ÁREA TEMÁTICA: Populações, Gerações e Ciclos de Vida VIVER ATÉ MORRER: QUE MODELOS ORGANIZATIVOS INVENTAR? ALMEIDA, Maria Sidalina ISSSP [email protected] GROS, Marielle Christine ISSSP [email protected] 2 de 14 Resumo O envelhecimento da população tem fortes implicações na organização da vida colectiva. Nas sociedades em que o trabalho é factor crucial de integração social, a passagem à condição social de “idoso” representa, para muitos, a entrada num processo de vulnerabilidade social ou, até, de exclusão. Em Portugal, a progressiva integração económica dos reformados não impediu que grande parte da população envelhecida fosse remetida para condições objectivas de existência que a expõe a diversas formas de marginalização. São de destacar a pobreza, a perda dos laços sociais e de significado da existência, assim como do sentido da utilidade social. Apresentam-se os resultados de um inquérito, administrado em cooperação com a Rede Social e a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, em 2011, visando analisar as repostas sociais existentes e conceber intervenções que evitem que a reforma seja vivida como morte social. Pretendeu-se saber se, neste contexto concreto, as alterações das estruturas familiares e de vizinhança comprometem o conteúdo e a intensidade das trocas entre filhos e pais e influenciam a definição das suas obrigações recíprocas. Os resultados do inquérito representam um primeiro contributo para conceber modelos organizacionais compatíveis com a valorização simbólica, a intensificação das relações sociais, a descoberta de interesses e o envolvimento na prestação de serviços à colectividade de modo a permanecerem integrados na vida social, demonstrando a sua utilidade social. Abstract Demographic aging has strong implications in the organization of collective life. In societies where work is a crucial factor of social integration, the transition to the social condition of «elder» represents, for many, the beginning of a process of social vulnerability or even social exclusion. In Portugal, the progressive economic integration of the retired people has not avoided that a great number of the elderly was submitted to objective existential conditions that expose them to several forms of marginalization, such as poverty, loss of social links and of existence meaning or sense of social usefulness. We present the results of a survey administered in cooperation with the Social Network and City Council of Póvoa de Varzim, in 2011, in order to analyse existing social arrangements and to design interventions to prevent the retirement to be experienced as social death. We pretended to clarify whether, in this specific context, alterations affecting family and neighbourhood structures have a direct impact on the contents and the intensity of exchange between children and parents and on the definition of their reciprocal obligations. The survey data represent a first contribution to conceive organizational models compatible with the symbolic valorisation, the intensification of social relationships, the discovery of interests and the involvement in the provision of community services, in a way the elderly may remain integrated in social life, proving their social usefulness. Palavras-chave: Envelhecimento; modos de viver a velhice; morte social; respostas sociais; inovação organizacional; Keywords: Aging; lifestyles in old age; social death; social arrangements; organizational innovation. PAP0525 3 de 14 4 de 14 Introdução Em Portugal, a integração económica dos reformados foi tardia, não impedindo a universalização do sistema de pensões que grande parte da população envelhecida esteja exposta a diversas formas de marginalização, desde logo em termos de rendimentos. É também mais tardiamente do que noutros países europeus que se reconheceu a necessidade de dar atenção ao “modo de vida dos idosos” (A.M. Guillemard, 1996). Somente na década de oitenta, assiste-se ao lançamento de programas visando o prolongamento da inserção dos idosos no quadro de vida habitual e a prevenção da dependência. O discurso político começa, então, a assumir a necessidade de promover equipamentos e serviços capazes de contrariar a perda de papel e inserção social e, simultaneamente, a perda da independência funcional e a institucionalização. Com o fomento de apoios no domicílio (serviços de ajuda doméstica, de cuidados domiciliários, de fornecimento de refeições) e a implantação de equipamentos de proximidade (centros de dia, centros de convívio e, mais recentemente, universidade sénior), pretendeu-se criar alternativas à institucionalização e/ou ao isolamento social. Em suma, decisores e “especialistas” defendem a necessidade de criar organizações oficialmente destinadas a gerar oportunidades de manutenção do alto nível de actividade física e cognitiva e de participação em redes de relacionamento que os teóricos do “envelhecimento bem-sucedido” preconizam (Rowe et al, 1998). Reconhecem que os grupos primários já não assumem efectivamente a “gestão da velhice” na sociedade contemporânea e que o Estado e as instituições sociais devem lançar iniciativas para evitar que a paragem da actividade profissional provoque uma paralisia progressiva de toda a actividade social e conduza a uma ruptura do laço social. Prevenir a morte social, no sentido em que a existência fica reduzida a actos quase reflexos destinados à manutenção da sobrevivência biológica, largamente desprovidos de significado social (A.M. Guillemard, 