MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO PROCESSO SELETIVO PREAMBULAR PRIMEIRA FASE – PERÍODO MATUTINO ANALISE OS ENUNCIADOS DAS QUESTÕES ABAIXO E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA PROVA DE DIREITO 1ª QUESTÃO: I – Há participação quando mais de uma pessoa pratica o comportamento proibido. Há co-autoria quando não pratica tal conduta, mas concorre, de alguma forma, para a realização do crime. II – Um dos princípios orientadores e limitadores do Direito Penal, a alteridade ou transcendentalidade, prevê que o fato típico pressupõe um comportamento que transcenda a esfera individual do autor e seja capaz de atingir o interesse do outro, isto é, ninguém pode ser punido por ter feito mal só a si mesmo. Por esta razão, a autolesão não pode ser considerada crime. III – Quem pratica uma contravenção penal e depois um crime não será reincidente. No entanto, se comete um crime e depois uma contravenção, haverá reincidência quanto a esta. IV – A lei processual penal se submete ao princípio da retroatividade em benefício do agente. V – A União é a fonte de produção do Direito Penal no Brasil. Todavia, segundo a Carta Magna, Lei Complementar Federal poderá autorizar os Estados-Membros a legislar em matéria penal sobre questões específicas, como por exemplo, a proteção da vitória-régia na Amazônia. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III e V estão corretos. ) apenas III, IV e V estão corretos. ) apenas I, II e III estão corretos. ) apenas I, III e V, estão corretos. ) apenas II, IV e V, estão corretos. 2ª QUESTÃO: I – O prazo penal conta-se de maneira diversa do prazo processual penal. Enquanto naquele não se inclui o dia do começo, mas sim o do vencimento, neste é incluído o primeiro dia, desprezando-se o último. II – Dentro dos crimes próprios encontram-se, ainda, os crimes “de mão própria”, (ou de conduta infungível), que exigem sujeito ativo qualificado, devendo este cometer direta e pessoalmente a conduta típica. Assim, neste último caso, não admitem co-autoria, mas somente participação. III – Em face do princípio da consunção, se um sujeito é agredido em um boteco e, jurando vingança, dirige-se ao seu domicílio ali nas proximidades, arma-se e retorna ao local, logo em seguida, para matar seu algoz, não responderá pelo porte ilegal e disparo de arma de fogo em Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO concurso com o homicídio doloso. IV – Se um larápio perambula a noite inteira com um revólver pelas ruas, até que, ao nascer do sol, encontra uma desafortunada vítima, a qual vem a assaltar, haverá concurso de crimes entre o porte ilegal e o roubo, dada a diversidade dos momentos consumativos e dos contextos em que os delitos foram cometidos. V – Pela aplicação do princípio da consunção, se o agente importa heroína, transporta maconha e vende ópio, não há dúvida de que cometeu apenas um crime e vai responder por ele nos termos da Lei Antitóxico. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas II e III e V estão corretos. ) apenas I, III e IV estão corretos. ) apenas III, IV e V estão corretos. ) apenas I, II e IV estão corretos. ) apenas II, III e IV estão corretos 3ª QUESTÃO: I – Dentre outras, são exemplos de infrações penais que não admitem tentativa: preterdolosas, contravenções penais e as habituais. II – A Lei 9.605/98 permite a responsabilidade penal das pessoas jurídicas nos crimes ambientais, prevendo a aplicação isolada, cumulativa ou alternativamente das seguintes penas: a) multa; b) restritivas de direitos; c) prestação de serviços à comunidade. III – No caso de um crime ser praticado em território nacional e o resultado ser produzido no estrangeiro, aplica-se a teoria do resultado. Assim, por exemplo, se o agente envia, de São Paulo, uma carta com Antrax para a vítima em Washington, o foro competente será o da capital norteamericana. IV – O agente começa a cumprir uma pena às 19h27min do dia 5 de agosto de 2003. Tem 6 anos, 9 meses e 23 dias de pena a cumprir. Segundo se infere do Código Penal, sua pena estará cumprida em 28 de maio de 2010. V – Os crimes previstos na Lei nº 11.101/05 são de ação penal pública incondicionada. Se, todavia, decorrido o prazo legal sem que o Ministério Público ofereça denúncia, qualquer credor habilitado ou o administrador judicial poderá oferecer ação penal privada subsidiária da pública, observado o prazo decadencial de 6 (seis) meses. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, IV e V estão corretos. ) apenas I, II e V estão corretos. ) apenas II, III e IV estão corretos. ) apenas III e IV estão corretos. ) apenas I e II, IV e V estão corretos. 4ª QUESTÃO: I – Se duas pessoas deixarem de prestar socorro a uma pessoa ferida, podendo cada uma delas fazê-lo sem risco pessoal, ambas cometerão o crime de omissão de socorro, isoladamente, não se concretizando hipótese de concurso de agentes, porquanto não cabe co-autoria em crime omissivo Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO próprio. II – Segundo prevê a Lei nº 11.101/05, que regula a recuperação judicial, extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária, os crimes falimentares prescrevem em 02(dois) anos. III – Prevê o Dec-Lei nº 201/67 ser crime de responsabilidade dos Prefeitos Municipais, sujeitos ao julgamento do Poder Judiciário, independentemente de pronunciamento da Câmara de Vereadores, antecipar ou inverter a ordem de pagamento a credores do Município, mesmo que com vantagem para o erário. IV – No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é aumentada de um terço à metade, se o agente não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação, ou praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada, segundo estabelece a Lei nº 9.503/97. V – Os crimes definidos na Lei nº 8.666/93, que instituiu normas para licitações e contratos da Administração Pública, desde que consumados, sujeitam os seus autores, quando servidores públicos, além das sanções penais, à perda do cargo, emprego, função ou mandato eletivo. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I e IV, estão corretos. ) apenas III, IV e V, estão corretos. ) apenas III e V, estão corretos. ) apenas II e IV, estão corretos. ) apenas I, II e V estão corretos. 5ª QUESTÃO: I – Ninguém é obrigado a impedir ou denunciar crime alheio, a não ser que tenha o dever legal de impedir ou de comunicar a prática de crime às autoridades. II – Para efeito de reincidência não se consideram os crimes militares impróprios e os políticos. Assim, a condenação anterior por crime militar que tenha correspondente nas leis penais comuns, não é capaz de gerar reincidência. III – Crime praticado por civil contra as instituições militares é crime militar impróprio. IV – Segundo dispõe o Código Penal, são também efeitos da condenação, a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a dois anos, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública. V – Pratica crime omissivo impróprio (ou comissivo por omissão), a mãe que deixa de dar alimento ao recém-nascido, causando-lhe a morte. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III e V estão corretos. ) apenas II, III e IV estão corretos. ) apenas III, IV e V estão corretos. ) apenas I e III estão corretos. ) apenas I, III e V estão corretos. 6ª QUESTÃO I - A extorsão é crime formal e se consuma, quando o sujeito ativo recebe a vantagem exigida. II - O depósito necessário miserável, quando se constitui em figura criminosa, é aquele previsto no Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO artigo 168, I, (necessário) do CP. III - A figura prevista, no artigo 171, V, do CP, Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro é crime formal. IV - A receptação na modalidade imprópria não admite tentativa. V - A escusa relativa prevista nas disposições gerais dos crimes contra o patrimônio, extingue a punibilidade do agente ativo do crime. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III, IV e V, estão corretos; ) apenas I, II e III, estão corretos; ) apenas II, III e IV, estão corretos; ) apenas II, III e V, estão corretos; ) apenas I, IV e V, estão corretos; 7ª QUESTÃO I – Para a configuração do crime de homicídio privilegiado o agente deve se encontrar, impelido por motivo de relevante valor moral ou social, ou sob influência de violenta emoção, quando realizada a conduta logo após a provocação. II – A sepultura e a urna vazia, não são tuteladas pelo artigo 210 do CP, violação de sepultura. III – O homicídio culposo admite compensação de culpa. IV – O objeto jurídico tutelado no crime de violação de sepultura não é a paz dos mortos. V - O Infanticídio é crime próprio e por este motivo não admite participação. A( B( C( D( E( ) apenas I, II, e III, são incorreto; ) apenas II, III e IV são incorreto; ) apenas II, IV e V, são incorreto; )apenas II, III e V são incorreto; ) apenas I, III e V são incorreto; 8ª QUESTÃO I – Se admite o aborto necessário, previsto no Código Penal, quando se comprova que o feto nascerá com deformação permanente. II – A ocupação habitual prevista no artigo 129, § 1ª, I, é aquela que possui conotação econômica. III – O crime de perigo de contágio venéreo, artigo 130 do Código Penal é de perigo individual e abstrato. IV - O delito previsto no artigo 4º, “a”, da lei 4.898/65, “ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder”, admite tentativa. V – O crime de injuria se consuma, somente quando a vítima toma conhecimento do fato. A. ( ) apenas II, III e V, estão corretos; B. ( ) apenas I, II e III, estão corretos; C. ( ) apenas II, III e IV, estão corretos; D. ( ) apenas III, IV e V, estão corretos; E. ( ) apenas I, II e IV, estão corretos; Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO 9ª QUESTÃO I – O tráfico internacional de mulheres, como um todo, entende-se praticado no Brasil desde que no território nacional se realize qualquer um dos seus elementos constitutivos, quer quanto à atividade quer quanto ao resultado, por força da teoria da ubiqüidade adotada pelo legislador quanto ao lugar do crime. II – O crime de violação de domicílio admite forma qualificada, quando a infração penal é cometida durante o repouso noturno. III - No crime de “aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento”, o terceiro que materialmente provoca o resultado é co-autor. IV - O crime de falso testemunho, admite participação. V – a perda de um olho se constitui em lesão gravíssima. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas II, III e V, são incorretas; ) apenas I, II e III, são incorretas; ) apenas II, III e IV, são incorretas; ) apenas I, III e V, são incorretas; ) apenas I, IV e V, são incorretas; 10ª QUESTÃO. I – o crime denominado de invólucro ou recipiente com falsa indicação previsto no artigo 275 do CP, para a sua ocorrência, não se exige qualquer espécie de nocividade, quer positiva, quer negativa. II – A falsidade visada no crime de falsidade ideológica é aquela que se refere ao conteúdo do documento. III - O crime de concussão se consuma com a obtenção da vantagem. IV – O crime de omissão de socorro previsto no Código de Trânsito, se aplica ao condutor do veículo não causador do acidente. V – O crime de inundação é de perigo abstrato. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, II e III, estão corretos; ) apenas I, II e IV, estão corretos; ) apenas II, III e IV, estão corretos; ) apenas I, IV e V, estão corretos; ) apenas II, IV e V, estão corretos; 11ª QUESTÃO I - A titularidade da ação penal pública pelo Ministério Público e a imparcialidade do Juiz são corolários diretos do denominado “Processo Penal Acusatório”, modelo adotado pela legislação brasileira. II - Discordando do Juiz e acatando a manifestação de arquivamento do Promotor de Justiça (art. 28 do CPP), deverá o Procurador-Geral de Justiça oficiar ao Tribunal de Justiça para que designe outro Juiz para conduzir o processo. III - Tárcio, Guilherme e Joelito, são ofendidos por vizinho que os define como “motoqueiros arruaceiros”. No curso da ação penal privada, Tárcio perdoa o vizinho, que o aceita, manifestação essa que se estende a Cássio e Mário, extinguindo-se a punibilidade, e conseqüentemente o processo contra o vizinho. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO IV - O Juiz poderá rejeitar a denúncia quando perceber que a investigação criminal foi desenvolvida não pela autoridade policial, mas pelo próprio Ministério Público. V – Mesmo tendo sido aditada a queixa pelo Ministério Público, ainda assim poderá o querelante dela dispor, através do perdão ou de sua omissão, caracterizando-se nessa última hipótese a perempção. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I e V estão corretos. ) apenas I, II e III estão corretos. ) apenas I, IV e V estão corretos. ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas IV e V estão corretos. 12ª QUESTÃO I - Em caso de estelionato por “clonagem de cheques”, o foro competente para o processo e julgamento é o do banco que recusou o pagamento, segundo matéria já sumulada pelo STJ. II - Promotor de Justiça que comete crime doloso contra a vida, em que pese a prerrogativa de função, deverá ser julgado pelo Tribunal de Júri, dada a soberania constitucional de tal corte. III - Em caso de “briga de torcidas”, em que ocorrem sucessivas lesões corporais, todos os fatos devem ser reunidos em um único processo, em virtude da conexão na modalidade intersubjetiva por reciprocidade. IV - Considerada a prevalência da competência do Tribunal do Júri em caso de conexão ou continência, ocorrendo a absolvição sumária, os demais crimes deverão ser remetidos aos respectivos juízos competentes. V - Navio de cruzeiro parte do porto de Itajaí em direção a Portugal, quando, a 25 MN (milhas náuticas) da costa, passageiro embriagado mata tripulante da embarcação. Em virtude disso o togado titular da Vara do Júri de Itajaí decreta a prisão preventiva do agente e requisita apoio da Marinha para efetivação da medida. