0 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UnU de Ciências Exatas e Tecnológicas Curso de Ciências Biológicas – Modalidade Licenciatura JÉSSICA DE ANDRADE SANTOS OFICINAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL OFERECIDAS AOS ALUNOS DO PROGRAMA “MAIS EDUCAÇÃO” NO BAIRRO RECANTO DO SOL EM ANÁPOLIS - GO ANÁPOLIS 2013 1 JÉSSICA DE ANDRADE SANTOS OFICINAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL OFERECIDAS AOS ALUNOS DO PROGRAMA “MAIS EDUCAÇÃO” NO BAIRRO RECANTO DO SOL EM ANÁPOLIS - GO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estadual de Goiás, UnUCET, como requisito parcial à obtenção do grau de Biólogo Licenciado. Orientadora: Figueiredo ANÁPOLIS 2013 Profa. Me. Adda Daniela Lima 2 3 “No final, conservaremos apenas o que amamos, amaremos apenas o que compreendemos, compreenderemos apenas o que nos houver sido ensinado”. (Baba Dioum) 4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, que me deu força, animo e coragem para começar e terminar este trabalho. Em especial à minha amiga Vanessa Cristina Gadêlha Bessa, pessoa que acompanhou cada passo deste trabalho, que soube de todas as dificuldades e que mais do que ninguém me ajudou e esteve comigo em todos os momentos. À minha orientadora Adda Daniela Lima Figueiredo por todo apoio, pelas broncas que sempre me motivaram a continuar e a fazer cada vez melhor. À minha mãe Lourdes de Andrade Santos que me deu todo apoio, emocional e financeiro. Por todas as vezes que me ajudou também a escrever, e todos os outros tipos de ajuda. Se não fosse por ela eu também não teria terminado este trabalho. À minha amiga Chayenne Oliveira Peixoto que esteve comigo em todos os momentos enquanto estava no curso, por toda força que sempre me deu, incentivo, por todos os elogios e pela compreensão que sempre teve comigo. Agradeço por estar comigo nos momentos difíceis dentro do curso, mas especialmente na minha vida. Não poderia deixar de agradecer também à todas as meninas da Turma, Sarah, Maysa, Ruth, Nádia, Cleirianne e Jéssica Conceição e ao único homem, Anderson Cleiton Dias, que me ajudaram muito ao longo do curso, o que foi também de extrema importância para a realização deste trabalho. Ao meu namorado Cassiano Marques Coelho, que sempre me entendeu quando precisava de tempo para estudar e escrever e sempre me dava forças para continuar, mesmo quando eu estava desanimada. Ao meu amigo Bread Soares Estevam que me ajudou a definir melhor os conceitos na área de educação ambiental e me ajudou a enxergar esta área com olhos mais críticos. De modo geral a toda minha família, que é meu porto seguro e que sempre me deu todo apoio quando precisei e tiveram de diferentes modos alguma participação neste trabalho, Matheus Andrade, Lara Cristina, Maria Hercília, Sebastião José, Manoel Aparecido, Maria Carlos, João Carapina, Cleuber Adobal e Mark Makin. 5 RESUMO A Educação ambiental não é uma prática recente, políticas e programas com propósito de instituir e melhorar a EA foram criados há alguns anos e continuam até hoje. Atualmente na educação ambiental existem três vertentes principais, entre elas a socioambiental em que são estudadas questões ambientais, sociais e como o homem pode intervir positivamente no meio ambiente. A EA objetiva proporcionar novas posturas em relação ao consumismo da sociedade a incitar novas concepções tanto individuais quanto coletivas. Começar essa educação na infância é importante para que as crianças cresçam já conscientes destes valores. O trabalho foi realizado com a participação de dois programas do Governo Federal, Programa Mais Educação, que tem como objetivo promover a educação integral, e o programa Casa Brasil que tem o propósito de promover a inclusão digital, social e cultural. A presente pesquisa visou auxiliar a comunidade Anapolina, do entorno do espaço Casa Brasil, no que tange as questões ambientais e de cidadania, a partir de cinco oficinas educativas, com os temas, meio ambiente, água, animais, energia e Cerrado, oferecidas aos alunos da Escola Municipal Air Borges. Envolveram-se com o projeto um total de 29 alunos. Sobre meio ambiente os alunos mostraram visões distintas e percebeu-se uma grande preocupação com relação aos resíduos sólidos. Sobre a água, apresentaram dúvidas quanto à diferença de água doce e salgada, e como modo de uso e preservação citaram principalmente atividades cotidianas. Em relação aos animais, mostraram ter algum conhecimento sobre o tráfico e também certa preocupação com o tema. Com relação ao consumo de energia, possuíam hábitos de desperdício e economia de energia em diferentes situações e conheciam diferentes fontes renováveis. Praticamente não conheciam o bioma Cerrado, assim como suas características. Tendo em vista a série de oficinas analisadas julgamos que foram válidas ao desenvolvimento intelectual dos alunos, visto que o conhecimento de praticamente todas as crianças parte do senso comum e estava relacionado principalmente aos conteúdos das mídias televisivas. Uma das principais dificuldades no desenvolvimento do trabalho foi encontrar uma escola que aceitasse participar do projeto. Palavras - chave: Educação socioambiental, Educação não-formal, Ensino fundamental 6 ABSTRACT Environmental education is not a recent practice, policies and programs with the purpose to institute and improve the EA were created a few years ago and continues today. Currently in environmental education there are three main areas, including the socioenvironmental that are studied environmentaly, social issues and how man can act positively on the environment. The EA aims to provide new positions in relation to consumerism in society to encourage new concepts both individually and collectively. Beginning that education in childhood is important so that children grow up aware of these values. The study was conducted with the participation of two programs of the Federal Government, More Education Program, which is aimed at promoting comprehensive education and Casa Brazil Program that aims to promote digital inclusion, social and cultural. This research is aimed to assist the community of Anapolis and the surrounding space of Casa Brazil, regarding environmental issues and citizenship from five educational workshops with these themes: environment, water, animals, energy and Brazilian vegetation. This project was offered to the School students of Municipal Air Borges. Involved within the project were a total of 29 students. On environment, students showed distinct visions and realized a great concern with respect to solid waste. On water, they had doubts about the differences between fresh and salt water, and as a way to use and preserve water mainly during daily activities. On animals they have shown to have some knowledge on trafficking and also some concern with the topic. With respect to energy consumption, possessed habits in energy saving in different situations and they know different renewable sources. Hardly knew about the Brazilian vegetation biomass, as well as their characteristics. Given the series of workshops that were analyzed, it is deemed the valid intellectual development of students. Since the knowledge of virtually all children, is in part common sense and was mainly related to the contents of television media. One of the main difficulties in the development of the work was to find a school that agreed to participate in the project. Key - words: Socio-environmental education, Non-formal education, Basic education 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Elementos presentes nos desenhos produzidos pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Figura 2. Comportamentos do homem no meio ambiente presentes nos desenhos dos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Figura 3. Porcentagem da possibilidade dos problemas ambientais serem evitados pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Figura 4. Hábitos que não prejudicam o meio ambiente praticados pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação”. Figura 5. Importância da biodiversidade para os alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Figura 6. Hábitos de desligar aparelhos fora do uso pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Figura 7. Tipo de lâmpadas utilizada em casa pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Figura 8. Conhecimento do que é o Cerrado pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Figura 9. Animais presentes no Cerrado segundo a visão dos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". 8 LISTA DE SIGLAS CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico EA – Educação Ambiental FUNCER – Fundação Universitária do Cerrado IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor MCTI – Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação MEC – Ministério da Educação MMA – Ministério do Meio Ambiente SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial ONG – Organização Não Governamental ONU – Organização das Nações Unidas PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais PNEA – Programa Nacional de Educação Ambiental PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PRONEA – Programa Nacional de Educação Ambiental RENCTAS – Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 9 SUMÁRIO 1. APRESENTAÇÃO ....................................................................................................10 2. REFERÊNCIAL TEÓRICO ......................................................................................13 Significados para a Educação Ambiental...................................................................13 Papel dos Educadores em Educação Ambiental ........................................................ 15 Objetivos de Educação Ambiental .............................................................................16 O Programa Mais Educação e o Projeto Casa Brasil: Contribuindo para a educação .....................................................................................................................17 A atividade Extensionista........................................................................................... 19 Educação não formal e oficinas .................................................................................20 3. OBJETIVOS ..............................................................................................................23 3.1. Objetivo Geral ............................................................................................................23 3.2. Objetivos Específicos .................................................................................................23 4. A PESQUISA .............................................................................................................24 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ...............................................................................26 O perfil socioeconômico do grupo estudado.............................................................. 26 As oficinas em ação – questionários e discussões a cada encontro ........................... 27 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................................54 7. REFERÊNCIAS .........................................................................................................56 8. ANEXOS ...................................................................................................................62 Anexo 1 ......................................................................................................................63 Anexo 2 ......................................................................................................................64 Anexo 3 ......................................................................................................................65 Anexo 4 ......................................................................................................................67 Anexo 5 ......................................................................................................................69 Anexo 6 ......................................................................................................................71 Anexo 7 ......................................................................................................................73 10 1. APRESENTAÇÃO Atualmente na educação ambiental (EA) existem três vertentes principais, a conservacionista, comportamental e socioambiental. Nesta pesquisa, trabalhou-se a vertente socioambiental, em que são estudadas não somente questões voltadas para a proteção da natureza, mas também para problemas sociais decorrentes de problemas ambientais, e também, como o homem pode intervir positivamente no meio ambiente, que é composto por elementos naturais e também pela cultura humana (SENAC, 2008). Os educadores ambientais têm como função despertar nos alunos um pensamento crítico sobre os problemas ambientais e sociais além de promover mudanças de comportamento, visto que os valores individualistas estão constantemente sendo repassados na sociedade capitalista, de acúmulo de capital. O educador ambiental deve estar atento para a formação de um sujeito sensato, crítico e participativo dentro da sociedade (SOUZA, 2003). A EA objetiva proporcionar novas posturas em relação ao consumismo da sociedade ao incitar novas concepções tanto individuais quanto coletivas. A educação deve ser capaz de mudar os valores que não tenham nenhum foco na melhoria da qualidade de vida, e que ensine valores morais e éticos que se adequem ao modo de vida de cada um, mas que também se adeque as reais capacidades do ambiente (JACOBI, 1999). Começar essa educação na infância é importante para que as crianças cresçam já conscientes destes valores que auxiliam a melhorar a relação na vida em sociedade, visto que atualmente muitas pessoas priorizam valores como individualismo, competição e acumulação de riquezas. Além de se preocupar com a sociedade e meio ambiente, a EA também se preocupa com a educação em si, então outro objetivo é beneficiar a qualidade da educação, para que a esta seja um estímulo para crescer e se desenvolver intelectual e moralmente. A EA continua sendo desenvolvida em muitos projetos e, também, em escolas. O presente trabalho foi realizado com a participação de dois programas do Governo Federal, Programa Mais Educação, que tem como objetivo principal promover a educação integral, e atende principalmente escolas que apresentam baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, pois um dos objetivos é diminuir as desigualdades educacionais (BRASIL, 2013). E o Programa Casa Brasil, que se trata de um espaço comunitário de acesso universal, livre e gratuito e tem o propósito de promover junto às comunidades a inclusão digital, social 11 e cultural, além de geração de trabalho e renda, ampliação da cidadania, popularização da ciência e da arte (CNPQ, 2012). Como o programa Mais Educação é desenvolvido no contra turno escolar, e o espaço Casa Brasil é destinado à sociedade os dois projetos abrem espaço para o desenvolvimento de atividades extensionistas. Desde a década de 90, a extensão é encarada como um meio de interação entre o institucional e o social com o propósito de construir novos conhecimentos (OLIVEIRA e GARCIA, 2009). A extensão se difere de outras atividades acadêmicas por se preocupar com a relevância social do ensino e a pesquisa é direcionada aos reais problemas da sociedade. Sendo assim, a extensão objetiva, levar algo a algum lugar ou a alguém (SANTOS, 2010). Ainda segundo os autores se trata de um modo de interação entre a universidade e a comunidade e nesta interação há uma troca de conhecimentos, então não apenas a comunidade se beneficia com estes projetos, mas também a