Programa de Implementação da Rede Social DIAGNÓSTICO SOCIAL DO CONCELHO DE MAÇÃO M açã o 2004 UNIÃO EUROPEIA FUNDO SOCIAL EUROPEU DIAGNÓSTICO SOCIAL DO CONCELHO DE MAÇÃO FICHA TÉCNICA: Coordenação: Gabinete de Acção Social da Câmara Municipal De Mação Núcleo Executivo da Rede Social -Dora Grácio (CDSSS Santarém) -Helena Belo (Centro de Saúde de Mação) -Ivone Marques (Santa Casa da Misericórdia de Mação); -Eulália Ribeiro (Agrupamento de Escolas Verde Horizonte); -Magda Silva (C.M.M – GAS/ Rede Social); -Nuno Silva (Junta de Freguesia do Penhascoso); -Pedro Jana (Associação de Bombeiros Voluntários de Mação); -Vanda Serra (C.M.M. – GAS) Acompanhamento Científico: Envestiga – Estudos e Processos de Investigação e de Engenharia Social, Ld.ª Equipa de Investigação: Ana Roberto, Inês Amaro e Lúcia Manata CLAS – Conselho Local de Acção Social de Mação - Câmara Municipal de Mação - Junta de Freguesia de Mação - Junta de Freguesia do Penhascoso - Junta de Freguesia de Cardigos - Junta de Freguesia de Amêndoa - Junta de Freguesia da Ortiga - Junta de Freguesia dos Envendos - Junta de Freguesia do Carvoeiro - Centro Distrital de Solidariedade Social de Santarém - Centro de Emprego da Sertã - Santa Casa da Misericórdia de Mação - Associação, Centro de Protecção à 3ª Idade da Freguesia de S. Silvestre da Aboboreira - Associação, Centro de Dia, Apoio e Acolhimento à 3ª Idade dos Vales - Centro de Dia – Casa da Idosos de S. José das Matas - Centro de Dia Nossa Senhora do Pranto - Comissão Instaladora do Centro Social e Paroquial da Amêndoa - Centro de Dia São José Baptista - Santa Casa da Misericórdia de Cardigos - Grupo Empreendedor de Mação - Centro de Solidariedade Social Nossa Senhora das Dores da Ortiga; - Centro de Saúde de Mação - Associação dos Bombeiros Voluntários de Mação Presidente do CLAS :José Manuel Saldanha Rocha (Vereador da Acção Social/ Presidente da C.M.M) INTRODUÇÃO O presente documento refere-se ao estudo de Diagnóstico Social, subjacente à implementação e desenvolvimento do Programa da Rede Social em Mação. Este Programa, criado em Resolução de Concelho de Ministros, a 18 de Novembro de 1997 e gerido pelo Instituto de Solidariedade e Segurança Social, tem como principal objectivo, fomentar a formação de uma consciência colectiva dos problemas sociais e contribuir para a activação dos meios e agentes de resposta e para a optimização possível dos meios de acção nos locais. Para atingir tal objectivo a Rede Social, propõe uma metodologia de planeamento estratégico, cujos instrumentos fundamentais são o Diagnóstico Social e Plano de Desenvolvimento Social. É intenção, do actual Diagnóstico Social, contribuir para um conhecimento mais aprofundado e fundamentado das dinâmicas sociais do Concelho e dos fenómenos que as integram, por forma a possibilitar uma dinâmica interventora mais adaptada ás necessidades reais. Para tal, o Diagnóstico, pretende proceder a uma caracterização do meio onde se inclui a identificação das necessidades e a detecção dos problemas prioritários e respectivas causalidades, bem como dos recursos e das potencialidades do Concelho, que constituem reais oportunidades de desenvolvimento. Na sua elaboração este documento obedeceu ao princípio da cooperação e participação. Assentou no primeiro princípio, na medida em que muitos dos dados e análises apresentadas foram retiradas da Revisão do Plano Director Municipal, cuja realização foi contemporânea à construção do Diagnóstico Social . O recurso a alguns dados constantes do documento elaborado pela PERCURSO/INXEL, entidade que procedeu à elaboração da revisão do PDM, procedeu-se num contexto de cooperação entre esta e a Rede Social de Mação, uma vez que as equipas de trabalho partilhavam um objectivo: o de realizar um retrato concelhio que possibilitasse a análise dos problemas determinantes e necessidades específicas na sociedade macaense. Pela colaboração demonstrada, a equipa da Rede Social de Mação agradece à equipa da PERCURSO/INXEL. Mas assentou também no princípio da participação uma vez que foram mobilizados um conjunto de entidades e agentes locais, tanto no momento da recolha como da reflexão da informação, nomeadamente através de workshops, questionários e sessões de trabalho. Diagnóstico Social do Concelho de Mação Após este primeiro momento de compreensão da realidade social, seguir-se-á um outro em que serão desenhados eixos estratégicos de acção prioritária para o Concelho. Pretende-se que este segundo momento, materializado no Plano de Desenvolvimento Social, se constitua como instrumento estruturante, de deliberação onde se inscreva um projecto comum de mudança. Pensamos com este estudo, contribuir para uma maior consciencialização de todos sobre as reais necessidades do concelho e da importância de uma estratégia participada de planeamento, para o aumento da melhoria da qualidade de vida dos macaenses. 2 Diagnóstico Social do Concelho de Mação ÍNDICE PARTE I – CARACTERIZAÇÃO DO TERRITÓRIO MAÇAENSE 1. INTRODUÇÃO 1 ENQUADRAMENTO ESPACIAL E GEOGRÁFICO 3 1.1. ESTRUTURA ESPACIAL E ADMINISTRATIVA 1.1.1. Distribuição Geográfica – Caracterização do Povoamento 1.2. ACESSIBILIDADES 1.2.1. Acessibilidade rodoviária Oferta de serviços transporte colectivos rodoviários 1.2.2. Acessibilidade Ferroviária Oferta de serviços ferroviários 1.2.3. Transporte escolar 1.3. INTERVENÇÕES EM CURSO OU EM VIAS DE PROMOÇÃO 2. DINÂMICAS DEMOGRAFIAS E FAMILIARES 2.1. ASPECTOS GLOBAIS DA POPULAÇÃO RESIDENTE 2.1.1. Evolução dos Volumes, Ritmos de Crescimento e Componentes Demográficas Evolução da População Residente Taxas de Crescimento Médio Anual e Variações Percentuais Evolução do Crescimento Natural e do Crescimento Migratório 2.1.2. Estrutura Populacional Evolução dos Grandes Grupos de Idade e Índices de Resumo Estrutura Etária por grupos Quinquenais e Sexo 2.2. CARACTERIZAÇÃO FAMILIAR 3. HABITAÇÃO 3.1. CARACTERIZAÇÃO DO PARQUE HABITACIONAL 3.1.1. Cobertura Habitacional 3.1.2. Condições de Habitabilidade 3.1.3. Escalões de renda e encargos com habitação 3.2. ACTUAÇÕES NO ÂMBITO HABITACIONAL 3.2.1. Intervenção Habitacional – SOLARH 4. ECONOMIA 4.1. EVOLUÇÃO RECENTE DA ACTIVIDADE ECONÓMICA 4.2. DINÂMICA EMPRESARIAL 4.3. PERFIL ECONÓMICO DA POPULAÇÃO RESIDENTE 4.3.1. População Residente Sem Actividade Económica 4.3.2. População Residente Com Actividade Económica Perfil da População Empregada Residente Perfil da População Desempregada Residente 4.3.3. Meios de Vida e Ganhos Médios 4.4. FLUXOS PENDULARES 4.4.1. Relação entre Entradas e Saídas 4.4.2. Meios de transporte utilizados pela população empregada por freguesia 4.4.3. Duração das viagens para o local de trabalho por freguesia 4.5. ACTUAÇÕES NO ÂMBITO CONCELHIO 4.5.1. Instituto de Emprego e de Formação Profissional (IEFP) 4.5.2. URBCOM - Projecto apresentado em Mação 3 3 5 5 8 8 8 9 9 11 11 11 11 12 14 17 17 20 24 28 28 28 35 41 45 45 46 46 47 51 52 53 55 58 59 62 62 64 65 67 67 70 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 5. FORMAÇÃO 71 5.1. EQUIPAMENTOS E INTERVENÇÕES 71 5.1.1. Centro de Formação Profissional de Castelo Branco 71 5.1.2. Iniciativas de Formação Profissional e Mação 77 Centro de Formação da Associação de Escolas do Concelho de Mação – "O MAÇAENSE" 77 Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências da C.M. de Mação 77 Câmara Municipal de Mação – Gabinete de Acção Social 78 6. EDUCAÇÃO 6.1. UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO 6.1.1. População Residente e Qualificações Escolares 6.1.2. Estado do Ensino no Concelho de Mação 6.1.3. Mobilidade da População Estudantil do Concelho de Mação 6.2. EQUIPAMENTOS EDUCATIVOS 6.3. ACTUAÇÕES NO ÂMBITO DA INTEGRAÇÃO EDUCACIONAL C. M. Mação / Gabinete de Acção Social – SEPSICO 6.3.2. Ensino Recorrente – Intervenção Extra Escolar 6.3.3. Associação Crescer na Maior – I.P.S.S. 7. ACÇÃO SOCIAL 7.1. EQUIPAMENTOS DEACÇÃO SOCIAL 2.2. ACTUAÇÕES NO ÂMBITOCONCELHIO 7.2.1. Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Santarém Serviço Local de Mação Beneficiários do Rendimento Mínimo Garantido Incêndios 7.2.2.Câmara Municipal de Mação– Gabinete de Acção Social (GAS) 7.2.3. Projecto de Luta Contra a Pobreza 7.2.4. Comissão de Protecção de Crianças e Jovens 8. SAÚDE 8.1. INDICADORES GERAIS DE SAÚDE 8.1.2. População com algum tipo de deficiência 8.2. EQUIPAMENTOS DE SAÚDE 8.2.1. Centro / Extensões de Saúde Serviços Prestados pelo Centro de Saúde 9. CULTURA, LAZER E DINÂMICAS ASSOCIATIVAS 9.1. VISÃO GLOBAL DA CULTURA 9.2. DINÂMICAS ASSOCIATIVAS 9.2.1. Pinhal Maior – Associação Desenvolvimento do Pinhal Interior Sul 9.3. LAZER E RECURSOS TURÍSTICOS 9.4. PATRIMÓNIO MONUMENTAL 79 79 79 82 85 89 90 90 92 93 95 95 98 98 98 101 102 104 106 107 113 113 114 115 115 117 1 119 1 119 120 1 121 1 123 1 124 1 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 10. JUSTIÇA / SEGURANÇAPÚBLICA 126 10.1. EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS PÚBLICOS NA ÁREA DAJUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA 126 10.1.1. Processos Judiciários 127 11. AGROFLORESTAL 129 11.1. BREVE CARACTERIZAÇÃODOS FACTORES COM INFLUÊNCIA NO COBERTO AGRO11.1.1. Evolução histórica Sistemas agrícolas Sistemas florestais 11.2. IMPACTE DOS INCÊNDIOS 11.3. ACTUAÇÕES CONCELHIAS NO ÂMBITOAGRO-FLORESTAL 129 130 130 132 136 138 CADERNO DAS SÍNTESES DE CARACTERIZAÇÃO 140 12.1. ENQUADRAMENTO ESPACIAL E GEOGRÁFICO 12.1.1. Mobilidade 12.2. DEMOGRAFIA 12.3. HABITAÇÃO 12.4. ECONOMIA 12.5. FORMAÇÃO PROFISSIONAL 12.6. EDUCAÇÃO 12.7. ACÇÃO SOCIAL 12.8. SAÚDE 12.9. CULTURA, LAZER E DINÂMICAS ASSOCIATIVAS 12.10. JUSTIÇA / SEGURANÇA PÚBLICA / PROTECÇÃO CIVIL 12.11. OCUPAÇÃO AGROFLORESTAL 12.12. EQUIPAMENTOS / RECURSOS / INTERVENÇÕES CONCELHIAS Rede de Equipamentos Listagem de Intervenções / Projectos Serviços no Concelho de Mação 140 141 142 144 146 148 149 151 152 152 153 154 155 155 157 158 FLORESTAL 12. PARTE II – DIAGNÓSTICO DE NECESSIDADES 1. ANÁLISE SWOT POR ÁREA 159 2. DIAGNÓSTICO DE PROBLEMAS E DE NECESSIDADES 167 3. PROBLEMAS E ESTRATÉGIAS A. PRIORIZAÇÃO DOSPROBLEMAS IDENTIFICADOS B. ALGUMAS LINHAS DE ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA 179 179 182 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 1. ENQUADRAMENTO ESPACIAL E GEOGRÁFICO 1.1. ESTRUTURA ESPACIAL E ADMINISTRATIVA O Concelho de Mação, localizado na zona centro do território Português, apresenta uma situação administrativa algo ambígua, na medida em que relativamente a alguns factores administrativos e relativos a área da justiça é parte integrante do Distrito de Santarém, sendo incluído na Região de Lisboa e Vale do Tejo, enquanto noutros aspectos, nomeadamente no que diz respeito às zonas da Direcção Regional de Agricultura e educação, insere-se na zona conhecida por Pinhal Interior Sul – Distrito de Castelo Branco e Beira Interior. Acrescenta-se a esta diversidade de influências o facto de pertencer à Diocese de Portalegre. Em termos de proximidades geográficas, este concelho situa-se a 77 Km de Santarém, a 18 Km de Abrantes e a 170 Km de Lisboa, o que o coloca no vértice de três regiões: Beira Baixa, Ribatejo e Alentejo. No que concerne à sua posição geográfica o concelho é limitado a Norte pelos Concelhos de Vila de Rei, Sertã e Proença-a-Nova, a nascente pelos Concelhos de Vila Velha de Ródão e Nisa, a Poente pelos Concelhos de Sardoal, Vila de Rei e a Sul pelos Concelhos de Abrantes, Gavião através do Rio Tejo. Restringindo ainda mais a área de delimitação geográfica, verifica-se que o Concelho de Mação, de acordo com os dados da “Nota explicativa da carta administrativa do Atlas do Ambiente”, ocupa uma área territorial total de 40.083 ha e administrativamente subdivide-se em 8 freguesias. Quadro 1.1 – Freguesias por dimensão geográfica FREGUESIAS ÁREAS ( HA) ABOBOREIRA 2 786 AMÊNDOA 3 700 CARDIGOS 7 137 CARVOEIRO 4 976 ENVENDOS 9 286 MAÇÃO 6 726 ORTIGA 1 595 PENHASCOSO 3 877 TOTAL 40 083 Fonte: GEMA 1.1.1. Distribuição Geográfica – Caracterização do Povoamento O Povoamento do Concelho de Mação caracteriza-se por ser disperso, com um elevado número de lugares de reduzida dimensão. Com efeito, dos cerca de 90 lugares oficiais do 3 Diagnóstico Social do Concelho de Mação concelho, aproximadamente 85% dos mesmos não integram mais de 100 habitantes e, destes limites territoriais, perto de 70% correspondem a lugares de dimensão inferior a 50 habitantes. O reforço do peso da população que habita em lugares de menos de 100 habitantes, que passou de 19% em 1960 para 35% em 2001 – mais de um terço da população total –, é consequência, sobretudo, do fenómeno de desertificação populacional, que se tem verificado desde meados do século XX. Evolução da Proporção da População Residente por Dimensão de Lugares 100% 1,1 6,9 90% 13,2 1,8 9,7 2,1 13,7 11,0 6,4 80% 70% 60% 36,7 26,2 27,6 50% 19,5 3,2 15,9 6,3 27,0 14,2 12,5 36,0 35,1 40% 30% 22,9 20% 10% 31,8 Isolados 1000 - 1999 500 - 999 200 - 499 100 - 199 - 100 Hab. 19,1 0% 60 81 91 2001 Anos Este fenómeno incidiu, nos últimos 20 anos, essencialmente nos lugares com menos de 200 habitantes e naqueles entre os 500 e os 1000 habitantes, que perdem, respectivamente, 29%, 56% e 60% da sua população. Como consequência, o número de lugares com menos de 100 habitantes continuou a aumentar em detrimento do número de lugares das classes intermédias (de 100 a 200 habitantes e de 200 a 500 habitantes) Entre os 200 e os 500 habitantes existem apenas 8 lugares, dos quais quatro correspondem a algumas sedes de freguesia – Aboboreira e Chão de Codes, Cardigos e Vale de Cardigos, Envendos e São José das Matas, Penhascoso e Queixoperra. Na classe entre os 500 e os 1000 habitantes existiam, em 1960, apenas três lugares com esta dimensão populacional: Ortiga, Penhascoso e São José das Matas. À excepção de Ortiga que ainda se mantém nesta classe, estes lugares perderam população e passaram para a classe inferior, entre os anos 1960 e 1981. 4 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Todos os lugares desde 1960 têm vindo a perder população, à excepção do Lugar de Mação e de Vale de São Domingos, ambos da freguesia de Mação, que contrariam a tendência observada na freguesia. Aquele último, pela proximidade ao lugar de Mação, revela estar na sua área de influência e constituir um satélite deste aglomerado. O único lugar acima dos 1000 habitantes – Mação – tem vindo, gradualmente, a registar um aumento da proporção da população concelhia, que passou de 7% para 16% da população total, reforçando a sua posição na hierarquia da rede de lugares do concelho, aliado às funções administrativas e económicas de lugar sede do município. 1.2. ACESSIBILIDADES 1.2.1. Acessibilidade rodoviária A caracterização da rede rodoviária do concelho foi efectuada tendo como referência o “Relatório de Avaliação – Domínio Público - Rede Viária – Tabelas” realizado pela empresa SIGHT Portuguesa - Especialistas em Gestão de Bens efectuado para a Câmara Municipal de Mação em 2002. Tendo como base a informação constante no estudo em referência dum total de 340 km de estradas do concelho, cerca de 50% (167 km) são Caminhos Municipais, 27% Estradas Municipais (93km) e 24% Estradas Nacionais (80km). Concelho de Mação Extensão da rede rodoviária Est radas Nacionais 23,6% Caminhos Municipais 49,1% Est radas Municipais 27,3% 5 Diagnóstico Social do Concelho de Mação A análise das principais características da rede incide sobre o tipo de traçado, estado de conservação, tipo de pavimento e perfil transversal, incidindo essa análise não só sobre o total da extensão da rede mas também sobre as diferentes categorias de estrada – Estradas Nacionais, Estradas Municipais e Caminhos Municipais. No que se refere ao tipo de traçado e para o total da rede, 50% da sua extensão correspondem a um traçado com características Plano/Ondulado. Em termos de categoria de estradas, é de referir que cerca de 72% da extensão de Estradas Municipais correspondem a traçado do tipo Plano/Ondulado. Quadro 1.2 – Tipo de Traçado EN Tipo de traçado v.a. Acidentado Ondulado Ondulado/Acidentado Plano Plano/Ondulado Total 6.600 36.600 800 36.400 80.400 EM % v.a. 10,2% 9.900 44,9% 7.000 4,9% 9.200 21,4% 66.600 23,6% 92.700 % 15,2% 8,6% 56,8% 39,2% 27,3% CM Total v.a. % v.a. % 7.400 100,0% 7.400 100,0% 48.500 74,6% 65.000 100,0% 37.900 46,5% 81.500 100,0% 6.200 38,3% 16.200 100,0% 66.900 39,4% 169.900 100,0% 166.900 49,1% 340.000 100,0% Rede rodoviária do Concelho Tipo de traçado 60,0% 50,0% 50,0% 40,0% 30,0% 24,0% 19,1% 20,0% 10,0% 4,8% 2,2% 0,0% Acident ado Ondulado Ondulado/ Acident ado Plano Plano/ Ondulado No que se refere ao estado de conservação, observa-se que cerca de 57% da extensão total das estradas apresenta um estado de conservação Bom e cerca de 33% correspondem a Bom/Razoável e Razoável, verificando-se apenas cerca de 2% da extensão com estado de conservação Mau e 7% Razoável/Mau. Por categoria de estrada, o peso relativo das respectivas extensões corresponde, com uma percentagem significativa, a um estado de 6 Diagnóstico Social do Concelho de Mação conservação Bom para as Estradas Nacionais (87%) e Estradas Municipais (70%). No entanto, esta significância ganha menos expressão quando se consideram os Caminhos Municipais, para os quais se constata uma percentagem de 35%. Quadro 1.3 - Estado de Conservação Estado de conservação Bom Bom/Razoável Mau Razoável Razoável/Mau Total EN EM v.a. % v.a. % 69.800 36,0% 65.200 33,6% 6.600 11,9% 22.600 40,7% 4.000 80.400 4.600 16,3% 300 23,6% 92.700 CM Total v.a. % v.a. % 59.100 30,4% 194.100 100,0% 26.300 47,4% 55.500 100,0% 7.700 100,0% 7.700 100,0% 7,9% 53.500 92,1% 58.100 100,0% 1,2% 20.300 82,5% 24.600 100,0% 27,3% 166.900 49,1% 340.000 100,0% Rede rodoviária do Concelho Estado de conservação 60,0% 57,1% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 17,1% 16,3% 10,0% 7,2% 2,3% 0,0% Bom Bom/ Razoável Mau Razoável Razoável/ Mau Cerca de 93% da extensão da rede rodoviária do concelho apresenta um tipo de pavimento betuminoso – 20,5% com marcações e 24,4% com penetração betuminosa, sendo somente cerca de 6% em terra batida. Por categoria de estrada, verifica-se que ao nível das Estradas Nacionais sobressai o pavimento betuminoso com marcações; já no que se refere às Estradas Municipais o pavimento é sobretudo betuminoso; os Caminhos Municipais, por seu turno, apresentam um pavimento que oscila entre o betuminoso e a penetração betuminosa. 7 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 1.4 - Tipo de Pavimento EN EM CM Total v.a. % v.a. % v.a. % v.a. % Betuminoso 13.600 8,3% 78.100 47,4% 73.100 44,4% 164.800 100,0% Betuminoso com Marcações 60.600 86,8% 9.200 13,2% 69.800 100,0% Calçada 200 100,0% 200 100,0% Empedrado 2.200 81,5% 500 18,5% 2.700 100,0% Penetração Betuminosa 4.000 4,8% 5.400 6,5% 73.400 88,6% 82.800 100,0% Terra batida 19.700 100,0% 19.700 100,0% Total 80.400 23,6% 92.700 27,3% 166.900 49,1% 340.000 100,0% Tipo de pavimento Oferta de serviços transporte colectivos rodoviários A análise da de oferta de serviços de transporte colectivo rodoviário que serve o concelho foi efectuada com base nos percursos e nos horários das carreiras de autocarros (ver Anexo I – Horários), tendo incidido particularmente sobre a respectiva cobertura geográfica e temporal dos serviços oferecidos. De uma forma geral todas as freguesias do concelho são servidas por este tipo de serviço, embora a oferta em termos de horários esteja condicionada pelo funcionamento do período escolar e correspondente período de férias. Esta condicionante reduz de alguma forma a desejável regularidade da oferta, factor que penaliza a utilização deste tipo de transporte. 1.2.2. Acessibilidade Ferroviária O Concelho de Mação é servido pela Linha da Beira Baixa (Entroncamento – Covilhã) com uma extensão de 245,2km em via única, com bitola de via larga (1,668mm) e electrificada entre Entroncamento e Mouriscas-A, estando prevista, para o início de 2005, a electrificação até Castelo Branco. Neste âmbito, as estações que servem o concelho são Alvega – Ortiga, Barragem de Belver, Belver e Barca da Amieira – Envendos. Oferta de serviços ferroviários Tendo como referência a estação de Alvega-Ortiga, uma das estações que pela sua localização será a mais atractiva para o concelho, observa-se que, no sentido da Covilhã, existem três serviços diários – dois de comboios Regionais e um de comboio Inter-regional – e, no sentido Lisboa/Santa Apolónia, existem dois serviços – um comboio Regional e um Inter-regional. A restante oferta, nomeadamente para Entroncamento e Castelo Branco, está 8 Diagnóstico Social do Concelho de Mação condicionada a dias da semana específicos e com uma oferta de horários pouco atractiva para as viagens em comboio. 1.2.3. Transporte escolar Tendo como referência a informação constante no documento “Projecto de Transportes Escolares – Ano Lectivo 2003/2004” – Abril 2003, da C. M. de Mação – responsável pela organização do transporte escolar do concelho –, apresenta-se uma síntese dos serviços constantes naquele documento, com especial ênfase para o número significativo de serviços assegurados principalmente nas Escolas do 1º Ciclo do ensino Básico (Primárias) e Educação Pré-Escolar (Jardins de Infância). Quadro 1.5 - Transporte Escolar Ensino Nº de carreiras Nº de alunos 7 138 (35,2%) Escola Básica dos 2º e 3º Circuitos Especiais (Câmara) Ciclos com Ensino Circuitos das Carreiras Públicas 4 Secundário de Mação (Rodoviária do Tejo SA/Tejotur Lda 130 (33,2%) Escolas do 1º Ciclo do Carros Camarários 11 67 (17,1%) Ensino Básico (Primárias) Ensino Básico Mediatizado Carros Camarários (Telescolas) 3 22 (5,6%) Educação Pré – Escolar Carros Camarários (Jardins de Infância) Total 9 35 (8,9%) 34 392 1.3. INTERVENÇÕES EM CURSO OU EM VIAS DE PROMOÇÃO São focadas algumas mudanças ao nível das acessibilidades, nomeadamente no plano nacional, mas que beneficiarão o Concelho de Mação, devido à sua centralidade (quer no interior do país, quer nas ligações a Espanha). Revelador deste cenário é o Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social: - Renovação e modernização da rede ferroviária das linhas da Beira Baixa e Beira Alta; - “Corredor Irun – Portugal”, que ligará por via rodoviária e ferroviária Irun / Valladolid / Guarda – Lisboa – Porto e poderá ser conectado directamente aos portos de Leixões, Aveiro e Lisboa/Setúbal e aos aeroportos de Pedras Rubras e Portela; este corredor terá um percurso complementar a sul, que englobará a linha ferroviária da Beira Baixa e uma nova auto-estrada, integrando troços da A23 e do IP2; 9 Diagnóstico Social do Concelho de Mação - Diagonal do Tejo, constituída pela A23 e pelo IP2 (Gardete – Guarda) e pela Linha da Beira Baixa; - IP2 constitui um eixo de coesão no interior do Alentejo, devendo garantir boas condições de articulação das cidades de Beja e Portalegre com os eixos estruturantes IP1, IP7 e A23; - Os eixos de coesão deverão garantir a ligação das regiões do interior e da Raia aos eixos estruturantes e ao Eixo Litoral Norte-Sul; a articulação da Raia com as ligações transfronteiriças, melhorando a permeabilidade ao longo da fronteira; a articulação das cidades de Bragança, Mirandela, Portalegre e Beja com a rede urbana envolvente; o reforço da centralidade do eixo de cidades Guarda – Covilhã – Fundão – Castelo Branco – Évora. Foi possível identificar ainda os seguintes investimentos em termos de acessibilidades: - Implantação de acessibilidades que ligam Cardigos ao IC8 (com ligação a Coimbra), para posteriormente dar continuidade até à A23, no sentido de criar um eixo estratégico estruturante que atravesse todo o concelho; 10 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 2. DINÂMICAS DEMOGRAFICAS E FAMILIARES 2.1. ASPECTOS GLOBAIS DA POPULAÇÃO RESIDENTE Neste ponto irá ser efectuada uma análise temporal e espacial da população residente no concelho numa perspectiva, quer de volumes globais populacionais, quer de uma avaliação da estrutura demográfica1. 2.1.1. Evolução dos Volumes, Ritmos de Crescimento e Componentes Demográficas Evolução da População Residente O Concelho de Mação apresenta dois períodos distintos de comportamento evolutivo do volume populacional. Desde o início do século XX até meados do século XXI, assiste-se a um evolução sempre crescente da população residente, altura em que atingiu um máximo de 21.814 habitantes. A partir daí um período de forte declínio populacional, que se mantém até 2001, altura em que atingiu o seu valor mais baixo, com 8.442 habitantes, quase cerca de um terço da população. Evolução da População Residente 1911 a 2001 25000 21814 Habitantes 20000 15525 15000 10000 8442 5000 0 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 Anos Numa análise geográfica por freguesias, verifica-se em 2001 que a freguesia que contribui com um maior quantitativo populacional para o total do concelho é a Freguesia de Mação no 1 Nesta análise toma-se como referência os dados dos Recenseamentos Gerais da População do Instituto Nacional de Estatística de 1981, de 1991 e de 2001. 11 Diagnóstico Social do Concelho de Mação centro do concelho, com 2276 habitantes, seguida das freguesias de Cardigos, a Norte, e Envendos, a Sudeste. Quadro 2.1 – Evolução da População Residente FREGUESIAS Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 846 1716 2759 1644 2312 3808 0 2440 909 1775 3105 1690 2616 4242 0 2795 965 1854 2898 1790 2798 4070 0 3017 1060 1812 3268 1850 3278 4244 1098 2196 1248 2090 3636 2072 3550 4608 1221 2234 1323 2139 3889 2119 3748 4724 1477 2395 1224 1898 3231 1962 3280 4104 1150 2196 1335 1420 2350 1690 2495 3210 1110 1580 865 1168 2002 1210 1951 2786 903 1349 700 846 1495 1009 1674 2455 744 1137 620 658 1233 794 1282 2276 627 952 15525 17132 17392 18806 20659 21814 19045 15190 12234 10060 8442 Fonte: INE, Censos Taxas de Crescimento Médio Anual e Variações Percentuais O fenómeno de declínio populacional observado a partir de 1950 é, numa perspectiva geral, comum a todas as freguesias – apenas a Freguesia de Aboboreira cresce de população no período de 1960 para 1970 – e, só nos últimos 20 anos, o concelho perdeu cerca de 30% da população residente, sobretudo nas áreas a Norte e a Este do território. Quadro 2.2 – Variação da População Residente FREGUESIAS Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total 50-60 (%) -7,5 -11,3 -16,9 -7,4 -12,5 -13,1 -22,1 -8,3 60-70 (%) 9,1 -25,2 -27,3 -13,9 -23,9 -21,8 -3,5 -28,1 70-81 (%) -35,2 -17,7 -14,8 -28,4 -21,8 -13,2 -18,6 -14,6 81-91 (%) -19,1 -27,6 -25,3 -16,6 -14,2 -11,9 -17,6 -15,7 91-01 (%) -11,4 -22,2 -17,5 -21,3 -23,4 -7,3 -15,7 -16,3 -12,7 -20,2 -19,5 -17,8 -16,1 Fonte: INE, Censos No período de 1981 a 1991, o concelho perde 17.8% da sua população, verificando-se contudo uma ligeira desaceleração desse ritmo de decréscimo com a taxa de crescimento médio anual a descer de -2.1% para -1.9% ao ano. O Norte do concelho, mais especificamente as freguesias de Cardigos e Amêndoa, registam as maiores quebras populacionais (superiores a 25%), enquanto que as freguesias que contribuíram mais para esse desaceleramento foram as Freguesias de Mação e de Envendos, a Sul. 12 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.3 - Taxas Crescimento Médias Anuais F R E G U E S IA S 5 0 -6 0 6 0 -7 0 7 0 -8 1 8 1 -9 1 9 1 -0 1 A b o b o re ira Am êndoa C a rd ig o s C a rv o e iro Envendos M ação O rtig a Penhascoso -0 ,8 -1 ,2 -1 ,8 -0 ,8 -1 ,3 -1 ,4 -2 ,5 -0 ,9 0 ,9 -2 ,9 -3 ,1 -1 ,5 -2 ,7 -2 ,4 -0 ,4 -3 ,2 -4 ,2 -1 ,9 -1 ,6 -3 ,3 -2 ,4 -1 ,4 -2 ,0 -1 ,6 -2 ,1 -3 ,2 -2 ,9 -1 ,8 -1 ,5 -1 ,3 -1 ,9 -1 ,7 -1 ,2 -2 ,5 -1 ,9 -2 ,4 -2 ,6 -0 ,8 -1 ,7 -1 ,8 T o ta l -1 ,3 -2 ,2 -2 ,1 -1 ,9 -1 ,7 F o n te : IN E , C e n s o s Entre 1991 e 2001, o concelho mantém a tendência de quebra populacional, mas o ritmo de desaceleração populacional continua a decrescer relativamente à década anterior. O concelho perde, neste período, 16.1% da sua população a uma taxa de crescimento médio anual de -1.7%. O êxodo populacional é generalizado por todo o concelho, não atingindo contudo as variações negativas registadas na década anterior, situando-se na ordem dos 15% a -25%, à excepção de Mação que regista uma variação negativa inferior a 10%. O Concelho de Mação detém uma área elevada de 400 Km2 com uma densidade populacional média de 21.1 habitantes por Km2 em 2001, em que as maiores freguesias (em termos de área) são Envendos, seguida de Cardigos. A densidade populacional em 2001 reflecte, não apenas as áreas das freguesias, mas também as alterações conjunturais verificadas nas décadas anteriores, existindo baixas densidades populacionais por todo o concelho, sempre inferiores a 40 hab/Km2. As maiores densidades correspondem à Freguesia de Mação, seguida da área a Sudoeste do concelho, Ortiga, que continua a registar, à semelhança das décadas anteriores, a mais elevada densidade populacional, enquanto as áreas com densidade inferior à média do concelho, se situam a Norte e a Este. Quadro 2.4 – Densidades Populacionais F R E G U E S IA S A b o b o r e ir a Am êndoa C a r d ig o s C a r v o e ir o Envendos M ação O r tig a Penhascoso T o ta l km 2 1960 1970 1981 1991 2001 2 7 ,0 4 3 7 ,5 3 7 1 ,1 9 4 9 ,0 4 9 2 ,0 4 6 7 ,2 5 1 6 ,4 5 3 9 ,7 2 4 5 ,3 5 0 ,6 4 5 ,4 4 0 ,0 3 5 ,6 6 1 ,0 6 9 ,9 5 5 ,3 4 9 ,4 3 7 ,8 3 3 ,0 3 4 ,5 2 7 ,1 4 7 ,7 6 7 ,5 3 9 ,8 3 2 ,0 3 1 ,1 2 8 ,1 2 4 ,7 2 1 ,2 4 1 ,4 5 4 ,9 3 4 ,0 2 5 ,9 2 2 ,5 2 1 ,0 2 0 ,6 1 8 ,2 3 6 ,5 4 5 ,2 2 8 ,6 2 2 ,9 1 7 ,5 1 7 ,3 1 6 ,2 1 3 ,9 3 3 ,8 3 8 ,1 2 4 ,0 4 0 0 ,2 6 4 7 ,6 3 8 ,0 3 0 ,6 2 5 ,1 2 1 ,1 F o n te : IN E , C e n s o s 13 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Evolução do Crescimento Natural e do Crescimento Migratório Para explicar a evolução dos quantitativos populacionais terão forçosamente que ser analisadas duas componentes demográficas: a evolução do crescimento natural e a evolução do crescimento migratório. Esta última é estimada através da equação de concordância pela não existência de dados disponíveis para a variável emigração para o estrangeiro, após a abertura das fronteiras no ano 1989. Desde meados da década de 1960 que o crescimento natural negativo contribui para o decréscimo populacional observado, passando o número de óbitos a ser superior ao número de nados vivos (Ver Anexo II - Demografia). O crescimento natural diminui essencialmente à custa do declínio da natalidade, principalmente até meados dos anos 70. A curva da natalidade tem vindo sempre a decrescer, registando-se uma diminuição para cerca de metade nos últimos 20 anos com as médias de nascimentos dos 3 anos próximos dos censos de 1981, de 1991 e de 2001 a registarem valores de, respectivamente, 98, 68 e 50 nados vivos, observando-se desde então uma tendência de estabilização. Por seu turno, o número de óbitos tem manifestado um comportamento constante, mantendo-se sem variações significativas desde 1960. 350 300 Nados Vivos 250 Óbitos 200 150 100 50 0 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Número de Indivíduos Evolução dos Nados Vivos e Óbitos Anos Fonte: INE, Recenseamentos Demográficos 1960 a 2002. Contudo, a análise das taxas de natalidade e de mortalidade calculadas para os anos dos recenseamentos revelam tendências de comportamento contrárias a partir de 1981 com a progressiva diminuição da taxa de natalidade e o progressivo aumento da taxa de mortalidade (de 16.5 em 1981 para 24.4 em 2001), que registou o valor mais alto de sempre, cerca de 4 vezes superior à taxa de natalidade observada em 2001, que exibe o seu valor mais baixo (6.5 por mil habitantes). É importante referir que o pico correspondente ao número de Óbidos ocorridos em 1970 pode não ter a ver com uma situação real mas antes com uma actualização dos registos (a reforçar esta ideia está o facto de em 1969 o número de Óbidos ser muito inferior à média dos outros anos). 14 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.5 – Evolução da Natalidade, Mortalidade e Crescimento Natural Anos Natalidade 1960 1970 1981 1991 2001 Mortalidade 306 134 188 71 55 Crescimento Natural 194 311 202 196 206 112 -177 -14 -125 -151 Fonte: INE, Estatísticas Demográficas No que respeita à evolução da taxa de mortalidade infantil, observa-se um forte decréscimo desde 1960 (75 por mil), com as médias dos três anos próximos aos recenseamentos de 1981, 1991 e 2001 a passarem de 17 para 13 (permilagem) e aproximando-se de valores próximos do zero na última década (Ver Anexo II - Demografia). Evolução da Taxa de Mortalidade Infantil 120 Permilagem 100 80 60 40 20 19 6 19 0 6 19 1 6 19 2 6 19 3 6 19 4 6 19 5 6 19 6 6 19 7 6 19 8 69 19 7 19 0 71 19 7 19 2 7 19 3 74 19 7 19 5 7 19 6 7 19 7 7 19 8 7 19 9 80 19 8 19 1 8 19 2 8 19 3 8 19 4 85 19 8 19 6 8 19 7 8 19 8 8 19 9 9 19 0 9 19 1 9 19 2 9 19 3 94 19 9 19 5 9 19 6 9 19 7 9 19 8 9 20 9 0 20 0 0 20 1 02 0 Anos Fonte: INE, Recenseamentos Demográficos 1960 a 2002. A manutenção dos níveis de mortalidade com o consequente aumento da esperança média de vida e a queda da mortalidade infantil devem-se, sobretudo, às alterações do nível de vida, quer no acesso a cuidados primários de saúde, quer na melhoria gradual dos níveis de bem-estar e de conforto. A queda da natalidade tem, entre outros factores, sobretudo a ver com as transformações sociais profundas que têm ocorrido nas sociedades como a globalização e a terciarização das sociedades nas últimas décadas. A entrada, cada vez mais significativa, da mulher no mercado de trabalho, as transformações da dimensão média das famílias, sobretudo, assistindo-se a uma crescente diminuição do modelo familiar alargado tradicional em meio rural e a consolidação de um cenário de grande diversidade da tipologia familiar, com particular destaque para os casais sem filhos e os isolados, a idade tardia do primeiro filho, o aumento da escolaridade e a maior necessidade de acesso a bens de consumo, são alguns dos factores que acompanham as mudanças estruturais ocorridas. 15 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.6 – Evolução do Saldo Migratório População Total Anos 1960 1970 1981 1991 2001 População Esperada 19045 15190 12234 10060 8442 Saldo Migratório 19222 13995 11164 8780 Taxa de Saldo Migratório -4032 -1761 -1104 -338 -212 -116 -90 -34 Fonte: INE, Censos A análise temporal das migrações internas e externas é de particular importância para avaliar a atracção do concelho e perceber o peso do seu contributo para o decréscimo populacional observado. É possível fazer referência a dois períodos distintos: entre a década de 1960 e a década de 1980, em que se regista uma tendência de evolução negativa do saldo fisiológico no concelho como resultado, quer de uma época áurea de imigração com a saída de uma larga proporção dos efectivos populacionais para o estrangeiro ou para os grandes centros urbanos do país, quer da quebra acentuada do crescimento natural durante este período; e a partir de 1991 até 2001, período em que se verifica uma inversão do peso destas componentes, sendo a quebra populacional observada essencialmente à custa do crescimento natural negativo. È o período do retorno dos emigrantes iniciado em meados da década anterior e da população em situação de reforma que retorna ao concelho de origem. As migrações para fora do concelho, quer para outros concelhos, quer para fora do país registaram nas duas últimas décadas um decréscimo acentuado, enquanto o crescimento natural, negativo, se acentuou. O seguinte quadro, relativo às migrações em 1995 e 1999, demonstra o declínio da emigração e o acentuar do fenómeno de imigração ou retorno. Embora o saldo das migrações internas ainda se mantenha negativo, os valores tendem a anular-se. Quadro 2.7 - População Residente segundo as Migrações População Residente em 2001 População que não mudou de concelho Emigrantes do Concelho para outro concelho Imigrantes no Concelho Saldo das Migrações Internas A-B Provenientes de Provenientes do outro concelho Estrangeiro B A HM REL. a 99/12/31 REL. a 95/12/31 8442 8442 H HM H 4047 4047 8246 3947 7758 3693 HM 103 338 H 49 165 HM 38 85 H 24 52 HM 167 517 H HM H 84 232 -64 -179 -35 -67 Fonte: INE, Censos 2001 16 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.8 - População Residente segundo as Zonas de Proveniência População Residente em 2001 Imigrante no concelho Proveniente de outros concelhos Proveniente do Estrangeiro Alemanha REL. a 99/12/31 REL. a 95/12/31 HM H Imigrante no concelho HM Proveniente do Estrangeiro França H HM Palops H HM África Sul H HM H Brasil HM Canadá H HM Outros HM H H HM 8442 4047 103 49 3 2 13 7 1 - 2 1 4 3 - - 15 H 11 8442 4047 338 165 8 6 25 13 4 2 2 1 4 3 1 1 41 26 Fonte: INE, Censos 2001 Está patente ainda pela naturalidade destes residentes que o concelho atrai também a imigração recente, acompanhando o fluxo imigratório nacional dos anos 90, maioritariamente proveniente de países do leste europeu, de que é exemplo a Rússia. Nos últimos cinco anos anteriores aos censos de 2001, demonstrando que o fenómeno de retorno dos emigrantes de 1ª e 2ª gerações ainda não terminou, observa-se a entrada no concelho de população proveniente do estrangeiro, maioritariamente de países como França e Alemanha, mas também dos PALOP, África do Sul, Canadá e Brasil (Ver Anexo II – Demografia) 2.1.2. Estrutura Populacional Neste ponto é analisada a composição da população residente em termos de estrutura etária, avaliada por grandes grupos de idade e índices de resumo, e por grupos quinquenais e sexo numa perspectiva temporal e geográfica com enfoque nestas duas últimas décadas. Evolução dos Grandes Grupos de Idade e Índices de Resumo A evolução e distribuição da população por grandes grupos de idades e a análise dos índices de resumo permite de uma forma expedita, não só caracterizar a estrutura demográfica de uma população e a sua análise ao longo do tempo, como avaliar como esta se poderá perspectivar no futuro. Da análise dos indicadores de proporção de jovens, de proporção de idosos e de proporção de activos, constata-se em 2001 que o grupo que detém maior proporção é o grupo dos activos, que representam 51.9% da população, seguido do grupo dos idosos com 38%, enquanto o grupo dos jovens representa apenas 10% da população (874 Jovens dos 10 – 14 anos). 17 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.9 - Evolução da População Residente segundo os grandes Grupos de Idade Pop. < 15 Pop. 15-64 1970 4673 3280 11821 9270 2551 2640 19045 15190 24,54 21,59 62,07 61,03 13,39 17,38 1981 1957 7278 2999 12234 16,00 59,49 24,51 1991 1228 5708 3124 10060 12,21 56,74 31,05 2001 874 4386 3182 8442 10,35 51,95 37,69 1960 Pop. +65 Pop. Total % % % Jovens Activos Idosos Fonte: INE, Censos Numa perspectiva de dinâmica demográfica, a proporção dos idosos tem vindo sempre a aumentar desde 1960, não só à custa do decréscimo dos activos mas, principalmente, da diminuição da proporção do grupo dos jovens. Em 1960, a proporção dos jovens (25%) era superior à dos idosos (13%), enquanto em 1981 esta situação se inverte e o grupo dos idosos detém já uma proporção superior aos jovens. Nestas duas últimas décadas agravouse a situação de envelhecimento com o aumento da proporção dos idosos que se distancia cada vez mais da dos jovens, que representava em 2001 um peso quatro vezes superior. Evolução dos Grandes Grupos de Idades 100% 13,4 17,4 24,5 80% 60% 62,1 61,0 24,5 21,6 16,0 56,7 12,2 0% 1960 1970 37,7 % Idosos 59,5 40% 20% 31,1 1981 1991 52,0 % Activos % Jovens 10,4 2001 A análise dos diversos índices demográficos vem confirmar o duplo envelhecimento populacional como resultado do forte decréscimo da população jovem e do aumento da população idosa. O índice de envelhecimento, que traduz o número de idosos por cada 100 jovens, ultrapassou os 100 em 1981, situação que já se manifestava grave. Esta situação agravouse fortemente com a duplicação deste indicador nos últimos 20 anos passando de 153.24, em 1981, para 364.07, em 2001. 18 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.10 - Evolução dos Indicadores Demográficos e Índice de Envelhecimento Indice de Envelhecim. 1960 Taxa Variação Depend. Jovens Depend. Idosos Depend. Total Tx. de Variação 1970 54,59 80,49 0,00 47,44 39,53 35,38 21,58 28,48 61,11 63,86 0,00 4,50 1981 153,24 90,40 26,89 41,21 68,10 6,63 1991 254,40 66,01 21,51 54,73 76,24 11,97 2001 364,07 43,11 19,93 72,55 92,48 21,29 Fonte: INE, Censos Na última década, a análise da Relação de Dependência, que traduz o número de dependentes, jovens e idosos por cada 100 indivíduos em idade activa, revela um aumento sempre crescente do número de dependentes. Com uma taxa de variação elevada (21.2 %), regista-se um valor de 92.5%, o que significa que por cada 100 activos existem cerca de 92 indivíduos dependentes. A decomposição deste indicador nas taxas de dependência de jovens e de idosos confirma o forte envelhecimento, sendo a população dependente constituída sobretudo por idosos – 72.5%. A distribuição geográfica destes indicadores por freguesia revela que as freguesias com maior proporção de idosos, superior à média do concelho, são as freguesias de Cardigos, Penhascoso, Envendos e Amêndoa, enquanto que as freguesias com menor peso de idosos são Mação, Ortiga e Aboboreira. Quadro 2.11 - Grandes Grupos de Idade por Freguesia FREGUESIAS Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total População Residente 620 658 1233 794 1282 2276 627 952 8442 <15 anos 54 59 122 85 127 288 61 78 874 15-64 anos 357 334 519 422 612 1326 357 459 4386 >65 anos 209 265 592 287 543 662 209 415 3182 % Jovens 8,7 9,0 9,9 10,7 9,9 12,7 9,7 8,2 10,4 % Activos 57,6 50,8 42,1 53,1 47,7 58,3 56,9 48,2 52,0 % Idosos 33,7 40,3 48,0 36,1 42,4 29,1 33,3 43,6 37,7 Fonte: INE, Censos 2001 19 Diagnóstico Social do Concelho de Mação No que respeita aos índices de envelhecimento, destaca-se a Freguesia de Penhascoso, com 532,1%, que representa a situação mais grave, seguida das de Cardigos, Amêndoa e Envendos, todas com um valor superior à média do concelho. Quadro 2.12 - Índices de Dependência, de Envelhecimento e Relação de Masculinidade por Freguesia FREGUESIAS Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total Indice Dependência Jovens 15,1 17,7 23,5 20,1 20,8 21,7 17,1 17,0 19,9 Indice Indice Dependência de Dependência Idosos Total 58,5 79,3 114,1 68,0 88,7 49,9 58,5 90,4 72,5 73,7 97,0 137,6 88,2 109,5 71,6 75,6 107,4 92,5 Indice Envelhecimento 387,0 449,2 485,2 337,6 427,6 229,9 342,6 532,1 364,1 Relação Masculinidade 96,8 88,5 85,7 90,0 96,9 91,9 93,5 95,1 92,1 Fonte: INE, Censos 2001 Por seu turno, os Indicadores de Dependência confirmam a grave situação destas freguesias. Cardigos detém a situação de dependência mais elevada com mais dependentes que activos, em que por cada 100 indivíduos em idade activa existem 137 dependentes, dos quais 114 são idosos. As freguesias de Envendos e Penhascoso surgem imediatamente a seguir ainda com mais dependentes que activos, enquanto a Freguesia de Amêndoa apresenta uma situação mais favorável, muito embora detenha um valor superior à média do concelho. Por ordem decrescente, Ortiga, Aboboreira e Mação são as freguesias que apresentam menores índices de dependência. Estrutura Etária por grupos Quinquenais e Sexo A evolução da população por grupos quinquenais e sexo permite-nos avaliar também com maior rigor o envelhecimento populacional na base e no topo da estrutura populacional do Concelho de Mação. Nos anos 60, a pirâmide etária assumia ainda uma forma tradicional, com a base mais larga e com o progressivo estreitamento em direcção ao topo, representando uma população ainda jovem. Todavia, eram já notórios alguns sinais de início de envelhecimento, quer pela retracção do grupo etário com menos de 5 anos resultado do início do fenómeno da quebra da natalidade, quer pela redução dos estratos em idade activa jovem, resultado do processo de emigração iniciado nos anos 50. 20 Diagnóstico Social do Concelho de Mação A consolidação destes fenómenos, associados à guerra colonial nas décadas de 60 e 70, deu lugar, já em 1981, ao início da inversão da pirâmide com o estreitamento da base, o progressivo alargamento do topo e a forte retracção da população em idade activa jovem que afectou, sobretudo, o sexo masculino. Em 1991, acentua-se a inversão da pirâmide, com a continuação da retracção da base face à década de 1981, resultado sobretudo da continuação da tendência para a forte quebra da natalidade que se tem vindo a verificar desde os anos 60. Observa-se uma acentuada concavidade dos 30 aos 55 anos, sobretudo nos estratos etários em idade activa dos 40 aos 49 anos, que não atingem os 2% da população total do concelho, resultado da saída das duas décadas anteriores dos activos jovens. Verifica-se o alargamento da população dos 60 aos 69 anos, que passa a representar a maior proporção relativamente aos restantes estratos etários e que traduz em parte o fenómeno de retorno da população em idade de reforma (ver Anexo II - Demografia). Em 2001, embora se detecte sinais de recuperação da população, principalmente em idade activa dos 30 aos 45 anos, resultante da forte quebra da emigração, verifica-se a continuação da retracção da base da pirâmide nos estratos mais jovens (5 aos 29 anos) e o reforço dos estratos etários acima dos 65 anos, sobretudo dos grandes idosos (80 e mais anos), com maior impacto no sexo feminino. Grupo Etário Percentagem de População Residente por Grupos Quinquenais e Sexo - 1991 >85 80-84 75-79 70-74 65-69 60-64 55-59 50-54 45-49 40-44 35-39 30-34 25-29 20-24 15-19 10-14 5-9 0-4 6,00 HOMENS MULHERES 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 (%) 21 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Grupo Etário Percentagem de População Residente por Grupos Quinquenais e Sexo - 2001 >85 80-84 75-79 70-74 65-69 60-64 55-59 50-54 45-49 40-44 35-39 30-34 25-29 20-24 15-19 10-14 5-9 0-4 HOMENS MULHERES 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 (%) Grupo Etário Percentagem de População Residente por Grupos Quinquenais e Sexo - 1991/2001 >85 80-84 75-79 70-74 65-69 60-64 55-59 50-54 45-49 40-44 35-39 30-34 25-29 20-24 15-19 10-14 5-9 0-4 6,00 HOMENS - 2001 MULHERES - 2001 HOMENS 1991 MULHERES1991 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 (%) A evolução do Índice da Juventude da População em Idade Activa e do Índice de Renovação da População em Idade Activa exprimem alguma recuperação da população activa jovem ao longo das duas últimas décadas, com uma taxa de variação positiva, mas ainda inferior à unidade. Em 2001, o Índice de renovação da população activa retoma valores próximos dos verificados nos anos 70, enquanto a evolução do peso das crianças com menos de 5 anos por cada 1000 mulheres em período fértil continua a registar uma variação negativa, resultado do declínio da natalidade. Por seu turno, o Índice de Longevidade regista uma variação sempre positiva desde 1960, confirmando o crescente peso da população com mais de 75 anos no grupo dos idosos. 22 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.13 - Evolução do Índice da Juventude da População em Idade Activa Pop. 1539 1960 1970 1981 1991 2001 6300 4180 3122 2624 2071 Pop. 1545 5521 5090 4156 3084 2315 Juventude Taxa Pop. Variação Activa 1,14 0,00 0,82 -28,03 0,75 -8,53 0,85 13,26 0,89 5,14 Fonte: INE, Censos Quadro 2.14 - Evolução do Índice da Renovação da População em Idade Activa Pop. 29- Pop. 55 29 anos 64 anos 1960 1970 1981 1991 2001 2462 1585 1368 1151 808 2002 2065 1914 1694 1055 Renovação da Pop. Em Idade Activa 123,0 76,8 71,5 67,9 76,6 Indice de Envelhecim. 54,59 80,49 153,24 254,40 364,07 Pop. 75 e Índice de Sustentabilidade mais Longevidade Potencial anos 937 0,37 463,4 1170 0,44 351,1 1136 0,38 242,7 1411 0,45 182,7 1618 0,51 137,8 Fonte: INE, Censos Quadro 2.15 - Evolução do Índice de Fertilidade C rianças <5 anos 1960 1970 1981 1991 2001 1421 820 533 313 252 M ulheres Indíce de 15- 45 Fertilidade anos 3915 362,96 2770 296,03 1789 297,93 1184 264,36 1152 218,75 T axa Variação 0,00 -18,44 0,64 -11,27 -17,25 Fonte: IN E, C ensos A análise da evolução da relação de Masculinidade revela que desde 1960 existem no concelho mais mulheres que homens. Essa diferença como se pode ver na análise das pirâmides etárias, reflecte-se, fundamentalmente, na estrutura dos estratos etários mais elevados e exprime-se numa maior esperança de vida feminina. 23 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.16 - Evolução da Relação de Masculinidade Homens Mulheres 1960 1970 1981 1991 2001 9094 7140 5885 4852 4047 Relação Mascul. 9951 8050 6349 5208 4395 91,39 88,70 92,69 93,16 92,08 Fonte:INE, Censos 2.2. CARACTERIZAÇÃO FAMILIAR No Concelho de Mação são os “casais sem filhos” que representam o tipo de família predominante, contrariando os resultados observados nas regiões do Pinhal Interior Sul e do Médio Tejo, em que a percentagem do tipo “casal com filhos” é ligeiramente superior. Neste âmbito, muito embora no contexto concelhio de Mação as percentagens referentes às categorias “casal com filhos” e “isolados” sejam também elas significativas, pode dizer-se que o destaque daquele tipo familiar pode encontrar algumas justificações na tendência marcante de envelhecimento e desertificação encontrada no concelho, em que os casais sem filhos são caracterizados significativamente por indivíduos cujos filhos já cresceram e já constituíram família, em Mação ou noutro concelho. Quadro 2.17 - Famílias por tipo nos concelhos das NUTS III Pinhal Interior Sul e Médio Tejo em 2001 Total Mação Abrantes Oleiros Proença-a-Nova Sardoal Sertã Vila de Rei Pinhal Interior Sul Médio Tejo 3465 16076 2651 3580 1559 6241 1321 17258 83458 Isolados 928 3212 665 771 401 1349 371 4084 16848 % 26,8 20,0 25,1 21,5 25,7 21,6 28,1 23,7 20,2 Casal sem filhos 1207 4777 913 1123 425 1855 417 5515 23029 % 34,8 29,7 34,4 31,4 27,3 29,7 31,6 32,0 27,6 Casal com filhos 1032 6521 841 1341 577 2396 411 6021 35757 % 29,8 40,6 31,7 37,5 37,0 38,4 31,1 34,9 42,8 Monoparentais 226 1209 168 264 111 484 99 1241 6357 % 6,5 7,5 6,3 7,4 7,1 7,8 7,5 7,2 7,6 Fonte: INE, Censos 2001 Analisando a evolução familiar de 1991 para 2001, verifica-se uma tendência crescente para a diminuição do número de famílias, independentemente da sua tipologia. Este decréscimo é observável sobretudo nos casais, com ou sem filhos: com 16.6% no primeiro caso (casal com filhos) e 19.1% no segundo (casal sem filhos). É interessante notar que a tipologia com menor significância no quadro global das famílias – as famílias monoparentais – foi a única a registar um aumento naquele período, na ordem dos 5.6%. 