17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
5/8
1
Sessão Nome
Artefatos
Tipo
Ordem
Oral
1
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
Do intelectual engajado ao "antropólogo":
Camila Pierobon
Universidade do
crise e deslocamento no pensamento de Italo
Estado do Rio de
Calvino.
Janeiro
Resumo: Neste trabalho, procuro entender parte do processo de crise política, intelectual e artística experienciadas pelo escritor italiano Italo Calvino nos anos de 1950, e como essas
experiências transformaram a subjetividade do escritor e a sua forma de fazer literatura. Começamos nos anos de 1950 quando quem estava em cena era o "intelectual engajado" que buscava a
"totalidade" do mundo que havia sido perdida com as Guerras Mundiais. No entanto, Calvino entra em crise quando se depara com a complexidade dos problemas no pós-guerra, e passa a
questionar seu paradigma de análise. Em meio a um redemoinho objetivo e subjetivo, Calvino mantém a ideia de que presença do escritor é interna ao "ato de escrever" e que o estilo literário
estaria intimamente ligado à forma como seu autor entende e pensa o mundo social em que vive. Através de uma leitura auto-etnográfia, podemos entrelinhar, por meio de suas cartas, ensaios
e relatos de viagem, os pontos em que suas concepções entram em crise e passam por um processo "não linear" de transformações. O percurso que acompanharemos aqui parte do "intelectual
engajado" que aos poucos se transforma em "antropólogo". Ao lermos as "escritas de si" redigidas por Calvino, podemos entendê-las como testemunhos de uma época que abrem a
possibilidade para pensamentos, ações e reinvenções por nos permitir a criação de zonas de visibilidade de uma crise, difícil de ser compreendida naquele momento. Crise, experiência e criação
são as palavras que direcionam esse trabalho. O deslocamento do "intelectual engajado" que aos poucos se transforma em "antropólogo" começa nos anos de 1950 e vai gradativamente
construindo a trajetória que parte da "totalidade" e abre caminho para a "multiplicidade".
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
5/8
1
Sessão Nome
Artefatos
Tipo
Ordem
Oral
2
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
Biografia da forma: intenção e alegorias sobre Ewelter de Siqueira e Rocha
Universidade
um corpo de madeira
Estadual do Ceará
Resumo: O artigo condensado neste resumo apresenta uma das reflexões desenvolvidas na tese de doutorado "Vestígios do sagrado: uma etnografia sobre formas e silêncios" (FFLCH\USP,
2012). Iluminados pelo pensamento de Hal Foster (2001), que provoca pensar o artista como etnógrafo, encomendamos a seis escultores do município de Juazeiro do Norte-CE uma escultura
que retratasse uma "beata". O processo deste trabalho acompanhamos e registramos em fotografia, ocasião em que discutíamos os artifícios a que recorriam os escultores na concepção da
obra, desde a seleção da madeira até os últimos acabamentos. O acompanhamento da produção das esculturas de beatas nos instigou a cunhar a expressão biografia da forma, a fim de conjugar
a forma dos objetos esculpidos com as narrativas orais que lhes emprestavam significado, frequentemente relatadas pelos artistas. Cerne deste artigo, esta expressão procura associar o processo
de esculpir uma beata a uma narrativa sobre uma história de vida materializada na superfície do tronco de madeira, a qual condensa "episódios" de um repertório iconográfico e de uma tradição
religiosa. Nesse registro, nos foi possível concluir que o significado das formas esculpidas deriva de uma biografia que lhes confere virtudes particulares e que define as intenções de sua
aparência, desde a escolha do tronco certo, até o aprumo dos últimos contornos. Somada às entrevistas e aos ensaios fotográficos retratando as beatas (mulheres) de Juazeiro, esta experiência
nos possibilitou comprovar a existência de um imaginário estético referente a um modelo visual de pequena santidade leiga, uma ideia de corpo purificado, para o qual concorrem elementos da
memória cultural e da iconografia religiosa cultivada pelos habitantes idosos da cidade.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
5/8
1
Sessão Nome
Artefatos
Tipo
Ordem
Oral
3
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
De guia a relato: individualização e
Caroline de Brito Santos
PPGSA | UFRJ
diferenciação em metanarrativas de blogs de
viagens
Resumo: Neste trabalho procuro delinear o percurso narrativo de Arnaldo Interata, autor do blog Fatos & Fotos de Viagens, sobre a prática de blogar, isto é, busco recompor como, ao longo de
quase sete anos, a trajetória discursiva do blogueiro é marcada por um afastamento em relação às tendências e movimentos que ele identifica no universo virtual mais amplo dos blogs de
viagens brasileiros. Arnaldo manifesta com frequência uma postura crítica a esses movimentos, inclusive, em um sentido de diferenciação do seu próprio blog, que teria, de tal forma, um caráter
de uniqueness. Assim que, opondo-se ao que concebe como blogs-diários, focados em conteúdo corriqueiro e intimista, Arnaldo inicia seu percurso narrativo baseado na noção de um blog-guia,
