relevantes para a Gestão ambiental. 2.7.3. Ativos Ambientais De acordo com Carvalho (2008), Ativos Ambientais são considerados todos os bens e direitos da entidade, relacionados com a proteção, preservação e recuperação ambiental, e que estejam aptos a gerar benefícios econômicos futuros para a entidade. Os Ativos Ambientais, conforme Tinoco e Kraemer (2004, p. 176), representam: 63 64 • os estoques dos insumos, peças, acessórios, etc. utilizados no processo de eliminação ou redução dos níveis de poluição e de geração de resíduos; • os investimentos em máquinas, equipamentos, instalações etc. adquiridos ou produzidos com intenção de amenizar os impactos causados ao meio ambiente; • os gastos com pesquisas, visando ao desenvolvimento de tecnologias modernas, de médio e longo prazo, desde que constituam benefícios ou ações que irão refletir nos exercícios seguintes. Carvalho (2008), classifica os Ativos nos seguintes sub-grupos de contas: a) Ativo Circulante → Estoques Ambientais – devem ser classificados nesta conta os estoques de materiais, produtos em processo ou produtos acabados, relacionados com o objetivo de proteção, preservação ou recuperação ambiental. b) Ativo Permanente Este grupo está dividido em: Investimentos ambientais, Imobilizado ambiental, Intangível ambiental e Diferido ambiental. → Investimento Ambiental – classificam-se neste grupo os gastos com reflorestamento ou aquisições de florestas com o objetivo de recuperar o meio ambiente ou mantê-lo preservado. → Imobilizado Ambiental – inclui-se neste grupo as contas referentes a bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou exercidos com essa finalidade como, por exemplo, máquinas, equipamentos e instalações adquiridas com o propósito de proteger, preservar ou recuperar o meio ambiente, bem como, reflorestamentos realizados pela entidade e a exploração de jazidas, também considerados imobilizados ambiental, pela causa de impactos ambientes negativos, que devem ser valorados e evidenciados através de registros contábeis. → Depreciação Acumulada Ambiental – conta utilizada para registro de perda de valor de direitos que tem por objeto bens físicos relacionados à preservação ou recuperação ambiental, em decorrência de uso, ação da natureza ou obsolescência. 64 65 → Amortização Acumulada Ambiental – o art. 183, s 2º, “b” da Lei 6.404/76, estabelece que se caracteriza Amortização Acumulada: ...quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado. → Exaustão Acumulada Ambiental – conta utilizada para registro da perda do valor de recursos minerais ou florestais, ou mesmo de bens aplicados na sua exploração, em decorrência da exploração. → Diferido Ambiental – deverão ser registradas nesta conta as despesas relacionadas com pesquisas ou estudos para desenvolvimento de tecnologia ou produtos, visando reduzir ou acabar com impactos ambientais negativos e que contribuirão para geração de receitas em exercícios futuros específicos. → Intangível Ambiental – aqui são classificados os bens ou direitos que tenham por objeto bens incorpóreos como: marcas e patentes, com reflexo ambiental, nos termos do inc. VI, do art. 179 da Lei 6.404/76. Também, destaca-se neste subgrupo do Ativo Permanente o tratamento dado às ações de florestamento e reflorestamento por parte da entidade. Conforme o objetivo poderá ser classificado como: Investimento ambiental ou Imobilizado ambiental . 2.7.4 Passivo Ambiental O Passivo Ambiental decorrente de degradação ambiental geralmente é de difícil quantificação, bem como, de difícil identificação do momento exato de sua ocorrência para o devido registro. O Passivo ambiental também decorre de atividades positivas da empresa no sentido de representarem obrigações decorrentes de ações na área de recuperação, reparação ou gestão ambiental. 65 66 Carvalho (2008, p. 132), entende por Passivo Ambiental: As obrigações da entidade decorrentes de danos causados ao meio ambiente, de infrações ambientais ou empréstimos a serem aplicados na área ambiental, que tenham ocorrido no passado ou estejam ocorrendo no presente e que delas decorram entrega futura ou presente de ativos bem como a prestação de serviços. O Ibracon, segundo a Norma e Procedimento de Auditoria NPA 11 – Balanço e Ecologia, conceitua o Passivo Ambiental como toda agressão que se praticou ou pratica contra o meio ambiente e consiste no valor dos investimentos para reabilitá-lo, bem como em multas e indenizações em potencial. De acordo com Tinoco e Kraemer (2004) existem três tipos de obrigações decorrentes do passivo Ambiental: legais ou implícitas; construtivas e justas. Legais ou Implícitas: quando a entidade tem uma obrigação presente legal como conseqüência de um evento passado, como o uso do meio ambiente ou a geração de resíduos tóxicos. Essa obrigação legal surge de um contrato, legislação ou outro instrumento de lei. Implícitas: surge quando uma entidade, por meio de práticas do passado, políticas divulgadas ou declarações feitas, cria uma expectativa válida frente à terceiros e, por conta disso, assume um compromisso. Construtivas: são aquelas que a empresa propõe-se a cumprir espontaneamente, excedendo as exigências legais. Ocorre quando a empresa está consciente de sua responsabilidade social, e usa os meios para proporcionar o bem estar da comunidade. Justas: refletem a consciência de responsabilidade social, ou seja, a empresa as cumpre em razão de fatores éticos e morais. O Passivo Ambiental pode ser classificado, conforme Carvalho (2008), da seguinte forma: a) Passivo Circulante Neste subgrupo, classificam-se as obrigações da entidade que tenham vencimento até o final do exercício social seguinte ou de acordo com o ciclo operacional, caso seja superior a este prazo. 66 67 → Provisões ambientais: classificam-se neste subgrupo as exigibilidades ainda não totalmente definidas, decorrentes de fatos contábeis passados. Por exemplo, um dano provocado pela empresa (contaminação do solo) em decorrência de produtos químicos aplicados na produção de melancia. A empresa deve fazer o reconhecimento através de lançamento contábil da referida provisão. Após a identificação das dimensões do dano e sendo a empresa notificada a recuperar os solo, ela deve fazer o lançamento correspondente para registrar uma exigibilidade certa. → Degradação ambiental: são passivos devidos em decorrência da atividade da empresa, que causam impactos negativos ao ambiente (solo, ar ou água). → Obrigações Fiscais Ambientais a Pagar: são classificadas nesta conta as obrigações da entidade decorrente dos chamados impostos verdes, e que tem por objetivo tributar com uma carga mais onerosa, produtos como gasolina e álcool, em virtude de degradarem mais o ambiente. → Indenizações Ambientais à Pagar: registram-se nesta conta os valores referentes às indenizações devidas para terceiros, a outra empresas, ao governo, aos funcionários, ou Estados, em decorrência de atividades da empresa que causem impactos negativos ao meio ambiente e tragam conseqüências também negativas a essas pessoas ou entidades. Estas indenizações, geralmente estão ligados à saúde, aos negócios, a valores afetivos e outros. Portanto, os passivos ambientais podem ter como origem qualquer evento ou transação que reflita a interação da empresa com o meio ecológico, cujo sacrifício de recursos econômicos se dará no futuro. Por exemplo, a aquisição de ativos para contenção dos impactos ambientais: depuradores de água química, chaminés, etc. 2.7.4.1 Levantamento de Passivos Ambientais De acordo com Tinoco e Kraemer (2004), começa a se implantar nos meios empresariais a consciência de que o levantamento do passivo ambiental é um procedimento dos mais recomendados. Levantar o passivo ambiental de um procedimento significa “identificar e caracterizar os efeitos ambientais adversos, de natureza física, biológica e antrópica, proporcionados pela 67 68 construção, operação, manutenção, ampliação ou desmobilização de um empreendimento ou organização produtiva.” (TINOCO e KRAEMER, 2004, p. 183). Para a realização de um levantamento de um passivo ambiental devem ser realizadas algumas atividades básicas, como: • inspeção ambiental da organização ou processo a ser analisado; • documentação fotográfica dos itens de passivo encontrados; • identificação dos processos de transformação ambiental que deram origem aos itens do passivo; • caracterização ambiental dos itens do passivo e de seus processos causadores; • hierarquização dos itens de passivo, em termos de sua representatividade, assim como de seus processos causadores, (TINOCO, 2004). E quando os levantamentos demandam ainda atividades relativas à proposição de ações corretivas e preventivas, devem ser realizadas as seguintes atividades complementares: estabelecimento de ações corretivas e preventivas para cada item de passivo identificado; orçamentação das ações propostas, considerandos Recursos Humanos, técnicos e logísticos necessários, assim como eventuais serviços de terceiros. A identificação do Passivo ambiental também é muita utilizada nos processos de privatização, fusão, compra ou quando se assume o controle acionário da entidade. 2.7.5 Contingências Ambientais O Instituto Brasileiro de Contadores (apud Ribeiro, 2005, p. 86) define Contingências como certas condições ou situações de solução indefinida à data do encerramento do exercício social ou período a que se referem às demonstrações contábeis de uma entidade e, como tal, depende de eventos futuros que poderão ou não ocorrer. No Plano de Contas proposto por Ferreira (2003, p. 99) a conta de Contingências ambientais esperadas é destacada compondo o Ativo Permanente, como conta redutora, e que tem 68 69 por objetivo: “(...) reconhecer as restrições causadas ao meio ambiente que reduzem os benefícios futuros do ativo pelo uso potencial de determinado equipamento.(...)”. Segundo a autora, deveriam compor essa conta os custos ambientais futuros que representariam diminuição dos benefícios futuros esperados sobre o uso do patrimônio atual e que limitam a continuidade. As contingências ambientais passivas, conforme Ribeiro (200), podem apresentar as seguintes características: Cumprimento de exigências legais: quando atende às imposições legais ou face a penalidades (recuperação ambiental, multa por infração a legislação pertinente). Indenização a terceiros por prejuízos causados: quando há deposição de resíduos ou elementos tóxicos no meio ambiente. Prevenção em relação a eventos inesperados: no caso das indústrias consideradas poluentes, a prevenção se faz dentro da organização à medida que se criam meios para evitar a externalização da poluição. As contingências ambientais geralmente estão relacionadas a contingências passivas. De acordo com carvalho (2008), duas condições se apresentam como necessárias ao reconhecimento das contingências ambientais: que sejam negativas e que possam ser valoradas, caso contrário, constarão em nota explicativa. 2.7.6 Despesas Ambientais As despesas ambientais são todos os gastos efetuados pelas empresas que tenham relação com o meio ambiente, ocorridos no período, e que não estejam diretamente relacionados com a atividade produtiva da entidade. São consideradas Despesas Ambientais, segundo Carvalho (2008, p. 141): • Todos os gastos relacionados com as políticas internas de preservação ambiental, como folders, cartazes, cartilhas e outros; • Salários e encargos do pessoal empregado na área de políticas internas de preservação ambiental; 69 70 • Todos os gastos relacionados com treinamento na área ambiental como: horasaula do instrutor e aquisição de material expediente; • Aquisição de equipamentos de proteção ambiental; • Despesa com depreciação do material permanente utilizado pela administração na área ambiental; • Despesa com compensação ambiental; • Despesa com recuperação ambiental; • Dano ambiental; • Despesa com auditoria ambiental; • Consultoria para elaboração de EIA/Rima; • Despesa com licenças ambientais; • Despesa com multas e indenizações ambientais. Para Tinoco e Kraemer (2004), as despesas ambientais dividem-se em despesas operacionais e despesas não operacionais. As Despesas Operacionais devem ser evidenciadas na Demonstração do Resultado do Exercício. Como por exemplo: despesas com tratamento de resíduos, tratamento de emissões, descontaminação, restauração, depreciação de equipamentos, exaustões ambientais, gestão do meio ambiente, investigação e desenvolvimento, auditoria ambiental, entre outras. Enquanto que as Despesas não Operacionais são as que decorrem de acontecimentos ocorridos fora da atividade principal da entidade como: multas, sanções e compensações de terceiros. 2.7.7 Receitas Ambientais As Receitas Ambientais, para Carvalho (2008, p. 142) são “os recursos auferidos pela entidade, em decorrência da venda de seus subprodutos ou de materiais reciclados.” Segundo a autora, os reciclados podem ser tanto vendidos como matéria-prima para outras atividades como reutilizados em seu processo produtivo. Conforme Tinoco e Kraemer (2004, p. 187), as Receitas Ambientais decorrem de: • • • Prestação de serviços especializados em gestão ambiental; Venda de produtos elaborados de sobras de insumos do processo produtivo; Venda de produtos reciclados; 70 71 • Receita de aproveitamento de gases e calor; • Redução do consumo de matérias-primas; • Redução do consumo de energia; • Redução do consumo de água; • Participação no faturamento total da empresa que se reconhece como sendo devida a sua atuação responsável com o meio ambiente. Nas Notas Explicativas, a empresa pode evidenciar os valores que ela economizou em virtude dos serviços de recuperação e prevenção de gastos ambientais. Esses valores, estão relacionados com a economia decorrente de multas ou indenizações por doenças provocadas a seus funcionários ou à população instalada no entorno da empresa. Deve-se considerar, também, o ganho de mercado que a empresa passa a lucrar a partir do momento em que a opinião pública reconhece sua política preservacionista e der preferência a seus produtos. Tinoco e Kraemer (2004) concluem que empresas que investem em meio ambiente provocam melhorias em seu desempenho econômico, financeiro, ambiental e social, incentivando o crescimento da produtividade dos recursos utilizados em seu processo produtivo, além de contribuírem para a redução de impactos ambientais. 2.7.8 Gastos Ambientais Os Gastos Ambientais são aqueles gastos que, direta ou indiretamente, estão associados ao meio ambiente, produzindo impactos presentes ou futuros. Para Tinoco e Kraemer (2003), a contabilidade ambiental destaca os gastos ambientais decorrentes das atividades operacionais das empresas em função da preocupação com o meio ambiente, abordando os eventos ambientais do processo produtivo, bem como medidas preventivas que contribuam para a imagem perante a opinião pública. Considerando sobre particularidades dos diversos tipos de gastos ambientais, Ferreira (2003) afirma que eles podem ser efetuados de várias formas, dependendo da área de atuação da empresa, assim como sua natureza operacional. 