Departamento de Engenharia Civil Sistemas de Posicionamento Global Rosa Marques Santos Coelho Paulo Flores Ribeiro 2006 / 2007 Sistemas de Posicionamento Global Índice: 1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................3 2. Constituição do Sistema ................................................................................................4 2.1. Satélites e suas órbitas – Segmento Espacial.........................................................4 2.2. Controlo do sistema – Segmento de Controlo .........................................................5 2.3. Recepção do sistema – Segmento do Utilizador .....................................................6 3. MEDIÇÃO DE DISTÂNCIAS A PARTIR DE SATÉLITES...............................................7 3.1. Introdução ...............................................................................................................7 3.2. Sinais emitidos pelos satélites.................................................................................8 3.3. Efemérides............................................................................................................12 3.4. Receptores e antenas ...........................................................................................12 4. PRECISÃO DO SISTEMA ...........................................................................................14 4.1. Erros nas medições das pseuso-distâncias...........................................................14 4.2. Diluição da precisão dos satélites .........................................................................14 4.3. Efeito da atmosfera ...............................................................................................15 4.3. Efeito multipath ou multitrajactória ........................................................................15 5. GPS DIFERENCIAL.....................................................................................................16 6. BIBLIOGRAFIA............................................................................................................17 2 Sistemas de Posicionamento Global 1. INTRODUÇÃO A superfície terrestre encontra-se em constante mudança devido, por um lado, a fenómenos naturais, tais como incêndios, deslizamentos, etc., e por outro, à acção do Homem. A acção do Homem sobre a paisagem é cada vez mais intensa e rápida, motivada pela utilização de tecnologia mais moderna e sofisticada. Estas constantes mudanças impõem a necessidade de actualizações mais frequentes da cartografia existente, com vista a uma possível obtenção da forma e dimensões da Terra mais fiáveis e actualizadas e de âmbito global. Foram feitas várias tentativas no sentido de encontrar um sistema de georreferenciação global de grande precisão. Actualmente o que garante maior precisão é o sistema GPS Global Positioning System – e funciona como uma ferramenta extremamente potente. O sistema de posicionamento global, GPS do USDoD (US Department of Defense), foi desenvolvido nos 1os anos da década de 70, inicialmente para utilização militar a nível de navegação e posicionamento. A utilização do sistema GPS foi posteriormente aberta para utilização civil também para navegação e posicionamento em domínios como: • arqueologia; • auxílio humanitário • estudos atmosféricos; • gestão de recursos naturais; • protecção do ambiente; • tráfego rodoviário; • utilização na exploração de zonas remotas da superfície terrestre; • entre outros. Para além do sistema GPS norte-americano, existem outros sistemas de posicionamento por satélite análogos, como sejam o sistema russo GLONASS, o sistema europeu Galileo, o chinês Beidou ou o indiano IRNSS, muitos destes ainda em fase de desenvolvimento. Recentemente tem-se vindo a generalizar a designação de GNSS (acrónimo, em língua inglesa, para sistemas globais de navegação por satélite) para abranger a totalidade destes sistemas. A descrição que a seguir se faz refere-se essencialmente ao sistema GPS, já que é aquele que se encontra presentemente em pleno funcionamento e com o qual trabalham a maior parte dos receptores e utilizadores. 3 Sistemas de Posicionamento Global 2. Constituição do Sistema O sistema GPS é constituído por segmentos distintos e bem diferenciados, como sejam o Segmento Espacial, o Segmento de Controlo e o Segmento Utilizador. 