BIOLOGIA CELULAR E MOLECULAR BIOLOGIA CELULAR E MOLECULAR 1 SOMESB Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda. Biologia Celular Presidente ♦ Gervásio Meneses de Oliveira Vice-Presidente ♦ William Oliveira e Molecular Superintendente Administrativo e Financeiro ♦ Samuel Soares Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão ♦ Germano Tabacof Superintendente de Desenvolvimento e>> Planejamento Acadêmico ♦ Pedro Daltro Gusmão da Silva FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ Coord. de Softwares e Sistemas ♦ Coord. de Telecomunicações e Hardware ♦ Coord. de Produção de Material Didático ♦ Diretor Geral Diretor Acadêmico Diretor de Tecnologia Diretor Administrativo e Financeiro Gerente Acadêmico Gerente de Ensino Gerente de Suporte Tecnológico Waldeck Ornelas Roberto Frederico Merhy Reinaldo de Oliveira Borba André Portnoi Ronaldo Costa Jane Freire Jean Carlo Nerone Romulo Augusto Merhy Osmane Chaves João Jacomel EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO: ♦PRODUÇÃO ACADÊMICA ♦ Gerente de Ensino ♦ Jane Freire Coordenação de Curso ♦ Letícia Machado Autor (a) ♦ Gilcélia Araújo Supervisão ♦ Ana Paula Amorim Coordenação de Curso ♦ Letícia Machado ♦PRODUÇÃO TÉCNICA ♦ Revisão Final ♦ Carlos Magno e Idalina Neta Coordenação ♦ João Jacomel Equipe ♦ Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito, Ederson Paixão, Fabio Gonçalves, Francisco França Júnior, Israel Dantas, Lucas do Vale e Marcus Bacelar Editoração ♦ Francisco França Junior Imagens ♦ Corbis/Image100/Imagemsource Ilustrações ♦ Francisco França Junior copyright © FTC EaD Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98. É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito, da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância. www.ftc.br/ead 2 SUMÁRIO CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A CÉLULA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ CÉLULA: ORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL E MOLECULAR Uma Visão Geral da Célula ○ ○ ○ ○ Uma Visão Molecular da Célula ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 08 A Superfície Celular: Intercâmbio entre a Célula e o Meio Movimentos Celulares ○ ○ ○ ○ METABOLISMO CELULAR Estruturas Celulares ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 20 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 20 ○ ○ Catabolismo e Anabolismo ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 24 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 26 ○ 28 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ CÉLULA, FLUXO DE INFORMAÇÃO GENÉTICA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ESTUDO SOBRE INFORMAÇÕES GENÉTICAS E BIOTECNOLOGIA Núcleo Celular 12 ○ Secreção e Digestão Celular Metabolismo Energético 07 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 39 ○ ○ ○ ○ ○ ○ 39 ○ ○ ○ ○ 39 ○ ○ 3 Biologia Celular O Ciclo Celular e Replicação do DNA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 39 Citegenética Humana ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 45 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 54 e Molecular BIOTECNOLOGIA E ENGENHARIA GENÉTICA Mapeamento Genético e Projeto Genoma Humano Clonagem ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Organismos Transgênicos Bioética ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Atividade Orientada Glossário ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Referências Bibliográficas 4 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 54 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 60 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 61 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 64 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 70 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 73 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 75 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Apresentação da Disciplina Caro (a) aluno (a), A possibilidade de se poder estudar a Biologia Celular e Molecular no contexto do mundo atual deve subsidiar o educando no julgamento de questões polêmicas, que dizem respeito ao desenvolvimento e à utilização de tecnologias que implicam intensa intervenção humana, portanto, são muitas as habilidades e competências que se pretende alcançar com a oferta desta disciplina, tendo como objetivo geral fornecer e buscar informações que se volte para o desenvolvimento de competências que permitam ao estudante do curso de Licenciatura em Biologia analisar informações, compreendê-las, elaborá-las, refutá-las, quando for o caso, permitir a compreensão de importantes questões éticas e culturais, bem como as limitações que podem advir do uso das novas tecnologias na área da Biologia Celular e Molecular; enfim entender o mundo e nele agir com autonomia, fazendo uso dos conhecimentos adquiridos da Biologia Celular e Molecular e da tecnologia. “O desenvolvimento da Genética e da Biologia Molecular, das tecnologias de manipulação do DNA e de clonagem traz à tona aspectos éticos envolvidos na produção e aplicação do conhecimento científico e tecnológico, chamando à reflexão sobre as relações entre a ciência, a tecnologia e a sociedade.” (PCN do Ensino Médio, v. único, p. 220) Esse módulo disciplinar possui 72 horas e encontra-se dividido em dois blocos temáticos, onde cada bloco será trabalhado durante duas semanas. O primeiro bloco temático intitula-se “Considerações Gerais sobre a Célula” e será desenvolvido a partir dos temas “Origem e Evolução da célula”, “Composição Química da Célula”, “Superfície Celular: intercâmbio entre a célula e o meio”. No segundo bloco temático, que recebe o nome de “Estudos sobre Informações Genéticas e Biotecnologia”, trataremos dos temas “Fluxo de Informação Genética” e “Biotecnologia e Engenharia Genética”. Todo material didático dessa disciplina foi estruturado para potencializar sua aprendizagem, por isso leia, atenta e rigorosamente, todos os textos do material impresso e virtual, pois se complementam, a fim de realizar as atividades propostas de forma instigante, interessante e inteligente, desta forma você poderá ter um excelente proveito desse módulo disciplinar. Desejamos discernimento, iniciativa e grandes realizações! Profª. Gilcélia Araújo 5 Biologia Celular e Molecular 6 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A CÉLULA CÉLULA: ORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL E MOLECULAR Uma Visão Geral da Célula As células são unidades estruturais e funcionais dos organismos vivos, ou seja, todos os seres vivos são formados por células – compartimentos envolvidos por membrana, preenchidos com uma solução aquosa concentrada de substâncias químicas. As formas mais simples de vida são células individualizadas que se propagam por cissiparidade. Há muitos tipos diferentes de células, que variam enormemente em tamanho, forma e funções especializadas. Os organismos superiores, como os humanos (acredita-se que contenha pelo menos 100 trilhões de células), são como cidades celulares, nas quais grupos de células performam tarefas especializadas e são ligadas por um intrincado sistema de comunicação. Num punhado de solo ou numa xícara de água poderá haver dúzias de diferentes tipos de organismos unicelulares. E, em cada organismo multicelular seja ele o corpo humano ou a planta de milho, há dúzia ou centenas de diferentes tipos celulares, todos altamente especializados funcionando juntos na forma de tecidos e órgãos. E, não importa quão grande e complexo seja o organismo, cada um dos seus tipos celulares retém alguma individualidade e independência. As células são pequenas e complexas, o que torna difícil ver suas estruturas, descobrir sua composição molecular e, mais difícil ainda, encontrar funções para seus vários componentes. Uma célula animal típica tem um diâmetro de 10 a 20 micrômetros, o que é aproximadamente 05 (cinco) vezes menor que a menor partícula visível a olho nu. Somente quando microscópios ópticos de boa qualidade tornaram-se disponíveis, no início do século XIX pode-se descobrir que tecidos animais e vegetais são agregados de células individuais. Esta descoberta, proposta como a doutrina celular por SCHLEIDEN E SCHWANN, em 1838, marca o nascimento formal da Biologia Celular. 7 As células animais não são apenas minúsculas, mas também incolores e translúcidas e para visualizá-las é importante o desenvolvimento de técnicas de microscopia. Biologia Celular MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE MICROSCOPIA A CESSEM O A VA! AV e Molecular Para refletir... Alguns pesquisadores afirmaram e acreditaram que os coacervados foram os primeiros seres vivos da atmosfera primitiva. Uma Visão Molecular da Célula A célula como qualquer ser vivo é formada por: água e sais minerais (substâncias inorgânicas) e por outras substâncias, representadas pelos carboidratos, lipídios, proteínas e ácidos nucléicos (substâncias orgânicas). Para uma melhor compreensão do papel dessas substâncias na estrutura e no funcionamento das células e dos organismos, estudaremos um pouco sobre cada uma destas substâncias. 1 Água Em geral, indivíduos jovens têm maior quantidade de água que indivíduos adultos da mesma espécie. Essa quantidade pode variar em função de fatores como: idade, sexo e estado fisiológico. Até em um mesmo indivíduo, em uma mesma etapa do seu desenvolvimento, o teor de água pode variar de tecido para tecido ou de órgão para órgão, em função do tipo de tecido ou órgão e de sua atividade metabólica. O surgimento e a manutenção da vida no nosso planeta estão associados à água. Onde existe água há vida. Assim, nos desertos onde praticamente não há água, quase não há seres vivos. 2 Sais Minerais São compostos inorgânicos encontrados nos organismos sob duas formas básicas: insolúvel e solúvel. Na forma insolúvel, são encontrados e mobilizados como componente da estrutura esquelética. Nos vertebrados, podemos encontrar nos ossos os fosfatos de cálcio que contribuem para rigidez desses órgãos; nos corais encontramos principalmente os carbonatos de cálcio, que atuam no esqueleto externo desses organismos. 8 Na forma solúvel, os sais minerais são encontrados dissolvidos na água na forma de íons. Desta forma, desempenham vários papéis nos seres vivos como: manutenção do equilíbrio osmótico, componente estrutural de moléculas orgânicas fundamentais, entre outras funções. 3 Carboidratos São compostos orgânicos que são também chamados de glucídios, glicídios ou açúcares. Os carboidratos têm basicamente função energética, sendo um dos compostos orgânicos que fornecem maior fonte de energia para os seres vivos. Podem ter, ainda, funções plásticas, participando de estruturas que constroem o corpo dos seres vivos. É o caso da celulose, açúcar que forma a parede celular das células vegetais. Além disso, os açúcares participam da composição química dos ácidos nucléicos, que comandam e coordenam toda a atividade celular. Os carboidratos são divididos basicamente em três grupos: monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos. 4 Lipídios São substancias insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos, como: éter e o álcool. Assim como os carboidratos, os lipídios são também compostos energéticos; entram na composição de várias estruturas celulares como as membranas, podendo, também, ser encontrados livres na célula atuando como material de reserva de energia, como as gorduras. Atuam, ainda, como hormônios, como, por exemplo, os hormônios sexuais masculino e femininos. Os principais grupos de lipídios são: glicerídeos, fosfolipídios, cerídeos e esteróides. CURIOSID ADE! CURIOSIDADE! 5 Proteínas São substâncias formadas pela união de várias moléculas de aminoácidos, tendo funções relevantes na organização, conservação, no crescimento, no funcionamento, na reconstrução e reprodução dos organismos. As proteínas constituem o componente orgânico mais abundante na célula e quando oxidadas podem fornecer energia, apesar de ter função plástica ou estrutural. Podemos ver, assim, que as proteínas desempenham as mais variadas funções na célula e no organismo. São exemplos de proteínas: as enzimas que aumentam a velocidade das reações químicas; alguns hormônios, como a insulina que atua no metabolismo de açúcares; os anticorpos que são fundamentais no mecanismo de defesa do organismo. 9 Saiba mais... Biologia Celular e Molecular 6 As proteínas integram o grupo das macromoléculas e quando são submetidas ao calor e aos ácidos desnaturam-se e se tornam inativas. Ácidos Nucléicos São compostos orgânicos que têm o seu nome em função da sua origem no núcleo celular. Nas células, eles desempenham duas funções relevantes para todas as categorias de organismos, que são: transmitir as informações genéticas e coordenar a síntese de todas as proteínas celulares. Existem, basicamente, dois tipos de ácidos nucléicos: o ácido desoxirribonucléico ou DNA e o ácido ribonucléico ou RNA. O DNA é o principal constituinte dos cromossomos e é nele que estão os genes, responsáveis por todas as características dos indivíduos. O RNA é formado no núcleo, mas logo passa para o citoplasma, participando da síntese de proteínas. @ [ ] Agora é hora de TRABALHAR 1. Após refletir sobre a frase do 1º subitem do tema 1, posicione-se a respeito dessa afirmativa utilizando outras fontes de pesquisa para seu embasamento teórico. 2. Que relação você faria entre equilíbrio hidrossalino e homeostase? 10 3. Crie uma tabela mostrando as principais diferenças quanto à composição química e a função entre os três grupos dos carboidratos. 4. Os mecanismos de hereditariedade obedecem a um único padrão em todos os sistemas viventes? Justifique sua resposta. 5. O que a água, substância tão comum dentro e fora do corpo dos seres vivos, tem de tão especial para que a vida dependa tanto dela? Saiba mais... 22/07/2002 - 17h06 Britânicos anunciam projeto para estudar proteínas humanas D a Reuters, em Londres. Cientistas e empresários britânicos anunciaram, hoje, uma nova iniciativa para mapear o corpo humano com mais detalhes e maior rapidez. O Conselho de Pesquisa Médica, o Departamento de Comércio e Indústria e a companhia de biotecnologia Genetix Group anunciaram um acordo de cooperação para acelerar o processo de identificação do papel das proteínas na saúde e nas doenças humanas. Cientistas afirmam que o genoma humano, que foi seqüenciado há dois anos, contém pelo menos 30 mil genes, sendo que cada um serve como um manual de instrução para a produção de proteínas que fazem com que o corpo funcione. O projeto de três anos pretende ajudar a responder a próxima pergunta-chave: como essas proteínas interagem entre si à medida que ajudam no funcionamento de milhões de células humanas? Como cada célula contém milhares de proteínas diferentes, essa é uma tarefa difícil. Os pesquisadores disseram que mais de 1 bilhão de porções de dados precisariam ser analisados. “O objetivo final é ter mapas mostrando como as proteínas interagem entre si, tanto em situações de saúde e doença”, disse o diretor científico da Genetix, Julian Burke. Ele afirmou que a empresa, com sede em Hampshire, está investindo mais de US$ 1,5 milhão para desenvolver equipamentos e sistemas que vão explicar essas interações “mais rapidamente e com maior precisão do que qualquer outro”. A companhia forneceu os sistemas de robótica para o projeto do genoma humano. Assim como ocorreu com o projeto genoma, todas as descobertas serão de domínio público. Entretanto, Burke disse que a companhia deve ganhar uma fatia maior do mercado de equipamentos de pesquisa molecular. Chris Sanderson, coordenador do projeto do conselho, em Cambridge, informou que o processo de geração de mapas pode se tornar uma corrida, mas que seria importante garantir que a qualidade não seja sacrificada. “O mapa final será um composto de dados gerados por diferentes grupos em todo o mundo. Esse financiamento vai permitir que os pesquisadores do Reino Unido possam ter um papel importante nesse processo”, acrescentou ele. 11 A Superfície Celular: Intercâmbio entre a Célula e o Meio. Biologia Celular As membranas celulares são essenciais para a vida da célula. A e Membrana Plasmática envolve a célula, define seus limites e mantêm as Molecular diferenças essenciais entre o citosol e o meio extracelular. Dentro da célula, as membranas do retículo endoplasmático, complexo golgiense, mitocôndrias, e outras organelas envoltas por membrana, em células eucarióticas, mantêm as diferenças, características entre os conteúdos de cada organela e o citosol. Observe, na figura abaixo, a estrutura da membrana plasmática: Todas as membranas biológicas têm uma estrutura geral comum: é um filme muito fino de lipídeos e de proteínas mantidas juntas principalmente por interações não-covalentes. As moléculas lipídicas são arranjadas como uma dupla camada contínua com cerca de 5nm de espessura. Essa bicamada lipídica fornece a estrutura básica da membrana e atua como uma barreira relativamente impermeável à passagem da maioria das moléculas hidrossolúveis. 1 Proteínas da Membrana Membrana Plasmática A célula é isolada do meio exterior por uma membrana lipoprotéica muito fina, formada por fosfolipídios e proteínas, que se apresentam de forma dinâmica, distribuídos conforme o modelo do mosaico fluido, ou seja, os fosfolipídios se deslocam continuamente sem perder o contato uns com os outros, e as moléculas de proteína “flutuam” nestes lipídios, podendo se deslocar de um lado para o outro. Ela é também responsável pela seleção das substâncias que devem entrar ou sair da célula, pois a célula viva deve trocar substâncias com o meio. Portanto, se diz que a membrana plasmática possui uma permeabilidade seletiva. Modelo de Membrana Mosaico Fluído 12 Enquanto a bicamada lipídica determina a estrutura básica das membranas biológicas, as proteínas são responsáveis pela maioria das funções da membrana, atuando como receptores específicos, enzimas, proteínas transportadoras, entre outras funções. Observe o desenho esquemático logo abaixo: Outras proteínas associadas à membrana não cruzam a bicamada, mas, ao contrário, são presas a um ou ao outro lado da membrana. Muitas dessas são ligadas por interações não-covalentes (lembre-se das aulas de FQBB!) à proteína transportadora da membrana, enquanto outras são ligadas através de grupos lipídicos ligados covalentemente (transporte). Como as moléculas lipídicas na bicamada, muitas proteínas das membranas são capazes de difundir-se rapidamente no plano da membrana. Por outro lado, as células têm mecanismos para imobilizar proteínas específicas da membrana e para confinar moléculas lipídicas e protéicas a domínios específicos. 2 Glicocálix ou cobertura celular O termo cobertura celular ou glicocálix é freqüentemente utilizado para descrever a região rica em carboidratos na superfície celular. Esses carboidratos ocorrem tanto como cadeias de oligossacarídeos ligadas covalentemente a proteínas da membrana (glicoproteínas) e lipídios (glicolipídios), e na forma de proteoglicanos que consistem de longas cadeias de polissacarídeos ligados covalentemente a um núcleo protéico. Resumindo... - GLICOCÁLIX - cobertura de carboidratos: - Ajuda a proteger a superfície celular de lesões mecânicas e químicas. Recentemente, descobriu-se que oligossacarídeos específicos funcionam como intermediários em diversos processos transitórios de adesão célula-célula, inclusive aqueles que ocorrem em interações espermatozóide-óvulo, coagulação sangüínea e recirculação de linfócitos em respostas inflamatórias. - Papel fundamental nas reações antigênicas e ocorre também para manter o potencial da superfície. 13 - Permeabilidade A membrana plasmática não isola totalmente a célula do seu meio externo. Para garantir sua sobrevivência, como todo ser vivo, a célula precisa Biologia de substâncias do meio externo, assim como precisa eliminar os resíduos Celular e provenientes de seu metabolismo. Desta forma, a membrana plasmática Molecular exerce um controle eficiente sobre as substâncias que devem entrar ou sair da célula. Esta característica importante é denominada de permeabilidade seletiva da membrana. O fluxo de substâncias através da membrana pode envolver ou não dispêndio de energia. É o que chamamos de movimentos da membrana. E, de acordo com o gasto ou não de energia, podemos distinguir dois tipos fundamentais de transporte: passivo e ativo. Na membrana: - Ocorre passagem de moléculas pela bicamada lipídica; - Passagem de íons e moléculas via proteínas transportadoras e proteínas de canais - Passagem de íons e moléculas via substâncias carregadoras ou formadoras de canais introduzidas na membrana. @ [ ] Agora é hora de TRABALHAR 1. Que relação você estabeleceria entre a expressão “fronteira da célula” e o papel da membrana plasmática? 2. Analisando, atentamente, a figura nº 07, faça uma leitura sobre a mesma. 