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas I, II e V estão corretos. ) apenas II e V estão corretos. ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas III e IV estão corretos. 13ª QUESTÃO I - No âmbito da restituição de coisas apreendidas é lícito ao Juiz Criminal deliberar sobre matéria complexa, de posse e propriedade, em se tratando de terceiro de boa fé que se diz dono do objeto. II - Nicácio, vítima do crime de extorsão (art. 158 do CP), marca encontro com o agente criminoso em uma praça pública e grava o diálogo sem autorização judicial. Tal gravação, utilizada no processo, é meio de prova válido para a condenação. III - Em que pese haver nos autos do processo prova material negando a autoria do delito, constatada a confissão do réu, o Juiz Criminal deverá proferir decisão condenatória. IV - Tratando-se de lesão corporal de natureza grave, e estando o indiciado preso em flagrante, não Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO pode o Promotor de Justiça extrapolar o prazo de (5) dias para oferecimento da denúncia, requerendo o retorno do inquérito à origem para elaboração de laudo complementar para aferição material das referidas lesões. V – Frente ao princípio do “contraditório criminal” poderá o Juiz ouvir testemunha diversa daquelas arroladas pela acusação e defesa. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III e IV estão corretos. ) apenas I, II e V estão corretos. ) apenas II e V estão corretos. ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas I, III e IV estão corretos. 14ª QUESTÃO I - Em caso de flagrante “próprio” poderá a autoridade policial invadir à noite residência de terceiro de boa fé para a captura de agente criminoso. II – No caso de tráfico ilícito de entorpecentes com réu preso, considerando os termos da Lei 8.072/90, mesmo ultrapassados os prazos processuais para a formação da culpa, não pode o Juiz Criminal conceder relaxamento de tal constrição. III - No caso dos “crimes hediondos” ou daqueles a eles equiparados, o prazo máximo para a decretação da “prisão temporária” será de (10) dias. IV - Tratando-se de liberdade provisória concedida mediante fiança, encerrado o processo e condenado o réu, poderá tal valor ser entregue à vítima como forma de indenização. V – A prisão preventiva não pode ser utilizada sob o fundamento de que a liberdade do réu lhe traz grave risco pessoal, dada a gravidade do crime por ele cometido. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I e II estão corretos. ) apenas III e V estão corretos. ) apenas I, IV e V estão corretos. ) apenas IV e V estão corretos. ) apenas I e III estão corretos. 15ª QUESTÃO I - Segundo o princípio da “fungibilidade recursal” (art. 579 do CPP), em qualquer hipótese, ou seja, contra qualquer espécie de decisão, a parte poderá a seu livre arbítrio interpor o recurso que lhe aprouver. II - Tendo o Juiz Criminal recebido denúncia de roubo (vítima sofre “encontrão” e tem a bolsa subtraída), como se furto fosse, tem cabimento para atacar tal decisão o recurso em sentido estrito. III - Sabendo-se que o instituto da “assistência” (Capítulo IV do CPP), visa assegurar a condenação criminal para garantir à vítima posterior reparação do dano, falece ao assistente legítimo interesse para interposição de apelação visando aumentar a pena irrogada ao réu. IV - Em que pese a impetração do Hábeas Corpus poder ser postulada pelo próprio “paciente”, para seguimento ao recurso da decisão que o denega em 2º Grau, a apresentação de Recurso Ordinário Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO Constitucional, junto ao STF, exige a representação por advogado. V – É obrigatório o reexame necessário, pelas Câmaras Criminais Reunidas, da decisão do relator que liminarmente indefere a revisão criminal. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I e III estão corretos. ) apenas II, III e V estão corretos. ) apenas IV e V estão corretos. ) apenas III e V estão corretos. ) apenas I e IV estão corretos. 16ª QUESTÃO I. Para aprovação de projeto de desmembramento junto à Prefeitura Municipal é necessário que o interessado junte planta do imóvel a ser desmembrado assinada por profissional legalmente habilitado e assinada pelos confrontantes. II. Dentre os atos registrados no registro Civil de Pessoas Naturais, são gratuitos o registro civil de nascimento e o assento de óbito e a primeira certidão respectiva. III. A declaração de indisponibilidade de bens será averbada, na respectiva matricula, no cartório de registro imobiliário. IV. Embora a decisão proferida pelo Juiz de Direito em suscitação de dúvida, tenha natureza administrativa ela impede o uso de processo contencioso competente. V. Para a inscrição do bem de família no registro imobiliário basta a declaração do instituidor, seja por instrumento público, seja por instrumento particular com a firma reconhecida, declarando que determinado prédio se destina a domicílio de sua família e que ficará isento de execução por dívida. A. ( B. ( C. ( D. ( ) apenas I, III, IV e V estão corretos. ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas I, III e V estão corretos. ) apenas II, III estão corretos. E. ( ) apenas II e V estão corretos. 17ª QUESTÃO I. O deficiente mental menor de idade, em caso de falecimento de seus pais, será posto em curatela, de acordo com o Código Civil de 2002. II. Em caso de tutela de um menor de patrimônio considerável, ainda que o tutor seja de reconhecida idoneidade, o Juiz não poderá dispensar a caução. III. O cônjuge se declarado culpado na separação judicial ou no divórcio, perde o direito à guarda dos filhos. IV. Antonio e Maria casaram-se em regime de comunhão parcial de bens em 1990. Antonio era proprietário de um apartamento. Maria recebeu por doação de seus pais uma casa no ano de 1995. Maria vendeu a casa e com o valor adquiriu um apartamento na praia. No ano de 2000. Antonio e Maria adquiriram uma casa na qual passaram a residir. Em 2007 pediram a separação judicial na qual, segundo a lei, ficou determinada a partilha dos bens em 50% para cada cônjuge excluindo Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO apenas o apartamento que pertencia a Antonio. V. Após a sucessão definitiva, declarada judicialmente no processo de ausência, a presunção de morte põe fim à sociedade conjugal. A. ( B. ( C. ( D. ( ) apenas II, III estão corretos. ) apenas V está correto. ) apenas I, III e IV estão corretos. ) apenas I, III, e V estão corretos. E. ( ) todos estão corretos. 18ª QUESTÃO I. Mesmo o ato praticado no exercício regular de um direito reconhecido pode levar a um dever de indenizar. II. O Estado sempre responde objetivamente pelos danos que causar, independentemente da culpa de seus agentes, seja nos atos comissivos, seja nos omissivos. III. Sem dano não há responsabilidade civil, seja das pessoas jurídicas de direito público, seja das de direito privado. IV. Ao juiz não é dado reduzir a indenização do dano, porque esta se mede sempre por sua extensão, independentemente da gravidade da culpa. V. No homicídio, o homicida pagará alimentos à(s) pessoa(s) a quem o defunto os devia, de modo que o valor da indenização sempre dependerá das condições econômicas da vítima e daquelas do autor do dano. A. ( B. ( C. ( D. ( ) apenas I, III e IV estão corretos. ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas II está correto ) apenas II, III e V estão corretos. E. ( ) apenas I e III estão corretos. 19ª QUESTÃO I. As obrigações de fazer, sejam fungíveis, sejam infungíveis, se resolvem em perdas e danos, que compreendem o que o credor efetivamente perdeu e o que razoavelmente deixou de lucrar. II. A mora do devedor somente se caracteriza se ele tiver culpa pelo não cumprimento da obrigação. III. O dolo sempre leva à anulação do negócio jurídico, mesmo o dolo de terceiro, pois ninguém poderá beneficiar-se de condutas dolosas. IV. Embora o negócio jurídico nulo não possa ser ratificado pelas partes, é perfeitamente possível a confirmação do negócio jurídico meramente anulável, salvo direito de terceiros. V. Como o contrato faz lei entre as partes, é vedado ao contratante prometer fato de terceiro, dada a impossibilidade jurídica do objeto. A. ( ) apenas I, III e IV estão corretos. B. ( ) apenas II e IV estão corretos. C. ( ) apenas IV está correto. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO D. ( ) apenas II, III e V estão corretos. E. ( ) apenas I,III e V estão corretos. 20ª QUESTÃO I. A propriedade fiduciária que é sempre resolúvel, com o desdobramento da posse, torna o devedor possuidor direto da coisa. II. O direito aos interditos possessórios é efeito que se produz independentemente da qualidade da posse, mesmo que ela seja precária. III. As causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição previstas no Código Civil não se aplicam ao usucapião. IV. As terras devolutas, como bens públicos que são, não estão sujeitos ao usucapião, conforme torrencial jurisprudência de nossos tribunais. V. O direito de superfície consiste na concessão onerosa para outrem pelo proprietário, por tempo indeterminado, do direito de construir ou de plantar em seu terreno. A. ( B. ( C. ( D. ( ) apenas I e II estão corretos ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas I e III estão corretos. ) apenas II, III e V estão corretos. E. ( ) apenas II e V estão corretos. 21 QUESTÃO I. A renúncia da herança pode ser pura, simples ou por encargo. II. A indignidade se distingue da deserdação na amplitude. Enquanto a deserdação é exclusiva da sucessão testamentária, a indignidade atinge também a sucessão legítima. III. Existe uma disposição testamentária de substituição na qual o testador designa uma pessoa para substituir o herdeiro ou legatário que não queira ou não possa aceitar a herança ou o legado. IV. A herança é indivisível, por ser uma universalidade de direitos portanto, até a partilha, os herdeiros estão em regime de condomínio legal. V. A ação de petição de herança pode ser requerida pelo herdeiro legítimo e pelos sucessores, a titulo universal ou singular, dos herdeiros. A. ( B. ( C. ( D. ( ) apenas I, III e IV estão corretos. ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas I, III e V estão corretos. ) apenas III,IV e V estão corretos. E. ( ) apenas II e V estão corretos. 22ª QUESTÃO I. O testamento feito por brasileiro só será válido se for escrito em língua nacional. II. Na linha colateral, se apenas concorrerem tios e primos aos bens do falecido, que não é casado, nem deixa pais e filhos, os primos herdarão por estirpe. III. Na sucessão, por morte, de estrangeiro casado com brasileiro, aplica-se a lei brasileira em beneficio do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO do de cujus. IV. Os filhos do filho pré-morto não herdam bens pela morte do avô se houver filhos vivos. Somente herdarão se apenas concorrerem com outros netos. V. Um apartamento doado para José e sua mulher Maria, casados pelo regime da comunhão parcial de bens, em caso de morte de José, será partilhado na base de 50% para Maria (meação que lhe pertence) e 50% (meação de José) para os filhos do casal. A. ( B. ( C. ( D. ( ) apenas I e IV estão corretos. ) apenas III esta correto. ) apenas I e V estão corretos. ) apenas II, III e V estão corretos. E. ( ) apenas II e V estão corretos. 23ª QUESTÃO I – Quando o réu, citado de forma fictícia, não comparecer ao processo para se defender, o juiz lhe dará curador especial, o qual poderá, por negativa geral, impugnar os fatos narrados na petição inicial. II – Entre juízes com a mesma competência territorial, mesma comarca ou mesma circunscrição judiciária, a prevenção do juízo não se efetiva com a primeira citação válida, mas sim com base ba data do primeiro despacho. III – Nas ações possessórias e nas que versem sobre direitos reais imobiliários a citação de ambos os cônjuges é indispensável. IV – A intimação do Ministério Público poderá ser efetuada diretamente em cartório, por carta registrada com aviso de recebimento ou de forma eletrônica, conforme regulado em lei própria. V – A citação ordenada por juiz absolutamente incompetente é nula, não produzindo efeitos. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas II e III estão corretos. ) apenas I e II estão corretos. ) apenas II, IV e V estão corretos. ) apenas III e V estão corretos. ) apenas I e V estão corretos. 24ª QUESTÃO I – O litisconsórcio, a assistência, a denunciação da lide, a nomeação à autoria, o chamamento ao processo e a oposição são formas da intervenção de terceiros. II – Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu, deverá, até ser proferida a sentença, nomear à autoria o proprietário ou o possuidor. III – No litisconsórcio facultativo, simples ou unitário, cada um dos litisconsortes é considerado parte distinta e autônoma frente aos demais, sendo que os atos e omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão os outros. IV – A nomeação à autoria gera, em princípio, a substituição do pólo passivo da demanda de um sujeito ilegítimo por outro legítimo. V – A citação do chamado ao processo será requerida, juntamente com a do réu, se o denunciante Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO for o autor, e, no prazo para contestar, se o denunciante for o réu. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I e II estão corretos ) apenas I e V estão corretos ) apenas III, IV e V estão corretos ) apenas II está correto ) apenas IV está correto. 25ª QUESTÃO I – Em face do princípio dispositivo é possível ao juiz, de ofício, ordenar a inquirição de testemunhas referidas nas declarações da parte ou das testemunhas. II – Em face ao princípio da verdade real ou da máxima probabilidade, a prova pericial, desde que elaborada com rigoroso critério científico, prevalece, no âmbito do direito processual civil, sobre a prova testemunhal. III – A convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova é válida, salvo quando recair sobre direito indisponível da parte ou tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. IV – A incapacidade do menor de dezesseis anos, o impedimento do representante legal da pessoa jurídica e a suspeição do inimigo capital da parte não proíbem que o juiz tome seus depoimentos independentemente de compromisso. V – O perito ou o assistente técnico pode escusar-se ou ser recusado por impedimento ou suspeição; ao aceitar a escusa ou julgar procedente a impugnação, o juiz nomeará novo perito ou assistente técnico. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III e IV estão corretos. ) apenas I e II estão corretos. ) apenas I está correto. ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas III, IV e V estão corretos 26ª QUESTÃO I – O efeito translativo dos recursos se opera ainda que sem expressa manifestação de vontade do recorrente. II – Dos recursos enumerados no artigo 496 do Código de Processo Civil, apenas os embargos de declaração e os embargos de divergência em recurso especial e em recurso extraordinário não comportam o efeito devolutivo. III – Ainda que verse sobre direitos indisponíveis, não se conhecerá do agravo se a parte não requerer expressamente, nas razões ou na resposta da apelação, sua apreciação pelo Tribunal. IV – Das decisões interlocutórias proferidas na audiência de instrução e julgamento caberá agravo na forma retida, devendo ser interposto oral e imediatamente, bem como constar do respectivo termo, nele expostas sucintamente as razões do agravante e a resposta do agravado. V – É possível a interposição do recurso extraordinário em relação à parcela unânime do acórdão, Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO ainda que haja voto vencido em relação à outra, da qual não se interpôs os embargos infringentes. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas I e II estão corretos. ) apenas IV está correto. ) apenas I, III e V estão corretos ) apenas III e IV estão corretos. 27ª QUESTÃO I – o juiz pode, de ofício, declarar nula a execução, ainda que sem a incidência de embargos. A nulidade da execução pode ser reconhecida mesmo depois de extinto o processo executório. II – Os embargos do executado terão efeito suspensivo. O juiz poderá, a requerimento do embargado, negar o efeito suspensivo dos embargos quando esses forem manifestamente protelatórios. III – A competência para a execução dos títulos extrajudiciais é a mesma que se estabelece no processo de conhecimento, admitindo a prorrogação. IV – Indeferido o efeito suspensivo, a impugnação à execução será instruída e decidida nos próprios autos e, caso contrário, em autos apartados. V – A execução, contra a Fazenda Pública, de título extrajudicial, é inconstitucional. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I e III estão corretos ) apenas I e II estão corretos ) apenas II, IV e V estão corretos ) apenas II e V estão corretos ) apenas V está correto 28ª QUESTÃO I – A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados depende da autorização destes. II – O Ministério Público não tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares. III – O divórcio direto pode ser concedido sem que haja prévia partilha dos bens. IV – Tratando-se de interditando cuja incapacidade absoluta é perceptível de plano pelo juiz, e não ocorrendo no prazo legal a impugnação do pedido, a ausência de laudo pericial não torna nula a decisão que decreta a interdição. V – Nos juizados especiais, da sentença que homologa o laudo arbitral, caberá recurso, no prazo de 10 (dez) dias, para a turma, que será composta por três juízes togados, em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do juizado. A. ( B. ( C. ( D. ( ) apenas II e V estão corretos. ) apenas I e IV estão corretos. ) apenas II e IV estão corretos. ) apenas III está correto. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO E. ( ) apenas III e V estão corretos. 29ª QUESTÃO I – É admissível a ação declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. II – Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo o Ministério Público quando autorizado por lei. III – Nulo é o processo em que o menor não foi citado pessoalmente, mas tão-somente seu pai. IV – Na jurisdição civil, o juiz não é obrigado a dar curador especial ao réu preso. V – Toda pessoa que se acha no exercício dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo, por si ou por seus representantes legais. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas II e III estão corretos. ) apenas I está correto. ) apenas III, IV e V estão corretos. ) apenas I e V estão corretos. ) apenas V está correto. 30º QUESTÃO I – O cônjuge somente necessitará do consentimento do outro para propor ações que versem sobre direitos pessoais imobiliários. II – A falta, não suprida pelo juiz, da autorização do marido para propor ação, quando necessária, torna anulável o processo. III – As sociedades sem personalidade jurídica serão representadas em juízo, ativa e passivamente, pela pessoa a quem couber a administração dos seus bens. IV – Quando o inventariante for dativo, todos os herdeiros e sucessores do falecido serão autores ou réus nas ações em que o espólio for parte. V – Nos termos do código de processo civil, o condomínio será representado em juízo pelo administrador, síndico ou procurador. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III e IV estão corretos. ) apenas IV e V estão corretos. ) apenas I, II e III estão corretos. ) apenas V está correto. ) nenhum está correto. 31ª QUESTÃO I - A Lei 6.938/81 impõe ao usuário da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fim econômico, a imposição ao poluidor de recuperar ou indenizar o dano. II – Fica vedada a instalação de antenas transmissoras de radiação eletromagnética, num raio de 50 m (cinqüenta metros) de estabelecimentos de ensino e hospitalar. III - O inquérito civil é um instrumento imprescindível para a propositura da ação civil pública. IV - O princípio da precaução é aplicável quando houver incerteza científica diante da ameaça de Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO redução ou de perda da diversidade biológica ou ameaça de danos causadores na mudança de clima. V – A sentença de improcedência de direitos coletivos, por falta de provas, tem eficácia ultra partes. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( )Apenas II, III e V, são incorretas; )Apenas I, II e III, são incorretas; )Apenas II, IV e V são incorretas; )Apenas III, IV e V são incorretas; )Apenas I, II, IV são incorretas; 32ª QUESTÃO I - O órgão ambiental anuncia em edital, imprensa local, o recebimento do RIMA, que ficará a disposição, por um período de no mínimo 45 dias. II - O ponto de emissão de radiação da antena transmissora deverá estar, no mínimo, a 15 m (quinze metros) de distância das divisas do imóvel onde estiver instalada. III - Licença prévia, LP ou LAP, concedida na fase preliminar do planejamento da atividade, aprovando a sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental, estabelece requisitos básicos e condicionantes para a próxima fase. Não pode ter prazo maior do que 05 anos. IV – A lei 12.854/03, (Código Estadual de Proteção ao animal) quando trata do experimento de vivissecção permite, desde que devidamente autorizado, os centros de pesquisa e laboratórios, utilizar animal já submetido a outro experimento ou realizar experiência prolongada com o mesmo animal. V – Segundo o Código Florestal, é possível construir ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será 15 metros; A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, II e V, são incorretas; ) apenas I, II e III, são incorretas; ) apenas III, IV e V, são incorretas; ) apenas I, III, e IV, são incorretas; ) apenas II, IV e V, são incorretas; 33ª QUESTÃO I - Normas e diretrizes sobre o uso do solo, do subsolo e das águas, bem como limitações à utilização de imóveis, poderão ser estabelecidas nos Planos de Gerenciamento Costeiro, Nacional, Estadual e Municipal, prevalecendo sempre as disposições de natureza mais restritiva. II – Compete ao CONAMA, determinar, mediante representação do IBAMA, a perda ou restrição de benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público, em caráter geral ou condicional, e a perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em estabelecimento oficiais de crédito; III - As construções de unidades industriais, de estruturas ou de depósitos de armazenagem de substâncias capazes de causar riscos aos recursos hídricos, deverão ser dotados de dispositivos dentro das normas de segurança e prevenção de acidentes, e localizadas a uma distância mínima de 100 (cem) metros dos corpos d'água. IV - As áreas urbanas com mais de duzentos e cinqüenta metros quadrados, ocupadas por Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural. V - O plano diretor não poderá fixar áreas nas quais o direito de construir poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado, mesmo que o beneficiário pague pela contrapartida. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, II e III, estão corretos; ) apenas I, II e IV, estão corretos; ) apenas III, IV e V, estão corretos; ) apenas I, IV e V, estão corretos; ) apenas II, III e V, estão corretos; 34ª QUESTÃO I - A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada dez anos. O plano diretor é obrigatório para cidades: com mais de quinze mil habitantes; II – Segundo a lei de loteamentos são retratáveis os compromissos de compra e venda, cessões e promessas de cessão, os que atribuam direitos à adjudicação compulsória e, estando registrados, confiram direito real oponível a terceiros. III - Dependem de outorga pelo Poder Público, conforme definido em regulamento, o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural; IV - zona de amortecimento é o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas as normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade; V - Passam a constituir a receita do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados os honorários advocatícios decorrentes de ações civis públicas interpostas e vencidas pelo Ministério Público, exceto aquelas de responsabilidade do Estado de Santa Catarina. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III, IV e V, são incorretas; ) apenas I, II e IV são incorretas; ) apenas II, III e IV são incorretas; ) apenas I, II e III são incorretas; ) apenas I, III e V são incorretas; 35ª QUESTÃO I - É correto afirmar que o princípio do usuário pagador contem também o princípio do poluidor pagador. II – Para atender as peculiaridades próprias, os Estados poderão exercer competência legislativa plena, em matéria ambiental, desde que não exista lei federal dispondo o sobre o tema. III – É correto afirmar-se que o legislador ao utilizar-se da locução “água é um bem do domínio público”, abrange todo o tipo de água, a de superfície, subterrânea, fluente e a emergente. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO IV – Tombamento é uma intervenção ordenadora do estado na propriedade privada, limitativa do exercício de direitos de utilização e de disposição, gratuita, permanente e delegável, que se destina a preservação dos bens de valor histórico, arqueológico, artístico ou paisagístico. V – A Reserva Florestal legal, incide sobre o domínio público e privado e a as Áreas de Proteção, apenas sobre as áreas privadas. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, II e III, estão corretos; ) apenas I, II e IV, estão corretos; ) apenas III, IV e V, estão corretos; ) apenas I, III e V, estão corretos; ) apenas II, III e V, estão corretos; 36ª QUESTÃO I –O prazo de prescrição de um ano para cobrança de pagamentos de indenizações decorrentes de apólices de seguro de vida em grupo vale tanto para o segurado, como para o beneficiário. II – Na elaboração de cláusulas contratuais consideradas abusivas e posteriores inclusões, a Secretaria de Direito Econômico divulgará, anualmente, a consideração sobre a abusividade de cláusulas contratuais a qual se dará de forma genérica e abstrata. III – Nos seguros privados de assistência à saúde, e sem que isso implique o desvirtuamento do princípio da livre escolha dos segurados, as sociedades seguradoras podem apresentar relação de prestadores de serviços de assistência à saúde. IV - Corte raso é o corte contínuo e ininterrupto da parte ou de toda a floresta. V - A expressão associação não abrange as cooperativas. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III, IV e V, estão corretos; ) apenas I, II e IV, estão corretos; ) apenas II, III e IV, estão corretos; ) apenas I, III e V, estão corretos; ) apenas I, III e IV, estão corretos; 37ª QUESTÃO I - O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis; noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis. II - Obsta a decadência, a instauração de inquérito civil, até seu encerramento. III - O serviço é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas. IV – Não sendo possível sanar o vício em 30 dias as partes poderão convencionar sua redução ou ampliação, não podendo ser inferior a sete nem superior a sessenta dias. V - A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços o exime de responsabilidade. A. ( ) apenas I, III e V são incorretas; B. ( ) apenas I, III e IV são incorretas; Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO C. ( ) apenas II, III e IV são incorretas; D. ( ) apenas II, IV e V são incorretas; E. ( ) apenas III, IV e V são incorretas; 38ª QUESTÃO I Os interesses individuais homogêneos, são interesses perfeitamente identificáveis, considerados divisíveis. Fazem parte do patrimônio individual de seu titular. São via de regra transferíveis, inter vivos e causa mortis, suscetíveis de renúncia e transação, salvo direitos personalíssimos. II - Os direitos coletivos, são transindividuais, com determinação relativa de seus titulares. A ligação entre os titulares coletivos decorre de uma relação jurídica base. São indivisíveis, insuscetíveis de apropriação, transmissão, renúncia e transação. Sua defesa em juízo se dá através de substituição ou representação processual, o que torna o objeto da demanda disponível para o autor. III – O interesse difuso se caracteriza pela ausência de vínculo associativo, uma série indeterminada e aberta de indivíduos, de potencial conflituosidade, ocorrência de lesões disseminadas na massa e por fim vínculo fático entre os titulares do interesse. IV – A Multa diária (astreintes), não pode ser fixada em sentença independente do pedido do autor. V - O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 07 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, II e V, estão corretos; ) apenas I, II e IV, estão corretos; ) apenas III, IV e V, estão corretos; ) apenas I, III e V, estão corretos; ) apenas II, III e V, estão corretos; 39ª QUESTÃO I - Tal como a perspectiva criminal, em que a previsão da improbidade administrativa, como ato ilícito, atribuída aos agentes políticos, é interpretada como “crime de responsabilidade”, o princípio da moralidade administrativa, enquanto regente das atividades da administração pública, é de elaboração recente, tendo como marco normativo a Constituição Federal de 1988. II - Face a uma demanda proposta, a imoralidade deve ser considerada como uma espécie de agravante da ilegalidade verificada. III - Em sentido amplo, a legalidade inclui a moralidade, a probidade, a eficiência e os demais valores consagrados pelo ordenamento jurídico, no aspecto particular abordado pela Lei n. 8.429/92. IV - Em que pese a confusão entre os sentidos dos princípios da moralidade e da probidade, a improbidade, no viés infracional, é mais ampla que a imoralidade, haja vista que, afrontado o princípio da moralidade, ter-se-á a configuração de uma das hipóteses de atos de improbidade definidos em lei. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO V - No tangente à apuração e punição dos atos de improbidade administrativa, invoca-se tanto a utilização do inquérito civil público a fim de identificar a hipótese legitimadora da atuação ministerial, possibilitando-se a detecção do interesse de agir, quanto o manejo da ação civil pública, prevista na Lei n. 7.347/85, no que não contrariar disposições específicas da lei de improbidade. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, II e IV estão corretos ) apenas II, III e V estão corretos ) apenas III, IV e V estão corretos ) apenas III e IV estão corretos ) apenas I, III, IV e V estão corretos 40ª QUESTÃO I - No que tange à responsabilidade fiscal dos gestores públicos, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) não revogou a Lei n. 4.320/64, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, apenas derrogou-a em algumas disposições normativas. Permanece, portanto, a convivência das referidas leis sobre finanças públicas, ambas complementares, uma, em virtude de recepção, outra, em virtude da adição. Todavia, os balanços e as demonstrações referidos na segunda lei (art. 101) deverão adaptar-se às novas exigências da LRF, tais como as relativas: à elaboração do projeto de lei orçamentária anual; ao relatório resumido da execução orçamentária; ao relatório de gestão fiscal; e à prestação de contas. II - Em que pese o acompanhamento e a avaliação, de forma permanente, da política e da operacionalidade da gestão fiscal pelo conselho de gestão fiscal, constituído por representantes de todos os Poderes e esferas de Governo, do Ministério Público e de entidades técnicas representativas da sociedade, as infrações dos dispositivos da Lei Complementar n. 101/01 (Lei de Responsabilidade Fiscal) serão punidas segundo o Decreto-Lei n. 2.848/40 – Código Penal; a Lei n. 1.079/50 (Crimes de Responsabilidade do Presidente da República, Ministros de Estados, etc..); o Decreto-Lei n. 201/67 (Crimes de Responsabilidade de Prefeitos e Vereadores); a Lei n. 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa); sem prejuízo de outras normas da legislação pertinente. III - Com relação aos Prefeitos Municipais, os crimes de responsabilidade serão apurados, a mesmo tempo e o modo, com os atos configuradores de improbidade administrativa, a exemplo do que ocorre com o Presidente da República, eis que a lesão à probidade administrativa, prevista como crime de sua responsabilidade, na Lei n. 1.079/50, também configura ato de improbidade administrativa pela Lei n. 8.429/92. IV - O sistema punitivo esculpido na Lei de Improbidade Administrativa é de cunho eminentemente civil, e, por isso, não se confunde com os institutos constantes no DecretoLei nº 201/67, concernente aos crimes de responsabilidade praticados por Prefeitos, que comina reprimendas de natureza penal e política. Sua aplicação cumulativa é possível, portanto. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO V - Será da justiça federal a competência para processar e julgar ações civis públicas que visem punir os agentes públicos responsáveis por desvio de verbas de origem federal repassadas para ampliação de educandário municipal, ainda que tais verbas tenham sido, anteriormente ao ato ilícito, integradas ao patrimônio local. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, II e IV estão corretos ) apenas II, IV e V estão corretos ) apenas I, III e IV estão corretos ) apenas I, III, IV e V estão corretos ) apenas I, II, III e IV estão corretos 41ª QUESTÃO I - A dicção do §4º do art. 37 da CF/88 denota que o ato de improbidade também pode corresponder a um crime definido em lei; que as sanções ali previstas nem sempre têm caráter penal; e que, na hipótese de correspondência do ato de improbidade a uma infração penal, não haverá prejuízo da apuração concomitante da improbidade no juízo cível e no criminal, caracterizando-se a comunicabilidade de instâncias. II - As entidades resguardadas pela Lei n. 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa) são análogas àquelas referidas pela Lei n. 4.717/65, que discorre acerca da ação popular, de modo que o objeto de ambas legislações são similares, com a peculiaridade de que, além de ser possível pleitear a anulação do ato lesivo e o ressarcimento dos danos causados ao erário, a lei de improbidade se coaduna com a aplicação de medidas sancionatórias. III - Pelas mesmas razões que conduzem à obrigatoriedade da ação penal pública, no campo da ação civil pública, adota-se o princípio da obrigatoriedade, que impõe a atuação do órgão ministerial em relação aos atos que configurem improbidade administrativa. IV - As entidades que recebam subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público ou da receita anual não possuem legitimidade para o ajuizamento da ação de improbidade administrativa. V - A transferência de funcionários admitidos para cargos públicos distintos daqueles para os quais foram eles transferidos, mesmo que não corresponda a uma alteração nos quantitativos, níveis, faixas de vencimento e atribuições dos funcionários, configurará ato de improbidade administrativa. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III, IV e V estão corretos ) apenas I, IV e V estão corretos ) apenas I está correto ) apenas IV e V estão corretos ) apenas I, II e III estão corretos 42ª QUESTÃO Foi interposto recurso de agravo de instrumento, com pedido de efeito suspensivo ativo, pelo Ministério Público, inconformado com a decisão interlocutória que, nos autos de ação com pedido cautelar de indisponibilidade de bens, por si proposta em face do ex- Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO Prefeito de Municipiolândia e outros, indeferiu liminarmente pedido para tornar indisponível os bens dos réus, ora agravados. O argumento da denegação explicitou que não houvera individualização das responsabilidades de cada envolvido, tampouco a caracterização do fumus boni juris e do periculum in mora necessários para a concessão do pedido liminar. Em sua minuta de agravo, o agravante denotou que a instância judicial fora inicialmente provocada em virtude da suposta ocorrência de ato de improbidade administrativa, eis que o ex-Prefeito em questão, teria, nos anos de 2004 e 2005, época em que estava em seu mandato, beneficiado empresas de transporte coletivo, mediante a expedição de decretos que, sem a específica autorização legislativa e subseqüente procedimento licitatório, autorizaram o repasse de recursos, na forma de subsídios, para a contratação daquelas a fim de realizarem o transporte escolar municipal. I - O Ente ministerial propôs ação civil pública, com pedido cautelar de indisponibilidade de bens, no intuito de, prontamente, acautelar a futura execução de sentença condenatória que decretasse a perda dos bens acrescidos ao patrimônio dos réus indevidamente, bem como o pagamento da multa civil correlata a ser imposta. II - No recurso oferecido, o periculum in mora reside na possibilidade do erário não vir a ser ressarcido quando do trânsito em julgado da sentença condenatória. Assim, a indisponibilidade patrimonial mostra-se medida impreterível diante de situação que teria acarretado lesão ao patrimônio público por conduta prejudicial de agente público e de terceiros. III - A indisponibilidade deve recair apenas sobre os bens que se fizerem suficientes para assegurar o ressarcimento integral do dano ou do acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito. Isto é, a constrição pleiteada deve incidir apenas sobre o montante necessário à plena reparação do dano, não sobre todo o patrimônio dos requeridos quando este se apresentar superior ao prejuízo. IV - Quanto ao fumus boni juris, tem-se que a contratação dos serviços, por parte do agravado ex-Prefeito, foi efetivada de modo irregular, pois não atendido o procedimento licitatório devido, bem como existentes indícios de fraude por se tratar de pagamento mensal às transportadoras (incluídos os meses de recesso escolar). V - A concessão da medida de indisponibilidade deve observar a individualização das responsabilidades acometidas a cada empresa transportadora envolvida, providência indispensável por não se tratar de hipótese de responsabilidade solidária. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, III, IV e V estão corretos ) apenas I e II estão corretos ) apenas II, IV e V estão corretos ) apenas II e IV estão corretos ) todos estão corretos 43ª QUESTÃO Considere que a um por/tador de necessidades especiais foi prescrito o uso Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO indispensável de medicação específica, mas que não se encontra padronizada pelo Sistema Único de Saúde. Deste modo, após provocação da instância administrativa, o requerimento do paciente foi indeferido pela Secretaria Municipal de Saúde. I - O direito em questão é individual homogêneo, eis que assemelhado aos direitos transindividuais porque demanda, da mesma forma, tutela coletiva. Assim, é homogêneo porque deriva da mesma situação, tem a mesma origem, decorrente da característica de massa da atual sociedade. II - O Ministério Público está legitimado para a propositura de ação em desfavor do Estado, posto versar primordialmente sobre direitos e interesses difusos e coletivos. III - A demanda diz respeito a interesse individual homogêneo, manifesto que é o interesse social da atuação ministerial, por tratar de tema ligado à saúde, cujo resguardo é obrigação do Estado e direito de todos. IV - A Lei Federal n. 8.080/90 delegou aos Estados da federação a administração dos recursos orçamentários e financeiros destinados à saúde. V - Segundo as diretivas constitucionais, as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada, de modo a constituir um sistema único, que é financiado com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes, o que impõe à União, aos Estados e aos Municípios a aplicação anual de recursos mínimos nessa área. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas V está correto ) apenas I e II estão corretos ) apenas II, IV e V estão corretos ) apenas III, IV e V estão corretos ) todos estão corretos 44ª QUESTÃO I - As organizações sociais podem ser denominadas de “Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público” quando estiverem constituídas como pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam os requisitos instituídos pela Lei n. 9.790/99 (Lei das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). II - A execução do objeto do Termo de Parceria, nos termos da Lei n. 9.790/99 (Lei das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público), será acompanhada e fiscalizada por órgão do Ministério Público da área de atuação correspondente à atividade fomentada, e pelos Conselhos de Políticas Públicas das áreas correspondentes de atuação existentes, em cada nível de governo. III - Entende-se por Termo de Parceria o instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como organização social, com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e execução de atividades que sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde. IV - Os responsáveis pela fiscalização da execução de Contrato de Gestão, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de recursos ou bens de origem pública por organização social, representarão ao Ministério Público, à Advocacia-Geral da União ou à Procuradoria da entidade para que requeira ao juízo competente a decretação da indisponibilidade dos bens da entidade e o seqüestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente público ou terceiro, que possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público, sob pena de responsabilidade solidária. V - Instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO XIII do art. 24 (dispensabilidade de licitação) da Lei n. 8.666/93 (Lei de Licitação), e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes, desde que sejam constituídas sob a forma de fundações de direito privado, sem fins lucrativos, e sujeitas à fiscalização do Ministério Público. A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas III está correto ) apenas IV e V estão corretos ) apenas I, II, IV e V estão corretos ) apenas V está correto ) todos estão corretos 45ª QUESTÃO I - A assistência social, uma das linhas de ação da política de atendimento ao idoso a ser feita conjuntamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios (art. 46, Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741/2003), será uma ação constitutiva, e não meramente supletiva, quando as políticas sociais básicas que envolvem necessidades humanas primárias não estiverem sendo efetivamente realizadas pelo Estado. II - A função de exercer o controle social, bem como o de aplicar as medidas para o cumprimento dos direitos previstos no Estatuto do Idoso é concorrente e disjuntiva, dentre outros, entre o Ministério Público, a Ordem dos Advogados do Brasil, as Associações afins, as Casas Legislativas Municipal, Estadual e da União e o Corpo de Bombeiros. III - O Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) prevê, a fim de prevenir a ocorrência de violação aos direitos dos idosos, a criação de um conselho municipal do idoso (art. 7º), a ser instituído mediante lei de iniciativa do Legislativo Municipal. Trata-se de um dentre os vários mecanismos asseguradores desses direitos. IV - Muito embora não conceda a lei de apoio às pessoas portadoras de deficiência (Lei nº 7.853/89) legitimidade ativa à Defensoria Pública para defender, por meio da ação civil pública, direitos difusos e coletivos de pessoas portadores de deficiência, nada impede que ingresse esse instituição com a ação competente, eis que após a alteração da Lei de Ação Civil Pública (nº 7.347/85), dada pela Lei nº 11.448/2007, foi-lhe conferida legitimidade para figurar como autora em ações dessa natureza V - Em relação aos idosos carentes, poderá o parquet referendar as transações relativas a alimentos, que passam a ter efeito de título executivo extrajudicial. Incumbirá, no entanto, ao idoso optar entre os prestadores dessa obrigação, devedores solidários, respeitada a ordem de preferência constante do Código Civil (art. 1696, CC). A. ( B. ( C. ( D. ( E. ( ) apenas I, III e IV estão corretos ) apenas I e IV estão corretos ) apenas III, IV e V estão corretos ) apenas II e V estão corretos ) apenas II, III e IV estão corretos BOA SORTE Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO PROVA PREAMBULAR GABARITO FINAL – PERÍODO MATUTINO QUESTÃO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 RESPOSTA A E B A E C E D ANULADA B A ANULADA D C B D B E B A D B B QUESTÃO 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 RESPOSTA E A D A D D A A E B D A C E D C A D E E D B Observação: - Em razão do julgamento dos recursos, foi alterado o gabarito destacado em azul. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br XXXIII CONCURSO PÚBLICO DE INGRESSO NA CARREIRA MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA – 2008 DO PROVA ESCRITA DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS EM DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS 1º QUESTÃO (5,00) Considere a situação abaixo descrita e FORMULE A(S) PEÇA(S) REFERIDA(S) para a provocação da instância judicial, na condição de Promotor de Justiça: A Prefeitura Municipal de Canoinhas, na pessoa do então Chefe do Executivo, João dos Anzóis, promoveu, em 30 de agosto de 2004, processo licitatório nº 003/2004 modalidade concorrência pública, tipo menor preço, para que fosse realizado o serviço de reforma da sua sede (com compra de materiais e execução da obra), erigida há mais de 30 anos em uma construção que necessitava, efetivamente, de reparos. Previa o edital que o orçamento total da obra seria de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), sendo R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) para o primeiro e o outro montante para o segundo exercício financeiro de execução da obra, não podendo as propostas ultrapassar 25% desse montante, para mais, e nem 30% para menos, do valor total orçado, devendo o proponente, para a última hipótese, justificar devidamente o preço ofertado. O instrumento licitatório continha projeto básico, no qual estavam descriminados, um a um, os valores, quantidade e qualidade dos materiais a serem fornecidos e o prazo de um ano (até 30 de agosto de 2005, portanto), para o encerramento da reforma, bem como estipulava que o pagamento do valor da contratação seria realizado em 12 parcelas iguais, sendo a primeira na assinatura do contrato e, as demais, a cada mês subseqüente, de acordo com as etapas previstas no edital e constante do contrato respectivo. A licitação foi realizada com a nomeação dos membros da Comissão Especial de Licitação, sendo que dois de seus integrantes eram Ardósia Maria (Presidente) e Juventino Perpétuo, servidores do município e edis daquela Municipalidade. Formalizado o procedimento licitatório, apresentaram propostas somente as empresas Fulano Ltda., Cicrano Ltda. e Beltrano Ltda., tendo sido contratada, após a realização das suas etapas a primeira empresa (Fulano Ltda.), 1 vencedora do certame, porquanto apresentou proposta correspondente às exigências contidas no edital, que não foi impugnado no prazo legal, além de ofertar o menor preço para o serviço a ser contratado, no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Assinado o contrato em setembro de 2004, como antecipação, o então prefeito liberou o pagamento de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) à empresa. Mencione-se, ainda, que para o exercício financeiro de 2004, consoante a Lei de Diretrizes Orçamentárias de Canoinhas, somente R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) eram previstos como despesas passíveis de serem suportadas pela Municipalidade, valor através do qual se deveria efetuar o pagamento do pessoal, encargos sociais e despesas outras, conforme o critério do Executivo Municipal, sempre em prol do interesse público, sem que houvesse previsão orçamentária suficiente para o pagamento parcial da reforma aduzida (R$ 500.000,00), nos moldes previstos pelo edital nº 003/2004. Anote-se que naquele mesmo exercício financeiro (2004), ano de eleição, Juventino Perpétuo não logrou reeleger-se, sendo, portanto, o derradeiro ano no qual figurara na Casa Legislativa mencionada, bem como João dos Anzóis que restou sucedido por Ambrósio Marcato, do mesmo partido político e agente político que deu a obra por recebida quando do seu término. Noticiado somente dois anos depois, em 2006, mediante representação apócrifa, mas acompanhada de documentos que evidenciavam irregularidades, instaurou o Órgão do Ministério Público Procedimento Preparatório nº 018/2006 para apuração dos fatos. No decorrer do procedimento, com a oitiva de testemunhas e a colação de documentação pertinente, confirmou o Ministério Público sobejamente a irregularidade, no que tange à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2004, pois foram previstos somente R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) para o pagamento de “outras despesas”, nas quais o pagamento parcial da reforma (objeto do edital nº 003/2004) se incluía, além de outras ilegalidades. Sabedor da investigação, apresentou-se o ex-alcaide voluntariamente perante o Promotor de Justiça no intuito de esclarecer os fatos noticiados, oportunidade em que contrapôs prova emprestada de ação popular já contra si ingressada em 2004 e já julgada improcedente com resolução do mérito por togado a quo (art. 269, I, CPC), qual seja, a que remeteu ao fato de a perícia judicial contábil confirmar que o montante destinado à Prefeitura previsto pela Lei de Diretrizes Orçamentárias era suficiente para o pagamento de todas as despesas para aquele exercício financeiro, no que não teria incorrido em qualquer irregularidade. Alegou, ainda, em depoimento prestado na Promotoria de Justiça que não incidiria perante prefeitos municipais a Lei de Improbidade Administrativa, mas tão só a Lei de Responsabilidade (Decreto-Lei nº 201/67), em caso de eventual ajuizamento de ação, além de registrar que somente poderia ser processado pelo Procurador-Geral de Justiça. Ato contínuo, porém, representação ofertada ao órgão do Ministério Público naquele Procedimento (Procedimento Preparatório nº 018/2004) comunicou que o perito nomeado, Aparecido Próprio, havia atuado com parcialidade em seu trabalho, porquanto companheiro de Ardósia Maria (reeleita para o ano 2 seguinte ao mandato de edil, pelo mesmo partido do ex-alcaide investigado), comunicação esta plenamente confirmada naquele Procedimento, com os depoimentos prestados perante o Promotor de Justiça e, inclusive, declaração de união estável perfectibilizada perante um Cartório de Registro Civil de Canoinhas entre os investigados, e no procedimento acostado. Nos autos do Procedimento Preparatório, restou consignado em um dos depoimentos coligidos, prestado por servidor da Prefeitura Municipal de Canoinhas que forneceu a documentação analisada: “[...]; que o Sr. Aparecido Próprio entrou no seu departamento e solicitou, como perito judicial nomeado pelo julgador da ação nº 000.000000-0 a relação de receitas e despesas para o exercício financeiro de 2004; que, durante a busca pelos documentos solicitados, afirmou o perito que ‘desnecessária era a análise da papelada, porque já tinha chegado a uma conclusão definitiva sobre o caso, favorável à Prefeitura’; que mais tarde ouviu falar do resultado da perícia; que achou estranho coincidir o resultado com aquele já previsto pelo perito, mas, como já haviam cessado os rumores acerca da ação, logo olvidou a informação recebida, reputando-a sem importância”. Lembre-se de que o montante de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) para o exercício financeiro de 2005 já havia sido vinculado, por força do contrato celebrado, ao pagamento dos materiais fornecidos e serviços prestados quando da reforma da referida construção. Além das informações antes descritas, no procedimento ficou comprovado, também, que: a) o valor atribuído à reforma estava, tanto em relação ao que foi cotado para mão de obra, quanto o preço a ser pago pelos materiais, após análise feita no procedimento, era superior ao normal de mercado. Do mesmo modo, também restou comprovado que a qualidade dos materiais empregados na obra, tais como cimento, materiais elétricos, tintas, etc.., era inferior aos cotados na proposta. Segundo apurado, o valor de mercado para a mesma obra, incluídos mão de obra e materiais, seria de R$ 455.000,00 (quatrocentos e cinqüenta e cinco mil reais). b) o edital do certame teve divulgação apenas no mural da Secretaria de Obras do Município, em prédio separado da prefeitura, fazendo com que apenas três empresas, todas sediadas no município, participassem da competição. c) a vereadora Ardósia Total, em 2004, teve aumentado o seu patrimônio em um montante não correspondente àquele declarado à Receita Federal. Instada, a edil alegou ser proprietária de imóvel rural, no qual fabricava produtos alimentícios variados (hortaliças em geral) para comercialização. No entanto, da Declaração de Renda, extrai-se que o valor adquirido da venda dos produtos ainda não cobria aquele por ela percebido. Entre o acréscimo existente e o efetivamente declarado, havia uma diferença de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), cuja origem lícita não foi comprovada. d) as provas coligidas no procedimento não confirmaram a participação direta da vereadora Ardósia Maria nas ilegalidades, embora existissem fortes indícios da sua influência para a conduta adotada pelo perito da ação popular. Ainda, que Ardósia Maria havia fornecido, como membro e Presidente da Comissão Especial de Licitação, informações privilegiadas e sigilosas à empresa 3 vencedora sobre o certame, conduta essa que, não se sabe, pode ou não ter influenciado no resultado. e) A empresa vencedora, Fulano Ltda., tinha como um dos seus sócios e administrador o filho do Prefeito, Marcolino dos Anzóis. A empresa Beltrano Ltda., por sua vez, era formada pelos sócios José Genuíno de Paredes, com 99% do capital social, e por Marcolino dos Anzóis, que detinha apenas 1% daquele capital. f) Apesar de não ter ocorrido acréscimo patrimonial em relação ao Prefeito, sabe-se que sua filha Lindóia dos Anzóis, estudante universitária e morando com os pais, desempregada, declarou à Receita Federal, no ano de 2006, ser proprietária de um apartamento no valor de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais), além de uma camionete Toyota (utilizada por seu pai) no valor de R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais), ambos adquiridos em dinheiro. Ouvida, não conseguiu demonstrar a origem lícita do dinheiro utilizado para a compra dos bens. O candidato, como Promotor de Justiça Substituto, deverá ingressar nesta data com a ação competente contra todos os agentes ímprobos, se possível, e eventuais beneficiados dos atos praticados, abordando, com adequada fundamentação, todas as situações fáticas e jurídicas apresentadas na questão. 