CIRURGIA
PERIOPERATÓRIO
Feira de Santana
recebe
anestesiologistas
do interior
do Estado no
12° ENAI.
Pág. 02
SEMINÁRIOS
A atualização das
Diretrizes em
Anestesia Obstétrica
da Sociedade
Americana de
Anestesiologia
publicadas este ano.
Pág. 04
Clínicos e
hematologistas
na descoberta de
testes de triagem
para coagulopatias
congênitas ou
adquiridas.
SAEB utiliza a
internet para
transmitir, ao vivo,
as aulas realizadas
no auditório.
Pág. 12
Pág. 08
Bahianest
REVISTA DA SAEB – SOCIEDADE DE ANESTESIOLOGIA DO ESTADO DA BAHIA E DA COOPANEST-Ba – COOPERATIVA DOS MÉDICOS ANESTESIOLOGISTAS DA BAHIA.
ANO II | Nº 2 | AGOSTO 2007
Catussaba Resort Hotel
Salvador - Bahia
28 e 29 de setembro de 2007
DA TEORIA À PRÁTICA
Analgesia Preemptiva - da teoria à prática
Avaliação Pré-Operatória
Anestesia Ambulatorial
Via Aérea Difícil - da teoria à prática
Intercorrências em Pediatria
Obstetrícia
Monitorização Peri-Operatória
Reposição Volêmica no Intra-Operatório
Proteção Orgânica
Parada Cardio-Respiratória - da teoria à prática
Anestesia em Cirurgia Cardíaca - da teoria à prática
Craniotomia com Paciente Acordado
Processo Médico na Prática Anestésica
Sociedade Brasileira
de Anestesiologia
Sociedade de Anestesiologia
do Estado da Bahia
Obs.: Evento reconhecido pela
Sociedade Brasileira de Anestesiologia
e validade pela Comissão Nacional de
Acreditação. Valor: 8 pontos.
COOPANEST-BA
COOPERATIVA DOS MÉDICOS ANESTESIOLOGISTAS DA BAHIA
GlaxoSmithKline
COOPANEST-BA
COOPERATIVA DOS MÉDICOS ANESTESIOLOGISTAS DA BAHIA
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: Pabx: 71.3247-4333 | Fax: 71.3235-3133 | E-mail:[email protected] | www.saeb.org.br
Editorial
É nossa função!
“ Educa quem indica o caminho rumo à realização plena se si.”
Dom Felippo Santoro - Bispo de Petrópolis - RJ
Sempre afirmei que a função principal de nossa sociedade é educar. Quando promovemos as
atividades científicas, buscamos oferecer conhecimentos teóricos e práticos de nossa
especialidade. Mas a que aponta estes conhecimentos se não ao bem de nosso paciente, na
valorização do dom da vida.
Nossa realização está nesta premissa, fundamental para acordarmos de manhã e irmos
trabalhar. Aliviar a dor de um outro.
BAHIANEST é uma publicação da
SAEB - Sociedade de Anestesiologia do
Estado da Bahia em parceria com a
COOPANEST-Ba - Cooperativa dos
Médicos Anestesiologistas da Bahia.
Redação
Av. Garibaldi, 1815, Sobreloja, Bloco
B, Centro Médico Empresarial,
Ondina, Salvador - Bahia.
Fo n e : 7 1 3 2 4 7 - 4 3 3 3
Responsável pela revista
Dr. Samuel J o s é d e O l i v e i r a
Textos e Edição
Cinthya Brandão - 71 9964-5552
Jornalista DRT 2397
Designer Gráfico
Carlos Vilmar [email protected]
Outra função, tão nobre quanto a primeira, é a valorização do Médico Anestesiologista, que
tem em seus anseios, melhores condições de trabalho, justa remuneração como também
qualidade de vida. É a valorização da vida para qual fomos educados!
Temos trabalhado muito com estes conceitos, entretanto, não encontramos ressonância
destas necessidades, pelo abismo que nos separa da realidade em que vivemos nestes dias.
O caminho é de entendimento, de busca do bem comum na “realização plena de si”,
valorizando cada homem nas propostas que enaltecem a vida.
Valorizar, hoje, números e estatísticas em detrimento da realidade de nosso povo é esquecer
da nossa Semelhança e ignorar nossas fraquezas.
Meus amigos, delegar ao Médico todas as dificuldades de um Sistema de Saúde anacrônico, é
no mínimo negligência. Se somarmos imprudência e imperícia, teremos um ilícito ético.
Dr. Samuel José de Oliveira
Presidente da SAEB
Tiragem 500 exemplares
Impressão
Cartograf
O espaço ideal para o sucesso do seu evento
DIRETORIA
Presidente
Dr. Samuel José de Oliveira
Vice-presidente
Dr. Macius Pontes Cerqueira
Secretário Geral
Dr. Marco Aurélio Oliveira Guerra
1º Secretário
Dr. José Admirço Lima Filho
1ª Tesoureira
Dra. Leda Maria Fróes Miranda
2ª Tesoureira
Dra. Lúcia Pereira Nascimento
Diretor Científico
Dr. Rodrigo Leal Alves
Diretor de Defesa Profissional
Dr. Aurino Lacerda Gusmão
A SAEB disponibiliza para locação dois auditórios devidamente
equipados com tecnologia e conforto suficientes para qualquer tipo de
evento. Capacidade para oitenta pessoas confortavelmente sentadas,
sonorização, ar-condicionado, projetor de slides e retroprojetor. Para
outras informações, entre em contato com a nossa secretaria.
Contato:
(71) 3247-4333
Feira de Santana foi palco
do 12° ENAI
Dr. Valdir Cavalcanti Medrado,
Dr. Samuel José de Oliveira e
Dr. Rodrigo Leal na mesa de abertura
Na manhã de sábado do dia 26 de maio, anestesiologistas da
capital do interior se reuniram mais uma vez em Feira de
Santana, no 12° Encontro de Anestesia do Interior do Estado.
“Comorbidades e Anestesia” foi o tema escolhido este ano,
pela Diretoria Científica da Sociedade de Anestesiologia do
Estado da Bahia.
Mais uma forma da
SAEB levar o
conhecimento científico
aos profissionais que
moram no interior
da Bahia.
No auditório da Secretaria Municipal de Saúde, os participantes acompanhavam
atentos o evento reconhecido pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia e
validado com três pontos pela Comissão Nacional de Acreditação. Essa é mais
uma forma da SAEB levar o conhecimento científico aos profissionais que moram
no interior da Bahia.
Anestesiologistas de Salvador foram prestigiar o evento
Os trabalhos foram iniciados com as palavras de Dr. Valdir Cavalcanti Medrado,
convidado especial, que não poupou elogios para a programação científica
cuidadosamente escolhida pela Diretoria da SAEB. Dr. Rodrigo Alves Leal, diretor
científico da SAEB, reconheceu a importância do tema, como também, a
necessidade de uma discussão mais ampla dos assuntos escolhidos.
