Fundação de ANTONIO FERREIRA DE CARVALHO Diretor-Redator-Chefe: Sebastião A. B. de Carvalho (ABI) Vice-Diretora: Rosa Maria Werneck Rossi de Carvalho ANO: 74 BOM JARDIM RJ, 20 de agosto de 2015 Segunda fase No 05 Bom Jardim realiza sua III FLITS de 20 a 23 de agosto 2015 Fonte: PORTAL BOM JARDIM -- Marlon Rodrigues da Silva Bom Jardim e Mão de Luva Na oportunidade da realização da Terceira Festa Literária da Serra em Bom Jardim, FLITS, lembramos aos participantes que foi editado, recentemente, on line, este livro que esclarece fatos referentes a Manoel Henriques, o célebre Mão de Luva, desbravador dos Sertões do Macacu, que deu origem a Cantagalo e a mais 14 municípios da Serra Fluminense. A história de Mão de Luva estava eivada de equívocos praticados por pesquisadores despreparados. Mas o sociólogo Sebastião Antonio Bastos de Carvalho desmistificou as falsas versões, lançando duas obras que restabeleceram a verdade histórica: O TESOURO DE CANTAGALO, em 1991, e agora esta ODISSÉIA de MÃO DE LUVA Bom Jardim promove cultura Já há um bom tempo, Bom Jardim vem se destacando como um município que se dedica à promoção e desenvolvimento da literatura e das artes, assim como de outros aspectos culturais. Dispondo de amplos espaços, a Prefeitura tem atuado através da Secretaria de Cultura, trabalhando com afinco para a obtenção de resultados expressivos. No que se refere à memória, trabalhos importantes tem sido realizados, destacando-se a digitalização de obras raras, inclusive a coleção deste jornal A VERDADE, editado na década de 1940 pelo jornalista bom-jardinense Antonio Ferreira de Carvalho, e agora revivido, on line, por seu filho, o jornalista Sebastião Antonio Bastos de Carvalho. Outros jornais, mais antigos, ou não, também estão sendo digitalizados, para serem disponibilizados aos pesquisadores. www.nitcult.com.br/odisseia.pdf agosto de 2015 Página 2 Conversa com o Diretor de A VERDADE Publicada na seção no 5, edição de 19/10/1941 Jornalista Sebastião A.B.de Carvalho O Sítio do Bozan era o meu ShangriLah: delícia da natureza!... N ão sei se todo mundo tem algo parecido em suas memórias, mas eu tenho um lugar que sempre foi e será algo paradisíaco: o Sítio do Bozan, em Bom Jardim! Era para aquelas bandas que eu e o meu primo Laudir fugíamos, sempre que nos era possível! Sim, fugíamos, porque a Tia Ica nunca permitia, com medo que algo de mal nos acontecesse naquela estrada que seguia o rumo do estabelecimento do departamento nacional do Café e ia mais além, chegando ao sítio administrado pelo nosso tio José Carvalho. A preocupação de nossa tia tinha sentido, pois nossos pais nos entregavam aos seus cuidados. Dai a grande responsabilidade. Mas, voltando ao Sítio do Bozan. Era uma propriedade atraente, onde nosso tio José Carvalho se esmerava no cultivo de milho, mandioca, hortaliças, frutas, e na criação de galináceos e suínos. Havia uma bem cuidada granja, onde galinhas poedeiras garantiam uma boa produção. Quando o proprietário, o Sr. Bozan, um rico industrial do Rio de Janeiro, chegava ao sítio, era recebido com esmero pelo nosso tio e família. Lembro-me de uma ocasião em que ele matou um porco, para que o patrão pudesse levar a carne para casa. Tio José e tia Conceição limparam o porco abatido, no terreno de sua casa, e nós, o Laudir e eu, assístimos à inusitada operação com grande curiosidade!... Tomar banho na bomba dágua, usando um balde, era um prazer à parte, nos dias quentes de verão. Outra delícia era chupar laranjas junto aos pés de várias espécies: seleta, lima, bahia... No sítio havia de tudo. Até deslizar com uma folha de palmeira pelas encostas dos morros, descendo em “alta velocidade” emocionava! Outra emoção era “cavalgar” um enorme porco, parecido com javali, devido aos enormes dentes que sobressaíam da boca. Era preciso coragem! Há alguns anos, voltei ao Sítio do Bozan, ansioso por rever as suas maravilhas. Que decepção! o tempo matou as pessoas, o terreno, abandonado, foi