1 UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ Priscila Rizzo GESTÃO DA DANÇA EM CURITIBA CURITIBA 2011 2 GESTÃO DA DANÇA EM CURITIBA CURITIBA 2011 3 Priscila Rizzo GESTÃO DA DANÇA EM CURITIBA Monografia apresentada ao curso de Especialização em Gestão, Produção e Promoção Cultural da Faculdade de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Tuiuti do Paraná como requisito para obtenção do título de Especialista. Orientadora: Andréa Bigaiski CURITIBA 2011 4 TERMO DE APROVAÇÃO Priscila Rizzo GESTÃO DA DANÇA EM CURITIBA Esta monografia foi julgada e aprovada para a obtenção do título de especialista em Gestão, Produção e Promoção Cultural no Curso de Gestão, Produção e Promoção Cultural da Universidade Tuiuti do Paraná Curitiba, 25 de Fevereiro de 2011 _________________________________________________________ Pós Graduação em Gestão, Produção e Promoção Cultural Universidade Tuiutí do Paraná Orientadora: Professora Andréia Bigaiski Professora da Disciplina de Organização de Eventos Curso de Pós Graduação em Gestão, Produção e Promoção Cultural 5 SUMÁRIO 1. APRESENTAÇÃO........................................................................................6 2. DEFININDO GESTÃO E GESTOR CULTURAL....................................8 3. HISTÓRICO.................................................................................................17 4. A VISÃO DO ARTISTA FRENTE À ATUAL REALIDADE DA DANÇA EM CURITIBA............................................................................................48 5. ANÁLISE E CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................57 6. REFERÊNCIAS...........................................................................................66 7. APÊNDICES E ANEXOS...........................................................................67 6 1. APRESENTAÇÃO A presente monografia contribui para uma reflexão mais aprofundada acerca do papel do gestor cultural no que diz respeito às atribuições específicas na área artística da dança em Curitiba- PR. Neste período de globalização, interagir e comunicar são palavras-chave que nos leva a repensar sobre possibilidades da função de gestor cultural, partindo da característica principal apontada em bibliografias específicas de que o mesmo deva utilizar seus conhecimentos diversos e amplos para focalizar a atividade artística na qual trabalha. Explicitar a utilização da linguagem corporal para além das ações em espaços físicos específicos - pouco consumidos pelo grande público - faz com que a monografia abranja uma significação maior e mostre sua relevância, justificando, através de análises, a necessidade do gestor cultural no contexto atual de Curitiba. Puderam ser delineadas as funções do artista, do produtor e do gestor cultural, situando-os no panorama curitibano partindo do estudo histórico das ações culturais por meio do site da Casa Civil; do arquivo público; das pesquisas realizadas com artistas, grupos de dança, gestores por experiência e escolas de dança, além de relatórios municipais da Fundação Cultural existentes na Casa da Memória. Bibliografias como “Gestão Cultural – Profissão em Formação”, de Maria Helena Cunha; a dissertação de Marila Vellozo intitulada “A imagem do Teatro Guaíra – Contaminação através da mídia” na qual a mesma relata as ações públicas de cultura em Curitiba, a monografia de pós- graduação de Eleonora Greca intitulada “Planejamento estratégico nas instituições culturais públicas e privadas nacionais”; o informativo “Observatório Itaú Cultural”; a Coleção História do Paraná, o anuário de 7 estatísticas culturais de 2009 e o livro “A Economia das Trocas Simbólicas” de Pierre Bourdieu permitiram o embasamento teórico, formando um paralelo com as pesquisas de campo. Pelo estudo deste material pôde-se formar um contexto atualizado da dança em Curitiba; o que permitiu também a análise da sua atuação na qual a mesma interaja com outros campos, não limitando somente aos editais e políticas públicas, desviandose do “paternalismo” decorrente da visão de que somente o Estado deva subsidiar as atividades artísticas. É a abertura para outras perspectivas de ação, e que traz esta discussão para o tópico principal da monografia: a de viabilizar a linguagem da dança para diferentes entrelaçamentos culturais, não perdendo, porém sua função artística. Pela necessidade de utilizar este material bibliográfico (compilado e associado) para a orientação de gestores culturais atuantes na área da dança em Curitiba, conforme exposto anteriormente, surgiu o interesse pelo assunto da presente monografia. Além disso, investigar os alicerces da função da atividade em questão para nortear os profissionais desta área em início de carreira reforça a necessidade dos materiais serem organizados sistematicamente e divulgados, permitindo maior atualização a respeito desta nova e particular profissão. Em resumo, o estudo expõe questões, tais como: a definição do gestor cultural e sua atuação em Curitiba, tomando por base a fundamentação histórica; o benefício dos artistas intermediados pelos gestores culturais na área artística dança e, por fim, a análise dos componentes da gestão cultural. 8 2. DEFININDO GESTÃO E GESTOR CULTURAL Inicialmente toma-se como base a significação das raízes das palavras “Gestão” e “Cultura”. A primeira vem do termo latim “gestione” 1 que significa gerir, gerência, administração ou direção. A segunda significa acto 2, arte, modo de cultivar. Portanto, a palavra “Gestão Cultural” tem sua relação na significação de gerir, administrar e dirigir atividades relacionadas à cultura, à arte. Partindo do conhecimento das raízes das palavras que definem a atividade denominada “Gestão Cultural”, é preciso compreender as funções de um gestor. Um gestor cultural é o indivíduo que gere cultura. Assim o faz, administrando e direcionando questões ligadas a esta área. Situando-o no foco da pesquisa - a dança pode-se dizer que um gestor cultural desta especificidade atua no direcionamento e elaboração de projetos culturais com este cunho. Constata-se, através do estudo de Maria Helena Cunha, autora da publicação “Gestão Cultural – Profissão em Formação”, que um gestor deva possuir as seguintes habilidades: “... planejador, articulador, agregador e mobilizador, enfim, ter a capacidade de gerenciar” (2007, p.116). Também é importante considerar a diferenciação entre produtor e gestor cultural. Conforme a necessidade de profissionalização, o setor cultural necessitou organizar-se e setorizar as funções. As atividades que mais necessitaram de reflexões a respeito de seus desempenhos foram as de gestores e produtores. Então, a função de 1 2 Minidicionário da língua portuguesa Minidicionário da língua portuguesa 9 produtor direcionou-se a uma ação mais executiva enquanto a do gestor ficou focada em ações de cunho gerencial, estratégico. Colocam-se essas atribuições enquanto área artística da dança. Para gerenciar projetos culturais, primeiramente há de se ter em mente a função da dança enquanto arte para o indivíduo que realiza. Este, necessariamente, precisa ter a sensibilidade para compreender as aspirações dos artistas e suas obras, bem como o que o produtor e o artista pretendem passar para o público em termos de comunicação e expressão. Também este direcionador / estrategista deve ter o estudo social, político e histórico para dimensionar a arte deste artista no panorama vivenciado. Ex.: Se houver uma simples realização sem público o direcionador direcionou a arte da dança a quem? Fala-se das duas pontas em que o gestor cultural encontra-se no meio. Neste caso, o estrategista é o gestor. É ele que estuda a viabilidade da dança na visão generalista e traz, juntamente com a parte sensível, as soluções. O produtor coloca em execução o projeto elaborado. Ele aciona a parte artística viável para a elaboração do projeto. Gestor e produtor caminham juntos com funções diferenciadas. Por isso, na maioria vezes, na realidade artística da dança, gestor e produtor é a mesma pessoa. Nesta vertente, Maria Helena Cunha (2007) aponta, em sua pesquisa, que a administração em atividades culturais tem atribuições diferenciadas das áreas em que muitos profissionais advêm. A função de gestor é generalista. Há a necessidade de conhecer todas as áreas que norteiam a cultura da região em que se trabalha. Um gestor deve ser capaz de olhar amplamente para a cultura. Nem todos que gerenciam a cultura são artistas ou envolvidos nas áreas culturais. Existem sociólogos e até advogados que se 10 especializam nesta nova profissão. Porém, para ser produtor, deve-se ter o domínio delas. Deste modo, o gestor cultural pode analisar, de maneira ampla, a questão cultural geral e trazê-la para a atividade específica, desempenhando ou não a função executiva. Mais especificamente, um gestor cultural na área específica da dança, utilizará todos os amplos conhecimentos e estudos dos âmbitos que norteiam a cultura, conectando-a com as especificidades da área em questão. Torna-se ainda mais especializado e capaz de promover com eficiência as necessidades de artistas e público. Entrevistando a gestora cultural por experiência e não por formação, Marila Vellozo3, constata-se com precisão as questões acima colocadas. Primeiramente ela relata sua experiência de atuação na área da dança. Como a maioria dos profissionais, surge, primeiramente, a necessidade de formação para a atuação como bailarino. Pensa-se a dança como expressão, como arte, como técnica. Após, graduada em Dança (Bacharelado) pela PUC Paraná, inicia sua atuação como professora da área. Concursada pelo Teatro Guaíra para trabalhar na Escola de Danças, depara-se com problemáticas internas. Iniciam as reflexões sobre questões políticas, artísticas e sociais. Aqui já se podem determinar tendências para as habilidades de gestora cultural. De pequenas a grandes problemáticas – verba para a realização de espetáculos e confrontos com linhas diferentes de pensamentos – chega à direção artística do Teatro Guaíra. O engajamento político, de articulação e de planejamento a 3 Coreógrafa e bailarina. Educadora somática do movimento e Practitioner pela School for Body Mind Centering (Alemanha e EUA); Doutoranda em Artes Cênicas pela UFBA; Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC – SP; Bacharel e Licenciada em Dança PUC – PR e especialista em Consciência Corporal – dança pela FAP onde leciona no curso de dança há 18 anos. Atualmente é membro do Colegiado de Dança como representante da região sul (biênio 2010/2011). 11 faz se sustentar na profissão desde 2001. Passa, também, a atuar na Fundação Cultural mobilizando a área da dança em Curitiba através de projetos na Casa Hoffmann. Após tantas experiências, diz: “Hoje só atuo aonde eu tiver força política, no sentido de apoio político de gestores e equipe. Prefiro atuar na formação acadêmica e na mobilização da sociedade civil”, referindo-se, ainda, na especificidade da dança. Marila Vellozo é um exemplo de uma atuação em gestão cultural sem formação acadêmica. Da necessidade foi à procura dos diversos assuntos relacionados a esta área. Atualmente divide seu tempo em ministrar aulas na FAP (Faculdade de Artes do Paraná), realizar doutorado, na UFBA, em Artes Cênicas tendo como objeto de estudo “Políticas Públicas” na área da Dança; participar do Fórum de Dança em Curitiba, na qual foi co-criadora e da Associação Cultural “Contacto”. Questionada sobre a subsistência na área, diz que é viável sim. “Falta conquistar espaços”, diz Marila. Considera a importância de uma metodologia para a permanência de ações culturais. Assim pode-se pautar em como atuar, como gerir questões culturais. Enfim, continuidade e democracia. Por ser uma profissão ainda nova onde o perfil dos gestores está sendo delineado, a prática define a teoria. Através de experiências de produtores frente à realidade curitibana, as informações estão sendo sistematizadas e reunidas para a formação de um panorama acerca desta área de atuação. Atualmente, apenas quatro instituições oferecem o curso de Gestores Culturais, sendo, duas destas, oficinas sem reconhecimento no setor de extensão ou pós- graduação. Dos interessados nesta área de atuação, constataram-se, através de pesquisa nas instituições provedoras dos cursos oficiais e reconhecidos pelo MEC (Ministério 12 da Educação), que nenhuma pessoa foi proveniente da linguagem artística dança. E ainda, não foi mostrado interesse dos alunos advindos de outras áreas por projetos a serem realizados no campo da dança em Curitiba. Assim como Marila Vellozo, outros profissionais especializam-se em áreas administrativas e gerenciais para atuarem na área da dança como gestores culturais. Eleonora Greca4, atuante na direção de projetos referentes à Casa Hoffmann desde 2010, também interessou-se por questões de ordem administrativa para acrescentar valores à sua experiência como Gestora Cultural. Diz que se apaixonou pela área administrativa após procurar organizações sistemáticas, com o objetivo de se atualizar e associar à área artística específica da dança. Um ponto apontado por Maria Helena Cunha como a identificação da necessidade desta profissão no setor cultural é: “... uma das conseqüências do processo de globalização provocada, ao mesmo tempo, pela confluência do dinamismo entre as políticas culturais públicas e o papel da iniciativa privada no campo da cultura. Devem ser enfatizados, ainda, a ampliação do consumo de bens e produtos culturais e o desenvolvimento de ações da sociedade civil organizada, facilitada, em parte, pela intensificação dos intercâmbios culturais mundiais”. (2007, p.113) “ Então, como dito na introdução, as palavras-chave aparecem associadas à expressão artística juntamente com a função do gestor cultural. A globalização, 4 Formada pelo curso de danças clássicas Teatro Guaíra e integrou a Cia. Do Balé Teatro Guaíra no ano de 1976. Ocupa o cargo de primeira bailarina desde 1980. Participou da Diretoria do Conselho da Mulher Executiva da Associação Comercial do Paraná e da Diretoria do SATED/PR É bacharel em Administração de Empresas com ênfase em Marketing, pela Universidade Tuiuti do Paraná. Fez parte da diretoria da ONG “Cores da Rua”, fundada por artistas paranaenses, que trabalha com crianças de baixo poder aquisitivo e/ou de risco na gestão 2004/2006. Iniciou em 2008 o curso de Pós-Graduação em Administração de Pessoas na Universidade Federal do Paraná. Atualmente dirige a da Casa Hoffmann. 13 análoga ao seu significado, permite e impõe a necessidade de especialização, porém com uma visão cada vez mais macro de áreas adjacentes. É a transversalidade de atuações, tão comentada em seminários de José Márcio Barros. Aliás, a dinâmica é um ponto enfático quando se define um gestor cultural. Para ser um gestor eficiente devem-se articular ações e tendências com os setores público, privado e terceiro setor. É necessário saber as três linguagens, as três realidades. Afirma-se e confirma-se o perfil de um gestor cultural como uma nova profissão, criando espaço e necessidade na cultura (e projeção desta cultura) brasileira. Mas o reconhecimento verídico desta atividade acontecerá pela identificação entre os pares. Encontram-se outras pessoas que atuam na mesma área, não necessariamente advindos de uma mesma formação e que realizam aperfeiçoamento sistemático, e são reconhecidos pelos diversos setores, principalmente pelo Estado. Deste modo, surge uma questão na especificidade da dança que norteia a função de gestor. Pode ser definida a função dos diretores dos grupos de dança como sendo a mesma dos gestores culturais, mesmo em pequena escala? Por meio de Pesquisa de Campo, mais especificamente entrevistas a diretores de grupos de dança de diferentes linguagens e estilos pôde-se realizar um paralelo entre as funções exercidas e as funções de gestor. Assim, segundo definição e função chegou-se à conclusão definitiva. As perguntas foram elaboradas de maneira, a saber, se as funções exercidas realmente cumpriam com as funções dos gestores. Também foram realizadas perguntas de nível pessoal para definir este perfil e saber se, mesmo 14 não exercendo a função de gestor, esta atividade proporcionava perfil para a função prática. Foram entrevistados dez diretores de grupos com linguagens: ballet clássico, jazz, dança contemporânea, dança de salão, street dance e dança do ventre. A primeira questão considerada foi o primeiro contato com a dança. Todos responderam que são bailarinos “a priori”. Questionados a respeito da realização de atividades paralelas ao da função de diretor, responderam que desenvolvem atividades de composição coreográfica, ou seja, são coreógrafos. Muitos realizam promoções de eventos ou participação em festivais procurados por eles mesmos. Outro ponto avaliado foi a identificação da personalidade com o interesse na função de diretor. Nestas respostas ficou clara a relação entre as funções de direção com a da criação artística. E a conclusão obtida foi que a direção de grupos está ligada à função de direção artística e não administrativa ou gerencial. Portanto, não são gestores culturais, apesar de gerirem a cultura específica da dança. Para reafirmar esta conclusão, foram, finalmente, questionados a respeito de projeções futuras na área de atuação. Todos responderam situações artísticas como espaços físicos para pesquisa de movimento e capacidade de auto- sustentação do grupo, na questão financeira. Nota-se aí a necessidade de um gestor cultural atuante na especificidade da linguagem artística dança, no sentido de estudar outras visões e aproximá-las da realidade de sobrevivência destas companhias. Mais uma vez podem ser retomadas as palavras-chave “interação” e “globalização”. É função do gestor cultural, direcionar a cia de dança para que esta consiga subsistir na área de atuação, interagindo com outras áreas como a educação, as ciências sociais, porém sem perder o foco artístico – cultural que está inserida. Enfim, enxergar de 15 maneira global e interagir através desta globalização para que surjam novas fontes de renda e oportunidade das atividades específicas. Esta abordagem será melhor explicitada em capítulos posteriores. Finalizando este item, a gestão cultural é complexa e acumula funções e habilidades. Maria Helena Cunha aponta como ninguém a conclusão de sua pesquisa: “... ser generalista; ter perfil flexível; ter uma postura crítica, treinando o olhar para analisar espetáculos artístico-culturais; ser ligado a desafios (ao encarar uma profissão nova); ter jogo de cintura; ser dinâmico; ser um profissional que articula e agrega”. (2007, p. 178) Mais adiante ainda qualifica: “... dominar os vários mecanismos técnicos de captação de recursos; da produção; dos valores da arte; do processo de fazer arte; do processo da produção cultural; dos processos essencialmente políticos, econômicos, logísticos que são essencialmente estruturais do ponto de vista da gestão das cidades. Dominar diversas linguagens – artística, que é subjetiva e informal; empresarial, que é objetiva; e do Poder Público, que é formal. Ter o domínio das ferramentas de planejamento, de computação, das leis de incentivo à cultura, de marketing e, por fim, de questões técnicas relacionadas às atividades artísticas: teatro, dança, música, dentre outras” (2007, p.178) Não obstante ao explicitado, a autora ainda relata: “... é preciso ter capacidade de interferir no discurso das políticas públicas de cultura; definir os caminhos junto com o artista; gostar de resolver problemas; discutir os processos de produção; dominar ferramentas da administração; planejar; elaborar projetos; criar mecanismos de controle; buscar conhecimento sobre as áreas afins e correlatas; ter visão mais macro da sociedade onde atuam; saber decidir a todo momento; fazer necessariamente essa ponte entre artista, a iniciativa privada e o Poder Público. Enfim, pensar em tudo, pensar como público, pensar como artista, pensar como empreendedor e, por fim, articular, mobilizar, sensibilizar, convencer e fazer efetivamente a gestão desses diversos recursos” (2007, p.178/179). 16 Todo o texto anteriormente descrito, observado através de pesquisa pela autora Maria Helena Cunha, situa o gestor e a gestão de maneira ampla, com uma equipe de trabalho, fazendo a cultura valorizar. São questões gerais que também são atribuídas à linguagem da dança. Um gestor de dança desenvolve, de um plano macro, com todas as observâncias, para um plano específico. Fica claro, com todas as atribuições pertinentes ao papel de gestor cultural, que sua função é funcional para a dança enquanto desenvolvimento profissional e, como conseqüência, a valorização da arte. 17 3. HISTÓRICO Para traçar um panorama da Gestão Cultural da Dança em Curitiba necessitase de definições e esclarecimentos acerca do passado. Por meio de pesquisa bibliográfica, o conteúdo a seguir foi sendo levantado para a compreensão de situações atuais. Esta bibliografia contou com a dissertação de Marila Vellozo, na qual se pôde referenciar datas e ações culturais simultaneamente; o site do arquivo público, com dados e datas referentes aos decretos-leis da cronologia estabelecida para o desenvolvimento da pesquisa sobre a gestão cultural da dança em Curitiba. Também relatórios existentes na Casa da Memória que serviram para traçar este estudo no âmbito municipal. Pôde-se, assim, delinear um panorama para a futura atuação de gestores culturais na área artística em questão, na cidade. O estudo histórico que norteia esta monografia inicia na década de 30 com passagens rápidas pelo início das manifestações artísticas específicas da dança e suas legislações. Com o passar do tempo as ações e a própria mídia ampliaram as informações e o acesso às manifestações locais. Até os dias atuais... Durante esta passagem pelo tempo, no amplo contexto de ações públicas e privadas da dança, foi sendo feito um comparativo com outras áreas, contribuindo para a visão do todo de um gestor cultural. A análise do passado possibilitou compreender a atual situação da dança na cidade e suas diversas e diferentes possibilidades futuras promovidas pelo gestor cultural e sua importância na funcionalidade eficiente da função. 18 Primeiramente, faz-se necessário uma breve contextualização da área artística estudada, do início do século XX até os dias atuais. A partir deste esclarecimento geral, as ações particulares poderão ser mais bem compreendidas. Vale ressaltar que as atividades organizadas inerentes à cultura, especificamente à dança, iniciam muito antes da criação da Secretaria de Cultura. Pôde-se montar uma linha do tempo com datas importantes para o desenvolvimento da dança e da gestão cultural em Curitiba: 1909 - Criação do Grupo Folclórico Holandês; 1929 – Criação do Primeiro Curso de Ballet na Sociedade Thalia por Tadeu Morozovski; 1930 – Criação do Grupo Folclórico Ucraniano; 1947 – Criação da 1ª Secretaria de Cultura e Educação do Paraná; 1949 – Criação da Escola de Música e Belas Artes; 1949 – Criação do Curso de Balé do Clube Curitibano por Tereza Padron; 1954 – Criação do Teatro Guaíra; 1956 – Criação do Curso de Balé do Teatro Guaíra 1958 – Criação do Grupo Folclórico Português; 1958 – Criação da Academia Paranaense de Balé por Aroldo Morais 1960 – Criação do Grupo Folclórico Polonês; 1962 – Seminário na Casa Alfredo Andersen; 1962 – 1º Encontro das Escolas de Dança do Brasil; 1963 – Criação do grupo folclórico Italiano; 1963 – Criação do Curso de Balé Jean Vardé - Juventus 1964 – Criação do Grupo Folclórico Germânico; 19 1964 – Criação do Curso Permanente de Dança da Universidade Federal do Paraná; 1965 – 1º Encontro das Escolas de Dança do Paraná; 1969 – Criação da Associação Folclórica Japonesa Sul Paranaense; 1969 – Criação do Corpo de Baile da Fundação Teatro Guaíra, por concurso público; 1969 – 1º Encontro de Balé Paranaense promovido pelo Teatro Guaíra; 1970 – Escola de Música e Belas Artes passa a ser Curso Superior; 1973 – Criação da Fundação Cultural de Curitiba; 1973 – Criação do Curso de Dança Moderna na Sociedade Thalia por Milena Morozovski, filha de Tadeu; 1978 – Criação da Escola de Dança Privada Studio D; 1979 – O Corpo de Baile passa a se chamar Balé Teatro Guaíra; 1981 – Criação da Téssera Cia de Dança, de Dança Moderna, da UFPR; 1981 – Inauguração do Petit Balé (Escola de Dança Privada); 1982 – Ney Braga desmembra a Secretaria de Cultura da Secretaria da Educação; 1984 – Criação dos Cursos de Bacharelado e Licenciatura em Dança na Faculdade de Artes do Paraná conveniada à PUC (Pontifícia Universidade Católica do Paraná); 1988 – Transferência dos alunos do Guaíra para outra sede; 1992 – O Teatro Guaíra passa a se chamar Centro Cultural Teatro Guaíra; 1993 – A FAP desvincula-se da PUC, sendo autárquica; 1998 – Criação da Casa Andrade Muricy – Unidade da Secretaria da Cultura; 2003 – Criação do Centro de Estudos do Movimento – Casa Hoffmann. 