História e Desporto
A família Herédia e o Olimpismo
Francisco J. V. Fernandes
Introdução
Aquelle cantinho fresco e aprazível da Tapada, onde se realisam de
costume os torneios de tiro aos pombos, animou-se na tarde com a
‘poule de epée’ á qual concorreram numerosos esgrimistas. As
carruagens deixavam os convidados á entrada do recinto e na
barraca do jury apareciam as senhoras da nossa primeira sociedade
que iam assistir ao torneio. Dentro em pouco chegavam S. M. el-rei,
S. M. a rainha senhora D. Maria Pia, S. M. a rainha D. Amélia e S. A.
R. o senhor Infante D. Affonso.
Começou então o torneio, no qual tomaram parte os senhores
Sebastião Herédia 1 , Vieira da Silva, Pinto Bastos, Mário Duarte,
Cândido Fernandes, César de Mello, Eduardo Romero, Solano e
Leone.
Ficaram vencedores os srs. Herédia, Candido Fernandes, Mário
Duarte e Romero. N’um intervallo houve um desafio entre os srs.
Furtado Coelho e barão do Lago. Dirigiram o torneio os srs. António
Martins e visconde de Reguengos (filho)2.
Figura 1 - O pavilhão do ‘jury’.
Onde SS. MM. as rainhas senhoras D. Maria Pia e D. Amélia assistiram ao torneio. [Em
primeiro plano el-rei D. Carlos]
Fonte: Foto e Legenda da Illustração Portugueza, 2 de maio de 1904, p.412.
1
O torneio descrito pela Illustração Portugueza foi integrado no baile e kermesse
de caridade realizado no Palácio Foz, residência do ‘ministro da América’, Mr.
Page Bryan, e ocorreu no dia 25 de abril de 1904.
A seleção deste extrato e foto da Illustração Portugueza para nota introdutória
desta não exaustiva referência histórica ao percurso desportivo-olímpico da
família Herédia é, quanto a nós, ilustrativo do desporto e dos protagonistas
desportivos que, no início do século XX, pontuavam em Portugal: ambiente de
elite, associação das práticas desportivas com as vivências sociais,
envolvimento aristocrático, em particular marcado pela assídua presença de
membros da família real, neste caso o próprio rei D. Carlos e a rainha D.
Amélia.
Não é de estranhar a presença de D. Carlos, ele próprio desportista e patrono
desportivo, como bem ficou demonstrado no primeiro número da coleção
Estudos Olímpicos, assinado por Gustavo Pires, na qual o presente título se
insere3.
(…) D. Carlos foi também um desportista de reconhecidos méritos.
Ele foi justamente considerado o primeiro ‘sportsman’ português.4
O mesmo autor, na introdução à obra referida, ao abordar os primórdios do
Desporto em Portugal, refere:
O desporto em Portugal desenvolveu-se a partir das mais diversas
atividades recreativas esporádicas, ligadas ao cultivo das terras, à
faina do mar, às artes e aos ofícios, à instrução militar e aos
trabalhos do circo, durante toda a segunda metade do século XIX,
bem como a partir de atividades do ponto de vista desportivo mais
consistentes, organizadas já entre o final do século XIX e o início do
século XX, de acordo com o paradigma do industrialismo que
determinava a organização do trabalho por toda a Europa. Esta
dinâmica ficou, em grande medida, a dever-se à Família Real e, em
especial, ao empenho de D. Carlos, que foi um entusiástico
desportista, praticante de várias modalidades e, de uma maneira
geral, um amante desinteressado das coisas da educação física e do
desporto5.
2
Gustavo Pires estabelece uma primeira ponte entre o desporto português e o
Movimento Olímpico em Portugal:
Contudo, esta faceta do Monarca, nos estudos realizados acerca da
sua vida, não tem sido verdadeiramente considerada, distração de
lesa-majestade, tanto mais que, hoje, se sabe que o Monarca, para
além de nos seus tempos de lazer se ter dedicado à ciência e à
pintura com reconhecida competência, foi, também, um dedicado
desportista e o grande responsável pela introdução do Movimento
Olímpico em Portugal6.
Não se estranha, por isso, a sua presença, e a da rainha, num evento desta
natureza.
Os prémios foram distribuídos por S. M. a rainha D. Amélia e
constavam de uma bandeja de prata oferta de S. M. el-rei, que foi
ganha pelo sr. Herédia, um par de floretes e um estojo com
cigarreira, que foram ganhos pelos srs. Candido Fernandes e
Romero7.
O envolvimento real na esgrima8 data do primeiro torneio sénior realizado em
12 de maio de 1900 na sala Portugal da Sociedade de Geografia, assim
relatado pelo jornal O Dia:
(…) foi também disputada uma ‘poule’ de seniores, facto igualmente
de salientar, pois terá sido a primeira vez em Portugal que
esgrimistas conhecidos concordaram em submeter-se ao veredicto
dos toques. A ‘poule’ foi ganha pelo ‘distinto amador’, senhor
Sebastião Herédia que recebeu um estojo com cigarreira e fosforeira
de prata lavrada e oxidada oferecida pela Rainha (…).
Todavia, pese embora a inevitabilidade das referências históricas, desportivas
e culturais que contextualizam no tempo o objetivo destas linhas, o seu fim
último é o de dar à família Herédia o relevo que lhe cabe na história do
desporto português da primeira metade do século XX e, em particular, à
participação olímpica de alguns dos seus elementos.
Mais do que isso, pretende-se desfazer um equívoco recorrente que a literatura
atinente vem cometendo, em parte devido à parcial coincidência de nomes
entre D. Sebastião Sancho Gil de Borja de Macedo e Meneses Correia Herédia
e D. Sebastião de Freitas Branco Herédia, pai e filho (respetivamente filho e
3
neto de D. Francisco Correia Herédia, visconde da Ribeira Brava 9 ) ambos
participantes em ‘Amsterdão-1928’, o primeiro em Esgrima/Florete, o segundo
em Pentatlo Moderno, facto que cremos único na participação olímpica
portuguesa - pai e filho na mesma edição dos Jogos Olímpicos – a que se
acrescenta, ainda na mesma edição dos Jogos, a participação de outro
membro da família Herédia – António Guedes de Herédia, que viria a participar
também em Berlim–1936 e Londres–1948, na modalidade de Vela.
E falamos de equívoco recorrente, pois a maioria das referências que a
literatura contém, identifica os dois primeiros apenas como ‘Sebastião Herédia’,
sendo que alguns autores assumem claramente que se trata de um único
atleta, como é o caso, p.e., da edição de 2008 da Associação de Atletas
Olímpicos de Portugal10 que, a p. 256, e sob uma foto de Sebastião Herédia
(filho), considera-o como tendo participado em 1928 em Esgrima e Pentatlo
Moderno (quando só participou na segunda destas modalidades), e como
sendo uma das mais marcantes figuras dos primeiros anos do desporto em
Portugal, um dos seus mais arrebatados pioneiros, referindo-o ainda como uma
estrela do ciclismo em Paris, tendo o seu nome chegado a ser falado para
representar a França em Atenas–1896. Ora, tais feitos, que aliás necessitam
ser melhor investigados, o que procuraremos fazer, não são de Sebastião
Herédia (filho), mas de seu pai, bastando para o concluir, se outras provas não
sobrassem, que SH (filho) nasceu em 1903, não se lhe podendo atribuir factos
ocorridos em 1896... A mesma publicação prossegue o equívoco da confusão
entre os dois atletas ao afirmar, a p. 257, que Sebastião Herédia se tornou
olímpico em Amesterdão–1928 em duas frentes, Esgrima e Pentatlo Moderno,
o que é incorreto, como adiante deixaremos bem provado.
No mesmo lapso incorre o artigo Do visconde de esgrima, as armas que
mataram o rei…11, ao afirmar:
(…) E Sebastião de Herédia, o filho [do visconde da Ribeira Brava],
(…) tornou-se figura incontornável no desporto nacional: com o
ciclismo a dar os primeiros passos ganhou várias corridas em Paris,
os franceses chegaram a colocar hipótese de o levar em 1896 a
Atenas à primeira edição dos Jogos Olímpicos, deixaram-na cair por
ser português, (…) e já engenheiro químico pelo IS Técnico,
representou Portugal no pentatlo moderno dos Jogos Olímpicos de
1928 e 1932.
4
em que a primeira referência deve ser creditada a Sebastião Herédia (18871958) e a segunda ao seu filho Sebastião de Freitas Branco Herédia (19031983), que efetivamente participou em Pentatlo Moderno em 1928 e em 1932.
Não vai, porém, nestas linhas, cujo objetivo mais não é o de que repor a
verdade histórica e dar relevo aos feitos desportivos e atléticos de membros da
família Herédia, qualquer crítica menos construtiva aos que, em livros, artigos e
preleções, se têm ocupado de trazer ao público, factos e episódios que
contribuem para um mais completo conhecimento da história do desporto
português e dos seus protagonistas. Por outro lado, há que reconhecer que os
meios para registo e divulgação existentes no final do século XIX e primeira
metade do século XX eram manifestamente insuficientes, e sabe-se da
dificuldade de acesso que ainda existe quanto à consulta de arquivos
institucionais que tardam em tornar-se públicos. O recurso aos jornais e aos
relatos dos repórteres torna-se assim numa fonte histórica relevante.
Tratando-se de uma matéria em que os estudos profundos rareiam, natural se
torna que as primeiras investigações sejam marcantes para a toda a literatura
que se seguiu, repetindo-se erros, omissões e incorreções, como se de
verdades confirmadas se tratassem.
Assim aconteceu efetivamente neste caso, tanto é que, por exemplo, o site
www.sports-reference.com/olympics/athletes, usado como fonte em quase toda
a literatura que se ocupa dos resultados olímpicos, incorre no mesmo erro ao
considerar Sebastião Herédia (1903-1983) como tendo participado em Esgrima
e Pentatlo Moderno
5
Figura 2 - Ficha de Sebastião Herédia do Sports Reference.
Todos os dados são de Sebastião de Freitas Branco Herédia, mas a participação em Esgrima
(Florete) foi de seu pai Sebastião de Sancho Herédia.
Fonte: http://www.sports-reference.com/olympics/athletes/he/sebastiao-heredia-1.html,
consultado em 30/08/2013.
As fontes dos equívocos não se limitam às acima descritas. Por infeliz
coincidência, uma das fotos mais divulgadas da representação portuguesa a
Amsterdão-1928 e divulgada em várias publicações surge quase sempre
cortada do lado esquerdo do observador, sendo perfeitamente visível esse
corte, o qual exclui da foto, entre outros, Sebastião Herédia (pai), Sebastião
Herédia (filho) e António Guedes de Herédia.
Figura 3 - Representação Portuguesa a Amsterdão-1928.
Nota: Foto cortada. São visíveis apenas 17 elementos.
6
Fonte: Portugal nos Jogos Olímpicos do Século XX, Pinto, R. A., p. 51.
Numa outra foto, o grupo surge maior, mas é ainda mais evidente que há um
corte do lado esquerdo.
Figura 4 - Representação Portuguesa a Amsterdão-1928.
Nota: Foto cortada. São visíveis apenas 20 elementos.
Fonte: Jogos Olímpicos 1986 Atenas 2004, QuuidNovi, p. 64.
E, finalmente, uma foto completa, com todos os Herédia presentes em
Amsterdão-1928 (em 2.º lugar, de pé, da esquerda para a direita, Sebastião
Herédia (pai) e, em 1.º e 2.º lugares, sentados, da esquerda para a direita,
Sebastião Herédia (filho) e António Guedes de Herédia, surge em Os Jogos
Olímpicos, de Carlos Paula Cardoso (CTT – Clube do Coleccionador, 1996).
7
Figura 5 - Representação Portuguesa a Amsterdão-1928.
Nota: São visíveis os 23 elementos da comitiva.
Fonte: Os Jogos Olímpicos (Cardoso, C. P.), p. 90.
Diga-se, porém, em abono da verdade, que ao consultar os jornais da época
esta confusão se desfaz facilmente, conforme adiante referiremos, estando
expressamente referida a presença de pai e filho, sendo de relevar a este
propósito a importante investigação de José Valarinho sobre a Esgrima
Portuguesa 12 , que não deixa dúvidas quanto à participação de Sebastião
Herédia (pai), e às circunstâncias em que este exímio esgrimista, então com 52
anos, integrou a representação portuguesa.
De igual forma, ao consultar o Official Report de Amsterdão-1928, não restará
qualquer dúvida quando à participação de ambos.
Por seu lado, António Guedes de Herédia (sobrinho e primo dos antes
referidos) surge na modalidade de Vela em Amsterdão-1928, Berlim-1936 e
Londres-1948, feito que, não sendo único entre os olímpicos portugueses, não
deixa de ser relevante, tanto mais por se tratar de um desportista emérito que
se notabilizou em várias áreas desportivas, designadamente nos desportos
náuticos e no automobilismo.