2.1. Satélites e suas órbitas – Segmento Espacial O sistema GPS utiliza a constelação (conjunto) NAVSTAR de 24 satélites, construídos pela divisão aerospacial da Rockwell International e da Lockheed Martin, posicionados a cerca de 20200 km acima da superfície terrestre, distribuídos por seis planos orbitrais aproximadamente circulares, com inclinação de cerca de 55° em relação ao equador (Figura 2.1), de tal modo que em qualquer lugar da superfície terrestre se encontrem simultaneamente e no mínimo quatro satélites acima do horizonte, podendo ser visíveis em determinados períodos 7 satélites da constelação. Os 24 satélites são originários de vários “blocos”1 de construção desenvolvidos em períodos diferentes. Cada satélite apresenta um período orbital de cerca de 11h 58m ou seja, descreve duas revoluções em cada rotação de 360° da Terra (em cada dia). 1 Cada bloco (do inglês Block) é constituído por um conjunto de unidades iguais, construídas simultaneamente. Até ao momento foram construídos os Block I, Block II, BlocK IIA e Block IIR. 4 Sistemas de Posicionamento Global Figura 2.1 – Satélites GPS 2.2. Controlo do sistema – Segmento de Controlo A necessidade de existência de um mínimo de quatro satélites visíveis prende-se com o facto de ser este o número mínimo de satélites cuja visibilidade é imprescindível para navegação e posicionamento. Cada um dos satélites funciona como um ponto de referência, a partir do qual os receptores de sinal, à superfície, definem a sua posição. Podem ser considerados como pontos de referência devido às suas órbitas serem constantemente monitorizadas, com grande precisão, a partir de várias estações de rastreio, distribuídas à superfície terrestre (Colorado Springs; Hawai; Florida; Ilha de Ascenção; Diego Garcia; etc.) e uma estação de controlo principal localizada no Colorado, perto de Colorado Springs. Cada satélite GPS é monitorizado pelo DoD (Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América) numa mesma estação 2 vezes por dia, o que possibilita controlar o seu estado operativo e dos seus relógios atómicos2, determinar os seus elementos orbitais e fornecer informação orbital para difusão (Figura 2.2). 2 Os relógios atómicos que incorporam os satélites (4 relógios atómicos por satélite) e receptores possuem, cada um, um oscilador que utiliza um átomo particular (Césio ou Rubídio), muito estável, sendo esta referência temporal a mais estável e precisa já desenvolvida pelo homem. 5 Sistemas de Posicionamento Global As estações de rastreio observam os satélites e enviam essa informação para a estação de controlo principal. Na estação de controlo principal a informação é processada e enviada para os satélites sob a forma de mensagens de navegação. Os objectivos das estações de rastreio e controlo podem ser resumidos nos seguintes pontos principais [Sistema de Posicionamento Global, Eugénio Varejão, Vila Real, 1998]: • verificar o funcionamento de cada satélite; • calcular e prever as órbitas dos satélites para um determinado período de tempo; • controlar as manobras de substituição e correcção das órbitas do satélites; • sincronizar os relógios dos satélites com o tempo GPS; • determinar parâmetros ionosféricos que possam influir nas mensagens enviadas pelos satélites; • enviar os dados necessários para os satélites; • actualizar as mensagens de navegação. Figura 2.2 – Monitorização dos satélites GPS 2.3. Recepção do sistema – Segmento do Utilizador A recepção dos sinais enviados pelos satélites é conseguida por todos os receptores de sinais de satélites da constelação NAVSTAR (NAVigation Satellite Timing And Ranging) e seus operadores, em qualquer localização geográfica, à superfície terrestre ou atmosfera envolvente, da qual sejam visíveis pelo menos 4 satélites. Um receptor GPS é constituído por: 6 Sistemas de Posicionamento Global antena com pré-amplificador de sinal cuja função é captar os sinais emitidos pelos satélites; receptor propriamente dito, que integra os componentes de software e hardware indispensáveis ao funcionamento do sistema. Cada receptor possui também um relógio com oscilador de quartzo. Figura 2.3 – Antena e receptor GPS 3. MEDIÇÃO DE DISTÂNCIAS A PARTIR DE