20 Nos anos 20 e 30, a preocupação de gerenciamento estadual estava voltada para desenvolvimento urbanístico. Os governadores pouco apoiavam as atividades culturais, restringindo os grupos de dança às ações isoladas e com iniciativas próprias. Nesta época, as mães colocavam suas filhas para aprenderem a dança, neste caso, o balé, a nível comportamental e correção postural, sem visar o desenvolvimento profissional. Para viabilizar uma Secretaria autônoma de outras áreas, vale ressaltar algumas leis e datas históricas. Elas retratam o início de uma necessidade de organização sistemática da cultura, proveniente de um pensamento contemporâneo: “Decreto - Lei n° 614 de 13 de maio de 1947 Súmula: cria a Secretaria de Estado de Educação e Cultura. FONTE: Diário Oficial de 14 de maio de 1947 Microfilme: 067 Lei n° 112 de 15 de outubro de 1948 Súmula: cria na Secretaria de Educação e Cultural a Divisão do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Paraná. FONTE: Diário Oficial de 19 de outubro de 1948 e 22 de outubro de 1948 (corrigenda) Microfilme: 070” (WWW.arquivopublico.com.br) As datas acima mostram a importância inicial de conservação dos bens físicos. Somente 12 anos depois, a necessidade de conservação de bens imateriais, catalogados e organizados sistematicamente, fez com que surgisse uma estrutura governamental com preocupação para este fim. Outras leis foram promulgadas após a criação da Secretaria da Educação e Cultura, fazendo a área desenvolver em ações: “Lei n° 259 de 3 de outubro de 1949 Súmula: cria, na Secretaria de Educação e Cultura, a Escola de Música e Belas Artes do Paraná, como 21 instituto autônomo. FONTE: Diário Oficial de 4 de Outubro de 1949 Microfilme: 073 “Lei n° 777 de 7 de novembro de 1951 Súmula: transforma em Departamento de Educação Física e Desportos, subordinado à Secretaria de Educação e Cultura, a atual Divisão de Educação Física. Microfilme: 080” “Decreto n° 16.023 de 17 de fevereiro de 1955 Súmula: transfere as atividades de estatística educacional de primeiro grau da secretaria de Educação e Cultura para o Departamento Estadual de Estatística da Secretaria do Trabalho e Assistência Social. FONTE: Diário Oficial de 18 de fevereiro de 1955 Microfilme: 092” (WWW.arquivopúblico.com.br) O sistema organizacional da dança em Curitiba esteve sempre vinculado a outras áreas como desporto e educação, como acima demonstrados. Até os dias atuais essa tem sido uma luta constante para a independência da dança enquanto atividade artística e cultural, e não como educação do físico ou meio para que a educação nas instituições de ensino seja mais atraente. A intervenção da dança é puramente artística, ajudando, em seus atributos, em outras áreas, porém não fazendo parte delas nas funções. Como citado na introdução e reforçado nas citações de Maria Helena Cunha, no primeiro capítulo, a interação da arte, aqui especificamente da dança com outras áreas, como a da educação e no âmbito social fazem parte de um processo de globalização e salientam a facilitação da comunicação através desta interação. Porém, para um gestor com visão macro das suas atribuições, a arte é um agente facilitador que precisa manter a função artística como principal, apesar da História mostrar sempre a ligação da área artística com outras. Voltando à questão histórica, partir da década de 50, com o governador Bento Munhoz da Rocha Netto (mandato de 1951 à 1955), a cultura passa a ser reconhecida pelo seu valor artístico e como bem da população curitibana: 22 “Homem de idéias definidas, pensador, intelectual, sociólogo e professor, além de tribuno admirável, marcou sua passagem com projetos de forte conotação cultural, sem perder de vista o programa social, base de sua plataforma.” (WWW.casacivil.com.br) O grande “boom” desta década foi a criação do Teatro Guaíra, em 1954, voltado para atender às diversas manifestações artísticas. Anterior a isso as manifestações artístico-culturais vinham complementando o panorama local. Bento Munhoz da Rocha Netto iniciou as obras do Teatro Guaíra em 1952, assinado pelo arquiteto Rubens Meister e, em 1954, foi inaugurado: “A construção do Centro Cívico, em Curitiba, conjunto de edifícios destinados e centralizar a administração pública; a Biblioteca Pública e o Teatro Guaíra, inaugurados durante os festejos do centenário da emancipação política do Paraná, foram pontos altos da sua ação governamental.” (WWW.casacivil.com.br) Neste período, a prefeitura era administrada por Ney Amintas de Barros Braga (mandato de 1954 à 1958), que mais tarde se tornou o Governador do Estado, com grandes ações culturais também desenvolvidas. Porém, na História do Teatro Guaíra, vale ressaltar a luta pela preservação do patrimônio artístico e seus conteúdos nela apresentados. A breve história desta trajetória, retirada do site do Teatro Guaíra e disposta no anexo, ajudou a compreender a permanência deste patrimônio até os dias atuais. No ano seguinte, conforme mostrado abaixo, o Teatro Guaíra ficou diretamente ligado ao Estado: “Lei n° 2.382 de 10 de maio de 1955 Súmula: cria o Teatro Guaíra, como entidade autônoma, diretamente subordinada ao Governador do Estado. 23 FONTE: Diário Oficial de 12 de maio de 1955 Microfilme: 093” (WWW.arquivopublico.com.br) Iniciou, então, um novo desabrochar da dança em Curitiba, com uma progressiva reflexão acerca da necessidade de profissionalização da área. Até esta época havia sido desenvolvida a linguagem do balé clássico. Vale relembrar que esta expressão da dança, anteriormente apontada de maneira generalizada, foi iniciada por Tadeu Morozowski na Sociedade Thalia, em 1929. Em junho de 1949, Teresa Padron fundou o Curso de Ballet do Clube Curitibano. Aroldo Morais fundou, em 1958, a Academia Paranaense de Ballet. Em 1956 surgiu o Curso de Ballet do Teatro Guaíra e, em 1963, Jean Vardé formou turmas, da mesma linguagem, na Sociedade União Juventus. Foram, portanto, durante 35 anos que, na cidade de Curitiba só havia o conhecimento do balé clássico e das danças folclóricas. Com a criação do Teatro Guaíra surgia uma grande problemática ao ter estrutura física possível para grandes espetáculos, um potencial artístico, uma Secretaria que organizava e realizava um acervo das obras; mas não havia recursos humanos que atendessem às necessidades profissionais da dança exigidas pelo público. Pesquisa feita por Marila Vellozo (2005) - e relatada em sua dissertação expõe um assunto inerente aos gestores culturais para caracterizar o perfil da época: as moças de Curitiba não consideravam a dança como profissão em contraponto com o público que apreciava espetáculos de dança e exigia qualidade, ou seja, profissionalismo. Mais adiante, em sua dissertação, também cita um trecho da entrevista com Teresa Padron ao jornal “Gazeta do Povo” na qual explicita mais 24 características da época em relação à dança e fundamenta a necessidade de formação profissional na área: “ a falta de ambiente artístico na cidade”, a necessidade de um “rigor para alcançar a perfeição” e que poderia “formar um excelente corpo de ballet” , no Guaíra, considerando “o material humano existente em Curitiba” (1956 citado por VELLOZO, MARILA; 2005; p.13). O processo efetivo de profissionalização só surgiu nos anos 60 pela bailarina carioca Lorna Kay que, na época em que Aroldo Morais assumiu a coordenação do Guaíra se junta a ele com a idéia da profissionalização através da criação de um Corpo de Baile. O Equipamento Cultural precisava, então, de ocupações artísticas para ser vislumbrado pelo público curitibano, o que fez com que as Cias teatrais e outras atrações vindas de outros Estados tomassem seu espaço no circuito cultural da cidade na década de 50. Enquanto isso, outras ações da Secretaria foram sendo efetivadas, conforme anexo. Com a saída de Bento Munhoz da Rocha Netto do governo os incentivos às manifestações artísticas desaceleraram. Foram sendo desenvolvidos sem muita significação e visibilidade para a população. Não demorou muito para, nos anos 60, no mandato do governador Ney Braga (de 1961 à 1965), virem novas propostas culturais: “instituiu a primeira Comissão de Cultura, isentou circos e teatros de impostos municipais, instalou bibliotecas na periferia”. “ Em 1974 foi convocado pelo presidente Geisel para compor seu ministério, sendo 25 destinado a Pasta da Educação e Cultura. Voltaria fortalecido a se destacar por medidas inovadoras. Instituiu o Crédito Educativo, o Fundo de Assistência ao Atleta Profissional, o Conselho Nacional de Direitos Autorais, a Política Nacional de Educação Física e Desporto, o Programa Nacional de Pós-Graduação; criou o Concine, a Funarte, enfim, iniciativas modernizantes e objetivas”. “Sua influência, nessa fase, altamente marcante, possibilitou ao Paraná presença significativa nos altos escalões da República, através da convocação de muitos valores paranaenses a integrar os quadros da administração federal. Em nenhuma época, na história do país, o Estado do Paraná participou tanto das decisões nacionais. E nenhum governante, na moderna história republicana, exerceu como ele tão longo predomínio político no seu Estado”. “Ney voltou ao governo do Paraná em 1978, em eleição indireta, para novo período de operosa administração. As diretrizes do seu programa de ação estiveram definidas em cinco pontos fundamentais: o aumento da renda per capita da população paranaense, a difusão espacial do bem-estar, o incentivo ao desenvolvimento e a promoção cultural, a resposta do Paraná para o Brasil e ações para o futuro do Paraná.” (WWW.casacivil.com.br) A partir desta década a dança em Curitiba desenvolveu-se com propostas mais sólidas, até alcançar seu ápice na década de 80. Porém vale ressaltar que estava, de certa maneira, centralizada pela representatividade exclusiva do Corpo de Baile do Teatro Guaíra, visto que o incentivo monetário da cultura no setor público, ainda de visão paternalista, também estava sendo depositado na estrutura e funcionamento desta instituição. Muitas ações paralelas de reflexão foram sendo promovidas por artistas, como o Seminário na Casa Alfredo Andersen, em 1962, idealizado por Paschoal Carlos Magno, com a proposta de discussão e elaboração de documentos para as autoridades. Foram abordados, segundo tese de Marila Vellozo (2005), os seguintes temas: “Criação de um Ballet Nacional; Leis de amparo a dançarinos; Subvenções à escolas e grupos de dança; Teatro especializado para espetáculos de dança; Maior divulgação da dança moderna: seus objetivos, valores culturais, artístico e educacional e sua técnica; Amparo a profissionais da dança através de uma instituição específica; Terminologia; 26 A formação de uma banca (ou bancas) examinadoras, de elementos técnicos da dança, realmente categorizados, que possam estar à disposição de grupos de alunos que desejem prestar exame e receber uma opinião abalizada sobre seu trabalho e desenvolvimento artístico; Intercâmbio entre professores e alunos, brasileiros e estrangeiros; Desenvolvimento da dança folclórica nacional; Apresentação de grupos profissionais do Nordeste; Formação pedagógica do futuro professor de dança ” (2005, p.21) Com base na dissertação de Marila Vellozo (2005), outras iniciativas foram sendo configuradas por artistas para movimentar a vida Cultural na cidade. Ainda em 1962, aconteceu o 1º Encontro de Escolas de Dança do Brasil, patrocinado pelo Conselho Nacional de Cultura, UFPR, SECE. Em 1965, aconteceu o 1º Encontro de Escolas de Dança do Paraná, com apresentações e seminários. Em 1966, aconteceu o 2º Encontro, ambos promovidos pela UFPR. Em 1968 pôde-se ver o Festival de Escolas de Dança do Paraná, promovido pelo Teatro Guaíra. Em 1969 foi realizado o 1º Festival de Ballet Paranaense promovido pelo Teatro Guaíra. Neste mesmo ano o Estado cria o corpo de Baile Permanente do Teatro Guaíra. Foi uma mobilização rápida da classe, em benefício da visibilidade artística, com apoio de empresas privadas e públicas unidas. Estas iniciativas lançaram a “Era dos Festivais” que perduram até os dias atuais. Na cidade de Curitiba este tipo de visibilidade foi se enfraquecendo com o passar dos anos, o que não aconteceu no resto do país. Nasceu, com isso, a competitividade artística entre os grupos que os fazem desenvolver trabalhos com caráter egocêntrico, em benefício somente do próprio reconhecimento. A dança estava sendo consolidada na cidade, com linguagem do balé clássico como principal meio de comunicação com o público. Este potencial profissional 27 começou a ser moldado como padrão de qualidade para a existência e visibilidade desta área cultural. Desta maneira, havia a centralização da verba Estadual no Corpo de Baile do Teatro Guaíra, ainda em desenvolvimento, porém com potencial para a representação Nacional e Internacional da cidade. E isto significava visibilidade e um retorno positivo da imagem da cidade. Ainda nesta década, o retorno profissional da Cia estava em andamento, ressalta Marila Vellozo (2005) em sua análise: “ Uma das razões para que a dança tenha sido “contemplada” com menor raio de ação na distribuição de verbas foi o fato de ficar encubada por tanto tempo, a espera de resultados. Mesmo depois de estabelecida, a Cia precisou de tempo para adquirir as exigências técnicas e artísticas necessárias para que pudesse reverter frutos” . (2005; p.115) Mais adiante faz outra análise: “ Um outro fator que se repete ciclicamente diz respeito ao tipo de planejamento e aplicação de verbas públicas para a dança que caracteriza, de modo geral, o Paraná, desde 1956. A dança mantida pelo Estado do Paraná foi privada de editais e de políticas públicas que ampliassem o seu raio de atuação. Acabou centralizada espacial e artisticamente. E essa centralização, ao mesmo tempo em que lançou nacionalmente, por um bom tempo, uma dança de qualidade, dificultou o desenvolvimento de iniciativas particulares de artistas independentes, que buscavam se estabelecer ao Largo da Praça Santos Andrade...” . (2005; p.115) Podem-se perceber tantas mobilizações no nível cultural que as leis a seguir refletem a necessidade de ajustes: “Lei n° 8.033 de 3 de maio de 1962 Súmula: estabelece que o Teatro Guaíra , Biblioteca Pública, e Conselho Regional ficam sob a Supervisão Administrativa da Secretaria de Educação e Cultura. FONTE: Diário Oficial de 4 de maio de 1962 Microfilme: 124 28 Decreto n° 10.527 de 9 de janeiro de 1963 Súmula: aprova a reestrutura da Secretaria de Educação e Cultura. FONTE: Diário Oficial de 11 de janeiro de 1963 Microfilme: 128 Lei n° 6.049 de 3 de dezembro de 1969 Súmula: transforma o Teatro Guaíra em Fundação Teatro Guaíra e dá outras providências. FONTE: 4 de dezembro de 1969 Microfilme: 172” (WWW.arquivopublico.com.br) Durante a década de 60, nove prefeitos haviam passado pela administração municipal. A centralização por parte do Governo Estadual tinha sua razão de ser. Enquanto a instabilidade tomava conta do Município, o Estado mantinha uma representatividade cultural através da manutenção financeira do Corpo de Baile do Teatro Guaíra. No governo de Algacir Guimarães, a política social fundamentou a necessidade da estrutura cultural ampliada à população e a coloca como agente, não como observador deste mecanismo: “Perseguirei, incansavelmente, a execução de uma ação já delineada por Ney Braga: revolucionar as estruturas de cultura humana e de saúde pública para permitir um melhor e maior acesso às utilidades e ao conforto em geral, para colocar o povo em condições de exercer seus direitos naturais. Tenho repudiado e continuarei a reprimir a obsoleta democracia política despida de conteúdo social”. (WWW.casacivil.com.br) Em 1969, Curitiba se estabeleceu na mídia como estando na linha de frente nas produções artísticas e de exemplo de público que freqüentava o Teatro. Nesta época, o Governador do Estado era Paulo Pimentel (mandato de 1966 à 1971), que possuía a mídia a seu favor e era bem aceito pela população. Segundo pesquisa de Marila Vellozo (2005), em 1967 houve um aumento de 20,06% no número de pessoas que haviam freqüentado o Teatro Guaíra. Aumentou 43,3% o número de espetáculos 29 levados ao público. De 165 espetáculos em 1966, subiu para 243 em 1967. Em cinco anos o aumento foi de 23.445 para 60.537 pessoas. Dados importantes para validar o apoio à cultura e às atividades artísticas, independente da função de popularização política que dizem ter sido a causa desse apoio. A década de 70 foi marcada por contrapontos comuns aos interesses de cada classe. Por um lado, o Governo argumentava não ter verba suficiente para a manutenção do Corpo de Baile do Teatro Guaíra, reduzindo o número de bailarinos. Se não havia verba pública para suprir as necessidades dos que já estavam instalados e amparados pela lei Estadual, quem diria apoiar grupos de dança independentes. Porém, as evoluções no Curso de Ballet do Teatro Guaíra eram constantes. Desde 1969 foi instituída as disciplina de História da Dança e Música, por Yara de Cunto, coordenadora do curso na época. Em 1973, sob a coordenação de Auri Luiz Guarnieri (concertista), aumentara-se a carga horária semanal de duas ou três vezes para todos os dias. Em 1976, com a coordenação de Liane Essenfelder C.M.Frank e supervisão de Ceci Chaves, foram revisados e formalizados os conteúdos programáticos. Foram instituídos critérios de avaliação e a nomenclatura que organizava os níveis de ensino. O aperfeiçoamento ficava junto ao corpo de baile. A formação, nesta época, era de 8 anos. As iniciativas promovidas e defendidas pelos artistas não pararam. Em 1971, aconteceu o Encontro das Escolas de Dança de Curitiba. Neste mesmo ano, Yuri Shabelewski, diretor da Cia de Dança do Teatro Guaíra, solicitou à direção do Teatro a função de coordenação para o Ballet. Loraci Setragni foi a primeira coordenadora. 30 Com o fim do mandato de Paulo Pimentel, assumiu o governador Aroldo Leon Peres (mandato de 71) que, acusado de procedimentos ilícitos, renunciou ao fim do mesmo ano. De 1971 à 1973, Pedro Viriato Perigot de Souza assumiu como Governador Substituto, até então vice – governador. Vítima de doença faleceu em julho de 1973. Assumiu, então, João Mansur, presidente da Assembléia Legislativa. Este ficou durante cerca de um mês, até que fosse eleito o próximo Governador. Emílio Hoffmann Gomes assumiu a governadoria até o final do mandato, em 1975. Em janeiro de 1973, sob a lei número 4545, foi criada a Fundação Cultural de Curitiba, com a assinatura do então prefeito Jaime Lerner (mandato de 1971 à 1974). Buscavam transformações e a defesa do patrimônio histórico e artístico. O relatório deste ano expõe isso: “ O problema da Cultura e do Lazer deve ser encarado como parte inseparável da vida urbana, juntamente com outros aspectos ligados ao rápido crescimento da cidade, tais como: circulação, saneamento e educação. A reforma urbana empreendida nos últimos anos pela Prefeitura, com base no planejamento efetuado pelo IPPUC – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, propiciou as condições básicas para a implantação de uma política de lazer e cultura integrada com os demais fatores de humanização da cidade. A meta primordial da atual gestão municipal é a humanização, para tanto, procura dotar a cidade de todos os equipamentos urbanos, em todos os setores e aspectos, que permitam ao habitante de Curitiba realmente viver. Dentro desta meta o papel da Fundação Cultural de Curitiba é duplamente importante, visto que se dispõe a não somente proporcionar uma vida cultural mais intensa, mas também manter a estrutura de animação da cidade. As atividades culturais da cidade, bem como as promoções que visam movimentar a estrutura de animação, vinham sendo desenvolvidas precariamente pelo Departamento de Relações Públicas e Promoções da Prefeitura. Em 5 de Janeiro de 1973, pela Lei número 4545, foi criada a Fundação Cultural de Curitiba, que se tornou o órgão responsável pela política cultural do Município”. (1973; p. 1) A partir desta época, a cultura em Curitiba passa a ser distribuída nos deveres dos governantes entre o Estado e o Município. E quando se fala em cultura também se 31 fala em manifestações artísticas. A instabilidade do Estado e a capacidade de administrar políticas culturais do Município trouxeram, nesta década, um equilíbrio das forças e mais conquistas para a classe de maneira mais diversificada. Aproveitavam-se as transformações culturais para ampliar a contingência, o acesso. Muito importante para o estudo da gestão cultural em Curitiba foi a criação do Ipardes ( Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) em 1973. Este órgão tem a função de estudar a realidade econômica e social do Estado para subsidiar a formulação, execução, acompanhamento e avaliação de políticas públicas. Assim, Curitiba estava antecipando a política de administração Estadual que até a década de 90 era caracterizada pela democracia e centralização para só então haver uma gestão liberal e descentralizadora. A preocupação municipal com o desenvolvimento humano a partir da década de 70 distribuiu os órgãos, inclusive a Cultura, para chegar a esse fim através da delegação de poderes e ampliação do acesso por meio de ações. Paralelamente, algumas providências Estaduais haviam sido tomadas até a criação da Fundação Cultural: “Decreto n°19.982 de 27 de abril de 1970 Súmula: institui a Fundação Federação das Escolas Superiores de Curitiba, congregando, dentre outros estabelecimentos estaduais isolados de ensino superior, a Escola de Música e Belas Artes do Paraná. FONTE: Diário Oficial de 28 de abril de 1970 Microfilme: 174 Decreto n° 1.083 de 19 de novembro de 1971 Súmula: reorganiza a Secretaria de Educação e Cultura. FONTE: Diário Oficial de 25 de novembro de 1971 Microfilme: 184 Decreto n° 2.556 de 28 de setembro de 1972 Súmula: aprova as estruturas das unidades da Secretaria de Educação e Cultura. FONTE: Diário Oficial de 3 de outubro de 1972 Microfilme: 192 Decreto n° 4.318 de 19 de setembro de 1973 Súmula: constitui como órgão consultivo, normativo e fiscalizador da política cultural do Estado, o Conselho Estadual da Cultura, tendo como presidente o titular da Diretoria de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação e 32 Cultura. FONTE: Diário Oficial de 24 de setembro de 1973 Microfilme: 202”. (WWW.arquivopublico.com.br). Estava, lentamente, sendo modificada a estrutura urbanística e cultural de Curitiba, criando uma identidade de desenvolvimento humano para ser vendida aos olhos estrangeiros. Esforços eram cada vez mais necessários para uma eficiente e efetiva atuação de um órgão voltado para atender às diversas manifestações artísticas e culturais, que ampliavam suas fronteiras. Em Curitiba, na área da dança, estas diversas e diversificadas transformações foram sendo salientadas com a Criação do Curso de Dança Moderna na Sociedade Thalia, em 25 de Março de 1973, com Direção de Milena Morozowski, filha de Tadeu. Nove anos após a criação do Curso de Dança da UFPR. Em Curitiba, neste mesmo ano, Maria Fux 5 ministrava cursos e conferências para o público em geral, através da Fundação Cultural. Muito curioso notar que as ações ao público em geral que envolviam apresentações em espaços abertos tratavam a dança como balé. A única oferecida aos olhos do público ainda nesta época. Pode-se perceber que as áreas de maior atuação da Fundação Cultural eram o teatro, a música e as artes plásticas. Poucas ações foram realizadas com a arte dança. E quando foram ofertadas oficinas, poucas pessoas freqüentavam. As artes plásticas foram e continuam sendo a ferramenta de revitalização e artifício artístico mais expressivo em Curitiba. 5 Bailarina argentina que desenvolveu um método de dança voltado para a terapia. 33 Em 1974 foi inaugurado o Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto. No ano de 1976, Hugo Delavalle assumiu a direção do Corpo de Baile do Teatro Guaíra. Em 1977 observava-se a releitura do público ao acesso. Segundo dissertação de Marila Vellozo (2005): “ Antes do sucesso do Corpo de Baile, a matéria de 07 de Junho de 77 questiona o preço alto dos ingressos para espetáculos que vinham de fora, apontando para a dificuldade do povo em assistir estas produções. O Guaíra já ofertava o “Teatro para o povo”, atividade retomada em 2004, com preços populares. Porém, a matéria intitulada “Teatro Guaíra longe do povo”, do Correio de Notícias denomina, o Guaíra, de teatro de elite”. (2005; p.37) No ano de 1978, Hugo sai da direção, ficando, após um período sem diretor, Carlos Trincheiras, de 1979 à 1993. Trincheiras projetou o balé e reestruturou sua identidade. Tinha a visão cultural de um gestor, preocupado em ampliar o mercado de trabalho por meio de contratações de bailarinos e administrando a necessidade de interesses políticos para a permanência no cargo em prol da arte. Em 1979, o Corpo de Baile do Teatro Guaíra passa a ser chamado Balé Teatro Guaíra (BTG), com o retorno de Ney Braga como governador do Estado. Enquanto isso, com apenas dois anos da inauguração da Fundação Cultural, em relatório (1975) pesquisado na Casa da Memória mostra como objetivos: “ a) atingir camadas da população que atualmente não participam da vida cultural da cidade; b) iniciar a população em cinema, música, teatro e outras manifestações culturais, através de programação de caráter didático- informativo, levando em conta os costumes e hábitos da população; c) Incentivar os valores locais, (evitando atitudes paternalistas), para que passem a consumir suas próprias atividades culturais, através da criação de grupos de música, teatro etc...; 34 d) Incentivo à criação de Associação de Moradores, que entre outras funções, se ocupem da atividade recreativa- cultural do bairro, através de orientação de reuniões e trabalhos com grupos interessados.” (1975; p.1) Como pode ser observado, a Fundação Cultural foi criada para permitir o acesso da população em massa das expressões artísticas, atuando juntamente em outras áreas como a Educação, o Lazer e o Social. Para tanto, o público consumidor das atividades culturais oferecidas também desenvolvem o senso crítico e passam a exercer a cidadania com a consciência de valores financeira e humana. Um detalhe abordado posteriormente é a alínea “c” que divulga ser a Fundação Cultural responsável por evitar atitudes paternalistas. Porém a grande demanda de apresentações a preços populares ou gratuitos não atua no fato da sociedade acostumar-se a não remunerar as cias de dança e tornar evasiva a atuação do público no sustento destes grupos? Enquanto a iniciativa pública lutava para permanecer frente à instabilidade citada, apareciam outras escolas de dança particulares. Em 1978 foi criado o Studio D, com direção de Dora de Paula Soares. Da metade da década até o fim dela, outras atribuições legislativas foram sendo pontuadas: “Decreto n° 205 de 4 de abril de 1975 Súmula: aprova o regulamento e a estrutura da Secretaria de Educação e Cultura. FONTE: Diário Oficial de 9 de abril de 1975 Microfilme: 220 Decreto n° 15 de 15 de março de 1979 Súmula: institui a Secretaria de Estado Extraordinário para Assuntos da Cultura e do Esporte , alterando em conseqüência o regulamento e a estrutura da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura e a ela vincula a Fundação Teatro Guaíra. FONTE: Diário Oficial de 16 de março de 1979 Microfilme: 273” (WWW.arquivopublico.com.br) 35 Também neste ano foi criada a Coordenadoria do Patrimônio Cultural em substituição à Diretoria de Assuntos Culturais e Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico, além da Curadoria do Patrimônio Histórico e Artístico, unidade técnica da Coordenadoria do Patrimônio Cultural. Foi uma década de organização para a administração das futuras políticas públicas e privadas correlacionadas à área cultural. Também possibilitou a reflexão acerca do papel da cultura e suas manifestações artísticas, bem como a abrangência e visibilidade que pretendia dar-se a ela; suas tendências no “mercado” curitibano. Assim, em 1977 a Fundação Cultural realizou o projeto “Teatro para o povo”, com índices bons de adesão junto à população. Porém, a dança mais uma vez não era a contemplada neste ano. O Teatro continuava sendo o foco, até pela questão deste projeto ser designado pelo convênio “Serviço Nacional do Teatro/MEC”. Ainda neste ano, a Fundação Cultural é declarada de utilidade pública pela lei municipal número 5546 de 28 de Abril de 1977. Ao mesmo tempo em que se criam tendências, também diversificam as manifestações e preocupa-se constantemente com o conceito de cultura e suas áreas de atuação. Ney Braga governa de 1979 à 1982 novamente, retornando, também, com a política de investimento no Teatro Guaíra, apoiando produções. Em 82 cria a Escola de Teatro do Colégio Estadual de Curitiba; desmembra a Secretaria de Cultura da Secretaria da Educação e inaugura o Teatro da Classe. 