objetivo e imparcial. Posteriormente, acompanhando o recente movimento de profissionalização e monetização dos blogs, Arnaldo se volta para uma construção mais reflexiva e subjetiva,
inspirada na figura do amador, ainda que amadorismo não signifique aqui a ingenuidade e inconsistência do blog-diário, senão uma vantajosa contribuição para o grande livro virtual dos relatos
de viagens, na medida em que seus relatos não estariam comprometidos com interesses comerciais. É esta trajetória pautada pelas metanarrativas acerca da prática de blogar que procuro traçar
neste trabalho, apontando não apenas para os distanciamentos (ético-estéticos da forma e conteúdo do blog), mas também as aproximações (especialmente a dimensão afetiva que evoca o
prazer e as potencialidades da viagem) que ligam Arnaldo ao universo mais amplo dos blogs de viagens. Proponho uma reflexão sobre como a individualidade é construída nos blogs através de
processos e estratégias de diferenciação, tomando em conta as dimensões individuais e coletivas desses espaços.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
5/8
1
Sessão Nome
Artefatos
Tipo
Ordem
Oral
4
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
A pintura e o design popular no Brasil: a
Suiá Omim Arruda de Castro
UFRJ
etnobiografia de um fotógrafo e seu arquivo
Chaves
Resumo: A partir do mote proposto por este grupo de trabalho, que toma as narrativas para além do alcance de sua função representativa, ao mesmo tempo em que destaca "a função poética
de dar forma ao real", torna-se possível pensar etnograficamente os discursos de fabricação do autor e sua obra. No caso especifico do presente trabalho trata-se de pensar a obra e a pessoa
(distribuída em cromos e arquivos) do fotógrafo carioca Edson Meirelles. Sua obra e os discursos que ele elabora sobre ela apontam para a visibilidade, como arte, de um tipo de produção
manual que é encontrada em espaços de diversas cidade do Brasil contemporâneo. O que o fotógrafo conceitua como "arte gráfica popular brasileira" constitui uma grande diversidade de
pinturas feitas à mão - desenhos, letras, palavras, grafismos abstratos ou figurativos - encontrados em estabelecimentos comerciais, carrocinhas de ambulante, painéis de circo e parques de
diversão, muros, placas, paredes, etc. Mais do que construir uma extensa coleção iconográfica, o trabalho de pesquisa do fotógrafo possibilita a reflexão sobre uma ideia "modernista" de Brasil,
investigando os limites da noção de arte popular e pensando sobre o saber-fazer, a criatividade, a agência e intencionalidade destas produções. Interessa ainda refletir sobre as formas de
elaboração dos discursos produzidos a respeito de um arquivo imagético de quase vinte mil fotografias diapositivas colecionadas por Meirelles, objetivando assim, compreender como um
arquivo não deixa de ser também uma "pessoa distribuída".
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
5/8
1
Sessão Nome
Artefatos
Tipo
Ordem
Título
Oral
5
Etnografia Ficcional:
Experiências, Narrativas e Práticas Urbanas na
Literatura de Luiz Ruffato
Autor/Instituição
CRISTINA MARIA
Co-autores
Instituição
SILVA
Resumo: Os romances são pinturas da realidade seja no estágio bem inicial ou final da experiência do leitor com a literatura, afirma Edward Said. Desse modo, analisamos a partir de um olhar
etnográfico a escrita do mineiro Luiz Ruffato e as socialidades contemporâneas que aparecem na paisagem de seus textos. Como ele recria a partir de Cataguases-MG a universalidade de seus
personagens, das práticas urbanas e da condição humana. Em seus livros estão presentes os traços de uma "sociedade em agonia", uma cidade em frangalhos, montada por rastros de migrações,
memórias e esquecimentos. Luiz Ruffato esboça em suas narrativas fatos da vida cotidiana seja na cidade de São Paulo, como na Cataguases de suas memórias. Narrativas biográficas,
experiências individuais e coletivas. Poesias entranhadas nas marcas das convivências entre as memórias rurais e urbanas e como os sujeitos tateiam em seus trajetos os fluxos das metrópoles. A
partir das sensações dos lugares descritos é possível evocar as transformações da escrita, já nem conto, romance, mas um mosaico, bem como a vida proletária no Brasil e seus trânsitos entre as
cidades e as práticas urbanas, aliando nos fios da literatura e em seus rastros realidade e ficção. Ruffato coloca-se como um escritor que não só conta uma história, mas que escreve histórias,
preocupado menos com o que contar e mais com o como contar. Ruffato recupera os sujeitos urbanos, especificamente, o trabalhador urbano, e transforma-o em personagem principal de seus
livros, seja em Eles eram muitos cavalos, bem como em O Inferno Provisório. Interessa-nos nestas reflexões as tensões entre a constituição da narrativa literária, as memórias e as práticas
urbanas, como ela nos possibilitam compreender as experiências e as (alter)biografias na prática etnográfica.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
5/8
1
Sessão Nome
Artefatos
Tipo
Ordem
Oral
6
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
A inseparabilidade da pessoa/figura que
Clarisse Kubrusly
UFRJ PPGAS
dança no Maracatu Estrela Brilhante de
Recife: A Raínha Marivalda, a Dama do Passo
Ana Paula e a Baiana Rica Maurício Soares.
