CARTA REGIONAL
DE COMPETITIVIDADE
BEIRA INTERIOR
/PINHAL INTERIOR
34
1. TERRITÓRIO
A região designada de Beira Interior inclui quatro NUT III (Serra da Estrela, Cova da Beira, Beira
Interior Norte e Beira Interior Sul), sendo coincidente, do ponto de vista administrativo, com os
distritos da Guarda e de Castelo Branco.
É um território rico de contrastes físicos, que constitui a transição entre as terras altas da Guarda
e as planícies do Sul e que, apesar do processo de desenvolvimento das últimas décadas, é ainda
marcado pela particularidade do isolamento histórico e territorial, derivado do facto de a Beira Interior
se encontrar isolada geograficamente: a Sul, a fronteira natural do Tejo e a existência de uma região
(Alto Alentejo) que também enfrenta alguns problemas de desenvolvimento; a Este, a fronteira e a
“divisão” luso-espanhola que só há pouco tempo se diluiu; de Nordeste para Sudoeste, a presença
de sistemas montanhosos (Marofa, Malcata, Estrela, Guardunha, Açor, Moradal e Alvéolos).
FIGURA 1 - REGIÃO BEIRA INTERIOR
A região é marcada pela presença de um pólo territorial de continuidade fundamental, constituído
pelo corredor urbano e socioeconómico Castelo Branco-Fundão-Covilhã, designado por “Arco
Urbano do Centro Interior”. Estes centros urbanos constituíram-se desde cedo como pontos nodais
que estruturam o território regional, em parte devido ao facto de concentrarem funções de nível
superior (caso das capitais de Distrito Guarda e Castelo Branco).
De referir que a região, através deste corredor urbano, integra o “Triângulo Centro-Atlântico Ibérico
de Cidades Médias Europeias”, que se estende em território nacional até à cidade de Coimbra e em
território espanhol até às cidades de Salamanca, Cáceres e Badajoz.
35
FIGURA 2- TRIÂNGULO CENTRO-ATLÂNTICO IBÉRICO DE CIDADES
Adaptado de DGOTDU (2002) - As Regiões Metropolitanas no Contexto Ibérico.
Nos últimos anos, assistiu-se a um reforço das acessibilidades inter e intra-regionais na Beira
Interior. Destacam-se na região dois eixos transversais: o Itinerário Principal 5 (IP5), que liga Aveiro/
Guarda/Vilar Formoso e o IP6, que liga Mouriscas/Mação/Vila Velha de Ródão. Um outro eixo viário
importante é o Itinerário Complementar 8 (IC8), que liga Sertã/Proença-a-Nova/Castelo Branco/
Idanha-a-Nova/Monfortinho.
Além destes eixos, também o IP2, eixo Mação/Vila Velha de Rodão/Castelo Branco/Covilhã/
Belmonte/Guarda/Celorico da Beira/Trancoso/Mêda e Vila Nova de Foz Côa, assume particular
importância na medida em que constitui uma via rodoviária de articulação entre o Norte e o Sul da
região, ligando alguns dos principais pólos urbanos e estabelecendo a ligação com o IP5, o IC8 e
o IP6.
No que diz respeito às ligações da Beira Interior a Espanha, os eixos transversais que atravessam
as capitais de Distrito Guarda e Castelo Branco assumem um papel relevante - o IP5 permite a
saída por Vilar Formoso e o IC8 possibilita a saída por Segura (ligação Monfortinho/Cória).
Estas vias rodoviárias têm conferido à Beira Interior novas vantagens de localização e contribuído
para o desenvolvimento do interior do País.
Relativamente às linhas-férreas, a Beira Interior dispõe da linha da Beira Baixa (Lisboa-Guarda),
já muito desactualizada e em mau estado de conservação, e da linha da Beira Alta, que permite a
ligação entre a linha do Norte (Lisboa-Porto) e a fronteira de Espanha.
Quanto às infra-estruturas aeroportuárias, na região existe apenas um aeródromo (na Covilhã) e
uma pista de aviação (em Castelo Branco).
A região possui diversos recursos naturais e patrimoniais que podem tornar-se importantes factores
de competitividade regional se devidamente aproveitados:
Recursos geológicos: atravessada por duas faixas tectónicas (uma que passa a Sul
de Castelo Branco e outra a Oeste da Guarda, em direcção à depressão da Lousã), a
Beira Interior caracteriza-se geologicamente pela existência de solos de xisto e granito,
que comportam alguns recursos minerais como o estanho, o volfrâmio, o tungsténio e o
urânio. Estes são recursos geológicos importantes pois constituem inputs para diversas
36
explorações económicas, como unidades extractivas de minerais e areias, e pedreiras de
xisto e granito, com significativo impacto na actividade da construção civil;
Recursos hídricos: existe na região uma rede hidrográfica densa, resultante dos inúmeros
cursos de água e das respectivas bacias hidrográficas aí presentes – Douro, Mondego,
Côa, Zêzere e Tejo. Este é portanto um território com recursos importantes ao nível do
abastecimento de água potável, urbano e rural, bem como ao nível da satisfação das
necessidades agrícolas e industriais, no que se refere ao consumo de água. Por outro lado,
estes recursos permitem o desenvolvimento de actividades como a produção de energia
eléctrica, o engarrafamento de água de mesa e o aproveitamento de águas termais (nas
Termas de Monfortinho, Caldas de Manteigas e Unhais da Serra);
Recursos patrimoniais, histórico-arquitectónicos: a Beira Interior apresenta vestígios da
presença de civilizações pré-históricas, de construções do período romano (como troços de
vias e centros romanos - exemplo da antiga Egitânia, em Idanha-a-Velha), além de espaços
característicos da presença medieval (Sortelha, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Alfaiates,
Almeida, Monsanto, Idanha a Velha e Marialva).
2. DEMOGRAFIA
Em 2009 residiam na Beira Interior cerca de 317.5 mil indivíduos, dos quais 34% residiam na Beira
Interior Norte, 28% na Cova da Beira, 23% na Beira Interior Sul e 15% na Serra da Estrela. A região
concentra apenas cerca de 13% da população da região Centro e 2.9% da população do país.
Castelo Branco é o município com maior população residente (cerca de 53 mil indivíduos), seguindose os municípios de Covilhã (52 mil), Guarda (44 mil), Fundão (31 mil) e Seia (26 mil). Todos os
restantes municípios têm uma população residente inferior a 15 mil indivíduos.
Verifica-se que cerca de metade da população da Beira Interior se concentra ao longo da importante
infra-estrutura de comunicação rodoviária da região – a A23.
FIGURA 3 - POPULAÇÃO RESIDENTE - 2009
MILHARES DE HABITANTES
Fonte: INE.
37
3 a 10
30 a 50
10 a 30
50 a 55
Nas últimas décadas, a região tem vindo a perder população, o que é evidenciado pela negativa
taxa de crescimento efectivo da população residente. Entre 1991 e 2001, a região perdeu cerca de
3% da população residente - depois de ter perdido 7% da população na década anterior.
Em 2009, a taxa de crescimento efectivo da população residente rondou os -2%. Todos os
municípios, com excepção de Belmonte, apresentaram valores negativos deste indicador de
dinâmica demográfica.
Como resultado deste processo de regressão, a população da Beira Interior encontra-se muito
envelhecida, deixando de reunir condições naturais para se renovar sem o contributo de população
proveniente do exterior (o saldo natural da região tem assumido sempre valores negativos).
De facto, o fenómeno de envelhecimento populacional assume na Beira Interior valores muito
elevados, sobretudo nos municípios geograficamente mais interiores. Em termos sub-regionais,
o índice de envelhecimento da população atingiu, em 2009, os seguintes valores: 234.5 na Beira
Interior Sul; 220.0 na Serra da Estrela; 219.5 na Beira Interior Norte; e 185.9 na Cova da Beira.
Em alguns municípios, o número de idosos mais do que quintuplica o número de jovens – refiramse os exemplos de Penamacor (544.5) e Vila Velha de Rodão (537.1).
Destaca-se a Guarda como o município “mais jovem” de todo o interior centro português (com
um índice de envelhecimento de 147.3). O menor nível de envelhecimento deste município está
directamente relacionado com a sua maior capacidade de atracção de população, comparativamente
com os restantes municípios da Beira Interior.
FIGURA 4 - TAXA DE CRESCIMENTO EFECTIVO DA POPULAÇÃO - 2009
PERCENTAGEM
-3 a -1
-1 a 0
= 0,2
Fonte: INE.
38
3. ACTIVIDADES ECONÓMICAS, POLOS INDUSTRIAIS
E CLUSTERS
Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes da Beira Interior rondava os 3.5 mil
milhões de euros (o equivalente a 2.1% do total nacional e a 11.2% do total da região Centro). A
Beira Interior Norte é a mais representativa do PIB regional (33% do PIB total), seguida da Beira
Interior Sul (28%), da Cova da Beira (27%) e da Serra da Estrela (13%).
Quando aferida em termos de Valor Acrescentado Bruto (VAB), a relevância nacional da Beira
Interior também ronda os 2% (rondando igualmente os 11% do total da região Centro). As actividades
industriais representam cerca de 13% do total do VAB da Beira Interior (correspondendo a apenas
1.9% do VAB industrial do país).
O PIB per capita a preços correntes da região rondava, em 2009, os 10.9 milhares de euros (valor
abaixo da média nacional de 15.8 milhares de euros). É na Beira Interior Sul que este indicador de
riqueza apresenta o valor mais elevado (13.7 mil euros), enquanto que o valor mais baixo se regista
na Serra da Estrela (8.4 mil euros).
O índice de disparidade do PIB per capita da região em relação à média nacional permite aferir que
a Beira Interior apresenta ainda um PIB per capita cerca de 32% abaixo do valor médio nacional.
A região representava, em 2010, apenas cerca de 1.4% dos fluxos do comércio internacional em
Portugal.
Numa aferição à intensidade exportadora da sub-região, conclui-se que as exportações representam
cerca de 13% do PIB regional.
Em 2009, cerca de 59 mil indivíduos desenvolviam a sua actividade económica na Beira Interior, o
equivalente a 1.6% do emprego total do país. A destruição de emprego em determinadas actividades
económicas (em particular a indústria têxtil e vestuário, mas também as actividades primárias) tem
sido um grave problema da região.
A actividade económica mais representativa na Beira Interior em termos de emprego é a agricultura,
produção animal e silvicultura (36.7% do emprego total), seguindo-se, a longa distância, a construção
civil (7.6%), a saúde e acção social (6.3%), o comércio a retalho (6.1%), a educação (5.7%) e a
administração pública (5.6%).
As actividades industriais representam cerca de 23% do emprego total da Beira Interior, contando
com um total de 16 mil indivíduos. Destacam-se as seguintes actividades industriais: fabricação
de têxteis (26.1% do emprego industrial); indústria do vestuário (21.1%); indústria alimentar, das
bebidas e do tabaco (19.3%). No seu conjunto, e apesar da crise vivida pelo sector, a indústria têxtil
e do vestuário representa ainda cerca de 47% do emprego industrial da região.
Esta indústria, em que se destaca a produção de lanifícios, encontra-se distribuída pelas quatro
NUTs III da Beira Interior, com especial concentração na Cova da Beira e na Serra da Estrela.
Uma actividade industrial também importante na região é a produção de produtos metálicos,
máquinas, equipamentos e aparelhos eléctricos (que representa cerca de 10% do emprego
industrial), em parte impulsionada pela própria indústria têxtil e vestuário. A indústria metálica,
nomeadamente a produção de máquinas e aparelhos eléctricos, encontra-se concentrada na Beira
Interior Norte e na Beira Interior Sul.
Em 2009, cerca de 26 mil empresas tinham sede nos municípios da Beira Interior (20% das quais em Castelo
Branco, seguindo-se os municípios da Covilhã e Guarda, com valores respectivos de 17% e 16%).
Os sectores de actividade económica mais representativos em termos empresariais são, por ordem
decrescente de importância, o comércio por grosso e a retalho (33% do total de empresas sedeadas
39
na região), a construção civil (17%), o alojamento e restauração (13%) e a agricultura, produção
animal e silvicultura (10%).
As actividades industriais representam cerca de 9% do total de empresas com sede nos municípios
da Beira Interior, com destaque para os seguintes sectores: indústrias alimentares, das bebidas e
tabaco (25% do total de empresas com sede na região); indústrias metalúrgicas de base e produtos
metálicos (23%); indústria têxtil e vestuário (15%) e indústria da madeira, cortiça e suas obras
(12%).
Em 2008, a taxa de natalidade de empresas ficou abaixo da média nacional e regional (10.9%,
contra 14.7% e 12.4%, respectivamente). A taxa de mortalidade de empresas foi, em 2007, de
13.8%, inferior ao registado a nível nacional (16.3%) e regional (14.5%).
No que respeita à estrutura dimensional das empresas, a Beira Interior é marcada pela forte
presença de pequenas e médias empresas (cerca de 90% das empresas da região têm menos
de 10 trabalhadores). Existem algumas empresas de grande dimensão, algumas associadas a
investimento estrangeiro ou a sectores de tradição na região (exemplo da indústria têxtil e do
vestuário que conta com algumas empresas nacionais de maior dimensão – exemplo do Grupo Paulo
Oliveira), ou ainda da indústria mineira onde sobressai a Sojtz Beralt Tin (minas da Panasqueira,
Fundão e Covilhã, com 300 trabalhadores).
FIGURA 5 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MENOS DE 10 TRABALHADORES - 2008
PERCENTAGEM
25 a 35
35 a 45
45 a 49
Fonte: INE.
40
FIGURA 6 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MAIS DE 250 TRABALHADORES - 2008
PERCENTAGEM
3 a 10
10 a 25
25 a 29
Fonte: INE.
Cerca de 33% dos Trabalhadores por Conta de Outrem (TCO) da Beira Interior desenvolvem a
sua actividade em empresas com menos de 10 trabalhadores (a nível nacional, a proporção de
TCO em empresas desta dimensão foi de 25% em 2008). É nos municípios mais interiores, onde
predominam pequenas unidades familiares, que este indicador assume valores mais elevados:
ronda os 50% nos municípios Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Pinhel e Almeida.
Apenas cerca de 18% dos TCO estão empregados em empresas com mais de 250 trabalhadores,
registando-se os valores mais elevados nos municípios mais urbanos Guarda (29%), Castelo
Branco (27%) e Covilhã (26%). Nestes municípios, a proporção de TCO neste tipo de empresas
ultrapassa a média nacional (24%) e da região Centro (19%).
Em 2009, as empresas da Beira Interior atingiram um volume de negócios de 3.2 mil milhões
de euros. Os sectores mais representativos em termos de volume de negócios foram, por ordem
decrescente de importância: comércio a retalho, excepto de veículos automóveis e motociclos (23%
do volume de negócios total); comércio por grosso, excepto de veículos automóveis e motociclos
(13%); comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos (7%); actividades
de saúde humana (6%); indústrias alimentares (5%); fabricação de têxteis (3%).