36 Era uma época áurea da vida artística e social curitibana. Não eram somente formados corpos que dançavam, mas também que estudavam sua história e refletiam sobre sua dança. De 79 à 83, Jaime Lerner retoma a prefeitura. Com a saída de Ney Braga do governo, em 1982, o Estado permaneceu, até 1983, com o Governador substituto José Hosken de Novaes e em 1984 o Paraná passa a ser governado por José Richa até 1986. De 86 até o fim do mandato, em 87, o Governo foi administrado pelo governador substituto João Alísio Ferraz de Campos. De 87 a 91 por Álvaro Dias. Com a saída do prefeito Jaime Lerner, de 83 a 86 a prefeitura passa a ser administrada por Maurício Fruet e de 86 à 89 por Roberto Requião. Seguindo a cronologia, 1979 foi mais um ano de reflexão para os gestores da Fundação Cultural. Havia uma preocupação com a preservação de ações já estabelecidas, mas a necessidade de novas abordagens para que toda a população pudesse ser beneficiada. A preservação da memória da imigração em Curitiba era o assunto enfatizado e exposto. Os anos 80 foram determinados como ápice de uma progressão cultural, na qual as organizações estavam sendo moldadas em busca de um modelo eficiente de administração pública. O Ballet Teatro Guaíra sentia o resultado dos esforços, com altos salários, e alastrava sua arte pelo interior. A dança Moderna era apresentada por Eva Schul para os alunos do Curso de Formação do Teatro Guaíra em duas aulas semanais. O Ballet Teatro Guaíra produzia quatro temporadas por ano. Muitos outros decretos-leis foram implantados. Os mais importantes para o contexto encontra-se aqui. Outros podem ser visualizados no anexo. 37 “Decreto n° 5.230 de 6 de julho de 1982 Súmula: institui o Programa Estadual de Centros Sociais Urbanos, com finalidade de Promover a Integração social das cidades através da educação, cultura, desporto, saúde, nutrição, trabalho, previdência, assistência social, recreação e lazer. FONTE: Diário Oficial de 8 de julho de 1982 Microfilme: 317 Decreto n° 356 de 7 de abril de 1983 Súmula: passa a vinculação da Secretaria da Cultura e do Esporte, a Empresa Paranaense de Turismo, entidade de administração indireta do Estado. FONTE: Diário Oficial de 11 de abril de 1983 Microfilme: 325 Lei n° 8.199 de 17 de dezembro de 1985 Súmula: o Conselho Paranaense de Turismo, passa a integrar o nível de direção superior na estrutura organizacional da Secretaria da Cultura e do Esporte. FONTE: Diário Oficial de 18 de dezembro de 1985 Microfilme: 359 Lei n° 8.682 de 30 de dezembro de 1987 Súmula: institui, sob forma de autarquia, a Escola de Música e Belas Artes do Paraná, como resultado da incorporação das unidades administrativas de nível subdepartamental da Secretaria da Educação, denominadas Escola de Música e Belas Artes do Paraná e Faculdade de Educação Musical do Paraná. FONTE: Diário Oficial de 31 de dezembro de 1987 Microfilme: 386 Decreto n° 6.528 de 25 de janeiro de 1990 Súmula: aprova o regulamento da Secretaria da Cultura. FONTE: Diário Oficial de 25 de janeiro de 1990 Microfilme: 417” (WWW.arquivopúblico.com.br) Frutos de projetos provenientes de reflexões acerca da abrangência da dança foram implantados, como o projeto “Pré Profissional” criado por Carla Reinecke. Este projeto tinha por meta disseminar a dança pelo interior do Estado. Em 1981 surgiu o Grupo de Dança Moderna da Universidade Federal do Paraná, Téssera – Cia de Dança, sob direção de Rafael Pacheco e existente até os dias atuais. No mesmo ano, Curitiba foi sede do 3º Encontro Nacional da Escolas de Dança e Grupos do Brasil. Nestes primeiros anos não eram encontrados, nos dados estatísticos, ações envolvendo a dança na Fundação Cultural. Foram prometidos projetos para a 38 implantação no ano de 1985. Porém não constam registros a respeito. Continuaram ações em maior escala com as artes plásticas, o teatro e a música. Em 1983 foram criados 8 setores na Fundação Cultural: Memória, Artes Plásticas, Música, Literatura, Cinema, Artes Cênicas, Cultura e Educação e Cultura Local. Cada vez mais a delegação de poderes e as especificidades das áreas fazem com que os recursos humanos tenham que se capacitar para atender a abrangência das áreas citadas. Existe a constatação da adequação permanente às necessidades da população, como descrito no relatório do ano e mostrado no anexo. Em 1984 foi criado o Curso de Bacharelado e Licenciatura em Dança e Teatro. A idéia veio do superintendente do Teatro Guaíra, Oraci Gemba, com grade curricular criada por Carla Reinecke. As academias privadas de dança começaram a se disseminar com a difusão de possibilidades de áreas de abrangência da cultura. As linguagens variadas da dança cada vez mais tinham a possibilidade de chegar ao público. Porém, as verbas públicas Estaduais começaram a ser menores. No final da década, os repertórios do Ballet Teatro Guaíra foram retomados e o público curitibano não demonstrava mais tanto interesse em comparecer nas apresentações, segundo pesquisa de Marila Vellozo. Porém, em um período “mercadológico”, o investimento e aceitação do público era ponto fundamental para manter a verba destinada à manutenção da Cia. Afinal, perante várias ofertas, manter somente uma instituição artística era uma fundamentação para enxugar o orçamento. 39 Em 1986, o Carnaval foi promovido pela Fundação Cultural. No relatório anual, o paternalismo foi citado como adequação cultural de grupos antigos, não existentes nos circos proporcionados pelos grupos de bairro do ano em questão. A década de 90 foi caracterizada pela crise das ações culturais na cidade. O público voltou-se cada vez mais por atrações provenientes de outros lugares. As produções locais não mais atraiam o público, em se tratando de dança, regida por uma economia Estadual. Porém, para as ações municipais, a Cultura foi democratizada e o acesso à população ampliado. A dança ainda era pouco tratada. A questão é: os artistas esperavam por um espaço de direito, ressaltando a questão do paternalismo anteriormente citada; ou os grupos formavam ações de trabalho para a difusão da dança e não encontravam espaço frente ao público? Essa ainda é uma questão sem resposta comprovadamente embasada, porém com as duas possibilidades sendo verdadeiras na cidade de Curitiba. A academia Petit Ballet, inaugurada em 1981, promoveu o I,II e III Festival Nacional de Ballet Clássico de Curitiba, no Teatro Guaíra, na década de 90. O Colégio Positivo realizou 3 festivais de Dança Positivo no Teatro Fernanda Montenegro (Fundação deste teatro:1983). De 1991 à 1994, Roberto Requião governou o Estado. De 1995 à 2003 Jaime Lerner foi o governador, ficando durante dois mandatos. Na prefeitura, de 1993 à 1997, Rafael Greca assumiu a administração e, de 1997 à 2001, Cássio Taniguchi foi o prefeito. 40 Os anos 90 foram caracterizados por lutas por melhores condições de visibilidade, salários, reconhecimento do público, condições de trabalho entre outros no âmbito Estadual na área específica da dança. As gestões de Requião e Jaime Lerner foram marcadas por lutas contra a crise econômica nacional. Na legislação estadual, pôde-se encontrar: “Decreto n° 1.423 de 30 de junho de 1992 Súmula: altera a denominação da Fundação Teatro Guaíra para Centro Cultural Teatro Guaíra. FONTE: Diário Oficial de 30 de junho de 1992 Microfilme: 456 Alteração: Lei nº 11.066 de 1º de fevereiro de 1995. Súmula: Exclui o âmbito de ação da Secretaria de Estado da Cultura – SEEC às atividades relacionadas ao esporte, como decorrência da criação da Secretaria de Estado do Esporte e Turismo – SEET. FONTE: Diário Oficial de 1º de fevereiro de 1995. Decreto nº 4266 de 23 de Abril de 1998. Súmula: cria a casa Andrade Muricy – CAM, unidade da Secretaria de Estado da Cultura – SEEC subordinada à Coordenação do Sistema Estadual de Museus – COSEM. FONTE: Diário Oficial de 23 de Abril de 1998.” (WWW.arquivopublico.com.br) Em 1991, de Curso de Ballet, a instituição passou a ser chamada Escola de Danças Clássicas da Fundação Teatro Guaíra, obtendo a regulamentação e tornando-se profissionalizante no nível de segundo grau. A Fundação Cultural, neste mesmo ano, definiu, em seu relatório anual, as quatro grandes áreas de atuação como sendo: cinema, literatura, música e artes plásticas. Não estava inserida a dança. Então, a dança invadiu as instituições de Ensino Regular. Uma saída para uma mão de obra especializada, em constante crescimento. Em 1994, Débora Arzua Tadra, coordenadora da Escola de Danças Clássicas Teatro Guaíra também produziu projetos 41 para viabilizar a dança nas Instituições Educacionais. Além do projeto Juvenil, Projeto Bailarina e Projeto Dança Masculina. A autonomia profissional estava sendo retratada como reflexo da descoberta de possibilidades. Os bailarinos, acostumados a movimentos criados por métodos e técnicas, agora também poderiam explorar movimentações e retratá-las através do corpo com idéias individuais, produzindo resultados coreográficos criativos. Isso poderia ser percebido no projeto assinado por Trincheiras 6em 1992 chamado “Ateliês coreográficos”. O panorama social era refletido em seus corpos e conceitos artísticos. Na década referida o Estado estava preocupado em reduzir custos para minimizar a crise nacional, enxugando salários e despesas. Foram sendo promovidos cada vez mais eventos em locais públicos, que atingissem a massa da população sem necessidade de ônus para estes. O público acostumava-se a receber bens culturais gratuitos ou a baixo custo - um agravante para cias. independentes que precisavam se auto-sustentar com o valor dos ingressos. O público pagava e ainda paga cada vez menos por apresentações de cias. locais e o município, que antes divulgava ser contra o “paternalismo” proveniente de políticas públicas age contra essa filosofia. As cias tornam-se dependentes de editais para poderem divulgar sua expressão artística a preços populares, dependendo deste “paternalismo” público. Até 1993, o Curso Superior de Dança funcionou através de um convênio entre a Fundação Teatro Guaíra e a PUC PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). Desde então, a PUC se isentou e o mesmo passou a ser FAP (Faculdade de Artes do Paraná). Aconteceu a primeira alteração curricular. 6 Diretor Artístico do Balé Teatro Guaíra de 1979 à 1993. 42 No Balé Teatro Guaíra, além de problemas com os salários, muitos bailarinos instalaram-se na Alemanha, onde tiveram oportunidade de melhor exercerem sua profissão. Segundo dados da dissertação de Marila Vellozo (2005), em 1992, haviam 13 bailarinos a menos no quadro de funcionários e caiu quase pela metade os espetáculos apresentados. Também em 93, Carlos Trincheiras, diretor do Ballet Teatro Guaíra desde 79, ou seja, durante 14 anos, morreu deixando sua esposa no lugar. Os próximos diretores não contavam com apoio político, nem financeiro. Ainda em 1993, conforme relatório da Fundação Cultural: “...foi votada e sancionada uma Lei Municipal, pelo então prefeito Jaime Lerner no final de sua terceira gestão, com o objetivo de viabilizar e regulamentar o incentivo fiscal à cultura. Em seguida o prefeito Rafael Greca de Macedo consolidou a aplicação desta Lei dando origem a um processo contínuo de incentivo cultural, gerenciado pela Fundação Cultural de Curitiba e pela Secretaria Municipal de Finanças” (1995, p.54) Porém, mais uma vez não foi contemplada a área da dança em larga escala. A maior parte dos projetos, conforme mostra o relatório (1995), foi para música. Em seguida vem o teatro. Os anos anteriores já mostravam esta adesão. De qualquer maneira, a importância do apoio financeiro proveniente de editais vem contribuir para uma maior diversidade para o público e oportunidade para os grupos concorrentes. Em 1999, Suzana Braga assumiu a direção artística do BTG. Promoveu uma audição nas quais muitos bailarinos foram reprovados. Uma nova possibilidade tinha que ser criada para que continuassem exercendo sua profissão. A saída foi montar um 43 grupo de dança paralelo, sem reconhecimento enquanto órgão administrativo do Estado, porém com seus salários garantidos na função. Deram o nome de G2 e foi dirigido inicialmente por Carla Reinecke. Apesar da crise salarial dos bailarinos, Suzana Braga era financeiramente expendiosa. Estava sendo exposta uma nova realidade, porém muito mais criativa e preparada para as circunstâncias atuais. Marila Vellozo cita uma frase que resume a situação da época: “O G2 revelava não só uma crise de valores, mas uma crise cultural” (VELLOZO, MARILA, 2005). Na mesma década, Rocio Infante fundou a Tempo – Cia de Dança, com apoios de empresas privadas. Além disso, vendia seus trabalhos ganhando cachês. Porém, sem salários fixos e recursos, finalizaram em 1996 suas atividades. Também a Cia da Cidade, criada por Cinthia Kunifas e Marila Vellozo, fundada em 1996 e finalizada em 2.000, encerra pelos mesmos motivos. E assim sucessivamente. A instabilidade de grupos independentes fez, e ainda faz muitos projetos interessantes com Cias. De Dança finalizar sem nenhuma outra possibilidade do setor financeiro. Após a saída de Jaime Lerner como governador do Estado em 2003, Roberto Requião assume seus dois mandatos, ficando no governo até 2010. De 1995 à 2005, não constam registros de relatórios na Casa da Memória das ações da Fundação Cultural. Em resumo, Cássio Taniguchi se reelege, ficando de 2001 à 2005 em seu segundo mandato. Passa para Carlos Alberto (Beto) Richa, também com dois 44 mandatos, de 2005 a 2010. Neste último ano renunciando à candidatura para concorrer ao cargo de Governador do Estado, vencendo as eleições. Nesta década muitas mudanças tinham ocorrido. A Fundação Cultural iniciou um trabalho mais eficiente e autárquico em benefício da cultura, com editais de apoio. O ballet clássico, a dança moderna, a dança do ventre, o jazz, o sapateado, o hip hop, a dança de salão entre outras linguagens, todos tinham seu espaço para desenvolvimento de seus trabalhos. Porém, a grande dificuldade de manutenção das cias continuava e continua sendo a mesma problemática dos anos 90: a existência de público e apoio em larga escala seja ele privado ou público. Acerca disso, outro capítulo será pertinente para discussão. No ano 2000 o grupo de dança da FAP foi reativado com direção de Rosemeri Rocha e tinha como linguagem a dança contemporânea. Em 2001, pôde-se vivenciar o “Encontro de Novas Dramartugias” e o Fest Dança (3 Edições); em 2002, a Conexão Sul versão Paraná; em 2003 a 2º Edição do Encontro de Novas Dramartugias; o seminário “Os Mapas da Dança”, em 2001 A questão é que, desde a criação da Fundação Cultural em 1973 até 2003, o único evento promovido por ela foi o Festival de Ginástica e Dança elaborada e realizada pela SMEL (Secretaria Municipal de Esporte e Lazer). Em entrevista à atual organizadora do evento, Leloir Santos, questionada a respeito da origem do festival citado anteriormente, a mesma diz ter iniciado com apresentações de grupos de Ginástica e Dança, assim como nos dias atuais. Porém, com a ampliação e maior divulgação e retorno dos grupos, o evento transformou-se em 45 “Dança Curitiba Festival” que faz parte de um programa da SMEL chamado “Dança Curitiba”. Questionada a respeito de parcerias, fala que já houve a participação do Banco do Brasil e que atualmente não há interessados. Conta, também, que as apresentações não têm exigência em relação à formação. Podem se apresentar grupos amadores e profissionais e sem ônus para quaisquer partes – artistas e público. Somente nos anos seguintes, pela Lei de Incentivo Fiscal e evolução das políticas públicas para com a dança foram sendo estimuladas ações nesta área. Então, em junho de 2003 foi inaugurado o Centro de Estudos do Movimento, na Casa Hoffmann, sob coordenação e curadoria de Andréa Lerner e Rosane Chamecki. Ainda neste ano, a Fundação Cultural de Curitiba promoveu um edital que visava revitalizar o bairro Rebouças, subsidiando, por um ano, projetos selecionados que estabelecessem sede lá. Este projeto denominava-se “Residência Rebouças”. Segundo dissertação de Marila Vellozo em relação ao trabalho “Corpo Desconhecido” diz: “... foi selecionado e recebeu uma das bolsas do Rumos Dança 2003 e ajudou a modificar o perfil do Paraná estabelecido no Rumos Dança 2000, ambos iniciativa da coordenação de artes cênicas do Itaú Cultural”. (VELLOZO, MARILA, 2005). A dança nesta época já estava mais consolidada com várias ações como: “encontros com grupos e comunidade”, “dança quem quer”, “oficinas”, “aulões do núcleo”, “dança solidária”, “criação acervo da dança de cada regional”, “participação em eventos, fóruns, etc, representando a coordenação de dança da Fundação Cultural”, “Curadoria da Casa Hoffmann”, além de aulas de Dança Criativa, Dança de Salão e 46 Alongamento, Hip Hop, Mostra de Dança da FAP com Debates, Baile Comemorativo dos 20 anos do Curso de Dança, Produção de Conhecimento em Dança / Workshop com Christine Greiner, Workshop Fabiana Dultra Britto, Dança Solidária, Workshop Hoomann Sharif – Aulas de Criação, Espetáculo Grupo Hoomann, Workshop Mark Tayllor. Foram 8 programas e 13 eventos em 2005. Em 2006, a sede administrativa passa a ser no Moinho Rebouças, no Bairro Rebouças. Três anos após o lançamento do edital para subsídio de grupos por um ano a fim de revitalizar o bairro, citado anteriormente. Na estatística desta década, há uma progressão em projetos aprovados: 51 em 2002, 74 em 2003, 15 em 2004, 89 em 2005, 112 em 2006 e assim sucessivamente. Na área da dança, em 2006, foram selecionados somente três projetos de difusão em dança. A Casa Hoffmann abrigou e ainda abriga muitos grupos que realizam seus trabalhos voltados para a pesquisa em Dança Contemporânea. Então em 2006, segundo relatório da Fundação Cultural (2006), foram 317 eventos e ações: “Um dos destaques foi o 1º Forum de Dança de Curitiba, que reuniu 737 pessoas no Centro de Criatividade do Parque São Lourenço, num grande encontro entre representantes e praticantes de todas as áreas de dança de Curitiba, com apresentações, palestras, cursos e debates”. (2006, p. 151) Atualmente, não existe uma relação quantitativa de grupos independentes que desenvolvem ações com financiamento estadual, municipal ou privado, em continuidade. Nem mesmo o SATED /PR (Sindicato dos Artistas e Técnicos em espetáculos de Diversão) possui esses dados. 47 Segundo entrevista com Eleonora Greca, atual dirigente da Casa Hoffmann, o mais comum encontrado nos espaços culturais são escolas ou academias de dança que possuem um grupo representativo desta instituição ligado à linguagem principal trabalhada. Não há remuneração mensal, mas existe um espaço físico para o desenvolvimento de trabalhos. Ela também diz que, se for permanecer no cargo no ano de 2011, essa iniciativa de cadastramento de grupos de dança vai existir. Este será um passo fundamental para nortear os futuros gestores cultural, e traçar, com maior possibilidade de acertos, o futuro da dança em Curitiba. Assim finda a parte histórica. Embasada nos fatos, a presente monografia propõe, nos capítulos posteriores, uma análise acerca da necessidade dos gestores culturais inseridos no direcionamento das cias. de dança profissionais, visto a contextualização estudada neste capítulo. 48 4. A VISÃO DO ARTISTA FRENTE À ATUAL REALIDADE DA DANÇA EM CURITIBA Como dito no capítulo anterior, o artista, no caso específico da dança o bailarino e o coreógrafo, geralmente diretor artístico de grupo, apresenta atualmente uma realidade que depende de uma série de decisões antecedentes para poderem atuar. Em um organograma eles podem ser representados, não por ordem de importância, mas de acontecimentos inerentes ao processo de execução dos projetos: FINANCIAMENTO GESTOR CULTURAL PRODUTOR CULTURAL DIRETOR ARTÍSTICO COREÓGRAFO BAILARINO 49 No organograma mostrado anteriormente, os artistas bailarinos dependem do financiamento proveniente de políticas públicas, de patrocínios privados ou de contratações em eventos e no terceiro setor. O sistema utilizado de política pública no Brasil atualmente é o financiamento através de editais. Neste, grupos de dança concorrem a vagas para receber o benefício público através de mecanismos como mecenato e fundo municipal. Quando ocorre o mecenato, a política pública passa a abordar empresas privadas para a concessão da verba, oferecendo a contrapartida de isenção de impostos. Entra, portanto, um ciclo de responsabilidade. O Poder público destina ao empresário (Poder Privado) a responsabilidade de contribuir com a arte em troca de favor monetário. Assim fica difícil o setor privado investir em marketing cultural sem a necessidade de uma aprovação estadual que possa conceder benefícios fiscais. Atualmente em Curitiba a linguagem que está mais presente em editais aprovados pela Lei Municipal é a dança contemporânea. Porém, poucas academias de dança oferecem esta linguagem para aprendizado específico. Outra possibilidade utilizada comumente em Curitiba é a apresentação de dança de salão em eventos e restaurantes. Para gerenciar e direcionar a melhor maneira de captar recursos, analisando a opção de “mercado” para o grupo ou companhia de dança, estaria, conforme disposto no organograma, o gestor cultural. Porém, atualmente em Curitiba este agente é difícil de ser encontrado nas instituições. Analisando outro agente – o produtor cultural – e conforme estudado no primeiro capítulo, este possui a função executiva. Portanto, o produtor responde pela 50 execução do projeto que, juntamente com o direcionamento do gestor cultural, faz surgir um trabalho artístico profissional, focalizando um público que pertence às expectativas do trabalho em questão. Porém, este profissional também, na área da dança, inexiste ou é acumulada esta função com a de coreógrafo, diretor de grupo e bailarino. José Marcio Barros7 diz que se deve transitar por essas funções. Através de mútuos entendimentos, a transversalidade é fundamental, como notada na entrevista concedida para a revista “Observatório Itaú Cultural” número 06, produzida pelo Instituto Itaú Cultural: “O que se pode destacar é que temos pautado a discussão da diversidade cultural em nossas atividades locais e nos encontros internacionais com duas ênfases: • A convocação e o diálogo entre diversos setores da sociedade, instituições e sujeitos, de forma a garantir um debate plural sobre a temática, evitando assim falsos consensos e posições românticas sobre nossas diferenças; • A perspectiva efetiva da transversalidade na abordagem da diversidade cultural, tomada não apenas como entrelaçamento de temas, mas como modo mesmo de concebê-la.” (2008; p.13) 7 O antropólogo José Márcio Pinto de Moura Barros tem longa experiência na formação e capacitação de quadros profissionais para o setor cultural. É professor do programa de pósgraduação em comunicação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e do curso de ciências sociais e comunicação daquela universidade, onde também dirige o Departamento de Arte e Cultura. É coordenador pedagógico dos cursos de especialização em gestão cultural na Universidade de Cuiabá (MT) e de ensino e pesquisa nos campos da arte, cultura e educação na Escola Guignard, da Universidade do Estado de Minas Gerais. Publicou, entre outros livros, Diversidade Cultural: Da Proteção à Promoção, recém-lançado pela Editora Autêntica, e Comunicação e Cultura nas Avenidas de Contorno, que saiu pela Editora PUC Minas em 2005. Em complemento à sua atuação na academia, coordena em Belo Horizonte o Observatório da Diversidade Cultural (ODC), programa voltado à informação, à capacitação e à experimentação das possibilidades de atuação de gestores culturais, arte-educadores, artistas e outros agentes do campo da cultura. Colabora, ainda, com organizações governamentais e privadas, como é o caso do Observatório Itaú Cultural, onde participou de seminários e outros encontros técnicos. 