Resumo: Esse trabalho é fruto da minha amizade com a Raínha Marivalda, com Maurício e com a Dama da boneca Joventina, Ana Paula.
Marivalda sentada em sua maquina de costura, alinhava todo o povo "do sul" com o "povo do santo", o "povo da fumaça" e "os eguns". Para que no dia do principal desfile do maracatu,
Joventina dançe "fechando o corpo da nação" contra "o tranca na frente". A costura é fundamental, é montagem do cortejo unido. Faz a imagem que em ação é grandiosa com "quase 400
integrantes" e vibra nos corpos através das figuras mobilizando uma guerra. Maurício e Ana Paula podem ser percebidos como vozes menores dentro da nação Estrela Brilhante que abrem
domínios dentro do domínio. Nesse processo, há a criação de um duplo que é a figura que produzem e encarnam, que entram em uma relação de Devir. Há um Devir-Baiana em Maurício e um
Devir-Joventina na "parceria" que se estabelece entre Ana Paula e o desejo da boneca.
É interessante perceber como o universo que produz e constitui os próprios seres, idéias e práticas fundamentais aos cultos afro-brasileiros é espelhado e vivido por esses coletivos de maracatu.
Na construção de algumas figuras há uma forte relação entre os mitos e os ritos que associam os mortos, os vivos e os deuses. Nessa relação, tanto as pessoas como as suas figuras são ao
mesmo tempo criadas. São personagens/ figuras em movimento que como em um filme não enunciam propriamente algo. Mas criam as próprias lendas enquanto passado fragmentado e falho.
Há na dança um primado das imagens com relação a narração. Seu possível caráter narrativo deriva de uma montagem de flashes, de imagens-lembranças vividas em "qualidades de movimento"
por quem dança.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
5/8
1
Sessão Nome
Artefatos
Tipo
Ordem
Oral
7
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
A sobrevivência das imagens: personagens
Edgar Teodoro da Cunha
UNESP
indígenas, biografia e imaginário
Resumo: A produção fílmica de autores indígenas tem trazido novidades, no Brasil, quanto aos seus aspectos formais e narrativos. Recentemente, um conjunto de filmes de autores em grande
parte formado no projeto Vídeo Nas Aldeias, tem trazido à luz filmes não apenas centrados na construção de um nós coletivo. Estes filmes constroem imageticamente e narrativamente
personagens desses sujeitos do mundo real, criando novas possibilidades de leitura e de engajamento a espectadores de culturas diferentes das indígenas.
Qual a natureza dessa transformação de elementos de mundo em imagens e da utilização de regimes narrativos particulares como o do documentário e do cinema? Em contexto de diálogo
intercultural, que potencialidades e limites experiências dessa natureza podem trazer? À luz dessas experiências como podemos construir uma crítica de termos como biografia, subjetividade e
imaginário?