14 Movimentos Celulares Transporte Interno e Externo As proteínas podem mover-se de um compartimento a outro por transporte controlado, transporte transmembrana ou transporte vesicular, como mostra a FIGURA ABAIXO. Os sinais que dirigem o movimento de uma dada proteína através do sistema e, portanto, determinam sua localização eventual na célula, estão contidos em sua seqüência de aminoácidos. A viagem começa com a síntese da proteína nos ribossomos e termina quando o destino final é atingido. Em cada estação intermediária (caixas), uma decisão é tomada ou a proteína é retida ou transportada adiante. Em princípio, um sinal pode ser necessário tanto para a retenção como para a saída de cada um dos compartimentos mostrados, sendo o destino alternativo a via default (aquele que não exige sinal especial). O transporte vesicular de proteínas do RE, através do complexo golgiense para a superfície celular, por exemplo, parece não necessitar sinais de distribuição específicos; estes sinais de localização específicos são, portanto, necessários para reter no RE e no complexo golgiense àquelas proteínas especializadas que aí residem. 1 Princípios de transporte transmembrana A permeabilidade de bicamadas lipídicas para uma determinada substância depende em parte do seu tamanho e, principalmente, de sua solubilidade relativa em óleo. Em geral, quanto menor a molécula e quanto mais solúvel ela for a óleo, isto é, quanto mais hidrofóbica, ou não polar ela for, (relembre os conhecimentos construídos em FQBB), mais rapidamente ela se difundirá através de uma bicamada. Moléculas não-polares pequenas, tais como o oxigênio (32 daltons) e o gás carbônico (44 daltons), facilmente se dissolvem em bicamadas 15 lipídicas e, portanto, difundem-se rapidamente através delas. Moléculas polares sem carga também se difundem rapidamente através de uma bicamada se forem o suficientemente pequenas. A água (18 daltons), o etanol Biologia (46 daltons), e a uréia (60 daltons), por exemplo, passam rapidamente, o Celular e glicerol (92 daltons) difunde-se menos rapidamente, e a glicose (180 daltons), Molecular praticamente não se difunde. As bicamadas lipídicas são altamente impermeáveis moléculas carregadas (íons), não importa o quão pequenas: a carga e o alto grau de hidratação de tais moléculas impede-as de entrar na fase hidrocarboneto da bicamada. À semelhança das bicamadas lipídicas sintéticas, as membranas celulares permitem a passagem da água e de moléculas não polares por simples difusão, também devem permitir a passagem de várias moléculas polares, tais como íons, açúcares, aminoácidos, nucleotídeos e muitos metabólicos celulares. Proteínas especiais na membrana são responsáveis pela transferência de tais solutos através das membranas celulares. Estas proteínas, denominadas proteínas transportadoras da membrana, existem em muitas formas e em todos os tipos de membranas biológicas. Cada proteína tem sua especificidade e transporta uma classe particular de moléculas e, freqüentemente, apenas uma determinada espécie molecular de uma classe. Existem duas classes principais de proteínas transportadoras de membrana: as proteínas carregadoras ligam um soluto específico a ser transportado e sofrem uma série de mudanças conformacionais, de modo a transferir através da membrana o soluto a elas ligado. As proteínas-canal, por outro lado, não necessitam ligar o soluto. Ao contrário, elas formam poros hidrofílicos que se estendem através da bicamada lipídica. Quando esses poros estão abertos, eles permitem que solutos específicos (geralmente íons inorgânicos do tamanho e da carga apropriados) passem através deles e, portanto, cruzem a membrana. Como é de se esperar, o transporte através de proteínas-canal ocorre a uma velocidade muito maior do que o transporte mediado por proteínas carregadoras. 2 Tipos de transporte realizados pelas membranas celulares Transporte passivo através da membrana Todas as proteínas canal e muitas proteínas carregadoras permitem os solutos cruzarem a membrana apenas passivamente num processo denominada transporte passivo ou difusão facilitada. A diferença de concentração e o gradiente elétrico entre os dois lados da membrana (o seu gradiente eletroquímico) é que impulsiona o transporte passivo e determina a sua direção. 16 Transporte ativo através da membrana As células também necessitam de proteínas que ativamente bombeiem certos solutos através da membrana contra seus gradientes eletroquímicos. Esse processo, conhecido como transporte ativo, é sempre mediado por proteínas carregadoras. No transporte ativo, proteínas carregadoras podem agir como bombas para transportar um soluto contra o seu gradiente eletroquímico, usando energia fornecida pela hidrólise de ATP (trifosfato de adenosina). A energia livre liberada durante o movimento de um íon inorgânico a favor de seu gradiente eletroquímico é usada como a fonte de energia para bombear outros solutos contra seus gradientes eletroquímicos. Assim, essas proteínas funcionam como transportadores acoplados - algumas como sim-portadores outras como anti-portadores. Na membrana plasmática de células animais, o sódio é o íon usualmente co-transportador, cujo gradiente eletroquímico fornece a força impulsora para o transporte ativo de uma segunda molécula. O sódio que entra na célula durante o transporte é subseqüentemente bombeado para fora pelo sódio potássio ATPase a qual, por manter o gradiente de sódio, indiretamente fornece energia para o transporte. Por essa razão, diz-se que os carreadores impulsionados por íons mediam o transporte ativo secundário, enquanto as ATPases transportadoras mediam o transporte ativo primário. Assim, o transporte por proteínas carregadoras pode ser ativo ou passivo enquanto o transporte por proteínas-canal é sempre passivo. A clonagem de DNA e os estudos de seqüenciamento mostraram que as proteínas carregadoras pertencem a um pequeno número de famílias, cada uma das quais compreende proteínas com seqüências similares de aminoácidos e que se supõem terem evoluído de uma proteína ancestral comum atuarem através de um mecanismo similar. A família de ATPases transportadoras de cátions, a qual incluem a bomba de sódio e potássio, é um exemplo importante. Cada uma dessas ATPases contém uma subunidade catalítica grande, que é seqüencialmente fosforizada e desfosforilada durante o ciclo de bombeamento. A superfamília de transportadores ABC é particularmente importante do ponto de vista clínico: ela inclui proteínas que são responsáveis pela fibrose cística, bem como pela resistência a drogas em células cancerosas e em parasitas causadores de malária. Transporte de pequenas moléculas - Endocitose (Pinocitose e Fagocitose) Endocitose é o processo através do qual as células captam macromoléculas, substâncias particuladas e, em casos especializados, outras células. O material a ser ingerido é, progressivamente, envolvido por uma pequena região da membrana plasmática, que primeiro invagina e depois se fecha e se desprende formando uma vesícula intracelular, que contém a substância ou material ingerido. Dois tipos principais de endocitose podem ser distinguidos com base no tamanho das vesículas endocíticas formadas: A pinocitose (“célula bebendo”), A fagocitose (“célula comendo”), que que envolve a ingestão de fluidos e envolve a ingestão de partículas grandes solutos através de vesículas pequenas como microorganismos e pedaços de (150nm de diâmetro) células, via vesículas grandes, denominadas fagossomos, geralmente maior que 250nm de diâmetro. 17 Embora a maioria das células eucarióticas esteja, continuamente, ingerindo fluidos e solutos por pinocitose, partículas grandes são ingeridas, principalmente, por células especializadas em fagocitose. A fagocitose, em protozoários, é uma forma de alimentação: partículas Biologia Celular e grandes captadas por endossomos chegam até os lisossomos e os produtos Molecular do processo de digestão subseqüente chegam ao citosol para serem utilizados como alimento. Entretanto, poucas células em organismos multicelulares são capazes de ingerir, eficientemente, partículas grandes e, no intestino dos animais, por exemplo, partículas grandes de alimento são quebradas no meio extracelular antes de serem importadas para a célula. A fagocitose é importante, para a maioria dos animais, para outros processos que não de nutrição. Em mamíferos existem dois tipos de glóbulos brancos no sangue especializados em fagocitose: macrófagos e neutrófilos que nos defendem contra infecções, ingerindo os microorganismos invasores. Para que sejam fagocitadas as partículas devem, em primeiro lugar, ligar-se a superfície do fagócito. Em muitas células, a endocitose é tão extensiva que uma grande fração da membrana plasmática é internalizada a cada hora. Os componentes da membrana plasmática (proteínas e lipídeos) são continuamente retornados à superfície celular em um ciclo endocítico-exocítico em grande escala, que é, em sua maior parte, mediado por cavidades e vesículas recobertos por clatrina. Muitos receptores da superfície da célula, que ligam macromoléculas extracelulares específicas, localizam-se em cavidades recobertas com clatrina, num processo denominado endocitose mediado por receptores. As vesículas endocíticas recobertas rapidamente perdem sua cobertura de clatrina e se fundem com os endossomos prematuros. Muitos ligantes se dissociam de seus receptores no ambiente ácido do endossomo e acabam chegando aos lisossomos, enquanto muitos dos receptores são reciclados, via vesícula de transporte, de volta para a superfície da célula para serem reutilizadas. Mas, o complexo ligante-receptor pode seguir outras vias, a partir do compartimento endossomal. Em alguns casos, ambos, receptor e ligante, acabam sendo degradados nos lisossomos, causando a “down regulation” dos receptores. Resumindo... - Os lipídios não são imóveis, mas dotados de um movimento de origem térmica e livre para mudar de lugar na superfície da membrana; - As proteínas da membrana são igualmente dotadas de deslocamentos permanentes que podem ser diversos; - Estes movimentos se juntam à renovação incessante de diferentes compostos resultantes; - Os fragmentos da membrana estão em constante reciclagem; - As membranas celulares são estruturas dinâmicas; - Fluidas; - Maior parte de suas moléculas são capazes de mover-se no plano da membrana; - As moléculas individuais de lipídios são capazes de difundirem-se rapidamente dentro de sua própria monocamada e, raramente, saltam de uma monocamada para outra. 18 Agora, você já conhece sobre os tipos de transporte através da Membrana . Leia um pouco mais sobre a função desta importante estrutura celular. 3 Funções da membrana A membrana plasmática cumpre uma vasta gama de funções. A primeira, do ponto de vista da própria célula, é que ela dá individualidade a cada célula, definindo meios intra e extra celular. Ela forma ambientes únicos e especializados, cuja composição e concentração molecular são conseqüência de sua permeabilidade seletiva e dos diversos meios de comunicação com o meio extracelular. Além de delimitar o ambiente celular, compartimentalizando moléculas, a membrana plasmática representa o primeiro elo de contato entre os meios intra e extracelular, traduzindo informações para o interior da célula e permitindo que ela responda a estímulos externos que podem, inclusive, influenciar no cumprimento de suas funções biológicas. Também nas interações célula-célula e célulamatriz extracelular a membrana plasmática participa de forma decisiva. É, por exemplo, através de componentes da membrana que células semelhantes podem se reconhecer para, agrupando-se, formar tecidos. A manutenção da individualidade celular, assim como o bom desempenho das outras funções da membrana, requer uma combinação particular de características estruturais da membrana plasmática: ao mesmo tempo em que a membrana precisa formar um limite “estável”, ela precisa também ser dinâmica e flexível. A combinação destas características é possível devido a sua composição química. Resumindo... - BARREIRA (impede o conteúdo de se misturar). - LUGAR DE INTERCÂMBIO (permeabilidade seletiva). - ESTRUTURA ELÉTRICA (+ sobre sua face, e – sobre sua face interna). -TRANSMISSÃO DE INFORMAÇÃO (entre o meio exterior e a intimidade da célula, onde agem os transmissores, passando mensagens à célula). -ELEMENTO SECRETÓRIO (efetua suas sínteses a partir de sua própria substância). PAREDE CELULAR A parede celular é uma estrutura semi-rígida presente nas células vegetais externamente à membrana citoplasmática. É basicamente formada por celulose, mas contém igualmente polissacarídeos complexos e proteínas. 19 A parede permite a manutenção da forma da célula vegetal, impedindo a sua lise (quebra), sendo uma barreira bastante eficaz contra ataques de microrganismos patogênicos e ajuda na união entre células vizinhas. Biologia Celular e Molecular @ [ ] Agora é hora de TRABALHAR 1. Que tal desenvolver sua habilidade lúdica? Trabalhando seu imaginário, construa uma rodovia com as estruturas celulares citadas acima respeitando as leis de trânsito. METABOLISMO CELULAR Estruturas Celulares As organelas que compõem o Sistema de Endomembranas são formadas por membranas bilipídicas similares à membrana plasmática. São elas: Retículo Endoplasmático Rugoso, Retículo Endoplasmático Liso, Complexo golgiense, Endossomas, Lisossomos e Peroxissomas. A parte externa da membrana de cada organela, relacionada com o Citosol, é chamada face citosólica; e a interna, face luminal. 20 O retículo rugoso deve o seu nome ao fato de as suas membranas conterem ribossomos, locais de síntese protéica. As proteínas são lançadas para o interior das membranas, onde serão transformadas ou dirigidas a outras localizações da célula. O retículo liso não apresenta ribossomos nas suas membranas e nele as proteínas sintetizadas no retículo rugoso são quimicamente alteradas. Ocorrem, ainda, no seu lúmen as hidrólises do glicogênio, síntese de esteróides e alteração de drogas e outras substâncias nocivas ao corpo. O complexo golgiense recebe do retículo endoplasmático rugoso (R.E.R.), proteínas, transportadas em vesículas membranosas. Essas moléculas são então separadas e modificadas quimicamente, sendo depois encaminhadas para as suas localizações definitivas. Destinam-se ao exterior da célula, sendo “embaladas” em vesículas que se irão fundir com a membrana plasmática e libertadas para o exterior. Destinando-se ao citoplasma, as vesículas irão fundir-se com outros organitos. As vesículas formadas pelo R.E.R. são recebidas pela face cis, ou de recepção, do Golgi, as proteínas alteradas no lúmen das cisternas e libertadas pela face trans, ou de formação, virada para a membrana plasmática. Sinais Relacionados ao Complexo Golgiense As proteínas depois de endereçadas e encapsuladas em vesículas, podem seguir os seguintes caminhos: 21 Desta forma, os mecanismos de secreção celular podem ser classificados em duas vias distintas: Biologia Celular e Molecular As mitocôndrias têm duas membranas, como o núcleo ou os cloroplastos. A membrana externa é lisa e fornece proteção, embora seja bastante permeável à passagem de substâncias. A membrana interna contém grandes complexos protéicos embebidos, envolvidos na síntese de ATP e na respiração celular. Esta membrana está dobrada em pregas achatadas designadas cristas, que aumentam grandemente a sua área. O número de cristas varia muito com a taxa metabólica da célula em que a mitocôndria se encontra. A matriz é a região interna da mitocôndria, rodeada pela membrana interna. Contém numerosas proteínas envolvidas nos processos respiratórios, bem como ribossomos e DNA, usados na síntese da maioria das suas proteínas. O peroxissoma é um organito relativamente pouco conhecido, em que produtos tóxicos para a célula, como peróxido de hidrogênio (água oxigenada), são degradados em produtos inofensivos, como água e oxigênio. Exclusivamente em células vegetais existem organitos semelhantes, designados glioxissomas. O centrossoma é uma região mais ou menos amorfa, localizada perto do envelope nuclear em células animais. Ao centro desta zona está um par de estruturas cilíndricas designadas centríolos e dispostas em ângulo reto, como um L. Os centríolos estão intimamente relacionados com o movimento celular, seja por meio de flagelos ou de cílios, em cuja base existe sempre um corpo basal, em tudo semelhante ao centríolo típico. Esta relação é confirmada pelo fato de muitas vezes os flagelos ou cílios serem reabsorvidos e os seus corpos basais deslocados para o interior da célula, passando a funcionar como centríolos. A estrutura do centríolo é formada por nove grupos de três microtúbulos fundidos. Estes nove conjuntos formam a “parede” da estrutura, ligeiramente rodados para o interior, 22 como hélices de uma turbina. Cada conjunto está ligado longitudinalmente ao adjacente por outro tipo de proteínas. Característico das células eucarióticas (e talvez, por ausência das bactérias, um fator fundamental no sucesso dos eucariontes), o citosqueleto é formado por um emaranhado de longas fibras de vários tipos, fornecendo suporte e permitindo o movimento (seja da célula ou de organitos ou cromossomos no seu interior) e a alteração de forma. Devido ao seu elevado dinamismo e interação com o ambiente, poderia, com a mesma facilidade, designar-se citomusculatura. O citosqueleto é responsável pelo deslizar sobre o substrato, contração muscular e pelas alterações de forma durante o desenvolvimento embrionário dos animais. O citosqueleto contém 3 tipos principais de fibras: Microfilamentos - formados por subunidades de actina, têm a forma de hélices duplas desta proteína. São estruturas muito flexíveis que podem ser encontrados em toda a célula, mas são mais freqüentes logo abaixo da membrana plasmática; Filamentos intermédios - formados por subunidades de vimentina ou lamina, entre outras proteínas muito heterogêneas, estes filamentos são encontrados por toda a célula. Um tipo de filamento intermédio forma a lâmina nuclear, um emaranhado de fibras logo abaixo da membrana interna do envelope nuclear, enquanto outros fornecem força mecânica estendendo-se através do citoplasma e associando-se aos desmossomas que unem células vizinhas; Microtúbulos - formados por subunidades de tubulina, estas estruturas são polares: existe uma extremidade (ponta +) capaz de rápido crescimento e outra (ponta -) que tende a perder subunidades se não for estabilizada. Na maioria das células tal é conseguido ligando a ponta - do microtúbulos ao centrossoma, localizado perto do núcleo, no centro da célula. Por este motivo, o centrossoma é um dos MTOC conhecidos (microtubule organizing center). Os plastídeos são característicos das células vegetais e têm uma estrutura característica: são envolvidas por um envelope com duas membranas, as mais internas das quais se diferencia num sistema complexo, e que rodeia uma matriz mais ou menos homogênea, o estroma. Os plastídeos são geralmente classificados segundo o tipo de pigmentos que contêm. 23 As células animais, heterotróficas, não produzem cloroplastos, mas podem apresentá-los, perfeitamente funcionais, retirados da digestão parcial de células vegetais ou devido a algas verdes que vivem em simbiose nesses Biologia tecidos. Esta situação é bastante comum em corais e anêmonas. É o local onde se realiza a fotossíntese, contendo grande quantidade Celular e de pigmentos, nomeadamente clorofilas. Uma única célula do mesófilo pode Molecular conter até 50 cloroplastos, pelo que 1mm2 de folha contém cerca de 500000. Geralmente, localizam-se nos lados longos das células, perto da parede celular. A sua estrutura faz lembrar a da mitocôndria, pois também apresenta duas membranas. A membrana externa é bastante permeável, permitindo a passagem da maioria das pequenas moléculas. A membrana interna é bem mais seletiva e é onde se localizam os complexos que captam a luz para as reações fotossintéticas. Forma dobras designadas tilacóides. Quando os tilacóides aparecem empilhados como moedas designam-se grana. O espaço interno do cloroplasto designa-se estroma e é rodeado pela membrana interna. Neste espaço, tal como na mitocôndria, encontra-se DNA e ribossomos, capazes de comandar numerosas proteínas presentes no cloroplasto. No entanto, o controle é nitidamente do núcleo, sendo a maior parte do material sintetizado com DNA nuclear e transferido para os plastídios. Em algas verdes e plantas é freqüente encontrar no estroma grãos de amido e/ou pequenas gotas de lipídios. Estes são produtos de armazenamento temporário, quando o organismo fotossintetiza ativamente. Secreção e Digestão Celular Complexo Golgiense (ou complexo de Golgi) O Complexo Golgiense (cujo nome é uma homenagem ao cientista que o descobriu, Camillo Golgi) é um conjunto de saquinhos membranosos achatados e empilhados como pratos. Estas pilhas, denominadas dictiossomos, encontram-se no citoplasma perto do núcleo. O complexo é a estrutura responsável pelo armazenamento, transformação, empacotamento e “envio” de substâncias produzidas na célula. Portanto, é o responsável pela exportação de substâncias na célula. É comum compará-lo a uma agência do correio, devido ambos terem funções semelhantes. Este processo de eliminação de substâncias é chamado de secreção celular. Praticamente todas as células do corpo sintetizam e exportam uma grande quantidade de proteínas que atuam fora da célula. 