51 Assim, o bailarino, o artista é aquele que oferece o produto do desenvolvimento humano e da reflexão, fundamental para a expressão das idéias que foram direcionadas. Sem a atuação deles não existiria a necessidade das outras funções citadas. Porém, a instabilidade dos projetos e a falta de verba para a estruturação das companhias de dança profissionais curitibana - que não possibilita a execução das funções diferenciadas – são os grandes responsáveis pela desistência de muitos ou o acúmulo de outras funções para que a arte seja expressa. Este item será mais bem fundamentado no capítulo posterior. A maior parte dos bailarinos curitibanos que trabalham como artistas ministram aulas de dança em instituições privadas e assim possibilita a estrutura financeira para continuarem expressando suas idéias através de processos coreográficos. Os projetos são, para a realidade dos artistas da dança de Curitiba, instáveis, sejam eles realizados por políticas públicas ou privados. Não podem, assim, garantir a subsistência na área de atuação sem acumular funções. Poucos bailarinos conseguem usufruir da estabilidade que o Estado promove. E mesmo utilizando este recurso público, atualmente, o valor monetário é baixo e necessita-se de funções paralelas para subsistência. A importância de um gestor cultural perante a realidade dos artistas profissionais – que aumentam, a cada ano, em decorrência da continuidade da formação de curso superior na expressão artística exposta - faria a profissionalização levada com maior seriedade para o público consumidor de bens culturais. Além, claro, 52 de ampliar o campo da diversidade cultural nas várias linguagens existentes. Abririam novas possibilidades partindo da visão macro que possuem para atuarem em atividades e funções micro específicas. Principalmente, mostrariam que os profissionais da dança podem atuar em diversas e diferentes funções e linguagens, dividindo e ao mesmo tempo fortalecendo e interagindo os campos profissionais. Para melhor explicitar este paradigma, novamente será citado José Marcio Barros em sua entrevista ao Observatório Itaú Cultural: Assim, penso que a adoção de um conjunto de perspectivas possa nos ajudar a pensar como realizar escolhas na construção de nossas matrizes de formação. Rapidamente eu destacaria a adoção da perspectiva circular, que indica que cada uma das dimensões da realidade e dos conceitos que construímos para pensá-la afeta o outro num processo contínuo de organização e desorganização; a adoção da perspectiva da interconectividade, que indica que tudo está ligado a tudo e que agir nas áreas de conexão pode produzir efeitos no todo e nas partes simultaneamente; a adoção da perspectiva da autoprodução, que nos remete ao reconhecimento de que somos (nós, nossas organizações e nossas instituições, no sentido amplo) produtores e produtos; a adoção da perspectiva dialética, que nos convida a pensar na existência de contradições e paradoxos; a adoção da perspectiva holística, que reconhece o todo nas partes e as partes no todo; a adoção de uma perspectiva dinâmica, que nos obriga a reconhecer que o aleatório, o incerto e o imprevisível são variáveis objetivas; e, por fim, a adoção da perspectiva da intersubjetividade, que nos convida a reconhecer que fazemos parte de nossos objetos e estes nos constituem como sujeitos.(2008; p. 13/14). Mais adiante José Marcio Barros (2008) fala sobre a importância da formação de pessoas capacitadas para a atuação enquanto gestores culturais. Não basta gostar de artes. “É preciso uma forte e dinâmica formação teórico-metodológica para que se transcendam práticas frágeis, auto-referentes e óbvias” (BARROS, 2008). 53 Foi enviado um questionário qualitativo (vide anexo) para 60 artistas curitibanos da expressão artística dança, em Curitiba. Como somente quatro retornaram a pesquisa respondida, as mesmas não servirão em nível de constatação, mas vale expressar aqui a visão deles, pois as respostas relacionam-se às situações observadas na maior parte das cias. de dança que possuem artistas profissionais. A abordagem em larga escala e o retorno de poucos é uma questão que merece investigação a respeito em próxima oportunidade. Das respostas obtidas, uma foi de dança do ventre, duas de dança contemporânea e uma de dança de salão. Todos, bailarinos que atuam em outras funções como direção de grupo e coreógrafos. Com exceção da Cia. Estatal de dança contemporânea, as outras não realizam apresentações de dança corriqueiramente. Possuem, portanto, um trabalho mais interno do que para o público. Como este trabalho interno é diferente para cada linguagem, uns preferem aderir a festivais na qual o artista precisa pagar uma taxa para inscrição; e outros se posicionam de maneira a não pagarem para realizar apresentações e sim serem pagos sempre por elas. Na linguagem da dança do ventre, a artista respondeu que a cada cinco apresentações pagas, uma ela recebe o valor monetário. Assim, em Curitiba, informalmente falando, observa-se ser assim com a maioria dos artistas da dança. Questionados a respeito do conhecimento do público freqüentador de sua arte, as respostas foram variadas. O artista que realiza trabalhos na linguagem de dança de salão citou pessoas envolvidas com a dança, mesmo que indiretamente, como freqüentadores de suas apresentações. A artista de dança do ventre citou a presença de um público variado, sendo mulheres acima de 25 anos e homens acima de 15 anos. O 54 artista da Cia. Estatal de Dança Contemporânea posicionou-se da mesma maneira, porém sem citar faixa etária e a artista da Cia. privada de dança contemporânea citou público reflexivo, porém não somente envolvidos com a dança. O mais importante foi que, mesmo sem uma pesquisa de satisfação, os artistas profissionais conhecem os freqüentadores de sua arte e conseguem mencioná-los de maneira específica. Por essa razão, foi utilizada uma pesquisa qualitativa. Desse modo poderiam ser captadas particularidades que não poderiam ser expressas em uma pesquisa quantitativa. Concluiu-se que, em relação ao público, o mesmo varia segundo expressão artística e local de apresentações. Em se tratando de gestores culturais, todos os artistas que responderam a pesquisa acham importante a utilização de um agente direcionador do trabalho, porém um deles citou não haver capacidade de remuneração deste tipo de profissional e todos concordaram que um estudo detalhado dos componentes de mercado da dança seria útil e desenvolveria de maneira benéfica o artista ou Cia de dança. Em relação a políticas culturais, somente a Cia estatal possui convênio com empresas privadas como patrocínio e somente a Cia privada de dança contemporânea utiliza o edital municipal para aquisição de recursos financeiros. Em geral, a visão dos artistas de Curitiba frente à dança local é negativa. Dos que responderam o questionário, somente um artista considerou-se otimista em função do processo de evolução da dança na cidade. Todos citaram o esforço próprio como alavanca de bons resultados, não dependentes de políticas culturais para patrocínio. A divulgação ajuda a adquirir público e para isso são utilizados flyers e cartazes como recursos de menor custo. 55 Assim, durante décadas o público que consumia a arte dança em Curitiba presenciava grandes atrações nacionais e internacionais. Nomes famosos fizeram parte das noites curitibanas em teatros, especialmente no Teatro Guaíra. Os curitibanos foram acostumados a assistir apresentações com excelentes qualidades técnicas e artísticas, como apontado no histórico baseado na pesquisa de Marila Vellozo, aceitando o Balé Teatro Guaíra como representante nacional. Porém a história conta que pelo fato dos espaços serem ocupados por artistas estrangeiros, surgiu uma problemática para outras companhias locais e de outras linguagens da dança: a escassez de público para apreciarem seus trabalhos. Motivados também pelas apreciações gratuitas, muitos apresentam-se duvidosos frente ao investimento financeiro para assistirem as cias locais, a não ser que já as conheçam ou façam parte, de alguma maneira, dele. O perfil do público curitibano apresentou-se aos olhos estrangeiros como aristocrático desde o governo de Jaime Lerner. Com as revitalizações, o curitibano foi conhecido como medidor de padrões de qualidade. Muitas bibliografias sugerem o teste de produtos na cidade a fim de lançarem-se com pleno sucesso no mercado nacional. Pode-se perceber essa concepção mais claramente na área de arquitetura e urbanismo. Marila Vellozo cita fatores que levam o estabelecimento da dança: “...condições favoráveis e não da ambientação da cidade às escolhas dos produtores locais às condições e políticas estabelecidas pelos diretores de teatro para receber ou não determinados espetáculos, à demanda do público, à demanda da comunidade artística e por último, mas não menos importante, ao papel da mídia na divulgação e estímulo à reflexão de todos estes fatores”. (2005; p.106) 56 Percebe-se então que não basta somente uma divulgação eficiente ou somente um trabalho de qualidade para que o público compareça ao teatro e prestigie companhias de dança. É preciso uma série de procedimentos sólidos e contínuos, além do fator surpresa. Com a popularização das expressões artísticas, quem vai ao teatro para assistir espetáculos de dança sendo um público leigo somente tem interesse em observar aquilo que não observa quando a arte vai até ele em locais públicos ou a baixo custo. 57 5. ANÁLISE E CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme visto nos capítulos anteriores, pôde-se perceber que a dança em Curitiba evoluiu de maneira aristocrática, assim como a linguagem do balé clássico foi apresentada desde a época de Luis XIV. Também a centralização foi marcante até a década de 70/80. A partir daí, com novas propostas sendo apresentadas, com a diversidade cultural sendo mais bem aceita pela classe artística e pelo público e com discussões e debates freqüentes acerca do desenvolvimento da dança Moderna na cidade, outras linguagens foram encontrando seu “lugar ao sol”. As academias privadas foram se difundindo e formando grupos de linguagens variadas de dança, impulsionadas pela profissionalização existente na cidade. Ações provenientes de iniciativas municipais, estaduais e federais estimularam ainda mais a participação de artistas em explicitar seus trabalhos e projetos. Surgiu, então, a necessidade de outras funções no âmbito cultural, e a dança não foi diferente disso. Apesar de ser o setor com menores índices de atuação municipal, há uma demanda anual constante de profissionais e que por isso não exclui a necessidade de um gerenciador. As faculdades de dança formam artistas e coreógrafos, mas não formam administradores focados na área específica da dança. Com base no primeiro capítulo da presente monografia, o cunho gerencial e estratégico citado por Maria Helena Cunha diz respeito à função de gestores culturais. Atualmente em Curitiba, quem possui este conhecimento e veio da área da dança fez cursos ou pós-graduações em administração e outras disciplinas relacionadas ao direcionamento de trabalhos e projetos específicos, como é o caso da Casa 58 Hoffmann – Centro de Estudos do Movimento, fundado em 2003. Duas pessoas tomaram a frente do direcionamento desta instituição: Marila Vellozo e Eleonora Greca, ambas citadas anteriormente e com formação direcionada a este fim. Pessoas advindas de outras áreas não procuram, em Curitiba, a dança para gerenciar. Equipamentos culturais públicos e privados existem para a viabilidade da dança local. Os editais municipais e estaduais de cultura são responsáveis por realizar esta ocupação de maneira explicitamente de igual concorrência aos grupos participantes. Os que não conseguem por este meio ou mesmo por opção, podem locar espaços privados de preços variados segundo estruturação. Perante este panorama, o gestor cultural seria o responsável por apontar estratégias que garantissem a sobrevivência e a constância na atuação da Cia de dança ou artista. Porém este gestor não existe, pois não há verba que subsidie seu trabalho enquanto gerenciador. Então, o acúmulo de funções é inevitável. O produtor cultural também é o diretor do grupo que, por sua vez também é o coreógrafo e diretor artístico e, muitas vezes, também é o bailarino. Há acúmulo de função e não setorização, o que também não permite exercer a passagem nem transitar transversalmente por esses setores, como citado por José Marcio Barros. A instabilidade gera um ciclo provocado pela ausência de capital. Não há geração de emprego na área artística da dança em Curitiba que supra a demanda dos profissionais atuantes. Então, muitos desistem da profissão, outros saem da cidade e do país com maior expectativa de desenvolvimento do trabalho e aumento da renda. A sobrevivência destes profissionais gira em torno de aulas de dança, com baixa 59 remuneração, para poderem dançar, coreografar e ter o próprio grupo como satisfação profissional. Perante mais esta observação do panorama da dança em Curitiba, expõem-se novamente a necessidade do gestor cultural que conduza as atuações de uma Cia ou artista profissional, valorizando a cidade no setor cultural e artistas no setor financeiro para que não precisem desempenhar várias atividades e que gerem empregos explorando áreas de atuação diversificadas. Segundo monografia de pós-graduação em “Administração de Pessoas” intitulada “Planejamento estratégico nas instituições públicas e privadas” (2009) da atual gestora da Casa Hoffmann, Eleonora de Paula Soares Greca, a mesma aborda o assunto referenciando Lins (2003, p.159) que “... aponta que na cultura devemos sair do campo das ações altruístas e bem intencionadas para as ações com visão estratégica”. De um ciclo vicioso, na qual bailarinos não podem atuar somente como bailarinos e coreógrafos não podem atuar somente como coreógrafos; e a busca por público interessado pelos trabalhos que ainda são dificultados pela falta de patrocínio, o mercado comercialmente explorado e direcionado por um profissional de qualidade também não encontra espaço. Assim, Eleonora apresenta um trecho que evidencia esta idéia em sua monografia: “ O resgate da identidade, a preservação das tradições, o estímulo à arte nas suas mais diversas manifestações, tudo isso é válido, mas nada disso se sustenta se os profissionais da cultura não souberem cuidar do que vem depois: do acabamento do produto, da definição do valor de mercado, e de valor agregado, da divulgação, da distribuição, da comercialização, da produção e do reinvestimento da receita.” (2003 citado por GRECA, ELEONORA; 2009; p.19). 60 Pierre Bourdieu (1930-2002), em seu livro “A Economia das Trocas Simbólicas” (2009), fala sobre a cultura como uma estrutura estruturante e não como uma estrutura estruturada. Explica, assim, a necessidade de constante estudo das estruturas envolvidas, que estão em constantes modificações. Explicita, também, a autonomização, justificando a liberação econômica e social da vida artística e intelectual: “...libertou-se progressivamente, tanto econômica como socialmente, do comando da aristocracia e da Igreja, bem como de suas demandas éticas e estéticas. Tal processo sucedeu em meio a outras transformações: a) a constituição de um público de consumidores virtuais cada vez mais extenso, socialmente mais diversificado, e capaz de propiciar aos produtores de bens simbólicos não somente as condições mínimas de independência econômica mas concedendo-lhes também um princípio de legitimação paralelo, b) a constituição de um corpo cada vez mais numeroso e diferenciado de produtores e empresários de bens simbólicos cuja profissionalização faz com que passem a reconhecer exclusivamente um certo tipo de determinações como por exemplo os imperativos técnicos e as normas que definem as condições de acesso à profissão e de participação no meio; c) a multiplicação e a diversificação das instâncias de consagração competindo pela legitimidade cultural, como por exemplo as academias, os salões (onde sobretudo no século XVIII, com a dissolução da corte e da arte cortesã, a aristocracia mistura-se com a intelligentsia burguesa e passa a adotar seus modelos de pensamento e suas concepções artísticas de morais), e das instâncias de difusão cujas operações de seleção são investidas por uma legitimidade propriamente cultural, ainda que, como no caso das editoras e das direções artísticas dos teatros, continuem subordinadas a obrigações econômicas e sociais capazes de influir, por seu intermédio, sobre a própria vida intelectual”. (BOURDIEU, 2009, p.100) Na maioria das vezes, quando os artistas são abordados a respeito da mercadoria vendida, os mesmos ofendem-se. Porém, se houve a preocupação e importância de compreender o pensamento atual e assim definido por contemporâneo, ampliando o campo cultural, estudando-o, profissionalizando-o e setorizando-o, 61 também houve a necessidade de dedicação e investimento. Investimento este tanto financeiro quanto espaço temporal. Como qualquer profissional, tempo e dedicação requerem retorno financeiro através da venda de produtos e serviços. Novamente, em relação a este assunto, Eleonora, em sua monografia, faz a seguinte citação de Olivieri, Natale: “ Planejar não faz parte da cultura brasileira de administrar. Se falarmos então de planejamento na área cultural, alguns olhares recriminadores poderão surgir e, se pudessem ser traduzidos assim, diriam: „ chegaram os burocratas!‟. O medo generalizado é de que a sensibilidade e a criatividade sejam aniquiladas por regras excessivas. Isso não é verdade e está ligado a uma visão completamente equivocada da atividade de planejar.” (2003 citado por GRECA, ELEONORA; 2009; p.19). No caso da dança, para cias profissionais, seu produto é o espetáculo produzido. É preciso produzi-lo e vendê-lo para que haja retorno financeiro. Este direcionamento administrativo é cabível ao gestor cultural. Justifica-se aqui, mais uma vez, a necessidade deste agente inserido no âmbito da dança profissional, embasado pelas características apontadas por Maria Helena Cunha e fundamentadas também na bibliografia de Pierre Bourdieu. Como dito anteriormente, a cultura é dinâmica e assim também deve ser o gestor. Este agente deve ser responsável por achar meios, através de sua visão macro e parte sensível e criativa, para o desenvolvimento da companhia. As atuações são amplas, interagindo e comunicando com outras áreas de atuação, conforme dito na apresentação, sem perder a essência cultural. 62 Enfim, é a dinâmica e a criatividade que fazem o setor cultural se desenvolver, sendo tão importante para as pessoas em seu potencial de desenvolvimento humano. Elas só precisam ser lembradas disso. Eleonora Greca realizou uma pesquisa ampla e levantou dados sobre empresas culturais, públicas e privadas, de âmbito nacional. Nestas, ela relatou o perfil da administração cultural. Em resumo, chegou à conclusão de que o maior valor monetário investido ainda é do setor público, seja direta ou indiretamente. As empresas em geral buscam informações que possibilitem um aprendizado maior para a organização e ressaltam que a dificuldade financeira é a maior dificuldade para um planejamento eficiente. Em sua conclusão relata: “ Há uma preocupação constante com a auto-sustentabilidade dos artistas e das instituições culturais e disto depende fundamentalmente de um planejamento bem elaborado e conduzido de forma que se busque um retorno financeiro sem descaracterizar as obras artísticas apresentadas, e que o foco seja direcionado de maneira integrada e sistêmica para toda a sociedade” (GRECA, 2009, p.64). Mais adiante Eleonora diz: “observa-se que as instituições culturais públicas, principalmente, estão abrindo espaço para uma maior profissionalização do setor e incorporando modelos para melhorar a qualidade de seus projetos e especialmente para melhorar a gestão das organizações.” (GRECA, 2009, p.65) Curitiba é uma cidade em constante desenvolvimento cultural. São somente 80 anos e muitas conquistas. Através de pessoas populares comprometidas com o 63 desenvolvimento humano e cultural, Curitiba salientou-se por um alto padrão de qualidade. E assim foi sendo exigido de seus descendentes. No “livro “Coleção História do Paraná” (2001), a autora cita: “Nesse universo complexo, as diversas expressões culturais sofreram influências externas ao Estado e ao país veiculado pelos modernos meios de propaganda e de comunicação de massas” (TRINDADE, 2001), relacionando a diversidade de um Estado Paranaense composto por diferentes influências migratórias. Os paradigmas foram se modificando ao longo do tempo e ainda muitos outros virão conforme a estrutura comportamental vai se alterando. De utilidade comportamental e saúde, na década de 30 a dança passou a ser entendida como profissão, desde a década de 70 até os dias atuais, utilizada também como interação, como entretenimento e experimentação realizando pesquisa de movimento, ampliando tanto o vocabulário motor quanto a criatividade. O estudo desta visão dinâmica e suas alterações são fundamentais para o direcionamento da dança e seus artistas em Curitiba; profissionalizando esta expressão, adequando a um mercado de trabalho exigente, setorizado e interdisciplinado, atraindo cada vez mais o público tão acostumado a uma gama grande de informações. Segundo o anuário 2009 de estatísticas culturais, o Paraná é a nona capital nacional a realizar festivais ou mostras de dança. Este dado confirma o declínio da mentalidade de festivais abordado no histórico e que teve seu ápice na década de 80. Está em 23º lugar, das 26 capitais, a realizar concursos de dança. O que comprova ainda mais o dado anterior. 64 Os dados podem mostrar uma visão positiva de educação cultural se visto pelo contexto da não necessidade de estímulo ao egocentrismo ou incentivo ao bem cultural. Por outro lado, algumas cias, principalmente amadoras, percorrem um longo caminho fora do Estado para participarem de outros festivais, mostras e concursos. Os dados relacionados a conter grupos artísticos de dança, o Paraná apresentase em 14º lugar dentre as 26 capitais nacionais. Se analisada a demanda de profissionais que saem anualmente da formação superior, o índice é baixo e comprova a incapacidade de manutenção das cias, sendo, os profissionais, direcionados à atuação pedagógica. Esta lógica comprova-se pelo Paraná estar em 3º lugar em possuir escolas e oferecer oficinas e cursos de dança. Mais um dado importante para a compreensão do panorama da dança em Curitiba e melhor direcionamento do setor para futuros gestores cultural. O Paraná possuía, até 2006, apenas um registro de graduação em dança. Atualmente existem duas, sendo uma direcionada para atuações em Dança de Salão. O consumo cultural e sua oferta vêm crescendo e empregando de maneira crescente. A faixa etária que mais consome recreação e cultura é de 40 a 49 anos nas áreas urbanas. Também os números mostram o aumento da captação de recursos, o que supõe, também, um maior conhecimento dos mecanismos de políticas públicas. Enfim, a cultura é uma área em constante crescimento desde que sua reflexão foi proposta. Neste setor a dança em Curitiba ainda necessita alcançar o mesmo valor de importância de outras expressões artísticas. O gestor cultural faz parte de uma nova segmentação que veio da necessidade de organização deste setor. 65 Em Curitiba, pelo seu fator histórico, ainda é tímida a colocação deste agente no meio cultural. Porém está sendo compreendida sua necessidade bem como uma reflexão constante a respeito das funções de cada profissional no meio em que trabalham. Esta visão faz com que as opções de carreira não se tornem somente educacionais ou sociais. Existe uma função para cada perfil a fim de não sobrecarregar o indivíduo e manter um trabalho de qualidade. A consciência ampliada pela finalidade de auto-sustentação da profissão escolhida não limita a arte em ser um produto cultural, de cunho artístico, proporcionando desenvolvimento humanístico. O fato de uma idéia ser remunerada, ou seja, vendida, não torna o produto desprezível nem menos importante para a sociedade. Só proporciona profissionalização do setor, assim como outras áreas também o são. . 66 6. REFERÊNCIAS: ANDREAZZA, E. M. (2001). Coleção História do Paraná: Cultura e Educação no Paraná. Curitiba: SEEC. BOURDIEU, P. (2009). Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo: Perspectiva SA. CULTURA, M. D. (2009). Cultura em números: anuário de estatísticas culturais. Brasília: Minc. CUNHA, M. H. (2007). Gestão Cultural - Profissão em Formação. Belo Horizonte: DUO Editorial GRECA, E. D. (2009). Planejamento Estratégico nas Instituições Culturais Públicas e Privadas Nacional. Curitiba: Monografia de pós graduação em Administração de Pessoas. REVISTA OBSERVATÓRIO ITAÚ CULTURAL. São Paulo: Itaú Cultural, 2008 – Trimestral. ISSN 1981- 125X VELLOZO, M. A. (2005). A imagem do Teatro Guaíra e da dança em Curitiba: influência e contaminação através da mídia. São Paulo: Programa de estudos e pós graduados em comunicação e semiótica. GOVERNADORES do Paraná. Disponível em: http://www.casacivil.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=95. Acesso em 10 de Setembro de 2010 DECRETOS lei do Paraná. Disponível em: http://www.arquivopublico.pr.gov.br/. Acesso em 10 Agosto de 2010. 67 7. ANEXOS PERGUNTAS PERTINENTES A DIRETORES DE GRUPOS DE DANÇA 1) Em que linguagem de dança atua? 2) Desde quando? 3) Como foi sua trajetória na área? 4) Realiza atividades paralelas à atuação profissional principal? Se a resposta for positiva, cite qual e suas especificidades e particularidades. 5) Em suas atuações, em que se identifica mais, levando em conta a própria personalidade? 