Fundação de ANTONIO FERREIRA DE CARVALHO
Diretor-Redator-Chefe: Sebastião A. B. de Carvalho (ABI)
Vice-Diretora: Rosa Maria Werneck Rossi de Carvalho
ANO: 74
BOM JARDIM RJ, 20 de agosto de 2015
Segunda fase No 05
Bom Jardim realiza sua III FLITS de 20 a 23 de agosto 2015
Fonte: PORTAL BOM JARDIM -- Marlon Rodrigues da Silva
Bom Jardim e Mão de Luva
Na oportunidade da realização da Terceira Festa
Literária da Serra em Bom Jardim, FLITS,
lembramos aos participantes que foi editado,
recentemente, on line, este livro que esclarece fatos
referentes a Manoel Henriques, o célebre Mão de
Luva, desbravador dos Sertões do Macacu, que deu
origem a Cantagalo e a mais 14 municípios da Serra
Fluminense.
A história de Mão de Luva estava eivada de
equívocos praticados por pesquisadores
despreparados. Mas o sociólogo Sebastião Antonio Bastos de Carvalho desmistificou as falsas
versões, lançando duas obras que restabeleceram a
verdade histórica: O TESOURO DE CANTAGALO,
em 1991, e agora esta ODISSÉIA de MÃO DE LUVA
Bom Jardim promove cultura
Já há um bom tempo, Bom Jardim vem se
destacando como um município que se dedica à
promoção e desenvolvimento da literatura e das artes,
assim como de outros aspectos culturais.
Dispondo de amplos espaços, a Prefeitura tem
atuado através da Secretaria de Cultura, trabalhando com
afinco para a obtenção de resultados expressivos.
No que se refere à memória, trabalhos importantes
tem sido realizados, destacando-se a digitalização de
obras raras, inclusive a coleção deste jornal A
VERDADE, editado na década de 1940 pelo jornalista
bom-jardinense Antonio Ferreira de Carvalho, e agora
revivido, on line, por seu filho, o jornalista Sebastião
Antonio Bastos de Carvalho. Outros jornais, mais
antigos, ou não, também estão sendo digitalizados, para
serem disponibilizados aos pesquisadores.
www.nitcult.com.br/odisseia.pdf
agosto de 2015
Página 2
Conversa com o Diretor de A VERDADE
Publicada na seção no 5, edição de 19/10/1941
Jornalista Sebastião A.B.de Carvalho
O Sítio do Bozan era o meu ShangriLah: delícia da natureza!...
N
ão sei se todo mundo tem algo parecido em suas
memórias, mas eu tenho um lugar que sempre foi e
será algo paradisíaco: o Sítio do Bozan, em Bom Jardim!
Era para aquelas bandas que eu e o meu primo Laudir
fugíamos, sempre que nos era possível! Sim, fugíamos,
porque a Tia Ica nunca permitia, com medo que algo de
mal nos acontecesse naquela estrada que seguia o rumo
do estabelecimento do departamento nacional do Café e
ia mais além, chegando ao sítio administrado pelo nosso
tio José Carvalho.
A preocupação de nossa tia tinha sentido, pois nossos
pais nos entregavam aos seus cuidados. Dai a grande
responsabilidade.
Mas, voltando ao Sítio do Bozan. Era uma
propriedade atraente, onde nosso tio José Carvalho se
esmerava no cultivo de milho, mandioca, hortaliças,
frutas, e na criação de galináceos e suínos. Havia uma
bem cuidada granja, onde galinhas poedeiras garantiam
uma boa produção.
Quando o proprietário, o Sr. Bozan, um rico industrial do Rio de Janeiro, chegava ao sítio, era recebido
com esmero pelo nosso tio e família. Lembro-me de uma
ocasião em que ele matou um porco, para que o patrão
pudesse levar a carne para casa. Tio José e tia Conceição
limparam o porco abatido, no terreno de sua casa, e nós,
o Laudir e eu, assístimos à inusitada operação com grande
curiosidade!...
Tomar banho na bomba dágua, usando um balde,
era um prazer à parte, nos dias quentes de verão. Outra
delícia era chupar laranjas junto aos pés de várias
espécies: seleta, lima, bahia...
No sítio havia de tudo. Até deslizar com uma folha
de palmeira pelas encostas dos morros, descendo em
“alta velocidade” emocionava!
Outra emoção era “cavalgar” um enorme porco,
parecido com javali, devido aos enormes dentes que
sobressaíam da boca. Era preciso coragem!