24 Lisossomos - Reciclando Resíduos As células possuem no citoplasma, dezenas de saquinhos cheios de enzimas capazes de digerir diversas substâncias orgânicas. Com origem no complexo golgiense, os lisossomos existem em quase todas as células animais. As enzimas são produzidas no RER , depois são transferidas para o dictiossomos do complexo golgiense. Lá, são identificadas e enviadas para uma região especial do complexo e por fim serão empacotadas e liberadas como lisossomos. Eles são as organelas responsáveis pela digestão da célula (a chamada digestão intracelular). Num certo sentido, eles podem ser comparados a pequenos estômagos intracelulares. Além disso, os lisossomos tem a função de ajudar no processo de autofagia. Também podem ser comparados à centros de reciclagem, ou até mesmo a desmanches pois digerem partes celulares envelhecidas e desgastadas, de modo a reaproveitar as substâncias que as compõem. Características Morfológicas de Algumas Células Secretoras A ultra-estrutura das células com intensa atividade protéica varia de acordo com o destino das proteínas sintetizadas. Veja, no quadro abaixo, alguns exemplos: 25 Catabolismo e Anabolismo Biologia Celular Artigo: Metabolismo, Anabolismo e Catabolismo Prof. Benito Olmos e Molecular Para o funcionamento do organismo é necessário a ocorrência de inúmeras reações bioquímicas em nível celular. O conjunto destas reações é definido como metabolismo. Basicamente o metabolismo esta dividido em duas partes que contém objetivos e resultados opostos, o anabolismo e o catabolismo. As reações que acarretam o armazenamento de energia e construção de tecidos são conhecidas coletivamente como anabolismo. Neste processo, moléculas mais complexas são sintetizadas a partir de moléculas menos complexas. Estas moléculas menos complexas recebem a denominação de substratos. Um exemplo deste processo anabólico reside na síntese de proteínas dentro do tecido muscular a partir dos aminoácidos e na formação de estoques de glicogênio por intermédio do agrupamento de moléculas de glicose. Isto ocorre, por exemplo, quando, após uma sessão de treinamento, temos a ingestão adequada de nutrientes. Principalmente carboidratos e proteínas, onde os carboidratos serão convertidos em glicose e parte desta armazenada como glicogênio, e as proteínas fornecerão os aminoácidos necessários à hipertrofia muscular. O anabolismo demanda para sua ocorrência a oferta de energia e substratos necessários às suas reações, sendo responsável pelo crescimento, regeneração e manutenção dos diversos tecidos e órgãos presentes no organismo. Em um pólo diametralmente oposto temos o catabolismo, onde o organismo irá desmembrar moléculas mais complexas para, assim, obter as moléculas mais simples e, por intermédio disto aumentar a disponibilidade de nutrientes ao organismo. Como exemplo de catabolismo, temos o processo de digestão dos alimentos, onde o organismo realiza o “desmonte” dos nutrientes presentes nos alimentos em moléculas mais simples que serão posteriormente usadas pelo metabolismo. As proteínas presentes em uma refeição à base de carnes irão ser desmembradas em aminoácidos e estes serão lançadas à corrente sanguínea para serem utilizados pelo organismo. O catabolismo também ocorre quando o organismo está sem energia suficiente e busca obter esta por intermédio da destruição de seus próprios tecidos e reservas, acarretando a liberação de aminoácidos e glicose que serão convertidos em energia. Durante um treinamento para manter a oferta de energia necessária, o organismo estará utilizando o processo anteriormente descrito. Devido a isto, dizemos que ninguém está “crescendo” ou aumentando a sua performance durante uma sessão de treinamento, já que essa é essencialmente catabólica. A melhora virá nos períodos de descanso onde o organismo, caso tenha a oferta adequada de nutrientes, estará em anabolismo. Anabolismo e Catabolismo acontecem alternadamente no organismo, para aferirmos o resultado final destas reações teremos que analisar o balanço metabólico. A diferença entre a quantidade total de anabolismo e a de catabolismo em um período de tempo determina o balanço metabólico: 26 a) Caso a quantidade de anabolismo tenha sido maior do que a de catabolismo, teremos um balanço metabólico positivo. b) Caso a quantidade de catabolismo tenha sido maior do que a de anabolismo, teremos um balanço metabólico negativo. c) Caso a quantidade de anabolismo tenha sido igual à de catabolismo, teremos um balanço metabólico nulo. O catabolismo e anabolismo são regulados pelo sistema hormonal, onde alguns hormônios específicos atuam como sinalizadores e desencadeadores destes estados metabólicos. Dentre os principais hormônios catabólicos temos a adrenocorticotropina (ACTH), que ocasiona a secreção dos hormônios glucocorticóides, dentre os quais figura o tão conhecido cortisol. Os principais hormônios anabólicos são o hormônio do crescimento (GH), a testosterona, a insulina e o IGF-1. Em nossa próxima edição estarei discutindo a atuação destes hormônios dentro das reações de catabolismo e anabolismo, para que assim entendamos um pouco mais sobre estes fascinantes processos metabólicos. Como e vitar o Ca ta bolismo evitar Cata tabolismo É comum observarmos atletas defendendo sua modalidade esportiva preferida, colocando-a como a mais completa. É difícil concordar com isto, na visão dos especialistas, nenhuma modalidade esportiva tem esta dinâmica. Na maioria dos esportes, predomina apenas uma das 4 capacidades físicas: a velocidade, a resistência, a força ou a flexibilidade, mas não é por este motivo que devemos excluir do treinamento capacidades e habilidades menos importantes. Em uma visão técnico-ciêntifica, o “heteroclonismo” (treinamento modular de variação) vem mostrando ótimos resultados, melhorando a performance de inúmeros atletas, que antes apenas treinavam especificamente sua modalidade. Atletas que praticam modalidades extenuantes como o triatlo e a maratona, por exemplo, entram constantemente num processo chamado catabolismo (utilização do músculo como fonte energética), desencadeando alguns problemas como: perda de peso, queda da resistência orgânica e perda da força muscular. Uma das formas de evitar o catabolismo seria a prática do treinamento de força que por sua vez, estimula o anabolismo (construção do músculo). O estímulo provocado na musculatura através da sobrecarga do exercício aumenta naturalmente a produção dos hormônios, testosterona, insulina e o GH. A testosterona é o hormônio sexual masculino, produzida pelos testículos, necessita para sua construção alem do estímulo da força, uma ingestão adequada de gordura. A insulina é sintetizada pelo pâncreas a partir de aminoácidos é estimulada pela ingestão de carboidratos. O hormônio do crescimento (GH), é sintetizado pela hipófise, também a partir dos aminoácidos, principalmente durante o sono. O cansaço moderado produzido pelos exercícios, aumenta a faixa de sono, havendo uma maior produção de GH. 27 O excesso de treino de força também pode causar catabolismo. O estresse físico e emocional faz com que as glândulas supra-renais secretem o cortizol, proporcionando a degradação do tecido muscular. Baixos níveis de glicose durante competições ou treinamentos de longa Biologia Celular e duração também colaboram com o catabolismo. Para evitar este processo Molecular de perda de proteína, chamado de balanço hidrogenado negativo, normalmente relacionado a queda de rendimento do atleta, é aconselhável uma suplementação de carboidrato durante as atividades acima de 60 minutos. Esta suplementação é geralmente feita com carboidratos de alta absorção como: maltodextrina, o carb-up ou exceed gel, entre outros. É bom lembrar: a ingestão de proteína durante as refeições é fundamental, sendo necessário aproximadamente 2g de proteína por kg corporal/dia, e pode ser aumentada em torno de 3g, caso o atleta, além de sua modalidade competitiva, pratique treinamentos de força. [ Á ] Para saber mais acesse: http://pitboorei.vilabol.uol.com.br/nutricao/CATABOLISMO.htm Metabolismo Energético Mitocôndria: a produção da energia aeróbia Estrutura Morfológica Qualquer mitocôndria é formada por duas unidades de membrana separadas por um espaço intermembranoso, cada qual com funções e proteínas diferentes associadas à sua bicamada lipídica. A membrana interna emite numerosas cristas para o interior da organela, aumentando substancialmente a sua superfície. Nessas cristas podem-se visualizar ao microscópio eletrônico, em grande aumento, partículas em forma de raquete, denominadas corpúsculos elementares. São encontrados a intervalos de 10 nm, podendo haver 104 a 106 corpúsculos por mitocôndria. Na intimidade da mitocôndria, delimitada pela membrana interna, está a matriz mitocondrial. A matriz contém material protéico granular de alta densidade, capaz de se ligar a fosfatos de cálcio e magnésio, precipitando-se na forma de grânulos elétron-densos. É por isso que as mitocôndrias são o segundo destino preferencial de acúmulo do cálcio intracelular (o primeiro sendo o retículo endoplasmático liso). A matriz possui todas as enzimas necessárias ao ciclo de Krebs. A membrana externa mitocondrial é semelhante às demais membranas da célula eucarionte. A membrana interna possui os elementos da cadeia respiratória necessários para a respiração aeróbia. 28 RESPIRAÇÃO AERÓBIA : uma visão do processo Pode-se dividir a respiração aeróbia em três fases: - Glicólise A primeira via do metabolismo energético da glicose é a glicólise. A glicólise ocorre totalmente por enzimas dissolvidas no hialoplasma. Este processo metabólico não exige oxigênio molecular e pode ocorrer na sua ausência. A glicólise produz duas moléculas de ATP (por fosforilação pelo nível de substrato) para cada molécula de glicose consumida. Em geral, nas células, a concentração de glicose é muito menor que a do líquido extracelular. Essa diferença de concentração (=gradiente de concentração) é mantida por regulação homeostática. Quando as moléculas de glicose adentram no hialoplasma muito rapidamente, vão para a via de oxidação (glicólise) ou são armazenadas sob a forma de glicogênio. Como resultado final, a concentração hialoplasmática de glicose é muito baixa, o que faz com que exista sempre um gradiente de concentração que favorece a difusão de glicose para o interior da célula. A glicose é uma molécula muito polar, de modo que, mesmo havendo um gradiente de concentração, ela não atravessa a membrana plasmática. Na maioria dos tecidos, o transporte de glicose exige a ação do hormônio pancreático insulina, que regula a entrada de glicose e aminoácidos nas células. Primeiramente, na glicólise, a molécula de glicose é convertida em glicose-6-fosfato, numa reação dependente do gasto de ATP. A segunda reação é a conversão da glicose-6fosfato em frutose-6-fosfato, com o gasto de uma segunda molécula de ATP. Nas diversas etapas que seguem, a cadeia de seis carbonos da glicose original são quebrados em dois fragmentos, cada um com três carbonos, as moléculas de gliceraldeído-3-fosfato e estas, por fim, em duas moléculas de ácido pirúvico ou piruvato. A conversão de duas moléculas de gliceraldeído em duas de piruvato produz duas moléculas de ATP, duas moléculas de NADH e 56 kcal de calor. Como duas moléculas de ATP foram gastas no início do processo, o resultado efetivo é de duas moléculas de ATP para cada molécula de glicose. A conversão de um mol de glicose em dois moles de piruvato resulta na produção de dois moles de NADH. Esse NADH deve ser reoxidado para que a glicólise continue. Se o piruvato vai para a mitocôndria (metabolismo aeróbico), o NAD+ será regenerado por essa via. Se a célula não possui enzimas para o metabolismo aeróbico ou não há oxigênio disponível, a célula regenera o NAD+ pela conversão de piruvato em ácido láctico, processo em que o NADH transfere o hidrogênio para o piruvato. As células musculares esqueléticas, em ausência de oxigênio molecular, podem realizar esta glicólise anaeróbica com produção final de ácido láctico ou lactato. Após a glicólise, o piruvato vai para a mitocôndria onde é transformado em grupo acetil (molécula com dois carbonos), que, por sua vez, é degradado no ciclo de Krebs, onde se produz mais 36 moléculas de ATP para cada molécula de glicose processada. - Ciclo de Krebs O ciclo de Krebs, ou ciclo do ácido cítrico, é uma seqüência circular de oito reações que ocorre na matriz mitocondrial. Nessas reações, os grupos acetil (que provêm dos dois piruvatos que, por sua vez, vieram da glicose) são degradados em duas moléculas de gás carbônico, ao mesmo tempo em que quatro elétrons são transferidos para três NAD e um FAD, e uma molécula de ATP é formada por fosforilação pelo nível de substrato. A degradação total dos grupos acetil pelo ciclo de Krebs é explanada na figura a seguir. (figura retirada de Alberts et al., 1997, p. 661). 29 Biologia Celular e Molecular Para entrar no ciclo do ácido cítrico, o piruvato deve ser, primeiramente, descarboxilado, liberando CO2 e formando NADH. A molécula de gás carbônico produzida será, tal qual outras resultantes do ciclo de Krebs, excretada no nível dos alvéolos pulmonares, no processo conhecido como respiração sistêmica. A molécula com dois carbonos (grupo acetil) combina-se com a coenzima A, formando a acetil-CoA. Radicais acetil provindos de lipídios também entram no ciclo de Krebs como acetil-CoA. Alguns aminoácidos oriundos do catabolismo de proteínas podem ser convertidos em intermediários do ciclo de Krebs. Durante as reações do ciclo, são retirados hidrogênios do acetil e estes são passados para os nucleotídeos NAD+ e FAD, que levam estes hidrogênios para as cristas mitocondriais, onde acontece a fosforilação oxidativa, que gera ATP. No processo de fosforilação oxidativa ocorrem: o transporte de elétrons; a síntese de ATP por meio de uma enzima; o consumo de oxigênio molecular e a produção de moléculas de água. Cadeia Respiratória e a Fosforilação Oxidativa A maior parte do ATP formado na respiração celular provém do processo de fosforilação oxidativa que ocorre nas cristas mitocôndrias. Nas membranas internas da mitocôndria existe uma série de enzimas contendo ferro (chamadas citocromos) que constituem a cadeia respiratória. Os citocromos da cadeia respiratória, inicialmente, transferem os elétrons do NADH e do FADH2 para si e, após, cedem estes elétrons para o oxigênio, reduzindo-o a água. No processo de transporte de elétrons ao longo da cadeia respiratória, acontece liberação de energia. Parte dessa energia é perdida (dissipada) sob 30 a forma de calor, outra parte é usada para transportar prótons (H+), através da membrana interna, da matriz até o espaço intermembranoso. Deste modo, a energia é guardada sob a forma de um gradiente de prótons entre a matriz e o espaço intermembranas. Os prótons acumulados tendem a voltar para a matriz e o fazem atravessando a enzima ATP-sintase, situada na membrana interna mitocondrial. A ilustração a seguir (retirada de Alberts et al., 1997, p. 673) esquematiza a enzima ATP-sintase: Quando os prótons atravessam a enzima, sua energia é utilizada para produzir ATP a partir de ADP e um fosfato inorgânico (PO4—).Esta teoria que procura explicar a síntese de ATP a partir da energia do gradiente de prótons é conhecida como hipótese quimiosmótica. O fluxo de prótons do gradiente pode ser comparado à água de uma represa que tem sua energia potencial transformada em energia elétrica quando da passagem da água por uma turbina. A próxima figura (retirada de Alberts et al., 1997, p. 674) representa a passagem dos prótons do gradiente através da ATP-sintase com a conseqüente produção de ATP: Ao final do transporte de elétrons pela cadeia respiratória, estes elétrons liberaram uma energia suficiente para, por meio da ATP-sintase, regenerar trinta e seis moléculas de ATP; somando-se os 36 ATP às duas moléculas de ATP sintetizadas pela glicólise, no hialoplasma, temos o total de 38 moléculas de ATP formadas a partir da energia química oriunda de uma molécula de glicose. 31 A figura seguinte (retirada de Alberts et al., 1997, p. 662) esquematiza o processo geral da oxidação da glicose pela mitocôndria. Note o detalhe do transporte de elétrons e a formação do gradiente de prótons e a síntese das Biologia moléculas de ATP. Celular e Molecular No catabolismo de lipídios, os ácidos graxos passam a ser a fonte principal de cadeias carbônicas a serem oxidadas para obter energia para a produção de ATP. Cada radical de dois carbonos de um ácido graxo gera uma molécula de acetil-CoA ,que entra para o ciclo de Krebs. Um triglicerídio, por exemplo, é formado por três ácidos graxos unidos a uma molécula de glicerol. Portanto, a partir de uma única molécula de triglicerídio pode-se obter muitos grupos acetil, o que faz com que o teor de armazenamento de energia dos lipídios seja bem maior do que o dos glicídios. Fermentação Uma mudança química em matéria animal e vegetal provocada por leveduras microscópicas, bactérias ou mofos é chamada de fermentação. Exemplos de fermentação são o azedamento de leite, o crescimento da massa de pão e a conversão de açúcares e amidos em álcool. Muitas substâncias químicas industriais e vários antibióticos usados em medicamentos modernos são produzidos através de fermentação sob condições controladas. O resultado da fermentação é que uma substância seja quebrada em compostos mais simples. Em alguns casos a fermentação é usada para modificar um material cuja modificação seria difícil ou muito cara se métodos químicos convencionais fossem escolhidos. A fermentação é sempre iniciada por enzimas formadas nas celas dos organismos vivos. Uma enzima é um catalisador natural que provoca uma mudança química sem ser afetado por isto. A levedura comum é um fungo composto de minúsculas células tipos vegetais similares às bactérias. Suas enzimas invertase e zimase quebram açúcar em álcool e gás carbônico. Elas crescem o pão e transformam suco de uva em vinho. Bactérias azedam o leite produzindo ácidos láctico e buturico. Células do corpo humano produzem enzimas digestivas, como pepsina e renina que transformam comida em uma forma solúvel. Os produtos de fermentação foram usados desde a Antigüidade. Habitantes das cavernas descobriram que a carne envelhecida tem um sabor mais agradável que a carne fresca. Vinho, cerveja, e pão são tão velhos quanto a agricultura. Queijo, que envolve a fermentação de leite ou creme, é outra comida muito antiga. O valor medicinal de produtos fermentados é conhecido de há muito tempo. Os chineses usavam coalho de feijão-soja mofado para curar infecções de pele há 3.000 anos atrás. Os índios da América Central tratavam feridas fétidas com fungos. 