Finalmente, não podemos deixar de dedicar espaço a Maria Luísa de Freitas
Branco de Herédia (1905-1961), médica, irmã de Sebastião de Freitas Branco
Herédia, que foi membro da Comissão Técnica do COP, em particular pela
posição marcante e, para a época, destemida e progressista, na defesa do
desporto feminino e da participação das mulheres nos Jogos Olímpicos. Se
8
hoje tal se nos afigura como perfeitamente normal, recordo aqui a opinião de
Raul de Oliveira, um dos mais prestigiosos jornalistas desportivos portugueses,
que foi diretor de Os Sports e do Mundo Desportivo, enviado especial a
Amsterdão-1928 pel’ O Diário de Notícias, em comentário extremamente
reprovativo relativamente à participação das mulheres nas provas de Atletismo,
opinião que era, aliás, partilhada por diversos comentadores e parte da opinião
pública portuguesa:
Hoje também tivemos meninas no campo. Deitaram fora o último
cigarro e envergaram pudicamente umas calças de homem para
aparecerem no estádio.
Saltitam aqui e além para aquecer os músculos. Algumas são
magrinhas e confundem-se facilmente com o bicho macho.
A luta entre as pequenas é uma coisa épica, absolutamente à
maneira dos homens (…).
(…) Mas protesto e protestarei sempre contra este espectáculo
inestético e nada feminino das mulheres correrem e saltarem como
os homens. Protesto e protestarei sempre contra esta nova espécie
de macho-fêmea e contra quem as tolera, contra quem as aplaude,
contra quem lhes deu acesso ao terreno, onde apenas deve imperar
a virilidade dos homens. E àqueles que não concordarem comigo
direi apenas que se lembrem do respeito que devem às suas mães.
Esta posição, porém, contrasta com a que, já na época, era defendida quanto à
participação feminina na prática desportiva, entre as quais a protagonizada por
Luísa Herédia, como adiante veremos.
Pinheiro e Coelho (2012)13, citam a revista Sporting de 10/10/1923:
Além das tradicionais temáticas doutrinais sobre a importância do
desporto e da educação física na sociedade portuguesa, a linha
editorial da revista Sporting, foi igualmente incisiva na defesa do
desporto feminino e de um novo papel social para a mulher
portuguesa. A redactora Maria Faria Moura era a principal
responsável por este linha editorial, conseguindo mesmo levar para
a primeira página do jornal, por diversas vezes o desporto feminino,
sobretudo por ocasião da visita a Portugal de clubes estrangeiros de
futebol feminino.
Isto numa altura em que a prática desportiva feminina era uma
raridade entre nós. Mas convém relembrar que esta preocupação
editorial tinha já bastante tradição em Portugal, designadamente da
acção de periódicos como Os Sports (Lisboa, 1905-1909), Sport
Nacional (Lisboa, 1910) ou Os Sports Illustrados (Lisboa, 1910-
9
1913), que apresentaram secções de desporto feminino, insistindo
na importância do seu desenvolvimento no território nacional14.
Os Herédia da Madeira
Em jeito de dedicatória, endereçámos este trabalho aos descendentes
daqueles que a História e a Literatura vêm chamando os Herédia da Madeira,
família de origem espanhola que arriba à Ilha da Madeira em 1602, em pleno
domínio Filipino, sendo o primeiro a ali chegar António de Herédia que entra
em Portugal com as tropas do Duque de Alba, sendo depois encarregue de
dirigir, como capitão de companhia, o presídio castelhano existente na Madeira,
na Fortaleza de São Lourenço.
Por essa razão fazemos uma pequena viagem pela genealogia da família,
como forma de referir todos os descendentes do primeiro dos Herédia, fazendo
desde já uma ressalva para eventuais erros, omissões ou desatualização de
que a mesma possa enfermar.
A linha genealógica dos Herédia radica, conforme Sousa Lara et al (1999)15,
em:
1. D. Juan de Herédia, em 1550 alcaide de Touxirola (Espanha), Mestre de
Campo em Flandres e Itália, governador de Verxa e Anduxar, falecido em
1560, sendo seu filho, com idêntico nome:
2. D. Juan de Herédia, Alcaide de Tourixola, Mestre de Campo e Governador
de Verxa, que casou com D. Isabel de Aroca, e tiveram:
3. D. Cristobal de Herédia que, por sua vez casou com D. Francisca de
Morales, e tiveram:
4. D. António de Herédia.
10
António de Herédia (c.1560-1624), o primeiro Herédia que veio para a
Madeira
Na sua notável obra, Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal,
dedicada a Sua Magestade Fidelíssima El-Rei o Senhor D. Luiz I, Albano da
Silveira Pinto (visconde de Sanches Brena)16, aponta D. António Herédia, como
o primeiro deste apelido que se estabeleceu na Ilha na Madeira. Era natural de
Ávila, em Castela, onde nasceu cerca de 1560, tendo falecido em Oleiros
(Madeirã) em 16 de março de 1624.
Casou nas Ilhas Canárias com D. Anna de Cubas, e com esta sua
mulher se passou para a Madeira com o posto de Governador da
gente de guerra paga, que nesta ilha tinham os castelhanos nos
últimos anos da nossa sugeição. M. em 12 de Março de 1624 com
larga sucessão, e d’elle são hoje seus legítimos representantes os
Viscondes da Ribeira Brava17.
De acordo com Sousa Lara et al (1999)18, António de Herédia (§4) entrou em
Portugal em 1580 com o exército do Duque de Alba, passando à Madeira em
1602 como capitão da Companhia do Presídio Castelhano do Funchal de que,
posteriormente, foi Comandante. Exerceu interinamente as funções de
Governador da Madeira. Tiveram:
5. D. Sancho Herédia, que segue.
5. D. Francisca de Herédia.
D. Sancho de Herédia, nascido em setembro de 1613 e casou com Ana
Velosa. Tiveram:
6. D. João de Herédia, nascido em janeiro de 1637, faleceu em 16 de janeiro
de 1711, casou com D. Maria de Brito de Bettencourt.
Tiveram:
7. D. Sancho Bernardo de Brito de Herédia, nascido c. 1690, casou a 8 de maio
de 1713 com D. Maria Francisca de Menezes.
Tiveram:
11
8. D. Sancho Gaspar de Brito Leal de Herédia, que segue.
8. D. Catarina Isabel de Brito Leal de Herédia, nascida a 22 de abril de 1714,
casou c.1731 com Manuel Correia de Aragão e Melo.
Tiveram:
9. Francisco Moniz de Herédia de Aragão e Melo, que casou com sua prima
direita D. Francisca de Brito Leal de Herédia, adiante neste §, n.º 9.
8. D. Sancho Gaspar de Brito Leal de Herédia, capitão-mor da Ribeira Brava,
casou com D. Ana Margarida de Bettencourt de Sá Vilela Acciaiuoli.
Tiveram:
9. D. Francisca de Brito Leal de Herédia, que segue.
9. D. Ana Margarida de Bettencourt e Sá Acciaiuoli, casou com Francisco João
Escórcio Drumond Moniz de Menezes da Câmara.
Tiveram:
10. D. Ana Margarida de Bettencourt Acciaiuoli e Sá Escórcio Drumond, que
casou com seu primo co-irmão Francisco Corrêa de Herédia, adiante neste §,
n.º 10.
9. D. Francisca de Brito Leal de Herédia casou com seu primo Francisco Moniz
de Herédia de Aragão e Melo, atrás neste §, nº 9.
Teve, primogénito:
10. Francisco Corrêa de Herédia, nascido na Madeira a 4 de julho de 1793 e
falecido em Lisboa a 27 de julho 1880. Pertenceu ao Conselho de Sua
Majestade Foi deputado da Madeira na Sessão Legislativa de 1842 e 1845,
Presidente da Junta Governativa que se organizou na Ilha da Madeira quando
do movimento da Maria da Fonte, Presidente da Câmara do Funchal,
Governador Civil interino deste distrito. Casou com a sua prima co-irmã, D. Ana
Margarida de Bettencourt Acciaiuoli e Sá Escórcio Drumond, acima, neste §,
n.º 10.
Tiveram, entre outros:
11. António Correia de Herédia, nascido na Madeira em 2 de março de 1822,
faleceu em Lisboa em 23 de junho de 1899. Foi Presidente da Câmara do
Funchal, Secretário-geral do Distrito e Governador Civil do Funchal; Diretor das
Alfândegas do Funchal, Porto e Lisboa; Diretor-Geral das Alfândegas; Par do
12
Reino; Deputado pela Madeira nas Sessões Legislativas de 1857-58, 1858-59,
1865-1868. Casou com D. Ana de Bettencourt.
Em 1871, El-Rei D. Luís I decide por respeito ao notável trabalho humanitário
desenvolvido na Madeira por António Correia de Herédia, hexaneto do acima
referido António Herédia, primeiro Herédia que passou à Madeira, atribuir-lhe o
título de Visconde. Porém, António Correia Herédia recusa o título nobiliárquico
em favor de seu filho, Francisco Correia Herédia (1852-1918), que assim
assume o título de Visconde da Ribeira Brava.
Figura 6 - Brasão de Armas dos Herédia
Fonte: A.S. Pinto (1890), Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal, p: 408
(Escudo partido em pala; na primeira as armas dos Corrêas de Paio Ramires, e na segunda as
dos Heredias.— Timbre o dos Corrêas).
Segundo a fonte mencionada, o brasão de armas dos Herédia, surgir com
coroa de conde. Porém, refere que, segundo outras fontes, como Nobreza de
Portugal e do Brasil - Armorial Lusitano,19 é aceite como dado adquirido que a
família Herédia em Espanha e em Portugal usou como brasão de armas o
escudo pleno em campo vermelho com cinco castelos de prata, postos em
sautor e timbre com castelo das armas.
13
Figura 7- Brasão de Armas dos Herédia
Fonte: Zuquete, A.M. (2000), Armorial Lusitano, pag, 274.
(De vermelho, com cinco castelos de prata, postos em sautor. Timbre: um castelo do escudo)
Para o título de visconde da Ribeira Brava foram concedidas novas armas para
diferenciação com escudo partido de Correias e Herédias com coroa de
visconde e timbre dos Correia. A representação proposta por A.S. Pinto (1890),
apresenta uma composição de armas espanholas antigas com uma única torre
ladeada por dois lobos rompentes e coroa de conde.
No solar dos Herédia, hoje Câmara Municipal da Ribeira Brava, está exposto
num painel de azulejos as armas dos Herédia com o desenho da base duma
coroa encimada por uma “barreta” de fantasia que pode ser o que restou de
cordão de tecido que fica normalmente assente sobre o elmo e de onde parte o
paquife ou panejamento decorativo que evoca o lenço de proteção do pescoço
dos cavaleiros20.
14
Figura 8 - Brasão dos Herédia da Madeira
Fonte: Foto obtida no Solar dos Herédia, Ribeira Brava
Efetivamente, os cinco castelos em sautor voltam a surgir no atual Salão Nobre
da Câmara Municipal da Ribeira Brava, no brasão esquartelado Correia,
Herédia, Brito e Bettencourt, bem como na representação em pedra de cantaria
existente no já mencionado Solar dos Herédia, igualmente encimado pela já
mencionada ‘barreta’ de fantasia.
Figura 9 - Brasão esquartelado Correia, Herédia, Brito e Bettencourt.
(Salão Nobre da C. M. da Ribeira Brava)
15
Figura 10 - Brasão da fachada do Solar dos Herédia.
(Salão Nobre da C. M. da Ribeira Brava)
Genealogia dos Herédia (a partir de Francisco Correia de Herédia)
§ 1.º
Francisco Correia de Herédia, natural da Ribeira Brava (Madeira), nascido a 2
de abril de 1852, falecido em Lisboa, assassinado durante a leva da morte,
aquando de uma transferência de presídio, ocorrida a 16 de outubro de 1918
durante o consulado de Sidónio Pais, Visconde da Ribeira Brava, filho de
António Correia Herédia e de Ana de Bettencourt de Sá Esmeraldo Herédia,
casou em Lisboa em 1867 com Joana Gil de Borja de Macedo e Menezes
Correia Herédia, natural de Lisboa (?), nascida em 8 de abril de 1851, falecida
na Madeira em 4 de setembro de 1925, filha de D. Sebastião de Gil Tojo de
Borja de Macedo e Menezes, e de D. Mariana de Assunção da Gama Lobo
Pimentel Guião.
