Disponível em http://www.anpad.org.br/rac-e RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 Inovação Tecnológica e Vantagem Competitiva no Setor de Telefonia Móvel Brasileiro: Estudos de Caso em Filiais no Rio Grande do Sul Technological Technological Innovation and Competitive Advantage in the Brazilian Mobile Telephone: Case Studies at Branches in Rio Grande do Sul State Luciano Barin Cruz* Docteur ès Science de Gestion pela Université Jean Moulin Lyon III, França e pelo PPGA/UFRGS, Brasil. Professor Adjunto do CMA/UNIFOR, Fortaleza/CE, Brasil. Eugenio Avila Pedrozo Docteur no Institut National Polytechnique de Lorraine, França. Professor Adjunto do Programa do PPGA/UFRGS; Diretor do CEPAN/UFRGS, Porto Alegre/RS, Brasil. *Endereço: Luciano Barin Cruz Universidade de Fortaleza, Fundação Edson Queiroz, Av. Washington Soares, 1321, Fortaleza/CE, 60811-905. E-mail: [email protected] Copyright © 2008 RAC-Eletrônica. Todos os direitos, inclusive de tradução, são reservados. É permitido citar parte de artigos sem autorização prévia desde que seja identificada a fonte. Luciano Barin Cruz, Eugenio Avila Pedrozo 2 RESUMO O pioneirismo na adoção de novas tecnologias e no desenvolvimento de novos serviços têm conduzido boa parte da estratégia das organizações do setor de telefonia móvel, no Brasil. Diante desta realidade, o objetivo deste artigo está em identificar e comparar as vantagens competitivas que estão sendo geradas para as empresas de telefonia móvel brasileiras, a partir de suas opções tecnológicas (CDMA; GSM), tendo em vista suas operações no Rio Grande do Sul. Para tanto realizou-se uma pesquisa de natureza exploratória e qualitativa, que teve duas fases. Na primeira fase, foi constituído um arcabouço teórico com as principais categorias estratégicas do setor de telefonia móvel brasileiro, que serviu de base para a segunda fase. Na segunda fase, foram realizados dois estudos de caso com duas das maiores (mais de 60% de market share) empresas de telefonia móvel no país. Como principal resultado identificou-se que a maioria das vantagens competitivas dessas empresas realmente advém da opção tecnológica (CDMA; GSM) e não propriamente de ações organizacionais. Outro aspecto importante foi a possibilidade de associar competências com geração de vantagem competitiva, porque, a partir de uma perspectiva interna, distinguiram-se os conceitos de recursos, capacidades e competências, para comparar as empresas estudadas. Palavras-chave: estratégia competitiva; vantagem competitiva; inovação tecnológica; stakeholders; telefonia móvel. ABSTRACT The dispute for first place in the adoption of new technologies and in the development of new services has guided many of the strategies of the Brazilian mobile telephone companies. This article aims to identify and compare the competitive advantages that are being generated by Brazilian mobile telephone companies and that stem from their technological options (CDMA; GSM) for operations in Rio Grande do Sul State. The research is exploratory and qualitative, being developed in two phases. In the first phase, the theoretical framework, with the main strategic categories of the sector, was developed and served as the basis for the second phase. In the second phase, two case studies were conducted with two of the largest (altogether, they represent more than 60% of the market share of the sector) mobile telecoms in the country. The main result was the finding that most competitive advantages of these companies stem from their technological options (CDMA; GSM) rather than from organizational actions. Another important result was the identification of competences with the generation of competitive advantages. From a Resources Based View perspective, a distinction was made among the concepts of resources, capacities and competences in order to compare the studied companies. Key words: competitive strategy; competitive advantage; technological innovation; stakeholders; mobile telephony. RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Inovação Tecnológica e Vantagem Competitiva no Setor de Telefonia Móvel Brasileiro: Estudos de Caso em Filiais no Rio Grande do Sul 3 INTRODUÇÃO Desde o final do último século, a globalização tem influenciado a vida da humanidade. As fronteiras físicas e virtuais que separavam as pessoas foram sendo gradativamente rompidas. Do ponto de vista econômico, os países derrubaram suas fronteiras, e passaram a importar e exportar mercadorias para todo o mundo. Grandes multinacionais entraram em diversos países, fazendo com que a concorrência em mercados globalizados esteja cada vez mais presente. Esta abertura de mercado trouxe consigo um incremento substancial da concorrência entre empresas em um mesmo segmento. Neste sentido, setores como o de telefonia móvel têm sido fortemente influenciados pelas ações de grandes multinacionais que dominam os principais mercados. Estas, através de inovações tecnológicas, buscam desenvolver estratégias, visando à construção de vantagens competitivas. As tecnologias que dominam este setor (analógicas – Advanced Mobile Phone System – AMPS; e digitais – Time Division Multiple Access - TDMA, Code Division Multiple Access - CDMA, Global System for Mobile - GSM) são usadas globalmente por players internacionais, podendo ser adquiridas e implementadas em diversos países. No Brasil, este também é o cenário. Grandes grupos multinacionais de telecomunicações dominam o mercado, e estão implementando tecnologias concorrentes no país, na busca por vantagens competitivas. Baseado neste cenário, o presente estudo estruturou-se com o objetivo de identificar e comparar as vantagens competitivas geradas para duas empresas de telefonia móvel nacionais (Empresa A e Empresa B), a partir de suas opções tecnológicas (CDMA; GSM), tendo em vista suas operações no Estado do Rio Grande do Sul. Partiu-se de uma proposição inicial de que, neste setor, os aspectos ligados diretamente à tecnologia utilizada pelas empresas eram mais relevantes para a formação de vantagens competitivas do que aspectos que não fossem tão diretamente ligados. Ressalta-se que tanto a tecnologia CDMA como a GSM são tecnologias digitais, porém possuem princípios diferentes. Resumidamente, o CDMA é uma tecnologia, cujo sinal (voz/dados) é convertido em códigos distintos para cada conversação/transmissão, ou seja, é como se fossem colocadas em uma sala pares de pessoas de diversos idiomas, e elas falassem todas ao mesmo tempo e se entendessem. Já o GSM é uma tecnologia, cujo sinal (voz/dados) é alocado dentro de um canal, conforme o tempo da conversação/transmissão, ou seja, é como se um trem fosse o canal de transmissão, existindo uma conversa em cada vagão; para que outra conversa ocorresse em um dos vagões, seria necessário que a conversa anterior desocupasse o espaço. Hoje, a tecnologia CDMA tem sua maior representação, em termos de utilização, em grande parte dos Estados Unidos e na Ásia. Já a tecnologia GSM se encontra mais pulverizada ao redor do Mundo, tendo penetração quase exclusiva na Europa e na maioria da América Latina, sendo a tecnologia mais utilizada globalmente. Com o intuito de apresentar os resultados desta pesquisa, nos parágrafos seguintes são trazidos os principais referenciais teóricos