universidade que aprende com a comunidade sobre os valores e cultura. Na Casa Brasil de Anápolis são realizadas várias atividades formais pelas escolas próximas e também atividades não formais. A educação não formal, segundo Libâneo (1999), é uma modalidade de ensino sistematizada, feita com planejamentos, ainda que em baixo grau, e têm objetivos a serem alcançados. Um dos objetivos maiores da educação não formal é promover a igualdade social, a democracia, atendendo também àquelas pessoas que não tiveram oportunidade de estudar no ensino formal, através do ensino de novas habilidades e experiências. Uma das formas mais alternativas de ensino não formal são as oficinas, pois nelas podem ser trabalhados diversos temas, entre eles, a EA. Como na educação não formal normalmente os alunos são heterogêneos, a oficina se mostra uma boa ferramenta de ensino. Tendo em vista o atual estado de degradação do meio ambiente e o modo como a sociedade enxerga e (des)cuida desse meio, se pretende neste trabalho analisar o conhecimento de alunos do ensino fundamental I sobre diversos aspectos relacionados ao meio ambiente, de modo que a partir deste conhecimento se possa promover atividades que melhorem a relação do homem com o meio, através do entendimento de sua importância. Nesse sentido, a pesquisa teve como problema motivador saber quais as percepções ambientais que alunos de ensino fundamental apresentam sobre o meio ambiente, seus 12 problemas e o que fazem para resolvê-los? No intuito de poder auxiliar a problemática apresentada, foram elaboradas questões norteadores, quais sejam: Qual a visão das crianças a respeito de oficinas socioambientais? Como as crianças encaram a situação em que se encontra o seu meio ambiente e o que fazem para resolvê-la? Como a educação não-formal e a extensão podem auxiliar na educação ambiental? A presente pesquisa foi desenvolvida por meio do projeto de extensão “O Núcleo Casa Brasil de Anápolis, a comunidade Anapolina e a pesquisa acadêmica”, com alunos de 1º a 5º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Air Borges, participantes do programa “Mais Educação”. Para elaboração da pesquisa foi realizada uma revisão bibliográfica e aprofundamento teórico sobre o tema abordado para sua melhor compreensão. Tratou-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa. A pesquisa ocorreu por meio de oficinas, nas quais foram abordados diferentes temas em cada oficina. Dentre as atividades adotadas estão, a elaboração de desenhos, montagem de painéis, desenvolvimento de jogos e apresentação de vídeos. Os temas trabalhados com os alunos foram escolhidos por serem problemas atuais e que estão presentes no cotidiano dos mesmos, são eles: meio ambiente, água, animais, energia e Cerrado. Na oficina sobre meio ambiente, objetivou-se principalmente observar quais as percepções ambientais que os alunos têm acerca de meio ambiente. Já na oficina sobre água, visava-se mostrar aos alunos o quanto um bem tão precioso como a água doce, disponível para consumo humano, está se tornando um recurso escasso e como utilizá-la adequadamente. Ao tratar do tema sobre Animais buscou-se apresentar a problemática sobre tráfico de animais através sensibilização dos alunos quanto ao respeito com os animais e os riscos que várias espécies têm de ser extintas. Já com relação ao consumo de energia, objetivou-se mostrar aos alunos que existem energias alternativas e alguns hábitos de consumo consciente de energia. Na última oficina foi discutido sobre o bioma Cerrado e procurou-se sensibilizar os alunos quanto à importância do Bioma. 13 2. REFERENCIAL TEÓRICO A Educação ambiental não é uma prática recente, políticas e programas com propósito de instituir e melhorar a EA foram criados há alguns anos e continuam até hoje. Sua história começa em Paris, no ano de 1948, em um encontro da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), quando o termo foi utilizado pela primeira vez, porém neste encontro o tema não foi bem definido (HENRIQUES et al., 2007). As primeiras ideias sobre EA começaram a ser formadas nas décadas de 60 e 70, porém abordando apenas a educação ecológica como ocorria nos primeiros pareceres do Ministério de Educação e Cultura (MEC) (SOUZA, 2003). Em 1972 na Conferência sobre Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, o significado do tema educação ambiental começou a ser melhor esclarecido e este foi inserido na Agenda Internacional (HENRIQUES et al., 2007). Em 1975, em Belgrado é instituído o Programa Internacional de EA em que são definidos os princípios e orientações para o futuro (HENRIQUES et al 2007). Um dos mais importantes encontros ocorreu em 1977 em Tbilisi, na Geórgia, a Conferência Intergovernamental sobre EA. Neste encontro foram definidos os objetivos, princípios e estratégias de EA que são atualmente utilizados no mundo todo (HENRIQUES et al., 2007). Em 1992, ocorreu um dos mais importantes encontros sobre a EA no Brasil, a Rio 92, que produziu vários documentos importantes utilizados em todo o mundo, entre eles, a Carta Brasileira para Educação Ambiental, Carta da Terra, Agenda 21 e o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (HENRIQUES et al., 2007). Em 1994, a presidência da república criou o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA) que foi comandado pela coordenação de EA do MEC e pelo IBAMA (HENRIQUES et al., 2007). O programa tem o objetivo de capacitar os diversos níveis e modalidades de ensino como o ensino formal e não formal (SOUZA, 2003). Significados para a Educação Ambiental A EA é uma corrente multidisciplinar composta por várias ideias que se complementam, sobre meio ambiente, relações sociais, econômicas, cidadania, valores morais, éticos entre outras. 14 Souza (2003) define EA como um processo educacional que capacita os cidadãos para compreender as relações sociais e econômicas e percebam o meio através de seus recursos finitos. Porém, dependendo da vertente, a EA assume valores e conceitos distintos, bem como diferentes propostas, objetivos, metodologias e concepções de meio ambiente. Dentre as vertentes destacam-se três, a vertente conservacionista, comportamental e socioambiental. A EA é ainda entendida como ensino de ecologia, que mesmo sendo semelhantes são áreas distintas (REIGOTA, 2009). Essa percepção se relaciona com a vertente conservacionista onde meio ambiente é sinônimo de natureza, considerando assim apenas os seus elementos naturais. Essa prática é bastante reduzida, pois leva em conta apenas o ensino de ecologia com foco na proteção da natureza, já os aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos são pouco ou nada considerados, no entanto é muito utilizada (SENAC, 2008). O homem é visto de forma negativa e considerado o destruidor do meio ambiente e as práticas pedagógicas para minimizar esta ação consistem em aspectos ecológicos e de preservação da natureza. Propõe um modelo de vida que considere de forma equivalente todos os elementos vivos do planeta, ou seja, o homem não é superior a qualquer ser vivo, e enquanto o homem não tiver consciência sobre o valor da natureza, deve manter-se afastado dela (SENAC, 2008). A vertente comportamental trabalha principalmente por meio da sensibilização que é obtida através da vivência de uma experiência sobre determinada situação. O significado desta experiência depende do contexto em que o aluno está inserido, e a sensibilização não pode ser forçada, deve ocorrer de acordo com as atitudes do educando. É uma EA que visa contextualizar a realidade de forma que a razão e emoção atuem conjuntamente (SOARES, 2004). No entanto, é uma educação difícil de ser realizada, pois de acordo com Soares (2004), a forma como se estrutura o sistema escolar atualmente dificulta um modelo de educação que prioriza a experiência, que é considerada tão importante quanto a informação. Na vertente socioambiental o meio ambiente é entendido como “produto gerado e construído pela sociedade ao longo do processo histórico de ocupação e transformação do espaço” (SENAC, 2008, p. 256). A definição de meio ambiente de Reigota (2009, p. 36) explica bem essa concepção: Um lugar determinado e/ou percebido onde estão em relação dinâmica e em constante interação os aspectos naturais e sociais. Essas relações acarretam 15 processos de criação cultural e tecnológica e processos históricos e políticos de transformações da natureza e da sociedade. Nessa vertente o meio ambiente é o resultado de diversas transformações do meio pelo homem e não considera apenas os aspectos naturais, embora estes também estejam presentes nessa concepção. Assim os problemas socioculturais e político - econômicos também são focos desta educação, pois são problemas causados pela própria sociedade. Se trata de uma educação ambiental crítica que não se concentra apenas em resolver os problemas ambientais, mas também na causa desses problemas, visa a transformação dos valores da sociedade (SENAC, 2008). A EA socioambiental não é contrária à conservacionista, mas sim uma extensão, visto que trata dos problemas ambientais que são importantes, porém articuladas ao contexto social, econômico e cultural do qual fazem parte (SENAC, 2008). A pesquisa apresentada neste trabalho de conclusão de curso utilizará principalmente os princípios e conceitos desta vertente, visto que esta se mostra mais adequada ao contexto social onde será realizada. O que se tem hoje por parte daqueles que apresentam uma concepção mais crítica de EA, é a ideia de que ela é um processo de construção da relação humana com o ambiente onde os princípios da responsabilidade, da autonomia, da democracia, entre outros estejam sempre presentes (OLIVEIRA, 2006). De acordo com Reigota (1995), Freire (1986) e Talamoni (2003) apud (OLIVEIRA, 2006), a educação ambiental é um processo coletivo, que busca principalmente o diálogo como forma de se chegar a um objetivo desejado, com alternativas socioambientais que favoreçam a grande maioria e que integre o ser humano no seu meio. Papel dos educadores em Educação Ambiental No contexto supracitado, são incontáveis as funções e contribuições do educador para um ambiente mais justo, equilibrado, com pessoas informadas e com pensamento crítico sobre as reais situações que passa a sociedade. Os professores têm a função elementar de inserir a EA nos conteúdos promovendo nos alunos um pensamento crítico com relação aos problemas socioambientais, além de estimular na sociedade hábitos e costumes para a formação de uma cidadania ambiental (JACOBI, 2005). 16 Para Souza (2003), os alunos devem compreender a EA como algo maior, para que desenvolvam uma noção de um cidadão sensato, participativo e que assuma suas responsabilidades sociais. E também conforme Jacobi (2005, p. 241): A postura de dependência e de não responsabilidade da população decorre principalmente da desinformação, da falta de consciência ambiental e de um déficit de práticas comunitárias baseadas na participação e no envolvimento dos cidadãos, que proponham uma nova cultura de direitos baseada na motivação e na coparticipação na gestão do meio ambiente, nas suas diversas dinâmicas. O educador ambiental deve estar atento às suas funções e aos problemas que ocorrem na sociedade e no meio ambiente, para que possa oferecer um conteúdo de qualidade que realmente faça diferença para o aluno, ou seja, precisa estar sempre atualizado para que possamos sempre lidar com o cotidiano escolar que pode ser bastante imprevisível. A respeito desta atualização Souza (2003, p. 22) afirma que: Os educadores ambientais devem estar preparados para utilizar os mais diversos materiais que o cotidiano apresenta, explorando a sua diversidade de forma crítica. É imperioso estar atento a todos os aspectos da cultura e de outros elementos que provenham do contexto do educando. O papel dos educadores ambientais está em promover ações ambientais que façam com que os alunos reflitam sobre os reais problemas e tenham uma visão crítica e inovadora sobre o mesmo, pois como assegura Jacobi (2003), o desafio não é apenas mostrar a realidade aos alunos, mas como podem se comportar perante essa realidade. Objetivos da educação ambiental Não são poucos os objetivos e metas que se desejam alcançar com a implantação de EA tanto em escolas como em comunidades, em ações de educação ambiental para espaços formais e não formais de aprendizagem. Um dos objetivos é criar e ou aumentar a sensibilidade de cada pessoa para com os problemas ambientais que estão a nossa volta e nos colocar em frente à realidade dos problemas sociais. A EA tenta através de práticas sociais mudar o comportamento e a concepção da sociedade capitalista, baseada no consumismo exacerbado, sobre a dimensão dos problemas 17 tanto ambientais como sociais e culturais. Conforme Jacobi (1999), a EA objetiva proporcionar novas posturas em relação ao consumismo da sociedade a incitar novas concepções tanto individuais quanto coletivas. A educação deve ser capaz de mudar os valores que não tenham nenhum foco na melhoria da qualidade de vida, e que ensine valores morais e éticos que se adequem ao modo de vida de cada um, mas que também se adeque as reais capacidades do ambiente. Torna-se indispensável mostrar que os recursos ambientais que mais utilizamos como a água doce e os combustíveis fósseis, por exemplo, são limitados e que se não tivermos novas atitudes perante esses problemas eles se tornarão cada vez maiores e poderemos obstar ainda mais a vida da comunidade futura. É preciso resgatar valores que com o tempo foram se perdendo em meio ao pensamento de acumulação de riquezas em troca do uso insustentável do ambiente, são valores como a felicidade, justiça, equidade e sensibilidade diante dos problemas que a comunidade em geral tem passado. Começar essa educação na infância é importante para que as crianças cresçam já conscientes destes valores que auxiliam a melhorar a relação na vida em sociedade, visto que atualmente muitas pessoas priorizam valores como individualismo, competição e acumulação de riquezas, pois, conforme Souza (2003) deseja-se propiciar uma educação que crie nas crianças princípios éticos, fundamentais para o convívio na sociedade e no meio ambiente, como a sensibilidade e o amor pelo ambiente natural, para que aprendam a conservar a riqueza do ambiente, tanto ecológica como cultural e também a preservar e ser solidário com todas as formas de vida. Além de se preocupar com a sociedade e meio ambiente, a EA também se preocupa com a educação em si, então outro objetivo é beneficiar a qualidade da educação, para que a esta seja um estímulo para crescer e se desenvolver intelectual e moralmente. De acordo com Souza (2003, p. 13), “Quando planejamos trabalhar com a Educação Ambiental, visualizamos sua importância para a melhoria da qualidade da educação e para a construção da cidadania ambiental”. O Programa Mais Educação e o Projeto Casa Brasil: Contribuindo para a educação A educação integral é uma proposta presente na legislação educacional brasileira e com isso foi criado o Programa Mais Educação com o objetivo principal de promover essa 18 Educação Integral, e este foi incorporado pelo Governo Federal. O Programa é uma iniciativa da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade conjuntamente com a Secretaria de Educação Básica e Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Atende principalmente escolas que apresentam baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, pois um dos objetivos é diminuir as desigualdades educacionais (BRASIL, 2013). Ainda segundo Brasil (2013), outro objetivo do programa é ampliar a jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da educação integral, e também que os alunos não fiquem restritos ao ambiente de sala de aula e aos conteúdos de conhecimentos científicos, ou seja, visa trabalhar uma educação diferenciada, pautada em diferentes saberes de modo que busque uma aprendizagem para a vida em sociedade e não apenas uma aprendizagem conteudista que é adquirida dentro da escola. Já o projeto Casa Brasil tem o propósito de implantar, junto às comunidades carentes, um espaço destinado à convergência das ações do governo federal nas áreas de inclusão digital, social e cultural, geração de trabalho e renda, ampliação da cidadania, popularização da ciência e da arte. O projeto propõe o uso intensivo das tecnologias da informação e da comunicação visando capacitar os segmentos excluídos da população, buscando superar e romper a cadeia de reprodução da pobreza (CNPQ, 2012). O projeto Casa Brasil de Anápolis é desenvolvido pela prefeitura com uma iniciativa do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) (PORTAL DA PREFEITURA DE ANÁPOLIS, 2012). Trata-se de um espaço comunitário de acesso universal, livre e gratuito, constituído por uma “estrutura modular”, isto é, um local para uso comunitário planejado para reunir diversos módulos implantados simultaneamente ou em etapas (CNPQ, 2012). O espaço situa-se no Bairro Recanto do Sol e iniciou suas atividades em 2007. Desde sua inauguração foram realizados mais de 30 mil atendimentos em cursos de informática básica e avançada, inglês e oficinas livres (PORTAL DA PREFEITURA DE ANÁPOLIS, 2012). O senhor Fabrízio Ribeiro, secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Anápolis, afirma que a Casa Brasil, é um projeto que objetiva contribuir com o futuro do cidadão anapolino. De acordo com o secretário, “o objetivo é despertar o interesse, dos jovens e adolescentes, para a ciência. Conhecimento importante para o desenvolvimento do município e até mesmo do país” (PORTAL DA PREFEITURA DE ANÁPOLIS, 2012). 