invadido e transformou-se numa favela. Estava irreconhecível! Fiquei muito triste com a cena... Mas com o tempo superei essa dificuldade. Pensei que, embora a realidade física tenha se deteriorado irremediavelmente, resta-me algo que ninguém pode destruir: as agradáveis lembranças que, enquanto viver, guardarei na memória! Da coleção de A VERDADE, digitalizada pela Secretaria de Cultura de Bom Jardim, - Galpão Cultural, e gentilmente cedida a este jornal. BOM JARDIM, estado do Rio de Janeiro, é uma cidade limpa, de clima aprazível e progressista. Recebe os visitantes com amabilidade e cortezia. Visite-a, com toda a família! agosto de 2015 Página 3 NESTA página vamos abordar as vidas e obras de vultos que deixaram marcas positivas na vida do Município de Bom Jardim. São pessoas que construíram exemplos dignificantes de amor à terra e ao povo, e que por esta razão devem ser para sempre lembradas com carinho, respeito e admiração. Profa Maria Ica de Carvalho F ilha do emérito Maestro José Antonio de Carvalho, que atuou nas bandas musicais Lyra Bonjardinense e Recreio Bonjardinense, além de manter uma orquestra sacra, atuante na Igreja Católica, e um grupo musical composto por membros de sua família, que animava as Cronologia sintética do Ginásio Bom Jardim Fonte: Blog “Um Bom Jardim de Cultura” 1947 - Ano de fundação do Ginásio Bom Jardim. Seus proprietários eram os professores Messias de Moraes Teixeira e seu primo Wilson de Moraes Teixeira. 1965 - Péricles Corrêa da Rocha compra o Ginásio Bom Jardim . Ainda nesse ano os freis franciscanos assumem a administração do Ginásio. O professor Wilson Teixeira continuou na direção. 1966 - O professor Cícero Monnerat assume a direção do Ginásio. Nesse mesmo ano, Péricles Corrêa da Rocha doa parte de um terreno (onde hoje se encontra o Colégio Santo Agostinho) à Ordem dos Agostinianos Descalços. 1969 - O professor Clirton Rego Cabral assume a direção do Ginásio. 1971 - É inaugurado o Colégio Santo Agostinho (faltando concluir apenas a construção da Capela). É o fim do Ginásio Bom Jardim. Curiosidades: - No início da década de 1960, as aulas de educação Física ocorriam no campo do Bom Jardim Esporte Clube. - A autora do Hino de Bom Jardim, Ica, era professora de Música no Ginásio. - A escola criou sua Banda Marcial para apresentações nas principais datas cívicas: Dia da Pátria e Aniversário do Município. Fonte: Blog “Um Bom Jardim de Cultura”, criado e mantido pelo Projeto Mídia Digital (da Secretaria Municipal de Turismo, Esporte, Cultura e Lazer de Bom Jardim) coordenado pelo professor Marlon Antônio Rodrigues da Silva sessões cinematográficas locais, na época do cinema mudo, -- MARIA ICA DE CARVALHO ensinava piano e teoria musical em sua residência, e lecionava música no Ginásio Bom Jardim. Viveu sempre em Bom Jardim, mudando-se para Nova Friburgo somente quando atingiu idade avançada e onde veio a falecer na década de 1970. Todos os seus irmãos e irmã tocavam algum instrumento musical. Seu irmão Armindo destacou-se como regente do Orfeão Portugal no Rio de Janeiro, e outro irmão, Antonio, atuou em Cantagalo, onde criou a Orquestra MARIA ICA DE CARVALHO Cantagalense, e em Miracema, onde também criou uma orquestra, a Miracemense. Dedicada à arte e à comunidade, Maria Ica inscreveu-se na história local e deixou saudades nos corações de seus inúmeros amigos e admiradores. agosto de 2015 MISCELANEA BOM JARDINENSE Coluna do Celso Frauches Alberto Barboza Serrano Nº 4 – 20 de agosto de 2015 OS LEÕES DO ADRO [email protected] A Suíça em Bom Jardim B om Jardim tem sua história ligada à colonização suíça de 1818/1820. Distante de Nova Friburgo poucos quilômetros, recebeu em seu solo imigrantes suíços insatisfeitos com as condições de vida na Colônia de Nova Friburgo. Os Ballonecker, Bercot, Bohrer, Brust, Emerich, Erthal, Heckert, Marchon, Marfurt, Miller, Monnerat, Shott, entre outros, e seus descendentes, ao lado de descendentes de imigrantes