utilizados, assim como os procedimentos metodológicos adotados na pesquisa e os resultados encontrados. REFERENCIAL TEÓRICO O referencial teórico que embasou esta pesquisa esteve centrado em 3 grandes temas: Inovação Tecnológica; Estratégia Competitiva e Teoria dos Stakeholders. Cabe ressaltar que as idéias e os autores apresentados aqui representam aqueles que foram utilizados de forma mais significativa para as análises ao longo da pesquisa, não esgotando os autores que têm contribuído para cada um destes temas. Assim, em relação à inovação tecnológica, diversos são os autores (Clark, 1989; Day & Schoemaker, 2003; Giget, 1997; Zafar Husain, 1997; Itami & Numagami, 1992; Nieto, Lopés, & RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Luciano Barin Cruz, Eugenio Avila Pedrozo 4 Cruz, 1998; Shaw, 2000; Pavitt, 1990) que têm contribuído para o tema. Dentre os autores brasileiros, destacam-se Cassiolato (2003), Coutinho, Cassiolato e Silva (1995), Tigre, Rovere e Fagundes (1995), Wohlers e Plaza (2000) que vêm desenvolvendo trabalhos que analisam o setor de telecomunicações. Para os objetivos deste estudo, adotou-se como autores principais Giget (1997) e Itami e Numagami (1992). Giget (1997) apresenta o que denomina como o “diamante da inovação total”. Ele afirma que a inovação não se limita à esfera técnica. As inovações mais promissoras e mais aptas a colocarem a empresa em situação de competitividade procedem, segundo ele, de recursos humanos e financeiros e principalmente de relações existentes e de troca de conhecimentos entre áreas da organização. O autor argumenta ainda que todas as organizações possuem cinco funções básicas: duas funções de recursos (humanos e financeiros) e três funções operacionais (científica/técnica, produtiva, de marketing e vendas). Além das funções de recursos, o diamante mostra as relações entre as funções que levam aos tipos de inovações de: recursos humanos-pesquisa (inovação no gerenciamento de pesquisa); recursos humanos-produção (inovação organizacional e social); recursos humanos-marketing (inovação no nível da força de vendas); produção-pesquisa (inovação de processo); produção-marketing (inovação de distribuição); pesquisa-marketing (inovação de produto); pesquisa-recursos financeiros (inovações financeiras em pesquisa e desenvolvimento); produção-recursos financeiros (inovação financeira na produção); marketing-recursos financeiros (inovação financeira nas vendas). O desenvolvimento da inovação (Giget, 1997), ocorre ao longo do eixo das funções de Pesquisa e Desenvolvimento e das funções de Marketing. Segundo o autor, esse eixo representa a inovação como resultado de dois fluxos: um começando pela função de Pesquisa e Desenvolvimento, passando pela função de Produção e terminando na função de Marketing, technical push; e outro começando pela função de Marketing, passando pela função de Produção e terminando na função de Pesquisa e Desenvolvimento, market pull. O autor afirma ainda que a magnitude desses fluxos varia e que a combinação dos dois é pré-requisito para resultados satisfatórios no processo de inovação. Itami e Numagami (1992), por sua vez, exploram a interação da estratégia com a tecnologia, considerando a tecnologia como um dos fatores centrais nas decisões estratégicas das organizações. Existem, então, três perspectivas de interação da estratégia com a tecnologia: a estratégia capitaliza a tecnologia; a estratégia cultiva a tecnologia; a tecnologia orienta a estratégia. A primeira perspectiva foca nos efeitos da estratégia corrente sobre a tecnologia corrente, ou seja, a estratégia que a empresa gostaria de adotar e a tecnologia que ela possui. Nessa perspectiva, a tecnologia pode agir sobre a estratégia das seguintes maneiras: como arma competitiva que a empresa pode utilizar a seu favor; como algo a que ela se deve adaptar; como ameaça de que a empresa deve proteger-se e competir. Neste caso a premissa básica é que a estratégia corrente pode fazer o melhor uso da tecnologia da empresa e, implicitamente, pode ser o limitante tecnológico da empresa. A segunda perspectiva foca nos efeitos de estratégias correntes sobre tecnologias futuras. Segundo os autores, nessa perspectiva o esforço de desenvolvimento tecnológico pode trazer para a empresa não somente armas competitivas efetivas no negócio corrente, mas também profunda base tecnológica aplicada em outros negócios futuros da empresa, ou seja, a tecnologia é extensiva neste caso. A terceira perspectiva foca nos efeitos da tecnologia corrente sobre as estratégias futuras. Esta perspectiva representa as tecnologias que a empresa possui no momento atual e /ou o compromisso corrente da empresa para o desenvolvimento tecnológico, afetando no processo cognitivo humano para a formação das estratégias. Os autores ressaltam que a tecnologia corrente pode afetar o processo cognitivo individual e organizacional em duas etapas: a primeira é a de um profundo conhecimento de tecnologias compartilhadas por diversas pessoas na empresa, estimulando-as a terem idéias sobre novos produtos e novas armas competitivas por meio dessas tecnologias; a segunda é o compartilhamento do entendimento e da compreensão dessas idéias emergentes que se constituirão em estratégias. RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Inovação Tecnológica e Vantagem Competitiva no Setor de Telefonia Móvel Brasileiro: Estudos de Caso em Filiais no Rio Grande do Sul 5 Em relação à estratégia competitiva (Amit & Shoemacker, 1993; Barney, 1991; Coyne, 1986; Dierickx & Cool, 1989; Grant, 1991; Hall, 1992; Hitt, Ireland, & Hoskisson, 2002; Javidan, 1998; Mahoney & Pandian, 1992; Peteraf, 1993; Porter, 1986, 1989; Prahalad & Hamel, 1990; Reed & Defillippi, 1990; Wernerfelt, 1984), foram utilizados basicamente autores contemporâneos das duas abordagens que dominam o debate acadêmico atual sobre o tema: Organização Industrial (Porter, 1989); e Recursos Internos (Hall, 1992; Hitt et al., 2002; Javidan, 1998). Em relação à abordagem da Economia da Organização Industrial, Porter (1986; 1989) é um dos autores mais influentes e utilizados, quando se fala em estratégia. Até mesmo por isto, não se entrará em detalhes sobre o seu modelo, limitando-se aqui a explorar algumas de suas características centrais, vão ajudar nas análises subseqüentes. Segundo esta perspectiva, a lógica central estaria na chamada estrutura-conduta-desempenho; ou seja, primeiro seria necessário observar a estrutura da indústria em que a empresa se insere. Isto implicaria analisar o que Porter (1986) propõe como sendo as 5 forças: entrada de novos concorrentes; ameaça de substitutos; poder de negociação dos compradores; poder de negociação dos fornecedores; rivalidade entre os concorrentes. Após esta análise, deveria ser observada a cadeia de valor interna da empresa, verificando as condições internas de resposta a esta estrutura da indústria. A partir da análise desta estrutura, a empresa poderia adotar uma determinada conduta: estratégia de custo; estratégia de diferenciação; estratégia de enfoque. Desta conduta a empresa poderia esperar como desempenho a obtenção de vantagens competitivas de custo e vantagens competitivas de diferenciação. As vantagens de custo se dão através do controle dos condutores de custo (escala, aprendizagem, efeito