Especialização da base produtiva
Até há cerca de três décadas, a actividade económica predominante na Beira Interior era a
actividade primária, marcada por uma ruralidade bastante débil devido à fraca aptidão dos solos
(com excepção da Cova da Beira). A inexistência de dinâmica noutras actividades económicas não
oferecia boas perspectivas futuras para a população residente na região, pelo que a emigração foi
41
uma realidade. Exceptuaram-se Covilhã e, em parte, Castelo Branco, territórios que desenvolveram
uma dinâmica própria na indústria têxtil, que se desenvolveu alicerçada nos baixos custos salariais.
Destaque-se, todavia, a persistente actividade da Beralt Tin na exploração do volfrâmio das Minas
da Panasqueira.
Ao mesmo tempo, assistiu-se a uma crescente terciarização (sobretudo em Castelo Branco, Guarda
e Covilhã), que acompanhou algumas tendências económicas ligadas à crescente urbanização mas
também devido ao facto das duas capitais de Distrito (Guarda e Castelo Branco) terem beneficiado
de alguns serviços públicos que se descentralizaram.
De seguida, apresenta-se uma análise mais fina da base produtiva da Beira Interior, salientandose algumas actividades económicas que têm concentrado parte importante do emprego regional,
apesar de algumas destas actividades registarem perdas acentuadas de emprego.
A actividade primária, ligada à exploração agrícola e pecuária, é uma das actividades que tem
vindo a perder postos de trabalho na Beira Interior, seguindo a tendência nacional, mas que
continua a ser uma actividade emblemática da região. Identificam-se como especializações da
Beira Interior os vinhos, os frutos, o azeite, os lacticínios, os ovinos e os caprinos. Embora não
deixem de apresentar particularidades que fazem destes produtos géneros de qualidade, o ainda
baixo volume de produção é limitador no acesso ao mercado. Esta dificuldade não tem impedido
a afirmação a nível nacional e em termos de qualidade desses produtos, beneficiando alguns de
regimes de protecção e valorização.
Numa análise mais detalhada da produção agrícola e pecuária da região salienta-se:
Vitivinicultura: a vinha é uma actividade de extrema importância na região, estimando-se
que contribua em cerca de 10% para o Produto Agrícola Bruto Regional, que integre cerca
de 48% das explorações agrícolas e mais de 7 mil viticultores, responsáveis pela produção
de 50 milhões de quilos de uvas e 35 milhões de litros de vinho por ano. Nos últimos anos,
tem-se assistido a um aumento de quota do mercado dos vinhos da região, classificados
como Indicação de Proveniência Reconhecida (IPR).
Fruticultura: esta é uma actividade para a qual a região tem boas condições edafoclimáticas,
beneficiando do clima seco e quente durante a Primavera/Verão bem como das elevadas
amplitudes térmicas diárias e do frio invernal, o que origina um produto de elevada qualidade
sem o recurso a alguns artificialismos necessários noutras zonas frutícolas do País. As
principais espécies cultivadas são a macieira e o pessegueiro, embora nos municípios
da Covilhã e Belmonte a ameixeira, a cerejeira e a pereira também tenham interesse
económico.
Os principais problemas da fruticultura na região são a estrutura fundiária, o grau de
envelhecimento dos pomares, o baixo nível de formação técnica dos fruticultores e os
insuficientes circuitos de comercialização. Todavia, nos últimos anos assistiu-se a um esforço
de reconversão e modernização dos pomares regionais, com base nos apoios comunitários
a este sector e com a criação de “indicação de proveniência geográfica” na Cova da Beira.
É exemplo a cereja da Cova da Beira, produzida com excelentes condições edafoclimáticas
nos municípios do Fundão, Belmonte e Covilhã e que tem Indicação Geográfica Protegida
(IGP).
Tabaco: a produção de tabaco tem um grande peso económico e social na Beira Interior
e foi-se impondo como a “cultura de rendimento” predominante no perímetro de rega da
Idanha e na sua envolvente (onde foi possível levar a água do perímetro ou onde a dimensão
e características das explorações permitiu a construção de grandes reservatórios de água).
42
A cultura também tem importância na zona do perímetro de rega da Cova da Beira, mas
não ao nível do que atingiu no Sul da Beira Interior. De referir que a ajuda directa à
produção do tabaco cessou em 2009, sendo o montante canalizado, a partir de 2010 e
até 2013, para a reconversão da cultura.
Azeite: a Beira Interior é actualmente a terceira maior região do País produtora de azeite - o
olival representa cerca de 20% da superfície utilizada da região, detém uma área de cerca
de 60 mil ha e conta com cerca de 20 mil olivicultores e 35 mil explorações. O azeite da
região representa 15% da produção nacional, em média 6 mil toneladas por ano.
Ovinicultura: de entre as actividades pecuárias praticadas na região, a ovinicultura de leite
é sem dúvida das mais relevantes. Os ovinos estão presentes em 20% das explorações
agrícolas e a sua contribuição para o VAB regional é, de acordo com estimativas do INE,
na ordem dos 15%. A actividade deste sector está intimamente relacionada com a zona
demarcada do “queijo da Serra da Estrela”.
Produção florestal: ocupa uma área significativa da Beira Interior (36%), em que as
plantações mais frequentes são o pinheiro bravo, o eucalipto, o sobreiro e a azinheira.
No que respeita à estrutura produtiva industrial, os sectores mais importantes são o têxtil, a confecção
e o tingimento. As dinâmicas industriais desenvolvem-se sobretudo no eixo Guarda/Covilhã/Castelo
Branco. Numa análise sub-regional, evidencia-se o seguinte padrão de especialização industrial:
na Cova da Beira e na Serra da Estrela as indústrias predominantes são as indústrias têxteis, as
indústrias alimentares, das bebidas e do tabaco e as indústrias metalúrgicas de base e de produtos
metálicos; na Beira Interior Sul destacam-se as indústrias alimentares, das bebidas e do tabaco,
seguidas das indústrias têxteis, das indústrias metalúrgicas de base e de produtos metálicos, da
pasta para papel e da indústria do frio; na Beira Interior Norte as indústrias mineira, metalúrgicas
de base e de produtos metálicos são as predominantes, seguindo-se as indústrias alimentares, das
bebidas e do tabaco e as indústrias da madeira, da cortiça e suas obras.
Nas actividades do sector têxtil, Covilhã é o local de excelência, com larga tradição industrial,
apesar de outros municípios também apresentarem importantes concentrações destas actividades:
Fundão, Belmonte, Guarda, Seia, Gouveia e Castelo Branco.
As unidades produtivas regionais deste sector podem ser classificadas em três tipos: (1) grandes
empresas de capitais endógenos, com uma estrutura predominantemente familiar, representando
a continuidade da tradição industrial da região; (2) empresas de capital exógeno, mais recentes,
modernas e competitivas, pertencentes a grupos nacionais ou internacionais que optaram por
localizar na região os seus estabelecimentos para beneficiar do know-how existente, dos serviços de
apoio (centro de formação, centro tecnológico) e da possibilidade de sub-contratação; (3) empresas
de reduzida dimensão, maioritariamente dependentes da subcontratação das anteriores.
A dependência da Beira interior relativamente ao sector têxtil criou dificuldades na região quando
os lanifícios entraram em crise. De facto, o sector tem vindo a apresentar alguma instabilidade ao
longo das últimas décadas, já caracterizada por períodos de encerramento de estabelecimentos
de empresas que se tornaram economicamente inviáveis devido à conjugação dos seguintes
factores (de acordo com o estudo The competitiveness of Portugal – Knitwear Action Iniciative,
da Monitor Company): baixos níveis de produtividade; fragilidades nas fases finais de produção;
distanciamento relativamente ao cliente; fraco desenvolvimento de marketing; falta de adequação
do produto à procura.
Apesar deste cenário de crise, algumas empresas mantêm-se competitivas e pertencem à listagem
das 100 maiores empresas da região em termos de volume de negócios: Paulo de Oliveira; A
43
Penteadora; Dielmar; Grasil; Torre; Fitecom; Tessimax; Torfal e Fundatex. Algumas empresas têm
mesmo conseguido um bom posicionamento no quadro internacional da indústria têxtil e vestuário,
inserindo-se nas seguintes tendências: empresas portuguesas aumentam subcontratação
de produção no estrangeiro (aumento da importação de produto confeccionado destinado à
reexportação); crescimento do negócio com marca própria; o private label é uma segurança enquanto
a marca própria não ganha dimensão, mas é a que garante maior potencial de sustentabilidade; sinal
ténue de que algumas empresas portuguesas começam a controlar a logística de abastecimento
internacional; os maiores retalhistas europeus abastecem-se em empresas portuguesas e realçam
a qualidade, o serviço e o preço das empresas portuguesas (a inovação é já referida como um
factor de competitividade).
A montante do sector têxtil, a indústria de máquinas têxteis nunca se conseguiu desenvolver como
seria expectável, devido sobretudo à insuficiência de qualificação de recursos humanos e de
obtenção de apoios técnicos específicos.
CAIXA 1 - PAULO DE OLIVEIRA
Localizada na Covilhã, a empresa Paulo de Oliveira remonta a 1936, quando a empresa José Paulo de Oliveira Júnior
foi inscrita no Grémio de Lanifícios, como tecelagem. Em 1963 precedeu-se à alteração de nome da empresa para Paulo
de Oliveira Lda.
Actualmente, a empresa produz tecidos de lã e mistos no segmento de alta qualidade, design e tecnologia, destinados
à confecção de pronto-a-vestir para Homem e Senhora. É uma empresa vertical, com actividades desde a fiação e
tecelagem à tinturaria e acabamento.
Produz cerca de 10 milhões de m² de tecido por ano (a quantidade total do Grupo atinge os 20 millhões de m² por ano).
Em estudos efectuados pela revista EXAME, foi considerada a melhor Empresa Têxtil Portuguesa durante quatro anos
consecutivos.
Integra o Grupo Paulo de Oliveira, do qual fazem parte empresas como a A Penteadora e a Tessimax. Este Grupo é um
dos maiores produtores de tecidos de lã da Europa, possui uma das mais modernas e eficientes unidades de produção
do mundo neste sector e uma unidade de produção modelo com a mais avançada tecnologia.
Fontes: Paulo de Oliveira Lda; Imprensa.
CAIXA 2- A PENTEADORA – SOCIEDADE INDUSTRIAL DE PENTEAÇÃO
E FIAÇÃO DE LÃS
A Penteadora nasceu da vontade do Padre Alfredo Marques Santos em melhorar as condições económicas e sociais
da paróquia de Unhais da Serra, através da criação, em 1930, de uma empresa destinada a lavar e pentear as lãs dos
inúmeros rebanhos existentes na região e que constituíam a sua principal Fontes de riqueza.
Em 1932, a sociedade aumentou o seu capital social e construiu uma nova unidade de fiação, tornando-se assim num dos
maiores centros de emprego da região. A verticalização total da empresa teve lugar na década de 70 com o investimento
nas secções de tecelagem, tinturaria e ultimação.
Actualmente, a empresa dedica-se não só à produção de fio e tecidos de penteado mas, desde o início do ano 2000,
possui capacidade técnica e produtiva para a produção de fios e tecidos de cardado. É reconhecida como uma das
empresas líderes do sector dos lanifícios em Portugal e também como uma das melhores empresas europeias na
produção de artigos penteados dos quais merecem especial referência os tecidos de stretch, quer com elastano quer o
natural stretch, e ainda os destinados a fardamentos militares e civis.
Desde o último trimestre de 1999, a A Penteadora faz parte do grupo Paulo de Oliveira (vd. Caixa anterior, um dos
mais importantes produtores de tecidos laneiros na Europa com uma fabricação mensal superior a 1 milhão de metros
lineares.
Fontes: A Penteadora.
44
CAIXA 3 - DIELMAR – SOCIEDADE INDUSTRIAL DE CONFECÇÕES
A Sociedade Industrial de Confecções Dielmar Lda foi fundada em 1965, em Alcains (Castelo Branco), por 4 alfaiates que
decidiram, por uma questão de estratégia, criar um espaço de confecção para a posterior venda de pronto-a-vestir. Em
1978 iniciou a exportação: o primeiro país para onde exportou foi a França, com as vendas a atingirem os 60 mil euros
logo nesse ano. Em 1979 a marca partiu para os EUA e, poucos anos mais tarde, chegou ao Reino Unido, Holanda,
Espanha, Japão e Alemanha. Espanha é actualmente o principal mercado de exportação, seguindo-se a França e o
Reino Unido.
Em 2001, a empresa decidiu criar uma rede de lojas próprias. As lojas Dielmar pertencem à fábrica e têm uma estrutura
assente em estratégias que pertencem à política oficial da empresa..
A Dielmar produz casacos, calças, fatos completos, coletes e sobretudos para homem sob duas marcas próprias (Dielmar,
Dilsport), tendo também uma marca para senhora – a Anne Gilden.. Além do vestuário de marca própria, produz peças
para várias marcas portuguesas e estrangeiras.
A empresa têxtil é também reconhecida pelas parcerias que estabelece. Destacam-se a parceria com a Federação
Portuguesa de Futebol para a criação dos fatos da selecção nacional no Euro2004 e o acordo com o Sporting com o
objectivo de fornecer os fatos oficiais da equipa.
De referir que a Dielmar integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Moda, reconhecido formalmente como Estratégia
de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Dielmar; Imprensa.
No que respeita à agroindústria, destaca-se na região a produção de derivados de leite, em particular
de queijos e de iogurtes. A produção do “Queijo Serra da Estrela” DOP (Denominação de Origem
Protegida) é feita sobretudo em unidades familiares que perpetuam o saber fazer ancestral: são
queijarias tradicionais, em que só labora mão-de-obra familiar e o número de queijos/dia raramente
ultrapassa as 5/8 unidades. O produto é vendido em feiras, no comércio local ou a vendedores que
se deslocam à queijaria. Paralelamente a estas queijarias artesanais convive a produção agroindustrial que se centra essencialmente no município de Seia. De salientar a presença em Castelo
Branco de uma grande unidade industrial de produção de iogurtes – a DANONE – e de uma unidade
produtora de ingredientes para a indústria de lacticínios – a FRULACT.
CAIXA 4 - DANONE
A Danone é uma empresa francesa com sede e fábrica em Castelo Branco, que está há cerca de 2 décadas em Portugal.
É líder nacional no mercado dos iogurtes, com uma quota de mercado de 40.5% e um volume de negócio de 163 milhões
de euros. O Grupo detém seis linhas de enchimento para iogurtes e um dos cinco maiores investidores em publicidade
televisiva no País.
Emprega cerca de 3 centenas de colaboradores, 180 dos quais na unidade de Castelo Branco, e produz 107 referências
de produto. Fabrica mais de 50 mil toneladas de iogurte por ano, ou seja, um terço de todo o iogurte comercializado em
Portugal. Trabalha com 33 produtores de leite Danone, todos situados em Portugal, comprando-lhes cerca de 50 milhões
de litros de leite por ano.
Constitui uma referência em inovação, não só em termos de produto, mas também em desenvolvimento de conceitos. É
o caso do relançamento dos iogurtes básicos (natural, aromas e pedaços) com a criação da marca “Puro Danone” e do
conceito “Actimel”.