Dr. Samuel José de Oliveira, presidente da SAEB fez a abertura do evento,
agradecendo a presença de todos, afinal muitos profissionais se deslocaram de
Salvador para prestigiar o 12° ENAI.
As palestras seguiram por todo o dia sendo fechado com chave de ouro com a
degustação de uma deliciosa maniçoba, atenciosamente preparada para o
encerramento do encontro em momento de confraternização e amizade dos
profissionais feirenses e soteropolitanos.
Cinthya Brandão
Jornalista
DRT – Ba 2.397
2
Dr. Samuel José de Oliveira, Dra. Maria Jucinalva Lima Costa e
Dr. Marcelo Carvalho
Dr. Benedito Gonçalves e esposa Sra. Ana Angélica Gonçalves com
Dr. Valdir Cavalcanti Medrado
3
ANESTESIA OBSTÉTRICA
Neste artigo, pretendo comentar as recomendações que achei mais relevantes da atualização das Diretrizes em
Anestesia Obstétrica da Sociedade Americana de Anestesiologia publicadas em abril deste ano, no número 4 do
Anesthesiology. Em 31 de outubro de 2006, o Comitê de Parâmetros Padrões e Práticos da referida sociedade,
através seu Presidente James Arens M.D., aprovou o documento desenvolvido pela força tarefa, submetido para
publicação naquela mesma data. Vale salientar que os pontos aqui comentados são recomendações que devem ser
pesadas e aplicadas a cada caso específico.
AVALIAÇÃO
PERIANESTÉSICA
Felizmente, prática comum há
alguns anos, as avaliações préanestésicas estão cada vez mais
presentes no nosso dia a dia. Seja em
forma de consultas ou mesmo de
visitas aos pacientes já internados, a
paciente obstétrica tem sido uma
figura cada vez mais presente. Saúde
materna, história obstétrica relevante
e história anestésica fazem parte da
anamnese dirigida. Exame físico
cardiorespiratório e das vias aéreas é
mandatório; a região lombar também
deve ser privilegiada neste quesito
caso se planeje bloqueios sobre a
4
coluna. É fundamental a comunicação
entre obstetras e anestesistas, ou
mesmo outros membros da equipe
multidisciplinar que porventura
tenham participado do momento
pré-natal.
A contagem de plaquetas tem sido
uma aliada na prevenção de
complicações em pacientes que se
submetem a bloqueios de condução.
Nas grávidas sadias, potenciais
candidatas a esta técnica anestésica,
este exame deve ser solicitado
baseado na história e ou sinais clínicos
ou exame físico. Tipagem sangüínea
ou prova cruzada devem ser
solicitadas também, para pacientes
que apresentem história pregressa de
complicações hemorrágicas (placenta
prévia, acretismo placentar, cirurgias
sobre o útero), ou mesmo
obedecendo a políticas institucionais e
ou pessoais.
PROFILAXIA DA
ASPIRAÇÃO DO
CONTEÚDO GÁSTRICO
Em pacientes em trabalho de parto
não complicado deve-se estimular a
ingesta de líquidos não particulados em
pequenos volumes. O mesmo
processo pode ser elaborado em
pacientes agendadas para cesáreas
eletivas. Esses pequenos volumes de
líquidos claros (água, bebidas gasosas,
café sem açúcar, sucos sem polpas...)
podem ser ingeridos até 2 horas antes
da administração da anestesia. O
volume ingerido é menos importante
que a presença de material
particulado. Pacientes com fatores de
risco para aspiração do conteúdo
gástrico como diabéticas, obesas e
portadoras de via aérea difícil, ou
pacientes com risco aumentado de
parto operatório, devem ter suas
restrições de ingesta oral
determinadas para cada caso
específico. Ingesta de sólidos deve ser
proibida para pacientes em trabalho
de parto. O período de jejum de
sólidos e ou líquidos outros não
classificados como claros permanece
entre 6 a 8 horas dependendo da
qualidade do alimento ingerido.
Gorduras e proteínas fazem cumprir
um jejum mais duradouro (8h) e
carboidratos npo mais curtos (6h).
Embora seja uma medida pouco
adotada em nosso meio, devemos
considerar a profilaxia farmacológica,
com o uso de antiácidos não
particulados, antagonistas dos
receptores H2 e metoclopramida.
TÉCNICAS
ANALGÉSICAS
ESPINHAIS PARA O
PARTO
Viabilidade dos recursos – A
venóclise deve ser prévia ao bloqueio
e a manutenção da via intravenosa
deve persistir por todo o tempo
anestésico. Certificar-se da presença
do material pertinente e da
exeqüibilidade para tratamento das
complicações inerentes aos
bloqueios centrais, notadamente
hipotensão, toxicidade sistêmica dos
anestésicos locais, bloqueios altos e
depressão respiratória.
Início dos bloqueios e
prognóstico do parto – Não existe
um momento certo para início da
analgesia do parto relacionado à
dilatação cervical. A oferta da analgesia deve ser individualizada, pesandose principalmente o bom
estabelecimento do trabalho do parto
e a intensidade da dor referida pela
paciente.
Analgesia e tentativa de parto
normal em pacientes submetidas a
cesáreas prévias – As técnicas de
analgesia do parto por bloqueios
centrais podem e devem ser
oferecidas as pacientes com cesáreas
prévias. Recomenda-se inclusive
considerar a instalação precoce de
cateter neuroaxial para utilização
posterior na analgesia ou mesmo na
anestesia do parto operatório.
Inserção precoce de cateter
peridural ou raquídeo em parturientes
complicadas – Na literatura não é
incomum a citação da instalação
precoce de cateter peridural ou
raquidiano para evitar anestesia geral
em pacientes com potencial de
cesárea de emergência. Gestações
múltiplas, pré-eclâmpsia, obesidade e
antecipação de uma via aérea difícil
seriam indicações pertinentes. Esta
inserção inclusive precede o início do
trabalho do parto.
Infusão contínua peridural – A
técnica analgésica deve contemplar as
necessidades da paciente, a
preferência e habilidade do
anestesiologista e os recursos
institucionais. Esta técnica contempla
todo o trabalho de parto. O uso de
opióides diminui a concentração do
anestésico local, diminuindo a
possibilidade de bloqueio motor, aliás,
fundamento básico da analgesia do
parto. As concentrações utilizadas são
infinitamente baixas; tomando com
exemplo a bupivacaína, o anestésico
local mais utilizado em analgesia do
parto pelo seu bloqueio diferencial,
soluções de 0,125%, 0,0625% +
fentanil 1 a 1,5 mcg/ml, infundidos em
uma velocidade de 10 ml/h e
pequenos incrementos se necessário,
produzem após algum tempo
profunda analgotócia. Adote-se o
fentanil como o opióide por
excelência para uso peridural no que
tange a dose resposta.
Opióide em dose única na raque
com ou sem anestésico local –
Técnica utilizada quando o parto
deliberada e certamente será natural.