71 72 2.8 O Estudo de Projetos O engenheiro Fernando Caldas define o Projeto como sendo um conjunto ordenado de antecedentes, pesquisas, suposições e conclusões, que permitem avaliar a conveniência (ou não) de destinar fatores e recursos para o estabelecimento de uma unidade de produção determinada (CALDAS,1982). A realização do Projeto, desde a idéia principal até seu funcionamento como uma unidade de produção, é um processo contínuo no tempo, através de sucessivas fases, nas quais se combinam considerações de caráter técnico, econômico e financeiro estudados através de diferentes etapas. De acordo com Buarque (1984), o processo de elaboração e execução do projeto, basicamente, deve seguir cinco fases distintas: a identificação da idéia, o estudo da previabilidade, o estudo da viabilidade, o detalhadamento da engenharia e a execução. As três primeiras dessas fases são as que interessam no quadro de um estudo de projeto. 2.8.1 Avaliação Financeira e Econômica de Projetos Através da avaliação, procura-se conhecer se o projeto representa uma boa alternativa para os recursos a serem utilizados e também determinar se o estudo do mesmo é justificável. Buarque (1984), menciona que para a avaliação de projetos públicos ou privados, devem ser considerados dois tipos de avaliação de cada projeto: - uma avaliação financeira (privada) ou de rentabilidade privada; - uma avaliação econômica (social) ou do mérito para a coletividade. Isso porque, segundo o autor citado acima, se os projetos funcionarem dentro de um sistema empresarial capitalista, é necessário que apresentem rentabilidade que justifique a sua realização por um empresário privado, e se for financiado direta ou indiretamente pelo Governo, é necessário que os organismo públicos observem e quantifiquem a rentabilidade desse projeto para a coletividade. 72 73 2.8.1.1 A Rentabilidade Financeira ( rentabilidade privada) De acordo com Buarque (1984), há diferentes formas de medir a rentabilidade financeira de um projeto, tais como: a Rentabilidade Simples, o Tempo de Retorno do Capital, a Taxa Interna de Retorno e o Valor Atual Líquido. A Taxa Interna de Retorno (TIR) e o Valor Atual Líquido, ambos baseados no conceito de atualização, segundo o autor, são os dois melhores instrumentos para determinar a rentabilidade financeira do projeto. Como regra geral, quando se trata do estudo de alternativas entre investimentos de valores aproximados, é conveniente tomar a Taxa de Retorno como indicador principal da rentabilidade do projeto. No caso de ordenamento de prioridades de projetos para financiamento dentro de um orçamento limitado, é conveniente seguir outros procedimentos, como o uso do Valor Atual Líquido. Uma vez determinada a TIRF, o avaliador já pode ter um juízo sobre a rentabilidade do projeto, uma vez que a taxa interna lhe permite saber se os resultados do projeto justificam que os empresários privados assumam o risco de executá-lo. Se o projeto tem uma TIRF aceitável, ele deve ser considerado, em princípio, bom do ponto de vista privado e os avaliadores devem passar a estudar a rentabilidade econômica. 2.8.1.2 A Rentabilidade Econômica Através da rentabilidade financeira, o empresário procura conhecer o retorno que o projeto gerará sobre o capital que ele vai investir. No entanto, segundo Buarque (1984), o mesmo não sucede quando o organismo financiador é um banco de desenvolvimento ou outra agência do governo, com objetivos definidos de financiar empresas públicas ou privadas a fim de contribuir para o processo de desenvolvimento econômico da nação. Nesse caso, o organismo financiador tem interesse em realizar uma avaliação que determine os efeitos do projeto sobre o conjunto da economia. 73 74 Um dos critérios mais utilizados para determinar a rentabilidade de um projeto econômico, é a Taxa Interna Econômica de Retorno (TIRE). A TIRE é a taxa interna de rentabilidade que o projeto apresenta, do ponto de vista da economia. De acordo com Buarque (1984), a diferença entre a TIRF e a TIRE é que, nesta última, os benefícios e os custos do projeto são considerados do ponto de vista da coletividade, em vez de sê-lo somente do ponto de vista do empresário. A avaliação econômica, ou análise custo-benefício, apresenta os mesmos princípios básicos da avaliação privada, com a diferença de que, no caso da avaliação econômica, os benefícios e os custos do projeto são apresentados de acordo com os seus valores econômicos e não privados. 2.8.1.3 A Rentabilidade Social Buarque (1984, p.140) descreve que a “Avaliação financeira indica a rentabilidade do projeto tomado do ponto de vista do empresário; a avaliação econômica incorpora as conseqüências do projeto para o conjunto da sociedade, vista como um todo, e define assim a rentabilidade econômica do projeto”. No entanto, segundo o autor, nenhuma dessas formas de avaliar considera o fato de que a sociedade está dividida em classes sociais de rendas diferenciadas. Dessa forma, a avaliação da rentabilidade de um projeto deve considerar o efeito distributivo que o projeto tem sobre a renda social. Para determinar o efeito distributivo do projeto, torna-se necessário, além da avaliação financeira e da avaliação econômica, um avaliação social, do ponto de vista de seu impacto sobre a distribuição dos benefícios e dos custos entre as diferentes camadas sociais. 2.8.2 A Determinação da Rentabilidade do Projeto Para medir a rentabilidade do projeto, os principais critérios, segundo Buarque (1984, p. 141), são os seguintes: 74 75 a) Critérios em termos correntes - Rentabilidade simples. - O período de retorno. - A relação benefício – custo( em termos correntes). b) Critérios de desconto - Relação benefício –custo (em termos atuais). - Valor atual líquido. I. Valor atual líquido por unidade de investimento. - Taxa interna de retorno – TIR. II. Taxa interna financeira de retorno – TIRF. III. Taxa interna econômica de retorno – TIRE. 2.8.2.1 Critérios em Termos Correntes A avaliação consiste na observação de certos parâmetros que irão determinar se a empresa terá uma rentabilidade financeira e capacidade de pagamento que garantam o retorno do financiamento do capital próprio empregado. 2.8.2.1.1 Rentabilidade Simples Denomina-se rentabilidade simples do projeto, a relação do lucro médio provável que ele gerará em cada ano, pelo total desse investimento (r = (L/I)).Ou seja, esse índice permite saber quanto gerará, em cada ano, cada unidade de capital investido no projeto. Assim, ao se comparar duas diferentes alternativas de investimentos projetados, pode-se selecionar aquela que permita uma maior quantidade de recuperação de recursos por cada unidade de investimento, conforme ( BUARQUE, 1984). 2.8.2.1.2 O período de Retorno de Capital Para Buarque (1984), o período de retorno consiste em determinar quanto tempo de funcionamento é necessário para que a empresa permita aos investidores recuperar o capital 75 76 investido: (r = (I/L)). Por isso, é conhecido também como o tempo de recuperação do capital. O período de retorno equivale ao inverso da rentabilidade simples e, portanto, apresenta as mesmas vantagens e desvantagens como critério pata determinar a rentabilidade do projeto. 2.8.2.1.3 Total dos lucros líquidos comparado com o total de investimentos Para calcular esse indicador é necessário tomar o total de lucros anuais e dividir pelo investimento. O critério considera o funcionamento do projeto em toda a sua vida útil e permite avaliar parte das limitações decorrentes do uso dos dois critérios anteriores (rentabilidade simples e período de retorno). 2.8.2.2 Critérios em Termos Atuais O problema da atualização apresenta-se na medida em que se devem comparar valores monetários em tempos diferentes. Como todo o investimento é uma troca entre despesas presentes e receitas futuras, uma comparação dessa relação exige a utilização da atualização. 2.8.2.2.1 Valor Atual Líquido ( VAL) Buarque (1984, p. 146), denomina de Valor Atual Líquido (VAL), “o resultado final de todas as entradas e saídas do projeto, depois de tomar-se em conta o custo de oportunidade do capital, ou seja, o custo do tempo sobre o capital investido”. Segundo o autor, na comparação entre dois projetos, o melhor, em princípio, é aquele com maior valor atual líquido. O Valor atual líquido é um bom coeficiente para a determinação da rentabilidade do projeto, uma vez que representa o retorno líquido atualizado gerado pelo projeto. 76 77 2.8.2.2.2 Taxa Interna de Retorno (TIR) Denomina-se taxa interna de retorno, o valor encontrado que iguala o valor atual do fluxo de custos de um projeto com o valor atual correspondente ao fluxo de benefícios. A taxa interna de retorno é uma demonstração da rentabilidade do projeto e, quanto maior for a TIR, mais vantagens apresenta o projeto em termos atuais. A TIR serve para comparar diferentes projetos entre si, e para compará-los com a “rentabilidade geral” possível na economia. Essa rentabilidade geral é o custo de oportunidade do capital. Para ser aceitável, um projeto deve ter uma taxa interna de retorno nunca inferior ao custo de oportunidade do capital. A taxa interna de retorno é um dos principais instrumentos na determinação da rentabilidade do projeto, segundo Buarque (1984), devido a duas vantagens principais. a) não apresenta as dificuldades dos demais critérios de atualização, que exigem juízos sobre variáveis externas aos dados do projeto, como é o caso das taxas de desconto; b) pela semelhança entre o conceito da taxa interna de retorno e o conceito tradicional de rentabilidade de um investimento. Entretanto, a TIR também apresenta algumas desvantagens, o que não lhes permite ser instrumento único na seleção e classificação de projetos, como no caso de projetos com grandes diferenças entre os valores dos investimentos, podem ocorrer contradições entre os critérios de TIR e de VAL. Considerando que um projeto de baixo investimento pode apresentar uma alta taxa interna de retorno, mas ainda assim ter um reduzido valor atual. 2.8.2.2.3 Taxa Interna Financeira de Retorno ( TIRF) É a taxa interna de retorno que um projeto apresenta do ponto de vista do empresário. Segundo Buarque 91984), o cálculo da taxa interna financeira de retorno consiste em: a) Estruturar os fluxos de fundos do projeto, tomando como base os custos e as receitas da empresa e eliminando dos mesmos os gastos por conceito de pagamento financeiros ou de depreciação, e incluindo o valor residual no último ano de vida útil do projeto; 77 78 b) A taxa interna de retorno calculada com base nesses fluxos, para toda a vida útil estimada do projeto, corresponderá à taxa interna financeira de retorno. 2.8.2.2.4 Taxa Interna Econômica de Retorno ( TIRE) Os conceitos que fundamentam a taxa interna econômica de retorno são os mesmos que apoiam a taxa financeira, com a diferença de que, tanto os fluxos de entrada como os de saída são analisados do ponto de vista da economia geral, e não somente do ponto de vista da empresa. Buarque (1984), afirma que o passo fundamental no cálculo da TIRE consiste em transformar os custos do projeto, do ponto de vista do empresário, em custos do ponto de vista econômico. Para isso, não são considerados os custos que signifiquem unicamente transferência entre os membros da sociedade (juros, benefícios sociais, etc), e computam-se os demais custos com base em valores transformados que se chamam preços e custos econômicos. A taxa interna econômica de retorno de um projeto é a taxa de desconto em virtude da qual o valor presente dos benefícios econômicos é igual ao valor presente dos custos econômicos, considerando-se como custos e benefícios econômicos todos os benefícios e custos gerados ou exigidos pelo projeto sobre o conjunto da economia durante seu processo de implantação e produção (BUARQUE, 1984, p. 156). Para o cálculo da TIRE é necessário transformar o fluxo de fundos financeiros (a preços de mercado) em um fluxo de fundos econômicos, através de três passos: a) Eliminação das transferências entre membros da sociedade. b) Ajustes nos preços utilizados na elaboração do fluxo de fundos financeiros, que transforme os valores de mercado em econômicos. c) Inclusão das externalidades. 78 79 3. ESTUDO DE CASO APLICADO: A INSTITUIÇÃO OBJETO DE ESTUDO A Instituição de Ensino objeto de estudo do presente trabalho é o Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, localizado na Linha 18 Norte, na cidade de Ajuricaba/RS. A Edificação está localizada em um terreno de 14.400m². Atualmente a população total da instituição é de 570 pessoas ( 495 alunos, 61 professores e 14 funcionários), distribuídos nos três turnos de funcionamento da escola, que oferece Ensino Fundamental, Médio e Profissionalizante. Para efetuar uma estimativa do volume e da viabilidade de um sistema de captação na instituição, foi feito um estudo da capacidade de coleta, baseado nos dados observados na Planta Planta Baixa do Ginásio de Esportes em anexo (ANEXO A). 3.1 Levantamento de Dados Para realizar a estimativa dos usos finais de água e a análise da viabilidade econômica da implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial para o Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, foi necessário realizar levantamento de dados, através de entrevistas com funcionários, professores e alunos, coletas de contas de consumo de água, leituras de hidrômetro, verificação de áreas de captação, dados pluviométricos, entre outros. 3.1.1 Áreas de Cobertura O levantamento da área de cobertura (área de captação), fez-se necessário, além de outras variáveis, para estimar o volume do reservatório de água da chuva. O cálculo foi baseado na área de telhado ( metal galvanizado) e inclinação deste, verificada na Planta Baixa do Ginásio de Esportes ( ANEXO A). Os dados relativos às áreas de captação de água de chuva são essenciais, pois a área do telhado trata-se de uma das variáveis de entrada dos cálculos utilizados para o dimensionamento de reservatórios. 79 80 3.1.2 Dados Pluviométricos Os dados pluviométricos utilizados neste trabalho foram obtidos no site da Defesa Civil/RS, e incluem informações sobre precipitações mensais de janeiro/2006 à junho/2010, apresentados no relatório em anexo (ANEXO B). Para se determinar a intensidade pluviométrica para fins de projeto, deve ser fixada a duração da precipitação e do período adequado, com base em dados pluviométricos locais. Segundo Tomaz (2003), para efeito de cálculo, o volume de água de chuva que pode ser aproveitado não é o mesmo que o precipitado. Assim são estimadas perdas por evaporação, vazamentos, lavagem do telhado, entre outras, que vão de 10% à 33% do volume precipitado. 3.1.3 Dados de Consumo de Água Os dados de consumo de água da instituição foram necessários para que se pudesse fazer uma comparação entre os valores de consumo diário reais com o consumo diário estimado através dos levantamentos de vazões dos aparelhos sanitários e entrevistas. Os valores de consumo diário reais foram verificados através de Relatório de Medição e Faturas Mensais em anexo ( ANEXO C), fornecidas pela CORSAN – Companhia Riograndense de Saneamento ( período de outubro/02 à junho/10) e de leituras diárias no hidrômetro. Para efeito de cálculo neste estudo, optou-se em considerar apenas os períodos de janeiro/2008 à junho/2010. 3.1.4 Leituras no Hidrômetro O monitoramento do consumo diário de água foi feito através de leituras diárias no hidrômetro do Colégio Estadual Comendador Soares de Barros. As leituras foram realizadas durante o período de 05 à 12 de julho de 2010. Conforme instruções da CORSAN, deve-se ler no hidrômetro os algarismos pretos, que se referem a metros cúbicos de água consumidos. 