Tendo em vista esses problemas de fundo, propomos a abordagem de um conjunto documental referente a alguns personagens bororo, fabricados ao longo de sua história de contato: são
personagens como Guido, jovem bororo adotado e educado no mundo dos brancos por sua mãe adotiva, que nos legou um conjunto de aquarelas em que a paisagem é o elemento central;
como Tiago Marques Aipobureu, educado pelos padres salesianos, que chegou a viajar para Roma e foi colaborador fundamental da Enciclopédia Bororo; como Malagueta, um Bororo que vivia
na cidade de Rondonópolis e que condensa uma forma da cidade olhar para esse grupo. São todos personagens sobre os quais há diferentes registros, de caráter imagético, pictórico e textual,
produzidos por eles ou sobre eles, material este que pode ser explorado em diálogo com as questões de fundo.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
6/8
2
Sessão Nome
Tipo
Ordem
Narrativas Parciais
Oral
1
Título
Rosa e sua mexida de cozinha
Autor/Instituição
Ana Carneiro
Co-autores
Instituição
UFRJ
Resumo: A partir da ideia contida na expressão 'mexida de cozinha', utilizada pelo povo dos Buracos, ao norte de Minas Gerais, pretendo observar como as práticas discursivas de mulheres
buraqueiras sobre a rotina de preparar e dar o 'de-comer' denotam o que chamam de 'sistema' ('cada povo tem o seu sistema', dizem), ou 'modos de comer e de conversar'. Tais elaborações são
trazidas por meio das conversas promovidas na cozinha de uma única mulher, Dona Rosa, mas apresentam um sistema de oposições (quente/frio; grosso/fino; forte/fraco; remoso/manso)
amplamente aplicado, que classifica e dinamiza (graças à 'mexida') diferenças, afinidades e interações entre corpos, alimentos, pessoas e povos. Com conotações cômicas e sexuais, o
vocabulário culinário traz metáforas e imagens de duplo-sentido, mostrando-nos uma linguagem de entreditos que a tornam mais performática do que referencial. Nota-se então a centralidade
da 'brincadeira' e da 'animação' na imagem de um "dever ser" da vida coletiva, o que nos abre para uma imagem da vida social buraqueira que subverte o caráter moralista e contratualista com
que frequentemente a literatura definiu o modo de vida na roça. Enfim, através das conversas de Rosa, percebemos um sistema social e cosmológico, físico e moral, no qual a 'animação' (que
envolve instabilidade e risco) é tanto quanto ou mais essencial do que o 'controle'. O amor, entendido como um acontecimento do corpo, aparece então como tema que fala de processos
pessoais (românticos, individualizantes) e coletivos (corpóreos, interativos). E a perspectiva de Rosa, articulada à sua própria experiência de casamento, abre-nos as pistas para entender tais
processos.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
6/8
2
Sessão Nome
Tipo
Ordem
Narrativas Parciais
Oral
2
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
A morte anunciada: narrativas dos ritos
Jaqueline Pereira de Sousa
Universidade
fúnebres e a exortação de corpos.
Federal do Piauí
Resumo: Narrativas são reflexões do que apr(e)endemos com as histórias contadas por sujeitos e que expõem uma mistura de fatos que envolvem as suas vidas, das pessoas que com eles
convivem e sobre o mundo em que vivem e no mundo em que gostariam de estar. Trata-se aqui de apresentar resultados da pesquisa em andamento desde 2009 e que contempla uma
discussão acerca das formas tradicionais de ritos fúnebres no Interior do Piauí, no município de Cocal. Através das narrativas de José Vitalino dos Santos, conhecido como Seu Zé, o Exortador de
corpos e a descrição de um ofício que se configura desde o cuidado com o moribundo até a morte; dando início aos preparativos dos ritos fúnebres clássicos: velório, enterramento, visitas ao
cemitério, classificados em uma estrutura de rezas, choro e sociabilidades aos moldes do catolicismo brasileiro. A partir de uma discussão antropológica que auxilia as narrativas a formalizar uma
definição etnográfica é que se compreende que o pertencimento social - embasado na construção da diferença (nós/outros) - é condutor do enredo das histórias pelas nas performances
narrativas de Seu Zé, que pensadas a partir das definições de Richard Bauman (1986), nos apresentam durante o trabalho de campo como momento em que as narrativas são revividas e ganham
um novo sentido, mediante essa experiência de racionalizar o que se experimentou.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
6/8
2
Sessão Nome
Tipo
Ordem
Narrativas Parciais
Oral
3
Título
"Porque estoy hablando de mim vida": um
exercício etnográfico com uma narrativa
pessoal
Autor/Instituição
Luciana Hartmann
Co-autores
Instituição
Universidade de
Brasília
Resumo: Esta comunicação pretende provocar cruzamentos entre uma narrativa oral biográfica - na qual o narrador entrelaça memórias familiares e reflexões sobre seu país e sua cultura - com
a narrativa de uma pesquisadora que procura revisitar um determinado campo teórico-prático, refletindo, por sua vez, sobre as infinitas, criativas e instigantes possibilidades de contar
histórias/criar narrativas etnográficas na antropologia. Esse diálogo entre formas distintas narrativas é experimentado, no texto, pela justaposição da narrativa biográfica de Tomazito (o
narrador) com as inferências da pesquisadora. O exercício de "etnografar uma biografia" inicia por uma breve discussão das diferentes terminologias utilizadas para definir as narrativas pessoais
ou biográficas. Na sequência debato os métodos utilizados na pesquisa de campo para o registro das narrativas e o posterior processo de transcrição e análise destas, enfatizando a abordagem
das narrativas orais desde a sua inserção na vida cotidiana dos contadores. Esses contadores, com os quais venho desenvolvendo uma longa trajetória de pesquisa, são habitantes da zona rural
da fronteira entre Argentina, Brasil e Uruguai, em sua maioria idosos, que mostram-se hábeis em contar e recontar suas histórias, transformando a experiência vivida ou recebida de outrem em
narrativa. Em suas histórias de vida, informações, atitudes, éticas, posturas, subjetividades, regras sociais, vêm à tona. Colocadas em gestos e palavras, são compartilhadas e "afetadas" pela
audiência.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
6/8
2
Sessão Nome
Tipo
Ordem
Narrativas Parciais
Oral
4
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
As trajetórias dos índios Kaxináwa Vicente e
Vinicius Limaverde Forte
Universidade
Federal de
Tuxinim nas cartas de Capistrano de Abreu: O
processo de pesquisa que originou o livro rãPernambuco UFPE
txa hu-nu-ku-ĩ.