1972), é um objectivo que passa à estar na ordem do dia. Sem prejuízo de uma análise mais aprofundada das eventuais discrepâncias entre a lógica intencional da política social e as condições concretas criadas para garantir a integração social dos idosos, as informações relativas aos equipamentos sociais implementados a partir do final da década de setenta confirmam esta evolução. Assistiu-se à multiplicação rápida do número de instituições que dispensam serviços não residenciais. Embora as instituições que promovem a resposta social mais tradicional do lar tenham continuado a aumentar (as mais de duzentas existentes em 1978 foram quase multiplicadas por dois), é na década de oitenta que se verifica o aumento mais notável dos centros de dia e dos serviços de apoio domiciliário. Os primeiros ganham verdadeira expressão (passando de 54 para 555), continuando esta oferta a crescer a um ritmo rápido durante a década seguinte. Com efeito, em 2000, os centros de dia perfazem um total de 1.624 unidades, com capacidade para atender 51.876 idosos. Embora o ritmo de crescimento abrande significativamente ao longo da primeira década do século XXI, em 2010 registava-se a existência de 1.973 centros de dia, que ofereciam serviços a 62.472 indivíduos. Mas é no campo das instituições que passaram a promover serviços de apoio domiciliário que a oferta aumentou de modo mais contínuo e regular desde 1978: passaram de 28 dispositivos deste tipo, para 2.485, em 2010. Constituem, então, a resposta institucional acessível ao maior número de utilizadores (90.570), ultrapassando os lares de idosos (com lugares disponíveis para 71.261 residentes), apesar destes terem continuado a crescer a um ritmo acelerado entre 1989-2000. Apesar do esforço sem dúvida desenvolvido, note-se que a criação de equipamentos e serviços destinados à população idosa pode não ter acompanhado o ritmo de desenvolvimento das necessidades. Com efeito, em 2010, a totalidade das repostas sociais existentes (lares, centros de dia e serviços de apoio domiciliário) permitia abranger 224.303 idosos, ou seja, 11,5% dos 1.949.557 indivíduos com 65 e mais anos residentes no Continente. Mas, por mais importantes que sejam, os dados relativos à quantidade de equipamentos e serviços criados não podem constituir a única dimensão de análise. Interessa reflectir acerca das reais oportunidades de integração social de que usufruem os idosos, ou seja, da capacidade das organizações para produzir dinâmicas de relacionamento com potencial para prevenir ou corrigir o isolamento e a solidão nas diversas 5 de 14 fases do envelhecimento, a perda de interesse pelos problemas e temáticas que estão no centro da vida das gerações mais novas e, finalmente, para substituir ou complementar os laços primários, em particular, quando o estado de saúde dos indivíduos é caracterizado pela fragilidade ou a dependência (C. Lalive d’Epinay, 2003). Para que finalidades contribuem mais inequivocamente os equipamentos e serviços existentes? Contribuirão efectivamente para a inclusão social dos seus utilizadores, para a sua valorização simbólica ou, predominantemente, para a melhoria do seu nível de vida num país onde os níveis de privação económica na velhice são elevados? Não poderão ser eles próprios geradores de novas exclusões e dependências sociais? Não poderão comprometer as relações e o aparelho de conversa indispensáveis, segundo P. Berger e T. Luckmann (2004), para garantir a conservação da realidade social subjectiva dos indivíduos? Provocar ou acelerar o sentimento de perda da própria identidade, por via da perda de significado para outros que fazem plenamente parte da “comunidade dos vivos” (N. Elias, 1998)? Ou, ainda, por via da conversão dos indivíduos em receptores passivos de serviços, privados de participação na organização da vida comum e de envolvimento em actividades úteis e geradoras da motivação para continuar a projectar-se no futuro? Que intervenções desenvolver no quadro dos lares e centros de dia a fim de ampliar a sua capacidade de resposta às necessidades relacionais e de reconhecimento dos idosos? Que serviços implementar para que a manutenção dos indivíduos no seu quadro de vida habitual não provoque uma paralisia de toda a actividade social, uma ruptura do laço social, em suma, uma redução da existência ao cumprimento dos actos destinados à mera manutenção da vida biológica? Eis as principais interrogações que orientaram a recolha de informações através da administração de um inquérito a uma amostra da população poveira utilizadora dos três tipos de serviços mais correntes (lares, centros de dia e serviços de apoio domiciliário). O intuito inicial era inquirir todos os idosos utilizadores de lares, centros de dia e serviços de apoio domiciliário, promovidos pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social do Concelho, já que estes perfaziam, em 2011, um total de 574 indivíduos. Todavia, tal projecto não chegou a realizar-se. O facto de nem todos os utilizadores destes serviços usufruírem de um estado de saúde física e/ou psicológica compatível com a realização de um inquérito relativamente longo fez com que o universo inquirido fosse significativamente mais restrito. Assim, foram inquiridos menos de metade dos residentes em lar e dos utilizadores dos serviços de apoio domiciliário (respectivamente, 47,3% e 42,9%) e cerca de três quartos dos utilizadores dos centros de dia (73,3%). 