16
Figura 11 - Francisco Correia de Herédia, visconde da Ribeira Brava
(à data da foto já tinham sido extintos os títulos nobiliárquicos em Portugal, pelo que adotou, a
partir de 1910, o nome de Francisco Correia de Herédia Ribeira Brava)
Fonte: Museu Photographia Vicentes, Madeira
Figura 12 - Dona Joana Gil de Borja de Macedo e Menezes Correia Herédia
Fonte: Museu Photographia Vicentes, Madeira
17
Tiveram:
2. António Gil de Borja de Macedo e Menezes Correia de Herédia (1872-1966),
que segue.
2. Francisco Gil de Borja de Macedo e Menezes Correia de Herédia (1873-?),
s.g.
2. Sebastião Sancho Gil de Borja de Macedo e Menezes Correia Herédia
(1876-1958), § 2.º.
António Gil de Borja de Macedo e Menezes Correia de Herédia, natural de
Miragaia, Porto, nascido em 15 de janeiro de 1872, falecido em Lisboa (N. S.
Fátima) em 13 de agosto de 1966, casou em Lisboa em 19 de maio de 1899
com Alice de Oliveira Guedes, nascida em 18 de julho de 1876, falecida em 24
de junho de 1943.
Tiveram:
3. Josefina Guedes de Herédia (1900-1987), que segue.
3. António Guedes de Herédia (1901-1997), § 3.º.
Josefina Guedes de Herédia, nascida a 31 de março de 1900, falecida a 2 de
outubro de 1987, casou com António da Costa Lobo da Bandeira, nascido a 25
de agosto de 1895.
Tiveram:
4. António Alberto Herédia da Bandeira21 (1934).
§ 2.º
Sebastião Sancho Gil de Borja de Macedo e Menezes Correia Herédia22
(1876-1958), nascido no Porto em 7 de setembro de 1876, faleceu em lisboa
em 1958, casou em 5 de fevereiro de 1902 com Maria d’Assumpção Garcia de
Freitas Branco Herédia, nascida em Lisboa em 6 de janeiro de 1875, falecida
em Lisboa em 17 de março 1953.
18
Figura 13 - Sebastião Sancho Gil de Borja de M. e M. Correia Herédia.
Fonte: Almanaque de A Lucta, 1910.
Tiveram:
3. Sebastião de Freitas Branco Herédia (1903-1983), que segue.
3. Maria Luisa de Freitas Branco de Herédia23, s.g.
3. Joana de Freitas Branco de Herédia, s.g.
3. Ana de Freitas Branco de Herédia, s.g.
3. José de Freitas Branco de Herédia, § 4.º
Sebastião de Freitas Branco Herédia24 nasceu nas Mercês, Lisboa, a 20 de
março de 1903, faleceu em Carcavelos a 2 de fevereiro de 1983, casou em
Carcavelos, a 20 de novembro de 1931, com Isabel da Glória Santiago de
Sousa Botelho Brotas Cardoso, nascida em Vigo, Galiza, em 21 de agosto de
1909 e falecida em Carcavelos a 17 de março de 1997.
19
Figura 14 - Sebastião de Freitas Branco Herédia (1932)
Fonte: Recortada de foto em Portugal nos Jogos Olímpicos do Século XX, Pinto, R. A., p. 54.
Tiveram:
4. Luis Herédia25 (1932).
4. Jorge Herédia26 (1934).
4. Pedro António Herédia27 (1935)
4. Maria Isabel Herédia28 (1937)
4. Maria Teresa Herédia29 (1939)
4. Afonso José de Herédia, s.g. (1943)
4. Ana Maria Herédia30 (1946)
4. Maria Helena Herédia31 (1950)
O Arquiteto Jorge Herédia é pai de S.A.R. a Duquesa de Bragança, Senhora
Dona Isabel, sendo seus netos S.A.R. o Príncipe da Beira, Dom Afonso Santa
Maria de Bragança, S.A. a Infanta Dona Maria Francisca de Bragança, S.A. o
Infante Dom Dinis Santa Maria de Bragança.
§ 3.º
António Guedes de Herédia 32 nasceu em Sacramento, Lisboa, em 10 de
março de 1901, faleceu em Lisboa a 13 de agosto de 1997, casou em Lisboa a
31 de março de 1937, com Maria Antónia Cabral Gentil.
20
Figura 15 - António Guedes de Herédia
Fonte: Vela Olímpica Portuguesa – 75 anos, F. P. Vela.
Tiveram:
4. António Gentil de Herédia33 (1938).
4. Francisco José Gentil de Herédia34 (1940)
§ 4.º.
José de Freitas Branco de Herédia nasceu 12 de junho de 1916, faleceu em 16
de março de 1993, casou em 18 de julho de 1942 com Maria do Carmo
Gouveia Portela, nascida em 16 fevereiro de 1920.
Teve:
4. Maria do Carmo Portela de Herédia35 (1943).
4. Maria José Gouveia Portela de Herédia36 (1945).
4. José António Gouveia Portela de Herédia (?)
4. Manuel José Gouveia Portela de Herédia (?)
Participação Olímpica dos Herédia
Julgamos que a prestação desportiva e olímpica dos quatro membros da
família Herédia de que nos propomos ocupar não pode ser alheia a todo o
21
referencial familiar que radica na prestação cívica e governativa de Francisco
Correia Herédia, quer na Madeira, quer noutros locais do país onde a exerceu.
Diversa literatura da época dá conta do seu empreendedorismo em matéria de
prática e de construção de infraestruturas desportivas, a ele se devendo muito
do que, na fase nascimento do Desporto, aconteceu na Ilha da Madeira em
geral, e na vila da Ribeira Brava, em particular.
Desde o início da Fundação do Concelho da Ribeira Brava, em
1914, o visconde Francisco Correia Herédia [principal impulsionador
da fundação do concelho] promoveu diversas atividades desportivas,
tais como os torneios de espada, tiro ao alvo, jogos de futebol e
diversas outras atividades desportivas no concelho37.
A Ribeira Brava é uma freguesia com grandes tradições desportivas.
O seu maior impulsionador foi o próprio visconde da Ribeira Brava.
Estávamos em 1916 e a Alemanha já havia declarado guerra a
Portugal. Era tempo de reunir armas e estar atalaia. Esta Guerra foi
marcante pelas inovações do armamento, mesmo assim, algumas
das principais personagens da Ilha ainda se mantinham fieis às
antigas tradições.
Desta forma, realizou-se, no mês de Julho, um torneio de espada na
Ribeira Brava.
(…) No mês de julho de 1917, foi organizada uma semana
desportiva. As modalidades eram as seguintes: ténis, jogos de
futebol, esgrima e ainda um torneio de tiro
(…) Estava-se em plena Grande Guerra e o Funchal sentia o arrepio
dos bombardeamentos dos submarinos alemães. Alguns homens
contados entre aqueles que não tinham sido recrutados procuravam
exercitar-se para o pior38.
Sobre o nascimento do Clube Desportivo da Ribeira Brava, refere
Ribeiro (1998)39:
Caberá aqui salientar que o Club Desportivo da Ribeira Brava
nasceu praticamente com o concelho e por iniciativa do visconde da
Ribeira Brava, em 18 de Outubro de 1914.
De forma especial, diversas modalidades desportivas sofreram a influência da
atenção que Francisco Correia Herédia dedicava às práticas desportivas de
que era, aliás, exímio praticante em algumas delas.
No Ténis:
O falecido Visconde da Ribeira Brava está na galeria dos bons
impulsionadores do Ténis. A ele se deve a construção do court, junto
á igreja da vila que ele tanto amou e engrandeceu, no qual se
22
realizaram antigamente animados torneios com os tenistas do
Funchal que a gentileza e hospitalidade daquele grande e saudoso
Desportista hospedava durante dias no seu aprazivel solar40.
O adro da Igreja paroquial da Ribeira Brava é, ainda hoje, chamado de ‘o ténis’,
facto que é alheio ao conhecimento das gerações mais novas, mas cuja origem
os mais velhos bem identificam.
Figura 16 - Court de Ténis no adro da Igreja Paroquial da Ribeira Brava (Madeira).
Nota: Mandado construir por Francisco Correia Herédia.
Fonte: www.cm-ribeirabrava.pt, consultado em 08/09/2013, foto sem data.
No Hipismo:
Em 1913 e 1914 realizaram-se interessantes Cavalhadas de
Carnaval, com batalha de flores, da iniciativa de Travassos Lopes.
No numero dos entusiastas de rédea segura, com escola e
picadeiro, é justo citarmos os seguinte nomes: Carlos Frederico de
Bianchi, Frederico CarIos de Bianchi, Visconde Val Paraizo, Carlos
Ernesto Rodrigues Leitão, actual Visconde de Cacongo, Humberto
dos Passos Freitas, António da Costa, Henrique Borges, Julio César
de Freitas, Manuel de Freitas, Leopoldo Cabral, César Filipe Gomes,
Manuel de Freitas Junior, Capitão Cândido Gomes, David Adida, Tito
de Bianchi, Joaquim Menezes Alves, Visconde da Ribeira Brava,
Agostinho Pereira de Gouveia, Carlos Martins, Jorge Rodrigues,
irmãos Araujos e Travasses Lopes (excelente amador com
conhecimentos seguros de cavalaria tauromáquica)41.
No tiro ao alvo:
Temos várias memórias de Torneios de tiro ao alvo, organizados
pelo grande e saudoso Desportista Visconde da Ribeira Brava, no
23
court de Tennis, em frente da igreja paroquial da vila que tem o
nome daquêle titular.
Entre as figuras que mais se destacaram naquêles Torneios,
contam-se o Dr. Brandão de Melo, Delegado do Procurador da
República na antiga Comarca de S. Vicente; o chefe de Policia
Francisco Macêdo de Faria, Travassos Lopes, Carlos Nellis,
Fernando de Figueiredo, Henrique Augusto. Vieira de Castro,
Antônio Vieira de Castro, João de Oliveira Faria, Humberto dos
Passos Freitas, Visconde da Ribeira Brava, Dr. Elmano Vieira,
Manuel Bianchi e outros.42.
(…) vencedor do Torneio de tiro à pistola de combate, organizado
pelo Visconde da Ribeira Brava, na vila do mesmo nome43.
O Dr. Elmano Vieira praticou equitação, natação, remo, tiro. Num
torneio desta modalidade, realizado em 1917, na vila da Ribeira
Brava, bafejado pela ‘bonne chance’ bateu o afamado Visconde da
Ribeira Brava44.
No Golf:
Em Outubro de 1914 a êxtinta Junta Agricola da Madeira, por
iniciativa do seu Presidente, o grande desportista Visconde da
Ribeira Brava, deliberou comprar os antigos terrenos do Campo do
“Braz”, em S. Martinho, para ali construir um campo de “Golf”45.
Nos Desportos Náuticos:
Uma das figuras centrais dêste capítulo é, sem dúvida o falecido
Visconde da Ribeira Brava, admiravel entusiasta e impulsionador
dos desportos nauticos em quasi todos os ramos.
A êle se deve, com a fundação do “Club Naval Madeirense”, um
periodo de grande animação – 1917-18: regatas, com magnificas
‘guigas’; provas de vela em graciosas ‘monotypes’; grandiosos
festivais nauticos, que foram a génese criadora do que se fêz
depois46
Foi grande no desporto “Véla”, no tempo do “Club Naval
Madeirense” fundado pelo Visconde da Ribeira Brava47.
Foi fundador, com o falecido Visconde da Ribeira Brava, do “Club
Naval Madeirense”48.
Neste mesmo ano, [1917] em festival organisado pelo Visconde da
Ribeira Brava, Travassos Lopes, timonando a ‘guiga’ representativa
da vila do nome daquêle titular, tripulada por J. Estevam Pinto. Luís
de Sousa Pereira, Dr. José Alves dos Santos e Manuel Olimpio da
Silva, ganhou a ‘Taça Madeira’, outro rico trofeu que emparelha, com
ufania, ao lado da ‘Taça da América’49.
24
No Futebol:
Aos bons oficios de Carlos Kessler, conjuntamente com o outro seu
colega - Fernando Câmara - ficou devendo o futebol madeirense, da
Junta Agricola, um valioso subsidio para as imprescindiveis
despezas de organização nos titubiantes passos que o primeiro
organismo futebolístico da Madeira começou a experimentar.
Tambem não se podem esquecer as facilidades e a boa vontade do
então presidente da Junta Agricola, o grande ‘Spor-man’ que foi o
Visconde da Ribeira Brava, que concedeu, gostosamente, o referido
subsidio50.
Na Esgrima
Deve-se o seu animado préludio ao Visconde da Ribeira Brava, que
jogava todas as armas com reconhecida dextreza, gôsto e vocação,
predicados êstes transmitidos a seu filho D. Sebastião de Herédia,
antigo Governador Civil do Funchal e exímio esgrimista português,
que saiu vencedor num grande concurso internacional de Esgrima
realizado ha anos na Bélgica.