80 81 O consumo diário foi calculado pela diferença de duas leituras. A média de consumo de água para a semana que foram realizadas as leituras, foi calculada dividindo o consumo total pelo número de dias correspondentes. As leituras diárias do hidrômetro possibilitaram uma comparação entre os valores de consumo diário lidos com o consumo diário estimado através das entrevistas. 3.2 Usos Finais de Água Para realizar a estimativa do consumo de água para usos finais na instituição, foi necessário levantar as características dos aparelhos sanitários, a freqüência e o tempo com que os mesmos são utilizados. Para tal, foi efetuado um levantamento dos tipos de aparelhos existentes, medições das vazões e entrevistas com os usuários. Esses dados são essenciais para realizar a estimativa do consumo médio de água para cada tipo de aparelho sanitário, e desta forma verificar a demanda de água em usos com fins não potáveis, determinando o potencial de economia que pode ser gerado através do uso de água pluvial. 3.2.1 Aparelhos Sanitários Existentes Através de visitas in loco, foram verificados quais eram os tipos de aparelhos sanitários no Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, as atividades realizadas nos prédios que utilizam água e quais aparelhos são usados nessas atividades. 3.2.2 Vazões A estimativa da vazão de cada aparelho foi realizada utilizando um recipiente com volume conhecido (0,5litros) e cronometrando o tempo necessário para o enchimento do recipiente com água. As torneiras (dos banheiros, tanques, pias da cozinha), bebedouros e mangueiras, foram utilizados de forma padronizada. O valor da vazão de cada aparelho foi determinado a partir de uma média de três vazões. 81 82 Para os vasos sanitários que possuem caixa de descarga, foi adotado o valor de vazão de 1,7 litros/s e para os mictórios 0,15 litros/s. Esses valores são recomendados pela NBR 5626 (ABNT, 1998). 3.2.3 Entrevistas com os Usuários As entrevistas foram realizadas por meio de questionários aplicados aos funcionários, professores e alunos, com o objetivo de descobrir a freqüência de uso de água em cada aparelho sanitário. Nos questionários foram feitas perguntas que demonstrassem o tempo e a quantidade de vezes que cada aparelho era utilizado no período de ocupação. Em função da dificuldade para contatar todos os professores, alunos e funcionários que trabalham e/ou estudam no Colégio, devido aos diferentes dias da semana e horários que os mesmos se encontram na escola, optou-se em realizar a pesquisa por amostragem. Foi calculada uma amostra que seria representativa, levando em consideração um valor de erro amostral. As amostras foram calculadas segundo a metodologia apresentada por Barbetta (2003), o qual afirma que é possível determinar uma amostra que represente um determinado número de pessoas através da Equação 3.1. Antes de iniciar o cálculo do tamanho da amostra é preciso definir qual o erro amostral que será adotado para o estudo (6%). [Eq. 3.1] Onde: N = número total de pessoas; E0 = erro amostral desejado (1 a 20% ); n = amostra de pessoas entrevistadas. Foram aplicados quatro tipos de questionários. Para funcionários, professores e alunos foram aplicados questionários com as mesmas perguntas, apenas com um item diferenciado, 82 83 indicando a função, no caso de professores e funcionários, e curso para os alunos. Os questionários utilizados estão apresentados no ANEXO D. Para os funcionários da limpeza interna e externa, jardinagem, cozinha/refeitório, foram aplicados questionários caracterizados para as respectivas funções. Os resultados obtidos através das entrevistas permitiram conhecer os valores que representam a freqüência e o tempo de utilização de cada tipo de aparelho sanitário para o total geral da escola e por pessoa. 3.2.4 Estimativa do Consumo de Água O consumo diário total de água em cada aparelho sanitário considerado de uso individual foi estimado com base nos dados de freqüência e tempo de uso dos mesmos, obtidos através das entrevistas e o número de pessoas que efetivamente utilizam cada aparelho. A estimativa do consumo de água referente às atividades consideradas de uso coletivo, foram realizadas com base em entrevistas com todos os responsáveis por tais atividades, e não por amostras. As vazões estimadas também foram utilizadas no cálculo do consumo diário. 3.2.4.1 Estimativa do Consumo de Água em aparelhos de Uso Individual Considerou-se como aparelhos de uso individual as torneiras de lavatórios, bebedouros, vasos sanitários e mictórios. Para os cálculos de verificação de estimativas de consumo de água, as Equações utilizadas neste estudo, foram adaptadas segundo a metodologia apresentada por Marinoski (2007). O cálculo de consumo médio diário de água per capita por aparelhos foi realizado com base na multiplicação de freqüência e tempo de uso obtidos nas entrevistas e vazão do aparelho, conforme apresentado na Equação 3.2. [Eq. 3.2] Cmédio aparelho = fi * ti * Q Onde: Cmédio aparelho = consumo médio diário de água per capita do aparelho (litros/dia/pessoa); fi = freqüência diária de uso do aparelho (número de vezes/dia); ti = tempo diário de uso do aparelho (segundos/dia); 83 84 Q = vazão do aparelho (litros/segundo); Para o cálculo do consumo diário do total de água em torneiras de lavatórios e bebedouros, considerou-se como usuários a população total do Colégio (570 pessoas), conforme apresentado nas Equações 3.3 e 3.4. [Eq. 3.3] Ctorneira lavatório = Cmédio aparelho * P Onde: Ctorneira lavatório = Consumo médio diário de água em torneiras de lavatórios (litros/dia); Cmédio aparelho = consumo médio diário de água per capita no aparelho (litros/dia/pessoa); P = população total. [Eq. 3.4] Cbebedouro = Cmédio aparelho * P Onde: Cbebedouro = Consumo médio diário de água em bebedouros (litros/dia); Cmédio aparelho = consumo médio diário de água per capita no aparelho (litros/dia/pessoa); P = população total. Para o cálculo do consumo de água nos vasos sanitários, considerou-se como usuários toda a população feminina, totalizada em 336 pessoas, mais o percentual da população total masculina que utiliza os vasos sanitários, verificado através das entrevistas. O Cálculo de consumo para vasos sanitários está representado pela Equação 3.5. [Eq. 3.5] Cvaso sanitário = Cmédio aparelho * Pvs Onde: Cvaso sanitário = Consumo médio diário de água em vaso sanitários (litros/dia); Cmédio aparelho = consumo médio diário de água per capita no aparelho (litros/dia/pessoa); Pvs = População total feminina mais percentual da população total masculina que utiliza os vasos sanitários (%). 84 85 O consumo médio de água em mictórios foi calculado considerando toda a população masculina de alunos do Colégio, de 234 homens, conforme apresentado na Equação 3.6. [Eq. 3.6] Cmictório = Cmédio aparelho * Pmasc Onde: Cmictório = Consumo médio diário de água em mictórios (litros/dia); Cmédio aparelho = consumo médio diário de água no aparelho (litros/dia); Pmasc = População total masculina. Após efetuada a estimativa de consumo em cada aparelho de uso individual, realizou-se um somatório para verificar o consumo total diário de água nos aparelhos usados em atividades individuais, conforme apresentado pela Equação 3.7. [Eq. 3.7] Caparelhos = Ctorneira lavatório + Cbebedouro + Cvaso sanitário + Cmictório Onde: Caparelhos = consumo total diário de água dos aparelhos usados em aparelhos de usos individuais (litros/dia); Ctorneira lavatório = Consumo médio diário de água em torneiras de lavatórios (litros/dia); Cbebedouro = Consumo médio diário de água em bebedouros (litros/dia); Cvaso sanitário = Consumo médio diário de água em vasos sanitários (litros/dia); Cmictório = Consumo médio diário de água em mictórios (litros/dia); 3.2.4.2 Estimativa do Consumo de Água em Atividades de Uso Coletivo A estimativa dos consumos de água referentes à limpeza dos prédios (lavação de calçadas, paredes e limpeza de vidros), cozinha do refeitório, irrigação de jardins, horta e pomar, foram calculadas com base em entrevistas com todos os responsáveis por tais atividades e não por amostras. Sendo assim, o consumo estimado nessas atividades não será multiplicado pelo número de usuários, pois já se trata do consumo total de cada atividade. A Equação 3.8 apresenta o consumo total diário de água das atividades acima descritas. [Eq. 3.8] 85 86 Catividades = Climpeza prédios + Ccozinha + Cirrigação Onde: Catividades = consumo total diário de água utilizada em atividades de uso coletivo (litros/dia). Climpeza prédio = consumo total diário de água utilizada em atividades de limpeza dos prédios, que inclui também lavação de calçadas, paredes e vidros (litros/dia). Ccozinha = consumo total diário de água utilizada nas torneiras das pias da cozinha do refeitório (litros/dia). Cirrigação = consumo total diário de água utilizada em irrigação das plantas, horta, gramado (litros/dia). 3.2.4.3 Estimativa do Consumo Total Diário e Mensal de Água O consumo médio diário de água total da escola foi calculado através da soma do consumo total diário de água para aparelhos de uso individual mais o consumo diário de água utilizada em atividades de limpeza geral da escola, refeitório, irrigação de jardim, horta, pomar e gramados, conforme Equação 3.9. [Eq. 3.9] Cdiário total = Caparelhos + Catividades Onde: Cdiário total = consumo diário total de água do prédio (litros/dia); Caparelhos = consumo total diário de água dos aparelhos usados em aparelhos de usos individuais (litros/dia); Catividades = consumo total diário de água utilizada em atividades de uso coletivo (litros/dia). No Colégio Comendador Soares de Barros, algumas atividades que utilizam água são realizadas apenas semanalmente, como é o caso da irrigação de plantas, hortas ou gramados; mensalmente a lavação de calçadas e anualmente lavação de paredes e vidros. Para essas atividades que não são realizadas diariamente, optou-se em utilizar freqüência fracionada (por exemplo: para uma freqüência de uma vez por mês, utilizou-se um dia dividido por trinta, equivalente a 0,033 vezes/dia). Para conseguir uma estimativa mais adequada, também verificou-se o consumo mensal de água, o qual foi determinado multiplicando o consumo diário total pelo número de dias úteis do mês. Assim, para fins de cálculo do consumo mensal no presente estudo, o número de dias úteis de um mês letivo é de 23 dias. O ano letivo, de acordo o Projeto Político Pedagógico da Escola, 86 87 tem 200 dias de trabalho efetivo, contabilizando um sábado por mês, quando também ocorrem aulas. A Equação 3.10 apresenta o consumo médio mensal de água. [Eq. 3.10] Cmensal = Cdiário total * dúteis Onde: Cmensal = consumo mensal total de água nos prédios (litros/mês); Cdiário total = consumo diário total de água nos prédios (litros/dia); dúteis = número de dias úteis em um mês letivo (dias). 3.2.5 Usos Finais Corrigidos Após estimados os usos finais, foi realizada uma comparação com os dados das faturas da CORSAN para examinar se haviam diferenças entre o consumo medido e o estimado. O consumo diário per capita foi determinado através do quociente entre o consumo total diário real de água pela população total da escola. A Equação 3.11 apresenta o cálculo do consumo diário de água per capita. [Eq. 3.11] Cdiário per capita = Cdiário total P Onde: Cdiário per capita = consumo diário de água per capita (litros/dia/pessoa); Cdiário total = consumo diário total de água no prédio (litros/dia); P = População total. 3.3 Avaliação do potencial de Economia de Água Potável Com o objetivo de estimar o potencial de economia proveniente da implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial, foi verificado o percentual de água potável utilizado em fins não potáveis, e também foi estimado o volume ideal do reservatório de acumulação da água das chuvas. 87 88 3.3.1 Percentual de Água Potável que Poderia Ser substituído por Água Pluvial Considerou-se, neste estudo, a utilização de água para fins não potáveis em descargas de vaso sanitário, mictórios, irrigação e torneiras usadas para limpeza da escola ( lavação de calçadas, paredes e limpeza de vidros). Através da soma dos percentuais de consumo de água nas atividades consideradas para fins não potáveis, após a estimativa dos usos finais de água corrigidos, foi verificado o percentual de água potável que poderia ser substituído por água pluvial, conforme apresentado na Equação 3.12. [Eq. 3.12] AP = Pvaso sanitário+ Pmictório + Plimpeza prédios + Pirrigação Onde: AP = Percentual de água potável que pode ser substituído por água pluvial (%); Pvaso sanitário = Percentual de água consumido em vasos sanitários (%); Pmictório = Percentual de água consumido em mictórios (%); Plimpeza prédio = Percentual de água consumido em atividades de limpeza dos prédios (%); Pirrigação = Percentual de água consumido em irrigação de jardins, gramados, horta (%). 3.3.2 Reservatório de Água Pluvial O reservatório de acumulação de água pluvial é um dos componentes mais importantes de um sistema de aproveitamento de água pluvial, o qual deve ser dimensionado, principalmente considerando os seguintes fatores: demanda de água pluvial, áreas de captação, precipitação pluviométrica e custos totais de implantação. Para estimar o volume ideal do reservatório de água pluvial para o presente estudo, baseou-se na área de cobertura do Ginásio de Esportes, no consumo diário de água per capita, na precipitação da região, no coeficiente de perdas e no percentual de água potável usada para fins não potáveis que poderia ser substituída por água pluvial. A localização dos reservatórios e o volume dos mesmos, são importantes para a estimativa de custos de implantação do sistema. Optou-se em utilizar um reservatório inferior de água 88 89 pluvial e outro superior. Nesse caso, havendo a necessidade de bombeamento da água, que será realizado por moto-bomba. O volume do reservatório inferior deve ser maior que a demanda diária de água pluvial, para que supra esse consumo diário e possa manter uma reserva para épocas de baixa precipitação pluviométrica. A determinação do volume do reservatório superior levou em conta o volume diário correspondente à utilização de água para fins não potáveis, ou seja, para descarga de vaso sanitário, mictórios, limpeza geral da escola e irrigação. Desta forma, o volume do reservatório superior deve ser maior ou igual a quantidade de água consumida pelos aparelhos e atividades com fins não potáveis. A demanda diária de água pluvial é calculada conforme Equação 3.13 abaixo; [Eq. 3.13] Dpluvial = Cdiário per capita * P * AP Onde: Dpluvial = Demanda diária de água pluvial (litros/dia); Cdiário per capita = Consumo diário de água potável per capita (litros/dia/pessoa); P = População total; AP = Percentual de água potável que poderia ser substituída por água pluvial (%). Segundo Tomaz (2003), para o dimensionamento do volume do reservatório de água da chuva serão necessários os seguintes dados de entrada: precipitação média diária, demanda diária, área de coleta e coeficiente de perdas. 3.4 Análise Econômica Após verificado o potencial de economia de água potável, foram verificados os custos para a implantação e operação do sistema de aproveitamento de água pluvial, e também analisada sua viabilidade econômica. Essa análise econômica será apenas uma estimativa preliminar de custos, que servirá como referência para a escola, já que esta deseja implantar um sistema de aproveitamento de água pluvial. 