Numa iniciativa inédita em Portugal, a Danone passou a incluir em alguns dos seus iogurtes pedaços de fruta com
Denominação de Origem Protegida (DOP) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP). A gama de iogurtes “Puro Danone
Pedaços” inclui os sabores Ananás dos Açores (DOP), Pêra Rocha do Oeste (DOP), Mel da Terra Quente (DOP), Nozes
(Alentejo), Amêndoa Douro (DOP), Pêssego da Cova da Beira (IGP), Maçã de Alcobaça (IGP) e Morango (Ribatejo). São
várias as regiões frutícolas abrangidas neste inovador projecto, que envolve 620 produtores frutícolas, agrupados em
seis cooperativas ou associações, e mais de 360 toneladas de fruta anualmente produzida em Portugal.
Fontes: Danone; Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável.
45
CAIXA 5 - FRULACT – INGREDIENTES PARA A INDÚSTRIA DE LACTICÍNIOS
A Frulact é um grupo empresarial que actua no sector das agro-industriais frutícolas. A sua actividade principal é a da
indústria de preparados de fruta com destino à utilização das indústrias dos lacticínios, da pastelaria Industrial, dos
gelados e das bebidas.
Criada em 1987 na Maia, a Frulact expandiu-se em 1998 para a Covilhã (em Ferro), com o objectivo de instalar uma
unidade fabril junto das principais culturas de fruta do País.
O ano de 1999 foi marcado pela conquista de novas fronteiras estratégicas: a Frulact chegou a Marrocos para servir uma
fileira de indústrias do sector alimentar e o mercado de grande consumo. Um ano mais tarde, chegou à Tunísia com uma
nova fábrica, que serve de plataforma de aprovisionamento dos mercados do Norte de África e Médio Oriente.
2006 foi um ano de grande expansão para a empresa, com o início da laboração da nova fábrica em Tortosendo, na
Covilhã. Também neste ano, a Frulact deu um importante passo na conquista da Europa com a aquisição de uma
empresa francesa do sector - a GBP (Granger Bouguet Pau).
A empresa está hoje presente industrialmente com fábricas em 5 países – Portugal, França, Marrocos, Argélia e Tunísia –
para servir os mercados europeu (Portugal, Espanha, França, Luxemburgo, Suiça), do Norte de África (Marrocos, Argélia
e Tunísia) e do Médio-Oriente (Líbia, Egipto, Arábia Saudita, Emiratos Árabes, Irão e Israel).
. Os principais mercados de exportação são Espanha, França, Marrocos, Argélia, Tunísia, Luxemburgo e Cabo Verde.
A Frulact serve directamente grandes clientes e marcas mundiais e locais – Danone, Nestlé, Yoplait, Senoble, Pascual,
Lactalis-President, Novandie, Emmi, Iparlat, Lactogal, Unilever, entre outros.
Em parceria com diferentes entidades, em que se destacam as Universidades, tem desenvolvido estudos em distintas
áreas, tais como: metodologias para optimizar a qualidade dos frutos para utilização industrial; tecnologias de permuta
térmica; métodos de detecção de pesticidas; desenvolvimento de corantes naturais para a indústria alimentar, entre
outros.
A empresa possui um Núcleo de Investigação certificado pela Agência de Inovação (Adi) – NITEC-FRUTECH – e gere
como project leader diversos programas de I&D e Inovação, nacionais e internacionais, aprovados e apoiados pela Adi
em conjunto com Universidades e outros Institutos Científicos.
Na área de Desenvolvimento, é reconhecida por alguns dos seus projectos, entre os quais estão os preparados de
fruta enriquecidos com cálcio, extractos de plantas e ómega 3; preparados de legumes para a indústria de lacticínios;
assim como a extracção e identificação de compostos antioxidantes, de valor comercial, presentes no pedúnculo dos
morangos.
Por quatro vezes ganhou o prémio “PME Excelência” e, em 2003, arrecadou o “Prémio Inovação Agro-Indústria. Empresa
do Ano”. Em 2007 recebeu o prémio “PME Inovação” atribuído pela COTEC, Associação Empresarial para a Inovação.
De referir que a Frulact integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Agro-indústria, reconhecido formalmente como
Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009 e liderado pela Associação Integralar (Intervenção de Excelência no
Sector Agro-Alimentar). Integra ainda o Cluster Agro-Industrial do Centro, liderado pela NERCAB (Núcleo Empresarial da
Região de Castelo Branco) e também reconhecido formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva.
Fontes: Frulact; COTEC.
Quanto à indústria de material eléctrico e produtos metálicos, existem na região algumas
multinacionais estrangeiras que desenvolvem a sua actividade maioritariamente para a indústria
automóvel: exemplo da Delphi, que permanece em Castelo Branco depois de encerrar as
instalações que dispunha na Guarda, e da Dura Automotive e Coficab, ambas localizadas na
Guarda e pertencentes à multinacional Delphi. Este sector tem assim vindo a perder postos de
trabalho e são grandes os riscos de deslocalização. Actualmente, existe um projecto para Castelo
Branco de localização de uma empresa belga – a LEVICOR – que fabrica produtos anticorrosão
para a indústria automóvel (projecto classificado como PIN).
No que respeita à indústria do frio, esta actividade concentra-se em Castelo Branco onde existem
várias empresas de produtos de climatização (cerca de 1 dezena de empresas e mais de 4 centenas
de trabalhadores). Esta actividade centra-se na principal empresa industrial do sector (Centauro
Internacional), unidade que, pela sua importância ao nível do contingente de trabalhadores (cerca de
200), tem chamado a atenção para a relevância do sector neste município. No entanto, desde 1970
que se desenvolveram em Castelo Branco várias empresas de refrigeração industrial - Frigoríficos
Hormigo, Lofil (empresa de frio na área dos lacticínios/iogurtes), Castanheira Henriques (actual
grupo Centauro), Frinox, entre outras. Com o desenvolvimento do ar condicionado doméstico e
46
industrial, em grande parte devido à FNAC, apareceram no município várias empresas instaladoras
de ar condicionado doméstico, que também apostaram na refrigeração industrial: são exemplos
a Electroalbi e a Ambistore. Além da Centauro, merece destaque a Bitzer, empresa multinacional
alemã que integra 33 empresas subsidiárias de produção e montagem de compressores. A pouco
e pouco, Castelo Branco foi-se tornado a “capital do frio industrial”, com o desenvolvimento
de relações entre as várias empresas instaladas no município: as várias empresas referidas,
utilizadoras de frio, contactaram instaladores portugueses de todo o País para construírem as
suas infra-estruturas frigoríficas; a Centauro, entre outras, soube aproveitar o “boom do frio”
para disponibilizar no mercado excelentes produtos; os instaladores de ar condicionado que se
localizaram em Castelo Branco passaram a “importar” produtos Centauro para o resto do País, à
semelhança do que acontecia com os equipamentos Hormigo e Frinox.
Com o objectivo de conseguir um up-grade da fileira do frio, através da oferta de determinados
serviços avançados de apoio ao sector, foi criado um “túnel de frio” (Laboratório de Ensaios e
Termodinâmica, sob alçada do Instituto de Soldadura e Qualidade - ISQ) para inspecção e teste de
camiões frigoríficos, destinado não só ao mercado nacional, como também ao mercado espanhol.
CAIXA 6 - CENTAURO INTERNACIONAL
A Centauro Internacional é um grupo de empresas vocacionado para o fabrico e comercialização de equipamentos de
Refrigeração e AVAC (aquecimento, ventilação, ar condicionado), com capital e tecnologia 100% Portugueses. Foi criada
em 1978, com a constituição e registo da Empresa Castanheira, Henriques & C.ª Lda, contando então com cerca de
10 trabalhadores e uma área coberta de 1000 m2. A produção teve início em 1980 e, em 1983, a empresa exportou os
primeiros produtos para o Reino Unido.
Actualmente, a Centauro é um grupo de empresas sedeado em Castelo Branco, vocacionado para a concepção,
desenvolvimento, fabrico e comercialização de permutadores de calor e de equipamentos destinados à indústria de
refrigeração, climatização e ar condicionado. Tem uma área coberta de 35 mil m2, 200 trabalhadores e um volume de
facturação de 22 milhões de euros.
Os seus produtos são: evaporadores, condensadores, grupos de condensação, centrais frigorificas, serpentinas
de arrefecimentos salmoura e/ou água, chillers e equipamentos especiais sob medida. Em 2003, a Centauro entrou
definitivamente para o grupo restrito de fabricantes europeus de equipamento para instalações com amoníaco, com a
apresentação da família de produtos SAHE.
Entre as aplicações dos seus produtos, destacam-se: indústria farmacêutica; matadouros; entrepostos de fruta, carne
e peixe; câmaras climáticas; aplicações militares; túneis de congelação e arrefecimento; frio para padarias; fabrico de
iogurtes; indústria do chocolate; produção de vinho; cais de expedição, entre outros.
Para o grupo Centauro a exportação para os mercados do centro/norte da Europa sempre funcionou como motor de
desenvolvimento, seja no encontrar de novos mercados e novas aplicações dos seus produtos, seja na área de I&D, que
resulta da necessidade de acompanhar, em termos técnicos e tecnológicos, o que de melhor se faz nesses mercados.
Exporta regularmente para Espanha, Holanda, Bélgica, Reino Unido, Irlanda, Noruega e Alemanha.
É um dos melhores casos de sucesso empresarial de Castelo Branco, ao conseguir a combinação de diversos factores,
designadamente:
uma estratégia de modernização constante, com fortes investimentos anuais, tendo em vista a permanente
actualização da tecnologia de maquinaria, de electrónica e de precisão;
a qualidade, reconhecida com a obtenção de diversos certificados, quer para a qualidade dos produtos, quer para a
capacidade de projectar e desenvolver novos produtos;
a formação dos trabalhadores, organizando acções de formação especializadas na própria empresa, recorrendo, por
vezes, ao apoio de especialistas do ISQ e do Centro de Formação;
a capacidade de resposta às exigências dos clientes, fabricando produtos específicos, sob medida, adaptados às
necessidades destes;
o domínio da comercialização, apostando em comerciais técnicos especializados, geralmente com formação em
engenharia, bem como a participação em Feiras e Mostras do sector.
De referir que a Centauro integra o Cluster Agro-Industrial do Centro, reconhecido formalmente como Estratégia de
Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Grupo Centauro.
47
CAIXA 7 - BITZER – COMPRESSORES PARA FRIO
A empresa Bitzer foi fundada em 1934 pelo Sr. Martin Bitzer, em Sindelfingen (Alemanha), sendo a produção orientada
para “Aparelhos para a Técnica Frigorífica”.
Em 1989 foi inaugurada a unidade industrial de Castelo Branco (a primeira fora da Alemanha) com uma área produtiva
de 3.000 m2, que tem vindo a apresentar uma franca expansão - fizeram-se novos investimentos em edifícios e máquinas
e foram deslocados para esta unidade mais produtos, por dificuldade de capacidade de resposta de produção na
Alemanha. Em 1999 é inaugurado um novo pavilhão da Bitzer Portugal, com mais 1.500 m2, para aumento e deslocação
da produção mecânica; em 2002 é construído novo pavilhão, com mais 2.270 m2, para uma nova linha de montagem e
deslocação da montagem do primeiro pavilhão; em 2005 é inaugurado novo armazém/zona de expedição, alcançando
uma superfície coberta total de 8.414 m2.
Actualmente, o grupo Bitzer integra 33 empresas subsidiárias (apenas uma através de aquisição) com montagens de
compressores na Alemanha, Portugal, Brasil, China e EUA e de “grupos de condensação/racks“ na Alemanha, Portugal,
África do Sul, Inglaterra, Indonésia, Austrália e China.
A Bitzer apostou sempre num amplo desenvolvimento e na expansão internacional, pelo que é não apenas uma empresa
de ponta no mercado alemão mas também um dos maiores produtores europeus de compressores de frio para uso
comercial e industrial.
Em 2007 recebeu o European Competitive Strategy Leadership Award, atribuído pela empresa de consultoria com
actividades a nível mundial Frost & Sullivan, em Londres. É considerada a líder mundial para non-hermetic compressores
alternativos.
A aposta actual reside nos projectos “BiProS“ (Sistema de produção Bitzer) para a liderança mundial na produção,
qualidade e tecnologia de produção (Made by Bitzer).
Em Castelo Branco, unidade que conta com cerca de 160 colaboradores, é produzido o “coração” de uma instalação de
frio: compressores de frio industrial, para instalações grandes do sector alimentar como hipermercados e padarias. Aí
também se desenvolve a vertente do frio para transportes, desde carros a comboios, sempre de grandes dimensões, e
a vertente da climatização de grandes espaços.
É a única empresa em Portugal a fazer este tipo de produtos. Actua sobretudo nos mercados português e alemão, mas
também tem como clientes o Brasil e, mais recentemente, a China.
Fontes: Bitzer.
48
No sector mineiro desta região salienta-se a Beralt Tin & Wolfram que, em 2007, foi adquirida pelo
grupo japonês SOJITZ.
CAIXA 8 - SOJITZ BERALT TIN & WOLFRAM PORTUGAL SA
Por aquisição da Beralt Tin & Wolfram, em 2007, a Sojitz Beralt Tin, subsidiária do Grupo japonês Sojitz, passou a ser
a concessionária do Couto Mineiro da Panasqueira (municípios do Fundão e Covilhã), tendo relançado a exploração do
jazigo, após um período de crise do mercado de tungsténio e consequente falta de meios financeiros para investir na
actualização de equipamentos e no desenvolvimento da mina. As primeiras concessões da Mina da Panasqueira datam
do fim do século XIX, começando a sua exploração regular em 1934 e pleno desenvolvimento a partir de 1937. A Mina da
Panasqueira tem sido ao longo dos tempos uma exploração moderna e competitiva com projecção a nível internacional
bem conhecida, sobretudo a partir da Segunda Guerra Mundial, tendo-se sempre distinguido por ser o principal produtor
de volfrâmio da Europa e um dos mais regulares a nível mundial. A mina produz concentrados de volframite, os quais,
pela sua pureza e teor, são considerados como os de melhor qualidade no mercado mundial. Este atributo confere
à empresa uma significativa vantagem competitiva no mercado (contratos preferenciais de longo prazo, com bónus,
designadamente com a OSRAM). Produz também, como sub-produtos, concentrados de cassiterite (Sn) e concentrados
de calcopirite (Cu e Ag). A mina chegou a empregar mais de mil trabalhadores e a produzir mais de 2000 toneladas de
concentrados de volframite por ano. Actualmente, trabalham na empresa 323 colaboradores e a produção ronda as 1500
toneladas de concentrados de volframite e valor de produção superior a 15 milhões de euros (valores de 2007). Toda a
produção é destinada ao mercado externo (EUA).