Para que o impulso dado a êste desporto marcasse uma realidade, o
Visconde interessou neste movimento o continental Carlos Nellis,
que veio para a Madeira, em 1915, como funcionário da extinta
Junta Agricola51.
Figura 17- Grupo de Esgrimistas
Local: Ribeira Brava, Madeira, o visconde da Ribeira Brava, 1.ª fila, 4.º a contar da esq.
Fonte: Illustração Portugueza, n.º 546, II série, de 7 de agosto de 1916.
25
Figura 18 - Participantes em Torneio de Esgrima (Ribeira Brava, Madeira) s/data.
Fonte: Museu Photographia Vicentes, coleção Perestrellos.
Figura 19 - Grupo de Esgrima, Madeira, s/data
Fonte: Museu Photographia Vicentes, coleção Perestrellos
26
Figura 20 - Torneio Esgrima, Madeira.
Nota: Realizado no ‘parque’ da Igreja paroquial da Ribeira Brava, s/ data.
Fonte: Museu Photographia Vicentes, coleção Perestrellos
Importa revelar alguns pormenores relativos ao nascimento da esgrima na
Madeira, não só pelo envolvimento do Visconde da Ribeira Brava que vimos
relatando, mas por envolver referências da transmissão a seu filho, Sebastião
Herédia, da sua apetência e particular competência desportiva por esta
modalidade52.
Esta sugestiva modalidade desportiva teve entre nós um bom
punhado de entusiastas, adeptos e praticantes.
Deve-se o seu animado prelúdio ao Visconde da Ribeira Brava, que
jogava todas as armas com reconhecida destreza, gôsto e vocação,
predicados estes transmitidos a seu filho D. Sebastião de Herédia,
antigo governador civil do Funchal e exímio esgrimista português,
que saiu vencedor num grande concurso internacional de Esgrima
realizado há anos na Bélgica.
Para que o impulso dado a êste desporto marcasse uma realidade, o
Visconde interessou neste movimento o continental Carlos Nellis,
que veio para a Madeira, em 1915, como funcionário da extinta
Junta Agricola.
Carlos Nellis, conhecedor abalisado no manejo de várias armas
(pistola, espada, carabina e florete), anunciou-se como professor da
especialidade desportiva, dando as primeiras classes numa
dependência do “Club Sports da Madeira”.
De cerca de 20 alunos inscritos no seu primeiro curso, um mês
depois êsse número estava reduzido a uma escassa meia dúzia,
27
entre os quais se contava George Gordon, o seu melhor aluno
classificado várias vezes em torneios de importância; Sotto Maior,
filho de um antigo juiz da Comarca do Funchal, Humberto Passos
Freitas, João de Oliveira Faria, António Vieira de Castro e Fernando
Figueiredo.
Antes, porém, de Carlos Nellis, deu lições de esgrima, nos
Bombeiros Municipais, o antigo Tenente Jaime Campo Ramalho,
que faleceu no posto de coronel.
Foram vários os torneios organizados por Carlos Nellis, destacandose os da disputa faz taças “Sebastião de Herédia”, e “Conde de
Bousis” (1920 a 1926) e mais tarde, em 1929, a Taça “Fernando
Figueiredo”.
Os lugares preferidos para a realização dos torneios eram p Parque
do “Reid’s Hotel”, Quinta “Pavão” e antigo “Casino Vitória”.
O Conde Bousis (Jean de Bousis), era um fidalgo francês muito
amante do jôgo das armas, que acidentalmente visitou a Madeira em
1922.
A Taça “Herédia” foi ganha dois anos seguidos pelo Capitão Raul
Cohen, classificando-se em 2.º lugar o Conde de Bousis e em 3.º o
sr. Hermos.
Também a Taça “Conde de Bousis” foi ganha no primeiro ano, pelo
Capitão Raul Cohen, ficando em segundos lugares António Vieira de
Castro e Sr. Hermos. Fernando de Figueiredo, que atingiu a
categoria de um belo esgrimista, ficou de posse da Taça “Herédia”
por a ter ganho 3 anos seguidos.
Outro valor madeirense que muito brilhou nos torneios de Espada, é
o Dr. Alberto Jardim, detentor da Taça “Conde de Bousis”,
conquistada após renhido assalto com Fernando Figueiredo, em que
os golpes foram disputados com mestria, de ambos os lados.
Os primeiros classificados da Taça “Fernando Figueiredo”, foram:
Fernando Fugueiredo, possuidor da Taça, Ruy Faria (medalha de
prata) e Eduardo Ascenção Velosa (medalha de bronze).
A 30 de Março de 1926, realizou-se no Casino “Pavão”, um dos
muitos torneios dirigidos pelo mestre de armas Carlos Nellis, o qual,
depois de vários assaltos interessantes, terminou com a seguinte
classificação: Dr. Alberto Jardim, 4V 1D; José Ferreira Duarte
Soares 2V 3D; Manuela Bianchi, 1V 4D e Jorge Caldeira, 5D.
Serviram de Jury: Capitão José Bettencourt da Câmara, António
Ferreira de Castro, F.H. Cunha e G. Farra.
Ao Dr. Alberto Jardim foi entregue uma artística Taça de Prata.
Em Setembro de 1937, quando “Sporting Club da Madeira” se
deslocou aos Açores pela 2.ª vez, Ruy Faria venceu um assalto ali
realizado, sendo muito apreciado no seu estilo e limpeza de toques.
Deram alento e presença ao jôgo de Esgrima, no período anterior á
actual decadência, mais os seguintes nomes que merecem ser
justamente citados: F. Freiria, Luigi Gandolfo, Capitães João Carlos
de Vasconcelos e Candido Gomes, Eng.º Melo Borges, Gastão
Bianchi, Antonio Coutinho, Manuel G. Jardim Amaro e muito
particularmente o afamado mestre de cirurgia Dr. Américo Durão,
que foi um grande animador do elegante e atraente desporto, digno
28
de quem o faça reviver dando-lhe o lugar que merece entre as
outras modalidades desportivas.
As ultimas e mais recentes manifestações de Esgrima foram torneios
inter-componentes de “Mocidade Portuguesa” e alunos da Escola
Industrial, realizados neste estabelecimento de ensino e no Liceu
“Jaime Moniz”, no “Dia de Camões”, do ano em curso.
Perante este historial, não podemos estranhar que o gene de desportista de
Francisco Correia Herédia se tenha transmitido aos seus descendentes,
justificando, em parte, as seis presenças olímpicas que seu filho e netos
conquistaram.
Sebastião Sancho Gil de Borja de Macedo e Menezes Correia Herédia
Figura 21 - Sebastião Herédia (pai), foto de 1909.
Fonte: recortada de foto inserta no livro Espadas e Floretes, Valarinho, J. (1993), propriedade
desconhecida.
Notável desportista, distinguiu-se em diversas modalidades, e o seu nome fica
ligado ao nascimento do desporto Português.
Representou o Sporting Clube de Portugal (Atletismo, Natação e Râguebi) e o
Clube Internacional de Football (Esgrima).
29
O ciclismo foi uma das modalidades que praticou com maior projeção.
Contrariamente ao futebol, que não exigia grandes investimentos no
equipamento, a bicicleta …
(…) nasceu aristocrata, foi brinquedo dos endinheirados, suscitou o
alvoroçado interesse de reis e áulicos, passeou a realeza pelos
parques e jardins dos palácios, até que um dia o povo adoptou-a,
passando de objecto de luxuoso culto a transporte dos
trabalhadores53.
Num percurso histórico cheio de vicissitudes e incompreensões, o ciclismo
como desporto começa a ser regulamentado com a criação da Bycicle Union,
em 1880, e da International Cyclist Association, em 1892, sendo que há registo
de que a primeira prova de veículos de duas rodas se terá realizado em Saint
Cloud, França, em 186854.
Em Portugal a responsabilidade pela introdução do ciclismo é atribuída a Artur
Seara e Herbert Dagge55.
Sebastião Herédia tem o seu nome ligado aos primórdios do ciclismo em
Portugal.
Inicialmente as competições eram em estrada, mas não tardou que a evolução
apontasse para a construção de velódromos, como foi o caso do de Algés, em
1888, depois Carrancas, em cuja inauguração (Novembro de 1889) Sebastião
Herédia ganha o Grande Prémio de Pista.
30
Atenas-1896
Figura 22 - Cartaz oficial de Atenas 1896.
A literatura disponível permitiu localizar diversos registos quanto a uma
eventual tentativa de participação de Sebastião Herédia, na modalidade de
Ciclismo, na 1.ª edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, como algo que
foi falado, mas não concretizado. As referências feitas a essa possibilidade
apresentam-se vagas e insuficientemente comprovadas, de modo que estamos
num campo de alguma especulação com a inerente falta de rigor que não se
pretende seguir, sem deixar de reconhecer, no entanto, de que se trata de algo
plausível.
A Associação de Atletas Olímpicos de Portugal, na sua publicação Olímpicos
de Portugal (1912-2008), no espaço dedicado a Sebastião de Freitas Branco
Herédia (p. 256), embora incorrendo na confusão dos perfis desportivos de
Sebastião Herédia (pai) e Sebastião Herédia (filho), designadamente em
relação a factos ocorridos quando este último ainda não era nascido, aponta:
Com o ciclismo dando os primeiros passos, tornou-se [Sebastião
Herédia] uma das suas principais estrelas nas corridas de Paris.
Venceu algumas delas e o seu nome chegou a ser dado para
representar a França na primeira edição dos Jogos Olímpicos, em
Atenas-1986, mas ele era… português
No mesmo sentido, e quase ipsis verbis, surge uma referência num artigo de
António Simões, publicado no jornal A Bola em 11/02/2010, Do Visconde de
Esgrima, às armas que mataram o rei…:
31
(…) E Sebastião de Herédia, o filho [refere-se o autor ao filho do
visconde da Ribeira Brava], que recebera o seu primeiro grande
prémio das mãos da rainha D. Amélia, tornou-se figura incontornável
no desporto nacional: com o ciclismo a dar os primeiros passos
ganhou várias corridas em Paris, os franceses chegaram a colocar
hipótese de o levar em 1896 a Atenas à primeira edição dos Jogos
Olímpicos, deixaram-na cair por ser português.
Já Serpa, H. (2007)56ao descrever a impossibilidade (por ser profissional) de
participação olímpica de Bento Pessoa, em 1896, recorda:
Quem chegou a ser falado como candidato aos Jogos foi Sebastião
Herédia, adversário de Bento Pessoa nas provas caseiras. Mas esta
candidatura não terá passado de uma ideia sem praticabilidade.
Tudo isto dá relevância a alguns factos que se ligam à história do Ciclismo em
Portugal, de que Sebastião Herédia foi, de facto, um dos primeiros valores, e
que, por isso, devem aqui ser relatados.
É necessário recuar ao final do século XIX a um momento em que ainda não
havia sido criada a União Velocipédica Portuguesa57. Por esse facto os ciclistas
portugueses que pretendiam praticar a modalidade a nível internacional tiveram
que se inscrever, com a anuência ou imposição da União Velocipédica
Internacional (UVI), na União Velocipédica Espanhola (UVE), sob cuja égide o
ciclismo português deu as primeiras pedaladas internacionais.
É assim que José Bento Pessoa (considerado o primeiro herói do ciclismo
português), natural da Figueira da Foz, se sagra, em 12 de abril de 1897,
Campeão de Espanha, na primeira edição do Grande Prémio da União
Velocipédica Espanhola58.
É também o caso de Sebastião Herédia e outros, como refere Barroso (2001):
A supervisão das provas, porém, estará a cargo da União
Velocipédica Espanhola, até final do século, devido à inexistência de
uma estrutura semelhante em Portugal.
Os contactos do ciclismo português, com os melhores praticantes
espanhóis, tornam-se frequentes. E é neste período que se
destacam praticantes como (…) Eduardo Miching e José Diogo de
Orey, além de Sebastião Herédia, Mário Duarte, Manuel Ferreira,
Benedito Ferreirinha e, sobretudo, José Bento Pessoa59.
32
Moreira (1980)60 recorda:
(…) gente de elevada condição social, como o bacharel Sousa
Júnior, o poeta Carlos Malheiros, o diplomata Cardos Duarte, além
de homens das mais variadas profissões, como Emílio Segurado,
Sebastião Herédia, José Mário Dionísio, António Lopes e Eduardo
Pereira (…)
(…) davam prova de que…
(…) a velocipedia se desenvolvia em todas as suas facetas: recreio,
turismo, transporte e competição.