24 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Especificando a análise ao nível dos isolados do concelho, no sentido de caracterizar esta população, é possível verificar que são sobretudo os indivíduos com 65 ou mais anos os que vivem isolados no Concelho de Mação, na medida em que representam 78.7% de casos nessa situação. Quadro 2.18 - Variação das Famílias por tipo, em Mação (1991-2001) 1991 Isolados % 2001 Variação 1991-2001 % 969 24,8 928 27,4 -4,2 Casal sem filhos 1492 38,1 1207 35,6 -19,1 Casal com filhos 1238 31,6 1032 30,4 -16,6 214 5,5 226 6,7 5,6 3913 100,0 3393 100,0 -13,3 Monoparentais Total Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 Quadro 2.19 - Isolados, por escalão etário em Mação em 2001 Com idade entre 15 e 24 anos 6 0,7 Com idade entre 25 e 64 anos 175 20,6 Com idade com 65 ou mais anos 669 78,7 Total 850 100,0 Fonte: INE, Censos 2001 Na leitura por freguesia, é possível observar que em todas as freguesias do Concelho de Mação (e, consequentemente, no próprio concelho) houve uma diminuição, no período entre 1991 e 2001, do número de famílias com pessoas com menos de 15 anos, sendo que o decréscimo mais acentuado foi de -34.5% na Freguesia de Penhascoso e o menos significativo foi de -12% na Freguesia de Mação. Também no que diz respeito às famílias com membros com 65 ou mais anos verificou-se uma evolução negativa, devido ao próprio decréscimo do número de famílias no concelho, contudo, essa diminuição atingiu apenas -1.2%, e em três das freguesias do concelho houve inclusive um aumento (Aboboreira com 24.8%; Cardigos com 3.9%; e Penhascoso com 5.2%). Nas restantes freguesias a variação foi negativa, sendo que o valor mais elevado (de -16.1%) foi observado em Ortiga. 25 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.20 - Variação das Famílias com elementos com menos de 15 anos e com 65 e mais anos, por Freguesia em Mação (1991-2001) Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Concelho Total famílias clássicas 1991 2001 265 247 349 286 622 554 360 293 653 532 946 879 300 258 478 416 3973 3465 Com pessoas <15 anos 1991 52 57 91 77 108 233 55 84 757 % 2001 19,6 38 16,3 41 14,6 80 21,4 51 16,5 89 24,6 205 18,3 44 17,6 55 19,1 603 % 15,4 14,3 14,4 17,4 16,7 23,3 17,1 13,2 17,4 Variação 1991 – 2001 -26,9 -28,1 -12,1 -33,8 -17,6 -12,0 -20,0 -34,5 -20,3 Com pessoas 65 e + anos 1991 117 197 385 181 355 454 155 268 2112 % 44,2 56,4 61,9 50,3 54,4 48,0 51,7 56,1 53,2 2001 146 190 400 174 341 424 130 282 2087 % 59,1 66,4 72,2 59,4 64,1 48,2 50,4 67,8 60,2 Variação 1991 – 2001 24,8 -3,6 3,9 -3,9 -3,9 -6,6 -16,1 5,2 -1,2 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 Tendo em conta as famílias por dimensão, é possível observar que as proporções das categorias identificadas correspondem aproximadamente aos tipos de famílias definidos anteriormente, ou seja, isolados/uma pessoa, casal sem filhos/duas pessoas, casal com filhos/…. Assim sendo, tal como já se tinha verificado com a expressividade associada ao número de casais (com ou sem filhos), são as famílias com 2 a 4 membros que se destacam nesta leitura. No entanto, no quadro regional, Mação ganha maior evidência nos casos de agregados com uma a duas pessoas, na medida em que é nestas categorias que o concelho ultrapassa, na sua generalidade, com valores ligeiramente mais expressivos, os concelhos limítrofes. Quadro 2.21 - Famílias por dimensão nos concelhos das Regiões do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo (2001) Mação Abrantes Oleiros Proença-a-Nova Sardoal Sertã Vila de Rei Pinhal Interior Sul Médio Tejo Total 3465 16076 2651 3580 1559 6241 1321 17258 83458 Com 1 pessoa 850 24,5 3021 18,8 622 23,5 727 20,3 376 24,1 1259 20,2 337 25,5 3795 22,0 15763 18,9 Com 2 pessoas 1336 38,6 5353 33,3 993 37,5 1252 35,0 475 30,5 2064 33,1 488 36,9 6133 35,5 26387 31,6 Com 3 e 4 pessoas 1077 31,1 6684 41,6 852 32,1 1280 35,8 571 36,6 2387 38,2 400 30,3 5996 34,7 35436 42,5 Com 5 e + pessoas 202 5,8 1018 6,3 184 6,9 321 9,0 137 8,8 531 8,5 96 7,3 1334 7,7 5872 7,0 Fonte: INE, Censos 2001 Neste sentido, apesar do número de famílias maçaenses ter vindo a decrescer desde 1991, qualquer que seja a sua dimensão – fruto da desertificação cada vez mais marcante no concelho –, esta diminuição sobressai nas famílias mais numerosas, com um decréscimo de 39.7%. 26 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 2.22 - Variação das Famílias por dimensão em Mação (1991-2001) 1991 % Com 1 pessoa Com 2 pessoas Com 3 e 4 pessoas Com 5 e mais pessoas 872 1584 1182 335 21,9 39,9 29,8 8,4 850 1336 1077 202 24,5 38,6 31,1 5,8 Variação 1991-2001 -2,5 -15,7 -8,9 -39,7 Total 3973 100,0 3465 100,0 -12,8 2001 % Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 Aprofundando a análise ao nível das diferentes freguesias do Concelho de Mação, denotase que, de uma forma generalizada, são as famílias com uma ou duas pessoas que apresentam valores mais elevados e este resultado é mais evidente nas Freguesias de Cardigos, Amêndoa, Penhascoso e Envendos. Por outro lado, e relativamente aos agregados com 3, 4 ou mais membros, constata-se que são as Freguesias da Aboboreira, de Mação e do Carvoeiro que se destacam com as maiores percentagens. Ressalve-se, neste caso, que, embora no quadro não estejam presentes os dados relativos às famílias com 5 ou mais elementos, pelo total das famílias é possível discernir que as percentagens omissas dizem respeito a esta categoria. Entre 1991 e 2001, tal como se verificou para o total do concelho, observa-se que a evolução do número de famílias em ambas as categorias é negativa para todas as freguesias, exceptuando a Freguesia de Mação, onde essa variação reflecte um aumento de 3.8%. Quadro 2.23 - Variação das Famílias por dimensão, por freguesia em Mação (1991-2001) Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Concelho Total famílias clássicas 1991 2001 265 247 349 286 622 554 360 293 653 532 946 879 300 258 478 416 3973 3465 Com 1 ou 2 pessoas 1991 147 222 411 201 412 556 184 323 2456 % 55,5 63,6 66,1 55,8 63,1 58,8 61,3 67,6 61,8 2001 138 196 391 170 352 500 156 283 2186 % 55,9 68,5 70,6 58,0 66,2 56,9 60,5 68,0 63,1 Variação 19912001 -6,1 -11,7 -4,9 -15,4 -14,6 -10,1 -15,2 -12,4 -11,0 Com 3 ou 4 pessoas 1991 99 99 162 110 178 318 94 122 1182 % 37,4 28,4 26,0 30,6 27,3 33,6 31,3 25,5 29,8 2001 94 73 135 91 155 330 89 110 1077 % 38,1 25,5 24,4 31,1 29,1 37,5 34,5 26,4 31,1 Variação 19912001 -5,1 -26,3 -16,7 -17,3 -12,9 +3,8 -5,3 -9,8 -8,9 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 27 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 3. HABITAÇÃO 3.1. CARACTERIZAÇÃO DO PARQUE HABITACIONAL Neste ponto pretende-se caracterizar o parque habitacional do Concelho de Mação, tendo em conta a sua cobertura, as suas condições habitacionais e os encargos com a habitação, para, posteriormente, avaliar as necessidades existentes e identificadas, quer através dos dados estatísticos, quer por actores-chave locais. Para tal, é possível distinguir duas análises que se complementam e se cruzam: uma que dá conta dos registos oficiais disponíveis no INE, ao nível dos Censos; e uma outra que privilegia dados mais qualitativos, recolhidos junto de agentes sociais concelhios, combinados com os resultados estatísticos e oficiais. 3.1.1. Cobertura Habitacional Com o intuito de perceber se no Concelho de Mação a oferta habitacional é compatível e adequada à procura residencial, é de todo pertinente caracterizar o tipo e o número de edifícios e alojamentos existentes, perceber qual o seu regime de ocupação (residencial, sazonal, vagos) e a cobertura residencial efectiva. Assim sendo, existem no território maçaense 6.190 edifícios, concentrados com maior incidência nas Freguesias de Mação (1.419) e de Cardigos (1.086). Relativamente ao número de pisos por edifício, pode dizer-se que, tal como se observa nos dados obtidos para o Concelho de Mação, são os edifícios com apenas 1 ou 2 pavimentos que se destacam nas diferentes freguesias, indiciando uma forte incidência de habitação de menor dimensão em altura no concelho, podendo mesmo dizer-se, segundo os dados apresentados, que o território maçaense se caracteriza por um cenário transversal de moradias. Não obstante, é de sublinhar o valor das percentagens correspondentes às freguesias de Envendos e Mação, no que diz respeito aos edifícios aí existentes com 3 ou 4 pavimentos – 17.6% e 8.0%, respectivamente. Note-se ainda que apenas na Freguesia de Mação existem edifícios com 5 ou mais pavimentos. Pode dizer-se, então, que apesar da proeminência de habitações térreas, estas são as duas freguesias que apresentam um carácter mais urbanizado. 28 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Nesta linha, acrescente-se a Freguesia de Envendos às outras duas já referenciadas como as três mais edificadas, o que se justifica pelo facto destes serem os aglomerados mais populacionais no total do concelho. Quadro 3.1 - % Edifícios, por n.º de pisos em Mação em 2001 Total Edifícios Com 1 ou 2 pavimentos % Com 3 ou 4 pavimentos % Com 5 ou + pavimentos % Aboboreira 402 397 98,8 5 1,2 0 0,0 Amêndoa 594 590 99,3 4 0,7 0 0,0 Cardigos 1086 1078 99,3 8 0,7 0 0,0 Carvoeiro 460 459 99,8 1 0,2 0 0,0 Envendos 971 799 82,3 171 17,6 0 0,0 Mação 1469 1343 91,4 118 8,0 6 0,4 Ortiga 416 409 98,3 6 1,4 0 0,0 Penhascoso 792 773 97,6 18 2,3 0 0,0 6190 5848 94,5 331 5,3 6 0,1 Concelho Fonte: INE, Censos 2001 Da análise da tabela seguinte, pode verificar-se que uma larga maioria de edifícios no Concelho de Mação, além de possuir apenas um piso, como já foi referido anteriormente, é exclusivamente residencial (91%). Da mesma forma, embora com uma representação muito pouco significativa, também os edifícios com 2, 3 e 4 andares se apresentam como maioritariamente residenciais. A excepção surge nos edifícios com 5 ou mais pisos, uma vez que as percentagens relativas aos edifícios parcialmente residenciais são superiores aos edifícios exclusivamente residenciais. Neste caso, o facto do parcialmente se sobrepor ao exclusivamente residencial pode estar relacionado com a instalação de serviços nestas construções mais verticalizadas. Quadro 3.2 - Regime de Ocupação dos Edifícios, por piso Com 1 Exclusivamente residenciais % Com 2 % Com 3 ou 4 % Com 5 ou mais % 5630 91,0 74 1,2 18 0,3 6 Parcialmente residenciais 225 3,6 10 0,2 4 0,1 11 0,2 Principalmente não residenciais 206 3,3 0 0,0 1 0,0 0 0,0 6061 97,9 84 1,4 23 0,4 17 0,3 Total 0,1 Fonte: INE, Censos 2001 Relativamente ao número de habitações existentes no Concelho de Mação, constata-se que os 6.190 edifícios se traduzem em 6.480 alojamentos, dos quais, cerca de 99,9% são alojamentos familiares (99.8% são clássicos e 0.09% não clássicos). Os restantes 0,1% reportam-se a alojamentos colectivos. Neste âmbito, o tipo de alojamento que caracteriza marcadamente o concelho é a habitação familiar clássica. Aliás, a tabela seguinte demonstra que o alojamento familiar clássico é aquele que predomina em todas os 29 Diagnóstico Social do Concelho de Mação concelhos da região, bem como na média das regiões do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo, sendo que a percentagem correspondente a esta categoria se encontra sempre acima dos 99%. No que diz respeito aos alojamentos familiares não clássicos, estes apresentam percentagens relativamente similares nos vários concelhos, ainda que o seu número tenda a ser maior naqueles em que existe um maior número de alojamentos (Abrantes e Sertã). A média de residentes, salvo nos concelhos de Oleiros e Sardoal, é maior nos alojamentos familiares não clássicos relativamente aos alojamentos familiares clássicos. No que diz respeito aos alojamentos colectivos, interessa apenas referir que se observa uma média de residentes bastante superior neste tipo de alojamento, nomeadamente por ser colectivo e não familiar, no sentido literário do termo. Sublinhe-se ainda que em qualquer dos diferentes tipos de alojamentos não parecem existir diferenças percentuais significativas entre os diferentes concelhos e as regiões de Pinhal Interior Sul e Médio Tejo. Quadro 3.3 - Alojamentos segundo o tipo e média de residentes nos concelhos das regiões de Pinhal Interior Sul e Médio Tejo Mação Total 6480 Oleiros Proença-a-Nova Clássicos % Alojamentos Familiares Média Não residentes Clássicos 6465 99,8 1,3 4945 4937 99,8 1,3 1 0,02 5794 5777 99,7 1,6 11 0,19 10038 10012 99,7 1,7 18 0,18 2533 2522 99,6 1,3 4 Abrantes 22725 22609 99,5 1,8 Sardoal 2727 2722 99,8 29790 29713 122255 121487 Sertã Vila de Rei Pinhal Interior Sul Médio Tejo 6 % 0,09 Alojamentos colectivos Média Média Convivências % residentes residentes 2,7 8 0,12 15,8 1,0 7 0,14 18,1 2,4 5 0,09 21,6 2,1 6 0,06 25,5 0,16 3,0 5 0,20 25,8 79 0,35 2,5 26 0,11 10,5 1,5 3 0,11 1,3 2 0,07 22,0 99,7 1,5 40 0,13 2,3 31 0,10 20,7 99,4 1,8 486 0,40 2,6 213 0,17 17,0 Fonte: INE, Censos 2001 Tendo em conta a população residente e a forma como se distribui por alojamento, denotase que, apesar de existirem algumas diferenças, as percentagens correspondentes ao número de pessoas por alojamento não parece diferir muito nos vários concelhos das regiões do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo. Assim sendo, a maior parte dos alojamentos albergam entre 2 a 4 pessoas, mais especificamente, observa-se que nos concelhos de Mação, Oleiros e Vila de Rei é superior a percentagem de alojamentos com 2 pessoas, enquanto nos concelhos de Proença-a-Nova, Sertã, Abrantes e Sardoal a maior a percentagem corresponde a alojamentos com 3 e 4 pessoas – na região do Médio Tejo a diferença pende também para um maior número de alojamentos com 3 e 4 pessoas. Há que 30 Diagnóstico Social do Concelho de Mação ressalvar ainda o facto de a percentagem correspondente aos alojamentos com apenas uma pessoa ser significativamente maior do que a percentagem de alojamentos com 5 ou mais pessoas. Os dados sobre o número de residentes por alojamento, permitem verificar que a média dos agregados familiares ronda, no Concelho de Mação, os 1.3 habitantes. No entanto, 75.5% dos agregados familiares neste concelho tem 2 ou mais membros, o que leva a deduzir a existência de um número significativo de habitações desocupadas. Quadro 3.4 - Alojamentos por número de pessoas nos concelhos das regiões do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo (2001) Total Alojamentos Mação Com 1 Pessoa 6465 847 % Com 2 Pessoas % Com 3 e 4 Pessoas % 13,1 1329 20,6 1072 16,6 Com 5 ou mais 205 % 3,2 Média pessoas/ alojamento 1,3 Oleiros 4937 617 12,5 992 20,1 851 17,2 186 3,8 1,3 Proença-a-Nova 5777 725 12,5 1246 21,6 1273 22,0 323 5,6 1,6 10012 1239 12,4 2056 20,5 2375 23,7 536 5,4 1,7 2522 332 13,2 488 19,3 398 15,8 96 3,8 1,3 22609 2899 12,8 5282 23,4 6625 29,3 1051 4,6 1,8 Sertã Vila de Rei Abrantes Sardoal Pinhal Interior Sul Médio Tejo 2722 361 13,3 474 17,4 571 21,0 138 5,1 1,5 29713 3760 12,7 6111 20,6 5969 20,1 1346 4,5 1,5 121487 14676 12,1 25902 21,3 35032 28,8 6172 5,1 1,8 Fonte: INE, Censos 2001 Com efeito, observa-se que, dos 6.465 alojamentos familiares clássicos existentes no Concelho de Mação, 9.9% (637) estão vagos. Todavia, em todos os concelhos a percentagem de alojamentos ocupados é claramente superior à dos fogos vagos, o mesmo sucedendo para as regiões do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo. Apenas nos Concelhos de Abrantes e Sardoal e na região do Médio Tejo a percentagem de residências vagas corresponde a um valor percentual ligeiramente superior, não sendo nunca superior a 13% em quaisquer dos casos. O Concelho de Proença-a-Nova apresenta a maior percentagem de ocupação e a menor percentagem de alojamentos vagos. Quadro 3.5 - %Alojamentos segundo regime de ocupação nos Concelhos das Regiões do Pinhal Interior Sul e do Médio Tejo (2001) Total Mação 6465 Ocupados % Vagos % 5828 90,1 637 9,9 Oleiros 4937 4590 93,0 347 7,0 Proença-a-Nova 5777 5501 95,2 276 4,8 Sertã 10012 9517 95,1 495 4,9 2522 2383 94,5 139 5,5 Abrantes 22609 19686 87,1 2923 12,9 Sardoal 2722 2406 88,4 316 11,6 29713 27819 93,6 1894 6,4 121487 107048 88,1 14439 11,9 Vila de Rei Pinhal Interior Sul Médio Tejo Fonte: INE, Censos 2001 31 Diagnóstico Social do Concelho de Mação No que concerne ao regime de ocupação dos alojamentos, no Concelho de Mação é possível observar que a variação nos alojamentos ocupados é positiva, na medida em que se verificou um aumento de 5.701 em 1991 para 5.828 em 2001, muito embora seja de salientar o facto da percentagem de variação ser a mais pequena, comparada à encontrada para os restantes concelhos apresentados. Em contrapartida, no que diz respeito aos alojamentos vagos no mesmo concelho, a tendência inverte-se, uma vez que a variação foi negativa (-14.2%), ou seja, o número de alojamentos vagos diminuiu durante o período de 1991 a 2001 – à semelhança de Vila de Rei, que assistiu a um decréscimo dos seus alojamentos vagos em 33%, e contrariando a tendência encontrada para a Região do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo, que verificaram um crescimento de desocupações residenciais. Quer isto então dizer que, apesar da desertificação, este aumento de ocupação pode indicar o desenvolvimento de dois tipos de lógica: fixação de pessoas através de residências sazonais e/ou fixação de serviços em alojamentos não residenciais. Quadro 3.6 - Alojamentos segundo regime de ocupação nos Concelhos da Região do Pinhal Interior Sul em 1991 e 2001 Pinhal Interior Sul Mação Oleiros Proença-a-Nova Sertã Vila de Rei 1991 25245 5701 4184 5047 8096 2217 Ocupados 2001 27819 5828 4590 5501 9517 2383 Var (%) +10,2 +2,2 +9,7 +9,0 +17,6 +7,5 1991 1789 742 232 213 395 207 Vagos 2001 1894 637 347 276 495 139 Var (%) +5,9 -14,2 +49,6 +29,6 +25,3 -32,9 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 O principal uso dos alojamentos ocupados ao nível dos vários concelhos é, como se constata pelo quadro seguinte, a residência habitual, muito embora o uso sazonal ou secundário apresente valores percentuais bastante significativos. Com efeito, para o Concelho de Mação a diferença encontrada não é muito elevada, na medida em que, dos 5.828 alojamentos ocupados, 3.453 (59.2%) são de residência habitual e 2.375 (40.8%) correspondem a habitações de uso sazonal ou secundário, dando ênfase à dificuldade em se fixar residentes permanentes no concelho, que contribuam para a economia local e para a animação comunitária. 32 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 3.7 - %Alojamentos Ocupados, segundo o uso nos Concelhos das Regiões do Pinhal Interior Sul e do Médio Tejo (2001) Ocupados Residência Habitual Total % Uso Sazonal ou Secundário 2375 % Mação 5828 3453 59,2 Oleiros 4590 2646 57,6 1944 Proença-a-Nova 5501 3567 64,8 1934 35,2 Sertã 9517 6206 65,2 3311 34,8 Vila de Rei 2383 1314 55,1 1069 44,9 Abrantes 19686 15857 80,5 3829 19,5 Sardoal 2406 1544 64,2 862 35,8 27819 17186 61,8 10633 38,2 107048 81782 76,4 25266 23,6 Pinhal Interior Sul Médio Tejo 40,8 42,4 Fonte: INE, Censos 2001 De facto, no que toca ao uso dos alojamentos ocupados, a tendência parece ser para o aumento do uso sazonal ou secundário e para a diminuição do uso dos alojamentos como residência habitual nos diversos concelhos da Região Pinhal Interior Sul. O concelho de Mação apresenta uma diminuição de 11.3% no uso dos alojamentos como residência habitual (sendo esta a percentagem mais elevada na comparação com os outros concelhos) e um aumento de 66.9% no uso sazonal ou secundário dos alojamentos. O concelho da Sertã é o único onde se regista um pequeno crescimento (1.7%) do uso dos alojamentos como residência habitual, sendo que mantém a tendência de crescimento do uso sazonal. Sublinhe-se ainda o facto de, no Concelho de Oleiros, o uso sazonal dos alojamentos ter aumentado 141.5%. Quadro 3.8 - Alojamentos Ocupados, segundo o uso nos Concelhos da Região do Pinhal Interior Sul em 1991 e 2001 Residência Habitual 1991 Pinhal Interior Sul Mação Oleiros Proença-a-Nova Sertã Vila de Rei 18141 3893 2947 3762 6103 1436 2001 17186 3453 2646 3567 6206 1314 Var (%) -5,3 -11,3 -10,2 -5,2 +1,7 -8,5 Uso sazonal ou secundário 1991 5652 1423 805 1063 1664 697 2001 10633 2375 1944 1934 3311 1069 Var (%) +88,1 +66,9 +141,5 +81,9 +99,0 +53,4 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 Por freguesia, é possível verificar que esta tendência de diminuição da habitação de uso habitual é transversal a todas as freguesias do concelho, com maior incidência nas Freguesias de Carvoeiro (-17.3%), Envendos (-16.9%) e Amêndoa (-16.4%) e com menor incidência nas Freguesias de Aboboreira (-4.7%) e Mação (-6.6%). 33 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 3.9 - Variação dos alojamentos familiares de residência habitual, por freguesias no Concelho de Mação entre 1991 e 2001 Alojamentos Familiares de residência habitual 1991 2001 Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Concelho 254 342 611 354 639 938 298 462 3898 Var. (%) 242 286 553 293 531 876 257 415 3453 -4,7 -16,4 -9,5 -17,3 -16,9 -6,6 -13,8 -10,2 -11,4 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 Analisando agora os alojamentos vagos, é desde logo interessante verificar que o maior volume de habitações vagas parece não ter um uso discriminado, visto ser a categoria “outros” aquela que concentra um maior número de alojamentos em qualquer dos concelhos e em ambas as regiões. Por outro lado, existe um elevado número de fogos vagos para demolição (32.5%) no Concelho de Mação, percentagem manifestamente superior à encontrada para os restantes concelhos da região do Pinhal Interior Sul. Por outro lado, e ao contrário do que sucede nos restantes, os Concelhos de Mação e Oleiros apresentam uma percentagem baixa (6.3% e 4.3%, respectivamente) de alojamentos vagos para venda, sendo essa percentagem ainda mais diminuta no que concerne aos alojamentos para aluguer (5.2% e 5.8%). Neste caso, o mesmo sucede em Vila de Rei, onde a percentagem para aluguer é ainda mais baixa (2.9%). Os valores percentuais relativos às habitações vagas para aluguer nas regiões do Pinhal Interior Sul e do Médio Tejo não são, também, muito elevados, não ultrapassando os 11%. Quadro 3.10 - %Alojamentos Vagos, segundo nos uso Concelhos das Regiões do Pinhal Interior Sul e do Médio Tejo (2001) Vagos Total Para Venda % Para Aluguer % Para Demolição % Outros % Mação 637 40 6,3 33 5,2 207 32,5 357 Oleiros 347 15 4,3 20 5,8 45 13,0 267 76,9 Proença-a-Nova 276 53 19,2 44 15,9 23 8,3 156 56,5 Sertã 495 155 31,3 106 21,4 24 4,8 210 42,4 Vila de Rei 139 33 23,7 4 2,9 17 12,2 85 61,2 Abrantes 2923 415 14,2 286 9,8 201 6,9 2021 69,1 Sardoal 316 39 12,3 47 14,9 31 9,8 199 63,0 1894 296 15,6 207 10,9 316 16,7 1075 56,8 14439 2112 14,6 1412 9,8 1340 9,3 9575 66,3 Pinhal Interior Sul Médio Tejo 56,0 Fonte: INE, Censos 2001 34 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Relativamente à variação das utilizações referentes aos alojamentos vagos, saliente-se a tendência generalizada a todos os concelhos de aumento do número de alojamentos para demolição, apesar da percentagem de variação ser significativamente diferente em alguns desses concelhos (por exemplo, atinge um aumento de 325% em Vila de Rei e apenas um aumento de 20% no concelho da Sertã). Também os alojamentos vagos para venda aumentaram naqueles concelhos no período entre 1991 e 2001, sendo que novamente se verificam disparidades nas percentagens existentes em cada concelho; Mação assume o menor crescimento de alojamentos vagos para venda, sensivelmente 5%. Em relação ao número de alojamentos vagos para aluguer, denota-se que nos concelhos de Mação e Oleiros esse número diminuiu 21.4% e 33.3%, respectivamente, enquanto nos restantes concelhos os alojamentos vagos para aluguer aumentaram. Os usos indiscriminados dos alojamentos vagos diminuíram na maior parte dos concelhos (34.9% de diminuição em Mação), tendo aumentado unicamente nos Concelhos de Oleiros e Proençaa-Nova (65.8% e 6.8%, respectivamente). Quadro 3.11 - Alojamentos Vagos, segundo o uso nos Concelhos da Região do Pinhal Interior Sul em 1991 e 2001 Pinhal Interior Sul Mação Oleiros Proença-a-Nova Sertã Vila de Rei 1991 123 38 14 19 49 3 Venda 2001 Var (%) 296 +140,7 40 +5,3 15 +7,1 53 +178,9 155 +216,3 33 +1000,0 1991 173 42 30 40 59 2 Aluguer 2001 Var (%) 207 +19,7 33 -21,4 20 -33,3 44 +10,0 106 +79,7 4 +100,0 1991 173 114 27 8 20 4 Demolição 2001 Var (%) 316 +82,7 207 +81,6 45 +66,7 23 +187,5 24 +20,0 17 +325,0 1991 1320 548 161 146 267 198 Outros 2001 1075 357 267 156 210 85 Var (%) -18,6 -34,9 +65,8 +6,8 -21,3 -57,1 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 3.1.2. Condições de Habitabilidade Avaliando o eventual estado de conservação dos edifícios e adequação dos mesmos às necessidades dos residentes e a uma vivência condigna, pode verificar-se, em primeiro lugar que uma parte significativa dos edifícios do Concelho de Mação (53.4%) foi construída anteriormente a 1970. Apenas em duas freguesias a percentagem de edifícios construída após essa data é superior (Penhascoso e Envendos), sendo que apenas numa delas essa percentagem apresenta uma diferença mais visível (59.4% dos edifícios em Envendos foram construídos a partir de 1971, contra 40.5% construídos antes dessa data). As freguesias de Aboboreira, Amêndoa e Carvoeiro são aquelas em que a percentagem de edifícios 35 Diagnóstico Social do Concelho de Mação construídos até 1970 é maior, indicando a existência de um parque habitacional mais envelhecido. Quadro 3.12 - % Edifícios construídos até 1970 e após 1970 em Mação, por freguesia Até 1970 De 1971 a 2001 % % Aboboreira 244 60,7 158 39,3 Amêndoa 439 73,9 155 26,1 Cardigos 582 53,6 504 46,4 Carvoeiro 309 67,2 151 32,8 Envendos 393 40,5 577 59,4 Mação 734 50,0 733 49,9 Ortiga 212 51,0 203 48,8 Penhascoso 393 49,6 398 50,3 3306 53,4 2879 46,5 Concelho Fonte: INE, Censos até 2001 No seguimento do que foi referido, e analisando a variação do número de edifícios construídos em cada uma das freguesias do Concelho de Mação, são visíveis algumas tendências por período de construção: - Até 1970 distinguem-se duas tendências: uma diminuição da construção de edifícios nas Freguesias da Aboboreira, da Amêndoa, de Cardigos e do Carvoeiro, sendo o decréscimo mais elevado no caso da Aboboreira; aumento da construção nas restantes freguesias, nomeadamente na da Ortiga, com 115%; - Entre 1971 e 1980 houve um crescimento generalizado pelas diferentes freguesias, com excepção da Aboboreira e do Penhascoso, onde se verificou mesmo um decréscimo. Nas freguesias onde a construção aumentou destacam-se as de Cardigos e de Envendos; - De 1981 a 1990 destacam-se os aumentos de construção nas Freguesias da Amêndoa e de Mação e os decréscimos da Aboboreira e de Cardigos. As restantes apresentaram variações muito ligeiras, quer num quadro de diminuição quer de crescimento; - Por último, de 1991 a 2001 sobressaem as Freguesias da Amêndoa e da Ortiga pela variação negativa apresentada e as Freguesias do Carvoeiro, de Mação, de Cardigos e da Aboboreira pela tendência inversa. Numa perspectiva geral, verificou-se sempre uma tendência de crescimento do edificado, muito embora o maior investimento ao nível da construção de edifícios tenha ocorrido durante o período de 1971 a 1980. Mação apresenta-se como a única Freguesia que não observou qualquer decréscimo e, como tal, a sua variação traduz-se na mais elevada do 36 Diagnóstico Social do Concelho de Mação concelho, seguida das Freguesias de Envendos e da Ortiga com evoluções percentuais muito próximas. Também as restantes freguesias observaram um crescimento total positivo, com excepção da Freguesia da Aboboreira que, na soma dos 4 períodos, obtém valores negativos. Quadro 3.13 - Variação dos Edifícios construídos em Mação, por freguesia Até 1970 Aboboreira -55,4 Entre 1971-1980 -9,1 Entre 19811990 Entre 1991-2001 -24,3 25,0 Amêndoa -28,9 6,8 94,1 -50,0 Cardigos -37,3 79,7 -27,2 23,1 Carvoeiro -14,3 11,9 -4,0 39,1 Envendos 42 77,5 -2,2 -9,2 Mação 41,3 3,4 49,5 38,0 Ortiga 115 23,3 -5,1 -27,9 Penhascoso 50 -8,9 14,7 3,9 Concelho 1,2 22,2 7,6 8,9 Fonte: INE, Censos até 2001 Considerando apenas os alojamentos de uso habitual por número de divisões, no sentido de perceber a adequação dos alojamentos à dimensão dos agregados familiares (entre 2, 3 e 4 pessoas), pode dizer-se que nas regiões do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo predominam, sobretudo, alojamentos com 4 ou 5 divisões, sendo também relativamente elevadas as percentagens relativas aos alojamentos com mais de 5 divisões. Tal encontra-se expresso de forma inequívoca na média de divisões, que atinge o seu valor mais elevado no Concelho de Mação e no de Proença-a-Nova, com 5.4 divisões por alojamento. Neste contexto, não é de estranhar que o concelho de Mação apresente a maior percentagem de alojamentos com mais de 5 divisões (38.6% do total de alojamentos) e a menor percentagem de alojamentos com 2 ou 3 divisões (8.4%). Se anteriormente já se tinha concluído da horizontalidade habitacional neste concelho, com os valores agora apresentados, pode acrescentar-se a existência de habitações espaçosas e adequadas à dimensão média dos agregados. 37 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 3.14 - Alojamentos de residência habitual por número divisões nas regiões do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo (2001) Total Mação Com 1 3453 Com 2 ou 3 divisões % 13 0,38 % 289 8,4 Com 4 ou 5 divisões Mais de 5 divisões % 1818 52,6 1333 % Média de divisões 38,6 5,4 Oleiros 2646 16 0,60 327 12,4 1485 56,1 818 30,9 5,0 Proença-a-Nova 3567 14 0,39 312 8,7 1867 52,3 1374 38,5 5,4 Sertã 6206 32 0,52 667 10,7 3545 57,1 1962 31,6 5,1 Vila de Rei 1314 2 0,15 147 11,2 718 54,6 447 34,0 5,2 15857 79 0,50 2495 15,7 10242 64,6 3041 19,2 4,7 Abrantes Sardoal 1544 2 0,13 185 12,0 904 58,5 453 29,3 5,0 Pinhal Interior Sul 17186 77 0,45 1742 10,1 9433 54,9 5934 34,5 5,2 Médio Tejo 81782 355 0,43 11272 13,8 52630 64,4 17525 21,4 4,8 Fonte: INE, Censos 2001 Existe, ainda assim, nos diferentes concelhos e nas regiões do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo, uma percentagem significativa de alojamentos com 2 ou 3 divisões, sendo muito pequena a percentagem correspondente ao número de alojamentos com apenas 1 divisão. Analisando outras condições de habitabilidade, para além do estado de conservação dos edifícios e da sua adequabilidade física à dimensão dos agregados, pode concluir-se que em 2001 a maior parte dos edifícios, quer nos concelhos, quer nas regiões do Pinhal Interior Sul e Médio Tejo, dispõem de recolha de resíduos sólidos urbanos. Sublinhem-se os Concelhos de Oleiros e Sertã, uma vez que é nestes que a percentagem de edifícios sem recolha é mais significativa (13.8% e 17.6%, respectivamente). O concelho de Mação apresenta 98.2% dos edifícios com recolha de resíduos sólidos urbanos. Quadro 3.15 - % Edifícios, segundo a existência de recolha de resíduos sólidos urbanos em 2001 6185 Com recolha 6072 98,2 Sem recolha 113 18538 17088 92,2 1450 7,8 Oleiros 4684 4036 86,2 648 13,8 Proença-a-Nova 5270 5078 96,4 192 3,6 Sardoal 2572 2529 98,3 43 1,7 Sertã 9135 7526 82,4 1609 17,6 Total Mação Abrantes Vila de Rei % % 1,8 2465 2437 98,9 28 1,1 Pinhal Interior Sul 27739 25149 90,7 2590 9,3 Médio Tejo 98135 90682 92,4 7453 7,6 Fonte: INE, Censos 2001 Tendo em conta o tipo de necessidade de reparações, verifica-se que as percentagens que mais se destacam correspondem à ausência de intervenções, quer ao nível da estrutura dos edifícios, quer ao nível da respectiva cobertura, bem como no que respeita às paredes e caixilharia. As restantes percentagens por tipo de necessidade vai requerendo menos 38 Diagnóstico Social do Concelho de Mação reparações à medida que a gravidade das mesmas vai aumentando. Neste sentido, verificam-se valores muito pouco significativos quando são necessárias reparações grandes ou muito grandes. Quadro 3.16 - % Edifícios, por necessidade de reparações em Mação em 2001 Estrutura Cobertura Paredes e caixilharia 50,7 Nenhumas 54,1 49,6 Pequenas 17,2 16,0 17,8 Médias 15,3 17,6 16,0 Grandes 8,0 10,1 9,4 Muito grandes 5,3 6,6 6,2 Fonte: INE, Censos 2001 A maior parte dos alojamentos (99.7%) no Concelho de Mação dispõe de instalações de electricidade, sendo que usufruem dessas instalações 98.4% da população do concelho. Desta forma, é diminuta a percentagem de alojamentos e a percentagem da população que não dispõe de instalação eléctrica. A mesma tendência parece existir relativamente às instalações sanitárias (95.6% da população residente no concelho usufrui de instalações sanitárias), sendo que 93.9% dos alojamentos possuem retrete, quer esta esteja ligada à rede pública (42.3%) ou a sistemas particulares (57.2%). Sensivelmente metade dos alojamentos (49.5%) possui abastecimento de água canalizada (este abastecimento cobre 97.1% da população residente no Concelho de Mação), sendo a maior parte (95.8%) proveniente da rede pública de abastecimento, que serve 93.4% da população. Refira-se que dez em cada cem alojamentos não possuem instalações de banho ou duche, representando 7% da população residente (91.5% da população que vive em alojamentos possui aquelas instalações). 39 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 3.17 - % Alojamentos por condições de habitabilidade e % de residentes abrangidos, em Mação em 2001 Alojamentos Instalações de electricidade residentes abrangidos % % face total de residentes 3459 Com electricidade 3447 99,7 8304 Sem electricidade 12 0,3 12 0,1 8068 95,6 Instalações sanitárias (retrete/esgotos) 3459 Sem retrete Com retrete fora do alojamento Com retrete no alojamento 98,4 155 4,5 248 2,9 56 1,6 157 1,9 3248 93,9 7911 93,7 Ligado à rede de pública de esgotos 1373 42,3 3617 42,8 Ligado a sistema particular de esgotos 1859 57,2 4249 50,3 25 0,8 Outros casos Abastecimento de água 6847 45 0,5 8272 98,0 Sem água no alojamento 34 0,5 44 0,5 Com àgua canalizada fora do alojamento 37 0,5 75 0,9 3388 49,5 8197 97,1 3245 95,8 7884 93,4 143 4,2 313 Com água canalizada no alojamento Proveniente de rede pública Proveniente de rede particular Instalações de Banho ou Duche 3,7 3459 Com instalação de banho ou duche Sem instalação de banho ou duche Sistema de aquecimento disponível 0,0 3108 89,9 7723 351 10,1 593 91,5 7,0 3459 Sem aquecimento Aquecimento não central Aquecimento central 0,0 159 4,6 307 3,6 3238 93,6 7832 92,8 62 1,8 177 2,1 Fonte: INE, Censos 2001 No que diz respeito aos sistemas de aquecimento, a maior parte dos alojamentos (93.6%) dispõe apenas de sistemas de aquecimento não central, sendo relativamente diminuta a percentagem de alojamentos dotados de aquecimento central (1.8%). Existe ainda uma pequena franja (4.6%) de alojamentos que não dispõem de qualquer tipo de sistema de aquecimento. Sensivelmente 95% da população residente dispõe de sistema de aquecimento, independentemente da sua natureza. Quadro 3.18 - % Alojamentos de residência habitual por condições de habitabilidade, por freguesia Aboboreira Com electricidade 1991 2001 95,3 98,8 Com água 1991 2001 76,8 94,2 Com retrete 1991 2001 71,3 88,8 Com esgotos 1991 2001 71,7 94,2 Com banho 1991 2001 62,6 86,0 Amêndoa 98,2 100,0 77,2 98,3 85,1 89,9 86,0 98,3 74,9 88,5 Cardigos 98,0 99,5 87,1 99,1 94,6 98,0 94,4 99,1 80,9 94,9 Carvoeiro 97,7 100,0 79,1 98,3 85,3 95,2 83,6 98,6 72,9 88,7 Envendos 98,0 99,8 95,0 98,5 92,5 94,2 90,5 99,1 74,8 82,1 Mação 96,9 99,5 96,3 98,9 87,7 94,4 87,5 98,9 79,6 93,7 Ortiga 97,0 100,0 98,0 98,8 86,9 96,9 87,2 98,8 83,9 95,0 Penhascoso 97,4 99,8 92,0 95,0 84,0 89,9 84,2 95,9 72,5 85,6 Concelho 98,3 99,8 93,2 98,7 91,8 96,1 91,5 98,8 84,4 93,6 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 40 Diagnóstico Social do Concelho de Mação No período compreendido entre 1991 e 2001 é observável uma tendência clara para o aumento das condições de habitabilidade no Concelho de Mação, respectivamente ao nível das 8 freguesias, na medida em que cada uma delas se observa um aumento da percentagem de alojamentos abrangidos relativamente a cada um dos diferentes itens de habitabilidade. As percentagens mais baixas correspondem à existência de banho e à existência de retrete nos alojamentos (93.6% e 96.1%, respectivamente). 3.1.3. Escalões de renda e encargos com habitação No que diz respeito aos encargos relativamente à aquisição de habitação, 46% dos alojamentos não apresentam encargos e 50.6% do total de habitações resultam de compra, sendo que o conjunto destes representa o grosso dos alojamentos existentes. Quadro 3.19 - Alojamentos por tipo de aquisição no Concelho de Mação (20001) Total 3030 % 46,0 3332 50,6 105 1,6 contrato de duração limitada 20 0,3 contrato renovável sem prazo 82 1,2 3 0,05 2 0,03 Sem encargos Compra Arrendamento contrato de renda social ou apoiada Sub arrendados Outra situação Total 14 0,2 6588 100,0 Fonte: INE, Censos 2001 Assim sendo, a percentagem de alojamentos arrendados é diminuta, ou seja, apenas 1.6% do total dos alojamentos destinam-se a esse fim. Desses, a parte mais significativa corresponde a contratos renováveis sem prazo e a restante a contratos de duração limitada. Existem apenas 3 casos em que os alojamentos arrendados estão subjacentes a um contrato de renda social ou apoiada, e 2 em que existe um subarrendamento. Dos alojamentos destinados a residência habitual, a maior parte é ocupada pelo proprietário, como demonstra a tabela seguinte. No entanto, verifica-se que o número de alojamentos ocupados pelos proprietários tem vindo a diminuir, com excepção das Freguesias da Ortiga (que verificou um crescimento de 60% de proprietários e do Carvoeiro, embora neste caso o valor seja muito pouco significativo – 1.4%). Também os alojamentos arrendados assistiram a um decréscimo, neste caso mais acentuado que nos proprietários, observando-se mesmo em alguns casos uma diminuição de 100% (caso das Freguesias de Aboboreira e Penhascoso, onde em 2001 não existiam 41 Diagnóstico Social do Concelho de Mação alojamentos para residência habitual arrendados). Ressalve-se que este decréscimo tem a ver, sobretudo, com a diminuição do próprio número de alojamentos. É de sublinhar por isso a variação positiva na freguesia de Ortiga, onde entre 1991 e 2001 existiu um aumento de 60.8% do número de alojamentos em que o proprietário é o ocupante, uma vez que contraria a tendência para a diminuição desse número nas restantes freguesias. Quadro 3.20 - Variação dos alojamentos clássicos, segundo propriedade, por freguesias no Concelho de Mação (1991 e 2001) Residência habitual 1991 2001 Proprietário ocupante 1991 2001 Arrendados Var (%) 1991 Var (%) 2001 Aboboreira 254 242 250 242 -3,2 3 0 -100,0 Amêndoa 342 286 331 282 -14,8 4 3 -25,0 Cardigos 611 553 579 545 -5,9 21 6 -71,4 Carvoeiro 353 293 286 290 +1,4 2 2 0,0 Envendos 639 531 614 514 -16,3 17 16 -5,9 Mação 938 876 799 791 -1,0 118 76 -35,6 Ortiga 296 257 158 254 +60,8 13 2 -84,6 Penhascoso Concelho 460 415 436 414 -5,0 10 0 -100,0 3893 3453 3453 3332 -3,5 188 105 -44,1 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 As grandes percentagens relativas aos encargos envolvidos na compra dos alojamentos podem ser justificadas pela proporção dos alojamentos comprados relativamente aos alojamentos arrendados, na medida em que os 3.030 alojamentos sem encargos já foram comprados ou herdados. Quadro 3.21 - Alojamentos por escalão de encargos para Compra e para Arrendamento no Concelho de Mação – Total Total Sem encargos Compra N % Arrendamento N % 3030 3030 100,0 0 0,0 Menos de 59.86€ 111 78 70,3 33 29,7 De 59.86 a 99.75€ 42 29 69,0 13 31,0 De 99.76 a 149.63€ 60 35 58,3 25 41,7 De 149.64 a 199.51€ 67 44 65,7 23 34,3 De 199.52 a 249.39€ 41 33 80,5 8 19,5 De 249.40 a 299.27€ 22 21 95,5 1 4,5 De 299.28 a 399.03€ 37 34 91,9 3 8,1 De 399.04 a 498.79€ Total 29 28 96,6 1 3,4 3439 3332 96,9 107 3,1 Fonte: INE, Censos 2001 Observando exclusivamente os alojamentos com os quais existem prestações fixas mensais, verifica-se que 73.8% dos encargos destinam-se a prestações de compra dos 42 Diagnóstico Social do Concelho de Mação imóveis e 64.5% dos alojamentos necessitam de despesas que oscilam entre os 60,00 e os 200,00 euros, quer para compra ou renda, o que seria revelador de encargos relativamente acessíveis, caso mais de metade da população de Mação não fosse pensionista, com pensões inferiores aos encargos aqui referenciados. Quadro 3.22 - Alojamentos por escalão de encargos para Compra e para Arrendamento no Concelho de Mação – Com encargos Compra Total N Arrendamento N % % Menos de 59.86€ 111 78 70,3 33 De 59.86 a 99.75€ 42 29 69,0 13 31,0 De 99.76 a 149.63€ 60 35 58,3 25 41,7 De 149.64 a 199.51€ 67 44 65,7 23 34,3 De 199.52 a 249.39€ 41 33 80,5 8 19,5 De 249.40 a 299.27€ 22 21 95,5 1 4,5 De 299.28 a 399.03€ 37 34 91,9 3 8,1 De 399.04 a 498.79€ 29 28 96,6 1 3,4 409 302 73,8 107 26,2 Total 29,7 Fonte: INE, Censos 2001 Comparando com a região Pinhal Interior Sul, verifica-se que a maior parte (cerca de 90%) dos alojamentos nesta região e no concelho de Mação não representam um encargo para os seus proprietários, tal como expressa a tabela seguinte. Ainda que as diferenças sejam pouco significativas, é possível observar que as percentagens correspondentes aos escalões de encargos mais baixos são ligeiramente maiores no Concelho de Mação e que as percentagens nos restantes escalões são maiores na região do Pinhal Interior Sul. Quadro 3.23 - Alojamentos por escalão de encargos para Compra no Concelho de Mação e Região do Pinhal Interior Sul – Total Pinhal Interior Sul N % Sem encargos Menos de 59.86€ 14730 227 Mação N % 90,2 3030 90,9 1,4 78 2,3 De 59.86 a 99.75€ 135 0,8 29 0,9 De 99.76 a 149.63€ 203 1,2 35 1,1 De 149.64 a 199.51€ 252 1,5 44 1,3 De 199.52 a 249.39€ 238 1,5 33 1,0 De 249.40 a 299.27€ 178 1,1 21 0,6 De 299.28 a 399.03€ 213 1,3 34 1,0 De 399.04 a 498.79€ Total 156 1,0 28 0,8 16332 100,0 3332 100,0 Fonte: INE, Censos 2001 Retirados da análise os alojamentos em que não existem encargos, mantém-se o cenário traçado anteriormente com uma expressão mais significativa, ou seja, relativamente à região do Pinhal Interior Sul, o Concelho de Mação apresenta percentagens mais significativas nos 43 Diagnóstico Social do Concelho de Mação dois primeiros escalões de encargos na compra dos alojamentos, tendo percentagens menores nos restantes escalões. A diferença mais significativa em termos percentuais verifica-se mesmo no primeiro escalão de encargos, aquele que representa valores mais baixos com a aquisição dos alojamentos. Quadro 3.24 - Alojamentos por escalão de encargos para Compra no Concelho de Mação e Região do Pinhal Interior Sul – Com encargos Pinhal Interior Sul N % Mação N % Menos de 59.86€ 227 14,2 78 De 59.86 a 99.75€ 135 8,4 29 9,6 De 99.76 a 149.63€ 203 12,7 35 11,6 De 149.64 a 199.51€ 252 15,7 44 14,6 De 199.52 a 249.39€ 238 14,9 33 10,9 De 249.40 a 299.27€ 178 11,1 21 7,0 De 299.28 a 399.03€ 213 13,3 34 11,3 De 399.04 a 498.79€ Total 25,8 156 9,7 28 9,3 1602 100,0 302 100,0 Fonte: INE, Censos 2001 No que diz respeito ao arrendamento dos alojamentos é de evidenciar uma concentração nos primeiros cinco escalões de encargos, quer na região do Pinhal Interior Sul quer no Concelho de Mação. No escalão de encargos mais baixo, a percentagem mais elevada pertence ao Concelho de Mação, sendo que o mesmo sucede no quarto escalão de encargos, embora neste último a diferença percentual seja mais esbatida. Em todos os restantes escalões a percentagem relativa ao arrendamento na região Pinhal Interior Sul é mais significativa. Quadro 3.25 - Alojamentos, por escalão de Arrendamento no Concelho de Mação e Região do Pinhal Interior Sul – com encargos Pinhal Interior Sul N % Mação N % Menos de 59.86€ 171 23,0 33 30,8 De 59.86 a 99.75€ 95 12,8 13 12,1 De 99.76 a 149.63€ 204 27,5 25 23,4 De 149.64 a 199.51€ 145 19,5 23 21,5 De 199.52 a 249.39€ 77 10,4 8 7,5 De 249.40 a 299.27€ 37 5,0 1 0,9 De 299.28 a 399.03€ 12 1,6 3 2,8 De 399.04 a 498.79€ 2 0,3 1 0,9 743 100,0 107 100,0 Total Fonte: INE, Censos 2001 44 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 3.2. ACTUAÇÕES NO ÂMBITO HABITACIONAL 3.2.1. Intervenção Habitacional – SOLARH No sentido de colmatar fragilidades no plano das condições de habitabilidade, foi implementado e operacionalizado pela Câmara Municipal de Mação, o Programa SOLARH – Programa de Solidariedade e Apoio à Recuperação de Habitação1. Esta iniciativa destina-se a proporcionar às famílias, com baixos rendimentos económicos, apoios para a intervenção ao nível de habitação própria. O referido programa torna possível aos cidadãos que se encontram numa situação de maior fragilidade económica, o acesso à concessão de empréstimos sem juros, destinados a obras de conservação e beneficiação da sua habitação, até ao limite de doze mil euros. As candidaturas ao referido Programa são feitas através do Gabinete de Acção Social da Câmara Municipal de Mação. Neste sentido, a função do GAS nos Processos SOLARH é a de mediador entre os candidatos e o Instituto Nacional de Habitação2. Segundo o Relatório de Actividades de 2003 do referido Serviço, neste mesmo ano procedeu-se ao acompanhamento de 11 processos SOLARH, 7 dos quais relativos a anos anteriores e 4 iniciados em 2003. 1O Programa de Solidariedade e Apoio à Recuperação de Habitação é uma iniciativa de da Secretaria de Estado da Habitação e Comunicações, regulamentado pelo Decreto-lei nº 7/99 de 8 de Janeiro. 2 Este trabalho de mediação inicia-se com a elaboração das candidaturas e a respectiva verificação da regularidade e elegibilidade das mesmas (através de recolha dos documentos obrigatórios; visitas ao local; registos fotográficos e da articulação com os Serviços Técnicos da C.M.M), posteriormente os processos são remetidos ao Instituto Nacional de Habitação que aprova ou não, as candidaturas e a concessão dos empréstimos. Assim que as candidaturas são aprovadas o GAS articula com os Serviços Técnicos no sentido de informar sobre as diligências necessárias para o andamento dos processos. 45 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 4. ECONOMIA 4.1. EVOLUÇÃO RECENTE DA ACTIVIDADE ECONÓMICA A base económica de Mação reflecte, por um lado, a sua localização geográfica com as condições naturais que lhes estão associadas e, por outro, a tendência geral evolutiva da estrutura económica do país, que se traduz num peso da agricultura ainda com alguma relevância comparativa, mas com uma vertiginosa queda nas últimas décadas, acompanhada por um crescimento do sector terciário. Com efeito, a forte queda da população empregada na agricultura, conjuntamente com a redução do emprego na indústria transformadora, terá sido determinante para a diminuição do nível de emprego no Concelho na década de 90. Actualmente, o perfil do emprego é marcado pela importância crescente que o sector da construção civil tem vindo a assumir, constituindo o principal subsector empregador, seguido da agricultura/produção animal (ver quadro), denotando ainda o pendor agrícola do Concelho. A administração pública surge como o terceiro subsector empregador. Estes subsectores, conjuntamente com o comércio, empregam cerca de metade da população empregada. Numa análise comparativa com o país, apesar da redução do emprego na agricultura, ainda se verifica uma especialização produtiva na actividade agrícola no Concelho de Mação. Quadro 4.1 - População Residente Empregada por Ramo de Actividade Económica CAE Sector Primário Agricultura, Prod.animal, Caça e Act. dos Serv. Relacionados Silvicult.,Exploração Florestal e Act. dos Serv. Relacion Sector Secundário Indústrias Alimentares e das Bebidas Indústrias da Madeira e da Cortiça e suas Obras;excpt Mob Fabricação de têxteis Construção Sector Terciário Comércio a Retalho (excep.v.automóv..);Rep. Bens Pess.e Dom Comércio por Grosso e Agentes de Comércio, excpt Veic. Aut. Comércio, Manutenção e Reparação de Veículos Aut e Motoc.. Alojamento e Restauração (restaurantes e similares) Transp. Terrestres; Transp. Oleodutos ou Gasodutos (pipelines) Administração Pública, Defesa e Seg. Social 'obrigatória' Educação Saúde e Acção Social Outras Actividades de Serviços Prestados Princip. às Emp. Famílias com Empregados Domésticos Não especificados Total Fonte: INE, Censos 2001 N.º 444 366 78 895 175 130 55 535 1 342 224 86 66 99 77 315 161 198 52 64 218 2 899 % 15.3% 12.6% 2.7% 30.9% 6.0% 4.5% 1.9% 18.5% 46.3% 7.7% 3.0% 2.3% 3.4% 2.7% 10.9% 5.6% 6.8% 1.8% 2.2% 7.5% 100.0% 46 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 4.2. DINÂMICA EMPRESARIAL Considerando o tecido empresarial do Concelho (através do número de empresas e sociedades com sede na região), Mação apresenta-se actualmente com uma estrutura produtiva assente no comércio e na construção civil semelhante ao do espectro nacional; por seu turno, o sector primário e a indústria transformadora aparecem com um peso superior ao que ocupam no âmbito nacional; por seu turno, os serviços mais avançados, designadamente, as actividades financeiras, actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas e os serviços colectivos, sociais e pessoais têm ainda uma expressão reduzida (QUADRO 4.2 e QUADRO 4.3). QUADRO 4.2. Empresas com Sede na Região, 2001 CAE-Rev.2 Portugal N.º Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura + Pesca 87.241 Indústrias Extractivas 2.062 Indústrias Transformadoras 117.386 Produção e Distribuição de Electricidade, de Gás e de 372 Água Construção 187.597 Comércio por Grosso e a Retalho 385.465 Alojamento e Restauração 97.114 Transportes, Armazenagem e Comunicações 32.821 Actividades Financeiras 37.556 Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados 108.278 às Emp. Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais 54.598 Total 1.110.490 Fonte: INE, Ficheiro de Unidades Estatísticas (FUE). Centro Pinhal Interior Sul % N.º % 10,7 857 18,2 0,3 3 0,1 10,4 520 11,1 % 7,9 0,2 10,6 N.º 20.936 590 20.225 0,0 54 0,0 - 16,9 34,7 8,7 3,0 3,4 39.026 65.501 15.785 5.521 5.899 20,0 33,6 8,1 2,8 3,0 9,8 13.290 4,9 8.233 100,0 195.060 Mação N.º 166 118 % 17,5 12,5 - - - 934 1.421 374 214 101 19,9 30,2 8,0 4,5 2,1 174 318 65 41 21 18,4 33,6 6,9 4,3 2,2 6,8 153 3,3 25 2,6 4,2 100,0 127 4.704 2,7 100,0 19 2,0 947 100,0 QUADRO 4.3. Sociedades com Sede na Região, 2001 CAE-Rev.2 Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura + Pesca Indústrias Extractivas Indústrias Transformadoras Produção e Distribuição de Electricidade, de Gás e de Água Construção Comércio por Grosso e a Retalho Alojamento e Restauração Transportes, Armazenagem e Comunicações Actividades Financeiras Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Emp. Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais Total Fonte: INE, Ficheiro de Unidades Estatísticas (FUE). Portugal N.º % 7.597 2,5 961 0,3 43.535 14,1 343 Pinhal Interior Sul N.º % N.º % 1.326 2,9 41 4,3 251 0,6 3 0,3 7.808 17,3 220 23,2 Centro 0,1 37.601 12,2 98.419 31,9 28.782 9,3 18.929 6,1 2.083 0,7 49 0,1 6.165 13,7 14.552 32,2 3.520 7,8 3.328 7,4 229 0,5 48.881 15,8 5.122 11,3 21.550 7,0 308.681 100,0 2.800 6,2 45.150 100,0 - - 128 13,5 280 29,6 62 6,5 126 13,3 2 0,2 46 4,9 39 4,1 947 100,0 Mação N.