32 A verdadeira causa de fermentação, porém, não era compreendida até o século XIX. O cientista francês Louis Pasteur, enquanto estudando problemas dos cervejeiros e vinicultores da França, encontrou que um tipo de levedura produz vinho bom, mas um segundo tipo torna-o azedo. Esta descoberta conduziu à teoria da origem de doenças de Pasteur. A química das fermentações é uma ciência nova que ainda está em suas fases mais iniciais. É a base de processos industriais que convertem matérias-primas como grãos, açúcares e subprodutos industriais em muitos produtos sintéticos diferentes. Cepas cuidadosamente selecionadas de mofos, leveduras e bactérias são usadas. A penicilina é um antibiótico que destrói muitas bactérias causadoras de doenças. É derivado de um mofo que cresce em uma mistura fermentativa de substâncias cuidadosamente selecionadas para este propósito. A penicilina industrial e muitos outros antibióticos se tornaram uma área muito importante da indústria farmacêutica. O Ácido cítrico é uma das muitas substâncias químicas produzidas por microorganismos. É usado em limpadores de metal e como um preservativo e agente de sabor em alimentos. O ácido cítrico é responsável pelo sabor azedo de frutas cítricas. Poderia ser obtido delas, mas necessitaria muitos milhares de frutos para produzir a quantia de ácido cítrico atualmente feita pela fermentação de melado com o mofo aspergillus niger. Um produto de fermentação, Terramicina, é adicionado a rações animais para acelerar o crescimento dos animais e os proteger de doenças. Certas vitaminas são feitas através de fermentação de mofos; e as próprias enzimas, extraídas de vários microorganismos, têm muitos usos na fabricação de alimentos e medicamentos. Cloroplasto Nos cloroplastos ocorre a reação da mais fundamental importância para a vida das plantas e, indiretamente, para a vida dos animais: a fotossíntese. Os cloroplastos são geralmente discoidais. Sua cor é verde devido a presença de clorofila. No seu interior existe um conjunto bem organizado de membranas, as quais formam pilhas unidas entre si, que são chamadas de grana. Cada elemento da pilha, que tem o formato de uma moeda, é chamado de tilacóide. Todo esse conjunto de membranas encontra-se mergulhado em um fluído gelatinoso que preenche o cloroplasto, chamado de estroma, onde há enzimas, DNA, pequenos ribossomos e amido. As moléculas de clorofila se localizam nos tilacóides, reunidas em grupos, formando estruturas chamadas de “complexos de antena”. Fotossíntese Os vegetais clorofilados têm o equipamento bioquímico necessário para transformar substâncias pouco energéticas (CO2 e H2O) em substância rica em energia (glicose). Na fotossíntese, a energia luminosa absorvida pela clorofila é transformada em energia química de ligação, que fica armazenada no carboidrato. A luz utilizada nessa formação é absorvida por uma série de pigmentos. Cada pigmento absorve determinados comprimentos de ondas, refletindo os que não absorve. A cor do pigmento é dada pelo comprimento de onda refletido, podendo-se 33 determinar o espectro de absorção de cada pigmento através de um espectrofotômetro. Os tipos de pigmentos utilizados na fotossíntese variam nos diferentes Biologia grupos de organismo fotossintetizantes. Nos vegetais superiores, os Celular e pigmentos mais importantes são a clorofila a e a clorofila b, pigmentos verdes Molecular que absorvem a luz no violeta, no azul e no vermelho, refletindo no verde; por isso, são verdes. Colocando-se em um gráfico os diferentes comprimentos de onda em função da taxa em que se processa a fotossíntese, pode-se verificar o espectro de ação da luz na fotossíntese: Observando-se os gráficos apresentados, pode-se notar que os picos do espectro de ação da luz na fotossíntese e os dos espectros de absorção da luz pela clorofila têm padrão semelhante, evidenciando que a clorofila é o pigmento mais importante na recepção da luz na fotossíntese. A absorção da luz pela clorofila se faz com intensidade máxima nas faixas de comprimento de onda de 450 nm (nanômetros), que é correspondente à luz azul, e 700 nm que corresponde, à luz vermelha. O nanômetro ainda é muito conhecido como milimícron. A absorção da luz verde é quase nula. A clorofila reflete-a quase integralmente. E é por isso que nós a vemos dessa cor. As curvas indicam: 1. espectro de absorção da luz pela clorofila a; 2. espectro de absorção da luz pela clorofila b; 3. O espectro de ação da fotossíntese não corresponde rigorosamente ao espectro de absorção da luz pelas clorofilas. Considerando o fenômeno fotossíntese em termos gerais, a resposta à luz vermelha é maior do que à luz azul. Isso se explica porque os pigmentos acessórios (xantofila, licopeno e caroteno) absorvem intensamente certas radiações de forma mais eficiente que as clorofilas, transferindo depois a elas a energia absorvida. Em certas plantas aquáticas, outros pigmentos, como a ficoeritrina e a ficoxantina, também absorvem a luz eficientemente. Nesses casos, o espectro de ação da luz na fotossíntese é diferente daquele apresentado anteriormente, estando os picos de maior taxa de fotossíntese praticamente coincidentes com os de absorção pelos pigmentos citados. 34 A equação tradicional da fotossíntese é: Essa reação, no entanto, não pode mais ser aceita como correta, tendo em vista que o oxigênio liberado na fotossíntese provém da água e não do gás carbônico. Isto foi confirmado por um experimento clássico (década de 40), no qual o oxigênio da água foi 18 marcado com o isótopo O, verificando-se que todo o oxigênio liberado na fotossíntese era isótopo –18. Dessa forma, a reação aceita é: Essa equação mostra o processo de síntese de compostos orgânicos a partir de substâncias inorgânicas, utilizando-se a energia luminosa e com liberação de oxigênio. Hoje, sabemos que a fotossíntese se processa em duas etapas. Na primeira, a luz cede energia para a clorofila. Portanto, essa etapa não ocorre sem a presença de luz. Ela é conhecida como fase luminosa da fotossíntese ou reações de claro. Na segunda etapa, a energia retida por certos compostos, vai permitir uma série de reações que vão levar ao aparecimento da glicose. Essa etapa pode ocorrer mesmo na ausência da luz. É a fase escura ou reações de escuro da fotossíntese. Fase clara A fotossíntese é dividida em duas fases: clara e escura. A fase clara, também chamada de fotoquímica, consiste na incidência da luz solar sob a clorofila A. Elétrons são liberados e recebidos pela plastoquinona (aceptor primário de elétrons). Estes elétrons passam por uma cadeia transportadora liberando energia utilizada na produção de ATP. Os elétrons com menos energia entram na molécula de clorofila A repondo os liberados pela ação da luz. A molécula de clorofila absorve energia luminosa. Este energia é acumulada em elétrons que, por este fato, escapam da molécula sendo recolhidos por substâncias transportadoras de elétrons. A partir daí, estes irão realizar a fotofosforilação, que, dependendo da substância transportadora, poderá ser cíclica ou acíclica. Em todos os dois processos, os elétrons cedem energia, que é utilizada para a síntese de ATP através de fosforilação (processo em que adiciona um fosfato rico em energia no ADP). Fotofosforilação acíclica Está relacionada basicamente com a fotólise da água Fotofosforilação cíclica: O elétron sai da clorofila A, é captado pela ferrodoxina e passa por transportadores de elétrons, havendo nos cloroplastos. Liberação de energia, que será utilizada na síntese de ATP. É importante citar que estes processos acontecem simultaneamente nos cloroplastos. Fase escura Ocorre no estroma dos cloroplastos e é nesta fase que se forma a glicose, pela reação inicial entre o gás carbônico atmosférico e um composto de 5 carbonos, a ribulose difosfato (RDP), que funciona como “suporte” para a incorporação do CO2. 35 Ciclo de Calvin A molécula de CO2 se liga ao suporte de RDP desencadeando um ciclo de reações no qual se formam vários compostos de carbono. Para Biologia formação de uma molécula de glicose é necessário que ocorram 6 ciclos Celular e destes. Os átomos de Hidrogênio da água são adicionados a compostos de Molecular carbonos, obtidos a partir de CO2, havendo uma redução de gás, com produção de glicose. Plantas C4 O mecanismo de fixação do CO2 não representa o único, descoberto por Calvin, utilizado pelas plantas verdes para fixar este elemento. Em 1960, foram encontradas evidências de que o primeiro produto fotossintético da cana de açúcar não era o PGA de 3 carbonos, mas um composto de 4 carbonos. Este aspecto se distingue das plantas C 3 nas quais o produto intermediário da fotossíntese é um composto de 3 carbonos, o PGA. Plantas Canr Um terceiro modo de fixação, a fotossíntese com metabolismo ácido evoluiu independentemente em muitas plantas como os cactos. Utilizam-se também moléculas de 4 carbonos. Nestas plantas, os ácidos málicos e isocítrico acumulam-se nas plantas durante a noite e são novamente convertidos em gás carbônico na presença de luz. Este processo é claramente favorável em condições de alta luminosidade e escassez de água. Estas plantas dependem muito deste processo, pelo fato de seus estômatos estarem fechados durante o dia a fim de retardar a perda de água. As células estomáticas são as únicas células epidérmicas que fazem fotossíntese e produzem glicose. Fatores que afetam a Fotossíntese A fotossíntese é afetada por vários fatores, tais como a intensidade luminosa, a temperatura e a concentração de gás carbônico no ar. Por exemplo: em uma planta mantida em um ambiente com temperatura e concentração de CO2 constantes, a quantidade de fotossíntese realizada passa a depender exclusivamente da luminosidade. Temperatura Qualquer temperatura abaixo ou acima da “ótima” resulta em condição limitante para as reações de fotossíntese. Abaixo da temperatura “ótima” a energia cinética das moléculas reagentes (CO2, H2O) é insuficiente para conseguir o rendimento químico. Acima da “temperatura ótima” as enzimas vão se desnaturando, podendo até parar as reações. Concentração de CO2 No ar atmosférico há uma mistura de gases: N2 78% ; O2 21% ; CO2 0,035%. A construção do gráfico acima utiliza dados obtidos em condições experimentais de laboratório. Observa-se que a concentração ótima é atingida em 0,2% de CO2, pois acima dessa concentração a taxa de fotossíntese já não poderá melhorar. Conseqüentemente, qualquer concentração abaixo desse ótimo (0,2%) está funcionando como limitante para o melhor rendimento do processo. 36 A concentração do CO2 no ar atmosférico exerce contribuição importante para a temperatura ambiente. Os estudiosos estimam que se essa concentração chegar em torno de 0,05% o calor será suficiente para descongelar parcela das calotas polares, fazendo subir o nível dos mares, o que provocaria inundações catastróficas. Intensidade luminosa Sendo a energia luminosa de natureza ondulatória eletromagnética, a freqüência (ou comprimento de onda) determina as diferenças de cores no espectro visível, enquanto a amplitude é responsável pela intensidade luminosa forte ou fraca. Durante o dia, entre 11 horas e 14 horas, a intensidade luminosa é muito forte, enquanto ao amanhecer ou ao entardecer essa intensidade é fraca. A observação do gráfico acima demonstra que as intensidades luminosas abaixo do ponto de saturação luminosa são valores limitantes do processo fotossintético. Acima dessa “intensidade ótima” já não haverá mais melhoria na taxa de rendimento. Os fatores analisados estão todos presentes ao mesmo tempo no ambiente e os componentes limitantes podem ser dois ou mais concomitantemente. O que se procura analisar, nas condições naturais, é qual deles estará influindo de maneira mais decisiva como fator limitante da fotossíntese. Quimiossíntese Certas bactérias que vivam no solo são capazes de construir suas cadeias de carbono a partir de gás carbônico, água e outras substâncias minerais sem utilizar energia luminosa. Elas provocam a oxidação de substâncias minerais do solo e, então, aproveitam a energia liberada nessas reações químicas para sintetizar suas substâncias orgânicas da seguinte maneira: Se comparado à fotossíntese, este processo, chamado quimiossíntese, representa uma fração muito pequena do processo de produção de cadeias de carbono. Entretanto, ele tem importância fundamental no ciclo dos compostos nitrogenados. É graças a um tipo especial de quimiossíntese que os compostos nitrogenados, originados da decomposição da matéria orgânica dos cadáveres, podem ser aproveitados pela planta. Todas as células vivas possuem uma elevada organização interna que é composta pela associação de substâncias orgânicas e inorgânicas. O estado de organização interna não é espontâneo nem permanente; e, por ser instável, pode reverter muito facilmente ao estado inanimado. O que mantém as características que diferem o vivo do não-vivo é uma entrada constante de energia. Segundo a Termodinâmica, há duas formas de energia: a energia livre ou utilizável e a entropia ou energia não utilizável. Em qualquer transformação de energia, a energia livre (mais organizada e concentrada) tende a passar para uma forma menos organizada e menos concentrada, a entropia. As células precisam de energia para não se desestruturar e para promoverem seus processos mecânicos, elétricos, osmóticos, bioquímicos. Mas, ao utilizar esta energia, a célula a desorganiza e a dissipa, de modo que não pode voltar a usá-la. Portanto, as células, como unidades metabólicas, precisam de um fluxo de energia exterior que venha 37 de uma fonte até elas. Pela natureza destas fontes, dividimos os seres vivos em autótrofos e heterótrofos. Os autótrofos têm a capacidade metabólica de sintetizarem, para o seu sustento, moléculas orgânicas a partir de substâncias Biologia inorgânicas de baixo peso molecular, como a água e o gás carbônico. A Celular e fotossíntese é um exemplo de processo anabólico realizado por seres Molecular autótrofos. Os seres heterótrofos não têm esta capacidade metabólica e, por isso, precisam obter matéria orgânica pronta para sua nutrição. @ [ ] Agora é hora de TRABALHAR 1. Como podemos comprovar a origem do oxigênio como sendo da fotossíntese? Explique. 2. Analise a frase abaixo e em, seguida, faça um comentário, justificando. 38 ESTUDO SOBRE INFORMAÇÕES GENÉTICAS E BIOTECNOLOGIA CÉLULA, FLUXO DE INFORMAÇÃO GENÉTICA Núcleo Celular Uma das principais características da célula eucarionte é a presença de um núcleo de forma variável, porém bem individualizado e separado do restante da célula. Ao microscópio óptico o núcleo tem contornos nítidos, sendo o seu interior preenchido por elementos figurados. Dentre os elementos distinguem-se o nucléolo e a cromatina. Na célula ao lado, nota-se o nucléolo formando uma estrutura enovelada. Entre as malhas do nucléolo observa-se a cromatina. No restante do núcleo, a cromatina está uniformemente dispersa; o envoltório nuclear é bem visível. Quando uma célula se divide, seu material nuclear (cromatina) perde a aparência relativamente homogênea típica das células que não estão em divisão e condensa-se numa série de organelas em forma de bastão, denominadas cromossomos. Nas células somáticas humanas são encontrados 46 cromossomos. Há dois tipos de divisão celular: mitose e meiose . A mitose é a divisão habitual das células somáticas, pela qual o corpo cresce se diferencia e realiza reparos. A divisão mitótica resulta normalmente em duas células-filhas, cada uma com cromossomos e genes idênticos aos da célula-mãe. A meiose ocorre somente nas células da linhagem germinativa e apenas uma vez numa geração. Resulta na formação de células reprodutivas (gametas), cada uma das quais tem apenas 23 cromossomos. O Ciclo Celular e Replicação do DNA Em organismos unicelulares, a célula cresce ao absorver substâncias do meio e utilizando esses materiais na síntese de compostos celulares. Quando essas células atingem um dado tamanho dividem-se, obtendo-se duas células filhas com metade do tamanho, que crescerão e assim sucessivamente. Em organismos multicelulares, pelo contrário, a divisão celular e o aumento do volume celulares são os meios pelo qual o organismo cresce. Em todos os casos, as células filhas são geneticamente iguais à célula progenitora. 39 A divisão celular consiste em dois processos sobrepostos ou consecutivos: mitose e citocinese. A mitose origina dois núcleos geneticamente idênticos, enquanto a citocinese separa o citoplasma, colocando os núcleos Biologia filhos em células separadas. As células que se dividem ativamente passam por uma seqüência Celular e definida de acontecimentos, que se designa ciclo celular. Dependendo do Molecular tipo de célula, o ciclo requererá tempos diferentes. Fatores externos, como a temperatura ou a disponibilidade de nutrientes também afeta a duração do ciclo e respectivas etapas. O ciclo celular divide-se em interfase e mitose (ocupando geralmente entre 5 e 10% do ciclo). A interfase, ou seja, a fase entre duas divisões mitóticas, já foi considerada a fase de repouso da célula, mas tal não é, de todo, verdade. Esta parte do ciclo pode ser subdividida em três partes: Fase G1 - a designação desta etapa deriva de gap = intervalo, e decorre imediatamente após a mitose. É um período de intensa atividade bioquímica, no qual a célula cresce em volume e o número de organitos aumenta. Para que a célula passe para a fase seguinte do ciclo é necessário que atinja um ponto crítico designado ponto de restrição ou start, momento em que se dão mudanças internas; Fase S - esta é a fase de síntese (S) de DNA e, aparentemente, requer um sinal citoplasmático para que se inicie. Cada cromossomo é duplicado longitudinalmente, passando a ser formado por dois cromatídeos. Nesta etapa, numerosas proteínas (histonas, por exemplo) são igualmente sintetizadas; Fase G2 - esta fase conduz diretamente à mitose e permite formar estruturas com ela diretamente relacionadas, como as fibras do fuso acromático. 40 Processos de Divisão Celular Mitose A mitose é um processo contínuo, mas geralmente considera-se, por uma questão de facilidade, quatro etapas: Prófase, Metáfase, Anáfase e Telófase. No decorrer destas etapas, o material genético sintetizado na fase S do ciclo celular é dividido igualmente por dois núcleos filhos. Este processo está associado à divisão de células somáticas. A mitose é iniciada apenas em presença de um fator promotor da mitose (MPF) protéicos citoplasmáticos, que provoca a condensação dos cromossomos. As variações de concentração de MPF estão relacionadas com as variações de uma outra proteína conhecida por ciclina. Aparentemente, quando a ciclina atinge uma certa concentração no citoplasma, o MPF é ativado. Durante a mitose a ciclina é rapidamente destruída, aumentando novamente durante o ciclo seguinte. Um dos primeiros sinais do próximo início da mitose é o surgimento de uma faixa relativamente densa de microtúbulos logo abaixo da membrana citoplasmática. Esta faixa envolve o núcleo num plano que corresponderá ao plano equatorial do fuso acromático mitótico. Esta faixa desaparece após a formação do fuso acromático, mas corresponderá ao local onde se forma a separação entre as duas células filhas. A duração da mitose varia com o tipo de célula, de tecido e de organismo. Em células vegetais de raiz de Angiospérmica, os tempos medidos foram os seguintes: Prófase 1-2 horas, Metáfase 5-15 minutos, Anáfase 2-10 minutos e Telófase 10-30 minutos. Ainda neste tipo de célula, a interfase pode durar de 12 a 30 horas. As etapas da mitose, propriamente dita, decorrem da seguinte forma: Prófase - vista ao M.O.C. a transição entre a fase G2 e a Prófase não é nítida. Durante esta etapa, a mais longa de todo o processo mitótico, a cromatina condensa-se gradualmente em cromossomos bem definidos. Durante este processo é visível que cada cromossomo é compostos por dois cromatídeos enrolados um no outro, pois o DNA foi duplicado durante a fase S. No final da Prófase os cromatídeos estão visíveis lado a lado, unidos pelo centrômero, uma seqüência específica de DNA que ligará a molécula às fibras do fuso acromático. A presença do centrômero divide cada cromatídeo em dois braços. É durante esta fase que surge em volta do núcleo a chamada zona clara, que contém os microtúbulos. Estes, inicialmente, estão orientados ao acaso, mas no fim da etapa estão alinhados paralelamente á superfície do núcleo, ao longo do eixo do fuso acromático. O nucléolo desintegra-se e, determinando o final da etapa, o envelope nuclear desaparece; Metáfase - esta etapa inicia-se com a formação do fuso acromático, uma estrutura tridimensional larga no centro e afilada nas extremidades, que ocupa a área anteriormente ocupada pelo núcleo. As fibras do fuso são feixes de microtúbulos e vão-se ligar a complexos protéicos especializados - cinetócoros - desenvolvidos nos centrômeros durante a Prófase. Estes microtúbulos dos cinetócoros estendem-se, juntamente com os microtúbulos polares, para os pólos da célula. Através deles vai ocorrer o alinhamento dos cromossomos no centro do fuso, formando a placa equatorial. Nesta situação os cromatídeos estão em posição de se separarem. O alinhamento das fibras do fuso acromático ocorre a partir dos centros de organização dos microtúbulos. Em animais e protistas, esse centro organizador é o centrossoma, uma nuvem de material amorfo que rodeia o par de centríolos. Em células vegetais, que não contêm centrossoma, os organizadores existem e garantem a formação do fuso, mesmo que os pólos sejam pouco definidos; 41 Anáfase - esta etapa, muito breve, começa bruscamente, com a separação simultânea de todos os cromatídeos pelos centrômeros. Cada cromatídeo toma, agora, para si a designação de cromossomo. À medida Biologia que os cinetócoros se deslocam em direção a pólos opostos, os braços dos Celular e cromossomos são arrastados, sendo as pontas dos braços mais longos as Molecular últimas a serem separadas. Este movimento em direção aos pólos parece dever-se ao encurtamento dos microtúbulos junto ao cinetócoro, como se este “comesse” o caminho ao longo das fibras. No final da Anáfase dois conjuntos idênticos de cromossomos encontram-se em cada pólo; Telófase - nesta etapa final da mitose, a separação dos dois conjuntos de cromossomos é finalizada pela formação da membrana nuclear, a partir de retículo endoplasmático rugoso. O fuso acromático desaparece e os cromossomos relaxam novamente, tornando-se indistintos. O nucléolo é reconstituído e cada núcleo entra na interfase. Tal como referido anteriormente, a citocinese é um processo que se sobrepõe à mitose e corresponde à divisão do citoplasma. Na maioria das células, decorre por invaginação da parede celular (se presente) e pela constrição da membrana citoplasmática. No entanto, em células vegetais, a separação ocorre através da formação do fragmoplasto. Esta estrutura é um sistema de fibras semelhantes às do fuso, formadas por microtúbulos, mas organizados perpendicularmente ao eixo do fuso. A esta rede de fibras vêm juntar-se vesículas do Golgi contendo substâncias pépticas para formar a lamela média. As suas membranas fundem-se para formar a membrana plasmática em formação, do centro para o exterior, em direção à parede celular já existente. Os plasmodesmos forma-se igualmente neste momento, quando túbulos de retículo endoplasmático liso são apanhados nomeio desta rede. Por último, cada célula filha deposita a sua parede celular sobre a lamela média assim formada. 