Há alguns anos, voltei ao Sítio do Bozan, ansioso
por rever as suas maravilhas. Que decepção! o tempo
matou as pessoas, o terreno, abandonado, foi invadido e
transformou-se numa favela. Estava irreconhecível!
Fiquei muito triste com a cena... Mas com o tempo
superei essa dificuldade. Pensei que, embora a realidade
física tenha se deteriorado irremediavelmente, resta-me
algo que ninguém pode destruir: as agradáveis lembranças
que, enquanto viver, guardarei na memória!
Da coleção de A VERDADE, digitalizada pela Secretaria de Cultura
de Bom Jardim, - Galpão Cultural, e gentilmente cedida a este jornal.
BOM JARDIM, estado do Rio de
Janeiro, é uma cidade limpa, de clima
aprazível e progressista. Recebe os
visitantes com amabilidade e
cortezia. Visite-a, com toda a família!
agosto de 2015
Página 3
NESTA página vamos abordar as vidas e obras de vultos que deixaram marcas
positivas na vida do Município de Bom Jardim. São pessoas que construíram
exemplos dignificantes de amor à terra e ao povo, e que por esta razão devem ser
para sempre lembradas com carinho, respeito e admiração.
Profa Maria Ica de Carvalho
F
ilha do emérito Maestro José Antonio de Carvalho,
que atuou nas bandas musicais Lyra Bonjardinense e
Recreio Bonjardinense, além de manter uma orquestra
sacra, atuante na Igreja Católica, e um grupo musical
composto por membros de sua família, que animava as
Cronologia sintética do Ginásio Bom Jardim
Fonte: Blog “Um Bom Jardim de Cultura”
1947 - Ano de fundação do Ginásio Bom Jardim. Seus proprietários eram
os professores Messias de Moraes Teixeira e seu primo Wilson de Moraes
Teixeira.
1965 - Péricles Corrêa da Rocha compra o Ginásio Bom Jardim . Ainda
nesse ano os freis franciscanos assumem a administração do Ginásio. O
professor Wilson Teixeira continuou na direção.
1966 - O professor Cícero Monnerat assume a direção do Ginásio. Nesse
mesmo ano, Péricles Corrêa da Rocha doa parte de um terreno (onde
hoje se encontra o Colégio Santo Agostinho) à Ordem dos Agostinianos
Descalços.
1969 - O professor Clirton Rego Cabral assume a direção do Ginásio.
1971 - É inaugurado o Colégio Santo Agostinho (faltando concluir apenas
a construção da Capela). É o fim do Ginásio Bom Jardim.
Curiosidades:
- No início da década de 1960, as aulas de educação Física ocorriam
no campo do Bom Jardim Esporte Clube.
- A autora do Hino de Bom Jardim, Ica, era professora de Música no
Ginásio.
- A escola criou sua Banda Marcial para apresentações nas principais
datas cívicas: Dia da Pátria e Aniversário do Município.
Fonte: Blog “Um Bom Jardim de Cultura”, criado e mantido pelo
Projeto Mídia Digital (da Secretaria Municipal de Turismo, Esporte,
Cultura e Lazer de Bom Jardim) coordenado pelo professor Marlon
Antônio Rodrigues da Silva
sessões cinematográficas locais, na época do cinema
mudo, -- MARIA ICA DE CARVALHO ensinava piano e
teoria musical em sua residência, e lecionava música no
Ginásio Bom Jardim. Viveu sempre em Bom Jardim,
mudando-se para Nova
Friburgo somente quando
atingiu idade avançada e onde
veio a falecer na década de
1970. Todos os seus irmãos e
irmã tocavam algum instrumento musical. Seu irmão
Armindo destacou-se como
regente do Orfeão Portugal no
Rio de Janeiro, e outro irmão,
Antonio, atuou em Cantagalo,
onde criou a Orquestra MARIA ICA DE CARVALHO
Cantagalense, e em Miracema, onde também criou uma
orquestra, a Miracemense. Dedicada à arte e à
comunidade, Maria Ica inscreveu-se na história local e
deixou saudades nos corações de seus inúmeros amigos
e admiradores.
agosto de 2015
MISCELANEA
BOM JARDINENSE
Coluna do
Celso Frauches
Alberto Barboza Serrano
Nº 4 – 20 de agosto de 2015
OS LEÕES DO ADRO
[email protected]
A Suíça em Bom Jardim
B
om Jardim tem sua história ligada à colonização suíça de
1818/1820. Distante de Nova Friburgo poucos
quilômetros, recebeu em seu solo imigrantes suíços
insatisfeitos com as condições de vida na Colônia de Nova
Friburgo. Os Ballonecker, Bercot, Bohrer, Brust, Emerich, Erthal,
Heckert, Marchon, Marfurt, Miller, Monnerat, Shott, entre outros,
e seus descendentes, ao lado de descendentes de imigrantes
franceses, libaneses e portugueses, estão intimamente ligados à
história e ao desenvolvimento do Município de Bom Jardim.