º % 9 5,0 43 24,0 - - 30 16,8 59 33,0 9 5,0 20 11,2 6 3,4 3 1,7 179 100,0 47 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Analisando o pessoal ao serviço nas sociedades com sede na região, a indústria transformadora constitui o ramo que emprega um maior número de pessoas, seguido do comércio, da construção e dos transportes. Situação esta justificada pelo tipo de tecido empresarial caracterizador do concelho. QUADRO 4.4. Pessoal ao Serviço nas Sociedades com Sede na Região, 1993, 1997 e 2001 CAE-Rev.2 Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura + Pesca Indústrias Extractivas Indústrias Transformadoras Produção e Distribuição de Electricidade, de Gás e de Água Construção Comércio por Grosso e a Retalho Alojamento e Restauração Transportes, Armazenagem e Comunicações Actividades Financeiras Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Emp. Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais Total Fonte: INE, Ficheiro Geral de Unidades Estatísticas (FGUE). ... Dado confidencial 1993 N.º 1997 % N.º 526 0,9 70,5 0 60 103 0 7 0 49 0 1 0 746 Var 1993- Var 19972000 % 2000 2,0 142,9% 88,9% 52,0 -17,3% 7,7% 2000 % N.º 9 … 404 1,1 49,6 17 0 435 - 0 - 0 - - - 8,0 13,8 6,6 - 90 145 14 93 0 11,1 17,8 1,7 11,4 - 108 156 16 89 0 12,9 18,6 1,9 10,6 - 80,0% 51,5% 81,6% - 20,0% 7,6% 14,3% -4,3% - 1,0 15 1,8 1400,0% 87,5% 100,0 1 837 0,1 100,0 8 … 814 0,1 100,0 12,2% 2,8% Com efeito, o sector industrial alberga as empresas de maior dimensão, principalmente quando estamos perante um Concelho fora dos grandes centros urbanos, onde os restantes sectores, nomeadamente a construção civil e a agricultura, são compostos essencialmente por pequenas e micro empresas (QUADRO 4.5). QUADRO 4.5. Pessoal ao Serviço nas Sociedades com Sede na Região, 2000 CAE-Rev.2 Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura + Pesca Indústrias Extractivas Indústrias Transformadoras Produção e Distribuição de Electricidade, de Gás e de Água Construção Comércio por Grosso e a Retalho Alojamento e Restauração Transportes, Armazenagem e Comunicações Actividades Financeiras Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Emp. Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais Total Fonte: INE, Ficheiro Geral de Unidades Estatísticas (FGUE). ... Dado confidencial Pinhal Interior Sul N.º % N.º % N.º % 39.523 1,6 6.755 2,1 114 2,6 13.344 0,5 2.391 0,8 … 840.265 34,3 155.745 49,2 2.182 49,2 Portugal 18.398 Centro 0,8 240.826 9,8 536.194 21,9 154.858 6,3 163.464 6,7 83.203 546 0,2 33.742 10,7 67.183 21,2 13.114 4,1 11.115 3,5 - - 514 11,6 878 19,8 161 3,6 251 5,7 Mação N.º % 17 2,0 435 52,0 - - 108 12,9 156 18,6 16 1,9 89 10,6 3,4 1.326 0,4 ... - - - 256.830 10,5 13.801 4,4 76 1,7 15 1,8 99.605 4,1 10.622 3,4 2.446.510 100,0 316.340 100,0 207 4,7 4.431 100,0 1 0,1 837 100,0 48 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Evolutivamente, o sector agrícola ainda registou crescimentos positivos até 1997, medido através do número de empresas sediadas no concelho, registando uma inflexão a partir do final da década de 90. QUADRO 4.6. Empresas com Sede na Região segundo a CAE-Rev.2, 1994, 1997 e 2001 CAE-Rev.2 Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura + Pesca Indústrias Extractivas Indústrias Transformadoras Produção e Distribuição de Electricidade, de Gás e de Água Construção Comércio por Grosso e a Retalho Alojamento e Restauração Transportes, Armazenagem e Comunicações Actividades Financeiras Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Emp. Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais Não identificada Total Fonte: INE, Ficheiro de Unidades Estatísticas (FUE). 1994 N.º 176 1 125 139 322 52 28 13 14 17 50 937 1997 % N.º 18,8 0,1 13,3 14,8 34,4 5,5 3,0 1,4 1,5 1,8 5,3 100,0 191 1 129 164 355 59 34 15 21 22 4 995 2001 % N.º Var 19972001 -5,7% -13,1% - -100,0% -5,6% -8,5% Var 19942001 % 19,2 0,1 13,0 166 0 118 17,5 12,5 - - - - - 16,5 35,7 5,9 3,4 1,5 174 318 65 41 21 18,4 33,6 6,9 4,3 2,2 25,2% -1,2% 25,0% 46,4% 61,5% 6,1% -10,4% 10,2% 20,6% 40,0% 2,1 25 2,6 78,6% 19,0% 2,2 0,4 100,0 19 0 947 2,0 100,0 11,8% -13,6% -100,0% -100,0% 1,1% -4,8% O mesmo sucedeu com a indústria transformadora e com o comércio, que viram o número de empresas aumentar até 1997 e que depois registam uma diminuição em 2001. Os restantes sectores registaram desenvolvimentos positivos, durante a década de 90, com destaque para as Actividades financeiras e as Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Empresas, sectores que também partiram duma base reduzida, sendo compostos por um número reduzido de empresas no Concelho. Apesar deste decréscimo no número de empresas dos sectores agrícola e industrial, verificou-se um aumento do número de sociedades nestes sectores (QUADRO 4.7). No caso da indústria, este aumento não foi suficiente para evitar o decréscimo do emprego ao longo da década de 90. Relativamente à agricultura, as sociedades empregaram mais pessoas durante o período em análise, mas está-se perante, mesmo no caso das sociedades, um número residual de trabalhadores. 49 Diagnóstico Social do Concelho de Mação QUADRO 4.7. Sociedades com Sede na Região, 1994, 1997 e 2001 CAE-Rev.2 Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura + Pesca Indústrias Extractivas Indústrias Transformadoras Produção e Distribuição de Electricidade, de Gás e de Água Construção Comércio por Grosso e a Retalho Alojamento e Restauração Transportes, Armazenagem e Comunicações Actividades Financeiras Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Emp. Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais Total Fonte: INE, Ficheiro de Unidades Estatísticas (FUE). 1994 N.º 1997 % N.º % 39 4,1 39,8 6 1 40 4,6 0,8 30,8 0 - 0 0,0 14 30 0 14,3 30,6 8,2 - 16 43 5 12 0 12,3 33,1 3,8 9,2 0,0 4 0 8 0 3 0 98 3,1 100,0 6 1 130 Var Var 19941997N.º % 2001 2001 9 5,0 125,0% 50,0% 0 - -100,0% 43 24,0 10,3% 7,5% 2001 4,6 0,8 100,0 0 - - 30 16,8 114,3% 59 33,0 96,7% 9 5,0 20 11,2 150,0% 0 - 87,5% 37,2% 80,0% 66,7% - 6 - 3,4 100,0% 3 1,7 179 100,0 0,0% - 200,0% 82,7% 37,7% Além das Sociedades contabilizadas, torna-se também relevante mencionar existência de 6 Cooperativas no Concelho de Mação, as quais se relacionam, exclusivamente, com actividades do sector primário: - COORTA: Cooperativa de Olivicultores de Ortiga; - COOPENHA: Cooperativa Agrícola de Penhascoso; - AGRIVIDENSE: Cooperativa Agrícola de Envendos; - Cooperativa Agrícola de São José das Matas; - Cooperativa de Olivicultores de Vales; - Cooperativa de Prestação de Serviços Agro-Pecuários de Ortiga De uma forma sucinta, pode dizer-se que os principais factores de desenvolvimento e de atractividade de investimento externo apresentam situações distintas: Mação tem uma pirâmide etária da população envelhecida, com recursos humanos com baixas qualificações. Relativamente às acessibilidades, a construção da auto-estrada vem aproximar o concelho de grandes centros urbanos, nomeadamente da Área Metropolitana de Lisboa, abrindo boas perspectivas à possibilidade de instalação de novas empresas no território concelhio. No entanto, para que se venham a criar condições de atractividade do investimento, importa equacionar os locais de instalação de potenciais unidades empresariais. Actualmente, as zonas de acolhimento industrial existentes (Mação e Ortiga previstas no PDM e PP, respectivamente, e Envendos e Cardigos solicitando um enquadramento através de um instrumento de planeamento) encontram-se esgotadas, se considerarmos as intenções de 50 Diagnóstico Social do Concelho de Mação investimento. Nas restantes freguesias, as unidades produtivas encontram-se dispersas, sem qualquer ordenamento. QUADRO 4.8. Principais Empresas Aboboreira Cardigos Envendos Carpintaria e Serração e/ou comercialização de Madeiras 2 2 1 Transformação de Produtos a Base de Carne 3 2 2 Construção Civil e Obras Públicas 1 5 Comercialização e Exportação de Artigos de Cera Ortiga 1 2 Fabrico e Comercialização de Artigos de Cera Produção de Conservas de Azeitona, Azeite 1 Comercialização de Componentes Automóveis 1 Transportes 1 Outras Indústrias Transformadoras 4 4 Fonte: Tratamento da Equipa de Estudo com base em GEMA – Gabinete Empreendedor de Mação, Livro Branco e CM Mação, 2003 4.3. PERFIL ECONÓMICO DA POPULAÇÃO RESIDENTE Por forma a enquadrar as dinâmicas transversais à construção da qualidade de vida, pretende-se, em primeiro lugar, caracterizar as condições sócio-económicas dos maçaenses, mediante o respectivo perfil económico. Neste contexto, verifica-se que o Concelho de Mação apresenta 53,5% da população residente sem actividade económica, contra apenas 36,2% de população residente com actividade. Este cenário segue as tendências médias da Região do Pinhal Interior Sul, uma vez que 6 dos concelhos, em 7, têm uma percentagem de população residente sem actividade económica superior à percentagem de população residente que possui actividade económica. Quadro 4.9 - População residente segundo actividade económica nos concelhos das regiões de Pinhal Interior Sul e Médio Tejo (2001) Com Residentes actividade Sem % económica Mação Actividade % Económica 8442 3055 36,2 4513 53,5 42235 18516 43,8 18276 43,3 Oleiros 6677 2463 36,9 3596 53,9 Proença-a-Nova 9610 3460 36,0 4973 51,7 Sardoal 4104 1593 38,8 1943 47,3 Abrantes Sertã Vila de Rei Pinhal Interior Sul Médio Tejo 16720 6640 39,7 7728 46,2 3354 1122 33,5 1844 55,0 44803 16740 37,4 22654 50,6 226090 100137 44,3 92880 41,1 Fonte: INE, Censos 2001 51 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 4.3.1. População Residente Sem Actividade Económica Ao nível da população inactiva em 2001, é possível verificar que a maior parte dos casos são reformados ou aposentados, sendo que as domésticas e os estudantes apresentam as percentagens mais expressivas depois destes. Tendo em conta que esta é uma tendência que se observa em todos os concelhos da Região do Pinhal Interior Sul e da média do Médio Tejo, sublinha-se, no entanto, que o Concelho de Mação possui a percentagem mais baixa de estudantes (em conjunto com Vila de Rei) e de domésticas e a percentagem mais alta de reformados ou aposentados. Quadro 4.10 - População inactiva nos concelhos das regiões de Pinhal Interior Sul e Médio Tejo (2001) População inactiva Mação 4513 Abrantes 18276 Estudante 398 % Doméstica % Reformados/ Aposentados Incapacitado % % para o Outra % trabalho 8,8 542 12,0 3219 71,3 206 4,6 148 3,3 2506 13,7 2951 16,1 10964 60,0 753 4,1 1102 6,0 Oleiros 3596 402 11,2 525 14,6 2431 67,6 127 3,5 111 3,1 Proença-a-Nova 4973 757 15,2 820 16,5 2952 59,4 278 5,6 166 3,3 Sardoal 1943 234 12,0 268 13,8 1241 63,9 111 5,7 89 4,6 Sertã 7728 1009 13,1 1638 21,2 4345 56,2 375 4,9 361 4,7 Vila de Rei 1844 286 15,5 1260 68,3 92 5,0 74 4,0 132 7,2 Pinhal Interior Sul 22654 2698 11,9 3811 16,8 14207 62,7 1078 4,8 860 3,8 Médio Tejo 92880 15161 16,3 15399 16,6 52044 56,0 4486 4,8 5790 6,2 Fonte: INE, Censos 2001 Apesar do número de inactivos ser superior ao dos activos no Concelho de Mação, observase que a variação dos pensionistas e inactivos neste território, entre 1991 e 2001, foi negativa em ambos os casos. Apenas na Freguesia de Carvoeiro existiu um pequeno aumento (1,3%) no número de pensionistas e reformados durante aquele período. Sublinhese que em todas as freguesias a diminuição do número de inactivos foi mais acentuada relativamente à diminuição registada no número de pensionistas. Quadro 4.11 - Variação dos pensionistas e inactivos, por freguesia em Mação (1991-2001) Pensionistas/ reformados 1991 2001 Aboboreira 192 Variação (%) 189 -1,6 Inactivos 1991 384 2001 371 Variação (%) -3,4 Amêndoa 337 290 -13,9 573 438 -23,6 Cardigos 658 612 -7,0 1054 918 -12,9 Carvoeiro 297 301 1,3 613 489 -20,2 Envendos 520 435 -16,3 951 761 -20,0 Mação 813 730 -10,2 1539 1342 -12,8 Ortiga 236 235 -0,4 515 411 -20,2 Penhascoso 461 427 -7,4 793 657 -17,2 3514 3219 -8,4 6422 5387 -16,1 Concelho Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 52 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Centrando a análise no total de pensionistas, pode dizer-se que apenas o número de pensionistas de sobrevivência aumentou ligeiramente (6%) durante o período de 1996-2002. Nas restantes categorias verificou-se um decréscimo do número de pensionistas, sendo que a maior diminuição ocorreu relativamente ao número de pensionistas por invalidez, que baixou 20%. Apesar disso, o número de pensionistas por 1000 habitantes subiu de 47,63%o, em 1996, para 49,30%o, em 2001, o que não é de estranhar tendo em conta a tendência de diminuição da própria população residente. Quadro 4.12 - Variação dos Pensionistas no Concelho de Mação (1996-2002) 1996 Pensionistas Velhice Sobrevivência Invalidez % p/ 1000 hab. Variação (%) 1997 1998 1999 2000 2001 2002 4 540 4 492 4 402 4 354 4 382 4 349 4 230 -7 3 219 3 148 3 061 3 008 3 050 3 022 2 924 -9 947 993 996 1 005 1 005 1 014 1 008 6 1996-2002 374 351 345 341 327 313 298 - 20 47,63 47,95 47,88 47,86 48,92 49,30 - +3,50 Fonte: INE, Anuários estatísticos 1999 a 2002 4.3.2. População Residente Com Actividade Económica Relativamente à população com actividade económica, denota-se que, no Concelho de Mação, dos cerca de 36% activos, 94,9% estão empregados e 5,1% encontram-se em situação de desemprego – correspondendo à 3ª taxa de desemprego mais baixa no enquadramento regional. Saliente-se que os concelhos que apresentam as menores percentagens de população activa – Vila de Rei, Mação e Oleiros – são aqueles que se destacam com valores mais elevados de emprego e com taxas mais baixas de desemprego. Também Proença-a-Nova integra o grupo dos concelhos com menores percentagens de activos, mas depois as taxas de emprego e desemprego já não seguem a mesma lógica encontrada nos concelhos anteriores. 53 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 4.13 - População activa nos concelhos das regiões de Pinhal Interior Sul e Médio Tejo (2001) População Empregada activa 3055 2899 Mação Abrantes 18516 16936 % Desempregada % 94,9 156 5,1 91,5 1580 8,5 Oleiros 2463 2377 96,5 86 3,5 Proença-a-Nova 3460 3233 93,4 227 6,6 Sardoal 1593 1505 94,5 88 5,5 Sertã 6640 6166 92,9 474 7,1 Vila de Rei 1122 1069 95,3 53 4,7 16740 15744 94,1 996 5,9 100137 93724 93,6 6413 6,4 Pinhal Interior Sul Médio Tejo Fonte: INE, Censos 2001 No Concelho de Mação, em termos geográficos, constata-se que são as Freguesias de Mação, de Envendos, de Aboboreira e do Carvoeiro as que apresentam maiores percentagens de activos, enquanto que, no pólo oposto, destaca-se a Freguesia de Cardigos com 25,5% de população activa. Este resultado encontra correspondência com a percentagem de idosos existentes nestas freguesias. De facto, as primeiras têm um menor número de indivíduos com 65 ou mais anos, ao passo que Cardigos traduz-se na Freguesia mais envelhecida. A única excepção segundo esta lógica corresponde a Envendos que, tendo uma das maiores proporções de activos do concelho, apresenta também um dos maiores índices de envelhecimento. Em relação ao número de empregados e de desempregados observa-se a mesma lógica anterior, na medida em que, de um modo geral, são as freguesias menos envelhecidas as que apresentam maiores taxas de emprego e, consequentemente, menores taxas de desemprego. Também nesta análise se verifica uma excepção: Cardigos – que, sendo a freguesia mais envelhecida, é a segunda com maiores índices de emprego e menores de desemprego. Quadro 4.14 - População Empregada e Desempregada por freguesia em Mação (2001) Residentes Total de Activos N.º % Empregados N.º % Desempregados N.º % Aboboreira 620 249 40,2 245 98,4 4 1,6 Amêndoa 658 220 33,4 201 91,4 19 8,6 Cardigos 1233 315 25,5 304 96,5 11 2,5 Carvoeiro 794 305 38,4 289 94,8 16 5,2 Envendos 1282 521 40,6 483 92,7 38 7,9 Mação 2276 934 41,0 891 95,4 43 4,6 Ortiga 627 216 34,4 207 95,8 9 4,2 952 295 31,0 279 94,6 16 5,4 8442 3055 36,2 2899 94,9 156 5,1 Penhascoso Concelho Fonte: INE, Censos 2001 54 Diagnóstico Social do Concelho de Mação O baixo nível concelhio de actividade económica observado é resultado de uma evolução negativa da população activa. Com efeito, a variação da população empregada e desempregada no Concelho de Mação tem sido pautada por uma diminuição do número de indivíduos em ambas as condições – consequência quer da desertificação que se tem sentido neste território, quer do envelhecimento populacional crescente. Em todo o caso, este decréscimo foi especialmente acentuado (-72,4%) no que diz respeito aos desempregados à procura de primeiro emprego. Apesar disso, registou-se um aumento (6,3%) da população empregada na Freguesia de Mação durante o período de 1991-2001, um aumento (200%) dos desempregados à procura de primeiro emprego na Freguesia de Envendos e um aumento de desempregados à procura de novo emprego nas Freguesias de Amêndoa (100%), Carvoeiro (8,3%) e Envendos (68,4%). Ressalve-se que, embora os valores percentuais sejam bastante elevados, em termos absolutos verifica-se uma menor expressividade. Quadro 4.15 - Variação da População Empregada e Desempregada por freguesia em Mação (1991-2001) Empregados 1991 2001 Variação (%) Desempregados (1º emprego) 1991 Variação (%) 2001 Desempregados (novo emprego) 1991 2001 Variação (%) Aboboreira 283 245 -13,4 22,0 0 -100,0 11 4 -63,6 Amêndoa 253 201 -20,6 12 3 -75,0 8 16 100,0 Cardigos 408 304 -25,5 16 2 -87,5 17 9 -47,1 Carvoeiro 370 289 -21,9 14 3 -78,6 12 13 8,3 Envendos 702 483 -31,2 2 6 200,0 19 32 68,4 Mação 838 891 6,3 43 15 -65,1 35 28 -20,0 Ortiga 208 207 -0,5 13 4 -69,2 8 5 -37,5 319 279 -12,5 12 4 -66,7 13 12 -7,7 3381 2899 -14,3 134 37 -72,4 123 119 -3,3 Penhascoso Concelho Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 Perfil da População Empregada Residente Desagregando a população com actividade económica, denota-se que são as baixas qualificações que se destacam na escolaridade dos residentes empregados do Concelho de Mação, principalmente no que respeita aos indivíduos com 65 ou mais anos, onde a inexistência de qualquer habilitação é bastante expressiva. De facto e de uma forma geral, apenas, aproximadamente, um terço da população empregada possui a escolaridade obrigatória. Todavia, verifica-se que a escolaridade obrigatória vai diminuindo à medida que a análise se reporta às faixas etárias mais 55 Diagnóstico Social do Concelho de Mação elevadas. Apesar de tudo, aquela percentagem diz respeito a uma situação que ultrapassa em 5% a tendência global dos residentes maçaenses com mais de 14 anos (ver capitulo da educação), o que não é de estranhar, uma vez que a população é bastante envelhecida e os níveis de analfabetismo associados a este grupo etário são muito significativos. Quadro 4.16. População Residente com Actividade Económica por Grau de Instrução Nível de Instrução Total Sem nível de ensino De 15 a 24 anos De 25 a 65 anos 65 ou mais anos 127 4.2% 1 0.3% 42 1.7% 84 33.1% 2079 68.1% 160 41.2% 1756 72.8% 163 64.2% 1º ciclo 1142 37.4% 26 6.7% 966 40.0% 150 59.1% 2º ciclo 596 19.5% 53 13.7% 533 22.1% 10 3.9% 3º ciclo 341 11.2% 81 20.9% 257 10.7% 3 1.2% 578 18.9% 196 50.5% 379 15.7% 3 1.2% Ensino básico Ensino secundário complementar Ensino médio 11 0.4% 0 0.0% 11 0.5% 0 0.0% Ensino superior 260 8.5% 31 8.0% 225 9.3% 4 1.6% Bacharelato 101 3.3% 8 2.1% 93 3.9% 0 0.0% Licenciatura 151 4.9% 23 5.9% 124 5.1% 4 1.6% Mestrado 6 0.2% 0 0.0% 6 0.2% 0 0.0% Doutoramento 2 0.1% 0 0.0% 2 0.1% 0 0.0% 3055 100.0% 388 100.0% 2413 100.0% 254 100.0% Total Fonte: INE, Censos 2001 Denota-se também que os 34% de População activa empregada do Concelho de Mação correspondem a um aumento durante as duas últimas décadas, resultante em parte do declínio da emigração (ver demografia) e da entrada crescente das mulheres no mercado de trabalho. Quadro 4.17 - Evolução da Taxa de Feminização M u lh eres T o tal d e Activ o s T axa d e Activ as E m p reg ad o s F em in ização 1960 1970 1981 1991 2001 463 470 1208 1138 1160 6253 4500 3949 3381 2899 7,40 10,44 30,59 33,66 40,01 F o n te : IN E , C e n so s A decomposição da população activa empregada por sectores de actividade revela um elevado peso do sector terciário com 49,05%, seguido do sector secundário com 35,49%. O sector primário representa apenas 15,45%. Numa análise dinâmica, manifesta-se a transformação de um concelho eminentemente rural dos anos 60, com 63,14% da população activa empregada no sector primário, em detrimento do sector II e do sector III que mais que duplicaram o seu valor. Destaca-se a 56 Diagnóstico Social do Concelho de Mação inversão do peso do sector I e do sector III acompanhando o fenómeno global da terciarização das sociedades com maior ênfase nos últimos 20 anos. Evoluçaõ da População Activa Empregada por Sectores de Actividade 100% 80% 22,7 14,2 60% 40% 63,1 20% 0% 1960 33,2 27,0 12,0 31,8 54,8 1970 41,2 1981 37,5 49,1 36,2 35,5 26,3 1991 15,5 2001 Anos Primário % Secund. % Terciário % Numa avaliação territorial constata-se que as freguesias onde existe um maior peso do sector I, são as freguesias de Envendos e Carvoeiro. As freguesias com menor peso do sector I são as Freguesias de Mação e Ortiga que detêm um peso do sector III acima da média do Concelho. As freguesias onde o sector II predomina ou detém um peso importante, são as freguesias a Norte do Concelho: Cardigos, Amêndoa e Aboboreira, e a Sul: Penhascoso. As maiores taxas de actividade, superiores à média do Concelho, encontram-se na freguesia de Mação, seguida das freguesias de Envendos, Aboboreira e Carvoeiro, enquanto as taxas de desemprego mais elevadas e superiores à média do Concelho se encontram por ordem decrescente na freguesia de Amêndoa, Envendos e Penhascoso. Quadro 4.18 - População Activa Empregada segundo o Sector de Actividade por Freguesia - 2001 Freguesias Aboboreira Am êndoa Cardigos Carvoeiro Envendos M ação O rtiga Penhascoso Total População Prim ário Secundário Prim ário Secundário Terciário Em pregada % % 245 201 304 289 483 891 207 279 2899 48 28 42 127 134 23 14 32 448 102 83 130 84 175 261 78 116 1029 95 90 132 78 174 607 115 131 1422 Terciário % 19,59 13,93 13,82 43,94 27,74 2,58 6,76 11,47 41,63 41,29 42,76 29,07 36,23 29,29 37,68 41,58 38,78 44,78 43,42 26,99 36,02 68,13 55,56 46,95 15,45 35,49 49,05 Fonte: INE, Censos 2001 57 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Perfil da População Desempregada Residente Estatisticamente o desemprego não representa um fenómeno social de gravidade extrema no Concelho. No entanto, o facto de se estar num meio eminentemente rural implica que este indicador deva ter uma leitura particular: a base de cálculo, que é a população activa, está enviezada, em virtude do êxodo rural e do elevado peso das categorias doméstica e reformada nas condições perante a actividade económica. Com efeito, relativamente à população activa desempregada verificou-se na última década uma diminuição da taxa de desemprego, contrariando o quadro económico nacional, que passou de 7,06% para 5,1%, em 2001, enquanto que a taxa de actividade se manteve constante, revelando um esforço e incentivo à criação de emprego por parte do município de Mação. O decréscimo da população desempregada no Concelho reflecte-se na diminuição generalizada de desempregados nos agregados familiares, exceptuando a Freguesia de Envendos onde a variação de famílias clássicas com 1 desempregado se traduz num crescimento de 111,8%. Ressalve-se ainda que esta variação negativa pode também ser justificada pela diminuição do n.º total de famílias. Quadro 4.19 - Variação das Famílias com e sem desempregados, por freguesia em Mação (1991-2001) Total famílias clássicas Aboboreira Variação Sem desempregados Variação Com 1 desempregado 1991 - 1991 2001 1991 % 2001 % 2001 1991 265 247 238 89,8 243 98,4 2,1 23 % 2001 1991% 2001 8,7 4 1,6 -82,6 Amêndoa 349 286 329 94,3 269 94,1 -18,2 20 5,7 15 5,2 -25,0 Cardigos 622 554 592 95,2 544 98,2 -8,1 27 4,3 9 1,6 -66,7 Carvoeiro 360 293 334 92,8 278 94,9 -16,8 26 7,2 14 4,8 -46,2 Envendos 653 532 635 97,2 495 93,0 -22,0 17 2,6 36 6,8 111,8 Mação 946 879 878 92,8 840 95,6 -4,3 59 6,2 35 4,0 -40,7 Ortiga 300 258 281 93,7 250 96,9 -11,0 17 5,7 7 2,7 -58,8 Penhascoso 478 416 455 95,2 400 96,2 -12,1 22 4,6 16 3,8 -27,3 3973 3465 3742 94,2 3319 95,8 -11,3 211 5,3 136 3,9 -35,5 Concelho Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 Segundo os Censos de 2001, existem no Concelho de Mação 156 desempregados, dos quais 153 beneficiam do subsídio de desemprego. Destes, 36,6% são beneficiários recentes e 54,9% são homens. Numa leitura por escalões etários, pode dizer-se que as percentagens mais elevadas de beneficiários são protagonizadas, por ordem de grandeza, pelos indivíduos com mais de 55 anos (26,1%), pelos que detêm entre os 40 e os 49 anos (21,6%) 58 Diagnóstico Social do Concelho de Mação e por aqueles que possuem entre 30 e 39 anos (18,3%). Os três restantes escalões representam cada qual, sensivelmente, 11% do total dos beneficiários. Quadro 4.20 - Perfil dos beneficiários do Subsídio de Desemprego no Concelho de Mação (2002) 2002 Beneficiários (total) Novos beneficiários % 153 56 36,6 Sexo Homens 69 45,1 Mulheres 84 54,9 Menos de 24 anos 18 11,8 Entre 25 e 29 anos 17 11,1 Entre 30 e 39 anos 28 18,3 Entre 40 e 49 anos 33 21,6 Idade Entre 50 e 54 anos 17 11,1 Com 55 e mais anos 40 26,1 Fonte: INE, Anuário estatístico 2002 4.3.3. Meios de Vida e Ganhos Médios No que diz respeito ao total da população residente em Mação, e tendo em conta o que anteriormente foi analisado a propósito da actividade económica dessa mesma população, não parece estranho que quase metade da população do concelho tenha como principal meio de vida a pensão ou reforma. Apenas 35,2% do total dos residentes no Concelho têm como principal meio de vida o trabalho e 13,7% daquele total vive a cargo da família. Numa análise por género, verifica-se que são os homens que sobressaem na categoria do trabalho como meio de vida. Em todas as outras categorias são as mulheres que detêm maiores percentagens. Rendimentos, subsídio temporário e pensão ou reforma são os meios de vida onde as diferenças percentuais entre homens e mulheres são, ainda assim, menos dissonantes. 59 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 4.21 - População residente em Mação, segundo Principal Meio de Vida e Sexo em 2002 Total Trabalho 2663 % Homens % Mulheres % 35,2 1617 60,7 1046 39,3 Rendimentos 34 0,4 15 44,1 19 55,9 Subsídio de desemprego 88 1,2 34 38,6 54 61,4 Subsidio temporário 18 0,2 8 44,4 10 55,6 Outros subsídios temporários 10 0,1 3 30,0 7 70,0 Rendimento mínimo garantido Pensão / Reforma Apoio Social A cargo da família Outra Situação Total 16 0,2 4 25,0 12 75,0 3598 47,5 1645 45,7 1953 54,3 16 0,2 5 31,3 11 68,8 1034 13,7 245 23,7 789 76,3 91 1,2 17 18,7 74 81,3 7568 100,0 3593 47,5 3975 52,5 Fonte: INE, Censos 2001 Na tentativa de perceber as condições económicas oferecidas aos residentes no Concelho de Mação, tendo em conta os diferentes meios de vida, constata-se que um residente maçaense empregado recebe, em média, 568 euros mensais, ou seja, cerca de um ordenado mínimo e meio. O sector que mais contribui para o aumento desta média corresponde ao secundário, oferecendo ordenados na ordem dos 600 euros. Por outro lado, são as remunerações do trabalho feminino que mais contribuem para a diminuição do ganho médio concelhio, traduzidas numa diferença de 192 euros no que se refere ao ganho médio usufruido pelos homens – os homens ganham 13% mais e as mulheres 21% menos relativamente ao ganho médio de 568€. Quadro 4.22 - Ganho médio em Mação e Variação registada entre sexos em 2000 (Euros) Total Homens Variação (%) Mulheres Variação (%) Sector Primário 460€ 460€ - - - Sector Secundário 601€ 674€ +12 457€ - 24 Sector Terciário 530€ 606€ +14 445€ - 16 Total 568€ 643€ +13 451€ - 21 Fonte: INE, Anuário estatístico 2001 Relativamente aos valores das pensões atribuídas aos pensionistas do Concelho, é possível verificar que houve um grande aumento em todas as prestações. Com efeito, o valor das pensões aumentou em média 40% no período entre 1996 e 2002, com maior destaque no que diz respeito às pensões de sobrevivência (54%) e com menor expressão no que se refere às pensões de invalidez (11%). 60 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 4.23 - Variação das Prestações para pensionistas no Concelho de Mação (1996-2002) 1996 (Milhares de euros) 1997 1998 1999 2001 Variação (%) 2002 1996-2002 8 026 8 285 8 604 9 023 10 691 11 213 40 Velhice 6 095 6 275 6 534 6 839 8 199 8 582 41 Sobrevivência 1 132 1 232 1 287 1 372 1 591 1 743 54 798 778 783 813 901 887 11 Prestações Invalidez Fonte: INE, Anuários estatísticos 1999 a 2002 Considerando os valores médios das prestações por pensionista e mesmo tendo conhecimento que estes valores aumentaram, verifica-se que em 2002 foram atribuídas aos pensionistas prestações médias mensais de 221 euros, ou seja, cerca de 2/3 de um ordenado mínimo. Quadro 4.24 - Valor Médio p/ pensionista no Concelho de Mação (1996-2002) Valor médio Valor médio Prestações Pensionistas (Milhares de Euros) p/ p/ pensionista pensionista (anual) (mensal*12) 1996 4540 8026 1767,84 147 1997 4492 8285 1844,39 154 1998 4402 8604 1954,57 163 1999 4354 9023 2072,35 173 2001 4349 10691 2458,27 205 2002 4230 11213 2650,83 221 -6,8 40 49,9 49,9 Var. 1996-2002 (%) Fonte: INE, Anuários estatísticos 1996 a 2002 Apesar de ter sido o valor da pensão de sobrevivência aquele que maior aumento observou durante o período de 1996 a 2002, como foi evidenciado anteriormente, a análise do quadro seguinte revela que são estes pensionistas a receber o valor médio mais baixo, anual e mensalmente. Quadro 4.25 - Valor Médio p/ pensionista no Concelho de Mação, por tipo de pensionista (2002) Pensionistas Prestações (Euros) Valor médio p/ Valor médio p/ pensionista pensionista (Euros) (mensal*12 - euros) Velhice 3 022 8 582 000 2.839,84 € 237,00 € Sobrevivência 1 014 1 743 000 1.718,93 € 143,00 € 313 887 000 2.833,87 € 236,00 € Invalidez Fonte: INE, Anuários estatísticos 2002 61 Diagnóstico Social do Concelho de Mação No que diz respeito aos subsídios de desemprego cedidos, observa-se que 153 beneficiam do subsídio de desemprego, No ano de 2002 foram processados 462.546€ de prestações de desemprego no Concelho de Mação, sendo que 56,7% desse montante foi entregue a indivíduos do sexo masculino e o restante a indivíduos do sexo feminino. O quadro permite concluir ainda que os homens recebem em média um montante superior às mulheres. Quadro 4.26 - Valor e duração das prestações de Desemprego no Concelho de Mação (2002) 2002 Montantes processados (euros) % 462546 Homens 262121 56,7 Mulheres 200425 43,3 Montante Médio anual por beneficiário Homens Mulheres Dias processados Dias processados por beneficiário 3023 3799 125,7 2386 78,9 36486 238 Fonte: INE, Anuário estatístico 2002 4.4. FLUXOS PENDULARES 4.4.1. Relação entre Entradas e Saídas Tendo e conta que o processo subjacente à relação existente entre oferta e procura (de emprego) é dinâmico, ou seja, com as fronteiras geográficas cada vez menos estanques, verifica-se, cada vez mais, um “intercâmbio” profissional entre concelhos. Sendo Mação um município mais rural, importa perceber qual seu posicionamento no âmbito dos fluxos pendulares. Até recentemente a subregião onde se insere o Concelho de Mação não se configura como uma bacia de emprego consistente, com fluxos pendulares intensos entre os concelhos. Na verdade, verifica-se que no Concelho de Mação o peso das deslocações intra concelhias dos residentes empregados sofreu uma evolução diferente, entre 1991 e 2001, face aos restantes concelhos da Associação de Municípios do Médio Tejo. Assim, se em praticamente todos os concelhos em análise o peso dessas deslocações diminuiu entre 1991 e 2001, no caso do Concelho de Mação a percentagem dessas deslocações manteve-se praticamente estável, isto é, as deslocações com origem ou destino no interior do concelho mantiveram-se. 62 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 4.27 - Evolução da mobilidade intra-concelhia dos residentes empregados, 1991-2001 Evolução da M obilidade intra concelhia dos residentes empregados 1991-2001 Concelhos Abrantes Alcanena Constância Entroncam ento Ferreira do Zêzere Gavião Ourém Sardoal Tom ar Torres Novas V.Nova da Barquinha M ação Total Total de deslocações de residentes em pregados 1991 2001 15.321 15.983 6.209 6.512 1.357 1.567 5.399 8.053 3.064 3.157 1.451 1.349 14.740 18.989 1.353 1.400 15.446 15.395 14.500 16.006 2.613 2.909 3.381 2.875 84.834 94.195 Deslocações Intra - concelhias 1991 2001 12.980 12.609 5.760 5.081 906 1.053 3.501 4.386 2.565 2.462 1.046 1.001 12.937 15.211 866 934 13.744 13.078 10.870 11.069 1.259 1.270 2.795 2.358 69.229 70.512 % de deslocações Intra - concelhias 1991 2001 84,7% 78,9% 92,8% 78,0% 66,8% 67,2% 64,8% 54,5% 83,7% 78,0% 72,1% 74,2% 87,8% 80,1% 64,0% 66,7% 89,0% 84,9% 75,0% 69,2% 48,2% 43,7% 82,7% 82,0% 81,6% 74,9% O número total de viagens geradas no concelho por motivo trabalho em 2001 foi inferior em cerca de 15% em relação a 1991, mantendo-se praticamente dentro da mesma ordem de grandeza, em termos percentuais, o número de viagens internas ao concelho (82%) e as que têm como destino outros concelhos (18%). Estes dados traduzem a manutenção da estrutura das viagens com elevado peso das viagens internas ao concelho. A nível das freguesias a redução do número total de viagens por motivo de trabalho em 2001 comparativamente com 1991 mantém-se em todas as freguesias, com excepção da Freguesia de Mação. Quanto ao número de viagens internas ao concelho verificou-se um aumento em termos percentuais em todas as freguesias, excepto nas freguesias de Amêndoa, Mação e Penhascoso. Quadro 4.28 - Saídas por motivo de trabalho S AIDAS M o tivo T ra b a lh o O rig e m Re sid è n cia (F re g u e sia s) A boboreira A m êndoa Cardigos Carvoeiro E nvendos M aç ão O rtiga P enhas c os o T o ta l De stin o Co n ce lh o O u tro s T o ta l 2001 1991 2001 1991 2001 Nº % Nº % Nº % Nº Nº 200 82,0% 64 22,6% 44 18,0% 283 244 164 82,4% 32 12,6% 35 17,6% 253 199 240 79,5% 91 22,3% 62 20,5% 408 302 243 84,7% 90 24,3% 44 15,3% 370 287 410 85,4% 107 15,2% 70 14,6% 702 480 767 86,8% 59 7,0% 117 13,2% 838 884 145 71,1% 79 38,0% 59 28,9% 208 204 189 68,7% 64 20,1% 86 31,3% 319 275 2358 82,0% 586 17,3% 517 18,0% 3381 2875 M a çã o 1991 Nº % 219 77,4% 221 87,4% 317 77,7% 280 75,7% 595 84,8% 779 93,0% 129 62,0% 255 79,9% 2795 82,7% 63 Diagnóstico Social do Concelho de Mação No que se refere ao número de viagens atraídas pelo concelho constata-se que esse valor é bastante reduzido, representando cerca de 9% em 1991, embora tenha aumentado em 2001 para cerca de 17%. Em termos globais observou-se em 2001, face a 1991, uma redução deste tipo de viagens de cerca de 6%. Estes dados traduzem a fraca atractividade do Concelho para as viagens por motivo trabalho, sendo de referir que o Concelho de Abrantes constitui o concelho que tanto em 1991 como em 2001 gerou mais viagens com destino a Mação, cerca de 11% e 24%, respectivamente. Além de Abrantes foram os concelhos limítrofes de Proença-a-Nova, Vila de Rei e Sardoal que em 2001 geraram mais viagens para Mação. Quadro 4.29 - Entradas por motivo de trabalho ENT RADAS M o tivo Tra b a lho De stin o Co nce lh o d e M a çã o 1991 2001 O rig e m Re sid è n cia Nº % Nº % (Co nce lh o) M aç ão 2795 90,7% 2382 82,6% O utros 286 9,3% 502 17,4% T o ta l 3081 100,0% 2884 100,0% 4.4.2. Meios de transporte utilizados pela população empregada por freguesia Em todas as freguesias, o número de viagens a pé e as realizadas em motociclo são mais reduzidas em 2001 que em 1991, mantendo-se dentro da mesma ordem de grandeza o número de viagens realizadas por autocarro e transporte de empresa. De referir que embora conste do apuramento a informação de viagens realizadas por comboio, esta informação não foi considerada, pois não assume qualquer significado no Concelho. No que se refere à utilização do transporte individual, como condutor e passageiro, o número de viagens sofre um aumento significativo em todas as freguesias da ordem dos 62%, excepto na Freguesia do Penhascoso (41%), traduzindo o aumento significativo da taxa de motorização, o que vai ao encontro das tendências da modernidade, em que se privilegia o transporte particular, em detrimento, por exemplo, do andar a pé. 64 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 4.30 - População residente empregada por modos de transporte, em 1991 População residente empregada (1991) Modos de Transporte Origem; Freguesias de Mação Destino: Concelho de Mação Nenhum - Vai Autocarro a pé Freguesia Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total Veículo da Empresa Nº % Nº % Nº % 164 131 218 177 406 529 96 137 1858 74,9% 59,3% 68,8% 63,2% 68,2% 67,9% 74,4% 53,7% 66,5% 1 3 1 1 4 6 0 2 18 0,5% 1,4% 0,3% 0,4% 0,7% 0,8% 0,0% 0,8% 0,6% 8 17 34 22 41 44 0 15 181 3,7% 7,7% 10,7% 7,9% 6,9% 5,6% 0,0% 5,9% 6,5% Automóvel Automóvel Ligeiro - Como Ligeiro - Como Passageiro Condutor Nº 18 28 26 11 49 109 17 48 306 % 8,2% 12,7% 8,2% 3,9% 8,2% 14,0% 13,2% 18,8% 10,9% Nº 5 11 14 12 17 13 7 14 93 % 2,3% 5,0% 4,4% 4,3% 2,9% 1,7% 5,4% 5,5% 3,3% Motociclo ou Bicicleta Nº 21 22 21 40 70 72 9 37 292 Outro % Nº 9,6% 10,0% 6,6% 14,3% 11,8% 9,2% 7,0% 14,5% 10,4% 2 9 3 17 7 6 0 2 46 % Total Nº 0,9% 219 4,1% 221 0,9% 317 6,1% 280 1,2% 595 0,8% 779 0,0% 129 0,8% 255 1,6% 2795 % 7,8% 7,9% 11,3% 10,0% 21,3% 27,9% 4,6% 9,1% 100,0% Quadro 4.31 - População residente empregada por modos de transporte, em 2001 População residente em pregada (2001) Modos de Transporte Origem ; Freguesias de Mação Destino: Concelho de Mação FR_RESIDENCIA Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total Nenhum Nº 100 57 98 129 185 335 47 55 1006 Autocarro Transporte Carro Como Carro Como Motociclo/ Colectivo Condutor Passageiro Bicicleta Outro % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº 50,0% 0 0,0% 4 2,0% 70 35,0% 13 6,5% 9 4,5% 4 34,8% 0 0,0% 18 11,0% 73 44,5% 6 3,7% 7 4,3% 3 40,8% 1 0,4% 11 4,6% 105 43,8% 12 5,0% 8 3,3% 5 53,1% 4 1,6% 33 13,6% 60 24,7% 8 3,3% 7 2,9% 2 45,1% 3 0,7% 31 7,6% 142 34,6% 26 6,3% 22 5,4% 1 43,7% 8 1,0% 36 4,7% 321 41,9% 45 5,9% 17 2,2% 5 32,4% 4 2,8% 0 0,0% 59 40,7% 20 13,8% 15 10,3% 0 29,1% 2 1,1% 16 8,5% 90 47,6% 15 7,9% 11 5,8% 0 42,7% 22 0,9% 149 6,3% 920 39,0% 145 6,1% 96 4,1% 20 Total % Nº % 2,0% 200 8,5% 1,8% 164 7,0% 2,1% 240 10,2% 0,8% 243 10,3% 0,2% 410 17,4% 0,7% 767 32,5% 0,0% 145 6,1% 0,0% 189 8,0% 0,8% 2358 100,0% 4.4.3. Duração das viagens para o local de trabalho por freguesia Verifica-se que em praticamente todas as freguesias, salvo a de Penhascoso, o número de viagens realizadas a pé reduz-se significativamente em 2001, aumentado o número de viagens com duração até 15 minutos – este dado só não é visível na Freguesia do Carvoeiro. 65 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quanto ao número de viagens com duração até 30 minutos, são da mesma ordem de grandeza nos dois períodos em referência, com excepção da freguesia de Envendos, em que o aumento é mais significativo. O aumento do tempo de viagem em termos globais para o concelho e a nível da maior parte das freguesias, traduz um aumento de mobilidade motorizada da população residente empregada, mantendo-se no entanto o limite dos 30 minutos para o tempo máximo de viagem, sendo pouco significativo o número de viagens até ou mais de 60 minutos. Quadro 4.32 - População residente empregada por tempo de viagem, em 1991 Po p u lação r e s id e n te e m p r e g ad a (1991) T e m p o d e viag e m Or ig e m ; Fr e g u e s ias d e M ação De s tin o : C o n ce lh o d e M ação A té 15 minutos Nenhum Fregues ia Nº A boboreira A mêndoa Cardigos Carv oeiro Env endos Maç ão Ortiga Penhas c os o T o tal % 133 97 105 78 325 143 57 37 975 Nº 60,7% 66 43,9% 61 33,1% 144 27,9% 109 54,6% 153 18,4% 524 44,2% 48 14,5% 160 34,9% 1265 % 16 a 30 minutos Nº 30,1% 15 27,6% 53 45,4% 50 38,9% 77 25,7% 80 67,3% 85 37,2% 20 62,7% 53 45,3% 433 31 a 60 minutos % Nº 6,8% 24,0% 15,8% 27,5% 13,4% 10,9% 15,5% 20,8% 15,5% 3 4 14 7 18 17 1 3 67 % Ignorado Nº % Mais de uma hora Nº 1,4% 2 0,9% 1,8% 1 0,5% 4,4% 1 0,3% 2,5% 2 0,7% 3,0% 11 1,8% 2,2% 5 0,6% 0,8% 3 2,3% 1,2% 1 0,4% 2,4% 26 0,9% % 0 5 3 7 8 5 0 1 29 Total Nº % 0,0% 7,8% 219 2,3% 7,9% 221 0,9% 317 11,3% 2,5% 280 10,0% 1,3% 595 21,3% 0,6% 779 27,9% 0,0% 4,6% 129 0,4% 9,1% 255 1,0% 2795 100,0% Quadro 4.33 - População residente empregada por tempo de viagem, em 2001 Popu lação r e s ide nte e m p r e gada (2001) Dur ação das viage ns Or ige m ; Fr e g ue s ias de M ação De s tino : Co nce lho de M ação FR_RESIDENCIA A boboreira A mêndoa Cardigos Carv oeiro Env endos Maç ão Ortiga Penhas c os o T otal Nenhum Nº % 53 26,5% 31 18,9% 52 21,7% 103 42,4% 123 30,0% 84 11,0% 23 15,9% 27 14,3% 496 21,0% A té Nº 118 85 139 73 150 571 104 114 1354 15' 16' % Nº 59,0% 29 51,8% 37 57,9% 40 30,0% 50 36,6% 118 74,4% 92 71,7% 16 60,3% 43 57,4% 425 a 30' % 14,5% 22,6% 16,7% 20,6% 28,8% 12,0% 11,0% 22,8% 18,0% 31' Nº 0 3 9 13 18 17 1 5 66 a 60' 61' a 90' Mais % Nº % Nº 0,0% 0 0,0% 0 1,8% 1 0,6% 7 3,8% 0 0,0% 0 5,3% 0 0,0% 4 4,4% 0 0,0% 1 2,2% 1 0,1% 2 0,7% 1 0,7% 0 2,6% 0 0,0% 0 2,8% 3 0,1% 14 de 90' % 0,0% 4,3% 0,0% 1,6% 0,2% 0,3% 0,0% 0,0% 0,6% T otal Nº % 8,5% 200 7,0% 164 240 10,2% 243 10,3% 410 17,4% 767 32,5% 6,1% 145 8,0% 189 2358 100,0% A única situação a merecer registo é alguma polarização que Abrantes exerce sobre os concelhos vizinhos, inclusive Mação. No entanto, é provável que esta situação venha a sofrer alterações e que a mobilidade inter-regional venha ser reforçada, por via da melhoria das acessibilidades. 66 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 4.5. ACTUAÇÕES NO ÂMBITO CONCELHIO 4.5.1. Instituto de Emprego e de Formação Profissional (IEFP) De um modo geral, várias são as medidas instituídas pelo IEFP, nomeadamente através dos diferentes Centros de Emprego, as quais assumem um maior ou menor impacto interventivo, consoante o investimento local atribuído a cada uma dessas medidas. Estas políticas distinguem-se em três categorias segundo a sua natureza específica, como sejam, as estruturas de apoio ao emprego e às empresas, os programas e medidas de emprego e as prestações técnicas. As primeiras dizem respeito a estruturas que visam colmatar o desajustamento entre a oferta e a procura de emprego, bem como as dificuldades de inserção dos indivíduos desempregados ou em situação precária, através de incentivos cedidos a organismos públicos e privados que passam a assumir um certo protagonismo nesta matéria, quer ao nível de orientação, colocação, organização de estágios e formação profissional, quer na criação de UNIVA’s e Clubes de Emprego, no apoio à criação de novas empresas, na promoção de novos postos de trabalho e na satisfação de necessidades de mão-de-obra. Os destinatários destas iniciativas são os Jovens Desempregados à procura do 1º emprego, Desempregados à procura de novo emprego, Desempregados de Longa Duração, Criadores de Empresas, Empresas e Entidades. Quadro 4.34 - Estruturas de Apoio ao Emprego e às Empresas Estruturas UNIVA’s Clubes de Emprego Agências Privadas de Colocação Empresas de Trabalho Temporário CACE: Centros de Apoio à Criação de Empresas Descrição / Objectivos As UNIVA’s inserem-se numa política de reforço dos mecanismos de apoio à inserção / reinserção profissional dos jovens, através da instalação em estabelecimentos de ensino, de formação profissional e outras organizações, de serviços que promovem, junto dos jovens, em articulação com os Centros de Emprego, actividades de orientação, colocação, organização de estágios e formação profissional, bem como outras formas de contacto com o mercado de trabalho. Os Clubes de Emprego constituem uma forma de organização sem fins lucrativos que visa apoiar os desempregados, especialmente os de longa duração, na solução dos seus problemas de reinserção profissional, envolvendo a sociedade civil em actividades de promoção de emprego e complementando, dessa forma, os serviços prestados pelos Centros de Emprego. Estas Agências Privadas procedem ao ajustamento entre a oferta e a procura e podem ser constituídas por pessoas singulares ou colectivas não integradas na administração pública, que promovam a colocação de candidatos a emprego. Visam a satisfação de necessidades de mão-de-obra pontuais, imprevistas ou de curta duração e constituem-se através de pessoas singulares ou colectivas, que vão exercer actividade de cedência temporária de trabalhadores para utilização de terceiros utilizadores, selecção, orientação, formação profissional, consultoria e gestão de recursos humanos Os CACE têm como objectivos; fomentar o aparecimento de novas empresas proporcionando-lhes condições técnicas e físicas, tendo em vista a criação de postos de trabalho; e privilegiar a implementação de Ninhos de Empresas – espaços físico e geograficamente definidos – destinados a promover a constituição, desenvolvimento e consolidação de empresas, através da prestação de apoio técnico, com a finalidade de permitir a sua integração no mercado com total autonomia. Quer o Quadro de Pessoal, quer as acções desenvolvidas por esta estrutura, dependem da definição do IEFP. Centros de Formação Profissional de Gestão Directa Centros de Formação Fazem parte desta estrutura associados e entidades ligadas a determinada área de actividade. Na direcção fazem parte as empresas que se associam mais um elemento do IEFP – sendo este organismo o financiador. Profissional de Gestão Participada Fonte: IEFP; Julho 2000 67 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Os Programas e Medidas de Emprego compõem, por seu turno, os eixos interventivos que servem de suporte à actuação ao nível do emprego e formação profissional e destinam-se aos Desempregados, aos Desempregados de Longa Duração, Jovens, Criadores de Empresas, Empresas e Entidades, Trabalhadores em Risco de Desemprego, Promoção da Igualdade, Pessoas com Deficiência e Grupos em situação de Exclusão. Quadro 4.35 - Aplicação dos Programas do IEFP no Concelho de Cascais Formação / Emprego Educação / Formação Inserção Reabilitação Profissional Colocação Programas e Medidas de Emprego - Prémio de Colocação - Plano Pessoal de Emprego - Preparação Pré-Profissional - Avaliação / Orientação Profissional - Formação Profissional - Readaptação ao Trabalho - Integração em Mercado Normal de Trabalho - Prémio de Mérito - Instalação por Conta Própria - Emprego Protegido - Ajudas Técnicas - Formação de Técnicos - Formação Profissional Especial Grau de Aplicação em Cascais - O Prémio de Colocação é um programa que tem como exigência a permanência ininterrupta nos ficheiros do Centro de Emprego durante dois anos e destina-se a conseguir que, após este período no desemprego, os indivíduos consigam uma inserção efectiva no mercado de emprego pelos próprios meios. - Este programa diz respeito aos Programa Inserjovem e Reage, implicando uma resposta dentro de um período limite para estes dois grupos e prevendo o acompanhamento pós-inserção dos mesmos. Este programa substitui o Plano Individual de Acompanhamento e os Incentivos à Colocação. - Os Apoios ao Emprego e à Reabilitação de Pessoas portadoras de Deficiência reportam-se a apoios do IEFP às entidades que dão emprego aos indivíduos com deficiências e às próprias pessoas com deficiências por forma a criarem o seu próprio emprego ou para adquirirem ajudas técnicas. - A Formação Especial é feita “à medida”, ou seja, é feita para grupos específicos desfavorecidos (beneficiários do RMG, famílias monoparentais, DLD’s, minorias étnicas), de acordo com as suas necessidades. A duração do curso também depende destas mesmas necessidades, embora normalmente seja aproximado de um ano, onde é dada uma formação no Saber / Ser, seguida por uma componente teórica, sendo depois complementada por uma parte prática em oficina. No final também poderá haver uma formação prática em contexto de trabalho. Este é um programa recente, elaborado em parceria pelos Ministérios da Educação e do Emprego. A formação implica que os beneficiários obtenham equivalência escolar pelo Ministério da Educação (equivalência ao 9º ou ao 12º ano) e que, paralelamente, adquiram competências profissionalizantes que lhes permitam ingressar no mercado de emprego com uma maior preparação. Esta formação é constituída por uma vertente prática, em posto de trabalho, e uma vertente teórica. - Programa de Formação / Emprego (PFE’s) 1 - Estágios Profissionais - Bolsa de Formação da Iniciativa do Trabalhador - As Bolsas de Formação de Iniciativa do Trabalhador traduzem-se num programa formativo apoiado pelo IEFP que permite ao trabalhador ou ao desempregado candidatarem-se ao programa sempre que não há resposta em termos de subsídio de desemprego ou de alguns cursos pretendidos, como sejam cursos de línguas, cinema ou fotografia – como o IEFP não promove formação nestas áreas, financia ou co-financia tais formações em entidades fora - Rotação / Emprego / Formação do âmbito das suas parcerias - Este programa dirige-se às empresas que pretendem dar formação aos seus empregados, no sentido de substituírem estes activos durante o período de formação por indivíduos inscritos nos Centros de Emprego 1 - Nível I = Escolaridade Obrigatória e iniciação profissional (este nível não é abrangido pelo Programa de Estágios Profissionais); Nível II = Escolaridade Obrigatória e formação profissional ; Nível III = Escolaridade Obrigatória e ou formação profissional e formação técnica complementar ou formação técnica escolar, ou outra de nível secundário; Nível IV = Formação secundária (geral ou profissional) e formação técnica pós-secundária; Nível V = Formação secundária (geral ou profissional) e formação superior completa. 