Os velódromos começaram a surgir um pouco por todo lado. Rodrigo Pinto &
Mário Lino (1999) 61 fazem notar a presença de Sebastião Herédia no
velódromo da Palhavã, em 1907:
Mais tarde, em 1907, Soares Júnior e Conelli tiveram um
interessante despique, mas pelo Velódromo da Palhavã passaram
outros ciclistas estrangeiros de nomeada, como Carapezzi,
Jacquelin, Miguel Ellegard, Vielada, Danton, enquanto a nível
nacional, além dos já citados, estiveram presentes José Maria
Dionísio, Rui da Cunha, Manuel Ferreira, Couto Júnior, António
Lopes, Luciano Pinto, D. Sebastião Herédia, Mário Duarte, Pedro
José de Moura, António Cristiano e Joaquim Raposo, entre tantos
outros.
De tal forma foi a sua prestação, que Sebastião Herédia passou a ser contado
entre os principais competidores de José Bento Pessoa, o principal herói do
ciclismo português.
Mariano Sabino dos Santos, colaborador do Jornal Horizonte, e considerado
um dos maiores conhecedores da história do ciclismo português, refere na sua
crónica Na Rota da Roda (Jornal Horizonte, 1 de janeiro de 2011), sobre a
entrada do ciclismo em Portugal:
Como desporto, o ciclismo desenvolveu-se no nosso País nos fins
do século XIX, mais por via dos franceses que aqui entraram e
promoveram a sua introdução, quando desde 1870 já tinha um
grande desenvolvimento na Inglaterra.
A União Velocipédica Portuguesa nasceu no dia 14 de dezembro de
1899 e até então os portugueses que entravam em competições
internacionais, como aconteceu com José Bento pessoa que em
33
1897, quando Portugal ainda competia como uma província
espanhola por não ter uma federação que o representasse em
provas internacionais, ganhou uma prova e bateu o record mundial
de 500 metros em velocidade, que estava em poder do francês
Jequelin, e depois, em Genebra, venceu o célebre Champion que o
havia desafiado.
E, referindo-se a Sebastião Herédia, afirma:
Também Sebastião Herédia conseguiu a proeza de, em 23 corridas
que fez em Paris, ganhou vinte primeiros lugares, colocando a União
Velocipédica Espanhola, onde estava inscrito por falta de uma
congénere portuguesa e por determinação superior da União
Velocipédica Internacional, em destacado plano na prática do
ciclismo de competição.
Figura 23 - D. Sebastião Herédia (1890?).
Fonte: UVP-FPC, 100 anos (1999).
Ora, sendo Sebastião Herédia, apesar de Português, ciclista inscrito na UVE, e
nessa qualidade tendo participado e dado nas vistas nas corridas disputadas e
ganhas em Paris, é natural que ambicionasse uma participação em Atenas1896. Acontece que Espanha não participa nos primeiros Jogos Olímpicos da
Era Moderna. Não nos custa, portanto, admitir que Sebastião Herédia se
tivesse predisposto a integrar a seleção francesa, o que seria impossível de
concretizar por ser português. Deve, pois, haver um fundo de verdade neste
episódio, mas não o podemos dar com absolutamente certo e provado, nem
descortinámos qualquer referência na imprensa da época. Gorou-se, desta
34
forma, a possibilidade de um atleta português – Sebastião Herédia – ter
participado na primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna.
Paris-1900
Figura 24 - Cartaz oficial de Paris 1900.
Coincidindo com a Exposição Universal de Paris/1900, realiza-se a segunda
edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna.
Surge, uma vez mais, uma referência à possibilidade de participação de
Sebastião Herédia, assim relatada por José Valarinho:
1900 foi também o ano dos segundos Jogos Olímpicos os quais
foram englobados na gigantesca Exposição Universal de Paris.
Assim, o patrocínio do Comité Internacional Olímpico quase nem
chegou a ser notado, de tal forma que grande parte dos
concorrentes às várias competições desportivas não tinham
consciência de que era nos Jogos Olímpicos que estava a tomar
parte.
Foi certamente o caso de Sebastião Herédia e de António Martins
que, ao inscreverem-se no Torneio Internacional de Espada de
Paris, desconheciam, como a nossa imprensa também desconhecia,
35
que esse torneio fazia parte das competições de esgrima dos Jogos
Olímpicos. Herédia, cuja aprendizagem decorreu nas salas de armas
parisienses inscreveu-se na prova para amadores tendo sido
colocado numa ‘poule’ em que se encontravam Renault, Philibert,
Onesti, Subercaseaux, Peberay, e o grande campeão cubano
Ramon Fonst que tinha então apenas dezasseis anos e que viria a
ser o vencedor. Martins, inscrito na competição destinada a
professores teria como adversários na sua ‘poule’ Bézy, Gracviche,
Samiac, Chauderlot e Pernot. Segundo os jornais da época “foi pena
que nem um nem outro dos portugueses tivesse comparecido.”
António Martins, como profissional, não viria a ter outra oportunidade
e Sebastião Herédia teria de esperar nada menos que vinte e oito
anos para estar presente nuns Jogos Olímpicos62.
Portanto, e uma vez mais, Sebastião Herédia viu frustrar-se uma nova
oportunidade de participação olímpica, desta feita por mero desconhecimento
em relação aos moldes da competição.
Figura 25 - Concorrentes C. N. Espada 1909.
Nota: Sebastião Herédia é o 1.º à esquerda, em 1.º plano. Ao seu lado esquerdo está Frederico
Paredes e, atrás deste, o seu irmão Alexandre Paredes.
Fonte: Espadas e Floretes, Valarinho, J. (1993), propriedade desconhecida.
Entretanto, sucedem-se os eventos de esgrima em que a participação de
Sebastião Herédia é sucessivamente referenciada, seja em território nacional,
seja no estrangeiro.
36
A relevância dada a estes eventos fica evidente pela natureza das entidades
presentes, designadamente a família real portuguesa, e pela cobertura dos
jornais, onde é dado o devido destaque à modalidade e ao esgrimista, como é
o caso da Taça Penha Longa, a que a Illustração Portugueza dá elevado
destaque e na qual Sebastião Herédia defrontou, entre outros Camilo Castelo
Branco.
Figura 26 - Torneio de Esgrima, taça Penha Longa.
37
Na foto 3 o jury procurando um toque no sr. Sebastião Herédia. Na foto 5 um tempo
em segunda dos srs. Sebastião Herédia e Camilo Castelo Branco, que não atinge.
Fonte: Illustração Portugueza, n.º 72, julho 1907.
Estocolmo-1912
Figura 27 - Cartaz oficial de Estocolmo 1912.
Em relação à participação de Portugal em Londres-1912, a mesma esteve
sempre rodeada de incertezas, de uma forma geral relacionadas com os
recursos financeiros disponíveis.
O comité tratou de dar corpo às funções que lhe estavam atribuídas.
Diligenciar para que uma delegação portuguesa se inscrevesse nos
Jogos, fazer essa mesma selecção e angariar o dinheiro para a
deslocação. Com base no desempenho nos Jogos Olímpicos
Nacionais, foram escolhidos dez atletas. A 26 de junho de 1912, a
bordo do vapor ‘Astúrias’ da Mala Real Inglesa, que larga de Lisboa
com destino a Southampton, vão as esperanças nacionais ou, talvez
melhor, lisboetas, de um desempenho condigno nessa quimera que
representavam os Jogos Olímpicos. Mas dos dez iniciais, quatro
ficaram-se realmente pelos sonhos. A sorte foi-lhes madrasta
38
quando já tinham tudo preparado para a viagem. O dinheiro, o último
‘se’, não havia maneira de aparecer. O Governo Civil de Lisboa
declarara alto e bom som: “se quiserem ir arranjem dinheiro”. Já em
jeito de desespero, foi organizado um sarau desportivo no Coliseu
para a noite de 22 de Junho (quatro dias antes do embarque!). Para
desventura de César de Melo (luta), D. Sebastião Herédia (esgrima),
Matias de Carvalho (1500 m e maratona) e Correia Leal (400 m), o
pessoal dos elétricos entrou em greve e o Coliseu ficou quase
vazio… Não fora, para lá de donativos particulares, a ajuda da
família Pinto Basto – que forneceu as passagens – e ainda verbas
obtidas em agremiações desportivas e ninguém teria ido.
A 26 lá partiram Fernando Correia (espada), chefe de delegação,
António Stromp (100 e 200 m), Armando Cortesão (400 e 800
metros), Francisco Lázaro (maratona), Armando Pereira e Joaquim
Vital (luta)63.
Em Os 6 de Estocolmo, Pinheiro & Nunes (2012) relatam o sarau:
Os dez atletas previamente selecionados para integrar a comitiva
olímpica portuguesa, também foram apresentados durante o sarau,
que contou ainda com diversos discursos dos membros do COP,
que exaltaram a importância da presença de Portugal nos Jogos
Olímpicos. Mas, apesar da diversidade e interesse do programa, a
fluência do público foi muito pouca o que se deveu em grande
medida a uma greve dos condutores dos elétricos, que praticamente
paralisou os transportes públicos em Lisboa. Assim, a verba
angariada com a bilheteira do sarau foi reduzida, o que implicou
reduzir a comitiva de dez para seis atletas, o que causou tristeza e
consternação entre os quatro excluídos: César de Melo, Matias de
Carvalho, Correia Leal e Sebastião Herédia64.
Gorou-se, assim, pela terceira vez, a possibilidade de participação olímpica de
Sebastião Herédia, que teria de esperar mais dezasseis anos por uma nova
oportunidade. Estes autores descrevem-no como:
Notável esgrimista, contava com uma excelente capacidade atlética
e inteligência, não se intimidando a nível nacional. No Campeonato
da Europa de Esgrima de 1910, em Nice, impôs-se aos melhores
mestres estrangeiros65.
39
Figura 28- Sebastião Herédia
Fonte: Almanaque 1914.
40
Figura 29 - Participantes Torneio de Esgrima, 14 maio 1917.
Nota: Sebastião Herédia é o 3.º à Esq e Francisco Correia Herédia, Visconde da Ribeira Brava,
o 5.º.
Fonte: Espadas e Floretes, Valarinho, J. (1993), propriedade desconhecida.
Amsterdão-1928
Figura 30 - Cartaz oficial de Amesterdão 1928.
41
Não obstante o pessimismo reinante em Lisboa, em 1928, quanto à
possibilidade de participação de uma equipa de esgrima em Amsterdão-1928, o
que fica bem evidente nos relatos de imprensa da época66, em grande parte
devido a ocorrências e rivalidades entre as várias ‘salas’, verificadas durante os
apuramentos, acaba por ser constituída uma equipa olímpica: Jorge Paiva e
Mário Noronha (sala Carlos Gonçalves), Frederico Paredes, Henrique da
Silveira, João Sasseti e Sebastião Herédia (do Centro Nacional de Esgrima).
Frederico Paredes integra a equipa olímpica de esgrima após ter estado dez
anos voluntariamente afastado da prática, em virtude de, em combate público,
ter ferido mortalmente o seu irmão Alexandre Paredes. Não obstante, participa
e contribui para a medalha olímpica obtida pela representação portuguesa.
Constituída a equipa, é então que ocorre um ato de notável desportivismo de
Sebastião Herédia, nesta que era a sua quarta tentativa de participar numa
edição dos Jogos Olímpicos, assim relatado por José Valarinho67:
Muito desportivamente, Herédia que é o mais velho dos
selecionados 68 , achando que a presença de Eça Leal reforçaria
consideravelmente a equipa, põe o seu lugar à disposição do
atirador que se encontra na Argentina. A oferta é aceite pelo Comité
Olímpico que, em compensação, nomeia Sebastião Herédia chefe
de equipa e inscreve-o na competição individual de Florete.
Figura 31 - Sebastião Herédia (pai), 1928
Com a representação em Florete dada a Sebastião Herédia, Paulo d’Eça Leal
integra a equipa de esgrima. Embora não possamos ser perentórios numa
42
conclusão de causa/efeito a partir da atitude de Sebastião Herédia, há que
recordar que esta equipa de esgrima conquistou a medalha de bronze e que
foi, precisamente, Paulo d’Eça Leal que deu a um atirador belga o toque que
permitiu a Portugal a conquista do terceiro lugar e respetiva medalha de bronze
olímpica.
E prossegue Valarinho69:
Desta forma Sebastião Herédia faz, juntamente com seu filho que
concorre em Pentatlo Moderno, a sua estreia nos Jogos Olímpicos,
naquela que foi a primeira e única vez na história das
representações olímpicas portuguesas em que pai e filho
participaram nos mesmos Jogos.
Figura 32 - Comitiva Portuguesa a Amsterdão-1928.
Em 1.º plano, os primeiros à esquerda são, respetivamente Sebastião de Freitas
Branco Herédia (filho) e António Guedes de Herédia. Em 2.º plano, Sebastião de
Sancho Herédia (pai) é o segundo a contar da esquerda. Em 12.º lugar, da esquerda
para a direita, Frederico Paredes e, à sua frente, João Sasseti avô do Comandante da
Marinha Pedro Sasseti Carmona (neto do Presidente da Republica Óscar Carmona) e
casado com Maria João Favila Vieira, 4ª neta do madeirense ilustre Conselheiro
Manuel José Vieira fundador na Madeira do Partido Progressista de que o Visconde da
Ribeira Brava foi ativo militante antes de passar para o Partido Republicano com a
implantação da República.