19 A casa é dividida em seis espaços, que propiciam a conexão de múltiplos saberes, telecentro comunitário, sala de Leitura, laboratório de divulgação da ciência, auditório, espaço multimídia e oficina de rádio. Entre as atividades realizadas pelo núcleo estão palestras, cursos, oficinas, sessões de cinema, colônia de férias, visitas a parques e praças e outras ações em parceria com escolas, postos de saúde, secretarias municipais e instituições locais (PORTAL DA PREFEITURA DE ANÁPOLIS, 2012). A atividade extensionista Como o programa Mais Educação é desenvolvido no contra turno escolar e o espaço Casa Brasil é destinado à sociedade, os dois projetos abrem espaço para o desenvolvimento de atividades extensionistas. Em todo o mundo as atividades de extensão universitária foram iniciadas na segunda metade do século XX, já no Brasil, foi a partir do Decreto nº 19.851, de 11/04/1931, da Constituição Federal Brasileira (SANTOS, 2010). Apesar de a extensão formar o tripé da universidade juntamente com o ensino e a pesquisa, devido a processos históricos, esta foi colocada em posição inferior às demais, este fato é demonstrado pelo pouco investimento atribuído à extensão, enquanto os pesquisadores se preocupam com as publicações para obter financiamento, os extensionistas se preocupam com a realidade da comunidade (SILVA e ROSA, 2011). Ainda segundo as autoras, como a extensão é um elemento curricular, esta deve atuar como a ligação entre o ensino e a pesquisa. Desde a década de 90, a extensão é encarada como um meio de interação entre o institucional e o social com o propósito de construir novos conhecimentos (OLIVEIRA e GARCIA, 2009). A extensão se difere de outras atividades acadêmicas por se preocupar com a relevância social do ensino e a pesquisa é direcionada aos reais problemas da sociedade. Sendo assim, a extensão objetiva, levar algo a algum lugar ou a alguém. Se trata de um modo de interação entre a universidade e a comunidade, ou seja, uma ligação permanente entre a universidade e os diversos setores da comunidade. Nesta interação há uma troca de conhecimentos, então não apenas a comunidade se beneficia com estes projetos, mas também a universidade que aprende com a comunidade sobre os valores e cultura (SANTOS, 2010). Este pensamento é também compartilhado por Calipo (2009, p. 4), ao afirmar que as 20 atividades extensionistas “facilitam uma aprendizagem de saberes recíprocos e devem agregar integrantes da universidade e da comunidade popular, sob uma linha horizontal do conhecimento”. Educação não formal e oficinas Na Casa Brasil de Anápolis são realizadas várias atividades formais pelas escolas próximas e também atividades não formais1, assim como vários projetos de extensão. A educação não formal, segundo Libâneo (1999), é uma modalidade de ensino sistematizada, feita com planejamentos ainda que em baixo grau e têm objetivos a serem alcançados. Martins e Goldoni (2009, p. 3) definem educação não formal como “qualquer tentativa educacional organizada e sistemática que, normalmente, se realiza fora do sistema formal de ensino”. Ela não deve ser encarada como uma proposta contrária à educação formal, mas sim definida pelo que é, ou seja, um espaço de educação, de saberes para a vida e coletivos (GOHN, 2009). Ainda segundo a autora, se difere da educação formal em vários aspectos, como a carga horária, as avaliações, os objetivos, os lugares onde ser realizada e o público alvo. Conforme Martins e Goldoni (2009), as avaliações no ensino formal objetivam adquirir notas e passar de um nível a outro, ou seja, busca certificados e títulos, enquanto que na educação não formal o objetivo é avaliar o conhecimento e a aprendizagem dos temas abordados, busca formar cidadãos críticos e que saibam resolver problemas do cotidiano. Um dos objetivos maiores da educação não formal é promover a igualdade social, a democracia, atendendo também àquelas pessoas que não tiveram oportunidade de estudar no ensino formal, através do ensino de novas habilidades e experiências. As escolas apesar de realizarem e dar ênfase à educação formal também podem adotar a educação não formal. Porém, ela é concebida principalmente em ONG, organizações sociais e por universidades em seu trabalho de extensão. Como afirma Gohn (2009, p. 28): As práticas da educação não formal se desenvolvem usualmente extramuros escolares, nas organizações sociais, nos movimentos, nos programas de formação sobre direitos humanos, cidadania, práticas identitárias, lutas contra desigualdades e exclusões sociais. 1 As atividades formais são realizadas em parcerias com escolas próximas, como sessões de cinema e uso da biblioteca, já as atividades não formais são provenientes do projeto Casa Brasil como oficinas, palestras e cursos. 21 Uma das formas mais alternativas de ensino não formal são as oficinas, pois nelas podem ser trabalhados diversos temas, entre eles, a EA. Como na educação não formal normalmente os alunos são heterogêneos, a oficina se mostra uma boa ferramenta de ensino, pois segundo Martins e Goldoni (2009) As oficinas podem ser trabalhadas em diversos lugares e com diferentes instrumentos, além de promover o trabalho em grupo e a criatividade. Ainda segundo Martins e Goldoni (2009, p. 6): O trabalho através das oficinas pedagógicas é muito utilizado na educação nãoformal, pois, nesse tipo de ensino, os grupos são formados por diferentes pessoas, com diversos níveis de escolaridade, o que dificulta o professor ao ensinar um determinado conteúdo. Nessas oficinas, é apresentado um tema que pode abranger, tanto conhecimentos básicos, como conhecimentos mais específicos, para alunos que estão em níveis de escolaridade mais avançados dos demais, portanto, as oficinas propiciam um trabalho diversificado que privilegia a heterogeneidade de seus participantes. Nas oficinas pedagógicas pode-se trabalhar com diferentes materiais, para que desperte o interesse dos alunos, mas o professor deve estar preparado para trabalhar com todos os tipos de instrumentos que for utilizar além de conhecer o conteúdo abordado, assim a oficina deixa de ser uma brincadeira e se torna ferramenta para construção do conhecimento e de maneira mais prática e divertida (MARTINS e GOLDONI, 2009). A educação ambiental começou como uma prática de ensino não formal e ainda continua sendo desenvolvida em muitos projetos, mas é também trabalhada nas escolas em diferentes disciplinas, de forma transdisciplinar. Conforme a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), pela Lei 9.795/99, a educação ambiental não formal é definida como “as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente”. É difícil para a escola, sozinha, atingir todos os temas transversais de maneira eficaz (FERNANDES, 2009) e um desses temas é a EA, então esta deve ser praticada tanto em educação formal quanto não formal. Fernandes (2009, p. 59), afirma que “a escola sozinha não tinha e não tem condições de transmitir todos os conhecimentos e informações do mundo contemporâneo aos seus públicos infantis e juvenis”. É indispensável à participação da escola na EA através da transversalidade incluindo o tema em diferentes disciplinas, mas não se deve pensar que a escola deve ser a única 22 instituição a abordar e trabalhar tanto a educação ambiental como a moral dos educandos (SOUZA, 2003). 23 3. OBJETIVOS 3.1 Objetivo Geral O objetivo geral deste projeto foi compreender as percepções ambientais de alunos do ensino fundamental I de uma escola pública de Anápolis, através do projeto de extensão “O Núcleo Casa Brasil de Anápolis, a comunidade Anapolina e a pesquisa acadêmica” no que tange aos problemas socioambientais. 3.2. Objetivos Específicos I - Despertar nas crianças valores éticos importantes ao exercício da cidadania para com o meio ambiente. II- Sensibilizar os alunos sobre a necessidade de conservação do patrimônio biológico e cultural, responsabilidade na preservação do meio ambiente e solidariedade com todas as manifestações da vida que integram o espaço ambiental. III – Promover o aprendizado sobre as questões ambientais e sociais de forma mais dinâmica através de discussões, palestras e jogos. IV - Compreender a aceitação de alunos do ensino fundamental I em relação ao trabalho com oficinas de educação ambiental. 24 4. A PESQUISA A presente pesquisa foi realizada com alunos de 1º a 5º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Air Borges, participantes do programa “Mais Educação”, que se localiza no Bairro Recanto do Sol no município de Anápolis, Goiás. A pesquisa foi desenvolvida por meio do projeto de extensão “O Núcleo Casa Brasil de Anápolis, a comunidade Anapolina e a pesquisa acadêmica”, fruto da parceria da Universidade Estadual de Goiás com a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, no período de outubro a dezembro de 2012. Para elaboração da pesquisa foi feita uma revisão bibliográfica e aprofundamento teórico sobre o tema abordado para sua melhor compreensão. Tratou-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa. A pesquisa qualitativa possui uma ampla abordagem e costuma ser direcionada ao longo de seu desenvolvimento, e pode se assemelhar à interpretação de acontecimentos cotidianos (NEVES, 1996). Segundo Godoy (1995), a pesquisa qualitativa apresenta alguns aspectos fundamentais como, ter o ambiente natural como fonte direta de dados, ou seja, valoriza-se o contato direto do pesquisador com o ambiente estudado; ser explicativa, já que os resultados são mostrados e analisados de forma escrita e não numérica; a preocupação do pesquisador é o significado que as pessoas dão às coisas, procuram entender os fenômenos estudados a partir da visão dos participantes; uso do enfoque indutivo na análise dos dados, não parte de hipóteses pré estabelecidas e não buscam corroborar ou negar tal hipótese, mas parte de um problema amplo que vai se tornando mais específico. Após a autorização da escola para o desenvolvimento da pesquisa e antes da execução das atividades foi aplicado um questionário socioeconômico com questões objetivas (Anexo 1) e também um questionário apenas com perguntas subjetivas, com relação aos hábitos dos alunos com os cuidados com o meio ambiente (Anexo 2). Estes questionários foram fruto de um processo de construção e validação por professores do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Goiás, sendo posteriormente aplicado aos alunos. Para a execução das oficinas foram elaborados roteiros com o planejamento, sobre qual objetivo, a metodologia e a forma de avaliação em cada oficina, no entanto, as atividades poderiam ser modificadas em decorrência da realidade da Casa Brasil e da escola (Anexo 3 a 7). 25 A pesquisa ocorreu por meio de oficinas, nas quais foram abordados diferentes temas em cada oficina. Foi escolhido o método de oficinas, por ser uma atividade mais aberta e que proporciona uma maior liberdade de expressão ao aluno, visto que o objetivo do projeto é identificar as concepções dos alunos a respeito dos assuntos abordados em cada oficina. Dentre as atividades adotadas nas oficinas estão, a elaboração de desenhos, montagem de painéis, desenvolvimento de jogos e apresentação de vídeos. A caracterização da percepção dos alunos foi realizada através do questionário previamente aplicado, gravações e anotações das falas dos alunos durante as oficinas, desenhos e cartazes produzidos pelos alunos e desempenhos nos jogos aplicados. Os resultados foram discutidos com base em trabalhos já realizados sobre cada temática abordada. Durantes as oficinas estimulou-se a reflexão das crianças, através de demonstrações de vários problemas com ocorrem em todo o mundo e também do cotidiano das mesmas, fornecimento de informações e esclarecimento de dúvidas. Os alunos eram instigados a falar e a perguntar, para uma melhor compreensão de seus conhecimentos sobre o assunto. Os temas trabalhados com os alunos foram escolhidos por serem problemas atuais e que estão presentes no cotidiano dos mesmos, são eles: meio ambiente, água, animais, energia e Cerrado. As atividades foram desenvolvidas quinzenalmente no turno vespertino com horário fixo para sua efetivação, combinado e aceito pela gestão escolar. As oficinas possuíam duração máxima de duas horas, pois haviam outras atividades a serem realizadas ainda dentro do Programa Mais Educação. Esta escola foi escolhida principalmente pela proximidade com a Casa Brasil, local em que seriam realizadas as oficinas, visto que, não havia nenhum meio de transportar alunos de escolas mais distantes ao local, mas também por outros fatores como a colaboração da coordenadora do Programa Mais Educação, organização da escola e envolvimento dos alunos com o programa. 