1. Os utilizadores dos serviços inquiridos Um forte envelhecimento e uma nítida feminização são dois traços comuns aos utilizadores de serviços (na sua totalidade e na amostra inquirida). No que respeita ao envelhecimento, nos três tipos de serviços considerados, mais de 2/3 dos utilizadores têm idades iguais e superiores a 75 anos, sendo este fenómeno mais acentuado ainda nos lares e nos serviços de apoio domiciliário (a proporção destes utilizadores ronda os 3/4). Quanto ao predomínio das mulheres, tem uma expressão relativamente semelhante nos três tipos de equipamento: um pouco superior a 2/3 dos utilizadores de lares e centros de dia e ligeiramente inferior a 2/3 dos indivíduos que recebem serviços no domicílio. Outra característica que sobressai, nesta breve caracterização, é que a condição predominante perante o trabalho, ao longo da vida dos inquiridos, foi o exercício de uma actividade profissional dominada principalmente pelo trabalho operário, pela agricultura e pesca, por actividades não qualificadas da indústria, da agricultura e dos serviços. Como se pode deduzir do quadro nº 3, o quarto grupo profissional mais representado prende-se com empregos de execução nos serviços. Não será, pois, abusivo, concluir que os inquiridos pertencem, na sua quase totalidade, às classes populares. Dado o grau de envelhecimento, é de acrescentar que grande parte da vida activa dos inquiridos ocorreu num período em que assegurar a sobrevivência familiar exigia um forte investimento no trabalho em troca de rendimentos baixos e sem perspectiva de vir a beneficiar de protecção social (no presente e no futuro). A análise de algumas outras variáveis (rendimentos, níveis de instrução e condições de habitação), não apresentadas no quadro desta comunicação, permitiu ainda estabelecer que são os utilizadores dos centros de dia que se encontram em situação de maior vulnerabilidade económica. 6 de 14 Para esclarecer se o recurso a cuidados profissionalizados substitui os que eram tradicionalmente prestados por familiares ou se é a falta de oportunidades de cuidados familiares que motiva a procura dos serviços, procuramos medir o capital relacional dos utilizadores. Nesta matéria, os três subgrupos não se encontram exactamente na mesma situação. As informações colhidas junto dos residentes em lar dão alguma sustentação à tese segundo a qual o internamento decorre, pelo menos em parte, da inexistência e do enfraquecimento dos laços familiares: é neste subconjunto que identificamos maior proporção de indivíduos sem filhos (da ordem dos 40%) e, portanto, sem netos. Há, pois, motivos para pensar que estar só, na sequência da viuvez ou de não ter casado, é um dos motivos fortes que levou os inquiridos a considerar que não podiam contar com cuidados familiares e que tinham de recorrer a uma organização e a profissionais especializados para garantir a satisfação das suas necessidades face ao avançar da idade. E isto apesar da proporção dos que indicaram ter irmão/a e sobrinho/a próximos/as não ser de menosprezar (80,4%). Além disto, também se depreende das informações recolhidas que a institucionalização, como escreveu N. Elias (1998), é um factor de exclusão dos mais velhos da comunidade dos vivos, típico de uma organização da vida social que inviabiliza a identificação dos mais jovens com os mais velhos: os residentes em lar apresentam menor proporção de indivíduos com filhos a habitar na proximidade do lar; somente ¼ dos inquiridos que têm netos responderam que estes estão presentes no seu dia-a-dia; cerca de metade declarou que não têm relações com vizinhos/amigos próximos e do conjunto de perguntas que visavam verificar para quem é que os inquiridos continuavam a contar, partilhando lugares e momentos dentro e fora do lar, depreendeu-se que nem sequer os filhos (para não falar dos netos, outros familiares e vizinhos/amigos) contribuíam activamente para que os indivíduos conservassem interacções com outros significativos e a convicção de terem importância para alguém. Face a estes resultados, afigura-se-nos que um caminho a seguir para contrariar as engrenagens sociais que tendem a transformar muitos lares em “desertos de solidão” (N. Elias, 1998) consiste em reforçar os investimentos das instituições e dos profissionais na intensificação das trocas entre os idosos e os seus próximos, na construção de oportunidades de criar laços dentro e fora do lar e, com vista à concretização destes objectivos, na adaptação de certas normas de funcionamento dos lares (tais como as que se prendem com as visitas, a possibilidade de partilhar refeições e mais, ainda, a possibilidade de continuar a realizar em conjunto experiências significativas, dentro e fora do lar). Em matéria de recursos relacionais, uma particularidade dos frequentadores de centros de dia é a forte proporção daqueles que vivem sós (47,1%) mas, também, a elevada percentagem daqueles que vivem apenas com filhos (36,5% contra 14,5% na população com 65 anos e mais não utilizadora de serviços para idosos). O que leva a considerar que o centro de dia constitui um substituto dos laços familiares para a quase metade daqueles que vivem sós e, em simultâneo, estabelece uma certa complementaridade entre solidariedades familiares e cuidados profissionalizados, para a outra metade dos inquiridos que vivem com filhos, netos e outros familiares (e sem cônjuge). Para além dos laços que decorrem da partilha da habitação, será que os utilizadores dos centros de dia dispõem de uma rede familiar e de amizade próxima? Na medida em que a grande