Resumo: Este trabalho apresenta as trajetórias de dois índios Kaxináwa, Vicente e Tuxinim, a partir de informações contidas nas cartas remetidas por Capistrano de Abreu ao seu amigo Luís
Sombra. Paralelamente às suas pesquisas historiográficas, Capistrano dedicou-se ao estudo dos Bakairi e dos Kaxináwa, utilizando-se de um método peculiar: através de sua extensa rede de
contatos, ele solicitava a algum amigo que lhe mandasse integrantes desses povos para aprender com eles suas línguas, suas concepções de mundo, suas organizações sociais etc. Desse modo,
por meio de Luís Sombra, em 1909 Capistrano entrou em contato primeiro com Vicente e depois com Tuxinim, que foram seus informantes durante sua pesquisa que durou cinco anos e resultou
na publicação do livro rã-txa hu-nu-ku-ĩ. Durante esse período Capistrano correspondeu-se frequentemente com Luís Sombra comentando a respeito dos progressos obtidos nos seus
estudos, bem como o informando a respeito do convívio cotidiano com Vicente e Tuxinim. Por meio desse registro, é possível perceber as dificuldades de convivência com seus informantes, bem
como reconstituir parte do processo de inserção dos indígenas na vida urbana carioca durante a década de 1910, com a obtenção de empregos no corpo de bombeiros, constituindo famílias e
morando nos morros. Portanto, por meio das cartas de Capistrano é possível reconstituir seu processo de pesquisa e as consequências dele para a vida de seus dois informantes, a partir de seu
ponto de vista.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
6/8
2
Sessão Nome
Tipo
Ordem
Narrativas Parciais
Oral
5
Título
Variações autobiográficas: subjetividade e
etnocorpografia Akwe-Xerente
Autor/Instituição
Odilon Rodrigues de Morais
Neto
Co-autores
Instituição
Universidade
Federal do
Tocantins
Resumo: Aqueles que conheceram Justiniano Sawrepté Xerente certamente ouviram dele relatos de sua trajetória biográfica. Ouviram sobre suas experiências entre grupos indígenas Jê-Timbira
(Krahó, Apinajé, Krikati, Gavião, Canela) e em pequenas cidades do sul do Maranhão ao longo dos anos sessenta e setenta do século XX. Ouviram também enunciar o retorno a seus pares
(Xerente) e de como ele se tornou aquilo no qual seu próprio nome significa: tornar-se grande. A extensão do relato e a escolha de episódios significativos de sua trajetória biográfica dependem
do contexto de enunciação e da composição da audiência. O relato de Sawrepté, dirigido a interlocutores bem definidos, configura uma série de variações autobiográficas sobre a formação do
"grande-homem" e de como esse sujeito é constituído em torno do uso moral das capacidades corporais. Nesse ensaio, argumento que o relato pessoal de Sawrepté pode ser melhor traduzido
se pensarmos em termos de uma etnocorpografia. O uso desse termo é etnográfico; visa apreender o ponto de vista de Sawrepté sobre os usos e sentidos de suas narrativas autobiográficas.