franceses, libaneses e portugueses, estão intimamente ligados à história e ao desenvolvimento do Município de Bom Jardim. Lendo o livro da conterrânea (cantagalense) Dulce Tardin Erthal (ERTHAL, Dulce Tardin. Aventuras e desventuras de uma família gruérien – Os Tardin. Bom Jardim, RJ: 2ª ed. rev. e ampl.), fico sabendo das origens da família Tardin, desde o Cantão de Vaud, de onde também veio o patriarca de minha família – Jean Louis Abraham Fauchez –, rebatizado no Brasil por João Abrom Frauche. Com a sua alma de pesquisadora e de artista, no Conselho Municipal de Cultura ou na Academia Bonjardinense de Ciências, Letras e Artes ou em outras atividades, Dulce Tardin Erthal tem sua vida umbilicalmente ligada a Bom Jardim, onde construiu uma família com o seu esposo, Celso Tardin Erthal, também descendente de suíços e com extraordinária folha de serviços prestados a Bom Jardim e a sua gente e com seus filhos, Raimundo e Everardo. Os Tardin Erthal e todos os demais descentes dos imigrantes suíços, que ajudaram a construir a Bom Jardim de hoje, com mais de 24 mil habitantes, merecem ser homenageados nas comemorações do bicentenário da colonização suíça em Nova Friburgo. A agenda municipal de Bom Jardim, de 2018 a 2020, haverá de celebrar, em diversos eventos e oportunidades, a saga dos Gruériens, oriundos da região de Gruyère, e de tantos outros bravos suíços em busca do eldorado brasileiro, radicados em Nova Friburgo, onde viveram “aventuras e desventuras” em “um dos mais dramáticos movimentos migratórios dos tempos modernos”, no dizer da pesquisadora Dulce Tardin Erthal. Todos os descendentes dos imigrantes suíços de 1818/ 1820, que vivem em Bom Jardim ou que aqui nasceram, naturalmente, estão motivados para essas comemorações, a fim de celebrarem, condignamente, a vitória da coragem, aliada à fé, à perseverança, ao trabalho e à esperança de seus bravos antepassados. As crianças e os jovens de Bom Jardim, em suas escolas de educação infantil e do ensino fundamental, devem ter a exata noção da saga dos suíços que contribuíram e que ainda contribuem, por seus descendentes, para o desenvolvimento socioeconômico dessa progressista comuna serrana fluminense. Essa saga deve ser presente em diversos componentes curriculares das escolas municipais, partindo do local para o nacional, como forma de enriquecer o aprendizado desses educandos, ao tempo em que mantem viva essa história de sonhos e de bravura.♦ Página 4 (Do livro MISCELÂNEA BOM-JARDINENSE, de Alberto B.Serrano) A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição foi criada em 3 de dezembro de 1912, e nossa Matriz funcionava em um prédio antigo, em condições precárias até que, em 1920, após oito anos de obras e com o apoio de toda a comunidade, foi reformada e ampliada, recebendo bela pintura interna, com estrutura robusta e nova torre, com trinta metros de altura. O relógio, em funcionamento até hoje, foi instalado em agosto de 1927, e custou caríssimos “cinco mil cruzeiros”. Na parte externa anterior, mais baixa, ante a escadaria, ficou o adro -- um belo jardim bem conservado, composto de roseiras, graxeiras, ficus e alfeneiros, onde adultos e crianças proseavam despreocupados (como ainda é, até hoje). Segundo o que pude apurar com pessoas mais antigas, foi o dr. Péricles Corrêa da Rocha quem encomendou, da Itália, os dois belos leões de mármore, que ficaram encravados no patamar da escadaria que dá acesso à Igreja. Críticos afirmaram, na época, que as peças destoavam do contexto da paisagem, mas o sucesso alcançado foi indiscutível. As crianças maiores desafiavam a autoridade do rei das selvas, fazendo-os de montaria. As mais jovens e temerosas passavam ao largo, fingindo ignorâ-las. Amansando os leões... Sebastião A.B. de Carvalho E sses dois leões do adro da Igreja Matriz de Bom Jardim estão em minha história de vida, desde tenra idade. A foto que ilustra esta nota, tirada por Papai em 1941, mostrando meu irmão Roberto e eu