26 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Se envolveram com o projeto o total de 29 alunos, sendo 55% do sexo feminino e 45% do sexo masculino. Em cada oficina havia uma lista de chamada, assim um mesmo alunos só foi contabilizado apenas uma vez, e os alunos não eram obrigados a participar do programa, este fato pode explicar a pouca quantidade de alunos presentes nas oficinas. Notou-se que os alunos não possuíam assiduidade na ida às atividades do contraturno proposta pela escola por meio do programa do governo federal denominado ‘Mais Educação’. Além disso, as crianças condicionavam esse momento na escola como momento de uma prática esportiva. Foram realizadas cinco oficinas, que a princípio seriam feitas somente no espaço Casa Brasil, porém devido a problemas estruturais do local, que resultou em uma interdição, as três primeiras oficinas foram realizadas no auditório da Casa Brasil e as duas últimas na escola municipal Air Borges. Como não havia assiduidade, as turmas eram normalmente diferentes à turma da oficina anterior. Inicialmente, foi realizada uma análise do perfil socioeconômico dos envolvidos, presente no questionário pois, para desenvolver uma proposta acerca de meio ambiente é necessário “levar em conta o contexto social, econômico, cultural e ambiental no qual se insere a escola” (BRASIL, 1997, p. 74). O perfil socioeconômico do grupo estudado Na análise do perfil socioeconômico, do total de 31 alunos participantes, apenas 19,35% concordaram em responder o questionário. Quanto à quantidade de pessoas que moram na casa, 50% moram com quatro pessoas, 16,66% moram com cinco e 33,33% moram com mais de cinco pessoas. Em relação à quantidade de pessoas da casa que trabalham, 50% responderam duas pessoas, 33,33% responderam uma pessoa e 16,66% responderam três pessoas. A questão relacionada à renda familiar foi deixada em branco pela maioria dos alunos, talvez devido à idade dos alunos, estes não estão envolvidos neste assunto dentro da família. Sobre o local em que residem, 100% dos entrevistados residem em casa alugada. Com relação aos itens existentes na casa dos alunos, 100% possuem TV, rádio e geladeira, 83,33% 27 possuem DVD, 66,66% possuem automóvel, máquina de lavar e computador, porém apenas 16,66% possuem acesso à internet e 50% possuem telefone fixo. Com relação ao grau de escolaridade do pai ou responsável do sexo masculino, somente 33,33% dos alunos souberam responder, e destes 100% responderam ensino fundamental. Já sobre o grau de escolaridade da mãe ou responsável do sexo feminino, todos responderam e 50% respondeu ensino fundamental, 33,33% respondeu ensino superior e 16,66% respondeu que não possui responsável do sexo feminino. Foram questionados ainda se suas famílias recebem algum auxilio do governo, 66,66% não recebem e 33,33% recebem, sendo esses auxílios, o bolsa família e a bolsa escola. A quantidade de pais que possuem ensino superior é ínfima, o que pode explicar a residência destes alunos em um setor de baixa renda e a baixa frequência dos alunos nas oficinas, pois de acordo com Neri (2013), quanto maior o grau de escolaridade da mãe, maior a frequência e o desempenho dos alunos na escola. Mas apesar da região ser considerada carente, mais da metade dos estudantes (66.66%) afirmam que possuem automóveis, e eletrodomésticos considerados caros como, máquina de lavar e geladeira além de TV e telefone fixo. O fato de todos os alunos possuírem TV e menos da metade dos alunos (16,66%) afirmar ter acesso à internet pode influenciar a visão tanto dos pais quanto dos alunos a respeito de problemas sociais e ambientais. Grande parte dos alunos possuem responsáveis do sexo masculino e feminino, sendo que poucos alunos (16%) afirmaram não possuir responsável do sexo feminino, e isto pode afetar o desenvolvimento do aluno na escola, segundo Neri (2013). As oficinas em ação – questionários e discussões a cada encontro No início das atividades educativas foi realizada, também, uma diagnose dos conceitos iniciais dos alunos por meio de questionário (Anexo 2). Os dados de cada pergunta foram discutidos na respectiva oficina. A primeira oficina apresentou o tema “Definindo meio ambiente” e foi realizada dia 3 de outubro no auditório da Casa Brasil (Anexo 3). Contou com nove alunos e seu objetivo geral foi observar quais as percepções ambientais que os alunos têm acerca de meio ambiente e explicar a importância das atitudes de cada aluno ao cuidar do seu próprio meio ambiente. 28 Cada indivíduo tem uma percepção diferente que é determinada pela relação deste com o espaço e sua experiência de vida. Entretanto, não se considera que determinada percepção esteja errada ou inadequada, mas sim, percepções diferentes, condizentes ou não com o espaço vivido (OLIVEIRA, 2006). Em vista disso foi solicitado aos alunos que cada um fizesse o seu próprio desenho e o explicasse individualmente. Após todos terem terminado, conversou-se com cada aluno em particular, para que este explicasse seu desenho. Foram analisados nove desenhos, e os elementos representados pelos alunos para o conceito de meio ambiente foram: sol, nuvem, árvore/flores, animais, solo com vegetação, rio, homem, lixo/lata de lixo e estrada. Percebe-se então que há um predomínio de elementos presentes no meio natural (Figura 1). Figura 1. Elementos presentes nos desenhos produzidos pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Nos cinco desenhos em que o homem está presente, suas ações foram: jogar o lixo em local apropriado, brigar com alguém por não jogar o lixo no lixo, alimentar os animais e um índio matando outro homem (Figura 2), o que pode ser uma visão influenciada pelo que os alunos assistem na TV, visto que são frequentes as reportagens sobre índios lutando por suas terras. O ser humano age sobre o meio ambiente com o intuito de sanar suas necessidades, e cada um tem uma forma de reagir sobre este meio. Os conceitos formados a partir disto, são o 29 resultado das percepções, julgamentos e expectativas de cada pessoa (SILVA, PIZA e VIEIRA, 2012). Quando questionados se o ambiente sofre modificações, todos afirmaram que sim e a maioria acredita ser o homem o destruidor do meio ambiente ou o que protege. Alguns alunos imaginaram processos naturais como nascimento de novas plantas e morte de animais. Figura 2. Comportamentos do homem no meio ambiente presentes nos desenhos dos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Em muitos desenhos existe um homem que polui e um homem que defende o meio ambiente, seja por evitar a poluição ou cuidar dos animais. Para eles, a destruição do ambiente é sempre causada pelo lixo que o homem joga na natureza. E esse lixo é sempre um resíduo sólido, ou seja, não foram representadas poluições sonoras ou visuais, por exemplo. Observou-se que a fisionomia do ambiente muda de acordo com a presença do homem, quando o homem era representado, o meio ambiente estava poluído e muitos animais estavam mortos em decorrência da poluição, e quando não era representado, o ambiente apresentava muitas árvores, animais e não havia lixo. Embora em muitos desenhos aparecerem animais mortos em decorrência da poluição, os alunos não sabiam explicar porque o lixo poderia matar os animais, sabiam apenas que os prejudicavam. Apesar de os alunos apresentarem basicamente os mesmos elementos,como sol nuvem e arvores, por exemplo, os desenhos foram enquadrados em categorias conforme o trabalho de 30 Salgado e Silva (2013). Para os autores, e também neste trabalho, pode-se distinguir duas categorias: naturalista e socioambiental. Do total de nove desenhos quatro foram enquadrados na categoria naturalista que representa uma visão de meio ambiente como ambiente natural ou como natureza. Os alunos representam o meio ambiente como natureza, um lugar bonito e limpo, assim como no trabalho de Silva et al. (2011) e Silva, Piza e Vieira (2012) em que são representados principalmente elementos naturais como animais, plantas, sol e nuvem. Ao serem questionados se a casa deles era um meio ambiente, todos responderam que não, e sobre a escola responderam que sim. Os alunos explicam que em suas casas não havia árvores e na escola sim. Desta forma, percebe-se uma grande relação de meio ambiente com a natureza em si, que é o senso comum quando se trata do meio ambiente. Não relacionaram a comunidade, a sociedade urbana ou cultura como elementos do meio ambiente, apenas elementos naturais. A visão naturalista de meio ambiente é uma característica marcante entre os estudantes, pois esta visão de certa forma ocorre em decorrência da cultura local em que os conhecimentos são transmitidos de pais para filhos (SOUSA e OLIVEIRA, 2011). Esses resultados são corroborados por Castoidi et al. (2009) em que os alunos sabem da existência de problemas ambientais, mas ainda possuem uma visão naturalista. Florentino (2008) também encontrou em seus resultados o meio ligado a processos naturais e assim como neste trabalho, os alunos também procuraram defender o meio ambiente. Outra razão para a predominância desta visão entre as crianças é a própria visão do professor, que influencia diretamente na visão e percepção dos alunos. Os resultados apresentados no trabalho de Bezerra et al. (2008) mostram que os professores associam o termo meio ambiente à preservação, conservação e cuidado com a natureza. O homem estava presente em dois desenhos da categoria naturalista e nesses dois o homem cuida e/ou protege a natureza. Fato interessante, pois um dos alunos mostrou um homem alimentando um animal; já outro aluno desenhou um índio matando outro homem (que não é índio) para proteger a natureza, como se o índio fosse parte integrante do meio ambiente natural e o outro homem não, por isso o índio cuida do seu meio ambiente e o outro homem destrói. Então, apesar de imaginar um ambiente natural, os alunos enxergam o ser humano como pertencente ao meio ambiente. Isto é um dado positivo, pois de acordo com Oliveira (2006) os problemas ambientais poderão ser atenuados quando o homem se perceber como 31 parte integrante do ambiente. Esta é uma das funções da educação ambiental, sensibilizar o ser humano de que ele é parte constituinte do meio ambiente, para superar a visão antropocêntrica (SOUSA e OLIVEIRA, 2011). No trabalho de Salgado e Silva (2013), a perspectiva socioambiental retrata que o natural e o social são representados como elementos de um mesmo processo. Existe a atuação do homem sobre o meio através de suas construções e seus resíduos lançados no curso de rios, por exemplo. Nessa perspectiva o indivíduo tem um reconhecimento maior de que é parte integrante do ambiente e isto pode levar a mudança de atitudes, que podem refletir na diminuição de problemas ambientais. Todavia, esta visão de mundo ainda é pouco difundida na percepção dos alunos. Nesta categoria socioambiental foram enquadrados cinco desenhos. Nesta categoria é representado um ambiente poluído com animais mortos, latas de lixo de coleta seletiva e cuidado para se ter com o lixo para prevenir a dengue. Nota-se, portanto, que a maioria dos alunos ao pensar em meio ambiente, pensam no lixo que polui e o destrói, além da forma de evitar a destruição deste através do cuidado com o lixo. Apesar dos alunos relacionarem problemas ambientais com o meio ambiente, relacionaram apenas o problema da poluição com resíduos sólidos. Dos cinco desenhos dessa categoria, o homem está presente em três. Entre seus comportamentos estão, jogar o lixo no coletor correto de acordo com o tipo de lixo, poluir rios e solos e chamar atenção daquele que polui. Nos desenhos em que o homem não é representado, existem materiais construídos pelo homem como placas avisando que o local está poluído, estradas e lixo. Assim como no trabalho de Silva, Piza e Vieira (2012, p. 5) os alunos demonstraram um “desejo de denúncia contra os que insistem em jogar lixo em locais indevidos”. De acordo com Brasil (1997, p. 56): Quando se fala em meio ambiente, a tendência é pensar nos inúmeros problemas que o mundo atual enfrenta com relação à questão ambiental. Lixo, poluição, desmatamentos, espécies em extinção e testes nucleares são, dentre outros, exemplos de situações lembradas. Isso se deve, principalmente, ao fato de a mídia veicular uma grande quantidade de informações sobre os problemas ambientais. Também o fato de todo o movimento ecológico ter-se articulado em função desses e de outros problemas ambientais leva à identificação de “meio ambiente” com “problema ambiental. 32 Assim como os alunos mostraram preocupação em jogar o lixo em locais corretos, no trabalho de Sousa e Oliveira (2011) o item mais citado em relação às ações que ajudam o meio ambiente, foi não jogar o lixo em locais indevidos como no chão, na rua e em rios. Esta visão dos alunos a respeito de coleta seletiva e reciclagem pode ser decorrente das práticas relacionadas ao meio ambiente, pois, de acordo com o MEC (2013), quando se examina as estatísticas sobre práticas realizadas na escola nos últimos anos sobre meio ambiente, é surpreendente a popularidade de campanhas, projetos ou programas de coleta seletiva e reciclagem. Essa preocupação com o lixo apareceu também no questionário, ao serem perguntados a respeito dos problemas ambientais no bairro, 81% dos alunos afirmaram ser o lixo o maior problema, 27% as queimadas, as outras respostas, “gato de água”, “animais maltratados”, “açougue fedido” foram citadas por apenas um aluno cada. Pode-se perceber que a grande maioria dos alunos mostra preocupação com a poluição, mostrando que esse problema deve ser tratado pelo município e através da educação das crianças. Dos alunos que responderam se estes problemas poderiam ser evitados ou não, a maioria respondeu que sim (Figura 3). Provavelmente muitos alunos não responderam por não estarem atentos à pergunta e escreveram apenas quais os problemas encontrados. Figura 3. Porcentagem da possibilidade dos problemas ambientais serem evitados pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". 33 Foram questionados também sobre a ausência ou presença de hábitos na família que não prejudicam o meio ambiente e 64% dos alunos afirmaram que possuem hábitos e 36% não possuem. Novamente os alunos expõe o problema do lixo, percebe-se que as famílias têm basicamente apenas três tipos de preocupações, com o lixo, a economia de energia e a economia de água (Figura 4). São hábitos simples que podem ser adotados por qualquer pessoa, como meios de não degradar ou piorar o estado do lugar onde vivemos. Figura 4. Hábitos que não prejudicam o meio ambiente praticados pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação”. De forma geral, percebeu-se que os alunos têm consciência de alguns problemas ambientais causados pelo lixo sólido, o que ocorreu também no trabalho de Oliveira (2006). De acordo com Brasil (1997), as crianças são motivadas a cuidar do meio ambiente quando conhecem suas características e se enxergam como parte dele, e descobrem o quanto a natureza é rica, pródiga e ao mesmo tempo tão frágil. Sendo assim é importante trabalhar esse conceito, para que o entendam de forma crítica, de forma que possibilite uma visão mais integrada dos problemas socioambientais (SOUSA e OLIVEIRA, 2011). A segunda oficina intitulada “importância da água” foi realizada dia 31 de outubro também no auditório da Casa Brasil, e estavam presentes 15 alunos (Anexo 4). O objetivo geral desta atividade foi mostrar aos alunos o quanto a água está se tornando um recurso escasso e o que se pode fazer para utilizá-la adequadamente. 34 O volume de água doce disponível para consumo humano no planeta foi trabalhado com os alunos, de modo que percebessem que esta não é um recurso finito e que, portanto, é preciso preservá-la. Por meio da dinâmica em que foram colocadas diferentes quantidade de água em uma garrafa, em um copo e na tampa da garrafa os alunos perceberam que a maior parte da água é salgada e ficaram surpreendidos com a mínima quantidade restante de água doce para o consumo. Durante a oficina, pode-se perceber que os alunos compreenderam que o volume de água salgada é infinitamente maior que o de água doce, porém notou-se que não compreendiam muito bem a diferença entre água doce e salgada, principalmente quanto ao local onde pode ser encontrada e como pode ser utilizada. Quanto ao local onde pode ser encontrada, fizeram os seguintes questionamentos: “a água que existe no polo norte é doce ou é salgada?” e “a água da chuva é doce?”. Ao comentar sobre águas subterrâneas um aluno perguntou: “se cavar muito eu acho água doce?”. Os alunos sabiam da existência de um lençol freático e o definiram como “água que fica no fundo”. Foi explicado para os alunos, então, as diferenças existentes entre água doce e salgada, e como ela pode ser utilizada. Além disso, que a água salgada não pode ser consumida, pois segundo CZAPSKI (2008, p. 6): A água marinha contém em média 35 g de sal por litro de líquido, que é sete vezes mais sal do que nosso organismo aceita. Nessa condição, ela é imprópria para o consumo humano. Uma pessoa não sobrevive bebendo só água do mar. Ela também não serve para o uso direto na agricultura e na indústria. Por outro lado, muitas espécies vivem nos oceanos e mares – das milimétricas algas até peixes e as enormes baleias. No que tange à forma como a água pode ser utilizada, foram feitas várias perguntas: “água salgada também mata planta?”, “porque não pode usar água salgada para fazer comida?”, “água salgada também serve para beber?”, “porque desidrata?”