89 90 Os custos de implantação e operação do sistema de aproveitamento de água pluvial resumem-se basicamente em custos com materiais e equipamentos, custos de energia elétrica devido ao bombeamento de água para o reservatório superior e custos com mão-de- obra. Desta forma, realizou-se uma estimativa dos valores de materiais e equipamentos necessários, através de pesquisa de preço nas lojas de materiais de construção da cidade e/ou em sites especializados na Internet. Os materiais orçados foram: reservatórios de fibra de vidro ( inferior e superior), moto-bomba, bóia, calhas de PVC, condutores verticais e horizontais de PVC para a drenagem de água pluvial, filtros e serviços. Os custos com tubulações e conexões serão estimados em função de um percentual de 15% do custo total de implantação do sistema, conforme recomendado em outros estudos similares ( FERREIRA, 2005). Os custos com mão-de-obra para a implantação de sistema de aproveitamento de água foram obtidos através de uma estimativa de preço realizada por profissionais especializados em execução de projetos hidrossanitários. O custo de execução dos serviços foi orçado por dias trabalhados. Os custos de operação do sistema, devido a energia elétrica que será consumida em função do bombeamento de água pluvial para o reservatório superior, também foram calculados. A escolha da potência da moto-bomba foi realizada com auxílio de informações apresentadas em catálogos de fabricantes. As variáveis adotadas para o cálculo da potência são: altura de sucção, altura de recalque, comprimento total da tubulação, vazão desejada e material da tubulação (ANAUGER, 2010). Após selecionada a potência da moto-bomba e verificada a respectiva vazão (m³/h), foi estimado o tempo de funcionamento diário e o número de dias de uso no mês. Para determinar os custos com energia elétrica devido ao bombeamento, utilizou-se as informações referentes à moto-bomba adotada e os valores (R$/kWh) cobrados pela CERILUZ para a categoria na qual se enquadra a escola. Desta maneira, é possível determinar o consumo de energia gasto com o bombeamento, conforme apresenta a Equação 3.14. [Eq. 3.14] CM energia elétrica = Pmoto-bomba * t * N * V CERILUZ 90 91 Onde: CM energia elétrica = Custo mensal da energia elétrica para o funcionamento do sistema de bombeamento de água pluvial (R$); Pmoto-bomba = Potência da moto-bomba (kW); t = Tempo de funcionamento da moto-bomba (h/dia); N= Número de dias de funcionamento da moto-bomba no mês; V CERILUZ = Valor cobrado pela CERILUZ, pela energia elétrica consumida (R$/kWh). Antes de analisar a economia monetária gerada pela implantação do sistema de aproveitamento pluvial, fez-se necessário a determinação dos novos custos relativos ao consumo de água potável. Foi realizado um levantamento dos novos custos de água potável, considerando o potencial de economia de água potável gerado pelo uso de água pluvial. Através de informações fornecidas pela CORSAN, verificou-se também, o valor cobrado pelo m³ de água. Assim, através da aplicação da Equação 3.15 é possível verificar qual seria o novo custo de água potável após a implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial. \[Eq. 3.15] CM água potável 2 = Cmensal – Peconomia * V CORSAN Onde: CMágua potável 2 = Custo médio mensal de água potável após a implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial (R$/mês); Cmensal = Consumo médio mensal de água no prédio (m3/mês); Peconomia = Potencial de economia de água potável obtido através do uso de água pluvial (%); V CORSAN= Valor cobrado pela CORSAN pela água potável consumida (R$/m3). A próxima etapa da análise de viabilidade econômica para a implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial foi a verificação do período de retorno do investimento. Inicialmente foi verificada a diferença entre o custo mensal atual de água potável e o custo mensal após a implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial. Essa diferença 91 92 representa a economia em reais (R$), relativa ao novo consumo de água, conforme apresentado na Equação 3.16. [Eq. 3.16] E = CMpotável 1 – CMpotável 2 Onde: E = Economia monetária de água potável após o uso de água pluvial (R$/mês); CMpotável 1 = Custo médio mensal de água potável atual antes da implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial (média dos meses de janeiro a junho de 2010) (R$/mês); CMpotável 2 = Custo médio mensal de água potável após a implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial (R$/mês); O período de retorno do investimento foi verificado com base na economia mensal de água potável gerada e no custo total de implantação do sistema, resultando no número de anos ( ou meses) que serão necessários para que os resultados acumulados se igualem ao montante do investimento inicial. 3.5 Resultados Os resultados do estudo de viabilidade de implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial para fins não potáveis, no Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, estão apresentados neste capítulo. Para este estudo, fez-se uma verificação do potencial de economia de água potável que poderia ser gerada. Através de um levantamento de usos finais de água na instituição, foi possível estimar o volume de água necessário para suprir os consumos de água para usos não potáveis ( descarga de vaso sanitário, mictório, lavação de calçadas, irrigação e limpeza em geral). Em seguida, dimensionou-se os reservatórios de água pluvial e realizou-se a análise econômica para a determinação da viabilidade de implantação do sistema. 92 93 3.5.1 Levantamento de Dados Foram realizados diversos levantamentos de dados; entrevistas com funcionários, professores e alunos; contas de consumo de água; monitoramento de hidrômetro; medições de vazões; precipitações pluviométricas e verificação de áreas de captação. Os levantamentos foram executados no período de janeiro à julho de 2010. A seguir são apresentados os resultados obtidos na coleta de dados. 3.5.1.1 Consumo de Água Potável Os dados de consumo de água são necessários neste estudo para que seja feita uma comparação entre o consumo diário estimado com o consumo diário real. 3.5.1.2 Consumo de Água Medido pela CORSAN Para este estudo, foram considerados os consumos mensais de água medidos nas faturas da CORSAN de 2008 e 2009. Os consumos de janeiro a junho de 2010 também foram examinados. Os Relatórios das Faturas e Medição, estão apresentados em anexo (ANEXO C). Na Tabela 01, encontram-se os consumos e valores médios constantes nas faturas dos anos de 2008, 2009 até junho de 2010. Tabela 01 – Consumos e custos médios mensais de água para os meses do ano de 2008 à 2010. Meses Consumo Médio (m³) Custo Médio (R$) Ano 2008 (jan – dez) 98,83 512,58 Ano 2009 (jan – dez) 58,17 310,24 Ano 2010 (jan – jun ) 51,00 281,94 Fonte: Dados conforme Pesquisa. Após análise da Tabela 01, verificou-se que a média de consumo de água no ano de 2008, calculada em 98,83m³, é alta comparada com as médias de consumo de 2009 e 2010, equivalentes a 58,17m³ e 51.00m³, respectivamente. 93 94 O motivo do consumo elevado em 2008, justifica-se por um rompimento na tubulação (aterrada) que ocorreu em abril daquele ano. Quanto ao consumo de água em 2010, é possível perceber que houve queda, ocorrido em virtude da redução do número de alunos matriculados, segundo informações fornecidas pela secretaria da escola. Neste estudo, foi utilizado para a comparação do consumo real com o consumo estimado, o valor da média de consumo de água apenas dos meses de 2010, por serem os meses mais atuais e por englobar o período que foram realizadas as entrevistas e o monitoramento do hidrômetro. Após verificada a média de consumo mensal dos meses do ano de 2010, calculou-se o consumo médio diário, dividindo este consumo médio mensal por 23 dias úteis. Assim, o valor do consumo médio diário e consumo per capita, com base nos consumos medidos pela CORSAN, foram de 2.218 litros/dia e 3,90 litros/pessoa, respectivamente. 3.5.1.3 Leituras no Hidrômetro O monitoramento do consumo diário de água foi feito através de leituras diárias no hidrômetro do Colégio Estadual Comendador Soares de Barros. As leituras foram realizadas durante o período de 05 à 12 de julho de 2010. A Tabela 02 apresenta os valores lidos no hidrômetro ( Modelo Mj 43¹ - LAO/m³), os consumos diários calculados e o consumo médio diário para dias úteis. Tabela 02 – Valores lidos no hidrômetro e consumos diários calculados. Data da leitura 05/07/2010 06/07/2010 07/07/2010 08/07/2010 09/07/2010 10/07/2010 11/07/2010 12/07/2010 Dia da semana 2ª feira 3ª feira 4ª feira 5ª feira 6ª feira Sábado Domingo 2ª feira Horário Leitura (m³) 17h 17h 17h 17h 17h 12h --17h 5803 5806 5809 5813 5815 5817 --5820 Consumo médio diário (2ª feira à sábado) Fonte: Dados conforme Pesquisa. Consumo diário (m³) --3 3 4 3 2 --3 (18m³/6d) = 3m³ 94 95 O valor obtido para o consumo médio de dias úteis (2ª feira à sábado) foi de 3.000litros/dia. O período de monitoramento do hidrômetro foi de apenas uma semana, porém, o consumo médio diário medido no hidrômetro de 3.000 litros/dias, apresentou-se próximo do consumo médio diário verificado na fatura de junho de 2010, cujo valor foi de 3.218 litros/dia (considerando 23 dias úteis). 3.5.2 Usos Finais de Água Para este estudo, foi efetuado o levantamento dos tipos de aparelhos sanitários existentes, bem como, suas características. Também se verificou a vazão de cada aparelho. Foram realizadas entrevistas com os usuários, verificando a freqüência e o tempo com que os aparelhos sanitários são utilizados. Todos esses dados coletados são necessários para a estimativa dos usos finais de água. 3.5.2.1 Aparelhos Sanitários Existentes Os tipos de aparelhos sanitários existentes e a localização dos mesmos foram verificados através de visitas in loco, assim como todas as atividades que consomem água na escola, e os respectivos aparelhos utilizados nestas. Verificou-se que as torneiras de todos os banheiros (femininos e masculinos) da escola são do tipo comum ( sem acionamento automático). Todos os vasos sanitários dos banheiros, tanto dos alunos, quanto dos professores e funcionários, possuem caixa de descarga de 6 litros. Na sala ao lado da cozinha, existe um tanque com torneira, que é utilizada pelas serventes para a limpeza do prédio e para lavar toalhas e panos. Na cozinha do refeitório, existem duas pias com torneiras, que são utilizadas para lavação e cozimento dos alimentos e lavagem de louças. Existem dois bebedouros na escola, e estão localizados no pátio interno. São utilizados principalmente pelos alunos, considerando que na sala dos professores e funcionários do setor administrativo existe um com água mineral. 95 96 As torneiras externas que estão localizadas no pátio da escola, são utilizadas através de mangueiras para irrigação de plantas, jardins, horta, gramado, lavação das calçadas, paredes e vidros. Nas figuras de 12 à 19, estão apresentadas as fotos de alguns aparelhos sanitários existentes na escola e também de alguns locais onde ocorrem atividades que utilizam água. Figura 12 – Lavatórios de Banheiros Figura 14 – Vaso sanitário com caixa d’água Figura 13 - Gramado/ Jardim Figura 15 – Vista parcial do Pomar 96 97 Figura 16 – Refeitório Figura 18 – Prédios / Pátio Interno Figura 17 – Pátio Interno / Campo Figura 19 – Vista Parcial: Prédios/Gramado 3.5.2.2 Vazões Para estimar a vazão de cada aparelho utilizou-se um recipiente com volume conhecido (0,5litro), e com o auxílio de um cronômetro digital foi medido o tempo necessário para o enchimento do recipiente com água . Esse processo foi realizado para todos os aparelhos. Já para determinar uma única vazão para as torneiras e bebedouros, fez-se uma média entre as três amostras coletadas das vazões encontradas para cada aparelho. 97 98 Quanto as medições de vazões nos vasos sanitários que possuem caixa de descarga, foram adotados valores indicados pela Norma NBR 5626. Para a descarga dos vasos sanitários o valor da vazão adotado foi de 1,7 litros/s e para os mictórios o valor foi de 0,15 litros/s (ABNT, 1998). Os valores das medições de vazões dos aparelhos existentes encontram-se na Tabela 03. Tabela 03 – Vazão dos aparelhos sanitários existentes Aparelho Sanitário Local Vazão (litros/s) Torneiras Lavatórios Banheiros Femininos 0,08 Torneiras Lavatórios Banheiros Masculinos 0,08 Torneira Tanque Cozinha 0,14 Torneira Pias Cozinha 0,16 Banheiro da Cozinha 0,08 Pátio 0,01 Vasos sanitários (caixa de descarga) Todos os banheiros 1,70 Mictórios Banheiro Masculino 0,15 Mangueira Pátio 0,12 Torneira Lavatório Bebedouros Elétricos Fonte: Dados conforme Pesquisa. Não foram realizadas medições nos banheiros e chuveiros que aparecem na Planta Baixa do Ginásio de Esportes, por estes encontrarem-se em fase de construção. 3.5.2.3 Entrevistas com Usuários As entrevistas foram realizadas através de questionários aplicados aos funcionários, professores e alunos, a fim de descobrir a freqüência e o tempo de uso de água em cada aparelho sanitário existente na escola. As informações quanto ao número de professores, funcionários e alunos matriculados, foram fornecidos pela secretaria da escola. Através desses dados, foi possível também verificar a população total feminina e masculina. 98 99 3.5.2.3.1 Amostras de Entrevistados A população total do Colégio Estadual Comendador Soares de Barros (alunos, funcionários e professores), segundo dados repassados pela secretaria, é de 570 pessoas. O que tornou inviável entrevistar à todos, considerando os três turnos de funcionamento da escola. Por este motivo, optou-se em realizar uma pesquisa por amostragem. Assim, foi calculada uma amostra que seria representativa para cada categoria de usuários: alunos, professores e funcionários, levando em consideração um erro amostral de 6%. Com base nos dados de população obtidos e aplicação da Equação 3.1, resultou no tamanho desejado de amostra de cada categoria a ser entrevistada, totalizando 241 pessoas. O que corresponde à 42,28 % da população total da escola. No entanto, considerando as dificuldades já descritas anteriormente, foram entrevistados um número menor de usuários. Deste modo, efetivamente participaram da entrevista 214 pessoas, o que equivale à 37,54% da população total da escola. A tabela 04 permite visualizar os dados referentes à população da escola, por categorias de usuários, e por sexo, apresentando as amostras de entrevistas e o percentual desses números em relação ao seu respectivo total. Tabela 04 – Número total dos usuários por categorias e por sexo e amostras de entrevistas obtidas. População Categorias de Usuários Amostra Almejada Amostra Obtida H M Total H M Total H M Total Alunos 222 273 495 81 97 178 72 88 160 Funcionários 03 11 14 03 10 13 03 10 13 Professores 09 52 61 09 41 50 09 32 41 Total 234 336 570 93 148 241 84 130 214 41% 59% 100% 38,59% 61,41% 100% 39,25% 60,75% 100% Percentual Total Fonte: Dados conforme Pesquisa. H=Homens e M=Mulheres 99 100 3.5.3 Estimativa do Consumo de Água 3.5.3.1 Médias de Consumo de Água por Categorias Para verificar qual seria o consumo diário de água per capita para alunos, professores e funcionários do sexo feminino e masculino separadamente, foi feita uma média diária de freqüência, de tempo de uso e de consumo de água para cada aparelho de uso individual por categoria de usuários. Para cada categoria de usuários, foi verificada a média diária da freqüência, do tempo de utilização e do consumo de água per capita por aparelhos, conforme apresentam as Tabelas 05 à 07. A média de consumo diário de água per capita foi calculada em planilhas seguindo a metodologia apresentada no item 3.2.4.1. Para melhor visualização, o ANEXO E apresenta as planilhas referentes a utilização dos aparelhos, para cada categoria de usuário separadamente, mostrando as médias diárias da freqüência, do tempo de uso dos aparelhos e do consumo de água. Tabela 05 – Médias Diárias de freqüência, de tempo de uso e de consumo de água per capita por aparelhos sanitários para alunos (as). Freqüência (vezes/dia) Tempo (segundos/vez) Consumo (litros/dia/pessoa) Usuários Alunos Alunas Alunos Alunas Alunos Alunas Aparelhos Média Média Média Média Média Média 1,82 1,93 8,15 8,89 1,3 1,48 2,03 1,83 7,22 6,97 0,16 0,14 0,51 1,66 3,21 7,42 5,45 22,39 --- 6,51 --- 1,66 --- 8,57 24,01 Torneira Bebed. Vaso San. Mictório 1,53 Consumo Médio Diário total Fonte: Dados conforme Pesquisa. 