Lendo o livro da conterrânea (cantagalense) Dulce Tardin
Erthal (ERTHAL, Dulce Tardin. Aventuras e desventuras de uma
família gruérien – Os Tardin. Bom Jardim, RJ: 2ª ed. rev. e ampl.),
fico sabendo das origens da família Tardin, desde o Cantão de Vaud,
de onde também veio o patriarca de minha família – Jean Louis
Abraham Fauchez –, rebatizado no Brasil por João Abrom Frauche.
Com a sua alma de pesquisadora e de artista, no Conselho
Municipal de Cultura ou na Academia Bonjardinense de Ciências,
Letras e Artes ou em outras atividades, Dulce Tardin Erthal tem
sua vida umbilicalmente ligada a Bom Jardim, onde construiu uma
família com o seu esposo, Celso Tardin Erthal, também
descendente de suíços e com extraordinária folha de serviços
prestados a Bom Jardim e a sua gente e com seus filhos, Raimundo
e Everardo.
Os Tardin Erthal e todos os demais descentes dos imigrantes
suíços, que ajudaram a construir a Bom Jardim de hoje, com mais
de 24 mil habitantes, merecem ser homenageados nas
comemorações do bicentenário da colonização suíça em Nova
Friburgo. A agenda municipal de Bom Jardim, de 2018 a 2020,
haverá de celebrar, em diversos eventos e oportunidades, a saga
dos Gruériens, oriundos da região de Gruyère, e de tantos outros
bravos suíços em busca do eldorado brasileiro, radicados em Nova
Friburgo, onde viveram “aventuras e desventuras” em “um dos mais
dramáticos movimentos migratórios dos tempos modernos”, no
dizer da pesquisadora Dulce Tardin Erthal.
Todos os descendentes dos imigrantes suíços de 1818/
1820, que vivem em Bom Jardim ou que aqui nasceram,
naturalmente, estão motivados para essas comemorações, a fim
de celebrarem, condignamente, a vitória da coragem, aliada à fé, à
perseverança, ao trabalho e à esperança de seus bravos
antepassados.
As crianças e os jovens de Bom Jardim, em suas escolas
de educação infantil e do ensino fundamental, devem ter a exata
noção da saga dos suíços que contribuíram e que ainda contribuem,
por seus descendentes, para o desenvolvimento socioeconômico
dessa progressista comuna serrana fluminense. Essa saga deve ser
presente em diversos componentes curriculares das escolas
municipais, partindo do local para o nacional, como forma de
enriquecer o aprendizado desses educandos, ao tempo em que
mantem viva essa história de sonhos e de bravura.♦
Página 4
(Do livro MISCELÂNEA BOM-JARDINENSE, de Alberto B.Serrano)
A
Paróquia de Nossa Senhora da Conceição foi criada
em 3 de dezembro de 1912, e nossa Matriz
funcionava em um prédio antigo, em condições precárias
até que, em 1920, após oito anos de obras e com o apoio
de toda a comunidade, foi reformada e ampliada,
recebendo bela pintura interna, com estrutura robusta e
nova torre, com trinta metros de altura. O relógio, em
funcionamento até hoje, foi instalado em agosto de 1927,
e custou caríssimos “cinco mil cruzeiros”.
Na parte externa anterior, mais baixa, ante a
escadaria, ficou o adro -- um belo jardim bem conservado,
composto de roseiras, graxeiras, ficus e alfeneiros, onde
adultos e crianças proseavam despreocupados (como
ainda é, até hoje).
Segundo o que pude apurar com pessoas mais
antigas, foi o dr. Péricles Corrêa da Rocha quem
encomendou, da Itália, os dois belos leões de mármore,
que ficaram encravados no patamar da escadaria que dá
acesso à Igreja. Críticos afirmaram, na época, que as
peças destoavam do contexto da paisagem, mas o sucesso
alcançado foi indiscutível.
As crianças maiores desafiavam a autoridade do
rei das selvas, fazendo-os de montaria. As mais jovens e
temerosas passavam ao largo, fingindo ignorâ-las.