6) O que gostaria de fazer em relação à dança que ainda não fez? 1.13.1 LEI No 13.133, de 16 de abril de 2001 Cria o Programa Estadual de Incentivo à Cultura,vinculado à Secretaria de Estado da Cultura e adotaoutras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ, nos termos dos §§ 5o e 7o, do art. 71, da Constituição Estadual, promulga a seguinte Lei, por não ter sido mantido pela Assembléia Legislativa o veto oposto ao Projeto de Lei no 009/99: Art. 1o. Fica criado o Programa Estadual de Incentivo à Cultura, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, nos termos do parágrafo único e caput do artigo 190 da Constituição Estadual. SECÇÃO I – DOS OBJETIVOS Art. 2o. O Programa Estadual de Incentivo à Cultura, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, tem como objetivos fundamentais: I – facilitar à comunidade o acesso aos bens artísticos e culturais, dos quais trata esta Lei. II – incentivar a produção cultural no Estado do Paraná, nas áreas a seguir: Música, Artes Cênicas, Audiovisual, Literatura, Artes Visuais, Patrimônio Histórico, Artístico, Natural e Cultural, Folclore, Artesanato e Manifestações Culturais Tradicionais. § 1o Com os recursos emanados do Incentivo Fiscal – Mecenato, promover a difusão cultural, mediante o apoio à produção e à circulação dos bens culturais. § 2o Com os recursos advindos do Fundo Estadual da Cultura, promover a difusão da Cultura através de: a) apoio à pesquisa; à realização de exposições, festivais, seminários e oficinas; b) apoio ao aperfeiçoamento de artistas e técnicos das áreas mencionadas no inciso II do artigo 2o desta Lei; 68 c) destinação de recursos financeiros para ajuda de custo aos integrantes da Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural, bem como do Conselho Estadual de Cultura, em valores estabelecidos pela Secretaria Estadual de Cultura; d) cobertura de despesas com transporte e seguro de objetos de valor cultural, destinados a exposições públicas; e) instituição e implantação de “bônus-cultural” e outras iniciativas similares, conforme regulamentação; f) apoio à reforma e/ou à construção de edificações destinadas a fins culturais e aquisição dos equipamentos que se fizerem necessários; g) preservação e divulgação do patrimônio histórico cultural, natural e artístico do estado; h) apoio à produção de circulação dos bens culturais; i) apoio à produção e à circulação de bens culturais mediante projetos de responsabilidade de órgãos e agências públicas vinculados à área cultural; j) apoio a outras atividades culturais consideradas relevantes pelo Conselho Estadual de Cultura. Art. 3o. Os candidatos aos recursos do Programa Estadual de Incentivo à Cultura, nas modalidades definidas nesta Lei, deverão ter domicílio e residência no estado do Paraná há pelo menos 2 (dois) anos, a serem contados retroativamente da data de entrada de tramitação do projeto a ser incentivado. SEÇÃO II – DOS RECURSOS Art. 4o. O Programa Estadual de Incentivo à Cultura contratará os seguintes recursos: I – Na modalidade do Incentivo Fiscal – Mecenato, fica estabelecido o percentual mínimo de 0,5% (zerovírgula cinco por cento) da receita orçada proveniente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, na forma regulada por esta Lei. II – Para o Fundo Estadual de Cultura, a Lei Orçamentária Anual destinará recursos, como transferências correntes, no valor de até 1,5% (um vírgula cinco por cento) do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, e das seguintes fontes: a) dotações e créditos específicos consignados no orçamento do estado; b) doações; legados; subvenções e auxílios de entidades de qualquer natureza ou de organismos internacionais; c) devolução de recursos de projetos não iniciados ou interrompidos com ou sem justa causa contemplados com recursos do Fundo Estadual de Cultura e do Incentivo Fiscal – Mecenato; d) saldos de exercícios anteriores; e) recursos de outras fontes. Art. 5o. Os benefícios da presente Lei serão concedidos a pessoa física ou jurídica contribuinte do estado do Paraná. § 1o O empreendedor do projeto cultural que se reporte às áreas com profissões regulamentadas, deverá ser pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos. § 2o Nos projetos afetos às áreas com profissões regulamentadas, havendo no orçamento proposta de remuneração para funções artísticas ou técnicas, necessárias à sua realização, o empreendedor estará sujeito às determinações expressas na legislação vigente pertinente a tais áreas culturais. § 3o O Decreto regulamentador apontará as profissões regulamentadas por Lei. 69 SEÇÃO III – DO INCENTIVO FISCAL – MECENATO Art. 6o. O Incentivo Fiscal de que trata esta Lei corresponde à dedução fiscal no pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. Resolução do Poder Executivo atribuirá o valor de cada incidência do tributo, por parte do contribuinte do estado do Paraná, através do Mecenato Subsidiado. § 1o Mecenato Subsidiado: a transferência gratuita de recursos pelo incentivador ao empreendedor para a realização de projeto cultural, com finalidades promocionais, publicitárias ou de retorno institucional. § 2o Fica proibida a apresentação de quaisquer projetos para as finalidades do Mecenato por pessoa física no exercício de funções de agente público ou pessoa jurídica vinculada, direta ou indiretamente, à administração pública. Art. 7o. O valor incentivável de cada projeto de Mecenato será de até 100% (cem por cento) do total orçado no mesmo. Art. 8o. Para efeito desta Lei, considera-se: I – Empreendedor: pessoa física ou jurídica, domiciliada e residente no estado do Paraná, há, no mínimo, 2 (dois) anos, diretamente responsável por projeto cultural beneficiado pelo Incentivo Fiscal, de que trata a presente Lei. II – Incentivador: pessoa física ou jurídica contribuinte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, do estado do Paraná que transfira recursos, através de Mecenato Subsidiado, para a realização de projeto cultural beneficiado pelo incentivo fiscal, objetivo desta Lei. III – Administrador do Projeto: pessoa física ou jurídica, especializada na prestação de serviços culturais, a quem o empreendedor delegar responsabilidades pelo planejamento, controle e organização do projeto cultural ou ainda a aquisição de serviços e materiais necessários à sua realização, respondendo solidariamente por todas as obrigações do empreendedor. IV – Entende-se, ainda, por: a) Certificado de Aprovação: o documento emitido pela Secretaria de Estado da Cultura, representativo da análise orçamentária e enquadramento do projeto cultural, com exame de mérito, pela Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural, nos termos desta Lei, a ser usado pelo empreendedor como comprovante de aprovação perante potenciais incentivadores; b) Certificado de Incentivo: o documento emitido pelo Poder Público estadual, até o valor total do incentivo concedido a cada projeto e limitado ao valor global fixado a cada ano, representativo da autorização para que se efetive a transferência de recursos de acordo com o previsto no Certificado de Aprovação, conforme regulamentação. Art. 9o. A Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural compor-se-á de 7 (sete) Câmaras Setoriais, autônomas entre si e com caráter deliberativo dos projetos da área representada, sendo cada Câmara composta por 2 (dois) representantes eleitos diretamente pela comunidade cultural e de 1 (um) representante indicado pelo estado do Paraná. § 1o As 7 (sete) Câmaras Setoriais são assim definidas e compostas: I – Câmara Especializada da área de Música; II – Câmara Especializada da área de Artes Cênicas; III – Câmara especializada da área de Audiovisual; IV – Câmara Especializada da área 70 de Literatura; V – Câmara Especializada da área de Artes Visuais; VI – Câmara Especializada da área de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural; VII – Câmara Especializada da área de Folclore, Artesanato e Manifestações Culturais Tradicionais. § 2o As Câmaras Setoriais julgarão, conforme a área de sua competência, os projetos apresentados, emitindo parecer conclusivo e capacitando a emissão dos Certificados de Enquadramento pela Secretaria de Estado da Cultura, na forma a ser definida em regulamento. § 3o À Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural fica atribuído o caráter recursal e de definição do regimento interno, bem como competência para Resolução de casos omissos, nos termos desta Lei e da Regulamentação da mesma, devendo reunir-se, no mínimo, uma vez por mês. Art. 10. Os representantes da comunidade cultural serão eleitos para a Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural diretamente pelas entidades da sociedade civil representativas de todas as categorias e setores vinculados à produção cultural, em Assembléia Geral anual especialmente convocada pela Secretaria de Estado da Cultura. § 1o A Secretaria de Estado da Cultura cobrirá anualmente procedimento de cadastro de entidades ligadas à área da Cultura, mediante edital publicado em três periódicos de circulação estadual em que reste definido o prazo de cadastramento, com no mínimo 60 (sessenta) dias de antecedência da Assembléia Geral definida no caput do presente artigo. § 2o Após findo o prazo de cadastramento, a Secretaria de Estado da Cultura fará publicar a lista das entidades cadastradas legitimadas a participar da Assembléia Geral referida no caput deste artigo. § 3o A Assembléia Geral Anual das entidades culturais do estado do Paraná será convocada, no mínimo, nos 30 (trinta) dias antecedentes ao fim do mandato dos representantes eleitos para a Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural, na forma da regulamentação da presente Lei. Art. 11. Será assegurado aos representantes eleitos para a Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural contraprestação pecuniária indenizatória do período destinado ao exercício das tarefas da Comissão, na forma da regulamentação da presente Lei. Art. 12. Na análise dos projetos apresentados para obtenção dos recursos do Incentivo Fiscal, serão observados, necessariamente, os seguintes critérios: a) o currículo do empreendedor; b) a dimensão do projeto; c) a adequação orçamentária do projeto; d) a reciprocidade oferecida. Parágrafo Único. Na regulamentação desta Lei, definir-se-ão, por área, os critérios que embasarão a análise dos projetos culturais. Art. 13. Os membros da Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural terão mandato de 1 (um) ano, podendo ser reconduzidos, sendo vedada durante o período do mandato a apresentação, direta ou indireta, de projetos, assim como a sua participação na qualidade de prestador de serviços. Art. 14. O limite máximo de incentivo a ser concedido a cada projeto fica fixado em 100.000 UFIRs (cem mil unidades fiscais de referência). 71 Parágrafo único. A Secretaria de Estado da Fazenda somente emitirá os certificados de incentivo após a aprovação de contas do projeto anterior do mesmo empreendedor. Art. 15. Para obtenção dos benefícios do Mecenato, o empreendedor deverá protocolizar junto à Secretaria de Estado da Cultura somente 2 (dois) projetos por ano, anexando a documentação estabelecida na regulamentação da presente Lei, explicitando os objetivos, os recursos humanos e financeiros envolvidos, para fins de fixação do valor de incentivo e posterior fiscalização. § 1o Somente será permitida a execução de 1 (um) projeto por empreendedor por ano. Art. 15. Para obtenção dos benefícios do Mecenato, o empreendedor deverá protocolizar junto à Secretaria de Estado da Cultura somente 2 (dois) projetos por ano, anexando a documentação estabelecida na regulamentação da presente Lei, explicitando os objetivos, os recursos humanos e financeiros envolvidos, para fins de fixação do valor de incentivo e posterior fiscalização. § 1o Somente será permitida a execução de 1 (um) projeto por empreendedor por ano. § 2o Fica vedada a substituição do empreendedor, exceto em caso de seu falecimento. Art. 16. É vedada a apresentação de projeto por empreendedor que esteja inadimplente em face de projetos executados com base em Leis de Incentivo à Cultura Federal, Estadual e Municipal. Art. 17. O empreendedor deverá comunicar, formalmente, à Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural, no caso de haver protocolizado o Art. 17. O empreendedor deverá comunicar, formalmente, à Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural, no caso de haver protocolizado o mesmo projeto junto a quaisquer Leis Municipais ou Federais de Incentivo à Cultura, apontando os itens pretendidos para tais benefícios, assim como os recursos orçados na forma de regulamentação da presente Lei. Art. 18. Aprovado o projeto, o Poder Executivo providenciará a emissão dos respectivos certificados para a obtenção do Incentivo Fiscal. Parágrafo único. Os projetos culturais poderão ser incentivados parcialmente, mediante prévia Cultural ao seu empreendedor e com sua aquiescência indispensável e expressa. Art. 19. Os certificados mencionados no inciso III, alíneas “a” e “b”, do artigo 8o, desta Lei, terão prazo de validade para utilização, de 24 (vinte e quatro) meses e 30 (trinta dias), respectivamente para efeitos de captação dos recursos, a contar de sua expedição. Art. 20. Fica o empreendedor obrigado a comprovar a completa realização do projeto no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, a partir da emissão do Certificado de Aprovação e a adequada aplicação dos recursos, através de prestação de contas até 30 (trinta) dias, após o término do projeto ou do prazo final do referido Certificado. Art. 21. As prestações de contas serão remetidas à Secretaria de Estado da Cultura, com posterior encaminhamento à Secretaria de Estado das Finanças, para análise e deliberação final de aprovação das mesmas na forma de regulamentação desta Lei, sempre assegurado o respeito ao devido processo legal. Parágrafo único. A Secretaria de Estado da Cultura terá prazo máximo de 30 (trinta) dias, após a apresentação de prestação de conta, para promover diligências e apresentar seu parecer sobre a mesma. 72 Art. 22. O empreendedor terá prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência, para responder a diligência ou recorrer do parecer emitido. Art. 23. A Secretaria de Estado da Cultura, não se manifestando no prazo de 60 (sessenta) dias sobre a prestação de contas regularmente recebida, o empreendedor terá assegurado o direito de recebimento do certificado de aprovação ou de incentivo de novo projeto protocolizado e aprovado. Art. 24. Além das sanções penais cabíveis e da devolução dos recursos incentivados já captados, será multado pela Secretaria de Estado da Cultura em 10% (dez por cento) do valor integral do projeto, o empreendedor que: I – não comprovar a correta aplicação desta Lei, por dolo, desvio dos objetivos ou dos recursos; II – não realizar o projeto cênico após o prazo concedido no Certificado de Aprovação; III – não prestar contas, em até 30 (trinta) dias após a realização do projeto, ou ter expirado o prazo do Certificado de Aprovação. § 1o O empreendedor, pessoa física ou jurídica, que incidir nos incisos I, II e III do artigo 24, ficará impossibilitado de protocolizar novos projetos, ou mesmo participar como prestador de serviços em projetos de outros empreendedores, até a devida regularização das causas do impedimento. § 2o Da decisão, caberão recursos à Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural, no prazo de 30 (trinta) dias. Art. 25. O empreendedor que não apresentar informações solicitadas pela Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural, no prazo de 15 (quinze) dias, poderá sofrer as seguintes sanções aplicáveis pela Secretaria de Estado da Cultura, assegurado ao mesmo ampla defesa. I – advertência; II – multa fixada em 1% (um por cento) sobre o consulta da Comissão Estadual de Desenvolvimento – advertência; II – multa fixada em 1% (um por cento) sobre o valor do projeto; III – suspensão do projeto cultural e impedimento de protocolizar novos projetos em caso de reincidência. Parágrafo único. Após o recebimento da advertência, o interessado terá prazo de15 (quinze) dias, para apresentar sua defesa, e a Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural, 15 (quinze) dias para dar seu parecer. Art. 26. Se apurado, no processo correspondente, que o incentivador concorreu para fraudar a regular aplicação de recursos, será também responsabilizado, sujeitando-se às penalidades previstas nesta Lei, sem prejuízo das cominações decorrentes de fraude ao erário público. Art. 27. As obras resultantes dos projetos culturais, beneficiados por esta Lei, serão apresentadas, prioritariamente, no âmbito territorial do estado do Paraná, devendo constar a divulgação do apoio institucional do Governo no Estado do Paraná e da Secretaria de Estado da Cultura. Art. 28. Caberá à Secretaria de Estado da Cultura decidir pela aplicação das penalidades previstas nesta Lei, bem como acionar a Procuradoria-Geral do Estado do Paraná para aplicação das sanções judiciais cabíveis. 73 Art. 29. Competirá à Secretaria de Estado da Cultura a fiscalização do exato cumprimento das obrigações assumidas pelo empreendedor e pelo incentivador dos projetos culturais beneficiados, nos termos desta Lei. SEÇÃO IV – DO FUNDO ESTADUAL DE CULTURA Art. 30. O Fundo Estadual de Cultura, constituído pela transferência de recurso conforme previsto no inciso II do art. 4o da presente Lei, será administrado pelo Conselho Estadual de Cultura, na forma desta Lei. Art. 31. Anualmente a Secretaria de Estado da Cultura publicará edital, em três periódicos de circulação em todo o estado do Paraná, informando os requisitos para apresentação de projetos culturais a serem patrocinados pelo Fundo Estadual de Cultura, tudo na forma a ser definida na regulamentação da presente Lei. § 1o Após o recebimento de projetos, serão os mesmos apreciados preliminarmente pela Secretaria de Estado da Cultura, que recusará os projetos que não atendam às finalidades previstas pelo art. 2o da presente Lei, assegurado ao proponente do projeto recurso ao Conselho Estadual de Cultura. § 2o Recebido o projeto pela Secretaria de Estado da Cultura, será o mesmo remetido para apreciação, com análise de mérito, do Conselho Estadual da Cultura, observandose, necessariamente, os seguintes critérios: a) o currículo do empreendedor; b) a dimensão do projeto; c) a adequação orçamentária do projeto; d) a reciprocidade oferecida § 3o Na regulamentação desta Lei, definir-se-ão, por área, os critérios que embasarão a análise dos projetos culturais. § 4o Os membros do Conselho Estadual da Cultura, responsáveis pela análise dos projetos protocolizados para o Fundo Estadual da Cultura, durante o período do mandato, não poderão apresentar, direta ou indiretamente, projetos, assim como está vedada a participação dos mesmos na qualidade de prestador de serviços. § 5o Aprovado o projeto, compete à Secretaria de Estado da Cultura autorizar e fiscalizar o repasse dos recursos e a execução dos projetos, sob a forma de patrocínio direto, nos termos da legislação pertinente. Art. 32. O valor máximo para patrocínio de projetos apresentado ao Fundo Estadual de Cultura fica fixado em 500.000 UFIRs (quinhentas mil unidades fiscais de referência). Parágrafo único. É possível o patrocínio parcial de projetos, a pedido do proponente ou por decisão do Conselho Estadual de Cultura, assegurado, neste último caso, ciência ao proponente e sua expressa concordância. Art. 33. Podem apresentar projetos para patrocínio do Fundo Estadual de Cultura quaisquer pessoas físicas ou jurídicas em dia com suas obrigações fiscais, bem como fundações, autarquias e órgãos da administração pública ou indireta estadual e municipal, desde que vinculados à produção cultural. § 1o O empreendedor poderá protocolizar até 2 (dois) projetos por edital, sendo permitida tão somente a execução de 1 (um) projeto, a cada ano, sendo que o proponente deverá optar pela realização de somente 1 (um) projeto nos casos em que os dois projetos apresentados venham a ser aprovados. § 2o Os órgãos da administração pública direta ou indireta poderão protocolar 1 (um) projeto por área de edital anual, conforme nominadas no inciso 74 II do art. 2o desta Lei, considerando-se ainda os desdobramentos, das mesmas áreas, a serem definidos na regulamentação da presente Lei. Art. 34. No caso de projetos apresentados por quaisquer entes da administração pública direta ou indireta, o repasse de recursos se dará sob a forma de convênio, nos termos do art. 241 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional no 19 e na forma da regulamentação da presente Lei. Art. 35. Será assegurada a eleição de 1 (um) representante titular e 1 (um) suplente, por área, para o Conselho Estadual de Cultura, mediante eleição direta na mesma Assembléia Geral Anual convocada para as finalidades do Mecenato, garantida a participação das entidades culturais cadastradas. Parágrafo único. Será assegurada aos membros do Conselho Estadual de Cultura contraprestação pecuniária indenizatória do período destinado ao exercício das tarefas do Conselho, na forma da regulamentação da presente Lei. Art. 36. É obrigatória ao proponente com projeto patrocinado pelo Fundo Estadual de Cultura a divulgação institucional do patrocínio, na forma estabelecida pela regulamentação desta Lei. Art. 37. Trimestralmente a Secretaria de Estado da Cultura publicará a relação de projetos patrocinados pelo Fundo Estadual de Cultura, em pelo menos dois jornais de circulação estadual, sendo obrigatória a divulgação do nome do proponente contemplado e o valor do patrocínio deferido. SEÇÃO V – DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Art. 38. O Secretário de Estado da Cultura designará uma unidade de sua pasta para dar apoio à implementação do Programa Estadual de Incentivo à Cultura. Art. 39. As despesas resultantes da aplicação desta Lei correrão à conta de dotações próprias, a serem incluídas na Lei Orçamentária Anual, sendo suplantadas quando necessárias. Art. 40. A Secretaria de Estado da Cultura e a Secretaria de Estado da Comunicação Social deverão promover ampla divulgação dos objetivos e dos termos na presente Lei. Art. 41. Caberá ao Poder Executivo a regulamentação da presente Lei no prazo de 60 (sessenta) dias a contar de sua vigência, sendo assegurada a participação de representantes das entidades culturais na elaboração do Decreto regulamentador. Art. 42. Após 60 (sessenta) dias da edição do Decreto regulamentador da presente Lei, a Secretaria de Estado da Cultura fará convocação das entidades culturais do Paraná cadastradas, de conformidade com esta Lei, para a Assembléia Geral de indicação dos representantes das áreas culturais (inciso II do art. 2o desta Lei), na Comissão Estadual Art. 42. Após 60 (sessenta) dias da edição do Decreto regulamentador da presente Lei, a Secretaria de Estado da Cultura fará convocação das entidades culturais do Paraná cadastradas, de conformidade com esta Lei, para a Assembléia Geral de indicação dos representantes das áreas culturais (inciso II do art. 2o desta Lei), na Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural e no Conselho Estadual de Cultura. Art. 43. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições sem contrário. Palácio do Governo em Curitiba, 16 de abril de 2001. Jaime Lerner Governador do Estado Monica Rischbieter Secretária de Estado da Cultura José Cid Campelo Filho Secretário de Estado do Governo 75 Paschoal Carlos Magno, embaixador da cultura Paschoal Carlos Magno em 1954 Por Martinho de Carvalho (Texto de 2006) Paschoal Carlos Magno foi figura de invulgares contornos. Difícil resumir suas atividades, voltadas para a mocidade estudantil e para o teatro. Poeta, escritor, teatrólogo, político, diplomata, destacou-se em todos os setores em que militou, mas suas constantes foram o teatro e os estudantes. Entrevista de Maria Ignez sobre Paschoal Carlos Magno Nasce em 13 de janeiro de 1906, no Catete, bairro da cidade do Rio de Janeiro, filho dos italianos Nicolau Carlos Magno e Dona Filomena Campanella Carlos Magno. Em 76 1918, aos 12 anos, lança o livro de poesias Templos, prefaciado pelo Conde de Afonso Celso, poeta e crítico literário. Aos 16 anos, publica Tempo que Passa, prefácio de Leôncio Correia e, em 1925, Chagas de Sol, com estudo do poeta Luiz Carlos; daí ser chamado de “o poeta de Chagas de Sol”. Estreou no romance no ano seguinte, recebendo da Academia Brasileira de Letras menção honrosa pelo livro Drama da Alma e do Sangue. Quatro anos depois, a Academia Brasileira de Letras lhe concederia o primeiro prêmio teatral pela peça Pierrot, apresentada pela Companhia Jaime Costa, no Teatro João Caetano, em 1931, ocasião em que o povo e o presidente Vargas o aplaudem, projetando-o no cenário cultural. Em 1929, Paschoal e Ana Amélia Carneiro de Mendonça fundam a Casa do Estudante do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, para estudantes sem recursos. Quando Paschoal cursava o último ano de ciências jurídicas e sociais percorre sozinho, em oito meses, o norte do país. Promove feiras de livros, conferências, visita prefeitos, governadores, intelectuais e o povo, convidando-os a ajudarem a Casa do Estudante do Brasil. Em 1933, torna-se Vice-cônsul, em Manchester, indo após para o Consulado Geral em Londres. Em 1938, funda o Teatro do Estudante do Brasil (TEB), estreando Romeu e Julieta, deShakespeare, com ressonância nacional. Nela, impõe a presença de diretor artístico para o espetáculo; exclui o ponto; valoriza o cenógrafo e o figurinista e introduz a fala brasileira no palco, onde ainda imperava o sotaque lusitano. Durante a Segunda Guerra Mundial, na Inglaterra, publica o romance Sun Over the Palms, com entusiástica acolhida e elogios de Wells, Gilbert Murray, Clement Dane, Priestley, Macaulay, Robert Lind, Neumann, Yolanda Foldes, Edith Sitwell e outros. A obra surge em português depois de traduzida para o espanhol, dinamarquês e outras línguas. Em 1946, no Lindsay Theatre, de Londres, sua peça Amanhã Será Diferente é representada. O crítico W.C. Darlington, do Daily Telegraph, classifica-a como “peça brasileira de qualidade”, e Beverley Baxter dá-lhe três colunas na Evening Standard. É publicada pela editora Constable, que editava Bernard Shaw e John dos Passos. Depoimento de Maria pompeu sobre Paschaol Carlos Magno No Brasil, em 1946, assina a coluna teatral do Jornal Democracia, e depois a do Correio da Manhã. Em 1947, a peça Seremos Sempre Crianças é encenada no Teatro Ginástico, pela Cia. Alma Flora. Em 1948, o TEB apresenta no Teatro Phenix, Hamlet, de Shakespeare, lançandoSérgio Cardoso neste papel. Os críticos a consideraram o maior acontecimento artístico dos últimos cinquenta anos! Paschoal produz depois Inês de Castro, de Antonio Ferreira. Em 1949, o TEB apresenta no Phenix o Festival Shakespeare, com Romeu e Julieta, Macbeth e Sonho de uma Noite de Verão, revelando atores, diretores, cenógrafos e figurinistas. Apresenta o Teatro Experimental de Ópera, no Teatro República. Inovadoramente, alunos de canto de grupos oficiais e particulares cantamLa Bohème, Madame Buterfly, La Traviata, Sóror Angélica e Serva Padrona. Patrocina o Coral Bach, coro misto, na Cantata da Ressurreição. À frente, os estudantes Roberto Regina e Dante Martinez. Vereador 77 Em 1950 é eleito vereador pelo Distrito Federal com expressiva votação. Na Câmara, é respeitado pelos pares, devido à ação moralizadora que impõe à Casa como Primeiro Secretário. Em 1952, o TEB percorre o norte, nas capitais apresenta repertório de Sófocles, Eurípedes, Shakespeare, Ibsen, Gil Vicente, Martins Pena, sem ajuda oficial. Mesa redonda com Fernando Pamplona, Ruth de Souza e Martinho de Carvalho sobre Paschoal Carlos Magno Na casa em Santa Teresa, inaugura, em 1952, o Teatro Duse, com 100 lugares, diminuto palco e sem bilheteria. Ia-se a ele por convite. Nos intervalos havia coleta para a cantina dos estudantes do grupo de teatro que atuava. O teatro lançou atores, diretores, cenógrafos, figurinistas, eletricistas, autores, obtendo prestígio dentro e fora do Brasil. Em 1954, a peça Amanhã Será Diferente é encenada na Semana Internacional de Teatro, da Universidade de Enlargen, Alemanha. Dizia o convite que recebeu: “A juventude acadêmica do mundo quer dizer-lhe um modesto muito obrigado pelo seu trabalho no Brasil”. A peça é apresentada pelo Teatro Universitário de Istambul para 400 acadêmicos de teatro. Rachel de Queiroz escreve em O Cruzeiro: “Creio que nunca outra pessoa, nessa Terra, foi responsável por um movimento cultural de tão amplas repercussões, pois criando o Teatro do Estudante, Paschoal não lançou apenas uma geração de artistas, foi realmente o cabeça de uma revolução. Tal é a importância de sua contribuição que se pode falar em teatro no Brasil antes e depois de Paschoal, como fases complementares separadas na vida de nossas artes dramáticas…” Em 1956, completa o cinquentenário fora do país. No Rio de Janeiro, uma semana de celebrações. A União Nacional dos Estudantes o aclama “Estudante Perpétuo do Brasil”. Seu busto, obra de Miguel Pastor, iniciativa do Teatro Rural dos Estudantes, em Campo Grande, bairro localizado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, é inaugurado pelo PresidenteJuscelino Kubitschek. Paschoal fecha o Teatro Duse, em 1957, e confessa: “É uma pena. Era o único teatrolaboratório do Brasil. Poucos o ajudaram materialmente”. Em 1958, recebe o prêmio Apolo, da Sociedade Teatro e Arte, como figura principal do teatro. Em 1957, Paschoal organiza e dirige o I Festival Nacional de Teatro de Estudantes, em Recife (PE), com 800 participantes. Promove o primeiro “Julgamento de Personagens”, Hamlet e Otelo, encarnados por Sérgio Cardoso e Paulo Autran. Mudanças Em 1959, realiza o II Festival Nacional de Teatro de Estudantes, em Santos (SP), com a presença de 1.242 participantes. Em outro “Julgamento de Personagens”, Elizabeth da Inglaterra e Mary Stuart são interpretadas por Henriette Morineau e Cacilda Becker. Em 1960, o III Festival Nacional de Teatro de Estudantes, em Brasília (GO), conta com 23 grupos teatrais. Paschoal deixa o Correio da Manhã em 1961. Sábato Magaldi, em Panorama do Teatro Brasileiro, escreve: “A figura desse homem de Teatro que é embaixador de carreira do Brasil, marca a fase contemporânea de nosso palco. Tem sido ele o grande animador das iniciativas cênicas, e a coluna que manteve durante anos no Correio da Manhã era espécie de boletim teatral diário para o país inteiro. Não havia esforço, uma 78 tentativa do mais longínquo recanto que não encontrasse ali guarida, sempre com carinho e estímulo. Se, de um ponto de vista rigorosamente crítico, essa seção era discutível e não distinguiu muito os valores, como mensagem não encontrou até hoje paralelo em nenhuma congênere”. Em 1962, realiza o IV Festival Nacional de Teatro de Estudantes, em Porto Alegre (RS), com mil presenças. Organiza o I Encontro das Escolas de Dança do Brasil, em Curitiba (PR). Torna-se um dos patronos da Nova Jerusalém, em Pernambuco. A área de 72.000m² é adquirida com a contribuição do Conselho Nacional de Cultura. Sob os auspícios do Ministério da Educação e Cultura, em 1964, promove a “Caravana da Cultura”: 256 participantes, em oito ônibus, seis automóveis, dois caminhões, toneladas de livros e discos, e uma kombi com exposição. A “Caravana” atravessa Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Alagoas. Participam os Teatros de Estudantes do Paraná, Brasília, Goiânia, o Quinteto da Villa-Lobos, os grupos de dança da Escola Leda Iuqui, Toni Petzhold, o Conjunto Internacional Gaúcho de Folclore. Foram mais de 274 espetáculos em praças, igrejas, escolas, orfanatos, asilos e colégios. Arcozelo Em 1965, inaugura a Aldeia de Arcozelo, em Paty do Alferes (RJ), criando a Fundação João Pinheiro Filho. Nela monta o anfiteatro Itália Fausta, com 1.200 lugares e o teatro Renato Viana, com 400 lugares. Dirige, em 1968, o V Festival Nacional de Teatro de Estudantes, no antigo estado da Guanabara. Em 1969, escreve Não Me Acuso, nem Me Perdoo, livro de memórias. Em 1971, organiza e dirige o VI Festival Nacional de Teatro de Estudante, na Aldeia de Arcozelo, realizando espetáculos ao ar livre e no Renato Viana, com a participação de 32 grupos. Em 1972, publica Poemas do Irremediável que recebeu da crítica os mais belos comentários. Em 1974, Paschoal cria a “Barca da Cultura”, que visita 57 cidades do norte, nordeste e centro-oeste. Nos 45 dias do Rio de Janeiro-Belém do Pará, 200 artistas participam. O ônibus e a barca visitam cidades do Rio São Francisco. À frente da Orquestra Jovem do Theatro Municipal, o maestro Prates. Participa o Ballet Stagium, com Décio Otero e Marika Gidali, entre outros. Livros e discos são distribuídos a escolas e bibliotecas. Reabre o Teatro Duse, em 1975. Só uma peça é apresentada, por problemas financeiros. A Aldeia de Arcozelo lhe consome os bens. No ano seguinte, organiza o VII Festival Nacional de Teatro de Estudantes, abrindo-o Ney Braga, Ministro da Educação e Cultura. Paschoal comemora 70 anos e Carlos Drummond de Andrade assim se expressa no Jornal do Brasil: “Por sua vida curtida e generosa, hoje deveria ser feriado nacional”. Em 1978, Paschoal vende a casa de Santa Teresa para pagar dívidas da Aldeia. No ano seguinte, endividado, ameaça: “Já que não me ajudam os poderosos, vou tocar fogo na Aldeia”. O Brasil inteiro enviou notas de um cruzeiro para salvar tão maravilhoso espaço cultural. Paschoal Carlos Magno morre em maio de 1980 e inúmeras homenagens lhe são prestadas. Mas ele não viu publicada a peça Depoimento Pessoal, nem o livro de 79 poesias Cantigas do Cavaleiro, cujos originais foram entregues aos amigos Moacir Lopes e Eduarda Zandron, em fevereiro de 1980. Mais, muito mais se poderia aduzir, ainda assim para dar pálida e imperfeita ideia da vida exemplar de Paschoal Carlos Magno! * Este artigo foi inicialmente publicado em O Prelo. Suplemento de Cultura da Imprensa Oficial e do Conselho de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, junho/julho/ agosto 2006. Ano IV, n.11, p.30-31. RELAÇÃO DE PREFEITOS DE CURITIBA º Nome Mandato Observações 23 Joaquim Pereira de Macedo 1930 a 1932 outubro de 1930 a janeiro de 1932 24 Avelino Lopes 1932 25 João Lotário Meissner 1932 a 1937 fevereiro de 1932 a junho de 1937 26 Nicolau Mader Júnior 1937 substituto - junho de 1937 27 Aluísio França 1937 junho de 1937 a setembro de 1937 28 Carlos Heller 1937 a 1938 setembro de 1937 a janeiro de 1938 29 Oscar Borges 1938 30 João Moreira Garcez 1938 a 1940 maio de 1938 a julho de 1940 31 Ângelo Lopes 1940 32 Rozaldo Gomes de Melo Leitão 33 Alexandre Beltrão 1940 1943 a 1944 substituto - janeiro de 1932 a março de 1932 fevereiro de 1938 a abril de 1938 setembro de 1940 80 34 Arnaldo Isidoro Beckert 1944 responsável pelo expediente 35 João Macedo Sousa 1945 responsável pelo expediente 36 Alô Guimarães 1945 37 Algacyr Munhoz Maeder 1945 38 João Macedo Sousa 1946 39 Ângelo Lopes 1947 40 Raul de Azevedo Macedo 1947 41 João Kracik Neto 1947 responsável pelo expediente 42 João Macedo Sousa 1947 responsável pelo expediente 43 João Kracik Neto 1948 responsável pelo expediente 44 Nei Leprevost 1948 45 Lineu do Amaral 1949 a 1951 46 Amâncio Moro 1951 47 Ernani Santiago de Oliveira 1951 48 Wallace Tadeu de Melo e Silva 49 Erasto Gaertner 1951 1951 a 1953 81 Mario Afonso Alves de Camargo 1952 responsável pelo expediente 51 João Stival 1952 responsável pelo expediente 52 Milton Anselmo da Silva 1953 responsável pelo expediente 53 José Luis Guerra Rego 1953 a 1954 54 Ernani Santiago de Oliveira 1954 50 55 Nei Amintas de Barros Braga 1954 a 1958 15 de Novembro de 1954 a 15 de Novembro de 1958 56 Aristides Simão 1958 presidente da Câmara - fevereiro de 1958 57 Elias Karam 1958 Vice-presidente da Câmara - julho de 1958 a agosto de 1958 58 Edmundo Leinig Saporski 1958 segundo vice-presidente da Câmara - agosto de 1958 a outubro de 1958 59 Elias Karam 1958 vice-presidente da Câmara - setembro de 1958 a outubro de 1958 60 Iberê de Matos 1958 a 1961 15 de Novembro de 1958 a 15 de Novembro de 1961 61 Aristides Ataíde Júnior 1961 presidente da Câmara - 20 de Janeiro de 1961 a 23 de Janeiro de 1961 62 Erondi Sivério 1961 20 de Janeiro de 1961 a 11 de Março de 1961 63 Erondi Sivério 1962 28 de Agosto de 1962 a 8 de Outubro de 1962 64 Ivo Arzua Pereira 1962 a 1966 15 de Novembro de 1962 a 16 de Novembro de 1966 82 65 Erondi Sivério 1966 16 de Novembro de 1966 a 1 de Dezembro de 1966 66 Ivo Arzua Pereira 1966 a 1967 1 de Dezembro de 1966 a 14 de Março de 1967 67 Acyr Haffez José 1967 68 Omar Sabbag 1967 a 1971 22 de Março de 1967 a 15 de Março de 1971 69 Edgar Dantas Pimentel 1971 70 Jaime Lerner 1971 a 1974 71 Donato Gulin 1974 72 Saul Raiz 1975 a 1979 73 Jaime Lerner 1979 a 1983 74 Maurício Fruet 1983 a 1986 75 Roberto Requião 1986 a 1989 primeiro prefeito eleito após o Golpe Militar de 1964 76 Jaime Lerner 1989 a 1993 77 Rafael Greca 1993 a 1997 78 Cássio Taniguchi 1997 a 2001 79 Cássio Taniguchi 2001 a 2005 80 Carlos Alberto Richa 2005 a 2008 Presidente da Câmara - 14 de Março de 1967 a 22 de Março de 1967 Substituto - 16 de Março de 1971 a 21 de Março de 1971 presidente da Câmara 83 81 Carlos Alberto Richa 2009 a 2010 Renunciou para poder se candidatar ao Governo do Estado do Paraná. 82 Luciano Ducci 2010 atual prefeito RELAÇÃO DE GOVERNADORES DO PARANÁ 97 MARIO ALVES MONTEIRO TOURINHO Nascido em Antonina (PR) – a 12.09.1871 Falecido em Curitiba (PR) – a 25.10.1964 Interventor 05.10.1930 29.12.1931 98 JOÃO PERNETA Nascido em Antonina (PR) – a 12.09.1871 Falecido em Curitiba (PR) – a 25.10.1964 Governador Interino 29.12.1931 30.01.1932 99 MANOEL RIBAS Nascido em Ponta Grossa (PR) – a 08.03.1873 Falecido em Curitiba (PR) – a 28.01.1946 Interventor (Ver nº s. 101 e 102) 30.01.1932 12.01.1935 100 EURIPEDES GARCEZ DO NASCIMENTO Nascido em Curitiba (PR) – a 30.11.1888 Falecido em Curitiba (PR) – a 23.09.1960 Interventor 11.05.1934 22.05.1934 101 MANOEL RIBAS Nascido em Ponta Grossa (PR) – a 08.03.1873 Falecido em Curitiba (PR) – a 28.01.1946 Governador 12.01.1935 10.11.1937 102 MANOEL RIBAS Nascido em Ponta Grossa (PR) – a 08.03.1873 Falecido em Curitiba (PR) – a 28.01.1946 Interventor no Regime do 10.11.1937 03.11.1945 Estado Novo 103 CLOTÁRIO DE MACEDO PORTUGAL Nascido em Campo Largo (PR) – a 08.06.1881 Interventor 05.11.1945 25.02.1946 84 Falecido em Curitiba (PR) – a 09.02.1947 104 BRASIL PINHEIRO MACHADO Nascido em Ponta Grossa (PR) – a 12.12.1907 Falecido em Curitiba (PR) – a 18.10.1997 Interventor 25.02.1946 06.10.1946 105 JOÃO CÂNDIDO FERREIRA FILHO Nascido na Lapa (PR) – a 30.07.1896 Falecido em Curitiba (PR) – a 29.08.1992 Governador Substituto 21.09.1946 07.10.1946 106 MARIO GOMES DA SILVA Nascido em Salvador (BA) – a 20.03.1898 Falecido em (?) – a 02.04.1984 Interventor 07.10.1946 06.02.1947 107 ANTONIO A. DE CARVALHO CHAVES Nascido em Macaiba (RN) – a 26.03.1875 Falecido em (?) – a 03.05.1949 Interventor 06.02.1947 12.03.1947 Governador 108 MOYSÉS LUPION (MOYSÉS (Ver nº 113) WILLE LUPION DE TROIA) Nascido em Jaguariaíva (PR) – a 25.03.1908 Falecido no Rio de Janeiro (RJ) – a 29.08.1991 12.03.1947 31.01.1951 109 GUATAÇARA BORBA CARNEIRO Nascido em Reserva (PR) – a 24.05.1899 Falecido em Curitiba (PR) – a 17.06.1981 Governador Substituto 25.07.1949 31.10.1949 110 BENTO MUNHOZ DA ROCHA NETTO Nascido em Paranaguá (PR) – a 17.12.1905 Falecido em Curitiba (PR) – a 12.11.1978 Governador 31.01.1951 03.04.1955 111 ANTONIO ANIBELLI Nascido em São Paulo (SP) – a 14.10.1911 Falecido em Curitiba (PR) – a 15.08.1997 Governador Substituto 03.04.1955 01.05.1955 85 Governador 01.05.1955 31.01.1956 Governador 113 MOYSÉS LUPION (MOYSÉS (Ver nº 108) WILLE LUPION DE TROIA) Nascido em Jaguariaíva (PR) – a 25.03.1908 Falecido no Rio de Janeiro (RJ) – a 29.08.1991 31.01.1956 31.01.1961 112 ADOLPHO DE OLIVEIRA FRANCO Nascido em Ponta Grossa (PR) – a 12.11.1915 Falecido em Curitiba (PR) – a 09.03.2008 114 GUATAÇARA BORBA CARNEIRO Nascido em Reserva (PR) – a 24.05.1899 Falecido em Curitiba (PR) – a 17.06.1981 Governador Substituto (Ver nº 109) 31.10.1959 09.03.1960 115 NEY AMINTHAS DE BARROS BRAGA Nascido na Lapa (PR) – a 25.07.1917 Falecido em Curitiba (PR) – a 16.10.2000 Governador (Ver nº 129) 31.01.1961 17.11.1965 116 AFFONSO ALVES DE CAMARGO NETO Nascido em Curitiba (PR) – a 30.04.1929 Vice-Governador 31.01.1961 17.11.1965 117 AGOSTINHO JOSÉ RODRIGUES Nascido em Curitiba (PR) – a 21.03.1915 Falecido em Curitiba (PR) – a 02.07.198 Governador Substituto 22.05.1963 07.06.1963 15.09.1963 04.10.1963 118 ANTONIO FERREIRA RÜPPEL Governador Substituto Nascido em Bocaiúva do Sul (PR) – a 03.03.1921 Falecido em Curitiba (PR) – a 13.09.1999 17.11.1965 20.11.1965 119 ALGACIR GUIMARÃES Nascido em Curitiba (PR) – a 02.01.1909 Falecido em São Paulo (SP) – a 24.09.1988 Governador Eleito pela Assembléia Legislativa 20.11.1965 31.01.1966 120 ALIPIO AYRES DE CARVALHO ice-Governador 20.11.1965 31.01.1966 86 Nascido em Carolina (MA) – a 22.10.1916 Falecido em Curitiba (PR) – a 30.05.2008 121 PAULO CRUZ PIMENTEL Nascido em Avaré (SP) – a 07.08.1928 Governador 31.01.1966 15.03.1971 122 PLINIO FRANCO FERREIRA DA COSTA Nascido em Curitiba(PR) – a 17.11.1920 Falecido em Curitiba (PR) – a 07.06.2008 Vice-Governador 31.01.1966 15.03.1971 123 HAROLDO LEON PERES Nascido no Rio de Janeiro (RJ) – a 02.05.1927 Falecido em Maringá (PR) – a 16.09.1992 Governador 15.03.1971 23.11.1971 124 PEDRO VIRIATO PARIGOT DE SOUZA Nascido em Curitiba (PR) – a 26.02.1916 Falecido em Curitiba (PR) – a 11.07.1973 Vice-Governador Governador Substituto 15.03.1971 23.11.1971 23.11.1971 11.07.1973 125 JOÃO MANSUR Nascido em Irati (PR) – a 22.07.1923 Governador Substituto 04.07.1973 11.08.1973 126 EMILIO HOFFMANN GOMES Nascido em Ponta Grossa (PR) – a 19.07.1925 Governador 11.08.1973 15.03.1975 127 JAYME CANET JÚNIOR Nascido em Ourinhos (SP) – a 19.01.1925 Vice-Governador Governador 11.08.1973 15.03.1975 15.03.1975 15.03.1979 128 OCTÁVIO CESÁRIO PEREIRA Vice-Governador Governador Substituto JÚNIOR Nascido em Itajaí (SC) – a 07.02.1926 Falecido em Londriana (PR) - a 23.11.2003 129 NEY AMINTHAS DE BARROS BRAGA Nascido na Lapa (PR) – a 25.07.1917 Falecido em Curitiba (PR) – a 16.10.2000 Governador (Ver nº 115) 15.03.1975 15.03.1979 02.09.1977 21.09.1977 15.03.1979 14.05.1982 87 130 JOSÉ HOSKEN DE NOVAES Nascido em Carangola (MG) – a 07.02.1917 Falecido em Londrina (PR) - a 31.01.2006 Vice-Governador Governador Substituto 15.03.1979 14.05.1982 28.07.1980 09.09.1980 14.05.1982 15.03.1983 131 JOSÉ RICHA Nascido em São Fidélis (RJ) – a 11.09.1934 Falecido em São Paulo (SP) a 17.12.2003 Governador 15.03.1983 09.05.1986 132 JOÃO ELÍSIO FERRAZ DE CAMPOS Nascido em Paranaguá (PR) – a 23.12.1942 Vice-Governador Governador 15.03.1983 09.05.1986 09.05.1986 15.03.1987 133 ÁLVARO FERNANDES DIAS Nascido em Quatá (SP) – a 07.12.1944 Governador 15.03.1987 15.03.1991 134 ARY VELOSO QUEIROZ Nascido em Curitiba (PR) – a 17.09.1938 Vice-Governador 15.03.1987 15.03.1991 135 ROBERTO REQUIÃO DE MELLO E SILVA Nascido em Curitiba (PR) – a 05.03.1941 Governador 15.03.1991 02.04.1994 136 MÁRIO PEREIRA Nascido em Itajaí (SC) – a 04.04.1945 Vice-Governador Governador 15.03.1991 02.04.1994 02.04.1994 01.01.1995 137 JAIME LERNER Nascido em Curitiba (PR) – a 17.12.1937 Governador Reeleito Governador 01.01.1995 01.01.1999 01.01.1999 01.01.2003 138 EMILIA DE SALLES BELINATI Nascida em Londrina (PR) – a 29.05.1945 Vice-Governadora Reeleita ViceGovernadora 01.01.1995 01.01.1999 01.01.1999 01.01.2003 139 ROBERTO REQUIÃO DE MELLO E SILVA Nascido em Curitiba (PR) – a 05.03.1941 Governador Reeleito Governador 01.01.2003 31.12.2006 01.01.2007 01.04.2010 140 ORLANDO PESSUTI Nascido em Califórnia (PR) – a 10.03.1953 Vice-Governador Reeleito ViceGovernador 01.01.2003 31.12.2006 01.01.2007 01.04.2010 141 ORLANDO PESSUTI Nascido em Califórnia (PR) – a 10.03.1953 Governador 01.04.2010 88 OUTROS DECRETOS LEI Lei n° 38 de 31 de outubro de 1935 Súmula: institui o Conselho Superior de Defesa do Patrimônio Cultural do Paraná. FONTE: Diário Oficial de 9 de novembro de 1935 Microfilme: 046 Decreto n° 17.465 de 23 de maio de 1955 Súmula: cria na Secretaria de Educação e Cultura o Centro de Orientação Infantil. FONTE: Diário Oficial de 26 de maio de 1955 Microfilme: 093 Lei n° 18 de 27 de março de 1956 Súmula: cria na Secretaria de Educação e Cultura, anexado à Academia de Música do Paraná, o Conservatório Estadual de Canto Orfeônico. Microfilme: 097 Decreto n° 2.994 de 1° de outubro de 1980 Súmula: institui o Programa Paranaense do Livro Cultural, com a finalidade de coordenar as ações governamentais referentes à publicação de livros, estímulo á produção intelectual, preservação e acesso ao patrimônio documental. FONTE: Diário Oficial de 6 de outubro de 1980 Microfilme: 294 Decreto n° 1.418 de 18 de setembro de 1987 Súmula: altera a denominação do Museu de Arte Paranaense para Museu de Arte do Paraná. FONTE: Diário Oficial de 21 de setembro de 1987 Microfilme: 383 Decreto n° 9.495 de 18 de novembro de 1986 Súmula: estabelece que a unidade administrativa Rádio Estadual do Paraná, vinculada à 89 Secretaria de Estado Extraordinária para Assuntos da Comunicação Social, passa suas atribuições para a Secretaria da Cultura e do Esporte. FONTE: Diário Oficial de 19 de novembro de 1986 Microfilme: 371 Decreto n° 973 de 21 de julho de 1987 Súmula: cria o Museu da Estação, na Secretaria da Cultura. FONTE: Diário Oficial de 23 de julho 1987 Microfilme: 381 Decreto n° 1.778 de 6 de novembro de 1987 Súmula: aprova o regulamento da Secretaria da Cultura e cria o Museu de História Natural. FONTE: Diário Oficial de 10 de novembro de 1987 Microfilme: 385 Lei n° 9.050 de 14 de julho de 1989 Súmula: dispõe sobre a Fundação Faculdade de Educação Musical do Paraná. FONTE: Diário Oficial 17 de julho de 1989 Microfilme: 409 Lei n° 9.375 de 24 de setembro de 1990 Súmula: institui o Sistema Estadual de Museus do Paraná. FONTE: Diário Oficial de 24 de setembro de 1990 Microfilme: 428 Lei n° 9.663 de 16 de julho de 1991 Súmula: transforma em autarquias as fundações mencionadas ( Fundação Rádio e Televisão do Paraná; Fundação Faculdades Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão; Fundação Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de 90 Cornélio Procópio; Fundação Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho; Faculdades Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí; Fundação Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá; Fundação de Assistência aos Municípios do Estado do Paraná; Fundação Faculdade de Artes do Paraná; Fundação de Ação Social do Paraná; Fundação Caetano Munhoz da Rocha; Fundação Faculdade Estadual de Educação Física de Jacarezinho; Fundação Escola de Musica e Belas Artes do Paraná; Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana; Fundação Universidade Estadual do vale do iguaçu; Fundação Teatro Guaíra; Fundação Educacional do Estado do Paraná; Fundação Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro; Fundação Instituto Agronômico do Paraná; Instituto Paranaense de Desenvovimento Econômico e Social; Instituto de Terras, Cartografia e Florestas do Estado do Paraná; Fundação Universidade estadual de Londrina; Fundação Universidade Estadual de Maringá; Fundação Universidade Estadual de Ponta Grossa ) e adota outras providências. FONTE: Diário Oficial de 16 de julho de 1991 Microfilme: 440 Criação da lei nº 9896, de 08 de janeiro de 1992. Regulamento: decreto nº 1411 de 25 de junho de 1992. 91 HISTÓRIA DO TEATRO GUAÍRA Após passar por ampla reforma realizada no governo de Carlos Cavalcanti, o Theatro São Theodoro é reinaugurado em 3 de novembro de 1900, com o nome de Theatro Guayra. O teatro passa a ter luz elétrica, sua platéia ampliada e sua cúpula elevada. O nome do teatro foi escolhido através de uma convocação geral feita aos profissionais da imprensa local. A sugestão do nome escolhido é atribuída oficialmente a Romário Martins e Sebastião Paraná. No palco do Theatro Guayra (situado na atual Rua Dr. Muricy, onde se encontra a Biblioteca Pública do Paraná), manifestações artísticas diversas foram apresentadas, com companhias nacionais e internacionais. Um dos momentos significativos para a cultura local ocorre em 3 de maio de 1912 , quando o público do Guayra assistiu à estréia de Sidéria , a p rimeira ópera paranaense, assinada por Augusto Stresser , com libreto de Jayme Ballão e com orquestração e direção do maestro Leo Kessler. Mas é na década de 20, com Salvador de Ferrante e a criação da Sociedade Teatral Renascença que o Theatro Guayra passa a ser palco de uma produção cultural intensa: dramaturgos como José Cadilhe e Benedito Nicolau dos Santos têm seus dramas encenados e grandes concertos, operetas e poemas musicados são levados ao palco do Guayra. Intelectuais como Octávio de Sá Barreto, Leôncio Correia e Alcidez Munhoz participam das atividades da Renascença , que conta também com a presença das senhoras da sociedade e com o apoio da imprensa. Além do trabalho da Sociedade Teatral Renascença , muitos são também os nomes aclamados pelo público e crítica da época. Entre eles estão Ítala Fausta, Lucinda Simões, Ângela Vargas e Margarida Lopes de Melo, as companhias de Leopoldo Froes e Procópio Ferreira, o pianista Carlos Zecchi e as apresentações de Bento Mossurunga . Com a morte de Salvador de Ferrante em 1935, findam-se as atividades da Renascença e o Theatro Guayra passa a ter suas atividades limitadas aos recitais, concertos e festas escolares. O cinematógrafo já havia abalado a fidelidade do público de teatro e com o cinema falado esta distância aumentou. Paralelamente, o Theatro Guayra, que já na década de 20 ameaçava o desmoronamento de algumas paredes, é fechado por questões de segurança, mas em seu andar superior passa a funcionar a Biblioteca Pública do Paraná. Desde a Revolução de 1930, com Getúlio Vargas no poder, os estados passaram a ser governados por interventores Federais. Entre 1932 e 1945 o Paraná teve como governante o Sr. Manoel Ribas e todos os prefeitos do estado eram nomeados por ele. Ao cargo de prefeito de Curitiba, foi nomeado o médico pediatra Aluízio França. Em 1937, Aluízio França ordena a demolição do Theatro Guayra. Esse ato causa repudio na sociedade da época, mas a população via-se impossibilitada de qualquer gesto de protesto. Nenhum dos herdeiros dos doadores do terreno no qual ergueu-se o Theatro São Theodoro/Theatro Guayra apareceu para reclamar seus direitos. A demolição inicia em 1937 e se concretiza em 1939, com a promessa da construção de um teatro oficial do estado. No entanto, a construção oficial não se realiza no decorrer dos anos. Na década de 40 a Academia Paranaense de Letras inicia uma 92 campanha pela construção de um teatro oficial na cidade. Após conversa com o então prefeito Moreira Garcez, a APL chega a convocar os arquitetos através de um edital de 13 de maio de 1940, para a apresentação de um Plano-Esboço do novo teatro, inspirado em motivos paranistas. Era previsto que depois de realizados os estudos necessários e orçamentada a construção, abrir-se-ia concurso para o projeto definitivo. Contudo, é somente na década de 50, com o governo visionário de Bento Munhoz da Rocha Netto , que a cidade vê nascer o seu teatro oficial. Sem y, o Teatro Guaíra começa a ser construído em 1952. Assina o projeto, o arquiteto Rubens Meister, e em 1954, o primeiro auditório do complexo que ocuparia toda uma quadra no centro de Curitiba, é inaugurado pelo Presiden te da República Café Filho e pelo governador Bento Munhoz da Rocha Netto . Pesquisa