100 101 Tabela 06 – Médias Diárias de freqüência, de tempo de uso e de consumo de água per capita por aparelhos sanitários para funcionários (as). Freqüência (vezes/dia) Tempo (segundos/vez) Consumo (litros/dia/pessoa) Usuários Funcionários Funcionárias Funcionários Funcionárias Funcionários Funcionárias Aparelho Média Média Média Média Média Média Bebed. 2,67 2,67 3,6 1,8 8,67 6 10,7 6,1 1,87 0,16 3,21 0,12 Vaso San. 1,67 1,8 8,67 7,5 23,8 24,65 Mictório --- --- --- --- --- --- 25,83 27,98 Torneira Consumo Médio Diário Total Fonte: Dados conforme Pesquisa. Tabela 07 – Médias Diárias de freqüência, de tempo de uso e de consumo de água per capita por aparelhos sanitários para professores (as). Frequência (vezes/dia) Tempo (segundos/vez) Consumo (litros/dia/pessoa) Usuários Professores Professoras Professores Professoras Professores Professoras Aparelho Média Média Média Média Média Média Torneira 2,11 2,5 8,78 9,34 1,61 1,98 Bebed. 1,78 1,47 6,56 6,53 0,13 0,1 Vaso San. 1,67 1,69 7,44 7,78 22,86 23,75 Mictório --- --- --- --- --- --- 24,6 25,83 Consumo Médio Diário Total Fonte: Dados conforme Pesquisa. Na Tabela 08, estão apresentados os valores após a realização de uma média geral de freqüência e tempo de uso, e consumo de água em aparelhos de uso individual, considerando todos os 214 entrevistados, abrangendo todas as categorias, independente de sexo. Tabela 08 – Freqüência, tempo e consumo médio de água per capita para aparelhos de uso individual. 101 102 Consumo Freqüência (vezes/dia) Tempo (segundo/vez) Aparelho Média Média Média Torneira de lavatório 2,43 9,09 1,91 Bebedouro 1,93 6,56 0,13 Vaso sanitário 1,5 7 20,48 Mictório 1,53 6,51 1,66 (litros/dia/pessoa Consumo Médio Diário Total 24,18 Fonte: Dados conforme Pesquisa. Após análise das Tabelas de 05 a 08, verificou-se que o consumo de água é mais elevado para os usuários do sexo feminino, principalmente em função de maior freqüência de uso do vaso sanitário. Os valores da tabela acima serão utilizados para a estimativa do consumo total em cada aparelho sanitário. 3.5.3.2 Estimativa do Consumo de água em aparelhos de Uso Individual Os valores estimados de consumo total diário de água por aparelhos sanitários de uso individual, determinados através de aplicação das Equações no item 3.2.4.1, com base no número de pessoas que utilizam os aparelhos, estão apresentados na Tabela 09. Tabela 09 – Valores estimados de consumo diário total de água por aparelho de uso individual. Consumo diário total por aparelho e usuários ( litros/dia) Categoria Alunos Funcionários Todas Professores Categorias Usuários Aparelhos Total H M Total H M Total H M Total 424,02 521,43 945,45 5,73 21,01 26,74 17,19 99,32 116,51 1.088,70 28,86 35,49 64,35 0,39 1,43 1,82 1,17 6,76 8,54 74,71 2.314,24 5.591,04 7.905,28 61,44 225,28 286,72 184,32 1.065 1.249,28 9.441,27 Mictório 368,52 --- 368,52 --- --- --- --- --- --- 368,52 Total 3.135,64 6.147,96 9.283,60 67,56 247,72 315,28 202,68 1.171,04 1.374,33 10.973,20 33,77 66,23 100% 21,42 78,58 100% 14,75 85,25 100% Torneira lavatório Bebedouro Vaso sanitário Percentual % Fonte: Dados conforme Pesquisa. (L/dia) H = Homens e M = Mulheres 102 103 De acordo com os valores verificados na tabela 09, o vaso sanitário é responsável pela maior parcela de consumo de água potável. Para o cálculo do consumo de água nos vasos sanitários, considerou-se como usuários toda a população feminina, totalizada em 273 pessoas, mais o percentual de 51% da população total masculina que utiliza os vasos sanitários, verificado através das entrevistas. Esse percentual de 51% corresponde a 113 homens. O total verificado de usuários dos vasos sanitários foi de 386 pessoas. O consumo diário de água em torneiras de lavatório também apresentou um valor expressivo. Já quanto ao mictório, o consumo é relativamente baixo, considerando que é utilizado apenas pelos alunos, já que os professores e funcionários possuem banheiro próprio, com vaso sanitário. Os bebedouros consomem um volume baixo de água, por apresentarem uma vazão diminuta. 3.5.3.3 Estimativa do Consumo de Água em Atividades de Uso Coletivo. A estimativa do consumo de água referente à limpeza geral, lavação, cozinha, irrigação entre outras atividades de uso coletivo foram calculadas com base nas entrevistas com todos os responsáveis por tais atividades. Para a estimativa do consumo de água para os usos coletivos, os funcionários responsáveis responderam um questionário, informando a utilização da água para a atividade que exerciam. Para a limpeza geral da escola, foram entrevistadas as serventes, onde foram coletadas informações a respeito da freqüência de limpeza, número de vezes e tempo que utilizam a torneira do tanque e número de baldes de água usados. As cozinheiras também utilizam a torneira do tanque para a limpeza dos ambientes da cozinha e refeitório. A irrigação das plantas, jardins, campo de futebol, ocorrem, em média, uma vez por semana. A lavação das calçadas da escola, ocorre em geral, uma vez por mês. Outras atividades que utilizam água das torneiras externas, como limpeza de vidros e lavação de paredes, segundo foi informado, são realizadas uma vez ao ano, geralmente no período das férias. 103 104 Os valores estimados para a limpeza ( torneira do tanque), irrigação (plantas, horta, campo) e lavação de calçadas (uso da mangueira), encontram-se na Tabela 10. Tabela 10 – Consumo médio diário de água para limpeza, irrigação e lavação. Funcionárias Serventes (04) Cozinheiras (02) Atividade Limpeza (torneira do tanque) Limpeza (torneira do tanque) Freqüência Tempo Vazão Consumo (vezes/dia) (segundos/vez) (litros/s) (litros/dia) 12 60 0,14 100,80 4 120 0,14 67,20 Consumo Total Torneiras do Tanque: Serventes (04) Serventes (04) Irrigação (horta, jardins, campo, plantas) Lavação ( calçadas ) 168,00 0,14 (1/7d) 1800 0,12 30,24 0,033(1/30d) 3600 0,12 14,25 Consumo Total Mangueira: 44,49 Consumo Total: 212,90 Fonte: Dados conforme Pesquisa. Já o consumo de água na cozinha do refeitório da escola foi estimado com base nas entrevistas realizadas com as duas cozinheiras que trabalham no local. As atividades que consomem água da torneira das pias da cozinha se resumem, basicamente, em lavação e preparo de alimentos e lavagem de louças. Os valores de consumo diário total de água da torneira das pias da cozinha, referentes às respostas das cozinheiras, estão apresentadas na Tabela 11 abaixo. Tabela 11 – Consumo diário total de água nas atividades da cozinha do refeitório (torneiras das pias). Atividade Funcionárias Freqüência Tempo Vazão Consumo (vezes/dia) (segundos/vez) (litros/s) (litros/dia) Lavação de alimentos Cozinheiras 2 900 0,16 288 Preparo de Alimentos Cozinheiras 4 600 0,16 384 Lavação de Louças Cozinheiras 3 2400 0,16 1152 Consumo Total das atividades da Cozinha: 1.824 Fonte: Dados conforme Pesquisa. 104 105 Após análise da Tabela 11, constata-se que o consumo de água na cozinha é alto, comparado com o consumo em outras atividades. 3.5.3.4 Estimativa do Consumo Total Diário O consumo total de água foi determinado através da soma de todos os consumos específicos dos aparelhos e atividades de uso individual e coletivo, calculados anteriormente. Desta forma, o consumo total diário de água estimado para o Colégio Comendador Soares de Barros foi de 13.009,69 litros/dia. Quanto as atividades semanais, mensais ou anuais, tiveram sua freqüência fracionada para o cálculo do consumo diário. A Tabela 12 apresenta um resumo da estimativa do consumo total de água diário dos aparelhos sanitários e demais atividades, com base nos dados obtidos nas entrevistas. Tabela 12 – Consumo total diário de água por aparelhos e atividades. Aparelho ou Atividade Torneira de lavatório Consumo (L/dia) Percentual de consumo (%) 1.088,70 8,37 74,71 0,58 9.441,27 72,57 Mictório 368,52 2,83 Torneira Tanque/ Limpeza 168,00 1,30 Irrigação (horta, campo,etc) 30,24 0,23 Lavação Calçadas/ Mangueira 14,25 0,10 Torneiras pias da Cozinha 1.824 14,02 13.009,69 100% Bebedouro Vaso Sanitário Total Fonte: Dados conforme Pesquisa. O consumo estimado foi comparado ao consumo medido pela CORSAN. A diferença obtida entre o consumo diário estimado e o consumo real de litros/dias medido pela CORSAN foi de aproximadamente 10.000litros /dia. Após o consumo calculado, que foi comparado ao fornecido, concluiu-se que ocorreu uma enorme diferença entre os mesmos. Para encontrar respostas que justificassem a discrepância de 105 106 valores encontrados, foi necessário buscar informações junto à CORSAN. Segundo esta, as instalações hidrossanitárias da escola são antigas, muitas tubulações sequer sabe-se onde estão localizadas, considerando ainda, que a instituição não possui Projeto Hidrossanitário, o que dificulta o real registro de consumo. Justificou-se ainda, que alguns dos prédios já existiam quando se implantou o Hidrômetro, até então, o consumo era apenas estimado, já que por se enquadrar na categoria pública, efetivamente a escola não paga pela água fornecida. Também existem probabilidades de erros devido as respostas duvidosas sobre o uso dos aparelhos, obtidas nas entrevistas, que podem ter ocasionado divergências sobre o consumo real de água. No entanto, comparando o consumo diário obtido nas entrevistas, com estudos similares e o previsto no Decreto 45.805/2001(Sabesp, 2010), constatou-se que o valor per capita encontrado de 22,82 litros/dia, está dentro da faixa de consumo médio de água para escolas, conforme pode ser verificado na Tabela a seguir. Tabela 13 – Consumo per capita específicos por natureza. Natureza Consumo per capita Escolas Estaduais de 1º e 2º Graus 25 litros/aluno/dia Escolas Internatos 150 litros/aluno/dia Escolas Semi - Internatos 100 litros/aluno/dia Prédios Públicos e Comerciais 50 litros/funcionário/dia Prédios Hospitalares sem lavanderia 500 litros/leito/dia Prédios Hospitalares com lavanderia 750 litros/leito/dia Prédios com alojamentos provisórios/cozinha/lavanderia 120 litros/pessoa/dia Prédios Públicos - Quartéis/Militares 150 litros/militar/dia Prédios Penitenciários 200 litros/preso/dia Restaurantes - Prédios Públicos 25 litros/refeição/dia Creches - Prédios Públicos 50 litros/pessoa/dia Fonte: Sabesp (2010) 106 107 Após análises, constatou-se que os usos finais de água foram mais concentrados em atividades que não requerem uso de água potável. A média desses usos ( vasos sanitários, mictório, limpeza e irrigação), foi de 77,03%. Percentual de água potável utilizada na escola que poderia ser substituída por água pluvial. 3.5. 4 Avaliação do Potencial de Economia de Água Potável A avaliação do potencial de economia de água potável que pode ser obtido através da implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial no Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, foi realizada verificando o percentual de água potável usado em fins não potáveis, ou seja, que poderia ser substituído por água pluvial, levando em consideração o uso de água pluvial em descargas de vaso sanitário; torneira de tanque usadas para limpeza geral; irrigação de plantas, horta, campo e lavação de calçadas, paredes e vidros. Também foi calculado o volume ideal de reservatório de água pluvial. 3.5.4.1 Área de Cobertura Neste estudo, considerou-se como área de contribuição para efeito de cálculo, o telhado do Ginásio de Esportes. Para se chegar ao volume estimado de água de chuva que poderia ser captada, primeiramente foi necessário calcular a área total de contribuição que seria utilizada. A área de contribuição é igual ao comprimento vezes a largura da área da superfície que interceptará a chuva e conduzirá as águas para determinado ponto de instalação (MAY, 2004). Após o cálculo, constatou-se que a área de cobertura é de aproximadamente 1.015m² de área de telhado. 107 108 As Figuras 20 à 22 mostram parte da área de cobertura do Ginásio de Esportes. Figura 21 – Vista Parcial Frente Ginásio Figura 20 – Frente Parcial do Ginásio Figura 22 – Vista Parcial da Lateral do Ginásio 3.5.4.2 Dados Pluviométricos Os dados de precipitação pluviométrica mensal de Ajuricaba para o período de janeiro de 2006 à junho de 2010, foram obtidos junto ao site da Defesa Civil/RS. A precipitação média obtida para o período avaliado foi de 5,64 mm/dia, a precipitação média mensal obtida foi de 169,17 mm/mês e a precipitação média anual foi de 2.030 mm/ano. Para determinar a intensidade pluviométrica, foi fixada a duração da precipitação em 5 minutos, conforme estabelece a NBR 10844(ABNT, 1989). A Figura 23 ilustra os valores de precipitação média mensal do município de Ajuricaba durante os anos de 2006 à 2010. 108 109 Precipitação Pluviométrica no Município de Ajuricaba média mensal de chuva em mm 250 200 150 média 100 50 0 2006 2007 2008 2009 2010 Anos Figura 23 - Precipitação média mensal do município de Ajuricaba durante os anos de 2006 à 2010. Fonte: Dados conforme pesquisa A quantidade de chuva é medida através do pluviômetro, em milímetros (mm), lembrando que 1000mm equivale à 1m, significa dizer, que numa queda pluviométrica de 1000mm, a média da quantidade de água que caiu em cada ponto da área corresponde a uma altura de 1m. O volume de água que um telhado pode captar das chuvas é igual à área da projeção horizontal do telhado (área construída e coberta), multiplicada pela queda pluviométrica (GHISI, 2005). No caso em estudo, a área de projeção do telhado do Ginásio é de 1.015m². Considerando uma queda pluviométrica anual de 2030mm, que equivale à 2,03m, o telhado captará (1015 X 2,03) 2.060,45 m³ de água/ano. Porém, nem toda a água que cai em cima do telhado pode ser aproveitada. Perdas de água podem acontecer por evaporação, lavagem do telhado ou levada pelo vento, por isso são estimadas perdas de aproximadamente 20% , resultando em 80% de efetivo aproveitamento. 