Nesse sentido, poderíamos chamá-las de narrativas autocorpográficas, pois formulam uma conceituação do "eu" nos termos das transformações das capacidades corporais e de seus usos morais
ao longo do ciclo de vida da pessoa.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
6/8
2
Sessão Nome
Tipo
Ordem
Título
Narrativas Parciais
Oral
6
A abordagem biográfica como "visão parcial"
das ciências
Autor/Instituição
VIVIAN MATIAS DOS
SANTOS
Co-autores
ANTONIO
CRISTIAN SARAIVA
PAIVA
Instituição
UNIVERSIDADE
FEDERAL DE
PERNAMBUCO
Resumo: Esta pesquisa tem como ponto de partida a noção de "conhecimentos situados" proposta por Donna Haraway (1995, 2001). Assim, aposta na vantagem epistemológica de que somente
uma "visão parcial" possibilita uma compreensão objetiva das ciências. Por meio desta abordagem esta investigação olha para sujeitos específicos, atuantes num campo científico também
específico: mulheres cientistas que constroem suas carreiras no Ceará, estado pertencente à região Nordeste do Brasil. Deste modo, o objetivo é analisar como as relações de gênero fazem-se
presentes na consolidação do campo científico cearense, trazendo como referência a abordagem biográfica de mulheres cientistas pertencentes a três "ramos de saberes": às humanidades,
especificamente à sociologia; às ciências supostamente "exatas", à física; e ao ramo de saberes biológicos, mais precisamente, à microbiologia. Embora as cientistas, sujeitos desta pesquisa,
tenham suas carreiras consolidadas e consagradas, em suas narrativas pôde ser percebida a permanência de mecanismos discriminatórios sintetizados na dificuldade em conciliar vida acadêmica
e vida familiar, especialmente quando estas mulheres possuem filhos. A abordagem biográfica de mulheres cientistas cearenses aponta para a possibilidade de (re) imaginar as ciências neste
lugar específico. Ao biografá-las, este estudo tenta contribuir para a ruptura do silêncio e invisibilidade que tem envolvido a presença feminina nos estudos sociológicos, antropológicos,
filosóficos e históricos da ciência.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
7/8
3
Sessão Nome
Incorporado coletivos
Tipo
Ordem
Oral
1
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
Biografia indígena: a história do movimento
Mariana da Costa Aguiar
Unicamp
indígena no Brasil a partir da narrativa de
Petroni
Álvaro Tukano
Resumo: No final da década de 70, no Brasil, o movimento indígena se conformou como uma organização política pluriétnica, definida como uma estratégia política que se instituiu no contexto
das lutas sociais.
O contexto explorado se inicia com a reorganização da esfera política na qual o Estado perde o seu monopólio sobre as práticas e representações conformadoras da indianidade, ao mesmo
tempo em que se amplia a esfera de interlocução, na qual os indígenas passam a eleger suas estratégias de negociação. Com isso surgiram lideranças indígenas nacionais que através de sua
biografia obtiveram personalidade política e atuaram como intermediários interétnicos.
Esse texto busca apresentar a narrativa escrita por Álvaro Tukano, sobre o processo de surgimento e transformação do movimento indígena nacional, através do qual ele surgiu e se
conformou como liderança política nacional. Ao enfatizar a análise sobre sua narrativa procuro compreender o modo como ele pensa as relações sociais e cria sua visão de mundo, observando
como ele produz seus modos de representar a realidade, criando e agregando novos significados ao mundo.
Destaco, então, uma análise interessada em um tipo particular de trajetória, que possibilite percorrer a realocação das diferenças e as configurações dos pertencimentos que constitui
esse sujeito. Desse modo, focalizar sua experiência se coloca como um meio de conhecer como se define, e compreender a partir de sua posição social seus interesses e maneiras de apropriação
dos enunciados, compreendendo os campos semânticos próprios do agente. Sublinhando que as diferenças nas formas de atuação dos mediadores indígenas dependem tanto de seu grau de
inserção nos espaços institucionais de produção e circulação da cultura, quanto do cenário interétnico local.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
7/8
3
Sessão Nome
Incorporado coletivos
Tipo
Ordem
Oral
2
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
"Um terreiro meio ONG": considerações
Marcello Múscari
Universidade
Federal do Rio
etnobiográficas sobre produção de
identidades nas relações entre religião e
Grande do Sul
políticas públicas
Resumo: A Associação Beneficente Cultural Africanista Templo de Yemanja - ASSOBECATY apresenta-se publicamente como uma casa de Batuque e Umbanda e recentemente comemorou seus
79 anos de fundação e luta em defesa das religiões de matriz africana e comunidades tradicionais de terreiro. Liderada por Mãe Carmen de Oxalá, recentemente a associação tem ganhado
visibilidade regional por ações que articulam suas dinâmicas religiosas a ações que têm como promotor ou financiador órgãos de Estado em suas diversas instâncias. Neste sentido, nos últimos
anos a ASSOBECATY tem se articulado com o poder público para a realização de ações de combate à AIDS, de distribuição de alimentos adquiridos pelo governo de assentamentos da reforma
agrária, e inaugurou o primeiro telecentro em comunidade tradicional de terreiro, resultado de uma parceria com o Ministério das Comunicações. Nas palavras de Mãe Carmen de Oxalá, todas
estas atividades têm como ancoragem a busca por fortalecer o terreiro como espaço de referência na comunidade em que se insere, caracterizando-se, assim, antes como uma retomada de
antigos lugares ocupados pelos terreiros nos bairros de periferia, do que como modernidades a perturbar rotinas tradicionais. O presente trabalho busca compreender como estão sendo
produzidas as identidades na comunidade de terreiro a partir das narrativas que seus participantes tecem a respeito das recentes atividades de integração entre religião e políticas públicas. Para
tanto, o estudo pretende articular as formulações sobre etnobiografia, como desenvolvidas por Marco Antônio Gonçalves, com a filosofia nominalista de Nelson Goodman, de maneira a
compreender tanto os sujeitos pesquisados quando o próprio antropólogo como produtores de mundos, e de si próprios, a partir de suas narrativas.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
7/8
3
Sessão Nome
Incorporado coletivos
Tipo
Ordem
Oral
3
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
Coroas, maduros, leques e filhões: narrativas
Cristian Paiva
Erivaldo Teixeira
UFC
e interações em rede.