da utilização da capacidade, elos, inter-relações, integração, oportunidades, políticas discricionárias, localização, fatores institucionais), e da reconfiguração da cadeia de valores da empresa (processos de produção diferentes, diferenças na automação, vendas diretas ao invés de indiretas, canal de distribuição, matéria-prima, diferenças na integração vertical para frente e para trás, localização de instalações em relação a fornecedores e distribuidores, meios de publicidade). Já as vantagens de diferenciação, se dão através do controle dos condutores de singularidade (escolha de políticas, elos, oportunidades, localização, inter-relações, aprendizagem, integração, escala, fatores institucionais) e da reconfiguração da cadeia do comprador (redução dos custo de entrega, instalação e financiamento; do índice necessário de consumo do produto; do custo direto de utilização do produto; do custo indireto de utilização do produto; do custo do comprador em atividades de valor que não possuam ligação com os produtos físicos, dos riscos de falha do produto). Na abordagem de Recursos Internos, Hall (1992) trabalha com a noção de recursos intangíveis, tais como: ativos com contexto legal (contratos, licenças etc); ativos sem contexto legal (reputação, bases de dados, etc); know how (funcionários, fornecedores etc); cultura organizacional (percepção de qualidade; habilidade para gerenciar). Com base nesses recursos intangíveis, Hall (1992) utiliza a contribuição de Coyne (1986) sobre capacidades para formar seu modelo. Segundo Coyne (1986), as fontes para uma vantagem competitiva sustentável viriam de quatro tipos de capacidades diferenciais: capacidade funcional (resulta do conhecimento, das habilidades, da experiência dos funcionários e de outros que compõem a cadeia de valor); capacidade cultural (incorpora hábitos, atitudes, crenças e valores que permeiam indivíduos e grupos na organização); capacidade posicional (é conseqüência de atitudes passadas, que produziram algum tipo de reputação com os clientes, algum tipo de vantagem de colocação etc); capacidade regulatória (resulta da posse de questões legais, como direitos de propriedade intelectual, contratos, segredos de troca etc). Javidan (1998) e Hitt et al. (2002) apresentam construtos semelhantes, que se baseiam nos recursos, capacidades e competências para o alcance da vantagem competitiva. Começando por Javidan (1998), o autor apresenta um constructo hierárquico para as competências, que inicia pelos recursos, que podem tornar-se capacidades, e após, competências, até chegar às competências essenciais. À medida que se sobe nessa hierarquia, cresce também o valor criado para a organização e as dificuldades. Para ele existe muita confusão na conceituação e na diferenciação do que são recursos, capacidades e competências; diante disto, para as organizações chegarem a vantagens competitivas, é preciso que elas tenham estes conceitos esclarecidos. Nesse sentido, o autor apresenta as seguintes definições: os recursos são as entradas na cadeia de valor da organização; as capacidades referem-se à habilidade da RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Luciano Barin Cruz, Eugenio Avila Pedrozo 6 organização em explorar os seus recursos; as competências são a integração funcional e a coordenação das capacidades; e as competências essenciais são as coleções de competências difundidas na organização, ou seja, o resultado da interação de diferentes competências. Hitt et al. (2002) argumentam que a hierarquia começaria pelos recursos, sendo estes divididos em tangíveis (recursos financeiros, organizacionais, físicos e tecnológicos) e intangíveis (recursos humanos, de inovação e de reputação). Do nível dos recursos se passaria para o nível das capacidades, que seriam habilidades que a empresa têm de organizar os recursos integrados, de forma propositada, para alcançar a condição final desejada, chegando diretamente às competências essenciais. Estas últimas são definidas pelos autores como sendo recursos e capacidades que servem de fonte de vantagem competitiva para uma organização em relação a seus concorrentes. Para chegar às vantagens competitivas, quatro critérios na descoberta das competências essenciais devem ser verificados. Elas devem ser: valiosas; raras; de imitação dispendiosa, insubstituíveis. Em relação à Teoria dos Stakeholders, embora também existam diversos autores que têm explorado esta perspectiva (Freeman 1984; Frooman, 1999; Jensen, 2001; Mitchell, Agle, & Wood et al., 1997; Rowley, 1997), uma interessante contribuição (que será utilizada nas análises posteriores) sobre a relação de poder entre a empresa e o stakeholder é a apresentada por Frooman (1999). Segundo o autor, quando os stakeholders não são dependentes da empresa e a empresa não é dependente dos stakeholders existe baixa interdependência entre os dois; quando os stakeholders são dependentes da empresa e a empresa não é dependente dos stakeholders, existe um poder da empresa em relação aos stakeholders; quando os stakeholders não dependem da empresa e a empresa depende dos stakeholders, existe um poder dos stakeholders em relação à empresa; quando os stakeholders dependem da empresa e a empresa depende dos stakeholders, existe alta interdependência de ambos. Nessa tipologia o poder tem papel central. É o principal determinante de resultados em situações em que os interesses dos stakeholders e os da empresa são divergentes. Conforme comentado anteriormente, não se pretendia aqui esgotar os autores que têm contribuído de forma significativa nestas áreas teóricas apresentadas. Foram apresentados somente aqueles autores que, de alguma forma, serviram de base para as análises subseqüentes. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Esta pesquisa caracterizou-se como exploratória e qualitativa. Para a sua realização, duas fases foram necessárias. Na primeira fase, buscou-se construir um arcabouço teórico que contemplasse as principais categorias estratégicas do setor brasileiro de telefonia móvel. Para tanto foram realizadas entrevistas de 14 experts no setor de telefonia móvel nacional, cujas características foram as seguintes: quatro entrevistados atuando na área acadêmica em pesquisas sobre efeitos das radiações por transmissões de ondas eletromagnéticas; dois entrevistados atuando na área acadêmica (com pesquisas relacionadas à área de Marketing), e que coordenaram um dos órgãos responsáveis pela realização de pesquisas de satisfação de clientes de telefonia móvel (pesquisas passadas), encomendadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL); dois funcionários de uma operadora de telefonia fixa que passou a operar em telefonia móvel apenas em 2004 (no momento da realização destas entrevistas, esta empresa só atuava em telefonia fixa); um funcionário de empresa fabricante de aparelho celular; um funcionário de empresa fornecedora da tecnologia Global System for óbile (GSM); um funcionário de empresa fornecedora da tecnologia Code Division Multiple Access (CDMA); uma funcionária de empresa detentora dos direitos de patente da tecnologia CDMA; o presidente do conselho diretor de uma entidade civil de defesa dos direitos dos consumidores intranqüilos com a telefonia móvel no Brasil que coordena a entidade