42 Meiose A meiose ocorre apenas em células diplóides especializadas e apenas em ocasiões determinadas do ciclo de vida de um organismo. Através deste fenômeno nuclear, uma única célula diplóide dá origem a quatro células haplóides, designadas gametas ou esporos. Um gameta é uma célula que se une a outra semelhante para formar um zigoto diplóide. Pelo contrário, um esporo pode formar um organismo haplóide sem se fundir com outra célula. A meiose consiste em duas divisões nucleares sucessivas, designadas I e II. Cada uma destas divisões apresenta na sua essência as mesmas etapas que a mitose: Prófase I - nesta etapa os pares de cromossomos tornam-se visíveis com longos filamentos delgados. Tal como na mitose, já foram duplicados durante a interfase precedente, logo são constituídos por dois cromatídeos unidos pelo centrômero. No entanto, nesta fase, o grau de condensação é tal que parecem estruturas unas. Os cromossomos homólogos emparelham de forma muito precisa, que se inicia em vários pontos e depois vão progredindo como um zíper que se fecha. Cada homólogo provém de um progenitor diferente. Este emparelhamento - sinapse - é fundamental para a ocorrência de meiose, pelo que este fenômeno não pode ocorrer em células haplóides. Nesta altura, os pares de homólogos designam-se bivalentes. Durante a sinapse, pedaços de cromatídeos soltam-se e voltam a ligar-se, ao acaso, entre os quatro cromatídeos presentes, processo designado crossingover. Estas trocas podem ser vistas ao microscópio pela formação de figuras em forma de X designadas quiasmas. Ao longo da Prófase os quiasmas e sinapses desaparecem, tal como o nucléolo; Metáfase I - nesta etapa, tal como na mitose, o fuso acromático torna-se visível e os microtúbulos ligam-se aos centrômeros dos bivalentes. Estes cromossomos emparelhados deslocam-se, então, para o centro da célula formado a placa equatorial, agora com cada centrômero do par em lados opostos da placa; Anáfase I - esta etapa inicia-se com a separação dos cromossomos homólogos, que se deslocam para pólos opostos da célula; Telófase I - nesta etapa a espiralização dos cromossomos diminui, dando-lhes uma aparência alongada. Novas membranas nucleares são sintetizadas a partir de retículo endoplasmático rugoso enquanto se para gradualmente para a interfase. Finalmente, o fuso acromático desaparece e o nucléolo reorganiza-se. Saliente-se, no entanto, que estes acontecimentos podem não ser tão distinto, passando diretamente da Telófase I para a Prófase II; Prófase II - no início da segunda divisão, as cromátides continuam unidos pelo centrômero, pelo que esta divisão se parece muito com a mitose. Se a membrana nuclear tiver sido refeita na Telófase I, irá desaparecer, tal como o nucléolo, e os cromossomos irão condensar novamente; Metáfase II - forma-se novamente o fuso acromático e os cromossomos alinham-se na placa equatorial; Anáfase II - os centrômeros dividem-se e afastam-se, levados pelos microtúbulos do fuso acromático, levando os cromossomos simples para cada um dos pólos; 43 Telófase II - reorganização da membrana nuclear e nucléolo, com relaxação dos cromossomos, formando núcleos interfásicos. Biologia Celular e Molecular Conseqüências da Meiose Durante a meiose, o material nuclear foi duplicado uma vez e dividido duas vezes, pelo que cada célula filha apresenta metade do número de cromossomos da célula diplóide inicial. No entanto, mais importante que a redução do número de cromossomos é a conseqüência genética do processo: - Na metáfase I, a orientação ao acaso dos bivalentes causa uma mistura de material materno e paterno pelos dois núcleos filhos; - Devido ao crossing-over, cada cromossomo contém genes de origem materna e paterna. Se a célula inicial apresentar dois pares de cromossomos, existirão 4 combinações possíveis; se tiver três pares, serão 8; e se forem 4 pares de cromossomos, 16 combinações possíveis. A fórmula geral será 2n, o que na espécie humana corresponde a 223 combinações possíveis, ou seja, 8388608 possibilidades (e existem muitos organismos com número superior de pares de cromossomos!). Acresce ainda o crossingover para baralhar as coisas e pode-se considerar impossível que uma célula resultante de meiose seja igual á célula que lhe deu origem. A meiose difere da mitose em três aspectos fundamentais: - Consiste em duas divisões sucessivas, originando 4 núcleos; - Cada um dos 4 núcleos é haplóide, contendo metade do número de cromossomos da celula-mãe diplóide; - Os núcleos haplóides produzidos contêm combinações gênicas inteiramente novas. 44 Por este motivo, as conseqüências genéticas e evolutivas da meiose são profundas. Devido á meiose e á fecundação os organismos diplóides existem numa variedade de formas, mesmo os da mesma espécie. Resumindo... Citogenética Humana Os cromossomos Humanos Nas células somáticas humanas são encontrados 23 pares de cromossomos. Destes, 22 pares são semelhantes em ambos os sexos e são denominados autossomos. O par restante compreende os cromossomos sexuais, de morfologia diferente entre si, que recebem o nome de X e Y. No sexo feminino existem dois cromossomos X, e no masculino existem um cromossomo X e um Y. Cada espécie possui um conjunto cromossômico típico ( cariótipo ) em termos do número e da morfologia dos cromossomos. O número de cromossomos das diversas espécies biológicas é muito variável. A figura abaixo ilustra o cariótipo feminino humano normal: 45 O estudo morfológico dos cromossomos mostrou que há dois exemplares idênticos de cada em cada célula diplóide. Portanto, nos núcleos existem pares de cromossomos homólogos . Denominamos n o número básico Biologia de cromossomos de uma espécie, portanto as células diplóides apresentarão Celular e em seu núcleo 2 n cromossomos e os haplóides n cromossomos. Cada Molecular cromossomo mitótico apresenta uma região estrangulada denominada centrômero ou constrição primária que é um ponto de referência citológico básico dividindo os cromossomos em dois braços: p (de petti) para o braço curto e q para o longo. Os braços são indicados pelo número do cromossomo seguido de p ou q; por exemplo, 11p é o braço curto do cromossomo 11. Além da constrição primária descrita como centrômero, certos cromossomos apresentam estreitamentos que aparecem sempre no mesmo lugar: São as constrições secundárias. De acordo com a posição do centrômero, distinguem-se alguns tipos gerais de cromossomos: 46 Metacêntrico: Apresenta um centrômero mais ou menos central e braços de comprimentos aproximadamente iguais. Submetacêntrico: O centrômero é excêntrico e apresenta braços de comprimento nitidamente diferentes. Acrocêntrico: Apresenta centrômero próximo a uma extremidade. Os cromossomos acrocêntricos humanos (13, 14, 15, 21, 22) têm pequenas massas de cromatina conhecidas como satélites fixadas aos seus braços curtos por pedículos estreitos ou constrições secundárias. Cromossomos Sexuais e Determinação do Sexo Tjio e Levan estabeleceram, em 1956, que o número diplóide correto de cromossomos do cariótipo humano era 46, sendo composto de 23 pares de cromossomos homólogos: 22 pares autossomas + XY (no sexo masculino) ou XX (no sexo feminino). Três anos mais tarde, foi descoberta uma alteração no cariótipo normal, era um trissomia em indivíduos portadores da síndrome de Down (comentada a seguir), descoberta por Lejeune. Foi a partir de então que foi possível explicar aproximadamente 12 síndromes congênitas humanas e demonstrar que cerca de 5 entre 1000 recém-nascidos apresentam algum tipo de aberração cromossômica. Técnica de cariotipagem Diversas técnicas são usadas no estudo do cariótipo humano, são empregadas culturas de fibroblastos de medula óssea, sangue periférico e pele. As mitoses são bloqueadas com colchicina (substância que bloqueia a formação dos microtúbulos do fuso) durante a metáfase. O cariótipo é habitualmente obtido através de fotomicrografia. Cada cromossomo é recortado e alinhado com o seu homólogo em uma ordem decrescente de tamanho. Esta técnica é facilitada pela determinação do índice centromérico, razão entre os comprimentos dos braços longos e curtos do cromossomo. É possível a obtenção de células para cariotipagem e diagnóstico de aberrações cromossômicas mesmo antes do nascimento da criança. Isto é possível através da amniocentese, ou seja, punção da parede uterina com uma agulha para obtenção do fluido amniótico, que é analisado para determinar se o feto possui alguma aberração e até mesmo o sexo deste. Cromossomas sexuais Um dos sexos possui um par de cromossomos sexuais idênticos (XX). No caso do ser humano é o sexo feminino; o outro pode ter um único cromossomo sexual, que pode encontrar-se não-pareado (XO) ou pareado com um cromossomo Y (XY). No caso do ser humano é o sexo masculino. Os gametas humanos não são idênticos no que diz respeito aos crimissimas sexuais. Os indivíduos do sexo masculino (XY) produzem 50% de gametas que transportam o cromossomo X e 50% de gametas que transportam o cromossomo Y, enquanto os indivíduos do sexo feminino (XX) só produzem gametas que transportam o cromossomo X, por esta razão, os indivíduos do sexo masculino são chamados de sexo heterogamético sendo que eles determinam o sexo da prole. Cromatina X Em 1949, Barr e Bertram descobriram que no núcleo interfásico de células de indivíduos do sexo feminino existe um pequeno corpúsculo de cromatina que não aparece nas células do sexo masculino. Este corpúsculo foi chamado de cromatina sexual ou 47 corpúsculo de Barr e a partir da conferência de Paris, cromatina X. A cromatina X pode ser encontrada em diferentes posições no núcleo, ela deriva de um dos cromossomos X presentes na célula, o número de cromatina X é dado Biologia por: nX - 1, ou seja, número de cromossomos X menos uma unidade. Por Celular e exemplo, um indivíduo normal do sexo feminino (XX) possui apenas 1 cromatina Molecular X. nX = 2. Cromatina Y Estudos realizados com cromossomos Y revelaram que grande parte do cromossomo Y é heterocromático, e aparece na interfase como um corpúsculo altamente fluorescente, denominado cromatina Y. O número de cromatina Y é igual ao número de cromossomos Y, por exemplo um indivíduo XYY tem 2 cromatina Y. Anormalidades Cromossômicas Anomalias cromossômicas O funcionamento normal do sistema genético depende da estabilidade do material genético contido nos cromossomas. O cariótipo pode modificar-se levando a alterações genéticas, tais alterações podem ser no número de cromossomas quanto na sua estrutura. As alterações no número de cromossomos pode levar a euploidia ou aneuploidia. A euploidia é uma modificação onde todos os cromossomos do cariótipo estão aumentados ou diminuídos. E a aneuploidia é uma alteração no fato da presença de números anormais de um ou mais cromossomos do cariótipo. A aneuploidia pode ser resultado de uma falha na separação de um par de cromossomas¹ durante a meiose. Nos indivíduos ditos monossômicos, um dos cromossomos do par não chegou ao pólo da célula; e nos trissômicos, existe um cromossoma a mais, existindo 3 cromossomas do mesmo tipo. Quando a não-disjunção ocorre na meiose, todas as células ficam comprometidas, ou seja, todas as células apresentam o mesmo cariótipo, cariótipo anormal. Caso a não-disjunção ocorra na mitose, somente certas células somáticas são anormais. Alterações no número de cromossomas Síndrome de Down A síndrome de Down é uma anomalia cromossômica ligada à presença de um cromossomo idêntico aos do par 21, por esta razão a Síndrome de Down é chamada de trissomia do 21. É a mais freqüente das anomalias cromossômicas. O portador da Síndrome de Down apresenta um fenótipo característico: fenda palpebral oblíqua, baixa estatura, cabelos lisos e macios, retardo no desenvolvimento mental e outras. 48 Síndrome de Klinefelter A síndrome de Klinefelter é causada pela constituição genética anômala. O cariótipo mais freqüente é do tipo 47, XXY. Os indivíduos portadores desta síndrome apresentam pênis normal ou diminuído, testículos sempre pequenos e duros, são estéreis. Síndrome de Turner Caracterizada pela falta total ou parcial de um cromossomo X. O cariótipo é do tipo 45,XO, fenotipicamente são fêmeas. Os portadores apresentam estatura retardada, ovários rudimentares, não apresentam menstruação e não apresentam características sexuais secundárias. Alterações na estrutura dos cromossomos A aberração cromossômica é uma desorganização na estrutura cromossômica que pode ser observada ao microscópio. Quando ocorre uma mutação gênica, ocorre alteração na seqüência de bases do DNA; tais alterações podem ser observadas através da expressão do gene, podendo ser intra ou intercromossômicas. As principais aberrações cromossômicas são: · Deleção ou deficiência: envolve a perda de material cromossômico; · Duplicação: um segmento do cromossoma é representado duas ou mais vezes, se o fragmento duplicado incluir o centrômero ele pode ser incorporado ao cariótipo como um cromossoma extra; · Inversão: envolve a inversão de 180° de um segmento cromossômico. Considerações sobre o material genético da célula 49 Biologia Celular e Molecular 50 Manipulação Gênica:Avanços e Ética na Pesquisa de Células-tronco Adultas Voltando à definição geral de células-tronco, tem-se que é uma célula com capacidade de auto-renovação ilimitada e/ou prolongada, capaz de produzir pelo menos um tipo altamente diferenciado de célula que tem a capacidade de se dividir em células idênticas a ela ou em diferentes tipos de células. As CTs embrionárias são as células-tronco mais primordiais, possuindo a capacidade de se diferenciar em qualquer tipo de tecido. Contudo, outros tipos de células-tronco existem em diferentes tecidos. Para que haja a distinção entre elas e as CTs embrionárias, chamam-nas de CTs adultas. Dentre as mais conhecidas, existem as células-tronco hematopoiéticas, na medula óssea, que dão origem a todos os tipos de células do sangue. Podemos encontrar as CTs adultas em diferentes tecidos, e cada um deles dá origem aos diferentes tipos celulares que constituem aquele tecido. Essa CTs tecido-específicas são responsáveis pela regeneração parcial que nossos órgãos sofrem ao longo da nossa vida, dividindo-se em outras células-tronco e em células mais diferenciadas daquele tecido. Até 1999, acreditava-se que, uma vez que uma CT tivesse sido programada para produzir um determinado tecido, seu destino estava selado, e ela não poderia se reprogramar para produzir outro tipo de tecido. Desde então, uma série de experimentos vem demonstrando que as CTs adultas são mais maleáveis do que imaginava-se. Por exemplo, em camundongos, células-tronco do cérebro são capazes de se diferenciar em vários tipos diferentes de células. E células do músculo, quando transplantadas em camundongos irradiados, conseguem reconstituir toda a linhagem de células hematopoiéticas desses animais. As CTS hematopoiéticas parecem ser ainda mais reprogramáveis. Essas células retiradas de crianças e adultos podem ser transformadas no laboratório em células precursoras de cérebro e de fígado, e em células do músculo, osso e cartilagem. Já existem diversos testes clínicos de terapia reparadora em seres humanos de enfarto utilizando as CTS de diferentes tecidos. Os primeiros resultados mostraram que essas células são 51 capazes de diferenciar-se em células do músculo cardíaco, regenerando parcialmente esse músculo em um coração enfartado. O sangue do cordão umbilical e da placenta de recém-nascidos são Biologia tipos de tecido particularmente ricos em CTs hematopoiéticas. Como ainda Celular e são células imaturas, as CTs do sangue contido no cordão umbilical causam Molecular menos reação imunológica e, dessa forma, apresentam um menor risco de rejeição nesses transplantes. Ao nascimento, são coletados de 80 a 100 mililitros desse sangue contido no cordão umbilical e na placenta, que podem ser estocados e congelados a – 135º C. Dessa forma, em muitos países, inclusive no Brasil, foram criados bancos de sangue de cordão umbilical para servir de fonte de doação para transplantes de medula óssea. Como as derivadas da medula óssea, as CTs do sangue do cordão umbilical também podem se diferenciar em outros tipos de células em cultura, representando uma fonte potencial de CTs adultas para transplante. Por isso, algumas empresas já oferecem o serviço de coleta e estoque dessas células, retiradas do sangue do cordão umbilical e da placenta logo após o nascimento da criança. Caso o indivíduo necessite durante sua vida de um transplante de medula óssea, essas células podem ser utilizadas como fonte de transplante, sem que se corra o risco de rejeição. Quem sabe se no futuro essas células também não possam servir como fonte para transplantes de outros tecidos, promovendo a regeneração de órgãos? CTs Embrionárias ou Adultas? Assim como as CTs embrionárias, as CTs adultas possuem um grande potencial terapêutico. Contudo, podem ser isoladas de tecidos do próprio paciente, eliminando o problema da rejeição e da destruição de embriões. Se essas células-tronco são tão versáteis e não é preciso nenhum embrião para obtê-las, por que não trabalhar só com elas e deixar as polêmicas CTs embrionárias para lá? Por algumas razões. Primeiro, porque essas CTs adultas são raras – estima-se, por exemplo, que somente em cada um milhão de células da medula óssea tenha de fato um grande potencial de diferenciação em diversos tipos celulares. Segundo, ao contrário das CTs embrionárias, que podem ser multiplicadas quase ilimitadamente no laboratório sem perder seu potencial de diferenciação, após algum tempo, as CTs adultas perdem sua capacidade de se dividir e de se diferenciar – isso pode limitar seu uso como fonte de tecido para transplante. E, finalmente, apesar de essas CTs serem de fato uma fonte de diferentes tipos de célula, ainda não se sabe se elas podem se diferenciar em qualquer tipo de célula como as CTs embrionárias. Logo, ainda não se sabe se as CTs adultas serão substitutas perfeitas para as CTs embrionárias e se devemos continuar investindo em pesquisas nessas duas categorias de Cts. 52 @ [ ] Agora é hora de TRABALHAR 1. Leia o artigo abaixo: Condenação por DNA O ex-policial civil José Pedro da Silva foi condenado na terça-feira 11, em Brasília pelo Tribunal do Júri, a 15 anos de prisão. Ele matou a estudante Michele de Oliveira Barbosa, 16 anos, em 1998. Foi a primeira condenação do País sem que tenha sido achado o corpo da vítima – caiu o secular princípio de que não há homicídio sem cadáver. A sentença baseouse num exame de DNA que comprovou que o sangue encontrado no carro de Silva era da garota. Eles mantinham um romance sigiloso porque Silva era casado. Michele engravidou, ele não quis assumir a paternidade e ela ameaçou tornar público o seu envolvimento amoroso fora do casamento. Por isso morreu. Revista Isto é, pág.24, nº 1781- 19/11/2003. Com base no texto, apresente justificativas científicas que levam o perito criminal a ter respostas que auxiliam em investigações de crimes como o citado no artigo, tendo como parâmetro os estudos sobre o material genético da célula. 2. Os ribossomos são estruturas formadas por proteínas associadas a um tipo de ácido nucléico, denominado ácido ribonucléico ribossômico (RNA r). Sabendo que os ribossomos tem a formação de RNA e proteínas, sintetizados pelos processos de transcrição e tradução, respectivamente. Justifique o que acontecerá com esses processos, se ocorrer uma inativação na Região Organizadora do Nucléolo. 