Amansando os leões...
Sebastião A.B. de Carvalho
E
sses dois leões do adro da Igreja Matriz de Bom
Jardim estão em minha história de vida, desde tenra
idade. A foto que ilustra esta nota, tirada por Papai em
1941, mostrando meu irmão Roberto e eu montados
num dos leões, é testemunho do que afirmo.
O Roberto não fez muita traquinagem em Bom
Jardim, porque ele vivia mais no Rio de Janeiro, na
casa do nosso tio avô Simeão,
quando Papai precisava nos
colocar em casas de parentes.
Outra era a minha condição,
pois geralmente era mandado
para Bom Jardim, ficando na
casa da avó Rosinha e tia Ica.
Essa a razão de constar dos
meus registros tanta traquinagem bom-jardinense! Uma
delas era a verdadeira “proeza”
de saltar do alto do coreto para o canteiro do adro!
Todos se admiravam do feito daquele garotinho.
Viviam me pedindo que saltasse, pois antes não
acreditavam!... Era o meu grande orgulho de menino
pobre!
Há pouco, voltei ao adro para rever os leões.
Sentei-me num deles e pedi à esposa que fotografasse.
Guardo, agora, além da foto que mostro aqui, mais
uma, atual... Porém esta não tem a menor graça!
agosto de 2015
Página 5
A GENIALIDADE DE UM SANTO: PREVENTIVIDADE, ONTEM E HOJE
O conceito de preventividade na época de Dom Bosco e em
sua obra deve ser compreendido observando dois elementos
complementares: o caráter protetor e o caráter construtivo.
A Península Itálica, desde o início do século XIX até o ano de
1870, viveu momentos complicados. Após as Guerras
Napoleônicas, a Península teve acentuada sua divisão em
diferentes estados. Neste contexto, surge o movimento de
unificação e libertação do domínio dos Bourbons e da Áustria.
A unificação foi obtida em 1870, a partir do Reino Piemontês,
sem traduzir a paz e a prosperidade desejadas. A Península
passou a viver uma dura realidade: inúmeros desempregados
e camponeses sem terras, que não tinham como sustentar
suas famílias.
A Revolução Industrial Clássica, ocorrida a partir da Inglaterra
no século XVIII, provocou uma questão social gravíssima. A
exploração do trabalho das crianças, dos adolescentes, dos
jovens e das mulheres, a omissão do Estado na garantia dos
direitos básicos de todo ser humano, a ausência de políticas
dos direitos trabalhistas, enfim, aprofundou o total abandono
e marginalização das populações empobrecidas. É neste
ambiente histórico que nasce, cresce e torna-se sacerdote
João Melchior Bosco.
A preventividade ontem
Dom Bosco, ao tecer seu Projeto Operativo, definindo-o como
preventivo, utilizou ideias e experiências de outras pessoas
ou grupos.
•
•
•
•
De São Francisco de Sales (1567-1622), seu maior
inspirador, Dom Bosco assumiu elementos
fundamentais para o desenvolvimento de seu Projeto
Operativo: a mansidão, o zelo apostólico na salvação
das almas, a visão otimista de Deus (Deus é amor) e o
humanismo crítico, fundamentais para a consolidação
da preventividade.
A pedagogia preventiva, presente na obra de Ludovico
Pavoni (1784-1849), defendia uma ação em prol da
juventude em que a religião, a razão, a amabilidade, a
doçura e a vigilância-assistência fossem referenciais
inegociáveis.
Marcelinho Champagnat(1789-1840), fundador da
sociedade religiosa dos Irmãos Maristas, defendia uma
orientação que sustentava a necessidade de suas
obras agirem com ações conexas com uma pedagogia
preventiva, ou seja, uma pedagogiavoltadapara
salvação das almas, para a Igreja e para o método do
amor, cujo objetivo é o de preservar do mal, corrigir os
defeitos e formar a vontade.
Em Teresa Eustochio Verzeri (1801-1852), Dom Bosco
foi buscar uma orientação educacional integral: “Cultivar
e custodiar muito e com carinho, a mente e o coração
dos jovens, a partir da mais tenra idade, para evitar, de
todas as maneiras, o mal e preservá-los com avisos e
correções que curariam e corrigiriam”.
Com Ferrante Aporti (1791-1858), Dom Bosco reflete
a prevalência do método preventivo sobre o repressivo,
cuidando de colocar o amor como fundamento da
educação, criando um ambiente de serenidade, de
bondade que encaminha naturalmente para o bem.