montados num dos leões, é testemunho do que afirmo. O Roberto não fez muita traquinagem em Bom Jardim, porque ele vivia mais no Rio de Janeiro, na casa do nosso tio avô Simeão, quando Papai precisava nos colocar em casas de parentes. Outra era a minha condição, pois geralmente era mandado para Bom Jardim, ficando na casa da avó Rosinha e tia Ica. Essa a razão de constar dos meus registros tanta traquinagem bom-jardinense! Uma delas era a verdadeira “proeza” de saltar do alto do coreto para o canteiro do adro! Todos se admiravam do feito daquele garotinho. Viviam me pedindo que saltasse, pois antes não acreditavam!... Era o meu grande orgulho de menino pobre! Há pouco, voltei ao adro para rever os leões. Sentei-me num deles e pedi à esposa que fotografasse. Guardo, agora, além da foto que mostro aqui, mais uma, atual... Porém esta não tem a menor graça! agosto de 2015 Página 5 A GENIALIDADE DE UM SANTO: PREVENTIVIDADE, ONTEM E HOJE O conceito de preventividade na época de Dom Bosco e em sua obra deve ser compreendido observando dois elementos complementares: o caráter protetor e o caráter construtivo. A Península Itálica, desde o início do século XIX até o ano de 1870, viveu momentos complicados. Após as Guerras Napoleônicas, a Península teve acentuada sua divisão em diferentes estados. Neste contexto, surge o movimento de unificação e libertação do domínio dos Bourbons e da Áustria. A unificação foi obtida em 1870, a partir do Reino Piemontês, sem traduzir a paz e a prosperidade desejadas. A Península passou a viver uma dura realidade: inúmeros desempregados e camponeses sem terras, que não tinham como sustentar suas famílias. A Revolução Industrial Clássica, ocorrida a partir da Inglaterra no século XVIII, provocou uma questão social gravíssima. A exploração do trabalho das crianças, dos adolescentes, dos jovens e das mulheres, a omissão do Estado na garantia dos direitos básicos de todo ser humano, a ausência de políticas dos direitos trabalhistas, enfim, aprofundou o total abandono e marginalização das populações empobrecidas. É neste ambiente histórico que nasce, cresce e torna-se sacerdote João Melchior Bosco. A preventividade ontem Dom Bosco, ao tecer seu Projeto Operativo, definindo-o como preventivo, utilizou ideias e experiências de outras pessoas ou grupos. • • • • De São Francisco de Sales (1567-1622), seu maior inspirador, Dom Bosco assumiu elementos fundamentais para o desenvolvimento de seu Projeto Operativo: a mansidão, o zelo apostólico na salvação das almas, a visão otimista de Deus (Deus é amor) e o humanismo crítico, fundamentais para a consolidação da preventividade. A pedagogia preventiva, presente na obra de Ludovico Pavoni (1784-1849), defendia uma ação em prol da juventude em que a religião, a razão, a amabilidade, a doçura e a vigilância-assistência fossem referenciais inegociáveis. Marcelinho Champagnat(1789-1840), fundador da sociedade religiosa dos Irmãos Maristas, defendia uma orientação que sustentava a necessidade de suas obras agirem com ações conexas com uma pedagogia preventiva, ou seja, uma pedagogiavoltadapara salvação das almas, para a Igreja e para o método do amor, cujo objetivo é o de preservar do mal, corrigir os defeitos e formar a vontade. Em Teresa Eustochio Verzeri (1801-1852), Dom Bosco foi buscar uma orientação educacional integral: “Cultivar e custodiar muito e com carinho, a mente e o coração dos jovens, a partir da mais tenra idade, para evitar, de todas as maneiras, o mal e preservá-los com avisos e correções que curariam e corrigiriam”. Com Ferrante Aporti (1791-1858), Dom Bosco reflete a prevalência do método preventivo sobre o repressivo, cuidando de colocar o amor como fundamento da educação, criando um ambiente de serenidade, de bondade que encaminha naturalmente para o bem. Dom Bosco define o seu Sistema, sem que represente uma cópia, acrescentando as novidades que nascem de suas vivências e reflexões frente aos desafios de uma Turim