maioria tem filhos (85,9%) e que os filhos de cerca de ¾ deles vivem a uma distância igual ou inferior a 5km, parecem enfrentar um risco menor de isolamento do que os residentes em lar. Tanto mais quanto 81,2% têm netos e 65,5% referiram vizinhos/amigos presentes no seu dia-a-dia. Todavia, outras informações levam a constatar que a existência de familiares e amigos/vizinhos próximos não significa que os frequentadores de centro de dia possam contar com eles incondicionalmente para a realização de tarefas indispensáveis à sobrevivência e para manter vivo o sentimento de que continuam a ser valiosos aos olhos dos outros. De facto, é só para a realização de actividades instrumentais da vida diária que os inquiridos declaram contar muitas vezes com os filhos, não manifestando a mesma segurança no que respeita à preservação da sua sociabilidade. Tendo em conta que uma percentagem significativa destes utilizadores vive com filhos, as informações recolhidas sugerem que contarão mais com eles para substituir os serviços prestados pelo centro de dia nos fins-de-semana e à noite do que para continuar a ter um papel activo na vida familiar e social. Segundo os próprios inquiridos, os restantes membros dos grupos primários não desempenham papel de relevo na sua vida diária. 7 de 14 O risco de isolamento social que pesa sobre os utilizadores de serviços domiciliários decorre, numa larga medida, do facto de mais de metade (55,6%) viver só ou unicamente com o cônjuge, sobretudo, quando se verifica que, dos três tipos de utilizadores, são estes, como era de esperar, que apresentam os níveis de dependência funcional mais elevados i. Constatando que a outra metade dos inquiridos (44,4%) coabita (estando só ou com cônjuge) com filhos, outros familiares e, até, outras pessoas sem serem familiares e, no entanto, recorre a serviços domiciliários, concluímos que tais serviços ora desempenham um papel de substituição dos cuidados familiares (em particular junto dos 37,4% que moram sós), ora os complementam. Passando à questão de saber se estes inquiridos, com um estado de saúde bastante fragilizado, podem contar com uma rede relacional exterior ao grupo residente, uma primeira conclusão a reter é que a proporção dos utilizadores de serviços domiciliários que tem filhos é elevada (82,3%) e muito próxima da que se registou entre os utilizadores de centro de dia. Além disto, na sua grande maioria, estes filhos residem numa área de grande proximidade da residência dos pais (o alojamento de 86,3% encontra-se a distâncias inferiores ou iguais a 5 km). Os seus descendentes directos têm, por sua vez, filhos (77,8%), mas é de realçar que é entre estes inquiridos, mais fragilizados em termos de saúde e independência, que a proporção dos que consideram os netos ausentes do seu dia-a-dia é a mais alta (58,4%). Não será este mais um indicador das consideráveis transformações que se estão a operar no seio das jovens gerações em matéria de consciência do carácter finito da vida humana, de dificuldade de aceitar a morte e, em consequência, de evitamento do confronto com os mais velhos? Relativamente às outras relações de parentesco e aos laços de amizade/vizinhança, estes utilizadores de serviços domiciliários não se distinguem muito dos frequentadores de centro de dia, encontrando-se também numa posição um pouco mais favorável do que os residentes em lar. Todavia, quando se procura verificar, através da referência a situações concretas, se os inquiridos contam verdadeiramente para estes “próximos” e, mais ainda, se podem contar com eles para fazer face às dificuldades que comporta o avançar da idade, os resultados não confirmam a solidez das solidariedades horizontais. Tal como já se constatou para os frequentadores de centro de dia, o único laço que contribui para a protecção e o reconhecimento dos inquiridos é o de filiação, de forma um pouco mais intensa, até. Mas, tal como nas subamostras anteriores, os outros membros dos grupos primários não desempenham um papel relevante nem numa dimensão, nem na outra. Quando existe, a complementaridade entre cuidados familiares e profissionalizados estabelece-se por via dos filhos. 2. O olhar dos utilizadores sobre os serviços existentes Para levar os inquiridos a avaliar a sua experiência de utilizadores de serviços, foi-lhes pedido manifestar o seu grau de concordância (numa escala de 1 a 5 em que 1equivale a “discordo totalmente” e 5 a “concordo totalmente”) com um alargado conjunto de afirmações que procuram contemplar uma pluralidade de possíveis ganhos e perdas decorrentes do recurso a cuidados profissionalizados. Através de uma análise factorial, os itens foram reagrupados em torno de: - 3 tipos de ganhos – no plano das condições materiais de existência, da sociabilidade e da manutenção de interesses que permitem dar sentido à vida ii; - 3 tipos de sentimentos de perda – relativamente a lugares geradores de identificação, à autonomia de decisão de que usufruía antes de recorrer aos serviços e a relacionamentos significativos iii; - qualidade das relações proporcionadas pelos serviços iv. A síntese apresentada no quadro nº 4 é caracterizada por uma relativa heterogeneidade das avaliações das dimensões analisadas, predominando, contudo, um posicionamento pouco crítico, por parte dos utilizadores. A dimensão que recolhe a apreciação mais positiva (valores medianos de 4 e 5) prende-se com o sentimento de os utilizadores se sentirem respeitados pelos principais intervenientes dos serviços