53 BIOTECNOLOGIA E ENGENHARIA GENÉTICA Biologia Celular e Molecular Mapeamento Genético e Projeto Genoma Humano O Projeto Genoma Humano é um empreendimento internacional, iniciado formalmente em 1990 e projetado para durar 15 anos, com os seguintes objetivos: - Identificar e fazer o mapeamento dos cerca de 80 mil genes que se calculava existirem no DNA das células do corpo humano; - Determinar as seqüências dos 3 bilhões de bases químicas que compõem o DNA humano; - Armazenar essa informação em bancos de dados, desenvolver ferramentas eficientes para analisar esses dados e torná-los acessíveis para novas pesquisas biológicas. Como parte deste empreendimento, paralelamente está sendo desenvolvido estudos com outros organismos selecionados, principalmente microorganismos, visando desenvolver tecnologia e também como auxílio ao trabalho de interpretar a complexa função genética humana. Como existe uma ordem subjacente a toda a diversidade da vida e como todos os organismos se relacionam através de semelhanças em suas seqüências de DNA, o conhecimento adquirido a partir de genomas não-humanos freqüentemente leva às novas descobertas na biologia humana. O que significa mapeamento e seqüenciamento do genoma? O PGH tem como um objetivo principal construir uma série de diagramas descritivos de cada cromossomo humano, com resoluções cada vez mais apuradas. Para isso, é necessário dividir os cromossomos em fragmentos menores para que possam ser propagados e caracterizados; e, depois, ordenar estes fragmentos de forma a corresponderem às suas respectivas posições nos cromossomos (mapeamento). Depois de completo o mapeamento, o passo seguinte é determinar a seqüência das bases de cada um dos fragmentos de DNA já ordenados. O objetivo é descobrir todos os genes na seqüência do DNA e desenvolver meios de usar esta informação para estudo da biologia e da medicina. Um mapa genômico descreve a ordem dos genes ou de outros marcadores e o espaçamento entre eles, em cada cromossomo. Existem mapas de baixa resolução, como os mapas de associações genéticas, que indicam as posições relativas dos marcadores de DNA (genes e outras seqüências identificáveis de DNA) através de seus padrões de hereditariedade; e existem os mapas físicos, que descrevem as características químicas da própria molécula de DNA. Um nível maior de resolução é obtido associando-se os genes a cromossomos específicos. Quem participa do PGH? O projeto Genoma Humano começou como uma iniciativa do setor público, tendo a liderança de James Watson, na época chefe dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH). Numerosas escolas, universidades e laboratórios participam do projeto usando 54 recursos do NIH e Departamento de Energia norte-americano. Só este órgão financia cerca de 200 investigadores separados nos EUA. Em outros países, grupos de pesquisadores em universidades e institutos de pesquisa também estão envolvidos no Projeto Genoma. Além destes, muitas empresas privadas, grandes e pequenas, também conduzem pesquisa sobre o genoma humano. Que países estão participando do PGH? Basicamente, 18 países iniciaram programas de pesquisas sobre o genoma humano. Os maiores programas desenvolvem-se na Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Israel, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Suécia e União Européia. Alguns países em desenvolvimento, não incluídos na relação acima, participam através de estudos de técnicas de biologia molecular de aplicação à pesquisa genética e estudos de organismos que têm interesse particular para suas regiões geográficas.Informações sobre estes países e suas pesquisas de contribuição para o PGH podem ser obtidas através da HUGO (Human Genome Organization), que conta com cerca de 1000 membros de 50 países para ajuda a coordenar a colaboração internacional ao projeto. Qual a diferença entre a abordagem ao PGH feita pelo setor público e pelo setor privado? Lançando mão de uma imagem que já se tornou clássica, pode-se comparar o mapeamento e seqüenciamento genético ao mapeamento de uma estrada que se estendesse, digamos, de Porto Alegre a Manaus. O Projeto Genoma Humano, conduzido pelos órgãos do governo tem obtido dados de alta qualidade e precisão, registrando os detalhes das células humanas — inclusive as porções do DNA que não contêm gene algum e que constituem 97% do seu total. É como se alguém fosse percorrendo o trajeto a pé, registrando cada montanha, cada curva, cada posto de gasolina, encontrado ao longo do caminho. A iniciativa privada, porém, juntou-se ao projeto em vista do potencial de lucro que as pesquisas podem trazer, especialmente para as indústrias farmacêuticas. A rapidez na obtenção de resultados, que podem ser transformados em patentes, tornou-se crucial para elas. Então, optaram por um método mais objetivo: concentrar-se apenas nos pontos principais, as “cidades”, deixando de lado as árvores, os rios, ou cada pedra do caminho. Isso significa, em termos científicos, dirigir a pesquisa para os genes específicos, buscando, através da comparação do DNA de diferentes indivíduos, aqueles genes “defeituosos” que causam as doenças. Supõe-se que as 20 doenças mais comuns, que matam cerca de 80% da população, estejam associadas com aproximadamente 200 genes, entre as dezenas de milhares de genes que compõem o corpo humano. Concentrar-se apenas nestes, deixando de lado os demais, é uma abordagem mais rápida, evidentemente, embora menos precisa. Com a iniciativa privada ocupando-se apenas dos genes mais interessantes e os pesquisadores do governo dedicando-se ao seqüenciamento dos demais, as duas formas de trabalho podem se complementar, em benefício do conhecimento geral. 55 Qual a situação atual do conhecimento obtido através do PGH? Biologia Em 1990, ao iniciar-se o Projeto Genoma, apenas 4550 genes humanos haviam sido identificados; cerca de 1500 genes haviam sido Molecular associados a localizações específicas nos 46 cromossomos, e apenas algumas, dentre cerca de 4000 doenças genéticas existentes, haviam sido entendidas em um nível molecular. Em 1998, oito anos depois, chegou-se aos seguintes resultados: Mapeamento genético: mais de 7000 genes foram mapeados a cromossomos particulares. Além destes, o Banco de Dados do Projeto Genoma guarda informação sobre outros genes identificados, cuja localização nos cromossomos ainda não foi inequivocamente determinada. Seqüenciamento: mais de 4% das bases do genoma humano foi seqüenciado. Até este ponto, o Projeto Genoma havia se concentrado mais em desenvolver tecnologia eficiente para seqüenciamento de DNA do que propriamente em fazer um seqüenciamento de larga-escala. Com a entrada da iniciativa privada no Projeto Genoma, dando preferência a uma abordagem dirigida apenas aos genes que apresentam interesse para a cura de doenças, o setor público passou a rever seu cronograma e o processo de seqüenciamento foi acelerado. Em fevereiro de 2001, simultaneamente ao anúncio da empresa norte-americana Celera, o PGH anunciou as primeiras transcrições quase completas do código genético humano. O número de genes existentes, segundo os cálculos de ambas as equipes de pesquisadores, não chega a 40 mil. Os resultados foram publicados em duas revistas diferentes. A revista inglesa Nature publicou o trabalho dos pesquisadores do PGH, liderados por Francis Collins, e a norte-americana Science, o dos pesquisadores da Celera, liderados pelo empresário-cientista Craig Venter. Em 14 de abril de 2003, o consórcio internacional que constituiu o Projeto Genoma Humano anunciou oficialmente a conclusão do seqüenciamento dos 3 bilhões de bases do DNA da espécie humana. Celular e Quais os benefícios potenciais do PGH? Pode-se antecipar alguns dos benefícios que o Projeto Genoma poderá trazer para a humanidade, sem esquecer que alguns poderão nos surpreender. As informações detalhadas sobre o DNA e o mapeamento genético dos organismos devem revolucionar as explorações biológicas que serão feitas em seguida. Na Medicina, por exemplo, o conhecimento sobre como os genes contribuem para a formação de doenças que envolvem um fator genético — como o câncer, por exemplo — levarão a uma mudança da prática médica. Ênfase será dada à prevenção da doença, em vez do tratamento do doente. Novas tecnologias clínicas deverão surgir, baseadas em diagnósticos de DNA; novas terapias baseadas em novas classes de remédios; novas técnicas imunoterápicas; prevenção em maior grau de doenças pelo conhecimento das condições ambientais que podem desencadeá-las; possível substituição de genes defeituosos através da terapia genética; produção de drogas medicinais por organismos geneticamente alterados. O conhecimento da genética humana auxiliará muito o conhecimento da biologia de outros animais, uma vez que não esta não é muito diferente da biologia humana, permitindo 56 também seu aperfeiçoamento e tornando os animais domésticos, por exemplo, mais resistentes a doenças As tecnologias, os recursos biológicos e os bancos de dados gerados pela pesquisa sobre o genoma terão grande impacto nas indústrias relacionadas à biotecnologia, como a agricultura, a produção de energia, o controle do lixo, a despoluição ambiental. http://www.geocities.com/~esabio/genoma/projetogenoma3.htm Manipulação Gênica: Avanços e Ética na Pesquisa de Células-Tronco Adultas Célula-tronco é promessa para medicina do futuro* Antonio Carlos Campos de Carvalho O ano de 2004 está apenas começando, mas o estudo e a utilização de células-tronco continuam sendo uma das grandes polêmicas no campo da bioética. Desde que o fisiologista alemão Theodor Schwann lançou, em 1839, as bases da teoria celular, pesquisadores de todo o mundo sentiram-se instigados com a possibilidade de gerar um organismo adulto completo a partir de apenas uma célula. Pesquisas com células-tronco avançam na busca de tratamentos para muitas doenças que afetam milhões de pessoas, mas o entendimento sobre os detalhes de como um organismo completo, com inúmeros tipos diferentes de células, forma-se a partir de apenas uma célula, já data do início do século 20. Foi nesse período que vários embriologistas, entre eles os alemães Hans Spermann e Jacques Loeb começaram a decifrar os segredos das células-tronco por meio de experimentos com células de embriões. As pesquisas de Spermann e Loeb mostraram que quando as duas primeiras células de um embrião de anfíbio são separadas, cada uma é capaz de gerar um girino normal, e que, mesmo após as quatro primeiras divisões celulares de um embrião de anfíbio, o núcleo dessas células embrionárias ainda pode transmitir todas as informações necessárias à formação de girinos completos. Em 1996, o nascimento da ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado a partir do núcleo de uma célula adulta diferenciada, trouxe a resposta sobre a possibilidade de um núcleo de uma célula totalmente diferenciada ser capaz de gerar um indivíduo adulto normal. Foi a primeira demonstração de que a vida animal poderia surgir de outra forma, a partir do núcleo de uma única célula do corpo de um indivíduo adulto. Todo organismo pluricelular é composto por diferentes tipos de células. Todos os 200 tipos celulares distintos encontrados entre as cerca de 75 trilhões de células existentes em um homem adulto, derivam das células precursoras denominadas células-tronco, também denominadas células-mãe. São células mestras que têm a capacidade de se transformar em outros tipos de células, incluindo as do cérebro, coração, ossos, músculos e pele. O processo de geração das células especializadas do sangue, dos ossos, dos músculos, do sistema nervoso e dos outros órgãos e tecidos humanos - é controlado pelos genes específicos na célula-tronco, mas os pesquisadores ainda não dominam todos os fatores envolvidos no processo. Compreender e controlar esse processo é um dos grandes desafios da ciência na atualidade. É fundamental que as pesquisas com célulastronco embrionárias e adultas continuem a ser feitas para que possamos ter respostas para perguntas como: qual o melhor tipo de célula-tronco para ser usada em cada doença degenerativa? qual a melhor via de introdução dessas células? por quanto tempo duram os efeitos benéficos das terapias com célulastronco? será necessário e possível repetir-se os procedimentos de injeção de células-tronco no mesmo paciente? Ter uma legislação permitindo o uso de células-tronco embrionárias humanas em pesquisa é de fundamental importância. Pesquisas recentes mostraram que célulastronco apresentam duas características básicas: são indiferenciadas e têm a capacidade de gerar não só novas células-tronco como também grande variedade de células de diferentes funções. Para realizar esta dupla tarefa (replicação e diferenciação), a célulatronco pode seguir dois modelos básicos de divisão: o determinístico, no qual sua divisão gera sempre uma nova célula-tronco e uma diferenciada, ou aleatório (ou estocástico), no qual algumas célulastronco geram somente novas células-tronco e outras geram apenas células diferenciadas. Existem diferentes tipos de células-tronco, mas a diferença básica está na existência de célulastronco embrionárias e células precursoras do organismo já desenvolvido, chamadas células-tronco adultas. Estas últimas recebem também a denominação pós-natal por alguns cientistas, por estarem presentes em recém-nascidos e no cordão umbilical. 57 Células-tronco embrionárias Em 1998 a equipe do biólogo James Thomson, na Universidade de Wisconsin (instituição que detém a maioria das patentes sobre linhagens de Biologia células-tronco humanas nos Estados Unidos) tornou o sonho biotecnológico Celular e um pouco mais real, quando conseguiu isolar as primeiras células-tronco de Molecular embriões humanos. No mesmo ano, também foram isoladas células embrionárias germinativas humanas, derivadas das células reprodutivas primordiais de fetos, pelo embriologista John Geahart, da Universidade Johns Hopkins (EUA). Como as ES, as EG também são pluripotentes, ou seja, podem gerar qualquer célula do organismo adulto. A disponibilidade de células ES e EG humanas abriram horizontes impensáveis para a medicina, mas também trouxe complexos problemas ético-religiosos. As células-tronco embrionárias têm a capacidade de se transformar em praticamente qualquer célula do corpo, com exceção da placenta, e são encontradas somente nos embriões. É essa capacidade que permite que um embrião se transforme em um organismo pluricelular formado. Cerca de cinco dias após a fertilização, o embrião humano se torna um blastócito - uma esfera com aproximadamente 100 células. As encontradas em sua camada externa vão formar a placenta e outros órgãos necessários ao desenvolvimento fetal do útero. Já as existentes em seu interior, células-tronco embrionárias, formam quase todos os tecidos do corpo. Apesar de estudadas desde o século 19, há apenas 20 anos pesquisadores conseguiram cultivar em laboratório células retiradas da massa celular interna de blastócitos de camundongos. Essas células conhecidas como ES podem se proliferar indefinidamente in vitro sem se diferenciar, mas também podem se diferenciar se forem modificadas as condições de cultivo. A grande conquista dos cientistas foi encontrar as condições adequadas para que as células ES proliferem e continuem indiferenciadas. Outra característica especial dessas células é que, quando reintroduzidas em embriões de camundongo, dão origem a células de todos os tecidos de um animal adulto, mesmo as germinativas (óvulos e espermatozóides). Apenas uma célula ES, no entanto, não é capaz de gerar um embrião. Isso significa que tais células não são totipotentes, como o óvulo fertilizado. O fato de as células ES reintroduzidas em embriões de camundongo gerarem tipos celulares integrantes de todos os tecidos do animal adulto revela que elas têm potencial para se diferenciar também in vitro em qualquer desses tipos, de uma célula da pele a um neurônio. Vários laboratórios já conseguiram a diferenciação de células ES de camundongos, em cultura, em tipos tão distintos quanto as células hematopoiéticas (precursoras das células sangüíneas) e as do sistema nervoso (neurônios, por exemplo), entre outras. A capacidade de direcionar esse processo de diferenciação permitiria que, a partir de células-tronco embrionárias, fossem cultivados controladamente os mais diferentes tipos celulares, abrindo a possibilidade de construir tecidos e órgãos in vitro, na placa de cultura, tornando viável a chamada bioengenharia. O potencial terapêutico das células-tronco não pode e nem deve ser desprezado. O não benefício da utilização das células-tronco sempre existe, mas é preciso distingui-lo do malefício. Este, sim, seria um problema. Os testes clínicos realizados no mundo até o momento tiveram como objetivo principal afastar a possibilidade de malefícios. Até por este motivo não se realizaram ainda testes clínicos com as células-tronco embrionárias, pois ainda não há segurança de que se injetadas em pacientes no seu estado indiferenciado elas não possam levar ao surgimento de tumores. Células-tronco adultas Em 1998, a equipe italiana liderada pela bióloga Giuliana Ferrari, do Instituto San Rafaelle-Tellethon, apresentou o primeiro relatório sobre as propriedades das células-tronco adultas. Os pesquisadores estabeleceram que células-tronco de medula óssea podem dar 58 origem a células musculares esqueléticas e podem migrar da medula para regiões lesadas no músculo. Estudos recentes constataram que, além da pele, do intestino e da medula óssea, outros tecidos e órgãos humanos - fígado, pâncreas, músculos esqueléticos (associados ao sistema locomotor), tecido adiposo e sistema nervoso - têm um estoque de células-tronco e uma capacidade limitada de regeneração após lesões. Mais recente ainda é a idéia de que essas células-tronco adultas são não apenas multipotentes (capazes de gerar os tipos celulares que compõem o tecido ou órgão específico onde estão situadas), mas também pluripotentes (podem gerar células de outros órgãos e tecidos). A pluripontecialidade foi demonstrada pela equipe de cientistas liderados pelos neurobiólogos Christopher Bjornson, da Universidade de Washington, Seattle, USA e Ângelo Vescovi, do Instituto Nacional Neurológico de Milão, Itália, em janeiro de 1999. Os pesquisadores demonstraram que uma célula-tronco adulta derivada de um tecido altamente diferenciado e com limitada capacidade de proliferação pode seguir um programa de diferenciação totalmente diverso se colocada em um ambiente adequado. Também deixou claro que o potencial de diferenciação das células-tronco adultas não é limitado por sua origem embriológica: células neurais têm origem no ectoderma e células sangüíneas vêm do mesoderma embrionário. Essa pluripotencialidade das células-tronco adultas elimina não só as questões ético-religiosas, envolvidas no emprego das células-tronco embrionárias, mas também os problemas de rejeição imunológica, já que células-tronco do próprio paciente adulto podem ser usadas para regenerar seus tecidos ou órgãos lesados. Infelizmente, a pluripotencialidade das células-tronco adultas tem sido contestada por estudos desenvolvidos em diversos laboratórios, tornando ainda mais necessário que os cientistas possam investigar o uso de células-tronco embrionárias humanas nas terapias celulares, comparando-as com as células-tronco adultas. Gostaria de enfatizar que as células-tronco autólogas (do próprio indivíduo) de qualquer fonte não curam as doenças, pois não corrigem as causas da doença, seja ela infecciosa, ambiental ou genética. Elas permitem que se regenere os órgãos afetados, mas se a causa da doença não for removida, o órgão será novamente lesado. Sendo assim, é importante que se possam conjugar as terapias celulares com a gênica, por exemplo, na cura de doenças de origem genética. Isto requer a manipulação genética das células-tronco do indivíduo para corrigir o defeito genético antes de injetá-las no paciente. Se a doença for de causa infecciosa ou ambiental é preciso que além da terapia celular se remova o agente infeccioso ou ambiental causador da doença. Existe a possibilidade da utilização de células-tronco heterólogas (de indivíduos diferentes do receptor) mas ainda há muita discussão a respeito de problemas de rejeição imunológica com estas células. Aqui novamente há ainda necessidade de muita pesquisa. Antonio Carlos Campos de Carvalho é professor de Fisiologia e Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos responsáveis pelo Instituto de Bioengenharia Tecidual do Instituto do Milênio. · Adaptação por Margareth Franco, do artigo de Antonio Carlos Campos de Carvalho, publicado originalmente na revista Ciência Hoje (SBPC), vol. 29, n. 172, junho de 2001, com autorização, revisão e atualização do autor. 