FÉ E RAZÃO – RELIGIÃO E CIÊNCIA
Autor: Pod Ir.’. Rogério Aparecido da Silva
O antagonismo existente entre a crença religiosa e a razão tornou-se evidente e muito
cedo na cultura ocidental.
As maledicências à religião perpetradas pelos filósofos Heráclito, Pitágoras e
Xenófanes, marcaram o rompimento entre as duas.
Atenas abrigou o filósofo Anaxágoras a pôr-se em fuga para impedir que fosse
condenado publicamente, suspeito de “conceber um novo deus”.
Giordano Bruno – teólogo e filósofo de origem italiana – assegurava que “O uno é
forma e matéria, figura de natureza inteira, operando de seu interior”, e acabou
morrendo na fogueira por esta afirmação.
Para aquele que tem fé religiosa Deus existe, porém para a filosofia não basta ter fé, é
preciso evidenciar que Ele existe de verdade. Para os fervorosos, Deus é um ser
perfeito, dotado de bondade e filantrópico, que penitencia os maus e gratifica os bons.
O poder espiritual aceita que Deus aja no universo efetuando milagres; para a filosofia
é necessário demonstrar com fatos, testemunhos, documentos, etc., que o espírito tem
a faculdade de exercer influência sobre a matéria e responder por qual motivo Deus,
que tudo sabe, sendo capaz de realizar milagres, deixaria pendente o ornamento do
mundo criado por Ele mesmo.Uma vez completo, absoluto e infinito, pro qual motivo
instituiria um universo não espiritual, finito e defeituoso?
Para o seguidor de uma religião, o espírito é imortal e predestinado a uma existência
prometida; a filosofia exige provas desta eternidade.
Para concorrer com as indagações da filosofia, o Cristianismo transformou-se em
Teologia – ciência que versa sobre Deus – converteu os textos da história santificada
em teoria, feito que nenhuma outra religião conseguiu realizar.
Não obstante este feito há certas crenças religiosas que nunca poderão ser
compreendidas por meio do uso da razão, sem serem extintas. Não há uma maneira de
provar que Deus tenha conversado com Moisés, no Sinai, assim como, também não há
provas lógicas da virgindade de Maria, da Santíssima Trindade, etc. . São credibilidades
fincadas pela fé e por isso tornam-se enigmas que não podem ser questionados,
transformando-se, assim, em dogmas. Por este motivo, Paulo diz que “a fé é um
escândalo para a razão “.
Há uma passagem na Bíblia que conta ter Josué parado o Sol com o objetivo de ganhar
uma luta; deduz-se por esta passagem que o Sol se move em torno da Terra, a qual
está inerte. Por se tratar de uma passagem da Bíblia, ela se torna incontestável.
Contudo, essa “verdade” é contestada pela ciência de Copérnico, Galileu e Kepler. Pela
Igreja, eles poderiam até contrapor uma teoria de cunho filosófico-cientifico conhecida
como Geocentrismo, mas a história de Josué jamais poderia ser colocada em dúvida.
Por este motivo a Igreja avaliou o Heliocentrismo – doutrina que concebe o Sol como
centro de sistema solar – como um disparate, um contrassenso. Tal ciência foi rejeitada
e punida, o que levou a sábios, como Galileu Galilei, serem julgados pelo Santo Ofício.
Historiadores, pessoas versadas no estudo das línguas ou da linguística, e até mesmo
antropólogos, realizaram pesquisas a respeito das tradições de toda a região que
abrangia o Oriente Médio e o Norte da África, e nela encontraram alusões
interessantes ao pão, ao vinho, ao cordeiro sacrificado e ao deus que foi morto e
ressuscitou.
Estes elementos integravam os costumes agronômicos destes locais, acompanhados de
cerimônias de fecundidade da terra e de animais, ritos muito análogos aos que
passaram a ser praticados na missa cristã.
Por esse prisma, o cerimonial praticado na missa faz parte de um hábito agrário,
oriental, africano, muito precedente ao cristianismo.
Contudo, esta descoberta científica vai de encontro as veracidades cristãs, visto ser a
missa pensada como uma ciência que trata das cerimônias e ritos da Igreja, a qual
reproduz e relembra um conjunto singular e novo de eventos que dizem respeito à
vida, paixão e morte de Jesus.
A religião trata a filosofia como a ciência do contrassenso e da incredulidade, e a
filosofia, por sua vez, denuncia que a religião é a única detentora da verdade, além de
ser preconceituosa, desatualizada e intransigente.
O que se conclui após esse embate entre fé e razão, a filosofia e a igreja, é que a
verdade com certeza não se encontra de posse de nenhuma das duas doutrinas, mas é
uma conquista progressiva do conhecimento científico, aliado ao saber religioso,
portando a conciliação entre a fé e a razão.
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