Resumo: Partindo das classificações nativas encontradas em pesquisa em ambientes virtuais (salas de bate-papo e MSN) - coroas, tios, maduros, lekes, filhões - buscamos, através das narrativas
sobre si e sobre expectativas de interação erótica, descrever as significações de gênero, erotismo e geração negociadas em relações homossexuais masculinas. Compartilhamos a compreensão
de que as narrativas e modos de apresentação de si desses sujeitos enunciam convenções de gênero e geração e permitem a partilha de fantasias eróticas associadas às interações eróticas
intergeracionais. Desse modo, queremos apresentar resultados da pesquisa realizada em 2010-2012, trabalhando as narrativas dos sujeitos entrevistados. Tomamos a produção das narrativas
nas salas de bate-papo e mSN como concernentes ao estoque de experiência biográfica dos sujeitos, assim como concebemos o espaço interativo disponibilizado pela rede/internet como
indutor de subjetivações individuais e coletivas, em que os marcadores de idade e gênero, assim como as convenções relativas a masculinidade, corporalidade e habilidades emocionais e
eróticas são apropriadas, reproduzidas e recriadas pelos sujeitos. A etnografia de ambientes virtuais, especificamente envolvendo participação em salas de bate-papo e realização de entrevistas
por meio de MSN também impôs, para o pesquisador, a imersão nos jogos de linguagem e experiências dos sujeitos pesquisados, implicando também a fabricação de modos de apresentação de
si, evocadores de interação e fantasias naqueles ambientes. Assim, o material empírico a partir desses contextos de investigação ensejou algumas construções analíticas concernentes às
afinidades eróticas entre aqueles sujeitos envolvendo apreciações de corpo, personalidade, trajetórias de vida e performances sexuais.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
7/8
3
Sessão Nome
Incorporado coletivos
Tipo
Ordem
Oral
4
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
"FEMINISTAZINHA DE MERDA?!"
Flávia Melo da Cunha
Universidade
FEMINISMOS, AGENCIAMENTOS E SENTIDOS:
Federal do
A EXPERIENCIA DO OBSERVATÓRIO DA
Amazonas
VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES NO
AMAZONAS
Resumo: As histórias de vida de três jovens mulheres compõem o enredo através do qual o texto analisa os impactos do Programa Observatório da Violência contra Mulheres no Amazonas nas
trajetórias individuais de Mocinha, Rizonete e Maria Beatriz. O programa, pautado em pressupostos feministas, foi implementado em 2012 e promove ações articuladas de ensino, pesquisa e
extensão para caracterizar a violência contra mulheres e os recursos estatais disponibilizados para seu enfrentamento nas áreas de justiça, saúde e defesa social e fomentar redes locais de
atenção a mulheres em situação de violência, nas microrregiões amazônicas de Parintins e do Alto Solimões. As jovens cujas histórias compartilho atuam como bolsistas do programa e tem
biografias emblemáticas e vivenciaram em suas trajetórias experiências de violência doméstica e familiar. Refletir sobre o processo de formação-ação dessas mulheres e sobre o percurso no qual
se forjaram feministas, sugere pensar os agenciamentos através dos quais construíram rupturas com as relações violentas vivenciadas; o modo como se constituíram enquanto sujeitos políticos;
e os sentidos que atribuem às suas práticas e ao feminismo. Trata-se de processo profundamente marcado por intersubjetividades e que provoca importantes questionamentos sobre os sentidos
do ser e do fazer feminista.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
7/8
3
Sessão Nome
Incorporado coletivos
Tipo
Ordem
Oral
5
Título
Autor/Instituição
Co-autores
Instituição
"O armário é coletivo mas a gaveta é
Mylene
Mizrahi
individual": autonomia da criação artística e
individualidade em um coletivo de artistas
Resumo: Nesta comunicação intenciono dar continuidade à discussão sobre questões relativas à criatividade e a invenção a partir da tensão entre o individual e o coletivo. Dando seqüência à
exploração que venho fazendo em torno do artista, em especial o músico de Funk, proponho agora deslocar o foco de Mr. Catra para voltá-lo para alguns de seus parceiros de criação. Meu
objetivo é enfatizar a dimensão conectiva da arte mostrando-a não como produção aleatória ou individual mas como um projeto forjado coletivamente com fins bastante claros, a saber, o uso da
estética como dispositivo de valor político e substituto da ideologia na negociação com "a sociedade". Ao problematizar a questão da autoria veremos o valor atribuído à individualidade por um
coletivo de artistas guiado por um projeto comum, nos permitindo pensar a autonomia da criação artística em contextos modernos de modo que aquela escape à oposição individuo versus
sociedade. Junto, problematizaremos as relações entre "propriedade" e "possessão" e a própria noção de pessoa [personhood]. Dessa perspectiva, estratégias mercadológicas não estão alijadas
de um fazer político, de modo que o fazer artístico resulta em um projeto estético movido pela busca de conectividade, onde arte eficaz é aquela que circula e rompe a barreira do
extraordinário, comunicando a mensagem do artista.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
7/8
3
Sessão Nome
Incorporado coletivos
Tipo
Ordem
Título
Oral
6
Entre o folclore e as políticas: a etnobiografia
de um mestre.