Possui limitação de tempo. Com o uso
concomitante de opióides e
anestésico local, dependendo da
solução estabelecida, a duração da
analgesia aumenta. O uso de mínimas
doses como, mais uma vez
bupivacaína, 2,5 mg (0,5ml da solução
espinhal pesada a 0,5%) + 2,5mcg de
sufentanil (0,5ml da solução espinhal),
promove uma analgesia
extremamente rápida, densa e que
provavelmente perdurará por
aproximadamente 120 minutos.
Caso, por qualquer motivo, o parto
possa vir a ser demorado ou
operatório, faz-se necessário a
instalação de um cateter espinhal ou
peridural para posterior
complementação da analgesia ou
anestesia propriamente dita (dupla
técnica). Nesta técnica, em caso de
uso do cateter peridural, dois pontos
devem chamar a atenção do
anestesiologista: primeiro, a injeção da
solução no espaço subaracnóideo
deverá sempre preceder a instalação
d o c a t e t e r. S e g u n d o , o
posicionamento do paciente poderá
alterar a extensão do bloqueio. Como
é uma técnica que contempla duas
manipulações, seja em espaços
diferentes ou no mesmo espaço, o
tempo de instalação do cateter
peridural pode, por qualquer motivo
ser demorado, e isto poderá
determinar alterações da extensão do
bloqueio, quer utilizemos soluções
hiper ou isobáricas. Vale ressaltar aqui
que o opióide de melhor performance é o sufentanil. Não é incomum
o aparecimento de pequeno bloqueio
motor em um dos MMII, geralmente
o dependente, quando em posição
lateral, que persiste por poucos
minutos. Cuidados haverão de ser
tomados quando do uso de altas
doses de opióides no neuroeixo; após
aproximadamente 60 minutos os
5
Dica de Leitura
Poder e Morte
A família Winshaw, de aristocratas ingleses, conseguiu fama e uma imensa
fortuna com atividades ilegais. Seus membros pertenciam aos mais seletos
círculos de influência política e econômica da Inglaterra, entre 1940 e 1990.
No entanto, os Winshaw pareciam perseguidos pela tragédia e foram
mortos em circunstâncias misteriosas ao longo dos anos. A única pessoa que
parece ter a explicação para as mortes é Tabitha Winshaw, que foi internada em
um hospício após a morte de seu irmão na Segunda Guerra Mundial e guarda
um grande segredo sobre sua família.
conceptos podem apresentar perda
da variabilidade dos batimentos
cardíacos ou mesmo bradicardias
intensas. Dosagens além de 25 mcg
de fentanil e 10 mcg de sufentanil são
consideradas macrodoses.
Agulhas em ponta de lápis –
Definitivamente diminuem o
aparecimento de cefaléia pós-punção.
Em nosso meio ocorreu queda
considerável da cefaléia pós -punção
raquidiana, igualando-se inclusive às
determinadas por punção inadvertida,
com prognóstico mais favorável que
essas.
Dupla técnica – Efetiva analgesia
rápida e densa e anestesia com boa
estabilidade hemodinâmica. Permite a
possibilidade de ajustes posteriores
analgésicos ou anestésicos. Esta
técnica foi desenvolvida a partir da
necessidade de estabilidade
hemodinâmica em pacientes com
pré-eclâmpsia grave. Doses
peridurais tão pequenas quanto 10 ml
de lidocaína a 2%, após 25mcg de
fentanil no líquor, estabeleceram
anestesia adequada para cesarianas.
No líquor o sufentanil segue tendo
melhor performance que outros
6
opióides.
Analgesia peridural controlada
pelo paciente – Provê menor
interferência do anestesiologista.
Diminui a quantidade da solução
administrada em relação à técnica
contínua. Esta técnica necessita de
profissionais habilitados para evitar
complicações.
ANESTESIA PARA
CESAREANAS
A decisão do uso de uma técnica em
particular deve ser individualizada e
baseada em fatores de risco
anestésicos, obstétricos e fetais, a
preferência da paciente e o
julgamento do anestesiologista. Os
bloqueios de condução constituem
técnicas de eleição em pacientes
obstétricas. Um cateter peridural já
instalado pode prover anestesia de
densidade e latência similares à
administração de uma raquianestesia
para cesáreas de urgência. A anestesia
geral pode ser a mais apropriada em
circunstâncias como: bradicardia fetal
profunda, rutura uterina e
hemorragias severas de qualquer
etiologia. O deslocamento uterino,
geralmente para a esquerda, deverá
mantido até o nascimento do
concepto, em qualquer técnica
anestésica utilizada. Pré-hidratação
intravenosa pode ser utilizada para
minimizar hipotensão após instalação
dos bloqueios. O início da
administração dos bloqueios não deve
ser postergado em razão da préhidratação. A raquianestesia
hiperbárica com soluções de doses
pequenas de bupivacaína e sufentanil
provê anestesia satisfatória com
grande estabilidade hemodinâmica.
As doses devem contemplar a atura
das pacientes. Parturientes que
apresentem menos que 150cm de
altura são candidatas a doses menores
que 10 mg de bupivacaína. Entre 150
e 180 cm entre 10 e 14mg e acima de
180cm 15mg. Sempre
acompanhadas de 5mcg de sufentanil
espinhal. Não é incomum a
manutenção de um certo grau de
atividade motora em MMII nos
momentos iniciais do bloqueio.
Efedrina e fenilefrina são drogas
aceitáveis para o tratamento da
hipotensão. Na ausência de
bradicardia materna a fenilefrina é
preferível em relação ao estado ácidobásico fetal, em pacientes grávidas não
complicadas. Metaraminol também se
mostrou uma droga segura em
relação ao concepto. A analgesia pósoperatória com o uso de opióides por
via central é preferível aos opióides
Tabitha envolve o jornalista e escritor fracassado Michael Owen na intrincada
investigação sobre o destino da família Winshaw e sua história de corrupção e
ganâcia. Em “O legado da família Winshaw” (Editora Record), o escritor britânico
Jonathan Coe constrói uma trama policialesca moderna, ao estilo de Agatha
Christie e Dashiel Hammet. Mas o clima de mistério é só o fio condutor de uma
história cujo principal atrativo é a análise sobre a construção do poder e as
transformações da Inglaterra neoliberal dos anos 80 e 90, sob o comando de
Margareth Thatcher.
A tragédia dos
Winshaw, ainda que
fictícia, alerta para a
preservação da ética na
maneira como
construímos nossas
carreiras, nossas famílias,
nossas vidas.
Coe já tinha mostrado sua verve de cronista social em “Bem-vindo ao
clube”, que mostra a ascensão da direita na Inglaterra dos anos 70, através da
história de quatro colegas de escola e suas famílias. Em “O legado da família
Winshaw”, o escritor demonstra talento para criar personagens complexos e
interessantes, ainda que se entregue a alguns clichês do gênero policial. Mas a
mescla de crítica social e mistério produz um bom resultado. A trama labiríntica
do livro consegue prender o leitor até a última página, sem que a trama seja
superficial. De quebra, nos faz pensar sobre a construção do poder em nossos
dias. A tragédia dos Winshaw, ainda que fictícia, alerta para a preservação da ética
na maneira como construímos nossas carreiras, nossas famílias, nossas vidas. A
corrupção e a ganância estão nos pequenos detalhes, no excesso de
individualismo, no preconceito, na arrogância.