. Ao final da dinâmica um aluno afirmou: “como a gente não usa água salgada, é como se a água doce fosse a única que existisse”, mostrando que compreendeu o sentido da dinâmica, o de preservar o patrimônio que mais precisamos para sobreviver, a água doce, por ser um recurso finito e que está cada vez mais degradado principalmente por ações antrópicas. Os discentes foram questionados sobre o que mais existia no polo sul e no polo norte e responderam: “gelo”, “água”, “água é gelo”. Não entendiam porque não tem como usar o 35 gelo que está nos polos, sendo que o gelo fora da geleira derrete, porém um aluno fez uma analogia afirmando “o polo norte é como se fosse uma geladeira”. A água é fundamental para a existência de todas as espécies vivas do planeta e para a conservação e equilíbrio da biodiversidade. É um recurso finito, porém a água doce está ameaçada, devido ao desperdício, poluição e demais ações do ser humano. Por ser um recurso tão essencial, é um tema importante e bastante tratado em educação ambiental (IMBIRIBA, 2009). O planeta Terra é constituído principalmente de água, e essa abundância gera a falsa impressão de que a água disponível para consumo sempre estará disponível, porém, 97,5% dessa água é salgada e do total de água doce, 68,9% se encontra em geleiras, calotas polares ou regiões montanhosas, 29,9% são águas subterrâneas, 0,9% compõe a umidade do solo e dos pântanos e apenas 0,3% está disponível e constitui a porção superficial de água doce presente em rios e lagos. Assim é preciso rever a crença de que a água é abundante e estará sempre disponível (MMA/ MEC/IDEC, 2005). No entanto o Brasil é um país privilegiado, pois contêm 13,7% da água doce do mundo, porém sua distribuição é desigual. Mais de 73% dessa água encontra-se na Amazônia, onde habitam apenas 5% da população (MMA/ MEC/IDEC, 2005). O Sudeste, região mais populosa, contêm 6% dos recursos hídricos e o Nordeste, 3% (CZAPSKI, 2008). Após essas discussões, os alunos foram questionados sobre quem possuía água tratada em casa e todos mostraram entender o que era e água tratada e todos afirmaram possuir em casa. De acordo com Prado e Pelin (1993) apud Imbiriba (2009) este é um dos critérios para se considerar uma moradia adequada. Porém, apesar do fácil acesso à água, os alunos disseram que bebiam uma quantidade muito pequena de água, cerca de 1 a 3 copos por dia e todos afirmaram já ter ficado pelo menos um dia inteiro sem beber água. Muitos alunos não consomem a quantidade mínima necessária de água por dia, embora saibam que é importante para a saúde beber água. É conhecido o quanto é importante uma ingestão adequada de água por dia, porém uma atitude muitas vezes negligenciada. De acordo com Branco (2002) apud Imbiriba (2009, p. 97): O ser humano precisa ingerir 2,5 litros de líquido por dia, pois a água, sendo o principal componente das células, funciona como um solvente biológico universal participando da digestão, respiração, circulação do sangue etc. 36 Quando foram questionados sobre quanto tempo aproximadamente uma pessoa pode ficar sem comer, responderam nenhum dia, já quando foi perguntado sobre quanto tempo uma pessoa pode ficar sem beber água, responderam: dois dias, três dias e uma semana. Isso mostra que os alunos se preocupam mais com a alimentação do que com a ingestão de líquido. Ao discutir sobre a importância da água em nossas vidas, os alunos citaram principalmente atividades cotidianas que realizam basicamente em casa, como: fazer comida, escovar os dentes, tomar banho, lavar as vasilhas, lavar as mãos, lavar as bactérias. Mas alguns citaram também outras importâncias, além do uso doméstico: importante para a saúde, importante para o corpo, importante para o sangue. E um aluno fez uma analogia: “somos iguais às plantas”. Os alunos não demonstraram compreensão de que a água está presente em praticamente tudo o que fazemos e ou comemos. A água foi interpretada predominantemente como um recurso de consumo, utilizado nas atividades cotidianas. Este fato também ocorreu na pesquisa de Imbiriba et al. (2007), em que a maioria dos estudantes associou a importância da água às necessidades humanas, como alimentação, hábitos de higiene pessoal, lazer e limpeza. Ainda de acordo com o estudo de Clarke e King (2005, p. 30) “o uso doméstico da água é uma das formas mais evidentes de consumo”. Estes fatos são admissíveis por se tratarem de turmas do Ensino Fundamental I, mas estes estudantes precisam compreender que a estabilidade ambiental depende da água, assim como todas as formas de vida. Essa visão da água como bem de consumo decorre de uma visão utilitarista, assim os alunos valorizam a água apenas em suas atividades domésticas (IMBIRIBA, 2009). Não enxergam a água como um bem mais precioso importante para todas as manifestações de vida na terra, que seu valor está muito além dos muros de uma residência. Isso mostra que é necessário trabalhar esse tema com os alunos do ensino fundamental em diferentes aspectos, além do químico e biológico, mas também nos aspectos sociais, culturais e espirituais para reduzir os efeitos de uma cultura baseada na visão utilitarista da água. É preocupante a falta de outros conhecimentos pelos alunos, pois é um tema bastante comentado na atualidade, por ser um recurso que está se tornando cada vez mais degradado. Já quando questionados sobre o porquê do grande desperdício de água, responderam que as pessoas não se preocupam com a quantidade água que está sendo desperdiçada, mas sim com a conta de água. 37 No mural ‘gotas de contribuição’, que representava atitudes que poderiam ter para evitar o desperdício de água, foram observadas as seguintes frases: 36% Não demorar no banho; 16% Não deixar a torneira ligada; 16% Usar pouca água; 8% Não demorar ao lavar algo; 8% Não lavar roupa; 4% Não lavar calçadas; 4% Não poluir o rio; 4% Não deixar vazar água e 4% Não brincar com água. Assim como relataram a importância da água, os alunos escreveram, como forma de reduzir desperdício, apenas atitudes individuais, domésticas, que estão presentes no cotidiano. Isso mostra que não reconhecem ações mais amplas de proteção a esse recurso como, por exemplo, tratamento de esgotos, aproveitamento da água da chuva, preservação e recuperação de áreas florestais. De acordo com (MMA/ MEC/IDEC, 2005, p. 27): Mesmo países que dispõem de recursos hídricos abundantes, como o Brasil, não estão livres da ameaça de uma crise. A disponibilidade varia muito de uma região para outra. Além disso, nossas reservas de água potável estão diminuindo. Entre as principais causas da diminuição da água potável estão o crescente aumento do consumo, o desperdício e a poluição das águas superficiais e subterrâneas por esgotos domésticos e resíduos tóxicos provenientes da indústria e da agricultura. A redução no consumo doméstico é necessária, no entanto é preciso que cada pessoa promova mudanças de hábitos (MMA/ MEC/IDEC, 2005). A água está sendo cada vez mais mal utilizada devido à aceleração da produção e do consumo. O desperdício se tornou comum, a contaminação começa nas casas, escolas e empresas e posteriormente alcança os cursos d’água. Não obstante, existe ainda destruição das matas ciliares que protegem os rios. Nas grandes cidades os rios estão mais sujos e maltratados, passando a ser percebidos como esgotos e não como fonte de vida. Assim quem reside em centros urbanos imaginam que água limpa é aquela que chega pela torneira e vai embora pelos ralos (MEC, 2013). Na próxima etapa da oficina foi solicitado que aos alunos que montassem um painel com as etapas do ciclo da água. Os alunos mostraram compreender como é o ciclo da água através da montagem do painel, apesar de apresentaram certa dificuldade, mas com um pequeno auxílio em algumas figuras, finalizaram o ciclo corretamente. Os alunos provavelmente tiveram alguma aula sobre o assunto, visto que a temática ‘água’ está presente no PCN meio ambiente e saúde, e especificamente o ciclo hidrológico está inserido em um bloco intitulado “Os ciclos da natureza”. 38 A terceira oficina intitulada “Animais também merecem respeito” ocorreu no dia 5 de novembro no auditório da Casa Brasil e participaram 13 alunos (Anexo 5). O objetivo dessa oficina foi sensibilizar os alunos quanto ao respeito com os animais, informando-os sobre os seus direitos e os riscos que várias espécies têm de ser extintas devido ao tráfico. A primeira parte da oficina foi realizada com uma apresentação com auxílio do programa PowerPoint2 sobre tráfico de animais. Inicialmente foi feita a seguinte pergunta: o que vocês entendem sobre tráfico de animais? As respostas foram: “quando rouba o animal da natureza”, “passarinho todo despenado dentro de uma caixa” e “transporta de outros países para vender”. Apenas alguns alunos responderam e novamente percebe-se o conteúdo de mídias televisivas influenciando no conhecimento dos alunos, pois as imagens de “pássaros depenados” aparecem frequentemente em reportagens tratando do tráfico. Em geral, os alunos mostraram compreender o que é o tráfico de animais, que de acordo com a definição de Rodrigues; Carvalho e Brito (2007, p. 2) consiste “na retirada de espécimes da natureza para que possam ser vendidos no mercado interno brasileiro ou para o exterior”. Isto é importante, visto que a perda da biodiversidade se encontra entre um dos mais graves problemas ambientais atuais (DINIZ e TOMAZELLO, 2005). Então é necessário trabalhar esse tema seja na sala de aula ou no ensino não formal. Porém, os alunos ressaltaram apenas o comércio para o mercado externo. É certo que grande parte dos animais capturados ilegalmente são vendidos no exterior, principalmente para os EUA, que é o maior consumidor de vida silvestre no mundo, e também para países onde há legalização de vida silvestre contrabandeada como, por exemplo, Portugal, México, Espanha e França (RENCTAS, 2001). No entanto, esta atividade também é grande dentro do Brasil. O tráfico de animais é a terceira maior atividade ilegal do mundo, atrás apenas do tráfico de armas e drogas e o Brasil colabora com cerca de 5% a 15% desse total (ROCHA, 1995). Grande parte desses animais é originária das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e são transportados para as regiões Sul e Sudeste (RENCTAS, 2001). Só no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, existem cerca de 100 feiras livres, onde esses animais são comercializados (BRAGA et al., 1998). 2 Microsoft PowerPoint é um programa utilizado para criação e ou edição e exibição de apresentações gráficas, originalmente escrito para o sistema operacional Windows. 39 Além dessa visão de mercado externo, notou-se que os alunos enxergam principalmente o problema relacionado com as a aves. Assim como no trabalho de Sales; Silva e Filho (2012) em que alunos afirmaram que 77% dos animais atingidos pelo tráfico são aves. Essa visão predominante sobre aves ocorre provavelmente porque as aves realmente são os animais mais procurados dentro do tráfico. De acordo com o relatório Renctas (2001, p. 37) “as aves são os animais mais encontrados no comércio ilegal, pelo fato de serem os preferidos pelos comerciantes e pela riqueza da avifauna.” E também de acordo com Destro et al. (2012), das 30 espécies mais apreendidas pelo Ibama e instituições parceiras entre 2005 e 2009, a classe aves foi a mais representativa com 80% dos casos. Quando questionados sobre o que poderia ser feito para combater ou evitar esse tráfico, alguns alunos responderam: “Não pegar os animais na natureza”, “adotar os animais” e “cuidar dos animais”. Nota-se que nenhum aluno citou a denúncia como forma de evitar ou diminuir o tráfico, mas sim ações de cuidado com os animais, provavelmente porque imaginam que o verdadeiro mal do tráfico é o sofrimento e morte dos animais e não pensam no prejuízo ecológico. Conforme Zago (2008) muitas pessoas adquirem animais ilegalmente sem saber que está cometendo um crime a ainda acreditam estar protegendo estes animais e não levam em consideração fatores como o estresse e o sofrimento do animal, zoonoses, e as próprias consequências para o meio ambiente, como a perda da biodiversidade. Também não comentaram sobre a renúncia a artesanatos ou objetos feitos com peles, garras ou quaisquer outras partes destes animais, o que é ruim, pois estes alunos ou seus pais podem comprar estes objetos sem mesmo ter consciência da gravidade do ato. De acordo com a Renctas (2001, p. 20): Os produtos de fauna silvestre são muito utilizados para produzir adereços e artesanatos. As espécies envolvidas variam ao longo dos tempos, de acordo com os costumes e os mercados da moda. Normalmente, se comercializam couros, peles, penas, garras, presas, além de diversos outros. Todos esses produtos entram no mercado de moda e souvenir para turistas. No Brasil, podemos destacar os psitacídeos como fornecedores de penas, os répteis e mamíferos, como principais fornecedores de peles. Foi explicado aos alunos que o tráfico ocorria principalmente com animais silvestres, então foram questionados sobre a diferença entre um animal silvestre e doméstico. As 40 respostas foram unânimes: animal silvestre é o que fica na natureza e doméstico é o que fica em casa. Um aluno ainda perguntou: “a cobra é um animal doméstico?”. O animal doméstico foi associado pelos alunos como aquele que realmente habita dentro de uma residência, visto que quando questionados se o cavalo e a galinha eram domésticos, responderam que não, pois estes não ficam necessariamente dentro de casa, e animal silvestre é só aquele que vive livre na natureza, que as pessoas não podem cuidar, como a onça pintada, que os alunos afirmaram ser um animal silvestre. De acordo com a Portaria/IBAMA nº 93, de 07 de Julho de 1998 são considerados da fauna silvestres “todos aqueles animais pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do Território Brasileiro ou águas jurisdicionais brasileiras”. E da fauna doméstica: Todos aqueles animais que através de processos tradicionais e sistematizados de manejo e/ou melhoramento zootécnico tornaram-se domésticas, apresentando características biológicas e comportamentais em estreita dependência do homem, podendo apresentar fenótipo variável, diferente da espécie silvestre que os originou. Essa distinção é importante, pois as pessoas devem ter conhecimento antes de adquirirem um animal doméstico, para que possam fazer uma escolha adequada. Atualmente é comum as pessoas terem em suas casas animais da fauna silvestre mantidos como animais de estimação (SALES; SILVA; FILHO, 2012). Os alunos foram também questionados porque o Brasil é um dos principais alvos dos traficantes e responderam: “no Brasil tem muitos animais”, “porque o país é grande”, “porque tem a Amazônia e o Pantanal” e “é fácil para pegar”. Este é um fato positivo, pois os alunos entendem que o Brasil é um país de grande extensão e diverso, com elevada biodiversidade e por isso um grande alvo do tráfico. De acordo com RENCTAS (2001), o Brasil se encontra entre os países de maior riqueza de fauna do mundo, ocupando a 1ª posição em número total de espécies. Ainda durante a apresentação foi discutido sobre a função dos animais na natureza, e o único comentário foi: “os passarinhos são polinizadores”. Não possuíam conhecimento muito amplo sobre o assunto, visto que conseguiram apresentar somente um exemplo, e não fizeram relação com a dependência que os organismos vivos têm uns com os outros dentro de uma cadeia trófica. 