59 Clonagem O que é clonagem? Biologia Celular Podemos definir a clonagem Molecular como um método científico artificial de reprodução que utiliza células somáticas (aquelas que formam órgãos, pele e ossos) no lugar do óvulo e do espermatozóide. Vale lembrar que é um método artificial, pois, como sabemos, na natureza, os seres vivos se reproduzem através de células sexuais e não por células somáticas. As exceções deste tipo de reprodução são os vírus, as bactérias e diversos seres unicelulares. A primeira experiência com clonagem de animais ocorreu no ano de 1996, na Escócia, no Instituto de Embriologia Roslin. O embriologista responsável foi o doutor Ian Wilmut. Ele conseguiu clonar uma ovelha, batizada de Dolly. Após esta experiência, vários animais foram clonados, como, por exemplo, bois, cavalos, ratos e porcos. e Clonagem de seres humanos Embora as técnicas de clonagem terem avançado nos últimos anos, a clonagem de seres humanos ainda está muito longe de acontecer. Além de alguns limites científicos, a questão ética e religiosa tem se tornado um anteparo para estas pesquisas com seres humanos. De um lado, as religiões, principalmente as cristãs, colocam-se radicalmente contra qualquer experiência neste sentido. Por outro lado, governos de vários países proíbem por considerar um desrespeito à ética do ser humano. A técnica da clonagem A clonagem ainda não foi entendida por completo pelos médicos e cientistas, no que se refere aos conhecimentos teóricos. Na teoria, seria impossível fazer células somáticas atuarem como sexuais, pois nas somáticas quase todos os genes estão desligados. Mas, a ovelha Dolly, foi gerada de células somáticas mamárias retiradas de um animal adulto. A parte nuclear das células, onde encontramos genes, foram armazenadas. Na fase seguinte, os núcleos das células somáticas foram introduzidos dentro dos óvulos de uma outra ovelha, de onde haviam sido retirados os núcleos. Desta forma, formaram-se células artificiais. Através de um choque elétrico, as células foram estimuladas, após um estado em que ficaram “dormindo”. Os genes passaram a agir novamente e formaram novos embriões, que introduzidos no útero de uma ovelha acabou por gerar a ovelha Dolly. A ovelha Dolly morreu alguns anos depois da experiência e apresentou características de envelhecimento precoce. O telômero (parte do cromossomo responsável pela divisão celular) pode ter sido a causa do envelhecimento precoce do animal. Por isso, o telômero tem sido alvo de pesquisas no mundo científico. Os dados estão sendo até hoje analisados, com o objetivo de se identificar os problemas ocorridos no processo de clonagem. 60 A embriologia e a engenharia genética tem feito pesquisas também com célulastronco e na produção de órgãos animais através de métodos parecidos com a clonagem. Organismos Transgênicos O que são transgênicos? Os organismos geneticamente modificados (OGMs), também conhecidos como transgênicos, são frutos da engenharia genética criada pela moderna biotecnologia. Um organismo é chamado de transgênicos, quando é feita uma alteração no seu DNA - que contém as características de um ser vivo. Por meio da engenharia genética, genes são retirados de uma espécie animal ou vegetal e transferidos para outra. Esses novos genes introduzidos quebram a seqüência de DNA, que sofre uma espécie de reprogramação, sendo capaz, por exemplo, de produzir um novo tipo de substância diferente da que era produzida pelo organismo original. O que é a engenharia genética aplicada aos alimentos? A engenharia genética permite que cientistas usem os organismos vivos como matéria-prima para mudar as formas de vida já existentes e criar novas. Um gene é um segmento de DNA que, combinado com outros genes, determina a composição das células. Um gene possui uma composição química que vai determinar o seu comportamento. Como isso é passado de geração em geração, a descendência herda estes traços de seus pais. Desenvolvendo-se constantemente, os genes permitem que o organismo se adapte ao ambiente. Este é o processo da evolução. A engenharia genética utiliza enzimas para quebrar a cadeia e DNA em determinados lugares, inserindo segmentos de outros organismos e costurando a seqüência novamente. Os cientistas podem “cortar e colar” genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua biologia natural a fim de obter características específicas (por exemplo, determinados genes podem ser inseridos numa planta para que esta produza toxinas contra pestes). Este método é muito diferente do que ocorre naturalmente com o desenvolvimento dos genes. O lugar em que o gene é inserido não pode ser controlado completamente, o que pode causar resultados inesperados uma vez que os genes de outras partes do organismo podem ser afetados. O aumento da preocupação com a ética e os riscos envolvendo a engenharia genética são muitos. Primeiro, porque os genes são transferidos entre espécies que não se relacionam, como genes de animais em vegetais, de bactérias em plantas e até de humanos em animais. Segundo, porque a engenharia genética não respeita as fronteiras da natureza - fronteiras que existem para proteger a singularidade de cada espécie e assegurar a integridade genética das futuras gerações. Quanto mais os genes são isolados de suas fontes naturais, maior é o controle dos cientistas sobre a vida. Eles podem criar formas de vida próprias (animais, plantas, árvores e alimentos), que jamais ocorreriam naturalmente. O que a engenharia genética está fazendo? A maioria dos alimentos mais importantes do mundo é o grande alvo da engenharia genética. Muitas variedades já foram criadas em laboratório e outras estão em desenvolvimento. O cultivo irrestrito e o marketing de certas variedades de tomate, soja, algodão, milho, canola e batata já foram permitidos nos EUA. O plantio comercial intensivo também é feito na Argentina, Canadá e China. Na Europa, a autorização para comercialização foi dada para fumo, soja, canola, milho e chicória, mas apenas o milho é 61 plantado em escala comercial (na França, Espanha e Alemanha, em pequena escala, pela primeira vez em 1998). Molho de tomate transgênicos já é vendido no Reino Unido e a soja e os milhos transgênico já são importados dos EUA Biologia para serem introduzidos em alimentos processados e na alimentação animais. Celular e De fato, estima-se que aproximadamente 60% dos alimentos processados Molecular contenham algum derivado de soja transgênico e que 50% tenham ingredientes de milho transgênico. Porém, como a maioria destes produtos não estão rotulados, é impossível saber o quanto de alimentos transgênicos está presente na nossa mesa. No Canadá e nos EUA não há qualquer tipo de rotulagem destes alimentos. Na Austrália e Japão a legislação ainda está sendo implementada. Em grande parte do mundo, os governos nem sequer são notificados se o milho ou a soja que eles importam dos EUA são produtos de um cultivo transgênico ou não. Além dos transgênicos já comercializados, algumas variedades aguardam autorização: - salmão, truta e arroz que contém um gene humano introduzido; - batatas com um gene de galinha; - pepino e tomates com genes de vírus e bactérias. Até o momento, há uma grande oposição à contaminação genética dos alimentos. São consumidores, distribuidores e produtores de alimentos que exigem comida “de verdade”, sem ingredientes transgênicos. Apesar da preocupação, a introdução descontrolada de transgênicos continua a crescer em níveis alarmantes. A menos que a oposição se sustente e ganhe força nos próximos anos, um aumento drástico destes alimentos pode ocorrer e a opção de evitá-los poderá ficar cada vez mais difícil. Quais são os impactos da engenharia genética? Enquanto a engenharia genética continua a criar novas formas de vida que se desenvolveriam naturalmente, ela se recusa a reconhecer o quão sérios são seus riscos potenciais. Riscos para a saúde: Os cientistas já introduziram genes de bactérias, escorpião e água-viva em alimentos cultiváveis. Os testes de segurança sobre estes novos alimentos contendo genes estrangeiros - e as regulamentações para sua introdução - até agora têm sido extremamente inadequados. Os riscos são muito reais. Alguns exemplos: · Os alimentos oriundos de cultivos transgênicos poderiam prejudicar seriamente o tratamento de algumas doenças de homens e animais. Isto ocorre porque muitos cultivos possuem genes de resistência antibiótica. Se o gene resistente atingir uma bactéria nociva, pode conferir-lhe imunidade ao antibiótico, aumentando a lista, já alarmante, de problemas médicos envolvendo doenças ligadas a bactérias imunes. · Os alimentos transgênicos poderiam aumentar as alergias. Muitas pessoas são alérgicas a determinados alimentos em virtude das proteínas que elas produzem. Há evidências de que os cultivos transgênicos podem proporcionar um potencial aumento de alergias em relação a cultivos convencionais. O laboratório de York, no Reino Unido, constatou que as alergias à soja aumentaram 50% naquele país, depois da comercialização da soja transgênica. Apesar destes riscos, alimentos transgênicos já estão à venda. No entanto, como os cultivos transgênicos não são segregados dos tradicionais - e como a regulação de rotulagem é inadequada - os consumidores estão sendo impedidos de exercer o seu direito de escolha, uma vez que não há como identificá-los. 62 Quem disse que é seguro? Embora a engenharia genética possa causar uma grande variedade de problemas para o meio ambiente e para a saúde, os testes para provar sua segurança são muito superficiais. Experimentos conduzidos para testar a segurança ambiental são normalmente de curta duração e realizados em pequena escala. Raramente eles duram mais do que uma estação, enquanto os danos ambientais podem levar anos para tornarem-se aparentes. Os testes sequer mostraram as conseqüências que poderão acontecer quando estes organismos forem introduzidos na natureza, por não reproduzirem as condições reais do meio ambiente. Eles reproduzem as condições que as plantas terão quando forem cultivadas, uma vez introduzidas no ambiente. O Professor John Beringer, presidente do British Advisory Committee on Releases to the Environment admitiu que “nós não podemos aprender nada de fato dos experimentos”. As medidas que tentam garantir a segurança dos alimentos transgênicos são tão fracas quanto as que tratam dos riscos ambientais. No entanto, autoridades que regulamentam este tipo de produto nos EUA, como o Departamento de Agricultura Americano e a FDA, continuam a aprovar o uso e a distribuição de produtos transgênicos. Na maioria dos casos, as decisões foram baseadas nas evidências apresentadas pelas próprias empresas. No Brasil, a CTN-Bio, órgão do governo que avalia a segurança dos alimentos geneticamente modificados, adotou o mesmo procedimento para dar o parecer positivo, em setembro de 1998, para variedades de soja da Monsanto. Na União Européia, há um critério mais rigoroso. Em função da pressão dos consumidores, a autorização para o plantio e comercialização para novos organismos transgênicos está suspensa até que a legislação seja reestruturada, porque esta não consegue assegurar padrões de segurança para o meio ambiente e a saúde humana. Nós estamos testemunhando um experimento global com a natureza e a evolução, cujos resultados são impossíveis de se prever. Testes inadequados e meios de controle regulatórios superficiais, que potencializam os efeitos danosos dos cultivos e alimentos transgênicos, talvez só sejam descobertos quando for tarde demais. Quem ganha? Em razão dos riscos associados à engenharia genética e a preocupação da opinião pública em geral a respeito da segurança de alimentos transgênicos, é difícil entender exatamente quem se beneficiará dos produtos desta tecnologia. As multinacionais agroquímicas, - ou as “empresas de ciência da vida” como elas se autoproclamam - que estão desenvolvendo e promovendo a biotecnologia, levantaram uma série de argumentos a respeito das vantagens a serem ganhas, mas poucas delas se sustentam. Eles argumentam, por exemplo, que os cultivos transgênicos aumentam a produtividade e que trarão benefícios, particularmente para pequenos agricultores nos países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, porém, estas mesmas companhias - muitas das quais são enormes corporações químicas - estão patenteando genes usados na produção de novos organismos. Uma vez as patentes protegidas, as sementes só estarão disponíveis através do pagamento de royalties anuais. Como resultado, os produtores não poderão mais guardar as melhores sementes para plantarem na estação seguinte, abandonando uma longa tradição. Além disso, como já está ocorrendo nos EUA, contratos legais estão forçando agricultores a usar a semente e o herbicida produzidos pela mesma empresa. As empresas de “ciências da vida” sabem que, atrás do controle sobre os cultivos básicos plantados no mundo (incluindo milho, arroz e trigo) e patenteando suas sementes, há uma margem de lucro muito grande a ser ganha. Se a corrente tendência de fusões continuar, um número pequeno de empresas controlará quase toda a produção mundial de alimentos. Clamando a posse destes genes, elas estarão gradualmente tomando conta da vida. 63 Bioética Bioética? Biologia Celular William Saad Hossne* Dos neologismos nascidos nas últimas 3 décadas, dois deles, em Molecular particular, vêm se tornando lugar comum: Globalização e Bioética. Ambos conquistaram os meios de comunicação, os ambientes acadêmicos, políticos e sociais. Recentemente, com a perspicácia própria de escritor, Ubaldo Ribeiro, quando perguntado por jornalista, disse não saber definir o que é globalização e achava que ninguém, honestamente, sabia. Com a palavra Bioética, algo semelhante, mas ao mesmo tempo diferente, vem ocorrendo. Sabemos como nasceu e conhecemos seu significado, no momento do parto. No início da década de 70, o oncologista Potter juntou Bio (vida) com Ética, para alertar os pesquisadores, em particular, os da área biomédica, quanto ao eventual uso eticamente inadequado dos avanços da biologia molecular e, em conseqüência, da biotecnologia (outro neologismo). Essa é a certidão de nascimento e o significado inicial da Bioética. À época, isso fazia sentido. Receava-se (como aliás se receia, com razão) o aparecimento e ou desenvolvimento de uma “Bomba Molecular”. Pode, à primeira vista parecer estranho que fundador da Sociedade Desde então, tanto se tem falado Brasileira de Bioética faça considerações em Bioética que se corre seriamente o risco aparentemente descabidas sobre Bioética. de se estar falando de coisas semelhantes (ou até mesmo diferentes) mas não É exatamente o contrário - é para necessariamente iguais. “Bioeticistas”, defender e assegurar o devido lugar de autoproclamados como tal, apresentam a destaque a Bioética. Ela é tão importante que Bioética como se nunca tivesse existido a não se pode correr o risco de torná-la apenas palavra (e o conceito) ética. Parece que a um “rótulo”, nem modernismo ou melhor um ética nasceu há 30 anos, com a palavra Bioética; nova panacéia, novo “rótulo “vedetismo” inconseqüente. moderno” que serve para reivindicar o que Por essa razão, rogo ao prezado leitor, quer que seja, para instrumentalizar que se este artigo merecer qualquer ideologias dos mais variados naipes, para referência, não a faça fragmentariamente. “tudo explicar” e tudo justificar ou impedir; Mas, afinal, o que é Bioética? Como um neologismo com sabor de grande descoberta conceitual? Enfim, um se pode defini-la? significado que confere sabedoria e Não importa definir. Aliás, a seriedade a quem o emprega? Enciclopédia de Bioética (Reich) com 2000 páginas dedica ao Verbete Bioética 13 páginas para concluir, em suma, que não dá para definir Bioética. O nosso Aurélio registra o verbete em sua última edição (1999): “estudo dos problemas éticos suscitados pelas pesquisas biológicas e pelas suas aplicações por pesquisadores, médicos, etc”. O que importa, isso sim, é caracterizar e salientar algumas das conseqüências trazidas pela Bioética e a ela inerentes, e o seu profundo significado. e A Bioética é, na essência e no fundo, a ética nas (e das) ciências da vida, da saúde e do meio ambiente. 64 Mas esse conceito não é suficiente para caracterizar a Bioética. Ele implica, obrigatoriamente, em diversos desdobramentos, todos eles imprescindíveis para a compreensão, para a prática e para a caracterização da Bioética. Os principais: - A Bioética não é mais apenas a análise e a discussão dos dilemas éticos, (feita por médicos) relacionados aos avanços da bio-medicina. Ela abrange os dilemas de avanços, sim, e também do “cotidiano” (expressão feliz criada por Berlinguer) das ciências da vida, da saúde e do meio ambiente. - A Bioética, enquanto ética, se preocupa com a reflexão crítica sobre valores; um juízo sobre valores diante dos dilemas. Nesse sentido, o advento da Bioética muito contribuiu para estabelecer a distinção entre moral e ética. A moral diz respeito a valores consagrados pelos usos e costumes de uma determinada sociedade. Daí a origem da palavra moral. Valores morais são, pois, valores eleitos pela sociedade e que cada membro a ela pertencente recebe (digamos passivamente) e os respeita. Ao passo que a ética é um juízo de valores -é um processo ativo que vem de “dentro de cada um de nós” para fora, ao contrário de valores morais que vêm de “fora para dentro” de cada um. A ética exige um juízo, um julgamento, em suma, uma opção diante dos dilemas. Nesse processo de reflexão crítica, cada um de nós vai por em jogo seu patrimônio genético, sua racionalidade, suas emoções e, também, os valores morais. - A Bioética é ética; nesse sentido, não se pode dela esperar uma padronização de valores - ela exige uma reflexão sobre os mesmos, e como dito, implica opção. Ora, opção implica liberdade. Não há Bioética sem liberdade. Liberdade para quê? Para se poder fazer opção, por mais “angustiante” que possa ser. O exercício da Bioética exige pois liberdade e opção. E esse exercício deve ser realizado sem coação, sem coerção e sem preconceito. A Bioética exige também humildade para se respeitar à divergência, e grandeza para reformulação, quando ocorre a demonstração de ter sido equivocada a opção. Condição sine qua non exigida pela Bioética, enquanto tal, diz respeito à visão pluralista e interdisciplinar dos dilemas éticos nas ciências da vida, da saúde e do meio ambiente. Em outras palavras, a análise do dilema pressupõe sempre, em Bioética, não apenas a participação multi, mas interdisciplinar (isto é, incorporação em cada disciplina a visão das outras). Um problema de saúde, na prática Bioética, exige que o mesmo não seja avaliado apenas pelas profissionais de saúde, mas também por diversos outros participantes, inclusive os próprios pacientes envolvidos. Compreende-se, assim, a improcedência da afirmativa de que a Bioética é a nova ética médica, por exemplo. É ao contrário; a ética médica precisa ser avaliada dentro da Bioética. Diante do exposto, há de se convir que a Bioética com tais pressupostos e tais características, oferece excelentes condições para o desenvolvimento da própria cidadania e da “evolução” de cada um de seus participantes. Um dos grandes méritos da Bioética é o de levar a ética à sociedade e trazer a sociedade para a ética, criando os fundamentos éticos do controle social nas ciências da vida. 65 Apenas para ilustrar, aí está o Projeto Genoma Humano suscitando diversas questões de natureza ética que não podem ser analisadas apenas por médicos, por biólogos, por economistas, por políticos, etc. O enfoque há Biologia que ser o da Bioética, envolvendo os diversos segmentos da sociedade. É digno de destaque o fato de que a Bioética nessa sua trajetória, Celular e buscando seu caminho, foi também abrindo novas vias, novos horizontes, Molecular novas perspectivas em diversas outras disciplinas (principalmente naquelas que atuam na interdisciplinaridade da Bioética). A própria ética das corporações (idealmente não corporativista) passa a ser reavaliada não só de “dentro para fora”, mas também de fora para dentro. A onda da Bioética vem atingindo diversos setores relacionados à atividade humana, aí incluídos também a esfera cultural. A meu ver, excelente peça, altamente demonstrativa do que vem a ser Bioética, é a Resolução 196/96-MS, referente à pesquisa envolvendo seres humanos, no Brasil. A peça é toda ela de Bioética, desde sua concepção, sua elaboração, suas disposições e suas práticas e, por isso mesmo, se reveste de pioneirismo nesse campo. Bioética? Bioética, sim. *Médico, professor titular da Faculdade de Medicina da Unesp/Botucatu. Bioética e Reprodução Humana Profº. José Roberto Goldim O objetivo da reprodução é a geração de novos indivíduos. Uma questão de extrema atualidade é a caracterização do momento em que o novo ser humano passa a ser reconhecido como tal. Atualmente podem ser utilizados dezenove diferentes critérios para o estabelecimento do início da vida de um ser humano. As tentativas de realizar procedimentos de reprodução medicamente assistida foram iniciadas no final do século XVIII. Em 1978 estes procedimentos ganharam notoriedade com o nascimento de Louise Brown, na Inglaterra, que foi o primeiro bebê gerado in vitro. O Governo Inglês, em 1981, instalou o Committee of Inquiry into Human Fertilization and Embriology, que estudou o assunto por três anos. As suas conclusões foram