Moralismos à parte, o livro vale a pena em especial para os amantes da trama
policial, este gênero tão popular e tão menosprezado pela crítica e que, quando
bem trabalhado, resulta em excelentes obras e em horas de diversão com
conteúdo.
Camilla Costa
Jornalista
Atualize seus dados
pessoais com a SAEB
Fone: 71 3247.4333
[email protected]
7
Historicamente, o tempo de sangramento vem sendo utilizado com essa
finalidade, mas uma série de fatores interferem com o fluxo sangüíneo no local da
punção para o exame, incluindo variações na temperatura, grau de hidratação e
uso de drogas vasoativas, limitando o método para definir um eventual risco
aumentado para sangramento perioperatório.
Monitorização
perioperatória
da coagulação
O tempo de trombina é
dosado menos
freqüentemente, estando
sua alteração no período
perioperatório associada, na
maioria das vezes, a baixos
níveis de fibrinogênio, por
hemodiluição.
8
Desde a descoberta dos fatores envolvidos na coagulação sangüínea e a sua complicada teia
de reações, apresentada didaticamente como uma “cascata”, o raciocínio de clínicos e
hematologistas vem sendo direcionado no sentido de descobrir testes de triagem para
coagulopatias congênitas ou adquiridas. Dessa forma, exames como Tempo de Protrombina
(TP), Tempo de Tromboplastina Parcial ativado (TTPa), e Tempo de Trombina (TT) vêm sendo
utilizados para detectar anormalidades nas vias intrínseca, extrínseca e final da coagulação
constituindo-se, há muitos anos, um padrão para monitorização da coagulação. Entretanto, tais
exames nunca foram idealizados para detectar e orientar o tratamento de coagulopatia
perioperatória.
Para a realização do TP, o plasma é artificialmente ativado, sendo misturado com o fator
tissular, e o tempo necessário para a formação inicial da fibrina é contado e processado. O fator
tissular é o gatilho para a via extrínseca, e o plasma deve conter concentrações normais de
fibrinogênio e uma via comum intacta para que o TP seja normal. Muitos dos fatores da via
extrínseca são dependentes da vitamina K, e o TP pode ainda ser utilizado para avaliar a
deficiência de vitamina K e o tratamento com cumarínicos.
Para o TTPa, o plasma é igualmente ativado, e o tempo necessário para a formação do
coágulo de fibrina é determinado. A determinação do TTPa inicia com os fatores XII e XI, mas é
dependente de protrombina, fator X, e da via comum. Como a heparina bloqueia o fator IX na
via extrínseca, o TTPa é ideal para monitorizar a anticoagulação com heparina. O tempo de
trombina é dosado menos freqüentemente, estando sua alteração no período perioperatório
associada, na maioria das vezes, a baixos níveis de fibrinogênio, por hemodiluição.
As tendências mais recentes apontam na direção de que as reações envolvidas na “cascata
da coagulação”, fazem parte do processo de lesão tissular e inflamação. Sem
dúvida, alterações inflamatórias teciduais podem levar a
alterações importantes da coagulação, tendo
como manifestações a coagulação
intravascular disseminada e a trombose.
Embora seja relativamente comum, é
um equívoco pensar que a coagulação seja
estática. Durante um procedimento
cirúrgico, por exemplo, a literatura tem
documentado a interferência de uma série
de fatores, tais como: hipotermia,
hemodiluição, alterações eletrolíticas
(envolvendo o cálcio e o magnésio), escolha
de técnicas anestésicas, interferência direta
de agentes anestésicos como o propofol e o
sevoflurano. É fundamental perceber a
coagulação sangüínea como um processo
dinâmico.
Abre-se uma nova perspectiva para a
compreensão das reações envolvidas na
coagulação sangüínea, com o modelo
proposto por Hoffmann, em 2001. Assume
grande importância a interação entre as
plaquetas e as proteínas séricas (fatores de
coagulação). Uma vez ocorrida a lesão
vascular, as plaquetas são acionadas,
aderindo ao local da lesão. Formam-se
agregados do Fator Von Willebrand que, por
sua vez, recrutam mais plaquetas que, ao se
ativarem, formam um “tampão” inicial,
expõem sítios de ligação para fibrina, liberam
na circulação uma série de substâncias
encarregadas de atrair leucócitos, prover
“feedback” para células endoteliais e
estimular os demais fatores da coagulação,
criando as condições para a formação de um
coágulo estável e mantendo as reações em
equilíbrio, evitando a evolução para a
trombose ou fibrinólise precoce. De uma
forma geral, estas reações têm sido divididas
em 5 fases: inicial 1 (lesão endotelial), inicial 2
(adesão plaquetária e formação do “tampão”
inicial), aceleração (ativação protéica e
celular), controle (“feedback” para controle
da coagulação) e lise (dissolução do coágulo
e início da recanalização).
Tendo em mente a dinâmica dessas
reações, fica clara a limitação da contribuição
da dosagem dos fatores de coagulação
isoladamente. Além de ser um método caro,
não oferece noção da sua atuação em
conjunto, estando por isso limitada ao
manejo clínico dos portadores de
deficiências congênitas.
Como ficou destacado acima, as
plaquetas desempenham um papel
estratégico, e monitorizar a sua concentração
é relativamente fácil, inclusive por meio de
processamento automatizado de amostras
de sangue. Entretanto, existem poucas
opções para avaliar a sua função.
Historicamente, o tempo de sangramento
vem sendo utilizado com essa finalidade, mas
uma série de fatores interferem com o fluxo
sangüíneo no local da punção para o exame,
incluindo variações na temperatura, grau de
hidratação e uso de drogas vasoativas,
limitando o método para definir um eventual
risco aumentado para sangramento
perioperatório. Outros exames com a
propriedade de avaliar a capacidade
viscoelástica do sangue têm sido aplicados
com melhores resultados. O
Tromboelastograma (TEG), por exemplo,
acompanha o comportamento de uma
amostra de sangue ao longo do tempo,
traduzindo a formação do coágulo em um
gráfico.
Existem padrões típicos de gráficos para
a coagulação normal e para os seus desvios, e
alguns parâmetros podem ser obtidos a partir
do gráfico, auxiliando na interpretação dos
resultados e auxiliando na definição das
condutas a serem tomadas em cada caso.
com a prática clínica, e por certo, grandes
avanços ainda irão ocorrer no manejo
perioperatório das alterações da coagulação.
Leituras Recomendadas:
Haematological effects of anaesthetics and
anaesthesia. Mizobe, T. Anesthesiology 12(4)
1999; 437-441
Sevoflurane inhibits human platelet
aggregation and Thromboxane A sub 2 formation,
possibly by suppression of cyclooxygenase activity.