2ª QUESTÃO (2,00) Considere a situação abaixo descrita e responda, fundamentadamente, as indagações que seguem: Aportaram inúmeras representações de consumidores ao Ministério Público e a outros órgãos de proteção ao consumidor em todo o Estado, acerca de propaganda tida como enganosa atribuída à empresa Mentiro Ltda., do ramo hoteleiro, com sede no Estado do Rio de Janeiro. As informações dão conta de indícios de fraude aos direitos do consumidor a partir das campanhas publicitárias – veiculadas pelas agências de publicidade ABC e DEF, de Curitiba-Pr. –, que diziam estar a empresa Mentiro Ltda. oferecendo a seus clientes, após sorteio, promoção de diárias em hotéis de sua rede espalhados em vários estados brasileiros e principalmente no litoral, durante vários dias por ano, mediante a simples aquisição de título da empresa, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), pagos em até cinco vezes, a fim de usufruir do benefício sem qualquer despesa adicional, o que, todavia, constatou-se não corresponder à realidade. Sabe-se que a oferta publicitária é veiculada em diversos Estados da Federação. Informações extraídas das reclamações dos consumidores mostram que: 4 a) a conduta da empresa Mentiro Ltda. remete à veiculação de uma publicidade enganosa, em pontos estratégicos e principalmente em veículos de comunicação, pela qual os consumidores seriam 'contemplados' por uma suposta promoção, com direito a receberem um prêmio quando da aquisição pura e simples de seus títulos, por uma única vez; b) os consumidores que adquiriram esses títulos o fizeram em seus domicílios, diretamente de representantes da empresa Mentiro, em cuja oportunidade assinaram uma simples proposta de adesão à promoção veiculada, cujos títulos vieram a receber mais tarde pelo correio; em sua maioria são pessoas de baixa renda, as quais, ao tentarem usufruir dos benefícios prometidos, depararam-se com a necessidade de pagamento de um “adicional pecuniário” para o gozo do benefício, condição esta que não constava da oferta veiculada pela empresa, nem mesmo quando da pactuação dos títulos. c) o desdobramento da campanha publicitária pode ser assim resumido: era informado na propaganda enganosa, identificada de promoção, que o adquirente de um título, no valor único de R$ 500,00, concorreria ao sorteio de uma viagem, para qualquer lugar em que a empresa Mentiro Ltda. tivesse hotel conveniado, durante 28 dias por ano, sem custo adicional algum. No entanto, quando o 'sorteado' comparecia ao escritório do representante comercial, eralhe informado que deveria complementar o valor daquele título em mais R$ 1.000,00 (mil reais), dividido em até 4 parcelas de R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais), além de haver o prazo de carência de oito meses para usufruir do benefício. Caso não complementasse o valor do título, e/ou não observasse a referida carência, não poderia usufruir a suposta hospedagem gratuita. Ao eventual reclamo baseado na oferta publicitária, o escritório do representante comercial da empresa solenemente ignorava o ‘sorteado’. A empresa Mentiro Ltda. não mantém escritório neste Estado. No entanto, contratou, em Florianópolis, como sua representante comercial, a “João Farsante – ME”, que comercializa os títulos e informa os sorteados. Pergunta-se: 1. Que princípios e direitos foram violados pela empresa patrocinadora da propaganda? Cite a fundamentação legal. 2. Sabendo-se que várias Promotorias de Justiça e outros órgãos de proteção ao consumidor do Estado receberam reclamações de vítimas da propaganda enganosa, em face do não cumprimento do prometido na oferta publicitária da empresa Mentiro, e que a mesma prática extrapola os limites de Santa Catarina fale, fundamentadamente, sobre a competência para a deflagração de medida tendente à cessação da lesão e à reparação dos danos sofridos pela coletividade de consumidores. 3. A empresa infratora poderia alegar, validamente, em sua defesa, que a oferta publicitária não pode ser coibida, em face da liberdade de expressão, e que ela não se vincula ao negócio, até porque o contrato celebrado com os reclamantes contempla cláusula que a exclui de responsabilidade pelo conteúdo da propaganda, esta de responsabilidade das agências por si 5 contratadas, e, mesmo que vinculasse, o Ministério Público não teria legitimidade para discutir cláusula contratual? Fundamente a resposta. 4. O Ministério Público instaurando algum procedimento, antes de ir à via judicial poderia se valer de outra medida legal para fazer cessar a publicidade enganosa? Qual e com que fundamento? Quem deve ser chamado a integrar essa medida? Além da cessação da publicidade que outras obrigações devem ser exigidas da empresa infratora? 5. Se necessária a via judicial, quem deveria ser demandado? Por que? O que deve ser objeto de pedido e com que fundamento? 3ª QUESTÃO (2,00) Considere a situação abaixo descrita e responda, todas as questões subseqüentes: Um cidadão com de necessidades especiais, idoso, residente no Município de Forquilhinha, acometido por leucemia, foi submetido à realização de transplante de medula óssea, nesta Capital, caracterizando, assim, o procedimento denominado de “Tratamento Fora do Domicílio – TFD”, gerido pelo Sistema Único de Saúde. A cirurgia foi suportada, em todos os seus encargos econômicos, pelo Poder Público. Para o completo restabelecimento da saúde do idoso, foi-lhe prescrito o uso indispensável de medicação específica, mas cujo princípio ativo não se encontrava padronizado pelo SUS. O idoso, devidamente representado por seu filho, procura o Ministério Público estadual e declina a necessidade de disponibilização de medicamento não padronizado, indispensável ao seu tratamento, bem como do custeio de despesas de locomoção, hospedagem, e alimentação para a continuidade do tratamento no Município em que foi realizada a cirurgia, distante aproximadamente 250 km de seu domicílio. O Órgão do Ministério Público instaura procedimento próprio e, após instrução, constata a veracidade da reclamação, inclusive com prova pericial. Considere a situação abaixo descrita e responda, fundamentadamente, as indagações que seguem: 1. Qual a natureza jurídica do(s) direito(s) envolvido(s)? 2. Em face da situação descrita acima, haveria justificativa(s) para a atuação do Ministério Público? Por quê? 6 3. Se deduzido o interesse em juízo: a) quais particularidades existiriam pelo fato de o paciente ser idoso e com necessidades especiais no tocante ao direito material e ao direito processual envolvidos? (Citar, ao menos, duas situações pertinentes ao direito material, e duas ao direito processual). b) seria possível às associações representativas de pessoas com deficiência e/ou de idoso vir a figurar nesta lide? Sob qual fundamento jurídico? c) a decisão a ser dada ao caso aplicar-se-ia a situações fáticas semelhantes? d) contra qual unidade federativa deverá ser proposta da demanda, o município de residência do paciente, o município do tratamento, o estado ou União? Defina a responsabilidade de cada um deles? 4ª QUESTÃO (1,00) Considere a situação abaixo descrita e responda, fundamentadamente, as indagações que seguem. A compensação ambiental por implantação de empreendimento de significativo impacto ambiental, imposta ao empreendedor e fixada pelo órgão ambiental licenciador, prevista no art. 36, da Lei Federal n. 9.985, de 18 de julho de 2000, fundamenta-se no princípio da prevenção e não se vincula ao dano causado. Pergunta-se: 1. Qual a natureza jurídica da responsabilidade civil por dano ambiental? 2. Em matéria ambiental admite-se a responsabilidade civil sem relação de causalidade? 3. É possível a prévia fixação da compensação ambiental em percentual mínimo com base nos custos totais do empreendimento, sem a efetiva ocorrência de dano? 4. Admite-se a responsabilidade civil presuntiva por impacto ambiental? 5. No caso de diversos empreendimentos ou atividades estarem aptos a causar o dano ambiental concretizado, haverá responsabilidade concorrente, independentemente do reconhecimento da culpa? BOA SORTE!!! 7 XXXIII CONCURSO PÚBLICO DE INGRESSO NA CARREIRA MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA – 2008. DO PROVA ESCRITA DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS EM DIREITO CIVIL E DIREITO PROCESSUAL CIVIL 1ª QUESTÃO ( 5,00) JESUINA PINHEIRO, brasileira, viúva, e seu filho FERNANDO PINHEIRO, menor impúbere, ajuizaram na comarca Alfa, de Santa Catarina, ação ordinária de nulidade de escritura de compra e venda, cumulada com reintegração de posse e perdas e danos, contra SATURNINO RAMOS, BELARMINO DOS SANTOS e JOSUÉ PEREIRA E SUA MULHER OLGA PEREIRA, na data de 13 de março de 2006 dizendo, em síntese, o seguinte: A autora pretende reaver um terreno de sua propriedade e de seu filho FERNANDO com 12.100 m², plantado com pinus, argumentando que o mesmo foi vendido em 20 de novembro de 1996 para BELARMINO DOS SANTOS com a utilização de uma procuração passada para SATURNINO RAMOS, apresentada por cópia xérox autenticada pelo Tabelião MANOEL GONÇALVES, da comarca Alfa, de Santa Catarina, que foi montada a partir de uma outra procuração que a autora havia outorgado para outra pessoa, mas em que, na xérox, constou como outorgada para SATURNINO RAMOS, como demonstrou com a juntada do documento original, em que não figurava o nome de SATURNINO RAMOS, mas o de JOÃO DOS ANJOS. A escritura pública de compra e venda foi lavrada no Tabelionato de MANOEL GONÇALVES, cujo oficial é concursado pelo Tribunal de Justiça, em 01 de dezembro de 1996 e registrada em 01 de fevereiro de 1997 no Ofício do Registro de Imóveis de Alfa. BELARMINO DOS SANTOS E SUA de novembro de 2001. MULHER venderam o terreno para JOSUÉ PEREIRA em 20 Todos foram citados pessoalmente. O réu SATURNINO RAMOS contestou a ação dizendo que não havia praticado nenhuma fraude que, se existiu, não era de sua responsabilidade, pois a xérox da procuração estava devidamente autenticada por Tabelião e merecia fé pública. E que a responsabilidade era do Poder Judiciário pois efetuou o concurso do Tabelião e o empossou. Alem de estar prescrita a ação de nulidade de escritura pública. E que a ação era incorreta, pois não se trata de nulidade de ato jurídico e nem de anulabilidade já que seu objeto é licito e o ato revestiu a forma prescrita em lei e não possui nenhum vicio de vontade. O réu BELARMINO DOS SANTOS contestou dizendo que não participou de nenhuma fraude que, se existente, seria do Tabelião catarinense e do procurador SATURNINO RAMOS de modo que a compra e venda foi perfeita e acabada e o respectivo preço foi devidamente pago para o procurador SATURNINO RAMOS, que passou o competente recibo. Denunciou a lide para o Tabelião e para o Estado de Santa Catarina, aduzindo que aquele respondia por praticar o ato ilícito e este respondia objetivamente e deve ser condenado a ressarcir-lhe eventuais perdas e danos, assim como a indenizar o valor do imóvel em caso de eventual procedência da ação. Os réus JOSUÉ PEREIRA E SUA MULHER contestaram dizendo que são terceiros de boa-fé e não participaram de nenhum ato fraudulento, além de sustentar que a autora era carecedora da ação, porque o pedido deveria ter sido dirigido também contra o Tabelião e contra o Estado de Santa Catarina, que seriam litisconsortes passivos necessários, na modalidade de litisconsórcio unitário. A autora é carecedora da ação por falta de integração à lide da mulher de Belarmino dos Santos. Além disso, a autora é carecedora da ação possessória intentada porquanto nunca tivera posse do terreno. Finalmente, sustentam que são possuidores da área mansa e pacificamente argüindo usucapião ordinário pela soma das posses sua e de seus antecessores. Citados, o Tabelião MANOEL GONÇALVES não ofereceu contestação e o Estado de Santa Catarina sustentou não ter nenhuma responsabilidade pelo ato do Tabelião, eis que não teve qualquer participação na eventual fraude praticada, nem foi parte na relação de compra e venda de BELARMINO DOS SANTOS para JOSUÉ PEREIRA.E ademais o juízo da comarca de Alfa era incompetente para o 2 julgamento da ação, pois por se tratar de lide contra o Estado de Santa Catarina a competência é da vara da fazenda da capital. A autora manifestou-se sobre as respostas ofertadas. Antes da realização da audiência de instrução e julgamento, faleceu o procurador SATURNINO RAMOS, que assinou a escritura pública de compra e venda em favor BELARMINO DOS SANTOS. Citado o Espólio, este veio com contestação dizendo que o falecido havia sido interditado por insanidade mental em 06 de dezembro de 1996, juntando cópia autenticada de sentença de interdição transitada em julgado em 22 de dezembro de 1996 e, portanto, o ato por ele pretensamente praticado seria nulo ou anulável e ele não teria qualquer responsabilidade por sua eventual prática. Na audiência de instrução e julgamento realizada em 5 de agosto de 2007 não houve a inquirição de qualquer testemunha, tendo as partes repisado seus argumentos anteriores e JOSUÉ PEREIRA E SUA MULHER acrescentaram que a interdição de SATURNINO é posterior à escritura pública, pelo que não há nulidade ou anulabilidade da escritura pública. Na qualidade de Promotor de Justiça, vieram os autos para manifestação, na qual deverá opinar, fundamentadamente, sobre todas as preliminares e as questões jurídicas do mérito. 