SATÉLITES 3.1. Introdução O sistema de posicionamento global utiliza sinais electromagnéticos emitidos pela constelação de satélites NAVSTAR, que fazem parte do sistema. O posicionamento de pontos à superfície terrestre pode ser conseguido através da medição do tempo de percurso necessário para que os sinais de rádio emitidos pelos satélites atinjam os receptores de GPS posicionados à superfície terrestre ou atmosfera envolvente, sobre esses pontos. Este procedimento é possível uma vez que cada satélite funciona como um ponto de referência e transmite, com rigor, nos sinais emitidos, as suas próprias coordenadas. A medição de distâncias de cada receptor GPS a quatro satélites diferentes e a utilização de potentes calculadoras e bibliotecas englobadas na unidade receptora permitem a determinação da sua latitude, longitude, altitude, rota e velocidade. Os avanços no processamento do sinal emitido pelos satélites permitiram que o mesmo pudesse ser recebido facilmente por pequenas antenas transportáveis pelo utilizador, o mesmo 7 Sistemas de Posicionamento Global sucedendo com os receptores, alguns dos quais são suficientemente pequenos para serem transportados numa mão. Os sinais emitidos pelos satélites GPS apresentam a possibilidade de serem utilizados por todos os receptores, sem necessidade de licenças de utilização. Com base nas distâncias calculadas a 4 satélites é possível calcular a posição do receptor à superfície da terra com base num processo de triangulação (a triangulação envolve a medição de distâncias a um receptor GPS, através da contabilização do tempo de percurso de sinais de rádio. Uma vez que neste processo não estão envolvidos ângulos os puristas denominam este processo de trilateração). A distância ao satélite constitui o diâmetro duma esfera de centro na localização do satélite. Com base na intercepção de duas esferas obtém-se uma circunferência de pontos onde a posição do receptor é provável. Com base num terceiro satélite, ou seja uma terceira esfera, apenas dois pontos da circunferência anterior constituem a possível posição do receptor. Normalmente um destes pontos localiza-se a milhares de quilómetros da terra, o que permite a fácil resolução do problema. O recurso a um quarto satélite permitiria também que os dois pontos se restringissem a apenas um. Figura 3.1 – Definição do ponto de observação 3.2. Sinais emitidos pelos satélites Como atrás foi referido, os satélites são pontos de referência. O seu movimento orbital é constantemente monitorizado, o que torna possível que as suas posições em cada instante sejam sempre conhecidas com grande precisão. Os satélites GPS encontram-se equipados com osciladores muito estáveis que geram duas ondas de rádio com frequências e comprimentos de onda respectivamente 1575,42 8 Sistemas de Posicionamento Global MHz e 19 cm (L1) e 1227,6 MHz e 24 cm (L2) (Figura 3.2), portadoras de mensagens codificadas, e com relógios atómicos muito precisos. Os valores dessas frequências são múltiplos da frequência base do oscilador do relógio (frequência fundamental) que toma o valor fo = 10,23 MHz. As ondas portadoras (L1 e L2) são moduladas com um código PRN (Pseudo Random Noise) de modo a que cada satélite transmite dois sinais únicos, que possibilitem aos receptores identificar a origem dos sinais recebidos. O código PRN é constituído pelos códigos: código de acesso livre ou código C/A (Clear Access Code), com uma frequência de 1,023 MHz e um comprimento de onda de cerca de 300 m é acessível a todos os utilizadores. O código C/A constitui a base de funcionamento do Serviço de Posicionamento Normal SPS (Standard Position Service). É constituído por uma cadeia binária complexa (0 e 1) e contínua que parece aleatória, daí a designação de código pseudo-aleatório. Cada satélite envia um código C/A único em cada milésimo de segundo que permite a cada receptor à superfície identificar cada satélite. O serviço de posicionamento normal tem associado um erro que poderá atingir 100 metros; código preciso ou P(Y) (Precise), com frequência de 10,23 MHz e comprimento de onda de cerca de 30 m; é 10 vezes mais preciso, para posicionamento, do que o código C/A. Constitui a base de funcionamento do Serviço de Posicionamento de Precisão PPS (Precise Positioning Service) que