Hirakata, H. Anesthesiology 85(6) 1996; 14471453
The effect of anesthetic technics on blood
coagulability in parturients as measured by
thromboelastography. Shiv, S. Anesthesia &
Analgesia 85, 1997; 82-86
Coagulation monitoring in the perioperative
period. Spiess, B. International Anesthesiology
Clinics 42(2) 55-71, Spring 2004.
Dr. Eron Santana
Médico Anestesiologista
CRM – Ba 10.353
Adicionalmente, a dosagem de ddímero informa sobre a quebra do coágulo
formado, e quando isto ocorre em níveis
elevados geralmente indica fibrinólise ou
coagulação intravascular disseminada.
Finalmente, os testes de coagulação não
devem ser avaliados em seus resultados
isolados, nem longe da correlação clínica.
Habitualmente, pode ser necessário mais de
um exame a fim de orientar de forma
adequada o tratamento do sangramento
perioperatório por coagulopatia. Uma
combinação de testes de rastreamento e de
função plaquetária incluindo TP, contagem de
plaquetas, TEG e dosagem de fibrinogênio
pode ajudar na correta identificação das
necessidades de tratamento com unidades
de plaquetas, crioprecipitado, plasma fresco
congelado ou antifibrinolíticos. Por outro
lado, nenhum teste é capaz de substituir o
conhecimento e a experiência adquiridos
9
Crônica
O Curumim
e a Pantera
A noite tronitroava. A cada instante, o céu
era riscado por enormes raios de inatingível
velocidade. Sinal que o momento havia
chegado. Cauanará preparava sua zarabatana,
apavoando-a com sementes de copaíba e penas
de jaçanãs e de papagaios verdes. Suas
pequenas mãos faziam o trabalho com enorme
preciosismo, enquanto os olhos permaneciam
imóveis. O sagüi-de-cara-branca pulava
inquieto entre seus ombros, buscando
inutilmente abrigo sob seus cabelos. Um vento
úmido, oriundo da mata, envolvia seu corpo
desnudo, rubro de urucum. Agitava-se por
dentro com a aproximação da manhã, já
anunciada pelo canto do catipurú. Sabia que, a
partir daquela hora, deveria seguir. O esperado
aviso chegara. Teria de cumprir o que nenhum
guerreiro da tribo tinha saúde para fazer: caçar
uma onça-preta, a ser ofertada ao Deus Tupã.
Todos na tribo sucumbiam, febris, ao
terrível castigo lançado por Jurupari, o demônio
das trevas. Cauanará sentia-se extremamente
honrado com a missão, contudo se perguntava:
como poderia vencer animal tão majestoso? Até
então, só tinha habilidades na caça de pequenas
aves; o maior bicho que matara havia sido uma
ariranha, e nem grande não era. Além de tudo,
10
nunca tinha sequer visto uma onça-preta,
apenas existia na sua indistinta imaginação.
Seguia na mata, pisando o chão arenoso,
úmido pelo orvalho notívago. Sobre o penacho
que ornava sua cabeça, vinha a claridade do dia e
as gotas de chuva, que escorriam por entre as
folhas mais altas. Enquanto caminhava, lembrava
das conversas com os velhos guerreiros da
tribo, tentando resgatar da memória as lendas
das antigas caçadas. Talvez nelas encontrasse
alguma forma de como abater o bicho.
Segurava, bravamente, em uma das mãos, uma
lança, muito além de seu tamanho; na outra, a
zarabatana. Procurava atento qualquer rastro,
qualquer indício do animal.
No caminho, ouvia ininterruptamente o
canto da irapuru, como se a ave o
acompanhasse. Enchia-se de bravura, sabia que
seu canto era um bom presságio. Um bando de
macacos-prego também o seguia, pulando
através de galhos e cipós. Andou todo o dia, por
baixo das sombras maternas da floresta, subiu
serras, cruzou incontáveis rios e iguarapés,
atravessou chuvas...
Já no fim da tarde, parou em baixo de um
cupuaçuzeiro e colheu alguns frutos. Sentou-se.
Devorou-os ferozmente, sua fome era
enorme. Em sua companhia, estava o primata
de cara alva, que viajava agarrado a seus
ombros. Inúmeros carapanãs zombavam em
seus ouvidos, revoadas de periquitos cruzavam
o céu. Vários outros cantos também se
espalhavam pelas árvores. A noite já se
insinuava. Enquanto quebrava as cabaças do
fruto, jogando-os violentamente contra pedras,
pensava fixamente na possibilidade de encontrar
a onça. Como faria para vencê-la? Que tamanho
teria? O que faria? Perguntava-se e não tinha
respostas. Sua única certeza é a de que iria matála, não tinha escolhas.
Já havia acabado de devorar os cupuaçús,
quando ouviu um som diferente, vindo de trás
das sumaúmas, alguns metros distante. Logo,
prontificou-se. Muito astuto, subiu num galho
mais baixo da árvore e ficou a observar. Quieto.
Silente. Olhos imóveis, de lança entre os punhos
cerrados. A pouca luminosidade dificultava a
correta identificação do animal. Percebia apenas
que era escuro, andava cauteloso e quase não
emitia som. Parecia desconfiar da observação.
Cauanará permanecia alerta, na espreita. O
sagüi fazia o mesmo, deitado sobre sua cabeça.
Viu o vulto do bicho afastando -se
matreiramente em direção ao igarapé, que
descia logo ali à frente, e decidiu acompanhá-lo,
afinal poderia ser aquela a sua caça. Saúvas, que
habitavam o galho, passeavam por todo seu
corpo, que tremia e respirava forte, só de
pensar na possibilidade de ter encontrado a
onça. Continuava a perseguição, apenas
ouvindo o som próprio dos gravetos se partindo
na passada do bicho.
A noite já se estabelecera, sombreando o
céu e toda a mata. Com ela, surgiu o tão familiar
cricrilar dos grilos. Ele seguia andando em ponta
de pé, por entre arbusto, com a lança em
posição de ataque, até que chegou na margem
do igarapé. Avistou o animal sob o reflexo da lua
(Jacy), que já se mostrava. Era uma capivara, que
mergulhou rapidamente nas águas, e, como um
peixe, desceu na correnteza. Cauanará deu um
suspiro profundo, mais de alívio que de
frustração, deixando cair suas armas. Sentou-se
recostado numa pedra, bebeu punhados de
água, enquanto olhava algumas estrelas que na
noite brilhavam. Evocou Taruá e Savurú,
espíritos guerreiros da noite, pedindo coragem.
E muito cansado, adormeceu.
A noite se fazia quente. Cauanará sonhava
agitado: caçava um cervo-berá, montado sobre
um enorme tracajá, que corria pelas matas e
mergulhava nos rios com enorme robustez.