Mesmo após a já longa e intensa exploração deste notável jazigo, de classe-mundial - considerado o maior e mais
importante depósito mineral de volframite conhecido -, ainda contém recursos e reservas remanescentes que, em
condições normais de mercado, poderão prolongar a vida da mina por mais alguns anos. Todavia, o futuro do mercado
do tungsténio estará sempre muito dependente da política que a R.P.C. - detentora de enormes reservas de minérios
(essencialmente scheelite) -, venha praticar relativamente a este metal. Este país chegou mesmo a ser acusado da
prática de “dumping” alguns anos atrás, colocando no mercado um produto intermédio da cadeia de valor (o APT) a
preços idênticos aos dos meros concentrados, tendo daí resultado o encerramento de praticamente todas as minas de
volfrâmio do mundo ocidental. A mina da Panasqueira foi uma das raras excepções, mantendo-se operativa, em grade
medida graças à qualidade dos seus concentrados.
FONTES: Imprensa
Ao nível da oferta de espaço para a instalação de empresas, salienta-se a existência na Beira
Interior de várias áreas de localização empresarial – parques industriais, situados ao longo da A23
(Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco), que podem contribuir para a atracção e fixação de
empresas com vocação exportadora, dada a proximidade e a facilidade das ligações a Espanha.
Quanto à actividade terciária, são características na Beira Interior as actividades ligadas ao ensino
superior, às funções administrativas, de ensino e de saúde, além do comércio, da restauração e
hotelaria.
A região apresenta um reduzido peso das actividades dos serviços às empresas, o que dificulta
a criação de condições de suporte ao reforço da competitividade nas fileiras de especialização
industrial.
4. RECURSOS HUMANOS - EDUCAÇÃO BÁSICA
E SECUNDÁRIA
A distribuição da população residente por nível de ensino atingido mostra que na Beira Interior
predominam os baixos níveis de escolaridade, com cerca de 60% da população a deter habilitações
que não vão além dos seis anos de escolaridade.
A população activa da região detém o seguinte perfil de habilitações: 32% concluíram apenas o
1º Ciclo do Ensino Básico; 22% concluíram o 2º Ciclo do Ensino Básico; 20% concluíram o 3º
Ciclo deste nível de ensino; 16% concluíram o Ensino Secundário; apenas 7% frequentaram e
concluíram o Ensino Superior.
49
A taxa de retenção e desistência no ensino básico foi no ano lectivo 2008/2009 de 8.1%, ligeiramente
superior à média nacional de 7.8%.
Naquele ano lectivo, cerca de 11 mil estudantes da Beira Interior frequentavam o Ensino Secundário,
dos quais cerca de 71% frequentavam o Ensino Secundário Geral. A percentagem de alunos do
ensino secundário inscritos na vertente profissional é ligeiramente inferior à média nacional: cerca
de 28% dos alunos do ensino secundário estavam inscritos em cursos profissionais de Nível 31 (o
equivalente a cerca de 3100 alunos); em termos nacionais esta proporção atingia os 30%.
No que se refere ao ensino tecnológico2, no mesmo ano lectivo, cerca de 6 centenas de alunos
frequentavam cursos tecnológicos. Destacaram-se os cursos tecnológicos na área da informática,
da electrotecnia e electrónica, da administração, multimédia e desporto.
FIGURA 7 - ALUNOS INSCRITOS EM CURSOS TECNOLÓGICOS POR ÁREA CIENTÍFICA
(% TOTAL INSCRITOS NESTE TIPO DE CURSOS)
ANO LECTIVO 2008/2009
Acção Social
5%
Desport o
8%
Administ ração
12%
Market ing
3%
Mult imédia
8%
Designde
Equipament o
7%
Const .Civil e
Edif icações
Elect rot ecniae
0%
Elect rónica
14%
Inf ormát ica
37%
Ordenament o do
Territ ório eAmbient e
6%
Fonte: Ministério da Educação.
QUADRO 1 - CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO TECNOLÓGICA – ANO LECTIVO 2009/2010
Instituição Promotora
Instituto Politécnico da Guarda
Estabelecimento
Escola Superior de Tecnologia e Gestão da
Guarda
Designação do CET
Condução de Obra
Desenvolvimento de Produtos Multimédia
Gestão de Vendas
Gestão Operacional em Logística
Instalação e Manutenção de Redes e Sistemas
Informáticos
Técnico de Contabilidade
Topografia e Sistemas de Informação Geográfica
Tecnologia Mecatrónica
Escola Superior de Turismo e
Telecomunicações de Seia
Gestão e Animação Turística
Técnicas de Restauração
Instituto Politécnico de Castelo Branco
Escola Superior de Tecnologia de Castelo
Branco
Automação e Manutenção Industrial
Condução de Obra
Desenvolvimento de Produtos Multimédia
Instalação e Manutenção de Redes e Sistemas
Informáticos
Desenvolvimento de Software e Administração de
Sistemas
Defesa da Floresta contra Incêndios
Universidade da Beira Interior
Escola Profissional Agrícola Quinta da
Lageosa
Fonte: Direcção Geral do Ensino Superior.
1
Ensino profissional - ensino secundário com um referencial temporal de três anos lectivos, vocacionado para a qualificação inicial dos jovens, privilegiando a sua inserção no mundo do trabalho e permitindo o prosseguimento de estudos. Confere diploma de conclusão do ensino secundário e certificado de qualificação profissional de nível 3.
2
Ensino tecnológico - ensino secundário com a duração de três anos lectivos - 10. º, 11.º e 12.º anos de escolaridade que se sestina preferencialmente
aos jovens que desejam ingressar no mundo do trabalho após o 12.º ano de escolaridade tendo, no entanto, a possibilidade de ingresso no ensino
superior. Confere um diploma de estudos secundários e um certificado de qualificação profissional de nível 3.
50
Existem na Beira Interior várias Escolas Profissionais e Tecnológicas:
A AFTEBI - Associação Para a Formação Tecnológica e Profissional da Beira Interior: é uma
associação privada de utilidade pública, que tem por objectivos promover e cooperar em
acções de desenvolvimento regional e sectorial, designadamente a formação especializada
de curta, média ou longa duração, destinada à preparação de jovens e pessoal das empresas
ao nível da formação tecnológica específica. A AFTEBI desenvolve a sua acção formativa
em vários Pólos, através de duas Escolas Tecnológicas: a ESTEBI - Escola Tecnológica
da Beira Interior, que cobre os Pólos da Covilhã, onde funciona a sede da Associação, e
de Castelo Branco; a ETT - Escola Tecnológica Têxtil, que funciona no Pólo de Vila Nova
de Famalicão, cobrindo a região Norte do País, também de forte implantação da indústria
têxtil.
ETEPA - Escola Tecnológica e Profissional Albicastrense: foi criada em 1992, por contrato
estabelecido entre a associação comercial e industrial dos municípios de Castelo Branco,
Vila Velha de Ródão e Idanha-a-Nova. Localizada em Castelo Branco, oferece actualmente
os seguintes cursos: animação; artes gráficas; comunicação; serviços jurídicos; serviços
comerciais.
CILAN – Centro de Formação Profissional para a Indústria de Lanifícios: surgiu através de
uma parceria entre a ANIL (Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios) e o IEFP
(Instituto de Emprego e Formação Profissional), com o objectivo de dinamizar e desenvolver
cada vez mais o sector têxtil, nomeadamente as empresas deste sector, através de acções
de formação profissional na área. Localizado na Covilhã, o CILAN oferece os seguintes
cursos: assistente de administração; técnico comercial; técnico de apoio à gestão; técnico
de informação, documentação e comunicação; técnico de segurança e higiene no trabalho;
operador e programador de informática; técnico de sistemas informáticos; técnicos de
instalação e gestão de redes; electricista de instalações; técnico de tecelagem; técnico
especialista em aplicações informáticas de gestão; técnico especialista em gestão da
qualidade e do ambiente; técnico de design de moda; operador de fiação; técnico de design
têxtil – tecelagem; assistente de acção educativa.
CIVEC – Centro de Formação Profissional para a Indústria do Vestuário e Confecções:
com sede em Lisboa e delegações em Santarém, Castelo Branco e Covilhã, o CIVEC
oferece cursos profissionais nos domínios do design de moda, modelagem, corte, costura,
qualidade, gestão, comercial, administrativo, tecnologias de informação e comunicação e
higiene e segurança.
Escola Profissional de Artes da Covilhã: foi criada em 1992, no município da Covilhã, com
o nome de Escola Profissional de Artes da Beira Interior, através de uma parceria entre
a Câmara Municipal e o Conservatório Regional de Música. Ministra o Curso Básico de
Instrumento e o Curso de Instrumento (equivalentes ao 9º e 12º anos respectivamente), em
várias especialidades.
Escola Profissional Agrícola Quinta da Lageosa: localizada em Belmonte, esta escola
oferece os seguintes cursos profissionais – técnico de gestão cinegética; técnico de gestão
equina; técnico de gestão ambiental; técnico de energias renováveis (todos de nível III);
operador de máquinas agrícolas; operador de jardinagem; técnico de turismo ambiental e
rural; técnico de gestão e recuperação de espaços verdes; técnico de recursos florestais e
ambientais; técnico de produção agrária (todos de nível II). Para os próximos anos lectivos
esta escola tem em preparação o Curso de Especialização Tecnológica (CET, nível IV) de
Defesa da Floresta contra Incêndios.
Escola Profissional Agostinho Roseta: a Associação Agostinho Roseta – Escola Profissional
tem como sede o Pólo de Lisboa, sendo ainda constituída por mais três Pólos - Pólo de Vila
51
Real; Pólo de Castelo Branco e o Pólo de Paderne/Albufeira. Oferece os seguintes cursos:
técnico de informática de gestão; técnico de informática fundamental; técnico de gestão de
PME e cooperativas; técnico de hotelaria e restauração, organização e controlo; animação
sócio-cultural e assistente de geriatria; técnico de gestão autárquica; técnico de turismo.
Escola Profissional do Fundão: esta escola oferece os cursos de hotelaria, comércio,
técnico de gás e construção civil, além do curso novo de gestão ambiental.
5. RECURSOS HUMANOS - ENSINO SUPERIOR E INVESTIGAÇÃO
Como se fez referência, apenas cerca de 7% da população activa da Beira Interior detém habilitações
ao nível do ensino superior.
A principal instituição de ensino superior da região é a Universidade da Beira Interior (UBI), criada
em 1986 e sucessora do Instituto Universitário da Beira Interior. No ano lectivo 2008/2009, a UBI
contava com cerca de 5400 alunos e 560 docentes (mais de 1/3 dos quais com o grau de Doutor).
Está dividida em Unidades Científico-Pedagógicas (as UCPs ou Faculdades) de Ciências Exactas,
de Ciências de Engenharia, de Ciências Sociais e Humanas, de Artes e Letras e de Ciências da
Saúde.
É conhecido o dinamismo que a UBI confere à região, bem como as potencialidades desta
universidade enquanto geradora de iniciativa empresarial.
A UBI tem as suas competências localizadas na Covilhã, contribuindo para o apoio a vários sectores
de especialização da região, seja a indústria têxtil, através do seu Departamento de Ciência e
Tecnologia Têxteis; seja a indústria do papel, através do Departamento de Ciências e Tecnologia do
Papel; seja o agro-alimentar, através do Departamento de Química e Bioquímica.
Na sua estrutura de cursos, as áreas da engenharia, tecnologia e gestão são as mais representadas.
Salientam-se os cursos de Engenharia Têxtil, orientados para o sector mais empregador da região
e os de Química e Bioquímica, orientados para potenciais necessidades da indústria alimentar
que podem surgir pelo desenvolvimento da fileira agro-alimentar. Outros cursos importantes são
os de engenharia metalomecânica e mecânica, devido à expansão desta actividade sobretudo em
Castelo Branco.
Dada a relevância da indústria têxtil para a região, merece destaque o Departamento de Ciência e
Tecnologia Têxteis (DCTT) que desde 1987 lecciona o curso de Engenharia Têxtil com dois ramos
de especialização: Produção e Confecção.
O DCTT foi pioneiro no ensino superior têxtil no País com a criação do ramo de Confecção na
licenciatura em Engenharia Têxtil, o qual é também um dos poucos ministrados a nível europeu.
Desde a sua criação, a UBI tem formado dezenas de engenheiros têxteis que maioritariamente são
quadros superiores de empresas de todo o País, tanto da indústria têxtil, como de confecção e,
também, das áreas comercial, de distribuição e organismos de apoio.
A UBI oferece ainda a possibilidade de obter Doutoramentos em tecnologia física têxtil e de gestão,
tecnologia química têxtil e produção têxtil.
Também alguns sectores emergentes na região – como as tecnologias de informação e comunicação
ou a aeronáutica – contam com o apoio da UBI através, respectivamente, dos Departamentos de
Informática e de Ciências Aeroespaciais.
A nova Faculdade de Ciências da Saúde está a ter efeitos na atracção para a Beira Interior de
profissionais de saúde, em áreas de evidente lacuna na região.
Noutras áreas de interesse, a UBI distingue-se pela oferta de formação nos domínios do audio-visual
e da imagem (com os cursos de comunicação social, marketing, design multimédia e cinema).
O curso de física (óptica) também é importante devido à existência de um Centro de Óptica (COUBI)
52
que reúne meios avançados (laboratórios) com incidência na óptica e na caracterização e análise
de materiais.
Além da UBI, existem na Beira Interior duas outras instituições públicas de ensino superior:
O Instituto Politécnico de Castelo Branco, que integra as Escolas Superior de Educação,
Superior de Artes Aplicadas, Superior Agrária, Superior de Saúde (por agregação da Escola
Superior de Enfermagem Dr. Jaime Lopes Dias) e Superior de Tecnologia e Gestão, além
da Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova;
Instituto Politécnico da Guarda, que integra as Escolas Superior de Educação e Superior de
Tecnologia e Gestão. Além das instalações na Guarda, dispõe de um pólo em Seia.
Existem também duas instituições de ensino superior privado: o Instituto Superior de Matemática
e Gestão (ISMAG), no Fundão e em Castelo Branco; o Instituto Superior de Administração,
Comunicação e Empresa (ISACE), na Guarda.
5.1. Diplomados do Ensino Superior
De acordo com dados fornecidos pela Direcção Geral de Ensino Superior, no ano lectivo 2008/2009
diplomaram-se nas instituições de ensino superior da Beira Interior cerca de 3.2 milhares de
indivíduos. Estes dados integram os 3 Ciclos do ensino superior, isto é, licenciaturas, mestrados e
doutoramentos.
A UBI destaca-se pelo maior número de diplomados, o equivalente a 31% do total de diplomados da
região, seguindo-se a Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda (13%), a Escola Superior
de Educação da Guarda (12%), a Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias (10%) e a Escola
Superior Agrária de Castelo Branco (7%).
No contexto da UBI, e naquele ano lectivo, predominaram os diplomas nas áreas da economia e
gestão (23%), das humanidades (22%) e das ciências de engenharia (19%).
Se se considerar o conjunto de instituições de ensino superior da região que leccionam cursos na
área das ciências de engenharia (além da UBI, a Escola Superior Agrária de Castelo Branco, a
Escola Superior de Tecnologia de Castelo Branco e a Escola Superior de Tecnologia e Gestão da
Guarda), constata-se que o número de diplomados em engenharia correspondeu a 20% do total
de diplomados na região (é a área científica com maior peso no total de diplomados na região,
seguindo-se as humanidades e direito, a saúde-cuidados pessoais e a economia e gestão).