garante um erro esférico provável sempre inferior a 16 m. É constituído por uma sequência binária pseudo-aleatória que se repete cada 267 dias. Cada segmento semanal deste código é único para cada satélite GPS e é reiniciado semanalmente. Estes dois códigos encontram-se presentes na onda portadora L1, enquanto que a onda portadora L2 apenas transmite o código P(Y). Existe ainda um terceiro código modulado nas ondas L1 e L2, fundamental para o funcionamento do sistema, que se denomina mensagem de navegação. A mensagem de navegação é um sinal com uma frequência de 50 Hz e contém informação descrevendo a órbita, as correcções do relógio e outros parâmetros do sistema nomeadamente os necessários à determinação do indíce de refracção atmosférico médio ao longo da trajectória entre o satélite e o receptor terrestre. 9 Sistemas de Posicionamento Global Figura 3.2 – Sinais dos satélites GPS O código C/A está disponível para todos os utilizadores enquanto que o cógigo P(Y) é restringido pelo DoD e apenas as Forças Armadas dos Estados Unidos, a Nato, as Forças de Defesa Australianas e outras organizações de Geodesia como National Geodetic Survey têm acesso a ele. Em situações de conflito o DoD pode ainda introduzir perturbações no código C/A, através da introdução de erros adicionais, denominados disponibilidade selectiva (SA – Selective Availability) degradando o Serviço de Posicionamento Normal, podendo ocorrer erros associados de cerca de 300 m. Nestas situações de conflito pode ser também adicionada ao código P(Y) uma sequência criptográfica suplementar, que conduz deliberadamente à transmissão de informação incorrecta, a qual só poderá ser desencriptada pelos receptores equipados com o sistema ACO (Auxiliary Output Chip). Estas alterações designam-se por Anti-Spoofing. A distância instantânea entre um receptor localizado à superfície terrestre e um satélite pode ser definida ou pela comparação de um código gerado no receptor com o código emitido pelo satélite (Figura 3.3), ou através da medição da fase da onda portadora dos códigos. 10 Sistemas de Posicionamento Global Figura 3.3 – Correlação entre o código gerado no receptor e o código emitido Figura 3.4 – Fluxograma de funcionamento de um receptor GPS Qualquer dos métodos permite medir o intervalo de tempo utilizado no percurso das ondas portadoras entre o emissor e o receptor de sinal, que multiplicado pela velocidade das ondas electromagnéticas contabiliza a distância, denominada pseudo-distância, entre o emissor (satélite) e o receptor (Figura 3.5). A expressão utilizada para o cálculo da distância a cada satélite é dada por D = v * t, em que v representa a velocidade da luz (3*108 m/s) e t o tempo de percurso das ondas portadoras entre o emissor e o receptor. A terminologia pseudo-distância, utilizada para referir a distância do receptor ao satélite, prende-se com o facto de a mesma ser o resultado da acumulação de vários erros, como sejam os erros dos relógios e dos atrasos do sinal devidos a efeitos atmosféricos. A correcção destes erros permite a definição da distância correcta entre cada satélite e cada receptor. 11 Sistemas de Posicionamento Global Figura 3.5 – Definição do posicionamento 3.3. Efemérides Efemérides são conjuntos de parâmetros que permitem determinar as coordenadas (X,Y,Z) da posição de um dado satélite na sua órbita, em qualquer instante. As efemérides são transmitidas para os utilizadores nas mensagens de navegação. A recepção das efemérides torna os receptores GPS habilitados para o cálculo do seu posicionamento em tempo real, com o cálculo de 4 pseudo-distâncias a 4 satélites. Para as determinações geodésicas mais precisas as efemérides poderão não ser suficientemente precisas para posicionamento. Contudo, para este tipo de determinações, normalmente o posicionamento não necessita de ser definido em tempo real, podendo, posteriormente serem determinadas efemérides precisas que irão ser utilizadas nas correcções pós-processamento. 