Num momento, o primata de cara branca, que,
por natureza possui melhor audição, levantouse arrebatado e, passou a dar saltos sem parar. O
curumim acordou assustado, e, puxando pela
cauda, lançou-o longe. Logo ouviu o canto triste
do uratau, o que lhe arrepiou o corpo por
inteiro. O sagüi continuou inquieto, respirando
agudamente. Cauanará percebeu sua excitação,
e estranhou. Ergue-se curioso, e uma terrível
sensação gelou seu peito, era a pantera.
Sob a luz opaca de Jacy, avistou o animal
que tanto povoou sua imaginação naqueles dias.
Ficou pasmado. Nunca havia visto ser de
tamanha beleza. Seu corpo parecia ser parte da
noite, uma sombra sobre o negro, tão uniforme,
tão sólido, tão vivo. Corpanzil impávido. Os
olhos felinos brilhavam sobre seu corpo, como
estrelas sobre a noite. Sua enorme boca era
repleta de presas pontiagudas e assustadoras,
que eram alisadas por uma calosa língua. A saliva
viscosa escorria-lhe pelos cantos, enquanto
bebia água do igarapé. Suas pernas exibiam
poderosos músculos, e no baixo ventre,
pesavam vultosas tetas, certamente de fêmea
parida. Cauanará nunca havia sentido sensação
tão díspar. Seus olhos inexplicavelmente
lacrimejavam. Não conseguia agir. Paralisado,
continuou sem qualquer tipo de intenção.
Durante sua busca, só imaginava como seria
esse primeiro encontro. Lutariam
honrosamente num violento corpo-a-corpo, e,
no final, uma lança acabaria encravada no
pescoço da fera. Essa era a imagem que se
repetia todas as vezes que se imaginava de frente
com o tal bicho. Entretanto, parecia agora
hipnotizado por ela. Entendia, agora, porque
este era o animal pretendido pelo Deus Tupã.
Pediu proteção aos bons espíritos da floresta,
como fazia sempre que sentia medo.
Comparou-se a ela, e, já de antemão,
sentiu-se derrotado, incapaz de sobrepujar
tamanha força. Apenas sua cauda, já quase lhe
vencia no comprimento. Era certo que seria
fatalmente ferido apenas com uma única patada;
ou dividido ao meio por uma daquelas unhas
afiadas como flecha. Ou, ainda, poderia
arrancar-lhe o pescoço apenas com uma
mordida, e depois viraria comida para seus
filhotes.
Sentia-se, também, destituído de
tamanha beleza. Os penachos e colares que
vestiam seu corpo, não se comparavam à
grandeza daqueles pêlos negros aveludados.
Era um misto de admiração, medo e respeito.
Contudo, pensava como seria valioso abater
tão viril animal. Seria motivo de lenda em sua
aldeia, o salvador. O curumim que matou a
onça-preta, que salvou toda a tribo, que
agradou ao Deus maior Tupã, que derrotou o
demônio Jurupari. Todos esses pensamentos
surgiam naqueles breves segundos de
observação.
Ainda muito assustado, sentou-se
novamente, recolhendo a lança e a zarabatana,
jogadas ali perto. Não sabia como agir, nem o
que fazer. Seu corpo teimava em não parar de
tremer. As lágrimas agora se desprendiam de
seus olhos. Estava atordoado e a momentânea
decisão era de apenas não perdê-la de vista.
Ouviu mais uma vez um catipurú cantando.
Pegou as armas e continuou na espreita da
onça, juntamente com seu amigo de cara
branca. Seguiu-a quando voltou para a mata. A
certa distância, fixava o olhar no seu rastro. Ela
andava calmamente, como se não tivesse nada
o que fazer. Nesse momento, Cauanará voltou
a se questionar: Como faria para matá-la? Não
poderia vencê-la numa luta corporal, nem
tampouco conseguiria imobilizá-la com o
curare das flechas, seus músculos eram fortes
demais. Para perfurá-la com a lança, teria de
chegar muito perto, e como se aproximaria
sem sofrer um ataque? Também não teria
como preparar sozinho uma armadilha.
Continuou a seguí-la pela floresta.
Iniciava um dia claro de sol, o que ajudava
na observação à longa distância. O curumim
também pensava em como estaria sua tribo
nesses dias que se passavam.
A perseguição era silenciosa, até que, de
repente, viu a onça rebaixar-se toda e começar
a andar como se de ponta de pé, pisando o
chão com uma suavidade que parecia flutuar. E,
rápida como um raio, disparou a correr por
entre as árvores. Cauanará tentou
acompanhá-la, correndo a toda velocidade,
mas era impossível, seus saltos eram enormes.
Logo a perdeu de vista, o que lhe causou
grande tristeza. Um vazio preencheu-lhe a
alma. Culpava-se por não tê-la atacado logo.
Como podia ter sido tão covarde? Que tipo de
guerreiro seria? Por mais que corresse, apenas
conseguia seguir suas pegadas marcadas na
areia. Sentia-se novamente sozinho, estava
triste e, agora, mais sobrepujado que na sua
prévia derrota imaginária.
Andou por um longo período seguindo o
rastro, até que avistou a felina novamente.
Estava deitada sobre os restos de um anta que
acabara de devorar. Sua boca dentada ainda
reluzia o sangue vermelho-vivo da presa, o
que tornava sua aparência ainda mais
assustadora. Ela continuava indiferente, apenas
lambendo, entre suas patas dianteiras, uma das
costelas que havia sobrado. Cauanará logo subiu
num galho de sucupira com enorme agilidade.
Não desviava seu olhar da pantera, que agora
apresentava uma aparência preguiçosa. Suas
pálpebras pesavam, bocejava repetidas vezes,
enquanto se esticava. Trejeitava-se como um
pequeno gato do mato.
O curumim continuava sem saber o que
fazer, quando, num célere instante, surgiu-lhe
uma idéia. Sem demora, correu até a ponta do
galho, lugar onde ficava mais próximo do bicho.
Equilibrando-se como um bugio, armou a
zarabatana com a única flecha de paricá que
possuía. Deveria assoprá-la por entre a sua
garganta e esperar seu efeito entorpecente.
Faria dormi-la ainda mais, ficaria vulnerável, e,
assim, ele poderia golpeá-la com a lança.
Moveu-se até onde não mais podia, e ficou
pronto para o disparo, com a zarabatana entre
os lábios. Aguardava o momento certo.
Inspirava com violência e deglutia a saliva com
dificuldade. Concentrava todos os sentidos na
visão, nada ouvia, sentia ou cheirava.
Até que, sem vacilação, Cauanará lançou
através do ar, a flecha transbordando em
alucinógeno, no momento exato em que ela
arregalou a boca bocejante. A farpa entranhouse bem na sua garganta. O felino levantou-se
exaltado, dando patadas em sua própria face.
Rugia pavorosamente e pulava como se o chão
queimasse. O curumim, enormemente
assustado, segurava-se com muita força nos
galhos, entreolhando a agonia do bicho.