Fontes: Os Jogos Olímpicos (Cardoso, C. P.), p. 90; Arquiteto João Paredes (2013).
43
Em entrevista concedido ao Diário de Lisboa 70 , em vésperas dos Jogos de
Amsterdão, José Pontes, no momento da sua partida no Sud Express,
acompanhado do secretário-geral do COP, Eng.º Nobre Guedes considera
que…
Portugal deve marcar um logar honroso em esgrima, hipismo e tiro.
(…)
Somos pobres, temos poucos recursos para mandar uma grande
‘equipe’ (…),mas, mesmo assim, os portugueses que vão a
Amsterdão, e que constituem a nossa ‘elite’ desportiva, devem fazer
alguma coisa.
À partida destes dois titulares compareceram na gare diversas entidades, entre
as quais Sebastião Herédia.
Quanto à participação propriamente dita, relata O Século:
Às competições de esgrima é destinado um pavilhão novo mas sem
qualquer traço de bom gosto, de paredes completamente
despojadas, frio e nu, quase soturno.
Dos nossos atiradores é Sebastião Herédia o primeiro a entrar em
acção.
Tem já cinquenta e dois anos e vai jogar florete, quando todo o seu
treino tinha sido orientado para a espada. Não pode, por isso, ter
grandes ambições. A sua ‘poule’ é de oito atiradores dos quais
passam à fase seguinte apenas três. Tendo conseguido somente
três vitórias, o nosso representante classifica-se em quinto lugar e já
não vai mais além.
Figura 33 - Equipa de Esgrima Portuguesa em Amsterdão-1928.
Fonte: Official Report, p. 565
44
Figura 34 - Resultados de Sebastião Herédia em Amsterdão-1928
Fonte: Official Report, p. 568
O enviado de O Século acha, contudo, que71:
(…) êle foi arredado quando devia ter apenas dois homens que lhe
eram superiores, o vencedor da ‘poule’ que foi o italiano Pignotti, e o
belga Pecher. No entanto, a tremenda influência de um julgamento
caprichoso dispôs a sua eliminação. E mais de um assalto foi vítima
dos juízes.
No mesmo sentido relata o Diário de Lisboa72:
Sebastião Herédia (pai) classificou-se em 4.º lugar na esgrima,
fazendo bons assaltos, mas, segundo a opinião dos técnicos, foi
prejudicado na decisão do júri.
Em entrevista concedida ao Diário de Lisboa 73, o Mestre de Esgrima Veiga
Ventura refere-se nestes termos à prestação de Sebastião Herédia:
Herédia, pai, que é o capitão da nossa ‘équipe’, tendo-se treinado à
espada, concorreu ao florete. A sua classificação, porém, não
correspondeu aos seus méritos. Estou convencido de que teria feito
uma figura brilhante na espada.
Termina aqui a prestação Olímpica de Sebastião Herédia, que não a sua
prática desportiva, já que em 1931, é descrito um longuíssimo assalto de
cinquenta e sete minutos, frente a Mascarenhas de Menezes, no Campeonato
Nacional de Florete, quando já contava com cinquenta a cinco anos e, ainda
45
nesse ano, no Portugal-Inglaterra, disputado em Londres, onde obteve três
vitórias, naquilo que o Morning Post relatou nestes termos:
Nunca Londres viu um match mais belo (…)
Figura 35 - A equipa de esgrima que participou no Portugal-Inglaterra, 9/6/1931.
Nota: A bordo do Andalucia Star. Sebastião Herédia é o atleta da esquerda, encostado à
parede.
Fonte: Espadas e Floretes, de Valarinho, J. (1993), propriedade desconhecida.
Sebastião de Freitas Branco de Herédia
Figura 36 - Sebastião Herédia (filho), 1928
46
Embora a prestação olímpica de Sebastião de Freitas Branco Herédia seja a
que mais nos interessa relevar nesta abordagem, não podemos deixar de
registar as qualidades e ecletismo do sportsman.
Sebastião de Freitas Branco de Herédia tem o seu nome ligado à primeira
equipa de râguebi do Sporting Clube de Portugal74.
Modalidade introduzida no Sporting Clube de Portugal a 22 de
Outubro de 1922 por influência de Salazar Carreira que também foi
praticante, sucedendo assim ao Royal F.C. como pioneiro da
modalidade em Portugal. A 11 de Novembro desse mesmo ano, o
Sporting disputou o seu primeiro jogo de râguebi vencendo o Royal
por 11-0. Alinharam pelo Clube dos Leões: Eduardo Costa, Freitas
Pons, Salazar Carreira, Correia Leal, Luís Rebelo da Silva, Maurice
Baillehache (antigo capitão da Selecção da Normandia e
responsável técnico pela modalidade no Clube), A. Sabbo, António
Soares, Salazar Diniz, Fortunato Levy, F. Marques, Sebastião
Herédia Jr e F. Oliveira.
Na Natação:
Título Nacional 4x200 livres, 1923 (Martinho Oliveira, Francisco
Duarte, Sebastião Herédia e Emilie Renou)75
No Pentatlo Moderno:
A Federação Portuguesa de Pentatlo Moderno, no seu Plano de Actividades
2011 76 , destaca as participações olímpicas da modalidade, referindo a
participação de Sebastião Herédia em 1928 e 1932.
- 1928 Sebastião Herédia, Amsterdão
- 1932 Rafael de Sousa, Los Angeles
- 1932 Sebastião Herédia, Los Angeles
- 1952 José Serra Pereira, Helsínquia
- 1952 Ricardo Durão, Helsínquia
- 1952 António Lopes Jonet, Helsínquia
- 1984 Manuel Barroso, Los Angeles
- 1984 Roberto Durão, Los Angeles
- 1984 Luís Monteiro, Los Angeles
- 1988 Manuel Barroso, Seul
- 1992 Manuel Barroso, Barcelona
- 1996 Manuel Barroso, Atlanta
Particularmente curiosa é a referência que Nobre Guedes faz à participação
portuguesa em Pentatlo Moderno nos Jogos de Amsterdão, em entrevista
concedida a O Século77:
47
- E quanto ao Pentatlo Moderno que tanto ruído tem levantado?
- Nunca supusemos que houvesse qualquer concorrente português
às respectivas provas internacionais. Aberta a inscrição, num jornal
desportivo, apareceram tão poucos concorrentes que as provas, a
realizarem-se, perderiam todo o interesse. Um deles, porém, não
desistiu e solicitou, em tempo competente, ao ‘comité’ que o
submetesse a provas. Foi atendido e demonstrou, exuberantemente,
poder concorrer à prova internacional. Os outros não procederam
assim e daí as discussões travadas, absolutamente improfícuas
nesta altura.
Como Dirigente Desportivo, foi Vogal suplente da gerência de 1923/24 do
Sporting Clube de Portugal.
As provas do Pentatlo Moderno em Amsterdão-1928 foram disputadas por 14
países, e foram assim organizadas:
- Tiro a 25 metros em Zeeburg (Amsterdam), com revolver ou pistola, sem
repetição. Vinte tiros em quatro séries de cinco. O alvo foi uma figura humana
com 1m e 63 cm de altura.
- Natação, prova de 300 m, com viragens, estilo livre, no Swimming Stadium.
- Esgrima, prova disputada Fencing Pavilion, segundo as regras da federação
Internacional
- Cross County Race, 4000 metros, perto de Hilversum.
- Hipismo
Figura 37 - Concorrentes Pentatlo Moderno Amsterdão-1928.
Fonte: Official Report, p. 690.
48
Diário de Lisboa78:
Sebastião Herédia (filho) ficou classificado em 3.º lugar na sua
eliminatória de natação. Tendo feito uma bôa prova.
Diário de Lisboa79:
Já veio publicado nos jornais da manhã que Herédia ficou em
36.ºlugar na competição de tiro para o Pentatlo. O seu fôgo foi
péssimo. Sendo o alvo a silhueta de um homem, a 25 metros,
Herédia perdeu 5 tiros em 20. Nõ se pode dizer que seja um fôgo
para campeão representante de um país…
Em natação, a sua classificação de ontem também não é de molde a
agradar-nos…
Diário de Lisboa80:
Com a prova de ‘cross’ equestre terminou em Amsterdam a disputa
do Pentatlo Moderno, a que concorrera, como representante de
Portugal, Sebastião Herédia (filho).
A classificação definitiva estabeleceu-se como segue:
(…)
31.º Herédia (Portugal)
(…)
O português ficou pois em 31.º lugar em 37 concorrentes.
49
Figura 38 - Resultados Finais Pentatlo Moderno, Amsterdão-1928.
Fonte: Official Report, p. 780
50
Los Angeles – 1932
Figura 39 - Cartaz oficial Los Angeles 1932.
Figura 40 - Revista Ilustração, n.º13, 1 de julho de 1932,p.26 (Salazar Carreira).
51
Figura 41 - Participantes Pentatlo Moderno, Los Angeles-1932.
Fonte: Official Report, p. 590-591
52
Figura 42 - Resultados Finais Pentatlo Moderno, Los Angeles-1932.
Fonte: Official Report, p. 598.
Alguma literatura refere que Sebastião de Freitas Branco Herédia cumpriu as
provas de natação e esgrima com um braço engessado, motivado por uma
queda no concurso hípico, ao que consta em virtude se o cavalo se ter
empinado a um toque de esporas, em virtude de se tratar de um cavalo que
não estava treinado para receber esporas. Esta informação, que um militar
negro presente no concurso lhe tentou transmitir, não chegou ao conhecimento
de Sebastião Herédia, por ter sido impedido por um militar branco, por motivos
racistas81.
Porém, contatado em 12/06/2013, a este propósito, o filho de Sebastião de
Freitas Branco Herédia, o padre jesuíta Afonso Herédia, o qual nos afirmou
‘beber com avidez’ as história que seu pai lhe contava, guarda a seguinte
memória deste episódio, o qual envolve uma referência que envolve Roy
Rogers 82 que já nos havia sido aflorada pelo olímpico Roberto Dória Durão,
incidente que terá envolvido o desafio para um duelo à espada.
Conta-nos o Pe. Afonso Herédia, sj:
53
O que se passou foi que no Pentatlo Moderno, como
ainda hoje provavelmente, a primeira prova era o cross-country a
cavalo, sendo os cavalos sorteados nessa altura. O meu pai teve
dúvidas se o dito cavalo que lhe tinha calhado em sorte era para ser
montado com esporas ou sem esporas e tentou ir perguntar a um
homem que tratava dos cavalos... tendo sido impedido, com alguma
violência por parte dos comissários, de o fazer. Pelo sim pelo não o
meu pai montou com esporas. Enquanto esperava pela sua vez de
partir, sem querer deu um toque com as esporas no bom do cavalo
que se empinou, tendo o meu pai caído para trás pela garupa, e o
pobre do animal sem querer pisou um joelho ao meu pai. Dizia-me o
meu pai que os cavalos evitam sempre pisar-nos (???) mas o bicho
não reparou. Resultou que o meu pai foi fazer a prova com “alguma
agressividade”, molestado por aquilo que lhe acontecera. O cavalo
até era muito bom, mas acho que ficou bastante castigado pelo
tratamento que o meu pai lhe deu durante a prova. Então, esse tal
Roy Rogers terá escrito umas notas sobre o assunto, nas quais dizia
que “não sabia se devia ser o Sr. De Branco a montar o cavalo ou o
contrário”...o meu pai chamava-se Sebastião de Freitas Branco de
Herédia...mas lá nos registos Olímpicos aparecia o “De Branco”. É
claro que o meu pai não terá achado piada nenhuma e que se sentiu
ofendido e, nessa qualidade, desafiava esse tal Roy Rogers para um
duelo tendo o direito de escolher a arma que seria à espada... mas
acho que nada disso foi por diante tendo-se acalmado os ânimos.
Ainda se viviam resquícios dos tempos dos duelos já então proibidos
pela Santa Sé. Nas outras provas, o meu pai ficou bastante
debilitado por esse pequeno incidente. Acho que a que lhe correu
melhor foi a de tiro. Mas tudo isto é um relato de tradição oral. Não
tem grande valor científico-histórico. Provavelmente nos registos
oficiais não terão guardado nada pelo irrelevante do acontecimento.
António Guedes de Herédia
Figura 43 - António Guedes de Herédia, 1928.
54
Figura 44 - Sinal privativo de António Guedes de Herédia.