carregada de problemas. O conceito de preventividade na época de Dom Bosco e em sua obra deve ser compreendido observando dois elementos complementares. O caráter protetor que alimenta a ideia de preventividade está relacionado à assistência preventiva. A disciplina é favorável à escuta, à reflexão e à aceitação ou não de normas, regras etc., sem que represente uma mera obediência cega a impulsos e desejos imediatos. Assim os jovens poderão aprender a agir de modo organizado e refletido. Já os limites, enquanto normas básicas de convívio em grupo e respeito, fortalecem um comportamento adequado, promovem a adaptação ao meio social, desenvolvendo a autonomia e a responsabilidade diante dos desafios da vida. O segundo elemento trata do caráter construtivo e possui como foco o crescimento interior do jovem, a sua maturidade, com o objetivo de desenvolver um excelente desempenho pessoal e social. A preventividade hoje O conceito de prevenção pode ser entendido como: Vir antes, avisar; preparar; impedir que se realize; antecipar uma informação; assistir para “curar” e reintegrar para a realização. Sendo assim, pode ser entendido, na área educacional, como um conjunto de elementos que permite planejar e executar ações voltadas para: • Consolidar um projeto educativo fundado sobre um diálogo franco entre educador e educando, refletindo coerência entre aquilo que o educador fala e aquilo que faz. Esta ação é identificada com a prevenção primária, com aquela que busca evitar o aparecimento de problemas na vida do jovem. • Trabalhar para que os problemas vividos pelos jovens possam ser reduzidos ou solucionados completamente, representando uma ação de prevenção secundária, uma ação voltada para a assistência. • Diminuir as consequências dos problemas vividos pelos jovens, motivando-os para a busca de estratégias necessárias para o engajamento em um processo de superação. Tal ação constitui uma prevenção terciária, identificada com a reintegração do jovem na sociedade. CONTINUA NA PÁGINA 6 - seguinte agosto de 2015 Página 6 Histórico do Município de Bom Jardim Fontes: PORTAL BOM JARDIM, do Prof. Marlon Rodrigues e “A Odisseia de Mão de Luva”, do sociólogo Sebastião A.B. de Carvalho Segundo a tradição, o desbravamento das terras do Município de Bom Jardim deu-se entre 1770 e 1786, quando garimpeiros clandestinos, chefiados por Manoel Henriques, cidadão natural de Ouro Branco MG, cognominado “Mão de Luva”, lavraram os leitos dos córregos afluentes dos rios Macuco, Negro e Grande. (Fonte: A Odisseia de Mão de Luva - www.nitcult.com.br/odisseia.pdf) Existem no Município de Bom Jardim, no local onde as águas do rio São José se lançam no leito do rio Grande, cavernas naturais, conhecidas desde tempos remotos como “Furnas do Mão de Luva”. Entretanto, datam do início do século XIX as notícias sobre as primeiras colônias agrícolas da região, formando um núcleo populacional na margem do rio São José, com o topônimo de São José do Ribeirão. Em 1857 o núcleo foi elevado à categoria de freguesia, começando logo a atrair um maior número de colonos não só nacionais, como portugueses, suíços, alemães e italianos. A formação do povoado que tomou o nome de Bom Jardim se deveu a passagem dos trilhos da Estrada de Ferro Cantagalo por suas terras. Devido ao progresso trazido pela estrada de ferro que a cortava, pouco a pouco, Bom Jardim, nova localidade do Município de Cantagalo, entrou em franca fase de prosperidade, suplantando a de São José do Ribeirão, pertencente ao Município de Nova Friburgo. Em 24 de março de 1891, já sob o regime republicano, com a criação do Município de Cordeiro por força do Decreto nº.180, Bom Jardim passou a constituir um dos seus Distritos, sendo desmembrado de Cantagalo. A criação do Município se deu em 5 de março 1893, com o nome de Bom Jardim. Este topônimo foi modificado para Vergel, em 1943, a contragosto dos habitantes da Cidade. A nomenclatura original de Bom Jardim foi restabelecida