Sentia-se estranhamente infeliz. As lágrimas
voltaram a escorrer-lhe pelas bochechas. Via
aquele majestoso animal contorcendo-se,
caindo de desequilíbrio, chocando-se
atordoado contra troncos e arbustos, grunhindo
como um porco do mato, indefeso como um
bicho-preguiça. Uma enorme culpa lançou-se
sobre seus já tristes pensamentos, tornando-o
ainda mais fraco.
O efeito da droga aumentou e o bicho, em
agonia, desabou com o ventre negro voltado
para o céu. O leite escorria de suas tetas
ingurgitadas. Cauanará desceu ao solo, e, com a
lança empunhada, seguiu implacável em direção
à sua caça. Ainda chorava, soluçava, seu corpo
tremia por inteiro.
Sem compaixão, o curumim atravessou-lhe
a lança no peito, enquanto via suas copiosas
lágrimas, misturarem-se ao sangue quente
rutilante e ao leite claro da pantera.
O sagüi, que tudo acompanhava, assustouse com o último rugido.
Dr. Alexandre Figueiredo
Médico Anestesiologista
CRM-Ba 13.503
11
Tecnologia
Dicas de Sites
www.anesthesianow.com
SAEB sai na frente e coloca
a tecnologia cibernética a favor
do Conhecimento Científico
Após algumas tentativas, finalmente, a SAEB desenvolveu uma tecnologia que disponibiliza, na home page, as aulas
realizadas no auditório, dessa vez com áudio, uma iniciativa inovadora entre as regionais. Os sócios podem baixar os
arquivos e até salvá-los criando assim, o seu próprio banco de aulas. Mas não é possível fazer qualquer tipo de alteração
porque eles estão em formato pps. Com os slides, antes divulgados, os sócios podem rever o que foi apresentado.
Devido ao volume de informações, o que acarretou em arquivos extensos para internet, e para tornar mais rápido o
download, as aulas foram divididas, algumas em quatro partes, a exemplo da aula sobre Anticoagulação e Bloqueios de
Dr. Rodrigo Leal Alves, durante o III Curso de Condutas e Procedimentos Perioperatórios, já divulgada no site.
No dia 31 de junho, a SAEB foi além e apresentou uma aula na internet em tempo real. Foi o terceiro módulo do
Curso de Condutas e Procedimentos Perioperatórios com o tema Anestesia em Obstetrícia. Profissionais de todo o país
puderam acompanhar tudo que foi discutido entre os profissionais, inclusive com participação através de perguntas. A
apresentação-piloto serviu para reafirmar a concepção da Diretoria de aliar tecnologia e Conhecimento Científico.
Alguns ajustes serão feitos para melhorar a transmissão de outros eventos que, com certeza, vão ser divulgados on-line
através da home page da SAEB: www.saeb.org.br.
De acordo com o presidente Dr. Samuel José de Oliveira, o investimento foi válido. “A iniciativa possibilitou a
transmissão de um evento na sede da SAEB a todos os sócios conectados à internet”.
Quem não acompanhou a programação poderá assistir, em breve, ao arquivo compacto no banco de aulas.
Para SAEB é fundamental saber a opnião dos sócios que poderão fazê-lo através do e-mail [email protected] ou
pelo 3247-4333.
Todos nós vivemos o mesmo dilema do aumento das
atividades profissionais, com alta carga de trabalho e plantões que
demandam grande parte do nosso tempo. Em contra-partida, o
avanço tecnológico e científico, o grande número de artigos e
publicações relevantes tornam muitas vezes difícil para o
profissional anestesiologista manter-se atualizado. Mas não seria
interessante poder encontrar num só lugar as informações mais
interessantes na Anestesiologia?
Foi pensando em suprir esta necessidade que Paul Barash
(autor do tratado de Anestesia Clínica) e colaboradores lançaram o
site www.anesthesianow.com com fins educacionais trazendo
informações para profissionais anestesiologistas focadas no que
existe de mais atual da prática clínica.
São feitas atualizações mensais no conteúdo do site tendo
como fonte revistas e jornais confiáveis objetivando elevar o
conhecimento médico. Através de uma subscrição (gratuita) você
terá acesso completo ao site.
Na sessão Advisory Board Editorial você irá encontrar
comentários dos editores sobre os destaques em Anestesiologia
no último mês.
Caso você queira ver resumos dos últimos estudos e achados
da prática anestesiológica acesse a área Current Hedlines.
Você também pode ter acesso aos artigos mais relevantes das
várias revistas indexadas (sem ter que pagar mais nada por isso e
sem precisar fazer pesquisas extensas no Medline ou no Ovid)
basta acessar Recent Publications. O www.anesthesianow.com
traz uma compilação de artigos que permanecem disponíveis no
site por um período de trinta dias (até que o mesmo seja
atualizado). O problema é que por questões de direitos autorais,
não é permitido fazer o download dos mesmos. Existe ainda a
sessão de relatos de congressos onde são discutidos os assuntos
que foram notícia nos congressos internacionais de Anestesiologia.
O www.anesthesianow.com foi uma grande descoberta.
Não deixe de visitá-lo!!!
www.apsf.org
A cobrança cada vez maior por parte dos pacientes, dos
familiares e a elevação das demandas judiciárias nos fazem estar
cada vez mais atentos quanto à segurança nos procedimentos
médicos.
Assim, foi criada a Anesthesia Pacient Safety Foundation que,
como o próprio nome já diz, é uma fundação que visa à troca de
informações necessárias para incrementar a segurança do paciente
quando submetido à anestesia. O site www.apsf.org traz relatos
de casos, desafios da prática anestésica e como evitar eventos
adversos, no sentido de reduzir a morbi-mortalidade no exercício
da Anestesia. 2
Dr. Emmanuel Isaias Correia
Médico Anestesiologistal
CRM - Ba 13.508
Cinthya Brandão
Jornalista
DRT – Ba 2.397
12
13
Informe
Caros colegas,
Em 01 de junho de 2007, entrou em vigor o padrão
definido pela Agência Nacional de Saúde - ANS de Troca de
Informações em Saúde Suplementar (TISS) e como é do
conhecimento de todos a COOPANEST-BA vem, desde
2005, se preparando para mais essa etapa de mudança, o
que consideramos positivo para o setor de Saúde
Suplementar, já que teremos guias padrões para todos
tomadores de serviços médicos.
Diante da nova realidade a COOPANEST-BA não
poderia deixar de cumprir o seu papel para com os seus
cooperados que é o de procurar se adequar à realidade e
exigências da área em que atuamos.
Esse novo padrão quebra alguns paradigmas fazendo
com que todos nós façamos uma reflexão sobre a forma de
preenchimento dos boletins que deverão estar em sintonia
com as exigências da ANS, o cuidado e atenção no
preenchimento dos boletins de anestesia irão definir se
faremos uma cobrança adequada ou inadequada.
As guias padrões a serem utilizadas pela
COOPANEST-BA são basicamente as de Consulta e
Honorário Individual que já estão prontas em nosso
sistema. Estamos intensificando os contatos com os
convênios no sentido de eliminarmos algumas fases
burocráticas no processo de cobrança dos honorários
de anestesia.