publicadas, em 1984, no Warnock Report. Neste mesmo ano, nascia na Austrália um outro bebê, denominado de Baby Zoe, que foi o primeiro ser humano a se desenvolver a partir de um embrião criopreservado. Em 1987, a Igreja Católica publicou um documento - Instrução sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação - estabelecendo a sua posição sobre estes assuntos. A partir de 1990, inúmeras sociedades médicas e países estabeleceram diretrizes éticas e legislação, respectivamente, para as tecnologias reprodutivas. A Inglaterra, por exemplo, estabeleceu os limites legais para a reprodução assistida em 1991, com base nas proposições do Warnock Report. No Brasil, Conselho Federal de Medicina, através da Resolução CFM 1358/92, instituiu as Normas Éticas para a Utilização das Técnicas de Reprodução Assistida, em 1992. Os aspectos éticos mais importantes que envolvem questões de reprodução humana são os relativos à utilização do consentimento informado; a seleção de sexo; a doação de espermatozóides, óvulos, pré-embriões e embriões; a seleção de embriões com base na 66 evidência de doenças ou problemas associados; a maternidade substitutiva; a redução embrionária; a clonagem; pesquisa e criopreservação (congelamento) de embriões. Um importante assunto, de crescente discussão ética, moral e legal é o aborto. Independentemente da questão legal, existe nesta situação um conflito entre a autonomia, a beneficência, a não-maleficência e a justiça da mãe, do feto e do médico. Os julgamentos morais sobre a justificativa do aborto dependem mais das convicções sobre a natureza e desenvolvimento do ser humano do que das regras e princípios. Uma área bastante complexa é a que envolve aspectos reprodutivos de casais homossexuais. Casais homossexuais femininos podem solicitar que um serviço de reprodução assistida possibilite a geração de uma criança, em uma das parceiras utilizando sêmen de doador. O médico deve realizar este procedimento equiparando esta solicitação a de um casal heterossexual? Ou deve ser dada uma abordagem totalmente diversa? A própria questão de adoção de crianças por homossexuais tem sido admitida em vários países, inclusive no Brasil. As reflexões utilizadas na reprodução medicamente assistida podem ser transpostas às questões de adoção (reprodução legalmente assistida)? A adoção, com as suas inúmeras maneiras de realização, desde as legais ou oficialmente mediadas pelo Estado até as realizadas de maneira informal, comporta um grande questionamento ético. A seleção de crianças por parte dos futuros pais adotivos, o estabelecimento de critérios sociais por parte das autoridades, a invasão de privacidade que os pretendentes sofrem em suas vidas, com a finalidade de preservar possivelmente o melhor bem-estar para acriança adotada, são algumas questões que merecem reflexão. Por fim, uma outra questão que está propondo desafios éticos é do prosseguimento de gestações em mães com critério de morte encefálica. Já existem casos relatados, inclusive no Brasil, de situações onde a mãe ou seus familiares solicitam que todas as medidas de suporte vital sejam utilizadas para que a gestação possa resultar em um bebe viável. As equipes médicas podem atender a um demanda destas? Como fica o critério encefálico de morte nestas situações? Esta paciente, já considerada morta, continua sendo paciente, ou o seu bebe é que assume este status? Neste caso, quando que a mãe será considerada morta? Estas questões merecem ser refletidas e discutidas nos seus aspectos mais amplos. @ [ ] Agora é hora de TRABALHAR Bioética divide a sociedade Polêmica em todo o mundo, a aplicação de novas tecnologias no plantio, reprodução e em pesquisas divide a comunidade científica, organizações em defesa da vida e religiosos. Transgenia, clonagem e estudos com células-tronco geram um intenso debate entre ética e ciência, que já modificou a legislação de diversos países. 67 No Brasil, o Senado aprovou em outubro passado o projeto de Lei de Biossegurança. O novo texto substituirá uma lei de 1995 e mantém a possibilidade do plantio de transgênicos no país e de pesquisas com células Biologia embrionárias de seres humanos. O projeto exige, entretanto, que os embriões Celular e tenham, no mínimo, três anos de estocagem, descarta sua produção para a Molecular retirada de células-tronco com objetivo terapêutico e proíbe a clonagem humana. Segundo o coordenador do curso de Biomedicina da Universidade Metodista de São Paulo, Rogério Gentil Bellot, a legislação brasileira ainda burocratiza e encarece as novas técnicas de reprodução, como a assistida, por exemplo, quando os casais são inférteis. “Tiram-se oito óvulos da mãe e os fecundam com o esperma do pai. Metade é implantada na mãe e metade fica congelada a -200ºC em nitrogênio líquido. Eles ficam guardados porque a legislação os considera vivos e não permite descarte. Se são vidas ou não, é uma discussão muito ampla, mas isso gera um custo enorme de manutenção desses zigotos, que talvez pudessem ser utilizados para pesquisa, porque eles são formados praticamente por células-tronco”, explicou Bellot. Em outros países, as posições em relação a esses temas também variam quanto às crenças locais. Nos Estados Unidos, por exemplo, o plantio de alimentos transgênicos é liberado desde 1993. Lá, o agricultor que cultiva essas sementes recebe incentivo e até subsídio do Governo. Quanto ao estudo com células-tronco, apenas recentemente o presidente George W. Bush liberou recursos para essas pesquisas. “França, Alemanha, Itália e outros países europeus avançam bem nesses estudos”, disse o coordenador. “Já os EUA são mais tradicionais”, afirmou Bellot ao se referir ao conservadorismo do Governo norte-americano. A controvérsia se resume basicamente entre o avanço científico e suas conseqüências na vida humana. Ao mesmo tempo em que busca a cura de doenças degenerativas e progressivas, a evolução científica também pode agredir o meio ambiente e destruir a camada de ozônio com a emissão de poluentes biológicos. “O que tem de ser colocado na balança, assim como acontece com o uso dos medicamentos, é [a relação] custo-benefício. Por um lado, podem-se aplicar as novas descobertas para a melhoria da qualidade de vida, mas, ao mesmo tempo, corremos o risco de alterar o ciclo natural das coisas”, salientou Bellot. Questões econômicas Alimentos geneticamente modificados em laboratórios com a utilização de genes de espécies diferentes de animais, vegetais ou micróbios, os transgênicos são bastante polêmicos porque envolvem questões econômicas, de saúde e aspectos ambientais. No Brasil, a soja, produto de maior exportação nacional (cerca de US$ 10 bilhões em 2004, segundo o Ministério da Agricultura), teve sua comercialização transgênica liberada até 31 de janeiro de 2006. De acordo com laboratórios e empresas internacionais, que detêm a patente de produtos transgênicos, os alimentos geneticamente modificados não apresentam riscos à saúde humana. Eles afirmam que a transgenia faz parte do cotidiano, já que há grãos alterados em laboratórios em produtos comercializados, como cereais e bolachas. Já o Greenpeace, uma das maiores entidades de proteção ao meio ambiente do mundo, é contra os alimentos transgênicos. A Organização desenvolve campanhas em diversos países contra o uso e comercialização de produtos geneticamente modificados. Fabio Leite 68 1. Após leitura do texto acima, retire as idéias centrais do mesmo e relacione-as aos aspectos que você considera ético e moral. - Os Riscos dos Transgênicos: Como os transgênicos podem afetar a saúde: - Superbactérias: 1. Algumas plantas geneticamente modificadas recebem um gene de resistência a antibióticos. É uma forma de saber se a transformação foi bem sucedida. 2. Esse gene provoca o aumento da taxa de transferência do DNA, ou seja, da facilidade com que pedaços do código genético da planta passam de um organismo para outro. 3. Há um risco teórico de que as bactérias do intestino humano absorvam esse gene, tornando-se resistentes aos antibióticos. Aí, qualquer doença, mesmo simples, pode se tornar um problema grave. - Alergias: 1. Para se defender de agressores, a planta produz diversas substâncias que podem ser tóxicas ao homem, provocando alergia. 2. Um único gene “alienígena” poderia alterar o equilíbrio de várias dessas substâncias, aumentando sua produção. Um estudo feito com soja transgênica mostrou que ela é mais alergênica que a soja normal. 3. Como ninguém conhece todos os genes das plantas, alguns especialistas afirmam que faltam estudos para avaliar a segurança dos transgênicos. Como os transgênicos podem afetar o ambiente. - Superpragas: 1. Boa parte dos chamados transgênicos de primeira geração recebem um gene que os tornam resistentes a herbicidas e inseticidas. Assim, podem receber mais agrotóxicos que o usual. 2. A quantidade exagerada de veneno pode, teoricamente, criar ervas-daninhas e insetos extremamente resistentes, que não poderiam mais ser combatido pelos defensivos agrícolas comuns. 3. Para evitar o problema, discute-se nos EUA um sistema de refúgio de espécies. Ou seja, o agricultor plantaria uma certa porcentagem (entre 10% e 50%) de plantas nãomodificadas para garantir o cruzamento entre espécies de pragas e, assim, diminuir a resistência. - Cruzamento perigoso: 1. Em lugares onde há espécies agrícolas selvagens (como é o caso do milho no México), o pólen de um transgênico poderia fecundar espécies nativas, reduzindo a biodiversidade. - Alvo errado: 1. Uma variedade de milho transgênico recebe um gene de bactéria para produzir uma toxina mortal para as pragas mais comuns da lavoura. 2. Acontece que essa toxina é pouco seletiva: ela pode atingir também espécies não-alvo, que habitam o milharal, mas não atacam a lavoura. O caso é crítico no Brasil, onde há muitas espécies desconhecidas. 69 Atividade Orientada Biologia Celular e Molecular Caro(a) aluno(a), Esta atividade deverá ser desenvolvida, por você, ao longo do desenvolvimento da disciplina Biologia Celular e Molecular, sob assistência e orientação do tutor no ambiente de tutoria. Vale ressaltar, que a atividade orientada não se restringe, apenas, a uma atribuição quantitativa, mas, principalmente, prima por avaliar qualitativamente seu aprendizado e desempenho na disciplina. Além disso, objetivamos contribuir para o desenvolvimento e aprimoramento do futuro profissional do licenciando em Biologia de maneira instigante, interessante e inteligente, alinhando o tema transversal deste 3º período “A educação na formação de valores morais” com os conteúdos específicos trabalhados nesta disciplina. A atividade proposta é formada de 03 etapas e constará da construção de um Mapa Conceitual e uma história em quadrinhos sobre os temas citados acima, fazendo uso do artigo “Britânicos anunciam projeto para estudar proteínas humanas” que se encontra no tema 1 do material impresso. É bom lembrar que essa atividade é obrigatória e que você deve ler atentamente e seguir as instruções. Etapa 1 (INDIVIDUAL, VALOR = 3,0) É importante que a primeira etapa seja feita individualmente para elencar os conceitos relacionados à disciplina Biologia Celular e Molecular e o tema transversal deste 3º período “A educação na formação de valores morais”, para depois ser partilhada pelo grupo. Apesar de trabalhosa, é nesta etapa, quando estamos de frente com os conhecimentos construídos durante a disciplina, é que temos uma análise real daquilo que, individualmente realmente sabemos. Para isto, é necessário que você saiba a distinção entre objetos e eventos. Siga passo-a-passo e tudo dará certo. DISTINÇÃO ENTRE OBJETOS E EVENTOS a) Liste todas as palavras que você relaciona aos temas citados, fazendo uso do artigo e separe uma lista de objetos (por exemplo, cachorro, gato, cadeira, célula, cromossomo etc.) e outra de eventos (por exemplo, jogo, chuva, amor, reprodução, pensamento, etc.). b) Estabeleça critérios que diferenciem as duas listas. Cite os critérios que você utilizou. Uma vez feito isto, o que você percebeu? A que conclusão você chegou? c) O que você pensa quando ouve as palavras da primeira e as da segunda lista? Agora você já pode ter a sua própria noção de conceito, enfatizando que as imagens mentais que temos de cada palavra são nossos conceitos. d) Perceba, também, o fato de que, a despeito de usarem as mesmas palavras, as pessoas podem pensar coisas ligeiramente diferente sobre elas, ou seja, os conceitos, além de seu caráter geral, também reúnem aspectos individuais e pessoais. Os conceitos se ampliam à medida que nosso conhecimento se expande, uma vez que novos conceitos 70 estão sempre se incorporando à nossa rede conceitual. Célula, por exemplo, é um conceito. O termo “célula” designa os pequenos objetos microscópicos que compõem a estrutura da quase totalidade dos seres vivos. Eventos são processos ou fenômenos, como, por exemplo, fotossíntese. Etapa 2 (EQUIPE, VALOR = 4,0) A construção do mapa conceitual será realizada em grupos, sendo a sua organização sob a orientação de seu tutor. Antes de começar o trabalho conheça um pouco sobre mapas conceituais: o mapa de conceitos tem o objetivo de representar conceitos relacionados a um tema escolhido, dentro de molduras e conectá-los por setas que indicam a relação entre eles, ampliando assim os conhecimentos relativos ao assunto e sua interação. MAPA CONCEITUAL Ou MAPA DE CONCEITOS, é uma maneira esquemática de representar relações entre conceitos. Em sua forma mais simples, um mapa consiste de dois conceitos unidos por uma ou mais palavras de ligação. “Célula tem metabolismo”, por exemplo, representa um mapa de conceitos simples, com uma proposição válida sobre os conceitos célula e metabolismo. Mapas mais complexos consistem em um conjunto de conceitos organizados de forma hierárquica e conectados por setas que indicam as relações entre eles. Auxiliam o professor a planejar seu curso e a escolher as estratégias pedagógicas mais adequadas ao ensino de cada assunto. Permitem separar as informações significativas das supérfluas ou menos importantes, o que é muito útil na organização de currículos escolares. Ajudam o estudante a distinguir os conceitos-chaves em determinado assunto, além de tornar claras as relações entre os novos conhecimentos adquiridos e aqueles que o estudante já possui. Segundo Amabis & Martho (1986) a técnica de mapeamento de conceitos é apresentado por J. D. Novak e D. B. Gowin, no livro Learning how to learn e que resume os princípios básicos da construção dos mapas de conceitos e contêm exemplos e sugestões para a aplicação desses princípios no trabalho pedagógico. Você pode baixar um programa para construir mapas conceituais no site http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/170_mar04/html/software, que lhe ajudará a construir o seu. O software trabalha com a montagem do mapa conceitual (veja figura abaixo), espécie de organograma de idéias com um conjunto de substantivos inter-relacionados. Os grandes conceitos aparecem dentro de caixas — que podem ser linkadas com imagens ou outros mapas — enquanto as relações entre eles são feitas por frases e verbos de ligação. 71 CONSTRUÇÃO DO MAPA CONCEITUAL a) Com base nos estudos realizados na disciplina Biologia Celular e Biologia Molecular e o tema transversal deste 3º período “A educação na formação de Celular e valores morais”, além de fazer uso do artigo “Britânicos anunciam projeto para Molecular estudar proteínas humanas” selecione os conceitos e eventos sobre os temas acima; b) Organize os conceitos selecionados; c) Construa o mapa; você pode utilizar qualquer editor de texto ou, se quiser, use o programa do site: http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/170_mar04/html/software; d) Faça a reorganização do mapa partindo dos conceitos mais simples para os mais complexos; e) Agora, com o conjunto de conceitos e eventos organizados de forma hierárquica, conecte-os utilizando-se de setas, indicando frases com no máximo 3 palavras que servirão de elemento de união e indicarão a relação entre eles, conforme o mapa da figura acima; f) Faça uma revisão final para se certificar da coerência da relação dos conceitos, eventos e elementos de ligação e ele está pronto para ser entregue. Etapa 3 (DUPLA, VALOR = 3,0) Nesta etapa, formem duplas e elabore uma história em quadrinhos, utilizando o artigo “Britânicos anunciam projeto para estudar proteínas humanas” e o tema transversal deste período. A história deve conter, no máximo, 20 quadrinhos ilustrados (desenhos ou colagens) e seja direcionada para o Ensino Fundamental. Esperamos que para a realização deste trabalho, você cumpra as etapas de forma criativa, interessante e inteligente. Sucesso! 72 Glossário Ácido desoxirribonucléico (DNA): (1) material genético primário da maioria dos organismos, constituído de duas fitas complementares de polinucleotídeos. (2) A base da vida. Uma grande macromolécula cuja seqüência de subunidades (os nucleotídeos) codifica a informação genética. Ácido ribonucléico (RNA): ácido nucléico envolvido na transferência da informação genética e sua decodificação em uma cadeia polipeptídica. Em alguns vírus ele é o material genético primário. Anabolismo: metabolismo sintético e construtivo. ATP (trifosfato de adenosina): substância formada pela união química de adenina, ribose e três grupos fosfato; participa dos processos energéticos fundamentais dos seres vivos. Autofagia: nutrição à custa da própria carne. Catabolismo: conjunto dos atos de desassimilação fisiológica. Cromossomos: cada um dos filamentos presentes no núcleo das células eucariontes, constituído basicamente por DNA e proteínas; nele situam-se os genes. Colesterol: substância cristalizada dos cálculos biliares do homem e que é encontrada no sangue ao mesmo tempo. Eucarionte: célula ou ser vivo que apresenta o núcleo organizado. Fagocitose: processo pelo qual certas células englobam partículas relativamente grandes, com o auxílio de pseudópodes. Gametas: célula cuja função é a de se unir a outro gameta, dando origem ao ovo ou zigoto; faz parte do ciclo sexuado de reprodução. Genoma: lote completo de gene, típico da espécie; uma célula haplóide tem um genoma; uma diplóide tem dois genomas. Hemácea: glóbulo vermelho ou eritrócito; célula vermelha do sangue; possui hemoglobina e é responsável pelo transporte de gás oxigênio Hipertônico: diz-se da solução cuja concentração em soluto é relativamente maior que a de outra (hipotônica). 73 Hipotônico: diz-se da solução cuja concentração em soluto é relativamente menor que a de outra(hipertônica). Isotônica: diz-se de uma solução de concentração equivalente a uma Celular e outra, usada como referência. Biologia Molecular Permease: enzima associada à membrana plasmática, que facilita a entrada de substâncias na célula. Pinocitose: processo pelo qual a célula engloba gotículas líquidas ou pequenas partículas através dos canalículos que se aprofundam na célula. Pluricelulares: diz-se do organismo que é formado por muitas células. Unicelulares: diz-se do organismo que é formado por uma única célula. 74 Referências Bibliográficas ALBERTS, B. ; Bray, D. ; Lewis, J. ; Raff, M. ; Roberts, K. ; Watson, J. - Biologia Molecular da Célula. 3a edição - Artes Médicas - 1997. 1294pp. BRUCE, A et al.Biologia Molecular da Célula; terceira edição, Ed. ArtMed,1997.p.11.cap.1. CORMACK, D.H. - Histologia. 9a edição - Guanabara Coogan - 1991. 570pp. DE ROBERTIS, E.D.P. e De Robertis Jr., EMF - Bases da Biologia Celular e Molecular. 2a edição - Guanabara Coogan - 1993. 307pp. FAWCETT, D.W. – Bloom and Fawcett – A Textbook of Histology. W.B. Saunders Company – eleventh edition – 1986. 1017pp. Fox, E.L., and Mathews, D.K. Bases fisiológicas da educação física e dos desportos. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. GARTNER, Leslie P. & HIATT, James L. Tratado de Histologia. 1 ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan S. A. 1999. 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Disponível on-line em: www.elettra200.it/scienza/immagini. Acesso em: 06 jan. 2004b. Biologia ________. Disponível on-line em: www.orion.ufrgs.br/HCPA/gppg/ Celular e biorepr.htm. Acesso em: 15 nov 2005. Molecular Figuras. Disponível on-line em: www.biomania.com.br/citologia/ respiracao.php Acesso em: 14 jan. 2004b. _______. Disponível on-line em: www.ficharionline.com.br. Acesso em: 17 jan. 2004b. ______. Disponível em: http://www.superzap.com/biblioteca/?cat=biologia&page2=citogenetica_humana. Entrevista. Folha Online. Disponível on-line em: www.folhaonline.com.br. Acesso em: 22 jul. 2002b. _______. Especial “Transgênicos” S.Paulo, ago/2000. Disponível em: www.folhaonline.com.br. Acesso em: 22 ago 2005. 76 Anotações 77 Anotações Biologia Celular e Molecular 78 Anotações 79 Biologia Celular e Molecular FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância Democratizando a Educação. www.ftc.br/ead 80