nacionalmente, tendo amplo conhecimento de aspectos legais e éticos referentes ao setor de telefonia móvel; o editor de uma revista especializada em telecomunicações, de RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Inovação Tecnológica e Vantagem Competitiva no Setor de Telefonia Móvel Brasileiro: Estudos de Caso em Filiais no Rio Grande do Sul 7 grande circulação no Brasil. Cabe ressaltar que essas entrevistas foram realizadas parte em Porto Alegre (8 entrevistados) e parte em São Paulo (6 entrevistados). Após a realização dessas entrevistas, a sua análise se deu através da técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2000; Moraes, 1999). Dessa análise de conteúdo emergiram vinte e sete (27) categorias iniciais. A partir dessas categorias iniciais, e aqui pode-se considerar uma das contribuições metodológicas desse estudo, incorporou-se o referencial teórico apresentado anteriormente sobre Inovação Tecnológica, Estratégia Competitiva e Teoria dos Stakeholders, para constituir as categorias intermediárias e finais, concluindo assim o arcabouço teórico utilizado. Enfatiza-se que havia sido construído um arcabouço teórico, com base em referencial teórico inicial; porém nessa fase houve acréscimos nesse referencial teórico, principalmente devido à emergência de novas características após a análise das respostas dos experts. Na segunda fase da pesquisa, foram realizados dois estudos de caso (Empresa A e Empresa B) com duas empresas que representavam mais de 60% do market share nacional da telefonia móvel (Market Share do setor de Telefonia Móvel – Teleco (2004)). A pesquisa nas empresas se deu a partir de suas filiais no Estado do Rio Grande do Sul. A Empresa A mantém-se como líder de mercado desde o começo de suas operações no Brasil. Ela é resultado da união de diversas operadoras regionais, ensejada pela formação de uma joint-venture no Brasil, entre duas grandes multinacionais européias de telefonia, e atua em grande parte do território nacional. A Empresa B foi por bastante tempo a segunda maior empresa do país, e atualmente divide esta posição com outra operadora. Ela é resultado da união de diversas operadoras regionais que atuavam no país, sendo controlada por grande acionista latinoamericano. A Empresa B também tem abrangência nacional, atuando na maior parte do território brasileiro. Como técnica de análise, para a segunda fase da pesquisa foi utilizada a triangulação de dados (Yin, 2001; Stake, 2000). Foram realizadas entrevistas de funcionários das duas empresas, observações em ambas as empresas através de visitas, observação e participação em uma das maiores feiras de telefonia móvel nacional (Telexpo Wireless 2003), e análise de dados secundários em sites e revistas especializadas. Cabe ressaltar que as entrevistas se deram em um total de seis (6) em cada empresa, e foram feitas com funcionários em nível de gerência, em áreas estratégico-mercadológicas e técnicas. É importante salientar que para a identificação das vantagens competitivas não foi utilizada a lógica tradicional de marketing, ou seja, partindo de dados quantitativos do mercado para identificar e caracterizar as vantagens competitivas. Em um primeiro momento foram analisadas as duas empresas, tendo em vista suas características individualmente. Em um segundo momento, considerou-se conjuntamente a diferenciação entre Recursos, Capacidades e Competências, classificando as Competências como fontes de vantagens competitivas. Optou-se por não fazer distinções entre os conceitos de competências e competências essenciais, embora se saiba que os autores aqui utilizados (Javidan, 1998; Hitt et al., 2002) as façam. A forma como foi operacionalizada a análise e a identificação dos Recursos, Capacidades, e Competências representa outra importante contribuição deste trabalho, principalmente pela grande variedade de definições que podem ser encontradas sobre estes conceitos. A Figura 1 apresenta um quadro geral com os procedimentos metodológicos utilizados na pesquisa. RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Luciano Barin Cruz, Eugenio Avila Pedrozo 8 Figura 1: Mapa dos Procedimentos Metodológicos da Pesquisa Etapa I Etapa II Etapa III Etapa IV Etapa V Etapa VI Etapa VII Etapa VIII Etapa IX MAPA DOS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA Fonte Descrição Técnica FASE 1 – CONSTRUÇÃO DO ARCABOUÇO TEÓRICO Revisão de Literatura Porter (1989); Itami e Numagami (1992); Leitura de Textos Hall (1992); Giget (1997); Frooman (1999) Entrevistas com Experts 14 experts no setor de telefonia móvel (8 em Análise de conteúdo Porto Alegre e 6 em São Paulo) (Bardin, 2000; Moraes, 1999) FASE 2 – ESTUDOS DE CASO Triangulação de dados Observação na feira de Contatos com estandes das maiores telecomunicações empresas do setor (Stake, 2000; Yin, 2001) Entrevistas com Executivos da 6 entrevistados de áreas mercadológicas Empresa A estratégicas e de áreas técnicas Observações nas Empresas A Visitas e observações nas empresas ao realizar as entrevistas Entrevistas com Executivos da 6 entrevistados de áreas mercadológicas Empresa B estratégicas e de áreas técnicas Observações na Empresa B Visitas e observações nas empresas ao realizar as entrevistas Análise Documental Consulta a sites e revistas especializados em telecomunicações. Análise dos sites da Empresa A e da Empresa B. Análise de artigos teóricos sobre telecomunicações (Assis, 1995). Retorno ao referencial teórico e Javidan (1998); Hitt et al. (2002) – Retorno Análise Comparativa comparação das vantagens ao referencial teórico para realizar a competitivas entre a Empresa A e a comparação entre as vantagens competitivas da Empresa A e da Empresa B Empresa B (recursos, capacidades e competências) Resultados Arcabouço Teórico Vantagens Competitivas da Empresa A e da Empresa B Comparação entre as vantagens competitivas da Empresa A e da Empresa B Fonte: Pesquisa. Os resultados são apresentados em duas fases conforme mostra a Figura 1. RESULTADOS DA PRIMEIRA FASE DA PESQUISA Da análise de conteúdo das entrevistas com os experts emergiram vinte e sete (27) categorias iniciais. A partir dessas categorias iniciais agregou-se o referencial teórico, constituindo assim onze (11) categorias intermediárias e sete (7) categorias finais, e por conseqüência, constituindo o arcabouço teórico. A Figura 2 mostra este arcabouço teórico. Figura 2: Arcabouço Teórico para o Setor de Telefonia Móvel Brasileiro CATEGORIAS INICIAIS Posicionamento no Mercado Segmentação de Mercado Inovação no Desenvolvimento de Serviços CATEGORIAS INTERMEDIÁRIAS Função de Marketing CATEGORIAS FINAIS Capacidade de Inovação (Giget, 1997) Função de Pesquisa e Desenvolvimento RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Inovação Tecnológica e Vantagem Competitiva no Setor de Telefonia Móvel Brasileiro: Estudos de Caso em Filiais no Rio Grande do Sul 9 (conclusão) Figura 2: Arcabouço Teórico para o Setor de Telefonia Móvel Brasileiro CATEGORIAS INICIAIS Expansão e Dinamicidade do Setor Investimento Tendência de Concentração de Grupos no Mercado Terceirização Efeitos na Estrutura e no Ambiente da Cidade Responsabilidade Social e Ética Credibilidade Junto aos Usuários Cuidados com os Efeitos da Radiação para a Saúde Humana Know How CATEGORIAS INTERMEDIÁRIAS Escala