Enfim, podemos tranqüilizar a todos os cooperados,
com relação ao TISS, e afirmar que a COOPANEST-BA
encontra-se devidamente preparada para gerar as
referidas guias, bem como o arquivo XML (Extensible
Markup Language), a ser enviado aos convênios.
MODELOS DAS GUIAS
14
A Diretoria
O faturamento da COOPANEST-Ba
atualmente trabalha com uma média de
50 convênios que, anteriormente,
possuíam características próprias para
elaboração de suas faturas. Com o
advento da regulamentação da TISS
(Troca de Informações em Saúde
Suplementar) pela ANS, houve uma
padronização na forma de
preenchimento destas faturas.
Para evitarmos e reduzirmos o
número de glosas existentes que no ano
de 2006 teve uma diminuição em função
da informatização, devemos tomar
precaução para que situações anteriores
não se repitam.
PRAZO
Este item é fundamental para uma
perfeita recepção na cooperativa. A
maioria dos convênios acata faturamento
de um procedimento desde que seja
apresentado, sob o formato de fatura,
em até 60 dias da realização do mesmo.
Alguns têm um prazo mais dilatado de até
90 dias após a realização do
p r o c e d i m e n t o c o m o P l a n s e r v,
Petrobrás, Saúde Bradesco, Sul América,
Cassi e a Geap.
A TISS, instituída pela ANS cujo
principal objetivo é a realização de um
faturamento totalmente eletrônico,
automaticamente veda a recepção em
sua base de dados de procedimentos
que não estejam dentro daquele prazo
estipulado. Os boletins entregues em
atraso geram glosas técnicas automáticas,
e apesar do empenho da Diretoria da
C O O PA N E S T, t e n t a r n e g o c i a r
faturamento destes boletins que se
encontram em atraso, se faz necessário,
que os cooperados atentem para o envio
imediato dos Boletins de Anestesia para a
COOPANEST-Ba tão logo seja realizado
o procedimento.
Para que desta
maneira possamos evitar glosas técnicas
desnecessárias por parte do convênio
devido a decurso de prazo;
DADOS COMPLETOS
O Boletim de Anestesia que é o
documento de cobrança para
COOPANEST assim como também a
ficha clinica da anestesia é parte do
prontuário médico e deve estar
corretamente preenchida não só pelo
aspecto ético como pelas informações
que são nela colhidas pelas auditorias
convênio. Estes são além das guias os
principais documentos para que ocorra
um correto faturamento dos
procedimentos realizados. Desta
maneira é de suma importância que
conste no mesmo as informações
fidedignas de seus pacientes. Quanto
mais precisas forem estas informações,
além dos relatórios para os
procedimentos de Porte zero mais
fundamentado será seu faturamento.
Portanto nunca deixem de informar
corretamente dados como CID, os quais
só podem ser enviados através de meio
eletrônico aos convênios número de
matrícula, acomodação, senha e código
do procedimento autorizado pelo
convênio etc...
As vezes informações tidas como
desnecessárias quando da apresentação
do Boletim de Anestesia são de suma
importância quando da apresentação da
fatura, sendo que a ausência ou
inobservância da forma correta podem
traduzirem-se numa futura glosa pois esta
fase de implantação deste novo sistema
exigido pela ANS e cobrado pelos
convênios não aceita erros;
ocasionar em glosa nossas recepcionistas
estão aptas para instruir prontamente as
secretárias ou médicos para que busquem
corrigir a discordância e, caso necessário,
estes boletins são devolvidos para que esta
correção ocorra.
Este é um ponto
importante. Temos observado que boletins
que são devolvidos para que seja
providenciado a retificação tem retornado
para a cooperativa com muito atraso.
Alguns deles retornam com dois, três e, até
quatro meses! Tal fato inviabiliza de pronto
qualquer possibilidade de faturar estes
procedimentos realizados, pois além de
contrariar cláusulas contratuais firmadas,
como todos estão operando on-line no
momento, são bloqueados quando da
emissão via web. Portanto reafirmamos
que os Boletins de Anestesia que retornam
visando correção, que estas sejam feitas o
mais breve possível !!! Lembrem-se que o
prazo para a apresentação da fatura começa
a contar da data de realização do
procedimento aposto no Boletim de
Anestesia, logo deve ser priorizado o
quanto antes o retorno do boletim
devidamente corrigido para que não
percamos o prazo de apresentação da
fatura.
Com a colaboração de todos
estaremos não só diminuindo o número de
glosas como aumentando a dinâmica do
faturamento para todos os nossos
cooperados.
NECESSIDADE DE RETORNO
DOS BOLETINS DE ANESTESIA
CORRIGIDOS
Quando entregues na recepção da
COOPANEST-BA os Boletins de
Anestesia passam por uma triagem prévia
visando identificar alguma informação que
tenha sido omitida ou esteja divergindo
quando da realização da fatura.
Identificado algum erro que possa
15
Agenda do presidente
Dentre as atribuições do Presidente da SAEB, uma delas é sua presença nas
atividades promovidas pela a SBA e Regionais.
31ª JONNA - Jornada Norte Nordeste de
Anestesiologia, 29 a 31 de março, em Maceió.
Dr. Samuel José de Oliveira,
Dr. Ismar Lima Cavalcanti e Dra. Patrícia Dias
41ª JASB - Jornada de Anestesiologia do Sudeste
Brasileiro, 07 a 09 de junho, Belo Horizonte – MG.
Dr. Samuel José de Oliveira e Dr. Anis Baraka
5º JALAGIPE - Jornada de Anestesiologia dos
Estados de Alagoas e Sergipe, 9 e 10 de
agosto, Aracaju - Se. Dr. Tolone Casali (MG),
Dr. Samuel José de Oliveira (Ba), Dr. Celso
Nogueira (SP) e Dra. Luciana Lima (Pe)
Nota de Parabéns
A SAEB parabeniza Dr. Jedson dos Santos
Nascimento pelo Doutorado na Faculdade de
Medicina de Botucatu da Universidade Estadual
Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), São
Paulo - SP; Dr. Alexandre Evangelista Silva pelo
16
Mestrado na Faculdade de Medicina de
Botucatu da Universidade Estadual Paulista Júlio
de Mesquita Filho (UNESP), São Paulo - SP; Dr.
Walter Viterbo da Silva Neto pelo Mestrado na
Escola de Medicina e Saúde Pública, Salvador –
Ba; Dra. Anita Castro pelo Mestrado na
Faculdade de Medicina de Botucatu da
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
Filho (UNESP), São Paulo - SP; Dr. Paulo Sérgio
Santos pelo Mestrado na Faculdade de Medicina
de Botucatu da Universidade Estadual Paulista
Júlio de Mesquita Filho (UNESP), São Paulo - SP;
e Dr. Manoel Rodrigues Medeiros Neto pelo
Mestrado na Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz,
Salvador - Bahia.
Download

REVISTA SAEB V sequencial