profissionalizados. As variáveis relacionadas com os ganhos registam medianas bastante elevadas, entre 3,3 e 4,5, traduzindo uma apreciação relativamente positiva do recurso aos diversos serviços. Por sua vez, as variáveis que se prendem com as perdas ficam mais próximas do valor 3, equivalente a uma posição de “neutralidade” (“nem concordo/nem discordo”), parecendo indicar que os inquiridos não se confrontam com acentuados 8 de 14 sentimentos de perda. Há, todavia, algumas excepções: a relação com os lugares em que se desenrolou a vida, já que o valor mediano de 4,2 no grupo etário “mais velho” de residentes no lar (por sinal, o mais numeroso) indica um sentimento de perda mais acentuado; a sociabilidade dos residentes em lar, nos dois grupos etários mais numerosos, relativamente à qual o valor mediano de 3,7 indica uma mais clara expressão de perda. Em síntese, não se pode dizer que existe um contraste acentuado entre os utilizadores dos diversos tipos de equipamento ou, por outras palavras, que o centro de dia ou o serviço de apoio domiciliário têm um impacto claramente mais favorável do que o lar em matéria de integração comunitária dos idosos, de envolvimento em actividades de interesse social ou de desenvolvimento cultural. A título de exemplo, a avaliação negativa que formulamos acerca do contributo do centro de dia para evitar que o envelhecimento seja sinónimo de retraimento social e de progressiva desistência da vida surge reforçada quando se olha para as oportunidades de interacção social destes inquiridos. Nunca frequentam os equipamentos culturais e desportivos existentes no concelho, cuja fruição e utilização poderia ser estimulada no quadro do programa de actividades do centro de dia. Estes resultados consolidam a ideia que o quotidiano dos frequentadores de centro de dia implica pouco mais do que deslocações alternadas entre o domicílio e a instituição, sem ampliar, portanto, as oportunidades de descoberta e relacionamento que o “tempo livre” da reforma proporciona. Tendo em conta que, como vimos mais acima, os seus frequentadores se confrontam com sérias restrições de ordem material, conclui-se que este tipo de serviço contém ou relativiza alguns efeitos destas privações, associadas a pensões de reforma globalmente baixas, mas está longe de contribuir para o enriquecimento relacional e cultural da vida destes reformados. A observação das oportunidades de interacção social de que usufruem os utilizadores de serviços domiciliários confirma o risco de, com o avançar da idade, a maioria destes viver o dia-a-dia no espaço muito fechado da sua habitação, saindo dela apenas ocasionalmente, para se deslocar ao café (no caso dos homens), à igreja (no caso das mulheres) e ao centro de saúde. O seu retraimento em relação à vida social é ainda mais acentuado do que no caso dos frequentadores de centro de dia. Se é certo que os graus mais elevados de dependência que os afectam contribuem para este fechamento no espaço doméstico, não justificam, todavia, a quase total falta de interacção com o mundo envolvente. Além disto, sabe-se, hoje, que a ausência de oportunidades concretas de relacionamento e actividade, adaptadas ao estado de saúde dos indivíduos, não somente precipita o desligamento e a desistência de si próprio e do futuro, mas também agrava o próprio estado da saúde física e psico-cognitiva (Bickel et al, 2007). A distância que assim se manifesta entre a avaliação recolhida junto dos inquiridos e a nossa leitura crítica dos actuais modos de gestão da velhice, apoiada nos contributos teóricos e empíricos fornecidos por uma pluralidade de autores do campo da sociologia (E. Goffman, 1968; J.F. Gubrium, 1997; I. Mallon, 2000; 2005; J. Machado Pais, 2006), tem vários factores explicativos. Salienta-se somente, aqui, que, pertencendo maioritariamente ao escalão etário de 75 anos e mais, estes inquiridos já sofreram uma considerável privação de oportunidades de vida socialmente activa após a passagem à reforma. As informações colhidas a este respeito deixam claro que o seu modo de vida tem as marcas do retraimento social: ver televisão e as tarefas domésticas são as ocupações sempre mais referidas. Há, pois, motivos para pensar que este modo de viver a reforma, só por si, os levou a conformar-se com a realidade de um quotidiano rotineiro e desprovido de significado social. E que a forte tendência para se adaptar a tais circunstâncias, percepcionadas como “naturais” ou “normais”, já que comuns a muitos reformados à sua volta, reduz a sua capacidade crítica e a sua crença na possibilidade de alterar o funcionamento de instituições que percepcionam inevitavelmente como último recurso para escapar à precariedade dos meios de vida, à solidão, ao confronto com o abandono face à dependência. Apesar de existir uma taxa de não respostas relativamente importante às perguntas que incidiam sobre melhorias a introduzir no funcionamento dos serviços (sobretudo entre os frequentadores de centro de dia em que as não respostas ascendem a 45,9% dos inquiridos, contra 18,2% nos lares e 28,3% entre os utilizadores de serviços domiciliários), o contraste entre os resultados da avaliação e o que dizem os inquiridos acerca das mudanças desejáveis reforça esta interpretação. De facto, enquanto os primeiros sugerem que os inquiridos estão relativamente satisfeitos (ou conformados?), as repostas relativas às segundas levam a reformular esta apreciação e revelam, face à abertura de possibilidades de mudança no seu