Entre os cursos de engenharia com maior número de diplomados na região destacam-se: engenharia
civil (com 106 diplomados); engenharia informática (82 diplomados); engenharia das ciências
agrárias (42 diplomados); engenharia biológica e alimentar (40 diplomados); engenharia florestal (39
diplomados); engenharia dos recursos naturais e ambiente (37 diplomados); engenharia industrial
(26 diplomados). Os restantes cursos de engenharia relevantes para a especialização produtiva
da região (engenharia electromecânica, engenharia têxtil, engenharia aeronáutica) rondam os 15
diplomados.
53
FIGURA 8 - DIPLOMADOS POR ÁREA CIENTÍFICA (% TOTAL) – ANO LECTIVO 2008/2009
Saúde - Cuidados
Pessoais
16,9%
Serviços Sociais
1,8%
Economia e Gestão
15,1%
Ciências Exactas
0,2%
Ciências Exactas e
Computação
1,5%
Turismo e Lazer
3,6%
Ciências da Vida
1,3%
Educação
11,6%
Ciências Engenharia
20,3%
Humanidades e Direito
20,0%
Artes
7,5%
Fonte: Direcção-Geral do Ensino Superior.
5.2. INVESTIGAÇÃO
Em 2008, cerca de 200 indivíduos desenvolviam actividades de I&D na Beira Interior, sobretudo em
instituições de ensino superior. As despesas em I&D atingiam os 15.2 mil milhares de euros.
A breve análise das actividades de investigação da Beira Interior revela um certo dinamismo da
actividades científicas e tecnológicas, estimulado fundamentalmente pelas instituições de ensino
superior presentes na região (em particular a UBI) que apresentam uma dinâmica elevada no que
toca às actividades de I&D, a par de alguns centros de investigação aplicada existentes na região.
Como já se fez referência, a UBI integra alguns Departamentos que desenvolvem importantes
actividades de investigação e apoio a determinadas sectores produtivos da região.
O referido Departamento de Ciência e Tecnologia Têxtil (DCTT) conta com as seguintes estruturas
de apoio à investigação: Centro CAD (estilismo e modelagem); Centro CAD de Tecidos; Laboratórios
de Ensaios Físicos de Fibras e Fios, de Tecidos, de Química Têxtil/Colorimetria e de Tinturaria/
Estampagem e Acabamentos, além de Oficinas de Confecções, de Fiação, de Malhas/Corte e
Tecelagem.
As actividades de investigação do DCTT inserem-se na Unidade de I&D “Materiais Têxteis e
Papeleiros”, no âmbito da qual têm sido desenvolvidos projectos nas diversas áreas da ciência e
tecnologia têxteis.
No Departamento de Física está integrado o referido Centro de Óptica (COUBI), criado em 1994
com o objectivo de promover a investigação e o desenvolvimento tecnológico nos domínios da
óptica e caracterização e análise de materiais. Este Centro integra os laboratórios de Microscopia
Óptica; Holografia; Interferometria e Sensores Inteligentes; e Microscopia.
Além dos projectos de investigação a decorrer na UBI com o apoio do COUBI (equipamentos,
instalações e pessoal técnico), o Centro realiza ainda trabalhos técnicos para o tecido empresarial
da região nos domínios da óptica, microscopia óptica e electrónica de varrimento, análise elementar,
difração de raio-x, calorimetria e metalografia.
No domínio da aeronáutica, a UBI conta com o Centro de Ciência e Tecnologias Aeroespaciais
(CAST) que se dedica à investigação e ao desenvolvimento tecnológico no domínio da aeronáutica
e espaço. As actividades de investigação do Centro podem ser agrupadas em três principais áreas
54
temáticas e multidisciplinares: (1) Capacidade e segurança do sistema de aviação, orientada para
os problemas associados ao substancial aumento do tráfego aéreo e as suas implicações na
segurança; (2) Satélites; (3) Eficiência de transportes, que inclui a investigação e os desenvolvimentos
tecnológicos necessários para reduzir o consumo de combustíveis dos motores, as emissões (CO2
e Nox), o ruído, entre outros.
Está a ser estudada uma parceria de investigação entre a UBI (o CAST), o Instituto Superior
Técnico (IST), o Governo português e o consórcio anglo-italiano AgustaWestland, fornecedor de
helicópteros para o Estado português – nomeadamente, aeronaves militares.
A UBI está também envolvida em importantes actividades de investigação no domínio das Tecnologias
de Informação e Comunicação e no domínio das Ciências da Saúde. Devido ao elevado interesse
destas actividades emergentes para o futuro da Beira Interior, e dada a estreita ligação com a
inovação empresarial, desenvolve-se a análise de alguns destes projectos de investigação adiante
(vd. pontos 6 e 7).
De referir ainda que a UBI integra uma Rede de Competências em Biónica sobre as Ciências da
Mar na Região Centro (Rede Bioma), projecto que tem como objectivo a criação de uma rede
de âmbito regional, focada no cluster do mar da região Centro. O principal promotor desta rede
é o Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário (CITEVE), contando também com a
participação da UBI, através do Gabinete de Apoio à Propriedade Industrial (GAAPI) e da Oficina
de Transferência de Tecnologia e de Conhecimento (OTIC).
O GAAPI é uma estrutura da UBI que fomenta o interface entre a universidade e as empresas ou
outras entidades do meio envolvente, através da divulgação e implementação de programas cofinanciados que estimulam a cooperação e através da divulgação dos resultados de investigação
e da promoção de serviços da Universidade junto das empresas e outras instituições da sociedade
civil.
Este Gabinete foi criado em 2002 e é directa e organicamente coordenado pela Reitoria da UBI.
Compreende a Oficina de Transferência de Inovação (OTIC) e o Gabinete de Apoio à Propriedade
Industrial (GAPI).
Apesar de a UBI ser a principal instituição da Beira Interior a desenvolver actividades de I&D, devese também salientar a importância da presença na região do CITEVE. Com sede em Vila Nova de
Famalicão e uma delegação na Covilhã, este Centro tem como missão o apoio ao desenvolvimento
das capacidades técnicas e tecnológicas dos sectores têxtil e do vestuário, através do fomento e da
difusão da inovação. O CITEVE desenvolve desde 2006, em parceria com a Microsoft, o Programa
“TII – Tecnologia, Inovação e Iniciativa”, que visa a reinserção de pessoas desempregadas no
mercado de trabalho através da formação na área da informática. Este programa foi orientado para
o sector têxtil, com a constituição de centros de formação em Famalicão e Covilhã (que já contou
com mais de 1700 formandos).
De referir que o CITEVE integra os Pólos de Competitividade e Tecnologia Moda e Produtech
(Tecnologias de Produção), reconhecidos formalmente como Estratégias de Eficiência Colectiva
em Julho de 2009.
55
6. A INOVAÇÃO EMPRESARIAL NA REGIÃO
Em 2001 foi criado, na zona Industrial de Tortosendo, o PARKURBIS – Parque de Ciência e
Tecnologia da Covilhã SA –, que envolveu um conjunto de entidades (com destaque para a UBI
e para a Câmara Municipal da Covilhã3) que congregaram esforços no sentido de concretizar um
projecto de dinamização da inovação e do empreendedorismo na Beira Interior. Esta infra-estrutura
tem como objectivo apoiar as empresas, fornecendo serviços de apoio às indústrias existentes,
incluindo as indústrias tradicionais (como o Têxtil e o Vestuário), e às start up.
Visa também criar condições para atrair e fixar empresas vocacionadas para o desenvolvimento da
inovação e da tecnologia, para a potencialização das sinergias entre a Universidade, as instituições
de I&D e as empresas de base tecnológica, para a criação de uma massa crítica de actividade de
I&D e para o desenvolvimento qualitativo e diversificado da malha empresarial do município da
Covilhã e da Beira Interior no seu conjunto.
A maioria das empresas instaladas no PARKURBIS (21 empresas, onde trabalham mais de
190 indivíduos, 82% dos quais com formação superior) foi gerada dentro da própria UBI, sendo
a sua liderança assegurada por alunos ou docentes desta Universidade. Esta é uma estratégia
que a direcção do Parque sempre quis manter, na medida em que as prioridades desta estrutura
passam por permitir a investigação e a inovação tecnológica, em parceria com a UBI e empresas,
contribuindo para a modernização do tecido produtivo e para a criação de indústrias e serviços
tecnologicamente avançados.
As áreas empresariais que se encontram presentes no Parkurbis são: biotecnologia; tecnologias
da informação e comunicação; energias renováveis; comunicações; novos materiais; domótica;
recursos humanos A Omnisys e a Consispro foram duas das 7 empresas que inauguraram as
instalações deste Parque Tecnológico. A primeira resultou da iniciativa de quatro docentes da UBI e
a segunda da mente inovadora de três estudantes de Engenharia da Produção e Gestão Industrial
e de Matemática/Informática na mesma Universidade.
CAIXA 9 - OMNISYS
A Omnisys iniciou a sua actividade em 2004 e surgiu a partir da constatação de que faltava ao mercado uma empresa
capaz de desenvolver e comercializar sistemas informáticos seguros, direccionados para a gestão de pessoal de
empresas de média e grande dimensão. É uma empresa de base tecnológica dedicada a soluções de registo e controlo.
Desenvolve aplicações de controlo de acessos, fidelização de clientes, assiduidade, pagamentos internos e sistemas
gerais de registo, assentes em plataformas completamente abertas à integração de vários equipamentos tais como
leitores biométricos, RFID (identificação por radiofrequência), sensores, controladores. Os cartões/identificadores RFID,
Mifare ou SmartCards conferem às soluções desenvolvidas pela empresa meios seguros para identificação de pessoas
ou bens.
A empresa desenvolveu os seguintes softwares:
- RecSys – destinado a aplicações de controlo horário, acessos, uso de terminais informáticos. Os registos podem ser
acedidos para tratamento de informação para qualquer tipo de aplicação: controlo de acessos, assiduidade, fidelização,
pagamentos, monitorização;
- FidSys – o objectivo deste produto é a fidelidade dos clientes, procurando premiar aqueles que compram periodicamente
(através do cartão de pontos).
Fontes: Omnisys; Parkurbis.
3
A par da UBI e da Câmara da Covilhã, existem mais oito accionistas fundadores da sociedade Parkurbis S.A. São eles o IAPMEI (Instituto de Apoio a
Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento), a ANIL (Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios), o NERCAB (Associação Empresarial da
Região de Castelo Branco), a AECBP (Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor), a FRULACT (Sociedade Gestora de Participações,
S.A), a PT Comunicações S.A, Caixa Capital - Grupo Caixa Geral de Depósitos e a FLAD (Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento).
56
CAIXA 10 - CONSISPRO
A Consispro é uma empresa de prestação de serviços de consultoria, concepção, desenvolvimento e implementação de
soluções tecnológicas integradas na área dos sistemas de informação - desenvolve aplicações informáticas específicas,
software e páginas na Internet. Entrou em actividade em 2004 e constituiu a aplicação de uma ideia nascida num projecto
de final de curso de uma disciplina de Engenharia da Produção da Gestão Industrial da Universidade da Beira Interior.
Venceu em 2002 o Ideia Activa, um concurso de ideias inovadoras para criação de empresas, promovido pelo Centro
de Inovação Empresarial da Beira Interior; venceu também o Prémio Nacional Ideias e Empreendedores, na Categoria
Projecto Inovador, promovido pelo IAPMEI.
Inicialmente, a empresa centrou-se na área da manutenção e, mais tarde, alargou o leque de produtos para a Internet,
webdesign e programação informática por medida. A empresa tem desenvolvido programas de modernização de
empresas como queijarias ou lagares de azeite (para este produto, desenvolveu um sistema – o Prolive – que faz a
integração de todo o processo, desde a entrega da azeitona à saída do azeite para o mercado).
No entanto, as áreas de actuação da empresa têm sido muito diversas: o Departamento de Recursos Humanos do
Instituto Nacional de Administração recorreu à empresa para a implementação e ministração de cursos de formação
online. A empresa está também envolvida no desenvolvimento de software de manutenção industrial, de gestão comercial
e de facturação, além de disponibilizar uma área de webdesign.
Por outro lado, a Consispro está a promover uma ferramenta que se destina aos comerciantes da região e que passa
por um software próprio para os pequenos comerciantes com o qual podem também promover campanhas de pontos e
de fidelização de clientes.
Entre 2004 e 2005 o volume de negócio aumentou cerca de 100% e no ano seguinte a taxa de crescimento foi
semelhante.
Passada a fase de fortalecimento do mercado regional, a Consispro pretende alcançar novos mercados, tendo já como
clientes empresas de Lisboa, Marinha Grande, Leiria e Aveiro. A empresa pretende ainda avançar para o mercado
espanhol, sobretudo para Salamanca.
A Consispro detém actualmente a Omnisys.
Fontes: Consispro; Parkurbis.
A área das Tecnologias de Informação e Comunicação tem tido uma franca expansão na Beira
Interior devido ao considerável número de empresas deste sector que se localizou no Parkurbis,
tendo mesmo sido criado, em 2007, o Parkurbis Gene – Agrupamento Internacional de Empresas
(ACE) de Informática e de Tecnologias de Informação (vd. ponto 7).
A necessidade de criar uma estrutura de acolhimento e acompanhamento de novos projectos de base
tecnológica, com capacidade para albergar uma maior quantidade de start-ups de base tecnológica,
conduziu ao projecto da incubadora do Parkurbis – a Parkurbis Inovação implantada junto do
edifício sede do Parkurbis, tem capacidade para albergar 30 novas empresas, disponibilizando
espaços infra-estruturados de forma a acolher empresas que necessitem de pequena salas para o
desenvolvimento da sua actividade, assim como empresas com necessidades de laboratórios e/ou
pequenas oficinas.
O Parkurbis poderá dar assim resposta à necessidade de criar uma estrutura de acolhimento e
acompanhamento de novos projectos de base tecnológica, com capacidade para albergar uma
maior quantidade de start-ups de base tecnológica, dada a existência de projectos e massa crítica
a instalar na região.
A par da Parkurbis Inovação, está em desenvolvimento o projecto Parkurbis Medical que surge
como uma aliança entre o Parkurbis, a Faculdade de Medicina da UBI, o Centro Hospitalar da
Cova da Beira e outras estruturas clínicas da região. Este projecto tem como objectivo a criação
de um cluster de empresas ligadas à área da saúde, estabelecendo ligações preferenciais com os
projectos de investigação desenvolvidos naquela Faculdade e potenciando a sua incorporação no
meio empresarial.
57
O importante papel do Parkurbis no desenvolvimento/inovação empresarial da Beira Interior
pode ser ilustrado não só pelos projectos de expansão enunciados mas também pelo franco
desenvolvimento de algumas empresas aí instaladas – como é o caso da empresa Reetec Ibérica,
que será transferida para um lote de 8 mil m2 na área de expansão do Parque. Esta empresa presta
serviços de montagem de aerogeradores, gruas, transportes e todos os trabalhos de montagem
mecânica e eléctrica. É um caso típico de empresas que começou com dois empresários e tem já
70 colaboradores. Nas futuras instalações, que significam um investimento de 1 milhão de euros,
será feita a assistência a equipamentos de Portugal e Espanha.