41 No questionário, a respeito da importância a biodiversidade, a grande maioria dos alunos (81,81%) respondeu que esta é importante e apenas 18,18% respondeu negativamente. No que tange ao por que desta importância, os alunos apresentaram várias justificativas, conforme apresenta a figura 5. Figura 5. Importância da biodiversidade para os alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Como forma de se evitar o tráfico é importante que os alunos saibam qual a real importância desses animais na natureza e qual a importância da biodiversidade. A fauna silvestre é essencial para manter a biodiversidade, pois age sobre a vegetação e dentro da cadeia alimentar (SALES, SILVA e FILHO, 2012). No PCN de Meio Ambiente a temática de biodiversidade é tratada como um valor essencial para a sustentabilidade, e por isso deve ser um assunto abordado em sala de aula (DINIZ e TOMAZELLO, 2005). No entanto, embora a biodiversidade seja importante para manter certo equilíbrio dentro dos ecossistemas, há outros valores que precisam ser relatados como o valor de existência, como poder ter acesso a um ecossistema natural, admirar essas belezas naturais e estar ciente que permanecerão para as próximas gerações (DINIZ e TOMAZELLO, 2005). Ainda segundo os autores, é importante também que o estudo da biodiversidade, esteja associado com os problemas ambientais e sociais. 42 Após a discussão sobre o tráfico foi entregue aos alunos pequenos papeis que continham alguns artigos sobre a declaração universal dos direitos dos animais, para que pudessem ler na frente de todos e posteriormente fizessem uma pequena discussão sobre cada artigo. Nesse momento, os alunos se mostraram bastantes interessados em ler os artigos na frente de todos os outros alunos, mas não se importaram com o que estava escrito, então praticamente não foi feita nenhuma discussão sobre os artigos. No final da oficina foi aplicado um jogo da memória, em que as figuras eram animais ameaçados de extinção presente no bioma Cerrado. No jogo havia treze animais: anta, cachorro-do-mato, capivara, gato-do-mato, lobo-guará, onça-pintada, cutia, suçuarana, tamanduá bandeira, tamanduá mirim, tatu canastra, tatu bola e veado campeiro. São animais que estão constantemente na mídia por apresentarem grande risco de extinção. Os alunos reconheceram grande parte dos animais, não conhecendo os nomes apenas da cutia, suçuarana, cachorro do mato e tamanduá-mirim. Além disso, também se mostraram bastante competitivos. Nesta oficina os alunos mostraram ter certo conhecimento sobre o assunto, embora este seja ainda superficial. Estes conhecimentos se baseavam no que é exposto frequentemente pela mídia e não como conteúdo que deve ser trabalhado em sala de aula. O comércio ilegal de animais silvestres está associado, além de outros fatores à educação, pobreza e satisfação pessoal de ter um animal silvestre em casa (RENCTAS, 2001), por isso é de fundamental importância trabalhar esse assunto ainda no ensino fundamental. A quarta oficina foi realizada no dia 19 de novembro na escola Air Borges na sala do ‘Mais Educação’, pois era necessário o uso do Data show e este não estava disponível na Casa Brasil. Esta oficina contou com a presença de 10 alunos (Anexo 6). O tema foi “Energias limpas” e teve como objetivo analisar os hábitos de consumo de energia elétrica dos alunos e suas concepções sobre fontes alternativas de energia, pois é preciso mostrar aos alunos que existem maneiras de se obter energia sem a necessidade de causar grandes impactos ao meio ambiente com hábitos de consumo consciente. No início da oficina foi aplicado um pequeno questionário sobre os hábitos dos alunos e de suas famílias em relação aos hábitos de consumo de energia em suas casas. Foram feitas perguntas sobre os hábitos cotidianos, pois conforme Pinheiro; Kohlrausch (2011), os gastos podem ser compreendidos facilmente e ser corrigidos de forma simples. Com relação à maneira como utilizam eletrodomésticos foram feitas duas perguntas, entre elas, se costumam deixar aparelhos elétricos ligados quando não estão usando (Figura 6) 43 e sobre o hábito de dormir assistindo TV. Todos os alunos afirmaram que gostam de dormir assistindo TV. O que se revela o oposto do que haviam respondido anteriormente, mostrando descompromisso com a economia de energia. Figura 6. Hábitos de desligar aparelhos fora do uso pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Estas respostas contrastam também com o que os alunos relataram durante a discussão, pois quando foram questionados sobre quais aparelhos domésticos gastam mais energia, responderam: chuveiro, televisão, computador, vídeo game e luz. Isso mostra que mesmo sabendo que estes aparelhos gastam muita energia, ao usá-los muitos alunos não se preocupam com a energia que está sendo gasta. E, conforme Dias, Mattos e Balestieri (2013), atitudes como desligar aparelhos quando não estão sendo utilizados ou apagar as luzes, são apenas os hábitos mais elementares na forma de economia de energia, e mesmo assim pode-se perceber que muitos alunos negligenciam estes hábitos, talvez por falta de informação dos pais, pois ainda de acordo com os mesmos autores os consumidores preocupam-se principalmente com a qualidade, marca e preço dos aparelhos, assim não mostram preocupação com sua utilização e consumo e consequentemente não transmitem essas informações aos seus filhos. Com relação ao uso de lâmpadas, também foram feitas duas questões. A primeira: “Quando sai de um cômodo costuma apagar a luz?” Do total de alunos, 60% afirmaram que sim e 40% às vezes. Isso mostra que percebem que esta é uma atitude importante com relação à economia de energia, pois nenhum aluno respondeu que nunca o faz. 44 A segunda pergunta foi “As lâmpadas na sua casa são incandescentes ou fluorescentes?” 25% respondeu ter lâmpadas fluorescentes em casa, 25% incandescentes, 38% as duas e 12% não respondeu (Figura 7). Ao discutir sobre a diferença entre lâmpadas fluorescentes e incandescentes, percebeu-se que grande parte dos alunos reconhecia a diferença, pois apenas uma pequena parcela de alunos não respondeu sobre esta questão. Um dos alunos afirmou “lâmpada fluorescente é melhor porque gasta menos energia, dura mais e ilumina mais”. Figura 7. Tipo de lâmpadas utilizada em casa pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". Apesar de estarem conscientes sobre qual o melhor tipo de lâmpada muitas alunos ainda tem lâmpadas incandescentes em casa, provavelmente devido ao preço elevado da lâmpada fluorescente. O próximo tópico do questionário foi relacionado à energia gasta no banheiro devido a grande quantidade de energia consumida pelo chuveiro. Sobre a questão: “Em que posição fica a chave do seu chuveiro: inverno, verão ou desligado?” 50% responderam verão, 26% inverno, 12% desligado e 12% verão e inverno. É um fato positivo, pois os alunos entendem que na posição inverno o chuveiro gasta muita energia e foi uma opção pouco citada pelos alunos, prevalecendo a posição verão, na qual há um gasto médio de energia. Sobre a pergunta: “Toma banho quantas vezes por dia e em média qual a duração do banho?”, 63% tomam dois banhos por dia, 25% três banhos e 12% apenas um banho. A duração dos banhos é de até 15 minutos para 50% dos alunos, 16 a 25 minutos para 37% dos 45 alunos, e mais de 30 minutos para 13%. E durante a discussão, sobre em qual cômodo da casa existe um maior gasto de energia, todos responderam ser o banheiro em decorrência do chuveiro. Esses resultados mostram que, quanto ao chuveiro, muitos alunos estão conscientes sobre o grande gasto de energia e também de água, provavelmente por informação dos pais que devem discipliná-los com a duração do banho. Com os dados do questionário aplicado na oficina percebe-se que os alunos estão conscientes sobre quais aparelhos ou tipo de lâmpada consomem mais energia elétrica, e no questionário aplicado no inicio das oficinas, também se mostraram conscientes, pois entre as formas de não prejudicar o meio ambiente, muitos citaram a economia de energia (Figura 4). Os seres humanos se tornaram extremamente dependentes da energia elétrica e parece inconcebível imaginar a vida sem ela. A energia elétrica passou a ter importância fundamental do desenvolvimento de todos os países e seu consumo tem crescido a cada ano. Muitos problemas são decorrentes desta dependência, principalmente com relação ao meio ambiente natural, pois toda forma de produção de energia degrada de algum modo esse meio (BÖHM SANTOS, 2013). Por isso, é também fundamental a sensibilização das pessoas com relação à esses problemas, é necessário que saibam quais os reais prejuízos são causados para que possam ser tomadas tanto atitudes simples dentro de casa, como atitudes críticas em relação aos municípios e governos. Conforme Pinheiro e Kohlrausch (2011), perceber a crise que ocorre no meio ambiente pode ser um impulso para a mudança de atitudes hoje, para que seja possível compartilhar um planeta preservado futuramente. Em seguida, discutiu-se sobre fontes renováveis e não renováveis de energia. Primeiramente os alunos foram questionados sobre a diferença entre estas fontes, e definiram a não renovável como “energia que acaba” e renovável como “energia que economiza”. Czapski (2008) define como fontes não renováveis, aquelas que estão disponíveis em quantidades fixas no planeta, que não possuem capacidade de regeneração num período curto de tempo; e como fontes renováveis, as que resultam de fenômenos cíclicos naturais, que se renovam em um curto período de tempo. Levando em consideração esta definição, os alunos conceituaram corretamente as energias renováveis, mas não as energias não renováveis, apesar de compreender que existe diferença entre elas. Isso mostra que o assunto provavelmente é ou já foi trabalhado na escola, com os pais ou através do que é retratado na mídia. 46 Conheciam alguns tipos de energias renováveis como a luz solar, energia eólica e hidrelétricas, não conheciam, porém, o biogás e o que é um aterro sanitário, provavelmente por não ser uma energia muito utilizada e não estar presente do cotidiano dos alunos. Ao discutir sobre energia solar um aluno comentou sobre radares movidos à esse tipo de energia: “na BR tem radar com energia solar, aquele que tira foto”, isso mostra que o aluno realmente já teve contato com o conteúdo, pois conhece o tipo de energia e que são usadas placas para captar a luz solar. Os alunos lembraram apenas da energia solar com placas fotovoltaicas para produção de energia elétrica. Nenhum aluno comentou o uso da energia solar como aquecedores. Os alunos se mostraram curiosos sobre esse modo de produção de energia e fizeram algumas perguntas como “e quando chove?” e “onde ficam as placas?”. Essas perguntas, entretanto, mostram que essa energia como forma de aquecimento não faz parte do cotidiano desses alunos e que provavelmente foi pouco comentada dentro da escola. Com relação à energia hidráulica, sabiam apenas que era produzida pela água, mas não mostraram conhecimento sobre usinas hidrelétricas, não souberam responder por que esse tipo de energia é a mais usada no Brasil e quais os prejuízos pode causar. Sabiam, porém que a energia da escola era proveniente de hidrelétricas. Este fato também ocorreu no trabalho de Pinheiro e Kohlrausch (2011) em que muitos não estavam cientes dos prejuízos causados pelos reservatórios de água e nem outros malefícios causados ao meio ambiente e à população pela construção de barragens. Também no trabalho de Böhm e Santos (2013) o grupo estudado demonstrou ter dificuldades de percepção quanto aos malefícios causados pela geração da energia elétrica, uma vez que apresentaram relatos como: usinas hidrelétricas não poluem ou que apenas as regiões próximas às usinas são afetadas. O fato de mostrarem pouco conhecimento com relação à energia hidráulica é ruim tendo em vista que no Brasil este é um dos tipos mais comuns de produção de energia elétrica devido ao grande volume de recursos hídricos disponíveis no país. Como corrobora Goldemberg e Lucon (2006), a produção de energia elétrica no Brasil cresceu 4,2% entre 1980 e 2002, e as hidrelétricas sempre prevaleceram nestes dados, por ser um dos países mais ricos do mundo em recursos hídricos. O pouco conhecimento é também ruim porque, apesar de ser uma fonte renovável, ainda causa grandes prejuízos e é importante que toda a população esteja consciente destes problemas para que possam tomar atitudes de aceitar ou não hidrelétricas construídas em 47 locais inapropriados e que podem acarretar em consequências irreversíveis ao meio ambiente e à população que é retirada do local para construção dessas barragens. Estudos de Pinheiro e Kohlrausch (2011) também corroboram esta falta de conhecimento da população, pois no Rio Grande do Sul, Estado em que cerca de 74% da energia provém de usinas hidrelétricas, muitas pessoas acreditam que esta forma de geração não causa danos ao meio ambiente. De acordo com Kemenes (2008) apud Pinheiro e Kohlrausch (2011, p. 395) as usinas hidrelétricas: (...) causam danos ao meio ambiente ao alagarem vastas áreas que servem de reservatório, ao afetarem a fauna e flora local, ao liberarem gases poluentes provenientes da decomposição da matéria orgânica encoberta pela água, pelo desmatamento das extensas áreas atingidas pelas linhas de transmissão e por diversos outros aspectos. Quanto à energia eólica, sabiam que esta era produzida pela força do vento e que prejudica os pássaros. Demonstraram então conhecer o recurso renovável que produz essa energia e um dos impactos que esta pode causar, sendo este um fato positivo, tendo em vista que não são muitos os impactos causados por essa modalidade. Em relação à energia de biomassa, os alunos desconheciam esta alternativa. Apesar de ser comum, se comentar na mídia sobre biocombustíveis como metanol ou biodiesel, os alunos não comentaram sobre estes combustíveis, talvez devido à ênfase da aula sobre energia elétrica ou por não relacionarem o nome biomassa aos biocombustíveis. O fato de não conhecerem este tipo de energia pode estar relacionada ao fato de que esta se trata de uma energia relativamente recente e grande parte dessas usinas se localiza no Estado de São Paulo, fora da realidade dos estudantes (GOLDEMBERG e LUCON, 2006). Nesta oficina foi possível perceber que os alunos apresentaram conhecimento sobre o tema, ainda que vago, como por exemplo, quais são as fontes renováveis e alguns de seus prejuízos, um pouco além do senso comum, mas ainda precisam ser orientados com relação ao desperdício de energia em casa. Ao analisar a questão energética percebe-se uma carência de informações adequadas para o consumidor, grande parte da população não está consciente sobre a importância do conhecimento e da mudança de hábitos para o desenvolvimento nacional (DIAS, MATTOS e BALESTIERI, 2013). É importante falar sobre quais os reais impactos causados por cada maneira de se produzir energia, pois com o advento das energias limpas, o consumo de energia aumentou 48 (PINHEIRO e KOHLRAUSCH, 2011). Então se faz necessário desmistificar a ideia de que energia limpa é sinônimo de preservação ambiental e que é necessário economizar em qualquer situação. Pinheiro e Kohlrausch (2011) explicitam que é preciso economizar energia independe do modo de produção, pois todas causam algum dano ao meio ambiente. E os padrões atuais de consumo podem ser modificados pelo conhecimento sobre o assunto. Conforme Czapski (2008, p. 26): Um desafio das próximas décadas será desenvolver novas fontes de energia renováveis e não poluentes. Quem hoje está na escola terá, no futuro, de tomar as melhores decisões, pois cada acerto trará sustentabilidade para a vida. E os erros podem ter custos para o Planeta. A quinta oficina sobre “Cerrado” ocorreu dia 05/12/12. Esta foi realizada no laboratório de informática da escola Air Borges e participaram dez alunos. Seu objetivo foi sensibilizar os alunos quanto à importância do bioma Cerrado (Anexo 7). O Cerrado brasileiro ocupa uma área de dois milhões de km², que corresponde à cerca de 24% do território nacional (OLIVEIRA, 2013; SILVA, 2008). Porém, a pressão sobre este bioma aumenta a cada ano, fazendo deste o bioma brasileiro mais ameaçado (BIZERRIL e FARIA, 2003). Assim justifica-se a realização de um estudo sobre a concepção de Cerrado por estar presente no cotidiano dos alunos e pela importância deste enquanto bioma. Uma percepção muito comum do Cerrado é a de um ambiente pobre tanto na fauna quanto na flora, com árvores tortas, seco, com falta de água, várias queimadas e carente de beleza e utilidade para o homem (COSTA et al., 2010). No questionário aplicado anteriormente às oficinas, os alunos foram indagados se conheciam o bioma Cerrado, a grande maioria dos alunos respondeu negativamente e das outras duas respostas, uma não fez sentido e outra não mostra a visão de um bioma, mas de um ecossistema qualquer (Figura 8), mostrando que os alunos realmente não conhecem o conceito de Bioma e Cerrado, talvez porque este conteúdo ainda não foi trabalhado com estes alunos. 