quotidiano, inquiridos bem menos 9 de 14 resignados do que se poderia prever. Assim, para além de confirmar a complexidade que envolve a interpretação da subjectividade dos indivíduos, sobretudo por via da aplicação de um questionário de inquérito, os resultados obtidos apontam para uma diversidade de linhas de acção com potencial para ampliar as oportunidades de “bem envelhecer” (L. Sève, 2010) dos utilizadores de serviços. Com efeito, contrariando parcialmente a avaliação das perdas e ganhos associados à utilização de serviços, os respondentes apontam todos, embora com intensidades variáveis, para três grandes eixos de mudança: a conservação de ligações activas com familiares, vizinhos/amigos e a intensificação das interacções com membros das gerações mais jovens; a realização regular de actividades que contribuam para dar sentido à vida, designadamente por possibilitar aprendizagens, a fruição de bens culturais e a saída das instituições/da casa; restaurar a autonomia de decisão, por via de uma participação activa na gestão do quotidiano, institucional ou pessoal, conforme o tipo de serviço. Dito de outro modo, o que esta parte do inquérito permite captar é a necessidade de contrariar a tendência para a relegação dos indivíduos fragilizados pelo envelhecimento para lugares fechados à comunicação com os não-velhos, para lugares que condenam os seus utilizadores a ficarem “fora do tempo” e cuja organização burocrática os expropria da possibilidade de viver como seres humanos com capacidade de decisão e de acção. Não há dúvida que a progressiva restrição do “território das deambulações” (C. Lalive d’Epinay, 2003) provocada pelo avançar da idade é uma condicionante forte, que requer dos indivíduos que envelhecem, e, mais ainda, dos outros à sua volta, uma real capacidade de inovação para reorganizar um quotidiano com sentido. Mas, manter a curiosidade pelas coisas da vida e continuar a fixar objectivos acessíveis e compatíveis com a necessidade de desenvolvimento psíquico que caracteriza os seres humanos é o caminho a seguir para que as renúncias que o envelhecimento muitas vezes impõe não se convertam em resignação e desistência. 4. As expectativas dos não utilizadores de serviços O objectivo fundamental da parte do inquérito directamente relacionada com os equipamentos e serviços para idosos é de contribuir para a reflexão sobre a produção de mudanças na acção local. Não se ignora que as modalidades de intervenção em reposta a problemas sociais concretos estão sempre condicionadas por factores estruturais que não são todos alcançáveis no plano local. As “políticas de austeridade” que actualmente conduzem à restrição do investimento público nas mais variadas medidas de política social, as alterações em curso nas modalidades de cálculo das pensões de reforma e, sobretudo, no seu sistema de financiamento são exemplos por demais presentes. Apenas pretende-se tirar partido da existência da margem de intervenção possível sobre os modos de funcionamento das instituições e as práticas profissionais. Se é certo que, tendencialmente, os modos de fazer padronizados tendem a cristalizar-se e perpetuar-se, constituindo uma espécie de senso comum institucional, mesmo quando os seus efeitos reais contradizem os objectivos que oficialmente prosseguem, não é menos verdade que a vulnerabilidade das condições de existência dos mais velhos e os fenómenos de segregação e isolamento, vivenciados por muitos, podem ser alterados quando organizações e profissionais apostam conjuntamente no investimento do conhecimento na invenção e experimentação de soluções concretas. E quando valorizam a escuta dos utilizadores de serviços, incentivando-os a pensar sobre as suas condições de existência e experiências e a ir, pela imaginação, para além do estado presente das coisas imposto com toda a força da necessidade. Neste sentido, uma parte do inquérito, dirigida a uma amostra da população com 55 anos e mais do concelho da Póvoa de Varzim que não recorre a serviços para idosos (estratificada em função da idade e do sexo na base dos dados dos Censos de 2001) visou apreender as suas expectativas face a uma eventual perda de independência funcional. Uma primeira conclusão que se pode retirar dos dados recolhidos é que a solução que os inquiridos privilegiam consiste em permanecer em casa, graças à contratação de serviços de apoio domiciliário, na sua própria habitação ou na de um familiar. Conjuntamente estas duas modalidades foram seleccionadas por 71,4% dos 1071 respondentes, não se verificando diferenças significativas entre homens e mulheres. A resistência à institucionalização está, pois, bem vincada, em simultâneo com a consciência de que os cuidados que podem vir a ser necessários já não serão totalmente assegurados no quadro das relações familiares. O internamento em lar é solução apontada por 18,7% dos inquiridos, não havendo mais de 6,4% de indivíduos a indicar a frequência de um centro de dia. As respostas hoje “atípicas” que são o centro de 10 de 14 noite, o apartamento com serviços de apoio e a família de acolhimento recolhem uma muita fraca, ou quase nula, adesão: respectivamente, 2,2%, 1,1% e 0,1% dos inquiridos. O interesse pelos serviços domiciliários prende-se certamente com o desejo de evitar a ruptura dolorosa com grande parte de si próprio que representa, para muitos, a entrada para o lar. Mas sabe-se, hoje, que a permanência no domicílio só por si não preserva os indivíduos de um outro risco que é o do isolamento