109 110 Logo, a quantidade máxima de água que pode ser captada pelo telhado do ginásio que possui uma área total de 1.015m² e queda pluviométrica, em média, de 2030mm/ano, é de 1.648,36m³ de água/ano, conforme demonstrado nos cálculos abaixo: a) queda de chuva = 2030mm = 2,03m³ b) quantidade de água sobre o telhado = área do telhado vezes a altura de chuva = 1015m2 x 2,03m³ = 2.060,45 m³; c) quantidade de água "efetivamente captada" = 80% de 2.060,45m³ x 0,80 = 80m3 = 1.648,36m³ de água/ano. 3.5.4.3 Dimensionamento de Reservatório de Água Pluvial Um dos componentes mais importantes de um sistema de aproveitamento de água pluvial é o reservatório, o qual deve ser calculado em função do consumo de água, do volume de precipitação média da região, da área do telhado e capacidade de captação. Para este estudo, utilizou-se como dados de entrada para o cálculo de acumulação de água pluvial a área de captação do telhado, a precipitação pluviométrica diária, o consumo per capita de água potável, a população total, o coeficiente de perdas e o percentual de consumo para fins de água não potáveis. Foram utilizados os dados de precipitação mensais do Município de Ajuricaba dos anos de 2006 a 2010, obtidos junto ao site da Defesa Civil/RS. O Coeficiente de perdas adotado foi de 0,80 que corresponde à 20% da água de chuva captada que se perde com a limpeza do telhado, com a evaporação e descarte. Através da análise da planta de cobertura do Ginásio de Esportes do Colégio, verificou-se que a área de captação do telhado no plano inclinado é de 1.015m². O consumo médio diário per capita de água potável, calculado com base nos consumos medidos pela CORSAN, foi de 3,90 litros/dia/pessoa, considerando a população total de 570 pessoas. A Tabela 14 permite visualizar os dados de entrada utilizados no cálculo do volume dos reservatórios. 110 111 Tabela 14 – Dados de Entrada utilizados nos cálculos dos Reservatórios de Água Pluvial. Dados de Entrada Consumo diário per capita de água potável (litros/dia/pessoa) 3,90 Área de captação do telhado (m²) 1.015m² População Total 570 Coeficiente de Perdas 0,80 Período/valor de precipitação pluviométrica diária: Jan/2006 a junh/2010 5,64 mm/dia 77,03% Usos finais de água com fins não potáveis (%) Fonte: Dados conforme Pesquisa. O volume do reservatório inferior deve ser maior que a demanda diária de água pluvial, para que supra esse consumo diário e possa manter uma reserva para épocas de baixa precipitação. De acordo com informações obtidas junto à Embrapa, o reservatório deverá ter capacidade para armazenar água suficiente por um período mínimo de 10 dias, esse período pode variar dependendo da região e média de precipitação de chuvas (EMBRAPA,2010). A demanda diária de água pluvial calculada foi de 1.712,38 litros/dia (3,90l/d*570*77, 03%). O volume de chuva captado foi de aproximadamente de 4.580litros/dia (1015m²*5.64l/m²*0,80). Considerando a demanda total diária de água pluvial e um período de 10 dias de estiagem, teoricamente, com base na análise dos cálculos, o volume ideal do reservatório inferior indicado é de 17.123,80 litros. Em função de não haver reservatórios disponíveis no mercado neste tamanho, adotou-se um reservatório com capacidade para 20.000 litros. A determinação do volume do reservatório superior foi dimensionado para armazenar a demanda diária de água consumida em descarga de vasos sanitários, mictório, limpeza geral e irrigação, considerados como usos com fins não potáveis. O volume a ser armazenado no reservatório superior foi obtido pelo produto do consumo diário per capita, população total e percentual de usos finais com fins não potáveis. O volume do reservatório superior adequado é de 2000 litros. A Tabela 15 apresenta os valores dos volumes totais do reservatório inferior e superior de armazenamento de água pluvial adotados e o potencial de economia de água potável. 111 112 Tabela 15 – Volumes totais adotados para os reservatórios inferior e superior de água pluvial e potencial de economia de água potável. Reservatórios adotados Volume Total (litros) Inferior 20.000 Superior 2.000 Potencial de economia de água potável 77,03% Fonte: Dados conforme Pesquisa. 3.5.5 Análise Econômica Para o estudo da viabilidade econômica, fez-se necessária a determinação dos custos relativos à implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial, ou seja, os custos com materiais, equipamentos, além da economia de água gerada com a implantação do sistema. Essa análise econômica é apenas uma estimativa de custos, mas que poderá servir como referência para o Colégio Comendador, já que este deseja implantar um sistema de aproveitamento de água pluvial. A estimativa dos custos de materiais e equipamentos necessários foi realizada por meio de uma pesquisa de preço nas lojas de materiais de construção do município. Os principais materiais orçados foram: reservatório superior de fibra de vidro de 2.000 litros, reservatório inferior de fibra de vidro de 20.000litros, moto-bomba, bóia, calhas em PVC, condutores horizontais e verticais em PVC, filtro e serviços. Os valores médios pesquisados dos materiais e serviços orçados, as quantidades e custo total estão apresentados na Tabela 16. No presente estudo, optou-se em instalar o reservatório inferior e o reservatório superior numa base de concreto horizontal, já existente na instituição. A instalação de reservatório aparente é considerado o mais econômico, por requerer apenas uma base de cimento sobre a terra firme, não havendo a necessidade de escavação, retirada de terra e ou construção de laje. Preferiu-se também, utilizar reservatório de fibra de vidro. O custo é inferior aos reservatórios de metal, custa cerca de 40% do valor de um reservatório de alvenaria de mesma capacidade, instalação rápida, possibilidade de reparos de furos ou rachaduras e possui proteção ultra-violeta, resistente à exposição ao sol e ao calor (FORTLEV, 2010). 112 113 Para determinar a potência adequada da moto-bomba, foi pesquisado elementos apresentados em catálogos de fabricantes e realizadas simulações nos sites destes, para calcular o modelo que mais se adequaria ao sistema proposto. Para as simulações foram adotados os dados e distâncias reais da edificação. Após pesquisas, constatou-se que a moto bomba adequada é a Bomba Submersa Anauger 700, desenvolvida para transferência de água limpa em reservatório, abastecimento, pequenas irrigações agrícolas e jardinagem. Possui captação de água pela parte inferior da bomba o que possibilita um melhor aproveitamento do volume do reservatório, sendo possível o bombeamento deixando apenas 1 cm de água (ANAUGER, 2010). Para o comando automático da bomba (liga/desliga), no reservatório superior, será utilizado o Anauger Sensor Control, que é um interruptor do tipo “bóia” para controle e indicação do nível de água. Como realiza o comando automático da bomba, proporciona uma significativa economia de energia. Atua como Proteção da bomba: desliga quando não houver água para ser bombeada e Operação da bomba: liga com o reservatório vazio e desliga com o reservatório cheio. Através da análise dos dados coletados foi possível calcular o dimensionamento hidráulico da moto-bomba. Verificou-se que a vazão da mesma é de 1.600 litros/hora. Com base nesta vazão, calculou-se que a bomba deverá funcionar 1,25 hora por dia para suprir a demanda diária de água pluvial da instituição ( cerca de 2.000 litros). Considerando seu funcionamento durante os 23 dias úteis no mês Para calcular os custos estimados de operação do sistema relativos aos gastos com energia elétrica, em função do tempo diário de funcionamento da moto-bomba e do número de dias de uso no mês, foi considerado a Potência Total de 450W do produto e a vazão 1600 litros/hora, o que equivale, segundo o fabricante, ao consumo aproximado de 1,50 kWh, que multiplicado por 1,25horas de funcionamento diário, durante os 23 dias no mês, resulta em 43,13 kWh/mês. De acordo com informações obtidas através da CERILUZ, o Colégio Comendador Soares de Barros está classificado na categoria Classe 5, Subcategoria 2: Poder Público Escolar, para a qual, o valor cobrado pelo consumo de energia elétrica é de R$ 0,35 kWh (CERILUZ, 2010). Aplicando esses valores na Equação 3.14, foi obtido o custo mensal de energia elétrica relativo ao bombeamento de água pluvial: R$ 15,10. 113 114 Os custos com mão-de-obra foram obtidos através de uma estimativa de preço realizada por profissionais especializados em execução de projetos hidrossanitários, onde estimou-se o custo de execução dos serviços por dias trabalhados. O custo médio da mão-de-obra de um encanador é de R$50,00/dia e o custo médio de um ajudante de encanador ou servente de pedreiro é de R$ 30,00/dia, sendo a carga horária de trabalho de 8 horas/dia. O número de dias necessários para a execução dos serviços relativos a implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial varia dependendo das soluções adotadas. Para esse caso, foi estimado por profissionais, um período de aproximadamente 15 dias para a execução da instalação do sistema. Já os gastos com tubulações e conexões foram estimados adotando um percentual de 15% do custo total de implantação do sistema orçado ( FERREIRA, 2005). Este percentual foi adotado para suprir todos os custos desses materiais. Na Tabela 16 apresenta-se um resumo dos custos orçados com materiais, equipamentos, mão-de-obra e energia elétrica. Tabela 16 - Resumo dos custos de implantação e operação do sistema. Custo Unitário Custo total (R$) (R$) 01 2400,00 2400,00 01 400,00 400,00 Moto-bomba Anauger 700 (220v) 01 01 304,90 Bóia Anauger Sensor Control (220v) 01 01 26,70 Calhas em PVC Aquapluv Tigre 70metros 15,00/m 1050,00 Condutor Circular PVC Aquapluv Tigre 35metros 12,00/m 420,00 Filtro Auto-Limpante c/ separador – PVC 100mm 01 40,50 40,50 Tubulações, conexões --- 15% do total 878,58 Mão-de-obra 15 dias R$ 80,00/dia 1200,00 Energia elétrica 1,25h/dia*23dias*1,5 (operação do sistema - bombeamento) 0kWh R$ 0,35 kWh 15,10 Equipamentos ou Serviço Reservatório de Fibra ( Coberfibras) de 20.000litros Reservatório de Fibra (Coberfibras) de 2.000litros Custo total Quantidade 6.735,78 Fonte: Dados conforme Pesquisa. 114 115 Após o levantamento desses dados, foi determinado os novos custos de água potável, considerando o potencial de economia de água gerado pelo uso da água pluvial. O Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, de acordo com a Relação de Faturas, fornecida pela CORSAN, se enquadra na categoria pública. O custo médio mensal do m³ de água verificado nas faturas de janeiro à junho de 2010 foi de R$ 281,94m³ e o custo médio diário do m³ corresponde ao valor de R$ 5,52m³, conforme pode ser conferido na Tabela 01. Considerando o potencial de economia de água potável verificado, de 77,03%, calculou-se através da Equação 3.15 o novo custo de água potável, cujo valor seria de R$ 64,70. Com base na Equação 3.16, foi calculada a diferença entre o custo mensal atual de água potável e o novo custo mensal. Também foi calculado o período de retorno do investimento, com base na economia mensal de água potável gerada e no custo total de implantação do sistema. O levantamento dos dados utilizados, os resultados obtidos e o período de retorno do investimento para a implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial no Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, são apresentados na Tabela 17. Tabela 17– Dados utilizados, resultados obtidos e período de retorno do investimento. Dados de consumo, custo e economia Valor Unidade Consumo médio diário de água potável 2,21 m³/mês Consumo médio mensal água potável 51,00 m³/mês Novo consumo médio mensal de água potável 11,72 m³/mês Custo médio diário do m³ 5,52 R$/mês Atual custo médio mensal com água potável 281,94 R$/mês Novo custo médio mensal com água potável 64,70 R$/mês 6.735,78 77,03 R$ 217,24 R$/mês 2.606,88 R$/ano 2,58 anos Custo total de implantação do sistema Potencial de economia de água potável Economia total gerada no mês Economia total gerada no ano (*12meses) Período de retorno do investimento (6.735,78/2.606,88) % Fonte: Dados conforme Pesquisa. 115 116 Após análise da Tabela 17, verificou-se que a economia monetária gerada através da implantação de um sistema de aproveitamento pluvial, estimada em R$ 217,24 mostrou-se bastante expressiva, pois os custos com água potável seriam reduzidos em 77,03%. O período de retorno do investimento verificado foi de 2,58 anos, o que permite obter em pouco tempo, o retorno do valor investido na construção do sistema de captação de águas pluviais, e a partir daí, gerar lucro com a continuação e manutenção do funcionamento do sistema. 116 117 CONCLUSÃO Vive-se hoje sob as perspectivas de uma crise mundial de abastecimento de água. O risco da redução da disponibilidade e da qualidade das águas para o consumo humano e para as atividades econômicas, já é uma realidade em muitos países. A elevação do uso doméstico, industrial e agrícola, a poluição e o aumento da população do planeta, representam maior pressão sobre os recursos hídricos existentes. Apesar do país contar com grande disponibilidade de recursos hídricos, verificam-se ainda grandes problemas de falta de água em muitas cidades brasileiras. A conscientização da população sobre a importância da economia e conservação de água requer uma mudança cultural ampla. Ao aproveitar a água da chuva de maneira simples e sustentável, a humanidade está dando um importante passo para o verdadeiro crescimento evolutivo do homem, como ser humano racional e inteligente. Demonstrando que é possível utilizar os recursos naturais de maneira equilibrada, sem degradar ou esgotar as suas fontes, possibilitando a renovação dos mesmos. Com o objetivo de se trabalhar conceitos de sustentabilidade e consequentemente de se economizar gastos com água tratada, foi realizado este estudo, através do qual, estimou-se o potencial de economia de água potável obtido por meio da implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial para fins não potáveis no Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, localizado no Município de Ajuricaba/RS. Inicialmente, a fim de estimar os usos finais de água, foi realizado um levantamento de dados a cerca da população da escola, medições de vazão dos aparelhos sanitários e faturas de consumos de água. 117 118 Com base nos resultados obtidos das entrevistas, onde se verificou a freqüência e tempo médio de utilização dos aparelhos, e nas medições de vazão, foi estimado o consumo médio diário total e o consumo de água per capita Os dados de consumo de água das faturas da CORSAN possibilitaram verificar o consumo real de água no prédio e compará-lo com o estimado. A diferença obtida entre o consumo diário estimado e o consumo real, já era esperado, uma vez que existe possibilidade de erros devido às respostas duvidosas obtidas nas entrevistas. No entanto, o consumo apontado, encontra-se dentro da faixa de consumo médio de água para escolas, salientando que, este consumo pode variar bastante, conforme a tipologia da edificação e a permanência dos usuários na instituição. Na avaliação do potencial de economia de água potável, verificou-se um percentual de 77, 03% dos usos finais que é utilizado em fins não potáveis ( vasos sanitários, mictórios, limpeza em geral e irrigação). De posse dessas informações, e também com base nos dados pluviométricos e área de telhado, estimou-se o volume ideal dos reservatórios e o respectivo potencial de economia de água potável. Também foi realizada uma análise de viabilidade econômica da implantação do sistema. O custo total de implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial foi orçado em R$ 6.735,78. Com base na economia mensal de água potável gerada e no custo total de implantação do sistema, estima-se que o período de retorno do investimento é de 2,58 anos. Portanto, com o presente estudo estimou-se que a implantação de um sistema de aproveitamento de água pluvial no Colégio Estadual Comendador Soares de Barros, mostrou-se economicamente viável, pois proporcionaria grande potencial de economia de água potável, trazendo benefícios financeiros em curto prazo e ambientais imediatos, como por exemplo, a preservação dos recursos hídricos, além de contribuir com a conscientização da população da necessidade do reaproveitamento de água. Além disso, as escolas atendem um grande número de pessoas, constituindo-se desta forma, em excelente meio de divulgação dos benefícios de técnicas sustentáveis. Uma escola que implante o sistema de aproveitamento da água da chuva, certamente estará contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes da sua relação com o meio ambiente, pois a educação vivenciada na prática é muito mais significativa, levando à uma mudança não apenas conceitual, mas comportamental, em busca da sustentabilidade. 