Dom Bosco define o seu Sistema, sem que represente uma
cópia, acrescentando as novidades que nascem de suas
vivências e reflexões frente aos desafios de uma Turim
carregada de problemas.
O conceito de preventividade na época de Dom Bosco e em
sua obra deve ser compreendido observando dois elementos
complementares.
O caráter protetor que alimenta a ideia de preventividade está
relacionado à assistência preventiva. A disciplina é favorável à
escuta, à reflexão e à aceitação ou não de normas, regras etc.,
sem que represente uma mera obediência cega a impulsos e
desejos imediatos. Assim os jovens poderão aprender a agir
de modo organizado e refletido. Já os limites, enquanto normas
básicas de convívio em grupo e respeito, fortalecem um
comportamento adequado, promovem a adaptação ao meio
social, desenvolvendo a autonomia e a responsabilidade diante
dos desafios da vida.
O segundo elemento trata do caráter construtivo e possui como
foco o crescimento interior do jovem, a sua maturidade, com o
objetivo de desenvolver um excelente desempenho pessoal e
social.
A preventividade hoje
O conceito de prevenção pode ser entendido como: Vir antes,
avisar; preparar; impedir que se realize; antecipar uma
informação; assistir para “curar” e reintegrar para a realização.
Sendo assim, pode ser entendido, na área educacional, como
um conjunto de elementos que permite planejar e executar
ações voltadas para:
• Consolidar um projeto educativo fundado sobre um
diálogo franco entre educador e educando, refletindo
coerência entre aquilo que o educador fala e aquilo que
faz. Esta ação é identificada com a prevenção primária,
com aquela que busca evitar o aparecimento de
problemas na vida do jovem.
• Trabalhar para que os problemas vividos pelos jovens
possam ser reduzidos ou solucionados completamente,
representando uma ação de prevenção secundária,
uma ação voltada para a assistência.
• Diminuir as consequências dos problemas vividos pelos
jovens, motivando-os para a busca de estratégias
necessárias para o engajamento em um processo de
superação. Tal ação constitui uma prevenção terciária,
identificada com a reintegração do jovem na sociedade.
CONTINUA NA PÁGINA 6 - seguinte
agosto de 2015
Página 6
Histórico do Município de Bom Jardim
Fontes: PORTAL BOM JARDIM, do Prof. Marlon Rodrigues e “A Odisseia de Mão de
Luva”, do sociólogo Sebastião A.B. de Carvalho
Segundo a tradição, o desbravamento das terras do
Município de Bom Jardim deu-se entre 1770 e 1786, quando
garimpeiros clandestinos, chefiados por Manoel Henriques,
cidadão natural de Ouro Branco MG, cognominado “Mão
de Luva”, lavraram os leitos dos córregos afluentes dos rios
Macuco, Negro e Grande. (Fonte: A Odisseia de Mão de
Luva - www.nitcult.com.br/odisseia.pdf)
Existem no Município de Bom Jardim, no local onde as
águas do rio São José se lançam no leito do rio Grande,
cavernas naturais, conhecidas desde tempos remotos como
“Furnas do Mão de Luva”. Entretanto, datam do início do
século XIX as notícias sobre as primeiras colônias agrícolas
da região, formando um núcleo populacional na margem do
rio São José, com o topônimo de São José do Ribeirão.
Em 1857 o núcleo foi elevado à categoria de freguesia,
começando logo a atrair um maior número de colonos não
só nacionais, como portugueses, suíços, alemães e italianos.
A formação do povoado que tomou o nome de Bom Jardim
se deveu a passagem dos trilhos da Estrada de Ferro
Cantagalo por suas terras.
Devido ao progresso trazido pela estrada de ferro que a
cortava, pouco a pouco, Bom Jardim, nova localidade do
Município de Cantagalo, entrou em franca fase de
prosperidade, suplantando a de São José do Ribeirão,
pertencente ao Município de Nova Friburgo.
Em 24 de março de 1891, já sob o regime republicano, com
a criação do Município de Cordeiro por força do Decreto
nº.180, Bom Jardim passou a constituir um dos seus
Distritos, sendo desmembrado de Cantagalo.
A criação do Município se deu em 5 de março 1893, com o
nome de Bom Jardim. Este topônimo foi modificado para
Vergel, em 1943, a contragosto dos habitantes da Cidade. A
nomenclatura original de Bom Jardim foi restabelecida em
1947, por força das disposições transitórias da Constituição
do Estado do Rio de Janeiro.