Fonte: http://remo-historia.blogspot.pt, consultado em 08/09/2013
A edição comemorativa dos 75 anos de Vela Olímpica Portuguesa83 dedica a
António Guedes de Herédia, no capítulo In Memoriam uma atenção e
reconhecimento curricular que, pelo seu rigor e relevância para o presente
trabalho, nos permitimos transcrever parcialmente.
(…)
O seu gosto pelas regatas à vela ficou-lhe dos tempos de infância
(…)
Começou a navegar aos oito anos de idade na canoa Xina, de seu
pai, que tinha pertencido à Rainha D. Maria Pia.
Em 1925 é fundado o Clube Náutico de Portugal, que lança o
monotipo CNP, barco de um só velejador onde António Herédia
inicia a sua aprendizagem na competição em regatas de pequenos
barcos, todos iguais de um tripulante.
(…)
Em 1928 tem o seu baptismo nos Jogos Olímpicos disputados em
Amsterdão (Holanda), correndo no barco ‘Camélia’, da classe 6
metros internacional e fazendo tripulação com Carlos Bleck, Ernesto
Mendonça e Frederico Burnay.
(…)
Em 1936 participa pela segunda vez nos Jogos Olímpicos
disputados em Kiel [Berlim], correndo na classe Star como proa de
Joaquim Fiuza.
(…)
55
Figura 45 - Equipa Portuguesa de Vela, Amsterdão-1928.
Fonte: Official Report, p. 859.
Figura 46 - Partida Classe 6m, Amsterdão-1928, em 1.º plano o ‘Camélia’.
Fonte: Official Report, p. 865
Figura 47 - Pormenor da prova 6m, Amsterdão-1928, vendo-se o Camélia (P).
Fonte: Official Report, p. 865.
56
Figura 48 - Classificação Final Vela 6m, Amsterdão-1928.
Fonte: Official Report, p. 866.
Diário de Lisboa84:
Da representação enviada a Amsterdão, pelo Comité Olímpico
Português – e consequentemente: à parte o “football” – só se salvou,
até agora, o iate “Camélia”.
Entre catorze barcos concorrentes, o “Camélia” classificou-se me
setimo lugar.
E a “performance” do barco tripulado por Frederico Burnay é tanto
mais meritoria quanto a prova foi disputada com temporal, indo o
barco português com o convés debaixo de água.
Não concordámos com a maneira como a Vela se fez representar
nos Jogos, contra a opinião técnica da Federação respectiva.
Mas a verdade é que, em Amsterdam os rapazes do “yachting”
fizeram entre os representantes portugueses, a mesma figura que
quem tem um olho faz entre os cegos…
Berlim - 1936
57
Figura 49 - Resultados Finais Vela, Star 6m, Berlim-1936.
Fonte: Official Report, p. 402
Londres - 1948
Figura 50 - Equipa Portuguesa, Vela Dragon,Londres-1948.
Fonte: Official Report, p. 706.
58
Figura 51 - Classificação Final, Vela Dragon, Londres-1948.
Fonte: Official Report, p. 706
Maria Luísa Correia Herédia
Em novembro de 1932, o Estado Português incumbe o Dr. José Pontes para
continuar a liderar o COP durante a Olimpíada 1932-1936. Com ele são
empossados na nova comissão Executiva o Eng.º Nobre Guedes, como
secretário-geral, Carlos Farinha, como tesoureiro, João Formosinho Simões,
como secretário e, ainda, Dr. César de Melo, Coronel Manuel Latino, Tenentecoronel João Moura, Armando Brito, Eng.º Melo Breyner, Fernando Barbedo,
Vasco Ribeiro, Dario Canas, D. Angélica Plantier, Ministro Dr. António Costa
Cabral, Prof. Henrique Vilhena, Eng.º Ernesto Basto, Cap. Maia Loureiro,
Álvaro Lacerda e Vicente Áreas.
O Conselho técnico de 25 membros passa a integrar, pela primeira vez, uma
senhora, D. Maria Luisa Correia Freitas Branco de Herédia, irmã de Sebastião
de Freitas Branco Herédia.
São raras as referências que a literatura lhe consagra. Porém, Carlos Paula
Cardoso, no seu 100 Anos de Olimpismo em Portugal, a p. 96, revela um texto
da autoria de Maria Luísa Herédia, sobre a representação feminina no Comité
Olímpico Português que é bem revelador de se tratar de uma mulher bem à
frente do seu tempo, no que se refere à participação das mulheres no desporto,
59
bem diverso ao que a opinião pública e a generalidade da comunicação social
defendiam.
Figura 52 - Texto de Maria Luísa Herédia.
Fonte: 100 Anos de Olimpismo em Portugal, Cardoso, C. P., p. 96
Conforme anteriormente aflorado, a participação desportiva das mulheres, não
obstante os opositores, encontrou um eco favorável na comunicação social de
que é exemplo a revista Sporting, pela pena da redatora Maria Faeia Moura, e
outros periódicos como Os Sports (Lisboa, 1905-1909), O Sport Nacional
(Lisboa, 1910) ou Os Sports Illustrados (Lisboa, 1910-1913).
Cruz, I., Gomes, P. e Silva, P. (2006)85, lembram que:
(…)
A igualdade de oportunidades (ou a falta dela) na participação
olímpica, tal como no desporto em geral, radica, em parte, na
reduzida representação das mulheres em órgãos de decisão e,
consequentemente, na falta de poder directo das mulheres. O poder
não é ter a hipótese de escolha de um determinado número de
60
alternativas, mas sim ter a hipótese de estar envolvido/a na
formulação dessas alternativas.
Só em 1981 é que o COI integrou, entre os seus membros, as
primeiras duas mulheres, e apenas em 1997 uma mulher alcançou a
vice-presidência. Salienta-se o trabalho desenvolvido por Anita De
Frantz – Vice-presidente do COI entre 1997 e 2001 – no sentido do
alcance de uma igualdade de oportunidades entre homens e
mulheres em todo o movimento olímpico.
Em 1995, o COI cria um grupo de trabalho denominado ‘Mulheres e
Desporto’ (Women and Sport) que estabelece as linhas orientadoras
para o desenvolvimento de medidas em prol de uma maior
participação das mulheres no desporto e no movimento olímpico. Em
2004, este grupo passa a ter o estatuto de Comissão, ao mesmo
nível de todas as outras.
Também na Carta Olímpica foi incluído, 1996, o seguinte artigo (n.º
5, artigo 2):
“Através dos meios apropriados, o Comité Olímpico Internacional
encoraja a promoção das mulheres no desporto em todos os níveis e
estruturas, particularmente nos organismos executivos das
organizações desportivas nacionais e internacionais no sentido da
estrita aplicação do princípio da igualdade entre homens e
mulheres.”
Carvalho, M. e Cruz, I. (2007)86 referem que, desde a sua fundação e durante
largas décadas o Comité Olímpico Internacional foi avesso à participação das
mulheres em todas as suas atividades e que a eleição, em 1980, de Juan
Antonio Samaranch para Presidente do COI, foi um marco importante no início
da mudança há muito necessária, de modo que, em 1981, e pela primeira vez,
duas mulheres passaram a ser membros do COI quebrando o longo período de
ausência feminina no interior desta instituição durante 85 anos.
O evoluir da História do Movimento Olímpico em relação à igualdade entre
homens e mulheres torna ainda mais relevante o percurso desportivo de Luisa
Herédia e de outras mulheres, entre as quais as suas irmãs, Ana Herédia e
Joana Herédia, que se contam entre as primeiras mulheres portuguesas com
prática assinalável no desporto.
Os II Jogos Olímpicos que se realizaram em Paris, 1900. Foram , integrados na
Exposição Universal de Paris, feira mundial de comércio, diluíram-se ao longo
de quatro meses, ficando mais conhecidos como Concurso Internacional de
Exercícios Físicos e Desportos, tendo o COI pouca influência na sua
61
organização. Não obstante a presença desportiva feminina é notada no cartaz
oficial da Exposição referente ao concurso Internacional de Esgrima.
Figura 53 - Cartaz do Concurso de Esgrima, Paris, 1900
É igualmente nesta edição que ocorre a primeira campeã olímpica, a tenista
inglesa Charlotte Cooper.
Figura 54 - Charlotte Cooper (1870-1966)
62
É apenas em 1952 que ocorre a primeira participação olímpica feminina
portuguesa, na modalidade de ginástica, com Dália Vieirinho Cunha, Maria
Laura Silva Amorim e Natália Cunha e Silva.
Figura 55 – Elenco feminino de Portugal para os Jogos Olímpicos de 1952
Fonte: http://museuvirtualdodesportoportugues.blogspot.pt/~
Sobre esta participação pioneira nos Jogos Olímpicos refere o Museu Virtual do
Desporto Português:
Esta é uma pequena sinopse dos primórdios do Olimpismo da Era
Moderna, onde o desporto era um espaço permitido frequentar
apenas aos homens, graças à sua virilidade e força. Uma regra, ou
ideia, que - felizmente - foi sendo destruída a pouco e pouco ao
longo dos anos que se seguiram, sendo que em algumas nações
mais fechadas à liberdade de expressão física - digamos assim feminina demorou um pouco mais. Em Portugal, por exemplo, seria
preciso esperar cerca de 50 anos - após a primeira participação
feminina nas Olimpíadas - para vermos portuguesas a competir no
grande palco olímpico. Tal aparição deu-se em 1952, em Helsínquia,
cidade que recebeu Dália Cunha, Natália Cunha, e Laura Amorim,
as três primeiras deusas olímpicas da história de Portugal.
Elas integraram uma comitiva de 79 atletas que a bordo do navio
Serpa Pinto representaram as cores de Portugal nas Olimpíadas de
Helsínquia. Eram ginastas de créditos firmados a nível nacional,
talhadas para a modalidade desde tenra idade, sobretudo as irmãs
Dália e Natália Cunha, cativadas para a prática desportiva pelo
progenitor, um desportista fanático que jogava râguebi, praticava
natação, fazia atletismo, e ainda tinha tempo para praticar tiro. As
manas Cunha - Natália era mais velha que Dália um ano - cresceram
e também elas tornaram-se viciadas na prática desportiva. Desde o
atletismo, passando pelo tiro, e acabando na ginástica, só para citar
63
algumas modalidades em que competiam, as manas - nascidas em
Lisboa - tornaram-se figuras de cartaz do masculino cenário
desportivo português daquele tempo. Seria precisamente a ginástica
a modalidade que as tornaria imortais, já que a par de Laura
Amorim, apresentaram a mulher lusitana ao planeta do desporto
internacional. Contudo, na capital finlandesa a concorrência foi feroz,
como comprovam as modestas classificações obtidas. Dália, com 23
anos de idade na época, foi a melhor das três damas lusas, ao
conquistar um 108º lugar na classificação final.
Conclusões
O olimpismo moderno, tal como concebido por Pierre de Coubertin em 1894, é
uma filosofia de vida que exalta e combina num conjunto harmonioso as
qualidades do corpo a vontade e espírito, aliando o desporto com a cultura e
com a educação.
Com o objetivo de colocar sempre o desporto ao serviço do desenvolvimento
harmonioso do Homem, o Olimpismo favorece o estabelecimento de uma
sociedade pacífica e comprometida com a manutenção da dignidade humana.
O Movimento Olímpico, nascido do Olimpismo, aponta para a construção de
um mundo melhor e mais pacífico, mediante a educação através do desporto,
em compreensão mútua, espirito de amizade, solidariedade e jogo limpo87.
A linguagem universal a que chamamos desporto é a única capaz de unir os
Homens, para além de tudo o que teima em dividi-los, seja a cultura, o credo, a
política, a raça, a economia, os interesses individuais, o território ou a tradição.
Um pouco por toda a parte no mundo civilizado, o princípio e os conceitos do
Olimpismo e do Movimento Olímpico começaram a instalar-se a partir do final
do século XIX, assumindo uma dimensão universal durante todo o século XX.
Os conceitos instalam-se através dos protagonistas, sejam institucionais, sejam
individuais.
O presente trabalho é uma homenagem a alguns desses protagonistas,
significativamente membros da mesma família e herdeiros de uma cultura
desportiva que lhes foi transmitida, por atos de prática desportiva e pela visão
na criação de infraestruturas, por um dos seus ancestrais, Francisco Correia
Herédia, visconde da Ribeira Brava.
64
Na busca dessas raízes, aprofundámos o perfil de Francisco Correia Herédia e
nele procurámos a justificação para o papel de desportistas protagonizado pelo
seu filho, Sebastião Herédia, e seus netos, Sebastião de Freitas Branco
Herédia, António Guedes de Herédia e Maria Luísa Herédia.
Não só no ecletismo que caraterizou a participação desportiva dos Herédia,
como pela qualidade dessa prestação simbolizada pela participação nos Jogos
Olímpicos, de 1928, 1932, 1936 e 1948.