CAIXA 11 - REETEC IBÉRICA
A empresa Reetec Ibérica foi criada em Abril de 2003, sob o nome Anywind - Equipamentos Electromecânicos Lda, e
tem como objectivo a prestação de serviços especializados ao mercado da energia eólica, em especial na montagem,
manutenção e operação de parques eólicos.
Desde então já participou em inúmeros projectos em Portugal, tendo já ultrapassado as fronteiras nacionais, com a
realização de projectos em Espanha e França, quer na montagem de aerogeradores, quer na manutenção preventiva e
reparação dos mesmos.
Desde início que apostou em técnicos nacionais e, graças à realização de uma parceria estratégica com a empresa alemã
Reetec - Regenerative Energie und Elektrotechnik GmbH, que mais tarde se tornou associada da originária Anywind,
conseguiu ministrar formação específica ao seu quadro técnico de tal forma que, actualmente, consegue concretizar
projectos de grande envergadura somente com técnicos e quadros portugueses, com níveis elevados de qualidade.
A Reetec Ibérica tornou-se numa das empresas portuguesas independentes com mais experiência no sector em Portugal,
continuando a sua aposta na formação e qualidade.
A parceria entre a originária Anywind e a empresa alemã Reetec culminou, em Novembro de 2005, numa junção de
esforços para o mercado Ibérico, materializada da seguinte forma:
Entrada da empresa Reetec Regenerative Energie und Elektrotechnik GmbH no capital da originária Anywind, com
uma quota de 50% (em Novembro de 2005);
Alteração do nome da empresa para Reetec Ibérica Energias Renováveis, Lda;
Aumento do capital social dos originários 30 mil euros para 110 mil euros;
Cedência, por parte da Reetec GmbH, de 100% do capital da sua empresa Reetec Wind España S.L., à Reetec
Ibérica Energias Renováveis, Lda.
Desta forma, todo o mercado Ibérico, para o qual se prevê um forte desenvolvimento durante os próximos anos, ficou sob
responsabilidade da Reetec Ibérica.
A empresa tem sede na Pampilhosa da Serra (Cabril) e duas delegações: uma no Taguspark e outra no Parkurbis.
Fontes: Reetec Ibérica.
58
CAIXA 12 - ENFORCE – ENGENHARIA DA ENERGIA, SA
Criada em 2001 e com sede na Covilhã, a empresa Enforce surgiu na sequência da empresa João Nuno Serra Lda, com
o principal objectivo de dar resposta às necessidades sentidas na área da Energia.
As principais áreas de actividade da Enforce são:
- Certificação energética – realização de projectos de especialidades térmicas.
- Microgeração – desenvolvimento de soluções do tipo “chave na mão” que dão resposta directamente ao sistema de
microprodução.
- Projectos de infra-estruturas – desenvolvimento de projectos de infra-estruturas eléctricas, telecomunicações e
climatização, com soluções inovadoras para a optimização e operacionalidade dos edifícios, antecipando a exigência da
certificação de edifícios, do ponto de vista energético.
- Projecto - execução de projectos de especialidades (electrotecnia, mecânica - climatização, telecomunicações e gás),
para todo o tipo de edifícios, comerciais, habitacionais, hoteleiros, industriais e de serviços, redes viárias e loteamentos.
Destaque para obras públicas, nomeadamente hospitais, lares de 3ª Idade, escolas, jardins-de-infância, quartéis de
bombeiros e GNR.
- Auditorias energéticas e levantamentos.
Aproveitando a experiência de jovens quadros da região da Beira Interior nas áreas da engenharia, a empresa desenvolve
trabalho em todo o território nacional e internacional, nomeadamente Espanha e Angola.
A empresa dedica-se à I&D de novos produtos na área do solar fotovoltaico, energia eólica e de novos produtos
luminotécnicos, nomeadamente aproveitando os últimos avanços nos Led’s.
Participa no capital social da CEV – Consultores em Engenharia do Valor, com sede em Lisboa, que se dedica à consultoria
e formação nas áreas da gestão pelo valor, qualidade, ambiente, acessibilidades e inovação.
Fontess: site da empresa; imprensa; Cotec.
De referir ainda a criação do Centro de Apoio à Inovação e ao Empreendedorismo (CAIE), um
projecto resultante da parceria entre o Parkurbis, a empresa Global Change, a UBI, o Município da
Covilhã, a Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL), a Associação Empresarial da
Covilhã, Belmonte e Penamacor (AECBP), a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE)
e a Câmara de Comércio Luso Alemã. Este projecto visa fomentar na região o empreendedorismo e
criar condições que garantam todo o apoio a potenciais promotores de empresas de base tecnológica,
desde o desenvolvimento da sua ideia de negócio até à implementação e desenvolvimento da sua
empresa.
Este Centro desenvolve um concurso denominado “Bolsa de Ideias”, no âmbito do qual já apoiou
ideias inovadoras de negócio para a região como são exemplos os projectos Vipaccess, Virtual
ADN e Easy Parking, que serão incubados no Parkurbis. O projecto Vipaccess, concebido por um
docente da UBI e executado por um grupo de alunos finalistas desta Universidade, no âmbito do
Centro de Tecnologia da Linguagem Humana e Bioinfomática, consiste numa aplicação informática
orientada para facilitar o acesso aos resultados de pesquisas em motores de busca de informação
na Internet, sobretudo vocacionada para pessoas com deficiências visuais. O projecto Virtual ADN
foi criado por um grupo de cinco alunos de um curso de empreendedorismo de base tecnológica
promovido pela UBI. A ideia base consiste na recolha de informação biométrica (medidas do
corpo, cor e textura da pele) para tornar mais eficiente a aquisição de pronto-a-vestir através
da Internet. O Virtual ADN prevê a instalação de cabines públicas de recolha da informação
biométrica através de varrimento laser e tem outras aplicações, por exemplo, na área da saúde e
estatística. O projecto Easy Parking, desenvolvido por um docente da UBI e por alunos finalistas
do Departamento de Informática desta Universidade, consiste num sistema integrado de gestão
de parques de estacionamento com recurso a novas tecnologias de informação. Este sistema
permite às empresas de parqueamento aderentes indicar em dispositivos GPS quais os lugares
de estacionamento livres que estejam nas proximidades dos condutores ou recarregar tickets de
estacionamento via SMS.
59
De referir também a criação, em 2007, da Associação de Investidores de Capital de Risco, com sede
na Covilhã (Parkurbis), membro da Federação Nacional de Associações de Business Angels (FNABA)
e constituída por 18 sócios com ligações à região que pretendem promover o empreendedorismo
na Beira Interior. Esta associação, sem fins lucrativos, pretende acolher projectos inovadores e
viáveis de qualquer sector de actividade.
Merece ainda referência a presença na região do Centro de Inovação Empresarial da Beira
Interior (CIEBI). Criado em 1994, este Centro tem como principal objectivo estimular a criação e
o desenvolvimento de empresas Inovadoras na Beira Interior, através da sua ligação ao sistema
científico tecnológico regional (Universidade e Institutos Politécnicos) e à Rede Europeia interactiva
de BIC’s (Business Innovation Centres) ou Centros Europeus de Empresas e Negócios, reunidos
na Associação EBN (European Business and Innovation Centre Network), da qual fazem parte
214 BIC em todo o mundo. Além do apoio à investigação empresarial, o CIEBI promove acções de
formação em áreas importantes para as empresas da região (como a gestão empresarial, saúde e
higiene no trabalho e tecnologias de informação e comunicação).
7. OS NOVOS PROJECTOS
– INFRAESTRUTURAS E ACTIVIDADES
Actividades emergentes
A Beira Interior é uma região do País que, a par da presença de sectores de actividade tradicionais
(agrícola-pecuários e industriais), tem assistido nos últimos anos ao desenvolvimento de actividades
inovadoras, impulsionadas pela incorporação de qualidade e tecnologia em algumas actividades
já existentes ou pela aposta em nichos de novas actividades na região. A UBI e alguns centros
de investigação nela integrados e a criação/expansão do PARKURBIS são dois dos principais
elementos catalisadores das actividades inovadoras na Beira Interior.
Sistematizam-se no seguinte os projectos e actividades que se consideram imprescindíveis na
competitividade futura da Beira Interior:
Agroindústria: as actividades agrícolas têm evidenciado um crescimento favorável no
sentido do reforço da presença de actividades ligadas à qualidade dos produtos da região.
Como se fez referência, muitos têm sido os produtos classificados com denominação de
origem ou indicação geográfica de proveniência, ligados a actividades importantes na região
como a vinicultura, a fruticultura ou queijaria. Por outro lado, algumas empresas da região
(como a Danone ou a Frulact) têm apostado na inovação dos produtos de lacticínios ou
indústria de bebidas, incorporando matérias-primas de qualidade provenientes da região.
Para o reforço da competitividade das actividades agrícolas e, indirectamente, das
actividades agro-industriais da região é fundamental a concretização do Projecto de Regadio
da Cova da Beira que se espera ficar concluído em 2010, com a construção dos blocos da
Covilhã e Fundão (o Bloco da Meimoa é o único que está a funcionar em pleno, estando
em fase experimental os Blocos de Belmonte e Caria). De referir que a produção integrada
e a agricultura biológica também têm sido objecto de projectos de investimento na região:
exemplo de um dos maiores projectos de agricultura biológica nacional, que aguarda apoio
do Ministério da Agricultura para ser concretizado no âmbito do Quadro de Referência
Estratégico Nacional, e que prevê a conversão e instalação de 10 mil hectares de olival
biológico na Beira Interior. Em Julho de 2009 foi reconhecido formalmente como Estratégia
60
de Eficiência Colectiva o Cluster Agro-Industrial do Centro, liderado pela NERCAB (Núcleo
Empresarial da Região de Castelo Branco). Este cluster está suportado num conjunto de
fileiras agro-industriais que constituem o seu núcleo, designadamente o leite/lacticínios,
o vinho, o azeite, os cereais, o peixe, a carne e a horto-fruti-floricultura. No domínio da
agroindústria, são muito interessantes as potencialidades de articulação da Beira Interior
com os projectos em curso no Médio Tejo, designadamente o Tecnopólo criado em Abrantes,
no contexto desta actividade industrial (vd. Caixa 13).
CAIXA 13 - TECNOPÓLO DO VALE DO TEJO - TAGUSVALLEY
Criado em 2004, o Tecnopólo do Vale do Tejo, localizado em Abrantes, é um projecto associado da rede nacional de
Parques Tecnológicos (TECPARQUES), que ocupa um espaço de cerca de 150 hectares, estando a ser recuperados
alguns edifícios para este Centro Tecnológico na antiga fábrica da Quimigal (CUF). O Tecnopólo está vocacionado para
acolhimento e instalação de empresas e projectos qualificantes para a economia do Médio Tejo e do País, projectado
com grandes áreas para expansão futura, tanto na vertente de acolhimento de serviços, como de indústrias inovadoras
de tecnologia intensiva.
Este projecto é da iniciativa da Câmara Municipal de Abrantes, que adquiriu aquele espaço com a intenção de criar uma
plataforma de ligação entre as empresas e o conhecimento - nomeadamente o ensino superior e outras instituições de
investigação e desenvolvimento - perspectivando a criação de sinergias geradoras de valor acrescentado para o tecido
económico da região do Médio Tejo.
Com três associados fundadores – a Autarquia, a Nersant (Núcleo Empresarial da Região de Santarém) e o Instituto
Politécnico de Tomar -, a que se juntou a Tejo Energia, a TagusValley foi constituída como entidade gestora do
Tecnopólo.
Ao nível da Administração Central, definiu-se que a vocação estratégica do Tecnopólo reside no sector agro-alimentar. O
primeiro projecto a instalar-se no Tecnopólo, ainda em 2004, foi a A-LOGOS, um laboratório tecnicamente independente,
de controlo de qualidade de água e alimentos, que oferece um vasto conjunto de serviços a toda a região. É um projecto
de natureza intermunicipal no qual, além de Abrantes, participam outras Autarquias.
Outra das estruturas já presentes é o Centro de Formação do Instituto de Emprego e Formação Profissional, que entre
outras valências oferece cursos de referência a nível nacional (por exemplo na área da mecânica-auto).
Ainda em 2004, numa lógica de start-ups, surgiu no Tecnopólo uma unidade de incubação de empresas destinada a
acolher novos projectos e ideias de negócio ou empresas existentes mas ainda em fase embrionária.
Por outro lado, foi desenvolvido o Centro de Transferência de Tecnologia (CTA), com o objectivo de dinamizar e dar
suporte às necessidades empresariais da região e do País em áreas de conhecimento, investigação e tecnologia para o
sector agro-alimentar. Este projecto conta com o apoio da CCDRLVT, tendo por promotores o Município de Abrantes, a
Nersant, a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, a A.Logos e a STI (Sistemas e Técnicas Industriais), entre outras
empresas do sector agro-alimentar.
A ideia do projecto é, a par de se constituir uma referência em matéria de conhecimento para o sector e formar quadros
qualificados, investigar e desenvolver soluções que permitam melhorar o aproveitamento dos recursos do sector agroindustrial nacional, tanto na perspectiva da qualidade, segurança e conservação, como do desenvolvimento de produtos
e soluções inovadoras de aproveitamento e de transformação industrial da matéria-prima, susceptíveis de acrescentar
mais valor à produção agro-alimentar nacional. O CTA está a desenvolver contactos com centros de tecnologia do sector
alimentar com experiência na transferência de conhecimento, prevendo no futuro a criação de fortes sinergias na base
de especializações tecnológicas com parques espanhóis.
De referir que o Tagusvalley está integrado no Cluster Agro-Industrial liderado pela Nersant através da Animaforum,
Associação para o Desenvolvimento da Agro-Indústria. Este Cluster foi reconhecido como Estratégia de Eficiência
Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Câmara Municipal de Abrantes.
Têxteis técnicos: existe na Beira Interior know-how e capacidade institucional, infraestrutural e de recursos humanos que poderiam ser aproveitados para novas actividades
ligadas ao sector têxtil, sector de especialização regional que tem atravessado um período
de crise marcado pelo encerramento de empresas e perda de postos de trabalho. Deve
ser destacada a presença na região da UBI, em particular do Departamento de Ciência e
Tecnologia Têxteis, e de uma delegação do CITEVE. Estão já em desenvolvimento alguns
61
projectos no domínio desta actividade inovadora que permite o cruzamento com sectores
como o agroalimentar, o automóvel, a aeronáutica ou as ciências da saúde. Entre estes
projectos destacam-se:
o O projecto ColdFit, submetido a financiamento ao iCentro – Programa Regional
de Acções Inovadoras da Região Centro de Portugal e promovido pelo CITEVE,
pela ADAI (Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial), pela
empresa TIPSAL (Técnicas Industriais de Protecção e Segurança) e pelo Parkurbis.