em 1947, por força das disposições transitórias da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. Formação Administrativa Freguesia criada com a denominação de São José do Ribeirão, pela lei provincial nº 519, de 04-05-1850 e pela deliberação de 21-11-1887 e por decreto estadual nº 280 de 06-07-1890. Elevado a categoria de vila com a denominação de Bom Jardim, por decreto estadual nº 280, de 06-07-1891, desmembrado dos municípios Nova Friburgo e Cantagalo. Sede na povoação de São José do Ribeirão. Pelo decreto estadual nº 1, de 08-05-1892 a Vila de São José do Ribeirão foi extinta, sendo seu território anexado ao município de Nova Friburgo, retificado pelo decreto estadual nº 1-A, de 03-06-1892. Elevado novamente a categoria de vila com a denominação de Bom Jardim, pela lei estadual nº 37, de 17-12-1892, desmembrado de Friburgo e Cantagalo. Sede na antiga povoação de Bom Jardim. Constituído de 2 distritos: Bom Jardim e São José do Ribeirão, ambos desmembrados de Nova Friburgo. Instalado em 06-03-1893. Pela lei estadual nº 234, de 21-09-1906, é criado o distrito de Barra Alegre, ex-povoado e anexado a vila de Bom Jardim. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, a vila de Bom Jardim é constituída de 3 distritos: Bom Jardim, São José do Ribeirão e Barra Alegre. Pela lei estadual nº 1913, de 29-12-1924, é criado o distrito de Banquete e anexado a vila de Bom Jardim. Elevado à condição de cidade com a denominação de Bom Jardim, pela lei estadual nº 2335, de 27-12- 1929. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município se constituído de 4 distritos: Bom Jardim, São José do Ribeirão, Barra Alegre e Banquete, assim permanecendo nas divisões territoriais datadas de 31-XII1936 e 31-XII-1937. Pelo decreto-lei estadual nº 641, de 15-12-1938, o distrito de São José do Ribeirão passou a denominar-se simplesmente Ribeirão. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 4 distritos: Bom Jardim, Barra Alegre, Banquete e Ribeirão ex-São José do Ribeirão. Pelo decreto-lei estadual nº. 1056, de 31-12-1943, o município de Bom Jardim passou a denominar-se Vergel e o distrito de Ribeirão a denominar-se Paraim. Pela disposições transitórias da Constituição do estado do Rio de Janeiro, promulgada a 20-06-1947, vieram modificar o topônimo do município Vergel para sua antiga denominação de Bom Jardim. No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído de 4 distritos: Bom Jardim ex-Vergel, Barra Alegre, Banquete e Paraim. Pelo decreto estadual nº 16, de 12-10-1949, o distrito de Paraim teve seu topônimo alterado para São José do Ribeirão. Em divisão territorial datada de I-VII-1960, o município é constituído de 4 distritos: Bom Jardim, Banquete, Barra Alegre e São José do Ribeirão ex-Paraim, assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007. CONCLUSÃO DA PÁGINA 5 A GENIALIDADE DE UM SANTO: PREVENTIVIDADE, ONTEM E HOJE Confrontando o ontem com o hoje Tudo que encontramos hoje, no campo das ideias e das práticas, com relação ao conceito de preventividade pode ser percebido com clareza na origem do Sistema Preventivo. • A obsessão de Dom Bosco pelo contato direto com os jovens está radicalmente identificada com a prevenção primária. • O desejo constante de Dom Bosco em recuperar os jovens representa o que se denomina, na atualidade, prevenção secundária. • A opção de Dom Bosco pelos jovens sujeitos a toda sorte de perigos, com o objetivo de reintegrá-los à sociedade, traduz o que convencionalmente é chamado de prevenção terciária. Ao percebermos que a ideia de preventividade em Dom Bosco não difere daquilo que é defendido hoje, fica a certeza de que o Sistema Preventivo continua contemporâneo, capaz de responder aos atuais desafios da educação da juventude. O Professor José Augusto Abreu Aguiar exerce o magistério salesiano no município de Macaé, RJ. Aceitou contribuir com artigos de sua autoria, para ajudar na conscientização da juventude de nossa Terra.