49 Figura 8. Conhecimento do que é o Cerrado pelos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". O conhecimento sobre a flora e fauna do cerrado é limitado e algumas vezes confuso, tendo em vista que um aluno citou o urso como animal do cerrado (Figura 9) e como flora um aluno citou o cacto. Essa confusão pode ocorrer em decorrência de visitas a circos e zoológicos, dentro ou próximos à cidade de Anápolis. O cacto foi citado certamente pela confusão comumente feita entre cerrado e caatinga, pois a visão de que o cerrado é um lugar seco, assim como a caatinga é ainda predominante para muitos moradores do bioma. Figura 9. Animais presentes no Cerrado segundo a visão dos alunos pesquisados no programa "Mais Educação". 50 Inicialmente na oficina foi perguntado novamente aos alunos o que eles achavam que era o Cerrado, suas interpretações foram: “natureza”, “árvore”, “vento”, “sol”, “chuva”, “fruta”, “água”, e “planta”. Responderam vários elementos naturais que existem tanto no Cerrado como em todos os outros biomas. E nenhum aluno referiu o Cerrado como um bioma. Os alunos não citaram nenhuma característica do Cerrado, como o clima, ou tipo de vegetação, por exemplo, como um lugar seco, assim como no questionário. Durante a explicação sobre características do Cerrado, se mostraram surpresos, ao explicar, por exemplo, que as árvores são tortas, ou que o fogo é natural. Os resultados foram semelhantes ao trabalho de Fushita e Lima (2006) em que as respostas mais frequentes sobre o conceito de cerrado, associavam-no a floresta e “mato”. Nenhum aluno citou qualquer elemento antrópico, já no trabalho de Fushita e Lima (2006) foi citado, porém poucas vezes. Percebe-se que os alunos não compreendem o que é um bioma, e que o Cerrado é um bioma, pois não conseguiram citar suas características sejam elas sobre clima, relevo, fauna ou flora. Citaram apenas elementos naturais encontrados em todos os outros biomas. Isso mostra que esse conteúdo provavelmente nunca foi trabalhado com estes alunos. Vários fatores interferem na construção do conhecimento da criança e de sua família, entre eles a mídia eletrônica como o rádio a TV e a imprensa (BRASIL, 1997). E conforme Fushita e Lima (2006) o Cerrado aparece frequentemente em reportagens na televisão. Outro fator que também influência a visão dos alunos é o livro didático e o uso que o professor faz deste livro. No Brasil, o livro didático, frequentemente, é o único recurso do professor que normalmente o utiliza como um roteiro (OLIVEIRA, 2013). O conteúdo Cerrado, no entanto é tratado principalmente nos 6º e 7º anos, de acordo com as pesquisas de Oliveira (2013) e Bizerril e Faria (2003). O próprio Parâmetro Curricular Nacional na área de Ciências Naturais no eixo “Vida e Ambiente” inclui o tema Biomas a partir do terceiro ciclo do ensino fundamental, referente à 5ª e 6ª série, que correspondem ao 6º e 7º ano atualmente (BRASIL, 1998). Como o conteúdo não está presente em livros didáticos da primeira fase, e os professores, se baseiam principalmente no livro didático para lecionar (COSTA et al., 2010), então é natural que os alunos não compreendam muito bem o tema, pois os alunos pesquisados estavam na primeira fase do ensino fundamental, ou seja, de 1º a 5º ano. O conteúdo Bioma é trabalhado a partir do 6º ano, nas disciplinas geografia e ciências, porém de forma mais descritiva, mostrando as características do Cerrado (BIZERRIL e 51 FARIA, 2003). Porém seria importante trabalhar com alunos de anos inferiores sobre a conscientização da realidade do Cerrado, pois todos os indivíduos agem sobre o meio, independente de sua idade. Assim espera-se que o quanto antes esse assunto for tratado, mais sensível ao tema esse aluno ficará. É importante mostrar características do Cerrado como os frutos, as festas típicas, culinária, a importância das nascentes e como preservá-las, a diversidade da fauna e flora, as atividades econômicas, como artesanatos, entre outras riquezas do bioma, mostrando realmente a importância do bioma, tanto do ponto de vista ambiental, como social, econômico e cultural. De acordo com Costa et al. (2010), esse conhecimento proporciona aos alunos que se sintam como integrantes do bioma fazendo com que se interessem em sua proteção. Além desse conteúdo não estar presente nos livros didáticos das séries iniciais, outra explicação para esse conteúdo não ser trabalhado no ensino fundamental é a falta de interesse do professor, por acreditar que existem assuntos mais relevantes. Como afirma Bizerril e Faria (2003), a abundância de problemas enfrentados pelas escolas especialmente as mais carentes, faz com que o Cerrado seja colocado em segundo plano de importância. Muitos professores e a própria escola, consideram os problemas sociais como mais importantes do que problemas ambientais, sem entender que este último também gera problemas sociais. Apesar dos alunos não conseguirem definir exatamente o que é um bioma, quando foi perguntado se eles conheciam a Caatinga, Amazônia e Mata Atlântica, responderam que sim, já a respeito dos Pampas responderam que não. Como o conteúdo Biomas, não é trabalhado na primeira fase, provavelmente estes alunos já ouviram falar destes biomas através de mídias televisivas e eletrônicas, pois os biomas conhecidos pelos alunos são justamente os biomas mais comentados. Como animais do Cerrado citaram a capivara, tucano, arara, onça pintada (“colorida”), girafa e lobo guará. Durante a apresentação de slides, reconheceram várias fotos de animais do Cerrado como, anta, capivara, tamanduá bandeira e veado campeiro. Não por acaso, as espécies citadas pelos alunos, são também as espécies ameaçadas de extinção, assim esses animais são frequentemente comentados na escola e são também espécies carismáticas, muito divulgadas na mídia. No Manual Técnico da Vegetação Brasileira o termo “Cerrado”, é considerado como sinônimo regionalista de “Savana” por apresentar uma fitofisionomia ecológica semelhante à da África e Ásia. Talvez devido a essa semelhança entre Cerrado e Savana um aluno citou três 52 vezes a girafa, animal típico das savanas africanas, como pertencente ao Cerrado (IBGE, 1992). Em livros didáticos da segunda fase, são representados animais típicos, como o loboguará, seriema, ema, anta, e tamanduá-bandeira (COSTA et al., 2010), que foram exatamente os animais conhecidos pelos alunos, isso mostra que de alguma forma o conteúdo destes livros pode influenciar o conhecimento dos alunos sobre o assunto. Quando os alunos foram perguntados sobre quais as plantas do Cerrado, a primeira a ser citada foi o Pequi, e seguiram-se, “mamão cadela”, jaca, lobeira e jabuticaba. Se limitaram a mencionar espécies frutíferas, pois estas estão mais presentes no cotidiano dos alunos. Quando foram mostradas fotos de ipês, os alunos foram questionados se conheciam àquela árvore e muitos afirmaram que sim. No estudo realizado por Bizerril e Faria (2003), em 31 livros, há apenas seis ilustrações de vegetais que ocorrem no cerrado, e entre elas os ipês (amarelo, rosa e roxo). O Ipê é uma planta muito característica do Cerrado, e por estar presentes nos livros didáticos que tratam do assunto, muitos professores citam esta espécie como pertencente ao bioma. O conhecimento dos alunos a respeito da fauna e flora do Cerrado são semelhantes, citando poucas espécies, e entre elas as mais conhecidas, seja por estarem presentes constantemente em mídias ou no cotidiano dos alunos e professores. Em seguida, foram indagados sobre qual o maior tesouro do Cerrado e apenas uma aluna respondeu: “fazer colar, brinco, pulseira, sapato e roupa”. Na cidade onde ocorreu a pesquisa observa-se comumente no setor central, feiras ou rodovias vendedores ambulantes oferecendo frutos, plantas medicinais, artesanato e vários outros produtos da vegetação nativa do Cerrado (SANTOS et al., 2006). Conforme Bizerril e Faria (2003) estes aspectos culturais e o uso da diversidade do Cerrado como o folclore regional, a fauna que estimulam o desenvolvimento da região são pouco discutidos pelos professores, de um modo geral. Embora a aluna tenha citado os artesanatos, provavelmente, foi influenciada pelo cotidiano e não por ser um tema trabalhado em sala de aula. Nenhum aluno se lembrou da água ou de plantas medicinais, apenas dos artesanatos como riqueza do Cerrado. Na sequência da pergunta foi explicado sobre a importância do Cerrado como reservatório de água e que este é um bioma onde existem muitas nascentes. 53 Foram ainda questionados se já viram alguma área sendo queimada e por que no Cerrado existem queimadas constantes. Muitos responderam que já tinham visto as queimadas, mas apenas um aluno justificou, dizendo que é causado pelo sol. Os alunos também não imaginavam que o fogo pudesse ser importante e ficaram surpresos ao entender que o fogo é benéfico para este bioma. Porém, foi explicado também os malefícios causados, principalmente decorrente de ações antrópicas. O fogo é também um tema pouco abordado em livros didáticos (BIZERRIL e FARIA, 2003; COSTA, 2010). Como consequência, é também pouco discutido em sala de aula. No jogo aplicado ao final da oficina, apenas alguns alunos mostraram interesse em participar, no entanto a maioria queria participar de outras atividades do “Mais Educação”. As perguntas do jogo se referenciam ao que havia sido explicado no início da oficina, e como os alunos participaram das discussões, muitos souberam responder as perguntas propostas. Através desta oficina pode-se perceber que os alunos não têm conhecimento sobre o que é um bioma e também que o Cerrado é um bioma. Durante a aula pode-se perceber que os alunos ainda não haviam tido contato com o tema em sala de aula, provavelmente porque este é trabalhado somente na segunda fase do ensino fundamental. 54 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tendo em vista a série de oficinas analisadas pode-se afirmar que os alunos apresentaram uma percepção mais ampla que o esperado para alguns assuntos, visto que se tratou de discentes do ensino fundamental primeira fase, ou seja, de 6 a 10 anos. Os alunos ainda não haviam tido contato, em sala de aula, com alguns dos temas abordados, porém possuíam consciência de muitos problemas por estes estarem presentes no cotidiano dos mesmos e possivelmente acompanharem as mídias televisivas e digitais. Os alunos mostraram grande preocupação com o cuidado com o meio ambiente e foi nítida a preocupação destes a respeito de resíduos sólidos, que foi o tema mais comentado pelos alunos dentre as oficinas e o mais citado nos questionários. Entre os hábitos que as crianças demonstraram ter sobre cuidados com o meio ambiente, apareceram apenas atividades cotidianas como economia de energia e água e no máximo separam o lixo em orgânico e inorgânico. Em geral, os alunos sabem dos problemas ambientais, ao discutir cada oficina apresentaram alguns dos problemas decorrentes do estilo de vida da maior parte da população. Porém, apesar de apresentarem algumas vezes um conhecimento além do esperado, outros conhecimentos como tráfico de animais ou Cerrado, que é o bioma onde vivem, é pouco conhecido e superficial necessitando maior atenção da escola. As oficinas foram válidas visto que o conhecimento de praticamente todas as crianças parte do senso comum, assim tiveram a oportunidade de ter contato com o conhecimento científico e, desta forma, saber mais sobre os problemas ambientais: como eles ocorrem e como combatê-los. Notou-se que o conhecimento dos alunos era embasado principal e basicamente no que a mídia expõe sobre o assunto. As mídias muitas vezes são a principal fonte de informação para muitas crianças e suas famílias a respeito dos problemas ambientais, e estas muitas vezes não trazem informações seguras e por vezes equivocadas, mostrando uma realidade distorcida para os alunos. A grande preocupação dos alunos com o meio ambiente provavelmente se deve as frequentes notícias dos danos ambientais causados pelo homem e o grande apelo de reverter este quadro. No início das oficinas os alunos se mostraram interessados nos temas propostos, talvez por ser uma atividade nova na escola, porém nas últimas oficinas se mostraram desanimados, pois a maioria dos alunos que participavam do programa “Mais Educação” o vinculavam à 55 prática esportiva e não queriam aprender sobre “conteúdos”, mas sim sobre esportes. Assim as principais dificuldades encontradas neste projeto foram, envolver os alunos nas dinâmicas propostas e principalmente encontrar uma escola para o desenvolvimento do projeto. A educação não-formal e a extensão podem auxiliar na educação ambiental através de projetos desenvolvidos nas escolas, no entanto as escolas estão enraizadas no calendário e currículo escolar e se esquecem, muitas vezes, de abrir as portas a novos projetos, como os projetos de extensão, que são de grande importância para os alunos. Muitas vezes a educação ambiental não é trabalhada na escola como deveria ser, ou seja, com interdisciplinaridade, e por vezes é apenas o professor de Ciências ou Biologia que trabalha esse conteúdo. Por esse motivo também, é importante deixar que a EA seja trabalhada na escola, de forma crítica. Outro benefício da atividade extensionista está no aprendizado do professor, que por ter maior contato com a realidade vivida pelos alunos, desenvolve uma visão crítica e mais clara sobre os reais problemas enfrentados pela sociedade. É necessário trabalhar a educação ambiental com os alunos, seja ela parte de ensino formal ou não formal, as escolas devem se abrir para novas possibilidades de aprendizados e projetos, visto que não é possível oferecer todos os conteúdos transversais de maneira eficaz somente no período letivo. 56 7. REFERÊNCIAS BRAGA, B. S. BARROSO, L.V.; PLÁCIDO, G. G.; CASTANHEIRA, M.; LIMA, R. Z. Controle ambiental para a fauna silvestre no âmbito do estado do Rio de Janeiro. Anais do VIII Seminário Regional de Ecologia. Rio de Janeiro, 1998. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente, Saúde. Brasília: 1997. ________. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais. Terceiros e quarto ciclos do ensino fundamental. Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 1998. ________. Programa Mais Educação – Passo a passo. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/passoapasso_maiseducacao.pdf> Acesso em: 12 abr. 2013. 