Este projecto consiste na concepção de um fato de isolamento térmico, que se
adequa a ambientes térmicos adversos nos quais os trabalhadores são inseridos
e expostos a amplitudes térmicas. O seu objectivo é reduzir os efeitos negativos
do frio provocados aos trabalhadores expostos – o ColdFit tem como utilizadores
finais as indústrias de lacticínios, comércio e indústria de peixe, comércio e indústria
de carne, comércio de produtos alimentares diversos, distribuição alimentar e
distribuição e investigação farmacêuticas;
o Projecto de investigação da UBI, em parceria com o serviço de obstetrícia do
Hospital da Covilhã e empresas de electrónica de aplicação específica instaladas
no Taguspark, que pretende desenvolver o protótipo de uma cinta para grávidas que
regista os movimentos do feto. O tecido da cinta integra circuitos electrónicos que
registam diversos dados, como as movimentações do feto, batimentos cardíacos
- os dados serão gravados num cartão de memória e poderão ser descarregados
e enviados por correio electrónico para o médico (poderão também ser acedidos
remotamente, uma vez que a cinta vai dispor de conectividade Bluetoohth para
integração em redes). Um produto semelhante está a ser desenvolvido para
monitorizar actividades de reabilitação, podendo ser usado junto a zonas do corpo
que tenham sofrido lesões, devido a acidentes ou actividades desportivas.
Existem portanto fortes oportunidades de desenvolvimento do segmento têxteis técnicos e
inteligentes na Beira Interior, destacando-se as seguintes aplicações: novas fibras e materiais
compósitos para produtos têxteis inovadores; biomateriais; biotecnologias e processos têxteis
ecológicos e ambientalmente sustentáveis; novos produtos têxteis para melhorar a performance
do ser humano (médico-hospitalar, desporto e protecção); novos produtos têxteis para aplicações
técnicas inovadoras (transportes, construção, geotêxteis).
Automóvel e aeronáutica: existem na região, sobretudo em Castelo Branco e Guarda,
algumas empresas que fornecem a indústria automóvel, mas que concentram a sua
actividade em segmentos com fortes riscos de deslocalização (caso das cablagens, com
a Delphi e duas fábricas associadas a esta multinacional – a Dura Automotive e Coficab,
ambas na Guarda). Existe actualmente um projecto classificado como de Interesse Nacional
(PIN) ligado ao sector automóvel – uma empresa belga (a Levicor) irá investir 500 milhões
de euros em Castelo Branco para a instalação de uma fábrica de produtos anti-corrosão
para automóveis.
No domínio da aeronáutica, a UBI tem impulsionado o ensino e investigação no sector
através do seu Departamento de Ciências Aeroespaciais e Engenharia Aeronáutica. A
empresa aeronáutica Aleia (que surgiu da junção das empresas francesas Dyn’Aéro e
Equip’Aéro e das portuguesas Spinworks - Gabinete de Estudos Aeronáuticos - e Plasdan)
pretende instalar na Covilhã, até 2011, uma unidade industrial capaz de produzir aviões
ultraligeiros mas também aviões a jacto, integralmente concebidos, construídos e montados
na Cova da Beira.
62
Energias renováveis: existem na região algumas empresas que desenvolvem a sua
actividade no âmbito das energias renováveis (caso da Reetec Ibérica, na energia eólica,
e da empresa SolarEarth, no domínio da energia solar fotovoltaica, ambas localizadas no
Parkurbis). Por outro lado, têm surgido alguns projectos importantes neste âmbito:
o A Global Green, multinacional que em Portugal se quer estrear em Idanha-a-Nova,
pretende instalar naquele município a primeira bio-refinaria da Europa capaz
de produzir bioetanol a partir da cana-de-açúcar. Um investimento total de 240
milhões de euros, que deverá criar mais de duzentos postos de trabalho directos e
entre três a cinco mil indirectos. Com arranque previsto ainda em 2008, o projecto
prevê também a instalação de uma unidade de produção de energia eléctrica a
partir da biomassa e de um centro de investigação. A produção experimental de
cana-de-açúcar já arrancou numa herdade na freguesia Ladoeiro, numa área de 4
hectares onde também estão a ser feitos ensaios com duas variedades de sorgo
sacarino. A investigação tem sido feita nos laboratórios da Escola Superior Agrária
de Castelo Branco (ESA), que tem vindo a desenvolver ensaios sobre culturas
energéticas adaptáveis à região. Em cinco anos, estima-se que a área plantada de
cana-de-açúcar atinja os 3500 hectares e a produção anual de bioetanol as 80 mil
toneladas, ou seja, 100 milhões de litros.
o Construção de centrais termoeléctricas de biomassa florestal: depois de uma
empresa de queima de bagaço de azeite do município de Vila Velha de Ródão ter
sido pioneira a nível nacional na produção de energia a partir de resíduos florestais,
este município acolhe a segunda central termoeléctrica do País a biomassa (a
primeira é em Mortágua). Resultante de uma parceria com a EDP Bioeléctrica, a
unidade está situada na Celtejo, fábrica de produção de celulose criada em 1971
pela Portucel e adquirida em 2006 pelo Grupo Altri. Está prevista para a região
(para Belmonte) uma outra central termoeléctrica de biomassa florestal.
Tecnologias de Informação e Comunicação: este é um sector de actividade muito
impulsionado quer pela UBI, quer pelo Parkurbis, que em 2007 criou o já referido Parkurbis
Gene (Agrupamento Complementar de Empresas). Este é um projecto pioneiro em Portugal,
que resultou do intercâmbio entre instituições e empresas das cidades da Covilhã e de
Blumenau, do Estado de Santa Catarina no Brasil, entre elas o Parkurbis, a Câmara Municipal
da Covilhã, a Prefeitura de Blumenau, o Instituto Gene de Blumenau e o SEBRAE, Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. O Parkurbis Gene visa a promoção
das empresas agrupadas no mercado português e europeu, desenvolvendo acções de
aperfeiçoamento, investigação, produção, dinamização e comercialização de soluções
tecnológicas em diversos domínios. Integra actualmente as seguintes empresas, todas elas
brasileiras, que, a partir da Covilhã (com uma estrutura administrativa e comercial comum
num espaço cedido pelo Parkurbis), procuram oportunidades de negócio na Europa: Engefoto
- Engenharia e Aerolevantamentos; Bluware Informática; Desbravador Automação Hoteleira;
Diativa Informática; Extra Digital; HB.SIS Informática; Lector Tecnologia; Microton Informática;
Quick Soft - Sistemas de Informação; Systêxtil; Totall.Com; Virtos Informática. De referir que
a empresa ASSEC, da Covilhã, de consultadoria e assessoria a empresas, vai colocar no
mercado português uma ferramenta informática produzida no Brasil pela Totall.com.
De referir que a Portugal Telecom escolheu a Covilhã para instalar o maior centro de
processamento de dados do País, envolvendo um investimento de 30 a 50 milhões de
euros e criando 100 postos de trabalho directos qualificados e especializados em novas
tecnologias.
63
O município da Covilhã fez parte de cerca de 26 localidades estudadas e analisadas e
a sua escolha obedeceu a um estudo de vários parâmetros e critérios, entre os quais se
incluem as condições meteorológicas, os níveis elevados de segurança sísmica, o impacto
social, económico, ambiental e acessibilidades, e tendo em conta, igualmente, as normas
e práticas definidas pelo Code of Conduct on Data Centers da Comissão Europeia e pelo
Uptime Institute.
O Data Center terá como principal foco o aumento significativo da capacidade de
armazenamento e processamento de dados de empresas e de serviços de “cloud computin”’
(acesso remoto a aplicações) para empresas portuguesas e internacionais e vai posicionar
a PT como um player nesta área da tecnologia no mercado europeu. De acordo com a
Portugal Telecom, relevam os seguintes aspectos deste novo Data Center:
Irá diferenciar-se pelas suas elevadas capacidades tecnológicas de serviços de computação
de nova geração e elevados níveis de sustentabilidade:
Terá capacidade de alojamento para cerca de 50 mil servidores, com capacidade de 20
Petabytes, o equivalente ao armazenamento de 50 milhões de filmes em qualidade HD;
duplicando a capacidade de Data Centers em Portugal, quando entrar funcionamento em
2012;
Será uma referência mundial em termos de eficiência energética, com poupanças de 93.000
toneladas de CO2 e de 40% no consumo de energia, com utilização de sistemas de refrigeração
ambientalmente responsáveis de free cooling (de acordo com o Instituto de Meteorologia, a
Covilhã apresenta das melhores condições ambientais, temperatura do ar e humidade que
maximizam os sistemas de arrefecimento e aproveitamento de energia solar).
A PT conta com a colaboração da norte-americana CISCO neste projecto.
Ciências e Tecnologias da Saúde: esta área tem evidenciado um franco desenvolvimento
na região depois de a UBI ter criado a Faculdade de Ciências da Saúde. Esta Faculdade,
e em particular o Centro de Investigação em Ciências Médicas (CICS), tem desenvolvido
importantes projectos de investigação na área da Saúde: exemplo da criação de um sistema
informático inovador de detecção do cancro da mama através de um normal exame, em
parceria com o Departamento de Ciências Informáticas da mesma Universidade e com
a Microsoft; é também exemplo uma investigação patenteada pela mais importante
autoridade dos Estados Unidos da América nesta área (a Food and Drug Administration FDA) – trata-se de uma tecnologia que permite à indústria farmacêutica obter com grande
selectividade plasmídeos que podem ser utilizados na terapia genica (através da purificação
de moléculas de DNA). Uma das áreas preferenciais de desenvolvimento do Parkurbis é a
saúde, existindo já neste Parque uma empresa de Biotecnologia (a Bionema – Investigação
e Tecnologia).
Turismo: a Beira Interior apresenta um conjunto de recursos (riqueza natural, paisagística,
histórica e hídrica) suficientemente significativo para se lhe atribuir um potencial turístico
muito elevado. Procurada sobretudo pelo produto neve, a região tem condições, pela
diversidade da oferta, para apostar noutros produtos: turismo de natureza, baseado na
diversidade paisagística; turismo de neve, aproveitando o “monopólio” nacional da Serra
da Estrela na oferta do turismo de Inverno; turismo desportivo, sobretudo nas modalidades
mais radicais, assente na valorização dos recursos hídricos, cinegéticos, piscícolas e
morfológicos; turismo rural, dada a presença de tradições e especificidades culturais que
envolvem a ruralidade; turismo cultural, devido à herança patrimonial existente; turismo
de saúde, beneficiando de factores ambientais favoráveis e exploração do termalismo.
64
Nos últimos anos, tem-se registado na região o aumento de unidades hoteleiras e uma
qualificação de profissionais do Turismo por via da existência de um curso de hotelaria na
Escola Profissional do Fundão. De salientar que a Beira Interior possui uma marca turística
de qualidade, reconhecida a nível nacional e internacional, a marca “Serra da Estrela”,
já associada ao turismo da região e oferecendo um leque alargado de possibilidades de
exploração. Requalificar e promover o turismo da Serra da Estrela, interligando-o com
Foz Côa, Douro e a rede de Aldeias Históricas, é um exemplo de iniciativas que poderão
conduzir ao reforço da competitividade turística da região. Estão em discussão alguns
projectos que poderão revestir-se de importância para a região: requalificação das infraestruturas turísticas nas Penhas da Saúde; melhoria das telecabines e requalificação da
estância de esqui da Torre; Hotel Villa Rica, que inclui a reconstrução da antiga fábrica de
lanifícios Campos Melo (do século XVII); recuperação do ex-Sanatório dos Ferroviários;
entre outros. De referir ainda que os seis municípios que constituem o Parque Natural
da Serra da Estrela (PNSE) – Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e
Covilhã – vão candidatar um projecto conjunto ao Programa de Valorização Económica
de Recursos Endógenos (PROVERE), com o objectivo de conseguir financiamento para
apoiar actividades de turismo de natureza e actividades agrícolas associadas, entre outras.
Está ainda em preparação o projecto “Rota da Lã”, através de um percurso de recriação da
história dos lanifícios na região (em Fernão Joanes, Trinta, Meios, Manteigas e Covilhã).
CAIXA 14 - PROVERE LOCALIZADOS NA BEIRA INTERIOR
O PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos) é uma tipologia de Estratégias de Eficiência
Colectiva (EEC), previstas pelo QREN, destinada a estimular as iniciativas dos agentes económicos orientados para a
melhoria da competitividade territorial das áreas de baixa densidade, com o objectivo de acrescentar valor económico
aos recursos endógenos. Os projectos integrados em EEC beneficiam de majorações previstas nos diversos sistemas
de incentivo e outros programas de apoio ao investimento no âmbito do QREN.
Entre Outubro de 2008 e Julho de 2009 realizou-se o processo de reconhecimento de candidaturas apresentadas no
primeiro concurso de reconhecimento formal de EEC-PROVERE. São os seguintes os PROVERE com incidência na
Beira Interior:
- Rede das Aldeias Históricas de Portugal – tem como objectivo central a geração de sinergias ao nível dos serviços
turísticos, tornando a Rede de Aldeias Históricas um produto turístico atractivo, valorizado e reconhecido pelos mercados.
Este projecto de intervenção territorial apoia-se em três principais áreas de vocação do território - turismo, património,
cultura e produtos tradicionais.
- Beira Baixa, Terra de Excelência – esta iniciativa pretende fortalecer a identidade e diversidade da Beira Baixa, apostando
na inovação e competitividade das actividades agro-industriais centradas na valorização dos produtos tradicionais.
- Buy Nature, Turismo Sustentável em Áreas Classificadas - assenta na valorização e exploração sustentada dos recursos
singulares existentes nas Áreas Classificadas da Região Centro, assumidos como factor de atracção de visitantes e,
portanto, de crescimento dos fluxos turísticos. O foco temático da iniciativa está intimamente ligado com o turismo de
natureza, com o desporto de natureza, com o turismo activo, no que diz respeito a todos os aspectos conceptuais e de
objectivos que se encontram estabelecidos nas respectivas regulamentações, e com turismo de saúde e bem-estar,
nomeadamente através do bioclimatismo.
- Turismo e Património no Vale do Côa – tem como objectivo a valorização e fruição dos recursos endógenos do Vale do
Côa, que se integram no binómio Turismo/Património e que sustentam a estratégia de desenvolvimento desta região,
integrando uma matriz de Património Milenar aqui existente e a sua relação privilegiada com a respectiva envolvente
natural e paisagística.
- Rede das Aldeias de Xisto – este projecto tem como objectivos a valorização turística e regeneração urbana das aldeias
de xisto da Beira Interior, através da revitalização do património rural construído e do desenvolvimento da Rede Lojas
Aldeias do Xisto.
65
8. DESAFIOS, RISCOS E OPORTUNIDADES NO MÉDIO PRAZO
A Beira Interior, apesar de manter algumas características próprias das regiões interiores do País
(perda de dinamismo demográfico, ruralidade, destruição de emprego em actividades tradicionais
da especialização produtiva e consequente necessidade de reconversão económica, entre outras),
tem conseguido nos últimos anos um evidente processo de desenvolvimento, associado não só
à intensa melhoria das acessibilidades como também à capacidade de promoção de actividades
económicas inovadoras (algumas ligadas à ascensão na cadeia de valor de actividades tradicionais;
outras emergentes, ligadas a projectos inovadores e de intenso valor tecnológico).