realizada por Cristiane Bouger, a partir de Aspectos da História do Teatro na Cultura Paranaense, do historiador Benedito Nicolau dos Santos Filho, e dos arquivos do Centro Cultural Teatro Guaíra . A inauguração do Auditório Salvador de Ferrante ( Guairinha) ocorreu no dia 19 de dezembro de 1954, e a peça escolhida para tal grandiosidade foi “Vivendo em Pecado”, de Tenence Rattingan, pela Companhia Dulcina e Odilon. No ano de 1956 foi criado o Teatro Experimental do Guaíra, contanto com vários diretores como: Armando Maranhão, Ary Fontoura, Barauna de Araujo, entre outros. Paralelo ao Teatro Experimental, foram criados em 11 de abril de 1963 outros dois órgãos importantes no Guaíra: O Teatro de Comédia do Paraná (TCP), sob a direção de Claudio Corrêa, e o Curso Permanente de Teatro, orientado por Armando Maranhão. O Curso Permanente de Teatro foi transformado em Faculdade de Artes Cênicas do Paraná. O Balé Guaíra tem sua história desde 1956, quando foi criado o Curso de Danças Clássicas que, por muitos anos, formou grandes bailarinos e bailarinas. Com o crescimento do curso, ele transformou-se na Escola de Dança Teatro Guaira, que funciona até hoje como referência nacional em ensino público da dança clássica. Em maio de 1969 é criado o Corpo de Baile do Teatro Guairá, por Yara de Cunto. A primeira apresentação da Companhia acontece quatro meses após sua formação, com um espetáculo coreografado por Ceme Jambay. Foi inaugurado em agosto de 1970 o Auditório Glauco Flores de Sá Brito (MiniAuditório). Na mesma época, quando estava prestes a ser inaugurado, o Grande Auditório do Guaíra (Guairão) sofreu um grande incêndio no dia 25 de abril de 1970, destruindo grande parte da estrutura do prédio, o que postergou a sua inauguração. Felizmente, a parte do prédio onde se encontravam os Auditório Salvador de Ferrante e Auditório Glauco Flores de Sá Brito não foram atingidas, e as produções artísticas não foram interrompidas pelo acidente. O Grande Auditório foi inaugurado no dia 12 de Dezembro de 1974, recebendo o nome de Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto, em homenagem ao governador que construiu o Teatro Guaíra. Evento importantíssimo na história do Teatro ocorre em 1985, quando é criada a Orquestra Sinfônica do Paraná. Em 1989 é criada a Sala da Orquestra, ambiente desenvolvido para servir os ensaios do grupo, e foi nesta sala que acontece a gravação do primeiro LP da Orquestra Sinfônica do Paraná. Durante toda sua história, a Orquestra tem sido intensa e produtiva, mas um grande marco ocorre também em 93 1989, quando ela participa de espetáculos do Ballet Teatro Guaíra, do Coral Sinfônico do Paraná e das três óperas montadas durante o ano pelo Teatro. As apresentações e participações continuaram ao longo dos anos até dias atuais. Outro espaço cultural que integra o Complexo Teatro Guaíra é o Teatro José Maria dos Santos, administrado pelo Centro Cultural Teatro Guaíra desde 1998. Este auditório, ao contrário dos demais sediados no mesmo prédio na Rua XV de Novembro, está localizado na Rua 13 de Maio, integrando o complexo de auditórios do CCTG. O Teatro Guaíra atualmente é formado pelos quatro auditórios: Bento Munhoz da ocha Netto, Salvador de Ferrante, Glauco Flores de Sá Brito e Teatro José Maia dos Santos, e é composto por três corpos estáveis permanentes: o Ballet Teatro Guairá, o G-2 Companhia de Dança e Orquestra Sinfônica do Paraná. Possui também a Escola Com um grande renome, o Teatro Guaíra recebe em seus palcos, desde sua fundação até dias recentes, espetáculos nacionais e internacionais, grandes artistas, dançarinos, músicos, diretores e companhias, trilhando na história do Paraná e da Arte um longo caminho de sucesso e esplendor. Pesquisa realizada por Julyane Silveira Ramos, a partir de documentações do Centro Cultural Teatro Guaíra, declarações de Miguel Esposito, e de “Complexo Centro Cultural Teatro Guaíra: 50 anos de História”, de Marcelo Saldanha Sutil. LINHA DE ATUAÇÃO A cultura desempenha um papel de destaque no desenvolvimento de uma cidade, por este motivo, ela é uma das áreas que Curitiba sempre tratou com muita seriedade. Com ações e iniciativas ousadas, implantadas ao longo dos anos, a cidade ganhou visibilidade nacional e a cultura está entre os setores que contribuíram para conferir a Curitiba a marca da inovação na formação da cidadania e transformação da realidade. Desde 1973, a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) é a responsável pela política pública de cultura na capital paranaense. Com base nas diretrizes apontadas pelo Plano Diretor e Plano Municipal de Desenvolvimento Social, tem como missão, promover o desenvolvimento sociocultural e artístico da comunidade, subsidiado pelas necessidades e expectativas de todos os segmentos da sociedade curitibana, de modo a enriquecer e compartilhar o conhecimento, criando igualdade de oportunidades para todos. Partindo do princípio de que uma política cultural não é imposta, mas discutida e estabelecida num amplo debate com a sociedade e com os agentes culturais, a FCC elabora sua política cultural como um fator de desenvolvimento social, educativo e econômico, procurando programar suas ações e eventos de forma a ser um espaço aberto para ampla participação social. Gestão Contemporânea 94 A partir de 2009, a prefeitura de Curitiba estabeleceu um novo modelo de gestão, tendo como meta mobilizadora alcançar o melhor índice de qualidade de vida entre as capitais brasileiras. A cidade investiu numa gestão voltada para resultados e o seu desenvolvimento está baseado no Contrato de Gestão firmado entre o Prefeito e Secretários, com foco na melhoria do desempenho e no controle sobre os resultados previstos. Nesse sentido uma série de valores e diretrizes passou a acompanhar todas as ações da administração municipal, tanto a continuidade de programas e projetos já existentes e/ou de qualquer inovação que venha a ser posta em prática. Entre tais valores destacam-se: a transparência, a democracia, o respeito à diversidade, a inclusão produtiva da juventude, a responsabilidade e a gestão social, a sustentabilidade, a gestão orientada para resultados, a inovação, a produtividade financeira, o uso intensivo de tecnologia de informação e comunicação, a integração com os governos estadual e federal e a intersetorialidade na ação governamental. A Fundação Cultural de Curitiba, bem como as demais unidades administrativas municipais, respeitando os instrumentos legais e a demanda da sociedade elaborou e detalhou um plano de ação com resultados e metas para a gestão 2009/2012, base para o contrato assinado entre o prefeito municipal e o presidente da FCC. O contrato faz parte do Eixo Viver em Curitiba, definido no Plano de Governo, que tem como objetivo "Dinamizar a cidade a partir da cultura, do esporte e do lazer, com a finalidade de agregar valor à vida do cidadão na cidade". Além de pautar suas ações com base nessas diretrizes, a Fundação Cultural estabeleceu três princípios essenciais que norteiam todas as suas ações: Qualidade - qualidade elevada, mensurada com a devida e criteriosa análise do mérito de todos os projetos contratados, contrapartidas culturais, ações de comunicação, ativação dos projetos e um rígido controle em sua execução, demonstrando que o setor público pode, sim, oferecer serviços de elevada qualidade; Economia - economia suficiente para permitir a multiplicação das ações em escala superior ao padrão atual, atendendo mais pessoas com menos investimento, desmistificando a imagem de que o setor público paga mais caro por tudo o que compra e produz; Planejamento - planejamento contínuo resultado de apurado senso de percepção das demandas da população de todas as regiões da cidade e da interpretação de pesquisas de opinião. Isso reforça que é possível fazer planejamento no serviço público e gerar avanços contínuos. A Fundação organizou também seu plano de ação e seu respectivo contrato de gestão alicerçado em seis eixos fundamentais que contêm o conjunto de projetos a serem executados ao longo do período compreendido entre 2009 e 2012. São ações estratégicas que possibilitam a sustentação de uma política pública abrangente e baseada no fortalecimento institucional, por meio de instrumentos de fomento e 95 criação, produção, formação, informação e difusão artística e cultural, assim como dos mecanismos de proteção, preservação, resgate e divulgação dos bens históricos e artísticos que compõem o patrimônio cultural do município. EIXOS: Revitalização e construção de novos espaços culturais; Proteção e Valorização do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural; Financiamento para a cultura por meio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura; Promoção e descentralização das ações; Promoção institucional e consolidação de parcerias estratégicas; Reestruturação organizacional e diálogo permanente com as classes. A política para a cultura em Curitiba está balizada também pelo princípio da ampliação da cidadania, por meio da oferta múltipla e pluralista de bens e serviços culturais e da relação entre os diversos níveis de desenvolvimento da sociedade, promovendo a ampla participação da população na vida artística e cultural da cidade. Assim, uma das prioridades da Fundação Cultural nesta gestão é a descentralização, facilitando o acesso e fazendo da cultura um instrumento de inclusão social. Desta forma, em sintonia com os movimentos contemporâneos que conferem à cultura o seu devido grau de importância na formação da cidadania, a Fundação Cultural ocupa hoje um lugar de destaque no grande debate nacional, por ser uma das capitais brasileiras a manter ativo o Fundo Municipal da Cultura, o Conselho Municipal da Cultura e promover a Conferência Municipal da Cultura, contribuindo deste modo para que se ampliem as possibilidades de artistas, promotores e população de produzir e consumir bens culturais. E o que é mais importante, com mais qualidade. Decreto Nº 5.570 Regulamenta a Lei n.º 13.133, de 2001, que cria o Programa Estadual de Incentivo à Cultura, institui a Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural e adota outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ, no uso das atribuições que lhe confere o art. 87, incisos V e VI da Constituição do Estado, e tendo em vista o disposto no art. 41 da Lei n.º 13.133, de 16 de abril de 2001, DECRETA: CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES SEÇÃO I DA NATUREZA E DAS FINALIDADES DO PROGRAMA ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA Art. 1º. A Lei n.º 13.133, de 16 de abril de 2001, que cria o Programa Estadual de Incentivo à Cultura - PEIC, e institui o Fundo Estadual de Cultura - FEC e a Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural - CEDEC, fica regulamentada nos termos deste Decreto. Art. 2º. O Programa Estadual de Incentivo à Cultura - PEIC é um instrumento de incentivo fiscal, que visa estimular o financiamento de projetos culturais por parte dos contribuintes do Imposto sobre 96 Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, através do Fundo Estadual de Cultura - FEC, e do Mecenato Subsidiado - MS. Art. 3º. O Programa tem por finalidades: I - apoiar a criação, produção, valorização e difusão das manifestações culturais, com base no pluralismo e na diversidade de expressão; II - promover o livre acesso da população aos bens, espaços, atividades e serviços culturais; III - estimular o desenvolvimento cultural do Estado em todas as suas regiões, de maneira equilibrada, valorizando o planejamento e a qualidade das ações culturais; IV - apoiar ações de preservação e recuperação do patrimônio cultural do Estado; V - incentivar a pesquisa e a divulgação do conhecimento, em especial sobre a organização da cultura e a renovação das linguagens artísticas; VI - incentivar o aperfeiçoamento de artistas e técnicos das diversas áreas de expressão da cultura; VII - promover o intercâmbio e a circulação de bens e atividades culturais no Paraná, com outros Estados brasileiros e outros países, destacando os produtores e produtos paranaenses. Parágrafo único. As manifestações culturais apoiadas pelo PEIC são aquelas pertinentes às áreas de música, artes cênicas, audiovisual, literatura, artes visuais, patrimônio histórico-artísticonatural-cultural, folclore, artesanato e manifestações culturais tradicionais, a partir dos conceitos e com a abrangência estabelecida neste Decreto. SEÇÃO II DA CONCEITUAÇÃO Art. 4º. Para efeito deste Decreto, considera-se: I - Programa Estadual de Incentivo à Cultura - PEIC: programa de incentivo fiscal que visa a estimular o financiamento de projetos culturais por parte dos contribuintes do ICMS, através do Fundo Estadual de Cultura e do Mecenato Subsidiado; II - Fundo Estadual de Cultura - FEC: mecanismo de natureza financeira e contábil que tem por finalidade a mobilização e aplicação dos recursos de que trata a Lei nº 13.133/2001; III Mecenato Subsidiado - mecanismo de natureza contábil de concessão de estímulos e incentivos fiscais, que tem por finalidade a captação, a mobilização e a aplicação de recursos financeiros destinados à produção cultural; IV - Conselho Estadual de Cultura - CEC: órgão colegiado com competência para a avaliação e a decisão sobre os projetos culturais remetidos ao FEC; V - Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural - CEDEC: órgão colegiado com competência para a avaliação e decisão sobre os projetos culturais encaminhados ao Mecenato Subsidiado; VI - Coordenadoria de Incentivo à Cultura - CIC: unidade administrativa gerenciadora do PEIC, integrante da organização da Secretaria de Estado da Cultura; VII - Empreendedor ou Produtor Cultural: pessoa física ou jurídica, domiciliada no Paraná há, no mínimo, dois anos, inscrita no Cadastro Estadual de Produtores e Entidades Culturais, diretamente responsável por projeto cultural beneficiado pelos incentivos da Lei n.º 13.133/2001; VIII - Incentivador: pessoa física ou jurídica, contribuinte do ICMS no Paraná, que 97 transfira recursos através do Mecenato Subsidiado, para a realização de projeto cultural aprovado pela Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural; IX Administrador do Projeto: pessoa física ou jurídica, especializada na prestação de serviços culturais, a quem o empreendedor delegar responsabilidades pelo planejamento, controle e organização do projeto cultural, ou ainda a contratação de serviços e a aquisição de materiais necessários à sua execução, respondendo solidariamente por todas as obrigações do empreendedor; X - Certificado de Aprovação: documento publicado no Diário Oficial do Estado pela Secretaria de Estado da Cultura, representativo da análise orçamentária e exame de mérito cultural pela Comissão Estadual de Incentivo à Cultura, a ser usado pelo empreendedor como comprovante de aprovação perante potenciais incentivadores; XI - Certificado de Incentivo: documento emitido pela Coordenadoria de Incentivo à Cultura, até o valor total do incentivo concedido a cada projeto e limitado ao valor global fixado a cada ano, representativo da autorização para que se efetive a transferência de recursos de acordo com o previsto no Certificado de Aprovação a servir como comprovante, junto a recibo de transferência de recursos, para que o incentivador obtenha os benefícios fiscais previstos neste Decreto; XII - Carta de Intenção: documento no qual o incentivador formaliza sua concordância em apoiar projeto cultural específico, com detalhamento de valores e forma de repasse de recursos ao empreendedor, cabendo à CIC nele consignar seu deferimento para a emissão do Certificado de Incentivo; XIII Projeto Cultural: proposta de realização de obra, ação ou evento específico ao desenvolvimento cultural e à preservação do patrimônio cultural do Estado do Paraná, contendo, no mínimo, objetivo e justificativa, descrição das atividades, etapas e cronograma de trabalho, prazos de execução e conclusão das atividades, planilha de custos e fluxograma de recursos. Equiparam-se aos projetos culturais, os planos anuais de atividades de pessoas jurídicas de natureza cultural, sem fins lucrativos e a compra de ingressos e bens culturais incentivados pelo PEIC; XIV - Incentivo ou Benefício Fiscal: lançamento ou utilização como crédito do recurso financeiro aplicado em projetos culturais por contribuinte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações - ICMS, a título de compensação, para dedução dos valores devidos ao Estado, na forma e limites estabelecidos neste Decreto; XV - Evento: acontecimento de caráter cultural de existência limitada a sua realização ou exibição; XVI - Artes Cênicas: linguagens artísticas relacionadas aos segmentos de teatro, dança, circo e ópera; XVII - Artes Visuais: linguagens artísticas relacionadas com a criação e reprodução das artes gráficas, mediante o uso de meios artesanais, mecânicos ou cibernéticos de realização, bem como as artes plásticas que compreendem as 98 linguagens artísticas relacionadas à materialização de formas, linhas, movimentos, volumes e cores através de modalidades tradicionais, como desenho, gravura, pintura, escultura e fotografia, dentre outras e ainda, mídias contemporâneas, como instalação, objeto, performance e intervenção urbana; XVIII - Audiovisual: linguagens artísticas relacionadas à produção de obras, filmes, programas e séries, cinematográficas e videográficas, ou seja, de registro de sons e imagens em películas especiais, obedecendo a um argumento e roteiro determinados, destinados à exibição em salas de cinema, TV, internet, bem como programas radiofônicos e CD-ROM; XIX Artesanato: confecção de peças e objetos manufaturados em pequena escala, utilizando materiais e instrumentos simples, sem o auxílio de máquinas sofisticadas de produção em série; XX - Folclore: pesquisa, preservação e divulgação do conjunto de manifestações típicas, materiais e simbólicas, transmitidas de geração a geração, traduzindo conhecimentos, usos, costumes, crenças, mitos, lendas, adivinhações, provérbios, fantasias, alegorias, cantorias e folguedos populares; XXI - Manifestações Culturais Tradicionais: atividades periódicas de cunho popular e folclórico; XXII Literatura: área de produção de conhecimento utilizando a arte de escrever em prosa ou verso nos gêneros de romance, poesia, conto, crônica e ensaio; XXIII - Música: linguagem artística que expressa harmonia, melodia e ritmo, em diferentes modalidades e gêneros; XXIV - Patrimônio Cultural: área de preservação de bens de relevância histórica, artística, arquitetônica, paisagística e arqueológica; XXV Museu: instituição de acesso público destinada à preservação, estudo e divulgação de acervos de bens representativos da história, das artes e das ciências, dentre outros; XXVI - Biblioteca: instituição de promoção de leitura e difusão do conhecimento, congregando acervo de livros, periódicos e congêneres, organizados e destinados ao estudo, à pesquisa e à consulta, nas áreas da história, das artes e da cultura; XVII Arquivo: instituição de preservação da memória destinada ao estudo, à pesquisa e à consulta; XXVIII - Manual de Identidade Visual: publicação que contém orientações que padronizam o uso da comunicação visual da marca do PEIC e da Administração Pública do Estado, em suas diversas aplicações. CAPÍTULO II DA ADMINISTRAÇÃO DO PROGRAMA ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA Art. 5º. O Programa Estadual de Incentivo à Cultura - PEIC será administrado: I - pelo Secretário de Estado da Cultura, responsável pela direção geral do Programa; II - pelo Conselho Estadual de Cultura - CEC, órgão colegiado a quem compete a avaliação e decisão sobre os projetos culturais remetidos ao FEC, incluídos os pedidos em grau de recurso, bem como as atribuições regimentais próprias; III - pela Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural - CEDEC, órgão colegiado, de caráter deliberativo, a quem compete, por suas Câmaras Setoriais, a avaliação e decisão, incluídos os pedidos 99 em grau de recurso, sobre os projetos culturais encaminhados ao Mecenato Subsidiado; IV - por unidade integrante do nível de execução programática da estrutura organizacional da Secretaria de Estado da Cultura - SEEC, com as atribuições de gerenciamento dos recursos destinados ao Programa, bem como pela habilitação e acompanhamento dos projetos, através de seu exame legal, formal, técnico e de tomada de contas. Art. 6º. Para atender ao disposto no inciso IV do art. 5º do presente Decreto, fica transformada a Coordenadoria de Pesquisa e Documentação CPD, a que se refere a Lei nº 9.529, de 08 de janeiro de 1991, em Coordenadoria de Incentivo à Cultura - CIC. SEÇÃO I DO SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA Art. 7º. Compete ao Secretário de Estado da Cultura, além da direção geral do PEIC, sem prejuízo de outras atribuições legais: I - decidir, em grau de recurso, sobre os pedidos de cadastramento no Cadastro Estadual de Produtores e Entidades Culturais - CEPEC; II - autorizar, expressamente, os empreendedores culturais a captarem os recursos necessários aos projetos aprovados nos limites estabelecidos pela CEDEC; III - designar os servidores públicos para a Coordenadoria de Incentivo à Cultura, bem como para as atividades de monitoramento e acompanhamento de projetos; IV - aprovar os valores referentes à contraprestação pecuniária indenizatória aos membros do CEC e da CEDEC. SEÇÃO II DO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA Art. 8º. O Conselho Estadual de Cultura CEC, no âmbito do PEIC, tem por atribuições: I - apreciar e aprovar os projetos culturais a serem beneficiados pelo FEC, respeitadas as disposições legais e regulamentares, as diretrizes de política cultural e o planejamento das aplicações financeiras do FEC; II - fixar e tornar públicos os critérios de mérito, por área, relativos à avaliação de projetos culturais dirigidos ao FEC; III - receber e apreciar os pareceres técnicos e informações apresentadas pela Coordenadoria de Incentivo à Cultura; IV - elaborar o edital de inscrição anual de projetos dirigidos ao FEC; V fixar os limites máximos de investimento do FEC para os projetos, por área e atividade cultural; VI - fiscalizar a execução dos projetos aprovados, instruído pela análise das prestações de contas realizadas pela Coordenadoria de Incentivo à Cultura e promover as medidas saneadoras que estiverem ao seu alcance; VII - avaliar os procedimentos e normas do Programa, sugerindo medidas para o seu aperfeiçoamento. Parágrafo único. O CEC procederá a adequação do seu Regimento Interno às disposições da Lei nº 13.133/2001 e deste Decreto. Art. 9º. Para o atendimento ao disposto na Lei nº 13.133/2001, o Conselho Estadual de Cultura - CEC, além de sua composição original, estabelecida pelo Decreto nº 1.038, de 18 de agosto de 1995, contará com um representante e um suplente de cada uma das áreas culturais enunciadas pelo inciso II do art. 2º da Lei n.