CATEGORIAS FINAIS Controle de Custos (Porter, 1989) Inter-relações Reputação Capacidade Posicional (Hall, 1992) Know How Capacidade Funcional (Hall, 1992) Relacionamento com Stakeholders (Frooman, 1999) Relacionamento com Stakeholders Relacionamento com Fornecedores Relacionamento com Entidades Civis Relacionamento com os Distribuidores Relacionamento com os Clientes Causas Judiciais Contratos Normatizações e Regulamentações Licenças Licenças Patentes Mudança de Conceito do Aparelho Tecnologia Orientando a Estratégia Celular Interconexão entre Sistemas e Integração dos Serviços de Telecomunicações Roaming Transmissão de Dados ERBs e Cobertura Globalização Estratégia Capitalizando a Tecnologia Aspectos Políticos Capacidade Regulatória (Hall, 1992) Interação Estratégia Tecnologia (Itami & Numagami, 1992) Fonte: Pesquisa. Apesar de não ser possível, aqui, fazer uma apresentação detalhada de cada uma das categorias iniciais, alguns comentários serão feitos sobre o conteúdo dessas categorias. Em relação à Capacidade de Inovação (Giget, 1997), ela é formada pelas categorias intermediárias ‘Função de Marketing’ e ‘Função de Pesquisa e Desenvolvimento’. Verifica-se que atualmente o setor de telefonia móvel brasileiro está passando por um período de intensa competição por inovação no desenvolvimento de produtos e serviços; desta forma, as empresas além de simplesmente incorporarem as inovações de suas matrizes, estão desenvolvendo também produtos e serviços específicos para a realidade das diferentes regiões onde atuam, o que implica ajustes tecnológicos para estas necessidades. Assim, os experts entendem que a Capacidade de Inovação tem sido uma categoria estratégica de relevância para as empresas deste setor. Mais do que isto, o Posicionamento no Mercado e os Segmentos que cada empresa está focando são também diferenciais destacados pelos experts. Em relação ao Controle de Custos (Porter, 1989), esta categoria é formada pelas categorias intermediárias ‘Escala’ e ‘Inter-Relações’. Atualmente, algumas tecnologias têm propiciado escala mundial para algumas das empresas do setor, o que leva a custos mais baixos. Isto se dá RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Luciano Barin Cruz, Eugenio Avila Pedrozo 10 fundamentalmente devido à escolha de tecnologia que cada empresa está fazendo. Além disso, existe uma tendência no mercado nacional de integração entre as operadoras de telefonia móvel, no sentido de formar grandes alianças para competir nacionalmente. Com isto, as empresas deixaram de ser regionais e passaram a ter abrangência nacional. A Capacidade Posicional (Hall, 1992), por sua vez, é formada pela categoria intermediária “Reputação”. Pelo depoimento dos experts verifica-se que esta categoria representa a necessidade de construção e manutenção de uma reputação por parte das empresas do setor. Questões ambientais e relacionadas à responsabilidade social e ética dessas empresas foram algumas das categorias apontadas pelos experts como estratégicas no cenário atual da telefonia móvel brasileira. Além dessas, a preocupação com os efeitos da radiação dos celulares para a saúde humana e a busca por credibilidade em face dos consumidores se mostraram outros importantes aspectos a serem considerados neste setor. Em relação à Capacidade Funcional (Hall, 1992), a mesma é formada pela categoria intermediária “Know How”. Verifica-se como fundamental a questão que envolve o know-how das empresas do setor. Os experts apontam esta como uma categoria estratégica para as empresas, principalmente pelas constantes mudanças de tecnologia que têm ocorrido no país, onde o know how existente dentro das empresas, sejam elas as operadoras ou as fornecedoras de tecnologia, acaba sendo um diferencial no momento de migrações ou evoluções tecnológicas. O Relacionamento com Stakeholders (Frooman, 1999) é uma categoria final que foi formada por uma categoria intermediária de mesmo nome. Expressa o que os experts entendem como o relacionamento das empresas do setor com os seus diferentes interessados, sejam eles os fornecedores, os distribuidores, as entidades civis ou os próprios clientes. Aqui é importante observar a relação de poder e de força entre estes stakeholders e a empresa. Já a Capacidade Regulatória (Hall, 1992) é formada pelas categorias intermediárias ‘Contratos’ e ‘Licenças’. Expressa os contratos e licenças que fazem parte da estrutura do setor de telefonia móvel nacional, e que, segundo os experts, representam uma categoria estratégica para as empresas, uma vez que são estes contratos e licenças que regulam suas atuações no mercado nacional. Aqui é importante ressaltar a relação das empresas do setor com o órgão federal de regulação, a ANATEL. Em relação à Interação Estratégia e Tecnologia (Itami & Numagami, 1992), esta categoria é formada pelas categorias intermediárias ‘Tecnologia orientando a Estratégia’ e ‘Estratégia capitalizando a Tecnologia’. Os experts salientaram esta como uma categoria estratégica, uma vez que este setor é quase diariamente abarcado com inovações tecnológicas que tanto influenciam as estratégias, como muitas vezes também são influenciadas pelas estratégias das empresas. Essa interação de ambas, Estratégia e Tecnologia, representa a realidade pela qual passam as decisões das empresas desse setor. A partir da identificação dessas principais categorias estratégicas do setor de telefonia móvel nacional, foi possível partir para a segunda fase da pesquisa, que tinha como objetivo identificar as vantagens competitivas e compará-las para cada uma das empresas estudadas (Empresa A e Empresa B), a partir da opção tecnológica (CDMA ou GSM) feita por elas. RESULTADOS DA SEGUNDA FASE DA PESQUISA Para apresentar os resultados da segunda fase da pesquisa é importante separar estes resultados em uma primeira parte, onde foram identificadas, individualmente, as vantagens competitivas para cada uma das duas empresas, a partir do arcabouço teórico desenvolvido na primeira fase da pesquisa; e uma segunda parte, onde foram comparadas estas vantagens competitivas. Cabe também ressaltar que a Empresa A fez a opção pela tecnologia CDMA, enquanto a Empresa B fez a opção pela tecnologia GSM. RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Inovação Tecnológica e Vantagem Competitiva no Setor de Telefonia Móvel Brasileiro: Estudos de Caso em Filiais no Rio Grande do Sul 11 Para a Empresa A, a Figura 3 mostra as categorias em que foram identificadas vantagens competitivas. Ressalta-se que aquelas categorias que estão em cinza foram consideradas como vantagens competitivas que derivam da opção pela tecnologia CDMA. Figura 3: Vantagens Competitivas Individualmente da Empresa A TIPO DE VANTAGEM COMPETITIVA Posicionamento no Mercado Segmentação de Mercado Inovação no Desenvolvimento de Serviços Investimento Tendência à Concentração de Grupos no Mercado Efeitos na Estrutura e no Ambiente da Cidade Responsabilidade Social e Ética Credibilidade Junto aos Usuários Cuidados com os efeitos da Radiação para a Saúde Know-how Relacionamento com Fornecedores Relacionamento com Distribuidores Relacionamento com os Clientes Mudança de Conceito do Aparelho Celular Interconexão entre Sistemas e Integração de Serviços de Telecomunicações Transmissão de Dados ERBs e Cobertura