2ª QUESTÃO ( 2,00) O Promotor de Justiça titular da Promotoria de Justiça de Anita Garibaldi foi procurado do dia 08 de novembro de 2008 pelos senhores PEDRO OSÓRIO e MARIA OSÓRIO, brasileiros, casados, ele com 60 anos e ela com 57 anos de idade, sem filhos, os quais relataram estarem residindo no Município de Abdon Batista (integrante da comarca) há um ano, sendo oriundos do Município de Gramado/RS, onde residiam, na localidade de "Linha Bonita", desde que casaram. Contaram que em meados de 1990 mudaram-se para imóvel lindeiro 3 ao deles LINDOMAR COSTA e sua esposa JOSEFINA COSTA, estando ela grávida, dando a luz em 20 de setembro daquele ano ao menino DAGOBERTO COSTA, sendo que desde aquela data passaram a acompanhar o crescimento do infante, do qual se tornaram padrinhos. Disseram que no final de 1992, LINDOMAR COSTA abandonou a família, fugindo para Coronel Vivida/PR com sua concubina, deixando diversas dívidas para sua esposa, que se viu obrigada a vender até os móveis que possuíam para quitá-las. Diante de tal fato, PEDRO e MARIA resolveram acolher em seu lar JOSEFINA e o pequeno DAGOBERTO, em decorrência da amizade construída entre as famílias. Após o ocorrido, JOSEFINA entrou em processo depressivo, adoecendo severamente, vindo a óbito em 25 de junho de 1993, sendo que LINDOMAR e JOSEFINA não tinham parentes vivos, estando este em lugar incerto e não sabido, razão pela qual PEDRO e MARIA passaram a cuidar da criança DAGOBERTO com se fosse seu filho, sem, contudo, tomar as medidas legais cabíveis para a regularização da situação fática. Passados 14 anos, a família resolveu mudar-se para a cidade de Abdon Batista, a fim de ficarem próximos dos genitores de PEDRO, já em idade avançada, onde adquiriram imóvel na área rural do município, no qual PEDRO, MARIA e DAGOBERTO trabalhavam e produziam alimentos para revenda e o sustento familiar. Ainda, que transcreveram 10.000 m2 desse imóvel em nome de DAGOBERTO, o qual também é proprietário de uma moto Titan. Contaram ainda que no dia 28 de setembro do ano em curso, quando arava terras de propriedade da família, o trator que dirigia acabou capotando vindo, DAGOBERTO a bater com a cabeça em uma pedra, sofrendo em decorrência do acidente grave lesão cerebral que lhe deixou, irreversivelmente, impossibilitado de expressar coerentemente a sua vontade e de gerir a sua vida, conforme comprovado em exames médicos neurológicos e psiquiátricos apresentados à Promotoria, continuando os declarantes responsáveis por todos os cuidados com o acidentado. Por fim, solicitaram auxilio da Promotoria de Justiça para encaminhamento da questão, uma vez que necessitam regularizar a situação fática, com máxima urgência, ante a necessidade de representá-lo perante a autarquia previdenciária, visando a obtenção de benefício essencial para auxiliar nas despesas familiares e no tratamento do interessado, bem como para gerir seus bens. Diante de tal fato, na condição do Promotor de Justiça acima indicado e levando em consideração as peculiaridades do caso concreto, adote a providência cabível para a pronta solução do problema. 4 3ª QUESTÃO (1,5) MARIA DO ROSÁRIO, por seu advogado, em 26 de janeiro de 2008 ingressou, perante o Juízo de Família de Lages, com Ação Declaratória de Reconhecimento e Dissolução de Sociedade de Fato c/c Partilha de Bens, Guarda, Alimentos e Regulamentação de Visitas, contra AMARO TRISTONHO, argumentando que mantiveram união estável desde 1985, tornando-se, agora, insuportável a vida em comum, a ponto de o requerido abandonar o lar e ir viver com outra mulher. Da união nasceram três filhos: PEDRO, PAULO e TEREZA, respectivamente, nascidos em 12.10.1987, 28.02.1990 e 02.06.1992, o primeiro freqüentando a 5ª fase do curso de medicina veterinária da UDESC, o segundo, concluíra o terceirão do Colégio Bom Jesus e, a terceira cursava o primeiro ano do mesmo colégio. Quando iniciaram a vida em comum não tinham bens, mas hoje, com o esforço do casal amealharam uma casa, onde reside a autora e os filhos, avaliada em R$ 220.000,00; um apartamento, onde reside o requerido, avaliado em R$ 320.000,00; dois veículos de passeio, ambos ano 2007, avaliados em R$ 30.000,00 cada um – estando um com o requerido e outro com ela. Informou também que o requerido é engenheiro químico, aposentado, mas que é professor da UNIPLAC e presta consultoria para grandes empresas, auferindo, mensalmente, rendimento superior a R$ 15.000,00. Contudo, não vem contribuindo adequadamente com o sustento da família, posto que destina apenas um salário mínimo mensal para cada filho e uma cesta básica de R$ 40,00 para casa a cada 15 dias, o que é insuficiente para manter os filhos com alimentos, vestuário, medicamentos, calçados, materiais escolares, planos de saúde, água, luz, telefone, Internet, IPTU, IPVA, etc. Por isso, assistindo seus filhos pediu o arbitramento de alimentos em dois salários mínimos para cada um e quatro para ela, além do plano de saúde, pois o rendimento que ela consegue não alcança um salário mínimo mensal líquido, que é retirado de trabalhos artesanais que produz quando lhe sobra tempo em face dos afazeres domésticos. Pediu a guarda dos filhos e que o direito de visitas seja estabelecido para cada 15 dias, nos domingos à tarde; o reconhecimento da união estável, sua dissolução e a partilha dos bens em partes iguais. Requereu o benefício da assistência judiciária gratuita, por não ter condições de arcar com custas e honorários sem privar-se do essencial à subsistência sua e da família, firmando declaração nesse sentido; a condenação do requerido nas 5 custas processuais e honorários advocatícios de 20% sobre o valor da causa. Valorou a causa. Fixados os alimentos provisionais, em 30 de janeiro de 2008, conforme o pedido, a serem pagos até o último dia do mês de competência; concedida a guarda provisória dos filhos à requerente e estabelecido o direito de visita em um dia por semana, a ser combinado entre os interessados; deferido o pedido de assistência judiciária gratuita. A citação se deu no dia 04 de fevereiro de 2008. Audiência conciliatória inexitosa. Em contestação tempestiva, o requerido só concordou com a existência da união estável e a necessidade da sua dissolução. Asseverou, contudo, que quando conheceu a autora já era engenheiro químico, tinha boa renda e era proprietário do terreno onde está construída a casa da família, além de um automóvel, e os demais bens foram adquiridos pelo seu esforço próprio, nunca recebendo auxílio financeiro da autora. Disse que concordava em deixar a casa em nome dos filhos, com usufruto vitalício para a autora, nada mais. Quanto aos alimentos, o máximo que poderia suportar era o que já vinha alcançando aos filhos, pedindo a desoneração em face de PEDRO, já maior e não representado nos autos, como também em relação à autora, que fora apenas sua companheira, e tem condições de trabalhar, como trabalha, para prover o próprio sustento e ajudar no dos filhos; sustentou a necessidade de extinção do processo, sem julgamento do mérito, em face de PEDRO, por ser ilegítima sua representação pela mãe; quanto à guarda, queria que fosse compartilhada, pelo bom relacionamento que tem com os filhos, o que dispensaria a regulamentação de visita. Pediu o benefício de justiça gratuita, por não poder pagar custas e honorários advocatícios e a inversão do ônus da sucumbência, devendo a autora ser condenada a honorários de 20% sobre o valor da causa. Intimado o advogado dos autores apresentou impugnação, refutando os termos da contestação, exceto no tocante à guarda e visita dos filhos. Sustentou que o pedido de justiça gratuita deve ser indeferido, pois o requerido tem condições de custear a demanda e até contratou advogado de renome. Os autos vieram com vista ao Promotor de Justiça, em 05 de novembro de 2008. Sendo você o Promotor de Justiça, analise os autos e elabore a peça processual indicando, fundamentadamente, a solução correta para todas as questões que o caso envolve. 6 4ª QUESTÃO (1,5) Na mesma carga em que chegou o processo acima, se encontrava também a Ação de Execução de Alimentos n. xx, promovida por MARIA DO ROSÁRIO, em 02 de abril de 2008, por si e assistindo seus filhos, contra AMARO TRISTONHO, ao argumento de que ele não honrava corretamente com a pensão arbitrada, insistindo em depositar, nos meses de fevereiro e março apenas um salário mínimo para cada filho e a cesta básica de R$ 40,00. Apresentou o cálculo e pediu que a execução seguisse o rito do art. 733 do CPC, devendo o executado ser citado para o pagamento em três dias, sob pena de prisão. Citado o executado em 04 de maio de 2008, apresentou justificativa dizendo que seus ganhos de aposentadoria e de professor mal alcançavam R$ 4.500,00 por mês e que era ilusão da exeqüente os ganhos de assessoria, posto que tais serviços eram esporádicos; que já constituíra nova família e com ela também tinha despesas; que já é homem com idade mediana, necessitando de medicamentos caros e, tudo somado, lhe impossibilitaria pagar o quantum arbitrado provisoriamente. Reclamou a desnecessidade de pagar alimentos ao filho mais velho, por já terá alcançado a maioridade, antes da propositura da ação, bem como à mulher, posto que pode trabalhar e se sustentar e assim também ao filho PAULO que já completara 18 anos de idade; que a ex-companheira não podia estar pleiteando em nome dos filhos maiores, que não estão representados nos autos, motivo suficiente para a extinção do feito em relação a eles; que a execução em relação aos demais postulantes também deveria ser julgada extinta, por se tratar de alimentos provisórios e não definitivos, eis que não há sentença transita em julgado a constituir título executivo judicial; que, se não for assim, ainda é impossível a pretensão dos exeqüentes, por desatenção à Sumula 309 do STJ, pois apenas duas parcelas, parciais, estavam vencidas na propositura da ação. De qualquer sorte, valera-se de amigos, para evitar problemas enquanto não se decidia a execução, que lhe emprestaram dinheiro suficiente para pagar as duas parcelas parciais reclamadas, cujos recibos juntava com a justificativa. Desta sorte, se ainda persistir a execução, que sejam compensados ou restituídos os valores que pagou no tocante aos filhos PEDRO e PAULO já 7 maiores e não representados nos autos. Intimado o advogado manifestou-se pelos exeqüentes, refutando todos os argumentos do executado e afirmou que MARIA DO ROSÁRIO jamais recebeu os valores constantes dos recibos juntados, cuja assinatura lá constante não é dela, sendo falsa. Ademais, PAULO passara no vestibular para o curso de administração da UNIPLAC, que é particular, iniciando suas aulas em agosto de 2008. Despachando os autos, o Juiz de Direito determinou a instauração de incidente da falsidade, em autos apartados, e abriu vista dos autos de execução ao Ministério Público, dizendo: “Dê-se vista ao representante do Ministério Público para falar sobre o processado. Após, decidirei sobre a justificativa apresentada”. Você é o Promotor de Justiça junto à Vara de Família de Lages, devendo examinar todos os pontos acima veiculados emitindo, fundamentadamente, a manifestação cabível. BOA SORTE! 8 MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO XXXIII CONCURSO PÚBLICO DE INGRESSO NA CARREIRA MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA – 2008. DO PROVA ESCRITA DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS EM DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL PENAL. 1ª QUESTÃO: ( 6,0 PONTOS) O representante do Ministério Público na comarca de Imbituba, SC, em 1º de março de 2004, ofereceu denúncia contra Tibúrcio Ringo Biguá, brasileiro, casado, 30 anos de idade, servente de pedreiro, natural do município e comarca de Biguaçu, SC, conhecido pela alcunha de “perneta”, Tinoco Bob da Silva Biguá, brasileiro, solteiro, com 21 anos de idade, mecânico, natural do município e comarca de São Jose, SC, vulgo “covinha” e Bastião Xisto dos Anzóis, brasileiro, solteiro, com 29 anos de idade, pintor, natural do município e comarca de Palhoça, SC, vulgarmente conhecido por “baga”. O primeiro como incurso nos arts. 148, caput, 157, § 3º, segunda parte e 211, todos do Código Penal; arts. 12 e 14 da Lei n. 10.826/03, art. 1º da Lei n. 2.252/54 c/c arts. 29 e 69, ambos do Código Penal; o segundo, por infração ao disposto nos arts. 148, caput, 157, § 3º, segunda parte e 211, todos do Código Penal e art. 1º da Lei n. 2.252/54 c/c arts. 29 e 69, ambos do Código Penal; e, o terceiro, por infringir o disposto nos arts. 180, § 1º, 348 e 349, todos do Código Penal c/c o art. 69 do mesmo diploma legal. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO Segundo narra a denúncia, no dia 21/2/2004, por volta das 08hs30min, no município e comarca de Florianópolis, SC, a vítima Atanásio Azarildo dos Santos, brasileiro, solteiro, com 24 anos de idade, comerciante, natural do município e comarca de Santo Amaro da Imperatriz, foi atraída até a casa de Tibúrcio Ringo Biguá, quando então, sob a mira de uma arma apontada por Tinoco Bob da Silva Biguá, foi imobilizada, amarrada com cordas e assim mantida até o dia seguinte, por volta das 23hs30mim, sob a vigilância da menor Plotina Marinéia, brasileira, solteira, de 17 anos de idade, estudante, natural do município e comarca de Tijucas, SC, quando, então, foi levada a um sítio na localidade de "espraiados", no interior do município e comarca de Imbituba, SC, de propriedade de parentes da referida menor e lá foi morta a pauladas, teve seu corpo cortado em diversas partes e restou queimada em uma churrasqueira, sendo espalhados seus restos mortais pela referida propriedade. Foram subtraídos do apartamento da vítima Atanásio Azarildo dos Santos vários eletrodomésticos, aparelhos eletro-eletrônicos, roupas, perfumes, óculos, calçados, móveis, além do veículo VW/Golf, placas MAU 3194 e um aparelho celular. Consta, ainda, na peça acusatória, que Bastião Xisto dos Anzóis recebeu, ocultou e utilizou em proveito próprio e alheio os bens da inditosa vítima, que sabia serem produtos de crime, além de emprestar aos primeiros réus (Tibúrcio e Tinoco) favorecimento pessoal e real, informando sobre a movimentação policial que apurava o desaparecimento da vítima, prestando-lhes auxílio, também, a fim de tornar seguro o proveito obtido com o crime. O processo foi cindido com relação ao réu Tinoco Bob da Silva Biguá, o qual se evadiu do ergástulo público, estando em lugar incerto e não sabido. No curso do processo apurou-se que Tibúrcio Ringo Biguá e Bastião Xisto dos Anzóis possuíam antecedentes criminais, tendo o primeiro sido condenado por tráfico de drogas, à pena de 5 (cinco) anos de reclusão, mas recorrera e o processo se encontra no Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, pendente de julgamento e, o segundo, fora condenado por furto simples à pena de 1 (um) ano de reclusão, substituída por prestação de serviços à comunidade, já cumprida integralmente. Não há confissão expressa de que a menor Plotina Marinéia tenha participado dos fatos descritos na denúncia. Entretanto, Bastião Xisto Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO dos Anzóis, nas duas oportunidades em que foi ouvido, descreveu a participação da referida adolescente, pois estaria ela "encarregada do cativeiro". O réu Tinoco Bob da Silva Biguá, irmão de Tibúrcio Ringo Biguá e co-autor dos delitos, cujo processo foi cindido, por sua vez, também afirmou que a menor Plotina Marinéia vigiava Atanásio Azarildo dos Santos. Retira-se, a propósito, do depoimento da menor Plotina Marinéia, a qual, pelo que restou apurado, antes nunca havia praticado ou participado de delitos ou contravenções penais: "(...) que parte do material subtraído da casa de Atanásio Azarildo dos Santos ficou escondido no forro do sofá da casa da depoente (...)". O doutor Juiz de Direito considerou a culpabilidade, a personalidade dos réus, os motivos, as circunstâncias e as conseqüências dos crimes como sendo desfavoráveis. Por conta disso, aumentou a pena-base em 3 (três) meses para a ocorrência do cárcere privado, 3 (três) meses para a destruição de cadáver, 2 (dois) anos para o latrocínio e, 2 (dois) meses, para o porte ilegal de arma. A confissão extrajudicial foi valorada para a configuração dos delitos. O Togado indeferiu o pedido de novo interrogatório, porquanto o que fora realizado revestiu-se de todos os requisitos necessários à sua validade, bem como o pedido de acareação de testemunhas. Tibúrcio Ringo Biguá confessou na fase policial e se retratou em Juízo. De igual modo, Tinoco Bob da Silva Biguá confessou com riqueza de detalhes todos os fatos narrados na denúncia durante sua inquirição pela autoridade policial. Registre-se, por oportuno, que a materialidade e a autoria dos delitos restaram comprovadas pelos Termos de Apreensão (fls. 15, 73/75, 79/80), Fotos dos objetos (fls. 76/77), Termo de Reconhecimento e Entrega (fls. 92/103) Laudos Periciais (fls. 141/148, 151/157), saques efetuados na conta da vítima, conforme extratos de fls. 129/136 e Fotos extraídas da câmera de vigilância do Banco Inco (fls. 48/58); Termos de Declaração (fls. 20, 60/62, 64/66, 70/71, 86/87, 113/113), Termos de Interrogatório (fls. 199/200, 201/205 e 206/208), Laudo e Termos de Depoimento (fls. 229, 257, 277, 309/310), além das confissões extrajudiciais dos réus (fls. 60/62 e 169/171). Durante a lavratura do flagrante, em data de 25 de fevereiro de 2004, com Tibúrcio Ringo Biguá foi apreendida uma arma de fogo, tipo Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO revólver, calibre 38, marca S.W., com numeração raspada, conforme se infere do Termo de Apreensão de fls. 79. Restou provado no caderno processual que Bastião Xisto dos Anzóis, que recebia, mensalmente, a quantia de R$ 450,00 (quatrocentos e cinqüenta reais), seguiu com os autores do latrocínio, os quais haviam ficado escondidos em sua casa, no veículo da vítima Atanásio Azarildo dos Santos, até as cidades e comarcas de Laguna, SC, e Tubarão, SC, e, de igual modo, utilizou-se do seu telefone celular. Em seu poder também foram encontrados o óculos, perfumes e calçados da vítima. A confissão resta estampada em suas declarações prestadas nas fases policial e judicial, bem como das declarações de sua mãe e seu padrasto. Sobreleva destacar, por oportuno, que a prova testemunhal colhida em Juízo confirmou satisfatoriamente a versão acusatória descrita na peça vestibular. Processado e instruído o feito, sobreveio sentença, publicada em 28/3/2008, julgando procedente, em parte, a denúncia, absolvendo Tibúrcio Ringo Biguá do crime previsto no art. 1º da Lei n. 2.252/54 e condenando-o à pena de 28 (vinte e oito) anos e 9 (nove) meses de reclusão, no regime integralmente fechado, e ao pagamento de 36(trinta e seis) dias-multa, fixados em 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, por infração ao art. 148, caput, art. 157, § 3º, segunda parte, art. 211, art. 61, inciso II, alíneas “b”, “c” e “d”, art. 65, inciso III, letra “d”, todos do Código Penal, combinados com art. 29 e art. 69, ambos do mesmo estatuto repressivo e, ainda, pelo art. 16, parágrafo único, inciso IV, da Lei n. 10.826/03; e Bastião Xisto dos Anzóis foi condenado à pena de 1 (um) ano de reclusão e 2 (dois) meses de detenção, em regime semi-aberto e ao pagamento de 20(vinte) diasmulta, fixados em 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo, por infração ao art. 180, caput, art. 348, caput, e art. 65, inciso III, letra “d”, c/c art. 69, todos do Código Penal, substituída por duas penas restritivas de direito, consistentes em prestação pecuniária no valor de 8 (oito) salários mínimos e prestação de serviços à comunidade, a ser cumprida 3 (três) horas de tarefa por dia de condenação. Os advogados de defesa, bem como os réus Tibúrcio e Bastião restaram intimados da sentença em 4/4/2008. O doutor Promotor de Justiça, por seu turno, foi intimado da aludida decisão em data de 14/4/2008. Irresignados com o teor do decisum, apelaram, no prazo legal, o representante do Ministério Público e os réus Tibúrcio Ringo Biguá e Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO Bastião Xisto dos Anzóis. A acusação postula a reforma da prestação jurisdicional entregue, na parte em que não está em consonância com as normas legais pertinentes à espécie, insurgindo-se, inclusive, no tocante à dosimetria da pena. Bastião Xisto dos Anzóis, de sua parte, pugna, preliminarmente, a) nulidade do julgamento por cerceamento de defesa, eis que seu Defensor não foi intimado da audiência designada no Juízo deprecado, para oitiva de testemunha de acusação, b) incompetência ratione loci, apontando como Juízo competente o da comarca de Florianópolis, SC, c) prescrição dos delitos. No mérito, pleiteia sua absolvição ou, subsidiariamente, serem consideradas as circunstâncias atenuantes e causas de especial diminuição de pena e que lhe seja concedida a liberdade provisória, a fim de aguardar o deslinde do processo em liberdade, até o julgamento do recurso. Por sua vez, Tibúrcio Ringo Biguá postula, em preliminar: a) a nulidade do julgamento por cerceamento de defesa, ao argumento de que foi indeferida a acareação e o novo pedido de interrogatório, b) nulidade pela sentença ter aplicado tipificação diversa daquela contida na denúncia, c) almeja, ainda em proemial, a nulidade do processo, ao argumento de que houve intervenção do Ministério Público na elaboração do Auto de Prisão em Flagrante, por ocasião da coleta dos depoimentos, d) sustenta, como última prefacial, prescrição dos delitos relativos aos arts. 148 e 211, ambos do Código Penal; no mérito, invoca acerca da negativa de autoria, asseverando que a vida da vítima fora ceifada por "um motoboy" chamado Maneco, pugnando, subsidiaria e alternativamente, a desclassificação para o delito de homicídio. Aduz não haver prova do cárcere privado e que a destruição de cadáver não pode ser considerada, uma vez que apontou o local onde estariam os restos da vítima. Diz, ainda, que não houve a participação da menor Plotina Marinéia e que apesar de ser preso em flagrante na posse de uma arma de fogo, ela não é de sua propriedade. Invocou a aplicação da atenuante da confissão e requereu a minoração da pena-base para o mínimo legal. Postula, ao arremate, pela realização de novas diligências para melhor elucidar o caso. Todos os apelos foram devidamente contra-arrazoados. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO 1 - Diante dos dados acima fornecidos, aprecie as questões fáticas e jurídicas, através da peça processual cabível, fundamentando, inclusive com citação dos dispositivos legais ou súmulas pertinentes, quando houver. Efetue, também, fundamentadamente, a dosimetria das penas aplicadas aos meliantes. Caso haja, sobre algum ponto, divergência doutrinária ou jurisprudencial, o candidato deve fazer menção às diversas posições, opinando pela que lhe parece mais adequada ao caso concreto. 2 – Igualmente, com base nos dados acima informados, na qualidade de Promotor de Justiça da Comarca, apresente contrarazões aos recursos dos réus Bastião Xisto dos Anzóis e Tibúrcio Ringo Biguá, apreciando, fundamentadamente, as questões fáticas e jurídicas trazidas à colação. 2ª QUESTÃO: (1,0 PONTO) Com fundamento nos artigos 5°, XII da Constituição Federal e 41, XV da Lei de Execução Penal, Joaquim dos Anzóis, preso definitivo, requer ao Juízo da Execução Penal que a Administração Prisional se abstenha da inspeção e leitura da sua correspondência pessoal. O Juiz oferece “vista” ao Ministério Público. Apresente sua manifestação sobre o caso, imaginando-se o Promotor de Justiça com atribuição na Execução Penal: Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO 3ª QUESTÃO: (1,0 PONTO) Leônidas Tigre Figueira foi condenado em três processos diversos (dois furtos simples - art. 155, caput e um roubo – art. 157, caput, ambos do Código Penal). Num dos furtos, seu regime de cumprimento de pena foi o aberto, no outro o semi-aberto e no roubo, o fechado. Suas penas foram: um ano de reclusão para um dos furtos, um ano e seis meses de reclusão para o segundo furto e quatro anos de reclusão para o roubo. Já recolhido ao presídio por força de custódia cautelar (preventiva), argumentando “bom comportamento carcerário”, pede ao Juízo da Execução Penal seja definido seu regime de cumprimento de pena, pleiteando ainda progressão para o “regime aberto”, vez que se encontra preso há mais de um ano e dois meses. Pergunta-se: o direito socorre tal pretensão? (justifique a resposta, indicando a solução para o caso). 4ª QUESTÃO: (1,0 PONTO) Tito Parelha, no dia 29 de janeiro de 2008, por volta das 14 horas, em visível estado de embriaguez, conduzia o veículo VW/Fusca, placas PTZ 3568-Curitiba/PR, pela Rua Sinuosa Pacas, Bairro Cemitério, no Município de Curvelinho/SC, em velocidade excessiva e, incentivado pelo carona Ativo Parceiro, efetuou manobras perigosas conhecidas como “Cavalo de Pau”, expondo a perigo a segurança alheia, eis que o local era bastante movimentado por transeuntes, vindo inclusive a atropelar e ferir mortalmente um cão da raça pequinês que transitava pela calçada, conduzido por sua dona. Tito Parelha recusou-se a fazer o teste do bafômetro. Foi preso em flagrante e devidamente processado. Analise a questão à luz dos princípios penais aplicáveis à espécie, inclusive, definindo a responsabilidade penal de ambos ocupantes do Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA COMISSÃO DE CONCURSO DE INGRESSO NA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO veículo (motorista e caroneiro) e a(s) infração(ões) penal(is) possivelmente praticada(s), bem como o concurso de pessoas e de crimes. Fundamente a resposta. 5ª QUESTÃO: (1,0 PONTO) O princípio do Promotor Natural, que decorre do princípio do devido processo legal, é uma das garantias constitucionais do cidadão para impedir que o Estado exorbite de suas atribuições em beneficio ou detrimento de alguém. Assim, é inconstitucional a norma prevista no art. 28 do Código de Processo Penal que autoriza o Procurador-Geral de Justiça, ou outro órgão do Ministério Público por ele designado, oferecer a denúncia em caso de inquérito policial remetido pelo juiz que não acolheu pedido de arquivamento formulado pelo Promotor de Justiça Titular? Fundamente a resposta. BOA SORTE. Comissão de Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público Rua Bocaiúva, 1.750 – Centro – Florianópolis – Santa Catarina – 88015-904 (48) 3229.9021 | (48) 3229.9029 | [email protected] | www.mp.sc.gov.br