e da solidão, da perda de relações vivas com o mundo exterior e, por esta via, da ancoragem da identidade no passado. Por isso mesmo, procuramos avaliar a receptividade dos inquiridos face a propostas de diversificação dos serviços a prestar no domicílio, assumindo que as relações familiares e de amizade/vizinhança não proporcionam respostas a todas as necessidades humanas. Este novo questionamento revela que 89,2% dos inquiridos acolhem positivamente o enriquecimento do papel de prestador de serviços ao domicílio. Revela, igualmente, uma significativa receptividade dos inquiridos quanto à presença regular de alguém que os preserve da relegação no espaço doméstico e lhes permita manter laços com os outros e com o mundo exterior: alguém que os acompanhe para sair de casa e passear (56,1%), que venha conversar diariamente com eles (55,5%), que realize compras com eles (49,4%), que lhes permita visitar amigos e vizinhos (24,8%), que venha ler com eles o jornal ou um livro (21,3%) ou, ainda, alguém que torne possível a implicação numa actividade significativa (20%). Neste primeiro conjunto de serviços, acresce ainda a companhia de alguém que possibilite a participação em acontecimentos colectivos, culturais ou religiosos, embora de modo menos expressivo (10,6%). Na perspectiva de proporções significativas de inquiridos, além da garantirem a realização das compras necessárias à sobrevivência diária (60,2%), os serviços domiciliários deveriam, ainda, contribuir para aumentar a sua segurança em momentos de maior fragilidade do estado de saúde: 75,3% gostariam de contar com a presença de alguém que os acompanhasse às consultas médicas e 49,4% vêem favoravelmente a permanência de alguém à noite na sua casa quando se sentem adoentados. O facto de mais de metade dos inquiridos (54,5%) estar disposta a pagar estes novos serviços confirma quanto é importante organizar modos de responder a necessidades cruciais para a qualidade do processo de envelhecimento. Confirma ainda que estas vão muito para além das habitualmente identificadas, a saber a alimentação quotidiana, a higiene pessoal e da casa e os cuidados de saúde. As necessidades que importa satisfazer para que a permanência no domicílio possa ser uma real alternativa aos “desertos de solidão” (N. Elias, 1998) que representam muitos lares são indissociáveis da manutenção e construção de laços que proporcionam aos indivíduos protecção e reconhecimento. Para que o envelhecimento não seja sinónimo de dolorosos “processos de desatadura” (J.M. Pais, 2006), importa garantir até aos últimos minutos de vida o envolvimento em interacções que permitam fazer face às vicissitudes da vida e forneçam aos indivíduos a prova da sua existência e do seu valor aos olhos dos outros. Importa garantir as condições necessárias para que o indivíduo que envelhece possa projectar as formas de reorganizar o seu quotidiano, continuar a fixar objectivos acessíveis, aceitar determinadas renúncias, de modo a poder melhor preservar o que incentiva o seu apetite pela vida. Importa, pois, que os serviços profissionalizados sejam concebidos de maneira a manter o “nomadismo físico e mental” (C. Lalive d’Epinay, 2003) sem o qual não se preservam, nem se desenvolvem a curiosidade e o interesse pelas coisas da vida que são, por muitos investigadores, considerados como a chave do envelhecimento bem-sucedido. Como refere N. Elias (1998), o stock social de saber sobre os aspectos biológicos da doença, do envelhecimento e da morte cresceu consideravelmente nos dois últimos séculos, ampliando as capacidades humanas de controlo e, com elas, a nossa segurança. O progresso que daí advém não é todavia sem limites e a morte dos seres humanos obriga-nos a medir os limites do nosso poder sobre a natureza. Apesar de não existirem os mesmos limites no plano das realizações humanas, N. Elias alerta-nos pelo facto de não sabermos, hoje, evitar que a perfeição técnica do prolongamento da vida ocorra num quadro de neutralidade emocional e de vazio relacional que privam a vida humana de verdadeiro significado. 11 de 14 Bibliografia Berger, P.; Luckmann, T. (2004) A construção social da realidade, Lisboa: Dinalivro Bickel J.-F. et al. (2007), Etre actif dans le grand âge : un plus pour le bien-être? Retraite et Société, 52, pp. 83-106 N. Elias, N. (1998) La solitude des mourants, Paris: C. Bourgois Ed. Goffman, E. (1968) Asiles, Etudes sur la condition sociale des malades mentaux, Paris: Editions de Minuit Gubrium, J. F. (1997) Living and Dying at Murray Manor, Charlottesville, University Press of Virginia Guillemard, A.M. (1972) La retraite, une mort sociale. Sociologie des conduites en situation de retraite, Paris: Mouton. Guillemard, A.M. (1996) Vieillissement et exclusion, in: S. Paugam, L’exclusion des saviors, Paris: La Découverte Lalive d’Epinay, C. (2003) La retraite et après? Vieillesse entre science et conscience. Leçon d'Adieu, Genève: Centre interfacultaire de Gérontologie Mallon, I. (2000) A Protecção de Si no Lar de Idosos, in De Singly, Livres Juntos. O Individualismo na Vida Comum, Lisboa: D. Quixote Mallon, I. (2005) Vivre en maison de retraite. Le dernier chez-soi, Rennes: PUR Pais, J. M. (2006) Nos rastos da solidão. Deambulações sociológicas, Porto: Ambar Rowe, J.R.; Kahn, R.L. (1998), Successful aging. New York: Pantheon Books. Sève, L. (2010) O que é “envelhecer bem”? Le Monde Diplomatique – Edição Portuguesa, Nº de Janeiro. Medida pela Escala de Barthel, a dependência total e grave foi