Aos que história genealógica referenciou como ‘os Herédia da Madeira’ fica
também associada a prestação do que é considerado o primeiro Olímpico
Madeirense, Sebastião Herédia (Amesterdão-1928, Esgrima/Florete), figura
que, não tendo nascido na Madeira, de lá são oriundos os seus progenitores e
várias gerações de avós paternos, foi nessa ilha que primeiro exibiu os seus
dotes desportivos, onde viveu alguns anos da sua vida, tendo sido,
inclusivamente, seu Governador Civil.
Muito fica, certamente por explorar e investigar.
O tempo dirá se um dia poderemos ir mais longe.
Fica, porém, nestas linhas, um reconhecido agradecimento aos descendentes
que tive o prazer de contatar, e dos quais obtive a melhor colaboração no
acesso às fontes familiares.
Um agradecimento particular a S.A.R. o Duque de Bragança, Senhor Dom
Duarte Pio e a S.A.R. a Duquesa de Bragança, Senhora Dona Isabel, por terem
acarinhado a iniciativa e concedido o seu alto patrocínio.
Referências
Almanaque de A Lucta (1909). Lisboa: Empreza de Propaganda Democrática
Barroso, M. (2001). História do Ciclismo em Portugal. Lisboa: CTT - Clube do
Colecionador dos Correios.
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Almanaque Democrático 1852
Almanaque do Mundo -1909/1911
Almanaque Madeirense – 1945
Alvorada
Arquivo Democrático
Arquivo Republicano
Diário de Lisboa
Diário de Notícias
É tarde
Figuras da República
Galeria Republicana
Illustração Portugueza
O Regenerador
O Republicano
O Século
Revista Atlântico
Revista Cascais
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Notas
1
Refere-se a Sebastião Sancho Gil de Borja de Macedo e Menezes Correia de Herédia (18761958), filho de Francisco Correia de Herédia (1852-1918), visconde da Ribeira Brava.
2
Illustração Portugueza, 2 de maio de 1904, p.412.
3
Cf. Gustavo Pires, Cem anos de Olimpismo - O Currículo Desportivo do Rei D. Carlos, Lisboa,
FMH Edições, Col. Estudos Olímpicos, 2012.
4
Gustavo Pires, Cem anos de Olimpismo - O Currículo Desportivo do Rei D. Carlos, Lisboa,
FMH Edições, 2012, sinopse da contracapa.
5
Gustavo Pires, Cem anos de Olimpismo - O Currículo Desportivo do Rei D. Carlos, Lisboa,
FMH Edições, 2012, p. 9.
6
Idem.
7
Illustração Portugueza, 2 de maio de 1904, p.412.
8
D.Carlos era, ele próprio, esgrimista e de certo nível, conforme refere José Valarinho
(Espadas e Floretes, 2008, p. 61), citando a opinião do comentador de Tiro e Sport, expressa
em 15 de fevereiro de 1905: Sua Majestade El-Rei cultiva desde os sete anos a esgrima, tendo
sido seus professores, primeiro o célebre professor francês Henri Petit, seguindo-se-lhe Luís
Monteiro e António Martins.
Tem sido com este último professor com quem durante maior lapso de tempo tem trabalhado
Sua Majestade e o mestre não se cansa de tecer elogios às excelentes qualidades que Sua
Majestade possui como esgrimista.
Mais de uma vez temos ouvido a Martins que Sua Majestade é um habilíssimo atirador e
espada e sabre, dificílimo pelo seu jogo inteligente e metódico.
Aproveitando maravilhosamente o seu ‘coup d’oeil’ prepara o ataque com grande prudência e
precisão, mas à primeira falta do adversário precipita-se com uma rapidez pouco vulgar em
homens da sua estatura e toca fatalmente. É sobretudo ao sabre, arma da sua predilecção, em
que melhor revela o seu temperamento de atirador forte que é.
Adversário franco e leal, acusa com bonomia todos os golpes que recebe e que devolve com
presteza fora do vulgar.
São notáveis os seus golpes ao braço e a finta de ventre que Sua Majestade executa com rara
perfeição, sendo poucos os adversários que têm conseguido parar estes golpes.
Possuindo Sua Majestade, qualidades de esgrimista em tão elevado grau, eis porque o vemos
sempre entusiasta, seguindo todas as peripécias dos assaltos a que assiste, indicando com
uma prontidão a rapidez admiráveis os toques dos contendores.
9
Com o advento da República e o fim dos títulos nobiliários, o visconde da Ribeira brava
passou a usar o nome de Francisco Correia Herédia Ribeira Brava.
68
10
Quina, M. G. coord. (2008). Olímpicos de Portugal 1912-2008. Lisboa: IDP-IP.
Simões, A., jornal A Bola, 11/02/2010.
12
Valarinho, J. (1993). Espadas e Floretes. Lisboa: Ed. Autor.
13
Pinheiro, J. & Coelho, J.N. (2012). República, Desporto e Imprensa – O Desporto na 1.ª
república em 100 primeiras páginas – 1910-1926. Lisboa: Afrontamento, p. 166.
14
Sporting, n.º 134, 10/10/1923.
15
Sousa-Lara, A. C. A. et al. (1999). Ascendências Reais de Sua Alteza Real a Senhora Dona
Isabel de Herédia, Duquesa de Bragança. Lisboa: Universitária Editora, Lda.
16
Pinto, A. S. (1883). Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal. Lisboa: Empresa
Editora de Francisco Arthur da Silva.
17
Ob. cit.,p: 108.
18
Ob. cit..
19
Zuquete, A.M. (2000), Edições Zairol.
20
Reflexão partilhada pelo Arq.º João Paredes, representante da Causa Real na R. A. Madeira.
21
cc Claire Narbert, tiveram: Michael António.
22
Olímpico Amsterdão-1928.
23
Membro da Comissão Técnica do Comité Olímpico de Portugal.
24
Olímpico Amesterdão-1928, Los Angeles-1932.
25
cc Maria Lívia Cunha, tiveram: Ana Isabel, Mariana, Maria Rita, Luís Alexandre (teve: Marta,
João e Pedro) e Maria Joana (teve: Pedro, Maria Madalena e Luís).
26
cc Raquel Curvelo, tiveram: Sebastião (teve: Catarina Isabel e António Maria), Teresa
Mónica (teve: Joana, João e Manuel), Isabel Inês (cc Dom Duarte Pio de Bragança, tiveram:
Afonso, Maria Francisca e Dinis), Manuel e Afonso.
27
cc Margarida Dias, tiveram: Francisco (teve: Caetana, Carolina e Diana), Jorge Maria (teve:
Maria Francisco), João Pedro (teve: Francisco, Matilde e Rodrigo) Frederico (teve: João Maria,
Manuel Maria e Mariana) e Patrícia (teve: Diogo).
28
cc José Manuel Coelho, tiveram: Teresa Maria.
29
cc António Cabral, tiveram: Francisco (teve: Branca e Maria Teresa), Manuel (teve: Tomás),
José Diogo (teve: Francisco) e Miguel (teve: António Maria).
30
cc José Manuel Araújo, tiveram: Mónica (teve: Martin), Rodrigo e Filipa (teve: Sebastião e
Maria).
31
cc António Ramalho Ortigão, tiveram: Marta (teve: Gonçalo), Inês e Mariana.
32
Olímpico Amesterdão-1928, Berlim-1936, Londres-1948.
33
cc Maria Rita Salgado, tiveram: Margarida (teve: Maria e Maria Rita), Maria e João.
34
cc Christiane Barros, tiveram: Tânia e Alexandre.
35
cc Vasco Fonseca, tiveram: Rodrigo, Cristina e Rita isabel.
36
cc Francisco Freitas, tiveram: Maria Inês (teve: Francisco, Isabel, Tomás, Santiago e Xavier),
Ana Isabel e Vera Maria.
37
Gonçalves, J.L.R. (2008). Clube Desportivo da Ribeira Brava, o Clube e a Sua Terra. Ribeira
Brava: C.M. Ribeira Brava e J.F. Ribeira Brava, p. 11.
38
Ribeiro, J.A. (1998). Ribeira Brava - Subsídios para a História do Concelho. Ribeira Brava:
C.M. Ribeira Brava, p. 291.
39
Obra citada, p.291-292.
40
Vasconcelos, M. (1945). Almanaque do Desportista Madeirense. Funchal: Edição do Autor,
p. 213.
41
Ob. cit., p. 230.
42
Idem, p. 238.
43
Idem, idem.
44
Idem, p. 92.
45
Idem, p.258.
46
Idem, p. 172.
47
Idem, p. 33, referindo-se ao currículo do desportista Humberto dos Passos Freitas.
48
Idem, p. 40, referindo-se ao currículo do desportista Travassos Lopes.
49
Idem, p. 173.
50
Idem, p. 103.
51
Idem, p.201.
52
Vasconcelos, M., Almanaque do Desportista Madeirense, 1945, Ed. Autor.
53
Serpa, H. (2007). História do Desporto em Portugal – Do século XIX à Primeira Guerra
Mundial. Lisboa: Instituto Piaget.p. 107.
11
69
54
Conf. Barroso, M. (2001). História do Ciclismo em Portugal. Lisboa: CTT - Clube do
Colecionador dos Correios, p. 10.
55
Idem, p. 11.
56
Serpa, H. (2007). História do Desporto em Portugal – Do século XIX à Primeira Guerra
Mundial. Lisboa: Instituto Piaget, p. 139.
57
A UVP nasce em 1901, conforme refere Barroso M. (2001) na História do Ciclismo em
Portugal. No entanto, Mariano Sabino dos Santos, considerado um dos maiores entendidos em
matéria de Ciclismo, aponta a data de 14 de dezembro de 1899, no seu artigo Na Rota da
Roda, publicado em 1 de janeiro de 2012, pelo Jornal Horizonte (Ansiães)
58
Barroso, M. (2001). História do Ciclismo em Portugal. Lisboa: CTT - Clube do Colecionador
dos Correios.
59
Barroso, M. (2001). História do Ciclismo em Portugal. Lisboa: CTT - Clube do Colecionador
dos Correios, p. 23.
60
Moreira, A. G. (1980). A História do Ciclismo Português. Alcobaça: Tipografia Alcobacense,
Lda. (Edição do autor).
61
Pinto, R. & Lino, M. (1999). UVP-FPC, Cem Anos de Ciclismo. Lisboa: ASA.
62
Valarinho, J. (1993). Espadas e Floretes. Lisboa: Ed. Autor., p. 53.
63
Cardoso, C. P. (1996). Os Jogos Olímpicos. Lisboa: CTT – Clube do Colecionador, p. 63.
64
Pinheiro, F. & Nunes, R. (2012). Os 6 de Estocolmo. Lisboa: Afrontamento, p. 39.
65
Ob. cit., p. 37.
66
“Duvida-se da possibilidade de mandar uma equipa a Amsterdão”, O Sport de Lisboa.
67
Valarinho, J. (1993). Espadas e Floretes. Lisboa: Ed. Autor, p.135.
68
N.A.- Sebastião Herédia contava então 52 anos de idade.
69
Valarinho, J. (1993). Espadas e Floretes. Lisboa: Ed. Autor, p. 135.
70
10 de julho de 1928.
71
Idem, p.136
72
1 de agosto de 1928.
73
4 de agosto de 1928.
74
http://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Modalidades, captado em 4 de setembro de
2013.
75
http://www.sporting.pt/Modalidades/Natacao/natacao_palmaresnacional.asp
76
http://www.fppm.pt/fppm/PlanoActividades_2011.pdf, captado em 4 de setembro de 2013.
77
10 de julho de 1928.
78
1 de agosto de 1928.
79
2 de agosto de 1928.
80
8 de agosto de 1928.
81
Episódio que nos foi relatado pelo atleta olímpico de Esgrima e Pentatlo Moderno (Los
Angeles-1984 e Seul-1988), Roberto Dória Durão, que a obteve de um descendente de
Sebastião de Freitas Branco Herédia.
82
Roy Rogers (1911-1998), cujo verdadeiro nome era Leonard Franklin Slye, viria a ser o
famoso ator de cinema americano, que se estreou em 1935 com a curta-metragem Slightly
Static, e ficou conhecido como o cow-boy cantor.
83
Fialho, G. L. (1999). Vela Olímpica Portuguesa – 75 anos. Lisboa: Federação Portuguesa de
Vela, p. 144-145.
84
2 de agosto de 1928
85
Cruz, I., Gomes, P. e Silva, P. (2006). Deusas e Guerreiras dos Jogos Olímpicos, Comissão
para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, Coleção Fio de Ariana.
86
Carvalho, M. e Cruz, I, (2007). Mulheres e Desporto – Declarações e Recomendações
Internacionais., p. 69.
87
Adaptado dos Princípios Fundamentais da Carta Olímpica.
70
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História e Desporto A família Herédia e o Olimpismo Introdução