Este processo de desenvolvimento tem-se concentrado sobretudo nas capitais de Distrito
(Guarda e Castelo Branco), mas também em municípios de maior urbanização ou próximos dos
principais centros urbanos da região. De seguida, sintetiza-se o padrão de desenvolvimento destes
territórios:
Guarda – tem beneficiado de uma localização geográfica privilegiada, na raia central e
num nó de comunicações rodoviárias e ferroviárias susceptíveis de lhe proporcionarem
uma boa acessibilidade inter-regional, ibérica e europeia. O município está orientado para
os sectores da indústria transformadora e da construção, sendo que o sector terciário
representa a principal actividade. A dinâmica de emprego na indústria tem sido alimentada
pelo têxtil, de carácter mais tradicional mas com algumas empresas inovadoras, e pelo
emprego em unidades produtivas estrangeiras de material eléctrico;
Castelo Branco – tem sofrido uma modificação muito acentuada, tendo passado de centro
urbano dotado essencialmente de equipamento e funções administrativas, com poucos
atractivos para a fixação de pessoas e emprego, para um centro urbano polarizador de
pessoas e de actividade económica: dinâmica de criação de emprego; localização de
novos serviços (sobretudo públicos); desenvolvimento de Zonas Industriais; instalação de
instituições de ensino superior (público e privado); implantação de grandes unidades fabris
no sector de produtos metálicos e máquinas (sobretudo ligados à indústria do frio, tendo o
município sido apelidado de “capital do frio”);
Covilhã – este município beneficiou do desenvolvimento de Zonas industriais (do Canhoso
e do Tortosendo, com actividades nos lanifícios, vestuário, construção e metalomecânica).
A construção do eixo intra-urbano TCT (Teixoso/Covilhã/Tortosendo), que cruza a cidade no
sentido Norte-Sul ligando os aglomerados urbanos vizinhos da Covilhã, permitiu um mais
fácil acesso à cidade e às zonas industriais. A UBI foi também responsável pelo dinamismo
verificado no sector imobiliário e no comércio. O município enfrentou a crise de alguns
sectores económicos de especialização, como os têxteis e a extracção mineira (de referir
os problemas vividos nas minas da Panasqueira);
Fundão – este município tem-se desenvolvido através de dois factores principais: o
sector primário, baseado em produções competitivas geradoras de riqueza; o mercado
imobiliário, devido à proximidade urbana com a Covilhã e à oferta de produtos imobiliários
concorrenciais. Esta proximidade determinou também uma concentração industrial no
sector têxtil/vestuário, mas fortemente marcado por processos de sub-contratação e de
especialização complementar aos ramos existentes;
Belmonte – é um centro estratégico de actividades económicas na medida em que se
situa a cerca de 20 km da Covilhã e da Guarda e a pouco mais de 50 km de Espanha (de
recordar que é o único município da região a apresentar positivas taxas de crescimento
efectivo da população). Denota ainda alguma dependência económica relativamente
à Covilhã. A sua estrutura económica reside sobretudo na confecção industrial e nas
actividades agrícolas.
66
Apesar de o dinamismo económico da Beira Interior se concentrar fundamentalmente em torno dos
territórios urbanos enunciados, mais urbanos e integrados nos principais eixos de comunicação
(refira-se de novo a concentração de população e actividades ao longo da A23), também os
territórios de maior ruralidade têm beneficiado da melhoria das condições de vida da população
e da capacidade de atracção de novas actividades (veja-se o exemplo de Idanha-a-Nova, com
projectos de desenvolvimento na área das energias alternativas).
A posição fronteiriça da Beira Interior, tradicionalmente apontada como uma desvantagem, pode
ser entendida como uma oportunidade no contexto ibérico e europeu e como um factor explicativo
desta dinâmica de mudança. De facto, a região situa-se em posição geográfica quase equidistante
entre as grandes áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Madrid e está ladeada a 200 Km Leste
e Oeste pelas cidades médias universitárias de Salamanca e Coimbra, o que lhe oferece um forte
potencial para fluxos empresariais.
A Beira Interior caracteriza-se actualmente pela presença de alguns projectos que têm permitido
ultrapassar em certa medida a perda de emprego em alguns sectores de especialização regional.
Para a realização destes projectos foi factor fundamental a presença na região de variadas
instituições de formação profissional e tecnológico, de ensino superior, de actividades de I&D e de
várias associações empresariais. A estrutura institucional da região é constituída por um grupo de
actores que podem levar ao nascimento de um sistema regional de inovação: à Universidade e aos
dois Politécnicos acrescentam-se estruturas que fazem interface com actividades empresariais,
como centros de tecnologia, centros de treino e formação, organizações de suporte à inovação e à
transferência de tecnologia.
Sem dúvida que a UBI foi o principal elemento de mudança da região, ao permitir a oferta de
formação e investigação em áreas fundamentais para a economia regional (têxtil, electromecânica,
aeronáutica, tecnologias de informação e comunicação, entre outras). Também o desenvolvimento
do Parkurbis foi fundamental, destacando-se a capacidade de criação de empresas em sectores
como a biotecnologia, a domótica, as tecnologias de informação e comunicação ou os serviços às
empresas.
Perante os desafios de fixação de população e de minimização dos riscos de destruição de emprego,
através da combinação dos factores enunciados, a Beira Interior tem conseguido ganhar uma nova
dinâmica económica. Salientem-se os seguintes exemplos desta mudança:
Apesar de o sector têxtil regional continuar a enfrentar sérias dificuldades (seguindo a
tendência nacional e mundial), surgiram na região empresas inovadoras, que apostaram em
produtos de vestuário de qualidade e marca ou que, através da cooperação com instituições
de I&D (pertencentes à UBI ou ao CITEVE), desenvolveram na região competências ao
nível dos têxteis técnicos e inteligentes com aplicações multi-sectoriais;
A Cova da Beira, sub-região da Beira Interior com condições pedológicas e edafo-climáticas
mais favoráveis para a actividade agrícola, tem conseguido a especialização em produtos
de qualidade, certificados e com denominação e origem;
A Beira Interior Sul, em particular a cidade de Castelo Branco, especializou-se em actividades
dinâmicas no mercado internacional e que contam com a presença dos principais actores
empresariais nacionais e internacionais (veja-se o exemplo da indústria de frio);
A região tem conseguido o desenvolvimento de projectos inovadores em sectores como
os atrás enunciados, a propósito do Parkurbis, e noutros sectores com forte potencial de
crescimento no futuro (como são exemplo a agroindústria, a aeronáutica, os biocombustíveis
ou as ciências da saúde), ancorados na própria UBI e no referido Parque Tecnológico.
67
Assim, as potencialidades de desenvolvimento futuro da Beira Interior são evidentes e estão
identificadas, sendo fundamental que se consiga uma plena concretização dos vários projectos em
curso e também a desejável articulação entre os vários actores institucionais que têm contribuído
para a inovação na região. Também a articulação entre projectos é condição fundamental para
a competitividade regional, bem como o incentivo à cooperação inter-regional (não só com as
vizinhas regiões espanholas como também com outros territórios portugueses, contíguos ou não,
que apresentam as mesmas tendências de especialização produtiva – é o caso do Alentejo Central,
para as actividades aeronáuticas, ou do Médio Tejo, para as actividades agro-industriais).
O sector agro-industrial merece especial destaque neste contexto, em virtude das fortes potencialidades
de articulação com o já referido Tecnopólo de Abrantes. Como o sector da produção agrícola é a
base do sistema agro-industrial, é também fundamental um esforço no sentido da produção de
matérias-primas de qualidade, o que depende da capacidade de modernização e reconversão de
algumas empresas agrícolas e do reforço da formação profissional dos produtores.
Apesar do indiscutível interesse dos sectores tradicionais, a diversificação produtiva é um aspecto
importante, as culturas horto-industriais e frutícolas poderão ser uma alternativa, mas é imprescindível
que estejam concluídas as infra-estruturas necessárias (como é o caso do projecto de regadio em
curso). Também a olivicultura, e nomeadamente a produção de azeite pelo método de produção
biológico, é uma alternativa de interesse e que já está em desenvolvimento na região.
Um importante desafio/potencialidade que a Beira Interior enfrenta no domínio da produção agrícola
é a necessidade de alternativas à cultura do tabaco que perderá apoios a partir de 2009 (o que
obriga à aposta em culturas alternativas na região, como são exemplo as culturas energéticas).
Na vertente industrial, não é inútil repetir as potencialidades existentes a nível da indústria têxtil,
nomeadamente no sector dos lanifícios, onde cabe referir a localização de empresas inovadoras e
da maior empresa do País, e uma das maiores empresas europeias do sector (o Grupo Paulo de
Oliveira – Penteadora de Unhais), destacando-se a presença de uma mão-de-obra com tradição e
conhecimento da indústria, o apoio de uma delegação do CITEVE e a aposta em novos segmentos
de produto.
Apesar dos importantes desafios e potencialidades da Beira Interior, não devem ser descurados
alguns riscos que a região tem vindo a enfrentar com sucesso mas que podem comprometer a
competitividade regional. Entre esses riscos destacam-se: a incapacidade de estancamento da
perda de dinâmica demográfica dos territórios de maior ruralidade e com menores possibilidades
de diversificação económica; a continuidade da perda de emprego em sectores fundamentais
da especialização regional; as dificuldades na formação de recursos humanos que permita
a reconversão de actividades, sendo os exemplos mais evidentes os têxteis e as actividades
agrícolas; a incapacidade de ultrapassar algumas debilidades da estrutura empresarial regional,
caracterizada pela existência de muitas empresas de pequena dimensão, de carácter familiar e
com visão de curto prazo; a fraca cooperação inter-empresarial, inter-institucional e a incapacidade
de articulação entre os vários projectos inovadores (que poderão tornar-se projectos pontuais, sem
a desejável imbricação regional e continuidade temporal).
68
PINHAL INTERIOR
O território do Pinhal Interior, que integra duas sub-regiões NUT III – o Pinhal Interior Norte e o Pinhal Interior Sul - e
um total de 19 municípios, corresponde a cerca de 5% do território de Portugal Continental. É um território de baixa
densidade, caracterizado pela “dupla interioridade” – não tem faixa costeira e é simultaneamente interior a Portugal e a
Espanha. Não dispõe de um centro urbano que polarize áreas de influência e centralidades relevantes, pelo que foi com
as cidades de Coimbra e Leiria que desenvolveu os vínculos regionais mais fortes (dependendo destas cidades para um
vasto leque de serviços e actividades comerciais). Importa, no entanto, realçar que a dependência de Coimbra se regista
essencialmente nos municípios mais a norte e centro do território do Pinhal Interior, sendo Leiria o pólo de referência
para os municípios a sul.
Este território carece de vias de comunicação e acessibilidades inter e intra-regionais adequadas às suas necessidades
económicas e sociais, aspecto que poderá ser colmatado através da construção de Itinerários Complementares a norte
e a sul, já contemplados no Plano Rodoviário Nacional (PNR) 2000, e da concretização de um eixo de estruturação
norte-sul no interior do Pinhal Interior. De destacar a importância da A23, que liga os Distritos da Guarda, Castelo
Branco, Portalegre e Santarém e que constitui a única via com extensão e traçado característicos das importantes vias
estruturantes de natureza nacional, surgindo como uma importante porta de ligação do Pinhal Interior ao exterior.
Do ponto de vista demográfico, o Pinhal Interior enfrenta problemas de sustentabilidade, tendo vindo progressivamente
a consolidar-se um intenso processo de envelhecimento da população e de êxodo populacional. Em 2008 (2009?), a
densidade populacional era de 52.5 hab/km2 no Pinhal Interior Norte e de 21.2 hab/km2 no Pinhal Interior Sul, assumindo
os valores mais reduzidos nos municípios Pampilhosa da Serra (10.8 hab/km2), Oleiros (12.2 hab/km2), Vila de Rei (16.1
hab/km2) e Góis (16.6 hab/km2). Lousã e Miranda do Corvo destacam-se com os valores mais elevados de densidade
populacional (valores respectivos de 139.1 e 108.8 hab/km2).
Naquele ano, residiam no Pinhal Interior cerca de 177 mil indivíduos (137 mil habitantes no Pinhal Interior Norte e 40 mil
habitantes no Pinhal Interior Sul), destacando-se os municípios Oliveira do Hospital (22 mil habitantes), Lousã (19 mil
habitantes) e Sertã (16 mil habitantes). A taxa de crescimento efectivo da população residente assume valores negativos
em ambas as sub-regiões (-0.21% no Pinhal Interior Norte e -1.64 no Pinhal Interior Sul). Em apenas dois municípios
este indicador demográfico assume valores positivos, ainda que muito ténues: 0.94% em Vila Nova de Poiares e 0.5%
em Miranda do Corvo. Pampilhosa da Serra destaca-se com o desempenho mais negativo (-3.1%).
O envelhecimento demográfico regista valores muito superiores à média da região Centro (147.2 idosos por cada
100 jovens) e do País (115,5) – assume os valores de 181.5 e 292.8 no Pinhal Interior Norte e no Pinhal Interior Sul,
respectivamente. No município de Oleiros o índice de envelhecimento demográfico atinge o valor mais elevado do Pinhal
Interior e um dos mais elevados do País (508 idosos por cada 100 jovens).
No que respeita aos níveis de qualificação dos recursos humanos, regista-se no Pinhal Interior a predominância do
nível de instrução primário, seguido pelo grupo da população com instrução básica de 2º e 3º ciclo. Os indivíduos com
instrução secundária representam (em que ano?) cerca de 11% da população do território em análise e os indivíduos com
o ensino superior representam apenas 5%, valor muito inferior à média nacional (11%).
O território do Pinhal Interior apresenta uma economia pouco diversificada e dependente de sectores como a agricultura,
a construção civil e o comércio. No que respeita à actividade industrial, débil em ambas as sub-regiões, destacam-se
sectores que assentam a respectiva vantagem competitiva na facilidade de acesso e proximidade de recursos naturais,
como a indústria da madeira e cortiça e, por conseguinte, a indústria do mobiliário. É no desenvolvimento do cluster da
fileira florestal que o Pinhal Interior apresenta maiores potencialidades.
A iniciativa empresarial e a capacidade de atracção e fixação de empresas estão, de acordo com os actores locais,
condicionadas pelas fracas acessibilidades e por uma cultura de risco ainda pouco enraizada, tendo determinado uma
base económica regional constituída por apostas individuais, de pequena escala e sem uma estratégia de afirmação
sectorial, quer a nível municipal, quer a nível supra-municipal.
Fontes: INE; Programas Territoriais de Desenvolvimento (Pinhal Interior Norte e Pinhal Interior Sul).
69
FICHA TÉCNICA
Coordenação Científica
Professor Doutor José Veiga Simão
José Félix Ribeiro
Execução: Dr. José Félix Ribeiro
e Mestre Joana Chorincas
NOTA: As Cartas Regionais de Competitividade que agora se apresentam foram elaboradas
durante os anos 2008 e 2009, tendo a informação estatística sido actualizadas em 2011. A
informação sobre Empresas e Centros de Investigação deverá ser periodicamente actualizada
dada a dinâmica do mundo empresarial e a evolução das actividades de I&D no País.
2
Download

Volume 5_Cartas Regionais Junho_2011.indd