Globalização CARACTERÍSTICAS DA VANTAGEM COMPETITIVA Posicionamento pela Exclusividade da Tecnologia CDMA Mercado Corporativo – Serviços de Dados Inovação em serviços, planos e promoções a partir da nova tecnologia (CDMA) Custo menor em direção à terceira geração Marca Nacional – Força de Negociação Menor quantidade de antenas necessárias pela tecnologia CDMA Participação em ações sociais Boa reputação junto aos clientes Menor emissão de radiação pela tecnologia CDMA Por já possuir em outros estados operação em CDMA – facilidade para a terceira geração Poder de negociação e barganha Maior quantidade de aparelhos com o CDMA em relação ao TDMA Foco no Cliente e na Qualidade do Atendimento Novas funcionalidades possibilitadas pelo CDMA Sistema nacional devido à consolidação do grupo em todo o país Maior velocidade na transmissão de dados, proporcionada pelo CDMA Cobertura Nacional – Analógica e Digital Inovações de todo o mundo, facilmente assimiladas TIPO DE VANTAGEM COMPETITIVA – TEORIA Giget (1997) – Vantagens em termos de Capacidades de Inovação (Função de Marketing e Função de Pesquisa e Desenvolvimento) Porter (1989) – Vantagens em termos de Controle dos Condutores de Custos (Escala e Inter-relações) Hall (1992) – Vantagens em termos de Capacidades Posicionais (Reputação) Hall (1992) – Vantagem em termos de Capacidade Funcional (Know-how) Frooman (1999) – Relacionamento com Stakeholders (Relacionamento com Stakeholders) Itami e Numagami (1992) – Vantagens em termos de Interação entre Estratégia e Tecnologia (Tecnologia orientando a Estratégia e Estratégia capitalizando a Tecnologia) Fonte: Pesquisa. Em relação à Capacidade de Inovação (Giget, 1997), observa-se que a vantagem da Empresa A está no seu posicionamento focado na exclusividade de ser a única empresa no país a possuir a tecnologia CDMA, e no foco no mercado corporativo que demanda maior quantidade de serviços de dados em alta velocidade, sendo isto propiciado pela tecnologia escolhida (Assis, 1995). Além disso, a Empresa A também apresenta vantagens ao possuir, com a nova tecnologia (CDMA), nova gama de serviços para oferecer aos seus clientes, serviços que acabam sendo desenvolvidos, tanto a partir de soluções aplicadas por grandes players internacionalmente, como também através de soluções customizadas para o mercado brasileiro. A área de desenvolvimento de produtos e serviços nesta empresa tem papel de destaque, principalmente por ter de buscar constantemente novas soluções que cativem os clientes e atraiam novos consumidores. RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Luciano Barin Cruz, Eugenio Avila Pedrozo 12 Em relação ao Controle dos Condutores de Custo (Porter, 1989), as vantagens da Empresa A estão no seu menor investimento, quando fizer a migração para a terceira geração de telefonia (uma vez que a tecnologia CDMA proporciona menores custos de migração), e tornar-se uma marca nacional (com a unificação de diversas operações regionais), ganhando, assim, principalmente força de negociação no mercado. Em relação às Capacidades Posicionais (Hall, 1992), observa-se que a Empresa A possui vantagens pelo fato de a tecnologia CDMA garantir níveis de potência emitida menores do que as outras tecnologias (Assis, 1995), e também por permitir que com menor quantidade de antenas de transmissão espalhadas pela cidade, se possa ter a mesma cobertura que se tinha antes com outras tecnologias para atender os clientes. Além disso, a empresa também tem demonstrado preocupação com ações sociais e com sua credibilidade perante os clientes. Em relação à Capacidade Funcional (Hall, 1992), a vantagem da Empresa A está no fato de já possuir, há algum tempo, operações com a tecnologia CDMA, em algumas regiões do país, permitindo, assim, que o know how dos funcionários dessas regiões ajudasse na migração de toda a plataforma nacional para esta tecnologia. No concernente ao Relacionamento com Stakeholders (Frooman, 1999), observa-se que as vantagens da Empresa A estão em ter-se tornado uma empresa de abrangência nacional, ganhando, assim, força de negociação perante os fornecedores. Além disso, a empresa, ao adotar a tecnologia CDMA, proporcionou a seus distribuidores e clientes uma gama maior de aparelhos e serviços em relação ao que existia com as antigas tecnologias. Já em relação a Interação de Estratégia e Tecnologia (Itami & Numagami, 1992), as vantagens da Empresa A estão no fato de que ela tem na tecnologia CDMA um grande potencial para serviços de transmissão de dados, o que se torna bastante atrativo para alguns segmentos de clientes. Além disso, essa tecnologia proporcionará uma mudança de conceito do aparelho celular, ao introduzir novas funcionalidades, além de uma integração entre sistemas e serviços nacionalmente, uma vez que a Empresa A se consolidou em grande empresa nacional. A cobertura da empresa também aumentou, uma vez que ela continua com sua plataforma analógica, TDMA e agora CDMA. Outro diferencial está relacionado com a globalização, uma vez que a empresa consegue, nos dias de hoje, rapidamente observar as inovações que estão ocorrendo em todo o mundo e incorporá-las aos seus serviços. Cabe ressaltar ainda que dessas vantagens competitivas, identificadas individualmente, a grande maioria realmente derivou de aspectos relacionados com a tecnologia CDMA, enquanto outras derivaram mais de aspectos organizacionais da empresa, não tendo relação com a escolha pela tecnologia CDMA. Para a Empresa B, a Figura 4 mostra as categorias nas quais foram identificadas vantagens competitivas. Ressalta-se que aquelas categorias que estão em cinza foram consideradas como vantagens competitivas derivadas da opção pela tecnologia GSM. Figura 4: Vantagens Competitivas Individualmente da Empresa B TIPO DE VANTAGEM COMPETITIVA Posicionamento no Mercado CARACTERÍSTICAS DA VANTAGEM COMPETITIVA Posicionamento de Inovação e Transparência Segmentação de Mercado Segmentos C e D – com aparelhos mais baratos, devido à tecnologia GSM Inovação no Desenvolvimento de Inovação em serviços, planos e Serviços promoções a partir da nova tecnologia (GSM) RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 TIPO DE VANTAGEM COMPETITIVA – TEORIA Giget (1997) – Vantagens em termos de Capacidade de Inovação (Função de Marketing e Função de Pesquisa e Desenvolvimento) www.anpad.org.br/rac-e Inovação Tecnológica e Vantagem Competitiva no Setor de Telefonia Móvel Brasileiro: Estudos de Caso em Filiais no Rio Grande do Sul 13 (conclusão) Figura 4: Vantagens Competitivas Individualmente da Empresa B TIPO DE VANTAGEM COMPETITIVA Expansão e Dinamicidade Mercado Investimento do Tendência de Concentração de Grupos no Mercado Responsabilidade Social e Ética Credibilidade Junto aos Usuários Know-how Relacionamento com Fornecedores Relacionamento com Distribuidores Relacionamento com os Clientes Mudança de Conceito do Aparelho Celular Interconexão entre Sistemas e Integração dos Serviços de Telecomunicações Roaming ERBs e Cobertura Globalização CARACTERÍSTICAS DA VANTAGEM COMPETITIVA Penetração nos segmentos C e D (A e B já saturados) – GSM Custos menores de equipamento e aparelhos Marca Nacional – Força de Negociação Participação em ações sociais Boa reputação junto aos clientes – melhor operadora do país, segundo a ANATEL