68 - Incentivos à Contratação - ILE’s: Iniciativas Locais de Emprego - CPE’s: Criação do Próprio Emprego por Desempregados Subsidiados - Programas Ocupacionais (POC’s) - Escolas Oficinas - O apoio em termos quantitativos representa cerca de 12 vezes o salário mínimo nacional e é destinado a indivíduos DLD ou à procura do 1º emprego que constem nos ficheiros do Centro de Emprego. Só as entidades com autonomia financeira poderão apresentar candidaturas a este programa, desde que não registe dívidas à Segurança Social e à Fazenda Pública. - face às ILE’s é dado um apoio financeiro, sendo uma parte deste apoio a fundo perdido e o restante funciona como empréstimo, a pagar em 7 anos - Os POC’s têm como objectivo integrar em algumas entidades, durante um período de 12 meses, indivíduos que estejam a receber o subsídio de desemprego ou que apresentem situações económicas de carência efectiva e comprovada. Este é um programa de ocupação, cuja formação se desenvolve em contexto de trabalho. - Este programa é apoiado em 100% (50% antes da formação e os outros 50% após a concretização da mesma), através do pagamento de bolsas de formação - Empresas de Inserção - Programa Inserção Emprego - O Programa Inserção Emprego visa, numa primeira fase, atribuir uma formação no âmbito do Saber / Ser – Saber / Estar, para que posteriormente os indivíduos possam fazer uma formação mais qualificante e, consequentemente, possam ser inseridos numa instituição, onde desenvolvam um trabalho numa área específica. - Despachos Conjuntos e Protocolos - Estes protocolos são estabelecidos anualmente entre os Ministérios da Educação e do Trabalho e Solidariedade, com o intuito de apoiar as Escolas do 2º Ciclo, através da colocação de indivíduos com o 12º ano ou licenciados desempregados, com qualificações na área da animação cultural. Esta ocupação corresponde, em princípio, a um ano lectivo. Fonte: IEFP, Julho 2000 e Entrevista no Centro de Emprego No que respeita às Prestações Técnicas, verifica-se que as mesmas se referem a um leque de metodologias criadas para apoiar os indivíduos na sua inserção profissional, quer seja através de um emprego, quer seja por meio de formação profissional. Tais técnicas podem ir, desde a orientação e acompanhamento individualizados, ao apoio na elaboração de projectos e programas, passando pela promoção de atitudes positivas e de reflexão sobre a experiência profissional, bem como pela sensibilização face às necessidades de formação e do mercado de emprego. Também neste conjunto é considerado o apoio à empresa, no sentido desta encontrar profissionais que se ajustem ao posto de trabalho vago ou a criar. Quadro 4.36 - Prestações Técnicas Informação e Orientação Profissional - Programa para DLD - Técnicas de Procura de Emprego - Promoção de Auto-Estima - Desenvolvimento de Competências Pessoais e Sociais - Balanço de Competências Pessoais e Profissionais - Sessões Colectivas para potenciais criadores do próprio emprego ou empresa - Portfólio de Competências - Como escolher o meu futuro - Sessões Colectivas de Orientação - Sessões de Informação Colectiva - Programa informação e orientação escolar e profissional - Intervenção técnica no âmbito da procura de emprego / formação - Oferta de Formação - Intervenção técnica para satisfação da oferta de emprego (ajustamento e negociação) - Atendimento técnico das empresas / entidades Fonte: IEFP, Julho 2000 Colocação Mercado Social de Emprego Criação de Emprego Diagnóstico Social do Concelho de Mação 69 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Neste âmbito, as Prestações existentes destinam-se a variados grupos sociais, de acordo com os objectivos que definem cada uma das mesmas. Na sua totalidade podem beneficiar: Desempregados de Longa Duração, Candidatos a 1º emprego, Desempregados à Procura de Novo Emprego, Formandos, Empregados em Situação de Desemprego Previsível, Jovens Recém-Licenciados ou Bacharéis, Trabalhadores em Situação de Reconversão Profissional, Jovens em Fase de Planeamento de Carreira e Entidades Empregadoras. No caso específico de Mação, os munícipes podem encontrar respostas no Centro de Emprego da Sertã, que integra também o Concelho de Mação. O Técnico do Centro de Emprego faz atendimento na UNIVA de Mação (um espaço multiusos, disponibilizado pela Câmara Municipal) uma vez por semana (à excepção da primeira semana do mês) e sempre que se mostre necessário. A articulação e cooperação entre Centro de Emprego e Câmara Municipal de Mação é considerada por ambas as entidades como sendo boa. 4.5.2. URBCOM - Projecto apresentado em Mação A Câmara Municipal de Mação e a Associação Comercial e Serviços dos Concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação candidataram-se ao projecto de Urbanismo Comercial (URBCOM) tendo este sido aprovado pela Direcção Geral da Empresa (DGE) em 2004. Este projecto pressupõe um estudo global que engloba três vertentes: comercial (ficha individual de cada comércio); urbanística (proposta para intervenção da área exterior) e de animação (projecto de animação para 1 ano, para ajudar a rentabilizar o investimento – que pode ser feito em obras de fachada do espaço comercial, aquisição de equipamentos e máquinas, entre outras). São várias as condições de elegibilidade, de entre elas, o facto de se ter licenciamento e cadastro comercial, contabilidade organizada, situação sócio-financeira equilibrada e localizar-se na área de intervenção. Definiu-se como área de intervenção as seguintes ruas da Vila de Mação: Av. Adelino Amaro da Costa, a Rua Padre António Pereira de Figueiredo, Largo dos Bombeiros, Rua Comandante Manuel Marques, Rua Francisco Serrano, Praça Gago Coutinho e Rua do Adro. A forma como foi seleccionada a zona de intervenção prende-se com razões técnicas de acordo com a densidade e diversificação comercial, concentração de funções, existência de património e de planos complementares. O principal objectivo do Projecto é revitalizar o comércio tradicional na Vila de Mação. 70 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 5. FORMAÇÃO 5.1. EQUIPAMENTOS E INTERVENÇÕES 5.1.1. Centro de Formação Profissional de Castelo Branco A formação profissional constitui um dos vectores de intervenção do Instituto de Emprego e Formação profissional (IEFP), enquanto organismo responsável pelas medidas de política de emprego e formação, consideradas prioritárias a nível nacional e europeu, nomeadamente das directrizes enquadradas no III Quadro Comunitário de Apoio que se estendem num universo temporal até ao ano de 2006. Neste âmbito, muito embora pertencente ao Distrito de Santarém, Mação enquadra a sua dinâmica de formação na estratégia delineada pelo Centro de Formação Profissional de Castelo Branco, dependente da Delegação Regional do Centro do IEFP, cujo Plano de Formação/2004 procura ser eficaz nas várias modalidades de formação apresentadas pelo Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS), de forma a dar resposta às solicitações do mercado de emprego da região através da satisfação das necessidades de formação existentes, bem como contribuir para o desenvolvimento e dinamização da região envolvente (in Plano de Formação 2004 do Centro de Formação Profissional de Castelo Branco). O Centro serve uma vasta região com necessidades diversas e está recentemente vocacionado para as seguintes áreas de formação: - Construção metálica/soldada; - Reparações de Carroçarias; - Construção Mecânica; - Electrónica/Áudio, Vídeo e TV; - Carpintaria/ Marcenaria - Administração e gestão; - Canalizações de Gás Natural; - Informática; - Frio e Climatização; - Cabeleireiros; - Mecânica-Auto; - Hotelaria e Restauração. - Pintura-Auto; Além destas acções, o Centro desenvolve ainda acções diversas na área dos Serviços Pessoais e à Comunidade e Electricidade de Instalações, nas diferentes vertentes de formação inicial e contínua, bem como na área de Jardinagem e Espaços Verdes e Construção Civil, entre outros. 71 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Os Objectivos do Plano de Actividades enquadram-se num dos domínios prioritários de intervenções consagrado no QCA III (2000-2006), que diz respeito à valorização do potencial humano, dos quais podemos destacar: - Aumentar os níveis de qualificação de base (escolares e profissionais) da população activa; - Melhorar a qualidade e o nível do emprego através da formação; - Melhorar e fomentar a articulação entre a formação e o trabalho; - Apoiar grupos desfavorecidos e/ou excluídos através da qualificação, favorecendo a sua inserção profissional e social. Dentro destes objectivos, o Centro de Formação Profissional de Castelo Branco tem previsto Acções que visam proporcionar aos activos, jovens e adultos, empregados ou desempregados, uma formação qualificante, de iniciação ou complementar, por forma a facilitar a respectiva integração sócio-profissional e melhorar a qualidade do emprego. Neste contexto destacam-se as seguintes acções a desenvolver pelo Centro no ano de 2004, por Modalidades de Formação e respectivos Cursos: a) Cursos de Qualificação Inicial e Profissional - Estes cursos visam a aquisição de competências técnicas e sociais, através de percursos formativos flexíveis que permitam o ajustamento dos perfis de formação à situação de entrada e aos projectos dos participantes. Quadro 5.1 - Cursos de Qualificação Inicial e Profissional Curso Nível Habilitações Literárias Técnicas de Acção Educativa III 12º ano Técnicas de Acção Educativa III Idade Mínima Horário Local 16 anos Laboral Covilhã 12º ano 16 anos Laboral Castelo Branco II Escolaridade obrigatória 16 anos Laboral Covilhã III 12º ano 16 anos Laboral Castelo Branco Cozinha II Escolaridade obrigatória 16 anos Laboral Covilhã Geriatria II Escolaridade obrigatória 16 anos Laboral Covilhã Electromecânica de Refrigeração e Climatização Técnico de Informação, Documentação e Comunicação De Acesso Cozinha II Escolaridade obrigatória 16 anos Laboral Sertã Mecânica Automóvel II Escolaridade obrigatória 16 anos Laboral Penamacor Técnicas de Vendas III 11º ano 16 anos Laboral Covilhã Segurança e Higiene no Trabalho III 12º ano 16 anos Laboral Castelo Branco Mecatrónica Auto III 11º ano 16 anos Laboral Covilhã Serviço de Mesa II Escolaridade obrigatória 16 anos Laboral Penamacor Reparação de Carroçarias II Escolaridade obrigatória 16 anos Laboral Covilhã Cuidados e Estética do Cabelo II Escolaridade obrigatória 16 anos Laboral Castelo Branco Electricidade Automóvel II Escolaridade obrigatória 16 anos Laboral Castelo Branco Segurança e Higiene do Trabalho III 12º ano 16 anos Laboral Sertã Fonte: Plano de Formação, Centro de Formação Profissional de Castelo Branco 72 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Destinatários: Candidatos ao primeiro emprego, não qualificados ou sem qualificação adequada ao mercado de trabalho e desempregados, não qualificados ou com baixos níveis de qualificação; Apoios Sociais: -Bolsa de Formação; -Subsídio de Alimentação; - Subsídio de Transporte ou Alojamento; -Subsídio de Acolhimento de Crianças e Idosos; -Seguro de Acidentes Pessoais b) Cursos de Aprendizagem - Consistem em Acções de formação no âmbito do processo formativo regulamentado no Sistema de Aprendizagem, com uma duração até três anos, caracterizada pela alternância dos contextos de formação/trabalho que facultam o acesso a graus sucessivos de equivalência escolar. Quadro 5.2 - Cursos de Aprendizagem Curso Nível Técnicas de Gestão Administrativa (Comercial/Industrial) III Início 08-03-04 Fim Habilitações Literárias 07-03-07 9º ano Idade Mínima Horário Local 15 anos Laboral Castelo Branco De Acesso Preparador de Obras III 29-03-04 28-3-07 9º ano 15 anos Laboral Castelo Branco Técnico de Planeamento Industrial I III 13-09-04 12-09-07 9º ano 15 anos Laboral Castelo Branco Técnico de Refrigeração III 27-09-04 26-09-07 9º ano 15 anos Laboral Castelo Branco Fonte: Plano de Formação, Centro de Formação Profissional de Castelo Branco Destinatários: candidatos ao primeiro emprego, não abrangidos pelas disposições legais relativas à escolaridade obrigatória e que não ultrapassem, preferencialmente o limite etário dos 25 anos e tenham concluído o 3º Ciclo. Apoios Sociais: - Bolsa de Formação; - Subsídio de Alimentação; - Subsídio de Transporte ou Alojamento; - Subsídio de Acolhimento de Crianças e Idosos; - Seguro de Acidentes Pessoais 73 Diagnóstico Social do Concelho de Mação c) Cursos – Educação e Formação de Adultos - Consistem em Acções de Formação que têm como objectivo fundamental a redução dos défices de qualificações dos indivíduos, permitindo, a partir do reconhecimento e avaliação das competências prévias dos formandos, a elaboração de percursos formativos com duplo certificação: escolar e profissional. Quadro 5.3 - Cursos e Formação de Adultos Curso Manutenção Hoteleira Habilitações Idade Mínima Literárias De Acesso 06-07-05 +6ª; - 9º ano Nível Início Fim II 12-04-04 Horário Local 18 anos Laboral Castelo Branco Marcenaria II 14-06-04 14-09-05 +6ª; 9º ano 18 anos Laboral Covilhã Cozinha II 22-09-04 21-12-05 +6ª; 9º ano 18 anos Laboral Castelo Branco Serv. Andares em Hotelaria I 06-10-04 02-05-05 +6ª; 9º ano 18 anos Laboral Sertã Pavimentos e arruamentos I 06-09-04 08-04-05 +4ª; - 6º ano 18 anos Laboral V.V.Rodão Fonte: Plano de Formação, Centro de Formação Profissional de Castelo Branco Destinatários: Adultos com idades não inferiores a 18 anos, desempregados, ou oriundos de grupos socialmente desfavorecidos, sem qualificações profissionais, que não possuam a escolaridade básica de 4, 6 ou 9 anos. Apoios Sociais: -Bolsa de Formação; -Subsídio de Alimentação; -Subsídio de Transporte ou Alojamento; -Subsídio de Acolhimento de Crianças e Idosos; -Seguro de Acidentes Pessoais d) Cursos de Educação e Formação - São cursos que têm como objectivo fundamental a redução dos défices de escolarização e qualificação profissional dos jovens, contribuindo, respectivamente para o aumento dos níveis de escolaridade e para uma inserção qualificada no mundo do mercado de trabalho. Quadro 5.4 - Cursos de Educação e Formação Curso Nível Início Fim Habilitações Literárias Mecânica Automóvel II 02-02-04 17-11-05 +6º; - 9º ano Electricidade de Instalações II 08-03-04 15-12-05 +6º; - 9º ano Pintura Auto II 18-10-04 06-07-06 +6º; - 9º ano Idade Mínima Horário Local Laboral Paúl 15 anos Laboral C.Branco 15 anos Laboral Sertã De Acesso 15 anos Fonte: Plano de Formação, Centro de Formação Profissional de Castelo Branco 74 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Destinatários: candidatos ao primeiro emprego, não abrangidos pelas disposições legais relativas à escolaridade obrigatório, entre os 15 e 18 anos e que não possuam habilitação dos 1º, 2º ou 3º ciclos do ensino básico. Apoios Sociais: -Bolsa de Formação; -Subsídio de Alimentação; - Subsídio de Transporte ou Alojamento; -Subsídio de Acolhimento de Crianças e Idosos; -Seguro de Acidentes Pessoais e) Formação Contínua - Consiste em Acções de Formação de natureza flexível que visam a reciclagem, a actualização ou o aperfeiçoamento dos trabalhadores qualificados, através do desenvolvimento das suas competências técnicas, sociais e relacionais, capazes de potenciar a adaptação ao longo da vida dos trabalhadores aos processos de modernização e novação organizacional. Quadro 5.5 - Cursos de Formação Contínua Habilitações Idade Mínima Literárias De Acesso Instalação e Conservação de ITED Esc. Obrigatória Introdução aos Sistemas Informáticos Aperf. em Auto-Diagnóstico e Reparação de Blocos de Motor Curso Horário Local 16 anos Pós-Laboral C. Branco Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral Covilhã Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C. Branco Aperfeiçoamento em Metalomecânica Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Folha de Cálculo Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral Covilhã Aperfeiçoamento em Geriatria: Cuidados Básicos de Saúde Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral Sertã Aperf .em Soldadura Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C. Branco Aperf. em Pastelaria: Pastelaria Conventual Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Auto Verificação dos Sist. de Carga e Arranque Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Portugal Acolhe (Português Iniciação+Cidadania+ P.Aprofundamento) Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral Sertã Aperf. em Pintura Auto: Des. e Pintura de Letras Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Iniciação ao AUTOCAD Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C. Branco Aperf. em Panificação Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral Sertã Aperf. em Auto:Ensaios em Sistemas de Ignição Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Metalomecânica Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Refrigeração Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Pastelaria; Sobremesas Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Soldadura Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Reciclagem de Praticante de Cabeleireiro Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Refrigeração: Mont. de Componentes em Frigorífico Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco 75 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Introdução aos Sistemas Informáticos Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral Sertã Aperf. em Geriatria Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral Sertã Segurança e Higiene no Trabalho/ Trabalhador Designado Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Auto:Reparação em Sistemas de Ignição Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf.em Auto:Reparação em Sistemas de Injecção Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Confecção de Alimentos e de Refeições Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral Sertã Aperf. em Metalomecânica: Torneamento Exterior e Interior Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Reciclagem de Ajudante de Cabeleireiro Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Introdução aos Sistemas Informáticos Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Projecto de ITED Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Internet (II+III) Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Contabilidade: Aplicações de Gestão Integrada Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. em Refrigeração: Rep. de Componentes de Frigorifícos Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Esc. Obrigatória 16 anos Pós-Laboral C.Branco Aperf. Metalomecânica: Fresagem de peças de Forma Prismática Fonte: Plano de Formação, Centro de Formação Profissional de Castelo Branco Destinatários: Activos qualificados, empregados ou em risco de desemprego, que careçam de reciclagem, actualização ou aprofundamento de competências, numa perspectiva de adaptação/ inovação e métodos ou contextos de trabalhos. Apoios Sociais: -Subsídio de Alimentação; -Seguro de Acidentes Pessoais f) Formação de Formadores - São Acções de Formação que têm como objectivo a actualização das competências pedagógicas do formador, com vista ao aperfeiçoamento das técnicas pedagógicas, dos temas e metodologias adoptadas pelo mesmo e complementar a experiência formativa adquirida (Formação Contínua); A melhoria da qualidade da formação profissional, através da aquisição e do desenvolvimento das competências dos formandos no domínio pedagógico-didáctico (Formação Inical). Quadro 5.6 - Cursos de Formação de Formadores Curso Formação Pedagógica Contínua de Formadores Formação Pedagógica Contínua de Formadores Formação Pedagógica Contínua de Formadores Formação Pedagógica Contínua de Formadores Habilitações Idade Mínima Literárias De Acesso 04-05-04 Esc. Obrigatória 17-05-04 29-06-04 V 20-09-04 V 08-11-04 Nível Início Fim Horário Local V 29-03-04 18 anos Pós-Laboral C. Branco V Esc. Obrigatória 18 anos Pós-Laboral Covilhã 26-10-04 Esc. Obrigatória 18 anos Pós-Laboral Sertã 21-12-04 Esc. Obrigatória 18 anos Pós-Laboral C. Branco Fonte: Plano de Formação, Centro de Formação Profissional de Castelo Branco 76 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 5.1.2. Iniciativas de Formação Profissional e Mação No âmbito da formação profissional, o Concelho de Mação revela já algum dinamismo, sendo de destacar a existência de três entidades formadoras no território concelhio. Porém, é de notar que as entidades referenciadas revelam alguma especialização no que se refere ao âmbito e público-alvo das acções de formação profissional por elas promovidas, indicando uma ainda diminuta diversidade no plano da oferta formativa que importa ressalvar. Neste plano impõe-se a necessidade de diagnosticar as necessidades reais da procura no concelho, de forma a adequar as intervenções que se possam vir a desenvolver neste domínio. Centro de Formação da Associação de Escolas do Concelho de Mação – "O MAÇAENSE" O Centro de Formação Contínua de Professores da Associação de Escolas do Concelho de Mação “O Maçaense” – sediado na Escola Secundária de Mação1, surge direccionado essencialmente para a formação de professores, promovendo acções de formação que possibilitem a todos os docentes uma melhoria da prática educativa. Este Centro foi fundado por acta constitutiva de 28 de Janeiro de 1993, homologada por despacho da Senhora Directora Regional de Educação do Centro, em 4 de Março do mesmo ano, como resultado da criação do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, através do Decreto Lei 249/92. Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências da C.M. de Mação A CMM foi acreditada pela ANEFA (Direcção Geral da Formação Vocacional) como Centro RVCC, o qual assume como principal objectivo o reconhecimento, a validação e a certificação de competências que os adultos vão adquirindo ao longo da vida, por meio da sua trajectória profissional. Este reconhecimento, quando atribuído, adquire uma validade social, escolar, profissional e legal, com equivalência a um qualquer diploma do Sistema Educacional Formal. A iniciativa de uma candidatura à ANEFA prende-se, sobretudo, com a preocupação de elevar as qualificações da população do Pinhal Interior Sul (Mação, Oleiros, Proença-a- 1 - Fonte: http://www.terravista.pt/AguaAlto/2402/Localização.htm – actualizado em 2000 77 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Nova, Sertã e Vila de Rei), portadora de baixos níveis de escolaridade. Tendo em conta este âmbito específico é objectivo deste centro: - constituir-se num espaço de comunicação, cooperação e excelência no domínio do Reconhecimento, de Validação e de Certificação de Competências daquela população; - assumir-se como um espaço de troca de experiências e de partilha de conhecimento, visando o aumento qualificacional dos adultos; - apostar na inovação e na qualidade do serviço prestado; - ser um parceiro activo na transferência do conhecimento e de saberes; - integrar-se numa rede de parcerias locais, regionais e nacionais, com o intuito de se tornar num pólo de influência na área do conhecimento. Câmara Municipal de Mação – Gabinete de Acção Social Na elaboração e apresentação de candidatura a projectos / Programas de Intervenção Comunitária o GAS realizou, anteriormente, candidaturas a medidas do POEFDS, tendo sido aprovadas e implementadas no ano de 2003 as seguintes formações: - Formação e Qualificação de Agentes de Desenvolvimento Comunitário: Métodos e Práticas de Desenvolvimento Psico-Social, destinado a Psicólogos, Assistentes Sociais, Professores e Educadores; - Formação de Agentes de Apoio à Inserção Profissional, destinado a profissionais da área da Acção Social. As formações tiveram lugar no Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. 78 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 6. EDUCAÇÃO 6.1. UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO 6.1.1. População Residente e Qualificações Escolares Aprofundando as questões relacionadas com a escolaridade, observa-se numa primeira abordagem que 68% dos residentes no Concelho de Mação, com mais de 9 anos, têm algum grau de ensino, com maior destaque para os que possuem os 1º e 2º ciclos (cerca de 70% do total dos “com escolaridade”). Este valor indica a existência de um índice muito baixo ao nível das qualificações escolares, o que é reforçado pelo facto de apenas cerca de 22% da população residente com mais de 14 anos possuir a escolaridade obrigatória. Através da leitura do quadro seguinte, constata-se que a percentagem de Homens com qualificação académica é superior à das Mulheres, com 54.8% e 45.2%, respectivamente. No entanto, embora se verifique esta evidência, podem distinguir-se patamares de escolaridade de acordo com os dois géneros. Com efeito, enquanto os homens predominam no Ensino Básico e Secundário, as Mulheres sobressaem, com percentagens mais elevadas, no Ensino Médio e Superior, revelando um maior investimento por parte da população feminina na sua qualificação superior. Quadro 6.1Qualificação académica por sexo em Mação (2001) Total Ensino Básico Hs % 4562 2554 1º Ciclo 2707 2º Ciclo 1030 3º Ciclo Ensino Secundário Ensino Médio % Ms 56,0 2008 44,0 1507 55,7 1200 44,3 582 56,5 448 43,5 825 465 56,4 360 43,6 536 280 52,2 256 47,8 38 16 42,1 22 57,9 234 94 40,2 140 59,8 Bacharelato 101 38 37,6 63 62,4 Licenciatura 128 53 41,4 75 58,6 3 1 33,3 2 66,7 2 2 100,0 0 0,0 5370 2944 54,8 2426 45,2 Ensino Superior Mestrado Doutoramento Com Qualificação académica Fonte: INE, Censos 2001 No que diz respeito ao grau de ensino da população residente por freguesia, é possível constatar que em todas as freguesias a maior parte da população possui o Ensino Básico, correspondendo a percentagens que variam entre os 48% e os 59.6%. Ao analisar separadamente cada nível de ensino, verifica-se que a maior percentagem de população que não sabe ler nem escrever pertence à Freguesia do Carvoeiro – 28%. Quanto ao Ensino 79 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Secundário, é na Freguesia de Mação que se concentra a maior parte da população com este nível de ensino – 10.5%. Por fim, no que concerne ao Ensino Superior, é na Freguesia de Ortiga que os valores são mais expressivos – 5.4%. Em síntese, poder-se-á referir que em cada freguesia a maior parte da população residente possui como nível de escolaridade mais elevado o Ensino Básico, sendo ainda de salientar que existe uma percentagem expressiva de população que não sabe ler nem escrever (estas percentagens variam, por freguesia, entre os 17.5% e os 28%). Quadro 6.2 - % População residente por grau de ensino, por freguesia - 2001 População residente Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Concelho 620 658 1233 794 1282 2276 627 952 8442 Não sabe ler nem escrever 125 127 276 222 303 410 110 171 1744 % Ensino Básico 20,2 19,3 22,4 28,0 23,6 18,0 17,5 18,0 20,7 326 316 681 428 702 1196 374 539 4562 % 52,6 48,0 55,2 53,9 54,8 52,5 59,6 56,6 54,0 Ensino Secundário 29 41 47 30 60 239 31 59 536 % 4,7 6,2 3,8 3,8 4,7 10,5 4,9 6,2 6,3 Ensino Superior 11 14 23 6 19 105 34 22 234 % 1,8 2,1 1,9 0,8 1,5 4,6 5,4 2,3 2,8 Fonte: INE, Censos 2001 Tendo em conta as variações ocorridas entre o ano de 1991 e o de 2001, observam-se mudanças significativas ao nível do grau de ensino obtido pela população residente em cada freguesia. Assim sendo, verifica-se uma diminuição do número de pessoas em todas as freguesias que não sabem ler nem escrever – sendo essa diminuição mais evidente nas Freguesias de Envendos e da Aboboreira, com -36.5% e -34.2%, respectivamente. No que diz respeito ao Ensino Básico, a percentagem de população com este nível de ensino aumentou em todas as freguesias – o maior aumento ocorreu em Mação, traduzido em 56.1%. Quanto ao Ensino Secundário, a Freguesia de Ortiga – 3.1% – e a Freguesia de Cardigos – 32.9% – foram as únicas freguesias em que diminuiu o número de pessoas com este grau de escolaridade. A Aboboreira foi a freguesia em que o aumento de população com o Ensino Secundário foi maior – 107.1%. Por fim, é na população com o Ensino Superior que a variação entre 1991 e 2001 é mais expressiva: em todas as freguesias registou-se um aumento de número de pessoas com este grau de ensino, existindo aumentos na ordem dos 1033.3% em Ortiga e dos 1000% na Aboboreira. O menor aumento verificou-se em Cardigos com uma percentagem de 91.7%. 80 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 6.3 - Variação população residente por grau de ensino por freguesia (1991-2001) Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Concelho Não sabe ler Variação nem escrever 1991-2001 1991 2001 190 125 -34,2 176 127 -27,8 343 276 -19,5 279 222 -20,4 477 303 -36,5 521 410 -21,3 147 110 -25,2 207 171 -17,4 2340 1744 -25,5 Variação Ensino Básico 1991-2001 1991 2001 225 326 44,9 234 316 35,0 491 681 38,7 326 428 31,3 629 702 11,6 766 1196 56,1 272 374 37,5 356 539 51,4 3299 4562 38,3 Ensino Variação Secundário 1991-2001 1991 2001 14 29 107,1 33 41 24,2 70 47 -32,9 18 30 66,7 56 60 7,1 170 239 40,6 32 31 -3,1 37 59 59,5 430 536 24,7 Ensino Variação Superior 1991-2001 1991 2001 1 11 1000,0 6 14 133,3 12 23 91,7 1 6 500,0 6 19 216,7 44 105 138,6 3 34 1033,3 6 22 266,7 79 234 196,2 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 Um indicador positivo no âmbito das dinâmicas escolares pronunciadas no Concelho de Mação traduz-se, como também já foi referido anteriormente, no facto do analfabetismo ter decrescido significativamente entre 1991 e 2001, dado haver registo de uma diminuição quer do número de analfabetos com 10 e mais anos (32.4%), quer da taxa de analfabetismo 20,1%. Quadro 6.4 - Variação no peso dos analfabetos e Taxa de analfabetismo em Mação (1991-2001) 1991 2001 Analfabetos com 10 e mais anos 2087 1411 variação (%) -32,4 Taxa de analfabetismo 22,4 17,9 -20,1 Fonte: INE, Censos 1991 e 2001 Tendo em conta o número de indivíduos que se encontravam a frequentar o sistema educativo em 2001, constata-se a existência de 12.9% de população estudante em todo o concelho, a qual se distribui equitativamente pelos vários níveis de ensino, muito embora com uma maior expressão na frequência do 1º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário. Esta situação mantém-se quando analisada cada freguesia individualmente, existindo apenas a excepção da Freguesia do Carvoeiro em que a única diferença relativamente às demais reside no facto da percentagem de alunos a frequentar o 3º Ciclo do Ensino Básico ser igual à percentagem de alunos a frequentar o 1º Ciclo (3.1%). Numa análise mais minuciosa, é possível referir que a percentagem mais elevada de alunos que frequentavam nesse ano os 2º e 3º Ciclos se concentrava na Freguesia do Carvoeiro. A maior percentagem de alunos a frequentar o Ensino Secundário residia na Freguesia da Aboboreira, enquanto a de alunos a frequentar o Ensino Superior incidia na Freguesia de Mação. Pode ainda sublinhar-se que, entre todas as freguesias deste concelho, a maior percentagem de população estudantil residia na Aboboreira – 15.6% –, ao passo que a menor percentagem de estudantes localizava-se na Freguesia de Cardigos – 10.4%. 81 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 6.5 - % População residente por grau de ensino que frequenta, por freguesia 2001 Residentes Básico % 1º Ciclo % 2º Ciclo % 3º Ciclo % Secundário % Superior % % População estudante Aboboreira 620 53 8,5 28 4,5 11 1,8 14 2,3 30 4,8 14 2,3 15,6 Amêndoa 658 50 7,6 25 3,8 11 1,7 14 2,1 16 2,4 14 2,1 12,2 Cardigos 1233 89 7,2 45 3,6 21 1,7 23 1,9 25 2,0 14 1,1 10,4 Carvoeiro 794 68 8,6 25 3,1 18 2,3 25 3,1 30 3,8 15 1,9 14,2 Envendos 1282 93 7,3 46 3,6 21 1,6 26 2,0 31 2,4 27 2,1 11,8 Mação 2276 196 8,6 101 4,4 45 2,0 50 2,2 76 3,3 67 2,9 14,9 Ortiga 627 45 7,2 20 3,2 12 1,9 13 2,1 14 2,2 12 1,9 11,3 Penhascoso 952 53 5,6 19 2,0 17 1,8 17 1,8 35 3,7 20 2,1 11,3 8442 647 7,7 309 3,7 156 1,8 182 2,2 257 3,0 183 2,2 12,9 Concelho Fonte: INE, Censos 2001 6.1.2. Estado do Ensino no Concelho de Mação Centrando a análise nos indicadores provenientes das Escolas do Concelho de Mação, verifica-se que os graus de ensino que integram um maior número de alunos correspondem ao 1º Ciclo, ao Pré-escolar e ao 3º Ciclo. Relativamente à evolução dos alunos matriculados por grau de ensino em Mação, só existiu aumento no número de alunos matriculados no 2º Ciclo. Nos restantes graus de ensino esse número decresceu, com maior incidência no 1º Ciclo do Ensino Básico (-40.7%). Quadro 6.6 - Evolução dos Alunos Matriculados por grau de ensino em Mação 1998-2003 1998 1999 172 2000 160 2001 177 2003 172 Var.98-03 ------ 754 628 644 581 546 -27,6 1º Ciclo 403 299 332 259 239 -40,7 2º Ciclo 134 111 134 146 142 6,0 3º Ciclo 217 218 178 176 165 -24,0 208 251 181 167 128 -38,5 Pré-escolar Ensino Básico Ensino secundário Fonte: INE, Anuários estatísticos 1999 a 2002; Agrupamento de Escolas Verde Horizonte – Mação Segundo os dados trabalhados pelo Agrupamento de Escolas Verde Horizonte – Mação, é de referir ainda os 34 alunos que frequentaram, no ano lectivo de 2002/03, o Ensino Básico Mediatizado, ao nível do 2º ciclo. Este Ensino Básico Mediatizado encontra-se localizado em 3 freguesias do Concelho de Mação: Carvoeiro, Cardigos e Envendos. Por último, foram referenciados 58 alunos que frequentaram, também no mesmo ano lectivo, o Ensino Recorrente, ao nível do 3º Ciclo e Ensino Secundário. Ainda no que toca ao Ensino Recorrente, houve a participação, em 2003, de 63 alunos no âmbito da alfabetização/1º Ciclo e 2º Ciclo, nomeadamente nas Freguesias de Mação e 82 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Amêndoa. Observa-se ainda que em apenas 9 casos as aulas foram leccionadas num espaço-escola. Quadro 6.7 - N.º de Alunos no Ensino Recorrente, em 2003, ao nível da Alfabetização/1º Ciclo e 2º Ciclo Freguesia Mação Amêndoa Lugar Mação Casas da Ribeira Caratão Mação Amêndoa Locais das Aulas Escola EB1, 2 e Secundária de Mação Casa do Povo Centro Cultural e Recreativo do Caratão Nível de Ensino Alfabetização / 1º Ciclo Alfabetização / 1º Ciclo Alfabetização / 1º Ciclo 2º Ciclo Alfabetização / 1º Ciclo Antigo Jardim-de-Infância Nº de Alunos 9 13 9 15 17 63 Fonte: dados locais Tendo em conta alguns indicadores de (in)sucesso escolar e de apoio social, observa-se, em primeiro lugar, que no último ano escolar de referência – 2001/02 – houve um abandono escolar por parte de 5 alunos, o que, num universo de 546 alunos (ensino obrigatório), é pouco significativo (0.9%). Este valor traduz-se num aumento do abandono em relação a 94/95 (+3 alunos), mas considerando o ano lectivo de 98/99, o resultado já corresponde a uma diminuição de desistências, com menos 8 alunos nesta situação. Com efeito, 1998/99 foi marcado pelo número de abandono mais expressivo desde 1994. Quadro 6.8 - Evolução do N.º de Alunos que abandonaram o ensino, entre 1994 e 2002 Ano Lectivo N.º de Abandono 1994/95 2 1995/96 3 1996/97 1 1997/98 1 1998/99 13 1999/00 4 2000/01 9 2001/02 Fonte: 5 Agrupamento de Escolas Verde Horizonte – Mação Se a taxa de desistência foi de 0.9% em 2001/02, pode dizer-se que a mesma observou um decréscimo relativamente a 1995/96, como demonstra o quadro seguinte. Remontando a este ano lectivo, verifica-se que a taxa de 1.4% era, sobretudo, influenciada pelo abandono feminino. Já no que remete à taxa de retenção observada, esta assume valores mais expressivos junto da população estudantil masculina. 83 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 6.9 - Indicadores de Insucesso escolar no ano lectivo de 1995/96 em Mação 1995/1996 Taxa Abandono 1,4 Sexo Masculino 0,9 Sexo Feminino 2,0 Taxa retenção 10,8 Sexo Masculino 13,3 Sexo Feminino 8,0 Fonte: CNE e CET/ISCTE, 2002 No entanto, comparando a taxa de abandono no Concelho de Mação com a Região em que se enquadra e com o Continente, verifica-se que a mesma se traduz numa das mais baixas, quer em termos da média nacional (2,7), quer ao nível da média do Pinhal Interior Sul (1,4%) – e saliente-se que o valor mais elevado, pertencente ao Concelho de Mondim de Basto, a Norte do país, corresponde a 9,5%. Quadro 6.10 – Abandono Escolar em 2001(%) Concelhos / Regiões Mação Abrantes Oleiros Proença-a-Nova Sardoal Sertã Vila de Rei Pinhal Interior Sul Médio Tejo Continente Marvão Mondim de Basto Fonte: Ministério da Educação % Abandono 1,3 3,3 1,5 0,9 3,7 1,8 0,5 1,4 2,0 2,7 0,0 9,5 Fazendo a leitura no âmbito do apoio social existente nas escolas maçaenses, constata-se que o número de alunos subsidiados tem sido constante de 2001 a 2003. Os valores apresentados indicam uma aplicação de prestações sociais bastante significativa, nomeadamente ao nível dos alunos que beneficiam do Escalão A. Quadro 6.11 - N.º de Alunos Subsidiados do 5º ao 12º ano, entre 2000 e 2003 Ano Lectivo 2000/01 2001/02 2002/03 Escalões N.º de Alunos A 143 B 45 A 128 B 48 A 142 B 46 Total 188 176 188 Fonte: Agrupamento de Escolas Verde Horizonte - Mação Quanto à evolução do pessoal docente por grau de ensino em Mação entre 1998 e 2001, essa variação só foi positiva ao nível da Escola EB 2+3 e Secundário. Nos restantes graus 84 Diagnóstico Social do Concelho de Mação de ensino observou-se um decréscimo do pessoal docente, sendo esta diminuição mais acentuada no 1º Ciclo (correspondendo também ao decréscimo dos alunos matriculados nesse ciclo). Este decréscimo encontra algumas justificações na relação entre n.º de docentes/n.º de alunos e na tendência de diminuição do número de estudantes, resultando na constituição de turmas cada vez mais reduzidas. Com efeito, no pré-escolar existe uma média de 13 alunos por turma, no 1º ciclo essa média é de 10 alunos e ao nível da Escola EB 2+3 e Secundário observa-se a existência média de 6 estudantes por turma. Quadro 6.12 - Evolução do Pessoal docente por grau de ensino em Mação 1998-2001 1998 1999 15 Pré-escolar 2000 16 2001 13 2003 13 Var.98-03 -13,3 102 95 95 97 97 -4,9 1º Ciclo 33 33 36 27 23 -18,2 2º Ciclo 19 23 74 7,2 Ensino Básico 3º Ciclo Ensino secundário 50 16 14 24 21 22 24 47 Fonte: INE, Anuários estatísticos 1999 a 2002; Agrupamento de Escolas Verde Horizonte - Mação 6.1.3. Mobilidade da População Estudantil do Concelho de Mação Ainda no que concerne à população estudante no Concelho de Mação, verifica-se que em 2001 a percentagem de deslocações internas ao concelho cujo motivo é estudo é cerca de 75%, traduzindo uma elevada dependência da localização dos estabelecimentos de ensino no concelho. Quadro 6.13 – Evolução da Mobilidade intra concelhia, entre 1991 e 2001 Evolução da Mobilidade intra concelhia dos Residentes Estudantes 1991 - 2001 Concelhos Abrantes Alcanena Constância Entroncamento Ferreira do Zêzere Gavião Ourém Sardoal Tomar Torres Novas V.Nova da Barquinha Mação Total Total de deslocações de residentes estudantes 1991 2001 4.935 1.773 1.572 715 472 187 1.902 954 861 427 413 138 4.435 2.206 436 178 4.938 2.444 4.647 2.057 971 373 1.194 952 26.776 12.404 Deslocações Intra - concelhias 1991 2001 4.622 1.492 1.236 398 149 58 1.623 674 718 269 290 44 4.007 1.742 348 130 4.687 2.128 4.025 1.507 601 170 948 693 23.254 9.305 % de deslocações Intra - concelhias 1991 2001 93,7% 84,2% 78,6% 55,7% 31,6% 31,0% 85,3% 70,6% 83,4% 63,0% 70,2% 31,9% 90,3% 79,0% 79,8% 73,0% 94,9% 87,1% 86,6% 73,3% 61,9% 45,6% 79,4% 72,8% 86,8% 75,0% 85 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Se em termos globais, e para as viagens com origem nas freguesias e destino o Concelho de Mação, se verificou em 2001 uma redução generalizada em termos absolutos e percentuais face a 1991, já o número de viagens com destino a outros concelhos aumentou em todas as freguesias, excepto na Freguesia de Envendos. Quadro 6.14 – Saídas por motivo de estudo SAIDAS Motivo Estudo Origem Residència (Freguesias) Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total Destino Concelho Outros Total 1991 2001 2001 1991 2001 Nº % Nº % Nº % Nº Nº 55 78,6% 7 11,5% 15 21,4% 61 70 43 59,7% 28 26,4% 29 40,3% 106 72 57 46,3% 54 35,5% 66 53,7% 152 123 80 76,9% 11 8,8% 24 23,1% 125 104 106 77,4% 54 30,5% 31 22,6% 177 137 231 78,8% 65 19,0% 62 21,2% 343 293 47 78,3% 12 12,6% 13 21,7% 95 60 74 79,6% 15 11,1% 19 20,4% 135 93 693 72,8% 246 20,6% 259 27,2% 1194 952 Mação 1991 Nº % 54 88,5% 78 73,6% 98 64,5% 114 91,2% 123 69,5% 278 81,0% 83 87,4% 120 88,9% 948 79,4% Estes dados traduzem a redução da população estudante e a progressiva procura de outros graus de ensino em concelhos limítrofes, nomeadamente nos casos das freguesias de Cardigos e Carvoeiro. Em paralelo, as entradas no concelho por motivo de estudo são muito pouco significativas, traduzindo a reduzida atracção do concelho associada a este motivo de viagem. Quadro 6.15 – Entradas por motivo de estudo ENTRADAS Motivo Estudo Origem Residència (Concelho) Mação Outros Total Destino Concelho de Mação 1991 2001 Nº % Nº % 948 98,4% 697 98,9% 15 1,6% 8 1,1% 963 100,0% 705 100,0% A informação referente ao modo de transporte principal utilizado nas viagens permite analisar as alterações verificadas entre os dois censos.1 Em todas as freguesias o número de viagens realizadas a pé em 2001 é significativamente inferior face ao correspondente 1 Com o objectivo de permitir uniformizar a informação para que se possam efectuar as correspondentes comparações foi considerado que: a referência a transporte colectivo em 2001 corresponde à informação veículo da empresa de 1991 e para os dados referentes à utilização do transporte individual foi considerada a soma de “ condutor” e “passageiro”. 86 Diagnóstico Social do Concelho de Mação valor de 1991, traduzindo as melhorias introduzidas na oferta para este tipo de viagens. Em relação aos outros modos de transporte é de salientar os aumentos relativos em 2001 quanto aos modos autocarro e transporte escolar. Quadro 6.16 – Modos de transporte, em 1991 População residente estudante (1991) Modos de Transporte Origem; Freguesias de Mação Destino: Concelho de Mação Freguesia Nenhum Autocarro Nº Nº % Aboboreira 24 44,4% 29 Amêndoa 28 35,9% 33 Cardigos 51 52,0% 26 Carvoeiro 33 28,9% 32 Envendos 54 43,9% 39 Mação 218 78,4% 13 Ortiga 25 30,1% 26 Penhascoso 39 32,5% 30 Total 472 49,8% 228 Veículo da Escola Nº % 53,7% 0 42,3% 16 26,5% 19 28,1% 47 31,7% 20 4,7% 22 31,3% 26 25,0% 46 24,1% 196 Automóvel Motociclo Ligeiro - Como ou Passageiro Bicicleta Nº % 0,0% 1 20,5% 1 19,4% 2 41,2% 2 16,3% 7 7,9% 15 31,3% 6 38,3% 4 20,7% 38 Outro Total Nº % Nº % Nº % % 1,9% 0 0,0% 0 0,0% 54 5,7% 1,3% 0 0,0% 0 0,0% 78 8,2% 2,0% 0 0,0% 0 0,0% 98 10,3% 1,8% 0 0,0% 0 0,0% 114 12,0% 5,7% 1 0,8% 1 0,8% 123 13,0% 5,4% 9 3,2% 0 0,0% 278 29,3% 7,2% 0 0,0% 0 0,0% 83 8,8% 3,3% 0 0,0% 0 0,0% 120 12,7% 4,0% 10 1,1% 1 0,1% 948 100,0% Quadro 6.17 – Modos de transporte, em 2001 População residente estudante (2001) Modos de Transporte Origem ; Freguesias de Mação Destino: Concelho de Mação FR_RESIDENCIA Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total Transporte Nenhum Autocarro Colectivo Nº % Nº % Nº % 13 23,6% 35 63,6% 0 0,0% 5 11,6% 19 44,2% 15 34,9% 17 29,8% 5 8,8% 32 56,1% 8 10,0% 47 58,8% 24 30,0% 33 31,1% 40 37,7% 30 28,3% 148 64,1% 22 9,5% 19 8,2% 11 23,4% 28 59,6% 0 0,0% 15 20,3% 20 27,0% 33 44,6% 250 36,1% 216 31,2% 153 22,1% Carro Como Motociclo Passageiro /Bicicleta Outro Total Nº % Nº % Nº % Nº % 5 9,1% 0 0,0% 0 0,0% 55 7,9% 4 9,3% 0 0,0% 0 0,0% 43 6,2% 3 5,3% 0 0,0% 0 0,0% 57 8,2% 1 1,3% 0 0,0% 0 0,0% 80 11,5% 3 2,8% 0 0,0% 0 0,0% 106 15,3% 40 17,3% 1 0,4% 1 0,4% 231 33,3% 8 17,0% 0 0,0% 0 0,0% 47 6,8% 5 6,8% 0 0,0% 0 0,0% 74 10,7% 10,0% 1 0,1% 1 0,1% 693 100,0% 69 Excepto na Freguesia de Cardigos e para o meio autocarro, em que os valores são significativamente inferiores em 2001, tanto em valor absoluto como relativo e nas Freguesias de Ortiga e Envendos (para o transporte colectivo), com diminuições percentuais no último período intercensitário. A Freguesia de Mação, embora siga a tendência ao nível do aumento de transportes públicos, apresenta, em ambos os períodos considerados, valores pouco significativos em termos de utilização dos mesmos. Esta situação poderá justificar-se devido ao facto da localização dos diferentes graus de estabelecimentos de 87 Diagnóstico Social do Concelho de Mação ensino se encontrar bastante territorializada e ao valor elevado de viagens em transporte individual como passageiro – o qual se mantém como o mais elevado em termos absolutos para os dois períodos em referência. É finalmente de referir o pouco peso neste tipo de viagens para os meios Motociclo e Outro. Quadro 6.18 – Duração das viagens, em 1991 População r e s ide nte e s tudante (1991) Te m po de viage m Or ige m ; Fr e gue s ias de M ação De s tino: Conce lho de M ação Nenhum Freguesia Nº A boboreira A mêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total 14 13 7 4 11 23 11 3 86 16 a 30 minutos A té 15 minutos % Nº 25,9% 9 16,7% 25 7,1% 46 3,5% 67 8,9% 50 8,3% 218 13,3% 26 2,5% 80 9,1% 521 % Nº 16,7% 26 32,1% 27 46,9% 19 58,8% 5 40,7% 33 78,4% 34 31,3% 45 66,7% 34 55,0% 223 % 31 a 60 minutos Nº 48,1% 5 34,6% 9 19,4% 23 4,4% 7 26,8% 25 12,2% 2 54,2% 1 28,3% 3 23,5% 75 % Mais de uma hora Nº % Total Nº % 9,3% 0 0,0% 54 5,7% 11,5% 4 5,1% 78 8,2% 23,5% 3 3,1% 98 10,3% 6,1% 31 27,2% 114 12,0% 20,3% 4 3,3% 123 13,0% 0,7% 0 0,0% 278 29,3% 1,2% 0 0,0% 83 8,8% 2,5% 0 0,0% 120 12,7% 7,9% 42 4,4% 948 100,0% Quadro 6.19 – Duração das viagens, em 2001 População residente estudante (2001) Duração das viagens Origem ; Freguesias de Mação Destino: Concelho de Mação FR_RESIDENCIA Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total Nº 0 2 1 2 2 9 0 3 19 Nenhum Até 15' 16' a 30' % Nº % Nº % 0,0% 23 41,8% 31 56,4% 4,7% 14 32,6% 22 51,2% 1,8% 49 86,0% 3 5,3% 2,5% 26 32,5% 13 16,3% 1,9% 53 50,0% 31 29,2% 3,9% 202 87,4% 20 8,7% 0,0% 23 48,9% 24 51,1% 4,1% 43 58,1% 28 37,8% 2,7% 433 62,5% 172 24,8% 31' a 60' 61' a 90' Mais de 90' Total Nº % Nº % Nº % Nº % 1 1,8% 0 0,0% 0 0,0% 55 7,9% 4 9,3% 1 2,3% 0 0,0% 43 6,2% 4 7,0% 0 0,0% 0 0,0% 57 8,2% 38 47,5% 0 0,0% 1 1,3% 80 11,5% 20 18,9% 0 0,0% 0 0,0% 106 15,3% 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 231 33,3% 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 47 6,8% 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 74 10,7% 67 9,7% 1 0,1% 1 0,1% 693 100,0% No que diz respeito à duração das viagens para o local de estudo por freguesia, verifica-se uma redução significativa do número de viagens realizadas a pé em todas as freguesias em 2001 face a 1991, aumentado em termos relativo o número de viagens realizadas até 15 minutos, o qual constitui a duração de tempo de viagem mais representativo. A melhoria das condições de oferta de transporte para a população estudante contribui para que se verifiquem estas alterações. 88 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 6.2. EQUIPAMENTOS EDUCATIVOS Durante o ano lectivo de 2002/2003, constata-se que a rede de equipamentos escolares no Município de Mação foi preenchida quase na totalidade por escolas do 1º ciclo e do préescolar, existindo apenas uma em todo o concelho que deu resposta ao 2º/3º ciclos e secundário. Analisando as evoluções observadas entre 1998 e 2003, pode concluir-se que, aumentando o número de estabelecimentos de ensino para o pré-escolar e mantendo-se para o 3º ciclo e para o ensino secundário, houve uma elevada diminuição do número de estabelecimentos de ensino básico e de 1º e 2º ciclos, sendo que a diminuição mais acentuada (-80%) se regista neste último grau de ensino. Quadro 6.20 - Evolução do número de estabelecimentos de ensino por grau de ensino em Mação 19982001 1998 1999 11 2000 11 2001 11 2003 13 Var.98-03 18,2 23 23 23 21 16 -30,4 1º Ciclo 17 17 18 16 15 -11,8 2º Ciclo 5 5 4 4 1 -80,0 3º Ciclo 1 1 1 1 1 - 1 1 1 1 1 - Pré-escolar Ensino Básico Ensino secundário Fonte: INE, Anuários estatísticos 1999 a 2002; Agrupamento de escolas Verde Horizonte – Mação: Rede Escolar 2002/2003 Na distribuição dos equipamentos educativos por freguesia, observa-se que em todas existem Jardins-de-Infância e Escolas Básicas de 1º ciclo, o que indica uma boa cobertura a este nível. Existem 3 Escolas Básicas Mediatizadas, localizadas em 3 freguesias distintas, e apenas uma EB 2+3 e Secundária, localizada na sede do concelho. Por freguesia, pode dizer-se que as mais favorecidas em termos de cobertura se traduzem nas de Cardigos, Envendos, Mação e Penhascoso. Quadro 6.21 - N.º de Equipamentos Educativos por Natureza e por Localidade (2002-2003) Freguesia Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total Localidade Aboboreira Chão de Codes Amêndoa Chão de Lopes Cardigos Chaveira Vales Carvoeiro Envendos S. José das Matas Mação Pereiro Ortiga Penhascoso Queixoperra Pré-escolar EB1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 15 1 1 1 1 1 1 3 1 1 1 13 EBM EB2, 3 / Secundária 1 1 1 1 3 1 Fonte: Agrupamento de escolas Verde Horizonte – Mação: Rede Escolar 2002/2003 89 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Se por um lado, a cobertura é bastante abrangente no pré-escolar e 1º ciclo, por outro, verifica-se que o número de alunos é muito baixo nestes estabelecimentos de ensino, em que, no primeiro caso, são raros os equipamentos com mais de 15 crianças (só Mação excede este valor), e no 1º ciclo, com excepção também de Mação, não existem mais de 23 crianças, distribuídas pelos 4 anos, havendo mesmo escolas de 1º ciclo com apenas 2 ou 4 alunos. Quadro 6.22 - N.