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ANEXOS 63 Anexo 1 Este questionário é fruto de pesquisa da acadêmica Jéssica de Andrade Santos, do curso de Ciências Biológicas, modalidade Licenciatura da Universidade Estadual de Goiás, para a elaboração do trabalho de conclusão de Curso sob a orientação da professora Adda Daniela Lima Figueiredo. Contamos com sua colaboração ao responder sinceramente cada questão. Gratas, Jéssica de Andrade Santos e Adda Daniela Lima Figueiredo. PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO Série: ____ Idade: ____ 1. Quantas pessoas moram na sua casa: 4. Qual o grau de escolaridade do seu pai ou a) 3 pessoas ou menos responsável do sexo masculino? b) 4 pessoas a) Fundamental c) 5 pessoas b) Ensino médio d) mais de cinco pessoas c) Ensino superior d) Não estudou e) Não possuo responsável do sexo masculino 2. Quantas pessoas trabalham? 5. Qual o grau de escolaridade De sua mãe ou a) 1 pessoa responsável do sexo feminino? b) 2 pessoas a) Fundamental c) 3 pessoas b) Ensino médio d) 4 ou mais pessoas c) Ensino superior e) Ninguém trabalha d) Não estudou e) Não possuo responsável do sexo feminino 3. Qual a renda familiar? 6. Sua família recebe algum (uns) auxílio(s) a) Até um salário mínimo do Governo? b) 1 a 2 salários mínimos a) Não c) 2 a 3 salários mínimos b) Sim. Qual (is)? d) 4 salários mínimos ou mais ____________________________________ ____________________________________ 64 Anexo 2 Este questionário é fruto de pesquisa da acadêmica Jéssica de Andrade Santos, do curso de Ciências Biológicas, modalidade Licenciatura da Universidade Estadual de Goiás, para a elaboração do trabalho de conclusão de Curso sob a orientação da professora Adda Daniela Lima Figueiredo. Contamos com sua colaboração ao responder sinceramente cada questão. Gratas, Jéssica de Andrade Santos e Adda Daniela Lima Figueiredo. QUESTIONÁRIO Série: __________ Idade: ____ 1. Você considera sua alimentação saudável? Por quê?3 __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2. Quais os principais problemas ambientais e sociais que ocorrem no seu bairro? Eles poderiam ser evitados? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 3. Você conhece o Bioma Cerrado, assim como alguma espécie de planta ou animal que ocorra neste Bioma? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 4. Na sua casa, as pessoas tem costume de alguma prática sustentável, como economizar água, energia, ou separar o lixo, por exemplo. Se tiver costume, explique quais são. __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 5. Você acha que a diversidade de plantas e animais é importante para o nosso planeta? Por quê? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 3 No projeto foram realizadas oficinas com os grandes temas, Meio Ambiente e Saúde, porém neste trabalho foram analisadas somente oficinas dentro do tema Meio Ambiente, assim a primeira questão, que está dentro do tema Saúde, não foi utilizada na discussão do presente trabalho. 65 Anexo 3 SUBÁREA: Educação Ambiental TEMA: Definindo o Meio Ambiente DURAÇÃO: 2 horas PÚBLICO-ALVO: Estudantes do programa “Mais Educação” do turno vespertino na escola Air Borges SINOPSE DA ATIVIDADE O objetivo dessa oficina é observar quais as percepções ambientais que os alunos têm acerca de meio ambiente e explicar a importância das atitudes de cada aluno ao cuidar do seu próprio meio ambiente. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Compreender diferentes conceitos de meio ambiente. Diferenciar as definições para o conceito de meio ambiente. Compreender qual a importância do homem dentro do meio ambiente. Reconhecer o que são problemas socioambientais. METODOLOGIA Materiais: Folhas de papel, lápis de cor, gravador de voz. Procedimentos: Entregar uma folha para cada aluno e disponibilizar os lápis de cor. Pedir para que cada aluno desenhe o que ele entende por meio ambiente. Promover um debate sobre o desenho de cada aluno, observando aspectos como a presença ou não de seres vivos, em especial do ser humano, de objetos construídos pelo homem. Discutir se esse meio ambiente é estável ou se sofre modificações, e se sofre, quais são essas modificações e quem modifica. Promover outra discussão a respeito da opinião dos alunos sobre o cuidado com o meio ambiente, através das perguntas: “É importante cuidar do meio ambiente?” “Por quê?” “Quais os problemas do meio ambiente?” 66 Relatar quais os problemas socioambientais presentes nos cotidianos dos alunos através de questionamentos sobre os problemas em sua escola, casa e bairro. AVALIAÇÃO A avaliação será feita com base nos desenhos e respostas dos alunos acerca das questões abordadas. REFERÊNCIAS REIGOTA, M. O que é educação ambiental. 2. Ed. São Paulo: Brasiliense, 2009. REIGOTA, M. Meio ambiente e representação social. 7. Ed. São Paulo: Cortez, 2007. DIAS, G. F. Ecopercepcção – um resumo didático dos desafios socioambientais. São Paulo: Gaia, 2004. 67 Anexo 4 SUBÁREA: Educação Ambiental TEMA: Importância da água DURAÇÃO: 2 horas PÚBLICO-ALVO: Estudantes do programa “Mais Educação” do turno vespertino na escola Air Borges SINOPSE DA ATIVIDADE Esta aula objetiva mostrar aos alunos o quanto um bem tão precioso como a água está se tornando um recurso escasso e o que se pode fazer através de orientações sobre como utilizá-la adequadamente. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Informar sobre as quantidades aproximadas de água doce, salgada e potável no Planeta Terra e refletir sobre esses valores com a dinâmica: água é vida! Discutir sobre quais áreas mais consomem água e sobre a distribuição desigual. Explicar o ciclo da água através de montagem com cartolina. Refletir sobre nossos hábitos enquanto consumidores de água, apresentando exemplos de atitudes certas ou erradas. Montar um mural chamado “Minha gota de contribuição”. METODOLOGIA: Materiais: data show, notebook, caixinha de som, 1 garrafa pet de 2 litros, um copo de 200 ml e outro de 50 ml, 1 cartolina desenhada, desenhos sobre o ciclo da água, folhas de papel em forma de gota de água, fita adesiva. Procedimento: Fazer uma pequena discussão com os alunos sobre qual a importância da água, como e quando nós a utilizamos, desperdiçamos e como o ser humano a polui, mostrando figuras dessas situações no data show. 68 Pedir para que os alunos se sentem formando um circulo e no meio deste circulo terá uma garrafa com água, simulando toda a água do planeta e fazer as seguintes perguntas: “Que tipo de água é essa que está na garrafa?”, “Quais são os locais onde existe água?”, “Será que temos toda esta água para consumir?”. Após essas discussões colocar a água em um copo de 200 ml e dizer que esta representa toda a água doce do planeta de difícil e fácil acesso, como os rios, lagos, represas e poços artesianos. Finalmente, será retirado o suficiente para encher a tampa da garrafa plástica e essa será a quantidade de água potável disponível para consumo humano. Ao final discutir novamente sobre a quantidade de água na tampa da garrafa e sobre nossos hábitos. Entregar 1 gota de papel para cada aluno e pedir que escrevam ou desenhem o que poderiam fazer para não desperdiçar água. Colar as gotas em uma cartolina escrita “Minha gota de contribuição”. Entregar desenhos para os alunos com as diferentes etapas do ciclo da água e pedir para que montem um painel “Ciclo da água” com essas figuras. AVALIAÇÃO A avaliação será feita através da discussão dos alunos sobre os assuntos abordados e também pela montagem do mural sobre a importância da água. REFERÊNCIAS UNIVERSIDADE DA ÁGUA. Água no planeta. Disponível em: <http://www.uniagua.org.br/public_html/website/default.asp?tp=3&pag=aguaplaneta.htm> Acesso em: 03 abr. 2012. UNIVERSIDADE DA ÁGUA. Dicas úteis. Disponível em: <http://www.uniagua.org.br/public_html/website/default.asp?tp=3&pag=dicas.htm> Acesso em: 03 abr. 2012. UNIVERSIDADE DA ÁGUA. Dicas úteis. Disponível em: <http://www.uniagua.org.br/public_html/website/default.asp?tp=3&pag=curiosidades.htm> Acesso em: 03 abr. 2012. SESISP. Saiba mais. Disponível em: <http://www.sesisp.org.br/agua/telas/saiba-mais.asp> Acesso em: 03 abr. 2012. 69 Anexo 5 SUBÁREA: Educação Ambiental TEMA: Animais também merecem respeito DURAÇÃO: 2 horas PÚBLICO-ALVO: Estudantes do programa “Mais Educação” do turno vespertino na escola Air Borges SINOPSE DA ATIVIDADE O objetivo dessa aula é sensibilizar os alunos quanto ao respeito com os animais, informando-os sobre os seus direitos e os riscos que várias espécies têm de ser extintas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Discutir sobre o que é o tráfico de animais, quais as consequências, lucro e como os animais são mal tratados. Diferenciar animais silvestres de animais domésticos. Discutir sobre a importância dos animais para o homem. Explicar o que devem ser feitos com animais silvestres. Discutir sobre a declaração universal dos direitos dos animais. Listar quais são os animais que correm risco de extinção, dando ênfase para os animais do cerrado. Citar o que podemos fazer para o bem estar animal. Realizar a dinâmica: “Nossas percepções denunciadas pelos peixes”. Aplicar um jogo sobre: “animais em extinção”. METODOLOGIA: Materiais: notebook, data show, caixinha de som, fichas com artigos sobre a declaração dos direitos dos animais, jogo da memória com animais em riscos de extinção. Procedimento: Fazer uma apresentação no Power point sobre tráfico, animais silvestres e domésticos, e animais em extinção. 70 Solicitar ao grupo que citem nomes de vários peixes, após as sugestões, fazer de forma bem clara pergunta: “Como vocês gostam desses peixes? (certamente as respostas serão: “assado”, “grelhado”, “frito”). Após ouvir as opiniões, conduzir a reflexão: A pergunta foi como vocês gostam do peixe e não como vocês gostam de comer o peixe. Muitos gostam de ver o peixe apenas nadando, mas na maioria das vezes ele é visto apenas como comida e não como ser vivo. Anotar alguns artigos da declaração dos direitos dos animais em uma pedacinho de papel e dobrar. Cada aluno escolhe um papel e depois cada aluno lê o artigo que pegou e faz-se uma pequena discussão sobre cada artigo. Aplicar um jogo da memória no qual as figuras serão animais que correm risco de extinção. AVALIAÇÃO A avaliação será feita através da discussão sobre o direito dos animais e o que escreverem sobre bem estar e uso dos animais. REFERÊNCIAS NATUREBA. Bem estar animal. Disponível em: <http://www.natureba.com.br/bem-estaranimal.htm> Acesso em: 03 abr. 2012. NATUREBA. Tráfico de animais silvestres. Disponível em: <http://www.natureba.com.br/trafico-animais-silvestres.htm> Acesso em: 03 abr. 2012. SOS FAUNA. O tráfico de animais silvestres no Brasil. Disponível em: <http://www.sosfauna.org/trafico.php> Acesso em: 03 abr. 2012. SUIPA. Direito internacional e direito comparado. Disponível em: <http://www.suipa.org.br/index.asp?pg=leis.asp> Acesso em: 03 abr. 2012. NEO, F. A. Fique por dentro. Disponível <http://www.renctas.org.br/pt/informese/duvidas.asp> Acesso em: 03 abr. 2012. em: 71 Anexo 6 SUBÁREA: Educação Ambiental TEMA: Energias limpas DURAÇÃO: 2 horas PÚBLICO-ALVO: Estudantes do programa “Mais Educação” do turno vespertino na escola Air Borges SINOPSE DA ATIVIDADE O objetivo desta aula é mostrar aos alunos que existem maneiras de se obter energia sem a necessidade de causar grandes impactos ao meio ambiente e que adquiram hábitos de consumo consciente de energia. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Conhecer os hábitos de consumo de energia dos alunos através de um questionário e citar dicas de como gastar menos energia. Citar e diferenciar quais os tipos de energia limpa e quais são os pós e contras para a implantação de cada tipo de energia. Explicar como são produzidos os diferentes tipos de energias limpas. Falar sobre energias não renováveis e suas consequências. Mostrar e discutir sobre o vídeo “para onde está indo sua energia?”. Em uma cartolina pedir que os alunos relacionem os tipos de energias às suas características. METODOLOGIA: Materiais: notebook, data show, caixinha de som, papel, lápis, cartolina e papeis com características dos diversos tipos de energia. Procedimentos: Passar o vídeo: “para onde esta indo sua energia?” e discutir sobre o hábitos de consumo de energia dentro de nossas próprias casas. Entregar uma folha para cada um e pedir que respondam as seguintes perguntas: 72 Toma banho quantas vezes por dia e em média qual a duração desse (s) banho (s)? Em que posição fica a chave do seu chuveiro: inverno, verão ou desligado? Quantos cômodos com lâmpadas têm na sua casa? As lâmpadas são incandescentes ou fluorescentes? Quando sai de um cômodo costuma apagar a luz? Costuma deixar aparelhos elétricos ligados quando não está usando? Quando desliga um aparelho elétrico, costuma tirar o plug da tomada? Abre a porta da geladeira para pensar? As janelas costumam ficar abertas? Gosta de dormir assistindo TV? Pedir para cada um ler suas respostas e discutir sobre elas citando mais dicas de como economizar energia. Colocar uma cartolina na mesa e entregar pequenos papeis aos alunos com características de diversos tipos de energia, para que relacionem o tipo de energia com sua característica. AVALIAÇÃO A avaliação será feita pelo desempenho do grupo no jogo e pela participação nas discussões sobre os assuntos abordados. REFERÊNCIAS BELISÁRIO, R. Use, jogue fora e gere energia. As tecnologias para produção local de energia a partir do lixo. Disponível em: <http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/2473/use-jogue-fora-ae-e-gereenergia.html> Acesso em: 04 abr. 2012. CASTRO, N. J., BUENO, D., DANTAS, G. A. Energia e impacto ambiental. Hidrelétricas: problema ou solução para o futuro do Brasil? Rev. Com ciência ambiental. São Paulo, v. 3, n. 20, p. 26-41, ago. 2008. LEE, D. Para onde está indo sua energia? Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=tF4-Z23Jtyk> Acesso em: 05 abr. 2012. GUERRINI. I. M. Fontes alternativas de energia. Disponível em: <http://fisica.cdcc.sc.usp.br/olimpiadas/01/artigo1/fontes_eletrica.html> Acesso em: 04 abr. 2012. 73 Anexo 7 SUBÁREA: Educação Ambiental TEMA: Cerrado e sua importância DURAÇÃO: 2 horas PÚBLICO-ALVO: Estudantes do programa “Mais Educação” do turno vespertino na escola Air Borges SINOPSE DA ATIVIDADE O objetivo desta aula é sensibilizar os alunos quanto a importância do bioma Cerrado. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Falar sobre a riqueza e biodiversidade do cerrado. Explicar quais os diferentes tipos de vegetação no cerrado. Explicar porque o cerrado é um reservatório de água. Discutir sobre a degradação do cerrado Discutir sobre quais as características do cerrado, como solo, relevo, clima. Discutir sobre os Efeitos do fogo na vegetação do Cerrado Aplicar um jogo de tabuleiro, com perguntas sobre o Cerrado. METODOLOGIA: Materiais: notebook, data show, jogo de tabuleiro sobre Cerrado. Procedimento: Discutir sobre o Cerrado com o auxilio de uma apresentação em PowerPoint. Dividir a turma em grupos e aplicar um jogo de tabuleiro “Conhecendo o Cerrado”. AVALIAÇÃO A avaliação será feita através da participação dos alunos e desempenho no jogo. 74 REFERÊNCIAS CALIXTO, J. S., EDUARDO, M. R. O cerrado como fonte de plantas medicinais para uso dos moradores de comunidades tradicionais do alto Jequitinhonha, MG. Disponível em: <http://www.anppas.org.br/encontro_anual/encontro2/GT/GT02/GTJuliana.pdf> Acesso em: 04 abr. 2012. MACHADO, R. B et al. Estimativas de perda da área do Cerrado brasileiro. Disponível em: <http://www.conservation.org.br/arquivos/RelatDesmatamCerrado.pdf> Acesso em: 04 abr. 2012. MACHADO, R. B et al. Caracterização da fauna e flora do Cerrado. Disponível em: <http://www.conservation.org.br/arquivos/estudoperdaespecies_Cerrado.pdf> Acesso em: 04 abr. 2012. VEIGA, T. A Geodiversidade do Cerrado Disponível em: <http://www.pequi.org.br/geologia.html> Acesso em: 04 abr. 2012.