Transferência de know-how dos fornecedores – aproveitamento do know-how interno Poder de Negociação e de Barganha Maior quantidade de aparelhos que o TDMA e que o CDMA Foco no cliente – melhor operador na percepção do cliente Novas funcionalidades pela tecnologia GSM Sistema Nacional devido à consolidação do grupo em todo o Brasil Roaming Internacional – Maior market share mundial Cobertura Nacional – TDMA e GSM simultâneos Inovações de todo o mundo facilmente assimiladas TIPO DE VANTAGEM COMPETITIVA – TEORIA Porter (1989) – Vantagens em termos de Controle dos Condutores de Custos (Escala e Inter-relações) Hall (1992) – Vantagens em termos de Capacidades Posicionais (Reputação) Hall (1992) – Vantagem em termos de Capacidade Funcional (Know-how) Frooman (1999) – Vantagens em termos de Relacionamento com Stakeholders (Relacionamento com Stakeholders) Itami e Numagami (1992) – Vantagens em termos de Interação entre Estratégia e Tecnologia (Tecnologia Orientando a Estratégia e Estratégia Capitalizando a Tecnologia) Fonte: Pesquisa. Em relação à Capacidade de Inovação (Giget, 1997), as vantagens competitivas da Empresa B estão no posicionamento de inovação e transparência no mercado, que tem marcado a presença dessa empresa desde sua entrada no mercado nacional. A empresa também apresenta vantagens em relação à possibilidade de penetração nos segmentos C e D, principalmente devido aos aparelhos mais baratos possibilitados pela tecnologia GSM, que possui hoje o maior market share mundial e conseqüentemente maior escala. Além disso, a empresa também apresentou vantagens em relação à busca por inovação no desenvolvimento de novos serviços e promoções, a partir da introdução da tecnologia GSM. Por ser a tecnologia mais utilizada no mundo, a Empresa pode jogar entre inovações que são trazidas da experiência de grandes players mundiais, assim como inovações desenvolvidas a partir de características do mercado brasileiro. Neste sentido, na Empresa B, a área de produtos e serviços também desenvolve papel de destaque, na busca de soluções inovadoras para oferecer ao mercado. Em relação ao Controle dos Condutores de Custos (Porter, 1989), as vantagens da Empresa B estão na expansão e dinamicidade do mercado, proporcionada pela penetração nos segmentos C e D, pelos menores custos dos aparelhos celulares, e pela força de uma marca nacional, devido à consolidação da empresa em grande grupo nacional. Em relação à Capacidade Posicional (Hall, 1992), as vantagens identificadas para a Empresa B foram relativas à participação da empresa em programas de responsabilidade social e da boa reputação que a empresa tem perante seus clientes, comprovada principalmente por pesquisas de satisfação no RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Luciano Barin Cruz, Eugenio Avila Pedrozo 14 atendimento (publicadas nos últimos anos pela ANATEL), que apontaram tal resultado para algumas das operadoras regionais que compuseram a Empresa B. Em relação à Capacidade Funcional (Hall, 1992), a vantagem da Empresa B está no fato de aproveitar-se do know-how dos fornecedores da tecnologia GSM, visando adequar-se a esta nova tecnologia que está sendo adotada pela empresa. Quanto ao Relacionamento com Stakeholders (Frooman, 1999), as vantagens da Empresa B estão no poder de barganha que ela adquiriu ao tornar-se uma marca nacional, no seu relacionamento principalmente com os seus fornecedores e com os seus distribuidores. Além disso, a empresa também tem estabelecido ótimo relacionamento com os seus clientes (assim como apontado, em relação à categoria Capacidade Posicional). Em relação à Interação de Estratégia e Tecnologia (Itami & Numagami, 1992), as vantagens da Empresa B estão nas novas funcionalidades para os aparelhos, proporcionada pela tecnologia GSM, além de poder oferecer seus serviços de forma integrada nacionalmente, por ter-se tornado empresa de abrangência nacional. A cobertura da Empresa B também representa vantagem, uma vez que a empresa manteve sua cobertura na tecnologia antiga (TDMA) e incorporou a cobertura da nova tecnologia (GSM). Outra vantagem está na possibilidade de rapidamente incorporar inovações que ocorram em todas as partes do mundo, devido a facilidade de acesso a informação. Por último, talvez uma das principais vantagens da Empresa B está na sua possibilidade de roaming internacional, uma vez que a tecnologia GSM era utilizada em 2003 na maior parte do mundo, o que permite ao cliente da Empresa B poder utilizar seu aparelho em diversos países, em caso de viagem. Ressalta-se que também para a Empresa B a grande maioria das vantagens competitivas identificadas individualmente derivaram da opção pela tecnologia GSM feita pela empresa. De qualquer forma, algumas das vantagens identificadas derivaram de aspectos organizacionais da empresa e não da opção tecnológica. Para realizar a comparação entre as vantagens competitivas das duas empresas, o arcabouço teórico que havia sido desenvolvido se mostrou insuficiente. Diante disto, retornou-se ao referencial teórico e foram incorporados para a análise os construtos teóricos propostos por Javidan (1998) e por Hit et al. (2002), para a hierarquia entre recursos, capacidades e competências. Ressalta-se novamente que não foram feitas distinções entre os conceitos de competências e competências essenciais, conforme é proposto nos construtos desses autores, e conforme já foi comentado nos procedimentos metodológicos. Para a análise aqui realizada, adotou-se apenas o conceito de competências, sendo estas consideradas como sinônimo de vantagem competitiva. Para realizar tal comparação foram adotados os seguintes critérios em relação às colunas 1 (categorias) e 2 (características), das Figuras 3 e 4: para todas aquelas categorias em que ambas empresas possuíam vantagens com as mesmas características, estas foram consideradas como sendo recursos; para todas aquelas categorias em que ambas as empresas possuíam vantagens, porém com características diferentes, estas foram consideradas capacidades; para todas aquelas categorias em que só uma das empresas possuía vantagens, estas foram consideradas competências e, conseqüentemente, classificadas como vantagens competitivas na comparação entre as duas empresas. Desta forma, a Figura 5 mostra o que foi considerado como recurso, capacidade ou competência (grifado em cinza) e, conseqüentemente, vantagem competitiva, na comparação entre as duas empresas. RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Inovação Tecnológica e Vantagem Competitiva no Setor de Telefonia Móvel Brasileiro: Estudos de Caso em Filiais no Rio Grande do Sul 15 Figura 5: Vantagens Competitivas na Comparação entre a Empresa A e a Empresa B EMPRESA A EMPRESA B Classificação da Categoria (Javidan, 1998; Hitt et al., 2002) Posicionamento no Mercado Posicionamento no Mercado Capacidade Segmentação de Mercado Segmentação de Mercado Capacidade Inovação no Desenvolvimento de Inovação no Desenvolvimento de Recursos Serviços Serviços Investimento Investimento Capacidade Tendência de Concentração de Tendência de Concentração de Recursos Grupos no Mercado Grupos no Mercado Expansão e Dinamicidade do Competência Empresa B Mercado Efeitos na Estrutura e no Competência Empresa A Ambiente da Cidade Responsabilidade Social