º Alunos distribuídos pelos Equipamentos Educativos, segundo a Natureza e a Localidade (2002-2003) Freguesia Aboboreira Localidade Aboboreira Préescolar EB1 11 8 6 7 Amêndoa 11 20 5 Chão de Lopes Cardigos Cardigos Envendos Mação 9 13 Carvoeiro 15 23 10 Envendos 14 20 14 S. José das Matas 11 12 Mação 67 89 Penhascoso 11 23 Penhascoso 8 15 Queixoperra 9 4 172 253 Ortiga Total 493 2 Pereiro Ortiga 12 4 Chaveira Vales Carvoeiro EB2, 3 / Secundária 8 Chão de Codes Amêndoa EBM 36 493 Fonte: Agrupamento de escolas Verde Horizonte - Mação: Rede Escolar 2002/2003 6.3. ACTUAÇÕES NO ÂMBITO DA INTEGRAÇÃO EDUCACIONAL C. M. Mação / Gabinete de Acção Social – SEPSICO Ao nível da Educação, constata-se a implementação e desenvolvimento de diversas iniciativas que visam a intervenção junto da comunidade educativa no concelho, promovidas pelo SEPSICO - Serviço de Psicologia e Orientação da Câmara Municipal, parte integrante do Gabinete de Acção Social da Câmara Municipal de Mação. Neste contexto o SEPSICO desenvolve as seguintes actividades/programas/projectos: Consultas de Avaliação e Acompanhamento de Psicologia Clínica e Educacional a crianças e jovens – a Avaliação Psicológica pelos professores e/ou Encarregados de Educação visa dar resposta às dificuldades a nível escolar, de desenvolvimento, ou emocional das crianças e jovens, possibilitando a elaboração de linhas orientadoras de intervenção. São acompanhadas 90 Diagnóstico Social do Concelho de Mação crianças e jovens inseridas nos Jardins de Infância, Escolas do 1º Ciclo e EB 2+3/Secundária de Mação; Aconselhamento Parental - o processo de Acompanhamento Psicológico visa estreitar a ligação e colaboração entre os diversos contextos em que uma criança ou adolescente se encontra inserido: escola e família, promovendo a sua eficaz integração e desenvolvimento educativo; Consultas de Avaliação e Acompanhamento a nível de Terapêutica da Fala – visando dar resposta às dificuldades identificadas a nível de fala/linguagem, e de problemas que envolvam a leitura e escrita. Segundo o SEPSICO em 2003, regista-se um aumento de casos avaliados/acompanhados, denotando-se por isso uma maior sensibilização por Técnicos e Encarregados de Educação para dificuldades nesta área. Existiu um acréscimo na identificação de crianças com dificuldades incluídas nos Jardins-de-Infância, o que permite uma intervenção mais efectiva e simultaneamente a prevenção de problemas futuros na aquisição de conhecimentos a nível da leitura e da escrita; Programa de Orientação Escolar e Profissional – destinado aos alunos do 9º ano, o principal objectivo deste Programa consiste no acompanhamento e apoio aos jovens no planeamento, construção e desenvolvimento das várias fases do seu projecto de vida escolar e/ou profissional e consequentemente pessoal. São também realizadas Sessões de esclarecimento com os alunos do 11º ano cujo o objectivo consiste em fornecer informação acerca das opções em termos de disciplinas alternativas no 12º ano. O trabalho é direccionado no sentido de adequar as escolhas com o projecto escolar desenvolvido, de forma a permitir uma maior facilidade no ingresso ao Ensino Superior. No âmbito da orientação escolar e profissional são ainda realizadas sessões, em grupo, dirigidas ao 12º Ano, com o intuito de esclarecer dúvidas relativas à candidatura e ingresso ao Ensino Superior, condições e exigências no acesso, informação acerca das diversas etapas envolvidas; e, por outro lado, esclarecimento de dúvidas relacionadas com a procura do 1º emprego, tarefas importantes a realizar para conseguir inserção no mercado de trabalho para jovens optam por não continuar a estudar. Projecto de Intervenção Motora Educacional - A população alvo deste Projecto são crianças que apresentam problemas de linguagem, comunicação, expressão verbal, autonomia, socialização e auto-estima, referenciadas pelo próprio Serviço. Contado com a colaboração da Escola Fixa de Trânsito e tem como principal objectivo criar momentos e espaço para estimular e motivar o envolvimento na aprendizagem, através de uma dinâmica de grupo que engloba a iniciativa, descoberta, criatividade, responsabilidade e comunicação. A interacção entre as crianças, a oportunidade de partilha de conhecimentos, sentimentos e vivências, de comunicação espontânea, facilitam e contribuem para o desenvolvimento de capacidades, competências e valorização pessoal; 91 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Estágios Académicos De Psicologia Clínica e Da Saúde – em colaboração com o Departamento de Psicologia da Universidade Independente, os estágios englobam diversas áreas de actuação: Consultas de Psicologia (Avaliação Psicológica; Apoio Psicológico; Aconselhamento). Projecto “Avaliar Para Intervir” – embora este projecto ainda não tenha iniciado, visa promover a intervenção precoce junto das crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico, acompanhando os primeiros passos no percurso de escolarização, com o intuito de evitar o acumular de dificuldades experimentadas pelos alunos, criando condições para que a criança possa iniciar este processo de forma segura e confiante. Nesse sentido o projecto detém objectivos específicos como: - identificar, no último ano do Ensino Pré-Escolar, possíveis dificuldades em actividades e competências para o início da leitura, escrita e cálculo; - elaborar planos de intervenção para a promoção e desenvolvimento de actividades que colmatem as dificuldades demonstradas; Projecto De Intervenção “Desenvolvimento De Competências De Estudo” - promove o seguimento da avaliação e acompanhamento de muitos alunos do 2º e 3º Ciclos, com dificuldades em termos de metodologias de organização e planeamento de estudo e estratégias de aprendizagem, dificuldades estas que se repercutem ao nível do seu rendimento e aproveitamento escolar. O programa foi desenvolvido com o intuito de promover competências que permitam uma melhor adaptação às exigências escolares, desenvolver estratégias efectivas de planificação e metodologias de estudo e hábitos de trabalho e reforçar o gosto pela aprendizagem, incrementar o investimento e o envolvimento dos alunos no processo educativo; Acções de Formação – estas acções são dirigidas aos mais diversos profissionais (professores, educadores, psicólogos, técnicos de saúde, técnicos de reabilitação) e Encarregados de Educação. Os temas pretendem sempre ir de encontro às necessidades dos diversos profissionais e encarregados de educação que lidam diariamente com crianças e jovens. A mais recente Acção de Formação, a 7ª, foi realizada em Maio de 2003 e foi subordinada ao tema “Crianças e Jovens em Processo de Luto”.Contou com uma adesão de cerca de 300 pessoas. Para além destas iniciativas, é parte integrante da intervenção do SEPSICO, a divulgação das actividades e projectos desenvolvidos pelo Serviço e a organização de Passeios e Actividades para as Crianças e Jovens a serem acompanhadas pelo Serviço. 6.3.2. Ensino Recorrente – Intervenção Extra Escolar Além da actuação ao nível das qualificações escolares, o Ensino Recorrente no Concelho de Mação promove ainda cursos no contexto extra-escolar, tendo atingido 238 indivíduos, no período de 2003/2004. 92 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 6.23 - Cursos Extra Escolares do Ensino Recorrente - 2003/2004 Freguesias Aboboreira Amêndoa Envendos Mação Penhascoso Ortiga Cardigos Carvoeiro Designação Cursos Educação para a Cidadania Curso de Bordados Tradicionais Curso de Bordados Tradicionais Curso de Bordados Tradicionais Bordados Tradicionais Curso de Arraiolos Curso Decorativas Curso de Bainhas Abertas Curso de Rechelieu Local do Curso Junta de Freguesia Antigo Jardim de Infância Salão Paroquial Cine-Teatro Centro Cultural da Serra Junta de Freguesia Centro Cultural Nº de Formandos 20 Formandos 21 Formandos 23 Formandos 62 Formandos 15 Formandos 32 Formandos 11 Formandos 32 Formandos 22 Formandos 6.3.3. Associação Crescer na Maior – I.P.S.S. A Associação Crescer na Maior é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, direccionada para as questões educacionais, e encontra-se, actualmente, a desenvolver o Projecto “Abandonar a escola, que futuro?”, financiado pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência – Ministério da Saúde. Este projecto iniciou em Outubro de 2002 e está previsto a sua conclusão para este mês de Setembro. Inserido no âmbito da prevenção primária da toxicodependência e do abandono escolar, o projecto em questão visa trabalhar crianças e jovens integrados em meio escolar, nomeadamente 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico e Jovens em situação de abandono escolar, através dos seguintes objectivos gerais e específicos: Quadro 6.24 – Objectivos do Projecto “Abandonar a escola, que futuro?” Objectivos Gerais Objectivos Específicos - Promoção da Integração social; - Promover a aproximação dos jovens do grupo alvo ao restante grupo de pares; melhorar a auto estima e reduzir os sentimentos de exclusão social; - Melhoria global da saúde física e mental, aptidões sociais e relações interpessoais; - Diminuição da prevalência de comportamentos anti-sociais; aumento do sentimento de relação social; - Promoção da orientação - Informar e sensibilizar o sujeito para a importância do conhecimento das suas próprias vocacional; aptidões; valorização das capacidades do sujeito; aproveitamento dos recursos subjectivos;(aderência ao gabinete de orientação vocacional já existente). - Promoção da formação - Informar acerca da possibilidade de formação em qualquer categoria profissional; escolar e profissional; sensibilizar para a construção de carreira profissional; informar e sensibilizar o sujeito para as hipóteses alternativas à formação escolar; - Diminuição da dificuldade de acesso às instituições de trabalho; - Promoção da educação para - Promover hábitos de vida saudáveis; a saúde; - Informar sobre os riscos, inerentes, de consumo de substâncias psicoactivas; - Prevenção da criminalidade - Informar sobre os riscos inerentes ao consumo de substâncias psicoactivas; juvenil e toxicodependência - Diminuição da prevalência de comportamentos anti-sociais; Para a realização deste projecto constituiu-se uma parceria entre C.M.M.; Sepsico; GAS; CRVCC; IEFP Sertã e de Tomar; PEETI; CRIA; Agrupamento de escolas Verde Horizonte; Associação de Pais; Juntas de freguesia do Concelho; Santa Casa da Misericórdia de Mação; CPCJ Mação; Centro de Saúde de Mação. 93 Diagnóstico Social do Concelho de Mação No sentido de atingir os objectivos propostos foram dinamizadas as seguintes actividades: Ao nível de Jovens inseridos em meio escolar: Crianças e jovens: Sessões de treino de aptidões sociais; Actividades lúdicas; Sessões de sensibilização sobre Sexualidade/Doenças Sexualmente Transmissíveis; Hábitos de vida Saudáveis; Semanas temáticas; Dias comemorativos; Visitas domiciliárias; Para encarregados de educação: Acções de informação e esclarecimento do projecto; Encontro sobre Abandono escolar; Dias comemorativos: apelo de visita à escola: envolvimento na comunidade escolar: actividades conjuntas com educandos. Para professores: Acções de informação e esclarecimento do projecto; Encontro sobre Abandono escolar; Acção sensibilização sobre indisciplina escolar; Auxiliares de acção educativa: Encontro sobre Abandono escolar. No que respeita a Jovens em situação de Abandono escolar Levantamentos directos, junto das escolas, Gabinete Acção Social da C.M.M. – Serviço de Psicologia; CPCJ Mação; Juntas de freguesia, particulares e próprios de todos os jovens que se encontravam à data em situação de abandono escolar. Visitas domiciliárias: Deslocação dos agentes de proximidade a todos os locais onde se encontravam os jovens, informando e sensibilizando personalizadamente os sujeitos do grupo alvo. Aconselhamento psicológico; Avaliação psicológica; Orientação vocacional; Informação e sensibilização sobre os riscos inerentes ao consumo de substâncias psicotrópicas lícitas e ilícitas. Encaminhamento de jovens para entidades formativas adaptadas às suas necessidades: IEFP Sertã e/ou Tomar; Ensino regular ou recorrente; CRVCC; PEETI; CRIA. 94 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 7. ACÇÃO SOCIAL 7.1. EQUIPAMENTOS DE ACÇÃO SOCIAL Com o intuito de avaliar o panorama existente nas diferentes freguesias do Concelho de Mação, no que diz respeito aos equipamentos de acção social a funcionar no território, é possível concluir que, mediante a leitura dos dois quadros seguintes, existem algumas disparidades entre freguesias em relação à integração de equipamentos de acção social. A Freguesia de Mação é aquela que possui o maior número de equipamentos – nesta freguesia apenas não existem comunidades de inserção relacionadas com a toxicodependência. Este tipo de equipamento existe apenas na Freguesia de Amêndoa, sendo o único tipo de equipamento de segurança social existente na mesma, e a capacidade do equipamento coincide com o número de utentes que dele usufruem. Nos equipamentos de ADI e lares de idosos na Freguesia de Mação os dados apontam para a existência de um número de utentes superior à capacidade que o equipamento oferece, o mesmo sucede relativamente ao SAD na Freguesia de Penhascoso. Sublinhe-se, ainda, o facto de apenas existir uma creche no concelho, situada na sede do Concelho. Quadro 7.1– Identificação dos Equipamentos da Acção Social no Concelho de Mação, por Freguesia Freguesia Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Equipamentos Centro de Protecção à Terceira Idade da Freguesia de S. Silvestre de Aboboreira. Ares do Pinhal Associação de Recuperação de Toxicodependentes – Ares do Pinhal Aldeia de Eiras. Ares do Pinhal Associação de Recuperação de Toxicodependentes – Ares do Pinhal Chão Lopes Pequeno. Associação Centro de Dia, Apoio e Acolhimento à Terceira Idade. Equipamento Social Sta Casa da Misericórdia de Cardigos. Associação para o Bem Estar da Pop. Do Carvoeiro – Centro de Dia S. João Baptista. Centro de Dia – Casa de Idosos de S. José das Matas. Fundação Antero Gonçalves – Lar de 3ª Idade de Envendos. Santa Casa da Misericórdia de Mação. Mação Ortiga Penhascoso Centro de Solidariedade Social N.ª Sr.ª das Dores de Ortiga. Centro Dia Nossa Senhora Pranto. Valências Centro de Actividades de Tempos Livres, Centro de Dia, SAD. Comunidades de Inserção. Comunidades de Inserção. Centro de Dia, SAD, ADI, Lar Idosos. Centro de Actividades de Tempos Livres, Centro de Dia, SAD, ADI. Centro de Dia, SAD, ADI, Lar para Idosos. Centro de Dia, SAD, ADI. Lar para Idosos. Creche, Centro de Dia, SAD, ADI, Lar Idosos, UAI, Centro de Acolhimento Temporário de Emergência de Idosos, ATL. Centro de Dia, SAD, ADI. Centro de Dia, SAD, ADI. Fonte: Carta Social, actualizações feitas em 2000, 2002 e 2004 95 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 7.2 – Equipamentos da Acção Social no Concelho de Mação, por Freguesia Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) Ortiga Penhascoso Total 1 2 1 1 1 1 1 8 Capacidade 30 55 20 20 60 40 20 245 Utentes 23 34 12 14 42 20 25 170 2 1 1 1 1 1 7 13 3 20 10 20 5 71 44 Apoio Domiciliário Integrado (ADI) Capacidade 9 2 4 16 8 5 Centros de Dia Utentes 1 2 1 1 1 1 1 8 Capacidade 20 36 30 40 30 40 40 236 Utentes 12 14 13 20 30 7 21 117 Lares de Idosos 1 1 1 1 4 Capacidade 13 27 33 36 109 Utentes 13 27 30 41 111 Creche Capacidade Utentes Centro Actividades Tempos Livres 1 1 35 35 32 32 1 1 1 3 Capacidade 20 25 20 65 Utentes 12 11 20 43 Comunidades Inserção (Toxicodep) Capacidade Utentes Centro de Acolhimento Temporário de Emergência de Idosos Total Equipamentos por Freguesia 2 2 32 32 32 32 3 2 8 4 4 6 3 3 33 Fonte: Carta Social, actualizações feitas em 2000, 2002 e 2004 Com efeito, analisando a taxa de colocação dos equipamentos de acção social, constata-se que, com excepção dos lares e da generalidade dos equipamentos localizados na Freguesia de Mação e de Penhascoso, a taxa de ocupação é muito moderada, visto existir uma série de equipamentos cuja capacidade é bastante superior ao número de utentes que abarca – esta situação destaca-se, sobretudo, na Freguesia da Ortiga. Quadro 7.3 – Taxa de Ocupação dos Equipamentos da Acção Social no Concelho de Mação, por Freguesia Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Serviço de Apoio Domiciliário 76,7 Apoio Domiciliário Integrado (ADI) Centros de Dia 60,0 Lares de Idosos Comunidades Inserção (Toxicodep) 60,0 Penhascoso Total 61,8 60,0 70,0 70,0 50,0 125,0 66,1 69,2 66,7 20,0 160,0 40,0 100,0 62,0 38,9 43,3 50,0 100,0 17,5 52,5 100,0 100,0 90,9 113,9 101,8 91,4 91,4 Creche Centro Actividades Tempos Livres Ortiga 44,0 49,6 100,0 66,1 100,0 100,0 Fonte: Carta Social, actualizações feitas em 2000, 2002 e 2004 Entre 1995 e 2000 a variação dos equipamentos de acção social no Concelho de Mação apresenta sempre valores positivos, independentemente da natureza dos mesmos. Ainda assim, foi sobretudo nos equipamentos de SAD que o aumento do número de 96 Diagnóstico Social do Concelho de Mação estabelecimentos, da sua capacidade e do número de utentes foi mais significativo, como demonstra o quadro seguinte. Quadro 7.4 – Equipamentos e Valências da Acção Social no Concelho de Mação (Var. 1995-2000) 1995 Apoio Domiciliário (SAD/ADI) Estabelecimentos 1996 1997 1998 2000 2004 Variação 1995 2004 1 5 5 13 15 14 Capacidade 20 106 98 234 316 296 Utentes 20 106 97 149 206 186 Centros de Dia Estabelecimentos Capacidade Utentes Lares de Idosos Estabelecimentos 3 5 6 6 7 8 5 120 165 200 220 240 236 116 76 88 121 127 114 117 41 2 2 2 3 4 4 2 Capacidade 64 64 64 79 106 109 45 Utentes 63 60 64 79 106 111 48 Outros Estabelecimentos 1 1 6 5 Capacidade 40 25 132 92 Utentes 41 25 107 66 Fonte: INE, Anuários estatísticos 1997 a 2001; e Carta Social, actualização em 2004 Nos quadros que se podem visualizar em baixo é possível analisar os Recursos Técnicos e Humanos das IPSS´s do Concelho. É perceptível um handicap ao nível do acesso às novas tecnologias (expresso na coluna Acesso à Internet), uma vez que apenas 2 IPSS´S referiram ter acesso à Internet. Quadro 7.5 - Recursos Técnicos das IPSS´s do Concelho Entidades Existência Telefone ST.ª Casa da Misericórdia de Sim Cardigos Centro de Solidariedade Social – Sim Nossa Senhora das Dores (Ortiga) Associação Centro de Dia, Apoio e Acolhimento à 3ª Idade Sim (Vales) Centro de Dia – Casa de Idosos Sim (S.José da Matas) Centro de Dia Nossa Senhora do Sim Pranto (Penhascoso) Santa Casa da Misericórdia de Sim Mação Centro de Protecção à 3ª Idade da Freguesia de S. Silvestre da Sim Aboboreira Fonte: Contacto Telefónico efectuado com as IPSS Existência de Fax Existência Computador Acesso à Internet Não Sim Sim Sim Não Funciona Não Sim Sim Sim Sim Sim Não N.R. N.R. Não Sim Sim Não Não Sim Não 97 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 7.6 - Recursos Humanos das IPSS´s do Concelho Entidades Existência de Directora Técnica ou técnicos superiores da área das ciências sociais ST.ª Casa da Misericórdia de Não Cardigos Centro de Solidariedade Social – Nossa Senhora das Dores Assistente Social (tempo parcial) (Ortiga) Associação Centro de Dia, Apoio e Acolhimento à 3ª Directora Técnica- Assistente Idade Social (Vales) Centro de Dia – Casa de Assistente Social Idosos (S.José da Matas) Centro de Dia Nossa Senhora Directora Técnica -Socióloga do Pranto (Penhascoso) Santa Casa da Misericórdia de Directora Técnica Assistente Mação Social Centro de Protecção à 3ª Idade da Freguesia de S. Directora Técnica - Psicóloga Silvestre da Aboboreira Fonte: Contacto Telefónico efectuado com às IPSS Formação Contínua dos Funcionários Não Fizeram formação só inicialmente N.R. Não Não Sim Sim Nota: Não foi possível até à data de finalização do Diagnóstico recolher dados sobre o Centro de Dia S.João Baptista do Carvoeiro 2.2. ACTUAÇÕES NO ÂMBITO CONCELHIO 7.2.1. Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Santarém Serviço Local de Mação Os Centros Distritais de Solidariedade e Segurança Social do Instituto de Solidariedade e Segurança Social, são os serviços responsáveis, ao nível de cada um dos Distritos, pela execução das medidas necessárias ao desenvolvimento, concretização e gestão das prestações do Sistema de Solidariedade e Segurança Social (http://www.seg-social.pt). Os Serviços Locais funcionam ao nível concelhio e encontram-se dependentes dos CDSSS, obedecendo às directrizes que estes emanam. Apesar da existência de um serviço da Segurança Social no Concelho, em termos de acção Social, Mação integra a área de abrangência do serviço de Abrantes, juntamente com os concelhos de Constância e Sardoal. O apoio prestado ao concelho por este serviço, é feito por áreas de intervenção. Actualmente o atendimento de acção social, ocorre uma vez por semana, sendo assegurado por uma técnica de Serviço Social, em espaço cedido para o efeito pela Santa Casa da Misericórdia de Mação, atendendo que o actual espaço do serviço local não reúne condições para situações de atendimento. No entanto esta situação está em vias de ser alterada na medida em que se encontra em fase de finalização a Construção das novas instalações do Serviço Local. Um investimento 98 Diagnóstico Social do Concelho de Mação que permitirá centralizar os Serviços de Acção Social da responsabilidade do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Santarém (CDSSSS) num único equipamento, melhorando desta forma a qualidade do Serviço prestado. Assim sendo, o Serviço Informativo, o Atendimento da Acção Social e as Juntas Médicas, passarão a estar concentrados num único edifício, que contará ainda com uma sala de reuniões. Paralelamente ao atendimento efectuado pela técnica de acção social, existem outros técnicos adstritos ao concelho, dando apoio nas áreas das equipas em que estão inseridas, nomeadamente: Rendimento Social de Inserção (RSI); Equipa de Apoio às Instituições; Equipa Adopção e Famílias de Acolhimento; Equipa de Apoio aos Tribunais e Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. O serviço participa ainda a nível local em parcerias que estão instituídas, como por exemplo a Rede Social, Cuidados Integrados e o Conselho Municipal de Educação. Programas /Medidas PCAAC – Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados No ano de 2004 foram sinalizadas para integrar o Programa Alimentar 84 famílias num total de 195 indivíduos. No quadro abaixo pode-se visualizar a distribuição deste apoio por freguesia. Freguesias Aboboreira Nº De Famílias Total de Indivíduos 3 4 Amêndoa 10 24 Cardigos 15 33 Carvoeiro 6 15 Envendos 17 41 Mação 14 40 Ortiga 8 20 Penhascoso 11 18 Total 84 195 99 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Ajudas Técnicas No ano 2003 foram apoiados 14 indivíduos com Ajudas Técnicas. Freguesias Aboboreira Fraldas Óculos Próteses Cadeira de Dentárias Rodas 2 2 Amêndoa Cardigos 1 1 2 Carvoeiro Envendos Total 8 Mação 8 1 1 2 Ortiga - Penhascoso - Total 11 1 1 1 14 Subsídios Eventuais Freguesias Sub. Eventuais Sub. Eventuais Sub. Toxicodependência Eventuais HIV Aboboreira 3 - - Amêndoa 3 - 1 Cardigos 1 - - Carvoeiro 2 - - Envendos 3 1 - Mação 7 - - Ortiga 2 - - Penhascoso 2 - - Total 23 1 1 100 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Rendimento Mínimo Garantido A medida de política que, actualmente, está em curso corresponde ao Rendimento Social de Inserção, no entanto, os dados que aqui se apresentam, referentes a 2002, ainda se reportam ao antigo RMG, o qual existia como uma medida de política social activa e como factor de coesão social, instituído pela Lei n.º 19-A / 96, de 29 de Junho e revisto no Decreto-Lei n.º 84/2000, de 11 de Maio. Com efeito, o RMG tinha como principal objectivo assegurar a inserção de pessoas e famílias excluídas ou em risco de exclusão, proporcionando condições mínimas de existência a todos os residentes. Neste âmbito, eram aplicadas duas acções de protecção social: a primeira correspondente à atribuição de uma prestação pecuniária do regime não contributivo de segurança social, cuja responsabilidade pertencia ao Centro Regional de Segurança Social da área de residência do requerente; a segunda medida dizia respeito a um programa de inserção, no sentido de, progressivamente, inserir sócio- profissionalmente os indivíduos, contribuindo para a sua autonomização, bem como para a das suas famílias. A aprovação, o acompanhamento e a avaliação deste programa estavam sob tutela do Núcleo Executivo das Comissões Locais de Acompanhamento (CLA’s). Estas Comissões, em princípio de base municipal: «integram elementos em representação dos organismos públicos responsáveis, na respectiva área territorial, pelos sectores da segurança social, do emprego e formação profissional, da educação e da saúde» (Lei n.º 19A/96 de 29 de Junho, cap. V – art.º 16.º). Relativamente ao perfil dos beneficiários do RMG do Concelho de Mação, verifica-se que, de um modo geral, a percentagem de mulheres (52,5%) a beneficiar de RMG no Concelho de Mação é ligeiramente superior à dos homens (47,5%). Uma grande parte dos beneficiários é constituída pelos indivíduos com 55 ou mais anos (com 44,6%) e pelos que têm menos de 24 anos (com 32,7%). Por outro lado, são os indivíduos isolados aqueles cuja percentagem no total dos beneficiários é menor (17,8%), sendo que as restantes tipologias de família apresentam percentagens relativamente semelhantes. 101 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 7.7 - Perfil beneficiários do RMG no Concelho de Mação (2002) 2002 % 101 100,0 Beneficiários (total) Sexo Homens 48 47,5 Mulheres 53 52,5 Menos de 24 anos 33 32,7 Entre 25 e 39 anos 14 13,9 Entre 40 e 54 anos 9 8,9 45 44,6 Nuclear sem filhos 29 28,7 Nuclear com filhos 28 27,7 Monoparental 26 25,7 Isolados 18 17,8 Idade Com 55 e mais anos Tipo Família Fonte: INE, Anuário estatístico 2002 Através do quadro seguinte pode perceber-se que a maior parte (sensivelmente 90%) das prestações de RMG atribuídas no Concelho de Mação não ultrapassa os 200€. Apenas 9,9% do total dessas prestações tem um valor superior, oscilando entre os 300 e os 400€. Essas prestações de RMG duram entre 37 a 60 meses em 46,5% dos casos, entre 13 a 36 meses em 27,7% das situações. Quadro 7.8 - Valor e duração das prestações de RMG no Concelho de Mação (2002) 2002 % Valor da Prestação 0 e 50 € 37 36,6 50 e 100 € 20 19,8 100 e 200 € 34 33,7 200 e 300 € 0 0,0 300 e 400 € 10 9,9 0 0,0 0-12 meses 26 25,7 13-36 meses 28 27,7 37-60 meses 47 46,5 0 0,0 400 e mais euros Duração da Prestação Mais de 60 meses Fonte: INE, Anuário estatístico 2002 Incêndios Na sequência dos incêndios que têm deflagrado no Concelho de Mação, vários agregados familiares têm sido afectados, bem como bens materiais (habitações, terras, máquinas), animais e a própria estabilidade ao nível do emprego. Neste âmbito e tendo em conta o incêndio ocorrido em 2003, existem dados sobre os danos que o mesmo causou, resultado de um levantamento levado a cabo pelo Centro Regional da Segurança Social. 102 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 7.9 – Tipologia dos Agregados, por Freguesia Freguesias Famílias Indivíduos Aboboreira 145 304 Amêndoa 211 395 Cardigos 147 261 Carvoeiro 79 149 Envendos 324 558 Mação 231 411 Ortiga 1 2 Penhascoso 13 28 Total 1151 2108 Fonte: Centro Regional de Segurança Social Agregados Familiares Tipologia dos Agregados Nuclear s/ Nuclear c/ Isolado Monoparental filhos filhos 30 5 79 24 82 11 81 31 54 2 70 12 27 0 40 6 120 13 167 21 81 4 126 12 0 0 1 0 2 1 7 2 396 36 571 108 Alargada 7 6 9 6 3 8 0 1 40 Neste contexto, foram afectadas 1.151 famílias, sobretudo as nucleares sem filhos e, embora com valores mais distantes, mas ainda assim significativos, os isolados, correspondendo a 2.108 indivíduos, dos quais 1.299 (61.6%) têm 65 ou mais anos e, como tal, pensionistas (979 indivíduos). Por freguesia, constata-se que as menos afectadas foram as situadas a Sudoeste do concelho: Penhascoso e Ortiga. Tendo em conta que as restantes freguesias sofreram danos significativos, é de destacar, porém, as Freguesias de Envendos, de Mação e da Amêndoa, por apresentarem um número bastante elevado de famílias “vitimizadas” pelos incêndios. No que toca aos danos e perdas causados por esse incêndio, pode dizer-se que as maiores ocorrências atingiram directamente a “terra”, quer através da deflagração de produções florestais, quer das agrícolas. Relativamente a outros danos sofridos, sobressaem ainda os prejuízos com a habitação, na medida em que 101 famílias afectadas com este problema (de ver a sua casa a ser destruída) é bastante significativo. Quadro 7.10 – N.º de Ocorrências / Danos e Perdas Tipo de Dano / Perda (N.º de Ocorrências) Emprego / Máq. Prod. Prod. 2 Animais Habitação 1 3 Inst. Trab. Agrícolas Floresta Agrícolas Aboboreira 141 85 2 0 1 1 Amêndoa 188 148 15 9 10 27 Cardigos 144 112 4 0 3 2 Carvoeiro 77 41 0 0 0 1 Envendos 290 268 13 6 8 13 Mação 205 176 10 7 7 6 Ortiga 1 0 0 0 0 0 Penhascoso 13 4 0 0 0 0 Total 1059 834 44 22 29 50 Fonte: Centro Regional de Segurança Social Freguesia Outros 19 65 17 12 42 52 0 1 208 4 Total N.º % 249 11,1 462 20,6 282 12,6 131 5,8 640 28,5 463 20,6 1 0,04 18 0,8 2246 100 1 Prod. Agrícolas, Pastos, Horta, Pomar Habitação, Recheio, Roupas, Habitação Anexa Máquinas Agrícolas, Anexos, Barracão, Arrecadação 4 Outros, Sem informação, Zona Envolvente, Doente Crónico, De Férias 2 3 103 Diagnóstico Social do Concelho de Mação No sentido de colmatar ou de atenuar este cenário de elevada gravidade, foram atribuídos subsídios de sobrevivência pela segurança social a 945 famílias (1.647 indivíduos), na ordem dos 2.792.500 euros. Quadro 7.11 – Subsídios (Totais Atribuídos) N.º de Subsídio N.º de Agregados Sobrevivência pessoas abrangidos (euros) Aboboreira 113 220 78.452,00 Amêndoa 173 289 104.127,20 Cardigos 115 194 67.754,00 Carvoeiro 64 116 39.225,60 Envendos 277 488 168.315,20 Mação 192 321 113.755,40 Ortiga 1 0 0,00 Penhascoso 10 19 6.775,40 Total 945 1647 578.404,80 Fonte: Centro Regional de Segurança Social Freguesia Subsídio Complementar (euros) 256.351,68 387.402,24 287.117,76 166.650,24 649.361,28 437.579,52 0,00 28.802,88 2.213.265,60 Subsídio Eventual Emergência (euros) 0,00 748,86 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 748,86 Total (em euros) 334.803,68 492.278,20 354.871,76 205.875,84 817.676,48 551.334,92 0,00 35.578,28 2.792.419,26 7.2.2.Câmara Municipal de Mação – Gabinete de Acção Social (GAS) O Gabinete de Acção Social é um serviço da Câmara Municipal de Mação, cujo principal objectivo consiste em desenvolver um trabalho de intervenção social nas mais variadas áreas. Sendo um serviço recente (criado desde 2001), tem vindo ao longo da sua existência a procurar implementar novas respostas sociais. Actualmente, o GAS desenvolve as seguintes Actividades /Programas/ Projectos: ¾ Operacionalização do Programa SOLARH (Programa de Solidariedade e Apoio à Recuperação de Habitação) do Instituto Nacional de Habitação – Ver capítulo da Habitação; ¾ Realização de Atendimentos Sociais nas Juntas de Freguesias do concelho, numa lógica de proximidade com os utentes; O Gabinete de Acção Social tem realizado atendimentos aos munícipes em 6 Juntas de Freguesia (Amêndoa, Cardigos, Carvoeiro, Envendos, Ortiga e Penhascoso). Na freguesia de Mação os atendimentos são efectuados na Autarquia. Os Atendimentos realizam-se mensalmente em cada Junta de Freguesia e visam constituir uma resposta local ao nível do acompanhamento psicossocial (segundo os dados do Relatório do GAS de 2003 estamos perante uma população envelhecida, com pouca capacidade de mobilização e que sofre de isolamento social). Casuisticamente é efectuado um trabalho de avaliação das situações, com a respectiva identificação de necessidades (através de Visitas Domiciliárias), procedendo-se posteriormente à articulação com os parceiros sociais ou ao encaminhamento dos casos com vista à resolução dos problemas identificados. ¾ Gestão e Dinamização do Programa de Implementação da Rede Social; 104 Diagnóstico Social do Concelho de Mação ¾ Participação na Gestão de Processos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Mação (Comissão Restrita); ¾ Participação na programação, elaboração e avaliação das actividades de Prevenção da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Mação (Comissão Alargada); ¾ Implementação do Programa “Outros Caminhos” (Programa direccionado para as vítimas de violência doméstica); A Violência Doméstica constitui uma problemática muito complexa, uma vez que se relaciona com o espaço mais privado e íntimo das famílias – o lar, onde só os próprios membros têm acesso directo e que, por isso mesmo, é muitas vezes perpetuada enquanto situação que só diz respeito a esses elementos. A Violência Doméstica passou a ser considerada pela legislação portuguesa crime público em Maio de 2000. Define-se Violência Doméstica como o tipo de violência que ocorre entre os elementos de uma mesma família ou que partilham o mesmo espaço de habitação. Uma vez que esta problemática se encontra presente no Concelho, o Gabinete de Acção Social desenvolveu o programa “Outros Caminhos” (Outubro) que envolve o atendimento a vítimas de Violência Doméstica, procurando contribuir para a promoção do bem-estar global da pessoa atendendo à sua situação específica e a todas as implicações do seu contexto de vida. Pretende-se promover um espaço experenciado como seguro, favorecendo condições para um (novo) projecto de vida. Este programa tem como objectivos principais: - informar acerca dos direitos que assistem às vítimas, realçando a infracção cometida contra os seus direitos enquanto indivíduo; - promover apoio e suporte emocional; - incrementar e favorecer competências e estratégias para lidar com a situação e diferentes perspectivas no modo de actuação; - encaminhar para outras respostas a nível de saúde, social… O GAS pretende seguir as orientações gerais e medidas equacionadas no II Plano Nacional Contra a Violência Doméstica (Resolução Aprovada em Conselho de Ministros, a 13 de Maio de 2003). Os casos têm sido sinalizados pela CPCJ, pelas Instituições locais e Juntas de Freguesia. No entanto qualquer munícipe se pode dirigir a este Serviço. ¾ Elaboração de candidaturas a vários projectos de intervenção social e desenvolvimento comunitário; A mais recente candidatura efectuada pelo GAS foi ao Projecto de Luta Contra a Pobreza (em Outubro de 2003). Após os incêndios que assolaram o Concelho de Mação, durante os meses de Julho e Agosto, uma vasta extensão de floresta, bem como de hortas, explorações agrícolas e animais arderam. Dezenas de habitações sofreram também danos. Milhares de proprietários e centenas de agregados familiares foram atingidos por este flagelo e experenciaram as consequências nefastas do sinistro. Apresentada a oportunidade pelo Centro Distrital de Segurança e Solidariedade Social de Santarém de formular uma candidatura ao Projecto de Luta contra a Pobreza, o Gabinete de Acção Social elaborou o Projecto “Mação verde Esperança”. 105 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Esta candidatura surge como uma tentativa de resposta às dificuldades e constrangimentos apresentados pela população, que assistiu a um agravamento da sua situação, já previamente muito complexa. É objectivo desta iniciativa corresponder a uma mais valia na resolução ou minimização dos danos e consequentes situações mais prementes, e assegurar o acesso e igualdade de oportunidades a uma maior qualidade de vida. Encontra-se, actualmente, em fase de elaboração a candidatura a um Centro de Acolhimento Temporário. ¾ Orientação de estágios académicos de Serviço Social do Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa; ¾ Actuação em situações de emergência social (ex. participação no Processo de Apoio às Vítimas dos Incêndios que deflagraram no Concelho no Verão de 2003); É objectivo do GAS actuar nas situações de emergência social, actuando em articulação com as Juntas de Freguesia e Instituições Locais. O mais recente exemplo prende-se com os incêndios que deflagraram no concelho de Mação no Verão de 2003, e que foram considerados Calamidade Pública. Aquando da ocorrência dos referidos incêndios, o GAS numa fase inicial juntamente com as Juntas de Freguesia deslocou-se ao terreno a fim de identificar e apoiar as situações que exigiam uma resposta urgente. Este apoio traduziu-se fundamentalmente em suporte emocional, ajuda alimentar e distribuição de roupas pessoais e de casa (estes últimos recebidos como donativos). Simultaneamente foi criado um espaço para a Recolha de Donativos, espaço este que passou a ser gerido pelo GAS (entrada de donativos e entrega dos mesmos, às vítimas dos incêndios). O GAS criou ainda um Serviço de Informação e Esclarecimento durante o período imediatamente a seguir aos Incêndios. Este Serviço funcionou de Outubro a Dezembro. 7.2.3. Projecto de Luta Contra a Pobreza O Projecto de Luta contra a Pobreza – Mação Verde Esperança –, em desenvolvimento no Concelho de Mação desde Novembro de 2003, é promovido pela Câmara Municipal de Mação e gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Mação. Este projecto visa, até Dezembro de 2005, contribuir para: minorar o impacto social, económico e psicológico dos incêndios nas populações afectadas, evitar o êxodo rural resultante da diminuição das condições de vida, melhorar as condições e o nível de qualidade de vida das populações lesadas e prevenir e combater os fenómenos de pobreza e exclusão social que poderiam ser agravados. O Quadro seguinte caracteriza, de forma sistematizada, as principais linhas de orientação do Mação Verde Esperança: 106 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 7.12 – Principais Características do Projecto Mação Verde Esperança População Directa Principais Problemáticas População Indirecta Contexto de Implementação Objectivos Específicos Acções a Desenvolver Avaliação Parcerias Famílias. défice de competências parentais, consumo de álcool, baixa escolaridade; pobreza. - Técnicos (Profissionais de Saúde, Técnicos de Serviço Social, Psicólogos, professores); - Comunidade (Grupo de Pares; Instituições Locais, Parceiros). Comunidade, domicilio. - Promover a autonomia das famílias na resolução de problemas para incrementar o exercício de uma cidadania activa; - promover o desenvolvimento psicossocial das famílias, do forma a aumentar o nível de qualidade de vida e colmatar a exclusão social; - Melhorar as condições de habitabilidade, de forma a reduzir o risco de outros danos que possam ocorrer; - Criar uma estrutura de suporte que realize um diagnóstico das famílias afectadas, do modo a auxiliar na construção de um projecto de vida; - Dinamizar e rentabilizar os recursos e respostas sociais existentes, de modo a promover respostas de carácter integrado e integrador. Recolha de Dados: - Levantamento de necessidades e problemáticas de cada agregado familiar, - Baseada na Listagem dos Beneficiários apoiados no âmbito da Resolução do Conselho de Ministros n.º 106 – B/2003 de 4 de Agosto, - Processo Casuístico e Efectivo; Elaboração do Diagnóstico Familiar: - Considerada a especificidade de cada Agregado Familiar, - Definição das famílias que necessitam de intervenção no âmbito do projecto; Construção do Projecto de Vida Familiar: - Apresentar respostas em áreas como a saúde, a educação, a habitação e o emprego, - Família como parte activa e participativa na definição do seu Projecto de Vida; Acompanhamento dos Projectos de Vida Familiar: - Metodologia de Informação, Encaminhamento e Articulação com os diferentes Parceiros. - Regular e periódica; - Em articulação com parceiros; - Ajustamento e Adaptação contínua. - Participação activa; - Modo de actuação e intervenção estruturado, integrado e multidisciplinar; - Articulação e Cooperação; - Conselho de Parceiros. É importante mencionar que presentemente o projecto se encontra na fase de Recolha de Dados e Elaboração dos Diagnósticos Familiares. Encontra-se também em fase de delineação Um Projecto de Educação Social, cujo principal objectivo será o de trabalhar e capacitar as famílias em várias vertentes (competências parentais; gestão doméstica; hábitos de higiene etc.) 7.2.4. Comissão de Protecção de Crianças e Jovens As Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, declaradas e instaladas por portaria conjunta do Ministro da Justiça e do Ministro de Trabalho e da Solidariedade, são Instituições Oficiais não Judiciárias com autonomia funcional, que exercem as suas atribuições em conformidade com a lei e deliberam com imparcialidade e independência. Têm como principal objectivo “a promoção dos direitos e a protecção das crianças e dos jovens em perigo, por forma a garantir o seu bem-estar e desenvolvimento integral” (Lei de 107 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Protecção de Crianças e Jovens em Perigo n.º 147/99 de 1 de Setembro). O quadro seguinte enquadra a CPCJ de Mação: Quadro 7.13 – Enquadramento da CPCJ do Concelho de Mação Concelho de Mação Os membros da comissão de protecção são designados por um período de dois anos renovável. No Duração caso da CPCJ de Mação, esta encontra-se no 2º mandato - Abandono; - Exposição a Modelos de Comportamento - Negligência; considerados como desviantes; - Abandono Escolar; - Práticas qualificadas como crime por criança ou - Maus Tratos Físicos; jovem com idade inferior a 12 anos; - Maus Tratos Psicológicos/ Abuso Emocional; - Uso de estupefacientes; Áreas de Intervenção - Abuso Sexual; - Ingestão de bebidas alcoólicas; - Trabalho Infantil; - Outras condutas desviantes, - Exercício Abusivo de autoridade; - Problemas de saúde; - Mendicidade; - Outras situações. - O Presidente da CPCJ (Presidente da Câmara Municipal de Mação); - 2 elementos da Câmara Municipal de Mação (do Serviço de Psicologia e Orientação da Câmara Municipal de Mação – SEPSICO e Gabinete de Acção Social – GAS); - 4 elementos designados pela Assembleia Municipal; - 1 elemento dos Bombeiros Voluntários de Mação; - 1 elemento da Escola Fixa de Trânsito (C.M.M); - 1 elemento da Guarda Nacional Republicana de Mação; - 1 elemento do Instituto Português da Juventude (de Santarém); - 1 elemento representante de todas as Juntas de Freguesia (Junta de Freguesia do Penhascoso); Composição - 1 Jurista; - 1 elemento representante de todas as Associações Culturais, Recreativas e Desportivas do Concelho (Grupo Cultural “Os Maçaenses”): - 1 representante da Associação de Pais; - 1 elemento representante do Centro de Saúde; - 1 elemento da Santa Casa da Misericórdia de Mação; - 1 elemento do Agrupamento de Escolas “Verde Horizonte”; - 1 elemento do Projecto de Luta Contra a Pobreza; - 1 elemento do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Santarém. - Desenvolver Acções de Promoção dos Direitos das Crianças/Jovens; - Detectar situações que afectem os direitos e interesses das Crianças/Jovens; - Levantamento de carências/ Identificação dos recursos; - Estudo e elaboração de projectos inovadores – prevenção primária; Competências - Constituição e funcionamento de rede de acolhimento de Crianças /Jovens; - Dinamizar Programas; - Analisar Informação Semestral; - Aprovar Relatório Anual. Modo de Em plenário de 2 em 2 meses e em grupos de trabalho aproximadamente com duas reuniões por mês; Funcionamento Existem dois grupos de Trabalho: O de Informação e Divulgação e o de Prevenção. - Presidente da CPCJ; - 2 elementos da Câmara Municipal de Mação (Gabinete de Acção Social e Serviço de Psicologia e Orientação); - 1 elemento do Centro de Saúde; - 1 elemento do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte; Composição - 1 elemento da Associação de Pais; - 1 elemento do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social – Serviço Local de Abrantes; - 1 elemento da Santa Casa da Misericórdia de Mação; - 1 elemento da Projecto de Luta Contra a Pobreza. - Atender e informar as pessoas que se dirigem à Comissão de Protecção; - Apreciar liminarmente as situações de que a Comissão de Protecção tenha conhecimento, decidindo o arquivamento imediato do caso quando se verifique manifesta desnecessidade de intervenção ou a abertura de processo de promoção de direitos e de protecção; - Proceder à instrução dos processos; Competências - Solicitar a participação dos membros da Comissão alargada nos processos referidos na alínea anterior, sempre que se mostre necessário; - Solicitar parecer e colaboração de técnicos ou de outras pessoas e entidades públicas ou privadas; - Decidir a aplicação e acompanhar e rever as medidas de promoção e protecção; - Informar semestralmente a Comissão Alargada, sem identificação das pessoas envolvidas, sobre os processos iniciados e o andamento dos processos pendentes. Comissão Restrita Modalidade de Funcionamento Comissão Alargada Âmbito de actuação 108 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Funciona em permanência. O plenário da Comissão Restrita de Mação reúne com uma periodicidade variável entre uma vez por semana e quinzenalmente (consoante o número de processos). Nas Modo de reuniões são distribuídas pelos parceiros as diligências a efectuar nos processos de promoção dos Funcionamento direitos e protecção das crianças e jovens em perigo. A comissão restrita funciona sempre que se verifique situação qualificada de emergência que o justifique. Relativamente à Comissão Alargada, o quadro seguinte traduz os Planos de Acção, para 2004, do grupo de trabalho de Prevenção desta mesma Comissão: Quadro 7.14 – Grupo de Trabalho de Prevenção Actividades Sensibilização dos Professores/ Educadores para as questões relativas à Promoção e Protecção das Crianças e Jovens: - Implementação do uso da ficha sinalizadora (cujo objectivo é uniformizar a recolha de Informação) Programação de Actividades para as datas comemorativas relacionadas com a criança e o jovem e com os objectivos da Prevenção: - Dia Mundial da Criança; - Dia Mundial Contra a Droga; - Dia Europeu da Família/ Pais /Escola; - Natal Criação de um Clube de Pais População a Abranger Todos os professores Agrupamento Escolar do Crianças e Jovens de todo o Concelho CPCJ Grupo de Trabalho de Divulgação; Biblioteca Municipal; Projecto Abandonar a Escola- que Futuro? (Ass. Crescer na Maior) Pais e Encarregados de Educação das Crianças e Jovens a frequentar a Creche, Jardim de Infância e 1º , 2º e 3ºCiclos da Vila de Mação CPCJ (Associação de Pais e Agrupamento de Escolas Verde Horizonte: GAS); SEPSICO (1 psicólogo) Realização de um Fim-de-Semana Intergeracional: - Realização de uma conferência sobre competências parentais; Realização de Jogos Tradicionais Intergeracionais na freguesia de Mação; - Realização de um Arraial Temático -Famílias da freguesia de Mação - Realização de 2 Serões na Aldeia (Sessões Comunitárias Nocturnas sobre assuntos específicos): -População da aldeia do Pereiro e povoações vizinhas - Serão na Aldeia sobre Alcoolismo; - Serão na Aldeia sobre Alimentação Saudável; -Organização do Seminário Parceiros a Envolver CPCJ Grupo de Trabalho de Divulgação Ministério Público Profissionais da área da educação, saúde, justiça, reinserção social etc. do Concelho e dos Concelhos vizinhos; Membros das outras CPCJ´s a funcionarem no País. Responsáveis: Estagiárias de Serviço Social do GAS CPCJ Biblioteca Municipal; Associações Desportivas e Culturais de Mação Responsáveis: Estagiárias de Serviço Social do GAS CPCJ (Centro de Saúde – médico/ enfermeiro; GAS): Alcoólicos Anónimos; Associação Desportiva e Cultural do Pereiro; Associação Cultural e Desportiva da Queixoperra: 1 Nutricionista Responsáveis: Estagiárias de Serviço Social do GAS CPCJ Grupo de Trabalho da Divulgação; Câmara Municipal de Mação No que concerne ao Grupo de Trabalho de Informação e Divulgação, também da Comissão Alargada, verifica-se que este tem desenvolvido e pretende desenvolver, até ao final do ano, actividades tais como: 109 Diagnóstico Social do Concelho de Mação - Artigos de informação e divulgação para diversos Jornais e Boletins Municipais; - Informação Escolar – Distribuição do formulário; - Divulgações na rádio; - Distribuição do Folheto de Divulgação da intervenção da CPCJ; - Elaboração do 2º Boletim Informativo; - Elaboração de Brochuras Divulgadoras das actividades da CPCJ (efectuadas pelo Grupo de Trabalho da prevenção); - Participação na Feira Mostra. Em relação à intervenção da comissão restrita desde 2002, verifica-se que, segundo dados retirados da Documentação da Intervenção da Comissão Restrita e Relatórios de Avaliação: ANO 2002 ¾ Foram instaurados 7 Processos de Promoção e Protecção. Foi arquivado 1. Na tabela que em seguida se apresenta pode visualizar-se o motivo que originou as entradas dos casos. Problemáticas que Induziram a Instrução dos Processos em 2002 Problemáticas 1 Outros 4 Negligência parental 2 Absentismo Escolar associado a comportamentos desviantes 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 nº de casos ¾ ANO 2003 Em 2003 foram instaurados 16 processos e reaberto 1. Transitaram do ano anterior 6, tendo sido acompanhados no total 23 processos. Na tabela seguinte, é possível observar as problemáticas/motivos que deram origem à entrada dos processos. É importante referir que é comum um caso dar entrada por mais do que uma problemática. 110 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Problemáticas que induziram a Instrução dos Processos em 2003 3 Abuso Sexual 1 Problemáticas Maus Tratos Físicos 5 Negligência Parental 3 Abandono Escolar 2 Trabalho Infantil 5 Absentismo Escolar Maus Tratos Psicológicos 1 Problemas de Saúde 1 0 1 2 3 4 5 6 Nº de casos ¾ ANO 2004 Em 2004 (até Junho) foram instaurados 11 processos e transitaram dos anos anteriores 23 casos, o que contabiliza um total de 34 casos acompanhados. Deste total de casos acompanhados, foram arquivados 3 de 2004, 10 de 2003 e 2 de 2002, perfazendo um total de 15 processos arquivados. Relativamente às problemáticas que originaram a entrada dos casos, constata-se o seguinte: Problemáticas que Induziram à Instauração dos Processos em 2004 1 Maus Tratos Físicos 2 Problemáticas Maus tratos psicológicos 1 Consumo abusivo alcool 1 Absentismo Escolar 2 Toxic. / Exposição a modelos de comportamento desviantes 1 Problemas de saúde 5 Negligência 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 nº de casos 111 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Fazendo uma análise dos 3 anos é possível constatar que a maior causa da entrada de casos na CPCJ corresponde à negligência parental. Negligência esta invariavelmente associada a um baixo índice sócio-cultural e a um desconhecimento dos direitos e necessidades dos menores. 112 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 8. SAÚDE 8.1. INDICADORES GERAIS DE SAÚDE De um modo geral, no que diz respeito à caracterização de alguns indicadores globais de Saúde no Concelho de Mação, pode dizer-se que os mesmos têm sofrido várias oscilações nos últimos anos. Com efeito, entre 1996 e 2001, a Taxa de Natalidade tem aumentado e diminuído consecutivamente: aumentou de 1997 para 1999, decrescendo em seguida 2.3% para 2000 e registando-se novamente um aumento de 1.9% entre 2000 e 2001. No que diz respeito à Taxa de Fecundidade, constata-se que a sua variação acompanha a da taxa de Natalidade – o acréscimo e o decréscimo das duas taxas variaram anualmente do mesmo modo. Com a Taxa de Mortalidade também se verificam oscilações, sendo no entanto de salientar o facto de ter ocorrido um aumento mais significativo desta taxa entre 2000 e 2001 – 4.8%. Quanto à Taxa Média de Mortalidade Infantil, esta decresceu significativamente de 1996 para 2001 (de 16.3% para 3.8%, respectivamente). No que respeita aos médicos por 1000 habitantes residentes no Concelho de Mação, verifica-se que a variação ao longo do período considerado foi pouco expressiva, mantendose entre 1996 e 2001 nos 0.4 médicos. Relativamente a outro pessoal de saúde, só existem dados para 2001 e referentes ao número de enfermeiros por 1000 habitantes, os quais se traduzem em 1.2 enfermeiros por 1000 habitantes. Existe ainda a indicação para 1997 do número de farmacêuticos por 1000 habitantes, com um rácio de 0.3 profissionais por 1000 maçaenses. Por último, quanto às consultas por habitante, os valores inscritos no quadro, para 2001, indicam a existência de 4.5 consultas por residente. Quadro 8.1 - Indicadores de Saúde em Mação, em 2001 1996 Taxa de Natalidade Taxa de Mortalidade Taxa Média de Mortalidade Infantil Taxa Esperança de Vida Excedente de Vida Taxa de Fecundidade Médicos por 1000 hab Enfermeiros por 1000 hab Farmacêuticos por 1000 hab Consultas por habitante 1997 5,89 20,17 16,3 5,56 20,33 1998 6,6 19,7 1999 6,92 21,45 2000 4,65 19,63 2001 - - 3,8 3,8 3,8 -14,29 0,4 - -14,78 -13,1 0,4 0,3 - 36,1 0,3 - -14,53 37,62 -14,99 24,88 -17,9 34,5 0,3 - 0,4 - 1,2 4,5 6,5 24,4 Fonte: INE, Anuários Estatísticos, 1997-2002 113 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 8.1.2. População com algum tipo de deficiência Numa primeira análise pode mencionar-se que, tendo em conta a população residente em Mação, 8.8% da população possui algum tipo de deficiência. Desta percentagem, 53.8% são Homens e 46.25 são Mulheres. Por grupos etários, constata-se que uma grande fatia dos indivíduos que apresentam algum tipo de deficiência (69.3%) tem mais de 50 anos. Neste grupo 83 pessoas são homens e 77 são mulheres. Se a atenção da análise for no sentido da percentagem de população deficiente face ao total da população residente, constata-se que as percentagens mais elevadas inserem-se nas classes etárias já referenciadas, com maior incidência nos indivíduos com idade compreendida entre os 50 e os 59 anos. Considerando a população com deficiência por escalão etário e entre sexos, observa-se que, com excepção de três escalões etários, a percentagem de homens com deficiência é sempre superior à das mulheres. Os escalões de excepção referem-se aos dos 0 aos 9 anos (40% são homens e 61% mulheres), dos 80 aos 89 (42.5% são homens e 57.5% mulheres) e o escalão dos 90 e mais anos (25% homens e 75% mulheres). Quadro 8.2 - Deficientes por escalão etário em Mação, em 2001 Residentes Deficientes 555 15 0-9 anos % população 2,7 Hs 6 % 40,0 Ms 9 % 60,0 10-19 anos 699 29 4,1 15 51,7 14 48,3 20-29 anos 808 50 6,2 28 56,0 22 44,0 30-39 anos 883 57 6,5 36 63,2 21 36,8 40-49 anos 835 77 9,2 49 63,6 28 36,4 50-59 anos 861 111 12,9 68 61,3 43 38,7 60-69 anos 1425 136 9,5 72 52,9 64 47,1 70-79 anos 1516 160 10,6 83 51,9 77 48,1 80-89 anos 730 87 11,9 37 42,5 50 57,5 397 8442 20 742 5,0 8,8 5 399 25,0 53,8 15 343 75,0 46,2 De 90 e mais anos Total Fonte: INE, Censos 2001 Quanto à percentagem de população deficiente por tipo de deficiência diagnosticada, observa-se que a mais frequente é a visual (com 26.8%), seguindo-se a motora (24.8%), sendo a menos frequente a paralisia cerebral (2.3%). Quadro 8.3 - Deficientes por tipo de deficiência em Mação, em 2001 Total % Auditiva 116 15,6 Visual 199 26,8 Motora 184 24,8 Mental 76 10,2 Paralisia cerebral 17 2,3 Outra deficiência 150 20,2 Total 742 100,0 Fonte: INE, Censos 2001 114 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Em suma, as deficiências diagnosticadas vão surgindo com maior incidência consoante a idade dos residentes vai também aumentando, fruto do próprio envelhecimento natural dos indivíduos, que vão perdendo faculdades físicas, nomeadamente visuais, motoras e auditivas. 