3.4. Receptores e antenas No mercado existem vários modelos e marcas de receptores e consequentemente de antenas que poderão ser adoptados em cada situação, consoante o fim a que se destinam. Convem referir que este equipamento pode ser utilizado em situações tão diversas como as que se podem perspectivar entre a navegação de recreio e o posicionamento no âmbito da geodesia. Relativamente às antenas o seu funcionamento e forma são condicionados pelo equipamento de recepção a que se encontram ligadas. Se se encontram integradas no 12 Sistemas de Posicionamento Global próprio receptor são denominadas antenas interiores, se por outro lado se ligam a ele através de um cabo denominam-se antenas exteriores. Na situação de utilização de uma antena exterior o posicionamento indicado no monitor do receptor é referente à posição da antena. As antenas simples apenas captam a onda portado L1, e são utilizadas em trabalhos de menor precisão de posicionamento. As antenas geodésicas, também denominadas de dupla frequência podem receber as ondas portadoras L1 e L2 e são utilizadas em trabalhos de maior precisão de posicionamento. As antenas diferenciais podem receber dados via rádio para possibilitar o posicionamento diferencial, ou seja o que utiliza o sistema GPS diferencial (Capítulo 4). Relativamente aos receptores os mesmos podem agrupar-se em 3 classes, função da forma como recebem e processam o sinal enviado pelos satélites. Os receptores que registam apenas o código são pouco precisos e são normalmente utilizados em navegação de recreio. Os receptores que não registam o código e apenas medem a diferença de fase podem ser utilizados em aplicações mais precisas, quer a nível da topografia quer a nível da geodesia, mas apresentam a desvantagem de não receberem as efemérides dos satélites apenas possibilitando o posicionamento à posteriori. Os receptores que registam o código e medem a diferença de fase são os mais completos e mais precisos sendo, à semelhança dos anteriores, utilizados para posicionamento em aplicações de maior precisão. Um outro aspecto que condiciona os sinais recebidos pelos receptores é o número de canais disponíveis em cada um. Cada canal de um receptor é responsável pela recepção do sinal de um único satélite. 13 Sistemas de Posicionamento Global 4. PRECISÃO DO SISTEMA Apesar dos sistemas GPS serem sistemas extremamente expeditos e bastante precisos existem erros de posicionamento influenciados pelas várias componentes ou segmentos do sistema. Relativamente ao segmento do utilizador podem considerar-se quatro níveis de precisão, dependendo do tipo de trabalho que se pretenda efectuar e da forma como o mesmo é planeado. Os níveis de precisão 1 e 2 recorrem à utilização de um único receptor para a realização do trabalho e podem alcançar-se desvios inferiores a 100 m no 1º nível sob a interferência introduzida pelo DoD, e de cerca de 20 m no 2º nível na ausência do erro introduzido pelo DoD. Para se atingirem os níveis 3 e 4 é necessária a utilização simultânea de dois receptores e a introdução de correcções diferenciais, como se verá posteriormente. No que diz respeito ao segmento espacial a precisão do sistema depende da estabilidade dos osciladores atómicos que integram os satélites. Globalmente pode dizer-se que o rigor das medições e consequentemente a precisão do sistema está dependente dos factores seguintes. 4.1. Erros nas medições das pseuso-distâncias Estes erros resultam do somatório de erros a nível dos segmento do utilizador devidos a menores fiabilidades nos receptores, segmento espacial nomeadamente nas variações dos osciladores e dos sistemas de navegação e segmento de controlo nos cálculos das efemérides. 4.2. Diluição da precisão dos satélites A diluição da precisão – DOP – (Dilution of Precision) traduz-se através do quociente entre a precisão do posicionamento e a precisão da medição. Os factores de diluição da precisão podem classificar-se em: PDOP – factor de diluição da precisão da posição espacial; Os valores de PDOP são conhecidos pelos receptores GPS em cada momento e podem ser registados ao longo do trabalho de campo. Se os valores de PDOP são menores do que 5 a qualidade do sinal é boa e o trabalho pode continuar sem problemas, se os mesmos variarem ente 5 e 7 a qualidade do sinal é apenas aceitável e é recomendável a 14 Sistemas de Posicionamento Global verificação frequente do valor, se os valores de PDOP são superiores a 7 a qualidade do sinal é má e o trabalho não deverá continuar. GDOP – factor de diluição da precisão geométrica A diluição da posição geométrica está relacionada com a posição relativa dos satélites envolvidos no posicionamento. O rigor obtido no posicionamento com o GPS será tanto menor quanto menor a distância relativa entre os satélites, podendo indicar-se como ideal a situação que contempla um dos satélites posicionado no zénite e os outros afastados de 120°. 