Autor/Instituição
Mesalas Ferreira Santos
Co-autores
Instituição
Instituto de
Filosofia e Ciências
Sociais/UFRJ
Resumo:
O trabalho versa sobre a atuação de José Ronaldo de Menezes, conhecido como Zé Rolinha, mestre da cultura popular do município de Laranjeiras, localizado a 23 quilômetros da capital do
estado de Sergipe, Aracaju no comando de duas manifestações populares: a Chegança que conta uma dramatização da vida no mar, que representa as aventuras das embarcações marítimas
portuguesas e que encenam o combate entre cristãos e mouros, relacionados a episódios da vida marítima e as lutas entre esses dois povos e; o Lambe-Sujo, cujo centro estão reunidos
indivíduos que representam, os antigos escravos que lutam contra os caboclinhos, representantes silvícolas, na disputa por terras. Nesta festa o corpo e as cores são fortes elementos simbólicos
que orienta os brincantes em diferentes situações, a agirem sob expressiva atuação dramática. Além desta dimensão antropológica de cultura, o mestre Zé Rolinha, estabelece relações em redes
de folclore com antropólogos e órgãos institucionais federais como o Ministério da Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Dessa forma, a interação em redes de
relações mais amplas e diversificadas afeta o desempenho dos papéis sociais em que o indivíduo não seria simplesmente a manifestação da representação coletiva: a individuação criativa do
mestre Zé Rolinha desenvolve uma autonomia de significados que não está submetida diretamente à força imanente da sociedade, mas ao contrário formula-se e é elaborado dentro de um
campo de possibilidades, circunscrito histórica e culturalmente, tanto em termos da própria noção de individuo como dos temas, prioridades e paradigmas culturais existentes.
17. Grupo de Trabalho: Etnobiografia: subjetivação e etnografia.
Coordenadores:
Marco Antonio Gonçalves UFRJ
Vânia Zikàn Cardoso
UFSC
Roberto Marques URCA
Debatedores:
Data
Sessão Nº
7/8
3
Sessão Nome
Incorporado coletivos
Tipo
Ordem
Título
Poster
7
A Flor da Pele: Contribuições da Etnobiografia
à pesquisa no campo da psicologia
Autor/Instituição
Gloria Maria Santiago
Pereira
Co-autores
Instituição
Grupo Diálogos
Interdisciplinares/
UNICEUB - DF
Resumo: A psicologia como campo de conhecimento e intervenção em sua origem e história é atravessada por distintos campos epistemológicos, é notória a influência, por exemplo, da filosofia,
da sociologia e da psicanálise na construção dos diferentes campos de atuação em psicologia. Entretanto, a apropriação de determinadas tecnologias de subjetivação produziu lacunas no diálogo
entre a psicologia e outros campos teóricos e metodológicos.
Nesse sentido, a minha proposta de trabalho apresenta dois aspectos básicos que alicerçaram a construção do meu estudo: (i) a etnobiografia privilegia o espaço da agência da própria
narrativa como objeto etnográfico, cujo objetivo reverbera na valorização dos processos subjetivos e na produção da singularidade como potência de criação na relação dialógica sujeito-mundo;
(ii) a sobreposição do discurso metapsicológico reifica o lugar da subjetividade e constrói fronteiras rígidas na relação indivíduo, sociedade e cultura. Em contrapartida, a etnobiografia introduz
que a experiência subjetiva traça novas possibilidades de reflexão sobre diferentes realidades sócio-culturais. Portanto, a proposta da etnobiografia apresenta contribuições para o campo de
intervenção e pesquisa em psicologia, ampliando o campo de visão sobre a intricada relação sujeito-experiência-mundo.
Além disso, a minha área de atuação com imigrantes e refugiados do continente africano e caribenho suscitou a busca por novos recortes teórico-metodológicos. As identidades
formadas nos fluxos migratórios ultrapassam o discurso moderno de indivíduo, são narrativas que estão em constante reelaboração no mundo transitório destes sujeitos, são narrativas e/ou
metanarrativas produzidas no encontro de alteridades transnacionais.
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