º 13.133/2001. § 1º. Os representantes e suplentes, a que se refere o 100 "caput" deste artigo, serão escolhidos mediante eleição direta em Assembléia Geral das entidades culturais cadastradas no CEPEC. § 2º. A função de Presidente do CEC será exercida pelo Secretário de Estado da Cultura, podendo, a seu critério, ser delegada. Art. 10. O mandato dos membros do CEC será de dois anos, sendo permitida a recondução por mais um período consecutivo. Parágrafo único. Os membros do Conselho, em atendimento ao disposto no Parágrafo único do art. 35 da Lei nº 13.133/2001, receberão contraprestação pecuniária indenizatória do período destinado ao exercício das tarefas do Conselho, na forma a ser definida em Resolução da Secretaria de Estado da Cultura. Art. 11. Fica proibido aos membros do Conselho, titulares e suplentes, durante o período de mandato, apresentar projetos para obtenção de recursos do PEIC, mesmo por intermédio de pessoas jurídicas na qual possuam qualquer forma de participação societária ou diretiva, bem como prestar serviços em projeto aprovado por este Conselho. § 1º. A vedação de apresentação de projetos, prevista no "caput" deste artigo, se estende aos cônjuges ou companheiros, quer na qualidade de pessoa natural, quer por intermédio de pessoa jurídica na qual sejam sócios dirigentes. § 2º. A proibição prevista no "caput" deste artigo aplica-se unicamente aos membros do Conselho, não se estendendo às entidades ou instituições públicas ou privadas que os indicarem ou designarem. SEÇÃO III DA COMISSÃO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO CULTURAL Art. 12. À Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural - CEDEC, compete: I - apreciar e aprovar, através de câmaras setoriais, os projetos a serem beneficiados pelo Mecenato Subsidiado, respeitada as disposições legais e regulamentares, as diretrizes de política cultural e a renúncia fiscal anual; II - fixar e tornar públicos os critérios de avaliação, por área, relativos à avaliação de projetos culturais dirigidos ao MS; III - receber e apreciar os pareceres técnicos e informações apresentadas pela Coordenadoria de Incentivo à Cultura; IV - elaborar o edital de inscrição anual de projetos dirigidos ao MS; V - fixar os valores máximos de incentivo do MS para os projetos, por área e atividade cultural; VI - fiscalizar a execução dos projetos aprovados, instruído pela análise das prestações de contas realizadas pela Coordenadoria de Incentivo à Cultura e promover as medidas saneadoras que estiverem ao seu alcance; VII - avaliar os procedimentos e normas do Programa, sugerindo medidas para o seu aperfeiçoamento. § 1º. A CEDEC, nos termos da Lei nº 13.133/2001, é composta por sete Câmaras Setoriais, autônomas entre si, referentes às áreas contempladas pelo inciso II do art. 2º da referida Lei. § 2º. Os representantes e suplentes da comunidade artístico-cultural a comporem as Câmaras Setoriais serão escolhidos mediante eleição direta em Assembléia Geral das entidades culturais cadastradas no CEPEC. § 3º. O representante do Estado e respectivo suplente, na composição das Câmaras Setoriais, a que se refere o art. 9º da Lei nº 13.133/2001, 101 serão designados pelo Secretário de Estado da Cultura. § 4º. A função de Presidente da CEDEC será exercida pelo Secretário de Estado da Cultura, podendo, a seu critério, ser delegada. § 5º. A CEDEC procederá a elaboração do seu Regimento Interno em conformidade com o disposto na Lei nº 13.133/2001 e neste Decreto. Art. 13. O mandato dos membros da CEDEC será de um ano, sendo permitida a recondução por mais um período consecutivo. Parágrafo único. Os membros da CEDEC receberão contraprestação pecuniária indenizatória do período destinado ao exercício das tarefas da CEDEC, na forma a ser definida em Resolução da Secretaria de Estado da Cultura. Art. 14. É proibido aos membros titulares e suplentes da CEDEC, durante o período de mandato, apresentar projetos para obtenção de recursos do PEIC, mesmo por intermédio de pessoas jurídicas na qual possuam algum tipo de participação societária ou diretiva, bem como prestar serviços em projeto aprovado por esta Comissão. § 1º. A vedação de apresentação de projetos prevista no "caput" deste artigo se estende aos cônjuges ou companheiros, quer na qualidade de pessoa natural, quer por intermédio de pessoa jurídica na qual sejam sócios dirigentes. § 2º. A proibição prevista no "caput" deste artigo aplica-se unicamente aos membros da Comissão, não se estendendo às entidades ou instituições públicas ou privadas que os indicarem ou designarem. SEÇÃO IV DA COORDENADORIA DE INCENTIVO À CULTURA Art. 15. À Coordenadoria de Incentivo à Cultura - CIC, a que se refere o art. 6º deste Decreto, compete: I - gerenciar os recursos do FEC e controlar a renúncia fiscal relativa ao Mecenato Subsidiado; II - orientar a análise técnica dos projetos, providenciando para tanto o suporte administrativo necessário; III - receber os projetos culturais protocolados no Sistema Integrado de Documentos do Estado, encaminhando-os à devida avaliação; IV - encaminhar cópia do projeto a especialistas de acordo com os procedimentos a serem estabelecidos em Resolução da Secretaria de Estado da Cultura; V - zelar pela observância dos prazos referentes à análise dos projetos, às prestações de contas, à tramitação das autorizações para captação e das Cartas de Intenção das empresas; VI - aprovar ou não as Cartas de Intenção das empresas na aplicação de parcela do ICMS em projeto cultural aprovado pela CEDEC; VII - zelar pelo fiel cumprimento dos compromissos assumidos pelos empreendedores culturais, indicando medidas para correção de eventuais distorções; VIII - sugerir ao Secretário de Estado da Cultura medidas para o aperfeiçoamento do Programa, bem como opinar nas questões que lhe forem apresentadas; IX - encaminhar mensalmente ao Secretário de Estado da Cultura, para posterior remessa à Secretaria de Estado da Fazenda, listagem dos contribuintes que obtiveram ingresso no Programa no mês anterior, com a indicação dos valores a serem aplicados pelos mesmos; X - encaminhar ao Secretário de Estado da Cultura, ao CEC e à CEDEC, relatório trimestral sobre os 102 projetos concorrentes aos benefícios do Programa, destacando a captação de recursos já realizada, a situação das ações culturais planejadas, o andamento da tomada de contas dos projetos finalizados e as eventuais inadimplências; XI - organizar e implementar o Cadastro Estadual de Produtores e de Entidades Culturais - CEPEC, recebendo e decidindo sobre os pedidos de cadastramento; XII - elaborar e encaminhar os Certificados de Aprovação e de Incentivo, as Cartas de Intenção das empresas e os pedidos de providências aos órgãos estaduais, referentes à administração do Programa; XIII - publicar os editais anuais para inscrição de projetos dirigidos ao FEC e ao MS, em três periódicos de circulação no território do Estado do Paraná; XIV - propor os valores da contraprestação pecuniária indenizatória devida aos membros do CEC e da CEDEC, nos termos do Parágrafo único do art. 35 e do art. 11 da Lei nº 13.133/2001, respectivamente. XV - convocar a Assembléia Geral das entidades culturais cadastradas no CEPEC, para a indicação dos representantes da comunidade artísticocultural que comporão o CEC e a CEDEC . § 1º. Cabe à Coordenadoria, além das atribuições previstas no "caput" deste artigo, gerenciar todos os trâmites administrativos necessários ao pleno funcionamento do PEIC, inclusive os relacionados à difusão da lei e à orientação de produtores e dirigentes culturais e dos contribuintes do ICMS. § 2º. As atividades da Coordenadoria de Incentivo à Cultura CIC poderão ser detalhadas em Regimento Interno a ser aprovado por ato do Secretário de Estado da Cultura, nos termos do art. 5º do Regulamento da SEEC, aprovado pelo Decreto nº 6.528, de 25 de janeiro de 1990. Art. 16. Serão alocados na Coordenadoria de Incentivo à Cultura funcionários da Secretaria de Estado da Fazenda, com a função de: I - verificar a situação fiscal do potencial patrocinador do Mecenato Subsidiado, analisando as Cartas de Intenção entregues pelos empreendedores; II - emitir o Certificado de Incentivo dos projetos beneficiados pelo MS; III - analisar as prestações de contas dos empreendedores do MS e do FEC; IV verificar e controlar o saldo de recursos destinado anualmente ao FEC, a renúncia fiscal do MS, bem como o limite mensal de que trata o Parágrafo único do art. 37deste Decreto; V - abater do saldo existente no MS e no FEC, os valores concedidos aos projetos aprovados, após comprovada a transferência de recursos à conta vinculada do empreendedor; VI - analisar e emitir pareceres sobre os relatórios trimestrais de prestação de contas de projetos especiais; VII - analisar, aprovando ou não as prestações de contas de projetos finalizados, emitindo parecer conclusivo; VIII contribuir com sugestões para o aprimoramento do PEIC. CAPÍTULO III DOS MECANISMOS DE MOBILIZAÇÃO DE RECURSOS PARA INCENTIVO À CULTURA SEÇÃO I DO FUNDO ESTADUAL DE CULTURA Art. 17. O Fundo Estadual de Cultura - FEC é o mecanismo de natureza financeira e contábil, criado 103 com a finalidade de promover a mobilização de recursos e a aplicação, a fundo perdido, dos recursos financeiros previstos na Lei n.º 13.133/2001 com a finalidade de: I - prestar apoio à pesquisa e à realização de exposições, festivais, seminários e oficinas relativos às áreas culturais previstas no Parágrafo único do art. 3º deste Decreto; II - prestar apoio a projetos voltados à capacitação, aperfeiçoamento e reciclagem profissional de artistas e técnicos das áreas e segmentos culturais beneficiados pela Lei n.º 13.133/2001, bem como à realização de estudos e ações voltados à estruturação do mercado cultural; III - possibilitar a cobertura de despesas com transporte e seguro de objetos de valor cultural, destinados a exposições públicas; IV - promover a implantação de sistema de difusão de bens culturais incentivados pelo PEIC, no âmbito da SEEC, para circulação do acervo a ser formado com a contrapartida dos beneficiários; V - possibilitar o custeio de projetos voltados para a constituição, preservação, restauração, conservação, melhoria e ampliação de acervos públicos estaduais ou municipais; VI - tornar possível o custeio de projetos voltados à reforma, restauração, ou construção de bens móveis e imóveis de notório interesse cultural, bem como à aquisição de equipamentos necessários para seu funcionamento; VII - promover a divulgação e a preservação do patrimônio histórico, cultural, natural e artístico do Estado do Paraná; VIII - possibilitar a instituição de concursos e prêmios nas áreas culturais previstas no Parágrafo único do art. 3º deste Decreto; IX possibilitar o pagamento de contraprestação pecuniária indenizatória aos membros do CEC e da CEDEC, na forma a ser definida por Resolução da SEEC. Parágrafo único. O apoio a custeio de projetos, a que se refere os incisos V e VI deste artigo, somente poderá ser concedido a pessoas jurídicas de direito público e de direito privado, sem fins lucrativos, desde que comprove sua natureza cultural, nos termos deste Decreto, observadas as disponibilidades do FEC, sem prejuízo das normas de licitação pública, limitando-se o conjunto de projetos incentivados, nestes casos, a 50% (cinqüenta por cento) dos recursos líquidos previstos para o FEC anualmente. Art. 18. O limite máximo de incentivo a ser concedido a cada projeto aprovado pelo FEC será estipulado pelo Conselho Estadual de Cultura, anualmente, em moeda corrente oficial, ao tempo do lançamento dos editais de inscrição de projetos atendendo a diferenciação e especificidade da realidade do mercado de cada atividade, além da disponibilidade de recursos do FEC, observado o disposto no art. 32 da Lei nº 13.133/2001. Art. 19. Os recursos do FEC serão repassados aos projetos aprovados pelo CEC, nos prazos e condições a serem definidos por Resolução da Secretaria de Estado da Cultura. § 1º. A liberação dos recursos obedecerá a ordem cronológica de assinatura dos instrumentos de repasse, respeitada a disponibilidade financeira e os prazos de que trata o "caput" deste artigo. § 2º. Os recursos dos projetos incentivados pelo FEC deverão ser 104 movimentados em conta especial vinculada ao projeto. Art. 20. A Lei Orçamentária Anual da administração pública do Estado do Paraná consignará anualmente, ao Fundo Estadual de Cultura a título de transferências correntes, recursos equivalentes a até 1,5% (um e meio por cento) do ICMS previsto para o exercício. Parágrafo único. Os recursos, de que trata o "caput" deste artigo, serão repassados à conta bancária vinculada à Secretaria de Estado da Cultura, nominativo ao Fundo Estadual de Cultura. Art. 21. O Fundo Estadual de Cultura será administrado pela Secretaria de Estado da Cultura - SEEC, através do Conselho Estadual da Cultura. Art. 22. Constituem, ainda, recursos do FEC: I - as doações e legados de pessoas físicas e jurídicas nacionais, estrangeiras e internacionais; II - as subvenções, auxílios e contribuições oriundas de instituições públicas e privadas; III - as transferências decorrentes de convênios e acordos; IV - a devolução de recursos de projetos não iniciados ou interrompidos, com ou sem justa causa, contemplados por benefícios decorrentes da Lei n.º 13.133/2001; V - os saldos bancários de exercícios anteriores; VI - outras receitas. SEÇÃO II DO MECENATO SUBSIDIADO Art. 23. O Mecenato Subsidiado é o mecanismo de natureza contábil de concessão de estímulos e incentivos fiscais, criado com prazo indeterminado e com o objetivo de promover a captação, a mobilização e a aplicação de recursos financeiros destinados à produção cultural, permitindo a transferência direta de recursos do incentivador para o empreendedor cultural, com a finalidade de patrocínio a projeto cultural aprovado pela CEDEC. SUBSEÇÃO I DO CRÉDITO FISCAL Art. 24. Para cumprimento do disposto no inciso I do art. 4º da Lei n.º 13.133/2001, será concedido crédito presumido de ICMS aos contribuintes que financiarem projetos culturais, nos termos da referida Lei, equivalente a 100% (cem inteiros percentuais) sobre o valor aplicado em projeto aprovado pela Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural, limitado em cada período de apuração à parcela do saldo devedor do imposto apropriado no período imediatamente anterior ao da apropriação, respeitando o montante global previsto no citado art. 4º, conforme segue: I - 0,25% (vinte e cinco centésimos por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valor igual ou superior a R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais); II 0,4% (quatro décimos por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valores entre R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) e R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais); III - 0,8% (oito décimos por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valores entre R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) e R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais); IV - 1,0% (um por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valores entre R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) e R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais); V - 1,5% (um e meio por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valores entre R$ 1.000.000,00 (um milhão de 105 reais) e R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); VI - 2,0% (dois por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valores entre R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) e R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); VII - 2,5% (dois e meio por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valores entre R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) e R$ 700.000,00 (setecentos mil reais); VIII - 3,0% (três por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valores entre R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) e R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais); IX - 4,0% (quatro por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valores entre R$ 100.000,00 (cem mil reais) e R$ 200.000,00 (duzentos mil reais); X - 5,0% (cinco por cento) para contribuintes que recolhem mensalmente valor abaixo de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Parágrafo único. A apropriação do crédito presumido, de que trata o presente artigo, far-se-á nas seguintes condições: a) dar-se-á somente após a expedição, pela Secretaria de Estado da Cultura de documento que habilite e aprove o ingresso do contribuinte no Programa Estadual de Incentivo a Cultura e que discrimine o total da aplicação no projeto cultural; b) poderá ocorrer somente a partir do período de apuração em que houver sido efetuada a transferência dos recursos financeiros para o empreendedor cultural inscrito no Cadastro Estadual de Produtores e Entidades Culturais; c) na hipótese de transferência parcelada de recursos, aplica-se o prazo previsto na alínea "b", para cada uma das parcelas; d) fica condicionada a que o contribuinte: 1. mantenha em seu estabelecimento, pelo prazo decadencial, os documentos comprobatórios da transferência de recursos financeiros para o empreendedor cultural; 2. esteja em dia com o pagamento do imposto e com a entrega da Guia de Informação e Apuração do ICMS - GIA/ICMS; 3. não tenha débito inscrito em Dívida Ativa, salvo se objeto de parcelamento ou garantida nos termos do art. 9º da Lei n. 6.830, de 22 de setembro de 1980, mesmo que antes do ajuizamento da ação de execução. Art. 25. A Secretaria de Estado da Cultura deverá enviar, mensalmente, listagem à Secretaria da Fazenda, com a discriminação dos contribuintes que ingressaram no Programa Estadual de Incentivo a Cultura no mês anterior, bem como o total do valor a ser aplicado pelo contribuinte. Art. 26. O limite máximo de incentivo a ser concedido aos projetos aprovados pela CEDEC será estipulado em moeda corrente oficial, anualmente, ao tempo do lançamento do edital de inscrição de projetos, atendendo a diferenciação e especificidade da realidade do mercado de cada atividade das áreas culturais contempladas, bem como a comprovada capacidade de produção dos empreendedores, observado o art. 32 da Lei nº 13.133/2001. SUBSEÇÃO II DA CAPTAÇÃO E CONCESSÃO DOS RECURSOS INCENTIVADOS Art. 27. Os projetos culturais aprovados pela CEDEC receberão da SEEC Certificado de Aprovação que, ao demonstrar seu mérito, qualidade e relevância para o desenvolvimento cultural da 106 sociedade paranaense, autorizará o empreendedor cultural a buscar patrocínio junto aos contribuintes do ICMS. Parágrafo único. A certificação, a que se refere o "caput" deste artigo, será realizada através de publicação no Diário Oficial do Estado, onde constará o título do projeto, o empreendedor beneficiado, o valor autorizado para captação e o prazo de validade para autorização. Art. 28. Os contribuintes interessados em investir em projeto aprovado deverão emitir uma Carta de Intenção, contendo: I - a identificação do projeto e de seu proponente; II - a identificação do Contribuinte Incentivador, com a indicação da razão social, e do número de inscrição no Cadastro do ICMS, CNPJ e do endereço; III - o valor do incentivo expresso em moeda corrente; IV - a forma de transferência dos recursos ao projeto: em quota única ou em parcelas mensais. Art. 29. O empreendedor cultural entregará a Carta de Intenção do contribuinte à Coordenadoria de Incentivo à Cultura, para verificação da regularidade fiscal do contribuinte, bem como da regularidade do empreendedor referente a prestação de contas de outros projetos beneficiados pelo Programa, autorizando ou não a emissão do Certificado de Incentivo. § 1º. Verificada irregularidade na situação fiscal do contribuinte o empreendedor cultural poderá buscar sua substituição. § 2º. Deferida a intenção do contribuinte, a Coordenadoria de Incentivo à Cultura emitirá o Certificado de Incentivo, em três vias, destinando a primeira ao contribuinte incentivador, a segunda ao produtor cultural e a terceira à própria unidade administrativa. § 3º. Serão deferidos tantos Certificados de Incentivo quantos forem os patrocinadores do projeto e as parcelas de recursos transferidos. Art. 30. De posse do Certificado de Incentivo o empreendedor deverá promover a abertura de conta corrente em banco da sua livre escolha, por meio da qual efetuará a movimentação financeira relativa ao projeto. § 1º. O empreendedor somente poderá movimentar a conta vinculada do projeto após a captação e transferência efetiva de incentivos que garantam o mínimo de 35% (trinta e cinco por cento) do valor global do projeto e mediante prévia autorização da Coordenadoria de Incentivo à Cultura. § 2º. Os recursos da conta vinculada poderão ser aplicados pelo empreendedor no mercado financeiro pelo tempo estritamente necessário a execução do projeto, com a devida prestação de contas. Art. 31. O contribuinte incentivador, recebendo o Certificado de Incentivo, efetuará o pagamento correspondente ao incentivo diretamente ao empreendedor, mediante depósito do valor na conta bancária, de que trata o artigo anterior, por meio de cheque nominal, devendo o empreendedor emitir recibo em três vias que serão destinadas, a primeira ao incentivador, a segunda ao empreendedor, e a terceira à Coordenadoria de Incentivo à Cultura. Art. 32. Para a apropriação do crédito presumido, de que trata o art. 34 deste Decreto, o contribuinte deverá: I - emitir nota fiscal, modelos 1 ou 1-A, fazendo constar nos campos "Natureza da Operação" a 107 expressão "Crédito Presumido" e, no quadro "Dados do Produto", o número, a data e o valor dos documentos relativos às operações que geraram direito ao crédito presumido; II - lançar na nota fiscal a que se refere o inciso anterior, no campo "Observações" do livro Registro de Saídas e o valor do crédito no campo "Outros Créditos" do livro Registro de Apuração do ICMS. Art. 33. Encerrados os prazos para captação e tornado inviável o projeto cultural, os recursos a ele destinados serão encaminhados ao Fundo Estadual de Cultura. Parágrafo único. No caso de captação parcial dos recursos autorizados, se mantido o espírito do projeto e sua viabilidade, mesmo que parcial, o produtor cultural deverá encaminhar solicitação propondo o redimensionamento das metas e custos, dirigida à CEDEC, que decidirá sobre a questão com base em parecer técnico especializado. Art. 34. Aos contribuintes do ICMS, na forma da Lei n.º 13.133/2001 e deste Decreto, é facultado o lançamento a título de crédito presumido de ICMS no montante equivalente aos recursos financeiros aplicados em projetos culturais aprovados pela Comissão Estadual de Desenvolvimento Cultural. § 1º. A aplicação será realizada pela transferência dos recursos financeiros do contribuinte para o produtor cultural beneficiado, diretamente em conta vinculada ao projeto, devendo ficar à disposição da SEFA os documentos bancários correspondentes. § 2º. O crédito presumido, que trata este artigo, será de 100% (cem inteiros percentuais) dos recursos aplicados pelas empresas, restritos estes valores, em cada período de apuração, ao montante do saldo devedor do imposto apurado no período imediatamente anterior ao da apropriação. § 3º. O disposto no "caput" deste artigo não se aplica ao crédito tributário inscrito em dívida ativa. Art. 35. O montante global dos incentivos previstos pela Lei n.º 13.133/2001 para o Mecenato Subsidiado, será fixado anualmente por ato do poder competente, sendo vedada fixação inferior a 0,5% (meio por cento) da receita orçada proveniente do ICMS. Parágrafo único. A utilização mensal dos recursos previstos neste artigo deverá obedecer à proporção de 1/12 (um doze avos) , podendo exceder em, no máximo, 20% deste limite. CAPÍTULO IV DAS PENALIDADES Art. 36. Além das sanções civis e penais cabíveis e da devolução dos recursos incentivados já captados, devidamente corrigidos monetariamente, será multado em 10% (dez por cento) o empreendedor que: I - não comprovar a correta aplicação dos termos da Lei n.º 13.133/2001 e deste Decreto, por dolo, desvio dos objetivos ou dos recursos; II - não realizar o projeto após o prazo concedido no Certificado de Aprovação; III - não prestar contas, em até trinta dias após a realização do projeto ou da expiração do prazo do Certificado de Aprovação. § 1º. O empreendedor, pessoa física ou jurídica, que incidir nos incisos I, II, e III do art. 37, deste Decreto, ficará impossibilitado de protocolar novos projetos, ou mesmo participar como prestador de serviços em projetos de outros empreendedores, até a 108 devida regularização das causas do impedimento. § 2º. Da decisão caberá recurso à CEDEC, no prazo de trinta dias. Art. 37. O empreendedor que não apresentar informações solicitadas pela CEDEC ou pelo CEC, nos prazo de quinze dias, poderá sofrer as seguinte sanções aplicáveis pela Secretaria de Estado da Cultura, assegurado ao mesmo ampla defesa: I - advertência; II - multa fixada em 1% (um por cento) sobre o valor do projeto; III - suspensão do projeto cultural e impedimento de protocolar novos projetos, em caso de reincidência. Art. 38. Os recursos obtidos pela SEEC relativos a multas e pagamentos previstos nos arts. 36 e 37, deverão ser creditados diretamente ao Fundo Estadual de Cultura para aplicação em novos projetos culturais. CAPÍTULO V DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 39. As Secretarias de Estado da Cultura e da Fazenda, por ato próprio, expedirão normas complementares à execução deste Decreto, estabelecendo prazos, critérios e procedimentos sobre a organização e o funcionamento do PEIC. Art. 40. Os Secretários de Estado da Cultura e da Fazenda promoverão o remanejamento de pessoal e a relotação de cargos, com o objetivo de dar atendimento às necessidades administrativas da Coordenadoria de Incentivo à Cultura. Art. 41. A CIC promoverá a abertura do Cadastro Estadual de Produtores e Entidades Culturais, no prazo de sessenta dias após a publicação deste ato. Art. 42. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 43. Revogam-se as disposições em contrário. Curitiba, em 15 de abril de 2002, 181º da Independência e 114º da República. JAIME LERNER, Governador do Estado MONICA RISCHBIETER, Secretária de Estado da Cultura INGO HENRIQUE HÜBERT, Secretário de Estado da Fazenda JOSÉ CID CAMPÊLO FILHO, Secretário de Estado do Governo MIGUEL SALOMÃO, Secretário de Estado do Planejamento e Coordenação Geral ENTREVISTA LELOIR – SMEL (SECRETARIA MUNICIPAL DE ESPORTE E LAZER) 1) Como surgiu a vinculação de ações de dança com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer? Desde quando? 2) Quais as ações relacionadas à dança promovidas pela Secretaria? Em que épocas elas são realizadas? 3) A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer desenvolve estas ações isoladamente ou existem parceiros? Se sim, quais? 4) Como a dança é posicionada e aplicada para a sociedade? 5) Como é a receptividade das comunidades onde a SMEL atua? Que tipo de participação os mesmos apresentam? 6) Quais os resultados esperados e quais os resultados alcançados pelas ações da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer em relação somente à dança? 7) Qual a porcentagem de participação dos artistas - bailarinos nas ações oferecidas? 109 PERGUNTAS PARA MONOGRAFIAVOLTADO A ARTISTAS DIRETORES DE GRUPOS DE DANÇA E BAILARINOS 1) Qual a linguagem principal de dança da Companhia/grupo? 2) Qual a situação atual do grupo? Como atua? Quantas apresentações mensais fazem em média e quais os lugares? 3) Qual a freqüência que a companhia /grupo paga monetariamente para se apresentar? 4) Qual a freqüência que a companhia/grupo recebe monetariamente para se apresentar? 5) Qual a expectativa de público por apresentação? 6) Você sabe o perfil do público que consome sua arte? 7) Você sente necessidade de um agente que direcione o trabalho da companhia/grupo de maneira profissional? 8) Você acha que um estudo detalhado dos componentes do “mercado” da dança seriam úteis e desenvolveriam de maneira benéfica a companhia/grupo de dança? 9) A Companhia/grupo recebeu ou recebe patrocínio privado ou público? Se a resposta for positiva, qual é a forma de patrocínio? 10)A Companhia/grupo já participou de editais municipais de incentivo à cultura? Este processo foi continuado? 11)Como você vê o espaço da dança em Curitiba nos dias atuais? 12)O que é feito para a constância e permanência da companhia/grupo no mercado de trabalho curitibano? 13)Como a companhia/grupo vê a participação do público nas apresentações? 14)Qual o tipo de divulgação utilizado pela companhia/grupo para atrair a atenção do público leigo?