e Ética Responsabilidade Social e Ética Recursos Credibilidade junto aos Usuários Credibilidade Junto aos Usuários Recursos Cuidados com os efeitos da Competência Empresa A Radiação para a Saúde Know How Know How Capacidade Relacionamento com Relacionamento com Recursos Fornecedores Fornecedores Relacionamento com Relacionamento com Recursos Distribuidores Distribuidores Relacionamento com os Clientes Relacionamento com os Clientes Recursos Mudança de Conceito do Mudança de Conceito do Recursos Aparelho Celular Aparelho Celular Interconexão entre sistemas e Interconexão entre Sistemas e Recursos Integração de Serviços de Integração dos Serviços de Telecomunicações Telecomunicações Transmissão de Dados Competência Empresa A Roaming Competência Empresa B ERBs e Cobertura ERBs e Cobertura Capacidade Globalização Globalização Recursos Fonte: Pesquisa. Conforme se pode observar pela Figura 5, a maioria das vantagens competitivas identificadas, individualmente, para cada empresa (na comparação), foram consideradas recursos ou capacidades. Foram identificadas, na comparação, como competências e, conseqüentemente, como vantagens competitivas para a Empresa A, as categorias finais: Efeitos na Estrutura e no Ambiente da Cidade; Cuidados com os Efeitos da Radiação para a Saúde; Transmissão de Dados (as características destas categorias já foram explicadas anteriormente). Já para a Empresa B, foram identificadas, na comparação, como competências e conseqüentemente como vantagens competitivas, as categorias: Expansão e Dinamicidade do Mercado; Roaming (as características destas categorias já foram explicadas anteriormente). Cabe ressaltar também que as categorias identificadas como competências na comparação, derivaram, todas, da opção tecnológica (CDMA; GSM) de cada uma das empresas. CONSIDERAÇÕES FINAIS O setor de Telefonia Móvel brasileiro, nos últimos anos, tem passado por uma série de modificações, algumas delas motivadas por novas regulamentações impostas pela ANATEL; porém muitas delas motivadas pelo intenso movimento de inovação tecnológica envolvido neste setor. Diante disso, essa pesquisa procurou verificar quais as vantagens competitivas que estavam sendo geradas para as empresas do setor, a partir justamente dessas inovações tecnológicas. RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Luciano Barin Cruz, Eugenio Avila Pedrozo 16 Resumidamente, a Figura 6 mostra um quadro numérico com as quantidades de recursos, capacidades, e competências (aqui como vantagens competitivas), individuais e na comparação, encontradas para a Empresa A e para a Empresa B. Figura 6: Quadro-Resumo das Vantagens Competitivas da Empresa A e da Empresa B, na Análise Individual e na Análise Comparativa TIPO DE ANÁLISE EMPRESA A EMPRESA B ANÁLISE A PARTIR DE CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Vantagens Competitivas Gerais 18 17 Vantagens Competitivas Advindas da 13 11 Opção Tecnológica (CDMA; GSM) Vantagens Competitivas Advindas de 5 6 Aspectos Organizacionais ANÁLISE COMPARATIVA Recursos 10 10 Capacidades 5 5 Competências (de Forma Geral) = 3 2 Vantagem Competitiva Competências (Advindas da Opção 3 2 Tecnológica) = Vantagem Competitiva Competências (Advindas de Aspectos 0 0 Organizacionais) = Vantagem Competitiva Fonte: Pesquisa. Os resultados encontrados permitiram realizar interessantes análises a partir de referenciais teóricos e dos procedimentos metodológicos utilizados, que inovaram em sua forma de chegar ao atendimento do objetivo e do problema de pesquisa proposto. O fato de na análise de conteúdo agregar-se, desde as categorias intermediárias, o referencial teórico, representa uma tentativa de enriquecer este procedimento de definição de categorias. Ressalva-se que a pesquisa apresentou limitações, principalmente por não incorporar a opinião dos clientes das empresas, devido à dificuldade de acesso a esse tipo de base de dados, e por não terem sido feitas medições relativas a ganhos de mercado para estas empresas. Também se limitou a não definir qual das duas empresas está em melhor situação no setor, até mesmo porque este não era um dos objetivos buscados. Do ponto de vista metodológico, por tratar-se de estudos de caso, os resultados obtidos não podem ser generalizados, ficando restritos ao contexto e características dos casos estudados. Outra limitação refere-se ao fato de que as vantagens competitivas foram identificadas a partir de um arcabouço com as principais categorias estratégicas para o setor, categorias estas definidas por uma fase preliminar de pesquisa, junto a um referencial teórico sobre o tema e a entrevista dos experts, ou seja, pode haver outras vantagens competitivas para as empresas estudadas, que não foram identificadas e analisadas por não fazerem parte do arcabouço teórico definido a priori. De qualquer forma, o arcabouço teórico desenvolvido para o setor de Telefonia Móvel pode representar outro importante resultado dessa pesquisa; pode até mesmo servir de marco inicial para futuras pesquisas nesse setor. Além do arcabouço teórico, a forma como a comparação entre as vantagens competitivas foi feita pode representar um avanço para o debate sobre recursos, capacidades e competências, uma vez que ainda existe muita discussão sobre esses conceitos. Talvez esta tenha sido a principal contribuição deste estudo, uma vez que não se utilizou a tradicional forma de identificar vantagens competitivas a partir do mercado. Partiu-se de uma análise interna das empresas. A forma ou a operacionalização dessa análise interna possibilita que novos estudos possam ser realizados, visando avançar no conhecimento dessa área. Evidenciou-se também que as competências (ou vantagens competitivas) das duas empresas advêm, em sua maioria, de características de natureza tecnológica (CDMA; GSM), em detrimento de RAC-Eletrônica, v. 2, n. 1, art. 1, p. 1-19, Jan./Abril 2008 www.anpad.org.br/rac-e Inovação Tecnológica e Vantagem Competitiva no Setor de Telefonia Móvel Brasileiro: Estudos de Caso em Filiais no Rio Grande do Sul 17 características organizacionais. Isso mostra quanto a escolha por estas tecnologias é central no setor e quanto a busca por inovação deve continuar sendo um dos focos destas empresas. É interessante salientar que o investimento tecnológico destas empresas é alto, principalmente no momento da construção da infra-estrutura (instalações físicas, desenvolvimento da rede, treinamento de pessoal etc) para operar em determinada tecnologia, porém ele não cessa após esta etapa. As empresas deste setor devem continuar constantemente investindo em inovação tecnológica, uma vez que estas inovações são rapidamente imitadas pelos concorrentes, deixando de ser diferenciais, tornando-se requisitos mínimos. Assim, para garantirem competitividade, as empresas deste setor necessitam de contínuos investimentos em capacidade tecnológica. Como se pode perceber, os pesos das vantagens encontradas para cada empresa foram muito semelhantes, e podem servir de indicativo e como base (assim como o restante da pesquisa) para interessados em pesquisar esse setor. Artigo recebido em 09.05.2005. Aprovado em 24.07.2005. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amit, R., & Schoemacker, P. J. H. (1993). 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