Formação Administrativa
Freguesia criada com a denominação de São José do
Ribeirão, pela lei provincial nº 519, de 04-05-1850 e pela
deliberação de 21-11-1887 e por decreto estadual nº 280 de
06-07-1890.
Elevado a categoria de vila com a denominação de Bom
Jardim, por decreto estadual nº 280, de 06-07-1891,
desmembrado dos municípios Nova Friburgo e Cantagalo.
Sede na povoação de São José do Ribeirão.
Pelo decreto estadual nº 1, de 08-05-1892 a Vila de São
José do Ribeirão foi extinta, sendo seu território anexado ao
município de Nova Friburgo, retificado pelo decreto estadual
nº 1-A, de 03-06-1892.
Elevado novamente a categoria de vila com a denominação
de Bom Jardim, pela lei estadual nº 37, de 17-12-1892,
desmembrado de Friburgo e Cantagalo. Sede na antiga
povoação de Bom Jardim.
Constituído de 2 distritos: Bom Jardim e São José do
Ribeirão, ambos desmembrados de Nova Friburgo.
Instalado em 06-03-1893.
Pela lei estadual nº 234, de 21-09-1906, é criado o distrito de
Barra Alegre, ex-povoado e anexado a vila de Bom Jardim.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, a vila de
Bom Jardim é constituída de 3 distritos: Bom Jardim, São
José do Ribeirão e Barra Alegre.
Pela lei estadual nº 1913, de 29-12-1924, é criado o distrito
de Banquete e anexado a vila de Bom Jardim.
Elevado à condição de cidade com a denominação de Bom
Jardim, pela lei estadual nº 2335, de 27-12- 1929.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o
município se constituído de 4 distritos: Bom Jardim, São
José do Ribeirão, Barra Alegre e Banquete, assim
permanecendo nas divisões territoriais datadas de 31-XII1936 e 31-XII-1937.
Pelo decreto-lei estadual nº 641, de 15-12-1938, o distrito
de São José do Ribeirão passou a denominar-se simplesmente
Ribeirão.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o
município é constituído de 4 distritos: Bom Jardim, Barra
Alegre, Banquete e Ribeirão ex-São José do Ribeirão.
Pelo decreto-lei estadual nº. 1056, de 31-12-1943, o
município de Bom Jardim passou a denominar-se Vergel e o
distrito de Ribeirão a denominar-se Paraim.
Pela disposições transitórias da Constituição do estado do
Rio de Janeiro, promulgada a 20-06-1947, vieram modificar
o topônimo do município Vergel para sua antiga denominação
de Bom Jardim.
No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o
município é constituído de 4 distritos: Bom Jardim ex-Vergel,
Barra Alegre, Banquete e Paraim.
Pelo decreto estadual nº 16, de 12-10-1949, o distrito de
Paraim teve seu topônimo alterado para São José do Ribeirão.
Em divisão territorial datada de I-VII-1960, o município é
constituído de 4 distritos: Bom Jardim, Banquete, Barra
Alegre e São José do Ribeirão ex-Paraim, assim
permanecendo em divisão territorial datada de 2007.
CONCLUSÃO DA PÁGINA 5
A GENIALIDADE DE UM SANTO:
PREVENTIVIDADE, ONTEM E HOJE
Confrontando o ontem com o hoje
Tudo que encontramos hoje, no campo das ideias e das práticas,
com relação ao conceito de preventividade pode ser percebido
com clareza na origem do Sistema Preventivo.
•
A obsessão de Dom Bosco pelo contato direto com os
jovens está radicalmente identificada com a prevenção
primária.
• O desejo constante de Dom Bosco em recuperar os jovens
representa o que se denomina, na atualidade, prevenção
secundária.
• A opção de Dom Bosco pelos jovens sujeitos a toda sorte
de perigos, com o objetivo de reintegrá-los à sociedade,
traduz o que convencionalmente é chamado de prevenção
terciária.
Ao percebermos que a ideia de preventividade em Dom Bosco
não difere daquilo que é defendido hoje, fica a certeza de que o
Sistema Preventivo continua contemporâneo, capaz de
responder aos atuais desafios da educação da juventude.
O Professor José Augusto Abreu Aguiar exerce o magistério salesiano no município
de Macaé, RJ. Aceitou contribuir com artigos de sua autoria, para ajudar na
conscientização da juventude de nossa Terra.
Download

VBJago15 - NitCult