118 119 Sendo assim, todos podem se beneficiar com o aproveitamento da água da chuva; a escola que lucra com a economia da água; a comunidade escolar que serão os incentivadores do processo na sociedade e, a natureza que será preservada. Enfim, o sistema de aproveitamento de água da chuva foi proposto para um ambiente escolar, devido ao seu importante papel na formação de opinião, não apenas de seus alunos, mas da comunidade como um todo. Como concluinte do curso de Ciências Contábeis, após a realização deste estudo, acreditamos estar contribuindo com a Unijuí, no relevante papel desta no processo de transformação social, como formadora de conhecimento. Do mesmo modo, aos acadêmicos do curso e demais usuários, servindo de subsídio para fomentar outros trabalhos relacionados à questão ambiental ou suscitar novos projetos relacionados ao tema proposto, além de levar à reflexão quanto à necessidade da conservação da água e de que é preciso buscar medidas e soluções sustentáveis que venham contribuir com o seu uso racional. Portanto, sejam quais forem as propostas adotadas, simples ou complexas, o que fica evidente é que, antes de mais nada, precisamos apostar na educação, na informação e na conscientização, de que cada cidadão deve e precisa poupar hoje para não ficar sem água amanhã. Sugestões para Trabalhos Futuros Após a conclusão deste estudo, seguem algumas sugestões para trabalhos futuros: • Aplicação deste estudo em outras tipologias de edificações, como residencial, indústria e comércio. • Realizar análises mais precisas sobre os usos finais e consumo per capita em escolas e universidades; • Utilização de equipamentos precisos para medição de vazão nos aparelhos; • Realizar estudo referente aos “Telhados Verdes”, uma técnica de arquitetura, que consiste na aplicação e uso de vegetação sobre a cobertura de edificações com impermeabilização e drenagem adequadas; onde as plantas e a terra funcionam como um filtro natural da água, que pode ser armazenada ainda mais limpa, para depois ser usada na irrigação do jardim, nas bacias sanitárias ou no chuveiro. • Em especial, estimular o incentivo do aproveitamento da água da chuva, como alternativa para a conservação e a valorização do uso da água. 119 120 BIBLIOGRAFIA ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5626 – Instalação Predial de Água Fria, 1998. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10844 – Instalações Prediais de Águas Pluviais, 1989. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS . NBR 12217: Projetos de reservatório de distribuição de água para abastecimento público. Rio de Janeiro, 2004 ACBMAC. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA. Disponível em: < http://www.abcmac.org.br > Acessado 06/09/2009. ALLEGRETTI, A. Explicando o meio ambiente. Rio de Janeiro: Editora Centro de Memória Jurídica, 2001. ANA, FIESP & SINCUSCON-SP. Conservação e Reuso de água em Edificações: São Paulo: Prol Editora Gráfica. 2005. ANAUGER. Indústria de Motores Anauger S.A Disponível em: < http://www.anauger.com.br/ > Acessado 06/07/2010. AQUASTOCK. Água da Chuva. Sistema de Reaproveitamento da Água da Chuva. Disponível em: < http://www.engeplasonline.com.br > Acesso em 30/08/2009. BARBETTA, P. A. Estatística Aplicada às Ciências Sociais. Ed. UFSC. Florianópolis, 2003. BARBOSA, Guimarães Gustavo & RABAÇA, Alberto Carlos. Dicionário de Comunicação. 2ª ed. Rio de Janeiro: Campus,2001. 120 121 BELLA CALHA. Sistemas de Aproveitamento de Água de Chuva e Equipamentos. Disponível em:< http://www.bellacalha.com.br > . Acessado em 11/10/2009. BIBLEPLACES. Masada. Disponível em:< http>//www.bibleplaces.com >. Acessado em 30/11/2009. BUARQUE, Cristovam. Avaliação Econômica de Projetos. Rio de Janeiro: Elsevier, 1984. CALDAS, Fernando e PANDO, Felix. Projetos Industriais. 2a ed. Rio de Janeiro: APEC, 1982. CALHA FORTE. Catálogo de condutores e calhas. Disponível em:< http://www.calhaforte.com.br/produtos/condutores >. Acessado em: 11/10/2009. CASA EFICIENTE. Uso racional da água – Sistema de aproveitamento de água pluvial. Disponível em: < http://www.casaeficiente.com.br >. Acessado em: 11/10/2009. CARVALHO, Gardênia Maria Braga de. Contabilidade Ambiental. Curitiba: Editora Juruá, 2008. CAVALCANTI, C. Desenvolvimento e Natureza: estudos para uma sociedade sustentável. São Paulo: Editora Cortez , 1995. CERILUZ – Cooperativa de Eletrificação Rural. Disponível em: < http://www.ceriluz.com.br/ >. Acesso em 15/07/2010. COBERFIBRAS – Indústria e Comércio de Plásticos Ltda. Disponível em < http://www.coberfibras.com.br/ >. Acesso em 15/07/2010. CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 357 de 17 de março de 2005. Disponível em: <http://www.mma.gov.br >. Acesso em 15/10/2009. CORSAN. COMPANHIA RIOGRANDENSE DE SANEAMENTO. Relatório de faturamento – leituras e consumo do imóvel. Acesso em 09/10/2009. DEFESA CIVIL /RS. Índices Pluviométricos. http://www.defesacivil.rs.gov.br/estatística/pluviometro_consulta.asp Disponível >. em: Acessado < em: 16/10/2009. 121 122 DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo, Gaia, 1993. EMBRAPA. Cisternas para Armazenagem de água da chuva. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2005. EPA. Environmental Agency Protection. An Introduction to envirnmental accounting as a business management tool: key concept and terms. Waschington D.C, 1995. FERREIRA, D. F. Aproveitamento de Águas Pluviais e Reúso de Águas Cinzas para Fins não Potáveis em um Condomínio Residencial Localizado em Florianópolis – SC. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Graduação em Engenharia Civil. UFSC, Florianópolis, 2005. FERNANDES, J. W. N. A gestão ambiental e o desenvolvimento sustentável sob a ótica da contabilidade ambiental. In. CONGRESSO BRASILEIRO DE CONTABILIDADE, 16., 2000, Goiânia. Anais do XVI Congresso Brasileiro de Contabilidade. Goiânia: GO, 2000. FERREIRA, Aracéli Cristina de Souza. Contabilidade Ambiental: Uma informação para o Desenvolvimento Sustentável. São Paulo: Editora Atlas, 2003. FORTLEV - Disponível em: < http://www.fortlev.com.br/ >. Acessado em: 15/07/2010. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002. GIL, A. C. Métodos e Técnicas da Pesquisa Social. São Paulo:1999. GHISI, E.;GUGEL, C.E. Instalações Prediais de Águas Pluviais. Ed. UFSC. Florianópolis, 2005. GROUP RAINDROPS. Aproveitamento da Água de Chuva. Editora Organic Trading, Curitiba, 2002. GONÇALVES, R.F. (Coord.).Uso Racional da Água em Edificações. Projeto PROSAB. Rio de Janeiro: ABES, 2006. HESPANHOL, I; PHILIPPI, A. J; BREGA, D. F; MANCUSO. P. C. S. Reúso de Água. São Paulo. Ed. Manole: 2007. HIDROVECTOR. Soluções em Bombeamento. Disponível em: < http://www.hidrovector.com.br > Acessado em: 12/10/11/2009. INSTITUTO ETHOS. Responsabilidade Social Empresarial. Disponível em < http://www.ethos.org.br >. Acessado em 12/10/2009. 122 123 KROETZ, Cesar Eduardo Stevens. Balanço Social: Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, 2000. LAKATOS, E. M. ; MARCONI, M. de A. Fundamentos da Metodologia Cientifica. São Paulo: Editora Atlas, 1996. MACEDO, Ricardo Kohn. Gestão ambiental: instrumentos básicos para a gestão ambiental de territórios e unidades produtivas. Rio de Janeiro: Abes: AIDIS, 1994. MAY. S. Estudo da Viabilidade do Aproveitamento de Água de Chuva para consumo não potável. Dissertação. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 2004. MANCUSO, P.C.S, SANTOS, H.F. Reúso de Água. São Paulo: Manole, 2003. MARINOSKI, A. K. Aproveitamento de Água Pluvial para Fins não Potáveis. Dissertação. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2007. MARTINEZ, Paulo Henrique. História Ambiental no Brasil: Pesquisa e Ensino. São Paulo: Cortez, 2006. MONTOIA, P. Água, o ouro azul do nosso século. In: Moderna – Livros Didáticos, 2008. OMS - Organização Mundial da Saúde. Água Potável. Disponível em: <http://www.who.int/countries/bra >. Acesso em 11/11/2009. ONU - Organização das Nações Unidas no Brasil. Uso Racional da Água. Disponível em < http://www.onu-brasil.or.br > Acesso em 06/09/2009. PAIVA, Paulo Roberto de. Contabilidade Ambiental: evidenciação dos gastos ambientais com transparência focada na prevenção. São Paulo: Atlas, 2003. PORTAL DE RESPONSABILIDADE SOCIAL. Responsabilidade Social. Disponível em: < http://www.responsabilidadesocial.com/institucional > Acesso em 06/09/2009. SÁ, Antônio Lopes de. Progressos no campo da contabilidade aplicada aos fatos do ambiente natural. Revista Pensar Contábil do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ: n.º 17, 2002. SÁ, Antônio Lopes de. Teoria da Contabilidade. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1999 SABESP. Companhia de Saneamento Básico de São Paulo. Disponível em: < http://www.sabesp.com.br > Acessado em janeiro de 2007. 123 124 SALATI, E., LEMOS, H. Água e o Desenvolvimento Sustentável. São Paulo: Escrituras, 2006. SILVA, Edna L.; e MENEZES, Estela M. Metodologia da Pesquisa e Elaboração de Dissertação. Florianópolis, 2000. SITIO CASTANEDA. Reservatório para armazenamento de águas pluviais. Disponível em:< http://www.sitiocastaneda.com/img/conteudo/servicos/cisternas.jpg >. Acessado em: 12/10/2009. SIMIONI, W. I.; GHISI, E.; GÓMEZ L. A. Potencial de Economia de Água Tratada Através do Aproveitamento de Águas Pluviais em Postos de Combustíveis: Estudos de Caso. I Conferencia Latino-Americana de Construção Sustentável - 10º Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído, São Paulo - SP, 2004. TINOCO, João Eduardo Prudêncio. Balanço Social: Uma abordagem da Transparência e da Responsabilidade Pública das Organizações. São Paulo: Ed. Atlas, 2001. TINOCO, João Eduardo Prudêncio; KRAEMER, Maria Elisabeth Pereira. Contabilidade e Gestão Ambiental. São Paulo: Atlas, 2004 TOMAZ, Plínio. Aproveitamento de Água de Chuva. 2 ed. São Paulo: Navegar. 2003. TOMAZ, Plínio. Aproveitamento de água de chuva para áreas urbanas e fins não potáveis. São Paulo: 2ª ed. Navegar Editora, 2005. TOMAZ, Plínio. Economia de Água: Para empresas e residências. São Paulo: Navegar, 2001. TOMAZ, Plínio. Conservação da água. São Paulo: Ed. Digihouse, 1998. TORRES, Patricia L, org. Uma Leitura para os Temas Transversais. Curitiba: SENAR, 2003. VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2004. VIEIRA, Roberto Fonseca. A Iniciativa Privada no Contexto Social: Exercício da Cidadania e Responsabilidade Social. Rio de Janeiro: Mauad, 2007. 124 125 FONTE GLOSSÁRIO ENCICLOPÉDIA LIVRE. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki >. Acessado 06/09/2009. ANA, FIESP & SINCUSCON-SP. Conservação e Reuso de água em Edificações: São Paulo: Prol Editora Gráfica. 2005. GHISI, E.;GUGEL, C.E. Instalações Prediais de Águas Pluviais. Ed. UFSC. Florianópolis, 2005. ACBMAC. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA. Disponível em: < http://www.abcmac.org.br > Acessado 06/09/2009. 125 126 ANEXOS 126 127 ANEXO A – Planta Baixa e de Localização do Ginásio de Esportes do Colégio. 127 128 Anexar Planta 128 129 ANEXO B – Índices Pluviométricos do Município de Ajuricaba – Defesa Civil/RS. 129 130 130 131 ANEXO C – Relatório Resumo das Faturas e Medições – CORSAN 131 132 132 133 133 134 ANEXO D - Questionários utilizados nas entrevistas. COLÉGIO ESTADUAL COMENDADOR SOARES DE BARROS Estudo de Consumo de Água no CECSB / Ajuricaba - Alunos (as) Curso:______________________________________________________Sexo:_________ Turno: ___________________________________________________Idade:___________ 1) Número de vezes por dia em média, que você utiliza as torneiras do banheiro do CECSB:______________ Estime um tempo (em segundos) de utilização a cada vez que usa as torneiras:_______________________ 2) Número de vezes por dia em média, que utiliza água dos bebedouros do CECSB:_____________________ Estime um tempo (em segundos) a cada vez que utiliza os bebedouros:_____________________________ 3) Número de vezes por dia em média, que utiliza a descarga dos vasos sanitários do CECSB:_____________ Estime um tempo ( em segundos) a cada vez que pressiona a válvula da descarga:_____________________ 4) Número de vezes por dia em média, que utiliza a torneira de água dos mictórios do CECSB:____________ Estime um tempo (em segundos) a cada vez que pressiona a torneira de água dos mictórios:____________ 5) Utiliza algum outro ponto de consumo de água nos prédios da Escola? Qual?________________________ Estimativa do tempo (em segundos) de utilização:_____________________________________________ COLÉGIO ESTADUAL COMENDADOR SOARES DE BARROS Estudo de Consumo de Água no CECSB / Ajuricaba - Funcionários (as) Setor Administrativo Função:______________________________________________________Sexo:__________ Turno/Carga Horária:__________________________________________Idade:___________ 1) Número de vezes por dia em média, que você utiliza as torneiras do banheiro do CECSB:________________ Estime um tempo (em segundos) de utilização a cada vez que usa as torneiras:_________________________ 2) Número de vezes por dia em média, que utiliza água dos bebedouros do CECSB:_______________________ Estime um tempo (em segundos) a cada vez que utiliza os bebedouros:_______________________________ 3) Número de vezes por dia em média, que utiliza a descarga dos vasos sanitários do CECSB:_______________ Estime um tempo ( em segundos) a cada vez que pressiona a válvula da descarga:_______________________ 4) Número de vezes por dia em média, que utiliza a torneira de água dos mictórios do CECSB:_______________ Estime um tempo (em segundos) a cada vez que pressiona a torneira de água dos mictórios:_______________ 5) Utiliza algum outro ponto de consumo de água nos prédios da Escola? Qual?___________________________ Estimativa do tempo (em segundos) de utilização:_______________________________________________ 134 135 COLÉGIO ESTADUAL COMENDADOR SOARES DE BARROS Estudo de Consumo de Água no CECSB / Ajuricaba - Professores (as) Função:______________________________________________________Sexo:__________ Turno/ Carga Horária:_________________________________________Idade:___________ 1) Número de vezes por dia em média, que você utiliza as torneiras do banheiro do CECSB:________________ Estime um tempo (em segundos) de utilização a cada vez que usa as torneiras:_________________________ 2) Número de vezes por dia em média, que utiliza água dos bebedouros do CECSB:_______________________ Estime um tempo (em segundos) a cada vez que utiliza os bebedouros:_______________________________ 3) Número de vezes por dia em média, que utiliza a descarga dos vasos sanitários do CECSB:_______________ Estime um tempo ( em segundos) a cada vez que pressiona a válvula da descarga:_______________________ 4) Número de vezes por dia em média, que utiliza a torneira de água dos mictórios do CECSB:_______________ Estime um tempo (em segundos) a cada vez que pressiona a torneira de água dos mictórios:_______________ 5) Utiliza algum outro ponto de consumo de água nos prédios da Escola? Qual?