8.2. EQUIPAMENTOS DE SAÚDE No período compreendido entre 1998 e 2001, mantém-se a existência de apenas um Centro de Saúde no Concelho de Mação, localizado na sua freguesia sede. Existem, no entanto, 7 extensões do mesmo centro, distribuídas pelas restantes freguesias, com excepção da Aboboreira – a Freguesia de Cardigos tem duas extensões de saúde, uma na sede e outra em Vales. Embora sejam contabilizados 8 espaços referentes aos cuidados de saúde, só 7 das freguesias é que estão cobertas em termos de centros/extensões de saúde. Já no que diz respeito a farmácias, este cenário de maior cobertura inverte-se, uma vez que existem freguesias, como sejam Aboboreira, Amêndoa e Ortiga, que não dispõem de um espaço local onde os seus residentes possam deslocar-se para acederem a um bem, que se pode considerar de primeira necessidade. No mesmo sentido, o recurso a prestações de saúde de natureza privada só é possível na sede de concelho (e eventualmente fora do concelho). Quadro 8.4 - Equipamentos de Saúde por Freguesia Freguesia Localidade Aboboreira Amêndoa Cardigos Centro de Saúde Extensão C. Saúde Farmácia Posto de Medicamentos Clínica ------Amêndoa 1 Cardigos 1 Vales 1 Carvoeiro Carvoeiro 1 Envendos Envendos 1 Mação Mação 1 Ortiga 1 Penhascoso Penhascoso 1 1 1 1 2 Ortiga Total 1 7 3 1 3 3 3 Fonte: GEMA 8.2.1. Centro / Extensões de Saúde Analisando alguns indicadores relativos ao Centro de Saúde e respectivas extensões, verifica-se que este abrange todo o território do concelho e que em Julho de 2004 se encontravam inscritos 8.511 utentes. Entre 1998 e 2001, constata-se que foram efectuadas 115 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 37.250 consultas, tendo sido positiva a variação do pessoal ao serviço, com um aumento de 5.4%. Este aumento deve-se, sobretudo, ao crescimento do pessoal de enfermagem (acréscimo de 42.9% durante aquele período), uma vez que o número do pessoal médico ao serviço no Centro de Saúde de Mação sofreu uma diminuição de -14.3% durante o mesmo período. Quadro 8.5 - Indicadores relativos ao Centro de Saúde e extensões, em Mação (1998-2001) Centro de Saúde (sem internamento) Extensões dos C. Saúde 1998 1 6 1999 1 7 2000 1 7 2001 1 Var. 98-01 (%) 7 37250 Consultas Efectuadas 37 41 34 39 +5,4 Médico 7 6 6 6 -14,3 Enfermagem 7 9 6 10 +42,9 Pessoal ao serviço Fonte: INE, Anuários Estatísticos, 1997-2002 Ressalve-se no entanto que, segundo fontes locais, o pessoal de enfermagem tem-se distribuído por dois tipos de profissionais: um integrado nos quadros e um segundo correspondente a enfermeiros que exercem funções no Centro e extensões, com o objectivo de preencherem alguns períodos horários para os quais o pessoal colocado não consegue dar resposta, colmatando esta necessidade numa lógica de acumulação de funções. Neste sentido, foi referido que, em 2004, existem 8 enfermeiros nos quadros e 3 em regime de acumulação de funções. Também nesta lógica de acumulação existem 4 profissionais de enfermagem a desempenharem a sua actividade na Unidade de Apoio Integrado (UAI). Ainda no que concerne aos recursos humanos afectos ao Centro de Saúde de Mação e suas extensões, existem 4 Técnicos de Saúde especializados em áreas distintas, como Cardiopneumologia, Fisioterapia, Saúde Ambiental e Terapia Ocupacional, que prestam serviço à população em todo o território concelhio em sistema itinerante, em função das necessidades locais. Incidindo a leitura ao nível das consultas efectuadas nos Centro e Extensões de Saúde no Concelho de Mação, observa-se que o número total de consultas registou um aumento de 35% de 1996 até 2001 (apesar de terem aumentado e diminuído consecutivamente ao longo desse período). As consultas efectuadas de Medicina Geral, Familiar e Clínica Geral, bem como as de Saúde Materna e Obstetrícia, registaram um aumento de 35% e 44.3%, respectivamente. No que concerne às consultas efectuadas em Planeamento Familiar e em Saúde Infantil, Juvenil e Pediatria assistiu-se a um decréscimo, entre 1996 e 2001, de 27% e 7.6%, respectivamente. 116 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 8.6 - Consultas Efectuadas nos Centros de Saúde e extensões, em Mação (1996-2001) Consultas (total) Medicina Geral, Familiar e Clínica Geral 1996 27 589 1997 26 720 1998 28 491 1999 30 047 2000 29 352 2001 37 250 25 871 25 155 25 895 27 257 27 463 34 928 +35,0 430 277 249 314 -27,0 1 875 2 091 1 369 1.588 -7,6 291 422 271 420 +44,3 Planeamento Familiar Saúde Infantil e Juvenil e Pediatria 1 718 1 565 Saúde Materna e Obstetrícia Variação 96/98-01(%) +35,0 Fonte: INE, Anuários Estatísticos, 1997-2002 Serviços Prestados pelo Centro de Saúde Enquanto serviços prestados pelo Centro de Saúde, pode observar-se pelo quadro seguinte, que a intervenção neste âmbito no concelho ultrapassa a mera prestação de cuidados paliativos e de diagnóstico à população residente, afectando o desempenho dos profissionais de saúde a um vasto leque de acções complementares desenvolvidas pelo Centro, nomeadamente, a intervenção junto de públicos específicos, como as mulheres e os jovens, a formação e a colaboração numa lógica de parceria em projectos de desenvolvimento comunitário. Quadro 8.7 - Serviços prestados no Centro de Saúde e extensões, em Mação (2004) Prestação de Cuidados de Saúde Familiares Prestação de Cuidados no Domicílio Prestação de Cuidados de Saúde Pública Colaboração na Formação/ Orientação de Alunos Consultas Médicas e de Enfermagem (incluídas em programas/áreas de intervenção, que se relacionam com o desenvolvimento do Ciclo Vital do Indivíduo/Família); Intervenção de outros Técnicos sempre que necessário; Exames Complementares de Diagnóstico (ECG). Áreas de Intervenção: Saúde da Mulher (Promover a Saúde e Bem-Estar da Mulher em idade fértil): -Planeamento Familiar, -Saúde Materna , -Vacinação; Saúde da Criança e do Adolescente (Promover a Saúde e Bem-Estar da Criança e do Adolescente): -Saúde Infantil e Juvenil, -Saúde Escolar, -Vacinação; Saúde do Adulto/Idoso (Promover a Saúde, BemEstar e Autonomia do Adulto/Idoso): -Prevenção/Controle e Tratamento de Doenças Transmissíveis, -Prevenção/Controle de Doenças de Maior Prevalência na População Adulta/idosa (Hipertensão, Diabetes; Tumores Malignos, Tuberculose, etc.). Visitas domiciliárias (de carácter multiprofissional) com o objectivo de garantir respostas a grupos vulneráveis ou em risco, aos vários níveis de intervenção (Primário, Secundário e Terciário); * Visitas de Enfermagem são feitas 7 dias/semana. Controle de Factores Ambientais Determinantes da Saúde (Ar, Água e Ambiente Urbano), em equipa multidisciplinar. Estágios de formação; Colaboração em estudos. 117 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Intervenção Comunitária Elaboração de folhetos/brochuras sobre temas de Saúde; Sessões de Educação para a Saúde a grupos específicos (profissionais, alunos, grupos populacionais com problemas de saúde comuns, etc.); Projectos específicos do Centro de Saúde; Projectos em parceria. Áreas de Intervenção: ►Projectos específicos do Centro de Saúde: Projecto “Movimento e Bem-Estar”, -Classes de Movimento em 10 Lares e Centros de Dia do Concelho, -Técnico responsável: fisioterapeuta, -População-alvo: população inserida nas IPSS e da comunidade, -Objectivos gerais: Manter a qualidade de vida, incentivando a prática de actividade física; Projecto “Classes de Movimento para Pessoas com Raquialgias e Osteoporose”: -Técnico responsável: fisioterapeuta, -População-alvo: população inserida na comunidade, predominantemente, com idades compreendidas entre 20-65 anos, que tenham alterações de coluna, -Objectivos gerais: Manter/melhorar a mobilidade. Incentivar a prática de actividade física; Projecto “Ajudas Técnicas”: -Técnico responsável: terapeuta Ocupacional, -População-alvo: população inserida na comunidade, com necessidades de ajudas técnicas, -Objectivo Geral: Melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Gerir os recursos materiais; ►Projectos em parceria: Cuidados Integrados (ADI, UAI), Rede Social, CPCJ, Rendimento Social de Inserção. 118 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 9. CULTURA, LAZER E DINÂMICAS ASSOCIATIVAS 9.1. VISÃO GLOBAL DA CULTURA No que diz respeito aos equipamentos culturais existentes no Município de Mação, constata-se a existência de uma oferta muito reduzida, a saber: duas bibliotecas, dois museus, uma galeria de arte, quatro salas de espectáculos, um recinto cultural e um parque radical – inaugurado dia 1 de Junho de 2004 –, composto por dois espaços, um local onde os jovens podem praticar as modalidades de skate, patins em linha e BMX e, outro, que constitui um pequeno parque infantil para as crianças. Quadro 9.1 - Equipamentos Culturais – 2002 Bibliotecas 2 Museus 2 Galerias de Arte 1 Salas de espectáculos 4 Recintos culturais 1 Parque radical 1 Total 11 Fonte: INE, Carta de Equipamentos 2002 No que diz respeito aos indicadores relativos às Bibliotecas, na leitura do quadro seguinte importa sublinhar, sobretudo, o grande aumento (289.7%) registado na consulta de documentos nas bibliotecas existentes no Concelho de Mação, aumento esse que foi maior entre 1996 e 1997 e entre 2000 e 2001. Esse crescimento observou-se também relativamente aos documentos emprestados e aos utilizadores para consulta entre 1998 e 2001, tendo atingido uma variação de 73.9% e 92.0%, respectivamente. Saliente-se ainda que, durante os anos de 1997 e 1998, existiram três bibliotecas em funcionamento neste concelho. Quadro 9.2 - Indicadores relativos às Bibliotecas em Mação (1996-2001) Bibliotecas Documentos consultados 1996 1997 2 3 6200 16385 1998 1999 3 2 17305 17169 Documentos emprestados 2436 3379 Utilizadores para consulta 9859 12203 Utilizadores para empréstimo 1526 1471 2000 2001 2 2 16690 24164 2468 Variação 96/98-01(%) +289,7 4238 +73,9 14839 18934 +92,0 1180 1356 -11,1 Fonte: INE, Anuários Estatísticos, 1997-2002 119 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 9.2. DINÂMICAS ASSOCIATIVAS Relativamente aos Equipamentos associativos, verifica-se que são as associações culturais, desportivas e recreativas aquelas que existem em maior número no Concelho de Mação. Existem ainda no concelho cinco associações de acção social, cinco associações de caça e quatro associações exclusivamente desportivas, sendo as associações ambientais aquelas cujo número é menor. Quadro 9.3 -Associações no Concelho de Mação, por natureza Associações culturais, recreativas e desportivas 32 Associações desportivas 4 Ambientais 2 Acção Social 5 Lazer (caça) 5 Outras 5 Total 53 Fonte: GEMA Cruzando o número de Associações existentes no Concelho de Mação por freguesia, constatase que é nas Freguesias de Mação e Cardigos que se localizam o maior número de associações, congregando no seu conjunto 52.7% do total de equipamentos associativos. No sentido inverso, a Freguesia de Ortiga, com duas associações e a Freguesia de Aboboeira, com três, surgem como aquelas que reúnem o menor número de associações. Quadro 9.4 - Associações por Natureza e por Freguesia Freguesia Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Total Culturais / Desporto / Recreativas 2 2 8 2 4 13 Ambientais Lazer (Caça) 1 1 1 1 1 1 5 36 Acção Social 5 Total 2 1 2 1 1 3 4 10 4 5 18 2 7 5 5 53 1 1 1 1 2 Outros Fonte: GEMA e ANAFRE (actualizado em 2004) O quadro seguinte discrimina as diferentes associações existentes no concelho, por freguesia, localidade (quando tal é possível) e por denominação. Na leitura deste quadro, sobressai a descentralização dos equipamentos culturais, recreativos e desportivos pelo território do concelho do concelho, já que se observa que à excepção das Freguesias de Ortiga e Carvoeiro, em que as associações existentes se concentram na sede de freguesia, nas restantes as associações verifica-se uma maior dispersão pelo território. 120 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 9.5 - Associações por Natureza e por Freguesia Freguesia Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Localidade Chão de Codes Aboboreira Chão de Lopes Amêndoa Amêndoa Martinzes Associações Associação Cultural e Recreativa de Chão de Codes Associação Cultural e Recreativa de Aboboreira Associação Desportiva e Recreativa de Chão de Lopes Centro Popular de Trabalhadores “Os Cruzeiros” Grupo Musical Amendoense Amigos de Santo António de Martinzes Bandocaça-Ass. Caç e Pesc. Chão de Lopes Cardigos Cardigos Casas da Ribeira Chaveira Vales Roda Vales Associação Gargantada, Monte Fundeiro, Cabo e Robalo Associação Desportiva. Cultural"Os Galitos" Rancho Folclórico "Os Galitos" Associação Cultural e Desportiva "A Ribeirinha" Associação Cultural e Recreativa de Chaveira e Chaveirinha Centro Recreativo dos Vales Centro Cultural, Recreativo e Desportivo da Roda Associação dos Caçadores de Cardigos Montes de S. Bento Pracana Carvoeiro Carvoeiro Associação Desportiva e Cultural De Casais de S. Bento Associação Cultural e Recreativa Pracanense Associação De Caçadores do Carvoeiro Associação Desportiva e Cultural de Carvoeiro Vale do Grou S. José das Matas S. José das Matas Ladeira Associação Desportiva e Cultural de Vale de Grou Centro Social, Cultural e Desportivo de Envendos Associação Desportiva de S. José das Matas Associação Cultural e Desportiva da Ladeira Associação Cultural e Recreativa Aldeias de S. Bartolomeu Associação de Caçadores do Concelho de Mação Castelo Mação Casas da Ribeira Pereiro Rosmaninhal Carregueira Ortiga Penhascoso Ortiga Ortiga Ciclotejo Penhascoso Penhascoso Queixoperra Serra Monte Penedo Penhascoso Casal da Barba Pouca Centro Cultural de S. José das Matas AFLOMAÇÂO - Associação Florestal do Concelho de Mação Associação Desportiva de Mação Filarmónica União Maçaense Club Automóvel de Mação Associação de Modelismo Verde Horizonte Associação de Caçadores do Castelo Associação Jacaréu Associação Recreativa e Cultural Casas da Ribeira Associação Recreativa e Cultural do Pereiro Associação Recreativa e Cultural do Rosmaninhal Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de S. Miguel Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Carregueira Associação Recreativa e Cultural de Sto António Grupo Cultural "Os Maçaenses" Casa do Benfica de Mação Núcleo Sportinguista de Mação Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga Associação dos Caçadores de Ortiga Clube de Cicloturismo Grupo Desportivo, Cultural e Recreativo de Penhascoso Associação Centro de Dia Nossa Senhora do Pranto Associação Recreativa, Cultural de Queixoperra Associação Recreativa e Cultural da Serra Associação de Melhoramento de Monte Penedo Associação de Vale de Abelha Centro Cívico do Casal da Barba Pouca Fonte: GEMA e ANAFRE, actualizado em 2004 9.2.1. Pinhal Maior – Associação Desenvolvimento do Pinhal Interior Sul Além das Associações acima referidas é ainda importante mencionar a PINHAL MAIOR – Associação Desenvolvimento do Pinhal Interior Sul. A Pinhal Maior é uma Associação do Pinhal Interior Sul que abrange os Concelhos de Vila de Rei, Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova e 121 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Mação e conta neste momento com uma estrutura operacional constituída e ligações de cooperação consolidadas. A sua sede localiza-se na Vila da Sertã. O objectivo da associação consiste essencialmente em promover o desenvolvimento e bemestar social e económico das populações do Pinhal Sul, para tal contam com dois sistemas financeiros: um primeiro que depende da comparticipação dos Associados e um segundo baseado nos programas e Iniciativas Comunitárias ou do Orçamento do Estado. No Quadro abaixo, poderemos visualizar a proposta do Plano de Actividades para o ano de 2004 apresentado no Plano de Actividades/Orçamentos para 2004, datado de Janeiro de 2004. Quadro 9.6 - Plano de Actividades/Orçamentos para 2004 Projecto Acções a Desenvolver Calendarização LEADER + Desenvolvimento Local Janeiro a Dezembro FORAL Formação Profissional Janeiro a Dezembro Projecto de Luta Contra a Pobreza Recuperação de Habitações … Janeiro a Dezembro AIBT Formação Profissional Fevereiro a Dezembro AGRIS Dinamização do Desenvolvimento Agrícola Rural Janeiro a Dezembro AGRO Formação no sector Florestal Fevereiro a Maio POEFDS Formação Profissional: Costura, Pavimentos e Arruamentos Janeiro a Dezembro Agrupamento de Produtores Criação de um Agrupamento de Produtores Janeiro a Dezembro Certificação Candidatura da Pinhal Maior a Entidade Certificadora Setembro POEFDS Candidatura a Formação Profissional Setembro Nacional e Transnacional Fevereiro a Dezembro Participação em Feiras Janeiro a Dezembro Cooperação Feiras 122 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 9.3. LAZER E RECURSOS TURÍSTICOS No sector do turismo, apesar de Mação possuir algumas atracções turísticas (QUADRO 9.7), principalmente no âmbito do turismo cultural e ambiental, a oferta de capacidade hoteleira (QUADRO 9.8) revela-se como um factor altamente limitativo do desenvolvimento deste sector. Existe apenas um estabelecimento de alojamento com qualidade aceitável. QUADRO 9.7 - Recursos Turísticos de Mação Freguesia ORTIGA MAÇÃO ENVENDOS CARVOEIRO CARDIGOS AMÊNDOA ABOBOREIRA Recurso Turístico Largo da Liga Foz da Rª D’eiras Barragem da Ortiga Anta Da Foz do Rio Frio Piscinas Municipais Museu Municipal Dr. João Calado Rodrigues Igreja Matriz Cine Teatro Municipal Biblioteca Pública Municipal Calouste Gulbenkian Parque Eólico (Serra do Bando) Moinhos de Água (Castelo) Azenha do Cavaco (Caratão) Ponte Romana Pégo da Rainha Largo do Fontanário Barragem da Pracana Barca da Amieira Termas da Ladeira Tipo Jardim Praia Fluvial Barragem Monumento Equipamento Social Equipamento Cultural Monumento Equipamento Cultural Equipamento Cultural Parque Eólico Moinhos Piscina Natural Monumento Piscina Natural Fonte / Jardim Barragem Porto Fluvial Estância Termal Praia Fluvial do Carvoeiro Piscina Natural Largo do Pelourinho Fonte Romana Capela de Stº António Museu de Arte Sacra de Amêndoa Cruzeiro Monumento Monumento Monumento / Miradouro Equipamento Cultural Miradouro Cerro do Outeiro Aldeia típica Fonte: GEMA – Gabinete Empreendedor de Mação, Livro Branco Na restauração registam-se alguns casos de boa qualidade com produtos regionais, mas ainda uma reduzida oferta no seu todo para assegurar uma boa capacidade de resposta a um acréscimo da actividade turística. QUADRO 9.8 - Estabelecimentos de alojamento e restauração em Mação, em 2004 Envendos ALOJAMENTOS Mação Ortiga Amêndoa Cardigos RESTAURANTES Envendos 1 Residencial 1 Residencial 1 Turismo Rural 1 Parque de campismo 2 1 3 Mação 4 Ortiga 2 Fonte: Tratamento da equipa a partir de GEMA – Gabinete Empreendedor de Mação, Livro Branco e CM Mação O desenvolvimento do sector do turismo requer a definição de uma estratégia de médio/longo prazo, na qual sejam estipulados os objectivos, os grupos alvo a captar, os investimentos 123 Diagnóstico Social do Concelho de Mação necessários em animação, restauração, alojamento, infra-estruturas, promoção, o relacionamento institucional mais adequado, a integração regional e as complementaridades a estabelecer com os concelhos vizinhos (eventualmente no âmbito da Região de Turismo dos Templários (Floresta Central e Albufeiras)), e o papel dos agentes económicos. Com efeito, pensa-se que as eventuais atracções turísticas existentes e as iniciativas em curso (nomeadamente, as Rota d´Água, Rotas Temáticas (arqueológica, paisagística e do Tempo) e a Rota do Culto) e as a promover, apenas surtirão o efeito desejado quando enquadradas num amplo projecto turístico para o concelho e sub-região onde este se insere. 9.4. PATRIMÓNIO MONUMENTAL Relativamente ao Património Monumental de Mação, nas tabelas que em seguida se apresentam é possível visualizar os monumentos classificados, peças inventariadas, monumentos em vias de classificação e peças cadastradas em vias de inventariação do Concelho1. Quadro 9.9 - Património Monumental do Concelho de Mação MONUMENTOS CLASSIFICADOS LOCALIZAÇÃO FREGUESIA DOCUMENTO DATA Castro de S Miguel Ponte Romana Ermida de S António Anta da Foz do Rio Frio Ermida de Nª Sª do Pranto Igreja de Nª Sª da Conceição Castelo Velho Ponte Romana da Isna Estação Arqueológica Romana Amêndoa Ladeira Mação Ortiga Vale do Grou Mação Caratão Ribeira da Isna Vale de Junco Amêndoa Envendos Mação Ortiga Envendos Mação Mação Cardigos Ortiga Dec.37801 Dec. 251/70 Dec.129/77 Dec.129/77 Dec.129/77 Dec.95/78 Dec. 02/86 Dec29/90 Dec. 26-A/92 02-Mai 03-Jul 29-Set 29-Set 29-Set 12-Set 03-Jan 17-Jun 01-Jun Fonte: Gabinete da Cultura da C.M.M Quadro 9.10 - Peças Inventariadas PEÇAS INVENTARIADAS Imagem de Santa Maria Imagem de Nª Sª do Pranto LOCALIZAÇÃO FREGUESIA DOCUMENTO DATA Mação Mação Desp. Adm. 24.07.68 Vale do Grou Envendos Desp. Adm. 11.09.75 Fonte: Gabinete da Cultura da C.M.M 1 - Consideram-se cadastrados todos os monumentos e peças publicados em obras editadas pelo Estado ou pelos Órgãos Administrativos; a Classificação e a Inventariação são processos de reforço qualificativo. 124 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 9.11 - Monumentos em vias de classificação MONUMENTOS EM VIAS DE CLASSIFICAÇÃO Igreja do Espírito Santo LOCALIZAÇÃO FREGUESIA Mação Mação Vale de Santiago Carvoeiro Igreja de Nª Sª da Graça Envendos Envendos Capela do S da Misericórdia Carvoeiro Carvoeiro Capela do Vale de Santiago Fonte: Gabinete da Cultura da C.M.M Quadro 9.12 - Peças cadastradas em vias de inventariação PEÇAS CADASTRADAS EM VIAS DE INVENTARIAÇÃO Pedrela do Carvoeiro LOCALIZAÇÃO Carvoeiro Fonte: Gabinete da Cultura da C.M.M 125 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 10. JUSTIÇA / SEGURANÇA PÚBLICA 10.1. EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS PÚBLICOS NA ÁREA DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA Em 2001, segundo dados do INE, existiam no Concelho de Mação os seguintes serviços públicos na área da Justiça, da Segurança Pública e da Protecção Civil: Guarda Nacional Republicana – Posto Territorial de Mação Ministério da Justiça – Tribunal da Comarca de Mação Cartório Notarial Os equipamentos referenciados encontram-se, fundamentalmente, centralizados na freguesia sede de concelho, Mação, servindo a totalidade da população concelhia, sendo no entanto mais directamente acessíveis a uma proporção da população residente na ordem dos 30%, o que se evidencia manifestamente insuficiente. Quadro 10.1 - Principais actos notariais celebrados por escritura pública em Mação (1996 - 2002) Variação 96-02 (%) 50,0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 318 347 348 366 371 543 477 2 2 - 3 - - - 50,0 139 135 142 137 162 215 225 61,9 Constituição de Propriedade Horizontal - - 1 7 - 7 - 600,0 Constituição de Soc. Com. e Civis 9 6 4 2 - 18 9 0,0 130 170 125 130 124 136 102 -21,5 Total Arrendamento Comercial Compra e Venda de Imóveis Habilitação de Herdeiros Hipoteca - 2 2 - - 4 4 100,0 18 12 19 30 15 39 58 222,2 Doação - 21 44 56 38 34 27 28,6 Justificação - 48 47 45 53 74 42 -12,5 Partilha - 24 27 25 17 49 25 4,2 Trespasse - - - 1 - - - - 20 - - - - - - - Mútuo Outros Fonte: INE, Anuários estatísticos, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 No que concerne ao Serviço de Notariado, podemos observar pelo quadro anterior a evolução dos principais actos notariais entre 1996 e 2002. Essa evolução traduz, fundamentalmente, um aumento das escrituras por Compra e Venda de Imóveis (+61.9%), por Mútuo (+222.2%) e por Arrendamento Comercial (+50.0%), revelando algum dinamismo dos mercados de habitação e de arrendamento comercial. Igualmente relevante é o valor apontado de Constituição de Sociedades, tendo crescido 100% entre 1996 e 2001, evidencia um crescendo no dinamismo económico neste período, 126 Diagnóstico Social do Concelho de Mação muito embora a indicação de um desacelerar nesta tendência que indica uma estagnação da iniciativa privada no concelho entre 2001 e 2002, muito provavelmente em função da recente conjuntura económica portuguesa. Por outro lado, se em sentido inverso, são as escrituras públicas para Habilitação de herdeiros os actos notariais que variam de forma negativa no período considerado (-21.5%), enquanto as Partilhas crescem de forma pouco expressiva (+4.2%) e as Doações crescem de forma significativa no mesmo período (+28.6%), sendo que a evolução conjunta destes dados poderá reflectir algumas das tendências demográficas já apontadas para o concelho, nomeadamente, o aumento dos residentes mais idosos no concelho, em resultado de uma mais longa esperança de vida dos residentes1. 10.1.1. Processos Judiciários No que respeita, à área da Justiça2, o Concelho de Mação regista um crescimento em cerca de 31% dos processos judiciários instaurados entre o ano de 1996 e 2002, podendo no entanto ser observadas diferenças em função da natureza destes. Quadro 10.2 - Processos Cíveis, Penais e Tutelares em Tribunal, em Mação (de 1996 a 2002) 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Variação 96 -02 (%) Processos Cíveis Pendentes em 1 de Janeiro 94 123 142 146 170 166 198 +110,6 Entrados 126 161 115 157 138 157 190 +50,8 Findos 122 142 111 133 142 125 195 +59,8 11 27 28 25 10 11 13 +18,2 Entrados 64 53 26 48 30 54 46 -28,1 Findos 51 52 29 63 29 52 52 +2,0 3 3 6 5 … … 9 +200,0 Entrados 4 11 9 12 6 9 18 +350,0 Findos 5 8 10 9 11 3 23 +360,0 Processos Penais Pendentes em 1 de Janeiro Processos Tutelares Pendentes em 1 de Janeiro Fonte: INE, Anuários estatísticos, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 1 - Será ainda de apontar que, alguns dos dados da tabela, nomeadamente os que se referem aos actos notarias por Constituição de propriedade horizontal (variação + 600%), por Hipotecas (+100%) e por Justificações judiciais (-12.5%), não são aqui analisados em função da pouca expressividade dos dados brutos (caso dos dois primeiros casos) e da pertinência da sua análise em termos sócio-económicos no que respeita às Justificações. 2 - São aqui assinalados apenas os dados referentes à Justiça que se julgam pertinentes para traçar um quadro social do concelho nesta área específica. 127 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Como podemos observar pelo quadro anterior, são, sobretudo, os processos Entrados na área de Direito Tutelar e de Direito Cível que observam um aumento considerável entre os anos considerados, com uma variação de +350% e +50.8%, respectivamente, durante o período considerado, enquanto na área de Direito Penal decresce o número de processos desde 1996, registando uma diminuição de -28.1% em igual período. No que respeita mais especificamente à natureza das Acções Tutelares instauradas, podemos verificar pelo quadro seguinte que estas dizem respeito na sua maioria à área do Direito da Família, sendo de destacar as Acções de Regulação e de Alteração à Regulação do Poder Paternal (+133.3%). Quadro 10.3 - Acções tutelares instauradas segundo a natureza, em Mação (2001 e 2002) 2001 2002 Variação % Acções de Interdição por Anomalia Psíquica 1 3 +200,0 Acções de Regulação e de Alteração à Regulação do Poder Paternal 6 14 +133,3 Acção de Averiguação de Paternidade 1 - Total 8 17 +112,5 Fonte: FALTA No caso dos processos penais, dos 400 instaurados entre 2001 e 2002 (200 inquéritos em cada ano civil), constata-se que sobressaem sobretudo os crimes de Furto, embora o maior aumento em termos percentuais se deva a delitos por Maus tratos entre Cônjuges, Menores e Progenitor (+180%). Quadro 10.4 - Inquéritos Instaurados segundo tipo de delito, em Mação (2001 e 2002) 2001 2002 5 14 +180,0 51 67 +31,4 Roubo 8 3 -62,5 Tutelares/ Educativos 2 1 -50,0 66 115 +74,2 200 200 - Maus tratos entre cônjuges, menores e progenitor (1) Furto Outros Total (1) Variação % Art.º 152 do Código Penal Fonte: FALTA Os dados tornam evidentes a inexistência da designada “grande criminalidade”3 no Concelho de Mação, sendo que o funcionamento Judicial coloca especialmente em evidência as os pequenos delitos e as questões judiciais em torno da família, sendo de destacar em particular o crescimento notório dos casos de violência doméstica e a disputa da custódia parental. 3 - A grande criminalidade dirá respeito a processos de crimes violentos ou de grande expressão como sejam homicídios, tráfico de droga, crime organizado, etc., enquanto a pequena criminalidade, a delitos menores como roubo, furto ou agressão. 128 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 11. AGROFLORESTAL O Concelho de Mação é um concelho predominantemente florestal. Neste capítulo pretendese fazer uma síntese dos factores ambientais que tiveram influência na localização dos espaços agro-florestais, abordar a evolução deste sector ao longo dos últimos anos, e fazer a caracterização e análise da sua situação actual. Como material de pesquisa, os principais documentos base utilizados foram o Plano Municipal de Intervenção na Floresta (PMIF) dos Concelhos de Mação e Sardoal (1998) e o Plano Regional de Ordenamento Florestal (PROF) do Pinhal Interior Sul. 11.1. BREVE CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES COM INFLUÊNCIA NO COBERTO AGROFLORESTAL Em termos gerais, a orografia do Concelho de Mação é ondulada e medianamente declivosa. Pontualmente surgem declives muito acentuados, concentrados na zona central do Concelho e no limite nordeste – este. Em relação à altitude, grande parte da área insere-se numa classe de baixa altitude (< 420m). A altitude mais elevada (625 m) situa-se na parte central do Concelho e a mais baixa (40 m) na zona Sul, junto ao rio Tejo. Toda a zona central e também do Norte do Concelho apresenta a maior concentração de altitudes (300 – 625 m), por oposição à zona sul, com altitudes mais reduzidas (< 300 m) e declives menos acentuados. Existe ainda um equilíbrio entre a área ocupada pelas encostas de exposição ao sol e as encostas sombrias. O elevado teor de matéria orgânica poderia induzir à sua caracterização como solos férteis, porém esta matéria orgânica encontra-se acumulada, mas não mineralizada, portanto não é facilmente utilizável como recurso disponível para o desenvolvimento da floresta. Os solos moderadamente profundos localizam-se na parte sul e sudeste do Concelho, onde a paisagem adquire características mais diversificadas, com uma presença mais significativa da agricultura e das pastagens naturais. 129 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Em termos ambientais, as diferenças no coberto agroflorestal do Concelho estão fortemente condicionadas pelos declives e pelos solos presentes, sendo que a maioria dos solos têm espessuras inferiores a 20 cm e com pedregosidades que constituem uma limitação em termos de uso e mobilização do solo. 11.1.1. Evolução histórica Sistemas agrícolas Segundo os dados mencionados no PMIF (quadro 3.3.2 – 4), nos últimos 20 anos, a área agrícola do Concelho de Mação diminuiu 39,3%, passando de 56,5% (cf. F. Cary, 1974), para 17,2% (PMIF, GeoTerra, 1996). Este decréscimo ocorreu devido ao abandono dos sistemas culturais arvenses, mas também do olival e fruteiras. Quadro 11.1 - Ocupação Agrícola – 1974 e 1996 Ocupação agrícola 1974 (%) 1996 (%) Diferença (%) Olival e Fruteiras 19.8 5.0 - 14.8 Vinha 0.5 0.8 + 0.3 Sistemas culturais arvenses 36.2 11.4 - 24.8 56.5 17.2 - 39.3 TOTAL Fonte: Adaptado do PMIF As áreas agrícolas representavam, em 1998, 25% da área do Concelho de Mação, sendo que na realidade apenas 11% se traduziam numa agricultura activa. Tradicionalmente, a agricultura praticada nesta região do país era a olivicultura, a exploração de fruteiras, de vinha e as culturas hortícolas e arvenses de sequeiro e de regadio, como o milho. As características da agricultura actual, como o facto de estar localizada nas imediações das povoações, confinada aos solos de maior potencialidade, baseada em hortas familiares, que não constituem a principal fonte de rendimentos da família, mas sim um complemento à actividade principal, poderão indicar as justificações para o abandono de cerca de 15 800 ha de áreas ocupadas pela agricultura em 1974. Já na década de 90, continuou a verificar-se um decréscimo da actividade agrícola, sendo apenas excepção a área de olival, que aumentou entre 1989 e 1999: 130 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Evolução das principais culturas agrícolas entre 1989 e 1999 2500 hectares 2000 1500 1989 1999 1000 500 leguminosas para grão batata cereais para grão culturas forrageiras frutos secos frutos frescos citrinos vinha olival 0 A escassez de solos com aptidão agrícola e as dificuldades de mecanização dos solos existentes, para a melhoria das suas características para a agricultura, bem como as propriedades de pequena dimensão, conduziram a um abandono progressivo das áreas agrícolas mais afastadas das zonas sociais, devendo esse abandono ter atingido maiores proporções nas Freguesias com solos de piores características para a agricultura, como os existentes no Centro e Norte do Concelho. Nas Freguesias do Sul, nomeadamente na Ortiga, houve a manutenção das áreas agrícolas como complemento do rendimento familiar, sendo uma agricultura praticada ao final do dia, e aos fins de semana. Durante as últimas décadas a agricultura sofreu um processo de abandono crescente, sendo que actualmente muitas das áreas anteriormente apresentadas como agrícolas já se encontram englobadas nos sistemas florestais, devido à invasão pela vegetação espontânea – herbácea e arbustiva. Actualmente, apenas subsistiram como zonas agrícolas, aquelas que desde o início apresentavam potencialidades naturais para esta prática, estando praticamente abandonadas as áreas agrícolas em socalcos. Mantém-se uma agricultura familiar apenas para consumo próprio e alimentação de gado. A excepção é a manutenção de pequenas áreas de olival que alimentam os lagares de azeite, que se destina à comercialização. 131 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Os incêndios foram também um aspecto potenciador do abandono agrícola, nomeadamente das áreas de olival que eram exploradas de forma mais extensiva e que dada a proporção catastrófica que assumiram no Verão de 2003, impossibilitou que estas áreas desempenhassem a sua função contentora da progressão dos incêndios florestais e transformaram-se em áreas ardidas. O quadro seguinte apresenta a taxa de ocupação agrícola por Freguesias. Quadro 11.2 - Ocupação Agrícola por freguesia Freguesia Cardigos Ocupação agrícola (%) Culturais Anuais e Vinha Pousios 6 0 Carvoeiro 12 2 Mação 10 1 Envendos 14 1 Amêndoa 7 0 Aboboreira 6 0 Penhascoso 11 1 Ortiga MAÇÃO (Concelho) 26 1 11 1 Fonte: Adaptado do PMI É na Freguesia de Ortiga que a agricultura adquire maior importância relativa, com 26 % da área afecta à actividade agrícola. Porém, em termos de área total (ha), é a Freguesia de Envendos que detém maior área agrícola (1398 ha). As Freguesias com menos área agrícola são as de Amêndoa e Aboboreira, resultado provável de um maior êxodo rural e consequente abandono das áreas agrícolas familiares Sistemas florestais Segundo os dados mencionados no PMIF (quadro 3.3.2 – 1), nos últimos 20 anos, a área florestal do Concelho de Mação aumentou 20%, passando de 37,4% (Inventário florestal nacional, DGF, 1974), para 57,4% (PMIF, GeoTerra, 1996). Esta expansão ocorreu por via do aumento das áreas de pinhal bravo e de eucaliptal, mas com a área de pinhal a sofrer um acréscimo de 30% e de eucaliptal a quadruplicar face ao ano inicial de comparação. 132 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 11.3 - Coberto Florestal Arbóreo 1974 (%) 1996 (%) Diferença (%) Pinheiro bravo 35.2 46.6 + 11.4 Eucalipto 2.1 8.2 + 6.1 Sobreiro 0.1 2.1 + 2.0 Quercíneas 0.0 0.2 + 0.2 Coberto Florestal Arbóreo Outras folhosas 0.0 0.3 + 0.3 TOTAL 37.4 57.4 + 20.0 Incultos 4.2 23.4 + 19.3 Adaptado do PMIF A expansão destas duas essências florestais diferiu no modo como se processou a regeneração. Se no caso do eucaliptal a regeneração foi totalmente artificial, ou seja, os povoamentos necessitaram de investimento privado dos proprietários, já o pinhal bravo estabeleceu-se por regeneração natural devido à fácil dispersão do penisco proveniente dos pinhais adultos adjacentes. Analisando os incultos, estas áreas também sofreram uma expansão muito significativa, justificada pelo abandono agrícola, mas principalmente pelos incêndios florestais de 1991 e 1995. Se, no caso de 1991, as áreas ardidas poderiam já apresentar coberto vegetal aquando da avaliação da área de incultos em 1996, o mesmo não se verificava em relação às áreas ardidas de 1995. Verifica-se ainda que em 1974 o Concelho de Mação era um Concelho onde a agricultura era mais importante do que a floresta, detendo 56,5% da área face a 37,4 % ocupados com de floresta. Em 20 anos ocorreu uma inversão em termos de ocupação do solo, sendo que em 1996 a área florestal era 57,4% e a área agrícola 17,2%. De acordo com o PMIF em 1998, a floresta ocupava 56% da área do Concelho de Mação, e a agricultura representava 25%, sendo que destes apenas 11% apresentavam uma mobilização anual activa. Adicionando à área florestal o que restava de áreas agrícolas na forma de pastagem natural, não intervencionadas regularmente pelo Homem, as áreas naturais sem vegetação e ainda os ardidos que, até 1998, ainda não apresentavam uma recuperação do coberto vegetal, totaliza uma percentagem de 87%, a qual poderá ser imputada aos sistemas florestais. 133 Diagnóstico Social do Concelho de Mação As áreas florestais eram dominadas por pinhal (47%), eucalipto (8%) e sobreiro (2%), aparecendo as restantes espécies florestais com áreas de < 1%. A ocupação florestal por Freguesias (1998) é a que consta do quadro abaixo. Quadro 11.4 - Ocupação florestal por freguesias Freguesia Ocupação florestal arbórea (%) Incultos Total Pinheiro Eucalipto Sobreiro Outras Cardigos 78 67 11 0 0 14 Carvoeiro 76 65 3 8 0 10 Mação 38 33 4 1 1 48 Envendos 67 55 9 2 1 17 Amêndoa 53 42 10 1 0 38 Aboboreira 37 30 8 0 0 55 Penhascoso 39 19 15 4 1 48 Ortiga MAÇÃO (Concelho) Adaptado do PMIF 23 14 5 0 4 47 57 47 8 2 1 30 Em termos de área total (ha) ocupada por Freguesia, poder-se-iam agrupar as Freguesias em 4 classes: as Freguesias de Cardigos e Envendos que apresentavam maiores áreas florestadas (5578 ha e 6244 ha, respectivamente); as Freguesias de Carvoeiro e Mação (3786 ha e 2557 ha, respectivamente); as Freguesias de Amêndoa, Aboboreira e Penhascoso (1986 ha, 1024 ha, 1533 ha, respectivamente); a Freguesia de Ortiga apenas com 369 ha florestados. Analisando as áreas de incultos, verifica-se que, com excepção das Freguesias de Cardigos, Carvoeiro e Envendos, as restantes freguesias apresentam percentagens muito elevadas de incultos, com destaque para Aboboreira, Penhascoso, Mação e Ortiga. Tão elevada taxa de incultos foi o resultado dos incêndios florestais de 1995. As Freguesias de Cardigos, Carvoeiro e Envendos são as que apresentam maiores potencialidades florestais e um maior aproveitamento dos recursos disponíveis, sendo também aquelas que em 1995 foram menos afectadas pelos incêndios. Porém, os incêndios posteriores percorreram praticamente todas as Freguesias, com excepção da Freguesia do Carvoeiro, que tem sido menos afectada. 134 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Com efeito, a Freguesia da Amêndoa apresentava uma maior área ocupada com povoamentos jovens, em relação aos povoamentos adultos existentes, em consequência da recuperação por regeneração natural do coberto florestal após o fogo de 1991. Proporcionalmente nesta Freguesia ardeu uma área maior do que na Aboboreira ou no Penhascoso, também afectadas pelo mesmo incêndio, mas em menor extensão, daí que a percentagem de regeneração natural se mantivesse ainda inferior à dos povoamentos adultos. Envendos e Cardigos também foram afectadas por este incêndio e daí que a percentagem de povoamentos jovens seja também significativa. Para além dos povoamentos de regeneração natural há ainda a referir a instalação de povoamentos jovens por regeneração artificial, nas Freguesias da Amêndoa, Carvoeiro, Cardigos e Penhascoso. Por outro lado, o sobcoberto florestal, anteriormente utilizado para as camas do gado, diminuindo assim a carga combustível, foi progressivamente deixado ao abandono. O seu crescimento descontrolado tem potenciado o risco e a progressão dos incêndios florestais. Esta situação adquire mais importância nos pinhais do que nos eucaliptais, pois nestes últimos a competição e o rápido crescimento da espécie diminui a instalação da vegetação espontânea. Nos povoamentos em que se verifica a existência de operações silvícolas de condução, a limpeza dos matos é executada com recurso à grade de discos. De acordo com o PMIF, em 1998, 91% dos sistemas florestais e agroflorestais tinham mato no sobcoberto. A análise da Carta de Modelos de Combustível (PMIF, 1998) permite evidenciar três tipos de combustível com uma delimitação geográfica bastante marcada. Nas Freguesias de Amêndoa e Cardigos, na zona Norte do Concelho, os combustíveis dominantes são matos baixos, de altura inferior a 60 cm; nas Freguesias do Carvoeiro e Envendos dominam matos de altura média, provavelmente porque estas zonas têm sido menos castigadas pelos incêndios; nas restantes freguesias dominam as áreas sem combustibilidade relevante (plantações florestais recentes, zonas agrícolas, sociais e áreas húmidas) entrecortadas com zonas de mato baixo a médio. As Freguesias que apresentavam maior risco de incêndio eram Cardigos, Carvoeiro, Envendos, onde a percentagem da área com continuidade horizontal e vertical de combustíveis rondava os 20%. 135 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 11.2. IMPACTE DOS INCÊNDIOS O Concelho de Mação foi atingido na década de 90 por 3 grandes incêndios (Carta de Incêndios Florestais): - 1991 – foram principalmente atingidas as Freguesias de Ortiga, Penhascoso, Aboboreira, Mação, Amêndoa e Envendos; - 1995 – percorreu as Freguesias de Aboboreira, Ortiga, Penhascoso e Mação; - 1998 – atingiu a Freguesia de Cardigos. Os dados existentes indicam que, de 1991 a 2003, num total de 469 ocorrências, arderam no Concelho de Mação 2.314 ha, no entanto, tendo em conta o mesmo período, em 9 incêndios de grandes proporções arderam 41.380 ha. Há que referir que, no conjunto destes incêndios, apenas 3 (os referidos anteriormente) tiveram início no Concelho de Mação – os restantes deflagraram noutros concelhos (http://cm-macao.gotdns.com/noticias.htm) A alta taxa de ocupação florestal, a elevada combustibilidade das essências florestais presentes – pinheiro bravo e eucalipto - associada a uma ausência de condução dos povoamentos e à dificuldade de implantar infra-estruturas de combate e contenção de incêndios nestas regiões de minifúndio, condições estas aliadas a zonas muito declivosas, tornaram o Concelho de Mação num alvo fácil para a progressão dos incêndios florestais. As principais causas estruturais apontadas para o actual ciclo de incêndios são: - diminuição relativa dos preços dos produtos provenientes dos sistemas agro florestais; - diminuição e envelhecimento da população interveniente; - abandono dos sistemas agroflorestais; - diminuição da vigilância popular; - diminuição da intervenção popular no combate; - acumulação de carga combustível; - continuidade dos sistemas florestais; - abandono de acessos. O risco de incêndio é alto a muito alto na maior parte da área do Concelho, exceptuando-se as zonas no limite Sul do Concelho (parte das Freguesias de Envendos e Penhascoso e toda a Freguesia da Ortiga), com índices de risco entre o baixo e muito baixo. Em termos médios, e apenas com dados relativos aos incêndios até 1995, no Concelho de Mação todos os indicadores* eram superiores às médias distritais e às médias do território nacional. * dimensão médio dos incêndios, superfície arbórea queimada/ número de incêndios, superfície florestal queimada/ superfície florestal total, superfície arbórea queimada/ superfície florestal total. 136 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 137 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Em suma, verificou-se a existência de correlações positivas entre a percentagem de área queimada, a diminuição da área agrícola activa, a diminuição da densidade populacional e o maior decréscimo populacional. 11.3. ACTUAÇÕES CONCELHIAS NO ÂMBITO AGRO-FLORESTAL Com o intuito de controlar a devastação agro-florestal, provocada sobretudo pelo ciclo de incêndios verificado desde 1990, bem como promover a floresta como um potencial recurso económico, várias medidas têm vindo a ser tomadas. A 19 de Novembro de 2003 nasce a AFLOMAÇÃO – Associação Florestal, constituída por proprietários florestais e representantes das várias freguesias do concelho. Esta Associação surge com o objectivo de «promover a floresta, gerindo-a de forma sustentável, por forma a obter uma floresta comum que traga efeitos benéficos para a economia do Concelho e para os proprietários florestais. Pretende ainda contornar uma série de factores que têm vindo a condicionar a gestão e a sustentabilidade necessárias da floresta.» (http://www-cmmacao.pt/agenda/aflomacao7012004.htm) Uma outra iniciativa actual diz respeito ao Sistema de Gestão Florestal Sustentável para o Concelho de Mação, promovido pela autarquia, no sentido de inverter «o caminho de perda e devastação do património natural do Concelho de Mação a médio-longo prazo» (http://cm-macao.gotdns.com/noticias.htm). Este sistema tem por base um Plano Municipal de Ordenamento Florestal, onde serão identificadas Zonas de Intervenção Florestal (ZIF). O Plano integra ainda três Projectos Municipais: Infraestruturas; Defesa contra Fogos Florestais; e Sensibilização e Informação Florestal e Ambiental. É possível desde já destacar algumas medidas previstas: - desenvolvimento de programas de reflorestação que definam as zonas a reflorestar, as espécies a utilizar e as áreas destinadas a funcionar como “zonas tampão”; - em redor das aldeias deverão ser criadas circulares de protecção constituídas por um estradão florestal que permita o combate aos incêndios; - implementação de áreas de fomento à agricultura, que funcionem como zonas de segurança e protecção aos núcleos habitacionais. 138 Diagnóstico Social do Concelho de Mação A par da apresentação deste sistema chegaram a Mação 3 viaturas 4x4 e uma Bulldozer, fruto do protocolo de apoio com o Governo Suíço, visando apoiar o território municipal nas áreas mais afectadas, através da sua reconstrução e da aplicação de medidas de prevenção. (http://www-cm-macao.pt/agenda/aflomacao7012004.htm). Este protocolo permitiu a compra de uma série de equipamentos na área da Protecção Civil. Até Agosto de 2004, além das viaturas já referidas, foram feitos os seguintes investimentos, para reforçar a Corporação de Bombeiros, instalados na Vila de Mação: - Criação de uma Secção de Bombeiros na freguesia de Cardigos; - Compra de Equipamentos de Prevenção e Controlo (unidade de comando móvel; equipamento ligeiro de prevenção- ferramentas e utensílios); - Compra de equipamentos de Transporte (3 carrinhas de cabine simples, 1 cabine dupla, jipe); - Instalação do Serviço Municipal de Protecção Civil no Estaleiro Municipal Na sequência dos incêndios que têm deflagrado o Concelho de Mação, vários agregados familiares têm sido afectados, bem como bens materiais (habitações, terras, máquinas), animais e o próprio emprego. Neste âmbito e tendo em conta o incêndio mais recente – 2003 –, existem dados sobre os danos que o mesmo causou. A este nível foram atribuídos subsídios pela segurança social, cuja ordem de grandeza vem aprofundada no capítulo da Acção Social. 