registada para 39,4% dos inquiridos contra 26,2% dos residentes em lar e 24,7% dos frequentadores de centros de dia. ii Como ganhos nas condições materiais de existência considerou-se o aumento da segurança pessoal, o acesso à alimentação, aos cuidados de higiene pessoal (e do espaço habitado nos casos do lar e do serviço de apoio domiciliário), a meios económicos de vida e a cuidados de saúde. Para os ganhos relacionais, reuniram-se itens relativos ao esbatimento do sentimento de solidão e à criação de novas amizades. Relativamente aos ganhos em termos de desenvolvimento de interesses, foram reagrupados, no lar, os dois itens “a vida passou a ter mais interesse” e “passou a sentir-se mais alegre”; aos utilizadores de serviços de apoio domiciliário, apresentaram-se, ainda, afirmações relativas à superação do vazio da existência quotidiana, ao despertar de novos interesses e ao sentimento de que os dias passam mais rapidamente do que anteriormente; os frequentadores do centro de dia foram, ainda, interrogados sobre o desempenho de actividades úteis para a colectividade. iii As perdas que remetem para lugares geradores de identificação foram apresentados unicamente aos residentes em lar, considerando-se a casa, o seu recheio, o bairro e o quarto. As perdas em matéria de autonomia de decisão referiram a perda da possibilidade de decidir só por si assuntos tão diversos como: a alimentação diária; a natureza e os horários das actividades quotidianas; a partilha da mesa, no caso dos residentes em lar e frequentadores de centro de dia; a gestão do próprio rendimento, a partilha do quarto e entradas e saídas do lar para os residentes em lar. Quanto às perdas relacionais, considerou-se a perda de relacionamentos com familiares, amigos e vizinhos, membros de outras gerações, junto dos residentes em lar; a perda de contacto com membros das diversas gerações para os frequentadores do centro de dia e a perda de contacto com outros para os utilizadores de serviços domiciliários. iv A avaliação da qualidade das relações proporcionadas pelos cuidados profissionalizados passou por pedir ao inquirido para apreciar o seu relacionamento com os auxiliares, os técnicos e os outros utilizadores, no caso dos utilizadores de lar e centro de dia; o seu relacionamento com auxiliares e técnicos no quadro da utilização dos serviços domiciliários. i 12 de 14 Quadro nº 1 - Utilizadores das respostas sociais para idosos no Concelho da Póvoa de Varzim Respostas sociais Lar de idosos Centro de Dia Apoio domiciliário Grandes Dependentes Pensionato/Lar Privado Total 55-64 anos H M 9 7 6 5 65-74 anos H M 10 18 11 16 75-84 anos H M 17 34 6 43 85 anos e + H M 10 45 9 20 Total 20 10 17 14 37 60 15 58 231 2 2 0 3 2 9 1 22 41 0 37 0 24 0 38 1 52 4 66 14 160 6 41 11 156 36 574 150 116 Fonte: Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim, Beneficente, Centro Social e Paroquial de Terroso, Centro Social de Bem-Estar de S. Pedro de Rates, Centro Social Bonitos de Amorim e Centro Social e Paroquial de Aver-o-Mar. Quadro nº 2 - População inquirida utilizadora de equipamentos/serviços para idosos, por tipo de equipamento/serviço, sexo e grupo etário e % do universo total de utilizadores % dos Idade Tipo de inquiridos Total Equipamento- Sexo 55 a 64 anos 65 a 74 anos >= 75 anos no Serviço universo nº % nº % nº % nº % total 2 40,0 3 18,8 23 34,3 28 31,8 50 H 3 60,0 13 81,3 44 65,7 60 68,2 46,2 Lar M 5 100,0 16 100,0 67 100,0 88 100,0 47,3 HM 7 63,6 8 61,5 21 28,0 36 36,4 40,4 H Serviço de 4 36,4 5 38,5 54 72,0 63 63,6 44,4 Apoio M 11 100,0 13 100,0 75 100,0 99 100,0 42,9 Domiciliário HM 9 69,2 5 33,3 10 17,5 24 28,2 75 H 4 30,8 10 66,7 47 82,5 61 71,8 72,6 Centro de Dia M 13 100,0 15 100,0 57 100,0 85 100,0 73,3 HM 48,6 H 18 62,1 16 36,4 54 27,1 88 32,4 51,7 Total M 11 37,9 28 63,6 145 72,9 184 67,6 47,4 HM 29 100,0 44 100,0 199 100,0 272 100,0 Quadro nº 3 – Grupos profissionais dos utilizadores de serviços por sexo e tipo de serviço Lares Grupo profissional H Quadros superiores da ad. pública, dirigentes e quadros sup. de empresas Especialistas das prof. Intel. e científicas Técnicos e prof. de nível intermédio Pessoal administrativo e similares Pessoal dos serviços e vendedores Agricultores e trabalhadores qualif. da agricultura e pescas Operários, artífices e trabalhadores sim. Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem M Serviços de apoio domiciliário Centros de dia HM H M HM H M HM Total dos utilizadores nº % 1 1 2 2 2 4 3 1 4 10 4,3 3 1 4 0 1 1 0 0 0 5 2,1 2 3 5 0 0 0 2 2 4 9 3,9 1 3 4 1 3 4 3 3 6 14 6 2 6 8 2 1 3 2 5 7 18 7,8 5 4 9 3 9 12 6 9 15 36 15,5 10 9 19 9 12 21 10 14 24 64 27,5 0 7 7 1 10 11 4 5 9 27 11,6 13 de 14 Trabalhadores não qualificados Total 4 18 22 5 10 15 3 10 13 50 21,5 28 52 80 23 48 71 33 49 82 233 100 Quadro nº 4 - Avaliação dos serviços por tipo de serviço e grupo etário (mediana das classificações atribuídas) Frequentadores de centro de dia 75 anos e 55-6465-74 75 anos e + anos anos + 3,8 4,0 3,8 3,6 Residentes em lar Utilizadores de serviço de apoio domiciliário 55-6465-74 75 anos e anos anos + 4,0 3,3 3,5 55-64anos 4,2 65-74 anos 3,7 Ganhos Relacionais 4,5 4,0 3,5 4,3 4,0 4,0 4,0 3,3 4,0 Ganhos - Sentido pela vida 4,0 4,0 3,0 3,7 4,0 3,7 3,6 3,4 3,5 Perda - Lugares 3,3 3,7 4,2 - - - - - - Perda - Autonomia 2,8 3,1 3,2 3,0 3,3 3,1 3,0 3,0 3,2 Perda - Relacional 3,0 3,7 3,7 3,5 3,0 3,0 3,0 4,0 3,0 Reconhecimento 5,0 5,0 5,0 5,0 4,0 4,0 5,0 5,0 5,0 Ganhos em condições materiais de vida 14 de 14