___________________________ Estimativa do tempo (em segundos) de utilização:________________________________________________ COLÉGIO ESTADUAL COMENDADOR SOARES DE BARROS Estudo de Consumo de Água no CECSB / Ajuricaba (Funcionários Cozinha) Função:______________________________________________________Sexo:__________ Turno/ Carga Horária:_________________________________________Idade:___________ 1) Número de vezes por dia em média, que você utiliza a torneira do banheiro:___________________________ Tempo (em segundos) estimado de utilização:__________________________________________________ 2) Número de vezes por dia em média, que utiliza o bebedouro:_______________________________________ Tempo (em segundos) estimado de utilização:___________________________________________________ 3) Número de vezes por dia em média que utiliza a descarga do vaso sanitário:___________________________ Tempo (em segundos) estimado de utilização:___________________________________________________ 4) Utiliza algum outro ponto de consumo de água nos prédios da Escola? Qual?__________________________ Tempo (em segundos) estimado de utilização:___________________________________________________ 5) Número de vezes por dia em média que utiliza a torneira da pia para lavar alimentos?___________________ 6) Quanto tempo por dia em média a torneira da pia fica aberta para lavar alimentos?______________________ 7) Número de vezes por dia em média que utiliza a torneira da pia para cozinhar?_________________________ 8) Quantos litros de água por dia se gasta em média para cozinhar? Faça uma estimativa:___________________ 9) Quantas vezes por dia em média a torneira da pia fica aberta para lavar louças? ________________________ Estime um tempo:__________________________________________________________________________ 135 136 COLÉGIO ESTADUAL COMENDADOR SOARES DE BARROS Estudo de Consumo de Água no CECSB / Ajuricaba - Funcionários (as) Limpeza Função:______________________________________________________Sexo:__________ Turno/ Carga Horária:_________________________________________Idade:___________ 1) Número de vezes por dia em média, que você utiliza a torneira do tanque:____________________________ Estime um tempo de utilização______________________________________________________________ 2) Número de vezes por dia em média que utiliza as torneiras para lavar calçadas:________________________ Tempo estimado de utilização:______________________________________________________________ 3) Quanto tempo por dia utiliza as torneiras para regar (plantas, jardim, horta,...):_________________________ 4) Utiliza alguma outra forma de água para limpeza dos prédios? Qual?_________________________________ Estimativa do tempo de utilização: ____________________________________________________________ 136 137 ANEXO E - Dados de freqüência, de tempo de uso e de consumo de água por aparelhos para cada categoria de usuário. Torneira de lavatório – Alunos Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. Frequência (vezes/dia) 2 2 1 2 3 1 2 2 1 2 1 2 2 1 2 3 2 1 2 3 1 2 2 1 2 1 2 3 1 2 3 2 1 2 3 1 2 2 1 2 1 2 3 1 2 Tempo (segundos/vez) 10 8 5 8 12 5 8 8 6 8 5 5 10 5 10 15 8 7 12 12 5 10 10 5 8 5 10 12 5 8 10 6 6 8 12 6 10 10 5 10 7 12 10 5 8 Vazão (litro/s) Consumo (litros/dia) 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 1,6 1,28 0,4 1,28 2,88 0,4 1,28 1,28 0,48 1,28 0,4 0,8 1,6 0,4 1,6 3,6 1,28 0,56 1,92 2,88 0,4 1,6 1,6 0,4 1,28 0,4 1,6 2,88 0,4 1,28 2,4 0,96 0,48 1,28 2,88 0,48 1,6 1,6 0,4 1,6 0,56 1,92 2,4 0,4 1,28 137 138 46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 62. 63. 64. 65. 66. 67. 68. 69. 70. 71. 72. Média 3 2 1 2 3 1 2 3 1 2 1 2 3 1 2 2 1 2 1 2 2 1 2 2 2 1 2 1,82 10 10 5 10 12 5 8 10 5 6 6 8 10 5 8 10 6 10 6 10 10 5 8 8 10 6 10 8,15 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 2,4 1,6 0,4 1,6 2,88 0,4 1,28 2,4 0,4 0,96 0,48 1,28 2,4 0,4 1,28 1,6 0,48 1,6 0,48 1,6 1,6 0,4 1,28 1,28 1,6 0,48 1,6 0,08 1,30 Frequência (vezes/dia) 2 3 2 2 1 2 3 1 2 2 1 2 3 2 2 1 2 3 2 1 Tempo (segundos/vez) 10 12 10 8 5 6 10 5 6 8 5 8 12 7 10 6 10 12 8 5 Vazão (litro/s) 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 Consumo (litros/dia) Torneira de lavatório – Alunas Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 1,6 2,88 1,6 1,28 0,4 0,96 2,4 0,4 0,96 1,28 0,4 1,28 2,88 1,12 1,6 0,48 1,6 2,88 1,28 0,4 138 139 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 62. 63. 64. 65. 66. 67. 68. 69. 70. 71. 72. 73. 74. 2 2 1 2 1 2 2 2 2 3 2 2 1 2 3 1 3 3 2 1 2 3 1 2 2 2 3 1 2 3 1 2 1 2 3 1 2 3 2 1 2 2 2 2 1 2 3 1 2 3 1 2 1 2 10 8 7 10 6 10 10 8 8 12 10 8 5 10 12 8 13 10 6 6 10 12 5 12 10 10 12 5 8 8 5 10 10 8 12 6 10 12 13 6 12 10 8 12 6 10 12 10 8 12 6 12 6 10 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 1,6 1,28 0,56 1,6 0,48 1,6 1,6 1,28 1,28 2,88 1,6 1,28 0,4 1,6 2,88 0,64 3,12 2,4 0,96 0,48 1,6 2,88 0,4 1,92 1,6 1,6 2,88 0,4 1,28 1,92 0,4 1,6 0,8 1,28 2,88 0,48 1,6 2,88 2,08 0,48 1,92 1,6 1,28 1,92 0,48 1,6 2,88 0,8 1,28 2,88 0,48 1,92 0,48 1,6 139 140 75. 76. 77. 78. 79. 80. 81. 82. 83. 84. 85. 86. 87. 88. Média 3 1 2 3 2 1 1 2 3 2 2 1 2 2 1,93 12 6 8 15 12 5 5 10 12 8 8 5 8 10 8,89 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 Frequência (vezes/dia) 2 1 3 2 2 2 3 2 2 2 2 2 1 2 1 2 3 2 3 3 1 2 2 2 1 3 1 2 1 2 1 1 Tempo (segundos/vez) 5 8 8 5 4 5 8 5 5 6 6 10 4 10 5 8 8 10 8 12 5 8 6 8 4 10 4 6 5 10 4 5 Vazão (litro/s) 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 2,88 0,48 1,28 3,6 1,92 0,4 0,4 1,6 2,88 1,28 1,28 0,4 1,28 1,6 1,48 Bebedouro alunos Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. Consumo (litros/dia) 0,1 0,08 0,24 0,1 0,08 0,1 0,24 0,1 0,1 0,12 0,12 0,2 0,04 0,2 0,05 0,16 0,24 0,2 0,24 0,36 0,05 0,16 0,12 0,16 0,04 0,3 0,04 0,12 0,05 0,2 0,04 0,05 140 141 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 62. 63. 64. 65. 66. 67. 68. 69. 70. 71. 72. Média 1 3 2 3 2 3 2 2 2 2 2 3 3 2 4 1 2 3 2 1 3 3 2 2 2 1 1 1 3 3 3 2 1 2 2 1 1 2 3 2 2,03 5 8 8 12 10 10 6 8 8 6 8 10 8 6 10 5 5 6 7 4 8 10 10 8 8 4 5 5 10 8 10 10 5 10 6 5 5 10 10 8 7,22 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 Frequência (vezes/dia) 1 2 2 2 3 3 3 Tempo (segundos/vez) 7 10 8 8 10 12 8 Vazão (litro/s) 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,05 0,24 0,16 0,36 0,2 0,3 0,12 0,16 0,16 0,12 0,16 0,3 0,24 0,12 0,4 0,05 0,1 0,18 0,14 0,04 0,24 0,3 0,2 0,16 0,16 0,04 0,05 0,05 0,3 0,24 0,3 0,2 0,05 0,2 0,12 0,05 0,05 0,2 0,3 0,16 0,16 Bebedouro alunas Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Consumo (litros/dia) 0,07 0,2 0,16 0,16 0,3 0,36 0,24 141 142 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 1 1 2 2 1 3 1 2 2 2 1 1 1 2 3 1 2 1 2 2 1 1 2 3 2 2 2 2 3 3 3 2 1 2 3 2 1 1 3 2 2 2 1 1 1 3 1 3 2 1 2 2 1 1 5 5 7 10 5 8 4 6 8 8 5 5 4 8 10 6 10 5 8 4 4 5 8 10 6 6 8 10 10 12 12 6 5 6 9 6 4 4 9 8 6 6 4 4 7 12 5 8 6 5 8 8 6 4 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,05 0,05 0,14 0,2 0,05 0,24 0,04 0,12 0,16 0,16 0,05 0,05 0,04 0,16 0,3 0,06 0,2 0,05 0,16 0,08 0,04 0,05 0,16 0,3 0,12 0,12 0,16 0,2 0,3 0,36 0,36 0,12 0,05 0,12 0,27 0,12 0,04 0,04 0,27 0,16 0,12 0,12 0,04 0,04 0,07 0,36 0,05 0,24 0,12 0,05 0,16 0,16 0,06 0,04 142 143 62. 63. 64. 65. 66. 67. 68. 69. 70. 71. 72. 73. 74. 75. 76. 77. 78. 79. 80. 81. 82. 83. 84. 85. 86. 87. 88. Média 2 2 2 2 2 1 3 2 1 2 1 1 2 2 1 3 2 2 2 2 1 1 1 1 3 2 2 1,83 6 10 8 8 6 5 9 8 4 8 4 4 7 6 6 10 4 8 8 10 5 5 6 4 9 8 6 6,97 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 Frequência (vezes/dia) 1 2 1 2 2 2 2 3 2 2 2 3 2 1 1 2 2 1 1 1 Tempo (segundos/vez) 5 8 5 10 8 8 7 12 10 8 8 10 8 7 5 10 6 5 8 6 Vazão (litro/s) 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 0,12 0,2 0,16 0,16 0,12 0,05 0,27 0,16 0,04 0,16 0,04 0,04 0,14 0,12 0,06 0,3 0,08 0,16 0,16 0,2 0,05 0,05 0,06 0,04 0,27 0,16 0,12 0,14 Vaso Sanitário Alunas Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. Consumo (litros/dia) 8,5 27,2 8,5 34 27,2 27,2 23,8 61,2 34 27,2 27,2 51 27,2 11,9 8,5 34 20,4 8,5 13,6 10,2 143 144 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 62. 63. 64. 65. 66. 67. 68. 69. 70. 71. 72. 73. 74. 2 1 2 2 1 2 3 2 3 2 1 1 3 1 1 3 1 2 2 2 2 1 2 3 2 2 3 1 1 3 1 1 3 1 2 2 2 2 2 2 2 2 3 1 1 1 2 3 1 2 2 2 2 2 10 5 8 8 5 8 10 6 10 8 5 6 10 6 5 8 5 12 8 10 8 8 10 12 10 8 10 4 5 10 5 5 10 5 10 12 6 8 8 8 10 8 10 5 10 5 8 10 5 10 8 8 7 10 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 34 8,5 27,2 27,2 8,5 27,2 51 20,4 51 27,2 8,5 10,2 51 10,2 8,5 40,8 8,5 40,8 27,2 34 27,2 13,6 34 61,2 34 27,2 51 6,8 8,5 51 8,5 8,5 51 8,5 34 40,8 20,4 27,2 27,2 27,2 34 27,2 51 8,5 17 8,5 27,2 51 8,5 34 27,2 27,2 23,8 34 144 145 75. 76. 77. 78. 79. 80. 81. 82. 83. 84. 85. 86. 87. 88. Média 2 2 2 3 2 3 3 1 1 3 3 2 2 2 1,90 6 8 10 8 8 8 10 5 5 8 12 12 10 10 7,99 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,70 Frequência (vezes/dia) 0 0 0 0 1 1 0 1 0 1 1 1 1 0 2 0 1 1 1 0 0 0 0 1 0 1 1 0 1 0 1 0 1 Tempo (segundos/vez) 0 0 0 0 5 5 0 6 0 5 8 4 5 0 8 0 5 6 5 0 0 0 0 5 0 5 5 0 5 0 6 0 6 Vazão (litro/s) 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 20,4 27,2 34 40,8 27,2 40,8 51 8,5 8,5 40,8 61,2 40,8 34 34 27,61 Vaso Sanitário Alunos Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. Consumo (litros/dia) 0 0 0 0 8,5 8,5 0 10,2 0 8,5 13,6 6,8 8,5 0 27,2 0 8,5 10,2 8,5 0 0 0 0 8,5 0 8,5 8,5 0 8,5 0 10,2 0 10,2 145 146 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 62. 63. 64. 65. 66. 67. 68. 69. 70. 71. 72. Média 1 1 1 0 1 1 2 0 0 0 0 1 1 1 0 0 1 0 1 1 1 1 1 1 0 1 1 1 0 0 1 1 0 1 1 0 0 1 0 0,60 4 8 5 0 6 8 8 0 0 0 0 5 5 5 0 0 10 0 8 8 5 8 5 10 0 7 10 7 0 0 6 8 0 5 8 0 0 8 0 3,63 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,70 Frequência (vezes/dia) 1 1 2 1 2 2 2 3 Tempo (segundos/vez) 5 8 6 4 7 10 8 12 Vazão (litro/s) 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 6,8 13,6 8,5 0 10,2 13,6 27,2 0 0 0 0 8,5 8,5 8,5 0 0 17 0 13,6 13,6 8,5 13,6 8,5 17 0 11,9 17 11,9 0 0 10,2 13,6 0 8,5 13,6 0 0 13,6 0 6,54 Mictório Alunos Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. Consumo (litros/dia) 0,75 1,2 1,8 0,6 2,1 3 2,4 5,4 146 147 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 62. 2 1 2 1 2 1 1 1 3 2 1 1 1 1 1 1 2 2 2 3 2 1 2 1 2 1 1 1 3 2 1 1 1 1 1 1 2 2 2 3 2 1 2 1 2 1 1 1 3 2 1 1 1 2 8 5 6 5 8 5 4 8 12 8 5 5 7 5 5 5 8 8 6 10 8 6 8 5 6 4 4 5 10 10 6 4 4 5 5 5 8 8 10 10 8 5 8 4 6 5 8 5 9 6 4 4 6 8 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 2,4 0,75 1,8 0,75 2,4 0,75 0,6 1,2 5,4 2,4 0,75 0,75 1,05 0,75 0,75 0,75 2,4 2,4 1,8 4,5 2,4 0,9 2,4 0,75 1,8 0,6 0,6 0,75 4,5 3 0,9 0,6 0,6 0,75 0,75 0,75 2,4 2,4 3 4,5 2,4 0,75 2,4 0,6 1,8 0,75 1,2 0,75 4,05 1,8 0,6 0,6 0,9 2,4 147 148 63. 64. 65. 66. 67. 68. 69. 70. 71. 72. Média 1 1 1 2 2 1 1 2 1 1 1,53 5 5 5 8 7 5 4 10 5 5 6,51 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,75 0,75 0,75 2,4 2,1 0,75 0,6 3 0,75 0,75 1,66 Torneira de lavatório – Professores Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Média Frequência (vezes/dia) 2 2 2 3 1 2 3 1 3 2,11 Tempo (segundos/vez) 8 10 8 10 5 8 12 6 12 8,78 Vazão (litro/s) 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 Consumo (litros/dia) Frequência (vezes/dia) 2 1 1 2 2 1 3 2 2 1,78 Tempo (segundos/vez) 8 4 5 6 8 4 10 8 6 6,56 Vazão (litro/s) 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 Consumo (litros/dia) Frequência (vezes/dia) 3 2 1 1 Tempo (segundos/vez) 10 6 5 8 Vazão (litro/s) 1,7 1,7 1,7 1,7 Consumo (litros/dia) 1,28 1,6 1,28 2,4 0,4 1,28 2,88 0,48 2,88 1,61 Bebedouro – Professores Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Média 0,16 0,04 0,05 0,12 0,16 0,04 0,3 0,16 0,12 0,13 Vaso Sanitário – Professores Nº 1. 2. 3. 4. 51 20,4 8,5 13,6 148 149 5. 6. 7. 8. 9. Média 2 1 2 1 2 1,67 10 5 10 5 8 7,44 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 34 8,5 34 8,5 27,2 22,86 Torneira de Lavatório - Professoras Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. Média Frequência (vezes/dia) 2 3 2 3 1 3 3 2 3 2 3 3 2 2 4 3 1 3 3 2 4 2 3 2 3 2 3 1 3 2 3 2 2,50 Tempo (segundos/vez) 10 12 8 10 6 10 12 6 10 8 10 12 8 6 15 10 6 10 12 8 12 8 10 8 10 8 10 6 8 10 10 10 9,34 Vazão (litro/s) 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 Consumo (litros/dia) 1,6 2,88 1,28 2,4 0,48 2,4 2,88 0,96 2,4 1,28 2,4 2,88 1,28 0,96 4,8 2,4 0,48 2,4 2,88 1,28 3,84 1,28 2,4 1,28 2,4 1,28 2,4 0,48 1,92 1,6 2,4 1,6 1,98 Bebedouro Professoras Nº 1. 2. 3. Frequência (vezes/dia) 1 1 1 Tempo (segundos/vez) 5 8 5 Vazão (litro/s) 0,01 0,01 0,01 Consumo (litros/dia) 0,05 0,08 0,05 149 150 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. Média 2 2 1 2 2 2 1 1 1 1 2 1 1 2 1 2 2 1 2 1 1 1 2 2 1 2 2 2 1 8 8 4 8 10 6 5 5 4 5 8 4 5 8 6 8 10 5 8 5 5 5 8 10 6 5 10 8 4 1,47 0,16 0,16 0,04 0,16 0,2 0,12 0,05 0,05 0,04 0,05 0,16 0,04 0,05 0,16 0,06 0,16 0,2 0,05 0,16 0,05 0,05 0,05 0,16 0,2 0,06 0,1 0,2 0,16 0,04 0,10 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 6,53 0,01 Vaso Sanitário Professoras Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. Frequência (vezes/dia) 1 3 2 1 2 2 2 3 2 3 2 3 2 2 2 2 1 1 2 Tempo (segundos/vez) 8 10 10 6 8 8 10 12 8 10 8 10 6 6 8 8 5 5 8 Vazão (litro/s) 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 Consumo (litros/dia) 13,6 51 34 10,2 27,2 27,2 34 61,2 27,2 51 27,2 51 20,4 20,4 27,2 27,2 8,5 8,5 27,2 150 151 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. Média 1 3 1 2 2 2 3 1 3 2 1 3 2 5 12 5 8 10 10 12 5 10 10 10 10 8 2,00 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 8,41 1,70 8,5 61,2 8,5 27,2 34 34 61,2 8,5 51 34 17 51 27,2 30,55 Torneira de lavatório – Funcionários Nº 1. 2. 3. Média Frequência (vezes/dia) 3 2 3 2,67 Tempo (segundos/vez) 8 8 10 8,67 Vazão (litro/s) 0,08 0,08 0,08 0,08 Consumo (litros/dia) Frequência (vezes/dia) 3 2 3 2,67 Tempo (segundos/vez) 5 5 8 6,00 Vazão (litro/s) 0,01 0,01 0,01 0,01 Consumo (litros/dia) Frequência (vezes/dia) 1 2 2 1,67 Tempo (segundos/vez) 10 8 8 8,67 Vazão (litro/s) 1,70 1,70 1,70 1,70 Consumo (litros/dia) Tempo (segundos/vez) 10 12 15 Vazão (litro/s) 0,08 0,08 0,08 Consumo (litros/dia) 1,92 1,28 2,4 1,87 Bebedouro – Funcionários Nº 1. 2. 3. Média 0,15 0,10 0,24 0,16 Vaso sanitário – Funcionários Nº 1. 2. 3. Média 17 27,20 27,20 23,80 Torneira de lavatório – Funcionárias Nº 1. 2. 3. Frequência (vezes/dia) 3 4 5 2,4 3,84 6 151 152 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. Média 4 3 5 3 4 3 2 10 8 12 10 12 10 8 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08 3,2 1,92 4,8 2,4 3,84 2,4 1,28 3,21 3,60 10,70 0,08 Frequência (vezes/dia) 1 1 2 2 2 1 2 2 2 3 1,80 Tempo (segundos/vez) 5 5 8 5 6 4 6 8 6 8 6,10 Vazão (litro/s) 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 Consumo (litros/dia) Frequência (vezes/dia) 1 2 2 3 2 3 2 2 3 2 2,2 Tempo (segundos/vez) 5 8 8 10 6 12 6 8 10 6 7,9 Vazão (litro/s) 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 1,7 Consumo (litros/dia) Bebedouro Funcionárias Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. Média 0,05 0,05 0,16 0,1 0,12 0,04 0,12 0,16 0,12 0,24 0,12 Vaso Sanitário – Funcionárias Nº 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. Média 8,5 27,2 27,2 51 20,4 61,2 20,4 27,2 51 20,4 31,45 152 153 153 154 154 155 155 156 156 157 157