139 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 12. CADERNO DAS SÍNTESES DE CARACTERIZAÇÃO 12.1. ENQUADRAMENTO ESPACIAL E GEOGRÁFICO O Concelho de Mação, ocupa uma área territorial total de 40.083 ha e administrativamente subdivide-se em 8 freguesias: Aboboreira, Amêndoa, Cardigos, Carvoeiro, Envendos, Mação, Ortiga e Penhascoso. Este município, localizado na zona centro do território Português, encontra-se no vértice de três regiões: Beira Baixa, Ribatejo e Alentejo. Neste âmbito, Mação pertence, em relação a alguns factores administrativos, ao Distrito de Santarém, sendo incluído na Região de Lisboa e Vale do Tejo, enquanto noutros aspectos, nomeadamente no que diz respeito às zonas da Direcção Regional de Agricultura, insere-se na zona conhecida por Pinhal Interior Sul – Distrito de Castelo Branco e Beira Interior. O Povoamento do Concelho de Mação caracteriza-se pela dispersão, com um elevado número de lugares de reduzida dimensão. Com efeito, dos cerca de 90 lugares oficiais do concelho, aproximadamente 85% dos mesmos não integram mais de 100 habitantes e, destes limites territoriais, perto de 70% correspondem a lugares de dimensão inferior a 50 habitantes. O reforço do peso da população que habita em lugares de menos de 100 habitantes – mais de um terço da população total – é consequência, sobretudo, do fenómeno de desertificação populacional, que se tem verificado desde meados do século anterior. Esta tendência tem vindo a acentuar-se desde 1960, uma vez que a maioria dos lugares têm vindo a perder população, com excepção de Mação e de Vale de São Domingos. O único lugar acima dos 1000 habitantes – Mação – tem vindo, gradualmente, a registar um aumento da proporção da população concelhia, reforçando a sua posição na hierarquia da rede de lugares do concelho, aliado às funções administrativas e económicas de lugar sede do município. No que diz respeito às acessibilidades, pode dizer-se que a acessibilidade rodoviária interna ao concelho de Mação é assegurada por uma rede de estradas, cujo estado de conservação é, em percentagem significativa, bom e cujo pavimento é betuminoso ou com penetração betuminosa. Embora estas percentagens sejam diferentes por tipo de estrada, a rede rodoviária concelhia actual apresenta-se com características físicas e de cobertura espacial bastante satisfatórias, resultado de uma evolução bastante positiva nos últimos anos, podendo considerar-se que Mação tem consolidada a sua rede principal. 140 Diagnóstico Social do Concelho de Mação A acessibilidade rodoviária externa, também foi objecto de melhorias significativas, pois a construção do IP6 (A23), permitiu aumentar substancialmente as acessibilidades interconcelhia, regional e nacional do concelho, proporcionando uma redução importante do tempo de viagem, através de melhores condições de segurança e fluidez. A acessibilidade ferroviária ao concelho é assegurada pela Linha da Beira Baixa (Entroncamento – Covilhã), cuja electrificação até Castelo Branco está prevista para o início de 2005. Estas melhorias na rede de infra-estruturas não têm sido acompanhadas por intervenções a nível das estações e apeadeiros que servem o concelho, não contribuindo para a atractividade da utilização deste meio de transporte. A cobertura espacial e temporal da oferta de serviços de transporte colectivos está bastante condicionada pelo funcionamento do período escolar e correspondente período de férias. Assim, a oferta existente limita as condições para servir outros segmentos da população que não sejam os estudantes. Da mesma forma, a oferta de serviços de transporte ferroviário é bastante reduzida, não constituindo actualmente um meio de transporte atractivo para as viagens extra concelhias. Apesar de tudo, as melhorias introduzidas na rede rodoviária concelhia, regional e nacional e correspondente aumento do grau de acessibilidade proporcionada constitui um factor positivo para o desenvolvimento do concelho. 12.1.1. Mobilidade A perda de população residente acompanhada pelo envelhecimento da população do Concelho entre 1991 e 2001 conduz a que o número de viagens geradas neste período tenha decrescido. Em praticamente todos os concelhos do Médio Tejo a percentagem de deslocações intra-concelhias diminuiu entre 1991 e 2001, contudo no caso do Concelho de Mação aquele valor manteve-se, traduzindo a reduzida dependência externa do concelho. Quanto aos meios de transporte utilizados verifica-se que, embora o transporte individual corresponda ao meio de transporte com maior utilização (47%), em 2001 essa percentagem é contudo inferior à grande maioria dos restantes concelhos (média de 60%). Por outro lado, verifica-se um peso significativo das deslocações a pé por parte da população residente empregada e estudante em 2001 (35,5%). 141 Diagnóstico Social do Concelho de Mação O aumento do tempo de viagem em termos globais para o concelho e a nível da maior parte das freguesias traduz um aumento de mobilidade motorizada da população residente empregada, mantendo-se, no entanto, o limite dos 30 minutos para o tempo máximo de viagem. Estes indicadores de mobilidade traduzem a relativa autonomia do concelho quanto às viagens associadas aos motivos de trabalho e estudo, pois tem-se verificado a manutenção das viagens com origem e destino dentro do próprio concelho, sendo reduzido o número de viagens com origem ou destino para o exterior do concelho. A satisfação destas necessidades de transporte constitui um dos domínios a atender numa perspectiva de organização dos serviços de transporte colectivo, que poderá, em alguns casos, constituir alternativa ao aumento de utilização do transporte individual. 12.2. DEMOGRAFIA Assiste-se no Concelho de Mação a um fenómeno de forte desertificação populacional, associado a um grave envelhecimento, quer no topo, com especial destaque para o grupo dos grandes idosos, quer na base, que se agravou nas últimas décadas. Resultado, num primeiro período desde meados do século até 1981, da forte emigração quer para os grandes centros urbanos do litoral quer para o estrangeiro acompanhando a conjuntura nacional, e, num segundo período, da manifestação evidente de desaceleração do ritmo de decréscimo, com o aumento do saldo fisiológico francamente negativo, a redução da taxa de natalidade e a elevação da taxa de mortalidade, consequência do elevado número de idosos existente. Como resultado, assistiu-se ao desaparecimento de alguns lugares e a perca de hierarquia dos aglomerados urbanos. Esta situação atingiu sobretudo a classe dos aglomerados entre os 100 e os 200 habitantes e a classe dos 500 a 1000 habitantes que passaram para as classes inferiores. Registou-se, assim, um com consequente aumento da dispersão da população em pequenos aglomerados de dimensão inferior a 100 habitantes, que representam cerca de 35% da população. Verifica-se, contudo, o esforço de urbanização da população na sede do concelho, onde residem quase 15% da população total do concelho 142 Diagnóstico Social do Concelho de Mação O êxodo populacional atingiu sobretudo a área a Norte e a Sudeste (Cardigos, Amêndoa Carvoeiro e Envendos), que registaram nestes últimos 20 anos as maiores variações negativas, as mais baixas densidades populacionais e os mais altos índices de envelhecimento, com a maior proporção de idosos (embora Cardigos, Envendos e Mação contribuam com os maiores volumes populacionais para o total do Concelho e Penhascoso detenha também um dos maiores índices de envelhecimento). A área que registou um menor êxodo populacional e que detém as densidades mais elevadas é a Sudoeste do concelho, com destaque, nesta última década, para a freguesia Mação e Aboboreira, que coincide, à excepção de Penhascoso, com a área menos envelhecida. No âmbito da caracterização familiar, entre 1991 e 2001 verificou-se uma diminuição generalizada, no concelho e no conjunto das freguesias, do n.º de agregados familiares, independentemente da sua tipologia e dimensão. A única excepção prende-se com as famílias monoparentais que assistiram a um ligeiro aumento, reflexo, provavelmente, de uma aproximação às estruturas familiares mais urbanizadas. Salienta-se ainda que o decréscimo dos isolados foi pouco significativo. Em 2001 e considerando as tipologias familiares, são os casais (com ou sem filhos) que adquirem uma maior evidência no panorama concelhio, muito embora os isolados também surjam com alguma significância. Neste último caso, constata-se que o perfil que mais sobressai (com uma expressão de 79% dos isolados) corresponde aos indivíduos com 65 ou mais anos. Este cenário reflecte o peso preponderante das situações de isolamento vivenciadas pela população sénior e justifica as preocupações manifestadas pelos agentes locais relativamente a esta problemática. Há que referir que este grupo específico de isolados seniores tem aumentado nas Freguesias da Aboboreira, Cardigos e Penhascoso, isto porque, foi também nestes territórios que aumentou o n.º de famílias com membros com 65 ou mais anos. No que diz respeito à dimensão dos agregados, o cenário encontrado está estreitamente relacionado com os tipos de família mais destacados. Com efeito, são as famílias com 2 a 4 pessoas que sobressaem no contexto concelhio. No entanto, tal como no caso dos casais, foram os agregados mais numerosos que decresceram no concelho. Neste sentido e tendo em conta o enquadramento regional, é ao nível das famílias com 1 a 2 pessoas que este município sobressai e se destaca dos demais concelhos. 143 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Por freguesia, constata-se que as famílias mais numerosas se encontram com maior incidência na Aboboreira, Mação e Carvoeiro, ao passo que as mais restritas surgem de forma mais evidente nas Freguesias de Cardigos, Amêndoa, Penhascoso e Envendos. O Concelho de Mação acompanhou as alterações destas duas últimas décadas com o acentuar de fenómenos como a globalização e a terciarização das sociedades. A este nível regista-se a alteração da dimensão média da família e o tipo de família, a melhoria dos cuidados primários de saúde, o aumento da escolaridade média, o acesso a infra-estruturas básicas, o aumento dos níveis de conforto, a manutenção da forte quebra da natalidade registada neste período e o aumento da mortalidade devido ao elevado número de idosos. Destacam-se, ainda, algumas tendências marcantes: Continuação da desertificação populacional; Atenuação dos ritmos de decréscimo populacional; Continuação do declínio da emigração; Existência de fluxos imigratórios, quer de retorno quer de entrada de população estrangeira de fraca expressão, que apesar de tudo ainda não compensam os fluxos de emigração, na medida em que o saldo das migrações internas recentes é negativo; Manutenção da forte quebra da natalidade registada nas duas últimas décadas; Progressivo aumento da mortalidade devido ao elevado número de idosos; Progressivo envelhecimento populacional e elevados índices de dependência principalmente pelo elevado número de grandes idosos; Fraca recuperação do peso da população activa. 12.3. HABITAÇÃO Na análise da cobertura habitacional, pode concluir-se que, dominando as moradias/vivendas e, em alguns casos, prédios baixos, 92.6% dos edifícios destinam-se a um fim exclusivamente residencial e traduzem-se em 6.465 alojamentos familiares clássicos. No entanto, destes, 9.9% estão vagos, em grande parte para demolição ou para outros fins não discriminados. Dos 5.828 ocupados, só 59.2% é que são de residência habitual e esta pequena discrepância entre o habitual e o sazonal ou secundário tende a diminuir, uma vez que estes últimos apresentam tendências para aumentar, levando a crer que o Concelho de Mação caminha, caso esta tendência não seja contrariada, para um território de passagem ou de 144 Diagnóstico Social do Concelho de Mação lazer. Mas este é um cenário que se generaliza ao nível dos restantes concelhos da Região do Pinhal Interior Sul, fazendo sobressair as marcas e as consequências da interioridade territorial e regional. Relativamente ao estado de conservação, verifica-se que 53,5% dos edifícios foram construídos antes de1970, nomeadamente nas Freguesias da Aboboreira, Amêndoa e Carvoeiro e exceptuando Envendos e Penhascoso. No entanto, verificou-se uma tendência generalizada de crescimento até 2001, com maior incidência em Mação (que aliás renovou bastante o seu parque habitacional a partir de 1980), Envendos e Ortiga (a primeira na década de 80 e a segunda até 1970). Há que salientar o facto de Mação, Envendos e Penhascoso serem, respectivamente, a 1ª, a 2ª e a 4ª freguesias com um maior número de habitantes e, como tal, necessitarem de investir no edificado por forma a dar resposta à procura que se foi verificando nos respectivos territórios. Embora os edifícios no Concelho de Mação apresentem um quadro algo envelhecido, os alojamentos de uso residencial habitual são, de uma forma geral, espaçosos e adequados às necessidades físicas dos agregados familiares de Mação. Apresentam, ainda, boas condições de habitabilidade, em termos da recolha de resíduos sólidos urbanos (98.2%), da cobertura de electricidade (99.7%), de instalações sanitárias com retrete (93.9%, das quais, 42.3% estão ligadas à rede pública de esgotos), de água canalizada (serve 97.1% da população), de instalações com banho ou duche (89.9%) e de sistema de aquecimento não central (93.6%). Estas condições têm assistido a aumentos mais visíveis nas Freguesias da Aboboreira, Carvoeiro e Ortiga e, embora todas as condições apresentadas tenham aumentado de um modo geral, é ao nível dos alojamentos com esgotos e com banho que as variações têm sido superiores. Sublinhe-se, ainda, o facto de cerca de 50% dos edifícios não necessitar de qualquer tipo de reparações ou de necessitar apenas de pequenas obras. Por último, nesta caracterização do parque habitacional é de salientar o facto da maioria dos alojamentos ser ocupada pelo proprietário, o que justifica o número baixo de residências com prestações fixas mensais, ou seja, a maior parte dos alojamentos adquiridos já estão saldados ou foram obtidos através de heranças. No entanto, dos alojamentos que têm encargos, a maioria encontra-se em processos de compra. Independentemente de compra ou arrendamento, cerca de 65% dos encargos não excede os 200,00 euros, o que, tendo em conta o principal meio de vida dos maçaenses – as baixas pensões –, pode, apesar de tudo, tornar-se excessivo para a sua capacidade financeira. 145 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Em suma, o parque habitacional existente no concelho tem uma oferta superior à procura residencial, é adequado em termos de espaço às necessidades dos aglomerados familiares e, embora apresente um cenário algo envelhecido, oferece condições de habitabilidade aos seus residentes. Neste âmbito, a maior marca da desertificação nesta análise prende-se com a tendência de aumento do número de habitações sazonais ou secundárias. Tendo em conta a percentagem significativa de alojamentos vagos, é provável a existência de um número considerável de habitações degradadas, como tem sido referido por agentes locais. Ressalve-se ainda que na leitura das condições de habitabilidade só foram considerados os alojamentos de residência habitual, pelo que não é possível antever quais as reais condições de cerca de 3.000 alojamentos. Neste âmbito, a implementação do programa SOLARH - Programa de Solidariedade e Apoio à Recuperação de Habitação, tem dado resposta a algumas das situações mais prementes no que diz respeito às condições da habitabilidade no concelho. Detendo como público-alvo as famílias com baixos rendimentos económicos, o programa operacionalizado no concelho pelo Gabinete de Acção Social da Câmara Municipal de Mação, torna possível aos cidadãos que se encontram numa situação de maior fragilidade económica, o acesso à concessão de empréstimos sem juros, destinados a obras de conservação e beneficiação de habitação própria permanente. Segundo o Relatório de Actividades de 2003 do referido Serviço, nesse ano procedeu-se ao acompanhamento de 11 processos SOLARH, 7 dos quais relativos a anos anteriores e 4 iniciados em 2003. 12.4. ECONOMIA Em síntese, de uma forma geral, o quadro produtivo do concelho não sofreu alterações significativas na última década, mantendo-se os mesmos constrangimentos e forças. Neste seguimento, sobressaem duas tendências de desenvolvimento do Concelho de Mação: • A manutenção da tendência que se tem vindo a verificar, consubstanciada na queda continuada da actividade agrícola e industrial, sendo gradualmente substituída pelo sector terciário, nomeadamente, pelos serviços colectivos de apoio a idosos. • A aposta em dois sectores – agricultura e indústria, estabelecendo uma forte articulação entre a actividade agrícola e a indústria transformadora. 146 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Paralelamente, o sector do turismo apresenta algumas potencialidades, estando o seu desenvolvimento, contudo, fortemente dependente da intervenção integrada dos diferentes agentes, públicos e privados. Em ambas as tendências prevê-se a continuação da expansão da construção civil, mas a um ritmo mais moderado do registado na última década. Por outro lado, o mercado de trabalho de Mação reflecte a sua estrutura produtiva: mão-deobra pouco qualificada, complementaridade entre a actividade agrícola e outras actividades (serviços, industrial ou construção civil) e taxa de actividade feminina reduzida. Observa-se ainda que mais de metade da população maçaense não tem qualquer actividade económica (53,5%), sobressaindo nesta camada populacional os reformados ou aposentados. No entanto, verificou-se uma diminuição deste grupo específico, com excepção dos pensionistas de sobrevivência e, territorialmente, dos residentes na Freguesia do Carvoeiro. Dos que têm uma actividade económica, 95% estão empregados, sendo a taxa de desemprego de 5,1%. No entanto, verifica-se que a população activa tende a diminuir, consequência provável da desertificação e do envelhecimento populacional. Ao nível das freguesias, pode dizer-se que os activos centram-se mais em Mação, Envendos, Aboboreira e Carvoeiro, em detrimento de Cardigos. Esta distribuição relaciona-se com a questão do envelhecimento populacional, uma vez que, com excepção de Envendos, as freguesias com mais activos são aquelas em que o envelhecimento é menor e vice-versa. Reflectindo sobre as questões mais sociais ao nível das dinâmicas económicas, destacamse alguns indicadores: - Diminuiu o n.º de famílias com desempregados em todas as freguesias, exceptuando Envendos, que assistiu a um aumento. Neste âmbito e muito embora se tenha verificado um decréscimo generalizado ao nível das famílias clássicas, este é um indicador de alguma positividade; - Quase metade da população tem como principal meio de vida as pensões ou reformas. Só 35,2% da população vive do trabalho, com maior predomínio dos homens. As mulheres vivem sobretudo com apoios familiares e sociais e pensões ou subsídios (RSI, subsídio de desemprego e outros subsídios temporários). Esta situação reflecte a forte dependência de grande parte dos residentes de Mação a apoios institucionais e familiares; 147 Diagnóstico Social do Concelho de Mação - O cenário anterior revela ainda uma acentuada precariedade nas condições de vida desta população, na medida em que os próprios rendimentos são baixos: o terço dos residentes que trabalha aufere em média 568 euros, ou seja, cerca de um ordenado mínimo e meio; aos pensionistas são atribuídas prestações médias de 221 euros (2/3 do ordenado mínimo); os desempregados têm subsídios aproximados de 252 euros mensais; 90% dos beneficiários do RMG não recebem prestações superiores a 200 euros. Em suma, está-se perante uma população envelhecida (grande parte reformada/aposentada), tendencialmente isolada, que se confronta com condições sócioeconómicas fragilizadas. No que concerne aos fluxos pendulares, verifica-se que a grande maioria dos residentes maçaeses encontra-se empregada no Concelho de Mação, o que aliás é justificado pela reduzida taxa de actividade do concelho. Por outro lado, Mação não se traduz num pólo atractivo para os residentes de outros concelhos, o que pode acarretar algumas dificuldades à fixação de mão-de-obra e de população. Quanto ao número de viagens internas ao concelho verificou-se um aumento em termos percentuais em todas as freguesias, excepto nas Freguesias de Amêndoa, Mação e Penhascoso. No que diz respeito a projectos e serviços a incidir na área empresarial e de emprego, foram focados o Centro de Emprego da Sertã, a UNIVA da Vila de Mação e o Projecto URBCOM de Urbanismo Comercial. 12.5. FORMAÇÃO PROFISSIONAL As iniciativas de Formação profissional no Concelho de Mação enquadram-se na estratégia global de operacionalização do Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS) pelo Centro de Formação Profissional de Castelo Branco, em cuja área de influência o concelho se integra. Neste sentido, Mação encontra um leque diversificado de áreas de formação que podem ser desenvolvidas de acordo com as necessidades de mercado e o perfil dos diversos grupos a atingir, jovens e adultos, empregados ou desempregados, promovendo os domínios prioritários de intervenção consagrado no III Quadro Comunitário de Apoio (2000-2006) de valorização do potencial humano mediante a integração profissional e social através do eixo formação-qualificação-emprego. 148 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Neste contexto, Mação revela um certo dinamismo, pela existência de duas entidades formadoras: o Centro de Formação da Associação de Escolas do Concelho de Mação – “O Maçaense”, o Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências da C.M. de Mação muito embora, seja de reter a ainda relativa fraca diversidade da oferta formativa no concelho. A pertinência de um diagnóstico que permitisse identificar necessidades e destinatários de formação, será um passo fundamental para a intervenção neste domínio. 12.6. EDUCAÇÃO No conjunto da população, 68% dos residentes tem um grau de ensino e este número tem vindo a aumentar. No entanto, esta percentagem é caracterizada sobretudo pelas baixas qualificações escolares, uma vez que só 22% dos maçaenses com mais de 14 anos tem a escolaridade obrigatória e, do total de indivíduos com algum grau de ensino, cerca de 70% não ultrapassa o 2º ciclo. A agravar esta situação de fracas habilitações, observa-se que a taxa de analfabetismo é de 18%, embora tenha diminuído 20%, de 1991 a 2001. Dos 13% de residentes que ainda se encontram a estudar, as maiores frequências observam-se ao nível do 1º ciclo e do secundário e, territorialmente, na Freguesia da Aboboreira – a freguesia que detém menos residentes a estudar é a do Carvoeiro. Ainda na análise por freguesia, denota-se que a frequência de ensino varia consoante a freguesia a que se pertence. De facto, é no Carvoeiro que existem mais residentes a frequentar os 2º e 3º ciclos, quem detém mais habitantes no Ensino Secundário é a Freguesia da Aboboreira e a Freguesia de Mação é a que apresenta mais residentes no Ensino Superior. Relativamente aos alunos que estudam no Concelho de Mação, pode dizer-se que estes concentram-se sobretudo no pré-escolar, no 1º ciclo e no 3º ciclo, embora o número de alunos tenha vindo a reduzir nos primeiros quatro anos escolares. Existem ainda 34 alunos numa lógica de Escolas Mediatizadas e 58 estudantes a frequentar o Ensino Recorrente. Ao nível de questões mais sociais, verifica-se que o abandono escolar é pouco significativo e é mais representado pelo sexo feminino. Já a taxa de retenção, com mais casos do sexo masculino, apresenta valores mais expressivos. Também significativo é o número de alunos subsidiados, essencialmente os que pertencem ao Escalão A. Por último, na relação entre o número de docentes e o de alunos, verifica-se que o mesmo resulta na constituição de turmas reduzidas, na medida em que as médias encontradas são 149 Diagnóstico Social do Concelho de Mação muito baixas: 13 alunos por turma no pré-escolar; 10/turma no 1º ciclo; e 6/turma na Escola EB 2+3 e Secundária. Se esta tendência se mantiver, tudo indica que, paralelamente à desertificação e ao envelhecimento populacional, concorre-se cada vez mais para a diminuição da população jovem e, consequentemente, para o esvaziamento das próprias escolas. Verifica-se, ainda, uma tendência de decréscimo de equipamentos dos 1º e 2º ciclos, cuja variação está estreitamente relacionada com a diminuição de alunos nestes graus de ensino. Esta tendência tem sido actualmente muito discutida ao nível dos países desenvolvidos e, ao nível micro e específico de Mação, extremamente marcante num concelho em que a desertificação e o envelhecimento populacional são duas das principais marcas da sua interioridade. Por outro lado, encontram-se, quer no pré-escolar quer nas escolas de 1º ciclo, grupos muito restritos de alunos, que oscilam entre os 6 e os 15 alunos no primeiro caso e entre os 2 alunos e os 23 no 1º ciclo – e neste caso estes grupos estão distribuídos por 4 turmas. Neste âmbito, há que reflectir sobre a manutenção de equipamentos, cuja taxa de ocupação estará provavelmente muito aquém das respectivas capacidades, no sentido de contrabalançar custos e vantagens/desvantagens de manter equipamentos territorializados com tão poucos alunos e, consequentemente, avaliar estratégias adequadas às necessidades locais e ao bem-estar de crianças que se confrontam com uma integração escolar tão isolada. Efectivamente, se por um lado, uma gestão racional dos recursos conduziria à agregação desta população escolar num menor número de estabelecimentos, por outro, as relações de proximidade territorial e das acessibilidades mais facilitadas não devem ser descuradas. Para além de que, pendendo-se para a extinção de determinados equipamentos destinados às crianças e jovens, também não se criam condições de atractividade que possibilitem a fixação de população jovem e activa no concelho. Ao nível da Educação, constata-se a implementação e desenvolvimento de diversas iniciativas que visam a intervenção junto da comunidade educativa no concelho, promovidas pelo SEPSICO - Serviço de Psicologia e Orientação da Câmara Municipal, parte integrante do Gabinete de Acção Social da Câmara Municipal de Mação. Neste âmbito são operacionalizadas actividades, projectos e programas que visam não só a mais eficaz integração da população estudante, como o envolvimento e articulação dos diferentes contextos em que se promove a educação, isto é, a escola, a família e a comunidade. 150 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Também a Associação Crescer na Maior tem investido nas questões educacionais, sendo a sua iniciativa mais recente o Projecto “Abandonar a escola, que futuro?”, o qual, inserido no âmbito da prevenção primária da toxicodependência e do abandono escolar, visa trabalhar crianças e jovens integrados em meio escolar, nomeadamente 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico e Jovens em situação de abandono escolar (é importante mencionar que este projecto tem previsto o seu terminus para fim de Setembro de 2004). Ressalve-se, por último, a intervenção do Ensino Recorrente ao nível do Extra Escolar. 12.7. ACÇÃO SOCIAL Em termos de equipamentos sociais, embora se contabilize um total de 33 respostas de acção social, disseminadas pelas 8 freguesias, na realidade só existem 12 entidades que enquadram 7 tipos de valências, o que é revelador da pouca diversidade interventiva. De facto, das 33 respostas, 27 destinam-se à população idosa, através de serviços de apoio domiciliário, da integração em centros de dia e da colocação em lares. Esta forte incidência em equipamentos destinados à população sénior justifica-se no quadro de uma população extremamente envelhecida (ver dinâmicas demográficas), mas que ainda assim não vê respondidas as suas necessidades de lares. No entanto, mesmo havendo poucas respostas sociais, as que existem não conseguem preencher as suas vagas, com excepção, de uma forma generalizada, dos lares (neste caso a procura excede a oferta), da creche e das comunidades de inserção para toxicodependentes. Numa leitura por freguesia, denota-se que são as Freguesias de Mação e de Penhascoso (com maior proeminência da primeira) que verificam uma maior procura por parte da população – esta situação pode dever-se, no caso de Mação, ao facto desta freguesia ser a mais populosa do concelho e, por consequência, ter desenvolvido características mais urbanizadas e, no que diz respeito a Penhascoso, apesar de ser a 4ª freguesia em termos populacionais, como se verificou também na análise habitacional, existem algumas evidências que permitem referir que este território revela uma tendência crescente para o investimento ao nível da instalação de equipamentos e serviços. Ao nível das intervenções levadas a cabo recentemente no âmbito da acção social – através de Entidades, Serviços e Projectos específicos (Segurança Social, Câmara Municipal de Mação, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, Projecto de Luta contra a Pobreza) – observa-se que os domínios mais focados traduzem-se nas crianças e jovens, bem como 151 Diagnóstico Social do Concelho de Mação nas famílias e nas respectivas dinâmicas transversais, nomeadamente no que respeita às questões da saúde, habitação, emprego, educação, violência e incêndios. 12.8. SAÚDE De uma forma sucinta, no Concelho de Mação a taxa de natalidade é baixa, embora a de fecundidade seja significativa, e a mortalidade apresenta valores consideráveis. Relativamente ao número de médicos no concelho, o rácio médico/habitante é muito pequeno, no entanto, foi contabilizado um número significativo de consultas anuais, que corresponde a 4.5 consultas por habitante ao ano. Neste sentido, coloca-se uma questão, dada a relação n.º de médicos/n.º de consultas: existe realmente falta de médicos no concelho? – uma vez que esta é uma das necessidades apontadas pelos agentes locais e, numa primeira perspectiva, os valores indicam que a oferta é suficiente. Em que poderá consistir, então, o verdadeiro problema? Como resposta, avançam-se com duas hipóteses. Primeira: embora o número de consultas por habitante seja elevado, os atendimentos não são atempados e as listas de espera estendem-se no tempo. A segunda hipótese tem a ver com o facto da população ser bastante envelhecida, necessitando de maiores cuidados de saúde e mais frequentes, fazendo com que o número de consultas por habitante seja afinal insuficiente. Em relação à identificação de deficiências, verifica-se que, dos 8.8% de casos diagnosticados, grande parte tem mais de 50 anos e apresenta deficiências de carácter físico (visual, motora e auditiva), próprias do envelhecimento natural. Ao nível dos equipamentos observam-se grandes carências generalizadas por todo o concelho, quer ao nível de farmácias, de uma extensão do Centro de Saúde na Freguesia da Aboboreira e de pessoal qualificado na prestação de serviços de saúde. 12.9. CULTURA, LAZER E DINÂMICAS ASSOCIATIVAS Nesta área há a destacar o número elevado de associações desportivas, recreativas e culturais, muito embora não se tenha aprofundado o conhecimento relativamente às actividades que desenvolvem. 152 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Esta circunstância não permite perceber que tipo de intervenção é que efectivamente existe, que grupos de indivíduos é que são beneficiados e que eventuais necessidades existem, ou seja, não se consegue avaliar a relação entre quantidade, qualidade, diversidade e exercício da cidadania. No que respeita aos equipamentos culturais existentes no concelho, identifica-se a existência de uma oferta muito reduzida, implicando uma fraca diversidade que não só não exerce qualquer atracção em termos de oferta cultural com poderá impelir à procura por parte de quem reside dessa mesma oferta em territórios vizinhos. Por fim, poder-se-á afirmar que uma das vertentes mais significativa neste âmbito surge com a identificação do potencial turístico de Mação, não só em função da beleza paisagística e a existência de diversos recursos naturais que potenciam o designado turismo ambiental ou ecológico, mas também a presença de alguma riqueza em termos de património monumental que pode ser rentabilizada em termos do desenvolvimento do concelho. No entanto, no sentido de potenciar o seu desenvolvimento turismo, Mação terá de corrigir lacunas identificadas ao nível das estruturas de apoio a esta actividade, nomeadamente no que respeita ao alojamento e restauração. As iniciativas de turismo já em curso, nomeadamente, os percursos temáticos parecem carecer de um enquadramento planificado ao nível do concelho e sub-região em que este se insere. 12.10. JUSTIÇA / SEGURANÇA PÚBLICA / PROTECÇÃO CIVIL No que concerne a área da Justiça, Mação conhece um crescendo na ordem dos 31% do total de processos instaurados entre 1996 e 2002, enquadrados, fundamentalmente, nas áreas do Direito Tutelar e Cível, enquanto que os processos de Direito Penal tenderam a diminuir durante o mesmo período. Observa-se, de igual modo, em face dos dados recolhidos, no que respeita ao tipo dos delitos, uma total inexistência da designada “grande criminalidade”, sendo a natureza dos crimes delimitados no que se designa como “pequena criminalidade”, como é o caso dos furtos, ou de âmbito familiar, com um maior destaque para os processos referentes a casos de violência doméstica. A rede de equipamentos na área da Justiça, Segurança pública e Protecção civil no concelho apresenta grandes lacunas, sobretudo no que respeita à área da segurança 153 Diagnóstico Social do Concelho de Mação pública e protecção civil, concentrando a Freguesia de Mação todos os equipamentos existentes, o que coloca obstáculos no acesso aos mesmo por parte da população residente nas restantes freguesias do concelho – saliente-se, no entanto, a criação da Secção de Bombeiros na Freguesia de Cardigos, como investimento através dos apoios recebidos por meio do protocolo com o Governo Suíço. 12.11. OCUPAÇÃO AGROFLORESTAL A ocupação agrícola actual está concentrada em redor das povoações e em alguns vales mais afastados, mas que apresentam potencial agrícola, e é fundamentalmente constituída por pequenas hortas familiares, para consumo próprio. As culturas dominantes são hortícolas, vinha, olival, fruteiras e arvenses de regadio para o gado. Estas áreas agrícolas funcionam como elementos de descontinuidade, com funções de contenção dos fogos florestais. Verifica-se, porém, que estas áreas são de reduzida dimensão e insuficientes para conter a progressão dos fogos florestais, principalmente devido à projecção de materiais combustíveis com capacidade para originar novos focos de incêndio, sendo que estas projecções são potenciadas pelo ausência de controlo da vegetação espontânea. Constituindo as áreas urbanas zonas prioritárias de defesa, a ausência de elementos de descontinuidade eficazes dificulta o combate aos incêndios florestais e inviabiliza o combate directo na floresta, pois são prioritárias as acções de defesa das povoações. O abandono da área agrícola, conduziu ao aparecimento de manchas agroflorestais, principalmente nos locais anteriormente ocupados com olival e onde progressivamente a floresta se foi instalando. As áreas agrícolas sem estrato arbóreo evoluíram directamente para floresta, uma vez que as culturas anuais praticadas desapareceram com o abandono, ao contrário dos olivais. Em 1998, estas manchas agroflorestais representavam 13% da área do Concelho de Mação e concentravam-se principalmente nas Freguesias de Carvoeiro, Envendos e Ortiga. No que respeita à ocupação florestal actual, pode dizer-se que a mesma foi determinada por diversos factores, entre os quais assumem maior importância: - o abandono da agricultura; 154 Diagnóstico Social do Concelho de Mação - a existência de condições edafoclimáticas compatíveis com a expansão do pinhal bravo e do eucalipto; - a existência de povoamentos maturos de pinhal bravo que asseguraram a regeneração natural; - a diminuição do efectivo pecuário; - os incêndios florestais. Se o primeiro ponto foi determinante para a evolução da floresta no Concelho de Mação entre as décadas de 70 e 90, sem dúvida que a partir da década de 90 foram os incêndios florestais a determinar a actual ocupação florestal. Mais especificamente, verificou-se a existência de correlações positivas entre a percentagem de área queimada, a diminuição da área agrícola activa, a diminuição da densidade populacional e o maior decréscimo populacional. Contudo, há que salientar a vontade política em inverter esta situação mediante a aplicação de medidas específicas, nomeadamente por meio do Sistema de Gestão Florestal Sustentável para o Concelho de Mação. Da mesma forma, também a AFLOMAÇÃO se traduz numa iniciativa que se espera que acarrete mais-valias para o concelho. Por último, ressalve-se o protocolo com o Governo Suíço, que permitiu investir na área da prevenção aos incêndios. 12.12. EQUIPAMENTOS / RECURSOS / INTERVENÇÕES CONCELHIAS Rede de Equipamentos Numa perspectiva geral, os equipamentos que mais se destacam pela sua disseminação no Concelho de Mação traduzem-se no centro de saúde e respectivas extensões, no apoio domiciliário, nos centros de dia, nos jardins infantis, nas escolas de 1º ciclo, nos campos de jogos descobertos e nas associações desportivas, recreativas e culturais. Por seu turno, aqueles que mais escasseiam no território maçaense dizem respeito a creches (só existe uma), a lares, a equipamentos para ocupação de crianças e jovens, a farmácias e a equipamentos de protecção civil e forças de segurança, que se traduzem unicamente num posto de GNR e numa corporação de Bombeiros, sediados na freguesia de Mação. 155 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 12.1 –Equipamentos no concelho Protecção civil Cultura Desporto Ensino Acção social Saúde N.º Centro de Saúde e extensões 8 Farmácia ou Posto de medicamentos 6 Clínicas 3 Creche 1 Lar de Idosos 4 Serviço de apoio domiciliário 8 Apoio domiciliário integrado 7 Centro de dia 8 Centro de emprego 1 Centro de Actividades de Tempos Livres 3 Comunidades de Inserção (toxicodependência) 2 Ensino Pré-escolar 13 Ensino 1ºCiclo 15 Ensino 2ºCiclo 1 Ensino 3ºCiclo 1 Ensino Secundário 1 Piscina Municipal 1 Campo de jogos descoberto 8 Pavilhão desportivo ou ginásio 1 Parque Radical 1 Salas de espectáculos/conferências/congressos 4 Museus 2 Galerias de Arte 1 Bibliotecas abertas ao público 2 Posto policia (GNR, PSP) 1 Corporação de Bombeiros 1 Fonte: Capítulos respectivos Observando as dinâmicas entre freguesias, verifica-se que aquelas que exibem uma maior cobertura em termos de equipamentos, tendo em conta os critérios de quantidade e de diversidade, referem-se às Freguesias de Mação e de Cardigos. As que se apresentam com maiores carências a este nível são as de Amêndoa, Ortiga e Aboboreira. As Freguesias do Carvoeiro, de Envendos e do Penhascoso, nesta análise, situam-se numa posição intermédia. Este cenário pode encontrar algumas justificações na concentração populacional por freguesia, na medida em que as freguesias mais populosas são as de Mação, Cardigos e Envendos e as menos populosas correspondem às da Aboboreira, Amêndoa e Ortiga. O facto das Freguesias do Carvoeiro e de Penhascoso assumiram uma cobertura intermédia é porque também apresentam valores populacionais intercalares no total do concelho. 156 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Quadro 12.2 - Grau de incidência dos equipamentos, tendo em conta a sua natureza, por freguesia > incidência Incidência moderada Baixa incidência ou nula Saúde Mação (6) Cardigos (3) Acção social Mação (6) Cardigos (8) Carvoeiro (2) Envendos (2) Penhascoso (2) Carvoeiro (4) Envendos (4) Aboboreira (3) Ortiga (3) Penhascoso (3) Amêndoa (2) Aboboreira (0) Amêndoa (1) Ortiga (1) Educação Cardigos (6) Mação (6) Envendos (5) Penhascoso (4) Aboboreira (3) Amêndoa (3) Carvoeiro (3) Associações Mação (19) Cargigos (10) Ortiga (2) Amêndoa (4) Aboboreira (3) Ortiga (2) Penhascoso (7) Carvoeiro (5) Envendos (5) Listagem de Intervenções / Projectos Quadro 12.3 – Intervenções / Projectos Áreas Habitação Economia Designação Programa SOLRH. URBCOM – Projecto de Urbanismo Comercial Formação Cursos de qualificação inicial e profissional; Cursos de aprendizagem; Educação e Formação de Adultos; Cursos de Formação Contínua; Cursos de Formação de Formadores. Educação Acções de Formação direccionadas a professores O Maçaense Consultas de avaliação e acompanhamento de psicologia Serviço de Psicologia e clínica e educacional a crianças e jovens; Orientação/GAS/CMM Aconselhamento parental; Consultas de avaliação e acompanhamento ao nível da terapêutica da fala; Programa de orientação escolar e profissional; Projecto de intervenção motora educacional; Estágios académicos de psicologia clínica e da saúde; Projecto “Avaliar para intervir”; Projecto “Desenvolvimento de competências de estudo”; Projecto “Abandonar a escola – que fututro?” Acção Social Saúde Agroflorestal Promotor / Financiador Câmara Municipal de Mação Câmara Municipal de Mação e a Associação Comercial e Serviços dos Concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação Centro de Formação Profissional de Castelo Branco Associação Crescer na Maior Intervenção Extra Escolar Ensino Recorrente Rendimento Mínimo Garantido/Rendimento Social de Centro Regional de Segurança Social Inserção; Subsídios atribuídos às famílias vítimas dos incêndios; Centro Regional de Segurança Social Promoção dos direitos e protecção das crianças e jovens em CPCJ perigo; Projecto de Luta contra a Pobreza; Câmara Municipal de Mação Santa Casa da Misericórdia de Mação Realização de atendimentos sociais; Rede Social; Programa “Outros caminhos”. Prestação de cuidados de saúde familiar; Prestação de cuidados no domicílio; Prestação de cuidados de saúde pública; Colaboração na formação/orientação de alunos; Intervenção comunitária. AFLOMAÇÃO; Sistema de Gestão Florestal Sustentável para o Concelho de Mação. Câmara Municipal de Mação Centro de Saúde Associação Florestal Câmara Municipal de Mação 157 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Serviços no Concelho de Mação Quadro 12.4 – Serviços no Concelho de Mação - Finanças - Correios de Mação, Cardigos, Envendos, Penhascoso - Posto de Atendimento ao Cidadão - Ministério da Justiça – Tribunal da Comarca de Mação - Cartório Notarial 158 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 1. ANÁLISE SWOT POR ÁREA Na identificação das principais necessidades e potencialidades ao nível concelhio, é possível realizar algumas análises swot, como orientadoras de estratégias de solução de problemas para o desenvolvimento local. Saliente-se que os dados nelas contidos correspondem ao cruzamento dos dados estatísticos apresentados anteriormente com as perspectivas dos agentes locais, resultantes de processos participativos dinamizados no terreno. 1. Enquadramento Espacial e Geográfico Forças Consolidação da acessibilidade rodoviária externa e interna ao concelho e em bom estado de conservação; Melhoria das acessibilidades externas inter-concelhias, regional e nacional através da construção do IP6; Decréscimo significativo nas deslocações intra-concelhias, traduzindo uma reduzida dependência externa. Oportunidades Acessibilidade ferroviária ao concelho através da linha da Beira Baixa, cuja ligação a Castelo Branco está prevista para o inicio de 2005; Implementação do “Corredor Irun – Portugal”, que ligará por via rodoviária e ferroviária Irun, Valladolid, Guarda, Lisboa e Porto – este corredor terá um percurso complementar a Sul, que englobará a linha ferroviária da Beira Baixa e uma nova auto-estrada, integrando troços da A23 e do IP2; Diagonal do Tejo constituída pela A23 e pelo IP2 e pela Linha da Beira Baixa; IP2 como eixo de coesão do Alentejo, garantindo boas condições de articulação das cidades de Beja e Portalegre com os eixos estruturantes IP1, IP7 e A23; Ligação das regiões do interior e da Raia aos eixos estruturantes e ao Eixo Litoral Norte-Sul; a articulação da Raia com as ligações transfronteiriças, melhorando a permeabilidade ao longo da fronteira; a articulação das cidades de Bragança, Mirandela, Portalegre e Beja com a rede urbana envolvente; o reforço da centralidade do eixo de cidades Guarda – Covilhã – Fundão – Castelo Branco – Évora. Implantação de acessibilidades que ligam Cardigos ao final do IC8 (com ligação a Coimbra), para posteriormente dar continuidade até à A23, no sentido de criar um eixo estratégico estruturante que atravesse todo o concelho; Conclusão do IP6, que atravessa o concelho a Sul. Possibilidade do Concelho de Mação se candidatar ao Fundo Social Europeu, uma vez que está enquadrado numa área considerada prioritária; Centralidade geográfica do concelho, quer no âmbito nacional, quer na ligação com Espanha. Fraquezas Oferta diminuta de transporte ferroviário; Transporte individual e deslocações a pé enquanto principais meios de deslocação. Ameaças Inexistência de intenções de melhoria das infraestruturas da rede ferroviária no concelho (estações e apeadeiros), tornando-a mais atractiva; Falta de investimento numa rede de transportes colectivos abrangente e eficaz. 159 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 2. Demografia e Dinâmicas Familiares Forças Fraquezas Atenuação dos ritmos de decréscimo populacional; Declínio da emigração. Desertificação populacional, sobretudo nas zonas do Norte e Este do concelho, caracterizado por baixas densidades populacionais; Registo de uma tendência de duplo envelhecimento da população residente, resultando em elevados índices de dependência e uma fraca expressão da população em idade activa; Diminuição do número de agregados familiares; Isolamento da população idosa; Baixa taxa de natalidade e alta taxa de mortalidade. Oportunidades Crescimento dos fenómenos de imigração e de retorno para o concelho. Ameaças Êxodo da população jovem; Implementação de uma perspectiva do concelho enquanto território de passagem e lazer. 3. Habitação Forças Reconhecimento de necessidades concretas pelos agentes locais; Foram referidos uma forte motivação e empreendorismo por parte de técnicos e decisores; Identificou-se um forte investimento do poder local; Encargos com a habitação correspondem a valores absolutos baixos; Dimensão das habitações adequada ou superior à dimensão do agregado familiar. Oportunidades Adesão ao SOLARH - Programa de Solidariedade e Apoio à Recuperação da Habitação; Implementação de um Projecto de Luta contra a Pobreza; Possibilidade do Concelho de Mação se candidatar ao Fundo Social Europeu, uma vez que está enquadrado numa área considerada prioritária. Fraquezas Degradação, abandono e desadequação do parque habitacional; Falta de habitação social (não existem indicadores oficiais que reflictam este problema); Carências ao nível das condições de habitabilidade, nomeadamente no que toca ao saneamento básico (tratamento de águas e de esgotos). Ameaças Mercado de arrendamento muito inflacionado, tendo em conta o poder de compra da população. 160 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 4. Economia Pontos Fortes Disponibilidade de terreno para instalação de unidades produtivas, em condições competitivas; Recursos turísticos interessantes, nomeadamente, ao nível cultural e ambiental; Localização geográfica do concelho, no centro do país. Oportunidades Melhoria das acessibilidades aos grandes centros urbanos com consequências positivas nos seguintes níveis: diminuição dos custos de transporte para aquisição de matérias-primas e colocação dos produtos acabados nos mercados consumidores, aumento do mercado de turismo; Possibilidade de completar a fileira da preparação de carnes através da intensificação da suinicultura; Possibilidade de intensificação do aproveitamento e valorização de produtos naturais endógenos, nomeadamente, produtos florestais; Desenvolvimento do turismo interno; Projecto URBCOM – Urbanismo Comercial Localização na Vila de Mação de um Serviço Local do Centro de Emprego da Sertã Pontos Fracos Reduzido aproveitamento das potencialidades dos recursos endógenos, nomeadamente actividades conexas à florestal; Fraca valorização do recursos naturais existentes, nomeadamente, no sector da silvicultura; Ausência de unidades hoteleiras; Desactualização tecnológica, decorrentes do investimento reduzido; População activa pouco qualificada no concelho; Deficientes condições de acessibilidade intraconcelho; Comércio e serviços pouco diversificado; Ausência de um plano estratégico para o turismo. Ameaças Estrutura de ocupação do solo, facilitando a ocorrência e propagação dos incêndios; Ausência de espaços destinados à instalação de Unidades Produtivas; Mercado regional exíguo, impeditivo do crescimento do sector comercial e de serviços; Desertificação populacional. 5. Formação Profissional Forças Fraquezas Existência de três entidades promotoras de acções de formação profissional Oportunidades Evolução demográfica do concelho: envelhecimento da população residente, com a diminuição da população activa e êxodo da população jovem Especialização dos Centros de Formação no Concelho no que respeita ao âmbito e público-alvo das acções de formação, denotando pouca diversidade da oferta formativa Ameaças Vasto programa formativo a ser operacionalizado no âmbito do Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS), pelo Centro de Formação Profissional de Castelo Branco Possibilidade de candidatura ao Fundo Social Europeu, uma vez que Mação é considerado uma área prioritária 161 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 6. Educação Forças Crescente escolarização da população; Taxa de abandono escolar abaixo da média nacional; Boa cobertura em termos de pré-escolar e 1º ciclo; Escolas integradas num único agrupamento, o que permite uma maior facilidade de concertação: Criação e implementação de serviços e projectos específicos, nomeadamente o SEPSICO, a Associação Crescer na Maior (com o Projecto “Abandonar a Escola, que futuro?”. Fraquezas Oportunidades Problemas em contextos familiares; Iliteracia familiar; Falta de recursos económicos nos agregados familiares; Problemas de qualificação escolar: - Baixa escolaridade, - Insucesso / Abandono escolar, - Absentismo escolar, - Desmotivação dos alunos, - Desfavorecimento sócio-cultural, - Insuficiência de apoios educativos; Problemas subjacentes às dinâmicas institucionais: - Falta de recursos humanos nas áreas da acção social, saúde e educação, traduzida na dificuldade em fixar profissionais qualificados; Cobertura espacial e temporal da rede de transportes colectivos condicionada ao funcionamento do período escolar. Ameaças Possibilidade de candidatura ao Fundo Social Europeu, uma vez que Mação é considerado uma área prioritária; Adesão à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens; Adesão à Rede Social. O Concelho de Mação não pertencer ao mesmo distrito em termos educativos (foi apontada uma dificuldade em reconhecer competências, enquanto Mação não vier para o Centro); Leis de fixação de pessoal qualificado e Regras de colocação de professores dificultam a fixação de professores em Mação e contribui para uma grande rotatividade; Diminuição da população jovem residente e implementação de lógicas de racionalização dos recursos que conduzam a uma redução dos estabelecimentos escolares. 