4.3. Efeito da atmosfera Como é do conhecimento geral e pode ser observado na Figura 4.1 o percurso das ondas electromagnéticas é influenciado pelo meio físico que atravessa. Os diferentes meios que os sinais enviados pelos satélites atravessam podem conduzir a atrasos ou avanços nos tempos de chegada dos mesmos. 4.3. Efeito multipath ou multitrajactória Os erros multitrajectória ou multipath (Figura 4.2) consistem na recepção do sinal que atinge a antena receptora, por múltiplos caminhos, fornecendo um sinal afectado de perturbações. Esta é a maior fonte de erro com que um operador GPS tem que se preocupar. Figura 4.1 – Efeito da atmosfera na recepção do sinal 15 Sistemas de Posicionamento Global Figura 4.2 – Efeito multitrajactória A maior limitação do sistema GPS é contudo, a sua gestão pelo DoD, a qual é feita de acordo com conveniências de interesse militar. 5. GPS DIFERENCIAL O GPS diferencial (DGPS) consiste numa forma de tornar a tecnologia GPS mais precisa. Podem obter-se erros absolutos de poucos milímetros em aplicações estacionárias e de poucos metros em aplicações de movimento. Para se conseguirem estas precisões o sistema DGPS utiliza dois receptores GPS, constituindo, um deles uma unidade fixa ou receptor base, e o outro a unidade móvel (ambulante) ou receptor rover. A unidade fixa é colocada num local cuja posição é conhecida com precisão e aí permanece, recebendo e processando os sinais emitidos pelos satélites, e comparando os dados de posicionamento recebidos com os dados de posicionamento efectivos. A diferença obtida constitui o erro no sinal GPS. A monitorização dos erros de sinal é continuamente efectuada, ao longo do tempo, transmitidas as correcções determinadas à unidade móvel (processamento em tempo real), ou armazenadas para processamento posterior (correcção em pós-processamento). A unidade fixa deverá ser um receptor multicanal (8 a 12 canais), de seguimento contínuo. O receptor rover é utilizado para determinar as posições dos diversos pontos a levantar, podendo esta unidade fornecer ao operador as posições determinadas em tempo real, após efectuadas as correcções determinadas e enviadas pela unidade fixa à unidade 16 Sistemas de Posicionamento Global móvel, via rádio. Nem todas as aplicações de GPS diferencial necessitam de processamento em tempo real. O registo do traçado de uma nova estrada para inclusão numa carta pode ser efectuado em pós processamento, que consiste em efectuar as correcções do erros, definidas na unidade fixa, posteriormente ao trabalho de campo, ou seja já em gabinete. A unidade móvel necessita de registar todas as medições efectuadas, para cada ponto, e o instante de cada medição. Esta unidade não necessita, na maior parte das situações, de receber sinais de um número tão elevado de satélites, o que poderá diminuir o número de canais de recepção para 6 canais, com a considerável diminuição do custo associado. Posteriormente, em gabinete, esses dados são sobrepostos às correcções definidas pelo receptor de base através da utilização de software apropriado e efectuadas as respectivas correcções. A grande vantagem da correcção diferencial ser efectuada à posteriori consiste na redução considerável do investimento inicial com a montagem do sistema. A correcta utilização do sistema GPS diferencial necessita que sejam cumpridas as seguintes condições essenciais, referentes ao sincronismo nos relógios dos dois receptores (base e rover), de forma a que o instante de medição seja o mesmo; e ao afastamento do receptor-rover relativamente ao receptor-base condicionado a uma distância em linha recta de 100 km, sob o risco de os dois receptores não estarem a receber sinais dos mesmos satélites. 6. BIBLIOGRAFIA Academia Militar; Topografia; Academia Militar, 1984. Casaca J., Matos J., Baio M.; Topografia Geral; Lidel – edições técnicas, lda.; Lisboa, Fevereiro de 2000. 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