162 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 7. Acção Social Forças Reconhecido um conjunto de necessidades concretas pelos agentes locais; Referida uma forte motivação e empreendorismo por parte de técnicos e decisores; Foi identificado um forte investimento por parte do poder local; A nível dos equipamentos, existência de uma boa cobertura ao nível de centros de dia e de serviços de apoio domiciliário; Criação e implementação de serviços e projectos específicos, nomeadamente o GAS – Gabinete de Apoio Social, da Câmara Municipal de Mação; Aprovação de 3 Centros de Noite Fraquezas Oportunidades Possibilidade de candidatura ao Fundo Social Europeu, uma vez que Mação é considerado uma área prioritária; Em curso o Projecto de Luta contra a Pobreza; Existência de um CRVCC; Adesão à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens; Adesão à Rede Social; Perspectiva de criação de um Centro Social na Freguesia de Envendos, com valências para vários públicos; Problemas em contextos familiares: -violência doméstica, alcoolismo, dificuldade na gestão doméstica, hábitos de vida pouco saudáveis, Falta de hábitos de higiene no cuidado da habitação, Iliteracia familiar, falta de recursos económicos nos agregados familiares; Problemas ao nível de públicos específicos: -dificuldade de acesso às residências das pessoas com deficiência, dificuldade de acesso às residências das pessoas idosas, falta de respostas ao nível das deficiências, isolamento da população idosa, ausência de respostas nocturnas de apoio social aos idosos, toxicodependência; Problemas subjacentes às dinâmicas institucionais: -falta de recursos humanos nas áreas da acção social, saúde e educação, traduzida na dificuldade em fixar profissionais qualificados, -deficiente articulação inter-institucional, que resulta na falta de conhecimento mútuo, -fraca gestão da informação a partilhar e a divulgar, -gestão fragilizada dos próprios serviços no sentido de serem facilitadores e apelativos; Falta de equipamentos e diversidade interventora: -falta de um Centro de acolhimento temporário para crianças e jovens, -Insuficiência de ocupação de tempos livres (jovens e crianças). Com efeito, existe uma única freguesia equipada com uma creche e existem três freguesias equipadas com um centro de ocupação de tempos livres, -carência de equipamentos nas respostas aos idosos, nomeadamente no que se refere a lares (só existem 4 lares de idosos no concelho) e de respostas nocturnas (não existe qualquer dado oficial relativamente a este tipo de actuação), -ausência de equipamentos sociais para deficientes -foi identificado, por entidades locais, um número significativo de indivíduos portadores de deficiência, para os quais não existem respostas específicas; Falta de estruturas sociais; Fraco investimento em políticas sociais vocacionadas para os idosos, família e jovens/crianças, adequadas às necessidades identificadas e articuladas com as já existentes. Ameaças Envelhecimento da população residente, com a diminuição da população activa e crescentes índices de dependência; Baixos rendimentos da população e dependência de apoios institucionais e familiares de grande parte dos residentes. 163 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 8. Saúde Forças Fraquezas É reconhecido um conjunto de necessidades concretas pelos agentes locais; Foram referidos uma forte motivação e empreendorismo por parte de técnicos e decisores; Foi identificado um forte investimento por parte do poder local; Criação e implementação de serviços e projectos específicos, nomeadamente um conjunto de projectos a serem desenvolvidos pelo Centro de Saúde de Mação ou pela sua integração em parcerias: Aumento tendencial de farmácias e de extensões do centro de saúde, deixando transparecer o gradual investimento nesta área. Oportunidades Problemas em contextos familiares: - Alcoolismo, - Hábitos de vida pouco saudáveis, - Falta de hábitos de higiene no cuidado da habitação, - Falta de recursos económicos nos agregados familiares; Problemas ao nível de públicos específicos: - Dificuldade de acesso às residências das pessoas com deficiência, - Dificuldade de acesso às residências das pessoas idosas, - Falta de respostas ao nível das deficiências, - Isolamento da população idosa, - Ausência de respostas nocturnas de apoio social aos idosos, - Toxicodependência; Problemas ao nível das dinâmicas de saúde: - Falta de médicos, - Dificuldade de acesso aos cuidados de saúde, - Falta de respostas ao nível da saúde mental, - Falta de um programa de prevenção / intervenção / encaminhamento ao nível do alcoolismo; Problemas subjacentes às dinâmicas institucionais: - Falta de recursos humanos nas áreas da acção social, saúde e educação ; Falta de equipamentos de saúde: -farmácias ou de postos de medicamentos, uma vez que existem 2 freguesias sem este equipamento, -extensão do centro de saúde na Freguesia da Aboboreira. Ameaças Possibilidade de candidatura ao Fundo Social Europeu, uma vez que Mação é considerado uma área prioritária. Crescente diminuição do rácio médico/habitante perante crescente procura devido ao envelhecimento progressivo da população residente; Dificuldade e fixação de profissionais especializados. 164 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 9. Cultura/Lazer/Dinâmicas Associativas Forças Fraquezas É reconhecido um conjunto de necessidades concretas pelos agentes locais; Foi referida uma forte motivação e empreendorismo por parte de técnicos e decisores; Foi identificado um forte investimento por parte do poder local; Número significativo de associações Potencial turístico do território, nomeadamente riqueza paisagística e cultural (património monumental); Integração de Mação na Rede Nacional de Arte Rupestre. Oportunidades Falta de equipamentos: -infra-estruturas desportivas – muito embora exista um número bastante significativo de associações desportivas, só duas freguesias é que estão equipadas com piscina municipal e só existe um pavilhão desportivo ou ginásio; -Fraca optimização ao nível dos centros culturais e recreativos Pouca diversidade em termos de oferta cultural Graves lacunas ao nível das infra-estruturas de apoio ao turismo: alojamento e restauração Ameaças Membro da Associação Pinhal Maior-Associação Desenvolvimento do Pinhal Interior Sul Possibilidade de candidatura ao Fundo Social Europeu, uma vez que Mação é considerado uma área prioritária. A desertificação e a consequente escassez de indivíduos disponíveis para dinamizar o movimento associativo maçaense. 10. Justiça / Segurança Pública Forças Fraquezas Aparente inexistência de grande criminalidade no concelho Falta de equipamentos: -Centralização dos equipamentos na freguesia sede de concelho – Mação; -Serviços de acesso mais facilitado a apenas 30% da população residente Funcionamento judicial em torno, sobretudo, da pequena criminalidade (furtos) e em torno de questões relacionadas com a família, nomeadamente, de violência doméstica e disputa da custódia parental. 165 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 11. OCUPAÇÃO AGROFLORESTAL Forças Fraquezas Aumento da área de pinhal e de eucaliptal; Programa AFLOMAÇÃO; Programa Sistema de Gestão Florestal Sustentável para o Concelho de Mação. Fomento da agricultura, como forma de prevenção/protecção dos incêndios; Oportunidades Desenvolvimento de programas de reflorestação; Protocolo com o Governo Suíço para aquisição de material de vigilância das florestas e prevenção dos incêndios. Solos não suficientemente férteis para o desenvolvimento de floresta; Escassez de solos com aptidão agrícola natural; Abandono de culturas, sobretudo nos campos distantes das zonas sociais e no Centro e Norte do concelho; Dimensão da área devastada pelos sucessivos incêndios. Subcoberto florestal deixado ao abandono, aumentando o risco de incêndios – inexistência de acções de limpeza de matas adequadas; Dificuldade de implantação de infraestruturas de combate e contenção de incêndios. Ameaças 166 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 2. DIAGNÓSTICO DE PROBLEMAS E DE NECESSIDADES Esta segunda parte do Diagnóstico Social visa, como o nome indica, diagnosticar os problemas e as necessidades existentes no Concelho de Mação. Com efeito, se num primeiro momento se desenhou o retrato concelhio nas suas mais variadas áreas, tendo em conta indicadores quantitativos e objectiváveis, permitindo delinear alguns contrangimentos e potencialidades (quer ao nível de recursos, quer no que respeita a tendências e cenários), neste segundo momento é objectivo dar “voz” a quem lida diariamente com a realidade maçaense e com os problemas que aí se sentem. Assim sendo, e partindo de uma série de materiais recentes já existentes, resultantes de inquéritos e workshops locais, é possível elencar uma panóplia de problemas e necessidades, os quais puderam ser agrupados em grandes questões problemáticas, incidentes no Concelho de Mação, inseridas em 4 grandes Eixos de Intervenção, nomeadamente: Eixo 1 – Desafio da interioridade e de ordenamento territorial, onde estão contidos os problemas de Interioridade, de Planeamento Local e de Acessibilidades (físicas e a serviços); Eixo 2 – Dinâmicas Institucionais, que engloba os problemas de Intervenção Institucional e de Equipamentos; Eixo 3 – Qualificação e Integração Escolar e Sócio-profissional, traduzido em problemas de Qualificação Escolar, de Qualificação Profissional e de Inserção SócioProfissional; Eixo 4 – Intervenção dirigida a Grupos Específicos, o qual responde a problemas em Contextos Familiares e ao nível de Públicos Específicos. Ressalve-se no entanto que, no sentido de fundamentar e compreender as percepções e sentimentos que se criam no terreno, sempre que tal for possível os problemas identificados serão complementados com dados objectiváveis, oriundos da primeira parte deste documento analítico. 167 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Eixo 1 – DESAFIO DA INTERIORIDADE E DE ORDENAMENTO TERRITORIAL Problemas de Interioridade ¾ Desertificação / Êxodo Rural / Isolamento da População Em 1950 residiam no Concelho de Mação 21.814 habitantes e em 2001 foram contabilizados 8.442 indivíduos; A densidade populacional é de 21 indivíduos por Km2; 84% dos lugares do concelho têm menos de 100 hab – o crescimento destes lugares, de 1981 para 2001, foi de 17%; Crescimento natural (diferença entre natalidade e mortalidade) é negativo, com –151%; 850 agregados familiares são compostos por isolados e, destes, 78,7% têm 65 ou mais anos. ¾ Envelhecimento da População / Baixa taxa de Natalidade A % de idosos em 2001 é de 37,7%; o índice de envelhecimento é de 253,8 (quando se considera população altamente envelhecida a partir de índice 100); Índice de dependência de idosos é de 72,5%; Taxa de natalidade é de 6,5%. ¾ Pouca Fixação de Profissionais Qualificados Existe um índice de 0,4 médicos por 1000 hab e de 1,2 enfermeiros pela mesma grandeza (existem 6 médicos e 10 enfermeiros e só existem 4 especialidades); Em 2001 contabilizaram-se 116 professores (pré-escolar, ensino básico e ensino secundário – neste caso, no entanto, verifica-se a tendência para a constituição de turmas cada vez mais reduzidas, na medida em que no pré-escolar existe uma média de 13 alunos por turma, no 1º ciclo essa média é de 10 alunos e ao nível da Escola EB 2+3 e Secundário observa-se a existência média de 6 estudantes por turma). ¾ Pouca Fixação de Jovens no concelho Existem 14,9% de jovens no concelho. 168 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Problemas de Planeamento Local ¾ Desordenamento Urbanístico ¾ Iliteracia no Planeamento ¾ Incêndios Os dados existentes indicam que, de 1991 a 2003, num total de 469 ocorrências, arderam no Concelho de Mação 2.314 ha, no entanto, tendo em conta o mesmo período, em 9 incêndios de grandes proporções arderam 41.380 ha. Há que referir que, no conjunto destes incêndios, apenas 3 (os referidos anteriormente) tiveram início no Concelho de Mação – os restantes deflagraram noutros concelhos. No entanto, este tem sido um problema em que o concelho tem vindo a investir ao longo do ano, nomeadamente através do desenvolvimento de programas de reflorestação, de um protocolo com o Governo Suiço para a aquisição de material e de recursos, da implementação de um Sistema de Gestão Florestal Sustentável para o Concelho de Mação. ¾ Falta de Sensibilidade para as questões Ambientais ¾ Degradação / Abandono / Desadequação das Habitações Ao nível da degradação e abandono verifica-se o seguinte: Existem 6.465 alojamentos, dos quais, cerca de 10% estão vagos. Dos 5.828 ocupados, 40,8% são para uso sazonal ou secundário. Dos 637 vagos, 32,5% estão para demolição. Em 1960 já existia 60% do parque habitacional que existe actualmente. No que respeita à desadequação dos alojamentos observa-se que: 31,5% dos edifícios necessitam de reparações; 99,7% dos alojamentos têm electricidade; 93,9% possuem retrete e, destes, 57,2% estão ligados a sistema particular de esgotos; 95,8% têm água canalizada proveniente da rede pública; 89,9% dos alojamentos têm instalação de banho ou duche; 93,6% não possuem aquecimento central; ¾ A média de pessoas por alojamento é de 1,3, quando a média de divisões por alojamento é de 5,4 Mercado de Arrendamento muito inflaccionado Tendo em conta os encargos mensais com a habitação, verifica-se que, comparativamente com a Região do Pinhal Interior Sul, em Mação os gastos são inferiores, quer em arrendamento, quer com prestações de compra. De facto, em Mação existem 88% alojamentos arrendados com encargos inferiores a 200 euros, enquanto no Pinhal Interior Sul, esta relação é de 83%. (Compra com encargos inferiores a 200 euros Æ Pinhal Interior Sul=51%; Mação=61%). Estes dados contrariam, de certa forma, o problema levantado, no entanto, existem duas hipóteses que devem ser exploradas: 1) tendo em conta o principal meio de vida dos habitantes do Concelho de Mação, em que mais de metade da população é pensionista, estes encargos podem na prática tornar-se insustentáveis relativamente a algumas famílias; 2) a existência de uma “economia informal” em alguns processos de arrendamento habitacional, traduzida na não declaração de rendas por parte dos arrendatários, que inflaccionam estes custos. ¾ Falta de uma Resposta Habitacional a Custos Reduzidos 169 Diagnóstico Social do Concelho de Mação ¾ Deficiente cobertura ao nível do saneamento básico 93,9% possuem retrete e, destes, 57,2% estão ligados a sistema particular de esgotos e 42,3% dos alojamentos estão ligados à rede pública de esgotos; 95,8% têm água canalizada proveniente da rede pública. ¾ Falta de tratamento de esgotos OBSERVAÇÕES: Na articulação entre a identificação dos problemas por interlocutores privilegiados e os dados objectiváveis, surgem duas situações a ter em conta: necessidade de explorar mais o problema no sentido de comprovar a sua viabilidade e a refutação de alguns problemas. Assim sendo: Problemas a explorar – A questão dos incêndios; e o mercado de arrendamento muito inflaccionado. Problemas refutados – Deficiente cobertura ao nível do saneamento básico Problemas de Acessibilidades (Físicas e a Serviços) ¾ Deficiente e Inadequada rede de Transportes A coordenação com o caminho de ferro deveria ser adaptada às necessidades. Grande parte da oferta de transporte colectivo rodoviário, embora com uma razoável cobertura geográfica, deveria ser mais atractiva em termos de oferta de serviços, na medida em que, além de existir uma deficiente oferta em termos de frequência, esta está programada em função do período escolar, o que origina condicionamentos nos horários. ¾ Falta de Acessibilidades De acordo com dados de estudo efectuado para a CMM em 2002, a rede de estradas do concelho tem uma extensão aproximada de 340km, dos quais, 80 km são Estradas Nacionais, 93km Estradas Municipais e 167km Caminhos Municipais. O concelho dispõe de uma razoável/boa acessibilidade rodoviária. Em termos de acessibilidade ferroviária a Linha da Beira Baixa que serve o concelho poderá brevemente (2005) constituir uma alternativa pois está prevista a electrificação até Castelo Branco e expectável melhoria de oferta. As condições actuais das estações e apeadeiros que servem o concelho encontram-se degradadas. ¾ Acessos em mau estado De acordo com o mesmo estudo, cerca de 57% da extensão das estradas apresenta um estado de conservação Bom, cerca de 33% Bom/Razoável, 7% Razoável/Mau e 2% Mau. Cerca de 93% da extensão da rede apresenta um tipo de pavimento betuminoso. De acordo com estes dados a rede 170 Diagnóstico Social do Concelho de Mação rodoviária principal do concelho apresenta, de uma forma geral, um bom/razoável estado de conservação. ¾ Dificuldade de acesso aos cuidados de saúde - Inexistência de consultas em horário pós-laboral - Insuficiência do n.º de dias por semana de consultas - Falta de um serviço de urgência 24h por dia OBSERVAÇÕES: Problemas a explorar – Falta de acessibilidades; e falta de um serviço de urgência 24h por dia, no sentido de aferir a rentabilidade e a necessidade de ter um serviço destes no concelho. Problemas refutados – Acessos em mau estado. 171 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Eixo 2 – DINÂMICAS INSTITUCIONAIS Problemas subjacentes à Intervenção Institucional ¾ Falta de Recursos Humanos Qualificados (saúde, educação, acção social...) Existe um índice de 0,4 médicos por 1000 hab e de 1,2 enfermeiros pela mesma grandeza (existem 6 médicos e 10 enfermeiros e só existem 4 especialidades) e contabilizaram-se 4,5 consultas por habitante. Neste sentido, coloca-se uma questão, dada a relação n.º de médicos/n.º de consultas: existe realmente falta de médicos no concelho? – uma vez que esta é uma das necessidades apontadas pelos agentes locais e, numa primeira perspectiva, os valores indicam que a oferta é suficiente. Em que poderá consistir, então, o verdadeiro problema? Como resposta, avança-se com duas hipóteses. Primeira: embora o número de consultas por habitante seja elevado, os atendimentos não são atempados e as listas de espera estendem-se no tempo. A segunda hipótese tem a ver com o facto da população ser bastante envelhecida, necessitando de maiores cuidados de saúde e mais frequentes, fazendo com que o número de consultas por habitante seja afinal insuficiente; Em 2002/03 leccionaram 116 professores (pré-escolar, ensino básico e ensino secundário – neste caso, no entanto, verifica-se a tendência para a constituição de turmas cada vez mais reduzidas, na medida em que no pré-escolar existe uma média de 13 alunos por turma, no 1º ciclo essa média é de 10 alunos e ao nível da Escola EB 2+3 e Secundário observa-se a existência média de 6 estudantes por turma); Ao nível da acção social, pode dizer-se que a implementação de projectos trouxe também recursos humanos. No entanto, na averiguação de recursos humanos nas IPSS’s do concelho, verifica-se uma fragilidade em relação a pessoal qualificado e a directores. ¾ Deficiente Articulação Inter-institucional No quadro das IPSS’s observam-se carências no que respeita a recursos técnicos, como fax, internet, etc) ¾ Gestão Fragilizada dos próprios serviços no sentido de serem facilitadores e apelativos (escola, centro de saúde) ¾ Fraca gestão da informação a partilhar e a divulgar OBSERVAÇÕES: Problemas a explorar – Falta de recursos humanos qualificados. 172 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Problemas de Equipamentos ¾ Falta de creches Existe apenas uma creche em todo o concelho, sediada na Vila de Mação. ¾ Falta de equipamentos para crianças em risco Existe uma candidatura em curso a um CAT no Gabinete de Acção Social. No entanto, segundo dados da CPCJ existe grande dificuldade em conseguir vagas para CAT’s no Distrito. ¾ Insuficiência de ocupação de tempos livres (crianças e jovens) Existem em todo o concelho 5 ATL’s, nomeadamente nas Freguesias da Aboboreira, de Cardigos, do Carvoeiro, de Mação e do Penhascoso, embora esta valência apenas resolva o problema das crianças do 1º Ciclo. A Biblioteca Municipal, que integra também uma Ludoteca, assume um papel importante na dinamização de actividades, sobretudo, para crianças. Todavia, apesar de ter sido referida uma grande dinâmica camarária (com actividades variadas e apelativas), foi mencionado também que esta oferta está centrada na Vila de Mação e, embora exista a disponibilidade pontual de um autocarro, que circula no concelho no sentido de recolher algumas crianças e jovens para a participação em algumas actividades, a realidade é que os não residentes na Vila de Mação têm uma maior dificuldade de aceder a estas actividades com a mesma frequência que os residentes neste lugar. ¾ Falta de Lar para idosos Existem 4 estabelecimentos que oferecem a valência "lar de idosos", distribuídos por 4 freguesias, com uma taxa de ocupação superior à capacidade existente. ¾ Subaproveitamento das infra-estruturas desportivas Duas freguesias estão equipadas com piscina; 8 com campo de jogos descoberto e 1 com pavilhão desportivo ou ginásio. Necessidade de aferir o tipo de actividades oferecidas nas associações e nos equipamentos desportivos ¾ Inexistência de uma Extensão do Centro de Saúde Existe 1 centro de saúde e 6 extensões do C. de saúde – só 7 freguesias é que estão equipadas. ¾ Carência ao nível de farmácias ou postos de medicamentos Existem 4 freguesias equipadas. OBSERVAÇÕES: Problemas a explorar – Insuficiência de ocupação de tempos livres (crianças e jovens), uma vez que este problema parece incidir sobretudo nos jovens; subaproveitamento das infra-estruturas desportivas; e inexistência de uma extensão do centro de saúde. 173 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Eixo 3 – QUALIFICAÇÃO E INTEGRAÇÃO ESCOLAR E SÓCIO-PROFISSIONAL Problemas de Qualificação Escolar ¾ Baixa Escolaridade Tendo em conta os dados mais recentes, só 22% dos maçaenses com mais de 14 anos tem a escolaridade obrigatória e, do total de indivíduos com algum grau de ensino, cerca de 70% não ultrapassa o 2º ciclo. A agravar esta situação de fracas habilitações, observa-se que a taxa de analfabetismo é de 18%, embora tenha diminuído 20%, de 1991 a 2001. Observa-se ainda que 20,7% não sabe ler nem escrever, embora estes valores tenham decrescido 25,5% de 1991-2001. Em contrapartida verificou-se um aumento de 196,2 % de licenciados. ¾ Insucesso Escolar Taxa de retenção em 1995/96 era de 10,8%. ¾ Abandono Escolar Taxa de desistência em 1995/96 era de 1,4%, mantendo-se com o mesmo valor em 2002 – esta taxa é mais baixa que a encontrada para a média nacional (2,7 – o valor mais elevado é de 9,5). ¾ Absentismo Escolar ¾ Mobilidade Docente Existem 116 professores (pré-escolar, ensino básico e ensino secundário) - 2002/03, mais 14 que em 1998. ¾ Desmotivação dos Alunos ¾ Insuficiência de apoios educativos 174 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Problemas de Qualificação Profissional ¾ Desajuste entre oferta e procura formativa ¾ Dificuldade dos formandos se integrarem por turnos ¾ Timings desajustados às necessidades de quem procura e de quem oferece no âmbito formativo Foi referida uma tendência para se “forçar” a integração, uma vez que são abertos cursos que têm de ser preenchidos e, grande parte dos mesmos, acabam por ser preenchidos por indivíduos que na altura estavam disponíveis, mas nem era esse o seu interesse. Problemas de Inserção Sócio-Profissional ¾ Desemprego Maioritariamente Feminino Verificou-se na última década uma diminuição da taxa de desemprego Em 2002, 54,9% dos desempregados pertenciam ao sexo feminino A taxa de Feminização era em 2001 de, aproximadamente, 40%. ¾ Tecido Industrial Reduzido e tradicionalmente Masculino O sector industrial alberga as empresas de maior dimensão, principalmente quando se está perante um Concelho fora dos grandes centros urbanos, onde os restantes sectores, nomeadamente a construção civil e a agricultura, são compostos essencialmente por pequenas e micro empresas. Verificou-se um decréscimo no número de empresas dos sectores agrícola e industrial, muito embora se tenha assistido a um aumento do número de sociedades nestes sectores. No caso da indústria, este aumento não foi suficiente para evitar o decréscimo do emprego ao longo da década de 90. ¾ Desajustamento entre oferta e procura ¾ Falta de mão-de-obra qualificada Tendo em conta os dados mais recentes, só 22% dos maçaenses com mais de 14 anos tem a escolaridade obrigatória e, do total de indivíduos com algum grau de ensino, cerca de 70% não ultrapassa o 2º ciclo. A agravar esta situação de fracas habilitações, observa-se que a taxa de analfabetismo é de 18%, embora tenha diminuído 20%, de 1991 a 2001. Observa-se ainda que 20,7% 175 Diagnóstico Social do Concelho de Mação não sabe ler nem escrever, embora estes valores tenham decrescido 25,5% de 1991-2001. Em contrapartida verificou-se um aumento de 196,2 % de licenciados. São as baixas qualificações que se destacam na escolaridade dos residentes empregados do Concelho de Mação, principalmente no que respeita aos indivíduos com 65 ou mais anos, onde a inexistência de qualquer habilitação é bastante expressiva. ¾ Falta de Projectos de Vida 176 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Eixo 4 – INTERVENÇÃO DIRIGIDA A GRUPOS ESPECÍFICOS Problemas em Contextos Familiares ¾ Violência Doméstica ¾ Alcoolismo ¾ Ausência de Redes de Suporte Primárias (Família) Existiam em 2001 6,7% de famílias monoparentais (quando em 1991 eram 5,5%); Índice de dependência total é de 92,5 (idosos é de 72,5); Existem 3.465 famílias clássicas e, destas, 603 têm pessoas com menos de 15 anos e 2.087 têm pessoas com 65 ou mais anos. Existem 7 centros de dia e 15 respostas de apoio domiciliário (SAD e ADI), que estão subaproveitados. ¾ Dificuldades na Gestão Doméstica ¾ Hábitos de Vida Pouco Saudáveis ¾ Falta de hábitos de higiene no cuidado da habitação ¾ Iliteracia Familiar ¾ Falta de projectos de vida ¾ Desfavorecimento sócio-cultural ¾ Falta de recursos económicos nos agregados familiares O Índice de dependência total é de 92,5 (idosos é de 72,5); Existem 136 famílias com pelo menos 1 desempregado; existem 4.230 pensionistas com prestações médias mensais de 105 euros (por 14 meses); existem 101 beneficiários do RMG, em que a grande maioria recebe menos de 200 euros por mês; 153 beneficiários do subsídio de desemprego a receber por média (14 meses) 216 euros mensais; no Concelho de Mação 53,5% da população não tem actividade económica, destes, 71,3% estão reformados; o principal meio de vida dos indivíduos com mais de 15 anos é a pensão/reforma (47,5%), o trabalho (35,2%) e estar a cargo da família (13,7%); em 2000 o ganho médio mensal de um residente no Concelho de Mação era de 568 euros. Tendo em conta os encargos mensais com a habitação verifica-se que em Mação se gasta menos, quer em arrendamento, quer com prestações de compra, relativamente a todo o Pinhal Interior Sul: Compra = na região do Pinhal Sul 51% dos alojamentos têm prestações inferiores a 200 euros, enquanto que em Mação existem 61% dos alojamentos a custar abaixo daquele valor; Arrendamento = no Pinhal Interior Sul 83% dos alojamentos têm prestações inferiores a 200 euros, enquanto que em Mação existem 88% dos alojamentos a custar abaixo daquele valor. Em todo o caso existem 3.030 alojamentos sem encargos, 3.332 de compra e 105 arrendados. 177 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Problemas ao nível de Públicos Desfavorecidos ¾ Dificuldade de acesso às residências das pessoas com deficiência e idosas Não existe um levantamento rigoroso e concreto, mas sim a percepção de que o problema existe. ¾ Falta de respostas ao nível das deficiências Não existe a referência de qualquer equipamento a este nível e existem 742 indivíduos com algum tipo de deficiência (26,8% é visual; 24,8% é motora; 15,6% é auditiva; 10,2% é mental; 2,3 é paralisia cerebral; e 20,2% apresenta outro tipo de deficiência). ¾ Isolamento da População Idosa 850 agregados familiares são compostos por isolados e, destes, 78,7% têm 65 ou mais anos. ¾ Ausência de uma resposta nocturna de apoio social aos idosos Existem 8 estabelecimentos que dão apoio domiciliário; existem 4 estabelecimentos que oferecem a valência "lar de idosos" e existem 8 estabelecimentos que oferecem a valência de Centro de Dia – 4 freguesias estão equipadas com lar de idosos; 7 estão equipadas com centro de dia. Foram ainda aprovados 3 centros de noite, no entanto, torna-se necessário perceber a suficiência referente ao número de acordos realizados. ¾ Toxicodependência Existem 2 comunidades de inserção relacionadas com a toxicodependência, ambas na Freguesia de Amêndoa, e a capacidade dos equipamentos coincide com o número de utentes que dele usufruem. Contudo, foi focado que a maioria dos utentes não residem no concelho – segundo informações da CPCJ a toxicodependência é um problema pontual, não tendo uma expressão significativa no concelho. ¾ Falta de respostas ao nível da saúde mental ¾ Falta de um programa de prevenção / intervenção ao nível do alcoolismo OBSERVAÇÕES: Problemas a explorar – Dificuldade de acesso às residências das pessoas com deficiência e idosas; Ausência de uma resposta nocturna de apoio social aos idosos; e Toxicodependência. 178 Diagnóstico Social do Concelho de Mação 3. PROBLEMAS E ESTRATÉGIAS A. PRIORIZAÇÃO DOS PROBLEMAS IDENTIFICADOS Na discussão e reflexão relativa ao panorama concelhio, que foi dinamizada entre diversos interlocutores-chave, os seguintes problemas, numa análise por eixo, foram considerados os mais prioritários1: Eixo 1 – DESAFIO DA INTERIORIDADE E DE ORDENAMENTO TERRITORIAL PROBLEMAS DE INTERIORIDADE Isolamento da População (242) Desertificação / Êxodo Rural (21) Pouca fixação de jovens no concelho (21) PROBLEMAS DE PLANEAMENTO LOCAL Incêndios (26) – REFLECTIR SOBRE A PRIORIZAÇÃO DESTE PROBLEMA Degradação / desadequação / abandono habitacional (20) Falta de algumas condições de habitabilidade (18) – REFLECTIR SOBRE A PRIORIZAÇÃO DESTE PROBLEMA. PROBLEMAS DE ACESSIBILIDADES (FÍSICAS E A SERVIÇOS) Deficiente e inadequada rede de transportes, nomeadamente em termos de desfasamento de horários (24) Dificuldade de acesso aos cuidados de saúde (18) 1 No Anexo III – Identificação de Problemas é possível observar a compilação dos vários processos de recolha de informação. Cada problema foi votado segundo alguns critérios (dimensão do problema, impacto social, impacto económico, viabilidade técnica, viabilidade política, evolução do problema e atitudes da população) e com base numa escala numérica de 1 a 4. O número que aqui é apresentado corresponde ao total das pontuações atribuídas ao problema, por critério. 2 179 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Eixo 2 – DINÂMICAS INSTITUCIONAIS PROBLEMAS SUBJACENTES À INTERVENÇÃO INSTITUCIONAL Gestão fragilizada dos próprios serviços no sentido de serem facilitadores e apelativos (24) Falta de recursos humanos nas áreas da acção social, saúde e educação, traduzida na dificuldade em fixar profissionais qualificados (23) – REFLECTIR SOBRE A PRIORIZAÇÃO DESTE PROBLEMA Deficiente articulação inter-institucional, que resulta na falta de conhecimento mútuo (22) CARÊNCIAS DE EQUIPAMENTOS SOCIAIS Falta de lares para idosos (21), Ausência de respostas nocturnas também para esta população (21) – REFLECTIR SOBRE A PRIORIZAÇÃO DESTE PROBLEMA Falta de equipamentos para crianças em risco (18) – REFLECTIR SOBRE A PRIORIZAÇÃO DESTE PROBLEMA Eixo 3 – QUALIFICAÇÃO E INTEGRAÇÃO ESCOLAR E SÓCIO-PROFISSIONAL PROBLEMAS DE QUALIFICAÇÃO ESCOLAR Insucesso escolar (26) Abandono escolar (25) Desfavorecimento sócio-cultural (24) PROBLEMAS DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL Desajuste entre oferta e procura formativa (24) PROBLEMAS DE INSERÇÃO SÓCIO-PROFISSIONAL Desemprego maioritariamente feminino (24) 180 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Eixo 4 – INTERVENÇÃO DIRIGIDA A GRUPOS ESPECÍFICOS PROBLEMAS EM CONTEXTOS FAMILIARES Violência Doméstica (22) Dificuldades na gestão doméstica (22) Iliteracia familiar (22) Alcoolismo (21) Falta de um programa de prevenção / intervenção ao nível do alcoolismo (17) PROBLEMAS AO NÍVEL DE PÚBLICOS DESFAVORECIDOS Ausência de uma resposta nocturna de apoio social para idosos (21) – REFLECTIR SOBRE A PRIORIZAÇÃO DESTE PROBLEMA Falta de respostas ao nível da saúde mental (17) Os problemas anteriores reflectem as prioridades por área, no entanto, o quadro seguinte pretende identificar os problemas com maior necessidade de intervenção concelhia, independentemente dos sectores a que pertençam. Quadro 3.1– Os Top prioritários Problemas Insucesso escolar Ponderações Áreas 26 Educação Incêndios – REFLECTIR SOBRE A PRIORIZAÇÃO DESTE PROBLEMA 26 Ambiente Abandono escolar 25 Educação Desfavorecimento sócio-cultural 24 Educação Desajuste entre oferta e procura formativa 24 Formação Desemprego maioritariamente feminino 24 Emprego Isolamento da População 24 Interioridade Deficiente e inadequada rede de transportes 24 Acessibilidades Gestão fragilizada dos próprios serviços no sentido de serem facilitadores e apelativos 24 Dinâmicas Institucionais De um modo geral, é possível apontar que as grandes prioridades traduzem-se na educação e nas dinâmicas territoriais, ou seja, nos Eixos 3 e 1, respectivamente. 181 Diagnóstico Social do Concelho de Mação B. ALGUMAS LINHAS DE ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA Além da identificação de problemas e necessidades, o processo de participação junto dos actores-chave avançou ainda para o delinear de algumas pistas interventivas, traduzidas em linhas de orientação estratégica, como sejam: Eixo 1 – DESAFIO DA INTERIORIDADE E DE ORDENAMENTO TERRITORIAL PROBLEMAS DE INTERIORIDADE No sentido de colmatar este tipo de problemas (Isolamento / Desertificação / Êxodo Rural / Pouca fixação de jovens no concelho), há que continuar a investir: - na fixação de população jovem, através, por exemplo, da criação de mais postos de trabalho - na promoção de condições para a criação ( e manutenção) de empregos e empresas; - na adopção de políticas nacionais que efectivamente contribuam para a fixação de população e empresas no interior do país (incentivos fiscais ou remuneratórios para o interior, semelhantes aos das regiões autónomas, p. ex.) PROBLEMAS DE PLANEAMENTO LOCAL Na prevenção aos incêndios há que adoptar espécies florestais (e sua diversificação) menos susceptíveis à propagação dos fogos florestais. Sensibilizar para as questões ambientais, investindo na formação cívica em contexto escolar. Relativamente à Iliteracia em termos de planeamento dever-se-ia apostar na revalorização do património rural. Criar um Gabinete de Apoio e Sensibilização à recuperação do edificado Sensibilizar para a necessidade de se manter os edifícios conservados, valorizando o património edificado, através de um aumento do sentimento de identidade. Esta sensibilização junto da população poderia ser promovida através de acções de Formação / Informação 182 Diagnóstico Social do Concelho de Mação PROBLEMAS DE ACESSIBILIDADES (FÍSICAS E A SERVIÇOS) Tendo em conta a deficiente e inadequada rede de transportes, nomeadamente em termos de desfasamento de horários, há que investir: - na fixação de população jovem, através, por exemplo, da criação de mais postos de trabalho; - na promoção de condições para a criação ( e manutenção) de empregos e empresas; - na adopção de políticas nacionais que efectivamente contribuam para a fixação de população e empresas no interior do país (incentivos fiscais ou remuneratórios para o interior, semelhantes aos das regiões autónomas, p. ex.) Eixo 2 – DINÂMICAS INSTITUCIONAIS PROBLEMAS SUBJACENTES À INTERVENÇÃO INSTITUCIONAL Promover formação pessoal / motivação profissional específica e criação de recursos materiais adequados, contribuindo para uma gestão mais facilitadora e apelativa. Colmatar a deficiente articulação inter-institucional, que resulta na falta de conhecimento mútuo, por meio da criação de um nível de coordenação, a fim de desenvolver a articulação ao nível do diagnóstico, da análise, do encaminhamento, etc. Optimizar os centros culturais e recreativos para fins diversos, de apoio à comunidade CARÊNCIA AOS NÍVEL DE EQUIPAMENTOS SOCIAIS Não foram indicadas quaisquer linhas directrizes no contexto dos equipamentos sociais. 183 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Eixo 3 – QUALIFICAÇÃO E INTEGRAÇÃO ESCOLAR E SÓCIO-PROFISSIONAL PROBLEMAS DE QUALIFICAÇÃO ESCOLAR Combater o Insucesso escolar através da: - criação de mais espaços lúdicos; - disponibilização de recursos materiais Na tentativa de contornar o Abandono escolar, as políticas educativas podem passar: - pela disponibilização de recursos materiais; - pela criação de mais espaços lúdicos; - e pela formação pessoal PROBLEMAS DE INSERÇÃO SÓCIO-PROFISSIONAL Divulgar eventuais potencialidades e apoios à fixação de empresas Promover o turismo Desenvolvimento da zona industrial 184 Diagnóstico Social do Concelho de Mação Eixo 4 – INTERVENÇÃO DIRIGIDA A GRUPOS ESPECÍFICOS PROBLEMAS EM CONTEXTOS FAMILIARES Fazer um levantamento de respostas institucionais ou outras ao nível da violência doméstica Criação de equipas de acompanhamento / prevenção / Formação / Avaliação, no sentido de colmatar as eventuais dificuldades na gestão doméstica Atenuar a Iliteracia familiar por meio de Projectos de intervenção comunitária (CPCJ / Etápas); mediante a articulação com a Escola; e promovendo o envolvimento da escola na formação pessoal e social dos indivíduos Combater o alcoolismo, através de um projecto específico, aproveitando recursos das escolas Investir na Educação Parental 185 ANEXOS ANEXO I – Horários (Rodoviários e Ferroviários) Carreira Carvoeiro – Mação (1) Percurso Origem Hora Destino Carvoeiro Carvoeiro 7:50 Mação Degolados Mação 17:45 Hora Observações 8:24 Excepto Sábados Domingos e Feriados Carvoeiro 18:19 Excepto Sábados Domingos e Feriados Às 4ªs feiras do Período Escolar (excepto feriados) Cruzamento de Vale de Mua Caratão Cruzamento de Santos Casas Ribeira Mação Mação - Proença a Nova (Aldeia de Eiras (2) Mação Mação 13:30 Aldeia de Eiras 13:49 Pereiro Aldeia de Eiras 13:50 Mação 14:09 Às 4ªs feiras do Período Escolar (excepto feriados) Castelo Mação 15:15 Proença a Nova 16:28 Às 2ªs feiras das Férias Escolares Aldeia de Eiras Proença a Nova 7:50 Às 2ªs feiras das Férias Escolares 6:20 19:05 Mação Barracão Mação 20:26 Dias úteis do Periodo Escolar Chão de Lopes Proença a Nova 6:20 Mação Proença a Nova 7:50 Dias úteis do Periodo Escolar Ortiga Ortiga 6:05 Belver 6:22 Excepto Sábados Domingos e Feriados Barragem Belver / Ortiga Belver 19:22 Ortiga 19:40 Excepto Sábados Domingos e Feriados Barracão Amêndoa Cardigos Roda Vale de Cardigos Proença a Nova Ortiga - Belver Torre Limeira Torre Funcheira Belver Carreira Mação - São José da Matas (4 ) Percurso Origem Hora Destino Hora Observações Mação Mação 14:10 São José da Matas 14:55 Dias úteis do Período Escolar Furtado São José da Matas 15:00 Mação 15:45 Dias úteis do Período Escolar Vale Coelho Mação 19:05 São José da Matas 19:50 Dias úteis Envendos São José da Matas 7:50 Dias úteis 7:05 Mação Avessadas Vale da Gama São José da Matas Abrantes - Mação (Casal Barba Pouca) Abrantes Abrantes 10:00 Mação 10:54 Dias úteis das Férias Escolares Alferrarede Abrantes 18:05 Mação 19:05 Dias úteis das Férias Escolares Mouriscas Mação 8:51 Dias úteis das Férias Escolares Esc.Prep. Agrícola (X) Abrantes Penhascoso Mação 8:15 Abrantes 9:05 Casal Barba Pouca Mação 14:45 Abrantes 15:44 7:50 18:40 Abrantes Mação 19:54 Dias úteis do Período Escolar Pela A23 a partir das Mouriscas 6ª feira do Período Escolar Mação Cascalhos - Mação - Cascalhos Cascalhos Cascalhos 7:45 Mouriscas 7:52 Dias úteis do Período Escolar Castelo Mouriscas 7:35 Cascalhos 7:42 Dias úteis do Período Escolar Eng. Fundeir Cascalhos 8:29 Mação 9:12 Dias úteis do Período Escolar Mouriscas Mação 7:50 Cascalhos 8:29 Dias úteis do Período Escolar Ferrarias Cascalhos 19:14 Mouriscas 19:21 Dias úteis do Período Escolar Cabrais Mouriscas 19:07 Cascalhos 19:14 Dias úteis do Período Escolar Entre Serras Mação 16:30 Cascalhos 17:17 Dias úteis do Período Escolar Lencas Queixoperra Penhascoso Mação Carreira Abrantes - Carvoeiro - Abrantes Alvega / Ortiga (Estação) / Mação Hora Observações Abrantes Percurso Abrantes Origem 10:00 Hora Mação Destino 10:54 Dias uteis Férias Escolares Alferrarede Abrantes 18:05 Mação 19:05 Dias uteis Férias Escolares Alferrarede Velha Abrantes 12:30 Carvoeiro 14:46 Dias úteis do Periodo Escolar Mouriscas Abrantes 16:15 Penhascoso 17:15 Dias úteis do Periodo Escolar Esc.Prep. Agrícola (X) Abrantes 17:15 Alferrarede Velha 17:24 Dias úteis do Periodo Escolar Ribeira Boas Eiras Chão de Codes 18:15 Carvoeiro 19:20 Dias úteis do Periodo Escolar Casal Barba Pouca Abrantes 18:40 Mouriscas 19:07 Dias úteis do Periodo Escolar Penhascoso Abrantes 18:40 Mação 19:54 Dias úteis do Periodo Escolar Casal Barba Pouca Mouriscas 7:52 Carvoeiro 8:19 Dias úteis do Periodo Escolar Mação Mação 7:50 Carvoeiro 8:55 Dias úteis do Periodo Escolar Chão de Codes Carvoeiro 6:55 Abrantes 9:15 Dias úteis do Periodo Escolar Chão Lopes Carvoeiro 14:55 Amêndoa Mação 8:15 15:50 Mação 15:48 Dias úteis do Periodo Escolar Carvoeiro 9:05 Dias úteis do Periodo Escolar Carvoeiro 16:32 4ªas feiras das Férias Escolares 7:08 4ªas feiras das Férias Escolares Cardigos Chão de Codes Amêndoa Carvoeiro Robalo Amêndoa 7:36 6ªs feiras do Periodo Escolar Cabo Maxieira Mação 14:45 Abrantes 15:39 6ªs feiras do Periodo Escolar Carvoeiro Mação 13:30 Abrantes 14:29 Dias úteis Alvega / Ortiga (estação) Alvega / Ortiga (estação) 11:40 Mação 12:00 Dias úteis Ortiga Mação 11:00 Alvega / Ortiga (estação) 11:20 Dias uteis Mação Alvega / Ortiga (estação) 18:45 Mação 19:05 Dias úteis do Periodo Escolar Mação 18:25 Alvega / Ortiga (estação) 18:45 Dias úteis do Periodo Escolar 6:25 Chão de Codes 7:20 Mação Geral Carreira Carvoeiro - Mação Ortiga - Belver Mação - S.José das Matas Mação - Proença a Nova (Aldeia de Eiras´) Abrantes - Mação (C.B. Pouca) Cascalhos - Mação - Cascalhos O-D D -O Carvoeiro - Mação Mação- Carvoeiro 1 1 Ortiga - Belver Belver - Ortiga Total Observ. 2 Todos os dias excepto Sábados Domingos e Feriados 2 Todos os dias excepto Sábados Domingos e Feriados 1 1 Mação - S.José das Matas S.José das Matas - Mação 1 1 2 Dias úteis - Periodo Escolar 1 1 2 Dias úteis Mação - Aldeia de Eiras Aldeia de Eiras - Mação 2 Às 4 ª s feiras do Periodo Escolar (excepto feriados) 1 1 Mação - Proença a Nova Proença a Nova - Mação 1 1 2 Às 2 ª s feiras das Férias Escolares 1 1 2 Dias úteis do Periodo Escolar Abrantes - Mação Mação - Abrantes 2 1 3 Dias úteis Férias Escolares 1 1 2 Dias úteis Periodo Escolar 1 1 Às 6 ª s feiras do Periodo Escolar Cascalhos - Mouriscas Mouriscas - Cascalhos 2 2 4 Dias úteis do Periodo Escolar Cascalhos -Mação Mação - Cascalhos 1 2 3 Dias úteis do Periodo Escolar Dias úteis Carreira Carvoeiro - Mação Ortiga - Belver Mação - S.José das Matas O–D D -O Carvoeiro – Mação Mação- Carvoeiro 1 1 Ortiga - Belver Belver - Ortiga Total Observ. 2 Todos os dias excepto Sábados Domingos e Feriados 2 Todos os dias excepto Sábados Domingos e Feriados Dias úteis 1 1 Mação - S.José das Matas S.José das Matas - Mação 1 1 2 O-D D -O Total Mação - S.José das Matas S.José das Matas - Mação 1 1 Mação - Aldeia de Eiras Aldeia de Eiras - Mação Período Escolar Carreira Mação - S.José das Matas Mação - Proença a Nova (Aldeia de Eiras´) Abrantes - Mação Cascalhos - Mação - Cascalhos 1 1 Mação - Proença a Nova Proença a Nova - Mação Observ. 2 Dias úteis - Periodo Escolar 2 Às 4 ª s feiras do Periodo Escolar (excepto feriados) 2 Dias úteis do Periodo Escolar 1 1 Abrantes - Mação Mação - Abrantes 1 1 2 Dias úteis Periodo Escolar 1 1 Às 6 ª s feiras do Periodo Escolar Cascalhos - Mouriscas Mouriscas - Cascalhos 4 Dias úteis do Periodo Escolar 3 Dias úteis do Periodo Escolar 2 2 Cascalhos -Mação Mação - Cascalhos 1 2 Férias Escolares Carreira O-D D -O Mação - Proença a Nova Proença a Nova - Mação Total Observ. Mação - Proença a Nova (Aldeia de Eiras) Abrantes - Mação (C.B. Pouca) 1 1 Abrantes - Mação Mação - Abrantes 2 1 2 Às 2 ª s feiras das Férias Escolares 3 Dias úteis Férias Escolares Oferta de serviços ferroviários 2004 (CP) Origem /Destino Notas ALVEGA-ORTIGA BARRAGEM DE BELVER BELVER BARCA DA AMIEIRAENVENDOS Covilhã Diário - R 11:35 Diário - IR 14:27 Diário - R 18:41 Excepto Domingos - R 3:00 Castelo Branco Só se efectua às sextas-feiras se não coincidirem com um feriado oficial neste caso realiza-se à quintafeira - R 22:24 11:40 11:49 --14:36 18:46 18:51 3:05 3:10 22:29 22:33 12:02 14:50 19:04 3:23 22:46 Origem /Destino Notas Lisboa -Santa Apolónia Diário - IR Diário R ALVEGA-ORTIGA 11:57 16:11 BARRAGEM DE BELVER 11:51 16:04 BELVER BARCA DA AMIEIRAENVENDOS 11:47 15:59 11:33 15:46 Origem /Destino Notas ALVEGA-ORTIGA BARRAGEM DE BELVER BELVER BARCA DA AMIEIRAENVENDOS Lisboa -Santa Apolónia Entroncamento a b 20:42 20:42 --- --- 20:32 20:32 20:19 20:19 a - Efectua-se ao domingo excepto se segunda-feira seguinte for feriado oficial, efectuando-se neste caso na segunda-feira. Efectua-se às sextas-feiras excepto se coincidir com feriado oficial, efectuandose neste caso na quinta-feira anterior.- R b - Terça, Quarta, Sábado, Domingo se véspera de feriado, Sexta Feriado, Segunda não feriado, Quinta não véspera de feriado ANEXO I – Dimensão dos Lugares População Residente segundo a Dimensão dos Lugares Nº Lugares - 100 Hab. 100 - 199 200 - 499 500 - 999 1000 - 1999 Isolados 60 67 31 23 3 1 Total 125 81 91 População Residente Variação Lugares 76 17 11 2 1 84 10 9 1 1 01 89 7 8 1 1 60 3633 4370 6988 2519 1321 214 81 3887 2387 3209 1351 1183 217 91 3622 1424 2779 647 1376 212 01 2959 1057 2276 535 1343 272 107 105 106 19045 12234 10060 8442 60-81 81-91 91-01 Variação População 9 -14 -12 -1 0 0 8 -7 -2 -1 0 0 5 -3 -1 0 0 0 81-01 13 -10 -3 -1 0 0 60-81 254 -1983 -3779 -1168 -138 3 81-91 -265 -963 -430 -704 193 -5 91-01 -663 -367 -503 -112 -33 60 81-01 -1133 -1347 -933 -816 343 31 -18 -2 1 -1 -6811 -2174 -1618 -3855 Fonte: INE, Censos População Residente segundo a Dimensão dos Lugares (%) % Lugares - 100 Hab. 100 - 199 200 - 499 500 - 999 1000 - 1999 Isolados Total 60 53,6 24,8 18,4 2,4 0,8 0,0 100,0 Fonte: INE, Censos 81 71,0 15,9 10,3 1,9 0,9 0,0 100,0 91 80,0 9,5 8,6 1,0 1,0 0,0 100,0 % População Residente 2001 84,0 6,6 7,5 0,9 0,9 0,0 100,0 60 19,1 22,9 36,7 13,2 6,9 1,1 100,0 81 31,8 19,5 26,2 11,0 9,7 1,8 100,0 91 36,0 14,2 27,6 6,4 13,7 2,1 100,0 2001 35,1 12,5 27,0 6,3 15,9 3,2 100,0 Taxa Variação Lugares Taxa Variação População 60-81 13,43 -45,16 -52,17 -33,33 0,00 81-91 10,53 -41,18 -18,18 -50,00 0,00 91-01 5,95 -30,00 -11,11 0,00 0,00 81-01 17,11 -58,82 -27,27 -50,00 0,00 -14,40 -1,87 0,95 -0,93 60-81 6,99 -45,38 -54,08 -46,37 -10,45 1,40 -35,76 81-91 -6,82 -40,34 -13,40 -52,11 16,31 -2,30 -17,77 91-01 -18,30 -25,77 -18,10 -17,31 -2,40 28,30 -16,08 81-01 -29,15 -56,43 -29,07 -60,40 28,99 14,29 -31,51 Lugares segundo o Número de Habitantes por Freguesia Lugares <100 Hab. Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Conc. Mação Fonte: INE Censos Lugares 100-199 Hab. % Lugares 200-499 Hab. % Lugares 500-999 Hab. % Lugares 1000-1999 Hab. % Total Lugares % % 1960 3 2,40 1 0,80 2 1,60 0 0,00 0 0,00 6 4,80 1981 3 2,80 0 0,00 2 1,87 0 0,00 0 0,00 5 4,67 1991 3 2,86 0 0,00 2 1,90 0 0,00 0 0,00 5 4,76 2001 3 2,83 0 0,00 2 1,89 0 0,00 0 0,00 5 4,72 1960 13 10,40 3 2,40 3 2,40 0 0,00 0 0,00 19 15,20 1981 14 13,08 1 0,93 2 1,87 0 0,00 0 0,00 17 15,89 1991 14 13,33 2 1,90 0 0,00 0 0,00 0 0,00 16 15,24 2001 15 14,15 2 1,89 0 0,00 0 0,00 0 0,00 17 16,04 1960 20 16,00 5 4,00 4 3,20 0 0,00 0 0,00 29 23,20 1981 19 17,76 3 2,80 2 1,87 0 0,00 0 0,00 24 22,43 1991 23 21,90 0 0,00 2 1,90 0 0,00 0 0,00 25 23,81 2001 24 22,64 0 0,00 2 1,89 0 0,00 0 0,00 26 24,53 1960 12 9,60 7 5,60 1 0,80 0 0,00 0 0,00 20 16,00 1981 14 13,08 3 2,80 0 0,00 0 0,00 0 0,00 17 15,89 1991 14 13,33 2 1,90 0 0,00 0 0,00 0 0,00 16 15,24 2001 15 14,15 1 0,94 0 0,00 0 0,00 0 0,00 16 15,09 1960 8 6,40 7 5,60 4 3,20 1 0,80 0 0,00 20 16,00 1981 12 11,21 3 2,80 2 1,87 0 0,00 0 0,00 17 15,89 1991 15 14,29 1 0,95 2 1,90 0 0,00 0 0,00 18 17,14 2001 15 14,15 0 0,00 2 1,89 0 0,00 0 0,00 17 16,04 1960 9 7,20 6 4,80 5 4,00 0 0,00 1 0,80 21 16,80 1981 11 10,28 4 3,74 2 1,87 0 0,00 1 0,93 18 16,82 1991 11 10,48 3 2,86 1 0,95 0 0,00 1 0,95 16 15,24 2001 12 11,32 3 2,83 0 0,00 0 0,00 1 0,94 16 15,09 1960 1 0,80 1 0,80 0 0,00 1 0,80 0 0,00 3 2,40 1981 2 1,87 0 0,00 0 0,00 1 0,93 0 0,00 3 2,80 1991 2 1,90 0 0,00 0 0,00 1 0,95 0 0,00 3 2,86 2001 2 1,89 0 0,00 0 0,00 1 0,94 0 0,00 3 2,83 1960 1 0,80 1 0,80 4 3,20 1 0,80 0 0,00 7 5,60 1981 1 0,93 3 2,80 1 0,93 1 0,93 0 0,00 6 5,61 1991 2 1,90 2 1,90 2 1,90 0 0,00 0 0,00 6 5,71 2001 3 2,83 1 0,94 2 1,89 0 0,00 0 0,00 6 5,66 1960 67 53,60 31 24,80 23 18,40 3 2,40 1 0,80 125 100,00 1981 76 71,03 17 15,89 11 10,28 2 1,87 1 0,93 107 100,00 1991 84 80,00 10 9,52 9 8,57 1 0,95 1 0,95 105 100,00 2001 89 83,96 7 6,60 8 7,55 1 0,94 1 0,94 106 100,00 Evolução do Número de Lugares por Freguesia segundo a sua Dimensão Lugares Taxa <100 Hab. Variação Aboboreira Amêndoa Cardigos Carvoeiro Envendos Mação Ortiga Penhascoso Conc. Mação Fonte: INE Censos 1960 3 Lugares 100-199 Hab. Taxa Variação 1 Lugares 200-499 Hab. Taxa Variação 2 Lugares 500-999 Hab. Taxa Variação 0 Lugares 1000-1999 Hab. Taxa Variação 0 Total Lugares Taxa Variação 6 1981 3 0,00 0 -100,00 2 0,00 0 0,00 0 0,00 5 -16,67 1991 3 0,00 0 0,00 2 0,00 0 0,00 0 0,00 5 0,00 2001 3 0,00 0 0,00 2 0,00 0 0,00 0 0,00 5 0,00 1960 13 1981 14 7,69 1 -66,67 2 -33,33 0 0,00 0 0,00 17 -10,53 1991 14 0,00 2 100,00 0 -100,00 0 0,00 0 0,00 16 -5,88 2001 15 7,14 2 0,00 0 0,00 0 0,00 0 0,00 17 6,25 1960 20 1981 19 -5,00 3 -40,00 2 -50,00 0 0,00 0 0,00 24 -17,24 1991 23 21,05 0 -100,00 2 0,00 0 0,00 0 0,00 25 4,17 2001 24 4,35 0 0,00 2 0,00 0 0,00 0 0,00 26 4,00 3 3 5 0 4 7 0 0 1 19 0 1960 12 1981 14 16,67 3 -57,14 0 -100,00 0 0,00 0 0,00 17 -15,00 1991 14 0,00 2 -33,33 0 0,00 0 0,00 0 0,00 16 -5,88 2001 15 7,14 1 -50,00 0 0,00 0 0,00 0 0,00 16 0,00 1960 8 1981 12 50,00 3 -57,14 2 -50,00 0 -100,00 0 0,00 17 1991 15 25,00 1 -66,67 2 0,00 0 0,00 0 0,00 18 5,88 2001 15 0,00 0 -100,00 2 0,00 0 0,00 0 0,00 17 -5,56 7 0 29 4 6 0 1 5 20 0 9 1981 11 22,22 4 -33,33 2 -60,00 0 0,00 1 0,00 18 -14,29 1991 11 0,00 3 -25,00 1 -50,00 0 0,00 1 0,00 16 -11,11 2001 12 9,09 3 0,00 0 -100,00 0 0,00 1 0,00 16 0,00 1960 1 0 1 -15,00 1960 1 0 20 1 21 0 3 1981 2 100,00 0 -100,00 0 0,00 1 0,00 0 0,00 3 0,00 1991 2 0,00 0 0,00 0 0,00 1 0,00 0 0,00 3 0,00 2001 2 0,00 0 0,00 0 0,00 1 0,00 0 0,00 3 0,00 1960 1 1981 1 0,00 1 3 200,00 4 1 -75,00 1 0,00 0 0,00 6 -14,29 1991 2 100,00 2 -33,33 2 100,00 0 -100,00 0 0,00 6 0,00 2001 3 50,00 1 -50,00 2 0,00 0 0,00 0 0,00 6 0,00 1960 67 1981 76 13,43 17 -45,16 11 -52,17 2 -33,33 1 0,00 107 -14,40 1991 84 10,53 10 -41,18 9 -18,18 1 -50,00 1 0,00 105 -1,87 2001 89 5,95 7 -30,00 8 -11,11 1 0,00 1 0,00 106 0,95 31 1 23 0 3 7 1 125